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1 INTRODUÇÃO O desemprego, contemporaneamente, apresenta-se como um problema social que atinge a maioria das economias de mercado. O relatório Tendências Mundiais de Emprego da OIT (Organização Internacional do Trabalho) de janeiro de 2009 assinala que o desemprego no mundo poderá chegar a 7,1% em 2009, o que equivaleria um aumento de 50 milhões de desempregados em relação a 2007, ano em que a taxa de desemprego mundial registrada foi de 5,7%. Tendo em vista essa disfunção do sistema econômico, torna-se necessário estabelecer um debate macroeconômico referente à determinação do volume de emprego, para posteriormente identificar políticas econômicas capazes de melhorar a

operacionalidade do mercado de trabalho. Segundo OCIO (1995, p. 4), a geração de emprego consiste um meio de promover a inserção dos indivíduos à dinâmica capitalista. Isso porque, ao ofertar seus serviços em mão-de-obra, os trabalhadores recebem uma remuneração (salário), permitindo-lhes apresentar-se ao mercado de bens e serviços como demandantes de utilidade. É a partir do acesso ao mercado de trabalho que os agentes são introduzidos nas relações sociais. Dada a importância da criação de novos postos de trabalho para assegurar o bem-estar social, vários economistas ao longo do desenvolvimento da ciência econômica, realizaram pesquisas referentes a determinação do equilíbrio no mercado de mão-de-obra. Essas investigações teóricas culminaram em um ambiente de controvérsias, caracterizado pela existência de inúmeras correntes do pensamento econômico. Segundo Blanchard (2004), essas correntes dividem-se em dois grandes grupos: aquele que desenvolve análises enfatizando o curto prazo e aquele que constrói idéias abrangendo o longo período. No primeiro caso, o nível de emprego (variável dependente) é determinado por fatores que condicionam a demanda agregada, como eficiência marginal do capital, preferência pela liquidez, propensão marginal a consumir e expectativas (variáveis explicativas). No segundo, o nível de emprego é explicado por variáveis reais, como estoque de capital, preferências dos agentes econômicos, mudanças populacionais e alteração no nível tecnológico da sociedade.

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Assim, faz-se neste trabalho uma exposição de três teorias ou interpretações sobre a determinação do volume de emprego. Nesta perspectiva, um dos objetivos do trabalho consiste em realizar um estudo sobre a determinação do volume de emprego de equilíbrio, dando ênfase principal às visões (neo)clássica, keynesiana e da síntese neoclássica. Outros objetivos consistem em identificar as características inerentes à operacionalidade do mercado de trabalho segundo a abordagem (neo)clássica; descrever os aspectos gerais da Revolução Keynesiana,

compreendendo os elementos básicos que compõem a macroeconomia moderna, quais sejam, o multiplicador, preferência pela liquidez, relevância das expectativas; analisar o contra-ataque realizado pela Síntese Neoclássica e investigar a relação existente entre desemprego involuntário e rigidez à baixa do salário nominal. O trabalho é apresentado em três capítulos além desta introdução e da conclusão. No primeiro (tópico 2), desenvolve-se uma investigação sobre os determinantes do volume de emprego de equilíbrio segundo a abordagem (neo)clássica. Nesta parte, expõem-se os fatores condicionantes da demanda por mão-de-obra e da oferta de mão-de-obra, buscando identificar os postulados e hipóteses que explicam a operacionalidade do mercado de trabalho segundo os economistas da teoria convencional. Além disso, busca-se evidenciar os postulados da macroeconomia (neo)clássica e o conceito de desemprego voluntário. O segundo capítulo (tópico 3) está dividido em três seções. Na primeira, fazse uma exposição referente à Revolução keynesiana, destacando as principais contribuições de John Maynard Keynes à ciência econômica, como: a

sistematização do princípio da demanda efetiva, a elaboração de uma nova metodologia de investigação dos fatos econômicos, a ênfase dada à importância da moeda como reserva de valor, o papel das expectativas e da incerteza em uma economia monetária da produção. Além disso, realiza-se um resumo referente à causalidade entre o salário real e o volume de emprego tendo por base o trabalho de Edward J. Amadeo. Na segunda seção, é feito a apresentação da teoria do emprego de Keynes e, por fim, na terceira seção, desenvolve-se uma exposição sobre as prescrições de políticas econômicas, ou seja, sintetiza, na visão de Keynes, os impactos das políticas fiscal e monetária sobre o volume de emprego de equilíbrio. No terceiro e último capítulo (tópico 4), apresenta-se o “contra-ataque” realizado pelos economistas de tradição ortodoxa à teoria de Keynes sobre o emprego, isto é, expõem-se as contribuições dos economistas da síntese

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neoclássica. Nesta parte, é evidenciado o processo de neoclassização da teoria de Keynes, com destaque às contribuições de John Hicks, Franco Modigliani e Don Patinkin. Assim, propõe-se identificar as forças responsáveis pela convergência da economia à posição de equilíbrio macroeconômico de pleno emprego.

toda oferta criaria sua própria procura. desta forma. Essa lei descreve uma economia de troca livre. no próprio sentido da palavra. assim. Os economistas “clássicos” acreditavam no sistema de preços livre. por si só. Segundo essa abordagem. nos mecanismos automáticos de equilíbrio. p. o pleno emprego é automaticamente atingido. todo o rendimento gerado no processo de produção. 1982. de cunho microeconômico e individualista. WEINTRAUB (2002. ou seja. Nesta economia . a Lei dos Mercados de Say constitui a verdadeira lei que relaciona as funções de demanda e oferta agregadas. b) indivíduos maximizam utilidade e firmas maximizam lucro. Na economia de Say não há possibilidade de ocorrências de crises de superprodução ou de subemprego. Todo o mundo duplicaria simultaneamente a procura e a oferta. todos poderiam comprar o dobro. pois teriam duas vezes mais para oferecer em troca (STUART MILL apud KEYNES. na forma de rendimentos pagos aos fatores. é canalizado para a aquisição de bens e serviços. compradores. “uma economia regida pela Lei de Say pode ser vista como uma economia ‘neutra’.1 OS PILARES DA MACROECONOMIA (NEO)CLÁSSICA A teoria (neo)clássica desenvolvida entre meados do século XIX e início do século XX. Dentro deste arcabouço teórico. alicerçava-se na crença de que os mercados. c) pessoas agem racionalmente com base em toda informação relevante. p. Os meios de que cada indivíduo dispõe para pagar a produção alheia são os produtos que ele mesmo possui. alcançariam o equilíbrio de pleno emprego dos fatores de produção.14 2 A DETERMINAÇÃO DO EMPREGO NA TEORIA (NEO)CLÁSSICA 2. os períodos de desaceleração do nível de atividade econômica apresentavam-se como uma anomalia transitória do sistema econômico.1) descreve a economia (neo)clássica como um sistema teórico que incorpora as seguintes hipóteses: a) pessoas racionais preferem entre resultados. O que constitui os meios de pagamento das mercadorias são as próprias mercadorias. Para Moreira (2005). no sentido de que sempre será satisfeita a seguinte igualdade: gastos corrente = produto corrente = renda corrente”. 34). Se pudéssemos duplicar repentinamente as forças produtoras de um país. mas ao mesmo tempo duplicaríamos o poder aquisitivo. Todos os vendedores são. poderíamos duplicar a oferta de mercadorias em todos os mercados.

a macroeconomia (neo)clássica pode ser sintetizada em três idéias fundamentais: a) as forças de mercado tendem a equilibrar a economia a pleno emprego. veio a prevalecer como forma dicionarizada.ed. A. 1986). b) as variáveis reais da economia e os preços relativos seguem trajetórias independentes da política monetária. por isso mesmo. os teóricos do classicismo prescreviam medidas não-intervencionistas. como hoje. e. p. os eventos presentes e futuros podem ser previstos em termos de probabilidade estatística (DAVIDSON. no ponto em que se igualem a oferta e a procura de mão-de-obra (pressuposto da perfeita flexibilidade de preços e salários). isto é. o Estado deveria exercer funções como: manter a segurança nacional. isto é. p. Essas mesmas observações também fornecem informação sobre a distribuição de probabilidades de um universo de especificações que existe em qualquer ponto do tempo. o termo ergodic foi inicialmente transposto pelo Aurélio como ergódigo. e esses dados são. por si só. isto é. um dos alvos a serem necessariamente atacados pela sublevação desencadeada por Lorde Keynes (DAVIDSON. p. No campo da economia a condição ergódica constitui uma hipótese fundamental da teoria macroeconômica pré-keynesiana. O dinheiro representa apenas um ofício passageiro nesta troca dupla. a partir das informações passadas e presentes. que. embora fosse mais comum o uso do termo “ergódico”. grifo nosso). creditada a Vicent de Gournay (1712-1759). 2005. 22) 2 Essa expressão. alcançavam o pleno emprego dos fatores de produção. significa “deixe as pessoas fazerem o que quiserem sem a interferência do governo”. Em um mundo ergódico. Como os mercados. 2003. Os governos nunca deveriam estender sua interferência nos assuntos econômicos além do mínimo absolutamente essencial para proteger a vida e a propriedade e para manter a liberdade de adquirir (BRUE. Para Simonsen e Cysne (2007. Essa hipótese “implica a possibilidade de conhecimento dos eventos futuros. finalmente. convertido em investimentos. dados históricos. ao estudar cientificamente o passado como se tivesse sido gerado em condições ergódicas. A demanda agregada não exerce 1 Oriundo da matemática. primordialmente. Consequentemente.15 todo excedente de renda sobre o nível de consumo é. p. informações úteis sobre a futura distribuição de probabilidades dos eventos.. laissez-passer2. Novo dicionário de língua portuguesa. 2005)”. oferecer à sociedade justiça. Nos lugares que produzem muito. 222). 2006. mediante estimação estatística. as observações de uma especificação de determinada série temporal. p. 4. Isso ocorre devido à hipótese da ergodicidade1 e da concepção de que a moeda constitui apenas um meio de troca. coletadas via sistema de preços (DAVIDSON apud MOREIRA. Rio de Janeiro. ainda. constituindo. terminadas as trocas. na realidade. . 35). saúde e educação de qualidade. Nova Fronteira. cria-se a única substância com a qual se pode comprar: refiro-me ao valor. verifica-se sempre: produtos foram pagos com produtos (SAY apud MOREIRA. 2. 5). Buarque de Holanda Ferreira. 2003. exaltavam a doutrina do laissez-faire. Neste sentido. são informações úteis sobre a distribuição de probabilidades do processo estocástico que gerou essa especificação particular. com g (cf.

segundo a qual. como quantidade de moeda. ou seja. “a teoria (neo)clássica considerava o trabalho um fator de produção homogêneo e escasso. c) a quantidade de moeda afeta apenas o nível geral de preços (pressuposto da neutralidade da moeda). “Assim.2 A DEMANDA POR TRABALHO A hipótese principal da abordagem (neo)clássica da determinação do nível de emprego de equilíbrio afirma que o mercado de trabalho funciona apropriadamente. 108) observam a condição de equilíbrio de pleno emprego como: [. Nesta concepção. a visão neoclássica envolve ‘agentes econômicos’. o objetivo de todo agente é obter o máximo de prazer minimizando a dor. Essas idéias constituem os axiomas básicos do sistema walrasiano de equilíbrio geral numa economia monetária. p. determinando o volume de emprego e o salário real. uma investigação onde alterações em variáveis monetárias. a oferta de trabalho e a demanda por trabalho se encontram. cujos movimentos são responsáveis pela preservação do equilíbrio nos moldes da condição de pleno emprego. Segundo OCIO (1995. isto é.16 influência sobre o nível de produto e o volume de emprego (é válida a Lei de Say). como o produto e o emprego. Esse sistema desenvolve uma análise dicotômica entre variáveis reais e variáveis nominais. . Neste contexto... as firmas e os trabalhadores apresentamse como agentes racionais perfeitamente informados. 11). ofertado pelas unidades familiares e demandado pelas firmas”. PERES NUNES E COSTA NUNES (1997. não influem sobre as variáveis reais. Todos os que desejam trabalhar aos salários vigentes no mercado encontrariam emprego. o salário nominal apresenta-se como uma variável completamente flexível. seguidores da filosofia hedonista.] compatível apenas com o desemprego friccional – decorrente de pequenas imperfeições ou desajustes temporários entre oferta e demanda de trabalho porque encontrar emprego leva algum tempo – e com o desemprego voluntário – decorrente do fato da desutilidade do trabalho ser maior que a utilidade do salário que se poderia receber. 2. p.

Y = Produção total. livre entrada e saída (não existem custos especiais que tornam difícil para uma nova empresa entrar em um setor e produzir ou sair dele se não conseguir obter lucros). observa-se que as firmas estão organizadas em um mercado perfeitamente competitivo3. suas escolhas não afetam os preços do produto e dos fatores de produção. A curto prazo. As suposições implícitas a essa estrutura de mercado são: aceitação de preços. p. A segunda hipótese diz que para um dado nível tecnológico. de tal forma que as firmas são tomadoras de preço.17 sejam eles firmas ou famílias. N = Força de trabalho. afirmam que a função de produção agregada está moldada em relação a três hipóteses fundamentais. Detalhando este sistema. suposto constante. A relação entre produção e utilização da força de trabalho pode ser explicitada pela função de produção: Y = F (Kc. a organização. Kc = Estoque de capital. N. A primeira mostra que a produção total está diretamente relacionada com o estoque de capital. 222-223). 2002. “de modo que a escolha do nível de produção e a quantidade de trabalho constituem uma única decisão (FROYEN. p. 296) “uma economia competitiva deve reunir um amplo conjunto de empresas atomizadas. T) Onde. o nível de produção só pode ser alterado via mudanças na utilização do fator trabalho. Como as unidades produtivas representam uma parcela pequena do mercado. Como os preços constituem uma variável dada. . Se os 3 (1) Conforme PINDYCK e RUBINFELD (2006. as firmas se preocupam apenas com a quantidade de mercadorias a ser produzida e com a quantidade a ser contratada de trabalhadores. um aumento na utilização do estoque de capital. levará a um aumento do nível de produção agregada. cada qual tratando de maximizar o lucro”. LOPES e VASCONCELLOS (2008). o volume de emprego e com o nível de tecnologia. por exemplo. T = Nível tecnológico. p. ou seja. o mercado em concorrência perfeita pode ser definido como aquele onde há muitos vendedores e muitos compradores. o estoque de capital e a técnica são considerados fixos. Para SIMONSEN e CYSNE (2007. suposta homogênea. portanto. 49)”. p. homogeneidade de produtos (os produtos são substitutos perfeitos entre si). 1)”. suposto constante. que otimizam (fazendo o melhor que podem) sujeitos a todas as restrições relevantes (WEINTRAUB. a função de produção agregada apresenta retornos constantes de escala. 1999. e suas decisões são orientadas pelo objetivo único de maximização de lucro.

