Fichamento

Antropologia e Ambiente
Entre transgressões e sínteses Eduardo di Deus

Junho de 2007
(tese de mestrado apresentada na Universidade de Brasília)

Lucas Cunha Bacharelado em Humanidades - UFVJM Novembro de 2010

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Introdução

O autor (di Deus) se propõe a relacionar as duas principais vertentes da antropologia, o lado natural/biológico e o cultural/social. Embora admita a divisão tenta minimizar as diferenças trazendo em sua tese de mestrado uma relação entre tais. É possível transcender a cisão entre antropologia ecológica e antropologia humana. É uma abordagem interpretativa que visa explorar uma possibilidade teórica, e não descartar outras abordagens existentes A dissertação foi dividida em duas partes, na primeira, di Deus, traz um viés mais histórico, enfoca autores clássicos, na segunda, traz contemporâneos, inclusive biológicos.
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Parte 1 Antropologia e ambiente: antes e depois da ecologia Capítulo 1 Bases para o estudo do ambiente em antropologia

Franz Boas e Émile Durkheim foram fundamentais na consolidação de duas importantes escolas, Boas na antropologia cultural americana e Durkheim na escola sociológica francesa. Neste capítulo são enfocados Boas e Marcel Mauss sobrinho e discípulo de Durkheim. Boas e Mauss viveram entre o fim do sec. XIX e o começo do sec. XX, no momento histórico em que Charles Darwin e Alexander Von Humboldt mostravam ao mundo suas idéias e fundamentavam a ecologia como disciplina o que influenciou todo a sociedade e a antropologia.
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1.1 Boas e o possibilismo ambiental

A trajetória de Boas passa pela psicofísica e geografia até culminar na antropologia. Na década de 1880, Boas foi ao Ártico estudar os efeitos do ambiente sobre os esquimós, em especial os fenômenos migratórios. Seus estudos anteriores em áreas tão distintas o levavam a crer que era necessária uma visão ampla sobre o tema, não se contentando com o obvio, algo muito compreensível se torna insustentável. Em sua partida para o Ártico, Boas já sabia que não seria possível fazer um estudo mecanista sobre os fenômenos migratórios, tradições e costumes dos esquimós. Era necessário um estudo histórico para se chegar as conclusões psicológicas que levam os mesmos a tais fenômenos, influências de Karl Ritter e Friedrich Ratzel ajudaram Boas em suas pesquisas. Com base nisto, Boas crítica o desenvolvimento unilinear da cultura e considera a influência geográfica como condicionante e não determinante sobre a cultura, a mesma idéia aplica a questão racial e econômica.
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1.2 Mauss e o estudo do homem total

É necessário olhar para Durkheim, que mostra a maneira de fazer e a maneira de ser coletivo na obra As regras do método sociológico para analisar a obra de Mauss. A análise da

morfologia social por Mauss se dá no Ensaio sobre as variações sazionais das sociedades esquimós: estudo de morfologia social . Mauss tenta na morfologia social , não apenas descrever as sociedades, mas, explicá-las. Mauss divide seu estudo em quatro partes: a análise da morfologia geral da sociedade esquimó; a análise da morfologia sazonal; a busca das causas das variações sazonais; e o inventário de alguns de seus efeitos.A morfologia geral traz os caracteres constantes, serve de pré-requisito para a leitura subseqüente da obra, Mauss traz aspectos muito além do clima verão inverno para explicar os hábitos e costumes dos esquimós. Mauss em suas obras propõe a interação entre ciências como psicologia, sociologia e biologia. O homem em sua totalidade. Mauss defende a autonomia da sociologia e da antropologia como ciências, mas, ressalta seus limites e a necessidade de interação causada por estes limites. A obra de Mauss se diverge da de Durkheim principalmente por trazer fatores psico-orgânicos.
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Capítulo 2 A ecologia entra em cena: de plano de fundo ao centro da análise

Neste capítulo são citados autores britânicos da primeira metade do sec. XX, também autores norte-americanos serão mostrados.
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2.1 A ecologia integra o cenário

