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Curso de Epidemiologia e Saúde Pública

MÓDULO II

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MÓDULO II

Epidemiologia em Saúde Coletiva

Seções de estudo

Seção 1. Introdução ao estudo epidemiológico. Seção 2. Processo Saúde-Doença e Promoção da saúde e prevenção de doenças. Seção 3. Medidas de Saúde Coletiva. Seção 4. Vigilância Epidemiológica. Seção 5. Tipo de estudos epidemiológicos. Seção 6. Medida de Risco.

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Seção 1. Introdução ao estudo epidemiológico Segundo Brasil (2008) a epidemiologia é uma disciplina da saúde coletiva voltada para a compreensão do processo saúde-doença na população. Fundamentada no raciocínio causal e preocupando-se com o desenvolvimento de estratégias para as ações voltadas para a proteção e promoção da saúde da comunidade. A aplicação dos conhecimentos epidemiológicos auxilia no desenvolvimento de políticas no setor da saúde. Conforme Rouquayrol (2006) epidemiologia pode ser conceituada como: “ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades humanas, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas específicas de prevenção, controle, ou erradicação de doenças, e construindo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de rotina, em consonância com as políticas de promoção de saúde”. Conforme o conceito de epidemiologia descrito acima, podemos destacar alguns termos: Estudo: a epidemiologia como disciplina básica da saúde coletiva tem seus fundamentos no método científico; Coletividade humana: a epidemiologia está voltada para as ocorrências, em escala de massa, de doenças e não-doenças envolvendo pessoas agregadas em coletividade, tais como comunidades, grupos demográficos, classes sociais ou quaisquer outros coletivos nos quais possamos classificar os seres humanos; Freqüência e distribuição: preocupa-se com a freqüência e o padrão dos eventos relacionados com o processo saúde-doença na população. A freqüência inclui também os estudos das taxas ou riscos de doença nessa população. O conhecimento das taxas permite comparações válidas entre diferentes populações. O padrão de ocorrência dos eventos relacionados ao processo saúde-doença diz respeito à distribuição desses eventos segundo características:

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- Tempo: tendência num período, variação sazonal, etc.; - Lugar: distribuição geográfica, distribuição urbano-rural, etc.; - Pessoa: sexo, idade, profissão, etnia, etc. Fatores determinantes: é a busca da causa e dos fatores que influenciam a ocorrência dos eventos relacionados ao processo saúde-doença, podendo descrever a freqüência e distribuição desses eventos e comparar sua ocorrência em diferentes grupos populacionais, assim chamados fatores de risco. Em condições ideais os estudos epidemiológicos oferecem condições para planejar as medidas de prevenção e controle; Estados ou eventos relacionados à saúde: preocupava-se com epidemias de doenças infecciosas, sua área de atuação estende-se a todos os agravos à saúde; Específicas populações: preocupa-se com a saúde coletiva de grupos de indivíduos que vivem numa comunidade ou área; Aplicação: são os subsídios para a implementação de ações dirigidas à prevenção e ao controle; Prevenção: visa impedir que os indivíduos sadios venham a adquirir a doença; Controle: visa baixar a incidência até níveis míninos da doença; Erradicação: significa permanência da incidência zero da doença; Promoção em saúde: consiste na produção da saúde com direito social, equidade e garantia dos demais direitos humanos e de cidadania. Portanto, ela não é somente uma ciência, mas também um instrumento. Os estudos epidemiológicos têm por objetivo final a melhoria das condições de saúde da população humana, o que demonstra o vínculo indissociável da pesquisa epidemiológica com o aprimoramento da assistência integral à saúde.

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o pai da epidemiologia. porém. aquele que me ensinou esta arte.1 A epidemiologia até o século XIX Como podemos verificar a epidemiologia pode ser verificada desde a antiguidade. se eles tiverem necessidade de aprendê-la. definiu o termo epidemiologia como estudo das doenças epidêmicas e hoje estuda também as doenças endêmicas e. meus filhos. Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . sem remuneração e nem compromisso escrito. a promessa que se segue: estimar. a) Hipócrates Segundo Pereira (1999). por Apolo médico. Neste clássico descreve as primeiras explicações epidemiológicas a respeito da ocorrência de doenças. tanto quanto aos meus pais.2. das lições e de todo o resto do ensino. Conforme Medronho (2005) em seu clássico “Dos Ares. Hipócrates. também. Pelo muito que fez e legou a humanidade. as doenças eram produtos da relação complexa entre a constituição do indivíduo e o ambiente que o cerca. agravos à saúde. História da epidemiologia 2. Hipócrates é considerado o pai da Medicina. e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas. com bases racionais e não no sobrenatural. médico grego que viveu há cerca de 2. com ele partilhar meus bens. que constitui o fundamento da ética médica: “Eu juro. os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão. e. Hígia e Panacea. Este sábio grego deixou-nos um juramento. ensinar-lhes esta arte. se necessário for. nunca para causar dano ou mal a alguém.500 anos. por Esculápio. só a estes. fazer participar dos preceitos. fazer vida comum e. dominou o pensamento médico nos anos 400 a. cumprir segundo meu poder e minha razão.C. em geral. Águas e Lugares”. Para ele. embora o termo epidemiologia seja relativamente recente. ter seus filhos por meus próprios irmãos. 63 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.

Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .C) b) Cláudio Galeno (138-201) Na Roma antiga. Galeno manteve a tradição de Hipócrates para criar um sistema de patologia e terapêutica de complexidade e coerência interna. mesmo sobre um calculoso confirmado. 64 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Se eu cumprir este juramento com fidelidade." (Hipócrates. a raça e o clima . Assim. com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados. que não seja preciso divulgar. os medicamentos passam a ter propriedades opostas às da causa da doença. dominando a Medicina e a Farmácia até ao século XVII e mantendo ainda uma grande influência mesmo no século XVIII. mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução. tais como: a personalidade do doente. Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade. nas suas obras encontram-se cerca de quatrocentas referências a fármacos. Ele escreveu sobre farmácia e medicamentos. A terapêutica galênica considerava vários fatores para a aplicação dos medicamentos.que afetavam a própria natureza da mistura (krasis) dos humores no corpo humano. deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam. Não praticarei a talha. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva. Foi na forma de galenismo que a Medicina greco-romana passou para o Ocidente cristão. Galeno contribuiu para a transformação da patologia humoral numa teoria racional e sistemática. o contrário aconteça. se eu dele me afastar ou infringir. eu tiver visto ou ouvido. eu conservarei inteiramente secreto. honrado para sempre entre os homens. sobretudo longe dos prazeres do amor. Em toda a casa. nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. a sua idade.A ninguém darei por comprazer. Do ponto de vista farmacêutico. que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão. aí entrarei para o bem dos doentes. Conservarei imaculada minha vida e minha arte. 400 a.

identificando algumas características importantes. atraídas por empregos nas fábricas. Miasmas: a teoria miasmática baseava-se na má qualidade do ar. valor julgado correto. originada de substâncias voláteis oriundas da decomposição de animais e plantas. iremos verificar algumas características do trabalho dos cinco cientistas epidemiologistas do século XIX. parte de sua contribuição foi perdida ou destruída. 65 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. à luz das verificações ulteriores. por exemplo. que dariam origem às epidemias das doenças contagiosas. Nesta seção. entre elas: • existência de diferenças entre os sexos e na distribuição urbano-rural. iniciada por volta de 1750 na Inglaterra e um pouco mais tarde em outros países. o inglês John Graunt publicou um estudo sobre as tabelas mortuárias de Londres. 2. mortalidade e ocorrência de doenças. e que dominou o pensamento médico até a segunda metade do século XIX. Conforme Pereira (1997). o centro das ciências se dá no século XIX na Europa. os miasmas seriam transmitidos do doente para as pessoas susceptíveis. levando a maiores preocupações com a higiene. Ele foi considerado o pai da demografia ou das estatísticas vitais. Graunt calculou em 36% a mortalidade. vigente há séculos. no qual foi o primeiro a quantificar os padrões da natalidade. Neste caso. c) John Graunt (1620-1674) No século XVII. no ano de 1662. Assim. produziu um extenso deslocamento das populações do campo para as cidades. Epidemias de cólera.Segundo Pereira (1995) embora muito de Hipócrates e de Galeno tenha chegado até os dias atuais. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Epidemiologia do século XIX Conforme Pereira (1997).2. febre tifóide e febre-amarela constituíam graves problemas nas cidades. A Revolução Industrial. devido seu pioneirismo na utilização dos coeficientes. • elevada mortalidade infantil. a malária (junção de mal e ar). • variações sazonais. encontra-se a teoria dos miasmas.

em seguida. Com isso. Farr é considerado o pai da estatística vital e da vigilância. que permaneceu até meados do século XX sem muitas modificações. uma queda mais rápida (“Lei de Farr”). Willian Farr iniciou a coleta e análise sistemática das estatísticas de mortalidade na Inglaterra e País de Gales. Entre suas contribuições podemos destacar: . b) Louis Vilermé (1782-1863) Louis foi considerado um dos pioneiros dos estudos da etiologia social das doenças com sua investigação clássica sobre a pobreza. Seus estudos descrevem o comportamento da cólera por meio de 66 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. ressaltando as relações entre situação socioeconômica e mortalidade sobre os trabalhadores das indústrias de algodão. . . lã Em meados do século XIX. Pierre foi considerado o iniciador da estatística médica e outros como o pai da epidemiologia moderna. Sua maior contribuição foi com a introdução e divulgação dos métodos estatísticos. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . as condições de trabalho e suas e seda.produção de informações epidemiológicas sistemáticas usadas para subsidiar o planejamento das ações de prevenção e controle.descrição das leis das epidemias: ascensão rápida no início até o ápice e.a) Pierre Louis (1787-1872) Pierre Louis contribuiu com os estudos clínico-patológicos sobre a tuberculose e a febre tifóide. e) Jonh Snow (1813-1858) Em 1855 o anestesiologista inglês John Snow (1813-1858) faz sua contribuição com os estudos sobre a maneira de transmissão da Cólera ocorridas em Londres em 1849 e 1854. d) Willian Farr (1807-1883) repercussões na saúde.classificação das doenças. Sua contribuição foi a sistematização da metodologia epidemiológica.

dados de mortalidade. também. por insetos ou por outros meios. 67 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. O trabalho de Snow.” Snow introduz. na elucidação da epidemia da cólera. portanto. portanto. seja por hábito ou por escassez de água. o conceito de risco. além de efetuar levantamento de outros fatores como aspectos relativos às pessoas.o estudo da fermentação da cerveja e do leite.. que conseguiu visualizar pequenos seres vivos que chamou de animálculos. dos rios e dos poços de água (usada para beber ou no preparo de alimentos). a teoria dos miasmas. e) Louis Pasteur (1822-1895) Pasteur foi considerado o pai da bacteriologia. . livre deles quando protegidas de contaminação pelo ar.. do isolamento e identificação do Vibrio cholerae como agente etiológico da cólera. doenças transmitidas de pessoa a pessoa são causadas por alguma coisa que passa dos enfermos para os sãos e que possui a propriedade de aumentar e se multiplicar nos organismos dos que por ela são atacados. Dentre seus estudos podemos citar: . Identifica como fator de risco para a transmissão direta a falta de higiene pessoal. numa seqüência lógica.. contrariando. com o objetivo de elaborar hipóteses causais. em 1675. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . é considerado um clássico da epidemiologia de campo. Segundo aos aspectos relativos ao tempo e os aspectos relativos ao espaço. pelo Van Leeuwenhock. a freqüência e distribuição dos óbitos. a figura central da microbiologia foi Pasteur por identificar e isolar numerosas bactérias. por esgotos. Segundo o comentário de Snow podemos verificar um fortalecimento da teoria do contágio: “. Um passo essencial para o desenvolvimento da teoria dos germes foi a descoberta do microscópio. décadas antes do início das descobertas no campo da microbiologia e. Porém.. As ricas descrições do desenvolvimento da epidemia demonstraram o caráter transmissível da cólera (teoria do contágio).o estudo das bactérias patógenas e dos meios de destruí-las ou de impedir sua multiplicação. além de fazer trabalhos pioneiros na área da imunologia.

desempenham papel predominante na gênese de muitas doenças. sendo reconhecido como exemplo de pesquisa na América Latina.estudou e identificou os agentes etiológicos. No Brasil. que ditava também padrões de higiene e para a legislação sanitária. 2. Oswaldo Cruz (1872-1917). os estudos de Pasteur. fundou no início do século XX o Instituto que hoje tem seu nome. Conforme Pereira (1997). desenvolveram a teoria que as doenças poderiam ser causadas por um único agente etiológico. comprovou-se que os seres microscópicos. da praga que prejudicava a indústria nacional do bicho-da-seda. dotados de características especiais. A clínica e a patologia tornaram-se subordinadas ao laboratório. b) Desdobramento da teoria dos germes Saneamento ambiental.3. seguidos pelos de Robert Koch (1843-1910) e outros microbiologistas. A partir disso. vetores e reservatórios de agentes: o saneamento básico é preocupação antiga da humanidade. e não como foi descrito até agora através de celebridades marcantes. alterou os conceitos de doença e de contágio. .descobrimento do princípio da pasteurização. o renomado sanitarista brasileiro. que permitiu salvar vidas de pessoas mordidas por cães. As descobertas ocorridas na biologia e na medicina fizeram com que o meio ambiente pudesse ser estudado mais 68 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.. . sendo denominada teoria dos germes. e os meios para combatê-los. Epidemiologia no século XX A história da epidemiologia no século XX é construída por um conjunto de pequenos avanços que tiveram a contribuição de numerosos protagonistas. a) Influência da Microbiologia A revolução da era bacteriológica. Foram criados os institutos de pesquisa em todo o mundo nos moldes do Instituto de Pasteur de Paris. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . na segunda metade do século XIX.desenvolveu a vacina anti-rábica. em Manguinhos no Rio de Janeiro.

as estatísticas vitais que incluem informações sobre nascimentos e óbitos.cientificamente. d) Epidemiologia nutricional Prevenção do escorbuto: o inglês James Lind (1716-1794) realizou um estudo experimental para a prevenção da deficiência de Vitamina C. útil para detectar o aparecimento e perfil de muitas doenças na comunidade. Por exemplo: o papel do mosquito na etiologia de doenças infecciosas tais como: . como para os hospedeiros susceptíveis. de explicação das doenças.filariose e esquistossomose – Carlos Finlay (1833-1915). Assim. O experimento foi realizado com 12 marinheiros que ingeriram frutas frescas (limões) a fim de comprovar que a doença poderia ser prevenida com a ingestão de Vitamina C. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . para aprimorar o conhecimento das condições de saúde da comunidade.malária – Alphonse Laveran (1845-1922). Assim. . Estas informações passaram a funcionar como elementos de base para facilitar as investigações etiológicas. sob a forma de modelo unificado. Ecologia: o aprofundamento dos estudos fez com que a teoria dos germes cedesse lugar às esquematizações sobre agente. hospedeiro e meio ambiente. resultando no esclarecimento do ciclo dos parasitas possibilitando as descobertas para a prevenção.tripanossoma americamo (doença de Chagas) – Carlos Chagas.febre-amarela – Walter Reed (1851-1902). 69 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. colocando em destaque o seu papel na transmissão. . tornaram fontes de informações para os profissionais da saúde. c) Bases para epidemiologia Moderna Causa mortis: coleta sistemática dos dados sobre as características das pessoas falecidas. as investigações expandiram nos estudos dos vetores e os reservatórios de agentes. visto que ele fornece o substrato não só para grande número de agentes produtores de doença. . explicadas na multicausalidade.

