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Texto do Prof. Dr.

José Henrique Santos – UFMG

No início de sua Metafísica, Aristóteles afirma: “Pelo espanto começaram
os homens, agora, como no início, a filosofar. Admiraram-se primeiramente
pelas coisas estranhas que lhes eram mais próximas; depois, avançando pouco a
pouco, estenderam-se suas especulações a problemas mais importantes tais como
os movimentos da lua, do sol e das estrelas e enfim à gênese do universo”.
Aristóteles considera, pois, como a causa mais efetiva das especulações de
caráter filosófico, uma atitude humana que é a admiração ou o espanto frente à
realidade circundante. O homem se admira das coisas mais próximas e logo esta
“estranheza” se estende à totalidade do universo.

Vejamos em que difere esta nova atitude humana da anterior atitude da
qual derivou a interpretação mítica da realidade.. Inicialmente o homem se vê
imerso na natureza, subjugado pelas forças cósmicas , não tendo condição para
discernir os limites do subjetivo e do objetivo. A realidade é interpretada de
acordo com seus aspectos utilitários e de acordo com os estados afetivos que ela
possa provocar no sujeito que a percebe. Não há uma clara distinção entre o
homem que conhece e a realidade conhecida. Esta é vista como um
prolongamento da vida do homem. O pensamento que resulta dessa experiência
do mundo se constitui a partir da projeção do indivíduo, de suas emoções,
aspirações e temores, diante da realidade. Desta forma, os elementos que
constituem a realidade são vistos como um “tu”, um semelhante, uma entidade
dotada de poderes. E esse “tu”, esse semelhante é um ser singular em relação ao
qual o homem narra uma estória ao procurar interpretá-la.

A atitude contemplativa ou teorética que resulta da admiração frente à
realidade é algo inteiramente novo que torna possível o exercício progressivo do
pensamento abstrato e a constituição do conhecimento filosófico e científico.
Quando o homem se admira da realidade que o circunda, ele se reconhece como
um ser autônomo e, ao mesmo tempo percebe que a realidade é algo distinto
dele. Ao se admirar da realidade o grego coloca para si esta pergunta: o que é
isto? Ele se percebe diante das coisas e não mais diante de seres que se lhes
assemelham e para essas coisas pretende agora discernir o que são, do que
aparentam ser, encontrando sua verdadeira significação e a estrutura unitária
na qual se ordenam e através da qual se justificam. Nesse momento o homem se
reconhece como sujeito e reconhece a realidade como objeto do conhecimento.
´É somente a partir dessa distinção que se torna possível a constituição de um
pensamento objetivo, autoconsciente e autônomo.

Para o homem grego o mundo é inteligível. Quando ele se admira das
coisas e pergunta o que é isto?, já supõe que as coisas sejam compreensíveis, que
as coisas sejam algo e que esse algo que são as coisas possa ser penetrado pelo
pensamento. A verdade das coisas pode ser descoberta pela razão, a realidade

