Educação virtual e interativa

Comunicação e Expressão

Aulas 1 a 20

Sumário
Aula 1 - A aventura de escrever Aula 2 - Desejos de Leitura - O ato de ler Aula 3 - Comunicação e Linguagem Aula 4 - Variações Lingüísticas - 1a. parte Aula 5 - Variações Lingüísticas - 2a. parte Aula 6 - O texto e suas modalidades Aula 7 - Narração - O ato de contar histórias Aula 8 - Narração - O ato de contar histórias Aula 9 - O ato de descrever Aula 10 - O ato de dissertar Aula 11 - O ato de argumentar Aula 12 - Avalie suas habilidades e seus conhecimentos Aula 13 - Como fazer o resumo de um texto Aula 14 - Leitura crítica Aula 15 - Função referencial e função poética da linguagem Aula 16 - Como elaborar um currículo moderno Aula 17 - Redação empresarial Aula 18 - Entrevista Aula 19 - Relatório Aula 20 - Conclusão do curso 03 13 26 42 50 54 60 71 81 89 105 114 121 128 142 149 157 164 171 178

Aula 01 - A aventura de escrever
Olá, meu nome é Walter Armellei Júnior e sou um dos autores deste programa de Comunicação e Expressão. Elaborei este curso pensando em tornar cada aula, além de agradável, útil e desafiadora, a mais próxima possível da realidade de quem estuda e trabalha, ou seja, de quem lê no dia-a-dia, sem mesmo dar-se conta dessa grande tarefa! Navegue em todas as aulas e procure regras de nossa língua, técnicas eficazes de escrita, sugestões e, acima de tudo, textos e exercícios que subsidiarão suas dúvidas. Vamos começar a vivenciar a aventura da escrita?

A aventura de escrever
Durante esta aula, você será capaz de identificar algumas dificuldades encontradas por você e por outras pessoas diante do ato de escrever. Encontrará depoimentos e sugestões e algumas técnicas que o ajudarão a enfrentar possíveis bloqueios na atividade da escrita. Verifique. Quando você é solicitado a elaborar um texto – seja no meio acadêmico, seja no meio profissional – inicia-se a luta entre o papel, as palavras e o que você quer, pode e consegue dizer. Nesses momentos você deve imaginar-se a única pessoa incapaz de dominar as palavras e escrever o que pretende. Mas essa luta não é só sua. Pois é, leia os depoimentos a seguir e convença-se de que até mesmo os escritores consagrados e imortalizados pela literatura consideram o ato de escrever um desafio mas sempre carregado de emoções e aventuras. Você conhece o significado da palavra depoimento? Ato ou efeito de realizar uma revelação de fatos ou verdades. Vamos ler alguns?

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em Minas Gerais. Depoimento 2 Esta é uma declaração de amor: amo a língua portuguesa. Esta é a terceira ou quarta vez que ponho o papel na máquina e começo a escrever.Depoimento 1 “Quiem supiera escribir!” A exclamação. 4 . na Ucrânia. E de amor. Seus pais imigraram para o Brasil quando ela contava dois meses de idade. Formou-se em Direito em Belo Horizonte. Saiba Mais . Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas. Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Ela não é fácil. Faleceu no Rio de Janeiro. em que reúne estilo próprio a um intenso lirismo. como repórter dos Diários Associados. Saiba Mais . Perto do Coração Selvagem. provocado pelos acontecimentos cotidianos. nasceu em Cachoeiro do Itapemirim. fartamente aplaudido pela crítica. a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E. ano em que publica o primeiro livro. em 1932. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa do superficialismo. me vem à lembrança às vezes – como neste momento em que eu tanto precisaria dizer tantas coisas. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. mas sinto que as frases pesam ou soam falso. depois de ter participado. como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase.Clarice Lispector Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik. Forma-se em 1944. considerado por muitos o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis. ES. a 10 de dezembro de 1925. a 9 de dezembro de 1977. e não sei dizê-las. e as palavras dizem de mais ou dizem de menos e a escrita daí desentoada com o sentimento. da cobertura da Revolução Constitucionalista. Não é maleável. de um verso de Campoamor. às vezes lentamente. a 12 de janeiro de 1913.Rubem Braga Rubem Braga. às vezes a galope.Sua marca registrada é a crônica poética.

Depoimento 3
“Lutar com palavras é a luta mais vã. Então lutamos Mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco. Algumas, tão forte Como um javali. Não me julgo louco. Se o fosse, teria poder de encantá-las. Mas lúcido e frio, apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. Deixam-se enlaçar, tontas de carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem sevícia que as traga de novo ao centro da praça (...)” Saiba mais - Carlos Drummond de Andrade Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Desde 1954, colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa. Morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

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Depoimento 4
Escrever é montar, jogar um ponto de vista, às vezes tão único, tão restrito àquele momento, àquelas palavras... E no desejo de gotejar de tinta um papel, só para tentar transmitir uma onda de sentimentos, pensamento, sensações, as palavras escapam, brigam, traem-se. É uma guerra. Fico perplexa e desesperada, pedindo trégua. Prometo a uma o primeiro lugar no próximo parágrafo: a outra, uma amiga com a qual faria um belo par; tudo em vão. Chovem tiros e explodem bombas no papel; manchas de sangue nobre borram o campo. De repente, acontece algo: amasso-as bem com um pesado Aurélio. Descubro que toquei o coração das palavras, seu ponto fraco. Elas compreendem! A paz é feita numa harmonia silenciosa. E quem vir essas briguentas por aí, poderá pensar que nunca houve nada entre nós. (ex-aluno)

Depoimento 5
As pessoas estão esquecendo de escrever. Escrever mesmo. Também pudera: é muito vídeo, muito digital, muita impessoalidade. O ato de escrever, hoje em dia, se resume à frieza dos memorandos assépticos e dos bilhetes lacônicos. Mas escrever é botar – preto no branco – uma emoção vermelha de paixão, um sonho verde de esperança, um sorriso amarelo, sem medo do lugar comum ou do ridículo, percebeu? Escrever é invadir com todos os nossos fantasmas aquele espaço branco, inocente, descompromissado – e se expor. Como nossos erros, nossa fragilidade, nossas dúvidas ortográficas. Escrever é lançar uma ponte sobre o imponderável, é arriscar uma tentativa de resposta, um toque tipo assim: socorro, estou vivo! Você está? Por tudo isso é que vale a pena escrever. Agora. Imediatamente. Inadiavelmente. (ex-aluno)

Atividade em aula
Depois de tomar conhecimento das dificuldades enfrentadas por escritores e alunos, ao escrever, elabore agora o seu depoimento, um texto de, aproximadamente, 30 linhas, que expresse seus encontros e desencontros com as palavras, com o texto. A sua luta pela expressão

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Registre em seu caderno ou digite em seu computador. Faça os exercícios. Registre tudo que considerar importante. Depois desse passeio pelos depoimentos e da elaboração de seu primeiro texto em nosso curso, chegou a hora de apresentar-lhe algo bastante importante. Observe o que escritores consagrados têm a dizer sobre o desafio de escrever.

Sobre o ato de escrever 1o. texto
Escrever não é apenas uma questão de técnica. Não se escreve sem alguma técnica, é certo. Mas ninguém começa a escrever depois de adquirir a tal da técnica. Começa-se a escrever porque se deseja fazê-lo, e, então enquanto se vai escrevendo, vai-se organizando a própria técnica. O ato de escrever é, primeiro e antes de tudo, a questão do desejo. Ora o desejo de os outros se reproduzirem em nós através das palavras, ora o nosso desejo de nos reproduzirmos, multiplicarmo-nos, transcendermo-nos e, mesmo, imortalizarmo-nos, por meio das nossas palavras. Ao escrever, revelo-me – revelo a mim mesmo que posso organizar as palavras, o que as palavras nomeiam, que posso construir, montar o mundo novo também. Revelo-me a extensão do meu poder, ou seja: a extensão dos meus possíveis. Em suma, a extensão da minha utopia. O ato de escrever, antes de tudo, é um legítimo ato de auto-afirmação. E “autoafirmação” não é coisa ruim, pejorativa, como dizem os que não gostam de ver os outros se afirmando. Quem não se afirma é o oprimido, é o submisso, o que se encontra caído ao chão à espera das ordens. Uma redação nunca é um produto acabado, pronto para ser entregue ao mestre e por este enquadrada no conceito devido (ou indevido). Antes, será “red-ação”: ação de tecer a rede dos acontecimentos e dos relacionamentos, guardando o acontecido na memória verbal das gerações, pescando o acontecível no extenso lago das faltas e ausências testemunhadas pelas palavras daqueles que falam. A palavra é o testemunho de uma ausência. Escrevemos, antes de tudo, para testemunhar as nossas faltas, quer procurando supri-las, quer buscando carinho para aliviar a dor. Escrevemos para dizer o que não sabemos, o que não amamos, o que não somos – mas queremos.

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exatamente. 4a. procurando no escuro. ou vivida numa vida anterior. vendo pela primeira vez. Redação Inquieta. diante do papel em branco e às voltas com os seus demônios que ele conjura. conto fantástico e policial. BERNARDO. aos 11 anos.” Saiba mais .A palavra é a consciência da ausência. Simultaneamente às atividades acadêmicas. Gustavo. em 1914. Ele está começando do nada. o da busca. que ele tenta exorcizar: o demônio da solidão. Gustavo Bernardo escreve romances. 1991. 2o Texto Sobre o ato de escrever Continuando nossa conversa sobre o ato de escrever. A consciência do não-saber de que Sócrates.ed. Escrever é um ato de amor.” 8 .. a qual. da procura de alguma coisa que não sabe qual seja. despe-nos da arrogância e aproxima-nos da verdade. Aos 14 anos. é professor de Teoria da Literatura no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).Adaptado de BERNARDO. Vanidad o Una aventura terrorífica. Em 1932 conhece Jorge Luis Borges e Silvina Ocampo. que junto a Borges o convencerá a abandonar os estudos e dedicar-se exclusivamente a escrever. Adolfo Bioy Casares morreu na Cidade de Buenos Aires em 8 de março de 1999. 3o. Doutor em Literatura Comparada. Gustavo. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1º de novembro de 1955. como quem tenta recuperar uma experiência sonhada.Bioy Casares Adolfo Bioy Casares nasceu em Buenos Aires. “Escrever é fazer um mau rascunho e em seguida corrigi-lo até desentranhar o que realmente se pensa. Saiba mais .. Escreveu sua primeira novela Iris y Margarita.. texto Sobre o ato de escrever “O escritor é um homem sozinho dentro de um quarto. tentando abrir um caminho. São Paulo: Editora Globo.

então? O que é? Só me considerarei escritora no dia em que eu disser: sei como se escreve. A descoberta do Mundo. Em 1930. em Belo Horizonte. Romances: O Lustre (1946). Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres (1969).LISPECTOR. após aprender a ler com a mãe. Torna-se leitor compulsivo. Novela: A hora da estrela (1977). A mulher que matou os peixes (1968).Saiba mais . Felicidade clandestina (1971). E ainda não me habituei a que me chamem de escritora. A Maçã no Escuro (1961). (1964). A bela e a fera (1979). A via crucis do corpo (1974). Água Viva (1973). A vida íntima de Laura (1974). A Cidade Sitiada (1949). Laços de família (1960). por mais que intrigue. Um Sopro de Vida – Pulsações (1978). Literatura infantil: O mistério do coelho pensante (1967). A Paixão segundo G.H. Sou a pessoa que mais se surpreende ao escrever. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve? Que é que diz? E como dizer? E como é que se começa? E que é que se faz com o papel em branco nos defrontando tranqüilo? Sei que a resposta. 1a. Como nasceram as estrelas (1987). de tal forma que mais de uma vez chega em casa com um galo na testa.. Onde estivestes de noite? (1974). Porque fora das horas em que escrevo. Será que escrever não é um ofício? Não há aprendizagem. A legião estrangeira (1964). é a única: escrevendo. 4o Texto Sobre o ato de escrever “Quando não estou escrevendo. Contos:Alguns contos (1952).Fernando Sabino Fernando Tavares Sabino nasceu a 12 de outubro de 1923.ed.” Saiba mais . Clarice. ingressa no curso primário. A imitação da rosa (1973). por haver dado com a cabeça em um poste ao caminhar de livro aberto diante dos olhos. 1984. Quase de verdade (1978). eu simplesmente não sei como se escreve. 9 . E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras. não sei absolutamente escrever.

10 . uma dos maiores e mais criativos escritores da literatura brasileira. em que nos sentimos geniais. você fica muito concentrado.). Escreve as palavras como elas surgem em sua cabeça. se você errar. sabe que. Persistir é enfrentar encantos e desencantos do processo. para ver a pontuação. Você também não deve interromper a fluência do seu processo de criação para lembrar se uma palavra tem acento gráfico. Constate. revisar e reescrever. Constrói frases e trechos. Depois faça uma revisão gramatical. para substituir palavras ou frases. Ele percorre vários procedimentos até chegar ao leitor. não é esse o caminho.Dicas sobre revisão gramatical Dicas de hoje. aconselhavam aos alunos “escrever pouco para errar pouco”. antes da leitura. Não deve interromper com pormenores. Veja só. vai fazer uma revisão (de estilo. ler. levarmos esse conselho às últimas conseqüências. Depois de alguma experiência em seu redigir. com calma. gramatical. Primeiro registre seu pensamento. aprenda com seus erros. até sem sentido. após esse registro do fluxo do pensamento. Mas. E é na leitura que sua criação se completa. imaginoso. há muito fazer e refazer. É claro. procurando captar seu pensamento. para você guardar e utilizar! Quando está criando um texto. escrever e reescrever. nunca erraremos. Mesmo assim. Antigamente. O primeiro aspecto que deve levá-lo a refazer o seu texto é a persistência do criador: criador é quem cria e não quem só imagina. às vezes. de conteúdo. vai vê-lo outra vez. Quem só imagina é. para você guardar e utilizar! É uma ilusão pensar que um texto nasce pronto. mesmo erradas ou inadequadas. etc. do texto em sua estrutura. no máximo. vai reler seu texto. O caminho para aprender a escrever é escrever muito e sempre. concluiremos que não escrevendo nada. Há momentos de euforia. observando um rascunho de texto de Guimarães Rosa (veja na aula on-line). Dicas sobre revisão textual Dicas de hoje.

dê um tempo para julgar se o texto está bom ou ruim. Será que muitas de suas redações não merecerão ser reescritas? 11 . Será mais fácil apreciá-lo. Se o texto não ficou bom. Leia-o no dia seguinte. poucos inteligentes. na semana seguinte. é dinâmico. Isso é bom. Rasgamos folhas escritas. Se a distância entre o que se planejou e o produto for muito grande e o resultado insatisfatório. é preciso refazê-lo em parte ou totalmente. levantamos da cadeira. isso é comum. Em textos longos e complexos. Mal termina o texto. uma defasagem entre o que a gente imagina e o resultado final da redação já realizada. tentamos fugir. incapazes de criar. você deve mostrar que quer criar um texto e não se livrar dele. Finalmente. para quem o cria. Mas não pode ser uma insatisfação tão grande que gere desânimo. é o próximo. Mas é preciso persistir.Alguns segundos depois. O melhor texto. Se você acaba de escrever. um fato que você já deve ter observado. Há ainda a insatisfação dinâmica de quem cria. A autocrítica precisa ser exercida com certo distanciamento. você fica imaginando o próximo. Há várias outras situações nas quais se reescreve a primeira redação feita. Parece que a mão que escreve puxa e conduz a imaginação para além do que foi planejado. Em todas elas. achamos o texto péssimo e nos sentimos ridículos. Até ficar pronto. Costumamos até dizer: “não era bem isso que eu queria escrever”. Há uma distância. porque nos move a continuar criando e a melhorar o que fazemos. Outra coisa que deve levá-lo a reescrever o texto é a autocrítica raramente justa no momento da elaboração. reescreva sua redação.

É mais um processo carregado de sedução. treinando. exercitando. até para os grandes escritores já consagrados pela crítica e pelo público. Mas você aprenderá a escrever. Até a próxima. Desejos de Leitura . que é pessoal. receita ou técnica pronta que possam ensinar-lhe. escrevendo. À medida que for escrevendo. 12 . seu estilo.Síntese da aula de hoje Você deve ter percebido que escrever é um verdadeiro desafio carregado de emoções e aventuras. As dificuldades existem para todos nós. Não há qualquer modelo. Próxima aula Na próxima aula. descobrirá a sua própria técnica. falaremos sobre a leitura.é o outro componente da relação dialética “leitura – escrita”.

lemos o tempo todo. nossa leitura independe de sermos alfabetizados ou não. Observe como estamos mergulhados em textos no nosso dia-a-dia. gostos.O ato de ler Olá. sem perceber. sinais.. viajando em algumas passagens de nossa literatura.. É a forma que temos para perceber o mundo que se põe diante nós.”. Como as aves do deserto As almas buscam beber. Oh! Bendito o que semeia Livros. de teor. somos atravessados por diferentes linguagens e.Desejos de Leitura . (1870). Você já se percebeu lendo o mundo? Lembre-se do que já fez hoje e observe o que está fazendo agora. A Cachoeira de Paulo Afonso (1876). E manda o povo pensar! O livro caindo n’alma É germe — que faz a palma. lemos seus gestos. imbuído de uma visão utópica do mundo e dos homens. Observe o que nos revela Castro Alves sobre leitura e livros: “Por isso na impaciência Desta sede de saber. cores. Nasceu a 14 de março de 1847. curiosamente. de refletir sobre o ato de ler e também de se divertir.Aula 02 .. principalmente. seus movimentos. e. Lemos a expressão facial das pessoas. Isso o faz um poeta idealista.Morreu em 6 de julho de 1871. Durante esta aula. em uma fazenda no interior da Bahia. É chuva — que faz o mar.Castro Alves Antonio Castro Alves é um dos grandes poetas da Literatura Brasileira. Suas obras são: Espumas Flutuantes. é a nossa leitura de mundo. abolicionista e humanitário. ressoando a voz do povo com acentos retóricos e declamatórios. livros à mão cheia. cheiros. você será capaz de compreender o que é leitura. 13 .. objetos. É bastante conhecido por sua poesia social. Gonzaga ou a Revolução de Minas (1876).. Meu nome é Dora Fontana Baseio e sou uma das autoras deste programa de Comunicação e Expressão. Saiba mais .. Os escravos ( 1883).

Dois outros livros de Paulo Freire são bastante conhecidos: A Educação como prática de liberdade e Pedagogia do oprimido.Neste momento. Aceitei vir aqui para falar um pouco de importância do ato de ler. Saiba mais . mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. porém. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. 14 . agora. atentamente. ao longo de tantos anos de prática pedagógica. A importância do ato de ler Rara tem sido a vez. os objetos que estão próximos a você. Este conceito de leitura de mundo está presente no capítulo 1 do livro A importância do ato de ler – em três artigos que se completam – que vale a pena ser lido na íntegra. Leia. por isso política. Aceitei fazê-lo agora. que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita. Me parece indispensável. menos formal possível. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler. o cheiro do ambiente em que está. processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler. retirada do livro A importância do ato de ler – em três artigos que se completam. dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje. mas o seu entorno. o tamanho das letras. de inaugurar ou de encerrar encontros ou congressos. dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio. ao procurar falar de tal importância. você está não só lendo a palavra escrita. A leitura do mundo precede a leitura da palavra. em que tenho permitido a tarefa de abrir. os ícones. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. um pequeno trecho da palestra de Paulo Freire: A importância do ato de ler. para a qual elaborou um Método (Método Paulo Freire de Alfabetização de Adultos). célebre educador brasileiro. eu me senti levado – e até gostosamente – a “reler” momentos fundamentais de minha prática. a dignidade da pessoa humana. da maneira. daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. as janelas. o colorido da página. Seu eixo é aprendizagem da leitura e da alfabetização. os sons.Leitura de mundo Leitura de mundo é um conceito criado por Paulo Freire. na década de 1960. que se comprometeu politicamente com a missão de educar e resgatar a humanidade do oprimido.

aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva. mais aumentava a capacidade de perceber – se encarnavam numa série de coisas. seu terraço – o sítio das avencas de minha mãe -. de sinais. a leitura da minha escolarização. de minha adolescência. Nele engatinhei.” 15 . foi a leitura da “palavra mundo”. Primeiro. cuja compreensão eu ia aprendendo no meu trato com eles. algumas delas como se fossem gente. balbuciei. quanto mais o fazia. re-crio. 1a. rodeada de árvores. FREIRE. me pus de pé. no texto que escrevo.guardados na memória. seu sótão. ou digite no computador. daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. as “palavras”. em que a compreensão critica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo. re-vivo. ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Me vejo então na casa mediana em que nasci. A velha casa. sua compreensão da frase de Paulo Freire: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra. A retomada da infância distante. do pequeno mundo em que se movia. me é absolutamente significativa. tudo isso foi meu primeiro mundo. falei. andei. Paulo. a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me ouvia -. desde as experiências mais remotas de minha infância. de minha mocidade. São Paulo: Cortez. tal a intimidade entre nós – à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos e aventuras maiores. no Recife. Os “textos”. depois. Neste esforço a que me vou entregando. a “leitura” do mundo. seu corredor. por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Atividade em aula Registre no caderno. nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais. Ao ir escrevendo este texto. 2003. Na verdade. o quintal amplo em que se achava. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. as “letras” daquele contexto – em cuja percepção me experimentava e. de objetos. seus quartos. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam.

de Graciliano Ramos. cotidianas. em 1956. são capazes de exercer a plena cidadania. 16 . Publicou várias obras. possibilitando participar. Saiba mais . pode comprometer os atos de cidadania. no Alagoas. tanto áspera quanto as próprias relações humanas que ali se estabelecem e se fortificam devido a pouca consciência das personagens no que diz respeito ao seu papel como cidadãs. capaz de despertar paixões e discussões inumeráveis. nesta célebre obra neo-realista. por isso possuem acesso interditado a determinados modos de funcionamento da linguagem. em 1936. Ser alfabetizado é diferente de ser letrado. tais como ler e escrever o próprio nome. com mais clareza. próprio da segunda fase do Modernismo. Alfabetizados são aqueles que fazem uso da linguagem escrita em situações simples. em tarefas de ordem prática. Angústia (1936). Infância (1945). isto é. em 1930. Assim. à aquisição do código lingüístico. Refere-se ao processo de alfabetização. Reúnem-se.Compreendemos que a leitura da palavra é algo que se acrescenta à leitura do mundo. (1934). de hoje e de sempre. compreendendo a forma como a linguagem se organiza. a filosofia. Letrados são aqueles capazes de apreender os variados modos de ler e conhecer o mundo (a ciência. uma obra de linguagem sobre a não-linguagem. fazem uso reduzido da escrita. a importância da leitura para realização da plena cidadania.Graciliano Ramos Graciliano Ramos nasceu em Quebrângulo. 27 de outubro de 1892. Alexandre e outros heróis (1962). livro publicado em 1938 é uma grande obra inserida no Ciclo Regionalista Nordestino. Trata da peregrinação de uma família de retirantes pelos confins do sertão nordestino. Vidas Secas é um livro sábio. o mito. entre elas: São Bernardo. É curioso observar como a falta de consciência da linguagem.Vidas Secas Vidas Secas. se nada for feito para transformá-la. o romance traduz o sofrimento humano diante de uma natureza seca e implacável. já que a apropriação desses conhecimentos alarga o entendimento da realidade. o senso comum). Para compreender. Em estilo conciso. Foi Diretor da Imprensa Oficial do Estado em Maceió. um bilhete. arte. compondo todo o espetáculo doloroso da realidade brasileira de ontem. onde escreveu Memórias do Cárcere. agravada pela escassez da leitura e dos mecanismos de comunicação. transformar e fruir a realidade mais amplamente. vale a pena ler o livro Vidas Secas. Acusado de práticas subversivas. Saiba mais . homem e natureza. foi para a prisão.

”E agora. Os meninos em escolas. estavam cansados e famintos. o aió a tiracolo. mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco. aprendendo coisas difíceis e necessárias. esta outra. porque não sabia como ela era e nem onde era. Cultivariam um pedaço de terra. Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada. Que iriam fazer? Retardaram-se temerosos. do livro Vidas Secas (visite o site: http:// www.(. Mudar-se-iam depois para uma cidade. Fabiano sombrio. seriam diferentes deles. acabando-se como Baleia.. devagar. Acomodar-seiam num sítio pequeno. Ordinariamente andavam pouco. E andavam para o sul. e os meninos freqüentariam escolas. criado solto no mato. metidos naquele sonho. Uma cidade grande. ficariam presos nela.htm) só para você sentir um pouco da vida do outro e. se foi esboçando. refletir sobre a sua. Fazia horas que procuravam uma sombra. O sertão mandaria para a cidade homens fortes. alcançariam uma terra desconhecida.cambaio.Leia: Aqui.” 17 . evidentemente. como Fabiano. Arrastaram-se para lê. sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça. brutos. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O menino mais velho e a cachorra Baleia atrás. através dos galos pelados da catinga rala. Repetia docilmente as palavras de sinhá Vitória.geocities. Eles dois velhinhos. a espingarda de pederneira no ombro. acabando-se como uns cachorros. registramos apenas um trecho do primeiro capítulo (Mudança) e um trecho do último capítulo (Fuga). inúteis. sinhá Vitória e os dois meninos. a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão. cheia de pessoas fortes. Fuga “Pouco a pouco uma vida nova.com/gracilianoramos/bio. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro. as palavras que sinhá Vitória murmurava porque tinha confiança nele. A folhagem dos juazeiros apareceu longe. Fabiano estava contente e acreditava nessa terra. Aproveite! Mudança “Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. ainda confusa..)As palavras de sinha Vitória encantavam-no. o que parecia difícil a Fabiano. Iriam para adiante. a viagem progredira bem três léguas.

São Paulo.htm 18 . Rio de Janeiro.SP Observação: Original para ilustração. “MARIA TUDOR”. os tons de marrom e os de roxo dos campos cultivados. 1944 Painel a óleo/tela 190 x 180cm Petrópolis.2a. do livro “Perfil de Euclydes e Outros Perfis”. de Portinari. SP Assinada e datada na metade inferior direita “Candido Portinari 1914” Inscrições na metade superior direita “LO SCHIAVO”. (1944). RJ Assinada na metade inferior direita “Portinari”. compare o texto literário de Graciliano.culturabrasil. RJ Assinada e datada no canto inferior direito “PORTINARI 944” Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.primeiro desenho de Portinari. RJ. na metade inferior esquerda “TOSCA”. Coleção particular. “CONDOR”.SP Aprecie outras obras famosas de Cãndido Portinari: Retrato de Euclides da Cunha [1944] Desenho a nanquim bico-de-pena e nanquim pincel/papel16 x 13cm Rio de Janeiro. Série Retirantes Os retirantes nordestinos.pro. São Paulo. SP 1903 . “COLOMBO”. datado de 1914 1914 Desenho a carvão/papel 43 x 42cm Brodowski. 1962) . expressam a força da terra. os trabalhadores rurais de membros deformados. reproduzido à página 19.RJ (Brodósqui. Retirantes. que você acabou de ler com a tela Os Retirantes. “GUARANY” e no centro da metade inferior “Carlos Gomes nascido 17 julho de 1836 e fallecido 16 setembro de 1896”. “SALVADOR ROSA”.Rio de Janeiro. Retrato de Carlos Gomes . Atividade em aula Agora. Viaje no site : www. de Gilberto Freyre.br/portinari. Sem data Coleção particular.

passamos. pois passamos a viver a experiência do outro. com isso. o nosso lado miserável. a ser quem não somos. O próprio Graciliano afirma: “As nossas personagens são pedaços de nós mesmos. Você sente isso também? Ao lermos. de Baleia.secrel. Nossa vida mistura-se com a vida de Fabiano. de sinha Vitória. tanto o livro Vidas Secas quanto o quadro Os Retirantes. e de repente compartilhamos da árdua peregrinação daqueles que nada possuem. e. que a vivência inusitada proporcionada pelas artes oferece-nos a possibilidade de transformação. revitaliza-nos a sensibilidade.” Percebemos. passamos a conhecer o obscuro de nós mesmos. pela dignidade da vida humana. Se quiser mais. o conhecimento que nos é oferecido pela arte literária e pela arte pictórica apresenta-nos a realidade sob aspectos originais. no plano da realidade. entre no site: http://www.com. Enfim. Atividade em aula Escreva: O que acontece quando lemos um livro de literatura ou quando lemos um quadro? Quantas são as impressões e sensações que nos despertam? Registre seus comentários relativos à comparação dos dois textos e das duas linguagens. Viaje um pouco com Alberto Caeiro. a lutar. Logo. nós nos enveredamos para o sertão nordestino. ou até mesmo. só podemos expor o que somos. do mundo de nosso fazer prático.br/jpoesia/fp207. É fato que nossa sensação primeira é de estarmos nos desprendendo e nos afastando da vida cotidiana. muitas vezes.html 19 . É como se uma consciência imaginante nos libertasse e nos recriasse em um outro mundo: o mundo do outro.2a. ler é transformar. por vivenciarmos essa realidade recriada no plano da imaginação. dos dois meninos.

inspirado em Fernando Pessoa. Ouça. Creio no mundo como num malmequer... agora.mpbnet...veloso/ 20 . E a única inocência não pensar. O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo. para uma época de repressão com tendência à abertura política.. Trata-se de um dos mais belos poemas da canção popular brasileira – um fado brasileiro . ao nascer. Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo. Mas porque a amo. Amar é a eterna inocência. a música de Caetano Veloso. Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda. Eu não tenho filosofia: tenho sentidos. Porque o vejo. Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.. Os Argonautas. E eu sei dar por isso muito bem.br/musicos/caetano..... E de vez em quando olhando para trás. Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se.com. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender . Reparasse que nascera deveras.O Meu Olhar (Alberto Caeiro) O meu olhar é nítido como um girassol.. nem o que é amar . e amo-a por isso. E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto. Viaje no Site http://www........

não Navegar é preciso. viver não é preciso O barco. o charco.. noite no teu tão bonito Sorriso solto. a dor.Saiba mais . Os Argonautas . nada Navegar é preciso. barulho lento o porto.. retirando sons. Nasceu em Lisboa. perdido Horizonte madrugada o riso. Saiba mais . 21 . meu coração o porto. um jeito. Criou vários heterônimos (Alberto Caeiro. em 07 de agosto de 1942. o marco. o arco da madrugada. O poeta modernista faleceu prematuramente em 1935. meu coração não agüenta tanta tormenta. Bernardo Soares. uma paisagem ou pessoa na mais variada e sutil percepção da existência. capaz de traduzir o concreto.Caetano Veloso O barco. Álvaro de Campos. o porto. gestos e palavras do mais árido território. esforçou-se por renovar a Literatura Portuguesa com criação da revista Orpheu.Caetano Veloso Nascido em Santo Amaro da Purificação. silêncio Navegar é preciso. etc. Ricardo Reis. BA.). veículo de novas idéias e novas estéticas. o barulho Do meu dente em tua veia O sangue. Caetano renova a linguagem artística. alegria Meu coração não contenta o dia. poetizando sons de timbres desconexos. viver não é preciso Navegar é preciso. é um célebre inventor da arte musical brasileira. viver não é preciso. viver não é preciso Navegar é preciso. mostrando-nos a importância não somente de estarmos vivos como também de lutarmos. deixando grande parte da sua obra ainda inédita. assinando as suas obras de acordo com a personalidade de cada um. Revolucionário em sua poesia. Leia a letra da música. viver não é preciso O barco o automóvel brilhante o trilho solto. o compositor nos presenteia com fraseados sonoros que mobilizam nossa alma.Fernando Pessoa Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935 ) é considerado um dos maiores poetas portugueses. afirmando sua capacidade de mostrar as possibilidades da música de provocar a fruição estética.

Poeta é alguém que apresenta uma versão mais criativa das potencialidades literárias da língua e da cultura. Perspectiva. entre um texto e outro texto. D’Aléssio. seus sentimentos. Polissêmicos. e 2) portanto opõe-se também ao culto do poeta-gênio. por influência da noção de dialogicidade que M. participando dela de forma mais crítica. A música. atribui novos sentidos. L. assim como a literatura e a pintura. 1986. o interno e o externo. porque são abertos a muitas leituras. Para Lucrécia Ferrara. de um modo geral mais polissêmicos e polifônicos do que os textos de outras áreas de conhecimento. realizando o que conhecemos como intertextualidade. 93). Saiba mais . São Paulo. ed. A música de Caetano que você ouviu e leu põe em diálogo muitas vozes: a do próprio compositor. porque a voz do autor carrega vozes de outros autores.3a. Polifônicos. entre o presente e passado” (FERRARA. 22 . “intertexto é o diálogo que se produz entre o dentro e o fora. tais como o hipertexto e a Internet.Intertextualidade A noção de intertextualidade foi introduzida na Teoria Literária por Julia Kristeva. Essa concepção de intertextualidade já estava presente dentro da visão tradicional de literatura. ouve e reconhece antigos textos. O importante na concepção da literatura como intertextualidade é o questionamento das visões tradicionais de obra e de autor: 1) critica-se a visão de obra literária como uma obra que seria absolutamente original. Fernando Pessoa. a dos antigos navegadores. de acordo com o repertório-vida do leitor. Atividade em aula O que você imaginou quando leu/ouviu a letra/música? Registre suas impressões. encerrada nela mesma. p. mas é na pós-modernidade que ganha impulso principalmente com os novos fenômenos textuais “multimidiáticos”. são textos. da história. Um leitor competente busca nas entrelinhas. lembranças. entre um segundo e um primeiro. a do poeta modernista português. 2. Bakhtin havia desenvolvido no seu livro Estética da Palavra. conhece novos sistemas de referência do mundo. em 1966. A estratégia dos signos. percebe-se como sujeito capaz de transformar a realidade. da sociedade.