apontou a etiologia da doença beribéri sendo a deficiência nutricional de Vitamina B1 (tiamina). .a avaliação da utilidade e da segurança das intervenções propostas para alterar a incidência ou a evolução da doença através de estudos controlados. houve um impressionante desenvolvimento da epidemiologia. Neste período verifica-se a progressão da pesquisa sobre vários temas. a microbiologia.Prevenção do beribéri: o japonês Kanehiro Takari (1849-1915). Prevenção da pelagra: Goldberger apontou a consistência da associação entre ocorrência de pelagra e os tipos de dieta. os indivíduos que compõe os riscos de adoecer em uma 70 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. e) Ênfase à Pesquisa Após a II Guerra Mundial (1939-1945). feita em orfanatos e prisões. através de estudos epidemiológicos. a parasitologia e a imunologia) a epidemiologia pode contribuir para a descrição. O século XX foi marcado pela mudança do perfil das doenças prevalentes. . que a causa da doença era a deficiência da niacina. com o crescente surgimento das doenças crônicodegenerativas. que possam ser rotulados como agentes ou fatores de risco. a patologia. f) Epidemiologia atual A compreensão e aplicação da epidemiologia atual requerem conhecimento em três pilares: . classificação e determinação da freqüência de uma doença em uma determinada população.Ciências sociais: através desta ciência.a determinação da condição de saúde da população. e buscou a confirmação de sua hipótese nutricional.Ciências biológicas: a partir das disciplinas afins (clínica. como causa de morbidade e mortalidade. entre eles: . .a busca sistemática de fatores antecedentes ao aparecimento das doenças. mostrou que a doença podia ser prevenida com a adequação das dietas e que as restrições alimentares podiam produzir o aparecimento de doenças. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Em sua investigação. a epidemiologia pode entender a forma de organização.

Logo. com a aleatoriedade dos eventos e o controle das variáveis que dificultam a interpretação dos resultados. procedimentos que. a incidência do câncer do pulmão reduzida.a apropriada seleção de “indicadores” que bem retratem cada situação. Dois aspectos são de maior importância em qualquer diagnóstico epidemiológico: . resumir e analisar dados sujeitos a variações. . 2. sendo assim utilizado como uma medida preventiva. embora sujeitos a crítica.4. sobre a saúde do conjunto da população ou de seus segmentos. seja em investigações especiais. um efeito” esta especificidade representa o isolamento de parte de um todo. . a febre tifóide controlada pelo saneamento básico. parte-se do princípio de que um agente ou causa quando removido faz desaparecer a doença. Exemplo: a poliomielite pode ser controlada por imunização. a varíola erradicada pela vacinação de toda a população.a abrangência populacional deste diagnóstico. corretos. . Por exemplo: a asma brônquica pode 71 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Principais usos da epidemiologia Conforme Pereira (1997) a epidemiologia pode ser empregada para: 1) Diagnóstico da situação de saúde: que consiste em gerar dados quantitativos. entre outras. seja em atividades de rotina. têm sido muito úteis para orientar a aplicação das ações de saúde.uma abordagem multicausal: os danos à saúde podem ter múltiplas causas e uma única causa pode ter muitos efeitos. com a diminuição da freqüência do hábito de fumar.Estatística: é a ciência e a arte de coletar. A procura das causas das doenças pode ter: .uma abordagem unicausal: “uma causa. O bócio endêmico eliminado pela iodação do sal de cozinha. significativamente. 2) Investigação etiológica: que consiste nos estudos científicos para a descoberta das causas da distribuição das doenças.sociedade para traçar as técnicas de prevenção das doenças e de promoção e recuperação das doenças. Fornece o instrumental a ser levado em conta nas investigações de questões complexas. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .

fornecem os elementos para se quantificar os prognósticos. As investigações etiológicas geram resultados que apontam os riscos a que uma pessoa está sujeita. Mas. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . existem outras que. 3) Determinação de risco: entende-se por risco o grau de probabilidade da ocorrência de um determinado evento. nos dias de hoje. permite descrever detalhes e completar o quadro clínico. infecção. das equipes multiprofissionais. por exemplo. mas de adoecer ou de sofrer algum tipo de incapacidade. para distinguir uma condição patológica da outra. o risco de alguém acidentar-se ou ter câncer. com o objetivo de descrever o quadro clínico. estresse emocional e exposição de poluentes. apesar de não se exporem tão intensamente. de sinais e sintomas. 4) Aprimoramento na descrição do quadro clínico: a observação da evolução de uma doença em um número suficiente de pacientes. 5) Determinação de prognóstico: a partir das investigações sobre o processo de evolução da doença. Assim. não de morrer precocemente. a importância. Por isso. 6) Identificação de síndromes e classificação de doenças: através dos estudos de epidemiologia pode-se agrupar os padrões reconhecidos em grupos homogêneos de características. estão também em risco. reunidos de maneira adequada e com a necessária objetividade na aferição. em que a epidemiologia muito auxilia na parte metodológica das investigações. 72 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Certos detalhes da doença só são esclarecidos em estudos populacionais.estar associada a numerosos agentes ou fatores. têm maior probabilidade de morrer prematuramente. 7) Verificação do valor de procedimentos diagnósticos: a utilização dos resultados de uma investigação epidemiológica está subordinada à precisão do diagnóstico feito em nível individual: a soma destes leva ao diagnóstico coletivo. Nem todas as pessoas têm os mesmos riscos. por exemplo. devido à existência de grande quantidade de fatores implicados no complexo etiológico da doença. e de prognósticos e utilizar estes dados básicos para desenvolver novas classificações ou aperfeiçoamento das já existentes. Há indivíduos que vivem perigosamente e. como tal. exercício físico. os esforços para preveni-las podem ser feitos em múltiplas direções.

Para isso. comparados aos que visam a estimular os níveis de eficácia e efetividade. 9) Avaliação das tecnologias .Eficácia: “capacidade de um produto em produzir efeitos benéficos no curso ou duração de uma doença”. refere-se ao plano ideal. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . com todas as imperfeições. medicamentos. humanos e materiais.Eficiência: fazer certo a “coisa” para não provocar perdas de tempo e recursos (retrabalho e desperdício).8) Planejamento e organização de serviços: as decisões tomadas na fase de planejamento e de gestão dos serviços de saúde devem estar baseados em informações epidemiológicas. Exemplo: Quando a avaliação é realizada no mundo real. . 10) Análise crítica de trabalhos científicos: o ensino da epidemiologia permitiu a formação de profissionais da saúde com princípios básicos de 73 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. visto que há pessoas que não os utilizam ou empregam de maneira inadequada. ou uso de determinados produtos ou procedimentos. ou seja. fatores de risco e agravos de saúde. a tomada de decisão no planejamento em saúde leva à execução de “ações”.as informações referentes à magnitude e à distribuição dos problemas de saúde. ou seja. Assim. . 2008). tais como: . Na área da saúde os estudos sobre eficiência são realizados em números menores.Efetividade: qualidade ou estado daquilo que é efetivo. . Exemplo: vacinas. diagnósticos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROFISSIONAIS EM PESQUISA CLÍNICA. . que podem ou não mudar a condição de saúde de uma determinada população. São eles que definem: .as informações sobre os recursos financeiros. realidade. à vida real e à quantificação dos custos no processo de avaliação. dos fatores de risco e das características da população.os resultados de estudos epidemiológicos controlados sobre relação causal entre características da população. geralmente não tem o mesmo impacto obtido em condições ideais. programas ou serviços: as avaliações são feitas em diferentes níveis. são empregadas algumas informações para subsidiar as decisões relativas à definição de prioridades e ao melhor uso dos recursos.

abrangendo os conceitos e os processos destinados à realização de investigação. no qual o indivíduo sente-se mal (sintomas) e /ou apresenta alterações orgânicas evidenciáveis (sinais)”. Processo Saúde-Doença 2. do susceptível e do meio ambiente.metodologia científica. Já. Este processo global é afetado desde o estímulo patológico.1 CONCEITO SAÚDE E DOENÇA Saúde – (latim) – salutis. e não Saúde é o estado do indivíduo cujas funções orgânicas. Saúde pode ser definida como “estado de adaptação do organismo ao ambiente físico. Seção 2. 1965 apud PEREIRA. doença pode ser definida como: “estado de falta de adaptação ao ambiente físico. Existem outras definições sobre saúde que podemos que destacar: a) b) c) d) Saúde é a ausência de doença (BOORSE. 1986). psíquico ou social em que vive. 1997). passando pela resposta do 74 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. 1948). Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . 2. HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA História natural da doença é o nome dado ao conjunto de reações que compreende as inter-relações do agente. (DUBOS. Saúde é um completo bem-estar físico. livrar do perigo). mentais se acham em situação normal (FERREIRA.2. psíquico ou social. mental e social. físicas e Saúde é o resultado do equilíbrio entre o indivíduo e o seu ambiente meramente ausência de doença (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. 1975). em que o indivíduo sente-se bem (saúde subjetiva) e não apresenta sinais ou alterações orgânicas evidentes (saúde objetiva)” (PEREIRA. derivado do radical salus (salvar. 1997). Doença – (latim) – dolentia derivado de dolor e dolore (dor e doer).

2003). CLARK. ALMEIDA-FILHO. A história natural das doenças nada mais é do que um quadro esquemático que dá suporte à descrição das múltiplas e diferentes enfermidades. 2. 2. estão os eventos que ocorrem na fase anterior à resposta biológica inicial do organismo. b) Vertente patológica: está relacionado com as modificações que se passam no organismo vivo. favorecedoras das anomalias ecológicas predisponentes a alguns dos agentes diretamente responsáveis por doenças. Sua utilidade maior é de apontar os diferentes métodos de prevenção e controle. a intensidade das exposições. é a principal vítima do contexto de agressão à saúde por ele favorecido. É gerador das condições sócio-econômicas.3. PREVENÇÃO DAS DOENÇAS E PROMOÇÃO DA SAÚDE Etiologia e prevenção são aspectos muitos relacionados. ALMEIDAFILHO. O conhecimento da etiologia indica os melhores caminhos para concretizar a prevenção. servindo de base para a compreensão de situações reais e específicas. recuperação ou morte (LEAVELL. invalidez. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Para que possamos escolher as melhores medidas de prevenção é importante conhecer as relações causais sobre as características dos agentes e fatores de risco envolvidos. Vertente epidemiológica: é dirigido para as relações susceptível- 75 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Ao mesmo tempo.1 Etiologia Etiologia na vertente epidemiológica (período pré-patogênico): nesta fase. até as alterações que levam a um defeito. a história natural da doença tem desenvolvimento em dois períodos seqüenciados. 2003). 1976 apud ROUQUAYROL. O homem está presente em todas estas etapas. Portanto.homem ao estímulo. conforme figura 1: a) ambiente.3. tornando operacionais as medidas de prevenção (ROUQUAYROL. a susceptibilidade do organismo frente às agressões e as condições do ambiente onde estas situações ocorrem.

Z. N. 76 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Figura 1 – Historia natural da doença e a prevenção ROUQUAYROL. quer ocorra sob forma esporádica. se possível. Epidemiologia e saúde.ed. com o objetivo de detectar e interromper a evolução da doença já instalada no organismo e.2 Medidas preventivas Medidas preventivas são todas aquelas utilizadas para evitar as doenças ou suas conseqüências.Etiologia na vertente patológica (período de patogênese): encontram-se as reações que ocorrem no interior do corpo humano e que se sucedem da resposta orgânica da afecção. fazê-la regredir. ALMEIDA-FILHO. 2. O conhecimento desta fase da doença permite a melhor escolha dos critérios para diagnósticos e tratamentos. 2003.. quer de modo endêmico ou epidêmico. 6.3. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Rio de Janeiro: Medsi. M.

em: .Medidas inespecíficas e específicas: são ações propostas pela sociedade no intuito de influir na ocorrência da doença. ditas gerais ou amplas. visam à tentativa de. O termo terciário visa incluir medidas recomendadas em fase mais avançada da doença. seja de evolução clinicamente aparente. as específicas. e estão dirigidas para a manutenção da saúde. . seja em fase subclínica. se possível. Exemplo: Educação em saúde. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.Prevenção primária. 1997. Exemplo: a administração de antibióticos em doenças infecciosas. quando ela está progredindo. têm objetivo de promover o bem-estar das pessoas. PERÍODO PRÉPATOLÓGICO Interação de fatores Promoção da saúde Proteção específica PREVENÇÃO PRIMÁRIA Alterações Precoces Diagnóstico e tratamento precoces Primeiros Sintomas do Dano Doença Avançada Convalescenças Reabilitação PERÍODO PATOLÓGICO Limitação PREVENÇÃO SECUNDÁRIA MEDIDAS PREVENTIVAS PREVEÇÃO TERCIÁRIA Figura 2 Níveis de aplicação das medidas preventivas na história natural da doença. Exemplo: Doença de Chagas. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . PEREIRA.Classificação das medidas preventivas: As medidas preventivas podem ser classificadas. Fonte. As secundárias ocorrem após o seu início da doença. secundária e terciária (figura 2): As ações primárias são aplicadas em fases anteriores ao início biológico da doença. Maurício Gomes. incluem as técnicas próprias para lidar com cada dano à saúde. ou restritas. saneamento ambiental. Epidemiologia: Teoria e prática. segundo Pereira (1997). no intuito de prevenir deterioração ainda maior da história natural da doença e passou a ser amplamente utilizada. 77 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. fazê-la regredir. As medidas inespecíficas. em particular.

Habitação adequada.Exame pré-natal.Quimioprofilaxia. . . secundárias e terciárias) desdobram-se em cinco níveis (figura 3): 1) Promoção da saúde: .Educação sanitária.Rastreamento.Exames periódicos de saúde. . .Intervenção em função das necessidades.Vacinação.Terapia ocupacional.Acesso facilitado a serviços de saúde. 4) Limitação do dano: . .Auto-exame. 5) Reabilitação: .Educação do público para aceitação do deficiente. .Cinco níveis de prevenção: As prevenções (primárias. 3) Diagnóstico e tratamento precoce: .Tratamento médico ou cirúrgico adequado. 78 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. .Treinamento de deficientes. -Emprego e salário adequado. .Melhores condições de trabalho para o deficiente. .Fluoretação da água. 2) Proteção específica: . .Próteses e órteses. .Eliminação de exposição a agentes carcinogênicos. .Procura de casos entre contatos. . . . .Hospitalização em função das necessidades. .Condições para satisfação das necessidades básicas do indivíduo. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .Alimentação e nutrição adequada.

