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Quim. Nova, Vol. 24, No. 1, 147-152, 2001.

Assuntos Gerais

FÁRMACOS E FITOTERÁPICOS: A NECESSIDADE DO DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DE
FITOTERÁPICOS E FITOFÁRMACOS NO BRASIL

Rosendo A. Yunes
Departamento de Química, Universidade Federal de Santa Catarina, 88040-900 Florianópolis - SC
Rozangela Curi Pedrosa
Departamento de Bioquímica, Universidade Federal de Santa Catarina, 88040-900 Florianópolis - SC
Valdir Cechinel Filho
Curso de Farmácia/CCS, Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), 88302-202 Itajaí - SC

Recebido em 30/9/99; aceito em 27/6/00

PHARMACEUTICS AND PHYTOTHERAPICS: THE NEED FOR DEVELOPMENT OF THE
INDUSTRY OF PHYTOPHARMACEUTICS AND PHYTOTHERAPICS IN BRAZIL. We discuss briefly
the development and the present status of medicinal chemistry. In this context, we consider the
therapeutic possibilities of the phytotherapy. On the basis of this analysis, the development of the
phytopharmaceutical industry in Brazil is shown to be of essential importance for both the university
and the Country due to the human and technological resources involved.

Keywords: medicinal chemistry, pharmaceutics, phytotherapics

INTRODUÇÃO conhecimento das bases moleculares da homeostasia celular (bi-
oquímica celular), bem como as alterações metabólicas, res-
A Fitoterapia constitui uma forma de terapia medicinal que ponsáveis por várias patologias (bioquímica fisiológica). Este
vem crescendo notadamente nestes últimos anos, ao ponto que conjunto de conhecimentos tornou possível eleger alvos
atualmente o mercado mundial de fitoterápicos gira em torno moleculares a ser trabalhados pela Química Medicinal. Como
de aproximadamente 22 bilhões de dólares. Dentro desta pers- exemplo, podemos salientar o estudo envolvendo o metabolis-
pectiva, esperar-se-ia que o Brasil fosse um país privilegiado, mo do colesterol, um componente da membrana celular e pre-
considerando sua extensa e diversificada flora, detendo aproxi- cursor de muitas biomoléculas essenciais como os hormônios
madamente um terço da flora mundial. Além disso, existe no esteroidais (testosterona, progesterona, cortisol, etc.), vitamina
pais um grande numero de grupos de pesquisa que tem contri- D e sais biliares, cujas modificações na biossíntese ou
buído significativamente para o desenvolvimento da química catabolismo podem levar à hipercolesterolemia e em alguns
de produtos naturais de plantas, a quimiotaxonomia, a farma- casos à arteriosclerose e hipertensão2. Desta forma, foi possí-
cologia de produtos naturais e outras áreas relacionadas. No vel o desenvolvimento de importantes fármacos, como as
entanto, nosso país não tem uma atuação destacada no merca- estatinas (lavastatina, mevastatina, etc.), inibidores específicos
do mundial de fitoterápicos, ficando inclusive atrás de países da HMG CoA redutase, enzima marca-passo responsável pela
menos desenvolvidos tecnologicamente. Devido a esta situa- regulação da síntese endógena do colesterol3.
ção preocupante, procuramos mostrar neste artigo a viabilida- Nos anos 70 começam a surgir as primeiras contribuições da
de de investimento na elaboração de fitoterápicos, consideran- Físico-Química Orgânica. Esta área de conhecimento inicia-se
do o avanço da Química Medicinal Clássica. Discutimos tam- com a conhecida equação de Hammett (~1930)4,4a que correla-
bém os possíveis caminhos para o Brasil conseguir destacar-se ciona valores obtidos de dados cinéticos com aqueles obtidos do
na produção de fitoterápicos e fitofármacos a nível mundial. equilíbrio químico (termodinâmicos), denominada relação extra-
termodinâmica ou relação linear de energias livres. Hammett e
BREVE ANÁLISE DA EVOLUÇÃO especialmente seus seguidores conseguem determinar descritores
DA QUÍMICA MEDICINAL moleculares de fatores polares, eletrônicos e estéricos que afe-
tam a reatividade química dos compostos5,6.
