Cena Lusófona

n.º 5 Dezembro 2005
ISSN 1645-9873

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distribuição gratuita

Angola

entrevista com Ana Clara Guerra Marques

A dança contemporânea Festivais em alta
teatro no mundo lusófono

À conversa com Naum

a propósito da edição da dramaturgia completa de Naum Alves de Souza

Editorial

A política cultural para o período 2005/2009 orientar-se-á por três finalidades essenciais. A primeira é retirar o sector da cultura da asfixia financeira em que três anos de governação à direita o colocaram. A segunda é retomar o impulso político para o desenvolvimento do tecido cultural português. A terceira é conseguir um equilíbrio dinâmico entre a defesa e valorização do património cultural, o apoio à criação artística, a estruturação do território com equipamentos e redes culturais, a aposta na educação artística e na formação dos públicos e a promoção internacional da cultura portuguesa. (…) O compromisso do Governo, em matéria de financiamento público da cultura, é claro: reafirmar o sector como prioridade na afectação dos recursos disponíveis. Neste sentido, a meta de 1% do Orçamento de Estado dedicado à despesa cultural continua a servir-nos de referência de médio prazo, importando retomar a trajectória de aproximação interrompida no passado recente. (…) A Cultura constitui um dos vectores principais, senão o principal, para afirmação de Portugal no Mundo. Em vários círculos, de várias formas: no espaço europeu, no espaço lusófono, na comunidade de todos os povos e nações. A presença regular de criadores e obras nos circuitos internacionais (feiras do livro, mostras de arquitectura e artes plásticas, festivais de cinema e de artes performativas…), a edição de autores portugueses nos países lusófonos e em línguas estrangeiras, a promoção de co-produções, designadamente no âmbito da CPLP, de obras cinematográficas e audio-visuais, todas constituem esferas de actuação dos respectivos institutos do Ministério da Cultura. Mas devemos ir mais longe e propomos, por isso, uma articulação mais efectiva entre estes institutos e o Instituto Camões, assim como parcerias regulares entre os organismos de promoção externa da cultura e da economia portuguesas. Parcerias entre os institutos e organismos referidos e os seus congéneres de outros Países são igualmente desejáveis, visando de modo prioritário uma integração mais efectiva do espaço cultural lusófono. Os três parágrafos anteriores foram retirados do Programa para a Cultura do actual Governo. No final de 2005, com um primeiro Orçamento autónomo aprovado e no conhecimento das perspectivas para o mandato, será subversivo nomeá-lo? Ou a insistência do Primeiro-Ministro na tónica do cumprimento das promessas programáticas abrange também a Cultura?

lo o pre n

setepalcos
número especial sobre a obra de Ruy Duarte de Carvalho

ficha técnica
Director António Augusto Redacção Augusto

Barros Baptista (coordenação e fotografia), António José Silva, Cátia Faísco e Tiago Boavida Concepção gráfica Ana Rosa Assunção Fotografia na capa Rui Tavares: Companhia de Dança Contemporânea de Angola
ISSN 1645-9873 N.º 5 distribuição gratuita | Tiragem 1500 exemplares | Impressão Tipografia FIG
Propriedade

Talvez fosse útil, para todos, nesta fase, clarificar/actualizar as intenções programáticas estabelecidas, as suas prioridades e as suas correspondências orçamentais. É que o sector veio, como diz o programa, de uma asfixia económica de três anos (pelo menos!) e é frágil demais para aguentar outro tanto. E, já agora, parece ser tempo de todos percebermos melhor de que forma, com que projectos e parcerias, se vão concretizar as boas mas necessariamente vagas intenções programáticas quanto à afirmação da cultura portuguesa no mundo e, no que nos diz respeito, no espaço lusófono.

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António Augusto Barros

cenaberta 2

Angola Dança Contemporânea

Angola

A dança contemporânea
entrevista com Ana Clara Guerra Marques
Augusto Baptista

Ana Clara Guerra Marques

Muito jovem, nos anos em brasa da revolução, recebeu de António Jacinto, poeta-ministro, a missão de criar em Angola um corpo de dança clássica. Não desiludiu. Aprendeu, ensinou, fez escola. Elaborou coreografias enraizadas na riquíssima tradição popular da dança angolana, trouxe-as para palcos alternativos, cruzou-as com muitas artes. Engajou o gesto, deu-lhe cunho interventivo, interrogante, transformador. Politizou o corpo. Contemporanizou a dança. Compreendida na terra por uns, por outros nem tanto, neste limbo Ana Clara Guerra Marques, coreógrafa e bailarina-fundadora da Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC) passou por Coimbra. Cenaberta foi ouvi-la no Café Santa Cruz, aquando da apresentação de “Outras frases”, dvd sobre o seu percurso, do realizador Jorge António.
cenaberta (ca) - O que é a dança contemporânea angolana? Ana Clara Guerra Marques (ACGM)Costumo fugir às definições, mas reconheço que muitas vezes são inevitáveis. A dança contemporânea é o resultado de um trabalho de autor, formulado, no meu caso, através de elementos das danças tradicionais angolanas e de outras motivações. A partir deste sedimento, tentamos criar o nosso trabalho em dança, dentro de uma nova estética, novos padrões. ca - Qual é a grande diferença entre a CDC e as outras companhias de dança contemporânea? ACGM - Essa diferença é marcada pelo material com que trabalhamos, pela minha opção como coreógrafa. Trabalho sobre a realidade de Angola, quer a nível da realidade económica, quer a nível da dança (a partir das danças tradicionais) e tento reinventar outras formas. ca - Acha que os materiais que insere nos seus espectáculos dão para perceber um pouco da realidade de Angola? ACGM - Normalmente uso os meus espectáculos para conversar com o público. Acredito que há alguns aspectos que tocam as pessoas porque podem interpretar e dar um sentido diferente do que eu pensei. Nos espectáculos gosto de mostrar alguma irreverência para me dar a conhecer e também a vontade de criticar que é uma marca do meu trabalho. Se com isto tudo houve algumas conquistas, foram muito sofridas. ca - O que conquistou então com todos estes espectáculos? ACGM - Por um lado, é muito importante termos conseguido mostrar que a dança pode existir noutra vertente que não apenas na sua forma tradicional. Por outro, acredito que preparámos um público. Já nos anos 80, com a Escola de Dança, iniciámos o público angolano à dança teatral que era uma coisa que não existia. É interessante ver que hoje as pessoas falam de dança contemporânea e associam logo ao nosso trabalho… ca - Que tipo de público é que assiste aos seus espectáculos? Existe uma diversidade de estratos sociais? ACGM - Todas as pessoas vão aos nossos espectáculos. Normalmente o poder não assiste muito. Há muitos estudantes, camadas jovens que aderem muito. Os ingressos não são caros e isso permite que um maior número de pessoas de estratos sociais mais baixos vá. Antigamente estávamos a trabalhar um ano para apresentar os espectáculos só uma ou duas vezes. Agora podemos fazer oito espectáculos e temos sempre pessoas. Normalmente quando o espectáculo é transmitido pela televisão chega ao resto do país. ca - Houve uma conquista de público ao longo dos anos? ACGM - Houve uma conquista e uma formação. No princípio as pessoas eram verdadeiramente vândalas dentro da sala de espectáculo. Não percebiam e, portanto, gritavam, tentavam subir para cima do palco, chamavam, insultavam. Mas vias crianças com seis, sete anos em cima do palco que não reagiam ao que se passava cá fora. Essa indiferença de todo o elenco aquietou-os porque viram que não havia um diálogo naquele nível e começaram a respeitar. ca - O que é que se perdeu com o fim da Escola de Dança? A Companhia veio colmatar essa falha ou continua
cenaberta 3

Angola Dança Contemporânea

a faltar uma escola de dança? ACGM - Uma escola de dança falta sempre. Quando se esgotar o elenco da Companhia, quem vai substituir, não é? Portanto, a formação é sempre importante. Nós assumimos o encerramento da escola porque estávamos numa situação completamente insustentável. Decidimos juntar os alunos da escola para formar a CDC. Em Angola há aquela ideia (que é errada!) que o africano nasce com a dança no sangue. Podemos nascer com esse dom, mas se não o trabalharmos, não nos serve. A dança e a música, sobretudo, são duas formas culturais muito vivenciadas em Angola. Mas dançar como forma de diversão não é igual a dançar profissionalmente. ca - Onde é que encontra os seus b a i l a ri n o s? F az a u d i ç õ e s ou continuam a ser os mesmos bailarinos do início da Companhia? ACGM - São da Escola de Dança. Fui eu que formei todos os meus bailarinos. Os primeiros vieram da escola comigo desde criança e mais tarde integraram a companhia. Depois da guerra e das eleições de 1992 houve um grande desequilíbrio e a companhia ficou com muito menos gente. Nessa altura eu abri audições. Tivemos ali um período em que trabalhávamos com poucas pessoas, até que os novos bailarinos pudessem entrar nos espectáculos. Tínhamos alguns que eram militares. Eles saíam do quartel e iam a correr para os ensaios, mesmo com turnos. E era essa força que fazia com que as pessoas fizessem coisas inacreditáveis. ca - Como é que cria os esquemas para os seus espectáculos? ACGM - Tenho sempre motivações diferentes. O sítio onde trabalho é ao pé da marginal e, da minha varanda, vejo passar todos os meus personagens: na rua, no passeio, de um lado para o outro. Depois é só transportá-los para o palco: com os sacos, sem os sacos, o andar, a expressão, e a partir daí construo. Não tenho nenhuma coreografia que conte uma história

