Educação virtual e interativa

Comunicação e Expressão

Aulas 1 a 20

Sumário
Aula 1 - A aventura de escrever Aula 2 - Desejos de Leitura - O ato de ler Aula 3 - Comunicação e Linguagem Aula 4 - Variações Lingüísticas - 1a. parte Aula 5 - Variações Lingüísticas - 2a. parte Aula 6 - O texto e suas modalidades Aula 7 - Narração - O ato de contar histórias Aula 8 - Narração - O ato de contar histórias Aula 9 - O ato de descrever Aula 10 - O ato de dissertar Aula 11 - O ato de argumentar Aula 12 - Avalie suas habilidades e seus conhecimentos Aula 13 - Como fazer o resumo de um texto Aula 14 - Leitura crítica Aula 15 - Função referencial e função poética da linguagem Aula 16 - Como elaborar um currículo moderno Aula 17 - Redação empresarial Aula 18 - Entrevista Aula 19 - Relatório Aula 20 - Conclusão do curso 03 13 26 42 50 54 60 71 81 89 105 114 121 128 142 149 157 164 171 178

Aula 01 - A aventura de escrever
Olá, meu nome é Walter Armellei Júnior e sou um dos autores deste programa de Comunicação e Expressão. Elaborei este curso pensando em tornar cada aula, além de agradável, útil e desafiadora, a mais próxima possível da realidade de quem estuda e trabalha, ou seja, de quem lê no dia-a-dia, sem mesmo dar-se conta dessa grande tarefa! Navegue em todas as aulas e procure regras de nossa língua, técnicas eficazes de escrita, sugestões e, acima de tudo, textos e exercícios que subsidiarão suas dúvidas. Vamos começar a vivenciar a aventura da escrita?

A aventura de escrever
Durante esta aula, você será capaz de identificar algumas dificuldades encontradas por você e por outras pessoas diante do ato de escrever. Encontrará depoimentos e sugestões e algumas técnicas que o ajudarão a enfrentar possíveis bloqueios na atividade da escrita. Verifique. Quando você é solicitado a elaborar um texto – seja no meio acadêmico, seja no meio profissional – inicia-se a luta entre o papel, as palavras e o que você quer, pode e consegue dizer. Nesses momentos você deve imaginar-se a única pessoa incapaz de dominar as palavras e escrever o que pretende. Mas essa luta não é só sua. Pois é, leia os depoimentos a seguir e convença-se de que até mesmo os escritores consagrados e imortalizados pela literatura consideram o ato de escrever um desafio mas sempre carregado de emoções e aventuras. Você conhece o significado da palavra depoimento? Ato ou efeito de realizar uma revelação de fatos ou verdades. Vamos ler alguns?

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mas sinto que as frases pesam ou soam falso. Saiba Mais . ES. na Ucrânia. às vezes lentamente. às vezes a galope. a 12 de janeiro de 1913. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. E de amor. Esta é a terceira ou quarta vez que ponho o papel na máquina e começo a escrever. como repórter dos Diários Associados. fartamente aplaudido pela crítica. Faleceu no Rio de Janeiro. ano em que publica o primeiro livro. depois de ter participado. como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento. provocado pelos acontecimentos cotidianos. Perto do Coração Selvagem. a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. e as palavras dizem de mais ou dizem de menos e a escrita daí desentoada com o sentimento. me vem à lembrança às vezes – como neste momento em que eu tanto precisaria dizer tantas coisas. Seus pais imigraram para o Brasil quando ela contava dois meses de idade. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas.Rubem Braga Rubem Braga. em que reúne estilo próprio a um intenso lirismo. Formou-se em Direito em Belo Horizonte. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. e não sei dizê-las. nasceu em Cachoeiro do Itapemirim. da cobertura da Revolução Constitucionalista. de um verso de Campoamor. em 1932. considerado por muitos o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis. E. Ela não é fácil. Saiba Mais . em Minas Gerais.Depoimento 1 “Quiem supiera escribir!” A exclamação. 4 . Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa do superficialismo. Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Forma-se em 1944.Clarice Lispector Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik. a 10 de dezembro de 1925.Sua marca registrada é a crônica poética. Depoimento 2 Esta é uma declaração de amor: amo a língua portuguesa. Não é maleável. a 9 de dezembro de 1977.

Depoimento 3
“Lutar com palavras é a luta mais vã. Então lutamos Mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco. Algumas, tão forte Como um javali. Não me julgo louco. Se o fosse, teria poder de encantá-las. Mas lúcido e frio, apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. Deixam-se enlaçar, tontas de carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem sevícia que as traga de novo ao centro da praça (...)” Saiba mais - Carlos Drummond de Andrade Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Desde 1954, colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa. Morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

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Depoimento 4
Escrever é montar, jogar um ponto de vista, às vezes tão único, tão restrito àquele momento, àquelas palavras... E no desejo de gotejar de tinta um papel, só para tentar transmitir uma onda de sentimentos, pensamento, sensações, as palavras escapam, brigam, traem-se. É uma guerra. Fico perplexa e desesperada, pedindo trégua. Prometo a uma o primeiro lugar no próximo parágrafo: a outra, uma amiga com a qual faria um belo par; tudo em vão. Chovem tiros e explodem bombas no papel; manchas de sangue nobre borram o campo. De repente, acontece algo: amasso-as bem com um pesado Aurélio. Descubro que toquei o coração das palavras, seu ponto fraco. Elas compreendem! A paz é feita numa harmonia silenciosa. E quem vir essas briguentas por aí, poderá pensar que nunca houve nada entre nós. (ex-aluno)

Depoimento 5
As pessoas estão esquecendo de escrever. Escrever mesmo. Também pudera: é muito vídeo, muito digital, muita impessoalidade. O ato de escrever, hoje em dia, se resume à frieza dos memorandos assépticos e dos bilhetes lacônicos. Mas escrever é botar – preto no branco – uma emoção vermelha de paixão, um sonho verde de esperança, um sorriso amarelo, sem medo do lugar comum ou do ridículo, percebeu? Escrever é invadir com todos os nossos fantasmas aquele espaço branco, inocente, descompromissado – e se expor. Como nossos erros, nossa fragilidade, nossas dúvidas ortográficas. Escrever é lançar uma ponte sobre o imponderável, é arriscar uma tentativa de resposta, um toque tipo assim: socorro, estou vivo! Você está? Por tudo isso é que vale a pena escrever. Agora. Imediatamente. Inadiavelmente. (ex-aluno)

Atividade em aula
Depois de tomar conhecimento das dificuldades enfrentadas por escritores e alunos, ao escrever, elabore agora o seu depoimento, um texto de, aproximadamente, 30 linhas, que expresse seus encontros e desencontros com as palavras, com o texto. A sua luta pela expressão

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Registre em seu caderno ou digite em seu computador. Faça os exercícios. Registre tudo que considerar importante. Depois desse passeio pelos depoimentos e da elaboração de seu primeiro texto em nosso curso, chegou a hora de apresentar-lhe algo bastante importante. Observe o que escritores consagrados têm a dizer sobre o desafio de escrever.

Sobre o ato de escrever 1o. texto
Escrever não é apenas uma questão de técnica. Não se escreve sem alguma técnica, é certo. Mas ninguém começa a escrever depois de adquirir a tal da técnica. Começa-se a escrever porque se deseja fazê-lo, e, então enquanto se vai escrevendo, vai-se organizando a própria técnica. O ato de escrever é, primeiro e antes de tudo, a questão do desejo. Ora o desejo de os outros se reproduzirem em nós através das palavras, ora o nosso desejo de nos reproduzirmos, multiplicarmo-nos, transcendermo-nos e, mesmo, imortalizarmo-nos, por meio das nossas palavras. Ao escrever, revelo-me – revelo a mim mesmo que posso organizar as palavras, o que as palavras nomeiam, que posso construir, montar o mundo novo também. Revelo-me a extensão do meu poder, ou seja: a extensão dos meus possíveis. Em suma, a extensão da minha utopia. O ato de escrever, antes de tudo, é um legítimo ato de auto-afirmação. E “autoafirmação” não é coisa ruim, pejorativa, como dizem os que não gostam de ver os outros se afirmando. Quem não se afirma é o oprimido, é o submisso, o que se encontra caído ao chão à espera das ordens. Uma redação nunca é um produto acabado, pronto para ser entregue ao mestre e por este enquadrada no conceito devido (ou indevido). Antes, será “red-ação”: ação de tecer a rede dos acontecimentos e dos relacionamentos, guardando o acontecido na memória verbal das gerações, pescando o acontecível no extenso lago das faltas e ausências testemunhadas pelas palavras daqueles que falam. A palavra é o testemunho de uma ausência. Escrevemos, antes de tudo, para testemunhar as nossas faltas, quer procurando supri-las, quer buscando carinho para aliviar a dor. Escrevemos para dizer o que não sabemos, o que não amamos, o que não somos – mas queremos.

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“Escrever é fazer um mau rascunho e em seguida corrigi-lo até desentranhar o que realmente se pensa. Escreveu sua primeira novela Iris y Margarita. Redação Inquieta. BERNARDO. a qual.. vendo pela primeira vez. procurando no escuro. conto fantástico e policial. Saiba mais . Gustavo. São Paulo: Editora Globo. Em 1932 conhece Jorge Luis Borges e Silvina Ocampo. ou vivida numa vida anterior. A consciência do não-saber de que Sócrates. aos 11 anos. Vanidad o Una aventura terrorífica. que junto a Borges o convencerá a abandonar os estudos e dedicar-se exclusivamente a escrever.Bioy Casares Adolfo Bioy Casares nasceu em Buenos Aires. exatamente. Aos 14 anos. é professor de Teoria da Literatura no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ele está começando do nada. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1º de novembro de 1955. texto Sobre o ato de escrever “O escritor é um homem sozinho dentro de um quarto. que ele tenta exorcizar: o demônio da solidão. diante do papel em branco e às voltas com os seus demônios que ele conjura. Adolfo Bioy Casares morreu na Cidade de Buenos Aires em 8 de março de 1999. 1991.. Gustavo. da procura de alguma coisa que não sabe qual seja. despe-nos da arrogância e aproxima-nos da verdade. 3o.” 8 . Gustavo Bernardo escreve romances. 4a. o da busca. 2o Texto Sobre o ato de escrever Continuando nossa conversa sobre o ato de escrever. tentando abrir um caminho.A palavra é a consciência da ausência.ed. Simultaneamente às atividades acadêmicas. como quem tenta recuperar uma experiência sonhada. Doutor em Literatura Comparada.” Saiba mais .. em 1914. Escrever é um ato de amor.Adaptado de BERNARDO.

Como nasceram as estrelas (1987). A vida íntima de Laura (1974). Novela: A hora da estrela (1977). Onde estivestes de noite? (1974). Quase de verdade (1978). ingressa no curso primário. não sei absolutamente escrever. A descoberta do Mundo.ed. em Belo Horizonte. A Cidade Sitiada (1949). de tal forma que mais de uma vez chega em casa com um galo na testa. 1a. A imitação da rosa (1973). Será que escrever não é um ofício? Não há aprendizagem. após aprender a ler com a mãe. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. (1964). Felicidade clandestina (1971). E ainda não me habituei a que me chamem de escritora. A legião estrangeira (1964). Um Sopro de Vida – Pulsações (1978). Água Viva (1973).LISPECTOR.” Saiba mais . então? O que é? Só me considerarei escritora no dia em que eu disser: sei como se escreve. 9 . é a única: escrevendo.H. A bela e a fera (1979). A mulher que matou os peixes (1968).Fernando Sabino Fernando Tavares Sabino nasceu a 12 de outubro de 1923. eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve? Que é que diz? E como dizer? E como é que se começa? E que é que se faz com o papel em branco nos defrontando tranqüilo? Sei que a resposta. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras. Romances: O Lustre (1946). A Maçã no Escuro (1961). eu simplesmente não sei como se escreve. por haver dado com a cabeça em um poste ao caminhar de livro aberto diante dos olhos. por mais que intrigue.Saiba mais . Clarice. Literatura infantil: O mistério do coelho pensante (1967). 4o Texto Sobre o ato de escrever “Quando não estou escrevendo. Contos:Alguns contos (1952). A Paixão segundo G. A via crucis do corpo (1974). Laços de família (1960). 1984. Em 1930.. Torna-se leitor compulsivo. Porque fora das horas em que escrevo. Sou a pessoa que mais se surpreende ao escrever. Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres (1969).

Constrói frases e trechos. vai fazer uma revisão (de estilo. É claro. Quem só imagina é. para ver a pontuação. para você guardar e utilizar! Quando está criando um texto. há muito fazer e refazer. Depois de alguma experiência em seu redigir. aconselhavam aos alunos “escrever pouco para errar pouco”. se você errar. imaginoso.). 10 . Há momentos de euforia. revisar e reescrever. Não deve interromper com pormenores. E é na leitura que sua criação se completa. escrever e reescrever. Depois faça uma revisão gramatical. etc. você fica muito concentrado. de conteúdo. em que nos sentimos geniais. gramatical. Mesmo assim. Persistir é enfrentar encantos e desencantos do processo. observando um rascunho de texto de Guimarães Rosa (veja na aula on-line). aprenda com seus erros. com calma. Veja só. Constate. não é esse o caminho. Mas. do texto em sua estrutura. procurando captar seu pensamento. Primeiro registre seu pensamento. Dicas sobre revisão textual Dicas de hoje. nunca erraremos. levarmos esse conselho às últimas conseqüências. no máximo. vai vê-lo outra vez. vai reler seu texto. até sem sentido. Antigamente. Escreve as palavras como elas surgem em sua cabeça.Dicas sobre revisão gramatical Dicas de hoje. ler. O primeiro aspecto que deve levá-lo a refazer o seu texto é a persistência do criador: criador é quem cria e não quem só imagina. após esse registro do fluxo do pensamento. mesmo erradas ou inadequadas. uma dos maiores e mais criativos escritores da literatura brasileira. Você também não deve interromper a fluência do seu processo de criação para lembrar se uma palavra tem acento gráfico. Ele percorre vários procedimentos até chegar ao leitor. sabe que. O caminho para aprender a escrever é escrever muito e sempre. para substituir palavras ou frases. para você guardar e utilizar! É uma ilusão pensar que um texto nasce pronto. antes da leitura. concluiremos que não escrevendo nada. às vezes.

Parece que a mão que escreve puxa e conduz a imaginação para além do que foi planejado. tentamos fugir. você deve mostrar que quer criar um texto e não se livrar dele. Outra coisa que deve levá-lo a reescrever o texto é a autocrítica raramente justa no momento da elaboração. Será mais fácil apreciá-lo. um fato que você já deve ter observado. Até ficar pronto. uma defasagem entre o que a gente imagina e o resultado final da redação já realizada. A autocrítica precisa ser exercida com certo distanciamento. você fica imaginando o próximo. Se você acaba de escrever. Se a distância entre o que se planejou e o produto for muito grande e o resultado insatisfatório. Há uma distância. Isso é bom. Será que muitas de suas redações não merecerão ser reescritas? 11 . levantamos da cadeira. Há ainda a insatisfação dinâmica de quem cria. na semana seguinte. é o próximo. Rasgamos folhas escritas. Costumamos até dizer: “não era bem isso que eu queria escrever”. é dinâmico. incapazes de criar. porque nos move a continuar criando e a melhorar o que fazemos. Há várias outras situações nas quais se reescreve a primeira redação feita. O melhor texto. dê um tempo para julgar se o texto está bom ou ruim. Finalmente. Se o texto não ficou bom. Mal termina o texto. Em textos longos e complexos. Em todas elas. isso é comum. é preciso refazê-lo em parte ou totalmente. reescreva sua redação.Alguns segundos depois. Leia-o no dia seguinte. Mas não pode ser uma insatisfação tão grande que gere desânimo. Mas é preciso persistir. poucos inteligentes. achamos o texto péssimo e nos sentimos ridículos. para quem o cria.

descobrirá a sua própria técnica. À medida que for escrevendo. falaremos sobre a leitura. Não há qualquer modelo. seu estilo. que é pessoal.Síntese da aula de hoje Você deve ter percebido que escrever é um verdadeiro desafio carregado de emoções e aventuras. até para os grandes escritores já consagrados pela crítica e pelo público.é o outro componente da relação dialética “leitura – escrita”. Desejos de Leitura . receita ou técnica pronta que possam ensinar-lhe. Mas você aprenderá a escrever. 12 . É mais um processo carregado de sedução. treinando. escrevendo. Até a próxima. Próxima aula Na próxima aula. As dificuldades existem para todos nós. exercitando.

”. cheiros. somos atravessados por diferentes linguagens e. seus movimentos.Morreu em 6 de julho de 1871. sinais. Observe como estamos mergulhados em textos no nosso dia-a-dia. Você já se percebeu lendo o mundo? Lembre-se do que já fez hoje e observe o que está fazendo agora. gostos. e.Castro Alves Antonio Castro Alves é um dos grandes poetas da Literatura Brasileira. sem perceber. lemos seus gestos. É chuva — que faz o mar. lemos o tempo todo. Os escravos ( 1883). Oh! Bendito o que semeia Livros.. (1870). Isso o faz um poeta idealista. nossa leitura independe de sermos alfabetizados ou não. principalmente. Como as aves do deserto As almas buscam beber. curiosamente. Suas obras são: Espumas Flutuantes. Nasceu a 14 de março de 1847. 13 . abolicionista e humanitário. de refletir sobre o ato de ler e também de se divertir. imbuído de uma visão utópica do mundo e dos homens. Gonzaga ou a Revolução de Minas (1876). Observe o que nos revela Castro Alves sobre leitura e livros: “Por isso na impaciência Desta sede de saber. cores. em uma fazenda no interior da Bahia. É bastante conhecido por sua poesia social.. objetos.Desejos de Leitura .. livros à mão cheia.. você será capaz de compreender o que é leitura. Saiba mais . E manda o povo pensar! O livro caindo n’alma É germe — que faz a palma. Meu nome é Dora Fontana Baseio e sou uma das autoras deste programa de Comunicação e Expressão. É a forma que temos para perceber o mundo que se põe diante nós.. Durante esta aula. é a nossa leitura de mundo. Lemos a expressão facial das pessoas.O ato de ler Olá. A Cachoeira de Paulo Afonso (1876). ressoando a voz do povo com acentos retóricos e declamatórios. de teor.. viajando em algumas passagens de nossa literatura.Aula 02 .

Este conceito de leitura de mundo está presente no capítulo 1 do livro A importância do ato de ler – em três artigos que se completam – que vale a pena ser lido na íntegra. ao procurar falar de tal importância. A importância do ato de ler Rara tem sido a vez. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler. Aceitei vir aqui para falar um pouco de importância do ato de ler. daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. ao longo de tantos anos de prática pedagógica. as janelas. a dignidade da pessoa humana. por isso política. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio. menos formal possível. A leitura do mundo precede a leitura da palavra. Leia. Aceitei fazê-lo agora. da maneira. os ícones. de inaugurar ou de encerrar encontros ou congressos.Neste momento. célebre educador brasileiro. um pequeno trecho da palestra de Paulo Freire: A importância do ato de ler. processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler. na década de 1960.Leitura de mundo Leitura de mundo é um conceito criado por Paulo Freire. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. 14 . os objetos que estão próximos a você. os sons. Seu eixo é aprendizagem da leitura e da alfabetização. que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita. Dois outros livros de Paulo Freire são bastante conhecidos: A Educação como prática de liberdade e Pedagogia do oprimido. você está não só lendo a palavra escrita. mas o seu entorno. eu me senti levado – e até gostosamente – a “reler” momentos fundamentais de minha prática. Saiba mais . o tamanho das letras. mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje. Me parece indispensável. o cheiro do ambiente em que está. agora. o colorido da página. retirada do livro A importância do ato de ler – em três artigos que se completam. atentamente. que se comprometeu politicamente com a missão de educar e resgatar a humanidade do oprimido. porém. em que tenho permitido a tarefa de abrir. para a qual elaborou um Método (Método Paulo Freire de Alfabetização de Adultos).

nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais. do pequeno mundo em que se movia. Primeiro. as “palavras”. a “leitura” do mundo. FREIRE. aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva. sua compreensão da frase de Paulo Freire: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra. tal a intimidade entre nós – à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos e aventuras maiores. desde as experiências mais remotas de minha infância.” 15 . seus quartos. Atividade em aula Registre no caderno. daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. falei. seu terraço – o sítio das avencas de minha mãe -. re-crio. Neste esforço a que me vou entregando. me é absolutamente significativa. no Recife. cuja compreensão eu ia aprendendo no meu trato com eles. São Paulo: Cortez. Me vejo então na casa mediana em que nasci. algumas delas como se fossem gente. tudo isso foi meu primeiro mundo. de objetos. Nele engatinhei. foi a leitura da “palavra mundo”. a leitura da minha escolarização. 2003. Paulo. A retomada da infância distante. de sinais. mais aumentava a capacidade de perceber – se encarnavam numa série de coisas. seu corredor. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. 1a. andei. buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me ouvia -. no texto que escrevo. a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. de minha mocidade. Os “textos”. as “letras” daquele contexto – em cuja percepção me experimentava e. de minha adolescência. balbuciei. me pus de pé. re-vivo. quanto mais o fazia. A velha casa. seu sótão.guardados na memória. Ao ir escrevendo este texto. por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Na verdade. rodeada de árvores. ou digite no computador. ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. o quintal amplo em que se achava. depois. em que a compreensão critica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.

Publicou várias obras. (1934). onde escreveu Memórias do Cárcere.Compreendemos que a leitura da palavra é algo que se acrescenta à leitura do mundo. Angústia (1936). Acusado de práticas subversivas. com mais clareza. compondo todo o espetáculo doloroso da realidade brasileira de ontem. entre elas: São Bernardo. próprio da segunda fase do Modernismo. Trata da peregrinação de uma família de retirantes pelos confins do sertão nordestino. Foi Diretor da Imprensa Oficial do Estado em Maceió. agravada pela escassez da leitura e dos mecanismos de comunicação. Para compreender. no Alagoas. arte. foi para a prisão. Alfabetizados são aqueles que fazem uso da linguagem escrita em situações simples. Em estilo conciso. Infância (1945). Reúnem-se. Ser alfabetizado é diferente de ser letrado. o senso comum). um bilhete. nesta célebre obra neo-realista. uma obra de linguagem sobre a não-linguagem. de Graciliano Ramos. o mito. de hoje e de sempre. por isso possuem acesso interditado a determinados modos de funcionamento da linguagem. se nada for feito para transformá-la. Saiba mais . isto é. transformar e fruir a realidade mais amplamente. Saiba mais . já que a apropriação desses conhecimentos alarga o entendimento da realidade. são capazes de exercer a plena cidadania.Graciliano Ramos Graciliano Ramos nasceu em Quebrângulo. pode comprometer os atos de cidadania. compreendendo a forma como a linguagem se organiza. livro publicado em 1938 é uma grande obra inserida no Ciclo Regionalista Nordestino. 27 de outubro de 1892. 16 . possibilitando participar. à aquisição do código lingüístico. homem e natureza. É curioso observar como a falta de consciência da linguagem. em 1956. fazem uso reduzido da escrita. vale a pena ler o livro Vidas Secas. Refere-se ao processo de alfabetização. tais como ler e escrever o próprio nome. em 1930. capaz de despertar paixões e discussões inumeráveis. Assim.Vidas Secas Vidas Secas. a filosofia. em 1936. Letrados são aqueles capazes de apreender os variados modos de ler e conhecer o mundo (a ciência. Vidas Secas é um livro sábio. Alexandre e outros heróis (1962). o romance traduz o sofrimento humano diante de uma natureza seca e implacável. cotidianas. a importância da leitura para realização da plena cidadania. em tarefas de ordem prática. tanto áspera quanto as próprias relações humanas que ali se estabelecem e se fortificam devido a pouca consciência das personagens no que diz respeito ao seu papel como cidadãs.

Fabiano sombrio.” 17 . devagar.”E agora.)As palavras de sinha Vitória encantavam-no. Eles dois velhinhos. Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada. criado solto no mato.(. brutos. inúteis. ainda confusa. Arrastaram-se para lê. Repetia docilmente as palavras de sinhá Vitória. metidos naquele sonho. O sertão mandaria para a cidade homens fortes. Mudar-se-iam depois para uma cidade.. sinhá Vitória e os dois meninos. A folhagem dos juazeiros apareceu longe. Cultivariam um pedaço de terra. através dos galos pelados da catinga rala.com/gracilianoramos/bio. aprendendo coisas difíceis e necessárias. Uma cidade grande. acabando-se como uns cachorros. Fuga “Pouco a pouco uma vida nova. acabando-se como Baleia. o aió a tiracolo. seriam diferentes deles. E andavam para o sul.. Os meninos em escolas. ficariam presos nela. Fabiano estava contente e acreditava nessa terra. a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão. se foi esboçando. como Fabiano. alcançariam uma terra desconhecida. evidentemente.Leia: Aqui. e os meninos freqüentariam escolas. Fazia horas que procuravam uma sombra. Acomodar-seiam num sítio pequeno. o que parecia difícil a Fabiano.geocities. Que iriam fazer? Retardaram-se temerosos. refletir sobre a sua. esta outra. cheia de pessoas fortes. porque não sabia como ela era e nem onde era. sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça. estavam cansados e famintos. a viagem progredira bem três léguas. a espingarda de pederneira no ombro. do livro Vidas Secas (visite o site: http:// www. O menino mais velho e a cachorra Baleia atrás.htm) só para você sentir um pouco da vida do outro e. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. Ordinariamente andavam pouco. Aproveite! Mudança “Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. registramos apenas um trecho do primeiro capítulo (Mudança) e um trecho do último capítulo (Fuga). Iriam para adiante. mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro.cambaio. as palavras que sinhá Vitória murmurava porque tinha confiança nele.

“SALVADOR ROSA”. São Paulo. “GUARANY” e no centro da metade inferior “Carlos Gomes nascido 17 julho de 1836 e fallecido 16 setembro de 1896”. compare o texto literário de Graciliano. de Gilberto Freyre. expressam a força da terra.2a. “CONDOR”.RJ (Brodósqui.br/portinari. 1944 Painel a óleo/tela 190 x 180cm Petrópolis. Retrato de Carlos Gomes . RJ Assinada e datada no canto inferior direito “PORTINARI 944” Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. datado de 1914 1914 Desenho a carvão/papel 43 x 42cm Brodowski. (1944). que você acabou de ler com a tela Os Retirantes. Série Retirantes Os retirantes nordestinos. Rio de Janeiro. Viaje no site : www.Rio de Janeiro. na metade inferior esquerda “TOSCA”. de Portinari. SP 1903 . reproduzido à página 19. os trabalhadores rurais de membros deformados.culturabrasil.SP Aprecie outras obras famosas de Cãndido Portinari: Retrato de Euclides da Cunha [1944] Desenho a nanquim bico-de-pena e nanquim pincel/papel16 x 13cm Rio de Janeiro. Atividade em aula Agora.SP Observação: Original para ilustração. 1962) . Coleção particular. Sem data Coleção particular. os tons de marrom e os de roxo dos campos cultivados.primeiro desenho de Portinari. São Paulo. “MARIA TUDOR”. do livro “Perfil de Euclydes e Outros Perfis”. Retirantes. RJ Assinada na metade inferior direita “Portinari”. SP Assinada e datada na metade inferior direita “Candido Portinari 1914” Inscrições na metade superior direita “LO SCHIAVO”.pro. RJ. “COLOMBO”.htm 18 .

pois passamos a viver a experiência do outro. e. É fato que nossa sensação primeira é de estarmos nos desprendendo e nos afastando da vida cotidiana. tanto o livro Vidas Secas quanto o quadro Os Retirantes. Você sente isso também? Ao lermos. a ser quem não somos. revitaliza-nos a sensibilidade. só podemos expor o que somos. pela dignidade da vida humana. e de repente compartilhamos da árdua peregrinação daqueles que nada possuem. Viaje um pouco com Alberto Caeiro. nós nos enveredamos para o sertão nordestino. o conhecimento que nos é oferecido pela arte literária e pela arte pictórica apresenta-nos a realidade sob aspectos originais. passamos. Nossa vida mistura-se com a vida de Fabiano.2a. ler é transformar. Se quiser mais.br/jpoesia/fp207. a lutar. o nosso lado miserável. O próprio Graciliano afirma: “As nossas personagens são pedaços de nós mesmos. É como se uma consciência imaginante nos libertasse e nos recriasse em um outro mundo: o mundo do outro. passamos a conhecer o obscuro de nós mesmos. de sinha Vitória.” Percebemos. Logo. de Baleia. Enfim.secrel. dos dois meninos. muitas vezes. do mundo de nosso fazer prático. no plano da realidade. com isso. que a vivência inusitada proporcionada pelas artes oferece-nos a possibilidade de transformação. entre no site: http://www.html 19 . Atividade em aula Escreva: O que acontece quando lemos um livro de literatura ou quando lemos um quadro? Quantas são as impressões e sensações que nos despertam? Registre seus comentários relativos à comparação dos dois textos e das duas linguagens.com. ou até mesmo. por vivenciarmos essa realidade recriada no plano da imaginação.

Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama. e amo-a por isso.inspirado em Fernando Pessoa.. Porque o vejo... Viaje no Site http://www.O Meu Olhar (Alberto Caeiro) O meu olhar é nítido como um girassol. O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.. agora.. a música de Caetano Veloso. Eu não tenho filosofia: tenho sentidos..com. Trata-se de um dos mais belos poemas da canção popular brasileira – um fado brasileiro .br/musicos/caetano.. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda. Amar é a eterna inocência.. Os Argonautas. para uma época de repressão com tendência à abertura política.. Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se. Reparasse que nascera deveras.. Ouça.mpbnet..veloso/ 20 . Mas não penso nele Porque pensar é não compreender . E a única inocência não pensar. Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo. Creio no mundo como num malmequer. Mas porque a amo. ao nascer... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto.. E eu sei dar por isso muito bem. nem o que é amar .. E de vez em quando olhando para trás..

meu coração o porto.Saiba mais . Revolucionário em sua poesia.. viver não é preciso Navegar é preciso. poetizando sons de timbres desconexos. o porto. silêncio Navegar é preciso. viver não é preciso Navegar é preciso. veículo de novas idéias e novas estéticas. Saiba mais . assinando as suas obras de acordo com a personalidade de cada um. o barulho Do meu dente em tua veia O sangue. retirando sons. um jeito. Álvaro de Campos. perdido Horizonte madrugada o riso. Leia a letra da música. Bernardo Soares. viver não é preciso O barco o automóvel brilhante o trilho solto.. 21 . barulho lento o porto. a dor. não Navegar é preciso. em 07 de agosto de 1942. é um célebre inventor da arte musical brasileira. Caetano renova a linguagem artística. mostrando-nos a importância não somente de estarmos vivos como também de lutarmos. noite no teu tão bonito Sorriso solto. alegria Meu coração não contenta o dia.Caetano Veloso O barco. o marco. gestos e palavras do mais árido território. O poeta modernista faleceu prematuramente em 1935. Criou vários heterônimos (Alberto Caeiro. Os Argonautas . viver não é preciso O barco. etc. nada Navegar é preciso. afirmando sua capacidade de mostrar as possibilidades da música de provocar a fruição estética. o compositor nos presenteia com fraseados sonoros que mobilizam nossa alma. o arco da madrugada. uma paisagem ou pessoa na mais variada e sutil percepção da existência. meu coração não agüenta tanta tormenta. Ricardo Reis. BA. viver não é preciso.Fernando Pessoa Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935 ) é considerado um dos maiores poetas portugueses.Caetano Veloso Nascido em Santo Amaro da Purificação. capaz de traduzir o concreto. Nasceu em Lisboa. o charco.). deixando grande parte da sua obra ainda inédita. esforçou-se por renovar a Literatura Portuguesa com criação da revista Orpheu.

da história. Saiba mais . 93). Perspectiva. Fernando Pessoa. conhece novos sistemas de referência do mundo. ouve e reconhece antigos textos. percebe-se como sujeito capaz de transformar a realidade. tais como o hipertexto e a Internet. 22 . da sociedade. encerrada nela mesma. de um modo geral mais polissêmicos e polifônicos do que os textos de outras áreas de conhecimento. Polifônicos. atribui novos sentidos. Poeta é alguém que apresenta uma versão mais criativa das potencialidades literárias da língua e da cultura. A música. assim como a literatura e a pintura. Essa concepção de intertextualidade já estava presente dentro da visão tradicional de literatura. D’Aléssio.Intertextualidade A noção de intertextualidade foi introduzida na Teoria Literária por Julia Kristeva. A música de Caetano que você ouviu e leu põe em diálogo muitas vozes: a do próprio compositor. por influência da noção de dialogicidade que M. Um leitor competente busca nas entrelinhas. Bakhtin havia desenvolvido no seu livro Estética da Palavra. participando dela de forma mais crítica. porque a voz do autor carrega vozes de outros autores. ed.3a. 2. entre um texto e outro texto. e 2) portanto opõe-se também ao culto do poeta-gênio. p. Atividade em aula O que você imaginou quando leu/ouviu a letra/música? Registre suas impressões. “intertexto é o diálogo que se produz entre o dentro e o fora. São Paulo. seus sentimentos. a do poeta modernista português. L. lembranças. de acordo com o repertório-vida do leitor. são textos. porque são abertos a muitas leituras. Polissêmicos. o interno e o externo. entre um segundo e um primeiro. a dos antigos navegadores. entre o presente e passado” (FERRARA. 1986. A estratégia dos signos. Para Lucrécia Ferrara. realizando o que conhecemos como intertextualidade. mas é na pós-modernidade que ganha impulso principalmente com os novos fenômenos textuais “multimidiáticos”. em 1966. O importante na concepção da literatura como intertextualidade é o questionamento das visões tradicionais de obra e de autor: 1) critica-se a visão de obra literária como uma obra que seria absolutamente original.

Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista. Que tais não encontro eu cá. Nossa vida mais amores. Minha terra tem palmeiras. As aves. cubistas. à noite. Nosso céu tem mais estrelas. à noite– Mais prazer eu encontro lá. sozinho. Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. Nossas várzeas têm mais flores.Outros exemplos de intertextualidade Canção do exílio Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. Em cismar –sozinho. Não permita Deus que eu morra. Mais prazer eu encontro lá. Sem qu’inda aviste as palmeiras. Nossos bosques têm mais vida. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. Onde canta o Sabiá. Não gorjeiam como lá. os sargentos do exército são monistas. Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade! Ver “Canção do exílio” de Gonçalves Dias De Poemas (1925-1931) Canção do exílio Minha terra tem palmeiras. Onde canta o Sabiá. os filósofos são polacos vendendo a prestações. Minha terra tem palmeiras. Sem que eu volte para lá. A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Eu morro sufocado em terra estrangeira. que aqui gorjeiam. De Primeiros cantos (1847) 23 . Em cismar. Minha terra tem primores. Sem que disfrute os primores Que não encontro por cá. Onde canta o Sabiá.

despertar o Desejo de Leitura. Vale a pena a leitura.ig. na tentativa de concordar. pois hábito é algo que se faz mecanicamente.br/paginas/novoigler/download. Clique em estudos e depois ensaios.br/index. tais como idéias. criticar ou aprovar as idéias enunciadas no texto.php . Sabe por quê? Não se deve desenvolver hábito de leitura. você. com as outras vozes ali presentes . Alguém já lhe falou que é necessário desenvolver o hábito da leitura? Essa idéia é muito comum e um tanto perigosa. estudo etc. ou melhor.iel.html 24 .www. Ler não é hábito. sim. ter conhecimentos prévios – e isso só se adquire com textos-vida e com textos-lidos. Ler com competência pressupõe.unicamp.http://www.). então. visão de mundo e linguagem sobre o assunto. Ler é Desejo Saiba mais .ufrj.http://cultvox.ominis.br . Saiba mais Visite o site: www.locaweb.bibvir. acionou conhecimentos prévios.www.br/ login.asp?Pagina=%2Fgratis%5Ffilosofia%5Fpolitica%2Easp . Deve-se. Procure Márcia Abreu em Diferentes formas de Ler. você se lembrou de fatos.html . conhecer a língua e ter objetivo (informação.virtualbooks.br/~coelho/livros.br/memoria.usp.com. discordar.if. desenvolver.e com suas próprias vozes internas. diversão.futuro.Ao ler a composição musical.se elas fazem parte de seu repertório cultural . dialogou com a voz de Caetano.com. evidentemente.terra. hipóteses.com.www.

também. diferenças entre língua oral e língua escrita. Próxima aula Enfim. a diferença entre ser alfabetizado e ser letrado bem como a importância da leitura de diferentes textos e linguagens para ampliar sua visão de mundo. Você também desenvolveu várias habilidades. comparar. Você acha fácil se comunicar? Até a próxima. alguns conceitos.. linguagem verbal e não verbal. 25 . leitura de mundo. intertextualidade. comentar diferentes tipos de textos. compreender. nesta aula. como o de leitura.Síntese da aula de hoje Você aprendeu. trataremos de comunicação e linguagem. o que lhe permitiu refletir sobre a leitura e valorizá-la como instrumento para construção da própria cidadania. como ler. chegamos no final desta travessia. Na próxima aula. interpretar. Aprendeu..

para que a manhã. toldo de um tecido tão aéreo que. entre todos os galos. (João Cabral de Melo Neto) Saiba mais -João Cabral de Melo Neto João Cabral de Melo Neto – é conhecido como poeta – engenheiro. Participa da terceira fase do Modernismo.Aula 03 . pelos diferentes textos. do livro. do cinema. Será muito divertida nossa trajetória. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro. desde uma teia tênue. se vá tecendo. tramados pelas diversas linguagens: sonora. Só para você despertar para o contexto. ou seja. ele precisará sempre de outros galos. no toldo (a manhã) que plana livre de armação.Comunicação e Linguagem Durante esta aula. A manhã. em que o trabalho de transpiração sobre a linguagem poética é bastante intenso. de um outro galo que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro. ou poetaarquiteto. Sua obra mais famosa é Morte e Vida Severina. desta vez. da música. Leia atentamente o poema. e erguendo em tenda. entre todos. Tecendo a manhã Um galo sozinho não tece uma manhã. tecido. 26 . se eleva por si: luz balão. E se encorpando em tela. você será capaz de compreender o conceito de comunicação como necessidade humana e refletirá sobre seu uso na sociedade contemporânea. entre outras. escrita. onde entrem todos. se entretendendo para todos. e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo. Nasceu em Recife a 9 de janeiro de 1920. visual. imagine que o dia está amanhecendo.

1956 (tiragem especial em papel Westerprin).br .terra. Madri: Edição do autor.Dois parlamentos.Morte e vida severina. . 1947. 1965. . 27 . 1942 (tiragem especial em papel Drexler).Primeiros poemas. 1986. Rio de Janeiro: Editora José Olympio. 1984 (com Fotografias de Maureen Bisilliat). 2a.Duas águas. edição. 1961. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. . edição. Rio de Janeiro: Editora José Olympio.Museu de tudo e depois (Poesia Completa II). 1985 (tiragem especial em papel vergê).Museu de tudo. . 1950. . Rio de Janeiro: Amigos da Poesia. 1965.Crime na Calle Relator.Poesias completas.Os três mal-amados.O cão sem plumas. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 1986. Rio de Janeiro: Editora José Olympio.Pedra do sono. Recife: Edição do autor. 4a. Rio de Janeiro: Revista do Brasil.Terceira feira. Rio de Janeiro: Editora José Olympio. Rio de Janeiro: Editora Sabiá.Agrestes. . 1990.Poesia completa. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda. .Poemas escolhidos. 1960. Lisboa: Portugália Editora.Poemas reunidos. 1960.O rio ou Relação da viagem que faz o Capibaribe de sua nascente à cidade do Recife. . Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro: Edição de Orfeu. Rio de Janeiro: Editora José Olympio. 1990. 1954. 1980.Navegue e descubra mais coisas . edição foi feita uma tiragem de 100 exemplares em papel vergê). 1984. . 1991.com.Antologias Antologias . Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 1975.O engenheiro. 1968.Quaderna. São Paulo: Teatro da Universidade Católica. 8a.Sevilha andando. Rio de Janeiro: Editora do Autor. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira 1984 (da 2a.A educação pela pedra. Seleção de Alexandre O’Neil. Rio de Janeiro: Editora do Autor. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro: Editora do Autor. 2a.Psicologia da composição com a fábula de Anfion e Antiode. Lisboa: Guimarães Editores. Barcelona: O livro inconsútil. edição.link: www. 1966. Rio de Janeiro: Edição da Faculdade de Letras da UFRJ. 1954. . 1963. . 1988. .virtualbooks. . . . . São Paulo: Edição da Comissão do IV Centenário de São Paulo. . . .Antologia poética. . 1987.Auto do frade. . Rio de Janeiro: Editora José Olympio. Barcelona: 0 livro inconsútil. 1943. . .A escola das facas. 1945.

com seu cantar. As figuras de linguagem nascem da necessidade expressiva e de nossa incapacidade de lidarmos com o abstrato fora do contato com a realidade concreta.wikipedia. Saiba mais .Metáfora Metáfora – figura de linguagem que se caracteriza por ser uma comparação implícita. obra Chafariz em www. na estrutura rítmica do texto. que o galo constitui uma metáfora do homem. para transformar-se. para se reconhecer como humano. sempre precisa do outro. observa-se o movimento do tear. o intelecto e a paixão. A linguagem figurada é a linguagem conotativa. para modificar o que não está coerente no mundo.os homens necessitam uns dos outros para tecerem o amanhã.Sabemos. para a aprender a ser gente. como um galo. leitor. pois. Assim. Pode ocorrer a linguagem figurada tanto na linguagem comum quanto na linguagem literária. Pesquise Marcel Duchamp. Você percebe. As palavras assumem um sentido figurado quando a intenção é expressar sentimentos e idéias em forma de imagens concretas. O conceito de metáfora pode também ser percebido e entendido por meio da obra de arte.com Divirta-se Veja o filme O carteiro e o Poeta. 28 .com Busque também os verbetes poesia e Duchamp na enciclopédia virtual www. Tecer é uma palavra-chave para interpretar este poema. subjetiva. Ele é ser gregário. acorda o outro galo no despertar da manhã. aquela que tem como causa a imaginação. as conjunções comparativas. no poema de João Cabral de Melo Neto.artchive. abstratas ou afetivas. que o homem não vive sozinho. portanto dispensa o uso de elementos de ligação.

descobriram-se. em 1920. procurando fugir e uivando como lobos. Kamala viveu durante oito anos na instituição que a acolheu. Atitudes afetivas foram aparecendo aos poucos. Atividade em aula Agora. de oito anos de idade. leia a história das meninas-lobo: “Na Índia. Para refletir sobre essa idéia. lançando a cabeça para frente e lambendo os líquidos. em latim. desejos. Ela necessitou de seis anos para aprender a andar e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário de 50 palavras. vivendo no meio de uma família de lobos. dirigido por Zemeckis. eram ativas e ruidosas durante a noite. necessitamos compartilhar pensamentos. comunicação provém do verbo communicare.1a. passavam o dia acabrunhadas e prostradas numa sombra. Etimologicamente. sentimentos. Nunca choraram ou riram. Na instituição onde foram recolhidas. Ela chorou pela primeira vez por ocasião da morte de Amala e se apegou lentamente às pessoas que cuidaram dela e às outras crianças com as quais conviveu. A primeira tinha um ano e meio e veio a morrer um ano mais tarde. 29 . Eram incapazes de permanecer de pé. Pesquise em www. assista a um trecho do filme Náufrago.wikpedia. apoiando-se sobre os joelhos e cotovelos para os pequenos trajetos e sobre as mãos e os pés para os trajetos longos e rápidos. Kamala. Elas caminhavam de quatro patas. duas crianças. humanizando-se lentamente. que se traduz como pôr em comum. não tinham nada de humano e seu comportamento era exatamente semelhante àquele de seus irmãos lobos. Só se alimentavam de carne crua ou podre.com o quadro Guernica de Picasso e em www. onde os casos de meninos-lobo foram relativamente numerosos. pense e escreva: o que o texto de João Cabral tem a ver com a idéia de comunicação e linguagem? Para auxiliar sua reflexão.com o verbete sobre o autor. comiam e bebiam como os animais. regras sociais. Para nos humanizarmos. entre outros. Amala e Kamala.artchive. viveu até 1929. idéias.

.Tarzan Ficha técnica Título Original: Tarzan Gênero: Animação Tempo de Duração: 88 minutos Ano de Lançamento (EUA): 1999 Site Oficial: http://disney. (REYMOND. aprendendo a executar ordens simples. B. inicialmente. B. A linguagem somente pode ser adquirida sob condições sócio-culturais específicas ou ela é inata a todos nós com “prova” Tarzan? REYMOND. Rio.12-14. Bob Tzudiker e Noni White. baseado em livro de Edgar Rice Burroughs Produção: Bonnie Arnold Música: Mark Mancina Direção de Arte: Dan St. Rio de Janeiro: J.com/DisneyPictures/tarzan/index. C. Bruxelas: Dessart. Guerra do Fogo. Nell. e depois por palavras de um vocabulário rudimentar. 1965.Divirta-se: sugestões de filmes Há outros filmes que mostram essa idéia da necessidade humana de se comunicar para que ocorra o processo de humanização: O enigma de Kasper Hauser.25-26. apud CAPALBO. Distribuição: Walt Disney Pictures / Buena Vista Pictures Direção: Chris Buck e Kevin Lima Roteiro: Tab Murphy. p. p. Ozon.Guerra de Fogo Para pensar . Fenomenologia e Ciências Humanas. 30 .go.O enigma de Kasper Hauser .A sua inteligência permitiu-lhe comunicar-se com outros por gestos. apud CAPALBO. Le développement social de l’enfant et de l’adolescent.html Estúdio: Walt Disney Pictures / Edgar Rice Burroughs Inc.) Saiba mais . Que tal se divertir um pouco nos finais de semana?! . Fenomenologia e ciências humanas. C. Pierre Edição: Gregory Perler O que é mais factível: a história real das crianças indianas ou a ficção de Tarzan?.

eu não sabia que o homem criava e também destruía Homem primata Capitalismo Selvagem Ôô ô Eu aprendi a vida é um jogo cada um por si e Deus contra todos você vai morrer. a banda encontra o seu estilo mais primitivo. será que podemos chamar de progresso a esse processo que vem nos assolando. e não vai pro céu é bom aprender. mantêm-se atuais e atuantes. Homem primata Desde os primórdios Até hoje em dia O homem ainda faz o que o macaco fazia eu não trabalhava. dos meios de comunicação atuais? Ouça a música dos Titãs e pense sobre isso. irônicas e de um protesto implícito contra as convenções da sociedade. associando guitarras distorcidas. eu me perdi “I’m a cave man a young man I fight with my hands (with my hands) I am a jungle man. a vida é cruel Homem primata Capitalismo Selvagem Ôô ô Eu me perdi na selva de pedra Eu me perdi. em Cabeça Dinossauro.Os Titãs fizeram parte da geração 80 do rock nacional e ao contrário da grande maioria dos seus contemporâneos. do outro e do mundo.Titãs Titãs . para favorecer o processo de conhecimento de si. para livrá-los da solidão involuntária. 31 . Entretanto. sobretudo com o que tem sido feito das novas descobertas tecnológicas. a monkey man Concrete jungle! Concrete jungle!! Saiba mais .A comunicação nasce para enredar os homens. Com letras pouco comuns. beats tribais e eletrônicos além das letras que entrariam para a história da música nacional.

Portanto. Provavelmente. vocal • Charles Gavin – Bateria Também fizeram parte dos Titãs: • Arnaldo Antunes . uma vontade humana de criar uma comunidade mundial. no álbum Titãs Discografia: • Titãs (1984) • Televisão (1985) • Cabeça Dinossauro (1986) • Jesus não tem dentes no país dos banguelas (1987) • Go Back (1988) • Õ Blésq Blom (1989) • Tudo ao mesmo tempo agora (1992) • Titanomaquia (1993) • Titãs 84-94 (1994) • Domingo (1995) É fato que tanto a ciência quanto a tecnologia surgiram para servir o homem. desde o àlbum Titãs até Tudo ao mesmo tempo agora.Baixo. Segue carreira solo. a época da tirania da informação e da tirania do dinheiro. no fundo das descobertas realizadas na área das novas tecnologias. Leia um trecho do livro de Milton Santos sobre a globalização.Vocal. Todavia.Guitarra • Nando Reis . Há.Vocal • Sérgio Britto . sax • Branco Mello .Guitarra • Toni Belloto . • André Jung . Segundo o autor. vivenciamos uma globalização perversa : o globaritarismo. capaz de trazer o diálogo. parece que estamos passando ao largo dessa vontade humana. no fundo de cada invenção humana. um desejo.Bateria.Vocal. 32 .Vocal.Formação atual: • Paulo Miklos . teclados • Marcelo Fromer . presenciamos. hoje. capaz de proporcionar ao homem o seu entendimento com os outros homens.

A cultura pode ser aqui entendida como o modo pelo qual os indivíduos ou comunidades respondem às suas necessidades e desejos simbólicos. em 1926. negando a generosidade.espacoacademico.Milton Santos Milton Santos – Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúbas.Sobre pontos positivos da globalização: http://www. 2001: 61) Veja este link www. arte. sua obra é uma referência para todos os que pretendem compreender de maneira crítica o mundo atual. ou seja. enfim. (SANTOS. Neto de escravos por parte de pai. 33 . de geração a geração.espacoacademico. Saiba mais . códigos. mas também. já havia concluído o equivalente ao curso primário. e a glorificação da avareza.br/037/37pra. Desse modo. Um pensador otimista. é a mãe de todas as outras violências. religião. com os nomes de tática e estratégia. Os pais. a cultura.Cultura Cultura é conceito de múltiplas definições. por meio da linguagem. Saiba mais . ferramentas. ciência. não poupou ninguém de suas severas críticas. crenças. na qual a distribuição do poder é tributária da realização dos fins últimos do próprio sistema globalitário.com. professores primários. a dissimulação e o cinismo. a comunicação é responsável pela cultura. com o nome de segredo da marca. foi incentivado a estudar sempre e muito. toda as esferas da atividade humana.Os papéis dominantes. em sentido amplo. costumes. pensamentos. o caminho fica aberto ao abandono das solidariedades e ao fim da ética. Assim.htm Compreendemos que a comunicação. Estas são as razões pela quais a vida normal de todos os dias está sujeita a uma violência estrutural que. Milton Santos escreveu mais de quarenta livros em diversas línguas. é responsável pela transmissão das idéias. negando a sinceridade. conceitos que ele diferenciava radicalmente. Um geógrafo sério e combativo. É uma situação na qual se produz a glorificação da esperteza.br. da política. que conseguiu distinguir o novo da novidade. o ideal de democracia plena é substituído pela construção de uma democracia de mercado. alfabetizaram-no em casa. antes de mais nada. são a mentira. no interior da Bahia. instituições. valores. engloba a língua que falamos. Para o triunfo das novas virtudes pragmáticas. aliás.com. Saiba mais . Aos 8 anos. legitimados pela ideologia e pela prática da competitividade. o engodo. com o nome de marketing.

de uma maneira bastante lúdica. um verbal e outro não verbal . Para aprofundar sua reflexão. se chover. aproximadamente às 17 horas. essa terrível dificuldade humana de se comunicar.por favor. são realizadas de acordo com regras.Todas as atividades básicas. Se estiver chovendo não poderemos ver o raro espetáculo a olho nu. Trata-se de um evento que ocorre somente a cada 78 anos. leia. sendo assim todos deverão se dirigir ao refeitório onde será exibido um filme documentário sobre o Cometa Halley”. usos e costumes de cada cultura particular. o que acontece a cada 78 anos a olho nu”. o tipo de roupa que vestimos. os usos referentes à alimentação (o que se come. tudo isso é convencionado pela cultura à qual pertencemos. as palavras de nosso vocabulário. confere coesão para as pessoas. o preparo dos alimentos. o Cometa Halley estará nesta área.onde o raro fenômeno terá lugar. Assim. A cultura torna a vida segura e contínua. na sexta-feira às 17 horas. todos usando capacete de segurança. Atividade em aula Você já reparou como é difícil estabelecer a comunicação até nas mais simples situações da vida cotidiana? Você já vivenciou problemas de comunicação? (Escreva sua opinião. Registre alguma experiência sua que constate essa idéia). reúna os funcionários. o Cometa Halley vai aparecer sobre a fábrica. Os rituais de namoro e casamento. quando explicarei o fenômeno a eles. de comportamentos de outras culturas. agora. 2a.por favor. como reprodução e alimentação. vestimenta. Pesquise exemplos de hábitos de culinária. De: Gerente Para: Supervisor Por ordem do Diretor Presidente. Cometa Halley De: Diretor Presidente Para: Gerente Na próxima sexta-feira. reúnam os funcionários no pátio da fábrica. 34 . como se come).que mostram. dois textos. todos de capacete de segurança e os encaminhe ao refeitório.

porque a banda é muito louca e o rock vai rolar solto no pátio. é o objeto da comunicação. Todo mundo deve estar nu e de capacete. para filmar o Halley nu. usando capacete. O Diretor levará a demonstração para o pátio da fábrica”. pois o manda chuva (Diretor). mesmo com chuva”. De: Chefe de Segurança Para: Mestre Na sexta-feira. Aviso para todos Na sexta-feira. vai aparecer no refeitório da fábrica. às 17 horas. pois vai ser apresentado um show sobre a segurança na chuva. todo mundo deve estar lá e de capacete. vai aparecer nu no refeitório da fábrica. o Diretor. o conteúdo da mensagem. o cientista famoso e sua equipe.Halley. Receptor: é quem recebe a mensagem. pois será apresentado um filme sobre o problema da chuva na segurança. O que ocorre a cada 78 anos”. 35 . pago pelo manda-chuva. 78 anos. A comunicação realiza-se quando os elementos funcionam adequadamente. O show será lá. é para ir para o refeitório de capacete na mesma hora. De: Mestre Para: Funcionário Todo mundo nu. Caso comece a chover mesmo.Bill Halley e seus Cometas. Há vários elementos que envolvem a comunicação: Emissor: é quem transmite a mensagem. pela primeira vez em 78 anos. Canal: é o contato ou meio físico. O Diretor levará a banda para o pátio da fábrica”. Código: é o conjunto de signos e suas regras de combinação. deve estar com segurança no pátio da fábrica na próxima sexta-feira às 17 horas. Vai estar lá. Guitarrista famoso. sem exceção. Referente: é o assunto da comunicação. Mensagem: é tudo que o emissor transmite ao receptor. o veículo pelo qual a mensagem é levada do emissor ao receptor. e o Sr. o cientista Halley. o chefe da diretoria vai fazer 78 anos e liberou geral para a festa às 17 horas no refeitório. estarão lá para mostrar o raro filme “Dançando na Chuva”.De: Supervisor Para: Chefe de Segurança A convite de nosso querido Diretor.

expressões corporais etc. por exemplo. Saiba mais . com o título “Zoológico de gênios”. sem um sistema de símbolos. expressões faciais. Pesquisas apontam que a eficácia da comunicação é maior com a linguagem não verbal. em primeiro lugar. tanto em encontros amorosos. enquanto os chimpanzés têm 32. enfim na vida pessoal e profissional. quanto em reuniões empresariais. em geral. Apresenta a possível significação de alguns gestos e posturas que as pessoas.O corpo fala. Sabemos que não é possível comunicação sem linguagem. os princípios subterrâneos que regem e conduzem o corpo. No contexto comunicacional. é necessário reconhecer que os animais também possuem comunicação. As borboletas atraem o macho pelos odores emitidos. portanto ocorre por meio de gestos. sem um dialeto falado ou escrito. sem gestos. apresentam nas várias situações de comunicação. cores. formas. comunicam-se por meio da dança para apontar onde está o alimento e a que distância. É muito interessante aprender detalhes dessa comunicação não verbal. sons. corporais etc. sem uma língua. sem palavra. As abelhas. segundo as novas pesquisas. Analisa.O homem dispõe dos mais variados sistemas de comunicação. da palavra e pode ser falada ou escrita.Pesquise Zoológico de Gênios Pesquise a matéria que saiu na Revista Superinteressnate. 36 . de Pierre Well e Roland Tompakow O livro busca desvendar a comunicação não-verbal do corpo humano. por isso é considerado um animal comunicativo por excelência. a fêmea é atraída pelos odores do macho. Os símios possuem 15 a 20 gritos diferentes de alarme. por meio da surpreendente leitura do livro: O corpo fala. Entre os gafanhotos. nós dividimos o planeta com vários outros animais pensantes. Já a linguagem não verbal é a que se faz sem verbo. de Pierre Weil e Roland Tompakow. Saiba mais . de janeiro de 2000. Aliás. Entretanto. a linguagem verbal é aquela que se faz por meio do verbo. comando e inquietação.

a linguagem tem caráter universal. No nosso caso. mas. a língua é portuguesa. Vamos. o que a torna mais concreta. vocabulário apurado. o que a torna mais abstrata. surgiram as vogais. depois. balançar a cabeça. nos EUA. Mas não deixe de conhecer esse livro que poderá ajudá-lo tanto na vida pessoal quanto na vida profissional. colocação. é sinal obsceno. A língua é a mesma. No processo de comunicação verbal. na Grécia.A questão é que nem sempre o significado das expressões é universal. compreender um pouco da linguagem verbal? Qualquer tipo de linguagem desenvolve-se por meio de um código de comunicação. homossexualidade. Primeiro. Rússia e Turquia. O sinal de OK. No caso da linguagem verbal. agora. ganhou prestígio. A língua falada pressupõe contato direto com o falante. na maior parte dos países do Ocidente. significa que algo está ótimo. a língua tem caráter particular. sem preocupação gramatical. Turquia. Bulgária. Língua Gosto de sentir a minha língua roçar A língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódia E um profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade E quem há de negar que esta lhe é superior E quem há de negar que esta lhe é superior 37 . o código é a língua. Irã significa sim. significa dinheiro. A escrita apareceu depois em estágios avançados da civilização e. A título de diferenciação. com o tempo. significa não. no Japão. A língua escrita pressupõe contato indireto. na Turquia. mais refletida. Originalmente. moeda. Por exemplo. exige esforço de elaboração e obediência às regras gramaticais. há a linguagem oral e a linguagem escrita. só havia língua falada. mas a forma de expressá-la difere. as consoantes. clareza das construções sintáticas. O vocabulário é mais restrito e está em constante renovação. no Brasil. Há preocupação com regência. mais espontânea.

e o recôncavo 38 .. Nomes de nomes como Scarlet Moon Chevalier Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé. e o recôncavo.E deixa os portugais morrerem à míngua Minha pátria é minha língua Fala Mangueira Fala! Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer o que pode Esta língua Vamos atentar para a sintaxe paulista E o falso inglês relax dos surfistas Sejamos imperialistas Cadê? Sejamos imperialistas Vamos na velô da dicção choo de Carmem Miranda E que o Chico Buarque de Hollanda resgate E Xeque-mate.. explique-nos Luanda Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo Sejamos o lobo do lobo do homem Sejamos o lobo do lobo do homem Adoro nomes Nomes em à De coisa como rã e ímã. Maria da Fé Arrigo Barnabé Incrível É melhor fazer uma canção Está provado que só é possível filosofar em alemão Se você tem uma idéia incrível É melhor fazer uma canção Está provado que só é possível Filosofar em alemão Blitz quer dizer corisco Hollywood quer dizer Azevedo E o recôncavo.

ig.hpg.br Leia mais: Fernando Pessoa .com. Caetano renova a linguagem artística. discos. em 07 de agosto de 1942. é um célebre inventor da arte musical brasileira. vídeos à mancheia E deixa que digam. um jeito. poetizando sons de timbres desconexos. nego? Bote ligeiro Nós canto falamos como quem inveja negros Que sofrem horrores no Gueto do Harlem Livros. que pensem. mostrando-nos a importância não somente de estarmos vivos como também de que lutarmos pela vida. Revolucionário em sua poesia. afirmando sua capacidade de mostrar as possibilidades da música de provocar a fruição estética. BA.ideogramas.Meu medo! A língua é minha Pátria E eu não tenho Pátria: tenho mátria Eu quero frátria Poesia concreta e prosa caótica Ótica futura Samba-rap. uma paisagem ou pessoa na mais variada e sutil percepção da existência. gestos e palavras do mais árido território. o compositor nos presenteia com fraseados sonoros que mobilizam nossa alma.com.br/musicos/caetano.Caetano Veloso Caetano Veloso . chic-left com banana Será que ele está no Pão de Açúcar Tá craude brô. capaz de traduzir o concreto.Link http://www. retirando sons.Mensagem 39 . Viaje no site: http://www.que flem. você e tu lhe amo Qué que’u faço.veloso/ Saiba mais . Saiba mais .mpbnet.nasceu em Santo Amaro da Purificação. a dor.

sobreposta a um mosaico de variantes concretas atuais”. há as variantes determinadas por fatores geográficos. A fala. que apresenta em si os traços básicos comuns a todas as suas variedades. Alemanha. Saiba mais . como unidade. uma estrutura ideal.escola onde os chamados “novos gramáticos” estavam renovando os métodos da gramática comparada. como sistema lingüístico. Suíça.constitui ato de vontade e inteligência. Câmara Júnior (1977. 40 .p. É a invariante abstrata e virtual. que os organiza numa representação compreensiva em face do mundo exterior objetivo e do mundo subjetivo interior”.Para Saussure (1977). Concluímos. foi um dos mais engajados lingüistas de nossa história. Para o autor. a língua é um sistema de signos. Saussure dedicou sua vida ao estudo e o ensino do sânscrito (antiga língua sagrada e literária da Índia. a língua) como estrutura definida pela relação funcional entre seus elementos constituintes. foi pioneiro da lingüística e do estruturalismo no país. que os organiza numa representação compreensiva em face do mundo exterior objetivo e do mundo subjetivo interior”. gramática comparada e. profissionais etc. Saiba mais . pertencente ao grupo Indo-Europeu).159) define a linguagem como a “faculdade que tem o homem de exprimir seus estados mentais por meio de um sistema de sons vocais chamado língua.p. “a língua fica sendo. – assunto que abordaremos na próxima aula.159) define a linguagem como a “faculdade que tem o homem de exprimir seus estados mentais por meio de um sistema de sons vocais chamado língua. e também suas variantes: o português de Portugal. T importante papel nos estudos de lingüística geral e da história dessa ciência. em 1857. da África. Estudou em Leipzig. assim.Câmara Júnior Câmara Júnior (1977. nos últimos anos de sua vida. eve Instaurou no Brasil o estruturalismo. no qual se distinguem as combinações pelas quais o falante realiza o código da língua com o objetivo de exprimir seu pensamento pessoal. um conjunto de potencialidades e de virtualidades dos atos da fala. do Brasil. lingüística geral.Ferdinand Saussure Ferdinand Saussure nascido em Genebra. ou discurso. sociais. Joaquim Mattoso Câmara Jr. doutrina que marcou as ciências humanas a partir da década de 1960 e que se propunha a compreender uma totalidade (no caso. Dentro do Brasil. que existe a Língua Portuguesa. situacionais.

do que faz. é o seu momento de expressão. Escrever é uma maneira de se posicionar no mundo. do que acredita.htm 3a. você reelaborou seu conceito de comunicação e linguagem. Fundou o primeiro programa de pós-graduação em lingüística do país e criou o primeiro curso de línguas indígenas no Rio de Janeiro -onde nascera a 13 de abril de 1904. Agora.Publicou o primeiro compêndio de lingüística da língua portuguesa nos anos 1940. de assumir um compromisso consigo mesmo acerca do que pensa.uol. Como fala o mineiro? Como se expressa o paulista? Até a próxima. Escreva um texto que expresse suas idéias sobre a comunicação e linguagem ou sobre a ausência delas. dos diversos textos. Isso só foi possível por meio da leitura. Próxima aula No próximo encontro. http://www2. Síntese da aula de hoje Nesta aula. você deve refletir e escrever.br/cienciahoje/perfis/mattoso/mattoso1. ele sistematizou a língua falada no Brasil.com. 41 . que se entrecruzaram em seu pensar e lhe permitiram ressignificar seu conhecimento e agregar fios ao seu tecido cultural. das múltiplas linguagens (verbais e não verbais). Em uma época em que o português de Portugal orientava os estudos lingüísticos. do que sente. que tal mergulharmos um pouco mais na nossa cultura para percebermos as diferentes formas de nos comunicarmos? Nosso próximo assunto são as diferentes variações da Língua Portuguesa. Atividade em aula Pense no seguinte: como seria sua vida sem a linguagem? Após a leitura atenta e a interpretação dos textos anteriores.

Fernão de Oliveira Fernão de Oliveira nasceu em Aveiro.1a. 42 . A esse fato damos o nome de variações lingüísticas. parte Na aula de hoje e na próxima. 1536) Resumidamente podemos considerar a existência de três tipos gerais de variações: “A lingoagem e figura do entendimento (.. Homem superior pela sua capacidade intelectual.” Fernão de Oliveira Saiba mais . dando-lhes consciência de que pertencem a uma comunidade. crítico das mentalidades tradicionais. quando escrevemos. regressando à liberdade em 1551.) sabe falar os q etede as cousas: porq das cousas naçe as palauras e não das palauras as cousas. que todos os falantes de uma língua utilizem-na de maneira rigorosamente uniforme. o grau de escolaridade etc..Aula 04 . o grupo social. mas também como elemento básico de coesão social. Morreu cerca de 1581. Da sua notável produção literária.) que interferem na maneira individual de que o falante tem de expressar-se.. Portugal. arbitrário.) os bos falão virtudes e os maliciosos maldades (. escreveu a famosa Gramática da Linguagem Portuguesa. Foi preso pela Inquisição em 1547. A língua é dinâmica. padre ou soldado.Variações Lingüísticas . você deverá perceber que uma língua (idioma) se constitui de um sistema de representação de sinais ou signos de um povo e sua cultura. em 1507. muda. portanto. aventureiro em vários países católicos ou não. Texto (original.. pois se constitui no elo comum de milhões de indivíduos. bastante doente. transforma-se através do tempo e sofre variações por outras razões também que estudaremos. o sexo. o texto deve considerar o público-alvo. Isso significa que. Existe um grande número de fatores (como a idade. É uma convenção social. no entanto. e adequar-se à situação. Variação histórica 1o. Uma língua não funciona apenas como meio de comunicação. Isso não significa. Figura singular que corporiza um espírito abrangente de verdadeiro homem do Renascimento.