Eu morro sufocado em terra estrangeira. Que tais não encontro eu cá. cubistas. Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. sozinho.Outros exemplos de intertextualidade Canção do exílio Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Minha terra tem palmeiras. Onde canta o Sabiá. os sargentos do exército são monistas. Nossas várzeas têm mais flores. Em cismar –sozinho. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista. Minha terra tem primores. Onde canta o Sabiá. Mais prazer eu encontro lá. Sem qu’inda aviste as palmeiras. Não permita Deus que eu morra. à noite– Mais prazer eu encontro lá. Em cismar. Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade! Ver “Canção do exílio” de Gonçalves Dias De Poemas (1925-1931) Canção do exílio Minha terra tem palmeiras. Nossa vida mais amores. De Primeiros cantos (1847) 23 . Não gorjeiam como lá. à noite. que aqui gorjeiam. os filósofos são polacos vendendo a prestações. As aves. Minha terra tem palmeiras. Onde canta o Sabiá. Sem que disfrute os primores Que não encontro por cá. Nossos bosques têm mais vida. Sem que eu volte para lá. Nosso céu tem mais estrelas.

asp?Pagina=%2Fgratis%5Ffilosofia%5Fpolitica%2Easp .http://cultvox. Deve-se.se elas fazem parte de seu repertório cultural . hipóteses.br/ login. criticar ou aprovar as idéias enunciadas no texto. conhecer a língua e ter objetivo (informação.www.if. Vale a pena a leitura.unicamp.futuro. acionou conhecimentos prévios.iel.ominis.www.br/index.br .ufrj. com as outras vozes ali presentes . então. Saiba mais Visite o site: www. pois hábito é algo que se faz mecanicamente. desenvolver.html 24 . visão de mundo e linguagem sobre o assunto. você.br/paginas/novoigler/download.br/memoria. ou melhor.com. Sabe por quê? Não se deve desenvolver hábito de leitura.bibvir. diversão.com. evidentemente.www.e com suas próprias vozes internas.http://www.php . Ler é Desejo Saiba mais . você se lembrou de fatos.Ao ler a composição musical.locaweb.). estudo etc. sim. Procure Márcia Abreu em Diferentes formas de Ler. Ler com competência pressupõe. dialogou com a voz de Caetano. na tentativa de concordar.br/~coelho/livros. Clique em estudos e depois ensaios. tais como idéias. despertar o Desejo de Leitura.virtualbooks. Ler não é hábito.com.terra.usp. ter conhecimentos prévios – e isso só se adquire com textos-vida e com textos-lidos. discordar.html .ig. Alguém já lhe falou que é necessário desenvolver o hábito da leitura? Essa idéia é muito comum e um tanto perigosa.

leitura de mundo. 25 . diferenças entre língua oral e língua escrita.. comentar diferentes tipos de textos.Síntese da aula de hoje Você aprendeu. a diferença entre ser alfabetizado e ser letrado bem como a importância da leitura de diferentes textos e linguagens para ampliar sua visão de mundo. Na próxima aula. o que lhe permitiu refletir sobre a leitura e valorizá-la como instrumento para construção da própria cidadania. chegamos no final desta travessia. interpretar. intertextualidade. como ler. Próxima aula Enfim. Aprendeu.. alguns conceitos. também. como o de leitura. Você também desenvolveu várias habilidades. Você acha fácil se comunicar? Até a próxima. linguagem verbal e não verbal. nesta aula. comparar. compreender. trataremos de comunicação e linguagem.

no toldo (a manhã) que plana livre de armação. onde entrem todos. desde uma teia tênue. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro. 26 . e erguendo em tenda. desta vez.Comunicação e Linguagem Durante esta aula. escrita. da música. pelos diferentes textos. ele precisará sempre de outros galos. ou seja.Aula 03 . tecido. visual. tramados pelas diversas linguagens: sonora. Tecendo a manhã Um galo sozinho não tece uma manhã. (João Cabral de Melo Neto) Saiba mais -João Cabral de Melo Neto João Cabral de Melo Neto – é conhecido como poeta – engenheiro. A manhã. se eleva por si: luz balão. do livro. Sua obra mais famosa é Morte e Vida Severina. entre todos os galos. se vá tecendo. você será capaz de compreender o conceito de comunicação como necessidade humana e refletirá sobre seu uso na sociedade contemporânea. para que a manhã. Leia atentamente o poema. se entretendendo para todos. toldo de um tecido tão aéreo que. de um outro galo que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro. em que o trabalho de transpiração sobre a linguagem poética é bastante intenso. ou poetaarquiteto. E se encorpando em tela. entre outras. do cinema. imagine que o dia está amanhecendo. entre todos. Só para você despertar para o contexto. Nasceu em Recife a 9 de janeiro de 1920. Será muito divertida nossa trajetória. Participa da terceira fase do Modernismo. e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo.

O cão sem plumas. Rio de Janeiro: Editora do Autor.O rio ou Relação da viagem que faz o Capibaribe de sua nascente à cidade do Recife. Rio de Janeiro: Editora José Olympio. 1987.Poemas escolhidos. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda. Rio de Janeiro: Revista do Brasil.Duas águas. São Paulo: Teatro da Universidade Católica.Poesia completa.Museu de tudo.Dois parlamentos.O engenheiro. Barcelona: O livro inconsútil. 1985 (tiragem especial em papel vergê). edição foi feita uma tiragem de 100 exemplares em papel vergê).Antologias Antologias .Morte e vida severina. .Poemas reunidos. edição. 1947.com. 2a. 1954.terra. 1963. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 8a. Rio de Janeiro: Editora José Olympio. . . Rio de Janeiro: Editora do Autor.br . Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 1980. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. .Antologia poética. 1988. . Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira 1984 (da 2a. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro: Editora José Olympio.A educação pela pedra.Museu de tudo e depois (Poesia Completa II). . . 1954. . . Rio de Janeiro: Editora José Olympio. . . 1943.Primeiros poemas. 1965. . . 1968. .Pedra do sono. . . 1966.Auto do frade. Rio de Janeiro: Editora José Olympio. Rio de Janeiro: Editora José Olympio. 2a. edição.A escola das facas. .Crime na Calle Relator. Lisboa: Portugália Editora. Lisboa: Guimarães Editores. 1945.Sevilha andando. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 1984 (com Fotografias de Maureen Bisilliat). 1960. Recife: Edição do autor.Agrestes. 1975. 1956 (tiragem especial em papel Westerprin).Os três mal-amados. São Paulo: Edição da Comissão do IV Centenário de São Paulo. 1986. edição.virtualbooks. ed. 1990. Madri: Edição do autor.Terceira feira.Psicologia da composição com a fábula de Anfion e Antiode. 1990. . 1960. 1984. 1961. 27 . 1942 (tiragem especial em papel Drexler).Poesias completas. 1950. 1991. 1965.link: www. . Barcelona: 0 livro inconsútil. 1986. . . Rio de Janeiro: Edição da Faculdade de Letras da UFRJ. Seleção de Alexandre O’Neil. . Rio de Janeiro: Editora Sabiá. .Quaderna. 4a. Rio de Janeiro: Edição de Orfeu. Rio de Janeiro: Editora do Autor. Rio de Janeiro: Amigos da Poesia.Navegue e descubra mais coisas .

acorda o outro galo no despertar da manhã. obra Chafariz em www. para a aprender a ser gente. como um galo.com Divirta-se Veja o filme O carteiro e o Poeta. subjetiva. aquela que tem como causa a imaginação. Ele é ser gregário. 28 . observa-se o movimento do tear. Você percebe.artchive. com seu cantar. Assim. que o homem não vive sozinho. As palavras assumem um sentido figurado quando a intenção é expressar sentimentos e idéias em forma de imagens concretas. Saiba mais . O conceito de metáfora pode também ser percebido e entendido por meio da obra de arte. as conjunções comparativas. no poema de João Cabral de Melo Neto. A linguagem figurada é a linguagem conotativa. pois. na estrutura rítmica do texto. sempre precisa do outro. para modificar o que não está coerente no mundo.os homens necessitam uns dos outros para tecerem o amanhã. Tecer é uma palavra-chave para interpretar este poema.com Busque também os verbetes poesia e Duchamp na enciclopédia virtual www. Pesquise Marcel Duchamp. leitor. abstratas ou afetivas. que o galo constitui uma metáfora do homem. para se reconhecer como humano. As figuras de linguagem nascem da necessidade expressiva e de nossa incapacidade de lidarmos com o abstrato fora do contato com a realidade concreta.wikipedia.Metáfora Metáfora – figura de linguagem que se caracteriza por ser uma comparação implícita. o intelecto e a paixão. portanto dispensa o uso de elementos de ligação. Pode ocorrer a linguagem figurada tanto na linguagem comum quanto na linguagem literária. para transformar-se.Sabemos.

wikpedia. Pesquise em www. desejos. entre outros. Para nos humanizarmos. dirigido por Zemeckis.com o verbete sobre o autor. Atividade em aula Agora. viveu até 1929. descobriram-se. necessitamos compartilhar pensamentos. eram ativas e ruidosas durante a noite. idéias. Ela chorou pela primeira vez por ocasião da morte de Amala e se apegou lentamente às pessoas que cuidaram dela e às outras crianças com as quais conviveu. Eram incapazes de permanecer de pé. assista a um trecho do filme Náufrago. comiam e bebiam como os animais. Elas caminhavam de quatro patas. não tinham nada de humano e seu comportamento era exatamente semelhante àquele de seus irmãos lobos. Kamala.artchive.1a. procurando fugir e uivando como lobos. comunicação provém do verbo communicare. Na instituição onde foram recolhidas. Só se alimentavam de carne crua ou podre. vivendo no meio de uma família de lobos. pense e escreva: o que o texto de João Cabral tem a ver com a idéia de comunicação e linguagem? Para auxiliar sua reflexão. Etimologicamente. apoiando-se sobre os joelhos e cotovelos para os pequenos trajetos e sobre as mãos e os pés para os trajetos longos e rápidos. sentimentos.com o quadro Guernica de Picasso e em www. onde os casos de meninos-lobo foram relativamente numerosos. duas crianças. lançando a cabeça para frente e lambendo os líquidos. Para refletir sobre essa idéia. Nunca choraram ou riram. em latim. Ela necessitou de seis anos para aprender a andar e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário de 50 palavras. regras sociais. 29 . leia a história das meninas-lobo: “Na Índia. de oito anos de idade. que se traduz como pôr em comum. A primeira tinha um ano e meio e veio a morrer um ano mais tarde. Atitudes afetivas foram aparecendo aos poucos. passavam o dia acabrunhadas e prostradas numa sombra. Kamala viveu durante oito anos na instituição que a acolheu. humanizando-se lentamente. Amala e Kamala. em 1920.

Tarzan Ficha técnica Título Original: Tarzan Gênero: Animação Tempo de Duração: 88 minutos Ano de Lançamento (EUA): 1999 Site Oficial: http://disney.go. (REYMOND. 1965.com/DisneyPictures/tarzan/index. Nell. Distribuição: Walt Disney Pictures / Buena Vista Pictures Direção: Chris Buck e Kevin Lima Roteiro: Tab Murphy. Ozon. A linguagem somente pode ser adquirida sob condições sócio-culturais específicas ou ela é inata a todos nós com “prova” Tarzan? REYMOND. B. Rio de Janeiro: J. Le développement social de l’enfant et de l’adolescent. apud CAPALBO. Rio.25-26. Bob Tzudiker e Noni White. aprendendo a executar ordens simples.A sua inteligência permitiu-lhe comunicar-se com outros por gestos. p. Pierre Edição: Gregory Perler O que é mais factível: a história real das crianças indianas ou a ficção de Tarzan?. baseado em livro de Edgar Rice Burroughs Produção: Bonnie Arnold Música: Mark Mancina Direção de Arte: Dan St.) Saiba mais . inicialmente. Guerra do Fogo.Divirta-se: sugestões de filmes Há outros filmes que mostram essa idéia da necessidade humana de se comunicar para que ocorra o processo de humanização: O enigma de Kasper Hauser. 30 . C.html Estúdio: Walt Disney Pictures / Edgar Rice Burroughs Inc. apud CAPALBO. e depois por palavras de um vocabulário rudimentar.12-14. C. Bruxelas: Dessart. B. p..Guerra de Fogo Para pensar . Fenomenologia e ciências humanas. Que tal se divertir um pouco nos finais de semana?! . Fenomenologia e Ciências Humanas.O enigma de Kasper Hauser .

para favorecer o processo de conhecimento de si. eu me perdi “I’m a cave man a young man I fight with my hands (with my hands) I am a jungle man. será que podemos chamar de progresso a esse processo que vem nos assolando. a monkey man Concrete jungle! Concrete jungle!! Saiba mais . associando guitarras distorcidas. do outro e do mundo. Homem primata Desde os primórdios Até hoje em dia O homem ainda faz o que o macaco fazia eu não trabalhava.Titãs Titãs . beats tribais e eletrônicos além das letras que entrariam para a história da música nacional.A comunicação nasce para enredar os homens. mantêm-se atuais e atuantes. sobretudo com o que tem sido feito das novas descobertas tecnológicas. em Cabeça Dinossauro. dos meios de comunicação atuais? Ouça a música dos Titãs e pense sobre isso. 31 . para livrá-los da solidão involuntária.Os Titãs fizeram parte da geração 80 do rock nacional e ao contrário da grande maioria dos seus contemporâneos. a banda encontra o seu estilo mais primitivo. a vida é cruel Homem primata Capitalismo Selvagem Ôô ô Eu me perdi na selva de pedra Eu me perdi. irônicas e de um protesto implícito contra as convenções da sociedade. e não vai pro céu é bom aprender. eu não sabia que o homem criava e também destruía Homem primata Capitalismo Selvagem Ôô ô Eu aprendi a vida é um jogo cada um por si e Deus contra todos você vai morrer. Entretanto. Com letras pouco comuns.

desde o àlbum Titãs até Tudo ao mesmo tempo agora. Leia um trecho do livro de Milton Santos sobre a globalização. no álbum Titãs Discografia: • Titãs (1984) • Televisão (1985) • Cabeça Dinossauro (1986) • Jesus não tem dentes no país dos banguelas (1987) • Go Back (1988) • Õ Blésq Blom (1989) • Tudo ao mesmo tempo agora (1992) • Titanomaquia (1993) • Titãs 84-94 (1994) • Domingo (1995) É fato que tanto a ciência quanto a tecnologia surgiram para servir o homem. Há. vivenciamos uma globalização perversa : o globaritarismo.Bateria. no fundo de cada invenção humana.Formação atual: • Paulo Miklos .Guitarra • Nando Reis .Guitarra • Toni Belloto . Provavelmente. • André Jung .Vocal. Todavia.Vocal. Portanto.Vocal • Sérgio Britto . uma vontade humana de criar uma comunidade mundial. a época da tirania da informação e da tirania do dinheiro. 32 . hoje.Baixo. capaz de trazer o diálogo. teclados • Marcelo Fromer . capaz de proporcionar ao homem o seu entendimento com os outros homens.Vocal. no fundo das descobertas realizadas na área das novas tecnologias. Segundo o autor. parece que estamos passando ao largo dessa vontade humana. Segue carreira solo. sax • Branco Mello . um desejo. vocal • Charles Gavin – Bateria Também fizeram parte dos Titãs: • Arnaldo Antunes . presenciamos.

2001: 61) Veja este link www. são a mentira. o ideal de democracia plena é substituído pela construção de uma democracia de mercado.Cultura Cultura é conceito de múltiplas definições. sua obra é uma referência para todos os que pretendem compreender de maneira crítica o mundo atual. Saiba mais . a cultura. Assim. Milton Santos escreveu mais de quarenta livros em diversas línguas. (SANTOS. com o nome de marketing.Sobre pontos positivos da globalização: http://www. negando a sinceridade.Os papéis dominantes. pensamentos. A cultura pode ser aqui entendida como o modo pelo qual os indivíduos ou comunidades respondem às suas necessidades e desejos simbólicos. a comunicação é responsável pela cultura.espacoacademico. foi incentivado a estudar sempre e muito. É uma situação na qual se produz a glorificação da esperteza. Saiba mais . enfim. já havia concluído o equivalente ao curso primário. instituições. com o nome de segredo da marca. ferramentas. crenças. 33 . não poupou ninguém de suas severas críticas.espacoacademico. com os nomes de tática e estratégia. Neto de escravos por parte de pai. Saiba mais . arte. valores.Milton Santos Milton Santos – Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúbas. Estas são as razões pela quais a vida normal de todos os dias está sujeita a uma violência estrutural que. mas também. costumes. em sentido amplo. o caminho fica aberto ao abandono das solidariedades e ao fim da ética. Aos 8 anos. ciência.br/037/37pra. o engodo.br. Para o triunfo das novas virtudes pragmáticas. na qual a distribuição do poder é tributária da realização dos fins últimos do próprio sistema globalitário. aliás.htm Compreendemos que a comunicação.com. de geração a geração. Um pensador otimista. que conseguiu distinguir o novo da novidade. é a mãe de todas as outras violências. professores primários. negando a generosidade. Os pais. religião. conceitos que ele diferenciava radicalmente. da política. antes de mais nada. alfabetizaram-no em casa. legitimados pela ideologia e pela prática da competitividade. ou seja. por meio da linguagem. Desse modo. códigos. e a glorificação da avareza. toda as esferas da atividade humana.com. a dissimulação e o cinismo. no interior da Bahia. em 1926. é responsável pela transmissão das idéias. engloba a língua que falamos. Um geógrafo sério e combativo.

reúnam os funcionários no pátio da fábrica. o preparo dos alimentos.por favor. um verbal e outro não verbal . Pesquise exemplos de hábitos de culinária. Atividade em aula Você já reparou como é difícil estabelecer a comunicação até nas mais simples situações da vida cotidiana? Você já vivenciou problemas de comunicação? (Escreva sua opinião. na sexta-feira às 17 horas. como reprodução e alimentação. vestimenta. Assim. Trata-se de um evento que ocorre somente a cada 78 anos. todos de capacete de segurança e os encaminhe ao refeitório. o tipo de roupa que vestimos. confere coesão para as pessoas. essa terrível dificuldade humana de se comunicar. 34 . agora. os usos referentes à alimentação (o que se come. o Cometa Halley estará nesta área. sendo assim todos deverão se dirigir ao refeitório onde será exibido um filme documentário sobre o Cometa Halley”. Cometa Halley De: Diretor Presidente Para: Gerente Na próxima sexta-feira. o Cometa Halley vai aparecer sobre a fábrica. usos e costumes de cada cultura particular. de comportamentos de outras culturas. Para aprofundar sua reflexão. quando explicarei o fenômeno a eles. o que acontece a cada 78 anos a olho nu”. Os rituais de namoro e casamento. reúna os funcionários.por favor.onde o raro fenômeno terá lugar. tudo isso é convencionado pela cultura à qual pertencemos. dois textos. leia. Registre alguma experiência sua que constate essa idéia). 2a.que mostram. as palavras de nosso vocabulário. De: Gerente Para: Supervisor Por ordem do Diretor Presidente. Se estiver chovendo não poderemos ver o raro espetáculo a olho nu. todos usando capacete de segurança. são realizadas de acordo com regras. aproximadamente às 17 horas. como se come). de uma maneira bastante lúdica.Todas as atividades básicas. se chover. A cultura torna a vida segura e contínua.

Canal: é o contato ou meio físico. Mensagem: é tudo que o emissor transmite ao receptor. pois vai ser apresentado um show sobre a segurança na chuva. O Diretor levará a banda para o pátio da fábrica”. deve estar com segurança no pátio da fábrica na próxima sexta-feira às 17 horas. o conteúdo da mensagem.Bill Halley e seus Cometas. O show será lá. De: Mestre Para: Funcionário Todo mundo nu. porque a banda é muito louca e o rock vai rolar solto no pátio. pois o manda chuva (Diretor).Halley. Vai estar lá. pois será apresentado um filme sobre o problema da chuva na segurança. 35 . pela primeira vez em 78 anos. o chefe da diretoria vai fazer 78 anos e liberou geral para a festa às 17 horas no refeitório. De: Chefe de Segurança Para: Mestre Na sexta-feira. todo mundo deve estar lá e de capacete. Aviso para todos Na sexta-feira.De: Supervisor Para: Chefe de Segurança A convite de nosso querido Diretor. 78 anos. O Diretor levará a demonstração para o pátio da fábrica”. O que ocorre a cada 78 anos”. mesmo com chuva”. Há vários elementos que envolvem a comunicação: Emissor: é quem transmite a mensagem. o veículo pelo qual a mensagem é levada do emissor ao receptor. pago pelo manda-chuva. é o objeto da comunicação. vai aparecer nu no refeitório da fábrica. Todo mundo deve estar nu e de capacete. Referente: é o assunto da comunicação. Guitarrista famoso. sem exceção. Caso comece a chover mesmo. é para ir para o refeitório de capacete na mesma hora. o cientista famoso e sua equipe. estarão lá para mostrar o raro filme “Dançando na Chuva”. para filmar o Halley nu. às 17 horas. o Diretor. usando capacete. vai aparecer no refeitório da fábrica. o cientista Halley. A comunicação realiza-se quando os elementos funcionam adequadamente. Receptor: é quem recebe a mensagem. Código: é o conjunto de signos e suas regras de combinação. e o Sr.

sem uma língua. portanto ocorre por meio de gestos. comando e inquietação. corporais etc. enfim na vida pessoal e profissional. No contexto comunicacional.O homem dispõe dos mais variados sistemas de comunicação. Saiba mais .Pesquise Zoológico de Gênios Pesquise a matéria que saiu na Revista Superinteressnate. com o título “Zoológico de gênios”. segundo as novas pesquisas. sons. tanto em encontros amorosos. Analisa. As abelhas. expressões corporais etc. Pesquisas apontam que a eficácia da comunicação é maior com a linguagem não verbal. formas. cores. de Pierre Weil e Roland Tompakow. Sabemos que não é possível comunicação sem linguagem. Entre os gafanhotos. por isso é considerado um animal comunicativo por excelência. Já a linguagem não verbal é a que se faz sem verbo. sem palavra. Apresenta a possível significação de alguns gestos e posturas que as pessoas. em geral. sem um dialeto falado ou escrito. os princípios subterrâneos que regem e conduzem o corpo. de Pierre Well e Roland Tompakow O livro busca desvendar a comunicação não-verbal do corpo humano. a fêmea é atraída pelos odores do macho. por exemplo. apresentam nas várias situações de comunicação. comunicam-se por meio da dança para apontar onde está o alimento e a que distância. expressões faciais. sem gestos.O corpo fala. Entretanto. Os símios possuem 15 a 20 gritos diferentes de alarme. As borboletas atraem o macho pelos odores emitidos. É muito interessante aprender detalhes dessa comunicação não verbal. da palavra e pode ser falada ou escrita. é necessário reconhecer que os animais também possuem comunicação. 36 . sem um sistema de símbolos. por meio da surpreendente leitura do livro: O corpo fala. Saiba mais . quanto em reuniões empresariais. em primeiro lugar. a linguagem verbal é aquela que se faz por meio do verbo. de janeiro de 2000. enquanto os chimpanzés têm 32. nós dividimos o planeta com vários outros animais pensantes. Aliás.

vocabulário apurado. é sinal obsceno. compreender um pouco da linguagem verbal? Qualquer tipo de linguagem desenvolve-se por meio de um código de comunicação. No caso da linguagem verbal. Turquia. O vocabulário é mais restrito e está em constante renovação. Mas não deixe de conhecer esse livro que poderá ajudá-lo tanto na vida pessoal quanto na vida profissional. Primeiro. as consoantes. só havia língua falada. Rússia e Turquia. na Grécia. depois. Irã significa sim. significa dinheiro. A língua escrita pressupõe contato indireto. com o tempo. Por exemplo. Vamos. Originalmente. A escrita apareceu depois em estágios avançados da civilização e. clareza das construções sintáticas. no Brasil. o que a torna mais abstrata. o código é a língua. No processo de comunicação verbal. No nosso caso. surgiram as vogais. na maior parte dos países do Ocidente. sem preocupação gramatical. Língua Gosto de sentir a minha língua roçar A língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar A criar confusões de prosódia E um profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade E quem há de negar que esta lhe é superior E quem há de negar que esta lhe é superior 37 . A língua falada pressupõe contato direto com o falante. agora. moeda. ganhou prestígio. balançar a cabeça. a língua é portuguesa. mas a forma de expressá-la difere. significa que algo está ótimo.A questão é que nem sempre o significado das expressões é universal. exige esforço de elaboração e obediência às regras gramaticais. significa não. O sinal de OK. A título de diferenciação. o que a torna mais concreta. mais refletida. a língua tem caráter particular. na Turquia. Há preocupação com regência. colocação. mais espontânea. homossexualidade. nos EUA. há a linguagem oral e a linguagem escrita. no Japão. A língua é a mesma. Bulgária. a linguagem tem caráter universal. mas.

e o recôncavo.. explique-nos Luanda Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo Sejamos o lobo do lobo do homem Sejamos o lobo do lobo do homem Adoro nomes Nomes em à De coisa como rã e ímã.. e o recôncavo 38 .E deixa os portugais morrerem à míngua Minha pátria é minha língua Fala Mangueira Fala! Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer o que pode Esta língua Vamos atentar para a sintaxe paulista E o falso inglês relax dos surfistas Sejamos imperialistas Cadê? Sejamos imperialistas Vamos na velô da dicção choo de Carmem Miranda E que o Chico Buarque de Hollanda resgate E Xeque-mate. Nomes de nomes como Scarlet Moon Chevalier Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé. Maria da Fé Arrigo Barnabé Incrível É melhor fazer uma canção Está provado que só é possível filosofar em alemão Se você tem uma idéia incrível É melhor fazer uma canção Está provado que só é possível Filosofar em alemão Blitz quer dizer corisco Hollywood quer dizer Azevedo E o recôncavo.

uma paisagem ou pessoa na mais variada e sutil percepção da existência. é um célebre inventor da arte musical brasileira.ideogramas. Viaje no site: http://www. em 07 de agosto de 1942. um jeito.hpg. você e tu lhe amo Qué que’u faço. Caetano renova a linguagem artística. a dor.Caetano Veloso Caetano Veloso . o compositor nos presenteia com fraseados sonoros que mobilizam nossa alma.ig. discos.Mensagem 39 . Saiba mais . vídeos à mancheia E deixa que digam.br/musicos/caetano.veloso/ Saiba mais . afirmando sua capacidade de mostrar as possibilidades da música de provocar a fruição estética.Link http://www. que pensem.nasceu em Santo Amaro da Purificação. gestos e palavras do mais árido território. poetizando sons de timbres desconexos.que flem.com. BA. nego? Bote ligeiro Nós canto falamos como quem inveja negros Que sofrem horrores no Gueto do Harlem Livros.br Leia mais: Fernando Pessoa . Revolucionário em sua poesia. retirando sons. chic-left com banana Será que ele está no Pão de Açúcar Tá craude brô.mpbnet. capaz de traduzir o concreto.com.Meu medo! A língua é minha Pátria E eu não tenho Pátria: tenho mátria Eu quero frátria Poesia concreta e prosa caótica Ótica futura Samba-rap. mostrando-nos a importância não somente de estarmos vivos como também de que lutarmos pela vida.

É a invariante abstrata e virtual. Para o autor. como unidade. Joaquim Mattoso Câmara Jr. no qual se distinguem as combinações pelas quais o falante realiza o código da língua com o objetivo de exprimir seu pensamento pessoal. Estudou em Leipzig.159) define a linguagem como a “faculdade que tem o homem de exprimir seus estados mentais por meio de um sistema de sons vocais chamado língua.159) define a linguagem como a “faculdade que tem o homem de exprimir seus estados mentais por meio de um sistema de sons vocais chamado língua. que os organiza numa representação compreensiva em face do mundo exterior objetivo e do mundo subjetivo interior”. ou discurso. um conjunto de potencialidades e de virtualidades dos atos da fala. que existe a Língua Portuguesa. Alemanha. há as variantes determinadas por fatores geográficos. uma estrutura ideal. gramática comparada e. sobreposta a um mosaico de variantes concretas atuais”. em 1857. do Brasil.p. a língua é um sistema de signos. que os organiza numa representação compreensiva em face do mundo exterior objetivo e do mundo subjetivo interior”.constitui ato de vontade e inteligência. nos últimos anos de sua vida. A fala. T importante papel nos estudos de lingüística geral e da história dessa ciência. eve Instaurou no Brasil o estruturalismo. Suíça. foi pioneiro da lingüística e do estruturalismo no país. Concluímos. Dentro do Brasil.p. – assunto que abordaremos na próxima aula. situacionais. da África.escola onde os chamados “novos gramáticos” estavam renovando os métodos da gramática comparada. Saiba mais . foi um dos mais engajados lingüistas de nossa história. Câmara Júnior (1977. “a língua fica sendo. profissionais etc.Para Saussure (1977). Saiba mais . assim. Saussure dedicou sua vida ao estudo e o ensino do sânscrito (antiga língua sagrada e literária da Índia. 40 . lingüística geral. e também suas variantes: o português de Portugal.Câmara Júnior Câmara Júnior (1977. como sistema lingüístico. sociais. a língua) como estrutura definida pela relação funcional entre seus elementos constituintes. pertencente ao grupo Indo-Europeu).Ferdinand Saussure Ferdinand Saussure nascido em Genebra. doutrina que marcou as ciências humanas a partir da década de 1960 e que se propunha a compreender uma totalidade (no caso. que apresenta em si os traços básicos comuns a todas as suas variedades.

htm 3a. das múltiplas linguagens (verbais e não verbais). que tal mergulharmos um pouco mais na nossa cultura para percebermos as diferentes formas de nos comunicarmos? Nosso próximo assunto são as diferentes variações da Língua Portuguesa. Fundou o primeiro programa de pós-graduação em lingüística do país e criou o primeiro curso de línguas indígenas no Rio de Janeiro -onde nascera a 13 de abril de 1904. Em uma época em que o português de Portugal orientava os estudos lingüísticos. do que faz. dos diversos textos. Como fala o mineiro? Como se expressa o paulista? Até a próxima. http://www2.br/cienciahoje/perfis/mattoso/mattoso1. do que acredita. Próxima aula No próximo encontro. do que sente. é o seu momento de expressão.uol.Publicou o primeiro compêndio de lingüística da língua portuguesa nos anos 1940. que se entrecruzaram em seu pensar e lhe permitiram ressignificar seu conhecimento e agregar fios ao seu tecido cultural.com. de assumir um compromisso consigo mesmo acerca do que pensa. Síntese da aula de hoje Nesta aula. Isso só foi possível por meio da leitura. você deve refletir e escrever. Escreva um texto que expresse suas idéias sobre a comunicação e linguagem ou sobre a ausência delas. você reelaborou seu conceito de comunicação e linguagem. Agora. Escrever é uma maneira de se posicionar no mundo. Atividade em aula Pense no seguinte: como seria sua vida sem a linguagem? Após a leitura atenta e a interpretação dos textos anteriores. 41 . ele sistematizou a língua falada no Brasil.

) que interferem na maneira individual de que o falante tem de expressar-se. Variação histórica 1o. Foi preso pela Inquisição em 1547. muda. que todos os falantes de uma língua utilizem-na de maneira rigorosamente uniforme. portanto. mas também como elemento básico de coesão social. o grau de escolaridade etc.. Isso significa que. regressando à liberdade em 1551.. transforma-se através do tempo e sofre variações por outras razões também que estudaremos. em 1507. É uma convenção social. parte Na aula de hoje e na próxima. A língua é dinâmica. dando-lhes consciência de que pertencem a uma comunidade. Da sua notável produção literária. Figura singular que corporiza um espírito abrangente de verdadeiro homem do Renascimento. e adequar-se à situação.Aula 04 . bastante doente.Fernão de Oliveira Fernão de Oliveira nasceu em Aveiro. Portugal.) os bos falão virtudes e os maliciosos maldades (.. quando escrevemos. crítico das mentalidades tradicionais. o texto deve considerar o público-alvo.1a. pois se constitui no elo comum de milhões de indivíduos. A esse fato damos o nome de variações lingüísticas. você deverá perceber que uma língua (idioma) se constitui de um sistema de representação de sinais ou signos de um povo e sua cultura. Homem superior pela sua capacidade intelectual. Uma língua não funciona apenas como meio de comunicação. arbitrário. escreveu a famosa Gramática da Linguagem Portuguesa. Morreu cerca de 1581.. padre ou soldado. no entanto. 1536) Resumidamente podemos considerar a existência de três tipos gerais de variações: “A lingoagem e figura do entendimento (. Existe um grande número de fatores (como a idade. Texto (original.” Fernão de Oliveira Saiba mais . aventureiro em vários países católicos ou não. 42 . o grupo social. o sexo. Isso não significa.) sabe falar os q etede as cousas: porq das cousas naçe as palauras e não das palauras as cousas.Variações Lingüísticas .