do princípio até ao fim. Isso é perfeitamente detestável. Sou muito tentada pelas coisas que não gosto… ca - E aí reside a parte da crítica no seu trabalho? ACGM - Sou muito obcecada por isso. É também a minha forma de mostrar que não estou a dormir. Normalmente discuto sempre os trabalhos com os bailarinos. Poderia ser chocante estar a fazer uma coisa com a qual eles não concordavam. Mas são jovens muito lúcidos e têm uma postura muito consciente. ca - A parte da investigação das danças tradicionais também entra no seu trabalho? ACGM - É uma parte muito importante. Às vezes é preciso para revitalizar certos aspectos da tradição que podem estar a morrer. Fazê-los renascer. Por um lado, estudo-os e fica o saber. Por outro lado, faço-os reviver e renascer numa outra linguagem. Sobretudo tenho sempre a preocupação para que não se perca a essência. ca - Não tem medo que o público não compreenda essa mudança? ACGM - Não sei se é egoísmo da minha parte, mas não tenho medo nenhum. Eu faço as coisas, ponho-as à disposição do público e depois as pessoas pensem o que quiserem. De qualquer maneira, Angola é um país muito particular. Tenho sempre a preocupação de fazer um texto mais ou menos literário em que tento integrar as pessoas naquilo que vão ver. Acredito que uma ajuda é precisa. ca - Hoje em dia é possível fazer um espectáculo com um maior nível de codificação? ACGM - Sim. ca - A CDC contribuiu para isso? ACGM - A CDC teve um papel muito importante. No entanto, foi a Escola de Dança que preparou quase tudo. A dança contemporânea nem sempre é assim tão acessível, mas agora o público consegue

integrar-se naquilo que está a ver. ca - É a sua “teimosia” que mantém a companhia viva? A continuar a fazer espectáculos? ACGM - Acho que sim. Às vezes sou uma pessoa um bocado obstinada. Se não fosse assim, as coisas não avançavam. É preciso ter noção, alguma coragem e muita força para desenvolver este tipo de trabalho em Angola. Mas também é verdade que se não contasse com a solidariedade, com a força e a vontade que os bailarinos têm de trabalhar, o suporte de uma camada de intelectuais que acompanharam e respeitam o meu trabalho, de amigos que temos nos média, nas empresas… se não contasse com essas pessoas todas, o nosso trabalho também não seria possível. Digamos que sou um motor que não funciona sem as peças todas. ca - A dança pode e deve incorporar outras vertentes artísticas como o teatro, a fotog rafia, as artes plásticas? ACGM - No fundo, a dança tem esse lado eclético. Recorro frequentemente à palavra. Muitas vezes não temos os meios técnicos em Angola para podermos assumir ou fazer um outro tipo de espectáculo em que existe este tipo de convivência entre as diversas formas artísticas. Mas em relação à fotografia, fizemos um trabalho com o Rui Tavares (que é o fotógrafo da Companhia), em que esta era parte integrante do espectáculo. ca - Foi o trabalho com esses artistas que a levou a procurar espaços não convencionais ou uma maior proximidade com o público ou simplesmente vontade de mudar? ACGM - Sim. Mudança. Penso que estas novas correntes de dança se aproximam fisicamente mais do público. E isto aconteceu em simultâneo, ou seja, nós fomos convidados para fazer um primeiro trabalho para um artista plástico e tínhamos uma parte em que o público era obrigado a participar na

coreografia. Foi aí que descobri que o público ficava incomodado. Agora fazemos sempre algo para os envolver. E o interessante é que ganhamos público com isso. ca - Há algum artista com quem gostaria de trabalhar que ainda não tenha colaborado com a CDC? ACGM - Acho que já trabalhei com aqueles que mais ambicionava. E não é bem ambicionar, é identificar-me com o trabalho de pessoas como o Manuel Rui e o Frederico Ningi, um artista que quase ninguém conhece. ca - Nunca pensou na internacionalização a nível pessoal? ACGM - Não. Habituei-me a gostar do difícil, aos desafios e a que esses fossem um impulso para o meu trabalho. Não gostava de ir para um sítio onde tudo fosse perfeito. Seria mais uma. É bom estarmos a conseguir superar os obstáculos. Em nenhum outro sítio era capaz de encontrar o material que encontro ali e de me sentir tão à-vontade. Aquela coisa dos artistas não pertencerem ao mundo não é verdade. Eu pertenço a um sítio e estaria sempre a sangrar dos pés se estivesse noutro qualquer. ca - Qual é o coreógrafo/a que mais admira? Alguém que a tenha inspirado… ACGM - É, sem dúvida, a Pina Bausch. Ela é genial e tenho que reconhecer que os trabalhos dela me inspiraram. Penso que depois dela se tem tentado fazer várias réplicas, muitas delas sem sucesso. Acho que já era altura das pessoas serem mais autónomas. ca - O que é que a motiva a continuar, a ter essa vontade enorme? ACGM - Acho que o meu trabalho em Angola ainda não se esgotou. Faltam mais pessoas que percebam que a nossa cultura não é só o tradicional. Já que comecei, tenho essa obrigação de continuar.

Rui Tavares

Uma Frase Qualquer… e Outras (Frases)

cenaberta 4

Rui Tavares

Colecção Cena Lusófona
As Virgens Loucas
de António Aurélio Gonçalves, Cabo Verde,

Teatro do Imaginário Angolar
de Fernando de Macedo, São Tomé e Príncipe

Supernova
de Abel Neves, Portugal

As Mortes de Lucas Mateus
de Leite de Vasconcelos, Moçambique

Teatro I e II
obra dramatúrgica de José Mena Abrantes, em dois volumes, Angola

Mar me quer
de Mia Couto e Natália Luiza, Portugal / Moçambique

Teatro
obra completa do dramaturgo brasileiro Naum Alves de Souza (novidade)

Revista Setepalcos

(esgotados números 0, 1 e 2) N.º 3 – Setepalcos especial sobre Teatro Brasileiro 10,50 euros N.º 4 – Setepalcos especial sobre Teatro Galego 15,75 euros N.º 5 – Setepalcos especial sobre Ruy Duarte de Carvalho (no prelo)

Floripes Negra
Cena Lusófona Rua António José de Almeida, nº 2 3000-040 COIMBRA, Portugal Tel.: (+351) 239 836 679 Fax: (+351) 239 836 476

naum alves de souZa

Floripes na Ilha do Príncipe, em Portugal e no mundo de Augusto Baptista, Álbum Fotográfico/Reportagem/Ensaio

naumalves desouza teatrobr a silcena lusófona

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À venda na sede da Cena Lusófona, em Coimbra, ou nas seguintes livrarias:
PORTUGAL AVEIRO Livraria da Universidade de Aveiro Campus de Santiago 3810 193 Aveiro Tel.: 234 370 200 Fax: 234 381 693 Livraria O Navio de Espelhos Rua 31 de Janeiro, 10 3810 192 Aveiro Tel.: 234 420 197 Fax: 234 384 741 BRAGA Companhia de Teatro de Braga Teatro Circo Avenida da Liberdade, 697 4710 251 Braga Tel.: 253 217 167 Fax: 253 612 174 Livraria Almedina Campus de Gualtar Universidade do Minho 4700 320 Braga Tel.: 253 678 822 Livraria Minho Largo da Senhora-a-Branca, 66 4710 443 Braga Tel.: 253 271 152 Fax: 253 267 001 COIMBRA Livraria Almedina Rua Ferreira Borges, 121 - 127 3004 Coimbra Tel.: 239 851 900 Fax: 239 851 901 Livraria Finisterra Rua Alexandre Herculano, 3 3000 019 Coimbra Tel.: 239 827 176 Livraria Quarteto Centro Comercial Primavera, Loja 15 Alameda Calouste Gulbenkian, Lote 5 3004 503 Coimbra Tel.: 239 483 783 Fax: 239 797 596 Teatro Académico de Gil Vicente Praça da República 3000 343 Coimbra Tel.: 239 855 630 Fax: 239 855 637 ÉVORA Centro Dramático de Évora Teatro Garcia de Resende Praça Joaquim António de Aguiar 7000 510 Évora Tel.: 266 703 112 Fax: 266 741 181 Livraria Nazareth & Filho Praça do Giraldo, 64 7001 901 Évora Tel.: 266 702 221 Fax: 266 705 022 FARO Papelaria Livraria Sagres Rua D. João de Castro, 10 8000 309 Faro Tel.: 289 897 630 Fax: 289 897 639 GAIA Livraria Almedina Arrábida shopping, Loja 158 Praceta Henrique Moreira Afurada 4000 475 Gaia Tel.: 222 046 070 LISBOA Livraria Almedina Centro Comercial Atrium Saldanha Praça Duque de Saldanha, 1 1050 094 Lisboa Tel.: 213 570 428 Livraria Barata Av. de Roma, 11 A 1000 047 Lisboa Tel.: 218 428 350 Fax: 218 428 366 Livraria Buchholz Rua Duque de Palmela, 4 1250 098 Lisboa Tel.: 213 170 580 Fax: 213 522 634 Livraria Bulhosa Campo Grande, 10 B 1700 092 Lisboa Tel.: 217 994 194 Fax: 217 994 192 Livraria Portugal Rua do Carmo, 70 - 74 1200 094 Lisboa Tel.: 213 474 982 PORTALEGRE Livraria Tavares Rua do Comércio, 90-92 7300 160 Portalegre Tel.: 245 331 534 Fax: 245 204 371 PORTO Livraria Leitura Rua de Ceuta, 88 4050 189 Porto Tel.: 222 076 200 Fax: 222 076 201 Livraria Poetria Rua das Oliveiras, 70 – r/c, lojas 5-13 4050 448 Porto Tel.: 222 000 436 Fax: 222 010 395 VISEU Livraria Pretexto Avenida Alberto Sampaio, 152 A 3510 028 Viseu Tel.: 232 467 280 Fax: 232 467 281 BRASIL BRASILIA, D. F. Livraria Cultura Casapark Shopping Center SGCV Sul, Lote 22 4 – A Zona Industrial, Guará CEP 71215 100 Brasília, DF. Tel.: (55) 61 3410 4033 PORTO ALEGRE, Rio Grande do Sul Livraria Cultura Bourbon Shopping Country Avenida Túlio de Rose, 80, Loja 302 CEP 91340 110 Porto Alegre, RS Tel.: (55) 51 3028 4033 RECIFE, Pernambuco Livraria Cultura Paço Alfândega Rua Madre de Deus, s/n CEP 50030 110 Recife, PE Tel.: (55) 81 2102 4033 SÃO PAULO, S.P. Livraria Cultura Conjunto Nacional Avenida Paulista, 2073 CEP 01311 940 São Paulo, SP. Tel.: (55) 11 3170 4033 Livraria Cultura Shopping Villa Lobos Avenida das Nações Unidas, 4777 CEP 05477 000 São Paulo, SP. Tel.: (55) 11 3024 3599 ESPANHA A CORUNHA Libraria Couceiro Praza do Libro, s/n 15005 A Corunha Tel.: (+34) 981 266 377 OURENSE Libraria Torga Rua da Paz 12 32005 Ourense Tel.: (+34) 988 250737 SANTIAGO DE COMPOSTELA Libraria Couceiro Rua República de El Salvador, 9 1571 Santiago de Compostela (Galiza) Tel.: (+34) 981 565 812 Fax: (+34) 981 572 239 VIGO Libreria Andel Rua Pintor Lugris, 10 36211 Vigo, Galiza Tel.: (+34) 986 239 000 Fax: (+34) 986 902 588

