Título VI

Dos Crimes Contra Dignidade Sexual LEI 12.015/09 1.0 Dos Crimes Contra Liberdade Sexual.

1.1 Do Estupro. A lei 12.015 de 07 de agosto de 2009 alterou substancialmente o capítulo I e II do Código Penal, dentre as grandes novidades, o crime de Atentado Violento ao Pudor, descrito no antigo 214 , do Estatuto Repressivo foi incorporado pelo o art. 213 do Código Penal, terminando com a distinção entre Estupro e Atentado Violento ao Pudor. Embora não seja objeto de nossos estudos a lei ainda alterou o capítulo dos Crimes de Lenocínio ou qualquer outra forma de exploração sexual e os crimes de tráfico de pessoas.

O intuito do curso é apresentar as novidades introduzas ao Código Penal a partir da vigência da lei 12015/09. Basicamente aprenderemos e entenderemos as antigas e atuais contrové rsias que sugiram ante a publicação da lei.

1.1 Do Crime de Estupro.

O art. 213 do Código Penal prevê a seguinte redação: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção

carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.

Infere-se da nova redação que a vítima de estupro deixa de ser exclusivamente mulher para abranger qualquer pessoa, isto significa que a rigor o homem poderá ser vítima de estupro.

No sistema anterior não se imaginava que o homem seria constrangido por uma mulher para ter com ela conjunção, se isto ocorresse, o que era pouco provável, a mulher re sponderia pelo crime de constrangimento ilegal.

Hoje a mulher que constranger o homem a manter com ela conjunção carnal o crime se adequará perfeitamente ao art. 213 do Código Penal, pois o tipo penal descreve expressamente que a vítima será alguém.

Especificamente, o tipo penal exige que alguém mediante violência ou grave ameaça tenha conjunção ou pratique ou permita que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal.

Note que ter conjunção carnal normal não é crime, o delito estará caracterizado quando alguém mediante o emprego violência ou grave ameaça obrigue a vítima a ter conjunção carnal ou praticar ou permita que com ele se pratique ato libidinoso.

Constranger significa compelir, obrigar, forçar ou subjugar a vítima a praticar o ato libidinoso ou a ter conjunção carnal. Não

haverá o crime se a conjunção carnal for consentida, salvo quando o consentimento for viciado em razão da idade, enfermidade, doença mental ou qualquer forma de reduzir a capacidade de resistência da vítima (art. 217-A, do CP). Quanto a violência, o autor deverá utilizar-se de violência física (vis absoluta), ameaça (vis compulsiva) coagindo moralmente a vítima. Esta ameaça pode ser própria ou contra terceiro, na hipótese em que a mãe da criança é coagida a ter conjunção carnal com o agente enquanto ele ameaça a matar o filho da vítima caso ela não mantenha conjunção carnal com ele.

A contravenção de vias de fato e o crime de lesão leve serão absorvidos, ou seja, o crime e a contravenção penal são meios necessários para que o agente chegue a consumação do delito.

Como anteriormente mencionado, a falta de consentimento é um elemento essencial para que ocorra o crime de estupro. Mas o contato físico nem sempre é necessário para sua caracterização. Embora seja consolidado o entendimento do STJ no sentido da necessidade de contato físico para que ocorra o delito, pensamos que o fato deverá ser analisado caso a caso. Imaginemos que o autor constranja a vítima a masturbar-se enquanto ele permanece exercendo atividade meramente contemplativa.

Note que não houve contato físico entre a vítima e o agente, mas o crime foi consumado no instante em que o agente coagiu a vítima a praticar atos de libidinagem sobre o seu próprio corpo. Assim podemos concluir que a vítima p oderá agir de forma ativa, passiva, ativa e passiva, isto significa que o crime estará caracterizado quando o agente obriga a vítima a praticar atos nele ou quando constrange a vítima a permita que nela se pratique e por fim quando o agente obriga a vítima a praticar atos de libidinagem sobre o corpo dela. A postura da vítima em

isto significa que nem sempre o ato libidinoso será um crime de relevância. pois qualquer pessoa poderá ser vítima do delito. o beijo não é necessariamente crime de estupro. humilhar ou sujeitar a vítima a um vexame qualquer. Quando estudamos o crime de estupro é preciso tomarmos cuidado com a intervenção desmedida do direito de punir do Estado. assim tanto a mulher quanto o homem poderão ser sujeito passivo do crime descrito no art. neste ponto necessitamos ter cuidado. Com a atual redação o crime de estupro passou a ser considerado crime comum. pois nesta hipótese estaríamos diante de uma relação homossexual. 213 do CP. pois dependendo do caso poderíamos aplicar uma pena de 6 anos para quem desejasse apenas brincar. um crime de constrangimento ilegal ou até mesmo uma injúria real. não é possível atribuirmos à autoria . pois ainda prevalece a ainda que o crime de estupro praticado na forma de ter conjunção carnal obrigatoriamente deve ser cometido na relação heterossexual.síntese seria a de permitir que nela ou sobre ela se pratique e por fim quando o agente a obriga a praticar nele o ato libidinoso. Novamente. podendo assim caracterizar uma contravenção penal (importunação ofensivo ao pudor). Como fica então a situação da mulher de constrange um homem a manter conjunção carnal com outra mulher ? Se considerarmos que o crime de estupro nesta modalidade é crime de mão própria. Nesse sentido. Não é possível que uma mulher seja autora de estupro sendo vítima outra mulher. Explico.

coautoria ou participação no crime de estupro. pois na modalidade de crime de mão própria a condição pessoal do autor é indelegável ou intransferível. Realmente. relevância causal. Com relação ao momento consumativo. Tal raciocínio não se afasta da ideia da coação moral irresistível. Hoje é impossível concluirmos pela inadmissibilidade da tentativa de crime de estupro. Aproveitando-se do momento de autoria ou concurso de agentes.do crime a mulher. 22 do CP. senão que se lhe aplica a pena do estupro por haver cometido o delito de determinar o estupro. basta pensarmos no sujeito que rasga a roupa da vítima com a finalidade de ter conjunção . esta discussão havia antes de adotarmos a teoria finalista da ação. é fundamental observarmos que existe quem defende a impossibilidade da tentativa do crime d e estupro. o crime se perfaz quando o agente introduzir total ou parcialmente o pênis na cavidade vaginal da mulher ou praticar ou permitir que com ele se pratique qualquer ato libidinoso. Para evitar a impunidade. liame subjetivo e identidade de infrações). preconiza o ilustre doutrinado que a mulher não é punida como autora do crime de estupro. desde que estejam presentes os requisitos do concurso de pessoas (pluralidade de pessoas. é possível autoria. Neste ponto. Raúl Zaffaroni lança mão da autoria de determinação. pois se não houver a conjunção carnal haverá no mínimo a prática de atos libidinosos. nos termos do art.

dessa conduta resultar lesão corporal de natureza grave ou morte.2 Das Formas Qualificadas. 223 do Código Penal. Antes da alteração promovida pela lei 12. mas no instante que iria introduzir o pênis na cavidade vaginal da vítima a polícia chega. . a fim de levar a efeito o estupro. o tipo penal não exige uma finalidade específica. 223. mas tais atos foram necessários para que o agente pudesse consumar a conjunção carnal. Mas atenção. deverá o agente responder pelo crime qualificado. antes da conjunção carnal houve necessariamente um contato físico que caracterizaria ato libidinoso. Agora contrariamente do que ocorria no revogado art. não importa se o agente atuou com emprego de violência ou grave ameaça. Assim. 1. basta que o agente tenha conjunção carnal com a vítima ou pratique ato de libidinagem. isto significa que não há modalidade culposa do crime. Já a respeito do elemento subjetivo.0 15/09. se. De fato.carnal com ela. o tipo penal exige que o agente atue dolosamente. o crime de estupro qualificado necessitava da combinação com o art. o legislador previu expressamente que o crime será qualificado quando da conduta do agente resultar lesão corporal grave ou morte da vítima. O dispositivo tornava qualificado o crime quando da violência resultasse lesão grave e quando do fato ocorresse a morte da vítima.