O foco na seção 2.1 esta em Evans Pritchard e E. Leach, os aspectos principais a serem abordados são a incorporação de idéias de uma ciência ecológica e a correlação dos fatores ecológicos/ecologia Em 1940 Evans-Pritchard publicou Os Nuer, obra de três volumes que já em seu primeiro volume trata do ambiente e das formas de subsistência na sociedade Nuer, as mudanças que os Nuer tem de fazer se adaptando à estiagem ou o período de chuvas por exemplo, mostra um dinamismo entre a sociedade e o ambiente a todo momento. Observa-se também na obra a idéia de adaptação - muito presente nos aspectos ecológicos - quando aborda a cultura material Nuer e sua baixa tecnologia. A obra de Leach traz os fatores ecológicos que aparecem em Sistemas Políticos da Alta Birmânia. Como os fatores ecológicos e seus contrastes traçam a economia da Birmânia e influenciam seus diversos aspectos culturais. A diferença entre os povos das terras altas e baixas, das terras úmidas ou áridas altera a cultura e os costumes de determinada região.
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2.2 Da ecologia cultural à ecologia humana ecossistêmica

Nesta seção se analisa as obras de Julian Steward e Roy Rappaport, o primeiro foi pioneiro da ecologia cultural e o segundo na abordagem ecossistêmica em antropologia ecológica. Steward teve sua formação antropológica influenciada por Boas, pode dizer que a metodologia -se proposta por Steward na ecologia cultural esta diretamente ligada a sua recuperação da problemática da evolução de modo linear. Rappaport faz algumas criticas a Steward dentre as quais são citadas a opção por não tratar ambiente e cultura em suas totalidades mas considerando apenas aspectos relevantes e o fato de fatores sociais e históricos serem lembrados apenas quando o método falhava em apresentar uma explicação satisfatória.
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2.3 Transitando para a abordagem sintética

Esta seção tenta integrar as idéias anteriores do capítulo 2 com olhares de autores comentadores das obras antes citadas e buscando traços entre os mesmos para chegar a abordagem sintética das questões levantadas.
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Parte 2 A nova biologia e a antropologia dos humanos em seus ambientes Capítulo 3 O aporte de biologias: revendo o organismo no ambiente

Este capítulo traz o legado de Richard Lewontin e sua crítica quanto ao reducionismo em sua disciplina biologia. Segue mostrando como este tema emerge de maneira diferenciada em obras como as de Humberto Matuana e Francisco Varela.
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3.1 O biólogo dialético vê os organismos nos ambientes

Lewontin crítica as teorias neo-darwinistas de adaptação, o reducionismo genético e lança a idéia da tripla hélice para defender suas idéias, o autor argumenta que os organismos constroem ativamente o mundo à sua volta e não apenas se adaptam ao mesmo.
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3.2 A biologia fenomenológica e o sistema autopoiético

Seção que traz Maturana e Varela chilenos em um olhar mais marginal da biologia, trata-se de um valioso aporte advindo das ciências biológicas na construção de uma abordagem sintética para os humanos e seus ambientes, faz algumas releituras da seção anterior tentando complementar a idéia de Lewontin. Este capítulo traz várias críticas ao lugar delegado ao ambiente pela antropologia sob um olhar mais biológico da problemática.
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Capítulo 4 Passos para uma abordagem sintética: uma antropologia no ambiente

Neste último capítulo questionamentos dos três anteriores voltam à tona e se dá foco a dois autores, que, abordam a antropologia de maneira transdisciplinar. Gregory Bateson que traz a ecologia da mente e abre caminho para a ecologia da vida de Tim Ingold ambos britânicos.
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4.1 Ecologia da mente

Bateson é considerado um antropólogo fora do comum e lembrado por tentar relacionar temas buscando novas visões nesta seção são encontradas as subseções Conectando os padrões de relação e Afinal, o que é isto, o organismo mais ambiente . Através de relações como entre natureza e cultura, individuo e sociedade, traça a chamada ecologia da mente.
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4.2 Uma ecologia da vida renovando a antropologia

Ingold, mesmo mantendo-se dentro dos limites aceitáveis da antropologia, busca uma nova biologia e da proposição de novos modos de observação, seu principal enfoque é diminuir a distância existente entre as humanidades e as ciências da natureza. Sua obra é fortemente ligada à obra de Mauss, relaciona diversas ciências em seus ensaios no fim do sec. XX

LUCAS EVANDRO FERREIRA CUNHA Novembro de 2010

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