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a revista do engenheiro civil

■ Pré-fabricados com auto-adensável ■ Gerenciamento de concretagem ■ 60 anos de tecnologia de concreto ■ Entrevista: Francisco Oggi prega industrialização

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9 770104 105000

ISSN 0104-1053

téchne 137 agosto 2008 Pré-fabricados ■ Pingadeiras ■ Hidrofugantes ■ Sapatas ■ Gestão de concreto ■ Steel frame ■ Concreto auto-adensável

apoio

IPT

Edição 137 ano 16 agosto de 2008 R$ 23,00

techne

www.revistatechne.com.br

COMO CONSTRUIR

Casa de steel frame - 2a parte

FACHADAS

Como executar pingadeiras
IMPERMEABILIZAÇÃO

Hidrofugantes
ACABAMENTOS

Forros de drywall
FÔRMAS

Pilares redondos

Industrialização do concreto

Edifício-garagem do Aeroporto de Congonhas (SP)

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SUMÁRIO
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54 FUNDAÇÕES
Sapatas de concreto Como executar sapatas diretas simples, contínuas e em desnível

60 ARTIGO
Aplicação de concreto autoadensável na produção de pré-moldados Engenheiro avalia competitividade na indústria de pré-fabricados

84 COMO CONSTRUIR
Steel frame – estrutura – parte 2 Veja neste segundo artigo como executar a estrutura da edificação

Naldo Mundim

26

38 PEDRAS
Barreira contra manchas Aprenda a aplicar hidrofugantes e hidrorrepelentes

40 FORROS
Drywall decorativos Placas de gesso escondem instalações e ganham formas criativas

SEÇÕES
Editorial Web Área Construída Índices IPT Responde Carreira Melhores Práticas Técnica e Ambiente P&T Obra Aberta Agenda Capa Layout: Lucia Lopes Foto: Marcelo Scandaroli 4 8 10 18 20 22 24 34 68 76 78

42 CONCRETO – PINI 60 ANOS
Marcelo Scandaroli

Sinônimo de construção Como o Brasil tornou-se referência mundial em obras de concreto armado

ENTREVISTA
Industrialização essencial Especialista em pré-moldados aponta tendências da construção

46 ESTRUTURAS
Gestão concreta Especificar, receber, aplicar e controlar: o caminho crítico das concretagens

36 FACHADAS
Beirada seca Friso, bunha e ressalto: alternativas para evitar infiltrações

50 FÔRMAS
Pilares redondos Como executar pilares especiais e de seção circular

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É parte integrante desta revista uma amostra da manta tipo III da Denver

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EDITORIAL
Passado, presente e futuro concreto
oucos países acumularam, em tão pouco tempo, know-how avançado em concreto armado como o Brasil. Em 1926, a Marquise da Tribuna de sócios do Jockey Club do Rio de Janeiro já detinha o recorde de balanço, com 22,4 m. Em 1930, era vez do Elevador Lacerda, em Salvador, despontar com 59 m de elevação. Também em 1930, o pioneiro Emilio Henrique Baumgart inaugurava a Ponte de Herval, depois Ponte Emilio Baumgart, sobre o rio do Peixe, em Herval d'Oeste (SC), com 68 m de vão. Na mesma época, Rio de Janeiro e São Paulo brigavam pelo recorde de maior arranha-céu brasileiro: no centro da capital fluminense, o Edifício A Noite e, na então emergente metrópole paulista, o Martinelli. A partir da década de 50, o Brasil se consolida no cenário internacional da engenharia de concreto armado: edifícios, rodovias, barragens e pontes ganham holofotes internacionais e, anos mais tarde, levam empresas brasileiras para todas as partes do mundo. Essa história antevê capítulos ainda mais transformadores. A industrialização da construção, em especial com os pré-moldados, parece inevitável; resistências e durabilidades inimagináveis dependem apenas de aditivos, adições e uma boa dose de experiência, e o concreto autoadensável reforça a linha dos concretos "amigáveis", que trabalham para as fôrmas e para as formas das novas gerações de arquitetos. Esta edição conta um pouco de cada coisa e ainda dá voz ao engenheiro civil, projetista e consultor de estruturas Francisco Oggi, um dos maiores entusiastas da industrialização do setor. O momento de reflexão coincide com os 60 anos de história da PINI, motivo de uma edição especial da revista Construção Mercado, que nasceu em 1948, com o nome "Informador Profissional – A Construção em São Paulo". VEJA EM AU

P

Arquitetura corporativa Rochaverá Edifício BAT Dante Della Manna

VEJA EM CONSTRUÇÃO MERCADO

Linha do tempo Boom imobiliário Panorama da arquitetura O futuro da construção

VEJA EM EQUIPE DE OBRA

Paulo Kiss
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Alvenaria cerâmica Tubos de polietileno Pavimento intertravado Casa de stell frame
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Vendas de assinaturas, manuais técnicos, TCPO e atendimento ao assinante Segunda a sexta das 9h às 18h
Fundadores: Roberto L. Pini (1927-1966), Fausto Pini (1894-1967) e Sérgio Pini (1928-2003)
Diretor Geral

4001-6400
principais cidades*

Ademir Pautasso Nunes

0800 596 6400
demais municípios fax (11) 2173-2446 vendas web

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Diretor de Redação

Eric Cozza eric@pini.com.br Editor: Paulo Kiss paulokiss@pini.com.br Editora-assistente: Kelly Carvalho Repórter: Bruno Loturco; Renato Faria (produtor editorial) Revisora: Mariza Passos Coordenadora de arte: Lucia Lopes Diagramadores: Leticia Mantovani e Renato Billa Ilustrador: Sergio Colotto Fotógrafo: Marcelo Scandaroli Produtora editorial: Juliana Costa Conselho Administrativo: Caio Fábio A. Motta (in memoriam), Cláudio Mitidieri, Ercio Thomaz, Paulo Kiss, Eric Cozza e Luiz Carlos F. Oliveira Conselho Editorial: Carlos Alberto Tauil, Emílio R. E. Kallas, Fernando H. Aidar, Francisco A. de Vasconcellos Netto, Francisco Paulo Graziano, Günter Leitner, José Carlos de Figueiredo Ferraz (in memoriam), José Maria de Camargo Barros, Maurício Linn Bianchi, Osmar Mammini, Ubiraci Espinelli Lemes de Souza e Vera Conceição F. Hachich ENGENHARIA E CUSTOS: Bernardo Corrêa Neto Preços e Fornecedores: Juliana Cristina Teixeira Auditoria de Preços: Ariell Alves Santos e Anderson Vasconcelos Fernandes Especificações técnicas: Ana Carolina Ferreira Índices e Custos: Maria Fernanda Matos Silva Composições de Custos: Mônica de Oliveira Ferreira SERVIÇOS DE ENGENHARIA: Celso Ragazzi, Luiz Freire de Carvalho e Mário Sérgio Pini PUBLICIDADE: Luiz Oliveira, Adriano Andrade, Jane Elias, Eduardo Yamashita, Silvio Carbone e Flávio Rodriguez Executivos de contas: A C Perreto, Bárbara Monteiro, Daniele Joanoni, Danilo Alegre e Ricardo Coelho MARKETING: Ricardo Massaro EVENTOS: Margareth Alves LIVROS E ASSINATURAS: José Carlos Perez RELAÇÕES INSTITUCIONAIS: Mário S. Pini ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS: Durval Bezerra CIRCULAÇÃO: José Roberto Pini SISTEMAS: José da Cruz Filho e Pedro Paulo Machado MANUAIS TÉCNICOS E CURSOS: Eric Cozza ENDEREÇO E TELEFONES Rua Anhaia, 964 – CEP 01130-900 – São Paulo-SP – Brasil PINI Publicidade, Engenharia, Administração e Redação – fone: (11) 2173-2300 PINI Sistemas, suporte e portal Piniweb – fone: (11) 2173-2300 - fax: (11) 2173-2425 Visite nosso site: www.piniweb.com Representantes da Publicidade: Paraná/Santa Catarina (48) 3241-1826/9111-5512 Espírito Santo (27) 3299-2411 Minas Gerais (31) 2535-7333 Rio Grande do Sul (51) 3333-2756 Rio de Janeiro (21) 2247-0407/9656-8856 Brasília (61) 3447-4400 Representantes de Livros e Assinaturas: Alagoas (82) 3338-2290 Amazonas (92) 3646-3113 Bahia (71) 3341-2610 Ceará (85) 3478-1611 Espírito Santo (27) 3242-3531 Maranhão (98) 3088-0528 Mato Grosso do Sul (67) 9951-5246 Pará (91) 3246-5522 Paraíba (83) 3223-1105 Pernambuco (81) 3222-5757 Piauí (86) 3223-5336 Rio de Janeiro (21) 2265-7899 Rio Grande do Norte (84) 3613-1222 Rio Grande do Sul (51) 3470-3060 São Paulo Marília (14) 3417-3099 São José dos Campos (12) 3929-7739 Sorocaba (15) 9718-8337 téchne: ISSN 0104-1053 Assinatura anual R$ 276,00 (12 exemplares) Assinatura bienal R$ 552,00 (24 exemplares) Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva do autor e não expressam, necessariamente, as opiniões da revista.

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Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Evolução do concreto
O primeiro edifício brasileiro com concreto armado foi erguido em 1904, no Rio de Janeiro. A partir de então, o produto foi protagonista da história da construção civil com obras emblemáticas. Veja fotos de algumas delas na versão online da revista Téchne.
Divulgação: Médiathèque Lafarge

Fórum Téchne
O site da revista Téchne tem um espaço dedicado ao debate técnico e qualificado dos principais temas da engenharia. Confira os temas em andamento. Laudo do IPT ou do Consórcio Via Amarela: quem está certo? A impressão que fica é a de que a avaliação geotécnica do terreno foi negligenciada. A partir daí, é que decorrem todas as demais decisões. O inegável é a responsabilidade do Metrô como contratante e do consórcio como executante, independentemente de culpa.
Weissheimer Engenharia [27/07/2008]

Sapatas de concreto
As sapatas de concreto estão entre os métodos de execução de fundações mais elementares. Bem projetadas, demandam pouca escavação e consumo moderado de concreto. Em complemento à reportagem, veja passo a passo como impermeabilizar o sistema.

Medidas de sustentabilidade como reúso de água, contenção de águas de chuva e aquecimento solar encarecem as obras? São sistemas que podem encarecer no primeiro momento, pois essas técnicas são recentes e ainda pouco utilizadas. Porém, na medida em que a consciência ambiental aumenta, os custos tendem a reduzir. Além disso, se a sustentabilidade ambiental for pensada como uma necessidade, fica mais fácil afirmar que o custo não é tão alto.
Gabriela Soares Silva [02/08/2008]

Construção de uma história
Em comemoração aos 60 anos da editora PINI, confira retrospectiva, disponível também na versão impressa da revista Construção Mercado, com os fatos mais marcantes e relevantes da construção civil nas últimas seis décadas.

Marcelo Scandaroli

Sim, haja vista que tais sistemas ainda são muito caros, conseqüentemente, elevam os custos das obras.
Fernando Benigno da Silva [31/07/2008]

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ÁREA CONSTRUÍDA
Falcão Bauer certifica dois produtos com selo ecológico
Saíram as duas primeiras certificações com o selo ecológico desenvolvido pelo IFBQ (Instituto Falcão Bauer da Qualidade). Foram contemplados a Acerita, escória de aciaria da ArcelorMittal utilizada como agregado graúdo em concretos destinados a artefatos e pisos industriais na Companhia Siderúrgica de Tubarão, no Espírito Santo, e sete produtos de limpeza doméstica da linha Amo Verde, da fabricante Cera Ingleza. Cerca de 900 mil t de Acerita poderão ser incorporadas ao concreto, à pavimentação urbana e a leitos ferroviários. Segundo o IFBQ, a indústria siderúrgica nacional gera cerca de 3,5 milhões desse tipo de escória.O selo desenvolvido pelo instituto avalia a sustentabilidade dos produtos em todo o território nacional a partir da análise do ciclo de vida do produto e seu respectivo desempenho. A metodologia baseia-se em critérios internacionais consolidados, como o alemão Anjo Azul, o australiano Good Enviromental Australia Standart e o inglês BRE – Methodology for Enviromental Profiles.

Hochtief construirá edifício com certificação Leed Gold
A Hochtief quer construir, na Avenida Luís Carlos Berrini, em São Paulo, o primeiro edifício do País com certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) categoria Gold. O Edifício REC Berrini será construído no mesmo local do edifício implodido pela construtora em fevereiro de 2008. O edifício comercial deverá ter 35 andares, cinco subsolos e um edifício-garagem anexo, com área total de 101 mil m² e prazo de execução de 26 meses. Alguns dos requisitos da certificação são as reduções de consumos de água (40%), energia (30%) e do custo do condomínio.

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Norma de projetos de estruturas de aço é revisada
A revisão da norma NBR 8800 – Projeto de Estrutura de Aço e de Estrutura Mista de Aço e Concreto de Edificações foi aprovada em julho e deverá ser publicada nos próximos meses. O novo texto deverá contemplar exclusivamente aspectos de elaboração de projetos de estrutura. Com isso, deixa de lado as prescrições para execução das estruturas – abordadas na versão antiga da norma, de 1986 –, que deverão ser abordadas em uma norma exclusiva. A nova norma prevê, ainda, o uso de elementos estruturais mistos de aço e concreto.

Ibama quer agilizar análise de licenças ambientais em 2008
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) quer agilizar a análise dos pedidos de licenciamento ambiental. O objetivo do órgão é reduzir o tempo de tramitação em até 70%, ainda em 2008. Para isso, vai aumentar a velocidade de avaliação por meio da integração e treinamento de suas superintendências regionais e de parcerias com universidades. Segundo o órgão, isso não comprometerá a qualidade dos processos.

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ÁREA

CONSTRUÍDA

Leed brasileiro começa a ganhar forma
O GBC (Green Building Council) Brasil apresentou, em julho, algumas propostas para a adaptação do selo Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) modalidade Novas Construções às características do mercado brasileiro. O teor das propostas mostra um alinhamento dos requisitos às novas legislações do País. Sete novos créditos foram sugeridos para a lista de requisitos. No item "Espaço Sustentável", foram incluídos créditos para a "Adequação da acessibilidade interna" e a "Adequação da acessibilidade externa". Também deve ser criado um crédito para empreendimentos que desenvolvam um Plano de Impacto Ambiental, uma espécie de mini EIA/RIMA. Edifícios que instalarem sistemas de medição individualizada e de aquecimento solar de água ganharão pontos nos itens "Uso Racional da Água" e "Energia e Atmosfera", respectivamente. Por fim, no item "Materiais e Recursos", serão reconhecidos os empreendimentos que contem com projeto de limitação de geração de resíduos e de reúso de materiais e equipamentos (uso após desmontagem). O sistema de pontuação brasileiro também deverá ser alterado, acompanhando a revisão em curso dos requisitos do Leed nos Estados Unidos. Com a mudança, a nota máxima possível na modalidade Novas Construções passará dos atuais 69 pontos para 100 – mais assimilável pelo mercado imobiliário. As propostas ainda serão submetidas à aprovação do norte-americano USGBC. A reunião de apresentação teve a presença do vice-presidente do USGBC e supervisor mundial do Leed, Tom Hicks, que falou com exclusividade à Téchne.
No Brasil, há dois sistemas de certificação de sustentabilidade para edifícios – os selos Leed, de origem americana, e Aqua (Alta Qualidade Ambiental), francês. Como é o convívio entre os desenvolvedores dessas certificações ambientais?

O que existe são encontros conjuntos entre as organizações que desenvolvem essas certificações ambientais,nos quais compartilhamos nossas experiências, de onde tiramos lições. As coisas acontecem nesse nível. Posso dizer que nós vemos com bons olhos a existência de sistemas [de certificação] diferentes que tenham fins similares. Principalmente se são desenvolvidos por uma organização independente em parceria com a indústria, e não impostos por um grupo específico.
A existência de tantos selos ambientais pode deixar o mercado confuso?

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certificados existentes para que façam mais sentido para os construtores de cada país.
O sistema de certificação Leed é composto por uma série de requisitos de projeto. É possível automatizar a inserção desses requisitos com o auxílio de computadores?

Nutau promove seminário internacional sobre espaço sustentável
O Nutau (Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) realizará seu sétimo seminário internacional com o tema Espaço Sustentável – Inovações em Edifícios e Cidades, entre 8 e 12 de setembro. Paralelamente, haverá o 1o Salão de Tecnologias e Materiais para a Construção Sustentável. O seminário terá 11 palestras, sendo cinco com convidados internacionais: Emilio Ambasz (Argentina/EUA), Jonathan Barnett (EUA), Paula Cadima (Portugal), Christopher Ellis (EUA) e Gary Lawrence (Reino Unido/EUA). Mais informações sobre o evento no site: www.usp.br/nutau

Renato Faria

Tom Hicks é supervisor mundial do Leed (Leadership in Energy and Environmental Design)

É o que as multinacionais do segmento imobiliário enfrentam num primeiro momento, vendo sistemas diferentes nos vários países em que atuam. Acredito que essas empresas não queiram a proliferação de novos sistemas de certificação ambiental. Já existem selos o suficiente por aí. O que deve ser feito é tentar adaptar regionalmente os

A tecnologia atual já possibilita aos desenvolvedores de software "instalar" os requisitos do Leed em suas ferramentas. Já existem softwares de projeto que mostram às equipes de projetistas, em tempo real, os impactos de suas decisões sobre a pontuação do empreendimento no sistema Leed. E os construtores podem comunicar essas alterações à USGBC, também em tempo real, por meio de uma plataforma na internet. Acredito que esse é o futuro dos sistemas de certificação sustentável.

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ÁREA

CONSTRUÍDA

Edifícios comerciais terão eficiência energética avaliada em 2009
O Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica) Edifica classificará, a partir de 2009, a eficiência energética de edifícios comerciais. Nos cinco primeiros anos, período de testes do programa, os construtores poderão submeter seus projetos voluntariamente. Com a avaliação dos resultados, a classificação deverá se tornar obrigatória. De acordo com o consumo de energia elétrica, serão atribuídas "notas" de A (mais alta) a E (mais baixa) aos edifícios concluídos ou em reforma e retrofit. A metodologia de avaliação inicial divide o prédio em três elementos – envoltória (análise da cobertura, áreas de vidro, janelas, aberturas e vãos etc.), sistema de iluminação e sistema de condicionamento ambiental –, que recebem certificações separadamente. A regulamentação já foi aprovada pelo MME (Ministério de Minas e Energia) e por consulta pública. Atualmente, está em fase de implantação pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). O texto integral pode ser acessado no site http://www.labeee.ufsc.br/eletrobras/reg.etiquetagem.voluntaria.html.

Softwares da Autodesk e da Bentley serão compatíveis
A Autodesk e a Bentley Systems, fabricantes rivais de softwares CAD e BIM, anunciaram em julho que começarão a trabalhar juntas para tornar interoperáveis seus softwares voltados para arquitetura, engenharia e construção. As empresas compartilharão suas bibliotecas digitais para que seus programas consigam ler e gravar projetos com maior fidelidade em seus respectivos formatos DWG e DGN. Atualmente, a conversão dos formatos gera perdas importantes de informações dos projetos. Além disso, a falta de interoperabilidade vem comprometendo a produtividade dos projetistas nos últimos anos. Um estudo feito em 2004 pela U. S. National Institute of Standards and Technology aponta que as empresas de projeto e construtoras norte-americanas deixam de ganhar até US$ 16 bilhões por ano com o tempo perdido na adaptação dos projetos em formatos diferentes.

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ÁREA

CONSTRUÍDA

Concrete Show 2008
O Concrete Show South America chega à sua segunda edição e estabelece-se no País onde predominam as estruturas em concreto – armado, protendido ou pré-moldado. E os números de seu crescimento em relação à edição de 2007 mostram que o evento pegou carona no aquecimento do setor da Construção brasileira. No ano passado, eram 165 os expositores presentes na feira. Segundo a Sienna Interlink, organizadora do evento, já estão confirmados, em 2008, mais de 250 expositores. Eles ocuparão uma área de mais de 19 mil m², 63% maior do que em 2007. Por fim, é esperado um público de 12 mil pessoas, contra os dez mil profissionais presentes no ano anterior. Em 2008 cresceu também em 1/3 o número de seminários, palestras e workshops. Serão mais de 80 palestrantes nacionais e estrangeiros que se apresentarão nos dois primeiros dias do evento. A Téchne traz um roteiro dos seminários progra-

mados. O Concrete Show South America será realizado entre os dias 27 e 29 de agosto, no Transamérica Expo, em São Paulo.
Programação dos seminários (27 a 28 de agosto)

A Qualidade na Engenharia Estrutural Ciclo de Palestras Concrete Show 2o Seminário de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho

Pisos de Concreto Pré-fabricando com Excelência Habitação: Paredes em Concreto Pavimentos de Concreto nas Cidades Vencendo Desafios da Engenharia com Concreto Pré-fabricados de Concreto na Pavimentação de Ruas e Passeios Públicos Alvenaria Estrutural com Blocos de Concreto nas Edificações Ciclo de Palestras sobre Fôrmas e Escoramentos

Divulgação: Sienna Interlink

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ÍNDICES
Aço eleva custos em São Paulo
Material tem alta pelo terceiro mês consecutivo
Índice PINI de Custos de Edificações (SP) Variação (%) em relação ao mesmo período do ano anterior 35 30 25 20 15 10
5,82 6 3 1 9 9 9 10 9 9

IPCE materiais IPCE global IPCE mão-de-obra

elo terceiro mês consecutivo, o aço impulsionou a alta do IPCE (Índice PINI de Custos de Edificações) em São Paulo. A barra de aço CA-50 3/8" custava, em junho, R$ 3,61/kg, passando a R$ 4,09 em julho. O aumento, dessa vez de 13,25%, vem se repetindo quase todos os meses em virtude da forte procura internacional. O cimento Portland CPII e cal hidratada CHII sofreram, respectivamente, altas de 0,82% e 4,98%. O saco de 50 kg do cimento, que em junho custava R$ 17,39, passou para RS 17,53 em julho. Já a cal hidratada, cujo saco de 20 kg custava R$ 6,65, é vendida agora por R$ 6,99. Os preços da pedra britada no 2 e do tubo de ferro fundido PP para esgoto e águas pluviais (∅ =100) sofreram reajuste de 3,97% e 2,28%, respectivamente. A alta do IPCE em julho foi de 1,71%, contra 1,76% do IGP-M.Assim, apesar dos aumentos verificados nos últimos 12 meses, o custo global de construção em São Paulo acumula alta de 10,89%, enquanto o IGP-M, no mesmo período, variou 15,12%.