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Palmas, por Favor! (foto de ensaio)

O filme da dança
“Outras Frases”, Prémio Melhor Documentário para TV no XI Festival Caminhos do Cinema Português em 2004, do realizador Jorge António, é um documentário que segue a rota da bailarina angolana Ana Clara Guerra Marques na afirmação da dança como linguagem artística em Angola, tendo como pano de fundo a história recente do país e Luanda – cidade de contrastes. O trabalho do realizador capta de modo preciso um percurso iniciado nos anos 70, tinha então Ana Clara oito anos. Era o tempo da Academia de Bailado de Angola, palco dos seus primeiros passos na dança clássica. Com a independência de Angola e a falta de quadros para preencher as diversas áreas de um país em formação, a bailarina é convidada aos 16 anos a criar uma Escola de Dança, confrontando-se desde logo com a pergunta: “para quê uma escola de dança clássica no contexto cultural angolano?”. A resposta a esta interrogação é dada pelo filme, registo dos marcos de uma viagem em busca da síntese etnográfica entre a dança clássica e as danças tradicionais, documentário de um trabalho coreográfico que tem tudo a ver com a poesia e o drama de uma “flor a nascer no deserto”, no dizer de José Eduardo Agualusa. Ao incluir os testemunhos dos artistas plásticos António Ole, Jorge Gumbe e Van, do escultor Masongi Afonso, dos escritores Manuel Rui Monteiro e José Eduardo Agualusa, do dramaturgo e encenador José Mena Abrantes, o realizador Jorge António dá voz ao outro lado do cruzamento da dança de Ana Clara com múltiplas artes. São 53 minutos que entrelaçam o olhar da bailarina e do realizador com outros olhares criativos, também com a história de Angola, com a pesquisa etnográfica e antropológica, com as danças. Uma Galeria de Fotos e Fragmentos Coreográficos de vários espectáculos de Ana Clara Guerra Marques, provenientes do arquivo da Televisão Pública de Angola e do arquivo da coreógrafa, integram ainda este DVD.
“Outras Frases”, editado pela Mukixe Produções Audiovisuais e LX Filmes, pode ser encomendado directamente à Mukixe Produções através do e-mail: mukixe@clix.pt.

Biografia breve do realizador Jorge António

Nascido em Lisboa em 1966, Jorge António ingressa em 1985 na Escola Superior de Teatro e Cinema. Desde 1988, terminada a formação na área de Produção, está profissionalmente ligado ao cinema, à televisão, ao vídeo (produção e realização). Produziu-realizou programas de televisão, documentários, vídeos institucionais e publicitários. Deixou-se tentar pela actividade editorial: Revista de Cinema, Cinema em Português, Cartazes de Cinema. Realizou O Funeral, curta metragem (1991), e a co-produção luso-angolana O Miradouro da Lua (1993). Entre 1995-99, enquanto produtor executivo da Companhia de Dança Contemporânea, concretizou mais de 50 espectáculos em Angola, Portugal, Polónia, Índia, Gabão, Camarões, Congo.

cenaberta 5

festivais teatro no mundo lusófono

Festivais em alta no mun
PORTUGAL
27º Citemor O Festival de Montemor-o-Velho, Citemor, concretizou este ano a sua 27ª edição entre os dias 24 de Julho e 13 de Agosto, sob o signo da colaboração com o projecto europeu Mira! (projecto centrado no intercâmbio entre artistas e agentes de França e de Espanha e alargado ao CITEC - Centro de Iniciação do Teatro Esther de Carvalho, organizador do Citemor). O Festival propiciou o encontro com Rodrigo Garcia, do grupo espanhol La Carnicería Teatro, no espectáculo “Acidens – Matar para Comer”, dia 30 de Julho. De 27 a 29, subiu ao palco “Que me abreve de besos tu boca”, de Carlos Marquerie e Cia Lucas Cranach, uma reflexão sobre o amor e a morte. A programação incluiu ainda “Tot és Perfecte” de Roger Bernat, e “Prolixe”, uma criação de Jean Pierre Larroche, que cruza instalação plástica e percurso teatral. Incluiu ainda “Apresentação informal” de Rafael Alvarez e Cristian Rizzo, além de “Flatland 1 – Para cima e não para norte”, “Flatland 2 – To be is to be seen”, “Flatland 3 – Flat Summer or The Zapping beguins” de Patrícia Portela. Nesta 27ª edição o cinema teve também lugar privilegiado, com sessões ao ar livre: “Stalker”, Andrei Tarkovsky; “A Barreira Invisível”, Terrence Malick; “Underground”, Emir Kusturica;“A Vila”, M. Night Shyamalan; “Gerry”, Gus van Sant; e “2001 Odisseia no Espaço”, Stanley Kubrick. www.citemor.com info@citemor.com Imaginarius’05 em Santa Maria da Feira O programa da edição 2005 do Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira, Imaginarius’05, conjugou continuidade e ruptura, complexo paradoxo que o Teatro resolveu, de 16 a 19 de Junho, nos largos, nas ruas, na piscina da cidade. Provenientes de Portugal, Itália, Brasil, Espanha, Argentina, França, Egipto, Irlanda, Alemanha, os animadores apresentaram dias, noites de paródia, movimento, cor, tiros, desvario. Entre grupos, fogo e delírios, algumas referências às presenças. Acquaragia Drom, Arcipelago Circo Teatro, Festa das “Farchie” de Fara Filliorum Petri, Festa dei Gigli di Nola, todos de Itália. De Portugal, esteve o Teatro Regional da Serra de Montemuro com “Persona”. Aos Mummers and Bódhrans St Patrick’s Festival, vindos da Irlanda, juntaram-se: Chico Simões (Brasil), El Gran Maximiliano (Argentina), Les Passagers (França), Osama El-Masry (Egipto), Tosta Mista O Malabarista (Alemanha). Forte presença, a espanhola: La Fura Dels Baus e, ainda, Boni, Falcons de Vilafranca, Leo Bassi, Trabucaires, Los Galindos. www.imaginarius.pt imaginarius@cm-feira.pt
cenaberta 6

Imaginarius'05

VII Festa do Teatro A VII Festa do Teatro decorreu mais uma vez em Setúbal entre 27 de Agosto e 10 de Setembro em diversos espaços da cidade. O evento reuniu espectáculos das companhias Teatro ao Largo, ESTE - Estação Teatral da Beira Interior, Teatro Praga, O Bando, Mundo Perfeito,Teatro dos Aloés, CENDREV, Trigo Limpo Teatro-ACERT e Teatro Estúdio Fontenova, entidade organizadora do festival. Para além dos espectáculos teatrais, a Festa apresentou igualmente um conjunto de actividades paralelas como a exposição de fotografia “Palcos”, uma mostra de curtas-metragens, as Conversas de Teatro e um seminário intitulado “A máscara na representação de uma história”, orientado por Nuno Pinto Custódio. À semelhança das edições anteriores, o Teatro Estúdio Fontenova promoveu ainda uma Oficina de Teatro para jovens, durante o mês de Agosto. http://teatroesfontenova.no.sapo.pt/
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Altitudes na Serra de Montemuro O Teatro Regional da Serra de Montemuro (TRSM) organizou, na pequena aldeia de Campo Benfeito, a 8ª edição do Festival Altitudes, entre os dias 14 e 29 de Agosto. Realizado desde 1998, o Altitudes aposta na multidisciplinaridade de eventos e combina teatro com música, ateliers, cinema e uma mostra do livro. O Espaço Montemuro acolheu neste certame seis espectáculos teatrais a cargo do Teatro da Comuna, O Bando, Artistas Unidos, Teatro ao Largo, Teatro de Marionetas do Porto, O Nariz e Peripécia Teatro. O festival teve início com o atelier “Lanterna Gigante” da cenógrafa Helen Ainsworth. A música ficou a cargo dos grupos Tim Tim por Tim Tum e As Vozes da Rádio. A companhia organizadora do Altitudes apresentou durante a edição “Regresso do Pepino”, a sua mais recente produção, uma criação colectiva. www.teatrodomontemuro.com montemuro@mail.telepac.pt FITEI 2005 28 anos de Teatro Fundado em 1977 pela Seiva Trupe e pelo Teatro Experimental do Porto, o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, FITEI, concretizou em 2005 a sua XXVIII edição. Entre 31 de Maio e 12 de Junho, o Porto foi palco de 16 espectáculos distintos, num total de 24 representações. “Berenice” de Racine, produção do Teatro Nacional D. Maria II, abriu o certame no Teatro Nacional S. João; o Grupo Galpão marcou o encerramento, com “O Inspector Geral”, de Gogol. O FITEI 2005 propôs-se manter o essencial das suas características, aberto embora a novas experiências, no campo da música, da dança, da performance. A descentralização dos palcos e a multiplicação das parcerias (com o Teatro Nacional S. João, Museu de Serralves, Festival de Marionetas do Porto) foram, para os organizadores, passos na senda do crescimento e da consolidação do FITEI. Nesta perspectiva, aduzem, se enquadra também a inclusão este ano da Hachioji Kuruma Ningyo, companhia japonesa centenária, guardiã da rica tradição nipónica do teatro de marionetas. Vários foram os espectáculos com estreias absolutas no Festival. Tal foi o caso de “Músicas e Canções de Cena”, criação surgida na sequência de um convite expresso do FITEI a João Lóio, seu autor, e de “Ruínas”, co-produção do Teatro Bruto (Galiza) com o Teatro Nacional de S. João. A presença portuguesa no certame teve outros protagonismos e agentes: “A Festa e As Regras da Arte de Bem Viver na Sociedade Moderna”, dos Artistas Unidos; “Doze Mulheres e Uma Cadela”, produção do Teatro da Trindade com direcção de São José Lapa. O Teatro O Bando armou exposição e apresentou o livro “Máquinas

