WILLIAM FAULKNER O Som e a Fúria Tradução de Ana Maria Chaves Sete de Abril de 1928 Através da cerca, por entre

os intervalos das pétalas encaracoladas, eu via-os a dar tacadas. Foram até onde estava a bandeira e eu segui-os pela cerca fora. O Luster andava à cata na relva, perto da árvore das flores. Tiraram a bandeira e deram uma tacada. Depois voltaram a pôr a bandeira no lugar e dirigiramse para o planalto; um dava tacadas e o outro dava tacadas. Depois continuaram e eu segui-os pela cerca fora. O Luster afastou-se da árvore das flores e continuámos pela cerca fora e eles pararam e nós parámos e eu espreitei pelos intervalos da cerca enquanto o Luster andava à cata na relva. - Aqui, caddie. - E davam tacadas. Foram-se embora pelo prado. Eu fiquei agarrado à cerca a vê-los irem-se embora. - Vejam só - disse o Luster. - É mesmo muito engraçado; trinta e três anos e a portar-se dessa maneira. E eu que me dei ao trabalho de ir à cidade para lhe comprar o bolo. Vamos lá parar com choradeira. Então, não me ajuda a procurar os vinte e cinco cêntrimos para eu podê ir ao espectáculo logo à noite. Eles agora iam a dar poucas tacadas pelo prado fora.

Voltei para trás ao longo da cerca até onde estava a bandeira, a adejar sobre a relva cintilante e as árvores. -Venha- disse o Luster. - Aí já procurámos. Tão depressa não aparecem mais. Vamos até lá abaixo ó riacho a vê s'achamos os vinte e cinco cêntimos antes qu'as negras os encontrem. Era vermelha e adejava sobre o prado. Nisto, um pássaro desceu em diagonal e empoleirou-se nela. O Luster atirou. A bandeira adejava sobre a relva cintilante e as árvores. Eu estava agarrado à cerca. - Vamos lá pará ca choradeira - disse o Luster. - Não os posso obrigá a vir, s'eles não querem vir, ou posso. Se não se cala, a'nha avó não lhe faz a festa de anos. Se não se cala, já sabe o qu'é qu'eu lhe faço. Comolhe o bolo todo. E as velas tamém. As trinta e três velas todas duma vez. Vá, vamos té lá baixo é riacho. Tenho Xencontrá os meus vinte e cinco cêntímos. Pode sê qu'a gente encontre alguma bola. Lá tão. Lá tão eles. Ali a diante. Tá a vê. - Abeirou-se da cerca e estendeu o braço. - Tá a vê-los. já não voltam mais pr'aqui. Vá, venha daí. Fomos pela cerca fora até ao muro do jardim, onde as nossas sombras se encontraram. A minha sombra chegava mais alto que a do Luster. Fomos até ao sítio onde a cerca estava partida e passámos para o outro lado. - Tere aí - disse o Luster. - Lá ficou outra vez preso no prego. Será que não é capaz de passá por aqui sem ficá preso nesse prego.

A Gaddy soltou-me epassámos degataspara o outro lado. O Tío Maury dissepara não deixarmos que ninguém nos visse e por isso é melhor irmos agachados, disse a Caddy. Agacha-te, Benjy. Assim, estás a ver. Agachámo-nos e atravessámos ojardim, com asflores a roçarem e a restolharem contra nós. O chão era duro. Saltámos a cerca no sítio onde os porcos grunhiam efossavam. Se calhar estão tristesporque um deles foi hoje para a matança, disse a Caddy. O chão era duro, todo revolto e aos altos e baixos. Mete as mãos nos bolsos, disse a Gaddy. Senão, ficas com elas congeladas. E tu não queres ficar com as mãos congeladas no Natal, pois não. - Tá muito frio lá fora - disse o Versh. - Nem apetece saí de casa. - Que se passa - disse a Mãe. - Ele quê ir lá pa fora - disse o Versh. - Deixa-o, ir - disse o Tio Maury@ - Está muito frio - disse a Mãe. - É melhor ficar em casa. Vá, Benjamin, vamos lá parar com isso. - O frio não lhe faz mal nenhum - disse o Tio Maury. - Olha, Benjamin - disse a Mãe -, se não te portas bem, vais para a cozinha. - Mas a'nha mãe diz pa não o deixarmos ir hoje pá cozinha disse o Versh. - Diz que tem as comidas todas pa fazê. - Deixa-o ir, Caroline - disse o Tio Maury. - Ainda ficas doente de tanto te preocupares com ele.

- Eu sei - disse a Mãe. - Às vezes penso que é castigo. - Eu sei, eu sei - disse o Tio Maury@ - Mas não te podes deixar ir abaixo. Olha, vou fazer-te um toddy.' - Isso ainda me vai pôr mais nervosa - disse a Mãe. Sabes bem que vai. - Vai é dar-te forças - disse o Tio Maury. - Agasalha-o bem, rapaz, e leva-o a dar uma volta. O Tio Maury continuou a falar. O Versh continuou a falar. - Cala-te, por favor - disse a Mãe. - Não podemos andar mais depressa. Não quero que depois fiques doente. O Versh calçou-me as galochas e vestiu-me o casacão. Pegámos no meu boné e saímos. O Tio Maury estava na casa de jantar a arrumar a garrafa no aparador. - Deixa-o andar lá por fora uma meia hora, rapaz disse o Tio Maury. - Mas não o deixes sair do quintal. - Si, sinhô. - disse o Versh. - Nós não o deixamos sair daqui. Fomos lá para fora. O sol estava frio e brilhante. - Pa onde vai - disse o Versh. - Não tá a pensá ir té à cidade, poi não. - Passámos por cima de um monte de folhas secas, restolhantes. O portão estava frio. - É melhor deixá-se tá cas mãos nos bolsos - disse o Versh. - Fica co elas enregeladas se mexê nesse portão, veja lá o que faz. Por que não espera por elas dentro de casa. - Meteu-me as mãos nos bolsos. Ouvia-o pisar as folhas. Até sentia o cheiro do frio. O portão estava frio. Olhe, são nozes. luupi. Trepe lá à árvore. Olhe um esqui- lo, Benjy.

Eu não sentia o portão, mas sentia o cheiro cristalino do frio. - É melhor voltá a metê as mãos nos bolsos. Primeiro a Caddy vinha a andar. Depois começou a correr, com a mochila às costas, a dar a dar. 1. Bebida revigorante à base de uísque e água quente. (N. da T) - Olá, Benjy - disse a Caddy. Abriu o portão, entrou e agachou-se. A Caddy cheirava corno as folhas. Vieste ter comigo - disse ela. - Vieste esperar a Caddy. Por que o deixaste ficar com as mãos tão geladas, Versh. - Eu bem lhe disse qu'as metesse nos bolsos - disse o Versh. - Mas ele quis ficá agarrado ao raio do portão. - Vieste esperar a Caddy - disse ela, esfregando-me as mãos. - O que foi. O que é que estás a tentar dizer à Caddy. A Caddy cheirava como as árvores e como quando ela diz que estivemos a dormir. Não seipor que táp;ií a chorá, disse o Luster. Pode vêlas outra vez quando chegarmos ao riacho. Olhe. Pegue. È uma erva-do-diabo. Deu-me a flor. Saltámos a cerca para o " de dentro. - O que foi - disse a Caddy. - Julgaste que era Natal quando eu chegasse da escola. Foi isso que julgaste. O Dia de Natal é só depois de amanhã. O Pai Natal, Benjy. O Pai Natal Vá, toca a dar uma corrida até casa, para nos irmos aquecer. - Deu-me a mão e desatámos a correr por cima das folhas secas, restolhantes. Galgámos os degraus e fugimos ao frio brilhante lá de fora, para entrarmos no frio sombrio cá

de dentro. O Tio Maury estava a arrumar a garrafa no aparador. Chamou a Caddy. A Caddy disse: - Leva-o para o lume, Versh. Vá, vai com o Versh disse ela. - Eu já lá vou ter. Fomos para junto do fogão. A Mãe disse: - Ele tem frio, Versh. - Nã sinhô - disse o Versh. - Tira-lhe o casacão e as galochas - disse a Mãe. Quantas vezes tenho de te dizer para não o trazeres cá para dentro com as galochas calçadas. - Sissiô - disse o Versh. - Agora fique queto. - Tirou-me as galochas e desabotoou-me o casacão. A Caddy disse: - Espera aí, Versh. Podemos sair outra vez, Mãe. Queria que ele viesse comigo. - É melhor deixá-lo ficar - disse o Tio Maury. - Hoje já anelou muito tempo lá fora. - Acho que é melhor ficarem os dois em casa - disse a Mãe. A Dilsey diz que ainda vai arrefecer mais. - Oh, Mãe - disse a Caddy. - Tolices - disse o Tio Maury. - Ela passou o dia todo na escola. Precisa de apanhar ar. Vá, põe-te a andar, Candace. - Deixe-o vir, Mãe - disse a Caddy. - Por favor. Ele vai ficar a chorar. - Então para que falaste nisso à frente dele - disse a Mãe. Por que vieste para aqui. Para lhe dares um pretexto para me arreliar outra vez. Hoje já andaste lá por fora tempo suficiente. Acho que o melhor é

sentares-te aqui a brincar com ele, - Deixa-os ir, Caroline - disse o Tio Maury. - Um bocadinho de frio não lhes faz mal nenhum. Lembra-te de que não te podes cansar. - Eu sei - disse a Mãe. - Ninguém sabe como eu detesto o Natal. Ninguém. Não sou uma dessas mulheres que aguentam tudo. Bem gostava de ser mais forte. Pelo Jason e pelas crianças. - Deves fazer o melhor que podes e não deixares que eles te preocupem tanto - disse o Tio Maury. - Vá, toca a andar, vocês dois. Mas não se demorem. Senão, a vossa mãe fica preocupada. - Sim, senhor - disse a Caddy. - Anda, Benjy. Vamos sair outra vez. - Abotoou-me o casaco e dirigimo-nos para a porta. - Vais levar esse menino lá para fora sem as galochas - disse a Mãe. - Queres que ele fique doente, com a casa cheia de gente. - Esqueci-me - disse a Caddy. - Julguei que ainda as tinha calçadas. Voltámos para trás. - Tens de tomar tento no que fazes disse a Mãe. Deixe-se estar queto disse o Versh. E calçou-me as galochas. - Qualquer dia desapareço e vais ter tu de pensar por ele. Agora ponha-se a andar, disse o Versh. - Vem dar um beijo à tua mãe, Benjamin. A Caddy levou-me até à cadeira da Mãe e a Mãe agarrou-me a cara com as mãos e apertou-me contra o peito.

- Meu pobre menino - disse ela. Largou-me. - Tu e o Versh tomem cuidado com ele, estás a ouvir, querida. - Sim, senhora - disse a Caddy. Saímos. A Caddy disse: - Tu não precisas de vir, Versh. Eu tomo conta dele. - Ainda bem - disse o Versh. - Com este frio tamém não m'apetecia nada ir lá para fora. - Fomos até à porta e parámos na entrada e a Caddy ajoelhou-se e abraçou-me e encostou a cara dela à minha. Tinha-a brilhante e fria. Cheirava como as árvores. - Tu não és um pobre menino. Não és, pois não. Tu tens a tua Caddy. Tens a tua Caddy, não tens. V,@a U sepára com tanta caramunha e choradeira, dísse o Luster. Não tem vergonha defazê todo esse chinfrim. Passámos pela cocheira, onde estava a caleche. Tinha uma roda nova. - Vá, suba e fique queto té a sua mãe chegá - disse a Dilsey. Ela gostava de me levar na caleche. O T. R estava a segurar nas rédeas. - Juro que não percebo por qu'é qu'o Jason não compra uma sege nova - disse a Dilsey. - Esta geringonça ainda um dia se desfaz com vocês cá dentro. Olha-me pa estas rodas. A Mãe saiu e puxou o véu para o rosto. Trazia um ramo de flores na mão. - Onde está o Roskus - disse ela. - Hoje o Roskus não pode mexê os braços - disse a Dilsey. Mas o T R dá conta do recado. - Tenho medo - disse a Mãe. - Parece-me que não é nada do outro mundo pedir que um de vocês me sirva

entre lá. O T.Deixe-se tá a segurá-las .de cocheiro uma vez por semana. R conduz tão bem como o Roskus. . T.Vai acontecer alguma coisa.Deu-me a flor e a mão dela foi-se .Sabe tão bem como eu.disse o T R . Pa isso ele tem força. 'tás a ouvi. .Tenho medo .Chamá a isto um menino. .disse a Mãe. . . E não te ponhas a atazaná a Queenie. se é que quê vir.disse a Mãe. . eu sei . . .Não tem vergonha de dizê uma coisa dessas .Vá. E estendeu a mão para as flores. A Dilsey subiu os degraus. R Se não conduzes a contento de Miss Ca'line. . não .. mando o Roskus dar-te uma surra. disse ela e agarrou no braço da Mãe. .Vais espalhá-las todas. Ela é mais velha do qu'ele e o Benjy juntos. . .Tenho medo . R Vá lá. Ben)amin.disse a Dilsey. . Miss CAine.Sissiô . .disse a Mãe.Não sabe qu'é preciso mais qu'um negro de dezoito anos ]o pa pô a Queenie à desfilada.disse a Mãe. .disse a Dilsey.Dê-lhe uma flor .Não.disse a Dilsey.disse a Mãe.Um homem tão grande como o T. . . Desceram os degraus e a Dilsey ajudou a Mãe a entrar. Pronto.E com este menino. que o Roskus está com uma crise de reumatismo muito má e não pode fazê mais qu'o necessário . Deus sabe que não é pedir muito.Eu tiro uma pa ele.Talvez assim fosse melhor para todos . . É isso qu'ele quê.disse a Dilsey.

agarrando-me com força. .Tenho medo de ir e deixar a Quentin . O T P chicoteou a Queenie. antes qu@a Quentin vos veja e queira ir tzrdém .Devagar. R . P. T. . .Sissiô . .disse o T.disse a Mãe. Eu tenho de dá a volta . ainda nos voltamos .embora..Está em casa a brincá co Luster . R Agora guia essa sege como o Roskus t'ensinou.A Quentin . R Mas mais adiante a estrada alargou. Vá.Volta para trás .disse a Mãe. . T. .disse o T.disse a Mãe. O melhor é não ir.Tenho d'a espevitá . R .Então.disse o T. R Começámos a dar a volta.disse a Dilsey.. .É pá mantê acorda.E aqui.É melhor partirem já. .disse a Mãe.Calma. R . . 11 . . . . . T P .Tá bem .disse T. . Queenie.disse a Mãe.Parámos. .da té voltá pó estábulo.disse a Mãe.Onde está ela . A caleche ia ao solavancos pelo caminho empedrado abaixo.disse a Mãe.Aqui não posso .Claro que não . .Passámos o portão e a sege deixou de dar saltos.Assim.disse o T.Não a deixes. Queenie. R . .Toc'andá. também não podes .Aí.disse a Dilsey.Então o que quê qu'eu faça .Tenho medo de ir e deixar a Quentin.disse a Dilsey. P .disse a Mãe.disse o T. T. . . .

disse o Jason. Queenie. . Queenie . T. . as coisas pararam junto do grande poste branco onde estava o soldado.disse o T. P. . . Eu já sei que não queres vir .E lá continuámos. Continuavam a passar.Mas já não falta muito para eu ir também.O que é que quer . Temos de voltar depressa para casa.disse o T.Toc'andá. . R . Tinha as mãos nos bolsos e um lápis na orelha.Tenho a certeza de que a Dilsey vai deixar acontecer alguma coisa à Quentin enquanto eu estiver fora disse a Mãe. de um dos lados. via coisas luminosas a deslizarem e as sombras delas a ondularem de través sobre o lombo da Queenie. Queenie . .Está bem .Calma. É só isso que me quer.disse a Mãe.Mas ficava mais tranquila se viesses. agarrando-me com toda a força.Pare com isso. E chicoteou a Queenie.Quer que esse imbecil se ponha a berrar no meio da praça.disse a Mãe. Põe-te a andar. só que um pouco mais devagar. .disse a Mãe. Mãe . . . .disse a Mãe..Vamos.Mais tranquila porquê .Isto é castigo . E .Vamos ao cemitério . .disse o T. . Nisto.Toc'andá.Não se atrase por minha causa.disse o Jason. dum lado e doutro da estrada.Tenho medo que dês a volta .disse o Jason.Nem o Pai nem o Quentin lhe podem fazer mal nenhum. T. . . R . .disse o Jason. Só dizer-me isso. Mas do outro lado continuaram a deslizar sem parar.disse a Mãe. A Mãe meteu o lenço por baixo do véu. . P. Eu ouvia os cascos da Queenie e. brilhantes como o aro das rodas. .

E tu não queres ficar com a mãos congeladas no Natal. . Os buracos inclinados estavam cheios de remoinhos amarelos.O Tio Maury passou um cheque de cinquenta dólares.Toc'andá. . nem a ti nem à Dilsey. disse o Luster O chão estava seco e poeírento.Põe-te a andar.disse a Caddy. As baías estavam todas abertas. e então tu.Aíí . velozes e suaves.disse o T R E o Jason disse: . T P disse o Jason. disse o Luster.. As do outro lado apareceram outra vez. Contornámos os estábulos. Não tem vergonha.ií. 12 . O telhado estava a cair.Ninguém se importa com o que eu digo. E.. A vaca grande estava à porta com . hem. .Para que perguntas . Seu chorão. como quando a Caddy diz que vamos adormecer.disse o Jason. pois não. brilhantes. . . Atravessámos o estábulo. Queenie disse o T. O que é que pensa fazer.Espere ..Senão. depois. Quê apanhá com uma dessas bolas na cabeça. ficas com elas congeladas. Só não te quero apoquentar.disse a Mãe. Pa que quê irpr.Deixa-te estar com as mãos nos bolsos . qualquer dia desapareço. As coisas passavam ondulantes. Agorajá não tem nenhum póneí malhado pa montá. . P.

. .Ajudou-me a passar para o outro lado e começámos a subir a encosta. Acho que é uma surpresa para a Mãe e para o Pai e também para Mr.Se não estivesse tanto frio.Depois. . Vê lá se agora deixas estar as mãos nos bolsos. .disse a Caddy. .Mas hoje está muito frio para andar a cavalo. . Tirou a carta do bolso dela e meteu-a no meu.disse a Cadety. Gelo. . . a Queenie e a Fancy a baterem com os cascos.Chegámos ao riacho. Podemos passar por lá no regresso.É ali que estão a matar o porco . .Está gelado . Sabes o que eu acho que é. A vinha estava seca e o vento restolhava por entre as vides.Começámos a descer a colina.Olha.disse a Caddy. para ver. Temos de lha entregar sem que ninguém veja.Quebrou a superfície da água e encostou-me um bocado à cara. Patterson.disse a Caddy. . . vimos o riacho donde saía fumo.disse a Caddy.Queres levar a carta .a pequena e ouvimos lá dentro o Prince.É um presente de Natal .O Tio Maury vai mandá-la a Mrs. nem à Mãe nem ao Pai. Lembraste quando Mr. Patterson te ter mandado rebuçados. . . .Então leva-a. Patterson te mandou rebuçados no Verão passado. Vês como está frio.Olha que não podemos dizer nada. Patterson para lhe fazer uma surpresa. por Mr. . . 13 Havia uma cerca. íamos dar uma volta na Fancy .

disse a Caddy.Agora não salas daqui. já disse. com a mão estendida. Patterson. àW-ma cá.Vamos ré lá baixo é riacho. . fatterson ficou preso na cerca. Eu não me demoro. vai ver. . Uma delas estava a cantar. Apanhou a carta.. Mrs. .Pr'àquele lado não há mais nada a não sê casas disse o Luster. . . Patterson estava à janela. Mrs. Dá-ma cá. Parou de cortar e olhou para mim. Saltou a cerca com a carta na mão e atravessou o canteiro de flores castanhas. Patterson atravessou o jardim a correr.disse o Luster. Idiota. Vi-lhe novamente os olhos efugipela encosta abaixo. Estavam a lavar no riacho. Quando vi os olhos dela comecei a chorar. . Mrs.O qu'é qu'ele quê. Estava a tentar passarpara o outro lado. já lhe dissepara não te voltar a mandar cá sozinho. Mr Patterson saltou a cerca. . Fatterson andava a cortar asfiores verdes.O Versh não ia contar nada. O vestido de Mrs.Mrs. Dá-ma cá. . Mr. ressequidas e restolhantes.disse a Caddy. . Eu sentia o cheiro da roupa a adejar ao vento e do fumo que pairava por cima do riacho. Mr. disse Mrs. Deixa-te estar com as mãos nos bolsos.Não tem nada que fazê lá em cima. Depressa.Só não percebo porque é que o Tio Maury não mandou o Versh . Patterson veio a correr. Patterson veio abrir a porta e ficou à espera. . Dá cá a carta. Patterson debruçou-se sobre a cerca. . Eles inda lh'acertam.Tirou-me a carta do bolso.Espera .Deixe-se ficá aqui em baixo . com a enxada.

Arranjei onde arranjei . .Alguém viu uma moeda de vinte e cinco cêntimos por aqui . .Onde é qu'arranjaste vinte e cinco cêntimos. veja os miúdos a brincarem no riacho.Perdi-a por aqui. poi não. Por qu'é que não se há-de portá como toda a gente.Pensa que quê ir lá pa cima onde andam a jogá à bola. Sente-se aqui a brincá ca sua erva-do-diabo. s'os visse. quanto mais ir a algum lado. Se quê vê alguma coisa.disse o Luster.Ele.Mas mesmo assim quê procurá .Ajude-me a procurá-los.Senteime na margem. Então. não posso ir logo à noite ó espectáculo. Caiu-me por este buraco do bolso. Quando sair deste lava. . Nos bolsos d'algum branco quando ele não tava a vê. Tenho o meu trabalho pa fazê. . .A que eu tinha esta manhã .disse o Luster. Mas tenho d'os encontrá. . Se não a encontrá. 14 . .E há muito mais donde estes vieram.Nem me fales em espectáculos.Venha cá . nem sabia qu'eram vinte e cinco cêntimos. Que moeda.douro vou tão derreada que nem me posso mexê. ..disse o Luster.Eu cá não ando atrás de moedas.disse o Luster. -Aposto que vais . . .Ele não sabe o que quê .disse o Luster. rapaz.disse o Luster.disse o Luster. Alguém os encontrou. . -Aposto qu@inda . . vão todas é> espectáculo logo à noite. . onde elas estavam a lavá e de onde subia um fumo azulado.

quand'ele se pusé a berrá. .O dinheiro dos negros é tão bom como o dos brancos.Quem.E eu vou lá hoje. . . .ontem lá estiveste. . acho eu. Elas brincavam na água. Té parece que tá a tocá banjo.disse o Luster. Ontem à noite havia.Bato-lhe . .Qu@é que fazes quand'ele começa a berrá. . não. . . 15 .disse o Luster.Então não há quem te convença a ires ao espectáculo.Há lá um homem que toca música com uma serra. . Sentou-se e enrolou as calças de ganga.disse o Luster. não. e depois os negros têm de ir trabalhá mais p'arranjarem mais dinheiro.Pa já. .Achas que tou pa sê visto por aí co ele. Eu sigo o meu caminho e os brancos que sigam o deles. Esse espectáculo não me interessa. .Então. -já lá há negros que cheguem. Mas vou pensá. têm visto algumas bolas por aqui disse o Luster.Os brancos dão dinheiro aos negros porque sabem qu'o apanham de volta outra vez mal aparece um branco a tocá c'uma banda.Que tens tu contra os brancos.Vais levá-lo contigo. Aposto que vão tá lá todas quando a tenda abrir. eu . . Se descobrir onde perdi a minha moeda. .Tu foste lá ontem .Não tenho nada contra eles. .

. Depois.Viram cair aqui uma bola.disse o Luster.Onde é qu@a perdeste.Foi aqui por este buraco do bolso . O Luster entrou no riacho onde elas estavam a brincar. Eles começaram a procurar no riacho. O Luster encontrou-a e sentaram-se dentro de água a olhar para o alto da colina por entre os arbustos. Procurem bem no riacho. Andavam todos à procura.Inda não os vejo.Cos diabos. Procuraram no riacho. . . que eu vi. Ela veio para aqui. .Tinh`a comigo quando viemos pr'aqui esta manhã dis. .Onde tão eles . ao longo da margem. Nenhum de vocês a viu ou ouviu cair.Não digas palavrões.disse o rapaz. O Luster meteu-a no bolso.Deve estar na água. Começou a procurar dentro de água.Eu cá não ouvi cair nada . . . É melhor não dizeres isso o pé da tua avó. . . . Depois voltaram pela encosta acima.Ouvi foi qualqué coisa batê além naquela árvore. .se o Luster. Eles vinham pela encosta abaixo. levantavam-se todos de repente e paravam e depois punham-se a chapinhar e a lutar dentro de água. . Mas não sei onde foi pará.disse o Luster.És tu que tens a bola . .disse o Luster.

Só Deus sabe . Continuou a procurar. Eu cá não sei.disse o Luster.Pa qu'é qu'eu a queria . . Quê q&eu lhe bata. venha cá. É porque faz anos. .disse ele. . . Continuou a procurar pelo riacho abaixo.Olhe só pa essa choradeira .Dá-lhe p'ali e pronto.Quantos anos.Ah. Tem tado assim toda a manhã. . Se calhá nem vai chegá pa tantas velas.Eu cá não vi bola nenhuma. . O rapaz saiu da água e subiu a encosta.Então quê dizê qu' há trinta anos qu@ele tem três anos. acho eu.Veio ter comigo e puxou-me pelo braço. .disse o Luster.Aposto que lhe vais bater. agora cale-se disse o Luster. Voltou-se e olhou outra vez para o Luster. O bolo ré é pequeno. Veja se se cala. O rapaz meteu-se na água. . seu pateta .Trinta e três . 16 . Vá.Por qu'é qu'ele se pôs a chorá agora.disse o Luster. isso é qu'eu sei. . .disse o Luster. .Eu guio-me pelo que diz a 'nha avó . ..Puxou-me . Venha p'aqui. Vá. já lhe disse que não pode ir lá pa cima.disse o Luster. .Calese.Fez trinta e três esta manhã. .já tenho batido. Eles arrancamlhe a cabeça com uma daquelas bolas. O homem gritou caddie do alto da colina. . Vamos pô trinta e três velas no bolo.

Sente-se. . Versh. Estávamos a brincar no riacho e a Caddy baixou-se e molhou o vestido e o Versh disse: . A Caddy aproximou-se do Versh e de mim e virou as costas.Agora. . . Estava toda molhada.disse o Quentin.disse a Caddy.disse o Quentin. .Sentei-me e ele tirou-me os sapatos e enrolou-me as calças.disse a Caddy. . . .disse a Caddy.Não vai nada .Vou tirá-lo e pô-lo a secar. . . . Não vou. trate de brincá e veja s'acaba com esse berreiro. .Acho melhor não . .E tu.disse a Caddy. .Além disso eu sou mais velho do que tu.disse o Quentin.Como é que sabes . Pôs-se em pé dentro de água a olhar para o vestido. 17 . .Mas eu sou mais velho .disse o Quentin. . como é que sabes.para trás. . Eu calei-me e entrei na água e o Roskus veio e dissepara irmos cear e a Caddy disse.Sabe bem qu@ela lhe bate quando molha o vestido disse o Versh. .Não está molhado .Ela disse que te batia .Eu tenho sete anos .disse o Quentin.Sei muito bem.Não interessa como é que sei .Eu já vou à escola. .disse a Caddy. Eu cá não vou. Ainda não são horas da ceia.Aposto que sou .Aposto que não és capaz .A sua mãe vai batê-lhe por tê molhado o vestido. .

o deixavam voltar lá para baixo.disse a Caddy. . conto à Dilsey o que fizeste ontem. .disse o Versh. Então o Versh disse que não ia contar e eles deixaram-no voltar.Vou fazê queixa à 'nha mãe de vocês todos . . Agora vamos apanhar os dois.disse o Quentin. mas o Versh fugiu e o Quentin não conseguiu apanhá-lo.disse o Versh.Desabotoa-me o vestido. Versh .Quero lá saber . . O Quentin trepou pela margem acima para ver se apanhava o Versh. . se ele não contasse. .Se não. Não tinha mais nada vestido além do corpete e dos culotes. Versh .Isso é que era bom .E o Versh desabotoou-lho.disse a Caddy. Quando o Quentin voltou para baixo. e aí o Quentin e a Caddy começaram a atirar água ao Versh e ele escondeu-se atrás dum arbusto.disse o Quentin.disse o Quentin. o Versh parou e disse aos gritos que ia contar tudo. . Quando se levantou começou a atirar chapadas de água ao Quentin e o Quentin começou a atirar chapadas de água à Caddy. A Caddy disse-lhe que. .Eu fujo. e o Quentin deu-lhe uma bofetada e ela escorregou e caiu dentro de água.. Versh .Não tenho nada a vê co isso . .Não faças isso.disse o Quentin. . Disse que ia fazer queixa da Caddy e do Quentin. O Versh e eu ainda apanhámos uns salpicos e o Versh pegou em mim e levou-me para a margem. não estás .disse ela.Desabotoa-mo.Agora estás satisfeita.Tira o vestido . . . A Caddy tirou o vestido e atirou-o para a margem.

Oxalá nos apanhem. . e eu calei-me..Talvez a gente consiga secar até chegar a casa disse o Quentin. . . E ninguém gosta d`olhá para um pateta.1 lhespertence.E eu calei-me. Mas podemos nós. O Versh veio por detrás do arbusto.disse o Rosicus. O Jason tam18 bém. . Comecei a chorar.E a Dilsey diz pa irem todos pa casa. e eu comecei a chorar e ela veio ter comigo e sentou-se na água. O qu'é quefoi. E depois ld de casa ninguém o pode vê.A culpa foi toda tua . . Versh. Depois eles puseram-se a brincar no riacho.E subiu a encosta pelo sítio onde a vaca estava a mugir. disse o Luster. . Trá-los todos. Por qu'é que não o levas pa casa. A Caddy tinha a parte de trás do vestido toda suja de lama. Elepensa qu esteprado ind. A Caddy virou-se e disse Cala-te.disse ela.Eu não vou fugir. . disse o Luster. Não te disseram pa não o deixares sair de U. cala-te .São pois .Vamos.disse a Caddy. . Não é capaz d:@icabá com essa choradeira e brincá dentro d:ígua como toda agente. . . E nunca mais volto . .disse a Caddy.Isso é que fujo. pegou em mim e levou-me outra vez para a água. O Rosicus veio chamar-nos para a ceia e a Caddy disse que ainda não eram horas.Vestiu o vestido e o Versh abotoou-lho. Mas brincava sozinho um pouco mais afastado. Dá azar. A Caddy cheirava como as árvores quando apanham chuva.

.Deixa-o contar . mas o Quentin não veio connosco. .Vais contar.Ele vai contar à Vóvó.disse o Quentin. A gente encontr'ós logo no espectáculo. Lembras-te daquele arco com flecha que eu te fiz.Eu cá não vou devagar . Jason. .disse o Versh.Não vais.disse a Caddy.disse o Quentin. Trá-lo pa cima.disse a Caddy.disse a Caddy.O Jason não vai dizer nada . Versh.disse a Caddy. Versh.Estou-me nas tintas. -Aposto que vai . já vai ser noite quando lá chegarmos .Ela está doente. .disse o Jason. 19 . Se formos devagar.Contá o quê . temos d'encontrá a moeda. .Eles não vão percebê que se molhou . pois não.disse o Quentin.disse a Caddy.disse o Jason.. . Ainda estava lá em baixo no riacho quando chegámos ao sítio onde podíamos sentir o cheiro dos porcos. . . Jason.O Versh agachou-se e eu trepei-lhe para as costas. Jason . Vá lá. Traz o Maury pa cima. . .disse o Quentin. -já está partido . disse o Luster. Só s'eu ou o Jason formos contar.Ele não vai contar nada . Começámos a subir a encosta. Eu mesma vou contar. Não se nota nada. . quando chegarmos já vai estar escuro de mais para eles notarem. . .Ele não vai fazer isso .Se formos devagarinho.Tanto se me dá que notem como não . .

P. Viu o qu'esse branco me fez. O T.disse o T. Veio por detrás de nós e o Quentin sentou-me na manjedoura das vacas. P.Vamos . R . luuupi.O Quentin deu um pontapé ao T. caía pela encosta abaixo e o Quentin puxava-o peI@ 20 encosta acima. Mas caiu outra vez e as vacas desataram a correr pela encosta abaixo. Olhe qu@eu tamém choro.Eu não estava a chorar. . O Roskus estava a ordenhar a vaca à porta do estábulo. Eu não era capaz de parar. P. . e eu comecei a chorar.O quê. P.Caramba disse o T.Estavam a grunhir e a fossar na gamela a um canto da pocilga. Não o vi chegar. E eu não era . mas o chão não estava quieto. Uáá Uáá. ficou lá metido. Agarrei-me a ela. O chão continuou a subir e as vacas a correr pela encosta acima. O Jason vinha atrás de nós com as mãos nos bolsos. O Quentin batia no T. . O T. P. Mas ela também ia a fugir e eu agarrado a ela. Desta vez as vacas correram outra vez pela encosta abaixo. vinham a lutar pela encosta acima. mas não podia parar. As vacas saíram aospinotes do estábulo. já tá a chorá outra vez. Mas o estábulo não estava lá e tivemos de esperar que ele voltasse. . E . Eu não estava a chorar. E e atirou o T P para dentro da gamela onde os porcos estavam a comer e o T.Desta vez é que foi. O Quentin e o T. e pela porta adentro. tentou levantar-se. O Quentin agarrou-me por um braço e fomos para o estábulo.

mas não conseguia parar.disse ele. O T.Cala-te . mas caí e não conseguia parar.Agora é qu'à arranjou bonita. Depois começou a atirar o T. 1uupi. . e tentei levantar-me.disse o T P . . Não te vás embora enquanto eu não voltar.1uupi. aonde? .Inda há lá mais de cem garrafas. .disse o T P. mas o riso não o deixava. . e sempre a rir. P. Rolou pela encosta abaixo e o T. começou a lutar sozinho e caiu outra vez. . de encontro à parede.Levanta-te .Onde é qu'àrranjaste.1uupi . Veja lá s'acaba com essa gritaria. O T. . O Versh disse: .disse o Vérsh. já disse . . . E o Quentin disse: Ajuda-o a levantar-se. De cada vez que o Quentin o atirava de encontro à parede. P não conseguia parar de rir.disse o T P Pôs-se a rir outra vez. . ria-se.disse o Quentin. O T. R caiu em cima de mim e a porta do estábulo desapareceu.disse o Vérsh. Caiu por cima da porta.capaz de parar. Cuidado.Por lá . .Eu e o Benjy vamos voltá pá boda. Olha qu'eu grito. P.Eu e o Benjy vamos voltá para a boda .N'adega. ele tentava dizer Iuupi. Eu deixei de chorar.Cala-te. Mais de mil.Na adega . E o Versh ajudou-me a levantar. . .disse o T P.Não saias daqui. Está a ver. negro. P. O Quentin bateu outra vez no T. Salsaparrilha . P. Ele continuava a rir e eu não conseguia parar.

bebe. Benjy . Agora passavam devagar. Venha.disse o Quentin. Mas depois passavam mais depressa. . Estava uma rã no caminho empedrado.Bebe isto. suaves e brilhantes.Deixe-me bebé. .disse o T. Quentin . olhando para trás. As coisas continuavam a passar. Ia a entrar nas sombras. Abre a manjedoura. A Caddy passou-lhe por cima e levou-me atrás. .chamou ele. o Vershpousou-me no chão.disse o Vérsh. e eles seguraram-me até a tal coisa parar.disse o Quentin.Agarra-o. Ainda estava a andar à roda e foi então que comecei a ver as coisas outra vez a passar. . Pegou-me na mão e depois de passarmos pelo estábulo entrámos pelo portão. P. Eles agarraramme.Salsaparrilha . Versh . Bebe . mesmo no meio.Esse casmurro que fique lá em baixo . Mr. . a rir-se.disse o Quentin.Cala a boca . depressa de mais. cala-te . Ao chegarmos ao cimo. . Ouvia o T. . O meu queixo e a camisa estavam quentes. Versh. Fui com eles pela encosta luminosa acima. Sentia-me quente por dentro e comecei outra vez a chorar.disse o Quentin. Pega-lhe nos pés. Chorava e passava-se qualquer coisa dentro de mim e eu ainda chorava mais. .disse a Caddy. Quentin. Mas o Quentin ainda estava lá em baixo ao pé da água. junto ao riacho. Seguraram-me na cabe21 ça. Depois calei-me.Olha que Mr. Agora.Vá. .. P. Quentin dá-te uma surra.Agora. O copo estava quente. Estende esses sacos vazios no chão.

. .disse a Caddy. 22 . . . E vou comer a ceia para a casa de jantar.Aposto qu'o seu pai lhe bate se fizé isso . O Versh foi levantá-lo. .Quero lá saber . . . Maury . não caía disse o Versh.disse o Versh. . . Ia com as mãos nos bolsos e caiu.disse o Versh.Esta noite têm visitas .As luzes estão todas acesas . . .Gordo como é.O melhor é entrarem todos pelas traseiras e irem logo pa cima. .Anda.disse a Caddy..disse a Caddy. nem teve tempo pa tirá-las pa fora pa s'agarrar. . Maury . . A rã foi-se embora aos saltos. . .Isto faz verrugas .disse o Versh.E onde é que se senta .Aposto que são visitas .Onde está o Quentin .Se fosse com as mãos fora dos bolsos.disse a Caddy.disse a Caddy.disse o Versh.Tenho fome .Eu cá entro pela sala onde eles estão. .disse ela. .Como é que sabes .disse o Versh.disse o Jason.Quero lá saber .Sento-me na cadeira da Vóvó .Ela come na cama. .Eu cá acho que se podem acender as luzes todas mesmo sem ter visitas . O Pai estava cá fora perto dos degraus da cozinha.disse o Versh.Anda.disse a Caddy. . .Em todas as janelas.disse ele.Eu cá entro pela sala. Passou por nós a correr pelo carreiro acima. Ela ainda lá estava quando o Jason lhe deu um pontapé.

Pai .Não disseste nada . . .Eu é que disse que eram.Vem aí .disse a Caddy. . O Quentin chegou e o Pai disse: ..disse o Pai.Hoje têm de cear na cozinha. atravessámos a varanda e entrámos na cozinha. A luz que vinha pelos degraus abaixo bateu-lhe em cheio.Agora. . Não os deixes fazer muito barulho. O Pai aproximou-se dos degraus.A Caddy e o Quentin andaram a atirar água um ao outro .disse o Pai. A camisa dele era uma mancha branca esborratada. .disse o Pai. façam o que a Dilsey mandar . Deitava muito fumo. .disse o Jason. A Dilsey estava lá dentro e o Pai sentou-me na cadeira e baixou o tabuleiro e empurrou-me até à mesa onde já estava a ceia.disse ele.Têm de ficar calados. e a luz que vinha pelos degraus abaixo bateu-me também em cheio e eu olhei para baixo e vi a Caddy e o Jason e o Quentin e o Versh. ouviram .disse o Versh. . ..disse a Caddy.Temos de ficar calados porquê. .disse o Versh. Até disse que. Dilsey. .Eu bem disse qu@erarri visitas .disse o Pai.disse a Dilsey.Temos .disse o Pai. Ficámos à espera.Si. Calaram-se. . .Baixou-se e pegou-me ao colo. O Quentin vinha muito devagar. . sinhô . Temos visitas. .Calem-se .. O Pai foi-se embora.Oh .Ai andaram . O Pai abriu a porta.

Quando acabarem.Hão-de sabê quando for da vontade do Sinhô. Debrucei-me sobre a mesa.Vem cá. .Isso não é da vossa conta .Não se esqueçam de que têm de fazer o que a Dilsey man23 dar . Pai disse a Caddy. .Calem-se .Pôs-me a tigela à frente. O vapor que dela saía fazia-me cócegas na cara. Versh disse a Dilsey.Eu cá não . .disse a Dilsey.disse o Pai. se o Pai disser .Esta noite têm de tá sossegados.Agora têm de fazer todos o que eu mandar.disse a Caddy. ..disse o jason.Eu cá não faço o que tu mandares. .Calem-se . sinhô .disse a Dilsey.Pronto . . façam todos o que a Caddy mandar. . .Quando for da vontade do Senhor.Esta noite diga-lhes para fazerem o que eu mandar.Eu cá só faço o que a Dilsey mandar. Diga-lhes para fazerem o que eu mandar.Eu cá não . .disse o jason. Dilsey. .disse a Caddy. . .Vais ter de fazer.disse a Dilsey. Dilsey . .disse o Pai por detrás de nós.Por que é que temos de estar sossegados esta noite bichanou a Caddy. . . . O fumo bateu-me na cara. .Si.Pronto. . . .disse a Caddy. Pai. leva-os para cima pela escada das traseiras.

Dilsey. . . Sente-se também. Jason mandou . Mas o Jason estava. Vá. .Sente-se imediatamente .Era.Era mas era alguém a cantar . Jason dizê-lhes pa tarem calados. Levantou-se. .Não ouviram Mr.disse o Quentin. Caddy. .O que era aquilo .Ela estava a chorar .disse a . A colher subiu até à minha boca. Vem cá.disse a Caddy. Mas eu não me calei e ela veio e abraçou-me. toc'à comê. não era.disse o Quentin. E pôs a mão dela em cima da minha. Pega na colhé dele.Então isso é no domingo . . 24 .disse a Caddy. e acabe de comer.Agora cala-te . . A Dilsey foi fechar ambas as portas e assim nós já não ouvíamos nada. .Vá. Depois parámos de comer e ficámos calados a olhar uns para os outros e então ouvimos aquilo outra vez e eu comecei chorar. Calei-me e comi.Era a Mãe .Eles lá dentro com visitas e o menino co essa roupa toda enlameada.disse a Dilsey.Era a Mãe . O Quentin é que não estava a comer.A mão do Versh avançou para a tigela com a colher e meteu-a lá dentro. O vapor fazia-me cócegas dentro da boca.Cala-te . Versh. toc'à comê.disse o Quentin.disse o Quentin. . A colher voltou a subir e eu abri a boca e depois pus-me a chorar outra vez. .Não percebes mesmo nada.disse a Caddy. .Calem-se . . .disse a Caddy. como Mr.disse a Dilsey. ..

não tem.Pronto.Tens de comer tudo.disse a Caddy. .Coma a ceia.Estava a chorar.disse a Caddy. Então ele não tem de fazer o que eu mandar.Dilsey.Têm todos de comê tudo pa depois saírem da cozinha.Tenho de fazê a ceia p'àquela gente toda assim que vocês acabarem de comê. A tigela desapareceu.A Caddy voltou para o lugar dela. E o Versh disse: .Traz-me a tigela dele .disse a Dilsey. não estava. e começou a chorar.Vão sabê o qu'é quando for da vontade do Sinhô. .A festa é cá em baixo . . . . 25 . . Dilsey . A tigela deitava-me vapor para a cara e a mão do Versh metia a colher lá dentro e o vapor fazia-me cócegas na boca. .Ele já comeu tudo. Quentin . Dilsey.O Quentin não está a comer a cela. até o Jason já tinha acabado de comer. . .disse ela. se eu mandar .disse o Quentin. . Tem.disse a Dilsey. É o que eu vou fazer depois de vestir a camisa de dormir.disse o Quentin. .Ela pode vir para o patamar e ficar a assistir.Não me venWatentá . Daí a pouco. .Já disse que é uma festa .Eu não quero mais . . .A Mãe estava a chorar .disse o Quentin.Não quero mais .Como é que eles podem dar uma festa com a Vóvó doente. . .disse a Caddy. agora tinha de sê este . .disse a Dilsey. Dilsey.disse a Dilsey. .

disse a Dilsey. Versh . . .disse a Dilsey.disse a Dilsey . não vão. sem fazê barulho.Eu não faço o que tu mandares .disse o Quentin.disse o Jason. Bem ouviram.Vá.Nunca temos de ir para a cama tão cedo.Ainda é muito cedo para irmos para a cama . Saímos e o Versh voltou a fechar a .. .Versh. .A sua mãe não se sente bem .disse a Caddy.disse a Caddy. . és capaz de os levar lá pa cima pela escada das traseiras.Ele faz sempre isto desde que a Vóvó adoeceu e ele deixou de poder dormir com ela . . Bebé chorão. .disse a Dilsey.disse a Caddy. Aproximou-se de mim. Continuou a chorar. já não tens mais nada para contar. .Vocês vão ficá todos calados. Jason. O Versh pegou-me ao colo e abriu a porta das traseiras. têm de fazer todos o que eu disser. tirou-me da cadeira. . . pôs-me no chão e limpou-me a cara e as mãos com um pano quente.Vá. agora vão todos co Versh.Vou fazer queixa de ti . .O vosso pai disse pa irem direitinhos lá pa cima quando acabassem de comê. .Eu bem vos disse que a Mãe estava a chorar . .disse a Caddy. . . pare lá co essa choradeira.O qu'os meninos precisam é de ir pá cama .disse a Caddy.Agora.Por que é que temos de estar tão calados esta noite disse a Caddy. .Ele disse para fazerem o que eu mandasse .Fá-los calá.disse o Jason. Vá. . .já fizeste .Tens de fazer .Mas hoje têm .

não disse. vestiu-me e fomos comer para a cozinha.A rã já se foi embora. Nós não vamos ainda lá para cima. Tá bem.disse a Caddy. fiquem todos calados. Vamos. Eu sentia a cabeça do Vérsh. Eu cá não vou fazer o que tu mandares. não disse.porta.Acho que o melhor é irmos para casa do Vérsh. . O Roskus passou com os baldes do leite e seguiu o seu caminho.disse o T.Mas não podemos ir p'ali . Gosto do cheiro da casa do Versh. O Quentin não veio connosco. Fomos . Descemos os degraus. . Mas ele disse para fazermos todos. Agora.disse a Dilsey.Anda . Por isso eu digo para irmos lá para fora um bocadinho. emfralda de camisa. A estas horas já fugiu para o jardim. E ouvia as nossas vozes. P. Ficou sentado nos degraus da cozinha. A Dilsey estava a cantar e eu comecei a chorar e ela parou. O Versh abriu a porta e saímos todos. P. O que ele disse foi para fazerem o que eu man26 dasse.disse a Caddy. Disse. Eu sentia o cheiro do Versh e podia tocar-lhe. Nós fomos até à casa do Vérsh.Não o deixes vir cá pa casa agora . . Mr. Pode ser que a gente veja outra. Então eu levantei-me e o T. Jason disse pa irem direitinhos lá pa cima. para não fazermos barulho . Versh. disse. A lareira estava acesa e o T P estava de cócoras diante do lume. O Versh pôsme no chão e a Caddy deu-me a mão e fomos todos por ali fora encostados ao muro de tijolo. Quentin. Disse. a atiçar as brasas. . .

disse Estou aqui no estábulo. P.O qu'é que tem este lugá . . .Tens de vir rirá o leite.disse o T P . . . O T P foi acabar de tirar o leite.brincar para o riacho. disse o Roskus.disse o T.disse o Roskus. neste lugá.Despachate .T. . Este lugá traz má sorte.disse o T.Traz a vitela pá dentro quando acabares.Não sabem que a'nha mãe disse que não podemos. P .Por ali não podemos ir . Dava focinhadas na rede e berrava. . R .O T.Este lugá traz má sorte . A vitela estava na pocilga. Fiquei a ver o Roskus a ordenhar as vacas enquanto o T. P. P.O médico não adianta nada .Por que não chama o médico .Cale-se .disse o Roskus. Estavam uns pássaros empoleirados na porta do estábulo a olhar para ele. . A Fancy esticava a cabeça por cima da porta porque o T. O Rosicus estava no estábulo a ordenhar as vacas.disse o T. .Vá. . foi dar de comer à Queenie e ao Prince. . vamos té ao estábulo. já não consigo mexê a mão direita. R .dis27 se o Roskus. Estava a ordenhar só com uma mão e a resmungar. A Dilsey estava a cantar na cozinha e eu comecei a chorar. P. . Afogueira . ainda não lhe tinha dado de comer. Um deles voou para o chão e veio comer com as vacas.Não aqui.disse o Roskus.

O Versh arranjou trabalho.Mas não te aconteceu mal nenhum.disse a Dilsey. Não passava do estábulo. P.disse a Dilsey. . . Cala essa boca . então é qu'eu acreditei friesmo. a Frony casou-se e já não te pesa e o T. .Tiveste alguma visão.E não traz boa sorte dizeres esse nome.disse o Roskus. pois não. . mas quando lhe mudaram o nome.Morrê não é o pior .disse a Dilsey.Talvez . A cama cheirava como o T P Eu gostava daquele cheiro.Que sabes tu disso . Pois então não tem havido provas de há quinze anos pá cá. pá que todos vejam. O Versh ouviu-o.E o Dan não queria vir comer. . . já tá capaz d'ocupá o teu lugá quando o reumático tomá conta de ti. . . P. . E tu também. Puxou-me os . .Soube disso logo no princípio.Mostra-me um homem que não vá morrer.disse o Roskus.disse o Roskus.disse a Dilsey. Deus seja louvado. .Eu sei no que tu tás a pensá .E vem outra por aí.Este lugá traz má sorte . nem a ti nem è@s teus. . .disse o Roskus. Eu vi o sinal.Pois então não está ali uma prova deitada naquela cama. . a menos que te queiras havê com ele quando desatá a chorar.Esta noite ouvi piá o mocho . deslizando pela cara dele epela do Versh. .disse o T. E desatou a uivá assim que anoiteceu.Té agora aconteceram duas coisas . .Não preciso de tê visões . A Dilsey meteu-me na cama.subia e descia por trás dele e do Versh.disse a Dilsey.E não vai ficá por aqui . .

Venha daí . .Pegou no Luster e na Quentin. E . e então eu peguei nas bobinas e a Quentin começou a lutar comigo e eu desatei a gritar.Só se for sinal qu'o T. a ele e à Quentin.disse a Frony.@U o teupai. O Luster estava a brincar na terra. R estava a ordenhar a vaca.disse a Frony.Não o pode deixá sair daqui . .Cale-se . Acabámos de comer. O Roskus estava sentado num caixote. O Luster tinha umas bobinas e ele e a Quentin começaram a lutar e o Quentin ficou com as bobinas. . fiquem calados ré ele adormecer.Eu vi o sinal . pôs a Quentin no chão e ela pôs-se também a brincar na terra. . P pegou na Quentin e fomos para casa do T P. P.disse o Roskus. T P. Fomos até ao estábulo. Ai isso é que tá. .disse o Roskus.Tá mesmo a pedi-Ias.O qu'é qu@eIe tem agora . P.disse a Frony. Tira-lhes as coisas.Tirou-me as bobinas da mão e deu-as de novo à Quentin.Não tem vergonha de tirá os brinquedos a um bebé. . Lev'o'pa casa.cobertores 28 para cima. O Luster pôs-se a gritar e a Frony veio e deu uma lata ao Luster para ele brincar. e deix'o's brincá co Luster onde a Frony ospossa vigiã.Cale-se . . O T.Agora.Anda outra vez à bulha cas crianças. . . O T.disse ela. . O T. tem de fazê todo o trabalho por ti disse a Dilsey. Cheiravam como o T. . e tu vai aju. Fique aqui co . .

29 . Esta casa traz má sorte.Não sabe qu'a'nha mãe disse pa não passarmos por ali.disse a Dilsey. .já acabaram . e veja se se cala um bocadinho. desenhava-se em frente do lume.Então por qu'é que não te vais embora .E vão três. .Ela já devia sabê qu'eu não tenWasas.disse o T. Miss Ca'line quê que vossemecê vá deitá a Quentin.disse a Dilsey. adeus leite. o Sinhô seja louvado .disse a Frony. .disse o Roskus. .Foram essas tuas histórias sobre a má sorte que meteram na cabeça do Versh a ideia de ir pa Memphis. .Se tudo o que acontecê de mal ao Versh for isso disse o Roskus. R está quase despachado .O Inverno passado tanto ordenhaste a novilha qu'a secaste. Se secas esta. A Frony entrou. .Limpa-me bem esse úbere .Vou assim que pudé .disse o Roskus.disse o T.T. Disse-to há dois anos. a subir e a descer.Venha . Eles estavam a cantar.A Quentin e o Luster estavam a brincar no chão em frente à casa do T. Venha daí.Vamos brincá ca Quentin e co Luster.O T. .disse o Roskus. . toda preta. R . . . . . P. . R . e a figura do Roskus. Deves tá satisfeito.Por ali não .É o qu'eu te digo . Despiu-me.Não dá sorte .disse a Dilsey. . A Dilsey estava a cantar. R Lá dentro estava uma fogueira acesa.

disse a Dilsey.ficá num lugá onde o nome dum dos filhos nunca é pronunciado.Cala-te . Vamos vê s'ele consegue adormecer.disse a Frony.Criá uma criança sem lhe dizê o nome da própria mãe disse o Roskus.Dizê o nome . . A Dilsey pegou numa tábua comprida e meteu-a entre mim e o Luster.Não te preocupes com ela . Esse aí é capaz de lhe deitá mau olhado.Cal'à boca . . E agora cala-te. . .O Luster é .Experimenta dizê-lho quando ele tivé a dormi e aposto que te ouve. Ou a tua.Experimenta dizê-lo e verás se não conhece .Agora.disse a Frony. Benjy_ A Dilsey empurrou-me e eu meti-me na cama. Pa que dás ouvidos ao Roskus. mãe . .disse o Roskus.Queres qu'ele comece outra vez. era capaz de dizê quando vai chegá a hora dele. . .Ele sabia qu'a hora deles tinha chegado. . . onde já estava 30 o Luster.Ele sabe muito mais do qu'a gente pensa .Tire o Luster dessa cama.É só essa a tua esperteza. Ou a minha. como esse cão também sabia. E. .disse a Dilsey. se pudesse falar. Estava a dormir.disse a Dilsey. .disse a Dilsey.disse a Dilsey. . . deixe-se tá do seu lado .Eu crieios a todos e acho que posso criá mais esta. Meta-se na cama.Ele não conhece o nome de ninguém. . . .

disse o T.O T R não faz o que ninguém manda . .disse a Frony. também. pa onde não a perca.E a Frony e o T.disse Frony.Mas sou capaz de não os obrigar. Epa qu éque a quer. disse o T P Pere aí.Como é que vocês já estão aqui outra vez . Vêem. . . vou levá esta bolapa casa. .disse o T. Olhámos para lá da esquina da casa e vimos as caleches a afastarem-se. Não sínhô. Ainda não pode ir. Olhem pa ele. .Lá vai ele . Acho que tu e o T.O Pai disse para todos fazerem o que eu mandasse. têm . vão dizê qu:i roubou.Vêem aquela envidraçada. Não podeficá co ela.disse o Jason. S. .disse a Caddy. disse o Luster.disse a Caddy. poi não. R tinha metido pirilampos numa garrafa. .A nossa mãe não te disse pa não lhes dizês nada disse o Versh. Lá vai ele deitado.Se eu quiser. P.iqueles homens o vêem co ela. . Não podejogá à bola. . Vamos. . P .Temos visitas .O que é um funeral . não podeficã co ela. . .disse o Jason. cale-se. Agora. P. Pegou na Quentin e corremos até à esquina da cerca e ficámos a vê-Ias passar. P estavam a brincar na terra do lado de fora da porta.Agora . Sabem se o funeral já começou. .Eu cá não faço . A Frony e o T. P.pequenino e não o quê magoá. O T. também não têm de fazer.

Sempre gostava de sabê porquê . . Então a Dilseyparou e nósparámos. Eu não querir.E a Nancy. Não posso fazê a comida com toda esta barulheira.O's daquípajora.Dizer o quê . Vio ontem à noite no estábulo. .disse a Frony. . A Dilsey estava a chorar. E esse cão tamém. disse o Luster.Os brancos tarn@ém.disse a Caddy.Os cães é que estão mortos . acho eu. Frony disse o Versh. A Dilsey estava a chorar e quando o choro se ouviu U em casa eu comecei também a chorar e o Bluepôs-se a uivar debaixo das escadas. . Lev. e então eu comecei a chorar e o Bluepôs-se a uivar no vão da escada da cozinha.Isso é os negros. . Os ossos saíam da vala a toda a volta. Quando ela estava a chorar o Luster disse Calem-se e nós caumo-nos.disse a Frony. a esbracíjar. Oprantofoi em casa da Dilsey. Lev'O's pb estábulo. quando caiu na vala e o Roskus lhe deu um tiro e os abutres vieram e a despiram toda. .A nossa mãe disse-nos pa não lhes dizermos nada.disse a Caddy. onde os galhos tisnados estavam metidos na cova preta a brilharem ao luar como se algumas das tais coisas tivessem .disse a Caddy. . Luster. Posso encontrá o vô. disse a Frony da janela. 31 . o pranto durou dois dias.Quando foi da Irmã Beulah Clay.Oh . . Os brancos não fazem prantos. A sua avó tá tão morta como qualqué negra pode tá.. morrem.Onde vai sê o pranto .

P. cale-se. Ela entrou para o sítio donde vinha a voz da Mãe. Atou-me os sapatos. P. Chhhhh. Ouvimos a Mãe lá dentro. mas eu mesmo assim sentia-lhe o . R . pôs-me o boné na cabeça e saímos. Benjy . Apareceu uma cabeça. . Ele fechou a porta. . A Frony tá a fazê-lhe a cama. . Cale-se. as coisas pararam todas e ficou tudo escuro e.Vamos pa minha casa.Cale-se .Chhhhh. mas os meus olhos fecharam-se.parado. Sentia-lhe o cheiro. . P. O T.disse ele. Quê ir pa nossa casa. Agora. Leva-o lá pa casa. O T. É lá pa fora que vamos .Cale-se . onde tá a Frony.Não era a voz do Pai.Vamos já sair. Por que não o levas lá para fora.Chhhhh. ouvi a Mãe e passos a afastarem-se depressa. 32 .disse ele. Depois. Benjy.É melhor deixá-lo lá ficar.Cale-se. Vá.Cale-se. T. quando eu parei para começar outra vez.disse o T. P. O Pai estava doente lá dentro. Benjy .disse ela. Depois o quarto chegou. . Mas eu sentia-lhe o cheiro. tomem vocês conta dele. . A Dilsey vinha a subir as escadas. . Havia uma luz acesa no vestíbulo. pegou-me ao colo e vestiu-me num instante. Não era o Pai. tirou os alfinetes que prendiam os lençóis.disse o T. Eu não parei. e eu sentia-lhe o cheiro. Vá co T. . Uma porta abriu-se e eu senti-lhe o cheiro mais do que nunca. P.

Descemos os degraus onde estavam as nossas sombras.disse o T P. Tem a noite toda à sua frente e este pasto todo pa gritá à vontade.disse o T.disse o T. Não o posso levá lá pa casa a berrá dessa maneira disse o T P. R .disse o T. . A lua brilhava na água quando lá chegámos. saindo depois a . Vá. cale-se . Era melhor trazê-lo. P.Ainda estamos muito perto. vamos lá.Vej a se se cala.Não.Agora. O T. mas a sombra do Dan não se movia senão quando ele uivava. . Olhe só pó que fez. Não podemos pará aqui. A vaca estava no estábulo a ruminar e a olhar para nós. Vimos a Fancy a pastar junto ao riacho. . Vamos.O Dan estava a uivar. Molhou a perna toda. A vala surgiu de repente no meio da erva sussurrante. Os ossos saíam a toda a volta entre os galhos negros.Vai acordá a cidade inteira .já berrava que chegasse mesmo antes de tê arranjado esse vozeirão. . deitou-se na vala e eu sentei-me a olhar para os ossos no sítio onde os abutres comeram a Nancy. . A pocilga cheirava a porcos. Venha por aqui. P. Esqueci-me do seu casacão . Seguimos rentes à parede de tijolo seguidos pelas nossas sombras.disse o T R As nossas sombras moviam-se. O Dan uivava.cheiro. . sinhô . Mas agora não volto pa trás. . O Dan estava a uivar.grite p'aí quanto quiser.Agora . R .

disse o Luster. Como é que os abutres podem entrar no sítio onde a Vóvó está.E tu és um bucha . .disse a Caddy. O Jason chorava.disse a Caddy.Mas não é . O Jason calou-se.Aposto que se formos até à janela da sala conseguimos ver alguma coisa . Jason. O Pai não ia deixar. . . batendo as asas devagar. Tirei-a do bolso aqui mesmo e mostrei-lha. E começou a chorar. Deixa-o pegar neles um bocadinho. deu-me a garrafa com os pirilampos. .Agora puseste-o a chorar . .disse o Jason. O T P.Eu já sei o qu'é . . .Se julgas que os abutres vão despir a Vóvó . deves ser maluco. . Té lha mostrei.disse o Versh.Cala-te. P.esvoaçar.disse a Caddy.E então já acreditam em mim. Tu não deixavas que um abutre me despisse.E tu és uma grande burra . A Frony não sabe nada de nada.disse a Caddy -. .Eu cá não preciso . . pois não? Agora cala-te. O Jason chorava.É uma festa.disse a Caddy. . Tá sempre a agarrá o dinheiro. Eu tinha-a comigo quando aqui tivemos antes. . Não a viu. Tinha as mãos nos bolsos. Ele quer os teus pirilampos. . negros e pesados. T.disse a Frony.O Jason há-de sê um homem muito rico .A Frony disse que era um funeral disse ele.

d'ir vê. - É melhor calares a boca, Frony - disse o Versh. Olha qu'a mãe vai-te batê. - O que é que foi - disse a Caddy. - Eu sei aquilo que sei - disse a Frony. - Vamos - disse a Caddy. - Vamos para a parte da frente. E lá fomos. - O T. R quê os pirilampos de volta - disse a Frony. - Deixa-o ficar com eles mais um bocadinho, T P. disse a Caddy. - Nós já tos trazemos de volta. - Não foram vocês qu'os apanharam - disse a Frony. - Se eu disser que tu e o T. P. também podem vir, deixa-lo ficar com a garrafa mais um bocadinho - disse a Caddy. Ninguém disse que eu e o T. R tínhamos de IWobedecê - disse a Frony. - E, se eu disser que não têm, deixam-no ficar com ela disse a Caddy. - Tá bem - disse a Frony. - Deix'è ficá com ela, T. P. Anda vê !o.- chorar. 34 Eles não estão a chorar - disse a Caddy. - já vos disse que e uma festa. Eles não estão a chorar, pois não, Versh. - Se aqui ficarmos, não vamos descobrir o qu'é qu'eles tão a fazê - disse o Versh. - Vamos - disse a Caddy. - A Frony e o T. P. não têm de fazer o que eu mando. Mas vocês têm. É melhor seres tu a levá-lo, Versh. Está a ficar escuro. O Versh pegou em mim e contornámos a cozinha pelo lado de fora.

Quando chegámos à esquina e olhámos, vimos as luzes a virpelo caminho acima. O T P voltou para trás para a porta da adega e abríu-a. Sabem o que qu'há lá em baixo, disse o T P Gasosa. Vi Mr. Jason sair de U cas mãos cheias de garrafas. Esperem aí u m bocadinho. O T Pfoi espreitar à porta da cozinha. A Dilsey disse, Ta qu'é que tás a espreitá. Onde tá o Benjy. Nós tamos aqui, disse o T P Vai tomá conta dele, disse a Dilsey. Não o deixes virpa dentro de casa. Sissiô, disse o T P Elesjá começaram. Vaí-te embora e não me deixes esse rapaz vírp:2qui, disse a Díls£y já tenho trabalho que chegue. Uma cobra saiu a rastejar de debaixo da casa. O Jason disse que não tinha medo das cobras e a Caddy disse que ele tinha, mas que ela não, e o Versh disse que tinham os dois e a Caddy disse-lhe que se calasse, como o Pai tinha mandado. Agora não comece a berrá, disse o T P Quê salsaparrilha. A salsaparrilhafez-me cócegas no nari .z e nos olhos. Se não vai bebê-la, (iè cá, disse o T P Pronto, tome,4@. O melhor é irmos buscá outra garrafa enquanto não aparece ninguém. Agora fique calado. Parámos debaixo da árvore junto à janela da sala. O Versh sentou-me na relva molhada. Estava fria. As janelas estavam todas iluminadas. - É ali que está a Vóvó - disse a Caddy. - Ela agora está doente todos os dias. Quando ficar boa vamos fazer um piquenique.

35 - Eu sei aquilo que sei - disse a Frony. As árvores sussurravam. E a relva também. - O outro quarto ao lado é para onde vamos quando temos sarampo - disse a Caddy. - Para onde é que tu e o T. P. vão quando têm sarampo, Frony. - Ficamos no sítio onde tamos, acho eu - disse a Frony. - Eles ainda não começaram - disse a Caddy. Tão a prepará-sepa começa, disse o T P Agorafiquem aqui enquanto eu vou buscá aquele caixotepa podermos chegá àjanela. Tomem, tocà bebé a salsaparrilha toda. A mimfaz-me sentir como se tivesse um mocho na barríga. Bebemos a salsaparrilha toda e o T. P. enfiou a garrafa pela persiana, empurrou-a para debaixo da casa e foi-se embora. Eu ouvia-os na sala e agarreime à parede. O T. E trazia o caixote de rastos. Caiu e pôs-se a rir. Estava deitado na relva a rir. Levantou-se e puxou o caixote para debaixo da janela, fazendo esforços para não se rir. -Acho que vou desatá a rir às gargalhadas - disse o T R Ponha-s'em cima do caixote pa vê se já começaram. - Ainda não começaram porque a música ainda não chegou disse a Caddy. - Não vai havê música nenhuma - disse a Frony. - Como é que sabes - disse a Caddy. - Sei porque sei - disse a Frony. - Tu não sabes nada de nada - disse a Caddy. E foi para junto da árvore. - Ajuda-me a subir, Versh.

- O seu pai disse pa não trepá a essa árvore - disse o Versh. - Isso foi há muito tempo - disse a Caddy. -já se deve ter esquecido. E depois ele disse que esta noite tinham de fazer o que eu mandasse. Disse ou não disse. - Eu não vou fazer - disse o Jason. - E a Frony e o T. R também não. - Aj uda-me a subir, Versh - disse a Caddy. - Tá bem - disse o Versh. - Não sou eu que vou apanhá. Pegou na Caddy e levantou-a até ela chegar ao ramo mais baixo. Víamos-lhe a traseira dos culotes toda suja de lama. Depois deixámos de a ver. Só ouvíamos os ramos a abanar. 36 - Mr. jason disse que lhe bate se partir a árvore - disse o Versh. - Eu cá também vou fazer queixa - disse o jason. A árvore deixou de abanar. Olhámos todos para cima para os ramos imóveis. - O qu'é que tá a vê - bichanou a Frony. Eu via-os. E então vi a Gaddy comflores no cabelo e um véu longo e brilhante como o vento. - Chhhh - disse o T. P. - São capazes de a ouvir. Desça daí. - Puxou-me. Caddy. Agarrei-me à parede com unhas e dentes Caddy. O T P. puxou-me. - Chhlih - disse ele. Cale-se, Benjy. Quê qu'o oiçam. Venha daí. Vamos bebé mais salsaparrilha, e depois voltamos p'aqui se prometê ficá calado. É melhor irmos buscá mais uma garrafa, senão 'Irida acabamos os dois à bulha. Podemos dizê que foi o Dan qu'a bebeu.

Mr. Quentin está sempre a dizê qu@ele é tão esperto que nós podemos dizê qu'ele tamém gosta de salsaparrilha. O luar descia pelas escadas da adega. Bebemos mais salsapar- rilha. - Sabe o qu@é qu'eu queria - disse o T. P - Queria q'um urso entrasse naquela adega. Sabe o qu'é qu'eu lhe fazia. Chegava-me a ele e cuspia-lhe num olho. Dê cá essa garrafa pa vê s'eu lhe meto alguma coisa na boca antes de começá a gritar. O 1 E caiu. Desatou a rir e a porta da adega e o luar desapareceram de repente e eu senti qualquer coisa bater-me. - Cale-se - disse o T. P., fazendo esforços para não se rir. Santo Deus, assim toda a gente nos vai ouvir. Levante-se disse o T. P. - Depressa, Benjy, levante-se. - Ele rebolava-se no chão a rir às gargalhadas e eu tentei levantar-me. Os degraus da adega subiam até ao luar, e o T. P. correu aos tropeções por ali acima até sair para a luz e eu corri até chocar com a cerca e o T P. atrás de mim a dizer "Cale-se. Cale-se". Depois caiu por cima das flores a rir e eu corri para o caixote. Mas quando tentei trepar-lhe para cima ele deu um salto e fúgiu-me e bateu-me na nuca e da minha garganta saiu um som. Depois voltou a fazer o mesmo e eu desisti de me levantar e o som saiu outra vez e eu comecei a chorar. Mas a minha gar37

ganta não parava de fazer barulho enquanto o T. P. me arrastava. O barulho não parava e eu já não sabia se estava a chorar ou não, e o T. P. caiu por cima de mim às gargalhadas, e a garganta sempre a fazer o mesmo barulho, e o Quentin deu um pontapé no T. R e a Caddy pôs-me os braços à volta do pescoço, e o seu véu luminoso, e eu já não sentia o cheiro das árvores e comecei a chorar. Benjy, disse a Caddy, Benjy. Pôs-me outra vez os braços à volta do pescoço, mas eu esquívei-me. - O que foi, Benjy - disse ela. - Foi este chapéu. - Tirou o chapéu e aproximou-se outra vez, e eu afastei-me. - Benjy - disse ela. - O que foi, Benjy, o que foi que a Caddy fez. - Ele não gosta desse vestido todo triques - disse o Jason. Julgas-te muito crescida, não julgas. Julgas que és melhor que os outros todos, não julgas. - Cala-te, Benjy - disse a Caddy. - Olha que incomodas a Mãe. Cala-te. Mas eu não me calei e quando ela se foi embora fui atrás dela e ela parou nas escadas e ficou à espera e eu também parei. - O que queres, Benjy - disse a Caddy. - Pede à Caddy. Ela faz. Experimenta. - Candace - disse a Mãe. - Sim - disse a Caddy. - Por que estás a arreliá-lo - disse a Mãe. - Trá-lo para aqui. Fomos para o quarto da Mãe, onde ela estava deitada com a doença metida num pano que tinha na cabeça. - O que é que foi desta vez, Benjamin - disse a Mãe.

- Benjy - disse a Caddy. Velo ter comigo outra vez, mas eu virei-lhe as costas. - Alguma tu lhe fizeste - disse a Mãe. - Por que não o deixas em paz, para eu poder ter um pouco de sossego. Dá-lhe a caixa e Poi: favor vai-te embora e deixa-o em paz. A Caddy foi buscar a caixa, pousou-a no chão e abriua. Estava cheia de estrelas. Quando eu estava quieto, elas estavam quietas. Quando eu me mexia, elas brilhavam e cintilavam. Calei-me. Nisto, ouvi os passos da Caddy e comecei outra vez. 38 - Benjamin - disse a Mãe. - Vem cá. - Fui até à entrada da porta. - Ai, ai, Benjamin - disse a Mãe. - O que foi agora - disse o Pai. - Onde vais. - Leva-o lá para baixo e arranja alguém para tomar conta dele, Jason - disse a Mãe. - Sabes que estou doente, mas mesmo assim Saímos do quarto e o Pai fechou a porta. - T. P - disse ele. - Siô - disse o T P lá de baixo. - O Benjy vai descer - disse o Pai. - Vai ter com o T P., Benjy. Fui até à porta da casa de banho. Ouvia a água lá dentro. - Benjy - disse o T P de lá de baixo. Eu ouvia a água. Pus-me à escuta. - Benjy - disse o T. R de lá de baixo. Eu estava a ouvir a água. Deixei de ouvir a água e a Caddy abriu a porta.

