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TECNOLOGIA | SONAR

Mixdown
no Sonar Parte I

Olá Pessoal,
Este mês darei uma
atenção especial aos
E m se tratando de mixagem esté-
reo, podemos definir que mix-
down é o nome do processo que reduz
para tv aberta, uma trilha para tv di-
gital, um áudio para DVD, disponibi-
lizá-las na internet para streaming ou
amigos leitores que todas as pistas e clips ativos de sua para download, colocá-las em seu
necessitam das mix em um arquivo mono ou estéreo MP3 player, Ipod, etc. As possibilida-
orientações corretas (L+R). O intuito de se usar um pro- des são realmente imensuráveis, uma
para transformar o grama de gravação multipista como o vez que a cada dia, novas e novas
projeto aberto do Sonar é o de poder usar várias pistas tecnologias e suportes são inventa-
Sonar em um arquivo (instrumentos, por exemplo) ao mes- dos. Dependendo da sua escolha, a
para tocar no CD, mo tempo. Do contrário, poderia ser resposta pode ser a geração de um ar-
fazer parte da trilha usado um programa como o Sound quivo final com diferentes profundi-
sonora de um Forge, em que não existe o processo dades de bits (bit depths) e taxas de
de mixdown nos conceitos que va- amostragem (sampling rate). É o fa-
programa de TV, DVD
mos usar aqui, apenas se formos pas- moso 16 bits e 44.100 Hz ou 24 bits e
ou disponibilizá-la na
sar uma música estéreo para mono. 96 kHz, por exemplo.
Internet. A este
Justamente por termos a facilidade de Se o resultado final for para ser toca-
processo, damos o
usar várias pistas, dentre elas MIDI, do em um CD de áudio, o arquivo ge-
nome de “mixdown”
ÁUDIO, algumas com samplers e gera- rado deverá estar em 16 bits e 44.1
dores de som (Soft Synths) inseridos, kHz. Se for para rádio AM ou FM, po-
efeitos externos (hardwares) proces- derá ser mono ou estéreo, mas tam-
sados em tempo-real, subgrupos e bém em 16 bits e 44.1kHz. Se for para
mandadas de efeitos é que existe a ne- um DVD, o arquivo gerado poderá es-
cessidade desta redução e do aprendi- tar em 24 bits e 48 kHz, ou mesmo 24
zado para fazê-la da melhor forma pos- bits e 96 kHz. Há DVD e áudio que
sível. A primeira coisa que você deve trabalham com 24 bits e 192 kHz. Se
ter em mente para fazer o mixdown é: o arquivo vai para Internet, 16 bits e
“O que vou fazer com este arquivo?”. 44.1 kHz está de ótimo tamanho.
Esta pergunta pode ser respondida de Como na Internet quanto menor o
diversas formas, diante das inúmeras arquivo mais rápido o download, ar-
mídias e possibilidades de reprodução quivos com extensões MP3 ou wav
Daniel Farjoun é autor do livro MIX – O poder
da mixagem, e trabalha com mixagens para da sua criação sonora. Você pode fazer são ótimos para diminuir o tamanho
todo o Brasil pelo site: uma música para um CD, um jingle final do arquivo e garantir uma quali-
www.opoderdamixagem.com.br para rádio FM ou AM, uma trilha dade bem aceitável para a maioria dos

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ouvidos dos “simples mortais” (usuá-


rios comuns). Normalmente, os arqui- Os arquivos que vão para a pré-masterização devem estar
vos em MP3 ficam aproximadamente ainda na qualidade original da gravação, ou seja, se você
10 vezes menores que os seus originais gravou em 24 bits e 44.1 kHz, faça o mixdown para o
em wav (sem compressão). Por exem- mesmo formato. Se gravou em 24 bits e 96 kHz, mantenha
plo: um arquivo wav de 4 minutos de o formato e faça o mixdown para 24 bits e 96 kHz
duração em 16 bits e 44.1 kHz ocupa
aproximadamente 40MB (megabytes)
de espaço. Este mesmo arquivo em a uma taxa de 1411,2 Kbps, ou seja, cada vezes diminuindo a qualidade. Quan-
MP3 com 128kbps ocupa apenas 4MB. segundo de áudio ocupa 176,4 KB. to mais alto você está, mais você pode
Estes são alguns tipos de arquivos que 1411,2 divididos por 8 (bits) = descer e continuar apreciando a vista.
o Sonar permite salvar como resultado 176,4Kb. É mais ou menos o que acontece com o
das “reduções”: wave, broadcast wave, Cada minuto ocupa cerca de 10 MB áudio. Se você reduz a qualidade, qual-
windows media advanced streaming de espaço. Não foi preciso fazer mui- quer alteração pode diminuir a quali-
format, MP3, aiff (mac), W64 (sony), tas contas para saber que uma música dade do áudio e te fazer perder a “bela
dentre outros. de 4 minutos ocupa 40MB dentro de paisagem” que você curtia.
seu HD ou CD, por exemplo. O Por outro lado, se você não for man-
problema é que quando faze- dar masterizar fora a sua mix e pre-
mos o mixdown, ainda precisa- tende usá-la em CD, Internet ou tele-
mos fazer uma série de mudan- visão, por exemplo, terá que conver-
ças nestes arquivos para deixar ter o arquivo final para o formato pa-
o CD homogêneo. Depois des- drão do CD (16 bits e 44.1 kHz). Nor-
te processo da mixagem, ainda malmente as gravações de hoje estão
existe a pré-masterização (a sendo feitas com taxas de amos-
masterização é um processo tragem superiores a 44.1 kHz, en-
químico que só acontece de- quanto o CD de ÁUDIO só funciona
pois, lá na fábrica). com 44.1 kHz. Além do mais, o seu
Os arquivos que vão para a áudio deve ter sido gravado em 24
pré-masterização devem estar bits enquanto a profundidade de bits
ainda na qualidade original da do CD é de 16 bits. Estes valores não
gravação, ou seja, se você gra- foram citados por acaso. É graças ao
vou em 24 bits e 44.1 kHz, faça teorema de Nyquist que usamos estes
o mixdown para o mesmo for- valores. Você conhece este teorema?
mato. Se gravou em 24 bits e Sabe o que afirma?
96 kHz, mantenha o formato e Segundo Nyquist, a taxa de amos-
Arquivos .wav são os originais que dão faça o mixdown para 24 bits e 96 kHz. tragem deve ser pelo menos duas vezes
origem a um CD de áudio (aqueles que Você pode estar se perguntando: mas maior que a maior freqüência que se
tocam no carro, no microsystem, etc). por que devo deixar tudo na mesma deseja registrar. Em outras palavras:
São bons porque te permitem fazer tes- qualidade do original? uma vez que o ouvido humano capta
tes de sua mixagem em outros lugares A resposta é muito simples: se você de 20 Hz a 20 kHz, devemos ter uma
até que você chegue à sua mixagem de- ainda não terminou de fazer alterações taxa de amostragem duas vezes maior
finitiva. Em um CD de áudio, em que os nos áudios, mantenha sempre a mais que a maior freqüência (20 kHz). Ou
dados são armazenados sem compres- alta qualidade possível. Tudo o que seja, uma taxa de pelo menos 40 kHz
são (chamado de PCM - Pulse Code você mexer (alteração de volume, efei- deve ser usada para que todas as fre-
Modulation), os dados são transferidos tos, etc) vai modificar o sinal e muitas qüências possam ser representadas.