Para MANKIW (2008. mantendo-se fixa a quantidade de capital”. A figura 1 mostra a relação existente entre o nível de produção (eixo vertical) e o volume de emprego (eixo horizontal). considerando-se constante o estoque de capital (planta e equipamentos). (2) (3) . N + 1) – F (Kc.38). .18 fatores de produção forem multiplicados por “z” o nível de produção também será multiplicado por “z” [zY = F (zKc.Como o trabalho constitui o único fator de produção variável. a inclinação da função produção agregada será equivalente ao produto marginal do trabalho (PMgN). Em termos de álgebra. p. p. Por fim. ao considerar um dos fatores de produção fixo. PMgN = Produtividade marginal da mão-de-obra. 48). N) ou PMgN = ΔY/ΔN Onde. tem-se: PMgN = F (Kc. Fonte: FROYEN (1999. esse termo pode ser definido como “a quantidade adicional de produção que a empresa obtém a partir de uma unidade adicional de mão-de-obra. zN)]. a função de produção agregada apresentará rendimentos marginais decrescentes. Figura 1 – Curva de função produção.

19 Fonte: FROYEN (1999. Quando houver funcionários em demasia. incrementos na quantidade de trabalho gerariam adições no produto cada vez menores.. quando pelo menos um dos insumos permanece inalterado. mostra que David Ricardo ao propor a teoria dos rendimentos decrescentes. as invenções e outros avanços tecnológicos podem vir a permitir que toda a curva do produto total seja deslocada para cima. [. OCIO (1995. p. conforme a utilização de um insumo aumenta. p. partiu da suposição de que. o custo marginal de uma unidade de produção adicional corresponde ao custo marginal do trabalho. A lei dos rendimentos marginais decrescentes geralmente aplica-se ao curto prazo. Isso ocorre devido à lei dos rendimentos marginais decrescentes: Princípio segundo o qual.. no curto prazo. A relação exposta pelas figuras 1 e 2. eram fixos e utilizados em sua plenitude. p.. no curto período. entretanto. Assim. p. o estoque de capital e a terra. 2006..] essa lei é aplicada a uma tecnologia de produção específica. com outros insumos mantidos constantes. 19). Ao longo do tempo. Como.]. mostra que à medida que o volume de emprego aumenta. a produção total se eleva. FROYEN (1999. de tal maneira que um maior volume possa ser produzido com os mesmos insumos (PINDYCK e RUBINFELD. 165)”. e o produto marginal do insumo trabalho apresentará uma queda. 48). alguns se tornarão ineficientes. a produção adicional a partir de determinado ponto decresce. . mas a taxas decrescentes. pequenos incrementos de insumo trabalho geram substanciais aumentos no volume de produção [. Quando o insumo trabalho é pequeno (e o capital é fixo). grande proporção do nível de produção agregada é explicada pela utilização do fator trabalho. Figura 2 – Curva de produto marginal do trabalho.

Desta forma. o número de unidades produzidas por unidade adicional de mão-de-obra equivale ao conceito de produto marginal do trabalho. quanto maior for o salário real. Indica que as firmas contratarão mãode-obra até o ponto onde o salário real (W/P) se igualar com o produto marginal do trabalho (PMgN). e vice-versa. já bastante conhecida. o reverso da proposição. assim: CMgN = W/PMgN Onde. A função de demanda agregada por trabalho será: Nd = g (W/P) (9) . de modo que o produto marginal das indústrias de bens de consumo assalariado necessariamente se reduz à medida que o emprego aumenta (KEYNES apud MIRANDA. CMgN = Custo marginal do trabalho.20 49). Como a curva do produto marginal do trabalho é negativamente inclinada. provocará uma redução do produto marginal do trabalho e. simplesmente. Este é. do nível de salário real. 1991. Ora. qualquer meio utilizado para elevar o volume de emprego. afirma que “o custo marginal do trabalho é igual ao salário monetário dividido pelo número de unidades produzidas por unidade adicional de mão-de-obra”. p. menor será a demanda da firma por trabalho. Segundo esse postulado. durante o qual se supõe que permaneçam constantes o equipamento etc. A condição de maximização de lucro da firma perfeitamente competitiva é: RMg = P = CMg CMg = W/PMgN RMg = P = W/PMgN P = W/PMgN W/P = PMgN (6) (7) (8) (5) (4) A última igualdade (8) constitui uma maneira alternativa de descrever o equilíbrio da firma em concorrência perfeita. Essa igualdade constitui um postulado fundamental da teoria (neo)clássica. grifo nosso). A curva de produtividade marginal do trabalho é a curva de demanda por mão-de-obra. segundo a qual a indústria trabalha normalmente sujeita a rendimentos decrescentes a curto prazo. consequentemente. 50.. o salário real e a demanda de mão-de-obra estão inversamente relacionados.

As firmas sob concorrência perfeita demandarão fator trabalho até o ponto de igualdade entre o salário real e a produtividade marginal do trabalho (ponto A). p. 51). haverá uma tendência para a retomada do equilíbrio da firma. assim. O ato de contratar um volume maior de mão-de-obra reduz a produtividade marginal do trabalho. e as firmas podem aumentar seus lucros contratando mais trabalhadores. significando que as empresas estarão . ou seja. e o equilíbrio tende a ser restaurado. o produto marginal do trabalho está aquém do salário real.21 A figura 3 mostra a curva de demanda por mão-de-obra. A posição da curva de demanda por trabalho dependerá das variáveis que afetam a posição da função de produção agregada: A demanda de trabalho refletindo a PMgN é obtida com base na função de produção. aumentos no estoque de capital ou melhorias tecnológicas. A exposição acima indica que um aumento no salário real provocará uma redução na demanda por trabalho. Fonte: FROYEN (1999. deslocarão a demanda de trabalho para a direita. Figura 3 – Curva de demanda por trabalho de uma firma. as mesmas variáveis que afetam a posição da função de produção determinarão a posição da curva de demanda por trabalho. Neste ponto. ou seja. desta forma. o produto marginal do trabalho excede o salário real. uma relação inversa entre o salário real e o volume de emprego. ponto B. Com uma quantidade menor de trabalho. Desse modo. a firma aumentará os lucros reduzindo o número de trabalhadores. A redução no número de trabalhadores provocará uma elevação do produto marginal do trabalho. por exemplo. as unidades produtivas conseguem obter o lucro máximo. No ponto C.

Conforme OCIO (1995. o nível de utilidade depende tanto do rendimento real. Sendo um sujeito econômico com comportamento racional. 1995. p. Desta forma. p. portanto. p. 110). a busca de poder de compra sobre bens e serviços. U = Utilidade total. 13)”. As preferências do trabalhador podem ser representadas por curvas de indiferença. Lz = Lazer. “cada trabalhador individualmente terá que decidir de acordo com suas preferências pessoais. restrições às possibilidades de novas viagens. Dada essa realidade caracterizada pela escassez e escolhas. as curvas de indiferença mostram as “combinações de renda e lazer que geram um mesmo nível de satisfação para o trabalhador. 2. 4 (10) STIGLITZ e WALSH (2003. identifica-se um tradeoff4entre renda e lazer. Y = Renda real. 10) definem o termo Trade-off como uma realidade onde “ter mais de uma coisa implica ter menos de outra coisa”. 13).22 dispostas a contratar as mesmas quantidades de trabalho a um salário real mais elevado (LOPES e VASCONCELLOS. 2008. Essa escolha compensatória ocorre porque o rendimento que o trabalhador obtém está associado à capacidade que ele possui em ofertar seus serviços em mão-de-obra. o trabalhador toma decisões com base no objetivo de maximização de utilidade. o trabalhador apresenta-se como agente econômico racional que oferta serviços de mão-de-obra para as firmas. que proporciona ao trabalhador poder aquisitivo sobre bens e serviços. Neste caso. Neste processo. limitação do tempo dedicado à família). a distribuição de seu tempo entre trabalho e lazer (OCIO. Lz) Onde. p. Observando a função utilidade do trabalhador. Esta relação de dependência pode ser representada pela seguinte função utilidade: U = f (Y. quanto do lazer. implica redução do número de horas que o trabalhador teria para desfrutar dos benefícios gerados pelo lazer (redução do tempo de descanso. Afirmam que o Trade-off é conseqüência da escassez.3 A OFERTA DE TRABALHO A dedução da curva de oferta de mão-de-obra constitui uma etapa fundamental no processo de construção do modelo (neo)clássico para o mercado de trabalho. .

Essa taxa mostra o montante adicional de renda que o trabalhador teria que receber para renunciar a uma unidade de lazer. ou seja. de tal forma que o manteria na mesma curva de indiferença. 53)”. p. mais inclinada será a linha orçamentária. através da inclinação da curva neste ponto. 1999. As horas de trabalho são medidas da direita para a esquerda. . Figura 4 – O trade-off renda-lazer. 1999. p. até o máximo de vinte e quatro horas. por exemplo. A figura 4 mostra a escolha que o trabalhador faz entre renda e lazer de modo a obter o máximo de satisfação. “Cada ponto de uma curva de indiferença indica. p. 13)”. No eixo vertical está representada a renda real. obteremos um acréscimo maior à renda do que teríamos a um salário real menor (FROYEN. ilustra o problema de maximização de utilidade. começando no ponto zero. pela remuneração exigida – salário/hora requerido – (OCIO. A inclinação da curva de indiferença fornece a taxa marginal de substituição (TMS) entre lazer e renda (TMS = ΔLz/ΔY). uma hora. Fonte: FROYEN (1999. U2 e U3 são as curvas de indiferença. As linhas U1. ele é indiferente às combinações rendalazer apresentadas (FROYEN. o que reflete o fato de que. se aumentarmos a jornada de trabalho em uma unidade. A restrição orçamentária enfrentada pelo trabalhador é mostrada pelas retas que originam no ponto zero (ponto onde o trabalhador dedica-se todo o tempo disponível ao lazer). 1995. O eixo horizontal representa as horas diárias de trabalho. 53). A inclinação da linha orçamentária é o salário real. “Quanto mais alto o salário real. 52)”. a um salário real maior.23 numa curva especificamente considerada. obtida pela multiplicação do salário real pela quantidade de horas trabalhadas. p. a relação de substituição de uma unidade de tempo.

o indivíduo trabalhará nove horas/dia e obterá uma renda de trinta e seis.. o indivíduo terá que optar pelo ponto de tangência entre a curva de indiferença e a linha orçamentária. isto é. Desta forma. porém terá seu tempo de lazer reduzido para quinze horas/dia. a inclinação da curva de indiferença U1 é igual à inclinação da linha orçamentária correspondente ao salário real igual a 2. A um salário real de 2.24 O objetivo do trabalhador é escolher uma combinação entre renda e lazer localizada na curva de indiferença mais alta possível. Cada ponto de tangência das linhas de orçamento com as curvas de indiferença tem a propriedade de definir a melhor distribuição possível do tempo disponível de cada trabalhador para cada montante de salário real. poderíamos dizer que neste ponto de tangência.0 o trabalhador estará adquirindo satisfação máxima se decidir pela combinação representada no ponto C. Ao salário real igual a 4. A . A relação positiva entre a oferta de trabalho individual e o salário real fornece a função oferta de mão-de-obra individual. 14).0 o trabalhador estaria disposto a abrir mão de duas horas de lazer. Nesta combinação. para maximizar a utilidade. o salário desejado para abrir mão do lazer é exatamente o de mercado. pois quanto mais elevada for a curva de indiferença maior será o nível de satisfação. representada pelas linhas orçamentárias.].0. 1995. No ponto A. Entretanto. dado o salário real de mercado. isto é. Nesta combinação. cada trabalhador fará sua escolha entre trabalho e lazer. Ao salário real igual a 3. optando pela quantidade de horas/dia de trabalho que lhe permita atingir a curva de indiferença mais elevada (OCIO. o trabalhador enfrenta uma restrição. e a projeção do mesmo sobre o eixo das abscissas determinará a quantidade de trabalho em horas/dia [. p. 1995. se as unidades adicionais de tempo de trabalho aferecerem remuneração crescente (OCIO. determinado endogenamente pela oferta e demanda de trabalho. passaria a trabalhar oito horas/dia. 13)”. Esse comportamento do trabalhador “reflete o princípio da desutilidade marginal do trabalho crescente. dedicará dezoito horas/dia ao lazer. Verifica-se que a oferta de trabalho está diretamente relacionada com o salário real. p. onde a TMS é exatamente igual ao salário real. ou seja. ou seja. o trabalhador padrão somente estará disposto a trocar tempo de lazer por trabalho. Portanto.. quanto maior o salário real maior a disposição do trabalhador de substituir tempo de lazer por horas adicionais de trabalho. o trabalhador ofertará seis horas/dia de serviços de mão-de-obra e terá uma renda real igual a doze.0 o trabalhador estará em melhor situação no ponto A.

Neste ponto. a inclinação da oferta de trabalho depende de qual dos dois efeitos é predominante. ou seja. Neste sentido. a níveis elevados de salário real. 106-107). 5 (11) Keynes no capítulo dois do Livro Primeiro da Teoria Geral do Emprego. a curva de oferta de trabalho baseia-se “no segundo postulado5. p. Os pontos A. implicam maior oferta de trabalho. 25)”. B e C da curva refletem as condições de satisfação máxima mostradas no gráfico 5. p. o aumento do salário real gera também um outro efeito. p. aumenta o custo de oportunidade do tempo dedicado ao lazer. salários reais maiores. . é igual à desutilidade marginal desse mesmo volume de emprego (KEYNES. 1999. Assim. mas pelo efeito renda tende a diminuir (LOPES e VASCONCELLOS. priorizando o tempo direcionado ao lazer. supõe-se que uma elevação do salário real. Esse contexto é equivalente ao conceito de efeito substituição da microeconomia. “curva-se para trás. a curva de oferta de trabalho adquire uma inclinação negativa. quando se emprega determinado volume de trabalho. Segundo PERES NUNES e COSTA NUNES (1997. o máximo de horas destinadas ao trabalho”. Quanto maior esse custo. A curva de oferta de trabalho possui inclinação positiva. “Assim. os pontos ao longo da curva indicariam.25 agregação das ofertas de trabalho individuais para cada valor do salário real resulta na função oferta agregada de mão-de-obra: Ns = g (W/P) Onde. 1999. 55)”. A partir de determinado ponto o trabalhador decidirá trabalhar um número menor de horas/dia. “o lazer pode se tornar mais desejável comparativamente a novos aumentos na renda (FROYEN. pois uma elevação do salário real tende pelo efeito substituição a ampliar a oferta de trabalho. 111)”. Segundo esse efeito. ou seja. de acordo com o qual os trabalhadores ofertariam seu trabalho até o ponto em que a utilidade do lazer fosse igual à utilidade marginal proporcionada pelo salário. W/P = Salário real. 1982. o efeito renda supera o efeito substituição. 2008. denominado de efeito renda. A figura 5 retrata a curva de oferta de trabalho. 54)”. do Juro e da Moeda descreve o segundo postulado fundamental da teoria (neo)clássica da seguinte forma: “A utilidade do salário. para cada salário. maior será o desejo do trabalhador de ofertar seus serviços de mão-de-obra. p. Ns = Oferta de trabalho. na direção do eixo vertical (FROYEN. p. Além do efeito substituição.

