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3/15/2011

Parte III:
Abordagem Histórica da Economia
Brasileira

Capítulo 13:
Economia Agroexportadora

Parte III Capítulo 13 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 2

Agroexportação Vulnerabilidade das economias


agroexportadoras
• É a forma de inserção da economia brasileira • alto peso do setor externo na economia
na economia mundial desde a época colonial, • A exportação é variável quase que exclusiva
passando pelo período imperial na determinação da renda nacional e de seu
dinamismo
• A República Velha é o momento de auge e
• Exportações: dependência de variáveis fora
ruptura desta forma de inserção de controle das autoridades nacionais:
• Cada período foi marcado por um produto que – demanda externa, oferta de países concorrentes,
dava dinâmica ao Balanço de Pagamentos e a comercialização internacionalizada
economia: ciclo do açúcar, do ouro, do café etc.  C. Tavares: Modelo de desenvolvimento
voltado para fora
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Pauta de Exportação Brasileira - 1900


Agroexportadores Centrais
• Exportação: variável • Exportação Couros e Peles Algodâo
Outros 2% 3%
chave na determinação importante, mas 7%
Investimento interno Fumo
da renda Borracha 2%
também 15%
• Pauta de exportação • pauta de exportação
base estreita, poucos não diferente de pauta
produtos primários de consumo Açúcar
6%
• importações base para • importações atende Café
suprir consumo interno parte do consumo 65%

• grande diferença entre • proximidade entre


base produtiva e de base produtiva e de Fonte: Silva (1957)

consumo consumo
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Pauta de Importações - Brasil - 1902/1903


Manufaturas de As oscilações de preços na
Algodão
12%
Bebidas
economia cafeeira (1)
7%
P re ço s do c afé no s Es ta do s U nid o s (1 8 51 - 1 9 08 )
(U S S p or s ac a )
Manufaturas de
Outros Ferro e Aço 25, 0
42% 6%
20, 0

Carvão de Pedra
6% 15, 0

Farinha de Trigo
6% 10, 0

Prod. Químicos e Máquinas e


farmaceuticos Ferramentas 5, 0

3% 5%
Charque
Arroz 5% 0, 0

3% Trigo em grãos 18 51 18 56 186 1 186 6 187 1 187 6 1 88 1 1 886 1 891 18 96 19 01 19 06


Fonte: Silva (1957)
5% FO NT E: De lf im Ne tt o, A (196 6)

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As oscilações de preços na Deterioração dos termos de


economia cafeeira (2) troca (1)
As oscilações se devem: • Termos de troca: relação entre os preços das
exportações e das importações de uma economia
• às condições da demanda (mercado
mundial), • Segundo alguns autores existe a tendência dos
preços dos produtos agrícolas caírem frente as
– ou seja aos ciclos da economia mundial.
manufaturas, existe assim uma tendência de
• às condições da oferta deterioração dos termos de trocas
– por exemplo geadas, pragas. • Se realmente houver tal tendência haverá uma
• à defasagem entre o plantio e a colheita perspectiva de crescimento relativamente inferior
do café. das economias agroexportadoras frente às outras
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Evolução dos termos de troca brasileiros 1850 - 1994


Deterioração dos termos de 300
1930 = 100

troca (2) 250


• A deterioração dos termos de troca pode
explicada dentre outros fatores por: 200

– elasticidade renda da demanda de produtos


150
primários menor que 1 e elasticidade renda da
demanda de produtos manufaturados maior que 1. 100
– mercado com características oligopolísticas para
produtos manufaturados e mercado concorrencial 50

para os produtos primários.