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5 3,31
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Jul/07

Set

Nov

Jan

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Data-base: mar/86 dez/92=100 IPCE – SÃO PAULO global materiais mão-de-obra Jul/07 114.065,53 53.547,83 60.517,71 ago 114.197,13 53.679,42 60.517,71 set 114.636,80 54.119,10 60.517,71 out 114.860,42 54.342,72 60.517,71 nov 115.225,62 54.707,92 60.517,71 dez 115.335,12 54.817,42 60.517,71 jan 115.733,11 55.215,41 60.517,71 fev 116.040,01 55.522,30 60.517,71 mar 116.121,80 55.604,09 60.517,71 abr 116.185,57 55.667,86 60.517,71 mai 123.736,89 58.257,90 65.478,99 jun 124.358,19 58.879,20 65.478,99 Jul/08 126.483,39 61.004,39 65.478,99 Variações % referente ao último mês mês 1,71 3,61 0,00 acumulado no ano 9,67 11,29 8,20 acumulado em 12 meses 10,89 13,93 8,20 Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das variações dos preços de um lote básico de insumos. O índice é atualizado por pesquisa realizada em São Paulo. Período de coleta: a cada 30 dias com pesquisa na última semana do mês de referência. Fonte: PINI MÊS E ANO
Suporte Técnico: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 2173-2373 ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail: economia@pini.com.br. Assinantes poderão consultar índices e outros serviços no portal www.piniweb.com

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IPT RESPONDE
Gás de rua
Qual deve ser a distância entre o registro de fechamento de gás de rua e o aquecedor? Existem regras sobre onde deve ficar o registro de fechamento do gás e que tipo de válvula usar?
Gilmar Rocha São Paulo

Envie sua pergunta para o email iptresponde@pini.com.br

AQ

AF

AQ

G

AF

12 cm

G

O ponto de instalação do gás para alimentar o aquecedor sempre deve se situar em cota abaixo da posição de instalação do aquecedor. Em termos de distância deve-se consultar o fornecedor do aparelho que geralmente indica as posições em que devem estar os pontos de água fria (entrada para o aquecedor); água quente (saída do aquecedor) e ponto de alimentação do gás. Segundo o RIP (Regulamento de Instalações Prediais de Gás da Comgás) são indicadas as configurações ao lado para o po-

6 cm

6 cm

6 cm

6 cm

sicionamento dos pontos de água e de gás para aquecedores. Deve-se ressaltar que sempre deve ser instalada uma válvula bloqueadora no ponto de instalação de gás, conforme item 4.1.11 da norma brasileira NBR 13.932/1997 – Instalações Internas de

Gás Liquefeito de Petróleo e item 4.4.5.4 da norma NBR 13.933/1997– Instalações Internas de Gás Natural.
Douglas Barreto Laboratório de Instalações Prediais Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

Eflorescência em pisos
Como eliminar a ocorrência de eflorescências em pisos de porcelanato? Qual é a causa dessa patologia?
Paulo de Tarso Ribeirão Preto (SP)

O problema de eflorescências no piso pode ser resolvido com as seguintes providências: evitar empoçamentos de água sobre a camada de impermeabilização, já que essa água promove a solubilização de sais presentes em argamassas de proteção, regularização ou assentamento e o transporte da solução até a

superfície, onde vai ocorrer a cristalização/formação das eflorescências; na camada de regularização, para corrigir eventuais imperfeições de declividade, empregar cimentos CPIII ou CPIV, que originam menor formação de cal hidratada; promover cuidadosa cura úmida dessa argamassa, já que, se não houver umidade, escória de alto-forno e materiais pozolânicos atuarão como finos inertes; após conformação da camada de regularização/camada de proteção da impermeabilização, e antes do

reassentamento do porcelanato, promover limpeza da base e aplicar sobre a mesma duas ou três demãos de emulsão acrílica, as mesmas utilizadas para impermeabilização branca. Utilizar no reassentamento das peças argamassa colante própria para porcelanato, na cor branca. Observar período máximo de 48 horas entre a aplicação da emulsão acrílica e o reassentamento das placas.
Ercio Thomaz Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

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CARREIRA

Manoel Henrique Campos Botelho
Com seus livros, o autor busca simplificar o ensino de conceitos básicos de diversos temas da engenharia
e tivesse seguido as indicações principais do teste vocacional feito durante o colegial, Manoel Botelho seria hoje jornalista ou advogado. No entanto, considerando seu excelente desempenho em matemática e física no Liceu Pasteur, apostou na opção que aparecia apenas na terceira posição, de acordo com o teste realizado na Instituição Colméia, e prestou vestibular para a Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). "Adoro a engenharia e, se tivesse estudado Direito,já teria tido um enfarte devido à paixão que pego pelos assuntos", conta. Além do Pasteur e seus professores franceses, Botelho destaca também o corpo docente do curso Anglo Latino como incentivador de seu propósito de ensinar. A admiração por professores que lecionavam na PoliUSP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), especialmente os engenheiros Lucas Nogueira Garcez e José Augusto Martins, o levaram a optar pelo curso de Hidráulica e Saneamento da faculdade. O ingresso na Poli o fez imergir num ambiente repleto de idealismo revolucionário. "Adotei a postura de polemista em tudo, principalmente nas atividades políticas do inesquecível Grêmio Politécnico", afirma, ao lembrar a intenção de mudar o mundo, no início dos anos 1960, inspirado pelos efeitos da revolução CuMarcelo Scandaroli

S

PERFIL
Idade: 66 anos Nascimento: São Paulo Graduação: Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), em 1965 Experiências: Planidro e CNEC, em projetos de saneamento, Promon, em projetos de saneamento e industriais, Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), com urbanização da cidade de São Paulo, Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária), onde foi secretário-executivo da Seção São Paulo, SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), atuando como assessor técnico, Seconci-SP (Serviço Social da Indústria da Construção do Estado de São Paulo), onde gerenciou as utilidades de dois hospitais.

bana. "Era uma característica de toda a minha geração e dos políticos de então. Hoje mudei de idéia e vejo que vivia num mundo absolutamente teórico, mas idealista." Considera-se "um extremamente otimista em relação ao progresso da humanidade. Hoje é melhor que ontem e amanhã será melhor que hoje", acredita. Ainda na faculdade, no quinto ano, foi selecionado para trabalhar ao lado do professor José Augusto Martins, na Planidro, onde atuou, como estagiário, no serviço do Vale do rio Tietê. Acompanhou sistemas de irrigação, melhorias dos métodos agronômicos e sistemas de coleta de dados hidrológicos e meteorológicos. As experiências pelas quais passou nas empresas onde trabalhou enriqueceram sua vida profissional de maneira tal que, a volta à faculdade, para pós-graduações ou especializações, se mostrou desnecessária. Foram nove anos atuando pelas empresas Planidro e Promon Engenharia. A personalidade autodidata de Botelho o faz criticar a forma como os ensinamentos são passados aos alunos e leitores. Vivenciou isso na prática ao procurar entender mais sobre o concreto armado. Sem conseguir avançar muito com a leitura de livros convencionais, buscou fontes de informação das mais diversas e, com o auxílio de Osvaldemar MarTÉCHNE 137 | AGOSTO DE 2008

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Dez questões para Manoel Botelho
1 Obras marcantes das quais
participou: os projetos industriais mais importantes foram o de despoluição da Carbocloro, a fábrica de preservação de dormentes da Fepasa, a ampliação da fábrica da Peróxidos e o projeto da criação da enorme elevatória NARG (Novo Alto Recalque do Guandu), no Rio de Janeiro, além da estação de tratamento de esgotos da Refinaria Replan, em Paulínia Física. A opção pela engenharia hidráulica se deve ao excelente curso de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica, dirigido pelos professores Lucas Nogueira Garcez e José Augusto Martins

6 Que tipo de formação falta aos
profissionais recém-saídos da universidade: como nunca dei aulas formais em faculdades, prefiro não opinar. Quanto à participação de empresas, acho que deveriam estimular os estágios, que são muito úteis

2 Obras significativas da engenharia
brasileira: as mais importantes que vi no Brasil foram as dos ingleses em São Paulo. A saber, a reversão do rio Tietê para vertente oceânica e construção da usina hidroelétrica Henry Borden, além da estrada de ferro Santos-Jundiaí, usando uma série de funiculares – cabos de aço tracionados por roldanas acionadas por caldeiras, para vencer a Serra do Mar. Ressalto também as obras do Sistema Cantareira, que trás água do interior do Estado para São Paulo

7 Conselho ao jovem profissional:
o jovem profissional deve se vestir com elegância, falar inglês muito bem e estudar criticamente as matérias da engenharia

8 Principal avanço tecnológico
recente: a democratização da informação e do conhecimento, a exemplo da Universidade de Harvard, que disponibilizou todo seu acervo de livros e textos na internet

3 Realizações profissionais: o
ensino de engenharia e humanismo em meus livros. Minha paixão são as polêmicas e ensinar fácil o que parece aparentemente difícil. O que é lógico tem que ser simples e fácil. Basta querer ensinar

9 Indicação de livro: Manual de
Hidráulica, de Azevedo Netto, Manual de Tratamento de Águas Residuárias, de Klaus-Robert e Karl Imhoff. Destaco o meu livro Concreto Armado, Eu te Amo, que tenta inovar na comunicação e ensino da engenharia, tendo recebido elogios do professor Telêmaco Van Langendonck

4 Mestres: o engenheiro Max Lothar
Hess e o professor Azevedo Netto, além dos professores do Curso Anglo Latino, Bloch, Marmo e Simão, que ajudaram a formar meu raciocínio didático

10 Um mal da engenharia: Os
engenheiros lêem pouco, tanto literatura técnica quanto assuntos em geral, e por isso comunicam-se mal oralmente e por escrito. Luto contra isso

5 Por que escolheu a engenharia:
era excelente aluno de Matemática e

chetti, lançou um curso por correspondência. Esse curso, tempos depois, se tornaria o primeiro livro de Botelho: Concreto Armado, Eu te Amo. A publicação foi um sucesso e

virou coleção, abordando outros aspectos relacionados ao projeto e execução do concreto armado, como o dimensionamento de elementos estruturais ou as peculiaridades do ma-

terial que dizem respeito à arquitetura. Hoje, segundo conta, já foram vendidos mais de 60 mil exemplares de livros dessa coleção. A intenção dessas obras é inovar na comunicação e ensino da engenharia, explicou o autor. Orgulhoso, conta que o professor Telêmaco Van Langendonck lhe telefonou para elogiar a qualidade do trabalho, além de Augusto Carlos de Vasconcelos ter lhe escrito elogios (o catálogo, com todas as publicações de Botelho, pode ser solicitado diretamente ao autor, pelo e-mail manoelbotelho@terra.com.br). O entusiasmo em abordar outros temas veio da necessidade por simplificar conceitos sentida não apenas por ele, mas também por seu filho, engenheiro civil formado por uma universidade pública paulistana. Conta que o filho recebia apostilas desnecessariamente complexas demais. Botelho chegou a mostrar uma apostila sobre resistência dos materiais para colegas calculistas que foram unânimes em considerar o material incompreensível. "Meus livros são minha resposta para esse absurdo de cursos e livros que, em vez de ensinar, servem apenas para o autor demonstrar erudição", afirma. Dentre seus próximos projetos estão livros sobre termodinâmica e golpe de aríete. "Como são assuntos lógicos, têm de ser fáceis de ensinar", afirma. Ele também responde pela Coluna do Botelho da revista do Professor de Matemática. Por isso, foi convidado pelo Departamento de Matemática da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) a palestrar sobre um tema livre. Lotou o auditório, com capacidade para 100 pessoas, com o tema "Parapsicologia e Matemática". Após entreter a platéia com casos matemáticos incríveis, comprovou que não existem correlações entre os temas que deram nome à apresentação. "Mas será que algum dos presentes achava que existia?."
Bruno Loturco

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MELHORES PRÁTICAS
Estacas pré-moldadas de concreto
Além de cuidados com o prumo das peças, desempenho do serviço deve ser aferido durante e após a cravação das estacas

Características das estacas
As estacas pré-moldadas podem ser de concreto armado ou protendido, vibrado ou centrifugado, e concretadas em fôrmas horizontais ou verticais. Devem ser executadas com concreto adequado e submetidas à cura necessária para que possuam resistência compatível com os esforços decorrentes do transporte, manuseio e da instalação, bem como resistência a eventuais solos agressivos, atendendo às normas NBR 6118 e NBR 9062. Em cada estaca deve constar a identificação da data de sua moldagem.

Posicionamento
A estaca deve ser levantada e posicionada no piquete correspondente a seu diâmetro. Nesse momento é inserido o capacete metálico na extremidade superior da peça.

Prumo
O procedimento obedece à seguinte ordem: primeiro, a torre do bate-estacas é aprumada, em seguida, apruma-se a estaca. Os prumos das faces frontal e lateral devem ser verificados. 24
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Fotos: Marcelo Scandaroli

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Marcas
Antes da cravação, realizar marcações distanciadas de 1 m em todo o comprimento da peça. Dessa forma, pode-se acompanhar o número de golpes dado pelo martelo a cada metro cravado. Essas informações são utilizadas para avaliação do desempenho do elemento de fundação e para a comparação com os dados obtidos nas sondagens.

Cravação
A energia de cravação depende do peso do martelo, do peso da estaca e da altura de queda do martelo. No processo de cravação de uma estaca, os dois primeiros fatores são constantes. A única variável, a altura de queda do martelo, não deve ser inferior a 40 cm nem superior a 1,20 m.

Nega
Quando o elemento atinge a profundidade para a qual foi projetado, verifica-se a nega da estaca. Trata-se da medição do deslocamento da peça durante três séries de dez golpes de martelo. Com base Colaboraram: engenheiro Reinaldo Lopes, da ABC Fundações, e Leonardi Pré-Moldados nesses dados, o técnico responsável poderá avaliar rapidamente se a estaca está atendendo à capacidade de carga de trabalho necessária para o atendimento do projeto.

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ENTREVISTA

Industrialização essencial
Sem alterar a forma de concepção do produto da construção civil, desempenho e produtividade tendem a permanecer estagnados. Adotar sistemas industrializados é imperativo para atender à demanda habitacional
FRANCISCO PEDRO OGGI
Em 1970, cursou Desenho e Ilustração na Escola Panamericana de Arte, em São Paulo. Oito anos mais tarde, formou-se engenheiro civil pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie. Participou de diversos eventos e fez diversas especializações em estruturas e préfabricados, como o Master Course – Projeto de Estruturas Pré-moldadas da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), em 2007. É consultor em sistemas para pré-moldados desde 1992, atuando pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) e ABCIC. É presença freqüente em feiras de equipamentos e tecnologia do exterior, tendo participado de mais de 20 nos últimos 12 anos.

alta mão-de-obra. Falta tempo para projetar.Faltam equipamentos e até materiais. Faltam técnica e tecnologias, além de participação dos arquitetos. Mas falta, antes de tudo, visão estratégica aos que decidem como as obras serão realizadas. Essa é a principal crítica de Francisco Oggi ao modelo de negócios consolidado na construção civil brasileira, que ainda parte do princípio de que há operários sobrando e que, portanto, podem ser contratados a baixo custo para processar todos os materiais “in loco”. Segundo o engenheiro, o setor já avançou o máximo possível em desempenho e produtividade e não conseguirá ir além sem alterar a compreensão do que é construir de maneira industrializada. Isso significa olhar para o canteiro e perceber que, em vez de uma equipe de armadores, poderia contar

F

com dois ou três funcionários ocupados em operar uma máquina que processe o aço de maneira rápida e eficiente. Mais do que isso, direcionar o raciocínio não para o custo do equipamento, que sempre parecerá alto, mas para os efeitos da industrialização no resultado final das contas. Com menos funcionários, pode-se aumentar os salários, logo, a produtividade tende a aumentar – mesmo porque contam agora com equipamentos. Com planejamento adequado da produção, os prazos são reduzidos junto com as despesas indiretas. Conseqüentemente, os ganhos com vendas e locação vêm antes. Assim, mesmo que algumas etapas, agora industrializadas, sejam mais caras, o custo global é menor. Essa é a argumentação de Oggi em entrevista concedida à Téchne. Acompanhe.
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O que é uma construção industrializada?

Aquela em que, com projeto e planejamento, chega-se a um canteiro com elementos dependendo de simples montagem. A comparação é com a indústria automobilística, que mantém em seu poder apenas a linha de montagem, que seria nosso canteiro de obras. Por questão de logística, a indústria automobilística tem seus fornecedores próximos.
Como ocorre a aplicação desse conceito na construção, sendo que cada linha de montagem fica em um lugar?

“Na industrialização, saímos da visão fracionada para a visão sistêmica, que pensa no resultado final do empreendimento e objetiva um valor de investimento menor do que o previsto”
Por que estamos pensando em industrialização agora?

Essa postura é melhor do que adaptar algo importado?

A importação de tecnologia tem a grande vantagem de ganhar o tempo que outros perderam para chegar à solução. É ignorância tentar inventar a roda, esquecer que já existe.Vai lá fora, paga e, quando voltar, recupera. O brasileiro não entende isso porque não viaja, não conhece as feiras lá fora, porque ficamos fechados por 40 anos. Só agora temos duas feiras importantes de equipamentos, a Concrete Show (veja programação nesta edição) e o M&T Expo. Se incrementadas, serão as portas de entrada das tecnologias, porque o pessoal de fora está de olho.
Onde se concentram os ganhos com a industrialização?

Com parceiros fabricantes de portas, de estruturas de concreto e de instalações que industrializem parte do serviço e venham ao canteiro fazer a montagem. Na construção civil isso não acontece e todo mundo vem fazer artesanato no canteiro. Há um volume muito grande de gente, e é muito difícil tomar conta desse povo todo. Acabo não fazendo montagem, mas construindo tudo ali, pecinha por pecinha.
Por que a construção se configurou dessa maneira?

Nas décadas de 1960 e 1970, o BNH (Banco Nacional da Habitação) estimulava a utilização de mão-de-obra para liberação de financiamento, pois não éramos industrializados, os setores de serviços e de agricultura não eram desenvolvidos e a maioria da mão-de-obra estava disponível para a construção civil. Com o fechamento das fronteiras para importação e excesso de operários, desenvolvemos a melhor maneira de juntar os dois quanto a custo e desempenho. Após 40 anos, não dá mais para aperfeiçoar dentro desse modelo, com um monte de gente e material chegando picadinho.

A estabilização econômica gerou inclusão social e estímulo à aquisição de bens duráveis, como carros, celulares e, agora, imóveis. A construção é o único setor em que o operário não compra o que produz. O déficit habitacional está se transformando em demanda. Mas, como atender à demanda se, a cada ano, o volume de mãode-obra para a construção civil diminui? Falta de tudo no mercado, desde servente até engenheiro sênior. E, com esse pouco de recurso humano, tem que fazer muito mais do que antes.
Esse cenário estimula a industrialização?

Industrialização significa racionalização, fim do desperdício. O primeiro ganho está aí. Se a peça industrializada custa mais, os fatores de racionalização, de redução de desperdício e de prazo representam ganhos muito superiores. Na visão sistêmica do empreendimento, o custo é menor, mas, normalmente, temos uma visão fracionada da obra. Ou seja, contrata-se e verifica-se tudo em separado, elementos que depois têm que ser juntados.
Como assim?

A MRV afirmou que fará,em 2009,tudo o que fez em 28 anos. São 40 mil unidades. Mesmo que trabalhe 24 horas por dia, não dá para cumprir essa promessa sem industrialização.Dinheiro não falta, mas é difícil pensar em recursos humanos e tecnológicos de uma hora para outra. Ou importamos tecnologia de especialistas que determinem as fórmulas para a evolução, ou vamos ter que buscar por conta própria.

Pensa-se apenas no preço e compra-se a porca de um fabricante e parafuso de outro. Quando aperta, tem diferença na rosca. Parafuso e porca chegaram mais baratos à obra, mas não funcionam. É o que acontece hoje. Na industrialização, saímos da visão fracionada para a visão sistêmica, que pensa no resultado final do empreendimento e objetiva um desembolso menor do que o previsto. Mesmo que algumas das etapas intermediárias saiam mais caras, o que importa é o resultado final.
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ENTREVISTA
Ou seja, pensar no produto final?

No processo completo, não picado. São 12, 15 escritórios de projeto envolvidos, e juntá-los numa reunião de compatibilização é difícil, porque demora demais e o projetista da fundação não quer saber do da telefonia. No exterior, esse processo é mais concentrado e o arquiteto, dono do projeto, cuida de tudo e entrega um pacote pronto. Aqui a gente projeta durante a execução da obra.
Por que é difícil antecipar os projetos?

Porque significa colocar dinheiro antes. O construtor não planeja uma obra que vai fazer daqui a cinco anos. E o setor da industrialização anda à medida que o da construção se mexe, não na frente, propondo prazos menores. Nenhuma empresa de pré-fabricado, no Brasil, tem expertise para fazer prédios em três ou quatro meses, desde a fundação até a chave. Estamos numa fase de muitas transformações.

“Mesmo tendo toda a América Latina para explorar, pensamos no que fazer com uma grua daqui a cinco anos. Daqui a cinco anos essa grua já se pagou e não vale mais nada. Equipamento é necessário para atingir um objetivo”
Quanto dessa transformação depende da escala de produção?

outro não. Hoje trabalhamos com toda a mão-de-obra terceirizada, o que é um absurdo. Terceiriza-se porque, se parar a obra, tem que mandar o funcionário embora, com custos decorrentes.
Algumas empresas têm investido na compra de equipamentos, apostando nessa continuidade. O patamar tecnológico da construção só vai se alterar se isso se mantiver ou essa industrialização só serve para momentos de boom?

Nem tanto da escala, mas de uma solução de continuidade, que nunca tivemos e que impede passos mais ousados quanto à aquisição de tecnologia e equipamentos. Num ano está bom, no

Não podemos dizer que comprar fôrmas caríssimas para projetos específicos seja industrializar. O que se pretende é usar as fôrmas de alumínio duas ou três mil vezes, enquanto as de madeira são usadas 50 vezes. Industrialização é ir muito além. Seria, talvez, contar com um equipamento que produzisse a parede numa fábrica para ser transportada e montada a seco no canteiro.
Com elementos industrializados chegando prontos ao canteiro?

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Para essa obra (complexo de escritórios com seis torres, em Barueri, da Tishman Speyer), compramos um pórtico, uma série de fôrmas específicas e estamos montando uma pista ao lado dos prédios, onde vamos produzir as vigas e escadas. Isso é industrializar uma parte da estrutura. O fechamento será em painéis pré-moldados, produzidos fora daqui.O ideal seria fazer toda a estrutura no chão e depois montar.
Isso já é possível?

“Lá fora, o construtor não pode se dar ao luxo de ter muitos empregados, mas tem metas de produção elevadas. Então, compra máquinas para fazer o trabalho de 20 pessoas”

Já estamos muito próximos disso. Temos processos que industrializam 100% da casa. A fôrma de alumínio é um aceno de mudança, não investimento. É material de consumo e o custo dilui-se pelo número de casas construídas. A conta foi fechada assim e, depois de tantos usos, já está dando lucro. Compram lá fora porque é de alumínio, fácil de carregar. Porém, não é industrialização, apenas um pouco de racionalização para ganhar na logística e na escala de produção.

qualificação, é barata e rende pouco. Claro que rende pouco, pois o operário tem de fazer um serviço que não é dele, como carregar saco. O cimento deveria chegar até ele por um equipamento, tendo ele apenas o trabalho de girar uma manivela para o saco cair na betoneira. Aí aumentaríamos a produtividade dele e com isso teremos espaço até para aumentar os salários. Com a melhora da renda,ele vai comprar seu produto. Essa é única saída. Se não investirmos em equipamento, vamos perder a pouca mão-de-obra que temos.
Por que perder?

O fato de nossa mão-de-obra ser muito barata e os equipamentos caros atrapalha a industrialização?

Poderíamos aproveitar o fato de a mão-de-obra ser barata para incrementar o ganho deles, dando equipamento para trabalharem.
De que maneira?

Fala-se que a mão-de-obra não tem

O Nordeste está se desenvolvendo e não nos manda mais mão-de-obra. Do Sul, já não vem operário há muito tempo. Os outros setores da economia são muito mais atraentes. Primeiro, o serviço informal. Depois, o setor de serviços e o comércio. A indústria está se instalando e a agropecuária está indo bem. Além disso, há grandes grupos chegando.