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Taxas maiores permitem o uso de filtros com decaimentos


mais suaves que causam menos distorções de fase, especial-
mente nas freqüências mais agudas. Por isso, a taxa de 44.1
kHz foi adotada para os CDs.
Ok! Mas se temos um áudio gravado em 24 bits e 48 kHz
(ou mais), em algum momento será preciso passar para 16
bits e 44.1 kHz certo? Certíssimo, mas tem um porém...
Nesta transformação de bits e taxa de amostragem, muita
informação tem que ser jogada fora. Para que você possa fa-
zer a conversão com a melhor qualidade possível, é muito im-
portante a escolha e o uso correto do dither. Em poucas pala-
vras, dither é a adição de um ruído aleatório ao sinal para
minimizar os “d”efeitos auditivos causados pela redução (er-
ros de quantização). O dither deve ser aplicado na última
etapa da conversão, após a pré-masterização. Na verdade, se
você vai pré-masterizar no seu estúdio, deverá aplicar o
dither sempre que for passar para CD para testar sua
mixagem em outros sistemas. Se você quer se aprofundar na
questão dither e erro de quantização, encontrará estes e ou-
tros assuntos no meu livro MIX – O poder da mixagem, lan-
çado pela Editora H. Sheldon.
(www.opoderdamixagem.com.br)

CUIDADO COM O CLIPPING!


É sempre bom lembrar que o sinal nunca deve passar de 0
dB (no Sonar é indicado em todas as pistas de áudio e buses
no VU – quando ultrapassa a barreira de 0 dB, aparece a luz
vermelha, indicando que o sinal “clipou”). Você estará da-
nificando o sinal e terá um resultado pior do que qualquer
erro de quantização que possa ocorrer. Veja o gráfico para
entender o que acontece com a onda quando o sinal ultra-
passa o limite máximo de representação dos bits.

Um sistema digital de 16 bits comporta 65.536 níveis de


quantização. O menor deles é o 0000000000000001 e o maior
deles o 1111111111111111. Isto quer dizer que é impossível
registrar níveis acima de 1111111111111111. Se por algum
descuido o sinal da gravação ou da sua mix ultrapassar 0 dBFS,
o sistema irá simplesmente ignorar aquela informação extra

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(real) e registrará apenas o que ele é ca- rei algumas das situações que vere- - Como fazer o mixdown de projetos
paz (1111111111111111). O que no mos na próxima edição. que possuam apenas pistas de áudio,
sistema analógico gera um ceifamento subgrupos e plug-ins.
muitas vezes amigável, no digital o - Como fazer o mixdown de projetos
clipping gera uma distorção no sinal ex- que possuam soft synths funcionan-
tremamente desagradável. É claro que é
Não se limite ao seu do em tempo-real.
sempre bom ter estes conhecimentos equipamento. Pense que a - Como configurar o Sonar para o
(em alguns casos até fundamental, arte é muito maior que zeros mixdown de projetos que possuam
como no caso do clipping), mas jamais e uns. Tecnologia não é e processadores de efeitos externos
se limite a estas questões e deixe de fa- nunca foi barreira para se funcionando em tempo-real.
zer alguma coisa criativa. Não se limite fazer música de qualidade. - Como exportar apenas um trecho
ao seu equipamento. Pense que a arte é Uma boa composição será do projeto.
muito maior que zeros e uns. Tecno- boa SEMPRE - Como exportar todas as pistas do
logia não é e nunca foi barreira para se projeto em arquivos separados.
fazer música de qualidade. Uma boa - Como exportar o projeto sem os plug-ins,
composição será boa SEMPRE. sem ter que deletar ou dar um bypass em
Agora que você já sabe onde irá usar - Como preparar o projeto para o cada um deles e outras possibilidades.
este arquivo e quais as medidas a se- mixdown – mute, solo e seleção.
rem tomadas para poder fazer um - Entender a janela do mixdown e-mail para esta coluna:
mixdown com qualidade, apresenta- (menu file / export / áudio). musilab@gmail.com

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