Faz aproximadamente 100 anos que Emil Fisher (1852- Entretanto, ainda em 1960, Fujita e Hansch propuseram uma
1919) usou a analogia da chave e fechadura para compreen- equação de correlação entre a atividade biológica com fatores
dermos a ação de uma enzima que posteriormente foi estendi- polares (polares-eletrônicos) e lipofílicos das moléculas7. Este
da para a ação de um fármaco. Na mesma época, Paul Ehrlich novo descritor molecular foi previamente estabelecido por
(1854-1915) sugeriu, para orientar os trabalhos farmacológicos, Hansch, considerando a necessidade do transporte do fármaco
o modelo da bala mágica que levaria o medicamento aos teci- através das membranas biológicas até o sítio-alvo (receptor).
dos doentes sem afetar os sadios. O reconhecimento do recep- Muitos outros métodos foram desenvolvidos para interpretar as
tor por parte do fármaco e o planejamento racional deste mudanças de atividade produzidas pelas diferentes estruturas
fármaco são dois importantes aspectos que formam as bases da moleculares. Atualmente existem uma miríade de descritores
atual Química Medicinal1. moleculares, o que demonstra claramente as dificuldades de
Podemos arbitrariamente dizer que o desenvolvimento efe- análise espacial das moléculas. Quando as três dimensões são
tivo da Química Medicinal inicia-se nas década de 40 e 50 consideradas, como nos sistemas naturais, eles se tornam um
seguindo o modelo da aspirina, isto é, a síntese química e sistema complexo que não é descrito de forma simplesmente
ensaios farmacológicos para avaliar os resultados. Na década linear mas que respondem a equações não lineares.
de 60 se desenvolve efetivamente a bioquímica, área de conhe- Na década de 80, com o advento de novos e poderosos
cimento que muito contribuiu para o avanço da própria Quími- computadores, inicia-se a Química Computacional, que passa a
ca Medicinal. As pesquisas em bioquímica permitiram o auxiliar a Química Medicinal 8. Esta fundamenta-se na química

ii) identificação e confirmação da participação modelagem molecular de fármacos.148 Pedrosa et al. v) utilização de animais transgênicos mediante a in. na década de 90 aparece a Biologia Molecular. HO las auxiliados por computador e as relações quantitativas de estrutura-atividade9. podemos destacar: i) a receptor. a teoria de gráficos moleculares. Este modelo permite determinar as propriedades screening. a análise conforma- cional. Este ácido. para otimizar a adsorção. que de. célula. Desta forma. foram desenvolvidos usando as contribuições mais recentes da As novas combinações triplas que foram capazes de reduzir a con- Química Medicinal. como o determinação da etiologia gênica de algumas doenças. Nova teórica. expondo uma maior flexíveis e que. O conheci- ral deve ser reconhecido pelo receptor. estéricas e eletrônicas de estruturas parciais ou substituintes de corporação de genes humanos nos mesmos para determinar sua possíveis fármacos em relação a sua interação com um recep- função e testar fármacos que atuem na sua expressão 10. uma molécula pura com efeitos terapêuticos e secundários bem Estudos recentes realizados com o vírus influenza tipo A e B determinados. impedindo a continuidade estradiol. com o ácido siálico presente na membrana necessário o uso de ambos simultaneamente. tuído por dois grupos hidroxila separados por uma estrutura que está fundamentalmente ligada à Engenharia Genética. atrairia rapida- na condição de que existam certos elementos de reconheci. assim fármacos. como ciclodextrinas. iii) produção de peptídeos terapêuticos computacionais. mal de como de Cálculos Mecânicos-Quânticos. Após este evento. Figura 1. ciência nova que teve seu marco inicial em 1975. o “farmacóforo” está constituído por dois grupos que do processo de infeção viral15. através do uso de programas clonagem dos mesmos. Assim. entre as aplicações da Biologia e antagonistas em outros. ao mesmo tempo existem aproximadamente 5000 distúrbios genéticos que afetam que conservam a atividade estrogênica sobre os receptores ósse- o homem provocando várias patologias. por isto. foi demonstrado que algumas moléculas estrutural- novos alvos moleculares e novas metodologias para o estudo e mente próximas aos estrógenos são agonistas em alguns tecidos produção de fármacos. podem associar-se a diversos ligantes quantidade de ácido siálico. Assim. iii) que depois de ligar-se pode substâncias que pudessem competir com o ácido siálico pela induzir mudanças conformacionais no receptor que são acom. através de uma com este composto se mostraram extremamente promissores. Desta forma. RECENTES AVANÇOS DA QUÍMICA MEDICINAL Este tipo de abordagem está sendo extremamente importante na pesquisa de fármacos para o tratamento de inúmeras doenças. útero (inibem a