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Industrialização essencial
Sem alterar a forma de concepção do produto da construção civil, desempenho e produtividade tendem a permanecer estagnados. Adotar sistemas industrializados é imperativo para atender à demanda habitacional
FRANCISCO PEDRO OGGI
Em 1970, cursou Desenho e Ilustração na Escola Panamericana de Arte, em São Paulo. Oito anos mais tarde, formou-se engenheiro civil pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie. Participou de diversos eventos e fez diversas especializações em estruturas e préfabricados, como o Master Course – Projeto de Estruturas Pré-moldadas da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), em 2007. É consultor em sistemas para pré-moldados desde 1992, atuando pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) e ABCIC. É presença freqüente em feiras de equipamentos e tecnologia do exterior, tendo participado de mais de 20 nos últimos 12 anos.

alta mão-de-obra. Falta tempo para projetar.Faltam equipamentos e até materiais. Faltam técnica e tecnologias, além de participação dos arquitetos. Mas falta, antes de tudo, visão estratégica aos que decidem como as obras serão realizadas. Essa é a principal crítica de Francisco Oggi ao modelo de negócios consolidado na construção civil brasileira, que ainda parte do princípio de que há operários sobrando e que, portanto, podem ser contratados a baixo custo para processar todos os materiais “in loco”. Segundo o engenheiro, o setor já avançou o máximo possível em desempenho e produtividade e não conseguirá ir além sem alterar a compreensão do que é construir de maneira industrializada. Isso significa olhar para o canteiro e perceber que, em vez de uma equipe de armadores, poderia contar

F

com dois ou três funcionários ocupados em operar uma máquina que processe o aço de maneira rápida e eficiente. Mais do que isso, direcionar o raciocínio não para o custo do equipamento, que sempre parecerá alto, mas para os efeitos da industrialização no resultado final das contas. Com menos funcionários, pode-se aumentar os salários, logo, a produtividade tende a aumentar – mesmo porque contam agora com equipamentos. Com planejamento adequado da produção, os prazos são reduzidos junto com as despesas indiretas. Conseqüentemente, os ganhos com vendas e locação vêm antes. Assim, mesmo que algumas etapas, agora industrializadas, sejam mais caras, o custo global é menor. Essa é a argumentação de Oggi em entrevista concedida à Téchne. Acompanhe.
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O que é uma construção industrializada?

Aquela em que, com projeto e planejamento, chega-se a um canteiro com elementos dependendo de simples montagem. A comparação é com a indústria automobilística, que mantém em seu poder apenas a linha de montagem, que seria nosso canteiro de obras. Por questão de logística, a indústria automobilística tem seus fornecedores próximos.
Como ocorre a aplicação desse conceito na construção, sendo que cada linha de montagem fica em um lugar?

“Na industrialização, saímos da visão fracionada para a visão sistêmica, que pensa no resultado final do empreendimento e objetiva um valor de investimento menor do que o previsto”
Por que estamos pensando em industrialização agora?

Essa postura é melhor do que adaptar algo importado?

A importação de tecnologia tem a grande vantagem de ganhar o tempo que outros perderam para chegar à solução. É ignorância tentar inventar a roda, esquecer que já existe.Vai lá fora, paga e, quando voltar, recupera. O brasileiro não entende isso porque não viaja, não conhece as feiras lá fora, porque ficamos fechados por 40 anos. Só agora temos duas feiras importantes de equipamentos, a Concrete Show (veja programação nesta edição) e o M&T Expo. Se incrementadas, serão as portas de entrada das tecnologias, porque o pessoal de fora está de olho.
Onde se concentram os ganhos com a industrialização?

Com parceiros fabricantes de portas, de estruturas de concreto e de instalações que industrializem parte do serviço e venham ao canteiro fazer a montagem. Na construção civil isso não acontece e todo mundo vem fazer artesanato no canteiro. Há um volume muito grande de gente, e é muito difícil tomar conta desse povo todo. Acabo não fazendo montagem, mas construindo tudo ali, pecinha por pecinha.
Por que a construção se configurou dessa maneira?

Nas décadas de 1960 e 1970, o BNH (Banco Nacional da Habitação) estimulava a utilização de mão-de-obra para liberação de financiamento, pois não éramos industrializados, os setores de serviços e de agricultura não eram desenvolvidos e a maioria da mão-de-obra estava disponível para a construção civil. Com o fechamento das fronteiras para importação e excesso de operários, desenvolvemos a melhor maneira de juntar os dois quanto a custo e desempenho. Após 40 anos, não dá mais para aperfeiçoar dentro desse modelo, com um monte de gente e material chegando picadinho.

A estabilização econômica gerou inclusão social e estímulo à aquisição de bens duráveis, como carros, celulares e, agora, imóveis. A construção é o único setor em que o operário não compra o que produz. O déficit habitacional está se transformando em demanda. Mas, como atender à demanda se, a cada ano, o volume de mãode-obra para a construção civil diminui? Falta de tudo no mercado, desde servente até engenheiro sênior. E, com esse pouco de recurso humano, tem que fazer muito mais do que antes.
Esse cenário estimula a industrialização?

Industrialização significa racionalização, fim do desperdício. O primeiro ganho está aí. Se a peça industrializada custa mais, os fatores de racionalização, de redução de desperdício e de prazo representam ganhos muito superiores. Na visão sistêmica do empreendimento, o custo é menor, mas, normalmente, temos uma visão fracionada da obra. Ou seja, contrata-se e verifica-se tudo em separado, elementos que depois têm que ser juntados.
Como assim?

A MRV afirmou que fará,em 2009,tudo o que fez em 28 anos. São 40 mil unidades. Mesmo que trabalhe 24 horas por dia, não dá para cumprir essa promessa sem industrialização.Dinheiro não falta, mas é difícil pensar em recursos humanos e tecnológicos de uma hora para outra. Ou importamos tecnologia de especialistas que determinem as fórmulas para a evolução, ou vamos ter que buscar por conta própria.

Pensa-se apenas no preço e compra-se a porca de um fabricante e parafuso de outro. Quando aperta, tem diferença na rosca. Parafuso e porca chegaram mais baratos à obra, mas não funcionam. É o que acontece hoje. Na industrialização, saímos da visão fracionada para a visão sistêmica, que pensa no resultado final do empreendimento e objetiva um desembolso menor do que o previsto. Mesmo que algumas das etapas intermediárias saiam mais caras, o que importa é o resultado final.
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Ou seja, pensar no produto final?

No processo completo, não picado. São 12, 15 escritórios de projeto envolvidos, e juntá-los numa reunião de compatibilização é difícil, porque demora demais e o projetista da fundação não quer saber do da telefonia. No exterior, esse processo é mais concentrado e o arquiteto, dono do projeto, cuida de tudo e entrega um pacote pronto. Aqui a gente projeta durante a execução da obra.
Por que é difícil antecipar os projetos?

Porque significa colocar dinheiro antes. O construtor não planeja uma obra que vai fazer daqui a cinco anos. E o setor da industrialização anda à medida que o da construção se mexe, não na frente, propondo prazos menores. Nenhuma empresa de pré-fabricado, no Brasil, tem expertise para fazer prédios em três ou quatro meses, desde a fundação até a chave. Estamos numa fase de muitas transformações.

“Mesmo tendo toda a América Latina para explorar, pensamos no que fazer com uma grua daqui a cinco anos. Daqui a cinco anos essa grua já se pagou e não vale mais nada. Equipamento é necessário para atingir um objetivo”
Quanto dessa transformação depende da escala de produção?

outro não. Hoje trabalhamos com toda a mão-de-obra terceirizada, o que é um absurdo. Terceiriza-se porque, se parar a obra, tem que mandar o funcionário embora, com custos decorrentes.
Algumas empresas têm investido na compra de equipamentos, apostando nessa continuidade. O patamar tecnológico da construção só vai se alterar se isso se mantiver ou essa industrialização só serve para momentos de boom?

Nem tanto da escala, mas de uma solução de continuidade, que nunca tivemos e que impede passos mais ousados quanto à aquisição de tecnologia e equipamentos. Num ano está bom, no

Não podemos dizer que comprar fôrmas caríssimas para projetos específicos seja industrializar. O que se pretende é usar as fôrmas de alumínio duas ou três mil vezes, enquanto as de madeira são usadas 50 vezes. Industrialização é ir muito além. Seria, talvez, contar com um equipamento que produzisse a parede numa fábrica para ser transportada e montada a seco no canteiro.
Com elementos industrializados chegando prontos ao canteiro?

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Para essa obra (complexo de escritórios com seis torres, em Barueri, da Tishman Speyer), compramos um pórtico, uma série de fôrmas específicas e estamos montando uma pista ao lado dos prédios, onde vamos produzir as vigas e escadas. Isso é industrializar uma parte da estrutura. O fechamento será em painéis pré-moldados, produzidos fora daqui.O ideal seria fazer toda a estrutura no chão e depois montar.
Isso já é possível?

“Lá fora, o construtor não pode se dar ao luxo de ter muitos empregados, mas tem metas de produção elevadas. Então, compra máquinas para fazer o trabalho de 20 pessoas”

Já estamos muito próximos disso. Temos processos que industrializam 100% da casa. A fôrma de alumínio é um aceno de mudança, não investimento. É material de consumo e o custo dilui-se pelo número de casas construídas. A conta foi fechada assim e, depois de tantos usos, já está dando lucro. Compram lá fora porque é de alumínio, fácil de carregar. Porém, não é industrialização, apenas um pouco de racionalização para ganhar na logística e na escala de produção.

qualificação, é barata e rende pouco. Claro que rende pouco, pois o operário tem de fazer um serviço que não é dele, como carregar saco. O cimento deveria chegar até ele por um equipamento, tendo ele apenas o trabalho de girar uma manivela para o saco cair na betoneira. Aí aumentaríamos a produtividade dele e com isso teremos espaço até para aumentar os salários. Com a melhora da renda,ele vai comprar seu produto. Essa é única saída. Se não investirmos em equipamento, vamos perder a pouca mão-de-obra que temos.
Por que perder?

O fato de nossa mão-de-obra ser muito barata e os equipamentos caros atrapalha a industrialização?

Poderíamos aproveitar o fato de a mão-de-obra ser barata para incrementar o ganho deles, dando equipamento para trabalharem.
De que maneira?

Fala-se que a mão-de-obra não tem

O Nordeste está se desenvolvendo e não nos manda mais mão-de-obra. Do Sul, já não vem operário há muito tempo. Os outros setores da economia são muito mais atraentes. Primeiro, o serviço informal. Depois, o setor de serviços e o comércio. A indústria está se instalando e a agropecuária está indo bem. Além disso, há grandes grupos chegando.

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ENTREVISTA
A última opção é a construção civil. E, tendo que carregar saco de cimento e bloco, aí que não vem mesmo. Se souber que vai operar um equipamento, sem fazer força, vem, pois o salário é um pouco melhor e a condição é humana.
Então a industrialização é necessária também para melhorar os canteiros?

Houve muitas melhorias com a NR-18 (Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção), mas ainda fazemos muitos serviços que máquinas poderiam fazer, como armação. A mecanização é obrigatória, mas a filosofia do capital brasileiro é investir o mínimo e tirar o máximo de proveito. Lá fora, o construtor não pode se dar ao luxo de ter muitos empregados, mas tem metas de produção elevadas. Então, compra máquinas para fazer o trabalho de 20 pessoas.
Além da estrutura, quais elementos da obra podem ser industrializados?

“Aumentando a produtividade, teremos espaço para aumentar os salários. Se não investirmos em equipamento, vamos perder a pouca mão-de-obra que temos”
Não se fala de industrializar outras etapas por falta de conhecimento. Como a estrutura é algo bruto, sujo e inóspito, é prioridade. Havia duas fábricas de banheiro pronto no Brasil. Uma fechou, indício de que as construtoras seguiram na contra-mão da industrialização. A justificativa para não comprar banheiro pronto é que fazer no local

custa menos e dispensa grua. Tem de haver uma mudança sistêmica, porque é muito melhor usar o pronto, principalmente quando o empreendimento tem cinco mil banheiros.
Economicamente, por que o ponto de partida é, invariavelmente, a estrutura?

É o primeiro item a atacar. Ao fazer a estrutura e a fachada, se resolve 90% da obra, ou 70% se o prédio for residencial. A estrutura representa entre 25% e 30% do custo da obra, um volume que vale a pena atacar. Se a estrutura é bem-feita, economizo massa ao descer a fachada, ou posso fazer o fechamento na fábrica com as devidas tolerâncias. Não adianta industrializar uma parte e depois ter um bruto trabalho de ajuste na obra.
São obstáculos culturais?

Há tecnologia para adotar fachadas pré-prontas, pintadas, instalações elétricas embutidas, portas fixadas

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com três parafusos. Mas são necessários investimentos para sair do lugar. Outro ponto, que começa a ser abordado pela AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), é o da modulação. Usamos como múltiplo 1 mm e não 10 cm, como deveríamos. Imagine a quantidade de erros por causa disso. Com a modulação, vão baixar os preços de caixilhos, portas e acabamentos.
Os equipamentos são, de fato, tão caros quanto reclamam os construtores?

lidade e confiabilidade na empresa, além de reduzir custos indiretos.
Com a industrialização, a alvenaria, como conhecemos hoje, está com os dias contados?

zar. Estou estudando um caso, em Recife, em que a empresa vai montar uma fábrica de blocos na obra.
Qual o papel da industrialização na redução do déficit habitacional?

Empresários que raciocinam não pensam dessa forma. Eles analisam se há retorno ao gastar R$ 10 milhões em equipamento. Se houver, investem e saem na frente. Uma empresa foi à Colômbia comprar fôrmas porque considerou que, em vez de levar de 13 a 18 meses para fazer um prédio, poderia levar seis usando as fôrmas. Viu que esse prazo propicia retorno em termos de marketing, qua-

Num nível bom, teremos de 30% a 40% do mercado industrializado. Os outros 60% continuarão, devido ao porte do empreendimento ou da construtora, com os processos tradicionais. No entanto, pode ser que fiquem para trás também em custo. Muita gente, por não ter condição de investir em equipamentos ou por não ter acesso à industrialização, vai continuar com os mesmos processos.
Talvez aumente a procura por sistemas mais racionais, como a alvenaria estrutural?

Sem a industrialização não haverá redução de déficit. Todo o movimento sentido até agora é apenas a foca que está em cima da ponta do iceberg. Até agora, só vimos a foca. Sem industrializar, o volume de obras proposto pelas empresas não será feito.
Vai ser a alavanca da industrialização?

Se for realmente duradoura como se imagina, sem ameaças da inflação, juros ou fatores externos por cinco ou seis anos, pelo menos, vai ser uma boa alavanca. É isso que a construção civil quer para fazer os investimentos necessários.
Como fazer com que a industrialização chegue a sistemas consolidados? Há os kits de hidráulica, isso é industrialização?

A alvenaria estrutural serve para muitas construções, mas, dependendo da classe de resistência do bloco, o número de fabricantes é reduzido e falta bloco no mercado. Começa a inviabili-

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Industrialização seria, talvez, montar a parede já com o kit para que essa já venha com a hidráulica pronta. Montar uma árvore de hidráulica, como normalmente se faz, é racionalização. E não adianta fazer um esforço enorme para industrializar um pedacinho que não representa 0,5%, ignorando o resto. É possível até que isso atrapalhe.
De que maneira?

Levantando paredes exatamente no prumo porque, se as portas não couberem, tem que devolver todas. Perde-se um tempão para alinhar uma parede num sistema convencional só porque a porta foi industrializada. É preferível fazer a parede de qualquer jeito e depois ajustar a porta, que não representa nada. Tem que pensar em industrialização de uma forma global, para ter o máximo de controle, o mínimo de retrabalho e acabar com a improvisação.

“O arquiteto estrangeiro é muito mais técnico. Essa falta de técnica do brasileiro faz com que o projeto de arquitetura fique dissociado do processo construtivo”
Como a arquitetura pode auxiliar nesse processo?

quitetura fique dissociado do processo construtivo.
Os construtores deveriam exigir isso do arquiteto?

Só depois de encomendar o projeto é que o construtor decide a estrutura. Isso atrapalha bastante os arquitetos, que têm consciência de que precisam entrar mais na parte técnica. A tendência é que comecem a ter domínio sobre a execução. Quem coordena é a construtora, quando deveria ser o arquiteto.
Por que não temos muitos exemplos brasileiros de prédios altos feitos com pré-fabricados?

A arquitetura brasileira tem um fundamento humanístico muito forte e está muito preocupada com conforto, estética e a utilização final, enquanto deveria determinar também como as construções serão feitas. O arquiteto estrangeiro é muito mais técnico. Essa falta de técnica do brasileiro faz com que o projeto de ar-

A cultura incorporada faz com que falte tempo. O investidor tem um terreno e, se a legislação diz que dá pra fazer um prédio de 30 andares, com 400 escritórios de 50 m², esse é o produto. Trabalha-se em cima dele por dois anos. Depois que vende, tem o compromisso de entregar em 36

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meses e começa tudo do zero. Ou seja, aqueles dois primeiros anos não foram aproveitados pelo pessoal da técnica, que só sabe que tem que começar, no mês seguinte, um prédio de 30 andares. Aí, não dá tempo de filosofar e tem que fazer o arroz com feijão. Esse é o modelo de negócio.
Falta conceber o produto a partir da técnica?

resolvíveis, que tratam de homologações para instituições financeiras, como a Caixa Econômica Federal, que querem garantia de durabilidade. Mas isso não é problema, pois em 90 ou 120 dias tiram-se todas as referências necessárias.
Então, mais uma vez, as questões são culturais?

E depois que passar a demanda, o que fazer?

Temos dificuldade de fazer a construtora entender o que são soluções de continuidade. Já fiz muita coisa prémoldada numa obra e, na seguinte, da mesma construtora, nada era prémoldado. É incrível. Muda o engenheiro, o administrador e não há transferência de tecnologia. Começa tudo de novo, com os mesmos problemas.
Há obstáculos nas legislações, principalmente para residências populares, para adoção de sistemas não convencionais?

Existem questões técnicas facilmente

Não tem legislação que impeça o uso de alguma tecnologia, mas preferências de mercado. O drywall, por exemplo, é um processo que existe há mais de cem anos na Inglaterra e entrou aqui de uma forma totalmente errada. Pré-moldado com drywall é o casamento perfeito. Reduzem-se cargas, exigem-se peças menores, mais leves, com menores custos de fundação. A obra fica muito mais limpa, barata, com maior flexibilidade de layout. Porém, foi detonado por gente despreparada que, para vender uma parede de concreto, falava que a do outro era de papelão.

As fábricas de pré-moldado que surgiram na década de 60 na Europa continuam existindo até hoje. Estão nas feiras, sempre lançando produtos novos. Estão se deslocando para o Leste europeu, para a China e Índia. Aqui, mesmo tendo toda a América Latina para explorar, pensamos no que fazer com uma grua daqui a cinco anos. Daqui a cinco anos essa grua já se pagou e não vale mais nada, já é sucata. Equipamento é necessário para atingir um objetivo. Hoje, as construtoras, principalmente as que têm capital aberto, não têm como construir. Se tivessem equipamento, mão-de-obra e tecnologia, já estavam fazendo o que prometeram. Elas precisam fazer porque têm ações na bolsa, que estão caindo porque, enquanto os acionistas cobram, elas falam em VGV (Valor Geral de Venda) astronômico.
Bruno Loturco

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A última opção é a construção civil. E, tendo que carregar saco de cimento e bloco, aí que não vem mesmo. Se souber que vai operar um equipamento, sem fazer força, vem, pois o salário é um pouco melhor e a condição é humana.
Então a industrialização é necessária também para melhorar os canteiros?

Houve muitas melhorias com a NR-18 (Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção), mas ainda fazemos muitos serviços que máquinas poderiam fazer, como armação. A mecanização é obrigatória, mas a filosofia do capital brasileiro é investir o mínimo e tirar o máximo de proveito. Lá fora, o construtor não pode se dar ao luxo de ter muitos empregados, mas tem metas de produção elevadas. Então, compra máquinas para fazer o trabalho de 20 pessoas.
Além da estrutura, quais elementos da obra podem ser industrializados?

“Aumentando a produtividade, teremos espaço para aumentar os salários. Se não investirmos em equipamento, vamos perder a pouca mão-de-obra que temos”
Não se fala de industrializar outras etapas por falta de conhecimento. Como a estrutura é algo bruto, sujo e inóspito, é prioridade. Havia duas fábricas de banheiro pronto no Brasil. Uma fechou, indício de que as construtoras seguiram na contra-mão da industrialização. A justificativa para não comprar banheiro pronto é que fazer no local

custa menos e dispensa grua. Tem de haver uma mudança sistêmica, porque é muito melhor usar o pronto, principalmente quando o empreendimento tem cinco mil banheiros.
Economicamente, por que o ponto de partida é, invariavelmente, a estrutura?

É o primeiro item a atacar. Ao fazer a estrutura e a fachada, se resolve 90% da obra, ou 70% se o prédio for residencial. A estrutura representa entre 25% e 30% do custo da obra, um volume que vale a pena atacar. Se a estrutura é bem-feita, economizo massa ao descer a fachada, ou posso fazer o fechamento na fábrica com as devidas tolerâncias. Não adianta industrializar uma parte e depois ter um bruto trabalho de ajuste na obra.
São obstáculos culturais?

Há tecnologia para adotar fachadas pré-prontas, pintadas, instalações elétricas embutidas, portas fixadas

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com três parafusos. Mas são necessários investimentos para sair do lugar. Outro ponto, que começa a ser abordado pela AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), é o da modulação. Usamos como múltiplo 1 mm e não 10 cm, como deveríamos. Imagine a quantidade de erros por causa disso. Com a modulação, vão baixar os preços de caixilhos, portas e acabamentos.
Os equipamentos são, de fato, tão caros quanto reclamam os construtores?

lidade e confiabilidade na empresa, além de reduzir custos indiretos.
Com a industrialização, a alvenaria, como conhecemos hoje, está com os dias contados?

zar. Estou estudando um caso, em Recife, em que a empresa vai montar uma fábrica de blocos na obra.
Qual o papel da industrialização na redução do déficit habitacional?

Empresários que raciocinam não pensam dessa forma. Eles analisam se há retorno ao gastar R$ 10 milhões em equipamento. Se houver, investem e saem na frente. Uma empresa foi à Colômbia comprar fôrmas porque considerou que, em vez de levar de 13 a 18 meses para fazer um prédio, poderia levar seis usando as fôrmas. Viu que esse prazo propicia retorno em termos de marketing, qua-

Num nível bom, teremos de 30% a 40% do mercado industrializado. Os outros 60% continuarão, devido ao porte do empreendimento ou da construtora, com os processos tradicionais. No entanto, pode ser que fiquem para trás também em custo. Muita gente, por não ter condição de investir em equipamentos ou por não ter acesso à industrialização, vai continuar com os mesmos processos.
Talvez aumente a procura por sistemas mais racionais, como a alvenaria estrutural?

Sem a industrialização não haverá redução de déficit. Todo o movimento sentido até agora é apenas a foca que está em cima da ponta do iceberg. Até agora, só vimos a foca. Sem industrializar, o volume de obras proposto pelas empresas não será feito.
Vai ser a alavanca da industrialização?

