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a revista do engenheiro civil

Edifício comercial da WTorre em São Paulo usa solução pouco comum: pilares de aço "envelopados" em concreto

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ISSN 0104-1053

téchne 138 setembro 2008 Estruturas mistas ■ Instalações elétricas ■ Geogrelhas ■ Emenda de madeiras ■ Construção metálica ■ Laudo do Metrô SP ■ Laje cogumelo

apoio

IPT

Edição 138 ano 16 setembro de 2008 R$ 23,00

techne

www.revistatechne.com.br

COMO CONSTRUIR

Laje cogumelo com esferas plásticas

EXCLUSIVO

Consórcio Via Amarela rebate laudo do IPT

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Projeto reduz custos
SOLOS

Reforço com geogrelhas
MADEIRA

Emendas com chapas denteadas
Edifício WT Nações Unidas, SP

Estrutura mista

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SUMÁRIO
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CAPA
Estrutura combinada Prédio da WTorre em São Paulo tira partido do aço e concreto combinados para ganhar rapidez

62 ARTIGO
As causas do acidente da Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô de São Paulo Consultores detalham, segundo o Consórcio Via Amarela, as causas do desabamento do túnel Butantã

24
Fotos: Marcelo Scandaroli

40 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS
Choque de economia Especialistas mostram como é possível reduzir custos das instalações e propõem mudanças às distribuidoras

86 COMO CONSTRUIR
Laje de concreto com esferas plásticas Sistema nórdico de pré-lajes chega ao Brasil para o segmento de nervuradas

52 CONSTRUÇÃO METÁLICA – PINI 60 ANOS
Desenvolvimento metálico Téchne mostra na linha do tempo a evolução das estruturas metálicas

SEÇÕES
Editorial Web Área Construída Índices IPT Responde Carreira Melhores Práticas Técnica e Ambiente P&T Obra Aberta Agenda Capa Layout: Lucia Lopes Foto: Marcelo Scandaroli 2 6 8 14 16 18 22 34 74 80 84

ENTREVISTA
Módulo de projeto Hélio Adão Greven enfatiza importância da coordenação modular para evitar desperdícios

56 MADEIRA
Ligações de peças de madeira Chapas dentadas garantem boa união das peças de madeira de estruturas

36 CONTENÇÃO
Reforço plástico Entenda como as geogrelhas atuam para aumentar a resistência dos solos ao cisalhamento

60 INSTALAÇÕES SANITÁRIAS
Vedação de vaso Aprenda rápido como vedar bem os vasos sanitários e evitar odores

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EDITORIAL
Nossa responsabilidade
descoberta de novas jazidas de petróleo em profundidades antes inimagináveis, o desafio de sediar uma Copa do Mundo em 2014 e a necessidade de realizar obras de infra-estrutura para o crescimento do País aumentam a responsabilidade de engenheiros e profissionais das áreas técnicas. Como em outros tempos, novamente alinham-se crescimento e grandes demandas, mas dessa vez sob regime democrático. Os questionamentos sobre as obras a serem realizadas, como projetá-las e executá-las não podem ficar circunscritos aos gabinetes dos políticos, de empresários e cartolas. Nesse sentido, o Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva) tem cumprido papel exemplar. Alertou sobre o atraso no planejamento das obras da Copa 2014 e vem clamando por planejamento e critérios técnicos nas tomadas de decisões. Outra entidade, a ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica), também não se esquivou do debate e aproveitou seu evento anual, realizado no início de agosto em Búzios (RJ), para discutir as causas do acidente nas obras do Metrô em São Paulo. Um tema delicado, que novamente é tratado em artigo na revista, desta vez sob a ótica do Consórcio Via Amarela, e que requer um posicionamento técnico, mas também ético e moral daqueles que têm competência sobre o assunto. Infelizmente, engenheiros, arquitetos e demais profissionais da indústria da construção nem sempre se dão conta da representatividade técnica e intelectual que possuem.Vivemos um momento ímpar para lembrar que muitas decisões sem o embasamento técnico necessário reservam grande impacto no futuro do País e na vida das pessoas. E quanto mais distantes de tais esferas estiverem os profissionais sérios e comprometidos, pior será para todos. Em especial, para a própria categoria e a sua imagem perante a sociedade. VEJA EM AU

A

Edifício Harmonia, Triptyque Residencial: edifício Maiorca, em Juiz de Fora, MG Interiores: Ogilvy Brasil

VEJA EM CONSTRUÇÃO MERCADO

Crescimento imobiliário Habitações econômicas Saneamento Licenciamento ambiental

Paulo Kiss
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Vendas de assinaturas, manuais técnicos, TCPO e atendimento ao assinante Segunda a sexta das 9h às 18h
Fundadores: Roberto L. Pini (1927-1966), Fausto Pini (1894-1967) e Sérgio Pini (1928-2003)
Diretor Geral

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principais cidades*

Ademir Pautasso Nunes

0800 596 6400
demais municípios fax (11) 2173-2446 vendas web

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Diretor de Redação

Eric Cozza eric@pini.com.br Editor: Paulo Kiss paulokiss@pini.com.br Editora-assistente: Kelly Carvalho Repórter: Bruno Loturco; Renato Faria (produtor editorial) Revisora: Mariza Passos Coordenadora de arte: Lucia Lopes Diagramadores: Leticia Mantovani, Renato Billa e Gabriela Malentacchi (trainee) Ilustrador: Sergio Colotto Fotógrafo: Marcelo Scandaroli Conselho Administrativo: Caio Fábio A. Motta (in memoriam), Cláudio Mitidieri, Ercio Thomaz, Paulo Kiss, Eric Cozza e Luiz Carlos F. Oliveira Conselho Editorial: Carlos Alberto Tauil, Emílio R. E. Kallas, Fernando H. Aidar, Francisco A. de Vasconcellos Netto, Francisco Paulo Graziano, João Fernando Gomes (presidente), Günter Leitner, José Carlos de Figueiredo Ferraz (in memoriam), José Maria de Camargo Barros, Maurício Linn Bianchi, Osmar Mammini, Ubiraci Espinelli Lemes de Souza e Vera Fernandes Hachich ENGENHARIA E CUSTOS: Bernardo Corrêa Neto Preços e Fornecedores: Juliana Cristina Teixeira Auditoria de Preços: Ariell Alves Santos e Anderson Vasconcelos Fernandes Especificações técnicas: Ana Carolina Ferreira Índices e Custos: Maria Fernanda Matos Silva Composições de Custos: Mônica de Oliveira Ferreira SERVIÇOS DE ENGENHARIA: Celso Ragazzi, Luiz Freire de Carvalho e Mário Sérgio Pini PUBLICIDADE: Luiz Oliveira,Adriano Andrade, Jane Elias, Eduardo Yamashita, Silvio Carbone e Flávio Rodriguez Executivos de contas: A C Perreto, Daniele Joanoni, Danilo Alegre, Ricardo Coelho e Marcelo Coutinho. MARKETING: Ricardo Massaro EVENTOS: Margareth Alves LIVROS E ASSINATURAS: José Carlos Perez RELAÇÕES INSTITUCIONAIS: Mário S. Pini ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS: Durval Bezerra CIRCULAÇÃO: José Roberto Pini SISTEMAS: José da Cruz Filho e Pedro Paulo Machado MANUAIS TÉCNICOS E CURSOS: Eric Cozza ENDEREÇO E TELEFONES Rua Anhaia, 964 – CEP 01130-900 – São Paulo-SP – Brasil PINI Publicidade, Engenharia, Administração e Redação – fone: (11) 2173-2300 PINI Sistemas, suporte e portal Piniweb – fone: (11) 2173-2300 - fax: (11) 2173-2425 Visite nosso site: www.piniweb.com Representantes da Publicidade: Paraná/Santa Catarina (48) 3241-1826/9111-5512 Espírito Santo (27) 3299-2411 Minas Gerais (31) 2535-7333 Rio Grande do Sul (51) 3333-2756 Rio de Janeiro (21) 2247-0407/9656-8856 Brasília (61) 3447-4400 Representantes de Livros e Assinaturas: Alagoas (82) 3338-2290 Amazonas (92) 3646-3113 Bahia (71) 3341-2610 Ceará (85) 3478-1611 Espírito Santo (27) 3242-3531 Maranhão (98) 3088-0528 Mato Grosso do Sul (67) 9951-5246 Pará (91) 3246-5522 Paraíba (83) 3223-1105 Pernambuco (81) 3222-5757 Piauí (86) 3223-5336 Rio de Janeiro (21) 2265-7899 Rio Grande do Norte (84) 3613-1222 Rio Grande do Sul (51) 3470-3060 São Paulo Marília (14) 3417-3099 São José dos Campos (12) 3929-7739 Sorocaba (15) 9718-8337 téchne: ISSN 0104-1053 Assinatura anual R$ 276,00 (12 exemplares) Assinatura bienal R$ 552,00 (24 exemplares) Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva do autor e não expressam, necessariamente, as opiniões da revista.

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Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Fórum Téchne
O site da revista Téchne tem um espaço dedicado ao debate técnico e qualificado dos principais temas da engenharia. Confira os temas em andamento.

Estrutura combinada
Rapidez de execução, economia e redução de cargas nas fundações demandaram estrutura mista de concreto e aço no WT Nações Unidas. Veja mais imagens da obra no site da Téchne.

Marcelo Scandaroli

Você acha que o Brasil deveria entregar o planejamento das obras da Copa de 2014 para uma empresa estrangeira com experiência? Mas já não foi entregue? As empresas estrangeiras estão deitando e rolando na área de projetos, estudos etc. Não ouvi falar de nenhuma que tenha sido convidada a se retirar pelo Crea por trazerem seus engenheiros ilegalmente, e eles estão chegando.
Gilberto Gatti Lopes [29/08/2008]

Solar Info Center
Primeiro prédio alemão totalmente aquecido sem emissão de dióxido de carbono (CO2), o SIC concentra diversas empresas que desenvolvem tecnologias para geração de energias renováveis. Confira mais imagens do edifício.
Divulgação: Solar Info Center

Contratar uma empresa estrangeira para gerenciar é desvalorizar nossa mão-deobra, nossa capacidade de coordenação e desenvolvimento. É simplesmente dizer que não somos capazes de realizar o conjunto de obras. Nosso problema é político. Não falta planejamento, mas com certeza, faltam investimento e seriedade de nossos governantes.
Alessandro Mendes Ribeiro [29/08/2008]

Nosso corpo técnico é ótimo e experiente. O que precisamos é que os bancos financiem as obras e, se necessário, algumas empresas privadas ou até uma pequena parcela de investimento externo. Quando digo financiar, é da fabricação à obra pronta.
Genuir G. Basso Jr. [29/08/2008]
Marcelo Scandaroli

Geogrelhas
Veja, na versão online da Téchne, tabelas com tipos de geogrelhas, normas e detalhe de como aplicar geotêxteis.

O Brasil tem técnicos com capacidade suficiente para planejar e executar todos os projetos de reforma e ampliação dos nossos estádios. O governo precisa apressar o passo para não atrasar as obras.
Waldenor Cassio de Menezes [29/08/2008]

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ÁREA CONSTRUÍDA
Debate sobre acidente reúne IPT e Consórcio Via Amarela
O Cobramseg 2008 (Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) reuniu, no final de agosto, as visões do Consórcio Via Amarela e do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) sobre as causas do colapso do túnel da futura Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô de São Paulo, ocorrido em janeiro de 2007. O workshop internacional Geotechnical Infrastructure for Mega Cities and New Capitals teve uma sessão especial dedicada ao tema e contou com a apresentação do consultor norueguês Nick Barton, contratado pelo Consórcio Via Amarela para investigar o acidente, e outra do engenheiro André Assis, que apresentou o relatório produzido pelo IPT. O norueguês reafirmou o que o Consórcio já vinha divulgando desde março: o desabamento da estrutura teria sido provocado provavelmente pela soma de episódios simultâneos. Primeiro, o carregamento de uma rocha de cerca de 15 t e 10 m de altura (chamada de "torre sísmica"), localizada exatamente acima do túnel e não detectada por nenhuma das 11 sondagens realizadas antes das escavações. Entretanto, somente o peso da rocha não teria sobrecarregado a estrutura do túnel: a existência de uma falha geológica sob a rua Capri, associada ao va-

zamento decorrente da ruptura de uma adutora de águas pluviais, teria causado um aumento da pressão da água no subsolo exatamente sobre as escavações. A combinação inesperada desses fatores teria dado início à ruína, que aconteceu, segundo Barton, de maneira súbita, sem indícios prévios. Sobre o relatório do IPT, Barton estranhou o fato de o texto não mencionar a rocha de 10 m de altura sobre o túnel. O IPT também teria interpretado mal o arqueamento do túnel, que, para Barton, fazia parte da dinâmica de estabilização da estrutura. Em sua palestra, Assis apresentou o conteúdo do

documento produzido pelo IPT, apontando possíveis falhas executivas e de interpretação das leituras dos instrumentos, além de deficiências nos planos de emergência. Sobre o questionamento de Barton, Assis assume que só identificou a torre sísmica no relatório do norueguês, mas afirma que o fato não era importante. Segundo o brasileiro, se a rocha apresenta boa qualidade, não há impedimento em construir um túnel sob uma "torre sísmica", já que a camada pétrea suportaria as tensões. "O problema é que o túnel foi construído muito raso [próximo ao solo mole]", defendeu.

Complexo de exposições do Anhembi é reformado
O complexo de exposições Anhembi Parque, em São Paulo, está passando por reformas. As principais intervenções até agora aconteceram no principal espaço do complexo, o Pavilhão de Exposições. A cobertura foi trocada e recebeu 68 mil m² de telhas isoladas acústica e termicamente com camada geotêxtil e EPS. O sistema de iluminação também
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foi remodelado para aumentar a incidência de luz natural em cerca de 30%, segundo a administração do local. Com a demolição dos mezaninos norte e sul, o pavilhão ganhou mais 6 mil m² de área útil, que já estarão disponíveis em outubro, para o Salão do Automóvel. Até o início de 2009, está prevista a instalação de um novo sistema de climatização no

local. Outras intervenções ocorreram ou estão em andamento no estacionamento do Parque, no Palácio das Convenções e no Auditório Elis Regina. Segundo a administração do complexo, o custo total das obras é estimado em R$ 28 milhões, pagos pela Prefeitura de São Paulo (R$ 20 milhões) e pelo Ministério do Turismo (R$ 8 milhões).
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Seminário busca soluções para rentabilizar empreendimentos
Em momentos de expansão do mercado, como vive atualmente a indústria da construção, surgem muitas oportunidades. De outro lado, o profissionalismo e a competitividade entre as empresas costumam aumentar ainda mais. Por isso, a PINI promove no dia 21 de outubro de 2008 (terça-feira) o evento "Tecnologia de Edificações para Obras Rentáveis – Como Desenvolver Soluções Técnicas Inovadoras de Projeto e Execução para Agilizar e Rentabilizar Empreendimentos". O seminário será realizado no Centro de Convenções Frei Caneca (Shopping Frei Caneca), localizado na rua Rua Frei Caneca, 569, no bairro da Consolação, região central de São Paulo (SP). Cinco palestras abordarão desde os aspectos do projeto de arquitetura e de estruturas, passando por novas soluções industrializadas de execução até cases reais de construtoras e incorporadoras. Confira a programação. Para mais informações, acesse www.piniweb.com/construtech, envie um e-mail para eventos@pini. com.br ou ligue para (11) 2173-2465 ou 2173-2474.
Case Sinco Construtora Eng. Paulo Sanchez

Projeto de Arquitetura como Fator Determinante para o Desempenho e o Custo Final da Construção Arq. Henrique Cambiaghi – CFA Cambiaghi Arquitetura Projeto Estrutural como Fator Determinante para o Desempenho e o Custo Final da Construção Eng. Ricardo França – França & Associados

Marcos Lima

Marcos Lima

Marcelo Scandaroli

Marcelo Scandaroli

Soluções Industrializadas para Eliminação de Gargalos de Materiais e Mão-de-obra Eng. Maria Angélica Covelo Silva – NGI (Núcleo de Gestão e Inovação)

Marcelo Scandaroli

Case Tecnisa Eng. Fabio Villas Bôas

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ÁREA

CONSTRUÍDA

Norma de fundações em consulta pública
Em andamento há cinco anos, o processo de revisão da NBR 6122:96 – Projeto e Execução de Fundações se intensificou em 2008. Segundo o engenheiro Ivan Grandis,secretário da comissão de revisão da norma, os especialistas envolvidos nos trabalhos vêm se reunindo,em média,quatro vezes por semana. Ela se encontra em estágio de consulta pública e pode ser acessada no site da ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) (www.abms.com.br).Grandis conta que a nova norma terá uma estrutura mais lógica que a atual,separando as recomendações de projeto – que serão mantidas no corpo do documento – da parte de execução – transformada em anexos normativos. Apesar de bastante avançadas, ainda não se chegou a um consenso sobre o polêmico capítulo 6 – Segurança nas Fundações.

Foco na racionalização
A décima edição do "Seminário de Estruturas” realizado pelo Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) contou com cerca de 300 participantes, que se reuniram no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo, no dia 28 de agosto. Este ano o encontro teve como tema "Projeto e Produção com Foco na Racionalização". Paulo Sanches, coordenador do CTQ, destacou a necessidade de encontrar soluções construtivas que permitam a execução de várias etapas da obra simultaneamente. E cita o sistema das casas e pequenos edifícios construídos com paredes de concreto, que são ao mesmo tempo fechamento e estrutura, e ficam prontas em cinco dias. O sistema já está sendo utilizado pela Bairro Novo, empresa criada pela Gafisa e Odebrecht, em Cotia (SP), voltada a empreendimentos para a Classe C. O engenheiro de estruturas Ricardo França, professor da Poli-USP e diretor da França e Associados Engenharia elogiou as mudanças normativas com foco na durabilidade e a abrangência dos software nacionais, para ele até melhores do que os estrangeiros. "Hoje, num processamento com pórtico espacial, o software já mostra as deformações da grelha, o que ajuda na avaliação dos deslocamentos de vigas e lajes, proporcionando um grau de sofisticação grande", exemplificou.
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Convidados internacionais Os destaques internacionais do seminário foram o engenheiro Victor Eduardo Garcia Fuentes, gerente técnico da Constructora ASL Senarq (Grupo Sencorp), do Chile, que falou sobre o edifício alto “Titanium La Portada”, em Santiago. E o professor de Engenharia de Segurança contra Incêndio da Universidade de Edimburgo, na Escócia, o peruano Jose Luis Torero, um dos maiores especialistas mundiais no assunto, que falou sobre segurança contra incêndio em edifícios altos e as implicações para as estruturas. Victor Eduardo Garcia Fuentes descreveu os grandes desafios do Titanium La Portada, o edifício mais alto do Chile, com 52 andares e 190 m de altura, categoria Triple A, cujo investimento deverá chegar a US$ 150 milhões. Sua concepção arquitetônica, em forma de velas de barco preen-

chidas pelo vento, resultou numa concepção estrutural ousada. Testada em túneis de vento, a estrutura é de concreto armado, sustentada por um núcleo rígido, pórticos perimetrais e lajes protendidas. Dentro de oito meses, a obra receberá 400 contêineres da China com materiais de acabamento como mármore, granito, revestimentos cerâmicos, entre outros. Já Torero destacou que a engenharia de segurança contra incêndio passa por grandes mudanças, em razão das novas e ousadas concepções estruturais dos edifícios altos. "As grandes lajes livres, sem o recurso da compartimentalização, são mais suscetíveis à propagação do fogo e fumaça", alertou. Torero defendeu um novo paradigma de atuação do engenheiro de proteção ao fogo, que deve entrar no processo desde a concepção arquitetônica e estrutural.

Fotos: Marcelo Scandaroli

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Pesquisadores criam pavimento que "despolui" o ar
Pavimentos de concreto capazes de absorver as impurezas do ar serão testados na cidade holandesa de Hengelo. Segundo pesquisadores da Universidade de Twente, que desenvolveram o material, as camadas superficiais dos blocos transformam em partículas sólidas os óxidos de nitrogênio (NOx) presentes no ar poluído com gases oriundos da queima de combustíveis fósseis. Misturada ao concreto, a substância responsável pela catálise é o dióxido de titânio: sob a ação da luz solar, essas moléculas transformam o NOx – responsável por fenômenos como a chuva ácida – em nitratos inofensivos. O produto resultante da reação deposita-se em forma de poeira na superfície da via, que, segundo os pesquisadores, é lavada com a primeira chuva que precipitar. O laboratório para avaliar na prática o desempenho do produto é uma rua no centro de Hengelo. No experimento, ela será dividida ao meio – uma metade pavimentada com blocos "normais", de controle, e a outra com os novos blocos. A qualidade do ar será monitorada em cada seção para mensurar a eficiência do pavimento. A via foi escolhida em função do volume de carros que por ali transitam e porque no momento está sendo reconstruída. Os blocos serão produzidos pela Struyk Verwo Infra.