Fonte: PEREIRA.1º. qualidade do ar e da água ameaçada. territórios e culturas presentes no nosso país. 2. Epidemiologia: Teoria e prática. urbanização desordenada. Maurício Gomes. Nível Reabilitação Prevenção secundária Cura Recuperação Prevenção terciária Reabilitação Promoção Proteção Figura 3: Níveis e aplicação das ações de saúde e equivalência de termos empregados para designálos. 79 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Nível Promoção da Saúde 2º.3. Nível Diagnóstico precoce e tratamento oportuno 4º. subemprego. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. defendam radicalmente a equidade e incorporem a participação e o controle sociais na gestão das políticas públicas”. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . visando a criação de mecanismos que reduzam as situações de vulnerabilidade. e potencializar formas mais amplas de intervir em saúde. 1997. que a promoção da saúde é “uma estratégia de articulação transversal na qual se confere visibilidade aos fatores que colocam a saúde da população em risco e às diferenças entre necessidades.3 Promoção da saúde A promoção da saúde é uma das estratégias de produção de saúde. Nível Proteção específica Prevenção Primária Prevenção 3º. desemprego. falta de saneamento básico. No SUS a estratégia de promoção da saúde é uma possibilidade de enfocar os aspectos que determinam o processo saúde-doença em nosso país como. Nível Limitações do dano 5º. portanto. habitação inadequada e/ou ausente. Segundo a Política Nacional de Promoção de Saúde. deteriorada. É um modo de pensar e de operar através das políticas e tecnologias do SUS para contribuir na construção de ações que possibilitam responder às necessidades sociais em saúde. entende-se. fome. dificuldade de acesso à educação. por exemplo: violência.

Estado/sociedade.3 mil óbitos (Costa e Kale. No mundo 33. sendo 30.5 milhões de crianças com menos de 15 anos (de 2.4 milhões de adultos contaminados são mulheres (13.Promoção do desenvolvimento sustentável. portanto.2 e 33.6 milhões) e 2. 1. clínica/política. 2007). . que a promoção da saúde realiza-se na articulação sujeito/coletivo.8 milhões de adultos entre 15 e 49 anos (entre 28. . público/privado.6 milhões) (PRESSES.2 a 2.Redução da morbi-mortalidade por acidentes de trânsito.Prevenção da violência e estímulo à cultura de paz. Em 2007.Medidas de Saúde Coletiva 3. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Seção 3 .1 milhões). 2005) . . . como em publicações 80 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. 15.1 Medidas de freqüência de doenças A cada cinco minutos uma pessoa com idade entre 10 e 24 anos de idade é infectada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em todo mundo.Vê-se.Divulgação e implementação da Política Nacional de Promoção da Saúde. seja pelos meios de comunicação de massa.Prevenção e Controle do Tabagismo.6 milhão delas na América Latina. . Conforme a Política Nacional de Promoção à Saúde para o biênio 20062007 foi priorizada as ações voltadas à: .Alimentação Saudável.Redução da morbi-mortalidade em decorrência do uso abusivo de álcool e outras drogas.6 milhões). segundo as últimas estimativas da Onuaids. . visando romper com a excessiva fragmentação na abordagem do processo saúde-adoecimento e reduzir a vulnerabilidade. Deste total. Estes números despertam o interesse de muitas pessoas e são citados freqüentemente.6 a 36.9 a 16. .Prática Corporal/Atividade Física. mais de 33 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV. setor sanitário/outros setores. os riscos e os danos que nele se produzem. ocorrendo cerca de 2.2 milhões (entre uma estimativa de 30.

mas são de grupos excludentes. A incidência e prevalência medem diferentes aspectos da morbidade. mas na prática. oriundos de uma população sob risco de adoecimento. Exemplo: razão entre duas doenças. ou seja. para descrever a freqüência de uma doença numa determinada população podemos utilizar: 3. que será relatada nas próximas seções. Eles nos permitem caracterizar.1 FRAÇÕES O numerador e o denominador são elementos de mesma natureza e mesma dimensão. ou problema de saúde. As medidas de freqüência são definidas a partir de dois conceitos fundamentais da epidemiologia. Muitas frações em Epidemiologia são proporções. 3. regiões e população humana. mas não expressam risco. razão masculino/feminino. A razão mede relação entre eventos. ao longo 81 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os sinônimos para proporções são: risco.1. de diferentes maneiras.1. sem se referir ao tempo (como foi dito previamente para a taxa de mortes fetais). quantificar ou medir a freqüência com que os problemas de saúde ocorrem em populações humanas é um dos objetivos da epidemiologia.especializadas. muitas vezes é usada como uma proporção. mas se expresso por 100 é uma percentagem.2 PROPORÇÕES Os casos incluídos no numerador são também subconjuntos do denominador. denominados: incidência e prevalência. estas estimativas expressam o quão freqüente a infecção pelo HIV e a AIDS tem sido em diferentes momentos. conforme Paneth (2008). letalidade. a) INCIDÊNCIA Incidência é a freqüência de casos novos de uma determinada doença. o numerador não está incluído no denominador.1. 3. a ocorrência da AIDS. Exemplo: Mortalidade proporcional. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Assim. Segundo Costa e Kale (2005).3 COEFICIENTES OU TAXAS É considerada como uma proporção que muda com o tempo. Em comum.

As medidas de incidência estão necessariamente relacionadas à dimensão do tempo (COSTA. ou incidentes. no seu decorrer. Os casos novos. de acordo com a equação: Taxa de incidência = Número de casos novos em determinado período X Constante Número de pessoas expostas ao risco.de um determinado período de tempo. Da 82 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. em estudos de prognóstico.ao número de pessoas afetadas. que. foram diagnosticados dois casos de sarampo. Segundo Pereira (1997) a incidência é a medida mais importante da epidemiologia. Na expressão matemática do cálculo da taxa de incidência a constante é um múltiplo de 10. sob risco de adoecimento. . O cálculo da incidência é a forma mais comum de medir e comparar a freqüência das doenças em populações. expressaremos a incidência 10n habitantes. e. Calcule a incidência: I = 2x1000/400 = 5 casos em 1000 crianças no ano. o total de pessoa-tempo gerada a partir da população de estudo acompanhada. 2005). acabam por adoecer. entende-se por incidência a ocorrência do primeiro episódio da doença ou problema de saúde de interesse. Taxa de incidência: é a variação de um fenômeno por unidade de tempo. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Em geral. acompanhadas durante um ano. no mesmo período EXEMPLO: Entre 400 crianças pré-escolares. Ela é preferida em investigações científicas. seja nas pesquisas etiológicas. KALE. A taxa de incidência (TI) é calculada como a razão entre o número de casos novos de uma determinada doença ou problema de saúde. os casos podem referir-se: . portanto. Uma taxa é a expressão da velocidade média com que ocorre o fenômeno de interesse.ao número de episódios de um agravo à saúde. O termo casos novos depende do tipo de problema em foco. ou de uma variável qualquer. na verificação da eficácia das ações terapêuticas e preventivas. são aqueles indivíduos não doentes no início do período de observação. assim.

MÊS ou ANO. como o DIA. Porém. resulta em diferentes tipos de taxas de incidência. 1997). tanto no numerador como do denominador. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Tipos de incidência: Conforme Pereira (1997) a variação nas especificações. 10. 100.000. e. caso viesse a adoecer.mesma forma. A escolha da unidade de referência (constante) é a critério do pesquisador e o tipo de estudo epidemiológico em questão.000.000 de habitantes.no exemplo. a constante pode ser 100. Assim. 1. sendo então conveniente levar-se em conta a fração de tempo que as pessoas nela participam. cujo denominador tenha sido reduzido à mesma base . seria considerado um caso novo ou incidente. No denominador da fórmula de um coeficiente. coloca-se a população sob risco. 100.000 habitantes (TANCREDI.000.000 habitantes) permite a comparação de coeficiente assim obtido com outros. Nem sempre é fácil obter a informação exata sobre ela.000 ou 1. referida a uma unidade de tempo. de modo que aproximações têm de ser utilizadas para possibilitar a computação de coeficientes. a fórmula geral para a incidência pelo método pessoa-tempo fica: Número de casos novos Tempo total de observação 83 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. sob a forma de pessoa-tempo (PEREIRA. Em estudos nos quais há o seguimento de corte de pessoas e sem perdas no seu período. 1998). essa população sob risco é a do início do período da observação (situação rara). É a expressão da experiência individual de exposição ao risco de adoecimento. A transformação do número absoluto de casos numa taxa relativa a uma população genérica (por exemplo. 100. Pessoa-tempo: é o período durante o qual um indivíduo está exposto ao risco de adoecimento. e não números absolutos. em estudos de corte há perdas durante o desenrolar da investigação. Para se comparar a ocorrência de doenças em diferentes populações devese usar a incidência.

População aberta: é se novos membros são adicionados no tempo.5 5 3. 45 pessoas-ano. e seus integrantes a deixam por emigração ou quando morrem. As populações podem ser definidas como fechadas ou abertas. outro é reposto imediatamente no seu lugar. mantendo assim o seu tamanho constante. O seu tamanho (N) diminui sistematicamente ao longo do tempo. A população aberta é estável ou estacionária. ou seja. 84 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.5 anos 5 anos 3. A quantidade de pessoa-tempo pode ser calculada de diferentes formas.Exemplo: Participante 1 2 3 4 5 6 7 Total Tempo de participação 8 anos 2. População fechada: é quando nenhum membro novo é a ela incorporado ao longo do tempo. o denominador será composto pelo total de pessoas-ano. para cada indivíduo que a deixa. dependendo do tipo de população e das características do estudo epidemiológico.5anos 8anos 7 anos 11 anos Pessoa-ano 8 2. em decorrência da natalidade ou da imigração. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . por qualquer motivo. E o numerador pelo número de casos novos existentes no período.5 8 7 11 45 pessoas-ano Portanto. e seus integrantes a deixam somente devido à morte.

Em tal situação. em 10 anos de acompanhamento. Na população não há entrada de novos membros. Incidência acumulada (IA): fornece a melhor estimativa de quantas pessoas terá a doença numa população. 1997). quando o denominador representa unidades em pessoas-tempo. no início do período EXEMPLO: 26 casos de leucemia detectados entre 520 pessoas expostas à radiação pelo Césio 134.Assim. A correção é aplicada no denominador. os resultados podem ser expressos através da incidência acumulada. É estimada de acordo com a equação: IA = número de indivíduos acometidos pela doença. É o que ocorre em investigações longitudinais de morbidade. O coeficiente calculado. que passa a ser pessoa-ano e não número de pessoas. de indivíduos expostos a acidentes de radiação nuclear. Densidade de incidência: fornece a estimativa do verdadeiro risco de adquirir uma doença a qualquer momento em dado tempo. é possível medir a freqüência da doença em uma população de composição constante. ou seja. A expressão matemática da densidade de incidência é a seguinte: Densidade de incidência = número de novos casos na unidade de tempo x Constante número de pacientes-tempo Por vezes. também é denominado densidade de incidência (PEREIRA. por exemplo. por esta forma de equivalência. nas quais é feito o segmento de um grupo de pessoas por um determinado tempo. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . desta maneira. Cálculo da incidência cumulada: IA = 26/520 X 100 = 5 casos por 100 habitantes em 10anos 85 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. tem-se em conta tanto o número de indivíduos quanto o tempo de duração de observação de cada um. uma população fixa. no período x Constante Número de indivíduos sadios.

devemos primeiro definir o numerador e o denominador: Numerador: casos de gastrenterite identificados no intervalo de tempo correspondente ao período de incubação da gastrenterite entre as pessoas que participaram do jantar no restaurante A em 21 de setembro de 2007. 90 desenvolveram um quadro agudo de gastrenterite. que coloquem em risco toda a população ou parte dela por um período limitado. Assim. para calcular a taxa de ataque de gastrenterite. a incidência recebe a denominação taxa de ataque. Taxa de ataque = 90x100/257 = 35% Assim. 86 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. As taxas de ataque são expressas em porcentagem. no dia 21 de setembro de 2007. podemos calcular a taxa de ataque da seguinte forma: Taxa de ataque = Nº de casos novos numa população durante um determinado período x Constante População sob risco no início do período EXEMPLO: Entre os 257 pessoas que jantaram no restaurante A. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Portanto. nos surtos epidêmicos. durante um intervalo de tempo limitado. Para uma população definida (população sob risco). podemos dizer que a probabilidade de desenvolver um quadro de gastrenterite entre os participantes do jantar no restaurante A em 21 de setembro de 2007 foi de 35%. Denominador: número de pessoas que participaram do jantar no restaurante A em 21 de setembro de 2007.Taxa de ataque: nos casos de doenças ou agravos de natureza aguda. É o que ocorre. tipicamente.

O cálculo da taxa de ataque de hepatite A na escola e a taxa de ataque secundário entre os contatos domiciliares deve ser feito da seguinte maneira: 1) Taxa de ataque na creche: Numerador: casos de hepatite A entre crianças que freqüentam a escola = 7 Denominador: número de crianças que freqüentam a escola = 70 87 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. As crianças pertencem a 7 diferentes famílias. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . O cálculo da taxa de ataque secundário pode ser efetuado da seguinte forma: Taxa de ataque = Nº de casos entre contatos de casos primários durante um intervalo de tempo x Constante secundário Número total de contatos Exemplo: Entre as 70 crianças que freqüentam uma escola ocorreram 7 casos de hepatite A.Taxa de ataque secundário: é a medida de freqüência de casos novos de uma doença entre contatos de casos conhecidos. compostas por um total de 32 pessoas. Após um intervalo equivalente a um período de incubação. 5 membros das 7 famílias desenvolveram hepatite A.

b) PREVALÊNCIA Prevalência é definida como a freqüência de casos existentes de uma determinada doença. É uma medida estatística em relação ao processo de adoecer. excluídas as crianças que já apresentavam hepatite A). Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . No cálculo da prevalência o numerador abrange o total de pessoas que se apresentam doentes num período determinado (casos novos acrescidos dos já 88 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. os doentes que vierem a falecer antes do período de observação não são considerados da prevalência. Assim. Taxa de ataque = 7x100/70 = 10% 2) Taxa de ataque secundário Numerador: casos de hepatite A entre os contatos domiciliares das crianças que desenvolveram hepatite A= 5 Denominador: número de pessoas sob risco de desenvolverem hepatite A entre os contatos domiciliares (número de membros das famílias. 2005). A prevalência assemelha-se a uma fotografia na qual se registra a fração de indivíduos doentes. Portanto. Taxa de ataque = 5x100/ (32-7) = 500/25 = 20% A Taxa de mortalidade é um tipo de taxa de incidência que discutiremos com maiores detalhes mais adiante. ou prevalentes. em uma determinada população e em um dado momento (COSTA.Portanto. por exemplo. são os casos que envolvem pessoas que adoecem em algum momento do passado mais ou menos remoto. naquele instante do tempo. KALE. os casos antigos e os novos e que estão vivos quando se realiza a observação. Os casos existentes. Ela é a medida mais utilizada em saúde coletiva.