E mais. mesmo sabendo de sua condição de pessoa portadora de problemas cardíacos. após o início do coito vagínico. 19 do CP. Outra questão relevante é saber se o resultado agravador pode ser obtido a título de dolo ou tão somente a título de culpa. o crime de estupro qualificado pelo resultado lesão grave ou morte é por essência um crime preterdoloso. a falecer. ele não responderá pela qualificadora. sob pena de responsabilidade objetiva. Embora a conduta do agente tenha produzido uma lesão corporal gravíssima. ou seja.Tomemos como exemplo a sugestão de Rogério Greco: A título de raciocínio. querendo praticar o estupro. Nesse caso o agente deverá responder pelo estupro qualificado pelo resultado morte. imagine-se a hipótese em que o agente. isto significa que o resultado agravador (morte ou lesão grave) deve ser produzido a título de culpa. essencialmente. pois o resultado agravador não foi no mínimo previsto ou previsível. o resultado agravador deve ser no mínimo previsível. . sem que o autor do crime nem a vítima soubessem da eventual gravidez. Apenas tome cuidado que o crime de estupro qualificado pela lesão grave ou morte é crime. preterdoloso. ele responderá por crime de estupro simples em concurso material com crime de homicídio ou lesão corporal. Entendemos como a maioria dos doutrinadores. consequentemente. nos termos do art. Para ilustrar. ameace gravemente a vítima. Ao ouvir a ameaça e durante a prática do ato sexual. a vítima tem um infarto fulminante. vindo. assim caso o agente pretenda produzir o resultado agravador dolosamente. basta da violência ocorrer a lesão corporal grave que resulta o aborto.

Na sugestão de Rogério Greco. ou seja. Mesmo sendo esta posição a que goza da predileção da maioria da doutrina. em uma pedra. Assim será . não obstante o crime sexual ter permanecido na forma tentada.Assim. Nesse caso. havendo morte da vítima o crime estará consumado. Permanecendo no mundo das possibilidades. o resultado que agrava especialmente a pena for proveniente de caso fortuito ou força maior. 19 do CP. pergunta-se: Teríamos uma tentativa qualificada de estupro ou o estupro poderia ser considerado consumado havendo morte da vítima. Alguns doutrinadores entendem que o agente responderia por crime de estupro qualificado pelo resultado morte. por exemplo. Aplicando a questão a mesma interpretação do latrocínio consumado. fazendo que esta bata a cabeça. imaginemos agora que o agente tenha dado início a execução do crime de estupro. mesmo sem a ocorrência da penetração? Há duas correntes para o caso. conforme salienta Noronha. produzindo-lhe a morte antes que seja praticada a conjunção. Para que o crime seja consumado é necessária a reunião de todos os elementos que compõem o tipo penal. mesmo que a subtração permaneça na forma tentada. o agente não poderá ser responsabilizado pelas modalidades qualificadas. entendemos que o crime de estupro é qualificado tentado. suponhamos que o agente derrube a vítima violentamente no chão. mas antes de manter conjunção carnal a vítima venha a falecer por alguma razão. conforme preconiza o art.

assim. fazendo desaparecer os crimes autônomos que dele fazem parte. nos termos do art. Tratando-se de crime complexo. § 1°. 213. . ou seja. aquele crime que reúne todos os elementos da definição legal. do Código Penal. entendemos extremo preciosismo e de uma literalidade sem precedente considerar que neste caso a vítima tenha que ter quatorze anos e um dia para qualificar o crime . caso haja emprego de violência no dia em que vítima completa quatorze anos o crime será qualificado. conforme o art.3 Causa de Aumento de Pena. do Código Penal. Nesse ponto. peço vênia aos que entende m de forma diversa. É qualificado ainda o estupro quando a vítima for menor de 18 anos e maior de quatorze anos. há uma divergência em relação a existência da qualificadora quando o crime for praticado no dia em que a vítima completa quatorze anos.consumado. 14. aquele que há fusão de dois ou mais crimes. assim estaríamos diante de um fato atípico. 1. logo não é possível dizer que o crime de estupro qualificado pelo resultado morte está consumado quando o delito sexual permanece a forma tentada. I. Dessa forma. pois o estupro de vulnerável tutela a vítima menor de quatorze anos enquanto a qualificadora exige que a vítima seja maior de quatorze anos quando não houver emprego de violência ou diante de estupro simples quando houver violência? Com a devida vênia. somente haveria a reunião de todos os elementos da definição legal quando houvesse além da morte a conjunção carnal. agora se não houver o emprego da violência a conduta será atípica.

infelizmente a mulher. de metade se o agente é ascendente. sendo . neste caso. As duas últimas causas de aumento de pena são novidades. para que ocorra a incidência da majorante.Haverá causa de aumenta de pena de quarta parte quando o crime for praticado em concurso de 2 ou mais pessoa. Aqui andou bem o legislador impondo uma repr ovação mais severa. in loco. de metade. o legislador exigiu a real e efetiva transmissão da doença. somos partidários da necessitada que os agentes estejam presentes. cônjuge. tant o que o Código Penal autoriza. a prática do aborto. tio. Na primeira causa de aumento de pena. rejeitar o feto ou criança. mesmo. vítima de estupro pode vir a engravidar e consequentemente. nos termos do art. irmão. curador. se do crime resultar gravidez e por fim de um sexto até a metade. Nesse caso. O concurso de agentes no estupro visa dar uma maior facilidade no cometimento do crime. padrasto ou madrasta. dar uma maior reprovação ante a qualidade do sujeito ativo. A última se refere à possibilidade da vítima contrair doença sexualmente transmissível do autor do crime. pois sempre lhe trará péssimas lembranças do dia da violência. anulando a possibilidade de resistência da vítim a. preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela. do Código Penal. II. 128. Quanto a segunda causa de aumento de pena. não se imagina que um pessoa que detenha o poder de proteção atente contra a liberdade sexual da vítima. tutor. diminuindo ou. se o agente transmite à vítima doença sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador. companheiro.

18 do Código Penal. . Inicialmente farei alusão ao concurso de crimes no sistema antigo. pois quando o legislador deseja fazer menção de responsabilidade a título de culpa o faz expressamente. Majoritariamente. Com a publicação da lei 12. Havia certa controvérsia. 1. tanto da doutrina quando na jurisprudência ora entendendo que a conjunção carnal e o ato libidinoso resultariam na prática de dois crimes. A polêmica nesta questão é identificar se a expressão deve saber tem natureza de culpa ou dolo eventual. consideramos que a expressão deve saber tem natureza de dolo eventual. nos termos do parágrafo único do art. pois não existiria continuidade delitiva. pois tratava -se de tipo penal alternativo ou crime de ação múltipla ou conteúdo variado.4 Do Concurso de Crimes. pois tratava-se de crimes de espécies distintas.015/09 sugiram duas correntes. Antes da vigência da lei 12. significa que a prática de um ou de vários verbos constantes no tipo penal resultaria na prática de crime único.responsabilidade o agente que sabe ou deveria saber estar acometido da moléstia grave. A primeira defendendo que a prática da conjunção carnal e do ato libidinoso no mesmo contexto fático seria crime único.015/09 o agente que no mesmo contexto fático praticasse conjunção carnal e ato libidinoso poderia responder por dois crimes em concurso material ou dependendo da situação por dois crimes em continuidade delitiva.