2. Figura 5 – Curva de oferta de trabalho. 6 “Ao salário real de equilíbrio todos que estejam dispostos a trabalhar obterão emprego (LOPES e VASCONCELLOS. Ns = g (W/P) – Função oferta agregada de mão-de-obra. 7 Segundo MANKIW (2008. Nd = g (W/P) – Função demanda agregada por mão-de-obra. N. a total mobilidade da mão-de-obra e o acesso imediato dos agentes às informações relevantes”. 6). . 2. 3. em conjunto. Em equilíbrio a oferta de trabalho iguala-se com a demanda por trabalho (salário real igual à desutilidade marginal do trabalho). Essas relações. T) – Função de produção agregada. p. p. variáveis endógenas podem ser conceituadas como aquelas “variáveis que o modelo tenta explicar”. 2008.26 Fonte: FROYEN (1999. Assim.4 O EQUILÍBRIO NO MERCADO DE TRABALHO Nos tópicos anteriores foram deduzidas as seguintes relações de dependência: 1. 113)”. determinando o volume ótimo de emprego e o salário real de equilíbrio6. Y = F (Kc. Para OCIO (1995. 53). determinam o equilíbrio no mercado de trabalho. p. o salário real e o volume de emprego apresentam-se como variáveis endógenas7 ao modelo. 51). p. “os princípios que regulam o mercado de trabalho e garantem seu equilíbrio são: a perfeita flexibilidade de preços e salários.

O desequilíbrio entre demanda e oferta de mão-de-obra será de caráter transitório. permite obter o pleno emprego (OCIO. “Portanto.27 A figura 6 mostra que a interseção das curvas de oferta agregada de trabalho e demanda agregada por trabalho. p. . Como a demanda excede a oferta de trabalho. a desutilidade marginal do mesmo e o salário real. assim. 56) Figura 6 – Equilíbrio no mercado de trabalho. o salário real tenderá a ser elevado ao nível do salário de equilíbrio. determinam o volume de emprego e o salário real compatíveis com o equilíbrio no mercado de trabalho. 1995. a flexibilidade de preços e salários. pois o excesso de oferta de trabalho provocará pressões no mercado. 56) qualquer valor do salário real superior ao de equilíbrio (W/P)* gerará um excesso de oferta de trabalho (desemprego). 15)”. haverá um excesso de demanda por mão-de-obra (superemprego). Fonte: FROYEN (1999. Para FROYEN (1999. o pleno emprego da mão-de-obra. eliminando o distúrbio no mercado de trabalho. ao igualar a produtividade marginal do trabalho. p. de tal forma. que o salário real tenderá a ser reduzido ao nível do salário real de equilíbrio. restaurando. Para níveis salariais menores que o salário real de equilíbrio. p.

4. conseqüência da obstinação humana (KEYNES. ou. Isso ocorre “em decorrência da legislação ou dos costumes sociais. Neste equilíbrio. O desempregado que recebe os benefícios do segurodesemprego é menos pressionado a procurar um novo emprego. p. O desemprego friccional decorre da baixa flexibilidade da mão-de-obra. 25)”. sendo agravado por algumas políticas públicas como é o caso do seguro-desemprego. p. simplesmente. Segundo o autor. MANKIW (2008. ou de um entendimento para contrato coletivo de trabalho. e tem mais probabilidade de rejeitar ofertas de emprego que não sejam muito atraentes (MANKIW. 2008. Sob a égide desse programa. Por amenizar as dificuldades econômicas do desemprego.28 2. o segurodesemprego aumenta a quantidade de desemprego friccional e eleva a taxa natural. da lentidão em adaptarse às mudanças ou. o desemprego registrado pode ser classificado como desemprego friccional e /ou desemprego voluntário. . 1982. o desemprego friccional é inevitável em uma economia dinâmica. trabalhadores desempregados podem continuar recebendo uma fração de seus salários por um determinado período depois de terem perdido seus empregos. e. 121).1 O Desemprego Clássico O equilíbrio macroeconômico alcançado através dos postulados (neo)clássicos é equivalente ao equilíbrio de pleno emprego. ainda. p. O desemprego voluntário ocorre quando algumas unidades de mão-de-obra recusam ofertar trabalho ao salário equivalente à produtividade marginal do trabalho. 121) define desemprego friccional como “o tempo necessário para que os trabalhadores procurem um emprego”.

distinto daquele que prevaleceu durante o século XIX. Assim. pois Keynes objetivou descrever uma economia monetária da produção. um fator operante na situação (econômica). competições de grupos e de fechamento de mercados (BARRÉRE. Keynes também fomentou a ruptura do paradigma (neo)clássico visando descrever os fatos econômicos não explicados por esse paradigma. 28)”. espelhava-se nas características do capitalismo contemporâneo. do estágio inicial ao final. como: incerteza. 1961. enfatizando aspectos desprezados pelo pensamento econômico convencional. expectativas e a moeda como reserva de valor. p. nem no longo período nem no curto. Além de promover uma revolta no pensamento econômico incorporando em seu arcabouço teórico-analítico elementos desprezados pela abordagem convencional. 2003. o tempo histórico. 1961.. Ou seja. afeta os motivos e decisões e é. Neste sentido. Keynes inaugurou uma série de debates e polêmicas que culminaram no que se convencionou chamar de revolução keynesiana. A teoria almejada por mim trataria [. em suma. neste período.29 3 TEORIA DE KEYNES SOBRE O EMPREGO 3. O capitalismo.1 A REVOLUÇÃO KEYNESIANA: CRÍTICA AOS POSTULADOS “CLÁSSICOS” Ao publicar A Teoria Geral do Emprego. do Juro e da Moeda em 1936. o mercado de concorrência perfeita fora substituído por mercados de concorrência imperfeita . apresentou-se como um capitalismo evoluído. sobre o qual raciocinavam os economistas (neo)clássicos. p. monopólios. de alterações monetárias. posteriormente. É isso que queremos dizer quando falamos em economia monetária (KEYNES apud DAVIDSON. sem um conhecimento do comportamento da moeda. concebe o sistema econômico como intrinsecamente instável e. de modo que o curso dos eventos não pode ser previsto.] de uma economia na qual a moeda tem um papel próprio. O sistema econômico capitalista da primeira metade do século XX foi marcado pela emergência de “sistemas de regulamentação e coação.. 19). “desenvolveu um modelo teórico condizente com o contexto histórico-econômico do período entre as duas Grandes Guerras (BARRÉRE. 35)”. Essa revolução aconteceu. esforça-se na direção de identificar a causa dessa instabilidade. p. endereçando-a a seus “colegas economistas”. Assim.

1961. Como a demanda do setor privado (consumo dos domicílios e investimento das firmas) não conseguia absorver a produção total.30 (oligopólios. representa o surgimento de um novo paradigma substituidor do paradigma (neo)clássico. p. Tal finalismo concretizou-se em sua principal obra. 2-3)”. rompe-se com a dicotomia clássica. o mecanismo de correção automática de mercado não funcionaria. Segundo VIEIRA e FERNÁNDEZ (2006) a revolução keynesiana se encaixa na estrutura kuhniana de evolução da ciência econômica. 4)”. p. Na visão keynesiana. onde as idéias expostas apresentaram-se como elementos contestadores do paradigma (neo)clássico. Para BARRÉRE (1961). . 2003. o papel da moeda é completamente revisto. enfatizando a importância da demanda agregada na determinação das variáveis econômicas reais como o produto e emprego. A revolução keynesiana “forneceu os fundamentos lógicos de um modelo que negava a lei de Say e se relacionava mais de perto com o mundo real em que vivemos (DAVIDSON. a ruptura com os dogmas clássicos ocorreu a partir da reformulação/refutação dos seguintes elementos: rompe-se com a lei de Say. ou seja. rompe-se a crença de que a melhor forma de gerir a política pública seja buscar o equilíbrio orçamentário. objetivando preservar o individualismo liberal e “salvaguardar o futuro do capitalismo (BARRÉRE. Keynes ressalta a necessidade de promover uma revisão da teoria (neo)clássica. concorrência monopolista) e a liberdade econômica perdeu sua intensidade. “definido pelo ponto onde a procura global é igual à oferta global (MISSIO e OREIRO. pois buscavam legitimar a substituição dos postulados e a rejeição dos princípios então dominantes. Neste sentido. substituindo alguns elementos não passíveis de serem utilizados para explicar os fatos da experiência. modelou o seguinte finalismo para sua teoria: desenvolver um instrumental teórico-analítico que representasse o sistema econômico capitalista da primeira metade do século XX. 34)”. p. o desemprego generalizado do decênio 1930 foi conseqüência do nível inadequado de demanda efetiva. há um papel para o governo como garantidor da procura efetiva. Keynes observando o cenário econômico do capitalismo transformado. Para os autores. Vale ressaltar que Keynes contestou a lei de Say por intermédio do Princípio da Demanda Efetiva. 2007. o Estado deveria intervir através de políticas econômicas expansionistas para estimular a economia.

1982. na realidade. as criticam por não se conservarem retas”. p. Para KEYNES (1982. o autor reduz o arsenal teórico dos economistas partidários da Lei de Say à um caso especial. 35). Keynes ressalta que o arcabouço (neo)clássico é compatível somente com o equilíbrio de pleno emprego. Além disso. emprego agregado. 48)”. Neste sentido. uma “geometria não euclidiana”. a condição de equilíbrio macroeconômico de pleno emprego. Keynes chama a atenção para o aspecto metodológico empregado na Teoria Geral: “desejo explicitar que minha principal preocupação é com o sistema econômico como um todo – com rendas agregadas.31 Visando promover a total refutação do paradigma vigente até então. p. contrastando seus argumentos e conclusões com os da teoria (neo)clássica. as características desse caso especial não são as da sociedade econômica em que realmente vivemos. p. de modo que os ensinamentos daquela teoria seriam ilusórios e desastrosos se tentássemos aplicar as suas conclusões aos fatos da experiência (KEYNES.23). Keynes denominou sua teoria de “análise geral”. o autor mostra que a ciência econômica reclama uma medida na qual se desenvolveria teorias que rejeitassem o postulado de ajustamento automático. 1989. assim. Assim. Keynes propunha uma teoria capaz de descrever a economia tanto na condição de plena utilização dos fatores de produção quanto na condição de subemprego dos fatores. Ademais. Argumentando que os postulados da teoria clássica se aplicam apenas a um caso especial e não ao caso geral. produto agregado. descobrindo que. ou seja. 1989. Nesta passagem. p. . as linhas aparentemente paralelas se encontram com muita freqüência. lucros agregados. enquanto a teoria pré-keynesiana é compatível apenas com posições nas quais todos os trabalhadores que querem trabalhar estão empregados (CHICK. Desta forma. investimento agregado e poupança agregada (KEYNES apud HARCOURT. condição na qual o desemprego registrado é de natureza voluntária e/ou friccional e as curvas de oferta agregada e de demanda agregada são coincidentes. elaborando. 32-33) “os teóricos da escola clássica são comparáveis aos geômetras euclidianos em um mundo não euclidiano. pois a situação que ela supõe acha-se no limite das possíveis situações de equilíbrio. os quais. A aspiração de Keynes à generalidade no título da Teoria Geral e seu desejo maior no sentido de revolucionar o assunto baseiam-se na capacidade de sua teoria para explicar o emprego e o desemprego.

delineado: reconstruir o esquema interpretativo dos clássicos. ou seja. p. possuem duas propriedades essenciais: elasticidade de produção nula e elasticidade de substituição entre todos os ativos líquidos em relação aos bens produzíveis igual a zero. criticar o sistema teórico tradicional. evidenciou as seguintes características do mundo real. de uma economia monetária da produção: a) a moeda importa nos prazos curto e longo. Para DAVIDSON (2003. a demanda será deslocada para o bem substituto y. quando o pleno emprego da mão-de-obra disponível não se realiza. axioma dos reais e axioma do mundo econômico ergódico. 2005. p. implica que a moeda afeta unicamente as magnitudes nominais. b) seu segundo objetivo estava. isto é. p. 6)”. não pode ser produzida pelo uso do fator trabalho no setor privado.32 BARRÉRE (1961. Por fim. O axioma dos reais ressalta a neutralidade da moeda. mediante estimação estatística. ou seja. por exemplo. se o preço do bem x aumenta. incluindo a moeda. Keynes após rejeitar os princípios fundamentais do arcabouço teórico (neo)clássico. A segunda propriedade implica que não há substituição bruta significativa entre ativos líquidos não produzíveis e os produtos da indústria. Por exemplo. O axioma da substituição bruta é a suposição de que um bem qualquer pode ser substituído por outro. 6). integrar a ação da moeda e do tempo na determinação do equilíbrio econômico. sublinhando suas duas insuficiências capitais: sua incapacidade para explicar a formação do equilíbrio. A não-produzibilidade dos ativos líquidos decorre do fato de que a moeda. assim. além disso. Para Keynes todos os ativos líquidos não produzíveis. 36) reforça esse argumento expondo dois objetivos visados por Keynes: a) em primeiro lugar. não é neutra – ela afeta a tomada de decisões relativas às variáveis reais. p. apresentando uma teoria “geral” e. quais sejam: axioma da substituição bruta. a partir das informações passadas e presentes coletadas via sistema de preços (DAVIDSON apud MOREIRA. como o nível de preços e os salários monetários. DAVIDSON (2003. o axioma do mundo econômico ergódico “implica a possibilidade de conhecimento dos eventos futuros. . 5) ressalta três axiomas rejeitados por Keynes.

