NEWS PME

ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DOS JORNAIS OJE, O MIRANTE E VIDA ECONÓMICA
TECNOLOGIAS
A YET, um spin-off da Primavera BSS para a área das transacções electrónicas, vai avançar para o processo de internacionalização em 2012, revelou ao PME News o general manager da empresa, Eugénio Veiga. O gestor adiantou que o plano deverá estar concluído no final deste ano. “Esperamos ter no final de 2011 o nosso plano de internacionalização definido para ser colocado em prática no primeiro trimestre de 2012”, adiantou. Segundo Eugénio Veiga, os alvos a abordar serão os países onde a legislação relativa à facturação electrónica siga as directivas da comunidade europeia. Mas não só. “Estaremos também, especialmente atentos, às economias emergentes onde a realidade das transacções electrónicas esteja a surgir ou em forte crescimento”, acrescentou. O continente africano “pode considerar-se enquadrável neste contexto”. À luz das palavras do gestor, África é, portanto, uma possibilidade em estudo no caminho que se perspectiva para a internacionalização da YET. Criada em 2009, como spin-off da Primavera BSS para a área das transacções electrónicas, a YET tem uma oferta centrada nos serviços e não nos produtos, que são a oferta tradicional da Primavera. A empresa tem vindo a apostar, desde o seu lançamento, numa política de parcerias que quer continuar a reforçar. “A YET vai continuar a fortalecer as parcerias em que assenta o seu modelo de negócio, estabelecendo novas parcerias, para continuar a crescer”, explicou o general manager da empresa. Para este ano, a YET tem como objectivo a adopção de tecnologias de topo na área das transacções electróni▲

Especial
CONTABILIDADE E GESTÃO FINANCEIRA Págs. VI e VII
QUINTA-FEIRA, 31 DE MARÇO DE 2011
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YET avança em 2012 para a internacionalização
cas, de forma a contribuir para o seu crescimento e, principalmente, nas palavras de Eugénio Veiga, a “quebrar os mitos de que a adopção deste tipo de tecnologias é muito cara, complicada de implementar e de utilizar”. A empresa, que está a completar dois anos, tem a sua sede em Braga, contando com uma base operacional em Lisboa. A sua actividade em termos técnicos e comerciais é desenvolvida por uma equipa constituída por sete colaboradores. A restante actividade da empresa é sustentada por uma estrutura de serviços partilhados com a casa-mãe.

Capital de risco financia conceitos
INOVAÇÃO

SISMOLOGIA: Coimbra é 1ª referência da Península
ENTREVISTA

Eurico Neves
O presidente da Inovamais diz que a Portugal falta o chamado “dinheiro inteligente”. O dinheiro que vem com conhecimento e com partilha de risco e que, além de financiar projectos, ajuda a encontrar mercados e aplicações para os seus resultados, de forma a multiplicar-se e gerar riqueza, não só para quem o recebe, mas para quem o dá Págs. IV e V
A SISMÓLOGA Susana Custódio na estação sismológica do Instituto Geofísico da Universidade de Coimbra. A estação, uma das mais antigas do mundo, foi considerada “Reference Station of the World” pela International Assoc. of Seismology and Physics of the Earth's Int. Foto/DR

O FUNDO de Capital de Risco InovCapital-ACTec anunciou a aprovação dos seus primeiros investimentos em duas startups da área de biotecnologia: BioMode - Biomolecular Determination e Thelial Tecnologies. Este financiamento, no montante de 300 mil euros para cada startup, vai permitir a realização da prova de conceito tecnológico dos projectos com o apoio da iniciativa Act da COTEC, possibilitando, assim, o desenvolvimento dos produtos gerados a partir das tecnologias desenvolvidas pelos promotores. “A aprovação destes investimentos é um marco no financiamento de projectos de base tecnológica no nosso País, uma vez que os promotores passam a dispor de um instrumento que lhes permite reduzir o risco tecnológico do projecto e, consequentemente, aumentar o seu valor, antes de avançarem para a procura de financiamento de fase seed”, diz Pedro Vilarinho, director do Acelerador de Comercialização de Tec-

nologias da COTEC (Act by COTEC). O fundo vai, segundo este responsável, permitir viabilizar muitos projectos que de outra forma nunca conseguiriam chegar ao mercado. João Fernandes, administrador da InovCapital, salienta tratarem-se dos primeiros investimentos do FCR InovCapitalACTec, o único fundo em Portugal dirigido exclusivamente para investimentos em prova de conceito, adiantando que, apesar dos projectos BioMode e Thelial serem focados no desenvolvimento de investigação científica prevê-se que no futuro venham a ter aplicação no mercado global. A BioMode visa a comercialização de um kit de diagnóstico da bactéria Helicobacter plyori, responsável pelas úlceras de estômago. A Thelial Technologies utiliza uma tecnologia proprietária baseada no embrião da mosca da fruta para seleccionar grupos de novos fármacos com potencial aplicação no tratamento de diferentes tipos de cancro, a partir de bibliotecas de compostos activos que adquirirá externamente.

GUESTCENTRIC
Esta empresa, criada por um português para responder ao desafio global, está a revolucionar o e-commerce dos hotéis independentes Pág. VIII

COTEC lança programa para a gestão da inovação
A COTEC Portugal anunciou o lançamento da 6ª edição do Programa Executivo para a Gestão da Inovação (PEGI). O programa tem inscrições abertas até 15 de Abril e realizar-se-á entre 9 e 12 de Maio, no Hotel Campo Real em Torres Vedras. Coordenado pelo Professor João Caraça, director do serviço de Ciência da Fundação Calouste Gul benkian, o curso é dirigido a gestores de programas ou projectos de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI), bem como líderes de equipas e colaboradores seniores envolvidos na gestão, execução ou acompanhamento de actividades de IDI. Em comunicado, a COTEC explica que o programa pretende desenvolver “um conjunto de competências interdisciplinares e atitudes referentes à gestão de inovação”, assim como “analisar alguns casos práticos”, tendo em vista “o desenvolvimento de forma sistemática e continuada”. O programa irá abordar a inovação na economia do conhecimento, a propriedade industrial e a inovação em rede, entre outras áreas.