Se for realmente duradoura como se imagina, sem ameaças da inflação, juros ou fatores externos por cinco ou seis anos, pelo menos, vai ser uma boa alavanca. É isso que a construção civil quer para fazer os investimentos necessários.
Como fazer com que a industrialização chegue a sistemas consolidados? Há os kits de hidráulica, isso é industrialização?

A alvenaria estrutural serve para muitas construções, mas, dependendo da classe de resistência do bloco, o número de fabricantes é reduzido e falta bloco no mercado. Começa a inviabili-

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Industrialização seria, talvez, montar a parede já com o kit para que essa já venha com a hidráulica pronta. Montar uma árvore de hidráulica, como normalmente se faz, é racionalização. E não adianta fazer um esforço enorme para industrializar um pedacinho que não representa 0,5%, ignorando o resto. É possível até que isso atrapalhe.
De que maneira?

Levantando paredes exatamente no prumo porque, se as portas não couberem, tem que devolver todas. Perde-se um tempão para alinhar uma parede num sistema convencional só porque a porta foi industrializada. É preferível fazer a parede de qualquer jeito e depois ajustar a porta, que não representa nada. Tem que pensar em industrialização de uma forma global, para ter o máximo de controle, o mínimo de retrabalho e acabar com a improvisação.

“O arquiteto estrangeiro é muito mais técnico. Essa falta de técnica do brasileiro faz com que o projeto de arquitetura fique dissociado do processo construtivo”
Como a arquitetura pode auxiliar nesse processo?

quitetura fique dissociado do processo construtivo.
Os construtores deveriam exigir isso do arquiteto?

Só depois de encomendar o projeto é que o construtor decide a estrutura. Isso atrapalha bastante os arquitetos, que têm consciência de que precisam entrar mais na parte técnica. A tendência é que comecem a ter domínio sobre a execução. Quem coordena é a construtora, quando deveria ser o arquiteto.
Por que não temos muitos exemplos brasileiros de prédios altos feitos com pré-fabricados?

A arquitetura brasileira tem um fundamento humanístico muito forte e está muito preocupada com conforto, estética e a utilização final, enquanto deveria determinar também como as construções serão feitas. O arquiteto estrangeiro é muito mais técnico. Essa falta de técnica do brasileiro faz com que o projeto de ar-

A cultura incorporada faz com que falte tempo. O investidor tem um terreno e, se a legislação diz que dá pra fazer um prédio de 30 andares, com 400 escritórios de 50 m², esse é o produto. Trabalha-se em cima dele por dois anos. Depois que vende, tem o compromisso de entregar em 36

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meses e começa tudo do zero. Ou seja, aqueles dois primeiros anos não foram aproveitados pelo pessoal da técnica, que só sabe que tem que começar, no mês seguinte, um prédio de 30 andares. Aí, não dá tempo de filosofar e tem que fazer o arroz com feijão. Esse é o modelo de negócio.
Falta conceber o produto a partir da técnica?

resolvíveis, que tratam de homologações para instituições financeiras, como a Caixa Econômica Federal, que querem garantia de durabilidade. Mas isso não é problema, pois em 90 ou 120 dias tiram-se todas as referências necessárias.
Então, mais uma vez, as questões são culturais?

E depois que passar a demanda, o que fazer?

Temos dificuldade de fazer a construtora entender o que são soluções de continuidade. Já fiz muita coisa prémoldada numa obra e, na seguinte, da mesma construtora, nada era prémoldado. É incrível. Muda o engenheiro, o administrador e não há transferência de tecnologia. Começa tudo de novo, com os mesmos problemas.
Há obstáculos nas legislações, principalmente para residências populares, para adoção de sistemas não convencionais?

Existem questões técnicas facilmente

Não tem legislação que impeça o uso de alguma tecnologia, mas preferências de mercado. O drywall, por exemplo, é um processo que existe há mais de cem anos na Inglaterra e entrou aqui de uma forma totalmente errada. Pré-moldado com drywall é o casamento perfeito. Reduzem-se cargas, exigem-se peças menores, mais leves, com menores custos de fundação. A obra fica muito mais limpa, barata, com maior flexibilidade de layout. Porém, foi detonado por gente despreparada que, para vender uma parede de concreto, falava que a do outro era de papelão.

As fábricas de pré-moldado que surgiram na década de 60 na Europa continuam existindo até hoje. Estão nas feiras, sempre lançando produtos novos. Estão se deslocando para o Leste europeu, para a China e Índia. Aqui, mesmo tendo toda a América Latina para explorar, pensamos no que fazer com uma grua daqui a cinco anos. Daqui a cinco anos essa grua já se pagou e não vale mais nada, já é sucata. Equipamento é necessário para atingir um objetivo. Hoje, as construtoras, principalmente as que têm capital aberto, não têm como construir. Se tivessem equipamento, mão-de-obra e tecnologia, já estavam fazendo o que prometeram. Elas precisam fazer porque têm ações na bolsa, que estão caindo porque, enquanto os acionistas cobram, elas falam em VGV (Valor Geral de Venda) astronômico.
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TÉCNICA E AMBIENTE
Luz eficiente
Ponte estaiada do Complexo Viário Real Parque, em São Paulo, conta com sistema de iluminação com potência menor que os convencionais
iluminação da ponte estaiada Octávio Frias de Oliveira, em São Paulo, é uma das mais econômicas do País. Seu projeto luminotécnico dividiu-se entre a rede de iluminação viária e o sistema de iluminação de destaque da torre. Segundo Paulo Candura, diretor do escritório Luz Urbana, res-

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ponsável pelo projeto luminotécnico, foi aplicado um conceito original ao empreendimento. "Em pontes com essa configuração, os estais geralmente são iluminados individualmente", explica. No caso dessa, entretanto, os projetistas da Luz Urbana e o arquiteto João Valente optaram por destacar o mastro durante a noite, trabalhando o que chamam de contraponto. "Durante o dia, os estais já se destacam com sua cor amarela, enquanto a torre, em concreto, se mistura ao entorno cinza dos edifícios da região. À noite, deixamos os estais um pouco de lado e iluminamos a torre", explica Candura. Segundo ele, a eliminação dos refletores individuais dos estais também possibilitou a redução do consumo de energia elétrica do sistema. O sistema de iluminação da torre é composto por dois subsistemas. A região interna das "pernas" do mastro é iluminada com lâmpadas LED coloridas. São 36 delas agrupadas em cada projetor, totalizando uma potência de 50 W, menor do que a de uma lâmpada incandescente comum. Todos os 142 projetores LED do mastro consomem, segundo Candura, a mesma quantidade de energia elétrica que um chuveiro. No início do projeto, conta Candura, a idéia era iluminar o mastro apenas com a cor azul. Os responsáveis pela obra, no entanto, solicitaram o emprego de um sistema multicolorido. Para

atender à demanda, os equipamentos tiveram de ser trazidos dos Estados Unidos. "A altura a ser iluminada era um desafio. Para projeção monocromática, até tínhamos equipamento no mercado interno, mas para cores que se alternam, tivemos que buscar projetores lá fora", afirma Candura. O lado externo do mastro é iluminado por 20 projetores distribuídos em seis postes em torno da ponte. "São os mesmos projetores usados nos estádios de futebol da Copa do Mundo da Alemanha, em 2006", afirma. Cada um dos projetores conta com uma lâmpada de 1.000 W, potência 33% menor que a de lâmpadas convencionais. No sistema de iluminação viária, foram especificados postes de 6 m de altura, posicionados alternadamente nos dois lados de cada via. "Essa disposição aumenta a eficiência do sistema", afirma Candura. As lâmpadas de multivapores metálicos com tubo de descarga cerâmico têm 140 W de potência cada uma, 44% menor do que das tradicionais lâmpadas de vapor de sódio utilizadas nas ruas de São Paulo. Além do menor consumo de energia, essas lâmpadas têm luz branca, com elevado índice de reprodução de cores. "É um tipo de luz que o olho humano aceita melhor. A ponte é uma ilha de luz branca em um 'mar amarelo'", comenta o projetista.
Renato Faria

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Divulgação: Philips

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FACHADAS

Beirada seca
Pingadeira é opção mais eficiente para afastar água de chuva da fachada, mas há recursos alternativos como bunhas, frisos e ressaltos. Conheça as diferenças entre os modelos
Divulgação: Scanmetal

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gua só é interessante à construção durante o período de execução das obras. Concluídos os trabalhos, o líquido freqüentemente torna-se um empecilho. Em tempos chuvosos, acumulado nas fachadas de edifícios, por exemplo, provoca manchas e reduz a vida útil dos materiais. "A boa técnica sempre recomenda que se afaste o mais rápido possível as lâminas d´água que escorrem pelas fachadas", observa o pesquisador Ercio Thomaz, do Cetac/IPT (Centro Tecnológico do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo). O mecanismo mais eficaz remonta à instalação de pingadeiras sob os peitoris das janelas. Os peitoris em si podem ser pré-moldados ou fabricados no próprio canteiro, com concreto ou graute industrializado, em fôrmas metálicas. Por pingadeira em si compreende-se apenas a linha ranhurada, abaixo dos peitoris, que intercepta a lâmina d’água, resultando pingos que se projetam afastados da fachada. Há que se atentar, porém, à natureza higroscópica dos materiais de construção. Areia, cimento, cerâmica, concreto, argamassa – todos têm uma atração molecular por água. "A retenção de umidade propicia o surgimento de fungos. Esses organismos expelem uma substância ácida que ataca cimento, cal, argamassa de revestimento, pintura", descreve Thomaz. Com isso, a penetração da umidade para o
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interior do prédio e dos apartamentos torna-se conseqüência previsível. "Por tudo isso é importante a adoção de medidas não só na janela, mas em toda a fachada", lembra o pesquisador. Destacam-se aqui pelo menos outros três recursos auxiliares na dissipação de água ao longo de fachadas com revestimentos de argamassa: o ressalto, a bunha e o friso.
Alternativas

Ausência de pingadeiras retém umidade e causa manchas em fachadas
Divulgação: IPT Lehander Carvalho

O ressalto pode ser traduzido como um obstáculo (espécie de tobogã), instalado idealmente a cada pavimento, que cria seguidas descontinuidades e impede o acúmulo de água. Opções mais baratas e simplificadas, a bunha e o friso possuem características semelhantes entre si: são reentrâncias capazes de criar perturbações no vento que empurra a água da chuva contra a parede, ajudando na dissipação do líquido. A principal diferença entre os modelos está na largura: reentrâncias da ordem de 5 cm de largura são chamadas de bunhas, e quando mais estreitas, entre 1,5 cm e 2 cm, denominam-se frisos. "Não são bons como o ressalto e a pingadeira, mas também funcionam",garante Thomaz. O friso, particularmente, oferece utilidades que vão além da dispersão de água. Pode servir para dissimular defeitos nas emendas da massa, ou mesmo para atenuar problemas de coloração decorrentes da tinta empregada em efeito decorativo. O aspecto decorativo das fachadas é, por sinal, outro ensejo para aplicação adaptada tanto do friso como da bunha. "Outros recursos, como molduras e cornijas, também são muito usados em prédios de estilo clássico e neoclássico. Os desenhos ajudam no afastamento da água que vai caindo do topo do edifício", comenta o pesquisador do IPT.

Acúmulo de água em borda de peitoril provoca rachaduras e formação de fungos

Divulgação: IPT

Por fim, umidade penetra no interior de apartamento

São significativos os benefícios de todas essas quebras de linearidade nas superfícies externas. No meio técnico existem referências a estudos segundo os quais pequenas saliências perpendiculares ao plano da parede conseguem reduzir em mais de 50% o volume de água que escorre sobre a fachada. E a prevenção contra os efeitos danosos da umidade só aumenta, eviThiago Oliveira

dentemente, com a presença das pingadeiras sob os peitoris das janelas.
Cuidados com o peitoril

Ressalto: faixa simples de concreto entre pavimentos quebra linearidade da fachada e evita concentração de água da chuva

Para assegurar que as lâminas d´água de fato cheguem à pingadeira e dali se precipitem, são recomendadas algumas breves intervenções também na superfície do peitoril – medidas adicionais ao suave caimento padrão. "Não se consegue assentar perfeitamente um peitoril na horizontal. A água escorre do vidro, ou do alumínio, e em vez de cair para a frente, pode pender para o lado e ali se concentrar, favorecendo uma movimentação higroscópica", explica Ercio Thomaz. Para evitar o acúmulo de água nos extremos do peitoril, a solução novamente se volta à criação de frisos, ou ao bloqueio por meio de ressaltos nas laterais. Caso o peitoril seja constituído de um outro material alternativo à argamassa e ao concreto, como granito, o risco de água empoçada nas bordas diminui. Basta que seja feita a pingadeira na face inferior do peitoril e, eventualmente, por segurança, ranhuras nas extremidades da superfície superior.
Thiago Oliveira

Divulgação: IPT

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PEDRAS

Barreira contra manchas
Hidrofugantes e impermeabilizantes oferecem maior resistência aos agentes agressivos de mármores e granitos. Conheça as características de cada produto e veja como aplicá-los
s mármores e granitos utilizados em pias e bancadas de cozinhas e banheiros podem manchar de maneira definitiva pela ação da água ou de óleos e produtos químicos. Mas é possível evitar danos desse tipo às pedras naturais com a aplicação de hidrorrepelentes e impermeabilizantes, que têm a função de formar barreira protetora contra os agentes agressivos. A indústria de tintas e vernizes oferece uma ampla gama de produtos para proteger as pedras.Além disso, as próprias empresas beneficiadoras das rochas naturais podem fornecer pias e bancadas já tratadas. Os hidrofugantes ou hidrorrepelentes penetram na porosidade do substrato, alterando as características de absorção capilar pela mudança do ângulo de contato entre a parede do capilar e a su-

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perfície da água.Entre os compostos que entram na formulação dos hidrofugantes estão os silicones, silanos, siloxanos, silano/siloxano e siloxano oligomérico. Já os impermeabilizantes ou vernizes são produzidos à base de resinas acrílicas, poliuretânicas e epoxídicas, que formam película protetora das superfícies rochosas. Tais produtos protegem os mármores e granitos contra água, agentes agressivos, carbonatação, eflorescências e penetração de água sobre pressão. Além disso, alteram a aparência das pedras, deixandoas brilhantes, acetinadas ou foscas, dependendo do tipo. Segundo a geóloga Maria Heloisa Barros de Oliveira Frascá, do Centro de Tecnologia de Obras de Infra-Estrutura e Laboratório de Materiais de Construção Civil do IPT (Instituto de Pesquisas Tec-

nológicas do Estado de São Paulo),a impermeabilização é um recurso que vem sendo muito utilizado na conservação das pedras. "Mas não dispomos de informações ou estudos a respeito da sua eficácia e durabilidade",diz."Em princípio,as rochas quando polidas têm porosidade suficiente para evitar a penetração de água e outros agentes, geralmente em torno de 0,14% a 0,18%. Porém, algumas delas, em especial alguns tipos de granitos e mármores, acabam manchando por motivos ainda não totalmente conhecidos", completa.
Proteção às rochas

Em geral, a grande maioria das rochas pode ser usada em bancadas e pias. Certos tipos de granitos cinza têm maior facilidade de absorver água, mas após algum tempo secam,

Aplicação de hidrofugantes e impermeabilizantes
Fotos: Sofia Mattos

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Tabela1 – CARACTERÍSTICAS DOS HIDRORREPELENTES E IMPERMEABILIZANTES Hidrorrepelentes/hidrofugantes Impermeabilizantes/vernizes Não requerem substrato liso e contínuo Requerem substrato liso e contínuo Não alteram ou alteram pouco a aparência do substrato Alteram a aparência Não impedem a passagem de vapor d’água, Impedem a passagem de vapor d’água, facilitando o equilíbrio interno e externo podendo formar bolhas ou manchas Não impedem a penetração de água sob pressão Impedem a penetração de água sobre pressão Não impedem a penetração de vapores agressivos Impedem a penetração de vapores agressivos Reduzem a lixiviação Impedem a lixiviação Oferecem maior resistência à fotodecomposição Menor resistência à fotodecomposição Reduzem a penetração de sais solúveis Impedem a penetração de sais solúveis

retomando a cor original. "No entanto, sob uso intenso, nem sempre há tempo suficiente para a secagem, o que faz com que as manchas permaneçam", afirma Maria Heloísa. "Em geral, quando a mancha não desaparece mesmo após longo tempo sem uso e na ausência de umidade, deve-se buscar outra causa", recomenda. Alguns produtos orgânicos muito oleaginosos, utilizados para a fixação das peças em bancadas devem ser evitados. Caso, por exemplo, da massa de vidraceiro na instalação de torneiras. As bancadas de cozinhas merecem ainda mais atenção, pois estão sujeitas a infiltrações e manchas causadas por produtos alimentícios como limão, gorduras e café, além de produtos de limpeza, como cloro e outros agentes agressivos. Os estudos e testes de alterabilidade de rochas têm mostrado que os produtos ácidos são danosos à rocha, provocando descoloração e manchamentos, além da corrosão nos mármores. O

Variedade de pedras brasileiras
De acordo com a Abirochas (Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais) a produção brasileira totalizou cerca de oito milhões de toneladas em 2007, com oferta de uma grande variedade de rochas, incluindo granitos, mármores, quartzitos maciços e foliados, ardósias, pedra-sabão, metaconglomerados, serpentinitos, travertinos, calcários (limestones) e outras, comercializadas nos mercados interno e externo. Em 2006, de acordo com dados da Abirochas, o Brasil passou a quarto maior produtor e exportador de rochas em volume físico, além de segundo maior exportador de granitos brutos, quarto maior exportador de rochas processadas especiais, e segundo maior exportador de ardósias, além de ser o principal fornecedor de chapas de granito para os Estados Unidos. O Brasil conquistou participação de 11,8% nas exportações mundiais de rochas silicáticas brutas, de 5,1% nas de rochas processadas especiais e de 16,5% nas de ardósias, compondo 6,3% do volume físico do intercâmbio mundial.

cloro também pode causar alterações em algumas rochas. "Se a construtora tiver dúvidas quanto à questão do manchamento durante a compra de algum tipo de pedra, recomenda-se a execução de ensaio de alterabilidade a

reagentes químicos empregados em produtos de limpeza", recomenda a geóloga. "Também deve-se cuidar para que o ambiente da obra seja o mais limpo possível", completa.
Heloísa Medeiros

1 Lave a superfície com água e sabão neutro 2 Enxugue bem a pedra para eliminar a
umidade 3 Passe um pano limpo com álcool isopropílico para retirar resíduos, poeira e oleosidades 4 Siga as instruções da embalagem do produto escolhido quanto à diluição e número de demãos. Passe o impermeabilizante ou hidrofugante com um rolo de espuma limpo 5 O produto vai criar uma barreira contra a entrada de água ou produto que possa manchar a pedra

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FORROS

Drywall decorativo
Forro em drywall tem função decorativa, além de ocultar instalações e facilitar a manutenção da laje ou de equipamentos sob o rebaixo

Fotos: divulgação Lívia Caselani Vieira

Recortes dos forros em tabicas, molduras e caixas recuadas para iluminação embutida

a onda da agilidade de execução,os pré-fabricados são essenciais em muitas obras. Além de atenderem às estruturas,em concreto ou aço,e fachadas com painéis de concreto,os pré-fabricados também servem às vedações internas, sendo encontrados nas paredes e, largamente, nos forros de drywall. O drywall facilita o recorte decorativo do forro com sancas, dentes, cantos, tabicas, molduras e nichos, ou podem ainda ser aplicados para ocultar fios elétricos e tubulações de ar e hidráulicas. Nesse caso, os tradicionais rebaixados de gesso dão espaço a um produto mais leve e sob medida.

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Versátil, o sistema de forro em drywall também permite fácil acesso às instalações para manutenção. "São mais leves, de execução rápida e seca, sem formação de entulho e desperdício de materiais, além de mecanicamente estáveis", afirma Carlos Roberto de Luca, consultor técnico da Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas para Drywall. Ele admite, contudo, que as desvantagens do forro também são as mesmas das paredes em drywall, como, por exemplo, a dificuldade de manter o gesso acartonado em locais de intensa umidade. "Para essa aplica-

ção existe um tipo especial de placa, denominada RU (Resistentes à Umidade, verdes), para o uso em cozinhas, banheiros e áreas de serviço", sugere. Outros tipos de chapas disponíveis no mercado são as brancas, para uso geral, conhecidas como ST (Standard), e as resistentes ao fogo (RF), encontradas na cor rosa. Seja qual for o recorte decorativo, "o ideal é ter o desenho de como vai ser o forro antes da execução", opina a arquiteta de interiores Karina Afonso, experiente na utilização do material. "Para iluminação, gosto de fazer as caixas recuadas de 15 cm x 15
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Divulgação Karina Afonso

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Rejuntamento das placas de drywall

Forro de corredor em residência era em placas de gesso antes de reforma. O drywall foi adotado por sua agilidade de execução. Com perfil de alumínio branco e placa recortada de gesso acartonado, foi feito um alçapão que dá acesso ao controle do sistema de ar-condicionado

Os fios para iluminação embutida devem ser previamente passados; o recorte para encaixe das luminárias quadradas é facilmente realizado com serrote para gesso

Nesse bar, a sanca faz a iluminação indireta – ficou aberta por cima –, já que a intenção era refletir a luz no forro – em drywall – e, dele, para o ambiente

O ambiente da sala da jantar tinha um forro de gesso comum. Detalhe da laje com dutos de ar e instalações elétricas, após remoção do velho forro de gesso

A sanca, sendo executada em drywall. O projeto pedia que ela "flutuasse", sem que os assessórios de sustentação (perfis e arames) ficassem à vista

cm. Primeiro colocam-se todos os perfis, depois as placas são encaixadas e parafusadas para, em seguida, serem recortadas, se o recorte não for muito grande", ensina. "Caso haja uma sanca maior, toda a estrutura já é previamente montada com os dentes, para recortar as chapas de drywall como se deseja", completa. Muitos profissionais também usam o drywall para o recorte de tabicas. "Em prédios muito altos, com as tabicas o risco de que trincas apareçam no forro em conseqüência de movimentações do edifício é menor", diz Karina. A arquiteta Lívia Caselani Vieira aponta ainda o fato de não ser simples executar o drywall nos forros com recorte arredondado. "Prefiro usar o gesso comum.A estrutura em perfis leves pode ser um obstáculo ao recorte", revela.

