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AUTOMAÇÃO DE SUBESTAÇÕES

CAPÍTULO 4 – PROTOCOLOS SERIAIS PARA
AUTOMAÇÃO
Eng. Paulo Roberto Pedroso de Oliveira.
ASCC Automação.

Na Automação de Subestações, as informações são adquiridas no processo
elétrico, através de UTRs – Unidades Terminis Remotas, CLP – Controladores
Lógicos Programáveis ou Relés de Proteção; equipamentos que passaremos a
chamar, de forma genérica, de IEDs – Inteligent Electronic Devices.
As informações adquiridas :
• Medidas Digitais que traduzem as posições aberta ou fechada de
disjuntores, seccionadoras e chaves em geral
• Medidas Analógicas, que informam principalmente as tensões (KV),
correntes (A), potencia ativa ( MW), reativa (MVAr), freqüência (HZ).
• Controle (telecomando) Digital, para abrir e fechar remotamente um
disjuntor ou seccionadora.
• Controle (telecomando) Analógico, principalmente utilizado no CAG –
Controle Automático de Geração.
Estas informações, processadas pelos IEDs, são transmitidas através de
canais de comunicação, para outros equipamentos que delas necessitam.
Para este transporte, são utilizados os PROTOCOLOS DE COMUNICAÇÃO.
Neste capítulo vamos abordar os protocolos que se utilizam de linhas de
comunicações seriais, camadas físicas RS232 e RS485.
No próximo capítulo abordaremos o IEC61850, que utiliza infraestrutura de
rede TCP/IP e Ethernet.
A definição clássica de Protocolos é :
• Regras que governam a comunicação entre dispositivos eletrônicos.

1. PROTOCOLOS DE COMUNICAÇÃO

Existem várias formas de se classificar os protocolos, vamos inicialmente
verificar duas :

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ASCC - Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600
Rua Eng. Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar - Jundiaí/SP 13208-640
CNPJ 09.570.814/0001 / Insc. Municipal 90354-0 / I.E. Isento / prpasc@gmail.com

Exemplo Ethernet TCP/IP.Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600 Rua Eng. etc. SDCDs.______________________________________ FIGURA 1 – TP – Transformador de Potencial. válvulas de controle.570. ControlNet e DeviceNet. temperatura. TC – Transformador de corrente • Quantidade de Dados Transmitidos. vazão.): protocolos tipo DeviceBuses. Hart. Fieldbus Foundation H1. etc. Exemplo – Devicenet o IED’s que trocam informações de alguns bytes em dezenas de milissegundos (transmissores de pressão. balanças. o IED’s que trocam vários dezenas de blocos ou arquivos em segundos (UTRs. IEC 60870-5-101. • Agilidade na Comunicação ou Throughput : ______________________________________ ASCC . Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar .): Protocolos do tipo DataBuses. com a sua função : o IED’s que trocam alguns bits em milissegundos (válvulas On/off.E.com . cada tecnologia a seu tempo. Diferentes tipos de protocolos. CLPs. chaves de nível. Exemplo: Profibus PA. o IED’s que trocam vários blocos de bytes em dezenas ou centenas de milissegundos (relés inteligentes. etc.814/0001 / Insc. Exemplo: Profibus DP.Jundiaí/SP 13208-640 CNPJ 09. etc. Isento / prpasc@gmail. Profinet. Municipal 90354-0 / I. DNP3.): protocolos tipo FieldBuses. MODBUS. remote IO.): protocolos do tipo SensorBuses . pressostatos.