II

QUINTA-FEIRA 31 de Março de 2011

NOTÍCIAS

Ficha Técnica
PUBLICADO NA ÚLTIMA QUINTA-FEIRA DE CADA MÊS O Suplemento faz parte integrante do jornal OJE, O Mirante e Vida Económica Director Luís Pimenta Editora executiva Helena Rua Redacção Almerinda Romeira e Vítor Norinha Arte Carlos Hipólito Marta Simões Fotografia Victor Machado Director Comercial João Pereira - 217 922 088 jpereira@oje.pt Gestores de Contas Alexandra Pinto - 217922096 Isabel Silva - 217 922 094 Miguel Dinis - 217 922 097 Tiragem Total 81 000 exemplares

Rede Enterprise apoia projectos na Europa
COMPETITIVIDADE
APOIAR a internacionalização das empresas, promover parcerias tecnológicas entre empresas com base na transferência de inovação, através da identificação de parceiros e providenciar o aproveitamento de oportunidades de negócio no mercado único são os principais objectivos da Enterprise Europe Network. Esta rede, integrada no Programa-Quadro para a Competitividade e Inovação da União Europeia, é representada em Portugal por um consórcio que envolve nove entidades distribuídas regionalmente por todo o território nacional, incluindo as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. A saber: IAPMEI, (líder do consórcio), Agência de Inovação, Associação Comercial e Industrial do Funchal – Câmara de Comércio e Indústria da Madeira, Associação Industrial de Aveiro, AIMINHO, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Conselho Empresarial do Centro e Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A rede foi lançada pela Comissão Europeia em 2008, com o objectivo de “facilitar o acesso simplificado” a informação e aconselhamento no apoio ao desenvolvimento da actividade empresarial na Europa. Este apoio pode ser solicitado às entidades do consórcio, através de contacto directo ou do serviço de atendimento online.

AEP organiza missão à China em Abril
INTERNACIONALIZAÇÃO
A AEP – Associação Empresarial de Portugal vai organizar, entre 13 e 18 de Abril, uma missão empresarial a Hong Kong, porta de entrada para o comércio com a China Continental, e à Feira de Cantão. A Canton Fair é o maior certame multisectorial da República Popular da China e de toda a Ásia. Este evento bianual engloba sectores como electrónica, iluminação, componentes de automóvel, maquinaria, hardware, ferramentas, materiais de construção, produtos químicos e um pavilhão Internacional. A crescente aposta da AEP na Ásia vai de encontro às necessidades que as empresas têm de entrar nestes competitivos mercados.

ENERGIA: Arquiled ilumina exterior do Cascade Resort em Lagos com tecnologia LED

UA integra rede de transferência de tecnologia
INOVAÇÃO
A UNIVERSIDADE de Aveiro integra uma rede de transferência de tecnologia para impulsionar o sector empresarial do Sudoeste Europeu. O projecto CarbonInspired foi lançado no JEC Composites Show 2011, que hoje termina em Paris, e prevê a criação de uma rede de colaboração entre centros de pesquisa públicos e privados e empresas, apoiando-as na inovação e desenvolvimento de produtos de elevado valor acrescentado.

Trabalho flexível é prática em 76% das empresas
ESTUDO
TRÊS quartos das empresas em Portugal oferecem aos seus funcionários trabalho flexível. Esta é uma das principais conclusões de um estudo da Regus efectuado com base nas respostas de 17.000 empresas de 80 países, entre os quais o nosso. Segundo o estudo, a maioria destas empresas está a descobrir que o trabalho flexível lhes traz grandes benefícios, tais como o “aumento da produtividade dos funcionários, a redução de despesas e uma melhoria do equilíbrio entre a vida profissional e pessoal por parte dos funcionários”. O estudo refere ainda que 76% das empresas em Portugal acreditam que o trabalho flexível tem custos inferiores aos do trabalho fixo de escritório, em comparação com a média global de 81%.

A ARQUILED, PME fabricante de iluminação LED com fábrica em Mora, forneceu a iluminação externa e do SPA do Cascade Resort em Lagos. A operação vai permitir a este empreendimento de luxo, implantado numa área de 38 hectares, uma poupança energética de nove vezes menos de consumo nas zonas intervencionadas ao nível da iluminação. A Arquiled dedica-se à criação, desenvolvimento e produção de iluminação arquitectural e iluminação pública, utilizando a tecnologia LED (Light Emitting Diode) como fonte de luz. Foto/DR

Câmara lusojaponesa debate financiamento
COMÉRCIO E INDÚSTRIA
A CCILJ – Câmara de Comércio e Indústria Luso Japonesa organiza, a 5 de Abril, um almoço-debate no Espaço – Tejo, do Centro de Congressos de Lisboa, subordinado ao tema “Vencer a crise: O papel da incentivação financeira no apoio às empresas”. O presidente do IAPMEI, Luís Filipe Costa, é o orador convidado, cabendo-lhe “esclarecer” os empresários sobre alguns dos mecanismos que poderão utilizar para ajudar a garantir financiamentos, numa altura em que o financiamento bancário começa a escassear. Luís Filipe Costa apresentará as linhas PME Investe e Garantia Mútua e analisará o papel dos fundos de Investimento imobiliários, dos fundos de investimento para fusões e aquisições e do capital de risco. A acção conta com o apoio das Câmaras de Comércio Luso-Belga-Luxemburguesa, Luso-Sueca, Luso-Brasileira, Portugal-India e Câmara de Comércio e Indústria Suíça.

Science4you inicia vendas na Finlândia
BRINQUEDO CIENTÍFICO
A SCIENCE4YOU, empresa portuguesa que desenvolve, produz e comercializa brinquedos científicos, vai comercializar os seus produtos na Finlândia, um país que valoriza muito este género de brinquedos. A entrada neste país será feita através de um parceiro local: a empresa Samulia levará para a Escandinávia a Ecoscience, linha de brinquedos de energias renováveis.

Portugal é 50º mais atractivo no outsourcing mundial
ESTUDO
PORTUGAL ocupa a 50.ª posição no ranking mundial de atractividade do outsourcing, de acordo com o estudo “Global Services Location Index”, da consultora de gestão global A.T. Kearney agora divulgado. Portugal e Irlanda ocupam as últimas posições do estudo, tendo o nosso País mantido a mesma posição de 2010. “Portugal tem um enorme potencial para captar operações de offshoring e nearshoring, devido à sua cada vez mais qualificada mão-deobra, sobretudo ao nível das TI”, salienta Pedro Rezende, presidente da A.T. Kearney Portugal. Segundo o estudo, as medidas de austeridade recentemente implementadas em Portugal ainda “não tiveram efeito na melhoria da atractividade do país no mercado global de outsourcing e dificilmente terão o impacto das medidas extremas tomadas” por outros países europeus, caso da Letónia, Lituânia e Estónia. Os Países Bálticos têm, de resto, uma performance notável na edição de 2011 do estudo, segundo se justifica, “graças ao ajustamento das suas políticas económicas para fazer face à crise económica global (redução de salários na ordem dos 35%)”. O estudo conclui que “o potencial do offshore outsourcing é enorme, e que a era da globalização de serviços só agora está a começar”. Nesta 8.ª edição, Índia, China e Malásia reforçam o seu lugar de destinos mais atractivos em matéria de outsourcing, lugar que ocupam desde a primeira edição realizada em 2003. Ainda segundo o estudo, o Médio Oriente e o Norte de África tornam-se cada vez mais atraentes devido à sua proximidade com a Europa e à qualificação do seu talento. O Egipto é o líder da região e o quarto no mundo (as classificações foram feitas antes da recente agitação política que se vive nesta região). As flutuações cambiais motivaram grandes subidas no ranking por parte de alguns países, caso do Reino Unido e México, explica a A.T. Kearney.