1a. nesses entrementes. em geral dezoito.) sabem falar os que entendem as coisas: porque das coisas nascem as palavras e não das palavras as coisas. era para tirar o pai da forca. Essas variações se devem ao fato de que as línguas se alteram com o passar do tempo. depois da janta. mas ficavam longos meses debaixo do balaio. e também tomavam cautela de não apanhar sereno. e não caíam de cavalo magro. e mais tarde ao cinematógrafo. Os mais jovens..2o. saindo para tomar a fresca. chupando balas de altéia.) os bons falam virtudes e os maliciosos. não admira que dessem com os burros n’água. arrastando a asa. As alterações ocorrem tanto na grafia quanto no sentido de muitas palavras. 1971. os quais. denominadas variações históricas. E. Leia atentamente a crônica a seguir: Antigamente Antigamente. Ou sonhavam em andar de aeroplano. Os idosos. p. o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. Seleta em prosa e verso. Texto (atualizado) A linguagem é figura do entendimento (... Atividade em aula Vimos que a língua constitui um processo dinâmico. faziam o quilo. surgem palavras novas (neologismos). Não faziam anos: completavam primaveras. quando corriam. mesmo não sendo rapagões. antigamente. Algumas jogavam verde para colher maduro. e até em calças pardas. enquanto outras vão deixando de ser usadas (arcaísmos). O que não impedia que. maldades (. dando às de vila-diogo. se levavam tábua. Os janotas. Encontravam alguém que lhes passava manta e azulava. A esse processo contínuo de modificação de uma língua através do tempo (diacronia) damos o nome de variação histórica. As pessoas.. Além disso. esses iam ao animatógrafo. Como se pode notar. ANDRADE. faziam-lhes pé-de-alferes. de pouco siso. as moças chamavam-se ‘mademoiselles’ e eram todas mimosas e muito prendadas. ocorreram várias modificações. apresentando modificações ao longo do tempo. Carlos Drummond de. se metiam em camisa de onze varas. Rio de Janeiro: José Olympio. esse ou aquele embarcasse em canoa furada. e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. até desaparecerem.3 43 .

desconfiado. . em Porto Alegre. em tom humorístico. de Carlos Drummond de Andrade foi elaborada com uma linguagem também de antigamente. Procure explicar o significado das seguintes expressões presentes no texto e registre em seu caderno. palavras que já não são mais empregadas correntemente hoje. Jornalista. Filho do grande escritor Érico Veríssimo. seus avós ou pessoas idosas. Além de palavras. iniciou sua carreira no jornal Zero Hora. em 1966. Porto Alegre: L&PM. Participou também da televisão. O analista de Bagé. a) fazer pé-de-alferes b) arrastar a asa c) ficar debaixo do balaio d) levar tábua e) tirar o cavalo da chuva f) pregar em outra freguesia g) embarcar em canoa furada h) passar manta e azular i) dar às de vila-diogo j) fazer o quilo k) meter-se em camisa de onze varas Variação geográfica 1o. A essas palavras. Morou e estudou nos EUA na juventude. Sua produção literária é extensa e diversificada. o autor utilizou. 44 . fornecendo material para a série “Comédia da Vida Privada”. mais recentemente. Se for necessário consulte seus pais. em Porto Alegre.Luís Fernando Veríssimo Luís Fernando Veríssimo nasceu em 26 de setembro de 1936. na Rede Globo e. criando quadros para o programa “Planeta dos Homens”. . tchê – disse o analista de Bagé.Você observou que a crônica Antigamente.Pra quê? – quis saber o paciente.Oigalê bicho bem xucro – disse o analista com uma risada agradável. dá-se o nome de arcaísmos. isto é. foram usadas frases feitas e expressões que também não são mais empregadas atualmente. É considerado por muitos “uma fábrica de fazer humor”.” (Luís Fernando Veríssimo. enquanto torcia o braço do outro e obrigava-o a se deitar. 1982) Saiba mais .Te deita no divã. Texto “.

isto é entre as comunidades lingüísticas. observam-se formas distintas de falar. A essa maneira particular que os falantes de uma região têm de pronunciar as palavras e as frases dá-se. Aspectos sintáticos do dialeto caipira da região de Morrinhos. Costa Vilefort.2o. Tais variações podem ser identificadas no aspecto sonoro (pronúncia). pela ação decisiva que recebe dos fatores culturais (escola. De região para região do país. provenientes de dialetos ou falares locais. ele tem uma pronúncia característica. pessoas boa. Dependendo de onde o falante vive durante um certo tempo. bem com certas estruturas de frases e nos sentidos particulares atribuídos a determinadas palavras e expressões. no vocabulário.” (Mariza T. As variações geográficas conduzem a uma oposição fundamental: linguagem urbana / linguagem rural.Fale sobre sua vida aqui. O primeiro trecho apresenta características do falar do Rio Grande do Sul e o segundo registra a fala de um habitante da zona rural de Goiás. 1985) Você observou alguns registros da língua portuguesa. . meios de comunicação de massa. extinguindo-se gradualmente com a chegada da civilização. Suas manifestações são contidas na comunidade por uma língua padrão que. Falá aqui. literatura). comumente. o nome de sotaque: sotaque mineiro. 45 . Eu interei im vida. sotaque nordestino. A esse tipo de diferenças na língua dá-se o nome de variação geográfica. nos quais se percebem diferenças regionais bem marcadas. sendo responsáveis pelos chamados regionalismos. vivo bem graças a Deus. mais a gente usa é dinheiro.Eu vivi questão de 34 anos prá trás mesmo. dinheiro não é nada. indês que eu nasci. nivela as diferenças regionais. Goiânia: Universidade Católica de Goiás. sotaque gaúcho etc. Texto “. Essas variações lingüísticas ocorrem num plano horizontal da língua. A segunda mais conservadora e isolada. né? Nunca sobro. indês que eu nasci. A primeira cada vez mais próxima da linguagem padrão da comunidade. sendo geralmente compreendida e aceita.

. Faleceu na cidade natal. Em 1917. Mário de Andrade Saiba mais .] Que importa que uns falem mole descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais? Que tem si os quinhentos réis meridional Vira cinco tostões do Rio pro norte? Juntos formamos este assombro de misérias e grandezas. Entre 1934 e 1937. dirige o Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São Paulo. a 25 de fevereiro de 1945. Atividade em aula Leia o texto da música caipira a seguir: Chico Mineiro Fizemu a úrtima viagi Foi lá pru sertão de Goiás Fui eu I U Chicu Mineru Tamém foi u capatais Viagemu u di ‘interu pra chega im Oru Finu 46 . Brasil. publica Há uma gota de sangue em cada poema. Formado. 2a. Deixou obra variada – que reflete uma curiosidade diversificada e um talento polimórfico.. exerce múltipla e ininterrupta atividade intelectual. onde realiza um trabalho verdadeiramente pioneiro. sem par em nosso Modernismo – reunidade em dezenas de volumes.Noturno de Belo Horizonte [.Mário Raul de Morais Andrade Mário Raul de Morais Andrade nasceu em São Paulo. e. Alinhando-se entre os que pregam moldes estéticos renovadores. em consonância com esse papel orientador. torna-se praticamente o guia de sua geração. nome de vegetal!. ingressa no Conservatório Dramático e Musical. inspirado na primeira Grande Guerra... passa a viver do magistério particular e na própria escola em que se diplomara (História da Música). Depois do curso secundário. publicados desde 1944. a 9 de outubro de 1893.

Aondi nóis passemu a noiti numa festa du Divinu A festa tava tão boa Mais antis num tivesse idu o Chicu foi baliadu pr’um homi discunhicidu largueI di comprá boiada mataru u meu companheru Acabô-si um som da viola acabo-si u Chicu Mineru Dispois daquela tragédia Fiquei mais aburrecidu Num sabia da nossa amizade pois nóis dois éramu unidu Quanu vi seus documentu mi cortô meu coração vim sabê qui u Chicu Mineru Era meu ligítimu irmão. As variações socioculturais ocorrem num plano vertical. Escreva em seu caderno. Considere-se um repórter. A comparação entre as palavras permite-nos concluir. relatando a história contada na música. Construa um texto para seu jornal. Variação sociocultural Vício na fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mio Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados (Oswald de Andrade) Você deve ter observado que o poema coloca em contraste palavras usadas por falantes de diferentes graus de cultura ou níveis socioculturais. portanto. São variações denominadas de dialetos sociais. utilizando-se da norma culta. 47 . isto é. que as variações lingüísticas também podem ser determinadas por fatores ligados diretamente ao falante ou à situação (contexto). dentro da linguagem de uma comunidade específica (urbana ou rural). ou a ambos simultaneamente.

pois o vermelho não combinava com a cor do meu linho. na cidade natal. abasteci a caveira e troquei por centavos um embrulhador. Em 1931. trava amizade com Mário de Andrade e Di Cavalcanti. sacou a máquina e queimou duas espoletas. ela bolou. Atividade em aula Leia o texto a seguir e analise-o quanto ao nível da fala. adere ao Comunismo. Explique a relação que há entre a variação lingüística e o grupo social ao qual o falante pertence. Escreveu poesias. Quando bordejava pelas vias. Não tenho vocação pra presunto e corri. Ele se coçou. forma-se pela Faculdade de Direito de São Paulo. o patuá é o seguinte: depois de um gelo da coitadinha. virou pulga. Eu dei a dica. Serafim Ponte Grande (1933). viaja para Europa. em 1922. recebi um cataplum no pé do ouvido. colei. torna-se o principal dinamizador do movimento. ensaios. plantado como um poste bem na quebrada da rua. ocasião em que conhece o Futurismo. mas. “o saudoso”. muito rápido. ela bronquiou. Em 1912. romances. sem esperar. Em 1917. pondoo por terra. Manobrei e procurei engrupir o pagante. tinha se adernado e visto que o cargueiro estava lhe comboiando. veio um pára-quedas se abrindo. resolvi esquiar e caçar uma outra cabrocha que preparasse a marmita e amarrotasse o meu linho no sabão. O pitoresco na Justiça Num de seus depoimentos na Justiça. Quando.Saiba mais . e com eles faz planos de renovação literária. Bronquiou mas foi na despista. destaque para Memórias Sentimentais de João Miramar (1924). dando a maior sugesta na recortada.Seu doutor. Colei. uma muquecada nos amortecedores e taquei-lhe os dois pés na caixa de mudança. então vi as novas do embrulhador. Eu fiz a pista. Poesias Reunidas (1945). a 11 de janeiro de 1890. teatro e memórias. muito vivaldina. Morando na jogada. Aí dei-lhe um bico com o pisante na altura da dobradiça. Papai. Zé da Ilha. e até o fim mantém a flama de revoltado e irreverente. 3a. Pau-Brasil (1925). Instalada a Semana de Arte Moderna.José Oswald de Souza José Oswald de Souza nasceu em São Paulo. porque. Faleceu em a 22 de outubro de 1953. 48 . Da sua produção literária. prestou as seguintes declarações: “. o Zezinho aqui ficou ao largo e viu quando o cargueiro jogou a amarração. O Rei da Vela (1937). mas dele se afasta em 1945. Eu chutei.

Próxima aula Na próxima aula. Ele virou logo América. mas um dedo-duro me apontou aos xipófagos e. Pedi ao caixa pra botar na pindura e ia me pira quando o sueco apareceu pra me esculachar. vamos explorar as variações lingüísticas ligadas ao falante e à situação ou contexto em que se comunica.” Jornal Correio da Manhã. estou aqui. Fiz uma avenida na epiderme do moço. vimos que uma língua sofre variações provocadas por fatores históricos. Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. por isso. 49 . me queimei e puxei a soligem. Aproveitei a confusa pra me pira.Entrei no china pau e pedi um boi à Moçoró com confete de casamento e uma barriguda bem morta. geográficos e socioculturais. Eu sou preto mas não sou gato Félix. Rio de Janeiro. 1959.

click no ícone indicado e observe o esquema elaborado pelo professor Dino Preti. vem perdendo. condições culturais como. novas profissões. por exemplo. Essa oposição. fala-se muito de uma “linguagem jovem”. mais empregado pelos indivíduos dessa faixa etária. em especial nas grandes cidades. onde os meios de comunicação de massa e a transformação dos costumes e padrões morais (atividades exercidas pela mulher fora do lar. em especial no campo do vocabulário. Você percebeu. ao analisar o quadro acima. em sua obra Sociolingüística: os níveis da fala.Aula 05 .) têm exercido um papel nivelador importante. que variações devidas ao falante são: a) idade As variações devidas às faixas etárias se limitam muito mais ao vocabulário e nem sempre são fáceis de surpreender.2a. os movimentos feministas etc. b) sexo De acordo com a comunidade. gradativamente. sua significação. a oposição linguagem do homem / linguagem da mulher pode determinar diferenças sensíveis.Variações Lingüísticas . no entanto. 50 . devido a certos tabus morais (que geram tabus lingüísticos). Modernamente. parte Para ilustrar e resgatar o que vimos na aula passada sobre os fatores que provocam variações lingüísticas. entendendo-se como tal um vocabulário gírico.

Podemos dizer. assim como um bancário ou um operário não têm. feitas as devidas ressalvas. emprego da ênclise e dos pronomes oblíquos. dos advogados. dos médicos. diz pra ele que eu quero falar com ele. um executivo. às vezes ditadas por diferenças de áreas urbanas (bairros). São sensíveis essas influências nos falantes que residem em zonas de maior imigração negra. g) local em que reside Não nos referimos a diferenças causadas por influência regional. O quadro apresentado na página 1 revela também que há variações devidas à situação ou contexto: 51 . dos militares. a economia lingüística e o uso das formas cultas da segunda frase fazem um bom exemplo de domínio da língua (uso do futuro irregular do verbo ver. f) grau de escolaridade Compare estas duas maneiras de articular o pensamento utilizadas por falantes em situações diferentes: 1. Não há dúvida de que só a freqüência à escola possibilita ao falante dominar tais formas. 2.c) raça (ou cultura) São as variações ligadas a fatores etnológicos. ausente da linguagem vulgar. diga-lhe que quero falar-lhe. Um político. mas apenas a variações de hábitos dentro de uma mesma comunidade. São exemplos o vocabulário dos vendedores ambulantes. Se você ver o professor. um dirigente industrial. que cada posição social tem a sua linguagem. Se você vir o professor. além da forma de 3ª pessoa do imperativo). o mesmo nível de linguagem. e) posição social O status do falante também exige dele um cuidado especial com a linguagem. dos políticos etc. embora possam conviver diariamente na comunidade em que atuam. via de regra. freqüentemente com a finalidade de ser distinguido dentro do grupo em que atua. um chefe de Estado. d) profissão A profissão atua decididamente no campo dos registros técnicos ou profissionais em que os falantes utilizam um vocabulário condizente com a sua atividade. A concisão.

para produzir efeitos específicos. individualmente considerado. e a quem é dirigida? Faça em seu caderno. que revelam características desse grupo. o falante utiliza um estilo que não é o seu. mas se a tua moçada não manjar que ele foi dá um “look” aí na Enciclopédia Britância ou no “Groves International” e tu vai saca que o astral do século 20 musical deve muitoa eles. Esses caras não foi cruner de banda a la “Trogloditas do Sucesso”. Armando Belardi e Radamés Gnattali. Massa! Pô Erundina. Assim. Edoardo de Guarnieri. quem sabe tu te anima e acha aí um point pra bota o nome de Magdalena Tagliaferro. a presença física do ambiente em que o diálogo ocorre pode ocasionar um nível de linguagem técnica. fator importantíssimo na análise das falas. massa! Agora que o maneiro Cazuza virou nome num pedaço aqui na Sampa. e também às relações que unem os falantes no momento do diálogo. que é o que faz o maestro Júlio Medaglia ao escrever uma carta ao jornal Folha de São Paulo. 1a. a) Que grupo social pode ser identificado por este estilo? Transcreva as marcas lingüísticas (palavras ou expressões) presentes no texto.Compreendem as influências determinadas pelas condições não-verbais que cercam o ato da fala. formal. 52 . às vezes. Jaques Klein. lugar e tempo em que as falas se realizam. mas apenas às circunstâncias criadas pela própria ocasião. Os fatores situacionais não dizem respeito diretamente ao falante. Qual é. em 4/10/1990. fora dos hábitos normais dos falantes. por exemplo. João de Souza Lima. Da mesma maneira o tema da conversa poderá explicar o emprego de vocabulário e estruturas cultas ou vulgares. b) O texto contém uma crítica implícita. Atividade em aula Você sabe que. Cláudio Santoro. A propósito do grau de intimidade entre os falantes. Guiomar Novaes.

.). A mais conhecida é a Arte Poética.” Horácio Saiba mais . Mário de Andrade Síntese da aula de hoje Concluindo: as influências de todos esses fatores que aqui percorremos rapidamente se entrecruzam e se sobrepõem nas variações de fala.. coloquial. A primeira cada vez mais próxima da linguagem padrão da comunidade. pela ação decisiva que recebe dos fatores culturais (escola. se um velho amadurecido ou um jovem impetuoso na flor da idade. Brasil. Noturno de Belo Horizonte [. Entre suas principais obras. profissional etc. A segunda mais conservadora e isolada. comum. Passa uns anos azarentos em Roma e Atenas até que pôde gozar. da proteção de Mecenas. na qual introduz novos critérios métricos e uma concepção original dos gêneros literários que cultiva.C a 8 a.. “Há uma grande diferença se fala um deus ou um herói. Os temas que nelas trata são a expressão lírica da própria vida.Horácio Horácio. 53 . nome de vegetal!. que lhe oferece uma casa de campo onde vive livre de cuidados. É o grande inovador da poesia latina. literatura).C. vulgar. se um mercador errante ou um lavrador de pequeno campo fértil...2a.. poeta latino.. São eles que nos conduzem aos vários registros falados (culto. Atividade em aula As variações geográficas conduzem a uma oposição fundamental: linguagem urbana / linguagem rural. em que expõe uma série de conselhos para a criação literária. meios de comunicação de massa. extinguindo-se gradualmente com a chegada da civilização. se uma matrona autoritária ou uma ama dedicada. a tal ponto que nem sempre é possível precisar a ação mais direta de um ou de outro. cujos limites nem sempre são precisos.] Que importa que uns falem mole descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais? Que tem si os quinhentos réis meridional Vira cinco tostões do Rio pro norte? Juntos formamos este assombro de misérias e grandezas. as Odes são a sua obra-prima. viveu entre 66 a. em Roma. como Virgílio.

tinha uma procissão de caveiras que passava à meia-noite.. bruxas. Quando você narra.O texto e suas modalidades Na aula de hoje.” (Lygia Fagundes Telles) Saiba mais . com alguém (quem).. Texto “Todas as noites. depois do jantar. portanto. Releia o poema “Tecendo a manhã”. Leia. o verbo “haver”. atentamente. Há. ainda. Você estudará detalhadamente cada uma dessas modalidades nas próximas aulas. da Aula 3 e perceba ação de tecer na linguagem. descrição e dissertação. almaspenadas. convém incluir trechos em que registre a conversa das personagens. conhecer suas características e utilizá-los adequadamente. de algum modo (como). que variam conforme as intenções do autor. todas elas se valem de processos de composição. por algum motivo (por que) que provocam conseqüência (por isso). 54 . Existem muitas modalidades textuais. na página 2. de João Cabral de Melo Neto. entrelaçamento”. imaginária ou uma mistura de ambas as coisas. Deverá reconhecer.Aula 06 . de entrelaçar unidades e partes a fim de formar um todo inter-relacionado. os trechos a seguir e compare-os: 1o. que significa “tecido. cantando. É uma seqüência de fatos (o quê) ocorridos em local (onde) e tempo (quando) determinados. você deverá diferenciar um texto dissertativo. A palavra texto provém do latim textum.Narração Narrar é contar uma história real. podendo ser classificadas em três tipos básicos: narração. impessoal e empregá-lo corretamente no texto. ô Deus! Como eu tremia. Saber construir textos é uma maneira de ser autor tanto da história individual quanto da coletiva. a molecada do bairro se amontoava no portão da minha casa: era a hora negra das histórias dos lobisomens. uma razão etimológica para você associar a palavra texto à ação de tecer. de um narrativo e de um descritivo.

é comum predominarem verbos. de acordo com o que conta. as histórias eram contadas à noite e ao redor do fogo. por isso é compreendida como um texto dinâmico. por exemplo. entendendo também seu modo de agir e pensar. O texto descritivo é construído predominantemente por adjetivos que exprimem cor. Entretanto. Há muitos tipos de narrativas para se contar: mitos. lendas. pois se caracteriza pela ação e pela progressão temporal. Texto Contar histórias é arte milenar. Finalmente. Texto O narrador é um artesão da palavra. sua tarefa é entrar em sintonia com o auditório para poder seduzi-lo. pessoa. contos. forma. A correção da linguagem e a boa dicção são características importantes para o contador. cena. deve evitar repetições ou tiques. estado de espírito. equilibrado na expressão corporal. uma vez que não é caracterizada pela ação ou progressão temporal. é necessidade humana.Na narração.Descrição Descrever é apontar as características de um ser. Seus gestos devem ser mágicos. paisagem. (Lygia Fagundes Telles) Saiba mais . Desde os primórdios. Confiante em si. volume. narrar é uma forma de criar diálogo com o outro e consigo mesmo. 2o. leves e calmos. fábulas. características. 3o. como se aparentam. simples e sóbrio nos gestos. de que são formados. É explicar como são. ele deve conduzir a história com criatividade. Ao contar. objeto. É uma modalidade textual considerada estática. modulado. o mais importante é deixar que os ouvintes se encantem. Mobilizado pela emoção. como é uma pessoa sem que veja seu retrato. O tom da voz deve ser definido. qualidades etc. Nasce da tentativa de explicar tudo o que o homem desconhece. Permite fazer com que o leitor consiga imaginar. 55 . ambiente.

2o Texto “Que aconteceria. Mário de. defender idéias por meio de argumentos capazes de comprová-las ou justificá-las. Atividade em aula Leia e analise os trechos a seguir. uma vida segundo padrões civilizados. ensacou um pouco do tesouro para comerem e barganhando o resto na bolsa apurou perto de oitenta contos de réis. entretanto. São Paulo. Classifique-os indicando quais são os do tipo narrativo. organizar o raciocínio para expressar-se são habilidades desenvolvidas na construção do texto dissertativo.. Oitenta contos não valia muito mas o herói refletiu bem e falou pros manos: . Examinar um assunto. Martins. se se conseguisse dar de repente a todos esses párias uma moradia condigna. encontrar a melhor forma de expressá-la.” ANDRADE. quem quer cavalo sem tacha anda de a-pé. 1a. expor. Com esses cobres é que Macunaíma viveu. Ao comparar os três textos. A gente se arruma com isso mesmo. 1968. à altura do que se ostenta nas grandes avenidas do centro. 15ª ed. suas lojas de Primeiro Mundo e seus yuppies esbaforidos na tarefa de ganhar dinheiro? 56 . Maanape era feiticeiro. com seu trânsito intenso. descritivo ou dissertativo e as características de cada um deles: 1o Texto “Quando chegaram em São Paulo. explicar. o que você observou em termos de semelhanças e diferenças? É necessário perceber a estrutura dos textos para compreender com mais clareza. a realidade e. igualmente.. 50.Saiba mais . Macunaíma. formar um ponto de vista crítico sobre ele. p.Dissertação Dissertar é interpretar. desenvolvimento e conclusão.Paciência. Sua estrutura básica é constituída por: introdução.

Geraldo. transportando madeira e ferro. vindas através da noite de centros maiores. Nova Fronteira. A expressão surgiu nos anos 80 para caracterizar jovens profissionais de sucesso.” LISPECTOR. Quanto mais fábricas se abriam nos arredores. Jornal do Brasil. Moacir Werneck de. participaram do movimento hippie. Os movimentos já se haviam congestionado e não se poderia atravessar uma rua sem desviar-se de uma carroça que os cavalos vagarosos puxavam. no dia em que as chagas da miséria desaparecessem e a dignidade da existência humana fosse restaurada em sua plenitude. 57 . A cidade sitiada. Alarma em São Paulo. num círculo vicioso. com um estilo de vida descompromissado e burguês. 3o Texto “O subúrbio de S. Mesmo os crepúsculos eram agora enfumaçados e sanguinolentos. palavra de origem americana formada pelas iniciais de young urban professional e o final da palavra hippie. as causas dessa poluição e que essa poluição poderia ser evitada.” CASTRO. surgiriam logo. seriam atraídas novas ondas migratórias. Clarice. mais o subúrbio se erguia em vida própria sem que os habitantes pudessem dizer que a transformação os atingia. 13 2a Atividade em aula Sobre o tema POLUIÇÃO escreva: • Um texto descritivo mostrando. Assim. no ano de 1924. De manhã. enquanto um automóvel impaciente buzinava lançando fumaça. Saiba mais Yuppies: plural de yuppie. p. Explica-se: São Paulo é o maior foco de migrações internas. 1991. os quais. • Um texto dissertativo apresentando. 1982. um lugar poluído.Aí está outro aspecto da tragédia. na maioria. entre os caminhões que pediam passagem para a nova usina. Rio de Janeiro. já misturava ao cheiro de estrebaria algum progresso. com maior força imantadora. as cestas de peixe se espalhavam pela calçada. outros focos de miséria. sobretudo do Nordeste. 9 mar.

verbo impessoal. fazer. Compare. sempre na 3ª pessoa do singular. 2.. o sujeito do verbo existir é “poucas vagas”.). auxiliar principal(gerúndio) Tinha encontrado o caminho certo. Nas locuções verbais. também. ter. Devia haver poucas vagas à disposição.. portanto. É pluralidade de forma e unidade de sentido. estar. auxiliar principal(infinitivo) Estava chovendo muito naquela manhã. O verbo “haver” empregado no sentido de “existir” é impessoal. na frase: “Poucas vagas existem à disposição”. gerúndio ou particípio) e mais verbo auxiliar (ser. auxiliar principal(particípio) 58 . 2. tornandose. agora. dever. Saiba mais .Locução verbal A locução verbal é composta por verbo principal (sempre em uma das três formas nominais: infinitivo. porém. estas duas construções: 1. Deviam existir poucas vagas à disposição. permanece. Assim. poder. Exemplos: Comecei a falar lentamente. o verbo auxiliar fica na 3ª pessoa do singular. As orações organizadas com um verbo impessoal não apresentam sujeito. Os componentes da locução verbal constituem um todo indivisível. de tal modo que um só deles pode ser entendido como parte. Havia poucas vagas à disposição.Dicas sobre revisão gramatical Emprego especial do verbo “Haver” Leia e compare estas duas construções: 1. não é verbo impessoal e deve concordar regularmente com o seu sujeito. O verbo “existir”. haver. Existiam poucas vagas à disposição.

Sempre haverão guerras entre os homens? 7. Gramática da língua portuguesa. 3. CUNHA. 2. 6. também. Celso Pedro. João Bosco. também poderiam haver lunícolas. Evanildo. corrija as frases incorretas: 1. Existiam muitos professores e poucos alunos na palestra. Nunca pensei que houvessem tantos políticos desonestos. Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. você aprendeu o que é um texto narrativo. o emprego de outro importante verbo impessoal. Moderna gramática brasileira. Que planos hão de haver para salvar o país? 9. Haviam apenas trinta alunos para assistir à palestra. Próxima aula Na próxima aula. Aprendeu. Não sabemos se vai haver muitas cassações no Congresso Nacional. 2.Saiba mais . 4. estudaremos com mais profundidade o conceito de narração. 4. Há de existir dúvidas quanto à veracidade do depoimento. Moderna gramática portuguesa. LUFT. São Paulo: Atlas. o verbo impessoal “haver”. 3a Atividade em aula Com base nos conceitos estudados na página 58. Português instrumental. um texto descritivo e um texto dissertativo. Veremos. Até a próxima aula! 59 . Que haja mais paz é o que todos desejam! 8. Se existissem marcianos. também. Rio de Janeiro: Fename. Em seu trabalho. Porto Alegre: Globo. São Paulo: Nacional. como empregar corretamente. 10. costuma haver debates acirrados? 5.Bibliografia de apoio 1. no texto. 3. o ato de contar histórias. MEDEIROS. BECHARA. Celso Ferreira.

O ato de contar histórias Na aula de hoje. uma coleção de contos árabes compilados. Além disso.com.html e aprenda as mil e uma lições para lidar com a concorrência. As Sete Viagens de Simbá. Os mais famosos contos são: O Mercador e o Gênio. indireto e indireto livre.br/pp42. você saberá empregar adequadamente a classe gramatical que possibilita o processo narrativo: o verbo e suas transformações. o monarca sucumbiu ao encanto por mil e uma noites – o que a poupou da morte. que mandava degolar na manhã seguinte. Saiba mais -O rei persa Shariar O rei persa Shariar. Essa história está em As Mil e Uma Noites. entre os séculos XIII e XVI. Ao receber como mulher Sherazade.Narração . Você já ouviu falar da lendária Sherazade. Assim. Está aí uma leitura fascinante capaz de despertá-lo para a sedução do discurso. provavelmente. você aprenderá o que é narrar. o Marinheiro. Exterminados por uma Escrava. será capaz tanto de reconhecer quanto de produzir um texto narrativo. Ali-Babá e os Quarenta Ladrões.guirh. segundo os diferentes discursos: direto.Aula 07 . que. como era seu cruel costume noturno? Sabe-se que é bastante antigo o fascínio que as narrativas exercem sobre as pessoas. vitimado pela infidelidade de sua mulher. mandou matá-la e resolveu passar cada noite com uma esposa diferente. Aladim ou a Lâmpada Maravilhosa. os elementos e recursos que envolvem essa modalidade textual. ao longo de mais de mil noites. em que cada conto termina com um suspense que força o ouvinte curioso a retomá-la. Clique no endereço www. 60 . São histórias em cadeia. conseguiu impedir que o xeique Shariar mandasse matá-la.

A arte de contar histórias remonta às origens da sociedade, pois foi uma das primeiras manifestações culturais do homem, sendo, portanto, responsável pela preservação das tradições de um povo. Veja debate em www//cidade.usp.br/?2005/cinéfilo/sessao2 Saiba mais - Filme Narradores de Javé Veja o filme Narradores de Javé Este filme recebeu muitos prêmios nacionais e internacionais. Após saberem que a cidade onde vivem será inundada para a construção de uma usina hidrelétrica, os moradores decidem preparar um documento que conte todos os fatos históricos do local, como tentativa desesperada de salvar a cidade da destruição. Dirigido por Eliane Caffé (Kenoma) e com José Dumont, Matheus Nachtergaele, Nélson Dantas, Gero Camilo e Nélson Xavier no elenco. Quando se pensa em contadores de histórias, imaginam-se pessoas ao redor de uma fogueira e um contador. Esse é o narrador tradicional. Se os homens da Antigüidade narravam suas histórias nas cavernas reais, hoje nossos homens narram nas cavernas virtuais. Pesquise José Cardoso Pires – De Profundis - http://www.instituto-camoes.pt/ cvc/literatura/contemporaneos.htm#CardosoPires Narrar é contar uma história, que pode ser real ou imaginária. A narrativa é uma forma de composição na qual se representam fatos, reais (livros científicos, livros de História, notícia de jornal) ou fictícios (artísticos) por meio de signos verbais e não verbais. Assim, a modalidade narrativa pode estar presente em diferentes tipos de textos: mito, conto, lenda, fábula, piada, peça teatral, crônica, novela, romance, poema, notícia de jornal, música, HQs, entre outros. Mito - narrativa cujo tema é a origem do mundo, dos homens etc. e cujas personagens são deuses ou seres sobrenaturais, que realizam ações exemplares.

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Lenda - narrativa cujas personagens são seres humanos. Liga-se ao histórico e ao povo que a cria para explicar fatos e fenômenos desconhecidos, formação de cidades (Atlântida, Eldorado), origem dos povos, fenômenos da natureza, heróis nacionais e outros. Fábula - histórias em que as personagens são animais que nos transmitem um ensinamento. Conto - narrativa curta que gira ao redor de uma situação, de um conflito. Crônica – narrativa breve, periódica, episódica e comunicativa da qual faz parte o humor. Romance – narrativa mais longa que o conto e, na maioria das vezes, conta um só drama. Tem maior número de personagens, o espaço onde se passa o drama é detalhadamente descrito. Novela – narrativa que se caracteriza pela sucessividade dos episódios, muitas vezes dos personagens e dos espaços. Saiba mais Visite http://sitededicas.uol.com.br/ctrad.htm e pesquise sobre mito, lenda, fábula. Leia mais: Mitologia Chinesa. São Paulo, Princípio, s.d.; Fábulas Italianas. São Paulo, Cia das Letras, 1999.; Abelardo e Heloisa. São Paulo, Martins Fontes, 1988; Romance da Távola Redonda. São Paulo, Martins Fontes, 1998.

1a Atividade em aula
Compare (estabeleça semelhanças e diferenças entre) os textos narrativos e anote suas observações: Lixo Luís Fernando Veríssimo Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam — Bom dia... — Bom dia.

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— A senhora é do 610. — E o senhor do 612. — É. — Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente... — Pois é... — Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo... — O meu quê? — O seu lixo. — Ah... — Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena... — Na verdade sou só eu. — Mmmm. Notei também que o senhor usa muita comida em lata. — É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar... — Entendo. — A senhora também... — Me chame de você. — Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim... — É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra... — A senhora... Você não tem família? — Tenho, mas não aqui. — No Espírito Santo. — Como é que você sabe? — Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo. — É. Mamãe escreve todas as semanas. — Ela é professora? — Isso é incrível! Como foi que você adivinhou? — Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora. — O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo. — Pois é... — No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado. — É. — Más notícias? — Meu pai. Morreu. — Sinto muito. — Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos. — Foi por isso que você recomeçou a fumar? — Como é que você sabe? — De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.

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Depois. Não saio muito. Acho que. — E. com o cartãozinho. graças a Deus. — Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. É a nossa parte mais social. afinal. Coisa antiga. certo? — Isso você também descobriu no lixo? — Primeiro o buquê de flores. — É. ou eram cascas de camarão? — Acertou. decidi que gostaria de conhecê-la. — Só não fiquei com eles porque. — Você já está analisando o meu lixo! — Não posso negar que o seu lixo me interessou. — Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo. — Você não rasgou a fotografia. — Eu sei. estaria roubando. o particular se torna público. — Engraçado. Bem.. — Você brigou com o namorado. no fundo. Eles só estavam dobrados. — Eu. Se bem que. — Mas hoje ainda tem uns lencinhos. Eu fico muito em casa. — Mas são muito ruins! — Se você achasse eles ruins mesmo. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. Até bonitinha. você quer que ela volte.. — Não! Você viu meus poemas? — Vi e gostei muito.. — Ontem. — Se eu soubesse que você ia ler. — É que eu estou com um pouco de coriza. — Eu adoro camarão. aí você já está indo fundo demais no lixo. muito lenço de papel. não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela? — Acho que não. chorei bastante. Comprei uns camarões graúdos e descasquei. Já passou. Foi uma fase. O lixo é comunitário. Será isso? — Bom. Através do lixo.. — Você tem razão. no seu lixo. jogado fora. Mas já passou. — Tranqüilizantes. Acho que foi a poesia. — Eu estava limpando umas gavetas.. — Namorada? — Não. Sabe como é.. Isso significa que. — Ah.— É verdade. Sim. nunca fumei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo.. — O quê? — Me enganei.. Quando examinei o seu lixo. 64 . Lixo é domínio público. Mas consegui parar outra vez.. teria rasgado.

como se deu o fato (Como?) • Conseqüências (Geralmente.o que se vai narrar (O quê?) • Tempo . Protagonista é o personagem principal. — Trabalho nenhum.. Antagonista é o personagem que se opõe ao principal. — Nada. psicológico ou interior refere-se à vivência dos personagens. 3..linguagem. personagens e cenário. no qual o autor detalha a idéia principal e se compõe de dois momentos distintos: a complicação (início dos conflitos entre os personagens) e clímax (ponto culminante) e desfecho. na qual o autor apresenta a idéia principal. — No seu lixo ou no meu? Os elementos básicos do texto narrativo são: • Fato . dia mês. Enredo ou trama . um desenvolvimento.onde os acontecimentos se desenrolam.quem participou ou observou o ocorrido (Com quem?) • Causa .são os seres envolvidos nos fatos. Personagens .motivo que determinou a ocorrência (Por quê ?) • Modo . provoca determinado desfecho) Quando analisamos uma narrativa literária. Podem ser pessoas. — Não quero dar trabalho. seres inanimados etc. Há introdução.. 4.é marcado pelo relógio. tempo.quando o fato ocorreu (Quando?) • Lugar .cronológico ou exterior . ao seu mundo interior. Há personagens secundários. — Jantar juntos? — É. mas ainda não comi. animais. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora. 2.fatos que se desenrolam durante a narrativa.— Descasquei. Quem sabe a gente pode.onde o fato se deu (Onde?) • Personagens . — Vai sujar a sua cozinha.personagens. 1.espaço. observamos outros elementos: enredo ou trama. mas não são centrais.estilo etc. Espaço . 65 . que é a conclusão da narrativa. foco narrativo ou ponto de vista. hora etc. Tempo . que participam dos fatos.

sentimentos envolvidos na história. . carvoero! Só mesmo estas crianças raquíticas Vão bem com estes burrinhos descadeirados. A aniagem é toda remendada. por exemplo. sem se deixar envolver emocionalmente com o que está noticiado. 66 . b. Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.relata os acontecimentos como observador. É o que costuma aparecer nas ocorrências policiais dos jornais. Saiba mais .htm Saiba mais .) Narração objetiva x Narração subjetiva • Narração objetiva: apenas informa os fatos. a posição sensível e emocional do narrador ao relatar os acontecimentos.um personagem participante da história narra os fatos.art. que pode assumir duas posições: a. Os carvões caem. (Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe. A madrugada ingênua parece feita para eles .br/triunfus/aula09/materia. É de cunho impessoal e direto. Nota-se.Os Meninos Carvoeiros: narração subjetiva Autor: Manuel Bandeira Os meninos carvoeiros Passam a caminho da cidade.5. Foco narrativo ou ponto de vista .narrador de primeira pessoa . Modernismo etc. — Eh. sintáticos.narrador observador .o autor cria um narrador.narrador personagem .Visite o site: http://www. dobrando-se com um gemido. aspectos sonoros. estilo de época (Romantismo.) — Eh. carvoero! E vão tocando os animais com um relho enorme. Realismo. morfológicos. 6. . claramente. • Narração subjetiva: consideram-se emoções. são ressaltados os efeitos psicológicos que os acontecimentos desencadeiam nos personagens.edward. Os burros são magrinhos e velhos. semânticos. estilo do autor. Linguagem e estilo – níveis.narrador de terceira pessoa .