O PROBLEMA DO MOVIMENTO E A RAZÃO GREGA O horizonte das preocupações do homem antigo está essencialmente constituído pelo problema do movimento. do variável para o domínio do universal. a geração e a corrupção. 2. Do domínio da aparência ao domínio daquilo que é. – o movimento quantitativo: a diminuição e o aumento. A razão penetra essa ordem. ao mesmo tempo geração e acontecimento. em outras palavras. – o movimento substancial. Mas à medida que esse novo tipo de reflexão se desenvolve através dos diferentes momentos da história do pensamento grego. os povos se encontram submetidos a uma incessante mudança regulada por um destino inflexível. superam o nível das aparências sensíveis. Como conseqüência o mundo é. exista uma ordem única e que o homem pode compreender essa ordem. mas também enquanto integrando uma sociedade: as famílias. sob o caos de nossas percepções. . Através da percepção sensível são conhecidos seres singulares. para o grego o Cosmos – uma realidade constituída de elementos discerníveis e ordenados hierarquicamente uns em relação aos outros. Teoria. Pode-se inclusive afirmar que a forma radical como o grego concebeu o movimento cósmico se inspira na idéia de geração – que é atestado pelo uso do verbo gignomai cuja significação é. Dentro desta perene mutação universal se encontra também envolvido o homem. Esta nova atitude perante a realidade foi progressivamente sendo conquistada. O pensamento que nasce dessa nova visão do mundo e que aspira revelar a verdade das coisas é a filosofia e a ciência. Compreender consiste em ver ou contemplar a realidade e dizer o que é. colocando-se na perspectiva da razão que discerne a unidade permanente e invariável através das aparências. – o movimento local de mudança de lugar. Desta forma. eram explicitados e sistematizados elementos inerentes à nova atitude e ao pensamento abstrato. supõem que. Desta forma postulam que o universo é um conjunto inteligível. não apenas considerado como indivíduo. Além dos movimentos ou das alterações externas que as coisas sofrem elas se encontram submetidas a um inexorável envelhecimento. o movimento qualitativo ou alteração e 4. Com este conceito os gregos designam: 1. as cidades. De início o pensamento resultante dessa nova atitude vem ainda mesclado de elementos míticos. para o grego antigo. No momento em que os primeiros pensadores jônios procuram descobrir o elemento primordial ou princípio fundamental. pretende-se passar do singular ao múltiplo. esse conjunto organizado que é o cosmos e diz o ser que se esconde através das aparências sensíveis.pode ser compreendida. o próprio modelo da transformação. do uno e do permanente. Na mutação universal a geração dos seres vivos é. no sentido mais amplo do termo. Em grego a palavra movimento tem um sentido muito mais rico que em outras línguas. logos e ser são assim os três conceitos fundamentais do pensamento grego.

cosmogônicas]. Acima o céu. das coisas que estão submetidas à geração e corrupção. Mas. As coisas nascem da natureza como algo que está produzido de seu. a physis (do verbo physein – crescer. se as coisas mudam. Aqui a natureza aparece dotada de uma estrutura própria. Nesse sentido a Natureza é o fundo permanente que há em todas as coisas. qual é a natureza ou princípio de onde tudo emerge? A CONCEPÇÃO GREGA DE NATUREZA Com os pensadores da escola de Mileto. por outro o grego concebe o logos como sendo aquele poder de penetrar o sentido das coisas e de apreender aquilo que permanece através das mudanças. É precisamente na idéia de movimento como geração que se fundamentam a divisão do esquema do universo para o grego. A natureza é então algo que permanece eternamente fecundo. Abaixo à terra. integrado pelas coisas incorruptíveis e que não estão submetidas à geração. em sua geração natural recebem da natureza sua substância. as coisas singulares são concebidas como integrando uma unidade e o universo é visto como uma totalidade harmônica. Com a idéia de permanência desse fundo o pensamento grego abandonou definitivamente a mitologia e a cosmogonia. ouranós. de caráter cíclico. Assim. sobretudo com Anaximandro. ge. nasce a pergunta inicial da filosofia: que são verdadeiramente as coisas. As coisas. mas apenas a um movimento local. O ouranós é o domínio dos theoi. os deuses imortais. Por outro lado a geração das coisas se concebe como um movimento em que estas se autoconformam nessa espécie de substância que é a natureza. independente das vicissitudes teogônicas e cosmogônicas [as duas palavras referem-se ao nascimento dos deuses teogônicas e o nascimento do cosmo. para dar origem ao que mais tarde será a filosofia e a ciência. a modo de substância de que todas as coisas são feitas. pela primeira vez na História do pensamento. fazer. Este fundo universal de onde nasce tudo quanto há é a Natureza. “imortal e sempre . a partir da múltipla variabilidade das coisas a sua raiz permanente e imutável. o eterno. então: o que são as coisas verdadeiramente? O que permanece sempre o mesmo através da aparente mutabilidade e contradição de tudo o que há? Procura. Como explicar que essa inexorável mutabilidade de todas as coisas constitua o núcleo dos problemas do grego antigo? Se de um lado a natureza se manifesta por uma transformação sempre contínua. da oposição entre o movimento incessante de todas as coisas e a necessidade da razão de encontrar o permanente e a verdade. O domínio do logos é o permanente. superior a esta variabilidade e capaz de dar a razão dela. o âmbito dos seres que envelhecem e perecem. que são elas verdadeiramente? A multiplicidade e a contradição penetram no ser mesmo das coisas. crescer). o grego pergunta.

