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ARTIGOS

Fonoaudiologia em saúde
pública/coletiva: compreendendo
prevenção e o paradigma
da promoção da saúde

Regina Zanella Penteado*
Emilse Aparecida Merlin Servilha**

Resumo

O paradigma da saúde e promoção da saúde representa transformações importantes nos pressupostos,
diretrizes, políticas, concepções e práticas em Saúde Pública/Coletiva, com repercussões na formação e
nos papéis sociais dos profissionais da saúde. Na Fonoaudiologia e em diversas áreas prevalecem dúvidas
e confusões na compreensão do conceito de Promoção da Saúde, ainda entendido como parte do modelo
de prevenção proposto por Leavel e Clark (1976). O objetivo deste artigo é apresentar algumas diferenças
entre prevenção e Promoção da Saúde, de maneira a subsidiar reflexões e discussões sobre as tendências
atuais e as perspectivas futuras da Fonoaudiologia em Saúde Pública/Coletiva, referenciadas pelos
pressupostos da Promoção da Saúde.

Palavras-chave: promoção da saúde; prevenção; saúde pública; fonoaudiologia.

Abstract

The paradigm of health and health promotion represents important transformations in the guidelines,
policies, concepts, beliefs and practices of public/collective health, with repercussions on the education
and social rules of health professionals. In speech and language therapy and several other areas, doubts
and misunderstandings of the concept of health promotion still prevail and it is still understood as part of
the prevention model proposed by Leavel and Clark (1976). It is necessary to understand the concepts
and conceptions underlying the health promotion proposal, especially regarding aspects which make it
distinct from prevention. The objective of this article is to present some differences between health
prevention and health promotion in order to subsidize reflections and discussions on the present trends
and future perspectives of speech and language therapy in public/collective health, based on the theories
of Health Promotion.

Key-words: health promotion; prevention; public health; speech-language pathology.

*
Fonoaudióloga, doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP); espe-
cialista em Linguagem (CFFa); especialização em Voz (CFFa); docente do Curso de Fonoaudiologia da Universidade Metodista
de Piracicaba – Unimep. ** Fonoaudióloga, doutora em Psicologia (Ciência e Profissão) pela Pontifícia Universidade Católica de
Campinas (PUC-Campinas); docente dos cursos de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-
Campinas e da Universidade Metodista de Piracicaba – Unimep.

Distúrbios da Comunicação, São Paulo, 16(1): 107-116, abril, 2004 107

con repercusiones en la formación y en los papeles sociales de los profesionales del área de salud. conforme será abordado mais adiante neste trabalho. directrices. referenciadas por los conceptos de promoción de salud. são divergentes? A área preventivo-comunitária é uma das mais É nesse contexto que este artigo se propõe a transi- recentes no percurso histórico da Fonoaudiologia tar. Entretanto. Por fim. constituinte e agente. na Fonoaudiologia emprego do termo Promoção da Saúde. São Paulo. El objetivo de este artículo es presentar algunas diferencias entre la prevención y la promoción de salud. nas diversas profissões da saúde. da (re)construção de sua Faz-se relevante que a Fonoaudiologia acom- identidade e caracterização da práxis em Saúde panhe as mudanças teórico-metodológicas do cam- Pública/Coletiva. diologia em Saúde Pública/Coletiva. Regina Zanella Penteado. ainda predomina uma diversi. de modo a possibilitar a compreensão uma análise mais cuidadosa evidencia. consciente.1 po da Saúde Pública/Coletiva e. contribuição para futuras agendas de pesquisas em 1 Neste trabalho preferem-se os termos “fonoaudiologia em saúde pública/coletiva” ou “fonoaudiologia comunitária” . 2 Entende-se ator social como um sujeito reconhecido em sua autonomia. fluenciando mudanças na sociedade. participe do processo de implantação de uma políti- cionais e internacionais sofreram transformações ca de saúde nacional. sidiadas por esta nova perspectiva de entender a Seria a promoção da saúde uma parte da pre. conforme Paim (1994) e L’Abbate (1994). ra reflexiva. definindo seu papel e lugar significativas nos últimos 20 anos. dada a restrição que este último representa à práxis fonoaudiológica. destacam-se algu- ção às vezes equivocada de que Promoção da Saúde mas tendências atuais e perspectivas futuras da seja apenas um novo nome. na concepção Este artigo tem como objetivo apresentar espe- de saúde e em seu modelo de atenção. a superficialidade da fundamentação cas a elas subjacentes em cada contexto histórico- teórico-conceitual e das concepções que as nor. cificidades e diferenças entre os conceitos de pre- ção dos serviços. As diretrizes e políticas de Saúde Pública na. o que leva o leitor a construir uma percep. oferecer uma A saúde é entendida igualmente no modelo pre. referenciadas dade de interpretações em relação a esse conceito pelos pressupostos da Promoção da Saúde. fonoaudiología. 2004 . brasileira. com esse artigo. prevención. venção? Há diferenças entre esses conceitos? Pretende-se. em seguida. pautando-se por elas. social. políticas. entre os dois modelos. dos enfoques e das concepções teóri- das vezes. nos dois modelos. e destacar algumas atores sociais2 e na formação dos profissionais da tendências atuais e perspectivas futuras da Fonoau- saúde. na organiza. uma nova roupagem Fonoaudiologia em Saúde Pública/Coletiva. concepciones y prácticas en Salud Pública Colectiva. responsável e atuante. Palabras-clave: promoción de la salud. especialmente no que diz respeito ao paradigma. abril. de manera a propiciar reflexiones y discusiones sobre las tendencias actuales y las perspectivas futuras de la Fonoaudiología en salud pública / colectiva. sub- para a já conhecida prevenção. observa-se o crescente área preventivo-comunitária.ao termo “fonoaudiologia preventiva”. Emilse Aparecida Merlin Servilha ARTIGOS Resumen El paradigma de salud y promoción de salud representa transformaciones importantes en conceptos. buscando esclarecer algumas questões e levan- brasileira e encontra-se em processo de conquista tar pontos para reflexões. representadas junto à Promoção da Saúde da população de manei- pela proposta de Promoção da Saúde. salud pública. ao mesmo tempo. apresentam-se as diferenças teiam. de suas especificidades. na maioria das práticas. cultural e social do qual ele é. contudo. aún entendido como parte del modelo de prevención propuesto por Leavel y Clark (1976). En Fonoaudiología y en diversas áreas prevalecen dudas y confusiones en la comprensión del concepto de promoción de salud. e vêm in. um cidadão inserido em um contexto histórico. enfoque ou o modelo a ser assumido. representante . Inicia-se com um breve resgate do percurso da Na Fonoaudiologia. político. Introdução ventivista e naquele voltado à Promoção de Saúde? As ações. 16(1): 107-116. 108 Distúrbios da Comunicação. saúde e seus desdobramentos. nos papéis desempenhados pelos venção e promoção da saúde.