Ambas concordam, contudo, que o trabalho tem de ser realizado por um profissional especializado no sistema, pois os desníveis aparecem facilmente. As patologias mais comuns do forro em drywall, além do mofo em locais de maior umidade ou onde as tubulações hidráulicas falham e vazam, são as pequenas fissuras nas juntas. As rupturas podem acontecer devido à movimentação das estruturas, mas na maioria das vezes ocorre devido à colocação feita sem os cuidados técnicos necessários.
Desempenho acústico

Para os forros aplicados em obras comerciais de escritórios, salas de reunião, pequenos auditórios ou áreas de audiovisual, existem materiais específicos, desenvolvidos para otimizar o

desempenho acústico dos interiores. "Essas chapas possuem perfurações superficiais que promovem a absorção sonora", afirma de Luca. "Os furos, por sua vez, têm várias formatações: redondos, quadrados e dispostos simétrica ou assimetricamente, em quantidades diversas", completa. Nas residências, iluminação indireta,saídas dos exaustores e sistemas de ventilação ou ar-condicionado também encontram seus caminhos por dentro dos forros de drywall. Nesses casos, se houver a preocupação do isolamento acústico, o forro se adapta às mantas minerais, de lã de rocha. Outra solução possível é a sobreposição de chapas de gesso acartonado, já que o próprio gesso, em espessura calculada, tem bom desempenho acústico.
Giovanny Gerolla

Fotos: divulgação Livia Caselani Vieira

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CONCRETO – PINI 60 ANOS

Sinônimo de construção
Protagonista da história da engenharia civil brasileira, o concreto se adaptou a todas as necessidades econômicas e estruturais e, hoje, está mudando novamente para atender às demandas ambientais
oucas escolas de engenharia têm tanto conhecimento em concreto armado quanto a brasileira. As peculiaridades de nossa sociedade, economia, recursos naturais e outras influências nos levaram a desenvolver tecnologias variadas para construir com esse material, composto por cimento, areia, água, agregados e aço. A história do concreto armado no Brasil começou em 1904, no Rio de Janeiro, com a construção de um conjunto de seis prédios pela Empresa de Construções Civis, sob responsabilidade do engenheiro Carlos Poma. À época, conforme descrito no livro "A Escola Brasileira do Concreto Armado", de Augusto Carlos de Vasconcelos e Renato Carrieri Júnior, o material era denominado cimento armado. Outro prédio pioneiro na utilização de concreto no País é a Estação Ferroviária de Mairinque. Não se trata de concreto armado, pois a estrutura é metálica, tendo sido executada com trilhos de trem. O concreto apenas reveste os perfis, protegendo contra corrosão. O engenheiro Arnaldo Forti Battagin, da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), conta que os primeiros prédios altos brasileiros foram construídos nas décadas de 1920 e 1930, sendo respectivamente, os edifícios A Noite, na região portuária do Rio de Janeiro, e o Martinelli, no Centro de São Paulo. Ainda de acordo com Vasconcelos e Carrieri, o concreto, desenvolvido na França por Joseph Monier, ainda

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Naldo Mundim

Demanda por melhores produtividades com menos mão-de-obra, falta de espaço para equipamentos de transporte e maiores velocidades de execução formam o cenário para o desenvolvimento de concretos como o auto-adensável

era novidade em todo o Mundo. Curioso é que, inicialmente, nada tinha a ver com construções, sendo utilizado para criar peças que ficavam em contato com a água, como caixas d'água, encanamentos e até barcos. Até a década de 1950, o concreto não mudou muito. "Embora obras notáveis tenham surgido, o material em si não experimentou grandes inovações tecnológicas", afirma Battagin. Ele ex-

plica que, apesar do surgimento do reforço com fibras e do CCR (concreto compactado com rolo), as inovações mais significativas vieram com o CAD (concreto de alto desempenho), o concreto de alta resistência, o concreto com polímeros e, especialmente, o CAA (concreto auto-adensável). Como o concreto é uma composição de materiais, sua evolução dependeu do desenvolvimento desses comTÉCHNE 137 | AGOSTO DE 2008

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ponentes. "Há grandes diferenças do concreto atual para o do engenheiro Ary Torres – fundador e primeiro diretor do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) e primeiro diretor geral da ABCP", afirma o professor Antonio de Figueiredo, do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). Uma dessas diferenças é a qualidade do agregado, que, atualmente, é raro, especialmente nos grandes centros. Outra, o cimento, que era mais grosso.
Cimento fino, mais resistência

Ao explorar as vantagens do concreto de alto desempenho então recordista em resistência à compressão, o e-Tower ganhou vagas de garagem e flexibilidade estrutural para o desenvolvimento do projeto de arquitetura

Bruno Loturco

Traço convencional perde espaço nas construções por exigir muitos operários para espalhar, regularizar e vibrar o concreto. Também não pode ser bombeado, exigindo equipamentos de transporte vertical

Na década de 40, havia o chamado concreto 13,5,que resistia a 135 kgf/cm², o equivalente a aproximadamente 12 MPa. "Hoje, para ser considerado estrutural, tem que ter pelo menos 20 MPa", conta Fernando Rebouças Stucchi, professor da Poli e sócio-diretor da EGT Engenharia, em referência às exigências da NB-1 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento.Essa foi a primeira norma desenvolvida pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), em 1940. Embora já tenha passado por cinco revisões, a última em 2003, desde a primeira versão a NB-1 previa o dimensionamento em serviço baseado em tensões admissíveis e também no estado limite último. "Apenas duas normas faziam isso: a brasileira e a russa", conta Stucchi, que afirma ser ideal revisar a norma a cada cinco anos para acompanhar a evolução de técnicas e materiais. A evolução do cimento, do aço e dos aditivos justifica a periodicidade da revisão.Antes, menos moído, a superfície de contato entre as partículas de cimento era menor. Logo, consumia-se mais cimento para obter a mesma resistência. Com o desenvolvimento, as mesmas resistências passaram a ser ob-

tidas com quantidades menores de cimento. No entanto, o concreto fica mais poroso e expõe a armadura à corrosão. Para evitar problemas, a norma traz um capítulo que aborda, exclusivamente, a durabilidade das estruturas de concreto. "Percebeu-se que era muito caro e difícil corrigir uma corrosão de armadura", pontua Figueiredo. Outra forma de impermeabilizar o concreto é com aditivos e adições. "O cimento mudou, então o traço também mudou", explica Stucchi. O engenheiro Rubens Curti, especialista em concreto da ABCP, complementa: "A evolução tecnológica permitiu alcançar melhores resultados em função do controle das matérias-primas utilizadas no preparo dos concretos". Os aditivos começaram a mudar o comportamento do concreto a partir dos anos 70. A velocidade das construções e a demanda por obras enterradas criaram novas exigências para o concreto, que precisava apresentar resistências elevadas com menos tempo de cura. Além disso, os aditivos superplastificantes se mostraram atraentes para reduzir o consumo de cimento sem perder resistência. Assim, os primeiros movimentos acenavam para economia e flexibilidade estrutural decorrentes da resistência elevada. "O ganho de resistência estrutural passou a ser um campo de estudo muito atraente", explica Figueiredo. Em outro sentido, caminhava a evolução do concreto-massa, muito

utilizado em obras de barragem. Apesar de não exigir tanta resistência estrutural, demandava estudos para reduzir os gradientes de temperatura, decorrentes do calor de hidratação e da reação álcali-agregado, que provocam fissurações. Passaram a ser usadas adições no cimento, como a sílica ativa e o metacaulim. Em conjunto com os aditivos, aumentam o leque de possibilidades de aplicação do concreto.
Finalidades específicas

As adições e cimentos especiais foram os grandes sinais da evolução do concreto, de acordo com Figueiredo, da Poli. "Hoje conseguimos concretos para durar centenas de anos e isolar resíduos radioativos", explica. As inovações têm contribuído para as demandas atuais da construção, como necessidade por altas resistências iniciais, durabilidade, menor exigência de mão-de-obra e redução do impacto ambiental. Para atender a essa última urgência, os cimentos têm incorporado resíduos como o pó-de-pedra. "Não é nenhuma maravilha do ponto de vista tecnológico, mas é ótimo por reduzir os resíduos", afirma o professor da Poli. "É possível extrair areia artificial de rochas para a produção de concreto, uma vez que a extração de areia natural está sendo dificultada pelos órgãos ambientais", explica Curti. Já é usual a adição de sílica ativa, escória de altoforno e cinzas volantes. Essas, além de auxiliarem na redução dos resíduos de
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CONCRETO

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outras indústrias, podem melhorar o desempenho em alguns casos. Outra novidade, que não se enquadra na categoria dos aditivos nem das adições, são as fibras, que podem ter fins estruturais, em substituição às malhas, ou para evitar o risco de spalling, efeito de lascamento explosivo do concreto pouco poroso, provocado pela exposição ao fogo. É claro que o surgimento do concreto mais fluido, para ser bombeado ou projetado, não é novidade. No entanto, atualmente, o uso de bombas que ocupem pouco espaço, associado à redução da mão-de-obra para espalhamento, fazem do concreto bombeável uma das maiores apostas para a evolução do material. São indícios desse encaminhamento os investimentos no CAA (concreto auto-adensável), que conta com a mobilização da ABNT para o desenvolvimento de norma específica, conforme conta Rubens Curti. "Acredito que o CAA seja forte candidato às construções do futuro, pois apresenta qualidade superior e custo relativamente baixo", comenta. Na Europa, de acordo com dados apresentados por Arnaldo Forti Battagin, o CAA já responde por 15% de todo o concreto consumido. "Seu uso contribui para as tendências de industrialização da construção civil, diminuindo o custo de mão-de-obra e aumentando a produtividade", salienta. Para os próximos anos, aposta-se no advento da nanotecnologia para a produção de concreto, beneficiando as buscas por eficiência energética e ambiental que pautam a construção civil, e incrementando resistência e elasticidade ao material. Hoje, já é possível realizar análises de modelos reológicos para o estado fresco do concreto, que aumentam as possibilidades de aplicação. "Com o uso de aditivos, é importante saber se a bomba não vai entupir", exemplifica Figueiredo. O uso desses modelos irá gerar novas interpretações para o entendimento do comportamento do material no estado fresco, sendo essa, de acordo com Figueiredo, uma das grandes correntes evolutivas do concreto.
Bruno Loturco

Marcelo Scandaroli

Acervo pessoal de Selmo Chapira Kuperman

Ensaios e testes convencionais do concreto começam a ser complementados por análises de modelos reológicos, que permitem compreender e obter novas interpretações do material no estado fresco

Com baixa resistência à compressão, o concreto-massa é utilizado em barragens e utiliza pouca quantidade de cimento. Gradientes de temperatura levaram à necessidade de adições para controlar a fissuração

Obras brasileiras emblemáticas
1926 – Marquise da tribuna de sócios do Jockey Club (Rio de Janeiro): com balanço de 22,4 m, recorde mundial na época 1930 – Elevador Lacerda (Salvador): maior elevador de passageiros para fins comerciais no mundo, com elevação de 59 m e altura total de 73 m 1930 – Ponte de Herval ou Ponte Emílio Baumgart (Santa Catarina): sobre o Rio do Peixe, com o maior vão do mundo, na época, com 68 m em viga reta. Primeira ponte do mundo em concreto construída em balanços sucessivos. Destruída pelas enchentes de 1983 1922/1934 – Construção dos edifícios A Noite, no Rio de Janeiro e Martinelli, em São Paulo, os primeiros arranhacéus brasileiros, com 102,8 m e 130 m, respectivamente 1962 – Edifício Itália (São Paulo): foi, por alguns meses, o mais alto edifício em concreto armado do mundo 1969 – Masp (Museu de Arte de São Paulo): com laje de 30 m x 70 m livres, recorde mundial de vão na época 1982 – Usina Hidrelétrica de Itaipu (Paraná): maior barragem de gravidade do mundo, com 190 m de altura e mais de 10 milhões de metros cúbicos de concreto Fonte: Augusto Carlos de Vasconcelos Década de 90 – Edifício World Trade Center (São Paulo): duas torres, uma com 26 e outra com 17 andares, tem 177 mil m² de área construída, laje lisa protendida com 25 cm de altura e vãos de 10 m, com vigas de bordo Década de 90 – Edifício Suarez Trade (Salvador): com 33 andares e 40 mil m², tem concreto de 60 MPa nas colunas da torre, andares-tipo com 600 m² totalmente livres, estrutura protendida nervurada, com 15 m de vão e espessura total de somente 400 mm, laje plana em concreto armado nas garagens Década de 90 – Edifício Manhattan Tower (Rio de Janeiro): com 114 m de altura e 8 m de largura, é recordista mundial em esbeltez para edifícios, com relação de 14:1 Década de 2000 – pista descendente da Rodovia dos Imigrantes, Centro Empresarial Nações Unidas, com 167 m de altura, Museu da Escultura, Hotel Unique, edifício e-Tower, recordista em resistência à compressão, com concreto de 125 MPa, todos em São Paulo. Ponte JK, no Distrito Federal, e ponte sobre o rio Guamá, no Pará

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ESTRUTURAS

Gestão concreta
Informações sobre planejamento e execução de estruturas de concreto precisam acompanhar cronograma da obra, especificações do projeto e controle da qualidade
ara garantir a durabilidade e a confiabilidade das estruturas de concreto, a última revisão das principais normas – em especial as de Projeto (NBR 6118:2003), de Execução (NBR 14931:2003) e de Controle e Recebimento (NBR 12655:2006) – impôs a necessidade de se realizar uma série de procedimentos para gerar uma documentação capaz de comprovar a qualidade das estruturas. Resultados de ensaios, relatórios, planilhas e certificados devem fazer parte do Manual de Uso, Inspeção e Manutenção da Edificação, que serve de comprovação da conformidade da estrutura, além de permitir a rastreabilidade de todas as suas partes. Elaborar esse dossiê sobre o sistema estrutural, no entanto, depende de um minucioso trabalho de registro, inspeção e controle, que envolve as fases de concepção, planejamento e culmina na execução propriamente dita. Nesse contexto, a integração de procedimentos e profissionais torna-se indispensável para a obtenção da visão sistêmica almejada pela normatização. "A comunicação entre os agentes envolvidos deve ser clara, intensa e franca. Também é imprescindível que seja claramente identificado o porta-voz de cada agente envolvido",afirma o engenheiro especializado em tecnologia de concreto Arcindo Agustín Vaquero y Mayor, consultor da Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem). O trabalho inicia-se ainda na fase de projeto, quando são determinados os parâmetros de qualidade e durabilidade da estrutura. "O projeto estrutural, so-

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As principais normas referentes ao projeto e execução de estruturas e controle do concreto geraram a necessidade de se produzir documentos de rastreabilidade confiáveis

bretudo nos de maior porte, ganhou maior complexidade, pois além da resistência dos elementos, agora devem ser fornecidas outras informações para a garantia da durabilidade da estrutura, como modelo de deformação e relação água–cimento", explica o engenheiro José Roberto Braguim, presidente da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural). Pela norma técnica vigente, um projeto de estrutura de concreto só é considerado completo quando traz especificações não apenas da resistência característica a 28 dias (fck), mas também os valores do módulo de deformação do concreto (Eci) e de todas as resistências características anteriores ou

Estabelecer procedimentos para garantir a gestão da concretagem elimina interferências que venham a alterar as propriedades do material

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Ponto crítico nas obras, o transporte interno do concreto deve ser fiscalizado até mesmo em aplicações de pouco risco estrutural

Fila de caminhões–betoneira na entrada do canteiro, só com muito planejamento e controles rigorosos de recebimento

posteriores aos 28 dias, em especial nas chamadas "idades críticas", em que os esforços executivos ou carregamentos devem ser suportados, sem fissuras e sem deformações excessivas. "Essas novas exigências impõem a participação de um engenheiro tecnologista de concreto no estudo, determinação e fornecimento dessas ferramentas", comenta o engenheiro Egydio Hervé Neto, consultor em tecnologia do concreto e qualidade e diretor técnico da VentusCore. Segundo ele, essa necessidade fica ainda mais evidente ao considerar a evolução pela qual passou o concreto nos últimos anos – sobretudo com a elevação das resistências e a importância dada ao módulo de deformação – que fez com que a tecnologia do concreto conquistasse importância ainda maior na engenharia de edificações. Uma vez que os projetos da estrutura (e também os complementares) estejam devidamente planejados e gerenciados, parte-se para a atenção aos processos executivos (escoramento, fôrmas, armaduras, concretagens, movimentação e reaproveitamento de escoramentos, retirada e reaproveitamento de fôrmas). Cada etapa da execução precisa ser acompanhada de um Programa de Ensaios de Controle, em sintonia com a Empresa de Controle

Apoio informatizado
A adoção de ferramentas de gestão, apoiada em softwares, instrumentos de comunicação e profissionais devidamente treinados, passa a ser obrigatória para a construtora que precisa organizar uma série de dados e informações para atender às exigências da normatização. A tendência é que ferramentas complexas surjam em resposta às demandas das estruturas, cada vez mais arrojadas. Mas, por hora, programas comuns a grande parte das construtoras, como Excel, MS Project e Autocad, permitem aos profissionais, com capacitação e habilidade, montar ferramentas de uso corrente para as obras. O mais importante, porém, é que haja como acompanhar a execução do Programa de Ensaios de Controle de maneira clara e objetiva, à medida que seus dados vão sendo lançados e os campos preenchidos, comenta o consultor em Tecnologia do Concreto e Qualidade Egydio Hervé Neto, diretor técnico da VentusCore. O engenheiro desenvolveu recentemente, a partir do Excel, um conjunto de planilhas (Gecon) no qual todas as concretagens são lançadas, antes do início da obra, divididas em lotes (e conseqüente amostragem) em acordo com o cronograma. Realizado logo após a conclusão do projeto, o uso desse tipo de instrumento permite tornar claras as condições técnicas e a logística das concretagens – permitindo visualizar especialmente os equipamentos necessários no canteiro – facilitando a contratação do concreto e do controle. "Além disso, a planilha pode se constituir, ela própria, num documento de certificação da obra, para ser consultado a qualquer momento pelo proprietário ou pelo projetista", acrescenta Hervé Neto.

Tecnológico e com o fornecimento (programação) do concreto. Assim, à medida que ocorre a liberação das fôrmas e escoramentos – representada pela conformidade atestada em controle – a documentação deve ser formalmente organizada para ser entregue ao contratante da obra.

O escopo resultante das novas exigências demonstra a necessidade de que o projeto estrutural assuma também um caráter executivo, na avaliação do diretor técnico da VentusCore. Nesse sentido, cabe ao responsável pela execução, com os resultados de controle em mãos, comprovar o aten47

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ESTRUTURAS

Gerenciamento de concretagem principais agentes e atribuições

Fonte: Egydio Hervé Neto, Diretor Técnico da VentusCore. 48

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Capacitar a mão-de-obra para realização dos ensaios é fundamental para a gestão do processo de concretagem

Os controles laboratoriais começam no canteiro, com a coleta correta do material

O plano de escoramento também é parte da gestão da aplicação do concreto e deve obedecer recomendações dos calculistas

Checklist básico de um plano de concretagem
Conferir fôrmas e ferragens Fazer a programação do concreto dosado em central, considerando volume, fck, diâmetro máximo do agregado, trabalhabilidade, método de bombeamento, e o espaçamento entre as viagens de concreto Ainda na programação é importante levar em conta algumas possíveis características especiais, como o módulo de elasticidade tangente inicial, com o respectivo valor Prever a equipe que vai aplicar o concreto e as respectivas ferramentas necessárias para isso (vibradores, réguas vibratórias, gericas etc.), bem como os equipamentos de proteção individual Agendar com a empresa que faz o controle tecnológico os respectivos serviços Planejar os trabalhos/tempos de cura Caso haja a possibilidade dos trabalhos se estenderem durante a noite, prever iluminação e refeições para a equipe

Fonte: engenheiro Arcindo Austin Vaquero y Mayor, consultor da Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem)

dimento a esses valores antes de movimentar os escoramentos ou quaisquer outras ações que impliquem carregamentos precoces, por exemplo. Determinante para assegurar o desempenho da edificação, "o gerenciamento e controle da concretagem trazem consigo uma tarefa importante que é a de colocar em ordem o processo de produção da estrutura", comenta o presidente da Abece, José Roberto Braguim, destacando a importância do acompanhamento de uma empresa especialista em controle tecnológico para analisar o concreto. Em sua opinião, diversos problemas a que os concretos

estão sujeitos, como erros de composição e falhas durante o transporte, podem ser minimizados com esse controle adicional. Além disso, em função da metodologia que pressupõe uma abordagem sistêmica da construção, o gerenciamento pode colaborar para que eventuais não conformidades sejam solucionadas de maneira mais rápida. "Hoje, é praticamente impossível o projetista não ser informado sobre eventuais não conformidades", comenta o presidente da Abece. "Estando mais próximos da execução, os projetistas têm melhores condições de, por

exemplo, propor uma solução corretiva caso o concreto não atinja a resistência devida na análise nos 14 dias", exemplifica Braguim. "De qualquer forma é fundamental que as construtoras percebam que simplesmente recorrer às concreteiras, como muitas têm feito, não resolve a questão da qualidade, pois há questões comerciais envolvidas que dificultam uma posição isenta, como se espera de um trabalho técnico dessa importância", acrescenta Hervé Neto. Isso porque o fato de as centrais de concreto realizarem controles da qualidade internos, não exclui o construtor da necessidade de fazer o seu próprio controle. Além disso, a NBR 7212:1996 – Execução de Concreto Dosado em Central – exige que os fornecedores retirem amostras apenas a cada 50 m3 de concreto preparado. Isso significa que em uma concretagem comum pode haver um grande volume de concreto sem amostragem sendo aplicado na estrutura. "Para a concreteira que deseja apenas que seu desviopadrão e média sejam atendidos em larga escala, a NBR 7212 proporciona informação suficiente. Mas para a obra o risco de ficar sem amostragem em um grande volume de concreto é enorme", alerta o consultor.
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FÔRMAS

Pilares redondos
Papelão, madeira, aço e PVC. Há diferentes sistemas e materiais disponíveis para executar pilares redondos e de formatos especiais. A escolha da solução mais adequada depende de análise técnica, estética e, principalmente, econômica
esponsável pela geometria das peças de concreto, o sistema de fôrmas é determinante para garantia de prumo, nível, alinhamento e esquadro da estrutura. O conceito não é diferente quando se tratam de pilares redondos e com formatos especiais. Especificados por motivações arquitetônicas ou estruturais, esses elementos menos convencionais podem ser moldados por meio de fôrmas industrializadas ou confeccionadas em obra, a partir de matérias-primas das mais diversas. O que determina a maior pertinência de cada solução é uma rigorosa análise comparativa que leva em conta, entre outros fatores, prazos, quantidade de utilizações e aspecto superficial desejável. "Cada estrutura a ser moldada apresenta particularidades que exigem estudo minucioso, como as medidas dos pilares, número de reúsos das fôrmas, equipamentos disponíveis (grua, guindaste) e prazo de execução", lista o consultor de fôrmas, Paulo Assahi. De acordo com o também consultor de fôrmas Nilton Nazar, em função da praticidade que oferecem, os moldes de papelão têm sido os mais utilizados para dar forma a pilares circulares no Brasil. Em sua opinião, esse tipo de solução é mais interessante por aliar ótimo resultado superficial do concreto com a facilidade de uso e manuseio no canteiro.

R

Após análise técnica e econômica, para a confecção dos pilares da fachada desse centro educacional foram usadas fôrmas metálicas. A solução, especialmente concebida para essa obra, contribuiu para a planicidade esperada pelo arquiteto

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Fabricados em papel kraft e semikraft tratados com colas e resinas, os tubos de papelão recebem uma camada de papel não-aderente ao cimento e são disponibilizados nos diâmetros de 100 mm a 1.000 mm e espessuras variáveis de 3 mm a 8,5 mm. Leves – uma fôrma de 150 mm de diâmetro interno pesa cerca de 1,4 kg/m –, têm fácil colocação e retirada. As fôrmas de papelão podem, ainda, receber recheio de EPS para obter diversas seções de colunas (retangulares, quadradas, hexagonais, góticas ou romanas). Esse tipo de material, no entanto, não é reutilizável.Após a cura do concreto, o invólucro de papelão é rasgado e desprezado, fazendo com que o sistema se torne mais competitivo em obras em que está prevista apenas uma utilização da fôrma. "A partir de duas utilizações, começa a valer a pena pensar em outras soluções, como a fôrma de compensado de madeira", alerta Nilton Nazar. Segundo o engenheiro, alugar fôrmas metálicas também pode ser uma saída interessante quando o projeto tiver previsto várias utilizações em um período inferior a um mês. "Há de se ponderar, contudo, que os sistemas metálicos tendem a ser mais bem-sucedidos em estruturas com lajes planas e que, dependendo do porte das peças, pode exigir equipamentos de movimentação na obra", completa Nazar. O aspecto superficial do concreto é outro fator que influencia a especificação do sistema de fôrmas. Nas situações em que for desejável o máximo de planicidade, os moldes construídos à base de papelão e até os de PVC saem na frente. Mas há obras em que o projeto arquitetônico busca tirar partido das emendas e frisos. Nesses casos, a fôrma de madeira cambotada é a mais indicada.

