SUMÁRIO 1 2 2.1 2.1.1 2.1.2 2.1.3 2.2 3 3.1 3.1.1 3.1.2 3.2 3.3 3.4 3.4.1 4 4.1 4.2 4.3 4.3.1 4.3.2 4.4 4.4.1 4.4.2 5 INTRODUÇÃO .......................................................................................

11 O CIBERNÉTICO COMO SUBSTRATO DA CULTURA DE MASSA ... 14 PREMISSAS DA CIBERCULTURA ........................................................ 16 Ciberespaço Baseado na Interface ........................................................ 19 Hipermídia e Realidade Virtual ............................................................... 21 Ciberespaço e Comunidades Virtuais .................................................... 23 INTERAÇÃO MEDIADA E COMUNICAÇÃO NA REDE ......................... 25 O JORNALISMO NA CIBERCIDADE .................................................... 27 O FENÔMENO DA INTERAÇÃO HIPERTEXTUAL ............................... 28 Variações Hipertextuais ......................................................................... 31 Leitor Interagente ................................................................................... 32 REPRESENTATIVIDADE DA WEB ....................................................... 34 TÉCNICAS PARA O ONLINE ................................................................ 37 RELAÇÃO JORNALISMO/CIBERCIDADE............................................. 41 Cibercidade como Fonte de Produção ................................................... 42 O JORNALISMO OPEN SOURCE NA WEB ......................................... 47 COLABORAÇÃO: UM PASSO NO TEMPO ........................................... 48 SOFTWARE LIVRE E O TERMO OPEN SOURCE ............................... 48 CARTOGRAFIA DA INFORMAÇÃO E A CULTURA OPEN SOURCE .. 50 Reorganização de Papéis Entre os Interagentes ................................... 51 Todos “são” Repórteres.......................................................................... 53 ALGUMAS PRÁTICAS COLABORATIVAS ............................................ 55 Checagem do Material Colaborativo ...................................................... 56 OhMyNews International ........................................................................ 57 CONCLUSÃO ........................................................................................ 59

REFERÊNCIAS ................................................................................................... 62 ANEXOS ............................................................................................................. 66

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INTRODUÇÃO

“O poder dos fluxos é mais importante que os fluxos do poder.” (John Thompson)

As funções e os processos das estruturas sociais dominantes estão cada vez mais organizados em rede. Redes compreendem a nova morfologia social (THOMPSON, 2007, p. 563) de nossas sociedades e a sua consequente difusão tornou-se um fator que modifica substancialmente operações e resultados nos processos de poder e cultura. Ainda que a forma organizacional em rede tenha existido em outras épocas, esse novo paradigma é base para sua penetração e expansão em toda estrutura social. O jornalismo, como produto social, está vinculado às alterações do seu meio, numa simbiose que produz variações de estilo e técnicas de produção. Essa metamorfose acelerada pela qual o jornalismo de web passa e experimenta produz rumores de uma crise concernente aos seus princípios básicos de composição. Como aconteceu diversas vezes no passado, a mescla de características de outros meios a uma nova mídia não faz extinguir aquele que lha deu origem. Como no caso do telefone para o telégrafo, ou da televisão para o rádio, ou da televisão para a internet. Discute-se neste trabalho as possibilidades do novo modelo de jornalismo para a web na conjuntura do modelo open source. Trata-se de uma tentativa de condensar os fatores de sua aplicabilidade e justificar a demanda por este novo produto. Para tanto, partiremos da análise isolada das circunstâncias que fizeram emergir o Jornalismo Colaborativo e suas variáveis – Participatory Journalism, Citizen Journalism, Jornalismo Open Source1 – como elementos de um todo que também passa por mudanças profundas – a sociedade.

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Nossa tradução (literal): Jornalismo Participativo, Jornalismo Cidadão, Jornalismo de Fonte Aberta respectivamente.

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Não

são

vãs

as

discussões

teóricas,

visto

que

sites

mais

contemporâneos como R7 e o G1 demonstram práticas de jornalismo colaborativo e canais para interação com leitores/autores. Além de outros sites que, especificamente, aludem ao jornalismo colaborativo como ferramenta de composição das matérias. Este estudo pretende ainda dizer como as relações dentro de uma cibercidade e a construção de novos canais de interação social compelem o jornalismo de web para dentro deste novo modelo, sendo alterado en passant pelas profundas transformações pelas quais passa a sociedade moderna. Não só de forma oportunista, mas as encarando como transformações necessárias e significativas na construção de formas de poder e conhecimento. Em um primeiro instante, serão analisadas as premissas do ambiente de eclosão destas transformações no âmbito cultural/social. Depois partiremos para uma abordagem técnica do que já existia anteriormente ao novo modelo open source, ou seja, relativo ao pioneirismo do Jornalismo Online com relação ao open source, a fim de oferecer ao leitor uma linha de interpretação na qual seja possível detectar os estágios iniciais que culminaram no surgimento do novo modelo. As elucidações têm caráter questionador e qualitativo, objetivando a preparação de dados bibliográficos para pesquisas posteriores e mesmo a criação de pontos de discussões sobre a temática que sejam perceptíveis no decorrer da leitura. Na última etapa da pesquisa constará a análise dos parâmetros tecnológicos e práticos de produção, organização, publicação e acesso à informação no terreno do Jornalismo Colaborativo. Nossa principal função será a de colaborar para a compreensão do papel do webjornalista neste novo sistema interacional que, aliás, é o papel de uma espécie de cartógrafo da informação2 – esta é a principal demanda de produção dentro do sistema colaborativo e das comunicações interpessoais. As nomenclaturas trabalhadas para o jornalismo open source serão adotadas conforme o contexto em que foram encontradas. Sendo possível ao leitor deparar-se com expressões como Webjornalismo Participativo, Jornalismo
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Utilizamos este termo aqui para nos referirmos àquele que garimpa a web em busca de fatos e informações.

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Colaborativo ou Jornalismo Cidadão. Demos prioridade ao termo “Jornalismo Colaborativo” por ser o mais usado entre os autores da língua portuguesa. O foco pretendido, no entanto, serão as práticas webjornalísticas em ambientes digitais colaborativos direcionadas para as especificidades das ações interacionais proporcionadas pelas novas estruturas transmissionistas da web. A partir dessa ideia de que “produtores” e “consumidores” de informação podem trabalhar em conjunto para o desenvolvimento de conteúdos, mesmo que seja apenas uma participação transitória no momento de preparação da pauta, produção do texto ou complementação posterior do mesmo, abordaremos o conceito de Jornalismo Colaborativo – de um lado o conceito não-massivo e de outro o interacional ou dos social networks. Dentro da importância e profundidade das mudanças deflagradas na revolução digital, “o jornalismo open source visa a um processo interativo das mensagens que nutrem imaginários e contribuem para o envolvimento de cada pessoa com seu entorno sócio-cultural” (BRAMBILLA, 2005, p.12) e é na elucidação deste aspecto que esperamos colaborar com essa pesquisa.

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O CIBERNÉTICO COMO SUBSTRATO DA CULTURA DE MASSA

"Jornalismo: a capacidade de vencer o desafio de encher o espaço." (Rebecca West)

Herbert Marcuse (1941 s/p apud SAVAZONI & COHN, 2009, p. 19) já havia definido tecnologia como um braço de dominação e transformação das relações sociais. Tais relações se configuram e reconfiguram hoje, não diferentemente da previsão de Marcuse em 1941, dentro de um espaço cibernético que contempla relações entre agentes e co-agentes da imensa rede que é a internet. Indiferentemente, as mediações se reproduzem, se mesclam e transformam-se ocasionando novos tipos de interação e novas demandas por interfaces que, cada vez mais, aproximam os corpos, os avatares3 e, por que não, os espaços geográficos.

A tecnologia [deve ser] vista como um processo no qual a técnica propriamente dita não passa de um fator parcial. Não estamos tratando da influência ou do efeito da tecnologia sobre os indivíduos, pois são em si uma parte integral e um fator da tecnologia, não apenas como indivíduos que inventam ou mantém a maquinaria, mas também como grupos sociais que direcionam sua aplicação e utilização. A tecnologia, como modo de produção, como a totalidade dos instrumentos, dispositivos e invenções que caracterizam essa era, é assim, ao mesmo tempo, uma forma de organizar e perpetuar (ou modificar) as relações sociais, uma manifestação do pensamento e dos padrões de comportamento dominantes, um instrumento de controle e dominação. A técnica por si só pode promover tanto o autoritarismo quanto a liberdade, tanto a escassez quanto a abundância, tanto o aumento quanto a abolição do trabalho árduo. (MARCUSE, 1941, s/p apud SAVAZONI & COHN, 2009, p. 19)

A troca deste modus operandi do jornalismo online, ou melhor, sua justaposição ao novo modelo open source devido à sua tecnologia específica, não representa, como visto, o domínio de uma técnica sobre a outra, mas a abertura de um sistema ao outro. Em suma, o jornalismo sempre se deparou
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Neste contexto, refere-se a uma forma de identidade variável que pode ser assumida por um usuário da internet e difundida por um profile – perfil de cadastro em uma rede de relacionamento.

