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Imunologia 1

Introdução

Imunologia é o estudo da imunidade e dos eventos celulares e moleculares ocorrentes depois de um organismo
se depara com micróbios e outras macromoléculas estranhas.
As células e moléculas responsáveis pela imunidade constituem o sistema imune ou imunológico e suas
respostas à introdução de substâncias estranhas compreendem a resposta imune.
A função primária do sistema imune é defender o organismo de infecções diversas. Entretanto, o sistema
imune pode, por outro lado, levar à reações imunológicas como na hipersensibilidade, na rejeição de transplantes e na
auto-imunidade.

Unidade 1
Sistemas de Defesa do Organismo

O sistema imunológico ou sistema imune é de grande eficiência no combate a microorganismos invasores.
Mas não é só isso; ele também é responsável pela “limpeza” do organismo, ou seja, a retirada de células mortas, a
renovação de determinadas estruturas, rejeição de enxertos, e memória imunológica. Também é ativo contra células
alteradas, que diariamente surgem no nosso corpo, como resultado de mitoses anormais. Essas células, se não forem
destruídas, podem dar origem a tumores.
Células do sistema imune são altamente organizadas como um exército. Cada tipo de célula age de acordo
com sua função. Algumas são encarregadas de receber ou enviar mensagens de ataque, ou mensagens de supressão
(inibição), outras apresentam o “inimigo” ao exército do sistema imune, outras só atacam para matar, outras
constroem substâncias que neutralizam os “inimigos” ou neutralizam substâncias liberadas pelos “inimigos”.
Existem 02 tipos de imunidade: Imunidade Natural e Imunidade Adquirida.
Na IMUNIDADE NATURAL, a eliminação do patógeno ocorre por neutralização e/ou destruição. A
neutralização ocorre por ação de muco, líquidos corporais e complemento presentes em locais estratégicos. A destruição
é responsabilidade das células fagocitárias que fazem a lise inespecífica dos patógenos.
Quando existe uma distinção especifica e seletiva as moléculas pertencentes ao seu próprio tecido de
substâncias estranhas que são chamada antígenos temos a chamada IMUNIDADE ADQUIRIDA (ADAPTTIVA). Os
receptores que reconhecem os antígenos são estruturas moleculares presentes em células especializadas que nos
vertebrados são populações chamadas linfócitos. Estas são células que em cooperação com células não linfóides, como
macrófagos, reagem com os antígenos, provocam uma multiplicação celular (proliferação clonal) e desenvolvem uma
reação ou RESPOSTA IMUNE. Esta é caracterizada pela síntese de sub-populações de linfócitos chamados T e B com
moléculas que reconhecem especificamente o antígeno que iniciou sua síntese. Os linfócitos B se diferenciam em
plasmócitos e fazem uma RESPOSTA IMUNE HUMORAL e os receptores formados nos linfócitos T fazem uma
RESPOSTA IMUNE CELULAR.

Tecidos Linfóides

Apenas 1% da população total de linfócitos é encontrada circulando no sangue. Na sua maioria, os linfócitos
são encontrados nos chamados órgãos linfóides.
Os órgãos linfóides são classificados em primários (ou centrais) e secundários (periféricos).

Órgãos linfóides primários (centrais)

Timo e medula óssea (+ fígado fetal).
Nestes órgãos ocorre a linfopoese (produção de linfócitos), ou seja, as células se diferenciam das células tronco,
proliferam e amadurecem em linfócitos funcionais.
Linfócitos T amadurecem no timo.
Linfócitos B amadurecem no fígado fetal e na medula óssea.
Nos órgãos primários os linfócitos adquirem seu repertório de receptores antígeno-específicos e são selecionados de
acordo com sua resposta aos autoantígenos (antígenos do próprio organismo).

Timo

Principal local onde se diferenciam células T.
Localizado na cavidade torácica, próximo ao coração, possui 2 lobos e cada um contêm vários lóbulos (ver
Fig.1). Os lóbulos são divididos em córtex e medula interna. As células progenitoras são transportadas do sangue para o
timo e formam um conjunto de células em multiplicação localizado no córtex. Dessa forma, o córtex contêm a maioria
dos timócitos (linfócitos residentes no timo) imaturos em proliferação; já a medula dos lóbulos possui células maduras.
Portanto, há um gradiente de maturação das células do córtex para a medula:

Imunologia 2

Fig.2-Histologia do Baço. Fonte: 2º site da bibliografia
1Córtex externo – Timócitos CD4- e CD8- (aproximadamente 10%).
2Córtex interno – Rico em timócitos duplo-positivos CD4+ e CD8+ que constituem quase 75 % das células do timo e
não são imunologicamente funcionais.
3Medula – Timócitos positivos simples: CD4+ ou CD8+.
4
A grande parte dos timócitos duplo-positivos morrem sem nunca terem saído do timo. Desse modo, constata-se
que no timo ocorre um intenso processo de seleção dos timócitos baseado na relicação e morte celular.
Ainda não foi confirmado, mas suspeitas indicam que os corpúsculos de Hassal (estruturas queratinizadas
localizadas na medula tímica) são timócitos que estão sendo eliminados neste processo de seleção sofrendo apoptose
(morte celular programada).
O epitélio do timo é constituído de camadas e ilhas de células escamosas que sustentam os linfócitos e
elaboram hormônios peptídicos (timulina, timopoetina, fator humora tímico e variadas formas de timosina) que talvez
desempenhem papel na atração de precursores de linf. T ou promovendo a sua maturação.
A circulação de células para dentro ou para fora do timo ocorre através das veias endoteliais altas (HEV).

Medula Óssea

As células hemopoeticas do fígado fetal e medula óssea dos adultos originam diretamente os linf. B. Um
microambiente de direfenciação é estabelecido e mantido por células estromais da medula óssea (rede de células
epiteliais). Cada micorambiente é destinado à produção de um tipo celular específico. As células estromais, além de
fornecer moléculas de adesão e da matriz extracelular, sintetizam também numerosas citocinas essenciais da
hematopoese.
A medula óssea contêm células T maduras (atuando assim também como órgão linfóide secundário).

Órgãos linfóides secundários (periféricos)

Baço e linfonodos- encapsulados pertencem ao sistema linfóide sistêmico.
Tecido linfóide associado a mucosas- MALT (ex: amígdalas, placas de Peyer no intestino, BALT).
Os linfócitos diferenciam-se a partir de células tronco, nos órgãos primários, mas migram para os secundários,
locais que os linfócitos interagem entre si, com células acessórias e com antígenos. Assim, as respostas imunes celular e
humoral ocorrem nos órgãos linfóides periféricos, onde são geradas células efetoras e de memória. Portanto, a função
destes órgãos é maximizar o encontro entre linfócitos e substâncias estranhas, permitindo o surgimento das
respostas imunológicas.

Baço

Responsável pela resposta aos antígenos de disseminação hematogênica.
Há 2 tipos principais de tecido (ver Fig. 2):
1Polpa Branca- Tecido Linfóide ao redor da arteríola central (conhecido como bainha linfóide periarteriolar-
PALS). A bainha linfóide periarteriolar contêm áreas de células T e engloba folículos ao redor da arteríola central
contendo células B.
2Polpa Vermelha- Consiste de sinusóides e cordões celulares. Nela ocorre a hemocaterese (destruição de
plaquetas e eritrócitos envelhecidos). As arteríolas centrais circundadas pela PALS se abrem livremente nos cordões da
polpa vermelha e aí as plaquetas e hemácias velhas são fagocitadas por macrófagos.

B e NK. 2Secundários – Também conhecidos como centro germinativos. Do mesmo modo que o baço. que é envolto pelo seio subcapsular. possuem principalmente linf. os antígenos são removidos pelas células fagocitárias e transportados para o tecido linfóide do linfonodo. a linfa atravessa o córtex. Na medida em que a linfa circula pelos linfonodos. B. Existem 2 tipos de folículos: 1Primários – Contêm células B em repouso maduras. As macromoléculas antigênicas (imunogênicas) são basicamente proteínas (vários polipeptídeos) e polissacarídeos. Linfonodos Os linfonodos elaboram resposta imune contra antígenos circulantes na linfa (absorvida pelos vasos linfáticos que são presentes em todo o organismo. Entre o córtex e a medula. cartilagens e placenta). Os folículos linfóides dão estruturas que podem desaparecer e formar-se em diferentes locais no transcorrer do tempo. globos oculares. APCs (células apresentadoras de antígenos). Os linfonodos têm formato de rim e possuem um hilo no seu lado convexo. cavidades medulares. plasmócitos e macrófagos. No baço. Abaixo da cápsula . a massa de tecido linfóide presente nos linfonodos se concentram no córtex e paracórtex. Conceito de determinante antigênico ou epítopo . os linfonodos são circundados por uma cápsula fibrosa. T associados a APCs.Imunologia 3 Fig. B. É importante lembrar que por definição é uma molécula. a partir dos vasos linfáticos aferentes para eferentes. encontra-se o seio subcapsular. Em seguida. Os linfócitos circulantes chegam aos linfonodos através das vênulas especializadas do endotélio alto (HEV) no paracórtex. B de memória originados de outros linf B que foram ativados por determinado antígeno. é rico em linf. pois contêm folículos primários e secundários. Os linfócitos deixam o linfonodo somente através do vaso linfático eferente presente no hilo. A linfa chega aos linfonodos pelos vasos aferentes no lado côncavo e penetra no seio subcapsular. Já a circulação sangüínea do linfonodo entra e sai pelo hilo. As células B em proliferação no centro germinativo também sofrem um processo de maturação por afinidade. O termo antígeno ou imunógeno. que são virgens ( ou seja. os linfócitos adentram a polpa branca na zona marginal e passam para os sinusóides da polpa vermelha de onde saem pela veia esplênica. não foram desafiadas contra antígenos ainda). assim como o termo antígeno também é aplicado a uma suspensão ou extratos celulares que apresentam um complexo de antígenos. Sob o paracórtex localiza-se a medula. ou seja várias moléculas diferentes. Assim. a qual possui linfócitos T. basicamente os linfonodos filtram antígenos e fluídos intersticiais da linfa. em que os linf B respondem mais avidamente ao antígeno. o qual é revestido de macrófagos. que contem fagócitos. exceto no cérebro. paracórtex e medula (nesta ordem) e sai do linfonodo pelo hilo nos vasos eferentes. Fonte: 2º site da bibliografia A polpa branca é circundada por uma zona marginal que contêm macrófagos. que contem linf. liquido biológicos ou sintética que quando introduzida em um organismo vertebrado (chamado hospedeiro ou receptor) é capaz de produzir uma reação imune. vírus. linf. Os antígenos são essencialmente macromoléculas não obrigatoriamente imunogênicas.2-Histologia do Baço. encontra-se o paracórtex. significa toda espécie molecular de origem biologia isolada ou constituída por uma célula. Basicamente. Unidade 2 Antígeno e Indução da Resposta Imunitária Conceito de antígenos: Definição e propriedades gerais. Já o córtex. Se o organismo for imunocompetente ele pode manifestar uma resposta imune ou uma tolerância.