000 pessoas (COSTA. determinam-se quem tem e quem não tem certa doença. pouco empregada. e são usualmente expressos por percentuais. desde que especificadas. usado sem especificação. De um modo geral. o denominador é a população da comunidade no mesmo período. semana. dia. quando estimamos a prevalência de uma doença na comunidade. foram encontrados 40 com exames positivos para Ascaris. uma estimativa de prevalência igual a 0. 89 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. como. Por exemplo.existentes). A prevalência pode ser expressa da seguinte forma: Taxa de Prevalência = Nº de casos existentes x Constante Número de pessoas da População durante o mesmo período EXEMPLO: Entre 400 crianças submetidas a exame de parasitológico de fezes. refere à prevalência pontual ou instantânea. mês. um mês. Nesse momento. KALE. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . com a intenção de facilitar a sua interpretação. Por sua vez. não levamos em conta a duração da doença. as estimativas de prevalência podem ser apresentadas como frações de qualquer potência com base igual a 10 (dez). Conforme as características da doença investigada. há também a prevalência no período. A prevalência pode ser entendida como um corte da população em determinado ponto no tempo. Os seus valores possíveis estão incluídos no intervalo fechado entre 0 e 1. ano. que inclui os casos existentes em um dado momento somados aos que ocorreram no passado. No entanto. Logo. Calcule a prevalência: TP = 40/400 X 1000 = 100 casos em 1000 habitantes ou 10%. é efetuada em um ponto definido no tempo.01% equivale a um caso entre 10. Sendo uma proporção. Entretanto. a prevalência pontual é uma medida adimensional. um ano ou ainda dez ou quinze anos. no início do ano. por exemplo. O termo prevalência. 2005). podemos encontrar pessoas que adoeceram há uma semana.

Relações entre incidência e prevalência Figura 2: Diferentes relações entre incidência e prevalência Fonte: Saúde e Cidadania. A figura 2.gov.saude. a prevalência pode aumentar com a elevação da incidência. 2008. a prevalência. mantido o mesmo nível da incidência ou com sua diminuição. que representa uma comunidade. e o líquido. Disponível em: < http://www. verificamos que isso é possível quando mantemos a incidência e mortes ou curas constantes. Acesso em 25 fev. Como fazer para aumentar a prevalência? Na figura 2b.html>>. 90 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. sem um correspondente aumento das mortes e/ou curas. Como fazer para diminuir a prevalência? A figura 2c mostra-nos que a prevalência pode diminuir com a elevação do número de curas e/ou mortes. apresenta algumas relações entre incidência e prevalência.br/gestores/sala_de_leitura/saude_e_cidadania/ed_07/03_02_04.sc. acima. Na figura 2a observa-se um tanque. Vigilância em Saúde Pública. Como fazer para manter um determinado nível de prevalência? Analisando o esquema apresentado na figura 2d. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .

Figura 3: Fatores que influem na magnitude das taxas de prevalência Fonte: Saúde e Cidadania. Acesso em 25 fev.html>>. 91 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . quando a incidência é constante. vemos a seguir vários fatores que podem influenciar o comportamento da prevalência (figura 3). I = Incidência P = Prevalência D = duração (tempo) Complementando a figura 2. Vigilância em Saúde Pública. 2008.A prevalência pode ser expressa como o produto da incidência pela sua duração média. ao passo que a incidência é mais aplicada na mensuração de freqüência de doenças agudas adquiridas.gov.br/gestores/sala_de_leitura/saude_e_cidadania/ed_07/03_02_04.sc. Disponível em: < http://www. Prevalência = I X D Ou I = P/D Ou D = P/I Onde.saude. Uso das taxas de incidência e prevalência A prevalência é muito útil para medir a freqüência e a magnitude de problemas crônicos.

Calcule o número de casos de tuberculose em relação à população. cujo número de casos é de : 1.176. em sua maioria. cuja população era de 1. cujo número de casos é de : 2. cujo número de casos é de : 1. a higidez de agregados humanos. com o objetivo de avaliar.7/1000 habitantes d) Incidência . A incidência sempre requer uma duração. Trata-se de prevalência e incidência? a) Incidência.1. como já relatados na seção 3. em tratamento. em diversos períodos de tempo. permitindo o acompanhamento das flutuações e tendências históricas do padrão sanitário de diferentes coletividades. em um dado município.2 Indicadores de Saúde Segundo Vermelho Costa e Kale (2005).7/1000 habitantes c) Incidência .935 habitantes. cujo número de casos é de : 0. cujo número de casos é de : 2. bem como fornecer subsídios ao planejamento de saúde. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .A incidência é mais importante quando se pensa na etiologia da desordem. na prevalência pode ou não ser um requisito. através de proporções e de taxas. prevalência quando se pensa na sobrecarga social da desordem.7/1000 habitantes b) Prevalência. Atividades de auto-avaliação Teste seus conhecimentos: No final da apostila. Os indicadores de saúde são expressos. 92 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Em 1/7/80 existiam 2000 casos de tuberculose. mas antes de ver a resposta. incluindo os custos e os recursos consumidos como um resultado da desordem. os indicadores de saúde têm sido utilizados internacionalmente. você encontrará a resolução do exercício. 1. tente resolver sozinho.7/1000 habitantes e) Prevalência. sob o ponto de vista sanitário.7/1000 habitantes 3.

um ano. e por um determinado período. ou seja. Exemplo: Se a condição a ser mensurada for a anemia. O indicador inclui apenas um aspecto: por exemplo. como. assim como a normalidade. Em geral. os nascimentos e mortes. Nesse contexto. a) Validade: refere-se à adequação do indicador para medir ou representar. por exemplo. em especial. índice de morbimortalidade: incorpora tanto o impacto das doenças quanto o dos óbitos que incidem em uma população. o fenômeno considerado. ocorrem em diferentes momentos. varia ao longo do ano. a saúde está nesse caso. o que é a tendência atual. definidas segundo áreas de residência. estado. “Indicador ou índice” são termos empregados. quando a mensuração é repetida. Por exemplo. b) Confiabilidade ou reprodutibilidade: significa a obtenção de resultados semelhantes. a qualidade de vida e a felicidade (PEREIRA. pois. 3. as mortes e as imigrações ocorrem homogeneamente ao longo do ano. pois incorporam em uma medida única diferentes aspectos ou diferentes indicadores. sinteticamente. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . ou morte. Ao se verificar a repetição da dosagem de hemoglobina ou da leitura de 93 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. O índice expressa situações multidimensionais. das questões científicas formuladas. o que reflete uma particular característica. o termo indicador é utilizado para representar ou medir aspectos não sujeitos à observação direta. o número de pessoas expostas ao risco de adoecimento. Para tal.Indicador: é o que indica. os movimentos de entrada e saída de pessoas se compensam. éticos e operacionais. já que alcança níveis de validade julgados consideráveis. a medida de hemoglobina no sangue periférico pode ser um indicador de escolha.1 Critérios de avaliação de indicadores Conforme Pereira (1997) a escolha do indicador mais apropriado depende dos objetivos de cada situação. Usualmente. nos dois semestres de um ano. ora como sinônimos. Exemplo: anemia e cardiopatia chagásica. ou seja. assim como as migrações. a mortalidade. 1997). assim como de aspectos metodológicos. o que era comum no passado.2. ora com significados distintos. as populações a que se referem os indicadores de saúde são dinâmicas. município. ou países. em geral. assume-se que os nascimentos.

apresenta concordância de resultados. constatou-se que 100 deles foram vítimas de acidentes de trânsito. em uma mesma amostra de material. Em avaliações realizadas na área da saúde. Findando este período. em nosso estudo podemos destacar: MORBIDADE Morbidade é a medida de freqüência de doença em uma população. flexibilidade. considerações detalhadas de outras características como simplicidade. Dentre os indicadores de saúde. como mortalidade e a morbidade.um traçado eletrocardiográfico. custo operacional. é acompanhada por 1 ano. Taxa de incidência Incidência = Nº de casos novos de uma doença num determinado período x Constante Somatório de pessoas-tempo acumulada pela população durante o mesmo período. compatível e oportunidade. c) Representatividade (cobertura): um indicador sanitário será tanto mais apropriado quanto maior a cobertura populacional que alcançar.2. composta de 1000 adultos. Existem dois grupos importantes de taxas de morbidade: as de incidência e as de prevalência. Exemplo: Uma amostra aleatória. são utilizados indicadores negativos. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . residentes em um dado município. em lugar dos positivos. d) e) Questões éticas: é imperativo ético que a coleta de dados não acarrete Ângulo técnico-administrativo: o emprego de indicadores exige malefícios ou prejuízos às pessoas investigadas. Exemplo: Estatísticas vitais no Brasil. facilidade em obtenção.2 Principais indicadores de saúde O conhecimento das condições de saúde de uma população implica o manuseio adequado de numerosas informações. I = 100x100/1000= 10% acidentados ou 100 acidentes em 1000 habitantes 94 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. do tipo bem-estar de vida e normalidade. 3.

da seguinte forma: I + 2 √I(1-I) /n = 0. A palavra doença denota uma ou todas as seguintes acepções: 95 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. dos quais 100 foram considerados hipertensos.1-0. P = 100x100/1000= 10% hipertensos ou 100 hipertensos em 1000habitantes A prevalência de hipertensão na população estará contida em um intervalo de confiança de.02 = 0.12 =12% Portanto. Taxa de prevalência: Prevalência = Nº de casos conhecidos da doença num determinado período x Constante População durante o mesmo período Exemplo: Uma investigação realizada em um dado município promoveu o exame de pressão arterial de 1000 adultos.08= 8% Limite superior do intervalo = 0.1+0. pois diferentes perspectivas podem ser consideradas. em geral.1+0.1+0.02 = 0.1+0.1)/1000 = 0. 95% obtido a partir da incidência pontual.08 a 0. aleatoriamente selecionados. o limite de confiança vai de 8% a 12%. ou seja. os limites do intervalo são 0.A incidência de acidentes de trânsito na população está contida em um intervalo de confiança de.12 =12% Portanto.1(1-0.08= 8% Limite superior do intervalo = 0.08 a 0.02 = 0. da seguinte forma: I + 2 √I(1-I)/n = 0. o limite de confiança vai de 8% a 12%.12. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . os limites do intervalo são 0. Existe um complexo problema conceitual quando se lida com morbidade.1) /1000 = 0.1(1-0. 95% obtido a partir da incidência pontual.12.1 + 2√0.02 Limite inferior do intervalo= 0.02 = 0.1-0.1 + 2√0. em geral.02 Limite inferior do intervalo= 0. ou seja.

c) A expressão social da morbidade representada pelas atitudes e comportamentos assumidos pelas pessoas. Outro pode sentir-se bem (item A). 1997). Assim. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . ou seja. de uma anormalidade biológica (item B) e quando dela tem conhecimento. 96 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. diagnósticos. . os profissionais de saúde referem-se a dois aspectos básicos: . as freqüências de morbidade na população serão variáveis em função do aspecto. Em termos técnicos. após um exame médico. uma queixa. Os registros rotineiros de dados são muito convenientes para o estudo da morbidade: eles existem em todos os estabelecimentos que fazem documentação. utilizando métodos apropriados. assumir ou não o papel de doente (item C) (PEREIRA. um profissional da saúde de nível superior.Morbidade referida: é aquela percebida pelo indivíduo e relatada por ele durante uma entrevista. ser portador. b) Anormalidade biológica em estrutura ou função. O termo moléstia é o mais adequado para caracterizar esta situação. por escrito. que é levado em conta na aferição. dos seus motivos. um indivíduo pode sentir-se mal (refere-se ao item A) sem ter anormalidade orgânica detectável (item B) e nem passar-se por doente (item C).Morbidade observada ou diagnosticada: é aquela diagnosticada por um examinador independente. um grupo identificável de sinais e sintomas e alterações anatômicas consistentes. sofrimento ou incômodo físico ou mental. sem saber. Em resultado das diferentes acepções acima descritas. das pessoas que os procuram. mas.a) Anormalidade do estado de saúde. Então. diagnosticada por um profissional de saúde. após o exame do paciente. cientificamente testados. quando percebem desvios da normalidade na sua própria saúde. doença designa uma entidade patológica definida por: um agente etiológico reconhecido. da maneira como ele é percebido pelo paciente. em geral. Fontes de dados para o conhecimento da morbidade As fontes de dados para a computação de indicadores de morbidade podem ser os “registros” e as “pessoas”.

As publicações contendo estatísticas de morbidade representam a primeira fonte de informação para o profissional de saúde. formulários ou atestados. entre os quais as opiniões e atitudes dos indivíduos. investigando-se os prontuários. independente de constar na lista de doenças de notificação compulsória. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .tratamentos e encaminhamentos. Registro rotineiro de atendimento Os principais registros rotineiros de dados sobre a saúde das pessoas. estabelecendo-se para elas um sistema próprio de anotação. são: a) Prontuários: são documentos resultantes das consultas. assim como a ocorrência de agravo inusitado. Além das doenças de notificação compulsória todo e qualquer surto ou epidemia. deve ser notificado. que informem adequadamente a extensão do problema e suas principais características. Podem-se utilizar os levantamentos. entrando em contato com as pessoas. c) Registro de doenças: determinadas doenças são objetos de atenção especial. A notificação compulsória produz informações valiosas para o trabalho diário de departamentos de saúde pública. constituindo-se um meio de comunicação entre os profissionais de saúde que se interessam no caso para um eventual atendimento. é uma forma rápida de coleta de dados. utilizados para a elaboração dos perfis de morbidade. e são mantidas em fichas. ou por inquéritos. para saber o estado de saúde e os fatores a ele relacionando. Na ausência de estatísticas. Os tipos de registros de doenças podem ser classificados em três categorias: 97 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Este documento permite acompanhar a evolução dos cuidados ao paciente e de sua saúde. b) Notificação compulsória: é a notificação obrigatória de casos de doenças da listagem de doenças de notificação compulsória. A obrigatoriedade da notificação é definida pela lei nº 6259 de 30 de outubro de 1975. pois permite tomar as medidas cabíveis em relação às pessoas e aos seus contatos. O sistema resultante é chamado de “vigilância epidemiológica” que será tratado na seção 5. exames complementares e internações que as pessoas se submetem. Estes registros podem ser disponibilizados em forma de quadros estatísticos.