Ou sonhavam em andar de aeroplano. faziam-lhes pé-de-alferes. Carlos Drummond de. faziam o quilo.) sabem falar os que entendem as coisas: porque das coisas nascem as palavras e não das palavras as coisas. Leia atentamente a crônica a seguir: Antigamente Antigamente. apresentando modificações ao longo do tempo. Atividade em aula Vimos que a língua constitui um processo dinâmico. dando às de vila-diogo. ocorreram várias modificações. quando corriam. As alterações ocorrem tanto na grafia quanto no sentido de muitas palavras. Algumas jogavam verde para colher maduro. Encontravam alguém que lhes passava manta e azulava. Os idosos. os quais. e também tomavam cautela de não apanhar sereno. p. as moças chamavam-se ‘mademoiselles’ e eram todas mimosas e muito prendadas. se levavam tábua. Seleta em prosa e verso. Os janotas. em geral dezoito.2o.. surgem palavras novas (neologismos). e mais tarde ao cinematógrafo.) os bons falam virtudes e os maliciosos. depois da janta. saindo para tomar a fresca. Não faziam anos: completavam primaveras. ANDRADE. 1971. mas ficavam longos meses debaixo do balaio. se metiam em camisa de onze varas. denominadas variações históricas. de pouco siso. não admira que dessem com os burros n’água. antigamente. o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. maldades (. Além disso. Essas variações se devem ao fato de que as línguas se alteram com o passar do tempo. esse ou aquele embarcasse em canoa furada. nesses entrementes. era para tirar o pai da forca. 1a. As pessoas. e não caíam de cavalo magro.. Texto (atualizado) A linguagem é figura do entendimento (. Rio de Janeiro: José Olympio. O que não impedia que. arrastando a asa. mesmo não sendo rapagões. E. e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. chupando balas de altéia. esses iam ao animatógrafo.3 43 .. Como se pode notar. e até em calças pardas. A esse processo contínuo de modificação de uma língua através do tempo (diacronia) damos o nome de variação histórica. Os mais jovens. até desaparecerem.. enquanto outras vão deixando de ser usadas (arcaísmos).

palavras que já não são mais empregadas correntemente hoje. 44 .Luís Fernando Veríssimo Luís Fernando Veríssimo nasceu em 26 de setembro de 1936. . enquanto torcia o braço do outro e obrigava-o a se deitar. A essas palavras. Filho do grande escritor Érico Veríssimo.Te deita no divã.Oigalê bicho bem xucro – disse o analista com uma risada agradável. iniciou sua carreira no jornal Zero Hora. Procure explicar o significado das seguintes expressões presentes no texto e registre em seu caderno. tchê – disse o analista de Bagé. de Carlos Drummond de Andrade foi elaborada com uma linguagem também de antigamente. em Porto Alegre. o autor utilizou. desconfiado. Participou também da televisão. foram usadas frases feitas e expressões que também não são mais empregadas atualmente. É considerado por muitos “uma fábrica de fazer humor”. na Rede Globo e. em Porto Alegre. em tom humorístico. isto é. O analista de Bagé. Jornalista. criando quadros para o programa “Planeta dos Homens”. a) fazer pé-de-alferes b) arrastar a asa c) ficar debaixo do balaio d) levar tábua e) tirar o cavalo da chuva f) pregar em outra freguesia g) embarcar em canoa furada h) passar manta e azular i) dar às de vila-diogo j) fazer o quilo k) meter-se em camisa de onze varas Variação geográfica 1o. Texto “. em 1966. 1982) Saiba mais .Você observou que a crônica Antigamente. dá-se o nome de arcaísmos. Morou e estudou nos EUA na juventude. Se for necessário consulte seus pais.Pra quê? – quis saber o paciente. Além de palavras. seus avós ou pessoas idosas. Porto Alegre: L&PM. Sua produção literária é extensa e diversificada.” (Luís Fernando Veríssimo. . mais recentemente. fornecendo material para a série “Comédia da Vida Privada”.

sendo geralmente compreendida e aceita. Dependendo de onde o falante vive durante um certo tempo.Fale sobre sua vida aqui. o nome de sotaque: sotaque mineiro. Eu interei im vida. né? Nunca sobro. A segunda mais conservadora e isolada. literatura). O primeiro trecho apresenta características do falar do Rio Grande do Sul e o segundo registra a fala de um habitante da zona rural de Goiás. Texto “.2o. sotaque gaúcho etc. dinheiro não é nada.” (Mariza T. isto é entre as comunidades lingüísticas. Falá aqui. A esse tipo de diferenças na língua dá-se o nome de variação geográfica. nivela as diferenças regionais. 45 . indês que eu nasci. De região para região do país. observam-se formas distintas de falar. meios de comunicação de massa. mais a gente usa é dinheiro. bem com certas estruturas de frases e nos sentidos particulares atribuídos a determinadas palavras e expressões. provenientes de dialetos ou falares locais. vivo bem graças a Deus. Suas manifestações são contidas na comunidade por uma língua padrão que. Tais variações podem ser identificadas no aspecto sonoro (pronúncia). Aspectos sintáticos do dialeto caipira da região de Morrinhos. no vocabulário. extinguindo-se gradualmente com a chegada da civilização. 1985) Você observou alguns registros da língua portuguesa. As variações geográficas conduzem a uma oposição fundamental: linguagem urbana / linguagem rural. Essas variações lingüísticas ocorrem num plano horizontal da língua. comumente.Eu vivi questão de 34 anos prá trás mesmo. indês que eu nasci. sotaque nordestino. nos quais se percebem diferenças regionais bem marcadas. Goiânia: Universidade Católica de Goiás. Costa Vilefort. . sendo responsáveis pelos chamados regionalismos. pela ação decisiva que recebe dos fatores culturais (escola. A primeira cada vez mais próxima da linguagem padrão da comunidade. ele tem uma pronúncia característica. A essa maneira particular que os falantes de uma região têm de pronunciar as palavras e as frases dá-se. pessoas boa.

inspirado na primeira Grande Guerra. passa a viver do magistério particular e na própria escola em que se diplomara (História da Música). onde realiza um trabalho verdadeiramente pioneiro. Em 1917. torna-se praticamente o guia de sua geração. sem par em nosso Modernismo – reunidade em dezenas de volumes. publicados desde 1944.. publica Há uma gota de sangue em cada poema. Atividade em aula Leia o texto da música caipira a seguir: Chico Mineiro Fizemu a úrtima viagi Foi lá pru sertão de Goiás Fui eu I U Chicu Mineru Tamém foi u capatais Viagemu u di ‘interu pra chega im Oru Finu 46 . nome de vegetal!. a 25 de fevereiro de 1945. Faleceu na cidade natal. ingressa no Conservatório Dramático e Musical.Noturno de Belo Horizonte [... Formado. Brasil. e. Depois do curso secundário. em consonância com esse papel orientador.Mário Raul de Morais Andrade Mário Raul de Morais Andrade nasceu em São Paulo. Alinhando-se entre os que pregam moldes estéticos renovadores. dirige o Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São Paulo. Entre 1934 e 1937. Mário de Andrade Saiba mais .. 2a. a 9 de outubro de 1893. Deixou obra variada – que reflete uma curiosidade diversificada e um talento polimórfico.] Que importa que uns falem mole descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais? Que tem si os quinhentos réis meridional Vira cinco tostões do Rio pro norte? Juntos formamos este assombro de misérias e grandezas. exerce múltipla e ininterrupta atividade intelectual.

que as variações lingüísticas também podem ser determinadas por fatores ligados diretamente ao falante ou à situação (contexto). ou a ambos simultaneamente. 47 . As variações socioculturais ocorrem num plano vertical. utilizando-se da norma culta. A comparação entre as palavras permite-nos concluir.Aondi nóis passemu a noiti numa festa du Divinu A festa tava tão boa Mais antis num tivesse idu o Chicu foi baliadu pr’um homi discunhicidu largueI di comprá boiada mataru u meu companheru Acabô-si um som da viola acabo-si u Chicu Mineru Dispois daquela tragédia Fiquei mais aburrecidu Num sabia da nossa amizade pois nóis dois éramu unidu Quanu vi seus documentu mi cortô meu coração vim sabê qui u Chicu Mineru Era meu ligítimu irmão. portanto. Escreva em seu caderno. Construa um texto para seu jornal. São variações denominadas de dialetos sociais. relatando a história contada na música. isto é. Considere-se um repórter. Variação sociocultural Vício na fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mio Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados (Oswald de Andrade) Você deve ter observado que o poema coloca em contraste palavras usadas por falantes de diferentes graus de cultura ou níveis socioculturais. dentro da linguagem de uma comunidade específica (urbana ou rural).

Quando. virou pulga. pois o vermelho não combinava com a cor do meu linho. Quando bordejava pelas vias. Ele se coçou. muito vivaldina. Faleceu em a 22 de outubro de 1953. Eu dei a dica. recebi um cataplum no pé do ouvido.Seu doutor. O pitoresco na Justiça Num de seus depoimentos na Justiça.José Oswald de Souza José Oswald de Souza nasceu em São Paulo. Em 1931. romances. trava amizade com Mário de Andrade e Di Cavalcanti. Papai.Saiba mais . então vi as novas do embrulhador. colei. abasteci a caveira e troquei por centavos um embrulhador. O Rei da Vela (1937). Da sua produção literária. Aí dei-lhe um bico com o pisante na altura da dobradiça. Em 1912. mas dele se afasta em 1945. resolvi esquiar e caçar uma outra cabrocha que preparasse a marmita e amarrotasse o meu linho no sabão. ela bolou. ocasião em que conhece o Futurismo. Serafim Ponte Grande (1933). Pau-Brasil (1925). Instalada a Semana de Arte Moderna. “o saudoso”. plantado como um poste bem na quebrada da rua. Manobrei e procurei engrupir o pagante. uma muquecada nos amortecedores e taquei-lhe os dois pés na caixa de mudança. Poesias Reunidas (1945). adere ao Comunismo. veio um pára-quedas se abrindo. 3a. porque. em 1922. mas. Em 1917. viaja para Europa. Explique a relação que há entre a variação lingüística e o grupo social ao qual o falante pertence. muito rápido. torna-se o principal dinamizador do movimento. o Zezinho aqui ficou ao largo e viu quando o cargueiro jogou a amarração. a 11 de janeiro de 1890. o patuá é o seguinte: depois de um gelo da coitadinha. Colei. e com eles faz planos de renovação literária. Atividade em aula Leia o texto a seguir e analise-o quanto ao nível da fala. Eu chutei. Eu fiz a pista. teatro e memórias. Zé da Ilha. tinha se adernado e visto que o cargueiro estava lhe comboiando. Não tenho vocação pra presunto e corri. forma-se pela Faculdade de Direito de São Paulo. Bronquiou mas foi na despista. Escreveu poesias. Morando na jogada. destaque para Memórias Sentimentais de João Miramar (1924). ensaios. e até o fim mantém a flama de revoltado e irreverente. dando a maior sugesta na recortada. sacou a máquina e queimou duas espoletas. 48 . sem esperar. pondoo por terra. na cidade natal. ela bronquiou. prestou as seguintes declarações: “.

Rio de Janeiro. Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. Aproveitei a confusa pra me pira. vamos explorar as variações lingüísticas ligadas ao falante e à situação ou contexto em que se comunica. estou aqui. Ele virou logo América. mas um dedo-duro me apontou aos xipófagos e. 49 . Próxima aula Na próxima aula. Eu sou preto mas não sou gato Félix. Pedi ao caixa pra botar na pindura e ia me pira quando o sueco apareceu pra me esculachar. por isso. geográficos e socioculturais. vimos que uma língua sofre variações provocadas por fatores históricos.Entrei no china pau e pedi um boi à Moçoró com confete de casamento e uma barriguda bem morta. Fiz uma avenida na epiderme do moço. 1959. me queimei e puxei a soligem.” Jornal Correio da Manhã.

fala-se muito de uma “linguagem jovem”. parte Para ilustrar e resgatar o que vimos na aula passada sobre os fatores que provocam variações lingüísticas. Você percebeu.) têm exercido um papel nivelador importante. Essa oposição. mais empregado pelos indivíduos dessa faixa etária. devido a certos tabus morais (que geram tabus lingüísticos). condições culturais como. em especial no campo do vocabulário. ao analisar o quadro acima. em especial nas grandes cidades. entendendo-se como tal um vocabulário gírico.Aula 05 . onde os meios de comunicação de massa e a transformação dos costumes e padrões morais (atividades exercidas pela mulher fora do lar. que variações devidas ao falante são: a) idade As variações devidas às faixas etárias se limitam muito mais ao vocabulário e nem sempre são fáceis de surpreender. sua significação. no entanto. em sua obra Sociolingüística: os níveis da fala. a oposição linguagem do homem / linguagem da mulher pode determinar diferenças sensíveis. novas profissões.2a. gradativamente. Modernamente. vem perdendo. b) sexo De acordo com a comunidade. 50 . os movimentos feministas etc.Variações Lingüísticas . click no ícone indicado e observe o esquema elaborado pelo professor Dino Preti. por exemplo.

2. Um político. g) local em que reside Não nos referimos a diferenças causadas por influência regional. às vezes ditadas por diferenças de áreas urbanas (bairros). O quadro apresentado na página 1 revela também que há variações devidas à situação ou contexto: 51 . diz pra ele que eu quero falar com ele. Se você vir o professor. emprego da ênclise e dos pronomes oblíquos. dos advogados.c) raça (ou cultura) São as variações ligadas a fatores etnológicos. um executivo. São exemplos o vocabulário dos vendedores ambulantes. dos políticos etc. feitas as devidas ressalvas. d) profissão A profissão atua decididamente no campo dos registros técnicos ou profissionais em que os falantes utilizam um vocabulário condizente com a sua atividade. f) grau de escolaridade Compare estas duas maneiras de articular o pensamento utilizadas por falantes em situações diferentes: 1. São sensíveis essas influências nos falantes que residem em zonas de maior imigração negra. dos militares. embora possam conviver diariamente na comunidade em que atuam. via de regra. Se você ver o professor. ausente da linguagem vulgar. um dirigente industrial. além da forma de 3ª pessoa do imperativo). dos médicos. um chefe de Estado. assim como um bancário ou um operário não têm. a economia lingüística e o uso das formas cultas da segunda frase fazem um bom exemplo de domínio da língua (uso do futuro irregular do verbo ver. mas apenas a variações de hábitos dentro de uma mesma comunidade. A concisão. e) posição social O status do falante também exige dele um cuidado especial com a linguagem. diga-lhe que quero falar-lhe. que cada posição social tem a sua linguagem. o mesmo nível de linguagem. Não há dúvida de que só a freqüência à escola possibilita ao falante dominar tais formas. Podemos dizer. freqüentemente com a finalidade de ser distinguido dentro do grupo em que atua.

massa! Agora que o maneiro Cazuza virou nome num pedaço aqui na Sampa. Guiomar Novaes. mas apenas às circunstâncias criadas pela própria ocasião. individualmente considerado. Esses caras não foi cruner de banda a la “Trogloditas do Sucesso”. lugar e tempo em que as falas se realizam. Da mesma maneira o tema da conversa poderá explicar o emprego de vocabulário e estruturas cultas ou vulgares. Massa! Pô Erundina. Edoardo de Guarnieri. a) Que grupo social pode ser identificado por este estilo? Transcreva as marcas lingüísticas (palavras ou expressões) presentes no texto. e também às relações que unem os falantes no momento do diálogo. A propósito do grau de intimidade entre os falantes. Qual é.Compreendem as influências determinadas pelas condições não-verbais que cercam o ato da fala. fora dos hábitos normais dos falantes. b) O texto contém uma crítica implícita. a presença física do ambiente em que o diálogo ocorre pode ocasionar um nível de linguagem técnica. para produzir efeitos específicos. que é o que faz o maestro Júlio Medaglia ao escrever uma carta ao jornal Folha de São Paulo. Os fatores situacionais não dizem respeito diretamente ao falante. que revelam características desse grupo. às vezes. mas se a tua moçada não manjar que ele foi dá um “look” aí na Enciclopédia Britância ou no “Groves International” e tu vai saca que o astral do século 20 musical deve muitoa eles. Atividade em aula Você sabe que. o falante utiliza um estilo que não é o seu. Assim. João de Souza Lima. quem sabe tu te anima e acha aí um point pra bota o nome de Magdalena Tagliaferro. em 4/10/1990. por exemplo. e a quem é dirigida? Faça em seu caderno. Cláudio Santoro. 52 . Jaques Klein. formal. Armando Belardi e Radamés Gnattali. fator importantíssimo na análise das falas. 1a.

da proteção de Mecenas. Mário de Andrade Síntese da aula de hoje Concluindo: as influências de todos esses fatores que aqui percorremos rapidamente se entrecruzam e se sobrepõem nas variações de fala. poeta latino. São eles que nos conduzem aos vários registros falados (culto. vulgar.C. em que expõe uma série de conselhos para a criação literária.. cujos limites nem sempre são precisos. na qual introduz novos critérios métricos e uma concepção original dos gêneros literários que cultiva. que lhe oferece uma casa de campo onde vive livre de cuidados. Brasil. literatura).Horácio Horácio. coloquial..)..C a 8 a. Passa uns anos azarentos em Roma e Atenas até que pôde gozar. A mais conhecida é a Arte Poética. a tal ponto que nem sempre é possível precisar a ação mais direta de um ou de outro.. 53 . se uma matrona autoritária ou uma ama dedicada. “Há uma grande diferença se fala um deus ou um herói. as Odes são a sua obra-prima. A primeira cada vez mais próxima da linguagem padrão da comunidade.. comum. Atividade em aula As variações geográficas conduzem a uma oposição fundamental: linguagem urbana / linguagem rural. em Roma. A segunda mais conservadora e isolada.] Que importa que uns falem mole descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais? Que tem si os quinhentos réis meridional Vira cinco tostões do Rio pro norte? Juntos formamos este assombro de misérias e grandezas. Entre suas principais obras. se um velho amadurecido ou um jovem impetuoso na flor da idade. É o grande inovador da poesia latina. como Virgílio.” Horácio Saiba mais . Noturno de Belo Horizonte [. se um mercador errante ou um lavrador de pequeno campo fértil. pela ação decisiva que recebe dos fatores culturais (escola. viveu entre 66 a. nome de vegetal!. extinguindo-se gradualmente com a chegada da civilização.. meios de comunicação de massa. Os temas que nelas trata são a expressão lírica da própria vida.2a.. profissional etc.

Quando você narra. por algum motivo (por que) que provocam conseqüência (por isso).O texto e suas modalidades Na aula de hoje. bruxas.. Leia. Texto “Todas as noites. Releia o poema “Tecendo a manhã”. Deverá reconhecer. Existem muitas modalidades textuais. atentamente. tinha uma procissão de caveiras que passava à meia-noite. Há. entrelaçamento”.Narração Narrar é contar uma história real. de algum modo (como). Saber construir textos é uma maneira de ser autor tanto da história individual quanto da coletiva. que variam conforme as intenções do autor. almaspenadas. que significa “tecido. na página 2. portanto. podendo ser classificadas em três tipos básicos: narração.Aula 06 . Você estudará detalhadamente cada uma dessas modalidades nas próximas aulas. ô Deus! Como eu tremia. uma razão etimológica para você associar a palavra texto à ação de tecer. imaginária ou uma mistura de ambas as coisas.” (Lygia Fagundes Telles) Saiba mais . 54 .. A palavra texto provém do latim textum. depois do jantar. os trechos a seguir e compare-os: 1o. você deverá diferenciar um texto dissertativo. o verbo “haver”. de um narrativo e de um descritivo. com alguém (quem). a molecada do bairro se amontoava no portão da minha casa: era a hora negra das histórias dos lobisomens. da Aula 3 e perceba ação de tecer na linguagem. descrição e dissertação. todas elas se valem de processos de composição. impessoal e empregá-lo corretamente no texto. conhecer suas características e utilizá-los adequadamente. cantando. de João Cabral de Melo Neto. ainda. de entrelaçar unidades e partes a fim de formar um todo inter-relacionado. convém incluir trechos em que registre a conversa das personagens. É uma seqüência de fatos (o quê) ocorridos em local (onde) e tempo (quando) determinados.

É uma modalidade textual considerada estática. por exemplo. Mobilizado pela emoção. é necessidade humana. ambiente. Há muitos tipos de narrativas para se contar: mitos. de acordo com o que conta. sua tarefa é entrar em sintonia com o auditório para poder seduzi-lo. Nasce da tentativa de explicar tudo o que o homem desconhece. Texto Contar histórias é arte milenar. Finalmente. Ao contar. 2o. pois se caracteriza pela ação e pela progressão temporal. equilibrado na expressão corporal. contos. Entretanto. A correção da linguagem e a boa dicção são características importantes para o contador. Permite fazer com que o leitor consiga imaginar. como se aparentam. qualidades etc. leves e calmos. Texto O narrador é um artesão da palavra. entendendo também seu modo de agir e pensar. por isso é compreendida como um texto dinâmico. o mais importante é deixar que os ouvintes se encantem. cena. uma vez que não é caracterizada pela ação ou progressão temporal. objeto. pessoa. (Lygia Fagundes Telles) Saiba mais .Na narração. é comum predominarem verbos. como é uma pessoa sem que veja seu retrato. 3o. Desde os primórdios. O texto descritivo é construído predominantemente por adjetivos que exprimem cor. simples e sóbrio nos gestos. Confiante em si. O tom da voz deve ser definido. modulado. narrar é uma forma de criar diálogo com o outro e consigo mesmo. É explicar como são. ele deve conduzir a história com criatividade. de que são formados. características. fábulas. estado de espírito. Seus gestos devem ser mágicos. paisagem. deve evitar repetições ou tiques. forma. lendas. as histórias eram contadas à noite e ao redor do fogo. 55 .Descrição Descrever é apontar as características de um ser. volume.

Com esses cobres é que Macunaíma viveu.Paciência.” ANDRADE. explicar. 1968. p. quem quer cavalo sem tacha anda de a-pé. com seu trânsito intenso...Saiba mais . Examinar um assunto. Sua estrutura básica é constituída por: introdução. Oitenta contos não valia muito mas o herói refletiu bem e falou pros manos: . igualmente. Maanape era feiticeiro. Atividade em aula Leia e analise os trechos a seguir. Mário de. ensacou um pouco do tesouro para comerem e barganhando o resto na bolsa apurou perto de oitenta contos de réis. Ao comparar os três textos. uma vida segundo padrões civilizados. desenvolvimento e conclusão. organizar o raciocínio para expressar-se são habilidades desenvolvidas na construção do texto dissertativo. 2o Texto “Que aconteceria. São Paulo. a realidade e. 50.Dissertação Dissertar é interpretar. Martins. expor. o que você observou em termos de semelhanças e diferenças? É necessário perceber a estrutura dos textos para compreender com mais clareza. suas lojas de Primeiro Mundo e seus yuppies esbaforidos na tarefa de ganhar dinheiro? 56 . Classifique-os indicando quais são os do tipo narrativo. Macunaíma. entretanto. 1a. descritivo ou dissertativo e as características de cada um deles: 1o Texto “Quando chegaram em São Paulo. 15ª ed. formar um ponto de vista crítico sobre ele. se se conseguisse dar de repente a todos esses párias uma moradia condigna. A gente se arruma com isso mesmo. encontrar a melhor forma de expressá-la. defender idéias por meio de argumentos capazes de comprová-las ou justificá-las. à altura do que se ostenta nas grandes avenidas do centro.

De manhã. 9 mar. Os movimentos já se haviam congestionado e não se poderia atravessar uma rua sem desviar-se de uma carroça que os cavalos vagarosos puxavam. seriam atraídas novas ondas migratórias. Jornal do Brasil. 13 2a Atividade em aula Sobre o tema POLUIÇÃO escreva: • Um texto descritivo mostrando. Rio de Janeiro. participaram do movimento hippie.” LISPECTOR. no dia em que as chagas da miséria desaparecessem e a dignidade da existência humana fosse restaurada em sua plenitude. Assim. palavra de origem americana formada pelas iniciais de young urban professional e o final da palavra hippie. entre os caminhões que pediam passagem para a nova usina. p. outros focos de miséria. Geraldo. surgiriam logo. Mesmo os crepúsculos eram agora enfumaçados e sanguinolentos. 57 . • Um texto dissertativo apresentando. já misturava ao cheiro de estrebaria algum progresso. A cidade sitiada. Quanto mais fábricas se abriam nos arredores. Alarma em São Paulo. A expressão surgiu nos anos 80 para caracterizar jovens profissionais de sucesso. Moacir Werneck de. os quais. um lugar poluído. Clarice.” CASTRO. sobretudo do Nordeste. num círculo vicioso. 1982. Nova Fronteira. com um estilo de vida descompromissado e burguês. as causas dessa poluição e que essa poluição poderia ser evitada. vindas através da noite de centros maiores. enquanto um automóvel impaciente buzinava lançando fumaça. 1991. no ano de 1924. com maior força imantadora.Aí está outro aspecto da tragédia. Saiba mais Yuppies: plural de yuppie. 3o Texto “O subúrbio de S. transportando madeira e ferro. na maioria. as cestas de peixe se espalhavam pela calçada. mais o subúrbio se erguia em vida própria sem que os habitantes pudessem dizer que a transformação os atingia. Explica-se: São Paulo é o maior foco de migrações internas.

As orações organizadas com um verbo impessoal não apresentam sujeito. sempre na 3ª pessoa do singular. auxiliar principal(gerúndio) Tinha encontrado o caminho certo. portanto. Devia haver poucas vagas à disposição. permanece. porém. estas duas construções: 1. na frase: “Poucas vagas existem à disposição”. Existiam poucas vagas à disposição. Nas locuções verbais. Havia poucas vagas à disposição. O verbo “haver” empregado no sentido de “existir” é impessoal. Deviam existir poucas vagas à disposição. Exemplos: Comecei a falar lentamente. Compare. fazer.).Dicas sobre revisão gramatical Emprego especial do verbo “Haver” Leia e compare estas duas construções: 1. Os componentes da locução verbal constituem um todo indivisível.. tornandose. verbo impessoal. dever. também. 2. É pluralidade de forma e unidade de sentido. gerúndio ou particípio) e mais verbo auxiliar (ser. ter. auxiliar principal(infinitivo) Estava chovendo muito naquela manhã. Assim. haver. poder. estar. O verbo “existir”.Locução verbal A locução verbal é composta por verbo principal (sempre em uma das três formas nominais: infinitivo. agora. auxiliar principal(particípio) 58 .. Saiba mais . o sujeito do verbo existir é “poucas vagas”. de tal modo que um só deles pode ser entendido como parte. o verbo auxiliar fica na 3ª pessoa do singular. não é verbo impessoal e deve concordar regularmente com o seu sujeito. 2.

também. também. também poderiam haver lunícolas. Português instrumental. BECHARA. Próxima aula Na próxima aula. 10. como empregar corretamente. 3. Celso Pedro. Não sabemos se vai haver muitas cassações no Congresso Nacional. estudaremos com mais profundidade o conceito de narração. 3. Aprendeu. Até a próxima aula! 59 . 3a Atividade em aula Com base nos conceitos estudados na página 58. Que planos hão de haver para salvar o país? 9. Moderna gramática portuguesa. Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. um texto descritivo e um texto dissertativo. no texto. o ato de contar histórias. 4. Moderna gramática brasileira.Saiba mais . 6. Haviam apenas trinta alunos para assistir à palestra. Se existissem marcianos. 2. Nunca pensei que houvessem tantos políticos desonestos. Sempre haverão guerras entre os homens? 7. o verbo impessoal “haver”. Evanildo. corrija as frases incorretas: 1. Existiam muitos professores e poucos alunos na palestra. CUNHA. 2. Rio de Janeiro: Fename. Em seu trabalho. LUFT. MEDEIROS. São Paulo: Atlas. Gramática da língua portuguesa.Bibliografia de apoio 1. João Bosco. costuma haver debates acirrados? 5. o emprego de outro importante verbo impessoal. São Paulo: Nacional. Porto Alegre: Globo. Que haja mais paz é o que todos desejam! 8. Veremos. 4. Há de existir dúvidas quanto à veracidade do depoimento. Celso Ferreira. você aprendeu o que é um texto narrativo.

br/pp42.Narração . uma coleção de contos árabes compilados. Além disso. Está aí uma leitura fascinante capaz de despertá-lo para a sedução do discurso. As Sete Viagens de Simbá. ao longo de mais de mil noites.Aula 07 . os elementos e recursos que envolvem essa modalidade textual. Saiba mais -O rei persa Shariar O rei persa Shariar. o monarca sucumbiu ao encanto por mil e uma noites – o que a poupou da morte. vitimado pela infidelidade de sua mulher. que mandava degolar na manhã seguinte. Exterminados por uma Escrava. como era seu cruel costume noturno? Sabe-se que é bastante antigo o fascínio que as narrativas exercem sobre as pessoas. será capaz tanto de reconhecer quanto de produzir um texto narrativo.guirh. segundo os diferentes discursos: direto. você saberá empregar adequadamente a classe gramatical que possibilita o processo narrativo: o verbo e suas transformações. você aprenderá o que é narrar.html e aprenda as mil e uma lições para lidar com a concorrência. 60 . o Marinheiro. Ao receber como mulher Sherazade. conseguiu impedir que o xeique Shariar mandasse matá-la.com. Aladim ou a Lâmpada Maravilhosa. Você já ouviu falar da lendária Sherazade. que. mandou matá-la e resolveu passar cada noite com uma esposa diferente. indireto e indireto livre. São histórias em cadeia. Clique no endereço www. Essa história está em As Mil e Uma Noites. Assim. Ali-Babá e os Quarenta Ladrões. provavelmente.O ato de contar histórias Na aula de hoje. em que cada conto termina com um suspense que força o ouvinte curioso a retomá-la. entre os séculos XIII e XVI. Os mais famosos contos são: O Mercador e o Gênio.

A arte de contar histórias remonta às origens da sociedade, pois foi uma das primeiras manifestações culturais do homem, sendo, portanto, responsável pela preservação das tradições de um povo. Veja debate em www//cidade.usp.br/?2005/cinéfilo/sessao2 Saiba mais - Filme Narradores de Javé Veja o filme Narradores de Javé Este filme recebeu muitos prêmios nacionais e internacionais. Após saberem que a cidade onde vivem será inundada para a construção de uma usina hidrelétrica, os moradores decidem preparar um documento que conte todos os fatos históricos do local, como tentativa desesperada de salvar a cidade da destruição. Dirigido por Eliane Caffé (Kenoma) e com José Dumont, Matheus Nachtergaele, Nélson Dantas, Gero Camilo e Nélson Xavier no elenco. Quando se pensa em contadores de histórias, imaginam-se pessoas ao redor de uma fogueira e um contador. Esse é o narrador tradicional. Se os homens da Antigüidade narravam suas histórias nas cavernas reais, hoje nossos homens narram nas cavernas virtuais. Pesquise José Cardoso Pires – De Profundis - http://www.instituto-camoes.pt/ cvc/literatura/contemporaneos.htm#CardosoPires Narrar é contar uma história, que pode ser real ou imaginária. A narrativa é uma forma de composição na qual se representam fatos, reais (livros científicos, livros de História, notícia de jornal) ou fictícios (artísticos) por meio de signos verbais e não verbais. Assim, a modalidade narrativa pode estar presente em diferentes tipos de textos: mito, conto, lenda, fábula, piada, peça teatral, crônica, novela, romance, poema, notícia de jornal, música, HQs, entre outros. Mito - narrativa cujo tema é a origem do mundo, dos homens etc. e cujas personagens são deuses ou seres sobrenaturais, que realizam ações exemplares.

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Lenda - narrativa cujas personagens são seres humanos. Liga-se ao histórico e ao povo que a cria para explicar fatos e fenômenos desconhecidos, formação de cidades (Atlântida, Eldorado), origem dos povos, fenômenos da natureza, heróis nacionais e outros. Fábula - histórias em que as personagens são animais que nos transmitem um ensinamento. Conto - narrativa curta que gira ao redor de uma situação, de um conflito. Crônica – narrativa breve, periódica, episódica e comunicativa da qual faz parte o humor. Romance – narrativa mais longa que o conto e, na maioria das vezes, conta um só drama. Tem maior número de personagens, o espaço onde se passa o drama é detalhadamente descrito. Novela – narrativa que se caracteriza pela sucessividade dos episódios, muitas vezes dos personagens e dos espaços. Saiba mais Visite http://sitededicas.uol.com.br/ctrad.htm e pesquise sobre mito, lenda, fábula. Leia mais: Mitologia Chinesa. São Paulo, Princípio, s.d.; Fábulas Italianas. São Paulo, Cia das Letras, 1999.; Abelardo e Heloisa. São Paulo, Martins Fontes, 1988; Romance da Távola Redonda. São Paulo, Martins Fontes, 1998.

1a Atividade em aula
Compare (estabeleça semelhanças e diferenças entre) os textos narrativos e anote suas observações: Lixo Luís Fernando Veríssimo Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam — Bom dia... — Bom dia.

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— A senhora é do 610. — E o senhor do 612. — É. — Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente... — Pois é... — Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo... — O meu quê? — O seu lixo. — Ah... — Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena... — Na verdade sou só eu. — Mmmm. Notei também que o senhor usa muita comida em lata. — É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar... — Entendo. — A senhora também... — Me chame de você. — Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim... — É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra... — A senhora... Você não tem família? — Tenho, mas não aqui. — No Espírito Santo. — Como é que você sabe? — Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo. — É. Mamãe escreve todas as semanas. — Ela é professora? — Isso é incrível! Como foi que você adivinhou? — Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora. — O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo. — Pois é... — No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado. — É. — Más notícias? — Meu pai. Morreu. — Sinto muito. — Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos. — Foi por isso que você recomeçou a fumar? — Como é que você sabe? — De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.

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Será isso? — Bom. afinal. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. — Se eu soubesse que você ia ler.. — O quê? — Me enganei. Até bonitinha. Coisa antiga. com o cartãozinho. Sim. Mas consegui parar outra vez.. Acho que foi a poesia. teria rasgado. — Não! Você viu meus poemas? — Vi e gostei muito.. — Você não rasgou a fotografia. certo? — Isso você também descobriu no lixo? — Primeiro o buquê de flores. — Ah. Eles só estavam dobrados. — Namorada? — Não. — Ontem. — Mas hoje ainda tem uns lencinhos. jogado fora. — E.. Eu fico muito em casa. ou eram cascas de camarão? — Acertou. — Eu adoro camarão. o particular se torna público. — É que eu estou com um pouco de coriza. — Eu sei. Não saio muito. Acho que. — Eu estava limpando umas gavetas. no seu lixo.. Isso significa que. chorei bastante. O lixo é comunitário. — Eu. Sabe como é. — Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo. — É. Foi uma fase. — Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. — Você tem razão. Quando examinei o seu lixo. — Você brigou com o namorado. Mas já passou. muito lenço de papel. Se bem que. decidi que gostaria de conhecê-la.. — Você já está analisando o meu lixo! — Não posso negar que o seu lixo me interessou.. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo. — Só não fiquei com eles porque. Já passou. Lixo é domínio público. nunca fumei. você quer que ela volte. Através do lixo. graças a Deus. Bem. não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela? — Acho que não. — Engraçado.. aí você já está indo fundo demais no lixo. — Tranqüilizantes. estaria roubando. — Mas são muito ruins! — Se você achasse eles ruins mesmo.. Depois. 64 . Comprei uns camarões graúdos e descasquei. É a nossa parte mais social. no fundo.— É verdade.