- Oli, Benjy - disse ela. Pôs-se a olhar para mim e eu fui ter com ela e ela abraçou-me. - Encontraste a Caddy outra vez - disse ela. - Julgavas que a Caddy tinha fugido. - A Caddy cheirava como as árvores. Fomos para o quarto da Caddy. Ela sentou-se ao espelho. Parou de mexer com as mãos e olhou para mim. - Que tens Benjy - disse ela. - Não chores. A Caddy não se vai embora. Queres ver - disse ela. Pegou no frasco, tirou a rolha e aproximou-mo do nariz. É bom. Cheira. Que bom. Eu fui-me embora, mas não me calei, e ela ficou com o frasco na mão a olhar para mim. - Oh - disse ela. Pousou o frasco, velo ter comigo e abraçou-me. - Então era isso que tu querias dizer à Caddy e não eras capaz. Querias, mas não eras capaz, pois não. Claro que a Caddy não vai fazer uma coisa dessas. Claro que não. Espera só até eu me vestir. A Caddy vestiu-se, pegou outra vez no frasco e fomos para a cozinha. Dilsey - disse a Caddy -, o Benjy tem um presente para 39 ti. - Baixou-se e pôs-me o frasco na mão. - Agora dá-o à Dilsey. - A Caddy pegou-me na mão, estendeu-a e a Dilsey pegou no frasco. - Si, sinhô - disse a Dilsey. - Não é que o meu menino deu à Dilsey um frasco de perfume. Olha só pa isto, Roskus.

jason .disse a Caddy.jason . .disse o Pai. . . .disse o Quentin.Por que é que o Tio Maury lhe quer dar um tiro. . A Mãe começou a chorar.Mas eu não faço isso . Tinha um olho doente e a boca também.Se é de má vontade que o sustentas. . O Versh levou-lhe a ceia ao quarto num tabuleiro.Em quem é que o Tio Maury vai dar um tiro. Eras bem capaz de ficar a ver o Maury cair numa emboscada. Pai .Como podes dizer uma coisa dessas. . . . .O Maury diz que dá um tiro naquele patife que o mata disse o Pai. e ainda te rias por cima. . francamente. Pai . rires-te dele em frente das crianças.Porque não foi capaz de encaixar uma piada . já tem idade pa dormir sozinho no quarto do Tio Maury .Dar um tiro em quem. Treze anos. . Agora. .Bebeu um gole. Ela cheirava como as árvores. O Tio Maury estava doente. .Eu nem pistola tenho. por que não tens a coragem de lho dizer na cara.disse o Pai.disse a Mãe.Ele vai matar quem.Nós não gostamos de perfume . .Eu até admiro o .disse o Pai. . Já tá um homenzinho.Então é melhor que o Maury não cala numa emboscada disse o Pai. .disse a Dilsey.A Caddy cheirava como as árvores. . .disse a Dilsey.Em ninguém .Disse-lhe que por enquanto o melhor era não falar nisso ao Patterson. .Então.já tá muito crescido pa dormir acompanhado.disse o Quentin.disse a Mãe. sem ele estar presente. então .

. . Criado pela doença.Pronto.Vá lá.já vi que não vai sê. Quentin.A minha família é tão bem nascida quanto a tua. . Vá. . Vérsh.disse a Mãe.Isto não é brincadeira nenhuma .Claro . Depois apareceu a Cadety.disse a Mãe. .A Caddy tá cansada de dormir consigo.Estava só a brincar.Acabou de beber. É inestimável para o meu sentido de superioridade racial. . . Então espere um bocadinho. .disse o Versh por detrás da minha cadeira. .disse o Pai. seja um menino bonito e fique caladinho disse a Dilsey. . Não trocava o Maury por uma parelha de puros-sangues. agora cale-se. Não havia nada na porta.Siô . Foi-se embora. . O quarto desapareceu.Maury. senão não adormece.A pouca saúde é a razão principal da vida.E diz à Dilsey que venha buscar o Benjamin para o levar para a cama . pois não. na putrefacção. . mas eu não me calei. Lá por o Maury ter pouca saúde. Pronto . e o quarto voltou e a Dilsey veio sentar-se na cama a olhar para mim. 40 .disse o Quentin. .disse a Dilsey.já tá um rapagão .Vai encher a garrafa outra vez.Não senhor . até à decomposição.disse ele.Et ego in arcadia esqueci-me de como se diz feno em latim disse o Pai. . E sabes porquê. . pousou o copo e pôs a mão no ombro da Mãe. .

bichanou a Frony. e o Quentin.Eu bem lhe disse para não trepar à árvore .disse a Dilsey. Onde tá a Caddy.disse a Dilsey. .Sua atrevida .Chhhhhl-ih . Calei-me e a Dilsey puxou a colcha para baixo e a Caddy meteu-se entre a colcha e o cobertor. E a Dilsey disse: . Aproximouse e olhou para cima.Pronto . Vou fazer queixa dela..Boa-noite meu amô . aconchegandoa. em vez de ry@apanharem de costas e fugirem p'aqui.disse a Dilsey. -Já aqui estou. Os ramos começaram a abanar outra vez. A Gaddy cheirava a árvores.Vinha a dobrar a esquina da casa. .Está bem . Ficámos a olhar para a árvore onde ela estava empoleirada. . sem tirar o roupão de banho.disse a Dilsey.Venham já p'aqui. .Caddy .Vou deixá a luz do seu quarto acesa. Versh .Desça já daí.Ele adormece num instante . Dilsey. encostada à minha.disse a Caddy.Quem tá em que árvore . Porqu'é que não vão todos lá pa cima como o vosso pai mandou. . . . .disse ela .disse a Caddy da árvore.Já aqui estou.Chhhh . . Que tá ela a vê.Boa-noite. . . O quarto ficou à escuras. . .disse o Jason.disse a Caddy. 41 .disse ela. Deitou a cabeça na almofada. .A Dilsey trouxe um cobertor e deitou-o por cima dela.

disse a Dilsey.Foi ela que disse pa virmos. . . Não podemos fazer barulho. .O que tens tu na cabeça pr'ós deixares vir p 1aqui disse a Dilsey. . Dilsey ..disse a Dilsey.O Versh foi-se embora.Foi ela . O Roskus diz que o viu ir pó estábulo. .Chhhhh.Não fales tão alto.As pernas dela apareceram e a Dilsey esticou-se e tirou-a da árvore.Fala baixo .Então veja se cala a boca e fica quieta .O T R passa bem sem ele . .disse a Caddy.A fugir pela calada . Onde tá o Quentin. .E quem vos disse pa fazerem o que ela diz . . . . .Aqui fora no meio da noite . . 42 .A Frony e o T P. Versh. . . . . foram à frente. Quem vos mandou vir p'aqui rondá a casa. E já.disse a Dilsey. Agarrou em mim e fomos para a cozinha. . já não os víamos apesar de ainda irem perto. .disse a Dilsey.Toca a ir pa casa.O Quentin está furioso porque esta noite quem mandava era eu .disse a Caddy.disse a Dilsey.Não consegui fazê nada dela . Vai procurá o Quentin.disse a Caddy. já não o víamos.Não sabes que o Pai disse para não fazermos barulho.O que tão vocês todos a fazê aqui .Quando sabia que já tinha passado a hora de se deitá.disse a Dilsey. .Ele ainda tem o frasco dos pirilampos do T P. .disse o Vérsh.disse a Frony.

Benjy .Eh. A relva zumbia ao luar quando a minha sombra caminhava sobre ela.Onde é que se meteu. Vai voltápa tráspós vê a jogá à bola outra vez. Venhapor aqui.Eles não estão a fazer nada lá dentro . Aqui. mas as árvores grandes estavam. de dentro de casa. Fartámo-nos de aprocuràpor. O Dan não quis ir para lá. . Estava escuro debaixo das árvores. Tá a rabiá. Sabe que Miss Quentín se vai zangá consigo. Pere. Onde é que quê ir agora. eu sei. Miss Quentin tá acoU co noivo na rede. Não váp@Ilí.disse a Caddy. disse ele. As árvores projectavam-se negras no céu. Benjy . O Dan veio atrás de mim rasteiro.@W. . P. Fíque aqui à espera queu vou @W e trago a bola.disse a Dilsey.E não precisam da vossa ajuda pa nada . . Deixou-se ficar ao luar. Nisto vi a rede e comecei a chorar. Benjy. A árvore das flores junto à janela da sala não estava escura. para o meio do luar. .disse o T R de dentro de casa. disse o Luster. Ben]y'. Deixe-seficá aqui. Estão só sentados a olhar. Fomos de volta até à cozinha. disse o Luster. Voltejáp:2quí. Pere um bocadinho. .disse o T. Fui de volta pela cozinha até onde estava a lua. O Dan saiu do vão da escada todo lampeiro e mordiscou-me o tornozelo.. O Luster voltou. Saia daí. A cozinha estava escura. Tive uma ideia.

Então não me deixas ficar aqui a conversar um bocadinho com o Charlie.disse a Caddy. -É só o Charlie.disse ela.Como é que te escapaste. Ele não gosta de ti.disse o Charlie. . . Abraçou-me e eu calei-me e agarrei-me ao vestido dela e tentei puxá-la dali para fora. Charlie .Caddy. .O que foi. . O Charlie aproximou-se e pôs as mãos em cima da Caddy e eu gritei ainda mais. Gritava que me fartava.disse o Charlie.disse a Caddy. . .disse ela. T R . toda branca na escuridão.Ele não fala . . Charlie.disse a Caddy.chamou ela.O Charlie afastou-se e eu calei-me.Vai-te embora. .Porquê.disse a Caddy.disse a Caddy. .Porquê. Benjy . e eu comecei a chorar e a puxar pelo vestido da Caddy.Chama lá esse negro .Não.Benjy . Puxei pelo vestido da Caddy. O que estava na rede saiu de lá e veio ter connosco. E eu desatei a chorar ainda com mais força e a puxar pelo vestido da Caddy. não. 43 . não . .Está caladinho. . Benjy . . . Voltou para ao pé de nós.Por que é que o deixam andar cá fora.Onde está o negro dele . . A Caddy veio a correr.Não.Benjy .disse o Charlie.Primeiro eram dois e depois era só um na rede. . .Vai-te embora. Tu conheces o Charlie. Onde está o Versh. Benjy . . .

. .disse a Caddy. Pegou-me na mão. . .disse a Caddy. .sussurrava a Caddy.Larga-me.Manda-o embora . Anda.Ele já se foi embora.disse a Caddy. .É melhor que voltes.disse a Caddy.disse ela.Larga-me.disse . Galgámos os degraus da cozinha e. .O Charlie foi-se embora. .Cala-te .Cala-te .disse ela. .Não .Caddy . .disse o Charlie. Corremos até à cozinha iluminados pelo luar.. quando chegámos ao alpendre. . Não demoro .Por favor. . Vais voltar. num murmúrio bastante audível.Mas ele não é cego.Charlie.disse o Charlie. . Por favor . Nunca mais. Ouvia-lhe a respiração e sentia-lhe o peito a arfar.Espera .disse o Charlie.Então.Caddy . Benjy. não vais.A Caddy lutava. Benjy. .Nisto.Vou .Chama o negro. Benjy.disse o Charlie. . Calei-me.Tenho de o levar para casa . .Eu volto já.Vou mandar . vais mandá-lo embora ou não . Não. .Caddy . . .Estás louco ou quê . .A Caddy e eu desatámos a correr. Não faças isso. .sussurrou ela. começou a chorar e eu pus-me a chorar 44 também e abraçámo-nos um ao outro.disse o Charlie.Não volto a fazer isto . E começou a respirar muito depressa.disse a Caddy. . A Caddy e eu continuámos a correr. a Caddy ajoelhou-se no escuro e abraçou-me. . . Mas nós continuámos. Podia ouvi-la respirar e sentir o seu peito a arfar. Respiravam os dois muito depressa. .

disse ele. Já estouJarto de lhe dízêpa não írp@dí. vou dizer à Dílsey que tu o deixas vir atrás de mimpara todo o lado. . Vou dizer-lhe que te dê uma boa surra.Ora.Cala a boca . A Quentin segurava o cabelo com as mãos. Eu prometo. .disse o Luster.Se não o levares já daqui para fora ou se o deixares voltar para aqui.Saltou da rede. .Mas nem tentaste.disse o Luster. depressa. Sabes que mais.Não pude fazê nada .Nisto ele acendeu um fósforo e meteu-o na boca. . disse o Luster. Tente a Miss Quentin s'acha qu'é capaz. . digo ao Jason que te dê uma surra. . . A Cadety cheirava como as árvores. .Eu não consigo fazê nada dele .Cala-te. meu parvalhão. Tinha uma gravata vermelha.Calei-me e a Caddy levantouse e fomos para a cozinha e acendemos a luz e a Caddy pegou no sabão da cozinha e foi para o lava-loiças lavar a boca com toda a força.Podias sim .ela. Estavam os dois a espiar-me. Ouve lá. . O sol enchia-a de reflexos vermelhos. deixa-o ficar . Elesforam pá rede.disse a Quentin. Foi a Avó que vos mandou a todos para aqui para me espiarem.Venha cá.Vais ou não vais tirálo daqui. Benjy. . Jack. disse a Quentín. . Ele tinha uma gravata vermelha.disse a Quentin. . . .

Ainda estava a arder.Vôssernecê não será aquele que toca música c'uma serra .E foi-se embora a correr. .disse o Luster. .Não m'alembra d'o vê por cá antes .Olá se fizeste. .Vou lá esta noite. Nasceu pateta.Agora é que a fizeste bonita.Queres que ele comece. Eu não me meto mais com ele.disse ele. 45 . . Ele olhou para mim. . .Há quanto tempo tá ele assim.disse o Luster.Abre a boca . Queres experimentar . Jack . A Quentin correu para casa. . . miúda .Nada .Depois tirou o fósforo da boca. Vou fazer queixa de ti à Dilsey. .Vai para o diabo .disse ele. .É surdo-mudo.Sim.Ah. e depois .disse a Quentin. . Não sabes que depois nunca mais se cala. . . .Anda cá.disse ele.disse ele.Ele não ouve o que vossemecê tá a dizê . .Eh. Volta para aqui.disse o Luster.Tá assim faz hoje trinta e três anos . A Quentin deu uma sapatada no fósforo e o fósforo foi-se embora.disse ele. Fui até lá.disse ele. Vossemecê faz parte dessa gente do espectáculo.disse o Luster.disse ele. . . Abri a boca.Porquê . .disse o Luster. é . Deu a volta e entrou pela porta da cozinha. .

disse o Luster. . 46 Ele aproximou-se e tirou-me a tal coisa da mão.disse ele. . poi não .Por acaso vossemecê não tem uma moedita a mais. . .disse o Luster.disse o Luster. Era brilhante. .disse ele. Venha p'aqui.disse ele.Encontrei isto aqui debaixo do arbusto .disse o Luster. .E o Luster apanhou uma coisa e deu-ma.disse ele.Só peço vinte e cinco cêntimos por ela. .Por acaso tam'ém não quê comprá uma bola de golfe. . .Eu não posso fazê nada.disse o Luster. Meteu a mão no bolso.Não me pergunte a mim .Também não me pareceu que quisesse . .Uma bola de golfe . Venha p'aqui vê-los batê na bola. poi não .Onde é que arranjaste isso .Se quiseres saber tens de gastar vinte e cinco cêntimos disse ele. Quando ele andava. Só vim ré aqui pa vê s'acho a moeda que perdi pa podê ir logo é espectáculo.disse o Luster.Para que é que eu quero isso.O Luster procurava no chão. . Tome lá isto.Tá visto que tenho Xencontrá a outra . seu cabeça de burro. . Por que é que eles não o fecham dentro de casa .. E parece que não vou podê ir. . .Não tenho. é pa j untá à sua erva-do-diabo. .Primeiro ré pensei qu'era a moeda.disse o Luster. .Para quê . . . Para que é que o trazes cá para fora.Não . Olhou para mim.Que espécie de bola . a gravata ficava toda vermelha ao sol. . Aqui.disse ele.

Olhe p'ali. Eu via a bandeira a adejar e o sol a inclinar-se sobre o prado.disse o Luster.Daqui a nada elas aparecem .Ele já lhe dá isso outra vez.disse ele. .Não sei . .Agora é qu'a fez bonita. . O Luster continuava à cata na relva.Eu tinha-a quando aqui tava .disse ele.. .disse o Luster.disse o Luster.Cale-se .Cale-se . Ele deu-mo e eu calei-me. . . . mas vão-se logo embora. Pere um bocadinho. . olhando para a fachada da casa. . .Pois raios me partam se um deles não deixou a assinatura . -já se vêem algumas. Não lhes peço pa deixarem a assinatura.disse o Luster.Como é qu'as hei-de obriga a vir p1aqui s'elas não querem vir. Fomos pela cerca fora.Venha cá . . Fomos até à cerca e pusemo-nos a espreitar pelos intervalos entre as pétalas encaracoladas das flores.disse ele. Venha ajudar-me a procurá-la.Eles vêm sempre qu'ela consegue descê pela árvore pó lado de lá. Miss Quentin já deve tê ido fazê queixa de si. .Não me incomodes.disse o Luster.disse ele. .disse ele. .disse o Luster. Olhou para a casa.Quem é que velo ter com ela ontem à noite . Vai-te embora . Depois foi deitar-se na rede. .Ele já lhe dá isso outra vez assim que vir o que é.Cale-se .Olha um Agnes Mabel Becky1 . . Não tarda tão a aparecê por aí.

Depois punham-se a correr e eu ia até à esquina da cerca e já não podia avançar mais. Não conseguia ouvir o que diziam. Não és capaz de brincares com elepara verse elefica calado. e ficava agarrado à cerca a olhar para elas e a tentar falar-lhes. da T) 47 Ele quéír@ápa baixopóportão. Tolices. Está a chover. Miss Caddy vai voltá. disse a Mãe. Não há nada qu`ofaça caU. Oh. Ela não o ouve. Eu tentava falar-lhes. disse a Mãe. Elas voltavam a cabeça e ficavam a olhar para rnim quando passavam apressadas. Benjy . Saí lá para fora e não os conseguia ouvir. disse o T P Elejulga que sejorpó portão. mas elas iam-se embora. Preservativo cuja marca era A.disse o Luster. mas isso não pode ser. B. . . disse o T P Míss Gaddyjá sefoipa muito longe. (N. 1. por onde passavam as raparigas com as sacolas. O que é que ele quer. disse o TP Está bem. e elas punham-se a andar mais depressa. Benjamin. Fui pela cerca fora até ao portão.Lá vêem elas.Oh. Tens deficar a brincar com elepara ele estar calado. e eu ia pela cerca fora a tentar falar-lhes. e fui até ao portão. por onde passavam as raparigas com as sacolas. disse a Mãe. . T P. Casou-se e deixou-oficar Não lhe serve de nadaficã agarrado ao portão a chorá. M.Volte p aqui. Não lhe serve de nada ir espreitá ao portão.

O que tá a fazê. Eu não estava a chorar e estava agarrado ao portão. a fugir dessa maneira. Deus sabe que estajamíliajá tem problemas que cheguem. Não lhe serve de nada ficá p'aí a gemê e a chorá agarrado à cerca . agarrado a ele. Estava aberto quando lhe toquei. @araram. disse o Pai. Eu não estava a chotar. Olhe pa elas. . . à luz do entardecer. E mesmo que saia também não faz mal a ninguém. Não sabe qu'a Dilsey lhe vai batê.Ele não pode sair.Ele não te faz mal. atravessaram pó outro lado. Põe-se só a correr pela cerca fora. disse o Pai.disse o T. Burgess não lhe der um tiro primeiro. Elas aproximavam-se devagar.disse o T R . 48 . disse ojason. Como é que ele conseguiu sair. Anda daí.Ele não pode sair dali. Acha-me capaz de uma coisa dessas. Claro que não. Eu não estava a chorar e tentei parar. . e fiquei ali. . disse ojason. Não sou assim tão estúpido. Eu não estava a chorar. . Acho que édesta que o vai mandarparajackson. Anda daí. para ver Qs raparigas aproximarem-se ao lusco-fusco. já opodia ter avisado há muito tempo. P Assusta as miúdas. Passo aqui todos os dias.Oh.Tenho medo..Lá está ele. Benjy . Jason.Não sejas medricas. Cala-te. Deixaste o portão aberto quando entwte. Eujá opodia teravisado. Se Mr. . Elas aproximavam-se ao lusco-fusco.

Encontrei-a .Onde a arranjaste . Talvez dentro de algum saco de equipamento. e ele voltou a colocar a bandeira.disse o Luster. Eu tentava falar-lhe. . . Abri o portão e elas pararam e deram meia volta.Elas aproximaram-se. não conseguia fazêlo sair para gritar. idiota. Mas quando metia ar. Ele tirou-a e eles bateram. mas as formas brilhantes começaram outra vez a passar. .disse ele.Isso sei eu .Só quero vinte e cinco cêntimos por ela.E por que dizes que é tua . . mas caí da colina abaixo para o meio das formas brilhantes que não paravam de rodopiar.Pois então trata de ir procurar outra . . e eu tentei gritar. disse o Luster. . e agarrei-a. .Quê comprá uma bola de golfe . . Vieram até à bandeira. . Lá vêm uns.Mas onde. eu tentava. e tentava a todo o custo não cair da colina.Porque a encontrei . Chegou-se à cerca e o Luster passou a bola para o outro lado.disse o Luster. e as formas brilhantes começaram a parar e eu tentei sair.disse o Luster.disse o Luster.disse ele. Tentei tirá-las da minha cara. . Veja sepára de chorá e de berrá. e tentava falar-lhe. para onde ela caía para o outro lado. Eh.disse ele. e ela gritava e eu tentava falar-lhe. .disse ele.Sinhô .Vamos ver . .disse o Luster. Ele olhou em volta. .disse ele.O que é disse ele. . Elas iam pela encosta acima.Encontrei-a aqui caída no chão .

. . . . ele é isso . Essa já tá toda desfeita. .disse ele.disse ele.Eles foram-se afastando e nós fomos andando pela cerca fora.disse o Luster. Foi até à tabela. . E chegaram às árvores antes de nós. . Por qu'é que não s'entretém co esta flor. Eles foram-se embora. caddie . mas as sombras já se tinham ido embora. Apanhou-a e deu-ma outra vez.disse o Luster. .disse o Luster. Depois chegámos nós. . Deixou cair a sua erva-do-diabo. . A minha foi a primeira a chegar.Ficámos a vê-los da cerca. .disse o Luster.Precisa duma nova. Sabe o . E deu uma tacada. Olhe. . Chegámos ao jardim e daí já não pudemos passar. Agora)á é um homem crescido .Ah. Meti lá a outra flor. Veja se tá calado. As nossas sombras estavam na relva. Agarrei-me à cerca e espreitei pelos intervalos das flores. Não percebe qu'as pessoas ficam cansadas de o ouvir.Cá vai.Pa onde vai agora.Tenho de ir logo à noite b espectáculo .Viu corno ele me tirou a bola. Daqui a nada tá a chorá por causa dela.A brincá com duas flores dentro duma garrafa.Barafustam se não as encontram e barafustam s'as encontram.disse o Luster. Olhe.Meteu a bola no bolso e foi-se embora.Ora esta . 49 .Agora não tem razão pa chorá . Cale-se. Havia uma flor dentro da garrafa. . não é vossernecê. Quem tem razão de queixa sou eu.Deu-me a flor.Aquele branco não é pa graças .

Onde é que estiveram. Então tá bem. . Caddy disse ele baixinho. É o que diz Mr.Olhe p'àquela gente toda a olhá pa si.Além.qu'é que lhe vão fazê quando Miss CaIine morrê. Que tal.Por que não o levas pa longe dela.disse a Dilsey da cozinha. debaixo dos cedros . . O Luster roubou-me as flores. Comecei a chorar.disse o Luster.Ela tem tanto tempo pa cuidá dele como eu . As flores voltaram a aparecer. Vão mandá-lo pa Jackson. . Tentei apanhar as flores. .Luster .Só pa irritares a Quentin . . berre . . O Luster apanhou-as primeiro e elas desapareceram. Quê que lhe dê uma razão pa berrá. levante-se.Cale-se . . Lá pode passá os dias todos a chorá agarrado à grades cos outros maluquinhos. Hoje pintou a manta. Vá. . Agora já pode berrá. que lá é qu@é o seu lugá. .É isto que lhe fazem em Jackson quando começá a berrá.Trá-lo p'aqui . . Não sabes qu'ela não gosta qu'ele ande por ond'ela anda.-Me.Vamos pa dentro.Fizeste-lhe alguma.Caddy. . .disse a Dilsey. 50 .disse o . As nossas sombras tinham desaparecido. .disse o Luster.Puxou-me pelo braço e levantei. Cale-se.Berre à vontade.Cale-se . Caddy.Isso.disse o Luster.disse o Luster. Saímos de debaixo das árvores. .disse a Dilsey. Jason. .

Pôs o bolo em cima da mesa.disse o Luster. Não a queriamosfazer chorar.Não lhe toquei no cemitério não . Pa quo deixaste írp@í Ele estava só a olharpara afogueíra. Ele estava num extremo da casa e ela no outro. . rapaz . . ouviste. Calado.Luster. .Não mintas. . Vossemecê bem ouviu. . . .Não tem vergonha .Não lhe tocaste nas flores . A Dilsey abriu a porta do fogão. Queres qu'ela comece. disse a Gaddy. Não mexas em nada até eu voltar.disse a Dilsey. .disse a Dilsey. .disse a Dilsey. .Não me provoques. negro atrevido .disse a Dilsey. disse a Dilsey. Subimos os degraus e entrámos na cozinha. foi buscar uma cadeira. .disse o Luster.Foste-lhe bulir co cemitério .Pa que quero eu as ervas dele. 51 . A Mãe estava a ensinar-lhe o seu novo nome. .Eu não lhe fiz nada . .Ele tava a brincá co aquela garrafa cheia de ervas e de repente começou a berrá. disse a Dílsey. Sei que não.Não lhe toquei no cemitério .Ele estava ali a brincá e de repente começou a berrá.Ele não é meu tio.disse o Luster. Andava só à procura dos meus vinte e cinco cêntimos. .A arreliá-lo dessa maneira.disse a Dilsey. .disse o Luster.Eu não tava a arreliá-lo . Deixa as minhas coisas em paz. pô-la à frente da lareira e eu sentei-me.

Umas eram pequenas. . já sei. não faço. de dia e de noite. agora queres qu'eu vá pedir outra moeda à Frony. Detesto tudo. Detesto a chuva. .Olhe. . a não sê que não queiras ir logo à noite é> espectáculo. Vá.disse o Luster. As velas apagaram-se.disse a Dilsey. Faço. não foi .Não vou passá a vida toda atrás dele.Já que não é capaz d'apagá as velas .a o -. co ele a contá cada ovo qt@entra na cozinha. Ainda está a chover.Perdeste-os. . .. .disse o Luster veja como eu as apago. .disse a Dilsey. .Tu vais fazê exactamente o que ele te mandá. Outras eram grandes cortadas aos bocadinhos. Benjy. Comecei a chorar. E então a cabeça dela veio ter ao meu colo e ela estava a chorar abraçada a . lume enquant'eu corto o bolo.Pois tens de continuá a fazê .Tenho de ir é> espectáculo e o Berijy que s'arranje dissee o Luster. .Disse-te pó guardares. fazê o bolo aqui em casa.pre o qtiele quê. .Faço sem. Havia de sê bonito. agora vão todos comê o bolo antes que chegue o jason. dísse a Caddy. A Dilsey foi-se embora.Não foi o qu'eu fiz sempre . . Não quero qu'ele se ponha a ralhá comigo por causa dum bolo qu'eu comprei co meu dinheiro. e ouvi . E agora vê s'o deixas em paz. Acendeu as velas. . tás a ouvir negrinho duma figa .Trazêlo p'aqui a chorá e pô-la a chorá também. Fique aqui a olhá pé.Baixou-se para o bolo e soprou com toda a força.disse o Luster.Cale-se . Ouvia o relógio e ouvia a Caddy de pé atrás de mim.disse a Dilsey.

.disse a Dilsey.disse o Luster. .O lume estava lá outra vez.Não serás capaz d'o deixares sossegado. . Aposto que ele inda não comeu nada. Coma mais um bocado de bolo.Vou mandá o Versh dar-te umas boas vergastadas quando chegá. Devia tê vergonha.Passámos o dia todo aqui mesmo no quintal. Ouvia-o mastigar. Ouvia o reldgio e o . Calei-me.Mas alguma coisa o irritou.disse a Dilsey. 52 . Comi um bocado de bolo. .Nã sinhô . A Dilsey deu-lhe uma palmada. .Estava só a vê s'ele se calava. Tás só a vê té onde podes ir. .disse o Luster. A mão do Luster apareceu e tirou outro bocado. Passaste o dia todo nisso.E essa coisa tem nome .disse o Luster.Mete lá a mão outra vez e corto-ta rente co esta faca .Por qtié que tá a gritá agora . . como nos disse pa fazê. Pus-me a olhar para o lume. . . Depois olheipara o lume outra vez e asformas brilhantes e suaves reapareceram. .e a Gaddy. Ia até à porta e o fogo desapareceu.mim e eu comecei a chorar. Tome.disse a Dilsey.Veja se fica sentado a olhá pó fogo como a'nha mãe mandou disse o Luster.Olhe p'ali. Levaste-o ré ao riacho. Um arame comprido passou-me por cima do ombro. A mão dele veio buscar mais uma fatia de bolo. e não incomodava Miss Ca'line . Comecei a chorar. .O que foi que lhe fizeste agora . . .

disse a Dilsey.Experimenta ires lá outra vez ca mão .disse o Luster. Mas também não lhe vaifazê mal. A Dilsey e o Luster continuaram a discutir. Tudo o qu eu tenho afazê é dizê que estou aqui.disse a Dilsey. disse a Caddy.Eu bem te vi . disse a Caddy. Assenta-lhe melhor do que lhe assentava Maury. O nome dele agora é Benjy. -Essa agora. disse a Dilsey.Olá se vi. . disse a Dilsey. 53 O arame comprido passou-me pelo ombro e o lume desapareceu. disse a Caddy. Essa agora.já comeu o dobro de mim. disse a Dilsey. Experimenta só. meu amâ. Como é que vão saber que é Dílsey quandojá não se lembrarem de ti. Comecei a chorar. Não é o nome que o vai ajudá. O meu nome é Dilsey desde que me conhep ejá era antes disso e há-de continuá a sê Dílsey quandojá ninguém se lembrá de mim. ora. Não dá sorte mudd de nome. Ora. . Acho que chegou a minha vez de chorá. pois não.Isso é que comeu . Benjamin é um nome tirado da Bíblia. disse a Diluy.Puxou o . Porquê. Ele inda não gastou o nome com que nasceu.. Eles Mem-no por mim. disse a Caddy. . Acho que o Maury também me vaifazê chorápor ele. É isso mesmo. Está no livro. disse a Dilsey. . E consegues ZÊ-lo. . disse a Dilsey. Escrito com todas as letras. disse a Caddy. Porque a Mãe diz que sim. Ora pergunte-lhe. Não vai sêpreciso.

. A minha voz soava cada vez mais alto. Estendi a mão para o sítio onde tinha estado o fogo. Será que nem quando estou .Ela abriu a porta da fornalha. Espera só ré o teu pai chegá. . mas a Dilsey estava a segurá-la. A minha voz ouvia-se ainda mais alto.Agarra-o . Olhe pé lume. Ela salpicoume a mão com gasosa. vó . Só me dá vontade de te fechá na adega e não te deixá ir 6 espectáculo logo à noite.Dá cá essa gasosa . .Com que então não estavas a arreliá-lo. . Não quê qu'a sua mãe fique doente outra vez. pois não. Quem me dera sê nova como noutros tempos e ias vê como elas mordiam. A Dilsey estendeu o braço e bateu na cabeça do Luster.Não o deixes lá chegar. A mão queria vir para a minha boca.disse ela. Pronto.O que foi desta vez.Vai à despensa e rasga um bocado do pano que está pendurado no prego . A Mãe disse: . Ainda conseguia ouvir o relógio misturado com a minha voz. pois não. vó.Luster do canto para fora e abanou-o. A minha mão saltou para trás e meti-a na boca e a Dilsey agarrou-me. mas a Dilsey seguroua.disse a Dilsey.Oh. Pus-me a olhar para o lume. .disse o Luster. A Dilsey vai já fazê a mão pará de doê. mas a minha mão não parava de doer e eu não parava de chorar. . Olhe pó lume. Pus-me a chorar ainda mais alto e a minha mão tentava voltar para a boca. Atou-lhe o pano à volta. Tirou-me a mão da boca.disse a Dilsey. .Agora cale-se. . . Podes crê.Oh.

Não há outro sítio pá onde o levá .Fui eu qu@o comprei . Foi pó aniversário dele. Mas qualquer dia desapareço.disse a Dilsey. Veio para junto de mim. . com dois negros adultos para tomar conta dele. . Será que tenho de sair da cama e ir ter com ele aí abaixo. .Volte pá cima e vá-se deitá .E deixá-lo aqui para vocês lhe fazerem mais alguma disse a Mãe. . Benjamin. Vá.disse a Dilsey.já não temos o quarto que tínhamos antigamente.Não veio da despensa do Jason.doente posso ter paz. eu sei . . .Assim vai .disse ela.Dois negros desse tamanho e tinham de o trazer para dentro de casa a chorar . .Isto passa num instante e ele cala-se já.Queres envenená-lo com esse bolo de terceira categoria disse a Mãe. e tu e o Jason já se vão sentir mais à vontade. .A culpa é toda minha. .disse a Dilsey.Fizeram-no chorar de propósito porque sabem que estou doente.disse a Dilsey. .É isso que queres. . . .disse a Mãe. .disse a Dilsey. . Está calado . 54 . Cala-te imediatamente. .Ele cala-se já. .Como posso eu estar lá em cima deitada. E ele não pode ficá lá fora a chorá onde todos os vizinhos o vejam.disse a Mãe.E começou a chorar.Veja se pára com isso . .Eu sei. .Ele já tá bem . com ele a gritar cá em baixo desta maneira. Foi só uma queimadela na mão. vá pá cima. não é. Será que não consigo ter paz nem por um momento.já calado. Vocês deram-lhe este bolo.

Benjy. Não tentespegar-lhe. Fomos para a biblioteca. . disse a Mãe. Cale-se. Estás a ouvir Benjy. Volte pá cima. quero dizer.. O Luster vai levá-lo pá biblioteca e fica lá com ele ré eu tê a ceia pronta.disse o Luster.Leva-o pá biblioteca disse ela.Pronto . A Dilsey e Mãe saíram. As janelas ficaram pretas e o sítio alto e escuro da parede veio direito a mim e eu avancei e toquei-lhe. . fiz-lhe uma fogueira. O Luster acendeu a luz. e nem sequé olha pá ela. .E s'o voltá a ouvir. 55 A Caddypegou-mepor baixo dos braços e ajudou-me a levantar. Não lhe digas isso. sou eu mesma que te dou uma surra. . já disse. . Chegava à almofada da cadeira da Mãe. .Cale-se.Cale-se .Será que não é capaz de pará nem por um momento. mas não era uma porta.Deume o chinelo e eu calei-me.piorá outra vez. O fogo era mais alto. Benjy. Trá-lo cá.disse a Dilsey. -Agora pare de chorá. disse a Mãe.disse o Luster. Levanta-te Maur. Isso já não lhe tá a doê. disse ela. O teu nome é Benjy. com o chinelo na mão. Ou quê que lhe queime a outra mão. Podes ajwU-1o . Olhe. Era como uma porta. O fogo veio por detrás de mim e eu avancei para o fogo.Cale-se . disse a Gaddy. . .

O Pai estava lá em cima em mangas de camisa. Eu posso levá-lo.disse a Mãe.Não pode nem com uma gata pelo rabo. A cara dele era como se dissesse Cala-te. Dez para as sete . .Então vá lá. Havia outrajogueira no espelho. Subia e desciapelasparedes.disse a Dilsey. O cabelo dela estava na almofada.a vir atéaqui. Mas já falta pouco para desaparecer. Depois acorda ao nascer do sol. E então . O Vershpousou-me no chão efomos ao quarto da Mãe. .disse o Pai. Ou serápedír muito. Ofogo não chegava U. então . Um momento . Havia umafogueira. Eu sentia o cheiro da doença. disse a Caddy. cheia de anéis a saltarem dos dedos. mas brilhava na mão dela. A Caddy murmurou: -A Mãe está doente. O fogo desapareceu do espelho.disse a Caddy. . É muito cedo para ele ir para a cama . Aproximámo-nos da cama. Estava uma luz acesa ao cimo das escadas.Sei bem que para ti não passo de um fardo . .disse o Pai. E acariciou o rosto da Mãe. nãopodes. . Os olhos dela estavam fechados. . . Dilsey.Deixe-me levá-lo pa cima. e eu não vou aguentar um outro dia como o de hoje.disse a Mãe.Vem dar as boas-noites à Mãe .Que horas são . O Pai levantou-se da cama e pegou-me ao colo e a Mãe pôs-me a mão na cabeça.disse a Mãe. Estava numpano que a Mãe tinha enrolado à cabeça. Vá e fique queta como Mr.Então. Jason mandou.

disse a Mãe. A Dilsey vai deítar-te.disse o Pai.Cala-te.Hoje têm de se portar todos muito bem . .Pegou-me ao colo. Benjy. A Caddy pousou-me no chão.disse o Pai.disse a Caddy. .Está caladinha . A Mãe está doente. A Caddy disse: . * Vershfoi buscá-lo.Deixe-o ficar aqui. já podes voltar para o fogo. Ouvíamos a Mãe no quarto dela. E agora cala-te. Vamos um bocadinho lá para baixo.ficarás livre das minhas lamentações. .Nós ficamos calados . Vinha de mãos nos bolsos.Eu levo-o lá para baixo um bocadinho. Porta-te bem. .Cala-te. O Jason vinha a subir as escadas. Eu via também ofogo no espelho. . 56 A Caddy aproximou-se da cama. -Vá.Vamos. . vamos embora .disse a Caddy. inclinou-se e a mão da Mãe surgiu à luz da fogueira. disse a Dilsey. Não podemos fazer barulho enquanto o Quentin está a estudar. . Os anéis dela saltavam nas costas da Caddy. Começámos a andar em bicos dos pés. . . .A Mãe quer ver-te só por um instante.Cala-te. A Gaddy pegou em mim outra vez. E não façam barulho. e eu calei-me. Jason disse ela. Benjy . disse o. Depois podes voltar para aqui. Onde está o Quentin. Quando ele se cansar de .Depois.disse ela. para não incomodarem a Mãe. meu velho. . Mãe. * Pai ficou a olhar para nós quando passámos por ele.[al.Candace . Ouvíamos o telhado. .

Ele é muito grande para tu lhe pegares. . Chhhh disse ela. . e eu não estou com forças para passar pelo mesmo com . Candace . No meu colo não.Bem. . E não percebem que depois quem sofre com isso sou eu. Não estejas para aí a tentar. então pode chamá-lo.disse a Caddy.Não faças isso. Vá.Cala-te . Toma a tua almofada. . Vê lá se queres parecer uma lavadeira.disse a Mãe.disse a Mãe. . A Vóvó estragou o Jason da maneira que se viu e foram precisos dois anos para ele recuperar. Levanta-se um bocadinho. . Então. 57 . ele cala-se logo . Benjy.Eu consigo levá-lo.disse a Mãe. não.disse a Mãe. Deixa-o estar de pé. Olhei para a almofada e calei-me.Candace .disse a Caddy. Olha. .Ainda o consegues ver.Candace . A Caddy baixou-se e pegou em mim. cala-te.Tu e o teu pai.Vais voltar para lá agora.Fazem-lhe vontades de mais . . Todas as nossas mulheres sempre se orgulharam do seu porte. .disse a Mãe. . . Não. .disse a Mãe. Pronto.disse a Caddy. . para eu a tirar.Trá-lo cá . . .Uma criança de cinco anos.Deixe-o olhar para ela e ele cala-se logo .disse a Caddy. então sou eu que não quero que ele passe dum lado para o outro . olha. Ainda dás algum mau-jeito às costas. Desequilibrámo-nos.Ele não pesa assim tanto .Se o abraçar.olhar para o fogo.

Ele vai chorar .disse a Mãe. . . Agarrou-me a cara com as mãos e virou-a para ela. . Benjy.Pára com isso. Benjamin é que é .disse a Mãe.o Benjamin. e não quero ouvi-lo a mais ninguém. Os diminutivos são urna coisa grosseira. . Mas eu não parava e a Mãe apertou-me nos braços e começou a chorar.disse a Mãe. já foi uma complicação quando o teu pai se lembrou de te tratar por aquele diminutivo idiota.Cala-te.disse a Caddy. . Ela encostou a Mãe para trás na cadeira e a Mãe ficou a chorar com a cara na almofada vermelha e amarela.disse a Mãe. A almofada foi-se embora. . Benjy .Leva daqui essa almofada. -já te disse para não o chamares assim. . . . .Ele tem de aprender a obedecer. .Olha para mim .Benjamin -disse ela. . Não gosto.disse ela. Só a gente do povo é que os usa.Candace .Benjamin .Eu gosto de tomar conta dele.Leva daqui a almofada. .Encostou a minha cara à dela.Vai para ali e deixa-te estar sentada . já disse .Não se preocupe com ele .disse ela.disse a Caddy.disse a Caddy.Pára com isso . . Benjamin. a almofada voltou e a Caddy segurou-a por cima da cabeça da Mãe. e eu ainda chorava mais. Candace. . .disse ela. Nisto.

. . Eu vou chamar a Dilsey. O Pai trouxe a Caddy para junto do lume.Continuava a lutar.Vou cortar-lhe as tripas.Queres que a Mãe oiça e fique pior. . . .Candace . Pegou na Caddy. O Jason estava a chorar. Caddy .disse a Caddy.Pára com isso . .Caddy . Tal como também estava na porta. A Caddy e o Jason estavam a lutar no espelho.disse ele. .Então. Ela deu um pontapé no Jason.disse o pai. já não estava a lutar. senão fica pior. Ele rebolou para o canto. O Pai estava a segurá-la. . Benjy . .disse o Pai. .Ela levou-me para ao pé do fogo e eu fiquei a olhar para as formas suaves e brilhantes. Tinha uma tesoura na mão. O Jason estava caído no chão a chorar. já tinham saído todos do espelho. para fora do espelho.58 . .Vou e vou mesmo.disse a Caddy. O Pai pegou-me ao colo.Ele cortou todos os bonecos de papel do Benjy disse a Caddy. Só lá ficou o lume. Mãe . mas víamos a Caddy a lutar no espelho e o Pai pousou-me no chão e entrou no espelho e começou a lutar também. Ela continuou a lutar.Então. . O Jason começou a chorar. . .disse o Pai.Vá para cima deitarse. . Cheirava como a chuva.Portaste-te bem hoje.Isso é que eu vou .disse o Pai. O Pai agarrou a Caddy.Pronto. Continuaran-i a lutar. Ouvia o fogo e o telhado.

disse a Caddy. . .Ele cortou todos os bonecos que eu e o Maur .disse o Luster. Ojason entrou. o Benjy fizemos .disse o Pa 1. Se não o consegues calar.Abriu o jornal e começou a ler. 1 digo.Não sabia que eram dele.Está insuportável .disse o Jason.Cala-te . Toma. Podes olharpara o lume epara o espelho epara a ..Não foi por maldade . .Tem estado assim todo o dia. . julguei que eram só papéis velhos. tens de o levar para a cozinha.. . podes olhar para a almofada.Amanhã faço-te mais . 59 Que sepassa agora.Fizeste isso só por. .Vamos fazer um monte deles. Só por maldade.A Caddy parou.disse ele.Então por que não o deixas em paz .disse a Caddy. Será que tenho de trabalhar o dia inteiro para chegar a casa e encontrar este manicómio.A'nha avó diz pa não o deixarmos ir pá cozinha'té ela tê a ceia pronta . .disse o Luster.disse o Jason.Tinhas de saber . . . . . . a chorar. . disse o Luster..Então brinca com ele e vê se ele fica calado . disse ojason. Fartei-me de lhe dizêpa se calá.Jason . . .disse a Caddy.disse o Jason. Estava sentado no chão. Nós não nos podemos fechar num quarto como faz a Mãe.

disse o Quentin.Diz 60 que está quase pronta . pois não. Depois continuou a ler o jornal. disse o Quentin. Ouvíamos também o Jason a chorar muito do outro lado daparede. Coisa sem importância. A Dilsey foise embora. Po&s contar. Agora. .disse a Dilsey.Nã sinhô . A Dilsey disse: .disse o Luster. Quentin.Disse sissiô . A Quentin entrou. disse a Caddy. Não te tás a metê co ele.Eu cá não sei . A Quentin .Então a Dilsey não disse que a ceia estava pronta.Não a vi.A ceia tá quase pronta.Onde tá a Quentin . disse ele. . . não andaste.disse o Luster.Quentin . . disse o Quentin. Quem dera queparasse de chover A Quentin disse: . O Pai vaiperceber.Venha Jason. disse ele. . O Jason olhou para a Quentin. A ceia tá pronta. Cortou todos os bonecos do Benjy. disse a Gaddy. O q u e é q u e o Jaso n fez. Quero U saber. Sentou-se no tapete ao pé de nós. Ouvíamos o telhado. . . já não tens de esperar até aofim da ceiapara olharespara a almofada.chamou do meio do corredor. Ouvíamos o telhado. disse a Gaddy. disse a Caddy.disse o Luster. Andaste a lutar. Quem dera que a chuvaparasse.almofada. O Quentin também cheirava como a chuva.disse o Luster. . A Mãe disse para não o chamares Benjy. Assim não sepodefazer nada.

Jason. .disse o Luster.disse o Luster. . . . que faço . E continuou a ler o jornal. .disse o Jason. sim .Cala a boca .Dê-me duas moedas .Mas eu perdi-os.disse o Jason. . .disse o Luster.Mr. .disse a Quentin.disse ele.disse o Jason. .Ouvi. A boca dela era vermelha.O que é . Eu e o Benjy passámos o dia à procura da moeda. Pode perguntar-lhe. A Quentin continuou a olhar para o fogo.Lembras-te do que eu disse que te fazia se te tornasse a ver com esse tipo do espectáculo . O Jason olhou para ela.Não te preocupes.disse o Luster. O Pai inclinou-separa afrente e . .disse a Quentin.Julguei que a Dilsey ia pedir vinte e cinco cêntimos à Frony para tos dar . .disse o Jason. .E pediu .E então por que não faz.disse o Jason.Tentei evitar que ele fosse para lá . Eu tenho de trabalhar para conseguir ganhar o meu. O fogo estava nos seus olhos e na sua boca. .Pa ir logo é espectáculo .Para quê . E o Luster disse: .Não estou preocupada . O Jason continuou a ler o jornal. Eu ouvia o telhado.disse o Jason.saltou para a cadeira da Mãe. . .Então pede-lhe outra emprestada .disse a Quentin. A Quentin estava a olhar para o fogo.Estás a ouvir . .

Jason .disse o Pai.disse o Quentin. .disse o Quentin.O Pai pegou no Jason e sentou-o na cadeira ao seu lado. .Ela. jápodem vir todos .Ele disse que punha uma rã na carteira dela e que ela não tinha coragem para lhe bater.Onde ia ele arranjar uma rã em Novembro .Pois foi .Ainda bem . . OU. .disse o Pai.Não me queres dizer.Por nada de especial .Jason .Isso não sei . .Vieram apartar-nos. Ouvíamos o lume e o telhado. . disse ele. Quem ganhou. .olhoupara o Quentin. .Pára com isso imediatamente .disse o Pai.disse o Quentin.disse o Pai.Vem para aqui e pára com isso. e umas fungadelas do lado de fora da porta. .Vá. . . . .Quem era ele . continua .Ah . . 61 . E depois.disse o Quentin.disse o Pai. . O Jason continuou a fungar. Os professores. Ouvíamos o Jason.Vê lá se queres que te bata outra vez. .disse o Quentin. . Ouvíamos o telhado e o lume. Pronto.disse o Pai.E eu então bati-lhe. Ouvíamos o lume e o telhado. . Ouvíamos ruídos. Ouvíamos o telhado e o lume e o Jason. A Dilsey disse. O Jason começou a fungar com mais força.Ninguém . . . .disse o Pai.Ele era do meu tamanho. .disse o Pai.Não teve problema .E podes ao menos dizer por que começou.

disse ela. Chorava com toda a força e levantei-me. Oseu nomeagora éBenjamin.disse a Mãe.disse o Pai. ele tinha também as gengivas azuis. e ela encostou-se mais à parede e eu vi os olhos dela e comecei a chorar com mais força e a puxar-lhe pelo vestido. O Pai e a Mãe olharam para a porta.Candace . Comecei a chorar. Ia muito depressa. O Versb disse. A Caddy entrou e ficou de pé encostada à parede a olhar para mim. Os seus olhos pousaram em mim e foram-se embora. Os olhos dela fugiram. . iambém. Nem olhou. e que depois seJezpastor. Mãe .Cala-te. A Caddy veio até à porta e ficou parada a olhar para o Pai e para a Mãe. mas eu continuei a puxar-lhe pelo vestido. Cheirava como um cão.Sim.disse a Mãe. e que quando olharam pa ele. . Ouvíamos o lume e o telhado. Ela estendeu as mãos.Vem cá .Cala-te. Porqu'o querem transformá num gengí62 vas azuis. A Caddy parou. . Sabeporqu'é qu:lgora se chama Benjamin.Deixa-a em paz. a chorar.disse o Pai.cear. . . Ouvimos a Caddy a andar muito depressa. . E nunca as tinha tido assim. E quando uma mulherprenha olhavapós olhos dele numa . Caroline . O Versh cheirava como a chuva. Fui ter com ela.' A 'nha mãe diz que há muito tempo o seu avô mudou o nome dum negro. A Caddy passou muito apressada. Caroline .

e ela continuou a andar e eu fui atrás dela a chora-r.E empurrou-me. Que estás tu afazer-lhe. Ela encostou-se outra vez à parede a olhar para mim. Tinha a mão a tapar a boca e eu olhei para os olhos dela e pus-me a chorar. disse ojason. Daí inda consegue vê o lume. Esabe quem o comeu. ele não voltou pa casa. É tudo o que pode fazê. * é que vou mesmo. Depois tapou os olhos com o braço e eu encostei-me a ela a chorar. disse ojason. Foram uns caçadores de opóssuns que o encontraram nafloresta todo comido. E uma noite. Estávamos no vestíbulo. disse a Quentin. Precisa d@ípanhá. Foram as crianças de gengivas azuis. vai-te embora.Não comece a berrá outra vez. Fomos para cima.noite de lua cheia. Como é que alguém pode viver numa casa como esta. quandojá havia perto d`uma dúzia de crianças de gengivas azuis a correrem por ali.Chegue-se pa lá um bocadinho. menina. Não tepreocupes. * Versh disse: . Olha. e ela encolheu-se contra a parede a olhar para mim. disse a Quentin. Não lhe tou a tocá. pa eu secá as minhas pernas. Abriu a porta do quarto. mas eu puxei-lhe o vestido e fomos à casa de banho e ela ficou encostada à parede a olhar para mim. a criança nacia cas gengivas azuis. A Caddy continuava a olhar para Mim. . Por que não o deixas em Paz. e eu sempre a chorar. se não te ag". Não . . disse o Luster. Ele tem tado assim todo o dia. Precisa é que o mandem parajackson.

. . a Quentin disse.Queres que a Caddy te dê de comer. já sabe o qu'eu lhe faço. . não queres . Por que não lhe dás de comer na cozinha. o telhado e o Versh. Pélo-lh`o olho do cu.disse o Versh. .disse a Caddy. (N. Os Bluegum negroes (negros de gengivas azuis) eram tradicionalmente famosos pela sua ferocidade. . É o que a'nha mãe diz. Como ele nunca mais tirava o chinelo nojento de cima da mesa.Leva este tabuleiro lá 'cima .disse a Dilsey. É o mesmo que estar à mesa com um porco. . o melhor é não virespara a mesa.Ele às vezes chora quando o Versh lhe dá de comer. Versh.Fique aí quero e deixe-me secá as pernas . Porqu'a sua mãe tem vergonha de si. O Pai disse: .Hoje dou-lhe eu de comer .teve de andá lá por fora à chuva como eu. A porta do forno estava aberta e o Roskus tinha lá metido os pés. da T) 63 Ouvíamos o lume.Então.Senão. Se não gostas da maneira como nós comemos. O Roskus deitava fumo. . . O Versh levantou-se de repente e esticou as pernas.E volta depressa pa dares de comê ao Benjy. disse ojason. Saía muito vapor da tigela.Sabe por qu'é qu'o seu nome agora é Benjamin disse o Versh. A Caddy .Deitou-se de costas diante do lume. 1.disse a Caddy. Nasceu cheio de sorte c nem se dá conta. Estava sentado em frente do fogão.

disse a Caddy. Havia uma marca preta no interior da tigela. disse a Dílsey. vai sê . . Elejá não o incomoda mais. Aproxímou-se da Quentin e 64 pôs-lhe o braço por cima das costas. .Apanhoume a anca duma maneira que mal me posso mexê.Ele hoje está com fome . mas é só até chegar a hora das refeições. minha linda disse a Dibey. O Roskus disse: . Senta-te. Daí a pouco a tigela estava vazia. Espera e verás.Tá outra vez amuada. Mas depois voltei a vê-Ia.Vai chover toda a noite. A atirar-lhe à cara com coisas de que não tem culpa.Ele hoje está esfomeado . Odeio esta casa. disse o Jaso n. disse a Quentin.disse a Caddy.disse o Rosicus. Pronto. Ele devia tê vergonha. Não me admirava nada.Não sei con@istc. A tigela voltou. disse o Jason. A mim já não me espanta nada que tufaças. disse a Dilsey. Pudera.Vejam só o que ele comeu. Jason. A Quentín atirou o guardanapopara cima da mesa. já não conseguia ver a marca. pronto. Vocês mandam-no todos espiar-me. . dísse a Quentin. não tá .disse a Dilsey. Cale a boca. Voupôr-me a andar daquiparafora. Passei para baixo da marca. . Gostas muito de andarpor aí. . É de passá a noite a subir as escadas. .meteu-me a colher na boca devagarinho. E foi-se embora.

disse a Caddy.Ele anda outra vez a comer papel .disse a Caddy. O papel assobiou.disse a Dilsey. jason. desenrolou-se e pôs-se negro.Que estás a fazer.disse o jason.disse o Pai. . .E se viesses fazer isso para aqui .disse o Pai.Cum tempo destes toda a gente fica doente.Não podemos fazer barulho enquanto a Quentin estiver a estudar . A Quentin desatou a correr -A Mãe está doente outra vez . A Quentin empurrou a Dilsey. . O Jason cuspiu o papel para a lareira. disse a Quentin.disse o jason. . A Caddy. O jason saiu do canto. A cabeça da Caddy .Nada . Veja s'acaba de comê.O que estás tu para aí a chupar . A Dilsey segurou-lhe o braço. . jason . . ..disse o Pai. Lutaram.Cala a boca . . para o espelho e para o lume. A Caddy deu-me a almofada. Pegou no copo de água e esticou o braço para trás sem tirar os olhos do jason. Ouvíamo-la a correrpela escada acima. e eu podia olhar para a almofada. Fomospara a biblioteca.Nada . Depois cinzento. Olhou para o Jason.Vem cá.disse a Dilsey. . O copo partiu-se em cima da mesa e a água correu pela mesa fora. Tinha a boca toda vermelha. Depois desapareceu.disse o Pai. Diabos te levem. . Os olhos do jason estavam fechados e a boca dele inexia-se como se estivesse a provar alguma coisa. Diabos te levem. o Pai e o jason estavam na poltrona da Mãe.Claro que tá .

e eu aproximei-me e o Pai puxou-me também para a cadeira. e a Caddy segurou-me.Cale-se .disse a Dilsey. Fechou a porta. Não 65 o conseguia ver. e as minhas mãos viam o chinelo. Olhe o qu @u arranjei. Inda não chorou hoje que chegue. mas eu via ajanela. No canto estava escuro. O que tá afazê aqui. Jájulgava que se tinha escapado Z@paJora.disse a Caddy. mas as minhas mãos viam o chinelo. com o chinelo na mão. Sabe onde é qu`os arranjei. Venhapà cama. e dos seus olhos saíam pontas de fogo. sem tê de se vi. Foi Miss Quentin que mos deu. e ouvia a noite a aproximar-se. Hoje não possoficá a aturálo toda a noite. .disse a . Não fomos para o nosso quarto. mas eu não me via. Assim qu ouvir o primeiro toque. disse o Luster. Ela cheirava como as árvores. O cabelo dela era como o fogo.Por que é que temos de dormir aqui esta noite.Qu'lmportâ-ncia tem o sítio onde dormem . com as suas choradeiras. e eu estava ali agachado a ouvir a noite chegar. O Jason começou a chorar. Eu bem sabia que não iaficá sem ir. mas as minhas mãos viam-no.Aqui é onde temos o sarampo . Cheirava como as árvores. .r escondê aqui nesta sala vazia.estava encostada ao ombro do Pai. voume embora. Com qu`então tá aqui. sentou-se e começou a despirme. . Deixei-me Ulficar agachado. pa vê se consigo chegá Zd antes daquilo começá. .

. . Vamos. disse a Mãe. O Jason calou-se.Dilsey.É melhor vestirem-nas . Tocà tirá as calças. . disse a Quentin através da parede. Abriu a nossa porta.Estás a chorar porquê . como se mudássemos de casa. Ele começou a chorar. . Depois de o deitares vai dizer à Dilsey se não se importa de me arranjar o saco de água quente. dispam-se todos. @W terei depassar sem ela. .disse a Dilsey. Quentin. A Caddy desabotoou as roupas do Jason.disse a Caddy. O Jason calouse.Cale-se .disse o Jason. . entrou.disse a Dilsey.disse a Caddy. O Quentin vinha a esconder a cara. disse o Luster.Desabotoe a roupa do Jason.disse a Dilsey.As nossas camisas estão aqui e tudo . Ouvimos a Mãe fechar a porta à chave. Dilsey. Diz-lhe que se lhe der muita maçada.Vá. .disse a Dilsey. Tu podes ir pa casa. .Veja lá se quê apanhá . Vérsh. debruçou-se sobre a cama e deu-me um beijo na testa. não pode. Pode.disse a Caddy. .Ela está doente . 66 Sissiô. . O Quentin e o Versh entraram. . disse a Mãe do corredor. Diz-lhe que sópergunto porperguntar.Quero dormir com a Vóvó . .Podes dormir com ela quando melhorar. O que é.Agora tej a caladinho .

. Ajudou a Caddy a despir o corpete e os culotes. O Quentin meteu-se na outra. nunca mais lhe fazemosfesta de anos. Fomos até à janela e olhámos lá parafora.Por que não veste a camisa de dormir . Pronto. . Tá a ouvir as cornetas.disse a Caddy.5U bpé. A Caddy despiu o vestido.Ficou toda suja .disse o Jason. Galei-me.disse o Jason. A Dilsey deitou o Jason ao lado do Quentin.Despi-me. Lá vai ela. Voltoupara dentro epegou-me no braço. .disse a Dilsey. Foram-se embora.Olhe só pó estado em que tá . . e nisto o Lusterparou a olharpara ajanela.Olhe só para os seus culotes . Pegou nos culotes e esfregou corri eles o rabo da Caddy.O que é que eu ganhei com isso .Dê-se por muito contente de a sua mãe não a tê visto. Queixinhas. olhei para o meu corpo e comecei a chorar Cale-se. Vestiu-me a camisa de dormir. Virou a cara para a parede. .disse Dilsey. Depois deixámos de o ver. . Agora fique calado.disse a Dilsey. Venha. . Vimos a árvore a abanar Ouvimos o vulto a descerpela árvore e depois vimo-lo saltar da árvore e ir-se embora pela relvaJora.disse a Dilsey. Meta-se na cama queu vou. Se continua a portarse dessa maneira. . disse ele. Não serve de nada andá à procura deles. Mas esta noite .E vê lá o que ganhaste corri isso .disse ela. disse o Luster. Depoisfoi até àjanela e olhou Uparajora. disse o Luster. Havia duas camas. .Isso já era d'esperá . O vulto saiu dajanela do quarto da Quentin e empoleirou-se na árvore.Eu já fiz queixa dela .

Está bem .disse a Caddy. e ouvíamos a escuridão. depois veio dar um beijo à Caddy e fez-me uma festa na cabeça.Pois têm . Olhou para o Quentin e para o Jason.disse o Pai.Véstiu-lhe a camisa de dormir e a Caddy subiu para a cama e a Dilsey dirigiu-se para a porta e disse.Não .e pôs-me a mão em cima.Toc'à dormi. . A escuridão foí-se embora e o Pai estava a olhar para nós. E eu calei-me.Hoje a Mãe não vem cá disse ela. e ele ficou todo preto à porta.És capaz de tomares conta do Maury@ .Ela e a Vóvó estão ambas doentes. estão a ouvir.ffisse a Dilsey. A Caddy disse: .Calem-se . . e depois a porta ficou preta outra vez. A Caddy abraçoume e eu ouvia-nos a todos nós e à escuridão.disse a Dilsey.disse a Caddy. com a mão na luz: . Depois a escuridão voltou.Por isso ainda têm de fazer o que eu mandar. .Vá. 611 . O Pai foi até à porta e olhou para nós outra vez. Depois a porta também ficou preta. . toca a dormi. . . .A Mãe está doente . Maury .disse a Caddy. O quarto ficou todo preto menos a porta. .A Mãe está muito doente .disse a Caddy. Nós ouvíamos as nossas vozes. .Sou . e uma .Está caladinho.não lhe vou dá banho. . . .Agora fiquem todos caladinhos.

chega a ser dolorosamente justo que o uses para alcançares o reducto absurdum de toda a experiência humana. ao som do despertador. Isto é. apenas a ouvi-lo. Estava encostado à caixa dos colarinhos e eu deitado a escutá-lo. Podemos abstrairnos do som por largo tempo. e quando o Pai mo deu disse dou-te o mausoléu da esperança e do desejo. Não creio que haja alguém que deliberadamente escute um relógio ou um despertador. Porque. Nem é preciso. como ele dizia. mas para que te possas esquecer dele de vez em quando. Era do Avô.coisa que eu podia cheirar. Depois já conseguia ver as janelas onde as árvores estavam a zumbir. num segundo de . que responderá às tuas necessidades individuais tão bem como respondeu às do teu avô ou às do pai dele. O campo de batalha apenas revela ao homem a sua própria loucura e desespero. Dou-to. sem depois te esfalfares na ânsia de o recuperares. mesmo quando a Caddy diz que eu estive a dormir. e nisto. nenhuma batalha se pode considerar ganha. Nem sequer travada. e a vitória é uma ilusão de filósofos e de loucos. Doís dejunho de 1910 Foi entre as sete e as oito que a sombra dos caixilhos apareceu nos cortinados e eu entrei outra vez no tempo. como sempre acontece. não para que te lembres constantemente do tempo. Então a escuridão começou a girar com formas suaves e brilhantes.

Arrependemo-nos dos hábitos ociosos que adquirimos. comecei a tentar des. virei-o com o mostrador para baixo e voltei para a cama. E quando percebi que não o podia ver. O Pai dizia que a especulação constante sobre a posição de uns ponteiros ligados a um mecanismo sobre um mostrador arbitrário é sintoma de actividade mental. Tenta descobrir. podia ter olhado para a janela a pensar no que ele costumava dizer sobre os hábitos ociosos. E o bom São Francisco de Assis. como o suor. Mas a sombra dos caixilhos ainda lá estava e eu tinha aprendido a deci69 frá-la quase até ao minuto. ele recria na nossa mente o longo período de tempo que não ouvimos. Ele que não tinha irmã. Através da parede ouvi as molas do colchão do Shreve e depois os seus chinelos a arrastarem pelo chão.cobrir que horas seriam. Era o que o Pai dizia.atenção. se o tempo se . E que Cristo não foi crucificado: foi-se esgotando no ínfimo tic-tac de máltiplas rodinhas. que dizia Irmãzinha Morte. A pensar como devia ser bom para eles lá em New London. quando a traziam erguida. acometido de uma comichão como se tivesse os olhos que os animais tinham antigamente na parte de trás da cabeça. Tal como o Pai dizia que se podia ver Jesus a caminhar nos longos e solitários raios de luz. E eu dizia Esta Dem. Um excremento. pelo que tive de lhe virar as costas. fui até à cómoda e percorri-a com a mão até tocar no despertador. Levantei-me. Se o dia tivesse amanhecido nublado. dizia o Pai. Tenta sempre descobrir. ele que nunca teve uma irmã.

Tenho de me apressar. . Não posso apanhar outra falta. Andar um a-no em Harvard e não ver a regata devia dar direito a reembolso.conservasse assim. Pai. . O Jason que fique com ele.A campainha toca daqui a dois minutos.Vais baldar-te esta manhã? .Já é assim tão tarde? Olhou para o relógio. de boca à banda. .Ainda não. E por que não havia de conservar? O mês das noivas. A porta . Despacha-te. eu disse. Rosas. O Shreve apareceu à porta. Calei-me. . a abotoar o colarinho. Rosas.Voltou a meter o relógio no bolso. . Jason Ríchmond Compson têm o prazer de anunciar o casamento de. Mas virgens. Rosas.Ainda não estás pronto? .. .Ele continuava a olhar para o relógio. 70 Levantei-me e comecei a andar de um lado para o outro a ouvi-lo através da parede.Não reparei que já era tão tarde. Eu disse que tinha cometido incesto. como se ele os tivesse lavado juntamente com a cara. dos aromas concentrados.. Ela saiu a correr do espelho. Rosas. não como as flores de laranjeira e de cerejeira-brava. . Saiu do quarto. Mande o Jason um ano para Harvard. . Mr. O deão já me avisou a semana passada. Eu vou já. com os óculos a brilharem rosáceos.O melhor era enfiares as calças e dares uma corrida disse ele. Astuto e sereno. e Mrs. Ouvi-o na nossa sala comum a dirigir-se para a porta. a voz que sussurrava. Saiu.

e eu disse: Mas não importa acreditar nisso ou não. Disse que foram os homens que inventaram a virgindade. e eu disse: Por que é que não podia ser eu e não ela a ser desvirginado. em relação ao que quer que seja: não apenas à virgindade. o Spoade parecia um cágado numa rua coberta de folhas secas arrastadas pelo vento. Não lhe ligues. afastei as cortinas e fiquei a vê-los correrem para a capela. e o Spoade. disse o Shreve. Com as mulheres já não é assim. passando velozes diante dos meus olhos como detritos levados pela torrente. e o Shreve disse se ele não teria mais nada que fazer do que andar atrás daquelas porcas desavergonhadas e eu disse já tiveste uma irmã? já? já? No meio deles. a debaterem-se com aquelas enormes mangas de sempre. Até mentem a esse respeito. Dizer que o Shreve é meu marido. fui até à janela. No Sul é vergonha ser virgem.fechou-se. não as mulheres. que temos nós com isso. Ouvi-lhe os passos no corredor. disse o Pai. e ele disse: É também por isso que é tão triste. Nisto. com o . os livros de sempre e os colarinhos de sempre.apenas um estado em que os outros se encontram. Parei de andar de um lado para o outro. outra vez o relógio. a esvoaçar. os mesmos de sempre. Os homens. Os rapazes. O Pai disse que é como a morte . e ele disse: É isso que é triste. nem sequer vale a pena mudar nada. se ele não tem mais que fazer do que andar atrás dessas porcas desavergonhadas.

No clube vangloriava-se de nunca ter tido de correr para chegar a tempo ao serviço religioso. Os outros passavam por ele a correr. depois. Daí a pouco o pátio ficou deserto. pedia duas chávenas de café. mais latente do . nem ter chegado nunca à capela ou à primeira aula da manhã com a camisa vestida ou as meias calçadas. avançando no seu passo paulatino do costume. zás! e era o outro que me observava. Entrava no Thompson por volta das dez horas. Por volta do meio-dia já andava de camisa e colarinho como toda a gente. Começaram a dar horas. Primeiro observou-me só com um olho. Era finalista e vinha da Carolina do Sul. mas ele nunca acelerava o passo. nem ter chegado mesmo em cima da hora. O olho dele era redondo e brilhante. Um pardal cruzou o ar pela frente do sol. enquanto a garganta palpitava mais célere que qualquer pulso.colarinho a chegar-lhe às orelhas. nem ter faltado uma só vez em quatro anos. veio pousar no peitoril da janela e pôs-se a olhar para mim. O pardal desistiu de trocar de olhos e fitoume intensamente com o mesmo olho até as badaladas se calarem. como se também ele estivesse a escutálas. tirava as meias do bolso e descalçava os sapatos e calçava as meias enquanto o café arrefecia. sentava-se. Pairou no ar por largo tempo. Nisto. saltou do peitoril e desapareceu. Foi mesmo antes de a última badalada ter deixado de vibrar.

mas que também não consigam sequer fazer nada de terrível. Se fosse tão simples como isso. E ela. Quando ele me pôs a pistola na mão não fui capaz. no Dia em que Ele disser Levantai-vos. Dalton Ames. Assunto arrumado. Se existisse apenas o inferno e nada mais. Se as coisas se acabassem em si próprias. como um telhado de vento. Dalton Ames. nem se consigam lembrar amanhã do que hoje lhes parecia tão terrível e eu disse: Podemos sempre fugir às responsabilidades e ele disse: Ali. podemos? E eu olharei para baixo e verei os meus ossos a rangerem e a água profunda como o vento. Dalton Ames.ton Ames.que audível. Se ao menos tivéssemos podido fazer alguma coisa de tão terrível que todos eles tivessem fugido para os infernos. Dalton Ames. Cometi incesto disse eu Paifuí eu nãofoi o Dalton Ames. Foi por isto que não fui capaz. Até que. Ele estaria lá. E quando ele me pôs Dalton Ames. excepto nós. só o 72 ferro de engomar virá à superfície. Dai. Se ao menos tivéssemos podido fazer qualquer coisa de tão terrível que o Pai dissesse É triste que duas pessoas não só não consigam fazer nada de verdadeiramente terrível. E eu. e ao fim de muito tempo eles não poderão distinguir sequer os ossos na areia solitária e inviolada. Como se todos os sinos vibrassem ainda nos longos raios de luz que esmoreciam enquanto Jesus falava com São Francisco sobre a irmã. Não é quando . Mais ninguém presente além de ela e de mim.

religião. Dalton Ames. Fui à cómoda e peguei no relógio. agarrando o pai dele com esta mão. deit 'ei-os para o cinzeiro. fui ao quarto do Shreve buscar a tintura de iodo e pintei o golpe. limpei os vidros que ainda estavam agarrados ao aro exterior. qualquer coisa . Havia uma mancha vermelha no mostrador. jazendo de corpo aberto soerguido sorridente. Dalton Ames.é quando percebemos que não precisamos de ajuda. Bati com o vidro na esquina da cómoda. arranquei os ponteiros e pu-los também no cinzeiro. O Pai trouxe ao Jason um prenda da Feira de Saint Louis: um óculo de ópera miniatural por onde se espreitava com um olho e se via um arranha-céus. ainda com o mostrador para baixo. assistindo à sua morte antes de ele ter vivido. Tirei dois conjuntos de roupa interior. agora vazio e com minúsculas rodas dentadas a baterem por detrás dele sem parar. Dalton Ames. sem outra alternativa. orgulho. segurando-o. e também meias. Quando dei por ela. Com uma toalha. Voltei-o com o mostrador para cima. Jesus a andar pela Galileia e Washington sem dizer mentiras. Pousei o relógio. O relógio continuou a trabalhar.descobrimos que nada nos pode ajudar . . senti o polegar a arder. uma Roda Gigante toda riscada como uma tela de aranha e as Cataratas do Niagara na cabeça de um alfinete. Se eu pudesse ter sido a mãe dele. juntei na palma da mão os fragmentos. vendo. Ela permaneceu à porta por um minuto.

Vesti o fato novo. Parei e fiquei a ouvi-lo até os sinos se calarem. Deixei-me ficar encostado à porta por mais algum tempo a ver a sombra deslocar-se. e todos os meus livros. escrevi os dois bilhetes e seleiOS. empurrando a sombra para trás até à porta. já ia a correr dentro do espelho antes que eu pudesse perceber do que se tratava. os acessórios. Meti tudo lá dentro excepto o meu fato novo e outro já muito velho. Avançava quase perceptivelmente. pus o relógio e meti o outro fato. Levei os livros para a sala e empilheios em cima da mesa. e em seguida embrulhei a chave do '3 baú numa folha de papel e coloquei-a num sobrescrito dirigido ao meu pai. A sombra não tinha desaparecido ainda do peitoril. colarinhos e gravatas. tanto os que tinha trazido de casa como os que O Pai disse que antigamente se conhecia um cavalheíropelos livros que tinha. Veloz.camisas. Só que elajá ia a correr quando eu me dei conta. a navalha de barba e as escovas na mala de viagem. dois pares de sapatos e dois chapéus. rastejando para dentro da porta. Soou o quarto de hora. A água fez-me arder ligeiramente o dedo e pus-lhe por isso mais tintura. saiu do espelho a correr como uma nuvem. agora conhece-sepelos que não devolveu fechei a mala e enviei-a. e fiz a mala. Tomei banho e fiz a barba. com a cauda do vestido deitada sobre o braço. com o véu esvoaçante cintilando em longos .

. A meia hora soou.Acho que não vou preso por ir de fato novo.Bem. ao menos uma vez . tu não. . guardei-o no bolso. saiu a correr do espelho de aromas de rosas na voz que soprava sobre o Éden. O Diácono também não estava nos correios. Parecia que saía do vestido e. em direcção ao alarido. . Selei os dois sobrescritos e enviei um ao Pai. o do Shreve. As badaladas foram-se extinguindo até cessarem por completo.. Desci os degraus mesmo à frente dela.disse eu.Estava a pensar na estudantada toda lá em baixo no pátio.reflexos. Trata-se dum casamento ou dum velório? .Pudera. agarrando o véu. Depois atravessou o alpendre e eujá não ouvia os saltos dos sapatos e depois à luz do luar.disse eu.Não cheguei a tempo .Primeiro vou comer. . corria de encontro ao alarido onde o T P na orvalhada dava Vivas ao Benjy da Salsaparrilha que gritava debaixo do caixote. Vão pensar que vais para Harvard. como uma nuvem. Que foi? julgaste que era domingo? . O outro. com tantos arrebiques. O peito do Pai agitava-se sob uma couraça de prata emJorma de V O Shreve disse: . os saltos dos sapatosfinos e apressados. Saí para a luz do sol e encontrei de novo a minha sombra. Foi então que me lembrei .A sombra desaparecera do parapeito. com a sombraflutuante do véu deslizando sobre a relva. segurando o vestido no ombro com a outra mão. Ou achas-te bom de mais para ires às aulas? .