Discurso direto: .: Indignado.br 67 . Discurso indireto livre: não há identificação de quem a proferiu.: .portugues.Você sabe que o seu irmão chegou? Discurso indireto: Ele perguntou se ele sabia que o seu irmão havia chegado. um juízo de valor ou opinião. vêm mordendo num pão encarvoado.http://www.http://www. Usualmente.Visite os sites: . ingênua miséria! Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis! —Eh. perguntar.br . Ex. muitas vezes. Discurso direto: o narrador transcreve as palavras da própria personagem. carvoero! Quando voltam. Dançando. replicar. Apostando corrida. Para tanto. Ex.Você sabe que o seu irmão chegou? Discurso indireto: apresenta as palavras das personagens por meio do narrador.gramaticaonline. argumentar etc.com. Saiba mais . indireto ou indireto livre. aspas. Traz. Mais modernamente alguns autores não fazem uso desses recursos.pt/dlpo/gramatica. por exemplo: falar. portanto não há marcações gráficas especiais.com.priberam. vimos que o tempo do verbo será sempre passado em relação ao discurso direto.aspx . usam-se dois pontos. A narração e os tipos de discurso Uma narrativa pode trazer falas de personagens entremeadas aos acontecimentos. Encarapitados nas alimárias. bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados. (Graciliano Ramos) Dicas sobre revisão gramatical Ao transformar o discurso direto em indireto. Ele perguntou se sabia que o seu irmão havia chegado. faz-se uso dos chamados discursos: direto. indagar. perguntou se sabia que o seu irmão havia chegado. um pensamento da personagem ou do narrador. travessão. há verbo de elocução. responder.Pequenina.http://www.

Discurso Indireto pretérito imperfeito do indicativo pretérito mais-que-perfeito simples ou composto Saiba mais .respondeu o guarda.portugues.gramaticaonline.com.— Tenho pressa — disse o rapaz.br . podem igualmente requerer alterações. pediu a seu filho que fosse até lá. 3. Ele respondeu que estaria lá dali a cinco minutos. O motorista perguntou onde ficava a cidade mais próxima. como os pronomes e alguns advérbios. 5.pt/dlpo/gramatica.http://www. 3. nervosa. O guarda respondeu que havia uma cidade a dois quilômetros dali.com.— Onde fica a cidade mais próxima? – perguntou o motorista.2a Atividade em aula Vamos fazer alguns exercícios? Transforme discursos diretos em discursos indiretos: 1. Discurso indireto: A mãe. — Cala-te — ordenou o senhor ao seu vassalo. Outras classes de palavras. nervosa.http://www. 4.Discurso direto e Discurso indireto Discurso Direto presente do indicativo pretérito perfeito do indicativo.Visite os sites: . 2. O jovem declarou que tinha presenciado / presenciara toda a cena. 4.http://www. O senhor ordenou ao vassalo que se calasse. meu filho — disse a mãe. 68 .priberam. O rapaz disse que tinha pressa. 2. Observe o exemplo: Discurso direto:— Venha cá.— Há uma cidade a dois quilômetros daqui . — Estarei aí daqui a cinco minutos.aspx . 5.— Presenciei toda a cena — declarou o jovem. Saiba mais .br Respostas 1.

a cada novo trecho. que dispensa formalidades e aceita gírias.A narração também pode mesclar os níveis de linguagem. a simples brincadeira pode trazer importantes lições. Lembre-se: quem escreve deve se exercitar constantemente (de preferência. este outro desafio: o de tentar reconduzir a história ao seu projeto original. a história irá tomando novo rumo. 3a Atividade em aula Corrente narrativa: jogo virtual Convide as pessoas de seu mailing list para escreverem uma história junto com você. deverá aparecer gíria e assim por diante. diminutivos afetivos e palavras de cunho regional. riqueza de vocabulário e frases bem elaboradas. A voz da personagem deve ser representativa. Por isso. as características de seu linguajar devem estar presentes. Para você. então. 69 . quando o jogo rodar e texto retornar a você. aprendiz da arte da escrita. A linguagem coloquial é aquela que as pessoas utilizam no dia-a-dia conversando informalmente com amigos parentes e colegas. ausência de gírias ou termos regionais. Para facilitar as coisas. Você vai ver como.Normalmente. se for um adolescente. que se caracteriza pela correção gramatical. escreva você mesmo o trecho inicial e passe para o próximo participante. Mas. a grande lição que você deve incorporar desta descontraída técnica coletiva é a humildade de submeter seu texto a pessoas que você considere capazes de lhe dar boas sugestões e uma ajuda efetiva. utiliza-se o nível formal nas frases do narrador e o coloquial na fala de algumas personagens. Se a personagem é um sertanejo. É a linguagem descontraída. Entendemos por linguagem formal a língua culta. todos os dias). às vezes escapando àquela que você tinha inicialmente na cabeça. imponha-se.

contos. ela vem.) quanto não-literários (jornalísticos.). continuaremos a aprender sobre narração. científicos etc. indireto e indireto livre. o emprego do verbo e suas devidas transformações na elaboração dos vários discursos: direto. Estudamos. acompanhada pela descrição e disso trataremos na aula 9. crônicas etc. Próxima aula Na próxima aula. é importante ressaltarmos que a narração não ocorre como modalidade pura no texto.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. aprendemos a importância da narração para o homem de qualquer lugar e tempo e constatamos como essa modalidade textual está presente nos diferentes textos que nos são apresentados na vida corrente. em geral. 70 . tanto literários (poemas. também. Entretanto. enfocando o verbo.

(Eno Teodoro Wanke) 71 . e pense na sua trajetória de vida. Saiba mais . o verbo é de extrema importância para garantir o dinamismo dessa ação. o que fazemos. Era a primeira oração. que lhe permitirão ler e escrever textos narrativos com mais competência. veio o sujeito e os outros predicados: os objetos. obra Magia. pois precisamos. os agentes. Pare um pouco. essas coisas. 1994.Narração . E Deus ficou contente. você aprenderá outros recursos. explicar para nós mesmos quem somos. vale ler Walter Benjamim. os complementos. O verbo denota movimento. Conte uma passagem significativa. os adjuntos. Se narrar é contar história real ou imaginária. São Paulo: Brasiliense. meio e fim. desejo e existência. estado. principalmente relacionados ao verbo. arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. contar nossas histórias. mesmo na Era da Informação. agora. Escreva seu texto com começo. ação. técnica.Aula 08 . mudança de estado. 1a Atividade em aula Retome seu texto e grife os verbos que precisou usar para contar essa passagem da existência. como uma forma de nos salvar do esquecimento e de preservarmos nossa identidade. conveniência.O ato de contar histórias Na aula de hoje. Verbo é a palavra que expressa processos. Depois. por isso sua característica de dinamicidade. Saiba mais Para quem quer refletir um pouco sobre essa idéia. fenômeno da natureza.Divirta-se com o verbo No princípio era o verbo. Aprendemos que somos por natureza narrativos.

Em vários modos. Ah. Saiba mais .” Observação: Note que o verbo vem não combina com o pronome você. Exemplo: Talvez se não fizesse tanto frio aqui. Faz 10 dias que não te vejo. ante essa dispersão lamentável. Observação: Note que o verbo fazer quando indica tempo decorrido.eles. Ser. vós. Deve permanecer na 3ª pessoa do singular.Formação do Imperativo O tu e o vós do imperativo afirmativo são tirados do presente do indicativo sem os. O verbo ser. Deveria ser venha. Em locuções verbais.até hoje os anjos ingenuamente se interrogam por que motivo as referidas pessoas chamam a isso CRIAÇÃO. Exemplos: Faz dias frios em São Paulo.nós.. nem queiras saber o que as são as pessoas: eu. Isto foi no princípio. provável ou incerto. Imperativo: é a expressão da ordem. Exemplo: “Vem para a Caixa você também. o auxiliar também fica da 3ª pessoa do singular. hipotético. passado ou fenômeno da natureza é sempre impessoal por não apresentar sujeito. tu. Intransitivo absoluto.No princípio era o Verbo. essa verdadeira explosão do SER em seres. tempos e pessoas.O imperativo negativo é tirado do Presente do Subjuntivo 72 . vale o uso mais informal da língua.Principalmente eles! E. transigiu e muito. Conjugava-se apenas no infinito.. Depois. do pedido. da súplica. do desejo. ele. (Mário Quintana) Os modos verbais Indicativo:expressa certeza ou apresenta um fato como real. Subjuntivo: exprime atitude de dúvida. mas como se trata de propaganda. e nada mais... tornando-se impessoal. as demais pessoas são tiradas do imperativo negativo. ou anuncia um fato como possível. trabalhássemos menos.

mais dramaticidade. anterior ou passada. como atual ou presente. (idéia de continuidade no passado) c) futuro – o processo verbal acontece no futuro. A narração que você ouviu foi feita em um tempo verbal conhecido como presente histórico. (ação acontecerá) 73 . posterior ou futura. mais atualidade ao narrado. Os tempos verbais do modo indicativo Tempo é a situação da ocorrência do processo em relação ao momento em que se fala. Transferirei sua ligação. Pode indicar processos habituais. b) pretérito – o processo verbal acontece no passado. Estavam satisfeitos com o desempenho do time.Presente do indicativo Eu venho Tu vens Ele vem Nós vimos Vós vindes Eles vêm Imperativo afirmativo Vem tu Venha você Venhamos nós Vinde vós Venham vocês Presente do subjuntivo Que eu venha Que tu venhas Que ele venha Que nós venhamos Que vós venhais Que eles venham Imperativo negativo Não venhas tu Não venha você Não venhamos nós Não venhais vós Não venham vocês Os tempos verbais Ouça uma narração de um jogo de futebol (na aula on-line). com o intuito de conferir mais emoção. em que se utiliza o tempo presente para narrar um acontecimento histórico já passado. a) presente – o processo verbal acontece no momento em que se fala.

: Evitar o uso do gerundismo (eu vou estar transferindo sua ligação) para ações que se realizarão no futuro.:Receberei aumento. Quando cheguei.mostra linguagem coloquial ou literária •perfeito – exprime processos concluídos em período definido do passado.ex. Ex. voltava (no lugar de voltaria) para mim. Ex. Saiba mais . Não confunda vende-se (Vende-se casa) com vendesse (pretérito imperfeito do subjuntivo). – indica processo em desenvolvimento quando da ocorrência de outro fato.:Aprendi tudo.:Se eu fosse você.Obs. 74 . o ônibus já saíra/ havia saído.: Espero que esteja bem.: Quando for a São Paulo. O futuro pode ser: •do Presente – processos certos que não ocorreram ainda. teria mais dinheiro. visitará a exposição.expressa processos posteriores ao momento passado a que nos estamos referindo.. •mais –que-perfeito – processo que ocorreu antes de outro no passado.: Se vendesse a casa. Ex. (Observe que não existe esteje nem seje) Pretérito Imperfeito – indica condição.:Gostaria de pedir-lhe ajuda – revela cortesia Ex. Os tempos verbais no modo subjuntivo Presente – expressa processos hipotéticos. Ex.Ex.Tempos verbais O Pretérito pode ser: • imperfeito: Ex. Ex.:Não seria feliz sem estudar. Futuro – revela fatos possíveis.:Amanhecia quando a escola de samba entrou na avenida. •do pretérito .

jamais voltará ao que era outrora e talvez até desapareça. patientia nostra — dizia ele ao entanguido vestibulando. tinha só quatro matérias: português. porque se juntava uma multidão. dos quais até hoje sei o comecinho. mais do que já está. Já estou chegando.Divirta-se O Verbo For João Ubaldo Ribeiro Vestibular de verdade era no meu tempo. tudo sairia fora de controle. à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo. insuperável por qualquer esporte radical desta juventude de hoje. na velha Faculdade de Direito da Bahia. da oral muitos nunca se recuperaram inteiramente. o mestre não perdoava. Acho inadmissível e mesmo chocante (no sentido antigo) um coroa não ser reacionário. — Traduza aí quousque tandem. ou já cheguei. Franzino. dicionário). domingo. Havia provas escritas e orais. pôr as mãos sobre o estômago. — Deus. pela vida afora. Senhor meu Pai! 75 .Saiba mais . oh Deus. — Ai. Tirava-se o ponto (sorteava-se o assunto) e partia-se para o martírio. Era o bastante para o mestre se levantar. sempre de colete e olhar vulpino (dicionário. dia de exercício). francês ou inglês e sociologia. latim. Catilina. olhar para a platéia como quem pede solidariedade e dar uma carreirinha em direção à porta da sala. meu e dos outros coroas. preferivelmente. múltipla escolha ou matérias que não interessassem diretamente à carreira. Nada de cruzinhas. Tudo escrito tão ruybarbosianamente quanto possível. Os textos em latim eram As Catilinárias ou a Eneida. mas julgo necessário falar do antigo às novas gerações e lembrálo às minhas coevas (ao dicionário outra vez. O vestibular de Direito a que me submeti. para assistir à performance do saudoso mestre de Direito Romano Evandro Baltazar de Silveira. minha barriga! — exclamava ele. A escrita já dava nervosismo. que fiz eu para ouvir tamanha asnice? Que pecados cometi. O vestibular. A oral de latim era particularmente espetacular. Somos uma força histórica de grande valor. é claro. — “Catilina. Se não agíssemos com o vigor necessário — evidentemente o condizente com a nossa condição provecta —. que ofensas Vos dirigi? Salvai essa alma de alimária. com citações decoradas. sendo que esta não constava dos currículos do curso secundário e a gente tinha que se virar por fora. quanta paciência tens?” — retrucava o infeliz.

Esse mal sabia ler. peguei no texto uma frase em que a palavra “for” tanto podia ser do verbo “ser” quanto do verbo “ir”. quando o mestre sentiu duas dores de barriga seguidas.Pode-se imaginar o resto do exame. e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. O de português até que foi moleza. paletó. A prova oral era bestíssima. — Dez! Vá para a glória! A Bahia será sempre a Bahia! Quis o irônico destino. considero-o um gênio. Quem ouviu foram as margens plácidas. — Por que não é indeterminado.”? — Porque o “as” de “as margens plácidas” não é craseado. porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra. na sua prova oral. em certo sentido. Eu dei show de português e inglês. gravata e abotoaduras vistosas.” Se pusermos na ordem direta. se o senhor me disser qual é o sujeito da primeira oração do Hino Nacional! — As margens plácidas — respondi instantaneamente e o mestre quase deixa cair a xícara.. as unhas nas palmas das mãos. a coisa foi um pouco melhor. chegou a enfiar. mas não perdia a pose. “Nem teme quem te adora a própria morte”: sujeito: “quem te adora. entre as muitas que existem no hino. sem sentir. — Verbo o quê? — Verbo for. eu. — Chega! — berrou ele. ele passa e seja o que Deus quiser. qual era o plural de outra e assim por diante. 76 . etc. com prova oral e tudo. depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente. O maior público das provas orais era o que já tinha ouvido falar alguma coisa do candidato e vinha vê-lo “dar um show”. uns anos mais tarde. eu falava um latinzinho e ele me deu seis. como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do círculo. “ouviram. que até hoje considero injustíssima. É uma anástrofe. me dirigiu as seguintes palavras aladas: — Dou-lhe dez. Eu tinha fama de professor carrasco. muito elegante. que por sinal passou. Não acertou a responder nada. Então. Comigo. Um amigo meu. Se ele distinguir qual é o verbo. Pronto. Uma bela vez.. — Verbo for. Mandava-se o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim. nota do mais alto coturno em seu elenco. que eu fosse professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português. O professor José Lima. carrasco fictício. chegou um sem o menor sinal de nervosismo. dou quatro. — Esse “for” aí. pensei. de pé e tomando um cafezinho. que verbo é esse? Ele considerou a frase longamente.

não.priberam. deve ter acabado passando e hoje há de estar num posto qualquer do Ministério da Administração ou na equipe econômica. também chamada de falante. nós trabalhamos. É preciso fazer sempre a concordância. (Abordaremos esse assunto mais adiante) As pessoas do verbo A flexão de pessoa indica as pessoas do discurso. eles e elas.gramaticaonline. ele deve estar fondo para quebrar. ela. tu fões. Ele trabalhou. no meu tempo. —— Esta crônica foi publicada no jornal “O Globo” (e em outros jornais) na edição de domingo. vós fondes. Eu e nós. 13 de setembro de 1998 e integra o livro “O Conselheiro Come”. c) 3ª pessoa é a de quem ou que se fala ou o assunto e corresponde aos pronomes pessoais ele. faça-o na terceira pessoa do singular ou na primeira pessoa do plural. emissor. dessa vez ele não passou. Eu estudei. Ed.http://www. era muito mais divertido do que hoje e. São elas: a) 1ª pessoa é a que fala.recitou ele. ouvinte ou receptor. Mas. Tu e vós. eles trabalharam. Ao redigir um texto de maneira impessoal.http://www. Fões tu? Com quase toda a certeza. — Nós fomos. pág.aspx O número do verbo O verbo apresenta terminações ou desinências que indicam número singular e plural. ou as três coisas. Não misture essas pessoas no mesmo discurso. impávido. Vestibular. Mas ele fõe. nos dias que correm. Eu tampouco fonho. ele fõe . Não. Saiba mais .Visite os sites: .— Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo.pt/dlpo/gramatica. 20. no singular. Tu estudaste. vós trabalhastes. 77 . eles fõem.br . Rio de Janeiro. se perseverou. — Eu fonho.com. 2000. Nova Fronteira. devidamente diplomado. no plural. ou ainda aposentado como marajá. b) 2ª pessoa é aquela com quem se fala.

• auxiliares ter e haver : forma regular: ter/haver expressado • auxiliares ser e estar: forma reduzida: ser/estar expresso Exemplos: Havia imprimido o documento. ( não existe havia chego) Não confunda: • estudaram (pretérito perfeito do indicativo) com estudarão (futuro presente)Ontem.As vozes do verbo a) Voz ativa: o sujeito pratica ação verbal. impõem(plural). Dicas sobre revisão gramatical Na escrita. Ex. exemplo: Eles vêm cedo. • vêm (vir) com vêem(ver). Exemplos: expressar – expressado – expresso. quiseste. prefira o verbo haver em lugar do verbo ter. eles estudarão. Eles vêem uma saída. Os verbos abundantes são aqueles que apresentam mais de uma forma. b) Voz passiva: o sujeito recebe a ação verbal. • põe. Ex. Atente para a grafia do verbo querer: quis. quiséssemos. Ex.Ele tem – eles têm • vem e vêm .se o livro (= O livro foi comprado). especialmente no particípio.se. Amanhã. Amanhã. quiserem. Ele põe o documento sobre a mesa e elas impõem respeito. Quando se quer comunicar algo com rapidez. Ela havia chegado cedo.:Comprou. Ex. eles estudaram.: Há pessoas interessantes aqui. Ex. costuma-se preferir a voz ativa. c) Voz reflexiva: o sujeito pratica e recebe a ação verbal. impõe( singular) com põem. simultaneamente. • perca (verbo) com perda (substantivo) –Espero que você não perca minha aula.Ele vem – eles vêm –(os derivados do verbo ter: ele mantém eles mantêm) 78 .: A casa foi destruída pelo fogo.: João feriu. nós estudaremos. O documento foi impresso. • tem e têm . quiseram.: Nós falamos de futebol. Bateu o carro e deu perda total.

. 79 . O Estado não .. 3.(caber) 9.. 7. 3... Se ele não.O Estado não interveio(intervir –pret.. 2.(pode) 13....(intervir –pret... 10. Respostas 1. saberá do que estou falando..br ..... mas até então nunca pôde(pode)... Espero que ele ..(agir) com ética neste país.(ser) feliz.http://www.Não cuspa(cuspir) no chão. 5.Espero que ele esteja(estar) bem e seja(ser) feliz. correrá o risco de não encontrar um lugar no mercado de trabalho. 10..) na economia..... pois é feio.. Espero que tudo isso .gramaticaonline... 7. pois é feio.(poder) fazer. Agora ele . 11.(fazer) o trabalho. 5. visitarei você.Visite os sites: . Quando ele . Não .. mas até então nunca.. 2.aspx 2a Atividade em aula Teste seus conhecimentos 1...Aí eu não caibo(caber) 9. correrá o risco de não encontrar um lugar no mercado de trabalho.Agora ele pode(poder) fazer. 6... 6..(Correr). 8..(optar) 4. Se ele não fizer (fazer) o trabalho. 13.Quando ele vier(vir).. Quando ele..Corra(Correr).http://www.. Parece inadmissível que os políticos...(estar) bem e.(vir). Você não tem mais nada a fazer aqui...Quando ele vir(ver) o lugar.priberam....perf.. saberá do que estou falando.Espero que tudo isso valha(valer) a pena. 11. não terá promoção.com. visitarei você...(ver) o lugar.. Eu.(cuspir) no chão.. Se você não . (capto) tudo aquilo pelo que.pt/dlpo/gramatica.Saiba mais .Eu capto (capto) tudo aquilo pelo que opto(optar) 4.(valer) a pena. Se você não se mantiver(manter-se) bem atualizado.perf. 8.) na economia.... .Parece inadmissível que os políticos ajam(agir) com ética neste país. não terá promoção. Você não tem mais nada a fazer aqui.. 12.. 12. Aí eu não .(manter-se) bem atualizado.

a casa em que mora. o lugar em que trabalha. aprendemos vários conceitos e dicas relacionados ao verbo e que lhes auxiliarão para uma leitura e escrita mais competente de textos narrativos. Para se preparar para essa nova viagem. em geral.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. os lugares por onde passa. acompanhada pela descrição. Próxima aula Como enunciamos na aula 7. nesta semana passe a observar as pessoas com quem convive. ela vem. a narração não ocorre como modalidade pura no texto. Este será nosso assunto da próxima aula. Até mais! 80 .

adequadamente. Saiba mais Dica: Assista ao programa na hora do intervalo. Há muitos textos descritivos que fazem parte de nossa vida cotidiana: bulas de remédio. plantas de edifícios. (RAMOS. retratos. e até no mesmo período. de vídeo. manuais de computador. currículos.entre outros. mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco. Observe como descrição e narração convivem no mesmo parágrafo. Para que descrevemos? Quais os textos descritivos que fazem parte de nossa vida? Faça uma busca na Internet e retire um texto publicitário que apresente as características do produto. Ordinariamente. São apresentadas propagandas excelentes. Vidas Secas. de algum objeto. estavam cansados e famintos. “Na planície avermelhada.Aula 09 .) Descrevemos. a viagem progredira bem três léguas. mapas. A folhagem dos juazeiros apareceu longe. Essas características identificam o texto descritivo. Assim. para dar mais veracidade ao que queremos. os juazeiros alargavam duas manchas verdes. você aprenderá o que é descrever e conhecerá elementos e recursos que envolvem essa modalidade textual. no canal Multishow. Além disso. Fazia horas que procuravam uma sombra. através dos galhos pelados da caatinga rala”. para registrar com clareza aspectos marcantes de alguém. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro. naturezas-mortas. relatórios. de algum lugar. andavam pouco. de aparelhos em geral.O ato de descrever Na aula de hoje. resenhas. Registre qual a finalidade da descrição ali utilizada. em geral. Graciliano. será capaz tanto de reconhecer quanto de produzir texto descritivo. a classe gramatical que favorece a descrição: o adjetivo –o que lhe permitirá ler e escrever textos desse tipo com mais competência. 81 . você também aprenderá a empregar.

costumes e paisagens locais. tinha a boca fina e o queixo largo.br As palavras (ou classes gramaticais) mais usadas na descrição são os adjetivos – além dos verbos. desciam-lhe pelas costas. apertada em um vestido de chita. olhos claros e grandes. professor. Veja como Machado descreve a Capitu em Dom Casmurro: “Catorze anos. Pintor. Agora. decorador. sobretudo os de ligação(ser. aluno de Jacques-Louis David (1748-1825). à moda do tempo. João VI (1767-1826). organiza a Exposição da Classe de Pintura Histórica da Imperial Academia de Belas Artes. Morena. seu primo e líder do neoclassicismo francês.Jean Baptiste Debret Jean Baptiste Debret nasceu na França. feitos em duas tranças. compare com a tela em que Debret descreve D. continuar. Saiba mais . Deixa o país em 1831 e retorna a Paris com o discípulo Porto Alegre. gravador. quando retrata tipos humanos. colabora na decoração pública para a aclamação de D. forte e cheia.1a Atividade em aula Teste seus conhecimentos Ouça a música “Lua de São Jorge” de Caetano Veloso.org. De 1826 a 1831. Por volta de 1806. parecer etc. que vem ao Brasil em 1816. é professor de pintura histórica na Academia Imperial de Belas Artes. Freqüentou a Academia de Belas Artes. nariz reto e comprido. alta. estar. Em 1818. verifique a presença da descrição. oblíqua e dissimulada. Visite o site itaucultural.” 82 . João VI.” Também podem ser usadas comparações: “olhos de cigana. Os cabelos grossos.Em 1829. Escreva-as. Após a queda do imperador e com a morte de seu único filho. primeira mostra pública de arte no Brasil. trabalha como pintor na corte de Napoleão (1769-1821).). entre 1785 e 1789. com as pontas atadas uma à outra. atividade que alterna com viagens para várias cidades do país. identifique as características atribuídas à lua. Instala-se no Rio de Janeiro. em 1768 -1848). em Paris. cenógrafo. desenhista. meio desbotado. ficar. Debret decide integrar a Missão Artística Francesa.

entrou para a Imprensa Nacional. O frio bom do longo rio. É o fundador da Cadeira nº. Quincas Borba. o poema “Ela”. tão bom. jornal de Francisco de Paula Brito. 23 da Academia Brasileira de Letras. Sem condições financeiras. A obra de Machado de Assis abrange. A mão e a luva (1874). que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis. como aprendiz de tipógrafo. audição. com 16 anos incompletos. Filho de operário. RJ. Machado de Assis se casou com Carolina Augusta Xavier de Novais. romancista. cronista. foi criado no morro do Livramento. O longo som do rio frio. entre outros na linha realista. tão frio o claro som do rio sombrio! 83 . em 1839. Visite o site:machadodeassis. Memórias Póstumas de Brás Cubas. na Marmota Fluminense. Dom Casmurro. Tão longe.org. paladar. Rio sombrio. tendo-lhe revelado os clássicos portugueses e vários autores de língua inglesa. nasceu no Rio de Janeiro.Machado de Assis Machado de Assis foi jornalista.br e saiba mais sobre o autor. poeta e teatrólogo. número datado de 12 de janeiro de 1855.Saiba mais . publicou o primeiro trabalho literário. tato). perdeu a mãe muito cedo. contista. em 1855. Sinta o poema de Cecília Meireles. Foi companheira perfeita durante 35 anos. Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878). e lá conheceu Manuel Antônio de Almeida. olfato. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia. No ano seguinte. Escreveu os romances Ressurreição (1872). que se tornou seu protetor. considerados como pertencentes ao seu período romântico. Rio na Sombra Som frio. todos os gêneros literários. praticamente. A descrição pode despertar nossos órgãos dos sentidos (visão. estudou como pôde e. e faleceu em 1908.

Quando a arte literária está em jogo. e dos restos do dia. tira da tua boca o punhal e o trânsito. cordas e também as faces que assomam sobre a tua sonora forma de dar. sombras de teus gritos. e os cantos que esqueceram teus braços e tantos movimentos que perdem teus silêncios. e roupas. o os ventos altos que não dormem.com. São pistas que podem ajudá-lo a descobrir o que está por trás dessa construção textual. inclusive romper as regras de uso do adjetivo que. estamos diante do reino dos possíveis. “Apesar de Você” e compare com o poema abaixo de Ana Cristina César. e as moscas que sobrevoam o cadáver do teu pai. busque a letra da música de Chico Buarque. e a dor (não ouças) que se prepara para carpir tua vigília.html e descubra a grande poetisa da literatura brasileira.br/jpoesia/ceciliameireles1bio. Só para aguçar a sua curiosidade. Registre sua análise e tente descobrir a intencionalidade do autor com essa caracterização idealizada. qualificam a descrição. Observe os diferentes olhares sobre um mesmo tema: o cenário contemporâneo do pós-golpe de 64. choros. Ali tudo é permitido.Saiba mais Visite o site: http://www. Pesquise um pouco sobre o 1964. Tu queres sono: despe-te dos ruídos. Isso pode ajudá-lo a descobrir o que está por trás dessa construção textual. e os outros corpos que se deitam e se pisam.secrel. em geral. que te olham da janela e em tua porta penetram como loucos pois nada te abandona nem tu ao sono. 84 .

Saiba mais Visite os sites: ..com. Quem apoiou quem.priberam. tentando mais proximidade com o real. respectivamente? Resposta: alunos apoiaram professores Uma pessoa muito amiga é amicíssima..apresenta visão do observador por meio de juízos de valor. Resposta: Seriíssima Fique atento ao plural dos adjetivos: Cidadão luso-brasileiro = Cidadãos luso-brasileiros (2 adjetivos= o último vai para o plural) Calça amarelo-ouro = Calças amarelo-ouro (1 adjetivo e 1 substantivo= invariável) 85 . Você sabe o que é soteropolitano? Resposta: adjetivo pátrio referente a Salvador. Ex.pt/dlpo/gramatica.aspx Dicas sobre revisão gramatical Ele é paulista.br .gramaticaonline.: livro interessante.http://www.: livro vermelho.Descrição subjetiva x Descrição objetiva Há dois tipos de descrição: objetiva . Uma pessoa muito séria é. Ex. não é paulistano. Pesquise os adjetivos pátrios.http://www. Uma empresa sino-brasileira é feita da união de quais países? Resposta: China e Brasil. subjetiva . De onde ele é? Da cidade de São Paulo ou do estado de São Paulo? Resposta:do estado de São Paulo. O corpo discente apoiou o corpo docente.sem impressões do observador.

(fácil) Saber usar o adjetivo pode nos ajudar a imprimir. O alto funcionário quer participar da vida pública. uma qualidade importante: a concisão.(de estatura elevada) c. assim como azul-celeste) Rapaz surdo-mudo = Rapazes surdos-mudos (os dois adjetivos variam) Pode usar mais bom e mais grande? Analise as frases: Ele é mais bom do que esperto. b.(mero) d. Respostas a. Minha casa é mais grande do que bonita. muitas vezes. pode modificar o sentido. c. O funcionário alto quer participar da vida pública. Esse simples exercício serve para você entender que a posição do adjetivo pode modificar seu significado. Atribua um sentido para os adjetivos em destaque: a. Isso só é possível se houver dois adjetivos para um substantivo. a situação é outra. ao texto. d. Esse exercício simples nunca mais será esquecido. Esse exercício simples nunca mais será esquecido.(de posição elevada) b. (são duas casas comparadas) A posição do adjetivo na frase. Esse simples exercício serve para você entender que a posição do adjetivo pode modificar seu significado. O alto funcionário quer participar da vida pública. (são duas pessoas comparadas) Minha casa é maior do que a sua.Papel cor-de-rosa = Papéis cor-de-rosa ou papéis rosa (expressão cor-de explícita ou implícita – invariável) Exceção: Blusa azul-marinho = Blusas azul-marinho.(invariável. O funcionário alto quer participar da vida pública. 86 . Se forem 2 substantivos a serem comparados por um adjetivo. Observe: Ele é melhor do que ela.

.aspx Síntese da aula de hoje Na aula de hoje.priberam. Além disso.indeléveis Saiba mais Visite os sites: . também. Constatamos como essa modalidade textual está presente nos diferentes textos que nos cercam..br . estudamos...pt/dlpo/gramatica.ilegível 3..). etc. plantas de casa). por exemplo: a narração e a descrição. bulas. romances.. não-literários (manuais..http://www. Um texto que não se pode compreender é.). 4. retratos etc.Complete as frases com o adjetivo adequado. Respostas 1. 3.com. 1. Lembranças que não se podem apagar são.http://www. o emprego adequado do adjetivo em diferentes contextos..visuais (quadros de naturezas-mortas... para dar imagem mais viva e detalhada ao que se expõe. 2.infindável 2.. literários(poemas.. Uma letra que não se pode ler é. Um discurso que não tem fim é um discurso.ininteligível 4... 87 . aprendemos a importância da descrição para conferir veracidade ao que se narra.gramaticaonline.. Percebemos que um texto será tanto mais rico e dinâmico quanto mais sua trama articular dois ou mais dos processos de composição.