214 pelo art. Tratando -se de lei que determinou a incorporação do art. dependendo da situação haveria continuidade delitiva. sempre sustentou que a atual redação do art. 213. apesar da descrição plurinuclear a prática dos vários verbos do tipo penal resultaria em uma pluralidade de crime. assim o juiz deverá ajustar o processo em tramitação ao conteúdo da nova lei. A doutrina. Embora minoritária esta corr ente era sustentada pela Sexta Turma do STJ.015/09. I. 66. . 71.Porém havia quem sustentasse que o crime de estupro. amplamente dominante. ou seja. basta imaginarmos o agente que teve conjunção carnal com a vítima em um determinado dia e posteriormente praticou atos de libidinagem. 213 não resta dúvida que acabou beneficiando o réu. Agora se a decisão já foi transitada em julgada. É claro que a decisão dependerá da análise dos requisitos subjetivos e objetivos do art. Outra questão diz respeito aos crimes praticados antes da vigência da lei 12. nos termos do art. mesmo com a nova redação. do CP. a classificação do tipo penal como sendo crime alternativo ou crime de ação múltipla ou conteúdo varia. do CP. É importante frisarmos que tanto o STJ quanto o STF vem admitindo continuidade delitiva no crime de estupro. da LEP c/c o verbete da súmula 611 do STF . com a atual redação dada pela lei 12. era tipo penal cumulativo. caberá ao juiz da execução penal fazer os devidos ajustes.015/09. Hoje esta posição também vem sendo seguida pelo STF e STJ.

a prática de um ou de vários núcleos do tipo penal resultará na prática de delito único. o crime de estupro. ou seja. ou na qualidade de padrasto. seria possível concluirmos pela pluralidade de crimes. do CP. mas é possível concluirmos que atualmente. prevê que a ação penal será. . Agora. do CP. era crime de ação penal privada. 225. tem natureza de ação penal pública condicionada. pública condicionada à representação ou quando o crime for praticado contra vulnerável ou pessoa menor de 18 anos a ação será pública incondicionada. em regra. sendo pública condicionada quando a vítima ou seus pais fosse pobre e não pudesse prover às despesas do processo. caso seguíssemos a corrente minoritária. em regra. não é a das melhores. desde que adotássemos a corrente que entende que o crime é tipo penal cumulativo. 225.015/09. a ação nos crimes descritos no capítulo I. tutor ou curador. podemos concluir que o crime de estupro é crime de ação plurinuclear. Agora o art. 1.Assim diante das decisões e de uma análise teorizada. por fim era de ação penal pública incondicionada quando o crime fosse praticado por quem detivesse o poder familiar. sem privar-se de recursos indispensáveis à manutenção própria ou familiar. a rigor. Antes da vigência da lei 12. A redação do art. nos termos do verbete da súmula 608/STF.5 Das Ações Penais. Havia ainda a possibilidade de a ação ser penal pública incondicionada quando o crime fosse praticado mediante violência real.

. pois o espírito da lei foi o de tornar mais rigorosa a intervenção do Estado nos crimes contra vulneráveis. atualmente. Não obstante. expressamente determinou que a ação nos crimes descritos no capítulo I. pois o art. Três. vulneráveis ou menores de 18 anos a ação penal será pública incon dicionada. o intuito do legislador foi dar tratamento mais rigoroso ao crime contra dignidade sexual. mas esta não é a melhor interpretação para o problema. 225. isto significa dizer em outros termos. já em relação aos crimes cometidos com violência.enquanto os crimes descritos no capítulo II serão promovidos mediante ação penal pública incondicionada. Um. podemos concluir no seguinte sentido. caput. de ação penal pública incondicionado. Assim. o certo é que todos os delitos do capítulo II são de ação penal pública incondicionada. Dois co crime cometido mediante violência é crime complexo e. dependerá de representação da vítima. o caput do artigo mencionar que os crimes descritos nos capítulos I e II são de ação penal pública condicionada à representação. o STJ e STF ainda vêm decidindo no sentido da aplicação da sú mula 608/STF. que a ação penal pública condicionada ficará restrita aos casos de grave ameaça. o crime praticado mediante violência ou grave ameaça contra maiores de dezoito anos será de ação penal pública condicionada a representação? Os mais precipitados poderiam concluir que sim. Há ainda a discussão se o teor da súmula 608/STF encontra-se superado ou não. do CP. portanto.

preservando válidos os atos praticados na vigência da lei antiga. Imaginemos o seguinte. caput. 2°.015/09. 60. Se baixássemos o processo para que a vítima representasse no sentido de legitimar o Ministério Público a prosseguir no processo. envolve invariavelmente o direito de punir. dependendo do caso. nos remete a ideia de que a alteração da natureza da ação é matéria ou norma de natureza formal. . entendemos que a ação penal privada que apura o crime de estupro deve prosseguir privada. como por exemplo. Dessa maneira. a priori. assim antes de definirmos se a atual lei atingir á o processo.Bem. a lei que altera a natureza da ação penal. do CPP. logo haveria extinção da punib ilidade ao passo que se a ação se transmudasse para ação penal pública condicionada à representação o réu suportaria conseqüências muito mais drásticas. com uma desistência do querelante. o réu ser beneficiado. mas durante a fase de instrução a lei alterou a natureza da ação para pública condicionada à representação. estaríamos privando o réu das possibilidades que a natureza da ação penal poderia acarretar. por exemplo. Agora como ficam os processos que já estão em andamento e foram promovidos mediante ação penal privada ou ação penal pública condicionada à representação ? A questão. do CPP. a impossibilidade do Ministério Público dispor da ação. assim diante do art. o processo iniciou-se com ação penal privada. nos termos do art. percebemos que a natureza da ação penal foi alterada com a vigência da lei 12. podendo. é imprescindível analisarmos se a lei beneficiará ou não o réu. como por exemplo. Mas o problema não é tão simples como parece. extinção da punibilidade por perempção. haverá aplicação imediata da norma ao processo que está em trâmite.

015/09 criou um novo capítulo que se trata dos crimes contra os vulneráveis. do CP que previa a hipótese estupro ou atentado violento ao pudor p resumido. a lei 12. neste caso como a conjunção carnal foi obtida mediante erro. os crimes de violação sexual mediante fraude e assédio sexual. o agente responderá por violação sexual mediante fraude. Mas para que possamos apenas ter noções gerais. Neste caso.6 Dos Crimes Contra Vulneráveis. vítima de crimes sexuais. Após a prestação sexual o agente deixa de pagar o programa. a prostituta pode ser. seu irmão.015/09 revogou expressamente o art. Voltando ao objetivo principal de nosso estudo. basta imaginarmos que um irmão gêmeo desejando ter conjunção carnal com a namorada do outro irmão faz se passar pelo verdadeiro namorado. . basicamente o capítulo II criou os crimes de estupro de vulnerável.1. Dessa forma. a lei 12. foi criado um crime autônomo para tutelar os menores de quatorze anos. sem problema algum. pessoas que estão em enfermidade ou doentes mentais e ainda quando a vítima tiver sua capacidade de resistência reduzida. ou seja. corrupção de menores. Como disse durante nossas aulas. Existe ainda um exemplo interessante. ele responderia por violação sexual mediante fraude. 224. mas imaginamos que o agente para ter conjunção carnal com a prostituto se propõe a dar uma quantia substancial em dinheiro para ela ao final do programa. são crimes que quase não tem incidência. Agora diante do novo cenário.

bem como tenha sua capacidade de resistência reduzida. . ou seja. Dessa forma. A polêmica quanto ao estupro de vulnerável concentra se em saber se a presunção de violência é absoluta ou relativa. 217-A não exige o emprego de violência ou grave ameaça para que exista o delito. isto significa. pois quando o legislador criou um crime autônomo para tutelar os crimes contra vulneráveis. Segundo Rogério Greco. ocorrerá o crime de estupro de vulnerável mesmo que a vítima consinta que o agente tenha conjunção carnal com ela o pratique qualquer outro ato de libidinagem. que esteja acometida de enfer midade ou doença mental.satisfação da lascívia na presença de criança ou adolescente e o crime de favorecimento da prostituição ou qualquer outra forma de exploração sexual de vulneráveis. independe de prova do consentimento da vítima. Percebe que o dispositivo penal descrito no art. ele definiu o intuito de considerar o crime como sendo de presunção absoluta. mormente os menores de quatorze anos. e considerar viciado o consentimento. o crime de estupro de vulnerável estaria caracterizado quando o agente mantivesse conjunção carnal com vítima menor de quatorze anos. que será possível ou não prova do consentimento por parte da vítima. a questão perdeu razão de existir. Inicialmente.