Se não fosse o meu avô.Olha. Desfilava na secção dos Varredores de Rua. A. por entre uma multidão de pás e vassouras. . Passou um eléctrico.Pois é . A. ou seria de Garibaldi. íamos encontrá-lo em todos os cortejos.1 em pleno cortejo. A empregada disse que os melhores eram os de meio dólar e eu . Quando terminei. R. A penúltima tinha sido no Dia de Colombo. Acho todavia que se leva pelo menos uma hora a perder a noção do tempo quando se anda desde antes da própria história a tentar entrar na sua cadência mecânica. ou talvez no aniversário de outra personagem qualquer. Vê só o que o teu avô fez àquele pobre negro. Fora no Decoration Day. . vestido com o uniforme do G. tinha de andar a trabalhar como os brancos.disse eu. Fui até à cidade e tomei um belo pequeno-almoço nu café do Parker. comprei um charuto. ouvi um relógio dar horas.de onde tinha visto o Diáco74 no pela última vez.' Se pudéssemos ficar à espera encostados a uma esquina.. ele já pode passar a vida nos cortejos. porque o Shreve disse: . e ainda mais se vive dos rendimentos. R. Mas também nunca vi um funcionário preto que fosse fácil de encontrar quando precisamos dele. Mas a última fora a do C. Quando estava a comer. Não o encontrei em lado nenhum.Agora. a fumar o seu charuto. com um chapéu em forma de chaminé e uma bandeirinha italiana na mão.

sem nos darmos conta. daí a pouco. quando não queremos fazer qualquer coisa. Dei o charuto a um deles e um níquel ao outro. Dia 30 de Maio. fui assaltado por dois engraxadores negros a gritarem-me os seus pregões. perto da montra. mas desviei os olhos a tempo. e deixaram-me em paz. o nosso corpo nos tenta convencer a fazê-la. Estava a ficar calvo. Passei pela montra de um relojoeiro. (N. Ao chegar à esquina. nos relvados. me dirigi para a esquina da rua. no sol. até à montra. Ele estava a trabalhar sentado à mesa. Tinha um óculo preso no olho um tubo de metal enroscado na cara. estridentes e roufenhos como melros. da T) 2. de charuto na mão. Grand Army of the Republic ("Crande Exército da República"). posto o que. O que levou o charuto começou logo a tentar vendê-lo ao outro pelo níquel. acendi-o e saí para a rua. Havia um relógio lá alto. Voltei a subir a rua. íz T) 75 tic-tac. ouvi um grande . 1. Dia dedicado à memória dos heróis da Guerra da Secessão. Senti os músculos da nuca muito tensos e ouvi o relógio dentro do bolso . e pensei em como. (N. e. um de cada lado.tic-tac. O local estava cheio de tic-tacs que soavam como os grilos em Setembro.comprei um. Deixei-me ficar ali parado e tirei duas boas fumaças. tinha-me fechado a todos os outros sons e restava apenas o relógio a trabalhar dentro do bolso. Entrei.

Diga-me só se algum deles está certo. . espreitou para dentro da montra por cima da separação. Logo à tarde vejo isso. . Depois olhou para a parede.Parti o relógio.O que é que se está a comemorar hoje? .relógio de parede.São vint.Então trago-o mais logo . . .pedi eu. não é? .disse ele. Tirei o meu relógio do bolso e estendi-lho. Pousou o relógio e. Parece tudo em ordem. Ele abriu a tampa do mecanismo e examinou o interior. . Ele levantou os olhos para mim. Ele olhou para mim outra vez. continua a trabalhar. . Bati com ele na cómoda e saltei-lhe em cima no escuro. . não me diga .Não tem importância . Mas só posso ter a certeza depois de lhe fazer um exame completo.disse eu. Sem óculo e sem círculo a cara do homem parecia nua.. .Importa-se de me dizer se algum destes relógios da montra está certo? Ainda com o meu relógio na palma da mão. Voltou a sentar-se no banco e puxou o óculo para a testa. Virou-o sobre a palma da mão: . pendurado por cima da minha cabeça. . O seu olho era enorme.disse eu. mesmo assim. ficando com um círculo vermelho à volta do olho.E está bem partido. Até parece que lhe saltou em cima. ele olhou para mim com o seu olho desfocado e inquisitivo.disse ele.Por favor.E esta manhã esqueci-me dos óculos. . desfocado e inquiridor. atrás da lente. . .A regata é só para a semana.Pois foi. soerguendo-se no banquinho. E.Fiz uma aposta com um amigo ..

para a montra. . Algum deles está certo? 76 .. disse para mim mesmo que tinha de levar aquele. no meio de tantos relógios. mesmo sem ponteiros.É. Mas também ainda não foram acertados. mando arranjar este.Não.Entregou-me o relógio. Contradiziam-se uns aos outros.Não faz mal. Por isso. . Estendi a mão.O melhor é deixá-lo já ficar. sim. cada um com a mesma certeza afirmativa e contraditória que o meu também tinha.Prefiro trazê-lo depois. . Agora. Espero não lhe ter tomado muito tempo. O homem observava-me. por detrás do vidro. Quando precisar. E o melhor é adiar a comemoração até ganharmos a. Hoje é uma comemoração particular. Temos um de parede na sala-comum. Dizia que o tempo está morto enquanto se for esgotando no tic-tac . . Não preciso de nenhum relógio. Muitíssimo obrigado. Havia cerca de doze relógios na montra. se alguém o pudesse ver. regata. Metio no bolso. mesmo que não pudesse dizer nada. mesmo que ninguém o visse. Ouvia o meu a trabalhar dentro do bolso. Olhei para trás.. Saí.Não. . já não o ouvia.. fechei a porta e os tic-tacs ficaram lá dentro. Se está a pensar comprar algum.Também acho. Um aniversário. Porque o Pai dizia que os relógios matam o tempo. Traga-o quando entender. . não. todos com horas diferentes.

gente. eram muito pesados para levar na mão. . O relojoeiro voltara ao trabalho.de minúsculas rodas de engrenagens. debruçado sobre a bancada. Talvez no próximo ano. de três quilos cada. Ia cheio. não rigorosamente na horizontal.Talvez esteja interessado num ferro de alfaiate disse o caixeiro. com o tubo enfiado na cara. O único lugar vago era ao lado de um negro. . No entanto. eram maiores do que eu pensava. e o risco subia até à calva.Porém. Comprei então dois mais pequenos. Tinha o cabelo apartado ao meio. pensando nesta como a última oportunidade para a minha admissão em Harvard. pensando que talvez fossem precisos dois anos para aprender a fazer as coisas como deve ser. Reparei na loja de ferragens do outro lado da rua. pois dariam a impressão de um par de sapatos embrulhados. . Não reparei no destino. como a lua nova é prenúncio de chuva. lembrando um pântano drenado. de Dezembro. Os dois juntos tornavam-se bastante pesados. Os ponteiros estavam estendidos. na sua maioria de aspecto abastado. só quando os relógios param é que o tempo ganha vida. . Não sabia que se podiam comprar ferros de engomar a peso. como uma gaivota planando ao vento. como os negros dizem.Pesam cinco quilos. Chegou um comboio. a ler o jornal. mas pensei outra vez no que o Pai tinha dito acerca do reducto absurdum da experiência humana. mas com uma ligeira inclinação. Prenúncio de tudo o que me costumava entristecer.

Eu costumava pensar que era dever de todo o Sulista mostrar sempre consideração pelos negros. Foi nessa altura que percebi que ser-se negro não é tanto o ser-se uma pessoa. plantado sobre os sulcos ressequidos da estrada. se não fosse ter vindo encontrar tantos por aqui. julguei que ia sentir a falta dos negros à minha volta. com a cabeça embrulhada num bocado de uma manta. porque pensava que era isso que os do Norte achavam que eu sentia. costumava pensar Tens de te esforçar por pensares neles como pessoas de cor e não como negros. teria perdido muito tempo e energia até descobrir que a melhor maneira de lidar com as pessoas. A princípio. mas só naquela manhã em Virgínia é que me apercebi de como sentia a falta do Roskus e da Dilsey. à espera de que o comboio arrancasse.siana e espreitei lá para fora. A carruagem estava mesmo em cima de uma passagem de nível. uma espécie de reflexo dos brancos com quem convivem. sei só que estava escarranchado no burro. e vi um negro montado num burro. é tomá-las por aquilo que julgam ser e deixá-las em paz. Quando acordei o comboio estava parado e eu subi a per. onde duas cercas brancas desciam a encosta e se ramificavam para os lados e para baixo como um esqueleto. é mais um comportamento. porém. e. Não sabia há quanto tempo ele ali estava.Levava chapéu de coco e sapatos bem engraxados e segurava uma ponta apagada de charuto. Achava que era isso que os do Norte esperavam dele. como se os . e de todos eles. sejam elas pretas ou brancas. Quando vim pela primeira vez para o Leste.

impacientes. . estáticos os dois. Puxei a janela para cima. . e assim desapareceram os dois suavemente. . Lá estava ele ao lado da pileca que mais parecia um coelho. Passo ou 'tra vez por aqui dois dias depois do Ano Novo.Siô? . .Atirei-lhe a moeda da janela.Obrigado. .Tirei as calças da bagageira e tirei do bolso uma moeda de vinte e cinco cêntimos. Desta vez levou-m'à certa. Obrigadinho. . ou até com a colina. . Debruceime da janela.Olhou para mim e depois abriu a manta e destapou as orelhas. Prenda de Natal!' .Eh. de estática serenidade: aquela mistura de incompetência . envoltos no seu ar de miséria e infinita paciência.O comboio pôs-se de novo em movimento. Por esta escapas. a olhar para trás. Montava sem sela e os pés chegavam quase ao chão. desabridas. Olá se levou. O comboio balançou ao descrever uma curva e a locomotiva soltou umas apitadelas breves. patrão.É este o caminho? . Compra qualquer coisa para o Natal.Mas para a próxima tem cuidado. esculpidos na própria coli78 na. apanhou a moeda e limpou-a à perna.disse eu.dois tivessem sido ali postos com a cerca e a estrada. andrajosos. É pa já. siô . a apanhar o ar gelado. Desceu do burro. O burro mais parecia um coelho. como um aviso que dissesse Estás de novo em casa.disse ele. patrãozinho. Tiozinho . fica de olho alerta.disse eu.Sim.

quando a sineta tocava. e onde as montanhas eternas se perdiam na 1. Nessa altura sim. e de que eu já não me lembrava. como na escola. contava até sessenta e .espontânea e infantil e paradoxal honestidade que guarda e protege aqueles que ama sem razão e constantemente os rouba e foge às responsabilidades e obrigações. e as entranhas revolviam-se-me. acorrendo lentamente à praça principal com os seus macaquinhos de peluche. Durante todo o dia. na estação deserta. (N. Saudação tradicional da época de Natal. semelhante à de um avô para com netos imprevisíveis e endiabrados. da T) 79 espessura dos céus. nos negros e no povo. no fundo. eu ia pensando na nossa casa. uma tolerância afectuosa e inesgotável para com as extravagâncias dos brancos. na lama. recorrendo a meios demasiado visíveis para se lhes chamar subterfiígios. e que é encarada no roubo ou na evasão com a admiração franca e espontânea que todo o cavalheiro sente por aquele que o vence em combate leal. sacos de rebuçados e fogo de artifício. Quem a recebia tinha de dar uma pequena lembrança a quem lha dirigia. carroças. Só começava a contar depois de o relógio dar as três horas. enquanto o comboio contornava ravinas e precipícios onde apenas se ouvia o som laborioso dos rodados gemendo de exaustão.

Diz ao Quentin quem descobriu o rio Mississípi. Benjy. Pronto. Caddy! Caddy! Vo u'fuTir. Por isso nunca chegava ao fim a par da sineta e do tumulto dos pés a caminho da liberdade. Depois. Movia-me sentado sem me mexer.dizia Miss Laura. Henry.dobrava um dedo. Dilsey. de repente.O teu nome é Quentin. me apercebia do silêncio das mentes iluminadas e dizia: Sim. Daí a um m in u to ela su rgiu à p o rta. até que. Depois as mentes iam-se embora. Ele cheira o que lhe dizemos quando quê. Senhora Professora? . mas depois tinha medo de estar a ir depressa de mais e abrandava. mas tinha medo e contava depressa outra vez.nha velhice a gritar. Ele calou-se. Pronto. e eu ficava sentado com as entranhas às voltas. não é verdade? . As minhas entranhas revolviam-se por ti. DeSoto. Não precisa . e eu ficava com medo de me ter atrasado e punha-me a contar mais depressa e dobrava mais um dedo. a pensar nos restantes catorze dedos à espera de serem dobrados. Já nãofujo. Benja m 1 n o fru to da mi . o silêncio voltava e com ele a crueldade das mentes iluminadas e das mãos que se agitavam no silêncio. Ele começou a chorar elafoí ter com ele efez-lhe uma carícia. sentindo já a terra por baixo do soalho. ou treze ou doze ou oito ou sete. A gri ta r. e o dia quebrava-se com um som agudo e frágil de vidraça.

. Pa que lhe mudaram então o nome se não lhe traz melhor sorte? A carruagem arrancou. Levei a mão ao peito.disse ele.tava para a carruagem.Desculpe . e já se viam mais homens em fato de trabalho do que com sapatos bem engraxados e colarinhos brancos. e o eco do ruído do comboio vol. ainda não comidos pelo sol. por cima do casaco. apeei-me. Quando o comboio parou. 80 Agora já iam mulheres na carruagem com as cestas das compras. e apalpei as cartas que escrevera. como se presa por arame invisível. entre os mastros. parou. O negro tocou-me no joelho. . Por baixo da j anela viam-se cocurutos de cabeças a passar por baixo de chapéus de palha novinhos em folha.douvir nem dejaU Será querUpelo cheiro deste nome qu.igora lhe deram? Será que 6Upelo cheiro da má sorte? Pa quhá-de ele preocupar-se ca sorte? A sorte não o pode apoquentá. Senti um cheiro a água e vislumbrei por uma fenda do muro uma nesga de água cintilante com dois mastros e uma gaivota suspensa no ar. íamos a passar por um muro completamente nu. arrancou outra vez. Virei as pernas para o lado de fora e deixei-o sair. para as mulheres com as cestas das compras ao colo e um homem de chapéu todo manchado com um cachimbo enfiado na fita.

como por exemplo a sombra do embrulho que parecia conter sapatos. ia postado ao leme.A ponte estava levantada para dar passagem a uma escuna. com os mastros despidos. deslizante. Vinha a reboque e o rebocador puxava-a suavemente. Um outro homem. Dizem os negros que a sombra dos afogados fica sempre dentro de água a vigiá-los. Tinha pelo menos quinze metros de comprimento. As tripulações só treinavam ao fim da tarde. deixando um rasto de fumo. como um fantasma em pleno dia. Brilhava e cintilava. colado ao flanco. corri três gaivotas a sobrevoarem a popa. passei para o outro lado e debrucei-me do parapeito sobre os hangares dos barcos a remos. de chapéu de palha já sem copa. . as grades da balaustrada e a minha sombra estendida sobre a água. Tinha um corpo bronzeado. A prancha estava deserta e as portas fechadas. cor de folha de tabaco. A sombra da ponte. que eu tinha sabido aliciar tão bem que nunca mais me abandonara. Um homem nu da cintura para cima enrolava um cabo no castelo de proa. depois de algumas horas de repouso. se ao menos eu tivesse alguma coisa com que pudesse empurrá-la para baixo e mantê-la debaixo de água até ela se afogar. O navio passou pela ponte. brinquedos pendurados em arames invisíveis. Quando a ponte baixou. mas o navio propriamente dito parecia deslocar-se sem meios visíveis de propulsão.

Meteram-na na água e logo a seguir surgiu o Bland com os remos. fazendo-a ir de encontro ao cilindro rolante com um sonoro chapinhar e um audível safanão. A mãe chegou num carro alugado. mas ele teimou em ir. diria a Dilsey. Reducto absurdum de toda a experiência humana.81 parecia respirar. quando a porta articulada se abriu e apareceram dois homens transportando uma canoa. e a prancha também. e dois ferros de engomar de três quilos cada pesam mais que um ferro de alfaiate. O rebocador voltou para trás. e os detritos meio-submersos de volta ao mar. Vestia de calças de flanela. no princípio de Março compraram ao Gerald uma canoa de dois lugares e ele lá foi para o rio de calças de flanela e chapéu de palha. casaco cinzento e chapéu de palha enformado. apartando as águas. assim. que pecado. O Benjy sentiu quando a Avó morreu. Pôs-se a gritar. às cavernas. às grutas marinhas.péu de palha e. Ele ou a mãe deviam ter lido algures que os estudantes de Oxford remavam de calças de flanela e chá. formando longos cilindros rolantes e fazendo finalmente balançar a prancha à sua passagem. Que desperdício. Ele sentiu-lhe o cheiro. Ele sentiu-lhe o cheiro. agitando-se lentamente como se respirasse. A deslocação de uma massa de água é igual a qualquer coisa de qualquer coisa. Os funcionários do hangar ameaçaram chamar a polícia. enrolada em peles .

as longas pestanas e os fatos comprados em Nova lorque. Se é que se pode chamar teimosia a ficar sentado em pose principesca e enfadada. além do quarto na universidade. Deve ter sido um alívio para os pais e maridos do Kentucky quando ela mandou o Gerald para Cambridge. ela fez inversão de marcha e desceu o rio outra vez. os olhos violeta. em percursos paralelos. para o ver partir impelido por um vento que soprava a sessenta quilómetros por hora e navegar rodeado de um rebanho de blocos de gelo flutuantes que o acompanhavam como carneiros enxovalhados. com os loiros caracóis. a ouvir a mãe falar-nos dos cavalos do Gerald e dos negros do Gerald e das mulheres do Gerald. Remava com ímpeto. atravessando de lés a lés o Massachussets.como um explorador do Ártico. Também não admira. Desde então fiquei convencido de que Deus não é só um cavalheiro e um desportista. sem olharem sequer um para o outro. Ela tinha um apartamento na cidade e o Gerald tinha outro. . Quando ele partiu. Ele entrou para a canoa e partiu. Deus é também do Kentucky. mas pelo menos dessa vez ele venceu pela teimosia. Diziam que a mãe o tinha tentado obrigar a desistir do remo para fazer outra coisa que o resto da turma não 82 soubesse ou não quisesse fazer. os dois por ali fora. como rei e rainha. Diz quem viu que ninguém suspeitaria de que já se conheciam. com o carro em primeira. seguindo a par dele. como dois cometas.

Faltava-lhe apenas um toque de classe. Dalton Ames. com os remos a brilhar ao sol. desde o dia em que viu o Spoade pela primeira vez à saída da capela e Ele disse que ela não podia ser uma senhora pois nenhuma senhora andaria na rua àquela hora da noite ela nunca mais fora capaz de lhe perdoar por usar cinco nomes. já tiveste uma irmã? Por um minuto. agora. incluindo o de uma actual casa ducal inglesa. tivesse-o ela ou não inventado. Porém. até ver que eram feitas de seda chinesa muito grossa ou de flanela fina. Já tiveste uma irmã? Não. Dalton Ames. intermitentemente. Era. mas elas são todas umas cabras. A canoa era. de caqui como as camisas militares. como se tivesse luz própria. Ou tolerável.Ela gostava que o Gerald andasse comigo porque eu dava pelo menos mostras de um sentido 'algo desconcertante do noblesse oblíge. pelo menos. ao ter conseguido nascer a sul de Mason e de Dixon. permitindo-se todos os devaneios e todas as trapaças. Estava convencido que eram de caqui. e de mais algumas cidades cuja geografia correspondia aos seus padrões (mínimos) de exigência. apenas um pontinho. O Spoade era o campeão dos fleumáticos. Puro adereço . Umas cabras. desculpável. Camisas Dalton. e que era por isso que lhe faziam a cara tão morena e os olhos tão azuis. Tenho a certeza de que se consolou tentando convencer-se de que algum Maingault ou Mortemar degenerado se tinha metido com a filha do caseiro. Sem ser cabra surgiu à portapor um minuto. O que era bem provável. Dalton Ames.

que se escondem ardentes defúria nas moitas sombrias. Caddy? Por que nãoJazes comofazem as negras aípelosprados. O meu estudante de Rarvard.teatral. O Herbert vai ser como um irmão mais velhojá oprometeu aojason. Toque-se e Ah. Hádefazer certas coisaspor razõesfeminínas. e eu continuava debruçado a observar a minha sombra e como a tinha enganado. Como não o tínhamos conseg or uido convencer pela lisonja a entrar na casa de jantar a Mãe acreditava que ele ia enfeitiçá-la quando ficasse a sós com ela. Depois caminhei rumo a leste. Passado algum tempo já tinha ouvido o meu relógio durante um bom bocado e sentia as cartas estalarem no bolso do casaco de encontro ao parapeito. mas poucos sorrisos. Mas não o verão U em casa. pelos valados. já U . Correndo ao longo da cerca assobiando-lhe como a um cão. do tipo viajante do celulóide. Nem sequer bronze. Como qualquer canalha Ele estava deitado ao lado do caixote debaixo dajanela a gritar quepudesse chegar numa limusine com umaflor na lapela. Cordial. 83 Por que não o trazes cápara casa. Quentin este é o Herbert. Tudo papelão. amianto. A Gaddy é também mulher não te esqueças. Guiei-a para dentro da sombra do cais. Harvard meu estudante de Harvard Harvard harvard Aquele miúdo cheio de borbulhas que ela encontrou no dia das provas de atletismo com fitas coloridas. pelas moitas sombrias. Harvard. Dentadura de lés a lés muito branca.

Muitos dentes mas poucos sorrisos. Devias ir para o circo. Nunca se sabe. E foi assim que dei cabo dos olhos a dar de beber às pulgas dos elefantes. O Louis tem andado a dar-lhe lições todas as manhãs não recebeste a minha carta Mr. seja como for. Mas nunca bater num homem com óculos Não vais sequer abri-Ia? Estavam em cima da mesa com uma vela a arder em cada extremo sobre o sobrescrito atadas com uma liga suja cor-de-rosa duasflores . não és? 84 Ah sim sabia que de algum lado havias de ser. pois não. Bem. Os noivos oferecem a sua casa a partir do dia um de Agosto na Avenida South Bend Número Tal Andar Tal Indiana. O carro é dela não te sentes orgulhoso por a tua irmãzínha ser dona do primeiro automóvel da cidadepresente do seu Herbert. Sydney Herbert Head no dia vinte e cinco de Abril de mil novecentos e dez em Jefférson no Mississípi. Jason Richiriond Compson têm o prazer de anunciar o casamento da sua filha Candace com Mr. Vezes. Byron nunca viu o seu desejo satisfeito.ouvíJalar nele. Estas raparigas da província. Jason Ríchmond Compson O jovem Lonchinvar partiu do oeste um pouco cedo de mais. O Shreve disse Não vais ao menos abri-Ia? Três dias. És um tipo um tanto estranho. não foi? Eu sou do sul. És tu que vais guiar? Entra Quentin. e Mrs. És tu que guias. e Mrs. És estranho. Mr. E eu fui. Três vezes. não és. graças a Deus.

Compson tem os pretos ocupados com qualquer coisa era o fim do mundo se os interrompesse ele insiste que o Roskus está à minha disposição o tempo todo mas eu sei o que isso significa sei quantas vezes as pessoas fazem promessas só para aliviarem as suas consciências veja lá se vai tratar assim a minha menina Herbert mas eu sei que não vai o Herbert temnos estragado a todos com mimos Quentin já te mandei dizer que ele vai levar o Jason para o banco quando o Jason acabar o liceu o Jason vai dar um banqueiro de primeira ele é o único dos meus filhos com algum sentido prático da vida podes agradecer-me a mim por isso ele sal à minha família os outros saem todos aos Compsons OJasonJornecía afarinha. Ojason era o tesoureiro. Vendemos Ele estava . Nunca bater num homem com óculos. Ir para Harvard. ele e ofilho do Patterson.artificiais. Gente da província coitados nunca viram um automóvel olha tantos toca a buzina Candace para Ela nem para mim olhou eles saírem do caminho nem para mim olhou o teu pai não ia gostar que atropelasses algum deles acho que o teu pai agora não vai ter outro remédio senão comprar um automóvel quase lamento que o tenha trazido Herbert gostei imenso é claro há a caleche mas muitas vezes quando eu quero sair Mr. Elesfaziam papagaios na varanda das traseiras e vendiam-nos a um níquel cada um. Neste comboio não ia nenhum negro e os chapéus de palha novinhos em folha continuavam a passar por baixo da janela.

E por que não havia de chamar eu quero que os meus filhos sejam mais do que amigos sim Candace e Quentin. Devias ter um carro fez-te muito bem não achas Quentin 85 está a ver eu já lhe chamo Quentin de tanto ouvir a Candace falar nele. Mãe. Se eu pudesse dizer Mãe.deitado no chão por baixo da janela a gritar. mais do que amigos Pai eu cometi que pena não teres irmãos nem irmãs Nenhuma irmã nenhuma irmã não tinha nenhuma irmã Não pergunte ao Quentin ele e Mr. Vendemos a pastagem do Benjy para o Quentin poder írpara Harvard o teu irmão. Compson sentem-se os dois um pouco insultados quando eu tenho forças suficientes para vir sentar-me à mesa agora ando uma pilha de nervos e vou pagar por isso depois de tudo terminar e o Herbert ter levado a minha filhinha para longe de mim A minha írmãzínha não tinha nenhum. Que disparate parece uma rapariga muito mais nova . O teu irmãozinho. Ah Herbert Candace estás a ouvir isto Ela nem para mim olhava doce voluntariosa queixofirme sem se virarpara trd não precisas de ter ciúmes ele está só a ser lisonjeiro para uma velha senhora com uma filha já casada não acredito. Compson pudesse alcançar o carro. A menos que faça o que estou tentada a fazer e a leve a si não creio que Mr.

Outra vez. Três anos sem usar chapéu. Onde o melhor dos pensamentos dizia o Pai se agarra como gavi. pelo menos. Estava. Eu não o teria feito.nhas mortas a velhos tijolos mortos. então deve ser. Mas nem uma irmã.in nem às mi.do que a Candace a cor das suas faces é de rapariga Um rosto ressentido lacrimejante e o cheiro a cân/ora e a L@grímas uma voz carpindo suave e persistente por detrás da porta incendiada de crepúsculo o aroma a madressilva tingião de crepúsculo. Como é que heí-de controlar qualquer um deles quando tu sempre lhes ensinaste a não me respeitarem nem a mi . (N. Quando voltar a ver a minha sombra se não tiver cuidado como quando a atraí para a água caminharei outra vez sobre a minha sombra 1. Não consinto que andem a espiar a minhafilha Não teria. Arrastando baús vazios pelas escadas do sótão abaixo como quem arrasta caixões French Lick. Harvard não. da T) 86 impenetrável. Outra vez.: "Salina Francesa").' Não encontrar a morte na salina Com chapéus ainda por desbotar e sem chapéu. Não para mim. Estância termal (Trad.nhas vontades sei . Não era capaz. Mais triste que nunca. Mais triste do que antes. Outra vez. Será que há chapéus uma vez que eu não estava nem tão pouco se falava em Harvard. O Spoade tinha uma camisa vestida.

sentir o Pai atrás de Mim para U da escuridío irritante do Verão e de Agosto os candeeíros o Pai e eu protegemos as mulheres umas das outras e delas mesmas as nossas mulheres As mulheres são assim não aprendem a conhecer as pessoas nós é que nascemos para isso . Podia estender a mão para fora dela.que desprezas a minhajamília mas isso não é razão para industríares os meusfilhos os meus própriosfilhos por quem passei sofrimentos a não me terem respeito Espezinhava os ossos da minha sombra no chão de cimento com os tacões e nisto ouvi o relógio e apalpei as cartas por cima do casaco. mas era o quarto de hora. Não consinto que tu o Quentín ou quem quer que seja andem a espiar a minhafilha síja o quejorguepensem que elajez. pensar que eu teriapodido Ela não ofez por mal é assim que as mulheresfazem as coisas é por amar tanto a Caddy Os candeeiros desciam pela estrada abaixo e depois subiam em direcção à cidade eu caminhava em cima da barriga da minha sombra. O Diácono não se via em parte nenhuma. Sei que não terias não foi minha intenção ser tão duro mas as mulheres não têm respeito nenhum umaspeZas outras nem por si mesmas Mas comofoi que ela As badaladas soaram quando eu pisei a minha sombra. Pelo menos concordas que há razão para a trazer vigiada Eu não o teria feito eu não o teria feito.

Até logo. Aquele sim. Tinha um uniforme especial para cortejos. patrãozinho. e o Diácono punha mais uma mala em cima da montanha e mandava-o embora.disse eu.elas apenas nasceram com a capacidade prática de desconfiarem tão desenvolvida que a todo o momentofazem uma verdadeira colheita de suspeitas geralmentejundamentadas elas têm uma propensão para o mal o talento defornecerem ao mal o que lhefalta para nele se enrolarem i. rapaz. e que só de olhar identificava logo os naturais do sul. siô.E uma montanha ambulante de bagagens aproximava-se. transformando-se num rapaz branco de cerca de quinze anos.Preciso de falar contigo . - .disse ele. 87 .Aqui. Ainda não tinha recuperado do desfile. Por falar em psicólogos natos.vamente como nos enrolamos a dormir nos cobertoresfertilizando a mentepara o receber até que ele atinja o seu objectivo quer esse objectivo tenha existido ou não Ele vinha ladeado por dois caloiros. vem cá pegá nestas tralhas.dizia.Si. uma espécie de fatiota à cabana do Pai Tomás. pegando nas malas. . Por aqui. parando e voltando para trás -.nsti. sê por aqui . . .Falar comigo? Está bem. estacando. Diziam que em quarenta anos nunca tinha perdido um cortejo de abertura do ano lectivo.nti. com remendos e tudo. . Nunca se enganava e depois de os ouvir falar era até capaz de identificar o estado de onde vinham.. gostei de falar com vocês. dos pés à cabeça.. era o Diácono. pois fez-me uma continência muito militar. rapazes .

quando já nos tinha gozado o suficiente e nós já começávamos a ficar desconfiados. Ele. castiço e pairador. Fosse como fosse.cido de se tratar de uma tira da faixa do uniforme de gala de Abe Lincolti. há uns a-nos atrás. e. geralmente errados. alguém espalhou o boato de que ele se tinha formado em teologia.Agora vê lá se deixas cair isso. O certo é que contava intermináveis histórias sem nexo dos seus tempos de estudante. embora os seus modos se fossem aproximando gradualmente dos do norte e a forma de vestir também. passava a vida a entrar e a sair do quarto. Quando ele. Si. siô. e até nos ter completamente subjugados. quando o voltássemos a encontrar. até acabar por acreditar que era mesmo verdade. apareceu pela primeira vez na Universidade vindo sabe-se lá de onde. patrãozinho. tinha 88 . ele nos tratava por Quentin ou por o que quer que fosse o nosso primeiro nome. dê o número do seu quarto ao nêgo velho e quando lá chegá já lá tá tudo. Daí em diante. por fim. quando percebeu o que isso significava. ficou tão orgulhoso que passou ele próprio a contar a história. já ele trazia um velho fato da alfalataria Brooks e um chapéu com uma fita já não me lembro de que clube de Princeton que alguém lhe tinha dado e que ele estava plena e orgulhosamente conven. referindo-se com familiaridade a professores já mortos e afastados que tratava pelos primeiros nomes. até que.

.Que estavas uma maravilha. . Tava lá.Quer dizer.do-me do alto da sua aura ainda militar. sim. Não qu'eu ligue a essas coisas. Diácono. E eu costumo dizer-lhe que tudo o que ele quer é uma vassoura pá s'arrimar. E eu tenho de lhes fazer a vontade.No cortejo. Deviam fazer-te general. Mas olha que eu vi-te. Estou bem. Mas tenho andado muito ocupado. .sido guia.Varredor de ruas. no outro dia. . Tocou-me ao de leve no braço.disse eu. sim? . Melhor que qualquer dos outros. as senhoras querem lá ver todos os finalistas.E no dia da festa da Italianada também . mas os rapazes gostam qu'eu vá com eles. os finalistas sobretudo. .Teve doente? . fitan.Ah.Dessa vez? Dessa vez tava lá por causa do meu genro. Sabe com'é. co uniforme. O sonho dele é arranjar um emprego na Câmara Municipal. mentor e amigo de incontáveis fornadas de caloiros ingénuos e solitários. . não viu? .Das duas vezes. Nessa altura estavas lá a pedido da Liga Antialcoólica.disse ele.Ah. aí. tá a perceber. com a mão gasta e macia . se bem me lembro.Não. Viu-me.Há três ou quatro dias que não o vejo . . e estou convencido de que apesar de todas as suas pequenas hipocrisias e aldrabices não estava mais mal visto aos olhos de Deus do que qualquer outro. O qu'é qu'achou? .

. Sim.Tirei a carta do bolso. .Leva esta carta amanhã ao meu quarto e dá-a ao Shreve. Isto não é pa sair daqui. Diácono. espere e verá meu rapaz. . . Uma prenda que eu te dou. Chegou-se mais perto e começou a falar rapidamente.Uma coisa para mim. à chapa do sol.Hum . O meu genro na Câmara.. .. Mirou o sobrescrito muito sério..Está fechada.Espero bem que sim. Se ao menos fazer-me Democrata pusesse aquele filho da mãe a 89 trabalhar. . Não me fiz Democrata há três anos p'ra nada. e eu. estás a ouvir. Ele depois dá-te uma coisa.Oiça.. E lá dentro está escrito: Só vale abrir amanhã. Não me importo de lhe contar porque o Quentin e eu semos a bem dizer da mesma massa.como são as mãos dos negros. Os seus olhos eram doces. não foi o que disse? . -já tou a preparar as coisas. sem olhar para mim. E quanto a mim: é só pôr-se ali naquela esquina de anteontem a um ano e logo verá. . . . Ele pegou na carta e examinou-a. senhor.Pois está. deu-me uma palmadinha no ombro e rodou nos calcanhares. TU mereces. e o sobrescrito branco na mão preta. meneando a cabeça. sem íris. E enquanto penso no que me disseste.. Nem preciso de lhe dizer como é que vou fazer. . Mas só amanhã.fez ele. Espere só pelo ano que vem e vai ver onde é qu'eu vou marchar. Estava com os olhos postos em mim.Foi.Finalmente olhou para mim. .Sim senhor.

. Diácono..Farei o que me pede. já ajudaste muitos rapazes.Sabes bem que não.Não faço distinções sociais. um homem é sempre um homem..És um bom tipo. Já algum sulista alguma vez te pregou uma partida? . .Tem razão. secreto.Entendido. . 90 . . .Tento tratar bem toda a gente . ..Claro .Mas só amanhã. dos píncaros do seu sonho municipal e militar. ele com gravidade.Só espero que encontres tantos amigos como os que tens feito. mas não para se viver com eles. São boa gente. Ele olhou-me lá do alto com os seus olhos bondosos e profundos. . . pois não? . -já alguma vez tentaste? . mas não completamente grosseiro. a política. inexpressivo.disse ele. espúrio.Espero que.Não está a pregar uma partida ao negro velho.disse ele.acastanhados. Ele voltara a ser o indivíduo que há muito se tinha habituado a ser aos olhos do mundo pomposo. desconfiado. . triste. e de repente vi o Roskus a observarme por detrás de todos aqueles adereços de homem branco: os uniformes. Mas o Roskus já lá não estava.disse eu. . não te esqueças. Num impulso estendi-lhe a mão e cumprimentámo-nos. Para mim. Bem. meu rapaz. . . Espero que. onde quer que o encontre.. o estilo Harvard.disse eu. meu rapaz..

Meteu-c. E eu parado sobre a barriga da minha sombra a ouvir as batidas. no bolso e abotoou o casaco. tranquilas e espaçadas. com as lentes a cintilarem . As badaladas soaram outra vez. pisando no chão a minha sombra. A Caddy disse ao Jason e ao Versh que a razão por que o Tio Maury não trabalhava era porque costumava rebolar a cabeça no berço quando era bebé. Espaçadas. Gosto deles. E eles também não me esquecem . caiu espalmado que nem um frango pronto para o churrasco até o Versh o ajudar a levantar. Pela boca das crianças. como lampíjes pendurados uns por cima dos outros na parede.A rapaziada.. . -Os candeeiros As badaladas cessaram. suaves e serenas. à luz do sol entre as folhas delicadas e imóveis.disse ele. O Jason ia a correr com as mãos nos bolsos. Por que não tira as mãos dos bolsos quando vai a correr assimjá não se desequilibrava.disse. senhor . todo ele obesidade e boa fé. O Tio Maury de pernas estendidas em frente ao lume ergueu a mão apenas o tempo necessário para brindar ao Natal. Tenho feito bons amigos. Deitado no chão a chorar debaixo dajanela Bastou-lhe olhar para ela uma vez só e percebeu. O Shreve vinha a subir a rua. a arrastar os pés. O Pai disse que para ele amar a Caddy é porque gosta das pessoas pelo seus defeitos. com aquele toque outonal sempre presente nos sinos mesmo no mês dos noivados. Rebolar a cabeça no berço e bater com ela de um lado e do outro.Sim. era a meia-hora. agitando o sobrescrito. descem a encosta e depois sobem-na em direcção à cidade. Voltei para os correios.

Ah. "Um pouco mais de ânimo no tambor. que vais fazer hoje? Todo bem vestido e por aí às voltas como se te preparasses para um sati. .E continuou. é verdade. Foste esta manhã à aula de Psicologia? ." Safa.Dei ao Diácono uma lista de coisas para ele vir buscar. Gerald. Quentin. Não lhe dês nada até amanhã.Então ainda lá está.Está bem.Não. olhando para mim: . mas nenhum homem vivo ou morto . Os candeeíros da rua pensas assim por um dos nossos antepassados ser governador e outros três generais. . Ainda bem que não sou menino-bem.Deve ser mais algum recital da orquestra.Ouve lá. Esta tarde sou capaz de não estar cá. agarrado a um livro. Trouxe-a o motorista esta manhã. . toma lá mais um. Pelo menos até amanhã.como minúsculas poças de água sob as ramadas frondosas. Tchimpum. com obesa determinação.O que levas aí? 91 . Da Semiramís. . ouviste? Pronto.Nada. um pouco disforme. está bem. percebes? . e os da Mãe não qualquer homem vivo está melhor do que qualquer homem morto. É só um par de sapatos a que mandei pôr meias-solas. Seguiu o seu caminho. . não o deixes levar nada até amanhã.Não tenho nada que fazer. viste uma carta que estavá em cima da mesa esta manhã? .

se é pecado ou não nem sequer lhe ocorreu Tenho de me ir embora Jason fica com os outros eu levo o Jason e vou para onde ninguém nos conheça para ele poder crescer e esquecer tudo isto os outros não gostam de mim nunca gostaram de nada têm o egoísmo e o falso orgulho dos Comp. Os sinos ainda batiam a meia-hora.sons O Jason era o único a quem entregava sem receios o meu coração disparate o Jason está bem estava a pensar que assim que te sentires melhor tu e a Caddy podiam ir para as termas de French Lick e deixarem aqui o Jason sem mais ninguém além de ti e dos negrinhos ela vai esquecê-lo e o falatório acaba por esmorecer não encontrar a morte nas salínas Talvez lhe conseguisse arranjar marido a morte nas salínas não O carro aproximou-se e parou. Entrei e pôs-se de novo em marcha. Nada afazer.está muito melhor do que outro homem vivo ou morto Era assunto arrumado na cabeça da Mãe. E entãofomos todos envenenados Estás a confundir pecado com moralidade as mulheres não fazem isso a tua mãe está a pensar na moralidade. Nessa altura já só faltavam dez minutos. Deixar Harvard o . Nada afazer. sobrepondo-se 92 à meia-hora. Não: eram os três quartos de hora.

sonho da tua mãe vendeu apastagem do Benjypor o que fiz eu para ter filhos como estes o Benjamin já era castigo suficiente e agora ela que não mostra qualquer consideração pela própria mãe sofri por ela sonhei e fiz planos e sacrifiquei-me desci às profundezas e no entanto desde que abriu os olhos ela nunca pensou em mim desinteressadamente às vezes olho para ela e pergunto-me como pode ela ser minha filha só o Jason é que não esse nunca me deu o mais pequeno desgosto desde o momento em que o segurei nos brraços soube logo que seria a minha alegria e a minha salvação pensei que o Benjamin já era castigo suficiente para os pecados que eu possa ter cometido pensei que ele era o meu castigo por pôr o orgulho de lado e casar com um homem que se julgava melhor do que eu não me queixo eu amava-o mais do que a todos eles por isso mesmo porque era meu dever embora o Jason me cortasse o coração mas vejo agora que não sofri o bastante vejo agora que tenho de pagar pelos teus pecados e pelos meus que fizeste tu que pecados lançou sobre mim a tua família tão distinta e tão poderosa mas tu saberás justificá-los sempre encontraste desculpas para os teus parentes só o Jason é que se porta mal porque ele é mais Bascorrib do que Compson enquanto a tua própria filha a minha menina a minha pequenina não é não é melhor do que isso quando eu era pequena era .

infeliz era apenas uma Bascorrib, ensinaram-me que não há meio termo que uma mulher ou é uma senhora ou não é mas nunca imaginei quando a apertava nos braços que filha minha pudesse chegar a esse ponto sabes que me basta olhar para os olhos dela e perceber podes julgar que ela te conta mas ela não conta nada é de guardar segredo tu não a conheces eu sei de coisas que ela fez que antes queria morrer do que tu vires a sabê-las é isso mesmo continua a criticar o Jason a acusares-me de o mandar vigiá-la como se isso fosse um crime enquanto a tua própria filha pode eu sei que tu não gostas dele que fazes por lhe arranjar defeitos que sabes que ele não tem sim metê-lo a ridículo como sempre fizeste com o Maury não me podes magoar mais do que os teus filhos já me magoaram e não 93 tarda eu desapareço e o Jason não terá ninguém que o ame que o proteja de tudo isto olho para ele todos os dias temendo ver o sangue dos Compsons a tomar conta dele finalmente com a irmã a fugir de casa para ir ter com o não sei quê já alguma vez o viste deixasme ao menos ver se descubro quem ele é não por mim por mim não suportaria vê-lo mas por ti para te proteger mas que se pode fazer quando o sangue é ruim tu nem me deixas tentar ternos de ficar quietos de mãos tolhidas enquanto ela não só arrasta o teu nome pela lama como polui o ar que os teus filhos respiram

Jason tu tens de me deixar ir embora eu não aguento mais deixa-me ficar com o Jason e fica tu com os outros esses não são do meu sangue como ele são uns estranhos nada têm a ver comigo e tenho medo deles eu posso pegar no Jason e ir para onde ninguém nos conheça hei-de ajoelhar-me e pedir perdão pelos meus pecados para que ele se livre desta maldição e tente esquecer que os outros existiram Se aquilo eram os três quartos de hora, não faltariam agora mais de dez minutos para a hora. Um comboio tinha acabado de partir e já havia gente à espera do seguinte. Perguntei, mas ele não sabia se ainda partia outro antes do meio-dia ou não, isto dos interurbanos... Bem, o primeiro era outro comboio. Entrei. Sente-se quando é meio-dia. Será que até os mineiros nas entranhas da terra também sentem. É para isso que servem as sirenes: porque há gente que sua, e se estamos suficientemente afastados do suor não ouvimos as sirenes e dentro de oito minutos estaríamos em Boston a essa distância do suor. Dizia o Pai que um homem é o somatório das suas desgraças. Até que um dia pensa que as desgraças se hão-de cansar, mas nessa altura é o tempo a sua desgraça. Uma gaivota planava riscando o espaço suspensa de um arame invisível. Levamos para a eternidade o símbolo da nossa frustração. Aí, dizia o Pai, as asas são maiores, mas quem sabe tocar harpa. Ouvia o tic-tac do meu relógio sempre que o comboio parava, mas alguns já estavam a comer Quem tocaría uma Comer essa coisa de comer dentro de nós o espaço também o espaço e o tempo confundidos o

Estômago a dizer meio-dia e o cérebro a dizer horas de comer Muito bem pergunto-me que horas serão que se 94 passa. As pessoas iam saindo. O comboio já não parava tantas vezes, esvaziado pela vontade de comer. Agora era a meia-hora. Desci e fiquei parado em cima da minha sombra e daí a pouco passou outro comboio e entrei e voltei para a estação interurbana. Estava um comboio prestes a partir e eu arranjei um lugar à janela e ele pôs-se em marcha e eu a vê-lo arrastar-se por terras alagadas da beira-rio e depois árvores. De vez em quando avistava o rio e pensava em como devia ser bom para os habitantes de New London se o tempo e a canoa do Gerald singrassem solenemente a manhã cintilante e perguntava-me o que quereria agora a velha, para me mandar um recado antes das dez da manhã. E que fotografia do Gerald e eu Dalton Ames oh o amianto o Quentin disparou em pano de fundo. Qualquer coisa onde aparecessem raparigas. As mulheres têm a sua voz sempre acima da algaraviada uma voz que respirava afinidade com o mal, por não acreditarem que mulher alguma é digna de confiança, mas que alguns homens são ingénuos de mais para se protegerem delas. Raparigas simples. Primas afastadas e amigas da família cujo conhecimento fortuito se impunha como uma espécie de dever de sangue noblesse oblige. E ela ali sentada a dizer-nos à frente delas que era uma

vergonha o Gerald ter ficado com toda a beleza da família, ele que como homem nem precisava, que até passava bem sem ela, mas que sem ela uma rapariga estava simplesmente perdida. A falar-nos das namoradas do Gerald num O Quentin matou o Herbert ele matou a sua voz através do chão do quarto da Caddy tom de consolada aprovação. "Quando ele tinha dezassete anos eu disse-lhe um dia "Que vergonha teres uma boca como essa essa boca devia estar na cara de uma rapariga" e sabem os cortinados co"s ao crepúsculo sobre o aroma da macieira a cabeça dela desenhando-se no crepúsculo os braços atrás da cabeça abríndo asas de químono a voz que sussurrava do Éden as roupas sobre a cama puxadas até ao nariz vislumbrado acima da maçã e sabem o que ele me respondeu? e só tem dezassete anos, vejam bem. "Mãe" disse ele "e muitas vezes está." " E ele sentado todo ele pose a olhar para duas ou três através das pestanas. Pestanas que se lançavam em voos picados de andorinha. O Shreve dizia que sempre se perguntara Vais tomar conta do Benjy e do Paz 95 Quanto menosfalares do Benjy e do Pai quando pensares neles tanto melhor Caddy Promete Não precisas de tepreocupares com eles vais-te embora sem problemas Promete estou doente tens deprometer quem teria inventado aquela anedota mas por outro lado ele sempre havia considerado Mrs. Bland uma mulher

extraordinariamente bem conservada dizia ele que ela andava a treinar o Gerald para seduzir uma duquesa. Ela chamava ao Slireve canadiano gordo e arranjoume por duas vezes um novo companheiro de quarto sem me consultar, uma vez era eu que tinha de mudar de quarto, a outra Ele abriu a porta e saiu para o crepúsculo. A cara dele parecia uma tarte de abóbora. - Bem, é com ternura que me despeço. O destino cruel pode separar-nos, mas nunca amarei inais ninguém. Nunca. - De que estás tu a falar? - Estou a falar do destino cruel dentro de oito metros de seda cor de alperce e mais quilos de metal por centimetro quadrado do que um forçado das galés e da única dona e proprietária da incontestada e peripatética cloaca da defunta Confederação. - Depois contou-me como ela fora ter com o vigilante para o obrigar a sair do quarto e como o vigilante dera mostras de uma deplorável teimosia insistindo em consultar primeiro o Shreve. Então ela sugeriu que ele mandasse chamar imediatamente o Slireve e fizesse o que tinha a fazer, mas ele não cedeu, e daí em diante ela passou a tratar o Slireve muito mal. - Faço questão de nunca ser grosseiro com as senhoras - dizia o Slireve - mas aquela mulher tem mais modos de puta do que qualquer outra senhora destes estados e domínios. - E agora, Carta colocada por mão própria em cima da minha mesa, encomendar orquideas perfumadas coloridas Se ela soubesse que eu tinha passado quase

por baixo da janela sabendo que a carta lá estava sem Minha Querida Senhora ainda não tive oportunidade de receber a sua mensagem mas peço-lhe desculpa antecipadamen- te por hoje ontem ou amanhã ou qualquer outro dia Porque me lembrei de que a sua próxima história será de como o Gerald ati96 1 ra o criado negro pela escada abaixo e como o negro implora que o deixem ir para a faculdade de teologia para estar perto do patrão patrãozinho Gerald e Como foi a correr até à estação ao lado da caleche com os olhos rasos de água quando o patrãozi- nho Gerald partiu Ficarei à espera da outra sobre o marido car- pinteiro que veio à porta da cozinha com uma espingarda aperrada e o Gerald se atirou a ele e partiu a espingarda em duas e lha devolveu e depois limpou as mãos ao lenço de seda e atirou o lenço para o lume Só ouvi essa duas vezes matou-o através do vi-te entrar aqui e aproveitando a oportunidade vim ter contigo pensei qne podíamos conhecer-nos melhor fumar juntos um charuto Obrigado não fumo Não as coisas devem ter mudado por lá desde os meus tempos importas-te que acenda um Faz favor Obrigado ouvi dizer tantas coisas acho que a tua mãe não se importa se eu deitar o fósforo para trás do biombo pois não tantas coisas de ti a Candace falava de ti a toda a hora lá nas termas até fiquei cheio de ciúmes. E disse cá para comigo quem será este Quentin dê lá por onde der tenho de ver como é o

animal porque fiquei apanhadinho de todo mal vi a rapariga e não me importo de reconhecer que nunca me passou pela cabeça que era do irmão que ela passava a vida a falar não teria falado mais de ti nem que tu fosses o único homem sobre a terra nem que fosses seu marido não queres mesmo um charuto Não fumo Nesse caso não insisto apesar de ser de muito boa qualidade custaram-me a vinte e cinco o cento comprados por grosso a um amigo de Havana sim acho que muita coisa mudou por lá passo a vir a prometer a mim mesmo que hei-de lá ir mas nunca mais me decido há dez anos que ando a dar no duro não posso deixar o banco em tempo de aulas os novos hábitos de licenciado alteram as coisas que pareciam importantes para um estudante estás a perceber conta-me como vão as coisas por lá Não vou dizer nada nem aos meus pais se é isso que queres saber Não vou dizer nada não vou oh isso isso é no que estás a falar será 97 que não percebes que tanto se me dá que contes ou não vê se percebes que uma coisa como essa é um azar mas não é crime não sou o primeiro nem serei o último tive azar nada mais tu poderias ter tido mais sorte Estás a mentir Fica calmo não te estou a tentar obrigar a contares nada que não queiras não te quero ofender claro um jovem como tu iria considerar uma coisa dessas muito mais grave do que se fosse daqui a

cinco anos Eu só conheço uma maneira de tratar a mentira e não acho que Harvard. me faça mudar de ideias Isto ainda é melhor que uma comédia deves ter ensaiado bem bom tens razão não há necessidade nenhuma de lhes dizer o melhor é esquecer o que lá vai lá vai eli não há nenhuma razão para que tu e eu deixemos que uma coisa sem importância como essa se intrometa entre nós Eu gosto de ti e do Quentin gosto do vosso aspecto não se parecem com os outros provincianos ainda bem que resolvemos assim a questão prometi à tua mãe fazer qualquer coisa pelo Jason mas também gostava de te ajudar o Jason podia perfeitamente aqui ficar mas num buraco como este não há futuro para um jovem como tu Obrigado mas é melhor ficares-te pelo Jason ele saberá retribuir a gentileza melhor do que eu Desculpa lá aquilo mas eu não passava de um miúdo naquela época e nunca tinha tido uma mãe como a tua para me ensinar boas maneiras e se ela tivesse sabido isso só a ia magoar desnecessariamente sim tens razão não há necessidade e à Candace também não naturalmente Eu disse aos meus pais Olha bem para mim quanto tempo achas que te aguentas comigo Não tenho de me aguentar muito tempo se tu também aprendeste a lutar na escola experimenta e verás quanto tempo eu Olha o puro dum raio onde é que queres chegar Experimenta e verás Meu Deus o charuto que diria a tua mãe se encontrasse uma queimadura no rebordo da chaminé foi por pouco ouve lá Quentin 98

tu estás a preparar-te para fazeres alguma coisa de que ambos nos vamos arrepender eu gosto de ti gostei de ti assim que te vi disse até deve ser um tipo porreiro tenha lá os defeitos que tiver senão a Candace não gostava tanto dele ouve eu ando por aí no mundo há dez anos e as coisas passam a ter menos Importância tu depois verás vamos fazer as pazes tu e eu filhos da velha Universidade de Harvard e tudo acho que já não reconheceria o lugar é o melhor lugar do mundo para um rapaz hei-de para lá mandar os meus filhos dar-lhes melhor sorte do que eu tive espera não te vás ainda vamos conversar mais sobre isto um jovem mete estas ideias na cabeça e eu apoio-o inteiramente -fazem-lhe bem enquanto el@ anda na universidade moldam-lhe o carácter a universidade é boa para manter a tradição mas quando ele sai para o mundo tem de se desenrascar o melhor que pode porque vê que os outros estão todos a fazer o mesmo que diabo vá apertemos as mãos e o que lá vai lá vai pela saúde da tua mãe lembra-te de como ela é frágil vá dá cá a tua mão toma olha acabadinha de sair do convento vês nem uma mancha ainda nem sequer foi dobrada estás a ver vá Vai para o diabo mais o teu dinheiro Não não vá lá eu agora sou da família vês eu sei como se sente um rapaz da tua idade metido em negócios secretos e é sempre dificil levar o velhote a descoser-se eu sei então não passei já por isso e nem foi assim há tanto tempo mas agora vou-me casar e tudo vá não sejas tolo especialmente agora que estás lá longe ouve quando tivermos mais tempo para .

conversar quero falar-te de uma viúva lá da cidade Também já ouvi essa podes guardar a merda do dinheiro Então aceita-o como um empréstimo num abrir e fechar de olhos estás com cinquenta anos Tira as tuas mãos de cima de mim e é melhor tirares o charuto de cima da chaminé Então conta e vai para o diabo hás-de ganhar muito com isso se não fosses tão idiota terias percebido que eu as tenho bem seguras para que um irmãozeco qualquer armado em cavaleiro andante a tua mãe falou-me de ti sempre cheio de ideias entra entra querida o Quentin e eu estávamos a tentar conhecer-nos melhor a conversar sobre Harvard queres alguma coisa a minha menina não consegue estar longe do velhote pois não Sai por um instante Herbert quero falar com o Quentin Entra entra toca a conversar para nos conhecermos melhor eu estava precisamente a dizer ao Quentin Vá Herbert sai só por um bocadinho Pronto está bem tu e o maninho querem estar juntos mais um bocadinho não é É melhor tirares esse charuto de cima da chaminé Certo como sempre meu rapaz bem vou andando deixa-os fazerem de ti o que quiserem enquanto podem Quentin a partir de depois de amanhã tens de pedir por favor ao velhote não é querida dá cá um beijinho minha linda Oh pára com isso guarda isso para depois de amanhã Nessa altura vai ser com juros não deixes o Quentin fazer nada que ele não possa acabar ah a propósito não sei se já contei ao Quentin aquela do papagaio do homem e do que lhe aconteceu uma história bem triste lembra-me .

Bem mais tarde agora.para lhe contar e tu pensa nela também adeuzinho Bem Bem Que estás tu a tramar agora Nada Andas outra vez a meter-te na minha vida não te chegou o que fizeste o Verão passado Deves estar com febre Caddy Estás doente doente como Simplesmente doente. Caddy O rio desapareceu cintilante para lá de uma curva fechada. embora tivéssemos passado por ele remando ainda rio acima majestoso sob o olhar dos deuses de deus. Para ir buscar as primas. Cabeças. para ir esperar o comboio das oito e dez. Matou a voz dele através do Esse canalha não Caddy De vez em quando o rio cintilava para lá das coisas com uma espécie de reflexos deslizantes à hora do meio-dia e já mais tarde. Adulador mesmo não sendo marido sem se importar com Deus. Deus seria também um canalha em Boston no Massachussetts. Não posso perguntar. Adulador. Estou doente tens deprometer Doente estás doente como Simplesmente doente por enquanto não posso pedir a ninguém maspromete-me que ofarás Se elesprecisam de quem tome conta deles épor tua causa estás doente como Ouvimos o carro arrancar mesmo por baixo da j anela e partir para a estação. Deuses. 100 Esse canalha. Ou talvez não propriamente um marido. Os remos molhados fazendo-o luzir à medida que avançava entre longas piscadelas e mãos abertas de mulher. Melhor.' Progredindo cabeça a .

e quando Ele dizia Erguei-vos só os ferros de engomar. O Quentin matou todas as suas vozes através do chão do quarto da Gaddy O comboio parou. Avistei uma chaminé. Mas só no estábulo porque quando lhe púnhamos a sela era uma fera. calcando a minha sombra na poeira. que faziam sombra. (N. Um dia tivemos um puro-sangue. Saltei para cima da minha sombra. Correndo lentamente. mas nada de barbeiros. mas a folhagem de junho na Nova Inglaterra não é muito mais densa que em Abril na minha terra. Virei-lhe as costas. Os carris eram atravessados por uma estrada. a cami1.cabeça. Havia um cartaz de madeira com um velho a comer qualquer coisa de dentro de um cartucho.: <@Cabeça"). e depois o ruído. da T) 101 nho do mar e das grutas repousantes. A estrada avançava por entre árvores. Head: apelido de Herbert (Trad. Por vezes à noite sentia algo terrível dentro de mim algo que me sorria que eu via que me sorria através deles através das caras deles mas agora desapareceu e sínto-me doente Caddy Não me toquespromete só Se está doente não pode Posso sim e depoisfica tudo bemjá não tem importância não os deixes mandarem-no parajackson promete Prometo Gaddy Gaddy Não me toques não me toques Como é Gaddy Como é Isso que te sorri essa coisa que te sorriatravés deles Ainda via a chaminé. Era lá que a água devia estar. . Manicuras.

Sentia-se o frio quando passávamos ao lado. A pedra estava fria. Não me toques. O braço. Tenho de casar com alguém. de repente.@W cadeira liso efrio sob a minha testa moldando a cadeira os ramos da macieira a tocarem-me o cabelo sobre as roupas do paradisíacas puxadas até ao nariz Estás com febre também ontem estive é como estar perto do fogão. aspergidas de sol. Então disseram-me que tinham de voltar apartir o osso Deixei finalmente de ver a chaminé. Uma espécie de fecundidade serena e violenta que satisfazia até os mais esfomeados. Ficava com fome até cerca da uma hora. Flutuando à nossa volta sem se deter protegendo as mais ínfimas pedras. Sentia-se qualquer coisa só de andar a passear. A estrada seguia ao longo de um muro. até me esquecia de que já não eesta-va com fome. mas depois. e ao meio-dia dava-me a fome. O canalha. Uma espécie de estratagema para que o verde não faltasse às árvores e o azul distante não fosse essa rica quimera. Quero U saber seio que é umapernapartida sei muito bem não há-de ser nada só vou ter deficar em casa umpouco mais é tudo e os . Caddy se estás doente não podes fazer isso..Quando o Versh e eu passávamos o dia a caçar nunca levávamos almoço. Os candeeiros da rua descem a encosta e depois ouvi o carro a descer a encosta. As árvores arrimavam-se ao muro. Só que a nossa região não era como esta região. disseram-me que o osso tinha de serpartido outra vez e cá por dentro desatei a gritar Ai AiAleasuar.

Louis quando foi que limpaste o lampião pela última vez? . pelos menos na escuridão. A voz de um 102 cão chega mais longe que o ruído de um comboio.nha com um cesto na mão correndo um pau pela vedaçãofora e todas as manhãs eu me arrastava até àjanela com gesso e tudo eficava à espreita com um bocado de carvão a Dilsey dizia vai dã cabo de si* não tem tino na cabeça sópassaram quatro dias desde qu @apartÍu. como se o ar estivesse gasto e cansado de transportar sons há tanto tempo. Espera eu habituo-me num i . E eu disse: .músculosfacia' aficarem entorpecidos e a minha boca a is dizer Esperem Esperem só u m m i n uto encharcada de suor ai ai aípor detrds dos dentes e o Pai maldito cavalo maldito cavalo. Fspera a cul. Dos negros por exemplo. O Louis Hatcher nunca usou a trompa quando a levava mais o velho lampião. Ele vinha pela cercafora todas as manhãs direito à cozi. Nes.sã noite a velha e eu sentados em frente ao lume e vai ela e diz "Louis.Limpei-o há pouco tempo.pafoi minha. qu'é tu vais fazê s'a cheia chega ré qui?" e vou eu e digo . Lembra-se quando as águas da cheia arrastaram as pessoas por aí fora? Limpei-o nesse dia. E a de algumas pessoas.nstante espera só um minuto eu vou Até o som parecia sumir-se no ar.

disse o Louis.disse o Vérsh. . . Pense vomecê pela sua cabeça qu'eu penso pela minha. São os que dizem qu'a cheia não chega ré qui qu' apare."Lá isso é verdade.Chegaste a sair de casa com a Martha nessa noite? .Pa qu'hei-de eu limpá-lo se não há precisão? . .Isso é o que vomecê diz . Se tudo o qu'eu tenho de fazer pa me livrar da cheia é limpar este lampião.E apanhava-os. acho eu. deixa-te disso .Ora. .disse eu. .Ai não que não saí.A auga pode subir tão alto e alagar tanto em jefferson como na Pensilvânia.Acho qu'o Ti'Louis apanhou mais opóssuns nas redondezas do que . . já eu andava por aí a caçar opóssuns. Acho qu'o melhor é limpá o lampião".O Ti'Louis nem cum lampião caçava nada . si siô. não vou discutir com ninguém por causa disso.E desde então nunca mais limpaste o lampião? .Isso é verdade . e inda elas tinham de esfregar a cabeça do teu pai com petróleo pa matar os piolhos . .disse o Vérsh. Limpei o lampião e depois eu e ela passámos a noite no alto da colina atrás do cemitério. .Olha rapaz. .Queres tu dizer até vir outra cheia? . E por isso limpei-o nessa noite. Não podia chegar cá tão abaixo. .cem a boiar no alto dos telhados. -A cheia andava lá para cima para a Pensilvânia disse eu.disse o Louis.Si siô. Tio Louis. . E s'eu soubesse doutra mais alta era pa lá que tínhamos ido.O qu'eu sei é que nos livrou da outra.

lupi. como se a sua voz pertencesse à escuridão e ao silêncio. a voz dele parecia mesmo a trompa que levava pendurada ao ombro e nunca usava. Quando ele chamava os caes. Ele nunca elevava a voz.Tinha luz que chegava p@)s opóssuns verem bem.Si siô . sombreada. HooUuuuuuuuuuuuuu. si siô. com o cheiro pestilento da lanterna a empestar o ar macio. HooUuuuuu. agarra-o. coberta de líquenes e impregnada de uma humidade persistente semeada de fungos. Tenho de casar com alguém Tiveste muitos Caddy Não tive de mais tomas conta do Benjy e do Pai Então não sabes de quem é e ele sabe Não me toques tomas conta do Benjy e do Pai Comecei a sentir a água antes de chegar à ponte. cão. Lá vem um. A ponte era de pedra gris. 103 . Agora calem-Se. a ouvir os cães e o eco da voz do Louis a perder-se ao longe. dele saindo e a ele voltando em sucessivas ondulações. . mas ainda mais clara.qualquer outro. mas mesmo assim. mais suave. murmurando e batendo em torno das pedras em fugidios remoinhos de céu rodopiante. Nunca os ouvi refilar. Em baixo a água estendia-se límpida e estática.disse o Louis. sentados nas folhas secas que sussurravam com a palpitação lenta da espera e a respiração lenta da terra e daquele Outubro sem vento. Caddy esse . E lá ficávamos. Vá. HooUuuuuu. numa noite calma ouvíamo-la da varanda da frente.

E o Pai disse é. por mais agarradas que tivessem estado aos ossos. 104 Onde batia a sombra da ponte eu podia ver até muito fundo. Uma navalha partida atirando-os para trás das costas e com idêntico movimento atirou a pele ensanguentada para trás a direito não em arco. saídos da paz e do sono profundo para contemplarem a glória. No momento em que nos apercebemos disso a tragédia perde todo o seu efeito. Não é não os ter. Mas não é isso. Quando deixamos uma folha na água durante muito tempo daí por um bocado o tecido vegetal desfaz-se e as fibras delicadas oscilam lentamente como quando adormecemos. Foi para a floresta e fê-lo com uma navalha sentado numa vala. A pureza é um estado negativo e como tal contrário à natureza. por seres virgem: não percebes? As mulheres nunca são virgens.Tenho de casar com alguém O Versh falou-me de um homem que se mutilou. É a natureza que te está a magoar e não a Caddy e eu disse Isso são só alavras e ele disse Também p a virgindade e eu disse isso é que não sabe. E passado . E talvez quando Ele disser Erguei-vos também os olhos venham à superfície. Nunca se tocam por mais entrelaçadas que tivessem estado anteriormente. É nunca os ter tido e então poderia dizer Oh Isso Isso é chinês e eu não sei chinês. Não tem como saber e ele disse Sim. mas não até ao fundo.

Escondi-os por baixo da extremidade da ponte. O vértice fugaz perdeu-se rio abaixo e depois vi de novo a seta. Então só tu e eu ei d nom o a maledicência e do horror cercadospela chamapurificadora A truta parou. Chegaram à ponte três rapazes com canas de pesca e ficámos todos debruçados a olhar para a truta.Há vinte e cinco anos que andam a ver se apanham esta . Não conseguia ver o fundo. delicada e imóvel. e então vi uma sombra suspensa como uma seta larga na corrente. . e nisto uma truta apanhou uma mosca por baixo da superfície com a delicadeza descomunal de um elefante a apanhar um amendoim. entre as sombras ondulantes. mas os meus olhos penetraram fundo na inquietação das águas antes até se darem por vencidos. Era uma personagem famosa por aquelas bandas. Eles conheciam bem o peixe. As borboletas entravam e saíam da sombra da ponte rasando a superfície. oscilando suavemente impelida pela água sobre a qual volteavam borboletas em voos rasantes e depois pousavam. de bico contra a corrente. Então só me terás a mim então só a mim então os dois no meio da maledicência e do horrorpara lí da chamapurificadora A seta aumentava com os movimentos. fui até ao parapeito e debrucei-me.algum tempo os ferros viriam à superfície. Se ao menos do lado de N houvesse um inferno: a chama purificadora e nós dois mais do que mortos.

Eu cá comprava um cavalo e uma carroça .disse o segundo.Mas ninguém te dava vinte e cinco dólares por ela. .Gostávamos . como toda a gente faz quando os desejos ganham voz. Consigo pescar tantos peixes com esta cana como com uma de vinte e cinco dólares. Antes queria o dinheiro. Aposto que o homem te obrigava a ficares com a cana. .Depois começaram a discutir o que fariam com os vinte e cinco dólares.Talvez eles não to dessem . fazendo da irrealidade possibilidade. . contraditórias e impacientes.disseram eles. com vozes peremptórias.Isso é que era bom .disseram os outros. Até sei onde posso arranjar uma por vinte e cinco dólares. . . . Conheço o homem que a vende. depois probabilidade e logo facto incontroverso.disse o primeiro. .truta.Isso é que comprava. . . Debruçaram-se mais do 105 parapeito.Então por que não a apanham vocês? Não gostavam de ter uma cana de pesca de vinte e cinco dólares? .Nesse caso vendia-a. . Há uma loja em Boston que oferece uma cana de pesca de vinte e cinco dólares a quem conseguir.Quern é ele? .disse o segundo. Falavam todos ao mesmo tempo. .Eu cá não queria a cana para nada .Lá isso gostava disse o primeiro.Nesse caso contentava-me com o que me dessem. . a olharem para a truta.

Pois. .Aposto o que quiseres como não conseguias. . Debruçou-se do parapeito. e depois gritaram os dois em coro: . são pelo menos coerentes ao reconhecerem sabedoria numa língua calada. . todos três experimentando aquela sensação adulta de se ficar convencido de qualquer coisa por força de uma atitude de serena superioridade. Posso comprar uma por vinte e cinco dólares. a acrimónia. por instantes. .disse o terceiro subitamente.Tu não conseguias vender a cana por vinte e cinco dólares . de o privarem do cavalo e da carroça. É só conversa. à força de se gastarem tanto a si e aos outros pelas palavras.Isso é comigo.Ele não sabe de nada..disse o rapaz. e.disse o primeiro. o conflito. . senti os 106 outros dois rapidamente à procura de um meio de desfeitearem o amigo. de repente. . Os outros continuaram a gozá-lo. a olhar lá para baixo para a truta que ele já tinha gasto e. o qu'é qu'eu te disse? Como é que se chama o homem? Desafio-te a dizeres o nome. Suponho que as pessoas.Ele ainda não apanhou a truta . mas ele não disse mais nada. como se também eles achassem que ele tinha de facto pescado o peixe e comprado o cavalo e a carroça. desapareceram das suas vozes. Não conheces .Isso é o que vocês julgam .Tretas .disseram os outros.

.Bolas murmurou o primeiro. .Fábricas? .ficaram a olhar para mim. A truta subiu sem pressas à superfície. . . . Uma sombra que aumentava em ténues ondulações. e de novo o pequeno vortex desapareceu rio abaixo. sem se mexerem.Não é nada . o melhor sítio para pescar é lá em baixo no Sorvedouro.disse o segundo rapaz. Ficamos só a ver os de Boston virem cá tentar.disse ele. Ando só a passear.Vamos desistir de querer apanhá-la .Ando. também elas todas iguais. Há fábricas nessa tal cidade? . Perguntei-lhes a que distância ficava a cidade mais próxima e eles disseram-me.Para onde é que vai? . lá vem ela outra vez.Olha. . É este o único peixe que por aqui anda? É. .Em Bigelows Mill é muito melhor.disse o segundp. todos iguais.Mas a mais perto de comboio é para aquele lado disse o segundo. . . para a estrada.Para lado nenhum. Correu com os outros todos.Debruçaram-se do parapeito. .Anda na Universidade? . Por estas bandas. com as canas finas desenhando-se oblíquas contra o sol. apontando para trás.Depois puseram-se a discutir qual era o melhor local para pescar e de repente debruçaram-se de novo do parapeito para verem a truta vir mais uma vez à superfície e o remoinho engolir um bocadinho do céu. .Cala-te . .homem nenhum.

disse eu. Mas não apanhem o bicho. É canadiano? .É uma fábrica.Não .Há um relógio na torre da igreja unitária. . .Quando chegar ao cimo daquela colina vê logo a torre. mas parti-o esta manhã. . .Desejo-vos boa sorte.Ora. .. .disse o terceiro. . vai-te catar . Este fala como as pessoas falam nas pantomimas de negros.disse o segundo.Miraram-me da cabeça aos pés.É. Mas.Ouve lá .disse eu. . .já os ouvi falar.disse o terceiro. oiça lá. Canadiano? Ele não fala como eles .Fábrica uma ova.Uma que tenha sirene .Ninguém consegue pescar aquela truta .Bater-me? . . Ele quer mesmo uma fábrica a sério. . .disse o segundo.disse o segundo.disse o .Lá não.Ainda não ouvi nenhuma sirene tocar a uma hora.E Bigelow's Mill? . . .Deu-mo o meu pai quando acabei o liceu. .Não tens medo que ele te bata? . . Pode ir lá ver as horas.disse o terceiro. .Foi um presente . já é velhote e merece que o deixem em paz.disse o segundo. . isso aí pendurado na corrente não é um relógio? .Quanto custa um relógio destes? .disse o segundo. Agradeci-lhes.Ainda trabalha .Tinha o cabelo ruivo.Tu disseste que ele fala como os negros. .Ah . .Mostrei-lhes o relógio e eles examinaram-no muito sérios. .Anda à procura de trabalho? .

como se estivessem a atravessar um outro mês ou um outro Verão algures noutro lugar. a olharem para a água. empurrando-a de novo para a sombra sarapintada das árvores. Avancei pela minha sombra acima. eram a imagem da própria inércia. Debruçaram-se do parapeito. Sentei-me na berma da estrada. subindo a corrente rumo ao clarão da tarde. guiando a vista e a mente por um aprazível túnel verdejante até à cúpula quadrada que se elevava por detrás das árvores e ao mostrador redondo do relógio. muito longe. As sombras da estrada eram tão estáticas como se tivessem sido pintadas com lápis de raios de sol. com o mundo subjugado sob as suas sombras . remador solitário no meio-dia. A estrada curvava. Esse seguiria imponente. subindo a encosta e afastando-se da água. com as três canas de pesca descendo na diagonal como três fios de fogo contra o sol. ele em remadas vigorosas e compassadas. Excepto o Gerald. Atravessava a colina e depois descia serpenteante. desaparecendo velozes sob a estática gaivota e todas as coisas correndo velozes. em apoteose. ascendendo a uma bebedeira de infinito onde só ele e a gaivota. remando precisamente para lá do meio-dia. 108 Mas era apenas um comboio e. passado algum tempo o ruído prolongado desapareceu por entre as árvores e eu ouvi o meu relógio e o comboio a desvaneceremse. A erva chegava-me aos tornozelos.primeiro. esta terrivelmente imóvel. Era espessa.

para as carpas .Bem .Está bem. . Aquele peixe não é para ser pescado.Levantei-me. Olharam para mim sem abrandarem o passo. .Se não nos apressarmos é que não apanhamos peixe em lado nenhum .Se calhar achas melhor irmos para a azenha.Não vos vejo trazer nada. .Vocês vão para a cidade? .disse o terceiro. . .Se não quiserem não venham .Nem sequer tentámos pescá-la .Vamos para o Sorvedouro. .projectadas no sol. . . com uma data de tipos a chapinharem e a afugentarem os peixes.Lá está o relógio . .Mas no Sorvedouro não se apanha nada . . Caddy esse canalha esse canalha Caddy As vozes deles aproximavam-se pela colina acima.disse o primeiro.disse o primeiro.disse o primeiro. .Lá não se apanha nada.Pois é . 109 . . e as três canas finíssimas eram três fios de fogo a balançar.Não percebo por que é que vocês só falam do Sorvedouro disse o segundo.Mas no Sorvedouro não se apanha peixe nenhum disse o segundo. Quando estiver mais perto já vê as horas. .disse o segundo.disse eu. .disse o segundo. apontando.disse eu. . Não estão amarrados a mim.

