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NOÇÕES DE ESTRUTURA E MICROESTRUTURA DE MATERIAIS

ESTRUTURA é a organização dos átomos no interior


do material (dimensão em 10-1 nanômetros = 1A0)

(1m = 103mm = 106 µm = 109nm = 1010 A0 )


estrutura cristalina ordem de longo e de curto alcance
estrutura amorfa apenas ordem de curto alcance

A estrutura é estudada, por exemplo, com:


- Raios -X
- Microscópio de força atômica (AFM)
- Microscópio de Tunelamento
- Microscopia Eletrônica de Transmissão (TEM)
- Microscópio Eletrônico de Varredura com Emissão
de Campo ( MEV-FEG)
Diamante Grafita
(estrutura cristalina cúbica) (Estrutura hexagonal)
MICROESTRUTURA: organização na escala micrométrica

tamanhos dos grãos do material policristalino (grão = monocristal;


policristalino = muitos cristais ou grãos)
tipo de fases presentes no material polifásico (polifásico = mais de
uma fase)
defeitos presentes no material do material (poros, inclusões de
impurezas,...)

NANOESTRUTURA organização na escala nanométrica (as


mesmas particularidades descritas acima, mas em escala
nanométrica
Grãos e
Contornos de do
material
evidenciados
pelo ataque
químico nos
contornos de
grão

(M.R.Cássia Santos - LIEC/UFSCar, Cerâmica, Vol. 47, 303, 2001)


Pos-Doc Henrique Cezar Pavanatti - LabMat/2007
(cristais de carboneto de molibdênio)
Metal Nióbio
a b
a) Grãos em aço de ultra baixo teor de carbono;
b) Grãos em nióbio puro
Microplaquetas de SnOx
Produzido por processo hidrotérmico
Trabalho Cristian Bernardi – Labmat 05
Esferas ocas submicrometricas de Ni-P
Produzido por processo hidrotérmico
Dissertação Cristian Bernardi – Labmat 05

Diâmetro médio = 0,28 ± 0,05 m

Detalhe de uma esfera oca


Nanofibras de MoS2
Produzido por processo hidrotérmico
Tese Cristian Bernardi – Labmat 08

Diâmetro médio = (27 ± 4) nm

200 nm
Nanoflowers de MoS2
Produzido por processo hidrotérmico
Tese Cristian Bernardi – Labmat 08

Foto MET

50 nm
Falta de ordem no contorno de grão
a) Liga de Al + 6%Urânio

b) Liga Cobre – cádmio:


Fase clara: Cu5Cd8.
Fase cinza: CuCd3.
Fase preta: matriz

c) Liga b acima, após


recozimento em 305 °C
Foto 5: Exemplo de material polifásico. Trata-se de uma Liga de Cobre-
Cádmio após a solidificação. A fase clara é o Cu5Cd8 e a fase cinza que
circunda a fase clara é o CuCd3 ; o resto é produto da solidificação
eutética, sendo uma mistura de Cd puro (fase preta) com a fase cinza
(CuCd3).
Foto 4: Microestrutura de aço temperado e revenido. O
resfriamento rápido forma finas agulhas de martensita.
Liga Fe + 19,2%Si + 40%Mn
+ pequenos teores de C e P
como impurezas
contorno
de grão

poros

Foto 1: Microestrutura de ferro puro sinterizado. Trata-se de um


material monofásico. Observam-se contornos de grãos e poros
residuais provenientes do processo de fabricação(poros em cor
escura). Microscopia ótica.
contornos
de grão

poros

Foto 2: Microestrutura de aço inoxidável 316L sinterizado, como


vista no microscópio eletrônico de varredura. Observam-se os
grãos e alguns poros residuais provenientes do processo de
fabricação (metalurgia do pó). Trata-se de um material monofásico.
Fotografia mostrando o grau de transparência de três amostras de
alumina (óxido de Alumínio).
a) Amostra da esquerda é um monocristal de alumina pura (chamada
safira) e apresenta-se transparente;
b) Amostra do centro: Alumina policristalina: é translúcida pois perde
parte da transparência por reflexão nos contornos de grão;
c) Direita: Alumina policristalina. É opaca pois reflete luz, além dos
contornos, nos defeitos volumétricos como poros residuais
(remanescentes, 5% no caso da amostra) do processo de fabricação
(sinterização)
OBSERVAÇÕES SOBRE A MICROESTRUTURA:

A composição química do material exerce influência


sobre a formação da estrutura e da microestrutura (ou
nanoestrutura) do material.
O processo particular de fabricação do material
igualmente exerce influência sobre a microestrutura obtida
no mesmo.

A microestrutura pode ser planejada antes da fabricação


do material, de acordo com o conjunto de propriedades que
queremos alcançar. Por exemplo, a velocidade de
resfriamento de uma liga interfere no tamanho de partícula
das partículas de segunda fase precipitadas.
Ferro Sinterizado Sinterização
Ferro Sinterizado Sinterização
assistida por plasma, com
em forno resistivo. Ataque
enriquecimento superficial com Cr
químico revelando contornos de
via pulverização catódica (cátodo
grão e poros residuais do
de Cromo)
processo de fabricação
Superfície de Ferro puro após
Superfície de Ferro puro após
compactação do pó em matriz
sinterização em plasma
(400 Mpa)
(amostra no cátodo)
OBSERVAÇÕES SOBRE A MICROESTRUTURA:

A composição química do material exerce influência


sobre a formação da estrutura e da microestrutura (ou
nanoestrutura) do material.
O processo particular de fabricação do material
igualmente exerce influência sobre a microestrutura obtida
no mesmo.
A microestrutura pode ser planejada antes da fabricação
do material, de acordo com o conjunto de propriedades que
queremos alcançar. Por exemplo, a velocidade de
resfriamento de uma liga interfere no tamanho de partícula
das partículas de segunda fase precipitadas.
As propriedades dos materiais dependem:

do tipo de ligação química;

da energia de ligação;

da sua composição química;

da sua microestrutura (quais as fases presentes,


arranjo geométrico entre as fases presentes e o seu
tamanho de grão; os defeitos cristalinos presentes
no material)

da estrutura cristalina que se forma no sólido;


ESTRUTURA CRISTALINA

A maioria dos materiais, no estado sólido, tem os seus


átomos ou íons arranjados de forma regular
(ordenadamente) no espaço (arranjo tridimensional), ou
seja, possuem estrutura cristalina.

A ordem espacial no cristal é de longo alcance, ou


seja, ao longo do cristal inteiro. Quando o sólido
possui apenas ordem de curto alcance, ele é amorfo,
ou seja, não possui estrutura cristalina . Exemplo:
vidros.
a) Ordem de curto e longo alcance b) Apenas ordem de curto alcance
CRISTALIZAÇÃO formação de grãos e respectivos contornos
de grãos, bem como, os defeitos cristalinos no material

cristalização primária pode ocorrer:


A partir do estado líquido, isto é, na solidificação do
material fundido
A partir de fase gasosa ( Plasma, PVD, CVD, processo
carbonila, outros)

cristalização secundária Recristalização


Formação de novos grãos a partir de grão deformados no
estado sólido (mediante um tratamento térmico no estado
sólido, após deformação plástica com elevado encruamento
por deformação a frio)
Cristalização a partir do estado líquido
Crescimento de cristais a partir da fase gasosa
No caso: A fase intermetálica Fe + 60Ni, chamada Taenita,
obtida via plasma (Dissertação de mestrado Roberto
Marchiori, Labmat/UFSC)
Cristais de diamante produzidos na superfície de substrato
de metal duro produzido no LabMat/UFSC (Tese de
doutoramento de Jairo Arturo E. Gutierez)
Os sistemas cristalinos:

z
As dimensões a, b, c são as
dimensões da célula unitária
do cristal (parâmetros da rede
cristalina).
c
b
a y

x Existem ao todo 07
sistemas cristalinos
Os 7 sistemas cristalinos

Sistema Eixos Ângulo entre os eixos


Cúbico a=b=c todos = 90°
Tetragonal a=b≠c todos = 90°
Hexagonal a1= a2 =a3 ≠ c 90° e 120°