Populacional: o registro em base populacional representa a tentativa de coletar dados uniformes sobre todos os casos novos de uma doença. cada qual retendo dados detalhados sobre doenças e óbitos do estrato da população que atende. ou seja. Exemplo: projetos multicêntricos. Os tipos de inquéritos são: . porém em maior escala. . Nos inquéritos específicos busca-se investigar uma condição de cada vez. a morbidade geral. Exemplo: doenças infecciosas crônicas. por sua simplicidade. . pois há uma rede de estabelecimentos envolvidos. de modo a compor uma visão geral e atualizada do país. serviços de saúde. além de dados demográficos para caracterizar as pessoas das quais os dados foram obtidos.Uniinstitucional: é aquele que centraliza os dados dos pacientes. O PNDA é um inquérito de prevalência.. conhecimentos. . câncer. portadores de uma determinada condição. alcoolismo. práticas relacionadas com a saúde. por exemplo: hipertensão.Pesquisa nacional por amostragem de domicílios (PNAD): tem o propósito de buscar as informações não-disponíveis ou não-suficientes cobertas pelos sistemas convencionais de informação econômica e social. atitudes. A 98 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. o consumo de medicamentos. d) Cruzamento de dados: nos grandes centros urbanos existem muitos estabelecimentos de saúde. A técnica de cruzamento (ou ligação) de registro é conhecida também pela terminologia: linkage.Inquéritos gerais e específicos: os inquéritos gerais têm o objetivo de investigar o conjunto de agravos à saúde em uma população definida. .Por entrevista e exames: a entrevista é o método mais utilizado em inquéritos domiciliares. atendidos na instituição. AIDS. diabetes ou estado nutricional.Multiinstitucional: trata-se de um sistema de informação sobre um dado agravo à saúde semelhante ao anterior. hanseníase. com omissão de parte significativa de outros segmentos. ocorridos em uma população. cujo conhecimento seria importante para a elaboração do perfil local de morbidade. tuberculose. e) Inquéritos de morbidade: têm o objetivo de obter dados sobre a freqüência de agravos à saúde que ocorrem na população. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . de tamanho e composição conhecida. Ao lado da investigação da morbidade são incluídos tópicos sobre fatores de risco.

a) Prevalência: 1.3/1000 habitantes.Prevalência e incidência: refere-se. .7/1000 habitantes. Classificação da morbidade – Classificação internacional das Doenças (CID) Por intermédio da Portaria nº 1.7/1000 habitantes e incidência: 0. de 12 de setembro de 1997. foram detectados 473 casos novos de hanseníase no DF.6/1000 habitantes. por facilidades operacionais e visando redução de custos. Admitindo-se uma população de 1.563 estavam em tratamento.5 milhão de habitantes. No ano de 1992.311.3/1000 habitantes. Assim. em todo o território brasileiro.7/1000 habitantes e incidência: 0. tente fazer sozinho. calcule as respectivas taxas de incidência e prevalência.3/1000 habitantes e incidência:1. c) Prevalência: 0.abrangência é nacional. e) Prevalência: 1. objeto da portaria GM/MS/nº 1832/94. num total de 2. d) Prevalência: 0. com o de Morbidade. foi definida no Brasil a implantação da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). por questões econômicas. 2. 99 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. mas antes de ver. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . que entrou em vigor em janeiro de 1998. nos itens Morbidade Hospitalar e Ambulatorial. No final da apostila. incluindo casos antigos. Não é feito na região rural do norte do Brasil.7/1000 habitantes.5/1000 habitantes e incidência:1. você encontrará a resposta.7/1000 habitantes e incidência: 0. procederem a uma estimativa da freqüência do evento através da obtenção de dados em amostragem aleatória desta população. Atividades de auto-avaliação Teste seu conhecimento. b) Prevalência: 0. No final daquele ano. compatibilizando o Sistema de Informação de Mortalidade. sendo representativa de unidades da federação e das nove regiões metropolitanas.

100 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. V Transtornos mentais e comportamentais (F00-F99). VI Doenças do sistema nervoso (G00-G99). XIX Lesões. XX Causas externas de morbidade e de mortalidade (V01-Y98). XVI Algumas afecções originadas no período perinatal (P00-P96). Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . XIII Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo (M00-M99). IV Doenças endócrinas. IX Doenças do aparelho circulatório (I00-I99). X Doenças do aparelho respiratório (J00-J99). envenenamento e algumas outras conseqüências de causas externas (S00-T98). XIV Doenças do aparelho geniturinário (N00-N99). III Doenças do sangue e dos órgãos hematopoiéticos e alguns transtornos imunitários (D50-D89). XII Doenças da pele e do tecido subcutâneo (L00-L99). XVII Más formações congênitas.hpg. XVIII Sintomas. Os códigos das doenças que constituem as categorias acima descritas podem ser consultados no site: http://www.cid10.Grupo de causas na Classificação Internacional de doenças (Décima Revisão – CDI): I Algumas doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99). parto e puerpério (O00-O99). VII Doenças do olho e anexos (H00-H59). XV Gravidez. VIII Doenças do ouvido e da apófise mastóide (H60-H95). II Neoplasias [tumores] (C00-D48). XI Doenças do aparelho digestivo (K00-K93). não classificados em outra parte (R00-R99).ig. XXI Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde (Z00-Z99).com.br/. deformidades e anomalias cromossômicas (Q00Q99). sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório. nutricionais e metabólicas (E00-E90).

Limitações do uso da mortalidade como indicador: Exprimem gravidade/ refletem uma história incompleta da doença. (PEREIRA. Danos que raramente levam ao óbito não são representados.MORTALIDADE Taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos. Principais usos: Descrição das condições de saúde de uma população.000 População total. As mudanças nas taxas de mortalidade são lentas (ROUQUAYROL. no período 101 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. 1997). perdendo a sensibilidade para acompanhamento demográfico (PEREIRA. pode ser fortemente afetada pela longevidade da população. já que. quanto piores as condições de vida. No entanto. 2007). Principais indicadores de mortalidade: Coeficiente geral de mortalidade: é o número total de óbitos ocorridos em uma população e em determinado período – um ano. geralmente para cada mil habitantes em uma dada região. em um período de tempo. ALMEIDA-FILHO. habitualmente . Coeficiente de mortalidade geral = Número total de óbitos no período x 1. maior a taxa de mortalidade e menor a esperança de vida. A taxa de mortalidade pode ser tida como um forte indicador social. Avaliação de intervenções saneadoras. 2003).é dividido pelo número de habitantes existentes no mesmo período. Investigação epidemiológica. Óbitos são eventos que incidem em pequena parcela da população. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .

são precisos para expressar a mortalidade pelos seguintes parâmetros: sexo. 1997).7 por 1000habitantes Logo. Os registros oficiais de óbitos. no período EXEMPLO: A população masculina estimada pelo IBGE para o ano de 2004 foi de 881. sendo a maioria 50. Coeficientes específicos e mortalidade proporcional: pode-se organizar a distribuição de óbitos para numerosas características e do meio ambiente. Em 2004. Formas mais comum de apresentação das estatísticas: Mortalidade por sexo: separar os óbitos por sexo é um caminho habitualmente seguido para estudar o perfil da mortalidade.6%). Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . foi registrado um total de 593. morrem cerca 6 pessoas em cada mil habitantes.024.024.7 por 10000 habitantes 102 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. entre o que ocorre no homem e na mulher (PEREIRA.202 homens. dos quais 58% foram de indivíduos do sexo masculino (BRASIL. Em 2004.212.202 x 1000 = 0. foi de 179. seguida pela região nordeste (27.000 População do mesmo sexo. 2006).073/179. local de residência do falecido e local e época de ocorrência do óbito. o coeficiente geral do Brasil em 2004 foi: Coeficiente de mortalidade geral = 1.8%). Coeficiente de mortalidade por sexo = Número total de óbitos de um sexo no período x 1. A região sudeste apresenta a maior concentração de população (42.EXEMPLO: A população brasileira.108. 2006). idade.073 óbitos.212. a taxa de mortalidade do Brasil para o sexo masculino foi: Coeficiente de mortalidade homens = 593.108. haja vista as marcantes diferenças existentes. foi registrado um total de 1. em geral.962/881. Assim.67 por 1000 habitantes ou 6.962 óbitos de indivíduos do sexo masculino (BRASIL. estimada pelo IBGE para o ano de 2004.8% do sexo feminino. nesta particular. causa.134 x 1000 = 5. Assim.134 habitantes.

em parte.Logo. É a categoria das mortes não-naturais. Exemplo: Morte materna obstétrica. e em seu conjunto. Coeficiente de mortalidade materna = Número de óbitos por causa ligada à gravidez. 1997). Coeficiente de mortalidade causas externas = Número de óbitos por causa ligada homicídio. e fornecem o perfil de saúde da população (PEREIRA. morrem cerca de 7 homens em cada mil habitantes. Coeficiente de mortalidade de causas externas: englobam os suicídios. através dos diversos instrumentos resolutivos do sistema de saúde. parto x 100mil e puerpério. do parto e do puerpério. subsidiando os profissionais de saúde com informações sobre determinadas condições mórbidas. 103 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. no período . o óbito deve ser registrado em cartório no local que ocorreu o falecimento. Coeficiente de mortalidade por causa = Número total de óbitos por determinada causa no período x 100mil População Total de causas no período O modo mais simples de representar a mortalidade por causa consiste em distribuí-la segundo os cinco grupos em que ocorre maior número de óbitos: Coeficiente de mortalidade materna: é considerada morte materna o óbito de mulher em idade fértil devido complicações da gestação. homicídios e os acidentes. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . a taxa de mortalidade suprime. Mortalidade por local: quando um doente falece. esta deficiência. suicídio x 100mil __________ e acidente _______ _ Total de óbitos no período Coeficiente de mortalidade de causas evitáveis: englobam as causas evitáveis ou susceptíveis de redução ou eliminação. no período Número de nascidos vivos. Mortalidade por causa: na falta de dados de morbidade que apontam para a freqüência de doenças. As causas apostas nos atestados nos permitem conhecer de que morrem as pessoas.

e também das condições do parto. corresponde ao período neonatal. agrupados em determinadas faixas etárias. pois riscos de morrer não estão igualmente distribuídos no período: 104 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. na metade do período A distribuição de óbitos por grupo etário é a forma mais utilizada de estatística de mortalidade. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Os óbitos neonatais x pós-neonatais É clássico dividir o primeiro ano de vida em dois períodos: Neonatais ou infantil precoce: corresponde às quatro primeiras semanas de vida. A escolha das faixas etárias a serem usadas não é feita ao acaso. Coeficiente de mortalidade por idade = Número total de óbitos no grupo etário no período x 100mil População do mesmo grupo etário. para melhor investigar a incidência dos óbitos. Pós-natais ou infantil tardio: referente ao período restante do primeiro ano de vida. durante a vida intra-uterina. sobressaem.Coeficiente de mortalidade causas externas = Número de óbitos por causa ligada causas evitáveis x 100mil No período _________ Total de óbitos no período Mortalidade por idade: é a expressão do número de óbitos por grupos etários. As agências governamentais já apresentam os dados relativos aos óbitos. Segundo Vermelho Costa e Kale (2005). conforme a decisão de cada profissional. A OMS fornece orientações sobre estes tópicos no próprio manual da CID. é conveniente dividir em fases o período que vai da concepção ao final do primeiro ano de vida. as repercussões das agressões sofridas pelo feto. No início da vida extra-uterina. na morbimortalidade.

2005 Conforme Vermelho. O Coeficiente de mortalidade infantil: é uma estimativa do risco de morte antes de completarem 1 ano de idade. p. denominados: neonatal e pós-neonatal. Antonio Jose Costa. Roberto. Epidemiologia. Roberto de Andrades. Por este motivo. principalmente quando se consideram as causas de óbitos e seus respectivos fatores determinantes. LEAL.Concepção 22semanas de gestação Período perinatal Parto 0 Período precoce neonatal Período neonatal (ou infantil precoce Primeiro ano de vida (Período infantil) 7 dias Período tardio neonatal 14 dias 21 dias 28 dias Período neonatal pós(ou infantil tardio) Primeiro aniversário Figura – Representação da duração dos períodos perinatais. Rio de Janeiro: Atheneu. Leal e Kale (2005) o risco de morte varia ao longo do primeiro ano de vida. KALE. In: MEDRONHO. Pauline Lorena. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Indicadores de Saúde. 33-56. neonatais e infantil Fonte: VERMELHO. o coeficiente de mortalidade infantil é subdividido em dois componentes. É o indicador mais empregado para medir o nível de saúde e de desenvolvimento social de uma região. 105 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.

relativas aos intervalos de zero a seis dias e sete a 27 dias de vida. Abaixo de 20 = Baixa. Coeficiente de neonatais precoce (0 a 6dias): é uma estimativa do risco de morte relativo ao intervalo de zero a 6 dias de vida a que está exposta a população de nascidos vivos em uma determinada área e período. médio ou alto. 22.6 óbitos de crianças com idade inferior a um ano a cada 1000 nascidos vivos (BRASIL. no ano de 2004. Seu cálculo é apresentado pela equação a seguir: Coeficiente de mortalidade neonatal = Número total de óbitos de crianças com idade (0-27dias) x Constante Número de nascidos vivos no período O período neonatal é ainda subdividido em duas partes.183 crianças.O seu cálculo é apresentado pela equação a seguir: Coeficiente de mortalidade infantil = Número total de óbitos de crianças < 1ano x Constante Número de nascidos vivos no período No Brasil. Coeficiente de neonatais (0 a 27 dias): compreende as quatro primeiras semanas de vida extra-uterina. Os coeficientes de mortalidade infantil são classificados em baixo. Destacam-se neste período as mortes por anomalias congênitas e afecções perinatais. Interpretação do coeficiente de mortalidade infantil: 50 ou mais = Alta. e a taxa de mortalidade infantil foi 22. 2006). os óbitos de menores de 1ano de idade foram de 54. 106 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. 20-49 = Média. denominadas precoce e tardia.6/1000. em função da proximidade ou distância que varia com o tempo. ou seja. O coeficiente de mortalidade neonatal é uma estimativa do risco de morte antes de completar 28 dias de vida a que está exposta a população de nascidos vivos em uma determinada área e período. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .

Seu cálculo é apresentado pela equação a seguir: Coeficiente de mortalidade neonatal tardia = Número total de óbitos de crianças (7 a 27dias) x Constante Número de nascidos vivos no período.(7-27dias): é uma estimativa do risco de morte relativo ao intervalo de sete a 27 dias de vida a que está exposta a população de nascidos vivos em uma determinada área e período. um pouco antes. no período___________________________ número de nascidos vivos. é apresentado pela equação: Coeficiente de mortalidade perinatal = Número total de óbitos fetais (com 22 semanas ou mais de x Constante gestação) acrescido do número de óbitos na primeira ______semana de vida. é apresentado pela equação: Coeficiente de mortalidade pós-natal = número de óbitos de crianças (28dias-1ano) x Constante número de nascidos vivos. durante e logo após o parto (22 semanas de gestação a 6 dias após o parto ).Seu cálculo é apresentado pela equação a seguir: Coeficiente de mortalidade neonatal precoce = Número total de óbitos de crianças (0 a 6dias) x Constante Número de nascidos vivos no período Coeficiente de neonatais – tardia . no período Coeficiente de pós-natal (28dias-1ano): é a estimativa do risco de morte a que está exposta a população de nascidos vivos em certa área e período. no período Coeficiente de mortalidade pré-escolar (um a quatro anos): tem sido postulada como indicador do estado nutricional da população e do nível sócio- 107 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. desde 28 dias de idade até completar um ano de vida. Ele inclui os natimortos e as crianças nascidas vivas. O seu cálculo. no período Coeficiente de perinatal: é a estimativa do risco de morte a que está exposta a população de nascidos vivos em certa área e período. para uma área e período definido. para uma área e período definido. O seu cálculo. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . mas falecidas na primeira semana de vida.