15 com princípios antagônicos no que diz respeito à interação com o público: manter uma posição consistente diante do cotidiano das cidades e o princípio de imparcialidade e ao mesmo tempo participar ativamente dos fatos que constroem e delineiam as atividades sociais. os métodos. mas no tocante às formas de produção do próprio jornalismo. p. quer dizer. E não só neste aspecto. as técnicas de produção e divulgação da informação e principalmente da criação de códigos que atendam ou que se enquadrem nessa nova perspectiva.youtube. “É a linguagem que está a 4 Cf. 2009. Mais do que nunca. um vídeo caseiro pode assumir diferentes papeis dentro da rede. modos de conhecimento e estilos de regulação social ainda pouco estabilizados. Sendo assim. Sites citados encontram-se disponíveis nos endereços seguintes: <http://twitter.com>. um novo estilo de humanidade é inventado. as mudanças irrefreáveis pelas quais passam as antigas formas de interação e mediação são fruto de uma mudança que já vem ocorrendo no seio de toda sociedade.com>. Não silenciosa. .facebook. a partir de uma nova configuração técnica. que são tantas as definições adotadas hoje para as peculiaridades do jornalismo para web concernente à interação com o público. <http://www. s/p apud SAVAZONI & COHN. da quebra de barreiras e criação de outras. em que. essa revolução digital leva consigo ao limiar do desenvolvimento todas as formas de mediação do jornalismo. Twitter. Orkut e Youtube4 são exemplos de canais virtuais de promoção da interação entre seus usuários. configurando as chamadas “celebridades instantâneas”. 19) Portanto. essa é a era da convergência. Dentro dele estão a linguagem. Não é de se estranhar. <http://www. portanto.com> respectivamente. (LÈVY. Vivemos um destes raros momentos. totalmente de forma colaborativa.orkut. 1995. de uma nova relação com o cosmos. Facebook. fundamentalmente dentro das ações do jornalismo. Público qual demanda novos canais e vias de construção da informação. 19).com>. p. da “confusão” de limites e papeis. <http://www. 2009. s/p apud SAVAZONI & COHN. Para Lèvy (1995. seria impossível participar e ao mesmo tempo portar-se num local à parte das influências e afluências dos fatos na vida em sociedade. Uma coisa é certa: vivemos hoje em uma dessas épocas limítrofes na qual toda a antiga ordem das representações e dos saberes oscila para dar lugar a imaginários.

pois tudo o que pode ser entendido como cultural se prolifera substancialmente e se alastra com o decorrer do tempo. tanto mais com a presença e deflagração da internet e dos espaços virtuais online. seja social. p. e significa o ato de cultivar o solo. 2003. em todos os sentidos que podem ser concebidos. p.16 serviço da vida não a vida a serviço da linguagem” (LEMINSKI. é um termo derivado da palavra latina cultura. mas é fato que de forma alusiva. s/p apud SAVAZONI & COHN. As humanistas seletivamente denominam como cultura certos segmentos da produção humana e as antropológicas a trama total da vida. o legado histórico e a herança social com tudo o que foi adicionado à mesma.] com recursos apresentados pelo mundo natural e formatados para as necessidades pessoais” (SANTAELLA. Os sentidos conotativos que se observa hoje não tardaram a aparecer. Não nos prenderemos às várias definições de cultura. nenhuma dessas concepções é válida para definir ou redefinir a rede hipercomplexa de interconexões da cultura no mundo de hoje. político e cultural. Segundo Santaella (2003.1 PREMISSAS DA CIBERCULTURA Cultura. intelectual ou artístico.. 1977. p. Com o surgimento da comunicação de massa. ela “é parte do ambiente que é feito pelo homem [. No entanto. 2. instituições e objetos materiais. de um lado estão as concepções humanistas e de outro as antropológicas. as interações que antes eram divididas em eruditas e populares foram profundamente impactadas atingindo nossa forma de . Os territórios delineados pelas formações sociais estão inter- relacionados em três setores: econômico. Como observa Santaella abreviando que a cultura é mais que um fenômeno biológico. ela é aprendida. 76). 19). 53). especialmente da circulação massiva de jornais no início do século XIX e a emergente difusão em ondas no século posterior proporcionados pela explosão dos meios de reprodução técnico-industriais. envolve o ser humano em sua adaptação ao ambiente natural e se manifesta em padrões de pensamento.. 2009.

5 6 Cf. Sua evolução continua em ritmo exponencial na criação de mídias híbridas de internet/TV. 76). conforme exemplifica McChensey (2000: 6). TV/celular. imagem. p. o que nos insere numa revolução da informação sem precedentes. é consequência das novas tecnologias para a comunicação e a cultura. global. SANTAELLA. Isto é. Esse grande salto dos meios cria novos tipos de interação.. 75. O ciberespaço funciona. As diferenças e semelhanças entre Multimídia e Hipermídia serão abordadas em outro momento. Nele a comunicação é interativa. O ciberespaço. como filho da era digital. p. a www transforma-se com uma velocidade nunca vista antes. As variáveis são muitas.. ela usa o código digital universal. 286) e proporcionado pelo desenvolvimento tecnológico/industrial. mesmo que nem todas venham a se efetivarem. computador/celular/TV. assim. vídeo. ela é convergente. o ciberespaço é um fenômeno remarcavelmente complexo que não pode ser categorizado a partir do ponto de vista de qualquer mídia prévia. 76). pensamento e trabalho. [. capaz de transformar toda informação. Além disso. Seu aspecto mais espetacular é o da linguagem dos dígitos. A mediação da comunicação em massa passou a ser fator fundamental na construção do conhecimento à cerca dos cenários políticos nacionais e internacionais. 2003. . p. altera a organização social da vida cotidiana. rede das redes de computadores interconectados espontaneamente e superabundantemente. como uma espécie de esperanto5 das máquinas. Diante de suma importância. o impacto interacional dos meios técnicos definido por Thompson (2007. p. Para Santaella (2003. Quaisquer tentativas de predição em tempos tão tumultuados beiram o impossível. como um catalisador de multimídia e hipermídia6 no seio do qual emerge a internet.17 conceber os fatos e criar o conhecimento do nosso meio social. planetária e até hoje não está muito claro como esse espaço poderá vir a ser regulamentado.] De todo modo. desencadeia uma reorganização potencial das próprias relações sociais preexistentes no sentido de que esses novos meios criam novas formas de ação e interação no mundo social. 2003. som. chamada de revolução digital. texto e programas informáticos num mesmo código. o que já aconteceu e vem acontecendo no ciberespaço nos permite perceber uma certa trajetória e pressentir seu próximo devir (SANTAELLA.

pois a digitalização9 deflagrada pelos novos meios criados permite reunir em um único código binário10. o áudio-visual. 2003. sons e vídeos com ramificações complexas e responsivas. pois ela dará suporte a novas matrizes de forças políticas e culturais suportadas pelo novo meio. Não é possível minimizar o potencial das infovias7 no meio cibernético. o texto. Estes são os quatro pilares midiáticos do ciberespaço. . estabelecendo condições para novas possibilidades organizacionais e burocráticas mais complexas e de larga escala do que as atuais. e isso geralmente significa reaprender outra forma de utilizar o próprio idioma. Na medida em que o usuário aprende a falar através das teclas do computador. 10 No caso dos computadores. conhecimento. apresentador e difusor de seus próprios produtos. ele também obtém maior variedade e liberdade de escolhas. 76). pois visivelmente. ele está pronto a gerar todos os dias brechas para a comunicação. 7 Canais de navegação ilimitada por fontes diversas de informação através da rede de computadores mundial. Com o ciberespaço acontece o inverso do que aconteceu com as mídias anteriores. compositor. montador. educação e criação de comunidades virtuais estratégicas que deveriam urgentemente ser explorados antes que o capital tentasse colonizar o infinito numa guerra comercial e virtual. Dentro das hiper-redes multimídia há a possibilidade de que cada um seja seu próprio produtor. elas deram um salto significativo e qualitativo rumo à interação comunicativa hipermidiática e a novos sistemas ambientais implementados com todos os aparatos tecnológicos disponíveis (Hayward. A cibercultura está intimamente ligada à expressão “convergência de mídias”. os pioneiros da era da industrialização. tanto por causa das abreviações contumazes como do uso do hipertexto8. linguagem universal baseada em lotes dos algarismos 0 e 1. Impossível também a ocupação desse espaço pelos meios de massa tradicionais. mais conhecida como World Wide Web. informação. 1993 apud Santaella. p. 8 Texto agregado a imagens. 9 Conversão do formato analógico para um código binário de linguagem universal acessível a todos os computadores e passível de execução em todos eles. criador. as telecomunicações e a informática.18 As implicações dessa revolução não beiram somente o tecnológico.