Campinas exige projeto de acessibilidade para novos empreendimentos
Autores de projetos imobiliários e proprietários de obras em Campinas deverão apresentar um projeto simplificado de como serão cumpridas as normas de acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida. A exigência vem com um decreto publicado no Diário Oficial do município no mês de agosto. O documento deverá ser entregue para se obter a aprovação e licenciamento das obras particulares. O texto do decreto aponta que deverão ser cumpridas todas as medidas previstas pela legislação, especialmente com relação ao Decreto Federal 5296/04 e à NBR 9050 da ABNT. Ligada à Secretaria Municipal de Urbanismo, a CPA (Comissão Permanente de Acessibilidade) será responsável pela orientação dos incorporadores e projetistas.

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ÍNDICES
Agregados elevam IPCE
Aumentos desses itens puxam custos globais de edificação em São Paulo, mas a alta acumulada é inferior à do IGPM
Índice PINI de Custos de Edificações (SP) Variação (%) em relação ao mesmo período do ano anterior 35 30 25 20
18,35

IPCE materiais IPCE global IPCE mão-de-obra

Índice Global do IPCE (Índice PINI de Custos de Edificações) encerrou o mês de agosto apresentando inflação de 1,99%, percentual superior à deflação de 0,32%, registrada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) da Fundação Getúlio Vargas. Essa alta foi impulsionada pelo aumento dos preços dos agregados como a areia lavada média e a pedra britada no 2, que sofreram inflação de 3,16% e 7,52%. Em julho, o preço de 1 m³ da areia lavada média era de R$ 66,78. Em agosto, esse valor pulou para R$ 68,98. Já a pedra britada no 2, que custava R$ 60,75/m³ em agosto, passou para R$ 65,32/m³. O cimento Portland CPII, que no mês de julho já havia apresentado alta de 0,82%, no mês de agosto registrou inflação de 2,89%. O saco de 50 kg, que antes custava R$ 17,53, passou a custar R$ 18,04. Insumos como barra de aço CA50 3/8'' (Ø=10 mm/m=0,617 kg/m) e bloco de concreto de vedação de 14 cm x 19 cm x 39 cm com resistência 2,0 MPa, para receber revestimento, apresentaram alta de 10,71% e 6,01%, respectivamente. Apesar das altas de preço, a variação do índice global de custos de edificação em São Paulo nos últimos 12 meses foi inferior ao registrado pelo IGP-M. O IPCE apresentou alta de 12,97%, enquanto o IGP-M, 13,63%.

O

15 10
5,82 9 9 9 10 9 9

14 11 8

12,97

5 3,41
0,82

6 4 2

6 4 2

6 4 2

6 4 2

6 4 3

6 5 4

6 5 5

6 5 5

8,20

0

Ago/07

Out

Dez

Fev

Abr

Jun

Ago/08

Data-base: mar/86 dez/92 = 100 IPCE – São Paulo global materiais mão-de-obra Ago/07 114.197,13 53.679,42 60.517,71 set 114.636,80 54.119,10 60.517,71 out 114.860,42 54.342,72 60.517,71 nov 115.225,62 54.707,92 60.517,71 dez 115.335,12 54.817,42 60.517,71 jan 115.733,11 55.215,41 60.517,71 fev 116.040,01 55.522,30 60.517,71 mar 116.121,80 55.604,09 60.517,71 abr 116.185,57 55.667,86 60.517,71 mai 123.736,89 58.257,90 65.478,99 jun 124.358,19 58.879,20 65.478,99 jul 126.483,39 61.004,39 65.478,99 Ago/08 129.006,55 63.527,56 65.478,99 Variações % referente ao último mês mês 1,99 4,14 0,00 acumulado no ano 11,85 15,89 8,20 acumulado em 12 meses 12,97 18,35 8,20 Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das variações dos preços de um lote básico de insumos. O índice é atualizado por pesquisa realizada em São Paulo (SP). Período de coleta: a cada 30 dias com pesquisa na última semana do mês de referência. Fonte: PINI Mês e Ano
Suporte Técnico: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 2173-2373 ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail: economia@pini.com.br. Assinantes poderão consultar índices e outros serviços no portal www.piniweb.com

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IPT RESPONDE
Contrapiso
Quantos dias demora a cura de um contrapiso de 6 cm? Necessito aplicar primer sobre ele como ponte de aderência para a manta asfáltica, por isso deve estar bem seco.
Antonio Manoel Teixeira por e-mail

Envie sua pergunta para o email iptresponde@pini.com.br

faça um teste simples: estenda sobre alguns trechos do contrapiso pedaços de plástico transparente, medindo aproximadamente 0,50 m x 0,50 m, selando as extremidades com fita

O tempo de secagem do contrapiso/camada de regularização irá depender bastante das condições climáticas, ocorrência de chuvas, condições de ventilação do ambiente e outras. Em média, cerca de 20 dias é suficiente. Antes da aplicação do primer, contudo, recomendo que você

Marcelo Scandaroli

crepe. Se ocorrer condensação de umidade de um dia para outro (face do plástico voltada para baixo vai ficar embaçada, "suada") é que a argamassa ainda não está seca o suficiente, ou seja, o primer ainda não poderá ser aplicado. Outra possibilidade é avaliar a umidade do material com aparelho próprio (ponte de Wheatstone – aparelho para medir umidade), utilizado normalmente por empresas de pintura para ver se a base já está suficientemente seca para início do serviço de pintura.
Ercio Thomaz Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

Construção monobloco
Em algum país já foi experimentada a técnica de construção de habitação prémoldada monobloco de concreto? Quer dizer, módulos que pudessem ser compostos, sobrepostos e unidos até formar uma habitação. Isso existe? Poderia dar certo?
Elson Lima dos Reis Piracicaba (SP)

A técnica indicada, constituindo a intitulada "industrialização fechada", já foi utilizada em diversos lugares, particularmente em países que compunham a antiga União Soviética. Com a atual disponibilidade de concretos de alta resistência, eficientes sistemas de protensão e equipamentos de

movimentação de carga de grande porte (pontes rolantes, guindastes e outros), do ponto de vista da engenharia de construção civil, a técnica hoje seria mais viável do que nunca. Ocorre que os sistemas de "industrialização fechada" quase sempre desembocam em conjuntos habitacionais monótonos e repetitivos, o que levou inclusive à completa demolição de vários conjuntos habitacionais na Europa, sendo talvez o exemplo mais notável o conjunto Potznan, na Polônia, que havia sido construído na década de 1970 com 3.820 apartamentos. Na atualidade, há opções muito melhores com sistemas abertos, com pré-moldados leves, possibilitando

Demolição do conjunto habitacional Zwarte Madonna, Roterdã

arranjos mais econômicos e mais versáteis, tanto do ponto de vista funcional como do arquitetônico.
Ercio Thomaz Cetac-IPT (Centro de Tecnologia doAmbiente Construído)

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CARREIRA

Coordenador de obras
Além de estar atento ao desenvolvimento das obras, profissional tem papel fundamental na negociação com fornecedores
oordenador de obras, supervisor, gestor ou gerente de contratos – as denominações podem variar de empresa para empresa, mas as funções básicas desse profissional são as mesmas: supervisionar de perto a execução das obras sob suas responsabilidades, orientar as equipes residentes de engenharia, negociar os contratos com fornecedores e prestadores de serviços, garantir a qualidade final do produto, zelar pela obediência às normas de segurança no trabalho. É esse o engenheiro que "roda" pelos canteiros durante a semana para acompanhar a execução dos empreendimentos. Nas reuniões periódicas com as equipes residentes, são discutidos a evolução do cronograma, o cumprimento do orçamento e outros problemas que eventualmente surjam ao longo da obra. "É um profissional que tem um papel preventivo, orientativo e decisório", afirma Flavio Staudohar, diretor de Recursos Humanos da Klabin Segall. Preventivo, porque ele deve se antecipar aos problemas que possam atrapalhar o desenvolvimento da construção. Orientativo, porque deve nortear as ações das equipes executoras das obras. Decisório, porque será dele a última palavra nas deliberações mais importantes de cada empreendimento. Para atender às exigências do cargo, o coordenador de obras precisa apresentar certas competências técnicas e comportamentais. As técnicas são aperfeiçoadas com cursos de pósgraduação em Gestão e Planejamento

C

e com a participação em congressos, seminários e outros eventos na área. Cursos rápidos de atualização tecnológica também são bem-vindos. Segundo Staudohar, esses são cursos que fornecem ao coordenador de obras ferramentas para realizar uma análise mais eficiente dos indicadores dos empreendimentos de que cuida. Mais difíceis de serem avaliadas objetivamente, porém, são as competências comportamentais do profissional. Pessoas com liderança, bom relacionamento interpessoal, boa capacidade de comunicação e desenvoltura em trabalhos em equipe acabam sendo mais bem-avaliadas para assumir o posto. Na prática, o candidato ao cargo deve saber que precisará ter jogo de cintura para participar de exaustivas negociações com fornecedores e cobrar desempenho de suas equipes de engenharia. Como o coordenador é também um interlocutor entre o canteiro e o escritório da construtora, deve saber expor problemas e soluções de maneira clara tanto para seus superiores quanto para seus subalternos. Essa, aliás, é uma característica nova na função de Coordenador de Obras, como lembra Edna Manfrim Simões, consultora de Recursos Humanos da Método Engenharia. "Pela primeira vez se trabalha em equipe com subordinados, e não com pares. Por isso, é preciso que o profissional tenha personalidade", explica. Mas se essas características fazem parte da personalidade do profissional, são impossíveis de serem

moldadas, certo? Errado – pelo menos na opinião de Staudohar. Para ele, eventuais deficiências nesses quesitos podem ser supridas com cursos na área de gestão de pessoal. "Um profissional não habituado a dar feedback a seus superiores pode ser condicionado a fazê-lo num curso desse tipo", acredita o diretor de RH da Klabin Segall.

O profissional

Manuel Gonzalez gerente de contratos da Setin Engenharia Como foi o início de sua carreira? Tenho 23 anos de formado. Comecei como engenheiro-residente na Estacon Engenharia, depois Método Engenharia, onde fui promovido a gerente de obras. De lá, fui para a gerência de engenharia do grupo Notre Dame Intermédica, onde tomei contato com obras hospitalares. Hoje, estou na gerência de contratos da Klabin Segall/Setin. Como você se atualiza profissionalmente?

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Divulgação: Klabin Segall

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Naturalmente, é necessária certa vivência profissional antes de assumir a responsabilidade de gerenciar diversas obras simultaneamente. De maneira geral, a trajetória básica começa para o recém-formado com a residência numa obra simples, de orçamento pequeno. Se concluída conforme o esperado, o engenheiro tende a seguir para uma obra de médio porte e, enfim, uma de grande porte. Só então ele é considerado maduro para ser nomeado coordenador. O tempo mínimo estimado para a conclusão desse ciclo é de cinco anos. "Mas o ideal, mesmo, é que o profissional tenha passado uns sete ou oito anos no canteiro", conta Staudohar. Segundo Edna Simões, tanto engenheiros quanto arquitetos são aptos para as funções de coordenação de obras e supervisão de projetos. Na

Currículo
Atribuições: colaboração na concepção do empreendimento, supervisão do cumprimento do cronograma e do orçamento, orientação às equipes de engenharia residentes nas obras, negociação com fornecedores Formação: graduação em Engenharia Civil ou Arquitetura; desejável pósgraduação em Gestão de Projetos Cursos: Gestão e planejamento, liderança, comunicação Experiência: cinco anos, no mínimo Disponibilidade: até 12 horas diárias nos dias úteis, expediente também aos sábados Aptidões: conhecimentos em planejamento e gestão, liderança, comunicação, bom relacionamento interpessoal e desenvoltura para trabalhar em equipe Remuneração inicial: de R$ 7 mil a R$ 12 mil Bibliografia indicada: PBok Guide

Método Engenharia, o único prérequisito para se pleitear o cargo de gerente de contratos – denominação do posto na construtora – é a certificação PMP (Project Management

Professional), obtida após um rigoroso exame que avalia os conhecimentos do profissional sobre conceitos de administração e gestão de projetos.
Renato Faria

Entre 1994 e 1996, fiz pós-graduação em Engenharia de Produção para Construção Civil. O curso concebia a construção civil como uma indústria, fazendo paralelos com a indústria mecânica. Além disso, fiz cursos de atualização rápidos em Tecnologia de Concreto, Gestão de Empreendimentos, e outros cursos que passam a visão administrativa-financeira da obra. Quantas horas, em média, trabalha por dia? No segmento imobiliário, principalmente em construções verticais, percebo que temos que construir mais andares, em prazos cada vez menores. Por isso, nossa jornada diária começa freqüentemente às 7h00 e vai até às 19h00 nos dias de semana. Além disso, precisamos estender o expediente aos sábados, trabalhando das 7h00 às 15h00, aproximadamente. Cada fim de semana visitamos uma obra. Como é o seu dia-a-dia? Na fase de planejamento da obra, participo, junto com o pessoal de orçamentos, suprimentos e

planejamento, da elaboração das cartasconvite para realizar as contratações. Nos empreendimentos em andamento, o meu papel é o de interlocutor entre a obra e o escritório central. Converso com a equipe de cada obra e levo os problemas para discutir com o diretor técnico e as outras áreas da construtora. Toda semana, tenho uma agenda de visitas às obras, de modo que o pessoal do escritório sabe exatamente em que obra vou estar a cada hora de cada dia da semana. Nessa agenda de compromissos, pelo menos um dia é reservado para visitar o escritório central, para a reunião com os outros departamentos da empresa. Quais as maiores dificuldades no dia-a-dia? O que acontece hoje é atípico, é a primeira vez que vejo o mercado tão aquecido. Com essa demanda crescente, enfrentamos escassez de materiais e equipamentos. E temos que tomar muito cuidado com os materiais para a execução da estrutura de concreto armado, que dita o ritmo da obra. E há problemas com o

fornecimento de aço e com atrasos em concretagens. E isso implica atrasos no cronograma das obras, que dificilmente será recuperado depois. Portanto, o grande desafio é planejar com bastante antecedência os contratos, fazer os pedidos 30, 40 dias antes, senão o mercado é cruel com você. Do que você mais gosta em sua função? Da formação de equipes. Ver um estagiário começar na empresa, acompanhar o trabalho dele evoluir e depois vê-lo realizar uma obra. Outra experiência interessante por que passei foi liderar um programa de alfabetização de funcionários das equipes de produção do canteiro. Essa capacitação acaba também revertendo em benefícios para a empresa, muitos se tornam ótimos encarregados ou mestre-de-obras. Além disso, não há monotonia no trabalho – como eu acompanho várias obras simultâneas, cada uma em uma fase distinta, um dia é diferente do outro.

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MELHORES PRÁTICAS
Kits hidráulicos
Procedimentos de execução padronizados propiciam incremento na produtividade e qualidade para as instalações hidráulicas

Elaboração do gabarito
Após a execução de um protótipo, para solucionar todos os problemas de execução e de interferências com outros serviços, é elaborado um croqui com as
Fotos: Marcelo Scandaroli

Corte da alvenaria
Após a marcação com o gabarito, inicia-se o corte com equipamento adequado. A serra circular com disco diamantado duplo proporciona maior produtividade e qualidade, pois executa dois cortes simultâneos, minimizando os danos na alvenaria, além de aumentar o conforto do operador por aspirar automaticamente o pó gerado no processo.

medidas de campo. Esse serve para confecção do gabarito da bancada, destacando bitolas e medidas das tubulações e do gabarito de marcação.

Marcação da alvenaria
A marcação da alvenaria que receberá o kit hidráulico deverá ser executada com o auxílio do gabarito de marcação. Para o posicionamento, a referência é a cota de nível e as faixas de revestimento.

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Fotos: Marcelo Scandaroli

Conferência e teste Pré-montagem
Com as medidas e bitolas predeterminadas no gabarito da bancada, os tubos são cortados e armazenados por bitola e comprimento. As conexões são posicionadas no gabarito para dar início à montagem, de acordo com as especificações do fabricante. Concluída essa etapa, os kits são identificados e armazenados de acordo com o local de instalação. A conferência é feita por meio de um checklist que, por sua vez, é elaborado com base nos testes do protótipo. Os ensaios incluem, para liberação dos kits, testes de estanqueidade e, quando necessário, testes de dilatação, conforme especifica a NBR 5626 – Instalação Predial de Água Fria. A pressão mínima é de 6 kgf/cm² para tempo mínimo de dez horas.

Aplicação dos kits
Com todas as etapas anteriores executadas, cabe ao encanador apenas o posicionamento do kit na alvenaria, obedecendo à profundidade e ao prumo conforme o revestimento e as interligações com as demais instalações.

Colaboração: engenheiro Roberto Carlos Barbosa, gerente de instalações da Sanhidrel Instalações e Comércio

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ENTREVISTA

Módulo de projeto
Com conceitos simples, coordenação modular proporciona padronização, produtividade e redução de custos e desperdício. Iniciativa tem que ser setorial para que toda a cadeia se adapte
HÉLIO ADÃO GREVEN
Arquiteto por formação – graduou-se em 1956 pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) –, sua experiência na área de construção civil enfatizou a construção industrializada, bem como sistemas e processos construtivos, além da utilização de novos materiais. Obteve grau de doutor pela Universidade de Hannover, na Alemanha, em 1969. Embora aposentado do cargo de professor-titular do Norie (Núcleo Orientado para a Inovação da Edificação), ainda colabora para o programa de pós-graduação da instituição. Além disso, é diretor da KG Projetos e Consultoria.
Marcelo Scandaroli

O

s processos consolidados na construção civil brasileira estão sendo observados com olhos críticos. O mercado está em busca intensa por possibilidades de melhoria, de redução de desperdício, de aumento de produtividade, de redução de custos. O momento da construção nacional indica que a racionalização e a industrialização são imperativas, mas o mercado esqueceu de considerar o óbvio, a coordenação modular. É sobre esse conceito que falou à Téchne Hélio Adão Greven, pesquisador do assunto que considera "de uma simplicidade constrangedora". Constrange porque sua aplicação não demanda investimentos nem capacitação, e ainda traz benefícios para a produtividade, a qualidade, os custos e a redução do desperdício. Basta integração da cadeia, o

que não havia nem entre os Estados quando as primeiras manifestações pela coordenação iniciaram, há 50 anos, na Europa e mesmo no Brasil,que conta até com uma norma sobre o tema. Além dos motivos citados acima,Greven,consultor da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), revela que há intenções de o País intensificar as exportações de materiais. De acordo com ele, que traz a experiência de quem morou e estudou por dez anos na Alemanha, não há porque temer a implantação efetiva da coordenação modular. Ela não virá para engessar projetos arquitetônicos, mas para trazer um elemento a mais para a criação. Em menos de um semestre, garante,os conceitos podem ser completamente passados para os alunos de graduação de engenharia e arquitetura.
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ENTREVISTA
Em resumo, o que é a coordenação modular? Por que é tão importante?

Basicamente, é uma ordenação dos espaços na construção civil. Cada componente tem seu espaço prédefinido e tem que respeitar o espaço do componente vizinho. Se todos trabalharem com coordenação modular, passamos a trabalhos de montagem. Hoje é necessário cortar, serrar, emendar.
Por que não trabalhamos de maneira coordenada no Brasil?

“Em princípio, os arquitetos achavam que tudo ficaria igual. Chegaram à conclusão de que, ao contrário, libera o arquiteto para fazer o que quiser”
gar o conhecimento e o respeito à norma aos produtores.
E a receptividade dos fabricantes é boa?

Finep,posso afirmar que o Brasil quer ser exportador de materiais de construção.
E compensa prejudicar as exportações para os EUA?

Como somos mais próximos e há muitos anos fornecemos, ainda vamos continuar fornecendo para eles. Não é proibido produzir fora dos padrões, mas, para o mercado brasileiro, por força de lei, deve-se utilizar o módulo de 10 cm, com múltiplos e submúltiplos.
Pelo que o senhor disse, em breve os EUA também estarão trabalhando com o padrão decimétrico?

Em 1950, o Brasil assinou o convênio internacional de coordenação modular decimétrica. Só que, naquele tempo, não havia meios de comunicação e de transporte eficientes entre os Estados. Como eram quase independentes comercialmente, cada um produzia o que queria para a região dele e não houve interesse em se comprometer com a coordenação modular. Hoje, o desconhecimento é total.
E por que o assunto vem à tona agora?

Nunca vi ninguém dizer que é contra a coordenação modular, porque o bom senso indica que é óbvio.
E a convenção é decimétrica?

Estamos fazendo campanhas porque chegamos à conclusão de que não é aceitável quebrar e emendar. A pressão é para que todos construam dentro da norma para compatibilizar tudo sem problemas, com aumento de produtividade, redução de retrabalho e de desperdício. São conceitos óbvios. Tanto que nos países desenvolvidos não se fala mais de coordenação modular. Já está incorporado e não se consegue entender a falta de respeito à coordenação modular decimétrica.
A falta de coordenação impera no Brasil porque a mão-de-obra é barata e pode ficar cortando e emendando?