O aumento na demanda por moeda. os agentes econômicos sabem que o futuro não é necessariamente previsível em nenhum sentido probabilístico. Além disso. b) o sistema econômico move-se. as especificações de importantes séries históricas de variáveis monetárias são geradas por circunstâncias não-ergódicas. em 1929. é uma situação comum numa economia monetária orientada pelas leis de mercado. 1999. d) o desemprego. de um passado irrevogável para um futuro incerto. Para atingir esse fim. p. o autor aceita alguns elementos intrínsecos à 8 A taxa de desemprego subiu de 3. o ponto mais baixo da atividade econômica durante a Depressão.8%. ou seja. Como a elasticidade de substituição entre ativos líquidos e não líquidos é nula. c) contratos futuros expressos em termos monetários são uma instituição humana desenvolvida para organizar eficientemente processos de produção e de troca. Assim pode-se afirmar que “enquanto os proprietários de riqueza desejarem reservar valor em ativos líquidos cujas elasticidades de produção e de substituição podem ser muito baixas. o equilíbrio com desemprego é possível. independente do grau de flexibilidade de preços no sistema (DAVIDSON. A taxa de desemprego na Grã-Bretanha já era de 10% em 1923 e. Keynes realiza uma crítica interna aos postulados da teoria tradicional. 55)”. p. permaneceu acima de 10% até 1936. as economias modernas são. 88). um sistema baseado em contratos de salário-monetário. mais do que o emprego. Na busca de uma explicação consistente para as altas taxas de desemprego registradas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos da América na primeira metade do decênio 19308. a elasticidade de produção da moeda é nula. em 1933. resultará em elevação dos preços dos ativos líquidos não produzíveis. ao longo do tempo. ano em que A Teoria Geral foi publicada (FROYEN. por isso. a demanda por liquidez não será desviada para a demanda por bens e serviços.33 As características fundamentais da moeda permitem fazer a seguinte analogia. pois. o aumento na demanda por moeda não estimulará a produção da moeda mediante maior utilização do fator trabalho no setor privado. os quais têm uma dimensão temporal. .2% da força de trabalho. para 25. 1999. exceto por uma breve redução para 9. O desemprego permaneceu acima de 10% durante toda a década. O contrato salário-monetário é o mais universal desses contratos regidos pelas leis da eficiência econômica. Suponha que os agentes econômicos dão maior preferência pela liquidez (aumento na demanda por moeda) devido à maior predominância de incerteza em relação ao futuro.2% da força de trabalho.

na visão de Keynes. função de produção (neo)clássica. p. supondo como constantes a organização. “Se. 35-36). com o aumento no volume de emprego o produto marginal do trabalho diminui. 1997. admitindo que a mesma baseia-se nos dois postulados fundamentais que se seguem: o salário é igual ao produto marginal do trabalho e a utilidade do salário. Para HANSEN (1987. ou seja. de um lado. o produto marginal do fator trabalho relaciona-se inversamente com o volume de emprego. ou seja. Observa-se que Keynes coloca em evidência os postulados da economia ‘clássica’ referentes às taxas salariais. a igualdade entre o salário real e a desutilidade marginal do trabalho.] o salário de uma pessoa empregada é igual ao valor que se perderia se o emprego fosse reduzido de uma unidade (após a dedução de quaisquer outros custos que essa redução evitaria). quando se emprega determinado volume de trabalho. pois “na análise (neo)clássica o ajuste da taxa salarial constituía um mecanismo essencial através do qual se supunha que funcionasse a lei de Say”. No capítulo segundo da Teoria Geral.34 análise (neo)clássica. O segundo postulado. lei dos rendimentos marginais decrescentes. p. Sabe-se que. diminui o produto adicional por unidade extra de mão-de-obra e. a igualdade entre o salário real e a produtividade marginal do trabalho. p. é igual à desutilidade marginal desse mesmo volume de emprego. 110)”.. reduz o salário real. definindo-o através do seguinte contexto: [. corresponde à teoria dos salários pela produtividade marginal. isto pode ser empiricamente criticável. Keynes denominou a teoria (neo)clássica de análise “simples e óbvia”. Keynes aceita como válido o primeiro postulado. tais como: concorrência perfeita. o equipamento e a técnica. Esse resultado é conseqüência da lei dos rendimentos marginais decrescentes.. 1982. consequentemente. do outro era necessário provar que mesmo mantendo as hipóteses da teoria ‘clássica’ não era possível aceitar suas conclusões (PERES NUNES e COSTA NUNES. isto é. pela imperfeição da concorrência e dos mercados (KEYNES. Como o salário real é determinado pela produtividade marginal do trabalho. um aumento no volume de emprego. com a restrição de que a igualdade pode ser afetada. 25). em condições de equilíbrio. condição de fundamentação da curva de oferta de . Keynes age dessa maneira. O primeiro postulado do sistema teórico (neo)clássico. de acordo com certos princípios.

o desemprego em razão de uma temporária desproporção dos recursos especializados. uma diminuição da oferta de mão-de-obra”. Além do desemprego “friccional”. A primeira refere-se ao comportamento efetivo do trabalhador. de que o salário real é determinado mediante negociações salariais entre trabalhadores e empregadores. não determina. 25. não acompanhada da elevação dos salários nominais. Além disso. Segundo esse postulado. Desta forma. 30) “uma redução dos salários reais. p. o salário real cresce e quando o salário nominal diminui. A segunda objeção decorre da refutação do contexto no qual a mão-de-obra possui capacidade de atingir o salário real. em razão da recusa ou incapacidade de determinada unidade de mão-de-obra em aceitar uma remuneração equivalente à sua produtividade marginal. numa sociedade não estática. ainda. O segundo postulado da economia “clássica” pressupõe a existência de uma correlação positiva entre o salário real e o salário nominal. da lentidão em adaptar-se às mudanças ou. como.] o desemprego “involuntário” (KEYNES. sempre existe certa proporção de recursos não empregados “entre um trabalho e outro”. ou. p. desprazer do trabalho). de modo que.. Keynes levanta duas objeções contra o segundo postulado da teoria (neo)clássica. em conseqüência da obstinação humana. Isso significa que quando o salário nominal aumenta.. por exemplo. do fato de que a transferência de um emprego para outro não se realiza sem certa demora. em decorrência da legislação ou dos costumes sociais. Esse postulado é compatível com o que se pode chamar desemprego “friccional”. é contestado por Keynes. ou de atrasos decorrentes de mudanças imprevistas.35 trabalho. assinala que a mão-de-obra possui capacidade de promover alterações no salário real a partir da aceitação de alterações na magnitude do salário nominal. Os postulados clássicos não admitem a possibilidade de uma terceira categoria de desemprego [. o salário real decresce. ou seja. devida a uma alta de preços. 1982. Para Keynes. ou seja. grifo nosso). por via de regra. nas . conciliar certa imperfeições de ajustamento que impedem um estado contínuo de pleno emprego. resultante de cálculos errados ou da procura intermitente. Segundo KEYNES (1982. postula que o salário real seja determinado mediante negociações salariais entre trabalhadores e empregadores. simplesmente. pois uma interpretação realista do mesmo permite. os trabalhadores recusariam ofertar seus serviços em mão-de-obra todas as vezes que o salário real fosse inferior ao salário real corrente (utilidade do salário menor que a desutilidade marginal do trabalho. com plena justificação. o postulado é ainda compatível com o desemprego “voluntário”.

na realidade essa luta tem um objetivo diferente. Ou seja. b) para a teoria (neo)clássica. p. o que é suficiente para justificar a sua resistência (KEYNES. apesar de que pequenos aumentos de preços são assimilados. DATHEIN (2000. pois ocorre resistência a estas reduções. os trabalhadores aceitariam reduções de salários nominais. o salário real determina o nível de emprego. o que envolve um raciocínio circular. o autor ressalta que os trabalhadores resistem a reduções no salário nominal. o que também não corresponderia à realidade. no mundo real. d) Keynes também argumenta que. se ocorrer aumento de emprego por queda de salários reais (com salários nominais constantes e preços maiores). p. pois os salários reais dependem dos preços. como de fato acontece. c) segundo a visão (neo)clássica. se a DMgN (desutilidade marginal do trabalho) fosse superior à UMgN (utilidade marginal do trabalho) haveria desemprego voluntário. os trabalhadores não estariam reclamando da situação. Eles querem trabalhar. se isto fosse verdade. os desempregados estão sofrendo. Keynes argumenta que. 1982.36 negociações entre mão-de-obra e capitalistas determina-se o salário nominal. frequentemente. Uma vez que a mobilidade do trabalho é imperfeita e os salários não tendem a estabelecer uma exata igualdade de vantagens líquidas para as diferentes ocupações. isto estaria a indicar que antes havia desemprego involuntário. sendo que um objetivo normalmente buscado é o de manutenção de salários reais relativos constantes. além disso. mas não têm controle sobre o salário real. segundo Keynes. a queda dos salários reais não . Embora se julgue. Os trabalhadores desempregados estariam tendo um prazer com seu lazer superior ao desprazer do trabalho ao salário real vigente. qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos que consinta numa redução dos seus salários nominais em relação a outros sofre uma redução relativa do salário real. não tendo prazer. não o real e. 108) mostra seis argumentos utilizados por Keynes para contrapor ao segundo postulado “clássico”: a) segundo a teoria neoclássica. Se este desemprego fosse voluntário. e estes dependem de custos que são uma função do emprego (dados rendimentos decrescentes). 31). que a luta entre indivíduos e grupos pelos salários nominais determina o nível geral dos salários reais.

Os salários reais dependem do nível do custo de vida. segundo a teoria (neo)clássica.1 Causalidade entre Salários Reais e Nível de Emprego: Um Estudo de Edward J. Amadeo Segundo AMADEO (1986). 137)”. portanto. no que diz respeito à causalidade da relação identifica-se um absoluto desacordo. a afirmação de que uma queda de salários reais levaria ao abandono de empregos não é razoável em situações de desemprego. por exemplo. se objetivassem reduzir o salário real. Na análise realizada pelos economistas de tradição “clássica”.37 poderia ter elevado o emprego. enquanto os desempregados não possuem poder para isto. p.1. além de implicarem custos de demissão. os trabalhadores empregados não têm interesse em baixar seus salários reais para aumentar o emprego. estabelecem as condições de otimização (equilíbrio) de trabalhadores e firmas. De outra parte. contratação e treinamento para o caso de troca de empregados. e) um quinto argumento é de que não são os trabalhadores que controlam seus salários reais e. “São os salários reais que. para a economia (neo)clássica existe sincronização perfeita entre o salário real e o salário nominal. A redução do salário real mediante queda do salário nominal resultar-se-ia em um aumento do volume de emprego. f) por fim. ao serem determinados no mercado de trabalho. definindo o nível de emprego (AMADEO. a visão de que existe uma correlação entre o salário real e o nível de emprego tornou-se ponto consensual entre as escolas do pensamento econômico. bastava aceitarem uma queda no salário nominal. Ou seja. assim. eles não conseguem fazer a sua DMgN se igualar à UmgN. 1986. o qual é determinado por fatores exógenos ao mercado de trabalho. pressupõe que os trabalhadores possuem capacidade de determinar o salário real. uma vez que. observa-se que o sentido da causalidade vai do salário real para o volume de emprego. Os salários nominais. são fixados ou pelas empresas. 3. Entretanto. por outro lado. ou são determinados em negociações coletivas. De outra parte. Keynes argumenta que reduções de salários nominais levam a conflitos que não interessam às empresas. .

supõe como único fator variável a força de trabalho. qualquer meio utilizado para elevar o nível de demanda efetiva. reduzindo o salário real. conduzirá a um aumento no volume de emprego. Assim. um aumento no volume de emprego. AMADEO (1986) ressalta que para Keynes o salário nominal é definido no processo de negociação entre trabalhadores e empresas. Para explicar a causalidade existente entre o salário real e o nível de emprego segundo os argumentos de Keynes. Em sua análise. p. Sabe-se que o salário real é determinado pelo produto marginal do trabalho. Neste sentido. determina o salário real. Mas o salário real depende tanto do salário nominal quanto do nível de preços da cesta de consumo dos trabalhadores. na Teoria Geral. vai do nível de emprego para os salários reais (AMADEO.38 Por outro lado. um aumento em sua magnitude resultará em queda na quantidade de unidades adicionais de produto por unidade extra de mão-de-obra. desta forma. faz a seguinte esquematização: (1) A O (3) (2) P W/P W Fonte: AMADEO (1986. O = Produto. Keynes argumenta que a demanda efetiva determina o volume de emprego.133)”. E esse depende. segundo Keynes. . 135). matérias-primas e energia) e a produtividade dos fatores. p. Onde. Como o volume de emprego está inversamente relacionado com a produtividade marginal do trabalho. que. cujos determinantes são o preço unitário dos fatores variáveis (força de trabalho. Observa-se “que a correlação. AMADEO (1986). A = Gastos autônomos. do custo primário marginal. o nível de preços da cesta de consumo dos trabalhadores passa a depender da taxa de salário nominal e da produtividade do trabalho. segundo Keynes. por sua vez. diminui a produtividade marginal do trabalho. 1986. AMADEO (1986).

o desemprego.. o volume de emprego de equilíbrio.].. onde: [. 3. ou seja. [. especificamente. do Juro e da Moeda. A esquematização acima indica que um aumento nos gastos autônomos (A) provoca uma elevação no produto (O) e.. (2) = Corresponde ao efeito do nível de produto sobre o nível de preço de acordo com a hipótese de rendimentos marginais. o desemprego não era conseqüência do excesso de salário real sobre a produtividade marginal do trabalho.] o volume do emprego é inferior à oferta de trabalho. no mercado de trabalho. portanto. O aumento no volume de emprego resulta em uma queda na produtividade marginal do trabalho. P = Nível de preços. A redução no produto marginal do trabalho conduz a uma diminuição do salário real. 158) mostra que a procura efetiva insuficiente gera um equilíbrio com subemprego. p. consequentemente. no volume de emprego.. que.2 UMA NOVA TEORIA DO EMPREGO Ao elaborar a Teoria Geral do Emprego. Para demonstrar o equilíbrio no mercado de bens e serviços ou. a presença. devido à lei dos rendimentos marginais decrescentes. era resultado de uma insuficiência de demanda efetiva. Keynes demonstrou que o nível geral de emprego não era determinado no mercado de trabalho e.39 W = Salário Nominal. (3) = Corresponde ao eventual efeito do nível de produção sobre a demanda de trabalho e fixação do salário nominal. de natureza involuntária. Keynes lança mão de duas funções fundamentais: a função de oferta agregada e a função de demanda agregada. BARRÉRE (1961. porque este é superior à desutilidade marginal do volume de equilíbrio do emprego. no ponto de interseção das funções de demanda agregada e oferta agregada. Neste sentido. Para Keynes o volume de emprego era definido no mercado de bens e serviços. de indivíduos que desejam em vão trabalhar por um salário igual ou inferior ao corrente. A primeira função “relaciona as receitas de vendas esperadas pelos . (1) = Corresponde ao funcionamento do multiplicador. equivalentemente.

p. 7)”. Na figura 7 a função de oferta agregada é traçada com inclinação ascendente. Z = Φ (N) Onde. quanto melhores forem as previsões dos empresários relativas às receitas de vendas – quanto maiores forem os lucros esperados – maior será a propensão desses empresários a contratar quantidades adicionais de trabalho (maior será o volume de emprego). D = Demanda agregada. D = f (N) Onde. N = Volume de emprego. Essas relações funcionais podem ser expressas da seguinte forma: 1. indicando uma correlação positiva entre a receita esperada de vendas e o volume de emprego. 7)”. A segunda função “relaciona os fluxos de gastos desejados pelos consumidores para cada nível observado de emprego (DEVIDSON. Ou seja. 2003. 2003. (13) . Z = Oferta agregada. (12) Fonte: DAVIDSON (2003. p. 8) Figura 7 – Função de Oferta Agregada 2. p.40 empresários com o volume de emprego a ser contratado por eles para cada volume esperado de receitas de vendas (DAVIDSON.

expressos na função Z. Nesta estrutura é válido o princípio da procura efetiva. o pleno emprego não pode ser . Observa-se que as curvas não são coincidentes. mas pelos custos de produção (incluindo os salários). Essa função. “O princípio da demanda efetiva afirma que o emprego é determinado não no mercado de trabalho. As funções de oferta e de demanda agregadas podem ser plotadas em um mesmo sistema cartesiano para determinar a posição de equilíbrio do mercado de trabalho. Na figura 9 está representada a estrutura básica da teoria de Keynes sobre o emprego. Para BARRÉRE (1961. que. a satisfação das necessidades tende à saturação. 257). indica que quanto maior o volume de emprego. Figura 8 – Função de Demanda Agregada. p. ocasionando. p. p. maior a propensão dos consumidores a gastar com bens e serviços ofertados pelas unidades produtivas.41 N = Volume de Emprego. 8). portanto. Fonte DAVIDSON (2003. 105)". pois. pois à medida em que a produção global aumenta. com inclinação positiva. segundo o qual a demanda agregada constitui o determinante do volume de emprego. expressa na função D (CHICK apud DATHEIN. “a curva deve inclinar-se para a direita. indicando que a Lei de Say não constitui a verdadeira lei que relaciona as funções de oferta agregada e de demanda agregada e. flexão relativa das receitas”. A figura 8 mostra a função de demanda agregada. 2000. e pela demanda esperada pelos produtos.