. 4.onde o fato se deu (Onde?) • Personagens .. observamos outros elementos: enredo ou trama. tempo.estilo etc.espaço. — Jantar juntos? — É. Tempo . Há introdução. — Nada. Personagens .é marcado pelo relógio. 2. Enredo ou trama . 65 . Antagonista é o personagem que se opõe ao principal. Espaço .fatos que se desenrolam durante a narrativa. ao seu mundo interior.— Descasquei.quando o fato ocorreu (Quando?) • Lugar . mas não são centrais. que participam dos fatos.são os seres envolvidos nos fatos. 3. Protagonista é o personagem principal.personagens.quem participou ou observou o ocorrido (Com quem?) • Causa . animais.linguagem. provoca determinado desfecho) Quando analisamos uma narrativa literária. psicológico ou interior refere-se à vivência dos personagens. personagens e cenário. Quem sabe a gente pode. — Vai sujar a sua cozinha. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.cronológico ou exterior . Há personagens secundários.o que se vai narrar (O quê?) • Tempo . hora etc. no qual o autor detalha a idéia principal e se compõe de dois momentos distintos: a complicação (início dos conflitos entre os personagens) e clímax (ponto culminante) e desfecho. mas ainda não comi. na qual o autor apresenta a idéia principal. um desenvolvimento.onde os acontecimentos se desenrolam. seres inanimados etc.motivo que determinou a ocorrência (Por quê ?) • Modo . — Não quero dar trabalho. 1.como se deu o fato (Como?) • Conseqüências (Geralmente.. foco narrativo ou ponto de vista. que é a conclusão da narrativa. Podem ser pessoas. — Trabalho nenhum. — No seu lixo ou no meu? Os elementos básicos do texto narrativo são: • Fato . dia mês.

narrador de primeira pessoa . . Foco narrativo ou ponto de vista . carvoero! Só mesmo estas crianças raquíticas Vão bem com estes burrinhos descadeirados. são ressaltados os efeitos psicológicos que os acontecimentos desencadeiam nos personagens. A aniagem é toda remendada. aspectos sonoros. 6.narrador observador . Linguagem e estilo – níveis. Os burros são magrinhos e velhos. claramente.htm Saiba mais .br/triunfus/aula09/materia. Nota-se.5. 66 . dobrando-se com um gemido.um personagem participante da história narra os fatos. Os carvões caem.o autor cria um narrador. b. (Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe. Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.) Narração objetiva x Narração subjetiva • Narração objetiva: apenas informa os fatos.narrador de terceira pessoa . que pode assumir duas posições: a.edward. morfológicos. sentimentos envolvidos na história.relata os acontecimentos como observador. sem se deixar envolver emocionalmente com o que está noticiado. — Eh. A madrugada ingênua parece feita para eles . Modernismo etc. É de cunho impessoal e direto.narrador personagem .art.) — Eh. Saiba mais .Os Meninos Carvoeiros: narração subjetiva Autor: Manuel Bandeira Os meninos carvoeiros Passam a caminho da cidade. estilo do autor. sintáticos. carvoero! E vão tocando os animais com um relho enorme. a posição sensível e emocional do narrador ao relatar os acontecimentos. • Narração subjetiva: consideram-se emoções. estilo de época (Romantismo. . Realismo. por exemplo.Visite o site: http://www. semânticos. É o que costuma aparecer nas ocorrências policiais dos jornais.

um juízo de valor ou opinião. Traz.priberam. argumentar etc. replicar. A narração e os tipos de discurso Uma narrativa pode trazer falas de personagens entremeadas aos acontecimentos. responder.http://www. Ele perguntou se sabia que o seu irmão havia chegado. Discurso direto: .: . travessão. Encarapitados nas alimárias. Ex. Usualmente.Visite os sites: .http://www. Mais modernamente alguns autores não fazem uso desses recursos. vêm mordendo num pão encarvoado.pt/dlpo/gramatica. Ex. Discurso indireto livre: não há identificação de quem a proferiu.br . um pensamento da personagem ou do narrador. Dançando.Pequenina.com. há verbo de elocução. ingênua miséria! Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis! —Eh.portugues. por exemplo: falar. muitas vezes. Apostando corrida. indagar. indireto ou indireto livre. perguntar. carvoero! Quando voltam.br 67 . bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados. aspas. Saiba mais . perguntou se sabia que o seu irmão havia chegado.Você sabe que o seu irmão chegou? Discurso indireto: apresenta as palavras das personagens por meio do narrador.gramaticaonline.aspx .Você sabe que o seu irmão chegou? Discurso indireto: Ele perguntou se ele sabia que o seu irmão havia chegado. Discurso direto: o narrador transcreve as palavras da própria personagem. (Graciliano Ramos) Dicas sobre revisão gramatical Ao transformar o discurso direto em indireto. usam-se dois pontos.http://www. portanto não há marcações gráficas especiais. Para tanto. vimos que o tempo do verbo será sempre passado em relação ao discurso direto.: Indignado.com. faz-se uso dos chamados discursos: direto.

Outras classes de palavras. 4.br .http://www. Discurso Indireto pretérito imperfeito do indicativo pretérito mais-que-perfeito simples ou composto Saiba mais . — Estarei aí daqui a cinco minutos.— Onde fica a cidade mais próxima? – perguntou o motorista.com.— Presenciei toda a cena — declarou o jovem. nervosa. como os pronomes e alguns advérbios. 5.— Há uma cidade a dois quilômetros daqui .respondeu o guarda.aspx .pt/dlpo/gramatica.Discurso direto e Discurso indireto Discurso Direto presente do indicativo pretérito perfeito do indicativo. pediu a seu filho que fosse até lá.br Respostas 1.http://www. meu filho — disse a mãe. O jovem declarou que tinha presenciado / presenciara toda a cena. Ele respondeu que estaria lá dali a cinco minutos. O guarda respondeu que havia uma cidade a dois quilômetros dali. 3. Observe o exemplo: Discurso direto:— Venha cá.portugues.— Tenho pressa — disse o rapaz.com.gramaticaonline.2a Atividade em aula Vamos fazer alguns exercícios? Transforme discursos diretos em discursos indiretos: 1. O motorista perguntou onde ficava a cidade mais próxima.Visite os sites: . O rapaz disse que tinha pressa.priberam. 4. podem igualmente requerer alterações. Discurso indireto: A mãe. — Cala-te — ordenou o senhor ao seu vassalo. 2. 2. 3. 5.http://www. 68 . Saiba mais . nervosa. O senhor ordenou ao vassalo que se calasse.

diminutivos afetivos e palavras de cunho regional. escreva você mesmo o trecho inicial e passe para o próximo participante. todos os dias). este outro desafio: o de tentar reconduzir a história ao seu projeto original.A narração também pode mesclar os níveis de linguagem. a grande lição que você deve incorporar desta descontraída técnica coletiva é a humildade de submeter seu texto a pessoas que você considere capazes de lhe dar boas sugestões e uma ajuda efetiva. ausência de gírias ou termos regionais. Mas. às vezes escapando àquela que você tinha inicialmente na cabeça. que se caracteriza pela correção gramatical. então. Para facilitar as coisas. se for um adolescente. utiliza-se o nível formal nas frases do narrador e o coloquial na fala de algumas personagens. A linguagem coloquial é aquela que as pessoas utilizam no dia-a-dia conversando informalmente com amigos parentes e colegas. as características de seu linguajar devem estar presentes. A voz da personagem deve ser representativa. Você vai ver como. Por isso. quando o jogo rodar e texto retornar a você. riqueza de vocabulário e frases bem elaboradas. Lembre-se: quem escreve deve se exercitar constantemente (de preferência. imponha-se. Se a personagem é um sertanejo. deverá aparecer gíria e assim por diante. Para você. 69 . a cada novo trecho. aprendiz da arte da escrita. É a linguagem descontraída. que dispensa formalidades e aceita gírias.Normalmente. a história irá tomando novo rumo. a simples brincadeira pode trazer importantes lições. Entendemos por linguagem formal a língua culta. 3a Atividade em aula Corrente narrativa: jogo virtual Convide as pessoas de seu mailing list para escreverem uma história junto com você.

70 .) quanto não-literários (jornalísticos. tanto literários (poemas. em geral. Estudamos. científicos etc. continuaremos a aprender sobre narração. indireto e indireto livre.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. Entretanto. acompanhada pela descrição e disso trataremos na aula 9.). o emprego do verbo e suas devidas transformações na elaboração dos vários discursos: direto. contos. crônicas etc. ela vem. aprendemos a importância da narração para o homem de qualquer lugar e tempo e constatamos como essa modalidade textual está presente nos diferentes textos que nos são apresentados na vida corrente. também. Próxima aula Na próxima aula. enfocando o verbo. é importante ressaltarmos que a narração não ocorre como modalidade pura no texto.

os complementos. Se narrar é contar história real ou imaginária. contar nossas histórias. o que fazemos. o verbo é de extrema importância para garantir o dinamismo dessa ação.Aula 08 . os agentes. conveniência. os adjuntos. explicar para nós mesmos quem somos. 1994. Saiba mais . que lhe permitirão ler e escrever textos narrativos com mais competência. pois precisamos.Narração . Escreva seu texto com começo. Aprendemos que somos por natureza narrativos. fenômeno da natureza. Conte uma passagem significativa. mudança de estado. 1a Atividade em aula Retome seu texto e grife os verbos que precisou usar para contar essa passagem da existência. vale ler Walter Benjamim. Pare um pouco. por isso sua característica de dinamicidade.Divirta-se com o verbo No princípio era o verbo. veio o sujeito e os outros predicados: os objetos. O verbo denota movimento. essas coisas. Verbo é a palavra que expressa processos. ação. mesmo na Era da Informação. arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. principalmente relacionados ao verbo. (Eno Teodoro Wanke) 71 . obra Magia. agora. E Deus ficou contente. como uma forma de nos salvar do esquecimento e de preservarmos nossa identidade. desejo e existência. técnica. Era a primeira oração. e pense na sua trajetória de vida.O ato de contar histórias Na aula de hoje. São Paulo: Brasiliense. Saiba mais Para quem quer refletir um pouco sobre essa idéia. você aprenderá outros recursos. meio e fim. Depois. estado.

. Intransitivo absoluto.. do desejo. provável ou incerto.nós. mas como se trata de propaganda. tornando-se impessoal. passado ou fenômeno da natureza é sempre impessoal por não apresentar sujeito. Ser. Exemplos: Faz dias frios em São Paulo. Depois. ante essa dispersão lamentável. Em vários modos. vale o uso mais informal da língua. e nada mais. Deveria ser venha. do pedido. O verbo ser.. Ah. Imperativo: é a expressão da ordem.” Observação: Note que o verbo vem não combina com o pronome você.. essa verdadeira explosão do SER em seres. Isto foi no princípio. nem queiras saber o que as são as pessoas: eu. transigiu e muito. (Mário Quintana) Os modos verbais Indicativo:expressa certeza ou apresenta um fato como real. Saiba mais .Principalmente eles! E. as demais pessoas são tiradas do imperativo negativo.Formação do Imperativo O tu e o vós do imperativo afirmativo são tirados do presente do indicativo sem os. trabalhássemos menos.eles. Exemplo: “Vem para a Caixa você também. Faz 10 dias que não te vejo.No princípio era o Verbo. Exemplo: Talvez se não fizesse tanto frio aqui. Subjuntivo: exprime atitude de dúvida. o auxiliar também fica da 3ª pessoa do singular. hipotético. Conjugava-se apenas no infinito. Deve permanecer na 3ª pessoa do singular. vós. Em locuções verbais. da súplica. Observação: Note que o verbo fazer quando indica tempo decorrido. ou anuncia um fato como possível. tempos e pessoas.até hoje os anjos ingenuamente se interrogam por que motivo as referidas pessoas chamam a isso CRIAÇÃO. ele. tu.O imperativo negativo é tirado do Presente do Subjuntivo 72 .

com o intuito de conferir mais emoção. em que se utiliza o tempo presente para narrar um acontecimento histórico já passado. Os tempos verbais do modo indicativo Tempo é a situação da ocorrência do processo em relação ao momento em que se fala. mais atualidade ao narrado. A narração que você ouviu foi feita em um tempo verbal conhecido como presente histórico.Presente do indicativo Eu venho Tu vens Ele vem Nós vimos Vós vindes Eles vêm Imperativo afirmativo Vem tu Venha você Venhamos nós Vinde vós Venham vocês Presente do subjuntivo Que eu venha Que tu venhas Que ele venha Que nós venhamos Que vós venhais Que eles venham Imperativo negativo Não venhas tu Não venha você Não venhamos nós Não venhais vós Não venham vocês Os tempos verbais Ouça uma narração de um jogo de futebol (na aula on-line). Pode indicar processos habituais. posterior ou futura. como atual ou presente. mais dramaticidade. b) pretérito – o processo verbal acontece no passado. (idéia de continuidade no passado) c) futuro – o processo verbal acontece no futuro. anterior ou passada. Transferirei sua ligação. Estavam satisfeitos com o desempenho do time. (ação acontecerá) 73 . a) presente – o processo verbal acontece no momento em que se fala.

Os tempos verbais no modo subjuntivo Presente – expressa processos hipotéticos.:Aprendi tudo. visitará a exposição. teria mais dinheiro.ex.Ex. Ex.expressa processos posteriores ao momento passado a que nos estamos referindo. Ex.:Se eu fosse você.. o ônibus já saíra/ havia saído. Não confunda vende-se (Vende-se casa) com vendesse (pretérito imperfeito do subjuntivo). Ex.: Quando for a São Paulo. Quando cheguei. voltava (no lugar de voltaria) para mim. O futuro pode ser: •do Presente – processos certos que não ocorreram ainda.:Amanhecia quando a escola de samba entrou na avenida. 74 . •do pretérito . Ex.mostra linguagem coloquial ou literária •perfeito – exprime processos concluídos em período definido do passado.:Não seria feliz sem estudar.: Espero que esteja bem. (Observe que não existe esteje nem seje) Pretérito Imperfeito – indica condição. Futuro – revela fatos possíveis.: Evitar o uso do gerundismo (eu vou estar transferindo sua ligação) para ações que se realizarão no futuro. Saiba mais .: Se vendesse a casa. •mais –que-perfeito – processo que ocorreu antes de outro no passado.:Gostaria de pedir-lhe ajuda – revela cortesia Ex.Tempos verbais O Pretérito pode ser: • imperfeito: Ex. – indica processo em desenvolvimento quando da ocorrência de outro fato. Ex.:Receberei aumento.Obs.

insuperável por qualquer esporte radical desta juventude de hoje. A escrita já dava nervosismo. Os textos em latim eram As Catilinárias ou a Eneida. jamais voltará ao que era outrora e talvez até desapareça. para assistir à performance do saudoso mestre de Direito Romano Evandro Baltazar de Silveira. francês ou inglês e sociologia.Divirta-se O Verbo For João Ubaldo Ribeiro Vestibular de verdade era no meu tempo. sempre de colete e olhar vulpino (dicionário. Já estou chegando. à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo. Acho inadmissível e mesmo chocante (no sentido antigo) um coroa não ser reacionário. meu e dos outros coroas. A oral de latim era particularmente espetacular. Se não agíssemos com o vigor necessário — evidentemente o condizente com a nossa condição provecta —. tinha só quatro matérias: português. patientia nostra — dizia ele ao entanguido vestibulando. olhar para a platéia como quem pede solidariedade e dar uma carreirinha em direção à porta da sala. O vestibular. que fiz eu para ouvir tamanha asnice? Que pecados cometi. tudo sairia fora de controle. múltipla escolha ou matérias que não interessassem diretamente à carreira. Senhor meu Pai! 75 . da oral muitos nunca se recuperaram inteiramente. latim. Somos uma força histórica de grande valor. que ofensas Vos dirigi? Salvai essa alma de alimária. — “Catilina. preferivelmente. é claro. Havia provas escritas e orais. dicionário).Saiba mais . mais do que já está. porque se juntava uma multidão. minha barriga! — exclamava ele. Catilina. mas julgo necessário falar do antigo às novas gerações e lembrálo às minhas coevas (ao dicionário outra vez. O vestibular de Direito a que me submeti. Franzino. quanta paciência tens?” — retrucava o infeliz. dos quais até hoje sei o comecinho. pela vida afora. Tudo escrito tão ruybarbosianamente quanto possível. domingo. Tirava-se o ponto (sorteava-se o assunto) e partia-se para o martírio. Nada de cruzinhas. ou já cheguei. — Deus. dia de exercício). — Traduza aí quousque tandem. o mestre não perdoava. com citações decoradas. — Ai. na velha Faculdade de Direito da Bahia. sendo que esta não constava dos currículos do curso secundário e a gente tinha que se virar por fora. Era o bastante para o mestre se levantar. pôr as mãos sobre o estômago. oh Deus.

peguei no texto uma frase em que a palavra “for” tanto podia ser do verbo “ser” quanto do verbo “ir”. chegou a enfiar. “Nem teme quem te adora a própria morte”: sujeito: “quem te adora. que eu fosse professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português. É uma anástrofe. eu. Pronto. que verbo é esse? Ele considerou a frase longamente. considero-o um gênio. gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era bestíssima. em certo sentido. entre as muitas que existem no hino. pensei. a coisa foi um pouco melhor. chegou um sem o menor sinal de nervosismo. — Verbo for. como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do círculo. — Esse “for” aí. Se ele distinguir qual é o verbo. Então. quando o mestre sentiu duas dores de barriga seguidas. de pé e tomando um cafezinho. Eu dei show de português e inglês. paletó.. uns anos mais tarde. etc. eu falava um latinzinho e ele me deu seis. com prova oral e tudo. mas não perdia a pose. depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente. na sua prova oral.Pode-se imaginar o resto do exame. Não acertou a responder nada. porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra. O maior público das provas orais era o que já tinha ouvido falar alguma coisa do candidato e vinha vê-lo “dar um show”. — Por que não é indeterminado. — Dez! Vá para a glória! A Bahia será sempre a Bahia! Quis o irônico destino. Comigo. nota do mais alto coturno em seu elenco. as unhas nas palmas das mãos. — Verbo o quê? — Verbo for. Esse mal sabia ler.. se o senhor me disser qual é o sujeito da primeira oração do Hino Nacional! — As margens plácidas — respondi instantaneamente e o mestre quase deixa cair a xícara. Um amigo meu. Quem ouviu foram as margens plácidas. dou quatro. Mandava-se o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim. — Chega! — berrou ele. muito elegante. Eu tinha fama de professor carrasco. 76 . sem sentir.” Se pusermos na ordem direta. carrasco fictício. que até hoje considero injustíssima. e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. me dirigiu as seguintes palavras aladas: — Dou-lhe dez. ele passa e seja o que Deus quiser. “ouviram. que por sinal passou.”? — Porque o “as” de “as margens plácidas” não é craseado. O professor José Lima. Uma bela vez. O de português até que foi moleza. qual era o plural de outra e assim por diante.

ela. — Eu fonho. São elas: a) 1ª pessoa é a que fala. 20. Mas ele fõe.http://www.http://www. dessa vez ele não passou. emissor. também chamada de falante. não. era muito mais divertido do que hoje e. Ele trabalhou.pt/dlpo/gramatica. se perseverou. ouvinte ou receptor. ele deve estar fondo para quebrar.priberam. deve ter acabado passando e hoje há de estar num posto qualquer do Ministério da Administração ou na equipe econômica.aspx O número do verbo O verbo apresenta terminações ou desinências que indicam número singular e plural. no singular. Não misture essas pessoas no mesmo discurso. b) 2ª pessoa é aquela com quem se fala. Eu tampouco fonho. eles fõem. eles trabalharam. Não. tu fões. ou as três coisas. É preciso fazer sempre a concordância. —— Esta crônica foi publicada no jornal “O Globo” (e em outros jornais) na edição de domingo. Nova Fronteira. pág. vós trabalhastes.recitou ele. Tu estudaste. Eu e nós. 77 . Mas. vós fondes. ele fõe . nos dias que correm.br .— Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo. (Abordaremos esse assunto mais adiante) As pessoas do verbo A flexão de pessoa indica as pessoas do discurso. Vestibular. no plural. 2000. impávido.gramaticaonline. nós trabalhamos. Ao redigir um texto de maneira impessoal.Visite os sites: . 13 de setembro de 1998 e integra o livro “O Conselheiro Come”. c) 3ª pessoa é a de quem ou que se fala ou o assunto e corresponde aos pronomes pessoais ele. ou ainda aposentado como marajá. Fões tu? Com quase toda a certeza.com. no meu tempo. — Nós fomos. Saiba mais . Tu e vós. eles e elas. Eu estudei. faça-o na terceira pessoa do singular ou na primeira pessoa do plural. devidamente diplomado. Ed. Rio de Janeiro.

• auxiliares ter e haver : forma regular: ter/haver expressado • auxiliares ser e estar: forma reduzida: ser/estar expresso Exemplos: Havia imprimido o documento. b) Voz passiva: o sujeito recebe a ação verbal. exemplo: Eles vêm cedo. c) Voz reflexiva: o sujeito pratica e recebe a ação verbal. Ex. eles estudaram. Ex.:Comprou. O documento foi impresso. simultaneamente. Atente para a grafia do verbo querer: quis. quiserem. Ela havia chegado cedo. • vêm (vir) com vêem(ver).: Há pessoas interessantes aqui. Amanhã. nós estudaremos.: João feriu. Os verbos abundantes são aqueles que apresentam mais de uma forma. quiseram. Ex. impõe( singular) com põem. • põe. prefira o verbo haver em lugar do verbo ter. costuma-se preferir a voz ativa. Amanhã. quiséssemos. ( não existe havia chego) Não confunda: • estudaram (pretérito perfeito do indicativo) com estudarão (futuro presente)Ontem. Exemplos: expressar – expressado – expresso. Eles vêem uma saída.se.: A casa foi destruída pelo fogo.As vozes do verbo a) Voz ativa: o sujeito pratica ação verbal. impõem(plural). Ex. Quando se quer comunicar algo com rapidez. Ex. quiseste.se o livro (= O livro foi comprado). especialmente no particípio.Ele tem – eles têm • vem e vêm . eles estudarão. • perca (verbo) com perda (substantivo) –Espero que você não perca minha aula.Ele vem – eles vêm –(os derivados do verbo ter: ele mantém eles mantêm) 78 . Bateu o carro e deu perda total. Ele põe o documento sobre a mesa e elas impõem respeito. Dicas sobre revisão gramatical Na escrita. • tem e têm .: Nós falamos de futebol.

. visitarei você. 11.. Parece inadmissível que os políticos.Quando ele vier(vir)... 79 . Aí eu não .(cuspir) no chão.. 2. pois é feio... Você não tem mais nada a fazer aqui. não terá promoção.(vir).(ver) o lugar.. correrá o risco de não encontrar um lugar no mercado de trabalho. 6... 7.(Correr).(pode) 13..... Respostas 1.. mas até então nunca pôde(pode). 3. Se ele não.. Você não tem mais nada a fazer aqui.. 6.) na economia.perf.. 10.Espero que tudo isso valha(valer) a pena..Eu capto (capto) tudo aquilo pelo que opto(optar) 4.... 8.. 3. 10.(ser) feliz.http://www. Se você não . Não . Se você não se mantiver(manter-se) bem atualizado.Corra(Correr).. Eu...http://www. saberá do que estou falando..priberam. visitarei você.) na economia. 12. 13.perf.. 7. pois é feio. 8. 5. saberá do que estou falando. 11......br ..Aí eu não caibo(caber) 9.(estar) bem e.aspx 2a Atividade em aula Teste seus conhecimentos 1.Não cuspa(cuspir) no chão.....(manter-se) bem atualizado.(caber) 9. Se ele não fizer (fazer) o trabalho. 2...O Estado não interveio(intervir –pret. O Estado não ... Quando ele. não terá promoção.Parece inadmissível que os políticos ajam(agir) com ética neste país. Quando ele ..(fazer) o trabalho.com. Agora ele .. Espero que tudo isso . Espero que ele .gramaticaonline.(valer) a pena. (capto) tudo aquilo pelo que. .pt/dlpo/gramatica.Quando ele vir(ver) o lugar.. correrá o risco de não encontrar um lugar no mercado de trabalho..Espero que ele esteja(estar) bem e seja(ser) feliz.Visite os sites: .Agora ele pode(poder) fazer.... 5.Saiba mais ..(poder) fazer.... 12.(agir) com ética neste país.(optar) 4.(intervir –pret.. mas até então nunca..

Para se preparar para essa nova viagem. aprendemos vários conceitos e dicas relacionados ao verbo e que lhes auxiliarão para uma leitura e escrita mais competente de textos narrativos. os lugares por onde passa. Até mais! 80 . a casa em que mora.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. ela vem. nesta semana passe a observar as pessoas com quem convive. a narração não ocorre como modalidade pura no texto. Próxima aula Como enunciamos na aula 7. o lugar em que trabalha. acompanhada pela descrição. Este será nosso assunto da próxima aula. em geral.

mapas. Observe como descrição e narração convivem no mesmo parágrafo. os juazeiros alargavam duas manchas verdes. em geral. através dos galhos pelados da caatinga rala”. Saiba mais Dica: Assista ao programa na hora do intervalo. resenhas. para dar mais veracidade ao que queremos.) Descrevemos. Para que descrevemos? Quais os textos descritivos que fazem parte de nossa vida? Faça uma busca na Internet e retire um texto publicitário que apresente as características do produto. A folhagem dos juazeiros apareceu longe. (RAMOS. mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco. será capaz tanto de reconhecer quanto de produzir texto descritivo.entre outros. para registrar com clareza aspectos marcantes de alguém. Além disso. Há muitos textos descritivos que fazem parte de nossa vida cotidiana: bulas de remédio. Ordinariamente. andavam pouco. estavam cansados e famintos. 81 . Registre qual a finalidade da descrição ali utilizada. de vídeo. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro. a classe gramatical que favorece a descrição: o adjetivo –o que lhe permitirá ler e escrever textos desse tipo com mais competência. de algum lugar. manuais de computador. São apresentadas propagandas excelentes. naturezas-mortas. e até no mesmo período. plantas de edifícios.Aula 09 . você também aprenderá a empregar. Graciliano. você aprenderá o que é descrever e conhecerá elementos e recursos que envolvem essa modalidade textual. de aparelhos em geral. no canal Multishow. Vidas Secas. currículos. Assim. relatórios. “Na planície avermelhada. Essas características identificam o texto descritivo. retratos. a viagem progredira bem três léguas. adequadamente. Fazia horas que procuravam uma sombra.O ato de descrever Na aula de hoje. de algum objeto.

Em 1829. identifique as características atribuídas à lua. professor.” 82 . Debret decide integrar a Missão Artística Francesa. colabora na decoração pública para a aclamação de D. ficar. entre 1785 e 1789. Escreva-as. em Paris. Os cabelos grossos.Jean Baptiste Debret Jean Baptiste Debret nasceu na França. cenógrafo.). Instala-se no Rio de Janeiro. Em 1818. atividade que alterna com viagens para várias cidades do país. estar. verifique a presença da descrição. continuar. Pintor. desenhista. feitos em duas tranças. seu primo e líder do neoclassicismo francês. quando retrata tipos humanos. costumes e paisagens locais. aluno de Jacques-Louis David (1748-1825).” Também podem ser usadas comparações: “olhos de cigana. organiza a Exposição da Classe de Pintura Histórica da Imperial Academia de Belas Artes. tinha a boca fina e o queixo largo. sobretudo os de ligação(ser. Veja como Machado descreve a Capitu em Dom Casmurro: “Catorze anos. forte e cheia. Agora. Visite o site itaucultural.1a Atividade em aula Teste seus conhecimentos Ouça a música “Lua de São Jorge” de Caetano Veloso. decorador. gravador. Freqüentou a Academia de Belas Artes. nariz reto e comprido. oblíqua e dissimulada. compare com a tela em que Debret descreve D. João VI. Por volta de 1806.br As palavras (ou classes gramaticais) mais usadas na descrição são os adjetivos – além dos verbos.org. Deixa o país em 1831 e retorna a Paris com o discípulo Porto Alegre. à moda do tempo. trabalha como pintor na corte de Napoleão (1769-1821). é professor de pintura histórica na Academia Imperial de Belas Artes. Morena. com as pontas atadas uma à outra. meio desbotado. parecer etc. apertada em um vestido de chita. Saiba mais . desciam-lhe pelas costas. De 1826 a 1831. João VI (1767-1826). que vem ao Brasil em 1816. em 1768 -1848). olhos claros e grandes. alta. primeira mostra pública de arte no Brasil. Após a queda do imperador e com a morte de seu único filho.

paladar. todos os gêneros literários.org. Filho de operário. Visite o site:machadodeassis. número datado de 12 de janeiro de 1855. Rio na Sombra Som frio. romancista. foi criado no morro do Livramento. tato).br e saiba mais sobre o autor. Memórias Póstumas de Brás Cubas. No ano seguinte. Sem condições financeiras. olfato. A obra de Machado de Assis abrange. considerados como pertencentes ao seu período romântico. audição. como aprendiz de tipógrafo. cronista. RJ. que se tornou seu protetor. poeta e teatrólogo. Machado de Assis se casou com Carolina Augusta Xavier de Novais. tão bom. contista. Sinta o poema de Cecília Meireles. O longo som do rio frio. na Marmota Fluminense.Machado de Assis Machado de Assis foi jornalista. estudou como pôde e. entre outros na linha realista. em 1839. 23 da Academia Brasileira de Letras. O frio bom do longo rio. A descrição pode despertar nossos órgãos dos sentidos (visão. É o fundador da Cadeira nº. em 1855. e faleceu em 1908. o poema “Ela”. praticamente. com 16 anos incompletos. A mão e a luva (1874). nasceu no Rio de Janeiro. Rio sombrio. jornal de Francisco de Paula Brito.Saiba mais . Tão longe. Quincas Borba. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia. perdeu a mãe muito cedo. tendo-lhe revelado os clássicos portugueses e vários autores de língua inglesa. Foi companheira perfeita durante 35 anos. entrou para a Imprensa Nacional. Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878). tão frio o claro som do rio sombrio! 83 . e lá conheceu Manuel Antônio de Almeida. Dom Casmurro. publicou o primeiro trabalho literário. que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis. Escreveu os romances Ressurreição (1872).

o os ventos altos que não dormem. Observe os diferentes olhares sobre um mesmo tema: o cenário contemporâneo do pós-golpe de 64. e roupas. Pesquise um pouco sobre o 1964. Isso pode ajudá-lo a descobrir o que está por trás dessa construção textual. cordas e também as faces que assomam sobre a tua sonora forma de dar. “Apesar de Você” e compare com o poema abaixo de Ana Cristina César. 84 .br/jpoesia/ceciliameireles1bio. em geral. Quando a arte literária está em jogo. estamos diante do reino dos possíveis. inclusive romper as regras de uso do adjetivo que. e as moscas que sobrevoam o cadáver do teu pai. Registre sua análise e tente descobrir a intencionalidade do autor com essa caracterização idealizada. e os cantos que esqueceram teus braços e tantos movimentos que perdem teus silêncios. e os outros corpos que se deitam e se pisam. qualificam a descrição. sombras de teus gritos.html e descubra a grande poetisa da literatura brasileira. tira da tua boca o punhal e o trânsito. busque a letra da música de Chico Buarque.secrel. que te olham da janela e em tua porta penetram como loucos pois nada te abandona nem tu ao sono. Tu queres sono: despe-te dos ruídos.Saiba mais Visite o site: http://www. choros. e a dor (não ouças) que se prepara para carpir tua vigília. e dos restos do dia. São pistas que podem ajudá-lo a descobrir o que está por trás dessa construção textual. Ali tudo é permitido.com. Só para aguçar a sua curiosidade.

gramaticaonline. Pesquise os adjetivos pátrios.apresenta visão do observador por meio de juízos de valor. respectivamente? Resposta: alunos apoiaram professores Uma pessoa muito amiga é amicíssima.http://www.com.: livro interessante.: livro vermelho.aspx Dicas sobre revisão gramatical Ele é paulista.. Você sabe o que é soteropolitano? Resposta: adjetivo pátrio referente a Salvador.priberam. tentando mais proximidade com o real.http://www. subjetiva . Uma pessoa muito séria é.pt/dlpo/gramatica. De onde ele é? Da cidade de São Paulo ou do estado de São Paulo? Resposta:do estado de São Paulo.. Resposta: Seriíssima Fique atento ao plural dos adjetivos: Cidadão luso-brasileiro = Cidadãos luso-brasileiros (2 adjetivos= o último vai para o plural) Calça amarelo-ouro = Calças amarelo-ouro (1 adjetivo e 1 substantivo= invariável) 85 . O corpo discente apoiou o corpo docente.sem impressões do observador. não é paulistano. Ex. Saiba mais Visite os sites: . Quem apoiou quem. Uma empresa sino-brasileira é feita da união de quais países? Resposta: China e Brasil.br .Descrição subjetiva x Descrição objetiva Há dois tipos de descrição: objetiva . Ex.

a situação é outra. uma qualidade importante: a concisão. Esse simples exercício serve para você entender que a posição do adjetivo pode modificar seu significado.(de posição elevada) b. Minha casa é mais grande do que bonita.(de estatura elevada) c. Isso só é possível se houver dois adjetivos para um substantivo. ao texto.(invariável. O funcionário alto quer participar da vida pública. Observe: Ele é melhor do que ela. muitas vezes. d.(fácil) Saber usar o adjetivo pode nos ajudar a imprimir. 86 . Atribua um sentido para os adjetivos em destaque: a.Papel cor-de-rosa = Papéis cor-de-rosa ou papéis rosa (expressão cor-de explícita ou implícita – invariável) Exceção: Blusa azul-marinho = Blusas azul-marinho.(mero) d. Esse exercício simples nunca mais será esquecido. assim como azul-celeste) Rapaz surdo-mudo = Rapazes surdos-mudos (os dois adjetivos variam) Pode usar mais bom e mais grande? Analise as frases: Ele é mais bom do que esperto. (são duas pessoas comparadas) Minha casa é maior do que a sua. b. pode modificar o sentido. Esse simples exercício serve para você entender que a posição do adjetivo pode modificar seu significado. Esse exercício simples nunca mais será esquecido. O funcionário alto quer participar da vida pública. Se forem 2 substantivos a serem comparados por um adjetivo. O alto funcionário quer participar da vida pública. Respostas a. (são duas casas comparadas) A posição do adjetivo na frase. O alto funcionário quer participar da vida pública. c.