Pode ser a partir de qualquer medida, mas a convenção mundial é decimétrica. E é tão forte que a Inglaterra, criadora do sistema em pés e polegadas, passou a adotar a decimétrica, em 1964, porque não podia comprar ou vender componentes construtivos para o resto da Europa. Ao fazer isso, todas as ex-colônias, como Canadá, Austrália e África do Sul, passaram para o decimétrico.
Hoje o Mundo todo adota esse padrão?

Há cinco anos, informavam apenas as dimensões em pé e polegada. Hoje, vejo em artigos e nos componentes, colocam em pés e polegadas e, entre parênteses, em metros e centímetros.Daqui a algum tempo, começam a colocar primeiro em centímetros e metros e,entre parênteses, em pés e polegadas, porque isso não se muda do dia para a noite. Além de ser cultural,não podem jogar o maquinário no lixo. Têm que esperar a substituição.
Então, a adequação é demorada?

Não, porque não tem outra opção. Ninguém obedece à coordenação modular, que, por sinal, é lei. Hoje, existem forças nesse sentido e o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) poderia, teoricamente, atestar que determinado produto está fora da coordenação modular e aplicar multas. Claro que isso não acontecerá porque não existe fiscalização. Agora, queremos, a partir de divulgação, fazer che26

Só sobraram os Estados Unidos, que adotam as quatro polegadas. Mas, notamos pela literatura técnica, estão pensando em passar para o decimétrico, pois ninguém compra nada deles porque não serve em outros sistemas. Um exemplo clássico, no Brasil, é a madeira compensada. Uma das medidas mais vendidas é a de 1,22 m x 2,44 m, que corresponde a 4 x 8 pés. Para que possamos exportar para os EUA – e somos grandes exportadores de madeira compensada –, temos que produzir nessas dimensões.
E, ao adotarmos a coordenação modular decimétrica no Brasil, essas exportações não serão prejudicadas?

A Alemanha, uma das maiores exportadoras do Mundo e a atual locomotiva da Europa, até a década de 1970 usava a coordenação modular octamétrica, que divide um metro em oito e tem módulo de 12,5 cm. Foram obrigados a adotar a decimétrica pelos mesmos motivos comerciais. E temos resquícios disso no Brasil. Alguns dos equipamentos alemães para produzir lajes de concreto protendidas, com 1,25 m, ainda hoje funcionam no Brasil. Então, todo esse encaminhamento da coordenação modular leva décadas.
No Brasil, existe alguma entidade que controle isso? Esse período de transição tende a ser mais complicado?

Só para os EUA. Sendo consultor do Ministério de Indústria e Comércio e da

Há a NB-25, de 1950, ou NBR 5706 – Coordenação Modular da Construção, mas ninguém conhece.Vamos encontrar dificuldades para inserir cursos nas universidades e instituições técnicas. E não precisaremos de um ano ou semestre todo dos cursos. Basta meia dúzia de aulas,porque é muito simples e não atrapalha em nada. É só respeitar os 10 cm.
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Nem a arquitetura?

Convivi, na Alemanha, com o início da coordenação modular lá. Em princípio, os arquitetos achavam que tudo ficaria igual, engessado. Chegaram à conclusão de que, ao contrário, libera o arquiteto para fazer o que quiser dentro das normas.Não teremos esse obstáculo no Brasil. Só precisamos de divulgação, cursos e controle dos órgãos responsáveis para que haja respeito, pois, no Brasil, lamentavelmente, existem muitas leis, mas não são cumpridas.
Trata-se mais de uma questão setorial do que da iniciativa de um construtor ou produtor? Ou seja, não adianta apenas um assumir essa padronização?

“Fiz palestras falando sobre coordenação modular e todo mundo aceita. Os órgãos e a cadeia produtiva da construção civil estão interessados nisso”
for, por exemplo, de dois anos, durante esse tempo haverá um acompanhamento mais próximo aos produtores com mais dificuldade.
Quais os órgãos envolvidos?

Porém, todos os componentes, para serem acoplados, têm juntas. Se, para blocos, a junta é de 1 cm, isso quer dizer que a medida real do bloco é de 39 cm x 19 cm x 19 cm.Somando a junta de 1 cm, são 40 cm de eixo a eixo de junta.Ou seja, o componente ocupa um espaço de 40 cm, mas tem-se que descontar a junta.
A medida de projeto é a final?

A de projeto é a da coordenação modular, múltipla de 10 cm.A real leva em conta a junta. Aí fica muito claro que cada componente tem seu espaço próprio, com uma junta para não interferir nos vizinhos.
Para fazer essas juntas precisas, é necessário mão-de-obra treinada?

Esse é até um ponto crítico. De nada adianta um produtor mudar e os outros não, porque aí ele está errado. Existem órgãos,como os Sinduscons (Sindicatos da Indústria da Construção Civil), que podem forçar o uso de componentes coordenados modularmente para que os fornecedores se adaptem.
Existe um programa, com prazos a serem cumpridos para a adoção da coordenação modular?

Ministérios da Indústria e Comércio, Ministério das Cidades, Ministério de Ciências e Tecnologia, via Finep, todos os Sinduscons. Fiz palestras no Brasil todo falando sobre coordenação modular, e todo mundo aceita. Todos os órgãos e toda a cadeia produtiva da construção civil estão interessados nisso.
O que é submódulo e multimódulo?

Não muda nada. É questão de cuidar, trabalhar com 1 cm. As coisas são óbvias. Digo aos meus alunos que a coordenação modular é de uma simplicidade constrangedora, que, de tão óbvio e lógico, chega a ser constrangedor.
O que é zona neutra?

Vai haver. Temos tido reuniões com a Finep, com o Ministério da Indústria e Comércio e com o Ministério das Cidades, para haver apoio eficiente, com facilitação da produção e controle rigoroso. Senão, não adianta.
E como será a definição dos prazos?

As máquinas de produção de blocos cerâmicos, chamadas marombas, têm bocais que definem o tamanho do bloco cerâmico. Esse bocal desgasta e tem que ser trocado a cada seis meses. Então, o prazo para mudar o bocal – e o tamanho do bloco – é relativamente curto. No entanto, outros produtores têm mais complicações e vão ter que esperar ou adaptar. Os prazos têm que ser compatíveis, pois não queremos prejudicar ninguém, mas ajudar os fabricantes.
Para ser implantada definitivamente, estima-se quanto tempo?

O módulo é de 10 cm. Como ninguém vai fazer uma janela com 10 cm, então existem os multimódulos para garantir liberdade total. Existem também as chamadas medidas preferidas e preferíveis. Se o mercado pede janelas de, pelo menos, 90 cm, posso fazer com 0,90 m, 1,00 m, 1,10 m, 1,20 m. Essas, de 10 cm em 10 cm, são as medidas preferíveis, que atendem à coordenação modular. Mas o produtor, regionalmente, tem medidas preferidas. Ou seja, faz de 0,90 m, 1,20 m, 1,50 m e 1,80 m, por exemplo.As demais,não faz porque o mercado não solicita. Assim, fica muito claro que coordenação modular não é camisa de força, mas um auxílio à produção. Submódulos valem para medidas pequenas,menores que 10 cm,como para espessura de vidro e juntas.
O que é medida de projeto do componente?

Coordenação modular não é camisa de força, então não pode mutilar um projeto arquitetônico, como se fez no início da coordenação modular. Hoje, existe a chamada zona neutra. Num exemplo, dois prédios iguais formam um ângulo. Todo o espaço pode estar modulado, mas há uma região em que há interferências. Para não mutilar o projeto, essa região, em que há superposição de reticulados modulares, é chamada de zona neutra. Ou seja, apenas dentro dela a coordenação modular não é respeitada.
Esse recurso é útil também para terrenos com medidas que não respeitam a coordenação modular.

Teoricamente, já está implantada, porque existe norma. Mas ela é de 1950 e precisa ser revista. Se o prazo definido
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Cada componente, seja janela, porta ou bloco tem uma medida de projeto. Um bloco de concreto tem uma medida de projeto de 20 cm x 20 cm x 40 cm.

Os terrenos não são modulados. Pode ser que um tenha,por exemplo,27,95 m. Aí,faz-se 99% do projeto corretamente e resolve o que restar da melhor maneira, como se faz hoje.Ou seja,usa-se coordenação modular até onde der e considera-se o espaço que sobrou como zona neutra. Não se pode deixar um terreno vazio, de alguns centímetros, porque está fora da coordenação modular. Então, resolve aquela tirinha como der.
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Como as juntas são consideradas no ajuste modular?

Quem fixa a dimensão da junta de um componente é o fornecedor. Um fabricante de esquadrias de madeira, por exemplo, fixa de acordo com a precisão do equipamento dele. Se a janela ocupa 1,50 m, mas precisa de juntas de 2 cm de cada lado, então a janela terá 1,46 m. O fabricante tem que apresentar a solução para o vão,como uma moldura que cubra a junta.
Então ele tem que garantir que o espaço destinado àquele componente será completamente preenchido?

“O importante é apresentar a solução global, não deixar a interface por conta do construtor. Atualmente, cada um fornece o que quer e o montador que se vire”
Quando o ajuste modular é positivo?

uma extremidade à outra do componente é maior do que o espaço entre as juntas. Se subtrair, o ajuste modular será negativo. Se existe o positivo e o negativo, vai existir, em algum momento, o ajuste modular nulo. Se, numa vitrine, duas chapas de vidro se encostam, a junta não é zero, mas é tão pequena que é considerada nula, pois a construção não trabalha com medidas menores do que 5 mm.
O ajuste modular parece um dos pontos mais importantes da coordenação modular.

Cada produtor tem a obrigação de dizer como o componente se adapta à coordenação modular decimétrica. Um pode dizer que precisa de juntas de 2 cm e, outro, de apenas 1 cm. Assim, ele indica que a janela tem 1,48 m e a junta 2 cm. Ele só tem que preencher aquele 1,50 m. Se quiser fazer uma janela com cantos arredondados, tem que prever o acabamento para preencher o espaço que lhe compete.

Normalmente é positivo, porque um componente cujo espaço modular é de dois módulos é, devido à junta, um pouco menor. Ou seja, subtrai-se o tamanho do espaço do tamanho do componente.Se o bloco tem 39 cm e o espaço tem 40 cm, o ajuste modular é positivo.
E quando é negativo?

No caso de placas de forro, por exemplo, que se encaixam. A junta, teoricamente, passa no meio e o tamanho de

O importante é apresentar a solução global, não entregar um componente e deixar a interface por conta do construtor. Atualmente, cada um fornece o que quer e o montador que se vire, que corte, serre, emende. Se trouxer a solução, pode usar qualquer coisa. Se um fabricante faz tijolinhos cerâmicos com dimensões totalmente fora de padrão, não tem problema. No entanto, ele tem que enquadrar um conjunto de tijolinhos, com juntas, dentro da

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coordenação modular, nem que seja um conjunto de quatro, seis ou oito tijolos, por exemplo.
Juntos, esses tijolos atingem uma dimensão que atende à coordenação modular?

Ele tem que dizer qual é a modulação, mesmo que seja, por exemplo, 30 cm x 60 cm. Assim, não prejudicamos a indústria dele e nem ele prejudica a coordenação modular. Mas ele tem que dizer como usar. Os fabricantes de cerâmica, principalmente de Santa Catarina, já fazem isso, porque exportam para a Europa. Informam que é cerâmica modulada, com as dimensões da peça e da junta, que é o que os europeus querem.
Como a industrialização afeta a coordenação modular?

“Permite alcançar patamares elevados de racionalização, mas é imprescindível para industrializar. A industrialização exige uma coordenação modular rigorosa”
modular rigorosa para compatibilizar componentes. Uma linha de fabricação de qualquer componente que seja não pode ser mudada. As máquinas trabalham de forma seriada para que seja barato.
Há estudos que digam quanto reduz, em custos e desperdício, a coordenação modular?

dois ou três apartamentos, perdia-se um, mas isso não é verdade. Se calcular por volume, pode ser, mas o valor é pequeno. O entulho de tijolo custa menos do que uma janela de alumínio. No Brasil, existe um desperdício da ordem de 10% ou 15%, enquanto países desenvolvidos trabalham com margens menores, de 6% a 8%.
Qual é a tríade básica da coordenação modular?

A coordenação modular permite alcançar patamares muito mais elevados de racionalização, mas é imprescindível para industrializar. A industrialização exige uma coordenação

Existem vários estudos, e cada um avalia à sua moda. Já se falou que a cada

É o reticulado modular de referência, a grade, o módulo, que é de 10 cm, e o ajuste modular. Não existe nenhum componente que não tenha ajuste modular, mesmo que seja nulo, como o vidro. É importante saber que o módulo é de 10 cm. Tem arquiteto que fala que sempre trabalha com módulo de 15 cm, por exemplo. Pode ser uma modulação, mas não é a coordenação modular universal. Se modula com 15 cm, nem todos os componentes fabricados para 10 cm vão servir.
Bruno Loturco

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TÉCNICA E AMBIENTE
Solar Info Center
Além de ter a concepção, construção e operação pautadas na sustentabilidade, edifício concentra diversas empresas para desenvolvimento conjunto de tecnologias para geração de energias renováveis
rimeiro prédio alemão totalmente aquecido sem emissão de dióxido de carbono (CO2), o SIC (Solar Info Center, ou Centro de Informações Solares, na tradução livre) foi criado para integrar, num único espaço, empresas interessadas no desenvolvimento, viabilização e comercialização de tecnologias na área de energias renováveis. Localizado na cidade de Freiburg, no extremo Oeste da Alemanha, o SIC concentra 45 empresas que trabalham de forma independente para o desenvolvimento de soluções sustentáveis para edificações, mas com possibilidade de promover parcerias para o desenvolvimento de projetos conjuntos. É o que se chama de planejamento integral, o mesmo que pautou o desenvolvimento do próprio SIC e que, por isso, o torna um case de sustentabilidade. Nessa forma integrada de concepção, projetistas da empresa contratante trabalham em conjunto com engenheiros e arquitetos desde o começo, pautados por conceitos gerais que envolvem ecologia, arquitetura e suprimento de energia. Para reduzir os gastos com aquecimento, resfriamento e ventilação da edificação é promovido um planejamento sistemático do corpo do edifício, sua exposição, sombreamento e proporção de vidros na fachada.Além dos benefícios ambientais, da redução de custos de implantação e de operação, o prédio é banhado por luz natural, ar fresco e se adapta às temperaturas externas.

P

Energia totalmente renovável provém de coletores solares, painéis fotovoltaicos e do reaproveitamento do calor gerado com combustível fóssil pelo vizinho. Planejamento integral buscou compatibilizar todas as demandas energéticas da edificação

O conceito energético do SIC é pautado pela viabilidade financeira. "É uma instituição privada e deve, por ele mesmo, ser economicamente viável", segundo a brochura de divulgação técnica da instituição. Em seus 14 mil m², foram realizados, por meio do plano integral, o ajuste ideal de cada elemento, como produção de água quente por aquecimento solar, geração de energia com painéis fotovoltaicos na cobertura e na fachada, energia solar, ventilação e resfriamento noturno no verão. Além disso, promoveram melhorias nos aspectos de insolação, no sombreamento e ganhos, no inverno, com luz

solar direta. A energia utilizada na edificação provém, exclusivamente, de fontes renováveis. Por meio de acordos contratuais, o SIC financiou a instalação de um sistema para aproveitamento de calor. O calor é reaproveitado a partir da tubulação de aquecimento da central de co-geração do hospital universitário vizinho, esta movida por combustível fóssil e que corre pelo terreno do SIC. Dessa maneira, o suprimento de calor da edificação não é apenas livre de CO2, mas de qualquer tipo de emissão, pois esse sistema de reaproveitamento gera até mais energia do que a edificação necessita.
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Para diminuir a demanda energética, as paredes exteriores têm 20 cm de espessura e o telhado conta com isolamento térmico. A luz natural foi priorizada para iluminação dos ambientes e a regulagem de temperatura é sensitiva e individual para cada unidade. Durante as noites de verão, o ar penetra as paredes exteriores para resfriar naturalmente o ambiente. O resfriamento é natural também para o auditório e a sala de espera, para os quais uma sonda aprofunda-se a 80 m na terra para resfriar a água que alimenta o sistema de climatização. A produção de água quente é feita completamente pelos coletores solares. Painéis fotovoltaicos nas fachadas e na cobertu-

ra, associados ao suprimento oriundo da usina de co-geração de Freiburg, respondem por toda a demanda de energia elétrica. Dentre as vantagens do planejamento integral observadas pelos idealizadores do Solar Info Center, algumas extrapolam os pontos financeiros mensuráveis. Pontuam os conceitos energéticos de climatização amigáveis ao meio ambiente: condições de trabalho ideais, com baixos custos de operação para os usuários, alto nível de satisfação dos inquilinos, com conseqüente baixa rotatividade para o operador e, para o investidor, agregação sustentável de valor, com baixos custos decorrentes.

O conceito preconizado pelo SIC será, ainda, expandido com a criação de outras unidades, uma no Cazaquistão e outra em Cingapura. Esta deverá se tornar a sede da Aren-Asia (Asia Renewable Energy and Energy Efficiency Network, ou Energia Renovável da Ásia e Rede de Eficiência Energética, na tradução livre). Atenderá todo o Sul da Ásia com a pesquisa e implantação de soluções nas áreas de energias renováveis e eficiência energética.

LEIA MAIS
Solar Info Center – http://www.solar-info-center.de Aren Asia – http://www.aren.com.sg

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CONTENÇÃO

Reforço plástico
Geossintéticos aumentam resistência dos solos à tração e garantem a contenção e suporte de carga dos terrenos
s geossintéticos são mantas fabricadas à base de polímeros, cujas propriedades contribuem para melhoria de obras geotécnicas, desempenhando alternadamente as funções de reforço, filtração, drenagem, proteção, separação, impermeabilização e controle de erosão superficial em solos. E como o solo possui resistência à compressão, mas pouca à tração, a função dos geossintéticos é proporcionar ao solo maior resistência à tração, contribuindo para sua sustentação. Entre os vários tipos de geossintéticos, as geogrelhas, membranas rígidas utilizadas para executar estrutura de contenção e reforço em taludes, podem também servir para soluções que incluem vegetação (em geral,gramíneas), formando paredes ou muros "verdes". Fabricadas com polímeros tais como poliamida, PVC ou polipropileno, polietileno de alta densidade ou poliéster, são vazadas e têm como função predominante o reforço de solos moles. As geogrelhas são dispostas em camadas e confinam porções de solo. Por serem permeáveis, ajudam a manter a capacidade de absorção de água do talude, evitando a saturação do solo. Nos muros verdes, as sementes de grama são semeadas na terra, ou noutro substrato, na fase final de execução do talude,para que a vegetação se componha com o geossintético, ajudando a aumentar as propriedades de resistência à tração e à erosão da contenção projetada. Há fabricantes de geogrelhas que oferecem o produto já com substrato para que a vegetação cresça.

O

Marcelo Scandaroli

Fabricadas com polímeros, as geogrelhas são dispostas em camadas e confinam porções do solo Soluções associadas

Segundo Maurício Abramento, da CEG Engenharia, empresa de consultoria na área de solos, há a opção de usar as geocélulas (células poliméricas soldadas entre si, semelhantes a uma colméia). Elas podem ser fixadas nas camadas horizontais próximas à face do talude, associadas às geogrelhas, responsáveis pela resistência à tração. E depois preenchidas com areia, brita, concreto ou solo, de acordo com o projeto e a finalidade da obra. "Para promover a junção dos dois materiais, a última linha de geocélulas deve ser preenchida com pedras de tamanho médio, que entram nos vãos da grelha de modo a transferir os esforços de um geossintético a outro", explica.