O que determina o Throughput : o Taxa de Transmissão • 1.Jundiaí/SP 13208-640 CNPJ 09. que queremos supervisionar e controlar.______________________________________ Definição : Tempo decorrido entre a detecção de um evento e a atuação de uma saída baseada em uma decisão lógica. • 100 MBps – IEC 61850 – TCP/IP.dados. Na especificação de um protocolo. I S O – International Standard Organization O S I – Open Systems Interconnect.2 KBps – IEC60870 101. Municipal 90354-0 / I. Vamos descrever os protocolos : • MODBUS – Modelado com apenas duas camadas.814/0001 / Insc. Cada camada do protocolo é encarregada de tarefas específicas. DNP3.570. Modbus – otimizados para mínimo overhead • IEC 61850 TCP/IP – pouco otimizado em função das larguras de banda disponíveis atualmente o Modelo da Rede • ORIGEM / DESTINO • PRODUTOR / CONSUMIDOR ( Publisher / Subscriber ) ( Publicador / Assinante ) IEC 61850 2. MODBUS. o modelo pode ser simplificado com um número menor de camadas. Física e Aplicação. • IEC 60870 101. dependendo da complexidade ( ou a falta de ) . Mas. Isento / prpasc@gmail. as várias tarefas necessárias para transmitir as informações do processo. o Eficiência do Protocolo – Overhead ou Payload – Número total de bytes da mensagem em relação à mensagem útil . Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar . é procedimento usual adotar o modelo de dividir em camadas.Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600 Rua Eng. ver FIGURA 2.com . MODELO OSI DA ISO. O Modelo OSI completo possui 7 camadas.E. que prevê todas as tarefas de um protocolo completo .2 à 19. ______________________________________ ASCC . DNP3.

Dominante nos EUA.E. O protocolo MODBUS.814/0001 / Insc. Já na década de 1990. a quem todos os outros estão ligados. Transporte e Aplicação. Não existe nenhuma estrutura de formação dos “Objetos de Dados”. 16 ou 32 bits. sendo responsabilidade configurador ( um ser humano ). Física. Dominante na Europa.Jundiaí/SP 13208-640 CNPJ 09. temos o IEC 60870-101. com endereços de origem e destino e mecanismo de fragmentação de mensagem. foi especificado na década de 1970. Começaremos por ela. CAMADA FÍSICA Onde são definidas as interfaces mecânicas ( tipos de conectores. Todos os protocolos têm em comum a primeira camada. digital. Consiste num protocolo ponto a ponto. o mais antigo dos três. para escrita e leitura. etc. Já possui o conceito de rede. e podemos afirmar que é também o mais simples.com . Pontos Simples. A sua mensagem só carrega o endereço de destino. Enlace. Duplos. que atendia todos os requisitos do IEC 60870-101 e já incorporava características de Rede. sem nenhuma pré-formatação. As especificações mais comuns são EIA 232 e EIA 485. foram definidos atendendo às necessidades do setor elétrico. foi especificado o DNP3. alocá-los corretamente. Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar .______________________________________ • IEC60870-101 – Modelado com três camadas. para os protocolos seriais que estamos abordando. Aplication Services Data Units”. refere-se a “Electronic Industries Association”. Física. no TCP/IP. • DNP3 – Modelado com quatro camadas. pois sempre haverá um IED que controla a comunicação. Também tem a concepção mestre/escravo.570. conhecido como mestre. Pontos Simples. Medições Analógicas. Municipal 90354-0 / I. Na seqüência crescente de complexidade. como conhecemos atualmente. ou seja.Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600 Rua Eng. etc ). mas os “Objetos de Dados”. especificado na década de 1980. que definem se é uma leitura analógica. Enlace e Aplicação. EIA 232. que carregam as formatações de medidas analógicas de 8. chamada de Camada Física. originário no EUA. As informações são alocadas na memória do computador. bitolas de cabos) e elétricas ( níveis de tensão nos condutores. Também é utilizado a sigla RS significa “Recomended Standard”. sinais elétricos nos pinos dos conectores. e “Tipos”. um controle. que já abordada em capítulo específico. etc. 3. Pontos Duplos. Existe a camada física Ethernet. Isento / prpasc@gmail. São as “ASDUs. mestre/escravo. ______________________________________ ASCC . Digitais.

Municipal 90354-0 / I. Conectores DB 9 e DB 25.______________________________________ FIGURA 2 – Modelo OSI.Jundiaí/SP 13208-640 CNPJ 09.Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600 Rua Eng. ______________________________________ ASCC .570. Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar .com .E.814/0001 / Insc. Isento / prpasc@gmail. FIGURA 3 – Camada Física RS 232.

Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600 Rua Eng. 4.6 à 57. Isento / prpasc@gmail. Nível de tensão do bit “zero” = + 12 Volts Nível de tensão do bit “um” = -12 Volts FIGURA 4 – Camada Física RS 485. também define a palavra e 8 bits. As principais : Número Função 01 Read Coils 02 Read Discret Input 03 Read Holding Registers 04 Read Input Registers 05 Write Single Coil 06 Write Single Register ______________________________________ ASCC . 1 de paridade e 1 ou 2 de stop.814/0001 / Insc.570. PROTOCOLO MODBUS A ESTRUTURA DA MENSAGEM é sempre a mesma : Endereço do Escravo.Jundiaí/SP 13208-640 CNPJ 09.______________________________________ O padrão RS232. Velocidades comuns envolvidas nestas interfaces : 9. Municipal 90354-0 / I. Quantidade de Bytes. Função. A FUNÇÂO é que define o que realmente o protocolo irá fazer. Dados com 16 bits (bytes high e low) e CRC. com 1 bit de start .E.com . Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar .6 KBPS.

Originalmente foram definidos mapas de memória.com .______________________________________ FIGURA 5 . que lhes dá um poder muito maior que o MODBUS. Por este motivo é utilizado para quantidades pequenas de informações. Municipal 90354-0 / I.814/0001 / Insc. Isento / prpasc@gmail.Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600 Rua Eng.Jundiaí/SP 13208-640 CNPJ 09. uma vez interrogado pelo mestre.E.570. todas as informações do mapa de memória são enviados. possuem características de envio espontâneo e por exceção. Já os protocolos IEC61870-101 e DNP3. da ordem de uma centena. ou seja. como veremos nos itens que seguem. para cada função :  Função 0x04 ( Read Input Register ) : 30001 em diante (ex: 30015) Transmissão: 30015 –30001 = 14 = 0x0E ______________________________________ ASCC . Umas das limitações do MODBUS é só possuir envio de informações por integridade. Mensagens MODBUS. Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar .

Municipal 90354-0 / I. O processo de aquisição dos dados é através de varreduras efetuadas pelo mestre nos escravos. para a estação secundária (escrava).570.) Endereço (opcional) do Usuário Dados Dados Checksum Checksum Fim (16H) Fim (16H) FIGURA 6 . Existem caracteres de início e fim de mensagem. onde estão as definições de mensagens que vão da estação primária (mestre).Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600 Rua Eng. as respostas.814/0001 / Insc. perguntas.Jundiaí/SP 13208-640 CNPJ 09. Existe o octeto de controle.E. 5.______________________________________  Função 0x03 ( Read Holding Register ) : 40001 em diante (ex: 40002) Transmissão: 40002 –40001 = 01 = 0x01 Mais recentemente cada fabricante define seu mapa.com . e estas ocorrem em períodos típicos de 1 segundo. Neste estão definidos os bits de Controle de Fluxo e Demanda de Acesso. No início existe uma varredura de integridade. comprimento e o Octeto (byte) de Controle. Telegramas IEC 60870-101. ______________________________________ ASCC . PROTOCOLO IEC60870-101 Mensagens e Octeto de Controle Inicio (68H) L L Inicio (68H) Inicio (10H) Controle Controle Dados Endereço (opc. Isento / prpasc@gmail. Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar . e posteriormente só são enviadas as informações que mudaram ( medição que excedeu a banda morta ou disjuntor/seccionadora que abriu/fechou ). A estruturação de um telegrama IEC60870-101 é mais elaborada. e inclui no manual do equipamento. fixo ( byte de início=10) e variável.

está definida nesta camada. são formatadas na Camada de Aplicação. Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar . Normalmente são Classe 1 as informações digitais de disjuntores com religamento automático.Jundiaí/SP 13208-640 CNPJ 09. As informações propriamente ditas.______________________________________ • Controle de Fluxo DFC – Evita uma sobrecarga e perdas de informações. Isento / prpasc@gmail.814/0001 / Insc. • Demanda de Acesso ACD – São definidas duas classes de informações. para acompanhamento da “Seqüência de Eventos”. para hierarquizá-las.E.com . medições analógicas e digitais. Uma das características fundamentais. A formatação deste dados segue as necessidades do processo elétrico. de acordo com a importância e freqüência de ocorrência. é possível. junto com outras informações do “Objeto de Dados”. Octeto de Controle Modo não Balanceado Primário para secundário FCB FCV 23 22 21 20 RES PRM ACD DFC Função Secundário para primário FIGURA 7 . Estes dados de controle estão localizadas na Camada de Enlace. Classe 2 são as medidas analógicas. em situações de perturbações no sistema elétrico. Municipal 90354-0 / I. que são enviadas quando excedida a Banda Morta. a “Estampa de Tempo”. ______________________________________ ASCC . que ocorra avalanches de informações.Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600 Rua Eng. Estão contidas nas estruturas conhecidas como ASDUs – Aplication Server Data Units. Octeto de Controle. Como um IED Mestre pode controlar até centenas de IEds escravos.570.