os ácidos nucleicos e os lipídeos complexos de alto peso molecular. agentes farmacológicos diversos). poliosideos simples ou complexos (ligados a lipideos. O potencial de sensibilização do hapteno não pode ser previsto pela sua estrutura química.Heidelberger.. composto de polipeptídeos e proteínas. As moléculas de reconhecimento sintetizadas serão distintas para cada epítopo homólogo. Essas moléculas orgânicas. se conjugam na maioria das vezes com proteínas do corpo e assim são carreadas.. pequenos polipeptídeos sintéticos. a. b. O conceito de hapteno se estende a toda molécula natural (lipídeos.Landsteirne e E. antibióticos. etc. A molécula mais utilizada é a soro-albumina bovina metilada. Ele pode ser imunodominante em razão da sua exposição privilegiada na superfície da molécula ou imunosilencioso se ele se apresentar escondido em razão de um desdobramento estérico. proteínas. O epítopo é constituído por um grupo de átomos. lipídicos. Resumindo.Kabat e um grande número de imunoquímicos definiram que a molécula antigênica é um edifício complexo apresentando em sua superfície uma variável estrutura distinta. Podemos identificar 3 tipos de imunógenos: naturais.Jerne chamou de epítopo. Podemos dizer que os epítopos de um antígeno são reconhecidos separadamente por receptores linfocitários distintos.Imunologia 4 Uma propriedade fundamental do antígeno é a natureza química da estrutura multiepitópica de suas moléculas. hormônios. A resposta imune a um antígeno será então policlonal. naturais ou sintéticas de baixa massa molecular (inferior a 1 kDa). nucleotídeos. Cada classe de linfócitos portando possui receptores específicos. Natureza química dos antígenos Em regra geral os antígenos são macromoléculas e sua imunogenecidade é variável. K. na superfície da molécula imunogênica. alcalóides. Qualquer ácido nucleico e certos lipideos macromoleculares são também imunogênicos. As proteínas e maioria dos polipeptídeos assim como os poliosideios são em regra geral imunogênicos e reagem diferentemente depedendo de espécie. c. Ela se comporta como um epítopo novo (ou diversos epítopos conforme a dimensão). artificiais. A fixação dos ligantes sobre macromoléculas carreadoras ("carrier") são na maioria das vezes ligações covalentes. é designado a toda espécie molecular não imunogênica ao receptor. Excepcionalmente algumas moléculas de baixa peso molecular (massa molecular < 2500 e as vezes 1000 daltons) são imunogências na presença de adjuvantes mais a intensidade da resposta humoral ou celular observada é baixa se comparada com a obtida com macromoléculas maiores. nucleotídeos. Em um certo número de casos a associação ligante-molécula carreadora se efetua por ligações não covalentes (essencialmente eletrostáticas). Imunógenos naturais As substância macromoleculares naturais são as proteínas. os polipeptídeos e seus derivados glicídicos. que possui carga positiva e permite a fixação de moléculas carreadas negativamente. Imunógenos artificiais O termo é aplicado a macromoléculas imunogênicas naturais ou modificadas quimicamente por fixação de um ou mais moléculas identicas ou não. determinante antigênico (epítopo) representa uma pequena configuração estrutural de uma molécula do antígeno capaz de se combinar com um local esterioespecífico complementar de uma imunoglobulina (1 mole do determinante/1 mole receptor). peptídeos. chamada determinante antigênicos e que N. Existe uma correlação como o número de haptenos conjugados com o carregador e a sua capacidade de penetrar na pele. O conjugado forma uma espécie de antígeno específico novo. geralmente de baixo peso molecular (haptenos).. O conjunto hapteno- carreador é chamado conjugado.. que se combina com uma macromolécula imunogênica carregadora ("carrier") sendo capaz de licitar uma resposta imune específica no hospedeiro. A base experimental do conceito de epítopo surgiu de observações das macromoléculas. Esse mesmo processo ocorre com moléculas não imunogênicas (sucrose.Lapresle) permite isolar diferentes grupos de epítopos ou mesmo de porções da molécula não mais importantes que o epítopo. ou sintéticos.) não imunogênica por ele mesmo mais podendo manifestar sua especificidade quando conjugado. tanto da transformação de uma molécula imunogênica em não imunogênica as vezes em associação com um hapteno. É importante ressaltar que a fragmentação química do antígeno (C. M. penetram na epiderme. esteróides. proposto por Landestiner em 1920. formando configurações específicas tridimensionais esterioespecíficas de tamanho limitado (em média na ordem de um tri a um hexassacarídeio ou de um tri a um decapeptídeo). produziam sub-populações diferentes de moléculas de anticorpos que tinham especificidade a uma região específica da molécula e não a outras regiões. Os imunógenos artificiais são particularmente interessantes porque permitem o estudo de variações qualitativas e quantitativas do poder imunogênico por decorrencia da modificação da molécula nativa por um ligante de estrutura conhecida. ou de se combinar com um receptor funcional análogo na superfície de um linfócito. Conceito de hapteno O termo hapteno. Imunógenos Sintéticos .).

cada uma com uma função específica. O linfócito agranular possui o núcleo bem maior que o citoplasma ( grande relação N:C) e o tamanho da célula é de menor tamanho. Funcionalmente os linfócitos são separados em LT auxiliares (LThelper). reconhecendo o epítopo que lhe é apresentado.. sob os aspecto de ultra-estrutura. A polivinrrolidina e certos poliacrilamideos lineares conjugados ao DNCB (dinitroclorobenzeno) são os mais conhecidos imunógenos sintéticos. sendo então o “T ”de “Timo-dependentes”. O Linfócito T citotóxico possui receptores CD8. aglutinação. dividido em LT helper 1 e LT helper 2. Unidade 3 Atividades Imunológicas dos Linfócitos Linfócitos B Os linfócitos B são células que fazem parte de 5 a 15% dos linfócitos circulantes e se originam na medula óssea e se desenvolvem nos órgãos linfóides. MHC (Major Histocompatibility Complex).. Quando uma célula estranha entra no organismo. A IL-1 estimula a expansão clonal de LT-helpers monoclonais * que vão secretar diversas interleucinas. Cada um deles possui receptores característicos (além do TCR que é padrão para as células T). O LT helper 1 produz as interleucinas 2 e interferon gama que estão relacionadas com a resposta imune celular principalmente. que são identificáveis por técnicas imunológicas e que tem funções específicas. O LT helper possui receptor CD4* na superfície. supressoras). Esses subtipos de LT helper secretam interleucinas distintas.. IgA. Este complexo realiza diversas modificações na célula. sendo portanto. neutralização de bactérias. citotóxicas. Linfócitos T Os linfócitos T são células que tem diversas funções no organismo. lisossomas primários e gotículas de lipídios no seu citoplasma. vão expressar o MHC -classe I na superfície. O LT helper 2 produz as interleucinas 4-5-6 e 10. e o núcleo com aspecto de roda de carroça. Esta célula T citotóxica (LTc) é o principal “soldado” do sistema imune. a produção de anticorpos contra um determinado agressor.) Estes anticorpos realizam diversas funções como : opsoninas*. internaliza o complexo IgM- epítopo. através da interação CD4-MHC-II e TCR- epítopo. Esta imunoglobulina entra em contato com o antígeno (análogo ao TCR dos LT ) quando lhe é apresentado diretamente ou indiretamente pelos macrófagos. O MHC-classe II é produzido por macrófagos e linfócitos B. neutralizadores de substâncias tóxicas (como as que são liberadas por bactérias ou por animais peçonhentos). Entretanto. e tem a função de ligá-los aos linfócitos T helpers para lhe apresentar o antígeno. Anticorpos são proteínas denominadas de gamaglobulinas ou imunoglobulinas que exercem várias atividades de acordo com o seu isotipo (IgG.Morfologicamente. cuja expressão é ampliada por estímulos como o interferon gama. Estão relacionadas a resposta imune humoral. O LT helper é a célula que interage com os macrófagos. LT citotóxico. Todas as células do organismo possuem genes próprios para o MHC denominados de HLA. de Gall pode ser identificado pela microscopia óptica (corada pela esterase não específica). O nome linfócito B é devido a sua origem na cloaca das aves na Bolsa de Fabricius. Esta célula apresenta. A resposta imune que se baseia na ativação e ataque das células CD8 é denominada de resposta imune celular específica.. Os LB tem como função própria. . sendo a IL-4 e a IL-10 as mais importantes por ele produzidas.Imunologia 5 Os imunógenos sintéticos são essencialmente macromoléculas polipeptídicas formadas pela polimerização do ácido a -amino opticamente ativo (L ou D) ou racemico (LD).significa complexo de histocompatibilidade principal.. Este corp. que participa do complexo receptor de antígenos. que tem a função de reconhecer o macrófagos ativado. todas as células T possuem os receptores TCR e o CD3. o REG e o complexo de Golgi desenvolvido. O nome linfócito T derivada das células serem dependentes do “timo” para o seu desenvolvimento. Ele envia mensagens de ataque para os diversos leucócitos para realizar a guerra imunológica contra o agente agressor. Este representa a maioria dos linfócitos T (auxiliares. Os LB possuem como principal marcador de superfície a IgM monomérica. e é o principal alvo do vírus HIV. Os LB em repouso não produzem imunoglobulinas. ativadores de complemento. LT supressor. A IgM se ligando ao epítopo. Esta célula é o mensageiro mais importante do sistema imune. e todas são de extrema importância para o sistema imune. IgM. Secretam ativamente anticorpos específicos na resposta imune humoral (RIH). que tem a função de reconhecer o MHC-classe-I expressada por células rejeitadas (transplantes e enxertos). mas quando estimulados por interleucinas (como a IL-4 e a IL-1) vão sofrer expansão clonal e se transformar numa célula ativa denominada de plasmócito. pois ataca diretamente as células estranhas que expressam o MHC. que juntos formam o chamado corpúsculo de Gall. quando os linfócitos estão em repouso. que tem a finalidade de induzi-la a produção de imunoglobulinas. observamos dois tipos de linfócitos diferentes: linfócito agranular e linfócitos granular grande (LGG).I e lisa a célula (destrói a membrana celular). como um ponto na periferia do citoplasma. Os plasmócitos possuem na sua ultra-estrutura. etc.

especialmente os macrófagos. EOSINÓFILOS E BASÓFILOS. Essa função é denominada de citotoxidade celular dependente de anticorpo. Células Acessórias Fagócitos: Apesar de os fagócitos serem um mecanismo inato. impedindo que eles exerçam sua atividades excessivamente. O seu principal estimulador é a interleucina 2 (produzida pelo LT-helper 1). que causa a expansão clonal de linfócitos T citotóxicos monoclonais na RIC. já que respondem a qualquer corpo estranho. Basófilos: Os basófilos são granulócitos encontrados no sangue em pequena quantidade. a histamina) chama-se quimiotaxia. pois não há reconhecimento de epítopos e nem formação de células monoclonais específicas ou qualquer memória imunológica (que é sempre específica). que também se observa nos LT citotóxicos. mas sabemos que ele age através da inativação dos linfócitos T citotóxicos e helpers. matando ambos invasores e células humanas. Elas lisam (destroem) a células tumorais (estranhas) ou infectadas por vírus sem que estas expressem algum antígeno ativador da resposta imune específica. eles também são efetores de primeira linha das decisões dos linfócitos. limitando a ação deles no organismo numa reação imune. pois os basófilos são células que realmente estão presentes no sangue. Linfócitos T supressores são linfócitos que tem a função de modular a resposta imune através da inibição da mesma. Estão envolvidos na defesa contra bactérias e fungos. variando entre 0 a 1% dos leucócitos. poderá haver um ataque auto-imune ao organismo. como as reações que caracterizam os testes intradérmico tipo PPD na pele. que é o receptor de FC das IgG. Esta célula é grande. Existem três tipos de granulócitos. Os LT supressores também participam da chamada tolerância imunológica. Os monócitos são os precursores dos macrófagos e eles transformam-se em macrófagos se estimulados por citocinas dos T4. Os basófilos tem função semelhante ao dos mastócitos. e possui também receptores de IgE. Eosinófilos: São responsáveis pelo combate às infecções no corpo por parte de parasitas. ou células assassinas e fazem parte de 10- 15% dos linfócitos do sangue. Participa de reações alérgicas da mesma forma que os mastócitos. Os fagócitos. como se pode observar no capítulo I referente a leucocitopoese. Ainda não se conhece muito a respeito desta célula. . os eosinófilos são atraídos pela histamina produzida por basófilos e mastócitos e migram para o local inflamado. têm um tempo de vida médio de 6h no sangue e 1-2dias nos tecidos e são os mais abundantes entre 50-70% dos leucócitos. Este processo é possível devido a presença de receptores FCgamaR nos linfócitos NK. Sabemos que o LT helper ativa o LT supressor que vai controlar a atividade destes LT helpers. Em áreas de inflamação alérgica.Imunologia 6 Esta célula também participa de reações de hipersensibilidade tardia (tipo IV). A sua participação no choque anafilático (sistêmico) é maior que o mastócitos. geralmente em forma de “S” e possui grânulos grandes no citoplasma . Granulócitos: São leucócitos assim denominados por possuírem abundantes grânulos citoplasmáticos. que é o mecanismo por qual o sistema imune usa para impedir que os leucócitos ataquem as próprias células do organismo. Essa ação migratória provocada por substância química (no caso referido. Os receptores de superfície encontrados são os CD3 e o CD8. Os neutrofilos possuem receptores na sua superficie como os receptores de proteinas do complemento. Possui aos mesmos mediadores nos seus lisossomas. Neutrófilos: São leucocitos polimorfonucleados. Além disso são atraídos por outras citocinas e fatores libertados de células em locais de infecção ativa. A origem também é diferente. Linfócitos NK Os linfócitos NK (Natural Killer) são células matadoras naturais. Estas células possuem a morfologia dos LGG e não costumam expressar receptores CD de superfície. tendo uma grande capacidade de fagocitose. A diferença básica entre oa basófilos e os mastócitos está no fato de os basófilos serem encontrados no sangue ( não típico do tec. São os primeiros a chegar às áreas de inflamação. As células NK também lisam células cobertas por IgG. O marcador mais encontrado e usado atualmente para detecta-los é o CD16 ou o CD56. Se estimulados apropriadamente pelas citocinas libertadas de forma localizada e controlada pelos linfócitos T4. respondem a citocinas geradas pelos linfócitos. receptores do fragmento Fc das imunoglobulinas e moléculas de adesão. O receptor CD3 dos linfócitos participa do mecanismo de ativação intrínseca do linfócito. Este tipo de resposta é chamada de resposta imune inespecífica. e liberam os mediadores para a circulação. os macrófagos libertam suficientes quantidades de enzimas e radicais livres para destruir totalmente uma região localizada. que são os NEUTTRÓFILOS. não existindo nenhum marcador específico para os NK. conjuntivo) e da estrutura morfológica. com núcleo volumoso. Portanto se houver deficiência na produção ou ativação dos linfócitos T supressores.