no primeiro momento do pensamento grego. possuem idêntica raiz: ayu. Esta verdade. Assim. como um recomeço perene. fruto de uma eterna juventude. por isso.C. Estas variações têm caráter cíclico. durante duas gerações ali se dedicou à investigação científica. E esta presença é vital: algumas vezes está adormecida. O que se pode ressaltar é que. técnico e científico. As cidades da costa oriental do Egeu eram mais ricas e prósperas da Hélade. que corresponde às manifestações cíclicas da natureza. e talvez nos fins do século VII a. Anaxímenes. Anaximandro. chamado de apeíron. Vamos deixar de lado um pouco o texto do Professor José Henrique Santos. revelando aos homens o que sempre é. Não nos vamos deter na filosofia desses primeiros filósofos.jovem”. no fundo e acima da mutabilidade incessante de todas as coisas. que expressa a eternidade como uma perene juventude. pela origem de todas as coisas. Do grupo de homens que. fonte inesgotável de todas elas. nos primeiros anos do século VI a. ou. Aqueles que desvelaram a natureza oculta sob a multiplicidade do universo. tentando resumir ao máximo o que se refere aos primeiros filósofos. como diz Aristóteles. foram chamados sábios. uma dessas cidades aparece pela primeira vez a filosofia. eternidade e juventude. tendo a filosofia nascido no tempo próximo do aparecimento da escrita e tendo esta influenciado a elaboração das primeiras leis . tentando demonstrar racionalmente o que eles pensavam como origem de tudo o que há de matéria. Por isso o grego imaginou primitivamente a eternidade como um perfeito voltar a começar. Aristóteles chamou físicos. “os que filosofaram acerca a verdade”. nas cidades helênicas da Ásia Menor. promovido parcialmente pelos contactos com outras culturas. Diremos. Em Mileto. àqueles que buscaram a verdade acerca da Natureza. apenas que eles se interessaram pela Natureza. como a chamava Eurípedes. outras. O tempo para os gregos é um tempo cósmico.. Tales encontrou na água o elemento fundamental da realidade material. Anaximandro foi mais fundo pensando em um elemento indeterminado.yu.C. consistiu em descobrir a Natureza. a tradição nos conservou três nomes: Tales. como um eterno retorno. Inclusive ligüisticamente pode-se ver os dois termos ayon e iuvenis. O PERÍODO COSMOLÓGICO A Escola milesiana A filosofia começou nas costas jônicas. Acontecem de acordo com uma ordem e uma medida: o tempo (kronos). E Anaxímenes encontrou no ar todas as qualidades do indeterminado. como um movimento cíclico. nelas se produziu primeiramente um florescimento econômico. A natureza compreende todas as coisas: está presente em todas elas. desperta. como uma perene juventude.