de Cena”, de João Brites e outros. A Cena Lusófona lançou no Rivoli a recente edição da obra completa de Naum Alves de Souza, com a presença do autor brasileiro. A enriquecer a maioritária participação portuguesa, com sete espectáculos, juntou-se uma co-produção Portugal-Moçambique. A representação angolana recaiu em “O Instante”, do grupo Serpente, que reparte a sua intervenção entre Portugal e Angola. Do Brasil, além de “O Inspector Geral”, veio “Senhor das Flores”, espectáculo com Jonas Bloch e Beto Coville. A Galiza marcou presença com o Teatro Bruto da Galiza e o Matarile Teatro. Barcelona assegurou a presença de Titzina, com “Folie a Deux – Sueños de Psiquiátrico”, e de Búbulus Companhia de Dança com “Kaleida”. www.fitei.com fitei@mail.telepac.pt
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"O Inspector Geral", Grupo Galpão, Brasil

Palmela acolhe sétima edição do FIAR As ruas, alamedas, varandas e praças de Palmela foram o palco da sétima edição do FIAR, Festival Internacional de Artes de Rua, de 29 a 31 de Julho, organizada pala Câmara Municipal local e pelo Teatro O Bando. O cartaz incluiu os espectáculos “Cântico dos Cânticos” (encenação de João Grosso numa co-produção Faro – Capital da Cultura, Culturproject e o FIAR9),“Lembranças”, de Madalena Vitorino, e “Fleet Street nº1 A Casa de Elisa”, de Eunice Gonçalves. “Pino do Verão” foi a proposta de O Bando. A partir da poesia de Eugénio de Andrade, vinte e cinco actores e várias filarmónicas da região aliaram teatro, canto e dança numa ode ao Verão. A componente internacional do Festival foi assegurada por Turak, Princesses Peluches e Marieettonio de França, pelos polacos do Treatr Biuro Podrozy e os brasileiros Mundo ao Contrário e Teatro Anónimo. O FIAR integrou ainda exposições e instalações plásticas, visuais e performativas: PhotoFIAR, uma mostra e concurso fotográfico; Outros Olhares, um ciclo de cinema; instalação de fotografia/sonoplastia por Ana Teixeira e Sérgio Milhano. Como nas edições anteriores, as noites acabaram nos Bailes do Coreto com Os Amigos das Lagameças; Lautari e Celina Baião com Cravo e Ferradura. www.juventudeinteractiva.org/fiar fiar_ac@iol.pt

festivais teatro no mundo lusófono

do lusófono
22º Festival de Almada Com um cartaz preenchido por mais de três dezenas de espectáculos, exposições, colóquios e música, a 22ª edição do Festival de Almada decorreu nesta cidade entre os dias 4 e 18 de Julho. A estreia em Portugal do Odéon-Théâtre de L’Europe com a peça “La Rose et la Hache” marcou a edição deste ano. O espectáculo subiu ao palco do Teatro da Trindade, onde se realizou também a apresentação, em estreia na Europa, da Companhia UbuCréation, de Montreal (Canadá), dirigida por Denis Marleau. Outras propostas internacionais: Centro Dramatico Gallego (com “Ricardo III”, de Shakespeare, direcção de Manuel Guede), grupo brasileiro Pia Fraus ("Farsa Quixotesca”, a partir de Cer vantes, encenação de Hugo Possolo), espanhóis Nao D’Amores (“Auto dos quatro tempos”, de Gil Vicente, encenação de Ana Zamora). Houve quatro estreias absolutas, todas criações de companhias portuguesas: “A Rainha Viva” (a partir de Paul Claudel, encenação de Suzana Borges), “Os guardas do museu de Bagdad” (de José Peixoto, pelo Teatro dos Aloés), “Music-hall” (de

Com o passar dos anos, cada vez mais ocorrem no mundo da lusofonia os certames que no teatro centram a festa, sobretudo de Maio a Outubro. Sem pretensões exaustivas, aqui se dá uma amostra das múltiplas concretizações do género, palco em diferentes geografias e integrando programações ricas e muito diversificadas.
Jean-Luc Lagarce, encenação de François Berreur, pelos Artistas Unidos) e “Num bairro moderno” (de Cesário Verde, com composições de Viana da Mota, Cláudio Carneiro, Croner de Vasconcelos e outros, pela Companhia de Teatro de Almada, encenação de Joaquim Benite). Destaque ainda para “A Montanha Lilás” (a partir de texto do escritor angolano Pepetela, levado à cena pelo Teatro Meridional) e para o teatro de rua (“Les Voluminaires” pelo Teatro Ale-Hope). www.ctalmada.pt
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Festival de Almada 2005

BRASIL
Porto Alegre A cidade em Cena «Um festival de teatro cumpre o importante papel de trazer à cidade obras, artistas e encenações que a liguem ao que de mais estimulante as artes cénicas contemporâneas estejam produzindo. Desvinculando das discutíveis obrigações do mercado, um festival realmente importante é aquele que aposta nos mais consagrados e nos mais emergentes criadores da cena actual, sem preconceitos e sem concessões». Com estas palavras, Luciano Alabarse abria a décima segunda edição do Porto Alegre em Cena que este ano se realizou na capital gaúcha de 9 a 25 de Setembro, sublinhando um estilo e um programa com assinatura que fizeram dele um dos principais certames do género no Brasil. Depois de alguns anos de interregno, Alabarse, que é encenador de teatro e também produtor musical, regressa com um modelo de festival que mobiliza a cidade e disputa os olhares dos principais órgãos de comunicação social nacionais e dos especialistas do sector dentro e fora do país.
Ricardo Mota

Do programa deste ano destacamos uma encenação de Peter Brook (Dias Felizes) produzida e interpretada por alemães e outra do também alemão Frank Castorf (Endstation of América, a partir de Um Eléctrico Chamado Desejo), entre o lote dos consagrados. Mas foi Canibales, uma encenação de Alberto Rivero, com texto de Georges Tabori, que trouxe o maior “desassossego artístico”. O texto situa a acção nos campos concentracionários nazis e é desempenhado por um grande elenco do Teatro Nacional de Montevideo. Aliás, a participação uruguaia, com poucos meios e muitos bons actores surpreendeu ainda com Onneti en el Espejo, encenado por Patrícia Yosi, com Walter Reyno e Paolla Venditto, a partir de entrevistas que Maria Esther Gillio fez ao grande autor uruguaio Juan Carlos Onneti e ainda com Erling, um texto da autora sueca Christina Herrstrom, dirigido por Mário Morgan. Este lado sul-americano do programa, que incluiu ainda espectáculos do Chile, Argentina e Colômbia, é um dos interesses maiores do festival e transforma-o numa das mais activas plataformas ibero-americanas

"Canibales", Teatro Nacional de Montevideo, Uruguai

de intercâmbio teatral. Para além da restante produção europeia composta por espectáculos de Itália e Espanha (Portugal não esteve representado), o festival convidou mais de três dezenas de espectáculos brasileiros, em especial do eixo Rio de Janeiro – S. Paulo. O músico Tom Zé esteve na abertura desta edição. Dentro das actividades paralelas que o festival sempre tem organizado realizou-se um painel sobre revistas de teatro com representação brasileira, portuguesa e galega, assim como o lançamento da obra de Naum Alves de Souza com a colaboração da Cena Lusófona e a presença do autor. Uma oficina de actores dirigida por Alberto Rivero, uma conferência sobre Onneti pelo crítico uruguaio Jorge Árias e o lançamento de um site sobre dramaturgia brasileira, da responsabilidade de Maria Helena Khüner, foram outros destaques do programa paralelo. Todos os anos em Setembro a cidade de Porto Alegre vive um sonho teatral cosmopolita sob a batuta, o entusiasmo e as palavras de Luciano Alabarse: «Há muitas formas de declarar amor por uma cidade. Talvez a mais bonita seja a decisão de escolher nela viver sua vida, fazendo dela cenário protagônico de experiências, escolhas, transformações e amadurecimento. Escolhi Porto Alegre como a cidade dos meus sonhos, e da minha evolução como cidadão do mundo, há muitos anos. Desde que isso aconteceu trabalho com gosto para que a cidade seja cosmopolita, inteligente e provocadora, pois não me agradaria sentir minha cidade resignada, sem vida cultural, sem desafios nem surpresas. Na minha área de trabalho, a cultura, procuro efectivamente colaborar para que Porto Alegre seja reconhecida, para além de suas fronteiras, como uma cidade agregadora, receptiva e estimulante. Preciso da minha cidade conectada com meu país, com o mundo, com as informações mais provocadoras e inteligentes que estejam circulando no planeta. Sério. Não quero sair daqui, mas não quero deixar de estar fora daqui!»