Os tipos de geogrelhas, oferecidos em materiais poliméricos pelos fabricantes em diversos formatos de trama, podem ser usados com blocos prémoldados de concreto na composição da contenção do talude. Assim, a geogrelha é disposta em camadas alternadas com o solo, como se fosse uma massa folheada. Para a solução com vegetação, as geogrelhas são dispostas em camadas para estabilização do maciço, dobrando-a na face externa do talude, o que forma uma "bolsa" que serve para colocação do substrato onde será semeada a grama.Outro tipo de geogrelha é composto por grelha metálica protegida com fios, com formato hexagonal, que pode já vir de fábrica com uma "bolsa" na extremidade, o gabião-caixa,
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para a colocação das pedras. Nessa composição,a função dessa face é prover sustentação parcial do solo e a função da geogrelha é reforçar o maciço. "É fundamental, no entanto, tomar o cuidado de proteger essa face externa, a fim de evitar vandalismo, fotodegradação por raios UV ou por calor. Se não for tomada essa providência, pode ocorrer, no longo prazo, a instabilidade do talude. Quando utilizada, a vegetação é um recurso que ajuda a proteger a geogrelha, pois proporciona sombreamento ao material", destaca Abramento. O substrato para a vegetação pode ser composto de biomantas, posicionadas dentro do envelope de geogrelha, formando patamares, como escadas, onde são dispostas as sementes. Ou ainda,é possível promover uma hidrossemeadura, quando forem usadas pedras na face externa do talude, que consiste em jateamento de água com as sementes de grama.
Grama armada

Formatos de geogrelhas

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Fabricadas em diversos formatos, com polímeros tais como PVC, polipropileno, polietileno de alta densidade ou poliéster, as geogrelhas ajudam na capacidade portante dos solos

Outra opção para os taludes "verdes" é o sistema de grama armada, que consiste em utilizar a geogrelha fixada com grampos associada ao plantio de grama no talude.Nesse caso,não há a utilização da capacidade portante da geogrelha. A grama armada serve para a proteção de taludes de solos moles e de taludes íngremes, pois após o plantio da vegetação, a grelha sombreia o talude, conservando a umidade do solo e garantindo um bom índice de germinação. A vegetação pode ser então plantada por hidrossemeadura, semeadura manual ou grama em placa, resultando num tapete reforçado e homogêneo, que garante a estabilidade superficial. Nesse sistema, a geogrelha também ajuda a dissipar as águas da chuva,reduzindo seu impacto sobre a superfície do talude, evitando ravinamentos quando a vegetação está na fase de crescimento/germinação, e ao mesmo tempo permite a entrada de umidade para o crescimento das plantas. A geogrelha também impede escorregamentos de terra e de fragmentos de rocha, já que possui resistência à tração adequada para esses tipos de solicitação.

Geocélula, com células poliméricas soldadas entre si, semelhantes a uma colméia, são usadas em "paredes verdes". Há também as geocélulas de juta, que são biodegradáveis

Solo reforçado

As obras de contenção com solo reforçado têm custos menores que muros e estruturas de concreto, e grande eficiência e durabilidade. Por isso, elas vêm cada vez mais ganhando mercado. A contratação de um bom projeto é de fundamental importância. A primeira etapa de uma obra dessas é o dimensionamento, que deve ser rigoroso. "Este vai considerar a estabilidade interna que comporta a superfície, levando em consideração o espaçamento e o comprimento das camadas de solo e geogrelhas, e se for o caso o uso de blocos. A estabilidade é prioridade em qualquer estrutura de contenção, quando se trabalha com a capacidade de carga", destaca Abramento.

Na fase de processo construtivo é preciso levar em conta a contenção temporária, necessária enquanto os taludes são construídos, lembra o engenheiro. Outro ponto importante destacado pelo especialista é a drenagem do talude, essencial para evitar que a água percole por locais errados. Normalmente, utilizam-se drenos de PVC nas faces externa e posterior da obra.
Heloísa Medeiros

LEIA MAIS
Manual Brasileiro de Geossintéticos. José Carlos Vertematti. Abint (Associação Brasileira das Indústrias de NãoTecidos e Tecidos Técnicos)

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INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Choque de economia
Veja como projeto e planejamento ajudam a baratear custos com instalações elétricas apesar das regras obsoletas das concessionárias
uma instalação elétrica predial, a mão-de-obra representa aproximadamente 40% dos custos, com os outros 60% compostos pelos materiais, especialmente o cobre. Dessa maneira, o primeiro ponto a atacar para reduzir custos é, justamente, o consumo de materiais. Há casos, citados por especialistas, em que a economia beira os 15%. Isso representou, num caso real, cerca de R$ 200 mil a menos. As alterações de projeto necessárias para tal economia são tecnicamente simples, mas dependem de características do prédio e da concessionária fornecedora de energia, como veremos adiante. Para reduzir custos com elétrica, antes de pensar nas instalações internas dos prédios, deve-se analisar a configuração do terreno para determinar a implantação, ainda mais com a crescente quantidade de torres em empreendimentos residenciais. Isso porque um volume significativo de cobre é consumido na chamada corrente não-medida. Ou seja, entre o poste da concessionária e os medidores. "É o primeiro impacto nos custos", afirma o engenheiro Eduardo Pedreira Desio, da Prolux Engenharia. Na prática, ele pode evitar, por exemplo, que a torre fique a 500 m da rua, o que levaria a um consumo elevado de cobre. As regras para a corrente nãomedida são definidas pela concessionária local e, "infelizmente, não são universais para o Brasil, resultando em entraves absurdos para os cus-

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Mais moderno, barramento blindado ainda não se difundiu devido ao custo do cobre e às complexas regras impostas por fornecedoras de eletricidade para sua adoção. Busways exigem medidores eletrônicos para aferição de consumo à distância

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Mesmo sem muita possibilidade de industrialização no sistema de alvenaria convencional, é possível otimizar a instalação de interruptores e tomadas com caixinhas especiais

Mais intuitivo, barramento blindado permite que instalação de prumadas seja mais rápida, além de estar menos sujeita a erros do que sistemas convencionais

tos", lamenta. O primeiro e mais significativo desses obstáculos é a limitação de tensão de entrada em empreendimentos residenciais. Para entender porque essa regra incha os custos, é necessário ter conhecimento da fórmula de potência e do efeito Joule. A fórmula em questão determina que a potência (P) é igual à corrente (I) multiplicada pela tensão (U). Logo, P = I.U. Como a potência, medida em watts, é uma constante – pois depende dos equipamentos instalados na edificação –, o projetista de elétrica pode trabalhar apenas com as outras duas variáveis. É aí que começa o problema com o efeito Joule, que nada mais é do que a transformação da energia elétrica em calor, exatamente como em ferros de passar e chuveiros elétricos. O calor é gerado devido à resistência à passagem da corrente através do condutor, ou seja, dos cabos que trazem a eletricidade da rua para a central de medição do empreendimento. A resistência elétrica de um condutor depende do material do qual é feito, de seu comprimento e de sua

seção reta. Em termos, isso significa que a resistência à passagem de elétrons aumenta conforme aumenta o comprimento e diminui o diâmetro do cabo. Para simplificar, basta entender que cabos finos e compridos apresentam elevada resistência à passagem de correntes elevadas. Como já dito, o efeito Joule é a perda de eletricidade em forma de calor ao longo dos cabos. A fim de minimizar perdas financeiras decorrentes desse efeito, as fornecedoras de eletricidade limitam em 1% a perda elétrica entre o poste da rua e a central de medição do empreendimento. Para respeitar essa regra, a física prevê duas soluções. A primeira é reduzir a corrente e, com ela, a resistência e as perdas com o efeito Joule. Se voltarmos à fórmula de potência, veremos que para reduzir a corrente é necessário elevar a tensão, pois são inversamente proporcionais. Essa solução parece óbvia quando comparada à segunda, que implica a manutenção dos valores com aumento do diâmetro do cabo para, igualmente, diminuir a resistência. No entanto, como era de se esperar, aumenta o consumo

de cobre, o item mais caro de uma instalação elétrica. Então, por que não optar sempre pela primeira opção? Porque residências trabalham com tensões de 127 V e 220 V. Ora, então por que não utilizar, nos casos em que o custo fosse compatível, transformadores dentro dos empreendimentos para rebaixar a tensão próximo aos medidores e, assim, reduzir o efeito Joule? Porque as concessionárias, temendo eventuais problemas com os transformadores, proíbem seu uso em empreendimentos residenciais. "O ideal seria entrar no prédio em tensão primária – da ordem de 13.200 V –, facilitando a instalação de transformadores a seco, não a óleo", ilustra Desio. Segundo ele, o grande custo dos condomínios está aí, na distribuição da alimentação até os medidores. "As concessionárias, alegando segurança, criam regras e repassam o custo para os consumidores, esquecendo soluções já adotadas nos países desenvolvidos", critica. "Sempre que possível, é recomendável elevar a tensão, pois algumas distribuidoras permitem alimentar
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INSTALAÇÕES Entrada em baixa tensão

ELÉTRICAS
circuitos independentes, com tensões diferentes", explica o engenheiro Roberto Barboza, da Sanhidrel. Assim, tensões médias alimentariam cargas concentradas com potência elevada, como o sistema de ar-condicionado e os elevadores. Voltamos, assim, aos primeiros parágrafos, que pregam a participação do projetista de elétrica desde a concepção do edifício, para adequação da implantação dos prédios no terreno de acordo com as regras da concessionária local.
Corrente medida

Total = 10 t de cobre

Bloco C

Centro de medição

4 cabos* de entrada para 4 circuitos seção de 120 mm²

Bloco B Centro de medição

4 cabos* de entrada para 4 circuitos seção de 240 mm²

Bloco A

Centro de medição do bloco A e áreas comuns 4 cabos* de entrada para 4 circuitos seção de 150 mm²

33 m

Poste particular

*Cabos isolados em PVC para tensões nominais até 750 V

Rua

Entrada em alta tensão

Ramal de ligação dos transformadores com 30 m de cabos de #25 mm² para média tensão (8,7/15 kV) Total = 5 t de cobre

Centro de medição Bloco C 5m

Cabos* de entrada com 4 circuitos seção de 120 mm² Trafo a seco 300 kVA Cabos* de entrada com 4 circuitos seção de 120 mm² 5m Trafo a seco 300 kVA Cabos* de entrada com 4 circuitos seção de 150 mm² 5m
10 m

Centro de medição Bloco B Centro de medição do bloco A e áreas comuns Bloco A

Trafo a seco 500 kVA

Poste particular
*Cabos isolados em PVC para tensões nominais até 750 V

A premissa para a economia nas instalações elétricas a partir do medidor é a definição clara, por parte de construtor e/ou incorporador, das cargas elétricas a serem oferecidas e, ainda, da possibilidade de utilizar gás em chuveiros. Em seguida, o grande cuidado tem que ser com o apartamento-tipo, que irá se repetir muitas vezes. "Tem que ser otimizado para reduzir circuitos, disjuntores e bitolas das fiações internas", salienta Desio. "Dentro do apartamento, não tem muito como mudar, pois as tomadas e pontos de luz têm que estar ali", explica Barboza. Em seguida, obedecendo a fatores de demanda dos quadros dos apartamentos, é importante dimensionar adequadamente as prumadas. Para tanto, o projetista deve considerar fatores de segurança pertinentes. "Coeficientes de demanda e segurança baseados na realidade de uso implicam demandas teóricas pertinentes, e o parâmetro mais importante vem da experiência do projetista", afirma Desio. Ele conta que, de acordo com a NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão, o responsável pela demanda é o projetista e, para tanto, recolhe ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). Para a prumada em si, as opções são os cabos, convencionais, e o barramento blindado, ou busways. "Há alguns anos, o barramento era mais vantajoso, mas hoje tem que se analisar cada obra", afirma Barboza em referência ao aumento no preço do
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15 m

7m

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Em vez de serra reta, uma serra-copo faz o orifício para acomodação da caixinha. Em seguida, presilhas garantem sua fixação na parede. Por último, uma tampa plástica evita que o interior das caixinhas fique sujo pela argamassa lançada para revestimento

cobre. Desio afirma que o busway apresentaria mais vantagens caso todas as concessionárias brasileiras permitissem seu uso, regulamentando o sistema com valores de queda de tensão adequados à realidade. De acordo com esse argumento, o custo do barramento cairia de acordo com o crescimento da demanda. "As regras das concessionárias para o uso de barramentos, quando permitem, são exageradas e tornam a solução convencional mais competitiva", explica. Outro complicador para sua adoção é a necessidade de medidores eletrônicos, que permitam medição remota. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) obriga as concessionárias a fornecerem apenas o medidor convencional, eletromagnético, onerando as construtoras e desestimulando o uso do eletrônico. O sistema de proteção contra descargas atmosféricas já pode contar com a ferragem da estrutura para as descidas até o aterramento. Dessa maneira, conta Desio, "o sistema é muito mais eficiente, seguro e econômico,

resultado de uma parceria de sucesso entre a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e o mercado".
Execução simplificada

"Na parte de elétrica não é tão simples industrializar, mas é possível padronizar algumas etapas da execução", afirma Roberto Barboza. O primeiro recurso para simplificar a execução não demanda investimento ou decisão de projeto algum. Trata-se da simples marcação, nas fôrmas de laje, dos pontos de elétrica. Essas fôrmas devem, apenas, ser colocadas no mesmo lugar no pavimento de cima. Ao fazer isso, reduz-se a mão-de-obra e a chance de erros e aumenta-se a produtividade. No processo convencional, a cada concretagem de laje, é necessário que o técnico de elétrica vá à laje para fazer as marcações dos pontos. Assim, ele leva um dia inteiro para realizar todas as medições, estando, inclusive, sujeito a erros. Ao adotar esse procedimento, de acordo com Barboza, o prazo para liberação da laje pelo pessoal de elétrica cai pela

metade. "[O procedimento] não é difundido porque exige interação entre construtora, instalador e os responsáveis pela estrutura", explica. Alguns produtos, disponíveis atualmente no mercado, permitem que as caixinhas de laje sejam pregadas nas fôrmas antes da concretagem Ainda bastante artesanal, a fixação de caixinhas de interruptores e tomadas pode ser agilizada com a adoção de caixinhas desenvolvidas para instalação com serra-copo e fixação com presilhas. Para Barboza, no sistema convencional, moldado in loco, não há muito onde reduzir custos. No caso do drywall, é possível, antes do fechamento, rebitar as caixinhas na estrutura e passar as mangueiras. Para as lajes, o forro falso de drywall proporciona economia com mão-de-obra por eliminar a necessidade de qualquer marcação. No entanto, "como o forro diminui em 20 cm a altura útil do pavimento, e as construtoras preferem ganhar esse espaço, compensa gastar mais com elétrica", revela.
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Estrutura combinada
Ao buscar rapidez de execução, economia e redução de cargas nas fundações, estrutura mista de concreto e aço aproveitou bem as melhores propriedades de cada material

Com estrutura mista de concreto e aço para otimização das propriedades de resistência dos materiais e incremento na velocidade de execução, edifício busca, agora, certificação ambiental

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uem costuma passar pela invariavelmente congestionada Marginal do rio Pinheiros, a avenida das Nações Unidas, na zona Oeste da cidade de São Paulo, tem bastante tempo para verificar que o prédio a ser entregue no próximo mês pela WTorre Engenharia tem estrutura metálica e fechamento em painéis unitizados, compostos com alumínio, vidro e laminado melamínico, para uso exterior, em imitação à madeira. No entanto, não vê que os prédios, um com 13 e outro com 11 pavimentos-tipo e com quatro subsolos comuns, demandaram árduo trabalho de contenção e que se apóiam parte em rocha, parte em alteração de rocha ou silte arenoso, sobre uma enorme sapata de fundação com 21 m x 14 m. Para chegar ao ponto de apoio das sapatas, a 17 m de profundidade a partir do térreo, paredes-diafragma atirantadas foram executadas. Nesse caso, a complicação ficou por conta da presença de uma rocha no caminho da escavação, o que interrompeu a evolução da parede-diafragma. Esta, que também serve para apoio das lajes de subsolo, ficou parcialmente suspensa. "A contenção foi bastante complicada, a parede parou no topo da rocha", explica Ivan Joppert, da Infraestrutura Engenharia, engenheiro responsável pelos projetos de contenções e fundações do empreendimento. Além disso, a parte superior da rocha apresentavase fraturada, com risco de ceder levando junto a contenção. Por isso, a parede-diafragma conta com estacas-raiz em seu interior, que atuam como fundações da contenção. A rocha em si foi grampeada e revesti-

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Divulgação: WTorre

Presença de rocha impediu continuidade das contenções e exigiu que paredesdiafragma contassem com estacas-raiz para fundação. Sapata de fundação de um dos edifícios ficou apoiada em bases distintas

RESUMO
Obra: WT Nações Unidas Execução: WTorre Engenharia e Construção Localização: Av. das Nações Unidas – Pinheiros Construção: dezembro de 2006 a setembro de 2008 Área construída: 64 mil m2 Terreno: 9 mil m2 Volume de concreto: 17,5 mil m3 Quantidade de aço utilizada armaduras: 1.000 t estrutura metálica: 2.200 t Geradores: dois, com 2.040 kVA de potência Subestações: quatro em média tensão, num total de 6.000 kVA Vagas de estacionamento: 1.085 (30 no térreo, 1.055 nos subsolos) Pé-direito: laje a laje: 4,20 m piso a forro: 2,70 m térreo: 6,90 m, com piso e forro; 8,40 m, livre Volume de solo remanejado em aterros e escavações: 100 mil m³ Resistência do concreto: lajes e fundações: 25 MPa pilares: 45 MPa núcleo: 35 MPa Pavimentos: Edifício 1: um mezanino e 13 pavimentos-tipo Edificio 2: um mezanino e 11 pavimentos-tipo Garagens: quatro subsolos comuns a ambos edifícios Área útil de laje: Edifício 1: 1.200 m² Edifício 2: 900 m² Elevadores: 17 Ar-condicionado: 1.200 TR (toneladas de refrigeração)

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CAPA
renciais", explica Joppert em referência aos diferentes módulos de elasticidade entre os substratos. "É mais complicado do que quando o apoio é uniforme, num substrato único", conta. Assim, houve acompanhamento topográfico para medição dos recalques em todos os pilares, com resultados menores que 1/750, "valores considerados seguros para esse tipo de estrutura", afirma Joppert. O projetista da estrutura do núcleo, o engenheiro Antonio Sérgio Rezende, diretor da Engeserj, contou que o apoio não-uniforme influencia na deformação do topo da estrutura. "Exigiu muita interação dos projetistas", disse. Segundo ele, as lajes, pilares e o concreto do núcleo, com 30 MPa, são convencionais, embora as lajes atuem como diafragmas,ligando os pilares ao núcleo.O partido estrutural influenciou as fundações. A estrutura mista descarrega as cargas de vento no núcleo central, em concreto. Logo, as fundações do núcleo estão sujeitas a esforços de flexocompressão. Joppert conta que "são esforços violentos, que mereceram atenção para que a deflexão estivesse dentro da admissível"."Com área bastante grande na fachada, os esforços são significativos", pontua Rezende. Ele conta, ainda, que para enrijecer estruturas metálicas são necessárias estruturas em "X" entre os vãos, o que traria prejuízos estéticos.
Partido estrutural

A parede-diafragma que corta o terreno é interrompida em vários trechos pela presença da rocha. Acima, as diferentes cotas de escavação do subsolo

Estrutura em aço era suficiente apenas para suportar três pavimentos, suficiente para que a concretagem de lajes e pilares fosse realizada sem atrapalhar o cronograma de montagem da estrutura em aço

da com concreto projetado para estabilização. Nos pontos em que a parede não encontrou a rocha, a escavação atingiu até 22 m de profundidade, considerando a ficha. A Torre 1, mais alta e que fica à esquerda de quem olha a partir da ave46

nida das Nações Unidas, está toda apoiada em rocha, sem grandes complicações. A Torre 2, no entanto, mais comprida do que alta, foi foco de análises. Por estar apoiada parte em solo e parte em rocha, "houve preocupação muito grande com os recalques dife-

A WTorre tinha a intenção de adotar seu tradicional tilt-up para execução da estrutura, mas o espaço do terreno era restrito e "a idéia foi abortada nas primeiras reuniões", explica o arquiteto responsável pelo projeto, Mauro Halluli, do escritório Edo Rocha Espaços Corporativos. "Depois, pensou-se em lajes nervuradas, mas a Codeme sugeriu a estrutura metálica", complementa. De acordo com Halluli, os principais argumentos foram o risco de falta de mão-de-obra e de cimento. Priorizando uma construção limpa e seca, a "estrutura metálica se prestou bem a essa função", afirma. Outra vantagem do aço, citada pelo projetista da estrutura metálica,
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Eduardo Martins, é a redução de aproximadamente 30% nas cargas de fundações, além da redução de altura de viga e da rapidez executiva. A velocidade de montagem, aliás, pautou todo o projeto e execução do empreendimento. Uma estrutura mista tem de lidar com velocidades de execução diferentes. Dessa forma, a logística executiva da obra contava com que o núcleo central, em concreto, caminhasse à frente do restante da estrutura, em aço.Mais do que isso,previa que até três pavimentos fossem montados em aço antes que a concretagem dos pilares, que têm alma metálica, fosse realizada. Ou seja,embora conte com a função estrutural do concreto,a estrutura em aço era autoportante até três pavimentos, tudo para agilizar a execução. Os núcleos de elevadores e escadas deveriam evoluir à frente do restante da estrutura porque são responsáveis pela estabilidade e contraventamento dos edifícios a partir do travamento das vigas. "O núcleo estava sempre três pavimentos à frente da estrutura de metal. Chegou a crescer 1,025 m por dia", conta Leandro Cardoso Marreto, gerente de obras da WTorre Engenharia. "O núcleo norteou o crescimento da estrutura nas duas lajes, e o uso de concreto foi vantajoso", afirma Martins. "É uma tendência mundial aplicar os materiais nos locais certos, respeitando resistências à compressão e à flexão", avalia. Antes dos pilares, as lajes, em steel deck, é que recebiam concreto. Com studbolts, fazia-se o engastamento das lajes ao núcleo. "Os pilares metálicos suportariam a concretagem de duas lajes", explica Marreto ao comentar sobre o traço do concreto. Em vez das 2,5 t/m³ habituais, o concreto das lajes do WTorre Nações Unidas, com agregado leve, pesa 1,9 t/m³. O agregado utilizado foi a argila expandida, que exigiu atenção durante o bombeamento para evitar desagregação. Inicialmente, o cronograma de obra previa a concretagem das lajes andar por andar. No entanto, a execução do núcleo e da estrutura metálica acelerou mais do que o planejado.