teria sido libertado com uma pequena penalidade . ou o indeterminado.C. não é mais algo regido pelo segredo dos iniciados como. Manteve-se tão longe quanto possível da atividade política mas exerceu com integridade os irrecusáveis deveres de cidadão. Tanto que. com espírito crítico assimilou os vários elementos da cultura de seu tempo. Aproveitou-se do vasto meio social que Atenas lhe oferecia procurou travar contacto intelectual com cada um. Com a idade de 70 anos Sócrates foi acusado de “corromper a juventude e introduzir novos deuses”. Tanto como esses primeiros filósofos de Mileto os outros seguiram traçando seu pensamento e demonstrando sua validade lógico-racional-demonstraitva. Não. Não pertencia. VOLTAMOS AO TEXTO DE JOSÉ HENRIQUE SANTOS O PERÍODO ANTROPOLÓGICO DA FILOSOFIA GREGA SÓCRATES Sócrates nasceu em Atenas pouco antes de 469 a. discípulo de Tales. pois a reação democrática. mas também em sua atividade original que começou por volta da guerra do Peloponeso. como deve ser o pensamento racional. A acusação foi proveniente de motivos mesquinhos pessoais. por exemplo. quis atacar o filósofo de tendência aristocrática considerando-o responsável pela decadência moral da nação. pode ser lida e criticada.da futura democracia ateniense. é o elemento primordial de tudo o que há no mundo natural. sem aplicar-se propriamente a estudos eruditos. criticou ter o mestre pensado na água. Enquanto exercia sua missão. ATENÇÃO. o esoterismo dos Mistérios de Elêusis. agravou-se com complicações políticas. Como a água é um elemento determinado não poderia ser a causa ou determinação do resto do mundo. a filosofia aparece com a obra escrita. Anaximandro. Se o mito é oral e se exprime em narrativas de como os deuses ou as coisas apareceram. da Escola de Mileto. Sendo escrita. criticando também seu mestre Anaximandro imaginou um elemento concreto conhecido como o ar que tem todas as características de indeterminação: o ar. entretanto a qualquer escola e não era sua intenção fundar uma. Assim ele imaginou o apeíron. Aprendeu o ofício com seu pai e. pneuma. filho do escultor Sofronisco e de Fenarete. Alcibíades. Era movido por um profundo espírito religioso e um elevado senso moral que o inspirava. E Anaxímenes. considerando-o “sofista” e o mais popular e influente dentre eles. ou no úmido como origem de tudo. A familiaridade com os métodos de instrução dos sofistas despertou nele a convicção dos perigos de suas tendências. por exemplo. Não obstante. a filosofia é demonstração racional de conceitos explicitados. um círculo de cidadãos se formou ao seu redor no qual a jovem aristocracia se representava em homens como. não só em suas meditações em silêncio. Contra elas sentiu-se chamado a uma missão divina de examinar-se a si mesmo e a seus concidadãos e a trabalhar incessantemente na direção da perfeição moral. a Filosofia estava aberta à crítica.