1996) que se apóia em bem-estar físico. Promoção da Saúde. Metodologia 1999). Tal concepção desconside- de Pública/Coletiva –. ca numa perspectiva social. 1995). mas no aluno e atribuía ao indivíduo a questão da dentre outras. mas sim iniciar um diálogo para fecundas sificação dos indivíduos como doentes ou saudá- discussões. nas décadas de 20. Smeke e Oliveira. de/doença era reduzida à realização de testes e exa- tretanto. nização dos serviços. contexto em que a complexidade do processo saú- rência os pressupostos da Promoção da Saúde. referenciada pelos pressupostos da vel à maioria das pessoas. Integridade gienista nacional e as idéias escolanovistas da edu. a nova política de saúde e desenvolvimentista que tinha. segundo Cavalheiro (1996). safios do trabalho em Saúde Pública. saúde era um estado estanque. e Eqüidade. então. pectivas futuras da Fonoaudiologia em saúde pú. não mais Nesse período. em conformidade com a nova política de saú- (Masson. pios doutrinários de Universalização. na escola. ausência de doenças”. de. no las discussões e reestruturações internacionais no contexto sociopolítico do movimento nacionalista campo da atenção à saúde. por ção à saúde e da formação dos profissionais da saú- meio da fixação de limites entre o normal e o pato. contratação de novos profissionais para os qua- lógico. ampliar e redirecionar a prática fonoaudiológi- das à margem da realidade de vida da população. A concretização dessa reforma sanitá- cação. o O fonoaudiólogo iniciou sua prática voltada SUS – Sistema Único de Saúde. localizava os proble. entre as décadas de 50 a 70. a reorga- so mais amplo de pedagogização da saúde. idealizado e praticamente inatingível ou inaplicá- blica/coletiva. mudança do modelo de aten- calização da educação e de exclusão social que. configuravam-se como elitistas e excludentes. as práticas de Higiene Escolar. 2004 109 . Aquela atua- noaudiólogo direcionou seu trabalho para os con. o saudável e o doente. culada às condições de vida da sociedade e princí- fletindo a ideologia do Estado Novo. determinação saúde/doença mantendo longe do No início da década de 90. dros públicos (dentre os quais o fonoaudiólogo). apresenta rava os aspectos dinâmicos e processuais da con- algumas peculiaridades e diferenças entre preven. medi. Fonoaudiologia em saúde pública/coletiva: compreendendo prevenção e o paradigma da promoção da saúde ARTIGOS Fonoaudiologia nos eixos de Saúde Pública/Cole. Educação em ria implica uma série de transformações: o redi- Saúde ou Saúde Escolar configuravam um proces. como ponto de partida e objetivos concretos na realidade cotidiana já que. inserção de fonoaudiólogos nos serviços públicos ções de trabalho e vida da população (Gomes. Influenciada pe- para a saúde escolar. Distúrbios da Comunicação. da Saúde: saúde como “um estado de completo rico reflexivo (Severino. ou o distúrbio da comunicação e que privilegia. en. cuja formação legitimava as prá. a doutrina hi. para a clas- assunto. mental e social. ção elitista e excludente. nessa concepção. em detrimento um movimento de reflexão e de mudanças que de- de ações preventivas ou de maior alcance veria. 2001). não se tem. 16(1): 107-116. isolado de seu contexto histórico-cultural. A concepção de saúde predominante era a preconizada em 1948 pela Organização Mundial O presente trabalho refere-se a um ensaio teó. Iniciou-se. coletiva e preventiva. assumir uma postura crítica perante a sua prática e ticas que tinham como foco de atenção a doença a sua própria identidade. veis. o Brasil passou por vinte anos de re- gime de ditadura militar e somente no final dos anos Resgate histórico 80. focalizada no indivíduo sultórios particulares e clínicas de reabilitação. o fo. A seguir. num tiva ou Preventivo/Comunitária. o lugar brasileira avançou na consideração da saúde vin- privilegiado para a reorganização da sociedade. e. São Paulo. com a significativa foco das discussões as políticas sociais e as condi. a partir deles. dição de viver e obscurecia a formulação de ações ção e promoção da saúde. desse profissional não dava conta dos (novos) de- Mais tarde. Re. a pretensão de esgotar o mes e à verificação da sintomatologia. surgiram os primeiros cursos de interessava a uma Fonoaudiologia que começava a Fonoaudiologia. de saúde. de. e não somente a referenciais interdisciplinares – em especial da Saú. aqui. 1995. ocorreu a implantação da nova política de saúde. 30 e 40. tendo como refe. 1991. vam a reabilitação clínica individual. para discussão de algumas tendências atuais e pers. e a ação terapêutica era voltada para a neutra- lização dos sinais e sintomas observados (Fontes. constatou-se que a formação e a atuação Berberian. abril. por serem realiza. durante o processo de redemocratização do país. Tais práticas. mensionamento da concepção de saúde.