ACTUALIDADE

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III

Jack Soifer explica como se cria emprego em Portugal
EMPREENDEDORISMO
OS LIVROS “Futuro do Turismo”, “Como Sair da Crise” e “Lucrar na Crise”, de Jack Soifer, especialista em empreendedorismo, consultor internacional e colaborador do OJE, serão o fio condutor de um debate que esta tarde se realiza na FNAC Chiado, com início às 18h30. Os livros serão apresentados por Dom Duarte Pio e pelo antigo ministro da Indústria e Energia, Mira Amaral. Jack Soifer escreve desde há muito sobre a necessidade de Portugal mudar de agulha e trilhar um modelo de desenvolvimento diferente do actual. Um modelo assente na agricultura, na agro-indústria, na indústria ligada aos produtos tradicionais, nas novas energias, nos serviços e no turismo. Um modelo assente no empreendedorismo e na iniciativa privada com sentido de risco, que possa ao mesmo tempo criar emprego e riqueza para o País e os portugueses e ser sustentável. “As grandes empresas racionalizam a sua produção, usam outsourcing no exterior, o que não cria trabalho local”, explica Jack Soifer, adiantando que, “em contrapartida, o empreendedor, se precisar contratar, prefere pessoas que já conhece ou de

Projecto europeu pretende evitar falência de PME familiares
SUCESSÃO
A REALIZAÇÃO de acções de formação especializada sobre o tema da sucessão de negócios familiares nas PME e a introdução de um programa curricular em instituições de ensino superior, possibilitando aos estudantes o reforço de competências no âmbito da transferência do negócio são algumas das acções a realizar no âmbito do projecto “BT in SME” (Business Tranference in Small and Medium Sized Enterprises), cujo parceiro português é o ISCAP (Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto). Neste projecto europeu, cuja conclusão se prevê para Novembro deste ano, estão envolvidas oito instituições de cinco países, que são, além de Portugal, a Holanda, Bélgica, Alemanha e Lituânia. O ISCAP é a única instituição portuguesa envolvida. Segundo explicou ao PME NEWS o professor do ISCAP e coordenador do projecto a nível nacional, Paulino Silva, o “BT in SME é muito mais do que um serviço de consultoria: “É um conjunto de actividades a desenvolver que passam pela investigação e benchmarking das melhores práticas internacionais para a transferência de negócio nas PME familiares, especialmente na sucessão”. Segundo este responsável, o “BT in SME” pretende desenvolver “a melhor estratégia, de forma a permitir a continuidade do negócio, incluindo a transferência de competências e do know-how”. Isto torna-se necessário naqueles casos em que o proprietário, ou gerente da empresa, é forçado a retirar-se por motivos de força maior e não há herdeiros nem investidores interessados na continuidade do negócio, que corre o risco de acabar. Não existem estudos sobre o número de empresas que vão à falência por inexistência de herdeiros ou investidores, até porque, muitas vezes, a razão que justifica a falência das empresas é baseada em vários factores e não apenas na inexistência de sucessores. De qualquer forma, salienta Paulino Silva estima-se que a falência de uma grande parte das PME familiares seja devida a motivos de sucessão, mas não é possível apresentar valores concretos. Paulino Silva diz que o trabalho realizado com base nas diferentes realidades de cada país tem sido validado por todos os parceiros envolvidos, especialmente em reuniões regulares para o efeito. “Esperamos ainda que os resultados deste projecto possam ser aplicados não só aos países envolvidos, como também a outros países com quem possamos encetar parcerias estratégicas”.
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quem possa obter referência na sua própria região”. Fixar as populações à terra é, por outro lado, “combater a desertificação”, diz. Em “Como Sair da Crise”, que existe em três versões “Como Sair da Crise - A, Algarve e Alentejo”, “Como Sair da Crise - B, Baixo Tejo e Beiras” e “Como Sair da Crise - C, Centro e Cumes)”, Jack Soifer especifica os nichos onde se podem criar milhares de empregos por todo o País. Em “Lucrar na Crise” elenca nichos de negócios para “desempregados competentes”, mas sem dinheiro. Dia 8 de Abril, pelas 21h00, Jack Soifer estará na FNAC de Coimbra para idêntico debate.

Empresas
RUI TAVARES CORREIA

A inconstitucionalidade declarada pelo Acórdão 338/10 do Tribunal Constitucional

O

Acórdão 338/10, lavrado pelo Tribunal Constitucional em 22 de Setembro último, declarou inconstitucional, com força obrigatória geral, o Art.º 356º, n.º 1, do Código de Trabalho, aprovado pela Lei 7/2009, de 12 de Fevereiro. Apesar de ter sido chamado a pronunciar-se sobre diversas disposições do Código de Trabalho, na versão da Lei 7/2009, num conjunto de oito questões suscitadas, a disposição legal referida foi a única em relação à qual foi declarada a inconstitucionalidade, tendo, em relação a todas as outras, o Tribunal Constitucional decidido pela sua não desconformidade face à Constituição. A norma julgada inconstitucional dava ao empregador, no âmbito de um processo disciplinar, a possibilidade de decidir pela realização, ou não, das diligências probatórias requeridas pelo trabalhador na resposta à nota de culpa. No regime anterior, que se pretendia alterar, o empregador seria obrigado a realizar as diligências probatórias requeridas pelo trabalhador, a menos que, as considerasse manifestamente dilatórias ou impertinentes, tendo, nessa situação que o declarar, por escrito. Através da disposição em causa visava-se, pois, tornar mais célere o processo disciplinar, evitando diligências, que as mais das vezes se revelam inúteis. O risco da não realização das diligências requeridas pelo trabalhador sempre recairia sobre o empregador, que, nessa situação, poderia vir a ser judicialmente confrontado com uma versão dos factos totalmente diferente daquela na qual baseara a sua decisão disciplinar. Não se vê, por isso, que haja vantagem em manter a obrigação de realização das diligências, pois, se estas fossem pertinentes sempre seriam realizadas, sob pena de, não o sendo, colocarem o empregador na difícil situação que se descreveu. A decisão do Tribunal Constitucional baseou-se nos princípios aplicáveis em sede de criminal e nas disposições que em sede constitucional asseguram os direitos aos arguidos nos processos com essa natureza e, longe ser unânime, foi tirada com vários votos de vencido. Para além da questão prática, talvez a crítica mais incisiva que se possa fazer a tal decisão será a de que equipara um processo disciplinar cuja relevância se coloca unicamente no âmbito do cumprimento ou incumprimento de um contrato, o contrato de trabalho, e cuja sanção maior será a resolução desse contrato, a processos atinentes aos valores essenciais da comunidade jurídica em que estão em causa penas, as mais das vezes privativas da liberdade. Sócio da Abreu & Marques e Associados