Cristine Rochol

"Dias Felizes", encenação Peter Brook, Alemanha

Núcleo dos Festivais Internacionais de Artes Cénicas do Brasil
A 12.ª edição do Porto Alegre em Cena, concretizada em terras gaúchas de 9 a 25 de Setembro, foi momento de ousadia e vertigem e de reforçada afirmação do Núcleo de Festivais Internacionais de Artes Cénicas do Brasil. Criado em Novembro de 2003, durante a 4.ª edição do festival carioca Riocenacontemporânea, e oficialmente lançado em 16 de Julho de 2004, durante a 4.ª edição do Festival Internacional de Rio Preto, o Núcleo dos Festivais Internacionais de Artes Cénicas do Brasil visa fortalecer e estimular as artes cénicas, desenvolver e difundir a cultura brasileira, dentro e fora do país, promover acções de carácter formativo, articular e potenciar acções conjuntas. Aberto a outros festivais, o Núcleo integra já hoje os principais eventos internacionais de artes cénicas do Brasil: Festival Internacional de Teatro de Rio Preto (FIT/SP), Festival Internacional de Teatro de Londrina (FILO/PR), Riocenacontemporânea (RJ), Porto Alegre em Cena (RS), Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte (FIT/MG) e Cena Contemporânea Brasília (DF).

cenaberta 7

festivais teatro no mundo lusófono

Festival de Teatro de Lages (FETEL) A incentivar a produção teatral há 30 anos, o Festival de Teatro de Lages, em Santa Catarina, realizou a sua 29ª edição entre 26 de Setembro e 1 de Outubro, abrindo as portas a mais um ano de teatro adulto, infantil, de rua e espaços alternativos. O FETEL, organizado pela Prefeitura Municipal, através da Fundação Cultural de Lages e da Associação Lageana de Teatro (Alte), integra, além do teatro, oficinas e palestras, com o objectivo de promover o intercâmbio entre as companhias e o público. O FETEL, com primeira edição em 1973, contou este ano com a participação de cerca de 30 companhias oriundas de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Festival Nacional de Teatro do Recife Em Novembro passado, de 17 a 27, decorreu a oitava edição do grande festival da capital de Pernambuco, dirigido uma vez mais por Aimar Labaki. Sob o tema Cultura e Brasilidade: Homem Comum e Homem Político, o festival homenageou o encenador Luís Marinho. Inspirado no homenageado, foi desenvolvido o projecto Aprendiz em Cena, que desde há quatro anos junta actores e encenadores em início de carreira, numa oficina que termina com a apresentação de um espectáculo. Para além deste, o festival contou ainda com mais 15 espectáculos. Entre os participantes estiveram a Companhia Armazem (Rio de Janeiro), Grupo Galpão (Belo Horizonte), Grupo Bagaceira (Ceará), Companhia Livre (São Paulo), Companhia Teatro Udigrudi (Brasília) e Celso Fratechi (São Paulo). O festival organizou ainda cursos: voz, corpo, encenação, percussão com sucata. Foram também ministrados seminários: Estética e Procedimentos da Cena Brasileira Contemporânea, por Edélcio Mostaço (UFSC), e História do Teatro Popular no Brasil, por Paulo Merísio (Universidade de Uberlândia). O tema do festival: Cultura e Brasilidade: Homem Comum e Homem Político, foi ainda mote para palestras de Maria Rita Khel (psicanalista), Luis Costa Lima (professor), Edélcio Mostaço (crítico) e Luis Reis (autor e teórico). Festival de Inverno no Paraná A cidade de Antonina, no Estado do Paraná, Brasil, propôs em 2005 um novo desafio: “passar oito dias entre o casario antigo,

comer o típico barreado do litoral, curtir um friozinho regado a muita cultura, com espectáculos gratuitos e oficinas artísticas para todas as idades”. As malhas desta tentação foram urdidas pela Universidade Federal do Paraná, entidade organizadora desta 15.ª edição do Festival, palco em Antonina, de 9 a 16 de Julho, e com mais de 50 mil pessoas a demandarem a cidade. www.cidadelages.com.br/fetel fetel@iscc.com.br Festival Internacional de Londrina (FILO) Criado em 1968 como um festival de grupos universitários locais, o Festival de Londrina ganhou dimensão internacional. A edição deste ano mostrou uma pluralidade de espectáculos procedentes do Brasil, países europeus e da América Latina, entre 3 a 19 de Junho. Sob a direcção de Luiz Bertipaglia, o Festival Internacional de Londrina (FILO), organizado pela Ámen – Associação de Amigos da Educação e Cultura do Norte do Paraná e da UEL – Universidade Estadual de Londrina, comemorou 38 anos de existência. Apontado como um dos mais importantes pólos de produção e difusão de artes cénicas, o FILO integra o Núcleo de Festivais Internacionais de Artes Cénicas do Brasil. Na abertura oficial do evento, e pela primeira vez no Brasil, esteve a companhia alemã Volksbühne com a peça de Bernard Marie Koltés “Combat de Négre et des Chiens”. A programação incluiu mais de 40 grupos entre mostras (local, nacional e internacional) e palestras, cursos, workshops e ateliers. Destaque ainda para a companhia russo-alemã Akhe Group que trabalha na área do “teatro visual” e levou aos palcos de Londrina “White Cabin”, um espectáculo que combina teatro, pintura, vídeo, cinema e elementos tecnológicos e naturais. www.filo.art.br filo@filo.art.com.br
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Festival Universitário de Teatro de Blumenau Blumenau é uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, no Brasil, e é também o palco consagrado de um importante festival universitário de teatro, congregando anualmente mais de 200 artistas, e milhares de espectadores. A edição de 2005 decorreu de 8 a 16 de Julho, respondendo ao objectivo central de “estimular a produção e a pesquisa em artes cénicas dentro das universidades brasileiras, do Conesul e dos países de língua portuguesa”. O 19.º Festival, coordenado por Pita Belle e assessorado por Fernando Peixoto, Paulo Vieira e André Carreira, cumpriu objectivos, não defraudou expectativas: houve participadas mostras teatrais, apresentações vídeo, mesas-redondas, palestras, oficinas, no Teatro Carlos Gomes, em auditórios e variados espaços citadinos. Também em Blumenau decorreu, de 19 a 25 de Agosto, a 9ª edição do FENATIB - Festival Nacional de Teatro Infantil, organizado pela Fundação Cultural de Blumenau. Com grupos originários de seis Estados brasileiros, o certame divertiu mais de 25 mil crianças, com recurso a artes de teatro de sombras, teatro de animação, adaptação de clássicos, drama poético, teatro circo, narração dramatizada de histórias e a realização de oficinas.
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para “Gemelos”, peça dos chilenos Laura Pizarro e Juan Carlos Zagal, eleita pelo Júri Popular de Belo Horizonte como Melhor Espectáculo. Destaque ainda para o espectáculo “A volta ao Mundo em Oitenta Dias” pela companhia mineira Catribum Teatro de Bonecos, realizadora do Festival. Em terras mineiras, na cidade de Diamantina, também decorreu de 17 a 30 de Julho, o Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais. Sob o tema “Diálogos possíveis”, a 37ª edição integrou acções de formação, seminários, oficinas e palestras.
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Bonecos na praça, Belo Horizonte

Festival Internacional de Teatro O Olho do Furacão Entre 15 e 24 de Julho O Olho do Furacão assolou a cidade de São José de Rio Preto, no Brasil. Houve 43 espectáculos teatrais a animar 37 diferentes espaços citadinos. Aos grupos brasileiros (290 inscrições!), juntaram-se companhias e espectáculos oriundos da Itália, da França, do Chile. A estimular turismo rumo a O Olho, referência a alguns grupos: Bate Nessa Face Que Eu Te Viro a Outra, São José do Rio Preto, com “Navalha na Carne”; Grupo Fora do Sério, Ribeirão Preto, com “A Ilha do Dr. Moreau”; Ateliê de Criação Teatral, Curitiba, com “Daqui a Duzentos Anos”; Companhia do Feijão, São Paulo, com “Reis da Fumaça”. www.festivalriopreto.com.br festivalriopreto@festivalriopreto.com.br
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"A Lua e o Poeta", Companhia da Casa Amarela, Brasil

"Combate de Negro e Cães", Volksbühne, Alemanha

Festival Internacional de Teatro de Bonecos O Festival Internacional de Teatro de Bonecos envolveu no mesmo abraço, em Junho deste ano, as cidades mineiras de Belo Horizonte (9 a 15) e de Ipatinga (17 a 21). Na grelha de participações, destaque

"Navalha na Carne", Grupo Bate Nessa Face, Brasil

CABO VERDE
Mindelact A companhia francesa Dos à Deux apresentou “Saudade em Terras D’Água” na abertura do Mindelact, Festival Internacional de Teatro do Mindelo, que decorreu entre 8 e 18 de Setembro, em Cabo Verde. A celebrar a sua XI edição, o Mindelact apostou mais uma vez na diversidade de espectáculos internacionais e locais. O Brasil marcou presença neste certame com a
cenaberta 8