Logo corresponde a 25 anos de vida perdida. no período Anos potenciais de vida perdidos: o indicador “anos potenciais de vida perdidos” (APVP) refere-se ao número de anos que uma pessoa. x Constante no período . Quanto mais elevado for o indicador. logo. número de nascidos vivos. Por exemplo. O cálculo dos anos de vida utiliza uma média para cada faixa etária. no período x Constante Total de óbitos. 100 x 25. ou seja. Coeficiente de mortalidade de mais de 50anos = número de óbitos de maiores de 50. de maneira mais ampla.econômico. É uma forma de expressão da gravidade do processo. Coeficiente de letalidade: representa a proporção de óbitos ocorridos entre os indivíduos afetados por um dado agravo de saúde. Exemplo: Alguém falece aos 40 anos de idade. pior a situação. Coeficiente de mortalidade pré-escolar = número de óbitos de crianças de um a quatro anos. abaixo do qual a morte é considerada prematura. visto que as regiões mais desenvolvidas apresentam altos valores para este indicador. no período Coeficiente de mortalidade proporcional de 50 anos ou mais (indicador de Swaroop-uemura: o seu significado é o inverso do anterior. foram perdidos 2500 anos de vida. Este valor é multiplicado pelo número de óbitos. tem um significado próximo ao da mortalidade infantil tardia. se tivemos 100 óbitos. 25 anos perdidos para os óbitos ocorridos entre 35 a 44 anos de idade. Coeficiente de letalidade = Número de óbitos por determinada doença x Constante (100 ou 1000) Número de casos da mesma doença 108 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . poderia ter vivido. morta prematuramente. O limite de idade estabelecido para termos de referência é de 65 anos (por vezes 70 anos).

Qual o coeficiente de letalidade? L = 10/20 = 0. quatro faleceram na seqüência do episódio.5 OU 50% 109 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Calcule o respectivo coeficiente. 3. No final da apostila. tente fazer sozinho. A diferença está no denominador: óbitos entre os casos (letalidade) e óbitos na população (mortalidade). Relação entre letalidade.Atividades de auto-avaliação Teste seu conhecimento. Tratase de um coeficiente de incidência ou prevalência? a) Incidência de 100 casos/1000 crianças b) Prevalência de 100 casos/1000 crianças c) Incidência de 10 casos/1000 crianças d) Prevalência de 10 casos/1000 crianças e) Incidência de 1 caso/1000 crianças Letalidade x Mortalidade O coeficiente de letalidade não deve ser confundido com mortalidade. em um grande hospital. mas antes de ver. em um período. Entre 40 crianças internadas por sarampo. mortalidade e incidência As taxas de letalidade (L). mortalidade (M) e incidência estão relacionadas pela seguinte fórmula: Letalidade = Mortalidade/Incidência EXEMPLO: Se o coeficiente de incidência de gripe é de 20 por 1000 e o de mortalidade de 10 por 1000. você encontrará a resposta.

OPS. muito empregado na avaliação das condições de saúde de uma população. em 1990. nas diversas idades. esperava viver 82 anos. 4) Prontuários e estatísticas hospitalares. enquanto a japonesa. 8) Registros diversos: exemplo: repartições de polícia e departamentos de trânsito.Internacionais: ONU. dando como resultado um único valor. 2) Atestados de óbitos: nas Secretarias Estaduais de Saúde ou de Planejamento e nos Cartórios de Registros Civil (arquivos ou livros próprios para registro). EXEMPLO: Esperança de vida ao nascer no Brasil e no Japão: Um a mulher nascida no Brasil. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . 110 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. 1997). relatórios e outras publicações: . nascida no mesmo ano. Ela combina a mortalidade. Banco Mundial. OMS. 3) Registros e livros de autópsias: nos hospitais e Institutos de Medicina Legal.Principais fontes de dados sobre mortalidade: 1) Estatísticas constantes de anuários. ESPERANÇA DE VIDA (OU EXPECTATIVA DE VIDA) O indicador esperança de vida é utilizado para expressar as características da mortalidade por idade. . A esperança de vida indica o número médio de anos que um indivíduo. tinha uma expectativa de vida de 68 anos. 6) Inquéritos. 7) Recenseamentos demográficos. tem a probabilidade de viver na suposição de que os coeficientes de mortalidade permaneçam os mesmos (PEREIRA. 5) Registros especiais de doenças: especialmente tuberculose e câncer. Unicef. de determinada idade.Nacionais: anuários do Ministério da Saúde e do IBGE.

Fertilidade: designa a capacidade de gerar filhos.9 nascidos vivos por 1000 habitantes 111 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.548/1. algumas mulheres são estéreis ou inférteis e não podem realizar.134 x 1000 = 16. . Fontes de dados para o estudo da fecundidade: . e 1. 2006).548 nascidos vivos em 2004.026. mas não são sinônimos.Recenseamento e inquéritos.134 habitantes (BRASIL. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .026. Fecundidade: é o potencial de procriar. TAXA BRUTA DE NATALIDADE A taxa bruta de natalidade ou coeficiente geral de natalidade relaciona o número de nascidos vivos com a população total. ambos. na prática. Taxa bruta de natalidade = número de nascidos vivos no período População total EXEMPLO: O Sinasc registrou um total de 3. Assim. mas. Toda mulher. A população brasileira estimada pelo IBGE para o ano de 2004 foi de 179. tem essa capacidade.79.Registros civis.108. A faixa etária das mulheres utilizadas para a determinação da fecundidade é colocada. desde a menarca à menopausa. entre 15 a 49 anos. Destes 83970 (2. a taxa bruta de natalidade no ano de 2004 foi: Taxa bruta de natalidade = 3. em termos práticos.TAXAS MAIS EMPREGAGAS EM DEMOGRAFIA E SAÚDE Os termos fertilidade e fecundidade Segundo Pereira (1997) os termos fertilidade e fecundidade referem-se.183 (52%) reportaram ter recebido sete ou mais consultas.108.573. teoricamente. à geração de filhos.8%) das mães não referiam nenhuma consulta de pré-natal.

Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .900. 4.912 durante o ano de 2000. em 01/07/00. ocorridos em um dado período de tempo.Logo. mas antes de ver. enquanto as mulheres entre 15 e 49 anos. tente fazer sozinho.495. No final da apostila. Calcule a taxa de letalidade ou o coeficiente de incidência (a partir dos coeficientes de mortalidade e de letalidade). você encontrará a resposta. Atividades de auto-avaliação Teste seu conhecimento. doença/ano:200 e população exposta: 1000 a) 10 casos em 100 habitantes b) 20 casos em 1000 habitantes c) 100 casos em 1000 habitantes d) 200 casos em 1000 habitantes e) 10 casos em 1000 habitantes TAXA DE FECUNDIDADE GERAL A taxa de fecundidade geral ou taxa bruta de fecundidade relaciona o número de nascidos vivos. 112 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. com os dados: óbitos/ano=10. eram estimadas em 2. com o número de mulheres em idade de procriar. Taxa bruta de fecundidade geral = número de nascidos vivos no período Número de mulheres em idade de procriar EXEMPLO: O número de nascidos vivos foi de 167. As taxas de letalidade (L) e mortalidade (M) e incidência (I) estão relacionadas pela fórmula L = M/I. em 2004 nasceram 17 crianças a cada 1000 habitantes.

685 x 1000 = 30 nascidos vivos por 1000 mulheres de 15 a 19anos Logo.900 x 1000 = 67.685.912/2. TAXA DE FECUNDIDADE TOTAL (TFT) A partir das taxas de fecundidade específicas.920. por idade.918/8. TAXA DE FECUNDIDADE ESPECÍFICA POR IDADE A taxa de fecundidade específica por idade relaciona o número de nascidos vivos. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . Ela é obtida pela soma das taxas de fecundidade específicas.495. Assim. a taxa de fecundidade por idade em 2006 foi: Taxa bruta de fecundidade geral = 267.920. de mães entre 15 a 19 anos de idade foi estimado em 267. em 2006 nasceram 30 crianças a cada 1000 mulheres de 15 a 19 anos de idade.3 nascidos vivos por 1000 mulheres de 15 a 49anos Logo. em 2000 nasceram 67 crianças a cada 1000 mulheres de 15 a 49 anos de idade. com o número total de mulheres na mesma idade. no ano de 2006.918. é estimada a taxa de fecundidade total. referidos.Assim. uma determinada idade da mãe. enquanto o total de mulheres foi estimado em 8. Taxa bruta de fecundidade por idade = número de nascidos vivos em x 1000 _________determinada idade da mãe Número total de mães na mesma idade EXEMPLO: O número de nascidos vivos. a taxa de fecundidade geral no ano de 2000 foi: Taxa bruta de fecundidade geral = 167. 113 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.

Indiretamente fornece uma medida da fecundidade futura desta população. Estabeleceu-se a abrangência do conceito. subseqüente à de vacinação em massa da população. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . . a taxa bruta de reprodução é a metade da taxa de fecundidade total. Seção 4 – Vigilância Epidemiológica O interesse em acompanhar a ocorrência de doenças em comunidades. acidentes. leucemia. resulta na taxa bruta de reprodução. Grosso modo. comportamentos com fatores de risco. na população. vindo a designar uma de suas fases constitutivas. doenças profissionais.numerador da taxa de reprodução é o número de nascidos vivos do sexo feminino. Originalmente.Taxa fecundidade total (TFT) = Σ Taxas de fecundidade específicas. por idade TAXA BRUTA DE REPRODUÇÃO (TBR) A taxa bruta de reprodução informa o ritmo de nascimentos de mulheres. a expressão vigilância epidemiológica passou a ser aplicada ao controle das doenças transmissíveis na década de 50. o programa de erradicação da varíola também instituiu o marco de vigilância epidemiológica. Segundo Brasil (2007). significava a observação sistemática e ativa de casos suspeitos ou confirmados de doenças transmissíveis e de seus contatos. é um estudo que existe desde as épocas remotas. A diferença entre as duas taxas reside no numerador: . abortos. Na década de 60. que permitia aplicação a variados problemas de saúde pública. 114 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. com o sentido de prevenir sua disseminação. o tema vigilância epidemiológica foi objetivo. envenenamentos na infância. além das doenças transmissíveis. na 21ª Assembléia Mundial de Saúde. para designar uma série de atividades subseqüentes à etapa de ataque da campanha de erradicação da malária. a exemplo das más formações congênitas.numerador da taxa de fecundidade total é o número de nascidos vivos de ambos os sexos. Em 1968.

Cólera. O SUS incorporou o SNVE.Dados demográficos. se desencadeia o processo informação-decisão-ação. utilização de aditivos. define a relação de doenças de notificação para todo o território nacional. com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”.Dados de mortalidade. Fonte de dados a) Notificação compulsória A notificação compulsória tem sido a principal fonte de dados da vigilância epidemiológica. na maioria das vezes. o Ministério da Saúde instituiu o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) por meio da Lei 6. definindo em seu texto legal (Lei 8080/90) a vigilância epidemiológica como: “um conjunto de ações que proporciona o conhecimento. 115 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . .riscos ambientais. detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual e coletiva. .Coqueluche. Segundo a Portaria 2. Por recomendação da 5ª Conferência Nacional de Saúde. . ambientais e sócio-econômicos. que são: . . Tipos de dados Os dados e informações que alimentam o Sistema Nacional de Vigilância epidemiológica são os seguintes: . de 8 de dezembro de 2003. em 1975.Antraz. . .Leishmaniose visceral. .259/75 e Decreto 78. .Dados de morbidade.Leishmaniose tegumentar americana.231/76.Botulismo.325. a partir da qual.Notificação de surtos e epidemias.

.Malária. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . . . . . . . . .Paralisia flácida aguda. .Esquistossomose.Dengue. . .Hanseníase. .Sarampo. . .Febre tifóide.Difteria.Meningite por Haemophilus influenza.Doenças meningocócicas e outras meningites. .Doenças de Chagas.Sífilis congênitas.Poliomielite. . .Peste. .Síndrome da rubéola congênita. .Varíola.Hantaviroses.Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).Leptospirose. .Hepatites virais. 116 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.Rubéola.Febre do Nilo. .Tétano. . . .Síndromes respiratórias agudas graves.Febre maculosa. . .Infecções pelo vírus HIV em gestantes e crianças expostas ao risco de transmissão vertical. ..Raiva humana.Tuberculose.Febre amarela.

Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . incapacidades ou morte inesperada cuja ocorrência serve como sinal de alerta de que a qualidade terapêutica ou prevenção deve ser questionada. -Transcendência.Compromissos internacionais. e uma obrigação inerente ao exercício da medicina. utilizando Laboratórios: vinculados à rotina da vigilância epidemiológica. Sistema sentinelas: são capazes de monitorar indicadores-chaves na população geral ou em grupos especiais que sirvam de alerta precoce para o sistema de vigilância. f) Diagnóstico de casos: diagnóstico correto das doenças e agravos.Magnitude. contribuindo para a eficiência do sistema de vigilância. bem como de outros profissionais na área da saúde. . O caractere compulsório da notificação implica responsabilidades formais para todos os cidadãos. O sistema sentinela baseia-se na ocorrência de eventos sentinelas.Potencial de disseminação. surtos e agravos inusitados à saúde. Imprensa e população: informações oriundas da imprensa ou própria levantamentos e investigações epidemiológicas. que será tratado a seguir.Vulnerabilidade. d) diretamente e) Estudos da epidemiológicos: ou através os dos dados podem ser coletados inquéritos. 117 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. que é a detecção de doenças que possam prevenir. . . . b) c) comunidade.Os parâmetros para a inclusão de doenças e agravos na lista de notificação compulsória devem obedecer aos seguintes critérios: .Ocorrência de epidemias. população serviços. A correta e oportuna realização do diagnóstico e tratamento asseguram a confiança da população em relação aos serviços.

935habitantes. em tratamento. cujo número de casos é de : 2. tecidos ou órgãos.176.Teste seu conhecimento. cujo número de casos é de : 1. Em 1/7/80 existiam 2000 casos de tuberculose. 2006). você encontrará a resposta. tente fazer sozinho. o uso das populações é necessário para se fazer inferência sobre a relação entre determinados fatores e a ocorrência 118 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Calcule o número de casos de tuberculose em relação à população.7/1000 habitantes b) Prevalência. Tipos de estudos epidemiológicos Métodos empregados em Epidemiologia é o modo científico de abordar e investigar a saúde da população. cujo número de casos é de : 2. cujo número de casos é de : 1. Do ponto de vista metodológico. Trata-se de prevalência e incidência? a) Incidência. Melhorar o perfil de saúde da população.7/1000 habitantes Seção 5. em um dado município. Existem duas razões para o uso de populações em epidemiologia: a) b) de doenças. Atividades de auto-avaliação 5. os fatores que a determinam. No final da apostila.7/1000 habitantes c) Incidência . a evolução do processo da doença e o impacto das ações propostas para alterar o seu curso (EDUARDO. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . o uso de populações diferencia a epidemiologia da medicina clínica e de outras ciências biomédicas. Segundo Bolch e Coutinho (2005).7/1000 habitantes e) Prevalência. cujo número de casos é de : 0. as quais observam um pequeno número de indivíduos. mas antes de ver. cuja população era de 1.7/1000 habitantes d) Incidência .