IV

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ENTREVISTA

EURICO NEVES, PRESIDENTE DA INOVAMAIS

“É NECESSÁRIO CONVERTER DINHEIRO ESTÚPIDO EM DINHEIRO INTELIGENTE”
Toda a estrutura de apoios em Portugal está orientada para o subsídio ou para o empréstimo contra garantias sólidas, e não para o partilhar do risco e dos ganhos, única forma de fomentar o empreendedorismo, diz o presidente da Inovamais, representante de Portugal na Câmara de Comércio do Grupo de Política Empresarial da Comissão Europeia, Eurico Neves. Por Almerinda Romeira (texto) e Victor Machado (fotos)

O empreendedorismo é a via para combater o desemprego? É claramente uma delas. Para combater o desemprego são precisas mais empresas, e para isso são precisos também mais empreendedores. Temos um défice de cultura empreendedora em Portugal, e na Europa em geral, sobretudo porque lidamos mal com o risco e com o falhanço, contudo em situações de elevado desemprego, como aquela em que nos encontramos actualmente, é mais fácil arriscar. Mas não podemos pensar que em épocas de desemprego o empreendedorismo acontecerá automaticamente, simplesmente porque os desempregados vão começar a criar empresas. Em alguns casos isso até poderá acontecer, contudo é preciso fomentar as condições necessárias que facilitem a criação, e principalmente o desenvolvimento de novas empresas. A construção de uma cultura empreendedora forte em Portugal depende de quê? Quais são os principais entraves? Temos dois tipos de entraves principais, um de ordem cultural e outro de ordem estrutural. A nível cultural, é claro que a nossa sociedade e o nosso modelo de ensino não prepara os jovens para serem empreendedores e correrem riscos, mas antes para levarem uma vida estável. Para isso, contribui também o sistema fi-

nanceiro que se rege pela velha máxima que diz que “para se conseguir um empréstimo bancário, primeiro tem que se provar que não se necessita dele” – consegue-se empréstimos a 50 anos para comprar uma casa, mas mais dificilmente para arrancar com uma empresa, mesmo que de potencial imediato. Aliás, o facto de em Portugal se privilegiar a compra de casa em detrimento do arrendamento, o que leva os jovens a assumirem desde cedo empréstimos bancários de longo prazo, é um dos prin-

cientemente valorizada. Faltam nomeadamente modelos de referência – nos Estados Unidos temos o Bill Gates, mas quem é que na Europa sabe quem é Henning Kagermann? E portanto a história de sucesso da SAP não fica muito atrás da Microsoft. E a nível estrutural? A nível estrutural, precisamos de financiamentos mais adequados e principalmente de mais apoios de mentoring – como aqueles que estamos a desenvolver na Inovamais, de forma a pôr a experiência de quem já empreendeu e conhece o mercado ao serviço do crescimento das novas empresas, durante os primeiros anos, que são sempre os mais difíceis. Os apoios estatais, municipais, bancários existentes em Portugal são suficientes para apoiar as PME? Não. Toda a nossa estrutura de apoios está orientada para o subsídio ou para o empréstimo contra garantias sólidas, e não para o partilhar do risco (e dos ganhos) que é o modelo que efectivamente fomenta o empreendedorismo. Prova disso é o facto de Portugal ter sido o país que mais beneficiou dos apoios dos fundos comunitários desde 2000 e, apesar disso, ter crescido menos e criado menos riqueza do que os seus congéneres Europeus. Temos um sis-

Temos um défice de cultura empreendedora em Portugal e na Europa em geral. Lidamos mal com o risco e com o falhanço, mas em situações de elevado desemprego é mais fácil arriscar
cipais factores condicionantes da capacidade de risco e, portanto, também do empreendedorismo. Finalmente, a nível cultural, não apenas em Portugal mas em toda a Europa, a figura do empresário e empreendedor não é sufi-

tema baseado no “dinheiro estúpido”, que é aquele que está agarrado a um projecto específico, normalmente a longo prazo, e que tem que ser cumprido, mesmo que tudo no resto do mundo mude – e do qual se espera que, na melhor das hipóteses, seja devolvido com juros, mas nunca que se multiplique, o que desresponsabiliza quem o dá. E falta-nos o chamado “dinheiro inteligente”, que é aquele que vem com conhecimento, com partilha de risco e que, para além de financiar projectos, ajuda a encontrar mercados e aplicações para os seus resultados, de forma a multiplicar-se e gerar riqueza, não só para quem o recebe mas também para quem o dá – o que cria responsabilidade partilhada, multiplica a riqueza e portanto acelera o crescimento. Instrumentos como o capital de risco, business angels, private equities estão a cumprir a sua função de ajuda às PME? Os que existem sim, mas infelizmente são numa escala demasiado pequena. A melhor forma de os fazer crescer é alavancar os fundos e a experiência privada que existe nesta área, com os fundos públicos, que lhe podem dar a escala necessária. O QREN contempla desde este ano pela primeira vez uma medida deste tipo – o SAFPRI, Sistema de Apoio ao Financiamento e Partilha do Risco da Inovação, mas os