Esses conceitos eram determinados através das definições às quais Sócrates chegava através do diálogo. os equívocos e os pontos falhos das diversas opiniões: esse processo de depuração intelectual era a ironia socrática. o reconhecimento da própria ignorância. Sócrates dirigia o diálogo de maneira a extrair. o que contrastava com a pretensão de saber dos sofistas. o singular através do universal. do mesmo modo que os fatos encontram sua solução numa lei geral que os exprime. o que é narrado no Fédon. recusou a proposta de fuga que tão facilmente poderia ser realizada. esses haviam se ocupado em fixar o significado das palavras. por meio de perguntas. de extrair.se não tivesse ofendido os heliastas (juízes) com a serena altivez com que se apresentou e manifestou sua crença em suas virtudes. Enquanto os sofistas. Com sua teoria do conceito ou definição geral como objeto de todo . conseqüentemente. Os objetos ou fatos singulares são expressos em seus aspectos essenciais através da definição geral. Sócrates apelava para a existência de conceitos que nos levariam à ciência verdadeira. nada obstava mais o caminho do saber do que a presunçosa afetação de sabedoria que a meia educação dos sofistas desenvolvia na maioria dos espíritos. seu mestre. segundo ele. pois. gradualmente. “liberando” da mente o pensamento adormecido. porém. a este processo chamava de maiêutica. Sócrates. o que lhe permitia descobrir o erro. Exigia dos outros o mesmo grau de auto-conhecimento e. através do qual se produzem as opiniões Sócrates acreditava numa lei da razão que determina o conhecimento da verdade. Sua atividade consistia em incitar continuamente seus concidadãos a ajuda-lo nesta busca da verdade. A solução das questões particulares depende . Após remover os obstáculos dos preconceitos e dos falsos conhecimentos. As coisas são expressas através dos conceitos. da definição geral. Em razão disso tratava no início de seus colóquios.A execução da sentença foi decretada para 30 dias depois. em seguida submete-las a uma análise rigorosa . Na medida em que buscava alcançar as definições. pois. sábios da época cuja teoria do conhecimento tornavam a verdade relativa às opiniões individuais. Estava convencido de que uma reflexão rigorosa leva ao verdadeiro conhecimento. Em maio de 339 a. assim. em sua fidelidade à lei. Sua confissão de ignorância significava considerar-se ainda distante do almejado ideal de sabedoria. assemelhava-se aos sofistas. Enquanto os sofistas estudavam o mecanismo psicológico. Às idéias singulares fornecidas pela percepção sensível opunha os conceitos universais que considerava o objetivo de toda investigação científica. a opinião de seus interlocutores. tomou a taça de cicuta.C. ao fazê-lo Sócrates se opunha aos sofistas pois pretendia alcançar com os conceitos a essência do fato e a lei que rege os casos singulares e as múltiplas situações. diálogo de Platão sobre os últimos dias de Sócrates. para. o que havia de comum no pensamento de seus interlocutores.

os fatos) e o universal (o conceito. Sócrates se preocupava essencialmente com os problemas da vida humana. por considerar a realização moral dependente da cultura intelectual. Por outro lado. tal como Sócrates a entendia . por outro lado do ponto de vista prático . a preocupação com os problema de caráter moral era unânime. a lei) – o que vai constituir em sua época . quando. aplicando a este domínio o seu método de definição indutiva do conceito. há uma identidade entre ciência e conhecimento moral. Assim como os sofistas. portanto a dependência existente entre o singular (as coisas. Sócrates considerou sua busca em comum como um processo de mútuo auxílio ao qual chamou pelo nome de eros (amor). referindo- se à moral. declarou que a perfeita virtude consiste em conhecer e que. conhecimento certo conduz sempre a uma ação certa. ação e conhecimento se implicam mutuamente. Do mesmo modo. Seus pensamentos eram produto de generalizações de fatos observados ou de especulações desvinculadas da realidade. Além do mais. Sócrates identificou ciência e auto-conhecimento moral. do ponto de vista do conhecimento. Com Sócrates teve início a elaboração do pensamento metodicamente constituído . portanto.. a definição. sentia-se a necessidade de um conhecimento objetivamente válido que servisse de fundamento de uma decisão ou apreciação corretas. um considerável avanço da investigação científica através desse procedimento indutivo: Sócrates chega à determinação do conceito mediante a comparação de casos particulares.conhecimento científico. se identificam ciência e virtude. Sócrates descobriu. igualmente válida para todos os homens. a busca da verdade é um imperativo que se funda na consciência moral do indivíduo. na confusão da vida pública onde as coisas eram diferentemente apreciadas. verificava-se que na crescente competição da civilização. sendo o conhecimento científico resultante da necessidade de discernimento ético. na vida humana. era a meditação do homem racional sobre a lei do bem.A habitual observância das convenções nacionais admitidas na época era insuficiente para a determinação de ordem prática nas complexas relações da vida em sociedade. Se. em substituição às ingênuas e fantasiosas tentativas de explicação da realidade. Do mesmo modo. Desta forma a conhecimento é uma conquista moral. o homem culto revelava-se sempre o mais capaz de todos os setores da vida e que. O método socrático representa um grande progresso do pensamento científico em relação à doutrina dos primeiros pensadores. Na época de Sócrates. esse ponto de vista envolvia uma concepção determinista e intelectual da vontade. Sócrates expressou-se mais claramente a esse respeito. A filosofia. Por isso mesmo conhecimento é considerado a essência da moralidade e a consciência o princípio da atividade humana. o que torna a . Segundo ele.