proliferação de células do endométrio) e sobre vos mais seguros para o efeito dos mesmos. foram idealizadas as moléculas inibidoras compreendido como uma molécula de estrutura determinada com das proteases associadas à reprodução dos vírus HIV. São de importância nesta área a mecânica quântica. o que é efetiva- signa o grupamento necessário para se obter uma determinada mente feito pela enzima neuraminidase viral. vre pode cair na circulação e infectar novas células. mesmos. constituída por teorias propostas para descrever quan- OH tidades experimentalmente determinadas ou não determináveis. o vírus se reproduz no meio intracelu- trado que os receptores de hormônios esteroidais são bastante lar e novamente migra para a membrana. Portanto. Então. de estrutura lipofílica. onde um fármaco corresponde a tectados no sangue foram conseguidas por este método14. mediante o uso de algorit- mos matemáticos. Assim. caso seja uma proteína viral. Para que ocorra a propagação da infeção anel ciclopentanoperhidrofenantreno. celular. in- É importante observar alguns fármacos modernos (fármaco: cluindo a AIDS. por uma distância aproximada de 1 forma que o fármaco deverá ser brevemente lançado no merca- nanômetro (Figura 1). o desenho de molécu. foi sintetizado o panhadas de mudanças em sua própria conformação. ligação no sítio ativo da neuraminidase. composto que se liga mais efetivamente a esta dos estrógenos. como por exemplo o grupo hidroxila na posição 3 do superfície celular. microcápsulas. mas atuando sempre sobre o mesmo Molecular pela indústria farmacêutica. é possível realizar a Alzheimer. O ponto de partida é uma substância protótipo sobre a qual se realizam os ajustes (correções) finos necessá- NOVOS FÁRMACOS PRODUZIDOS PELOS MAIS rios para otimizar suas propriedades13. cujos algumas uréias cíclicas parecem adequar-se perfeitamente às rela- efeitos secundários não desejados são bem estabelecidos) que ções simétricas de ligação no centro ativo das proteases do vírus. membrana celular. efeitos sobre os sistemas fisiológicos e estados patológicos. as células cancerosas estrógenos-dependentes. a Química Computacional. como no caso da hipertensão arterial. permite predizer efeitos causados por estru- turas reais ou imaginárias. mente outros novos vírus levando ao agrupamento destes na mento. seria o sinal que levaria à interiorização do vírus pela Fármacos moduladores seletivos de receptores: foi demons. que pode se deslocar em todas as direções no como no caso da insulina. provável interação farmacológica de dois fármacos. ii) que pode ligar-se ao mento da base molecular da infeção virótica levou à pesquisa de recptor de uma forma especial. No caso “zanamivir”. Esta ciência esta dando uma contribuição importante na determinação de No entanto. Os resultados clínicos obtidos podem fazer ligação de hidrogênio separados. hemaglutinina/ácido sialico. por exemplo. O conhecimento dos os e reduzem a concentração de colesterol no sangue. a mecânica molecular. câncer. o vírus li- atividade11. Estrutura do estradiol com o grupo farmacofórico consti- Finalmente. genes que predispõem a determinadas doenças e como eles Planejamento racional: a partir dos dados obtidos da Aná- interagem deve conduzir à descoberta de novos e importantes lise Estrutural. Isto está correlacionado virótica se faz necessário a quebra da ligação do vírus com a ao que se conceitua atualmente como “farmacóforo”. o raloxifeno e o ICI 16438412. . Por outro lado. Assim. A modelagem é a criação de determinados receptores em certas doenças mediante a de um modelo tridimensional. Devemos ter em mente que esta ciência centração do vírus a limites inferiores àqueles que podem ser de- segue o paradigma ocidental. da Bioquímica e da Biologia Molecular. Assim foram desenvolvidos alguns fármacos. hormônios cuja estrutura fundamental é o enzima que o próprio ácido sialico. solubilidade e outras propriedades de do hormônio ou neurotransmissor em um dado receptor sem importantes fármacos pelo uso de diversos transportadores dos depender do órgão ou tecido que possua este receptor. que administrados é necessário. isto implica: i) que esse padrão estrutu. do farmacêutico como medicamento anti-gripal. Quim. etc 16. é possível conhecer ou estudar a (vírus da gripe) demonstraram que a ligação à hemaglutinina. Durante muito tempo os químicos médicinais acreditavam Transporte de fármacos: muitos esforços foram realizados que um fármaco era agonista ou antagonista de um determina. iv) criação de organismos para espaço. Neste caso tamoxifeno. conhecer o porque da resistência de para prevenir a osteoporosis atuam como antiestrogênicos no algumas bactérias a determinados antibióticos na procura de al. tor conhecido. exposto. etc. lipofílica de 1 nanômetro.