As fôrmas contínuas podem suportar grandes cargas de concretagem, apesar da leveza de alguns materiais

Recomendações gerais
Deve-se procurar o sistema mais econômico, nunca o mais barato. Afinal, a qualidade da estrutura influencia os custos dos outros subsistemas que compõem a construção Projetos de fôrmas são fundamentais para se tirar melhor proveito da solução escolhida. No caso de fôrmas feitas em obra, é ainda mais importante estudar e planejar as fôrmas para otimizar o corte e reduzir as perdas A produtividade decorre diretamente da escolha correta do sistema e do treinamento da mão-de-obra No caso das fôrmas de madeira, as bordas cortadas devem ser seladas com tinta apropriada para evitar a infiltração de umidade e elementos químicos do concreto entre as lâminas, principal fator de deterioração Controle no recebimento e armazenamento: as fôrmas, em especial as de papelão, devem estar bem protegidas da umidade A maior parte dos danos que ocorrem nas fôrmas surge durante a desenforma por falta de cuidado. Para as fôrmas de madeira, por exemplo, deve-se dar preferência à cunha de madeira em vez do pé de cabra Para evitar que a nata do cimento escorra e o concreto perca resistência, não devem ser toleradas frestas, mas se não for possível, não poderão ter mais que 1 mm É fundamental que todo sistema de fôrma seja adquirido de empresa idônea, com devida apresentação da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do Crea

Fontes: professor Carlito Calil Júnior e engenheiro Paulo Assahi

Divulgação: Aqueduto

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FÔRMAS

Sistemas mais usados para pilares circulares e especiais
Papelão Podem ser produzidas com compensado de madeira ou com chapas de OSB para pilares especiais. Para geometrias circulares, porém, perdem em praticidade para as fôrmas de papelão resinado Vantagens Alta capacidade de suporte das cargas da concretagem Apresenta flexibilidade em relação a dimensões disponíveis Limitações A fabricação e montagem das fôrmas exigem tempo, mão-de-obra e espaço no canteiro Requer atenção em relação a aprumadores e ao sistema de escoramento Metal
Divulgação: Aqueduto

Limitações Costuma ser mais indicado em lajes planas Algumas medidas especiais podem não ser atendidas PVC

Divulgação: Termotécnica

Em formato tubular, são fabricadas em papel kraft e semikraft de diversas espessuras e enrolados helicoidalmente. São tratadas com colas e resinas, que lhes conferem rigidez, além de receberem uma camada interna de papel não-aderente ao concreto Vantagens É mais leve que os demais sistemas. Em geral, suporta bem as cargas da concretagem Chega pronto na obra para ser usado. Não requer mão-de-obra especializada Limitações Algumas medidas especiais podem não ser atendidas Não são reutilizáveis Madeira

Os sistemas tubulares para cofragem de pilares são modulares, compostos por painéis em forma de meia-lua, cunhas e escoramentos especiais Vantagens Durabilidade e grande capacidade de reúso Disponíveis para locação Rápida montagem e desmontagem

Fornecido em diversas dimensões, o tubo de PVC é produzido pela extrusão de um perfil plano e reforçado com pequenas saliências em forma de "T", que são posteriormente enrolados segundo o diâmetro desejado Vantagens Leveza Impermeabilidade Dispensa mão-de-obra especializada Confere bom acabamento ao concreto Tem rigidez para ser montado com poucos travamentos intermediários e o gastalho de pé do pilar Limitações Não permite reaproveitamento Utilização somente para coluna Requer cuidados especiais para travamento para não haver a deslocabilidade Não pode ser fixado com pregos

Nilton Nazar

Fonte: engenheiro Nilton Nazar, consultor de fôrmas e engenheiro Mauro Satoshi Morikawa (Unicamp)

Há, ainda, a preocupação com a redução do impacto ambiental das obras, que tende a criar mais oportunidades aos materiais renováveis e duráveis. "Nesse particular, o uso da madeira reflorestada, industrializa52

Divulgação: Doka

da, com complementos metálicos para aumentar a vida útil, é uma opção viável que pode ser a tendência das próximas décadas", afirma Paulo Assahi. Algo semelhante ocorre com os moldes metálicos, que

diante da reciclabilidade do aço e da maior durabilidade – chegam a suportar centenas de ciclos de concretagem – podem marcar pontos no quesito ambiental.
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FUNDAÇÕES

Sapatas de concreto
Utilizadas como base para edificações de diferentes portes, as sapatas de concreto são simples, seguras e econômicas. Mesmo assim, dependem de especificação e execução que levem em conta as características do solo e da estrutura
ndicadas para regiões de solo estável e de alta resistência superficial, as sapatas de concreto estão entre os métodos de execução de fundações mais elementares e econômicos. Quando bem projetadas, costumam demandar pouca escavação e consumo moderado de concreto.Além disso,suportam cargas elevadas e, em comparação com outros tipos de fundação superficial, como os blocos não armados, as vigas baldrames e o radier, podem assumir diversas formas geométricas para facilitar o apoio de pilares com formatos não convencionais. Mais do que a versatilidade, no entanto, a principal vantagem desse tipo de fundação está na execução facilitada, que dispensa, por exemplo, a presença de peças e equipamentos especiais no canteiro. Tal simplicidade, contudo, não exclui a necessidade de cuidados. Até porque, por se apoiar em camadas superficiais do solo para transferir as cargas da construção, esse tipo de fundação está mais suscetível às mudanças nas camadas do solo do que as fundações profundas. De acordo com a NBR 6122:1996, que trata de projeto e execução de fundações – atualmente em processo de revisão –, uma sapata não deve ter dimensão mínima inferior a 60 cm. Outra recomendação é que se observe o desnível entre sapatas próximas. A sapata em cota mais baixa deve ser sempre executada antes das demais.Além disso, é importante que seja respeitado um distanciamento entre cotas de acordo com a resistência do solo.

I

Elemento básico de fundação, não demanda peças e equipamentos especiais de escavação

Da mesma forma, a garantia de que a umidade do solo não atacará a armadura da sapata é fundamental para a segurança da edificação a ser construída. Por isso, logo após a escavação do solo deve ser feito um lastro de 5 cm de concreto magro, ocupando toda a área sobre a qual será assentada a sapata.
Compatibilidade

"O mais importante na execução de qualquer tipo de fundação é compatibilizar as cargas atuantes e os deslocamentos previstos com as características do solo de suporte", ressalta a pesquisadora Gisleine Coelho de Campos,da Seção de Geotecnia do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo). Segundo a engenheira, é fundamental verificar a geometria do elemen-

to e as características de uniformidade e resistência do solo sob a base,além da resistência do concreto e o cobrimento da armadura. A ligação entre as armaduras da sapata com a estrutura também é um ponto crítico que merece atenção especial."As armaduras de espera para os elementos estruturais precisam dispor de geometria e comprimento adequados aos esforços previstos", afirma Gisleine, destacando ainda que é preciso considerar sempre a possibilidade de ocorrência de cargas acidentais, que devem estar contempladas nos coeficientes de segurança adotados no projeto.
Impacto financeiro

A garantia de economia das sapatas diretas passa obrigatoriamente por
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Fundação de um edifício residencial com sapatas isoladas

Escavação Seguindo a orientação do projeto de fundações, inicia-se a escavação da área a receber as sapatas até a cota de apoio.

Regularização Com a área escavada e compactada, o passo seguinte é depositar concreto magro na área escavada, nivelando com o auxílio de régua e colher. Essa camada de regularização, que deve ter 5 cm de espessura no mínimo, é importante para garantir que a umidade do solo não ataque a armadura da sapata.

Preparação das laterais Não só o fundo, mas também as laterais precisam receber concreto. Por isso, as laterais de toda a área escavada devem ser chapiscadas.

Marcação dos pilares Com a vala preparada, inicia-se a marcação dos pilares. Para tanto, são fixadas estacas de madeira nos pontos indicados pelo projetista.

Conferência A checagem do nível é um procedimento imprescindível para garantir boa marcação dos pilares.

Armação Depois de definida a localização de todos os pilares, tem início a inserção da armação, sempre seguindo a orientação do projeto de fundações.

Saída para os pilares Com o auxílio de arames de aço, são presos também os ferros especiais de arranque dos pilares.

Concretagem A concretagem também deve ser feita, de acordo com as especificações do projetista, até a parte superior da sapata. A betoneira pode ser utilizada se a quantidade de concreto ou a velocidade de concretagem assim o exigirem.

Finalização A armação do pilar deve ser montada a partir dos ferros de arranque. Só então serão colocadas as fôrmas do pilar para o prosseguimento da concretagem.

Obs.: Após a desenforma do pilar, deve-se fazer o reaterro da cava da sapata. Obra: Edifício Allure Morumbi, em São Paulo, atualmente em construção pela Construtora Tibério

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FUNDAÇÕES

Recomendações
Para execução de todo e qualquer tipo de fundação, as investigações geotécnicas de campo e laboratório devem ser sempre acompanhadas pelo projetista. Sondagens de simples reconhecimento à percussão (SPT ou SPTT) são indispensáveis, sendo que, em alguns casos, pode ser necessário lançar mão de sondagens mais complexas. Ainda na fase de projeto, o contato entre projetista de fundações e estruturas deve ser constante. Em situações em que as sapatas se aproximam umas das outras ou se sobrepõem, o radier pode ser uma solução de fundação mais competitiva.

Corte esquemático de talude com sapatas em desnível

Estrutura de edifício residencial em São Paulo será erguida sobre sapatas isoladas em formato cônico retangular. Nesse tipo de solução, que apresenta baixo consumo de concreto, cada elemento de fundação recebe as cargas de apenas um pilar

Fundações rasas como as sapatas se caracterizam quando a camada de suporte está a até 2 m de profundidade da superfície

um projeto que tire partido das características desse tipo de fundação. Em geral, sapatas de formato arredondado ou escalonado demandam mais trabalhos com a execução das fôrmas, interferindo diretamente na produtividade do canteiro. Ainda pela busca de economia, é imprescindível simplificar a execução da armadura quando possível. Afinal, as sapatas mais econômicas geralmente são aquelas que possuem comprimento e largura com dimensões próximas, com momentos fletores parecidos em ambas as direções. O contato entre o projetista de fundações e de estruturas, ainda na fase de projeto, é outro fator propulsor de racionalização. Estima-se que um projeto otimizado, que considere a interação solo–estrutura, possa levar à redução de até 50% do custo das fundações. "Fundações bem projetadas correspondem de 3% a 10% do custo total do edifício. Porém, se forem malconcebidas e malprojetadas, podem atingir de cinco a dez vezes o custo da fundação mais apropriada para o caso", alerta a professora Mércia Bottura de Barros, da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), lembrando a importância da compatibilização de projetos na busca pela melhor solução para a distribuição dos esforços.
Juliana Nakamura

Fotos: Marcos Lima

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ARTIGO

Envie artigo para: techne@pini.com.br. O texto não deve ultrapassar o limite de 15 mil caracteres (com espaço). Fotos devem ser encaminhadas separadamente em JPG.

Aplicação de concreto auto-adensável na produção de pré-fabricados
concreto auto-adensável (CAA) é considerado um dos desenvolvimentos mais revolucionários ocorridos na construção nas últimas décadas. Particularmente no ramo de préfabricados, o CAA tem emergido de um objeto de estudo teórico para tornar-se muito popular. Em poucos anos, tem sido mais a regra do que a exceção em países industrializados (Walraven, 2007), de forma que, não existe tópico na indústria de préfabricados de concreto que tenha ganhado tanta atenção, utilizado em quase 100% da produção em algumas plantas no exterior. No entanto, uma avaliação econômica centrada apenas na produção unitária do material pode apresentar altos custos iniciais. Segundo Bennenk (2007), esse aumento é compensado pela redução de mão-deobra consumida na concretagem. Para Brück (2007), os silêncios de produção, a boa superfície de acabamento, são geralmente declarados como justificativa para a utilização do CAA. Outro benefício é a melhora das condições de trabalho. Contudo, diante de um custo de mão-de-obra tão baixo como no Brasil, será que é viável a implantação do CAA? É o que se pretende demonstrar.

O

Ricardo Alencar Consultor, BU Concrete, Sika Brasil M.Sc. Escola Politécnica da USP alencar.ricardo@br.sika.com Paulo Helene Professor titular, Escola Politécnica da USP Vice-presidente do Ibracon paulo.helene@poli.usp.br Alex Tort Folch Diretor técnico, Munte Construções Industrializadas atf@munte.com.br

Características técnicas

A implantação do concreto autoadensável na empresa estudada foi
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realizada no setor de protendidos pesados, em 100% dos casos. Na produção de vigas perfil I, vaso, calha e retangulares, que são elementos, normalmente, de maior complexidade devido às altas taxas de armaduras utilizadas. Utiliza-se cimento Portland de alta resistência inicial (CP V - ARI), adição de metacaulim HP Branco, aditivo superplastificante base policarboxilato, areia natural (quartzo) e agregado graúdo graduado (granito) (tamanho máximo 19 mm). O concreto possui fck de 50 MPa. Em casos especiais, são utilizados auto-adensáveis de 60 MPa e 70 MPa, dada à necessidade de saque das peças em tenras idades, possibilitando uma maior rotatividade das fôrmas metálicas. Inclusive, o uso de concretos de

alto desempenho, aliado ao maior nível de controle da qualidade, possível de se obter em instalações fixas de indústria, são fatores que favoreceram o uso dessa nova tecnologia na indústria de pré-fabricado. Para a qualificação do material em dosagem se realizaram análises de: a) fluidez – Slump flow, em mm (ASTM C 1611, 2006); b) viscosidade (indireta) – flow T50 cm, em s (ASTM C 1611, 2006), V-funnel e V-funnel 5 min, em s; c) habilidade de passar por armaduras – L-box, H2/H1, em mm; d) resistência à segregação – Column technique, em porcentagem (ASTM C 1610, 2006). Que seguiram a classificação da consistência apresentada pelo European Project Group (2005): a) Espalhamento – Slump flow SF2 660-750 mm: por ser adequado para a maioria dos casos de aplicação. O nível SF3 760-850 mm, embora não tenha uma utilização na mesma escala que o SF2, é necessário para moldagem de peças muito complexas e deve ser empregado em casos especiais. Já o nível SF1 550650 mm tem aplicações restritas em planta de pré-fabricados e, normalmente, não viabiliza um controle da qualidade adicional. b) Viscosidade – VS1/VF1, Slump flow T500 ≤ 2s e V-funnel ≤ 8 s: a viscosidade deve ser baixa, permiTÉCHNE 137 | AGOSTO DE 2008

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Figura 1 – Etapas de produção de elementos pré-fabricados

Figura 2 – Subetapas da concretagem do concreto vibrado.

Figura 3 – Subetapas de concretagem para o CAA

Figura 4 – Viga retangular altamente armada, com presença de insertes metálicos e isopor incorporado. A – Armadura densa. B – CAA endurecido sem acabamento

tindo que o ar incorporado na moldagem escape com maior facilidade para a superfície da peça e, assim, possibilite um nível superior de acabamento, característico desse tipo de produção, onde a maioria dos elementos são de concreto aparente. c) Habilidade passante – PA2 Lbox ≥ 0,80, com três armaduras: é especificado por ser o mais exigente, dado a complexidade e elevada taxa de armadura do tipo de peça produzida.
d) Resistência à segregação –

ções de transporte em ponte rolante, caminhão e também à grande energia com que o CAA é lançado na saída do misturador. Os detalhes dos equipamentos e a realização dos ensaios de qualificação do CAA são extensamente descritos na bibliografia.
Etapas de produção Para o concreto comum

Particularmente, as subetapas de concretagem, para o concreto comum, dividem-se, conforme é apresentado na figura 2. Para o concreto comum verifica-se: a) Mistura: após correção da umidade dos agregados, pesagem dos materiais e dosagem de aditivo, faz-se a homogeneização do concreto, que é, posteriormente, lançado na caçamba. b) Transporte: o concreto é transportado em ponte rolante e com auxílio de caminhão, no caso de haver necessidade de uma intercomunicação entre linhas de produção. c) Lançamento e vibração: o concreto é lançado na fôrma e seu espalhamento é feito com pás e enxadas. Posteriormente, o adensamento é feito por vibradores, removendo-se manualmente o excesso de material. d) Desempeno: o desempeno é manual, com desempenadeira de madeira, utilizada para alisar a superfície do concreto. Com auxílio de um compactador (desempenadeira com tela de aço), o agregado graúdo é empurrado em direção ao fundo, restando a nata de cimento junto à quarta face do elemento pré-fabricado, permitindo um melhor acabamento. e) Queima e acabamento: consiste em passar a colher de pedreiro para retirada das marcas deixadas pelo compactador e executar novamente o desempeno manual com desempenadeira de madeira. Após o início de pega do concreto, executase o desempeno manual com desempenadeira de aço. Esse procedimento é denominado "queimar" a superfície da peça e é repetido até se obter a textura desejada para a superfície.
Eliminação de subetapas de trabalho: Concretagem com CAA

SR2 ≤ 10 (%): deve ser das maiores, para resistir, sobretudo, às solicita-

A produção dos elementos de concreto em planta industrial divide-se genericamente nas etapas descritas na figura 1.

Segundo Belohuby & Alencar (2007), a implantação do CAA permi61

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ARTIGO

Tabela 1 – NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS ATUANDO NO SETOR DE PROTENDIDOS, ANTES (ESQUERDA) E DEPOIS (DIREITA) DA IMPLANTAÇÃO DO CAA. Função No Função No Encarregado 1 Encarregado 1 Operador de central 1 Operador de central 1 Operador de arrastador 1 Operador de arrastador radial 1 radial (alimenta a central) (alimenta a central) Moldador de CPs 1 Moldador de CPs 1 Pedreiro, meio-oficial 7 Pedreiro, meio-oficial e servente 3 e servente (enxada & colher) (colher) Operador de vibrador 2 Operador de vibrador 0 * Arrastador de vibrador 1 * Arrastador de vibrador 0 Operador de ponte rolante 1 Operador de ponte rolante 1 * Operador de abrir caçamba 1 * Operador de abrir caçamba 1 *Servente (descarga da 0 *Servente (descarga da adição 2 adição mineral no skip) mineral no skip) *Operador de caldeira 1 *Operador de caldeira 1 Total 17 12 * Operários que podem alternar sua função para pedreiro.

Produção do CAA no setor de protendidos Volume (m³) 1.200 1.000 800 600 400 200 Fev/07 Volume No peças No peças 450 400 350 300 250 200 150 100 50 Jan/08

Figura 5 – Volume em metro cúbico e número de peças produzidas com CAA no setor de protendido pesado no período estudado

Tabela 2 – VOLUME EM METRO CÚBICO DE CONCRETO E NÚMERO DE PEÇAS PRODUZIDAS NO PERÍODO DE ESTUDO Produção fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07* ago/07** set/07* out/07 nov/07 dez/07 jan/08 Volume 528 697 551 776 797 670 733 889 734 842 594 1.006 No peças 237 339 142 220 279 198 307 412 173 215 119 225 * Período em que foi aplicada cura térmica (jul-set/2007). ** Início da aplicação do CAA no setor de protendidos.

te diminuir subetapas de produção na Fase Concreto, tais como: vibração, espalhamento do concreto com enxada, além de minimizar os procedimentos de desempeno, dispensando o uso de compactador. A sobra tanto de material quanto a mão-de-obra para reaproveitamento desse, verificada no concreto convencional após a compactação, é eliminada, já que o CAA quando lançado tende a se compactar com seu peso próprio até atingir o nível desejado. É necessário apenas um leve remanejamento com pás, para acertar perfeitamente o nível do topo da cantoneira delineadora da face superior da peça. Assim, a etapa de concretagem passa a uma configuração muito mais enxuta, conforme é exemplificado na figura 3. Além disso, foi possível agregar uma melhoria significativa na qualidade de acabamento superficial das peças, devido à minimização do aparecimento de bolhas e macrodefeitos resultantes do processo de molda62

Tabela 3 – ESTATÍSTICAS DO VOLUME EM METRO CÚBICO E NÚMERO DE PEÇAS PRODUZIDAS MENSALMENTE NO PERÍODO DE ESTUDO. Estatística Média Dpad CC CAA CC CAA Volume 670 800 112 144 No peças 236 242 68 104

gem, eliminando, em grande medida, a etapa de reparo e acabamento final. Um exemplo disso é a viga retangular apresentada na figura 4.
Análise da viabilidade e produtividade Redução do número de homens/hora de trabalho

A aplicação do concreto autoadensável não se dá por uma simples substituição em relação ao concreto convencional, pois envolve a necessidade de certa reestruturação na fábrica, como: adequado controle da qualidade, investimentos em sensores de umidade automáticos para central de

concreto, já que o CAA é mais sensível à variação do conteúdo de umidade de seus constituintes; reforma de fôrmas e caçambas, para garantir maior estanqueidade, além, é claro, da qualificação de seus funcionários. Esses e outros cuidados podem ser encontrados no Manual Munte de Pré-fabricados de Concreto (2007). Conseqüentemente, houve a necessidade de alguns investimentos iniciais. Contudo, esses investimentos acontecem de forma gradativa e se pagam ao longo do processo de implementação dessa tecnologia e, na realidade, percebe-se que essas melhorias devem ser contínuas. Nesse
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Tabela 4 – INDICADORES DE PRODUTIVIDADE fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 Hh 3.570 4.420 3.910 4.420 4.250 Hh/h 210 260 230 260 250 Hh/m³ 7 6 7 6 5 Hh/p 15 13 28 20 15 m³/p 2 2 4 4 3 R$ MO 32.212 38.052 33.672 38.052 36.592 R$ Mat. 89.267 117.790 93.109 131.149 134.776 R$ Total 121.479 155.842 126.781 169.201 171.368 R$ Total/p 513 460 893 769 614 R$ Total/m³ 230 224 230 218 215 * Período em que foi aplicada cura térmica (jul-set/2007). ** Início da aplicação do CAA no setor de protendidos.