realizando a função de receptor de antígenos. Sua estrutura é pentamérica.). IgE Está presente no soro em baixas concentrações. Uma vez ativadas. IgM Perfaz aproximandamente 10% do conjunto de imunoglobulinas. trato respiratório e genitourinário. realizando assim a defesa do organismo (imunidade humoral). sendo que as cadeias pesadas individuais têm um peso molecular de aprox. que ocorre em indivíduos com uma predisposição genética na maioria dos casos. Nestas secreções ela se une a um componente secretor (70. IgG É uma imunoglobulina monomérica simples de 150. as plaquetas liberam fatores ligados a coagulação e a ativação do sistema complemento e desta forma atraem leucócitos. 65. leite. É uma proteína que não atravessa a placenta ( por ser grande). É encontrada na membrana de superfície de basófilos e mastócitos em todos os indivíduos. . cadeias pesadas tipo g. IgD. Com a ativação do complemento. atraindo os eosinófilos. são produzidos anticorpos específicos contra ele. etc. O principal papel da IgA é proteger o organismo da invasão viral ou bacteriana através das mucosas. Plaquetas: As plaquetas têm função primordial na coagulação sanguínea. na qual chama os leucócitos até o local e cria uma vasodilatação. lágrima. Tem um papel importante na imunidade ativa contra parasitas helmintos. No homem. Derivam de megacariócitos da medula óssea.000 daltons. mas também estão envolvidas nas respostas imunes. sendo uma célula própria do tecido conjuntivo. são glicoproteínas sintetizadas e excretadas por células plasmáticas derivadas dos linfócitos B. É usada para a criação da vacina para proteção contra a cólera. Ela participa de reações alérgicas (de hipersensibilidade). pois estes são rico em receptores de IgE. Unidade 4 Imunoglobulinas e Anticorpos Anticorpos. A função desse componente é proteger a molécula das enzimas hidrolíticas (destrutivas). contêm grânulos em seu citoplasma e uma série de receptores na membrana plasmática importantes para a sua ativação. IgE.Imunologia 7 Mastócitos: Esta célula não tem significado no sangue. ou imunoglobulinas. É o anticorpo principal nas resposta imunes secundárias e a única classe antitoxinas.000! As 5 cadeias são ligadas entre si por pontes dissulfeto e por uma cadeia polipeptídica inferior chamada de cadeia J. A IgA é a imunoglobulina predominante em secreções: saliva. Há cinco classes de imunoglobulina com função de anticorpo: IgA. IgA Representa 15-20% das imunoglobulinas do soro humano.000 daltons e a molécula completa tem peso de 970. Depois que o sistema imunológico entra em contato com um antígeno (proveniente de bactérias. aumento da permeabilidade vascular e amplificação da resposta inflamatória. e forma a IgA secretora. A região FC realiza ativação de complemento ( quando unida ao antígeno) e auxilia a fagocitose por se ligar a macrófagos.000 daltons). mucosas do trato gastrointestinal. tecidos e secreções que atacam proteínas estranhas ao corpo. A IgM é encontrada principalmente no intravascular. sendo uma classe de anticorpos "precoces" (são produzidas agudamente nas fases agudas iniciais das doenças que desencadeiam resposta humoral). especialmente na inflamação. fungos. Esta sensibilização ocorre da seguinte forma: o primeiro contato com o alérgeno (substância irritante que causa a alergia) estimula a produção de IgE específicas que se unem aos receptores de superfície dos mastócitos. É encontrada também na superfície dos linfócitos B de forma monomérica. mais de 80% da IgA ocorre sob a forma monomérica e está presente no sangue nesta forma. que perfaz 80% das imunoglobulinas do organismo. É a principal célula responsável pelo famoso choque anafilático. O Processo de ativação da desgranu-lação (exocitose) se baseia na sensibilização destas células (mastócitos). Esta igualmente distribuída nos compartimentos extracelulares e é a única que atravessa a placenta. IgG e IgM. há geração de quimiotaxia de neutrófilos. presentes no plasma. Esta é composta por 2 unidades ( dimérica) ligadas a uma cadeia J unida na sua porção FC no componete secretor. chamadas de antígenos.

exemplo). C1s ativado cliva C4. A forma enzimaticamente ativa recebe uma barra traçada acima de seu símbolo. uma das três proteínas do complexo C1. podemos destacar: 1• Proteínas da via clássica e do complexo de ataque a membrana: nomeados com a letra C seguida de um número. determinados vírus e bactérias Gram-negativas. Os anticorpos também conseguem ativar essa via embora não sejam necessários. A função dela não está muito bem definida. a proteína mais abundante do complemento no sangue. a C3-convertase da via alternativa. impede a ativação espontânea de C1. leucotrieno. Os ativadores são reconhecidos por C1q. Unidade 5 Complemento: Componentes e Propriedades O sistema complemento é um conjunto termolábil de mais de 30 proteínas do plasma e da membrana celular que faz parte do sistema imune inato e também está na base do mecanismo efetor principal da imunidade mediada por anticorpo.Imunologia 8 Cinqüenta porcento dos pacientes com doenças alérgicas tem altos níveis de IgE. IgD IgD está presente no soro em concentrações muito baixas. Via Alternativa Essa via é deflagrada por várias superfícies celulares como as de certas bactérias. Dos subtipos de IgG. parasitas. vírus e fungos. resultando na fixação covalente do seu principal fragmento. sendo que a IgG3 é a que é mais eficaz e a IgG2 é a mais fraca na ativação do complemento. vasodilatação. A organização e montagem das convertases nesta via dependem de C3. Anticorpos ativadores do complemento 1IgM solúvel e ligado ao antígeno: o C1 deve ligar-se ao domínio Cµ3. As principais proteínas reguladoras são as seguintes: 1• C1INH: bloqueia as atividades proteolíticas do C1r e C1s. 3• Zimógenos: são proteínas que adquirem capacidade proteolítica a partir de outras proteases. aumento da permeabilidade vascular. formando a C5 convertase da via clássica. co-fator para a degradação do . Várias outras substâncias. também podem ativar esta via. IgG solúvel e ligado ao antígeno: o C1 deve ligar-de ao domínio Cγ2. Em condições fisiológicas esta proteína é relativamente estável. completando a montagem do complexo C4b2a. 2• Proteína ligadora de C4: Acelera o decaimento da C3 convertase da via clássica. Essas proteínas interagem com outras moléculas do sistema imune e entre si de forma altamente regulada. fatores quimiotáxicos e citocinas. Esta ligação ativa C1r que ativa a pró-enzima C1s. Então. São necessárias múltiplas moléculas de IgG para ativar o complemento. Regulação do Sistema do Complemento Sem uma regulação adequada da cascata de complemento. a IgG4 não ativa o complemento. graças a sua formação pentamérica. proteases. Esses fenômenos poderiam ser a causa de consumo exagerado dos componentes do complemento e da inativação inapropriada dos mesmos. as demais ativam. o fator B inicia a formação da C3 convertase e a mantêm. Entretanto. poderiam acontecer alguns fenômenos deletérios. tais como os complexos da proteína C- reativa (PCR). Vias de Ativação Via Clássica Nessa via a montagem e a organização das convertases são habitualmente iniciadas por anticorpos da classe IgG ou IgM formando complexos com o antígeno. contração de músculo liso e quimioatração de outras células inflamatórias ( eosinófilos p. Uma única molécula de IgM é suficiente para ativar o complemento. Esta cliva C3 resultando na ligação de muitos C3b à superfície do ativador e na ligação posterior de C3b à subunidade C4b. formando a C5- convertase (C3bBb3b). à superfície do ativador. que é a C3 convertase da via clássica. 2• Proteínas da via alternativa ou fatores: nomeados por letras. onde provavelmente serve como receptor de antígeno. Esses mediadores podem produzir broncoespasmo. sendo subsequentemente clivada por um fator D gerando o complexo C3bBb. A específica interação entre o antígeno e a IgE ligada no mastócito resulta em liberação de histamina. O componente C2 liga-se a C4b e é clivado por C1 em dois fragmentos. Com relação à nomenclatura. dos quais C2a permanece ligado a C4b. C4b. É encontrada na superfície de muitos linfócitos assim como IgM. O fragmento C3b pode se ligar diretamente a este complexo.

o que permite um reconhecimento mais rápido e mais eficiente do organismo invasor. Cada um dos 100 bilhões de linfócitos B. secreta um anticorpo (proteína de defesa) que se liga a um antígeno específico. Os sítos na molécula do anticorpo são estruturalmente complementares aos sítos determinantes do antígeno. cada encontro com um organismo invasor estampa uma "fotocópia" genética dentro das células B e T. C4BP. Os sítios escuros dos antígenos são os determinantes da especificidade antigênica. Ao se ligar nesses receptores. além de alertar outros fagócitos. produzindo proteínas que ativam outras partes do sistema imunológico. por exemplo.Imunologia 9 C4b mediada pelo fator I. identificando e destruindo os invasores. o nosso sistema imunológico ativa as células brancas fagocitárias conhecidas como macrófagos. A reação antígeno-anticorpo. presente em todos os animais. como bactérias. Opsonização Alguns componentes do complemento (como o C3b) possuem receptores em certos leucócitos. formado por mais de 30 proteínas no sangue. 3• Fator H: Acelera o decaimento da C3 convertase da via alternativa. Quando nos ferimos com uma pequena lasca de madeira. 4• MCP (Proteína de membrana de atividade co-fatora): Co-fator para a clivagem do C3b e C4b pelo fator I. Já os linfócitos T podem reconhecer e eliminar células que carregam moléculas indesejáveis na sua superfície. ajudando a eliminá-lo. 5• DAF (fator acelerador do decaimento funcional): Acelera a dissociação das C3 convertases de ambas as vias. O anticorpo é divalente porém o antígeno pode ser multivalente (Lehninger. ocorre uma estimulação na capacidade fagocitária dessas células. surge de mecanismos baseados em DNA que permitem aos linfócitos do corpo reconhecer uma grande diversidade de antígenos. Estas células engolfam e destroem os possíveis micróbios invasores. co-fator para a degradação de C3b mediada pelo fator I. é outro componente do sistema imunológico. que podem resultar em formação de poros. 3• SP 40-40: Modula a formação do MAC. por exemplo. Unidade 6 Reação Ag x Ac – Reações Sorológicas O sistema sanguíneo ABO e o fator Rh A característica fundamental de todo sistema imunológico é a sua capacidade de distinguir e eliminar partes de um corpo estranho. vírus. 6• Inibidor membrânico da lise reativa (CD59): Inibe a lise de células inocentes e bloqueia a ligação de C9 a C8. • Fator I: Cliva e inativa C3b e C4b. 2• Proteína S: Impede a introdução do MAC na membrana. A principal característica da imunidade adquirida. os linfócitos B e T. induzindo a bactéria a uma morte por lise osmótica. Essencialmente. que atuam em cascata. O complemento. elas usam a "fotocópia" genética. CR1 ou MCP 1• Inativador da anafilatoxina: Remove resíduos terminais de arginina e inativa as anafilatoxinas. Numa segunda vez que estas células se encontrarem com o mesmo invasor. Bioquímica.) . specializadas. Funções biológicas Citólise A ativação do complemento leva a polimerização de alguns componentes na membrana celular. a memória imunológica. e até mesmo células cancerígenas. que tornam-se ativos e se multiplicam ao encontrarem moléculas específicas de organismos estranhos chamadas antígenos. bem como ajudar os linfócitos B a produzir anticorpos. usando como co-fatores fator H. Esta é a chamada imunidade natural.

