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DOENÇA DE CHAGAS

Trypanosoma cruzi

Sinonímia - Tripanosomíase americana.
Agente etiológico - Trypanosoma cruzi, protozoário flagelado da família
Trypanosomatidae, caracterizado pela presença de um flagelo e uma
única mitocôndria. No sangue dos vertebrados, apresenta-se sob a forma
de tripomastigota e, nos tecidos, como amastigota.

Vetores .cruzi . no peridomicílio ou no intradomicílio. Panstrongylus megistus.Triatomíneos hematófagos que. brasiliensis. há uma diversidade de espécies que foram encontradas infectadas. Os T. dependendo da espécie. . T. podem viver em meio silvestre. pseudomaculata. A mais importante era o Triatoma infestans que recentemente foi eliminado do Brasil. sórdida também se constituem em vetores do T. No Brasil. São também conhecidos como “barbeiros” ou “chupões”. T.

morcegos.Além do homem. diversos mamíferos domésticos e silvestres têm sido encontrados naturalmente infectados pelo T. Também são relevantes os tatus. cães. Epidemiologicamente. primatas não humanos. gambás. porcos. ratos).Reservatórios . répteis e anfíbios são refratários à infecção pelo T. As aves. entre outros animais silvestres. . cruzi. os mais importantes são aqueles que coabitam ou estão próximos do homem (gatos. cruzi.

contato com material contaminado (sangue de doentes.30 a 40 dias) A transmissão por transplante de órgãos tem adquirido relevância nos últimos anos devido ao aumento desse tipo de procedimento. geralmente durante manipulação em laboratório sem equipamento de biossegurança. Esta forma.(incubação – aproximadamente 20 dias) . cruzi. frequente na região Amazônica tem sido implicada em surtos intrafamiliares em diversos estados brasileiros e tem apresentado letalidade elevada. cruzi de mulheres infectadas para seus bebês. Acidental .passagem do T.Modo de transmissão Vetorial . Vertical .(incubação – 3 a 22 dias) Transfusional . excretas de triatomíneos) com a pele lesionada ou com mucosas. durante a gestação ou o parto.ocorre por meio de hemoderivados do transplante de órgãos ou tecidos provenientes de doadores contaminados com o T. durante ou logo após o repasto sanguíneo. cruzi.(incubação.passagem do protozoário dos excretas do triatomíneos através da pele lesada ou de mucosas do ser humano.ingestão de alimentos contaminados com T. (período de incubação – 4 a 15 dias) Oral . com quadros clínicos pois receptores estão imunocomprometidos.

os métodos parasitológicos são desnecessários para o manejo clínico dos pacientes. Fase Crônica. Por serem de baixa sensibilidade.Determinada pela presença de parasitos circulantes em exames parasitológicos diretos de sangue periférico (exame a fresco. Diagnóstico Fase Aguda. Cruzi detectados por dois testes sorológicos de princípios distintos. são recomendados métodos de concentração devido ao declínio da parasitemia (teste de Strout. no entanto. cruzi no sangue e/ou tecidos por toda a vida. sendo a Imunofluorescência Indireta (IFI).Indivíduo que apresenta anticorpos IgG anti-T. QBC). cruzi no sangue indica doença aguda quando associada a fatores clínicos e epidemiológicos compatíveis. . testes de xenodiagóstico. micro-hematócrito. a Hemoaglutinação (HE) e o ELISA os métodos recomendados.O paciente chagásico pode albergar o T. b) presença de anticorpos IgM anti-T. Quando houver presença de sintomas por mais de 30 dias. No entanto. os principais reservatórios são os outros mamíferos.Período de transmissibilidade . hemocultivo ou PCR positivos podem indicar a doença crônica. esfregaço. gota espessa). sendo assim reservatório para os vetores com os quais tiver contato.

Para alterações cardiológicas são recomendadas as mesmas drogas que para outras cardiopatias (cardiotônicos. antiarrítmicos. etc). dependendo do estágio da doença. O Benznidazol contra-indicado em gestantes. Nas formas digestivas. responsável por cerca de 80% dos casos hoje considerados crônicos. infestans). durante 60 dias. A transmissão transfusional também sofreu redução importante. nas área rurais. 100mg). as formade transmissão vertical e oral ganharam importância epidemiológica sendo responsáveis por grande parte dos casos identificados. Nos últimos anos. diuréticos. vasodilatadores. existem cerca de 3 milhões de chagásicos.Tratamento A droga disponível no Brasil é o Benznidazol (comp. pode ser indicado tratamento conservador (dietas. A forma de transmissão mais importante e a vetorial. com o rigoroso control de doadores de sangue e hemoderivados. laxativos lavagens) ou cirúrgico. que deve ser utilizado na dose de 5mg/kg/dia (adultos) e 5-10mg/kg/dia (crianças). . no Brasil. As medidas de controle vetorial proporcionaram a eliminação transmissão pela principal espécie (T. divididos em 2 ou 3 tomadas diárias. Características epidemiológicas A transmissão vetorial ocorre exclusivamente no continente americano.