• O tema é objeto de controvérsia entre os 0
1850 1860 1870 1880 1890 1900 1910 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990

economistas Fonte: dados básicos IBGE e IPEAdata

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Os ciclos e os impactos sobre a


A ação do governo e as crise da
economia
economia agroexportadora
Fases de ascensão (queda) do preço internacional do café
• Possibilidades de ação do governo nos
Impactos positivos (negativos) sobre o restante da economia momentos de queda dos preços:
A. Desvalorização cambial.
Cresce (diminui) a lucratividade na atividade cafeeira B. Política de valorização do café.
• Estes mecanismos eram eficientes no curto
Boa parte dos lucros (não) são reinvestidos no próprio setor prazo para proteger a cafeicultura mas
tinham efeitos negativos a longo prazo
Aumenta (diminui) o volume de emprego
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A desvalorização cambial em A política de valorização do


uma economia agroexportadora café
• A vantagem é que a desvalorização cambial • A política de valorização do café consistia em
mantinha em moeda nacional a rentabilidade reter parte da oferta na forma de estoques.
da cafeicultura e o nível de emprego • Esta política se assemelha a práticas atuais de
• Mas gerava dois tipos de problemas: regulação dos mercados agrícolas por meio de:
– a desvalorização cambial “escondia” os sinais  Política de preços mínimos – o governo
dados pelo mercado (tendência de estabelece preços mínimos na safra, a partir dos
superprodução de café). quais ele adquire e estoca produtos.
– a desvalorização cambial encarecia todos os  Estoques reguladores - estocar na safra para
produtos importados desta economia “desovar” os estoques na entresafra, evitando
(socialização das perdas). aumentos excessivos de preços na entresafra
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Preço
normal
Os problemas com a estocagem
Preços
de café
Preço de
liberação • A expectativa é que houvesse nos anos
de estoques
seguintes uma reversão da oferta de café, mas
esta reversão se mostrava cada vez mais difícil
Preço mínimo à medida em que a estocagem ia ocorrendo.
A política acentuava a tendência à
Tempo superprodução e outros países também eram
indiretamente incentivados a plantar café.
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A superprodução e a crise da Indústria e economia


economia cafeeira em 1930 agroexportadora
• Com a manutenção da rentabilidade da
economia cafeeira, os recursos convergem • A fragilização do modelo agroexportador traz à
para esta atividade levando à superprodução. tona a necessidade da industrialização.
• Em 1930, dois elementos se conjugaram: • A industrialização brasileira teve início no final
A produção nacional era enorme do século XIX mas foi a partir da década de 30
A economia mundial entrou numa das maiores que passou a ser meta de política econômica.
crises de sua história. • Antes de 1930 as indústrias existentes surgiram
• Consequências: nas “franjas” da economia cafeeira, de acordo
 Preços despencaram. com as necessidades de atender a um mercado
 o governo passou a queimar parte dos estoques. consumidor incipiente
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Fases de expansão do setor exportador


As Origens da Indústria
Brasileira (1) Aumento de divisas
• Duas correntes procuram explicar a origem
da indústria no período agroexportador: Investimento industrial pela importação de máquinas.
– teoria dos choques adversos – a indústria
surgiu como uma resposta às dificuldades de Crises do setor exportador
importar produtos industriais em determinados
períodos (I GM e Depressão de 30). Dificuldade de importação de bens de consumo
– industrialização induzida por exportações – incentiva a produção nacional.
a indústria crescia nos momentos de expansão
da economia cafeeira (expansão da renda e do
mercado consumidor). Ocupação da capacidade instalada e aumento da
produção
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Estrutura da produção industrial - Brasil 1919


As Origens da Indústria outros bens de mineral não metálico Bens de Produção

Brasileira (2) consumo


7%
6%
produtos de metal
4%
16,6 %

madeira e móveis equipamentos de

• A origem do capital industrial é um 7%


fumo
transporte
2%
outros - bens de
vazamento do capital cafeeiro e ela surge 5%
produção
4%
para atender as necessidades da economia bebidas
6%

cafeeira.
Bens de Consumo

• De acordo com o censo industrial de 1920, os 83,4%

têxteis
produtos têxteis, alimentícios e bebidas, produtos alimentícios
29%

respondiam por mais de 60% do valor da 21%

produção industrial no país. roupas e calçados


Fonte: dados em Baer
(1995)
9%

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