No pomar as abelhas . todo ele rosa e branco.disse ele.disse o terceiro. .Vamos subir até à azenha .Vá.Vamos nadar para a azenha . já as ouvíamos. Os seus pés descalços não se ouviam caminhar.Eu cá vou pescar para o Sorvedouro . Ao lado do porriar abria-se uma vereda. venham daí.. .disse o segundo para o terceiro. com o mostrador redondo do relógio ainda muito longe.disse o terceiro.disse o terceiro. . . Vocês façam o que quiserem. A cúpula mergulhou lentamente por detrás do arvoredo.disse o terceiro.disse o primeiro. com os raios de sol a reflectírem-se na cana e a projectarem-se sobre o seu ombro e as costas da camisa.Vamos nadar para a azenha . Por que hás-de ter de casar com alguém Gaddy Queres que seja eu a dizê-lo achas que se eu o disser não será .Vamos nadar para a azenha . O terceiro rapaz abrandou e parou. . Estava cheio de abelhas. Continuámos a caminhada e entrámos na sombra pintalgada. mais leves na poeira fina do que a folhagem.Venham daí . O segundo rapaz parou também. O primeiro rapaz seguiu em frente.Ouve lá. há quanto tempo não ouves ninguém dizer que apanhou lá peixe? . . O primeiro continuou. Chegámos a um pomar.

afastar-se. venham .disse o terceiro. . .Ora.Se quiseres. Borboletas amarelas cintilavam na sombra como centelhas de sol. .pareciam vento a levantar-se. éporque não há mais nada em que eu acredite há mais alguma coisa maspode ser que não seja e então eu Tu descobrirás que nem a injustiça vale aquilo que tu . E ficaram a ver o primelro rapaz. também podes pescar na azenha. com as borboletas amarelas a rodopiarem à volta deles pela sombra fora. Se se põe a nadar e molha a cabeça. . . Os raios de sol penetravam-no. com um zumbido suspenso como por magia no limiar do crescendo e aí inantido. leva uma coça.Vai-te embora disseram eles de repente. . escassos e sôfregos.Vá.Para que queres ir para o Sorvedouro? .Meteram pela vereda e lá foram. cintilando sobre a cana como formigas douradas. sob arcos de folhagem. deixa-o ir .nventeifui. O sol deslizava em manchas sobre os seus ombros bamboleantes.Kenny . abrindo-se em flor e dissolvendo-se depois no arvoredo.disse o terceiro rapaz.Eles já lá vão. menino da mamã. A vereda corria paralela ao muro. .disse o segundo rapaz. Seguiam com os olhos o primeiro rapaz.Vai. .disse o segundo. Diz ao Pai está bem eu digo sou o Progenitor do meu paifui eu que o i .eu que o criei Diz-lho mas não será mais assim porque ele dirá que não então tu e eu seremos desde aífiloprogenitores 110 .

acreditas ser Ele não me ligou. mas nãopor mim Em que mais posso eu pensar em que mais tenho eu pensado O rapaz saiu da rua.Por que não vais nadar com eles? . . o silêncio se limitasse a aumentar entre nós e elas. O queixo desenhavase-lhe de perfil e a cara estava ligeiramente virada para o lado por baixo do chapéu roto. . O som das abelhas diminuiu. suspenso ainda. A estrada curvava novamente e transformava-se numa rua ladeada de relvados sombreados e casas brancas. com um não sei . com o sol finalmente imóvel sarapintando-lhe a camisa branca.gulhar no silêncio. pousou a cana no chão. como água a subir. em que o ar fica fino e sôfrego como aqui. empoleirou-se na árvore e deixou-se ficar sentado de costas para a rua.disse eu.disse eu. como se em vez de mer.Gostas mais de pescar que de nadar? . Caddy esse canalha serás capaz de pensares no Benjy e no Pai e fazê-lo. aquele cana. em que mais tenhopensado nem sequerposso chorar morri o ano passado disse que tinha morrido mas nessa altura não sabia o que isso signíficava não sabia o que dizia Lá há dias como este no fim de Agosto. Saltou por cima de uma cerca sem olhar para trás e atravessou o relvado até chegar a uma árvore.lha Caddy Estava a quererprovocar uma briga com ele estavas Um mentiroso e um patife Caddyfoi expulso do clubeporfazer batota com as cartas e mandado para Coventry e aí apanhado a copiar nos exames e expulso Sim e depois eu não voujogar cartas com .

De quê do dinheiro para os teus estudos do dinheiro quefizeram com a venda da pastagem para poderes irpara flarvard não vês que agora tens de acabar o curso se não acabares elefica sem nada Venderam a pastagem A camisa branca estava imóvel sobre o tronco. O homem era o somatório de tudo e mais alguma 111 coisa. subindo a ladeira sob um manto enrugado de folhas.quê de nostálgico. Venderam apastagem . na sombra crivada de cintílações. de triste e familiar. com os cascos toc-toe pela estrada poeirenta fora. as rodas. Um problema de propriedades impuras fastidiosamente arrastado para um invariável nada: um impasse entre o pó e o desejo. Olmos. diminuindo sem se afastarem como no teatro quando alguém se mete num tambor e desaparece do palco como por encanto. As rodas eram aracnídeas. redondo e estúpido. mas agora que sei que estou morta digo-te que Entãopor que lhe dás ouvidospodemosfugír tu o Benjy e eupara onde nínguém nos conheça para onde A sege era puxada por um cavalo branco. O homem é o somatório das suas experiências climáticas dizia o Pai. A rua curvava novamente. Por baixo da sege os cascos batiam rápidos e audíveis ao ritmo de uma senhora a bordar. do relógio. Não: olmos. Ulmeiros. estalavam em secos murmúrios. já via a cúpula branca e o mostrador peremptório. aracnídeas.

como se estivesse regulada e afinada para produzir aquele único e breve tinido. agudo.Olá. . cristalino e breve. na penumbra bem definida. . a cara dela parecia uma chávena de leite com um pingo de café.Dizem que o Pai morre daqui a um ano se não deixar de beber e ele não vai deixar não pode deixar desde que eu desde o último Verão e depois mandam o Benjyparajackson não consigo chorar nem chorar eu consigo num minuto ela estava à porta e no minuto seguinte ele estava a puxar-lhepelo vestido e a berrarfazendo a voz repercutir-se pelas paredes em ondas de som e ela encostada à parede toda encolhida cada vez mais pequena com o rosto muito branco e os o lhos co m o se tivessem sido afu nàa@s po r u m polegar a té ele a p uxa r Parafora do quarto com a voz em ondas a ecoarpela casafora como se impedida depararpelo seu próprio estado como se não houvesse lugarpara ela no silêncio a gritar Quando a porta se abriu soou uma campainha.Não está aqui ninguém? 1 . um toque apenas.No vazio cálido e doce da padaria. miúda. uma criança suja com olhos de urso de peluche e duas tranças envernizadas. como se para evitar que a campainha se gastasse ou para não se ter de esbanjar silêncio em demasia para a fazer voltar ao normal quando a porta se abria para o cheiro morno do 112 pão acabadinho de cozer. .

assomaram-se o seu rosto acinzentado e limpo. Sem tirar nem pôr. minha senhora. repleto de formas estaladiças enfileiradas dentro da vitrina. Alguém perdida entre prateleiras poeirentas de certezas bem ordenadas e de há muito divorciadas da realidade. É a senhora mesma quem coze o pão? Meu senhor? disse ela. Deseja mais alguma coisa? .Duas destas. sem pestanejar. o cabelo arrepiado e ralo colado à cabeça pequena e acinzentada. Para mim não.São cinco cêntimos. como duas amoras bolando estáticas numa chávena de café fraco Terra de judeus pátria de italianos. minha senhora. porém. -A estatura não . Mas aqui esta senhorinha deseja qualquer coisa. Tirou uma folha de papel de jornal de debaixo do balcão.Não. Meu senhor? Como no teatro. Meu senhor? . por favor. A garota tinha os olhos presos nelas. Por detrás do balcão. Parecia uma bibliotecária. com as mãos acinzentadas e muito limpas onde um enorme anel de ouro pontificava no indicador esquerdo. limitou-se a olhar para mim até uma porta se abrir e aparecer uma senhora. A mulher olhou para o pão.Ela. colocoua sobre o balcão e pegou nas duas arrufadas. encavalitados.no nariz e projectando-se como se puxados por um arame. ou como a gaveta da caixa registadora de uma loja. apertado ao dedo por uma junta azul. uns óculos muito limpos de aros acinzentados. ressequindo tranquilamente como o sopro de ar de quem vê ser cometida uma injustiça .

.Não. . pois não.Ela nem bolsos tem . .Ah.disse a mulher olhando-me triunfante. . .Não estava a fazer mal nenhum. Não eras capaz. A moeda estava molhada e .O que é que tu queres? Pão? Estendeu a mão fechada.Ela esconde-o debaixo do vestido e a gente não dá por nada.Vem consigo? . minha senhora.disse eu. Eh.permitia à mulher ver por cima da vitrina e chegou-se por isso para a ponta para poder ver a garota. mas não tocou na garota. Estava só aqui parada à sua espera.A garota deitou-me um olhar secreto. Nem creio que fosse capaz. pequenina? . . mostrando um níquel húmido e muito sujo numa palma da mão húmida e muito suja. menina.Como é que ela entrou sem fazer tocar a campainha? _ Entrou quando eu abri a porta . que se desenrolou. já cá estava quando entrei. e voltou a fixar os olhos na mulher. . sua atrevida . Olhou para a mulher e depois lançou-me um olhar negro e fugidio.Então por que é que a campainha não tocou? . daqui ela não consegue chegar a nada.disse eu. contemplativo. . como foi que entraste? A garota não respondeu.disse ela.Estes estrangeiros . Tudo do que ela precisava era de um monte de interruptores e de uma lousa atrás dos seus 2 x 2= 5.Tocou só uma vez e entrámos os dois. . Saiu de trás do balcão. .Tens alguma coisa nos bolsos? .disse a mulher. Além disso.

. A porta abriu-se e fechou-se outra vez. voltou a embrulhá-lo e pegou nas moedas.morna.Espere um instante disse ela.Como te chamas? . . . por detrás do balcão. .disse a mulher. mas . toda ela acin114 zentada. molhados e mornos. minha senhora. meteu lá a terceira arrufada.disse ela.Dê cá o embrulho . Entreguei-as à garota.Sim senhora .disse eu. Peguei nos dois embrulhos e dei o cacete à garota. que nos mirava. . com o pão bem apertado contra o vestido enxovalhado. . Os deditos dela fecharam-se sobre as moedas. como larvas. perante o olhar de fria certeza da mulher. minha senhora? Ela tirou de debaixo do balcão uma folha quadrada de papel de jornal. se faz favor. .Vai dar-lhe essa arrufada? .disse eu. A mulher tirou da vitrina mais uma arrufada. colocou-a em cima do balcão e embrulhou o cacete.Espero que o seu pão lhe cheire tão bem a ela como me cheira a mim. . depois tirou duas moedas de troco do bolso do avental e deu-mas. Dei-lhe o embrulho e ela desembrulhou-o. Ela baixou os olhos. Sentia-lhe o cheiro ténue a metal.Dá-me um cacete de cinco cêntimos por favor. A garota não tirava os olhos de mim.E mais uma dessas arrufadas. Pus a moeda em cima do balcão e juntei-lhe outra. Foi às traseiras do estabelecimento.

. Estrangeiros .Sim.Toma .disse a mulher.Siga o meu conselho e mantenha-se longe deles.disse eu. senhora . Parecia nem respirar. .A garota pegou-lhe. A campainha tocou uma vez. cristalina e invisível. Dirigimonos para a porta e a mulher olhou para trás. A mulher voltou.Muito obrigado. agora morto. perscrutando a campainha.disse ela. . Vá.disse eu. e estendeu-lhe a tal coisa. miúda. meu rapaz. espreitando para o recanto escuro onde a campainha se anichava.Saímos da loja. Pegava-lhe como se tivesse sido um ratinho de estimação. . . .Vem comigo. pega.Obrigado pelo bolo . Entrámos na pastelaria e comemos os gelados.e que tal um gelado? . minha senhora.Estes estrangeiros .Ela trincou o bolo ressequido. .Anda. .disse eu . . obrigando a campainha a soltar a sua nota breve e solitária. Foi até à porta e abriu-a com ímpeto. Trazia na mão uma coisa deveras curiosa. Gostas de gelados? .disse. sempre sem desviar os olhos da mulher.Só é esquisito de aspecto. sem parar de mastigar. . Seguimos o nosso caminho.Bem .É para ti . A garota fitou-a. Não posso ficar aqui à espera o dia todo. .disse ela.Tenho de mandar arranjar esta campainha . sumida. A mulher limpou as mãos ao avental. Ela . . . Ela encostou a porta e depois abriu-a outra vez com força. Acho que quando comeres não notas a diferença.não se mexeu. .disse ela.Ela voltou-me uns olhos estáticos e negros.

Crianças. Amarelas. Uma sege. E depois saber que um homem guardava todos aqueles segredos misteriosos e imperiosos. O delicado equilíbrio da imundície periódica entre duas luas. e era a do cavalo branco.Por que não o pousas para comeres mais à vontade? . Putrefacção líquida como coisas afogadas flutuando como borracha des. . Como solas dos pés depois de muito caminharem. Cento e cinquenta quilos. Acabei o meu gelado e saímos. Só que o doutor Peabody manda peso. 115 .botada e pouco inchada impregnada do aroma das madressilvas. Jáfoste ao médícofoste ao médico Gaddy Nãopreciso de ir agora não lhepossoperguntar depoísjá nãofaz maljá não tem importância Porque as mulheres são muito delicadas muito misteriosas dizia o Pai.Para que lado moras? .disse eu. chupando o gelado como se fosse um caramelo. . oferecendo-me para lho segurai@ Mas ela não o largava. Andam melhor do que se agarram pela encosta acima. Luas dizia ele cheias e amarelas como as luas das colheitas as suas ancas as suas coxas. Comeu o gelado de uma assentada e voltou ao bolo. Com ele é preciso agarrares-te bem pela estrada acima. Fora fora delas sempre mas.disse eu.não queria pousar o pão. Com tudo isso dentro das formas internas uma suavidade exterior à espera de ser tocada. olhando em volta para as vitrinas. O bolo já dentado estava em cima da mesa.

Moras para este lado? . a intervalos regulares.disse eu outra vez. Ela não tirava os olhos de mim. Virei para a outra rua e continuei a andar. Mastigava silenciosa e convictamente.E para ali que moras? Aposto que moras perto da .Adeus . Ela estava mesmo atrás de mim.mente pela garganta.Bem. . Abri o meu embrulho e dei-lhe uma das minhas arrufadas. Engoliu o resto do bolo e começou a comer a arrufada.Não respondeu. . Ia ao meu lado.. .Adeus. Continuámos.disse eu. . . . . . agora sigo por aqui . um pequeno alto escorregava-lhe suave. Nisto olhei para trás. quase por baixo do meu cotovelo.Para que lado moras? . Continuei a andar.Ela parou também. espiando-me por cima dela. só parando na esquina seguinte. quase não se via vivalma impregnando-se do aroma das madressilvas Ela ter-me-ia ditopara não me deixar ali sentado nos degraus a ouvi-la atirar com a porta no crepúsculo a ouvir o Benjy ainda a chorar A hora da ceia ela ia ter de descer e impregnar-se do aroma das madressilvas Chegámos à esquina.Será para este? 116 Apontei para o extremo da rua.disse eu. -Adeus . não achas? Ela olhou para mim.disse eu.Era melhor levares o pão para casa. Estava tudo muito sossegado.

mas não se via ninguém a não ser lá muito para trás.Talvez ela não fale inglês . .disse eu. serenos e secretos. .Acho que é isso mesmo que vou fazer . não moras? .Ando sim. .Que hei-de fazer com ela? .disse o outro. A rua estava deserta nos dois sentidos. .Deve pertencer a uma dessas novas famílias italianas disse um. Encontra-o na cocheira. . sempre a mastigar. Eles desviaram os olhos de mim para a garota.Ela deu outra dentada na arrufada. Moras. Vimos dois homens sentados em frente a uma loja.Mandaram-na ao pão . É o xerife.já a vi antes. sempre com o queixo em movimento. .disse o primeiro.Não me larga e tenho de voltar para Boston. Engolia sem parar de mastigar. .Podia subir a rua e entregá-la ao Anse. .Como se chama o teu pai? . Como te chamas.Ela não tirava os olhos de mim. . miúda? Ela pousou neles o olhar negro por um instante. .Conhecem esta menina? Não me larga e eu não consigo descobrir onde ela mora.Pete? Joe? Nome John. ladeada por silenciosos relvados e casas bem inseridas no arvoredo. onde estão os comboios.Anda na Universidade? . hem? . . .estação. . Demos meia volta e retrocedemos.disse eu. .Há-de ser capaz de dizer alguma coisa. Tinha vestida urna sobrecasaca cor de ferrugem.disse eu. E tenho de regressar.

O homem da sobrecasaca estava a abrir um jornal. pelo lado da sombra. Sentado numa cadeira inclinada para trás e encostada à porta larga e baixa por onde corria uma aragem fria e escura que passava entre as baias alinhadas e tresandava a amónia. Lá alguém há-de conhecê-la. Anda daí. onde a sombra das fachadas em ruínas ia lentamente ocupando a rua. dei-lhe uma e dei uma dentada na outra. Muito obrigado.Tenho de a deixar em qualquer lado. Perguntei a um homem onde ficava a estação e . 11/1 . . Fomos aos correios. que é onde eles vivem.Ela enfiou na boca o último bocado de arrufada e engoliu-o. Subimos a rua.Queres mais? . .Vem daí. . afectuosos. Chegámos à cocheira. Cá para mim são todos iguais.Estrangeirada. Talvez alguém a conheça. Também a pode levar para o lado de lá da linha. estava um homem que me mandou ir procurá-lo nos correios. .Acho que o melhor é ir para o lado de lá da estação até àquelas casas junto ao rio. Sempre a mastigar. .Acho que é isso que vou fazer . O xerife não se encontrava lá. miúda. Tirei do cartucho as outras duas arrufadas. miúda. Ficavam no outro extremo da rua.disse.disse eu.O Anse acabou de sair da cidade . ela fitou-me com os olhos negros e pestanudos.disse eu. . Também ele não a conhecia.

Olhei para trás.disse eu. . entremeadas de tufos de ervas ásperas. Ela só mastigava. Havia uma ponte e uma rua pejada de casas de madeira. Havia uma campainha de puxar com urna maçaneta 118 .É esta? .disse eu.Anda. e o vestido cor-de-rosa lá estava pendurado na mansarda na tarde sem vento. conduzia à escada-ria em ruínas. . de aquiescente. . Era uma rua miserável. aqui? . No centro de um terreno abandonado cercado por uma vedação de estacas já muito desdentada estava uma carroça tombada e uma casa a cair aos bocados. . Achas que é esta a tua casa? Ela acenou afirmativamente com um meneio rápido. para ela. . no sítio onde passava o rio. . cravando os dentes na meia-lua humedecida da arrufada. Um carreiro de lajes partidas e espalhadas ao acaso.disse eu.É esta? .ele indicou-me o caminho. apesar de não mostrar qualquer entusiasmo. sem tirar os olhos de mim.Então vem daí. paralela ao rio. mas com um ar heterogéneo e fervilhante de vida. com um vestido cor-de-rosa berrante pendurado no estendai numa das mansardas.disse eu. miúda. Não se via movimento pela casa. apontando.Entrei pelo portão desengonçado. mas pareceu-me discernir-lhe no olhar algo de afirmativo. Chegámos à estação e atravessámos a linha férrea. Avançámos. Ela olhou-me por cima da arrufada.Achas que é ali a tua casa? .

disse eu. . Senhora vir mostrar . Este pão é seu? . Acenei outra vez. parei e fiquei por momentos a olhar para a garota.disse ela. . . tentando fazê-la descer os degraus. numa entoação crescente seguida de uma pausa interrogativa. recuando. Veio até ao portão e apontou para o fundo da rua. Obrigado.Não morar aqui? . Olhou para mim e começou a falar muito depressa com a garota em italiano.Si. quando desisti de puxar e resolvi bater. A garota tinha a côdea meio atravessada a sair da boca e continuava a mastigar. .Desci a escada e dirigi-me para o portão.disse eu. A côdea já tinha desaparecido e ela olhava-me . vi que estava presa a um arame com cerca de dois metros. apontando com a mão para o fundo da rua. Voltou a falar com a garota.Ela diz que mora aqui . Veio uma mulher abrir a porta.Obrigado.de porcelana na ponta que. A mulher abanou a cabeça.disse eu.disse a mulher. empurrando-a para dentro da boca com a mão suja.Vir mostrar? disse eu. si . Apontei para a garota.Encontrei-a na cidade. Falou de novo com a garota. depois para ela. Ela falava muito depressa e apontava também. mostrando-me onde estava o que me queria dizer. Ao chegar ao portão. e depois para a porta. mas em passo acelerado. Obrigado. Falava muito depressa. sem correr. . sempre a palrar. . que a olhava por cima da ponta da côdea. que se limitou a olhar para ela.Não falar . Eu acenei vigorosamente com a cabeça. . Peguei-lhe no braço.

paralela ao rio. Encontrei uma moeda e dei-a à garota. faça favor. apertando o pão contra o vestido imundo. Ela ia a andar mesmo por baixo do meu cotovelo. . até que surgiu a última casa e a rua se perdeu por detrás dela para lá de um muro. não podiam estar todas vazias. . Minha senhora. miúda. Não se via vivalma. Continuámos.Desatei a correr. . com as tranças luzidias e muito apertadas. Eram vinte e cinco cêntimos. E ela sempre ao meu lado.Anda . Minha 119 senhora. pequenina. Só aquela sensação de abaf@mento que parece invadir as casas vazias. com um xaile pela cabeça bem apertado com a mão por baixo do queixo. Uma mulher assomou-se ao portão quebrado.Mais tarde ou mais cedo havemos de encontrar a casa certa. -Adeus. se pudéssemos cortar as paredes de repente.com os seus olhos negros. Todos os quartos vazios. Corri o mais que pude. . afectuosos. por amor de Deus. com os olhos estáticos e negros. sem olhar para trás. mesmo por baixo do meu cotovelo. As casas pareciam todas vazias. A mulher observava-nos do cimo da escada. a sua filha. imperturbáveis. Ela estava parada no meio da rua. No entanto. Continuei a correr. o que só fiz mesmo ao chegar à curva. A rua descrevia uma curva e seguia deserta.disse eu. a sua filha. Não.

Da rua partia um carreiro. transformando-se depois num mero trilho que tranquilamente abria caminho para um novo prado. um estábulo com as traseiras em ruínas. abrandei a corrida para passo acelerado. Por que é que o deixaste beíjar beíjar Eu não o deixei eu obriguei-o ao sentir afúria a apoderar-se de mim Que me dizes tu a ísto?A Marca Vermelha da minha mão subindo-lhepe& cara acendendo uma luzpor baixo da tua mão e os olhos dela a incendiarem-se . Olhei para trás. especialmente à noitinha quando chovia. com a minha sombra agora atrás de mim. desaparecendo entre as ervas. com a minha sombra a caminhar ao meu lado. Não paravam de vir. suficientemente insuportável. fervilhantes de sol e de abelhas. todas elas por podar e infestadas de ervas daninhas. Meti por ele e. passado algum tempo. com mais roupa garrida pendurada nos arames. arrastando a cabeça pelas ervas que escondiam a cerca. todas elas rosa e branco. Havia vinhedos e trepadeiras onde na minha terra encontraria madressilvas. Saltei o portão e achei-me num espaço arborizado que atravessei até chegar a um outro muro. impregnando do aroma das madressilvas como se sem isso não fosse já suficiente mau. apodrecendo calmamente entre as árvores alinhadas de um pomar. Abrandei ainda mais. rente ao qual segui. A entrada do carreiro estava deserta. O carreiro ia dar a um portão de grades. O carreiro passava por traseiras de casas casas por pintar.

vem daí então e mostra-me onde é a tua casa. .120 Nãofoi por o teres beijado que te dei uma bofetada.lie.Por que não me disseste que era para este lado que moravas? . de pé. Diz que não vale nada vá diz Pelo menos não beijei nenhuma porcalhona como a Natalie O muro penetrou na sombra e a segu@r foi a minha sombra. não umaporcalhona como a Nata. Que achas tu disto esfregarlhe a cabeça em. Por um instante fiquei ali. Folpor deixares quejosse esseparvalhão da cidade que te dei uma bofetada agora vais nao vais acho que vais dizer que não vale nada. com o cacete apertado contra * vestido. Bom. suspirando nas . já precisava era de ser embrulhado outra vez. no meio das ervas. eu a olhar para ela e ela a olhar para mim. A minha mão toda vermelha a afastar-se da cara dela. Os cotovelos da raparígas de quinze anos dizia o Pai engolem-se como se tivéssemos uma espinha na garganta que se passa contigo e com a Caddy do outro lado da mesapara não olharempara mim. Trepei o muro e dei com ela * ver-me saltar para o outro lado. Tinha-me esquecido de que o rio acompanhava a curva da estrada. As ervas emaranhadas cravando-se na carne ardendo esfregando-lhe a cabeça. já lhe tinha pregado a partida outra vez.O pão ia saindo lentamente para fora do papel. Estava a chover ouvíamos a chuva no telhado.

AÍ? Tocando-lhe Aí não Aí? não chovia muito mas não conseguíamos ouvir mais nada além do telhado nem se era o meu sangue ou o seu sangue Ela empurrou-mepela escada abaixo efugiu a correr deixando-me ali sozinho a Caddyfez isso mesmo Foi aí que te doeu quando a Cad<yJugíuJoí aí Oh Ela ia ao meu lado mesmo por baixo do meu cotovelo. um rato na manjedoura. e depois o que é que a tua mãe vai dizer? Aposto que sou capaz de te p@çar ao colo Não és nada sou muito pesada 121 A Caddyfoí-se emborafoipara casa não consegues ver o estábulo da nossa casajá alguma vez tentaste ver o estábulo da A cu.Moras muito longe. o estábulo . não moras? És muito esperta para ires sozinha para a cidade de tão longe. Écomo dançar sentadojá alguma vez dançaste sentado? Ouvíamos a chuva.@. .alturas através da doce soli.Uo do estábulo. .@aJoi dela ela empurrou-me elajugiu Sou capaz de tepegar ao colo sim vês como sou Ob o sangue dela e o meu sangue Oh Continuámos a caminhar pela estrada coberta de poeira fina. pisando a poeira fina onde os lápis de sol riscavam sombras por entre as árvores. roçando-lhe com o alto da cabecita envernizada. com o cacete já meio fora do jornal. E de novo senti a proximidade da água a correr veloz e mansa no segredo das sombras. com pés silenciosos de borracha.Se não chegares a casa depressa ainda ricas sem o pão.

e aquela sensação da água. secretos. E ela sempre a fitar-me com aqueles olhos negros. por lugares secretos. veloz e mansa. . ou quase. Uma ponta do embrulho adejava à medida que ela andava. é mesmo nesta estrada que moras? Há mais de um quilómetro que não encontramos nenhuma casa. Como é que te agarraspara dançar é assim que te agarras para dançar Ob Eu costumava agarrar-me assim tu pensavas que eu não tinha força suficiente não pensavas Ob Ob Oh Oh Eu agarrava a costumar-me assim quero dizer ouviste o que eu disse eu disse que oh oh oA. e de novo piou. apenas sentida. Parei. .Onde moras tu. para lá dos raios de sol cada vez mais escassos. terminando como se abruptamente cortado por uma faca. um pio profundo e 122 desprovido de sentido. Não vês que vais apanhar por não teres voltado direitinha para casa com o pão? O pássaro piou outra vez. oh A estrada continuava. . batida por raios de sol cada vez mais oblíquos. miúda? Não será lá para trás. invisível. afectuosos.O teu pai vai ficar aflito. nem . de inflexáo.vazio de cavalos. deixando a descoberto o bico do cacete. intermitentes. estavam amarradas na ponta com tiras de tecido carmesim. As tranças dela. silenciosa e deserta. para a cidade? Havia um pássaro algures no arvoredo. rígidas e apertadas.Ouve lá.

tal como crescia a sensação da água. Rasguei-o e atirei-o para a berma da estrada.Ora bolas. Vá. Vamos seguir o rio. . gente a chapinhar. Através do telhado o telhado ouvía-se agora bem vi a Natalie a atravessar o jardim à chuva. Eu agarrava a costumar-me assim quero dizer eu costumava agarrar-me Ela estava entreportas a olharpara nós com as mãos nas ancas Tu empurraste-me a culpajoí tua também me magoei' Estávamos a dançar sentados aposto que a Gaddy não sabe dança r sentada Pára com issopára com isso Estava só a sacudir a terra da parte & trás do teu vestido Não meponhas em cima essas tuas mãos nojentas a culpajoi tua tu é que me empurraste estotífuriosa contigo Quero lá saber que ela estivesse a olharpara nósficajuriosa à vontade elafoí-se embora Começámos a ouvir gritos. . Quando tiver . Saímos da estrada.Estás a ouvi-los dentro de água. . .Se tivesse tempo. Saltei com quantajorça tinha para dentro do chiqueiro a lama toda amarela chegava-me à cintura continuei a chafurdar até me deixar cair e começar a rebolar . meio desfeito. Tinha a camisa encharcada e o cabelo. Isso mesmo encharca-te bem espero que apanhes umapneumonía vaípara casagrande vaca. Ficafuriosa. miúda? Não me raiava nada de estar a fazer o mesmo. miúda.Agora já não serve para nada. Por entre o musgo havia florinhas a crescer. vi um corpo castanho brilharpor um instante. Temos de voltar para a cidade.Metade do papel já estava todo pendurado.vista nem ouvida. muda e invisível.

Estava a abraçá-lajá te disse. Sabes o que é que eu estava afazer? Ela virou-me as costas eu pus-me de novo nafrente dela a chuva infiltrava-se na lama colava-lhe a combínafão ao cor po por baixo do vestido cheirava terrivelmente mal Eu estava a abraçá-la era isso o que eu estava afazer. Ela estava de costas voltadas eu dei a volta e coloqueí-me nafrente dela.Ela não vos faz mal.nho a olhar para vocês. . Gritaram e um deles soergueu-se agachado e saltou de repente entre os outros. cabeças e ombros. 123 Ela voltou-me as costas eu dei a volta e pus-me diante dela. a gritarem.tempo. Ela empurrou-me a mão eu sujei-a de lama com a outra mão nem senti . Pareciam castores. Ouvia o tic-rac do meu relógio. Quero U saber do que estavas afazer Ah não queres ah não queres vais ver vais ver se queres ou não. . a lama era mais quente do que a chuva mas cheirava horrorosamente mal. com a água a chegar-lhes ao queixo.apalmada molhada que ela me deu limpei a lama das minhas pernas e espalhei-a no seu corpo molhado e rígido que se contorcia ouvindo os seus dedos virem direitos à minha cara mas não os senti nem mesmo quando a chuva nos Ubíos começou a ter um sabor doce Eles viram-nos da água primeiro.Leve daqui essa miúda! Para que trouxe uma miúda para aqui? Vá-se embora! . Só queremos ficar aqui um bocadi.

Apenas uma rapariga.Corriam para nós a atirar.És apenas uma rapariga. observando-nos.O sol brilhava no musgo. pois não? . -. com as cabeças escorridas em fiada a despontar da água cintilante.Era o segundo rapaz quem falava.Vão-se embora! Fomo-nos embora.gritavam eles. . Atirem-lhes água.Vão-se embora! .Vamos sair da água e atirá-los a eles cá para dentro disse um outro.Molhem-nos! Molhem-nos! . rapazes! . como eu nunca tinha visto.-nos chapadas de água.Oiçam lá. . ela não vos faz mal. Eles juntaram-se perto da margem.Agacharam-se dentro de água. rapazes. e veloz. A água estava de novo silenciosa. Harvard! . escura e silenciosa. Pobrezinha. Saímos dali rapidamente. . .Estávamos deita. . . .dos na erva molhada ofegantes com a chuva a bater-me nas costas fria .Havia um trilho para124 leio à água. o que na ponte tinha sonhado com o cavalo e a carroça. atirando chapadas de água com as mãos. Pobre miúda. . Recuámos. Continuámos a andar. és uma rapariga. .Eu não tenho medo de rapariga nenhuma. pobrezinha. Cresciam florinhas pelo meio do musgo.Vai-te embora. e nisto precipitaram-se na nossa direcção. que se há-de fazer.Aquilo não é coisa para nós. aqui e ali. As cabeças reuniramse em molho. pequeníssimas. quase rasante. .

a correr pesadamente. E agorajá queres saberjá queres Santo Deus estamos num lindo estado não haja dúvida levanta. . . parámos. com o cacete meio desembrulhado apertado de encontro ao peito. .Ela pegou-lhe assim. . a segurar as calças enquanto corria. Pega-lhe assim. julguei que tivéssemos fugido a tempo.disse a garota.Olha o Julio . Tirei o lenço do bolso e tentei limpar o pão. e a água a subir a subirpelas costas curvadas a lama agarradiça epestilenta a vir à tonaiuntando-se à superficie como gordura numapanela ao lume.-te. agarrado a um pau. secreto e afectuoso. não tens? . Dói-te muito Claro que dói o que é que achas Tentei arrancar-te os olhos meu Deus cheiramos mesmo mal o melhor é ver se nos lavamos no riacho .Lá está a cidade outra vez. e um rapaz nu da cintura para cima.Vem com pressa. O melhor. miúda.e então vi outro homem. Começou a arder onde a chuva mepíngava na testa a minha mão vinha vermelha a escorrer água cor-de-rosa à chuva. já velho.Temos de o deixar secar..Está molhado. . olhámos para trás e vimo-lo a correr pelo trilho acima. Parecia que tinham andado ratos a comê-lo. mas a côdea começou a esfarelar e parei.. . Agora tens de ir para casa. Eu disse-te que te iafazer Quero U saber do que tufazes Nisto. negro.como balas. com a sombra a cruzar-lhe as pernas horizontalmente. ouvimos alguém a correr.mas ela apenas me respondeu com o olhar estático. e foi então que lhe vi bem a .

Estás preso.O senhor é o Anse.. . Porquê isto agora? . As mãos dele cravaram-se no meu rosto e o homem dizia qualquer coisa e tentava morder-me.. e os olhos. . mas os outros apartaram-nos e seguraram-no. Caímos no chão. O homem que me tinha puxado disse: . . não é? . .Aviso-te de que tudo o que disseres será usado contra ti disse ele. até que eles o puxaram para trás.Andava à sua procura. mudando a meio de direcção e saltando para o meio das árvores.Roubar-lhe a irmã? . quando ele se atirou a mim. pois se eu tenho andado.disse eu. acho eu. mas estava sem casaco. Dois homens agarravam-no. abraçada ao pão. . Na outra mão. de italiano. agarrado às calças. A garota chorava sem parar. . levando as roupas atrás de si.disse eu. rígidas como tábuas. O tal Julio debatia-se ainda.Eu matar ele . . agarrada ao pão. um pau nodoso e polido.disse o Julio. Sobre o colete.Essa agora. . E continuava a debater-se.dizia o homem chamado Julio. O rapaz seminu corria e saltava. arfava e estrebuchava. aos gritos por se ver manietado e tentava dar-me pontapés. .Chega. Caçámos-te.Soltem. A garota chorava. e alguém me puxou a tempo de ver uma outra personagem completamente nua contornar 125 a correr a plácida curva do caminho. . um escudo de metal.Trazia um colete.Tu roubares mia irmã .cara. bem seguro.

ofegante. mas sem resultado.disse eu.Roubar-lhe.Estou com vontade de te levar também preso. . .Deixe-me sentar um bocadinho. por assalto e briga. .disse eu. Roubarlhe a irmã dizia eu.Roubar-lhe a irmã? . ..Vens a bem ou é preciso algemas? .disse eu. com a cara . .Cala-te .disse ele..Eu p-paro j-já .Podes contar essa ao juiz. vê lá se fazes a miúda calar-se.. . Anse.Est-tou q-quase a p-parar.Oh .Olho nele.Faça qualquer coisa. só para eu encontrar alguém. . .disse eu.. Eli. .Estrangeiro dum raio . sem conseguir conter o riso. . Nisto comecei a rir.já te avisei .Vou a bem . ..depois voltou-se para mim: ..Ele está a preparar-se para te acusar de tentativa de violação com premeditação. mas o xerife meteu-se de permeio e engalfinharam-se os dois até os outros lhe prenderem outra vez os braços. O Anse soltou-o então. faça qualquer coisa. e eu esforcei-me por parar de rir. sob o olhar vigilante dos homens e da garota. Mais dois rapazes com os cabelos a escorrer e os olhos muito redondos saíram de detrás dos arbustos a abotoarem as camisas que já estavam com os ombros e os braços molhados. tu.disse o Anse. 126 Da outra vez foi ah ah ah ..disse eu. . . .Sentei-me.disse o Anse. O tal Julio libertou-se e atirou-se a mim outra vez. acho que o tipo é maluco. .

O Shreve contou-lhe? . O caminho seguia ao lon.disse ele. . . o cortejo já ia longo.Agora chega . e o Spoade no banco de trás.Desculpem . Bland.Vou tentar . Para que Iado vamos? Fomos pelo carreiro fora. E o Shreve. um reflexo de sol voando à solta.disse o Anse. até que.Mas é o Quentin! O Quentin Compson! . Passado um bocado já não tinha de apertar tanto a garganta. contraindo a garganta. Trazia vestidas as minhas calças de flanela . . e a água a correr veloz e mansa lá em baixo.Vê se te controlas. quando entrámos na rua principal. Apareceu outra borboleta amarela.sulcada de lágrimas e o cacete todo ratado. mas só o reconheci quando Mrs. os outros dois sempre de olho no Julio e a garota e os rapazes mais atrás. com a cabeça apoiada ao encosto. Â porta do armazém estava parado um automóvel.Quentin Compson! .Estou pronto. .Boa-tarde . dos grandes. era como as náuseas em estômago vazio. tirando o chapéu. Bland disse: . . Levantei-me.disse o Shreve. Não conhecia as duas raparigas. As pessoas assomavam-se às portas para nos verem passar e foram-se juntando mais rapazes vindos sabe-se lá de onde.disse Mrs. Lamento não ter recebido o seu recado.disse eu. Daí a pouco o riso dissipou-se. mas a minha garganta não queria deixar de rir. . Levantou-se.Vou preso. passou por cima das pernas delas e saiu do carro. .Preso? . . Atravessámo-la e a linha férrea também.E então vi o Gerald.disse eu.go do rio até à ponte.

disse o Anse.disse o Anse. pode vir ao e identificar o prisioneiro. . Só lamento não vos poder ficar a fazer companhia. Bem.Toca a vir também apresentar-se ao juiz. .disse o Shreve.disse Mrs. Que vem a ser isto? . Bland. .disse eu. .Faz qualquer coisa.Manda essa gente embora. . Ouvia-os a . .Conhece o prisioneiro? . O Gerald saiu do carro.disse o Gerald.E puxou-me pelo braço. Elas observavam-me por detrás dos véus com requintado horror. . Mas também não me lembrava de quantos queixos e duplos-queixos tinha Mrs.Assaltou algum galinheiro? Veja lá como fala! .Oiça lá. 127 Que fez ele. com o Anse e eu à cabeça. Gerald .. . Entre para o carro. . então muito boa-tarde . Está a obstruir a justiça. Bland. . Era uma bela procissão.Continuámos a andar. .disse ele.Oiça bem.que lhe assentavam como uma luva. . senhor guarda . .Estou contente por os encontrar a todos.. A rapariga mais bonita ia à frente com o Gerald.Quem é que foi preso? .Se tem alguma coisa a declarar.Gerald . Vamos.já o avisei de que está interferir com um representante da lei .disse o Shreve. O Spoade nem se mexeu. Quentin. Capitão? . Bland.disse Mrs. Não me lembrava de me ter esquecido delas.Se o conheço? .

.Oiça. o Anse mandou parar toda a gente. . ..disse o juiz. Entrámos para urna sala vazia.contarem-lhes o que se tinha passado e o Spoade a fazer perguntas. a cheirar a tabaco velho. obrigando-os a esperar do lado de fora.berrou-lhe o Julio. a olhar para mim com o seu olhar afectuoso e imperscrutável.O nome do prisioneiro . e nisto o Julio gritou qualquer coisa ofensiva em italiano e eu olhei para trás e vi a garota parada na berma. sim. No centro de um caixote de madeira cheio de areia havia um fogão de ferro. menos nós. . . Anse? . O homem abriu um calhamaço poeirento e puxou-o para si. todo em tijolo e debruado a branco. não foi. que nos olhava por cima de uns óculos também de aço. i uiz. se elevava um edifício de um só piso. -Apanhei.disse o Shreve. Seguimos pelo carreiro empedrado até à porta.Vai a casa . mergulhando uma caneta nojenta num tinteiro que continha algo parecido com pó de carvão. um pouco recuado. Por detrás de uma mesa toda riscada e pejada de papéis estava sentado um homem de grenha hirsuta.Apanhaste-o. Descemos a rua e virámos para um relvado onde. cor de aço. 128 .disse ele. na parede estava pendu1 rado um mapa já muito sumido e uma placa da cidade muito su a. Eu disse o meu . aí.lo ti mato de porrada. .

xerife . .Estejam calados . ..DeLixa-o fazer as coisas à maneira dele. O Julio saltou logo. e por fim para o Gerald. Escreveu-o sem pressas. Anse. O pai dele é pastor congregacionista. ordem .Doido? . .disse o Shreve.Oiça lá. Afinal é como ele as vai fazer.. hem? Não ver com meus olhos. . Penso que o xerife apurará que se tratou de um equívoco. . .. Ordem no tribunal . pá .. hem? Levantou os olhos do livro e fitou-me. Não pretendia fazer mal a ninguém. .disse o juiz.disse ele ao Spoade. . . mexendo a boca enquanto escrevia. Cala-te. Disse-lhe a idade. depois para o Spoade.Isso é mentira . Nós. . como os de um bode.Eles calaram-se..Ordem. Ele tomou nota.Nós conhecemos este homem.Sim.disse o juiz.Eles estão doidos. Senhor Juiz . . .disse ele. arranhando o papel com a caneta com excruciante determinação.disse o Anse. inclinando um pouco o pescoço para me olhar por cima dos óculos.disse o Spoade. Os seus olhos eram claros e frios. Ocupação. Idade .disse o Anse. O juiz olhou para o Shreve.nome.Se não se calarem põe-nos lá fora. Quem disser que este rapaz anda a raptar.Você nunca.Que ideia foi essa de vires para aqui raptar crianças? .Com que então Harvard.Não os apanhar. Também lhe disse. . . .disse o Spoade. erguendo a voz..disse o Shreve.Conhecem este rapaz? . Meretíssimo .disse o Shreve. .. É apenas um rapaz da província que anda na universidade.

procurar ali. . ..Bem.disse o Anse. acho que deves dar ao Julio alguma coisa por o teres feito largar .disse o juiz.Eu ter papéis. .Que te parece.disse o Anse. Correr muito. . O juiz olhou para trás. Uns rapazes que estavam a nadar é que nos disseram para que lado tinham ido. Nós não tirávamos os olhos dele.Onde está a miúda? 129 . Ouvi o Julio a coçar-se. o que andavas tu a fazer? . e homem dizer ver este dar comida a ela. .Hummin .Só quando o Julio se atirou ao prisioneiro.Hummin . meu rapaz.disse o Julio.Deixou o trabalho para a ir procurar? . .Ele mandou-a para casa .disse o Spoade. Eu correr. . .Expliquei-lhe. reconhece que a garota não sofreu maus tratos? . Senhor Juiz .Exactamente.Eu americano .Você aí. Foi até à janela e olhou lá para fora. .disse o juiz.disse o Julio. .disse o juiz. Eles iam só a passear à beira rio. O que é que ele há-de fazer? . Estrangeirada dum raio.Não sofrer ainda . Ela ir com ele.Hurrurim .É capaz de ser verdade . As crianças e os cães passam a vida atrás dele. Anse? . Procurar aqui.Ela estava assustada ou coisa parecida? . e ele sempre a fitar-me com os seus olhos pálidos e frios.Trata-se de um equívoco. mal encarado.Claro. . em direcção à cidade.

. Olhou para o Shreve por um instante.disse eu.Para quê? . . Dei um dólar ao Julio.disse o Spoade.disse o Shreve. . . .o trabalho.Hurrim . pelo menos.Cala-te . em riscas diagonais. até chegar à parede e subir por ela acima. . O reflexo amarelo da janela aumentava pelo chão fora.Um dólar.Caso encerrado . . .Tenho . As senhoras estão à nossa espera. com a grenha hirsuta e os óculos na ponta do nariz.Sim.disse o Spoade. . menino. .Caso encerrado . .disse o juiz. O juiz olhou para o Shreve com complacência.Dá-lhos.. .Bem .Quatro quilómetros. A poeira rodopiava à luz. Só passadas duas horas é que o apanhámos.disse ele. . Dei-lhe os seis dólares. senhor ..disse eu.U'L@sse o Shreve. e depois para mim.Seis dólares disse o juiz. e vamos embora. Matutou por uns instantes. não é assim. acho eu. Tens aí seis dólares? .Se é tudo.disse ele sem elevar a voz. .Pede um recibo assinado como prova de que pagaste esse dinheiro. Acho que ele está livre. .Quanto? . E nós a olhar para ele.Pede um recibo . -A que distância daqui o encontraste? .Oiça . 130 .Seis dólares. Senhor Juiz? O juiz nem para ele olhou.Seis dólares? disse o Shreve.

disse o Gerald. . mas ser levado a pé para a cadeia por um polícia. O que é que eles julgavam que ele tinha feito. O que foi. . Boa-tarde.disse Mrs..disse o Spoade. . Spoade? . Muito 6brigado.Que raio de ideia foi essa de vires para aqui meteres-te com esta italianada? . Quando íamos a sair. É natural que um rapaz se meta em encrencas. . Bland. . mas calou-se de seguida. Bland estava a conversar com elas.Raios me partam. Eram Miss Holmes e Miss Daingerfield e deixaram de lhe prestar atenção para olharem para mim com aquele seu horror requintado e curioso. violenta.disse o Shreve. menino.. acho que daqui em diante é melhor ficares por Boston quando quiseres andar atrás de criancinhas. Então.Anda embora . Senhor Juiz.Ele estava a preparar-se para raptar aquele garota . com os olhos castanhos inquiridores e um pouco frios.Vamos embora .. Gerald? .disse o Shreve.disse o Spoade. .És parvo ou quê . a voz do Julio elevou-se de novo. pegando-lhe no braço.Que diria a sua mãe.Nada . .Elas já devem estar impacientes. Mrs. O Spoade olhava para mim. . com os véus puxados sobre os narizinhos muito brancos e os olhos brilhando fúgidios e misteriosos por baixo dos véus.Quentin Compson . hem.Pode lá ser.

.Cale-se. .disse Mrs. com a cabeça de novo encostada para trás. até a polícia o apanhar com a boca na botija. e as raparigas respiraram fundo com audível inquietação. Bland.E a melhor é que o Quentin nos enganou o tempo todo disse o Spoade. . Quentin. 131 Bland.Pode lá ser .disse Mrs. sacudida.muito suja. mas eles apanharam-no a tempo . atravessámos a ponte e passámos pela casa onde estava pendurado o vestido rosa berrante. entrou para o carro e pusemo-nos em marcha.disse o Spoade. . . vai contar-me toda esta embrulhada disse Mrs.Nós a pensarmos que ele era aquele menino exemplar a quem se pode confiar uma filha.disse Mrs. Descemos a rua. Spoade . Absurdo . . Contei-lhes. Entra. O Shreve e eu sentámo-nos nos dois bancos rebatíveis. Por que não foi buscá-lo? Mr. O Gerald deu à manivela. Tencionava ir buscá-lo.Isto é o que acontece por não ter lido o meu recado. . mesmo coisa destes labregos do norte. Quentin. mas a voz sumiu-selhe na garganta. Bland. mas não voltei ao quarto. fitou-me por um momento. MacKenzie disse-me que lhe tinha dito que estava lá.Agora. . com o Shreve todo encolhido e furioso no seu banquinho e o Spoade ao lado de Miss Daingerfield. Bland.Pois é.

Bland quem o dizia. Era Mrs. e as nossas sombras corriam pelo muro fora. mesmo 132 assim. não conseguia parar e percebi que. se me esforçasse demasiado. ficou a sobrar um lugar e convidámo-lo para vir connosco. mas ela não respondeu. Estava de braços cruzados a olhar em frente por cima do boné do Gerald. passámos por um bocado de jornal amachucado atirado para a berma da estrada. Acenei-lhe. a pensar nessa tarde e no pássaro e nos rapazes a nadar. acabava por chorar. Só a cabeça se voltou lentamente quando o carro passou. tinha-nos deixado ficar à espera. seguindo-nos com o seu olhar imperturbável. Mr.O Shreve não disse nada. ..Se não fosse Mr. MacKenzie. sussurrando com as suas vozes doces de raparigas . e eu comecei a rir outra vez. MacKenzie. até que. mesmo assim. Mas. e pensei então em como tinha achado que não podia ser virgem. E depois. com tantas a passearem à sombra. Era o boné usado pelos automobilistas em Inglaterra. Agora já não estava a segurar o pão e a cara dela parecia ter sido esfregada com carvão. Sentia o riso na garganta e pus-me a olhar para as árvores banhadas pela luz do entardecer. Depois passámos rente a um muro. Passámos por a tal casa e por mais três e ainda por um quintal onde vimos a garota junto ao portão. É um prazer tê-lo connosco. quando ele disse que não tinha voltado. passado algum tempo.

disse o Spoade. então não valia nada. . quando o arranjam .disse o Spoade.pelos recantos sombrios. A mão dele tocou-me outra vez no joelho. E outra vez eu afastei o joelho.Se aquela cesta incomoda o Quentin. Trouxe uma cesta com vinho. e as palavras que diziam e o perfume e os olhos que eu sentia sem os ver. falando dele as pás dos remosfazendo-o luzir à medida que . Mr.E cerveja também .Quentin? Ele estará mal disposto. Shreve? os seusjoelhos e o seu rosto virado para o céu o aroma da madressilva no seu rosto e no seu pescoço .Bebem. entre nós até a 1. e nisto Mrs. como umafina camada de tinta cor de liNsfalando dele metendo-o .Pois não. Sou canadiano . e se não valia nada. Mr. quem era eu afinal. porque penso que os jovens devem beber vinho.disse o Shreve. MacKenzie? . o avô do Gerald já alguma vezfizeste isso já alguma vezfizeste isso Napenumbra cinzenta uma luzínha as mãos dela entrelaçadas .disse o Shreve. embora o meu pai. Bland disse: .magem dela se desfocar mas não com a escuridío .e a mão sapuda do Shreve tocou-me no joelho e o Spoade começou a falar e eu desisti de tentar travar o riso. MacKenzie. puxe-a para o seu lado.Tu não és um cavalheiro . . mas se era assim tão simples de fazer.Eh.

. Só houve um homem a quem deu essa receita. Nem o velho Wilkie ele deixava tocar-lhe lembras-te Gerald colhia-a ele sempre para fazer o seu julep.disse o Spoade.Já alguma vez beberam perfume? .e o avô do Gerald apanhava sempre a sua hortelãpimenta antes do pequeno-almoço.disse Miss Daingerfield.disse o Spoade. 1 Era tão meticuloso com o seu julep como uma velha solteirona. enquanto ainda estava orvalhada.disse o Shreve. medindo todos os ingredientes escrupulosamente segundo uma receita que sabia de cor. e esse homem erafizemos sim como podes ígnorá-lo se . correr com a besta de dois dorsos e ela desfocada nos remos cintilantes correr com osporcos de Eubeleu correr e copular com quantos Caddy Eu também não .Acho-o uma terra maravilhosa. com uma mão elepodia levantá-la e deitá-la sobre o ombro e correr com ela correr Correr . .Adoro o Canadá .Não . não conheço muitos 133 havia em mim algo de terrívelalgo de terrívelPaí eu cometijá alguma vezfizeste isso Nós não nós nãofizemos isso pois não .avançavafazendo luzir o boné de automobilista estilo inglês e o tempo que se esvaía e eles os dois confundidos um no outropara sempre ele tinha an" no exército tinha matado outros homens .

mas dizia sempre que uma cesta de vinho em que livro leste isso foi naquele em que a indumentária de remo do Gerald cor de vinho era complemento indispensável da cesta de piquenique de todo o cavalheiro que se preza tu amava-lgs Caddy tu amava-los Quando eles me tocavam morria num minuto ela estava ali de pé e no outro ele estava a gritar e a puxar-lhe pelo vestido foram para o vestíbulo e subiram as escadas a gritar e ele a empurrá-la pela escada acima até à porta da casa de banho e ela encostou-se à porta com o braço à frente da cara a gritar e a tentar empurrá-la para dentro da casa de banho quando ela velo cear o T. P estava a dar-lhe de comer e ele começou .esperares dígo-te comofoífoí um crime nós cometemos um crime tenível que não se pode esconder tupensas quepode mas espera Pobre Quentin tu nuncafizeste isso pois não pois eu vou-te contar comofoí e vou contar ao Pai e então tem de serporque tu amas o Pai e então temos de sair de casa entre a maledicência e o horror e a chama purificadora hei-de fazer-te dizer que ofizemos sou maisforte do que tu hei-defazer-te aceitar que ofizemos tu pensaste que eram eles mas era eu ouve eu enganeí-te era sempre eu tu pensavas que eu estava dentro de casa 1.nunca deixou que o convencessem a beber vinho.Mpregnada da maldita madressilva tentando não pensar no baloíço nos cedros nos impulsos secretos na respíraçãofechado a beber a respiração descomandada o sim Sim Sim sim .

(N. Refresco feito com hortelã-pimenta e uma bebida alcoólica.outra vez a princípio só a choramingar até ela lhe tocar e ele então pôs-se a gritar e ela ali com os olhos como ratos acossados e eu corri para as trevas cinzentas havia o cheiro da chuva e os 1. da T) 134 aromas de todas as flores no ar húmido e quente e a interminável cantilena dos grilos na relva que me acompanhava com uma pequena ilha itinerante de silêncio a Fancy observavame por detrás da cerca sarapintada como uma manta pendurada num estendal e eu pensei cos diabos aquele negro esqueceu-se de lhe dar de comer outra vez e corri pela encosta abaixo naquele vácuo de grilos como um sopro sobre um espelho ela estava deitada na água com a cabeça na areia a água dava-lhe pelas ancas havia um pouco mais de luz na água a saia dela ensopada ondulava-lhe à volta das ancas ao sabor das águas propagando ondas sem destino que se renovavam a si próprias no se@ próprio movimento eu estava na margem e sentia na água aromas de madressilva o ar parecia impregnado de madressilva e do cantar dos grilos tanto que se sentia na carne o Benjy ainda está a chorar não sei não não sei pobre Berijy sentei-me na margem a erva estava húmida mas não muito depois encontrei os meus sapatos todos molhados sai já da água estás maluca mas ela não se mexeu a cara dela era uma .

mancha branca emoldurada pelo cabelo na mancha de areia agora sai ela sentou-se depois levantou-se a saia batia-lhe no corpo ela pingava trepava pela margem com as roupas a ade. P. o estava a meter na cama tu ama-lo a mão dela velo eu não me mexi deslizou-me pelo braço e ela colocou a minha mão contra o seu peito o seu coração pulava não não ele forçou-te da outra vez ele forçou-te a fazeres isso deixa-o ele era mais forte do que tu e ele amanhã eu mato-o juro mato-o o pai não precisa de saber por enquanto só depois e nessa altura tu e eu ninguém precisa de saber podemos usar o dinheiro dos estudos podemos anular a minha matrícula Caddy tu odeia-lo não odeias ela segurou-me a mão contra o peito dela o coração pulava virei-me e agarrei-lhe o braço Caddy tu odeia-lo não odeias ela levou-me a mão até à garganta o seu coração agora martelava nela pobre Quentin a cara .jar sentou-se por que não a torces queres apanhar uma constipação sim a água redemoinhava e gorgolejava na língua de areia e mais além na escuridão entre os salgueiros do lado de lá do vau a água enrugava-se como um pano retendo ainda um pouco de luz como só a água sabe fazer ele atravessou todos os oceanos à volta do mundo depois ela falou dele com as mãos crispadas sobre os joelhos molhados 135 a cara atirada para trás na luz cinzenta o aroma das madressilvas havia uma luz no quarto da mãe e no do Benjy onde o T.

dela estava virada para o céu baixo tão baixo que todos os cheiros e todos os sons da noite pareciam ter-se juntado ali como debaixo de uma tenda especialmente o da madressilva tinha entrado na minha respiração cobria-lhe a cara e o pescoço como tinta o seu sangue pulsava na minha mão eu estava apoiado no meu outro braço mas ele começou a abanar e a ceder e eu tive de respirar fundo para extrair algum ar do aroma-espesso e cinzento das madressilvas sim eu odeio-o a ponto de morrer por ele já morri por ele morro por ele mais e mais cada vez que isto acontece quando levantei a mão sentia ainda os vincos emaranhados deixados pelos troncos e as ervas a arderem-me na palma da mão pobre Quentin ela deitou-se para trás apoiando-se nos braços e com as mãos a abraçarem os joelhos isto nunca tu fizeste pois não o quê fiz o quê 136 aquilo que eu aquilo que eu fiz sim sim muitas vezes com muitas raparigas então comecei a chorar a mão dela tocou-me outra vez e eu chorava encostado à sua blusa húmida e então ela deitada de costas a olhar por cima da minha cabeça para o céu vi uma orla branca sob as íris abri a minha navalha lembras-te do dia em que a Vóvó morreu quando tu te sentaste dentro de água com os culotes sim encostei-lhe o fio da navalha à garganta não leva mais de um segundo um segundo .

apenas e depois posso ser eu posso ser eu e então consegues fazê-lo sozinha sim a lâmina é suficientemente longa o Benjy já está na cama sim não leva mais que um segundo tentarei não te fazer doer muito está bem fecha os olhos não assim tens de apertar com mais força põe aí a mão mas ela não se mexeu os seus olhos estavam arregalados a olhar para o céu por cima da minha cabeça Caddy lembraste de como a Dilsey ralhou contigo por teres os culotes sujos de lama não chores eu não estou a chorar Caddy aperta então não vai queres que eu sim aperta põe lá a mão não chores pobre Quentin mas eu não conseguia parar ela segurava-me a cabeça de encontro ao seu peito molhado e rígido e eu ouvia o seu coração bater com força mas compassadamente agora sem martelar e a água a gorgolejar entre os salgueiros na escuridão e ondas de madressil.va elevando-se no ar o meu braço e o ombro estavam torcidos sob o meu corpo 137 o que é que estás tu a fazer os músculos dela contraíram-se e eu senteí-me é a minha navalha deixei-a cair ela sentou-se que horas são não sei ela pôs-se de pé eu tacteei no chão à nossa volta voume embora deixa-a ficar para casa sentia-a ali sentia o cheiro das roupas molhadas sentia-a ali está algures por aqui deixa-a ficar a-manhã logo a encontras anda espera um segundo hei-de encontrá-la estás com medo cá está .

ela estava mesmo aqui o tempo todo ah estava vamos levantei-me e comecei a caminhar subimos a encosta com os grilos a sussurrarem à nossa frente é engraçado como podemos estar sentados e perder qualquer coisa e ter de correr tudo à procura dela cinzento estava tudo cinzento com o orvalho a reflectirse no céu cinzento e as árvores a perder de vista maldita madressilva quem dera que parasse costumavas gostar chegámos ao cimo e continuámos em direcção às árvores ela veio de encontro a mim depois afastou-se um pouco a vala era uma negra cicatriz na erva cinzenta ela veio de encontro a mim olhou para mim e afastou-se chegámos à vala vamos por este lado para que vamos ver se ainda consegues ver os ossos da Nancy há muito tempo que não venho ver e tu estava coberta de lianas e de silvas negras era aqui mesmo que estavam não sabes se os estás a ver ou não pois não 138 pára Quentin anda a vala apertava-se fechava-se ela virou-se para as árvores pára Quentin Caddy pus-me de novo à frente dela Caddy pára agarrei-a tenho mais força do que tu ela estava imóvel rígida inflexivel mas calada não vou lutar pára o melhor é parares Caddy não faças isso Caddy não vai servir de nada não sabes que não vai larga-me a madressilva envolvia-nos envolvia-nos ouvia os grilos à nossa volta a observarem-nos ela recuou passou por detrás de mim e .

dirigíu-se para as árvores volta para casa não precisas de vir comigo eu continuei por que não voltas para casa maldita madressilva chegámos à cerca ela passou de rastos para o outro lado eu passei também de rastos quando me levantei e endireitei ele vinha a sair de entre as árvores para a clareira cinzenta na nossa direcção caminhando na nossa direcção alto espalmado e silencioso movendo-se como se estivesse parado e ela foi ter com ele este é o Quentin estou molhada estou toda molhada não és obrigado se não quiseres as sombras deles uma sombra a cabeça dela erguia-se acima da dele no céu mais alto as cabeças deles não és obrigado se não quiseres depois já não eram duas cabeças a escuridão cheirava a chuva a erva molhada e folhas molhadas a luz cinzenta caindo como chuva o aroma das madressilvas elevando-se em ondas de humidade eu via a cara dela uma mancha sobre o ombro dele ele entrelaçava-a com um braço como se ela não fosse maior que uma criança estendeu-me a mão 139 prazer em conhecê-lo apertámos as mãos depois ficámos ali os dois e a sombra dela elevava-se esguia ao lado da sombra dele uma sombra só que vais fazer Quentin andar por aí acho que vou pela mata até à estrada e volto pela cidade comecei a andar boa-noite Quentin parei que queres na mata as rãs das árvores cheiravam a chuva no ar soavam como caixas de música difíceis de pôr a tocar e a madressilva vem cá .

que queres vem cá Quentin voltei para trás ela pôs-me a mão no ombro encostando a sua sombra à mancha da sua cara encostando-se do alto da sua sombrarecuei cuidado vai para casa eu não estou com sono vou dar uma volta espera por mim no riacho vou dar uma volta Não demoro espera por mim estás a ouvir não eu vou pela mata nem olhei para trás as rãs das árvores não me ligaram nenhuma a luz cinzenta era como musgo invadindo as árvores mas não chovia passado algum tempo voltei para trás para a orla da mata assim que lá cheguei comecei a sentir o cheiro das madressilvas outra vez via as luzes reflectidas no relógio do tribunal e o clarão da cidade o quadrado projectado no céu e os salgueiros negros ao longo do riacho e a luz nas janelas do quarto da mãe e ainda a luz no quarto do Benjy e baixei-me e atravessei a cerca e corri até ao outro lado do prado correndo pela erva cinzenta entre grilos e madressilvas sentindo-me cada vez mais forte e o cheiro da água e então vi a água da cor da madressilva cinzenta deitei-me na 140 margem com a cara encostada ao chão para não sentir o cheiro da madressilva e já não o sentia e deixei-me ali estar a sentir a terra entrar-me pela roupa dentro a ouvir a água e passado um bocado já não me custava tanto respirar e deixei-me ficar ali deitado a pensar que se não mexesse a cabeça não tinha de respirar fundo e sentir o cheiro e depois já não .

pensava em nada e ela veio pela margem fora e parou não me mexi é tarde vai para casa o quê vai para casa é tarde está bem a roupa dela restolhava não me mexi deixou de restolhar vais voltar como te disse ou não eu não ouvi nada Caddy está bem vou se tu quiseres eu vou sentei-me ela estava sentada no chão abraçando os joelhos com as rriãos vai para casa como te mandei está bem farei tudo o que quiseres tudo sim ela nem sequer olhou para mim agarrei-lhe no ombro e sacudi-a com força cala-te sacudi-a cala-te cala-te está bem ela levantou o rosto e percebi que não estava sequer a olhar para mim via-lhe a orla branca levanta-te puxei-a ela estava inerte obriguei-a a pôr-se de pé agora vai o Benjy ainda estava a chorar quando saíste vai atravessámos o riacho avistámos o telhado depois as janelas mais altas agora ele já está a dormir Tive de parar e trancar o portão ela continuou na luz cinzenta 141 cheirava a chuva mas a chuva não vinha e o aroma das madressilvas começava a sentir-se para lá da cerca do jardim ela penetrou na sombra ouvia os seus passos e então Caddy parei nos degraus não ouvia os seus passos Caddy Ouvi os seus passos e a minha mão tocou na dela nem quente nem fria apenas inerte as roupas um pouco húmidas ainda e agora ainda o amas sem respirar a não ser muito lentamente como uma respiração distante então Caddy ainda o amas não sei fora da luz cinzenta as sombras das coisas .

eram como coisas mortas em água estagnada quem dera que estivesses morta ah sim vens agora estás a pensar nele agora não sei diz-me no que estás a pensar diz-me pára pára Quentin cala-te cala-te estás a ouvir o que eu te digo cala-te calas-te ou não está bem eu paro senão fazemos muito barulho eu mato-te estás a ouvir vamos até ao baloiço aqui eles ouvem-nos eu não estou a chorar estás a dizer que eu estou a chorar não agora cala-te senão acordamos o Benjy vai tu para casa agora vá lá eu sou não chores eu sou má não há nada que possas fazer há uma maldição sobre nós a culpa não é nossa cala-te vá lá e agora vai deitar-te não podes obrigarme há uma maldição sobre nós finalmente vi-o ele ia precisamente a entrar no barbeiro ele olhou cá para fora eu aproximei-me e fiquei à espera há dois ou três dias que ando à tua procura querias falar comigo 142 vou falar contigo enrolou rapidamente um cigarro em dois tempos e acendeu o fósforo no polegar aqui não podemos falar e se nos encontrássemos noutro lugar vou ter contigo ao teu quarto estás no hotel não isso não é lá grande ideia conheces aquela ponte sobre o ribeiro ali para aquele lado atrás de sim já sei à uma hora está bem está dei meia volta e afastei-me estou-te muito agradecido olha parei e olhei para trás ela está bem ele parecia feito de bronze a camisa era de caqui ela agora só me tem a mim estarei lá à uma .

P para selar o Prince para a uma hora ela passava a vida a vigiar-me quase não comia veio também que vais fazer nada será que já não posso ir dar um passeio a cavalo quando me apetece vais fazer alguma coisa o que é nada da tua conta puta puta o T.hora ela ouviu-me dizer ao T. R tinha o Prince à espera no portão lateral já não preciso dele vou dar uma volta a pé desci a rampa e saí o portão meti pela vereda e desatei a correr antes de chegar à ponte vi-o debruçado do parapeito o cavalo estava escondido na mata ele olhou para mim por cima do ombro depois voltou-se de costas não levantou os olhos até eu chegar à ponte e parar tinha um bocado de casca de árvore na mão e partia bocadinhos que atirava para a água Vim dizer-te que saias da cidade ele olhou para mim foi ela que te mandou dizer isso eu é que te estou a dizer não é o meu pai nem mais ninguém sou 143 eu que o digo ouve guarda isso para depois o que eu quero saber agora é se ela está bem eles não a têm aborrecido isso é coisa com que não te deves preocupar e então ouvi-me a dizer tens de sair da cidade até ao pôr-do-sol ele partiu um bocadinho da casca e deitou-o à água depois pousou a casca sobre o parapeito e fez um cigarro corri os tais dois gestos rápidos e acendeu o fósforo no varão da ponte que vais tu fazer se eu não me for embora mato-te e se julgas que não o faço só por achares que sou um miúdo o fumo saiu-lhe em dois jactos das narinas e espalhou-se-lhe pela cara .

que idade tens comecei a tremer as minhas mãos estavam agarradas à balaustrada pensei que se as escondesse ele ia perceber porquê tens até ao pôr-dosol ouve lá miúdo como te chamas o Benjy é o idiota não é e tu és o Quentin a minha boca disse-o não fui eu dou-te até ao pôr-do-sol Quentin limpou a cinza do cigarro escrupulosamente ao parapeito muito devagar e com todo o cuidado como se estivesse a aparar um lápis as minhas mãos tinham deixado de tremer. ouve não vale a pena levar isso tão a peito a culpa não foi tua miúdo teria sido outro qualquer já alguma vez tiveste uma irmã já não mas elas são todas umas desavergonhadas assentei-lhe em cheio com a mão aberta resistindo ao impulso de chegar com ela fechada à cara dele a mão dele avançou tão depressa como a minha o cigarro foi pelos ares tomei balanço com a outra mão e ele agarrou-a também antes de o cigarro tocar na água prendeu-me os dois pulsos só com uma mão e levou a outra mão à cova do braço por baixo do casaco por detrás dele o sol descia e um pássaro cantava algures para lá do sol ficámos a olhar um 144 para o outro enquanto o pássaro cantava e ele soltoume as mãos ouve lá tirou a casca da árvore do parapeito e atirou-a para a água ela ficou a flutuar a corrente levou-a sempre a flutuar a mão dele estava pousada no parapeito segurando frouxamente na .

pistola esperámos agora já não lhe acertamos pois não ia a flutuar o arvoredo estava silencioso ouvi o pássaro outra vez e a água depois a pistola ergueu-se ele nem fez pontaria e a casca desapareceu depois havia só bocados espalhados a boiar ele acertou em mais dois desses bocados de casca de árvore que não eram maiores que um dólar de prata acho que já chega puxou o tambor para fora e soprou para dentro do cano uma réstia de fumo dissipou-se ele recarregou as três câmaras fechou o tambor estendeu-me a pistola de coronha virada para mim para quê nem vale a pena tentar fazer melhor pelo que me disseste precisas dela dou-ta porque já viste o que ela pode fazer vai para o diabo mais a tua pistola agredi-o ainda tentava acertarlhe já muito depois de ele estar a segurar-me nos pulsos mas eu continuava a tentar era como se estivesse a vê-lo através de um vidro multicor sentia o sangue a pulsar e depois vi o céu outra vez e os ramos projectados nele e o sol a baixar brilhando por entre eles e ele a agarrar-me obrigando-me a ficar de pé querias acertar-me não ouvia nada o quê sim como te sentes estou bem soltame ele soltou-me encostei-me ao parapeito sentes-te bem deixa-me em paz estou bem achas que consegues chegar a casa vai-te embora deixa-me em paz 145 é melhor não tentares ir a pé leva o meu cavalo não .

vai-te embora podes pendurar as rédeas no arção e deixá-lo ir ele volta para o estábulo deixa-me em paz vai-te embora e deixa-me em paz encostei-me ao parapeito a olhar para a água ouvi-o desamarrar o cavalo e afastar-se e daí a pouco já não ouvia mais nada a não ser a água e depois o pássaro outra vez saí da ponte e fui sentarme encostado a uma árvore com a cabeça encostada também à árvore e fechei os olhos um raio de sol bateu-me em cheio nos olhos e eu cheguei-me mais para o outro lado ouvi o pássaro outra vez e a água e então foi como se tudo fugisse para muito longe e já não sentia nada sentia-me quase bem depois de tantos dias e tantas noites em que o aroma das madressilvas se elevava da escuridão até ao meu quarto onde eu tentava adormecer mesmo quando passado algum tempo percebi que ele não me tinha atingido que ele não tinha mentido por ela também e que eu tinha acabado de desmaiar como uma donzela mas isso também já não tinha importância e deixei-me ficar ali sentado encostado à árvore com o sol a roçar-me na cara como folhas amarelas na ponta de um ramo a ouvir a água e a não pensar em nada absolutamente em nada e mesmo quando ouvi o cavalo a aproximar-se a toda a pressa continuei sentado com os olhos fechados a ouvir os cascos varrerem a areia sibilante e o som dos passos em corrida e as mãos dela duras a correr idiota idiota estás ferido abri os olhos às mãos dela corriam-me pela cara .

pensei que ele tivesse ela segurava-me a cara entre as mãos e batia-me com a cabeça na árvore pára pára com isso agarrei-lhe os pulsos acaba com isso já disse eu sabia que ele não se atrevia eu sabia que não ela tentava dar-me com a cabeça na árvore 146 disse-lhe para ele não falar mais comigo disse-lhe ela tentava soltar os pulsos solta-me pára com isso eu tenho mais força do que tu agora chega deixa-me tenho de o apanhar e perguntar-lhe solta-me Quentin solta-me por favor solta-me de repente ela desistiu os pulsos ficaram moles posso sim posso dizer-lhe posso fazê-lo acreditar no que eu quiser quando eu quiser posso sim Caddy ela não tinha amarrado o Prince e ele podia voltar para casa se lhe desse na gana ele acredita em mim quando eu quiser e tu ama-lo Caddy achas que não ela olhou para mim então os seus olhos ficaram vazios a olhar para mim como olhos de estátua vácuos cegos e serenos põe aqui a mão na garganta pegou na minha mão e encostou-a à garganta agora diz o nome dele Dalton Ames senti o primeiro afluxo de sangue pulsando com batímentos acelerados diz outra vez a cara dela estava virada para as árvores onde o sol se escondia e onde o pássaro diz outra vez Dalton Ames o sangue vinha em ondas a pulsar a pulsar na minha mão Pulsou .só soube para que lado era quando ouvi a pistola não sabia onde estavam não pensei que ele e tu fugissem assim viessem assim não.