A meningoencefalite que é rara. derrame pericárdico. tamponamento cardíaco. rash cutâneo. vômito e epigastralgia intensa. há relatos de icterícia e manifestações digestivas hemorrágicas. cefaleia. hepatomegalia esplenomegalia. Em casos de transmissão vetorial: Sinal de Romaña (edema bipalpebral unilateral) ou chagoma de inoculação (lesão a furúnculo que não supura). edema de face ou membros inferiores. mialgias. derrame pleural.) . Manifestações digestivas: diarreia. insuficiência cardíaca congestiva. ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS Descrição . hipertrofia de linfonodos. elevação de enzimas hepáti- cas. Pode ocorrer pericardite. Fase Aguda – Caracterizada por miocardite difusa. leucocitose.Doença parasitária com curso clínico bifásico (fases aguda e crônica). cardiomegalia. tende a ser letal. Alterações laboratoriais : anemia. podendo se manifestar sob várias formas. proteína C-reativa. linfocitose. ascite ou hidroperitôneo. As manifestações clínicas mais comuns são: febre prolongada e recorrente. alteração nos marcadores de atividade inflamatória (velocidade de hemossedimentação. etc.

se não for realizado tratamento específico. digestiva). edemas. desmaios. aneurisma de ponta do coração e morte súbita. Esta fase pode durar toda a vida ou. ou com insuficiência cardíaca de diversos graus. . dispneia. progressiva ou fulminante. sopro sistólico e cardiomegalia. digestivos. pode evoluir para outras formas (ex: cardíaca. apenas com alterações eletrocardiográficas. Pode apresentar-se sem sintomatologia. O indivíduo apresenta exame sorológico positivo sem nenhuma outra alteração identificável por exames específicos (cardiológicos. . As principais manifestações são palpitações. dor precordial. ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS Fase Crônica . acidentes tromboembólicos. após cerca de 10 anos. aparente ou inaparente.Cardíaca: importante causa de limitação do chagásico crônico e a principal causa de morte. etc).Passada a fase aguda. tonturas. tosse. arritmias graves. dispneia paroxística noturna. ocorre redução espontânea da parasitemia com tendência à evolução para as formas: -Indeterminada: forma crônica mais frequente.

sendo o megaesôfago e o megacólon as formas mais comuns. Exames radiológicos contrastados são importantes no diagnóstico da forma digestiva. alterações pulmonares decorrentes de refluxo gastroesofágico. Manifestações que sugerem megaesôfago: disfagia (sintoma mais frequente). odinofagia (dor à deglutição). com consequentes alterações da motilidade e morfologia.. baixo peso.Digestiva: alterações ao longo do trato digestivo. hepatoesplenomegalia e febre. geralmente ocorre constipação intestinal.Forma congênita: ocorre em crianças nascidas de mães com exame positivo para T. . há relatos de icterícia. distensão abdominal.Forma associada (cardiodigestiva): quando no mesmo paciente são identificadas pelo menos as duas formas da doença. Pode passar despercebida em mais de 60% dos casos. em sintomáticos. soluços. volvos e torções de intestino e fecalomas podem complicar o quadro. ptialismo (excesso de salivação). pode ocorrer prematuridade. regurgitação. em casos mais graves pode ocorrer esofagite. Meningoencefalite costuma ser letal. ocasionadas por lesões dos plexos nervosos (destruição neuronal simpática). cruzi. No megacólon. . dor retroesternal à passagem do alimento. fístulas esofágicas. epigastralgia. equimoses e convulsões devidas à hipoglicemia. . hipertrofia de parótidas.

. cruzi circulante no sangue periférico. residente ou visitante de área onde haja ocorrência de triatomíneos. com ou sem presença de sinais e sintomas. radiológica ou eletrocardiográfica compatível com DC. que apresente exame parasitológico positivo para T. ou com hemocultivo. -Forma indeterminada . a partir do nascimento. Caso confirmado . ou exame sorológico positivo a partir do sexto mês de nascimento. e que não apresente evidência de infecção por qualquer outra forma de transmissão. que tenha recebido transfusão de hemoderivados ou transplante de órgãos.Exames compatíveis com megaesôfago ou megacólon. ou xenodiagnóstico positivos para T.Paciente que apresente T.Forma cardíaca . Definições de caso Caso suspeito . Cruzi . Caso de DCA crônica . . ou paciente com sorologia positiva para anticorpos IgM anti-T. .Exames compatíveis com miocardiopatia chagásica. identificado por meio de exame parasitológico direto.Exames compatíveis com miocardiopatia chagásica e algum tipo de mega. Caso de DCA congênita .Forma digestiva . cruzi na presença de evidências clínicas e epidemiológicas indicativas de DCA. cruzi. . cruzi. ou que tenha ingerido alimento suspeito de contaminação.Paciente com quadro febril prolongado (mais de 7 dias) e que apresente esplenomegalia ou acometimento cardíaco agudo.Indivíduo com pelo menos dois exames sorológicos.Forma associada .Recém-nascido de mãe com exame sorológico ou parasitológico positivo para T.Nenhuma manifestação clínica.

MEDIDAS DE CONTROLE Transmissão vetorial . melhoria habitacional em áreas de alto risco. por meio de triagem sorológica dos doadores.Manutenção do controle rigoroso da qualidade dos hemoderivados transfundidos.Utilização rigorosa de equipamentos de biossegurança .Identificação de gestantes chagásicas durante a assistência pré-natal ou por meio de exames de triagem neonatal de recém-nascidos para tratamento precoce. Transmissão transfusional . Trasmissão vertical .Controle químico do vetor (inseticidas de poder residual) em casos onde a investigação entomológica indique haver triatomíneos domiciliados.Cuidados de higiene na produção e manipulação artesanal de alimentos de origem vegetal. Transmissão acidental . suscetíveis à domiciliação de triatomíneos. Trasmissão oral .