2007). Logo. 2003: 92. . Mas os sentidos em uso vão além disso. adotará características mais humanas ou mais mecânicas de acordo com as opções do usuário. significa a membrana que separa e conecta o humano e o maquínico.. p.] e para o equipamento de vídeo [. num conceito mais dinâmico. A proeza da interface constitui-se em eliminar supostas diferenças entre os dois mundos: newtoniano12 e o ciberespaço13. por sua vez. que não faz parte do equipamento físico e inclui os programas e os dados a eles associados”. (HEIM.] para examinar o sistema. 91) Isso. 13 Id. 92. mais interativo através da conexão a um todo. “em um sistema computacional.. sugere o encontro de duas ou mais fontes de informação face a face num campo tão extenso quanto inimaginável. Estes alheios um ao outro. mas dependentes em sua co-existência.1 Ciberespaço Baseado na Interface A cultura da interface surgiu com os adaptadores de plugue usados para conectar circuitos eletrônicos [. ou chegará ao equilíbrio entre ambas (SANTAELLA.1. De um lado. interpretarão a vontade do usuário e o colocará em sintonia com a vontade dos demais usuários do sistema. Finalmente. A recíproca é verdadeira quando. O computador passa a ser. p. o conjunto dos componentes informacionais.. p. interface indica os periféricos de computador e telas dos monitores. nesse encontro. cit. op.643) define Software. indica a atividade humana conectada aos dados através da tela. segundo a autora. por sua vez. de outro. A interface.. 2003.. a interface.19 2. transformando-se em um elo 11 O Dicionário Aurélio (FERREIRA. 2001. 12 SANTAELLA.. e abrangem desde cabos de computadores até encontros pessoais e a fusão de corporações financeiras. 74-80 apud SANTAELLA. refere-se à interação humana com as máquinas e até mesmo à entrada humana em um ciberespaço que se autocontém. a partir da interatividade. as respostas do software podem interferir na nossa capacidade de poder de pensamento (THOMPSON. 2003). mesmo que se trate de uma conexão da face de uma pessoa com a de outra. 1993. Eis a diferença entre ferramenta e programa11 (software): As ferramentas são simplesmente os instrumentos usados para estabelecer amplitude aos programas que. p.

“The image summoned by the pictograms may be static or in movement and assume different functions in relation to the written text. demand new reading efforts”15. surge daí uma visão profunda do desempenho individual e da natureza de toda interface midiática.14 (CANAVILHAS.” . só assim podemos ter a melhor compreensão dos aspectos qualitativos.) Basically we are talking about system syntax. 14 Nossa tradução: “Basicamente. A rede.. é formada de nós e conexões chamadas de hipertexto ou hipermídia.. sombreamento. 7). Portanto. Para analisar essa nova interface é necessário se concentrar na estrutura da linguagem visual e seus elementos. linhas.” 15 Nossa tradução: “A imagem soma-se a ícones que podem ser estáticos ou estar em movimento assumindo assim funções diferentes na relação com o texto escrito e demanda novos esforços de leitura.) diz que esses elementos são os pontos. p. about the creation of interfaces that must be sufficiently intuitive/instinctive so that the user can reach his/her goals without interruption. Para o autor. 2006. Para Canavilhas (2006) a incorporação de elementos não textuais na ação de comunicação deve obedecer a uma sintaxe própria para a continuação da interatividade. estamos falando de um sistema de sintaxe novo e sobre a criação de interfaces que devem ser suficientemente intuitivas/instintivas para que o usuário possa atingir seu objetivo sem interrupções. apud CANAVILHAS. quais são esses elementos visuais? Dondis (ibid. um por um. as such.20 que permite uma linguagem interativa homem-máquina. Estes elementos são a base do desenvolvimento da linguagem visual na interface e resultam de uma organização especial que não será abordada por hora. p. ou seja. 25. alinhamentos. cores. (. p. tamanhos. veículo dessa linguagem. 2006. existem diferentes caminhos para a decodificação desse grupo de signos e que podem ser tomados a qualquer momento de acordo com a vontade do receptor. a construção dessa interface obedece a elementos pré-existentes baseados em modelos de uma iconografia qualitativa. texturas. 6) De acordo com Dondis (2000. dimensões e movimentos presentes numa interface de web. formas. and.

autoridade. de certa forma. valores comuns e ideologia política. 12-32) que se torna capaz de incluir e abranger todas as expressões culturais. Daí o desencanto das sociedades. 462) observa nesse caso. a co-existência de mensagens transcendentais como pornografia e linhas de bate-papo dentro do mesmo sistema. pois todos os milagres do mundo estão online e podem se tornar imagens autoconstituídas. pode ser caracterizada como virtual. 459) de que toda realidade é comunicada através de símbolos e que na interação humana. No entanto. p. p. como a percebemos hoje. Partindo do pressuposto defendido por Thompson (2007. Thompson (idem. pode-se dizer que toda realidade é percebida como virtual. desde que agreguem características para a materialização eletrônica dos hábitos transmitidos espiritualmente16. Um meio tão abrangente e sofisticado como a hipermídia na internet. 2003.21 2. p. abordaremos estes termos conforme a visão de Santaella para o leitor virtual. . os quais escapam a definições semânticas. isso não significa que exista homogeneização das expressões culturais e domínio completo dos códigos por alguns emissores centrais nessa captação universal. desde que sua percepção derive-se de símbolos formadores da prática. p. todos os símbolos são. entre eles: religião. permite a captação extremada da experiência simbólica/material das pessoas num texto multimídia (neste contexto. refere-se aos valores éticos padrões transcendentais. encarando a multimídia como suporte e a hipermídia como linguagem”) (SANTAELLA. deslocados com relação ao sentido semântico que lhes são atribuídos. independente do meio. 461). nesta situação. Neste contexto as redes online interativas têm se revelado mais eficazes que o contato direto com a autoridade carismática. 16 Espiritualmente. traz consequências para as formas e processos sociais tradicionais (idem.2 Hipermídia e Realidade Virtual A própria realidade. moralidade. baseado na auto-interação de sinais eletrônicos digitais. A importância dessa inclusão de expressões culturais no sistema de comunicação integrado.1. Tais processos podem se enfraquecer ou se multiplicar dependendo de sua adaptação ao novo sistema.

17 Termo utilizado por Thompson para discriminar uma situação de fascínio despertada pelo avanço e desenvolvimento das tecnologias online. 2006. 2003. mas de toda a gama de associações e dissociações entre os diversos meios citados por Santaella (2003) anteriormente como princípios da convergência de mídias. 459).. Ou seja. 6) Mas não é apenas de elementos imagéticos que se constitui a interface da realidade virtual. Canavilhas (2006) descreve que uma característica sintética da realidade virtual [. sendo que passado. “onde o faz de conta torna-se realidade” (THOMPSON. p. como em. A diversidade dos sistemas de representação historicamente transmitidos é agora parte de um espaço de fluxos e um tempo intemporal da nova cultura: o da virtualidade. presente e futuro passam a ser programados para interagirem entre si numa mesma mensagem. more than ever.. A relação temporal entra no mesmo processo. Essa capacidade da hipermídia em se fragmentar e se reconstituir em uma multiplicidade de partes permite que o receptor seja ao mesmo tempo.22 O espaço e o tempo são substancialmente alterados juntamente com as dimensões fundamentais do cotidiano por este “milagre17” do online. 74).] is the possibility to create and/or predict virtually certain situations such as meteorological phenomena or buildings under construction. Synthesis/summary images allow the reconstruction of historical events or accidents for which there is no record. imagens podem reconstruir eventos históricos ou acidentes que não foram filmados. “Isso só é possível devido à estrutura de caráter hiper e multidimensional que dá suporte às infinitas opções de um leitor imersivo” (Santaella. mais do que nunca. Sumariamente. 18 Nossa tradução: “[.. o físico passa a ser coadjuvante do virtual ao ponto que este se incrementa através de interfaces cada vez mais próximas do contato humano.] é a possibilidade de criar ou prever certas situações virtuais como fenômenos metereológicos ou edifícios em construção. as.18 (CANAVILHAS. . 2007. p. p. co-criador e co-autor das versões virtuais. Localidades ficam despojadas de sentido histórico ao serem reproduzidas em redes funcionais ou colagens de imagens e ocasionam um espaço de fluxos que substitui o espaço de lugares.. no caso de que „uma imagem vale mais que mil palavras‟”. these are the cases in which „an image is worth more than a thousand words‟.