ENTREVISTA
montantes são ainda uma pequeníssima fatia do orçamento do QREN, e o arranque está a ser demasiado lento. É necessário converter mais apoios tradicionais em apoios deste tipo, converter “dinheiro estúpido” em “dinheiro inteligente” para chegar a mais empresas e a mais empreendedores. Quais são as consequências a curto, médio e longo prazo do Orçamento de Estado deste ano (2011) para o movimento empreendedor? Ao diminuir o investimento, há menos áreas e projectos onde empreender, isso é claro, enquanto os aumentos dos impostos (sem a existência de incentivos fiscais ao capital de risco e à actividade de business angel) diminuem o capital privado existente para investir no empreendedorismo. Por tudo isso, o cenário não é brilhante, mas poderia ser amenizado com a já referida transferência de verbas do QREN de apoios tradicionais para formas de capital de risco, sem um aumento da despesa pública nesta área – pelo contrário, com bastantes mais perspectivas de retorno a médio prazo. Quais são os sectores mais promissores para o empreendedorismo em Portugal? Temos tido histórias de sucesso nas tecnologias de informação, e é uma área onde o potencial de inovação continua a ser enorme, com investimentos iniciais relativamente baixos, por isso, uma área perfeita para o empreendedorismo. Mas a grande aposta que tem sido feita nas energias renováveis e no seu aproveitamento, e no desenvolvimento sustentável, constituem igualmente áreas promissoras, bem como o sector dos serviços em geral, que é uma das grandes apostas a nível Europeu para o desenvolvimento da inovação e que será, também, uma área a seguir com atenção. Como caracteriza o nosso nível de empreendedorismo comparativamente às culturas empreendedoras mais desenvolvidas da Europa? Neste aspecto somos claramente europeus e partilhamos com os restantes países do Continente os mesmos valores culturais e modelos educacionais que criam sérios entraves ao empreendedorismo: uma aversão ao risco, intolerância perante o falhanço, falta de uma cultura de “segunda oportunidade” e um prezar porventura exagerado da estabilidade como valor a alcançar. Por outro lado, como portugueses em particular, somos desembaraçados e inventivos, duas qualidades essenciais para empreender. A melhor descrição que já ouvi de um português, foi a de um parceiro sueco num projecto internacional, que dizia que um português devia ser colocado atrás de uma caixa de vidro com a inscrição “quebrar em caso de emergência”. Hoje em dia vivemos claramente uma situação de emergência, pelo que se soubermos aproveitar as nossas qualidades, e tivermos estruturas que as potenciem, podemos fazer muito melhor do que o que temos feito até aqui. Que programas tem a UE de apoio ao empreendedorismo e que montantes envolvem? Até hoje, os programas específicos da União Europeia para empreendedores, como por exemplo o Erasmus para Empreendedores, onde a Inovamais está envolvida, são poucos e de reduzido valor. Mas o 7.º Programa Quadro de Inovação da UE, num montante total de 50 mil milhões de euros, não se destinando particularmente a empreendedores, é bastante aberto à participação de novas empresas, quando integradas em redes e consórcios com empresas mais experientes. No caso da minha empresa, a Inovamais, passados poucos meses da sua constituição, em 1997, já estávamos a participar em projectos europeus. E para o 8.º Programa Quadro, a partir de 2013, está previsto um reforço das verbas específicas de apoio ao em-

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V

preendedorismo e dos mecanismos de capital de risco. Como pode ser reforçada a cooperação entre as PME europeias e as de países terceiros, a fim de tirar o melhor partido da globalização? Através da inovação e, nomeadamente, de práticas de inovação aberta, ou “open innovation”, com o desenvolvimento e utilização partilhada de novos produtos, serviços e processos. E os programas europeus de apoio à inovação são, hoje em dia, totalmente abertos à participação de entidades de países terceiros, que podem inclusive receber financiamento europeu para cooperar com empresas da UE. Será a região Lisboa-Porto capaz de criar um eixo de desenvolvimento europeu? Pode ser, mas primeiro tem que ser capaz de se afirmar tão só como região. E algo que nos tem faltado em Portugal é exactamente um modelo de desenvolvimento regional. Entre as regiões de Lisboa e Porto, para já, é mais o que as separa (portagens caras, voos caros, comboios lentos, falta de estratégia articulada entre cidades), do que o que as une. Assim não vai ser fácil, e – tal como acontece com o dinheiro estúpido em oposição ao dinheiro inteligente – continuamos a dividir-nos em vez de multiplicar-nos.

Faltam nomeadamente modelos de referência - nos EUA temos o Bill Gates, mas quem é que na Europa sabe quem é Henning Kagermann?

PERFIL
Eurico Neves é presidente da Inovamais, consultora de inovação, que fundou em 1997. Licenciado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e pós-graduado em Gestão e Mercados Internacionais (Instituto Empresarial Português) é membro e representante de Portugal na Câmara de Comércio do Grupo de Política Empresarial da Comissão Europeia, por nomeação do vice-presidente da Comissão. É também membro do painel de peritos em inovação em serviços da Comissão Europeia, membro do painel de avaliação do Instituto Europeu de Tecnologia e Inovação (EIT) e perito principal para questões de inovação do Programa Europeu URBACT para promoção do desenvolvimento urbano sustentável.
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ESPECIAL CONTABILIDADE

O DESAFIO DA GESTÃO FINANCEIRA
Alvo e Fiducial, Banco Popular e Montepio explicam as suas soluções para micro e PME nas áreas da contabilidade financeira e reporting, consultoria económica, financeira e de gestão, assessoria fiscal, projectos de investimento e funding e reestruturação de dívida

Paulo Pereira, director comercial e operacional da Alvo

Ilídio Faria, director da Fiducial

Sede do Banco Popular em Lisboa

Fernando Amaro, director de Marketing do Montepio

A

gestão financeira representa um dos grandes desafios com que uma parte significativa das empresas portuguesas se deparam. Se, por um lado, as fortes restrições verificadas no acesso ao crédito têm criado sérios obstáculos à gestão da tesouraria e ao investimento, pelo outro, as alterações aos processos contabilísticos e a maior pressão fiscal vieram impor uma complexidade adicional ao dia-a-dia das empresas. “Os desafios que as PME enfrentam em matéria de contabilidade e gestão financeira são imensos”, salienta Paulo Pereira, director comercial e operacional da Alvo, justificando: “Não nos podemos esquecer que o Estado tem tomado medidas que implicam alterações frequentes aos sistemas contabilísticos e fiscais, tais como o SNC, o novo SAF-PT e a Certificação de Software. Todas estas alterações obrigam as empresas a canalizar o seu investimento para upgrades legais e fiscais, quando estes deveriam ser utilizados para melhorias operacionais nos seus processos de trabalho e nos sistemas de informação que utilizam”. Por outro lado, a nível da gestão financeira, sublinha Paulo Pereira, as empresas têm cada vez mais dificuldades de cobrança, o que reduz o nível de recebimento das suas facturas. “Se pensarmos que, aliado a este factor, está ainda uma maior dificuldade actual na obtenção de crédito, os gestores vêem-se perante uma situação em que têm de optimizar a gestão da sua empresa”, acrescenta. Isto implica, concluiu, que os responsáveis da empresa tenham acesso constante a dados objectivos e actualizados, que possam fundamentar as suas tomadas de decisão. Segundo Paulo Pereira, a Alvo conta com um leque de soluções para responder a estes desafios: “Os softwares de gestão (ERP) dão resposta a todas as alterações legais que têm vindo a ser impostas pelo Estado português, garantindo a criação e a entrega de mapas legais e fiscais, como os exigidos na contabilidade, nos recursos humanos ou no imobilizado”. Por seu turno, os produtos de Logística “respondem eficazmente aos processos de certificação de software, quer na Linha Primavera quer na Linha Microsoft Dynamics Nav”. E os produtos de gestão de tesouraria e bancos “garantem o controlo das contas correntes de todas as entidades com que se relaciona a empresa, o que permite a criação de processos automáticos de tesouraria previsional”. Ao nível da gestão financeira, o leque de soluções da Alvo é ainda mais vasto. “Uma vez que a gestão deve tornar-se cada vez mais eficaz, torna-se imperativo optimizar os processos desde a proposta comercial”, diz Paulo Pereira, salientando a importância de soluções de gestão do relacionamento com o cliente, garantidas pelo Microsoft Dynamics CRM e integradas com o ERP Primavera ou com o ERP Microsoft Dynamics NAV. Outra grande aposta da Alvo passa pela disponibilização de sistemas de Business Inteligence.