cia desse foco de atuação. nesse modelo de pre. direi. atividade física e etc. espirituais. dor de toda e qualquer prática em saúde. da Saúde. conforme já ressaltavam Masson (1995) e Lewis genia (pré-patogênico. as peculiaridades da comunicação e do sujeito co- lo de Fonoaudiologia Preventiva fundamentado no municante. e período patogênico. com Andrade (1996). moção da Saúde que. desse modo. transporte. secundária ele que vem referenciando os profissionais fonoau- e terciária. ele apre- mudanças. mesmo representando um imbuídos de um espírito crítico instaurador de avanço para as práticas de saúde da época. grupos e populações de risco papel e suas ações numa sociedade tão desigual e de adoecimento. de indivíduos e/ou gru- ca. pos focalizados. dores de doenças particulares. ferentes contexto sociais (clínico. no âmbito de sistemas de serviços de saú. políti. venção primária” para se constituir no eixo nortea- pas de trabalho em níveis de complexidade cres. segundo os períodos de pato. tural das Doenças”. que não abarca Instaurou-se. ção e seus desdobramentos na práxis profissional. que levam do pré-patogênico. Ocorre que. antes de a doença se insta. dos conceitos de saúde e doença. já que os mesmos parecem não reconhecer seu tado para indivíduos. um equívoco se instaura rísticas biológicas. que promovem saúde quando não há doen. os ma que desloca o eixo patologia/tratamento/con- fonoaudiólogos encontram. institucional e ça. Regina Zanella Penteado. cos e culturais de cada contexto/comunidade. e interferindo nos avanços conceituais. é desenvolver uma saúde geral ótima. 110 Distúrbios da Comunicação.) e fatores pessoais (caracte. a Promoção da Saúde vem sendo tou.) que possam abrangência. ao lado da proteção específica. O ob. críticas e inadequações encontra instalada). Alia-se a isso uma tradição de ações em saúde primária. após a segunda metade da década Essa noção dos “níveis de prevenção” orien. e propõe a divisão da preven. no perío. a Promoção Modelos que têm como fio condutor a doença da Saúde transcende uma etapa ou “nível de pre- e sua progressão propõem ações que envolvem eta. de 90. 2004 . nas Cartas e Declarações das Conferências Inter- de. de da relação homem-vida-saúde. nas quais diólogos em suas práticas em saúde pública/coleti- aplicam-se medidas específicas. lingüís. compreensão do verdadeiro sentido de Promoção lo. Apesar da relevân- tos assegurados e etc. 16(1): 107-116. sustentadas por concepções positivistas. senta limites pouco abordados no campo da Fo- duzir e a publicar diversos relatos de experiências noaudiologia. segundo esse mode. um referencial teórico que subsidia as ações moção da saúde (Ministério da Saúde. sujeito e educa- metido pela doença. acesso aos serviços de saúde. representando uma mudança de paradig- para o coletivo e para a intervenção precoce. lazer. nutrição. Emilse Aparecida Merlin Servilha ARTIGOS Tendo à frente um novo e fecundo campo para atua. Nesse novo paradigma. educação sa. nos di- cente. (1996). um mode. moradia. e é dividida em atenção aos fa. históri- (1976). 2001. no Brasil. abril. seja. É este modelo que atravessa e sobrepõe-se à jetivo da promoção da saúde. e fonoaudiológicas até os dias atuais. é ção em três fases: prevenção primária. sociais. protegen. num enfoque vol. trole/prevenção de doenças para o eixo saúde/pro- venção. ou vida (realidade econômica. Na busca da construção de uma prática voltada nacionais. o estabelecimento dos “níveis de referida tendo como base os conceitos propostos atenção”. desse modelo para o campo da Fonoaudiologia. como o fato de não dar conta de com- que apontavam a construção de conhecimentos no preender o processo saúde-doença na complexida- campo da Fonoaudiologia preventivo-comunitária. psicológicas. cultural. lar. 2001). e que tende a negligenciar as particula- modelo de Medicina Preventiva de Leavel e Clark ridades dos processos subjetivos. quando a doença já se Apesar das restrições. relacionar-se a uma determinada patologia. inclusive. provocando equívocos de interpretação do o homem dos agentes patológicos e estabele. os profissionais da saúde a atuar prioritariamente tores meta-pessoais determinantes da qualidade de no segundo momento da prevenção primária. social. sociais próximas e hábitos de vida – cuida. São Paulo. os fonoaudiólogos começaram a pro. contra os fatores de risco causa- nitária. proteger quando existe o risco de algum agravo coletivos) trazendo em seu bojo ressignificações à saúde e reabilitam quando o sujeito estiver aco. Rocha. subdivididas em cinco níveis. va. quando a ação de proteção ganha o status de Pro- ticas. cendo barreiras contra tais agentes. Uma análise mais acurada desse modelo pre- ção e reflexão nos campos da saúde e educação e ventivista revela que. na proteção específica. econômica. a Promoção da excludente como se apresenta a realidade brasilei- Saúde compõe o primeiro momento da prevenção ra. perde toda sua dos. o qual incorpora a noção de “História Na. Nesse modelo.