Snow (1854) tratou esse problema médico-social rigorosamente como uma questão científica.Controlar a ocorrência de outros eventos ou estados negativos para a saúde.Explicar a ocorrência de doenças e distribuição de indicadores de saúde. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . identificando as causas e os determinantes da sua distribuição. distribuição. EXEMPO 1: A problematização científica da epidemia de cólera.Predizer a freqüência da doença e os padrões de saúde em populações específicas. . . e sem microscópio). tendência e modo de transmissão nas populações. Objetivos da pesquisa epidemiológica: . cura de casos existentes. Concluiu após. Problemas epidemiológicos Na epidemiologia. biológicos ou físico-químicos produtores de doença. sociais. aumento da sobrevida e melhora da saúde. através da prevenção de novos casos. . adequando-o para a pesquisa observacional. A solução do problema epidemiológico muitas vezes representa a diferença entre a vida e a morte para muitos membros de uma dada comunidade. 119 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. o que implica criar condições para a promoção da saúde. que se deveria negar a hipótese miasmática sobre a origem da epidemia.Descrever a freqüência.A pesquisa epidemiológica baseia-se na coleta sistemática de informações sobre eventos ligados à saúde em uma população definida e quantificada para este evento. o problema tem origem quando doenças acometem grupos humanos. A problematização própria da epidemiologia vem de necessidades de remover fatores ambientais. afirmando a via de transmissão hídrica de microorganismos (30 anos antes de Pasteur. padrão e tendência temporal de eventos ligados à saúde em populações específicas.

Tratamento numérico dos resultados Segundo Pereira (1997) o tratamento numérico dos fatores investigados se dá através de três procedimentos relacionados: 1. 120 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. o doutor. um oftalmologista australiano chamado Norman Gregg teve sua atenção despertada para um cliente. Problemas de pesquisa: A exposição à rubéola nos primeiros meses da gestação desenvolve a catarata nos recém-nascidos ou crianças. foi capaz de formular um problema científico. Testes estatísticos de hipóteses: avalia o quanto o “acaso” pode ser responsável por um resultado encontrado numa amostra. No início da década de 40. retardo mental. na sala de espera. a medicina conviveu com surdez. A pesquisa resultou nos conhecimentos atuais sobre os efeitos da rubéola em filhos de gestantes expostos nos primeiros meses da gravidez. Exemplo: 154 mm de Hg para pressão arterial sistólica. EXEMPLO 2: Durante anos. Com esta informação espontânea que lhe foi dada. ou sua classificação como “hipertenso”. catarata. uma vez que significa um observatório privilegiado para a detecção precoce de problemas emergentes. 2. 3. A vigilância epidemiológica constitui importante fonte geradora de questões epidemiológicas. Estimativa de parâmetros populacionais: processo matemático do qual se obtém um valor numérico a partir de uma amostra (estimativa) para representar o valor numérico desta variável numa população (parâmetro). Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . sem maiores preocupações além do atendimento clínico curativo ou paliativo. mãe de uma criança com catarata. para o fato de que outra mãe. trazia para outra consulta um filho também com catarata e que ambas tinham sido acometidas de rubéola na gestação.Problema de pesquisa: A cólera é transmitida por microorganismos através da contaminação hídrica. Mensuração de variáveis aleatórias: é a atribuição de um valor ou qualidade a cada unidade de observação. e anormalidades cardíacas em recém-nascidos e crianças.

Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . de natureza probabilística (MEDRONHO. Para uma variável ser considerada fator de risco: . numa possível associação entre duas variáveis. Esta incerteza originou o termo: a) Fator de risco: variáveis que modificam a probabilidade de certo evento acontecer. A associação observada não pode ser atribuída a qualquer tipo de erro. cada vez mais consistentes. e não parâmetros determinísticos para indivíduos. Delineamento da pesquisa epidemiológica A epidemiologia pode ser compreendida como um processo contínuo de acúmulo de conhecimentos com a finalidade de prever um conjunto de evidências indiretas. Modelo probabilístico A teoria das probabilidades e de técnicas estatísticas avalia-se. que variam conforme os objetivos estabelecidos.Causa da epidemiologia (Causalidade) A epidemiologia tem por objetivo explicar a ocorrência de doença ligada à saúde. O fator de risco deve preceder à doença. Este modelo permite predizer quantos irão adoecer. 121 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. 2005). Exemplo: a hipertensão arterial deve variar segundo diferentes níveis de ingestão de sal. que pode ser tanto a identificação de uma possível associação do tipo exposição–efeito como a avaliação da efetividade de uma intervenção com o objetivo de prevenir um determinado efeito. Com essa finalidade existem delineamentos específicos para diferentes estudos epidemiológicos. Num modelo determinístico puro existe uma única ligação e perfeitamente previsível entre dois eventos. empiricamente. 1997). Na epidemiologia este modelo é substituído por outro. É possível então estimar parâmetros causais para populações. mas não quem irá adoecer. de associação entre saúde e fatores protetores ou doença e fatores de risco (TANCREDI.a doença precisa variar de acordo com o fator.

Problemas: . analisando comparativamente variáveis globais. . base de referência para a produção dos dados: a) Estudos agregados territoriais: utilizam uma referência geográfica para a definição das suas unidades de informação. distritos.1. . tomada como um agregado integral. seriam exemplos do desenho agregado observacional transversal. .Vulnerável à chamada falácia ecológica. quase sempre por meio de correlação entre indicadores de condições de vida e indicadores de situação de saúde.Baixo poder analítico. ou ainda um estudo que avalia o perfil epidemiológico das prisões em uma região. ou uma análise de uma amostra de uma dada patologia entre escolas.Facilidade de execução. custo baixo relativo. b) Estudos agregados institucionais (riscos parciais): utilizam organizações coletivas de qualquer natureza como referência para a definição da sua unidade de informação. municípios. continentes). Estudo Ecológico Conforme Rouquayrol e Almeida (2003) os estudos ecológicos abordam áreas geográficas bem delimitadas. em qualquer nível de abrangência (por exemplo: bairro. estados. Os estudos ecológicos podem ser classificados em dois subtipos. EXEMPLO: Uma pesquisa comparativa das situações de saúde em uma amostra de fábricas.Pouco desenvolvimento das técnicas de análise de dados. Os indicadores de cada área constituem-se em médias referentes à sua população total.Capacidade de geração de hipóteses. Vantagens: . . a depender da natureza dos agregados.Simplicidade analítica.A seguir vamos descrever as propostas em seus aspectos gerais: 5. nações. 122 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .

Estudo transversal (expressão utilizada na América Latina).2 Estudos seccionais Conforme Rouquayrol e Almeida (2003) nos estudos seccionais: é avaliada a situação de um indivíduo em relação à determinada exposição e os efeitos são medidos em um único ponto no tempo ou no decorrer de um curto intervalo de tempo. Os subtipos de desenho seccional são: 123 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. permitem a obtenção de medidas de prevalência. . Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . A estratégia de delimitação de estudo chamada seccional também recebe denominações alternativas.Inquéritos (termo usado na década de 70 do século XX). Falácia ecológica: consiste em efetuar inferência causal para um fenômeno individual. com um conjunto variável de perguntas. O recurso de medida mais utilizado neste estudo é o questionário.Surveys. um corte no fluxo histórico da doença. O termo seccional no contexto metodológico da epidemiologia pretende dar a idéia de seccionamento transversal. a melhor definição que distingue este tipo de outros estudos pode ser: trata-se do estudo epidemiológico no qual o fator e efeito são observados num mesmo momento histórico. 5. com fundamento em associações entre exposição e efeito verificadas em estudos que utilizam dados globais de uma população. .Análise de correção não linear (univariada e multivariada). . evidenciando as suas características e correlações naquele momento. tais como: . Quando efetuados em população bem-definida. por isso são também conhecidos por estudos de prevalência.Análise gráfica. . Assim.Formas de análise: .Comparação de indicadores.

.3 Estudos Coorte (Follow up) Conforme Rouquayrol e Almeida (2003) estudos de coorte também chamados de seguimento ou follow up são os únicos capazes de abordar hipóteses etiológicas produzindo medidas de incidência e. 5. . para identificar a base populacional para cada respectivo denominador. . medidas diretas de risco. .Baixo poder analítico (inadequado para testar hipóteses). . Essa característica é 124 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.Simplicidade analítica.Estudo de grupos em tratamento: consiste no emprego de registros institucionais.Testagem da significância estatística.Comparação de indicadores de saúde e de exposição.Estudos multifásicos. Formas de análise disponíveis: . partem da observação de grupos comprovadamente expostos a um fator de risco suposto como causa de doença a ser detectado no futuro.Inquéritos domiciliares com identificação direta de casos. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . .Alto potencial descritivo (subsídio ao planejamento).Vulnerabilidade de bases (especialmente de seleção). Os estudos de coorte são também chamados prospectivos porque.Inquérito de morbidade na atenção primária: a coleta de dados pode basear-se tanto em informações de registros (dados secundários) quanto na aplicação de instrumento de detecção à totalidade daqueles que procuram o serviço em um dado período: . localizando a procedência de cada paciente. Vantagens: . por conseguinte. em sua maioria.. Problemas: .Estudo em populações especiais (escolares e idosos). .Baixo custo.

até a data prevista para encerramento das observações. foi selecionada e classificada como coorte.637 respostas completas foram obtidas. incluídas como fatores de risco. era formada pelos 59. Além do nome. A população. com o objetivo de estudar a contribuição de uma série de fatores de risco na produção de doenças cardiovasculares. cujos nomes constavam do Registro médico britânico. agora com mais de 50 anos de seguimento. Este estudo foi iniciado em 1948 por iniciativa do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos.500 pessoas de ambos os sexos. hipertensão arterial. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . os 125 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. destacando-se colesterol alto.atribuída porque o desenho longitudinal propõe como seqüência lógica da pesquisa a antecipação das possíveis causas e a investigação de seus efeitos. Os estudos coorte podem ser de dois tipos: a) Concorrentes (follow up) ou prospectivos: a coorte é acompanhada desde o momento e consiste no monitoramento e registro dos casos de doenças ou óbitos na medida em que esse ocorra. que através das pesquisas epidemiológicas investigam-se os fatores de risco para doenças coronarianas. Uma subamostra de 6. com uma população de 28.500 médicos. ou a uma ocorrência constante ou periódica no decorrer de todo período de observação (exposição contínua). cuja idade variava de 30 a 62 anos. Um questionário simples foi encaminhado e 40. ambos os sexos. Cada pessoa foi examinada bienalmente durante todo o período do estudo. a partir da qual foi constituída a coorte a ser acompanhada. EXEMPLO 2: Investigação prospectiva da associação entre o hábito de fumar e câncer de pulmão. insuficiência respiratória e câncer de pulmão. espírito de colaboração da comunidade. EXEMPLO 1: A pequena cidade de Framingham situada no Estado de Massachusets. foi escolhida em razão da estabilidade da população. portanto. disponibilidade de serviços de saúde e proximidade a um grande centro médico. Foram estudadas várias características suspeitas como associação à ocorrência de doenças cardiovasculares e. idade e endereço.000 habitantes. de curta duração (exposição episódica). O momento da exposição pode ser um evento pontual. que ainda hoje se encontra em curso. obesidade e hábito de fumar. Exemplo: Sobreviventes da Bomba de Hiroshima e Nagasaki ou exposição contínua ao hábito de fumar.

na época. b) Não-concorrentes ou coorte histórica ou retrospectiva: envolvem grupos sociais ou profissionais específicos. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . O termo retrospectivo composto pelos radicais spectare (olhar) reto (para trás) trata da retroposicionamento das causas e dos efeitos. foi estabelecida uma coorte de 64.000 prontuários de pacientes que se submeteram à fluoroscopia durante a década de 30 e 40. se nunca haviam fumado regularmente (não mais do que um cigarro por dia. Dados constantes dos atestados de óbitos foram fornecidos pelas repartições encarregadas dos registros de mortalidade durante o período de cinco anos de realização do estudo. Como conclusão. Eliminados duplicações. fundamentado na reconstrução de coorte em algum ponto do passado com a seleção e classificação dos seus elementos no presente e com início e fim do acompanhamento no passado. sempre que a profissão declarada era a de médico. sendo por isso. antes do momento da realização da pesquisa. A classificação “nãoconcorrente” decorre da constatação de que o desenvolvimento da pesquisa e a evolução dos fatos que a motivaram decorrem em tempos históricos diversos. Os fumantes e ex-fumantes deviam declarar a quantidade fumada. os pesquisadores pioneiramente encontraram uma associação estatística significativa entre câncer de pulmão e hábito de fumar. Trata-se de um tipo de estudo individualizado-observacional-longitudinalretrospectivo. Ampliados com a inclusão de novas questões de pesquisas e atualizações conceituais e metodológicas. o método de fumar e a idade que tinham quando deixaram o hábito. técnica bastante usada no passado para diagnóstico de tuberculose pulmonar.participantes eram solicitados a responder: se eram. esse estudo prossegue até o presente momento (ROUQUAYROL. consumidores de tabaco. expostos à radiação de baixa dosagem. defeitos de preenchimentos e outros problemas. Foram recuperados cerca de 110. selecionados por terem sido expostos a fatores de risco em potencial e por se dispor de registros sistemáticos da exposição e do efeito. ou seus equivalentes cachimbo ou charuto por um período de um ano). se haviam fumado anteriormente e deixado o hábito. 2003). EXEMPLO: Um estudo realizado no Canadá sobre os efeitos da exposição a exame fluoroscópico.172 126 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.

que estavam vivos a partir de 1950. . Os estudos casos-controles são classificados como longitudinais porque da mesma forma que os estudos de coorte.Simplicidade de desenhos. . causa e efeitos são avaliados num 127 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. . Vantagens: .Alto custo relativo.4 Estudos Caso-controle O estudo caso-controle é concebido especialmente para investigar associações etiológicas em doenças de baixa incidência e/ou condições com período de latência prolongado. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .Cálculo do risco relativo.Inadequado para doenças de baixa freqüência.Vulnerável a perda.Alto poder analítico. Problemas: . . identificando-se as causas de óbitos no período.Produz medidas diretas de risco. . as análises de causalidade pertinente assumem registros de causa e efeito realizados em momentos sucessivos. ao passo que nos estudos seccionais ou transversais. 5.Facilidade de análise.Pessoa/ano (estudo de coorte dinâmica). Formas de análise: . monitorizados até 1987. Esse estudo produziu forte evidência de um efeito dose-resposta entre radiação de baixa dosagem e incidência de câncer de mama e de pulmão. recomendado quando o estudo de coorte é reconhecidamente inviável. . .Risco atribuído.sujeitos expostos.