Mas não fazia grandes progressos. .Cuidado . .disse o Shreve. Ouvia o Shreve a dar à bomba. depois voltou com a bacia onde flutuava uma bola de crepúsculo com uma orla amarela como um balão a esvaziar-se e.Tentou tirar-mo da mão. . . depois. fiz-lhe alguma mossa? .Pelo menos tiro o maior . já está quase a parar. Isso já não sei .disse ele.E eu. molhei o trapo outra vez. E eu.disse eu. .Eu faço isso.Quem me dera ter outro limpo. . quebrando o balão.Deixa estar isto encostado ao olho. O filho da puta .Precisas de pôr um bife nesse olho .disse o Shreve. . por que não seguras? . Tentava ver nela o meu rosto. Diabos me levem se amanhã não tens o olho todo negro. Eu posso ter olhado para o lado nessa altura ou fechado os olhos . e o golpe do dedo começou a arder de novo.disse eu. .disse eu. mas a minha cara ficou fria e quase morta. fiz-lhe alguma mossa? . Toma.assim por muito tempo. 147 . O trapo manchou a água.Tens de o mandar limpar.Pode ser que lhe tenhas acertado.disse o Shreve. . e os meus olhos também.Cuidado .Eu mesmo faço. Vá segura-o em cima do olho.disse o Shreve.Já parou? .Como está o meu colarinho? . .espremi o lenço e tentei limpar o sangue do colete. o meu tosto reflectido.Dá cá o lenço. .Não sei . .

e o céu era verde a escorregar para o dourado por detrás da empena da casa e uma pluma de fumo elevava-se da chaminé no ar sem vento. 148 . . . Dói-te o olho? .disse o Shreve. . Tudo estava quedo e em tons de violeta. inquiridores.disse eu. Era um homem a encher um balde. . Ouvia uma vaca algures a mugir.Então. e atravessou o pátio.disse eu.Sinto-me bem . Que ideia foi essa de lutares com ele? Parvalhão.Ora. depois andas à pancada. O Spoade saiu da casa. e a olhar para nós por cima do ombro que bombeava. Ouvi de novo a bomba. mas não olhou cá para fora. olhando para mim. Olhou para mim com os seus olhos frios. Só lamento não ter pelo menos sangrado um bocado para cima dele. .Está bem. menino .disse o Shreve.Deixa lá o fato e põe o lenço no olho. Diabos me levem se tu não és perito em arranjares um monte de sarilhos só para te divertires.Vamos .Filho da puta . deixa lá o fato.ou qualquer coisa.Estou bem .disse ele. pareceu-me vê-lo a falar com a mulher. Ele deu-te uma tareia.Vamos a ver se arranjo maneira de limpar o colete. Uma mulher passou pela porta. Como é que passas as férias? A deitares fogo às casas? . Amanhã de manhã mando o teu fato para limpar. Como te sentes? . . Primeiro rapto. Arrasou com vocês todos.

.disse ele.Está bem assim . . . . .disse o Shreve. quando ela te vir.E não estava .Diz-me cá uma coisa .Bom. na cidade .Ela está a dizer das boas ao Gerald por te ter posto a sangrar. . Acho que desceste um pouco na sua consideração por não saberes reter melhor o teu sangue.Claro .disse eu. . Mergulhei o pano outra vez e encostei-o ao olho.Molha o lenço outra vez . Sabia sim.O que é que Mrs.É isso mesmo . . . o melhor é cometer adultério com alguém que seja.disse eu. é o sangue que a incomoda.disse o Spoade. ou então embebedarmo-nos e lutar com ele.Mas eu não sabia que o Quentin estava bêbado. .E tu já sabias disso quando o atacaste? .disse o Shreve. . Onde é que ele aprendeu a lutar? .Por que é que lhe . conforme os casos.disse eu.Ah sim? .O Spoade continuava a olhar para mim. Ela não tem nada contra uma boa luta. .Eu estou bem . E tu vais ouvir das boas..Queres que mude a água? .disse o Shreve. por teres consentido. Como te sentes? .Desde quando é preciso estar bêbado para bater naquele filho da puta? .Não sei . .Se não podemos ser um Bland.Tem ido treinar ao ginásio do Mike todos os dias.disse o Spoade.Só queria arranjar qualquer coisa para limpar o colete. eu acho que tinha de estar muito bêbado para tentar. . Bland disse? .disse eu. . depois de ver o estado em que o Quentin ficou.Acho que sim.

disse o Slireve . . Só com uma diferença: eu agarrava na cesta do vinho que ela trouxe e dava-lhe com ela na cabeça .Não sei. Tipo Leda no bosque. A falar da beleza do corpo e do triste fim a que conduz e da má sorte das mulheres que não podem fazer mais nada senão passar a vida deitadas de costas.Só me lembro de te ver dar um salto de repente e perguntares "Já tiveste uma irmã? Já?".Ora. mas parecia 149 que não estavas a ligar a nada do que se dizia até ao momento em que deste um salto e lhe perguntaste se ele tinha alguma irmã. atiraste-te a ele. O filho da puta. A falar-nos duma gaja qualquer corri quem combinou encontrar-se num baile em Atlantic City e que deixou pendurada porque resolveu ir para o hotel dormir e os remorsos que sentiu por estar ali na cama e ela no pontão à espera dele. Eu também lhe dava. Reparei que não tiravas os olhos dele.bateste? O que foi que ele disse? . Não sei por que foi. para elas não perceberem bem do que está a fidar. ele tinha começado com os seus trocadilhos. Não sei se estás a ver. Tudo subentendidos e mentiras e uma data de histórias sem sentido. Tu sabes como é: como ele faz sempre que há raparigas. a gemer e a chorar pelo cisne. . e quando ele disse que não.a gabar-se das suas conquistas. sem ninguém para lhe dar o que ela queria. como de costume .

.Anda cá.disse o Shreve. . .disse o Spoade.Ele devia voltar para eles saberem que luta como um cavalheiro . . Nós vamos para a cidade. Vá.Voltem para o piquenique. .disse o Spoade -. tu é que sabes.Eles que vão para o diabo . . 150 .disse o Spoade.Ainda não é finalista. Menino.Vocês não precisam de vir .E o que é que eu lhes digo? .disse eu.disse o Shreve. . frio e inquisidor.Será que estou com muito mau aspecto para voltar lá e resolver a questão? . . que sabe apanhar como um cavalheiro.Neste estado? .Para que é que eu lhe bati? .Não lhe digas nada . . . isso é que era bom .disse o Shreve.Santo Deus . . . vamos até à cidade.disse o Slireve. estás de meter medo.Olha o campeão das damas .E por que não? Mas está bem . . . .Com o fato todo sujo de sangue? .Digolhes que tu e o Quentin também andaram à pancada? .disse eu.Pedir desculpa.disse ele. .Ou melhor.Ele não pode andar por aí em mangas de camisa disse o Shreve. tu não estás só de espantar. . Eles que vão para o diabo.disse o Spoade.como se fosse minha.Diz-lhe que a .Olhou para mim.

disse o Shreve. Está tudo bem.disse ele -. dos confins do crepúsculo e eu parei e fiquei à escuta. o que é que tu vais fazer? .Não . Quentin.Atravessei o pátio em direcção à estrada. e antes de chegar ao cimo ouvi um carro. Vamos. O Shreve parou e olhou para mim.Eu não volto para cidade. Eles ficaram a olhar para mim.disse eu. Nisto. Digam-lhes que eu não quis voltar porque tinha o fato todo sujo. . A luminosidade aumentava à medida que eu subia. . e eu ainda conseguia ver o automóvel parado na berma da estrada. mas via o Slireve parado na estrada em frente à casa. Havia um caminho empedrado até à estrada. Dei a volta à casa. Por detrás dele. Seguia pela encosta abaixo..Eu dou com ela. Vou perguntar àquela mulher onde é a estação interurbana mais.Sabes onde fica a estação? . sempre a ouvir o automóvel.Ouve lá . Peçam desculpa por mim a Mrs. De lado os seus óculos pareciam pequenas luas amarelas. Acenei-lhe e desci para o outro lado da colina. em direcção à mata. Tu e o Spoade voltem para lá.. já não via o automóvel. Voltem vocês para o piquenique. Bland por lhe ter estragado o passeio. A gente amanhã vê-se. . . .opção dela expirou ao pôr-do-sol.Nada. . Parecia vir muito longe. . a olhar para o alto da colina. a luminosidade amarelada parecia uma demão de tinta no telhado. Subi a encosta. a casa desapareceu no arvoredo e .Não vou ainda para a cidade.Então que vais fazer? . Até amanhã.

O comboio não demorou.. uma luminosidade como se o tempo tivesse realmente parado por momentos. Meti por ela. com o sol suspenso sob a linha do horizonte. As pessoas viraram-se para olharem para mim e eu procurei um lugar. Entrei. Depois continuei. embora ainda se pudesse ler o jornal quando a estrada meteu pelo meio das árvores. a luz continuava inalterada. 151 Era mais estreita e escura do que a estrada. não conseguia ver mais nada a não ser a minha própria cara e uma mulher do outro lado da coxia com um chapéu no alto da cabeça com uma pena partida. como se fosse eu que mudava e não a luz. a luz foi-se desvanecendo lentamente. mas quando desembocou no apeadeiro do comboio. o ar parecia mais brilhante. mal começou a diminuir. enquanto fomos por entre as árvores. Esperei até o ouvir de novo. Arranjei um do lado esquerdo... mais um cartaz de madeira. diminuindo sempre. e então passámos pelo cartaz onde o velho estivera a comer . mas quando saímos das árvores vi outra vez o crepúsculo. como se tivesse caminhado toda a noite na vereda e saísse agora dela para o amanhecer. Depois da vereda.eu parei no meio da luz verde e amarelada a ouvir o ruído do carro cada vez mais próximo. Logo a seguir encontrei uma vereda. sem no entanto perder a luminosidade. O comboio levava as luzes acesas e. até que.. cessou completa-mente. À medida que descia a encosta.

foi mais ou menos por aqui. mansa e veloz. Quando as árvores estavam em flor na Primavera e estava a chover o cheiro espalhava-se por toda a parte não se notava tanto nas outras vezes mas quando chovia o cheiro entrava pela casa dentro com o crepúsculo ou chovia mais à hora do crepúsculo ou então era qualquer coisa que a luz tinha mas cheirava sempre mais . e então íamos brincar lá para fora para debaixo do caramanchel das glicínias. penetrando no crepúsculo. e a sensação da água mais além. Nos dias de chuva quando a Mãe não se sentia tão doente que tivesse de ficar sentada à janela costumávamos ir brincar para a chuva. mas não da madressilva. sentia-lhe o cheiro. Mas se a Mãe estava levantada começávamos por ficar a brincar no alpendre até ela dizer que estávamos a fazer muito barulho. O odor da madressilva era o mais triste de todos. e a estrada continuava banhada pelo crepúsculo. O das glicínias era um. Sentia a água para lá do crepúsculo.coisas de dentro de um cartucho. Quando a Mãe ficava na cama a Dilsey vestianos roupas velhas e deixava-nos ir para a chuva porque dizia ela a chuva nunca fez mal aos catraios. com uma corrente de ar persistente a entrar pela porta aberta até se espalhar por todo o interior transportando o odor do Verão e da escuridão. E lembro-me de tantos. Aqui foi onde vi o rio pela última vez esta manhã. Depois o comboio continuou. acho eu.

Às vezes conseguia adormecer repetindo o mesmo vezes sem conta até que depois de a madressilva se misturar com o outro cheiro o conjunto de odores passava a simbolizar a noite e o desassossego e eu parecia estar ali deitado nem acordado nem a dormir estendendo o olhar ao longo de um corredor de penumbra acinzentada onde todas as coisas estáveis se tinham tornado sombras todas elas paradoxais tudo o que eu tinha feito sombras tudo o que eu tinha sentido e sofrido tomava formas visíveis medonhas e perversas sem referências @cias próprias inerentes à negação do significado que deviam reafirmar pensando que era e não era ao mesmo tempo quem não era não era quem. Oh Benjamin. É assim que eles entram na vida dos brancos sem mais nem menos. um bafo húmido e persistente. Infalível refúgio onde o conflito se apaziguava silenciava reconciliava. Sentia o cheiro dos meandros do rio para lá do ocaso e vi o derradeiro reflexo supino e tranquilo repousar sobre o areão como estilhaços de um espelho. Benjamin filho de. infiltrações negras . Benjamin o filho da minha velhice feito refém no Egipto. Como ele se sentava em frente àquele espelho. cintilantes como borboletas volteando ao longe. A corrente de ar cheirava a água.çavam a acender-se no ar pálido e cristalino. A Dilsey dizia que era por a Mãe ter vergonha dele. e então mais além as luzes come.152 nessa altura e eu na cama a pensar quando é que isto acaba quando é que isto acaba.

disse eu. Um bordel cheio delas em Memphis veio para a rua em pelota durante um transe fanático. Sim Jesus Oh Jesus homem bom Oli aquele homem tão bom. . Tive de ficar em pé na plataforma da rectaguarda. Isto é. .O melhor é ir lá para frente e sentar-se .Há lugares à frente . com a sombra dentada dos ulmeiros .Vou sair já . repetindo-se. . lágrimas quando não há razão para elas. O comboio parou. .disse eu. Foram precisos três polícias para dominarem uma delas. 153 .que deixamos factos brancos isolados por um instante numa verdade inabalável como se na lâmina de um microscópio. verdes e vermelhas . Desci antes de chegarmos aos correios. Atravessámos o rio.cintilavam no ar limpido. onde as luzes .Prefiro ficar aqui. A estas horas eles deviam estar sentados por aí em qualquer lado. Olhei lá para a frente.São só mais dois quarteirões. erguendo-se em arco no espaço lentamente.amarelas. . a ponte. O outro comboio que chegou vinha cheio.disse o condutor. Saí e eles a olharem para o meu olho. o mais das vezes apenas vozes que riem quando não há nada que dê vontade de rir. Não vi lugares vagos do lado esquerdo. muito alta.Não vou para longe . e então comecei a ouvir o meu relógio e a ver se ouvia as badaladas e apalpei a carta para o Shreve por baixo do casaco.disse o condutor. São capazes de apostar par ou ímpar no número de pessoas presentes num funeral. entre o silêncio e o vazio.

dizendo um Quarto para as quantas? Sim. o colarinho. Bland ia precisar de um outro oficial à ordens. passando por mim e seguindo. um Quarto para as quantas. para ficar bem estendido. Tirei o meu relógio do bolso e fiquei a ouvi-lo a trabalhar. A gravata também estava estragada. e abri a lata da gasolina. para logo assentar. E então o Spoade disse que iam não sei onde. Bland rasguei-a deitei os bocados para o cesto dos papéis e tirei o casaco. Encontrei a gasolina no quarto do Shreve. mas tudo estava deserto: só as escadas que curvavam e se perdiam nas sombras ecos de passos na geração da tristeza como poeira leve roçando nas sombras que os meus pés despertavam como pó. Vi a carta antes mesmo de acender a I uz. que voltariam tarde e que Mrs. As nossas janelas estavam às escuras. E então quando ia a virar para o pátio da Universidade soaram as badaladas e eu segui em frente enquanto as notas me chegavam em ondas como numa lagoa. sem saber que ele não podia sequer mentir. Entrei e avancei encostado à parede do lado esquerdo. encostada a um livro em cima da mesa para eu a ver bem. deitei o colete em cima da mesa. . mas depois as negras. a gravata e a camisa. Mas eu tê-lo-ia visto e ele não consegue apanhar outro carro antes de uma hora porque já passa das seis. A entrada estava deserta. Dizer que ele era meu marido.a brincar na minha mão. Talvez ele dissesse que a mancha de sangue era a que Cristo usava. levemente. Depois pouseio na mesa com o mostrador para cima peguei na carta de Mrs. o colete.

e por fim já não sabia se aquilo ainda era a nódoa ou apenas a gasolina. A gasolina tinha feito o golpe começar a arder de novo e por isso quando fui lavar-me pendurei o colete nas costas de uma cadeira e baixei o fio do candeeiro para a lâmpada secar o molhado. irritante.das a sua cara e a minha só v4@o vi será que vi não é adeus ao cartaz ondejá .154 o primeiro carro para a cidade uma rapar@ga Rapariga precisamente o que ojason nãopodia suportar o cheiro da gasolina apô-lo mal disposto e depois maisfurioso do que nunca porque uma rapari@a Rüpar@ga não tinha nenhuma irmã mas o Benjamin o Benjaminfilho do meu arrependimento se eu ao menos tivesse uma mãe parapoder dizer Mãe Mãe Gastei imensa gasolina. Lavei a cara e as mãos. Vesti-me. o colarinho e a gravata. meti lá os que estavam sujos de sangue e fechei o saco. Estava eu a escovar o cabelo quando deu a meia hora.Lç da escuri@o duasjanelas chocam na rígidaJuga desapareci. excepto suponho eu vendo apenas a sua cara na escuridío emfuga nada depena quebrada a menos quejossem duas mas não duas assim indo para Boston na mesma noite e depois a minha cara a cara delepor um instante no ruído do choque quando saindo 1lumínad.. Mas faltavam ainda os três quartos. mas até fiessa altura eu lhe sentia o cheiro pestilento. se contraísse um pouco as narinas. Depois abri o saco e tirei a camisa.

respirando devagar outra vez para a escuridão. um lugar escuro onde apenas entrava um único raio de luz iluminando oblíquo dois rostos saídos da sombra.ninguém está a comer a estrada vazia na escurídio no siléncio aponte arqueando-se no silêncio a escuridío dorme a água mansa e veloz não é adeus Acendi a luz e fui para o meu quarto. Fui até à janela as cortinas vieram lentamente da escuridão tocar-me na cara como a respiração de alguém que dorme. O Pai nem se mexeu continuava sentado ao " dela pegando-lhe na mão os gritos martelavam cada vez mais longe como se no siléncio. Sabes o que eufazia sejosse rei? ela nunca era rainha nem fada ela era sempre rei ou gigante ou general entra155 vapor ali dentropuxava-os cáparafora e dava-lhes uma bela sova Estava rasgado. levando à boca o lenço perfumado de cân/ora. não houvesse lugarpara eles Quando eu era pequeno havia uma gravura num dos nossos livros. Depois de eles irempara cima a Mãe recostou-se na cadeira. E então a madressilva invadia-o. Tinha de lá voltar até a masmorra ser a Mãe em pessoa ela e o Pai a subirem para a penumbra de mãos dadas e nós perdidos algures cá em baixo sem um raio de luz. Assim que apagava a luz e tentava adormecer começava a entrar-me em ondas pelo . Ainda bem. longe da gasolina mas ainda lhe sentia o cheiro. desfeito. deixando o toque.

acordando os passos perdidos para batalhões de murmúrios no silêncio. O corredor continuava deserto de pés da geração da tristeza em busca de água. a porta. o trono da contemplação.quarto. o colete em cima da mesa. porém os olhos cegos cravavam-se como dentes não descrentes mas duvidando até da ausência de dorperna tornozelojoelho o desenrolar longo invisível efluído da balaustrada da escada onde um passo emfalso na escuridão mergulhava no sono Pai Mãe Caddy)ason MauryPorta eu não tenho medo só Mãe Pai Caddyjason Maury chegaram tão longedormindo que eu adormecerei depressa quando euportaPortaporta Vazios também estavam os cachimbos. Tinha-me esquecido do vidro. para a gasolina. as paredes plácidas e manchadas. as porcelanas. mas podia as mãos podem ver dedos refrescados ín visíveis colo de cisne o nde menos do que a vara de Móisés o vidro toca a medo batendofino no colofresco batendo refrescando o metal o vidro cheio a transbordar refrescante o vidro os dedos desprendendo sono deixando o travo do sono molhado no longo silÊncio da garganta voltei para trás. mais forte cada vez mais forte até me obrigar a respirar fundo para conseguir inspirar algum ar até ter de me levantar e ir às apalpadelas como quando era pequeno as mãos vêem tocam a mente moldam invisível a porta Porta agora as mãos nada vêem O meu nariz via a gasolina. o relógio contando a sua furiosa mentira sobre o tampo escuro da mesa. E depois as cortinas respirando da . pelo corredor.

Terá sido um ano que a Caddy disse. Um som belo e mortal trocaremos a pastagem do Benjy por um som belo e mortal. Nonfui. No Mississípí ou no Massacliussetts. E depois já não serei. O Shreve tinha uma garrafa no baú. eu não preciso do dinheiro do Shreve vendi a pastagem do Benjy e já posso morrer em Harvard a Caddy disse nas cavernas e nas grutas marinhas balançando em paz ao sabor das marés que por Harvard ser uma palavra que soa tão bem quarenta acres não é um preço elevádo demais para um som tão belo. Pai. Sum.escuridão para cima da minha cara. Não sou. e Mrs. Vai dar-lhe para muito tempo porque ele não o pode ouvir a não ser que o possa cheirar assim que ela apareceu à porta ele começou a chorar pensei sempre que fosse um desses finórios da cidade por causa de quem o Pai estava sempre a meter-se com . Ná. Eu fui. Non Sum. Vamos vender a pastagem do Benjy para que o Quentin possa ir para Harvard e eu possa apertar os meus ossos uns contra os outros cada vez mais.chussetts ou no Mississípi. No Massa. Jason Ríchmond anunciam o 156 Três vezes.9 vais sequer abri-la Mr. Dias. Não vais sequer abri-Ia casamento da sua filha Candace a bebida ensina-nos a confundir osfins com os meios Eu sou. Um quarto de hora ainda. O Shreve tem uma garrafa no baú. Vou morrer daqui a. Bebe. Eu não fui. Algures um dia ouvi os sinos. soltando o sopro no meu rosto. Fui. De todas as palavras as mais tranquilizantes. As palavras mais tranquilizantes.

disse 157 que o Jason ainda era o tesoureiro mas o Pai disse por que é que o Tio Maury havia de trabalhar se ele o meu . As mulheres só usam os códigos de honra de outraspessoas épor ela gostar tanto da Caddy ficava lá em baixo mesmo quando estava doente para o Pai não se meter com o Tio Maury à frente do Jason o Pai dizia que o Tio Maury era muito fraco em mitologia clássica para fazer o papel do imortal menino cego devia ter escolhido o Jason porque o Jason teria cometido o mesmo erro que o Tio Maury em pessoa e não um que lhe valesse um olho negro ainda por cima o filho dos Pattersons era mais pequeno do que o Jason eles vendiam os papagaios por um níquel até surgir o problema financeiro o Jason arranjou outro sócio ainda mais pequeno ou pelo menos suficientemente pequeno porque o T. P. pensei que eram camisas do exército até que de repente percebi que ele já não estava a pensar em mim de modo nenhum como uma possível fonte do mal mas que era nela que pensava quando olhava para mim olhava para mim através dela como através de um vidro multicor por que te metes na minha vida não sabes que não serve de nadapensei que tinhas deíxado isso a cargo da Mãe e dojason a Mãe terá mesmo mandado o Jason espiar-te eu não o teria feito.ela antes. vendedor ou coisa parecida. Não reparei nele mais do que em qualquer outro desconhecido.

calma e contida. Eu costumava imaginar a morte como um homem parecido com o Avô um amigo um amigo muito especial como achávamos que era a secretária do Avô em que não podíamos tocar nem sequer falar alto dentro da sala onde ela estava imaginava-os sempre juntos algures a toda a hora à espera de que o velho Coronel Sartoris descesse e se viesse sentar com eles à espera num local elevado para lá dos cedros o Coronel Sartoris estava ainda num local mais elevado a olhar sabe-se lá para onde e eles à espera de que ele acabasse de olhar e descesse o Avô estava de uniforme e nós ouvíamos o murmúrio das suas vozes para lá dos cedros eles não paravam de falar e o Avô tinha sempre razão. serenamente peremptória. Os três quartos começaram a bater.pai podia sustentar cinco ou seis negros que não faziam nada senão ficarem sentados a aquecerem os pés no fogão ele podia muito bem dar cama e comida ao Tio Maury de vez em quando e emprestar-lhe algum dinheiro de modo a manter intacta a crença do Pai dele na origem divina da sua estirpe e a Mãe punha-se a chorar e a dizer que o Pai estava convencido de que a família dele era melhor do que a dela que ele fazia pouco do Tio Maury para nos ensinar a fazer o mesmo ela não via que o Pai nos estava a ensinar que todos os homens são apenas acumuladores bonecos cheios de serradura varrida do monte de desperdícios para onde todos os bonecos anteriores foram atirados deitados fora jorrando serradura por que chaga de que lado que não foi por mim que morreu. . Soou a primeira nota.

Só de imaginar a mata de cedros me parecia ouvir murmúrios desejos secretos cheirar o bater do sangue quente sob a carne selvagem e dis.esvaziando o silêncio paulatino abrindo caminho à seguinte e foi tudo se ao menos as pessoas pudessem substituir-se umas às outras para sempre por esse processo fundirem-se como labareda que rodopia por um instante e logo se apaga na fresca e eterna escuridão em vez de ficar ali estendido tentando não pensar no baloiço de rede até todos os cedros adquirirem aquele odor pungente e defunto de perfume que o Benjy tanto detestava.ponível ver nas pálpebras vermelhas os porcos enlouquecidos 158 copulando furiosamente e atirando-se ao mar acopulados e ele nós temos de estar alerta para ver o mal ser praticado mas não por muito tempo nem é preciso tanto tempo para um homem de coragem e ele achas que a coragem e eu sim senhor tu e ele não cada homem é árbitro das suas próprias virtudes quer isso seja ou não considerado corajoso é mais importante do que o acto propriamente dito do que qualquer acto ou não poderiamos estar a falar a sério e eu tu não acreditas eu estou a falar a sério e ele eu acho que és demasiado sério para me dares motivo para preocupações senão não te terias sentido impelido a lançares mão do expediente de me dize@es que tinhas cometido incesto e eu eu não estava a mentir eu não estava a mentir e ele tu querias sublimar um pedaço de loucura humana perfeitamente .

natural transformando-a num horror e depois exorcisála com a verdade e eu era para a isolares do mundo do som para que ele tivesse forçosamente de nos fugir e então o seu som seria como se não tivesse nunca existido e ele fez isso tenta tu obrigá-la a fazer isso e eu eu tinha medo eu tinha medo de que ela pudesse e depois de nada teria servido mas se eu te pudesse contar nós fizemo-lo teria sido assim e então os outros não seriam assim e o mundo rugiria e ele e agora este outro tu agora também não estás a mentir mas continuas cego para o que te vai lá dentro para aquela parcela da verdade universal a sequência dos acontecimentos naturais e as suas causas que ensombram a fronte de todo o homem até mesmo dos benjys tu não estás a pensar na finitude estás a contemplar uma apoteose na qual um estado de espírito temporário se tornará simétrico se elevará acima da carne e tomará consciência tanto de si próprio como da carne não te dispensará propriamente nem sequer morrerás e eu temporário e ele não suportas pensar que um dia já não te magoará assim finalmente estamos a chegar ao âmago da questão tu pareces encarar o facto meramente como uma experiência que te embranquecerã o cabelo da noite para o dia por assim dizer sem te alterar minimamente a aparência tu não o farás nestas condições será um jogo e o mais estranho é que o homem que é concebido por acidente e cujo sopro de vida mais não é do que um molde fresco já calibrado corri dados jogados contra si se recusa a enfren159 .

mo mês e ele e então lembrax-te-ás que a tua ida para harvard foi o sonho da tua mãe desde que nasceste e nenhum compson jamais desiludiu uma senhora e eu temporário será melhor para mim para todos nós e ele cada homem é árbitro das suas virtudes mas que .te podes ir para o norte para o maine por um mês se fores poupado até consegues seria bom sentires o dinheiro tem sarado mais chagas que jesus e eu suponho eu imagino aquilo em que tu acreditas hei-de imaginar lá na próxima semana ou no próxi.tar aquela etapa final que ele sabe de antemão que tem de enfrentar sem recorrer a expedientes que podem ir da violência à mentirola que nem a uma criança consegue enganar até que um dia no auge do desencanto ele aposta tudo sem ver nenhum homem o faz à primeira fúria de desespero remorso ou luto fá-lo só quando percebe finalmente que nem o desespero nem o remorso nem o luto são particularmente importantes para o negro jogador de dados e eu temporário e ele é tão dificil acreditar pensar que um amor ou uma dor são obrigações da bolsa compradas sem objectivo e que têm um prazo de reembolso quer o queiramos quer n o e que são reembolsadas sem aviso e substituídas por outra qualquer emissão em que os deuses estiverem empenhados no momento não tu não o farás enquanto não acreditares que talvez até mesmo ela não valesse todo esse teu desespero e eu eu nunca o farei ninguém sabe o que eu sei e ele penso que o melhor seria ires para cambridge imediatamen.

Vesti o casaco. mal se notava. Entrei na sala e acendi a luz. dirigindo-me de novo para a porta. Nisto 160 lembrei-me de que não tinha escovado os dentes.nenhum homem passe a outro homem receitas de bem estar e eu temporário e ele era a palavra mais triste de todas nada mais existe no mundo não é o desespero até ao fim do tempo não é sequer o tempo até dizermos foi A última nota soou. e eles haviam de pensar que eu era um estudante de Harvard a fazer-se passar por finalísta. apesar de tudo. e no espelho a nódoa não se via. A carta para o Shreve estalou por baixo do tecido e eu tirei-a do bolso de dentro examinei o endereço e meti-a no bolso lateral. Por fim deixou de vibrar e na escuridão de novo se fez silêncio. e tive por isso de abrir o saco outra vez. Vesti o colete. Encontrei a escova dos dentes fui buscar a pasta do Slireve e escovei os dentes. Sequei a escova o mais que pude voltei a guardá-la no saco e fechei-o. Antes de apagar a luz olhei em volta para ver se faltava mais alguma coisa. e vi que me tinha esquecido do chapéu. Depois levei o relógio para o quarto do Shreve meti-o numa gaveta fui ao meu quarto buscar um lenço lavado dirigi-me para a porta e levei a mão ao interruptor. Tinha de passar pelos correios e fazer por encontrar alguns deles. Não tanto como o meu olho. O cheiro a gasolina era agora muito ténue. Tinha-me também esquecido de o .

que eu não posso.E não pode. tem de sair da escola.Como é que quer começar agora..Mas levá-los a pensar que. Ficou pensativa. Mas não creio que ela falte às aulas só para fazer qualquer coisa que possa fazer em público . ..Se ela andar pelas ruas. ela devia era estar lá em baixo na cozinha.digo eu. .escovar. Seis de Abril de 1928 Quem nasce puta morre puta. .Que queres dizer com isso? . . Cá para mim. Disse-me no começo das aulas que este ano tinham acabado com elas. que ela já tem dezassete anos? Agora é tarde. . tem muita sorte se a única coisa que a preocupa é ela faltar às aulas.Sim . mas o Shreve tinha urna escova e não era preciso abrir o saco outra vez. seis negros que nem se conseguem levantar de uma cadeira a não ser que tenham uma panela cheia de pão e carne para os equilibrar.digo eu. Eu nem sabia que ela tinha uma caderneta.. em vez de estar lá em cima no quarto a pintar-se toda à espera que seis negros lhe preparem o pequeno-almoço. E agora o Professor Junkin telefona-me e diz-me que se ela falta mais uma vez que seja.diz ela.Mas levar a Direcção da escola a pensar que eu não tenho mão nela. . Cá para mim.. Como é que ela faz? Para onde é que ela vai? Tu passas o dia na cidade.Bem .digo eu. neste momento. pois não? Nunca tentou fazer nada dela .digo eu. E diz a Mãe: . tu deves vê-Ia se ela andar pela rua. . é o que eu digo. .

é só dizer e não se meter. .diz ela.digo eu. .diz ela. .Então ela começou a chorar outra vez e a dizer como os seus próprios filhos.Só respondi à sua pergunta. Quer que fale com ela? . posso deixar a loja e arranjar um emprego onde possa trabalhar à noite.Não me referia a ti .Há trinta anos que não me diz outra coisa. 163 . .digo eu.Eu sei que não passo de um problema e de um fardo nas tuas costas . Eu já tinha obrigação de saber isso .Nunca tive tempo para isso. .digo eu. Se quer que eu faça alguma coisa dela.Achas que serve de alguma coisa? . .Não quero dizer nada . . se for lá abaixo meter-se na conversa precisamente quando eu estiver a começar . . Assim posso vigiá-la durante o dia e pode incumbir o Berijy do turno da noite. . Eu tinha de trabalhar.Claro .Lembra-te de que ela é da mesma carne e do mesmo sangue que tu . se revoltavam contra ela e a amaldiçoavam. a carne da sua carne.diz ela. .Não. Sempre que eu tento.Para que perguntou? .Tu és o único que não me envergonha. Mas claro que se quer que eu a siga e veja o que ela anda a fazer. Nunca tive tempo para ir para Harvard ou matar-me de tanto beber.diz ela.digo eu. Até o Benjy já devia saber.. vem logo meter a colherada e ela fica a rir-se dos dois. a chorar agarrada à almofada.digo eu. .

.O seu sistema não deu grandes resul.diz ela. .Ouvir-te falar assim do teu falecido pai . Eu sei que. .digo eu -.digo eu. .Tenho medo que percas a cabeça .Bem .diz ela.digo eu. ou que não sou capaz de a impedir. .diz ela.digo eu. Faça como quiser.tados. . .Ela começou a chorar outra vez.. como toda a gente. mesmo os Smittis ou os Jones. acho que ele tinha o direito de se enganar de vez em quando. Mas eu não tenho o meu escritório e tenho de ir para aquilo que tenho. ou sim ou não. tenho de ir trabalhar.Está bem . . 164 . exactamente nisso que estou a pensar. Jason. .Está bem . tinhas o teu próprio escritório na cidade e um horário digno de um Bascorrib. seja lá quem for.Tenho medo que percas a cabeça . E um bocadinho de sangue também. Quer que eu faça alguma coisa ou não? Diga lá.. . se o teu pai tivesse podido adivinhar.diz ela. .Mas alguma coisa tem de ser feita . porque tu és um Bascorrib. Sim.diz ela.Bem . apesar do teu nome.Está bem. a única coisa a fazer é tratá-las como pretos. Quer que lhe diga alguma coisa? . se eu pudesse.Claro .Não posso deixar as pessoas pensarem que é com o meu consentimento que ela falta à escola e anda aí pelas ruas. . .Eu sei que te matas a trabalhar por nossa causa . Sabes bem que.Então não digo nada. Quando as pessoas se comportam como pretos.digo eu... para ser como eu gosto. carne.

Agora pare de chorar. . . . Entrei. Desci as escadas.Como foste capaz.Só meia chávena. .diz ela.Nã siô .Jason . . Tá a preparar-se pa chegá atrasada outra vez. .diz ela.diz ela. pronto . Eu trato dela.Está bem. Afastou os cabelos da cara. uma menina de dezasset'anos.Jason . . Como foste capaz de me deixares com este peso às costas.Por favor.diz ela de trás da porta.Vamos já tratar disso. 165 . Dilsey . Não tem nada que tomá mais duma chávena. . e foi então que a ouvi na cozinha. .Ela olhou para mim. .diz ela.Não vou fazê mais. .Mas não percas a cabeça . ou não? digo eu.Ou será que hoje é feriado? .Saí e fechei a porta. .Lembra-te de que ela não passa de uma criança. .diz ela. . .diz a Dilsey.Não está não .Suponho que esse seja o teu uniforme escolar. Vá vestir-se pá escola. Não respondi. com a chávena na mão. Por que não a fecha em casa todo o dia ou então não ma entrega e deixa de se preocupar? .A minha própria carne .Pousa a chávena e chega aqui um instante .digo eu.Jason .digo eu. pa ir pá cidade co Jason. a chorar. .Não . Não vou perder.Pronto. sem contá co que Miss Cdline diz. . E eu digo: . Estava a tentar convencer a Dilsey a dar-lhe mais uma chávena de café. Segui pelo corredor fora.digo eu.digo eu. . Não estava ninguém na casa de jantar. deixandolhe um ombro a desco.berro.Assim vai adoecer. com o quimono descaído.

Põe a chávena no lava-loiça e vem cá. sempre a olhar para mim.Pá bates? . Que horas são.Olha que te bato. esvoaçando em torno do seu corpo. . que se partiu no meio do chão. Olhei para ela.Ai bates? .diz a Quentin.diz a Dilsey. . Puxei-a pelo braço.Vá .Para quê? . . A Dilsey veio a coxear atrás de nós.digo eu. . Ela desistiu de olhar para mim.diz ela.Qu@é que vai fazê agora.Quando passarem os dez segundos.diz ela.diz a Dilsey. Agarrei-lhe também a mão e prendi-a como se faz a um gato bravo. A Quentin estava encostada à mesa..disse ela. . .digo eu. . ouviste . . mas eu tinha-lhe o braço bem agarrado. Dilsey? . Jason . O quimono desapertou-se. . Deu um puxão com força. assobia. quase nu.tar. .digo eu. mas eu virei-me e com um pontapé fechei-lhe a porta na cara. .Então. . Dilsey.digo eu.Então.Tu podes julgar que passas por cima de mim como fazes com a tua avó e todos os outros ..Ela esboçou uma bofetada. A Dilsey levantou-se da cadeira. . . Tens dez segundos para pousares a chávena como te mandei. Só meia chávena. Pôs-se a olhar para a Dilsey. a apertar o quimono. Jason! .Ai bates? . Jason? .Mas estás muito enganada.Não te quero aqui.digo eu. Arrastei-a para a casa de jan. .Solta-me .É o bates! .. po. Ela largou a chávena.

mas agora vou mostrar-te quem manda em ti.Agora .diz ela. Debatia-se. senão eu via-te. mas eu tinha-a bem agarrada. diz lá.digo eu .diz ela. . O que é que pretendes? Ela não respondeu. e olhava para mim.quero saber o que pretendes com essa história de faltares às aulas.diz ela. . .Não tens nada com isso .Espera só até eu tirar o cinto e já vais ver . com os olhos negros desmedidamente abertos.Quero saber para onde vais quando faltas à escola digo eu. . falsificares a assinatura dela na caderneta e matá-la de desgosto.Estúpido. A Dilsey apareceu à porta.Intrometido dum raio! .digo eu. mentires à tua avó.digo eu.Segurei-a com uma mão e ela desistiu de lutar e olhou para mim. .digo eu. Intrometido! .diz ela.Vá. .. puxando o cinto. . . Com quem andas então? Vais para a mata com algum desses parvalhões de cabelo embrilhantinado? É para aí que vais? . .Então. 166 .. traçando-o muito. Mas a Dilsey agarrou-me o braço. .Eu digo-te quem é intrometido . . sem olhar para trás. o que pretendes? .Que vais fazer? .Sai já daqui como eu mandei .digo eu.Na rua não andas.. Apertava o quimono junto ao pescoço. .Podes meter medo a uma velha. Jason . Aproximei-me e agarrei-lhe o pulso. .Larga-me. Ainda não se tinha pintado e a cara dela parecia que tinha sido polida com um pano de polir espingardas.diz ela.

nem uma negra meio morta. Soltei-a.diz ela.Jason .Não s'afiija.digo eu. .Dilsey.digo eu. 167 Enquanto eu aqui tivé ele não lhe toca nem cum dedo. . Nesta altura. .Jason .Eu sei que mais ruindade qu'a sua não existe .diz ela. .Dilsey .Está bem .diz a Quentin. bata-me . aos trambolhões.diz ela. quero a minha mãe. -A Mãe desceu as escadas.E não me largava o braço. pronto .Dilsey . Ela caiu para trás desamparada. . Ela meteu-se entre nós dois. o cinto soltou-se e eu dei-lhe um empurrão e libertei-me.Eu não deixo ele batê-lhe . de encontro à parede. Jason! Não tem vergonha? . .Pare.diz a Dilsey.Pronto. Era tão velha que só a custo se mexia. tentando agarrar-me outra vez. Vá.diz ela. menina. -Julgas que não sou capaz? .Dilsey! . Eu não sou nem uma velha.diz ela.. . .diz ela . já tinha obrigação de saber que ela não ia deixar de se meter. Nisto. Ela foi aos tropeções chocar com a mesa. Mas não penses que levas a melhor comigo. Grande cabra digo eu. sempre a segurar o quimono.Dilsey. . A Dilsey foi ter com ela. .Batam'antes a mim .diz ela. . . .Vamos ter de adiar a nossa conversa. a cambalear. .s'o que quê é batê em alguém. ouvi a Mãe nas escadas. Mas não fazia mal: era preciso alguém na cozinha para comer os restos que os novos deixam ficar.

Pronto . volte pa cima.Não sabe que não tá com forças pa se levantá? Vá. Saí pelas traseiras para tirar o carro de marcha atrás.Vá. Depois continuou a descer.diz a Dilsey. E correu para a porta. vá-se embora . Depois o estrondo da porta.Dilsey . _ Julguei que já te tinha dito para pores esse pneu na maia do carro . Saí. quê qu@ela comece? Vou já.diz a Mãe das escadas.diz a Dilsey.Tou a ir.diz o Luster. . encaminhando-se para a porta.Negra velha dum raio! . . . . .Pronto.Não há ninguém pé vigiá enquanto a'nha mãe tivé na cozinha. mas ela sacudiu-a.Jason ..A velha afagou a Quentin com a mão. A Quentin passou por ela a correr escada acima. .diz a Mãe das escadas. volte pá cama ( Dilsey.diz ela.Não tive tempo .digo eu. Ouvia-as nas escadas.Eu levo-a e desta vez ela vai lá ficar. .Ou tamém. Agora vá buscar o carro e espere um bocadinho .pá ir levá à escola. Quentin. Dilsey diz ela. Então. . A Mãe tinha parado.Eu não deixo qu'ele lhe toque. Eu faço-a chegá a horas à escola. Ouvi-a chegar lá acima e depois os passos dela pelo corredor.diz a Dilsey. . . .digo eu. pronto . Já que me meti nesta alhada. . .Vá. vou levála até ao fim.A Quentin não ligou. Miss Ca'line.Quentin .Não te preocupes . .diz ela . .diz a Mãe. e depois tive de dar a volta toda até à frente da casa para as encontrar. . . .

e lá chegará o dia em que me hão-de querer obrigar a pagar cota.Nã tinha ninguém com quem o deixá . mas diabos me levassem se era eu que o ia colocar.É .Para que diabo queres ficar com ele aqui para as pessoas o verem? Pu-los a andar antes que ele desatasse a berrar.Vejo que não tens livros nenhuns. Até eram capazes de celebrar a semana da Terceira Idade quando isso acontecesse. Ela estava na alameda. Dei um passo atrás e voltei-me.digo eu.Ando eu a encher a barriga a uma cozinha cheia de negros para passarem a vida atrás dele.Leva-o para as traseiras . e então a Mãe e a Dilsey vão ter de arranjar um par de maçanetas das portas em porcelana e uma bengala e começarem a treinar. 1 Voltei para a garagem. mas quando quero um pneu trocado. tenho de ser eu a fazê-lo. E depois mandam-nos a todos nós para Jackson. . e queria só .digo eu. com o 168 campo cheio de pessoas que não têm nada com que se entreter. muito provavelmente. . E ele não pára de correr a cerca para cima e para baixo. .diz ele.. Lá estava o pneu encostado à parede. e passam o dia a bater num raio duma espécie de bola de naftalina gigante. nem seis negros para sustentar. E nisto ele pôs-se a gemer e a chorar. já chega aos domingos. a gritar de cada vez que vê alguma. a menos que eu vá jogar à noite à luz da lanterna. E vou eu e digo: . .

Não acreditas? .Vestias-te com uma barrica? 169 .digo eu.digo eu. .digo eu. .Conta essa à tua avó e verás o que ela diz.digo eu. . . se é que tenho esse direito.Vais ver! . .Sabes o que é que eu fazia se soubesse que o teu dinheiro ou o dela tinham comprado alguma destas coisas? . Claro que não tenho direito de perguntar coisa nenhuma . .perguntar-te o que lhes fizeste.digo eu.Rasgava tudo e atirava a roupa para a rua .Julgas que foi o teu dinheiro ou o dela que pagou alguma destas coisas? . .Eu só me limitei a pagar onze dólares e sessenta e cinco por eles em Setembro. o que é que fazias? .diz ela.Quem me compra os livros é a minha mãe .diz ela.Claro que acredito .diz ela. . Antes morrer de fome.Mas ela nem me ouvia. .Pergunta à tua avó . .diz ela. .diz ela. . Eu não quero nem um cêntimo do teu dinheiro.Passas a vida a fazer isso. Não me parece nada que andes despida digo eu apesar de essas porcarias que pões na cara te taparem mais do que o que trazes em cima do corpo. Meteu as duas mãos no decote do vestido e fez menção de o rasgar. . pondo a mão no vestido.Não. com aquela cara toda borrada da pintura e os olhos de aço como os de um cão de fila. .Ah sim? . Lembro-me bem de que a viste queimar um.Pergunta-lhe o que aconteceu aos cheques.

. . A sineta já tinha tocado e os últimos alunos já iam a entrar. Dou cabo de ti. Sorte dela não ter começado. a morder o lábio. se te pões a chorar dentro do carro. Soltei-lhe os pulsos e arranquei. Ela ia sentada com a cara virada para o outro lado. .Faz outra como esta e vais arrepender-te de ter nascido digo eu. para fugir à praça principal .Não sei para que havia de ter nascido. . Quando desliguei o carro e lhe agarrei as mãos já havia cerca de uma dúzia de pessoas a assistir. vais apanhar. .Vais ver se rasgo ou não . Vais entrar e deixares-te ficar lá dentro. a tentar arrancá-lo aos bocados. ou é preciso eu ir lá contigo e obrigar-te? . Naquele momento. Felizmente estávamos perto de uma travessa por onde eu podia meter e apanhar uma rua secundária. .Agora estou arrependida diz ela.digo eu. . Percebi que estava mesmo a tentar rasgá-lo.diz ela.Lembra-te do que eu disse .diz ela.já estavam a montar a tenda no terreno do Beard.Hoje chegas a horas para variar .digo eu.E eu conheço pelo menos uma outra pessoa que não entende tudo o que sabe sobre o assunto .Olha que falei a sério.Ela saiu e bateu com a porta. Parei em frente à escola. Desistiu e depois os olhos dela ficaram esquisitos e eu disse cá para mim.já estou arrependida .Rasga o vestido e levas uma tareia aqui mesmo de que te vais lembrar para o resto da vida . aqui no meio da rua. .digo eu.. .digo eu. fiquei tão desvairado que ceguei por completo. Livra-te de que eu oiça dizer mais alguma vez que andas aí pelos becos . O Earl já me tinha dado as duas entradas.

vais desejar ir para o inferno . Ela deu meia volta e correu pelo pátio fora.digo eu. aí sim.Mais uma vez que seja.Mas tenho um nome a preservar nesta cidade e não admito que ninguém da minha família se porte como uma preta ordinária.Toda a gente nesta cidade sabe quem tu és.As capinadeiras já chegaram. lembra-te bem . Ela voltou-se e disse: . à velocidade de uns três parafusos por hora.digo eu. Dei-lhe oportunidade de fazer algum reparo por eu chegar atrasado. Antes quero estar no inferno do que ao pé de ti.O pior é que sabem . onde o velho Job as estava a tirar dos caixotes. .Quero lá saber . Fui até ao celeiro.digo eu. O Earl olhou para mim quando eu entrei. . .Eu não ando na vadiagem. É melhor ires ajudar o Job a montá-las. estás a ouvir? Por 170 mim. mas ele disse apenas: . Mas agora acabou-se.Se volto a saber mais alguma vez que não foste à escola.digo eu.Sou ruim e hei-de ir parar ao inferno. .diz ela. Ela nem olhou para trás. segui directamente para o armazém e estacionei o carro. Como se as pessoas soubessem tudo o que eu faço. Estás a ouvir? .na vadiagem com algum desses valdevinos. Fui aos correios buscar a cortespondência. mas não me importo. . . . não me interessa o que tu fazes .

digo eu. Trabalhá todos os dias da semana é. chova 6 faça sol.Tirou mais um parafuso. . Sem um alpendre onde a gente s'assente a ver crescer as melancias e os sábados nem se dá por eles.. ela queria saber por que é eu nunca depositava a mesada antes do dia .Aquilo é duro nas plantações.Não há por aí muita gente que trabalhe a não sê os negros do algodão . Morrias antes que te tirassem de lá.digo eu. Abri a carta dela em primeiro lugar e tirei o cheque. .digo eu.Eu trabalho pa quem me paga 6 sábado à noite .Vá tira essas coisas dos caixotes e leva-as lá para dentro. . também não davas pelos sábados . . Seis dias de atraso. Metade dos negros estropiados desta cidade comem na minha cozinha.Devias dar-te por feliz de não andares numa plantação agarrado a essa capinadeira . E depois querem convencer 1/11 os homens de que são capazes de tomar conta de um negócio.diz ele. E depois disso não me sobra muito tempo pa dá às outras pessoas.Se fosse eu que te pagasse. .diz ele. calor. Mesmo coisas de mulher. .Devias estar a trabalhar em minha casa . .Isso é bem verdade .diz ele. . Quanto tempo se ia aguentar um homem que pensasse que o mês começava no dia seis? E já se vê que quando lhe mandavam o extracto da conta.

O melhor é mandares-me já um telegrama para esta morada a dizeres-me como ela está.seis. o Earl começou a gritar com o Job e eu guardei as cartas e fui ter com eles para ver se o espevitava.que.Não tem nada que saber .digo eu. branca. Ela está doente? Manda-me dizer depressa. Mais ou menos nessa altura. senão vou aí para ver com os meus próprios olhos. Enchem de esperanças o agricultor e levam-no a cultivar uma plantação imensa para depois lançarem a colheita no mercado para lucro desses oportunistas. Tu abres as cartas que eu lhe escrevo. As mulheres nunca pensam nestas coisas. e eles logo aprendem a dar valor ao que têm. Perto das dez horas fui até à loja.O algodão é uma cultura para os especuladores. . Acha que o agricultor ganha mais alguma coisa do que um cachaço vermelho e uma corcunda nas costas? Acha . . Prometeste que me dizias quando ela precisasse de qualquer coisa. Começámos a falar de colheitas. Sei-o tão bem como se estivesse a ver-te. Não respondeste à minha carta sobre o vestido da Quentin para a Páscoa. Não. Estava lá um caixeiro-viajante. apesar de o cheque que lhe mandei com a segunda ter sido levantado com o outro che. Chegou em boas condições? Ela não respondeu às duas últimas cartas que lhe escrevi. Espero ter notícias tuas antes do dia 10. Do que este país precisa é de mão-de-obra. Faltavam dois ou três minutos para as dez e convidei-o para vir beber um copo ali perto. Deixem esta pretalhada inútil morrer de fome durante uns tempos. o melhor é mandares-me já um telegrama.

Não julgo um homem pela sua religião. E para quê? Para que um bando de judeus do leste.Claro . Se a colheita for muito grande. . Isoladamente não tenho nada contra os judeus . nem vale a pena apanhá-la. . . é por isso que tenho este nariz. independentemente da religião ou de outra coisa qualquer.digo eu.Deve estar a referir-se aos Arménios . não que 1172 eu tenha nada contra os que seguem a religião judaica.Que eu cá respeito toda a gente. .Sem ofensa .que o homem que tem de suar para cultivar todo aquele algodão ganha alguma coisa que lhe dê para mais do que o estritamente neces. .E eu também . se for muito pequena.diz ele. . Seguem os pioneiros por toda a parte para lhes venderem roupa. .Eu sou Americano. Do que eu estava a falar era desses tipos que estão .diz ele. .digo eu. .Para que é que um pioneiro havia de querer roupas novas? .digo eu. .já não restamos muitos. A minha família tem sangue francês.digo eu. Você se calhar até é um deles digo eu. Há-de concordar que não produzem nada.Eu sou Americano.digo eu.digo eu.diz ele. Mas o que eu sou é Americano.Sem ofensa .Não . . não ganha nem para o gin. -Já conheci judeus que eram até muito boas pessoas. Estou a falar da raça.sário? . no seu conjunto.

As coisas estavam um pouco melhores.Não acha que tenho razão? . Bem. tal como eles tinham dito. . Por acaso estou ligado a algumas pessoas que estão muito bem informadas.Nunca se ganha nada. Como se houvesse uma lei ou coisa parecida que proibisse tudo menos comprar. Tinham subido dois pontos.digo eu. . .Acho . Fui até ao posto do telégrafo.É isso mesmo . . a não ser que se consigam obter informações de alguém que esteja por dentro das tramóias. Fui para um canto e tirei outra vez o telegrama do bolso.diz ele.digo eu. . Bateram as dez horas. Têm por conselheiro o maior especulador de Nova lorque. . só para me cer1 . Enquanto olhava para ele. Para isso é que eles montaram o negócio.Nunca arrisco muito de uma vez.diz ele. Percebi que era assim pelo que mandavam dizer.digo eu. . Devia haver uma lei que o proibisse.Acho que tem razão.repimpados lá em Nova Iorque a aproveitarem-se dos pequenos especuladores.Eu sei que tenho razão . chegaram as cotaçóes. Atiravam-se de cabeça. Toda a gente comprava. O que lhes interessa a eles é o tipo que julga que sabe tudo e quer fazer fortuna com três dólares. . É sempre assim que eu faço . O agricultor é quem se lixa sempre.73 tificar. .Os pobres nunca podem especular. Como se não soubessem que o resultado só podia ser um.

Q? . Chegaram mais cotações. Jason? .digo eu. mas de repente lembrei-me. Não sabe escrever Q? . .Q.Não é da vossa conta .acho que esses judeus do leste também têm direito à vida. para que havia eu de lhes estar a pagar dez dólares por mês. Mas diabos me levem se as coisas não vão por mau caminho quando qualquer estrangeiro dum raio.Só perguntei para ter a certeza .Bem. . Quatro pontos. É alguma mensagem em código a mandar comprar? .O que é isso. . eles estavam lá e sabiam tudo o que se passava. espreitando por cima do meu ombro. Mas.Olhem para a cara dele. .O Jason está a vender .diz ele. . .Mande-o como eu escrevi e garanto-lhe que está bem digo eu. voltei atrás e mandei um telegrama: "Tado bem. se dá ao luxo de vir para este país roubar o dinheiro dos bolsos dos americanos.digo eu.diz o Hopkins. . . . E. eu tinha obrigação de saber . Tinha subido mais dois pontos.Teria ganho bom dinheiro este ano se o tivesse aplicado a dois cêntimos a libra. Tinham baixado um ponto. Vim-me embora. que não consegue sobreviver no país onde Deus o pôs.Pensem o que quiserem.diz o Doc Wright. .diz o Doc.Sim . Vocês sabem mais disto do que os tipos lá de Nova lorque. A Q escreve hoje".Mande à cobrança.disse o telegrafista. . que diabo. . se não fosse para seguir os conselhos deles.

Da última vez dei-lhe quarenta dólares.digo eu.O que eu faço é cá comigo . mas o que eú lhe digo é: qualquer coisa que me tenha esquecido de te dizer tem de esperar até eu voltar a Memphis. Toma digo . A Lorraine anda sempre atrás de mim para eu lhe escrever. O Earl andava todo atarefado na loja. e digo ainda: não me importo que me escrevas de vez em quando num sobrescrito sem remetente. Tenho uma regra que não guardar nenhum papel escrito por uma mulher. Quando lá estou sou igual aos outros. e também nunca lhes escrever. mas se tentares telefonar-me. Sentei-me à secretária e li a carta da Lorraine: "Querido paizinho gostava que estivesses aqui. Acho bem que tenha. Voltei para o armazém. é o que eu digo. Os ricaços judeus de Nova lorque precisam de ganhar o deles como toda a gente . E se não nos ocorrer melhor maneira de as surpreendermos. é dar-lhes um murro nos queixos. Mantê-las na expectativa. Memphis não vai chegar para te esconderes. Não há festas que prestem 174 quando os paizinhos não estão na cidade tenho muitas saudades do meu querido paizinho". mas não quero mulher nenhuma atrás de mim ao telefone.digo eu. Nunca prometo nada a uma mulher para ela não saber quanto lhe vou dar. É a única maneira de as ter na mão. Rasguei-a e queimei-a no escarrador. .Vocês que sigam a vossa intuição..

Se alguma vez te embebedares e te passar pela cabeça telefonares-me.O quê? .digo eu. . o que tem valor é a maneira como o gastamos. .Quando é que voltas? . Há aqui um homem em Jefferson que fez uma fortuna a vender produtos estragados aos pretos. Penso muitas vezes na fária que lhe vai dar quando morrer e desco175 brir que o céu não existe e ele se lembrar dos cinco mil dólares por ano. lembra-te do que te disse e conta até dez antes de pegares no telefone. por cima do armazém. . . Ela então quis pagar-me uma cerveja. que mais parecia uma pocilga e até era ele que cozinhava e tudo.Quando é que vai ser? . Há cerca de quatro ou cinco anos adoeceu gravemente. mas eu não deixei.eu e dou-lhe quarenta dólares. . para quê poupá-lo. o melhor era ter morrido logo e assim poupava o dinheiro.Logo se vê . o dinheiro não tem valor. Compra um vestido com ele. Afinal.Dei também cinco dólares à criada. .digo eu. como eu digo sempre.Guarda o dinheiro . Quando a carta já tinha ardido por completo. Não pertence a ninguém. e que vivia num quartinho. É o que eu digo.diz ela.diz ela. O susto foi tão grande que quando ficou bom entrou para uma igreja e comprou um missionário chinês. O dinheiro pertence àqueles que conseguem arranjá-lo e conservá-lo. e eu já me preparava para meter as outras no bolso do . cinco mil dólares por ano.digo eu.

A colheita do próximo ano inda vem longe . . . . Mas depois não se venha queixar daqui a um ano quando tiver de comprar outra. mas ele enrolou-a e meteu-a no bolso do fato de macaco. .pra que a tem à venda? . . de repente alguma coisa me disse para abrir a da Quentin antes de chegar a casa.Acho qu'é mesmo esta aqui qu 1eu vou levar .S'esta aqui não presta . de cada vez .Como é que vocês hão-de querer progredir. mas nessa altura o Earl começou a gritar por mim da loja.Eu se fosse a si levava a melhor .digo eu.casaco.diz ele.O que eu disse é que não era tão boa como a outra.E como é que sabe que não é? . .diz ele.diz ele. desamarrou-o com toda a calma e despejou algumas moedas em cima do balcão.É porque não custa trinta e cinco cêntimos .já as experimentou? .digo eu.diz ele . Por isso é que eu sei que não é tão boa.digo eu. Deu-me vinte cêntimos. . Depois tirou do outro bolso um saco de tabaco. Perguntei-lhe se queria que lha embrulhasse.diz ele. a trabalharem com equipamento barato? . mas.Eu não disse que não prestava . Os outros quinze cêntimos já me dão pró almoço . O homem pegou na de vinte cêntimos e fê-la correr entre os dedos.O senhor é quem manda. Finalmente vi-me livre do homem. . e eu tive de as deixar ficar para ir atender um labrego qualquer e esperar que ele decidisse se levava uma correia de charrua de vinte cêntimos ou de trinta e cinco.Como quiser . .digo eu.

Mr. avia-lhe cinco cêntimos de colchetes. porque na Cavalaria castram os cavalos. e o Earl a correr de um 176 lado para o outro como uma galinha tonta. surgia qualquer coisa. Enfim. É o que eu digo. nunca tive a vantagem de ir para a universidade porque em Harvard só nos ensinam como nadar à noite sem saber nadar e em Sewanee nem sequer nos ensinam o que é a água. Compson vai já atendê-la. E depois quando ela mandou a Quentin também lá para casa para eu sustentar. e a dizer: Sim. ou.que pegava na carta. eu disse acho que também está certo. Jason. E vou eu e digo podem mandar-me para a universidade estadual: talvez eu aprenda a fazer parar aqui a maquineta com um inalador nasal e depois podem mandar o Ben para a Marinha digo eu ou então para a Cavalaria. minha senhora. eles mandam-me o emprego para aqui e então a Mãe começou a chorar e vou eu e digo não é que eu tenha alguma coisa contra ficar aqui: se isso lhe dá prazer deixo o trabalho e fico a tomar conta dela . Eles vinham de todos os lados para o espectáculo. mostra a esta senhora uma batedeira de manteiga. o Jason gosta de trabalhar. Chegavam aos magotes. prontos a gastarem o seu dinheiro numa coisa que em nada beneficiava a cidade e que nada deixava ficar a não ser o que os chupistas da Câmara Municipal iam dividir entre si. em vez de eu ir para o norte procurar um emprego.

O Tio Maury vinha a sair da casa de jantar. ou o Ben. a tapar a boca com o lenço. faça corno quiser. devia haver muita gente que pagasse um dólar para o ver. Se acredita que a outra vai fazer o que prometeu e não vai tentar vê-Ia. e isso nenhum dos outros avós pode dizer com segurança. Eles a modos que abriram alas e nós saímos a porta mesmo a tempo de ver a Dilsey que 177 vinha a virar a esquina com o Ben e o T P Descemos os degraus e entrámos para o carro. porque vocês são tudo o que me resta. Puxou o véu para a cara e descemos as escadas. O Tio Maury só . É sua neta. tu e o Maury. e ela pôs-se a chorar ainda mais e a dizer meu pobre menino coitadinho e vou eu e digo sim sim ele há-de servir-lhe de muito quando crescer ele que ainda só é uma vez e meia maior do que eu e ela então diz que vai morrer em breve e será um alívio para todos e então eu digo pronto.e a Mãe e a Dilsey que tratem de encher a despensa. Nessa altura a Mãe parou de chorar. pronto. Só que é uma questão de tempo digo eu. Aluguem-no a um circo. está a enganar-se a si mesma porque a primeira vez foi quando a Mãe não parava de dizer graças a Deus que não és um Compson a não ser de nome. e vou eu e digo cá por mim passava bem sem o Tio Maury e depois eles chegaram e disseram que estavam prontos para começar.

É o que eu digo. Cravos de cabecinha. corno diz a Mãe. Acho que a explicação que tod Compson deram antes de o dinheiro me chegar às mãos. _ Pronto. se ele tinha de vender alguma coisa para mandar o Quentin para Harvard.dizia Pobre mana.Perder assim os dois em menos de dois anos. tínhamos ficado todos bem melhor se ele tivesse vendido o aparador e com parte do dinheiro tivesse comprado uma camisa de forças com um braço só. a mastigar as palavras e a dar palmadinhas na mão da Mãe. Pobre criança. A mastigar não sei o quê com as palavras.As outras mulheres podem contar com os filhos em alturas como esta .Porque é que eles não partem antes que o Benjamin apareça e faça um escarcéu. . não me lembro de o ouvir falar em vender fosse o que fosse . .diz ela. .diz a Mãe. pronto . .ral do Pai ou talvez o aparador tivesse pensado que era ainda o Paí e lhe tivesse passado uma rasteira.diz ela.Tu tens-me a mim e ao Jason . . .diz o Tio Maury. Pelo menos. Deixa-o viver sem conhecer o sofrimento enquanto puder. pobre mana. batendo-lhe na mão. . Foi então que percebi donde vinha o cheiro que eu sentia. É melhor assim.diz ele.Custa-me tanto . Nem sequer imagina. Acho que ele pensou que era o mínimo que podia fazer no fime.diz ele.Pronto. e continuando a mastigar as palavras.Puseste o fumo no braço? . pronto . Passado um bocado levou a mão disfarçadamente à boca e deitou-os pela janela. Não sabe de nada. é que ele o bebeu todo.

. Porque sempre tivemos esperanças de que eles se entendessem e ele não a mandasse embora porque a Mãe não se cansava de dizer que ela teria pelo menos consideração suficiente pela família para não me estragar as oportunidades depois de ela e o Quentin terem tido as deles. ela não quer o dinheiro dele para 178 nada .Não. e a Mãe a chorar dizia: . .digo eu.e a Mãe disse: .E pa onde mais havia de ir? .para me mandar para Harvard.E fizeste um lindo trabalho . Jason Compson. Caroline . Não pode provar nada.. .Por lei ele pode ser obrigado sustentá-Ia.. . . Ele continuava a dar-lhe palmadinhas na mão e a dizer: Pobre mana . e eu digo: . a menos que.Bem.diz a Dilsey. Não me digas que foste estúpido a ponto de contar. e em seguida mandoume ir ajudar a Dilsey a trazer do sótão um berço velho.Além disso. hoje trouxeram-me o trabalho para casa.Quem mais havia de a criá senão eu? Não criei já todos os outros? .E tu nem sequer falaste com ele? Nem sequer tentaste obrigá-lo a dar algum dinheiro para a criança? e o Pai respondeu: .a dar-lhe palmadinhas com uma das luvas pretas de que recebemos a factura daí a quatro dias no dia vinte e seis que era o mesmo dia do mês em que o Pai a foi buscar para a trazer para casa recusando-se a dizer onde a mãe dela estava. .diz o Pai.Cala-te.

Tolices .diz a Dilsey no mesmo quarto onde eu deitei a mãe todas as noites da vida dela desde que teve idade pa dormir sozinha? . mas também sei que as pessoas não podem desrespeitar impunemente as leis de Deus.Chega . . . . . mais forte do que eu .diz a Mãe. .Para ser contaminado por essa atmosfera? A herança que recebeu já lhe vai custar bastante a suportar.Assim vai acordáIa.Cala-te. Miss Ca'line .diz a Dilsey.Nunca saberás o sofrimento que causaste.diz o Pai.diz a Mãe.diz o Pai. Dilsey.Pa que se põe com essas coisas à frente do Jason? diz a Dilsey.Tenho tentado protegê-lo .Ver a minha filha escorraçada pelo marido.Só gostava de sabê corr@é que dormi neste quarto lhe pode fazê mal . .diz a Mãe.Aí? .diz a Mãe. .Então.diz o Pai. . .diz ela. Trouxemos o berço para baixo e a Dilsey levou-o para o antigo quarto dela. . . .diz a Dilsey. . A Mãe desatou a chorar. . Caroline . . . leva lá o berço para o quarto de Miss Caroline.Sempre tentei protegê-lo de tudo isto.Por qu'é qu'ela não há-de dormir aqui . Pelo menos posso fazer os possíveis para a defender. .79 trabalho.sempre dá à Mãe um bom motivo para se preocupar.Tu não sabes nada . Pobre inocentinha .Não te portes como uma tonta.Bom. .Sei que só dou 1. olhando para a Quentin.

Tretas . Olha para mim. Arma o berço aqui. . Isto tem de ficar decidido esta noite. proíbo-te de dizeres esse nome na frente dela. . . meu Deus.Isso são nervos. A escolha é tua. .diz o Pai. . . mas não sou fraca ao ponto de me matar com uísque. A Mãe devia ter .diz o Pai. Estás a ouvir.diz a Dilsey.Não sejas tonta .Ao ouvir isto.Podes dizer que são tolices . Dilsey.diz o Pai. .E o sinhô tamém tá a modos que doente .Não . e isso é tudo o que eles sabem sobre estes macacos degenerados que nós somos. Não pode ouvir nunca esse nome. . Aposto que nunca teve uma noite de sono desde que partiu. Ou o nome não será nunca pronunciado à sua frente. Eu também estou a sofrer.diz a Mãe. Acordei e lá ia ele outra vez pela escada abaixo.Mas ela não pode nunca vir a saber. a Mãe pôs-se a chorar novamente e ele saiu do quarto. Quem me dera. Dilsey.Não sabes o que disse o médico? Para que lhe hás-de falar em bebida? Pois se esse é que é o problema dele. Desceu as escadas e logo a seguir ouvi barulho no aparador. . Parece uma alma penada. que ela pudesse crescer sem nunca saber que teve mãe. .Nunca interferi com a maneira como os educaste diz a Mãe.diz a Mãe.Está caladinha .Mas agora chega. . ou então uma de nós terá de se ir embora. Meta-se na cama e eu faço-lhe um toddy e depois veja se dorme.O que é que os médicos sabem? Ganham a vida a dizer às pessoas para fazerem o contrário do que elas fazem.

A gente vai tomá conta dela. se ao menos puder. falando comigo. reja caladinha . E agora vá pá cama tamém .diz a Dilsey. Eu não me importo. já que Ele mo quis levar também. mas a Mãe chamou-me outra vez e agarrou-se a mim a chorar.Amanhã tem d'ir pá escola. despiu-a e meteu-a lá dentro. . porque eu a bem dizer não o ouvia.Todas as noites agradeço a Deus por existires. . Ela ainda não tinha acordado desde que ele a trouxera. porque tudo o que me resta agora és tu e o Maury e vou eu e digo.diz ela.já tá quase grande de mais pé.adormecido ou coisa parecida.diz ela.. . . . apenas a fralda da camisa a roçar-lhe nas pernas nuas díante do aparador. Ele próprio se esforçava por não fazer barulho.Enquanto esperávamos que eles começassem. berço .Vai para tua casa.Não vou conseguir dormir . 1 . pois a casa estava finalmente em silêncio. Graças a Deus que tu não és um Compson. .diz a Mãe. falando com a boca virada para o lado.Tu és a minha única esperança . já tá. Bem. A Dilsey armou o berço. Pronto. ele continuava a dar-lhe palmadinhas na mão com a luva preta. Sinto-me feliz a dedicar-lhe o resto da minha vida. Só as tirou quando chegou a .Vá. Enfim eu cá passava bem sem o Tio Maury. Saí do quarto. . que ficaste tu comigo e não o Quentin. Vou deitar um colchão no chão ali no corredor qu'é pa não tê de se levantá de noite. 180 .diz a Dílsey. ela diz Graças a Deus.

No entanto tinha um pressentimento quanto à outra carta. Mas nem precisava de abri-la. . E estava mesmo. mas a Mãe viu-o e diz não sei quando vais poder ter outro e o Tio Maury diz: Pronto. dos que estavam protegidos por chapéus de chuva. a bater corri os pés no chão para sacudirem a lama que se lhes agarrava aos sapatos e às pás. não te preocupes. juntando-1h e dez dólares pelo sim pelo não. e quando voltei para trás e me abriguei atrás da carreta vi-o escondido por detrás de uma campa. Tenho de ir levar a tua mãe e eu tive vontade de dizer.vez de ele pegar na pá. A quarta carta era dele. Podia escrevê-la eu ou dizer-lha de cor. Então devia ter-se lembrado de trazer duas garrafas em vez de uma mas lembrei-me do sítio onde estávamos e deixei-os partir. mas por acaso ainda não havia muita lama acumulada nas rodas. de garrafa na mão a beber um trago. Parecia-me que já estava na hora de ela recomeçar com os velhos truques. Quando 181 eles começaram a enchê-la até acima claro que a Mãe desatou a chorar. Sempre. Foi para junto dos primeiros. e o Tio Maury meteu-a no carro e levou-a dali. Ela percebeu com quem estava a lidar logo da primeira vez. Tu podes voltar com outra pessoa diz ele alguém te há-de dar boleia. Julguei que nunca mais acabava e eu que estava de fato novo e tudo. e que caía com um ruído seco. Percebeu rapidamente que eu não era feito da mesma massa que o Pai. pronto. Eu estou aqui para o que for preciso.

diz ela. Como tive de ir pelo carreiro para não pisar a relva empapada.diz ela. Esperei mais um minuto e saí do meu esconderijo. Sério? . estendendo-me a mão. Olhou de novo para as flores.diz ela. Olá.digo eu. Alguém tinha colocado também um ramo na campa do Quentin. . Deviam valer cinquenta dólares. de pé. Jason . . Abriguei-me debaixo de uns ciprestes. eles acabavam por me alcançar e haviam de querer por força dar-me boleia. E depois sempre era um bom pretexto para a Mãe se preocupar com a pneumonia que eu podia apanhar. levantando o véu. onde não chovia muito. Por isso caminhei na direcção do cemitério dos negros. Reconheci-a logo. Daí a pouco já se tinham ido todos embora.digo eu.Ah julgaste? . embrulhada numa capa preta a olhar para as flores. ia-os vendo deitar a terra lá para dentro. só quando já estava muito perto é que a vi. .Então não lhe prometeste que nunca mais voltavas? Julguei que tivesses mais bom senso. ou um muro.Que vieste cá fazer? . . só pingava.Bem se importavam eles se eu estava muito ou pouco molhado. mesmo antes de ela se voltar e olhar para mim. Apertámos as mãos.De ti já . e de onde podia ver quando terminassem e se fossem embora. Achei que se seguisse em direcção à cidade. calcando-a como se estivessem a fazer um cigarro de mortalha ou coisa parecida. mas comecei a ficar mal disposto e resolvi ir dar uma volta. . E enquanto pensava nisto.Mas não estou surpreendido .