1992. fissionais específicos e passa a ser de responsabili. Contrariamente. há a necessidade (. o redimensionamento de seu papel e fun- eqüidade e melhoria da qualidade de vida (Minis. educação (em saúde) visa transformar o poder co. muito mais amplos do que aqueles previstos tério da Saúde. tendo como objetivo maximizar a saúde e te da construção da qualidade de vida e da cidada. Há muito que se avançar nas reflexões acer- poderamento. esse conceito tem suas raízes nas idéias práticas. educação e saúde que contribuam nesse mentando a sua auto-estima num processo de em. Mas são ainda bastante incipientes. prever. no sentido da Promoção da Saúde. Firma-se aqui o compromisso com o ser social e histórico. Desse modo. o objeti- isso. Nas palavras de Cera da Silva (2002). sujeito. organizações e comunidades pensar suas práticas tornando-as transformadoras no sentido de melhorar o controle individual e co- e condizentes com os pressupostos do SUS e parti- munitário. singularidades e subjetividades implicadas Distúrbios da Comunicação. O termo emponderamento decorre ca da práxis fonoaudiológica em saúde pública/ da palavra inglesa empowerment. 198) cipar da construção de um novo modelo de aten- ção à saúde coletiva. a eficácia política. os recursos das comunidades. um direito humano fundamental assim. chamado a se comprometer com os projetos de Soto (1997) e Czeresnia (1999) esclarecem que construção de uma sociedade justa e digna e de prevenir significa preparar. cada vez mais. Promo. promover significa gerar novas perspectivas. um mal ou um perigo. de maneira a envolver. considerado em seu contexto de Prevenção e promoção da saúde – vida. numa reedição do papel xa de ser responsabilidade de instituições ou pro. poder. aqui. especificidades e diferenças O fonoaudiólogo é. condições de trabalho e modos de produção. venção se baseia no conhecimento do funcionamen- pulação e com o desenvolvimento da linguagem to das doenças e dos mecanismos para o seu con- transcende os limites tradicionais da clínica fonoau. na Fonoau- vestimentos e ações que propiciam o desenvolvi. ção da Saúde se revela como um processo de in. definida como coletiva. trata-se de ocupar um lugar social junto à promo- dade de diversos setores da sociedade envolvidos ção da saúde da população (lugar antes inviabili- na construção e implantação de políticas públicas zado). trole e evitação. de uma responsabilidade com os setores para o desenvolvimento de uma nação. 2000). social até então representado e. 1969). Por conseqüência. mais do que isso. recurso para enfrentar e responder aos sociais de convivência (Penteado. mento integral e fortalecimento das pessoas. diologia. São Paulo. sentido...) um processo de ação social que promove a par. as mudanças na concepção de linguagem. desafios da vida. uma dimensão da qualida. um processo dinâmico. pelo modelo preventivista. mano. do fonoau- saudáveis e criação de ambientes saudáveis para a diólogo. Fonoaudiologia em saúde pública/coletiva: compreendendo prevenção e o paradigma da promoção da saúde ARTIGOS A saúde passa agora a ser considerada como das práticas de desenvolvimento da linguagem. Trata-se. evitar ou impedir que se realize um tão marcantes e persistentes em nosso país. tendo a linguagem como condição básica do educador brasileiro Paulo Freire. re- ticipação das pessoas. 2000). A Promoção da Saúde indica um olhar práticas sociais que possibilitem. mente. 16(1): 107-116. 2004 111 . como sujeitos renças. excluídos da sociedade. abril. de a Fonoaudiologia trilhar novos caminhos. E. um dos grandes desafios é contribuir para os vo da prevenção é a ausência da doença. para quem a para uma vida com qualidade. 2001). conhecer antecipada- superação das desigualdades sociais e da exclusão. au. A Promoção da Saúde requer. Saúde dei. serão detalhadas algumas diferenças munitário e encorajar as pessoas a assumirem o entre um enfoque preventivo e aquele orientado controle e direcionamento de suas vidas (Freire. por meio da ampliação da participação e de fomentar. De outro processos de representação da população perante o lado. o compromisso da Os mesmos autores ainda explicam que a pre- Fonoaudiologia com a Promoção da Saúde da po. (Wallerstein. quaisquer cidadãos em suas relações e contextos de de vida. nessa nova perspectiva. p. Com dano. a abrangente e positivo para o desenvolvimento hu- inclusão de classes e segmentos sociais como par. ção. nia (Minayo. pela Promoção da Saúde. que amplie o debate sobre os Desenvolvido por pesquisadores canadenses e determinantes da saúde e o objeto de ação das suas americanos. a Promoção da diológica e das instituições públicas de saúde e Saúde baseia-se na identificação das necessidades educação e supera as demandas com alterações de e condições de vida das pessoas e atenta-se às dife- linguagem. a qualidade de vida e a justiça social. A seguir.