FIDUCIAL
Ilídio Faria, director da Fiducial, diz que “nos dias que correm ser empresário em Portugal é ser herói”. E explica porquê: “Diariamente, o Governo legisla sem atender às reais necessidades e preocupações do tecido empresarial. Nem o mais experiente fiscalista é capaz de acompanhar as alterações legais e fiscais que ocorrem todos os dias. E que dizer do técnico de contas? Este manancial de leis deixa-o numa situação ingrata, pois, além da sua formação não ser jurídica, as implicações de determinadas leis têm efeitos retroactivos.” A título de exemplo, Ilídio Faria enumera algumas alterações determinantes ocorridas nos últimos 12 meses: implementação do Sistema de Normalização Contabilística (SNC), Relatório Único, alterações de taxa de IVA, Certificação de Software e introdução do Novo Código Contributo. “Isto quer dizer – salienta – que as empresas, para além das preocupações ao nível da gestão, devem preocupar-se muito com a conformidade das suas contas em termos legais e fiscais, pois a máquina fiscal é impiedosa e pode derrubar qualquer negócio num abrir e fechar de olhos.” Numa altura de simplificação e promoção do crescimento, refere o director da Fiducial, todas as políticas fiscais vão no sentido “da obtenção de uma maior colecta fiscal, seja através do aumento dos diversos impostos, seja através de multas e penalidades, que muitas vezes ocorrem, sem que empresários, técnicos de contas e juristas tenham a mínima consciência de que eles podem vir a acontecer”. Segundo o director da Fiducial, o tecido empresarial português é constituído maioritariamente por “um grupo de empresários com muitas lacunas ao nível dos conhecimentos em Gestão”. Os empresários que constituíram empresas entre 1990 e 2000 tinham em média 7,7 anos de escolaridade, adianta Ilídio Faria, já no período entre 1995 e 2005, o nível de escolaridade aumentou para 9 anos. A educação em Portugal “nunca foi pródiga em introduzir a disciplina de Gestão nos primeiros ciclos lectivos, pelo que estes empresários carecem de um apoio forte por parte de profissionais especializados na gestão”. É à luz desta realidade que tem de ser encarada a Fiducial. “A missão da Fiducial – salienta o seu director-geral – é transformar o mundo dos negócios através de consultoria de gestão e desenvolvimento de líderes, contribuindo para a evolução da sociedade através do desenvolvimento das empresas. Estamos para os empresários tal como o cockpit e o co-piloto estão para o comandante do avião, ou seja, fornecemos informação financeira regular ao empresário e apoiamos o mesmo na tomada de decisões económicas e financeiras.”

BANCO POPULAR
Instituição financeira posicionada para o mercado das micro e PME, o Banco Popular refere que o financiamento de projectos empresariais

aconselha a utilização de uma diversidade de soluções, que tenham em consideração as diferentes necessidades de cada projecto e as suas diferentes fases. Neste âmbito, salienta: “Facilitar o apoio na altura programada, conjugado com uma selecção de produtos e serviços adaptados à actividade desenvolvida, permite a estruturação de uma solução global, evolutiva e ajustada às especificidades de cada projecto.” O financiamento de projectos, deve, segundo o Banco Popular, considerar “as necessidades de capitais permanentes”, assim como “as necessidades de fundo de maneio”, “as oscilações dos fluxos de caixa” e “os produtos e serviços necessários ao bom desempenho da empresa”, “facilitando meios adequados ao cumprimento atempado de obrigações, agilizando as operações e incorporando valor na actividade”. Alguns dos produtos destacados pelo banco na óptica de curto prazo são: Desconto Comercial, Conta Corrente, Factoring, Papel Comercial e Crédito para o Negócio Internacional. No médio e longo prazo, o destaque vai para o Leasing, Empréstimos Mútuos, PME Investe VI, Linha QREN Investe, Linha Export Investe e Linha BEI. Para agilizar e optimizar a gestão de tesouraria, o Banco Popular dispõe de diversas soluções destinadas “a acomodar as oscilações dos fluxos financeiros da actividade, através de créditos de curto prazo ou através de aplicações financeiras seguras e rentáveis, sempre complementadas com meios simples e eficientes para os recebimentos e os pagamentos correntes”. Desde contas para a actividade quotidiana, a ofertas mais elaboradas como o cash management internacional, a instituição pode oferecer instrumentos de gestão de tesouraria dirigidos às diferentes exigências dos seus clientes. Ao PME NEWS, o banco refere: “O mercado tem recebido muito bem as nossas propostas, as quais cobrem integralmente as necessidades dos diferentes segmentos para os quais se dirigem, como é o exemplo da “Conta Já” dirigida às micro empresas de serviços e comércio, com um conjunto importante de serviços incluídos”. Adicionalmente, a “Conta PME Eficiente”, oferece às PME” vantagens relevantes e permite abranger condições para uma gestão económica e eficiente da tesouraria”. As soluções para a reestruturação de dívida são determinadas pela análise do motivo e enquadramento da reestruturação, dado que muitas situações resultam do contexto económico actual, salienta a instituição. E explica que “a viabilidade do plano proposto ou negociado, as condições que se apresentam para o novo enquadramento da dívida, em termos de garantias, prazos e perspectivas de reembolso são factores importantes para cada reestruturação, sendo analisadas e casuisticamente”.