). para dar imagem mais viva e detalhada ao que se expõe.). aprendemos a importância da descrição para conferir veracidade ao que se narra..aspx Síntese da aula de hoje Na aula de hoje.gramaticaonline... por exemplo: a narração e a descrição. 87 . romances.http://www. 1. Constatamos como essa modalidade textual está presente nos diferentes textos que nos cercam. também.http://www. plantas de casa).ilegível 3. bulas. retratos etc.... 4.. Respostas 1.priberam... literários(poemas.. 2.br . Um discurso que não tem fim é um discurso.Complete as frases com o adjetivo adequado.pt/dlpo/gramatica.com.visuais (quadros de naturezas-mortas. Além disso..ininteligível 4. estudamos. 3. Lembranças que não se podem apagar são..indeléveis Saiba mais Visite os sites: .. Uma letra que não se pode ler é. etc. não-literários (manuais. o emprego adequado do adjetivo em diferentes contextos...infindável 2. Um texto que não se pode compreender é. Percebemos que um texto será tanto mais rico e dinâmico quanto mais sua trama articular dois ou mais dos processos de composição.

objetos ou lugares. De fato. fora de qualquer acontecimento e até de qualquer dimensão temporal. cenas ou ambientes. na descrição predomina a dimensão ontológica do número – na medida em que ela dá conta da extensão e da quantidade dos seres e coisas.Você pode tentar uma definição de descrição? Uma resposta possível: Descrição é o nome que se dá à enumeração ou apresentação verbal das características essenciais ou contingentes dos seres e coisas – sejam pessoas. objetos. em sua exclusiva existência espacial. a descrição pressupõe de certa forma a imobilidade (quer dizer. Segundo uma definição clássica do crítico francês Gérard Genette.Saiba mais .vai pensando na seguinte pergunta: a pena de morte deve ser implantada no Brasil? Até breve! 88 . Caracteriza-se por ser um “retrato verbal” de pessoas. sentimentos. Enquanto isso. nosso discurso se volta para o texto dissertativo. a ausência de movimentos) daquilo que se descreve. Próxima aula Na próxima aula. animais.

para isso. 89 . é não produzir contradição no discurso. em outro lugar do texto. pontos de vista. será capaz tanto de reconhecer quanto de produzir textos desse tipo. e a primeira delas. não se pode defender que exercícios físicos em excesso podem prejudicar a saúde e. Editora Abril. discursiva. a dissertação é expositiva. que tanto pode ser oral quanto escrita. identificará alguns elementos que conferem coesão e coerência ao texto. na primeira pessoa do singular ou de modo impessoal. temos constantemente necessidade de expor idéias pessoais. usamos a dissertação. opiniões. além de saber ouvir. respectivamente.nesse caso. você aprenderá o que é dissertar e conhecerá a estrutura do texto dissertativo. Contradições desse tipo podem tornar o texto incoerente. de Platão. É capaz de identificar que recurso usou para conseguir isso? Observe como isso ocorre no discurso platônico.O ato de dissertar Na aula de hoje. a dissertação é argumentativa. na terceira pessoa do singular ou na primeira pessoa do plural. convencer o outro de uma idéia nossa e. in: Coleção os Pensadores. Assim. Na vida cotidiana. Assim. Além disso. Toda forma dissertativa.nesse caso. Você pode posicionar-se de modo pessoal. Você se lembra de alguma vez em que precisou convencer alguém sobre seu ponto de vista? Registre sua experiência. • Defender um ponto de vista . Pesquise a obra “Fédon”. Dissertar é: • Expor um assunto . Por exemplo. terá dicas para redigir essa modalidade textual. necessita de regras. dizer que o jovem deve malhar o máximo que puder. produzirá uma dissertação subjetiva ou uma dissertação objetiva.Aula 10 . Toda contradição destrói e nega os argumentos.

leia a dissertação subjetiva de Cristovão Buarque. como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. durante debate em uma Universidade. Cristóvão Buarque: De fato. O Louvre não deve pertencer apenas à França. eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. No Brasil. ou de um país. como o patrimônio natural amazônico. T oday e nos maiores jornais da Europa e Japão. internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Se a Amazônia. Essa matéria foi publicada no New York Times / Washington Post. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio. os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Esta foi a resposta do Sr. ex-governador do Distrito Federal. deve ser internacionalizada. Da mesma forma. como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Não se pode deixar esse patrimônio cultural. Apesar disso. 90 . seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. nos Estados Unidos. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as Reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia. em que foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. Antes mesmo da Amazônia. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Como humanista. demorou a aparecer e não foi nos jornais. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos.Se você é brasileiro. ele é nosso. ela não pode ser queimada pela vontade de um dono. sob uma ética humanista. posso imaginar a sua internacionalização.

Mas. Veneza. Roma. aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. enquanto o mundo me tratar como brasileiro. Londres. Recife. Internacionalizemos as crianças tratando-as. as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio. deveria pertencer ao mundo inteiro. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir a escola. com sua beleza específica. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade. lutarei para que a Amazônia seja nossa. todas elas. Por isso. mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Como humanista. ada cidade. deve ser internacionalizada. eu acho que Nova York. pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros. um milionário japonês. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas. Antes disso. um quadro de um grande mestre. Nos seus debates. aceito defender a internacionalização do mundo. eles não deixaão que elas trabalhem quando deveriam estudar. como sede das Nações Unidas. internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Durante este encontro. não importando o país onde nasceram. sua historia do mundo.Não faz muito. Brasília. que morram quando deveriam viver. Ainda mais do que merece a Amazônia. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia. Assim como Paris. Só nossa!” 91 . decidiu enterrar com ele. provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Rio de Janeiro.

onde copiava imagens religiosas. interpretar. do princípio da não contradição e da continuidade. expor. Iniciou-se nas artes em Barcelona. voltou ao Brasil. 3. 5.). Para conhecer mais telas da pintora visite o site www.com. Mário e Oswald de Andrade e. com os trabalhos de Pablo Picasso (1881-1973) e a produção de dadaístas e futuristas.br. Planejar. Wittegenstein. em 1902. não se esquecendo da lógica.Conheceu Menotti del Picchia (1892-1945). é necessário: 1. coesão. Em abril de 1922. Conheceu Anita Malfatti (18891964). já no Brasil. Conhecer o assunto. Registrar idéias e argumentos importantes. organizar o caos de idéias que aparecem na mente quando temos que desenvolver um tema: a. voltou a Paris e retomou as aulas de artes agora não mais convencionais e acadêmicas. 4. fundou o Grupo dos Cinco. 2.tarsiladoamaral. Nessa fase. observar fatos. (ler. Dois anos depois. analisar. Dulce. mantendo sempre fidelidade ao tema. junto com Anita. dois meses depois da Semana de Arte Moderna. coerência e correção. Separada. foi a Paris. 1o. Executar o plano de redação com clareza. Em 1923. ter repertório. 92 . conversar com pessoas etc. Propor uma tese ou um tópico frasal – uma frase que aponte a idéia central que você pretende desenvolver. Registrar o fluxo de idéias que aparecem na mente (fatos. opiniões). b. Refletir sobre o tema. provar. Em 1920. casou-se com André Teixeira Pinto e teve sua única filha. mudou-se para São Paulo em 1913. onde teve o primeiro contato com a arte moderna européia. informações. a artista trabalhava com pinceladas mais ousadas.Para fazer uma boa dissertação. pesquise L. sua grande amiga. Texto Tarsila do Amaral Tarsila do Amaral (1886-1973) nasceu em uma fazenda no interior de São Paulo. Para entender Lógica.

Um operário em construção. janela Casa. ao cortar o pão O operário foi tomado De uma súbita emoção Ao constatar assombrado Que tudo naquela mesa – Garrafa.. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão. por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão. Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja. Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. facão – Era ele quem os fazia Ele. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia. enxerga. caldeirão Vidro. certo dia À mesa. prato. E aprendeu a notar coisas A que não dava atenção: 93 . De fato.. [. à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse.] E foi assim que o operário Do edifício em construção Que sempre dizia sim Começou a dizer não. cimento e esquadria Quanto ao pão. cidade. um humilde operário Um operário que sabia Exercer a profissão. parede. um humilde operário. Olhou em torno: gamela Banco.. De forma que. Texto Tempos Modernos de Charles Chaplin 3o. como podia Um operário em construção Compreender por que um tijolo Valia mais do que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá. ele o comia. tudo o que existia Era ele quem o fazia Ele.. nação! Tudo.2o. Texto Operário em construção (Vinícius de Moraes) Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. eventualmente Um operário em construção.

. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão.] E o operário ouviu a voz De todos os seus irmãos Os seus irmãos que morreram Por outros que viverão. como podia Um operário em construção Compreender por que um tijolo Valia mais do que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá.Notou que sua marmita Era o prato do patrão Que sua cerveja preta Era o uísque do patrão Que seu macacão de zuarte Era o terno do patrão Que o casebre onde morava Era a mansão do patrão Que seus dois pés andarilhos Eram as rodas do patrão Que a dureza do seu dia Era a noite do patrão Que sua imensa fadiga Era amiga do patrão. Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja. por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão. cimento e esquadria Quanto ao pão. De fato. eventualmente Um operário em construção. 94 . E o operário disse: Não! E o operário fez-se forte Na sua resolução. ele o comia.. à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia.. Veja texto na íntegra Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. Uma esperança sincera Cresceu no seu coração E dentro da tarde mansa Agigantou-se a razão De um homem pobre e esquecido Razão porém que fizera Em operário construído O operário em construção.. [.

Cresceu em alto e profundo Em largo e no coração E como tudo que cresce Ele não cresceu em vão Pois além do que sabia – Exercer a profissão – O operário adquiriu Uma nova dimensão: A dimensão da poesia. E foi assim que o operário Do edifício em construção Que sempre dizia sim Começou a dizer não. nação! Tudo. Foi dentro da compreensão Desse instante solitário Que. parede. prato. cidade. um humilde operário Um operário que sabia Exercer a profissão. Ah. O operário emocionado Olhou sua própria mão Sua rude mão de operário De operário em construção E olhando bem para ela Teve um segundo a impressão De que não havia no mundo Coisa que fosse mais bela. facão – Era ele quem os fazia Ele. 95 . homens de pensamento Não sabereis nunca o quanto Aquele humilde operário Soube naquele momento! Naquela casa vazia Que ele mesmo levantara Um mundo novo nascia De que sequer suspeitava. E um fato novo se viu Que a todos admirava: O que o operário dizia Outro operário escutava. De forma que. enxerga. um humilde operário. Olhou em torno: gamela Banco. ao cortar o pão O operário foi tomado De uma súbita emoção Ao constatar assombrado Que tudo naquela mesa – Garrafa.Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. certo dia À mesa. tudo o que existia Era ele quem o fazia Ele. caldeirão Vidro. E aprendeu a notar coisas A que não dava atenção: Notou que sua marmita Era o prato do patrão Que sua cerveja preta Era o uísque do patrão Que seu macacão de zuarte Era o terno do patrão Que o casebre onde morava Era a mansão do patrão Que seus dois pés andarilhos Eram as rodas do patrão Que a dureza do seu dia Era a noite do patrão Que sua imensa fadiga Era amiga do patrão. Um operário em construção. tal sua construção Cresceu também o operário. janela Casa.

Dou-te tempo de lazer Dou-te tempo de mulher. E o operário disse: Não! 96 . por destinado Sua primeira agressão. objetos Produtos. Via tudo o que fazia O lucro do seu patrão E em cada coisa que via Misteriosamente havia A marca de sua mão. ainda mais. Como era de se esperar As bocas da delação Começaram a dizer coisas Aos ouvidos do patrão. De sorte que o foi levando Ao alto da construção E num momento de tempo Mostrou-lhe toda a região E apontando-a ao operário Fez-lhe esta declaração: – Dar-te-ei todo esse poder E a sua satisfação Porque a mim me foi entregue E dou-o a quem bem quiser. Mas o patrão não queria Nenhuma preocupação – “Convençam-no” do contrário – Disse ele sobre o operário E ao dizer isso sorria. Dia seguinte. por imprescindível Ao edifício em construção Seu trabalho prosseguia E todo o seu sofrimento Misturava-se ao cimento Da construção que crescia. Disse. o operário Ao sair da construção Viu-se súbito cercado Dos homens da delação E sofreu. tudo o que vês Será teu se me adorares E. Porém. Teve seu rosto cuspido Teve seu braço quebrado Mas quando foi perguntado O operário disse: Não! Em vão sofrera o operário Sua primeira agressão Muitas outras se seguiram Muitas outras seguirão. O operário via as casas E dentro das estruturas Via coisas. manufaturas. Sentindo que a violência Não dobraria o operário Um dia tentou o patrão Dobrá-lo de modo vário. e fitou o operário Que olhava e que refletia Mas o que via o operário O patrão nunca veria. Portanto. se abandonares O que te faz dizer não.E o operário disse: Não! E o operário fez-se forte Na sua resolução.

Rio de Janeiro 9. foi vice-cônsul. Ingressou na carreira diplomática.10. torna-se crítico de cinema. Saiba mais .1913 . com quem estabelece grande amizade. Uma esperança sincera Cresceu no seu coração E dentro da tarde mansa Agigantou-se a razão De um homem pobre e esquecido Razão porém que fizera Em operário construído O operário em construção.– Loucura! – gritou o patrão Não vês o que te dou eu? – Mentira! – disse o operário Não podes dar-me o que é meu. Um silêncio de torturas E gritos de maldição Um silêncio de fraturas A se arrastarem no chão. 1o. a que se deu o nome de Bossa Nova.Operários 97 . Um silêncio povoado De pedidos de perdão Um silêncio apavorado Com o medo em solidão. segundo-secretário da embaixada em Paris. Ao lado do compositor Antônio Carlos Jobim e o cantor João Gilberto.7. E o operário ouviu a voz De todos os seus irmãos Os seus irmãos que morreram Por outros que viverão. Formou-se em Direito em 1933 e conheceu o poeta Mário de Andrade. Vinícius teve papel importante no movimento de renovação da música popular brasileira. e apaixonado pela sétima arte. Dedica-se ao jornalismo. Texto Tarsila do Amaral .1980) é poeta e compositor brasileiro dos mais célebres. Guanabara 19. E um grande silêncio fez-se Dentro do seu coração Um silêncio de martírios Um silêncio de prisão.Marcus Vinícius de Melo Moraes Marcus Vinícius de Melo Moraes (Gávea.

não existe porta.Um Mundo Perfeito 3o. e agora. sem cavalo preto que fuja a galope. se você dormisse. sua lavra de ouro. se você morresse. José? Sua doce palavra. a noite esfriou. Texto José E agora. Minas não há mais. sua incoerência. Texto Alugue e assista os dois filmes abaixo: . está sem carinho. o dia não veio. você marcha. quer ir para Minas. José? A festa acabou. a luz apagou. e agora. seu terno de vidro. sua gula e jejum. já não pode beber. José. mas o mar secou. que zomba dos outros. para onde? (Carlos Drummond de Andrade) 98 . José! José. você que faz versos. seu ódio – e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta.. não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou. José? e agora. se você tocasse a valsa vienense. José? Está sem mulher. sua biblioteca. se você cansasse. se você gemesse. que ama. sem teogonia. Mas você não morre.2o.. o riso não veio. José? E agora. você? você que é sem nome.Beleza Americana . cuspir já não pode. está sem discurso. José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato. você é duro. o bonde não veio. protesta? e agora. o povo sumiu. a noite esfriou. sem parede nua para se encostar. já não pode fumar. e agora? Se você gritasse. quer morrer no mar. seu instante de febre.

3. Agora. comparação.Clareza . organize-as. analise.) Releia a introdução e conclua seu texto.causas.Originalidade . Registre o fluxo de suas idéias sem se preocupar com a ordem.: A cidade de São Paulo aparece.Concisão . Agora veja se o seu texto tem esta estrutura: 1. Introdução: proposição do tema.Coesão . da idéia principal. (Os argumentos podem ser compostos por exemplo.: Como um dos mais problemáticos fenômenos sociais. Escreva a introdução de seu texto.: O intensivo aumento dos índices de violência nos grandes centros urbanos está promovendo uma mobilização político-social. confirmando a idéia principal. Conclusão: síntese das idéias discutidas no desenvolvimento. 1a Atividade em aula Verifique se o texto que escreveu tem estas qualidades .(constatação do problema) Ex.(definição do tema) Agora. reflita.Pesquise sobre o tema. argumentação. consequências etc.(delimitação do assunto) Ex.Coerência . exponha argumentos que comprovem o que você enunciou na introdução. A introdução pode ser feita de várias maneiras: Ex.como foco de violência urbana. resultado da argumentação. Desenvolvimento: desenvolvimento da matéria.Correção gramatical 99 . nos meios de comunicação.Objetividade . a violência está mobilizando não só o governo brasileiro. dado de pesquisa. 2. alusão histórica.citação. mas também toda a população. do ponto de vista a ser defendido.Escreva pelo menos três argumentos.

em outras palavras. apesar de . Clareza: é decorrente de nossa capacidade de organização das idéias na mente e a adequada transposição para o material idiomático. além do mais. embora. sobretudo. 2. também. finalmente. Evite utilizar palavras como “coisa” e “algo”. além do mais. isto é. por outro lado.Saiba mais Concisão: consiste em expressar o máximo de informação com o mínimo de palavras. mais importante. ao contrário. causa. no entanto. pelo contrário. sem desvios. primeiro. Coerência e coesão: qualidades resultantes da conexão harmônica entre idéias de forma a produzir sentido. resumindo. contudo. porém. logo. Para registrar conclusão. igualmente. tal como. Repetir palavras ou idéias empobrece o texto. provérbios. terceiro. ainda. Objetividade: consiste em expor apenas as idéias significativas. 4. Prefira usar palavras de língua portuguesa a estrangeirismos. similarmente. Para enfatizar: principalmente. segundo. concluindo. entretanto. por terem sentido vago. todavia. ou efeito: assim. 100 . Originalidade: criatividade Correção gramatical é o uso adequado da norma culta. especialmente. notadamente. especificamente. como complemento. 3. a saber. Palavras e expressões facilitam a ligação entre as idéias: Para indicar acréscimo: e. em resumo. por exemplo. como resultado. Para introduzir exemplo ou ilustração: assim. Não use ponto após o título. Não use chavões. ditos populares ou frases feitas. 5. Dicas para dissertar bem Confira se está no caminho: 1. Use sinônimos. novamente. por último. conseqüentemente. portanto. Para introduzir contraste: mas. ainda que.

No decorrer de certo passeio. discutiram muito sobre a planta da casa. não seria criação) Retornar de novo (re já significa de novo) Empréstimo temporário (tudo bem que os últimos. Divirta-se: Em certa ocasião. muito agradeceria se nos informasse onde se encontra o W. mas como esquecemos de um detalhe muito importante.seria cardume. que combinaram ficar com ela para o verão vindouro. Conversaram com o proprietário. vou com você. Regressados a Inglaterra. uma família britânica foi passar as férias na Alemanha. não seria surpresa) Em duas metades iguais (se não fossem iguais seriam metades?) Há anos atrás (verbo haver já indica tempo decorrido) Conviver junto(conviver é formado por com + viver) Escolha opcional (toda escolha é opção) Planejar antecipadamente (quem planejou depois faliu. Não abrevie palavras. Confirmando o senso prático dos ingleses.” 101 . um pastor protestante.sou membro da família que há pouco tempo visitou-o com o fim de alugar sua propriedade no próximo verão. devido à crise. 7. e pediram que lhes mostrasse a casa. A carta foi assim redigida: “Gentil Pastor: . quando de repente. concorda?) Encarar de frente (encarar vem de cara) Multidão de pessoas ( se fossem peixes. certo?) Amanhecer o dia (já viu amanhecer a noite?) Criação nova (se fosse velha.Divirta-se com alguns pleonasmos viciosos: Elo de ligação (você já conheceu um elo de separação?) Acabamento final (Há acabamento inicial?) Juntamente com (se vou junto a você. os membros da referida família repararam numa pequena casa de campo e lhes pareceu boa para passarem as férias de verão. têm sido definitivos) Surpresa inesperada (se fosse esperada. a senhora lembrou-se de não ter visto W. C. escreveram ao pastor para obter tal pormenor. certo?) Possivelmente poderá ocorrer ( o que é possibilidade pode ocorrer) repetir outra vez ( quem repete faz outra vez) voltar atrás (já voltou para frente?) Sorriso nos lábios (dá para sorrir em outro lugar?) 6. Só cite exemplos de domínio público. C. A residência agradou muito aos visitantes ingleses.

tempo anterior mais afastado. Os assentos são de veludo ( recomenda-se chegar cedo para arrumar lugar sentado). Nesse caso. houve a Semana de Arte Moderna.recebi sua carta e tenho o prazer de comunicar-lhe que o local a que se refere fica a 12 quilômetros da casa. Há dois meses.atual . assim respondeu: . Fotógrafos especiais tiram flagrantes para os jornais da cidade de modo que todos possam ver seus semelhantes no cumprimento de um dever tão humano. Nesses dias. Não utilize o texto para propagar doutrina religiosa ou política nem para fazer propaganda.Durante este mês.. Faça argumentação em progressão. Esse .perto de quem ouve. Evite truncar frases. 9. De quem é aquele caderno? Relação de tempo Este . . Relação de espaço: proximidade/afastamento Este . Esse . Isto é muito cômodo.próximo/ de preferência passado. mas se alguém chegar depois da distribuição. não compreendendo o sentido da abreviatura W. Não seja redundante nos argumentos. Use a pontuação correta. 11. 102 . À entrada é fornecida uma folha de papel a cada pessoa. pode usar a folha do vizinho. Aquele . A história versava sobre o começo do século XX. viajei para a Bahia. e julgando trata-se da Capela da seita inglesa White Chapel. Tal folha deve ser substituída à saída. Não analise assuntos polêmicos sob apenas um dos lados da questão. Dicas sobre revisão gramatical ESTE / ESSE / AQUELE Esses pronomes podem auxiliar na redação de seu texto para conferir coesão e coerência. 10..longe dos dois.” (Autor desconhecido) 8. Alguns vão a pé. Há lugar para quatrocentas pessoas sentadas e cem em pé. Naqueles tempos. deixar partes soltas. Esta caneta aqui é minha. O ar é condicionado para evitar inconvenientes comuns nas aglomerações.perto de quem fala. farei várias aulas. C.O pastor alemão. Não gosto desse teu jeito de olhar. outros de bicicleta. As crianças permanecem ao lado dos adultos e todos cantam o coro. é preferível levar comida para ficar lá o dia todo. para ser usada durante todo o mês. sobretudo se tem o hábito de ir lá freqüentemente. visitei lugares magníficos.“Gentil senhora: . Aquele . Tudo que se recolhe é para as crianças pobres da região.

pt/dlpo/gramatica/gramatica. Pergunta-se: Quem é medroso? Quem é preguiçoso? Quem é esforçado? Resposta Este(Luís) é medroso.Relação aos termos da oração Este. Gerson e Luís.portugues. pela sabedoria e aqueles.refere-se ao termo mais próximo Aquele .refere-se ao termo mais afastado De dois tipos de pessoas gosto muito: as crianças e os velhos. Relação aos termos da oração Este .aspx . esse é preguiçoso e aquele é esforçado. Estes.br 103 .http://www.com.http://www.idéia a ser dita Esse .priberam. 2a Atividade em aula Exercite: Papai teve três filhos: João. esse (Gerson) é preguiçoso e aquele (João) é esforçado.idéia já dita Prestem atenção nisto que foi dizer: seja feliz! Isso que disse há pouco é verdadeiramente o meu desejo. Saiba mais Visite os sites: . pela curiosidade. Este é medroso.

mas embarque nessa. Até breve! 104 . esse e aquele em diferentes situações. no texto argumentativo. Próxima aula Na próxima aula. Você verá que. aprendemos a utilizar os pronomes este. mais aperfeiçoará sua escrita. pesquise sobre isso. Enquanto isso. Prepare-se: o assunto será a sedução no discurso. viver não é preciso”. aprendemos a importância da dissertação para nossa vida pessoal e profissional. Compreendemos os tipos de dissertação. repense sobre a pena de morte e escreva outro texto dissertativo. vai pensando que estratégias você costuma usar para seduzir uma pessoa.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. Quanto mais você exercitar. Desculpe brincadeira. Com relação aos aspectos gramaticais. afinal nos ensina Fernando Pessoa: “navegar é preciso. não é muito diferente. Se puder. Agora. continuaremos com o texto dissertativo do tipo argumentativo. além de dicas para dissertar bem. a estrutura e a qualidade dessa modalidade textual.

Amor menino Tudo cura o tempo. com que vê que não via. p. que. A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas.Aula 11 . São Paulo. enfastia-lhe o gosto. com que já não fere. (Vieira. identificará recursos para seduzir no discurso. Pe. exercitará coesão e coerência. tudo faz esquecer. tudo gasta. v. tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore. tudo digere. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino: porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. Você já se perguntou por que algumas pessoas conseguem convencer outras de seu ponto de vista? Que recursos utiliza? Como é possível argumentar com consistência e com coerência? Como se organiza a estrutura lógica do texto? Como é possível seduzir por meio do discurso? Leia. você aprenderá a importância de argumentar. Ed. de amar a menos. e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. atentamente. Antônio. quanto mais continuadas. que partem do centro para a circunferência.) 105 . quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas. abre-lhe os olhos. o desarma o tempo. que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco. Gasta-se o ferro com o uso. com que já não atira. Além disso. que terem durado muito.O ato de argumentar Na aula de hoje. quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar e ter amado muito. embota-lhe as setas. Sermões. das Américas. saberá como reconhecer e produzir texto dissertativo-argumentativo. Afrouxa-lhe o arco. e faz-lhes crescer as asas com que voa e foge. 5. tanto menos unidas. São como as linhas. descobre-lhe os defeitos. 197-70. De todos os instrumentos com que o armou a natureza. o trecho de um dos sermões do Padre Vieira.

Saiba mais - Padre Vieira Padre Vieira nasceu em 1608 e morreu em 1697. Nasceu em Lisboa e, aos seis anos, veio para o Brasil. Foi escritor e pregador. A partir de 1638, pronunciou alguns dos mais notáveis sermões. Eis algumas de suas principais obras: Sermão de Santo António aos peixes; Sermão da Sexagésima; Esperanças de Portugal - V Império do mundo; História do Futuro, entre outros.

Atividade em aula
Vamos tentar um entendimento do texto? 01. O tema do texto ressalta valor: ( ) real e concreto; ( ) espiritual e insignificante para a vida humana; ( ) espiritual e de grande significado para a vida humana; ( ) material e irreal; ( ) n.d.a. 02. Assinale o que for verdadeiro quanto ao texto acima: ( ) Quanto mais velho o amor, mais forte. ( ) Quanto mais novo o amor, mais intenso. ( ) O amor pode ser transitório ou permanente. ( ) O amor mais intenso é o que dura mais. ( ) n.d.a. 03. O texto enfatiza o problema: ( ) do tempo ( ) do espírito ( ) da matéria ( ) da vida ( ) n.d.a. 04. Podemos depreender do texto que: ( ) valores humanos resistem ao tempo; ( ) valores humanos são pouco importantes; ( ) sentimentos e valores humanos são a mesma coisa; ( ) sentimentos humanos são transitórios; ( ) n.d.a.

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Atividade em aula
05. Grife no texto qual a tese, a idéia que Padre Vieira defende. 06. Grife 3 argumentos utilizados para defender a tese. 07. Grife a conclusão do autor. Lembre-se de que ela é decorrência da argumentação e não pode ser contraditória à tese. Amor menino Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino: porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê que não via; e faz-lhes crescer as asas com que voa e foge. A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar e ter amado muito, de amar a menos. Veja as respostas na aula on-line. Observe que argumentar é arte muito antiga. Aristóteles, na Grécia, em seu texto Organon, conhecido por todos como Lógica, mostra como a palavra tem em si uma estrutura lógica, como a matemática e, a partir dela, podem-se construir tanto raciocínios exemplares, como raciocínios falsos, sofismas, modelos argumentativos aparentemente lógicos, porém com premissas falsas. O célebre filósofo elaborou uma teoria do raciocínio conhecida como inferência. Inferir é tirar uma proposição como conclusão de uma ou de várias proposições que a antecedem e são sua explicação ou causa. O raciocínio é uma operação do pensamento realizada por meio de juízos e enunciada lingüística e logicamente pelas proposições encadeadas, formando um silogismo A teoria aristotélica do silogismo é o coração da lógica, pois é a teoria das demonstrações ou das provas, da qual depende o pensamento científico e filosófico. Um silogismo é constituído por três proposições. A primeira é a premissa maior, a segunda é a premissa menor e a terceira é a conclusão.

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Veja o exemplo clássico: Todos os homens são mortais.(premissa maior) Sócrates é homem.(premissa menor) Logo, Sócrates é mortal.(conclusão) Agora, conheça o raciocínio falso: Todos os homens são loiros. Ora, eu sou homem. Logo, sou loiro. Todos os homens são vertebrados. Ora, meu gato é vertebrado. Logo, meu gato é homem. Saiba mais - Divirta-se Você acha que trabalha demais? Então vejamos: O ANO TEM...................................................365 dias Menos : 8h de sono por dia............................122 dias Sobram 243 dias Menos: 8h de descanso diário.......................122 dias Sobram 121 dias Menos: domingos............................................52 dias Sobram 69 dias Menos: ½ dia por Sábado................................26 dias Sobram 43 dias Menos: feriados..............................................13 dias Sobram 30 dias Menos: Férias.................................................20 dias Sobram 10 dias Menos:Tempo gasto no cafezinho, lavatório, papinho etc....10 dias Sobram........000dias Que tal, ainda acha que trabalha demais?

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Para a argumentação ser eficaz, os argumentos devem possuir consistência de raciocínio e de provas. O raciocínio consistente é aquele que se apóia nos princípios da lógica. As provas servem para reforçar os argumentos. Tipos de argumento: 1. comparação: confronto entre elementos, seja no tempo, seja no espaço, seja nas características. 2. alusão histórica: resgate de eventos do passado. 3. provas concretas: dados de pesquisa, estatísticos, tabelas, gráficos. 4. relação causa-efeito: estabelece motivos e conseqüências. 5. testemunho autorizado ou argumento de autoridade: apresenta ponto de vista de pessoa reconhecida na área debatida, utilizando idéias, pensamentos, frases célebres, citações. 6. fatos-exemplos: narração de fatos com o objetivo de exemplificar.

Reconheça o tipo de argumento utilizado por Padre Vieira nos trechos: 1. “São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito.” Resposta > Comparação: confronto entre elementos, seja no tempo, seja no espaço, seja nas características. 2. A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Resposta > relação causa-efeito: estabelece motivos e conseqüências.

As características do texto dissertativo-argumentativo são: - Expõe ponto de vista sobre um dado assunto. - Apresenta função persuasiva. Vale observar a diferença: argumentar não é demonstrar. Demonstrar é apresentar evidências, por meio de raciocínios lógico-formais. Argumentar é usar técnicas para conseguir adesão dos espíritos, por meio de raciocínios persuasivos.

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3. Depois observe adjetivos. Saiba mais Importante notar que o discurso sedutor não se sustenta pela lógica. 4. Oferece o inusitado. desmistifique tudo.Para isso. 2. e analise os recursos utilizados para convencer o leitor do ponto de vista defendido. é importante conhecer o repertório pessoal do receptor. por meio do imaginário. expressões que revelam subjetividade. ritmos. Ela se faz também com gestos. É um texto que veicula a ideologia do jornal em que é publicado. 7. 6. Ao primar pelo convencimento emocional. já que este tipo de estratégia. Transporta. com a intenção de formar a opinião do leitor. como Folha de São Paulo. advérbios. O Estado de São Paulo etc. quando termina seu encanto sedutor. A sedução não se faz apenas com palavras. faz com que o receptor. Ele expressa o ponto de vista do jornal acerca de um assunto da atualidade. Direciona a comunicação para os sentidos e para os sentimentos. posturas. portanto se põe contra a nossa razão. 110 . geralmente polêmico. 8. tons. Faz das palavras imagens. no médio prazo. entonações. Sugere o implícito pelo explícito. 9. Busque um editorial de algum jornal. quando capaz de operar com a razão. Comece pelo título. O editorial é outro tipo de texto argumentativo. por exemplo. adesão a um ponto de vista. na relação cotidiana de trabalho. descreve com detalhes. Encontre um texto publicitário e analise os argumentos (verbais e visuais) utilizados para seduzir o público a consumir o produto. Desperta o interesse e ganha simpatia. serve para vender. silêncio. mais do que para a razão. o receptor para o universo que se pretende. Provoca identificação do receptor com o transmitido. mas não serve. o diferente (“opostos se atraem”). com as figuras de linguagem. Institui sentido figurado.Dicas para compreender o discurso da sedução 1. 5.

exemplificação. escreva seu texto argumentativo a partir da análise do gráfico.Lembre-se A estrutura do texto dissertativo-argumentativo é Introdução: tese. citação. Taxas de Participação. Atividade em aula: Exercícios de coesão 1. por Sexo. entre outros. segundo Raça/Cor Região Metropolitana de São Paulo 2003-2004 Ver tabela na aula on-line Saiba mais . fundamentação da tese.Agora que você aprendeu como fazer para argumentar com eficácia.” ( Revista Veja. pois o tempo de todos não é desperdiçado pelas esperas. Recursos: relação causa-efeito. 24/03/04).alusão histórica. pode ser substituída sem prejuízo de significado por: ( ) uma vez que ( ) contudo ( ) porém ( ) entretanto ( ) embora 111 .dados estatísticos. dados de pesquisa.A relação estabelecida pelo conectivo pois é de: ( ) explicação ( ) conseqüência ( ) fim ( ) comparação ( ) condição 2. A conjunção pois. frase que mostra o posicionamento do autor. resultado da argumentação. Desenvolvimento: argumentação.depoimento. Pode propor soluções. Conclusão: síntese das idéias discutidas no desenvolvimento. no fragmento anterior. “O respeito pelo tempo dos outros aumenta a produtividade social.comparação.

introduz comparação. como os naufrágios e quedas de aviões.” (Revista Veja. ( ) Introduzir idéia de oposição e pode ser substituída por entretanto. nos três casos.3. ( ) Ela estabelece. introduz comparação.) A palavra como é utilizada três vezes no texto. Mas estamos no século XXI. serve para introduzir exemplificação. no segundo e no terceiro casos. 112 . ( ) Introduzir idéia de explicação e pode ser substituída por porém. “ A tragédia interrompe a orquestração da vida como um maestro ensandecido que resolvesse atirar nos músicos. Tal papel é desde sempre muito cumprido pelas tragédias naturais como os terremotos. ( ) Introduzir idéia de oposição e pode ser substituída por portanto. ( ) A palavra apresenta funções diferentes: no primeiro e no segundo casos. no terceiro caso. 13 de março de 2004. Releia-o atentamente. no segundo caso. ( ) A palavra como apresenta funções diferentes: no primeiro caso. serve para introduzir exemplificação. O pronome lo (“o terrorismo arrogou exercê-lo) refere-se a : ( ) maestro ( ) músico ( ) papel ( ) terremoto ( ) terrorismo 5. perdeu a aula”. observe o sentido da palavra e depois marque a alternativa verdadeira. A palavra mas (“Mas estamos no século XXI”) tem como função: ( ) Introduzir idéia de condição e pode ser substituída por talvez. introduz comparação. ( ) Introduzir idéia de explicação e pode ser substituída por portanto. introduz condição. no terceiro caso. ( ) A palavra como possui exatamente a mesma função nos três momentos: introduz comparação. ( ) A palavra como apresenta funções diferentes: no primeiro caso. 4. a mesma relação de sentido da frase: “Como não chegava cedo. serve para introduzir exemplificação. e o terrorismo arrogou exercê-lo. e pelos grandes acidentes.

você fará uma avaliação dos conhecimentos adquiridos até este momento. Próxima aula Na próxima aula. Boa sorte! 113 . Tomou conhecimento dos recursos utilizados para seduzir o receptor e exercitou coesão e coerência .mecanismos necessários para conferir qualidade a seu texto. em uma aula lúdica e diferente. você aprendeu a reconhecer e a produzir texto dissertativoargumentativo.Síntese de aula de hoje Na aula de hoje.