Assim. a presunção é absoluta. de fato a presunção se absoluta. mesmo com o consentimento da vítima.O STF e o STJ entendem que a presunção do crime é absoluta. estaríamos promovendo indiretamente que o agente. Mas e se houver emprego de violência ou grave ameaça. Nota que a conclusão não permite considerarmos que o consentimento seja relativizado. Não obstante. ao invés de . assim o crime existirá mesmo que vítima permita a prática da conjunção carnal. é suficiente para existência do crime. pois basta a conjunção carnal ou o ato de libidinagem. agente que de longa data já namorava a vítima. por exemplo. pois a lei certamente veio tutelar mais rigorosamente aqueles que cometem crimes contra vulneráveis. mencionamos que o delito não é comet ido mediante violência ou grave. portanto independe da prova do consentimento ou não da vítima. isto não impede o intérprete de flexibilizar a norma atendendo as características especiais do caso concreto. Logo. entendo que mesmo com a publicação da lei 12. Note que antes de nos aprofundarmos no estudo de estupro de vulnerável. pelo contrário. como ficaria o caso? Não seria possível admitirmos que neste caso o crime seria de estupro simples. apenas haverá flexibilidade ante as peculiaridades do caso concreto. não podemos desprezar as singularidades que o caso concreto poderá apresentar. com a permissa venia dos que entendem de modo diverso. por outro lado. o fato de considerarmos o crime como de presunção absoluta.015/09 haverá discussão a respeito da presunção absoluta ou relativa do consentimento no crime de estupro de vulnerável.

como a nova lei revogou o art. não haverá mais necessidade de permanecer a discussão.praticar o crime sem violência. da lei 8. não havendo incidência da causa de aumento de pena descrita no art. da lei 8. 9°.072/90. Alguns doutrinadores. principalmente. Os tribunais. empregasse como forma de alcançar seu desejo sexual. 224. Não podemos nos furtar que aquela discussão do crime de estupro presumido ser ou não hediondo acabou.072/90. Atualmente.072/90. Desse modo. pois a lei 12. pois elementar do tipo penal e circunstância de causa de aumento de pena tem natureza jurídica distintas. entendemos que aquele que empregar violência ou grave ameaça contra vulnerável para ter conjunção carnal ou qualquer outro ato de libidinagem deverá responder pelos crimes de estupro de vulnerável em concurso material com o crime de constrangimento ilegal. 1°. pois serviria como elementar do tipo penal e posteriormente como causa de aumento de pena. .015/09 inseriu expressamente o crime de estupro de vulnerável no art. entendiam que a causa de aumento de pena prevista na lei de crimes hediondos representaria um bis in idem. do CP. 9°. Agora a polêmica se concentra na possibilidade de incidência ou não da causa de aumento de pena descrita no art. o STF entendia no sentido de não haver a duplicidade. da Lei 8.

227. Infere-se da nova redação uma modalidade especial de lenocínio.015/09. . do CP prevê o crime de Mediação Para Servir a Lascívia de Outrem. 217-A. o crime de corrupção de menores era praticado quando o agente corrompia ou facilitava a corrupção de pessoa maior de quatorze anos e menor de dezoito anos. inicialmente. 218 teve o conteúdo totalmente alterado pela lei 12. quando o agente induz alguém menor de quatorze anos a satisfazer a lascívia de outrem. o crime de fato é de mediação para servir a lascívia de outrem tendo como vítima uma pessoa menor de quatorze anos. remetemos o leitor as problemáticas das qualificadoras do estupro. previstas no próprio art. O legislador. Quanto as discussões das qualificadoras. 1.7 Da Corrupção de Menores. embora sejam autônomas. embora tenha preservado o nomen júris da corrupção de menores. O art. o STF determinou o juízo das Execuções Penais ajustar a condenação do réu ao novo entendimento que considera que a causa de aumento de pena da lei de crimes hediondos está revogada pela lei 12. do mesmo modo com relação a tentativa e momento consumativo. O art.015/90. ou induzindo-o a praticar ou presenciar.Recentemente. com ela praticando a to de libidinagem.

haverá participação em crime de estupro de vulnerá vel ou estupro simples. se for previsível em relação ao agente que convenceu a menor . 29. É importante que o agente convença a vítima a satisfazer o desejo sexual de pessoa determinada. pois atualmente o crime existirá quando alguém convencer um menor de quatorze anos a satisfazer a lascívia de uma terceira pessoa. qualquer comportamento de natureza sexual. § 2° do CP. . po is do contrário o crime deixa de ser corrupção de menores para caracterizar o delito de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual. Não podemos nos distanciarmos da ideia que o delito é restrita a atividade contemplativa. Não esqueça a possibilidade de participação em crime menos grave. se o terceiro tiver contato físico com a menor de quatorze anos o crime será o de estupro de vulnerável ou estupro. pois se houver a conjunção carnal ou qualquer outra forma de ato de libidinagem o crime deixa de ser corrupção para caracterizar o crime de estupro de vulnerável. assim poderá o sujeito que induziu a menor responder pela corrupção.Assim. ou seja. que tenha por finalidade realizar os desejos libidinosos de alguém. mesmo com o contato físico. houve o que denominamos de abolitio criminis com a antiga forma da corrupção de menores. A lascívia descrita pelo legislador consiste em qualque r forma de atividade ligada ao sexo. Neste ponto. nos termos do art.

. Agora diante da nova redação. a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem. dessa forma quando o agente obrigasse a vítima menor de quatorze apenas a presenciar o ato de libidinagem o fato era atípico. é necessário que o agente esteja praticando a conjunção carnal ou outro ato de libidinoso na presença de menor de quatorze anos. A finalidade do agente. muito forçosamente poderíamos caracterizá-lo como crime de constrangimento ilegal. satisfazendo a lascívia do agente que pratica os atos sexuais. ante a previsão que tutelava apenas os maiores de quatorze anos e menores de 18 anos. comete o crime quem praticar na presença de alguém menor de quatorze anos. Para que ocorra o crime em estudo.1. conjunção carnal ou outro ato libidinoso. ou induzir a presenciar. O art. do CP. ao permitir ou a induzir que o menor assista a prática dos atos sexuais pode ser tanto dirigida à satisfação da sua própria lascívia. ou mesmo de terceiro. como de terceiros. 218-A corrigiu uma imperfeição que havia na redação do art. 218. sendo irrelevante a consciência do menor.8 Satisfação de Lascívia Mediante Presença de Criança ou Adolescente. O crime se consuma quando o menor efetivamente presencia a prática da conjunção carnal ou outro ato libidinoso.