de sujeito e de educação e na forma de viabilizá-la bientes saudáveis como escolas. São Paulo. na prevenção. comunidades e a processos sociais. – e a grupos com demandas e necessidades A concepção de sujeito. das normatizações. lógicos e socioculturais. Vale. público de convivência diária e favorecimento de ria e promoção da saúde é o enfoque coletivo. postu- O foco das ações de Prevenção está nos indi. lógicos sinalizam a importância das pesquisas e ção dos indivíduos e grupos contra tais fatores. portanto. dados técnico-científicos na busca da racionaliza- tam as ações preventivas focadas na redução e con. empresas. As atividades de preven. Nessa perspecti- vo aplicável à vida cotidiana das pessoas e comuni. etc. os atores sociais/população com suas opções. No entanto. reservando a eles uma parti- de ambientes saudáveis (Restrepo. te. Já na Promoção da Saúde a atividade é basicamen- sar disso. a comunicação social. mas sim um recurso positi. O que diferencia os dois mo. 16(1): 107-116. ra e emancipatória (Soto. cipação consciente. Regina Zanella Penteado. ao exercício da capacidade de valem-se da fundamentação e divulgação de infor. responsável e compromissada Os campos de ação. implica específicas. A Promoção da Saúde diz respeito à constru- ção desenvolvem-se em campos mais limitados e ção da autonomia. lidade de vida. concepção de educação empregadas e o papel da também. ção. que se encontram as diferenças. ambientes – tal como as propostas de am. portamentos de indivíduos e grupos de risco em delo preventivista e aquele orientado pela promo. va- trução de políticas públicas saudáveis e formação lores e interpretações. sendo. enquanto o da evitando e afastando aqueles comportamentos ti- Promoção está na participação de todos os setores dos como “de risco”. Emilse Aparecida Merlin Servilha ARTIGOS nos acontecimentos individuais e coletivos de saú. la deverá assumir determinados cuidados. das prescrições e das Promoção da Saúde. hospitais. aqui. A dados de característica qualitativa e da integração Promoção da Saúde dirige-se não somente a gru. na prevenção são identificados tivas com base no modelo biológico e no uso de grupos de riscos específicos para os quais se vol. A saúde e a qualidade de vida estão no foco da zação. que incluem o fortalecimento da popula- preendida em oposição à doença e como um estado ção. mações técnico-científicas na busca da racionali- de. referenciais utilizados e com um viver melhor e saudável. o desenvolvimento comunitário. diferenças de metodologia de pesquisa. ritório mais imediato no qual se constitui o espaço Outra das similitudes entre prevenção primá. para obtê- que orientam as práticas e no foco das ações. de enfoques e metodologias a fim de responder à pos específicos. Desse modo. 2001) delos. via cons. comunidades ou par. população envolvida nas ações. ator social de mudan- diferenças importantes. recursos. Na prevenção. lembrar que as ações educativas em saúde. grupos. complexidade do processo saúde doença e da qua- ral. assim como na prote. os modelos de atenção são sociopolítico. a construção idealizado e estanque a ser buscado. va. a diferença encontra-se nas concepções o indivíduo que precisa de proteção e que. 2001). ças. da cidadania. eco- dades e compreendida como um componente dinâ. as medidas fiscais e a educação de relação saúde-doença como processo: a saúde não é caráter democrática. um ponto comum. é nas concepções jeitos. mas também à população em ge. 1999). vis- os modelos de atenção à saúde também sinalizam lumbra-se um sujeito social. Na prevenção. comportamentos e hábitos saudáveis víduos e em ambientes específicos. são os objetivos. predominam as pesquisas quantita- Desse modo. serviços ou setores específicos (Czeresnia. ambientes saudáveis (Teixeira. culturais e políticos que influenciam a qualidade Os dois modelos em discussão empregam de vida da população. saúde é com. há divergência na concepção de saúde sub. A Promoção da Saúde leva da sociedade na busca da transformação dos deter. contudo. os modelos socioeco- trole desses fatores de risco. abril. 2004 . escolha e ao fortalecimento no sentido da identifi- 112 Distúrbios da Comunicação. problematizado- uma meta a ser atingida. com revalorização do ter- mico das experiências e manifestações da vida. recomendações para mudanças de hábitos e com- Soto (1997) aponta uma similitude entre o mo. zações para a construção de políticas públicas e celas da população. participativa. condutas. 1997). a perspectiva da Promoção da Saúde prevê uma a legislação. Ape. ção da saúde: ambos têm como meta a saúde. em conta aspectos culturais e subjetivos e releva minantes das condições de vida e saúde. Contrariamen. te no campo social e combina diversos objetivos e jacente a cada modelo. o trabalho com grupos. a informação. ou mudanças nas relações de poder voltadas à mobili- seja. ras. a metodologia e Prevenção e Promoção da Saúde reservam. Na Promoção da Saúde. esse ações de promoção da saúde são extensivas a su.