. Problemas: . Grupos controles (comparáveis aos casos): sujeitos comprovadamente sem a doença. incluindo casos novos ou preexistentes.mesmo momento histórico. -Alto potencial analítico. sexo.Casos incidentes: incluem apenas os casos novos da doença. o que significa que para se produzir evidências científicas neste desenho.Complexidade analítica.Pareados: significa o processo de seleção de controles individuais similares aos casos em uma ou em algumas variáveis específicas (idade. -Adequado para estudar doenças raras.Estimativas de risco relativo (odds ratios). raça. .Risco atribuível percentual de Levin. . 128 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.Vulnerável a inúmeros biases. condição sócio-econômica). Vantagens: -Baixo custo relativo. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . b) Quanto à seleção dos grupos de comparação (seleção): .Incapaz de estimular risco. devem-se considerar: a) b) Grupos de casos: seguramente diagnosticados.Casos prevalentes: incorporam todos os acometidos pela patologia em questão. Os estudos casos-controle podem ser classificados de acordo com dois critérios: a) Quanto à definição epidemiológica dos casos (origem): . São considerados retroanalíticos. Formas de análise: . -Não-pareados. .

visando testar hipóteses etiológicas ou avaliar eficácia ou efetividade de procedimentos diagnósticos. b) Controle da composição do grupo: .5. bloqueando-se o efeito vinculado às outras classes de variável. Bloqueados: estudo com grupos formados exclusivamente por representantes de uma dada categoria da variável de confusão a se controlar. seleciona dois grupos: 1) 2) Exposto: submetido à intervenção objeto do estudo. permite comparar a ocorrência do evento de interesse nos dois grupos (relação de causa–efeito). Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .Randomizados: estudo com grupos alocados a partir de um processo aleatório de escolha. prevenção ou terapêutica. Geralmente são considerados como as investigações que permitem evidências mais confiáveis em estudos epidemiológicos. . Os principais critérios de classificação dos estudos de intervenção são os seguintes: a) Controle das variáveis independentes: . Assim. Não exposto: não submetido à intervenção objeto do estudo. Estudo experimental O estudo experimental abrange os chamados estudos de intervenção. . que apresentam como característica principal o fato de o pesquisador controlar as condições do experimento onde ele introduz algum elemento crucial para a transformação do estado de saúde dos indivíduos ou grupos participantes do estudo.5.Controlado. garantindo uma composição selecionadas. . rigorosamente equivalente em termos de algumas variáveis 129 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.Não controlado. para tanto. buscando-se uma distribuição equilibrada de variáveis de confusão. -Não-randomizados: estudo com grupos experimentais e de controles escolhidos a partir de critérios de disponibilidade e conveniência.Pareado: estudo com grupos constituídos por pareamento. O estudo de intervenção é um estudo prospectivo que objetiva avaliar a eficácia de um instrumento de intervenção e.

- Rotativo: estudo com estrutura fundamentada na alternância de grupos, em que os participantes que compõem o grupo experimental são alocados, após certo período, para o grupo de controle, e vice-versa.

c)

Controle do efeito de mensuração:

- Duplo-cego: alocação dos grupos e as mensurações referentes à variável dependente são feitas às cegas (ou seja, nem os avaliadores nem os participantes têm conhecimento da alocação dos grupos); -Simples-cego: os participantes não têm conhecimento de sua pertinência aos grupos da pesquisa, por exemplo, o uso de placebo nos estudos clínicos; - Aberto: quando todos os envolvidos têm acesso à informação, capazes de indicar a alocação dos grupos experimental e controle. 5.5. Estudo quase-experimental O estudo quase-experimental é conceituado como: experimentos que têm tratamento, medida dos resultados e unidade experimentais, mas não usa alocação aleatória para criar as comparações nas quais os efeitos dos tratamentos são avaliados. O principal objetivo a alcançar, na análise e na interpretação dos resultados de um estudo quase-experimental, é o de separar os efeitos da intervenção que se deseja avaliar, dos demais efeitos, em especial, daqueles devidos a nãocomparabilidade inicial dos grupos. Seção 6 – Medida de Risco Muitas medidas de risco são utilizadas para representar quantitativamente a relação entre os eventos. Entre as medidas mais usadas, temos:

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a)

Risco absoluto: a medida de risco mais usada é a taxa de incidência.

Ela mede o risco absoluto de ocorrência de um evento e indica, para um membro daquele grupo, a probabilidade que tem de ser acometido por uma doença em um período específico.

EXEMPLO: Coeficiente de mortalidade por câncer de pulmão em fumantes e não-fumantes em um estudo de coorte. Fumantes Sim Não Coeficiente 70 7

O coeficiente anual de mortalidade por câncer de pulmão em 100 mil.

Número de óbitos por câncer de pulmão em fumantes e não-fumantes em um estudo de coorte. Os valores são expressos em tabela 2x2: Fumantes Sim Fumantes 70 (a) Óbitos Não 99.930 (b) (a+b) Não fumantes Total 77 (a+c) (b+d) N = a+b+c+d Assim, 199.923 7 ( c) 99.993 (d) (c+d) 200.000 (N) 100.000 100.000 Total

O RISCO ABSOLUTO (Incidência) será: - Coeficiente anual de mortalidade por câncer de pulmão em fumantes = 70/100mil fumantes; - Coeficiente anual de mortalidade por câncer de pulmão em não-fumantes = 7/100 mil não-fumantes. 131
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b)

Risco relativo: é uma razão entre dois coeficientes de incidência. Por

exemplo, entre o coeficiente de mortalidade entre fumantes e não-fumantes. O risco relativo fornece uma estimativa de proporção de casos que poderiam ser evitados, se a exposição fosse afastada.

Assim, o Risco Relativo (RR):

Fumantes Sim Fumantes 70 (a)

Óbitos Não 99.930 (b) (a+b)

Total

100.000

Não fumantes Total

7 ( c)

99.993 (d) (c+d)

100.000

77 (a+c) (b+d)

199.923

200.000 (N)

RR = a/(a +b) = 70/ (70+99.930) = 70/100.000 = 10 c(/c+d) 7/ (7+99.993) 7/100.000

O risco relativo é 10 entre fumantes e não-fumantes. Assim, o tamanho do risco atribuído indica que um programa eficaz contra o fumo evitaria óbitos por câncer de pulmão. c) Odds ratio: odds significa chance e ratio, razão. Razão de chances,

razão de probabilidade ou razão dos produtos cruzados. A última denominação advém da maneira que são feitos os cálculos nos estudos caso-controle: o produto da célula da tabela acima “AB”, ou seja, (70x99. 993) é dividida pelo produto de “BC”, ou seja, (99.930X7).

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Uma doença é pouco freqüente quando for menos que 5%. É mais utilizado para medir associação entre fatores de risco e doenças, em pesquisas etiológicas. São usados para mostrar quantitativamente a força da associação, um dos principais critérios para julgar causalidade.

Assim, o odds rations:

Fumantes Sim Fumantes 70 (a)

Óbitos Não 99.930 (b) (a+b)

Total

100.000

Não fumantes Total

7 ( c)

99.993 (d) (c+d)

100.000

77 (a+c) (b+d)

199.923

200.000 (N)

OR = ad/bc = = 70 x 99.993 = 6.999.510= 10,006 7 x 99.930 699.510

O adds ration é a razão das duas chances, cujo resultado é 10. Um risco relativo (ou odds rations) da ordem 10 como encontrado na mortalidade por câncer em fumantes é alto, indica forte associação entre fumo e câncer de pulmão, ou seja, o risco, ou chance da doença, está muito elevado entre os expostos. d) Risco atribuível: é a parte da incidência de um dano à saúde que é

atribuído a uma dada exposição. A computação do risco atribuível é feita pela subtração entre os dois coeficientes.

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Há exposições muito comuns (fumo) e outras mais raras (radiação).Existem diversas fórmulas em que o risco atribuído pode ser calculado. e estão demonstradas na tabela 2x2 abaixo: Fumantes Sim Fumantes 70 (a) Óbitos Não 99.930 (b) (a+b) Total 100.993 (d) (c+d) 100.000 77 (a+c) (b+d) 199.993 (d) (c+d) 100.9=90% Incidência dos expostos 70 RA = Risco Relativo .000 (N) 134 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. que importa considerar. Há diversas formas de calculá-lo: Fumantes Sim Fumantes 70 (a) Óbitos Não 99.930 (b) (a+b) Total 100.000 Não fumantes Total 7 ( c) 99.9=90% Risco Relativo 10 e) Risco atribuível populacional: não é levado em consideração do fato da freqüência do fator de risco variar entre as populações.000 77 (a+c) (b+d) 199. já que a repercussão na população é diferente.923 200.000 Não fumantes Total 7 ( c) 99.000 (N) RA = Incidência dos expostos – Incidência dos não-expostos = 70-7 = 63 óbitos por 100mil expostos RA = Incidência dos expostos – Incidência dos não-expostos = 70-7 = 0. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .1= 10-1 = 0.923 200.

A prevalência de fator de risco é de 50%: Incidência Total da população = 77/200.82 = 82% Prevalência (RR-1) +1 0. você encontrará a resposta.6 por 100.000 Incidência populacional total = 19. 1997).5 Portanto. • • • • • Incidência em expostos = 70por 100.5 (10-1) = 0.000 Incidência em não-expostos = 7 por 100.Incidência dos não-expostos = 38. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . tente fazer sozinho. quanto mais forte for a associação entre exposição e doença.82=82% Incidência na população total 38.5 (10-1) +1 RAP = Incidência na população total . No final da apostila. informada pelo tamanho do risco relativo. Atividades de auto-avaliação Teste seu conhecimento. mas antes de ver.000 Prevalência do fator de risco = 20% Risco relativo = 10 A resposta certa é: 135 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.5 RAP = Prevalência (RR-1) = 0. Calcule o risco atribuível populacional (RAP) em uma população com as seguintes características (os dados são de incidência anual de casos de câncer de pulmão em relação ao hábito de fumar).5-7 =0. maior a probabilidade de que a suposição de relação causal constatada em estudos epidemiológicos se mantenha em situações individuais (PEREIRA.000 x 100mil = 38. 6.

176. O número de casos de tuberculose é de 1.000 136 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.7 casos em cada 1000 habitantes 2. RESPOSTA CERTA d) O risco atribuído populacional entre os fumantes de ter câncer de pulmão é de 14%.a) O risco atribuído populacional entre os fumantes de ter câncer de pulmão é de 4%.500. RESPOSTA: CASOS NOVOS: 473 CASOS EXISTENTES: 2563 POPULAÇÃO: 1.0017 X 1000 = 1. 1. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .70 CASOS POR 1000 HABITANTES R: Trata-se de uma prevalência. RESPOSTA: CASOS EXISTENTES: 2000 POPULAÇÃO: 1. c) O risco atribuído populacional entre os fumantes de ter câncer de pulmão é de 64%. b) O risco atribuído populacional entre os fumantes de ter câncer de pulmão é de 54%. Respostas dos exercícios: Atividades de auto-avaliação Antes de ver as repostas. tente resolver sozinho.935 PREVALÊNCIA = NÚMERO DE CASOS EXISTENTES X CONSTANTE POPULAÇÃO P = 2000/1176935 = 0.

4.0017 X 1000 = 1. pois mortalidade é designado um coeficiente de incidência. CÁLCULO DA RESPOSTA: ÓBITOS: 10 CASOS DA DOENÇA NO ANO: 200 POPULAÇÃO: 1000 137 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. 3.3 casos em cada 1000 habitantes.7 casos em cada 1000 habitantes e a incidência é de 0.PREVALÊNCIA = NÚMERO DE CASOS EXISTENTES X CONSTANTE POPULAÇÃO P = 2563/1500000 = 0. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores . a incidência de óbitos de sarampo neste hospital é de 100 casos em cada 1000 crianças. RESPOSTA: ÓBITOS: 4 POPULAÇÃO: 40 INCIDENCIA (MORTALIDADE) = ÓBITOS X CONSTANTE POPULAÇÃO I = 4/40 X 1000 = 100 CASOS POR 1000 HABITANTES R: Trata-se de incidência. Portanto.3 CASOS POR 1000 HABITANTES R: A prevalência de hanseníase é de 1.70 CASOS POR 1000 HABITANTES INCIDENCIA = NÚMERO DE CASOS NOVOS X CONSTANTE POPULAÇÃO P = 473/1500000 = 0.0017 X 1000 = 0.

05 = 10/I = 0. VIVOS X CONSTANTE MULHERES TB (15-19) = 300/15000 X 1000 = 20 NASCIMENTOS EM CADA 1000 MULHERES COM 15-19ANOS TB (20-24) = 2600/13000 X 1000 = 200 NASCIMENTOS EM CADA 1000 MULHERES COM 20-24ANOS TB (25-29) = 2500/10000 X 1000 = 250 NASCIMENTOS EM CADA 1000 MULHERES COM 25-29ANOS TB (30-34) = 1350/9000 X 1000 = 150 NASCIMENTOS EM CADA 1000 MULHERES COM 30-34ANOS 138 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.05 L = M/I = 0.05 X I = 10 = I = 10/0.MORTALIDADE = ÓBITOS X CONSTANTE POPULAÇÃO M = 10/1000 X 1000 = 10 CASOS POR 1000 HABITANTES LETALIDADE = ÓBITOS DOENTES L = 10/200 = 10/200 = 0. 5.05 = 200 CASOS EM 1000 HABITANTES R: A INCIDENCIA DA DOENÇA É DE 200 CASOS EM CASA 1000 HABITANTES. CÁLCULO DA RESPOSTA: TAXA BRUTA REPRODUÇÃO = NASC. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .

8/ .6 – 7/ 19. CÁLCULO PARA A RESPOSTA RAP = Prevalência (RR-1) = 0. OU SEJA.2 (10-1) +1 OU RAP = Incidência na população total .6 = 0.TB (35-39) = 900/9000 X 1000 = 100 NASCIMENTOS EM CADA 1000 MULHERES COM 35-39ANOS TB (40-45) = 400/8000 X 1000 = 50 NASCIMENTOS EM CADA 1000 MULHERES COM 40-45ANOS TB (45-49) = 70/7000 X 1000 = 10 NASCIMENTOS EM CADA 1000 MULHERES COM 45-49ANOS R: NASCE MAIS CRIANÇA NA FAIXA DE IDADE DAS MÃES ENTRE 25-29 ANOS. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores .Incidência dos não-expostos = Incidência na população total RAP = 19.2 (10-1) = 1.82 = 0. ------------------FIM DO MÓDULO II----------------- 139 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa.64 = 64% R: O RISCO ATRIBUIDO POPULACIONAL ENTRE OS FUMANTES DE TER CANCER DE PULMÃO É DE 64%.64 = 64% Prevalência (RR-1)+1 0. OCORREM 250 NASCIMENTOS EM CADA 1000 MULHERES COM 25-29ANOS 6.

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