decisão da vontade uma decorrência da clareza e maturidade do espírito (inteligência). após terem corrido risco de se perderem na crítica individual e na anarquia desenfreada das opiniões foram de novo encontradas pela reflexão racional e pelo reconhecimento do que nelas existe de validade universal. Fondo de Cultura Econômica. através da qual as normas da consciência universal. que acreditava ouvir como sendo um “demônio” (daimon – força interior).II. Sócrates. México /Buenos Ayres: Ed. sem precisar qual o tipo de conhecimento em que consiste a virtude.. aperfeiçoa-se com Sócrates a concepção do tempo dos Sete Sábios . Werner. São Paulo: Ed.A. Rodolfo. . El pensamiento prefilosofico. IRWIN. Julian. E a resposta consistia sempre naquilo que satisfaz o homem e o torna feliz. todas as virtudes se harmonizam com a virtude fundamental . Considerada em conjunto a atuação de Sócrates opõe- se. L. Madrid: Aguilar. Segundo a errônea e equívoca interpretação de Xenofonte. Sócrates limitou-se a sugerir. A concepção fundamental da ética socrática é inteiramente eudemonista e foi sempre assim compreendida na filosofia antiga. Contudo. Hisoria de la Filosofia. W. devido ao caráter individual da sua atuação. Jacques. podem ser atingidas e ensinadas. O êxito da sua doutrina levou seus melhores amigos e discípulos às mais altas realizações do pensamento filosófico na antiguidade. LÁurore de la Philosophie Grecque. pois. . como ideal da razão. como tendo o sentido de saúde da alma. de Motta. Mas. MARIAS. Desta forma. J. Esta apostila consta de textos elaborados ou condensados da seguinte referência: BURNET. no domínio da ética. 1958. interpreta este útil até então identificado com o belo e com o bem . H. Vol. G. Afirmar que toda má ação provém de uma compreensão deficiente significa proclamar – no espírito do iluminismo – que o conhecimento é o ideal ético. o problema da ausência do bem era formulado da seguinte forma: : o que é o bem do ponto de vista universal e que é o bem para o homem individual. I. Eli de Gortari. Buenos Aires: Ed. JAEGER. Vol. ao relativismo e constitui uma tentativa para reformar a moral por meio da ciência.. episteme (ciência) e. em razão disto. Mestre Jou.Paris: Payot. Trad. Madrid: Manuales de la Revista de Ocidente. Paidéia – Loa ideales de la cultura griega. a exposição de Platão que é mais sutil. CHEVALIER. FRANKFORT. Para Sócrates.A. estímulo da verdadeira ventura. Da mesma forma supria o racionalismo de sua ética através da fé inquebrantável na obediência à voz divina. Fondo de Cultura Econômica. Sócrates suplementava sua indiferença em relação às teorias físicas e metafísicas com uma profunda piedade religiosa. Trad.. que o levava a crer que o ser divino regia com sabedoria e bondade a natureza e a vida humana. Historia del Pensamiento. MONDOLFO. a teoria ética de Sócrates era utilitária e o valor da virtude se transformou na prudência da ação sempre ajustada ao perfeito conhecimento do que é conveniente.

México: Antigua Libraria Pobredo. 1955. ZELLER. Tradução de Francisco Lamoyo. Madrid: Ed. Xavier. W. Historia. Sócrates e os Sofistas. Dios. Naturaleza. ZUBIRI.WINDELBAND. . Historia de la Filosofia – La Filosofia de los griegos. Nacional. Eduard. 1948.