Fotos: Marcelo Scandarioli

Para reduzir gastos com ar-condicionado, vidros refletem os raios solares que provocam aquecimento, mas permite maior aproveitamento da luz natural. Vigas com alturas variadas exigiram esquadrias unitizadas para o fechamento

Além de piscininhas e de cobertura verde para retenção de água da chuva, espaços externos receberam piso drenante. Água coletada servirá para alimentar o schiller do ar condicionado

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CAPA
Para a composição da fachada e das passarelas que conectam os prédios, foram aplicadas vigas curvas.A resistência à torção necessária foi obtida com uso de perfis-caixa soldados,pois os perfis "I" não suportam esse tipo de solicitação. "Precisa-se usar seção fechada. No caso,retangular",explicou o projetista.A função inicial das passarelas, que vencem vãos de 20 m, seria a de abrigar um jardim comum aos prédios,mas como o empreendimento não se destina a um usuário único, ganharam função arquitetônica e de segurança ao incêndio,servindo de rota de fuga no caso de emergência. Uma vez que o desenvolvimento dos projetos se deu em conjunto, os sistemas de tubulação e de ar-condicionado já estavam previstos quando da fabricação dos perfis. Assim, já contavam com os recortes necessários. No térreo, por motivos arquitetônicos, todos os pilares têm seção circular. Para a concretagem, foram utilizadas cambotas revestidas com zinco, que propiciaram o acabamento desejado pela arquitetura. Além disso, "o uso desse sistema reduziu a demanda por mão-de-obra, que está cada vez mais rara", alertou Marreto. Se a arquitetura fez exigências, também teve de se adaptar às necessidades técnicas. Por economia de aço, a Codeme realizou a verificação das exigências estruturais de cada viga e pilar para o dimensionamento, o que resultou na redução de seção conforme aumentava a altura do edifício. "Para a arquitetura, seria melhor trabalhar com viga única", conta Mauro Halluli. A variação na altura das vigas determinou a solução de caixilharia, pois os únicos pontos de apoio estavam nos pisos. Dessa maneira, foram utilizados painéis unitizados com 4,20 m de altura fixados à estrutura metálica, que eram montados no chão e içados com grua para o local de instalação. O sistema de fixação desenvolvido conta com metal galvanizado para resistir ao ambiente agressivo devido ao rio à frente do prédio.
Certificação sustentável

Fotos: Marcelo Scandarioli

Função do concreto que reveste os pilares metálicos é estrutural. Além da alma metálica, contam com estribos para manter a seção coesa. Uso do steel deck exige que vigas sejam posicionadas a cada 2,5 m

Como a execução das lajes objetivava a estabilidade global dos edifícios, para dar continuidade ao bom ritmo alcançado, em determinado momento optou-se por concretar lajes de andares alternados, incrementando a rigidez estrutural. Novamente, pinos metálicos com cabeça – atuando como conectores de cisalhamento – atuaram na consolidação estrutural. Dessa vez, foram fixados à parte superior das vigas que, para efeito de cálculo, em conjunto com as chapas do steel deck, tiveram sua seção aumentada e o formato transformado de "I" para "T" – considerando a laje como uma das extremidades da viga.A laje, em si, tem espessura de 14,5 cm, nos pontos em
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que a onda da chapa de steel deck é baixa, e 9,5 cm, quando é alta.
Industrialização integrada

Das mais significativas influências da industrialização foram as dimensões dos pilares metálicos. Devido a questões econômicas e de transporte, foram fabricados com 12 m de comprimento. Por isso, também, os pavimentos eram montados três a três. A união dos pilares, por determinação da Codeme, foi feita com parafusos. "Evitamos soldas em obra porque o controle é mais difícil. Mesmo que [os pilares] não tivessem revestimento em concreto, a emenda seria aparafusada", afirmou Eduardo Martins.

O prédio da WTorre almeja a certificação do GBC (Green Building
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mento, onde é reciclado e reutilizado. A cada ciclo desses, parte do ar é descartada em troca de ar novo, oriundo do exterior. A fim de permitir o aproveitamento máximo da luz natural, os vidros das fachadas são menos reflexivos que os convencionais. Para evitar absorção excessiva de calor, no entanto, permitem passar a luz, mas não os raios solares responsáveis pelo aquecimento. "Não faz sentido colocar vidro até o chão, pois em escritórios normalmente são colocados móveis que não preservam a vista", comenta Halluli.
Bruno Loturco

FICHA TÉCNICA
proprietária e construtora: WTorre Empreendimento Imobiliário; projeto de arquitetura: Edo Rocha Espaços Corporativos; projeto de estrutura de concreto: Engeserj; estrutura metálica: Codeme; projeto de instalações elétricas: Enit; projeto de instalações de ar-condicionado: Teknika; projeto de luminotécnica: Focos; instalações elétricas, hidrossanitárias e antiincêndio: Temon; instalações de arcondicionado: Heating Cooling; consultoria em controle tecnológico dos materiais: Alphageos; consultoria de impermeabilização: Proassp; consultoria de revestimentos Limestone: DGG; consultoria em fundações: Infraestrutura; consultoria em ar-condicionado: Teknika; consultoria em sonorização e acústica: Srenewski; elevadores: ThyssenKrupp; porcelanatos: Portobello; cerâmica: Eliane; forros de gesso acartonado e divisórias de gesso acartonado: Placo; impermeabilizantes: Denver; vidros: Pilkington; alumínio composto: Alcan Alumínio do Brasil; Alumínio: Alcoa; steel deck: Metform; concreto pronto: Tupi/Polimix; argamassas e rejuntes: Teknokola, Portokoll e Bela Vista; aço: Belgo; perfis de aço para estrutura: Usiminas; luminárias: Philips; ar-condicionado: Carrier; automação: Honeywell; circuito fechado de TV e detecção de incêndio: Itautec; fios e cabos: Phelpes Dodge; geradores: Stemac.

Com a mudança no conceito de comercialização do empreendimento, passarelas perderam a função de integração, mas servem à arquitetura e também como rota de fuga no caso de incêndio

Council). Por isso, conta com alguns recursos para economia de recursos hídricos e energéticos. Um deles é o green roof, ou cobertura vegetal no telhado, que, além de aumentar a inércia térmica e diminuir o efeito de ilha de calor, retarda o escoamento da água da chuva.Em paralelo,a água é retida também nas piscininhas, obrigatórias pela Prefeitura, e em lagos artificiais que se formam com a chuva e levam até dois dias para esgotar. Nas áreas externas, sempre que possível, o piso drenante foi adotado com o mesmo intuito.

A água captada passa por uma estação de tratamento e será utilizada nas chamadas torneiras verdes, para lavagem de áreas comuns e rega de plantas, e no schiller do ar-condicionado. Há estudos, ainda, para aproveitar a água captada no lençol freático para a climatização dos ambientes. O ar-condicionado, por sua vez, é insuflado pelos pisos elevados dos andares. Depois, é retirado pelas luminárias e encaminhado novamente aos dois fan coils com 25 TR (toneladas de refrigeração) cada existentes por pavi-

Veja mais fotos em www.revistatechne.com.br

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CONSTRUÇÃO METÁLICA – PINI 60 ANOS

Desenvolvimento metálico
Construção em aço no Brasil foi impulsionada pela criação da Fábrica de Estruturas Metálicas da Companhia Siderúrgica Nacional na década de 1950
construção com estruturas metálicas é anterior ao advento do concreto armado. Considerada a primeira obra do mundo com a tecnologia, a ponte Ironbridge foi executada em ferro no final do século 18 em Coalbrookdale, na Inglaterra. No Brasil, as grandes obras em estruturas metálicas – como a cobertura da Estação da Luz, em São Paulo, e a ponte Hercílio Luz, em Florianópolis – eram produzidas com peças importadas da Europa. A situação só começou a mudar na década de 1950, quando a recém-criada Companhia Siderúrgica Nacional montou sua Fábrica de Estruturas Metálicas, apostando no potencial do produto no mercado de construção civil brasileiro. Somente em 1957 foi erguido o primeiro arranha-céu metálico com tecnologia (materiais e projetos) completamente nacional: o Edifício-Garagem América, no centro da cidade de São Paulo. Até a década de 1960, o aço mais utilizado nas construções do País era o ASTM-A-7, normalizado pela American Society for Testing Materials, dos Estados Unidos. Apesar de industrializada, a construção metálica na época ainda demandava um número grande de operários no canteiro. As estruturas eram executadas por processo de rebitagem, que demandava equipes numerosas – os trabalhos de cravação dos rebites exigiam de quatro a cinco turmas, cada uma composta por, no mínimo, quatro trabalhadores. A opção pela rebitagem baseava-se no conceito de que, diferentemente de uma solda malfeita,

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Sofia Mattos

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Rumos do aço
Em que nichos a construção metálica tem maior potencial de crescimento no Brasil? Em todos os nichos: comercial, industrial e habitacional, inclusive. Neste último, já tivemos experiências anteriores, na CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), por exemplo. A Usiminas (Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais) e a Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista) desenvolveram estruturas metálicas especiais para edifícios multipavimentos. A Gerdau também já havia desenvolvido seu sistema CasaFácil para casas térreas. Percebemos, também, um interesse crescente de construtoras e projetistas pelo Steel Frame. E não só para a estrutura das casas, mas também para o engradamento dos telhados. Há uma tendência de substituição da madeira pelo aço nessas estruturas. Por que as estruturas metálicas para habitação popular não tiveram sucesso comercial no passado? Para que uma solução do tipo tenha sucesso, deve permitir que a execução de toda a obra seja industrializada. Mas esses sistemas eram híbridos – trazem uma solução construtiva industrializada para a estrutura, mas o resto da construção acaba sendo convencional. É construção metálica com tijolinho, muito similar ao convencional. O modelo comum de execução de habitação popular é o de construtores executando a estrutura metálica e o resto sendo produzido em regime de mutirão, para reduzir custos. Mas não é possível confiar na mão-de-obra, ela não é capacitada para isso. A minha esperança é que a Norma de Desempenho (para Edificações Habitacionais de até cinco Pavimentos,
Marcelo Scandaroli

Catia Mac Cord gerente-executiva do Centro Brasileiro de Construção em Aço publicada em 2008) melhore a qualidade dessas construções. A alta do preço do aço nos últimos anos impactou a construção metálica no Brasil? Pelo contrário, de acordo com os últimos dados disponíveis, o segmento da Construção Metálica vem crescendo à taxa média de 9,3% ao ano desde 2000. É maior do que o crescimento do PIB (3,9%) e da Construção (1,7%). O crescimento foi impulsionado pelo lançamento de novos produtos pelas siderúrgicas.

Nova NBR 8800
Confira as principais mudanças da NBR 8800 – Projeto de Estrutura de Aço e de Estrutura Mista de Aço e Concreto de Edificações: Compatibilidade com outras normas brasileiras, como a NBR 6118: 03 (Projeto de Estruturas de Concreto) e a NBR 8681: 03 (Ações e Segurança nas Estruturas) Eliminação de prescrições de execução das estruturas, que serão contempladas em norma exclusiva Análise de segunda ordem com consideração de imperfeições iniciais Prescrições para assegurar a integridade estrutural Novos critérios para determinar esforços resistentes de estados-limites últimos Novos parâmetros para verificação dos estados-limites de serviço Regras completas para o projeto de componentes mistos (vigas, pilares, lajes e ligações) Diretrizes básicas para assegurar a durabilidade de elementos de aço frente à corrosão

rúrgicas iam sendo modernizadas, e os índices de produtividade e qualidade cresciam. Na década de 1980, o Brasil deixava de ser importador de aço e assumia a condição de exportador do produto. Hoje, a maior parte das estruturas metálicas do País utiliza aço-carbono de baixa-liga ASTM-A-36, a partir do qual são produzidos os aços ASTM-A-572, de alta resistência mecânica, e os aços patináveis ASTM-A-588.
Renato Faria

LEIA MAIS
Edificações de Aço no Brasil. Luis Andrade de Mattos Dias. Editora Zigurate. Edifícios de Múltiplos Andares em Aço. Ildony H. Bellei, Fernando O. Pinho e Mauro O. Pinho. Editora PINI. Abstrações Arquitetônicas em Aço. Tarcísio Bahia de Andrade. GSA Gráfica e Editora.

Fonte: Ricardo Hallal Fakury, secretário da Comissão de Estudos de Estruturas de Aço da ABNT

um rebite,mesmo malcravado,poderia suportar um esforço considerável. Com o tempo,entretanto,o processo de soldagem foi sendo dominado. Isso possibilitou a fabricação de estruturas mais simples, dispensando canto-

neiras e reduzindo peso e mão-deobra. O processo automático de soldagem por arco submerso tornava possível a composição de perfis soldados e a execução de juntas de grande extensão. Ao mesmo tempo, as usinas side-

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CONSTRUÇÃO

METÁLICA

PINI

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ANOS

Linha do tempo
1901 – É concluída a construção da Estação da Luz, em São Paulo. Estruturas metálicas da cobertura e das passarelas foram trazidas da Inglaterra. 1958 – O arquiteto norte-americano Eero Saarinen utilizou o aço Cor-Ten no edifício administrativo da Deere & Company, em Moline, Estados Unidos. O arquiteto considerou que a ferrugem que se formava sobre a estrutura de aço, deixada aparente, era um revestimento ao mesmo tempo aceitável e atraente. A partir de então, os aços patináveis foram utilizados com sucesso em inúmeras obras de arquitetura. 1960 – Edifícios da Esplanada dos Ministérios, projetados por Oscar Niemeyer, são construídos com estrutura metálica para atender à urgência do prazo de entrega. Peças foram importadas dos Estados Unidos.
Reprodução/Livro Edifícios de Múltiplos Andares em Aço

1963 – O edifício que abriga o Escritório Central da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, foi o primeiro de múltiplos pavimentos no Brasil a utilizar perfis "I" compostos de chapas de aço soldadas, em substituição às composições rebitadas de fábrica. A fabricação das estruturas começou em junho de 1962 e o término da montagem ocorreu em fevereiro de 1963, após cinco meses de trabalho.

Wanderlei Celestino/SPTuris

Acervo/SPTuris

José Cruz-ABr

1946 – Começam a funcionar os altofornos da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda. 1957 – O Edifício Garagem América, no Centro da cidade de São Paulo, é o primeiro construído no Brasil com materiais e projetos produzidos totalmente no País.
Reprodução/Livro Edifícios de Múltiplos Andares em Aço

1961 – O Edifício Avenida Central é concluído no Rio de Janeiro. As peças metálicas do arranha-céu de 35 pavimentos foram produzidas pela FEM (Fábrica de Estruturas Metálicas), subsidiária da CSN.

1970 – O Centro de Exposições do Anhembi, na cidade de São Paulo, construído no final da década de 60, foi o principal marco da construção em treliça metálica espacial no Brasil. A estrutura abrange uma área de mais de 60 mil m² e é composta por cerca de 60 mil barras tubulares circulares de alumínio, com peso total de cerca de 360 toneladas.

Reprodução/Livro Edifícios de Múltiplos Andares em Aço

Wanderley Celestino

1986 – Publicação da norma "NBR 8800 – Projeto e Execução de Estruturas de Aço de Edifícios".

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1987 – O Edifício Casa do Comércio, em Salvador, conta com 14 pavimentos e 58 m de altura. É composto por duas torres de concreto armado, unidas por treliças metálicas sobrepostas ortogonalmente, formando balanços e compondo a base em que se apóiam vigas e lajes de piso de nove pavimentos estruturados em aço. O edifício abriga a sede da Feceb (Federação do Comércio do Estado da Bahia), do Sesc (Serviço Social do Comércio) e do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).

1991 – Início do processo de privatização das siderúrgicas. Dois anos depois, oito empresas estatais, com capacidade para produzir 19,5 milhões de toneladas (70% da produção nacional), tinham sido privatizadas. 1992 – Inauguração da Estação Largo 13 de Maio, do Centro Empresarial do Aço e do Instituto Cultural Itaú, todas as obras em São Paulo. Em Curitiba, é entregue a Ópera de Arame.

libera gases que formarão uma espuma rígida em torno da estrutura, retardando o aumento da temperatura do metal. 1999 – Elaborada e discutida durante cinco anos, a norma "NBR 14.323 – Dimensionamento de Estruturas de Aço de Edifícios em Situação de Incêndio – Procedimentos" é publicada no mês de junho. 2004 – O Edifício Taipei 101, construído em estrutura metálica em Taiwan, é inaugurado com 101 pavimentos e 509 m de altura – um dos mais altos do mundo.

Reprodução/Livro Abstrações Arquitetônicas em Aço

Reprodução/Livro Abstrações Arquitetônicas em Aço

1990 – O Light Steel Framing chegou ao Brasil no início da década, aplicado na construção residencial. Dez anos depois, com a tecnologia já estabelecida no País, são publicadas as normas NBR 14762:01 – Dimensionamento de Estruturas de Aço Constituídas por Perfis Formados a Frio e NBR 6355:03 – Perfis Estruturais de Aço Formados a Frio.
Divulgação/Construtora Seqüência

Reprodução/Livro Abstrações Arquitetônicas em Aço

Christophe Namur

1995 – Foi introduzido, no Brasil, o uso de tintas intumescentes para proteção das estruturas metálicas contra a ação do fogo. A altas temperaturas, a tinta

2008 – Depois de 22 anos, a NBR 8800 é revisada. A mudança de seu nome para "Projeto de Estrutura de Aço e de Estrutura Mista de Aço e Concreto de Edificações" revela as principais mudanças no texto do documento. Primeiro, a norma passa a abordar, também, projetos de estruturas mistas. Segundo, deixa de contemplar a execução das estruturas, que deverá ser tema de uma norma específica.

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MADEIRA
Fotos: divulgação LMPD/IPT

Ligações de peças de madeira
Chapas denteadas não têm limitações de uso, mas devem ser dimensionadas de acordo com as variáveis de aplicação
lternativa rápida e versátil para ligações e emendas em peças de madeira, as chapas denteadas não apresentam limitações de uso. Podem ser empregadas em fôrmas para concreto, treliças e demais elementos estruturais. A aplicação mais comum, no entanto, concentra-se na montagem de tesouras das mais variadas geometrias e complexidades. Em todos os casos, a fixação é apenas a etapa derradeira de um processo que se inicia com o dimensionamento das peças segundo detalhes do projeto e preceitos da norma NBR 7190/97 – Projeto de Estrutura de Madeira. A demanda por cálculos é considerável. Cada ligação requer uma análise prévia que considere, sobretudo, a força que atua sobre a peça. De acordo

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com essa informação, determina-se a espessura do conector (que varia de 1,20 mm a 1,38 mm), sua abrangência e a direção em que será estampado (horizontal ou verticalmente). O tipo de madeira selecionada para a estrutura é outro item essencial na análise. "Qualquer calculista pode fazer o dimensionamento, desde que tenha dados laboratoriais com os parâmetros de resistência de cada madeira, seja pínus, eucalipto, peroba ou jatobá", explica Takashi Yojo, pesquisador do Laboratório de Madeiras e Produtos Derivados do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo). As especificidades de cálculos também apontam para as diferentes seções da tesoura, como conexão em

Tesouras são os elementos mais comuns de aplicação das chapas denteadas. O dimensionamento é determinado por medidas dos vãos de apoio da estrutura e das cargas atuantes

cumeeiras e uniões de banzo com uma ou mais barras internas, por exemplo. Nesse sentido, o ponto crítico se dá na ligação dos extremos da tesoura (principalmente no caso de tesouras com inclinações pequenas), em virtude da força axial exercida diretamente nos banzos. A boa notícia é que o fabricante das chapas denteadas costuma desenvolver o projeto completo de execução do telhado. O material contempla testes de resistência e esforços exercidos
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na estrutura, com as devidas especificações dos conectores a serem utilizados. Basta que o construtor forneça detalhes como as medidas completas dos vãos (inclusive com comprimento do beiral), apoios da estrutura (laje, biapoio sobre alvenaria, biapoio sobre treliça de madeira), madeira utilizada (qual espécie, e se serrada ou roliça), tipo de telha (fibrocimento, cerâmica, concreto) e modelo do telhado (duas ou quatro águas, por exemplo).
Aplicação
Divulgação: LMPD/IPT

De posse do projeto com os dimensionamentos, passa-se à etapa de execução das emendas. As placas devem ser introduzidas nas duas faces da peça, em posição idêntica. Recomenda-se o uso de uma prensa pneumática, de modo que a inserção ocorra uniformemente. "Na obra, é comum martelar ou marretar as peças, o que pode concentrar a força num só ponto e comprometer a resis-

A prensa pneumática é indicada para fixação uniforme das peças e preservação das resistências especificadas em projeto

tência desse material", alerta Yojo, do IPT. "Uma ligação que deveria suportar 1.000 kg vai agüentar 500 kg, ou até menos, dependendo de como é colocada", complementa, citando

ainda a possibilidade de desprendimento das placas como outro risco de patologia advindo da má aplicação dos conectores", finaliza.
Thiago Oliveira

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INSTALAÇÕES SANITÁRIAS

Vedação de vaso
Instalação de anel de vedação em vaso sanitário requer cuidado para evitar perda de aderência do material
anel de vedação em vaso sanitário tem como principal função vedar a saída da água da bacia e seu contato com a tubulação do esgoto, de modo a impedir a passagem do mau cheiro. O acessório possui um material flexível, normalmente anel de PVC ou cordão de massa flexível, que se encaixa entre a saída interna com a tubulação de esgoto. O produto substitui o uso do cimento no assentamento do vaso, prática comum,mas não-recomendável,já que a diferença térmica entre os dois materiais pode provocar trincas. O anel possui medida padrão de 110 mm de diâmetro e altura de 27 mm para se adequar à saída de esgoto, normalmente de quatro polegadas. Sua instalação é simples, já que não necessita de ferramentas para a aplicação, e a principal recomendação para o instalador é o cuidado para não manter contato direto com o anel. O material, de propriedade plástica para fixar-se à louça, não pode perder sua aderência.