Neste contexto. Esse ponto. a evidência prova que o pleno emprego. a preferência pela liquidez e a propensão marginal a consumir (PERES NUNES e COSTA NUNES. A oferta agregada é função do emprego e dos salários nominais. “Ademais. 38)”. p. Fonte: DAVIDSON (2003. é dependente de expectativas em um contexto de incerteza. é o de interseção das duas funções. Z e D são funções distintas. A demanda agregada possui duas partes. sendo o consumo dependente dos mesmos fatores que Z. o equilíbrio é identificado em um único ponto (ponto E). Ele está sujeito a variações contínuas. Nada garante que as funções Z e D sejam coincidentes. não havendo motivos para serem coincidentes a não ser como um caso especial (DATHEIN. denominado de demanda efetiva. Sua posição dependerá “dos fatores que determinam as funções Z e D. que o ponto de demanda efetiva não é estável. e não simplesmente do emprego ou da renda. p. o investimento. quais sejam: a eficiência marginal do capital. o termo demanda efetiva designa um estado de previsões das despesas de consumo e das despesas de investimento. 194)”. p. p. ou mesmo o aproximadamente pleno. Desta forma. “Neste ponto as expectativas de lucro dos empresários são maximizadas (KEYNES. provocadas pelo estado de expectativas de curto prazo. Vale ressaltar. 105). 111)”. 2000. 9). Como a figura expressa relações funcionais em um mundo não-euclidiano. mas a segunda parte. Figura 9 – Equilíbrio no mercado de bens. como determina a lei de Say. . p.42 automaticamente alcançado. 1997. 1982. é uma situação tão rara quanto efêmera (KEYNES. 1987.

o primeiro abrange um 9 Para HANSEN (1987. Por outro lado. procura global e preço da procura global. em certo sentido. não a condição normal de funcionamento do sistema econômico. é. se a oferta agregada exceder a demanda agregada (insuficiência de demanda efetiva) o volume de emprego será contraído. Esta relação particular. que corresponde às hipóteses da teoria clássica. em vez de ter um único valor de equilíbrio. 39)”. O arcabouço de definições abrange a conceituação dos seguintes termos: oferta global. p. Neste momento. Antes de promover a investigação das forças determinantes do volume de emprego de equilíbrio. Por oferta global entende-se a totalidade da produção resultante do emprego de certo volume de trabalho e capital. ou seja. 40). A demanda efetiva associada ao pleno emprego é um caso especial que só se verifica quando a propensão a consumir e o incentivo para investir se encontram associados entre si numa determinada forma. pois os empresários projetam cenários pessimistas. expostos no Livro Segundo9 da Teoria Geral denominado “Definições e Idéias”. Assim. preço da oferta global. os de 4 a 7. o termo procura global representa a totalidade de compras feitas aos empresários. na esquematização teórica realizada por Keynes. 53) “o Livro II da Teoria Geral é uma digressão. são dedicados a definições e conceitos preliminares que logicamente poderiam ter sido melhor tratados no começo do volume”. Mas ela só se verifica quando. Vale ressaltar. 1982. o investimento corrente proporciona um volume de demanda justamente igual ao excedente do preço da oferta agregada da produção resultante do pleno emprego sobre o que a comunidade decida gastar em consumo quando se encontre em estado de pleno emprego (KEYNES. comporta uma série infinita de valores todos igualmente admissíveis (KEYNES. 1982. será registrado desemprego involuntário. que o ponto de demanda efetiva de pleno emprego constitui um caso especial. Isso ocorre porque os empresários percebem uma possibilidade de expandir suas receitas de vendas (ampliar margem de lucratividade). de redução da margem de lucratividade. Os capítulos intermediários. Por outro lado. O raciocínio iniciado no Livro I é interrompido e retomado no Livro III. uma relação ótima. . p. Keynes coloca em evidência alguns conceitos fundamentais. a “demanda efetiva. uma vez que os consumidores estão desejosos de adquirir bens e serviços.43 Se a demanda agregada (D) exceder a oferta Agregada (Z) haverá um incentivo que leva os empresários a contratar um volume maior de emprego. ou seja. por acidente ou desígnio. p. Os termos preço de oferta global e preço de procura global envolvem previsões e expectativas.

Esta investigação teórica é realizada por Keynes nos Livros III e IV da Teoria Geral. σ = Consumo autônomo (consumo que independe do nível de renda). além de elaborar sua Teoria Geral da Taxa de Juros. Y = Renda disponível (renda menos imposto). I = Montante de investimento. DA = Demanda Agregada. ou seja. O objetivo de Keynes ao propor o Livro Terceiro foi identificar “os fatores que determinam a soma que se gastará em consumo quando o emprego se acha em determinado nível (KEYNES. C = σ + β (Y) – Relação linear. uma investigação dos determinantes da função consumo e da função investimento. 1982. são variáveis ex ante. divide a demanda agregada em dois componentes. Graficamente. p. Para HANSEN (1987) a análise da função de demanda agregada exige uma investigação sobre os fatores que condicionam os gastos em consumo e em investimento. No Livro Quarto Keynes sintetiza os determinantes do nível de investimento. a saber. C = Propensão a consumir. Desta forma. Onde. Keynes dedica-se a investigar os determinantes da função de demanda agregada. posteriormente. β = Propensão marginal a consumir. 83)”. o consumo e o investimento para.44 conjunto de estimativas feito pelos empresários referente ao valor esperado da produção e o segundo indica as previsões das despesas que se farão para adquirir a oferta global. ou seja. identificar as forças que regem esses dois componentes e. evidenciar os fatores responsáveis pelas flutuações do volume de emprego. C = Consumo. Após as definições dos termos fundamentais utilizados ao longo do desenvolvimento da Teoria Geral. tem-se: (16) (15) (14) . A função-consumo elaborada por Keynes pode ser expressa como se segue: C = χ (Y) Ou. DA = C + I Onde. em seguida.

88). PMgC < 1. A figura 10 mostra a relação entre o montante de consumo e o nível de renda. partindo do nosso conhecimento da natureza humana. 337). como a partir dos detalhes dos ensinamentos da experiência.45 Fonte: MANKIW (2008. porém em proporção inferior. a aumentar o seu consumo à medida que a sua renda cresce. Na passagem anterior Keynes afirma que a propensão marginal a consumir é positiva. a priori. de modo geral e em média. A figura resume o que Keynes denomina de lei psicológica fundamental: A lei psicológica fundamental em que podemos basear-nos com inteira confiança. Indica que o volume de consumo aumenta à medida que o nível de renda se eleva. consiste em que os homens estão dispostos. um aumento no nível de renda provoca um aumento no volume de consumo. Assim. p. porém inferior à unidade. (17) Depois de demonstrar que a renda constitui o principal determinante do nível de consumo. PMgC = ΔC/ΔY PMgC > 0 . p. A propensão marginal a consumir apresenta-se como a inclinação da função-consumo. Ele divide esses fatores em dois grupos: fatores subjetivos e fatores . Keynes expõe outros fatores que influem sobre a propensão a consumir. tanto. embora não em quantia igual ao aumento de sua renda (KEYNES. Por propensão marginal a consumir (PMgC) entende-se a elevação do consumo como conseqüência do aumento de uma unidade adicional da renda disponível. 1982. Figura 10: Função-Consumo.

ainda não conhecidos. O fator mudanças de expectativas corresponde a um dos pontos de inovação introduzidos por Keynes à análise econômica. a função-consumo será deslocada positivamente. de lenta mutação. responsáveis pelos deslocamentos da função-consumo. neste sentido. Tendo raízes fundas em padrões de comportamento estabelecidos. Suponha que o governo decida conduzir uma política fiscal expansionista (redução das alíquotas de impostos). determinam fundamentalmente a inclinação e a posição da função-consumo e atuam no sentido de lhe emprestar um grau de estabilidade bastante alto (HANSEN. b) Mudanças em política fiscal. c) Mudanças de expectativas. tendem a ser bastante estáveis. não estão sujeitos a sofrer uma mudança material durante um curto período. . Os fatores subjetivos. 84). HANSEN (1987. promovendo deslocamentos positivos da função-consumo. os consumidores formam expectativas sobre as condições econômicas futuras. Podem-se identificar três desses fatores: características psicológicas da natureza humana. Os fatores objetivos são de natureza exógena e. Neste sentido. O primeiro fator pode ser ilustrado tendo por base as flutuações nas cotações das ações. tal ganho impactará positivamente a função-consumo.46 objetivos. 96-97) identifica quatro fatores objetivos considerados por Keynes: a) Ganhos e prejuízos fortuitos. sendo a realidade não-ergódica. Se o inverso ocorrer. O segundo fator – política fiscal – constitui um fundamental determinante dos deslocamentos da função-consumo. se as ações sofrerem uma desvalorização. portanto. Indica que eventos vindouros. Os fatores subjetivos ou endógenos são responsáveis pela determinação da inclinação e posição da função-consumo. ou seja. suponha que os consumidores esperam uma contração do nível de atividade econômica e. costumes e instituições sociais. influenciam os fatos que caracterizam o presente. exceto em circunstâncias anormais ou revolucionárias. Suponha que as cotações das ações nas bolsas de valores proporcionem rendimentos significativos aos acionistas. p. a função-consumo deslocar-se-á para a esquerda. isto é. Esse tipo de política expande a renda disponível. Estes fatores. ainda que não inalteráveis. 1987. Desta forma. d) Mudanças substanciais na taxa de juros. p.

uma redução na oferta de bens e serviços.47 consequentemente. de modo que não se pode considerar a poupança fluindo automaticamente para o investimento (DATHEIN.σ + (1 – β)Y – Relação linear. no caso. p.σ = Nível negativo de poupança. (1 – β) = Propensão marginal a poupar. 103). 154)”. cresce com o aumento da renda e mais depressa do que o consumo (BARRÉRE. p. Observa-se que à medida que a renda (19) (18) . Onde. HANSEN (1987. p. Y = Nível de renda. diferença entre renda global e despesa global de consumo. o que terá o efeito de reduzir a renda. de tal forma que a função-consumo corrente desloca-se para a direita. Desta forma. isto é. 98) explica que: Embora não se acredite que mudanças moderadas na taxa de juros causem deslocamentos importantes na função-consumo. Contudo. A figura 11 evidencia a relação entre o nível de renda e o montante de poupança. S = . uma vez que as decisões sobre poupar e investir são tomadas por pessoas diferentes. Nesta análise. . sendo uma variável residual determinada pelas decisões de consumir e investir. Mas se a renda cai. Existe uma desigualdade potencial entre S e I. S = Poupança. Essas expectativas levarão os consumidores a aumentar a quantidade de consumo corrente. A função-poupança pode ser representada como se segue: S = s (Y) Ou. a poupança (S) não é determinante ou pré-requisito para os investimentos (I). 1961. E a razão é a seguinte. pode diminuir o investimento. Keynes tem o cuidado de observar que tais mudanças podem afetar substancialmente o montante realmente poupado. o efeito é o oposto daquilo que geralmente se pensa ocorrer. “A poupança é um resíduo. ou. são os investimentos que aparecem como determinantes da poupança. 2000. o montante poupado diminuirá. No que diz respeito ao quarto fator. Keynes indica que o montante de poupança é função do nível de renda e não da taxa de juros como afirmavam os economistas (neo)clássicos. mostra a função-poupança. A poupança é uma função da renda e a renda é uma função dos investimentos sendo estes inversamente proporcionais à taxa de juros. um aumento na taxa de juros.

Por eficiência marginal do capital entende-se o rendimento esperado de um determinado projeto de investimento ou. p. determinante do volume de emprego de equilíbrio corresponde aos incentivos a investir. nas palavras de Keynes: A relação entre a renda esperada de um bem de capital e seu preço de oferta ou custo de reposição. dado o nível de renda. Note-se que a poupança não se relaciona com a taxa de juros como acontece no sistema clássico. é positiva. equivalentemente. Figura 11: Função-Poupança. Fonte: FROYEN (1999. isto é. Keynes demonstra que o nível de investimento depende da relação entre a taxa de juros e a eficiência marginal do capital. o montante de poupança se eleva. denominada de propensão marginal a poupar (PMgS = ΔS/ΔY). a relação entre a renda esperada de uma unidade adicional daquele tipo de capital e seu . A análise dos fatores responsáveis pela determinação do incentivo a investir constitui parte fundamental da Teoria Geral. Um outro determinante da demanda agregada ou. Isso ocorre porque a inclinação da função.). 100.48 aumenta.

ou seja. maior o nível de investimento. menor o nível de investimento. “O empresário é incitado enquanto o primeiro for superior ao segundo (BARRÉRE. uma redução da taxa de juros tenderá a provocar uma expansão do investimento e. (20) . desta forma. isto é. p. I = Investimento. durante toda a sua existência. a eficiência marginal do capital diminui. quanto maior a taxa de lucro prevista pelos empresários. o nível de investimento aumentar-se-á até o ponto de igualdade entre a taxa de juros e a eficiência marginal do capital. defino a eficiência marginal do capital como sendo a taxa de desconto que tornaria o valor presente do fluxo de anuidades das rendas esperadas desse capital. 1982. Indica também. consequentemente. está inversamente correlacionada com os incentivos a investir. A taxa de juros apresenta-se como o custo do investimento. Observa-se que a função investimento possui inclinação decrescente. 271)”. j) Onde. 1961. Mais precisamente. j = Taxa de juros do mercado. uma elevação do volume de emprego. A figura 12 evidencia a relação entre a eficiência marginal do capital e a taxa de juros com o nível de investimento. quanto menor a taxa de juros. A função investimento pode ser apresentada da seguinte forma: I = f (r. Neste sentido. Assim. Portanto. Além da eficiência marginal do capital. Para BRESSER PEREIRA (1973). dá-nos a eficiência marginal do capital desse tipo. exatamente igual ao seu preço de oferta (KEYNES. os projetos de investimentos só serão viabilizados se a eficiência marginal do capital exceder a taxa de juros. Neste sentido. quanto maior a eficiência marginal do capital.49 custo de produção. Assim. maior os investimentos. identifica-se uma correlação positiva entre os incentivos a investir e a eficiência marginal do capital. r = Eficiência marginal do capital. o nível de investimento está relacionado com a taxa de juros do mercado. p. indicando que quanto maior a taxa de juros. a eficiência marginal do capital pode ser definida como a taxa de lucro prevista. 115). que à medida que o nível de investimento aumenta. dada a eficiência marginal do capital.

ou seja. um futuro incerto. p. 4). por exemplo. não é passível de ser estimado estatisticamente. tomam decisões. Keynes. identificou duas razões que explicam tal correlação negativa: Keynes. p. 1973. afirma que os “homens de negócio” possuem um conhecimento restrito a respeito dos fatores que regulam os rendimentos futuros de um determinado investimento. em regra geral. Na . 10)”. O conceito de incerteza utilizado por Keynes não equivale à definição de risco probabilístico.50 Fonte: BRESSER PEREIRA (1973. desprezível (KEYNES apud MOREIRA. em geral. durante um certo período de tempo. Afirma algo vagamente que “se houver um aumento do investimento de qualquer tipo de capital. menor a eficiência marginal do capital. quanto maior o nível de investimento. “O nosso conhecimento dos fatores que regularão a renda de um investimento alguns anos mais tarde é. em parte porque. cita duas causas. Figura 12: Função-Investimento. 2005. Keynes ao desenvolver o Livro IV da Teoria Geral. No parágrafo anterior. 4). identificou-se uma relação inversa entre o montante de investimento e a eficiência marginal do capital. observando essa relação. p. frequentemente. isto é. a eficiência marginal desse capital decrescerá à medida em que o investimento aumente. uma pressão sobre as fábricas destinadas à produção desse tipo do capital farão seu preço de oferta crescer (KEYNES apud BRESSER PEREIRA. muito limitado e. tendo por base. ou seja. em parte porque as perspectivas de lucro cairão à medida em que a oferta do capital é aumentada e.