e mais notável e lamentável ainda é que cresce muito HO CH3 HO CH2OH mais nos países desenvolvidos que naqueles que não o são. eficazes e de efeito total. pericina e isohipericina. 24. isoquercitrina. uma doença degenerativa que afeta cerca de parcialmente esclarecido. filtração. toxicológico e molecular permitiram cons. confirmando o uso secular da erva de Considerando o elevado nível de desenvolvimento em que São João na Europa. Ensaios com ani- em fase liquida e solida 17. tenção da temperatura de reação e outras necessárias para sin. Uma das principais etiologia desta alizados segundo as normas que regem os processos de valida. a emodina-antrone e as xantonas. se dos metabólitos inflamatórios do ácido araquidônico através ta foi determinada. Esta ação antiviral pa- fitoterápicos e/ou fitofármacos. Este fitofármaco tem mostrado resultados nível farmacológico. repens pode influenciar na sínte- e a quantidade destes compostos nas diferentes partes da plan. como Herpes simplex tipo I e mesmo que seja em áreas totalmente limitadas. planta. vírus humano da imunodeficiência tipo 1 (HIV-1). considerando o futuro dos rece estar associada a uma ligação inespecífica com a membrana fármacos puros.Vol. nistas de α-adrenoreceptores e bloqueadores de cálcio. ii) redução na expressão das 3 a 4000 compostos por dia para obtenção de dados biológicos citocinas. em parte. que serão produzidos pela nova linha da Quí. viral e a geração de radicais livres20. química e farmacologicamente quantificados) cresce gradativa- mente. Apesar de todos os avanços supracitados. observamos que o OH O OH OH O OH mercado mundial de fitoterápicos (compreendido como extra- tos vegetais. foi comprovado que os fitoesteróis tem afinidade anatômico-histológico. patologia tem sido associada a um distúrbio na regulação de ção de fármacos puros. mens na faixa dos 80 anos21. perforatum. Além disso. ou seja. variando de leve a moderada. Foram identificados vários flavonóides com da inibição dose-dependente da atividade da ciclooxigenase e atividade antiviral e anti-inflamatória. popularmente conhecida como erva-de. Alguns pesquisadores tem demonstrado que o referido extrato Um fitoterápico largamente prescrito nestes países para dis. o que lados. determinação (1) (2) e quantificação de compostos químicos. No entanto. poderia inibir a atividade da enzima 5α-redutase e. II8-biapigenina.) são características clínicas da HBP. enzimas que catabolizam as aminas atualmente equipamentos robotizados que permitem testar até biogênicas na fenda sináptica. em particular o β-sitosterol (3) e stigmasterol (4)23. o mais importante hormônio masculino circulante. são. Assim pode-se sintetizar milhares mais de laboratório e in vitro tem demonstrado que a hipericina de compostos para a obtenção de moléculas protótipos e pos. As operações como pipetagem. tornam-se per. Mais recentemente. pseudohi- combinatória. pelos receptores androgênicos citossólicos da DHT. de uma mistura de vários compostos. 1 A Necessidade do Desenvolvimento da Indústria de Fitoterápicos e Fitofármacos no Brasil 149 Química Combinatória: a necessidade de novos compostos desta planta e que aparentemente seria responsável pelo seu com estruturas que compreendam uma grande gama de diver. (retenção urinária. perforatum o extrato lipoesterólico da S. rutina poderia explicar seu efeito benéfico sobre o trato urinário e a e hiperina/hiperoside 18. como campferol. mente também comercializado no Brasil é o extrato lipoesterólico Por outro lado. Estudos in vitro demonstraram a eficiência da hipericina tinentes algumas indagações: i) será possível ainda acreditar e pseudohipericina para inibir o crescimento de uma grande que os fitoterápicos e/ou fitofármacos podem ser competitivos. agronômico (do cultivo para a obten. altamente promissores no tratamento da Hiperplasia Benigna de tatar que estes apresentam um mecanismo de ação total ou Próstata (HBP). Outro grupo de compostos isolado redução dos sintomas urológicos 26. velmente. informação química e os resultados biológicos. e 50% dos homens a partir de 50 anos de idade e 80% dos ho- estudos de farmacologia pré-clínica e farmacologia clinica re. Este extrato possui também compostos antago- luteolina. frente a estes II. lipoxigenase25. por terior otimização da mesma. No. que é cos importantes de grande venda e repercussão na Europa e metabolizado a dehidrotestosterona (DHT) pela 5α-redutase22. Existem metil transferase (COMT). efeito antidepressivo sobre o Sistema Nervoso Central com- sidade molecular foi conseguida pela aplicação da química preende as naftodiantronas que inclui a hipericina. o OH O OH OH O OH que permitiu um melhor controle de qualidade de fármacos baseado na moderna tecnologia de identificação. tendo sido proposto vários