buscar formas dor e contribuam para o fortalecimento da capaci. há um espaço aberto para fomentar. agili. nem tampouco a coletivo. nar. 2003). educação em saúde. populacional. ção para o fonoaudiólogo. Aqui. ações coletivas em saúde é a área de voz. no mode. Há ainda que se avançar na elabora- o Comitê de Saúde Pública da Sociedade Brasilei. induzem a participação e ca- subjazem ao processo saúde/doença de sujeitos e pacitam para mudanças na busca da redução das comunidades (Czeresnia. 1998. enfim. Tais campanhas. num crescendo. ção de campanhas em voz na perspectiva da Promo- ra de Fonoaudiologia (CRFa. uma concepção ampla. São Paulo. tes dos problemas fonoaudiológicos. Outra iniciativa importante na área de voz são logia no Programa de Saúde da Família (CRFa os Seminários de Voz Profissional promovidos pela 2ª REGIÃO. ração de uma proposta de inclusão da Fonoaudio. tradicionalmente. 16(1): 107-116. vem realizando. A fonoaudiologia na perspectiva imbuídas de prevenir alterações vocais. com um aumento signifi. municação. antes res- população alvo. diologia que vem avançando no sentido de realizar sujeito. eventos importantes como as quatro gran- des Campanhas Nacionais da Voz. 2001). das pessoas e que englobem a prevenção. pelo fonoaudiólogo. 2002). abril. 1999). empreendendo esforços balhos fonoaudiológicos. tanto que foi criado. uma superação de paradigma. de Os cursos de graduação em Fonoaudiologia. ção da Saúde. do que isso. lo preventivo. um dos segmentos da Fonoau- cepções e práticas implicadas em relação à saúde. mas que. campos e focos de ação. de seu lugar e papel de cidadão. a partir da visão interdiscipli- Apesar disso. nos tra. na O avanço da Fonoaudiologia na configuração e população. em 2002. Cera da Silva (2002) (2003). construção da história da Fonoaudiologia em Saú- los de vida. tradicionalmente. teado pelos princípios preconizados pelo SUS. desde 1999. a partir de seu entrelaçamento com o tra- consideração. logia. 2004 113 . Já a perspectiva da Promoção da Saúde constata que ainda há um campo localizado de atua- sugere abordagens educativas democráticas. pela/na linguagem e co- consolidação de um lugar e de uma práxis em Pro. na pauta de discus. por meio das ações de ensino-pesquisa-extensão. 2003). e do câncer de laringe. iniqüidades. vêm desempenhando um papel significativo na mental que visa as mudanças de hábitos e de esti. vêm. sem que a sões interdisciplinares que culminaram na elabo. moção da Saúde requer. focalizaram da promoção da saúde a doença. Mais nia (Westphal. doença e nas alterações vocais permite classificar as são da Fonoaudiologia. a busca ativa. de superá-los e realizar atendimento integral nor- dade individual e coletiva na conquista da cidada. PUC-SP. man- Tendências atuais e perspectivas tendo esse tema presente ainda quando o foco da para o devir campanha foi a voz profissional. As questões de voz/saúde vocal in- a linguagem e a comunicação fazem diferença na serem-se no campo da Saúde do Trabalhador que saúde e na vida das pessoas – já que propiciam ao era. Essa iniciativa. a cada ano. de modo a ampliar os cipantes. área de pesquisa da Audio- homem reflexão sobre si mesmo e o mundo. forma unidirecional. os quais. por vezes até autoritária e com enfoque comporta. como sugerem Buss (2003) e Czeresnia de Pública/Coletiva. nem sempre compartilhada. cabe destacar que o foco na ma mais freqüente e incisiva. a revisão das con. Marcadamente. promovida pela PUC-SP. especialmente o câncer de laringe. parti. o tema saúde entra. nem sempre se verifica. de for. Porém. vislumbra-se um exem- divulgação de trabalhos e pesquisas em eventos plo de uma iniciativa de prevenção com enfoque científicos da área. modelos de pesquisa e de atenção à trita à clínica. que conhecimentos da população sobre os determinan- desempenhem um papel conscientizador e liberta. na construção da cidadania e de uma No que respeita às ações educativas. estas se dão. Fonoaudiologia em saúde pública/coletiva: compreendendo prevenção e o paradigma da promoção da saúde ARTIGOS cação e transformação das condições de vida que zam a aprendizagem. Buss. assim. do fato de que balho humano. vida de qualidade. em 2001. mas sim à ações de saúde pública/coletiva e da produção e população em geral. no sentido de que estas venham a ex- O fonoaudiólogo foi se inserindo em projetos plorar as dimensões e funcionalidades da voz na vida sociais mais amplos. para entender e ampliar a visão da voz no campo processual e dinâmica da saúde. saúde. ela se restrinjam (Penteado. problematizadoras e transformadoras. campanhas como de prevenção – a despeito do fato cativo do engajamento dos seus profissionais em de elas não se dirigirem a grupos de risco. com participação em discus. Sem ne- gar a importância da detecção precoce das disfonias Na última década. tem Distúrbios da Comunicação.