O

Mantenha a área do vaso sanitário limpa e seca

Felipe Benevides

Deixe 1 cm de sobra ao redor da entrada do tubo de esgoto para auxiliar o assentamento e fixação do anel

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Fotos: Marcelo Scandaroli

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Limpe e seque a área de saída de água da louça

Retire todos os invólucros de proteção interna que envolvem o anel

Molde e pressione o anel na saída de água do vaso sanitário e depois retire os papéis de proteção externa

Certifique-se de que o anel esteja bem grudado no vaso. Em seguida, assente o vaso com sua saída centralizada no ponto de esgoto

Pressione o vaso contra o piso para acomodar o anel

Fixe o vaso com os parafusos

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ARTIGO

Envie artigo para: techne@pini.com.br. O texto não deve ultrapassar o limite de 15 mil caracteres (com espaço). Fotos devem ser encaminhadas separadamente em JPG.

As causas do acidente da Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô de São Paulo
Carlos Eduardo Moreira Maffei Professor, doutor, titular do Departamento de Estruturas e Geotecnia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, especialista em obras subterrâneas, consultor e diretor da Maffei Engenharia Luiz Guilherme de Mello Professor, MSc pelo Imperial College, consultor e diretor da Vecttor Projetos e professor-assistente do Departamento de Estruturas e Geotecnia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Carlos Manoel Nieble Consultor, MSc, engenheiro consultor em Mecânica das Rochas e de Desmontes de Rochas, da Matra Engenharia, atual professor convidado do curso Túneis da Pece-USP tendo sido professor na , Universidade de São Paulo e também chefe de Mecânica das Rochas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas Georg Robert Sadowski Professor, doutor, titular de Geologia Estrutural do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, consultor em Geologia de Engenharia e Geologia Estrutural Jorge Takahashi Engenheiro, especialista em cálculos estruturais aplicados a obras subterrâneas I – Introdução

Imediatamente após o acidente, ocorrido em 12/01/2007, na Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô de São Paulo, o CVA (Consórcio Via Amarela) concentrou seus esforços e recursos no restabelecimento da segurança da área escombrada, nas atividades conjuntas de busca das vítimas fatais, e no atendimento imediato às demais vítimas. Na seqüência entendeu como imperativo determinar causas do acidente. O presente corpo de consultores foi agregado ao grupo de trabalho interno do CVA dada a sua reconhecida experiência nos temas atinentes à obra.
II – Síntese do evento

Estação Faria Lima Túnel Leste

E=

142

800

7.1

N=

178

250

Poço Capri

E=

142

750

Túnel de interligação com a CPTM Avenida Nações Unidas (pista expressa) Estação Butantã Avenida Nações Unidas
7.0

Túnel de interligação com a CPTM
E= 142

Túnel Oeste

700

E= E= 142 600

142

650

200

150

178

A Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô de São Paulo era basicamente composta por dois túneis (figuras 1 e 2), túnel leste (Lado Faria Lima) e túnel oeste (Lado Butantã), separados pelo poço de acesso Capri. Nos primeiros dias de 2007 os trabalhos haviam transcorrido normalmente nas obras. Na sexta-feira 12/01 as equipes trabalhavam na implantação de tratamento adicional em chumbadores no rebaixo dos túneis, definidos no dia anterior (figura 3), atendendo rotineiramente às imposições implícitas às medidas de instrumentação até aquela data.

Figura 1 – Indicação da estação e do trecho afetado (interior do círculo)

Fotos: divulgação Consórcio Via Amarela

Figura 2 – Vista aérea antes do colapso

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Rio Pinheiros

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Furos para tirantes de resina com placas
VIA 1 VIA 2

Primeiro nível de trabalho

Segundo nível de trabalho
Figura 3 – Chumbadores nos rebaixos do túnel

No túnel do lado Butantã, as equipes estavam escavando o rebaixo, em avanços de aproximadamente 2,0 m, com detonações conforme prescrito nos planos de fogo, também em sua rotina. As perfurações foram concebidas para serem instaladas em três níveis (figura 3): a 1,0 m de altura do piso de trabalho, a 2,75 m e a 3,75 m. A primeira linha não necessitava de equipamento de elevação para atingir sua altura de instalação, tendo sido concluída durante a noite. Para a execução das linhas seguintes preparou-se uma detonação menor no centro do túnel, para execução de uma rampa de acesso para colocar o equipamento de elevação. Às 8h00 da manhã, no sentido Faria Lima, foi executado o fogo menor necessário para a execução da rampa de acesso ao equipamento de elevação, e às 8h22 foi detonado um fogo no rebaixo do túnel lado Butantã, ou seja, do outro lado do Poço, a mais de 50 m de distância, fora da região acidentada. Pelo fato do túnel estar completamente limpo (figura 5), sem disponibilidade de material resultante de desmontes anteriores, a formação da rampa de acesso permitira a obtenção do material para a transição em plano inclinado (figura 4a). Ainda no período da manhã foi feita uma leitura pelas equipes de instrumentação dos túneis. Esses dados, após processamento, não puderam ser interpretados e utilizados no processo decisório, na medida em que o túnel

Figura 4 – Local do fogo da rampa

Poço Capri

Detonação e aterro

Figura 4a Estação Pinheiros Corpo da estação sentido Faria Lima Rampa para descida de equipamento

Figura 5 – Imagem capturada do vídeo encaminhado pelo Metrô ao IPT. A filmagem foi feita pela equipe de fiscalização do Metrô no dia 11/01/2007, no túnel da Estação Pinheiros, portanto, na

véspera do acidente. A seta indica equipe realizando medidas de instrumentação interna no túnel (1túnel de via sentido Faria Lima; 2- calota com as marcas das cambotas, e 3parede do 1o rebaixo). Notar que estava praticamente finalizada a escavação do 1o rebaixo do corpo da estação. Notar que o túnel da estação estava praticamente "limpo", isto é, não havia máquinas ou outros equipamentos dispostos no interior da escavação, apenas a mangueira da bomba de água

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Às 14:53:59 – não há sinais de perigo eminente (câmera 1 do Passarelli) Às 14:54:00 – movimento brusco do transeunte mostra o momento da tragédia

Figura 6 – Registro das câmeras do Edifício Passarelli

colapsou antes de sua distribuição para os técnicos e engenheiros da obra.
Seqüência do colapso

Por volta das 14h05, a equipe de instrumentação volta ao túnel, para uma nova campanha de leituras e "lá permaneceu por cerca de 20 minutos, aguardando a liberação do local. Durante esse período nada de anormal notou ou visualizou", conforme declaração de um depoente. As 14h25, iniciou-se a leitura da primeira seção, levando cerca de 15 minutos para encerrá-la. Quando se preparava para iniciar a segunda seção de leitura, percebeu que no topo dianteiro do túnel haviam surgido trincas e fissuras e, em seguida, pediu que o seu operador de nível deixasse o local, pois estava perigoso. Deixou o local pela escada, subindo os 35 m em dois a três minutos. Já na superfície, ao nível da rua, ouviu o primeiro estalo e saiu em desabalada carreira pela lateral do canteiro, como informou o depoente, e em seguida viu tudo desmoronar. Afirma que do momento em que gritou para o colega e o desmoronamento deva ter transcorrido cerca de cinco minutos. Às 14h30, também esteve presente ao local do acidente a Fiscalização da CMSP, que "constatou que estavam sendo realizados os trabalhos de reforço das paredes do túnel, não anotando nenhum aspecto anormal, apesar da
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ausência de tirantes na obra para efetiva realização dessas intervenções". Interpreta-se que vários sinais apareceram no túnel, praticamente ao mesmo tempo, como citados pelos diversos depoentes, sem que houvesse ocorrido qualquer sinal prévio.A queda de pequenos pedaços de concreto de revestimento, seguidos de estalos e surgimento de trincas no teto do túnel no lado Abril, caracterizou o início da instabilidade do túnel, sem qualquer evidência de um colapso generalizado. Outra evidência importante é declarada por testemunhos presentes no interior do túnel, que relata que viu no meio do túnel, "um espaço de seis a oito cambotas caídas no chão e em seu lugar ficou na pedra", e segue em seu depoimento dizendo que "não era um espaço grande, era um espaço pequeno. Por isso eu achei que não ia nem cair o túnel". Essas declarações caracterizam um desplacamento seguido de caída de blocos localizado do revestimento na zona da parede e do teto junto à parede ao lado do Edifício Abril, denominado de "capela", no meio técnico para o caso de túneis em rocha, e sem reflexo na superfície. A permanência do encarregado na frente de serviço, juntamente com outros técnicos, dava aos mesmos a autoconfiança de que não estavam diante de um colapso generalizado e sim de uma instabilidade localizada, e na expectativa de que se tratava de um des-

placamento, permaneceram no local ainda por alguns minutos. Logo perceberam o surgimento de outras trincas também no revestimento do poço, e um minuto depois o túnel e o poço desmoronaram, dando tempo somente para os técnicos e o encarregado correrem pelo túnel para o lado Butantã. Simultaneamente várias trincas apareceram na superfície, sendo a rua Capri o epicentro do colapso, sem que houvesse tempo de seu fechamento. O pessoal que trabalhava na frente Ferreira de Araujo sentiu o impacto do sopro de ar (äir blast) provocado pelo desabamento, sintoma de um desmoronamento extremamente brusco. Interpreta-se, à luz dos dados compilados que, desde o primeiro sinal de instabilidade do desplacamento, passaram-se apenas cinco minutos até o colapso completo do túnel. Durante esse período, primeiro ocorreu o surgimento de trincas, dois a três minutos depois surgiu o desplacamento, e um a dois minutos depois o desmoronamento completo do túnel e do poço. Através das câmeras de segurança do Edifício Passarelli são observados movimentos antes, durante e depois do acidente (figura 6). O desmoronamento súbito atingiu o poço de acesso da Estação Pinheiros (com colapso parcial do mesmo), o alinhamento da Rua Capri, e a lateral oposta à Rua Capri, onde se localizava um estacionamenTÉCHNE 138 | SETEMBRO DE 2008

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Figura 7 – Cicatriz de ruptura do lado da rua Capri

Figura 9 – Presença da rocha metabásica e de bloco acima da abóbada do túnel

Figura 8 – Modelo geológico das fraturas e foliações identificado após as investigações

to. Durante o desmoronamento foi constatada uma tubulação rompida, com fluxo de água e esgoto, e com diâmetro estrangulado de 1 m para 70 cm, e que se localizava ao longo do eixo da Rua Capri, exatamente na região da ruptura (figura 7).
III – Causas do acidente Modelo geológico verificado após as investigações

A junta de consultores identificou os seguintes condicionantes geológicos,relacionados diretamente ao colapso, alguns somente observados durante e após a conclusão das investigações:

Mergulho oposto das foliações subverticais paralelas ao eixo do túnel, tendentes a isolar um bloco crítico de grandes dimensões (figura 8) diferentemente do projeto básico e do projeto executivo que previam mergulho da foliação condicionante sempre paralelo mergulhando somente para um lado. Corpo tabular mais rígido de pegmatito mergulhando por detrás da parede norte (figuras 8, 9 e 10), cujo contato com o maciço predominante é constituído de extensa camada friável de biotita de espessura decimétrica. Presença de alteração argilosa de rochas metabásicas com baixíssima

resistência residual e alta expansividade do lado Abril (Norte). Concentrações no maciço de juntas transversais ao eixo do túnel, já de conhecimento prévio. Bloco central de rocha mais resistente, menos alterada e, portanto, mais densa, já de conhecimento durante as escavações (figura 8). Embora o modelo geológico à época do projeto considerasse a existência de lentes menos resistentes, as mesmas eram descritas como localizadas e não contínuas e relativamente delgadas sendo de praticamente impossível localização espacial prévia por meio de sondagens. O corpo de pegmatito se encontrava ao lado do túnel, inclinado rumo ao Edifício Abril (Norte). Apareceu durante as escavações da perícia em cotas mais elevadas mergulhando por trás da parede conforme descia para cotas mais baixas, e, portanto, não pudera ser claramente visível durante o mapeamento de frente de escavação do túnel. Mostrou-se ainda esconso em relação ao eixo do túnel de tal sorte que se encontrava com afastamento variável em relação à lateral do túnel,
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T~0

T >>> 0

(a) – Sem necessidade de “T” para equilíbrio

(b) – Necessidade de “T” para equilíbrio

Figura 11 – Comparação entre cunhas de grandes dimensões convergentes e divergentes no teto do túnel

Carregamento potencial G

F1 Arqueamento

F1 F2 Pilar + paredes F2

Figura 10 – Geologia da estação Pinheiros

conforme se dirigia rumo ao Poço Central da Estação (figura 10).
Perda do arqueamento

As atitudes divergentes das foliações, em forma de cunha invertida, não favorecem o arqueamento do maciço (figura 11). No caso da cunha invertida, para permitir o arqueamento é necessário que a resistência ao cisalhamento das descontinuidades limitantes da cunha no maciço fosse muito elevada, o que se mostrou incompatível com os planos de fraqueza longitudinais representados pelas juntas e pelas extensas concentrações de biotita. Tal situação se agravou pela presença de uma superfície de fraqueza crítica fora da seção de escavação junto ao contato com o pegmatito duro, representada por uma camada decimétrica e praticamente contínua e frágil de biotita-xisto decomposto a argilas e siltes, com baixa resistência ao cisalhamento. O elevado contraste de rigidez entre o pegmatito e a camada rica em biotita e argilas permitiu que o limite de resistência ao cisalhamento fosse atingido para pequenos desloca66

mentos, tornando esse plano como preferencial de ruptura e restringindo a transmissão de tensões de cisalhamento para a lateral do maciço. Como conseqüência de todo o quadro geológico,o necessário arqueamento transversal sobre o túnel não ocorreu (figura 12).O equilíbrio do peso do maciço na direção vertical é garantido pelas forças F1 e F2.A força F1 é função da característica de resistência do maciço ao longo das descontinuidades verticais, do deslocamento,de Ko (confinamento inicial dos planos verticais) e da feição do bloco tipo "chapéu chinês" que ao se deslocar reduz a tensão normal na junta subvertical. Parte da força F2 é responsabilidade do "pilar" de rocha e parte é responsabilidade das paredes, ou seja, do revestimento. Portanto, à maior eficiência do arqueamento (maior F1) estará associado ao menor carregamento do revestimento e do "pilar" de rocha.
Comportamento da instrumentação

Onde: F1 = parcela resistida pelo arqueamento, função da resistência ao cisalhamento da junta vertical mobilizada pelo deslocamento "de bloco rígido", privilegiado pelos planos de fraqueza e comprovado pela instrumentação. F2 = soma da capacidade de carga da fundação da parede do rebaixo e do pilar de rocha de espessura "e" confinado pela parede com curvatura de projeto. Deverá ser superior à diferença entre a metade do peso G e a componente vertical de F1, para não haver colapso. Figura 12 – Mecanismo do colapso – esquema básico

O comportamento da instrumentação à luz do ocorrido indicava que ao ser concluída a escavação da calota, o revestimento do túnel apresentava deformações coerentes e compatíveis.

Iniciado o rebaixo, a comparação de recalques dos tassômetros com os dos pinos internos ainda indicava a existência de arqueamento. A escavação do rebaixo do túnel foi retomada no início de janeiro. Entre os dias 4 e 5/01 o rebaixo do túnel estava sendo executado entre as progressivas km 7,0+93 e km 7,0+88 (aproximadamente entre 15 m e 10 m de distância do Poço Central da Estação), região onde o dique de pegmatito começa a se
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Deslocamento vertical (mm)

Figura 13 – Ilustração das superfícies de deslocamentos da instrumentação dos pinos internos e dos tassômetros entre o Poço Central (seção SC01) e o túnel de via (seção SC04) em função do tempo

400 350 300 250 200 150 100 50 0 -2 -1 0 1 2

Tensão cisalhamento (kPa)

Amostra 5 – Anfibolito Cisalhamento – sig = 50 kPa Residual 10P Cisalhamento – sig = 200 kPa Residual 10P Cisalhamento – sig = 400 kPa Residual 10P – sig = 400 kPa

0

1

2

3

4

5

6

7

8

afastar do revestimento e onde existe maior concentração de alteração de rocha metabásica. Essa maior concentração de material alterado passou a recalcar sob o carregamento transmitido pelas paredes, transferindo tal carregamento para o "pilar" de rocha remanescente entre o pegmatito ladeado com bandas biotíticas e a escavação, de espessura "e" como apresentado na figura 12. Na impossibilidade de transferir o carregamento para as laterais, quando deixa de existir arqueamento (parcela F1 da figura 4 tendendo a zero), toda a reação (F2) passou a ser resistida por esse "pilar" de rocha, o qual exerce força lateral contra o revestimento apoiado sobre a rocha metabásica alterada, que se desloca para o interior da escavação, provocando as convergências observadas na instrumentação. O revestimento do túnel continua recalcando mesmo sem ser carregado, pois a fundação do "pilar" de rocha também recalca e se deforma para o túnel, por efeito da presença da metabásica decomposta. Nessa situação, os pinos de instrumentação das laterais do túnel, independentemente de sua altura, apresentam deslocamentos verticais equivalentes. Foi possível observar que acréscimo na velocidade dos deslocamentos verticais ocorre no dia 11/01,com exceção da convergência, cuja velocidade aumenta a partir do dia 9/01. Isso porque a casca de concreto projetado (revestimento

0

1

2

3 4 5 Deslocamento horizontal (mm)

6

7

8

Figura 14 – Ensaios de cisalhamento direto
500 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 0

Tensão cisalhante (kPa)

Amostra 5 – Anfibolito Pico Residual

100 200 300 400 500 Tensão normal (kPa)

Figura 15 – Tensões de pico

permanecia, não indicando situação de aceleração acentuada a ponto de sugerir uma movimentação de grandes proporções.A fatalidade somente se configurou minutos antes do colapso, quando a equipe de instrumentação realizava leituras e interrompeu seus serviços em função do início da ruptura franca. As leituras efetuadas com início na tarde do dia 12/01, que apresentam a mudança abrupta de comportamento da instrumentação, foram processadas e distribuídas apenas depois do acidente, não estando disponíveis para a tomada de decisões prévia à ruptura.
Mecanismo do colapso Propriedades geomecânicas dos materiais biotíticos e metabásicos

primário) é rígida no sentido longitudinal e busca apoio nas seções vizinhas, sentido Faria Lima e sentido Poço Central, o que sobrecarrega principalmente as seções mais próximas desse. Enquanto as leituras dos tassômetros indicavam comportamento de bloco, ou de uma grande viga, como indica a figura 13, o maciço colaborava com o revestimento na redistribuição longitudinal, mas nas proximidades do km 7,0+90 existem concentrações de juntas que isolam o maciço, prejudicando essa sua contribuição. Até a última leitura disponível antes do acidente, aquela mencionada do dia 11/01, a tendência de deslocamentos

Foram realizados ensaios nas litologias biotíticas e metabásicas na condição de rocha alterada e solo das escavações, nos Laboratórios da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), e posteriormente na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, que mostram o seguinte: a) os materiais ensaiados exibem comportamento típico de "strainsoftening": perdem muita resistência com o deslocamento ao se ultrapassar as tensões de pico (figuras 14 e 15);
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b) a resistência ao cisalhamento do maciço esverdeado (anfibolito) sem inundação, exibe coesão de 0,05 MPa e ângulo de atrito de 33º, para os ensaios "in natura". Para o material biotítico as resistências residuais atingem valores de ângulo de atrito de 20º e coesão zero; já para o solo esverdeado (anfibolito), esses valores são da ordem de 18º, para coesão zero; c) as metabásicas apresentaram características expansivas. As amostras, na condição de rocha alterada, se desintegram quando imersas em água, e podem desenvolver grandes pressões de expansão. A influência das características de expansibilidade da metabásica sobre a ruptura está sendo analisada. Em resumo, o comportamento geomecânico do maciço na região da Estação Pinheiros é heterogêneo, anisotrópico, descontínuo e com características de ¨strain softening", com resistência residual muito baixa, além das características expansivas da metabásica (anfibolito).
Seqüências cinemáticas do colapso
200 tf/m²