Próxima aula Na próxima aula. Segundo uma definição clássica do crítico francês Gérard Genette. objetos. animais. nosso discurso se volta para o texto dissertativo.Saiba mais .vai pensando na seguinte pergunta: a pena de morte deve ser implantada no Brasil? Até breve! 88 . cenas ou ambientes. De fato. a ausência de movimentos) daquilo que se descreve.Você pode tentar uma definição de descrição? Uma resposta possível: Descrição é o nome que se dá à enumeração ou apresentação verbal das características essenciais ou contingentes dos seres e coisas – sejam pessoas. fora de qualquer acontecimento e até de qualquer dimensão temporal. a descrição pressupõe de certa forma a imobilidade (quer dizer. Enquanto isso. objetos ou lugares. sentimentos. Caracteriza-se por ser um “retrato verbal” de pessoas. na descrição predomina a dimensão ontológica do número – na medida em que ela dá conta da extensão e da quantidade dos seres e coisas. em sua exclusiva existência espacial.

identificará alguns elementos que conferem coesão e coerência ao texto. Toda contradição destrói e nega os argumentos. em outro lugar do texto. Assim. terá dicas para redigir essa modalidade textual. Você pode posicionar-se de modo pessoal. você aprenderá o que é dissertar e conhecerá a estrutura do texto dissertativo. Na vida cotidiana. discursiva. e a primeira delas. É capaz de identificar que recurso usou para conseguir isso? Observe como isso ocorre no discurso platônico. temos constantemente necessidade de expor idéias pessoais. Toda forma dissertativa. de Platão. necessita de regras. usamos a dissertação. • Defender um ponto de vista . será capaz tanto de reconhecer quanto de produzir textos desse tipo. produzirá uma dissertação subjetiva ou uma dissertação objetiva. pontos de vista. Dissertar é: • Expor um assunto .O ato de dissertar Na aula de hoje.Aula 10 . a dissertação é expositiva. Você se lembra de alguma vez em que precisou convencer alguém sobre seu ponto de vista? Registre sua experiência. é não produzir contradição no discurso. respectivamente. opiniões. não se pode defender que exercícios físicos em excesso podem prejudicar a saúde e. a dissertação é argumentativa. Contradições desse tipo podem tornar o texto incoerente. que tanto pode ser oral quanto escrita. Editora Abril. Por exemplo. Pesquise a obra “Fédon”.nesse caso. convencer o outro de uma idéia nossa e. Assim. 89 . na primeira pessoa do singular ou de modo impessoal. além de saber ouvir. para isso. na terceira pessoa do singular ou na primeira pessoa do plural. dizer que o jovem deve malhar o máximo que puder. in: Coleção os Pensadores.nesse caso. Além disso.

O Louvre não deve pertencer apenas à França. Apesar disso. ou de um país. demorou a aparecer e não foi nos jornais. Da mesma forma. sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia. ex-governador do Distrito Federal. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. 90 . nos Estados Unidos. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio.Se você é brasileiro. ele é nosso. durante debate em uma Universidade. leia a dissertação subjetiva de Cristovão Buarque. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Cristóvão Buarque: De fato. sob uma ética humanista. como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. Se a Amazônia. internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Esta foi a resposta do Sr. ela não pode ser queimada pela vontade de um dono. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos. deve ser internacionalizada. Antes mesmo da Amazônia. seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Como humanista. em que foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. Essa matéria foi publicada no New York Times / Washington Post. como o patrimônio natural amazônico. No Brasil. posso imaginar a sua internacionalização. Não se pode deixar esse patrimônio cultural. Não podemos deixar que as Reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. T oday e nos maiores jornais da Europa e Japão.

ada cidade.Não faz muito. Como humanista. não importando o país onde nasceram. eu acho que Nova York. Rio de Janeiro. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Nos seus debates. pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia. decidiu enterrar com ele. como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. um milionário japonês. provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Recife. deveria pertencer ao mundo inteiro. sua historia do mundo. Antes disso. como sede das Nações Unidas. Mas. os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Só nossa!” 91 . Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir a escola. Brasília. aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. um quadro de um grande mestre. internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. aceito defender a internacionalização do mundo. mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso. Veneza. Roma. todas elas. Internacionalizemos as crianças tratando-as. Assim como Paris. Ainda mais do que merece a Amazônia. enquanto o mundo me tratar como brasileiro. deve ser internacionalizada. que morram quando deveriam viver. Durante este encontro. Londres. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas. as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio. lutarei para que a Amazônia seja nossa. com sua beleza específica. eles não deixaão que elas trabalhem quando deveriam estudar.

Registrar o fluxo de idéias que aparecem na mente (fatos. expor. coesão. onde teve o primeiro contato com a arte moderna européia. Wittegenstein. Mário e Oswald de Andrade e. informações. 92 . Executar o plano de redação com clareza. ter repertório. fundou o Grupo dos Cinco. provar. 5.com. (ler. foi a Paris. Texto Tarsila do Amaral Tarsila do Amaral (1886-1973) nasceu em uma fazenda no interior de São Paulo. analisar. 1o. sua grande amiga. não se esquecendo da lógica. opiniões). conversar com pessoas etc. Para conhecer mais telas da pintora visite o site www.Para fazer uma boa dissertação. Conhecer o assunto. b. 4. Refletir sobre o tema. Planejar. voltou ao Brasil. observar fatos. mudou-se para São Paulo em 1913. a artista trabalhava com pinceladas mais ousadas. voltou a Paris e retomou as aulas de artes agora não mais convencionais e acadêmicas. junto com Anita. Dois anos depois. do princípio da não contradição e da continuidade. pesquise L. Em abril de 1922.tarsiladoamaral. Em 1920. já no Brasil. organizar o caos de idéias que aparecem na mente quando temos que desenvolver um tema: a.br. com os trabalhos de Pablo Picasso (1881-1973) e a produção de dadaístas e futuristas. Dulce. Separada. Para entender Lógica.Conheceu Menotti del Picchia (1892-1945).). onde copiava imagens religiosas. 3. interpretar. Em 1923. mantendo sempre fidelidade ao tema. casou-se com André Teixeira Pinto e teve sua única filha. 2. Nessa fase. Conheceu Anita Malfatti (18891964). coerência e correção. Propor uma tese ou um tópico frasal – uma frase que aponte a idéia central que você pretende desenvolver. em 1902. dois meses depois da Semana de Arte Moderna. é necessário: 1. Iniciou-se nas artes em Barcelona. Registrar idéias e argumentos importantes.

janela Casa.. Texto Tempos Modernos de Charles Chaplin 3o. cidade.. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão. ao cortar o pão O operário foi tomado De uma súbita emoção Ao constatar assombrado Que tudo naquela mesa – Garrafa. como podia Um operário em construção Compreender por que um tijolo Valia mais do que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá. [. ele o comia. Um operário em construção. E aprendeu a notar coisas A que não dava atenção: 93 .] E foi assim que o operário Do edifício em construção Que sempre dizia sim Começou a dizer não. um humilde operário Um operário que sabia Exercer a profissão. enxerga. parede. Texto Operário em construção (Vinícius de Moraes) Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. certo dia À mesa. Olhou em torno: gamela Banco. Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. facão – Era ele quem os fazia Ele. caldeirão Vidro. eventualmente Um operário em construção. por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão. De forma que.. à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse. um humilde operário..2o. cimento e esquadria Quanto ao pão. nação! Tudo. tudo o que existia Era ele quem o fazia Ele. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia. De fato. prato. Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja.

E o operário disse: Não! E o operário fez-se forte Na sua resolução. como podia Um operário em construção Compreender por que um tijolo Valia mais do que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá. eventualmente Um operário em construção.Notou que sua marmita Era o prato do patrão Que sua cerveja preta Era o uísque do patrão Que seu macacão de zuarte Era o terno do patrão Que o casebre onde morava Era a mansão do patrão Que seus dois pés andarilhos Eram as rodas do patrão Que a dureza do seu dia Era a noite do patrão Que sua imensa fadiga Era amiga do patrão... cimento e esquadria Quanto ao pão. por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão. Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja.. ele o comia. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão. Uma esperança sincera Cresceu no seu coração E dentro da tarde mansa Agigantou-se a razão De um homem pobre e esquecido Razão porém que fizera Em operário construído O operário em construção. [. Veja texto na íntegra Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. 94 . à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse. De fato.] E o operário ouviu a voz De todos os seus irmãos Os seus irmãos que morreram Por outros que viverão..

E foi assim que o operário Do edifício em construção Que sempre dizia sim Começou a dizer não. tudo o que existia Era ele quem o fazia Ele. E um fato novo se viu Que a todos admirava: O que o operário dizia Outro operário escutava. Um operário em construção. um humilde operário. homens de pensamento Não sabereis nunca o quanto Aquele humilde operário Soube naquele momento! Naquela casa vazia Que ele mesmo levantara Um mundo novo nascia De que sequer suspeitava. O operário emocionado Olhou sua própria mão Sua rude mão de operário De operário em construção E olhando bem para ela Teve um segundo a impressão De que não havia no mundo Coisa que fosse mais bela. cidade. caldeirão Vidro. De forma que. certo dia À mesa. tal sua construção Cresceu também o operário. enxerga. nação! Tudo. janela Casa. ao cortar o pão O operário foi tomado De uma súbita emoção Ao constatar assombrado Que tudo naquela mesa – Garrafa.Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. prato. Foi dentro da compreensão Desse instante solitário Que. E aprendeu a notar coisas A que não dava atenção: Notou que sua marmita Era o prato do patrão Que sua cerveja preta Era o uísque do patrão Que seu macacão de zuarte Era o terno do patrão Que o casebre onde morava Era a mansão do patrão Que seus dois pés andarilhos Eram as rodas do patrão Que a dureza do seu dia Era a noite do patrão Que sua imensa fadiga Era amiga do patrão. 95 . parede. Cresceu em alto e profundo Em largo e no coração E como tudo que cresce Ele não cresceu em vão Pois além do que sabia – Exercer a profissão – O operário adquiriu Uma nova dimensão: A dimensão da poesia. Olhou em torno: gamela Banco. um humilde operário Um operário que sabia Exercer a profissão. Ah. facão – Era ele quem os fazia Ele.

Dou-te tempo de lazer Dou-te tempo de mulher. E o operário disse: Não! 96 . Via tudo o que fazia O lucro do seu patrão E em cada coisa que via Misteriosamente havia A marca de sua mão. ainda mais. O operário via as casas E dentro das estruturas Via coisas. por destinado Sua primeira agressão. Teve seu rosto cuspido Teve seu braço quebrado Mas quando foi perguntado O operário disse: Não! Em vão sofrera o operário Sua primeira agressão Muitas outras se seguiram Muitas outras seguirão. Disse. manufaturas. Dia seguinte. objetos Produtos. tudo o que vês Será teu se me adorares E. De sorte que o foi levando Ao alto da construção E num momento de tempo Mostrou-lhe toda a região E apontando-a ao operário Fez-lhe esta declaração: – Dar-te-ei todo esse poder E a sua satisfação Porque a mim me foi entregue E dou-o a quem bem quiser. se abandonares O que te faz dizer não. Portanto. Sentindo que a violência Não dobraria o operário Um dia tentou o patrão Dobrá-lo de modo vário. Porém. por imprescindível Ao edifício em construção Seu trabalho prosseguia E todo o seu sofrimento Misturava-se ao cimento Da construção que crescia. Mas o patrão não queria Nenhuma preocupação – “Convençam-no” do contrário – Disse ele sobre o operário E ao dizer isso sorria. e fitou o operário Que olhava e que refletia Mas o que via o operário O patrão nunca veria. o operário Ao sair da construção Viu-se súbito cercado Dos homens da delação E sofreu. Como era de se esperar As bocas da delação Começaram a dizer coisas Aos ouvidos do patrão.E o operário disse: Não! E o operário fez-se forte Na sua resolução.

Um silêncio povoado De pedidos de perdão Um silêncio apavorado Com o medo em solidão.10. Dedica-se ao jornalismo. a que se deu o nome de Bossa Nova.– Loucura! – gritou o patrão Não vês o que te dou eu? – Mentira! – disse o operário Não podes dar-me o que é meu. foi vice-cônsul. Uma esperança sincera Cresceu no seu coração E dentro da tarde mansa Agigantou-se a razão De um homem pobre e esquecido Razão porém que fizera Em operário construído O operário em construção. 1o. torna-se crítico de cinema. E um grande silêncio fez-se Dentro do seu coração Um silêncio de martírios Um silêncio de prisão.1913 . com quem estabelece grande amizade. Ao lado do compositor Antônio Carlos Jobim e o cantor João Gilberto. Ingressou na carreira diplomática.Marcus Vinícius de Melo Moraes Marcus Vinícius de Melo Moraes (Gávea. E o operário ouviu a voz De todos os seus irmãos Os seus irmãos que morreram Por outros que viverão. Vinícius teve papel importante no movimento de renovação da música popular brasileira. Guanabara 19.Operários 97 .Rio de Janeiro 9. segundo-secretário da embaixada em Paris. Saiba mais . Um silêncio de torturas E gritos de maldição Um silêncio de fraturas A se arrastarem no chão. e apaixonado pela sétima arte. Formou-se em Direito em 1933 e conheceu o poeta Mário de Andrade.7. Texto Tarsila do Amaral .1980) é poeta e compositor brasileiro dos mais célebres.

mas o mar secou. seu ódio – e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta. o bonde não veio. sua lavra de ouro. cuspir já não pode. para onde? (Carlos Drummond de Andrade) 98 . José? A festa acabou. o povo sumiu. já não pode beber. sem cavalo preto que fuja a galope. Texto José E agora. José? Sua doce palavra. José? e agora. sua incoerência. sem parede nua para se encostar. não existe porta. você? você que é sem nome. o riso não veio. José! José.. você é duro.. você que faz versos. seu instante de febre. seu terno de vidro. o dia não veio. que ama. a luz apagou. está sem discurso. José.Um Mundo Perfeito 3o.2o. se você morresse. se você gemesse. Minas não há mais. a noite esfriou. que zomba dos outros. e agora. José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato. e agora. sem teogonia. se você cansasse. e agora? Se você gritasse. protesta? e agora. José? E agora. está sem carinho. se você dormisse. você marcha. a noite esfriou. não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou. quer ir para Minas. Mas você não morre. já não pode fumar. sua gula e jejum. se você tocasse a valsa vienense. quer morrer no mar. sua biblioteca.Beleza Americana . Texto Alugue e assista os dois filmes abaixo: . José? Está sem mulher.

a violência está mobilizando não só o governo brasileiro. 1a Atividade em aula Verifique se o texto que escreveu tem estas qualidades . analise.Escreva pelo menos três argumentos. Conclusão: síntese das idéias discutidas no desenvolvimento.Objetividade . 2. mas também toda a população. organize-as.Originalidade . alusão histórica. consequências etc.citação. Agora. da idéia principal.(definição do tema) Agora. resultado da argumentação.: Como um dos mais problemáticos fenômenos sociais. Escreva a introdução de seu texto. argumentação.Clareza .: A cidade de São Paulo aparece. do ponto de vista a ser defendido.causas. Desenvolvimento: desenvolvimento da matéria. reflita. exponha argumentos que comprovem o que você enunciou na introdução. 3. (Os argumentos podem ser compostos por exemplo.Concisão .como foco de violência urbana.Coesão .Correção gramatical 99 . confirmando a idéia principal. Introdução: proposição do tema.Pesquise sobre o tema. dado de pesquisa. Registre o fluxo de suas idéias sem se preocupar com a ordem.Coerência .(constatação do problema) Ex. Agora veja se o seu texto tem esta estrutura: 1. A introdução pode ser feita de várias maneiras: Ex. nos meios de comunicação.) Releia a introdução e conclua seu texto. comparação.(delimitação do assunto) Ex.: O intensivo aumento dos índices de violência nos grandes centros urbanos está promovendo uma mobilização político-social.

concluindo. Dicas para dissertar bem Confira se está no caminho: 1. como resultado. ditos populares ou frases feitas. provérbios. por terem sentido vago. a saber. Evite utilizar palavras como “coisa” e “algo”. notadamente. Não use ponto após o título. finalmente. em outras palavras. pelo contrário. ainda. no entanto. por exemplo. embora. igualmente. logo. ainda que. como complemento. segundo. 100 . isto é. 5. causa. Repetir palavras ou idéias empobrece o texto. contudo. Use sinônimos. terceiro. Coerência e coesão: qualidades resultantes da conexão harmônica entre idéias de forma a produzir sentido. Prefira usar palavras de língua portuguesa a estrangeirismos. porém. além do mais. por último. sobretudo. especialmente. Não use chavões. 4. primeiro. sem desvios. 2. Originalidade: criatividade Correção gramatical é o uso adequado da norma culta. também. resumindo.Saiba mais Concisão: consiste em expressar o máximo de informação com o mínimo de palavras. mais importante. Objetividade: consiste em expor apenas as idéias significativas. 3. similarmente. Para enfatizar: principalmente. tal como. por outro lado. novamente. entretanto. Palavras e expressões facilitam a ligação entre as idéias: Para indicar acréscimo: e. portanto. Clareza: é decorrente de nossa capacidade de organização das idéias na mente e a adequada transposição para o material idiomático. apesar de . conseqüentemente. Para introduzir contraste: mas. todavia. Para introduzir exemplo ou ilustração: assim. em resumo. além do mais. ou efeito: assim. ao contrário. especificamente. Para registrar conclusão.

Só cite exemplos de domínio público. que combinaram ficar com ela para o verão vindouro. Regressados a Inglaterra.sou membro da família que há pouco tempo visitou-o com o fim de alugar sua propriedade no próximo verão. um pastor protestante. os membros da referida família repararam numa pequena casa de campo e lhes pareceu boa para passarem as férias de verão. No decorrer de certo passeio. A carta foi assim redigida: “Gentil Pastor: . escreveram ao pastor para obter tal pormenor. mas como esquecemos de um detalhe muito importante. 7. concorda?) Encarar de frente (encarar vem de cara) Multidão de pessoas ( se fossem peixes. certo?) Possivelmente poderá ocorrer ( o que é possibilidade pode ocorrer) repetir outra vez ( quem repete faz outra vez) voltar atrás (já voltou para frente?) Sorriso nos lábios (dá para sorrir em outro lugar?) 6. quando de repente. devido à crise. têm sido definitivos) Surpresa inesperada (se fosse esperada. C.” 101 .Divirta-se com alguns pleonasmos viciosos: Elo de ligação (você já conheceu um elo de separação?) Acabamento final (Há acabamento inicial?) Juntamente com (se vou junto a você. Não abrevie palavras. discutiram muito sobre a planta da casa. muito agradeceria se nos informasse onde se encontra o W. certo?) Amanhecer o dia (já viu amanhecer a noite?) Criação nova (se fosse velha. Divirta-se: Em certa ocasião. C. uma família britânica foi passar as férias na Alemanha. vou com você. A residência agradou muito aos visitantes ingleses. e pediram que lhes mostrasse a casa. Confirmando o senso prático dos ingleses. não seria criação) Retornar de novo (re já significa de novo) Empréstimo temporário (tudo bem que os últimos. a senhora lembrou-se de não ter visto W. Conversaram com o proprietário.seria cardume. não seria surpresa) Em duas metades iguais (se não fossem iguais seriam metades?) Há anos atrás (verbo haver já indica tempo decorrido) Conviver junto(conviver é formado por com + viver) Escolha opcional (toda escolha é opção) Planejar antecipadamente (quem planejou depois faliu.

O pastor alemão. e julgando trata-se da Capela da seita inglesa White Chapel. Não seja redundante nos argumentos. Não gosto desse teu jeito de olhar. deixar partes soltas.tempo anterior mais afastado. A história versava sobre o começo do século XX.atual . pode usar a folha do vizinho. Aquele . Naqueles tempos.Durante este mês. Os assentos são de veludo ( recomenda-se chegar cedo para arrumar lugar sentado).longe dos dois. À entrada é fornecida uma folha de papel a cada pessoa. Relação de espaço: proximidade/afastamento Este . . Faça argumentação em progressão. Evite truncar frases. sobretudo se tem o hábito de ir lá freqüentemente. 10. Há dois meses. Dicas sobre revisão gramatical ESTE / ESSE / AQUELE Esses pronomes podem auxiliar na redação de seu texto para conferir coesão e coerência. Esta caneta aqui é minha. De quem é aquele caderno? Relação de tempo Este . é preferível levar comida para ficar lá o dia todo. Use a pontuação correta. Alguns vão a pé. não compreendendo o sentido da abreviatura W. houve a Semana de Arte Moderna. Isto é muito cômodo. As crianças permanecem ao lado dos adultos e todos cantam o coro. Aquele .” (Autor desconhecido) 8.perto de quem ouve. assim respondeu: . Nesse caso. Não analise assuntos polêmicos sob apenas um dos lados da questão. Esse .. O ar é condicionado para evitar inconvenientes comuns nas aglomerações. Nesses dias. outros de bicicleta. para ser usada durante todo o mês. Tal folha deve ser substituída à saída.. mas se alguém chegar depois da distribuição. farei várias aulas. 9. Não utilize o texto para propagar doutrina religiosa ou política nem para fazer propaganda. Esse . 102 . 11. Há lugar para quatrocentas pessoas sentadas e cem em pé. C. Fotógrafos especiais tiram flagrantes para os jornais da cidade de modo que todos possam ver seus semelhantes no cumprimento de um dever tão humano.“Gentil senhora: . visitei lugares magníficos. Tudo que se recolhe é para as crianças pobres da região.perto de quem fala.próximo/ de preferência passado.recebi sua carta e tenho o prazer de comunicar-lhe que o local a que se refere fica a 12 quilômetros da casa. viajei para a Bahia.

com.Relação aos termos da oração Este. Este é medroso.refere-se ao termo mais afastado De dois tipos de pessoas gosto muito: as crianças e os velhos.portugues.br 103 . Estes.pt/dlpo/gramatica/gramatica. 2a Atividade em aula Exercite: Papai teve três filhos: João.http://www. pela sabedoria e aqueles.idéia já dita Prestem atenção nisto que foi dizer: seja feliz! Isso que disse há pouco é verdadeiramente o meu desejo.refere-se ao termo mais próximo Aquele . Saiba mais Visite os sites: . Gerson e Luís. pela curiosidade. Pergunta-se: Quem é medroso? Quem é preguiçoso? Quem é esforçado? Resposta Este(Luís) é medroso.idéia a ser dita Esse .priberam.aspx . esse é preguiçoso e aquele é esforçado. Relação aos termos da oração Este . esse (Gerson) é preguiçoso e aquele (João) é esforçado.http://www.

no texto argumentativo. Quanto mais você exercitar. Você verá que. além de dicas para dissertar bem. aprendemos a utilizar os pronomes este. Agora. mais aperfeiçoará sua escrita. Se puder. viver não é preciso”. Próxima aula Na próxima aula. Prepare-se: o assunto será a sedução no discurso. Desculpe brincadeira. repense sobre a pena de morte e escreva outro texto dissertativo. afinal nos ensina Fernando Pessoa: “navegar é preciso. não é muito diferente. Com relação aos aspectos gramaticais. a estrutura e a qualidade dessa modalidade textual. mas embarque nessa.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. Enquanto isso. continuaremos com o texto dissertativo do tipo argumentativo. vai pensando que estratégias você costuma usar para seduzir uma pessoa. Até breve! 104 . Compreendemos os tipos de dissertação. aprendemos a importância da dissertação para nossa vida pessoal e profissional. esse e aquele em diferentes situações. pesquise sobre isso.

tudo digere. identificará recursos para seduzir no discurso. você aprenderá a importância de argumentar. Pe. 5. Amor menino Tudo cura o tempo. que terem durado muito. de amar a menos. exercitará coesão e coerência. com que vê que não via. que partem do centro para a circunferência. tudo gasta. quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar e ter amado muito. Além disso. que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco. Você já se perguntou por que algumas pessoas conseguem convencer outras de seu ponto de vista? Que recursos utiliza? Como é possível argumentar com consistência e com coerência? Como se organiza a estrutura lógica do texto? Como é possível seduzir por meio do discurso? Leia. que. tudo acaba.O ato de argumentar Na aula de hoje. descobre-lhe os defeitos. o desarma o tempo.Aula 11 . Ed. 197-70. saberá como reconhecer e produzir texto dissertativo-argumentativo. São Paulo. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino: porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. enfastia-lhe o gosto. quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas. com que já não fere. Antônio. com que já não atira. (Vieira. tudo faz esquecer. o trecho de um dos sermões do Padre Vieira. v.) 105 . São como as linhas. Gasta-se o ferro com o uso. Atreve-se o tempo a colunas de mármore. Afrouxa-lhe o arco. p. abre-lhe os olhos. tanto menos unidas. e faz-lhes crescer as asas com que voa e foge. A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas. De todos os instrumentos com que o armou a natureza. atentamente. embota-lhe as setas. das Américas. quanto mais continuadas. Sermões.

Saiba mais - Padre Vieira Padre Vieira nasceu em 1608 e morreu em 1697. Nasceu em Lisboa e, aos seis anos, veio para o Brasil. Foi escritor e pregador. A partir de 1638, pronunciou alguns dos mais notáveis sermões. Eis algumas de suas principais obras: Sermão de Santo António aos peixes; Sermão da Sexagésima; Esperanças de Portugal - V Império do mundo; História do Futuro, entre outros.

Atividade em aula
Vamos tentar um entendimento do texto? 01. O tema do texto ressalta valor: ( ) real e concreto; ( ) espiritual e insignificante para a vida humana; ( ) espiritual e de grande significado para a vida humana; ( ) material e irreal; ( ) n.d.a. 02. Assinale o que for verdadeiro quanto ao texto acima: ( ) Quanto mais velho o amor, mais forte. ( ) Quanto mais novo o amor, mais intenso. ( ) O amor pode ser transitório ou permanente. ( ) O amor mais intenso é o que dura mais. ( ) n.d.a. 03. O texto enfatiza o problema: ( ) do tempo ( ) do espírito ( ) da matéria ( ) da vida ( ) n.d.a. 04. Podemos depreender do texto que: ( ) valores humanos resistem ao tempo; ( ) valores humanos são pouco importantes; ( ) sentimentos e valores humanos são a mesma coisa; ( ) sentimentos humanos são transitórios; ( ) n.d.a.

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Atividade em aula
05. Grife no texto qual a tese, a idéia que Padre Vieira defende. 06. Grife 3 argumentos utilizados para defender a tese. 07. Grife a conclusão do autor. Lembre-se de que ela é decorrência da argumentação e não pode ser contraditória à tese. Amor menino Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino: porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê que não via; e faz-lhes crescer as asas com que voa e foge. A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar e ter amado muito, de amar a menos. Veja as respostas na aula on-line. Observe que argumentar é arte muito antiga. Aristóteles, na Grécia, em seu texto Organon, conhecido por todos como Lógica, mostra como a palavra tem em si uma estrutura lógica, como a matemática e, a partir dela, podem-se construir tanto raciocínios exemplares, como raciocínios falsos, sofismas, modelos argumentativos aparentemente lógicos, porém com premissas falsas. O célebre filósofo elaborou uma teoria do raciocínio conhecida como inferência. Inferir é tirar uma proposição como conclusão de uma ou de várias proposições que a antecedem e são sua explicação ou causa. O raciocínio é uma operação do pensamento realizada por meio de juízos e enunciada lingüística e logicamente pelas proposições encadeadas, formando um silogismo A teoria aristotélica do silogismo é o coração da lógica, pois é a teoria das demonstrações ou das provas, da qual depende o pensamento científico e filosófico. Um silogismo é constituído por três proposições. A primeira é a premissa maior, a segunda é a premissa menor e a terceira é a conclusão.

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Veja o exemplo clássico: Todos os homens são mortais.(premissa maior) Sócrates é homem.(premissa menor) Logo, Sócrates é mortal.(conclusão) Agora, conheça o raciocínio falso: Todos os homens são loiros. Ora, eu sou homem. Logo, sou loiro. Todos os homens são vertebrados. Ora, meu gato é vertebrado. Logo, meu gato é homem. Saiba mais - Divirta-se Você acha que trabalha demais? Então vejamos: O ANO TEM...................................................365 dias Menos : 8h de sono por dia............................122 dias Sobram 243 dias Menos: 8h de descanso diário.......................122 dias Sobram 121 dias Menos: domingos............................................52 dias Sobram 69 dias Menos: ½ dia por Sábado................................26 dias Sobram 43 dias Menos: feriados..............................................13 dias Sobram 30 dias Menos: Férias.................................................20 dias Sobram 10 dias Menos:Tempo gasto no cafezinho, lavatório, papinho etc....10 dias Sobram........000dias Que tal, ainda acha que trabalha demais?

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Para a argumentação ser eficaz, os argumentos devem possuir consistência de raciocínio e de provas. O raciocínio consistente é aquele que se apóia nos princípios da lógica. As provas servem para reforçar os argumentos. Tipos de argumento: 1. comparação: confronto entre elementos, seja no tempo, seja no espaço, seja nas características. 2. alusão histórica: resgate de eventos do passado. 3. provas concretas: dados de pesquisa, estatísticos, tabelas, gráficos. 4. relação causa-efeito: estabelece motivos e conseqüências. 5. testemunho autorizado ou argumento de autoridade: apresenta ponto de vista de pessoa reconhecida na área debatida, utilizando idéias, pensamentos, frases célebres, citações. 6. fatos-exemplos: narração de fatos com o objetivo de exemplificar.

Reconheça o tipo de argumento utilizado por Padre Vieira nos trechos: 1. “São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito.” Resposta > Comparação: confronto entre elementos, seja no tempo, seja no espaço, seja nas características. 2. A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Resposta > relação causa-efeito: estabelece motivos e conseqüências.

As características do texto dissertativo-argumentativo são: - Expõe ponto de vista sobre um dado assunto. - Apresenta função persuasiva. Vale observar a diferença: argumentar não é demonstrar. Demonstrar é apresentar evidências, por meio de raciocínios lógico-formais. Argumentar é usar técnicas para conseguir adesão dos espíritos, por meio de raciocínios persuasivos.

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Faz das palavras imagens. com as figuras de linguagem. no médio prazo. 7. posturas. A sedução não se faz apenas com palavras. desmistifique tudo. serve para vender. o receptor para o universo que se pretende. 5. O editorial é outro tipo de texto argumentativo. Saiba mais Importante notar que o discurso sedutor não se sustenta pela lógica. Ao primar pelo convencimento emocional. tons. É um texto que veicula a ideologia do jornal em que é publicado. é importante conhecer o repertório pessoal do receptor. Institui sentido figurado. 8. Comece pelo título. Sugere o implícito pelo explícito. ritmos.Para isso. como Folha de São Paulo. por meio do imaginário. expressões que revelam subjetividade. mas não serve. 4. e analise os recursos utilizados para convencer o leitor do ponto de vista defendido. advérbios. silêncio. adesão a um ponto de vista. 110 . com a intenção de formar a opinião do leitor. portanto se põe contra a nossa razão. quando capaz de operar com a razão. Direciona a comunicação para os sentidos e para os sentimentos. por exemplo. o diferente (“opostos se atraem”). Busque um editorial de algum jornal. 6. faz com que o receptor. 3. Depois observe adjetivos. Transporta. geralmente polêmico. Ele expressa o ponto de vista do jornal acerca de um assunto da atualidade. na relação cotidiana de trabalho. 2. 9. Desperta o interesse e ganha simpatia. Ela se faz também com gestos. Provoca identificação do receptor com o transmitido. Encontre um texto publicitário e analise os argumentos (verbais e visuais) utilizados para seduzir o público a consumir o produto. mais do que para a razão. O Estado de São Paulo etc. quando termina seu encanto sedutor. já que este tipo de estratégia.Dicas para compreender o discurso da sedução 1. descreve com detalhes. entonações. Oferece o inusitado.

24/03/04). segundo Raça/Cor Região Metropolitana de São Paulo 2003-2004 Ver tabela na aula on-line Saiba mais . dados de pesquisa. no fragmento anterior. frase que mostra o posicionamento do autor. Recursos: relação causa-efeito. entre outros. pode ser substituída sem prejuízo de significado por: ( ) uma vez que ( ) contudo ( ) porém ( ) entretanto ( ) embora 111 . por Sexo.depoimento. resultado da argumentação. pois o tempo de todos não é desperdiçado pelas esperas. Conclusão: síntese das idéias discutidas no desenvolvimento.Agora que você aprendeu como fazer para argumentar com eficácia. Desenvolvimento: argumentação. Pode propor soluções.comparação.alusão histórica. Taxas de Participação. citação.A relação estabelecida pelo conectivo pois é de: ( ) explicação ( ) conseqüência ( ) fim ( ) comparação ( ) condição 2.Lembre-se A estrutura do texto dissertativo-argumentativo é Introdução: tese. “O respeito pelo tempo dos outros aumenta a produtividade social.dados estatísticos. Atividade em aula: Exercícios de coesão 1. exemplificação. escreva seu texto argumentativo a partir da análise do gráfico.” ( Revista Veja. A conjunção pois. fundamentação da tese.

112 . e pelos grandes acidentes. ( ) A palavra apresenta funções diferentes: no primeiro e no segundo casos. Tal papel é desde sempre muito cumprido pelas tragédias naturais como os terremotos. serve para introduzir exemplificação. nos três casos. observe o sentido da palavra e depois marque a alternativa verdadeira. ( ) Introduzir idéia de explicação e pode ser substituída por portanto. ( ) Introduzir idéia de explicação e pode ser substituída por porém.” (Revista Veja. ( ) A palavra como possui exatamente a mesma função nos três momentos: introduz comparação. introduz comparação. 4. como os naufrágios e quedas de aviões. Mas estamos no século XXI. ( ) A palavra como apresenta funções diferentes: no primeiro caso. ( ) Introduzir idéia de oposição e pode ser substituída por entretanto. introduz condição. ( ) Introduzir idéia de oposição e pode ser substituída por portanto. 13 de março de 2004. introduz comparação. serve para introduzir exemplificação.) A palavra como é utilizada três vezes no texto. A palavra mas (“Mas estamos no século XXI”) tem como função: ( ) Introduzir idéia de condição e pode ser substituída por talvez.3. introduz comparação. Releia-o atentamente. ( ) A palavra como apresenta funções diferentes: no primeiro caso. serve para introduzir exemplificação. perdeu a aula”. “ A tragédia interrompe a orquestração da vida como um maestro ensandecido que resolvesse atirar nos músicos. ( ) Ela estabelece. e o terrorismo arrogou exercê-lo. a mesma relação de sentido da frase: “Como não chegava cedo. O pronome lo (“o terrorismo arrogou exercê-lo) refere-se a : ( ) maestro ( ) músico ( ) papel ( ) terremoto ( ) terrorismo 5. no terceiro caso. no terceiro caso. no segundo e no terceiro casos. no segundo caso.