O termo incerteza fraca (equivalente ao risco probabilístico) sugere que os agentes econômicos. 1999. Tais expectativas classificam-se em dois grupos. p. p. Vale ressaltar. por sua vez. ou seja. Destarte. Neste caso. é formado pelos empresários com base nos fatos da experiência. O primeiro deles está relacionado com o produtor e abrange as chamadas “expectativas a curto prazo”. Enquanto que as expectativas a longo prazo. por fatos que caracterizam a conjuntura econômica no momento em que as decisões de investir são tomadas. Para o autor as expectativas de curto prazo são responsáveis pela determinação do volume de produção. mas pelo fato de que as informações necessárias não existem no momento da tomada de decisão: tal informação existirá apenas no futuro. 89)”. de maneira confiável probabilidades numéricas para os eventos futuros. p. há risco (incerteza fraca). são capazes de definir uma distribuição de probabilidade referente aos eventos futuros. Neste contexto. 2005. O segundo grupo de expectativas está relacionado com os rendimentos em perspectiva que podem ser antevistos de um ativo durável a longo prazo. Por outro lado. podem-se identificar dois tipos de incerteza: a incerteza fraca e a incerteza forte. denominado por Keynes de “estado de confiança”.51 literatura econômica. Em outras palavras. Keynes enfatizava um ambiente econômico nãoergódico. mostra uma realidade na qual os agentes econômicos não conseguem estabelecer uma distribuição de probabilidade sobre os eventos futuros. Nas situações em que os agentes podem definir uma distribuição de probabilidade para todos os eventos possíveis. que Keynes faz uma distinção entre expectativas de curto prazo e expectativas a longo prazo. A incerteza forte estaria associada às situações nas quais é impossível formar. determinam o nível de investimento. a rigor. O termo incerteza forte está “associado à falta de evidência e à nãoconfiabilidade do conhecimento (DEQUECH. que. o termo incerteza forte. incerteza forte significa que o futuro é. 10). O estado de expectativa a longo prazo. faltam evidências ou informações necessárias para tal tarefa. mediante utilização dos instrumentos estatísticos. 2005. 10). pois as informações sobre o comportamento futuro da economia são limitadas. impossível de ser conhecido (FEIJÓ apud MOREIRA. A incerteza que povoa a natureza econômica é causada não pela simples incapacidade de os agentes coletarem e processarem todas as informações disponíveis. e abrange as . ainda será criado pelos agentes (DEQUECH apud MOREIRA. as decisões a investir dependerão do estado de expectativa a longo prazo.

a eficiência marginal do capital será reduzida provocando contração do nível de investimento e do volume de emprego. a eficiência marginal do capital se elevará. Se o aumento da eficiência marginal do capital for superior à taxa de juros. 124)”. 65). a economia moveu-se do ponto E0 para o ponto E1. A redução da taxa de lucro prevista impactará negativamente o nível de investimento e. se os empresários formarem um estado de expectativa a longo prazo otimista. A parte B do gráfico. “O estado de confiança é relevante pelo fato de ser um dos principais fatores que determinam essa escala. ou seja. mostra o impacto sobre o volume de emprego de um aumento na escala de eficiência marginal do capital. a curva de gastos desejados (demanda agregada). Com o deslocamento. Esse movimento ocorreu devido à influência que o “estado de confiança” exerce sobre a eficiência marginal do capital. 1987. o volume de emprego aumentou de N0 para N1. determina o nível de investimento. o nível de investimento será expandido e. 1987. o volume de emprego será ampliado. de E0 para E1. p. por sua vez. a qual é idêntica à curva da demanda de investimento (KEYNES. isto é. A figura 13 parte A. se os empresários formarem um estado de expectativa a longo prazo pessimista. . mostra os efeitos da formação de um estado de expectativa a longo prazo pessimista. ao investimento em capital fixo (HANSEN. O “estado de confiança” afeta o nível de investimento por intermédio da escala de eficiência marginal do capital. por sua vez. As primeiras ligam-se à perspectiva de vendas. como conseqüência da expansão do investimento. a curva de demanda agregada – curva D – desloca-se para baixo. Observa-se que o aumento da eficiência marginal do capital afetou positivamente a curva de gastos desejados (demanda agregada) deslocando-a para cima. O “estado de confiança” pessimista reduz a escala de eficiência marginal do capital. consequentemente. que. A elevação da eficiência marginal do capital foi provocada pela formação de um estado de expectativa a longo prazo otimista pelos empresários. Assim. Se o inverso ocorrer. Neste sentido. p.52 chamadas “expectativas a longo prazo”. O volume de emprego. é reduzido de N0 para N1. as segundas.

a propensão psicológica a consumir. por sua vez. 279) salienta que: . Esses últimos correspondem aos componentes da demanda agregada. para Keynes o volume de emprego de equilíbrio depende das leis psicológicas fundamentais que. desta forma. quantidade de equipamento disponível. deduz-se.53 Fonte: DAVIDSON (2003. e (3) a quantidade de moeda tal como é determinada pela ação do banco central. 1987. p. As variáveis dependentes são o volume de emprego e o nível de produção e as variáveis independentes são a eficiência marginal do capital. o estado da técnica. pode-se dizer que Keynes elaborou um modelo de determinação do volume de emprego de equilíbrio composto por variáveis dependentes e independentes. a saber. BARRÉRE (1961. a atitude psicológica relativa à liquidez e a expectativa psicológica do rendimento futuro dos bens de capital. tal como é determinada pelos acordos celebrados entre patrões e operários. se tomarmos como dados os fatores antes antecipados (quantidade de mão-de-obra. podemos em alguns casos considerar como variáveis independentes finais (1) os três fatores psicológicos fundamentais. de maneira que. Ou seja. que a teoria de Keynes sobre o emprego resulta em um contexto onde o princípio da demanda efetiva constitui a verdadeira lei que relaciona as funções de oferta e demanda agregada. 9). estas variáveis determinam a renda e o volume de emprego (KEYNES. (2) a unidade de salários. 192). Figura 13 – Mudanças no ponto de demanda efetiva. p. p. os hábitos dos consumidores a estrutura social). a propensão a consumir e a taxa de juros. são determinantes da propensão a consumir e do incentivo a investir. os gostos. Assim. Diante dos argumentos expostos anteriormente. o grau de concorrência.

54 Os fatores determinantes do equilíbrio não são mais. é o volume do investimento que assume o caráter de fator determinante desse equilíbrio. e. p. Desta . que o desemprego involuntário é conseqüência de insuficiência de demanda efetiva. 3. além de instrumental teórico. nem a desenvolver o volume de mão-de-obra utilizado. 1961. identificou-se que no sistema keynesiano o equilíbrio macroeconômico pode ocorrer em qualquer nível. isto é. eficácia marginal do capital e taxa de juros. consiste em um arcabouço de análise empírica. “A teoria keynesiana deságua numa política econômica destinada a obter regularmente elevado volume da renda nacional e do emprego (BARRÉRE. os componentes do preço. 281)”. observa-se que Keynes defendeu a utilização dos instrumentos de política macroeconômica como meio de promover a expansão do volume de emprego. ou seja. 1961. ser compatível com a posição de equilíbrio de pleno emprego (máxima utilização dos fatores de produção. situação na qual os fatores de produção são subutilizados. governando o volume do investimento e do consumo. mas as três variáveis fundamentais: propensão a consumir. Sua política do emprego se baseia em três meios essenciais: o estímulo ao investimento privado. p. Desta forma. Assim se estabelece a posição de equilíbrio do emprego em que nada mais incita os empresários a contraí-lo. o desenvolvimento de investimento público e a elevação da propensão a consumir. Sabe-se que o nível de investimento depende da relação entre a eficiência marginal do capital e a taxa de juros. Verificou-se também. o nível de investimento expandir-se-á enquanto a eficiência marginal do capital estiver excedendo a taxa de juros. com ênfase no processo de formulação e condução de políticas econômicas. portanto.3 PRESCRIÇÕES DE POLÍTICAS ECONÔMICAS Nos tópicos anteriores. as quais. torna-se válido questionar: Como elevar a demanda agregada ao nível de equilíbrio de pleno emprego? Quais meios utilizar para expandir o volume de emprego? A teoria keynesiana. como a propensão a consumir se mostra estável. permitem à procura atingir o volume previsto pelos empresários e ao emprego dilatar-se até o volume necessário para movimentar a produção correspondente. Estes três métodos fazem nascer outras tantas políticas particulares ordenadas em uma política geral do emprego (BARRÉRE. trabalho e capital) ou se estabelecer num nível aquém da posição de equilíbrio de pleno emprego. 287). Neste sentido.

Constata-se que um aumento no nível de investimento promove expansões no volume de emprego e no nível de renda. Se a taxa de juros. gerando novo acréscimo de renda. sintetizam a seguinte seqüência: Y=C+I C = C0 + cY I = I0 Y = C0 + cY + I0 10 (21) (22) (23) (24) A variação inicial na despesa (investimento) tem um impacto imediato e direto sobre a renda daqueles que são beneficiários desses gastos. Ao receber esta renda. Assim. O aumento da oferta de moeda reduz a taxa de juros. quanto maior a propensão marginal a consumir. ou seja. após a condução da política monetária. 2008. o nível de investimento será expandido. identificam-se duas maneiras de estimular o desenvolvimento dos investimentos. assim. O tamanho do multiplicador está diretamente relacionado com a propensão marginal a consumir.55 forma. maior o multiplicador de gastos. Esse incentivo pode ser realizado por intermédio da redução da taxa de juros. “A elevação da eficácia marginal do capital é muito difícil obter-se. O aumento dos investimentos fomentar-se-á a demanda agregada. o desemprego involuntário é reduzido. baixo crescimento econômico e altas taxas de desemprego. e assim sucessivamente. levando à nova ampliação da renda. os indivíduos ampliarão seu consumo de acordo com a propensão marginal a consumir. os acréscimos de consumo induzidos pelo gasto inicial fazem com que a renda cresça mais que a variação da despesa (investimento) inicial (LOPES e VASCONCELLOS. p. Keynes se dirige para a segunda solução (BARRÉRE. p. Supõe-se que uma determinada economia esteja passando por uma recessão. ampliar a base monetária da economia. o governo (autoridade monetária) poderá conduzir uma política monetária expansionista. isto é. desta forma. 1961. A alteração da taxa de juros (aumento ou redução) é promovida por intermédio da política monetária. 152). 287)”. 152). LOPES e VASCONCELLOS (2008. for fixada em um nível inferior a escala de eficiência marginal do capital. . Um meio de promover a recuperação consiste em estimular a demanda agregada através do incentivo ao investimento. p. o volume de emprego e o nível de produto são aumentados. ou seja. Dessa forma. Os agentes que forem beneficiados por esta nova ampliação da renda também ampliarão seu consumo. A expansão da renda ocorre através de um processo de multiplicação (multiplicador de gastos10). no sistema teórico desenvolvido por Keynes a demanda agregada determina o emprego e a renda. através do aumento da eficiência marginal do capital ou mediante redução da taxa de juros. Como.

o investimento privado será insuficiente para suprir a lacuna existente entre a produção e o consumo. Sacrificando-se à tradição teórica. reduziu ao mínimo seu papel prático. então. Assim. para explicar que seria vão prosseguir numa política que tende a combinar a taxa de juro com a baixa eficácia marginal do capital: o “alçapão de moeda” (absorção pelos encaixes de toda quantidade adicional de moeda. Mas em razão da baixa da eficácia marginal do capital. A preferência pela liquidez vem. Co = Consumo autônomo. 290-291). na realidade. através do investimento público. Keynes. o efeito da política monetária sobre a taxa de juros será nulo. 1961. a partir de determinado nível de taxa de juros a preferência pela liquidez torna-se generalizada. haverá um hiato entre a produção total e a demanda agregada. A explicação parece encontrar-se alhures. desempenhou esse papel determinante no passado. Esta se mantém válida enquanto a taxa for bastante elevada. Para Keynes a intervenção do Estado na economia deve se dar no sentido de complementação do setor . 1/1 – c = Multiplicador de gastos. contribuiu para a determinação da procura por capital. praticamente. (25) Sabe-se que à medida que o nível de investimento aumenta. com o desenvolvimento dos investimentos. Isto é. quando a taxa é muito baixa) explica a inutilidade de se prosseguir numa política monetária impossível. desde que começar a baixar. isto é. tem hoje apenas um papel secundário: o de freio que detém o desenvolvimento do investimento privado. a política monetária pode apresentar-se ineficiente. torna-se necessário uma redução cada vez maior da taxa de juros para estimular novos investimentos. de forma que qualquer aumento na oferta de moeda será absorvido pela demanda por moeda. mas. p. segundo a qual se deve dar atenção ao juro.56 Ye = 1/1 – c(C0 + I0) Onde. Teoricamente. Io = Investimento autônomo. resultando em desemprego involuntário. a eficiência marginal do capital diminui. para manter um nível de investimento global que assegure a igualdade entre oferta agregada e demanda agregada. aquela ficará logo limitada (BARRÉRE. a propósito. Keynes propõe a intervenção estatal. Entretanto. Vê-se que o investimento não pode ser levado ao nível compatível com o equilíbrio de pleno emprego. no sentido de promover grandes reduções na taxa de juros devido à preferência pela liquidez. Neste sentido. Assim. Desta forma.