Quando o tipo penal menciona qualquer outra forma de exploração sexual. 218-B descreve o Favorecimento da Prostituição de Vulnerável. que por enfermidade ou deficiência mental. Ocorre a facilitação quando o agente proporciona meios eficazes de exercer a prostituição. neste caso os exemplos são farto e notoriamente conhecidos. significa que haverá crime quando a vítima trabalhasse em casa de streap-tease. Quando a vítima não for considerada vulnerável o crime estará previsto no art.9 Favorecimento da Prostituição ou Outra Forma de Exploração Sexual de Vulnerável. Também configura o crime quando o sujeito impede ou dificulte que a vítima abandone a prostituição. 228. O art. do CP. Por fim. facilita. a atividade extorsão relativas as eventuais dívidas de hospedagem. não tem o necessário discernimento para prática do ato. pois convencer ou estimular à prostituição não deixa de ter sentido único. chegamos ao estudo especial do crime de favorecimento da prostituição. impede ou dificulte que abandone. . Pratica o crime o sujeito que submete. ou ainda. disque sexo etc. Induzir ou atrair acaba sendo faces de uma mesma moeda.1. Infere-se do núcleo do tipo penal que submeter consiste em sujeitar à vítima à prostituição. induz ou atrai à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de dezoito anos ou. como por exemplo.

Note que o dispositivo penal menciona que haverá crime quando o agente. quais sejam. Desse forma. mas a atividade carnal deverá ser habitual. Devemos tomar cuidado que majoritariamente. 218-B. os doutrinadores entendem que a entrega a um único cliente seria suficiente para haver o crime. O legislador visou punir também que não facilita mas mantém relacionamento com alguém maior de 14 anos e menor de 18 anos.O crime é tipo penal alternativo ou crime de ação múltipla ou de conteúdo variado. Não obstante o crime se consume com a simples entrega ao comércio carnal. isto significa que o crime é instantâneo. na verdade é uma forma de inibir o incentivo à prostituição. O art. Houve . por exemplo. pois inexiste prostituição eventual. entendemos que deverá ter uma habitualidade. convença alguém menor de 18 anos à prostituição. 218-B inseriu ainda em nosso ordenamento duas formas equiparadas de praticar o crime. isto significa que a prática de um núcleo do verbo do tipo ou de vários resultará em crime único. o gerente ou o responsável do local permita que se verifiquem as práticas referidas no caput do art. quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 anos e maior de 14 anos na situação descrita no cap ut do artigo e quando o proprietário. mas existe um limite de idade no tipo penal. do contrária estriamos diante de participação de estupro de vulnerável ou corrupção de menores dependendo do caso. o sujeito somente poderá cometer o crime quando a vítima for men or de 18 anos e maior de 14 anos.

(HC-103404) Estupro e atentado violento ao pudor: continuidade delitiva . observaramse recentes posicionamentos das Turmas no sentido de que. Por fim. de ofício. poderá o juiz. por maioria. e b) o art. Apenas tome cuidado que. do § 2°.5. aumentar a pena de um só dos crimes. se diversas.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos) a condenado pela prática dos crimes de estupro e atentado violento ao pudor contra menores de 14 anos. Por fim.2 Inicialmente. proceder à nova dosimetria da pena fixada e afastar o concurso material entre os ilícitos contra a dignidade sexual. vencido o Min. bem como os motivos e as circunstâncias. observadas as regras do parágrafo único do art. Dias Toffoli. considerando a culpabilidade. HC 94636/SP (DJe de 24. HC 103404/SP. a existência de precedentes desta Corte segundo os quais não configuraria bis in idem a aludida aplicação da causa especial de aumento de pena. 218-B. nos termos do Enunciado 611 da Súmula do STF (³Transitada em julgado a sentença condenatória. 14. 218-B perderá a licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. parágrafo único: ³Nos crimes dolosos. apontando o estabelecimento onde eram levadas a efeito as condutas previstas pelo caput do art. 9º daquela norma estaria implicitamente revogado após o advento da Lei 12.2010).ainda a previsão do inciso II. determinou-se que o juízo da execução enquadre a situação dos autos ao atual cenário jurídico. contra vítimas diferentes. Min. teria desaparecido o óbice que impediria o reconhecimento da regra do crime continuado entre os antigos delitos de estupro e atentado violento ao pudor. para tanto. 213 do CP. embora o efeito seja obrigatório. a Turma.1. sem a ocorrência do resultado lesão corporal grave ou morte. habeas corpus para incumbir ao juízo da execução a tarefa de enquadrar o caso ao cenário jurídico trazido pela Lei 12. Marco Aurélio. se idênticas. 14. cabe mencionar que o proprietário. A sua omissão poderá ser suprida pela via dos embargos de declaração. até o triplo. não conheceu do writ. aplicando a regra da continuidade (CP.015/2009. 9º da Lei 8.1 Jurisprudência. cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa. no entanto. ao fundamento de que a apreciação da matéria sob o enfoque da nova lei acarretaria indevida supressão de instância.12. devendo. 71. Alguns precedentes citados: HC 102355/SP (DJe de 28. 75 deste Código´).2010). do art.015/2009. A impetração argumentava que: a) a aplicação da referida causa especial de aumento com a presunção de violência decorrente da menoridade das vítimas. rel. consoante o § 3°. Ademais. o julgador deverá fazer menção a ele em sua sentença. Salientou-se. art. porquanto a violência já teria incidido na espécie como elementar do crime. Min. Estupro e atentado violento ao pudor: continuidade delitiva . pleiteava-se a exclusão da causa de aumento de pena prevista no art. a conduta social e a personalidade do agente.2010. gerente ou responsável do local onde ocorrer à prática das atividades descritas no art. 70 e do art. 218-B para coibir o turismo sexual. rel. ante a nova redação do art. Dias Toffoli. Na situação dos autos.1 A 1ª Turma concedeu. 1. compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna´). 218-B.2010. (HC-103404) . HC 103404/SP. os antecedentes. do art. ou a mais grave.12.9. implicaria bis in idem.