Companhia de Dentro e a Companhia Livre de Teatro. Nuno Pinto Custódio escreveu e encenou “Mãe Preta” para a companhia portuguesa ESTE – Estação Teatral da Beira que se anunciou em terras cabo-verdianas no dia 18 de Setembro. O Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo estreou no dia 9 de Setembro “Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna, com encenação de João Branco. O espaço Teatrolândia, dedicado ao teatro infantil, e o Festival Off foram marcados

pela presença exclusiva de grupos de Cabo Verde. O Mindelact reservou uma parte da sua programação a acções formativas: expressão corporal (Companhia Livre de Teatro), interpretação (Teatro del Encanto – Espanha), encenação (Eunice Ferreira – EUA/Cabo Verde), adaptação de textos teatrais (Cristina McMahon – EUA), manipulação de objectos (Companhia de Dentro – Brasil) e a máscara na representação de uma história (Nuno Pinto Custódio - Portugal).

mindelact@hotmail.com www.mindelact.com
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Cartaz do Mindelact 2005

|\||||\ na estante
PORTUGAL
Bérenice
Jean Racine, Bertrand Com tradução de Vasco Graça Moura, Bérenice, peça do dramaturgo Jean Racine, foi levada à cena em 2005 pelo Teatro Nacional D. Maria II numa encenação de Carlos Pimenta. Um dos mais célebres textos do dramaturgo francês Jean Racine, aliás a única das suas tragédias que não acaba num banho de sangue, Bérenice é uma história de amor impossível em que a rainha da Palestina é expulsa de Roma pelo imperador Titus porque os seus cidadãos não admitem que ele case com uma rainha estrangeira. sketches de revista política. O resultado foi o espectáculo “Conferência de Imprensa e outras aldrabices”, que estreou em Junho no Teatro Nacional D. Maria II, e, agora, mais um volume da colecção Livrinhos de Teatro, da Cotovia / Artistas Unidos. Dezasseis sketches fazem deste “Conferência de Imprensa e outras aldrabices” “um espectáculo grosseiro, mal-educado, bruto, disparatado contra os disparates do mundo” de acordo com os Artistas Unidos. A obsessão ocidental com o terrorismo, a descredibilização dos políticos e da Justiça, as torturas feitas por soldados americanos a prisioneiros de guerra iraquianos e afegãos, são alguns dos temas abordados nesta obra, onde o humor é uma constante. Actores, encenadores, cenógrafos, professores, críticos, consagrados ou a estrearem-se na lide teatral, contribuíram para esta colectânea editada pela Oficina do Livro.

A História de William – a possível infância de Shakespeare

José Viale Moutinho, Campo das Letras “Venho falar-vos de um rapazinho chamado William...” é assim que começa esta história que José Viale Moutinho escreveu e José Emídio ilustrou. 44 páginas editadas pela Campo das Letras sobre uma infância possível de um dos mais talentosos dramaturgos de sempre. À sua morte, com cerca de 50 anos, tinha escrito 36 peças e um número elevado de sonetos.

do escritor isabelino chegou ao nosso país na versão original, mas também em versões francesas e italianas, bem como adaptações e traduções portuguesas. Há ainda um capítulo dedicado ao modo como o trabalho do dramaturgo inglês foi recebido pelos jornais e críticos, incluindo as reacções de Feliciano de Castilho, Lopes de Mendonça e Latino Coelho, entre outros.

As torres milenárias
ções Europa-América

Urbano Tavares Rodrigues, Publica-

Closer – Quase

Patrick Marber, Relógio D’Água

Filóctetes / Sófocles
Edições 70

Ubu

Joaquim de Almeida: um actor do Montijo
José Matos Cruz, Publicações
D. Quixote

Alfred Jarry, Campo das Letras Ubu reúne as quatro peças escritas por Alfred Jarry sob o signo “A Gesta de Ubu”: Rei Ubu, Ubu agrilhoado, Ubu cornudo e Ubu no outeiro. Pela primeira vez em língua portuguesa, as quatro peças e textos complementares que as acompanham serviram de território de referência à montagem do espectáculo “UBUs”, no Teatro Nacional São João, uma encenação de Ricardo Pais que estreou em Abril último. Os textos de Alfred Jarry foram traduzidos por Luísa Costa Gomes.

Máquinas de Cena

O Bando, Campo das Letras

O homem sem sombra (infantil)

António Torrado, Editorial Caminho

Conferência de Imprensa e outras aldrabices
Harold Pinter, Cotovia A partir de “Conferência de Imprensa”, um sketch de Harold Pinter, dramaturgo inglês recentemente galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, os Artistas Unidos convidaram autores nacionais e estrangeiros para escreverem, em homenagem a Pinter, pequenos

Desavergonhadamente pessoal – O trabalho dos actores
Suzana Borges, Oficina do Livro Desavergonhadamente pessoal – O trabalho dos actores é uma colectânea de 47 testemunhos recolhidos por Suzana Borges junto de profissionais do teatro e áreas afins. Esta escolha pessoal pretende ser, segundo a autora, “uma intervenção e uma reflexão sobre a arte e as circunstâncias do actor” e do fazer teatral.

Shakespeare no Romantismo Português – Factos, problemas, interpretações
Jorge Bastos da Silva, Campo das
Letras

Recepção de um Espectáculo Teatral – História de uma experiência
Mário Jacques, Campo das Letras

Sangue no pescoço do gato Teatro Completo – Vol IV
Nacional Casa da Moeda

Autor universal, W. Shakespeare foi traduzido, lido, representado e discutido pela intelectualidade portuguesa do século XIX tendo-se constituído como elemento estruturante da literatura romântica do final do século. Shakespeare no Romantismo Português – Factos, problemas, interpretações é um estudo sobre a forma como a obra

Rainer Werner Fassbinder, Cotovia Jaime Salazar Sampaio, Imprensa

A canção de Lisboa
-América

Filipe la Féria, Publicações Europa-

A origem da tragédia
Europa-América

Um marido ideal
-América

Friedrich Nietzche, Publicações

Óscar Wilde, Publicações Europa-

|\||||\
BRASIL
Crítica da Razão Teatral – O Teatro visto por Ruggero Jacobbi
Alessandra Vannucci,
Editora Perspectiva

fluências reedita a obra publicada em 1986, ano que o Brasil dedicou a Brecht, compilando textos de Fernando Peixoto, Sábato Magaldi, Yan Michalski, Augusto Boal, entre outros. Ao todo, são 26 textos agrupados em quatro capítulos – Panorama da Obra de Brecht, A questão do abrasileiramento de Brecht em Teatro e Cinema, Experiências Práticas e O papel de Brecht no teatro brasileiro: uma avaliação – que pretendem apurar a importância e presença do autor alemão no teatro brasileiro contemporâneo.

uma reflexão sobre a maturidade, o teatro e a memória. Tendo como ponto de partida a história de uma actriz em final de carreira que recebe um prémio pela sua obra, um conjunto de situações inusitadas culmina com a visita de um crítico de teatro. Essa visita proporciona um diálogo hilariante recorrendo à memória, às relações ambíguas dos ídolos teatrais, os casamentos, a arte como intermediária entre o Homem e as suas grandes inquietações.

A Mulher sem pecado
Fronteira

Nelson Rodrigues, Editora Nova

Estudos sobre o Teatro

Bertolt Brecht, Editora Nova Fronteira

Anjo Negro
Fronteira

Nelson Rodrigues, Editora Nova

Intriga e Amor – Uma Tragédia Burguesa em Cinco Atos
Friedrich Schiller, Editora UFPR

Anti-Nelson Rodrigues
Fronteira

Milagre na Cela O Melodrama O Silvano

Nelson Rodrigues, Editora Nova

Jorge Andrade, Paz e Terra Jean MarieThomaheau, Editora Perspectiva Anton Tchekhov, Globo

Toda nudez será castigada
Nelson Rodrigues, Editora Nova
Fronteira

Crítica da Razão Teatral, da investigadora italiana Alessandra Vannucci, é uma obra sobre Ruggero Jacobbi, encenador, dramaturgo, professor, teórico e crítico italiano, que, no pós-Segunda Guerra Mundial, se fixou por longo tempo no Brasil. Ligado ao chamado período da renovação do teatro brasileiro, Jacobbi contribuiu decisivamente no debate e realizações que alteraram o panorama teatral brasileiro, entre os finais da década de 40 e a década de 60 do século XX.

Moderna Dramaturgia brasileira (reedição)

Palco Iluminado – 10 anos de história do Festival de Teatro de Curitiba
Geraldo Peçanha de Almeida,
Editora UFPR

Caos/Dramaturgia

Rubens Renald, Editora Perspectiva

O Teatro do Corpo Manifesto – Teatro Físico
Lúcia Romano, Editora Perspectiva

Sábato Magaldi, Editora Perspectiva Moderna Dramaturgia Brasileira, do professor, escritor e crítico de teatro Sábato Magaldi, é uma obra que passa em revista os dramaturgos que constituem o novo repertório cénico desde Oswald de Andrade, Nelson Rodrigues, passando por Dias Gomes, Plínio Marcos, até Maria Adelaide Amaral e Alberto Guzik. 60 peças de 30 autores contemporâneos brasileiros são analisadas nesta obra imprescindível que a Editora Perspectiva reedita na sua Colecção Estudos.