Monoclínico a≠b≠c 2 de 90° e 1 ≠ 90°


Triclínico a≠b≠c todos ≠ entre si e ≠ de 90°

Ortorrômbico a≠b≠c todos = 90°


Romboédrico a=b=c todos = entre si e ≠ de 90°
Estruturas Cristalinas. (não confundir com sistemas! )

Um sistema cristalino pode ter mais de uma estrutura,


de acordo com o tipo de célula unitária (rede de Bravais)
formada na cristalização. O sistema cúbico, por exemplo,
tem 3 estruturas distintas.
Existem ao todo 14 tipos de estruturas cristalinas
distintas (tipos de células unitárias) possíveis de serem
formadas na cristalização dos materiais de engenharia as
quais se enquadram nos 7 sistemas cristalinos.
Sistemas e estruturas mais importantes em metais

Sistema Cúbico:
Cúbica simples (c.s.);
Cúbica de corpo centrado (c.c.c.);
Cúbica de faces centradas (c.f.c.);
Sistema Tetragonal:
Tetragonal simples ( t.s. );
Tetragonal de corpo centrado (t.c.c.);
Tetragonal de faces centradas (t.f.c.);
Sistema Hexagonal:
Hexagonal simples (h.s.);
Hexagonal compacta (h.c.);
Estrutura cúbica simples/célula unitária

a = 2r
Átomos encostam
ao longo da aresta
do cùbo
Estrutura cúbica de Corpo Centrado
4r a

a
a
Átomos se tocam no sentido da
a) Célula unitária CCC b) diagonal do cubo

Volume da célula VCCC = a3 = (4R/√3)3


Estrutura cúbica de faces centradas de um metal (CFC):
Estrutura cúbica de faces centradas de um metal (CFC):

Número de átomos por célula unitária


= (6 x ½) + (8 x 1/8) = 4 átomos
Estrutura hexagonal simples (h.s.)
Estrutura hexagonal simples (h.s.)
Hexagonal compacto

A
Fator de Empacotamento Atômico.

Assumindo o modelo de átomos esféricos


(esferas rígidas), o F.E.A é a fração de volume da
célula unitária que é ocupada pelos átomos.

V olum e . dos . atom os


F.E.A=
V olum e . da . celula . unitaria

Exemplos:

a) Estrutura Cúbica Simples


Na estrutura cúbica simples a =2R
R 3

F .E . A = 3 = 0 ,5 2
3
(2 R )
Cúbico simples

a = 2R

O Cúbico Simples possui


(8 x 1/8) = 1 átomo por
VCélula = a3 = (2R)3
célula unitária

VAtomo = 4/3πR3
c) Na estrutura c.f.c. a2 + a2 = (4R)2
R3
4 (4π ) 1 6 π R 3
(2 2 )
F .E . A = 3 = = 0 ,7 4
a 3
3 × 64R 3

Possui (6 x 1/2) + (8 x 1/8)


= 4 átomos por célula
unitária.

Diagonal
da face
a2 + a2 = (4R)2

2a2 =16R2 a = 2R √2
b) Estrutura C.C.C.
4
2 π R 3
3
FEA=
a
3

Como no c.c.c. a diagonal do cubo é 4R, têm-se:

(4R )2 = a 2 + b2 + c2 = 3a 2
2
( 4R ) 4R
a =
2
→a=
3 3
4
2 π R 3
F . E . A = 3 = 0 ,6 8
4 R 3
( )
3
Calculo da densidade em metais

O conhecimento da estrutura do cristal de um metal sólido


permite calcular a densidade teórica através da relação

Onde:
n = número de átomos associado a sua célula unitária
A = massa atômica
VC = Volume da célula unitária
NA = Número de Avogadro ( 6,003 x 1023 átomos/mol