PENAL.334. Min. e o STJ deu -lhe provimento ao recurso para repelir a continuidade delitiva entre os crimes de estupro e atentado violento ao pudor e restabelecer o regime integralmente fechado para o cumprimento da pena. DJ 07/03/1997.161. lugar e maneira de execução. 48). CARLOS VELLOSO. ESTUPRO E ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR. embora a matéria relativa à continuidade delitiva não tivesse sido apreciada pelas instâncias inferiores. Alega. EROS GRAU. sejam eles de qualquer esp écie.455/97. Rel. apenas para afastar o óbice à progressão de regime (fls. que o debate adquiriu nova relevância com o advento da Lei nº 12. Min. e. 71 DO CP. Por outro lado. que. art. . rel. Rel. DJ 27/05/1994. Rel. contudo. entre outras alterações no Título VI do Código Penal.Estupro e Atentado Violento ao Pudor: Lei 12. Min. Min. no julgamento do HC nº 86. CRIMES HEDIONDOS. mediante violência ou grave ameaça. seja através de felação etc. na forma do art.121 do Superior Tribunal de Justiça. PROGRESSÃO DE REGIME. A Procuradoria-Geral da República opinou pela concessão parcial do writ. HC 96818/SP. Rel. HC nº 70. 55 -56). de 6 (seis) a 10 (dez) anos. nos termos do enunciado da Súmula 611 do STF. ressaltou-se que a citada lei uniu os dois ilícitos em um único tipo penal. a defesa. HC nº 83. a existência de duplo constrangimento ilegal. DELITOS DE ESPÉCIES DISTINTAS. a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. Tratava-se. para reconhecer o direito à progressão de regime (fls.(Relator): 1. de writ no qual condenado em concurso material pela prática de tais delitos. CEZAR PELUSO RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO . reduzindo a pena para sete anos de reclusão em regime inicial fechado (fl. Dessa decisão recorreu o Ministério Público. DJ 24/10/2003. seja através de coito anal..083. ALDIR PASSARINHO. APLICAÇÃO DO ART. à pena de 12 (doze) anos de reclusão. 71 do CP. o reconhecimento da continuidade delitiva. que realize nova dosimetria da pena. Joaquim Barbosa. 2º.8. não mais havendo se falar em espécies distintas de crimes. em decisão monocrática assim ementada: ³RECURSO ESPECIAL. Rel. ainda que mediante uma pluralidade de movimentos. elementos nos autos evidenciariam que os atos imputados ao paciente teriam sido perpetrados nas mesmas condições de tempo. Constranger alguém. mediante violência ou grave ameaça ´. Ademais.015/2009 e nas mesmas condições de tempo. Rel. pleiteava a absorção do atentado violento ao pudor pelo estupro e. à luz da nova legislação. Pena ± reclusão. Entendo. que se não admite reconhecimento de crime continuado entre os delitos de estupro e de atentado violento ao pudor. PRECEDENTES. já que tais modalidades nada mais são do que espécies do gênero ato libidinoso. IMPOSSIBILIDADE. O Plenário desta Corte. ³é de vital importância observar que o constrangimento é dirigido a que a vítima pratique ou deixe que com ela se pratique atos libidinosos. RICARDO LEWANDOWSKI. Requer seja restabelecida a decisão do Tribunal de Justiça. DJ 02/06/2000. 40). VOTO O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO .´ Conquanto mantenha o nomen juris. Há somente a conduta do agente de constranger alguém. ainda que presentes os requisitos conceptuais que se devem extrair do art. e o Tribunal de Justiça do Estado de S ão Paulo reconheceu a continuidade delitiva. 71 do Código Penal (cf. 5º. ainda HC nº 89. INAPLICABILIDADE DA LEI 9. não se conheceu da impetração. Ademais. O paciente foi condenado pelos delitos previstos nos artigos 213 e 214. § 1º. SÚMULA 698 DO STF. OSCAR CORRÊA. reconhecendo -se a continuidade delitiva e o cumprimento da pena em regime inicialmente fechado. j. SYDNEY SANCHES. Concedi parcialmente a liminar. lhe unificou as redações dos antigos arts. 213 e 214 em um tipo único. RECURSO PROVIDO´ (fl. a confirmar.451.072/90. RE nº 111. DJ 21/09/1984). IMPOSSIBILIDADE. Considerou-se que a tese defensiva implicaria reexame de fatos e provas. Rel.453. 84-90). Min. 69. na espécie. DJ 06/11/2006. 18/06/2009) assentou. que o tipo penal em questão é explícito ao mencionar conjunção carnal ou outro ato libidinoso. Preliminarmente. p/ac. Min. LEI 8. XL). subsidiariamente. Min. a Turma concedeu habeas corpus de ofício para determinar ao juiz da execução. NERI DA SILVEIRA.015/2009.630. Min. de acordo com a regra do art. tanto isso é verdade. tal afirmação´. a redação do novo tipo penal ³ descreve e estabelece uma única ação ou conduta do sujeito ativo. inadmissível na sede eleita. HC nº 75.238 (Rel. 47). Min.(Relator): Trata-se de habeas corpus impetrado pela PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO em favor de **. deve ser reconhecida a continuidade delitiva aos crimes de estupro e atentado violento ao pudor praticados anteriormente à vigência da Lei 12. DJ 15/04/1987. contra decisão proferida no RE nº 718. HC nº 74.2010. 213. Houve apelação da defesa.015/2009 e Continuidade Delitiva Em observância ao princípio constitucional da retroatividade da lei penal mais benéfica (CF. contra meu voto. diante do não -reconhecimento da continuidade entre os delitos e da vedação à progressão de regime. verbis: ³Art. em regime integral fechado (fl.770. 10. pois. (HC-96818) RELATOR: MIN. É o relatório. lugar e maneira de execução. RE nº 103. ART. seja através de conjunção carnal. ILMAR GALVÃO. Com base nesse entendimento. todos do Código Penal.

é incontroverso que os fatos imputados ao ora paciente foram cometidos nas mesmas circunstâncias de tempo. 2º. na medida em que integra todas as espécies de atos libidinosos praticados num mesmo contexto fático. 2º. da CF. 69. HC nº 92.631. quando praticados nas mesmas circunstâncias. tempus e modus operandi. HC nº 89. incide a regra do art. se ele seria . Diante do exposto. a continuidade já havia sido reconhecida pelo Tr ibunal local. o Plenário. a base legal da decisão ora impugnada. Min. CEZAR PELUSO. tal óbice foi removido pela edição da nova lei. 5º. concedo a ordem para restabelecer o acórdão proferido pelo Tribunal local.015/2009. de 25 de julho de 1990´ . III.015. Rel. parágrafo único. de saber se. deve restabelecida a decisão do Tribunal de Justiça. entre outras questões. inicialmente. sem prejuízo da apreciação. se o impedimento para reconhecer a continuidade delitiva entre o estupro e o atentado violento ao pudo r residia tão-somente no fato de não serem crimes da mesma espécie. há continuidade delitiva entre os atos previstos antes separadamente nos tipos de estupro (art. o óbice intransponível apontado por esta corrente ± tratar-se de crimes antevistos em tipos diferentes ± deixou de existir. Observou-se. o debate adquirira nova relevância. Rel. pois as duas condutas. parágrafo único. qua ndo perpetrados nas mesmas condições de locus. estão agora tratadas na mesma figura penal. DJ 01. Min. caput. 66. donde aplicar -se retroativamente.2010. HC 86110/SP.959 (Rel. XL. 12.11. pois.015/09 constitui lei penal mais benéfica. E. entendeu o Min. agora reunidos em uma única figura típica (arts. 5º. CÁRMEN LÚCIA. com o advento da Lei n.´]. por reputar constituir a Lei 12. assentou-se que se deveria aplicá-la retroativamente ao caso. deverá ser reconhecida a existência de crime continuado. o obstáculo representado por essa norma tida por inválida. Está claro. que. pelo magistrado competente. Cezar Peluso. Quanto ao regime de cumprimento de pena também lhe assiste razão ao paciente. 214 do mesmo codex). para efeito de progressão de regime.3. e do art. que fixou a pena do paciente em 7 (sete) anos de reclusão. XL. 213: ³Constranger alguém. Ora. dos demais requisitos de admissibilidade de progressão de regime prisional . razão por que. MENEZES DIREITO. que o novo tipo penal vai além da mer a junção dos tipos anteriores. a alteração legislativa repercute decisivamente no debate. Trata-se. Nesse diapasão. ainda que praticados nas mesmas condições de tempo. como fatos descritos pelo mesmo tipo penal. Assim. entende MATHEUS SILVEIRA PUPO. lugar e maneira de execução. nos termos do art. Min. certamente se terá como repercussão prática a mudança no entendimento quase pacífico no âmbito dos Tribunais Superiores. que a Lei nº 12. sem prejuízo do entendimento da Corte de reduzir conceitualme nte a figura à identidade de espécie dos crimes. quanto às condutas que antes recebiam o nomen iuris de estupro e de atentado violento ao pudor. Rel. doravante. pois. MARCO AURÉLIO. nos termos do art.015/2009: Estupro e Atentado Violento ao Pudor A Turma deferiu habeas corpus em que condenado pelos delitos previstos nos artigos 213 e 214. do Código Penal. antes autônomas. PUDOR. na medida em que ocorrera a unificação dos antigos artigos 213 e 214 em um tipo único [CP. sob o argumento de que não seriam crimes da mesma espécie . no julgamento do HC nº 82. inc.072.´ 2.410. como os fatos ocorreram antes da entrada em vigor da Lei nº 11. Afinal. não reconhecendo a exist ência de crime continuado entre o antigo estupro e o atentado violento ao pudor. Pode-se extrair. que promovera alterações no Título VI do CP. alínea b. afora as hipóteses de praeludia coiti. aliás. daí. Nesse sentido. do CP. Isso significa que a nova lei torna possível o reconhecimento da continui dade delitiva entre os antigos delitos de estupro e atentado violento ao pudor. na forma do art. da Lei Penal. ATENTADO VIOLENTO.2008. 213 e 217-A daquele código). ESTUPRO. 3. pleiteava o reconhecimento da continuidade delitiva entre os crimes de estupro e atentado violento ao pudor. Por ser assim. entendidos. 112 da Lei de Execução Penal (HC nº 91. da LEP. de 2009).02.015/2009.Como se vê. Min. DJ 09. E. em recentíssimo artigo: ³[A]glutinando aqueles dois crimes em um único dispositivo. pela ilustrada maioria. Art. com o advento da Lei 12. Afastada. o que afasta.015/2009 norma penal mais benéfica. sob mesmas circunstâncias e contra a mesma vítima. Min.2007. hoje contempladas no artigo 213. Lei 12. declarou ³ a inconstitucionalidade do § 1 o do artigo 2 o da Lei nº 8.464/07. DJ 01/09/2006). modo e local e contra a mesma vítima. (HC-86110) Quinta Turma CONTINUIDADE DELITIVA. 4. em regime inicialmente fechado. 213 do CP) e atentado violento ao pudor (art. mediante violência ou grave ameaça. Como já asseverei em sede liminar. Relator que primeiramente se deveria distinguir a natureza do novo tipo legal. a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: (Redação dada pela Lei nº 12. e art. nos termos do art.699. todos do CP. DJ 09/05/2008). da Constituição Federal. como visto. 2. nos termos do artigo 71 do Código Penal. rel.