Doença Hemolítica do Recém-Nascido (Dhr) . porém não podem doar nem para os indivíduos A e nem para os indivíduos B. levando-o a morte. aglutinando o sangue destes. reação mais séria. nas hemácias. que não apresentavam estes antígenos nas suas hemácias foram denominados de Rh-. Os indivíduos A possuem os antígenos A e os anticorpos Anti-B Os indivíduos B possuem os antígenos B e os anticorpos Anti-A. só poderão receber sangue do tipo A. Os indivíduos B. esta se torne imunizada pelo sangue do feto Rh+. no indivíduo A e seus anticorpos anti-B. e indivíduos Rh. do seu próprio tipo. As crianças de partos subsequentes. as reações poderão ser mais sérias a ponto de levar a morte. B: pois se receberem sangue do tipo A ou AB. seus anticorpos anti-A. dada a transfusão de sangue do feto para a mãe. É isso que faz os indivíduos O doadores de sangue universais. Os anticorpos produzidos na gestação anterior poderá atingir o sangue do feto e provocar a destruição de suas hemácias. quando injetado em coelhos. cujas hemácias apresentam antígenos (aglutinogênios) A. como não possuem nenhum antígeno poderão doar sangue para qualquer indivíduo (A. A e B. portanto. poderão passar através da placenta para o sangue do feto Rh+.Imunologia 10 O Sistema ABO No caso dos grupos sanguíneos humanos ABO sabemos que as hemácias possuem dois tipos de antígenos. podendo provocar a hemólise das hemácias do feto. feita de maneira natural através da placenta. icterícia (coloração amarela anormal devido ao derrame da bílis no corpo e no sangue. já que se trata de herança mendeliana dominante. . o sangue da mãe. Sabemos que o fator Rh é um caráter mendeliano dominante. Em posteriores transfusões. Se um indivíduo Rh. não vai produzir anticorpos e nem reação imune. Assim o sangue da mãe formará anticorpos (aglutininas) anti-Rh em seu sangue. não possuem nenhuma antígeno e possuem os dois anticorpos. no organismo materno. ou AB isso vai provocar uma reação imunológica. AB e O. anti-A e Anti-B. que já possui os anticorpos (as aglutininas anti-Rh). crianças surdas ou deficientes mentais. mas não possuem nenhum anticorpo. O sistema ABO apresenta herança que é determinada por uma série de três alelos múltiplos: IA. Isto quer dizer que quando qualquer indivíduo recebe sangue do tipo O. já que qualquer um de seus antígenos provocaria reações dos anticorpos destes indivíduos. e nenhum anticorpo. indivíduos Rh+ tem genótipo RR (homozigoto) ou Rr (heterozigoto dominante). Os indivíduos O. sem maiores consequências para ela. vão tentar neutralizar as hemácias B do doador. ele não vai "constatar" a presença de proteínas estranhas (já que O não tem antígeno) e. de início. Durante a gravidez deste primeiro filho. ele produz anticorpos anti-Rh e não mostra. ou seja. IB. O seu primeiro filho vai ser Rh+ (Rr). por exemplo). Assim. cujo sangue. anemia grave. provocando aglutinação das mesmas e podendo levar a morte do indivíduo. Então: Os indivíduos A. Tais indivíduos podem receber qualquer tipo sangüíneo.Eritroblastose Fetal Mulheres Rh. apresentam anticorpos (aglutininas) anti-B em seu plasma. chamados de aglutinogênios. podendo levar a morte. Eles só poderão receber sangue do mesmo tipo. anti-A e anti-B. no caso. pode ocorrer que.tem genótipo rr (recessivo). tem anticorpos anti-A em seu soro. Se o sangue doado for do tipo B. B. Os indivíduos O. i indivíduos do tipo A apresentam genótipo IAIA ou IAi indivíduos do tipo B apresentam genótipo IBIB ou IBi indivíduos do tipo AB apresentam genótipo IAIB indivíduos do tipo O apresentam genótipo ii O Fator Rh Quanto ao Rh este é um fator que foi primeiramente descoberto no macaco Rhesus. Os indivíduos AB. Todavia durante uma segunda gravidez. Como existe a possibilidade do sangue materno ser transferido para o feto. e o plasma pode conter dois anticorpos (aglutininas). do grupo Rh+ podem apresentar sérios problemas. Denominou-se tais indivíduos de Rh+. em razão de um defeito na placenta ou hemorragias durante a gestação e parto. o anti-Rh. Posteriormente descobriu-se que numa certa porcentagem de humanos (mais ou menos em 85% dos brancos) havia a presença destes antígenos. Esses indivíduos. os demais. A e B.recebe sangue de um indivíduo Rh+. Um fenômeno importante relacionado ao fator Rh é a chamada eritrosblastose fetal. devido às bilirrubinas) e insuficiência hepática. provocava a formação de anticorpos anti-Rh. Os indivíduos AB possuem ambos os antígenos. morte logo após parto. quando da doação. provocarão uma reação imune. possuem os antígenos A e B.(rr) que se casam com homens Rh+ (RR ou Rr) podem dar origem a crianças Rh+. há possibilidades de se formar. B ou AB). eles não poderão receber sangue de ninguém a não ser de indivíduos O. porém. Então existem quatro grupos sanguíneos para este sistema: A. Por outro lado como tais indivíduoas possuem os anticorpos anti-A e anti-B.(rr) casa-se com um homem Rh+ (RR. Assim podemos ter a seguinte situação: Uma mulher Rh. Problemas apresentados pelas crianças com DHR Os seguintes problemas podem ocorrer: Morte intrauterina.

alergia Descreveu a reação positiva do teste cutâneo da tuberculina em indivíduos infectados com tuberculose. Pádua. Nos casos em que a mãe é do grupo Rh+ e o filho é Rh.do grupo O.a infecção se origina de partículas muito pequenas .imperceptíveis" Sir Edward Jenner. e raiva. Clemens von Pirquet. George Nuttall. que posteriormente seria substituído pelo Rh+ original. Elie Metchnikoff. aglutinar e lisar bactérias. era capaz de neutralizar. Descoberta dos antígenos para grupo sangüíneos e respectivas aglutininas. anticorpos bactericidas Emil von Behring e Kitasato. antitoxina. Este tipo de anticorpo não aglutina os glóbulos vermelhos do sangue Rh+.imediatamente ao parto. nas suas superfícies. TRANSFUSÃO DE SANGUE. cultivando-a e injetando em galinhas. IMUNIDADE HUMORAL. A mãe Rh. Resultado: as galinhas do experimento anterior sobreviveram e as não inoculadas previamente morreram. Karl Landsteiner. No Brasil uma mulher Rh.. c) O risco será menor se o homem apresentar genótipo heterozigoto. Além disto. surpreendentemente. Pasteur então produz vacinas para cólera. e os revestem. ocorre por acidentes. Os testes de amostra do líquido amniótico extraído com agulhas pode indicar se o feto vai bem ou mal. Algumas delas encontram-se listadas a seguir: a) O médico pode conhecer a gravidade da situação antes que a criança nasça. resolveu usar algumas do experimento anterior. IMUNIDADE CELULAR. teoria dos fagócitos Observou a fagocitose de esporos de fungos por leucócitos e antecipou a idéia de que a imunidade era devido às células brancas do sangue. Ele chamou a linhagem atenuada de VACINA. Desta vez. aborto ou transfusão de sangue logo após o parto. tendo um filho Rh+ do grupo A não será induzida a produzir anti-Rh. as galinhas adoeceram mas melhoraram. teoria da enzima adaptativa Propuseram a teoria da enzima adaptativa e da tolerância imunológica adquirida . a criança deve receber sangue Rh-. Esse componente. PAI DA IMUNOLOGIA Observou que os fazendeiros que contraíram varíola bovina ficavam protegidas da varíola humana. Pasteur concluiu: cultura velha. a penetração do sangue através da placenta até a circulação materna não ocorre com freqüência. e aplicou este conhecimento para proteger outras doenças. antitoxina da difteria Demonstram que o soro de animais imunes à difteria pode transferir a proteção. Inoculou então um menino de 8 anos com a varíola bovina e POR SORTE funcionou!! Louis Pasteur. sendo que a indução. Ao voltar de férias. precipitar toxinas. Unidade 7 Teorias Imunológicas Girolamo Fracastoro. como ele tinha poucas galinhas.não há problemas para a mãe pois a produção de anticorpos pela criança só se inicia cerca de 6 meses após seu nascimento. e) Há de se considerar ainda o efeito protetor do sistema ABO. os anticorpos anexam-se aos antígenos receptores. em geral. e fez uma cultura fresca. No último caso.. grupos sangüíneos e anticorpos. portanto a especificidade era determinada antes do encontro com o patógeno. Estes anticorpos incompletos são destruídos dentro de poucos meses e não apresentam qualquer perigo para a mãe ou suas gerações posteriores. a ponto de torná-la não letal. anthrax. Estava estudando a bactéria que causa a cólera. vacinas atenuadas. Paul Ehrlich. pois a freqüência de indivíduos Rh+ é de 87%. Estes anticorpos incompletos podem ser injetados numa mãe Rh. Se o perigo for grande recomenda-se a cesariana. ele usou uma cultura velha para injetar e. Frank Burnet e Peter Medawar. Em vez disto. vacinação.Imunologia 11 Controle e amenização de risco da DHR Há algumas alternativas para contornar ou amenizar o problema decorrente do risco da eritroblastose fetal. d) Outro fator que diminui o risco do DHR é o fato de que certas mulheres não produzem anticorpos. Univ.corre muito risco. "O contágio é uma infecção que passa de um para outro. Pasteur reconheceu que o envelhecimento da cultura tinha enfraquecido a bactéria. teoria seletiva da especificidade dos anticorpos Ele achava que o microrganismo se ligava a receptores pré-formados em células. de vaca. mesmo sendo induzidas. pois seu anti-A destruirá as hemácias do doador (feto) antes da indução. levando então essa célula a produzir mais receptores (anticorpos). b) Utilizar anticorpos incompletos.

estrutura dos anticorpos Peter Doherty e Rolf Zinkernagel. As células processadoras de antigénios absorvem um antigénio e cortam-no em pequenos fragmentos. deve ser capaz de o reconhecer. teoria da seleção clonal Robert Porter e Gerald Edelman. posteriormente. o sistema imunitário de uma pessoa ainda não foi confrontado com o mundo exterior nem começou ainda a desenvolver os seus arquivos de memória. O subgrupo de linfócitos T com uma molécula CD4 na sua superfície pode ligar-se a moléculas do complexo major de histocompatibilidade da classe II. Os componentes do sistema imunitário que participam na imunidade inata (macrófagos. Na altura do nascimento. Isso é possível porque os linfócitos têm uma vida longa. a imunidade aprendida é adquirida. pode fazê-lo através de um processo denominado de processamento de antigénios. neutrófilos e sistema do complemento) reagem de forma semelhante perante todas as substâncias estranhas. Essa resposta imune específica explica porque é que não se contrai varicela ou sarampo mais do que uma vez ao longo da vida. rápida e específica. descoberta do mecanismo genético (recombinação somática) que produz a imensa variabilidade das imunoglobulinas James Allison. De qualquer forma as respostas dependem sempre dos três princípios básicos do reconhecimento. através da indução de citocinas (mensageiros). O sistema imunitário aprende a responder a cada novo antígeno com que se confronta. E. porém existem outras células. Por exemplo. esse indivíduo for exposto ao poliovírus. um indivíduo recebe uma vacina feita a partir de uma forma atenuada do poliovírus. e o reconhecimento dos antígenos não varia de pessoa para pessoa. O traço característico da imunidade específica é a capacidade de aprender. Em seguida. O receptor da célula T está configurado para se encaixar (como uma chave numa fechadura) na parte do complexo major de histocompatibilidade que transporta um fragmento do antigénio. da mobilização e do ataque. quer seja através dos pulmões (ao respirar). Mobilização (Fase de Ativação) . O resultado é que o poliovírus é eliminado por anticorpos específicos que neutralizam o vírus antes mesmo de ele ter a oportunidade de se multiplicar ou de invadir o sistema nervoso. o seu sistema imunitário procura nos seus arquivos de memória. adaptar-se e recordar. Os macrófagos são as maiores células processadoras de antigénios. do intestino (ao comer) ou da pele. Raramente um estímulo desencadeia uma só resposta. isolamento do receptor da célula T (TCR) Tim Mosmann e Robert Kopfman. O sistema imunitário faz um registro ou memória de cada antígeno que a pessoa encontre. Os linfócitos T compreendem dois grandes subgrupos que diferem na sua capacidade de se unirem (aderirem) a uma das duas classes de moléculas do complexo major de histocompatibilidade. Como conseqüência. A área do complexo major de histocompatibilidade que contém os fragmentos de antigénio liga-se depois (adere) a uma molécula especial da superfície do linfócito T chamada receptor da célula T. Se. O que faz é iniciar várias. estes fragmentos são colocados dentro das moléculas do complexo major de histocompatibilidade e lançados para a superfície da membrana celular. para evitar a poliomielite. assim como o motivo pelo qual as vacinas previnem as doenças. através do perfil de citocinas que produzem Unidade 8 Ontogenia da Resposta Imune O sistema imunitário configurou uma rede complexa de procedimentos que se podem dividir em duas categorias: imunidade inata (natural) e aprendida (adquirida). descoberta dos subtipos de células Th1/Th2. a sua resposta face a ele é enérgica. Todas as pessoas nascem com imunidade inata. que também o podem fazer. descoberta da especificidade das respostas imunes mediadas por células T (restrição das células T) Georges Kohler e César Milstein. O subgrupo de linfócitos T com uma molécula CD8 na sua superfície pode ligar-se a moléculas do complexo major de histocompatibilidade da classe I. encontra os «dados» desse vírus e ativa rapidamente as defesas apropriadas. com efeito. Reconhecimento (Fase Cognitiva) Antes de o sistema imunitário poder responder face a um antigénio.Imunologia 12 Niels Jerne. Como o seu nome indica. incluindo oslinfócitos B. a imunidade aprendida é específica dos antígenos que a pessoa encontra ao longo da sua vida. algumas das quais podem actuar conjuntamente ou ocasionalmente competir entre si. Quando os linfócitos encontram um antígeno pela segunda vez. A imunidade inata e a imunidade aprendida não são independentes uma da outra. inventaram a técnica dos anticorpos monoclonais Susumu Tonegawa. Cada sistema actua em relação com o outro e influi sobre ele. directa ou indirectamente.