Despertando para Sonhar e Poeira de Estrelas Dramas

Brecht no Brasil - Experiências e Influências
Wolfgang Bader, Paz e Terra Bertolt Brecht, poeta, romancista e um dos maiores autores teatrais do século XX morreu em 1956 com 58 anos, deixou uma obra que cedo se tornou um verdadeiro “património literário da humanidade”, refere Wolfgang Bader, na introdução deste livro. Brecht no Brasil - Experiências e In-

Off Uma História de Teatro
Manoel Carlos, Globo Off – Uma História de Teatro é uma agradável comédia escrita por Manoel Carlos, um dos mais significativos escritores televisivos brasileiros da actualidade, que tem como mote

Palco Iluminado – 10 anos de história do Festival de Teatro de Curitiba é a dissertação de mestrado que Geraldo Peçanha de Almeida defendeu em 2002 na Universidade Federal do Paraná. A obra analisa o Festival de Teatro de Curitiba, os erros cometidos e as virtudes dos primeiros dez anos de realização de um evento, ele próprio intimamente ligado à evolução do teatro brasileiro contemporâneo. Com 400 páginas,“Palco Iluminado” foi editado pela Editora da UFPR, e constitui-se como uma referência obrigatória sobre o Festival, possibilitando ainda uma reflexão sobre as tentativas de reinvenções estéticas sugeridas por determinados espectáculos, que se assemelhavam de algum modo às mesmas tentativas do Festival em se reinventar e se reorganizar.

Eduardo Bakr, Editora Nova Fronteira José de Alencar, Martins Fontes

Teatro…Começo até…
Italla Nandi, Editora Hucitec

Teorias do Teatro Tragédias

Marvin Carlson, UNESP Gonçalves Magalhães, Martins Fontes

Duas Comédias – Lisistrata e as Tesmoforiantes
Aristófanes, Martins Fontes

Duas Tragédias Gregas – Hecuba e Troianas
Euripides, Martins Fontes.

Édipo em Colono

Os livros aqui referidos podem ser consultados no Centro de Documentação e Informação da Cena Lusófona

Sófocles, Editora Perspectiva

Encenação em jogo: experimento de aprendizagem e criação do teatro
Marco Bulhões Martins, Editora
Hucitec

Entre Quatro Paredes
Jean Paul Sartre, Record
cenaberta 9

edição naum alves de souza

À conversa com Naum
Augusto Baptista

Oficina orientada por Naum Alves de Souza com actores profissionais e amadores de Coimbra

Naum Alves de Souza tem um percurso que cruza a dramaturgia, a encenação, o ensino, as artes plásticas, o figurinismo, a cenografia, participações em televisão e na imprensa. A propósito da edição em Portugal de seus textos teatrais, conversámos sobre a carreira e obra de “um dos mais inventivos e versáteis artistas cénicos do Brasil contemporâneo”, “dramaturgo do Homem”, segundo o crítico Alberto Guzik. Conversámos sobre a vida, a infância, o cheiro a café torrado de Pirajuí e sobre a distância. A distância que, entre nós, falantes da mesma língua, “precisa diminuir”. Versão integral da entrevista em www.cenalusofona.pt/cenaberta
Cenaberta (ca) - No seu prefácio a Teatro, refere-se à infância em Pirajuí, cidade onde nasceu, e onde teve os primeiros contactos com as artes cénicas. Esta parece ter sido uma época que o marcou a si e à sua obra: família, escola, religião... Naum Alves de Souza (Naum) - De todas as cidades onde morei, Pirajuí, no interior de São Paulo, foi a que mais me marcou. Nasci em 1942, em plena guerra, o país governado pelo ditador Getúlio Vargas. Pirajuí estava muito distante da Europa em guerra e de Getúlio mas, de algum modo, as notícias chegavam lá, pelos jornais da capital, com um dia de atraso, pelos chamados jornais da tela, exibidos no cinema e pelas ondas do rádio. Ouvíamos rádio-novelas de todos os tipos. Os dramalhões eram os preferidos por minha mãe, tias, irmãs adolescentes e vizinhas. Eram levados a sério, os personagens entravam em suas vidas e provocavam tensão, lágrimas, discussões. Os rapazes da casa, eu e meus dois irmãos, éramos fãs dos seriados juvenis com imitações de super-heróis americanos ou de tipos valentes brasileiros como Jerônimo, o Herói do Sertão. Meu pai fingia preferir os programas humorísticos e de notícias mas acompanhava os intrincados enredos das novelas, chegando por vezes a derramar lágrimas. O circo, talvez a mais forte das manifestações irmãs do teatro, foi um elemento marcante. Meu preferido era o género palco e picadeiro, a primeira parte constituída de atracções
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variadas – animais exóticos, trapezistas, acrobatas, cuspidores de fogo, atirador de facões, palhaços, etc. – e a segunda, passada no palco, apresentava dramalhões ou comédias. ca - A religião está muito presente na sua obra. Tinha sido já herança da sua infância e adolescência? Naum - A igreja foi um dos elementos mais importantes de minha formação. Apesar da falta de graça do protestantismo, asséptico, sem imagens, repressivo, essa variante do cristianismo serviu para povoar minha imaginação, tanto no aspecto lendário da Bíblia, de Cristo, dos Apóstolos, da riqueza do Velho Testamento, quanto no tocante às dúvidas, que me acompanharam pela vida toda. Desde pequeno senti que nada havia de Cristo dentro dos homens que constituíam as congregações de todas as igrejas presbiterianas, metodistas, baptistas que frequentei até meus 18 anos. Muito pequeno, fazia perguntas que deixavam os pastores e presbíteros embaraçados. Não foi nada fácil ter nascido, crescido e vivido protestante, minoria numa sociedade católica como a brasileira. Ser judeu talvez seja parecido. Não podíamos ir a bailes, fumar, beber e, aos domingos, quando todos jogavam futebol, iam ao cinema, só tínhamos permissão para sair de casa para ir à desagradável igreja. A sensação de ser diferente foi muito marcante. ca - O dramaturgo começou por ser cinéfilo? Naum - Chego agora ao cinema, a maior das influências, no meu caso. O teatro que vim a

escrever é muito parecido com cinema. Escrevo cenas que sugerem cortes cinematográficos ao passar de uma para outra sequência. Quem leu pela primeira vez No Natal a Gente Vem Te Buscar ou mesmo Maratona, achava impossível uma montagem em palco. Tudo foi resolvido graças a uma cenografia simples, quase neutra, e o auxílio da imaginação do espectador. Eu achava que tudo – índios, cowboys, heróis espaciais, monstros, vampiros – acontecia de verdade atrás daquela imensa tela branca do Cine São Salvador, o único da cidade. Quase não tive contacto com o teatro que viria a conhecer quase adulto quando me mudei para São Paulo.Voltando à ideia de que um autor nasce em algum lugar, a Pirajuí-ficção, onde se passa boa parte de minha obra teatral, modelou meu modo de observar e pensar e me acompanhou para sempre. ca - Aos vinte anos, em São Paulo, deu aulas de artes plásticas e em 1970 funda, com alguns alunos, Pod Minoga, a sua primeira companhia. Em 1979 escreve a sua 1ª peça, No Natal a Gente Vem Te Buscar. Quando se tornou claro que a sua vida ia ser o teatro? Naum - Comecei a dar aulas em São Paulo aos vinte anos mas antes passei uma temporada no litoral. Havia em Ubatuba um serviço assistencial, eu me ofereci, fui aceite e lá passei quase dois anos. Depois, em São Paulo, leccionei num colégio protestante chamado Instituto Mackenzie. Na mesma época fui convidado

a dar aulas numa verdadeira Escola de Arte, na Fundação Armando Álvares Penteado. Foi nesse lugar que comecei a brincar de teatro com meus alunos crianças e adolescentes. Quando dali saí em l970, comigo saíram vários alunos adolescentes que viriam a constituir o Grupo Pod Minoga que foi muito expressivo nessa década. Trabalhávamos no esquema de criação colectiva, pintando, esculpindo, criando espectáculos que obedeciam apenas a um roteiro, com diálogos improvisados. Depois de alguns anos, achei que era hora de sair e viver as características da minha idade. Paralelo aos trabalhos no Pod Minoga, minha carreira pública já havia começado em 1972 com a produção brasileira de Sesame Street. No mesmo ano criei os cenários e escrevi então meu primeiro texto, Maratona, que excluí da edição. ca - Como é isso de rejeitar o nosso primeiro filho? Naum - Para um estreante na dramaturgia, Maratona foi razoavelmente bem aceite por público e crítica. Muitos escreveram que era uma peça com metades diferentes e alguns ficaram decepcionados com o segundo acto. Como autor novo, tive o ímpeto de contar uma vida numa única peça. Choramos na noite da estreia, nossas carreiras pareciam terminadas. Mas depois fui consertando os defeitos e tudo melhorou. Pouco tempo depois, comecei a escrever No Natal a Gente Vem Te Buscar, que considero meu primeiro texto, e percebi que todo o primeiro acto era muito parecido com