apud RECUERO. p. O direcionamento da ação social. s/p). Para Reinghold (apud Recuero.1. 2001. s/p) Para muitos. Nesse sentido. mas que o complexifica. 1999. a comunidade virtual se distingue pelo local que ela ocupa no ciberespaço (virtual settlement). não há um locus específico para sua concentração. é em seu âmago o ideal de comunidade.3 Ciberespaço e Comunidades Virtuais O conceito de comunidade virtual sugere novas formas de interações entre as pessoas online e está ligado também à Comunicação Mediada por Computador (CMC) como veículo das mais variadas modificações da estrutura da sociedade. (WEBER. no tempo e no sentimento. entre pessoas que se encontram e reencontram mantendo contato através da internet.). imaterial. 1987. a maior parte das relações sociais tem. blogs. Mas as observações consoantes a estas características são as de que comunidade integra um grupo maior de conjuntos humanos através do tempo. Esse virtual settlement é um ciber- . de certa forma. que nada mais são que um “espaço virtual. 77. p. desde que voltado para algum tipo de transação emocional. 2001. e constituído através da circulação de informações” (Lévy. não oposto ao real.23 2. na média ou no tipo ideal. s/p). 94 apud Recuero. 2001. Tais elementos destoam-se da noção básica de comunidade que antes era restritiva a uma determinada base territorial. conforme afirma Weber: Chamamos de comunidade a uma relação social na medida em que a orientação da ação social. É neste cenário que surgem as comunidades do ciberespaço. o caráter de comunidade e sociedade. baseia-se em um sentido de solidariedade: o resultado de ligações emocionais ou tradicionais dos participantes. é público. As relações sociais que se mantêm no ciberespaço são oriundas dos agregados de grupos de pessoas vindas da rede (Internet) e compostos de suficientes sentimentos humanos que possibilitem essas relações no espaço cibernético. afetiva ou tradicional. ou seja. os elementos que formariam a comunidade virtual estão presentes nos canais de discussões públicas (chats. etc.

24 lugar simbolicamente delineado por um tópico de interesse. (4) um espaço público onde está a comunidade e por último (5) um fluxo de usuários contínuo para que a interatividade seja propícia. pois estão pré-determinadas a existirem (p. A interação no ciberespaço é mútua e reativa. Sendo assim são previsíveis todas as respostas. “[. Na interação mútua (p. ex. e onde uma porção significativa de interatividade ocorre. a permanência e principalmente o sentimento de pertencimento são condições necessárias para a corroboração da existência de comunidades no ciberespaço. chat) existe uma ponte de negociação entre agentes com ações independentes e com fluxos dinâmicos cuja construção se dá através da negociação. (2) uma troca de mensagens em sequência que permita a correspondência comunicativa. O que segundo a autora. mas sim à comunidade em si. somente uma ação do humano que seja apenas disparadora de programas no computador. Para tanto. online apud idem). quando e por quanto tempo estiver. 2001). Essa interatividade. apud Recuero. mas “a extensão em que as mensagens em uma sequência relacionam-se umas com as outras. é necessária a existência de vários fatores: (1) uma interatividade mínima. não é uma característica do meio. Conforme Palácios. (3) uma variedade de comunicadores necessários à interatividade. programa de mensagens instantâneas). 1997 apud idem).. a manutenção das relações através do tempo. . Esses espaços cibernéticos possuem em seu conceito um locus para a atividade de comunidades virtuais. a estabilidade e presença de membros. Não há. nestes casos. permite que grandes comunidades virtuais sobrevivam e com o tempo tragam os laços virtuais do plano do ciberespaço para o plano concreto promovendo encontros entre seus membros. a existência de “comunidade pressupõe relações entre os seus membros: a interatividade”.] o indivíduo só pertence se. nesse caso. efetivamente. Em conformidade com Recuero (2001). de anteriores a posteriores” (Jones. Já o lado reativo envolve um sistema fechado com fluxo linear de estímulo-resposta determinado e baseado no objetivismo. interessado em fazê-lo” e “CMC é apenas uma das muitas tecnologias utilizadas pelas pessoas através das quais as redes de comunidades existentes se comunicam” (1998. ex. Entretanto. segundo Jones (1997. ainda que todas as fronteiras sejam simbólicas e não concretas. Esse sentimento não está ligado ao território..

stricto senso ela não poderá existir (Weinrech. (RECUERO. fundador de todo conhecimento. pela nossa experiência no estudo do assunto.2 INTERAÇÃO MEDIADA E COMUNICAÇÃO NA REDE A definição de mediação. 2001). 2005..). Porém. . grande parte dos laços sociais forjados no ciberespaço sejam transpostos para a vida offline [fora da rede/internet] das pessoas (. que muito provavelmente. mas continuará tendo seu virtual settlement que continuará aberto como local público propiciador de novos laços sociais. mas isso é na verdade em decorrência de um poder originário de discriminar. de qualquer forma. A partir daí. segundo Sodré (apud JARDIM. as quais. 2001) O interessante aqui é analisar como se constituem esses laços online e como eles interferem na vida offline das pessoas. a mediação na rede diz respeito à relação dialógica desempenhada pelos emissores. online apud Recuero. ou seja. 2.. a comunicação mediada passou a complementar a do tipo face a face. Portanto. por enquanto estes laços continuam sendo mantidos prioritariamente no local onde foram forjados: na comunidade virtual. remontam ao período do final do século XIX e da Revolução Industrial. a comunidade virtual é um elemento do ciberespaço e existe apenas na troca interativa de laços sociais. portanto de um lugar simbólico. p. 1997..). Existem três estágios principais que antecedem a interação mediada por computador em rede. de fazer distinções. A comunidade virtual pode ser estendida ao concreto. Para o autor. um território físico. como a comunidade virtual não tem um espaço definido.25 Acreditamos. bilateral e pluridirecional. gira em torno do significado da ação de fazer ponte ou fazer comunicarem-se duas partes (. segundo Thompson (2007). mensagens e receptores entre si de forma aleatória.. 2). Alguns críticos e autores poderão defender que. citado por Jones.

p. 14). Apesar das limitações já constatadas no veículo de mediação da atividade que afeta a possibilidade de “deixas”. Mas perdeu-se um tanto da multiplicidade disponível de “deixas” simbólicas pela limitação própria do veículo utilizado. porém é possível a sua simulação presencial e o feedback a partir do receptor – que pode constituir-se em relação dialógica. . Tão logo surge essa interação mediada. 2009. podem estabelecer relações múltiplas ou não no modelo dialógico.26 os contextos foram separados e estendidos de forma temporal e espacial. mas atinge um número indefinido de receptores que. A orientação da mensagem está para um público específico. A relação espaço/tempo muda mais uma vez com a interação cibermediada dando lugar a existência de uma co-presença virtual composta de múltiplas identidades separadas contextualmente. caso do telefone. Porém. A mensagem pode ser assim orientada para um número indefinido de receptores potenciais. a orientação da atividade e a relação dialógica sofreram transformações expressivas. do telégrafo e das cartas. as mensagens ainda continuaram orientadas a um receptor determinado e a relação entre emissor e receptor ainda era dialógica. porém não mais dialógica e sim. conforme defende Moraes (2009). monológico ou dialógico/monológico (MORAES. As possibilidades de “deixas” ainda são limitadas. monológica. como foi dito. a multiplicidade de signos aumenta com a simulação visão/audição encontrada nos veículos mais desenvolvidos tecnologicamente. as possibilidades de “deixas” simbólicas. Daí a perda do referencial espaço/tempo se constitui em oposição à disponibilidade estendida em velocidade/luz.

58) o jornalismo dentro da cibercidade configura-se como “produto discursivo que constrói a realidade por meio da singularidade dos eventos” e que se utiliza de uma tecnologia capaz de transmitir sinais numéricos e promover a interação com os usuários. mas as implicações de um jornalismo para o universo online vão modificar as práticas dentro de muitas redações.1. 2007). Cf. Ele é fronteiriço.3. 1968) Da mesma forma que nos demais meios. o surgimento de novas formas do jornalismo depara-se com um crescente desenvolvimento emergente neste entre-tempos de fim/começo de século com características qualitativas diferenciadas e bem detectáveis que saltam aos olhos (THOMPSON. Conforme Barbosa (2001). 2003. . 19 apud PINHO. p. Isso significa que começa a mudar a relação receptiva de mão única do televisor para outra bidirecional exigida pelos computadores. Segundo Gonçalves (2000. por enquanto. (Diggers. subitem 1. O primeiro passo para o discernimento das características de um jornalismo online é examinar com maior profundidade suas possibilidades e 19 20 “Isso é de graça porque isso é de vocês” – Diggers se referindo à gratuidade do Software livre. Os lados extremos desta situação com certeza não é o que parece prevalecer. mas sua formatação exigirá maior esforço de adaptação aos novos tipos de interação. Parte-se da ideia de que o jornalismo apenas utilizará um novo meio para sua propagação e terá práticas parecidas com as atuais. a “deontologia e profissionalismo do jornalista continuarão a ter o mesmo papel”. prever qual o papel da internet no futuro do jornalismo ou quais as evoluções do jornalismo online. por outro lado estudiosos defendem que a internet culminará com o fim do jornalismo.27 3 O JORNALISMO NA CIBERCIDADE It‟s free because it‟s yours19. p. fluído e desterritorializado. Não é fácil. como no caso da CMC20.