mecanismo de ação. sendo exposição das células prostáticas à estimulação hormonal24. miricetina. variedade de vírus encapsulados. hormônios sexuais. etc. os compostos responsáveis por este efeito seriam os Esta planta. Vários estudos clínicos realizados com pacientes com depres- tetizar uma série de compostos são totalmente definidas e per. muito prova- túrbios psíquicos é um derivado do Hypericum perforatum. tais tecnologia é necessária a integração com técnicas de triagem como: i) inibição da monoamina oxidase (MAO) e catecol-O- em larga escala (HTS: High Throughput Screening). . além de sim competir com este hormônio resultando na diminuição da estudos fitoquímicos. tem demonstrado o efeito mitiram a construção de aparelhos automatizados para síntese antidepressivo de extratos do H. (1) e a pseudohipericina (2) seriam responsáveis. além de flavonóides glicosi. como a quercitrina. Outro mecanismo proposto mica Medicinal? para este efeito seria uma ação inibitória sobre a enzima prote- ína quinase C que é essencial aos processos de fosforilação ce- OS MODERNOS FITOTERÁPICOS lular necessários para metabolismo basal dos vírus19. para o sucesso desta este efeito. manu. nos Estados Unidos. bioquímicos e farmacológicos. Análises químicas e ensaios biológicos levaram à determi. HO CH3 HO CH3 Como podemos explicar este fenômeno? A primeira obser- vação que devemos considerar é com respeito ao aprimora- mento da tecnologia farmacêutica na área de fitoterápicos. com avaliação toxicológica segura. mictúria noturna. Foi demonstrado que nação de vários compostos ativos nos extratos de H. particularmente envolvendo a testosterona. os avanços na pesquisa de fitoterápicos a da Serenoa repens. foi comprovado o potencial antiviral desta se encontra a Química Medicinal na atualidade.São João. especialmente a interleucina-6 (IL-6) e iii) ação sobre junto com tecnologias para organizar a relação obtida entre a receptores do ácido d-amino butírico (GABA)19. fitoesteróis. Para melhor entender este fato analisaremos dois fitoterápi. objeto de uma extensa monografia da “American Herbal O processo inflamatório associado a sintomas urológicos PharmacopoeiaTM and Therapeutic Compendium” 18. alteração do fluxo urinário. tornando possível a fabricação de fitofármacos seguros. citomega- fármacos modernos? ii) existe viabilidade para se investir em lovírus murina e vírus para-influenza 3. quercetina. podendo as- ção da concentração máxima de compostos ativos). já foi amplamente estudada sob o ponto de vista botânico. Outro fitoterápico de grande utilização na Europa e recente- mente reprodutível.

correlação dose-tempo. Entretanto. incluindo para o desenho de fármacos mais eficientes em determinados campesterol. cas. foi comercializado o Permixon. este índice se reduz Considerando que a atividade destes fitoquímicos nos huma- a 2. Menores riscos de efeitos colaterais: considerando que os mica Medicinal com bases nos atuais conhecimentos das bases compostos ativos se apresentam em concentrações reduzidas nas moleculares da HBP. que selecionam um isolados em nosso laboratório a catequina (5) e a galocatequina dos compostos ativos. acreditamos que a sinergia e a associação de menos potente do que a própria fração. A FITOFARMACÊUTICA NO BRASIL apesar de se encontrarem em concentrações baixas. catequina. Menores custos de pesquisa: enquanto a descoberta e al. Porém foram muito Neste contexto. te inibindo a ciclooxigenase ou lipoxigenase. repens. Efeitos sinérgicos: de maneira geral. Assim. são muito menores os riscos de efeitos secundários não toterápico constituído do extrato lipoesterólico da S. com. planta. Outro exemplo importan. lução das plantas. Na evo- no combate ao Plasmodium falciparum e vivax. mas quando sinergia deve ter favorecido a sobrevivência na luta contra associado a 5µM de chrisosplenol. planta popu. É impor- tante ressaltar que nestes exemplos.28. o estado de arte da maioria dos fitoterápicos fa- de ação ou por mecanismos diferentes 31.34. é possível que outros compostos presentes neste extrato tico para o tratamento desta patologia. res efeitos colaterais não tem embasamento científico. a-adrenoreceptores e bloqueadores de cálcio que explicariam dem ser inúmeras. possui uma etiologia múlti. repens no tratamento da HBP. impedindo a formação da DHT. nM. não a dose-efeito. stigmasterol.150 Pedrosa et al.0 nM. o processo deve ter favorecido a sinergia e te. atuam sinergicamente. a associação destes compostos aumenta o nos tem alvos metabólicos e químicos paralelos. presente na fração metanólica deste picos mais seguros e menos agressivos ao organismo. o que consequentemente eleva consideravel. pla e o estudo das bases moleculares desta doença nos leva a Este fitoterápico apresenta compostos que agem