jul/07* ago/07** set/07* out/07 nov/07 3.570 2.880 2.880 3.120 3.000 210 240 240 260 250 5 4 3 4 4 18 9 7 18 14 3 2 2 4 4 32.212 26.000 26.000 28.160 27.080 113.215 142.247 172.454 142.313 163.398 145.427 168.247 198.454 170.473 190.478 734 548 482 985 886 217 229 223 232 226

dez/07 2.400 200 4 20 5 23.840 115.261 139.101 1169 234

jan/08 2.880 240 3 13 4 26.000 195.104 221.104 983 220

Tabela 5 – ESTATÍSTICA DOS INDICADORES DE PRODUTIVIDADE Estatística Média Dpad CC CAA CC CAA Hh 4.023 2.860 397 245 Hh/h 237 238 23 20 Hh/m³ 6 4 1 1 Hh/p 18 14 5 5 m³/p 3 4 1 1 R$ MO 35.132 26.180 2.770 1.435 R$ Mat 113.218 155.130 18.895 27.879 R$ Total 148.350 181.310 21.055 28.394 R$ Total/p 664 842 165 270 R$ Total/m³ 222 228 7 5

sentido, está sendo estudada, por exemplo, a colocação de um silo para estocagem de adição mineral, que se mostrou uma solução vantajosa do ponto de vista técnico-econômico. A implantação do silo certamente contribuirá para uma redução ainda maior do número de homens/hora de trabalho verificados no setor de protendidos (tabela1), pois, atualmente, o fornecimento de adição é em sacos (com o valor exato a ser utilizado). Assim, aproveitando o momento muito propício de crescimento da construção civil brasileira, foi possível relocar esses funcionários que saíram do setor de concreto em outras atividades mais nobres do que, por exemplo, arrastar vibradores.
Aumento da capacidade produtiva

O CAA possibilitou a transferência da equipe de concretagem do período vespertino para o noturno,

devido a um menor nível de ruído e perturbação de regiões circunvizinhas, obtido com a eliminação de vibradores, resultando, ainda, na melhoria das condições de trabalho (Belohuby & Alencar, 2007). Com isso, obteve-se uma melhor organização na cadeia de produção, pois acontecia anteriormente certo nível de atraso da entrega das fôrmas e das armaduras para a equipe de concretagem (dependendo da complexidade dos elementos), já que, nessa fábrica, o setor de fôrmas e armaduras inicia a sua jornada de trabalho pela manhã e o setor de concreto à tarde. Porém com o CAA aplicado à noite, esse atraso passou a não mais existir,pois sempre quando a equipe de concreto chega à fábrica, todas as fôrmas e armaduras se encontram previamente prontas. Essa mudança operacional, juntamente com o fato de que a velocidade da concretagem com o CAA é muito

maior,comparado com o concreto convencional, possibilitou um aumento da capacidade produtiva da fábrica. Em média,houve um incremente de 130 m³ de concreto por mês, além é claro de possibilitar um aumento do número de peças concretadas, conforme é apresentado nas tabela 2 e 3 e figura 5. A empresa estudada trabalha com um sistema de quatro pistas, fazendo um revezamento duas a duas a cada jornada de trabalho. Ou seja, em um dia se utiliza, por exemplo, a pista 1 e 3, e no dia seguinte, a pista 2 e 4, com a intenção de fechar todo um ciclo de produção (armaduras, fôrma, concreto, acabamento e manuseio) em aproximadamente 24 horas. A cura térmica só foi empreendida no período de inverno com a intenção de não prolongar esse ciclo, ou também pode ser utilizada para acelerar a produção de algumas peças no caso de ter havido problemas de programação em obra ou em fábrica, visando o cumprimento dos prazos preestabelecidos. Atualmente, o recurso da cura tem sido substituído com vantagens por um CAA de maior resistência inicial.
Indicadores de produtividade e custo de produção

Nessa seção, são apresentados alguns indicadores de produtividade (tabelas 4 e 5), obtidos a partir dos resultados de produção: Hh – total de homens x horas de trabalho; Hh/h – total de homens x horas de trabalho/total de homens;
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ARTIGO
Hh/m3 – total de homens x horas de trabalho/m³ de concreto; Hh/p – total de homens x horas de trabalho/peça; m3/p – volume em m³ de concreto/peça; R$ MO – custo da mão-de-obra, em reais; R$ Mat. – custo do concreto, em reais; R$ Total – custo da mão-de-obra mais concreto, em reais; R$ Total/m3 – custo da mão-deobra mais concreto para cada metro cúbico de concreto, em reais; R$ Total/p – custo da mão-deobra mais concreto para cada peça, em reais. O indicador Hh/h é importante para verificar o número de horas médias trabalhadas por homem e, assim, possibilitar a mensuração do número de horas extras realizadas, dado que o número de horas normais é 220 por funcionário. Os resultados indicam que, mesmo com um número menor de trabalhadores, a implantação do CAA não gerou um incremento do número de horas extras. A relação Hh/m³ indica quantos funcionários são necessários, por hora, para concretar cada metro cúbico de concreto, em média. É usado de forma análoga ao indicador Hh/p, que possibilita saber o número de homens por hora por peça concretada. Em ambos os indicadores, se pode perceber uma redução considerável dos valores obtidos com o uso do CAA. Já o indicador m³/p avalia o volume médio relativo dos elementos pré-fabricados, de forma que quanto maior é o valor obtido, maior é o volume das peças (peças maiores) e, normalmente, menor é o número de elementos produzidos, para uma mesma área de pista de concretagem. Um exemplo disso é que nos meses que apresentaram o maior número de peças grandes, tanto para o concreto comum quanto para o autoadensável (abril e dezembro, respectivamente) foram os meses que tiveram o menor número de peças moldadas. Cabe ressaltar que as peças
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produzidas com o CAA, no período analisado, apesar de terem um volume maior, ainda assim, na média geral, possibilitaram a produção de um maior número de elementos. Deve-se esclarecer que o aumento do volume médio das peças pode gerar um menor número de mãode-obra na etapa de fôrmas, em virtude da diminuição do número de fôrmas de cabeceira, para segmentar, separar uma peça da sua adjacente, em uma mesma pista. Contudo, o aumento do valor de m³/p não facilita necessariamente a concretagem, mas sim o tipo de peça produzida, de modo que, quanto menor a taxa de armadura ou complexidade de fôrma, menor, também, é a dificuldade. Por isso, é mais fácil moldar uma viga retangular do que, por exemplo, uma viga perfil I. No entanto, para o CAA essa diferença é muito menos perceptível, já que há uma agilização do tempo de moldagem devido a sua propriedade autonivelante. É claro que, quanto maior é o volume médio das peças, maior é o valor do indicador R$ Total/p. Por isso, as peças concretadas com o CAA, nesse período de estudo, resultaram mais caras. Porém, a principal análise do custo de produção do CAA deve ser feita em cima da relação R$ total/m3.
Considerações finais

organização na cadeia produtiva, por admitir concretagens noturnas, resultando ainda em um menor nível de ruído, com conseqüente melhoria das condições de trabalho. Além de todas essas vantagens tangíveis, foi possível obter uma melhoria significativa da qualidade de acabamento superficial das peças pré-fabricadas, assim como uma economia de energia e menor desgaste das fôrmas, pela eliminação dos vibradores, que são benefícios mais difíceis de se computar. Esses fatos tornam o CAA um material muito vantajoso para o setor de pré-fabricados de concreto, conforme já é apontado no exterior, muito embora o custo da mão-deobra no Brasil seja, comparativamente, ainda, muito barato.

LEIA MAIS
Tecnologia do Concreto Préfabricado: Inovações e Aplicação. In: Manual Munte de Projetos em Pré-fabricados de Concreto. 2. ed., p. 511-531, M. Belohuby; R.S.A. Alencar, 2007. SCC applied in the precast concrete industry. In: Cape Town: International Concrete Conference & Exhibition, p. 24-27, W. Bennenk, 2007. New Perspectives for Precast Concrete for an Innovative low Cost Housing System. In: Cape Town, p. 74-77, M. Brück, 2007. EPG - European Project Group (BIBM; Cembureau; ERMCO; EFCA; EFNARC). "The European Guidelines for Self Compacting Concrete". 63 p., 2005. New Concretes for Special Requirements. In: Cape Town: International Concrete Conference & Exhibition, p. 6-11, J. Walraven, 2007.

A avaliação do custo unitário do concreto auto-adensável demonstrou ser esse mais alto em comparação ao concreto convencional, conforme já era esperado, em média, 15%. Contudo, a análise do custo de produção comprovou que o CAA torna-se apenas 2% mais dispendioso. Isso se deve à redução de mão-de-obra consumida, devido à eliminação de subetapas de produção. Entretanto, agrega a vantagem de possibilitar um aumento de 19% na capacidade produtiva da fábrica, devido ao aumento do volume de produção. Isso se deve à maior agilidade obtida no processo de moldagem e também um maior nível de

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PRODUTOS & TÉCNICAS
ACABAMENTOS

ESPECIAL CONCRETO
CANTEIRO DE OBRA

COBERTURA, IMPERMEABILIZAÇÃO E ISOLAMENTO

REVESTIMENTO CERÂMICO
A fabricante de revestimentos cerâmicos Atlas lança no mercado a Série Chile. Com aparência de pedras naturais, as peças apresentam relevos e tons que lembram, segundo a fabricante, pedras esculpidas com a ação do tempo. Disponível no formato 5 cm x 15 cm. Cerâmicas Atlas (19) 3673-9600 www.ceratlas.com.br

FITA CREPE
A Carborundum lança a sua Fita Crepe para Uso Geral, produto indicado principalmente para proteger superfícies durante o processo de pintura. Aderência, facilidade no corte, elasticidade e fácil moldagem às superfícies são algumas características encontradas na fita. A única restrição é a sua utilização para isolamento elétrico e locais onde ficam expostas a altas temperaturas. Saint-Gobain 0800-7273-322 www.carbo-abrasivos.com.br

SEGURANÇA MEMBRANA FLEXÍVEL
O MSET é o lançamento da Bautech. É uma manta líquida impermeabilizante que forma uma membrana elástica monocomponente e contínua, substituindo a manta asfáltica. As vantagens do produto, segundo o fabricante, são a alta resistência a fungos e bactérias, maior rapidez na aplicação e possibilidade de ser aplicado por mão-de-obra não especializada. Bautech (11) 5572-1155 www.bautechbrasil.com.br Composto por bandejões, apara-lixos, postes de corrimão para periferias, escadas e consoles periféricos, o Sistema de Proteções Coletivas Tip foi desenvolvido para ajudar o construtor a garantir a segurança de seus funcionários. Além disso, ajuda a construtora a reduzir a geração de resíduos, proporcionando uma obra mais limpa, de acordo com o fabricante. Tip Form (11) 6481-5583 www.tipform.com.br

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CONCRETO E COMPONENTES PARA A ESTRUTURA

ADITIVO
O Sika ViscoCrete é um aditivo desenvolvido para produção de concreto auto-adensável fluido e coesivo. Com os produtos da linha ViscoCrete é possível produzir, segundo a fabricante, um concreto de lançamento fácil e rápido, sem necessidade de vibração. O concreto passa, sem segregação, através de fôrmas complexas e densa ferragem. Sika (11) 3687-4600 www.sika.com.br

DISTANCIADOR
A Coplas desenvolveu o distanciador plástico GTDuplo. Segundo a empresa, o produto se encaixa com precisão nos cruzamentos da tela soldada, garantindo o adequado posicionamento da armadura e o cobrimento projetado. Coplas 0800-7091-216 www.coplas.com.br

FÔRMAS LOCAÇÃO DE FÔRMAS
A Rohr é uma empresa especializada na locação de fôrmas para concreto, estruturas tubulares, coberturas de acesso e equipamentos de transporte vertical. A empresa fornece também os projetos e toda a mão-de-obra necessária para a execução dos serviços. Rohr (11) 2185-1333 www.rohr.com.br A WCH lança a Fôrma Flex para produção de Pilares com Consoles. O sistema faculta a produção de pilares de diferentes medidas, possibilitando total flexibilidade na locação dos consoles, segundo a fabricante. A montagem é feita sobre uma base elevada e com o sistema fast step de fixação das laterais, o que garante, de acordo com a WCH, uma montagem rápida e precisa, com economia de mãode-obra, menores custos e maior lucratividade. WCH (11) 3522-5903 www.weiler.com.br

CONCRETO E COMPONENTES PARA A ESTRUTURA

PRÉ-FABRICADOS
A Leonardi é certificada com o Selo de Excelência Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto). Isso atesta, segundo a empresa, sua competência para projetar, produzir, transportar, montar e entregar ao cliente construções em conformidade com as normas técnicas. Leonardi (11) 2111-7000 www.leonardi.com.br

FÔRMAS METÁLICAS
O sistema de fôrmas Frameco, da Doka, precisa de apenas dois níveis de ancoragem para uma altura padrão dos painéis de 3 m. Os painéis são disponíveis em dimensões modulares lógicas, que possibilitam combinações racionalizadas. Doka (11) 6404-3500 www.doka.com.br

TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE
O sistema Microinjet, da Holcim, é utilizado para o tratamento de superfícies de concreto e estruturas, corrigindo imperfeições e dando acabamento, segundo a fabricante, de forma rápida e eficiente. A novidade é ideal para reformas – como muros de casas, paredes e pisos –, pois, segundo a empresa, o tempo de aplicação e secagem é rápido. Holcim (11) 5180-8600 www.holcim.com.br

IÇAMENTO DE PRÉMOLDADOS
A Trejor apresenta seu içador IRT 3-5 ton. Sistema rápido para movimentação de peças em concreto armado ou protendido, o produto acaba, segundo a fabricante, com os retrabalhos para eliminação das alças e reparos das peças pré-moldadas. Trejor (11) 6914-0535 www.trejor.com.br

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PRODUTOS & TÉCNICAS
CONCRETO E COMPONENTES PARA A ESTRUTURA

ESPECIAL CONCRETO
FUNDAÇÕES E INFRA-ESTRUTURA

FIBRAS SINTÉTICAS
A Maccaferri lança a nova fibra sintética de polipropileno FibroMac 6 para aplicação em argamassas, disponível em embalagens de 100 g. Encontrado nos comprimentos de 6 mm, 12 mm ou 24 mm, o produto reduz o índice de fissuras provocadas pela retração e assentamento. Também melhora, segundo a fabricante, o desempenho do concreto e da argamassa quanto ao impacto, à exsudação, ao fogo e ao desgaste. Maccaferri (11) 4589-3200 www.maccaferri.com.br

CP II FURO EM CONCRETO
A Furacon Sistemas de Cortes e Perfurações em Concreto é uma empresa especializada em cortes e perfurações com ferramentas diamantadas. Em sua carteira de serviços, o construtor pode contar com demolição controlada, perfuração em estruturas de concreto, corte em piso, colagem e ancoragem de chumbadores químicos. Furacon (11) 4224-4697 www.furacon.com.br O cimento Cimpor CP II E 32 é indicado para estruturas que estejam expostas a ataques químicos provenientes do meio ambiente e para aplicações que necessitem de moderadas resistências à compressão nas primeiras idades, como: artefatos de cimento, blocos de concreto, concreto protendido, estruturas de concreto em geral, argamassas de assentamento e revestimento. Cimpor 0800-7033-010 sac@br.cimpor.com

REVESTIMENTO PARA ESTACAS
Os tubos de revestimento para estaca raiz da Incotep possuem maior resistência ao atrito que os demais revestimentos fabricados com tubo de aço qualidade ASTM 106. De acordo com a fabricante, isso implica uma maior durabilidade da peça. Incotep (11) 2413-8333 www.incotep.com.br

MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS

FIXAÇÃO
A pistola DX 36M, da Hilti, é um sistema de fixação à pólvora para concreto e aço. A ferramenta semi-automática possui pente de dez cartuchos e regulagem de potências. A pistola tem silenciador integrado. Hilti 0800-144-448 www.hilti.com.br

EQUIPAMENTOS SERRA DE PISO
A Clipper C13E da Norton é compacta e se caracteriza pelo seu alto desempenho no corte de pisos de concreto e asfálticos. O posicionamento do tanque de água removível, que é de 20 l, adiciona peso ao disco e garante ao operador uma boa visão do corte. Norton 0800-7273-322 www.norton-abrasivos.com.br A New Maq Máquinas e Ferramentas é uma empresa especializada em venda, locação e manutenção de equipamentos para a Construção Civil. A empresa retira e entrega equipamentos em qualquer lugar da cidade de São Paulo e despacha para todo o País. New Maq (11) 6943-9465

CORTE
Os discos diamantados Irwin de 180 mm são os mais resistentes ao desgaste, sendo indicados principalmente para materiais abrasivos e para cortes mais profundos. Os discos podem ser utilizados a seco ou com a adição de água. Irwin 0800-9709-044 www.irwin.com.br

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VEDAÇÕES, PAREDES E DIVISÓRIAS

PAINÉIS DE FACHADA
Os painéis Isojoint Wall Pur são constituídos de núcleo de poliuretano ou poliisocianurato de alta densidade e revestidos com chapa de aço pré-pintado. Possuem sistema de fixação com parafuso escondido, ideal, segundo a fabricante, para aplicação em fachadas e fechamentos laterais industriais. Isoeste (62) 4015-1122 www.isoeste.com.br

PLACA CIMENTÍCIA
O Superboard é uma placa autoclavada produzida com cimento Portland, quartzo e fibras de celulose. Disponível nas espessuras de 6 mm, 8 mm, 10 mm e 15 mm, o produto tem 1,2 m de largura e 2,4 m de comprimento. Promaplac (11) 5662-2142 www.superboard.com.br

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OBRA ABERTA
Livros

Manual de Avaliações e Perícias em Imóveis Urbanos* José Fiker 152 páginas Editora PINI Vendas pelo portal www.lojapini.com.br A terceira edição dessa obra já está adaptada à nova norma NBR 14653-2 – Avaliações para Imóveis Urbanos e à Norma para Avaliação de Imóveis Urbanos do Ibape/SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Estado de São Paulo). O livro traz novos capítulos sobre avaliação de aluguéis, avaliação de glebas urbanizáveis, avaliações econômicas e inferência estatística. A publicação apresenta os métodos comparativo e evolutivo para avaliação de terrenos e construções e as novas tabelas do Ibape. O engenheiro civil, advogado e administrador de empresas José Fiker concebeu esse livro com o objetivo de ensinar as técnicas de avaliação de imóveis e os procedimentos periciais no estado da arte, sempre com um viés prático.

Projeto e Implantação do Canteiro* Ubiraci Espinelli Lemes de Souza 96 páginas Nome da Rosa Editora Vendas pelo portal www.lojapini.com.br O livro faz parte da coleção Primeiros Passos da Qualidade no Canteiro de Obras. Essa publicação, em específico, visa disseminar a importância do estudo e do projeto de canteiro a partir de uma visão técnica e arrojada. O autor, que tem vasta experiência acadêmica e prática sobre o tema, propõe idéias simples, associadas ao processo construtivo, para otimizar a qualidade e o aproveitamento da obra. Trata o canteiro como uma verdadeira fábrica de obras, para a qual é necessário definir prazos, projetos, planos de ataque, sistemas de transporte, fases e demandas. Para a definição do layout do canteiro, traz uma proposta de fluxograma de processos e também um roteiro para posicionamento dos elementos do canteiro.

Curso Básico de Engenharia Legal e de Avaliações* Sérgio Antonio Abunahman 336 páginas Editora PINI Vendas pelo portal www.lojapini.com.br O autor criou a cadeira de Fundamentos Matemáticos Aplicados à Engenharia de Avaliações no Instituto de Matemática da UFF (Universidade Federal Fluminense), além de ter ministrado o curso de engenharia de avaliações no Instituto Superior Técnico de Lisboa, a convite da Comunidade Econômica Européia. Também é autor, dentre outros livros, de Avaliação de Imóveis Comerciais e Arbitramento de Aluguéis. Ainda assim, com tantos atributos de especialização, adotou uma linguagem acessível para expor o conteúdo a leitores de formações variadas. Quarta edição, revista e ampliada, que percorre os caminhos entre a engenharia e o direito.

TCPO (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos)* 630 páginas Editora PINI Vendas pelo portal www.lojapini.com.br Com mais de mil novas composições de preços, incluindo números para steel framing, fôrmas de papelão, ar-condicionado, tubos e conexões em PPR, a 13a edição do tradicional índice de produtividade da PINI está ainda mais aprimorada. Agora, a equipe técnica responsável pela atualização do TCPO analisa obras criteriosamente selecionadas para assegurar que as amostras de serviços nos canteiros sejam, de fato, significativas. O professor Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, auxiliou no desenvolvimento das tabelas de produtividade variável. A publicação traz, ainda, modelos prontos de orçamentos para obras, dados de consumo para estruturas de concreto e a conceituação de BDI (Benefícios e Despesas Indiretas).

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Software

Site

Manual de Técnicas de Projetos Rodoviários* Wlastermiler de Senço 760 páginas Editora PINI Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-5966400 (demais regiões) www.lojapini.com.br Apresenta técnicas de projeto para rodovias, considerando desde os levantamentos preliminares até o orçamento. A obra contempla o projeto tradicional, mas também o uso de recursos tecnológicos modernos, como GPS e sensoriamento remoto. O autor inicia o livro apresentando generalidades e um resumo histórico dos transportes. Depois, parte para definições básicas e de grandezas intervenientes para, então, falar sobre normas técnicas e estudos econômicos. No capítulo IV, fala de projeto básico, abrangendo desde levantamentos até audiências públicas. O projeto executivo, com informações mais voltadas à execução e ao uso das rodovias, é abordado no capítulo V, seguido de intersecções e licitações de obras.

Pontes de Concreto Armado* Osvaldemar Marchetti 240 páginas Editora Blücher Vendas pelo portal www.lojapini.com.br Escrita para estudantes de engenharia civil, arquitetura, tecnólogos e profissionais em geral, a obra leva a assinatura de alguém que tem experiência na abordagem prática e simplificada de conceitos fundamentais da engenharia. Marchetti assina a autoria, em parceria com Manoel Botelho, de volumes da coleção Concreto Armado, Eu te Amo, além de ser autor de Muros de Arrimo. Em Pontes de Concreto Armado, focou o entendimento nos conceitos básicos de linha de influência, carregamentos de cargas acidentais, fadiga na armadura, cálculo das lajes, dimensionamento de tubulões com esforços horizontais e momentos, detalhamento e cálculo das armaduras. Mesmo que o assunto seja novidade ao leitor, os cálculos poderão ser entendidos por meio das tabelas presentes no livro.

Sistema de Cobertura com Telhas Cerâmicas Anicer (Associação Nacional da Indústria Cerâmica) Fone: (21) 2524-0128 www.anicer.com.br Distribuído gratuitamente, o CD conta com dicas sobre produtos e a obra, com a intenção de esclarecer as dúvidas dos consumidores e auxiliar na utilização de coberturas cerâmicas. Apresenta, ainda, os elementos que compõem a estrutura do telhado e os materiais demandados para a execução. O sistema explica as melhores práticas para o recebimento e armazenamento das telhas, além de como deve ser a montagem das telhas e do acabamento e a inserção de calhas e rufos. Além de planilha para composição de custos, permite que o usuário desenhe o telhado pretendido e ensaie o resultado final a partir de diversos modelos de telhas disponíveis no mercado.

Portal Guanandi www.guanandi.com Conta com informações da Guanandi, empresa do grupo WTorre, e de seu primeiro empreendimento, o Viver Bem Paraupebas. Traz fotos, perspectivas, plantas, vídeos, tour virtual do empreendimento e do interior da casa. O site dispõe de ferramentas para que o interessado obtenha informações do empreendimento, incluindo a possibilidade de atendimento online. O link que dá acesso às informações corporativas da Guanandi traz, ainda, vídeo com o método construtivo adotado para as casas. O portal permite ao visitante fazer um cadastro para recebimento de novidades.