Temse daí a possibilidade de escolher o caminho que se deseja para a interpretação da mensagem.) afirma que a inteligência da narração bem como a dinâmica entre a forma de escrever e a sociedade se relacionam: “Entre .) As redes são múltiplas e interagem sem que uma possa englobar as outras: o texto é uma galáxia de significantes e não uma estrutura de significados (!). 1999. 1999. conectados eletronicamente. Não há começo. p. Barthes (apud ibid. ou de imagens. numa textualidade sempre aberta e infinita.. ler não significa apenas ser um consumidor passivo de informações. 287) o define como a textualidade em sua forma ideal. o que vem a ser? Barthes (1970. a oportunidade de fomentar o texto. 287). com vários acessos possíveis. e por outro lado. seja com comentários ou mensagens referentes ao material.1 O FENÔMENO DA INTERAÇÃO HIPERTEXTUAL Hipertexto. p. pressupõe a existência de um leitor ativo capaz de fazer ligação entre os diferentes materiais disponíveis. a possibilidade de uma leitura de informações complementares só é possível devido aos percursos específicos entre os blocos de texto utilizados por quem escreve. mas não sequencialmente. criando uma cadeia crescente de produção hipertextual. conforme múltiplos percursos. apud CASALENGO. (CASALENGO.. A possibilidade de navegar entre textos conectados metodologicamente. Neste sistema hipertextual. 3. Trata-se de um texto composto de blocos de palavras.28 recursos através das aplicações da web que dão suporte e são veículos da informação e conteúdos jornalísticos. somente mais tarde o termo passaria a ser chamado na literatura com o nome de hipertexto. (. pois o leitor pode construir pontes ainda não imaginadas entre um e outro texto pelo simples fato de escolher dentre os links da web qual deles será sua opção de pesquisa. mas reversibilidade. mas produtor de hipertextos. Nesse caso.

adiciona e acondiciona à superfície formas outras de textualidade” (XAVIER. 4) O hipertexto torna-se assim. o autor ainda defende que o hipertexto é “a imagem refletida de uma sociedade fragmentada em tribos. p. 2007. Xavier sugere ainda que o hipertexto “possui uma forma híbrida. [2008]. Alguns pontos fundamentais vem se alterando ou até mesmo se rompendo no tocante aos processos de escrita e leitura devido às modificações impostas pelo suporte eletrônico. Ou seja. Essa visão de código remete ao sentido de uma nova forma de ler e escrever que nunca antes teriam a possibilidade de ter ocorrido conforme Storch relata ao comentar Chartier (2002). um sistema de marcação. por sua vez. [2008]. conforme elucida Storch: as marcações no texto impresso (p. 293). tanto uma estrutura textual quanto uma linguagem codificada para computadores. 171 apud STORCH. Questões como a propriedade intelectual das obras online.29 romance e história existe sinergia” (CASALENGO. notas de rodapé e sumário). . Mas aqui optamos por utilizar a expressão hipertexto sob uma perspectiva mais técnica para designar um “sistema de organização de informações digitais. notamos que (. p. Existem outras formas hipertextuais que não são do universo digital. Pensando essas modificações mais a fundo. Neste caso... os basilares desta mudança estão no novo modelo de transmissão da web a qual demanda requisitos específicos de formatação e leitura. Há uma mutação epistemológica fundamental que transforma profundamente as técnicas de prova e as modalidades de construção e validação dos discursos do saber (CHARTIER. dentro do universo digital. ex. policêntrica e em rede (. 2005. 1999. p. p. 206 apud STORCH. dinâmica e flexível de linguagem que dialoga com outras interfaces semióticas. p. complexa e sem ideologias hermetizantes” (ibid.) o leitor não é mais obrigado a atribuir sua confiança ao autor.). 4). p. refazer a totalidade ou parte do percurso da investigação.. que permite a formatação de diferentes tipos de conteúdos e dados na Web” (STORCH. a colaboração e a autoria são algumas das principais discussões que giram em torno dessas mudanças. por gosto ou por lazer.).. pode. 4). [2008].

referimo-nos à estrutura onde a troca de informações instantâneas constitui-se o alicerce da mensagem.) considerando que a leitura multidirecional confere maiores poderes àqueles que navegam pelo documento digital. 6).. de forma que a primeira está vinculada ao meio impresso (marcas textuais) enquanto a segunda geração teria se organizado a partir das tecnologias da informática e isso inclui os tradicionais links. [2008]. co-criando um universo novo de significação e participando ativamente do processo de criação do discurso. ou colaborativo. como o da empresa „Google‟. A escrita hipertextual. mas sim da capacidade de participação aberta dos leitores/autores. mas não se pode deixar de apontar que esses apontadores foram pré-determinados por um programador. acontece nos chats22 e nos weblogs23 gerando uma simbiose de elementos hipertextuais e textuais que compõe uma estrutura ao mesmo tempo organizada e caótica. Outro exemplo é o complexo sistema wiki24. Neste caso. por exemplo. Essa escrita coletiva. é preciso lembrar que o programador do hipertexto ainda mantinha consigo [no hipertexto de segunda geração21] o poder da escrita (. a Wikipédia – enciclopédia digital composta de conteúdos produzidos por usuários de todo o mundo – seria um exemplo. 24 “Muitos sistemas se utilizam do conceito de colaboração [abordado neste trabalho em capítulo próprio] para o desenvolvimento de seu conteúdo: é o caso. ou seja. 84 apud STORCH.. que decide ele mesmo quais caminhos alternativos seriam propostos na página (PRIMO e RECUERO. p.. como o „Wikinews‟. à colaboração. por conseguinte. 6) . Já a terceira geração hipertextual remete à abertura à participação coletiva. De fato.. Mais uma vez (.). 21 Primo e Recuero abordam uma primeira e segunda geração do hipertexto. Também é o caso de editores de texto compartilhados. 2006. que permitem a intervenção simultânea de mais de um editor no mesmo texto. permite ao navegador seguir sua própria estrutura de leitura dentre uma infinidade de links. na qual os leitores interferem no texto modificando o conteúdo. por exemplo. p.” (STORCH. ele [o leitor] poderia decidir quais links gostaria de seguir. da enciclopédia colaborativa „Wikipédia‟ e de sites de jornalismo participativo. Essa capacidade de produção coletiva é sugerida não a partir da existência dos conteúdos e suas ferramentas de democratização (acesso dinâmico). 22 Neste contexto. 23 Sistema de conversação orientada por ferramentas de comentários.30 Essa leitura não-linear desencadeada pelo hipertexto na web. materializa a ideia de escrita em conjunto. p. [2008].

p.1. o conteúdo hipertextual. Assim. Conforme Storch ([2008]) nos incita a pensar. “os caminhos possíveis do internauta se encontram previstos” (PRIMO e RECUERO. diz que “todos os envolvidos compartilham a invenção do texto comum. mantém-se em sua composição original. analisada pela dupla perspectiva do texto/código e relacionada às variações do hipertexto digital. as formas de comunicabilidade entre os sujeitos. 6. é fonte [a escrita coletiva] não apenas para a organização de novas formas de enunciação..). ex. “demanda mais um trabalho de administração e reunião das partes criadas em separado do que um processo de debate e invenção cooperada” (ibid.) através de ferramentas e processos complexos de negociação de sentido. ou referente ao sistema wiki. No primeiro caso. Já no caso do Hipertexto de Colagem (p. os interagentes (STORCH. Já o Hipertexto Cooperativo. há diferenças entre Hipertexto Potencial. 2003. p. a linguagem hipertextual permite a materialização da escrita coletiva na grande rede (internet) (. p. Hipertexto Cooperativo e Hipertexto Colagem. 55 apud STORCH. Este processo demanda a presença de ferramentas de comentários. [2008].).. esse produto final seria um texto com múltiplos autores – todos os que em maior ou menor grau interferiram na composição do conteúdo.) e do produto criativo em andamento” (ibid. enfim.1 Variações Hipertextuais É válida uma rápida abordagem à organização da escrita dentro deste sistema do hipertexto. Todas essas movimentações de linguagem em torno de um novo suporte irão alterar. mesmo se tratando de uma criação do processo coletivo.31 3.. 7) . de forma que é o internauta quem se adapta. [2008]. à medida que exercem e recebem impacto do grupo (. weblogs). porém.). Dessa forma.. mas também de novas articulações com as informações.