inibindo a supor diferentes alvos bioquímicos a ser atingidos. e despre- (6) do extrato de acetato de etila desta planta. como é conhecido. este índice se reduz a 3. ção mais livre. e se associado a 5µM de cirsilineol. Quim. zam a mistura que na maioria das vezes parece ser mais efetiva. ram efeito analgésico em camundongos. do clínico comparativo randomizado realizado por Carraro et 4. Associação de mecanismos por compostos agindo em Como pôde ser observado. as plantas apresen. Provavelmente a Sabe-se que o IC50 da artemisinina é de 9. geralmente os mais abundantes. ácido acetil-aleuritólico. não está delineada. galocatequina e glicosídeo do β-sitosterol. seu efeito benéfico sobre o trato urinário permitindo uma mic- mente os riscos toxicológicos da associação de fármacos. que possui uma baixa atividade analgésica e isolada. sinérgico sobre a malária quando associados a artemisinina.o qual utilizou 1. O efeito analgésico de C. 3. merece ser revista a abordagem de algumas indús- larmente utilizada no tratamento da dor e inflamação. um fi. uma patologia de alta alvos moleculares diferentes: foi anteriormente indicado o uso incidência na população masculina. de extrato lipoesterólico da S. Além disto. concluir que a sinergia deve atuar também nas aplicações médi- te seria o efeito analgésico da Croton urucurana. β-sitosterol. Isto foi claramente comprovado pelo estu. que a hominização coevolucionou com as plantas durante milhões nar. vários flavonóides desta planta apresentam algum efeito desfavorecido o antagonismo dos compostos químicos que. Aparentemen. além de anti-inflamatórios27. Portanto. esta opinião é polemica moleculares anteriormente citados com um risco toxicológico pois alguns pesquisadores opinam que a afirmação sobre meno- menor e eficácia terapêutica equivalente aos fármacos já exis. A prática clínica tem sejam capazes de competir pelos receptores nucleares da DHT demonstrado isto claramente. na maioria dos casos. Isto significa atividade da 5α-redutase. Esta afirmação está fundamentada no fato de tam vários compostos com efeitos similares. urucurana se deve de novos fármacos ao fornecer também substâncias protótipo a uma associação de vários fitoconstituintes.1 fatores ambientais adversos e as pestes. uma vez que o tratamento sinto. os compostos isolados. milhões de dólares33. reduzindo o pro- do à antagonistas a-adrenérgicos.35.2 nm30. Nova CH3 OH OH CH3 H3C H3C OH CH3 CH3 OH H CH3 H CH3 H HO O HO O CH3 CH3 OH H CH3 H CH3 H OH OH H H H OH H OH H H (5) (6) (3) (4) 2. plantas. cujo custo de pesquisa que varia entre 300 a 500 por recente revisão sistemática apresentada por Wlit e cols. o desenvolvimento de um novo fito- com base em trabalhos científicos realizados de 1966 a 1997 terápico pode ser obtido a custos muito menores. Medicinal clássica. parece lógico efeito anti-malárico da artemísinina.098 pacientes tratados com Finasterida desenvolvimento de um novo fármaco envolve investimentos (inibidor específico da 5α-redutase) ou Permixon  e também altíssimos. Já foram trias farmacêuticas ou grupos de pesquisas. porque a tentes no mercado. como: competir com os fármacos modernos produzidos pela Química 1. Podemos mencio. que atualmente é utilizada alimentos e como remédios para defender-se das doenças. cesso inflamatório e compostos que agem como antagonistas Interações farmacológicas decorrentes desta prática médica po. por exemplo. tem funções de defesa. disto. sobre a HBP e a fitoterapia29. deve-se indicar que os estudos fitoquímicos de mente não justificaria o potente efeito analgésico observado algumas plantas permitiram um grande avanço nas pesquisas para esta fração. Apresenta também compostos que agem possivelmen- utilização concomitante de um inibidor da 5α-redutase associa. alvos moleculares14. A experiência observada com os chás medicinais Este fitoterápico aparentemente atinge todos os alvos confirma este afirmativa. Os itens 1 e 2 descritos acima devem ser analisados e estudados Podemos salientar algumas das vantagens dos fitoterápicos intensivamente a fim de obter melhores fitoterápicos que possam que atualmente justificam seu uso. as quais exerce. bricados atualmente pela indústria brasileira está fundamentado . a HBP. Além que seria muito difícil a utilização de um único fármaco sinté. O mesmo ocorre com mecanismos permitirão no futuro o desenvolvimento de fitoterá- o glicosídeo do β-sitosterol. desejáveis. provavelmente através do mesmo mecanismo Infelizmente. de anos e neste período os hominídeos ingeriram plantas como posto presente na Artemísia annua. a (EGF)32. o efeito anti-malárico da artemísinina. e favorecer a liberação de Fator de Crescimento Epidermal mático deste distúrbio tem requerido. Em contraposição aos novos fármacos produzidos pela Quí.