Síntese de aula de hoje Na aula de hoje. em uma aula lúdica e diferente. Próxima aula Na próxima aula. você fará uma avaliação dos conhecimentos adquiridos até este momento.mecanismos necessários para conferir qualidade a seu texto. você aprendeu a reconhecer e a produzir texto dissertativoargumentativo. Tomou conhecimento dos recursos utilizados para seduzir o receptor e exercitou coesão e coerência . Boa sorte! 113 .

da ocupação desordenada de mananciais. 114 . Assinale a alternativa CORRETA com relação ao texto: ( ) O verbo está indica situação estável e não provisória como é comum. atentamente. interpretar textos e aplicar seus conhecimentos gramaticais. ( ) O nível de linguagem do texto é informal. do descaso no uso e da falta de políticas eficientes para reeducar o consumo e reduzir perdas. o fragmento: “A crise de água que a Grande São Paulo vive hoje não é a primeira nem será a última. ( ) Todas as alternativas estão corretas. (Revista Veja. ficará no governo até o último dia de seu mandato e continua sendo o ‘capitão do time’ do governo”. “Lula disse a empresários que José Dirceu está mais ministro do que antes do escândalo.Avalie suas habilidades e seus conhecimentos Olá! Hoje nossa aula será diferente. ( ) O texto revela um diálogo com o universo esportivo. compreender.Aula 12 . bonito lhe parece” ( ) “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.” O texto abaixo refere-se à questão 2. Faremos alguns exercícios em que você poderá avaliar sua habilidade em ler. ( ) A expressão “capitão do time” pode ser substituída por líder da equipe do governo.” ( Folha de São Paulo. 21/04/04). da poluição de rios e represas. 12 de outubro de 2003) 1. Por causa de limites naturais na disponibilidade hídrica. a região só tem água garantida até 2010. Com base nas informações enunciadas. com o futebol. concluímos que: ( ) “Gato escaldado tem medo de água fria” ( ) “Quem tem boca vai a Roma” ( ) “Santo de casa não faz milagre” ( ) “Quem ama o feio. Atividade em aula Leia. em especial. 2.

A aquisição de características muito específicas como a linguagem. e se torna perfeitamente compreensível por se tratar de um discurso oral. reforçada por doutrinas que situam corretamente o homo-sapiens no ponto mais alto da evolução. nós podemos estender o campo do possível. mas pode-se crer em permuta e equilíbrio entre seres e coisas. abril de 2001) 115 . neste contexto. alterar o que seria previsível não fosse o nosso querer e a nossa vontade. mas incidem no equívoco de fazer dele uma espécie de finalidade da criação. a palavra deve ser substituída objetivamente pelo sentido a que se refere. como de fato ainda pretende a maioria das pessoas com poder decisório no mundo. O Homem e a natureza A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. se não fosse perigosamente pretensiosa. noção de tempo e capacidade de acumular não fizeram do homem um ser superior no sentido absoluto. que deve ser bem elaborado. a palavra coisa poderia ser traduzida por: ( ) mundo ( ) situação ( ) casamento ( ) convivência ( ) país 1o. (Luiz Carlos Lisboa. raciocínio lógico. Texto O texto a seguir refere-se às questões 4 a 12. Então aí a coisa complica. Essa crença lançou profundas raízes no espírito humano. mas apenas mais bem dotado para determinados fins. Isso não confere autoridade para pretender que todo o resto do universo conhecido deva prestar-lhe vassalagem. memória pragmática. A palavra coisa é usada. No que se refere ao texto escrito. Jornal da Tarde. Pode-se dizer com segurança que nada na natureza foi feito para alguma coisa. Dependendo da nossa capacidade de sonhar e querer com competência. podemos.3. No caso. portanto.

O desenvolvimento do texto compõe-se pela argumentação . ( ) Deve haver troca e equilíbrio entre os seres e as coisas. ( ) O fato de o homem possuir qualidades superiores não o qualificam como cidadão. Na Introdução. 7.Atividade em aula 4. 8. ( ) n. ( ) ser bem dotado não implica ser superior à natureza. A conclusão do texto pode ser resumida: ( ) ser bem dotado significa ser superior à natureza. Todo texto dissertativo .d.d. ( ) n.que é de extrema importância para que se tenha consistência e qualidade.compõe-se de três partes: uma introdução.a.a. a idéia principal que ele busca defender ao longo do texto. ( ) ser superior significa não ser vassalo. normalmente localiza-se a tese do autor.oral ou escrito . um desenvolvimento e uma conclusão. O segundo argumento apresentado no texto é: ( ) Tudo na natureza tem uma função. ( ) Tudo está em desequilíbrio na natureza. ( ) O fato de o homem ter linguagem não o qualifica como responsável pela natureza. 5. ( ) Todo o universo deve se submeter ao homem. ( ) n.d.d. 6. raciocínio lógico e outras qualidades que o diferenciam dos animais não justifica que ele seja superior. O terceiro argumento apresentado no texto é: ( ) O fato de o homem ser superior não significa que ele pode mandar em tudo. ( ) O homo sapiens é a espécie mais evoluída. 116 . ( ) Toda crença é reforçada por doutrinas.a. ( ) Todo o universo tem que sucumbir à vontade humana. O primeiro argumento apresentado é: ( ) Acreditar que o homem é finalidade da criação é equívoco. ( ) O fato de o homem ter linguagem.a. Grife a tese do texto. ( ) ser superior implica ser vassalo. ( ) n.

”. se trocássemos a conjunção se.”. A partícula lhe. ( ) “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. seria perigosamente pretensiosa. ( ) “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. A palavra dele. ( ) “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. o sentido manter-se-ia em: ( ) “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua.” (Paulo Freire) 117 . portanto. 11. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente.”. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica. embora não fosse perigosamente pretensiosa. ( ) “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. caso não fosse perigosamente pretensiosa. refere-se: ( ) universo ( ) resto ( ) homem ( ) pessoas com poder decisório ( ) autoridade O texto a seguir refere-se às questões 13 e 14.9. A palavra Isso que inicia o terceiro parágrafo do texto refere-se à: ( ) linguagem ( ) raciocínio lógico ( ) memória ( ) noção de tempo ( ) o fato de ser bem dotado 10. na passagem “todo o resto do universo conhecido deva prestar-lhe vassalagem”. se não fosse perigosamente pretensiosa”. refere-se: ( ) espírito humano ( ) homo sapiens ( ) evolução ( ) ponto ( ) equívoco 12. implica na percepção das relações dentre o texto e o contexto. no fragmento “mas incidem no equívoco de fazer dele uma espécie de finalidade da criação”.”. Na frase “A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra.”. porém não seria perigosamente pretensiosa. porque não é perigosamente pretensiosa.

( ) A leitura crítica independe das relações entre o texto e o contexto. 118 . para ser ampliada. referem-se respectivamente à: ( ) do mundo / da palavra ( ) da palavra / do mundo ( ) leitura / mundo ( ) palavra / contexto ( ) linguagem / texto 15. darei o recado. no texto. saberei o que dizer. novembro de 2003.) A alternativa que preenche adequadamente a lacuna é: ( ) cujo ( ) na qual ( ) que ( ) onde ( ) para o qual 16. As palavras desta e daquele. pesquise mais. vai perder pontos. ( ) Quando eu ver você. Veja as respostas na aula on-line. ( ) Se você composse uma canção. eu ficaria feliz. ( ) A leitura do mundo depende da leitura da palavra. ( ) A leitura do mundo é menos abrangente do que a leitura da palavra.13. Avalie-se: Se você acertou todas as questões(16) : Parabéns!! Gabaritou!! Se você acertou de 13 a 15 questões: está ótimo! Se você acertou de 9 a 12 questões: está bom! Se você acertou de 5 a 8 questões: está regular! Se você acertou de menos de 4 questões: está insatisfatório!Leia mais. 14. Assinale a alternativa correta: ( ) Se você não se opor. ( ) A leitura do mundo. É possível depreender do texto que: ( ) A leitura do mundo é mais abrangente do que a leitura da palavra. estude mais. eu participarei da decisão. ( ) Se você pôr essa resposta errada. ( ) Quando eu vir você. Como reconstruir um país______ um quarto das crianças [afegãs] não chega a completar 5 anos de idade? (National Geographic. não depende da leitura da palavra.

Contar histórias é arte milenar. ( ) Descrição ( ) Narração ( ) Dissertação ( ) Poema narrativo 2. cantando. Desde os primórdios. A correção da linguagem e a boa dicção são atributos importantes para o contador. ( ) Descrição ( ) Narração ( ) Dissertação ( ) Poema narrativo 119 . João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número. ”Todas as noites. O narrador é um artesão da palavra. as histórias eram contadas à noite e ao redor do fogo. Confiante em si. Há muitos tipos de narrativa para se contar: mitos. equilibrado na expressão corporal. ele deve conduzir a história com criatividade. fábulas.. O tom de sua voz deve ser modulado de acordo com o que conta. tinha uma procissão de caveiras que passava à meia-noite. Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. ( ) Descrição ( ) Narração ( ) Dissertação ( ) Poema narrativo 4. a molecada do bairro se amontoava no portão da minha casa: era a hora negra das histórias dos lobisomens. é necessidade humana. almaspenadas.Atividade em aula Associe as modalidades textuais: 1. lendas.”(Lygia Fagundes Teles) ( ) Descrição ( ) Narração ( ) Dissertação ( ) Poema narrativo 3. Narrar é uma forma de criar diálogo com o outro e consigo. ô Deus! Como eu tremia. Nasce da tentativa de explicar tudo o que o homem desconhece. simples e sóbrio nos gestos.. bruxas. depois do jantar. contos.

dando-lhe uma das competências fundamentais de nosso século: a comunicação. Próxima aula Na próxima aula. seu vocabulário. abordando técnicas para fazer resumo de um texto. atividade indispensável para quem pretende adquirir facilidade na construção verbal organizada e completa. enfim. continuamos com nossa programação. concluiu e resumiu idéias.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. você exercitou sua leitura. Até lá! 120 . interpretação de textos – que lhe preparação para a vida pessoal e profissional. identificou elementos. textos. ativou seus conhecimentos dos aspectos gramaticais. compreensão. foi um momento lúdico e enriquecedor em que você pôde avaliar suas habilidades de leitura. trabalhou com coesão e coerência.

Para resumir. Não é apenas o estudante que precisa desenvolver essa habilidade. mas muitos profissionais que têm. (16ª ed. identificar as principais idéias e palavras-chave de um texto. Redação Científica. o que foi expresso de maneira ampla pelo autor. na leitura.). com clareza.) São Paulo: Atlas. Othon M. 2003. é necessário observar o que é essencial e o que é secundário (repetições. as fontes principais de informação. 2000. Comunicação em prosa moderna.br/semantica/polissemia. exemplificações etc.). O que é resumir um texto? É reproduzir. aprende-se a relacionar as idéias principais e a compreender. difunde informações de tal modo que pode influenciar e estimular a consulta do texto completo. (5ª ed. João Bosco. O resumo abrevia o tempo de quem faz uma pesquisa. Consulte o site: •www. São Paulo: Atlas.Como fazer o resumo de um texto Na aula de hoje você deverá aprender como elaborar o resumo de um texto. • Correspondência – técnicas de redação criativa.com. • MEDEIROS.Aula 13 . Conceitos importantes a serem pesquisados • Argumentação • Tópico frasal • Parágrafo • Conotação e denotação Consulte as obras: • GARCIA.portugues.asp 121 . explicações. 2002. Ao resumir. isto é. Você vai perceber que se trata de uma atividade indispensável para quem pretende adquirir facilidade na construção verbal organizada e completa. Rio de Janeiro: FGV. seja oral ou escrita. sinteticamente. o assunto do texto.

Por isso. argumentação e conclusão. Sublinhe as palavras-chave no texto que marcam as idéias fundamentais para a compreensão (essas palavras estão quase sempre na parte teórica). ironia. pois o objetivo é apenas elaborar um resumo e não um comentário. pontue os argumentos.). Dicas práticas 1. para adequar a linguagem de acordo com o esquema geral das idéias. em decorrência etc. Em uma dissertação. Evite a repetição de frases inteiras do original. 4. os parágrafos marcam as partes da estrutura geral que consiste em: ponto de vista ou tópico frasal. a fim de encontrar a maneira mais concisa de expressão. A parte teórica deverá figurar sempre. 2. você deverá ser capaz de responder à pergunta genérica: qual o assunto do texto? 2. uma interpretação ou uma resenha. Em uma dissertação. Você não deve apresentar juízo valorativo. Evite introduções do tipo: “o autor diz que. Resumidos os parágrafos.” etc. primeiramente. Aconselhamos dois resumos: um do parágrafo e outro do próprio resumo. você pode fazer o resumo de cada parágrafo. Faça. O bom resumo deve conservar o estilo do texto original. opinar ou criticar.. No final dessa leitura. 5.. porque. para tomar conhecimento das idéias principais. 6. se necessário). 4. Faça uma segunda leitura (e outras tantas. por conseguinte. 3. além do mais. você deve ler a seqüência dos resumos.Procedimentos gerais 1. Fique atento para as palavras de ligação que estabelecem a estrutura lógica dos raciocínios (assim.. Anote exclusivamente o pensamento expresso pelo autor. sem anotações.”. Os exemplos citados para confirmar ou explicar a parte teórica devem ser resumidos apenas quando imprescindíveis à compreensão do raciocínio. ao passo que os exemplos e mesmo as explicações longas poderão ser abreviadas ou até suprimidas.. como nível de linguagem. humor etc. “o autor continua afirmando que. 3. 122 . pois. anotando à margem o que for importante para a compreensão mais detalhada do texto. Utilize-se de uma ficha para as anotações. uma leitura atenta.

O pão é o primeiro nome da paz. Respeite a ordem em que as idéias ou fatos são apresentados. 8. Para o trabalhador. Se pedirmos a qualquer criança que desenhe uma casa. a casa não é lar. É também segurança: certeza de que pode deixar a mulher e os filhos em casa e que. não é mesmo? O conceito sobre a paz é o mesmo para todos os segmentos da sociedade retratados no texto? 123 . a paz é um conjunto de realidades: emprego seguro.” Revista Isto É. nem policiais que o metralhem. as ruas serão livres e não haverá bandidos que o assaltem. Qual é a palavra-chave do tema central? A paz. p. Para os artistas e intelectuais. Pode ser que não use o substantivo. mas empregará um dos seus muitos sinônimos. Sem chaminé e sem chamas no fogão. 1a Atividade em aula Exercite os seus conhecimentos Leia o texto a seguir: “Se perguntarmos a qualquer brasileiro o que ele espera do novo governo. comida à mesa e escola para os filhos. ele diria que espera a paz. A cada brasileiro a sua paz.27. não haveria paz. o primeiro nome da paz é liberdade. sob a desculpa da suspeita. ela colocará sobre o telhado chaminé e fiapos de fumaça. no trajeto entre sua moradia e o lugar do trabalho. Analisando o texto Qual é o assunto ou o tema do texto? O texto diz o que representa a paz para o povo brasileiro. nº 417. deve ter de dez a vinte por cento da extensão do texto original. normalmente. Assemelhase a um túmulo.7. Sem liberdade. Não é à toa que a paz está normalmente associada à abundância. salário justo. Um resumo. ainda que houvesse pão e houvesse segurança. Liberdade de criar e de expor os frutos de sua imaginação ou de sua descoberta.

paz é liberdade”. Para o trabalhador. Observe os procedimentos e as dicas que foram sugeridas. salário. 2a Atividade em aula Faça agora você o resumo deste texto. O que significa a paz para o trabalhador? “. escola para os filhos e segurança.a paz é um conjunto de realidades: emprego seguro. segurança.. 124 .. comida à mesa. salário justo.Resumo final Sugestão Qualquer brasileiro espera de um governo a paz. escola para os filhos... salário justo. Saiba mais ..” E para os artistas e intelectuais.. A cada brasileiro a sua paz. emprego. que significa pão. O pão é o primeiro nome. Para o trabalhador. paz significa um conjunto de realidades: comida. o primeiro nome da paz é liberdade de criar e expor os frutos da sua imaginação. o que significa a paz? “. Resumo Qualquer brasileiro espera a paz de um governo. a paz é um conjunto de realidades: emprego seguro. Para os intelectuais. comida à mesa. Para os artistas e intelectuais. A cada um a sua paz. escola e segurança. paz é liberdade de criar e de expressar-se.O que significa a paz para qualquer brasileiro? “O pão é o primeiro nome da paz”.

o trabalho estava intimamente associado ao tipo de pessoa que você era e ao que suas inclinações e talentos naturais o levariam a fazer pela comunidade: ferreiro. Um emprego era igual a milhares de outros. São Paulo: Futura. inclinações e desejos naturais. costureira.50-51. Perdeu-se também a rotina diária de apoio aos vizinhos e de ser apoiado por eles também. As pessoas perderam a sensação de auto-suficiência e a confiança de que dispunham de recursos internos para fornecer valor à comunidade e. 2000. O trabalho girava mais em torno do dinheiro e status do que do serviço ou comunidade. agricultor. A Revolução Industrial e a produção em massa acabaram com esse sistema cômodo. As fábricas empregavam milhares de trabalhadores. 125 . Atualmente. Os trabalhadores passaram a acreditar que precisavam aderir a alguma organização para sobreviver. Funcionários designados apenas para uma parte de um serviço nunca têm a oportunidade de desenvolver o domínio sobre ele. mais ou menos permanentes. o ânimo das pessoas está se extinguindo porque elas perderam de vista sua determinação e impulso interiores. Abandonar o lar em busca de trabalho fez as pessoas perderem o contato não apenas com suas famílias e comunidade. ganhar a vida. As pessoas não se sentem confortáveis ou confiantes se não dominarem algo. Os poucos que se conscientizaram disso muitas vezes passaram a acreditar que lhes faltavam bvcondições de “perseguir o seu entusiasmo”. Carreira de sucesso: como administrar e garantir o emprego em tempos difíceis. a ligação com seus verdadeiros valores e dons singulares. Muitos perseguiam o de outra pessoa e aos poucos perdiam o ânimo. com isso. mas seguros nas cidades. Os talentos naturais eram os elos. As pessoas abandonavam a dura e incerta luta pela vida em sua pequena comunidade para aceitar empregos monótonos. os funcionários eram considerados peças intercambiáveis – rotativas. médico e assim por diante. Trabalho e serviço estavam mais intimamente associados. pp. FARREN. mas também com suas forças. parteira.“Não faz muito tempo. ter sucesso e sustentar sua família. Caela.

pt/dlpo/gramatica/gramatica. Dicas de revisão gramatical Emprego dos pronomes relativos Observe as duas frases: 1. Comprei o livro. Você se referiu ao livro. 4a Atividade em aula Faça o resumo de um livro que você leu ou de um artigo de jornal ou revista que tenha sido relevante para sua análise da sociedade. Li um livro que me emocionou.gramaticaonline. por esse motivo.3a Atividade em aula Assista a um dos três filmes sugeridos e faça o resumo dele. a palavra livro foi substituída pelo pronome que. O livro emocionou-me.aspx 1. Pesquise sobre pronome relativo. 2. Comprei o livro a que você se referiu. Denomina-se.com. 2. pronome relativo. 2.br http://www. o show a vida. Na frase 2. Feitiço do Tempo.priberam. O show de Truman. Li um livro. 126 . O que é? Quais os tipos? Quando devem ser utilizados? Consulte os sites: http://www. Esse pronome tem a função de substituir a palavra com a qual está relacionada. 3. Náufrago. 1.

2. As revistas proporcionam ao público horas de entretenimento / As revistas pertencem ao jornalismo. 3. antes do pronome relativo. / Através da janela podíamos ver o mundo. A janela era ampla. 5. É bem antiga a cidade. Esta é a paineira. / Eu moro na cidade. Exercitou a capacidade de sintetizar idéias. 4. A loja fazia promoções. 2. Até lá! 127 .Os pronomes relativos devem sujeitar-se à regência dos nomes e dos verbos a que estão subordinados. / Você apreciou os versos do poeta. A loja na qual comprei o livro fazia promoções. / Nós adorávamos a sombra da paineira. empregando o pronome relativo: 1. Onde 5a Atividade em aula Encaixe as orações secundárias no lugar adequado. 1. Além disso. / O professor recomendou o livro. A loja [comprei o livro na loja] fazia promoções. Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. relembrou alguns aspectos da dissertação bem como o uso do pronome relativo. Comprei o livro na loja. O livro está esgotado. O filme é interessante. você aprendeu a fazer resumo. / O terrorista encontra-se hospedado no hotel. O poeta é paulista. 7. 6. deve ocorrer a preposição que for exigida pelo termo ao qual estiver associado. Próxima aula Na próxima aula. A loja [na loja comprei o livro] fazia promoções. / O jornalismo é periódico. 8. Havia um recado na portaria do hotel. / O público lê as revistas. Assim. / O recado estava escrito em código. / Eu assisti ao filme. o assunto é leitura crítica e produção de resenha.

128 . em 3ª pessoa. acrescentam-se comentários e julgamentos do resenhista. capítulos. o resumo do texto. O objeto de uma resenha pode ser um acontecimento. ou seja.descrição. assuntos. índices. comparações com outras obras. Seu objetivo é conduzir o leitor para mensagens referenciais. por isso a linguagem deve ser objetiva. Você vai perceber que se trata de uma atividade fundamental para a formação de uma mentalidade científica. Resenha descritiva Na resenha descritiva. filmes. nome do tradutor). narração e dissertação -. peças de teatro. desenvolverá a capacidade de síntese. a perspectiva teórica.Aula 14 . é importante ressaltar a estrutura da obra (partes. livro de negócios. esse relato detalhado pode ser um instrumento de pesquisa ou atualização bibliográfica. número de páginas. textos. romance teatro. deverá aplicar adequadamente a concordância verbal. A leitura analítica é sua base. avaliação da relevância do texto. você deverá aprender como elaborar a resenha de um texto.Leitura Crítica Na aula de hoje. de interpretação e de crítica. obras culturais. O resenhista terá sempre um procedimento seletivo e o relato dependerá de sua finalidade. Além disso. Incluindo variadas modalidades de textos . ensaio). Resenha crítica Na resenha crítica. Resenha A resenha é um tipo de redação técnica que pode ser definida como um resumo minucioso ou crítico. o método adotado. Há resenhas descritivas e resenhas críticas. o gênero (crítica literária. como romance.

Diz o autor que isso só será possível se o aluno conseguir aprender apoiando-se constantemente numa atividade de pesquisa. o livro traz propostas práticas. que leciona Filosofia da Educação. para o estudo visando uma organização científica e maior aprofundamento na ciência. aborda uma iniciação metodológica ao trabalho intelectual a ser desencadeado desde o limiar da vida universitária. voltado para estudantes de graduação e pós-graduação. com o argumento de que na Internet esses dados são facilmente encontrados. Leia uma resenha descritiva Arquitetura do conhecimento Thais Helena dos Santos. que está na 21ª edição. com as respectivas informações. Segundo Severino.: Regina Ramos Despertar hábitos de estudo científico em estudantes para permitir o desenvolvimento de uma vida intelectual disciplinada e sistematizada. o texto foi acrescido de elementos metodológicos e técnicos para o melhor aproveitamento dos recursos tecnológicos. Em relação às edições anteriores. “O estudante tem que se convencer de que sua aprendizagem é uma tarefa eminentemente pessoal. O livro. A proposta é do professor Antônio Joaquim Severino. endereços e linha de publicação. livro Metodologia do trabalho científico. praticando uma postura investigativa. da Agência EducaBrasil At. reeditado pela Cortez Editora. nas artes ou na filosofia. mais precisamente o uso do computador e da Internet. mas um limiar a partir do qual constitui toda uma atividade de estudo e de pesquisa. instrumentos operacionais. da Faculdade de Educação da USP em seu . tem de se transformar num estudioso que encontra no ensino escolar não um ponto de chegada. mostra no segundo capítulo como fazer uma documentação (bibliográfica e temática) pessoal e utilizá-la como método de estudo. Em vários momentos do texto é possível perceber o objetivo do trabalho em dar subsídio para o estudante transformar seu aprendizado num criterioso processo de construção do conhecimento. A obra. argumenta o autor. A listagem das editoras. 129 . foi suprimida.A resenha crítica compreende uma abordagem objetiva (em que se descreve o assunto. sem emitir juízo de valor) e uma abordagem subjetiva (apreciação crítica em que se evidenciam os juízos de valor de quem a elabora). que lhe proporciona instrumentos de trabalho criativo em sua área”. técnicos ou lógicos.

além de uma síntese pessoal. “A leitura. O texto apresenta orientações para o acesso à Internet e aos demais equipamentos de informática e multimídia. Por meio de um modelo apresentado no livro. argumentando que esse trabalho serve para o estudo pessoal. desde os objetivos definidos até o esquema geral de desenvolvimento. leitura e documentação. Os aspectos técnicos da redação e as formas de trabalhos científicos são abordados numa linguagem prática e acessível. a leitura analítica permite o aprofundamento do estudo científico. uma análise textual. o livro fornece algumas diretrizes. segundo o autor. O capítulo sobre a Internet como fonte de pesquisa garante ao aluno um primeiro contato à iniciação e ao manuseio dos recursos tecnológicos na busca de informações para seus trabalhos de pesquisa. alerta. uma rigorosa iniciação à pesquisa e à reflexão”. de resenhas e de resumos. com texto-roteiro e outras questões. levantamento da bibliografia. a pressupõem. construção do parágrafo — são apresentadas e discutidas. O texto é entendido como portador de uma mensagem codificada e transmitida pelo autor ao leitor. E continua: “Ao universitário cabe adquirir disciplina rigorosa para a expressão codificada de seu pensamento. qualquer que seja sua área de estudo”. O seminário. Todas as etapas — determinação do tema-problema-tese do trabalho. “Nesse sentido. Tal trabalho é feito pela leitura analítica”. irrefutavelmente e apesar de todos os fatos em contrário. A leitura é uma atividade de decodificação desta mensagem. “Se isso se concretiza quase que só na pós-graduação. o estudante pode fazer um trabalho mais rigoroso sobre o texto. Segundo o autor. Para a realização de um seminário. O registro documental dos dados colhidos também é abordado. não se pode perder de vista que a graduação deve ser. alimentando também a reflexão e criando contextos e problemas sobre os quais versarão futuras pesquisas do universitário”. cientificamente conduzida. para elaboração de relatórios. Segundo Severino. uma vez que todas as demais atividades. construção lógica do trabalho. 130 . A elaboração de uma monografia também é tratada no texto de Severino. é entendido como método de estudo em grupo e atividade de classe específica aos cursos universitários. salienta. para preparação de seminários. redação. o seminário pressupõe e desenvolve tanto a leitura analítica como a leitura de documentação. roteiros de estudo.O terceiro capítulo merece destaque por ensinar como fazer uma leitura. tanto a pesquisa quanto a reflexão são os objetivos finais da vida científica universitária. inclusive as aulas. temática e interpretativa. é instrumento fundamental para a aprendizagem no ensino superior. explica o autor.

Nos cinemas do Rio de Janeiro não teve uma temporada expressiva. Direção e roteiro. bibliografias e metodologia de pesquisa e uma bibliografia comentada. O livro traz ainda anexo de revistas. comenta o processo de orientação. fala sobre qualidade e forma. 131 . dos juízos e dos raciocínios. No último capítulo do livro. distribuidora Paris Filmes Por NORMA CÔRTES Historiadora.asp?id=45 Agora.com. Memento). mas a lógica do seu enredo. Livro: Metodologia do trabalho científico Autor(es): Antônio Joaquim Severino Editora: Cortez N° páginas: 278 Saiba mais Visite o site: http://www. onde leciona disciplina na área de Teoria e Metodologia da História e desenvolve pesquisa sobre Nelson Werneck Sodré e João Cruz Costa Amnésia provocou mais espanto que boa crítica. do projeto de pesquisa e as exigências éticas do trabalho acadêmico. divulgados informalmente. das demonstrações. Christopher Nolan. dicionários especializados. mas quando foi lançado em vídeo passou a ser bastante procurado. os pré-requisitos lógicos do trabalho científico são apresentados. que se pode ver em casa. É bolsista recém-doutor pelo CNPq junto ao Departamento de História e ao PPGH da UERJ. Não exige uma sala de projeção especial — o seu forte não são imagens. EUA 2001. abordando a formação dos conceitos. E quase passou despercebido pelo grande público. leia uma resenha crítica.Os trabalhos de pós-graduação são tratados no sétimo capítulo. na telinha da televisão. É desses filmes cult. o tempo como construção Resenha do filme Amnésia (título original. Mestre em História Social pela PUC-Rio e Doutora em Ciências Humanas (ciência política) pelo IUPERJ.educabrasil. Amnésia.br/eb/exe/texto. O autor faz observações metodológicas.

Desde o início sabe-se que o protagonista matou um homem. Em sua primeira cena. Munido de máquina Polaroid e caneta. A história começa pelo fim. quer encontrar os assassinos da mulher. homem perdeu a habilidade de memorizar qualquer acontecimento recente e iniciou uma saga de vingança. onde havia nascido e permanecera consciente do seu passado até o momento do acidente. a imagem fotografada de um cadáver empalidece lentamente. a foto não se torna nítida e aos poucos vai sumindo até desaparecer. Para isso se impôs uma disciplina férrea e sistemática registrando todos os acontecimentos cotidianos. a cena insinua toda a estrutura do roteiro. Obedecendo à percepção temporal do protagonista esquecido. inventou um artifício que mantivesse e fixasse a ordem dos fatos. 132 . e tenta superar sua deficiência mnemônica com a mesma obstinação que alimenta pela vingança. em vez de as tomadas seguirem o encadeamento cronológico padrão vindo do passado para o presente — diretamente. adotou uma solução ainda mais radical e tatuou no próprio corpo a seqüência ordenada dos resultados da sua investigação. Após o estupro seguido do assassinato da esposa. Amnésia conta seu enredo na ordem temporal inversa. ele fotografava a tudo e a todos. Vivia cada instante como se fosse o único. Leonard perdeu a faculdade de dar sentido às suas vivências. anotando qualquer pequeno fato que lhe acontecesse. Não se tornara um completo desmemoriado. sabia quem era. a narrativa fílmica desconstrói o sentido natural do tempo e se apresenta de trás para frente. sendo incapaz de lembrá-los ou de concatenar a sucessão das suas experiências rotineiras. ou mesmo em flashsback que geralmente retornam aos fatos anteriores para reconstituírem linear e cumulativamente a sucessão de eventos —. mas tal como desmemoriados. O problema é que a partir daí virou um prisioneiro do presente. Sua memória não guardava coisa alguma por mais de uns poucos minutos. a revelação de um negativo Polaroid. Quer dizer.A história é banal. lembrava-se do seu nome (Leonard). desconhecemos os fatos prévios que conduziram àquela situação. se o continuum do real lhe escapava. Pensava que através desse curioso sistema de notações supriria suas falhas de memória. Condenado à vida vegetativa. O filme consiste neste imbróglio: o protagonista sofre de amnésia recente. É no roteiro que está a originalidade do filme. Não satisfeito. Afinal. Apesar de fugaz. No avesso do sentido usual.

o filme tangencia as indagações sobre quais critérios avaliam os atos humanos.Contra toda obviedade. No limite. durante/presente. Entre a memória de um passado perdido e a perseguição de um destino que. Sua consciência não registra a experiência da mobilidade temporal e. O que ele não possuía mais era a capacidade de reunir os fragmentos das suas ações emprestando-lhes algum sentido. ou seja. É por esta razão que Amnésia contém um desafio aos historiadores. depois/futuro. será inexoravelmente esquecido. sendo realizado ou não. Amnésia desmonta os elos do raciocínio linear e impede que se estabeleçam vínculos fáceis entre a contigüidade temporal e a explicação causal. Leonard não perdeu o entendimento ou a razão. os estudiosos vêm se perguntando qual é o foco do juízo racional sobre as ações. quer obstinadamente alcançar uma meta futura. e algumas de suas faculdades intelectuais permaneciam intactas. Eles encerram o simultâneo processo de dissolução da idéia de uma natureza humana eterna. Sabia quem era e aonde queria chegar. A questão é clássica. Em outras palavras. trata-se de uma tentativa desesperada para oferecer sentido às ações de um homem que mesmo sem conseguir entender o significado dos seus próprios atos. Refém do esquecimento. Não que tivesse desaprendido o significado das palavras antes/passado. a conformação do indivíduo como cidadela livre e voluntária e a valorização da História e da mobilidade temporal como princípios de compreensibilidade dos assuntos humanos. esses dilemas exprimem as múltiplas faces de um lento processo de alteração cognitiva. E nos tempos modernos foi Maquiavel quem primeiramente fixou seus termos ao polarizar fortuna e virtude. portanto. o protagonista está preso em um tempo eternamente atual. o filme é uma dramática perseguição às causas das ações do seu protagonista. mas não entendia se o que acabara de fazer era compatível com sua identidade e intenção. Além de ser um engenhoso quebra-cabeça. Leonard perdeu a natural habilidade de compreender e explicar o fluxo do tempo. trata-se do esvaziamento dos paradigmas atemporais junto ao surgimento da visão de mundo moderna cujas fórmulas explicativas da vida dos homens são historicizantes. Desde então. sob qual aspecto se interpreta a conduta dos homens? Considerando a intenção dos agentes ou os efeitos dos atos? A virtú ou as circunstâncias casuais? Levando em conta o livre arbítrio ou a determinação das escolhas? Valorizando os princípios morais ou as conseqüências políticas? Chamando os homens à responsabilidade ou deixando-os entregues à suas convicções? Pólos indissociáveis — a despeito dos esforços de Max Weber para racionalizar a questão —. 133 . o presente se lhe parece inalterado. Na marcha ré do tempo.

disse Marc Bloch. contudo. mesmo que estivesse orientado por todos os manuais de boa conduta ou animado pela mais maquiavélica das astúcias. do passado. Em outras palavras. se reordena a cada atualização do ontem e reelabora novas projeções de futuro que. Pois se guarda os limites. mas principalmente porque sugere que a inteligibilidade desse dilema supõe a construção em retrocesso de uma seqüência causal. Igual à personagem do filme. Trabalhando com documentos. é uma aula de como o historiador lida com sua matéria prima: o tempo. Justo o contrário. se viu obrigado a escolher e fixar os fatos dignos de serem lembrados para. por sua vez. registros. os historiadores em geral estão sinceramente vocacionados a buscar a verdade dos fatos e procuram. sem memória. mútua e reciprocamente constitutiva do presente. o filme interessa aos historiadores não apenas porque enfrenta o dilema dos efeitos perversos envolvidos nas nossas escolhas — situações em que a ação ou a omissão pode resultar em malefícios infinitamente piores que o previsto pelas (boas) intenções —. comprovar suas investigações. conseqüências com intenções. (E caso façam inferências pouco 134 . mais uma vez. É claro que não se inventa o tempo passado. Afinal. quando perdeu o entendimento espontâneo da sucessão temporal. o passado é reinterpretado constantemente pelo presente que. um interdito à inteligibilidade do passado.Nesse sentido. é elaborada do presente. também reúne as condições de possibilidade (epistêmicas e ônticas) da inteligência historiadora. o filme é uma lição de teoria da História — digo. Mais que a imprevisibilidade inscrita nas suas decisões (o que. tornara-se incapaz de dar sentido àquilo que fizera. ou seja. o historiador está preso ao presente e aborda o passado a partir dessa circunstância. Sob esse aspecto. seus esforços para compreender a marcha dos acontecimentos e enquadrá-los numa narrativa minimamente convincente passaram a ser tão arbitrários e artificiais quanto suas (in)decisões de agir. tal pertencimento ao presente não é. é comum a todos os mortais). arquivos. A História. Leonard se depara como a perda da faculdade de lembrar e reconhecer suas próprias ações. do futuro. Inescapável. de resto. Portanto. E tal como fazem os historiadores (os profissionais da memória). nos limites da nossa falibilidade. Em outras palavras. forjar retrospectivamente uma série causal. a partir deles. Diálogo entre horizontes temporais díspares. a História consiste numa relação complexa. implica em resgatar uma História que compatibilize fins e meios. a força dramática de Amnésia não reside somente no fato de o protagonista hesitar em agir. provas testemunhais etc. reforçam (ou não) a necessidade de outras visões da História.