32 3. Por último. num roteiro multilinear. As interpretações destas características. em silêncio. vídeo. “é o leitor do mundo em movimento. de misturas sígnicas”.).) um leitor em estado de prontidão. 14-32 apud ibid. etc. p. concordamos com a autora ao darmos conta de que todo universo hipertextual demanda novas exigências cognitivas para o leitor: O leitor imersivo é obrigatoriamente mais livre na medida em que. a hipertextualidade oferece aos processos de leitura e escrita rupturas sem precedentes e que envolvem não apenas diferentes rotas de leitura. conceitos como leitura/leitor e escrita/escritor se desfiguram de seus significados próprios para abranger uma nova gama de possibilidades de forma a dar vazão à diversidade de experiências do discurso no ambiente virtual.1. Ou seja. o perfil cognitivo do leitor no ciberespaço tem merecidas elucidações. 2004. aquele leitor virtual é “o que surge com novos ambientes de virtualidade tem „na multimídia seu suporte e na hipermídia.). Sem dúvida. p. documentação. 2004.. (SANTAELLA. o movente e o virtual. Desse modo.33 apud id. música. sem a liberdade de escolha entre os nexos e sem a iniciativa de busca de direções e rotas. conectando-se entre nós e nexos. É um tipo de leitor que navega numa tela. mas também uma relação dialógica mútua e interativa. seriam de que o “leitor contemplativo” seria aquele que lê sozinho.) Desse modo. segundo Storch (ibid. num universo de signos evanescentes e eternamente disponíveis (. imagens. a leitura imersiva não se realiza. que enquanto vai dirigindo para o trabalho lê as mensagens publicitárias e dos órgãos públicos.2 Leitor Interagente Conseguinte às alterações dos modelos e sistemas de informação vistos anteriormente. do mundo híbrido. os . passim). que classifica os leitores em três tipos diversos: o contemplativo. trata-se do leitor que “compreende os textos das cidades que começam a surgir”. sua linguagem” (SANTAELLA. apud id.. Já o “leitor movente”. programando leituras. e assimila o conteúdo que está à sua frente de forma ponderada. como as propostas por Santaella (2004. Ou seja. dinâmico. multisequencial e labiríntico que ele próprio ajudou a construir ao interagir com os nós entre as palavras.

ou mesmo que defina. existe o “leitor-editor”. em todo caso. o que será mantido ou modificado nas estruturas do ambiente de interação” (ibid. também participa da construção desse campo de interações. definição aplicada a ambientes com maior liberdade de poder-agir interacional – ligados ao hipertexto cooperativo. sugerida no Hipertexto Colagem – que não está ligado à total liberdade de interação do leitor em um ambiente virtual. no caso dos blogs e de alguns webjornais. o interagente está sujeito a uma pré-seleção. predispostamente. Por último. Mesmo que essas interações mútuas sejam limitadas pelos programadores sua existência é responsável pela uniformização – pelo menos potencial – do acesso e até mesmo das interações entre os colaboradores. seja se inscrevendo em relações mútuas. Sendo assim. Diante das qualidades descritas do poder-agir do leitor. colaboração e intervenção hipertextuais na web.). o que irá ou não ser publicado. está a expressão “leitor-escritor” co-relacionada ao hipertexto-colagem – existente em um ambiente de relativo poder-agir interacional. realizada através das seleções de links conforme esclarece Storch. como nos comentários em um blog. ou quando difunde informações em um domínio personalizado ou participativo. podemos discutir as diferentes posições do interagente num ambiente virtual ao conectar a expressão “leitor” ao processo de leitura labiríntica (leitura dentro de um campo hipertextual não linear com diversas raízes entre produções de um e outro autor).33 interagentes são os integrantes diretos dos movimentos de participação. escolha ou manipulação de conteúdo. Tal é possível devido ao suporte hipertextual permitir que o sujeito do processo. qual a manchete mais importante. pode-se preservar 25 Os Templates são tabelas de organização de conteúdos em um site da Web. enquanto navega. . De outro modo. Isso traduz o leitor hipertextual como um interagente que. Em outro nível. essa perspectiva não se confirma: o leitor não tem o poder-agir de definir o que será capa. Pois diferentes colaboradores podem aplicar sobre os conteúdos publicados as mesmas eventuais intervenções. continuar a construção do discurso numa narrativa. “intervenha nos conteúdos através do acesso ao template25 de edição. por votações e seleções coletivas. Ademais. O interagente pode.

2006. atingindo a marca de um bilhão e meio de pessoas. órgão ligado a fontes de dados do Internet Coaching Library dos Estados Unidos e que monitora o tráfego na rede.2 REPRESENTATIVIDADE DA WEB A maioria dos autores que discute hoje quais as principais linhas de pensamento a serem seguidas pelo jornalismo na cibercidade. (Cf. o jornalismo digital adota especificidades particulares conforme defende Palácios (2002 apud AMARAL. Américas do Norte e Latina. p.com/> Acessado em 28 de setembro de 2009. hipertextualidade. por exemplo. No mesmo período. o crescimento mundial de acessos à rede foi de 362%. atualmente 24.) a característica de interagentes a todos os envolvidos nos diferentes movimentos de participação. memória e atualização contínua”. 3. essa categorização facilita a descrição dos diferentes ambientes de interação oferecidos.000% entre 2000 e 2009. [2008].34 (. p.7% da população mundial têm acesso à rede. mas ao mesmo tempo possui enorme complexidade de aplicação à prática jornalística dentro dos limites da participação coletiva no webjornalismo. Apesar das diferenças de penetração geográfica da www. pelos webjornais e permite a discussão sobre formas de interação dos leitores-escritores em conteúdos noticiosos. <http://www. demonstra que nas quatro maiores regiões do globo – Ásia. a partir de sua liberdade de ação (STORCH.internetworldstats. o Internet World Stats26. Este tema é largamente debatido.10). 135): a da “multimídia/convergência. Europa. . Esses elementos são basicamente o que compõe a linguagem da Internet e as potencialidades das ferramentas digitais. Ou seja. personalização.. Nesse contexto. parece concordar pelo menos em um item: o de que o desenvolvimento do jornalismo online está umbilicalmente ligado aos processos de aperfeiçoamento de sua difusão. interatividade. Ilustração 1) – o crescimento conjunto do número de usuários da grande rede supera 1. isso 26 Cf..

No caso do Brasil.5 milhões de usuários.internetworldstats. o número de acessos tem aumentado exponencialmente desde dezembro de 2000 chegando à casa dos 1. Ilustração 2) da população brasileira acessando a web – mais de 67.com/stats. ILUSTRAÇÃO 1: Gráfico de usuários da internet por Regiões Geográficas (em milhões de usuários). o equivalente a cinco vezes toda população do estado de São Paulo.htm . as pesquisas apontavam 360 milhões de usuários. Disponível em: <http://www. Em dezembro de 2000. .35 significa algo em torno de dois bilhões de pessoas acessando a internet. Isso significa 34% (Cf.Acesso em: 12 out 2009.250% de crescimento até 2009. Fonte: Internet World Stats.

as publicações – que já tinham se informatizado com relação aos processos de editoração – apenas lançaram seu conteúdo textual no ambiente online.com/stats.36 ILUSTRAÇÃO 2: Gráfico dos dez maiores países da América Latina em número de acessos à internet (em milhões de usuários).internetworldstats. Embora o crescimento da internet de maneira geral e em banda larga tenha sido expressivo.Acesso em: 12 out 2009. embora não seja o único motivo. 27 Aquelas conexões que ocupam a linha telefônica e que são usadas onde não existem os cabos dualband. Com o advento do online no jornalismo. Talvez seja devido a isso que o texto continua a ser o elemento mais usado no jornalismo que se faz na web. Fonte: Internet World Stats. pois naturalmente o download é mais rápido. aqueles com dupla bandagem (uma para voz e outra para dados) que possibilitam acessos até 20 vezes mais rápido à internet sem ocupar a linha. mesmo em se tratando de conexões discadas27. ou seja. .htm . as publicações online apostaram nas notícias baseadas em texto verbal escrito. Disponível em: <http://www.