. . . Mas não precisavas de ter voltado. o teu emprego.diz ela. Era bem melhor para ti se tivesses ficado com ele e com a Quentin . .Olhou para a sepultura. como se estivesse a enlouquecer.já nem sabemos o teu nome lá em casa.Sabias? . Não penses que vais aproveitar isto para te vires meter aqui outra vez.Agora és toda falinhas 182 mansas. .diz ela.digo eu. a pensar que agora o Tio Maury ia passar a vida metido lá em casa. Na última página.Está-se mesmo a ver . Estávamos ali os dois a olhar para a sepultura e então lembrei-me de quando éramos pequenos e coisas assim e comecei outra vez a sentirme mal. pelo jornal. .digo eu. Por que não me mandaram dizer? . a pôr e a dispor como agora que me deixara voltar para casa debaixo de chuva. Não ligas ao que ninguém diz.Lamento muito.Eu não quero nada . . Calhou.diz ela -.espero tudo. anda a pé . Olhou para a sepultura. se não acreditas em mim. E então vou eu e digo: . Não queres saber de ninguém para nada. Jason. Estás a perceber? já nem sequer sabemos o teu nome. Vires a correr meter o nariz assim que ele morreu.Ah sim . Mas não te serve de nada. Não ficou nada. .Está-se mesmo a ver que lamentas.digo eu. . Pergunta ao Tio Maury. Se não te aguentas no cavalo que arranjaste.Soube por acaso. Não respondi.

Não quero que ela descubra.diz ela.Mostra-os lá . . Vi-a vasculhar por baixo da capa. dou-te cinquenta dólares.digo eu tenho tenho de sair desta chuva.Fazes-me isso? . . .E onde é que tu tens cinquenta dólares? .Conheço-te bem. . Parei.Está bem . Nem por mil dólares. Adeus.digo eu.Fingi que me ia embora.Só depois . sem olhar para mim.Olha quem fala . Diabos me levem se não estava cheia de dinheiro. Estou a ficar todo . .digo eu.Sim? .Jason . 183 .diz ela.Então? . .diz ela. e depois estenderme a mão.digo eu.Não acredito que tenhas cinquenta dólares. Crescemos juntos.digo eu. .Eu sei.Dou-te cem .Não . E até vi duas ou três das amarelas. . . .Mas tem de ser como eu disser. Vou-me logo embora. . Jason . . .Quanto é que ele te manda? .Ele ainda te dá dinheiro? .digo eu.diz ela.Se arranjares maneira de eu a ver só por um bocadinho.Bom . . Não vou pedir para ficar nem nada.. Dá-me o dinheiro . olhando para a sepultura.digo eu.Não confias em mim? . . .diz ela.Espera lá . Só quero vê-Ia por um bocadinho. .digo eu.diz ela.digo eu. . . .Despacha-te.Será como tu disseres.diz ela.

. . . . . Ela e o Ben estavam lá com a Dilsey.Vais fazer o que te pedi? .molhado. e nessa altura voltei para a cozinha. . .Se houvesse outra maneira. . Já disse que fazia. Voltei para trás e peguei no dinheiro. . não disse? Mas tens de fazer o que eu disser. . Jason? .diz ela.diz ela.Não se via ninguém. Ela tinha-o ainda bem seguro. Nessa altura o Mink disse que tinha de levar de volta os cavalos e eu disse-lhe que lhe comprava outro charuto e então metemos pela rua das traseiras e eu entrei em casa pelo pátio. Disse à Dilsey que a Mãe a .digo eu.Está bem .Eu faço.Está bem . não te pedia. fixando-me por baixo do véu.Disse-lhe onde havia de esperar e fui até à cocheira. e eles deixaram-me levar a carreta.Queres que passe alguém e nos veja? Ela abriu a mão.Prometes? .Podes estar certa de que não há mesmo outra maneira digo eu. . Fiquei no corredor até ouvir a Mãe e o Tio Maury lá em cima.Toma.Abre a mão .diz ela. Compson se tinha esquecido de uma coisa e que precisava dela.Fazes-me isso. O cocheiro era o Mink.diz ela.Claro que faço. . Comprei-lhe um charuto e fomos dando voltas até começar a escurecer nas árvores mais afastadas onde eles já não o podiam ver. Meti o dinheiro no bolso. Estuguei o passo e cheguei lá precisamente quando eles estavam a desatrelar a carreta. Perguntei se já tinham pago o trabalho e ele disse que Não e eu disse que Mrs. .

Disse ao Mink que fosse até à estação. Encontrei a gabardina do Tio Maury.digo eu. Mink! . vá lá. era suficientemente ingénuo para acreditar em tudo o que diziam. pois na manhã seguinte. embrulhei-a nela.Agora mete-te no comboio como prometeste . diabos me levem se ela não me entrou pelo armazém dentro. saí pelas traseiras e subi para a carreta. Nunca me passou pela cabeça que ela fosse faltar ao prometido e não apanhasse o comboio. Foi para aprenderes digo eu. e por isso tivemos de ir de volta. Pela janela de trás vi-a a correr atrás de nós. ao vê-Ia. Já não me sentia tão mal. teve o bom senso de cobrir a cara com o véu e não .digo eu. contei o dinheiro outra vez e guardei-o. . encostei-a à janela e a Caddy. mas. À noite. Ele estava com medo de passar pelo estábulo. peguei-lhe ao colo. Agora já percebeste que não me podes fazer perder o emprego e ficares a rir.Dá-lhes com força digo eu.Chega-lhes. deu um salto para a frente. . e o Mink deu-lhes com o chicote e passámos por ela como um foguete. . Tirei-a da gabardina.Quando dobrámos a esquina ela ainda vinha a correr.estava a chamar e levei-a para a sala. Vamos para casa. . Mas a verdade é que não conhecia as mulheres. Vi-a na esquina 184 junto ao candeeiro e disse ao Mink que passasse rente ao passeio e que quando eu dissesse Agora lhes desse com o chicote.

. Prometeste que apanhavas aquele comboio.Que vem a ser isto? Entrares por aqui dentro dessa maneira? . . .Estás doida ou quê? digo eu. mas eu calei-a.Ela limitou-se a ficar ali parada a olhar para mim.Ela continuava ali na minha frente. . Ainda me estavas a dever dinheiro pelo risco que eu corri.digo eu . porque eu estava lá dentro e ela entrou que nem um furacão e veio direita à minha secretária.Diabos te levem.digo eu. .Ela ia a falar. depois de partir o número 17. .Diabos te levem . vê lá se também queres que eu perca este? Se tens alguma coisa para me dizer. E se eu descubro ou se me vêm dizer que o comboio 17 partiu 185 e tu ficaste na cidade .diz ela.conto tudo à Mãe e ao Tio Maury e então podes mirrar à espera de a tornares a ver.digo eu.digo eu.Não fiz tudo o que prometi? Disse-te que a vias por um minuto.Mas lembrate. .Podes dizer o que quiseres . a olhar para mim e a torcer as mãos. encontramo-nos depois de escurecer. Grande mentiroso.Fiz exactamente aquilo que prometi . . não foi? E tu viste-a. Nem que fossem mil dólares. com as mãos crispadas e a abanar a cabeça. experimenta só . não viste? .falar com ninguém. .Mentiroso . . E o que é que tens para me dizer? digo eu. .Tu é que mentiste. Era sábado de manhã. não prometeste? Prometeste ou não prometeste? Se julgas que te devolvo o dinheiro. conto-lhes tudo.diz ela. . a tremer como se estivesse com as febres. .já me custaste um emprego.

A Mãe disse. e disse-lhe que se ela se chegasse ao Ben ou à Quentin eles também a apanhavam. Acreditava nas pessoas quando elas diziam que iam fazer coisas.Depois de ela sair. senti-me melhor. A Dilsey fingiu que não ouvira. lembrei-me da Dilsey e do Tio Maury. Agora vai pensar duas vezes antes de me privar de um emprego que me estava prome. lá vão ter de lhe dar o chinelo. sem poder sair do armazém para defender a minha própria mãe. não preciso de ninguém. sei muito bem cuidar dos meus interesses como sempre fiz. É como ela diz. É o que eu digo.tido penso eu. Além disso. A Mãe repetiu o que tinha dito e eu ofereci-me para o ir buscar porque já não suportava aquele maldito barulho. Bem. Por isso. Nisto. assim que cheguei a casa tratei de passar um responso à Dilsey. julgava eu que estava tudo resolvido até ao dia em que cheguei a casa e dei com o Ben a gritar. sou capaz de suportar muita . mas aprendi a lição. Berrava que se fartava e ninguém o conseguia calar. Alguém tem de zelar pelo pouco que nos resta. se um de vocês tinha de partir. Disse-lhe que a outra tinha lepra e fui buscar a bíblia e li-lhe a passagem onde falava de como a carne de uma pessoa apodrecia. é o que eu digo. acho eu. E ali estava eu. Lembrei-me como ela era capaz de convencer a Dilsey e que o Tio Maury faria qualquer coisa por dez dólares. Nessa altura eu era ainda um miúdo. graças a Deus que foste tu que ficaste contigo eu posso contar e eu digo bem não me parece que chegue alguma vez a ir para tão longe do armazém que deixe de estar ao seu alcance.

Tivemos de a levar para a cama. quando já estão na família há muitos anos acham-se tão importantes quejá não valem nada.Jason! Pronto.Se Mr. . Pensam que mandam na família toda.O menino é um homem muito duro. tal como eu pensava. . s'é que chega a sê um homem . e quando as coisas serenaram um pouco a Dilsey ouviu das boas. ele mal o viu parecia que o íamos matar. . Mas para que a havias de ter deixado ver aquele desgraçado? . É o problema dos criados pretos. Disse então que ia lá eu e a Dilsey diz muito depressa: . mas só para 186 ter a certeza fui buscar o chinelo e. Jason inda estivesse vivo tud'era bem diferente. obriguei a Dilsey a confessar e depois contei tudo à Mãe.diz ela.Sei que não me ligas nenhuma. e então já podes encher a casa de canalhas e de cabras. Jason. mas se tenho de trabalhar o dia todo no raio do armazém tenho ao menos o direito de ter um pouco de paz e sossego ao almoço.Dou graças b Sinhô . .Só que Mr. . Então. Jason não está .digo eu.Sempre gostava de sabê que mal faz deixá a pob'e criança vê a sua próp'ia filha . Pelo menos tanto quanto vale a pena ralhar com um negro. percebi imediatamente o que se passava. Continua a arreliá-la assim até a mandares também para a sepultura. mas acho que à Mãe sempre ligas alguma coisa.coisa não espero nada deles.diz a Dilsey.

digo eu.diz ela. Assim. quando ela voltou. nunca mais de lá comes nada. E ela só diz: . . . Quando éramos pequenos e ela se zangava e não podia fazer nada o seu lábio superior começava aos saltos. sem mover um músculo.Está bem.Sei que estão em nome da Mãe . que saltava cada vez mais alto. De cada vez que saltava deixava mais um bocado dos dentes a descoberto.Mas quero ver o extracto bancário.por me tê dado mais coração qu'a si. excepto o do lábio. e ela continuava hirta que nem um pau.E se voltas a fazer isto. E daí em diante passou a portar-se muito bem. .. Não havia nenhum candeeiro perto e por isso não lhe via bem a cara.Bom. Mas sentia o seu olhar pousado em mim.. Ela ficou parada a olhar para mim. mesmo qu'o meu seja negro.Pelo menos sou homem suficiente para ter sempre a despensa cheia .digo eu. Quanto queres? . e só uma vez é que pediu para ver o extracto da conta. eu digo-lhe que . 1811 . pegava na Quentin e se ia embora para muito longe.digo eu. Mas não dizia nada. . disse-lhe que se convencesse outra vez a Dilsey. . a Mãe a despedia. mandava o Ben para Jackson. se para a veres da janela pagaste cem. _ Isso é um assunto privado da Mãe . Quero ver com os meus olhos para onde vão os cheques.Se julgas que tens algum direito de bisbilhotar os seus assuntos privados.

maldito.Ouve. .Agora não me mintas sobre ela.digo eu.Tu não tens mil dólares . .digo eu. Se não chegar.. parecia um boneco a que se tivesse dado corda de mais. . Vou ter. . Nunca tiveste um pingo de bondade aí dentro . . que eles não me deixam..Vais arranjá-los da mesma maneira que a arranjaste a ela. Por um momento.diz ela.Se convenceres a Mãe a deixá-la voltar para mim. . . . .estás convencida de que os cheques estão a ser desviados e que queres fazer uma auditoria porque não confias nela. .digo eu. Só quero que prometas que ela. passo a mandar mais todos os meses. Posso arranjá-los. maldito. Tu podes.Podes dizê-lo bem alto . Fiquem vocês com ela. .Completamente louca. Mas tu não vais fazer nada. E quando ela tiver idade suficiente.Estou louca .E até sei como é que os vais arranjar .. . Não sei o que .diz ela. Ouvi-a apenas murmurar Maldito. Coisas para ela. dou-te mil dólares. Se calhar queres que te devolva o dinheiro .diz ela.. Trata-a bem. Ela não disse nada nem se mexeu.Nessa altura pensei que ela fosse bater-me. Eu não vou pedir para ver nada. e depois fiquei sem saber o que é que ela ia fazer.Sei que estás a mentir..Isso é que eu tenho. se quiseres.. Jason . que ela.digo eu. Pequenas coisas que eu não posso. .Acho que não é segredo nenhum o que pensamos um do outro. Eu não posso criá-la... pronto a rebentar.

. prendendo-me o braço. estás a ouvir? . agarrando-me no braço.Espera .digo eu.. tapando a boca com as mãos. além dos outros. fazendo aquele ruído característico. Que queres que eu faça? . . e eu sentia em mim os olhos dela como se estivessem a tocar-me.Pára com isso! . . e começou a rir e a tentar conter o riso ao mesmo tempo.digo eu. Por isso se esperas que. N-n-nada . Eu não tenho nada a perder . . . do teu sangue.diz ela. E agora sai da cidade.Que compre um avental e um carrinho de bebé? Não fui eu que te meti nesta alhada .me deu. ela é da tua família.diz ela. dás-lhos? E não dizes nada? Ajudas-me a que ela tenha coisas como .Não quero que me vejam aqui. Prometes. Tens de me prometer tomar conta dela. .Prometes? A Mãe. Não volta a acontecer. levando as mãos à boca. Promete.Não ..diz ela.. se ela às vezes precisar de alguma coisa.diz ela. .. . . As suas mãos ferviam.. 1 . aquele dinheiro. porque tu não tens nada a perder..digo eu. achas que eu tinha de lhe pedir duas vezes? Uma que fosse? _ Achas? .diz ela. meu Deus. Jason? . . Jason.digo eu.Vou-me embora . Jason ..diz ela. Tu tens o nome do Pai.Estou a t-t-tentar .diz ela.. Meu Deus.Corro mais riscos do que tu.Não.Ele de facto deixou-me alguma coi188 sa.Toma . Se eu mandar cheques para ela.Já parou.digo eu.

Por que é que não vai dar tempo? . Depois do que me arrisquei.O estômago é seu. E depois o Earl apareceu de chapéu na mão e diz: Vou dar um pulo ao bar do Roger e comer qualquer coisa. . Por isso quando voltei para dentro e abri a carta a única coisa que me surpreendeu foi ser uma ordem de pagamento e não um 189 cheque.Desde que te comportes e faças o que eu mandar. e eu a ter de contar mentiras à Mãe. . . .Então tu nunca serás escravo de nenhum negócio diz ele. . . arriscando-me a que a Mãe descobrisse que ela vinha à cidade uma ou até duas vezes por ano. Se quer ser escravo do negócio. . Por isso o melhor é irmos num instante ao Roger.Está bem .Também vão actuar de tarde. Não se pode mesmo confiar nelas. senhor. por mim está tudo bem. E não me admirava nada se ela tivesse avisado os correios para não deixarem ninguém levantar o dinheiro a não ser a outra. Sim. .Só se for de um negócio do Jason Compson .Claro .digo eu. Dar cinquenta dólares a uma miúda daquelas. Não vai dar para irmos almoçar a casa. E .digo eu. E agora era esta a paga.Por causa do espectáculo que estão a montar na cidade diz ele.digo eu.as outras meninas? . e as pessoas querem despachar as compras a tempo de irem para o espectáculo.digo eu.

como é que eles querem que alguém a controle. enquanto o Earl comia à pressa a sanduíche e já estava muito provavelmente de regresso. Para eu continuar a correr este risco mês sim mês não. mas agora já .eu que nunca vira cinquenta dólares até ter vinte e um a-nos. Posso não estar propriamente com os pés plantados em cima de uma secretária de mogno. Por isso. não preciso das secretárias de mogno de ninguém. tens de fazer o que eu digo. tive de largar tudo e ir a correr vender meia dúzia de pregos a um labrego. vou procurar o lugar onde isso seja possível. mas ganho por aquilo que faço dentro do armazém e. digo eu. E precisamente quando eu me preparava para começar. e ver os outros rapazes com as tardes e os sábados todos livres e eu a trabalhar no armazém. porque se o Earl pensava que eu ia numa fugida ao Roger para engolir à pressa dois patacos de indigestão por causa dele. estava muito enganado. . não lho dês directamente a ela. e foi então que descobri que já não tinha cheques na caderneta. se quando saio para a rua não posso levar uma vida civilizada. e a mesma educação. É como eu digo.Se lhe queres mandar dinheiro . Se não acabou-se. Sei cuidar dos meus interesses. precisamente na altura em que eu estava pronto para começar. Lembrei-me até de que já tinha reparado que era preciso ir buscar mais. Parece-me que a Mãe sabe melhor o que ela precisa do que tu. com ela a dar-lhe dinheiro pelas nossas costas? Ela tem a mesma casa que tu tiveste. que nem sequer tens uma casa para morar.digo eu manda-o para a Mãe.

Deves estar à espera de que ela te mande dinheiro. Ela depois mostra-ta.É meio-dia. . Fui atender o homem.diz ela. . olhando para mim.diz ela.. e então levantei os olhos e lá estava ela. acho eu. . . .era muito tarde.digo eu. Jason . para já estares aqui.Não vou almoçar a casa ..Veio? . . . . Deves ter ido a casa num instante.Por favor. Onde te ensinaram a pedir por favor.E para mim veio alguma? .digo eu. Quando me virei para voltar .O que é que se passa? .Hoje finalmente deves ter ficado na escola .A Mãe recebeu uma dela . . ouvi bater o reló190 gio mesmo agora.Ela disse que. Ela aproximou-se da secretária. .Mas não a abri. Só tive tempo de meter tudo na gaveta e fechá-la. .diz ela.É da minha mãe .Estavas à espera de alguma carta? .diz ela.Tens algum namorado que saiba escrever? . . Na porta das traseiras.Nunca te vi tão ansiosa por causa de ninguém.digo eu.digo eu.Por favor.digo eu. Jason .diz ela.Veio alguma carta da minha mãe? . Tens de esperar até ela a abrir. Ouvi-a perguntar por mim ao velho Job. . sem prestar atenção.diz ela. Espera um instante. vou atender aquele freguês.Recebeste alguma carta hoje? . Olhei para o relógio. . -já almoçaste? .

para dentro, ela estava escondida atrás da secretária. Corri. Contornei a secretária e apanhei-a quando ela tirava a mão da gaveta. Para lhe tirar a carta tive de lhe bater com os nós dos dedos na secretária até ela a largar. - Querias, não querias - digo eu. - Dá-ma - diz ela. - Tu já a abriste. Dá-ma cá. Por favor, Jason. É minha. Vi o meu nome. - Dou-te é umas boas correadas, isso sim - digo eu. Isso é que eu te dou. A mexer nos meus papéis. - Traz algum dinheiro? - diz ela, tentando agarrá-la. Ela disse que me mandava dinheiro. Ela prometeu. Dá-ma. - Para que queres tu o dinheiro? - digo eu. - Ela disse que mandava - diz ela. - Dá-me a carta. Por favor, Jason. Nunca mais te peço nada, se ma deres desta vez. - Dou-ta, mas tens de esperar - digo eu. Tirei a carta do sobrescrito com a ordem de pagamento e dei-lhe a carta. Ela não 191 quis saber da carta e só queria agarrar a ordem de pagamento. Primeiro tens de assinar aqui - digo eu. - Quanto é? - diz ela. - Lê a carta - digo eu. - Lá deve dizer. Ela leu-a a correr, num abrir e fechar de olhos. - Não diz - diz ela, olhando para mim. Deitou a carta para o chão. - Quanto é? - São dez dólares - digo eu. - Dez dólares? - diz ela, trespassando-me com o olhar. - E devias estar muito contente por receberes esse

dinheiro digo eu. - Uma miúda da tua idade. Que pressa é essa agora para receberes o dinheiro? - Dez dólares - diz ela, como se falasse a dormir. - Só dez dólares? - Tentou agarrar a ordem de pagamento. - Estás a mentir - diz ela. - Gatuno! - diz ela. - Gatuno! - Querias, não querias? - digo eu, mantendo-a à distância. - Dá-me isso! - diz ela. - É minha. Ela mandou-o para mim. Quero vê-lo. já disse. - Ah queres? - digo eu, agarrando-a. - E como é que vais fazer? - Deixa-me vê-lo, Jason. - diz ela. - Por favor. Nunca mais te peço nada. - Julgas que estou a mentir, não julgas? - digo eu. Só por causa disso, não te deixo ver. - Mas só dez dólares - diz ela. - Ela disse que... ela disse-me que... Jason, por favor.. por favor. Eu preciso do dinheiro. Preciso mesmo. Dá-me isso. Faço qualquer coisa para mo dares. - Diz-me para que precisas tanto do dinheiro - digo eu. - Preciso, pronto - diz ela. Olhava-me bem de frente. De repente deixou de olhar para mim, embora os olhos continuassem na mesma posição. Percebi que ia mentir. - É que devo um dinheiro - diz ela. - Tenho de o pagar. E tem de ser hoje. - A quem? - digo eu. Ela torcia as mãos. Vi que estava à procura de uma mentira para dizer. - Tens andado a fazer compras a crédito outra vez? - digo eu. - Nem precisas de responder. Se houver alguém nesta cidade que te venda alguma coisa a crédito depois do que eu lhes disse, já cá não está

quem falou. 192 - É uma rapariga - diz ela. - É uma rapariga. Pedi dinheiro emprestado a uma rapariga. E tenho de lho pagar. Dá-me isso, Jason. Por favor. Eu faço qualquer coisa. Eu preciso disso. A Mãe depois paga-te. Eu escrevo-lhe para ela te pagar e digo-lhe que nunca mais lhe peço nada. Podes ver a carta que eu escrever. Por favor, Jason. Eu preciso desse papel. - Diz-me para que o queres, e logo se vê - digo eu. Vá diz lá. - Mas ela ficou parada a torcer o vestido com as mãos. Está bem - digo eu. - Se dez dólares não te chegam, leva a ordem de pagamento para casa para a Mãe e já sabes o que acontece. Mas claro, se estás assim tão rica, não precisas de dez dólaEla continuou parada, de olhos no chão, a resmungar sozinha. - Ela disse que me mandava dinheiro. Ela aqui diz que manda dinheiro e tu dizes que não. Ela diz aqui que mandou muito dinheiro. E diz que é para mim. Que parte é para mim. E tu dizes que não velo dinheiro nenhum. - Sabes tanto do assunto como eu - digo eu. - Viste o que aconteceu àqueles cheques. - Pronto, está bem - diz ela, sem tirar os olhos do chão. Dez dólares - diz ela. - Sejam dez dólares. - E agradece a Deus serem dez dólares - digo eu. Toma - digo eu. Pus a ordem de pagamento virada ao contrário sobre a secretária, e prendi-a com a mão. Assina aqui.

- Deixas-me ver? - diz ela. - Só quero olhar. Seja o que for que lá venha, só quero os dez dólares. Tu podes ficar como resto. Só quero ver. - Não depois da maneira como te portaste - digo eu. Tens de aprender uma coisa, que é que quando eu te digo para fazeres qualquer coisa, tens mesmo de fazer. Assina aqui nesta linha. Ela pegou na caneta, mas em vez de assinar, ficou parada de cabeça curvada, com a caneta a tremer na mão. Tal e qual a mãe. Meu Deus - dizia ela. - Meu Deus. - É - digo eu. - É uma coisa que tens de aprender nem que seja a última coisa que aprendes. Vá, assina e sai daqui para fora. 193 Ela assinou. - Onde está o dinheiro? - diz ela. Peguei na ordem de pagamento, sequei-a com o mata-borrão e meti-a no bolso. Depois dei-lhe os dez dólares. - Agora volta para a escola, estás a ouvir? - digo eu. Não respondeu. Amarfanhou a nota na mão como se fosse um trapo e saiu pela porta da frente no preciso momento em que o Earl vinha a entrar. Entrou com ele um cliente e pararam ta. junto à porta. - Muito trabalho? - diz o Earl. - Nem por isso - digo eu. Ele olhou lá para fora. - A@uele carro ali é o teu? - diz ele. - É melhor não

pensares em ires almoçar a casa. Deve aparecer muita gente antes de o espectáculo começar. Vai comer qualquer coisa ao Roger e manda pôr na minha conta. - Muito agradecido - digo eu. - Mas ainda posso pagar o meu almoço. E lá ficou ele, a vigiar a porta como um falcão até eu voltar. Bem, foi só por pouco tempo; eu despachei-me o mais depressa que pude. Da última vez tinha dito olha é o último; não te podes esquecer de ir buscar mais. Mas quem pode lembrar-se de alguma coisa nesta correria? E logo o raio do espectáculo havia de chegar no dia em que eu tinha de correr a cidade à procura de um cheque, além de tudo o mais que tinha de fazer na loja e o Earl à porta, de olho alerta como um falcão. Fui à tipografia e disse que queria pregar uma partida a um amigo, mas ele não tinha nada. Todavia mandoume ir ao antigo teatro da ópera, onde tinham arrecadado uma data de papelada que viera do antigo Banco Merchant & Farmer, quando faliu, e eu lá meti por mais umas tantas ruelas para o Earl não me ver até que encontrei o velho Simmons que me deu a chave e fui até lá procurar. Acabei por encontrar um maço de cheques de um banco de Saint Louis. E claro que havia de ser desta vez que ela ia olhar bem para o cheque. Mas não tinha outro remédio. Não podia perder mais tempo. Voltei para o armazém. Esquecime de uns papéis que a Mãe quer pôr no banco - digo eu. Fui para a secretária e passei o cheque. Com a pressa com que estava, digo até para comigo que é

muito bom a vista dela estar a enfraquecer, com aquela putazinha dentro de casa, uma cristã 194 temente a Deus como a Mãe. Digo sabe tão bem como eu no que ela se vai tornar, mas Isso é lá consigo, se a quer manter e criar só por causa do Pai. E ela começa a chorar e a dizer que ela é do seu sangue e eu limitome a dizer Está bem. Faça o que quiser. Eu aguento se a Mãe aguentar. Dobrei a carta muito bem, fechei-a e saí. - Vê se não te demoras mais que o estritamente necessário - diz o Earl. - Está bem - digo eu. Fui ao posto do telégrafo. Os espertalhões estavam lá todos. - Então já algum de vocês'ganhou o tal milhão? - digo eu. - Quem é que pode fazer alguma coisa com um mercado destes? - diz o Doc. - Como é que está? - digo eu. Entrei e olhei. Estava três pontos abaixo da abertura. - Eh rapazes, vocês não se vão deixar abater por uma coisa sem importância como o mercado do algodão, pois não? digo eu. - Julguei que fossem mais espertos. - Espertos uma ova - diz o Doc. - Estava doze abaixo ao meio-dia. Limpou-me. - Doze pontos? - digo eu. - E por que é que não me disseram? Por qu 'é que não me disseram? - digo eu ao telegrafista.

- Eu transmito o que me chega às mãos. Não dirijo nenhuma bolsa clandestina. - Está a armar-se em esperto, ou quê? - digo eu. Parece-me que com o dinheiro que aqui gasto, podia bem ter-se dado ao trabalho de me telefonar. Ou será que a sua maldita empresa está de conluio com os especuladores do leste? Não respondeu. Fingiu que estava muito ocupado. - Está a pisar o risco. Se continua assim, ainda vai ter de ir trabalhar para ganhar a vida. - O que é que se passa consigo hoje? - diz o Doc. Ainda está com três pontos de vantagem. - Sim - digo eu. - Se estivesse a vender. Mas não me lembro de ter dito que estava. E vocês, tudo raso? -A mim apanharam-me duas vezes - diz o Doc. - Inverti mesmo a tempo. 195 - Bem - diz o 1. O. Snopes -, eu às vezes ganho; é justo que de vez em quando sejam eles a ganhar. Deixei-os a comprar e a vender uns aos outros a um níquel o ponto. Encontrei um negro e mandei-o buscar o meu carro e fiquei à espera na esquina. Não conseguia ver o Earl a olhar para um lado e para o outro e a consultar o relógio, porque de onde estava não via a porta do armazém. Demorou para aí uma semana para trazer o carro. - Por onde andaste? - digo eu. - Às voltas por onde essas

pegas te vissem? - Vim o mais depressa que pude - diz ele. - Mas tive de contornar a praça, com aqueles carros todos. Ainda estou para encontrar o negro que não tenha um alibi perfeito o que quer que seja. Mas deixem um à solta num carro e ele tem de se exibir. Entrei e dei a volta à praça. Vi o Earl do outro lado, à porta. Fui direito à cozinha e disse à Dilsey que se despachasse com • almoço. - A Quentin inda não chegou - diz ela. - E depois? - digo eu. - Daqui a pouco estás a dizer que • Luster ainda não tem fome. A Quentin sabe a que horas se come nesta casa. Despacha-te. A Mãe estava no quarto. Dei-lhe a carta. Abriu-a, tirou o cheque e ficou sentada com ele na mão a olhar para ele. Fui buscar a pá da lareira e dei-lhe um fósforo. - Vá - digo eu. Acabe com isso. Não tarda está a chorar. Ela pegou no fósforo, mas não o acendeu. Ficou sentada a olhar para o cheque. Tal como eu previra. Detesto fazer isto - diz ela. - Tornar ainda mais pesado o teu fardo com a Quentin... - Cá nos havemos de remediar - digo eu. - Vá, acabe com isso. Mas ela continuava imóvel de cheque na mão. - Este é de um banco diferente - diz ela. - Os outros têm sido sobre um banco de Indianapolis. - Pois é - digo eu. - As mulheres também fazem destas coisas. 196

Quando penso que.Podia fazer um esforço.. . Se quiseres.Oli .digo eu. depois de ter passado quinze anos a destruí-los? . não precisamos da caridade de ninguém. Deus sabe que estou a fazer o que é certo .Fazer o quê? .Se continuar a fazê-lo.digo eu.diz ela. E muito menos da de uma .Sabe que não.e aceitá-los . . . .Mas por vezes receio que ao fazer isto vos esteja a privar do que por direito vos pertence.digo eu. Quer que eu acenda o fósforo? . os Bascorribs. .diz ela.Brincadeira? .Fico contente por saber que ela está tão. .Deixo tudo ao teu cuidado .Ainda não a vi na sopa dos pobres. ..Vá. Acabe com a brincadeira. Está dito.digo eu. Não tenho amor-próprio. teria perdido cinquenta mil dólares.diz ela. .diz ela.É .. . .diz ela. ..digo eu. .Nunca se sentiria bem . .. .Qual seria a vantagem de começar agora.. E cá nos temos arranjado. .Então . engulo o orgulho e aceito os cheques.diz ela.Pelos meus filhos.diz ela. .Julguei que era por brincadeira que queimava todos os meses estes duzentos dólares . E examinou o cheque. que tem tanto. . .Ter dinheiro em dois bancos diferentes . está dito.Nós. não temos? digo eu.Vamos lá. mas se começasse agora a aceitá-los. . não perdeu nada.. Nós cá nos havemos de arranjar. Talvez venha a ser castigada.

Mas não são minhas filhas . eu recebia-a de volta de bom grado.Lá por isso.Devo isso à memória do teu Pai. Bem. . . não sou muito exigente. . mas é a mim que compete sofrer pelos meus filhos . .Tu não percebes nada . com os seus pecados e tudo. .digo eu. .diz ela.diz ela. . pegou fogo ao cheque e deixou-o a arder em cima da pá.diz ela.Deixe-a voltar .mulher perdida. .Graças a Deus nunca saberás o que sente uma mãe. .Não é por mim diz ela -. podia ter-lhe dito que não havia grande probabilidade 197 de alguém magoar a Quentin.Não .Há muitas mulheres no mundo na situação dela digo eu. Acendeu o fósforo.diz ela.Sei o que pensas dela. .diz ela.Eu aguento. . depois fez o mesmo ao envelope e ficou a vê-los consumir-se.digo eu. ..diz ela. mas quero poder comer e dormir sem ter de aturar um par de mulheres a chorarem pelos cantos e a lamentarem-se. mas como sempre digo..E por ti . .Quando ele passava a vida a tentar convencê-la a deixá-la voltar para casa quando o Herbert a pôs fora? . É pela Quentin. . . . porque é sangue do meu sangue.Sei que não pretendes tornar isto ainda mais difícil para mim.Tu não sabes o que isto é .

Posso comer uma sanduíche na cidade..A Quentin'irida.Mas parece que ela está à espera da Quentin ou do Luster ou coisa assim. .Não me estou a queixar.Antes queria ver-te morto no caixão.diz ela.Bem.diz a Mãe. Levei-o para a chaminé e deitei as cinzas lá para dentro. Não quero complicar a vida da Dilsey . . .Sei que não tivestes as oportunidades que os outros tiveram.Faça como quiser . .digo eu.digo eu.digo eu. .Ela levantou-se. . que tiveste de te enfiar num armazém de . . nesse caso tenho de ir .Mas ela foi até ao cimo das escadas e charnou-a.Eu quero ver-vos a todos satisfeitos . . O papel ardeu todo.digo eu. .Vamos já almoçar? digo eu. .É que.Tá bem. o salário do pecado diz ela.Disse alguma coisa a não ser que tinha de voltar para o trabalho? . Hoje há muito movimento. e a Dilsey a arrastar-se de um lado para o outro e a resmungar: . não chegou . vai pá mesa o mais depressa que eu pudé.Só me parece uma pena queimar dinheiro bom .Que eu nunca vej a o dia em que os meus filhos tenham de aceitar este dinheiro. . tá bem. se não vamos.diz a Dilsey. . .digo eu. Tento facilitar-vos a vida o mais possível. eu chamo-a. pois não? . . .Parece-me que exagera . Deixe. Isto foi o suficiente para ela começar outra vez a chamá-Ia. Espere. tenho de voltar para o armazém.Eu sei .digo eu.Eu já lhe disse . . .digo eu.

hoje estaríamos todos bem melhor.Em breve partirei.Se calhar nunca teve um banco. a correr ao longo da cerca e a mugir como uma vaca quando eles andam lá fora a jogar golfe. E. Sei que sou um fardo para ti . já fez tudo o que se podia esperar de si e muito mais do que outros teriam feito.já diz isso há tanto tempo que começo a acreditar - . esse estava também a mentir .. não me parece que fosse preciso vir até ao Mississípi para encontrar um gerente. se tinha.e eu digo: . Acho que se o tivessem mandado logo para Jackson. e o Herbert. depois do que ele tinha prometido. por que não o manda então para lá deduz os encargos nos impostos? E ela diz: . .. e depois quando tudo o resto falhou. por que não o mandamos para Jackson? Lá seria mais feliz. mas não é preciso ser-se muito orgulhoso para não se gostar de ver um homem de trinta anos a brincar no terraço com um rapaz preto. Ouvia o Ben na cozinha.Bem. . Mas eu queria que fosses mais longe. E vou eu e digo Deus sabe que nesta família há bem pouco espaço para o orgulho. E vou eu e digo. onde o Luster lhe estava a dar a comida.digo eu.198 província. convenci-me de que quando ela casasse. Sabia que o teu pai nunca iria perceber que tu eras o único com jeito para o negócio... Fomos comer. já cumpriu o seu dever para com ele. se temos de alimentar mais uma boca e ela não quer aceitar o dinheiro. É o que eu digo. entre pessoas como ele.

Que posso eu fazer .digo eu. Nunca.Não precisava de mais de um dia para a endireitar.só que digo eu o melhor é não me avisar do dia em que vai morrer. Isto fez-me lembrar da carta.Vocês nunca me obedeceram. porque meto-o logo nessa noite na carreira 17 e acho que sei de um lugar para onde a posso mandar a ela também e o nome desse lugar não é de certeza nem rua da Fortuna nem avenida da Felicidade. . . . .digo eu.Se não andasse sempre a interferir. .diz ela.Então não a deixe sair . Dilsey? 199 . .Tens o feitio do Tio Maury. .digo eu. Viste bem. Ela abriu-a.O banco depois diz-lhe quanto foi desta vez. . Ela sabe que tem de vir . abra-a .Não precisa de a abrir . . eu fazia-a obedecer digo eu.diz ela. Fomos comendo.Vem dirigida a ti . . .Sabe muito bem que eu não a deixo andar por aí a passear pelas ruas em vez de vir para casa na hora das refeições. Tireí-a do bolso e entreguei-lha.diz a Mãe.Vá. .diz ela. A Mãe mandou a Dilsey para a porta para ver se via a Quentin. leu-a e entregouma.Ias ser muito bruto com ela .digo eu. Já lhe disse que ela não vem . Ela começou a chorar e eu digo Está bem está bem tenho tanto orgulho nos meus parentes como qualquer outra pessoa mesmo que às vezes não saiba de onde eles vêm.

a solidificação definitiva dos meus negócios. .começava ele Vais gostar de saber que me surgiu agora uma oportunida. através da qual poderei restituir à posição que por direito lhe pertence a família da qual eu tenho a honra de ser o único descendente do sexo masculino.Meu querido sobrinho . de momento. A minha experiência nos negócios ensinou-me a ter o cuidado de não revelar nada que seja confidencial de outro modo que não seja a viva voz. e vejo claramente nela ao meu alcance aquele objectivo que há muito venho implacavelmente a perseguir: isto é. não poderei entrar de momento em grandes detalhes. Acontece que. de onde hoje mesmo levantei uma pequena quantia. a família na qual sempre incluí a senhora tua mãe e os seus filhos. e por razões que depois explicarei. mas em vez de recorrer a estranhos para o fazer. acabei de examinar pormenorizadamente todos os aspectos da questão e é sem a mínima hesitação que te digo que se trata de uma daquelas oportunidades que aparecem uma vez na vida. não me encontro numa situação financeira que me permita corresponder às exigências que a oportunidade envolve. preferi recorrer à conta bancária da tua Mãe.de em relação à qual. o necessário para completar o meu investimento inicial. Escusado será dizer. até ter a possibilidade de to comunicar de uma maneira mais segura. e a minha extrema precaução nesta matéria será suficiente para te dar uma ideia da importância do que está em jogo.

de um homem de negócios para outro. como certamente compreenderás. Isto é uma revelação confidencial. Seria melhor restituir simplesmente a quantia ao banco num futuro mais ou menos próximo. trata-se de mera formalidade. atrevo-me a sugerir que não lhe digas nada.e da mais pura qualidade. nós damos conta sozinhos dos nossos recados. digamos. uma nota de dívida a oito por cento ao ano. peça do destino. como ela. Irei naturalmente aplicar esta soma como se fosse minha e permitir assim à tua mãe aproveitar esta oportunidade que a minha análise exaustiva mostrou ser um filão de primeira água . num montante global adicionada das outras pequenas quantias que lhe devo. Escusado será dizer. É nosso dever protegê-la o mais possível deste mundo crasso e materialista em que vivemos. Com todo o afecto do teu Tio. Melhor ainda. por mera formalídade. e não dizer nada. não é verdade? Conhecendo a saúde delicada da tua mãe e o receio com que todas as senhoras sulistas de esmerada educação. aconselho-te a que o não faças. para garantia da tua Mãe 200 caso se verifique aquela circunstância da qual o homem é sempre joguete.da qual junto.se me é permitido o chavão . e aindala sua encantadora propensão para divulgarem involuntariamente tais assuntos nas suas conversas. . encaram os negócios.

digo eu.Maury L. está bem .O que supostamente será duro para alguém . Eu é que lhe digo que não se preocupe com o meu ordenado até fecharmos as cobranças todos os .diz a Mãe.diz ela. não digo mais nada.digo eu.Mesmo que se encontre numa situação aflitiva.Seguro como um banco.Ele é meu irmão .Ele fez-te esperar seis dias . . 201 .O dinheiro é seu. isso é lá consigo. atirando a carta pela mesa fora. Bascomb. Quando partirmos os dois.Ele é meu irmão .digo eu. .Vejo o peso que tens nos ombros. Quer que dê autorização ao banco para lho pagar? . Que pensa fazer? .Se quiser atirá-lo aos pássaros. Está bem. está bem.diz ela. . .diz ela. .Eu sei que tu reparas no que eu lhe dou . .digo eu. Está bem.O último Bascomb. .Eu cá tornava as coisas mais fáceis desde já .digo eu. . .diz ela. Quando eu me for tudo será mais fácil para ti. . . .O negócio é sólido . já não haverá mais.digo eu. .Tens a certeza de que o negócio é seguro? Acho estranho que um negócio solvente não possa pagar a tempo e horas aos empregados. .Vou-lhe buscar o livro de cheques .Sei que não gostas dele . . . Traga para cá os mendigos todos se lhe apetecer.digo eu.Vou levantar hoje o meu cheque do ordenado.O dinheiro é seu . Faça dele o que quiser.

. . sei que estás a pensar mal da memória do teu pai . .Fui lá acima.Ora essa.diz ela. . Vou buscar o livro de cheques.Eu não ia suportar que perdesses o pouco que eu tenho para investir em ti .diz ela. tirei o livro de cheques da gaveta dela e voltei para a cidade.Se vai começar a chorar . É por isso que às vezes se atrasa. acho eu. vai ter de chorar sozinha.digo eu. .Deixe-o em paz . e passei pelo .Faziam o mais que podiam. . . Não tem problema.E tens razões para o fazeres. .meses. . Mas parte-me o coração ouvir-te dizer isso. tu tens lá mil dólares.Penso muitas vezes que o Earl não é um bom negociante.Eu vou lá .Nem sabes o conforto que me dás . deixe-o em paz . agradeci a Deus teres sido tu a ficar.diz ela. . porque eu tenho de voltar para o trabalho.Eu vou. .Não.Quando falas assim. Tenho a sua procuração. .digo eu -.digo eu.Eu estou atento. Vou falar com ele. . a ordem de pagamento e os outros dez dólares.Deixe-se estar .Eles eram bons .O negócio é dele.digo eu. já que Ele me tinha querido levar os outros. .diz ela. .Sempre foste a minha alegria e o meu orgulho. Levantei-me. . .digo eu. . acho eu. Sei que ele não te dá a confiança que o valor do teu investimento no negócio devia requerer. mas quando vieste ter comigo por tua própria iniciativa e insististe em depositar o teu salário todos os meses na minha conta. Fui ao banco e depositei o cheque.

posto do telégrafo. . Treze pontos. Estava um ponto acima da abertura. Bem.diz ele. e 202 tudo porque ela. .Não ouvi dizer nada. então para que serve estar a pagar para os receber? Além disso.digo eu.Para nos entregar relatórios semanais? Como é que quer que um homem assim possa fazer alguma coisa? O raio da escala podia rebentar e nós nem sabíamos.digo eu.diz ele. .Há cerca de uma hora . Eu já tinha perdido treze pontos. um homem que só paga para ver mostra que não tem confiança em si próprio. é o que eu digo.Há uma hora? . . Raios me partam se acredito que alguém sabe alguma coisa do raio deste negócio excepto os tipos que estão todos repimpados lá nos escritórios de Nova lorque a ver os tansos dos provincianos irem levar-lhes o dinheiro de mão beijada. . .digo eu. Voltei para o armazém.E para que é que nós lhe pagamos? .Eu não espero que faça nada . por causa daquela carta. Union. estas pessoas estão mesmo no centro dos acontecimentos. sabem de tudo o que se passa.Eles alteraram a lei para as pessoas que jogam no algodão.Ah alteraram? . . .teve de vir fazer-me a vida negra ao meio-dia. .digo eu. se não for para seguir os conselhos que nos dão.A que horas chegaram essas cotações? . Devem ter mandado as notícias pela Western. .

São unha com carne com essa corja de Nova lorque. E isso faria deles uma bolsa clandestina. E também não ia perder tempo. mas tenho de passar a tarde com ele no escritório. o Earl olhou para o relógio.digo eu . é o que eu digo. Não há como um lojista de meia tigela. Eles querem lá saber das pessoas.Sentia o telegrama no bolso. pelo menos seria de esperar que uma companhia tão grande e tão rica como a Western Union fosse capaz de receber as cotações da bolsa a tempo e horas.digo eu. Nessa altura disse: . .digo eu. não há como um homem que não tenha mais de quinhentos dólares para se preocupar com o negócio como se ele valesse cinquenta mil. .Tive de ir ao dentista .O combinado é uma hora para a refeição . porque onde eu como não é da conta dele. Qualquer um podia ver isso. . Pelo menos com metade da velocidade com que nos mandam um telegrama a dizer que temos a conta a zero.diz ele. Só tinha de provar que estavam a usar a companhia dos telégrafos para defraudarem pessoas.Esperava que voltasses logo. Quando entrei. . E ainda por cima a ouvi-lo resmungar depois de tudo por 203 que eu já tinha passado.Podias ter-me avisado .Troco este dente consigo quando quiser e ainda lhe dou dez dólares por cima . Que raio.e se não lhe .Foste comer a casa? . Mas não disse nada até o cliente sair.

diz ele. Mas ela é uma senhora e eu tenho muita pena dela.Sim? . É uma pena que outras pessoas que eu conheço não possam dizer o mesmo. para ouvir o que ele tinha a dizer antes de o fazer calar.E quando é que vai espalhar a notícia de que o roubei à minha mãe? . vou dizer-lhe também mais esta: vá ao banco e pergunte-lhes em que conta é que eu tenho depositado cento e sessenta dólares no dia um de cada mês desde há doze anos. .Já que sabe tanto. o melhor é deixá-lo.Eu não vou contar nada .Eu não vou dizer nada . . . já o tinha feito há muito tempo. . deixando-o continuar. . Jason .diz ele.Há muito tempo que te dou cobertura para o negócio que sabes. .diz ele.Sei que ela te deu uma procuração. nada feito. Se não fosse pela tua mãe. não julga? . .diz ele. Descobri que quan. Nunca mais lhe disse nada.Julga que sim. .digo eu. . E que quando um homem mete na cabeça que tem de fazer queixa de nós para nosso próprio bem.Pois pode ficar com ela .Há algum tempo que ando a pensar nisso . Ainda bem que não .agrada o que eu faço.digo eu. .Só te peço para teres mais cuidado daqui para a frente.Aposto que sei muito mais acerca de onde veio aquele automóvel do que ela. . Jason. .Quando precisarmos da sua pena eu aviso-o com antecedência.do um homem embica para um lado. Não adianta.Está bem . .digo eu. E também sei que ela ainda está convencida de que tem mil dólares aqui investidos. já sabe o que tem a fazer.digo eu.

Os meus livros estão à disposição de toda a gente. Qualquer que tenha. quando eles já deviam saber disso há muito mais tempo do que eu. Só que ele ia de certeza dar tudo para a igreja ou coisa parecida. É o que eu digo. Se há coisa que'me irrite é um hipócrita. Que raio de sorte há-de ter um homem amarrado a uma cidade como esta e a um negócio como este? E eu podia tomar-lhe conta do negócio por um ano e dar-lhe tanto a ganhar que ele nem ia precisar mais de trabalhar. ou . Um homem que pensa que tudo aquilo que não entende muito bem como se faz deve ser desonesto e à primeira oportunidade se sente moralmente impelido a ir contar à terceira parte o que não tinha nada de contar. Estava bem arranjado se fosse tão cuidadoso com as minhas coisas como ele é para evitar que o seu negócio de meio pataco lhe renda mais de oito por cento.204 tenho uma consciência tão frágil que tenha de cuidar dela como de um cachorrinho doente. se de cada vez que um homem faz qualquer coisa que eu não entendo completamente eu digo que ele deve ser um vigarista. Chego a pensar que está convencido de que são capazes de o prender por usura. se tirar um lucro superior a oito por cento. e se não sabiam a culpa não era minha e ele diz: . acho que não me ia custar nada encontrar alguma coisa nos livros que achasse que não valia a pena ir a correr contar a alguém que eu achasse que entendia.

Sei que ficaste privado de algumas coisas que o Quentin teve.digo eu. eu tinha de lhe dizer a verdade. .Claro que não vai dizer nada . . Limitava-se a levá-la lá e deixava-a encontrar a resposta sozinha.Acho que a sua consciência é uma empregada mais zelosa do que eu. nem por mim nem por mais ninguém.ache que tem. . Mas por favor não a deixe interferir com o meu apetite . pode vir consultá-los e será muito bem recebido. . Sabes isso muito bem. . porque como raio hei-de eu fazer alguma coisa como deve ser com aquela maldita família e ela sem se preocupar em controlá-la a ela ou a qualquer dos outros. E não vou mentir. direitos sobre este negócio. Não é pelos mil dólares. O senhor contar.digo eu. .Então está bem . É porque um homem nunca chega a lado nenhum se os factos não estão de acordo com os livros.digo eu. não contava. e se ela viesse aqui perguntar-me por que te tinhas demitido. Mas a tua mãe também teve uma vida infeliz.Isso iria contra a sua consciência. como daquela vez em que viu um deles a beijar a Caddy e no dia seguinte andou todo o dia vestida de preto e com um .Não estou a querer intrometer-me nos teus negócios diz ele. pelo menos não tem de 205 ir almoçar a casa ao meio-dia.

É uma sorte nunca termos tido reis nem presidentes. pelo menos teria a certeza de ser bastardo.véu pela cara e nem o Pai lhe conseguiu arrancar uma palavra que fosse além do choro e de que a sua filhinha estava morta e a Caddy. digo eu. esse parafuso ainda te cresce na mão. Voltei para os fundos. governadores e generais. na altura apenas com quinze anos. O que é que tu achas que os gorgulhos vão comer se não montares as capinadeiras a tempo de se plantarem as . para os irem dar a um bando de Yankees que vêm aí e pagam à vontade dez dólares pelos direitos. e as pessoas começaram a escassear. . Julgas que posso admitir que ela ande por aí com todos os viajantes que passam pela cidade. daí a três anos já tinha usado crinolina e talvez a lixa. Passado um bocado ouvi a banda começar a tocar. Sangue. e agora nem o Senhor provavelmente tem a certeza. E eu digo já que seria péssimo se ele fosse meu. A regatearem uma correia de vinte cêntimos para pouparem quinze. estávamos todos em Jackson a caçar borboletas.Bem . não posso dar-me a esse luxo com a cozinha cheia de negros para alimentar e a privar o manicómio da sua estrela. digo eu.Se não tens cuidado.digo eu. e que eles digam uns aos outros por essas estradas onde podem arranjar uma das boas quando vierem a Jefferson? Não tenho um orgulho por aí além. . para começar. E depois vou buscar um machado e corto-ta. Era vê-los a irem todos para o espectáculo.

Para terem autorização para actuar aqui . E depois ainda os Yankees nos dão cabo da cabeça a tentarem convencer-nos de que os pretos estão a ir em frente. .Aqueles fartam-se de tocá as cornetas . .Porqu@é que deram dez dólares é Mr. eu dava dez dólares só pa vê o tal homem pegá na serra. Pega nela como se fosse um banjo. . Buck? .Ouve . é o que eu digo. Porque. Por aí já podes calcular quanto vão gastar contigo.diz ele. ele diz: . Pois que os deixem ir em frente.Os dez dólares que o Buck Turpin tem neste momento no bolso dele.digo eu.Sálvia? . Disseram-me qu'há lá um homem quIa modos que toca música cuma serra.culturas? digo eu.diz ele.Sabes quanto é que aquele espectáculo vai render à cidade? Cerca de dez dólares . 206 .digo eu.Quê dizê qu'eles dão dez dólares só para darem aqui o espectáculo? Se tivesse de dar. . . Deixem-nos ir tão em frente que já nem com os cães se consiga encontrar um a sul de Louisville.digo eu. quando lhe disse que eles vinham no sábado à noite para cobrarem pelo menos mil dólares na região. . Por esse preço acho qu'amanhã de manhã ainda lhe estava a devê nove dólares e seis moedas.

Quando olhei a primeira coisa que vi foi a gravata vermelha que ele trazia e pus-me a pensar que raio de homem seria capaz de usar uma gravata vermelha..Isso é só o começo.digo eu.Duas moedas uma ova .digo eu. e s'eu não morrê té à noite são mais duas moedas qu'eles levam da cidade. quarenta e cinco minutos antes da hora a que ela devia sair da escola. S'isse. porque o sol batia nela em cheio e era o mesmo que . Mas ela já se ia a esgueirar pela travessa. . a olhar para a porta. . Eu posso bem gastar as duas moedas. E os dez ou quinze cêntimos que vais gastar numa caixa de rebu.diz ele. mais ou menos nessa altura olhei para a travessa e vi-a. Quando me meti para dentro e olhei para o relógio não reparei na altura quem ele era porque estava a olhar para o relógio. Bem. . Eram só duas e meia. lá isso é. fosse um crime.Não lhes quero mal por isso.çados de dois cêntimos ou coisa assim. a ouvires a música? . . nem todos os forçados eram negros.diz ele.Lá isso é vedade .Bem. . Porém não podia ver para dentro da porta.Bem . .Isso eu não discuto. e eu não pensei nada acerca dele até eles desaparecerem. E o tempo que já estás a perder agora. como ainda por cima passava mesmo em frente do armazém para me desafiar. Perguntava se ela teria tão pouco respeito por mim que não só faltava à escola depois de eu a ter proibido de sair de lá.Então não passas de um idiota .

em cabelo. fui atrás deles. deixá-la ir viver com as da sua laia. A única coisa a fazer é livrarmo-nos dela. mas eles estavam escondidos. à . um deles é pateta. mesmo que fosse nas ruas mal afamadas dos meus tempos de rapaz. o outro afogou-se e a outra foi posta na rua pelo marido. Por isso fiquei a vê-Ia passar. não há nada a fazer com uma mulher assim. E por isso eu estava a pensar que tipo de homem usaria uma gravata toda vermelha quando de repente percebi que se tratava de um dos artistas do espectáculo. já estaria metido nalguma embrulhada das boas. ia logo presa. a ter de andar a espiá-la pelas vielas para defender o bom nome da minha mãe. no meio da tarde. se aquilo já nasceu com ela. em cabelo. com um ar ainda mais doido do que ela. não há nada a fazer. com a cara pintada que nem um palhaço e o cabelo todo torcido e empastado e um vestido que se alguma mulher o tivesse trazido para a rua. por que é que os outros não háo-de ser doidos também? Via que as pessoas não tiravam os olhos de mim. Se lhe está na massa do sangue. eu aguento muito. Por isso. se não fosse assim. Eu.tentar enxergar para lá dos faróis de um automóvel. É o que eu digo. quando eles viraram a esquina. E ali estava eu. Raios me partam se elas não se vestem como se quisessem que todos os homens por que passam na rua estendam a mão e lho apalpem. Bem. como falcões. Como qualquer pessoa naturalmente pensaria. Saí para a rua. sem mais nada a tapar-lhe as pernas e o rabo.

já era de esperar.espera de uma oportunidade para dizerem Bem. não me apanhou de surpresa. P a encher-lhe o copo e vem ela agora dizer Tu não respeitas a memória do teu pai e eu digo não sei porquê conservada está ela e por muito tempo simplesmente se eu fosse doido também sabe Deus o que eu faria fico doente só de olhar para a água e mais depressa bebia um copo de gasolina que um copo de uísque e a Lorraine 208 a dizer-lhes sabem ele não pode beber mas se julgam que é menos homem por isso eu digo-lhes como hãode fazer para tirar isso a limpo e depois diz Se te apanho com alguma destas putas sabes o que é que eu faço diz ela agarro-me a ela e dou-lhe tantas que a mato e eu digo se não bebo é cá comigo já alguma vez te faltei com alguma coisa digo eu vou-te comprar tanta cerveja que até podes tomar banho nela se te apetecer porque tenho muito respeito por uma puta honesta porque com a saúde da Mãe e depois de tudo . a família é toda doida. Venderem terras para o mandarem para Harvard e pagarem impostos para o dinheiro ir para uma universidade estatal que eu não vi entrar mais que duas vezes num jogo de basebol e não deixar que o nome da filha seja pronunciado em casa até que daí a pouco tempo o Pai já nem à cidade ia passando os dias em casa agarrado à garrafa eu bem lhe via a fralda da camisa de dormir e as pernas e ouvia a garrafa tilintar até que por fim já tinha de ser o T.

Bem. Só quando ia assinar é que percebi do que se tratava. andava a correr ruas e travessas na companhia do raio de um artista de variedades de gravata vermelha ao pescoço com toda a gente a olhar para ele e a pensar mas que raio de homem será este para andar assim de gravata vermelha. deixam-na acumular uns lucros e zás! A sua conta fechou a 20. Bem. Viu-me e meteu por algum beco. Francamente não sei como uma cidade do tamanho de Nova lorque pode albergar gente suficiente para extorquir o dinheiro dos papalvos da província. Era a última coisa que faltava acontecer-me. excepto um que seja tão estúpido que acredite na palavra de um judeu. Qualquer idiota. o rapaz não se calava e eu peguei no telegrama sem prestar atenção. A sua conta fechou a 20. para mim chega. ainda paga dez dólares por mês a um tipo que lhe diz como há-de fazer para perder o dinheiro mais depressa. seria capaz de dizer que as . Mata-se uma pessoa a trabalhar o dia inteiro todos os dias e de repente recebe um bocado de papel. Entusiasmam-na. Acho que sempre soube o que era. especialmente depois de já ter registado o cheque no livro. como se não bastasse. Ela tinha-se enfiado nalgum canto.62. e abri-o sem grande ansiedade. E. Foi a última vez que me levaram à certa. um tipo que ou não percebe nada do assunto ou está feito com a companhia telegráfica.o que eu faço para manter a dignidade da família é duro vê-Ia ter tão pouco respeito pelo que eu tento fazer por ela que faça do nome dela do meu nome e do nome da minha Mãe nomes de passe na cidade.62.

cotações iam continuar a subir com o maldito delta prestes a ficar alagado de novo e o algodão levado na enxurrada ano após ano.Eu dou conta do recado. Bem. Não ando atrás de nenhuma fortuna. isso é coisa para estes papalvos da província. . Vai lá . E diz o Earl: Ele encontrou-te. eu só quero recuperar o dinheiro que esses judeus dum raio me tiraram com as suas tramóias. mas já estou habituado. . Voltei para o armazém. Não são más noticias. já não dava tempo de fazer grande coisa. Pensei que estivesses lá para as traseiras. A cidade é muito pequena.E trouxe-me as notícias. .digo eu. não encontrou? Passou por aqui há bocadinho. Encontrou . Pode dizer que não. E não precisei de ir para Harvard para aprender isso.digo eu. já tinha entrado toda a gente e agora podiam poupar o fôlego. nunca mais vão ver a cor do meu dinheirinho. eu só quero ganharlhes uma vez e recuperar o meu dinheiro. E depois acabou-se.diz ele. Claro que as inundações vão repetir-se e o algodão vai passar para sessenta cêntimos o quilo. e eles em Washington a gastarem cinquenta mil dólares por dia para manterem um 209 exército na Nicarágua ou lá onde é. Não podiam escondê-las de mim durante toda a tarde. A banda tinha parado de tocar. se isso o confortar. Eram quase três e meia. espero. Vou ter de sair por um instante .

che a cair aos bocados com um rapazola negro a conduzir então vá porque Deus . Eu não.Só perguntei por perguntar . E digo também julga que eu ia a andar para aí às voltas com o carro se pudesse evitá-lo. Depois de tudo o que já se passou devo estar doido para continuar. Fui buscar o carro e voltei para casa. E agora sou capaz de chegar a casa e ter de sair à procura de um cesto de tomates ou coisa parecida e ter de voltar depois para a cidade a cheirar que nem uma fábrica de cânfora se não quiser ficar com a cabeça como se estivesse prestes a explodir a todo momento.Vou procurar não me demorar mais que o necessário.Eu dou conta do recado. .diz ele. Podes ir.diz ele. A senhora sabe lá o que é uma dor de cabeça digo eu.Se quiser saber tem de ir ao telégrafo .Eles lá têm tempo de sobra para lhe contar. . .digo eu. . 210 Estou farto de lhe dizer que a aspirina não passa de farinha e água para doentes imaginários. Ela vai gostar de saber . duas ao meio-dia.digo eu.A tua mãe sabe que pode contar comigo. Às vezes penso que nada vale a pena. . Uma vez esta manhã. a ter de correr a cidade toda atrás dela e de lhes mendigar um pouco de comida que sou eu que pago. Demora o tempo que for preciso . e agora outra vez. Passo bem sem ele aprendi a passar sem muitas coisas mas se se quiser arriscar a ir nessa cale.

podia passar o dia a fazer visitas como as outras senhoras. A Dilsey disse que ela estava em casa.já não posso vir a casa a meio da tarde sem pôr tudo em alvoroço? .diz ela. .Acha que sim? . .digo eu.digo eu. então o melhor é comprar-lhe um carro porque eu sei que gosta de andar de carro e a senhora também sabe disso. mas para a próxima talvez acerte digo eu.Passa-se alguma coisa? . . . .Viste a Quentin? .diz ela.Não precisa de estar sempre aqui metida .O que é que quer? .diz ela.Depois de teres tido de comer à pressa.protege os que são da laia do Ben. .diz ela. Subi a escada e. Quando entrei no vestíbulo pus-me à escuta mas não ouvi nada. Se quisesse.Quando eu .Quando é que já a viu chegar antes de anoitecer? . ela chamou-me.Já passa das três . . . .Passo aqui tanto tempo sozinha que dou fé de todos os ruídos.diz ela. . Ela já cá devia estar.Ouvi o relógio dá-Ias pelo menos à meia hora.Por que é que se havia de passar? . precisamente quando ia a passar pela porta do quarto.Por acaso não estou. . .Está na escola .diz ela. . Pensei que estivesses mal disposto .digo eu.digo eu.Só queria saber quem era .Mas ela devia estar em casa . Ela abriu a porta. Deus sabe que devia fazer qualquer coisa por ele mas se julga que eu vou entregar uma máquina que vale mil dólares nas mãos de um negro seja ele ainda miúdo ou já grande. .

Tirei a caixa.Só não quero preocupar-te .Mas não aconteceu nada . .diz ela. .digo eu. Pensei na cânfora.. Ela não. voltei a esconder a caixa.era rapariga.E.Estava só a pensar que poderia ter acontecido alguma coisa.Não que eu goste de me meter nos teus assuntos. Quer alguma coisa? Daí a pouco ela diz: . .Bateu na porta errada.diz ela.diz ela. . . Agora só tinha de fazer mais uma viagem..Tinha alguém que a obrigava a portar-se bem .Mas olhe que não parece. 211 . Ela estava à espera à porta do quarto. . .digo eu. Nada. .Entrei para o meu quarto. dei a volta à chave e saí. . . . .digo eu.E depois foi-se embora.Quer alguma coisa da cidade? . . Até pensei que pudesse estar enganado.Eu bem tento.Por isso devia sentir-se satisfeita. sabe-se lá porquê. .digo eu.O que é? . mas agora era tarde de mais.digo eu. contei o dinheiro. não me deixa a mim tentar digo eu. . Fechei a porta à chave muito devagarinho e esperei que a maçaneta rodasse sozinha. mas não sei o que faria se alguma .Ainda bem .Não. . Nessa altura ela diz: lason.Não .Não consigo fazer nada dela .

Fartamo-nos de gastar dinheiro com a manutenção das estradas mas diabos me levem se não é como guiar por cima de chapa ondulada. vi a gravata vermelha. quando eu estava a pensar que diabo pretendiam eles com aquilo.Eu estou bem . De repente travou. continue a insistir .coisa te acontecesse. Como é que um carro pode provocar uma dor de cabeça? . Jason.digo eu. . Devias tomar uma aspirina.digo eu. o carro derrapou e rodopiou e.Sempre se entretém. Meti-me no carro e arranquei em direcção à cidade. Desde pequeno. . depois do que já lhe tinha dito. Só me lembrei da cabeça quando cheguei ao primeiro cruzamento e tive de parar.Sabes que o cheiro da gasolina sempre te fez mal diz ela. Ouvi os pneus chiarem. Tinha acabado de entrar na rua principal quando vi um Ford vir como louco direito a mim. .Devias tomar uma aspirina . Isso.Sei que não vais deixar de levar o carro. E a seguir vi a cara dela à janela a olhar para trás. O carro desapare212 ceu por uma ruela. nem que seja um . Vi-o aparecer de novo. . Quando reconheci a gravata vermelha. .digo eu. A gravata era vermelha. . varreu-se-me tudo da mente. mas quando lá cheguei já ele se ia embora a toda a velocidade.diz ela.É só uma dor de cabeça. Gostava de saber como é que eles querem que um homem conduza como deve ser.O que é que o carro tem a ver com isso? .

os que cá vivem . E então digo tenho tentado evitar que se preocupe com ela. O que eu lhes digo é já a minha família era dona de muitos escravos e vocês não passavam de uns reles comerciantes e lavradorzecos de pedaços de terra para quem nem um negro olharia duas vezes. O mais provável era terem-no roubado. pelo menos que seja para quem me pague. cá por mim. e digo mais. seja qual for a dívida que a senhora possa ter para com ela. é-se capaz de qualquer coisa. não ouve o que eu tenho de ouvir. E digo ainda a que mais pode ela ambicionar para além dos caixeiros viajantes e dos artistas de meia-tigela que passam pela cidade quando já nem os rufias cá da terra querem saber dela. é deixá-la ir para o inferno tão depressa quanto quiser e quanto mais cedo melhor. É o que eu digo. A senhora não sabe o que se passa digo eu. E então tive de parar no cruzamento. Tenho muito amor ao meu carro para o meter aos saltos por ali fora como o outro fez @o Ford. mas pode ter a certeza de que não os deixo ir sem o troco. Quando se tem sangue da qualidade do dela. Parecia que tinha alguém lá dentro a martelar.carrinho de mão. Foi nesse momento que me lembrei da cabeça. a bater-lhe com toda a força. já está paga. de agora em diante só tem de se culpar a si própria pois sabe bem o que é que faria qualquer pessoa sensata. E eu digo. E digo ainda se é para eu passar metade do tempo a fazer de detective. o sangue fala sempre mais alto. Para que se haviam de preocupar. E se calhar nem os cultivavam. Foi uma sorte Deus ter feito alguma coisa por esta terra.

O Ab Russell estava na propriedade dele. Daqui onde estava podia avistar uns bons quilómetros de terra que nem sequer tinha sido lavrada. e os 213 homens válidos da região enfiados na cidade a assistir ao espectáculo. só que este já estava atrasado. Quando lá chegasse já o espectáculo tinha acabado. não ia encontrax vivalma que me indicasse sequer o caminho para a cidade. e com a fartura a que estão habituados. Logo a seguir.nunca fizeram nada. mas entretanto tenho de trabalhar dez horas por dia para encher a barriga a uma cozinha cheia de negros. E depois digo está sempre a falar do que se sacrifica por nós quando podia muito bem comprar dez vestidos novos todos os anos com o dinheiro que gasta no raio dos remédios que toma. mas nem me dei ao trabalho de lhe perguntar fosse o que fosse. E ela a querer que eu tomasse uma aspirina. se tinha visto passar duas pessoas num Ford. Do que eu preciso não é de um remédio que cure as dores de cabeça. e ainda por cima mandá-los para o espectáculo com todos os outros negros da região. Sendo assim. aproximou-se do carro e quando eu finalmente consegui fazê-lo perceber a minha pergunta. disse que sim. e ainda não estava muito . E eu digo quando quiser pão como-o à mesa. Sexta-feira à tarde. Se eu fosse um forasteiro a morrer de fome. é só de não ter nada que mas provoque. segui em frente e quando cheguei ao cruzamento com o trilho das carroças vi marcas de pneus.

talvez ela não se consiga controlar. não é que eu seja totalmente contra. indo ter a um valado cheio de silvados. mas o mato tornava-se cada vez mais denso e. o Earl estava provavelmente a telefonar para minha casa para saber de mim e a deixar a Mãe toda aflita. cheio de mato rasteiro. parecendo cada vez que poisava os pés no chão que vinha alguém atrás de mim a dar-me com um pau na cabeça. Com tanto êxito como tudo aquilo em que ela se metia. Tinham tentado escondê-lo. Quando finalmente cheguei ao fim. Sabia que eles não podiam estar longe. E agora tinha de ir de volta e atravessar um campo lavrado. vi que me tinha desviado tanto que tive de parar e ver se descobria onde estava o carro. É o que eu digo. sem ter de me desequilibrar a cada passo. mas quando me embrenhei no arvoredo. Estou sempre com medo de ir dar com eles no meio da rua ou debaixo de alguma carroça no meio da praça a portarem-se como caes. vi que o piso estava intransitável. e tive de me desviar. durante todo este tempo. Estacionei o carro e saí cá para fora.longe do estábulo dele quando vi o Ford. é por ela não ter consideração pela família e não ser minimamente discreta. estavam provavelmente atrás do arbusto mais . Só pensava que quando acabasse de atravessar o campo teria pelo menos terreno plano à minha frente. Segui 214 por esse valado por algum tempo. o único que eu vira desde que saíra da cidade.

Não conseguia pensar em mais nada a não ser na minha cabeça. Continuei a andar. Eu estava todo coberto de bichos. e assim. Só não percebia por que razão logo havia de ser urtigas e não uma cobra ou coisa assim. por dentro e fora da roupa e até nos sapatos. Não devo nada a uma pessoa que tem tão pouca consideração por mim que não se ralou nada de me meter o Ford ao caminho para me fazer perder a tarde e o Earl poder levar a outra ao escritório para lhe mostrar os livros só porque é . troncos e porcarias do gênero. e já nem queria saber se tinha visto ou não. tentando não fazer barulho e nisto ouvi um cão ou coisa parecida e percebi que quando ele me pressentisse vinha por aí que nem uma seta e estava tudo estragado. É o que eu digo. como as minhas pernas ja não consumiam tanto sangue. quero lá saber. e por isso dei meia volta e vim em direcção à estrada. Não fazia a mínima ideia de onde estaria o carro. e ali estava eu parado a cogitar se teria realmente visto mesmo um Ford. e então olhei em volta e vi que tinha a mão em cima de um monte de urtigas. o melhor era parar e pôr-me à escuta.próximo. Depois continuei. Mas nem me dei ao trabalho de tirar a mão. ela que se deite debaixo de tudo o que usa calças na cidade. ele afluiu-me todo à cabeça pondo-ma como se fosse explodir a todo o momento. Mas como não sabia a que distância estava. e o sol a declinar e a baterme em cheio nos olhos e aquele zumbido nos ouvidos que não me deixava ouvir nada. Deixei-me ficar muito quieto até o cão se ir embora.

Se ele pensa que pode andar aí pelas matas com a minha sobrinha. Olha-me só para estes rufias de cabelo embrilhantinado. Cheguei à estrada mesmo a tempo de os ver desaparecer. e a ti também. mas a buzina não se calava. mas livra-te de 215 que eu te apanhe a fazer isso neste lugar. Com o sol a bater-me nos olhos e tudo o resto. como se dissessem Aahhh. quando eu lhe deitar as mãos àquela gravata vermelha até vai pensar que ela é o cordão que abre as portas do inferno. a tocar a buzina. enquanto se afastavam. Não paravam de buzinar. e com as silvas e tudo o mais a prender-me. Correr de . Bem. o sangue a latejar de uma maneira que eu pensava que a cabeça me ia estoirar a cada momento. Partiram como loucos. Aaaalihhhhhhh. cheguei finalmente à vala de areia onde eles tinham estado e reconheci a árvore onde o carro tinha ficado. onde vive a minha mãe.vencidos de que fazem o diabo a quatro. mas não deixes que eu te apanhe com a boca na botija digo eu. Vais passar um mau bocado no céu sem poderes atrapalhar a vida das outras pessoas. eu mostro-lhes quem faz o diabo a quatro digo eu. se fecho os olhos é por causa da tua avó.estuporadamente honesto para este mundo em que vivemos. Quando cheguei ao sítio onde tinha deixado o meu carro. já não os via. ouvi o carro arrancar. con. e precisamente quando ia a sair da vala e começar a correr. não me ocorreu mais nada a não ser Corre. Aabhh.