do CP (em suas antigas redações) e. como o objetivo de praticar atentado violento ao pudor contra ela. Seria inadmissível reconhecer a fungibilidade (característica dos tipos mistos alternativos) entre diversas formas de penetração. Quanto ao tema da hediondez. I. disse à vítima que sua loja possuía circuito interno de televisão e que. assim como sucedia com o regramento anterior. buscou. 71 desse mesmo codex). do CP. afastou a possibilidade de continuidade delitiva entre o delito de estupro em relação ao atentado violento ao pudor. Dessa forma. Afirmou ainda que. eventualmente. sexo anal duas vezes). HC 104.um tipo misto alternativo ou um tipo misto cumulativo. lugar e modo de execução dos crimes cometidos. se constranger vítima a mais de uma penetração (por exemplo. Contudo. às do art. MENORES. se praticar. simulando fúria. Com esse entendimento. 214. e 226. Para tanto. Logo. por exemplo). 214 do CP (também na redação primeva). por mais de uma vez.664- . Sexta Turma ATENTADO. com a cena gravada. Rel. além da análise de requisitos subjetivos. parágrafo único. são condutas distintas. em dias diversos. PUDOR. Anote-se. tempos depois. que o habeas corpus. a depender do caso concreto. não há falar em unidade de desígnios e. a Turma. em crime continuado. também. caso não fizesse tudo o que lhe fosse determinado. É que a execução de uma forma nunca será similar à de outra. Asseverou que. jamais será possível a caracterização de continuidade. ou seja. Informativo nº 0434 Período: 10 a 14 de maio de 2010. a seus pais. tal como acolhido pela jurisprudência do STJ. Contudo. a depender do preenchimento dos requisitos do art. Dessarte. de maneira autônoma e isolada. A fungibilidade poderá ocorrer entre os demais atos libidinosos que não a penetração. os delitos foram praticados contra diferentes vítimas. originário Min. Felix Fischer. estaria caracterizado um tipo misto cumulativo quanto aos atos de penetração. o reconhecimento da continuidade delitiva (art.724-MS. conforme a nova redação do tipo. julgado em 22/6/2010. Jorge Mussi. mediante habeas corpus. dois tipos legais estão contidos em uma única descrição típica. utilizou-se do seguinte expediente: seu empregado beijou a vítima. por maioria. não se mostra adequado à verificação da existência de crime continuado. de novo. o agente poderá praticar a conjunção carnal ou outros atos libidinosos. constrangeu uma adolescente de 16 anos à mesma prática. embora haja semelhança no modus operandi. ³a´. poderá. c/c o 224. sem a comprovação de qualquer liame que vinculasse ambas as empreitadas criminosas. a Turma. constranger alguém à conjunção carnal não será o mesmo que constranger à prática de outro ato libidinoso de penetração (sexo oral ou anal. condenado às penas do crime dos arts. na espécie. Então. O paciente atraiu uma adolescente de 13 anos ao interior de seu estabelecimento comercial. Rel. enviaria o filme. Com esse mesmo ardil. Ou então. e o paciente. de igual modo. ao prosseguir o julgamento. 71. consequentemente. assemelhando-se a hipótese à habitualidade criminosa. 71 ou do art. configurar-se continuidade. para acórdão Min. poderá ser beneficiado com a pena do crime continuado. cópula vaginal. se pratica uma penetração vaginal e outra anal. nesse caso. que requer exame detalhado de provas sobre circunstâncias de tempo. além do afastamento da pecha de hediondez atribuída aos crimes. a partir do julgamento do HC 88. CONTINUIDADE DELITIVA.

Sexta Turma ESTUPRO. Informativo nº 0422 Período: 8 a 12 de fevereiro de 2010. Rel. 216 do CP). diante dessa constatação. fala-se em alguém.664-GO. Og Fernandes. por maioria. com relação a ponto específico relativo ao art.015/2009 no título referente aos hoje denominados ³crimes contra a dignidade sexual´.015/2009. 12. negou provimento ao recurso. 400).GO. com a redação dada pela referida lei. haja vista que a redação anterior do dispositivo legal aludia expressamente a mulher e. 213 do CP. porque cometido na forma simples. o apenamento referente ao atentado violento ao pudor não há de subsistir. o reconhecimento de crime continuado entre as condutas de estupro e atentado violento ao pudor.015/2009. DJe 8/9/2009. também não se afasta a hediondez do delito praticado contra a de 13 anos. ou de determinar se tal situação configuraria concurso material sob o fundamento de que seriam crimes do mesmo gênero. Assim. Trata-se de habeas corpus no qual se pleiteia. ao prosseguir o julgamento. em consonância com o princípio constitucional da retroatividade da lei penal mais favorável.015/2009. Precedentes citados do STF: HC 96. via de consequência. registrou-se também que a prática de outro ato libidinoso não restará impune. esse fato constitui um crime único. e. pois houve violência moral consistente na grave ameaça à vítima. o precedente não se aplica ao crime praticado contra a vítima de 16 anos. O voto vencido dava parcial provimento ao recurso para reduzir a pena do crime praticado contra a vítima de 16 anos. caso o agente pratique estupro e atentado violento ao pudor no mesmo contexto e contra a mesma vítima. 213 do referido diploma legal. por caracterizar o chamado prelúdio do coito (praeludia coiti). ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR. em alguns pontos. mas não da mesma espécie. Entretanto. havia fértil discussão acerca da possibilidade de reconhecer a existência de crime continuado entre os delitos de estupro e atentado violento ao pudor. do STJ: REsp 799. o fato é que. DJ 28/9/2009. Com esse entendimento. não obstante o fato de a Lei n. 12. a Turma assentou que. DJ 13/3/2006. uma vez que caberá ao .389-SP. 12. com o consequente redimensionamento das penas. Observou-se que houve ampliação do sujeito passivo do mencionado crime. antes das inovações trazidas pela Lei n. sua aplicação. ao revés. atualmente.013-MG. Ressaltou-se ainda que. que.800-SP. HC 44. LEI N. Assim. A Turma concedeu a ordem ao fundamento de que. HC 94. o recrudescimento de penas e criação de novos tipos penais. Assim. a Turma. DJe 24/4/2009. a prática de outro ato libidinoso diverso da conjunção carnal também constitui estupro. 12. especificamente em relação à redação conferida ao art.901-SP. tal discussão perdeu o sentido. inicialmente. com a inovação do Código Penal introduzida pela Lei n. 12.015/2009 ter propiciado. quando o ato libidinoso constituísse preparação à prática do delito de estupro. há de alcançar os delitos cometidos antes da Lei n. e HC 88. passou a afastá-la nos crimes de estupro ou atentado violento ao pudor cometidos mediante violência presumida. Todavia. RHC 22. DJe 5/5/2008. Min. ao classificar os fatos como atentado ao pudor mediante fraude (antiga redação do art. julgado em 11/5/2010 (ver Informativo n.790-SC. mesmo que praticado nas mesmas circunstâncias e contra a mesma pessoa. está-se diante de norma penal mais benéfica (novatio legis in mellius). Registrou-se. em suma. em virtude de que a figura do atentado violento ao pudor não mais constitui um tipo penal autônomo.