28 Cf. passim apud CANAVILHAS. 5-14. p. 2006. época em que o telégrafo surge como grande inovação tecnológica. 3. foi com alguma naturalidade que o jornalismo na web se desenvolveu num modelo muito semelhante ao do jornalismo escrito. 6). nas quais a pirâmide invertida é referenciada como fundamental no texto jornalístico. 4). “onde”. . Conforme cita Fontcuberta (1999. adoptando [?] as mesmas técnicas de redação usadas na imprensa escrita (CANAVILHAS. p. condensavam os fatos importantes no primeiro parágrafo da notícia e os esclarecimentos nos demais. ILUSTRAÇÃO 3: Esquematização da construção da notícia com relação à ordem das informações no texto. CANAVILHAS.3 TÉCNICAS PARA O ONLINE De uma maneira geral. A técnica da pirâmide invertida consiste basicamente em uma redação da notícia começando pelos dados mais importantes – a resposta às perguntas “o quê”. os operadores telegráficos. “como” e “por quê” – seguidos das informações secundárias (Cf. “quem”. as técnicas de redação referem-se a uma introdução teórico/prática da linguagem. visando melhorar a eficiência de suas transmissões. 2006. gênero e matérias como um todo. estilo.37 Desta forma. p. 2006. ilustração 3).28 Essa arquitetura do texto noticioso tem sua herança nos telégrafos e remonta ao período da Guerra de Secessão nos Estados Unidos.

no qual são respondidas as questões fundamentais. etc. apud AMARAL. 136) defende características elementares do ciberjornalismo. sugere a construção de formas diversas de leitura. a tendência atual do online é desfrutar das várias ferramentas do hipertexto. p. vídeo. 30 Numa primeira etapa da pirâmide encontra-se a parte básica do texto. O segundo quadrante contem explanações específicas comparadas a matérias maiores e naturalmente explicativas. Apesar da grande aplicabilidade desse modelo. devido ao fato de as redes de hiperligações incentivarem a construção de um discurso coeso. interatividade e universalidade. a quantidade e variedade de informações disponíveis tornam possível a construção de uma “pirâmide deitada29”. entretanto. armazenados arbitrariamente na grande rede e que fazem menção direto-indireta ao fato. diferentemente do que acontece com o texto impresso. “técnica batizada por Edwin L. o que significa não ficar preso a uma técnica específica. correspondente aos termos principais do lead. essa pirâmide convergente é composta de uma rede de hiperligações de elementos multimídia e textuais. infográficos.38 Em lugar da redação cronológica dos fatos. Sua representação prática dentro do jornalismo pode ser uma chamada com foto em um site ou uma matéria curta. 109 apud id. . hipertextualidade. sendo possível. ou propriamente. na qual os dados seguiriam uma linha de aprofundamento exaustivo dos temas e itens tratados a partir de um assunto em comum. A interpretação básica sugerida a partir do termo é a de uma leitura personalizada com possibilidade de escolha do percurso tornando o leitor um produtor de significação. ou de significações. Por último os últimos quadros são ligações a arquivos externos. ou seja. instantaneidade. materializar o modelo da pirâmide invertida conforme pode-se notar na Ilustração 430. no webjornalismo. Como visto. Marcos (2003.). p. Pois. Para Canavilhas (2006). tais como: multimídia. a possibilidade de interligações (links) dentro do hipertexto. passou-se a adotar o modelo da pirâmide invertida desde então. 2005. No próximo nível deparamos com uma desmembração do fato em diversas subcategorias. dentro de uma página da web. o que não implica cortes no texto por razões de espaço. o espaço online é tendencialmente infinito. Ainda na mesma linha de pensamento. Shuman no seu livro Pratical Journalism” (SALAVERRIA. 2006. 29 O termo “pirâmide deitada” também é referenciado por “pirâmide convergente” devido ao fato da existência de uma multitextualidade como princípio de sua formatação. todas permeadas de recursos multimídia: som. no qual existem limitações de espaços sujeitos a alterações do editor.

e para tanto. mas uma tentativa de assinalar pistas de leitura” (CANAVILHAS. 2006. CANAVILHAS. estejam claramente definidos os níveis de informação. “Embora. valendo-se dos links. . p. sendo assim. 2006. o risco de perda de leitores em decorrência de uma notícia nos padrões da pirâmide invertida diminui dentro do ambiente online. p. não há uma organização dos textos em função da sua importância informativa. 14) através do hipertexto.31 Essa construção é a mais familiar do internauta. 5-14. 31 Cf.39 ILUSTRAÇÃO 4: Modelo de construção da notícia em um ambiente virtual com hipertextos.

existem quatro níveis de leitura. som ou infográficos animados relacionados a cada uma das perguntas do lead. Canavilhas (ibid. . sendo assim.. através de arquivos digitais. p. O segundo nível é de explicação. 16) Dessa forma. vídeo. com sistemas sofisticados de indexação e recuperação de informação (PALÁCIOS. Quem e Onde. 25 apud CANAVILHAS. 2006).) o define como nível de contextualização. No terceiro nível.] da mesma forma que a “quebra de limites físicos” na web possibilita a utilização de um espaço praticamente ilimitado para disponibilização de material noticioso. escolhendo os eixos que mais lhe interessem. p. justamente por situar o fato dentro de um contexto maior e com mais variáveis. Conforme notado na Ilustração 4. dependendo do desenrolar das discussões. Quando. Este início de texto pode ser uma notícia curta de última hora que. pode evoluir ou não para um formato mais elaborado (CANAVILHAS. O primeiro assinala a unidade básica do texto. as configurações do jornalismo online tendem cada vez mais se intensificarem dentro da teia de relações de interação do leitor e do uso do hipertexto como ferramenta e meio de formatação da notícia. abre-se a possibilidade de disponibilização online de todas as informações anteriormente produzida e armazenada. o leitor conta com a possibilidade de navegar livremente dentro da notícia.40 Este modelo sugere uma pirâmide deitada. local também onde constará as respostas ao “Por quê” e ao “Como” e serve de argumento ou suporte para completar os dados sobre o acontecimento. 2003. – o lead – que responderá ao essencial: O quê.. sob os mais variados formatos (multi)mediáticos. O quinto e último nível liga a notícia a arquivos externos [. encontram-se mais informações nos formatos de texto. 2006.

4 RELAÇÃO JORNALISMO/CIBERCIDADE Diferentemente do jornalismo na cidade32 (centro urbano). p. ampliando os braços de penetração do conteúdo online. p. Com isso. as versões online reposicionam dinâmicas presentes na operação do jornal tradicional em função da sua relação com a cidade. é mais que uma transposição dos meios clássicos.). 13). “devido justamente a aspectos de centralidade estratégica no trânsito de dados na rede mundial” (SILVA JUNIOR.: a Cibercidade. o jornalismo online identifica-se com espaços simbólicos constituídos através de formas compartilhadas por grupos. . longe de atuar somente de forma monolítica. o sistema de fechamento de notícias deixa de ser consecutivo – de um dia para o outro – para se tornar imediato. a angústia do fechamento da edição de um jornal foi superada graças a possibilidade de atualização iminente (ibid. 2002.41 3. por exemplo. No caso do comportamento do leitor online existe uma diferenciação com relação aos leitores do jornal impresso: ele passa a ser menos fidelizado. instituições etc. Essa é uma das razões pela qual o espaço do jornalismo na cibercidade é reconfigurado: expansão de mercado. mesmo se orientando na sua produção dentro do campo simbólico do “jornal”. distribuir e alcançar novos mercados de leitores. 11). Esse território deve ser interpretado dentro da lógica da descentralização espaçotempo das redes digitais. Trata-se de uma meta-mídia quando se refere a padrões de construção e circulação de modelos pré-existentes. O jornalismo online. As implicações deste fato são obviamente a descontinuidade do território mais evidente. ainda que o território clássico continue na sua função de condicionamento. mais 32 O termo “cidade” neste capítulo refere-se ao campo sócio-cultural e. Com a internet. “O jornal online também atua de forma a absorver características de outros meios e suportes” (ibid. consequentemente. corporações. principalmente devido à facilidade – comparada aos veículos tradicionais – de se produzir. Assim. comunicacional que se verifica nas esferas pública e privada da sociedade e que é fator impactante na forma como percebemos o mundo.