Figura 16 – Empuxo na parede do rebaixo

Com a perda de arqueamento, considerando o recalque do revestimento e uma espessura "e" do pilar de rocha entre 1 m e 2 m, o carregamento total devido ao bloco crítico de grandes dimensões equivale a tensões nesse pilar de rocha de 200 a 400 tf/m2, o que corresponde a um empuxo de cerca de 250 tf, como mostrado na figura 16. Observe-se que existe um valor de espessura de pilar de rocha "e" que é crítico, em função das características geométricas e geológicas próprias do maciço e do revestimento. O pilar de rocha, laminada, sob tensão de 20 kgf/cm2, ainda poderia suportar, com recalques, caso o confinamento oferecido pela parede do revestimento fosse suficiente. Tal confinamento fica impossibilitado em vista dos recalques de sua fundação no lado Abril, de modo que o equilíbrio local não conta com força normal para equilíbrio. Desse modo, a parede deveria resistir por flexão, o que é incompatível com sua concepção. Ocorre, ainda,
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Figura 17 – Aspecto da superfície serrilhada de ruptura Vista do sentido do poço à direita, parede ao lado da Abril

Fita

biotí ti

ca

Pegmati to

Fita biotí tica Pegma tito

Rocha metabásica

Rocha metabásica

Superfície de ruptura

Figura 18 – Mecanismo esquemático da ruptura em rocha "laminada"

que na região encontra-se alteração de rocha metabásica, prejudicando o equilíbrio das forças horizontais, fazendo com que o pé-direito deslize na sua fundação. A superfície de ruptura do pilar de rocha verificada em campo é "serri-

lhada", como se observa nas figuras 17 e 18, razão pela qual o primeiro movimento observado do revestimento durante a investigação é de translação e rotação em torno do pé da cambota, porque a seção mais crítica, em função da presença da metabásica no piso da escavação, é a seção inferior. A partir desse momento não existe mais apoio para a calota, que ocupa o espaço entre a parede e a rocha, de modo que aparecem momentos fletores no revestimento, que irá romper na seção mais crítica em termos de solicitação e resistência. Interpreta-se, portanto, que a ruptura teve início num desplacamento de parte do revestimento descrito nos depoimentos de testemunhas, entre as progressivas 7,0+90 e 7,1+01, como uma instabilidade local, seguida da generalização global e repentina em todo o túnel, desde a parede remanescente até o Poço Capri. Tal movimento, na seção que iniciou a ruptura do túnel, é apresentado esquematicamente nas figuras 18 e 19, que pode ser descrito da seguinte maneira: 1 – parede translada e gira em função da falta de resistência do contato parede-rocha; 2 – contato parede-calota do revestimento rompe por flexão; 3 – parte da calota ocupa o espaço deixado pela parede deslocada, rompendo por flexão. Esse é o instantâneo do desplacamento observado que foi interpretado como "capela", ou seja, instabilidade local em uma extensão da ordem de oito cambotas, de acordo com depoimentos. As regiões de concentração de juntas transversais em toda a extensão do maciço dificultaram a redistribuição longitudinal do maciço, de modo que apenas o revestimento ficou encarregado dessa redistribuição e a estrutura, não projetada para essa função, foi sobrecarregada e rompeu como um todo. Deu-se, então, em curtíssimo espaço de tempo a ruptura brusca do maciço como um todo, gerando um deslocamento de ar tamanho que chegou a derrubar trabalhadores no túnel de via sentido Faria Lima.
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IV – Aspectos relacionados ao projeto executivo Projeto original

O projeto utilizou o conceito do método NATM, universalmente utilizado para a execução de túneis. Nesse método, está implícito o princípio de que o confinamento oferecido pelo concreto projetado deve permitir que o maciço trabalhe como parte da estrutura (arqueamento), redistribuindo as tensões verticais decorrentes do peso do maciço sobre o túnel para as laterais da escavação. Assim, o estado da prática do cálculo de túneis admite que o suporte ou revestimento primário seja calculado para as tensões resultantes considerando a contribuição do arqueamento transversal, sem a necessidade de equilibrar o carregamento potencial, o qual, no caso, corresponderia a todo o peso do maciço de cobertura e às sobrecargas à superfície. Para comprovação do projeto executivo elaborado para a Estação Pinheiros antes do acidente, foram realizadas novas simulações numéricas, mantendo-se as hipóteses de cálculo e parâmetros adotadas à época, que reafirmaram a validade dos cálculos prévios do projeto executivo elaborado e eliminaram as questões sobre a adequação dos modelos e métodos de cálculo empregados. Foram ainda realizados cálculos com modelos em meio descontínuo, que concluíram que a escavação da calota e bancada da Estação Pinheiros, caso o modelo geológico anterior ao colapso mantivesse as hipóteses originais válidas, seria estável.
Verificação de cálculo das condições reais de campo (posicionamento da grua e geometria do rebaixo)

(0) Lado Abril

Lado Passarelli

(1)

(2)

(3)

(4)

(5)

(6)

(7)

Figura 19 – Cinemática de ruptura esquemática da seção 5 (~ km 7,0+90 a ~ km 7,1+01)

los geológicos existentes (tanto anterior quanto posterior ao colapso), a estabilidade depende, basicamente, do equilíbrio transversal da seção de escavação, o que reduz sobremaneira a validade de modelos tridimensionais, o sentido de avanço não sendo considerado significativo.
Verificação de cálculo considerando o novo modelo geológico

V – Aspectos relacionados à execução Escavação do rebaixo

Cálculos que consideraram o efeito do posicionamento da grua e da sobreescavação do piso do rebaixo concluíram que tais condições são pouco significativas para o equilíbrio do túnel. A verificação da variação da estabilidade da escavação em função do sentido de avanço do primeiro rebaixo não foi realizada, pois, pelos mode-

Simulações com base no modelo geológico elaborado após o mapeamento pericial após o colapso, considerando blocos críticos isolados pelo mergulho oposto das foliações subverticais paralelas ao eixo do túnel limitado transversalmente pelas juntas contínuas transversais, e em presença de alteração argilosa de rochas metabásicas mais as bandas biotíticas nos contatos indicaram que o revestimento não é estável para sistemas de suporte convencionalmente dimensionados de acordo com as hipóteses comuns ao NATM.

Com a conclusão da retirada do material escombrado, verificou-se pelo mapeamento do fundo da escavação que a cota média de piso era da ordem de 1,20 m abaixo da cota de escavação de projeto. Para o caso particular em questão pode-se cogitar sobre a influência do maciço alterado de metabásica e biotita no fundo do rebaixo em que a ruptura, violenta, teria removido e relaxado significativamente grande parte do maciço, atingindo cotas abaixo do piso e que a utilização de equipamento para remoção do material pode ter removido boa parte do maciço entulhado e relaxado no piso da escavação. Embora a escavação tenha atingido cotas inferiores, o concreto projetado executado nas paredes escavadas do rebaixo acompanhava sua superfície até ao piso escavado, conferindo confinamento à face rochosa exposta sendo in69

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Figura 20 – Algumas imagens da seção 5 (~ km 7,0+90 a ~ km 7,1+01)

significantes as diferenças de solicitações com 4 m ou 5,2 m de altura de primeiro rebaixo, conforme constatado em simulações numéricas elaboradas. A seqüência de avanço adotada pela obra foi proporcionada pelo plano de fogo, recomendada por consultores especialistas à época, e manteve a detonação do rebaixo em três etapas, flexibili70

zando a seqüência de execução das detonações, mantendo sempre duas ou três frentes livres, usando furos de menor diâmetro e fogo cuidadoso no contorno. Assim, foi possível garantir as cargas por espera a no máximo 2,2 kg e que as velocidades de vibração fossem as mínimas possíveis, inclusive com frentes livres para escape dos gases da detonação.

Detonações do dia do acidente e última detonação

As detonações da Estação Pinheiros foram balizadas de acordo com a normatização técnica vigente da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e aquelas das especificações técnicas do projeto do Metrô e com efeitos registrados nos boletins de
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sismografia. Fatores como vibração produzida pela detonação ou penetração de gases sob pressão gerados nas detonações dos explosivos jamais poderiam ser apontados como fatores da causa do acidente. A tênue detonação do segmento necessário para a rampa de acesso no dia do acidente não só suavizou a geometria da bancada central como produziu o material necessário para configuração adequada da rampa de descida do equipamento. A segunda detonação da Estação Pinheiros ocorrida no dia do acidente foi executada no rebaixo do lado do túnel Butantã, a mais de 50 m de distância do emboque do túnel sentido Faria lima, onde os trabalhos transcorriam normalmente e fora da zona colapsada. Os registros de detonação comprovam sua localização e intensidades, ratificadas também pelas testemunhas presentes no local. Portanto, somente uma detonação foi dada no Túnel do lado Faria Lima, e não correspondia à detonação de avanço do rebaixo, mas sim para conformação da rampa de entrada do equipamento de elevação para execução dos reforços em curso recomendados. Essas detonações foram monitoradas pela sismografia e mostram valores de velocidades de vibração muito inferiores aos limites estabelecidos. A aludida terceira detonação que teria ocorrido na Estação Pinheiros no dia 12 de janeiro nunca ocorreu. Todo o procedimento adotado para as detonações requer envolvimento de entidades públicas, o que não se poderia fazer à revelia e sem qualquer registro.
Perfuração dos tirantes

sobre a perfuração vizinha, que estava muito distante da ordem de metros.
Velocidade de escavação entre dezembro de 2006 e janeiro de 2007

No início de dezembro de 2006 foi iniciado o primeiro rebaixo do túnel da Estação Pinheiros sentido Faria Lima e até o recesso de final de ano, durante 21 dias corridos, foram escavados 13 rebaixos na lateral Passarelli e 12 rebaixos na lateral Abril, cada um com extensão aproximada de 2 m. Durante o mês de janeiro de 2007 foram escavados oito rebaixos na lateral Passarelli e nove rebaixos na lateral Abril, durante nove dias corridos. Avaliadas as datas das escavações dos rebaixos, verifica-se que a velocidade de escavação do primeiro rebaixo junto às laterais no Túnel Leste é rigorosamente igual em dezembro de 2006 e janeiro de 2007, nunca mais de um rebaixo em cada lateral por dia, isso porque a escavação de rebaixo no mês de dezembro não foi realizada em todos os dias do mês.
VI – Conclusão

A proporção da área das perfurações realizadas até o acidente em relação à área total da parede do rebaixo remete a 0,030% na lateral Passarelli e 0,020% na lateral Abril. Se todas as perfurações definidas tivessem sido executadas, ainda assim a proporção seria de 0,12%, relação insignificante para o equilíbrio global do túnel.Além disso, devido ao diâmetro de cada perfuração, a influência de cada uma delas é muito restrita e não teria efeito

Foram analisados aspectos de Projeto e de Execução da obra com a finalidade de verificar em que medida poderiam estar relacionados com o acidente ou ter contribuído para sua ocorrência. Do ponto de vista do projeto foi possível verificar que as hipóteses simplificadoras usualmente adotadas no projeto fazem parte do estado da prática do projeto de túneis. A adoção de estado plano de deformação utilizado é rotineira em túneis, já que o equilíbrio na seção transversal é suficiente para garantir o equilíbrio do carregamento. A condição de maciço drenado,em geral,é satisfeita na fase provisória de túneis em rocha, pelo fato do piso ficar exposto e ligado às juntas transversais, mais permeáveis. Do ponto de vista da obra,foram verificadas todas as adaptações executivas implantadas, listadas a seguir, concluindo-se que nenhuma delas pode ter contribuído para a ocorrência do acidente: Distribuição das enfilagens. Posicionamento da grua. Inversão no sentido da escavação do primeiro rebaixo.

Cota de escavação do primeiro rebaixo. Seqüência de avanço nas etapas de escavação do primeiro rebaixo. Velocidades de escavação em dezembro/06 e janeiro/07. Detonações dos dias 11 de janeiro e 12 de janeiro. Execução das perfurações para implantação dos tirantes. À luz do ocorrido e da análise dos condicionantes geológico-geotécnicos e geomecânicos que se fizeram notar após a remoção dos escombros, foi possível reanalisar a instrumentação e identificar o mecanismo do colapso. Identificadas as seguintes características do colapso: ruptura brusca da superfície; comportamento do maciço como um "bloco" e a magnitude dos deslocamentos, concluiu-se pela impossibilidade de se antever a ruptura brusca pela análise das leituras de instrumentação. O colapso se verificou pela conjugação de fatores que conferiram ao maciço um comportamento geomecânico localmente singular. Os mencionados condicionantes podem ser assim resumidos: Mergulho oposto das foliações empinadas e paralelas ao eixo do túnel, tendentes a isolar um bloco crítico de grandes dimensões, limitados pelas juntas transversais ao túnel. Corpo mais rígido de pegmatito,cujo contato com o maciço predominante é constituído de extensa camada friável de biotita de espessura decimétrica. Presença de alteração argilosa de rochas metabásicas, com comportamento muito expansivo e com evidências de grande queda de resistência após ultrapassar a resistência de pico. Concentrações no maciço de juntas transversais ao eixo do túnel. Bloco central de rocha mais resistente, menos alterada, e, portanto, mais densa. Em conseqüência houve falta de arqueamento e recalque assimétrico das fundações do revestimento,formandose então o mecanismo descrito anteriormente, circunstâncias essas que, reunidas, caracterizam a total imprevisibilidade do acidente.
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PRODUTOS & TÉCNICAS
CONCRETO E COMPONENTES PARA ESTRUTURA

FÔRMAS METÁLICAS
O sistema Rohr HF de fôrmas metálicas para concreto apresenta montagem simples, com poucas peças. Segundo a fabricante, o produto garante melhor nivelamento e alinhamento nas juntas e emendas, implicando um melhor acabamento. Rohr (11) 2185-1333 www.rohr.com.br

FÔRMAS PLÁSTICAS
Desenvolvido para a construção de pilares, vigas e lajes de quaisquer dimensões, o sistema de fôrmas plásticas recicláveis para concreto da Metro Form System é a solução ideal, segundo o fabricante, para a construção em larga escala no segmento de habitação popular. Metro Form System (11) 6432-3110 www.metroform.com.br

CONCRETO E COMPONENTES PARA A ESTRUTURA

SÍLICA ATIVA
A Tecnosil contabiliza a aplicação de mais de sete milhões de metros cúbicos de concreto de alto desempenho enriquecidos com sua sílica ativa nos últimos 15 anos. O produto melhora significativamente, segundo a empresa, a resistência de concretos e argamassas a agressões químicas, penetração de íons cloreto, reação álcaliagregado e resistência mecânica. Tecnosil (11) 4447-4030 www.tecnosilbr.com.br

PAINÉIS ARQUITETÔNICOS
Com ampla diversidade de opções arquitetônicas, o concreto dos painéis Stamp oferece uma plasticidade que se adapta à execução de projetos com os mais variados graus de complexidade. Stamp (11) 4195-6202 www.stamppfa.com.br

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CONCRETO E COMPONENTES PARA A ESTRUTURA

DISTANCIADOR
Ideal para utilização em sistemas construtivos de paredes de concreto moldadas in loco, o GTDuplo, da Coplas, é um distanciador plástico que se encaixa com precisão no cruzamento da tela soldada. O GTDuplo assegura, segundo o fabricante, o posicionamento bem centralizado da armadura na fôrma e o cobrimento projetado para o concreto, garantindo o desempenho do produto final. Coplas (11) 4543-6126

CIMENTO
O cimento CP-V-ARI RS, da Cimpor, é indicado para obras correntes de engenharia civil, obras marítimas, subterrâneas, em indústrias químicas e tratamentos de água. É especialmente indicado para elementos pré-moldados e artefatos de cimento em que se requer o desenvolvimento rápido de resistência mecânica à compressão. Cimpor 0800-703-3010 (Sul, Sudeste e Centro-Oeste)/0800-7011071 (Norte e Nordeste) www.cimpor.com.br

FÔRMAS
A Peri desenvolve sistemas de fôrmas e escoramentos para todas as áreas da construção em concreto, tanto em grandes empreendimentos quanto em pequenas obras. A empresa fornece fôrmas para paredes, fôrmas e escoramentos para lajes e vigas, escoras, torres de carga e plataformas de trabalho. Peri (110 4158-8188 www.peribrasil.com.br

ADITIVO
O Sika ViscoCrete é um aditivo desenvolvido para produção de concreto auto-adensável fluido e coesivo. Com os produtos da linha ViscoCrete é possível produzir, segundo a fabricante, um concreto de lançamento fácil e rápido, sem necessidade de vibração. O concreto passa, sem segregação, através de fôrmas complexas e densa ferragem. Sika (11) 3687-4600 www.sika.com.br

CONCRETO E COMPONENTES PARA A ESTRUTURA

ESTRUTURAS E PEÇAS METÁLICAS

ELEMENTOS METÁLICOS PRÉ-FABRICADOS DE CONCRETO
A Munte conta com duas fábricas para produzir soluções em pré-fabricados de concreto para obras industriais, comerciais, de todos os portes e aplicações, desde a fundação à cobertura. Munte (11) 3043-7730 www.munte.com.br A ArcellorMittal Distribuição conta com 70 unidades próprias e credenciadas nos principais mercados do País. Por meio de seu sistema de logística, a empresa presta serviços diferenciados e comercializa os perfis, chapas, tubos e outros produtos da ArcelorMittal. ArcelorMittal 0800-0151221 www.arcelormittal.com/br

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PRODUTOS & TÉCNICAS
ESTRUTURAS E PEÇAS METÁLICAS MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS

PRÉ-MOLDADOS
Criada em 1972 como empresa especializada em engenharia de fundações, a Sotef passou a fabricar produtos pré-moldados de concreto para edificações industriais e rurais, pontes, galerias e postes para linhas de distribuição de energia. Sotef (67) 3398-2222 www.sotef.com.br

CONCRETO COLORIDO
A linha de concretos especiais Artevia, da Lafarge, foi desenvolvida para ser usada como a própria laje de piso e pode ser aplicada com mais de 30 tipos diferentes de agregados, possibilitando uma variedade enorme de cores, padronagens e texturas. Lafarge Concreto 0800-7046555 www.lafarge.com.br

CORTADORA
A cortadora elétrica de concreto com disco diamantado Wall Saw DS-TS5-E, da Hilti, é adequada para corte de alvenaria, rocha e concreto com média taxa de armação. Segundo a fabricante, o produto é fácil de transportar e ideal para áreas de difícil acesso. Possui comando à distância com controle remoto. Hilti 0800-144448 www.hilti.com.br

COMPACTAÇÃO
O rolo compactador vibratório monocilíndrico LS08, da Weber MT, possui 9 hp de potência e é capaz de compactar uma área de até 1.350 m² por hora. Pode ser equipado com motor a gasolina ou a diesel. Weber Maschinetechnik do Brasil (51) 3587-3044 www.webermt.com.br

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MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS

ANTIPICHAÇÃO
O Sistema Antipichação Denver Impermeabilizantes é composto por dois produtos – Denverniz Acqua, uma resina com propriedades seladoras, e o Denverniz Antipichação. Podem ser aplicados em concreto, blocos, tijolos aparentes, pedras naturais, alvenaria pintada, entre outros. Denver Impermeabilizantes (11) 4741-6000 (São Paulo)/ 0800-7701604 (demais regiões) www.denverimper.com.br

PERFURATRIZ
Fabricante de perfuratrizes para fundações, a CZM oferece ao mercado de construção civil as tecnologias mais avançadas para satisfazer às necessidades da engenharia de fundações e geotecnia. CZM www.czm.com.br (31) 2111-6200

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OBRA ABERTA
Livros

Perícias de Engenharia * 168 páginas Editora PINI Vendas pelo portal www.lojapini.com.br De autoria coletiva, essa obra procura trazer à tona a compreensão da prova pericial, seu uso como instrumento de gestão, de conhecimento das fases da perícia, do entendimento dos laudos e da interface dos peritos com advogados, promotores e magistrados. Em suma, todo o funcionamento dos processos que envolvem o trabalho pericial. O objetivo do organizador, Flávio Fernando de Figueiredo, é preencher a enorme lacuna existente nesse campo do conhecimento que envolve a engenharia e o direito. Problema sentido por ele, na prática, ao buscar fontes de informação sobre perícias e avaliações. Por se destinar também a profissionais de engenharia e arquitetura não especializados em direito, traz capítulos introdutórios e linguagem acessível aos leigos.