o Estado não deve estabelecer uma concorrência com a iniciativa privada e nem buscar legitimar um regime planificador. Duas pirâmides. que. assim nos mostramos tão razoáveis e nos educamos de modo tão semelhante aos financistas prudentes. isto é. pois isto significaria entrar num regime planificador que Keynes pretende justamente evitar. Em momentos de baixo desempenho econômico. aeroportos. não é verdade tratando-se de duas estradas de ferro que ligam Londres a York. meditando bem antes de aumentar as cargas “financeiras” das futuras gerações pela edificação das casas. 291). p. KEYNES (1982. 30)”. Esses investimentos gerariam um efeito multiplicação sobre o nível de renda da sociedade. pontes. A Idade Média edificou catedrais e entoou cânticos. Não se trata de vir o Estado a substituir a iniciativa privada. ampliação do volume de emprego e do total da produção. como: construção de estradas. investindo em áreas complementares ao setor privado. assim. Keynes abandona o liberalismo ortodoxo (BARRÉRE. p. Destarte. portos. ou seja. 1961. viadutos e ferrovias. que sem dúvida explica a sua fabulosa riqueza. 1961. pelo fato de não servirem às necessidades do homem pelo seu consumo. “em nome do individualismo. por sua vez. porém. de possuir duas espécies de atividades: a construção de pirâmides e a extração de metais preciosos. pois a renda gerada elevaria o volume de consumo. O aumento do investimento privado geraria uma renda adicional. cujos frutos. ou seja. 112) associa a eficiência do investimento público em fomentar a economia à construção de pirâmides no Egito e de catedrais na Idade Média: O antigo Egito tinha vantagem. onde se pode viver que já nos não é tão fácil escapar aos inconvenientes do desemprego. Esse efeito multiplicação acabaria por promover a recuperação econômica. sucessivamente. o Estado deve intervir na economia através do investimento público. simplesmente supletiva (BARRÉRE.57 privado. pois. o investimento público deveria ser expandido em momentos de recessão e depressão econômica e reduzido nos períodos de expansões econômicas. que. Assim. nem de dirigir ele a totalidade do investimento. A ação do Estado é. Para Keynes. escolas. Bastar-lhe-á proceder a um investimento público para cobrir a margem deixada pela insuficiência do investimento privado. impactaria positivamente o consumo e. Temos que aceitar esse fato como o resultado inevitável de aplicar à conduta do Estado as máximas concebidas para “enriquecer” um indivíduo. hospitais. permitindo-lhe acumular direitos a satisfações que ele . mais uma vez. estimularia o investimento privado. p. não se aviltavam por serem abundantes. duas missas de réquiem valem duas vezes mais que uma – o que.

a Teoria Geral apresenta-se. O aumento do consumo ampliará a demanda agregada que. observou-se que o consumo agregado depende da renda disponível e. mediante estímulos à propensão a consumir. Os argumentos desse grupo de economistas será objeto de estudo do próximo tópico. por sua vez. equivalentemente. o governo poderá fomentar a economia ou. Vê-se que além de instrumental teórico. supõe-se que o governo decida conduzir uma política fiscal expansionista. também. Anteriormente. ou seja. Dada essa característica da teoria de Keynes sobre o emprego. consequentemente. Assim. o Estado pode intervir na economia através da política tributária. após a segunda metade do decênio 1930. . isto é. ampliar o volume de emprego. um grupo de economistas promoveram um processo de neoclassização da teoria de Keynes. como um arcabouço de investigação empírica. Desta forma.58 tenciona exercer em qualquer época determinada. Essa política expandirá o nível de renda disponível e. provocará um aumento no volume de emprego. que a renda disponível é igual à renda total deduzida dos impostos líquidos. Além do investimento público. decida promover uma redução dos impostos. o montante de consumo. ressaltando que uma das grandes contribuições da Teoria Geral restringe-se à implementação de políticas econômicas num contexto econômico marcado por imperfeições de mercado. alterando as alíquotas de impostos. com ênfase no processo de formulação e condução de políticas econômicas.

94)”. elaborada por economistas como John Hicks. na melhor das hipóteses.. p. p. Keynes demonstrou que o sistema não se auto-equilibrava com rapidez e que. A Síntese Neoclássica apresentou-se como primeiro contra-ataque da teoria tradicional à teoria de Keynes sobre o emprego. 4. 4)”. [. 395)”. 2003. havia espaço para políticas de estabilização tanto monetária quanto fiscais [.. 2002. que a Síntese Neoclássica “foi e ainda é uma das mais influentes interpretações da teoria de Keynes. quando se deixar que isso ocorra por si mesmo. Como o sistema se ajustará lentamente. “A análise de Keynes nada mais seria do que um caso particular da teoria clássica em que existe rigidez no mercado de trabalho (DAINEZ. A Síntese Neoclássica. Alvin Hansen. havia um papel a ser desempenhado pela intervenção governamental: ou seja. p.. Os teóricos da Síntese Neoclássica “procuraram microfundamentar a macroeconomia de Keynes (DAVIDSON apud LIMA. constituiu um processo de neoclassização da Teoria Geral do Emprego. Robert Solow e Don Patinkin. 2008. Paul Samuelson. Franco Modigliani. 14-15). a principal contribuição de Keynes situou-se no terreno da política econômica. assim. p.] uma parte essencial desse novo paradigma (o keynesiano) foi a conclusão de que as políticas de estabilização eram necessárias. segundo o “keynesianismo” neoclássico. a legitimação do uso de instrumentos fiscais e/ou monetários para ampliar o volume de emprego em situações de inflexibilidade do mercado de trabalho. portanto. .59 4 OS DETERMINANTES DO EQUILÍBRIO NO LONGO PRAZO: A SÍNTESE NEOCLÁSSICA. do Juro e da Moeda.. Esse processo correspondeu à tentativa de interpretação da teoria macroeconômica através da utilização conjunta das contribuições teóricas de Keynes e dos economistas pré-keynesianos (economistas da abordagem convencional). considerada o caso geral. Os economistas que promoveram esse “contra-ataque” concebiam o arcabouço teórico keynesiano como um caso especial da teoria clássica. sendo inclusive utilizada como o padrão keynesiano na maioria dos livros-textos de macroeconomia (BUSATO e COSTA PINTO. isto é. Vale ressaltar.]. 2008.1 O CONTEÚDO BÁSICO DA SÍNTESE NEOCLÁSSICA. há necessidade de uma política que aumente a eficiência do sistema (MODIGLIANI apud BUSATO e COSTA PINTO. Desta forma.

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[...] a contribuição maior de Keynes não foi ter produzido uma síntese adequada e consistente entre as teorias do valor e da moeda numa teoria da produção como um todo, da forma que ele supunha, mas sim ter meramente chamado a atenção para os fatores que impedem o equilíbrio a pleno emprego no curto prazo. Longe de romper com o modelo clássico, Keynes teria, portanto, tão-somente inaugurado uma série de desenvolvimentos dentro dele (SAMUELSON apud LIMA, 2003, p. 393).

Para BUSATO e COSTA PINTO (2008), o “keynesianismo” neoclássico buscou comprovar que o maior legado deixado por Keynes não foi a elaboração do princípio da demanda efetiva, da doutrina da preferência pela liquidez e da ênfase dada à influência da incerteza não-probabilística sobre o nível de produto e o volume de emprego, mas sim, ter evidenciado os mecanismos que obstaculizam o alcance do equilíbrio de pleno emprego no curto prazo, como a rigidez dos salários nominais à baixa. Assim, a analogia feita por Keynes seria válida apenas para situações de rigidez salarial e de preços. Para LIMA (2003, p. 393), “essa vertente interpretativa acabou reduzindo o escopo da economia keynesiana ao mero estudo de alguns estados patológicos do modelo walrasiano que ainda não haviam sido devidamente analisados”. A essência da argumentação da Síntese Neoclássica corresponde ao contexto no qual a teoria do emprego desenvolvida por Keynes consiste na afirmação de que o desemprego involuntário é conseqüência da rigidez do salário nominal. Segundo esta visão, um excesso de oferta de trabalho sobre a demanda não provocaria redução do salário nominal por razão histórico-institucional, como a existência de legislação trabalhista e poder de barganha dos sindicatos. Segundo OCIO (1995), se prevalecesse a hipótese de flexibilidade salarial, hipótese defendida pelos economistas da Síntese Neoclássica, o excesso de oferta de mão-de-obra resultaria em redução do salário nominal. Mantido o nível de preços constante, a redução do salário nominal promoveria reduções do salário real. Se o salário real fosse estabelecido em um nível inferior à produtividade marginal do capital, as firmas maximizadoras de lucro expandiriam o nível de produção, ampliando, assim, o volume de emprego. O volume de emprego aumentaria até a posição de equilíbrio de pleno emprego. Segundo esta vertente teórica, se a hipótese de flexibilidade completa dos salários nominais prevalecesse, “as equações clássicas do mercado de trabalho determinariam um salário real capaz de promover o market clearing nesse mercado,

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detonando, assim, o mecanismo de ajuste automático rumo ao equilíbrio a pleno emprego da mão-de-obra disponível (LIMA, 2003, p. 394)”. Neste sentido, a Síntese Neoclássica promoveu um retorno aos princípios do neoclassicismo, isto é, elaborou um modelo teórico enfatizando as principais características da economia “clássica”, como: flexibilidade de preços e salários, mobilidade completa dos fatores de produção e ênfase nos aspectos microeconômicos (individualismo, maximização e racionalidade). Para LIMA (2003, p. 416-417) “a síntese neoclássica se constitui de uma mera reconstrução da ortodoxia tão criticada por Keynes, porém adornada com alguns ornamentos keynesianos”.
O desemprego involuntário resultaria do fato de a taxa de salários nominais se encontrar demasiadamente elevada em relação ao nível geral de preços, com o que as unidades produtivas seriam incapazes de contratar todo o volume de trabalhadores pelo nível de salário real vigente (LIMA, 2003, p. 394).

JOHNSON apud LIMA (2003, p. 394) enfatiza que: O equilíbrio abaixo do pleno emprego postulado por Keynes é concebido como uma conseqüência da rigidez salarial, com o desemprego involuntário sendo uma mera fase transitória de desequilíbrio resultante da lentidão dos ajustamentos dinâmicos de mercado. Assim, os economistas da Síntese Neoclássica adotaram o princípio de que no longo prazo, onde todos os preços e salários possuem plena flexibilidade, a economia converge à condição de pleno emprego, onde o desemprego existente seria friccional e/ou voluntário. “Os autores da síntese neoclássica continuaram a acreditar que o equilíbrio com pleno emprego seria o estado normal de uma economia de mercado (BUSATO e COSTA PINTO, 2008, p. 5)”. Segundo BUSATO e COSTA PINTO (2008, p. 5-6), os economistas do “keynesianismo” neoclássico particularizaram a teoria keynesiana para as situações nas quais: a) a economia estivesse na armadilha da liquidez; b) a demanda por investimento fosse insensível à taxa de juros (evitando a igualdade entre poupança e investimento ao nível de renda de pleno emprego);

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c) vigorasse algum tipo de obstáculo que impedisse que o salário e/ou preços caísse para a economia alcançar o pleno emprego. MISSIO e OREIRO (2007, p. 01) ressaltam que as interpretações referentes à Teoria Geral realizadas pelos economistas da Síntese Neoclássica dividem-se em dois grupos: o primeiro se reporta à questão da existência ou não do equilíbrio macroeconômico com desemprego involuntário; o segundo refere-se à questão de convergência para o equilíbrio de pleno emprego dos fatores de produção. Em relação ao primeiro grupo de interpretação os autores ressaltam que:
[...] Hicks (1937) foi o primeiro autor a propor esta idéia, mostrando através do modelo IS/LM que a hipótese da existência desse equilíbrio com desemprego involuntário só era válida em um caso especial, ou seja, quando a economia estivesse operando sob a armadilha da liquidez; posteriormente, Modigliani (1944) mostrou através de um modelo matemático que a existência desse equilíbrio dependia da hipótese de imperfeições de mercado (leia-se rigidez de preços).

Em relação ao segundo grupo de interpretação os autores enfatizam que:
[...] Keynes defendeu de que não havia mecanismos que garantiam que após um choque a economia pudesse retornar ao seu ponto inicial, enquanto que os autores da Síntese defendiam o contrário, ou seja, de que essa era uma tendência natural de uma economia de mercado. Destacam-se como defensores desta idéia Arthur Pigou e Don Patinkin que a partir da inclusão do efeito riqueza real na função consumo dos agentes demonstraram que estes mecanismos endógenos existem e que, portanto, garantem a convergência da economia a este equilíbrio.

4.2 FLEXIBILIDADE SALARIAL, EFEITO KEYNES, EFEITO PIGOU E TENDÊNCIA AO PLENO EMPREGO. Os formuladores da Síntese Neoclássica acreditavam que após choques de demanda ou de oferta, que provocassem desvios do produto real em relação ao produto potencial11, a economia convergiria à posição de equilíbrio de pleno emprego (PIB real igual ao PIB potencial). Neste sentido, economistas como Franco Modigliani e Don Patinkin, elaboraram, respectivamente, os efeitos Keynes e Pigou, objetivando sistematizar os mecanismos de ajustamento automáticos. Desta forma,
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Para STIGLITZ e WALSH (2003, p. 95) “o PIB real mede o quanto a economia produz de fato, enquanto o PIB potencial mostra o que a economia poderia ofertar se o trabalho fosse plenamente empregado a níveis normais de horas extras, e as instalações e máquinas fossem utilizadas a taxas normais”.

pelo trabalho. garante que as forças endógenas do sistema . Tanto as reduções da demanda por moeda. 13)”. quanto a ampliação dos encaixes monetários reais provocam uma redução na taxa de juros. p. admitindo a hipótese de flexibilidade perfeita do salário nominal. Como a demanda por moeda para fins transacionais12 depende positivamente do nível de renda nominal. desenvolveu um modelo teórico referente ao funcionamento do mercado de trabalho incorporando os postulados (neo)clássicos. 1991. pode-se desenvolver a seguinte análise: o excesso de oferta de mão-de-obra gerará pressões no mercado de trabalho. E. a demanda por moeda será diminuída. por sua vez. ao propor o efeito Keynes. além disso. . no longo prazo. uma vez que o trabalho constitui-se de um dos insumos de produção (BUSATO e COSTA PINTO. dado estoque de capital e a tecnologia.63 tais efeitos representam forças endógenas às economias de mercado. A redução do nível de preços também resultará em “expansão da oferta de moeda em termos reais (BUSATO e COSTA PINTO. que. 13)”. pela igualdade entre oferta e demanda de mão-de-obra dependentes do salário real (BUSATO e COSTA SILVA. Segundo BUSATO e COSTA PINTO (2008). 33)”. 2008. após a redução da mesma. p. estimula o nível de investimento. A elevação dos investimentos provocará. são admitidos três motivos de demanda de moeda: o transacional. “o produto da economia é determinado. por sua vez. que se refere ao dinheiro necessário para fazer frente ao intervalo entre o momento do recebimento das receitas e o da efetivação das despesas. A redução do salário nominal promoverá “uma redução proporcional no nível de preços. como: perfeita flexibilidade do salário nominal e dos preços. 2008. Assim. Os autores da síntese neoclássica defendem que a plena flexibilidade de preços e salários. p. completa mobilidade da mão-de-obra e informação perfeita. p. Partindo de uma situação de equilíbrio macroeconômico com desemprego involuntário. o precaucional. requerido para fazer frente às incertezas com relação ao valor futuro da riqueza (TORRES FILHO. 20). p. 2008. 13)”. um aumento mais que proporcional no 12 “Na Teoria Geral. e o especulativo. 2008. Modigliani (1944). um contexto no qual se observa um excesso de oferta de mãode-obra em relação à demanda por mão-de-obra ao salário vigente. por meio do efeito multiplicador. Essa deflação resultará em queda do nível de renda nominal. baseado no atendimento a despesas inesperadas. como conseqüência o salário nominal será reduzido. ou seja. e o volume de emprego é determinado.movimento da oferta e da demanda – seriam capazes de levar a economia para um equilíbrio de pleno emprego (BUSATO e COSTA PINTO.