MONTEPIO
“O Montepio assume o papel de parceiro das PME no financiamento dos seus projectos”, salienta o director de Marketing, Fernando Amaro, exlicando que o crédito ao investimento disponibilizado pela instituição permite prazos de utilização fixados em função do calendário de execução do projecto, períodos de carência, assim como métodos de reembolso de capital ajustados em função das perspectivas para os fluxos financeiros decorrentes da implementação do projecto. As linhas de crédito PME Investe, de Apoio à Diversificação e Eficiência Energética no âmbito do QREN, QREN Investe, de Apoio à Recuperação Empresarial da Madeira, do SIDER e SIDET dos Açores são exemplos da oferta do Montepio no âmbito das linhas de crédito protocoladas com entidades públicas e com o sistema de garantia mútua. O apoio a projectos de criação de microempresas, nomeadamente através da Linha de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio Emprego, tem merecido igualmente do Montepio uma atenção muito especial, assente na crença de que, conforme destaca Fernando Amaro, todos os negócios são importantes, independentemente da sua dimensão. Do conjunto de soluções de gestão de tesouraria do Montepio destacam-se a conta Montepio Gestão Activa e o serviço Factura Ok. A primeira solução tem uma tripla função: permite, de forma automática, gerir a Conta à Ordem, remunerando os excedentes de tesouraria através de uma Conta de Depósito a Prazo e disponibilizando crédito quando necessário, através de uma abertura de crédito em Conta Corrente. As transferências são automáticas e os valores de transferência podem ser ajustados às necessidades de cada negócio. Na optimização de pagamentos, destaca-se também o serviço Factura OK, que permite flexibilizar e tornar eficiente a gestão de pagamentos, assegurando aos fornecedores dos clientes do Montepio a garantia de recebimento das facturas na data de vencimento e a possibilidade de antecipação dos fundos. “Num contexto económico difícil como o que atravessamos, a nossa instituição tem estado atenta às dificuldades dos seus clientes e procura encontrar soluções que permitam, de forma satisfatória para ambas as partes, ultrapassar os constrangimentos que impedem as empresas de cumprir pontualmente os compromissos financeiros assumidos”, salienta o director de Marketing. A política de reestruturação de financiamentos, que, segundo lembra Fernando Amaro, tem sido no caso das linhas de crédito PME Investe, apoiada pelas entidades públicas, “tem por base uma análise casuística cuidada, que resulta na intervenção ao nível das variáveis do modelo de financiamento (prazo de reembolso, período de carência, etc.), que poderão assegurar a continuação do desenvolvimento dos negócios dos nossos clientes”.

ESPECIAL CONTABILIDADE

QUINTA-FEIRA 31 de Março de 2011

VII

CONTABILIDADE E GESTÃO FINANCEIRA

Empresas
RUI ALMEIDA
ADMINISTRADOR/CEO DA MONERIS

SOLUÇÕES DA MONERIS PARA AS PME
actual contexto empresarial reveste-se de um conjunto individualizado e complexo de variáveis que condicionam toda a actividade económica e financeira das PME. O desafio, ou oportunidade económica se quisermos ser mais visionários, que se nos apresenta deve mobilizar os gestores. Gerir é hoje muito mais difícil, dada a imprevisibilidade dos mercados, no entanto as empresas mais preparadas, mais ágeis e mais focadas serão aquelas que conseguirão resistir à crise e que se tornarão ainda mais fortes quando a retoma, inevitável embora aparentemente muito distante, de facto começar. Podendo identificar-se vários factores condicionantes da actividade das PME, quer internos quer externos, considero, desde logo, importante centrar a discussão em dois deles, dado que congregam em seu redor múltiplas questões disciplinares, alvo só por si de uma interligação e especialização bastante aprofundada – a contabilidade e a gestão financeira. De facto, nunca foi tão evidente a interligação, abrangência e mesmo convergência entre estas duas disciplinas. Essa ligação saiu altamente reforçada através da adaptação das Normas Internacionais de Contabilidade (IAS/IFRS) aprovadas pelo Regulamento CE n.º 1126/2008, da Comissão para o normativo contabilístico português, feita pelo Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de Julho. E porquê? Em primeiro lugar porque surgiram novas demonstrações financeiras, tendo a sua forma de apresentação sofrido alterações estruturais e as próprias rubricas das demonstrações financeiras, conceitos (por exemplo dicotomia corrente/não corrente) e leitura também alteraram; em segundo lugar e como consequência, temos a introdução de novos rácios económico-financeiros, alteração de alguns existentes e novas interpretações de Demonstrações Financeiras comparativas e existentes. É claro que esta transposição ou adaptação, como lhe quisermos chamar, não foi feita sem levantar polémica ou introduzir novos problemas, bem como novos paradigmas (como é o caso do reporting ou do fair-value) para as entidades abrangidas pelas Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro (NCRF). Mais, as questões que se em primeira instância se levantaram diziam respeito à própria estrutura e conceito de entidade sugerida pela legislação aprovada, ou seja, se até aí o conceito de PME (pequena e média empresa) derivava da Recomendação da Comissão Europeia (2003/361/CE), de 6 de Maio de 2003 (definição de micro, pequenas e médias empresas), agora debate-se o tema das PE (pequenas entidades), das microentidades, as quais viram recentemente o seu enquadramento aprovado pelo Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 9 de Março.

O

Posto isto, é fácil compreender o quanto é fundamental que os profissionais destas áreas disponham de um conjunto de conhecimentos estruturantes destas matérias, em ordem a darem cabal resposta às exigências do mercado. Sim, porque os mercados e contextos actuais exigem dos gestores das empresas uma série de respostas para as quais é necessário um elevado grau de abrangência, sendo esta uma tarefa que se reveste de extrema dificuldade, em virtude de se tratar de matérias altamente especializadas, caso da contabilidade e da gestão financeira. Foi nesse sentido que a Moneris, procurando ir ao encontro desta necessidade por parte das PME, desenvolveu um conjunto de serviços integrados, nomeadamente nas áreas de contabilidade financeira e reporting, assessoria fiscal e aconselhamento financeiro, que visa dar um apoio diferenciado aos seus clientes. Hoje, a contabilidade já não pode ser dissociada da análise, relato e gestão financeira. É, pois, essencial que os prestadores de serviços nesta área tenham uma perspectiva holística, agregando valências e conhecimentos que lhe possibilitem responder aos desafios que se colocam. No contexto do grupo Moneris, que conta com mais de 350 colaboradores com escritórios em dez distritos, de Norte a Sul do país, a principal área de actuação do grupo tem enfoque nas PME, sendo os nossos técnicos altamente especializados nas diversas áreas complementares – contabilidade, fiscalidade, corporate finance, análise economia, elaboração de planos de negócios, etc. Actualmente, uma das nossas principais áreas de actuação centra-se no apoio às análises, decisões e actuações relacionadas com os meios financeiros necessários ao desenvolvimento da actividade da entidade. No fundo, tratase de consultoria tendo em vista integrar todas as tarefas ligadas à obtenção, utilização e controlo dos recursos financeiros tendo como objectivo prioritário a estabilidade das operações da organização e ao mesmo tempo a rendibilidade. Com esta assessoria temos como grande objectivo implementar nas empresas uma estrutura financeira equilibrada e que não a coloque em risco, em segundo lugar assegurar a rendibilidade dos capitais investidos, quer sejam próprios, quer sejam capitais alheios; por último obter a estabilidade da empresa assegurando a existência dos capitais financeiros necessários à actividade. É claro que todos os objectivos descritos anteriormente, devem ter por base uma contabilidade fiável e elaborada tendo por base os mais refinados preceitos técnicos e legais, sendo que para a concretização desses objectivos contamos com um conjunto de factores chave no seio do Grupo Moneris.