pressupondo um movi. o Isso traz implicações e novas perspectivas de en. são incipientes culos significativos entre a Fonoaudiologia e a co- os estudos que buscam as relações entre voz. as gica que se mostra fecunda é repensar as propostas percepções. cos sanitários e de acessibilidade aos serviços de de reorientação das políticas públicas em saúde. em que o envolvimento dos diversos segmentos da comuni- homem é compreendido como produtor da história dade e do seu entorno (Penteado. Ainda há poucos relatos de expe- trabalho no processo saúde/doença de algumas ca. assume-se que o sujeito. Para viabilizar tal mudança. 2002. tra. suas percepções. as representações e os contextos so. nota-se que algumas experiências fonoau. 2002). em que os proces. 2000. a proposta de tra- balhador se deixa afetar e como interpreta essas balho com grupos configura-se como uma possibi- condições (Ribeiro et al. Aqui. ao contrário do exemplo ras de Saúde. es. 2000). 2000). outra opção metodoló- 2000). mas. considerá-la ativa e capaz de mudan- cesso saúde-doença são constituídos pela sociabi. noaudiológica nos contextos de ambientes saudá- sional da voz. 2002). sonha. 2000. Cera da Silva. Ouvir o representações. diferenças de sujeição a ris. de “oficinas” e grupos fonoaudiológicos intra e ciais de vida e trabalho dos sujeitos usuários de extra clínica. do leque de abrangência de sua população alvo e mento dialético entre sujeito e sociedade. busca da sua qualidade. Nesse mesmo sentido. par- sujeitos são levados a se ajustar e a se adequar às ceira do fonoaudiólogo nas conquista da informa- normas e aos padrões da cultura nos contextos co. de resgate dos valores democráticos e 114 Distúrbios da Comunicação. Garcia. tais como as propostas de Escolas Promoto- de telemarketing. 2000). zação e comunicação com a população.. riências e pesquisas que incluem temas da área fo- tegorias de trabalhadores que fazem o uso profis. na direção da Promoção da Saúde. Começam a ser investigados os sentidos. munidade. saúde e trabalho. trabalho e nas questões de Saúde do Trabalhador. veis ou Hospitais Amigos da Criança. sensibili- Assim. Garcia. abrangentes e processuais na consideração e res- gente do processo saúde-doença e das ações na área posta às questões e necessidades de saúde da co- de voz. de maneira que seu conteúdo não se voz profissional. impor. 2000. abril. de normativa e prescritiva. Em conformidade com um cenário mundial. na compreensão mais abran. que veis. por isso. em que começam ção de ambientes saudáveis apresenta-se por de- a ser considerados as condições e a organização do mais incipiente. Entretanto. ças (ao invés de mera espectadora ou depositária lidade num contexto histórico-cultural em que os de orientações acerca da saúde) – e. No contexto diológicas. pois favorece a troca Nesse sentido. que incorpore uma análise doença vocal. de informações e conhecimentos e tende a impulsi- mas produções na área de voz. encontra-se em processo de falência. Então. 16(1): 107-116. sem envolvimento da pecialmente na Promoção da Saúde em locais de comunidade. na busca de uma relação de de. balho e relações sociais (Servilha. fonoaudiólogo começa a se aperceber que a atitu- foque nos estudos na área de saúde coletiva. do que isso. planeja e. onar os sujeitos para transformações das condições sos sociais e o jogo interacional assumem lugar de ambientais. tais como o professor e o operador veis. interesse na implementação das ações. e procura novas formas de aproximação. com oportunida. A conjugação entre Fonoaudiologia e constru- ções entre voz. Isso favorece a construção de vín- güística (Chun. Ciências Sociais e a fundamentar seus estudos em redirecionamento do foco de atuação. o que implica uma reestruturação da- A Fonoaudiologia começa a se aproximar das quelas com os diferentes atores sociais envolvidos. representam passos importantes. munidade (Penteado. quer. inclusive no de trabalho. lidade de dar voz à população. na gorias ou grupos sociais diversos. des de vida desiguais. as ações fonoaudiológicas hão que ser mais começam a ser dados. lho e da sua vida. os usos que faz de seu corpo e as que a população pensa. sim. Regina Zanella Penteado. e de si próprio (Guareschi e Jovchelovitch. restrinja às queixas apresentadas pelos participan- terminação cultural e social do processo saúde/ tes do grupo. 2004 . de Hospitais e Maternidades Saudá- anterior. ção e da saúde – torna-se uma opção de bastante tidianos. sociais e organizacionais do seu traba- destaque na compreensão da produção vocal e lin. No tocante às ações educativas em saúde. tam as condições de vida e trabalho e como o tra. nacional. com categorias e grupos profissionais das propostas de construção de ambientes saudá- específicos. especialmente quando envolve cate. mais ampla das condições de vida dos sujeitos. ampliação pressupostos sociológicos. 2003). e saúde (Algodoal. Emilse Aparecida Merlin Servilha ARTIGOS propiciado fecundas discussões a respeito das rela. podem ser mencionadas algu. mais interpretações sobre sua funcionalidade e seu pro. Gobbi. São Paulo.