216 Chegava até a ser engraçado. O pôr-do-sol aproximavase e a cidade estava a cerca de sete quilómetros. Mas o mais provável era que alguém a tivesse tirado para a dar ao Ben para ele brincar como se fosse uma pistola de água. Aproximei-me da porta. a perder-se na distância. Enfim. Por fim calou-se e ouvi uma vaca a mugir no estábulo do Russe11. Na altura pareceu-me que o carro estava um pouco mais inclinado que a inclinação natural da estrada. ali estava eu sentado. mas só descobri o que era quando entrei e me pus em marcha. E mesmo assim não me passou pela cabeça. para lhe abrirem um buraco. Tentar fazê-la acreditar que não te deitei a mão naquela vala por um triz. Tentar fazê-la acreditar que estavas de pé. Aahhhhh. porque se ele quisesse até . Tentar fazêla acreditar que não sabia quem ele era. E a buzina a dizer Aahhhhh. a menos que se tivesse lembrado disso enquanto ele esvaziava o pneu. abri-a e levantei o pé. Correr para casa e tentar convencer a Mãe de que não te vi dentro desse carro. Fiquei ali um bocado. porque ela não era tão esperta que se tivesse lembrado de tirar a bomba de ar com antecedência. a pensar naquela cozinha cheia de negros e nem um tinha tido tempo de pôr um pneu em cima do porta-bagagens e apertar uns parafusos.volta à cidade. Limitaram-se a deixar sair o ar. Aaaahhhhhhhh. Eles nem ganas tiveram para o furarem.

Pois ele nem sabe como tem razão. Não sei porquê. chamam-nos um bando de labregos e acham que a cidade é pequena demais para eles. Se é assim que pensa. Parei. Vamos esquecer por momentos o que eu sinto por ti e o que tu sentes por mim: eu não te fazia uma coisa destas. E ela também. mas não consigo aceitar que uma mulher seja capaz de fazer uma coisa assim. Ninguém lhe tocou no carro.me desfaziam o carro. Eu não te fazia uma coisa destas fosse lá o que fosse que tu me tivesses feito. Isso não me saía da cabeça. Pa que havíamos nós d'ir lá mexê? e eu digo Sorte tua que és negra. é deixares o teu próprio tio servir de escárnio a um tipo que até usa uma gravata vermelha. Fui até à propriedade do Russe11. quanto a mim. então o melhor é pôr-se a andar e boa viagem. Fui ao bar tomar um comprimido e depois fui . Uma pequena falha da parte deles. porque só um branco é idiota ao ponto de se preocupar com o que faz uma cabra duma rapariga. Ele tinha uma bomba. Troco contigo de lugar quando quiseres. a voz do sangue é a voz do sangue e não há nada a fazer. e a Dilsey a dizer. Nem sabes a sorte que tens. Não é teres-me pregado uma partida de que qualquer miúdo de oito anos se podia lembrar. devolvi a bomba ao Russell e voltei para a cidade. Só continuava a não acreditar que ela tivesse tido a coragem. Chegam à nossa cidade. Porque como eu sempre digo. Não parava de pensar.

217 . compra alguma coisa com isso se puderes. só para ver qual era a mentira que me queriam impingír desta vez. com tendência .Cerca das três e meia . . . Abri-o. mas não sabiam onde estava diz ele.Não é culpa minha.Eu fiz tudo o que pude para lho entregar .digo eu.digo eu.A que horas chegou? . A bolsa vai estar instável. estou mesmo a precisar e eu digo Que maçada. Ele estendeu-me um telegrama.até ao posto do telégrafo. e ela vai dizer Mas eu estou a precisar. . Tentei falar-lhe para o armazém por duas vezes e telefonei-lhe para casa.digo eu. . .Eu tentei entregar-lho . Devem estar em muito má situação para precisarem de vir até ao Mississípi roubar-me dez dólares por mês. Quarenta vezes cinco dólares. Limitei-me a olhar para ele. eu estou sem dinheiro. . pois não? .diz ele. quarenta pontos abaixo. tenho andado demasiado ocupado para ter tempo de o ganhar.diz ele.Nunca tal coisa lhe tinha passado pela cabeça. vais ter de pedir a outra pessoa. era o que dizia. vasculhando na gaveta. Venda. .Vou dar-lhe uma novidade .digo eu.2 1. . As cotações tinham fechado a 20.Mas não o encontrei.Entregar o quê? .disse ele.digo eu.Vai ficar espantado de saber que por acaso estou interessado na bolsa do algodão . pois não? .

Mande este à cobrança . só comprei algumas acções enquanto julguei que a companhia telegráfica me mantinha devidamente informado. depois para o relógio.Mande à cobrança . Não há razão para alarme. . Ele olhou para a mensagem. . escrevi eu.digo eu. Bolsa apenas a um ponto de rebentar. . .A Bolsa fechou há uma hora .digo eu.A lista das cotações é afixada quando chega .Quanto custa um telegrama como este? .Pois é .digo eu. Escrevi outro telegrama e contei o dinheiro. Ouvia a banda a tocar ao fundo da rua. Oscilações passageiras para levar à certa mais uns quantos papalvos que ainda não foram ao posto do telégrafo. .digo eu. . . mas veja lá se sabe escrever c-o-m-p-r-a-r.digo eu. .digo eu.E mande este também. Não fui eu que a inventei. . .Quer enviar isto? disse ele.digo eu . .para descer.Bom .Então devo-lhes isso . 218 O homem olhou pua a mensagem. Ele disse-me.diz ele.isso também não é culpa minha. Compre.E em Memphis eles afixam-na num quadro de dez em dez segundos .diz ele. Ainda não mudei de ideias . . A Lei seca é uma grande coisa. Voltei para o armazém. pegando num impresso.Eu já sabia disto. . . Não fique alarmado com os relatórios oficiais.diz ele.digo eu.E eu que ainda esta tarde estive a cem quilómetros de Memphis.Eles já pagaram .

Mas não lhe passe pela cabeça que está a proteger-me deixando-me ficar. Depois foi à porta e olhou para o relógio do tribunal.Eu ouvi . .digo eu.diz ele.já sabe o que tem a fazer. já sabe o que tem a fazer.Não houve muito que fazer .Espero que não tenha sido nada de grave. Jason . .Pelo menos sei tratar da minha vida e deixar a dos outros em paz .Antigamente era vê-los chegar num sábado só com um par de sapatos para toda a família e era o pai que os trazia. e iam todos até à estação de recepção de encomendas levantar uma encomenda.Os meus desejos não contam.Se fizer . . . Olhou para o relógio. . .Foram todos ao espectáculo.O quê? . a vê-los passar.Davas um belo negociante se quisesses. .Assim não lhe custa tanto acreditar que ele lhe está a mentir.Deve ter um relógio que não presta para nada .digo eu . com og comerciantes à porta. .digo eu. agora vão todos ao espectáculo descalços.diz ele.digo eu.digo eu. E o Earl diz: .Queres deixar o emprego? .Nada . .E se fizer mal.digo eu. . .Espero não lhe ter causado grande transtorno.diz ele.O quê? . .digo eu. .diz ele.diz ele. à espreita como tigres numa jaula. . . .Isso não é comigo . .já disse que não faz mal . . Não faz mal.

digo eu. Talvez seja por isso que não saio . Estava tudo calmo lá atrás e daí a pouco a dor de cabeça melhorou.Sabes que te podes ir embora quando quiseres sem ser preciso saíres a mal. são a minha família. Se ela fosse minha filha. mas como é que eu ia ter cara de levar alguém lá a casa? Tenho muito respeito pelas pessoas para lhes fazer isso. Sobretudo porque não me diz respeito. um homem que vive até à minha idade e não sabe quando deve desistir é um idiota.. bebi água e saí para as traseiras. quem o faz são o raio destas mulheres que se dizem boas almas. puta ou não.Enquanto 219 for fazendo o meu trabalho. É o que eu lhe digo. isso era outra coisa. é para isso que me paga. idiotas e negros. Eu sou homem. ia era ter de trabalhar para encher a barriga a um punhado de inválidos.-me sabe bem que ficava . O Job já tinha as capinadeiras todas montadas. . tenho de aguentar. Bem. se resolvesse casar.Não sei por que razão estás a tentar fazer com que eu te despeça . porque nem ia ter tempo para essas coisas. e gostava de ver a cor dos olhos do homem que faltasse ao respeito a alguma mulher que fosse minha amiga.diz ele. . Fui lá para dentro. Agora ouvia-os cantar e depois a banda voltou a tocar. eles que levassem para lá todos os trocos das redondezas. ainda gostava de encontrar uma mulher honesta e temente a Deus que chegasse aos calcanhares da Lorraine.

digo eu. quando a banda se calou ouvi-os a arrulhar. Pagavam quarenta e cinco dólares a um homem para o limpar. o Padre Walthall apanhava umas boas barrigadas. da boa vontade entre os homens e nem um pardal no chão. se me casasse ia acabar por descobrir que ela era drogada ou coisa assim. não tem de ver o seu dinheiro ir todos os anos para a limpeza do relógio do tribunal para funcionar sempre bem. e os pombos esvoaçavam em torno do campanário. O sol já se tinha escondido por detrás da Igreja Metodista. E eu digo não muito obrigado já tenho mulheres que cheguem para me dar trabalho. Contei para mais de cem pombos novos . Cá para mim. Mas qualquer dia desapareço e nessa altura podes arranjar uma mulher mas nunca encontrarás uma mulher que te mereça e eu digo que sim que arranjava.toda inchada e ela diz o que eu quero é que sejas feliz e cries uma família em vez de te matares a trabalhar para nós. Não paga impostos. Ainda não tinham passado quatro meses desde o Natal. Mas a ele que lhe importa quantos são. ele não rem nada que fazer: que lhe interessa a ele 220 que horas são. Sabe tão bem como eu q ue se levantava logo da campa. pela maneira como ele pregava e como se agarrava às nossas espingardas quando eles vinham em bando. e eles já eram mais do que nunca. Falava da paz na terra. Até parecia que andávamos a matar pessoas. É só o que nos falta na família.

Tudo o que tinham de fazer era assobiarem as melodias.Nesse eu posso confiar. contarem as piadas aos habitantes dos estábulos e calcularem o que tinham poupado por não levarem também os animais ao espectáculo. O Earl apareceu com dois embrulhos.Aqui está mais mercadoria .no chão.digo eu. . Pensar-se-ia que seriam suficientemente espertos para deixarem a cidade.diz ele. desatrelavam a carroça na escuridão. .É uma bela banda . ganhava vinte e cinco cêntímos se levasse a família toda ao espectáculo. davam de comer aos animais e ordenhavam as vacas. hei-de dizer-lhe esta. .digo eu. Eles deviam estar a gostar. Foi até à porta e pôs-se a olhar lá para fora. . . acho eu . . era uma música rápida e aguda. como se estivessem prestes a acabar. . Tão simples como isto.já era altura de .Ele não se escapava assim .Está a referir-se a mim . Ainda bem que eu não tenho mais laços que me prendam do que um pombo. A banda tocava outra vez. Talvez levassem para casa música que chegasse para os entreter enquanto faziam os vinte ou vinte e cinco quilómetros de regresso.Onde está o Job? .diz ele.Não o deve ter vigiado bem. de ouvido à escuta.diz ele.Foi ao espectáculo. . Podiam calcular que se um homem tivesse cinco filhos e sete mulas.

Deixá-los gastar algum dinheiro num espectáculo de . Se ao menos deitassem veneno na praça. Cá para mim são tão incomodativos como os pombos. a cinco cêntimos cada 221 tiro.A menos que tenham resolvido tocar pela noite fora digo eu. zás. Por causa deles nem nos podemos sentar um bocado nos bancos do pátio do tribunal. é sinal que já não os quer ou que não devia tê-los. e se um comerciante não for capaz de impedir a sua criação de andar a correr pela praça fora. acabamos por ter uma cidade do campo. . As andorinhas já tinham começado a chegar e ouvia os pardais a invadirem as árvores do pátio do tribunal. Mal nos sentamos.diz ele -. De vez em quando avistava um bando a esvoaçar por cima do telhado. Mesmo em cheio no chapéu. se quiserem chegar a casa antes da meia-noite. o melhor é negociar noutra coisa além de Lplínhas.Não vai adiantar grande coisa se acabarem agora digo eu. .Têm de se apressar e meter-se à estrada. se todos os negócios de uma cidade forem geridos como os negócios do campo.Bem . . desaparecendo em seguida. viam-se livres deles de um dia para o outro. como por exemplo charruas ou cebolas. . Mas era preciso sermos milionários para os conseguirmos matar a todos. É o que eu digo.terminarem. qualquer coisa que não coma. E se um homem não alimentar os seus cães. o que importa é que se divirtam.

É isso? .Ele quem? .Eles já vinham a atravessar a rua.Acho que o melhor é ir para a porta da loja. que nem um par de peúgas têm de seu. Lá vêm eles .digo eu.Ou qualquer outra terra. Deitado na cama com um saco de gelo na cabeça.digo eu. . seja do que for que urna pessoa se queixe. .Ninguém os obriga a cultivarem a terra dos montes digo eu.É contra eu ter uma dor de cabeça nas horas de expedien. E é sempre alguém que nunca fez grande coisa na vida que nos vem dizer como havemos de governar a nossa. . de regresso do espectáculo. .E lá foi. . É curioso que.diz ele. Por que não vais a um bom dentista? Ele examinou-te bem os dentes esta manhã? . É como esses professores da universidade. .digo eu.Esta manhã disseste que ias ao dentista.diz ele.Eu cá já estava em casa a estas horas . .vez em quando. . e uma mulher que nem marido conseguiu arranjar a dar-nos conselhos .te? . . a ensinaremnos como 222 ganhar um milhão em dez anos.Tens essas dores de cabeça muitas vezes . .O que seria de ti e de mim. os homens nos digam todos para irmos ao dentista e as mulheres para nos casarmos. Os lavradores que vêm dos montes trabalham muito e ganham pouco. se não fossem os lavradores? diz ele.

Foi bom o espectáculo? . O velho Job chegou com a carroça. .Uma ova é que não foste .É esperto de mais pa mim.diz ele.digo eu.O Ben é o único qu'eu podia tentá enganá . . Até engana um home que chega a ser esperto de mais pa ele mesmo. fingindo-se muito ocupado a meter cinco ou seis embrulhos pequenos na carroça. É si sinhô . . .Toc'andar.digo eu.Mas esta noite hei-de ir dê lá por onde dê. .Então . Não há home nesta cidade que se lh`acompare em esperteza. Porqu'havia eu de tentá enganá um home que tanto se me dá qu'o veja sábado à noite como não? A si não tent'enganá-lo diz ele. . .É esperto de mais pa mim. 1 . Mr. . E quem é ele? . Eu digo essa traquitana está uma miséria e a senhora há-de conservá-la na cocheira por mais cem .Podes enganá-lo à vontade . . É o que dá meter um veículo nas mãos de um negro. Fiquei a olhar para ver se ele saía da rua antes de ela saltar.diz ele.sobre como criar uma família.Eu não digo nada.Ainda lá não fui .diz ele. Parou e levou o seu tempo a enrolar as rédeas à volta do cabo do chicote.digo eu. .Desde as três horas que ninguém te vê. Earl esteve mesmo agora aqui à tua procura.digo eu. Earl sabe ond'é qu'eu fui. Jason Compson . .Mr. É Mr.Andei a trará da minha vida .diz ele.diz ele. . Dan! Uma das rodas estava prestes a saltar.

Passam a vida a preguiçar. e lá dentro já começava a ficar escuro. como o Roskus. se fosse ele. É o que eu digo. e nós a termos de manter uma caleche e um cavalo só para ele ir passear aos sábados à tarde. desde que depois não tivesse de andar muito até casa. levar-nos na conversa. cujo único erro foi ter morrido um dia por distracção. . Fui até à porta. Ele sabe lá onde vai ou como vai. É deixá-los privar com os brancos e já não valem nem o trabalho de os matarmos.anos só para esse rapaz poder ir ao cemitério uma vez por semana. o 223 lugar deles é no campo. O Earl estava lá atrás a fechar o cofre e o relógio começou a dar horas. Cá por mim obrigava-o a ir no carro. Bem se ralava o Job se a roda ia saltar ou não. E digo ainda ele não é o primeiro a ter de fazer coisas de que não gosta. o Earl lá sabe. a roubar e a tentarem levar-nos na conversa. a trabalharem do nascer ao pôr-do-sol. Ficam de tal maneira que nos enrolam com toda a facilidade mesmo debaixo do nosso nariz. até que um dia não temos outro remédio senão dar-lhes uma rareia e mandá-los embora. Mas eu. como deve ser. Bem. não queria ver o meu negócio anunciado pela cidade por um negro trôpego e uma carroça que de cada vez que dava uma curva parecia que se partia toda. ou então ficava em casa. Não suportam nem a prosperidade nem o trabalho leve. A praça estava deserta. O sol era agora apenas um reflexo no céu.

disse Boa-noite e foi-se embora. Não .Quere-as de volta? . Os pardais chilreavam ainda nas árvores. . Sei quando já tenho a minha conta. . .diz ele..Na Pennant .diz o Mac.digo eu.Não há ninguém na Liga que lhes ganhe.Para quê? . Estava um Ford parado diante do bar. mas sei quando tenho a minha conta.Fecha tu a porta das traseiras . lembras-te? .diz ele. Trancou a porta.Ouvi dizer que este ano apostou nos Yankees. .Não.Se calhar vais logo ao espectáculo .Então . . .digo eu.Isso é que era bom . Acho que podia ensinar o Luster a guiar e assim já podia andar atrás dela o dia inteiro se quisesse. mas nem para ele olhei. Depois resolvi tomar mais um comprimido para as dores de cabeça só para prevenir.Ontem dei-te umas entradas. e fiquei por ali a dar dois dedos de conversa.Só já não me lembrava se tas tinha dado ou não. 224 .Eu não lhe chamo sorte .diz o Mac.julga que uma equipa pode ter uma sorte daquelas toda a vida? . Fui lá fechá-la e voltei para a loja. . . . e eu podia ficar em casa a brincar com o Ben.digo eu.Têm os dias contados digo eu.Claro . Era uma pena desperdiçá-las. .diz ele. Entrei e comprei dois charutos. mas a praça estava deserta tirando meia dúzia de carros. . .diz ele. Não me importo de tentar ajudá-la.

. Nem sequer gosto de olhar para a fotografia dele. . .Nada . e era a que ela tinha de manter à espera por alguns minutos por minha causa. .Não tenho nada contra ele.digo eu. o Ruth .Vim-me embora. Na noite em que colocaram os candeeiros novos junto do tribunal eles acordaram e passaram a noite a esvoaçar à volta do edifício e a irem de encontro ás lâmpadas.Mesmo que soubesse que ia ganhar. ..Posso dizer o nome de uma dúzia de jogadores em cada liga que são melhores que ele .diz o Mac.Ah não? .diz o Mac. pelo menos daquela vez não encontrei o Ben e o negro dele pendurados no portão como o urso e o macaquínho no jardim zoológico.digo eu. mas eles haviam de estar todos à janela e a Dilsey a resmungar na cozinha como se fosse a comida dela que tinha de manter quente até eu chegar.digo eu. Quem a ouvisse havia de pensar que só havia uma ceia no mundo.Eu nunca apostaria em nenhuma equipa onde jogasse esse gajo. É para aprender. Andaram nisto duas ou três noites. pendurando-se nele. a abanar a cabeça e a gemer. As luzes ainda não estavam acesas. Mas passados cerca de dois meses. voltaram outra vez.O que é que você tem contra o Ruth? . . . Meti em direcção a casa. As luzes começavam a acender-se e as pessoas regressavam a casa' Às vezes os pardais só se calavam quando era já noite fechada. Bem. Se o que lhe tinha acontecido . É só chegar o pôrdo-sol e lá vai ele para o portão como uma vaca para o estábulo. até que uma manhã tinham desaparecido todos.

A minha mãe tá lá em cima pá elas não se pegarem.Aquilo é que tem sido. se tivesse vinte cinco cêntimos. pede à Dilsey que te conte. E. O Luster e o Ben estavam lá.E ré podia. Desde que Miss Quentin chegou. nunca mais queria ver um portão na minha vida.digo eu. se não sabes o que foi que lhe fizeram. . porque não chegou a horas? . . A Dilsey apareceu.Qu@andou a fazê té à noite? Sabe qu'eu tenho muito que fazê. eu sei do que tu precisas do que tu precisas é do que eles fizeram ao Ben e então ias portar-te como deve ser.diz o Luster. . .diz ele.Pareceu-me ouvi a banda . Jason? -já . .diz ela.Ah já chegou . a tentar querer qualquer coisa que ele já não podia nem queria ter.por brincar com portões abertos me tivesse acontecido a mim. Perguntavame muitas vezes no que estaria ele a pensar enquanto se pendurava no portão a ver as miúdas virem da escola.digo eu.Quem me dera ir diz ele. . Mas é o que eu digo ainda 225 o deviam fazer mais vezes. O espectáculo já chegou.A pôr a ceia na mesa? . E o que pensaria ele quando eles o estavam a despir e ele olhava para o seu corpo e desatava a chorar como sempre fazia.Onde está a Dilsey? . Havia luz no quarto da Mãe. Mr. E digo mais. .Tá lá em cima cá Miss Wine . . Arrumei o carro e entrei pela cozinha.

.Tirei-os do casaco.Tenho aqui dois bilhetes que eles me deram. . .É verdade .diz o Luster podia ir 6 espectáculo.diz a Dilsey.Não posso brigar com ela .Não vás lá pá cima pô-lo a chorá outra vez. . O que é que ela diz que eu fiz desta vez? Que a obriguei a ir à escola? Que malvadez! .digo eu. Não quero ouvi falá mais nesse espectáculo.E se tivesses asas podias voar pó céu .Se calhar fui ao espectáculo . Porque não a deixa em paz? Não é capaz de vivê na mesma casa com a sua própria sobrinha sem brigá co ela? . .diz a Dilsey..porque não a vejo desde esta manhã. 226 . .A ceia já está pronta? .E podia se tivesse a minha moeda.É tratá da sua vida e deixá a dela em paz .diz a Dilsey.O que é que se passa? .digo eu .diz ela. . . .Quem me dera ir . Eu tomo conta dela s'o menino e Miss Cá line deixarem.S'ao menos eu tivesse a minha moeda .digo eu. . Vá lá para dentro e porte-se bem até eu pôr a sopa na mesa.Não tens nada qu'ir pó espectáculo . .digo eu.diz o Luster. Vai pá casa e fica manso .A Quentin entrou há bocadinho e disse qu'o menino andou a segui-Ia toda a tarde e então Miss Cá line deu-lhe uma descompostura. .digo eu.

e deixe-o em paz.-te.digo eu.É do dinheiro que eu preciso .digo eu. .Não ia lá nem que me dessem dez dólares.Po'favô. ..diz ele..Cala a boca .diz ele.digo eu.diz a Dilsey.embora.Eu não os quero para nada . Jason . . Mr.Não sabes qtMe nunca dá nada a ninguém? . Vá-s. . . Eu conserto-lh`os pneus todos os dias durante um mês.digo eu. .diz ele. Fingi que me ia embora.diz ele. .Não tenho que chegue . Jason .Eu não tenho tanto dinheiro .Oh.diz ele.digo eu.digo eu. .Mas eu não tenho dinheiro . .diz ele.Tá a pensá usá-los? . . .Não vai precisá dos dois.Deitei um dos bilhetes para dentro do fogão. siô. E dirigi-me para a porta.Paciência . Mr.Dê-fiium.Mr.diz ele.diz a Dilsey.Entrei aqui para os queimar. Jason . Jason . . .Paciência .digo eu.digo eu. .É teu por um níquel. . Voltei para junto do fogão.Ele tá só a arreliar. . Mas se quiseres comprar um por um níquel. .Não tem vergonha? .Atão dê-m@um. . olhando para ele e abrindo a porta da fornalha.diz a Dilsey.diz o Luster. . .Que tal? .Eu não . . .Cinco cêntimos . .Que pena .diz ele. .Vendo-te um . .Quanto quê por ele? . .digo eu. .Mr. Jason. . Ele vai usá os bilhetes.Porque não te calas? . Jason ..

. . a gemer e a choramingar. Continuava a não se ouvir nada . . . Não conseguia ouvir nada do que se passava lá em cima.Hoje não é preciso acender o lume.Então está bem . .Cala-te.Só que não estamos na Páscoa . . Acabe lá co'isso.É teu por um níquel . Daí a pouco o Ben e o Luster entraram.digo eu. Abri o jornal.digo eu. . O Luster pôs-se a atiçar o lume. Caluda . . Comecei a ler o jornal. O Ben foi para o sítio escuro da parede onde costumava estar o espelho.diz ela. .diz ela ao Luster.Deite-o lá pa dentro.diz ela. Deite-o lá pa dentro.diz a Dilsey. E deu-lhe um empurrão.A Páscoa é sempre muito fria . .Fora da minha cozinha.Vá lá .É pa vê s'ele se cala . foi buscar a almofada à cadeira da Mãe. 227 .Ele não tem um níquel.diz ele.Deixa o lume em paz.Queres qu'o Benjy comece? Logo eu peço vinte e cinco cêntimos à Frony e amanhã vais.diz ele. Ele pousou o atiçador.Que estás a fazer? . Deitei-o lá para dentro e a Dilsey fechou a porta do fogão.digo eu.digo eu.Um homem do seu tamanho . deu-a ao Ben e ele encolheu-se em frente da lareira e calou-se. . Fui para a sala. Vá .diz a Dilsey. . Vá. . Luster . Agora cala-te. . e pôs-se a esfregar as mãos na mancha. Vá lá.

digo eu. . 228 Sentia o olhar dela a observar-me da porta.já tá na mesa . . . Avisa-me quando a ceia estiver pronta . a gemer e a queixar-se. . . Continuei a ler o jornal.digo eu.Venha lá. .diz ela. Ouvi-a subir as escadas. . elas têm de vir comê-la à mesa.diz ela. e peguei outra vez no jornal. como se os degraus fossem a pique e .Está bem . Daí a nada vi a Dilsey a espreitar à porta. pa eu depois lhes levá qualqué coisa lá cima.Pa que faz isso .Venha o menino comê.digo eu. .Mas não ouvi ninguém descer.digo eu.Ah sim? . Estou à espera da ceia. . então está bem . . a arrastar os pés. Eu fiquei sentado a ler o jornal.Está bem . dizendo que a ceia estava pronta. .digo eu. Jason . .diz ela.diz ela.E o que disse o médico? Espero que não seja varíola.Pa vê s'eu me despacho. .Se a mãe estiver pior do que estava quando veio almoçar.Elas não vêm .digo eu.Por que não vem comê? .Estou à espera da ceia .Então estão doentes? .Mas enquanto eu pagar a comida de pessoas mais novas do que eu. . Ela saiu.digo eu.lá em cima quando a Dilsey entrou e mandou o Ben e o Luster para a cozinha.q'ando sabe bem todo o trabalho qu'eu tenho? . . .já o chamei. voltando para o meu jornal.diz ela .

A Dilsey voltou a aparecer à porta da sala.Agora és tu o chefe de família.por muito mal que me sinta.digo eu à Mãe. Só queria que tu e a Quentin se dessem melhor. Eu servi os pratos e ela começou a comer.tivessem um metro de altura. A Quentin estava sentada de cabeça baixa. Sei muito bem que quando um homem trabalha o dia todo gosta de se ver rodeado pela família à hora da ceia. sim . E eu gosto de te ver contente. . Finalmente vieram para baixo. Ficava muito mais tranquila.É o mínimo que posso fazer por ti.Nós damo-nos bem. . Eu continuava a ler o jornal. Sei que é pedir-lhe de mais. . -Antes que se lembre dout'a maldade. 229 . vir comer à mesa diz ela . A Quentin ainda não tinha levantado os olhos da mesa.diz a Mãe.Ainda bem que se sente com disposição de vir comer à mesa . .Venha diz ela. O nariz dela parecia um isolador de porcelana.Não me importo que ela fique fechada no quarto o dia todo se lhe apetecer.digo eu. Na sua casa. e depois voltar para o quarto da Mãe e então foi a Mãe que foi chamar a Quentin. mas é assim que eu quero as coisas em minha casa. .A casa é tua . Ouvi-a parar junto à porta do quarto da Mãe. Fui para a casa de jantar. depois ouvi-a chamar a Quentin. . . Tinha-se pintado outra vez. que devia ter a porta fechada à chave. Esta noite ninguém o atura. Mas não estou disposto a aturar amuos e disparates à hora das refeições. queria eu dizer.

Continuei a comer.Vê lá se queres mais um bocadinho de arroz? . Não respondeu. baixando rapidamente os olhos para o prato. .digo eu.diz a Mãe.diz ela. . .Sim. .digo eu.diz ela. .digo eu.diz a Mãe.. .Pensei que estavas a ficar com dores de cabeça . isso . Emprestei o meu carro a um tipo por volta das três horas e tive de esperar que ele mo trouxesse.Deixa-me só pôr mais um bocadinho . . não chegaram a aparecer. .Era um daqueles artistas que estão na cidade .Foi por isso que chegaste tão tarde? . mas apanhei-a a olhar para mim.Não.digo eu.Ali. E então digo: .digo eu. .Se não gostas.Estás a ouvir. .diz a Mãe. .Não. . Percebi que a Quentin era toda ouvidos.Não tens de quê. posso escolher um melhor. Tivemos tanto que fazer esta tarde que até me esqueci delas. . O garfo e a faca não pararam. .Que dor de cabeça? . quando vieste a casa. .Quem era ele? .digo eu. Está bom assim.A dor de cabeça já te passou? . Esta tarde.diz ela.Obrigada .diz ela.Apanhaste um bocado bom de carne? . .Não .digo eu. .Não quero mais . apanhaste um bocado bom de carne? digo eu. .O quê? . . Olhei para ela.

Claro que podes.Quem era a mulher? . Eu não disse mais nada.Não fazem mesmo. .Não gosto de falar destas coisas à frente da Quentin.Pois é .diz a Mãe. É por isso que. se eu puder evitá-lo.diz a Mãe.digo eu. nunca te peço nada.És bom de mais.digo eu. com a cara quase em cima do prato. perfeitamente imóvel. De vez em quando bebia água. Não sou como muita gente.Posso levantar-me? . Estavas à nossa . Depois.Pois é . A Quentin continuou a mastigar.Acho que as mulheres que passam o dia fechadas em casa como eu não fazem a mínima ideia do que se passa nesta cidade. disse: . . . Mas ele voltou sem novidade. . .diz a Mãe. sem olhar para ninguém. . . .Não devias emprestar o teu carro a gente dessa . . -A certa altura eu também fiquei com receio .Parece que o marido da irmã dele andava aí pela cidade com uma mulher e ele queria ir atrás deles. A Quentin ficou ali a esmigalhar a bolacha até eu acabar de comer. Disse que tinha encontrado o que procurava. .Eu depois digo-lhe .Graças a Deus que não sei nada dessas coisas ruins. .digo eu. 230 A Quentin já tinha acabado de comer.O quê? . E nem quero saber.digo eu.A minha vida foi tão diferente . . e depois pôs-se a esmigalhar uma bolacha.diz a Mãe.

.Avó. Ele... . e eu tenho de o aturar. Avó? .diz ela.digo eu. com uns olhos acossados. .olhou para nós. .Ele obriga-me a ser assim..espera? Ela olhou para mim.. 231 A culpa é dele .diz a Mãe. e depois começou a morder os lábios como se quisesse envenenar-se com tanta vermelhidão.diz ela. .. abanando os braços.Eu não lhe faço mal nenhum.Queres comer mais alguma coisa? . São tudo o que me resta agora. mas as mãos dela continuavam a mexer como se ainda estivessem a esmigalhar alguma coisa.Então por que não me deixa ele em paz? . ..Por que é que ele me trata assim..A culpa é dele . Se ele não me quer aqui. pendidos . ele que compra o pão que nós comemos. .Ele é o pai que tu nunca tiveste .. . . .Chega . e quero que passem a dar-se melhor.Ele não me deixa em paz.diz a Mãe. .Nem mais uma palavra. por que não me deixa voltar para. . Ele só. e os olhos eram os de alguém que se sentia acossada ou coisa assim.digo eu. É natural que queira que tu lhe obedeças. Deu um salto. Se ele ao menos. . . já tinha esmigalhado o pão todo. .diz ela.Avó .Eu quero que vocês se dêem todos bem ..diz ela.diz ela.

.Tudo o que eu fizer a culpa é tua .digo eu. . . E do . podia darlhe mais um bocado de carne a cada refeição.Tem de a obrigar a vir para a mesa a todas as refeições.É a primeira coisa acertada que lhe ouvi dizer . Se eu fizesse isso.Como é que sabe? . . Ela diz que esta tarde foi passear de carro com um rapaz e que tu a seguiste. .Ela hoje não foi à escola . . espere até segundafeira. Se se quer preocupar com isso. .digo eu. . Mas ela herdou a obstinação toda da família. .diz ela.diz ela.digo eu. tinha de arranjar maneira de a ver mais de uma vez ao dia .digo eu. Assim.Esteve na cidade? .ao longo do corpo.Como por exemplo não ligar nenhuma quando a Mãe me pede que veja se ela vai à escola? .diz ela. .Se eu ao menos o quê? .digo eu. .diz a Mãe. Ela hoje não foi à escola .Sei.Se eu sou má. Depois a porta bateu.Há pequenas coisas que podias fazer . . Como é que eu podia ter feito uma coisa dessas . Quem me dera morrer.digo eu.Sei que não foi.diz ela. . é tudo .Gostava que não fosses tão duro com ela.digo eu se andava outra pessoa com o meu carro? Se ela foi à escola ou não isso agora já não interessa .diz ela.Saiu a correr. é porque tenho de ser assim. Ouvimo-la pela escada acima. Eu queria tanto que tu e ela se dessem bem . Quem dera que morrêssemos todos. És tu que me obrigas.

para poder estar ao pé dele.diz ela. Ele passava a vida a dizer que eles não precisavam de ser controlados. punham-se logo ao lado do teu pai contra mim.Não estou a entender. . . como faziamcom o Tio Maury@ Eu sempre disse ao teu pai que tinham liberdade a mais.Eles mantiveram-me deliberadamente fora da vida deles .Uma mulher digna não entende muita coisa que é melhor nem saber. . que é tudo o que se pode ensinar a alguém. Espero que ele agora esteja satisfeito. .Como? .Anime-se. .digo eu.Que cabeça complicada a sua.Espero bem que não .Quentin também.Quando eu tentava corrigi-los. embora tu fosses muito pequeno para perceberes.digo eu.A senhora tem o Ben. . . . Meu Deus .digo eu. Na época pensei dar-lhe este nome para reforçar a herança que já trazia. que já sabiam muito bem o que era a pureza e a honestidade. Não admira que ande sempre doente.diz ela. que andavam de mais um com o outro.diz ela. Quando o Quentin entrou para a escola tivemos de a deixar ir logo no ano seguinte. 232 . . Às vezes penso que ela é o instrumento de vingança da Caddy e do Quentin sobre mim.Eram os dois assim . Olharam-te sempre a ti e a mim como dois estranhos. Sempre a conspirarem contra mim.Era sempre ela e o Quentin. E contra ti também. . Ela não suportava que algum de . .

Disse-lhe que devia 233 isso ao pai..Mas eu mereço. escrevi-lhe imediatamente a dizer que ela tinha de compreender que ela e o Quentin já tinham recebido a parte deles e um bocado da parte do Jason também e que dependia agora dela compensar o irmão.Ele parecia ser a única pessoa por quem ela tinha alguma consideração. E que outra como ela era mais do que ele podia suportar. Depois. Mas nunca acreditei que ele pudesse ser egoísta ao ponto de.diz ela. A senhora agora estaria muito melhor. Quando começaram a vender as terras para o Quentin poder ir para Harvard disse ao teu pai que ele devia dar-te o valor equivalente. . . Nunca imaginei que.Dizes isso só para me magoares . . E depois quando a vida dela se começou a complicar eu sabia que o Quentin ia achar que tinha de fazer também qualquer coisa ruim. . Mas isso também faz parte da vingança..vocês fizesse alguma coisa que ela não pudesse fazer.diz ela..Talvez ele soubesse que ia ser uma rapariga . .Foi uma pena não ter ido eu no lugar dele. .digo eu. já era a vaidade. Na altura ainda acreditava nessas coisas. acho eu. . . quando o Herbert se ofereceu para te levar para o banco eu disse O Jason já tem um emprego e quando as despesas começaram a subir e eu me vi forçada a vender a inobilia e o resto das pastagens..Ele podia tê-la dominado . a vaidade e o falso orgulho.digo eu.Enfim .

.Mas não passo de uma pobre velha.Não quis dizer isso. .digo eu.digo eu.Claro que não .Não quis dizer isso.Espero ao menos ser poupada a isso .E muito menos de uma mulher que nem pode dizer quem é o pai da própria filha. . . .Claro que sim . . . . .Não sei que mais havia de estar a fazer lá sozinha? diz ela.Ela tem-na continuado a aborrecer para sair à noite? . A culpa é minha.Então não pense mais nisso .digo eu.Não .jason! . .Não ia suportar uma coisas dessas . Mas para quê dizê-lo em voz alta.diz ela. . fui criada a acreditar que as pessoas eram capazes de renunciarem a si mesmas para ajudarem a família.Ela parece-se demais com eles para termos dúvidas.Nunca foi de grandes leituras. . .digo eu. Tiveste razão em me recriminares. . e dê graças a Deus digo eu. Fi-la entender que era para o bem dela e que um dia ainda me havia de agradecer.Julga que eu preciso da ajuda de alguém para governar a minha vida? . . Só se fosse para ela me começar a chorar no ombro outra vez.digo eu.digo eu.diz ela.Como sabe que ela está a estudar? . . .digo eu.Pronto .diz ela.A senhora não sabe. Sabe bem que não. . . depois de tudo o que já sofri.Não.Se eu achasse que isso era possível. . Leva os livros para o quarto e fica lá a estudaL Às vezes são onze horas e a luz ainda está acesa.

fui para o meu quarto. ele não ia dar pela diferença. quem nasce . Talvez ele não soubesse o que lhe tinham feito. Mas isso era simples de mais para passar pela cabeça de um Compson. diz a Mãe. Talvez tivesse aprendido isso na escola. tirei a caixa e contei-o outra vez. Acho que ele nem sabia o que tinha tentado fazer. a luz ainda estava acesa. Mas acho que nem isso ia valer de alguma coisa. começaram tarde derríais com os cortes e acabaram demasiado cedo. ou por que razão Mr. Depois ouvi a chave rodar na fechadura e a Mãe ir para o quarto. Ouvia o Grande Capão dos Estados Unidos a roncar 234 como uma plaina mecânica. E se o tivesse mandado para Jackson enquanto estava sob os efeitos do éter. é o que eu digo.Ouvi-a subir as escadas. Sei pelo menos de mais dois que precisavam de qualquer coisa do gênero. Via a fechadura vazia. Esperarem para fazer isso até ele fugir e tentar atirar-se a uma garota no meio da rua na frente do pai e tudo. Depois chamou a Quentin e a Quentin. mas não ouvi barulho. Quando terminei o charuto e fui para cima. diz O que é? Boa-noite. É o que eu digo. Tinha de ser pelo menos duas vezes mais complicado. Bem. de dentro do quarto. O estudo era silencioso. Burgess lhe batera com uma estaca que arrancou da vedação. Li algures que fazem isso aos homens para eles ficarem com voz de mulher. e um deles não está nem a dois quilómetros de distância. Dei as boas-noites à Mãe.

cama e outro pode ficar com o meu lugar à mesa. a testar a atmosfera. em vez de se dissolver em humidade. Oito de Abril de 1928 O dia amanheceu frio e fristonho. deixando uma camada. quando a Dilsey abriu a porta do casebre e se assomou ao relento. se lhe infiltraram lateralmente pela carne. Só quero uma oportunidade de recuperar o meu dinheiro. O vestido caía-lhe solto desde os ombros sobre os peitos descaídos. e ficou parada à porta. mas de uma substância semelhante na textura a um óleo muito fino e semi-solidificado.puta morre puta. não de gotículas de água. cintava ligeiramente sobre o ventre e . quase pó. que. Só queria vinte e quatro horas sem ter um desses malditos judeus de Nova lorque a dizerme o que se deve fazer. afastando em seguida a capa para o lado e examinando a frente do vestido. Não quero ganhar uma fortuna. parecia desintegrar-se em minúsculas partículas venenosas. E quando isso acontecer podem trazer cá para casa os bordéis em peso e os manicómios e então podem dormir dois na minha. Trazia um chapéu rígido de palha todo preto plantado em cima do turbante e uma capa de veludo castanho. com uma barra de pele indefinida e carcomida por cima de um vestido de seda de cor púrpura. trazendo de nordeste uma muralha de parda luminosidade que. isso é coisa para papalvos. erguendo para o ar o rosto milenário e encovado e uma mão descarnada de palma mole como a barriga de um peixe.

entrou em casa e fechou a porta. mas esvaídos. Outrora de fartas carnes. onde os próprios ossos pareciam sair da carne. após o que deu meia volta. sobre os saiotes de tons esplêndidos. Ao lado da casa. semelhante a prata velha ou às paredes das casas mexicanas caiadas à mão. até nada mais restar além do indomável esqueleto. como se tecidos e músculos tivessem sido a coragem ou a força de que os dias e os anos se tinham alimentado. erecto como ruína ou marco milenário sobre as sonolentas e imperscrutáveis entranhas. e encimado por um rosto descarnado.alargava de novo para baixo. dando-lhe sombra no Verão. havia três amoreiras de folhas cobertas de penugem que mais tarde se abririam plácidas e lisas como a palma de uma mão ondulando ao sabor das brisas. Um casal de gaios surgidos do vazio rodopiou . coberto de uma espécie de pátina do pisar de gerações de pés descalços. O terreno junto à porta era pelado. que ela ia tirando um a um à medida que a Primavera avançava e os dias quentes se instalavam. em balão. um rosto que ela virava 237 para o dia que nascia com uma expressão a um tempo fatalista e de pueril desilusão. o seu esqueleto erguia-se agora sob as pregas soltas da pele frouxa que o embrulhava e que ainda se esticava sobre um ventre quase hidrópico.

encaminhando-se de novo para os degraus com a lenha em equilíbrio precário. enquanto se esforçava por fechar o chapéu-de-chuva que encostou a um canto mesmo por detrás da porta. deitou-o no chão e apanhou um braçado de lenha para acender o fogão. sem pararem de gritar. E logo mais três se lhes juntaram e todos se baloiçavam e saltitavam nos ramos retorcidos. Enquanto se . apertando-o contra o peito com o braço em ângulo recto. pôs um avental imundo que estava pendurado na parede e acendeu o lume no fogão. Depois fechou-o.com as rajadas como tiras de pano ou de papel de cores garridas e pousou num ramo de amoreira. Deitou a lenha para dentro de um caixote que estava atrás do fogão. à homem. que ondulava em torno dela quando atravessou o pátio e subiu os degraus da entrada da cozinha. e capote militar de bainha esfiapada. mas sem o fechar. Voltou a aparecer daí a nada com um chapéu-dechuva aberto. apanhando em seguida o chapéu-de-Chuva e abrindo-o finalmente. foi até à pilha de lenha e pousou o chapéu-de-chuva. que o vento dilacerava e propagava como tiras de papel ou de pano. agora de chapéu de feltro. Tirou o capote e o chapéu. que virava contra o vento. onde ficou a baloiçar-se para baixo e para cima soltando pios guturais e lançando gritos ao vento. Deitou-lhe a mão imediatamente para não voar e ficou com ele na mão a olhar em volta. A porta do casebre abriu-se e Dilsey apareceu mais uma vez. por baixo do qual caía em tufos incertos um vestido azul de algodão.

Dilsey. mas. . . Compson começou a chamá-la do cimo das escadas.Deixe-o ficá e volte pá cama . . . Mrs. Dilsey . . sem ênfase. Na outra mão tinha um saco de borracha vermelho de água quente e estava ao cimo das escadas das traseiras a gritar Dilsey.disse Dilsey. e ainda outra. parando de traquinar no fogão. que clareava onde se projectava no chão o reflexo tíbio da janela. Mrs. anté's de ela sair pela casa de jantar e a sua cabeça se assomar na mancha de penumbra da janela. .entregava a esta tarefa. Compson chamou-a outra vez. tapando a luz. . sem inflexão e a espaços cadenciados. informe. 238 Trazia um roupão de cetim preto acolchoado.chamava ela.Pronto. Compson. respirando a custo.O lume tá pronto num minuto e a água ferve em dois. a chamar para a escuridão. .Há pelo menos uma hora que estou acordada e não ouvia barulho nenhum na cozinha. já cá tou. . que apertava com a mão por baixo do queixo.Apanhou as saias e subiu a escada.Pronto . sem lhe dar tempo de atravessar a cozinha. como se não esperasse uma resposta.Deixe-o aí e volte pá cama. Arrastava-se pela escada acima.disse Mrs. . raspando as barras da grelha e batendo com as tampas da fornalha.disse Dilsey. Dilsey respondeu. inflexão ou pressa. Encho-o assim qt@houvé água quente.Não estava a perceber o que se passava . gritando pela escada abaixo.

disse Mrs. Dilsey chegou ao cimo das escadas e pegou no saco de água quente. esteve até às tantas no tal espectáculo. quando se preparava para gritar outra vez. . Mrs. desviando a cara do vento. Depois foi até à porta. com . .Há pelo menos uma hora que estou acordada .Não foi co dinheiro do Jason qiMe lá foi . Compson. imóvel.Desceu a escada.disse Dilsey.disse ela. Compson. pa não acordar os outros enquanto eu não tive despachada. . abriu-a e gritou para a intempérie: .chamou ela. apareceu Luster a dobrar a esquina da cozinha.Pensei que estivesses à espera de que eu descesse para acenderes o lume. Sabes bem que não. tão inocentemente que Dilsey o olhou de alto a baixo por um momento. O Luster deixou-se dormir esta manhã. acendeu o lume e começou a preparar o pequeno almoço. Luster! . Disso pode tê a certeza. Entrou na cozinha. e.Escutou de novo. Eu mesma acendo o lume..Tá pronto num minuto . .Luster! . que seria de endoidecer se não tivesse cessado depois de ela passar as portas de batente da copa. Compson voltou para o quarto.Então. tu é que sofres as consequencias . Deixou-o a meio. . Quando se metia outra vez na cama ouviu a Dilsey a descer a escada com uma lentidão dolorosa e aterrado239 ra.Se o Jason sabe disto não vai gostar nada.disse Mrs. _ Siôra? disse inocentemente. pondo-se à escuta. Se deixares o Luster fazer coisas que interferem com o trabalho dele. . Agora vá. foi à janela e olhou na direcção da casa dela.

disse ela.já tive d'acartá a tua lenha e acendê o teu lume. . Ele observouos.Tá bem. (N. Fechou a porta.Não t'atrevas a entrá por esta porta sem um braçado de lenha . . subindo os degraus. saíam de lá para descerem à terra. a gritarem.Não fiques aí à chuva.disse ele. segundo a crença local. espalhando algumas.Voltem pé inferno qu'é lá o vosso lugá. .' Apanhou uma montanha de achas para o fogão. . Dilsey 1. .disse ela.Não tava a fazê nada . e voltaram para as amoreiras. meu palerma .disse ele.Onde tavas tu metido? .Chôô . Apanhou uma pedra e atirou-lha. . . Luster dirigiu-se para a pilha de lenha. . foi a cambalear até aos degraus e de encontro à porta da cozinha. Não te disse ontem à noite pa não saíres sem deixares aquele caixote cheio de lenha inté cima? . então agora enche-o outra vez . Os cinco gaios esvoaçaram à volta da casa.Não sei. da T) .Então p'ond'é qu'ela foi? . Mas como não via nada por cima delas. eu cá não a levei pa lado nenhum.disse ela.Só n'adega. . .disse ele.Em parte nenhuma .disse ela. . os gaios.disse ela.Que tavas tu a fazê n'adega? . pássaros do inferno. E vai lá cima ver o Benjy. Hoje inda não é segunda-feira. Dia em que.E eu enchi-o .disse Luster. .um olhar que era bem mais que mera surpresa.

O calor do fogão já começara a aquecer a cozinha e a enchê-la com o crepitar da lenha.Então. repetitiva. tristonha e chorosa. e nisto Mrs. @ . . toc'andar. Luster! . . . Voltou para trás e saiu pela porta da casa de jantar. Dilsey preparava-se para fazer bolachas.Achei qu@era melhor ir de volta e entrá pela frente. . .disse ele.Safa! disse ele. austera também.disse Dilsey. como se também a sua voz tivesse descongelado com o calor. ia cantarolando.Sissiô . Passado algum tempo a porta deixou de bater. dandolhe uma palmada no pescoço.disse Dilsey.Vai pela escada das traseiras como eu te mandei e trata de vestires o Benjy . Compson chámou-a outra vez lá de cima.Sissiô . enquanto peneirava e a farinha caía fina e em monte em cima da tábua do pão. primeiro só para si. e dirigiu-se para a porta das traseiras. .disse Luster. pá não acordá Miss Cá line e os outros.exclamou ela.disse Dilsey. .Onde vais? . .Vá. Enquanto peneirava a farinha para cima da tábua com mão firme. uma cantilena sem música nem palavras. como se os .240 abriu-lhe a porta e ele entrou aos tropeções pela cozinha dentro.Queres acordar toda a gente? . mas ele já tinha atirado a lenha para dentro do caixote com grande estrondo. e ela cantava agora mais alto. Dilsey levantou a cabeça. .E agora vai lá cima e trata de vestires o Benjy.

limpou as mãos.disse ela.seus olhos pudessem de facto penetrar nas paredes e no tecto e ver • velha senhora no alto das escadas com o seu roupão acolchoado.O Luster não esteve cá em cima.Só um minuto gritou ela.Que vais fazer? . arrastando-se a custo. . .disse Dilsey. sacudiu o avental. Compson precisava. pode dormir até tarde. . .A água só agora é qu'aqueceu. tirou o saco de água quente da cadeira onde o tinha deixado e.disse ela. . não era do saco de água quente que Mrs.disse Dilsey. . usando a ponta do avental. mas Dilsey. apertando o roupão rente ao queixo. Compson olhava para ela. . chegou-se ao fundo das escadas e olhou para cima. pegando-lhe pelo gargalo como uma galinha morta.Não sei com'é que quê cas pessoas consigam dormir consigo aí no corredô a gritá desde madrugada . ond'ele não acor.de o Jason nem a Quentin . . Começou a subir as escadas. Tenho estado deitada a ver 241 se o oiço. já sabia que ele se ia atrasar. • chamá-la com maquinal regularidade. Pousou a peneira. Porém. Mrs.disse Dilsey.Valha-me Nosso Sinhô! . . .Então o Luster não tá lá em cima co ele? .Eu mandei o rapaz aí pa cima há meia hora. mas tinha esperança de que chegasse a tempo de evitar que o Benjamin incomodasse o Jason no único dia da semana em que o Jason.Vou vesti o Berijy e trazê-lo pá cozinha. pegou na pega da chaleira que começava a fumegar.

Sim.disse Mrs. o que foi tarefa demorada.Sabes como o Jason fica irritado quando o pequeno almoço se atrasa disse Mrs. .Vais acordá-lo de propósito só para o vestires? disse ela. .Sei bem que está . Mrs.Só posso fazê uma coisa de cada vez . .disse Dilsey.disse ela.Se vais largar tudo para ires vestir o Benjamin. Volte pá cama. continuando a arrastarse pela escada acima. Ele nunca acorda depois das sete . o melhor é eu ir para baixo e fazer o pequeno almoço.Eu trato disso tamém . perplexa. Ficou a ver Dilsey subir as escadas.disse Mrs. . com o pé no ar a caminho do degrau de cima. .Tenho os pés que nem gelo.já começaste a fazer o pequeno almoço? . Compson estava parada a vê-Ia subir. Mas já está na hora.E quem é qu'o vai comê? . . Vá-se deitar . Ficou ali.disse Dilsey.disse ela. Compson.disse Dilsey. melhor ir metê-se na cama ré o Luster lhe acendê o lume. apoiada à parede com uma mão e a segurar o roupão com a outra. Dilsey parou. . imóvel e informe. Compson.. Compson. a mão na parede e o clarão cinzento da janela atrás das costas. . digame lá. . Tá muito frio esta manhã.Então ele 'irida não tá acordado? . Sabes tão bem como eu como o Jason fica quando o pequeno almoço se atrasa. antes qtíinda me dê trabalho esta manhã.Não estava quando espreitei . Estavam tão frios que até acordei. .

Mrs. o capote pelas costas. A morrinha batia-lhe na cara. Compson. mas não se via nada que mexesse. Não esboçou qualquer gesto. Eu mando o Luster assim qu'o encontrá. Sabes bem que não.disse ela. Sei que nunca gostaste do Jason. .Não volte lá. E também nunca fizeste nada para disfarçares. com o saco de água quente vazio pendurado pelo gargalo. Não és tu quem sofre as consequencias . na postura característica das vacas quando chove. Não lhes deves nada a eles. apoiandose à parede com a mão.A responsabilidade não é tua. abriu a porta do pátio e olhou para um lado e para o outro. Nesta altura apareceu Luster .e meia. 242 Dilsey não disse nada. nem à memória de Mr. Voltou para a cozinha. Espreitou para o fogão e depois pôs o avental pela cabeça.Vá-se deitá e deixe-o em paz . Compson. Não tens de carregar esta cruz dia após dia. como fazem as crianças pequenas. . . como se não quisesse fazer barulho. Dilsey não respondeu. degrau a degrau. embora não a pudesse ver a não ser como uma forma indistinta e sem dimensão. Virou-se muito devagar e desceu as escadas. Compson sabia que ela tinha baixado um pouco a cabeça. áspera e miudinha. Desceu os degraus. mas. e contornou a cozinha.disse Mrs. Tu podes irte embora. cautelosamente. levando o corpo atrás.

Passou por ela nos degraus e foi até à pilha de lenha. não foi? . . . . .E quando é qu'ele te mandou fazê isso? . .disse ela. Andas a vê se m'atentas esta manhã.Qiandas tu a fazê? .Sissiô . Olhou outra vez para Luster.Mr. vá. Dilsey parou.disse Dilsey.Nada .disse Luster.disse ele.Acarta-me outro braçado de lenha enquanto aqui estás.disse ela. outra vez invisível e sem ver nada. perscrutando a penumbra impregnada de um cheiro a terra molhada.Vem cá . Dilsey abriu a porta e guiou-o pela cozinha fora com mão firme. Quando daí a pouco foi de encontro à porta novamente.disse Luster. não é? Vai já lá cima tratá do Benjy.Vá.Sissiô . mas não tens nada de vi p'aqui. . Ele enfrentou o seu olhar com uns olhos transparentes. Foi no Dia d'Ano Novo que passou. francos. .Não sei o qu'andas a fazê. Dilsey dirigiu-se para a porta da adega. inocentes. . como os outros. Jason mandou-me vê donde é que vem a água que pinga r@adega. . Ele afastou-se e ela espreitou para baixo. agora vê lá s'atiras pó caixote outra vez . ouviste? 243 . .disse Dilsey.Achei que podia ir lá vê enquanto eles dormiam disse Luster. ajoujado sob o feixe de lenha. .Hum! . . bolor e borracha.disse Dilsey.todo lampeiro e inocente a sair da porta da adega. E dirigiu-se lesto para os degraus da cozinha.

e depois de emitir um som preliminar como se a apurar a garganta. Que te deu esta manhã? Té hoje. soava o tic-tac de um relógio de caixa..Sissiô .disse Dilsey. .disse ela. como se estivessem cobertas por uma fina camada de cinza. A cozinha estava cada vez mais quente. a pele de Dilsey depressa adquiriu uma tonalidade rica e lustrosa.E não quero ouvi mais ninguém a chamá por mim do cimo das escadas té eu tocá a campainha. Na parede. Enquanto andava de um lado para o outro a juntar os ingredientes necessários para o pequeno almoço. Ela meteu no caixote o último cavaco. acabou por dar cinco badaladas. . E desapareceu pela porta de batente.Agora vai lá cima trará do Benjy com'eu te disse . quando a luz do candeeiro lhe incidia. comparada com a que a dela e a de Luster tinham antes. invisível excepto à noite. . O qu'é que tu me quês pedi agora? Os músicos inda não se foram embora? -já. retomando a cantoria. . Tás a ouvir? . Dilsey deitou mais lenha no fogão e voltou para a tábua do pão. sempre que te mandei à lenha nunca trouxeste mais de seis cavacos de cada vez pa não te cansares.disse Luster. sissiô.Então fica aí co ela e espera um instante . E começou a arrumar a lenha acha por acha. por cima do aparador. ofegante. já foram. e mesmo assim conservando uma certa profundidade enigmática por ter apenas um ponteiro. .Não pode sê doutra maneira. que a certa altura.Tem de sê .disse Luster.

Ele terá frio? . como um urso amestrado. deixando escapar um fio de baba.disse Dilsey. O homenzarrão sentou-se nela. O cabelo era claro e ralo. seguido de um homenzarrão que parecia ter sido talhado de um material cujas partículas não quiseram ou não puderam aderir umas às outras ou à forma que as moldou. Os olhos eram límpidos. azul pálido como as fidalguinhas-dos-jardins. . Abriu o forno e olhou para o tabuleiro. hidrópico também. movia-se com passo incerto e balançado. e a boca de lábios grossos pendia aberta.disse Dilsey. ficando ali curvada enquanto alguém descia a escada. Parou e levantou a cabeça. Miss Ca'line diz que se vomecê não tivé tempo de lhe prepará o saco d'água quente não faz mal.Oito horas . . Mas só se ouvia o ruído do relógio e do lume.disse Dilsey. Tinha sido suavemente escovado sobre a restá como o dos meninos nos daguerreótipos. Nunca falha. para escutar. .Valha-me Nosso Sinhô .disse Dilsey.disse Luster. Puxou uma cadel. Luster foi buscar o .A Páscoa é sempre fria. Ouviu passos na casa de jantar. Limpou as mãos ao avental e tocou-lhe na mão.S'ele não tem.Vai à casa de jantá e vê ond'é qu'eu pus o saco . A sua pele era mortiça e sem pêlos. obediente. e meteu-a entre o caixote da lenha e o fogão. depois a porta abriu-se e Luster entrou.ra para o canto. .244 . . tenho eu .

O qu'é qu'aconteceu? . .Nassinhô .disse Luster. .Vê s'o Jason já tá acordado. Luster voltou. Como é qu'eu posso fazé alguma coisa contigo em cima do fogão? . E tá mesmo partido? .disse ela. Luster saiu da cozinha.O qdé qu 'o Jason tem? . Deixara-se cair abandonado na cadeira. sem se mexer.E não tá pa graças.disse Dilsey. .Ele já tá a pé .Diz qu'o parti a atirá-lhe pedras . É o qu'ele diz disse Luster.disse ele. .Diz qu'eu e o Benjy partimos o vidro da janela do quarto dele.disse Luster. Ben ficou sentado ao lado do fogão. .Ele já tá a pé . enquanto fixava em Dilsey o olhar doce e ausente. . 245 . seguindo-lhe os movimentos.disse Dilsey.Miss Ca'line diz pa pô na mesa. .saco de água quente à casa de jantar e Dilsey encheuo e deu-lho.disse Dilsey.mas para baixo por cima da fornalha.Tenho frio . s'ele tem o quarto fechado à chave de dia e de noite? .Vá despacha-te . que balançava sem parar.Devias tê pensado nisso enquanto tavas lá em baixo dadega .Sai daí.Chegou-se para o fogão e estendeu as mãos com as pal.E partiste? . Corno é qu'isso pode sê. . .disse Luster. Diz-lhes que tá tudo pronto. excepto a cabeça.disse ele.Diz que fui eu. . . . .

disse Dilsey. meu amô . .disse Dilsey. . tens tanta ruindade dos Compsons nesse corpo como qualquer deles. e depois voltou para a cozinha.Pronto. dando uma colher a Luster.E pa qu'é qu'eu ia parti-la? . 246 . .Pergunte é Benjy se fui eu.Não mintas.Não fui eu . . Luster trouxe a cadeira e Ben sentou-se. .disse Luster. e eles ouviram-na andar de um lado para o outro.disse Luster.Pois sempre te digo uma coisa.disse ela. negrinho duma figa. rapaz . . . . Inda bem que não sou com@eles.disse Dilsey.Toma conta dele agora. .disse ela.disse Dilsey.Aqui tá o seu pequen'almoço. Nem pa lá olhei. pôs um prato em cima da mesa e encheu-o de comida. pa ele não queimar a mão outra vez enquanto eu acabo de pô a mesa. tirando o tabuleiro das bolachas do forno. Foi para a casa de jantar.. emitindo sons leves e ansiosos. . E vê se desta vez não lhe sujas o fato todo . . Tens mesmo a certeza que não partiste a janela? . Luster.disse ela.Ele tá co'isso qulé só p1acordá a Quentin .Então quem pode tê sido? . Traz a cadeira dele p'aqui.E pa qu'é que tu fazes as outras maldades? . Ben observava-a.Gente maluca.Não és como quem? . a gemer e a choramingar.Deve sê . Dilsey atou-lhe um pano ao pescoço e limpou-lhe a boca com a ponta. choramingando.

e pôs-se a escutar de olhos em alvo.Claro. e a voz de Jason. Luster dava-lhe de comer com perícia e indiferença. como se do vazio se elevasse uma música inaudível. sem que ele soubesse que era fome. Não quero que penses que eu era capaz de entrar onde não sou desejada. Claro que não. sobre a superficie inerte. Dilsey andava de um lado para o outro na casa de jantar.Ben parou de gemer. O teu quarto fica fechado à chave o dia todo. desde que sais para a cidade.dizia Jason. Tinha a mão livre pousada nas costas da cadeira e os dedos tamborilavam tentativainente. . . para fazer limpeza. ou que . enquanto os seus dedos faziam negaças na madeira arrancando um arpeio mudo e arrebatado. e Luster ouviu na cozinha Mrs. Nisto. até Ben lhe chamar a atenção pondo-se de novo a choramingar. Nenhum de nós lá entra a não ser ao domingo. foram lá eles que o partiram . mas era evidente que Luster estava com a cabeça muito longe. tocou uma campainha sonora e cristalina. e uma vez chegou mesmo a esquecer-se de fazer negaças a Ben com a colhá.Não sei como isso foi possível . Compson. suavemente. Era como se nele até a ansiedade fosse muscular e a fome inexpressiva.disse Mrs. Observava a colher enquanto ela subia até à sua boca. Compson e Jason a descerem a escada. Se calhar foi o mau tempo. De vez em quando a atenção voltava por tempo suficiente para lhe permitir fazer uma finta com a colher e obrigar Ben a fechar a boca em falso.

Ela levanta-se pa tomá o pequeri'almoço tod'a semana. . . pois não? disse Jason. Não passava do limiar da porta.disse Dilsey.disse Jason. Jason .disse Dilsey.Ond'há-de ela tá é domingo de manhã? .disse Jason.disse ele. . . . tudo isso vai mudar .Não disse que foi a Mãe que o partiu.Eu deixo-lh`o pequen'almoço na estufa e ela. Foi por isso que a mudei.disse Jason.deixava entrar lá alguém.. . por mais que gostasse de o fazer disse Jason. Sabe bem qu'é assim. Deixe-a tá em paz.O qu'é que lhe deu nestes últimos dias? .Sei que as suas chaves não entram na fechadura. . nem que tivesse a chave. O que eu quero saber é como foi que o vidro se partiu.Nunca ninguém teve d'a servir . .Isso já eu sabia mesmo sem lhe perguntar .O Luster garante que não foi ele . .Vai lá acima e diz-lhe que o pequeno almoço está pronto.disse Dilsey.Vai dizer-lhe para vir tomar o pequeno almoço. .Não posso sustentar uma cozinha cheia de negros para estarem à disposição dela.Eu não quero entrar no teu quarto . . .disse Mrs. .Respeito muito a privacidade de toda a gente.disse Dilsey.Bem. Compson. . . . ..Onde está a Quentin? . .Ouviste o que eu te disse? . e Miss Ca'line deixa-a ficá na cama ó domingo.disse Jason.Eu sei .

disse Jason.É melhor fazeres o que ele diz . .Tem uns criados de primeira . . Compson. Vá. Eu tento.E não era eu qu 1a censurava s'o fizesse . Serviu a mãe e serviu-se a ele.É só o qu'eu oiço quando tá em casa. se se lembrasse .É preciso sê mesmo muito malvado p'obrigá a Quentin a leventá-se só porque Ih`apetece .Consigo sempre a implicá co ela quando tá em casa. Ouviram-na subir as escadas. dirigindo-se para as escadas. mas procuro fazer-lhe as vontades para * bem de todos.. e se eu posso. 248 . vai fazer o que eu te mandei.disse Mrs. * Quentin também tem de ter. Ouviram-na durante muito tempo a subir as escadas. Dilsey saiu. . . Ele agora é o chefe da família.disse Mrs. . Se eu tenho força suficiente para vir para a mesa. .Se calhá julga que foi ela que partiu a janela.disse Dilsey.disse Dilsey. Se não é ca Quentin ou ca sua mãe. tu também podes. Às vezes acho que ele está errado. Tem todo o direito de querer que respeitemos os seus desejos. é co Luster ou co Benjy.Já alguma vez teve algum que valesse ao menos o trabalho de o matar? Deve ter tido vários antes de eu ter idade suficiente para me lembrar. Miss Uline? .disse Dilsey@ .disse Jason. . .Cala-te Dilsey .Não é da tua conta nem da minha dizer ao Jason o que ele há-de fazer. Compson. .Ouvi .Capaz disso era ela. Porqu'é qu'o deixa sê assim.

Sei que a culpa foi minha .O raio do espectáculo ainda cá está? .Quentin . Compson. . Quem me dera.Não foi a Mãe que ressuscitou Cristo. . . .Tenho de os tratar bem . pois não? Ouviram Dilsey subir os últimos degraus e depois os pés a arrastarem-se lentamente pelo corredor. ele. de cabelo frisado. .disse Mrs. Pelo menos tirava esse peso das tuas costas. Quando ela chamou da primeira vez Jason pousou o garfo e a faca e ele e mãe pareceram ficar os dois suspensos.À igreja ..gritou ele.Se é que vai haver almoço. em poses idênticas.Sei que me censuras por isso. à espera. Compson.disse Jason. . . .disse Mrs. Prometi à Dilsey há duas semanas que os deixava ir.disse Jason. Quem me dera ser capaz de tratar da casa sozinha. castanho e espesso.Sei que me censuras por lhes ter dado hoje folga para irem à igreja .E havíamos de viver numa linda pocilga .disse ela.Os negros vão fazer uma celebração especial de Páscoa.disse Mrs. Despacha-te Dilsey . Não é como quando tinha saúde.Por isso o quê? . . Çompson.disse Jason.O que quer dizer que vamos comer o almoço frio disse Jason . . penteado com dois caracóis de cada lado .Irem aonde? . Dependo deles para tudo. . frio e astuto. Compson. cada um na sua cabeceira da mesa.disse Mrs.

. assim.disse Jason.Quentin . É a última vez que lhe digo que foi ontem que isto acon249 teceu . e ele pousou na mãe uns olhos vazios de tudo. e com uns olhos de avelã orlados a negro. ... .. apagou-se-lhe na garganta. baços e tão negros que pareciam só pupila ou só íris. meu amô. Compson. Compson.Não percebo . com o tempo quente que tem feito.disse Mrs. . com o rosto flácido e sofrido. . Venha tomá o pequen'almoço. e olhos inchados. .Quentin. lembrando a caricatura de um dono de restaurante.Jason deu um salto..disse Mrs. .Parece mesmo que alguém tentou assaltar a casa. no'entanto. de cabelo completamente branco. Era como se os olhos sustivessem a respiração.Não consigo perceber como é que a janela se partiu disse Mrs. . Estavam eles assim quando Dilsey repetiu: . Compson. Eles tão à sua espera pé> pequen'almoço.. A cadeira caiu para trás. . clarividente e. obtuso. quando o viu passar por ela a correr e galgar as escadas .Levante-se meu amô.. O caixilho superior. como dois berlindes. olhando para ele boquiaberta. fria e sofrida. Não teja a brincá comigo. Eles tão à sua espera.a voz sumiu-se-lhe.Tens a certeza de que foi ontem? Podia já estar assim há muito tempo. e ela. interminável. ..Acha que não conheço o quarto onde durmo? Acha que eu era capaz de dormir nele uma semana com um buraco na janela por onde passa uma mão.sobre a testa. .O que.disse Dilsey. enquanto a mãe olhava para ele.. por detrás da persiana.

ou será que.O qu'é? .A chave do quarto. . .Por que não deixa. .A chave . Compson.. ele voltou-se e correu para ela.Dilsey .disse Dilsey.. não traz? A Mãe.Nisto. Compson e foi ter com ela ao fundo das escadas. cruzando-se com Dilsey. . .Ela traz a chave com ela? disse ele. Ela resistiu. Agarrou a maçaneta e tentou rodá-la.. Depois ficou com a mão na maçaneta e a cabeça ligeiramente curvada.Mas Jason continuou a correr e meteu pelo corredor fora direito à porta dela. a subir a escada e a chamar por ele.desvairado. viu Mrs. . Ela trá-la sempre com ela. Quero dizer. .disse Mrs. . A sua atitude era a de alguém que finge escutar para se convencer de que não ouve o que realmente está a ouvir.. Compson das escadas.. tem-na com ela agora. como se estivesse a escutar qualquer coisa vinda de muito mais longe do que o espaço que o quarto delimitava. -Já lhe disse qu'ela 'irida não destrancou essa porta disse Dilsey.dis250 se ele. começando então a chamar pela Dilsey. Atrás dele veio Mrs. viu Dilsey e parou de o chamar. Não a chamou. A cara dele estava na sombra e Dilsey disse: _ Ela tá ca birra.Dême a chave . Nisto. . qualquer coisa que ele já tinha ouvido antes. Quando ela falou. pondo-se a vasculhar nos bolsos do vestido preto ruçado que ela trazia. A sua mãe não abriu. . mas a sua voz era calma''natural..disse Jason.

jason . Eu não vou deíxá. e correu pelo corredor fora seguido pelas duas mulheres.Ele nunca mais dá com ela .Cale-se . agarrando-a.disse ela. na minha própria casa dizia Mrs. . .disse Dilsey.Mas num domingo de manhã. Compson.Não podes ao menos deixar-me passar um domingo sossegada? . para a porta.Dê-ma cá. . . Dilsey . apertando o vestido contra o corpo. . com os olhos frios e acossados. .disse Mrs. .Ele não lhe vai fazê nada. . .A chave . como se esperasse vêIa abrir-se por encanto antes de ele lá voltar com a chave que ainda não tinha na mão.Sabes bem que nunca dou as chaves a ninguém. E começou a chorar. Compson. mas ele deu-lhe uma cotovelada e olhou-a por um instante.disse ela. jason! .Ouve. voltando-se de novo para a porta e para as indecifráveis chaves.Dilsey! . Tirou-lhe do bolso um molho enorme de chaves ferrugentas enfiadas numa argola de ferro. Deixame procurar a chave. . Olhou para trás.disse Mrs. .disse ela.gritou jason subitamente. Depois começou a lutar com ele. sua parva! .Dê-me a chave. .disse ela. tentando afastá-lo.. Compson.disse ela.jason .disse Jason. agarrando-lhe o braço.Quando passei por tantos sacrifícios para os educar como bons cristãos. à carcereiro medieval. .Jason! Será que tu e a Dilsey querem pôr-me de cama outra vez? .