define seus significados. o historiador mesmo que seja protagonista dos acontecimentos não os lembra espontaneamente. os autores consagrados e o círculo de idéias que ao longo dos tempos se produziu sobre seu objeto de interesse não só por cautela. artífices inventivos de um mundo imaginário. à semelhança do roteiro de Amnésia. vale lembrar que o debate interpares consiste numa instância limite para aferição do que é social e historicamente aceito como verdadeiro. Trata-se de uma empresa cognitiva que critica e seleciona fatos. A questão não se cinge à oposição entre as evidências empíricas e a margem de autonomia do intérprete da História. inventam) a ordem da contigüidade factual estabelecendo suas conexões causais. e a despeito das suas inclinações teórico-metodológicas. conecta todo esse material sob uma escrita literariamente arbitrária. porém. de enfatizar a artificialidade do empreendimento historiográfico. por fim. mas porque nesse reconhecimento à tradição intelectual reside seu caminho de aproximação com o passado. num regresso às avessas.) Portanto. competitivos e prontos a lançar dúvidas sobre as conclusões uns dos outros. Afinal. O que importa. dificilmente concordariam com a hipótese de que são ficcionistas. não se lançam ao passado saltando sobre um vácuo de tempo. Quer dizer. os historiadores recuperam os atuais vestígios do passado e. mas resulta de pesquisa (cujos princípios metódicos pertencem a um corpus disciplinar reconhecido) e também de muito trabalho e esforço intelectual. reconstroem (no limite. Diferentemente do memorialista. antes. Com efeito. o historiador cerca o debate historiográfico em torno do seu objeto de pesquisa. Além disso. os historiadores se entregam a tal tarefa na contramão do fluxo temporal. não é contrapor o “realismo histórico” à admissão da liberalidade construtiva do historiador. Ele visita os clássicos. O retorno ao passado não é um simples transplante do hic et nunc para o período histórico que pretendem investigar. Ao invés disso. Na oficina da História. não será catapultado do hoje à civilização babilônica. fantasioso e irreal. caso estude a antiguidade oriental. considerando que pertencem a uma comunidade de intelectuais atentos. Trata-se. a montagem de uma continuidade qualquer de eventos não é um dado natural. por exemplo. seus passos de pesquisa (leia-se método) em vez de serem meras 135 . estabelece as séries seqüenciais em que se encaixam e.convincentes. Esta aproximação artificial e regressiva é nítida quando. antes mesmo de lidar mais estreitamente com as fontes primárias.

a inteligência historiadora é artífice do tempo.técnicas de investigação. Saiba mais Visite o site: http://www. Gadamer explora tal questão). Dessa forma.htm 1a Atividade em aula Depois de ter lido as resenhas. você deve estar apto para escrever a sua. estabelecer início e fim dos processos factuais.com. a faculdade mnemônica não existe a priori do próprio empreendimento que busca compreender a ordem dos fatos. Ao registrar o sentido das ações. devem ser considerados em si mesmos como um modo de resgatar a própria historicidade dos elos que vinculam o presente ao passado. se pode dizer que ela encontra no tempo a sua morada. a historicidade da investigação — o pertencimento da razão histórica ao tempo presente — se expressa nos procedimentos metódicos que foram sendo adotados e o historiador precisa tornar essa dimensão do seu trabalho intelectualmente produtiva (em Verdade e Método. Prisioneira do presente. E o filme encerra essa lição: descreve os passos de (des)construção do sentido do tempo. 136 . conectar intenções e conseqüências e descrever o rumo dos acontecimentos.espacoacademico. filmes).br/022/22ccortes. Faça várias leituras para ganhar familiaridade com o texto. convidando os historiadores a refletirem sobre seu ofício. assim como em Amnésia. como romance. os historiadores emprestam ritmo e significado à experiência da mobilidade temporal. Todavia. obras culturais. Selecione um objeto (textos. Justo o contrário — para usar os termos de Heidegger. Não que o tempo seja criatura da consciência histórica. peças de teatro. Escolha se quer fazer a descritiva ou a crítica.

número de páginas. devem ser apresentados os seguintes itens: a) Resumo da obra – resumo das idéias principais. que consiste no relacionamento dos diferentes elementos. idealista? O autor atingiu os objetivos propostos? O texto supera a pura retomada de textos de outros autores? Há profundidade na exposição das idéias? A tese foi demonstrada com eficácia? A conclusão está apoiada em fatos? b) Indicações do resenhista A quem é dirigida a obra? A obra é endereçada a qual área do conhecimento? 137 . Na conclusão. procura-se mostrar a importância dele. Na introdução. deve-se apresentar o assunto de forma genérica até chegar ao foco de interesse. objetivo.Procedimentos para elaborar resenha científica: 1. b) Credenciais do autor _ informações. No desenvolvimento. editora. data. formato). sugere-se a construção dos argumentos por progressão. simples. livro ou artigos publicados. 2. Para facilitar a descrição do assunto. é importante (principalmente na resenha crítica) a) Crítica ou apreciação do resenhista – julgamento da obra. título da obra. nacionalidade. formação universitária. De que trata o texto? Qual a característica principal? Descrição do conteúdo e dos capítulos ou partes da obra. Qual a contribuição da obra? As idéias são originais? Como é o estilo do autor: conciso. Cabe. Uma vez apresentado o foco de interesse. b) Conclusões da autoria – A quais conclusões o autor chegou? c) Metodologia da autoria – Que métodos utilizou? Dedutivo? Indutivo? Histórico? Comparativo? Estatístico? Que técnicas utilizou? Entrevistas? Questionários? d) Quadro de referência do autor – que teoria serve de apoio ao estudo apresentado? Qual o modelo teórico apresentado? 3. ou ao ponto de vista que será focalizado. a fim de despertar o interesse do leitor. nesse momento. de modo a haver sempre uma relação evidente entre um elemento e o seu antecedente. mas encadeados em seqüência lógica. realista. títulos. local da edição. objetivo. expor: a) Referência bibliográfica (autor.

além da visão de mundo. Pedro ou Paulo será eleito. Redação científica – a prática de fichamentos. Sujeitos ligados por ou – verifique a idéia. com base em uma leitura racional. 2000. A maioria. • MEDEIROS. João Bosco. Dicas de revisão gramatical Concordância Verbal 1. Para fundamentar a apreciação crítica. não apenas emocional (gosto/ não gosto). grande parte de . 2002. Othon M. a maior parte de.1997. 2003.O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. São Paulo: Atlas.ABNT Consulte as obras: • GARCIA. / Vossas Senhorias estão de acordo comigo. A resenha bem redigida é uma valiosa ferramenta de pesquisa. São Paulo: Cortez. • MEDEIROS. Se o sujeito for um pronome de tratamento . São Paulo: Atlas. levando em consideração a validade ou a aplicabilidade do que foi exposto pelo autor. Antonio J. mas se a crítica apresentada é impressionista (gosto/não gosto). 3. Comunicação em prosa moderna. João Bosco. resumos e resenhas. Pesquise: Metodologia científica Referências bibliográficas .verbo na 3ª pessoa. ela deixa de ter interesse para o pesquisador.Dica importante A apreciação crítica deve ser feita em termos de concordância ou discordância. Redação científica. Vossa Senhoria não é justo. 2. Grande parte dos eleitores votou/votaram. 3ed. deve-se levar em conta a opinião de autores da comunidade científica. Abaixo estão os nomes dos participantes.verbo no singular ou plural. Metodologia do trabalho científico.. 138 . (idéia de exclusão – verbo no singular) O calor forte ou o frio excessivo prejudicam a saúde (idéia de inclusão – verbo no plural) 4. • SEVERINO. Rio de Janeiro: FGV.

Com sujeito composto posposto ao verbo . concordando com a expressão numérica ou a palavra a que se refere. gracejos.verbo na 3ª pessoa do singular. Com a expressão um ou outro . um dia passa/passam rápido.verbo no singular. Hoje é dia dez. Estados Unidos é uma nação poderosa. (facultativo para nome de obra) 7. 9. O verbo ser é impessoal quando indica data hora e distância. concordância com o pronome.a concordância depende da presença ou não de artigo. 10. Mas. Nomes só usados no plural . 12. Com a expressão um e outro . Um e outro falava/falavam a verdade. uma hora.verbo no singular ou no plural. Com a expressão mais de + numeral . Os Lusíadas são/é a obra de Camões. Mais de um candidato prometeu melhorar o país. concordando com o pronome quem ou com o antecedente. Com o pronome relativo que . se houver um pronome síntese.verbo concorda sempre com o antecedente Fomos nós que falamos. Com sujeito composto por: • núcleos em gradação .verbo singular ou plural.verbo no singular. Estão ausentes a família e a escola. 14. Com a expressão nem um nem outro . Os Estados Unidos são uma nação poderosa. 139 . Nem um nem outro falava a verdade.5. Fomos nós quem falou/falamos. Um minuto. piadas.verbo concorda com o numeral. Eram seis horas. Fui eu quem falou/falei.concordância normal ou atrativa (com o núcleo mais próximo) Está ausente a família e a escola. 11. 13. Risos. 8. Mais de duas pessoas vieram à festa 6. Com o pronome relativo quem . nada a alegrava. Um ou outro rapaz virava a cabeça para nos olhar.

Se o sujeito é número percentual . o verbo no singular com vírgulas.ind. Chocolates. Dez por cento dos sócios saíram da empresa. Eu com outros amigos limpamos o quintal. com seus alunos _______________ao teatro.ind) 3. Com sujeito composto ligado por nem .pret.perf. nem a glória lhe trouxeram a felicidade.observar a posição do número percentual em relação ao verbo. O vento e a chuva _____________ a plantação.ind) 4.Pret.perf.verbo no plural. desembarcou em Brasília.) 8.(agradar-pret.verbo no singular (um) ou plural (dos que) Ele foi um dos que mais falou/falaram. com os ministros. __________________-se apartamentos.15. nada ____________ . balas. 2a Atividade em aula Vamos exercitar? Complete as lacunas com os verbos entre parênteses no tempo indicado.) 5. Com sujeito paciente ao lado de um verbo na voz passiva sintética .observar presença ou não de vírgulas.perf. Se o sujeito for composto ligado por com . O professor. Cerca de duzentas pessoas ____________________(morrer-pret. sorvetes.(ficar-fut. (vender-pres. O verbo concorda com o termo posposto ao número.verbo no singular.pret. Você ou ele ____________________ com o cargo. 1.(invadir.verbo concorda com o sujeito Alugam-se casas. idéia de companhia.pres. Com a expressão um dos que .) Veja as respostas na aula on-line 140 .imperf. Sujeito indeterminado + SE (IIS) . O presidente. _________________ o vento e a chuva. Napoleão com seus soldados ___________a Europa.ind.ind. Nem o poder. (ir-fut. (vir. Precisa-se de balconistas. Sabe-se que 80% da população tinha mais de 21 anos. 16. 20. 19. 17. (destruir-pret. 18.ind) 2.ind) 7.) 6. o verbo no plural sem vírgulas.ind.perf.

Exercitou a capacidade de ler analiticamente. Prepare-se para viver grandes emoções! Até lá! 141 . exercitou sua capacidade de juízo crítico e sua habilidade para produzir texto científico. em provas de concurso.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. você aprendeu a fazer resenha descritiva e resenha crítica. em reuniões. em entrevistas. relembrou regras de concordância verbal – assunto importante para que você não cometa “gafes” quando se apresentar para as pessoas. Além disso. Próxima aula Na próxima aula. entre outros. o assunto é texto literário e texto não literário. em palestras.

p. na pedra. Reunião. 88. Carlos Drummond de. que palpitamos no escuro e em noite nos dissolvemos. 1969. Leia agora este trecho do poema e traduza o sentido que o autor procurou estabelecer à palavra “noite”: “É noite. Uma palavra empregada no sentido usual.Função referencial e função poética da linguagem Na aula de hoje. 142 . fez-se desânimo. Sinto que é noite no vento. literal. Sinto que nós somos noite. é importante distinguir dois níveis de linguagem: denotativo e conotativo. no fundo de mim. por exemplo.Aula 15 . p. Aurélio Buarque de Holanda. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. naquele em que os dicionários registram em primeiro lugar. 1412. Sinto que é noite não porque a sombra descesse (bem me importa a face negra) mas porque dentro de mim. Para que você saiba o que é função referencial e função poética da linguagem e perceba as diferenças entre elas. FERREIRA. o grito se calou. distinguir as duas e empregá-las adequadamente na elaboração do texto. Obscuridade que reina durante esse tempo. noite nas águas. Novo Aurélio Século XXI: O dicionário da língua portuguesa. trevas.. 3ª ed. 1999. comum. você deverá identificar a função referencial e a função poética da linguagem. Saiba mais Noite = Espaço de tempo em que o Sol está abaixo do horizonte. Rio de Janeiro: José Olympio. escuridão. dizemos que está empregada em seu valor denotativo.” ANDRADE. Procure no dicionário o sentido da palavra “noite”.

o Marcos! j. Os braços dela eram sensuais. produzindo informações definidas. dizemos que é usada no valor conotativo. Essa linguagem caracteriza a mensagem referencial. quando a palavra destacada em itálico estiver empregada no valor denotativo. O entardecer é exuberante nos dias de outono. sem ambigüidades. no seu dia. transparentes.Qual é o sentido da palavra “noite”? Será o mesmo definido nos dicionários? Com certeza. Uma palavra usada no sentido figurado. As grandes metrópoles envolvem o homem em seus braços frios. Veja as respostas na aula on-line A ciência e o jornal: mensagens referenciais Pesquise: • Função referencial da linguagem. relacionadas com emoções. g. sugerindo outras idéias de ordem abstrata. nesse caso. b. O que sentirei quando se aproximar o entardecer de minha vida? c. transcendendo ao sentido comum. continuaram a viagem. Após a tempestade ter acalmada. claras. A palavra “noite”. h. Ao chegar à festa. Uma flor às mulheres. não. 1a Atividade em aula Coloque nos parênteses a letra D. No rosto do rapaz transparecia a fúria de uma tempestade interior. assume significados múltiplos e subjetivos. coloque a letra C. Uma flor. Função referencial da linguagem A linguagem denotativa é construída em bases convencionais. sentimentos ou conceitos. d. e. • Linguagem denotativa ou denotação. O Vale do Jequitinhonha expressa a aflita face da miséria. 143 . elaborada em função das normas do código. ela me deu um delicioso beijo na face. i. caso a palavra estiver empregada no valor conotativo: a. f. afetivo.

volume II. 144 . Estados Unidos e Rússia. O plano de expressão de um texto referencial não tem nenhuma relevância. a função referencial da linguagem está presente em quase todas as mensagens do nosso cotidiano. “Os vivos. mesmo em países distantes. Coleção Leitura & Escrita: Funções da Linguagem. Saiba mais . Em meio ao apocalipse.Por ser uma forma de comunicação direta. a informação. pois sua finalidade é apenas veicular conteúdos. Dora Fontana. e por longos anos se multiplicariam os casos de câncer e aberrações genéticas. A linguagem não apresenta nenhuma combinação nova ou inesperada de palavras. que tem intenção de produzir uma informação teórica. Metade do corpo médico teria desaparecido e nas farmácias todo o estoque de medicamentos do mundo não bastaria para aliviar o sofrimento de apenas um terço das vítimas. Ed. Walter Júnior & FRANK. órgão das Nações Unidas. Série Princípios. a quem a Organização Mundial da Saúde (OMS). Martins Fontes. de quem ou do que se fala. O uso da função referencial é dominante no discurso científico. • VANOYE. Francis. encomendou um estudo sobre as conseqüências médicas de uma guerra nuclear. São Paulo: Editora Esetec. São Paulo. com o traço da 3ª pessoa do verbo. a estrutura da mensagem dos noticiários de rádio e televisão e a comunicação nas empresas. mas verossímeis. São Paulo: Ática. Samira. também. lingüisticamente. Genice & BASEIO. Sobre a Terra devastada restariam alguns poucos hospitais. Aterradoras. de repente. quando nos referimos a situações que nos rodeiam e quando conversamos. • CHALHUB.Bibliografia: • ARMELLEI. transmitindo-lhe dados e conhecimentos precisos. Usos da linguagem. ou seja. Leia este artigo publicado na Revista Isto É e observe esses elementos: Faça o registro no seu caderno. começariam a invejar os mortos. ressurgiriam epidemias extintas desde a Idade Média. Funções da linguagem. O uso da função referencial marca-se. Está centrada sobre o referente. É a mensagem que se propõe informar o leitor. Organiza. estas são algumas das conclusões a que chegaram 23 cientistas da Europa Ocidental. 2004.

de modo que. se utilizou pela primeira vez uma bomba nuclear contra seres humanos. (. utilizam-se recursos de forma e de conteúdo que invocam o nosso olhar para a própria mensagem. mas recria-lo nas palavras. mas o modo como se diz. (Vinícius de Moraes) 145 . Função poética da linguagem Na função poética da linguagem.. Podemos encontrá-la também em textos de propaganda. nele. causando-nos surpresa. Há predominância da função poética nos textos literários – prosa ou verso. utilizando-se da mesma indicação bibliográfica citada na página 144: •Função poética da linguagem •Linguagem conotativa ou conotação. canções populares e em outras produções verbais. o plano de expressão articula-se com o plano do conteúdo. O texto não procura apenas informar o leitor.. os especialistas contratados pela OMS valeram-se de conhecimentos científicos e do saldo da terrível experiência de Hiroshima e Nagasaki – as cidades japonesas onde. dizer o mundo.Para chegar a tão sinistras previsões. contribuindo também para a significação global. Essa função se manifesta a partir da exploração de certos recursos expressivos da linguagem. slogans publicitários. A rosa de Hiroshima Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose a anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada. estranhamento e prazer estético. em agosto de 1945. o artigo da Revista Isto É. importa não apenas o que se diz. A literatura e a função poética Compare este poema com o texto anterior. que criam efeitos sonoros e rítmicos no texto e desenvolve o sentido conotativo das palavras – o chamado sentido figurado ou metafórico.)” A literatura e a função poética Pesquise. e perceba as diferenças. Na elaboração da mensagem.

E vejo a louca braçada ao ramalhete de rosas. Selecione. quando?. Vejo sangue no ar. Lembre-se de que uma notícia de jornal é relato de um fato novo que desperta o interesse da comunidade e deve. um texto não-literário. Empregando a função poética da linguagem. informar ao leitor: o que aconteceu?. como se dançassem ainda. 146 . uma notícia de jornal. e a primadona com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. Vejo a nadadora belíssima. proceda inversamente ao exercício anterior. portanto. no seu último salto de banhista. vem com as pernas do vento. em que predomina a função poética da linguagem. em revistas ou jornais. Vejo três meninas caindo rápidas. despertando-lhe emoções. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. isto é. despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivário. reescreva o texto de forma que envolva o leitor. mais rápida porque vem sem vida. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. reescreva o texto de forma que simule uma notícia de jornal. isto é. E o violinista em que a morte acentuou a palidez. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo. quem estava envolvido?. enfunadas. a linguagem denotativa. vir dobrando finados pelos pobres mortos. E o sino que ia para uma capela do oeste. abraçado com a hélice. tão tranqüila e cega! Ó amigos. como ocorreu? E por quê? O grande desastre aéreo de ontem Para Portinari “Vejo sangue no ar. que ela pensou ser o pára-quedas.2a Atividade em aula O texto a seguir é um texto literário. o paralítico vem com extrema rapidez. vem como uma estrela cadente. Chove sangue sobre as nuvens de Deus. vejo o piloto que levava uma flor para a noiva. a linguagem conotativa. Empregando a função referencial da linguagem. onde?.” (Jorge de Lima) 3a Atividade em aula Desta vez. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol.

percebia-se a linha do horizonte. dependendo do contexto lingüístico em que se encontra. Os territórios foram separados por uma linha divisória. outros exemplos do valor polissêmico de certas palavras igualmente ricas em significado. g. Ao longe. b. como já vimos. enredo. Quando puxei a linha. j. d. com muita nitidez. As palavras possuem vários sentidos e valores. foi definida a linha básica da discussão. A linha telefônica ficou interrompida após a tempestade. que conta a história em primeira ou terceira pessoa. Este ônibus faz a linha Centro – Santo Amaro. Ele caminha em linha reta. 4a Atividade em aula Leia este artigo publicado na Revista Isto É Constate o caráter polissêmico da palavra linha. havia vários carretéis de linha. Denomina-se polissemia o fenômeno ocorrido com a palavra que é capaz de simbolizar várias idéias. E assim. A adequação entre a exigência do contexto e a escolha certa do vocábulo e o conhecimento de seu significado preciso revelam um eficiente uso do vocabulário. 147 .Lembre-se de que uma narrativa literária deve conter alguns elementos como: personagens. No cesto de costura. Escreva bem em cima da linha. Ela perdeu a linha ao ouvir a minha resposta. Dissociar uma palavra da frase é despojá-la de seu sentido. você deve buscar no dicionário. i. f. c. Inicialmente. e. que é a frase. tempo-espaço e um narrador. surgiram dois peixes grandes. ação. ou em meio às inúmeras expressões que constituem nossa linguagem. h. conceituando com uma explicação o sentido que assume nas seguintes frase: a. Mas só adquirem um valor e sentido precisos dentro do contexto fraseológico em que estão inseridas.

Você perceberá que a linguagem oferece recursos ricos para que você expresse suas idéias e suas emoções.Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. Procure pesquisar todas as funções da linguagem na bibliografia indicada. iremos trabalhar com a elaboração do seu currículo. você aprendeu vários conceitos importantes como: função referencial e função poética da linguagem. conotação e denotação e o valor polissêmico das palavras. Até breve! 148 . Vale a pena! Próxima aula Na próxima aula.

Um currículo objetivo e atualizado.Aula 16 . Saiba mais .Caçador de mim Por tanto amor Por tanta emoção A vida me fez assim Doce ou atroz Manso ou feroz Eu caçador de mim Preso a canções Entregue a paixões Que nunca tiveram fim Vou me encontrar Longe do meu lugar Eu caçador de mim Autor desconhecido Música de Milton Nascimento Nada a temer senão o correr na luta Nada a fazer senão esquecer o medo Abrir o peito à força.Como elaborar um currículo moderno O objetivo da aula de hoje é oferecer instrumentos e informações para que você elabore o seu currículo. escrever sobre si mesmo. Com o objetivo de criar sensibilização para essa tarefa. Elaborar o seu currículo. Você deverá também adquirir alguns conceitos básicos sobre a concordância nominal e utilizá-los corretamente em seus textos. numa procura Fugir as armadilhas da mata escura Longe se vai sonhando demais Mas nunca se chega assim Vou descobrir O que me faz sentir Eu caçador de mim 149 . o desafio de escrever sobre o Eu. de forma poética. o seu perfil profissional e traços marcantes de sua personalidade. de forma resumida. enfim. as suas principais habilidades e competências. significa apresentar. leia estes dois poemas que expressam. Significa. sobre seu próprio Eu.

que é uma questão de vida ou morte – será arte? Ferreira Gullar Atividade em aula 1º .Narre um fato de sua infância que você considere significativo para sua formação. pondera: outra parte delira. desvendando-se em sentimentos e idéias.Traduzir-se Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. a personagem EU. salvo raríssimas exceções. tente imaginar. será apenas mais um entre os muitos que vão ser selecionados pelos recrutadores. uma biografia em que sobressaiam aspectos expressivos e pitorescos de sua vida. em palavras. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. linguagem. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. 2º . Procure traduzir. sempre de olho nos aspectos negativos. Traduzir uma parte na outra parte . varia entre as seguintes opções: alguns selecionam o candidato pelos pontos positivos observados. As qualificações descritas serão julgadas para definir se o candidato se adapta ou não à cultura do empregador.Elabore. em geral. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. com detalhes. Uma parte de mim pesa. fazem por eliminação. o caminho que ele deve percorrer dentro de uma empresa. Objetivos de um currículo Ao redigir o currículo. resumidamente. 150 . outros. O método de trabalho desses profissionais. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte. O currículo.

mas procure mostrar que você é o profissional adequado à vaga oferecida. A letra maiúscula não é recomendável e letras muito pequenas dificultam a leitura. devem receber tratamento especial. recomendado pela ABNT. Avalie também a sua situação atual. personalizando o documento de acordo com a empresa. Estabeleça os seus objetivos Quanto mais direcionados forem os seus objetivos profissionais. quais as suas virtudes e defeitos e. o que pode melhorar. Cuidado para não exagerar. • Não use papel de tamanho fora do comum. Pergunte-se: 1.Os empregadores. Deixei de lado alguma informação pessoal que tenha importância específica para meu currículo? 5. sem erros de português e perfeitamente legível. em relação à cultura da empresa. maior a chance de ser bem sucedido na seleção. tipo A4. e tome cuidado para a margem não ficar muito estreita. O ideal é papel branco liso. A linguagem adotada é compreensível mesmo para quem não é da área? 4. Ao ler meu currículo. Para isso. • Cuidado com a apresentação: o documento deve estar em bom estado. experiência profissional. o ponto aonde pretende chegar. em geral. Quanto maior o equilíbrio entre os fatores. Nunca envie xerox. identifique todos os itens que julgar fundamentais para alcançar o seu objetivo. fico feliz com minha descrição? 2. As informações pessoais e profissões que escolhi passam uma impressão satisfatória e fiel à realidade? Como preparar o seu currículo • Seu nome. Posso ser contatado em meu atual emprego ou isso pode causar complicações? 3. melhores serão as chances de sucesso na procura de um novo emprego. 151 . as exigências do trabalho e. • Seja objetivo (duas páginas são o suficiente). empresas onde já trabalhou. principalmente. buscam combinação entre as características do candidato à vaga. ainda. além de outros itens julgados importantes.

o seu currículo. redija uma carta de apresentação.www. com base nas informações e orientações sugeridas. lua adjetivo subst subst quieta adjetivo 152 . Há lapsos de cronologia no currículo? 6.• Evite abreviar os nomes das empresas onde já trabalhou e das escolas onde estudou. Dez itens que são avaliados em currículos 1. O candidato está fazendo um movimento lógico na carreira? 9. O candidato tem outras habilidades pertinentes? 2.com.unic. por exemplo. O currículo contém alguma informação que dê uma idéia da personalidade do entrevistado? 4.br/elaboracaocv Dicas sobre revisão gramatical Princípio geral sobre concordância nominal Observe estes exemplos: “Alta noite.www.www. O estilo do currículo indica um candidato bem organizado? 3a Atividade em aula Elabore. Há muitos erros de gramática e/ou digitação? 3.br/cv. Qual a permanência média do candidato nos empregos? 8.conteudoescola. interessam quando você for admitido pela empresa.www.fae. Caso queira.asp . Encare-o como um “cartão de visitas” ampliado. • Nunca assine o currículo. Números de documentos e filiação.br/ciee/pages/curriculo.com.br . As qualificações são pertinentes com as instituições descritas no currículo? 7. Há evidências de ascensão profissional no currículo? 10. O currículo demonstra a velocidade e direção do progresso da carreira do candidato? 5. ressaltando suas qualidades e seus planos.unicamp. agora.catho.htm . Pesquise antes os sites: . são dados de pouca importância no currículo.bibli.

o artigo.. Anexo(s). “desobrigado”. na linguagem comercial e jurídica. adjetivo. Quite. 2.. e concordam com os substantivos a que se referem em gênero e número. MEDEIROS. o numeral e o pronome são palavras modificadoras do nome (substantivo). Estamos quites adjetivo com a Receita Federal. Seguem anexas as cópias adjetivo substantivo do contrato. Meireles) “Não serei o poeta de um art mundo caduco” (Drummond) subst art subst “Tenho apenas duas numeral mãos e o subst art sentimento do mundo” (Drummond) subst “Toca essa pronome música de seda. apenso são adjetivos. Embora sejam comuns. e deve concordar com o número do nome a que se refere.Muros subst frios. quite(s) Envio-lhe anexo adjetivo meu currículo substantivo para análise. adjetivo praia subst rasa” adjetivo (C. Meireles) subst O adjetivo e as palavras adjetivas. Rio de Janeiro: Fename. CUNHA. 153 . LUFT. João Bosco. devem. pois tais palavras são adjetivos e não advérbios. Celso Pedro.Pesquise as regras de concordância nominal nos livros: 1. Porto Alegre: Globo. Moderna gramática portuguesa. Português instrumental. BECHARA. Moderna gramática brasileira. São Paulo: Nacional. anexa(s).] 4. São Paulo: Atlas. as expressões “em anexo” e “em apenso” devem ser evitadas.” (C. concordar com o gênero e o número do nome (substantivo) a que se referem. Anexo. Celso Ferreira. Evanildo.. Gramática da língua portuguesa. significa “livre”. 3. portanto. incluso.

A um “obrigado” ou a um “obrigada”. e não “de nada”. e não de. 5. pois. Obrigado pede a preposição por. 4. As cópias apensas devem ser juntadas ao processo. As fotos enviadas anexo são da viagem de formatura. seguem as cópias que você solicitou. “reconhecido” é adjetivo. a um “obrigado” se responde “por nada”. Obrigado com significado de “agradecimento”.4a Atividade em aula Corrija as frases incorretas: 1. Minha advogada providenciará para que as cópias incluso sejam juntadas ao processo. A lista de preço anexa entrará em vigor no próximo mês. Muito obrigada. Se preferir. Pago o último boleto bancário. Deve. seguem os documentos ainda não assinados. 7. eu mesma. 3. Portanto. disse a jovem. “grato”. responda “não há de quê”. 2. 154 . adjetivo substantivo Nós mesmas queremos agradecê-lo pela oportunidade. Estou quite com os meus antepassados? Veja as respostas na aula on-line Muito obrigada. disse a jovem. eu própria Muito obrigada. 8. Anexo. digo eu a você”. 6. Incluso. a resposta adequada deverá ser: “obrigado (a). Se forem duas ou mais mulheres: obrigadas. Se forem dois ou mais homens: obrigados. concordar com o gênero e número da pessoa que faz o agradecimento. estaremos quite.

(muito obrigado / muito obrigada. A cliente já quitou sua dívida. 155 . (mesma/mesmo) 2. • Meio é substantivo e varia. numeral ———> substantivo preocupada. Não era homem de meias adjetivo palavras. adjetivo ou outro advérbio. substantivo Bebeu meia dúzia de cervejas. como tal. Pesquise as classes gramaticais das palavras: palavras variáveis e invariáveis. eu mesmo / eu mesma) Veja as respostas na aula on-line Meio / meia Achou um meio art subst. quando vem precedido de artigo. • Meio é adjetivo e. quando indica a metade. portanto. varia.__________________costurarei o maiô”. dependendo de sua função. ela________pagou a duplicata.5a Atividade em aula Complete as frases com a forma correta da palavra entre parênteses: 1. não varia. dizendo:_______________ (muito obrigado / muito obrigada) 3.Quando receber a doação. de ganhar a vida. você deve agradecer. E acrescentou: podem deixar. por isso. “________________. numeral (determinantes). assim.falou a jovem aos rapazes. quando se relaciona a um verbo. O diretor disse à recepcionista: . • Meio é numeral e. varia. • Meio é advérbio e. pronome. quando vem acompanhando um substantivo. advérbio ———> adjetivo Ela anda meio A palavra meio pode variar ou não.

A despesa ficou _____________elevada. Veja as respostas na aula on-line Síntese da aula de hoje Você aprendeu hoje a elaborar o seu currículo. 8. As ondas estão _____________ bravas hoje. A sala de aula estava _____________caótica. 10. 5. 7. 3. Hoje a professora está _____________nervosa. Ela não usa de _____________palavras. você saberá aplicá-los em cada situação cotidiana. 6. com certeza. Este é o único _____________ que eu conheço. os princípios básicos de concordância nominal e. objetividade e atualização. 156 . promovendo a concordância adequada: 1. 2. 4. 9. Precisamos descobrir um _____________de acalmá-la. É um instrumento importante para que o mercado de trabalho conheça o profissional que você é. Bebeu _____________ garrafa de cachaça e não caiu. Aprendeu. Até a próxima aula. Você aprenderá a redigir alguns documentos empresariais. Ela comprou _____________ preta. com clareza.6a Atividade em aula Complete com a palavra meio. também. Já era meio-dia e _____________ quando ela chegou.

a cultura empresarial tem se modificado sensivelmente. • Causar retrabalho. São características do moderno texto empresarial: • Concisão • Objetividade • Clareza • Coerência • Coesão • Linguagem formal e simples • Correção gramatical 157 . • Produzir conflitos. • Causar perdas lucrativas. Além disso. A modernização dos textos empresariais tornou-se necessidade urgente. ao mesmo tempo.Aula 17 . Com as novas exigências de comunicação rápida e eficaz. você aprenderá a redigir alguns documentos empresariais. reconhecerá alguns vícios de linguagem que não devem ocorrer em sua produção escrita. É. a fim de obter resposta imediata do receptor.Redação empresarial Na aula de hoje. decorrentes do processo de globalização e do aparecimento da mídia e da informática. • Provocar falta de credibilidade. • Gerar confusão de informações. A correspondência empresarial é o conjunto de documentos por meio dos quais é estabelecida a comunicação interna e externa das empresas. meio de comunicação e instrumento de marketing. o texto empresarial precisa ter eficácia. Um texto mal escrito pode: • Desmotivar para a leitura. Diferente do texto jornalístico ou literário.