Projeto e Execução de Revestimento Cerâmico* Edmilson Freitas Campante e Luciana Leone Maciel Baía 104 páginas Nome da Rosa Editora Vendas pelo portal www.lojapini.com.br Da coleção Primeiros Passos da Qualidade no Canteiro de Obras, a publicação é fruto da parceria entre a Caixa Econômica Federal, o CTE (Centro de Tecnologia de Edificações) e a editora. Os autores são engenheiros civis com experiência em tecnologia de argamassas e abordam os aspectos relacionados a projeto e execução dos revestimentos cerâmicos de paredes internas e externas. O intuito é guarnecer o leitor de fundamentos para a obtenção de revestimentos com desempenhos satisfatórios. Para tanto, traz logo no primeiro capítulo os conceitos e a caracterização do revestimento cerâmico. Em seguida, aborda parâmetros e o desenvolvimento do projeto de revestimento. A execução é tema da terceira parte, seguida de um capítulo dedicado às patologias.

Manual de Tubulações de Polietileno e Polipropileno – Características, Dimensionamento e Instalação * José Roberto B. Danieletto 526 páginas Editora Linha Aberta Vendas pelo portal www.lojapini.com.br Essa publicação traz elementos necessários para especificações e controle da qualidade dos projetos, materiais e instalações. O objetivo do autor é, de maneira prática e objetiva, transpor seus 20 anos de experiência para esclarecer e ajudar técnicos e usuários na aplicação dos tubos compostos desses materiais. Ele aborda o plástico como um todo, o polietileno e o polipropileno, suas propriedades e características. Concluída a abordagem do material, parte para dimensionamentos, conexões soldáveis, manuseio e estocagem, instalação e reparo. Na última parte, fala sobre fabricação e controle da qualidade e outros materiais, como polietileno reticulado, polibuteno, PVC-U e CPVC, além de trazer um resumo comparativo entre materiais.

Infra-estrutura da Paisagem * Juan Luis Mascaró, Lucia Mascaró e Ruskin Freitas 196 páginas Masquatro Editora Vendas pelo portal www.lojapini.com.br Ao propor uma nova abordagem para a infraestrutura dos espaços urbanos abertos, o livro salienta a importância das alternativas ao tratamento adicional da paisagem urbana, reforçando a busca por uma sintonia ambiental das cidades. Para tanto, afirma que os conceitos de cunho ambiental são o ponto de partida para o trabalho paisagístico em contrapartida ao desenho meramente estético. Trata dos diferentes aparelhos e equipamentos urbanos, como escadas, pavimentos, sistema viário e estacionamentos, trazendo exemplos de soluções adotadas em locais públicos de todo o mundo.

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Sites

Tecnologia de Fachadas Pré-fabricadas Fernando Barth e Luiz Maccarini Vefago 264 páginas Editora Letras Contemporâneas Fone: (48) 3028-6244 www.letrascontemporaneas.c om.br São sete capítulos que trazem, inicialmente, um breve histórico dessas vedações em painéis de concreto. Em seguida, aspectos relativos aos painéis em si, com estudos de caso de cada sistema construtivo. Aspectos de projeto e de desempenho térmico, acústico e de resistência ao fogo das fachadas são tema para os capítulos quarto e quinto. Um capítulo dedica-se aos detalhes de fixações dos painéis e de selantes utilizados. Na última parte é abordada a durabilidade e a manutenção dos painéis pré-fabricados quando expostos aos principais fatores ambientais. O livro é assinado por um engenheiro, Fernando Barth, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e por um arquiteto, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Análise Estrutural para Engenharia Civil e Arquitetura – Estruturas Isostáticas * Moacir Kripka 184 páginas UPF Editora Vendas pelo portal www.piniweb.com.br A obra traz os conceitos fundamentais da engenharia estrutural para guarnecer o leitor – especialmente estudantes de cursos de graduação de engenharia civil e arquitetura – de condições para entender como se dá e do que depende o equilíbrio dos corpos rígidos. Também aborda as solicitações a que estão sujeitas e as tipologias das estruturas. O autor restringiu os exemplos e ilustrações às obras civis e buscou a elaboração de um material didático que correlacionasse teoria à realidade. O leitor pode optar por uma leitura superficial ou pode querer aprofundar-se na técnica. Para tanto, estão indicados com asteriscos os itens considerados não essenciais para a compreensão global dos temas.

Resistência dos Materiais – Para Entender e Gostar Manoel Henrique Campos Botelho 248 páginas Editora Edgard Blücher Fone: (11) 3078-5366 www.blucher.com.br O livro aborda a resistência dos materiais enquanto disciplina fundamental ao ensino da engenharia e da arquitetura. Do mesmo autor de publicações como "Concreto armado – Eu te amo" e "Instalações Hidráulicas Prediais", a publicação traz exemplos de resistência de elementos, como o comportamento de pilares e colunas de edificações frente a tensões de compressão. Ou, ainda, como cabos de sustentação resistem a esforços de estiramento. Também aborda a ocorrência de cortes (cisalhamento) e a resultante de flexões, dentre outros esforços estruturais. O autor, como ocorre em outros de seus livros, procura apresentar o conteúdo de forma simples e prática, sem prejuízo do rigor conceitual.

Nema Brasil Fone: (11) 3817-5941 www.nemabrasil.org.br A estrutura e o conteúdo do novo site da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Elétricos foram desenvolvidos para que o portal seja, de fato, uma fonte de consulta profissional, e não apenas uma mera apresentação da entidade e dos serviços oferecidos aos associados e à comunidade em geral. O link para a "Sala de imprensa" traz notícias atuais dos associados e da própria associação. Na coluna à esquerda, o link "Eventos" dá acesso à agenda dos acontecimentos mais importantes do setor até o final do ano. O campo "Normas técnicas" leva à ferramenta de buscas de normas técnicas internacionais.

* Vendas PINI Fone: 4001-6400 (nas principais cidades) ou 0800-5966400 (nas demais cidades) www.lojapini.com.br

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AGENDA
Seminários e conferências
21/10/2008 Tecnologia de Edificações para Obras Rentáveis São Paulo Discutir e auxiliar os profissionais de engenharia civil, construção e arquitetura a desenvolver soluções técnicas inovadoras de projeto e execução para agilizar e rentabilizar empreendimentos. Esse é objetivo do seminário, promovido pela PINI, que será realizado no âmbito do Construtech 2008. Cases de projetistas, construtoras e incorporadoras e soluções industrializadas para eliminação de gargalos de materiais e mão-de-obra constam entre os principais temas a serem abordados pelos palestrantes. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-5966400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ 22/10/2008 Engenharia de Custos no Boom Imobiliário São Paulo Como desenvolver diferenciais competitivos para construtoras e incorporadoras em um momento de crescimento do setor. Esse é o objetivo principal do seminário, promovido pela PINI, que será realizado no âmbito do Construtech 2008. Análise da qualidade do investimento em empreendimentos imobiliários, perspectivas de evolução dos custos de materiais e mão-de-obra, metodologias e técnicas para estimativas orçamentárias, orçamentos de obras e estudos de casos constam entre os principais temas a serem abordados pelos palestrantes. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-5966400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ 23/10/2008 Arquitetura e Soluções Estruturais – Desafios de Forma e Técnica para Arquitetos e Engenheiros de Estruturas São Paulo O objetivo do evento, promovido pela PINI no âmbito do Construtech 2008, é discutir a relação indissociável entre arquitetura e estrutura, forma e material, arte e ciência. Pretende desmistificar o aparente desinteresse de alguns arquitetos pela engenharia e a questionável descrença dos arquitetos na engenharia. Vai apresentar projetos e obras nos quais o bem-sucedido encontro foi capaz de tornar imperceptíveis as barreiras que costumam separar tais campos do conhecimento. Abordará temas como a nova plataforma BIM (Building Information Modeling) e a relação da arquitetura e da engenharia estrutural na obra de Oscar Niemeyer. O fórum contará com a presença do arquiteto chileno Sebastian Irarrazaval. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-5966400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ 23/10/2008 Fórum Nacional de Compras e Suprimentos na Construção Civil São Paulo Em tempos de altas de preços e eventual desabastecimento de alguns insumos e equipamentos, o desafio de comprar e contratar, equilibrando custo, prazo e qualidade, torna-se ainda maior. Ferramentas eletrônicas para especificação e compras na construção civil, qualificação e relacionamento com fornecedores de materiais e serviços e cases de grandes empresas, como Cyrela e Método, farão parte do evento promovido pela PINI durante o Construtech 2008. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-596 6400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ 22 a 24/10/2008 80o Enic São Luís O Enic (Encontro Nacional da Indústria da Construção) debaterá as perspectivas e os desafios do crescimento do setor nos próximos anos. O evento atrairá diversos profissionais da construção e as inscrições já podem ser realizadas no site do evento. Fone: (62) 3214-1005 www.qeeventos.com.br 29/10/08 a 1o/11/08 14o Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis Blumenau (SC) O evento tem por objetivo reunir, prover fóruns de debates e a interação entre professores, pesquisadores, alunos, empresários e profissionais da área de Engenharia Civil. O encontro tem como tema "As Inovações Tecnológicas e o Desenvolvimento Sustentável". Fone: (047) 3221-6011 cordero@furb.br www.furb.br/cbenc 2 a 6/12/2008 WEC 2008 – World Engineers' Convention Brasília A terceira edição do Congresso Mundial de Engenheiros será realizada pela primeira vez no continente americano, com o objetivo de reunir engenheiros e estudantes do mundo todo para debates, fóruns, palestras, visitas técnicas e atividades culturais. www.wec2008.org.br

Feiras e Exposições
1o a 3/10/2008 Metalcon 2008 Baltimore, EUA A feira apresenta as novidades dos equipamentos e produtos fabricados em

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metal para a construção civil, como telhas, paredes, assoalhos e aplicações arquitetônicas. Além disso, serão apresentadas soluções e treinamentos para aplicação de metais em projetos de construção. www.metalcon.com metalcon@psmj.com 15 a 18/10/2008 Expocon 2008 Curitiba A exposição reunirá fornecedores da Construção Civil dos Estados do Paraná e Santa Catarina para apresentar as últimas novidades de produtos e de tecnologias para o setor. Fone: (41) 3075-1100 www.diretriz.com.br 15 a 18/10/2008 Saie 2008 – Salão Internacional da Indústria da Construção Bologna, Itália Há mais de 40 anos a feira reúne profissionais da construção para discutir projetos, materiais, tecnologias e sistemas para o setor. Neste ano, a Saie terá espaços dedicados exclusivamente para os fabricantes de argila, para a tecnologia pré-fabricada, sistemas da tecnologia da informação, energia, estruturas e para os componentes de madeira. saie@bolognafiere.it www.sistemasaie.bolognafiere.it 21 a 23/10/2008 Construtech 2008 – Fórum PINI de Tecnologias & Negócios da Construção São Paulo O encontro internacional dos profissionais da indústria da construção alia um ciclo de palestras e uma área de exposição com os mais avançados sistemas e tecnologias desenvolvidos para o setor. Nesse momento de crescimento, as empresas e profissionais devem buscar cada vez mais produtividade e expertise para se diferenciarem em um mercado de grande competitividade. Tudo isso levando em conta novas e importantes preocupações, tais como a sustentabilidade, o respeito ao meio ambiente e a responsabilidade social. Os temas escolhidos para as palestras e as empresas expositoras do Construtech

2008 refletem tal realidade e os desafios atuais do construbusiness. Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas) ou 0800-5966400 (demais regiões) www.piniweb.com/Construtech/ 25 a 28/11/2008 Bauma China 2008 Shangai Uma das maiores plataformas da indústria do mundo vai ser aberta pela quarta vez para a visitação de especialistas em materiais, equipamentos, veículos e máquinas de construção. www.bauma-china.com

Cursos e treinamentos
12 e 13/9/2008 Projeto Estrutural de Edifícios de Alvenaria São Paulo O curso tem como objetivo mostrar os fundamentos do projeto estrutural de obras verticais e horizontais em alvenaria. É dividido em três partes. Na primeira, conceitos básicos, visão geral do sistema construtivo, modulação e concepção estrutural; na segunda, temas como carregamentos verticais e ações horizontais, análise estrutural de edifícios de alvenaria estrutural e parâmetros de dimensionamento; por fim, o dimensionamento de elementos de alvenaria estrutural e exemplos de aplicação em um edifício. Fone: (11) 3816-0441 cursos@ycon.com.br www.ycon.com.br 10 e 11/11/2008 Alvenaria Estrutural com Blocos de Concreto Porto Alegre Dividido em dois módulos, o curso vai explicar como criar um projeto para uma obra de alvenaria, levando em consideração itens como materiais necessários, tecnologias empregadas e formação da equipe ideal. Também vai discutir temas relacionados à execução da alvenaria estrutural com blocos de concreto, como marcação e elevação da alvenaria, entre outros Fone: (51) 3021-3440 www.sinduscon-rs.com.br

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COMO CONSTRUIR

Augusto Freire, engenheiro civil, diretor técnico da BubbleDeck Brasil info@bubbledeckbrasil.com

Laje de concreto com esferas plásticas
ubbleDeck é um sistema construtivo formado por esferas plásticas contidas entre uma pré-laje de concreto e uma tela soldada armada superior. As esferas (bubles) introduzidas na intersecção das armaduras "ocupam" o lugar do concreto que não desempenharia função estrutural. Assim, pode-se reduzir em até 35% o peso próprio da laje, vindo a proporcionar economia no dimensionamento estrutural em função das cargas menores sobre as fundações. O sistema permite ao engenheiro projetar vãos maiores com menor consumo de materiais (concreto e fôrmas) sem grandes impedimentos técnicos (foto 1). O sistema BubbleDeck é composto basicamente por: malha de aço superior; esfera de plástico reciclado; malha de aço inferior incorporada (eventualmente numa pré-laje com 6 cm de espessura). A combinação das esferas plásticas nas lajes tipo cogumelo permite o aumento dos vãos nas duas direções – a laje é conectada diretamente às coluFotos: divulgação BubbleDeck

B

nas através de concreto "in situ" sem nenhuma viga, acarretando em: liberdade nos projetos: layouts flexíveis que facilmente se adaptam a desenhos curvos e detalhes irregulares; redução do peso próprio:35% menor, permitindo redução nas fundações; aumento dos intereixos das colu-

nas: até 50% a mais do que as estruturas tradicionais; eliminação de vigas: execução mais barata e rápida de alvenarias e instalações; redução do volume de concreto: 1 kg do plástico reciclável das esferas substitui 100 kg de concreto.

Foto 1 – Subsolo com lajes executadas com BubbleDeck

Tabela 1 – SISTEMA BUBBLEDECK Tipo Espessura Diâmetro da laje das esferas Vão (mm) (mm) (m) BD230 230 180 7 a 10 BD280 280 225 8 a 12 BD340 340 270 9 a 14 BD390 390 315 10 a 16 BD450 450 360 11 a 18

Carga Concreto (kgf/m²) (m³/m²) 370 0,15 460 0,19 550 0,23 640 0,25 730 0,31

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sicionamento. O painel pronto é aplicável para apoios em uma só direção e necessita da inclusão de vigas suporte ou paredes (foto 3).
Projeto Diretrizes básicas para o projeto de lajes BubbleDeck Foto 2 – Módulo BubbleDeck Foto 3 – Painéis acabados

Na Dinamarca e Holanda, nos últimos sete anos, mais de um milhão de metros quadrados de lajes BubbleDeck já foram construídos em diferentes tipos de construções com múltiplos pavimentos. Os diferentes tipos de esferas são especificados de acordo com os requisitos dos projetos, tais como os carregamentos e vãos entre colunas. A tabela 1 define características gerais, quantitativos básicos e tamanhos de vão que podem ser alcançados com o emprego do sistema BubbleDeck.
Tipos de lajes Pré-lajes

é executada. É o tipo mais comum de laje BubleDeck e necessita de um guindaste móvel para o posicionamento dos elementos pré-moldados devido ao seu peso.
Módulos BubbleDeck

As esferas são posicionadas em gaiolas metálicas formando módulos que são posicionados sobre fôrmas convencionais de madeira, armaduras adicionais são inseridas e a concretagem é executada em dois estágios. Esse tipo de laje é ideal para pisos térreos, obras de reforma ou em casos de acesso complicado, pois os módulos BubbleDeck podem ser transportados e posicionados manualmente.
Painéis acabados

Uma camada de 6 cm de espessura é concretada fixando o módulo BubbleDeck composto pelas armaduras superior e inferior e as esferas plásticas. Os elementos são posicionados sobre escoramentos provisórios, as armaduras adicionais são posicionadas e a segunda etapa de concretagem

As lajes prontas concretadas são entregues no local da construção restando fazer apenas o içamento e o po-

As lajes do tipo BubbleDeck biaxiais são dimensionadas utilizandose os métodos convencionais para lajes maciças, de acordo com a norma NBR 6118:03 – Projeto de Estruturas de Concreto Armado. A redução da carga intrínseca é levada em conta, resultando em vantagens nas verificações estáticas. As partes maciças da laje são definidas a partir da capacidade de suporte de carga cortante sem a utilização de armadura para resistir aos esforços cisalhantes. As esferas ocas são primeiro combinadas com malhas superiores e inferiores de armadura nas fábricas para formar as pré-lajes BubbleDecks. As dimensões das esferas e o espaçamento entre elas são variáveis. A flexibilidade resultante desse método garante aos módulos uma adaptação fácil para qualquer tipo de piso, e a laje pode acomodar tubos e partes de instalações. Além disso, podem ser incluídas aberturas, mesmo que após a conclusão da laje.

Foto 4 – Escoramento de vigas

Foto 5 – Colocação de painéis

Foto 6 – Reforço nas juntas

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COMO
Fotos: divulgação BubbleDeck

CONSTRUIR
Redução substancial de materiais e transportes Para um milhão de metros quadrados fabricados com a laje maciça há uma economia de 24,4 mil m3 de concreto com a tecnologia BubbleDeck.
Projetos realizados

Foto 7 – Armadura adicional Execução

Foto 8 – Concretagem

Etapas construtivas para o emprego do painel BubbleDeck Escoramento provisório – vigas paralelas espaçadas de 1,8 m a 2,5 m são posicionadas (foto 4) Colocação dos painéis BubbleDeck – elementos pré-moldados posicionados com o emprego de equipamentos mecânicos (foto 5) Reforços nas juntas – armadura de ligação entre as peças pré-moldadas e armadura de ligação entre as malhas superiores (foto 6) Capitéis – armadura adicional superior na região dos pilares e eventual armadura de reforço (foto 7) Reforço periférico – colocação de armadura no perímetro da laje, caso necessário Preparação – selagem de juntas, limpeza e saturação com água do módulo pré-moldado Concretagem – lançamento, adensamento do concreto de segundo estágio (foto 8)

Remoção do escoramento conforme especificação técnica Acabamentos – nenhum trabalho adicional é necessário a menos que se deseje outro tipo de acabamento diferente do concreto aparente O sistema BubbleDeck possui selo verde devido a uma série de características como: as esferas são produzidas com material reciclável; redução do volume de concreto e uso reduzido de fôrmas de madeira. A cada metro quadrado construído de laje BubbleDeck (para uma laje de 23 cm) são retirados 1 kg de plástico do meio ambiente. Os vazios obtidos com as esferas usadas no interior da laje também contribuem para um melhor desempenho acústico. Em caso de incêndio as esferas carbonizam sem emitir gases tóxicos. Dependendo da cobertura a resistência ao fogo pode variar de 60 a 180 minutos (verificações realizadas de acordo com a ISO 834).

City Hall and Offices, Glostrup, Denmark: lajes BD280 (280 mm de espessura). Arquitetura: Dissing & Weitling A/S. Engenheiro: Leif Hansenc Primeira construção da Dinamarca com a tecnologia BubbleDeck, estrutura desenhada pela empresa Dissing & Weitling. Moradia Le Coie, Jersey (GRB) (foto 9) A maior estrutura BubbleDeck já construída na Grã-Bretanha foi executada em seis semanas. A estrutura contém 7.800 m² de lajes BubbleDeck com colunas de concreto com altura entre três e seis andares. Mais de 400 mil libras esterlinas foram economizadas, resultando numa redução de 3% do custo total do projeto. A contratada também verificou benefícios durante a fase de construção, como maior rapidez em erguer paredes internas e externas, além de uma instalação mais fácil. Millennium Tower, Rotterdam, Netherlands (foto 10) Originalmente projetada com lajes tubadas, percebeu-se uma economia de tempo e dinheiro consideráveis na utilização das lajes BubbleDeck. Adotar BubbleDeck significou também uma redução no pé-direito devido à não utilização de vigas, diminuindo a altura geral da construção. Outra consideração foi a falta de espaço de armazenamento no local da obra, pois se situava em vias arteriais e rodovias. Os pisos foram erguidos, em média, na metade do tempo – quatro dias em vez de oito dias – que levaria se fosse construída com as lajes originais. Na metade da construção, foi decidida a adição de dois andares em relação ao projeto inicial, o que só foi possível pela redução de altura da construção dada pelo uso das lajes BubbleDeck.
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Foto 9 – Moradia Le Coie

Foto 10 – Millennium Tower

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