G.... J. CRC isso se denomina como expressa no nosso texto “relação Press. farmacologia...G. P. Graff. Res. C. N. Sant‘Anna.. R. obtidos de dados cinéticos com aqueles obtidos do equi. Y.. In Medicinal Chemistry: Principles and 26. indústria nacional de fitoterápicos. Soc. Cauquil. Montanari. G. Tavan.. 1997. Alencastro.. nesta área de importância fundamental. Wermuth C. vimento de fitoterápicos/ fitofármacos mundial.. P.. Ed. T. Bunting. Este fato aumenta notavelmente os 21. J. Quim. como possíveis fitoterápicos.. Nova 1996. Di Silverio. C...B.. and Therapeutic Compendium... A. G. Lavie. G.. 231. 15. G.. 4. The Mc Graw Hill. é uma correlação que não pode ser 30.. J. 20. Pellegrinet.. 1992.. 3th Ed. nacional por parte das autoridades responsáveis a nível nacio. Taft. não podendo portanto ser compe. L. E.. Fitoterapia 1997. J. atu. B..901. 280. desejamos alertar aos jovens E. Com a intenção de gerar uma mudança neste 81. 38. C. In: nação de novas estruturas ou novos efeitos biofarmacologicos. Como tanto o equilíbrio químico ção pré-clínica nem clínica. Nova 1998. Scientific Em terceiro lugar podemos salientar a incompetência da American 1999. 45. Montanari. C. Barreiro. M. Koch. Pilo-Veloso. 411. 15. J... H.. 349... A produção de fitofármacos (entendidos aqui como molécu. N. M. L. E. Jallou. Tammela. Sciarra.. C. A. Webster. Science na área da saúde 36. MacDonald.. Ittah. 29. que correlaciona valores 29. New York.. 9. 10. Physical Organic Chemistry. que poderia gerar emprego para 17. D’Eramo. P.. 36. especialmente a fitofarmacêutica and Drug Action. B. 58.. M.. L. nova lei de patentes no Brasil. 1srt Ed.. Alonso. tecnologia farmacêutica. Beezer. C.. Proceeding of the 11 th International extraído de planta se transforme num fármaco mas sim num Symposium on Medicinal Chemistry. J. lada pela nova lei de regulamentação de medicamentos ou pela Pittsburh. I. A CEME (Central de Medicamentos) tinha. . 7. Perun. 5. possam corrigir esta situação no futuro a fim de permitir que 23. Panama..3.. L. tos ativos.M.. p. das cabeças responsáveis. 1940. nesta área.. Meruelo. Freeman. N. A. R. Fleischer. P.. 8. Ponzo. J. Warber. The Royal Society of Chemistry. C. Rebillard. senvolvimento de fitoterápicos ou fitofármacos. E. chances de dar certo.. 5343. 1998. técnicos e outros trabalhadores V. C. Pharmaceut. 1995... M.. Boudon.. R. Patrick. 1994. USA. P. C.. Annales pesquisadores para que. Chopin. 1992. 1. St. S. 178. Bock. K. 321. Bombardelli. USA. Maloney. Correlations. nentemente quais seriam os fatores responsáveis por esta grave USA. F. Duke.R. Stark. E. permanente e comprometida” com o desenvolvimen. não ocorrendo a ligação necessária para a obtenção de extra. “definida. Albuquerque. No entanto. lucro imediato e não no desenvolvimento de empresas compe. Hospital Practice 1997. através desta experiência negativa. Biological and Pharmacological muitos pesquisadores se dedicaram isoladamente à determi. J. Med. The Prostate 1999. 68. Carraro. J-P.. In The Practice of Medicinal elaborado um plano de desenvolvimento de fitoterápicos. Wiley. Lewis. G. Flammia. 68. L. S.. 381. D. J. R. Computer-Aided Drug Design: Em primeiro lugar parece evidente a falta de uma política Methods and Applications. 3. Ishani. M.. Mauro. J. Clark. Hamdy. H. Bischofberger. nuidade” de apoio governamental devido à continua mudança Oxford University Press. D. D. bi. G. Marandola.. D. Grã-Bretanha. Jerusalem. W. J. Upton. o Brasil ocupe o lugar que merece no panorama do desenvol. In: American Herbal Pharmacopoeia T.. deduzida de nenhum princípio da termodinâmica e por Brielmann. USA.. Nature 1962. Mazur. No. Prost. situação. G.M. 19. Minerva Urology Nefrology 1993. 280. 1996. responsabilidade. The Contribution of Molecular Biology nal. 2.. performatum... etapa posterior pois é muito pouco provável que um composto L. Chem. 300. Taft. F. to Drug Discovery. Chemistry.. R. uma vez que 14. dos em função da energia livre também pode observar-se ação poderá levar ao desaparecimento das indústrias nacionais que é uma relação linear de energias livres. oquímica. Wilt. 195. F. etc. podemos indicar os fatores mais importantes e decisi. M.. Rodrigues. 