Clareza é decorrente de nossa capacidade de organização das idéias na mente e a adequada transposição ao material idiomático. correspondências que contêm expressões inadequadas: São Paulo. A mensagem inteira deve ser lida em uma única tela. Objetividade consiste em expor apenas as idéias significativas. Correção gramatical é o uso adequado da norma culta. • Cuide do português. • Prefira as fontes Times New Roman ou Arial para garantir que será lida.Saiba mais Concisão consiste em expressar o máximo de informação com o mínimo de palavras. sem desvios. resuma em poucas palavras o que será tratado. se possível Ex. Vejamos fragmentos de textos. 02 de agosto de 2005. • Assine a mensagem. • Identifique e numere anexos. À Vitória Editora At. • Faça saudações. Se for maior. Evite gírias e abreviações. relatórios. Coesão e Coerência são as qualidades resultantes da conexão harmônica entre idéias de forma a produzir sentido.: senhor(es)/ Diretor(a)/ Não é possível :Datilógrafo(a) – datilografoa. • Pesquise sobre netqueta. anexe. • Só use parênteses em formas combinadas.o correio eletrônico é caracterizado pela versatilidade e rapidez.: Regina Ramos Comunicamos que o serviço solicitado poderá ser executado a curto prazo se os documentos requeridos na carta anterior forem providenciados o mais rápido possível. Use “em curto prazo”. cartas. Linguagem formal e simples refere-se ao nível e estilo de linguagem que segue a norma gramatical vigente e deve ser compartilhado com o destinatário a fim de garantir a comunicação e assegurar uma boa imagem da empresa. • Use mensagens breves e diretas . Pergunta-se: em que prazo será efetuado o serviço? 158 . A curto prazo é inadequado. • Revise. Dicas para escrever correspondência eletrônica • Seja objetivo no campo assunto de seu e-mail.

html Outras dicas para escrever carta • A/C (aos cuidados de) deve vir no envelope e não dentro da carta..org. pois não agregam informação.espirito. mas antes de nos cai o s no final do verbo. em médio prazo”. você necessitará falar novamente com a pessoa. No sentido de meio. • Antes de lhe e lhes. • Evite iniciar a carta com “venho por meio desta”. Solicitamos. pois. a forma verbal não perde a terminação s. At. Maiores informações podem ser obtidas através do telefone 9987-5634.html http://www. estamos no Brasil. Saiba mais . por favor. -> por entre: Estudou através de anos.mariopersona.com.sk.. geralmente. usa-se por meio de.A resposta deve ser “em curto prazo.: (attention).. -> ao longo de: Andava através dos jardins.Consulte os links: http://www.. portanto a expressão “através do telefone” deveria ser “por meio do telefone”. 159 . Através só deve ser utilizado com as seguintes acepções: -> de um lado para o outro : Viajou através do país.br/Diretoriageral/Estudos/Guia2. pois o que se deseja são informações melhores. Atenciosamente.br/redacao.sp.htm http://www.mp. a não ser que o envelope seja janelado. • Evite terminar a carta com “sem mais”. em longo prazo.gov. Estela Fontana Evite maiores informações.br/sk-write.com.br/portal/palestras/klickeducacao/ http://www.: ( à atenção de) e não Att. O adequado é mais informações. Prefira: Informamos que. mais informações e não maiores ou menores. “venho através desta”. já que o telefone é o meio pelo qual a empresa poderá entrar em contato. “venho pela presente”.

porém são utilizadas em situações diferentes. Atenciosamente. atenderemos das 8h30min às 18h. O adequado é meio-dia e meia: meia refere-se à hora (meio dia e meia hora). Senhor. Comunicamos que o nosso horário de atendimento foi alterado. Mulher diz OBRIGADA.: Vamos a domicílio executar o serviço (vamos a casa). Em domicílio é utilizada quando o verbo ou nome que o precede forem estáticos. 10 de agosto. Vossa é usado em relação à pessoa com quem se fala e Sua em relação à pessoa de quem se fala. Em a partir: não há acento indicador de crase. Existem as duas expressões . A NÍVEL DE NÃO EXISTE AO NÍVEL DE: à mesma altura de alguma coisa.: Fazemos entrega em domicílio (em casa). A domicílio é utilizada com verbos de movimento. À partir de segunda-feira.em domicílio / a domicílio. Vossa Excelência) exigem verbos e pronomes na terceira pessoa. 08 de março de 2005.• Os pronomes de tratamento (Vossa Senhoria. (ao nível do mar) EM NÍVEL DE: em nível estadual. Mais dicas Homem diz OBRIGADO. São Paulo. Ex. Ex. pois a preposição vem seguida de verbo. EM CORES (não a cores) 160 . portanto. sendo nosso horário de almoço meio-dia e meio e passamos a fazer entregas a domicílio. Prezados clientes. no nível municipal. que peçam a preposição a. não há encontro da preposição a com o artigo a. em nível de supervisão.

: Chegou o material que eu aguardava. acho que deveria melhorar sua postura.assistir alguém Ela assiste aqui (morar) OBEDECER/DESOBEDECER Obedeceram aos pais.) MESMO(s) E MESMA(s) . Enquanto você canta.visar a algo Visei o cheque.aspirar a algo Aspirava o pó. acho que deveria melhorar sua postura.(respirar) – aspirar algo ASSISTIR Assisti ao jogo (presenciar). EM FÉRIAS: um funcionário entra “em período de férias”.assistir a algo O médico assistiu o doente.(desejar). Ele trouxe idéias novas. SEJA/ESTEJA Não existe seje nem esteje. VISAR Visamos à realização profissional.significa ao passo que.obedecer a alguém ou a algo PAGAR /PEDIR/ PERDOAR –algo a alguém Paguei os honorários ao advogado. O mesmo trouxe idéias novas.(pôr visto) – visar algo IMPLICAR – uma coisa implica outra A conquista implica trabalho. Não se usa enquanto que.Ex. Não é possível usar: Enquanto professor.(desejar). eu trabalho. (Correto: Como professor. Obedecemos às leis.. PREFERIR – uma coisa a outra Prefiro ir ao shopping a ficar em casa. 161 .ENQUANTO .não podem ser usados para substituir substantivos (com função pronominal – nomes e pronomes). Correto: Chegou o material que eu aguardava. ASPIRAR Aspirava a um cargo melhor. (socorreu. Pedi que minha mãe viesse. Perdoei ao meu pai. ajudou).

circuito • impregna-designa-estagna-consigna-impugna-repugna. O professor havia _____________ o presente. Estão _____________ as faturas. abordaremos a questão da identidade cultural. _____________ chovia. (ao invés de. _____________ não existiam provas. em vez de) 9. Usei dólar _____________ real. _____________. Estou _____________ convidá-lo para a festa. Consegue-se empréstimo no banco. O caso passou _____________ (despercebida/desapercebida) 162 . _____________ cair.ao lado de Então não é possível conseguir um empréstimo junto ao banco. (a princípio/ em princípio) 12. (À medida que / Na medida em que) 6.resigna ( g mudo) • subsídio (som de s) como subsolo Cuide da grafia • Reivindicar • asterisco • beneficente • privilégio • sobrancelha 1a Atividade em aula Complete as lacunas: 1. Saí _____________ minhas necessidades. (a fim de/ afim de) 2. (À medida que / Na medida em que) 5. (anexo) 8.JUNTO A . (de encontro a/ao encontro de) 13. _____________. em vez de) 10. (anexo) 7. (ao invés de. O dólar. inundava tudo. Cuide da pronúncia • Advogado(d mudo) • recorde – recordes • rubrica • gratuito – intuito .(aceitado/aceito) 3. (a princípio/ em princípio) 11. optou-se pela absolvição. Nenhum presidente pode ir _____________ desejo da população. subiu. toda teoria deve ser comprovada na prática. (de encontro a/ao encontro de) 14. Está _____________ o documento. O convite foi _____________ (aceitado/aceito) 4.

como entrevista. (se não/ senão) 22. (mal/mau) 19. postura. (perca/perda) 23. apresentação pessoal. depois fui a uma _____________ de cinema. Até breve! 163 . Estava ________ de saúde.(estada/estadia) 18. Próxima aula Na próxima aula serão apresentadas outras dicas sobre situações profissionais. não irei viajar. _____________ os habitantes das favelas. __________ tiver dinheiro. Essas foram as habilidades que você exercitou na aula de hoje. Ele sempre _____________ boas notícias. Bateu o carro de deu _____________ total. Visitei a _________ de esportes da loja. (perca/perda) 24. A minha _____________ na capital foi excelente. (se não/ senão) 21. elaboração de currículos. Espero que vocês _____________ bem. (viagem/viajem) Veja as respostas na aula on-line Síntese da aula de hoje Falar e escrever bem são ferramentas importantes para quem precisa e quer caminhar rapidamente na vida profissional. _____________ o uso da maconha. (Descriminou/ Discriminou) 17. técnicas de comunicação oral. (Descriminou/ Discriminou) 16. (traz/trás) 26. por isso ficava de __________humor. Assuma uma nova postura. a linguagem do corpo entre outras curiosidades.15.(seção/sessão) 20. Espero que vocês façam uma boa _____________ (viagem/viajem) 27. ________ teremos problemas. Ficaram para _____________ todas as mágoas. Escrever com correção e com clareza é fundamental para o sucesso profissional e pessoal. (traz/trás) 25. Espero que você não _____________ tempo.

Os entrevistadores estão treinados para “ler” os sinais do corpo. Preenchidos esses requisitos. serão direcionadas ao conhecimento profissional e à organização.com. além de pessoais. serão apresentados vários aspectos importantes que compõem uma entrevista: técnicas de comunicação oral.Entrevista Na aula de hoje. esparramar-se na cadeira. Antes de ir à entrevista. porém. de sua cultura. dos produtos que fabrica. que o candidato vista-se de acordo com a vaga disputada e com a cultura da empresa – não é conveniente. as perguntas. já que “o corpo fala”. a revista Você S/A. que pedem respostas elaboradas e não monossilábicas.abril. que podem ser tão reveladores quanto às palavras. buscando equilíbrio entre as características do candidato e as exigências do trabalho. por exemplo. é necessário um estudo detalhado dos negócios da empresa.br O entrevistador não deve ser tratado com intimidade. o selecionador analisa as qualificações descritas para definir se o candidato se adapta à cultura da empresa. colocar os cotovelos na mesa. cria empatia. 164 . muito formalismo ou timidez podem ser interpretados como arrogância ou dificuldade de socialização. evitando roer as unhas. Portanto. Ao receber o currículo. porém com linguagem simplificada. ou vestir-se descontraidamente para uma entrevista conservadora. a linguagem do corpo e outros detalhes. vestir terno para uma entrevista em uma agência de publicidade que adote um estilo bem informal. o candidato é chamado para entrevistas. momento de perguntas abertas. apresentação pessoal. é importante enfrentar a entrevista com calma e tranqüilidade. também. contudo gestos de apoio. sem rodeios que tornam as frases longas e sem objetividade. Consulte o site: www. postura. É necessário. Faça uma pesquisa. dos concorrentes do mercado em que atua. mascar chiclete. da Editora Abril tem sugerido em várias edições recentes. como olhar nos olhos ou balançar a cabeça para quem está falando. pois.vocesa. Sobre a maneira correta e adequada de vestir-se para uma entrevista.Aula 18 . passar a mão constantemente no cabelo.

• Por que você deseja mudar de emprego? • Quais são as suas principais qualidades? • Como foi sua relação com outras empresas? • Qual foi o ponto alto de sua carreira até agora? • Que experiência você tem em resolver problemas? • Quais são as suas metas de longo prazo e como você supõe poder alcançá-las nesta empresa? • Como você acha que contribuiria para esta empresa? • O que você considera ser a maior conquista de sua vida? • O que você está procurando antes de tudo no emprego? • Onde você se vê dentro de cinco anos? • Como você lida com pressões de prazo? • Você gosta de ser parte de uma equipe ou prefere trabalhar sozinho? • Como o seu melhor amigo o descreveria? É preciso apresentar-se de forma persuasiva.br A linguagem do corpo Em uma entrevista. Geralmente são analisadas as habilidades organizativa. os entrevistadores estão treinados para ler os sinais do corpo que podem ser tão reveladores quanto as palavras. São Paulo: Editora Publifolha. o candidato é colocado em situações hipotéticas. onde a negociação está sempre presente.br . série Sucesso Profissional.catho. As pessoas que vendem bem seus conceitos e idéias tendem a obter sucesso. Para isso.www.com. considerando as modernas técnicas do marketing pessoal. são necessários argumentos que convençam a empresa da necessidade da contratação. Tin. Visite os sites: . mas nem sempre passa mensagem igual ao que você está dizendo. mostrando os benefícios e a contribuição para o sucesso dos negócios que essa contratação lhe fará. entender essa linguagem pode ajudá-lo a conseguir seu objetivo. 165 .com. No trabalho. Algumas perguntas são básicas nas entrevistas. Como fazer entrevistas. como as que seguem. social e comunicativa e.etiquetaempresarial. Seu corpo fala o tempo todo. Consulte o livro HINDLE.www. para isso. técnicas e práticas. analítica decisória.O entrevistador questiona o candidato com o objetivo de identificar habilidades profissionais.

entonação. Roland. O corpo fala. efetivamente. aprender a ler o outro e a si mesmo. São Paulo: Summus Editorial. multifuncionais e capazes de se comunicar satisfatoriamente.Mensagem Saiba Mais Consulte o livro: VANOYE. Rio de Janeiro: Vozes. envolve: .abril. pois projeta a imagem de quem a domina e propicia a abertura de canais para o crescimento profissional e social. Formas de escrita. Sabe-se que a comunicação oral envolve tanto aspectos verbais quanto não-verbais. Saiba mais . A comunicação oral É fato que as empresas modernas buscam pessoas criativas. A comunicação não-verbal. maneira de vestir-se – tudo envolve a comunicação.Emissor . gestos. Pierre & TOMPAKOW.Receptor .html 166 .Canal .Consulte as obras: WEIL. Visite o site: www. cuja leitura é indispensável para quem deseja. Elementos da comunicação Todo texto. 1973. Uma comunicação oral bem realizada é tão fundamental quanto uma comunicação escrita eficaz para o sucesso de uma empresa hoje. 1981. Usos da linguagem.vocesa. olhar. DAVIS. 1984.br/1edicao/ponto1. É necessário equilibrar essas duas linguagens: a linguagem das palavras e a linguagem do corpo.Código .Há uma obra clássica. São Paulo: Martins Fontes. Francis. expressão do rosto. seja ele oral ou escrito. O corpo fala.Referente .com. A expressão oral é uma habilidade a ser desenvolvida ou aperfeiçoada. Flora. Há muitas técnicas para isso.

br/carreiras/fornecedores/aol/2005/12/01/0001. “ah”. nem baixo para que todos ouçam).br/negocios/colunistas/reinaldo_polito/2005/0018. 9. 3. Evite gesticulação excessiva. Saiba mais Consulte as obras: POLITO. Como falar corretamente e sem inibições. não cruze os braços. Fale com bom ritmo: alterne altura. 2001. meio e fim.Dicas para falar bem O orador é aquele que diz o pensa e pensa no que diz. Fale com boa intensidade (nem alto para não irritar. (Brian) 1. Tenha postura adequada: não coloque mãos nos bolsos. entre outras. gírias. Reinaldo. palavrões. nem devagar demais).adp .aol. “ta”. Seja você mesmo: use a naturalidade e drible o medo. nas costas.aol. “certo”. ____ Um jeito de falar bem. 4. Pronuncie bem as palavras: não omita a pronúncia do /r/ e /s/ finais e do /i/ intermediário. Saiba o que vai dizer.http://noticias. Ao falar. 6.Tenha início. 2001. 5. Tenha um vocabulário adequado: não use termos pobres ou vulgares. se necessário. “né”. São Paulo: Saraiva.http://www.com. 2. São Paulo: Saraiva. 10. 8. Evite as indesejáveis repetições “hum”. olhe para todas as pessoas. Deixe o semblante descontraído e seja sorridente. deixe-os soltos naturalmente ao longo do corpo. Analise as características e expectativas dos ouvintes. Use roteiro. nem palavras muito rebuscadas e jargões.Fale com emoção. 7. 11. Não levante muito a cabeça e o tórax. Cuide da gramática. Não se movimente de um lado para o outro.adp 167 . Fale com boa velocidade (não fale rápido demais.com. Prepare-se para falar (abasteça-se com conteúdo para expor bem mais tempo que o combinado). Visite os sites: .

6. b) você prepara sua fala de acordo com seus objetivos e o interesse do público. de forma objetiva. sem tensões. b) tenta conquistar os ouvintes. b) de acordo com o ambiente. 3. Se você for convidado para falar sobre um assunto que não conhece com profundidade: a) você recusa. com dificuldades para lidar eficientemente com a situação. 2. Como você inicia sua fala: a) entra direto no assunto. com a frase “era isso o que eu tinha para dizer. mas com o controle da situação. c) você aceita. Assim. 7. obrigado”. Como você estabelece a intensidade (volume) da voz diante do público: a) de acordo com o seu potencial.Atividade em aula Teste suas habilidades de falar em público. mesmo sem ter tempo de se preparar. c) inicia de qualquer maneira. seguindo um esquema seu. c) muito tenso. Ao ser convidado para falar em público: a) você prepara sua fala. mesmo que não tenha muita ligação com o assunto. Como você encerra suas apresentações: a) com uma frase forte. diga como você é e não gostaria de ser. independentemente do público que vai ouvi-lo. desde que tenha tempo suficiente para se preparar. b) você aceita. b) sempre. b) recapitula a essência da mensagem e pede ação ou reflexão. c) nunca. b) tenso. c) você não prepara sua fala. Ao organizar sua fala. c) não tem preocupação com a intensidade. poderá avaliar melhor sua capacidade de comunicação. 4. Responda apenas uma das alternativas de cada questão a seguir. Como você se sente ao falar em público? a) natural. De forma sincera. 5. 168 . c) termina secamente. meio e fim: a) às vezes. você pensa em um início. 1.

14. b) gesticula com moderação. com velocidade normal. objetivo. sem exagero. como você se comporta: a) nem sempre fala.8. sempre com a mesma velocidade. b) corretamente. Ao falar. rápida e lenta. 15. b) saem completas e ordenadas. Em uma reunião. 11. com emoção. 13. c) às vezes costuma interrompe-las na metade. reforçando o que está dizendo. c) gesticula demais. com certo exagero. sem grandes emoções. mas fica sempre atento. c) fala sempre muito rápido ou muito devagar. c) fica calado e com receio de que peçam as sua opinião. Como é sua comunicação visual: a) olha para algumas pessoas. c) afetado. Qual é o ritmo de sua fala: a) nem rápido nem devagar. c) não olha para o auditório. b) fala com objetivo e fica sempre atento. 169 . mas completas. c) bem informal. Que tipo de vocabulário você usa: a) o que conhece. próprio da sua profissão. até com gírias. de acordo com o público. b) natural. Como você pronuncia as palavras: a) corretamente. atividade ou estudo. 10. você: a) não gesticula. b) olha para todas as pessoas. sente-se amarrado. Qual é o seu estilo de comunicação: a) controlado. 9. 12. Faça o teste na aula on-line e verifique sua pontuação. Como você constrói suas frases: a) saem truncadas. b) simples e objetivo. b) alterna. c) sumprimindo algumas letras e sílabas de algumas palavras.

“O abrir a boca é dominar o idioma. é ser convincente. diz que os novos tempos exigem que se abra a boca.Próxima aula Pasquale Cipro Neto. sai-se melhor”. como pessoa. com conteúdo. como profissional. o professor de português mais famoso do Brasil. com clareza. saber estruturar as informações. Espero que a aula de hoje tenha contribuído para que você se saia melhor na vida. Até a próxima! 170 . afirma. E quem abre a boca melhor. Quem não abre a boca hoje está perdido.

por ordem expressa. analisados com o objetivo de orientar o interessado para determinada ação. 2005. não se analisa nem se fazem propostas de ação. conhecer sua estrutura. Isso significa que.Consulte os livros: ARMELLEI. certa quantidade de ferramentas ou de material novo. bem mais rico e complexo do que ele: tem de juntar-lhe as vantagens de uma lúcida análise e da consideração do objetivo a atingir. Pode tratar-se também de inventariar. Sueli Cain de. distingui-lo de um relato. A objetividade é indispensável. seus diversos tipos e elaborar um de acordo com as suas necessidades profissionais. também. Não se interpreta. BOUSQUIÉ. Procura ser o mais exato e completo possível. a reunião de uma comissão ou os resultados de uma visita ou entrevista particular e do que nela se disse. fará o relato do avanço dos trabalhos da construção de um edifício. no entanto. normalmente. de forma a satisfazer que lhe confiou a missão e que. limita-se a descrever o que observou. não está a par do assunto. ou de relatar circunstancialmente um debate. nesses casos. O que é um relato de atividade? É simplesmente a notícia que se dá sobre a execução de um trabalho de que nos encarregaram. Saiba Mais . Comunicação empresarial. empregar a crase corretamente. Como redigir um relatório.Aula 19 . Walter Júnior & BASEIO. Um relato é.Relatório No final desta aula. São Paulo: Esetec. você deverá saber o que é um relatório. 1984. 171 . se o relatório deve possuir todos os predicados de um relato de atividades. Coleção Leitura & Escrita. curto. Deverá saber. Lisboa: Livraria Clássica Editora. G. Dora Fontana & OLIVEIRA. é. Um condutor de obras. por exemplo. viu e ouviu. O que é um relatório? Um relatório é uma descrição de fatos passados. O redator. usualmente.

de preferência de caráter técnico ou científico. 172 . é o relatório. de controle. conforme a tarefa. e. Contém. 4. o que é tipicamente característico de um relato. também uma análise que tem como objetivo orientar os superiores hierárquicos para determinada ação. pode conter soluções de problemas levantados. classifica-se. Andrews. o que caracteriza o relatório e o distingue do simples relato: 1. de vendas. 8. observou ou escutou. de reuniões. O redator deve limitar-se a descrever o que viu. Português instrumental. As informações relatadas devem ser detalhadas e claras e. apenas. 2002 1a. baseada em argumentos sólidos. interpretações dos fatos relatados e. O primeiro passo para sua elaboração é a fixação dos objetivos. O redator não deve incluir apreciações de caráter pessoal. além das informações sobre fatos passados. 2000. de auditoria. LEIGH. propostas de ação. 5. então. muito menos. Como fazer propostas e relatórios. com R. ed. científico. em executivo. operacional. contábil. 4. Veja as respostas na aula on-line Seja qual for a área. com RR. O estilo deve ser objetivo. o quanto possível. um dos mais elaborados. escreve textos e entre eles. dos métodos de trabalho e da definição do destinatário. completas. João Bosco.MEDEIROS. São Paulo: Atlas. Esses dados ajudam a escolher opções que atingem mais eficazmente quem irá ler e avaliar. informações sobre a execução de um trabalho de que nos encarregaram. 2. O relatório varia de acordo com o assunto e com as finalidades. 3. As informações contidas destinam-se a informar quem solicitou o trabalho. Contém. 7. A análise feita sobre os fatos relatados deve ser competente e muito clara. Conforme o caso. Atividade em aula Assinale. o profissional prepara mensagens. desde que tais soluções tenham cunho técnico ou científico. 6. de cobrança. São Paulo: Nobel.

Deve-se trabalhar. também. a estética deve despertar atenção. portanto. nome do relator ou do setor. Qualquer que seja a estrutura. os parágrafos não devem ser muito longos. gráficos e ilustrações. inserir gráficos sempre que apresentar doze ou mais números. todos os outros também devem ser. 2. fáceis e acessíveis ao leitor. além de economizar espaço. a aparência. devem ser. planificar. adequada ao destinatário.Em seguida. cuidando de aspectos como disposição e espaçamento. o texto deve ser fácil de ler. encadernação e capa. são aconselháveis cabeçalhos breves. Nem todos os dados apresentados precisam ser utilizados. o objetivo do texto determina a organização. cidade e ano. encadernar o material e apresentar uma capa com ilustração simples e com título em negrito. pois ordena as seções e permite visão mais clara do todo e linguagem clara. Essa estrutura varia conforme o objetivo e o tipo de relatório. em todos os outros também. 4. persuasiva. se forem usadas letras maiúsculas no primeiro. 173 . Como sugestão. Dividir o relatório em seções e subseções realça as idéias e facilita a leitura. deve-se evitar pronome pessoal de 1ª pessoa e frases subjetivas. numeração progressiva. É aconselhável o uso de tabelas para tornar as informações mais visíveis. Capa Documentos com mais de 6 páginas devem apresentar uma capa e nela devem conter: título do relatório. porém qualquer que seja o tipo. papel. a apresentação do relatório. concisa. 5. Os títulos devem ser curtos e escritos de modo semelhante. de orientação – que se queira passar. 6. simples. 3. Aconselha-se deixar margens amplas e entrelinhas de 1. Algumas dicas para redigir um relatório 1. é conveniente esquematizar. o desenvolvimento poderá ser um texto narrativo ou dissertativo. que facilitem a leitura e despertem interesse.5 ou 2 linhas. Conforme o tipo de mensagem – informativa. se o primeiro deles for um substantivo. em forma de itens ou em forma de texto contínuo. segue esquema para elaboração de relatório administrativo.

Gráficos podem ser colocados entre os anexos. testes etc. é recomendável o sumário. questionário. de poucas linhas. total. aconselha-se fazer um resumo.Folha de rosto • Título do relatório • Para quem se destina • Elaborado por • Assunto • Local • Data da elaboração • Tipo de relatório (parcial. final) • Natureza (normal. reservado. problemas • Causas e efeitos • Recomendações (medidas a serem tomadas) • Conclusões (resultados esperados) Anexos É composto pelo material acessório. porém deve-se estudar a conveniência de seu uso no corpo do texto. secreto) Resumo Se o relatório for longo. após a folha de rosto. inicial.) • Meios (instrumentos) • Duração (tempo) • Pessoal envolvido • Fatos. que organiza o texto por temas. Desenvolvimento • Objetivo (o que se pretende) • Métodos (entrevista. Bibliografia Local e data Assinatura Nome legível Identificação funcional 174 . facilitando a leitura. constatações. Sumário Quando muito longo e com muitos itens. confidencial. destacado em um quadro.

elabore um relatório.MEDEIROS. 3.BECHARA. Aquele livro causou a ti e a mim boas impressões. Dicas de revisão gramatical Uso da crase Crase = preposição + artigo definido feminino À = A + A(S) Nós iremos a a praia. 2. antes de nomes masculinos 2. 4. Celso Pedro.2a Atividade em aula Com base no roteiro apresentado. Moderna gramática brasileira. Celso Ferreira. João Bosco. Nós iremos à praia. que contemple as três modalidades textuais: descrição. Eles assistem às aulas. Eles assistem a as aulas. O casal chegou a certa ilha por força do destino. Português instrumental. 175 .CUNHA. antes de verbos 3. Gramática da língua portuguesa. Evanildo. Rio de Janeiro: Fename. Os alunos chegaram a pé carregando as mochilas. narração e dissertação. Não pode haver crase nos seguintes casos: 1. A Sessão começará a partir das 18 horas. voltado à sua área de trabalho. antes de pronomes pessoais Saiba mais . antes de pronomes indefinidos 4. Porto Alegre: Globo. São Paulo: Atlas.LUFT. São Paulo: Nacional.Consulte as gramáticas: 1. Moderna gramática portuguesa.

7. Os soldados iam ____ pé. as. ao. aos. 3. O jovem escreveu a carta a a namorada. 5. Promoveremos sessões _____ partir da meia-noite. ou às: 1. Isto se destina a homens ou a mulheres. Assim não irá _____ nenhuma festa. 4. os. ou às: 1. e ela ofereceu _____ mim um presente que jamais esquecerei. 8. 4. Depois da viagem. ao. os. os professores chegaram _____ casa exaustos. Dei _____ ela uma flor. 5. às. A sentença foi desfavorável a o réu. Não gosto de comprar ____ prazo. mas o sargento viajava ____ cavalo. O jovem escreveu a carta ______ namorada. 176 . Veja as respostas na aula on-line 4a Atividade em aula Preencha as lacunas com a. às. Tinha um profundo amor _____ certa jovem. aos. 3. 2. depois voltei _____ cidade. 2. as. sempre compro ____ dinheiro. A sentença foi desfavorável _____ réu. O atraso será prejudicial a os objetivos e a as pesquisas. Bebida é nociva ____ crianças. depois voltei a a cidade. Isto se destina a homens ou ______ mulheres. Fui ____ show. Fui a o show. 6. O atraso será prejudicial _____ objetivos e _____ pesquisas.3a Atividade em aula Preencha as lacunas com a. disse a mulher ciumenta.

a diferenciar um relatório de um relato e. desde a formatação. estamos chegando ao final deste curso. você aprendeu a elaborar um relatório. aprendeu também. Assim. empregar a crase corretamente. até a escolha da apresentação. 177 . possui uma série de recursos de escrita que podem ajudar. O terremoto atingiu ____ vila e ____ cidades próximas. Até lá! Saiba mais O editor de texto Word.9. Graças _____ Deus. 10. optando por uma estrutura adequada às necessidades do seu trabalho profissional. Destinaremos a próxima aula para avaliação geral e auto-avaliação. Veja as respostas na aula on-line Síntese da aula de hoje Na aula de hoje. vivemos em liberdade.

No “Poema tirado de uma notícia de jornal” predomina que função da linguagem? a. ( ) fática. tem o objetivo de estabelecer contato entre emissor e receptor. claras. 2. ( ) poética. ( ) dissertativa c. sendo o que importa não é apenas o que se diz. d. centrada na mensagem. e. mas o modo como se diz. centrada no emissor. centrada no canal da comunicação. ( ) metalingüística. centrada no código. centrada no referente. habilidades e competências desenvolvidos durante o curso. Leia o texto a seguir e responda as questões: Poema tirado de uma notícia de jornal João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. c. b. ( ) narrativa d.Conclusão do curso O objetivo dessa última aula é resgatar e avaliar os principais conceitos. centrada no receptor. que define elementos da própria linguagem.Aula 20 . ( ) conativa ou apelativa. ( ) emotiva. ( ) descritiva b. ( ) musical 178 . produzindo informações definidas. tem o objetivo de influenciar. f. ( ) referencial. (Manuel Bandeira) Atividade em aula 1. O conteúdo do texto de Manuel Bandeira apresenta elementos de qual modalidade? a. exprimindo emoções. denotativas. convencer alguém.

portanto ele fica antes do verbo. 179 . ( ) pretérito perfeito do indicativo b.3. ( ) está incorreta. ( ) está correta. c. porque o autor tem licença poética para reproduzir a língua informal da personagem. Compare esse texto com uma notícia de jornal qualquer. Na expressão “Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. ( ) está incorreta. menção às pessoas que testemunharam o fato etc. e. 5. Espera que o aluno perceba que faltam mais informações concretas e precisas como a data e as possíveis razões do aparente suicídio.estado. 8. ( ) pretérito imperfeito do indicativo d. quanto à colocação do pronome se.”. 7. No texto de Manuel Bandeira predomina objetividade ou subjetividade? Espera-se que o aluno perceba que o texto de Bandeira é mais subjetivo comparado a uma notícia de jornal. ( ) presente do indicativo c. pois não há palavra que atraia o pronome se.br www.com.estadao.br 6. Observe que o autor do texto utilizou intencional e predominantemente os verbos no tempo: a. segundo às normas gramaticais. ( ) pretérito mais-que-perfeito do indicativo e. d. pode-se afirmar que: a. ( ) está correta.folha. Consulte os sites e selecione uma notícia. b.br www.com. Lembre-se de que comparar é identificar semelhanças e diferenças. ( ) pretérito imperfeito do subjuntivo 4.uol.com. O texto analisado apresenta todos os elementos que compõem uma notícia de jornal? Espera-se que o aluno perceba que esse texto está incompleto para ser uma notícia de jornal. o correto é “atirou-se”. porque o advérbio depois atrai o pronome se. O que falta ao poema para ser tratado como uma autêntica notícia de jornal? Acrescente os dados. ( ) é indiferente. www. porque reproduz a língua informal do grupo social da personagem João Gostoso.

agora.Transforme o texto de Bandeira. em outro de natureza não-literária. Predomina o nível culto ou formal da linguagem. crie um diálogo entre João Gostoso e uma outra personagem de seu meio social. concordando ou discordando de Bandeira. estado ou mudança de estado. 12. as habilidades e as competências desenvolvidos neste curso Você penetrou no mundo misterioso das palavras e percebeu o quanto a comunicação é complexa: ela possui vários elementos que interagem entre si. Com base. há poucas marcas lingüísticas dessa realidade no texto... Escreva. Escreva um parágrafo dissertativo posicionando-se em relação a esse tema. 180 .ele chegou no bar. Espera-se que o aluno utilize o discurso direto na elaboração do diálogo e nível de linguagem coloquial. (Transformar significa mudar a forma) Não se esqueça de incluir os dados levantados anteriormente. explorando a função referencial da linguagem. um parágrafo descritivo.. Espera-se que o aluno crie um texto. adequado ao perfil da personagem. 10. Não se esqueça de que em uma descrição predominam os adjetivos e os verbos que expressam qualidade. de natureza literária.”.9. O nível de linguagem em que o texto é escrito retrata a realidade do carregador de feira-livre? Espera-se que o aluno perceba que apesar de o texto retratar a realidade sociolingüística de um carregador de feira-livre.. jornalística. 14. Há rupturas da norma culta na construção sintática de Manuel Bandeira? Por quê? Quais? (Pesquise sobre estilo) Há algumas rupturas da norma culta. como por exemplo: “João Gostoso”. Sobre os conceitos. evidenciando marcas lingüísticas dos interlocutores a partir de seu contexto sócio-cultural. 11. O poema de Bandeira apresenta apenas informações sobre a realidade de carregadores de feira-livre ou intencionalmente apresenta um olhar crítico sobre essa realidade? 15. explorando as características físicas e psicológicas de João Gostoso sugeridas no texto. na descrição elaborada por você. a ausência de pontuação interna. “. 13.

Com certeza. enfim. pois a busca é permanente. a elaborar textos fundamentais para sua vida profissional. processo decisivo de uma contratação. Viu a importância da comunicação oral numa entrevista. como: o seu currículo. você chegou. disciplina intelectual e muita prática. elaboração de exercícios. deparando-se com casos e questões do nosso cotidiano. enfim. uma carta empresarial. A trilha exigiu leitura atenta. Parabéns! 181 . a literatura. organização e coerência. consulta a obras. dedicação. produção de textos. há uma forma adequada para expressar o que se pensa e o que se sente. navegação em sites. prática e didática. sobre a vida. releitura dos textos. Constatou que para cada situação e contexto. também. a técnica de resumir e a resenha. “escrever aprende-se escrevendo”. Transitou pela gramática – temida por muitos – de forma suave. utilizando-se das três modalidades.Viajou pela linguagem e conheceu os diversos fatores que provocam as variações lingüísticas. pesquisa. as aulas tornaram seu olhar sobre a realidade. e despertaram emoções e paixões que só a palavra. Relembrando as palavras de Clarice Lispector. a arte conseguem fazê-lo. ao final de mais uma etapa de um processo em que se constrói o conhecimento. Você aprendeu a distinguir um texto dissertativo de um texto narrativo e de um descritivo. relatório. Aprendeu. bem como a escrever com criatividade. Síntese do curso Após percorrer esse caminho traçado na primeira aula. mais crítico.

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