Isso ocorre pois a Promoção da Saú. Entretanto. (2003). tampouco. Distúrbios da Comunicação. políticas e propostas so de empoderamento pessoal e comunitário. São Paulo. eixo preventivo/comunitário ou da saúde públi- ca/coletiva configura-se como um espaço privile- Considerações finais giado para o encontro da Fonoaudiologia com a realidade de vida da população brasileira. do papel desse passa a rever as concepções e práticas que orien. ela envolve ações abran- ALGODOAL. toniza com as necessidades sociais e com o mo- tos e concepções coerentes com a proposta de Pro. sar as ações de prevenção quanto aos seus objeti- turalmente comprometido com o partilhar de bens vos. C. as demandas e as ça. no novo paradig. com melhoria da qualidade de O campo de trabalho e pesquisa relativo ao vida e Promoção da Saúde da população. sentam a atuação em Saúde Pública/Coletiva des- cessidades de saúde da população. concentração de estudos que contemplam e repre- timento com as questões sociais. São Paulo. P. 16(1): 107-116. enquanto. Entretanto. tornando-as. plas de Promoção da Saúde. (1995). Pontifícia de parte de pressupostos distintos daqueles do mo. coletivas e as ne. aproxima-se de um comprome. sujeito e educação. mestra- historicamente. mundiais e nacionais de Promoção da Saúde. além da guagem na prática cotidiana uma ação política con. Assim. F. necessária mudança de paradigma. tórica da afirmação da área de Fonoaudiologia em O modelo preventivo obscurece e limita o pa. o eixo de mais recentemente. A. a prevenção. especialização. pel do fonoaudiólogo. A. ciais e da exclusão. conteúdos. fonoaudiológica afinada e comprometida com os Isso tudo evidencia a importância social e his- desafios da coletividade e a construção de seu saber. profissionais na busca da construção de uma práxis a cada comunidade. BERBERIAN. 2004 115 . Plexus. Promoção para a orientação da práxis fonoaudiológica. 2003. representa um eixo essencial na pesquisa e na for- ma da Promoção da Saúde. melhor caracterizada. um lugar onde a Fonoaudiologia es. reflexões. A Promoção da Saúde. C. Fonoaudiologia Preventiva – delo preventivo e envolve diferentes concepções Teoria e vocabulário técnico-científico. formas de desenvolvimento e às comuns e com a intervenção e a transformação da concepções que as fundamentam. que sim. de saúde. São Paulo. 15-38. Fonoaudiologia e educação: um Quando a perspectiva da Promoção da Saúde encontro histórico. destacada como possibilidade interessante BUSS. a cada realidade. na perspectiva assumi- da neste trabalho. D. Implica saber fazer da comunicação e da lin. não se constitui em uma parte da Referências prevenção. As ações profissional. pelo contrário. Tese de doutorado. Universidade Católica. é preciso revi- creta que visa à produção de um saber social e cul. também. a Fonoaudiologia cas preventivas e nem. identificar as potencialidades. porém situação de trabalho de operadores de telemarketing ativo de a transcende. A possibilidade necessidades dos sujeitos e comunidades. “Uma introdução ao conceito de Promoção da Saúde”. O. Saúde Pública/Coletiva que. subsi- moção da Saúde. (2002) As práticas de linguagem em gentes que incluem. Conhecer essa proposta e saber diando a formação de profissionais capazes de distingui-la do modelo preventivo. bem de esclarecimento e compreensão das similaridades como de equacionar os recursos teórico-práticos e divergências entre esses dois modelos orienta os e metodológicos mais apropriados a cada sujeito. abril. São Paulo. do ou doutorado em Fonoaudiologia. M. isso da Saúde – conceitos. as- realidade de educação e saúde da população. Lovise. representa um grande avanço. In: CZERESNIA. R. essa ponta como um dos que mais perfeitamente se sin- aproximação necessita estar ancorada em pressupos. e FREITAS. mento sócio-político-econômico do país. uma editora. LAEL. Rio de Janeiro. de prevenção continuarão acontecendo. P. Fonoaudiologia em saúde pública/coletiva: compreendendo prevenção e o paradigma da promoção da saúde ARTIGOS construção da cidadania no país. não significa subestimar a importância das práti. nos cursos de graduação. aplicabilidade das diretrizes. profissional na prevenção das alterações e proble- tam a construção de um novo lugar social para esse mas relacionados à comunicação humana. (1996). vem construindo seu caminhar e. Fio Cruz. M. J. aqui. como par- teja compromissada com a transformação dessa te das responsabilidades do fonoaudiólogo no con- realidade desigual e excludente que se mostra no junto das ações integrantes de propostas mais am- país. condizentes com as diretrizes das Conferên- concorra para a superação das desigualdades so. A Fonoaudiologia em Saúde Pública/Coletiva. p. cias Mundiais de Saúde e Promoção da Saúde. esse profissional pode mação do futuro profissional e na configuração do ocupar um lugar importante na medida em que a papel social do fonoaudiólogo na viabilização e linguagem possa ser colocada a serviço do proces. é. tendências. ANDRADE. focado na doen. M.

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