2º daquele Estatuto.870-DF. uma contradição tão manifesta. que o menor de 12 a 14 anos não tenha capacidade de consentir validamente um ato sexual. ao coito anal ou qualquer outro ato reputado libidinoso. o menor é considerado adolescente dos 12 aos 18 anos de idade. e aí válida sua vontade. Min. é necessário levar em consideração todo o arcabouço normativo. Conforme o art. ainda que na forma de violência presumida. reduzindo a pena a 6 anos e 9 meses de reclusão a ser cumprida integralmente no regime fechado. O TJ deu provimento à apelação da defesa. Informativo nº 0400 Período: 22 a 26 de junho de 2009. qual seja. a de se saber se o estupro e o atentado violento ao pudor por violência presumida se qualificam como crimes e. à pena de 8 anos e 7 meses de reclusão pela prática de estupro contra menor de 14 anos de idade. Og Fernandes. a partir de 12 anos. bem como sua interpretação. considerado o caráter de hediondez desse delito. todo o ordenamento jurídico do País. Mas uma visão abrangente desse arcabouço facilita. o que não é razoável. não se concebe. o entendimento. punindo mais severamente aquele que pratique mais de uma ação integrante do tipo. quando pratique ato libidinoso ou conjunção carnal. uma situação da outra. Desse modo. a teor do que dispõe o art. tão-só o estupro e o atentado violento ao pudor. um aspecto que merece destaque prende-se a que. em primeiro grau. como crimes hediondos. nesse caso. 7. visto que houve o trânsito em julgado da condenação. com matérias alusivas ao sexo. Efetivamente. assim. Para o Min. nos dias atuais. não se entende hediondas essas modalidades de crime em que milita contra o sujeito ativo presunção de violência. nas formas . falta de fundamentação à exasperação da pena acima do mínimo legal. e muito. mais. subsidiariamente. Isso porque a Lei de Crimes Hediondos não contempla tais modalidades. No HC. ao presumir a violência por não dispor a vítima menor de 14 anos de vontade válida. qual seja. no ordenamento jurídico. determinou-se que a nova dosimetria da pena há de ser feita pelo juiz da execução penal. como crimes sexuais hediondos. VIOLÊNCIA PRESUMIDA. A interpretação da lei não prescinde do conhecimento de todos os ramos do Direito. Assim. a de punir o adolescente de 12 anos de idade por ato infracional. Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ-SP). podendo até sofrer medidas socioeducativas.julgador distinguir. Por fim. Rel. pede-se sua absolvição. para boa interpretação da lei. isso em pleno século XXI. não se pode admitir. pode sofrer tais medidas por ser considerado pelo legislador capaz de discernir a ilicitude de um ato infracional. se o menor. ali se encontra. HC 144. 66 da Lei n. Em tal linha de raciocínio.210/1984. quando da análise das circunstâncias judiciais previstas no art. e considerá-lo incapaz tal como um alienado mental. também. em especial os lares. quando os meios de comunicação em massa adentram todos os locais. 59 do CP para fixação da pena-base. está equiparando-a a uma pessoa portadora de alienação mental. O ora paciente foi condenado. julgado em 9/2/2010. tido como delituoso. Sexta Turma ESTUPRO. alega-se não existirem elementos de convicção para condenação do paciente e ainda se sustenta. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) precisa ser analisado para enfrentar essa questão. o CP. Ademais. pois haverá maior reprovabilidade da conduta (juízo da culpabilidade) quando o agente constranger a vítima à conjugação carnal e.

E. Este Superior Tribunal firmou a orientação de que a majorante inserta no art.102. originário Min. . crime de estupro com violência presumida. proibida a analogia contra o réu. remanesce a maior reprovabilidade da conduta. A presunção de violência está prevista apenas no art. 224.015/2009.005-SC. seria aplicável a referida causa de aumento. tratando-se de hipótese de violência real ou grave ameaça perpetrada contra criança. para o acórdão Min. e a ela a referida lei não faz a mínima referência. nos casos de presunção de violência. HC 88. julgado em 23/6/2009. Min. parágrafo único. Rel.072/1990. o reconhecimento da violência presumida no caso. sem previsão legal. do CP. 12. Informativo nº 0409 Período: 28 de setembro a 2 de outubro de 2009. Com esses argumentos. foi revogada a majorante prevista no art.664-GO. 9º da Lei n. REsp 1. Tratando-se de fato anterior. que trata do estupro de vulnerável. RETROATIVIDADE. do CP. Quinta Turma ESTUPRO. 217-A do CP. ficou vencido em parte por entender. obviamente não existe fato típico. Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ-SP). a. ex vi do art. LEI. cometido contra menor de 14 anos e com emprego de violência ou grave ameaça. Felix Fischer. 213 do CP). no qual a reprimenda prevista revela-se mais rigorosa do que a do crime de estupro (art. 9º da Lei dos Crimes Hedio ndos. concedeu a ordem para desconstituir a decisão que condenou o paciente como incurso nas penas do art. só concedendo a ordem para efeito de progressão de regime.qualificadas. na espécie. Com a superveniência da Lei n. de acordo com julgado da Terceira Seção do STJ. O Min. 213 do CP. Og Fernandes. julgado em 29/9/2009. entre outros. absolvendo-o sob o fundamento de que os fatos a ele imputados não configuram. consistiria em afronta ao princípio ne bis in idem. Og Fernandes. deve retroagir o novo comando normativo (art. não sendo mais admissível sua aplicação para fatos posteriores à sua edição. Entretanto. pois a matéria passou a ser regulada no art. 8. ao prosseguir o julgamento. Não obstante. Rel. 2º. o relator originário. a Turma. por maioria. 217-A) por se mostrar mais benéfico ao acusado. Rel. presunção essa tida por absoluta.

Direito Penal Especial. CUNHA. Código Penal Comentado. GRECO. Rio de Janeiro: Ed. GOMES. Fernando. RT. 2011. CAPEZ. Guilherme de Souza. 2010. Curso de Direito Penal Parte Especial. Impetus. v. São Paulo: Ed Saraiva. 2011. NUCCI.2. Rogério Sanches. Rogério. LUIZ FLÁVIO. Curso de Direito Penal Parte Especial. São Paulo: Ed. v III. 2011. São Paulo: RT. v 3. 3. .0 Bibliografia.

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