Actuam consequentemente como uma ponte entre a imunidade inata e a adquirida. O C3b é um dos componentes que mais tem função no complemento. porém algumas bactérias sobrevivem indefinidamente.Com a interação com a fração FC do anticorpo. um antigénio deve ser processado e «apresentado» ao linfócito de forma tal que este o possa identificar. agentes virais e outros parasitas. como se mostra em seguida. Os anticorpos podem impedir esta interação. Os que permanecem fora das células do corpo (organismos extracelulares) são relativamente fáceis de combater. Contribuem para identificar antigénios. O corpo não combate todos os invasores da mesma forma. interleucina-8 ou interleucina-12) que actuam sobre outras células. uma série de factos inicia a mobilização do sistema imunitário. liberta citocinas (por exemplo. reconhece o fragmento de antigénio ligado a uma molécula do complexo major de histocompatibilidade e adere a ele. Alguns fragmentos de antigénio ligam-se a moléculas do complexo major de histocompatibilidade e são lançados para a superfície da membrana celular. A ativação da cascata pela via clássica é inicia pela ligação do componente C1q do complemento com a região CH2 ( na região FC) do anticorpo. Ataque (Fase Efetora) Grande parte dos instrumentos do sistema imunitário tem a finalidade de matar ou eliminar os micróbios invasores uma vez que tenham sido reconhecidos. localizado na superfície de um linfócito T. Se o sistema imunitário enfraquece (inclusivamente 50 ou 60 anos mais tarde). Uma célula processadora de antigénios. O C3a tem várias funções como p. A tuberculose é um exemplo de uma infecção que não é completamente eliminada. Mecanismos de Eliminação dos Antígenos • Neutralização do antígeno pelo anticorpo secretado. neutralizando o processo tóxico ou infeccioso. Se um invasor não puder ser eliminado por completo. 2. 1. os neutrófilos e as células NK são capazes de eliminar muitos invasores. que são substâncias estranhas ao corpo. . assassinas naturais) para que sejam ainda mais potentes e segreguem interferão. Quando uma célula processadora de antigénios absorve um antigénio. Quando os linfócitos T são estimulados através dos seus receptores de células T. o que amplifica a resposta imune. Esta é a via clássica . As citocinas também podem activar as defesas imunitárias não específicas (inatas). o C4bC2C3b é chamada de C5 . Todavia. 4. O C4b vai se ligar ao componente C2. iniciam a lesão celular pela ligação a receptores específicos da superfície celular. 5. Os invasores que chegam ao interior das células (organismos intracelulares) e permanecem viáveis (vivos) e funcionais são combatidos de maneira completamente diferente. converter o C5 na superfíce na bactéria ou qualquer que seja o corpo estranho ( antígeno).Toxinas bacterianas. rodeadas de um granuloma. Surge assim o complexo C4bC2. Os enzimas da célula processadora de antigénios partem o referido antigénio até o reduzir a fragmentos. para ser reconhecido por um linfócito T. interleucina-1. rodeia e ingere o antigénio. Este processo de atracção e recrutamento de célulasrecebe o nome de quimiotaxia. • Ativação do complemento por IgG ou IgM . há uma ativação deste complexo C1 . Um receptor de células T. drogas. Por isso. Como os linfócitos T reconhecem os antigénios Os linfócitos T fazem parte do sistema imunitário de vigilância. que vai então clivar o componete C4 do complemento em C4a e C4b. O C1q faz parte de um complexo C1 que é dependente de Cálcio ionizado ( Ca++). como um macrófago.exemplo ativar a degranulação de mastócitos e realizar quimiotaxia. as paredes da prisão desmoronam-se e as bactérias que causam a tuberculose começam a multiplicar-se. A maneira de o sistema imunitário levar a cabo esse procedimento depende de os invasores serem capsulados (terem uma cápsula espessa à sua volta) ou não. chamada de enzima convertase.O sistema complemento consiste numa família de proteínas séricas ( produzidas pelo fígado) que podem ser ativadas por uma cascata proteolítica. Esta vai clivar o C3 em C3a e C3b. 3. A maioria das pessoas saudáveis quando expostas a estas bactérias rechaça a infecção causada pela tuberculose. Ele se liga aos C4bC2 e forma C4bC2C3b. geralmente no pulmão. Um antigénio que circula pelo corpo tem uma estrutura que um linfócito T não pode reconhecer. a interleucina-12 estimula as células NK (natural killer. que vai então. produzem várias citocinas que ajudam a recrutar outros linfócitos. o sistema imunitário mobiliza defesas para facilitar a sua ingestão pelos macrófagos e outras células. A interleucina-1 mobiliza outros linfócitos T. podem ser construídas paredes para o aprisionar. Os macrófagos. Essas paredes são formadas por células especiais e recebem o nome de granulomas.Imunologia 13 Uma vez que uma célula processadora de antigénios e um linfócito T tenham reconhecido um antigénio. para a geração de moléculas efetoras. a interleucina-8 actua como uma espécie de «faro» que guia os neutrófilos em direcção ao local onde foi encontrado o antigénio. as bactérias que causam tuberculose ficam presas dentro de um granuloma.

que vai matar o parasita. já que os linfócitos-B demoram a iniciar a produção de anticorpos. que ativa C9) que vai literalemente "rasgar" a bactéria. Dependendo da vacina o sujeito pode não produzir anticorpos suficientes.Várias células como neutrófilos.NK ao se ligar a IgG começa a liberar o fator de necrose tumoral ( TNF) e o interferon-gama. ao reforçar a imunidade ativa do corpo. o indivíduo receberá esses anticorpos intravenosamente como uma defesa primária contra o patógeno/toxina. Vai arrebentar a membrana da célula alvo. e ocorre em questão de segundos. Depois começa a produção dos anticorpos IgG. são capazes de modificar suas estruturas para fugir da neutralização pelas defesas imunes e assim causar uma nova infecção. Imunização passiva intencional por injeção (usualmente anticorpos de classe IgG) será dado somente se houver uma clara evidência de exposição a uma organismo significativamente perigoso. Quando uma pessoa se submete a um programa de vacinação. A resposta secundária tem lugar muito antes (3 a 5 dias). Contato posterior com o mesmo patógeno provocará uma resposta imune secundária muito mais rápida. com muito mais rapidez e necessita bastante menos antígeno que a resposta primária. tétano. Sua concentração máxima é alcançada até o sexto dia e logo depois começam a declinar. fazendo com que entre água dentro do citoplasma . Na resposta primária a um antígeno. as vezes por toda a vida. e se ligam a receptores de fração FC dos macrófagos. a exposição a um patógeno dará imunidade por toda a vida contra o mesmo. que ativa C8. Começa agora a via lítica. • Opsionização do complemento . os primeiros anticorpos que se formam são geralmente anticorpos IgM. com muito mais força (10 a 100 vezes mais forte). E na maioria dos casos. Resposta Imune Primária e Secundária Se denomina resposta imune primária o primeiro encontro de um antígeno e a produção posterior de anticorpos. e anticorpos IgA pelo leite materno. mas naturalmente. ocorrendo desta forma uma imunização passiva através da tranferência materno-fetal de anticorpos IgG pela placenta os quais a mãe está produzindo. certos patógenos. reconhecendo-a na hora.Imunologia 14 convertase. O receptor de FCIII no Linf. Imunização passiva É possível tratar uma pessoa ou animal com preparações de anticorpos purificados . os quais são específicos para um organismo particular ou toxina produzida por ele. matam o micróbio se ele estiver revestido por anticorpos. ou seja. O linfócito NK (natural killer) mata logo que encontra uma célula revestida por IgG. em determinadas ocasiões. o vírus do sarampo. sendo necessário administrar doses adicionais (doses de reforço) para manter os níveis de anticorpos protetores. sendo que os neutrófilos não reconhecem. por exemplo. eosinófilos. muitas das "células de memória" geradas. e se houver uma evidência adicional em circunstâncias apropriadas em que o indivíduo claramente não recebeu vacina no tempo padrão correto ( pertussis. podem dar lugar a sintomas que somente se resolvem quando começam a funcionar os mecanismos de defesa imune. É um processo chamado de citotoxidade mediada por células dependente de anticorpo. A IgE vai promover identificação e ativação dos eosinófilos. "preparar" o sistema imune de um indivíduo para melhor lutar contra um ser vivo ou produto específico antes que o indivíduo se exponha a mesmo de forma perigosa e ameaçadora. desenvolveu-se uma metodologia para combater muitas doenças indiretamente. Depois de produzir uma resposta primária. Se desenvolve de uma forma lenta. serão células produtoras de IgG. como o vírus da gripe. linfócitos NK especialmente. uma seqüência de ativação de componentes do complemento ( C5 ativa C6. difteria por exemplo). a primeira dose serve de estímulo. que impedirá que uma nova exposição provoque a enfermidade.Os anticorpos envolvem a bactéria ou vírus em questão. Ao longo da história. que vão liberar a proteína básica principal. Isso melhora a eficiência da fagocitose. • Citotoxidade mediado por células dependente de anticorpos IgG. Em conseqüência a segunda resposta imune ao mesmo antígeno afetará principalmente a produção de anticorpos de IgG. Com freqüência. IgE e IgA. Por este motivo. Estão disponíveis as seguintes preparações de imunoglobulina purificada: . Este capítulo relata os vários tipos de metodologia desenvolvida há anos para efetuar a ativação da resposta imune a organismos e/ou seus produtos especificamente e proteger das conseqüências potencialmente danosas da infecção por microorganismos patogênicos. oferece proteção durante muito tempo. Nestas condições. o primeiro contato com o antígeno . e irá dessa forma receber uma proteção passiva. Já os eosinófilos atacam vermes helmintos e outros parasitas revestidos por IgE. Entretanto. SMF. Obviamente o feto (e todas as linhagens mamíferas) irá receber também um similar.Isso tudo mata bactéria. e saia substâncias vitais. que ativa C7. Unidade 9 Imunização Há obviamente muitos tipos diferentes de doenças causadas for vários agentes infecciosos. Essas citocinas são muito importantes na resposta imune celular. O macrófago injere bem mais rápido se o antígeno estiver envolvido por anticorpos. Os lactentes são particularmente suscetíveis a infecção.