814/0001 / Insc. etc. Application Service Data Unit Tipo Tipo Unidade de Dados Identificador Qualificador de Estrutura Variável Unidade Dados Causa da Transmissão Endereço comum da ASDU Application Endereço do objeto Service Data Conjunto de Elementos de Informação Unit Objeto 1 Etiqueta de Tempo Objeto n FIGURA 8. Importante ressaltar que os detalhes da configuração do Protocolo. PROTOCOLO DNP3 – DISTRIBUTED NETWORK PROTOCOL Foi desenvolvido pela GE HARRIS. consagrada no TCP/IP. ______________________________________ ASCC . 8.com . podem gerar muitos erros de comunicação ou até mesmo não completarem a conexão.______________________________________ Temos o “Tipo” da informação. se tornado um protocolo aberto. Isento / prpasc@gmail. ASDU – Application Service Data Unit As mensagens tem um tamanho típico de 250 bytes. Municipal 90354-0 / I.Jundiaí/SP 13208-640 CNPJ 09. Ponto Simples. permitindo a primeira concepção de Rede como conhecemos hoje. 6.570. Fique alerta. Em 1996 a especificação foi liberada para uso público. deliberadamente pequena. 32. Se dois IEDs que utilizam o mesmo Protocolo. na década de 1990. Duplo. nele foi incluído o endereço de origem da mensagem ( além do endereço de destino.E. Protocolo de Rede Distribuída. 16. etiquetas de tempo. que já estavam presentes no MODBUS e IEC60870-101 ). estão num documento conhecido como “Interoperabilidade”. Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar .Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600 Rua Eng. por se tratar de uma aplicação de tempo real. Medições. Isto causa muitos transtornos no comissionamentos. Como já indicado no nome. mas possuem interoperabilidades diferentes.

incluem a Variação. que no DNP3. com mensagens curtas. Com a evolução exponencial dos recursos de hardware. mestre/escravo com varreduras a períodos típicos de 1 segundo. O Protocolo de Rede que se tornou predominante foi o TCP/IP. Hermenegildo Campos de Almeida 260 – 10º andar . Outra inovação incluída no DNP3 foi o “envio espontâneo de informação”. o DNP3 se consolidou no mesmo campo do IEC 61870-101.814/0001 / Insc.etc. memória e velocidade de CPU. de 250 bytes. Como analogia. foi utilizada a mesma especificação do IEC 60870-101. sem antes perguntar para o mestre se pode.Automação de Subestações e Centros de Controle – (11) 3378 8600 Rua Eng. a exemplo da “Interoperabilidade” no IEC60870-101.570. envio por exceção. foi dado ao escravo um primeiro item de liberdade. ou seja. a possibilidade de congestionamento de dados diminuiu bastante. com Octeto de Controle. O escravo pode formatar uma mensagem. • Variação – Exemplo – 16 bits com tag de tempo. Apesar destas atualizações. Obviamente o sistema tem que ser bem projetado e especificado. podem não se comunicar. a estrutura da mensagem. Municipal 90354-0 / I. conforme já descrito.Jundiaí/SP 13208-640 CNPJ 09. rede e fragmentação. ______________________________________ ASCC .______________________________________ Para o Frame DNP3.com . Isento / prpasc@gmail. Estes Recursos estão na Camada de Enlace. Na “Camada de Aplicação” estão definidos os “Objetos de Dados”. O documento que informa o “nível de implementação” do DNP3 é conhecido como Perfil do Protocolo ( Profile ). • Objeto de Dados – Exemplo –Medição Analógica. Dois equipamentos. com o objetivo de permitir o transporte de grandes arquivos.E. Também foi incluído o conceito de fragmentação de mensagens. Fique alerta. como Protocolo de Tempo Real. ambos com DNP3. mas com Perfis diferentes. em linhas seriais.