2003. Equivalentemente. de LMo para LM1. 2008. p. que antes do deslocamento da curva LM localizava-se numa posição aquém do equilíbrio de pleno emprego (Y0). Mostra que a redução do nível de preços. W = Salário nominal P = Nível de preços M/P = Encaixes monetários reais i = Taxa de juros I = Investimento Y = Produto L = Nível de emprego. Segundo SERRANO e RIBEIRO apud BUSATO et al. um nível de produto compatível com o pleno emprego. p. isto é. O aumento dos encaixes monetários reais desloca a curva LM13 para baixo. 422)”. provocada pela queda dos salários nominais. o nível de produto. por sua vez. pois os salários monetários acabariam por cair. 1989. Esse deslocamento promove redução na taxa de juros que. “A curva LM representa o ‘lado monetário’ da economia (HELLER. uma situação de equilíbrio com desemprego seria insustentável. Como conseqüência do aumento dos investimentos. p. . enquanto permanece o desemprego (OLIVEIRA LIMA.15) “o efeito Keynes pode ser sinteticamente expresso a partir da seguinte encadeamento de mudanças nas variáveis”: ↓ W→ ↓ P → ↑ M/P → ↓ i → ↑ I → ↑ Y → ↑ L Onde. o volume de mão-de-obra também esteja sendo plenamente empregado. pode-se dizer que ao nível de produto de pleno emprego (Yf). amplia-se até Yf. Segundo ele (Modigliani). provocando igual movimento na demanda de moeda e na taxa de juros. eleva o nível de investimento.64 nível de produto total e no volume de emprego. 44)”. A figura 14 evidencia o efeito Keynes. gera um aumento na oferta monetária em termos reais. de um aumento na quantidade de moeda (LIMA. “Em conseqüência. 240)”. p. 2007. Dada uma oferta monetária fixa. 13 “A curva LM representa a relação positiva entre a taxa de juros e o nível de renda que surge a partir do equilíbrio no mercado de encaixes monetários reais (MANKIW. os preços e salários continuariam a cair. a repercussão sobre a taxa de juros dos salários nominais declinantes seria a mesma que a repercussão. com salários constantes. 414). (2008. p.

Esse efeito “procura demonstrar que em uma economia capitalista funcionando de maneira adequada. b) a função consumo. Um mecanismo alternativo de convergência da economia à condição de equilíbrio macroeconômico de pleno emprego denomina-se efeito Pigou ou efeito encaixes reais. Figura 14: Efeito Keynes. o sistema .65 Fonte: BLANCHARD (2006. 466). deve permanecer constante ou aumentar em proporção menor do que a suposta elevação da oferta monetária real. isto é. c) a preferência pela liquidez. p. sem rigidez ou fricções. medida em unidades de salário. d) qualquer mudança adversa na eficiência marginal do investimento deve ser mais que compensada pela suposta queda na taxa de juros. O mecanismo de ajustamento automático descrito anteriormente corresponde ao efeito Keynes. p. 415) a ocorrência desse efeito pressupõe a satisfação de um conjunto bastante amplo de pressupostos. medida em termos reais. deve permanecer constante ou cair em proporção menor do que o aumento do investimento. quais sejam: a) a oferta nominal de moeda deve permanecer constante ou cair em proporção menor do que a queda nos preços. Segundo WELLS apud LIMA (2003.

A redução do nível de preços. isto é.2 deste trabalho. 410)”. o que provocaria uma redução proporcional no nível de preços (BUSATO e COSTA PINTO. o consumo além de depender positivamente da renda disponível. . por meio do efeito multiplicador. por meio do estoque real de riqueza. verificar-se-ia uma elevação. Para BUSATO e COSTA PINTO (2008). Conforme os autores. atingirem a plena utilização dos fatores produtivos. 2003. 17)”. passou a depender também da riqueza financeira. 2008. formulador do efeito Pigou. p. Patinkin apresentou a função-consumo como uma relação matemática entre o nível de consumo. C = Consumo agregado. um aumento no nível de riqueza financeira resulta em ampliação do consumo agregado. por si só. pode-se sintetizar o seguinte mecanismo: “numa dada situação de equilíbrio com excesso de mão-de-obra. “Com o aumento deste. considerando a oferta nominal de moeda constante. uma queda 14 (26) No tópico 3.66 retornaria automaticamente ao pleno emprego após um distúrbio inicial (LIMA. do nível de produto e do emprego até que o excesso de trabalho fosse eliminado (BUSATO e COSTA PINTO. provocaria um aumento no nível dos encaixes monetários reais. Desta forma. Neste sentido. Y = Nível de renda disponível. o nível de renda disponível e a riqueza financeira dos agentes econômicos. Patinkin ao propor o efeito Pigou realizou algumas modificações na estrutura da função-consumo exposta por Keynes no Livro Terceiro da Teoria Geral14. um aumento na riqueza financeira dos agentes econômicos. Don Patinkin. p. O termo riqueza financeira é representado pelos encaixes monetários reais (M/P). Com a elevação da riqueza financeira. Assim. Assim. vem enfatizar a capacidade dos mercados. Pigou postulou que. observou-se que para Keynes o consumo depende positivamente do nível de renda disponível. o nível de consumo agregado aumentaria. M/P = Encaixes monetários reais. 2008. p. C = χ (Y. 17)”. M/P) Onde. os trabalhadores aceitariam uma redução em suas remunerações nominais. supondo uma situação caracterizada por um excesso de oferta de mão-de-obra (desemprego involuntário) e admitindo a hipótese de perfeita flexibilidade do salário nominal e dos preços.

Esse deslocamento resulta em aumento da taxa de juros e do nível de produto ou.67 nos preços. equivalentemente. p. Figura 15: Efeito Pigou. A figura 15 sintetiza o mecanismo de convergência da economia à condição de pleno emprego segundo o efeito Pigou. desloca a curva IS15 para cima. que o aumento do consumo agregado. 2008. como contrapartida de uma queda nos salários. com isso. p. p. “A curva IS representa o lado real da economia (HELLER. consequentemente. 240)”. a economia repousa em condição de equilíbrio de pleno emprego (Yf ). do volume de emprego. 422)”. 466). . ocorrido como conseqüência do aumento dos encaixes monetários reais ou riqueza financeira. Fonte: BLANCHARD (2006. Observa-se. o pleno emprego (LIMA. induziria os agentes econômicos a expandir seus gastos de consumo e. restaurando. 410). de IS0 para IS1. Esse mecanismo de ajuste pode ser representado como se segue: ↓ W→ ↓ P → ↑ M/P → ↑ C → ↑ Y → ↑ N 15 “A curva IS representa a relação negativa entre a taxa de juros e o nível de renda que surge a partir do equilíbrio no mercado de bens e serviços (MANKIW. 2003. Após o deslocamento da curva IS. o nível de renda. p. 2007.

Modigliani e Patinkin. P = Nível de preços. Y = Nível de produto. W = Salário nominal. . Observa-se que para os economistas da síntese neoclássica.68 Onde. tendo por base a rigidez de preços e salários e outras imperfeições de mercado. para Hicks. a grande contribuição da teoria do emprego de Keynes restringe-se à ênfase dada ao equilíbrio macroeconômico com desemprego involuntário. C = Consumo. M/P = Riqueza financeira. especificamente. N = Volume de emprego.

pois. tamanho da população. é de caráter voluntário e/ou friccional. keynesiana e da síntese neoclássica. Tais pressões . o volume de emprego é determinado no ponto de interseção entre as curvas de demanda e oferta de mão-de-obra. O volume de emprego. Essa investigação teórica se justificou pelo fato de a redução da taxa de desemprego apresentar-se como um dos principais objetivos da macroeconomia. visando estabelecer uma sistematização. segundo esta vertente. dos principais fatores determinantes do nível de emprego de equilíbrio. Segundo a abordagem (neo)clássica do mercado de trabalho. Entendendo por melhoria da operacionalidade do mercado de trabalho a geração de novos postos de trabalho. o excesso de oferta de mão-de-obra provoca pressões em tal mercado. estoque de capital e preferências dos agentes ofertantes e demandantes de mão-de-obra. tal pesquisa elaborou-se no sentido de estabelecer um debate referente ao processo de formulação de políticas econômicas destinadas a melhorar a operacionalidade do mercado de trabalho.69 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho de pesquisa abordou três correntes do pensamento econômico: neoclássica. Identificou-se também. o salário real iguala-se à desutilidade marginal do trabalho. conforme essa abordagem. o desemprego registrado. Assim. Essa variação afetará somente as variáveis de magnitude nominal como o nível geral de preços. Conforme a teoria tradicional. é determinado por fatores reais. pois os teóricos da corrente convencional raciocinavam admitindo a condição de pleno emprego dos fatores de produção como a única possibilidade de equilíbrio macroeconômico. como: progresso tecnológico. variações na demanda agregada não alteram as variáveis reais como o produto total e volume de emprego. segundo as vertentes teóricas citadas. Isso acontece. que a operacionalidade do mercado de trabalho caracteriza-se pelas seguintes premissas: perfeita flexibilidade dos salários e preços. completa mobilidade do fator trabalho. nesta perspectiva. Constatou-se que para os economistas (neo)clássicos. um excesso de oferta de mão-de-obra apresenta-se como uma condição transitória do mercado de trabalho. Desta forma. Neste ponto. informação perfeita e racionalidade dos agentes econômicos participantes desse mercado. ou seja. fatores associados à oferta.

ponto de interseção entre as funções de demanda agregada e oferta agregada. situação na qual os fatores de produção são subutilizados. no ponto de demanda efetiva. endereçando-a a seus “colegas economistas”. Keynes. identificando que a abordagem (neo)clássica não estava condizente com os “fatos da experiência”. no sistema keynesiano. Keynes defendeu a utilização de políticas econômicas. o tempo histórico. enfatizando aspectos desprezados pelo pensamento econômico convencional. por exemplo. Neste sentido. Essa revolução aconteceu. o pleno emprego do fator trabalho. A redução do salário real é conseqüência da redução do salário nominal. Keynes inaugurou uma série de debates e polêmicas que culminaram no que se convencionou chamar de revolução keynesiana. ser compatível com a posição de equilíbrio de pleno emprego (máxima utilização dos fatores de produção. posteriormente. o equilíbrio macroeconômico pode ocorrer em qualquer nível. como: incerteza. expectativas e a moeda como reserva de valor. trabalho e capital) ou se estabelecer num nível aquém da posição de equilíbrio de pleno emprego. o autor desenvolveu o princípio da demanda efetiva. em períodos caracterizados por investimento privado . que o volume de emprego é determinado no mercado de bens e serviços. os economistas da abordagem (neo)clássica defendiam a redução do salário nominal para promover a ampliação do emprego e. Assim. Constatou-se. consequentemente. ressaltando a determinação das variáveis reais da economia pela demanda agregada (entendendo por demanda agregada a soma dos dispêndios em consumo e investimento). pois Keynes objetivou descrever uma economia monetária da produção. Ao publicar A Teoria Geral do Emprego. especificamente. para fomentar a demanda agregada e. que o desemprego involuntário é conseqüência de insuficiência de demanda efetiva. Verificou-se também.70 agem no sentido de redução do salário real. ou seja. Para atingir este fim. consequentemente. esforçou-se no sentido de contestá-la e. segundo a abordagem keynesiana. Assim. monetária e fiscal. elaborar uma nova teoria do emprego. mantido o nível de preços constante. propensão a consumir e preferência pela liquidez. como: eficiência marginal do capital. a determinação do volume de emprego ficou a cargo das forças condicionantes da demanda agregada. Desta forma. o volume de emprego. do Juro e da Moeda em 1936. Neste sentido.

isto é. onde todos os preços e salários possuem plena flexibilidade. Segundo esta visão. os economistas da Síntese Neoclássica adotaram o princípio de que no longo prazo. O volume de emprego aumentaria até a posição de equilíbrio de pleno emprego. Mantido o nível de preços constante. o Estado deve intervir na economia mediante uso dos instrumentos de políticas econômicas para reduzir o desemprego involuntário. Se o salário real fosse estabelecido em um nível inferior à produtividade marginal do capital. do Juro e da Moeda. Esta síntese apresentou-se como um primeiro “contra-ataque” dos economistas da teoria ortodoxa à teoria de Keynes sobre o emprego. elaboraram. respectivamente. como a existência de legislação trabalhista e poder de barganha dos sindicatos. a redução do salário nominal promoveria reduções do salário real. Neste sentido. assim. Desta . A essência da argumentação da Síntese Neoclássica corresponde ao contexto no qual a teoria do emprego desenvolvida por Keynes consiste na afirmação de que o desemprego involuntário é conseqüência da rigidez do salário nominal. Neste sentido. que provocassem desvios do produto real em relação ao produto potencial. Após a publicação da Teoria Geral do Emprego. um excesso de oferta de trabalho sobre a demanda não provocaria redução do salário nominal por razão histórico-institucional. onde o desemprego existente seria friccional e/ou voluntário. economistas como Franco Modigliani e Don Patinkin. se prevalecesse a hipótese de flexibilidade salarial. Segundo OCIO (1995). a economia convergiria à posição de equilíbrio de pleno emprego (PIB real igual ao PIB potencial). Assim. ampliando. objetivando sistematizar os mecanismos de ajustamento automáticos. a legitimação do uso de instrumentos fiscais e/ou monetários para ampliar o volume de emprego em situações de inflexibilidade do mercado de trabalho. os efeitos Keynes e Pigou. Desta forma. hipótese defendida pelos economistas da Síntese Neoclássica. Observou-se que os formuladores da Síntese Neoclássica acreditavam que após choques de demanda ou de oferta. o volume de emprego.71 insuficiente. segundo o “keynesianismo” neoclássico. a síntese neoclássica desenvolveu um processo de neoclassização da estrutura teórica exposta por Keynes. a principal contribuição de Keynes situouse no terreno da política econômica. as firmas maximizadoras de lucro expandiriam o nível de produção. surgiu o que se convencionou denominar Síntese Neoclássica. o excesso de oferta de mão-de-obra resultaria em redução do salário nominal. a economia converge à condição de pleno emprego.

. tais efeitos representam forças endógenas às economias de mercado. a síntese neoclássica constituiu um retorno às velhas hipóteses neoclássicas referentes à operacionalidade do mercado de trabalho. Assim.72 forma.

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