Augusto Baptista

o de Maratona, uma peça que me persegue. ca - Nas suas peças, a casa e a família têm um lugar de relevo tão forte que se sente o cheiro da cozinha na hora das refeições, ou se ouve, na sala do lado, uma conversa que não devíamos ouvir. Ao mesmo tempo existe uma crítica crua e impiedosa aos vícios f a m i l i a re s . A m a rg a n o s t a l g i a ? Saudade cúmplice? Naum - Talvez o termo “amarga nostalgia” contido na pergunta defina bem a temática familiar em minhas peças. Minha crítica pode ser dura mas acho que ela demonstra também um carinho e deixa claro que não me excluo. Saudade de tudo que passou eu não tenho mesmo. Não acho nem a infância nem a adolescência períodos risonhos. Claro que nem tudo foi um horror e sobrevivi para me sustentar dignamente e criar uma obra. Mas minhas lembranças nem sempre são leves. As coisas afectam as pessoas de forma diferente. O olfacto é um grande e forte elemento. Lembro-me de que nossa sala de visitas tinha cheiro de cera de soalho e de um produto que minha mãe passava nos móveis. O banheiro tinha cheiro de dentífrico e sabonete barato e perfumado. Da cozinha vinha o cheiro do alho frito na panela onde seria feito o arroz e dos bifes que, quando meu pai matava um porco, colocávamos sobre a chapa quente do fogão a lenha. O quintal cheirava a roupa lavada e estendida nos varais. Pirajuí tinha cheiro de café torrado. ca - A escrita teatral cruza muitos outros desempenhos. O teatro é apenas uma das suas actividades ou é a que aglutina e dá sentido a toda esta variedade e polivalência criativa? Naum - Sem nenhuma formação académica ou cursos especializados, aprendi, com a prática e a observação. Tudo que realizei ou realizo tem muito de um ímpeto baseado na intuição. Sem saber desenho técnico, sinto um palco e as necessidades de um espectáculo; tenho sensibilidade para criar figurinos adequados ou fantasiosos; sem saber música, canto ou dança, trabalhei com naturalidade, bom senso e criatividade em cada uma dessas áreas; sei instruir um iluminador ou um compositor que vá criar a trilha sonora. Mas sinto que, à medida que os anos passam, começo a me concentrar mais na escrita, na direcção e, com algum esforço, na pintura de meus quadros. O teatro está em tudo. ca - As suas peças aparecem agrupadas em dois ciclos: memorialista e urbano. O memorialista reúne as peças mais intimistas, autobiog ráficas, e o urbano centra-se em São Paulo, seu palco de eleição, e seus habitantes/ actores. Como foi decidida esta categorização por ciclos? Naum - Acho que não existe uma decisão intencional quando passamos de um a outro assunto. As peças enquadradas no ciclo memorialista partem do meu interior, de uma necessidade de me explicar coisas que são comuns para mim e para muita gente. Abordo problemas comuns, de pessoas normais. Não tenho preferência pelo drama ou pela comédia, em geral minhas peças têm as duas coisas. Acho que a vida é assim, o que é triste para uns pode ser mortalmente cómico para outros. ca - De Pirajuí para São Paulo, a ida para a grande cidade comum a

milhões de brasileiros... Naum - A pequena Pirajuí alimentou o plano de minha memória e São Paulo, a terra de meu segundo nascimento, a metrópole gigantesca, me forneceu dados para o ciclo urbano. Quando cheguei, fiquei muito assustado. Era muita gente apressada andando em todas as direcções. Mas fui descobrindo encantos, fiz novos amigos, frequentei os enormes cinemas e assisti a peças de teatro como eu nunca tinha visto. Começaram a surgir caminhos: cinema, teatro, artes plásticas. Fui engolido pela cidade e me transformando num dos personagens que nela habitam. Entre a escrita de Um Beijo, Um Abraço, Um Aperto de Mão, passei por um período de depressão criativa. Não fiquei parado. Dirigi peças teatrais, shows de música popular e erudita, óperas e até desfiles de moda. Suburbano Coração, minha única peça com foco no Rio de Janeiro, aconteceu nesse período chamado de depressão criativa mas não foi atingida por meus males interiores. Ainda está saudável, viva e, de certa forma, é uma das que compõem o ciclo urbano. Água com Açúcar inaugura, para valer, o ciclo identificado com a cidade de São Paulo. Custei a admitir que este enorme ajuntamento de casas, edifícios, ruas e almas era mítico e dele eu poderia extrair material para minha arte. ca - Das treze peças agora editadas pela Cena Lusófona, oito são inéditas, escritas entre 1991 e 2004. Tem sido difícil editar as suas peças? Qual é para si, como autor, a importância de ser editado? Existe um público leitor de teatro, para além de actores e dramaturgos? Naum - É bastante difícil publicar um texto teatral no Brasil. A Aurora da Minha Vida, a mais bem sucedida, teve várias edições. As outras duas, Suburbano Coração e Nijinsky, saíram pela Editora Civilização Brasileira, hoje pertencente à Bertrand. Acredito que não existe um público exclusivamente leitor de literatura teatral. Quem compra um livro de teatro em geral pertence à profissão ou tem interesse de uso do texto em encenações ou para fins didácticos em escolas especializadas. É um mercado muito irregular e pouco objectivo. ca - Que significado tem para si a edição da sua obra completa e a sua circulação pelos oito países do espaço lusófono? De um modo geral, que importância poderá ter a circulação de dramaturgias em língua portuguesa entre os vários países lusófonos? Naum - É muito grande a importância de tal publicação, para mim e para todos. Nós, de língua portuguesa, ficamos muito isolados do resto do mundo que é dominado sobretudo pelo inglês americano, economicamente agressivo. O mundo tem mudado, Portugal pertence à União Europeia e o Brasil já deu alguns passos. Sendo país novo, imenso, complexo, de características absolutamente diferentes devido à formação multi-étnica, temos um passado de pouca história, ao contrário da grande tradição lusa. Quando fui dirigir No Natal a Gente Vem Te Buscar em Portugal me dei conta de que era descendente de portugueses mas não carregava em mim todo aquele passado fabuloso. Éramos muito parecidos, eu via meu rosto nas faces portuguesas, falávamos “quase” a mesma língua, mas eu sentia que havia grandes diferenças e que a distância precisava diminuir. Precisa diminuir.

Naum Alves de Souza

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e d i ççã o edi ão
Ecos da edição da dramaturgia toda de Naum Alves de Souza
Foram muitos os ecos da recente edição pela Cena Lusófona da dramaturgia completa de Naum Alves de Souza, um dos mais completos artistas brasileiros da actualidade e um autor que, através da escrita teatral e da encenação (duas das suas muitas linguagens artísticas), nos dá um retrato único do Brasil dos últimos cinquenta anos, centrado no Homem, na família, nas questões da fé e da religião, nos contrastes da geografia urbana. A imprensa brasileira deu relevo a esta iniciativa editorial da Cena Lusófona e assegurou a divulgação e a cobertura das sessões de lançamento do livro,“um tijolo”, na avaliação bem humorada de Naum à jornalista Roberta Oliveira de O Globo, comparando “Teatro” à Bíblia: “Até o papel é o mesmo, gostoso de se folhear”. De salientar que, tanto o citado Globo como O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo, provavelmente os três maiores jornais brasileiros, dedicaram matérias jornalísticas de grande destaque nas suas páginas de cultura a esta iniciativa da Cena Lusófona. “Uma publicação para deleitar os amantes de teatro”, assim se refere Beth Néspoli, jornalista de O Estado de S. Paulo, à “edição caprichada lançada pela Cena Lusófona” com “o teatro marcante de Naum” e apresentada nas cidades brasileiras de Rio de Janeiro, S. Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte, em Setembro último. No Rio de Janeiro, a 6 de Setembro, primeira cidade brasileira a assistir à apresentação da obra, o espaço escolhido foi o Teatro Poeira, em Botafogo, propriedade das actrizes Marieta Severo e Andrea Beltrão. Durante o lançamento, excertos de algumas peças de Naum Alves de Souza foram lidos por actores cariocas, tais como a própria Marieta Severo, protagonista de várias peças de Naum, ou Pedro Paulo Rangel. Dois dias depois, 8 de Setembro, S. Paulo foi também palco de apresentação de “Teatro”. O auditório da Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos foi pequeno para acolher público e amigos interessados em levar para casa, autografadas pelo autor, as 1485 páginas em papel de bíblia que dão corpo ao livro. "O volume impressiona", assim se refere à obra do dramaturgo o crítico teatral Sérgio Salvia Coelho da Folha de S. Paulo, sublinhando a importância do livro: "Chega a acanhar. Estaria o teatro brasileiro tão abandonado que depende de uma editora portuguesa, a Cena Lusófona, para ter o seu mérito reconhecido? Mas o mal estar logo passa: a importância da obra de Naum Alves de Souza é a de caber no mundo sem se acanhar com a sua aldeia. (…) Assim aberto para a Cena lusófona, o que se vê aqui é um recomeço. Vivo para a arte, mais vivo do que nunca, ninguém fecha o pano a Naum Alves de Souza". O crítico teatral aproveita ainda a sua coluna na Folha de S. Paulo para sublinhar a "cuidadosa apresentação" que Guzik faz da obra de Naum e o facto do autor ser um dramaturgo encenador: "[Naum] vê o seu texto antes de tudo como matéria-prima para a encenação, nunca deixando de advertir os atores contra os perigos do riso fácil, em preciosas e precisas indicações para a construção dos personagens". A viagem do livro por terras brasileiras continuou a 13 de Setembro, desta feita na capital do estado de Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Integrado na programação do Porto Alegre em Cena, um dos mais importantes festivais de teatro no Brasil, a apresentação decorreu no Teatro Arena. E o périplo brasileiro encerrou em Belo Horizonte, a 28 de Setembro, na Livraria da Travessa.

Sessões de lançamento em Portugal
A edição de “Teatro” já tinha animado também em Portugal várias e concorridas sessões de lançamento, com a presença do autor, durante a primeira quinzena de Junho, nas cidades de Coimbra, Braga, Porto e Lisboa. Em Coimbra, o elenco de A Escola da Noite e actores convidados fizeram uma leitura pública de excertos de No Natal a Gente Vem Te Buscar e de Suburbano Coração na primeira sessão de lançamento de “Teatro” em Portugal (Café Santa Cruz, 2 de Junho). No Porto, a sessão (Rivoli, 12 de Junho) integrou a programação do FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica. Em Lisboa, a apresentação fez-se na Livraria Almedina (7 de Junho) e em Braga no Espaço Alternativo PT (8 de Junho), com leituras encenadas pelo corpo de actores da Companhia de Teatro de Braga. Recorde-se que a estadia de Naum Alves de Souza em Portugal proporcionou a concretização de uma oficina, em Coimbra, centrada na sua obra e sob sua direcção, na Oficina Municipal de Teatro, de 22 de Maio a 2 de Junho. Participaram nesta oficina o elenco residente d’A Escola da Noite – Companhia de Teatro de Coimbra – e actores convidados, num total de treze participantes.

Sessão de autógrafos no Teatro Rivoli, Porto

Sessão de autógrafos na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos, S. Paulo DR

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