ao entrar no organismo. Todas essas imunizações acima se realizadas mais de uma vez podem eventualmente conduzir a uma resposta imune contra a própria IgG do cavalo. há um número pequeno de indivíduos cujo os anticorpos antivirais podem ser purificados. conduzindo a uma parada respiratória. Imunização Ativa (Vacinas) Vacinas podem ser preparadas de vírus ou bactérias inativadas como organismos inteiros ou seus produtos. em conseqüência de uma infecção com ou sem manifestação clínica. Enquanto o uso de IgG humanas elimina a possibilidade de reações contra os anticorpos no receptor.o qual obviamente envolve desenvolvimento de céls B ou T de memória. bem como da qualidade e quantidade do antígeno. ou artificialmente.IgG isolada de indivíduos que adquiriram um infecção com vírus da hepatite.toxina causa paralisia flácida devido a interferência com a liberação da acetilcolina. A imunidade ativa depende da imunidade celular. indivíduos com risco de infecção com o vírus da raiva não necessita de se preocupar em receber uma "IgG estranha". e da imuniade humoral. O antígeno. do próprio agente .período de latência: é o período entre a injeção da vacina e o aparecimento dos anticorpos séricos. A produção dos anticorpos IgM precede à dos anticorpos IgG.da natureza e da forma da vacina (antígeno) utilizada. O processo de imunização ocorre após a administração de uma vacina. que é conferida pela sensibilidade de linfócitos T.. a taxa de anticorpos tende a cair rápida e depois lentamente. que cresce de modo exponencial. Varia de acordo com o desenvolvimento de sistema imunitário da pessoa . Exemplificando: este período é de aproximadamente três semanas para os toxóides tetânico e diftérico. celular ou de ambas. Os IgA e os IgM diminuem mais rapidamente do que os IgG. Resposta primária. Uma vez que o vírus cresce em células humanas. Este período é longo e depende da taxa de síntese dos anticorpos e de sua degradação. podendo ser fatal. urogenital por exemplo). • IgG anti-difteria de cavalo . Varia de quatro dias a quatro semanas. e uma rápida e ligeira resposta contra o patógeno poderá ocorrer mais tarde. que podem ser transmitidos. o receptor está inserido em um nível de risco por exposição a substâncias do sangue humano . Após receber a vacina. causa um disfuncional prolongamento do fator 2. o qual pode subseqüentemente levar a uma ausência de resposta efetiva protetora ao indivíduo. A imunização é realizada em animais e homens. levando a uma parada cardíaca ou respiratória.Imunologia 15 • IgG anti-botulium de cavalo ( equinos) . • IgG anti-veneno de cobra. Podem ocorrer dois tipos de resposta: primárias e secundárias. Observa-se ao introduzir uma segunda ou mais doses posteriores. e uma vez que a fonte de anticorpos é humana. depois de atingir a concentração máxima. como intestino. . ou mesmo dentro de uma resposta humoral.toxina é uma enzima que é uma inibidora da síntese protéica. • IgG anti-tetânica de cavalo . cuja vacinação contra essa toxina está ou desatualizada ( passou do tempo) ou ausente. Dado a pessoas que foram mordidas por cobras venenosas.Infelizmente. • IgG anti-rábica humana . Em alguns casos.período de diminuição: é o período em que. assim como também causar uma perigosa reação de hipersensibilidade tipo III ( vinculado a imunocomplexos e ativando complemento). mas atenuados. de crescimento e de diminuição. que são: de latência. Pode ser adquirida naturalmente. uma resposta imune humoral versus celular pode ser preferida. • Anti-hepatite A/B humana .como certos vírus como o HIV. Para produzir anticorpos são necessários alguns dias. podendo ser fatal. ou prions como na doença de Creutzfeldt-Jakob ou da "Vaca Louca". de cavalo .Dado a pessoas com suspeita de exposição a toxina diftérica . Dado às pessoas com suspeita de exposição a toxina botulínica . produção de IgG ou IgA. O mecanismo de imunidade adquirida através da vacinação é semelhante àquele utilizado pelo organismo para lutar contra as infecções virais ou bacterianas.Isolada a partir de cavalos imunizados contra exotoxina do Clostridium botulium. Observam-se depois da primovacinação três períodos distintos. Resposta secundária. são muito cuidadosamente investigadas para previnir tal eventualidade. que se baseia na resposta aos linfócitos B. atingindo o seu máximo no tempo mais variado. ou organismos inteiros vivos. falha muscular ao impulso nervoso. o indivíduo irá esperançosamente desenvolver uma resposta secundária humoral ou celular.Isolada a partir de cavalos imunizados contra exotoxina do Corynebacterium diphteriae. estimula uma resposta imune. aparelho respiratório. morto ou atenuado. Dado a pessoas com suspeita de exposição ao tétano . . Essas preparações assim como os doadores. Imunização ativa é mais duradoura que a humoral. .período de crescimento: é o período em que ocorre o aumento da taxa de anticorpos. a produção de IgA pode ser preferida a uma anticorpo IgG (se o patógeno especificamente infecta o epitélio da mucosa associada com a devida região do corpo. mediante a inoculação de frações ou produtos do agente infeccioso. podendo ser fatal (botulismo).Isolada a partir de indivíduos imunizados contra o vírus da raiva.Isolada a partir de cavalos imunizados contra exotoxina do Clostriduim tetanii. A toxina causa uma paralisia espástica pela inibição do impulso que inibia a contração muscular ( céls de Renshaw na medula espinal).Isolada a partir de cavalos imunizados contra várias cobras venenosas. a qual pode ser de natureza humoral. O gráfico abaixo mostra que a primeira dose provoca uma resposta mínima de anticorpos e que .

A alta incidência dessas doenças chamou a atenção do centro de controlo de doenças dos Estados Unidos em 1981. que é redução do nome "Aparecida". Los Angeles e Nova Iorque. que infecta as células e. em contraste com aqueles casos hereditários. fundamentais para a coordenação das defesas do organismo.Imunologia 16 a segunda e a terceira doses produzem resposta secundárias . África. nas cidades de San Francisco. ou seja é um vírus com genoma de RNA. Na imunidade celular. Inicialmente foi largamente ignorada pela sociedade americana. dos quais podemos referir os linfócitos T CD4+. são células intactas as responsáveis pelas reacções de reconhecimento . até que. houve uma grande reação contrária ao uso de um nome próprio muito comum para designar esta síndrome. Ig). Síndrome da imunodeficiência adquirida A Síndrome da imunodeficiência adquirida. A imunidade humoral (de humor. A secreção de linfocinas (também chamadas de linfoquinas) liberta proteínas que ajudam a desencadear (trigger) a resposta imunitária. assim. ou HIV segundo a terminologia anglo-saxónica). no seu conjunto. República Democrática do Congo. líquido) atua através de moléculas em solução (dissolvidas) no corpo– proteínas que. conhecida nos países de língua oficial portuguesa pelo acrónimo SIDA (excepto no Brasil. são chamadas de imunoglobulinas (abreviadamente. com o surgimento rápido de grandes quantidade de anticorpos. inicialmente vista como uma doença que afetava apenas os homossexuais. É fundamental esclarecer que no Brasil se utiliza o termo "AIDS" porque "SIDA" tem o mesmo som que "Cida". No entanto há hoje indicações que os primeiros casos poderão ter sido contraídos já durante a guerra colonial na Guiné-Bissau. com as proporções da epidemia sempre crescentes. Estas proteínas são produzidas pelas células ou linfócitos B. são um dos tipos de leucócitos). que começou por ser a sigla do nome completo da doença em português. HIV O HIV é um retrovírus. comparável a alguns raros casos de imunossupressão de origem genética (e. Costa do Marfim. tendo migrado para as cidades com o início da grande onda de urbanização em África nos anos 1960. sujaram a ferida com sangue infectado deste. Julga-se que terá sido inicialmente contraído por caçadores africanos de símios que provavelmente se feriram e ao carregar o animal. No entanto só começaram a aparecer em 1980 vários casos inexplicáveis de doenças oportunistas em homossexuais nos Estados Unidos. Síndrome de DiGeorge). abrindo caminho a doenças oportunistas e tumores que podem matar o doente. Os primeiros casos reconhecidos de SIDA em Portugal apareceram em 1983. mas não há nenhuma cura conhecida. passou a ser considerada palavra no decorrer dos anos 1990. A sua designação.g. O agente causador da doença acabaria por ser descoberto pelo Instituto Pasteur de Paris em 1983 por Luc Montagnier. Os primeiros registos de uma morte por SIDA remontam a 1976. Unidade 10 SIDA (AIDS) História Pôster em Abidjan. O alvo principal são os linfócitos TCD4. Cada imunoglobulina é denominada de anticorpo e é específica para um dado antigénio (molécula que suscita uma reação imunitária). estimulando tanto anticorpos como células e ainda a produção de fagócitos (células que ingerem e digerem tanto os organismos invasores como os detritos de células mortas). Existem tratamentos para a SIDA/AIDS e o HIV que diminuem a progressão viral. Devido à imunossupressão profunda que causava. através da sua enzima transcriptase reversa. quando publicaram o primeiro artigo que referenciava uma possível nova doença infecciosa. onde se usa a sigla inglesa AIDS) é o conjunto de sintomas e infecções em seres humanos resultantes do dano específico do sistema imunológico ocasionado pelo Vírus da imunodeficiência humana (VIH. Calcula-se que as primeiras infecções ocorreram em África na década de 1930.os glóbulos brancos ou leucócitos (os linfócitos. tóxicodependentes e de transfusão de sangue em 1982. apareceram os primeiros casos de transmissão mãe-filho. Uma amostra sangüínea de 1959 de um homem de Kinshasa. foi denominada de Síndrome de imunodeficiência adquirida. quando uma médica dinamarquesa contraiu a doença no Zaire (hoje República Democrática do Congo). Assim que o número destes linfócitos diminui abaixo de certo nível (o centro de controle de doenças dos Estados Unidos da América define este nível como 200 por ml). produz uma cópia do seu genoma em DNA e incorpora o seu próprio genoma no genoma . No Brasil os primeiros casos apareceram em 1982 num grupo de homossexuais de São Paulo que contraíram a doença por terem viajado para zonas com alta incidência nos Estados Unidos. foi analisada recentemente e revelou-se soropositiva. nos anos 1960 e 1970. infectados pelo vírus da SIDA. o colapso do sistema imune é possível. e foram então ignorados. O vírus terá então se espalhado nas regiões rurais extremamente lentamente.

e pode ter receptores para outros dois tipos de moléculas presentes na membrana celular de células humanas: o CCR5 e o CXCR4. É sabido que os raros indivíduos que não expressam CCR5 por defeito genético não aquirem o vírus da HIV mesmo se repetidamente em risco. devido à enorme quantidade de novos virions produzidos no seu interior. que causa uma doença em tudo semelhante. pelos T4. presente em todo o mundo. os T8. já que ambos os receptores são similares. Eles diminuem em número com a progressão da doença. perda de peso. linfadenopatia (gânglios linfáticos inchados). intravenosa ou mãe-filho. a sua função é afectada. O HIV reconhece a proteína de membrana CD4. e também existente em Portugal. infectando gradualmente mais e mais T4s. O HIV acopla a essas células por esses receptores (que são usados pelas células para reconhecer algumas citocinas. A reacção eficaz é feita pelos linfócitos T8.Imunologia 17 humano. ou para o CXCR4. e a resposta inicialmente eficaz dos T8 vai sendo enfraquecida. Além disso as constantes mutações do DNA do HIV mudam a conformação das proteínas de superfície. em azul níveis de linfócitos T4. e acabam por desaparecer. eles não causam a diminuição dos seus números. como todo o sistema imunitário. tosse. ou tratados enquanto gripe. usando a sua maquinaria de síntese de proteínas e de DNA. que dura vários anos. e nos macrófagos. transmitindo o vírus aos seus contatos sexuais. mais precisamente quimiocinas). Os muito raros "long term non-progressors" são aqueles indivíduos que permanecem com contagens de T4 superiores a 600/ml durante longos períodos. Começam a surgir cansaço. mas detalhes ainda são desconhecidos. que define a SIDA. . para os quais os linfócitos infectados migram. Pode haver febre. provocando a sua lise. ou morte celular. devidos às doenças oportunistas. Cada virion de HIV só tem um dos receptores. devido à perda da coordenação dos T4 sobre os eficazes T8 e linfócitos B (linfócitos produtores de anticorpo). que se encontra apenas nos reservatórios dos gânglios linfáticos. Contudo. O HIV causa danos nos linfócitos. sendo outro reservatório os ganglios linfáticos. sem tratamento. Há dois vírus HIV. É irónico como a resposta imunitária ao HIV nas primeiras semanas de infecção é eficaz em destruí-lo. O HIV é quase certamente derivado do vírus da imunodeficiência símia. Embaixo weeks=semanas seguidas de years=anos A manifestação da doença por HIV é semelhante a uma gripe ou mononucleose infecciosa e ocorre 2 a 4 semanas após a infecção. e o portador pode transmitir o vírus a outros sem saber. e entra nelas fundindo a sua membrana com a da célula. dificultando continuamente o seu reconhecimento. No entanto. inicia-se quando o número de linfócitos T4 desce abaixo do nível crítico (200/ml). os linfomas. A terceira fase. mas em pouca quantidade nos macrófagos. Julga-se que os macrófagos sejam um reservatório do vírus nos doentes. Nesta fase. demência e o sarcoma de Kaposi. que são infectados. No entanto. inflamação dos gânglios linfáticos e suores noturnos. ou para o CCR5. Ao fim de alguns meses ou anos advém inevitavelmente a morte. o virion M-trópico. infecção dos olhos por citomegalovírus. Estes sintomas são largamente ignorados. Em vermelho níveis de HIV. Os virions T-trópicos são pouco infecciosos. Nesta fase há altas concentrações de vírus. eritemas (vermelhidão cutânea). e o portador é altamente infeccioso. Os níveis de T4 diminuem lentamente e ao mesmo tempo diminui a resposta imunitária contra o vírus HIV. Estes indivíduos talvez tenham uma reação imunitária mais forte e menos susceptível à erosão contínua produzida pelo vírus. presente nos linfócitos T4 e macrófagos. mal-estar. são os que ultimamente causam a imunodeficiência. Uma forma pode-se converter na outra através de mutações no DNA do vírus. mas como são invasores dos linfócitos. o que não é suficiente para haver resposta imunitária eficaz a invasores. enquanto nos macrófagos produz infecção latente na maioria dos casos. Excepções a este esquema são raras. A segunda fase é a da quase ausência do vírus. o HIV que causa a SIDA/AIDS típica. mas as concentrações de linfócitos nos gânglios linfáticos devido à resposta vigorosa levam a que os virions sobreviventes infectem gradualmente mais e mais linfócitos. como a pneumonia por Pneumocystis jiroveci. Os macrófagos são muito mais frequentes que os linfócitos T4 nesses liquidos. diarréia. logo os virions M-trópicos são normalmente aqueles que transmitem as infecções. Não há sintomas. O CCR5 está presente nos macrófagos e o CXCR4 existe em ambos macrófagos e linfócitos T4. o virion T-trópico. está sob controlo de citocinas (proteínas mediadoras) produzidas. os M-trópicos multiplicam-se e rapidamente surgem virions mutantes que são T-trópicos. aumentando lentamente o seu número. que destróem todas as células infectadas. e sobrevivem melhor. e o HIV-2. até que a resposta imunitária seja revertida. como os M-trópicos não invadem os linfócitos. mais frequente na Africa Ocidental. mas não desenvolveu ainda SIDA/AIDS. e onde disseminam os virions por outros linfócitos aí presentes. A infecção por HIV normalmente é por secreções genitais ou sangue. a da SIDA. após algumas semanas. e/ou meningite víral. Outros linfócitos produzem proteínas do vírus que expressam nas suas membranas e são destruídos pelo próprio sistema imunitário. Progressão A infecção por HIV é por via sexual. o portador é soropositivo. localizado no núcleo da célula infectada. Nos linfócitos em que o vírus não se replica mas antes se integra no genoma nuclear.