VIII

QUINTA-FEIRA 31 de Março de 2011

INOVAÇÃO

GUESTCENTRIC ESTÁ A REVOLUCIONAR O E-COMMERCE DOS HOTÉIS INDEPENDENTES
Lançada para responder ao desafio global, a GuestCentric centrou inicialmente a sua actividade nos EUA, Reino Unido e Espanha, tendo arrancado em Portugal apenas em Setembro de 2010. A plataforma é usada em 700 unidades hoteleiras de 50 países. Por Almerinda Romeira (texto) e Victor Machado (foto)
Pedro Colaço, CEO da Guest Centric

A

história da GuestCentric começa, como muitas outras boas histórias de empreendedorismo, na resposta a uma necessidade. Tendo constantemente de viajar nos Estados Unidos por razões profissionais, Pedro Colaço enfrentava dificuldades para encontrar e reservar online hotéis que não pertencessem às grandes cadeias. Em 2005 mudou-se para a Irlanda e com Filipe Machaz, com quem trabalhava, começou a estudar o mercado. Realizaram um estudo com diferentes tipos de hoteleiros e outros agentes desta área de negócio concluindo que existia um “fosso enorme entre os hotéis independentes e as grandes cadeias”. Um fosso que, salienta, “veio a ser alargado com o constante aumento das reservas online para o qual os independentes estavam completamente desprevenidos”. Razão de sobra para lançar em 2006 uma empresa. “A GuestCentric foi criada com um objectivo muito definido: proporcionar aos hoteleiros independentes uma forma simples e inteligente de modernizarem o seu negócio online”, conta, acrescentando que esse objectivo mantém-se inalterado. “Temos feito muitas evoluções no produto, que têm criado vantagens competiti-

vas aos nossos clientes. O nosso serviço é disponibilizado online, sem necessidade de instalar software e garantindo o acesso à aplicação de qualquer ponto do mundo com ligação à internet, beneficiando ainda, sem custos adicionais, de pelo menos quatro upgrades anuais ao software, ou seja, mais funcionalidades”. O arranque da empresa, que permitiu já a criação de 30 postos de trabalho, foi feito com um round de financiamento, da “family & friends”. Mais tarde, o capital foi reforçado com mais dois rounds de financiamento de capitais de risco de referência: Turismo Capital, Ask, Change Partners e InovCapital.

A GuestCentric lançou a plataforma Developers Cloud, tornando-se a primeira empresa do sector a abrir ao desenvolvimento de web developers
INTERNACIONALIZAÇÃO
A GuestCentric visou, desde sempre, responder a um desafio global. Nasceu, portanto, internacionalizada. O foco inicial foi posto em três mercados principais: EUA, Reino Unido e Espanha. “Tem sido nestes mercados que temos desenvolvido a nossa actividade, que comercialmente é feita através do nosso website e via telefone por equipas de e-commerce managers”, explica Pedro Colaço, adiantando que, por motivos de “proximidade” e dado “o número crescente de pedidos”, a empresa iniciou, finalmente, em Se-

tembro de 2010, actividade em Portugal, onde abriu o seu quarto escritório. Os restantes localizam-se nos EUA, Reino Unido e Espanha. A sua plataforma é já utilizada em mais de 700 unidades hoteleiras em cerca de 50 países, com destaque para os EUA, Reino Unido e Espanha, os mesmos onde a empresa tem escritório aberto. Outros clientes encontram-se em França, México, Brasil, Peru, Chile, Costa Rica, África do Sul, Argentina e Irlanda, entre outros. O crescimento da empresa tem sido na casa dos 250% ao ano, acreditando-se que este ano venha a ser ultrapassado. Pedro Colaço explica porquê: “Os números são cada vez mais clarificadores: 82% das pessoas que procuram hotéis online, mesmo que inicialmente utilizem sites como a Booking.com, procuram fazer a reserva directamente online no site do hotel. Se o hotel não estiver preparado, farão a reserva noutro site ou noutro hotel”.

O empreendedor
Pedro Colaço é presidente e CEO da GuestCentric, onde aplica a sua experiência de mais de 14 anos nos EUA, Alemanha e Irlanda na indústria de software, com provas dadas no desenvolvimento de produtos, marketing e vendas no mercado global. É ainda um speaker regular em eventos da indústria hoteleira. estão agora, de forma crescente, a escolher a GuestCentric para poderem ter uma forte e directa presença online, visando uma optimização do seu e-commerce, bem como melhorar o relacionamento de proximidade com o cliente”, salienta. Pedro Colaço assinala ainda o facto da GuestCentric ser a primeira (e ainda a única) empresa que permite ao hotel criar promoções específicas para os seus membros das redes sociais como o Facebook ou o Twitter. Esta inovação foi apresentada na PhoCusWright Innovation Summit em Orlando, o mais importante evento da indústria.

A PLATAFORMA
O que a GuestCentric veio trazer a este mercado de mais de 400.000 hotéis foi uma “plataforma integrada, simples e rápida, que permite a qualquer hotel gerir a totalidade do seu negócio online, website, motor de reservas, promoções, redes sociais, clientes e canais de distribuição, num único sítio”. Tudo isto foi, segundo o empreendedor, pensado para “proporcionar ao hotel a melhor presença online, que muitas vezes é superior às grandes cadeias”. A título de exemplo cita um dos clientes da GuestCentric, a Casa de Madrid, uma pequena luxury guesthouse que acabou de receber um prémio pela Web Marketing Association. “Os hoteleiros que anteriormente dependiam quase exclusivamente de distribuidores online

Clientes referência
• EUA: o “Crescent Hotel Group” em San Francisco e Beverly Hills; • Espanha: “Casa de Madrid” em Madrid – vencedor do prémio Hotel and Lodging Standard of Excellence dos Webawards 2010 da Web Marketing Association e “Hotel Cuatro Naciones” em Barcelona; • Portugal: o “Memmo Baleeira” em Sagres e o “Hotel Príncipe Lisboa” em Lisboa.

Pontos fortes do projecto
Um sistema integrado para a optimização para e-commerce que promove a auto–costumização em vez de requerer serviços. Torna possível operacionalizar um novo site e respectivo sistema de optimização de e-commerce em dias, em vez de meses, aumentando as reservas directas 3 a 10 vezes mais e diminuindo em cerca de 30% os custos de distribuição dos hotéis com os canais online.

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