” O texto abaixo refere-se à questão 2. o fragmento: “A crise de água que a Grande São Paulo vive hoje não é a primeira nem será a última. Atividade em aula Leia. concluímos que: ( ) “Gato escaldado tem medo de água fria” ( ) “Quem tem boca vai a Roma” ( ) “Santo de casa não faz milagre” ( ) “Quem ama o feio.Aula 12 . 114 . Com base nas informações enunciadas. 21/04/04). bonito lhe parece” ( ) “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Faremos alguns exercícios em que você poderá avaliar sua habilidade em ler.” ( Folha de São Paulo. atentamente. da ocupação desordenada de mananciais. com o futebol. ( ) A expressão “capitão do time” pode ser substituída por líder da equipe do governo. interpretar textos e aplicar seus conhecimentos gramaticais.Avalie suas habilidades e seus conhecimentos Olá! Hoje nossa aula será diferente. (Revista Veja. a região só tem água garantida até 2010. compreender. 2. da poluição de rios e represas. ficará no governo até o último dia de seu mandato e continua sendo o ‘capitão do time’ do governo”. Por causa de limites naturais na disponibilidade hídrica. do descaso no uso e da falta de políticas eficientes para reeducar o consumo e reduzir perdas. ( ) O texto revela um diálogo com o universo esportivo. Assinale a alternativa CORRETA com relação ao texto: ( ) O verbo está indica situação estável e não provisória como é comum. “Lula disse a empresários que José Dirceu está mais ministro do que antes do escândalo. em especial. ( ) O nível de linguagem do texto é informal. ( ) Todas as alternativas estão corretas. 12 de outubro de 2003) 1.

Jornal da Tarde. alterar o que seria previsível não fosse o nosso querer e a nossa vontade. mas incidem no equívoco de fazer dele uma espécie de finalidade da criação. noção de tempo e capacidade de acumular não fizeram do homem um ser superior no sentido absoluto. neste contexto. Dependendo da nossa capacidade de sonhar e querer com competência. Pode-se dizer com segurança que nada na natureza foi feito para alguma coisa. nós podemos estender o campo do possível. Texto O texto a seguir refere-se às questões 4 a 12. que deve ser bem elaborado. Essa crença lançou profundas raízes no espírito humano. No que se refere ao texto escrito. A aquisição de características muito específicas como a linguagem. se não fosse perigosamente pretensiosa. como de fato ainda pretende a maioria das pessoas com poder decisório no mundo. e se torna perfeitamente compreensível por se tratar de um discurso oral. (Luiz Carlos Lisboa. raciocínio lógico. podemos. Isso não confere autoridade para pretender que todo o resto do universo conhecido deva prestar-lhe vassalagem. a palavra deve ser substituída objetivamente pelo sentido a que se refere. No caso. memória pragmática.3. O Homem e a natureza A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. a palavra coisa poderia ser traduzida por: ( ) mundo ( ) situação ( ) casamento ( ) convivência ( ) país 1o. A palavra coisa é usada. reforçada por doutrinas que situam corretamente o homo-sapiens no ponto mais alto da evolução. mas apenas mais bem dotado para determinados fins. mas pode-se crer em permuta e equilíbrio entre seres e coisas. portanto. Então aí a coisa complica. abril de 2001) 115 .

( ) O fato de o homem ter linguagem. ( ) n. ( ) ser superior significa não ser vassalo. ( ) Toda crença é reforçada por doutrinas. O primeiro argumento apresentado é: ( ) Acreditar que o homem é finalidade da criação é equívoco. 5. ( ) ser bem dotado não implica ser superior à natureza. raciocínio lógico e outras qualidades que o diferenciam dos animais não justifica que ele seja superior. Na Introdução. 8.a. 6. 116 . O terceiro argumento apresentado no texto é: ( ) O fato de o homem ser superior não significa que ele pode mandar em tudo. ( ) O fato de o homem ter linguagem não o qualifica como responsável pela natureza. ( ) n. Grife a tese do texto. ( ) Todo o universo deve se submeter ao homem. ( ) O homo sapiens é a espécie mais evoluída. ( ) Deve haver troca e equilíbrio entre os seres e as coisas. O segundo argumento apresentado no texto é: ( ) Tudo na natureza tem uma função.a. ( ) Tudo está em desequilíbrio na natureza.d.compõe-se de três partes: uma introdução.d. ( ) n. ( ) n. Todo texto dissertativo . 7.oral ou escrito . um desenvolvimento e uma conclusão.que é de extrema importância para que se tenha consistência e qualidade.d.d. normalmente localiza-se a tese do autor.a.Atividade em aula 4.a. a idéia principal que ele busca defender ao longo do texto. O desenvolvimento do texto compõe-se pela argumentação . ( ) O fato de o homem possuir qualidades superiores não o qualificam como cidadão. ( ) Todo o universo tem que sucumbir à vontade humana. ( ) ser superior implica ser vassalo. A conclusão do texto pode ser resumida: ( ) ser bem dotado significa ser superior à natureza.

( ) “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. A partícula lhe. implica na percepção das relações dentre o texto e o contexto. ( ) “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. refere-se: ( ) universo ( ) resto ( ) homem ( ) pessoas com poder decisório ( ) autoridade O texto a seguir refere-se às questões 13 e 14. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica. porém não seria perigosamente pretensiosa. A palavra Isso que inicia o terceiro parágrafo do texto refere-se à: ( ) linguagem ( ) raciocínio lógico ( ) memória ( ) noção de tempo ( ) o fato de ser bem dotado 10.”. se não fosse perigosamente pretensiosa”. caso não fosse perigosamente pretensiosa. no fragmento “mas incidem no equívoco de fazer dele uma espécie de finalidade da criação”.” (Paulo Freire) 117 . A palavra dele. ( ) “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua.”. refere-se: ( ) espírito humano ( ) homo sapiens ( ) evolução ( ) ponto ( ) equívoco 12.9. daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. embora não fosse perigosamente pretensiosa.”. seria perigosamente pretensiosa.”. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra. Na frase “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. porque não é perigosamente pretensiosa. ( ) “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. 11. portanto. se trocássemos a conjunção se.”. na passagem “todo o resto do universo conhecido deva prestar-lhe vassalagem”. o sentido manter-se-ia em: ( ) “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente.

vai perder pontos. no texto. não depende da leitura da palavra. ( ) Se você pôr essa resposta errada. É possível depreender do texto que: ( ) A leitura do mundo é mais abrangente do que a leitura da palavra. Como reconstruir um país______ um quarto das crianças [afegãs] não chega a completar 5 anos de idade? (National Geographic. ( ) Quando eu vir você. saberei o que dizer. ( ) A leitura do mundo. As palavras desta e daquele.) A alternativa que preenche adequadamente a lacuna é: ( ) cujo ( ) na qual ( ) que ( ) onde ( ) para o qual 16. estude mais. ( ) A leitura crítica independe das relações entre o texto e o contexto. ( ) Se você composse uma canção. pesquise mais. eu ficaria feliz. eu participarei da decisão. para ser ampliada. darei o recado. Avalie-se: Se você acertou todas as questões(16) : Parabéns!! Gabaritou!! Se você acertou de 13 a 15 questões: está ótimo! Se você acertou de 9 a 12 questões: está bom! Se você acertou de 5 a 8 questões: está regular! Se você acertou de menos de 4 questões: está insatisfatório!Leia mais. Veja as respostas na aula on-line. ( ) A leitura do mundo é menos abrangente do que a leitura da palavra.13. 118 . referem-se respectivamente à: ( ) do mundo / da palavra ( ) da palavra / do mundo ( ) leitura / mundo ( ) palavra / contexto ( ) linguagem / texto 15. Assinale a alternativa correta: ( ) Se você não se opor. novembro de 2003. ( ) Quando eu ver você. 14. ( ) A leitura do mundo depende da leitura da palavra.

Narrar é uma forma de criar diálogo com o outro e consigo. João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número.. A correção da linguagem e a boa dicção são atributos importantes para o contador. bruxas. contos. depois do jantar. O tom de sua voz deve ser modulado de acordo com o que conta. lendas. as histórias eram contadas à noite e ao redor do fogo. Nasce da tentativa de explicar tudo o que o homem desconhece.. tinha uma procissão de caveiras que passava à meia-noite. Confiante em si. ô Deus! Como eu tremia. Há muitos tipos de narrativa para se contar: mitos. O narrador é um artesão da palavra. ”Todas as noites. ( ) Descrição ( ) Narração ( ) Dissertação ( ) Poema narrativo 2. Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. ( ) Descrição ( ) Narração ( ) Dissertação ( ) Poema narrativo 119 . Contar histórias é arte milenar. ( ) Descrição ( ) Narração ( ) Dissertação ( ) Poema narrativo 4. equilibrado na expressão corporal.Atividade em aula Associe as modalidades textuais: 1. fábulas. ele deve conduzir a história com criatividade. cantando.”(Lygia Fagundes Teles) ( ) Descrição ( ) Narração ( ) Dissertação ( ) Poema narrativo 3. simples e sóbrio nos gestos. almaspenadas. Desde os primórdios. a molecada do bairro se amontoava no portão da minha casa: era a hora negra das histórias dos lobisomens. é necessidade humana.

abordando técnicas para fazer resumo de um texto. trabalhou com coesão e coerência. atividade indispensável para quem pretende adquirir facilidade na construção verbal organizada e completa. identificou elementos. interpretação de textos – que lhe preparação para a vida pessoal e profissional. seu vocabulário. Até lá! 120 . Próxima aula Na próxima aula. dando-lhe uma das competências fundamentais de nosso século: a comunicação. continuamos com nossa programação.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. compreensão. textos. concluiu e resumiu idéias. você exercitou sua leitura. enfim. foi um momento lúdico e enriquecedor em que você pôde avaliar suas habilidades de leitura. ativou seus conhecimentos dos aspectos gramaticais.

(16ª ed. Comunicação em prosa moderna.br/semantica/polissemia.) São Paulo: Atlas. exemplificações etc. Você vai perceber que se trata de uma atividade indispensável para quem pretende adquirir facilidade na construção verbal organizada e completa.asp 121 . com clareza. Ao resumir. aprende-se a relacionar as idéias principais e a compreender.). isto é. 2002. Redação Científica. Rio de Janeiro: FGV. identificar as principais idéias e palavras-chave de um texto. na leitura.).Aula 13 . difunde informações de tal modo que pode influenciar e estimular a consulta do texto completo. as fontes principais de informação. sinteticamente. o assunto do texto. (5ª ed. O resumo abrevia o tempo de quem faz uma pesquisa. 2000. seja oral ou escrita. São Paulo: Atlas.Como fazer o resumo de um texto Na aula de hoje você deverá aprender como elaborar o resumo de um texto. O que é resumir um texto? É reproduzir. explicações. Conceitos importantes a serem pesquisados • Argumentação • Tópico frasal • Parágrafo • Conotação e denotação Consulte as obras: • GARCIA.com. Não é apenas o estudante que precisa desenvolver essa habilidade. mas muitos profissionais que têm. o que foi expresso de maneira ampla pelo autor. • Correspondência – técnicas de redação criativa. • MEDEIROS. Othon M. é necessário observar o que é essencial e o que é secundário (repetições.portugues. Consulte o site: •www. João Bosco. Para resumir. 2003.

” etc. Em uma dissertação.. O bom resumo deve conservar o estilo do texto original. A parte teórica deverá figurar sempre.. uma interpretação ou uma resenha. a fim de encontrar a maneira mais concisa de expressão.). por conseguinte. Os exemplos citados para confirmar ou explicar a parte teórica devem ser resumidos apenas quando imprescindíveis à compreensão do raciocínio. Por isso. para adequar a linguagem de acordo com o esquema geral das idéias. além do mais. pontue os argumentos. se necessário). 122 . opinar ou criticar. Evite introduções do tipo: “o autor diz que. você deve ler a seqüência dos resumos. No final dessa leitura.. 5. você deverá ser capaz de responder à pergunta genérica: qual o assunto do texto? 2. Em uma dissertação. 6. 2. uma leitura atenta. humor etc. “o autor continua afirmando que. Faça uma segunda leitura (e outras tantas. 4. Fique atento para as palavras de ligação que estabelecem a estrutura lógica dos raciocínios (assim.”. anotando à margem o que for importante para a compreensão mais detalhada do texto. ao passo que os exemplos e mesmo as explicações longas poderão ser abreviadas ou até suprimidas. pois o objetivo é apenas elaborar um resumo e não um comentário. argumentação e conclusão. você pode fazer o resumo de cada parágrafo. primeiramente. ironia. Você não deve apresentar juízo valorativo. Utilize-se de uma ficha para as anotações. como nível de linguagem. porque. os parágrafos marcam as partes da estrutura geral que consiste em: ponto de vista ou tópico frasal. Dicas práticas 1. para tomar conhecimento das idéias principais..Procedimentos gerais 1. Faça. Resumidos os parágrafos. Evite a repetição de frases inteiras do original. 3. Anote exclusivamente o pensamento expresso pelo autor. sem anotações. Sublinhe as palavras-chave no texto que marcam as idéias fundamentais para a compreensão (essas palavras estão quase sempre na parte teórica). em decorrência etc. 4. Aconselhamos dois resumos: um do parágrafo e outro do próprio resumo. 3. pois.

as ruas serão livres e não haverá bandidos que o assaltem.27. 1a Atividade em aula Exercite os seus conhecimentos Leia o texto a seguir: “Se perguntarmos a qualquer brasileiro o que ele espera do novo governo. Sem liberdade. Não é à toa que a paz está normalmente associada à abundância. normalmente. Um resumo. o primeiro nome da paz é liberdade. Analisando o texto Qual é o assunto ou o tema do texto? O texto diz o que representa a paz para o povo brasileiro. ele diria que espera a paz. p. sob a desculpa da suspeita.” Revista Isto É. Qual é a palavra-chave do tema central? A paz. nem policiais que o metralhem. Sem chaminé e sem chamas no fogão.7. O pão é o primeiro nome da paz. mas empregará um dos seus muitos sinônimos. Respeite a ordem em que as idéias ou fatos são apresentados. Assemelhase a um túmulo. É também segurança: certeza de que pode deixar a mulher e os filhos em casa e que. a paz é um conjunto de realidades: emprego seguro. Se pedirmos a qualquer criança que desenhe uma casa. não é mesmo? O conceito sobre a paz é o mesmo para todos os segmentos da sociedade retratados no texto? 123 . nº 417. não haveria paz. Para o trabalhador. 8. ela colocará sobre o telhado chaminé e fiapos de fumaça. Para os artistas e intelectuais. A cada brasileiro a sua paz. deve ter de dez a vinte por cento da extensão do texto original. comida à mesa e escola para os filhos. salário justo. ainda que houvesse pão e houvesse segurança. a casa não é lar. Pode ser que não use o substantivo. no trajeto entre sua moradia e o lugar do trabalho. Liberdade de criar e de expor os frutos de sua imaginação ou de sua descoberta.

paz é liberdade”.O que significa a paz para qualquer brasileiro? “O pão é o primeiro nome da paz”. 2a Atividade em aula Faça agora você o resumo deste texto. segurança. salário.. escola para os filhos. paz é liberdade de criar e de expressar-se.. emprego.. o primeiro nome da paz é liberdade de criar e expor os frutos da sua imaginação..a paz é um conjunto de realidades: emprego seguro. Para os artistas e intelectuais.Resumo final Sugestão Qualquer brasileiro espera de um governo a paz. o que significa a paz? “. O que significa a paz para o trabalhador? “. paz significa um conjunto de realidades: comida.. Saiba mais . Para os intelectuais. Resumo Qualquer brasileiro espera a paz de um governo. A cada um a sua paz. A cada brasileiro a sua paz. salário justo. salário justo. escola para os filhos e segurança.” E para os artistas e intelectuais. O pão é o primeiro nome. Observe os procedimentos e as dicas que foram sugeridas. comida à mesa. a paz é um conjunto de realidades: emprego seguro. Para o trabalhador. Para o trabalhador. que significa pão.. 124 . escola e segurança. comida à mesa.

Perdeu-se também a rotina diária de apoio aos vizinhos e de ser apoiado por eles também. costureira. o trabalho estava intimamente associado ao tipo de pessoa que você era e ao que suas inclinações e talentos naturais o levariam a fazer pela comunidade: ferreiro. São Paulo: Futura. mas seguros nas cidades. Abandonar o lar em busca de trabalho fez as pessoas perderem o contato não apenas com suas famílias e comunidade. com isso. Os trabalhadores passaram a acreditar que precisavam aderir a alguma organização para sobreviver. Trabalho e serviço estavam mais intimamente associados. As pessoas perderam a sensação de auto-suficiência e a confiança de que dispunham de recursos internos para fornecer valor à comunidade e. Os talentos naturais eram os elos. os funcionários eram considerados peças intercambiáveis – rotativas. Caela. 125 . Um emprego era igual a milhares de outros. FARREN. As fábricas empregavam milhares de trabalhadores. parteira. Atualmente. Funcionários designados apenas para uma parte de um serviço nunca têm a oportunidade de desenvolver o domínio sobre ele. mas também com suas forças. Muitos perseguiam o de outra pessoa e aos poucos perdiam o ânimo. Carreira de sucesso: como administrar e garantir o emprego em tempos difíceis. ganhar a vida. inclinações e desejos naturais. médico e assim por diante. agricultor. As pessoas abandonavam a dura e incerta luta pela vida em sua pequena comunidade para aceitar empregos monótonos. Os poucos que se conscientizaram disso muitas vezes passaram a acreditar que lhes faltavam bvcondições de “perseguir o seu entusiasmo”. o ânimo das pessoas está se extinguindo porque elas perderam de vista sua determinação e impulso interiores.“Não faz muito tempo.50-51. A Revolução Industrial e a produção em massa acabaram com esse sistema cômodo. pp. a ligação com seus verdadeiros valores e dons singulares. As pessoas não se sentem confortáveis ou confiantes se não dominarem algo. 2000. O trabalho girava mais em torno do dinheiro e status do que do serviço ou comunidade. mais ou menos permanentes. ter sucesso e sustentar sua família.

2.priberam. O show de Truman. Náufrago. a palavra livro foi substituída pelo pronome que. por esse motivo. o show a vida.br http://www.pt/dlpo/gramatica/gramatica. Dicas de revisão gramatical Emprego dos pronomes relativos Observe as duas frases: 1. O que é? Quais os tipos? Quando devem ser utilizados? Consulte os sites: http://www. Li um livro. Comprei o livro a que você se referiu. pronome relativo. 1. Comprei o livro. 126 . Você se referiu ao livro.com. Na frase 2. Pesquise sobre pronome relativo. Li um livro que me emocionou. 2. O livro emocionou-me.gramaticaonline. 4a Atividade em aula Faça o resumo de um livro que você leu ou de um artigo de jornal ou revista que tenha sido relevante para sua análise da sociedade. Feitiço do Tempo. 3. Esse pronome tem a função de substituir a palavra com a qual está relacionada.3a Atividade em aula Assista a um dos três filmes sugeridos e faça o resumo dele. Denomina-se. 2.aspx 1.

É bem antiga a cidade. Assim. Esta é a paineira. Comprei o livro na loja. O livro está esgotado. / Através da janela podíamos ver o mundo. o assunto é leitura crítica e produção de resenha. 2. 8. / Eu moro na cidade.Os pronomes relativos devem sujeitar-se à regência dos nomes e dos verbos a que estão subordinados. Havia um recado na portaria do hotel. / O jornalismo é periódico. Onde 5a Atividade em aula Encaixe as orações secundárias no lugar adequado. você aprendeu a fazer resumo. 7. / O público lê as revistas. 4. O poeta é paulista. / O recado estava escrito em código. relembrou alguns aspectos da dissertação bem como o uso do pronome relativo. A janela era ampla. As revistas proporcionam ao público horas de entretenimento / As revistas pertencem ao jornalismo. / Você apreciou os versos do poeta. 2. A loja [na loja comprei o livro] fazia promoções. Até lá! 127 . Próxima aula Na próxima aula. / O professor recomendou o livro. A loja fazia promoções. deve ocorrer a preposição que for exigida pelo termo ao qual estiver associado. Exercitou a capacidade de sintetizar idéias. A loja [comprei o livro na loja] fazia promoções. A loja na qual comprei o livro fazia promoções. / Eu assisti ao filme. Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. Além disso. empregando o pronome relativo: 1. / O terrorista encontra-se hospedado no hotel. O filme é interessante. 5. 1. 6. antes do pronome relativo. 3. / Nós adorávamos a sombra da paineira.

Você vai perceber que se trata de uma atividade fundamental para a formação de uma mentalidade científica. acrescentam-se comentários e julgamentos do resenhista. índices. avaliação da relevância do texto. Além disso. o gênero (crítica literária.Aula 14 . romance teatro. filmes. O objeto de uma resenha pode ser um acontecimento. Resenha descritiva Na resenha descritiva. narração e dissertação -.descrição. 128 . textos. de interpretação e de crítica. por isso a linguagem deve ser objetiva. nome do tradutor). Há resenhas descritivas e resenhas críticas. comparações com outras obras. deverá aplicar adequadamente a concordância verbal. obras culturais. ensaio). número de páginas. o método adotado. A leitura analítica é sua base. desenvolverá a capacidade de síntese. assuntos. a perspectiva teórica. capítulos. é importante ressaltar a estrutura da obra (partes. você deverá aprender como elaborar a resenha de um texto. Resenha crítica Na resenha crítica. em 3ª pessoa. esse relato detalhado pode ser um instrumento de pesquisa ou atualização bibliográfica. livro de negócios. peças de teatro. Seu objetivo é conduzir o leitor para mensagens referenciais. como romance.Leitura Crítica Na aula de hoje. ou seja. o resumo do texto. Resenha A resenha é um tipo de redação técnica que pode ser definida como um resumo minucioso ou crítico. Incluindo variadas modalidades de textos . O resenhista terá sempre um procedimento seletivo e o relato dependerá de sua finalidade.

Em relação às edições anteriores. Segundo Severino. endereços e linha de publicação. que está na 21ª edição.: Regina Ramos Despertar hábitos de estudo científico em estudantes para permitir o desenvolvimento de uma vida intelectual disciplinada e sistematizada. voltado para estudantes de graduação e pós-graduação. que leciona Filosofia da Educação. foi suprimida. A proposta é do professor Antônio Joaquim Severino. sem emitir juízo de valor) e uma abordagem subjetiva (apreciação crítica em que se evidenciam os juízos de valor de quem a elabora). livro Metodologia do trabalho científico. com o argumento de que na Internet esses dados são facilmente encontrados. A listagem das editoras. Leia uma resenha descritiva Arquitetura do conhecimento Thais Helena dos Santos. da Agência EducaBrasil At. praticando uma postura investigativa. o texto foi acrescido de elementos metodológicos e técnicos para o melhor aproveitamento dos recursos tecnológicos. mas um limiar a partir do qual constitui toda uma atividade de estudo e de pesquisa. reeditado pela Cortez Editora. “O estudante tem que se convencer de que sua aprendizagem é uma tarefa eminentemente pessoal. Em vários momentos do texto é possível perceber o objetivo do trabalho em dar subsídio para o estudante transformar seu aprendizado num criterioso processo de construção do conhecimento. argumenta o autor. da Faculdade de Educação da USP em seu . técnicos ou lógicos. tem de se transformar num estudioso que encontra no ensino escolar não um ponto de chegada. O livro. que lhe proporciona instrumentos de trabalho criativo em sua área”. mais precisamente o uso do computador e da Internet. 129 . com as respectivas informações. Diz o autor que isso só será possível se o aluno conseguir aprender apoiando-se constantemente numa atividade de pesquisa.A resenha crítica compreende uma abordagem objetiva (em que se descreve o assunto. instrumentos operacionais. A obra. para o estudo visando uma organização científica e maior aprofundamento na ciência. mostra no segundo capítulo como fazer uma documentação (bibliográfica e temática) pessoal e utilizá-la como método de estudo. nas artes ou na filosofia. o livro traz propostas práticas. aborda uma iniciação metodológica ao trabalho intelectual a ser desencadeado desde o limiar da vida universitária.

O terceiro capítulo merece destaque por ensinar como fazer uma leitura. além de uma síntese pessoal. a leitura analítica permite o aprofundamento do estudo científico. o estudante pode fazer um trabalho mais rigoroso sobre o texto. 130 . Todas as etapas — determinação do tema-problema-tese do trabalho. qualquer que seja sua área de estudo”. “Se isso se concretiza quase que só na pós-graduação. uma rigorosa iniciação à pesquisa e à reflexão”. Segundo Severino. de resenhas e de resumos. alimentando também a reflexão e criando contextos e problemas sobre os quais versarão futuras pesquisas do universitário”. uma vez que todas as demais atividades. com texto-roteiro e outras questões. Os aspectos técnicos da redação e as formas de trabalhos científicos são abordados numa linguagem prática e acessível. uma análise textual. não se pode perder de vista que a graduação deve ser. é instrumento fundamental para a aprendizagem no ensino superior. O registro documental dos dados colhidos também é abordado. E continua: “Ao universitário cabe adquirir disciplina rigorosa para a expressão codificada de seu pensamento. “Nesse sentido. A elaboração de uma monografia também é tratada no texto de Severino. Para a realização de um seminário. O seminário. construção lógica do trabalho. tanto a pesquisa quanto a reflexão são os objetivos finais da vida científica universitária. para elaboração de relatórios. o seminário pressupõe e desenvolve tanto a leitura analítica como a leitura de documentação. Segundo o autor. construção do parágrafo — são apresentadas e discutidas. redação. segundo o autor. explica o autor. A leitura é uma atividade de decodificação desta mensagem. a pressupõem. é entendido como método de estudo em grupo e atividade de classe específica aos cursos universitários. inclusive as aulas. salienta. O texto é entendido como portador de uma mensagem codificada e transmitida pelo autor ao leitor. leitura e documentação. “A leitura. O texto apresenta orientações para o acesso à Internet e aos demais equipamentos de informática e multimídia. o livro fornece algumas diretrizes. alerta. roteiros de estudo. temática e interpretativa. Por meio de um modelo apresentado no livro. argumentando que esse trabalho serve para o estudo pessoal. O capítulo sobre a Internet como fonte de pesquisa garante ao aluno um primeiro contato à iniciação e ao manuseio dos recursos tecnológicos na busca de informações para seus trabalhos de pesquisa. levantamento da bibliografia. irrefutavelmente e apesar de todos os fatos em contrário. cientificamente conduzida. Tal trabalho é feito pela leitura analítica”. para preparação de seminários. desde os objetivos definidos até o esquema geral de desenvolvimento.

Mestre em História Social pela PUC-Rio e Doutora em Ciências Humanas (ciência política) pelo IUPERJ. Nos cinemas do Rio de Janeiro não teve uma temporada expressiva. que se pode ver em casa. o tempo como construção Resenha do filme Amnésia (título original. O livro traz ainda anexo de revistas. do projeto de pesquisa e as exigências éticas do trabalho acadêmico. fala sobre qualidade e forma. Livro: Metodologia do trabalho científico Autor(es): Antônio Joaquim Severino Editora: Cortez N° páginas: 278 Saiba mais Visite o site: http://www. E quase passou despercebido pelo grande público. distribuidora Paris Filmes Por NORMA CÔRTES Historiadora. No último capítulo do livro. Christopher Nolan.com. dos juízos e dos raciocínios. 131 . na telinha da televisão. abordando a formação dos conceitos. Amnésia. os pré-requisitos lógicos do trabalho científico são apresentados. bibliografias e metodologia de pesquisa e uma bibliografia comentada. dicionários especializados. É bolsista recém-doutor pelo CNPq junto ao Departamento de História e ao PPGH da UERJ. EUA 2001. Não exige uma sala de projeção especial — o seu forte não são imagens. onde leciona disciplina na área de Teoria e Metodologia da História e desenvolve pesquisa sobre Nelson Werneck Sodré e João Cruz Costa Amnésia provocou mais espanto que boa crítica. das demonstrações.br/eb/exe/texto. leia uma resenha crítica.educabrasil.Os trabalhos de pós-graduação são tratados no sétimo capítulo. Memento). mas a lógica do seu enredo. Direção e roteiro. divulgados informalmente. O autor faz observações metodológicas. É desses filmes cult.asp?id=45 Agora. mas quando foi lançado em vídeo passou a ser bastante procurado. comenta o processo de orientação.

Obedecendo à percepção temporal do protagonista esquecido. Após o estupro seguido do assassinato da esposa. lembrava-se do seu nome (Leonard). Sua memória não guardava coisa alguma por mais de uns poucos minutos.A história é banal. ou mesmo em flashsback que geralmente retornam aos fatos anteriores para reconstituírem linear e cumulativamente a sucessão de eventos —. Amnésia conta seu enredo na ordem temporal inversa. Não satisfeito. Em sua primeira cena. adotou uma solução ainda mais radical e tatuou no próprio corpo a seqüência ordenada dos resultados da sua investigação. se o continuum do real lhe escapava. e tenta superar sua deficiência mnemônica com a mesma obstinação que alimenta pela vingança. Munido de máquina Polaroid e caneta. O filme consiste neste imbróglio: o protagonista sofre de amnésia recente. sabia quem era. No avesso do sentido usual. em vez de as tomadas seguirem o encadeamento cronológico padrão vindo do passado para o presente — diretamente. Para isso se impôs uma disciplina férrea e sistemática registrando todos os acontecimentos cotidianos. 132 . a imagem fotografada de um cadáver empalidece lentamente. Pensava que através desse curioso sistema de notações supriria suas falhas de memória. anotando qualquer pequeno fato que lhe acontecesse. ele fotografava a tudo e a todos. desconhecemos os fatos prévios que conduziram àquela situação. Condenado à vida vegetativa. sendo incapaz de lembrá-los ou de concatenar a sucessão das suas experiências rotineiras. É no roteiro que está a originalidade do filme. homem perdeu a habilidade de memorizar qualquer acontecimento recente e iniciou uma saga de vingança. a cena insinua toda a estrutura do roteiro. O problema é que a partir daí virou um prisioneiro do presente. a narrativa fílmica desconstrói o sentido natural do tempo e se apresenta de trás para frente. mas tal como desmemoriados. Desde o início sabe-se que o protagonista matou um homem. quer encontrar os assassinos da mulher. inventou um artifício que mantivesse e fixasse a ordem dos fatos. onde havia nascido e permanecera consciente do seu passado até o momento do acidente. Quer dizer. Afinal. Apesar de fugaz. Não se tornara um completo desmemoriado. A história começa pelo fim. Vivia cada instante como se fosse o único. Leonard perdeu a faculdade de dar sentido às suas vivências. a revelação de um negativo Polaroid. a foto não se torna nítida e aos poucos vai sumindo até desaparecer.

durante/presente. trata-se de uma tentativa desesperada para oferecer sentido às ações de um homem que mesmo sem conseguir entender o significado dos seus próprios atos. portanto. os estudiosos vêm se perguntando qual é o foco do juízo racional sobre as ações. ou seja. Amnésia desmonta os elos do raciocínio linear e impede que se estabeleçam vínculos fáceis entre a contigüidade temporal e a explicação causal. É por esta razão que Amnésia contém um desafio aos historiadores. Leonard não perdeu o entendimento ou a razão. No limite. 133 . sob qual aspecto se interpreta a conduta dos homens? Considerando a intenção dos agentes ou os efeitos dos atos? A virtú ou as circunstâncias casuais? Levando em conta o livre arbítrio ou a determinação das escolhas? Valorizando os princípios morais ou as conseqüências políticas? Chamando os homens à responsabilidade ou deixando-os entregues à suas convicções? Pólos indissociáveis — a despeito dos esforços de Max Weber para racionalizar a questão —. e algumas de suas faculdades intelectuais permaneciam intactas. o presente se lhe parece inalterado. o filme é uma dramática perseguição às causas das ações do seu protagonista. Desde então.Contra toda obviedade. trata-se do esvaziamento dos paradigmas atemporais junto ao surgimento da visão de mundo moderna cujas fórmulas explicativas da vida dos homens são historicizantes. o filme tangencia as indagações sobre quais critérios avaliam os atos humanos. Sua consciência não registra a experiência da mobilidade temporal e. Sabia quem era e aonde queria chegar. Leonard perdeu a natural habilidade de compreender e explicar o fluxo do tempo. Além de ser um engenhoso quebra-cabeça. sendo realizado ou não. Não que tivesse desaprendido o significado das palavras antes/passado. esses dilemas exprimem as múltiplas faces de um lento processo de alteração cognitiva. Eles encerram o simultâneo processo de dissolução da idéia de uma natureza humana eterna. A questão é clássica. depois/futuro. Na marcha ré do tempo. será inexoravelmente esquecido. O que ele não possuía mais era a capacidade de reunir os fragmentos das suas ações emprestando-lhes algum sentido. Entre a memória de um passado perdido e a perseguição de um destino que. a conformação do indivíduo como cidadela livre e voluntária e a valorização da História e da mobilidade temporal como princípios de compreensibilidade dos assuntos humanos. Refém do esquecimento. mas não entendia se o que acabara de fazer era compatível com sua identidade e intenção. o protagonista está preso em um tempo eternamente atual. quer obstinadamente alcançar uma meta futura. E nos tempos modernos foi Maquiavel quem primeiramente fixou seus termos ao polarizar fortuna e virtude. Em outras palavras.

Inescapável. por sua vez. Diálogo entre horizontes temporais díspares. nos limites da nossa falibilidade. A História. a História consiste numa relação complexa. Sob esse aspecto. o historiador está preso ao presente e aborda o passado a partir dessa circunstância.Nesse sentido. Mais que a imprevisibilidade inscrita nas suas decisões (o que. a força dramática de Amnésia não reside somente no fato de o protagonista hesitar em agir. mútua e reciprocamente constitutiva do presente. Justo o contrário. quando perdeu o entendimento espontâneo da sucessão temporal. o filme é uma lição de teoria da História — digo. o passado é reinterpretado constantemente pelo presente que. Afinal. o filme interessa aos historiadores não apenas porque enfrenta o dilema dos efeitos perversos envolvidos nas nossas escolhas — situações em que a ação ou a omissão pode resultar em malefícios infinitamente piores que o previsto pelas (boas) intenções —. se reordena a cada atualização do ontem e reelabora novas projeções de futuro que. E tal como fazem os historiadores (os profissionais da memória). se viu obrigado a escolher e fixar os fatos dignos de serem lembrados para. forjar retrospectivamente uma série causal. reforçam (ou não) a necessidade de outras visões da História. a partir deles. Igual à personagem do filme. implica em resgatar uma História que compatibilize fins e meios. comprovar suas investigações. do passado. tornara-se incapaz de dar sentido àquilo que fizera. É claro que não se inventa o tempo passado. tal pertencimento ao presente não é. ou seja. Em outras palavras. é comum a todos os mortais). também reúne as condições de possibilidade (epistêmicas e ônticas) da inteligência historiadora. é uma aula de como o historiador lida com sua matéria prima: o tempo. é elaborada do presente. Em outras palavras. Leonard se depara como a perda da faculdade de lembrar e reconhecer suas próprias ações. seus esforços para compreender a marcha dos acontecimentos e enquadrá-los numa narrativa minimamente convincente passaram a ser tão arbitrários e artificiais quanto suas (in)decisões de agir. conseqüências com intenções. mas principalmente porque sugere que a inteligibilidade desse dilema supõe a construção em retrocesso de uma seqüência causal. Portanto. contudo. mesmo que estivesse orientado por todos os manuais de boa conduta ou animado pela mais maquiavélica das astúcias. Trabalhando com documentos. um interdito à inteligibilidade do passado. mais uma vez. do futuro. disse Marc Bloch. arquivos. de resto. os historiadores em geral estão sinceramente vocacionados a buscar a verdade dos fatos e procuram. registros. provas testemunhais etc. Pois se guarda os limites. (E caso façam inferências pouco 134 . sem memória.