crista ilíaca. e diminuição significativa da esperança de vida. Por isso é efectuado nos casos positivos um teste. ABC (todos análogos de nucleótidos) o nevirapina. Esta já é uma rotina em muitos hospitais por diversas partes do mundo. córneas. Eles não detectam a presença do vírus nos indivíduos recentemente infectados. ddC. Quase todas as doenças que levam a uma situação de falência completa de um órgão ou de um tecido. Qualquer indivíduo que tenha uma infecção com um organismo incapaz de ultrapassar o sistema imunitário de pessoas normais deve ser suspeito de ter síndrome de imunodeficiência adquirida. têm como última alternativa de tratamento um transplante. diminuição drástica da qualidade de vida. Existem inibidores da enzima transcriptase reversa que o vírus usa para se reproduzir e que não existem nas células humanas: o AZT. Hoje em dia o uso de medicamentos é em combinações de um de cada dos três grupos. e quando as terapias médicas ou cirúrgicas convencionais já não são mais eficazes. fígado. muito mais específico e caro. Pulmão Portadores de doenças pulmonares crônicas por fibrose . ossos longos. Unidade 11 Imunologia dos Transplantes e dos Tumores Transplantes O transplante é um componente cirúrgico importante da prática médica. o que limita. nelfinavir. o Inibidores da protease que cliva as proteínas do vírus após transcrição: saquinavir. ddI. que compromete a vida de um receptor por outro sadio vindo de um doador. outros. fáscia lata.Imunologia 18 Diagnóstico O diagnóstico de soropositividade é naturalmente por serologia. estômago e intestino. rim. atrasando a baixa do número de linfócitos T4. já que os fármacos são razoavelmente eficazes em controlar o número de virions. a prevenção tem um aspecto fundamental. Os portadores de HIV que tomam os medicamentos sofrem de efeitos adversos extremamente incomodativos. Estes cocktails de antivíricos permitem quase categorizar. assim como a contagem de linfócitos T4. que consiste na substituição de um órgão ou tecido. Eles são sempre os primeiros a serem efectuados. ou seja detecção dos anticorpos produzidos contra o vírus com um teste ELISA. pâncreas. efavirenz (inibidores diretos da proteína). delavirdina. a SIDA em doença crónica. Alguns desses órgãos e tecidos são freqüentemente transplantados com as seguintes indicações: Principais indicações Coração Portadores de cardiomiopatia grave de diferentes etiologias. por vezes. para quem tem acesso a eles. 2Tecidos: sangue. sua operacionalização. Porém ainda é um tratamento médico que depende da população em geral para ser operacionalizado. d4T. dura-máter. contudo dão resultados positivos falsos. Órgão e tecidos que podem ser doados Os seguintes órgãos e tecidos são atualmente utilizados em transplantes: 1Órgãos: coração. amprenavir. Os medicamentos actuais tentam diminuir a carga de vírus. a fim de diminuir ou neutralizar o obstáculo da rejeição. ritonavir. cabeça do fêmur. medula. o doador e o receptor devem ter algumas características biológicas em comum. e essas estirpes poderão "ganhar a corrida" com as empresas farmacêuticas. safena. o que aumenta a longevidade do paciente e a sua qualidade de vida. de southern blot. costelas. Como não há cura ou vacina. para confirmar antes de se informar o paciente. válvulas cardíacas. Contudo é possível que não morram directamente da doença. pele. outros. pulmão. patela. assim. A detecção do DNA viral pela técnica de PCR também é utilizada. Para isso. Tratamento Fármacos usados no tratamento da infecção por HIV interferem com funções da biologia do vírus que são suficientemente diferentes de funções de células humanas: 1. porque com níveis baixos de linfócitos T4 já pouco há a fazer. Quanto mais cedo o paciente começar a ser tratado com medicamentos maior a duração da sua vida. irremediavelmente doente. Contudo houve recentemente notícias de um caso em Nova Iorque cujo vírus já era resistente a todos os medicamentos. nomeadamente práticas de sexo seguro como o uso de preservativo (ou "camisinha") e programas de troca de seringas nos toxicodependentes. ossos do ouvido.

esta reação pode levar ao óbito. Osso Pacientes com perda óssea por certos tumores ósseos ou trauma. Porém conseguem respostas fortes se combinados (Figura 1). constatada e registrada por uma equipe de médicos não participantes das equipes de remoção e transplante. Os aloantígenos responsáveis pela rejeição são conhecidos como antígenos de histocompatibilidade e podem ser divididos em: 1Antígenos primários de histocompatibilidade: representados pelo MHC (no homem. álcool ou outras causas. Medula Óssea Portadores de leucemia. Por sua vez. Dependendo do grau de acometimento do paciente. infecção ou trauma de córnea. por proporcionar uma maior freqüência de infecções. o doador pode ser classificado em: 1Doador cadáver: a doação “post mortem” deve ser precedida de diagnóstico de morte encefálica. diarréia e alterações de pele. os enxertos (órgão ou tecido transplantado) podem ser classifacados em: 1Autoenxerto (auto = próprio): É aquele realizado de uma região do corpo para outra. Como envolve a mesma pessoa. assim. Causam respostas mais fortes individualmente. timectomizados ao nascer ou ATxBM (timectomizados e com transplante de medula óssea para restaurar a hemopoiese) não reagiam a aloenxertos e que a infusão nesses animais de . Rim Portadores de insuficiência renal crônica por nefrite. 2Doador vivo (relacionado ou não): é permitido o transplante consentido com doador vivo quando se tratar de órgãos duplos. não ocorre rejeição. Ex: transplante entre gêmeos idênticos. 2Antígenos secundários de histocompatibilidade: são os demais aloantígenos. Dá-se entre membros de espécies diferentes. Ex: transplante de órgão de um porco para um ser humano. ceratopatia bolhosa. Pode haver rejeição. quando estão com doença renal associada. Causam respostas fracas individualmente. Leis do transplante As respostas ao hospedeiro pode dar-se de duas formas: 1Resposta hospedeiro versus enxerto 2Resposta enxerto versus hospedeiro (GVHD): No transplante alogênico em particular. Fígado Portadores de cirrose hepática por hepatite. Isto leva ao desenvolvimento de icterícia. mutilação ou deformação inaceitável e que seja de necessidade indispensável ao receptor. Pâncreas Diabéticos que tomam insulina (diabetes tipo I) em geral. HLA). Pele Pacientes com grandes queimaduras. Ex: transplante de rim. comprometimento às aptidões vitais e saúde mental. 4Xenoenxerto (xeno = estranho): É o transplante onde ocorre a máxima disparidade genética. Alguns órgãos são exclusivamente tirados desse tipo de doador. Córneas Portadores de ceratocone. como por exemplo o coração. Ex: enxerto de pele em queimaduras. Ocorre quando um indivíduo doa um órgão para outro geneticamente diferente da mesma espécie. diabetes e outras doenças renais. 2Isoenxerto (isso = idêntico): É aquele realizado entre indivíduos geneticamentes idênticos. o pulmão e o pâncreas. hipertensão. Também não ativa a rejeição. necessitando. tecidos ou partes do corpo cuja retirada não traga risco à integridade. linfoma e aplasia de medula.Imunologia 19 ou enfisema. 3Aloenxerto (alo = outro): É o transplante clínico mais comum. 3 O fenômeno da rejeição O Papel da célula T A partir da observação de que animais “nus”. Ocorre rejeição. Origem do enxerto Quanto à disparidade genética entre o doador e o receptor. de terapia imunossupressora. existe uma situação clínica denominada de reação do enxerto contra o hospedeiro (GVHD). necessitando de imunossupressão. que consiste no reconhecimento de estruturas antigênicas do receptor como não-próprias pelos linfócitos do doador. pois não envolve antígenos estranhos.

3. para impedir a rejeição. e MLR (reação mista de linfócitos) para doador vivo (Figura 5). . Causas obscuras. que também coordena a especificidade e a orientação dos peptídeos em cada tipo de molécula. grande número de antígenos novos podem ser reconhecidos pela célula T. a ciclosporina e a azioprina. uma determinada célula pode sofrer um evento transformador e adquirir o potencial de produzir c´lulas filhas capazes de proliferar independente de sinais . Citocinas da rejeição: as citocinas mais importantes na rejeição estão resumidas abaixo: Tipos de rejeição A intensidade da rejeição depende. antes do transplante. o mesmo não acontecendo com CD8+ (exceto se administrada com CD4+). Tumores Em contraste com o crescimento policlonal regulado e não maligno. como pode ser demonstrado na figura abaixo: B)Terapia imunossupressora específica: Age nos mecanismos de retroalimentação. Nesse ambiente. sendo a ativação direta mais potente do que a indireta. A)Terapia imunossupressora inespecífica: abranda ou elimina a atividade do sistema imune independentemente do antígeno. 2Favorecimento ativo: Consiste no tratamento com injeção de antígeno do doador no receptor. que respondem a eles. Para testar o grau de compatibilidade entre o hospedeiro e o doador. Secundária: É realizada basicamente por técnicas de imunossupressão. Não funciona no homem. as células Ta podem ser ativadas por APCs do receptor ou do doador. concluiu-se a importância das células T CD4+na rejeição. Profilaxia da rejeição Os mecanismos de profilaxia da rejeição ao transplante pode ser primária ou secundária. o tipo e a especificidade das reações imunológicas. reação celular lenta. 3Favorecimento passivo: Consiste na administração de anticorpo anti-doador ao receptor do enxerto antes da operação. Entre os agentes inespecíficos mais utilizados na pratica estão os esteróides. como doador e receptor possuem geralmente MHC distintos. Essa importância da célula T é dada pelo seu reconhecimento da forma e carga da fenda de ligação do peptídeo ao MHC (Figura 2). confirmada com estudos com anticorpos anti-CD4+. levando a uma maior susceptibilidade a infecções. Aguda Dias-semanas Ativação primária de células T. respectivamente. em parte. Dessa forma. que controlam a magnitude. 6. Porém existem outros. anticorpos. Primária (tipagem tissular): Uma boa sobrevida do enxerto pode ser obtida quando o receptor e o hospedeiro compartilham apenas os antígenos MHC da classe II. recorrência da doença. Pode ser feita através de indução de tolerância neonatal e favorecimentos ativo e passivo. o que pode causar uma ativação “indireta” ou “direta”. usa-se geralmente a tipagem tecidual sorológica e a técnica de PCR (reação em cadeia da polimerase) para doador cadáver. principalmente HLA-DR. A imunossupressão pode ser de dois tipos: inespecífica e específica. Crônica Meses-anos complexos imunes. a Reativação de células T Acelerada Dias sensibilizadas.1. 1Tolerância neonatal: consiste na administração de uma fonte persistente de antígenos a roedores antes de suas células T maduras serem exportadas para o timo.Imunologia 20 células T de um animal da mesma linhagem devolvia a capacidade de rejeição foi-se concluído que as células T são o pivô da rejeição do enxerto. Observando também que células T CD4+ administradas ou animais “nus” ou ATxBM resultavam em rejeição. dos mecanismos efetores e a classificação do tipo de rejeição pode ser ilustrada abaixo: Tipo de rejeição Tempo decorrido Causa Hiperagud Anticorpos antidoador e pré- Minutos-horas formados e complemento.