* Vendas PINI Fone: 4001-6400 (nas principais cidades) ou 0800-5966400 (nas demais cidades) www.LojaPINI.com.br

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AGENDA
Seminários e conferências
9 a 11/9/2008 Construmetal 2008 São Paulo A terceira edição do Construmetal terá conferencistas brasileiros e internacionais que discutirão os principais avanços tecnológicos e inovações da construção metálica. Fone: (11) 3816-6597 www.construmetal.com.br 21/10/2008 Tecnologia de Edificações para Obras Rentáveis São Paulo Discutir e auxiliar os profissionais de engenharia civil, construção e arquitetura a desenvolver soluções técnicas inovadoras de projeto e execução para agilizar e rentabilizar empreendimentos. Esse é objetivo do seminário, promovido pela PINI, que será realizado no âmbito do Construtech 2008. Cases de projetistas, construtoras e incorporadoras e soluções industrializadas para eliminação de gargalos de materiais e mão-de-obra constam entre os principais temas a serem abordados pelos palestrantes. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596-6400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ 22/10/2008 Engenharia de Custos no Boom Imobiliário São Paulo Como desenvolver diferenciais competitivos para construtoras e incorporadoras em um momento de crescimento do setor. Esse é o objetivo principal do seminário, promovido pela PINI, que será realizado no âmbito do Construtech 2008. Análise da qualidade do investimento em empreendimentos imobiliários, perspectivas de evolução dos custos de materiais e mão-deobra, metodologias e técnicas para estimativas orçamentárias, orçamentos de obras e estudos de casos constam entre os principais temas a serem abordados pelos palestrantes. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596-6400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ 23/10/2008 Arquitetura e Soluções Estruturais – Desafios de Forma e Técnica para Arquitetos e Engenheiros de Estruturas São Paulo O objetivo do evento, promovido pela PINI no âmbito do Construtech 2008, é discutir a relação indissociável entre arquitetura e estrutura, entre forma e material, arte e ciência. Pretende desmistificar o aparente desinteresse de alguns arquitetos pela engenharia e a questionável descrença dos arquitetos na engenharia. Vai apresentar projetos e obras nas quais o bem-sucedido encontro foi capaz de tornar imperceptíveis as barreiras que costumam separar tais campos do conhecimento. Abordará temas como a nova plataforma BIM (Building Information Modeling) e a relação da arquitetura e da engenharia estrutural na obra de Oscar Niemeyer. O fórum contará com a presença do arquiteto chileno Sebastian Irarrazaval. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596-6400 (demais regiões) http://www.piniweb.com/Construtech/ 23/10/2008 Fórum Nacional de Compras e Suprimentos na Construção Civil São Paulo Em tempos de altas de preços e eventual desabastecimento de alguns insumos e equipamentos, o desafio de comprar e contratar equilibrando custo, prazo e qualidade torna-se ainda maior. Ferramentas eletrônicas para especificação e compras na construção civil, qualificação e relacionamento com fornecedores de materiais e serviços e cases de grandes empresas, como Cyrela e Método, farão parte do evento promovido pela PINI no âmbito do Construtech 2008. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596-6400 (demais regiões) http://www.piniweb.com/Construtech/ 22 a 24/10/2008 80o Enic São Luís O Enic (Encontro Nacional da Indústria da Construção) debaterá as perspectivas e os desafios do crescimento do setor nos próximos anos. O evento atrairá diversos profissionais da construção e as inscrições já podem ser realizadas no site do evento. Fone: (62) 3214-1005 www.qeeventos.com.br 2 a 6/12/2008 WEC 2008 – World Engineers' Convention Brasília A terceira edição do Congresso Mundial de Engenheiros será realizada pela primeira vez no continente americano, com o objetivo de reunir engenheiros e estudantes de todo o mundo para debates, fóruns, palestras, visitas técnicas e atividades culturais. O evento é organizado pelo Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), pela Febrae (Federação Brasileira de Associação de Engenheiros) e pela WFEO/FMOI

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(Fédération Internationale des Organisations d'Ingénieurs). www.wec2008.org.br

Feiras e Exposições
19 a 23/8/2008 Expo Construção Bahia 2008 Salvador A feira, organizada pela Fagga Eventos e pelo Sinduscon-Ba (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado da Bahia), apresentará o que há de mais moderno no setor da construção das regiões Norte e Nordeste e promoverá paralelamente o IV Fórum Nacional de Arquitetura e Construção (Fonarc), o Fórum Nordeste PAC, Dry Wall & Steel Frame Show, Loja Modelo, VI Seminário Tecnológico da Construção Civil e Concurso A Ponte. Fone: (71) 3797-0525 www.expoconstrucao.com.br 27 a 28/8/2008 Concrete Show South América 2008 São Paulo O evento, internacional, engloba exposições, demonstrações, seminários, workshops e palestras para apresentar novas tecnologias, aplicações e forma de uso do material na América do Sul. O objetivo é estimular negócios e parcerias entre diversos construtores e distribuidores. Fone: (11) 4689-1935 www.concreteshow.com.br 15 a 18/10/2008 Saie 2008 – Salão Internacional da Indústria da Construção Bologna, Itália Há mais de 40 anos a feira reúne profissionais da construção para discutir projetos, materiais, tecnologias e sistemas para o setor. Neste ano, a Saie terá espaços dedicados exclusivamente aos fabricantes de argila, à tecnologia pré-fabricada, aos sistemas da Tecnologia da Informação, à energia e estruturas e aos componentes de madeira. saie@bolognafiere.it www.sistemasaie.bolognafiere.it

15 a 18/10/2008 Expocon 2008 Curitiba A exposição reunirá fornecedores da Construção Civil dos Estados do Paraná e Santa Catarina para apresentar as últimas novidades de produtos e tecnologias para o setor. Fone: (41) 3075-1100 www.diretriz.com.br 21 a 23/10/2008 Construtech 2008 – Fórum PINI de Tecnologias & Negócios da Construção O encontro internacional dos profissionais da indústria da construção alia um ciclo de palestras e uma área de exposição com os mais avançados sistemas e tecnologias desenvolvidos para o setor. Nesse momento de crescimento, as empresas e profissionais devem buscar cada vez mais produtividade e expertise para se diferenciarem em um mercado de grande competitividade. Tudo isso levando em conta novas e importantes preocupações, como a sustentabilidade, o respeito ao meio ambiente e a responsabilidade social. Os temas escolhidos para as palestras e as empresas expositoras do Construtech 2008 refletem tal realidade e os desafios atuais do construbusiness. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596-6400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/

Concursos
Inscrições até 29/8/2008 Prêmio CBIC de Responsabilidade Social A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e o Fasc (Fórum de Ação Social e Cidadania) promovem o prêmio CBIC de Responsabilidade Social com a intenção de reconhecer e estimular o desenvolvimento de ações sociais no setor da Indústria da Construção Civil e do Mercado Imobiliário. Qualquer empresa ligada ao setor pode participar desde que inscreva projetos sociais do ano de 2007 ou anteriores. www.cbic.org.br

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Antonio Wanderley Terni terni@feg.unesp.br Alexandre Kokke Santiago alexandrekokke@gmail.com

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este segundo artigo sobre construções em steel frame abordaremos a concepção e montagem da estrutura. De uma maneira geral, qualquer edificação necessita de um sistema estrutural que possibilite mantê-la estável e em condições normais de utilização quando sujeita a diversas ações. O sistema steel frame é uma proposta para racionalizar a concepção da estrutura da edificação utilizando-se perfis dobrados a frio. Os elementos metálicos utilizados são fabricados a partir de bobinas de aço de alta resistência e revestidos com zinco ou liga de alumínio–zinco pelo processo contínuo de imersão a quente ou por eletrofusão. As chapas têm entre 0,8 mm e 3,0 mm de espessura, sendo a mais utilizada a de espessura de 0,95 mm. Os elementos principais são os

José Pianheri jose.pianheri@pienge.com.br

Steel frame – estrutura
N
perfis, produzidos a partir de dois processos tradicionais: um consiste num processo contínuo em que uma tira de chapa passa por uma série de cilindros (perfiladeiras) dobrando-a para gerar a conformação da seção transversal; o outro, através de dobradeira, que nada mais é que um equipamento de punção que pressiona a chapa contra a mesa para efetivar a dobra, obtendose a seção transversal desejada por vários reposicionamentos. Os perfis mais utilizados são aqueles com configurações e designações conforme a figura 1. As seções, espessuras usuais e propriedades geométricas de perfis para steel frame são definidas pelas normas NBR 15253 – Perfis de Aço Formados a Frio, com Revestimento Metálico, para Painéis Reticulados em Edificações: Requisitos Gerais e NBR 6355 – Perfis Estruturais de Aço Formados a Frio: Padronização.
Cartola bf tn bw bw bf tn D tn bw

parte 2

Tipos de perfis

O perfil U simples é formado pela alma de comprimento bw e a mesa de comprimento bf. A mesa também pode ser chamada de flange ou aba. O perfil Ue enrijecido,além da alma e da mesa, possui "enrijecedores" de comprimento D, sendo extensões das mesas. Os perfis podem possuir, também, enrijecedores intermediários longitudinais, localizados na alma ou na mesa, que nada mais são que pequenos vincos para aumentar a rigidez do perfil. O perfil cartola possui dois enrijecedores de borda, duas almas e uma mesa. A cantoneira é o perfil formado por duas abas de mesma espessura que podem possuir ou não iguais comprimentos. Há, ainda, as fitas e chapas, elementos que não possuem dobras. Valendo-se das propriedades interessantes desses tipos de perfis metáli-

U simples

U enrijecido

Cantoneira

tn bf

bf

bf

D

Figura 1 – Os perfis são dobrados a frio com perfiladeiras ou dobradeiras

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Estruturação dos painéis

Os painéis podem ser instalados na vertical, para serem utilizados como paredes, e na horizontal como pisos. Os painéis verticais, na sua maioria, são portantes,isto é,trabalham como estrutura da edificação, recebendo as cargas e dando estabilidade ao conjunto. Outros painéis podem ser utilizados nas paredes com a finalidade de vedação. A concepção do sistema steel frame permite que os painéis trabalhem em conjunto travando-se entre si e gerando uma integridade na estrutura. Um painel utilizado em parede é formado pelos montantes e pelas guias. Os montantes (perfis Ue) são os elementos paralelos verticais normalmente modulados a cada 400 mm ou 600 mm, que dependendo da solicitação, pode ser de até 200 mm. Essas modulações estão associadas às dimensões dos elementos constituintes dos sistemas de acabamento, visando à minimização do desperdício. As guias (perfis U) são elementos que fixam as extremidades dos montantes (inferior e superior) conformando a estrutura básica do sistema steel frame. A união é executada com parafusos autoperfurantes e auto-atarraxantes com diversas formas de cabeça (lentilha, sextavada e panela), empregadas de acordo com o local de uso e função estrutural do parafuso. O comprimento e o diâmetro, bem como a quantidade de parafusos, são estabele-

Fotos: divulgação Flasan

cos, principalmente perfis U e Ue, o sistema steel frame é concebido a partir da idealização de painéis, compostos por perfis montados paralelamente e fixados nas extremidades por outros perfis (figura 2).

Figura 2 – Painéis prontos

Figura 3 – Parafuso lentilha, sextavado e panela

cidos pelo projetista de acordo com as considerações do dimensionamento da união (figura 3). Nas aberturas correspondentes às portas e janelas nos painéis portantes é necessária a utilização de elementos estruturais para redistribuição das solicitações nos montantes interrompidos. Para essa finalidade, instalam-se vergas e ombreiras. A verga é obtida com a composição de dois ou mais perfis conectados ou, ainda, utilizando-se perfis cantoneiras conforme figuras 4 e 5. As ombreiras, que são os perfis que delimitam o vão, são montadas em mesmo número de cada lado da abertura, tomando-se, aproximadamente, o correspondente à quantidade de montantes interrompidos dividido por dois (figura 6). O sistema steel frame permite aberturas de grandes vãos e, nesse caso, as vergas devem ser compostas por vigas treliçadas (figura 7).
Contraventamento

mentos podem assumir formas de X ou K, dependendo das condições do projeto (figura 9). O travamento horizontal é executado pelos bloqueadores, de perfis U ou Ue, conectados aos montantes ou vigas. Introduz-se, também, uma fita metálica que une os montantes do painel entre si e com os bloqueadores. Esse conjunto bloqueador-fita aumenta a capacidade resistente do painel, pois diminui o comprimento de flambagem dos montantes e tenta impedir a torção do montante em torno de seu eixo longitudinal (figura 10). O número de linhas de bloqueadores e fitas depende da altura do painel e das suas solicitações. Os painéis de piso são montados a partir de perfis Ue paralelos, com a mesma modulação das paredes, formando as vigas e em suas extremida-

Como uma estrutura metálica tradicional, há também a necessidade de contraventamentos, geralmente executados com fitas de aço galvanizado parafusadas em placas de Gusset (figura 8) que, por sua vez, encontram-se nas quinas do painel. Os contraventa-

Figura 5 – Cantoneira

Figura 4 – Vergas 85

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efetivamente da rigidez global do conjunto da edificação, semelhante ao que se considera nas estruturas de alvenaria estrutural. Ainda, da mesma forma como ocorre em edificações de alvenaria estrutural, é fundamental que a estrutura seja projetada de forma que as paredes estruturais estejam em prumo e, particularmente no sistema steel frame, os montantes estejam alinhados (in-line framing) entre paredes de todos os pavimentos, lajes e estrutura de telhado, para que se possa admitir a distribuição das ações de maneira mais uniforme e se possa obter a melhor capacidade resistente dos elementos estruturais que compõem os painéis.
Escadas

Figura 6 – Ombreiras

des instalam-se as guias, denominadas sanefas. Nas extremidades das vigas onde se apóiam painéis deve-se colocar um enrijecedor de alma para combater a flambagem local da seção transversal desse elemento, dada à ação das cargas normais verticais oriundas dos montantes do painel do pavimento superior nessas extremidades (figura 11). Para compor o piso das lajes do sistema steel frame pode-se utilizar placas pré-fabricadas sobre as vigas de perfis Ue, constituindo a chamada laje seca. Tais placas podem ser compostas por fibras de madeira orientadas ou por madeira laminada ou sarrafeada

contraplacada por lâmina de madeira, recebendo ou não revestimento cimentício em suas faces. Há ainda a possibilidade do uso de laje úmida, normalmente executada com uma chapa de aço ondulada (steel deck) parafusada às vigas e preenchida com concreto e armadura contra fissuramento. É possível também o emprego de lajes convencionais em concreto (moldadas "in loco" ou pré-fabricadas), porém essas, assim como a laje úmida, desviam-se do conceito de construção a seco, que é premissa do sistema steel frame. Estruturalmente, é interessante ressaltar que as lajes funcionam como diafragma horizontal participando

Figura 7 – Vigas treliçadas

Figura 8 – Placa de Gusset

Figura 9 – Contraventamento

Figura 10 – Montante ao longo do eixo longitudinal

O sistema steel frame também oferece soluções para a execução das escadas. A escada com vão aberto é montada a partir de uma viga caixa, constituída por dois ou mais perfis Ue, na inclinação necessária, com a estrutura dos degraus, formada por perfis U dobrados, nela parafusada. Essa estrutura está pronta para receber o piso e os espelhos, que podem ser de painel de madeira sarrafeada, placas compostas por fibras de madeira orientadas, madeira maciça, ou qualquer outro material com a resistência necessária (figura 12). As escadas fechadas podem ser formadas por painéis com seu topo inclinado e utilizando perfis U dobrados para formação dos degraus (figura 13). Uma outra concepção é a da utilização de painéis escalonados compostos por montantes de perfis Ue e guias de perfis U que, se necessário, podem receber um painel auxiliar para o assentamento da placa do piso. Se o material da placa de piso fornecer a resistência necessária às solicitações, esse painel pode ser desprezado (figura 14). Os painéis que compõem a estrutura e o fechamento da edificação podem ser confeccionados na obra ou prémontados. A opção pela pré-montagem implica uma montagem mais precisa dos painéis e menor tempo de trabalho em canteiro de obras. Para a
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execução dos painéis em fábrica as montagens são feitas sobre uma mesa com largura um pouco superior à altura da parede e comprimento em torno de 5 m a 6 m. Os painéis pré-montados fora da obra são transportados até o local de instalação sem maiores complicações, sendo, portanto, uma solução ideal para obras que possuem pouco espaço no canteiro (figura 15). Os perfis,em sua maioria,são cortados nos comprimentos de montagem durante o processo de perfilagem. Após a execução do painel, deve receber um travamento provisório para que mantenha seu esquadro durante o transporte ao local de instalação. Em geral, os painéis são muito leves e podem ser facilmente transportados e manuseados na obra por duas a quatro pessoas. Na obra, os painéis devem receber uma fita de isolamento em sua base, que pode ser de manta asfáltica ou fita de espuma de poliuretano expandido. O procedimento protege o painel da umidade e reduz a vibração. Dispostos em suas respectivas posições, os painéis recebem fixações provisórias com pinos instalados com pistola à base de pólvora enquanto, para manter o prumo, são feitos escoramentos provisórios, habitualmente utilizando perfis Ue (figura 16). Os painéis são fixados uns aos outros por parafusos semelhantes aos utilizados na sua execução. Nos pontos de ligação entre painéis, é comum o emprego de montantes duplos para reforçar a conexão. Uma vez feitas todas as verificações de prumos e esquadro, os painéis devem receber a ancoragem definitiva à fundação, conforme apresentado na parte 1 desta série de artigos sobre steel frame. Após a fixação definitiva dos painéis do primeiro pavimento, são montadas as lajes ou a estrutura do telhado. As lajes são normalmente montadas totalmente no canteiro de obras, em função da dificuldade de transporte de painéis de grandes dimensões. O procedimento de montagem dos painéis do pavimento superior é semelhante ao do pavimento inferior, sendo a fixação dos suportes de ancoragem feita com barras roscadas passante na laje.

Figura 11 – Pavimento superior
Guia dobrada perfil U Parafuso de fixação entre guia dobrada e painel

Figura 12 – Enrijecimento de escadas

Montante perfil Ue Guia inferior do painel Guia superior do painel

Figura 13 – Escada com perfil U

Figura 14 – Escada sem perfil enrijecedor

Dimensionamento

O dimensionamento da estrutura, sendo basicamente constituída por perfis formados a frio, é regido pela NBR 14762 – Dimensionamento de Estruturas de Aço Constituídas por Perfis Formados a Frio: Procedimento, que fornece as considerações de dimensionamento dos elementos estruturais para as diversas formas de solicitações com as considerações inerentes e particulares para cada verificação. Na análise estrutural deve ser considerada a influência de todas as ações que possam produzir efeitos significativos para a segurança da estrutura em exame, levando-se em conta os possíveis estados limites últimos e os de serviço. Nesse sentido, a avaliação e deter-

minação das ações (permanentes, variáveis e excepcionais) e seus esforços solicitantes segue os procedimentos normativos de estruturas de modo geral. Nessas tarefas, são importantes, entre outras as normas, NBR 8681 – Ações e Segurança nas Estruturas – Procedimento, a NBR 6120 – Cargas para Cálculo de Estruturas de Edificações – Procedimento, a NBR 6123 – Forças Devidas ao Vento em Edificações – Procedimento. Em princípio, a rotina de dimensionamento para os elementos de perfis metálicos segue o que se desenvolve comumente num projeto de estruturas, destacando-se as análises referentes às flambagens locais do perfil devido à seção transversal ser formada por
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deram conceitos teóricos desenvolvidos a partir de conhecimentos de várias áreas do saber da análise estrutural. Como se pode imaginar, por vezes, o entendimento das expressões constantes na norma é complexo. Contudo, o texto proposto na norma para o desenvolvimento do dimensionamento dos elementos estruturais e das ligações não possui maiores dificuldades de serem levados a termo. Atualmente, há referências bibliográficas que auxiliam nessa tarefa sem se aprofundar nos conceitos teóricos, atendo-se eminentemente às rotinas de dimensionamentos e apresentando, inclusive, tabelas prescritivas de pré-dimensionamento da estrutura. Outras verificações são importantes, como a determinação de flechas e a instalação de adequados contraventamentos garantindo a estabilidade global da estrutura. Nos perfis de steel frame, devido à galvanização, a ligação parafusada é a mais apropriada do que a ligação soldada que necessita de calor para sua execução, danificando, assim, a camada protetora do perfil. O dimensionamento das ligações é fundamental para a estabilidade da estrutura, principalmente no sistema steel frame que utiliza parafusos autoperfurantes. A NBR 14762 recomenda o uso de parafusos de aço com qualificação estrutural, comum ou de alta resistência. Contudo, não apresenta prescrições a respeito do dimensionamento de ligações com parafusos autobrocantes, que são os mais usuais. Assim, na prática, para o dimensionamento das ligações, vale-se das especificações da North American Specification for Design of Cold-Formed Steel Structural Members (AISI, 2001). Entre as considerações normativas, disposições e prescrições, as referentes às distâncias entre centros de furos e entre centro de furos e bordas, devem ser bem analisadas no projeto para que não ocorram colapsos nas ligações, como rasgamentos entre furos e entre furos e as bordas e, conseqüentemente, esta condição altere o comportamento do elemento estrutural ou mesmo da estrutura como um todo. Após os procedimentos normativos de dimensionamento e analisando-se o comportamento dos elementos, verifica-se a necessidade de alterar a concepção estrutural, espessuras ou outro tipo de procedimento que possa considerar uma composição de adoções se a condição de segurança quanto ao estado limite último ou de serviço não forem verificados simultaneamente.
Antonio Wanderley Terni Professor-doutor do Departamento de Engenharia Civil da Unesp do Campus de Guaratingüetá-SP Alexandre Kokke Santiago Arquiteto, Mestre em Engenharia Civil, Construção Metálica Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto) José Pianheri Engenheiro civil, consultor, sócio-diretor da Pienge Engenharia e Construção Ltda. pienge.engenheria@uol.com.br

Fotos: divulgação Flasan

Figura 15 – Transporte de painéis pré-montados

Figura 16 – Escoramento da estrutura

LEIA MAIS
NBR 15253 – Perfis de Aço Formados a Frio, com Revestimento Metálico, para Painéis Reticulados em Edificações: Requisitos gerais. ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). NBR 6355 – Perfis Estruturais de Aço Formados a Frio: Padronização. ABNT. NBR 14762 – Dimensionamento de Estruturas de Aço Constituídas por Perfis Formados a Frio: Procedimento. ABNT. NBR 8681 – Ações e Segurança nas Estruturas – Procedimento. ABNT. NBR 6120 – Cargas para Cálculo de Estruturas de Edificações – Procedimento. ABNT. NBR 6123 – Forças Devidas ao Vento em Edificações – Procedimento. ABNT. Steel framing: Arquitetura.Arlene Maria Sarmanho Freitas. CBCA (Centro Brasileiro da Construção em Aço). Steel framing: Engenharia. Francisco Carlos Rodrigues. CBCA.

elementos (mesas, almas e abas) em chapas de espessura fina. No sistema steel frame é usual a aplicação de perfis com seções transversais abertas e assimétricas e, portanto, a análise do comportamento dessas seções deve ser criteriosa, principalmente nas adoções e considerações de contraventamentos laterais e distâncias entre seções lateralmente contidas. Verificam-se, também, outras formas de instabilidade considerando o perfil como um todo (dependo, agora, de parâmetros como das propriedades geométricas da seção transversal, das propriedades do aço utilizado, do comprimento da barra, das considerações de suas vinculações, entre outros). Verifica-se, entre outras, a flambagem da barra por flexão, torção e flexotorção enquanto para vigas, além da verificação à flexão e cisalhamento, a verificação da instabilidade lateral. As expressões normativas de análise de comportamento de perfis, sejam no estado último ou de serviço, consi88

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