à semelhança do roteiro de Amnésia. num regresso às avessas. mas resulta de pesquisa (cujos princípios metódicos pertencem a um corpus disciplinar reconhecido) e também de muito trabalho e esforço intelectual. a montagem de uma continuidade qualquer de eventos não é um dado natural. não se lançam ao passado saltando sobre um vácuo de tempo. Na oficina da História. os historiadores se entregam a tal tarefa na contramão do fluxo temporal. O que importa. Ele visita os clássicos. conecta todo esse material sob uma escrita literariamente arbitrária. antes mesmo de lidar mais estreitamente com as fontes primárias. porém. seus passos de pesquisa (leia-se método) em vez de serem meras 135 . e a despeito das suas inclinações teórico-metodológicas. os historiadores recuperam os atuais vestígios do passado e. não é contrapor o “realismo histórico” à admissão da liberalidade construtiva do historiador. Trata-se. não será catapultado do hoje à civilização babilônica. considerando que pertencem a uma comunidade de intelectuais atentos. define seus significados. dificilmente concordariam com a hipótese de que são ficcionistas. Trata-se de uma empresa cognitiva que critica e seleciona fatos. Quer dizer. antes. reconstroem (no limite. O retorno ao passado não é um simples transplante do hic et nunc para o período histórico que pretendem investigar. inventam) a ordem da contigüidade factual estabelecendo suas conexões causais. estabelece as séries seqüenciais em que se encaixam e. por exemplo. Diferentemente do memorialista. os autores consagrados e o círculo de idéias que ao longo dos tempos se produziu sobre seu objeto de interesse não só por cautela. Com efeito. o historiador mesmo que seja protagonista dos acontecimentos não os lembra espontaneamente. Além disso. mas porque nesse reconhecimento à tradição intelectual reside seu caminho de aproximação com o passado. de enfatizar a artificialidade do empreendimento historiográfico. por fim. competitivos e prontos a lançar dúvidas sobre as conclusões uns dos outros. artífices inventivos de um mundo imaginário. vale lembrar que o debate interpares consiste numa instância limite para aferição do que é social e historicamente aceito como verdadeiro.) Portanto. Esta aproximação artificial e regressiva é nítida quando. fantasioso e irreal. caso estude a antiguidade oriental. A questão não se cinge à oposição entre as evidências empíricas e a margem de autonomia do intérprete da História. Afinal. o historiador cerca o debate historiográfico em torno do seu objeto de pesquisa.convincentes. Ao invés disso.

Não que o tempo seja criatura da consciência histórica. Dessa forma. Prisioneira do presente. a faculdade mnemônica não existe a priori do próprio empreendimento que busca compreender a ordem dos fatos. 136 . Todavia. a inteligência historiadora é artífice do tempo. Ao registrar o sentido das ações. Escolha se quer fazer a descritiva ou a crítica. convidando os historiadores a refletirem sobre seu ofício.com. Gadamer explora tal questão). como romance. estabelecer início e fim dos processos factuais.br/022/22ccortes. Justo o contrário — para usar os termos de Heidegger. os historiadores emprestam ritmo e significado à experiência da mobilidade temporal. devem ser considerados em si mesmos como um modo de resgatar a própria historicidade dos elos que vinculam o presente ao passado. Selecione um objeto (textos. filmes). a historicidade da investigação — o pertencimento da razão histórica ao tempo presente — se expressa nos procedimentos metódicos que foram sendo adotados e o historiador precisa tornar essa dimensão do seu trabalho intelectualmente produtiva (em Verdade e Método. Saiba mais Visite o site: http://www. você deve estar apto para escrever a sua. se pode dizer que ela encontra no tempo a sua morada.técnicas de investigação.espacoacademico. assim como em Amnésia. Faça várias leituras para ganhar familiaridade com o texto. obras culturais. E o filme encerra essa lição: descreve os passos de (des)construção do sentido do tempo. conectar intenções e conseqüências e descrever o rumo dos acontecimentos.htm 1a Atividade em aula Depois de ter lido as resenhas. peças de teatro.

De que trata o texto? Qual a característica principal? Descrição do conteúdo e dos capítulos ou partes da obra. Cabe. Para facilitar a descrição do assunto. devem ser apresentados os seguintes itens: a) Resumo da obra – resumo das idéias principais. simples. Na conclusão. editora. objetivo. sugere-se a construção dos argumentos por progressão. procura-se mostrar a importância dele. No desenvolvimento. Na introdução. Uma vez apresentado o foco de interesse. títulos. formação universitária. data. de modo a haver sempre uma relação evidente entre um elemento e o seu antecedente. nesse momento. 2. b) Credenciais do autor _ informações. título da obra. idealista? O autor atingiu os objetivos propostos? O texto supera a pura retomada de textos de outros autores? Há profundidade na exposição das idéias? A tese foi demonstrada com eficácia? A conclusão está apoiada em fatos? b) Indicações do resenhista A quem é dirigida a obra? A obra é endereçada a qual área do conhecimento? 137 . ou ao ponto de vista que será focalizado. local da edição. Qual a contribuição da obra? As idéias são originais? Como é o estilo do autor: conciso. b) Conclusões da autoria – A quais conclusões o autor chegou? c) Metodologia da autoria – Que métodos utilizou? Dedutivo? Indutivo? Histórico? Comparativo? Estatístico? Que técnicas utilizou? Entrevistas? Questionários? d) Quadro de referência do autor – que teoria serve de apoio ao estudo apresentado? Qual o modelo teórico apresentado? 3. realista. que consiste no relacionamento dos diferentes elementos. deve-se apresentar o assunto de forma genérica até chegar ao foco de interesse.Procedimentos para elaborar resenha científica: 1. nacionalidade. objetivo. a fim de despertar o interesse do leitor. livro ou artigos publicados. número de páginas. é importante (principalmente na resenha crítica) a) Crítica ou apreciação do resenhista – julgamento da obra. expor: a) Referência bibliográfica (autor. mas encadeados em seqüência lógica. formato).

São Paulo: Atlas. Para fundamentar a apreciação crítica.ABNT Consulte as obras: • GARCIA. João Bosco. São Paulo: Cortez. (idéia de exclusão – verbo no singular) O calor forte ou o frio excessivo prejudicam a saúde (idéia de inclusão – verbo no plural) 4. Metodologia do trabalho científico. grande parte de . • MEDEIROS. a maior parte de. João Bosco. 2. A maioria.. mas se a crítica apresentada é impressionista (gosto/não gosto). levando em consideração a validade ou a aplicabilidade do que foi exposto pelo autor. / Vossas Senhorias estão de acordo comigo. 2000. 138 .verbo no singular ou plural. Comunicação em prosa moderna. não apenas emocional (gosto/ não gosto). 3.verbo na 3ª pessoa. resumos e resenhas. deve-se levar em conta a opinião de autores da comunidade científica. Rio de Janeiro: FGV. • SEVERINO. Grande parte dos eleitores votou/votaram. Se o sujeito for um pronome de tratamento . São Paulo: Atlas.Dica importante A apreciação crítica deve ser feita em termos de concordância ou discordância. Antonio J. A resenha bem redigida é uma valiosa ferramenta de pesquisa. Redação científica – a prática de fichamentos. Vossa Senhoria não é justo. Othon M. além da visão de mundo. • MEDEIROS. 2002. 2003. Abaixo estão os nomes dos participantes. 3ed. Pedro ou Paulo será eleito. Sujeitos ligados por ou – verifique a idéia. Dicas de revisão gramatical Concordância Verbal 1. ela deixa de ter interesse para o pesquisador.1997. Pesquise: Metodologia científica Referências bibliográficas . com base em uma leitura racional.O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Redação científica.

nada a alegrava.verbo na 3ª pessoa do singular. Mais de duas pessoas vieram à festa 6. Com o pronome relativo que . Fomos nós quem falou/falamos. Risos. se houver um pronome síntese. Com a expressão nem um nem outro . 10. Hoje é dia dez. Com a expressão um ou outro . 9. Os Lusíadas são/é a obra de Camões. uma hora. piadas. 13. Com a expressão mais de + numeral .verbo no singular.verbo no singular ou no plural. Um e outro falava/falavam a verdade. Estão ausentes a família e a escola. Os Estados Unidos são uma nação poderosa. Mais de um candidato prometeu melhorar o país.concordância normal ou atrativa (com o núcleo mais próximo) Está ausente a família e a escola. Com a expressão um e outro . concordância com o pronome. Mas. Eram seis horas. Um ou outro rapaz virava a cabeça para nos olhar. 12. 8. Estados Unidos é uma nação poderosa. um dia passa/passam rápido. Nomes só usados no plural . 14. concordando com a expressão numérica ou a palavra a que se refere.verbo singular ou plural. gracejos. 139 .verbo concorda com o numeral. Fui eu quem falou/falei. Com sujeito composto posposto ao verbo . Um minuto. concordando com o pronome quem ou com o antecedente. Com o pronome relativo quem . Com sujeito composto por: • núcleos em gradação . (facultativo para nome de obra) 7.verbo concorda sempre com o antecedente Fomos nós que falamos.5.verbo no singular.a concordância depende da presença ou não de artigo. 11. O verbo ser é impessoal quando indica data hora e distância. Nem um nem outro falava a verdade.

observar a posição do número percentual em relação ao verbo. Chocolates. (vender-pres. balas.) 5.verbo no plural.(invadir. Com sujeito paciente ao lado de um verbo na voz passiva sintética . Com a expressão um dos que .verbo no singular. Dez por cento dos sócios saíram da empresa.ind.perf.15. Sujeito indeterminado + SE (IIS) .ind) 7.(agradar-pret. 20.ind.perf.perf. (vir.observar presença ou não de vírgulas. O presidente. Cerca de duzentas pessoas ____________________(morrer-pret. _________________ o vento e a chuva. 18.pret. 17.ind) 4. 16.imperf. 19. O verbo concorda com o termo posposto ao número. Eu com outros amigos limpamos o quintal. nem a glória lhe trouxeram a felicidade. 1.ind. Se o sujeito for composto ligado por com .(ficar-fut.pret. Napoleão com seus soldados ___________a Europa. Com sujeito composto ligado por nem . Você ou ele ____________________ com o cargo.ind) 2.) Veja as respostas na aula on-line 140 .) 8. o verbo no plural sem vírgulas. Se o sujeito é número percentual . desembarcou em Brasília. Sabe-se que 80% da população tinha mais de 21 anos. O professor. O vento e a chuva _____________ a plantação.Pret. o verbo no singular com vírgulas. com seus alunos _______________ao teatro.) 6.verbo concorda com o sujeito Alugam-se casas. (destruir-pret. nada ____________ . (ir-fut.pres.perf. com os ministros.ind.ind) 3. __________________-se apartamentos. Precisa-se de balconistas.verbo no singular (um) ou plural (dos que) Ele foi um dos que mais falou/falaram. Nem o poder. sorvetes. 2a Atividade em aula Vamos exercitar? Complete as lacunas com os verbos entre parênteses no tempo indicado. idéia de companhia.

relembrou regras de concordância verbal – assunto importante para que você não cometa “gafes” quando se apresentar para as pessoas.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. Prepare-se para viver grandes emoções! Até lá! 141 . exercitou sua capacidade de juízo crítico e sua habilidade para produzir texto científico. em palestras. entre outros. em reuniões. Próxima aula Na próxima aula. você aprendeu a fazer resenha descritiva e resenha crítica. em entrevistas. o assunto é texto literário e texto não literário. Além disso. Exercitou a capacidade de ler analiticamente. em provas de concurso.

1412. naquele em que os dicionários registram em primeiro lugar. FERREIRA. Obscuridade que reina durante esse tempo. p. Uma palavra empregada no sentido usual. noite nas águas. literal. 88. Aurélio Buarque de Holanda. p. 1969. é importante distinguir dois níveis de linguagem: denotativo e conotativo. distinguir as duas e empregá-las adequadamente na elaboração do texto. 142 . no fundo de mim.Função referencial e função poética da linguagem Na aula de hoje. na pedra. Leia agora este trecho do poema e traduza o sentido que o autor procurou estabelecer à palavra “noite”: “É noite. Saiba mais Noite = Espaço de tempo em que o Sol está abaixo do horizonte. fez-se desânimo. escuridão. 1999. Sinto que nós somos noite. Carlos Drummond de. Procure no dicionário o sentido da palavra “noite”. que palpitamos no escuro e em noite nos dissolvemos. Para que você saiba o que é função referencial e função poética da linguagem e perceba as diferenças entre elas. você deverá identificar a função referencial e a função poética da linguagem.. Sinto que é noite não porque a sombra descesse (bem me importa a face negra) mas porque dentro de mim. Novo Aurélio Século XXI: O dicionário da língua portuguesa. por exemplo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. dizemos que está empregada em seu valor denotativo. 3ª ed.” ANDRADE. Rio de Janeiro: José Olympio. Reunião. comum.Aula 15 . o grito se calou. trevas. Sinto que é noite no vento.

b. • Linguagem denotativa ou denotação. continuaram a viagem. Uma flor às mulheres. ela me deu um delicioso beijo na face. Essa linguagem caracteriza a mensagem referencial. caso a palavra estiver empregada no valor conotativo: a. e. não. h. Uma palavra usada no sentido figurado. d. nesse caso. dizemos que é usada no valor conotativo. 1a Atividade em aula Coloque nos parênteses a letra D. afetivo. O que sentirei quando se aproximar o entardecer de minha vida? c. As grandes metrópoles envolvem o homem em seus braços frios. sentimentos ou conceitos. quando a palavra destacada em itálico estiver empregada no valor denotativo. assume significados múltiplos e subjetivos. Uma flor.Qual é o sentido da palavra “noite”? Será o mesmo definido nos dicionários? Com certeza. no seu dia. Função referencial da linguagem A linguagem denotativa é construída em bases convencionais. g. f. Ao chegar à festa. Após a tempestade ter acalmada. 143 . coloque a letra C. relacionadas com emoções. o Marcos! j. Os braços dela eram sensuais. No rosto do rapaz transparecia a fúria de uma tempestade interior. sugerindo outras idéias de ordem abstrata. produzindo informações definidas. sem ambigüidades. elaborada em função das normas do código. O entardecer é exuberante nos dias de outono. O Vale do Jequitinhonha expressa a aflita face da miséria. claras. A palavra “noite”. transparentes. transcendendo ao sentido comum. i. Veja as respostas na aula on-line A ciência e o jornal: mensagens referenciais Pesquise: • Função referencial da linguagem.

Funções da linguagem. mas verossímeis. São Paulo. A linguagem não apresenta nenhuma combinação nova ou inesperada de palavras. a estrutura da mensagem dos noticiários de rádio e televisão e a comunicação nas empresas. também. São Paulo: Editora Esetec. Saiba mais . É a mensagem que se propõe informar o leitor. começariam a invejar os mortos. de repente. Samira. O uso da função referencial marca-se.Por ser uma forma de comunicação direta.Bibliografia: • ARMELLEI. que tem intenção de produzir uma informação teórica. • CHALHUB. Usos da linguagem. estas são algumas das conclusões a que chegaram 23 cientistas da Europa Ocidental. Organiza. ou seja. O uso da função referencial é dominante no discurso científico. volume II. São Paulo: Ática. Leia este artigo publicado na Revista Isto É e observe esses elementos: Faça o registro no seu caderno. Em meio ao apocalipse. a informação. Ed. Coleção Leitura & Escrita: Funções da Linguagem. Martins Fontes. de quem ou do que se fala. órgão das Nações Unidas. Genice & BASEIO. lingüisticamente. mesmo em países distantes. encomendou um estudo sobre as conseqüências médicas de uma guerra nuclear. Estados Unidos e Rússia. a quem a Organização Mundial da Saúde (OMS). • VANOYE. e por longos anos se multiplicariam os casos de câncer e aberrações genéticas. ressurgiriam epidemias extintas desde a Idade Média. transmitindo-lhe dados e conhecimentos precisos. Aterradoras. a função referencial da linguagem está presente em quase todas as mensagens do nosso cotidiano. quando nos referimos a situações que nos rodeiam e quando conversamos. Dora Fontana. 144 . com o traço da 3ª pessoa do verbo. Francis. Sobre a Terra devastada restariam alguns poucos hospitais. “Os vivos. 2004. Walter Júnior & FRANK. O plano de expressão de um texto referencial não tem nenhuma relevância. Metade do corpo médico teria desaparecido e nas farmácias todo o estoque de medicamentos do mundo não bastaria para aliviar o sofrimento de apenas um terço das vítimas. pois sua finalidade é apenas veicular conteúdos. Série Princípios. Está centrada sobre o referente.

. utilizando-se da mesma indicação bibliográfica citada na página 144: •Função poética da linguagem •Linguagem conotativa ou conotação. contribuindo também para a significação global. canções populares e em outras produções verbais. utilizam-se recursos de forma e de conteúdo que invocam o nosso olhar para a própria mensagem. slogans publicitários. de modo que. que criam efeitos sonoros e rítmicos no texto e desenvolve o sentido conotativo das palavras – o chamado sentido figurado ou metafórico. mas o modo como se diz. mas recria-lo nas palavras. nele. importa não apenas o que se diz. o artigo da Revista Isto É. (Vinícius de Moraes) 145 . e perceba as diferenças. os especialistas contratados pela OMS valeram-se de conhecimentos científicos e do saldo da terrível experiência de Hiroshima e Nagasaki – as cidades japonesas onde. (. Há predominância da função poética nos textos literários – prosa ou verso. A rosa de Hiroshima Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose a anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada. se utilizou pela primeira vez uma bomba nuclear contra seres humanos. causando-nos surpresa. Essa função se manifesta a partir da exploração de certos recursos expressivos da linguagem. O texto não procura apenas informar o leitor. em agosto de 1945. estranhamento e prazer estético. dizer o mundo. Podemos encontrá-la também em textos de propaganda. A literatura e a função poética Compare este poema com o texto anterior.)” A literatura e a função poética Pesquise.. Na elaboração da mensagem.Para chegar a tão sinistras previsões. Função poética da linguagem Na função poética da linguagem. o plano de expressão articula-se com o plano do conteúdo.

quando?. enfunadas. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol. E o violinista em que a morte acentuou a palidez. em que predomina a função poética da linguagem. E o sino que ia para uma capela do oeste. quem estava envolvido?. 146 . que ela pensou ser o pára-quedas. portanto. E vejo a louca braçada ao ramalhete de rosas. despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivário. mais rápida porque vem sem vida. como se dançassem ainda. vem como uma estrela cadente. um texto não-literário. reescreva o texto de forma que simule uma notícia de jornal. vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. reescreva o texto de forma que envolva o leitor. isto é. o paralítico vem com extrema rapidez. proceda inversamente ao exercício anterior. uma notícia de jornal. vir dobrando finados pelos pobres mortos. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo. vejo o piloto que levava uma flor para a noiva. e a primadona com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. a linguagem denotativa. Empregando a função poética da linguagem. Vejo três meninas caindo rápidas. no seu último salto de banhista. Vejo sangue no ar. a linguagem conotativa. Empregando a função referencial da linguagem. Lembre-se de que uma notícia de jornal é relato de um fato novo que desperta o interesse da comunidade e deve. isto é. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. informar ao leitor: o que aconteceu?. em revistas ou jornais. despertando-lhe emoções. Vejo a nadadora belíssima.2a Atividade em aula O texto a seguir é um texto literário. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. como ocorreu? E por quê? O grande desastre aéreo de ontem Para Portinari “Vejo sangue no ar. Selecione. onde?.” (Jorge de Lima) 3a Atividade em aula Desta vez. tão tranqüila e cega! Ó amigos. vem com as pernas do vento. Chove sangue sobre as nuvens de Deus. abraçado com a hélice.

A adequação entre a exigência do contexto e a escolha certa do vocábulo e o conhecimento de seu significado preciso revelam um eficiente uso do vocabulário. Mas só adquirem um valor e sentido precisos dentro do contexto fraseológico em que estão inseridas. Os territórios foram separados por uma linha divisória. outros exemplos do valor polissêmico de certas palavras igualmente ricas em significado. Escreva bem em cima da linha. Inicialmente. com muita nitidez. e. ação.Lembre-se de que uma narrativa literária deve conter alguns elementos como: personagens. Ao longe. enredo. i. que é a frase. Denomina-se polissemia o fenômeno ocorrido com a palavra que é capaz de simbolizar várias idéias. percebia-se a linha do horizonte. havia vários carretéis de linha. Quando puxei a linha. que conta a história em primeira ou terceira pessoa. h. No cesto de costura. E assim. f. A linha telefônica ficou interrompida após a tempestade. você deve buscar no dicionário. tempo-espaço e um narrador. As palavras possuem vários sentidos e valores. como já vimos. conceituando com uma explicação o sentido que assume nas seguintes frase: a. 4a Atividade em aula Leia este artigo publicado na Revista Isto É Constate o caráter polissêmico da palavra linha. ou em meio às inúmeras expressões que constituem nossa linguagem. 147 . c. dependendo do contexto lingüístico em que se encontra. surgiram dois peixes grandes. Ela perdeu a linha ao ouvir a minha resposta. j. b. foi definida a linha básica da discussão. Dissociar uma palavra da frase é despojá-la de seu sentido. g. d. Ele caminha em linha reta. Este ônibus faz a linha Centro – Santo Amaro.

Você perceberá que a linguagem oferece recursos ricos para que você expresse suas idéias e suas emoções. você aprendeu vários conceitos importantes como: função referencial e função poética da linguagem. iremos trabalhar com a elaboração do seu currículo. conotação e denotação e o valor polissêmico das palavras.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. Procure pesquisar todas as funções da linguagem na bibliografia indicada. Até breve! 148 . Vale a pena! Próxima aula Na próxima aula.

Saiba mais . as suas principais habilidades e competências. Com o objetivo de criar sensibilização para essa tarefa. de forma resumida. Você deverá também adquirir alguns conceitos básicos sobre a concordância nominal e utilizá-los corretamente em seus textos. de forma poética. Significa. o desafio de escrever sobre o Eu. numa procura Fugir as armadilhas da mata escura Longe se vai sonhando demais Mas nunca se chega assim Vou descobrir O que me faz sentir Eu caçador de mim 149 . Elaborar o seu currículo. escrever sobre si mesmo. significa apresentar. o seu perfil profissional e traços marcantes de sua personalidade.Como elaborar um currículo moderno O objetivo da aula de hoje é oferecer instrumentos e informações para que você elabore o seu currículo. leia estes dois poemas que expressam.Caçador de mim Por tanto amor Por tanta emoção A vida me fez assim Doce ou atroz Manso ou feroz Eu caçador de mim Preso a canções Entregue a paixões Que nunca tiveram fim Vou me encontrar Longe do meu lugar Eu caçador de mim Autor desconhecido Música de Milton Nascimento Nada a temer senão o correr na luta Nada a fazer senão esquecer o medo Abrir o peito à força.Aula 16 . sobre seu próprio Eu. enfim. Um currículo objetivo e atualizado.

Objetivos de um currículo Ao redigir o currículo. varia entre as seguintes opções: alguns selecionam o candidato pelos pontos positivos observados. O método de trabalho desses profissionais. fazem por eliminação. tente imaginar. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. a personagem EU.Narre um fato de sua infância que você considere significativo para sua formação. pondera: outra parte delira. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente.que é uma questão de vida ou morte – será arte? Ferreira Gullar Atividade em aula 1º . As qualificações descritas serão julgadas para definir se o candidato se adapta ou não à cultura do empregador. linguagem. salvo raríssimas exceções. Procure traduzir. sempre de olho nos aspectos negativos. uma biografia em que sobressaiam aspectos expressivos e pitorescos de sua vida. resumidamente. desvendando-se em sentimentos e idéias. O currículo. 2º . será apenas mais um entre os muitos que vão ser selecionados pelos recrutadores. outros. em geral. em palavras.Traduzir-se Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte. Traduzir uma parte na outra parte .Elabore. Uma parte de mim pesa. com detalhes. 150 . o caminho que ele deve percorrer dentro de uma empresa.

Nunca envie xerox. o que pode melhorar. 151 . o ponto aonde pretende chegar. empresas onde já trabalhou. ainda. A letra maiúscula não é recomendável e letras muito pequenas dificultam a leitura. buscam combinação entre as características do candidato à vaga. Para isso. além de outros itens julgados importantes. experiência profissional. personalizando o documento de acordo com a empresa. recomendado pela ABNT. maior a chance de ser bem sucedido na seleção. Quanto maior o equilíbrio entre os fatores. • Não use papel de tamanho fora do comum. O ideal é papel branco liso. A linguagem adotada é compreensível mesmo para quem não é da área? 4.Os empregadores. Avalie também a sua situação atual. • Cuidado com a apresentação: o documento deve estar em bom estado. principalmente. Pergunte-se: 1. e tome cuidado para a margem não ficar muito estreita. Estabeleça os seus objetivos Quanto mais direcionados forem os seus objetivos profissionais. devem receber tratamento especial. as exigências do trabalho e. fico feliz com minha descrição? 2. Posso ser contatado em meu atual emprego ou isso pode causar complicações? 3. identifique todos os itens que julgar fundamentais para alcançar o seu objetivo. Deixei de lado alguma informação pessoal que tenha importância específica para meu currículo? 5. Cuidado para não exagerar. mas procure mostrar que você é o profissional adequado à vaga oferecida. sem erros de português e perfeitamente legível. melhores serão as chances de sucesso na procura de um novo emprego. em geral. As informações pessoais e profissões que escolhi passam uma impressão satisfatória e fiel à realidade? Como preparar o seu currículo • Seu nome. em relação à cultura da empresa. quais as suas virtudes e defeitos e. tipo A4. • Seja objetivo (duas páginas são o suficiente). Ao ler meu currículo.

por exemplo. agora. O currículo contém alguma informação que dê uma idéia da personalidade do entrevistado? 4. Números de documentos e filiação. ressaltando suas qualidades e seus planos. Pesquise antes os sites: .br/cv. O currículo demonstra a velocidade e direção do progresso da carreira do candidato? 5. Encare-o como um “cartão de visitas” ampliado.br/elaboracaocv Dicas sobre revisão gramatical Princípio geral sobre concordância nominal Observe estes exemplos: “Alta noite. Há muitos erros de gramática e/ou digitação? 3. redija uma carta de apresentação.br .www. As qualificações são pertinentes com as instituições descritas no currículo? 7.asp .conteudoescola. • Nunca assine o currículo. Dez itens que são avaliados em currículos 1.www. o seu currículo.fae. Caso queira. interessam quando você for admitido pela empresa.bibli.catho.com. com base nas informações e orientações sugeridas.• Evite abreviar os nomes das empresas onde já trabalhou e das escolas onde estudou. O candidato tem outras habilidades pertinentes? 2.unic. Qual a permanência média do candidato nos empregos? 8. lua adjetivo subst subst quieta adjetivo 152 . O candidato está fazendo um movimento lógico na carreira? 9. Há lapsos de cronologia no currículo? 6.unicamp. Há evidências de ascensão profissional no currículo? 10. O estilo do currículo indica um candidato bem organizado? 3a Atividade em aula Elabore.www.www. são dados de pouca importância no currículo.com.br/ciee/pages/curriculo.htm .

Gramática da língua portuguesa. Celso Pedro. 2. Meireles) subst O adjetivo e as palavras adjetivas. São Paulo: Nacional.. apenso são adjetivos. CUNHA. Português instrumental. adjetivo. quite(s) Envio-lhe anexo adjetivo meu currículo substantivo para análise.” (C. 153 . Anexo(s). concordar com o gênero e o número do nome (substantivo) a que se referem. significa “livre”. “desobrigado”. Seguem anexas as cópias adjetivo substantivo do contrato. 3. Meireles) “Não serei o poeta de um art mundo caduco” (Drummond) subst art subst “Tenho apenas duas numeral mãos e o subst art sentimento do mundo” (Drummond) subst “Toca essa pronome música de seda. as expressões “em anexo” e “em apenso” devem ser evitadas. Anexo. João Bosco. devem. Celso Ferreira. incluso. Porto Alegre: Globo.Pesquise as regras de concordância nominal nos livros: 1. pois tais palavras são adjetivos e não advérbios. e deve concordar com o número do nome a que se refere. Embora sejam comuns. adjetivo praia subst rasa” adjetivo (C. Evanildo.Muros subst frios. portanto. Estamos quites adjetivo com a Receita Federal. anexa(s). o artigo.. BECHARA. o numeral e o pronome são palavras modificadoras do nome (substantivo).] 4. na linguagem comercial e jurídica. Rio de Janeiro: Fename. São Paulo: Atlas. MEDEIROS. Moderna gramática brasileira. Moderna gramática portuguesa. LUFT. e concordam com os substantivos a que se referem em gênero e número. Quite..

pois. 2. disse a jovem. Pago o último boleto bancário. Obrigado pede a preposição por. e não “de nada”. 5. Anexo. 7. 3. As fotos enviadas anexo são da viagem de formatura. Muito obrigada. adjetivo substantivo Nós mesmas queremos agradecê-lo pela oportunidade. Incluso. estaremos quite. Minha advogada providenciará para que as cópias incluso sejam juntadas ao processo. 4. concordar com o gênero e número da pessoa que faz o agradecimento. digo eu a você”. Deve. seguem as cópias que você solicitou. eu própria Muito obrigada. Estou quite com os meus antepassados? Veja as respostas na aula on-line Muito obrigada. 8. Portanto. A um “obrigado” ou a um “obrigada”. Obrigado com significado de “agradecimento”. seguem os documentos ainda não assinados. a resposta adequada deverá ser: “obrigado (a). Se preferir. As cópias apensas devem ser juntadas ao processo. e não de. 154 . responda “não há de quê”. Se forem duas ou mais mulheres: obrigadas.4a Atividade em aula Corrija as frases incorretas: 1. 6. “grato”. eu mesma. “reconhecido” é adjetivo. A lista de preço anexa entrará em vigor no próximo mês. Se forem dois ou mais homens: obrigados. a um “obrigado” se responde “por nada”. disse a jovem.

advérbio ———> adjetivo Ela anda meio A palavra meio pode variar ou não. quando vem precedido de artigo. substantivo Bebeu meia dúzia de cervejas.5a Atividade em aula Complete as frases com a forma correta da palavra entre parênteses: 1. O diretor disse à recepcionista: . eu mesmo / eu mesma) Veja as respostas na aula on-line Meio / meia Achou um meio art subst. pronome. assim. • Meio é advérbio e. numeral ———> substantivo preocupada. adjetivo ou outro advérbio. Não era homem de meias adjetivo palavras. 155 . ela________pagou a duplicata. por isso. dizendo:_______________ (muito obrigado / muito obrigada) 3. numeral (determinantes). • Meio é numeral e.falou a jovem aos rapazes. varia. “________________. A cliente já quitou sua dívida. portanto. E acrescentou: podem deixar. quando indica a metade. quando se relaciona a um verbo.__________________costurarei o maiô”. quando vem acompanhando um substantivo. como tal. • Meio é adjetivo e. • Meio é substantivo e varia. de ganhar a vida.Quando receber a doação. dependendo de sua função. varia. não varia. você deve agradecer. (muito obrigado / muito obrigada. (mesma/mesmo) 2. Pesquise as classes gramaticais das palavras: palavras variáveis e invariáveis.

7. A sala de aula estava _____________caótica. você saberá aplicá-los em cada situação cotidiana. 8. objetividade e atualização. 5.6a Atividade em aula Complete com a palavra meio. Ela não usa de _____________palavras. 4. Até a próxima aula. Veja as respostas na aula on-line Síntese da aula de hoje Você aprendeu hoje a elaborar o seu currículo. promovendo a concordância adequada: 1. com certeza. Este é o único _____________ que eu conheço. 3. os princípios básicos de concordância nominal e. Ela comprou _____________ preta. As ondas estão _____________ bravas hoje. 6. A despesa ficou _____________elevada. 156 . Já era meio-dia e _____________ quando ela chegou. também. 9. Bebeu _____________ garrafa de cachaça e não caiu. Hoje a professora está _____________nervosa. 2. Precisamos descobrir um _____________de acalmá-la. 10. É um instrumento importante para que o mercado de trabalho conheça o profissional que você é. com clareza. Você aprenderá a redigir alguns documentos empresariais. Aprendeu.

ao mesmo tempo.Redação empresarial Na aula de hoje. É. decorrentes do processo de globalização e do aparecimento da mídia e da informática. você aprenderá a redigir alguns documentos empresariais. São características do moderno texto empresarial: • Concisão • Objetividade • Clareza • Coerência • Coesão • Linguagem formal e simples • Correção gramatical 157 . A correspondência empresarial é o conjunto de documentos por meio dos quais é estabelecida a comunicação interna e externa das empresas. Diferente do texto jornalístico ou literário. reconhecerá alguns vícios de linguagem que não devem ocorrer em sua produção escrita. o texto empresarial precisa ter eficácia. • Causar perdas lucrativas. Um texto mal escrito pode: • Desmotivar para a leitura. meio de comunicação e instrumento de marketing. • Produzir conflitos. Com as novas exigências de comunicação rápida e eficaz. A modernização dos textos empresariais tornou-se necessidade urgente.Aula 17 . • Gerar confusão de informações. • Causar retrabalho. a fim de obter resposta imediata do receptor. • Provocar falta de credibilidade. Além disso. a cultura empresarial tem se modificado sensivelmente.