Atuam tanto diretamente sobre elas (células CD8+) como ativando outros componentes do sistema imune ( as células CD4* que atuam através de linfocinas).). pelas células transformadas. As principais citocinas envolvidas na ativação dos macrófagos (MAF) SÃO O INF-γ. rios ultravioletas. 3. * IL-2. são antígenos de diferenciação presentes durante o desenvolvimento fetal.Rearranjos gênicos 2• Mutações induzidas. secretam anticorpos (o principal é a IgG) e funcionam como APC.). É esse crescimento monoclonal e desregulado que caracteriza as células malignas. A imunologia tumoral é o estudo das propriedades antigênicas dessas células transformadas (pois um grande problema para o hospedeiro consiste na semelhança dessas células com as células sadias). HPV.Imunologia 21 externos de crescimento.Existem 2 tipos de antígenos de transplante associados a tumor (TATA) que são reconhecidos pela imunidade mediada por células: 21. 1. representam a primeira linhagem de defesa do hospedeiro contra o crescimento das células transformadas. da resposta imunológica do hospedeiro contra essas células. sem dúvida. Mecanismos Mecanismos Imunológicos que atuam contra células tumorais. das conseqüências do crescimento das células malignas para o hospedeiro e dos meios pelos quais o sistema imune deve ser modulado para erradicar as células tumorais. Causas dos tumores A transformação de células normais em células malignas pode ocorrer de modo espontâneo ou ser induzida por agentes carcinógenos (químicos. Antígenos T. pois na maioria das vezes as células tumorais expressam apenas MHC classe I e não a classe II. no entanto..Por agentes químicos (hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.). mas não nas células normais do hospedeiro. porém a expressão quantitativa ou associada a outros marcadores serve para identificar as células tumorais.. Sua ação é mediada pela liberação de fatores citotóxicos ou de granzinas e perforinas. 2• Células B. Os anticorpos monoclonais são ideais para a identificação desses antígenos. são... Características A imunologia tumoral se baseia no fato de que as células tumorais expressam antígenos que as distinguem das células normais. ** As células transformadas comumente apresentam uma quantidade diminuída de MHC-I e é esse o sinal para as NK. . 2.. esses agentes são de grande interesse à imunologia devido a possibilidade induzirem a expressão de antígenos virais (como proteínas de membrana). 1. IFN-γ e TNF são as principais citocinas envolvidas. 43. HTLV. aminas aromáticas. mas que normalmente não são expressos na vida adulta. 2. . físicos ou virais). radiações ionizantes. 4• Macrófagos. . podem ocorrer em algumas células normais.. são importantes na iniciação da resposta imune por desempenharem o papel de APC. Praticamente todos os componentes do sistema imunológico podem contribuir para a defesa contra as células tumorais 1• Células T. Esses antígenos podem ser divididos em 2 grupos: 1• Antígenos tumorais exclusivos. A natureza dessa transformação ajuda a determinar se o sistema imune do hospedeiro dera capaz ou não de conter o tumor. Antígenos oncofetais.Mutações randômicas (casuais). Esses antígenos (AFP e CEA). o principal mecanismo de defesa para o organismo contra essas células. • Mutações espontâneas. que são capazes de invadirem tecidos normais e desorganiza-los. esses antígenos específicos para cada tumor. . a IL-4. Abordagens moleculares são mais gratificantes para identificar esses antígenos do que ouso de anticorpos monoclonais 2• Antígenos associados a tumores. Entretanto dependem de células apresentadoras de antígenos (APC).Por agentes virais (EBV.são expressos por células tumorais. reconhecíveis pelo sistema imune do hospedeiro. 1. Além disso podem atuar diretamente como células efetoras mediando a lise do tumor.Por agentes físicos (raios-x. só estão presentes ns células tumorais.Os anticorpos podem agir tanto fixando complemento quanto promovendo a ADCC (citotoxidade mediada por anticorpo) 3• Células NK**. o TNF e o GM-CSF (fator de estimulação de crescimento granulócito-macrófago). esses antígenos são compartilhados por muitos tumores 32. Antígenos específicos de tumor (TSTA). Também representam um auxílio quando recrutadas pelas células T.

Esse tratamento exige tempo para que as células sejam erradicadas e as células T transferidas devem ser capazes de resistir ao sistema imune hospedeiro. mas que exibem uma preferência acentuada pr essas células.Imunologia 22 Mecanismos de escape das células tumorais 1• Imunosseleção. na maioria das vezes. Na presença de crescentes doses de IL-2 são formadas células LAK que são c´lulas que não são antígeno-específicas para o tumor. não são apresentadoras de antígenos. 3• Administração de anticorpos monoclonais. o que leva a uma incapacidade de apresentação de antígenos peptídeos tumorais. A infusão de IL-2 após a transferência aumenta a eficácia dessas células T. a ADCC (citotoxidade celular dependente de anticorpo) é o principal mecanismo efetor após a infusão de anticorpos. um destes métodos consiste na injeção d DNA eu codifica antígenos MHC estranhos no tumor para que esses aloantígenos induzam uma resposta imunológica. produzem células tumorais que ao são reconhecidas como estranhas pelo sistema imune do hospedeiro e essas células. elas não fornecem um sinal co-estimulador para as células T (interação B7-CD28 ou CD40-CD40L). o que leva a apoptose ou a um estado de anergia das células T. 1• Imunização com células tumorais ou antígenos purificados. 3• Células T supressoras. consiste na transferência de células T (Th ou Tc) singênicas tumor específicas. outra abordagem promissora é a associação anticorpo-agente citotóxico. mais de 50% dos tumores podem perder um tumorais alelos de classe I do MHC. devido a instabilidade genética. mutações randômicas (ao acaso). 2• Fatores solúveis. 4 p Unidade 12 . 5• Perda de antígenos do MHC (modulação). 6 Mecanismos de escape das células tumorais Imunoterapia A imunoterapia age através do crescimento de células T selecionado antígeno-específicas. 4• Tolerância. conseqüentemente são selecionadas (pelo próprio sistema imune). as células tumorais secretam substâncias que suprimem diretamente a reatividade imunológica. como as células tumorais. 2• Imunoterapia adotiva. da amplificação da resposta imunológica através de citocinas ou da formação de conjugados anticorpo-toxina dirigidos contra o tumor.

Hemólise aguda após exposição à drogas ( antimaláricos. Artrite (inflamação das articulações) . etc). hipertrofia eritropoiética. A haptoblobina carreia a hemoblobina livre até o SMF ( ou sistema retículo endotelial). a auto-imunidade como causadora de doença não é frequente. o corpo produz anticorpos que fazem a glândula tiróide produzir uma quantidade exagerada de hormônio tiroidiano. pela destruição do Sistema Retículo Endotelial (SRE) do próprio baço do paciente. nitrofurantoína. pensar na hipótese de icterícia obstrutiva por cálculos pigmentares. Retirado de " Doença de Graves: é a forma mais comum de hipertiroidismo. Colúria . e Hb é obrigada a se ligar à albumina. Púrpura Trombocitopenia auto-imune: é causada pela diminuição de plaquetas no sangue periférico. fácies de roedor ( pronásia. talassemia. Miastenia Gravis: é uma doença neuromuscular que causa fraqueza e fadiga anormalmente rápida dos músculos voluntários. devida à ingestão inadequada ou absorção insuficiente. onde forma a metaemalbumina. Na maioria dos casos ocorre nefrite e pode ocorrer hemorragia pulmonar Anemia Perniciosa: A cauda mais comum de anemia macrocítica é a deficiência de vitamina B12 e/ou ácido fólico. Mesmo com a . A fraqueza é causada por um defeito na transmissão dos impulsos dos nervos para os músculos. que faz com que as plaquetas tornem-se estranhas ao próprio organismo (non-self).osso em escova no Raio-X. Se houver colúria. Anemia hemolítica auto-imune é uma doença em que o organismo produz anti-corpos contra as próprias hemácias provocando a aglutinação do sangue do indivíduo portador da doença. analgésicos e sulfonas) ou à fava . anemia hemolítica auto-imune .sinal de hemólise aguda e/ou hemólise intravascular como nas incompatibilidades sangüíneas. Hemólise crônica ( à longo prazo) .Imunologia 23 Doenças Auto-Imunes São doenças que surgem quandoa resposta imunitária é efetuada contra alvos existentes no próprio indivíduo. ainda por um mecanismo não conhecido. incluindo uma atleta olímpica chamada Gail Devers. o sistema imunológico ataca os próprios tecidos normais do organismo. O tratamento mais indicado é o uso de corticóides. O teste de laboratório mais sensível é aquele que quantifica a imunoglobulina (IgG) ligada à plaqueta. Dimunuição da vida média do eritrócitos é sinal de hemólise mantida ( em torno de 30 dias) . A Doença de Graves é causada por problemas do sistema imunológico. Vitiligo (manchas brancas na pele) e psoríase (lesões avermelhadas e descamativas da pele e/ou couro cabeludo). Expansão medular reacional . Nas doenças auto- imunes tais como a Doença de Graves. Só que esta globina se esgota rapidamente. porém transitórias e reguladas. Deficiência de vitamina B12 produz sintomas neurológico. mas pode ameaçar a vida quando atinge os músculos da deglutição e da respiração. Hemossiderinúria ( sinal de hemólise extravascular no SMF). O hiperesplenismo na sua maioria esta associado a pancitopenia. hereditária de G6P-desHase Aumento do LDH ( desidrogenase láctica) sérico ( é uma enzima abundante dos eritrócitos). Esplenomegalia ( pensar em esferocitose hereditária. Respostas auto-imunitárias são frequentes. o sistema imune defende o corpo contra microorganismos (bactérias e vírus). linfomas. já a deficiência de ácido fólico geralmente não. é icterícia sem colúria. sulfonamidas.detectado pelo diisopropil fluor fosfato ou cromo radioativo. Alcoolismo pode causar anemia macrocítica. policromatofilia. uma vez que existem mecanismos que mantém um estado de tolerância aos epitopos do próprio organismo.pode estar associado ao LES. que venceu uma maratona com uma medalha de ouro após ser diagnosticada e tratada da Doença de Graves. Diminuição da haptoglobina. drepanocitose na criança. Síndrome de Goodpasture: ocorre a formação de anticorpos contra o colágeno tipo IV da membrana basal. Dano inflamatório à membrana basal é gerado pela ativação do complemento e influxo de neutrófilos. Anemia perniciosa é uma condição auto-imune onde falta ao organismo fator intrínseco necessário para absorver a vitamina B12 dos alimentos. É mais como sinal de hemólise intravascular. linfomas entre outras de alterações medulares. Na doença de Graves. As doenças auto-imunes têm etiopatonogênese complexa e multifatorial. A doença de Graves está relacionada a outras condições auto-imunes tais como: Tiroidite de Hashimoto. Aumento do nº de plaquetas e leucócitos. fíbula em sabre. Normalmente. Geralmente não tem colúria.def. ou então a Hb livre no plasma sai na urina( hemoglobinúria) Hemoglubinemia aumentada com hemoglobinúria ( urina com cor de fanta-uva) sem sinal de hematúria . mielodisplasias. Os diagnósticos clínico e laboratorial devem excluir outras doenças graves como: leucemias. nariz afundado.aumento da BD além do limiar de filtração glomerular ( urina com cor de coca-cola). As doenças do sistema imunológico tem uma prevalência familiar muito grande e são cerca de 5 vezes mais freqüentes nas mulheres. Diabetes Mellitus. para pacientes que não respondem a terapia clínica é indicado então a cirurgia de esplenectomia (retirada do baço). A doença raramente é fatal. Ela afeta muitas pessoas. Sua manifestação clínica pode ser assintomática não precisando de tratamento. ou evoluir para uma doença grave obrigando o uso de terapêuticas.Aumento das trabeculações ósseas .Após 7 a 12 dias do início da hemólise : reticulocitose ( de 10 a 80% das hemácias) e eritroblastose periférica levando a uma macrocitose . malar proeminente).

o uso excessivo dos mesmos pode causar efeito colateral. . O número de óbitos em PTA é muito baixo e raro.Imunologia 24 retirada do baço existem pacientes com recaídas e que precisam ser mantidos com corticóides.