24. In: Textboob of Biochemistry: with Clinical 27. Academic Press Inc... Grã- a participação da comunidade científica e que teria grandes Bretanha. Fitociencia 1997. Gatherum. C. indagamos perma. Inglaterra. G. Michel M. Raynaud... 1 A Necessidade do Desenvolvimento da Indústria de Fitoterápicos e Fitofármacos no Brasil 151 somente no uso popular das plantas sem nenhuma comprova. Morazzoni. Steric Effects in Organic Chemistry. 1998. A . Podemos dizer que os investimentos em pesquisa 18. nesta área por parte da indústria foram nulos. Teillac. sentido. R.. Caponera. King. 24. 1996... Fitoterapia 1997.. Hanus... p. USA.Vol. W. 470. Quim. A . 11. Hauri. Lechevallier. C. J.... R. Rubben H. Gustafsson. Sultan.. Chisholm. talvez estimu. mas que naufragou por falta de “conti. botânica.43. 1. líbrio químico. 21. Furlan. Carnegie Mellon University.. T... Van las puras obtidas de plantas) deveria ser considerada numa Kranenburg. and Medicine 1998. vos que devem ser corrigidos para o desenvolvimento no país 194. M. A. Lseke. D. REFERÊNCIAS 25... 143. Wley-Liss Publ.. d’Endocrinologie 1997. Lumbroso. D. 78. Diante destas observações. R. J. T. Hammett... Nova 1997. Albertsen. P. R. P. A. Di Silverio.M. Perrin P. Hecker U. extra-termodinâmica”. G. Lobaccaro. Hobden. Evidentemente são vários e de diferentes níveis de 6.. P. Esta situ.. Em segundo lugar podemos indicar a ausência de uma real 13. Silverman. protótipo que permita a síntese de análogos com as proprieda. 99.. G. L. 1989. Laver. 28.. X.) necessária para obter um resultado efetivo. A. 13. interessadas somente no 16. 5.. C. titivas a nível internacional. F. ocasionando o desvio de orientação 12. G... 20. 1604. Quim. D. 22. Krege S. P.. Hansch. J. E. E.. Calais Da Silva. Natural Products from Plants. 10. D.. Dekker. M.. Assoc. Y. F. Labadie.. 1997. Kaufman. USA. The Organic Chemistry of Drug Design to da indústria farmacêutica. 1959. Diante desta perspectiva. L. T.. A equação de Hammett (1930).. 20.. Kuiper.. de fitoterápicos. Kalinteris. 1990. M. Morazzoni. K.. Academic Press. des que um fármaco exige. 36a. muitos cientistas de alto nível... 19. Cott.. 208. Cakquist. P.. G.. p. Perier A. M. C. Liebes.. quanto as constantes de velocidade podem ser expressa- titivo a nível nacional e muito menos internacional. 4a. 1. com Chemistry. Bombardelli. 1133. R. custos de obtenção. Goepel M. Prperties of Medicinal Plants from the Americas. Borris. H. integração das diferentes áreas de conhecimento (química. Prostate 1996. Williamson. Practice. Fujita. R.. Proceedings of the IOCD/CYTED Symposium. M. L. Litwack. Am. Drug and Aging 1997. A . Buscarini. Marencak J. An Introduction to Medicinal Chemistry.. J.. há alguns anos. Mitchell. 1956.. Lavie. p.. D. C. Am. S. D.. J-C. Mottet. Jojn’s Wort: Hypericum almente parece haver um maior interesse da indústria no de. G...

. Nova 31. permanente e comprometida”. S.. Res. Beirith. 12.. Sciarra.. 77. Jalkiewicz J. Phytother... A.. Harvard Business Review.. T.. The Prostate 1998.. S.. L.. 89. Ferreira. B.. Alguns pesquisadores são de opinião que pensar em po- Toscano. em final 33. Pizollatti. Yunes. R. V... Rio de Janeiro. S. Nichols. Monti. R. Harvard Business Review. A. N. Engel S. S. Martinin C. P.. Di Nicola. P. lítica “definida. Ciências. 10 samos é de programas eficientes e dinâmicos para o de- 34. 1998. Delle Monache. Di Silverio. 1998. 35. 36a. Binder G. G. Medical Advertising News de milênio seria acreditar em dogmas. Peres. 1994. Quim. 47 Santos. J.152 Pedrosa et al. G. 12.A .. M. Eramo... A. Medicamentos a Partir de A. Opinam que preci- 1993. Sep-Oct. H.. Plantas Medicinais no Brasil. M. Jan-Feb. Academia Brasileira de 32. 209. F. 36.D. F.. (Organizador). 37. Varasano. senvolvimento da indústria farmacêutica. M.. F. Calixto. A. 1994. Lanzaran S. .