- Cale-se - disse Dilsey. - Olí, jason! - Aconteceu alguma coisa terrível - disse Mrs. Compson, de novo a chorar. - Sei que aconteceu. Espera, Jason - disse ela, agarrando-se a ele outra vez. - Ele nem sequer me deixa procurar a chave de um quarto da minha própria casa! - Pronto, pronto - disse Dilsey. - Não vai acontecê nada. Eu tou aqui e não o deixo fazê-lhe mal. Quentin! - disse ela, elevando a voz. - Não tenha medo, meu amô, eu tou aqui. A porta abriu-se para dentro do quarto. Ele ficou parado à 251 entrada, por uns instantes, e depois entrou. - Entrem disse, com uma voz cava e sumida. Elas entraram. Aquilo não era o quarto de uma menina. Não era o quarto de ninguém, e o vago perfume a cosméticos baratos, bem como os poucos objectos femininos e algumas outras provas que atestavam o esforço grosseiro e infrutífero de o tornar mais feminino, apenas conseguiam torná-lo ainda mais anónimo, conferindo-lhe a transitoriedade inexpressiva e estereotipada das casas de passe. A cama não tinha sido desfeita. No chão estava uma peça de roupa interior já muito suja, num tom de rosa talvez berrante de mais, e da gaveta meio aberta de uma cómoda pendia uma meia de vidro desirmanada. A janela estava aberta. Quase encostada à janela havia uma pereira. Estava em flor e os ramos batiam e raspavam na parede exterior, e o ar de mil partículas, entrando

pela janela, trazia até ao quarto o aroma perdido das flores em botão. - Pronto, pronto - disse Dilsey. - Eu não lhe disse qu'ela tava bem? - Bem? - disse Mrs. Compson. Dilsey foi com ela até ao quarto e acarinhou-a. - Vá, venha-se deitá um bocadinho - disse ela. - Eu encontro-a num instante. Mrs. Compson empurrou-a. - Vê se encontras o bilhete disse ela. - O Quentin deixou um bilhete quando fez aquilo. - Tá bem - disse Dilsey. - Eu procuro. Vá, venha pó seu quarto. - Sempre soube que isto ia acontecer desde o momento em que lhe chamaram Quentin - disse Mrs. Compson. Dirigiu-se à escrivaninha e começou a revolver os objectos que já estavam todos espalhados: perfumes, frasquinhos, uma caixa de pó de arroz, um lápis todo roído, uma tesoura com uma lâmina partida em cima de um lenço enfarruscado, sujo de pó e manchado de ruge. - Vê se encontras o bilhete - dizia ela. - Tou à procura - disse Dilsey. - Agora venha. Eu e o Jason vamos procurá-lo. Venha pó seu quarto. - Jason - disse Mrs. Compson. - Onde está ele? Encaminhou-se para a porta. Dilsey foi atrás dela pelo corredor fora até uma outra porta. Estava fechada. Jason - chamou ela. 252 Não obteve resposta. Tentou rodar a maçaneta e

voltou a chamá-lo. Mas continuou a não obter resposta, pois ele estava ocupado a tirar tudo para iora do roupeiro: roupas, sapatos, uma mala de viagem. Nisto, saiu de dentro do roupeiro com uma tábua canelada que atirou para o chão, voltando a entrar e aparecendo a seguir com uma caixa de metal. Colocou-a em cima da cama e quedou-se a olhar para a fechadura arrombada enquanto tirava do fundo do bolso um molho de chaves de onde escolheu uma, ficando com ela na mão por mais algum tempo, a olhar para a fechadura. Voltou a guardar as chaves e virou cuidadosamente o conteúdo da caixa para cima da cama. Separou os papéis também com muito cuidado, pegando num de cada vez e sacudindo-os. Depois virou a caixa ao contrário e sacudiu-a também, guardou de novo os papéis e ficou ali, de caixa nas mãos e cabeça caída, a olhar para a fechadura arrombada. Lá fora, ouviu os gaios passarem em turbilhão rente à janela, soltando gritos agudos que o vento levava consigo, e um automóvel passar ao longe perdendo-se na distância. A mãe voltou a chamá-lo do corredor, mas não se mexeu. Ouviu os passos de Dilsey pelo corredor fora e uma porta fechar-se. Então, tornou a meter a caixa dentro do roupeiro, atirou as roupas lá para dentro, desceu as escadas e correu para o telefone. Dilsey apareceu nas escadas quando ele estava à espera, de auscultador encostado ao ouvido. Olhou para ele sem se deter e seguiu em frente. Do outro lado atenderam. - Fala Jason Compson -

disse ele, com uma voz tão cava e tão rouca que teve de repetir. - É Jason Compson - disse novamente, controlando a voz. Tenha um carro pronto daqui a dez minutos; mande um dos seus ajudantes, se o senhor não puder ir. Eu vou para aí agora... O quê?... Roubo. Em minha casa. Sei quem... Sim, roubo. Tenha um carro pron... O quê? Então não é para fazer respeitar a lei que lhe pagamos? Sim, estou aí dentro de cinco minutos. Tenha o carro pronto para partir imediatamente. Se não tiver, participo de si ao Governador. Bateu com força com o auscultador, atravessou a casa de jantar, onde jazia já frio o pequeno almoço interrompido e entrou na cozinha. Dilsey estava a encher o saco de água quente. Ben 253 estava sentado, tranquilo e ausente. A seu lado, Luster parecia um cão de fila, de olhar atento e vigilante. Estava a comer qualquer coisa. Jason atravessou a cozinha. - Então não vem acabar o pequen'almoço? - disse Dilsey. Ele não ligou. - Vá tomá o seu pequedalmoço, Jason. Ele foi-se embora, batendo a porta das traseiras. Luster levantou-se, foi à janela e olhou lá para fora. - Ena pá - disse ele. - O qdé que se passou lá em cima? Ele bateu na Miss Quentin? - Cala essa boca - disse Dilsey. - Se fazes o Ben chorar, dou cabo de ti. Vê s'ele tá calmo té eu voltar. -

Atarrachou a válvula do saco de água quente e saiu da cozinha. Ouviram-na subir as escadas e logo a seguir Jason partiu com o carro. Depois, os únicos sons que se ouviam na cozinha eram o murmúrio da chaleira e o tie-tac do relógio. - Sabe o qu'é qu'eu aposto? - disse Luster. - Aposto qu@ele lhe bateu. Aposto que lhe bateu na cabeça e agora foi buscá o médico. Aposto que sim. - O relógio continuava a trabalhar, solene e grave. Dir-se-ia que era o pulsar insensível da própria decadência daquela casa; passado pouco tempo, deu o aviso, apurou a garganta e bateu seis badaladas. Ben ergueu os olhos para o relógio e depois para o contorno fusiforme da cabeça de Luster, desenhado na janela, e recomeçou a abanar a dele e a babar-se. E também a choramingar. _ Cale-se, seu idiota - disse Luster sem se voltar. - Parece que não vai sê hoje que vamos à igreja. - Mas Ben continuava imóvel na cadeira, com as manápulas pendentes entre os joelhos, a gemer baixinho. De repente começou a chorar, num lamento longo, contido e sem sentido. - Cale-se - disse Luster. Voltou-se para trás e levantou a mão. - Quer que lhe bata? - Mas Ben limitou-se a olhar para ele, sempre a soluçar baixinho ao compasso da respiração. Luster aproximou-se e abanou-o. Cale-se imediatamente! - gritou. - Venha p'aqui - disse ele. Obrigou Ben a levantar-se da cadeira, virou-a de frente para o fogão, abriu a portinhola da fornalha e puxou-o, fazendo-o sentar-se outra vez. Parecia um rebocador a

puxar um petroleiro numa doca exígua. Ben sentou-se, calado, a olhar para a porta 254 toda rubra. Nisto, ouviram de novo o relógio e Dilsey a descer a escada com lentidão. Quando a viu entrar, pôs-se a choramingar outra vez. E depois a chorar de rijo. - Que lhe fizeste? - disse Dilsey. - Logo hoje tinhas de passá a manhã a atazaná-lo. Deix'ó em paz. - Eu não fiz nada - disse Luster. - Foi Mr. Jason qu'o assustou, isso sim. Ele não vai matá Miss Quentin, pois não? - Cale-se, Benjy - disse Dilsey. Ele calou-se. Ela foi à j anela e olhou lá para fora. - Já parou de chovê - disse ela. -Já, sissiô - disse Luster. - Há muito tempo. - Então vão lá pa fora um bocado - disse ela. - Mesmo agora acabei de acalmá Miss Ca1ine. - Vamos à igreja? - disse Luster. - Logo se verá. Vê s'o aguentas lá por fora ré eu vos chamá. - Podemos ir pó prado? - Tá bem. Desde que não o deixes vir pa casa. já não tou com cabeça pa mai nada. - Sissiô - disse Luster. - Adonde foi Mr. Jason, vó? - Isso já é querês sabê de mais, não achas? - disse Dilsey. Começou a levantar a mesa. - Cale-se, Benjy. O Luster vai levá-lo a passear. - Qu'é qu'ele fez a Miss Quentin, vó? - disse Luster. - Não lhe fez nada. Vá vão brincá lá pa fora.

- Aposto qu'ela já cá não tá - disse Luster. Dilsey olhou para ele. - Como é que sabes? - Eu e o Benjy vimo-la saltá da janela onte à noite. Não vimos, Benjy? - Viste mesmo? - disse Dilsey, olhando para ele muito séria. - Nós temo-Ia visto fazê isso todas as noites - disse Luster. Sairá pela janela e descê pela pereira. - Não me mintas, negrinho - disse Dilsey. - Não tou a mentir. Pergunte 6 Benjy. - Então porqu'é que não disseste nada? - O qu'é qu'eu tinha co isso? - disse Luster. - Não me meto na vida dos brancos. Venha, Benjy. Vamos lá pa fora. Saíram os dois. Dilsey ficou encostada à mesa por algum 255 tempo, e depois foi levantar a mesa do pequeno almoço, tomou o dela e arrumou a cozinha. Tirou o avental, pendurou-o, foi até ao fundo das escadas e ficou de ouvido à escuta. Nem um som. Vestiu o capote, pôs o chapéu na cabeça e foi para casa. A chuva tinha parado. O vento tinha virado para sudeste, deixando o céu semeado de clareiras azuis. Para lá das árvores, dos telhados e dos torreões da cidade, o sol repousava sobre a crista de uma colina, como um remendo, esmorecido. O ar vibrou com o repicar de um sino, e logo, como se obedecendo a um sinal, outros se lhe juntaram, imitando-o. A porta do casebre abriu-se e Dilsey apareceu, outra

vez com a capa castanha e o vestido púrpura. Trazia também calçadas um par de luvas brancas encardidas que lhe chegavam ao cotovelo, mas desta vez não levava turbante. Veio até ao meio do pátio e chamou Luster. Esperou uns momentos, e depois contornou a casa, sempre colada à parede, aproximou-se sorrateira da porta da adega e espreitou lá para dentro. Ben estava sentado nos degraus. Luster estava do outro lado, sentado no chão húmido. Tinha uma serra na mão esquerda, com a lâmina ligeiramente flectida sob a pressão da mão, e percutia a lâmina com o velho pilão de que ela se servia há mais de trinta anos para moer a farinha. A lâmina vibrou com um gemido único, arrastado, que logo se extinguiu, sem brilho nem ardor, fazendo a serra descrever uma curva bem pronunciada entre a mão de Luster e o chão: parada, imperscrutável, abaulada. - Era assim qu'ele fazia - dizia Luster. - Só inda não encontrei uma coisa ideal para lhe bater. - Com qu'então é isso qu'andas a fazê? - disse Dilsey. Traz-me cá esse pilão - disse ela. - Não o estraguei - disse Luster. - Traz-mo cá - disse Dilsey. - E vai pô essa serra ond'a encontraste. Ele foi arrumar a serra e trouxe-lhe o pilão. Ben começou de novo a soltar gemidos longos, desesperados. Mas não era nada de importância. Apenas sons. Dir-se-ia que, por uma conjunção de planetas, nele encontravam voz por um instante todo o tempo, toda a injustiça e toda a pena. 256

disse Luster. produzindo aquele som lento e rouco dos navios. repetidos. . 1 . Dilsey afagou a cabeça de Ben.disse Dilsey. E não faças barulho. despacha-te.disse Dilsey.Ele cala-se quando sairmos daqui . . . ela vai ouvi-lo na mesma .disse Luster. É o que é.disse Dilsey. Estavam os dois na escada da adega. já ramos atrasados. . Ele choramingava baixinho. . pa Miss Ca'line não ouvir. Estamos quase a sair.Vá. .Trá-lo cá .disse Luster. Esteja .Vai a corrê a casa buscar-lhe o boné . . Ele veio. Luster foi. .Vai buscar-lhe o boné .. passando por cima da cerca partida e atravessando o pátio. alisando-lhe as farripas. vó? . Esteja caladinho . Está a sentir-lhe o cheiro.Se não o fizé calá. O céu estava agora fragmentado em mil pedaços que arrastavam consigo as sombras fugidias para lá do jardim pouco cuidado. Benjy . Não sei que tem ele esta manhã.Está assim desde que nos mandou embora.Venha.disse Dilsey. agora não chore.O cheiro de quê. que parece começar antes mesmo de o som propriamente dito se ter iniciado.Olhe pa ele . descendo os degraus e pegando-lhe por um braço. Vá. obediente e choroso.disse Dilsey. com gestos lentos. compassadamente. e parar depois de o som propriamente dito já ter cessado.disse Luster.

Vamos ouvir os cânticos.Oh. vó. . Mas ele chorava baixinho. Luster foi à cabana.Esteja caladinho . vó.disse Dilsey. Meteste na cabeça qu'hádes dá cabo desse. o chapéu parecia evidenciar cada ângulo e plano da cabeça de Luster como um foco luminoso.Aposto que não. Ben chorava baixinho.Eles já nos apanham. Dilsey olhou para o chapéu.Não fui capaz de dá co ele . Luster voltou. Aposto que lhe deste sumiço ontem à noite só pa não o encontrares. sem parar. Dilsey abriu-o. Aos olhos de um observador.E com'é que sabes? Vai buscá o chapéu velho e deixa lá ficá esse.Não vai chovê.oh. . 257 . . .Então vai buscá o guarda-chuva. . Chegaram ao portão.Deram a volta à casa e dirigiram-se para o portão. A sua forma era tão singular que à primeira vista o chapéu parecia estar na cabeça de alguém que estivesse por detrás de Luster. Luster vinha um pouco mais . trazendo na cabeça um chapéu de palha novinho em folha avivado com uma fita colorida e um boné de pano na mão.Vamos . .disse Luster. .disse Dilsey. Tanto se me dá. vó . . . .Por que não trouxeste antes o velho? .disse Luster.O chapéu velho ou o guarda-chuva. .Tens d'escolhê .ia dizendo a Dilsey enquanto desciam a rampa até ao portão.Oh.disse ela. . .caladinho. .

dirigiam-se para a igreja. Saíram o portão. . quem se vai preocupá com vocês disse Dilsey. Luster e a mãe passaram-lhes à frente. irregular. em grupos resplandecentes.Se não for eu.disse Frony.disse Dilsey. . frio e rijo.atrás com o chapéu-de-Chuva. 258 Foram andando.Vem de Saint Louis . acho eu.disse Dilsey. Era uma mulher magra.disse Dilsey. . Vinha também uma mulher. Então . .Vamos lá. . .Molhá-me.A vó tá sempre a dizê que vai chovê . .disse Luster. . Que vais fazê se chovê? . o que todos dizem. O vento soprava afoito de sudeste. . .Hoje é o Revendo Shegog que vai fazer a pregação disse Frony.É? .Do qu'estes negrinhos sem préstimo precisam é dum homem que lhes mostre o caminho do bem.Hum .O ReVendo Shegog sabe fazê isso muito bem .disse Frony. . .disse ela.disse Frony. Ben parou de chorar. já tamos atrasados. os brancos.Inda não consigo fazê pará de chovê. respondendo ao chamado dos sinos trazido pelo vento.Tens seis semanas de trabalho em cima . Frony levava um vestido de seda azul muito brilhante e um chapéu enfeitado com flores. . banhados de vez em quando por um sol tímido. com uma cara achatada e simpática.Quem é ele? . .Lá vêm eles . Pela rua tranquila. um grande pregadô.disse Dilsey.

deixando para trás os dias quentes. . mãe . Escumalha branca.amoreiras.disse Dilsey. pejado de coisas partidas.Eu sei quais são os que falam . Acham qu'ele não serve pa entrá na igreja dos brancos.Que pessoas? .disse Frony.a. transformandose numa estrada de terra batida. O terreno descia íngreme de cada lado. árvores que partilhavam da secura hedionda que rodeava as casas. O pouco verde que havia eram as ervas bravas e as árvores .disse Dilsey. loiças.As pessoas falam. os negros cumprimentavam-nos . . como se a Primavera os tivesse ignorado. . coisas que haviam tido outrora utilidade.disse Frony.disse Dilsey.Diz-lhes que Nosso Sinhô não quê sabê s'ele é esperto ou não. tábuas. . mas qu'é bom de mais pa entrá na dos negros.As pessoas falam sempre . e que descia em ladeira. . árvores cujos rebentos pareciam ser os restos tristes e teimosos de Setembro. Chegaram a uma rua que fazia esquina com aquela por onde iam. As cabanas estavam situadas em lotes de terreno pelado.Eu bem as oiço . só os brancos. deixando-os alimentar-se do odor espesso e inconfundível dos negros que impregnava o ar onde cresciam. . tijolos. Quando passavam. Esses é que falam. cássias e sicórnoros . . formando em baixo uma planície salpicada de pequenas cabanas cujos telhados corroídos pelo mau tempo ficavam à altura da estrada.Gostava mais que não o trouxesse sempre consigo pá igre. Ninguém quê sabê disso.disse Frony. .Manda-as falá comigo .

Mas aposto qu'agora não tocas. É só maluquinho. dirigindo-se geralmente a Dilsey: . . já lhe toquei. . . É só maluquinho. Mas. Aposto que tens medo. e as crianças. e chapéus aperaltados. a menos que fossem muito velhos. .Pdque'é que não hei-d'ir? . Os mais velhos davam todos a salvação a Dilsey.Ele não faz mal a ninguém. E a irmã.Aposto que não és capaz.da porta de casa. . tamém tá? .Irmã Gibson! Então como tá esta manhã? . com roupas compradas aos brancos em segunda mão.Se Miss Dilsey estivé a vê. .Tou bem. com correntes de relógio em ouro e um por outro com uma bengala. 'brigada.Que pena.Ponder. Saíam das cabanas e subiam a custo a ladeira argilosa até à 259 estrada. .Aposto que não és capaz de lá ires e tocás nele.Ele não faz mal a ninguém. Os homens solenemente vestidos de preto ou castanho escuro.A minha mãe não se sente muito bem esta manhã. olhavam para Ben com o olhar esquivo dos animais nocturnos: . as mulheres engomadas e restolhantes. Dilsey deixava ser Frony a res.E então um maluco não faz mal às pessoas? . Mas o Rev'endo Shegog póe-na boa. . os rapazes com fatos azul berrante ou de riscas. . Vai dar-lhe conforto e aliviá-IWa alma.Este não.Não tocas de maneira nenhuma. .Tou muito bem.

A igreja estava enfeitada com meia dúzia de flores apanhadas nas sebes e nos jardins. até o sino se calar. Acorriam nume. coroada de carvalhos. virada ao vento e ao sol. apesar de não estar calor nenhum. 260 daqueles que se desdobram em harmónio. Nessa altura entraram também. como uma fita cortada. os fiéis.A estrada subia outra vez até ao que parecia um pano de cenário. em Abril. aguardavam. uma igreja depauperada erguia um excêntrico campanário. expectantes. A maior parte das mulheres estavam reunidas em grupos num dos lados da igreja. e toda a cena era tão plana e falha de perspectiva como se pintada num cartão e colocada na beira do mundo. e tiras de papel colorido. em voz baixa. Por cima do púlpito estava suspenso um sino de Natal já amachucado. todos sentados. O púlpito estava vazio. As mulheres e as crianças entraram e os homens ficaram cá fora a conversar em grupos. e elas dispersaram e tomaram os seus lugares.rosos à igreja com a pausada determinação do sabbath. O sino soou . a conversarem.uma badalada -. Escavada no barro vermelho. a estrada parecia acabar abruptamente. De um dos lados. a abanarem-se com leques. no espaço aberto. O sino soou de novo . embora os elementos do coro já estivessem no lugar. numa manhã impregnada de sinos. como numa pintura.

cuja volumosa imponência o reduzia a dimensões liliputianas. e o pescoço caía sobre o colarinho em grossos refegos. um som de espanto e desapontamento. soltando átonos murmúrios. e só quando o coro se calou é que perceberam que o pregador visitante já tinha entrado. A cara era negra e chupada. quando o pastor se pôs de pé e o apresentou com palavras fluentes e tonitroantes . um suspiro fundo. de macaco velho. por isso. O que ia atrás era corpulento. A cabeça era magistral e profunda.que avançaram pela coxia. imponente no seu fraque e laço branco. as cabeças continuaram voltadas depois de ele passar. central. da cor de café claro. O visitante era franzino e vestia um casaco de alpaca já coçado. ainda à sua frente. Mas todos o conheciam bem e. O coro levantou-se e começou a cantar e toda a assembleia virou a cabeça em uníssono à entrada de seis crianças ainda pequenas quatro raparigas de tranças apertadas e atadas com laços de tiras de pano colorido como borboletas. elevou-se da assembleia um rumor indescritível.outra badalada. Seguiam-nas dois homens. enfeitada com fitas brancas e grinaldas de flores. E enquanto o coro voltava a cantar e as seis crianças se levantavam e cantavam com vozes finas e assustadas.. e dois rapazes de cabeça quase rapada . e quando viram o homem que vinha à frente do pastor subir ao púlpito. todos olhavam visivelmente consternados para o homenzinho insignificante sentado ao lado do pastor. Ainda o fitavam incrédulos e consternados.

Parecia forte demais para sair dele.Agora fique calado. já vi Deus servir-se de coisas inda mais estranhas disse Dilsey. apoiando-se a ela com um braço levantado à altura do ombro. como se acordasse de um sonho colectivo. O pregador não se mexera. Esqueceram-se até da sua insignificância levados pelo virtuosismo com que corria.ção. . Nisto. o coro abanava-se com convicção. e com o seu corpo de macaco tão despojado de movimento como uma múmia ou um recipiente vazio. e a princípio todos o escutaram por mera curiosidade. mexendo-se nos lugares. até que. uma voz disse: . Olhavam para ele como se estivesse a fazer equilíbrio no arame. a assembléia soltou um suspiro.disse ela a Ben. parava e mergulhava no fio gélido e inflexível da voz. Eles já vão cantá outra vez. como fariam se um macaco ali estivesse a falar. por fim.cujo fervor ainda mais aumentou a insignificância do visitante.cochichou Frony. parecia um branco.E foram eles a Saint Louis pá buscá isto . Por detrás do púlpito. A sua voz era fria e monocórdica. 261 Quando o visitante se levantou para dar início à sua prega. quando ele. com uma espécie de pirueta voltou para junto da estante de leitura. Dilsey murmurou: .Esteja caladinho .Irmãos. . O seu braço estava ainda . Eles já voltam a cantá.

nele cravava os dentes ávidos de carne.disse outra vez. curvada sobre si mesma. alquebrado. com a sua figura franziria. quando ele se veio apoiar na estante. por baixo das decorações em papel frisado e do sino de Natal. O pregador tirou o braço da estante e começou a andar para trás e para a frente diante dela. que lhes penetrava o coração e lhes falava por dentro mesmo depois de se extinguir em múltiplos ecos perdidos. E os fiéis pareciam assistir impávidos. Parecia alimentar com o seu corpo aquela voz que.Irmãos e irmãs .sobre a estante. só corações que falavam uns aos outros através dos 262 cânticos. como de alguém de há muito empenhado numa luta solitária contra o mundo implacável: . enquanto a voz o consumia até o reduzir a nada e os reduzir a nada e já nem voz existir. Era um rochedo já gasto pela erosão das vagas sucessivas da sua própria voz. sem precisarem de palavras. . um som triste. de tal maneira que. e a postura serena e torturada de um cristo crucificado . de timbre semelhante ao de uma trompa de contralto. com as mãos atrás das costas. Um tom tão diferente do primeiro como a noite do dia. conservando a mesma pose enquanto a voz se extinguia em sonoridades que o eco repercutia pelas paredes.Eu tenho a memória e o sangue do Cordeiro! . como um súcubo. com a cara de macaco erguida alto. com as mãos atrás das costas.E continuou a andar para trás e para a frente com passadas firmes.

eu vou-vos dizê.. as quadrigas balançantes.Irmãos . minhas irmãs? Ah. a abnegação e tantos anos. e uma voz isolada de mulher. derrapou na areia e perdeu-se na distância. . Desapoiou o braço da estante.disse o pastor num sussurro rouco.. -Sim.Soou de novo a sua voz. apenas se inclinavam para um lado e para o outro. Duas lágrimas rolavam-lhe pelas faces descaídas. meujesus!-disse avozdemulher. Olí. se não tiverdes o leite e o orvalho d'antiga salvação. tornando-as inexistentes. sem se mexer. agoraemsurdina. passaram pelas gerações. com as trompetas. . cintilando nas miríades de sulcos retalhados pelos sacrifícios.Nem notaram que a entoação e a pronúncia se haviam tornado negras. .Eu trago a rècordação e o sangue do Córdeiro! . irmãos.Irmãos e irmãs! . meus irmãos? O home qu'era pobre: onde tá el'agora. Eu vejo a luz e eu vejo a palavra. pobre pecadô! Elas passaram pelo Egipto. sempre sentados. ficou parado e ergueu as mãos: . digo-vos eu. deixando que a voz os levasse com ela. Na estrada passou um carro. meu Jesus! À medida que as nuvens avançavam fugazes em ondas sucessivas. um suspiro longo e lamentoso se elevou da assembleia.Quando os longos e gélidos.que transcendia a sua própria insignificância e indigência. uma voz de soprano.. Dilsey estava sentada muito hirta com a mão pousada sobre o joelho de Ben. quando os longos e gélidos. O home qu'era rico: onde tá el'agorã. as lúgubres vidraças acendiam-se e apagavam-se em fantasmagórica alternância. quando os longos e .. entoou: Sim.

concertado. Talvez o tenha abraçado um dia. irmãos! Eu tou a vê esse dia. irmãos. vejo a cara dos soldados: Vamos matá! Vamos matá! Vamos matá o teu menino Jesus! Oiço o pranto e os lamentos da pobre mãe sem salvação.Sim. Vejo Maria sentada à porta com Jesus ao colo. ao cair da noite. vejo Maria dá um salto. deixai-me repousá o meu fardo. Diz o pobre pecadô Deixai-me repousá no Sinhô. que vai dizê Jesus? E então.Escutai. meu Jesus! . Um som cavo. A sua mãe sofreu a glória e os tormentos. cos anjos a embalá-lo. talvez tenha olhado lá pa fora e visto a ronda Romana passá. irmãs. vejo os Seus olhos a fechá-se. irmãs. limpando a cara com o lenço. perpassou a assembleia: Mmmmmmmmmmmmm! E a voz da mulher soou: Sim. eu vou-vos dizê. . que vai dizê Jesus? Trazes a rècordação e o sangue do Cè>rdeiro? Não quero sobrecarregá o céu! 263 Meteu a mão no bolso.gélidos anos passarem por vós! . E então. eles a seu tempo chegarão. Oiço os anjos a cantá cânticos de paz e de glória. o seu menino Jesus. irmãos. Jesus um dia foi assim.Eu vou-vos dizê. Jesus! Meu Jesus! .Irmãos! Olhai pa estas criancinhas sentadas entre vós. sem a palavra de Deus! . tirou um lenço e limpou a cara. Continuava a andar para trás e para a frente.

. quando o Sinhô voltou a Sua face omnipotente. irmãos. irmãos. vejo as trevas e a condenação eterna abatê-se sobre as gerações.Mmmmmmmmmmmmm. irmãos! Que vejo eu? Que vejo eu. atentem! Sim. morri pa que aquele que vê e acredita não morra nunca. e os mortos 264 . irmãos! Eu vejo tudo! Uma visão atroz que deixa meus olhos cegos! Vejo o Calvário e os três troncos sagrados. oiço a chacota. sem palavras. soando como bolhas de ar subindo dentro de água. irmãs. Oli.Eu vejo. pecadô? Vejo a ressurreição e a luz. oh. vejo o doce Jesus que diz Eles mataram-me pa que vós possais vivê de novo. eles mataram o Meu Filho! . oli. vejo o ladrão e o assassino e Aquele qu@ind'é menos qtieles.Mmmmmmmmmmmmmmmm! Meu Jesus! Meu Menino Jesus! . ergu'a tua cruz e anda! Oiço o pranto das mulheres e as lamentaçóes nocturnas. irmãos! Vejo a aurora a despontar e as trompetas a anunciarem a glória. Irmãos. Jesus! Eu vejo.Oli. vejo o dilúvio chegá avassaladô. Jesus! . E então.. as provocações: S'és mesmo Jesus. Jesus! Eu vejo! .Eu vejo tudo.E outra ainda. cego pecadô! Eu digo-vos. Eu digo-vos. disse. oli. elevando-se: .e uma outra voz. oiço o choro e os gemidos e a face voltada de Deus: eles mataram Jesus. oh. Não vou sobrecarregar o céu! Vejo Deus inconsolável fechá a Sua porta.

Dilsey ia calada. caminhando de cabeça levantada. Cara a cara. Coisa fina! .disse Frony.Gande pregadô. Ben arrastava os pés ao lado de Dilsey. . pegou na ponta da saia e limpou os olhos à barra do saiote de cima. Depois continuaram. mas depois.Si sinhô. . com os olhos postos em Luster. sem um trejeito.O começo e o fim de quê? .Vi o começo e o fim . Dilsey parou. Todavia. que ia à frente a fazer .. trocando comentários entre si. . quando subiam a estrada de areão sob o sol do meio-dia.disse Dilsey.Não te preocupes . mãe? .disse Dilsey. chorava convictamente e em silêncio abandonada ao sangue e à lembrança do Cordeiro. sem qualquer esforço sequer para as limpar. que têm o sangue e a récordação do Córdeiro! Ben continuava sentado. Com toda esta gente a vê. antes de chegarem à rua principal. e os grupos dispersavam. Dilsey.Por que não pára com isso. E chorava ainda. Não tarda ramos a encontrá brancos.. Isso é que viu. com o seu olhar azul e doce. . Viu mesmo.disse a Frony. . envolvido pelas vozes e pelas mãos que se agitavam. deixando as lágrimas seguirem o seu curso cavado e sinuoso. hem! A princípio não parecia. muito direita a seu lado.Vi o começo e agora vejo o fim. . alheia às conversas.Não te preocupes.a levantarem-se.Ele viu o podê e a glória. . .

Chegaram finalmente ao portão e entraram. eu aviso-te. . . e por momentos todos olharam para o cimo da rampa. Vá. 265 . .Eu sei onde tá Miss Quentin .disse Dilsey.disse Frony. .Nada . tá claro. Vá toc'à ir brincá lá pa trás. com o chapéu-de-chuva na mão e o chapéu de palha novo atrevidamen.Inda é cedo pa começarem.cabriolas.disse Luster. dir-se-ia um canzarrão tonto e desajeitado a admirar um cachorrinho vivaço. Mas não tenho nada co isso.Ouvi-o logo pela manhã. reluzindo ao sol. sem pintura. -já sabe o que vai acontecê mal eles se puserem a j ogá além co aquela bola .Alguma coisa foi.disse Luster. .disse Frony. dá cá o chapéu novo. E logo Ben desatou na caramunha do costume. . R pé> levá a passeá. .Alguma coisa foi . com a porta apodrecida. . . Luster deu-lhe o chapéu e depois foi com Ben para o . . . para a casa quadrada.disse Dilsey.Trata da tua vida e deixa os brancos trará da deles. Quando a Quentin precisá dos teus conselhos.Não ouviste a tua mãe dizê que não é da tua conta? LeVó Benjy pás traseiras e vê s'o entreténs ré eu tê o comê pronto.disse Luster.Que aconteceu por lá hoje? .Então guarda pa ti o que sabes .Sabes mais qu'è> que devias . E nessa altura já cá tá o T.E eu ré sei o que foi .te à banda.disse Dilsey.

Sou eu . meteu a meia de vidro na gaveta e voltou a fechá-la.pátio das traseiras. Não se ouvia nada em lado nenhum. Como tantas outras pessoas frias e fracas. Como as persianas estavam descidas. Daí a nada Dilsey saiu. e dirigiu-se para a cozinha. Dilsey parou cá fora por um instante a escutar.Inda não voltou . e o quarto e a cama na penumbra.Bem .disse Dilsey. Depois abriu-a e entrou. penetrando num odor intenso a cânforã. disse: . quando ia a fechar a porta. mas em surdina. . .Quê alguma coisa? Mrs. Compson estava fechada. No seu caso era uma convicção inabalável num acontecimento ainda por deslindar. ela pensou que Mrs. O lume estava quase apagado. . de novo com o vestido de algodão desbotado. Pôs o avental e foi ao andar de cima.Onde está o Jason? .O qu'é que lhe quê? Mrs. Compson não respondeu. Sempre encontraste? 266 . ao ver-se agora conftontada com uma calamidade irremediável.disse por fim.O que é? . Compson não respondeu. Ben continuava a chorar. porém. Compson estava a dormir.Então . de coragem. ia buscar sabe-se lá onde uma espécie de força. e sem mexer a cabeça. . . Passado um instante. apanhou a roupa caída no chão.disse ela. a outra falou. Dilsey e Frony foram para a cabana. O silêncio era absoluto. Entrou. A porta do quarto de Mrs. O quarto da Quentin estava tal e qual o tinham deixado.disse Dilsey.

Mas também já não me interessa.O Jason inda não voltou disse Dilsey. Ele não ia permitir tal coisa.Então não sabe qu'ela tá bem? Aposto que vai entrá por aquela porta antes d'anoitecê. Um lenço embebido em cânfora estava pousado sobre a sua testa. Compson .disse Mrs. Ela devia pelo menos ter tido por mim a consideração. para me magoar. . E o Quentin. .. Eu sou uma senhora. . olá se vai.Mrs.Está-lhe na massa do sangue. . .Logo à noite ela vai estar aqui. mas sou. Tal tio. Pode pensar-se que não.Encontrei o quê? Tá a falá de quê? . nesta cama. Compson não disse nada. com a mão na maçaneta. Tem a certeza que não quê nada? E o saco. Por qu'é qu'ela havia de querê fazê uma coisa dessas? . . O roupão preto deitado aos pés da cama. ou não? . que motivos tinha? Sim. . que razões tinha ele? Só pode ter sido para me afrontar.De qu'é que tá a falá? .Vou prepará qualqué coisa. . suficiente para deixar um bilhete.disse Dilsey.Sei lá.disse Dilsey. Ou tal mãe. inda tá quente? . Até o Quentin deixou.Isso sim . Dilsey parada à porta.Podes dar-me a Bíblia? .Pa que continua a fálá dessa maneira? . Compson. Nem sei o que seria pior.Tenha calma e espere . tal filha.Do bilhete. Esteja Deus onde estiver.disse Mrs. em nome de Deus. a avaliar pelos filhos que tenho. .disse Dilsey.O que queres? Vais fazer o almoço para o Jason e o Benjamin. tal sobrinha. .Bem .

parecia uma velha freira a rezar. Mrs. . Parece que queres que eu saia da cama para ter de a ir apanhar.Não pode lê com esta luz. Vi o começo e vejo o fim .Não.O Jason não vem pa casa.Dei-lhe esta manhã antes de sair. . . o relógio que estava por cima do aparador bateu dez vezes. Vai é preparar qualquer coisa para o Jason comer. Compson nem abriu os olhos. Dilsey passou a Bíblia por cima dela e pousou-a do lado da cama que estava vazio.disse ela em voz alta. Fechou a porta e voltou para a cozinha.Uma hora . e sob aquele toucado feito com o terapêutico lenço canforado.Vi o começo e vejo o fim.Puseste-a à beirinha da cama. Nessa altura. Os seus cabelos eram da cor da almofada. . O fogão estava quase frio.disse ela.Pôs algumas coisas frias em . ..Não a 267 ponhas aí outra vez . Quanto tempo achas que se aguentoulá? Dilsey foi da porta até à cama e. . Alisou as páginas dobradas e colocou de novo o livro em cima da cama. Deixa-a estar como está.Quê que suba a persiana um bocadinho? . às apalpadelas. sem abrir os olhos. Dilsey foi-se embora. . procurou no escuro. acabando por encontrar a Bíblia caída debaixo da cama. . olhando para o fogão arrefecido.disse ela. Nem pensá disse ela. .Aí foi onde a puseste antes.

Preparou a refeição. Ben conseguia comer sozinho as coisas sólidas.O Jason não vem almoçá. ouviu passos e susteve o gesto até a porta ser aberta por um homem corpulento de calças largas de sarja preta e uma camisa branca de peiti268 .Vá.cima da mesa.O Jason não vem pa casa. Quando levantou a mão para bater. Depois de sair de casa. Por detrás da porta de rede havia gente a falar. Luster e Ben entraram na cozinha. Dilsey lhe tivesse posto um pano ao pescoço. Ele e Luster iam comendo. embora. .Não há maneira de se calá .Sentaram-se à mesa. ultrapassando os grupos mais atrasados para o sabbath e até o repicar peremptório dos sinos no ar cortado de vento. foi à porta. venham comê .disse Luster. passado pouco tempo. Dilsey andava pela cozinha a cantar os únicos dois versos do hino de que se lembrava. sempre a cantar enquanto andava para trás e para a frente. parou diante de uma casa de madeira e foi até ao alpendre pelo caminho ladeado de flores. dirigiu-se a toda a velocidade para a cidade.disse Dilsey. mas repetindo sempre os dois primeiros versos. como se chorasse para dentro. Ben gemia ainda. Nessa altura estava ele a trinta e tal quilómetros de distância. Cantou-o inteiro. entoando um hino. . . . . . mesmo tratando-se de um almoço só de coisas frias.Podem comê à vontade disse ela. Atravessou a praça deserta e virou para uma rua estreita que ainda estava mais silenciosa. chamou Luster e.

. Tinha uma farta cabeleira rebelde e grisalha e uns olhos acinzentados. .disse o outro.Pegue no chapéu e no casaco.Nós saímos .O xerife dirigiu-se para o alpendre. Um homem e uma mulher que iam a passar cumprimenta. ó homem disse: . empurrando-o pelo ombro para uma sala onde estavam sentados um homem e uma mulher.disse o xerife.Entre .Está pronto para partir? . .Deixem-se estar sentados. enquanto o xeri e trazia uma cadeira.lho engomado. . Apertou a mão de Jason e levou-o para dentro. .Eu conto-lhe no caminho . .Entre.disse o xerife. . . já conhece o marido da Myrtie. sim .Vá buscar o chapéu e o casaco .disse o homem. Myrtle.Vá buscar o chapéu. Ainda repicavam sinos para os lados da zona da cidade conhecida por o Poço dos Negros. .Não. .disse Jason. Vernon. .ram-no. .Eles já levam doze horas de avanço. .disse Jason.Deixe-se estar sentado . pondo-se de pé. redondos e pequeninos de menino. .Eu e o Jason vamos ali para o alpendre.disse Jason. não . xerife . Sim. .disse ele. Nem sequer olhou para o homem e. não conhece? Jason Compson. para vocês poderem falar à vontade. ainda a apertar-lhe a mão. pois não Jason? Sente-se. Anda. . Ele respondeu com um gesto caloroso e floreado.Nós saímos.disse Jason.disse Jason. Não é nada de muito grave.Entre .

.disse o xerife. O xerifé observava-o atento com os olhos frios e perspicazes. .Calma . . .disse o xerife.disse Jason. depois de lhe ter dito o que lhe fazia se os apanhasse juntos.já lhe contei ao telefone .quando dois dias a persegui-Ia por becos e travessas. de mãos nos bolsos.Fi-lo para ganhar tempo. . embarcando num turbilhão violento de autojustificação e desagravo.Eu já trato de si.. . que depressa esqueceu que tinha pressa.E quando venho ter consigo..Sente-se e conte-me tudo . Mas não sabe se foram eles . continuando de pé.Ora sen. É melhor parar por aí.O xerife puxou duas cadeiras.disse o xerifé.E pôs-se a olhar para a rua. . 269 Jason contou-lhe. . .disse Jason. tentando J passei afastá-la dele. disse Jason. Como pode dizer que não sei . mas era tal o peso do ultraje e da impotência..disse Jason . .Apenas julga que foram. um representante da lei. .. Será que tenho de apelar para a lei para o obrigar a cumprir o seu dever? .Ora sente-se lá e conte-me o que se passou.já chega.disse ele. a isto que chama tratar de mim? . e vem agora dizer-me que eu não sei que aquela p. .te-se e conte-me lá o que se passou.Você é que nos está a atrasar .Trata uma ova .

que matou o meu pai. -Absolutamente nada.disse Jason. a estas horas já eu lá estava.Absolutamente nada. Pois vai . e mais uma vez lhe pergunto. se os apanhar? . que me custou um emprego.A minha casa foi assaltada. que está a dar cabo da vida da minha mãe e que fez do meu nome 270 bombo de festa da cidade.Nada . Aquela cabra. Jason . . Venho ter consi go.disse Jason.Oiça uma coisa .. Repetiu a história..Que fazia você com três mil dólares escondidos em casa? O quê? .A sua mãe sabia que tinha tanto dinheiro em casa? .disse ele.O que tenciona você fazer com a rapariga. O xerife parecia nem ouvir. . . como representante da lei.disse Jason. ou não vai? . como se retirasse prazer do ultraje e da impotência. .Esta semana o espectáculo vai para Mottson . a única oportunidade que tive de singrar na vida.disse Jason. . recapitulando amargamente os factos. .E se eu tivesse conseguido encontrar um representante da lei que estivesse minimamente interessado em defender os cidadãos que o elegeram. Sei quem são os ladrões e sei onde estão. Nem lhe toco. vai ajudar-me a recuperar o que é meu. Da sua é ajudar-me a recuperá-lo. Não lhe vou fazer nada disse ele.O sítio onde eu guardo o meu dinheiro é da minha conta.disse o xeri e. .

uma merda . .Você levou a rapariga a fugir.Vai de viagem? . sons agudos na luz fugaz.Então não vai fazer nada para me ajudar a apanhá-los? . a torcer a aba do chapéu.Ao meio-dia vai .Melhorar. .perguntou-lhe o negro. Jason. a caminho da cidade. finalmente . Os sinos repicaram outra vez.Parece qu'o tempo vai melhorá. e disse calmamente: . Muito bem .disse Jason.disse o xerife. É essa então a sua resposta? . O xerife ficou a vê-lo afastar-se. Pôs o chapéu na cabeça. Parou numa estação de gasolina e mandou verificar os pneus e encher o depósito. nesse caso eu tinha de agir. Se você tivesse provas concretas. Mas sem elas acho que não tenho nada a ver com o assunto. . -A maneira como eu governo a minha família não é da sua conta .disse o negro. . É essa.Vai ajudar-me ou não? . em acordes sincopados. entrou no carro e pôs o motor a trabalhar. é.E tenho cá as minhas suspeitas de que sei a quem pertence esse dinheiro. Não vou ficar sem ajuda. inverter a marcha e passar a acelerar em frente à casa. Jason.disse Jason.. mas acho que nunca vou ter a certeza. Não respondeu. desencontrados. Desceu os degraus. Jason continuava de pé. .disse o xerife. Jason .Obrigou-a a fugir de casa . .disse Jason. onde um homem é imune só porque usa uma chapa de metal ao peito.Vai arrepender-se.Isso não é nada comigo. Não estamos na Rússia.Pense bem.disse Jason. . .

Já pode partir. deixando para trás a cidade e o repicar dos sinos. . cedendo à premência da pressa.E lá foi a acelerar.E todos estes estupores vão estar na igreja.Imaginava como finalmente acabaria por encontrar uma igreja. . nas estradas escorregadias de terra argilosa.Quando chegar a meio do caminho vai chover a potes.Este pneu não tem ar nenhum . Parecia-lhe que neste particular as circunstâncias estavam a seu favor.Que raio estás tu a fazer? Alguém te pagou para reteres aqui o carro o máximo que pudesses? .disse Jason. carregando no acelerador e fechando e abrindo a entrada de ar com violência.Vai chover disse ele. e nele. . . Jason entrou para o carro. e disse então ao negro: 271 .disse o negro. em como iria faltar ao almo. empanado algures a quilómetros e quilómetros da cidade.Então salta dali para fora e dá cá a bomba . . e já se imaginava atolado em lama à procura de uma parelha de mulas.Olhou para o céu. . pôs o motor a trabalhar e arrancou.disse o negro. . pondo-se de pé.estar a chover a potes. . e conseguiria arranjar a tal . em como. estaria à distância máxima possível de ambas as cidades quando o meio-dia chegasse. Meteu a segunda. Pensava nisso com um espécie de sentimento triunfal. . o motor roncava ofegante e ele insistia. a pensar na chuva.ço.já tá cheio . partindo imediatamente.

a gritar com ele.Sou Jason Compson.Não era na sobrinha que pensava. o emprego no banco. em conjunto. e como o dono viria cá fora a correr.parelha de mulas.dizia ele. .e imaginava-se ao comando da sua escolta de soldados. com campanários de chapa. Nenhum deles tinha tido para ele existência real nos últimos dez anos: simbolizavam apenas. arrancando a Omnipotência à 272 . . De vez em quando passava por igrejas. nem no valor relativo do dinheiro. com o xerife algemado na retaguarda. Experimenta travares-me o passo. Eu mostro-lhe o que é perder o emprego. O tempo clareou. . as sombras fugidias eram agora um bom prenúncio. . do qual se vira privado antes mesmo de o ter conseguido. barracões de madeira por pintar. imaginando-se a entrar no tribunal escoltado por soldados e trazendo à força o xerife. e parecia-lhe que cada uma delas era mais um posto de vigia de onde a guarda-recuada das Circunstâncias o espiava. e ele o atirava ao chão e dizia: . rodeados de parelhas de pílecas e automóveis estropiados. e parecia-lhe que o facto de o dia estar a desanuviar era mais um golpe da sorte traiçoeira.Experimenta deteres-me .Pensa que pode ficar de braços cruzados a ver-me perder o emprego.E vai-te lixar Tu também dizia ele. Experimenta elegeres um xerife que me consiga travar o passo . da nova batalha para que se dirigia carregado de velhas feridas.

e assim continuou. Talvez se eu for devagar.força do seu trono.Talvez se eu for devagar. . na esperança de encontrar algum lenço esquecido. se tal fosse necessário. ou seguir em frente. . sentado e a praguejar. O vento que soprava de sudeste fustigava-lhe o rosto. de súbito. .Vou pensar noutra . ao passo que se continuasse não sabia se a conseguiria arranjar. imaginava as legiões do céu e do inferno guerreando-se e ele abrindo caminho por entre elas para finalmente deitar as mãos à sobrinha.. mas em casa sabia que encontraria cânfora ao domingo.. parou e quedou-se imóvel e sentado. penetrar fundo no seu cérebro e. carregou nos travões. sentiria a cabeça a estalar. saiu por isso do carro e levantou a almofada do assento. munia-se de um lenço embebido em cânfora que atava à volta do pescoço mal saía da cidade. Em qualquer dos casos.. Dir-se-la que sentia o golpe de ar. Podia voltar para trás e ir buscar a cânfora. Espreitou debaixo dos dois bancos e deixou-se ficar fora do carro mais um pouco. num rouco sussuro.disse ele. persistente. Fechou os olhos e encostou-se à porta. imaginando-se coberto de ridículo pelo seu próprio triunfo. Entrou para o carro e arrancou. só daí por hora e meia chegaria a Mottson. Depois levou a mão à cabeça e começou a praguejar. certeiro. impelido por uma velha premonição.. Porém. a praguejar. a pensar noutra coisa. Quando tinha de guiar por muito tempo. para inalar os vapores. se voltasse para trás.

pondo-se a pensar na Lorraine. estava a ficar astucioso. e. Só havia uma saída. Estava convencido de que qualquer deles o reconheceria à primeira vista. Pairava fumo sobre o vale e viam-se alguns telhados e um ou dois pináculos despontando das árvores. E o facto de depender de uma gravata vermelha parecia-lhe ser sinal da fatalidade iminente. mentalizando-se de . dizia de si para si. ao passo que ele tinha de tentar descobri-Ia a ela primeiro. Imaginouse na cama com ela. senti-lo no latejar das têmporas. Mas ver-se roubado daquilo que era a sua compensação pelo emprego gorado. mas logo voltou a pensar no dinheiro. e em como tinha sido enganado por uma mulher. numa aliança irrevogável. pior que tudo. podia quase sentir-lhe o cheiro. abrandando a marcha. por uma cabra daquelas. Transpôs a última colina. Desceu a encosta e entrou na cidade. a menos que o homem ainda trouxesse a gravata vermelha. protegendo a cara do vento certeiro com a gola do casaco. Via as forças adversas do destino e da vontade reunirem-se agora. rapidamente. Se ao menos pudesse acreditar que fora o homem que o roubara.coisa disse. do próprio símbolo do emprego perdido. uma miúda ainda. pedindo-lhe que o ajudasse. Não posso falhar. mas apenas deitado ao lado dela. privado daquilo que ele tinha juntado com tanto esforço e risco. Seguiu em frente. 273 sem alternativas: tinha de a usar.

que todo o cuidado era pouco. fazendo reflectir o sol no bojo metálico voltando em seguida para dentro. Foi pois para lá que se dirigiu. pensou. que o desenlace não iria depender de quem visse primeiro quem. mas que as caravanas estavam num parque junto à estação dos comboios. Inspeccionou o local ainda antes de sair do carro. pingonas e enrodilhadas. Mais do que isso: ele tinha de ser o primeiro a vê-los e recuperar o . Saiu do carro e seguiu rente ao muro da estação. Nem lhe passou pela cabeça que podiam não estar nas caravanas. Agora tenho de o apanhar de surpresa. Que podiam nem sequer estar ali. sempre atento às caravanas. pintadas em cores garridas. Havia algumas peças de roupa estendidas nas janelas. estavam três cadeiras de lona. contrariando a natureza. Numa estação de serviço disseram-lhe que a tenda ainda não estava montada. antes de ele os avisar. o ritmo dos acontecimentos. Mas não detectou sinais de vida até um homem de avental imundo se assomar à porta e despejar um alguidar de água da loiça com um gesto largo. e sabia que era a fatalidade que teimava em dizer-lhe que fosse procurar qualquer coisa para as dores de cabeça. Estava com a vista algo afectada. procurando a tenda antes de mais nada. como se tivessem acabado de ser lavadas. junto aos degraus de uma delas. Esforçava-se por respirar superficialmente para que o sangue não lhe latejasse tanto nas fontes. Encontrou duas carrinhas estacionadas. No chão.

Fez novo reconhecimento do terreno. Jason Compson. estava bem preso nas garras de Jason. rápido.dinheiro.Eh lá.disse o outro. Entrou no carro e o homem levantou os olhos para ele. pensou ele.Filho da puta .Vá.Onde estão eles? . .gil.disse o homem.Mas que vem a ser isto? . O braço dele. parando de cantar. sua sobrinha. por entre a desarrumação geral.disse Jason. O homem era uma mancha esbranquiçada.na-dormitório? .disse o homem. e parou junto à porta. .disse o homem. trémula e de cana rachada.Sim? . A cozinha da caravana era escura e tresandava a comida estragada.disse Jason. Eavançou para o homem na penumbra. . tinha sido roubado pela Quentin. o que fizessem depois já não teria importância. e mais pequeno do que eu. ele exclamou: . fino e frá. camarada! . subiu os degraus.A quem está você a chamar mentiroso? .disse Jason. Um velho.Onde está quem? . ao passo que de outra maneira.Onde estão eles? .E quando Jason lhe deitou a mão ao ombro. Tentou libertar-se. uma puta. e cantarolava com voz de tenor. e depois virou-se e começou a tactear entre a tralha que . Na carava. . . o mundo inteiro ficaria a saber que ele. Depois aproximou-se 274 da carrinha. . rápido e silencioso.Nada de mentirolas . .Nada de mentiras .

É só eu encontrar a minha faca e vais ver. tentando segurar o outro. Jason olhava tresloucado para todos os lados. - .Promete que se controla até eu sair? . não obstante.Pronto.Filho da puta . brilhante. Solta-me e vais ver o que eu te faço. .Pronto! . que Jason viu claramente pela primeira vez a fatalidade para a qual se precipitava. Deixa-me.disse Jason.disse ele.disse Jason.Espera lá que eu já te digo onde eles estão guinchou o homem. mas o corpo do homem era tão velho e frágil. Pronto! Eu saio já. É só o tempo de sair. Jason tentou prender-lhe os dois braços para lhe acalmar a fúria. . . mas. sem se atrever a soltá-lo para lhe poder voltar as costas e fugir.Onde estão eles? . tão fatalmente determinado.Oiça lá . . e pensou em si próprio.guinchava o outro. tentando deter aquele homenzinho furioso e fatal. sem o largar.indignava-se o outro. vasculhando por cima da mesa. . . e ele pensou nas pessoas que não tardariam a regressar a casa calmamente.Vamos .pe' ) ava a mesa por detrás dele. Lá fora o dia estava soalheiro. .A chamar-n-ic mentiroso . . . .Só estou a fazer-lhe uma pergunta. com 275 circunspecto decoro. vivo e vazio. para o seu almoço de domingo.disse ele.

ofegante.Estou a sangrar muito? . brandindo um machado ferrugento.disse ele. a ver se se acalmava. mas o outro tombou de imediato. à escuta.Promete? . olhando para um lado e para o outro. pensou ele. e quando uma coisa o atingiu na nuca pensou Como é que ele me conseguiu atingir aqui? Só se já me bateu há muito tempo. Um golpe desastrado. . e de repente foi tomado pelo desejo imperioso de não morrer e desatou a lutar. e Jason soltou uma das mãos e bateu-lhe na cabeça. A sua respiração produzia um sonoro há há há e ainda ele estava ali parado. quando uma restolhada atrás de si o fez voltar-se mesmo a tempo de ver o homenzinho saltar em fúria da caravana. Depressa. Jason ficou de pé a olhar para ele. ouvindo o velho a gemer e a praguejar na sua voz de cana rachada.A nuca. não muito violento. ficando parado cá fora. Jason agarrou-se ao machado. rolando com estrépito por cima de baldes e panelas. sentiu-se subitamente empurrado. dominou-se e desceu os degraus mais devagar. ao mesmo tempo que ouvia a .Ainda a dizer o mesmo.Mas o outro continuava a debater-se. e só agora é que senti. Estou a sangrar? . Depois deu meia volta e correu para a porta. atabalhoado. convencido de estar prestes a morrer. Lutava ainda quando o puseram de pé. . mas agarraram-no e acabou por parar. Acaba com isso. E pensou Depressa. mas sabendo que tombava e pensando É então assim que isto vai acabar. sem sentir o choque. Aí.

levou a mão à nuca e olhou para a palma da mão.. .disse Jason. . mas eles não estão aqui. . Ponha-se a andar.Vim à procura de duas pessoas disse Jason. - .Ele agrediu-me . até à plataforma vazia onde estava parado um vagão de mercadorias perto de um sítio onde a erva crescia den276 sa num terreiro orlado de flores rígidas. a perder-se na distância.Vá-se embora .disse ele . Encostou-se ao muro. com um anúncio luminoso que dizia: Fique de <3> em Mottson. O homem soltou-o.disse Jason. Aquele danado ainda o mata. Eles roubaramme.Acho que não . esganiçada e furiosa. Pois é. Ele andava ontem em Jefferson com uma gravata vermelha.Agora . Esperem.disse o outro. .Anda à procura de quem? .De uma rapariga .Só lhe perguntei se sabia onde elas estavam.Ah .disse o homem que o agarrava..Vejam a minha cabeça . uma ova .voz do homem. O que é que queria fazer? Suicidar-se? . Não está ferido.disse Jason. . . Dobrou a esquina e levou Jason até à estação. estando o espaço preenchido por um olho humano com uma pupila eléctrica. . Fazia parte do espectáculo. . E de um homem. .Então você é o tal.dizia ele.disse o homem. eu.Estou a sangrar? .Esperem.vá-se embora e não volte mais aqui. .

Não .Não . Aquele ali é o seu carro? 277 É. .Tinha corrido sangue. . . acha que estou a mentir? . Você é. Tem a certeza de que ele não me bateu? Quero dizer.disse Jason. .E não sabe para onde foram? . ele de facto disse que não estavam.E eu. .disse jason.disse o homem.Não interessa. Aquele danado é capaz de o matar.Não . .Julguei que estava a sangrar . com um elenco respeitável.. Ora bem.Claro . .disse Jason. Nenhum dos meus artistas pode fazer avarias dessas.Julguei que ele me tinha batido com o machado. . Os dois . . Pôs o motor a trabalhar e seguiu devagar . Eles não estão aqui.Sei que eles não estão aqui.disse Jason. Eu dirijo um espectáculo respeitável. trate de se meter nele e de voltar para Jefferson.. não vai ser no meu espectáculo.Sim.Não quero daquilo no meu espectáculo.disse o homem. lembrou-se. Só queria encontrá-los. que não me fez sangue? . irmão dela? . .disse o homem. E agora o que vou fazer? pensou ele.disse ele. . Nisto. O melhor é ir-se embora..Não. O meu espectáculo é um espectáculo respeitável. Nem quero saber. mas era se eu não chegasse quando cheguei. Fique longe daqui. .Você bateu com a cabeça nos carris .Isso não interessa. Mas pensei que estivesse a mentir. Diz que o roubaram? .Entrou para o carro.Disse-lhes que se pusessem a andar daqui para fora. . Se os encontrar.

.Então por quanto? .Por esse preço. . entrou outra vez no carro e deixou-se ficar sentado. não posso disse um. e o homem disse-lhe que às duas e meia. mas não havia.pela rua acima até encontrar uma farmácia. .disse o outro.Por que não o levas tu? Não tás a fazê nada. .Não posso sair daqui .E o qu'é que tás a fazê? Puseram-se de novo a cochichar e a rir. siô. Ficou parado por uns instantes com a mão no puxador e a cabeça ligeiramente curvada. Conferenciaram de novo.disse jason.disse jason. .Dou-vos dois dólares .disse o primeiro. Deixouse ficar sentado por mais algum tempo. Depois veio-se embora e.disse jason. .Algum de vocês sabe guiar um carro? .Então passem bem. .Si. .Isso é qu'eu tou. quando daí por um bocado passou um homem. .Está bem . A porta estava fechada. . perguntou-lhe se havia alguma farmácia aberta na cidade. . Depois perguntou-lhe a que horas partia o comboio para o norte. Chamou-os. Algum tempo depois passaram dois rapazes pretos. A cada um. Quanto querem para me levarem agora mesmo para jefferson? Eles entreolharam-se e conferenciaram.Tu podes ir? .Dou-vos um dólar . Ouviu um relógio dar a meia hora e depois começaram a passar pessoas com os seus fatos pascais e domingueiros. Atravessou o passeio. .Eu tamém não posso . .disse um.

Alguma coisa . Sou disse jason. Hei-de encontrar qualquer coisa assim que chegar a jefferson. Nem para o outro olhava. 278 para aquele homem tranquilamente sentado ao volante de um carro pequeno. . .disse Jason. Quando Ben e Luster terminaram. É o sinhô que quê ir pa Jefferson? . e saíram da cidade. Passado um bocado apareceu um negro de fato de macaco. com a saga invisível da sua vida enredada à sua volta como urna peúga velha. . dizia para si mesmo. .O homem do carro continuou tranquilamente sentado. Não pensava na sua própria casa. um estado de mal permanente . Era nisso que ele pensava.Quê ou não quê os meus serviços? . Dou-te dois. Seguiram por ruas onde as pessoas regressavam às suas casas para o almoço de domingo. jason fechou os olhos.Quanto levas? Quatro dólares.Está bem . Dilsey mandou-os lá para fora. e seguiam o seu caminho. O negro disse então: .E vê s'o deixas em paz té às quatro horas. de ameaça. tentando descontrair-se para suportar os solavancos.a ausência de fatalidade. Chegou-se para o lado e o negro sentou-se ao volante. lá hei-de encontrar alguma coisa.Entra. e onde a sua vida iria recomeçar.Algumas olhavam para ele. onde Ben e Luster comiam um almoço frio na mesa da cozinha. .disse ele.permitia-lhe esquecer JefiFérson como um lugar que nunca tivesse visto. Não poss'ir po menos de quatro.

Saltou da rede e foi ter com Ben.disse Dilsey. Vocês inda apanham os dois uma pneumonia aqui em baixo neste chão molhado.Teja calado . mas não se ouvia nada.disse Luster. De cada lado do .tando para baixo. . 279 Leva-o já p'apanhá sol.Havia uma rede de baloiço feita de aros de barril enfiados numa rede de arame. .Era assim qtMe fazia . Depois foi para a cabana. Deitou-se outra vez na rede.dizia ele. não comece . E .dizia Luster. abrindo a porta e esprei. . E logo recomeçou a chorar. .disse Luster.Agora. . Dilsey almoçou também e arrumou a cozinha.Não tenho uma coisa apropriada pa lhe bate . . mas Luster ouvia-o choramingar. mas Ben continuou a deambular sem destino. Contemplava a serra imóvel com uma espécie de esperançada dejecção.Sissiô .disse Luster.Vai-se calá ou não vai? disse Luster.Tou a vê qu'inda tenho de lhe batê. Ficou à espera a vê-los atravessar o pátio até ao tufo de cedros junto à cerca. saiu pela porta das traseiras e parou nos degraus. . . Ben estava quieto. numa repetição da cena dessa manhã. Passou pela cozinha. Luster deitou-se a balançar. agachado junto a um monte de terra.E tamém não vai sê aí qu'a encontras . .É q'ando chegló T. Ben e Luster não estavam por ali.Hoje já me deu trabalho que chegue. Depois foi até ao fundo das escadas e pôs-se à escuta. Saíram para o pátio. mas ouviu de novo um ruído vindo dos lados da adega e para lá se dirigiu.

foram até à cerca e ficaram os dois lado a lado. a gemer e a chorar. Sempre a chorar. traz o saco. a espreitarem por entre as folhas da madressilva que ainda não estava em flor. Tá a vê? Tome lá. . . E s'eu por exemplo lhe fizess'isto? Ajoelhou-se e. Luster fez aparecer outra vez o frasco. Ben calou-se. . seguiu-os ao longo da cerca. mas Ben continuou a 280 segui-los.Puxou Ben pelo braço para o ajudar a levantar.Cale-se.@Uie.disse Luster. . Tá a vê-los? Viram um grupo de quatro jogadores atirarem a bola e seguirem para o buraco seguinte.disse Luster. Chiu! . encontrou um tronquinho e meteu-o no outro frasco. Venha daí. quando ia encher os pulmões de ar.disse Luster. . procurou à volta. . Vamos vê se já começaram a bate na bola. Benjy . já vi que vai chorá s'aqui ficá. e a gemer. ca.Não s'atreva a berrá! Tá a ouvi? Já aqui tá. Continuou de cócoras a olhar para a cova onde o frasco tinha estado.Veja lá se quê qu'eu lhe dê uma boa razão pá chorá. Dentro de um deles estava uma folha seca de erva-do-diabo. . Ben estava de cócoras a olhar para o frasco e a chorar baixinho. agarrando de repente no frasco. Um deles disse: .Lá vêm uns. a choramingar. agarrado à cerca. no seu passo desajeitado.Por que não se cala? . .monte estava enterrado na terra um frasco vazio de vidro azul que antes contivera veneno.Vá.Ali . Quando a equipa se afastou. mas. Ben observava-os. escondeu-o atrás das costas.sibilou.

Vá. Os homens iam jogando e iam-se afastando. Vai pará ou não? .Vai-se calá ou não vai? . e Ben a segui-los até a cerca acabar.disse Dilsey. . Ben estava agarrado à cerca. no seu choro rouco e continuado.Quer que lhe dê uma razão pa chorá? . vai lá num instante. Vá.má-los.E não incomodes Miss Ca'line. . Atravessaram o pátio e foram para a cabana. até desaparecerem.Eu bem lhe disse qu'ele não ia ficá calado .Vai depressa buscá o sapato disse Dilsey. diz-lhe qu'ele tá comigo. Benjy. vai-se calá? . Luster ouviu a voz de Dilsey a cha. . .Abanou o braço de Ben.disse Luster. . .Venham p'aqui . . Caddy! Caddy! Caddy! Passados uns instantes. nos intervalos em que Ben se calava. Acho qu'isso consegues fazê direito. . para a casa. berre agora.Caddy! Vá. Pegou no braço de Ben e foram ao encontro dela.Olhou para trás.Ben tinha o olhar fixo para lá da cerca.Então? . Então tá bem .a chorar com a sua voz rouca e infeliz.O qu'é que tu lhe fizeste? . S'ela dissé alguma coisa.Eu não fiz nada. Eu bem lhe disse que quando os outros começassem a jogá ele desatava a chorá.Mas ele não se calava. . Agora esteja caladinho.disse Luster. Dilsey levou Ben para a cama e deitou-o .disse Dilsey.disse Luster. ppr cima do ombro. . malandro! . Luster saiu. e murmurou: . . .disse Luster.Ah. e ele ficar agarrado a ela a ver as pessoas cada vez mais longe.E agora.

Vais é matar-vos aos dois . . . ela levanta-se e vem cá. abraçando Ben.disse ela -. Mas não és de confiança. . .dizia ela.nho.Agora esteja caladinho . . rasgado e sujo. Dilsey embalava Ben e afagava-lhe a cabeça.Há quanto tempo. 281 . . mas quando o puseram na mão de Ben. . Sinhô . era o lamento desesperado e mudo de toda a miséria existente à face da terra. ele sossegou por uns momentos. inconsolável. embalando-o.ao lado dela e abraçou-o.disse ela.Eu consigo guiá a caleche. trazendo na mão um chinelinho de cetim branco. . meu amô . .disse Dilsey. Mas choramingava ainda. meu amô .Luster. Vá.disse Dilsey.disse Dilsey.EFontem disse qu'ia hoje a St. Agora já estava amarelo. vó . A Dilsey está ao pé de si. e não tardou a elevar a voz.Há quanto tempo.Eu guio como T R Dilsey balançava para trás e para a frente. enquanto lhe limpava a baba com a barra da saia. Disse que voltav'às quatro. Jolin.Miss Ca'line diz que se não conseguir qu'ele se cale.dizia ela . sem verter lágrimas. Luster voltou.disse Luster. esteja caladinho .Chhh. Achas que consegues encontrá o T E? . Eu sei que esperteza não te falta. Vá. Chhh.disse Luster. vais fazê o .Mas ele chorava de mansi.Esteja caladinho. afagando a cabeça de Ben. .Dizes isso pa m'atentares. afagando-lhe a cabeça. . .Não vou nada .

Tome.disse ela. s'as pessoas soubessem .disse ela. . . Luster saiu a correr.disse Luster.Sissíô .É a flor . Foi a um roupeiro feito num canto do quarto com uma cortina a servir de porta e tirou o chapéu de feltro que tinha levado à igreja. .Espere. Ben continuava agarrado à chinelinha. a chorar.Sissiô . Dilsey ajudou Ben a subir para o banco traseiro.disse ela. . O Luster vai buscá a caleche e levá-lo ao cemitério.qu'a tua avó diz e guiares a caleche direita? . Deus sabe que sim.disse Luster. .O menino tamém é filho de Deus.Pôs-lhe o chapéu na cabeça e abotoou-lhe o casaco. . Tiroulhe a chinela da mão. não vais? . Vai lá buscá-la disse. louvado seja o Sinhê.disse ela.Inda havemos de chegá a pior do qu'isto. ah. Ele não parava de chorar. .Eu faço o que posso .Agora vai depressa apanhá uma.Deixa-te aí está . . E Dilsey continuou a afagar a cabeça de Ben. E eu tamém vou tê com ele não tarda.disse Luster. embalando-o para trás e para a frente. mas depressa recomeçou.Agora cale-se. Foi para junto do cavalo e 282 segurou-lhe o freio. . arrumou-a e saíram. eu vou-lhe buscá uma.disse Dilsey.Vais tê muito cuidado. .Vou guiá-la tão bem como o T. . toda tombada para um lado. levantando-se. Nem m'atrevo a ir buscá o seu boné . Luster apareceu com um velho cavalo branco atrelado a uma caleche desengonçada. Luster. . Ele já tinha parado de chorar. .

Luster deu-lho com relutância. . . . Sabes o caminho? . . . . .disse Luster. faz todos os domingos.Assim a Queenie nunca mais anda. . Espere. dás a volta à praça.Foi o único qu'encontrei .Sissiô.Sissiô . vais direito ao cemitério e depois voltas pá casa. .Por que não IUarranjas um melhor? . eu conserto-o. Tudo o que tens a fazê é ires aí sentado a segt@rares as rédeas.Vocês levaram-nos todos na sexta feira pá decorá a igreja. E o caminho qu@o T.Vê lá se tens cuidado. .Não te preocupes .Passa pá cá o chicote.disse Luster. Depois subiu para a caleche e pegou nas rédeas.disse Dilsey.Dá-mo cá . .A Queenie sabe melhor pá onde vai do que tu. Queenie .E enquanto Dilsey segurava o cavalo.Luster foi de volta até ao jardim e voltou com um narciso. .Dilsey largou o freio.Vá . .disse Luster. encostando-se à roda.Sabes o caminho? . .disse Luster.Toc'andá. Queenie.disse Dilsey.Toc'andá.Oli.disse ela. .. Pela rua acima.Sissiô.disse Dilsey. -.disse Dilsey. vó! . . Luster fez uma estaca para a flor com um tronquinho e dois bocados de cordel e deu-a a Ben.Esse tá partido . P. . Dilsey ainda não tinha largado o freio. . .

Toc'andá! . .Bateu-lhe outra vez 283 com as rédeas.Toc'andá.Sissiô . Acompanhada de ruídos subterrâneos. prolongada e em suspensão. Queenie baixou a cabeça e pôs-se a aparar a relva até Luster subir outra vez para a caleche. Queenie. Luster! . P. . mais de cem vezes? . . E se magoares o Benjy. com a flor consertada espetada na mão. negrinho duma figa. .. Bateu com as rédeas no dorso largo da Queenle e a caleche arrancou com um solavanco. até à rua.disse Luster. nem sei o que te faço.Agora vai. . Ben parou de chorar.Claro que vou fazê. .Então hoje é mais uma . onde Luster a espevitou para um trote vivo que se assemelhava a uma queda para a frente. Assim que isso aconteceu. Queenie trotou calmamente pela rampa abaixo. Vais pós trabalhos forçados. . desceu e foi cortar um ramo a uma sebe.Vamos. e tão depressa qu'inda lá chegas antes deles estarem à tua espera. Mesmo à sua frente.disse Dilsey.disse Dilsey. Então eu não guiei já pelo T. Ia sentado no meio do banco. de olhar sereno e inefável. a cabeça fusiforme de Luster voltava-se continuamente até perder a casa de vista.disse Luster.Olha lá.Então faz tu a mesma coisa este domingo. parou na berma da estrada. puxar-lhe a cabeça para cima e pô-Ia outra vez em marcha. .

era horror. ele dobrou os braços e. e pessoas.disse ele. Aproximavam-se da praça.Vamos mostrá a estes negros como é que se guia. Luster. Ben ia sentado com a flor na mão.disse ele. espraiando os olhos pela praça. Grito a grito. Luster foi ainda mais longe e golpeou o dorso da imperturbável Queenie com o chicote improvisado. elefante. Disse alguma coisa? . quase sem pausas para respirar. de olhar sereno e despreocupado. Depois desatou a gritar. com o ramo e as rédeas ao alto. Ben viveu um hiato de pânico. e os olhos de Luster revirando-se para trás por um lapso de brancura. . fustigado por ventos e intempéries. uma vez foi um grupo de rapazolas negros. de olhar vazio sob a mão de mármore. completamente despropositada para a cadência tranquila dos cascos da Queenie e os sons graves de órgão do seu acompanhamento interior. uma agonia sem olhos e sem língua. Pa onde vais. apenas som.Tá ali o carro de Mr.Mas não pé mesmo campo d'ossos onde vocês hão-d'ir pará. adoptou uma pose fanfarrona. onde o soldado da Confederação vigiava. Benjy . Adiante. choque.disse Luster.depois.Valha-me Deus .Cale-se! Cale- . . Por momentos. Luster fustigou de novo a Queenie e obrigou-a a virar bruscamente à esquerda junto ao monumento. . Luster? Pé campo dos ossos? É . Havia nela mais do que espanto. Olá. Passavam por eles carros. ao mesmo tempo que avistava um outro grupo de negros. . Jason disse ele.Olhou para trás. . a sua voz elevava-se cada vez mais.

puxou o freio. em agonia. e. Com um golpe desferido com as costas da mão. levante-se.disse ele. Virou-se para trás e bateu em Ben. Se tornas a passar daquele portão com ele. .disse ele. Mas ele partiu-se e Luster deitou-o fora. ressoavam por toda a praça. dou cabo de ti! .Cala-te! . agarrou as rédeas.Não sabes que não é para a esquerda? . A Queenie pôs-se de novo a passo. voltando a partir a haste da flor. pegou na ponta das rédeas e inclinou-se todo para a frente no momento em que Jason atravessava a praça a correr e saltava para o estribo.Levante-se! Vá.Rodopiou outra vez e bateu na Queenie com o ramo. Cala-te! . desferiu um murro na cabeça de Ben. os cascos retomaram o seu . dobrou as rédeas e fustigou os flancos da Queenie. Golpeava-a sem parar. siô! . . . leva-o para casa. . Benjy.Vai para o inferno.Si. Nisto.disse Luster. metendo-a a galope desenfreado. Pegou nas rédeas e bateu na Queenie com as pontas. Jason empurrou Luster para o lado. enquanto os gritos roucos de Ben. Por amô de Deus! A voz de Ben soava cada vez mais alto. Depois fê-la virar à direita do monumento.se! 284 Valha-me Deus! . com a voz de Ben subindo de tom num crescendo inimaginável.Fez Queenie estacar e saltou para o chão.

.toc-toc cadenciado e Ben calou-se de imediato........ 69 Seis de Abril de 1928 .............. 5 Dois de junho de 19 10 .... Luster olhou-o de relance por cima do ombro e seguiu em frente........ azuis e serenos outra vez....... .. cada qual no seu devido lugar..................... janelas..... Y Outubro de 1928 indíce Sete de Abril de 1928 ........ portas e cartazes....... A flor partida pendia da mão de Ben e os seus olhos eram vazios...................... N.. à medida que comija e fachada deslizavam de novo da esquerda para a direita...... postes e árvores.. ............ 163 Oito de Abril de 1928 ....... Nova Iorque.... 237 .

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