Clareza é decorrente de nossa capacidade de organização das idéias na mente e a adequada transposição ao material idiomático. • Identifique e numere anexos. Objetividade consiste em expor apenas as idéias significativas. Pergunta-se: em que prazo será efetuado o serviço? 158 . A mensagem inteira deve ser lida em uma única tela. Linguagem formal e simples refere-se ao nível e estilo de linguagem que segue a norma gramatical vigente e deve ser compartilhado com o destinatário a fim de garantir a comunicação e assegurar uma boa imagem da empresa. Correção gramatical é o uso adequado da norma culta. Se for maior. Vejamos fragmentos de textos. resuma em poucas palavras o que será tratado. • Cuide do português. A curto prazo é inadequado. anexe.Saiba mais Concisão consiste em expressar o máximo de informação com o mínimo de palavras. • Pesquise sobre netqueta.: Regina Ramos Comunicamos que o serviço solicitado poderá ser executado a curto prazo se os documentos requeridos na carta anterior forem providenciados o mais rápido possível. Dicas para escrever correspondência eletrônica • Seja objetivo no campo assunto de seu e-mail.: senhor(es)/ Diretor(a)/ Não é possível :Datilógrafo(a) – datilografoa. • Assine a mensagem. Evite gírias e abreviações.o correio eletrônico é caracterizado pela versatilidade e rapidez. • Use mensagens breves e diretas . Use “em curto prazo”. cartas. se possível Ex. • Prefira as fontes Times New Roman ou Arial para garantir que será lida. correspondências que contêm expressões inadequadas: São Paulo. 02 de agosto de 2005. sem desvios. Coesão e Coerência são as qualidades resultantes da conexão harmônica entre idéias de forma a produzir sentido. • Faça saudações. relatórios. • Só use parênteses em formas combinadas. À Vitória Editora At. • Revise.

portanto a expressão “através do telefone” deveria ser “por meio do telefone”.br/sk-write.br/redacao. 159 . em médio prazo”.htm http://www. -> por entre: Estudou através de anos. a forma verbal não perde a terminação s. • Antes de lhe e lhes.org. mais informações e não maiores ou menores.html http://www.A resposta deve ser “em curto prazo.: (attention). estamos no Brasil. a não ser que o envelope seja janelado. por favor. geralmente. Através só deve ser utilizado com as seguintes acepções: -> de um lado para o outro : Viajou através do país. pois não agregam informação. • Evite iniciar a carta com “venho por meio desta”. pois. -> ao longo de: Andava através dos jardins. Atenciosamente. “venho através desta”.gov. já que o telefone é o meio pelo qual a empresa poderá entrar em contato..br/portal/palestras/klickeducacao/ http://www. At.com. Prefira: Informamos que. Estela Fontana Evite maiores informações. Saiba mais .mariopersona. Solicitamos. “venho pela presente”..br/Diretoriageral/Estudos/Guia2.: ( à atenção de) e não Att.espirito.Consulte os links: http://www. mas antes de nos cai o s no final do verbo. pois o que se deseja são informações melhores. • Evite terminar a carta com “sem mais”. No sentido de meio. O adequado é mais informações.mp.sk. você necessitará falar novamente com a pessoa. Maiores informações podem ser obtidas através do telefone 9987-5634.com. usa-se por meio de. em longo prazo.html Outras dicas para escrever carta • A/C (aos cuidados de) deve vir no envelope e não dentro da carta.sp...

• Os pronomes de tratamento (Vossa Senhoria. Em domicílio é utilizada quando o verbo ou nome que o precede forem estáticos. À partir de segunda-feira.: Fazemos entrega em domicílio (em casa). não há encontro da preposição a com o artigo a. Vossa é usado em relação à pessoa com quem se fala e Sua em relação à pessoa de quem se fala. sendo nosso horário de almoço meio-dia e meio e passamos a fazer entregas a domicílio. que peçam a preposição a. Mais dicas Homem diz OBRIGADO. pois a preposição vem seguida de verbo. portanto. O adequado é meio-dia e meia: meia refere-se à hora (meio dia e meia hora).: Vamos a domicílio executar o serviço (vamos a casa). no nível municipal. Ex. Comunicamos que o nosso horário de atendimento foi alterado. Existem as duas expressões . 10 de agosto. Em a partir: não há acento indicador de crase. atenderemos das 8h30min às 18h. em nível de supervisão. Atenciosamente. Ex. Prezados clientes. A domicílio é utilizada com verbos de movimento. EM CORES (não a cores) 160 . Vossa Excelência) exigem verbos e pronomes na terceira pessoa. São Paulo. Senhor. porém são utilizadas em situações diferentes.em domicílio / a domicílio. (ao nível do mar) EM NÍVEL DE: em nível estadual. A NÍVEL DE NÃO EXISTE AO NÍVEL DE: à mesma altura de alguma coisa. Mulher diz OBRIGADA. 08 de março de 2005.

161 . EM FÉRIAS: um funcionário entra “em período de férias”.assistir alguém Ela assiste aqui (morar) OBEDECER/DESOBEDECER Obedeceram aos pais. Correto: Chegou o material que eu aguardava. acho que deveria melhorar sua postura. ajudou). (socorreu.(desejar).obedecer a alguém ou a algo PAGAR /PEDIR/ PERDOAR –algo a alguém Paguei os honorários ao advogado.assistir a algo O médico assistiu o doente.ENQUANTO .(respirar) – aspirar algo ASSISTIR Assisti ao jogo (presenciar). Perdoei ao meu pai. Ele trouxe idéias novas. Não é possível usar: Enquanto professor. eu trabalho. VISAR Visamos à realização profissional.(desejar). acho que deveria melhorar sua postura.: Chegou o material que eu aguardava.não podem ser usados para substituir substantivos (com função pronominal – nomes e pronomes).visar a algo Visei o cheque. Enquanto você canta. O mesmo trouxe idéias novas. (Correto: Como professor.aspirar a algo Aspirava o pó. Não se usa enquanto que. Obedecemos às leis. PREFERIR – uma coisa a outra Prefiro ir ao shopping a ficar em casa.significa ao passo que. SEJA/ESTEJA Não existe seje nem esteje. Pedi que minha mãe viesse.) MESMO(s) E MESMA(s) .Ex.(pôr visto) – visar algo IMPLICAR – uma coisa implica outra A conquista implica trabalho. ASPIRAR Aspirava a um cargo melhor..

(a fim de/ afim de) 2. optou-se pela absolvição. _____________. O professor havia _____________ o presente. Saí _____________ minhas necessidades. abordaremos a questão da identidade cultural. (À medida que / Na medida em que) 5. subiu. O caso passou _____________ (despercebida/desapercebida) 162 . Cuide da pronúncia • Advogado(d mudo) • recorde – recordes • rubrica • gratuito – intuito . _____________ chovia. (de encontro a/ao encontro de) 13. Estou _____________ convidá-lo para a festa. (anexo) 7.(aceitado/aceito) 3.JUNTO A . (ao invés de. O dólar. _____________ não existiam provas. em vez de) 10. (anexo) 8. Nenhum presidente pode ir _____________ desejo da população. O convite foi _____________ (aceitado/aceito) 4. Está _____________ o documento. Estão _____________ as faturas. Usei dólar _____________ real. toda teoria deve ser comprovada na prática.resigna ( g mudo) • subsídio (som de s) como subsolo Cuide da grafia • Reivindicar • asterisco • beneficente • privilégio • sobrancelha 1a Atividade em aula Complete as lacunas: 1. _____________ cair. inundava tudo. (a princípio/ em princípio) 11. (ao invés de. Consegue-se empréstimo no banco.ao lado de Então não é possível conseguir um empréstimo junto ao banco. em vez de) 9. (a princípio/ em princípio) 12. _____________.circuito • impregna-designa-estagna-consigna-impugna-repugna. (À medida que / Na medida em que) 6. (de encontro a/ao encontro de) 14.

não irei viajar. (perca/perda) 23. Essas foram as habilidades que você exercitou na aula de hoje. (mal/mau) 19. (Descriminou/ Discriminou) 17. A minha _____________ na capital foi excelente.15. Espero que vocês _____________ bem. Ficaram para _____________ todas as mágoas. Escrever com correção e com clareza é fundamental para o sucesso profissional e pessoal. técnicas de comunicação oral. Ele sempre _____________ boas notícias. (Descriminou/ Discriminou) 16. postura. como entrevista. Assuma uma nova postura. (traz/trás) 26. apresentação pessoal. (se não/ senão) 21. depois fui a uma _____________ de cinema. Visitei a _________ de esportes da loja. por isso ficava de __________humor. Bateu o carro de deu _____________ total.(estada/estadia) 18. a linguagem do corpo entre outras curiosidades. Espero que vocês façam uma boa _____________ (viagem/viajem) 27. (traz/trás) 25.(seção/sessão) 20. Espero que você não _____________ tempo. Estava ________ de saúde. Até breve! 163 . _____________ o uso da maconha. __________ tiver dinheiro. (viagem/viajem) Veja as respostas na aula on-line Síntese da aula de hoje Falar e escrever bem são ferramentas importantes para quem precisa e quer caminhar rapidamente na vida profissional. (se não/ senão) 22. _____________ os habitantes das favelas. ________ teremos problemas. (perca/perda) 24. elaboração de currículos. Próxima aula Na próxima aula serão apresentadas outras dicas sobre situações profissionais.

Aula 18 .com. Os entrevistadores estão treinados para “ler” os sinais do corpo. apresentação pessoal.vocesa. esparramar-se na cadeira. momento de perguntas abertas. de sua cultura. porém. como olhar nos olhos ou balançar a cabeça para quem está falando. também. Faça uma pesquisa. colocar os cotovelos na mesa. a linguagem do corpo e outros detalhes. 164 . que o candidato vista-se de acordo com a vaga disputada e com a cultura da empresa – não é conveniente. Portanto. vestir terno para uma entrevista em uma agência de publicidade que adote um estilo bem informal. Consulte o site: www.abril. que pedem respostas elaboradas e não monossilábicas. Sobre a maneira correta e adequada de vestir-se para uma entrevista. já que “o corpo fala”. que podem ser tão reveladores quanto às palavras. serão direcionadas ao conhecimento profissional e à organização.br O entrevistador não deve ser tratado com intimidade. o selecionador analisa as qualificações descritas para definir se o candidato se adapta à cultura da empresa. Ao receber o currículo. da Editora Abril tem sugerido em várias edições recentes. a revista Você S/A. Preenchidos esses requisitos. postura. passar a mão constantemente no cabelo.Entrevista Na aula de hoje. ou vestir-se descontraidamente para uma entrevista conservadora. contudo gestos de apoio. além de pessoais. Antes de ir à entrevista. porém com linguagem simplificada. por exemplo. sem rodeios que tornam as frases longas e sem objetividade. dos produtos que fabrica. é necessário um estudo detalhado dos negócios da empresa. serão apresentados vários aspectos importantes que compõem uma entrevista: técnicas de comunicação oral. pois. buscando equilíbrio entre as características do candidato e as exigências do trabalho. muito formalismo ou timidez podem ser interpretados como arrogância ou dificuldade de socialização. É necessário. evitando roer as unhas. as perguntas. é importante enfrentar a entrevista com calma e tranqüilidade. dos concorrentes do mercado em que atua. cria empatia. mascar chiclete. o candidato é chamado para entrevistas.

Seu corpo fala o tempo todo.www. social e comunicativa e. Tin.com.O entrevistador questiona o candidato com o objetivo de identificar habilidades profissionais.catho. São Paulo: Editora Publifolha.www.br A linguagem do corpo Em uma entrevista. são necessários argumentos que convençam a empresa da necessidade da contratação. técnicas e práticas. os entrevistadores estão treinados para ler os sinais do corpo que podem ser tão reveladores quanto as palavras. para isso. mas nem sempre passa mensagem igual ao que você está dizendo. Algumas perguntas são básicas nas entrevistas. 165 . série Sucesso Profissional. Geralmente são analisadas as habilidades organizativa. mostrando os benefícios e a contribuição para o sucesso dos negócios que essa contratação lhe fará.br . Para isso. onde a negociação está sempre presente. Consulte o livro HINDLE. analítica decisória. Visite os sites: . considerando as modernas técnicas do marketing pessoal. Como fazer entrevistas. No trabalho. • Por que você deseja mudar de emprego? • Quais são as suas principais qualidades? • Como foi sua relação com outras empresas? • Qual foi o ponto alto de sua carreira até agora? • Que experiência você tem em resolver problemas? • Quais são as suas metas de longo prazo e como você supõe poder alcançá-las nesta empresa? • Como você acha que contribuiria para esta empresa? • O que você considera ser a maior conquista de sua vida? • O que você está procurando antes de tudo no emprego? • Onde você se vê dentro de cinco anos? • Como você lida com pressões de prazo? • Você gosta de ser parte de uma equipe ou prefere trabalhar sozinho? • Como o seu melhor amigo o descreveria? É preciso apresentar-se de forma persuasiva.com. o candidato é colocado em situações hipotéticas. como as que seguem. entender essa linguagem pode ajudá-lo a conseguir seu objetivo. As pessoas que vendem bem seus conceitos e idéias tendem a obter sucesso.etiquetaempresarial.

abril. envolve: . Roland.br/1edicao/ponto1. DAVIS. Rio de Janeiro: Vozes.Há uma obra clássica. seja ele oral ou escrito.html 166 . Francis. 1984.com. 1981. Pierre & TOMPAKOW. cuja leitura é indispensável para quem deseja. Formas de escrita. 1973. efetivamente. São Paulo: Summus Editorial. A comunicação não-verbal. A expressão oral é uma habilidade a ser desenvolvida ou aperfeiçoada.Referente . pois projeta a imagem de quem a domina e propicia a abertura de canais para o crescimento profissional e social.Receptor . Elementos da comunicação Todo texto. Sabe-se que a comunicação oral envolve tanto aspectos verbais quanto não-verbais. multifuncionais e capazes de se comunicar satisfatoriamente.Consulte as obras: WEIL. entonação. gestos.Emissor .vocesa. olhar. Visite o site: www.Canal .Mensagem Saiba Mais Consulte o livro: VANOYE. expressão do rosto. São Paulo: Martins Fontes. O corpo fala.Código . Flora. Usos da linguagem. O corpo fala. Uma comunicação oral bem realizada é tão fundamental quanto uma comunicação escrita eficaz para o sucesso de uma empresa hoje. Há muitas técnicas para isso. Saiba mais . É necessário equilibrar essas duas linguagens: a linguagem das palavras e a linguagem do corpo. maneira de vestir-se – tudo envolve a comunicação. aprender a ler o outro e a si mesmo. A comunicação oral É fato que as empresas modernas buscam pessoas criativas.

“certo”. 8. Tenha postura adequada: não coloque mãos nos bolsos. Saiba mais Consulte as obras: POLITO. Como falar corretamente e sem inibições.adp . Pronuncie bem as palavras: não omita a pronúncia do /r/ e /s/ finais e do /i/ intermediário.com. Ao falar. Visite os sites: . Fale com boa velocidade (não fale rápido demais. não cruze os braços. meio e fim. “ta”. ____ Um jeito de falar bem. Não levante muito a cabeça e o tórax. Deixe o semblante descontraído e seja sorridente.br/carreiras/fornecedores/aol/2005/12/01/0001. Use roteiro. Fale com bom ritmo: alterne altura.Fale com emoção. 2001. Seja você mesmo: use a naturalidade e drible o medo. Evite gesticulação excessiva. “né”. 2001. 2.aol. Cuide da gramática. palavrões.http://www. (Brian) 1. olhe para todas as pessoas. “ah”. gírias. 9. São Paulo: Saraiva. Fale com boa intensidade (nem alto para não irritar.http://noticias. São Paulo: Saraiva. Saiba o que vai dizer. deixe-os soltos naturalmente ao longo do corpo. nem palavras muito rebuscadas e jargões.Tenha início. se necessário.aol. nem devagar demais). Evite as indesejáveis repetições “hum”. 7. Tenha um vocabulário adequado: não use termos pobres ou vulgares. 4. entre outras. 6.Dicas para falar bem O orador é aquele que diz o pensa e pensa no que diz. 11. 5. Prepare-se para falar (abasteça-se com conteúdo para expor bem mais tempo que o combinado).com.adp 167 . 3. Analise as características e expectativas dos ouvintes. Reinaldo. Não se movimente de um lado para o outro. 10. nem baixo para que todos ouçam).br/negocios/colunistas/reinaldo_polito/2005/0018. nas costas.

c) inicia de qualquer maneira. Como você encerra suas apresentações: a) com uma frase forte. Assim. Ao organizar sua fala. independentemente do público que vai ouvi-lo. Como você inicia sua fala: a) entra direto no assunto. c) muito tenso. b) você prepara sua fala de acordo com seus objetivos e o interesse do público. b) recapitula a essência da mensagem e pede ação ou reflexão. 1. b) sempre. 6. 5. b) tenta conquistar os ouvintes. 4. 2. Como você se sente ao falar em público? a) natural. c) você não prepara sua fala. obrigado”. com dificuldades para lidar eficientemente com a situação. poderá avaliar melhor sua capacidade de comunicação. c) não tem preocupação com a intensidade. 7. b) de acordo com o ambiente. Responda apenas uma das alternativas de cada questão a seguir. 168 . Ao ser convidado para falar em público: a) você prepara sua fala. mesmo que não tenha muita ligação com o assunto. b) você aceita.Atividade em aula Teste suas habilidades de falar em público. diga como você é e não gostaria de ser. meio e fim: a) às vezes. b) tenso. com a frase “era isso o que eu tinha para dizer. desde que tenha tempo suficiente para se preparar. sem tensões. 3. De forma sincera. c) nunca. Se você for convidado para falar sobre um assunto que não conhece com profundidade: a) você recusa. você pensa em um início. seguindo um esquema seu. c) termina secamente. c) você aceita. mesmo sem ter tempo de se preparar. de forma objetiva. mas com o controle da situação. Como você estabelece a intensidade (volume) da voz diante do público: a) de acordo com o seu potencial.

14. c) às vezes costuma interrompe-las na metade. com certo exagero. b) gesticula com moderação. sem grandes emoções. 9. Como você constrói suas frases: a) saem truncadas. 169 . mas completas. sem exagero. c) sumprimindo algumas letras e sílabas de algumas palavras. como você se comporta: a) nem sempre fala. c) gesticula demais. b) simples e objetivo. c) afetado. até com gírias. sempre com a mesma velocidade. de acordo com o público. Faça o teste na aula on-line e verifique sua pontuação. objetivo. sente-se amarrado. c) fica calado e com receio de que peçam as sua opinião. c) não olha para o auditório. Como você pronuncia as palavras: a) corretamente. 13. c) fala sempre muito rápido ou muito devagar. 10. 12. b) natural. b) alterna. Ao falar. 11. b) fala com objetivo e fica sempre atento. atividade ou estudo. b) corretamente. mas fica sempre atento. Que tipo de vocabulário você usa: a) o que conhece. você: a) não gesticula. b) saem completas e ordenadas. rápida e lenta. Como é sua comunicação visual: a) olha para algumas pessoas. Qual é o ritmo de sua fala: a) nem rápido nem devagar. próprio da sua profissão. com emoção. b) olha para todas as pessoas. reforçando o que está dizendo. 15. Qual é o seu estilo de comunicação: a) controlado. com velocidade normal. Em uma reunião. c) bem informal.8.

o professor de português mais famoso do Brasil. como profissional. sai-se melhor”. com conteúdo. como pessoa. Quem não abre a boca hoje está perdido. Espero que a aula de hoje tenha contribuído para que você se saia melhor na vida.Próxima aula Pasquale Cipro Neto. “O abrir a boca é dominar o idioma. Até a próxima! 170 . diz que os novos tempos exigem que se abra a boca. afirma. com clareza. é ser convincente. saber estruturar as informações. E quem abre a boca melhor.

Como redigir um relatório. bem mais rico e complexo do que ele: tem de juntar-lhe as vantagens de uma lúcida análise e da consideração do objetivo a atingir. fará o relato do avanço dos trabalhos da construção de um edifício. empregar a crase corretamente. 1984. nesses casos. usualmente.Aula 19 . normalmente. Um relato é. analisados com o objetivo de orientar o interessado para determinada ação. Walter Júnior & BASEIO. O que é um relatório? Um relatório é uma descrição de fatos passados. Lisboa: Livraria Clássica Editora. Dora Fontana & OLIVEIRA. por ordem expressa. O que é um relato de atividade? É simplesmente a notícia que se dá sobre a execução de um trabalho de que nos encarregaram. ou de relatar circunstancialmente um debate. se o relatório deve possuir todos os predicados de um relato de atividades. Isso significa que. Deverá saber. G. certa quantidade de ferramentas ou de material novo. viu e ouviu. limita-se a descrever o que observou. 171 . Comunicação empresarial. Saiba Mais . por exemplo. curto. Pode tratar-se também de inventariar. BOUSQUIÉ. também. Sueli Cain de. no entanto. São Paulo: Esetec. 2005. a reunião de uma comissão ou os resultados de uma visita ou entrevista particular e do que nela se disse. O redator. é. você deverá saber o que é um relatório. conhecer sua estrutura.Consulte os livros: ARMELLEI. Coleção Leitura & Escrita. Procura ser o mais exato e completo possível. Um condutor de obras.Relatório No final desta aula. seus diversos tipos e elaborar um de acordo com as suas necessidades profissionais. Não se interpreta. não está a par do assunto. de forma a satisfazer que lhe confiou a missão e que. distingui-lo de um relato. A objetividade é indispensável. não se analisa nem se fazem propostas de ação.

LEIGH. 4. o que caracteriza o relatório e o distingue do simples relato: 1. muito menos. Esses dados ajudam a escolher opções que atingem mais eficazmente quem irá ler e avaliar. ed. completas. observou ou escutou. 7. 2. o quanto possível. O redator não deve incluir apreciações de caráter pessoal. também uma análise que tem como objetivo orientar os superiores hierárquicos para determinada ação. 6. de vendas. apenas. 5. em executivo. de preferência de caráter técnico ou científico. Contém. informações sobre a execução de um trabalho de que nos encarregaram. de controle. Como fazer propostas e relatórios. de reuniões. operacional. 2000. 2002 1a. desde que tais soluções tenham cunho técnico ou científico. O primeiro passo para sua elaboração é a fixação dos objetivos. escreve textos e entre eles. de auditoria. além das informações sobre fatos passados. com RR. Veja as respostas na aula on-line Seja qual for a área. contábil. pode conter soluções de problemas levantados. As informações contidas destinam-se a informar quem solicitou o trabalho. João Bosco. conforme a tarefa. com R. O redator deve limitar-se a descrever o que viu. então. Português instrumental. Andrews. o que é tipicamente característico de um relato. é o relatório. baseada em argumentos sólidos. científico. Contém. um dos mais elaborados. Atividade em aula Assinale.MEDEIROS. 8. o profissional prepara mensagens. O relatório varia de acordo com o assunto e com as finalidades. 3. São Paulo: Atlas. O estilo deve ser objetivo. dos métodos de trabalho e da definição do destinatário. interpretações dos fatos relatados e. e. São Paulo: Nobel. de cobrança. 4. Conforme o caso. propostas de ação. classifica-se. 172 . As informações relatadas devem ser detalhadas e claras e. A análise feita sobre os fatos relatados deve ser competente e muito clara.

Deve-se trabalhar. segue esquema para elaboração de relatório administrativo. o texto deve ser fácil de ler. 5. o objetivo do texto determina a organização. também. numeração progressiva. adequada ao destinatário. nome do relator ou do setor. 2. se o primeiro deles for um substantivo. 6. concisa. Essa estrutura varia conforme o objetivo e o tipo de relatório. em todos os outros também. são aconselháveis cabeçalhos breves. 4. em forma de itens ou em forma de texto contínuo. que facilitem a leitura e despertem interesse. 3. papel. cuidando de aspectos como disposição e espaçamento. Conforme o tipo de mensagem – informativa. gráficos e ilustrações. a aparência. pois ordena as seções e permite visão mais clara do todo e linguagem clara. todos os outros também devem ser. de orientação – que se queira passar. os parágrafos não devem ser muito longos. encadernação e capa. a estética deve despertar atenção. É aconselhável o uso de tabelas para tornar as informações mais visíveis.Em seguida. Qualquer que seja a estrutura. se forem usadas letras maiúsculas no primeiro. além de economizar espaço. fáceis e acessíveis ao leitor.5 ou 2 linhas. simples. Capa Documentos com mais de 6 páginas devem apresentar uma capa e nela devem conter: título do relatório. Algumas dicas para redigir um relatório 1. Dividir o relatório em seções e subseções realça as idéias e facilita a leitura. Nem todos os dados apresentados precisam ser utilizados. Aconselha-se deixar margens amplas e entrelinhas de 1. porém qualquer que seja o tipo. devem ser. portanto. Como sugestão. persuasiva. cidade e ano. a apresentação do relatório. planificar. encadernar o material e apresentar uma capa com ilustração simples e com título em negrito. Os títulos devem ser curtos e escritos de modo semelhante. inserir gráficos sempre que apresentar doze ou mais números. 173 . deve-se evitar pronome pessoal de 1ª pessoa e frases subjetivas. o desenvolvimento poderá ser um texto narrativo ou dissertativo. é conveniente esquematizar.

testes etc. destacado em um quadro. inicial. confidencial. de poucas linhas. após a folha de rosto. questionário. Desenvolvimento • Objetivo (o que se pretende) • Métodos (entrevista. é recomendável o sumário. porém deve-se estudar a conveniência de seu uso no corpo do texto. problemas • Causas e efeitos • Recomendações (medidas a serem tomadas) • Conclusões (resultados esperados) Anexos É composto pelo material acessório.) • Meios (instrumentos) • Duração (tempo) • Pessoal envolvido • Fatos. final) • Natureza (normal. constatações. Sumário Quando muito longo e com muitos itens. que organiza o texto por temas. aconselha-se fazer um resumo. total. Bibliografia Local e data Assinatura Nome legível Identificação funcional 174 . reservado. facilitando a leitura. Gráficos podem ser colocados entre os anexos. secreto) Resumo Se o relatório for longo.Folha de rosto • Título do relatório • Para quem se destina • Elaborado por • Assunto • Local • Data da elaboração • Tipo de relatório (parcial.

Dicas de revisão gramatical Uso da crase Crase = preposição + artigo definido feminino À = A + A(S) Nós iremos a a praia. Eles assistem às aulas. que contemple as três modalidades textuais: descrição.2a Atividade em aula Com base no roteiro apresentado. Moderna gramática portuguesa. antes de verbos 3. antes de pronomes indefinidos 4. 2. Celso Pedro. voltado à sua área de trabalho. antes de nomes masculinos 2. São Paulo: Atlas. Celso Ferreira. Porto Alegre: Globo. elabore um relatório. Moderna gramática brasileira.LUFT. antes de pronomes pessoais Saiba mais . Português instrumental.CUNHA.Consulte as gramáticas: 1. São Paulo: Nacional. 3. Nós iremos à praia. Evanildo. Eles assistem a as aulas. 4. Os alunos chegaram a pé carregando as mochilas. Aquele livro causou a ti e a mim boas impressões. narração e dissertação. Não pode haver crase nos seguintes casos: 1. Rio de Janeiro: Fename.MEDEIROS. Gramática da língua portuguesa. O casal chegou a certa ilha por força do destino. A Sessão começará a partir das 18 horas. João Bosco.BECHARA. 175 .

disse a mulher ciumenta. Os soldados iam ____ pé. 4. 6. às. 8. sempre compro ____ dinheiro. Isto se destina a homens ou a mulheres. depois voltei _____ cidade. 5. Não gosto de comprar ____ prazo. O atraso será prejudicial _____ objetivos e _____ pesquisas. Bebida é nociva ____ crianças. O atraso será prejudicial a os objetivos e a as pesquisas. 7. Tinha um profundo amor _____ certa jovem. e ela ofereceu _____ mim um presente que jamais esquecerei. as. os professores chegaram _____ casa exaustos. O jovem escreveu a carta ______ namorada. 176 . ou às: 1. os. os. às. 4. 5. 2. Promoveremos sessões _____ partir da meia-noite. Depois da viagem. as. 2. A sentença foi desfavorável a o réu. ao. Assim não irá _____ nenhuma festa. Dei _____ ela uma flor. O jovem escreveu a carta a a namorada. aos. Veja as respostas na aula on-line 4a Atividade em aula Preencha as lacunas com a.3a Atividade em aula Preencha as lacunas com a. 3. mas o sargento viajava ____ cavalo. Isto se destina a homens ou ______ mulheres. 3. ou às: 1. Fui a o show. ao. A sentença foi desfavorável _____ réu. depois voltei a a cidade. Fui ____ show. aos.

177 . até a escolha da apresentação. a diferenciar um relatório de um relato e. 10. Destinaremos a próxima aula para avaliação geral e auto-avaliação. Graças _____ Deus. O terremoto atingiu ____ vila e ____ cidades próximas. aprendeu também. Assim. estamos chegando ao final deste curso. empregar a crase corretamente. Até lá! Saiba mais O editor de texto Word. vivemos em liberdade. optando por uma estrutura adequada às necessidades do seu trabalho profissional. você aprendeu a elaborar um relatório. Veja as respostas na aula on-line Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. possui uma série de recursos de escrita que podem ajudar.9. desde a formatação.

( ) metalingüística. c. centrada no receptor. No “Poema tirado de uma notícia de jornal” predomina que função da linguagem? a. mas o modo como se diz. exprimindo emoções.Aula 20 . ( ) descritiva b. ( ) emotiva. Leia o texto a seguir e responda as questões: Poema tirado de uma notícia de jornal João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. O conteúdo do texto de Manuel Bandeira apresenta elementos de qual modalidade? a. ( ) fática.Conclusão do curso O objetivo dessa última aula é resgatar e avaliar os principais conceitos. b. produzindo informações definidas. denotativas. ( ) narrativa d. tem o objetivo de influenciar. centrada na mensagem. e. centrada no referente. ( ) referencial. convencer alguém. claras. centrada no código. (Manuel Bandeira) Atividade em aula 1. sendo o que importa não é apenas o que se diz. ( ) dissertativa c. ( ) conativa ou apelativa. tem o objetivo de estabelecer contato entre emissor e receptor. d. f. ( ) poética. 2. ( ) musical 178 . habilidades e competências desenvolvidos durante o curso. que define elementos da própria linguagem. centrada no canal da comunicação. centrada no emissor.

( ) está incorreta.”. Compare esse texto com uma notícia de jornal qualquer. b.folha. ( ) está correta.br 6. www.estadao. ( ) presente do indicativo c. portanto ele fica antes do verbo. d. Observe que o autor do texto utilizou intencional e predominantemente os verbos no tempo: a. ( ) está incorreta. ( ) pretérito imperfeito do indicativo d. ( ) é indiferente. o correto é “atirou-se”.com. pode-se afirmar que: a. c. Espera que o aluno perceba que faltam mais informações concretas e precisas como a data e as possíveis razões do aparente suicídio. 8. ( ) pretérito perfeito do indicativo b.3. Na expressão “Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. No texto de Manuel Bandeira predomina objetividade ou subjetividade? Espera-se que o aluno perceba que o texto de Bandeira é mais subjetivo comparado a uma notícia de jornal. 7. ( ) está correta. 179 . segundo às normas gramaticais.estado.br www. O texto analisado apresenta todos os elementos que compõem uma notícia de jornal? Espera-se que o aluno perceba que esse texto está incompleto para ser uma notícia de jornal. O que falta ao poema para ser tratado como uma autêntica notícia de jornal? Acrescente os dados. Lembre-se de que comparar é identificar semelhanças e diferenças. ( ) pretérito mais-que-perfeito do indicativo e. 5.uol. quanto à colocação do pronome se. porque reproduz a língua informal do grupo social da personagem João Gostoso. porque o advérbio depois atrai o pronome se. porque o autor tem licença poética para reproduzir a língua informal da personagem.com. ( ) pretérito imperfeito do subjuntivo 4.br www. e.com. menção às pessoas que testemunharam o fato etc. Consulte os sites e selecione uma notícia. pois não há palavra que atraia o pronome se.

180 .. em outro de natureza não-literária.ele chegou no bar. Sobre os conceitos. Há rupturas da norma culta na construção sintática de Manuel Bandeira? Por quê? Quais? (Pesquise sobre estilo) Há algumas rupturas da norma culta. estado ou mudança de estado. agora. 12. crie um diálogo entre João Gostoso e uma outra personagem de seu meio social. O nível de linguagem em que o texto é escrito retrata a realidade do carregador de feira-livre? Espera-se que o aluno perceba que apesar de o texto retratar a realidade sociolingüística de um carregador de feira-livre. concordando ou discordando de Bandeira. Com base.9. Não se esqueça de que em uma descrição predominam os adjetivos e os verbos que expressam qualidade. Predomina o nível culto ou formal da linguagem. (Transformar significa mudar a forma) Não se esqueça de incluir os dados levantados anteriormente.”. a ausência de pontuação interna. na descrição elaborada por você. há poucas marcas lingüísticas dessa realidade no texto. evidenciando marcas lingüísticas dos interlocutores a partir de seu contexto sócio-cultural. Espera-se que o aluno crie um texto.. Espera-se que o aluno utilize o discurso direto na elaboração do diálogo e nível de linguagem coloquial. jornalística. Escreva. 11. adequado ao perfil da personagem. de natureza literária. explorando a função referencial da linguagem. Escreva um parágrafo dissertativo posicionando-se em relação a esse tema. 13.Transforme o texto de Bandeira.. “. explorando as características físicas e psicológicas de João Gostoso sugeridas no texto. como por exemplo: “João Gostoso”. um parágrafo descritivo.. as habilidades e as competências desenvolvidos neste curso Você penetrou no mundo misterioso das palavras e percebeu o quanto a comunicação é complexa: ela possui vários elementos que interagem entre si. 14. 10. O poema de Bandeira apresenta apenas informações sobre a realidade de carregadores de feira-livre ou intencionalmente apresenta um olhar crítico sobre essa realidade? 15.

utilizando-se das três modalidades. enfim. consulta a obras. Aprendeu. a elaborar textos fundamentais para sua vida profissional. e despertaram emoções e paixões que só a palavra. Com certeza. a literatura. uma carta empresarial. Relembrando as palavras de Clarice Lispector. “escrever aprende-se escrevendo”. releitura dos textos. sobre a vida. elaboração de exercícios. Constatou que para cada situação e contexto. navegação em sites.Viajou pela linguagem e conheceu os diversos fatores que provocam as variações lingüísticas. também. Parabéns! 181 . Você aprendeu a distinguir um texto dissertativo de um texto narrativo e de um descritivo. A trilha exigiu leitura atenta. dedicação. pesquisa. relatório. a técnica de resumir e a resenha. como: o seu currículo. você chegou. produção de textos. ao final de mais uma etapa de um processo em que se constrói o conhecimento. prática e didática. organização e coerência. a arte conseguem fazê-lo. deparando-se com casos e questões do nosso cotidiano. mais crítico. Síntese do curso Após percorrer esse caminho traçado na primeira aula. processo decisivo de uma contratação. pois a busca é permanente. disciplina intelectual e muita prática. Transitou pela gramática – temida por muitos – de forma suave. há uma forma adequada para expressar o que se pensa e o que se sente. as aulas tornaram seu olhar sobre a realidade. bem como a escrever com criatividade. enfim. Viu a importância da comunicação oral numa entrevista.

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