) direciona a crítica para o fato de que nem sempre todos os recursos são aproveitados. Isso significa que as relações entre redator e fontes de informação são alteradas (KOCH.4. . Silva (ibid. ibid. Uma das interseções mais centrais entre as cibercidades e o jornalismo seria a apropriação desta infinidade de links para a massa de informações como recurso de produção de conteúdo hipermidiático.). s/p). XIII apud ibid. Daí a dificuldade de um leitor contentar-se apenas com uma versão dos fatos presente em um site. O acesso e uso de bases de dados. 3. O conceito de ferramenta de trabalho visto aqui é de que estas passam a uma etapa de ampliação em uma direção mais complexa. se daria no sentido de aprofundar as noções e contextos que geram notícias. dessa forma. Parte desse princípio o contexto de “pirâmide invertida” ao avaliar que o leitor – ao escanear a rede em busca de versões mais complexas – envolve-se num processo de contextualização que o insere num pólo de liberdade ilimitada indo em direção a um estado de “pluralidade informativa” (SILVA JR. a princípio isoladas e invisíveis dentro da problemática contemporânea (ibid.). segundo Koch. a prática como um todo é reconfigurada para adaptar-se a uma nova ferramenta. p. 1991. 2002. Evidentemente.1 Cibercidade como Fonte de Produção A ideia desta relação é a de que o casamento de banco de dados e computadores afeta diretamente a forma narrativa das notícias e o contexto do jornalismo diário e semanal (Cf.). esses recursos encontram barreira na cultura interna dos jornais. por vezes viciada em desovar informação com níveis de apuração primários.42 multifacetado no ato da busca jornalística pela web. A ausência de domínio dessas possibilidades e do entendimento de amplitude do horizonte que se descortina com os bancos de dados consequentemente limitam a redação e construção das matérias. a do uso instrumental. estagnando a produção em uma etapa primária.

esse processo de agregação de novas ferramentas está inserido no mesmo movimento de reconfiguração das estratégias do capitalismo global.Instituto de Tecnologia Educativa. Partindo da administração dos espaços publicitários ao gerenciamento dos conteúdos editoriais da publicação passando pelo surgimento de um novo produto – o jornalismo online –. onde coabitam o público e o privado. O fator chave que confirma toda essa esquematização do sistema de fluxos online dentro do jornalismo é a existência de processos de gestão informacional. Conforme Amaral (2006) afirma em artigo do 4º SOPCOM do Instituto Superior Miguel Torga de Portugal. mas são também promovidos novos espaços de sociabilidade. 2006. 141). na qual é possível que o homem seja receptor e emissor em simultâneo. A nova esfera tecnossocial remete para uma virtualização da comunicação. É neste ponto em que se pode perceber. 1975. dentro da complexa rede das sociedades urbanas. A era de EMEREC. O ciberespaço – potencializado pelas comunicações mediadas por computador – criou os “netcitizens33” (AMARAL. novas identidades e práticas sociais [. Em termos geográficos são diluídas as fronteiras. apud ibid. recoberta de uma camada de dados em fluxos. o local e o global. engendrados em todos os setores da cadeia de produção da notícia. a importância e o papel dos bancos de dados eletrônicos. . Jean. O que frisamos aqui é o fato de que “se a cibercidade é a cidade de sempre. Ministério da Educação e Investigação Científica .. 2006) define a expressão “netcitzen” como cidadão do mundo digital e que se encontra à deriva na teia da Internet. Portugal. apud MORAES.43 Um ponto interessante dessa discussão diz respeito aos bancos de dados. novos territórios. Uma declaração vale mais como forma de atestar um fato do que como geradora de um terreno de confiabilidade oriundo das pesquisas complementares oferecidas pelo armazenamento contínuo de dados na internet.]. Alguns autores como Jean Cloutier ([-70].). CLOUTIER. O conceito mais tarde evoluiria para “selfmedia”. baseado em tecnologias da computação. o webjornalismo 33 Silva (1999. p. o material e o virtual. A internet é um espaço de espaços..) atribuem a consequência do fato ao paradigma da “Era de Emerec” (Cf. o equivalente aos media individuais – interagentes que trabalham tornando as mensagens pessoais acessíveis a um vasto público. Isso significa que o jornalismo tornou-se um veículo dos fluxos de dados da cidade informacional.

uma geografia feita de redes e nós que processam fluxos de informação gerados e controlados de determinados lugares. A unidade é a rede. porém não está deslocalizado: estabelece conexões entre lugares mediante redes informáticas telecomunicadas e sistemas de transporte informatizados. De fato. 32). Redefine a distância mas não suprime a geografia. ou seja. . apud SILVA JR. Dos processos simultâneos de concentração espacial. por que a arquitetura e a dinâmica de várias redes constituem as fontes e significado e função de cada lugar. p. apud ibid. 2002. a possibilidade de afirmarmos que existe uma constante está no sentido de que o mesmo movimento de base tecnológica que reconfigura as relações do espaço urbano. p.). é a de que justamente essa implementação de infra-estruturas tecnológicas nos espaços físicos e geográficos adquire importância central no desenvolvimento e elaboração de melhores condições de igualdade nos espaços urbanos. Este desafio do jornalismo dentro do conceito da relação jornalismo/cibercidade é justamente caber-se a essa nova proposição espacial – que não é apenas mais um espaço de circulação. Essas relações. O espaço de fluxos resultante é uma nova forma de espaço. Para Silva Júnior (2002. é da “nossa circunstância de cidade informacional” que emerge o jornalismo digital. nesse caso. 2002. essa é uma relação que se reconfigura de acordo com os recursos de cada tempo. as redes tem uma geografia própria. não estão encerradas na geografia. das relações de território. Ambos são identificados em suas características. 235. Aliás. característico da era da informação. por si só. porém não são os mesmos (SILVA JR. está sempre presente no jornalismo. o que se torna falso a partir do instante em que vislumbramos o digital como uma camada de dados da geografia. 32). passim). mas de construção simbólica do veículo. descentralização e conexão. continuamente reelaborados pela geometria variável dos fluxos globais de informação. sugerem novas configurações territoriais (CASTELLS. Neste contexto. 2001. Correntes pessimistas sugerem que essa incontinência de fronteiras em um mundo virtual – a cibercidade – culminaria no fim da geografia. p. A dinâmica seguida.44 obedece à mesma lógica” com relação aos impressos. desdobra-se a questão da continuidade: práticas jornalísticas condicionadas tanto ao avanço da tecnologia quanto ao desenvolvimento urbano. Conforme afirma Castells (1992.

apud SILVA JR. 589.. online) 34 35 Cf. as janelas olham. Conforme Mumford afirma nesta citação de Silva Júnior. O que é visível e real no mundo é apenas aquilo que foi transferido para o papel.unam. Cf. desafios. <http://www. D. mas será pautada a partir das alterações no processo produtivo dos jornais em papel agenciadas pelas redes telemáticas. 1998. com um tom crítico-construtivo. Os mexericos essenciais da metrópole não são mais os mexericos da gente que se encontra face-a-face nas encruzilhadas. Ou seja. o jornalismo é mais que simplesmente imprensa. Um burro vai devagar. 34. p.45 A deflagração do jornalismo digital como subtipo do veículo tradicional fortalece a visão do jornalismo como “instituição mediadora da complexidade contemporânea”34. SILVA JR. . Eta vida besta. Um homem vai devagar. (ANDRADE. meu Deus. 2002. ameaças e esperanças. Cidadezinha Qualquer35 (Carlos Drummond de Andrade) Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar. Devagar. uma dúzia mais a transmitir pelo rádio e televisão. p. Um cachorro vai devagar. no mercado. à mesa de jantar.html> Acessado em 30 de setembro de 2009.horizonte. mais do que imprensa escrita – a qual continuará a existir. proporcionam a interpretação dos acontecimentos e movimentos cotidianos com despreocupada correção profissional. ou que foi mais eternizado ainda num microfilme ou fita magnética. p.. 34). 2002. é preferível acreditar nos caminhos da pluralidade e diversidades de alternativas tecnológicas oferecidas para o campo das práticas jornalísticas tendendo a acompanhar o modo de operação da cidade de acordo com suas contradições.mx/brasil/drumm6. 1930. algumas dúzias de pessoas escrevem nos jornais. Assim.. C. até as mais espontâneas atividades humanas passam a ter uma supervisão profissional e um controle centralizado (MUMFORD.

46 Drummond demonstrava já uma tentativa de resgatar as “saudades” da vida “besta” e devagar da primeira metade do século passado num gesto saudosista expresso pelo poema. Referimo-nos a ele de forma a criar uma meditação sobre o outro extremo que vivemos hoje – de efusividade e imbricações de pólos da cidade digital – e o desenrolar da expressa revolução tecnológica de nosso tempo. .

entre elas a configuração do jornalismo. por sua vez. ao contrário do jornalismo de massa37. 38 Variação utilizada para nos referenciarmos ao jornalismo open source. as quais referenciamos em capítulos anteriores. . As atividades no ambiente digital. de código livre. ou seja. Dessas interferências surge o paradigma do jornalismo open source36. é nada mais nada menos que a “interlocução de emissores e receptores na construção das mensagens” (ibid. estabelece relações entre interfaces. Jornalismo Colaborativo ou Jornalismo Participativo por vários autores. para além das barreiras ou fronteiras comuns. confrontado com diferenças mínimas no que diz respeito à liberdade de interação do usuário e no grau de mediação dos processos de redação. no entanto. O foco no jornalismo de fonte aberta38. 36 O termo inglês open source significa. 2005. como visto. passaram a ser balizadas por códigos abertos. literalmente. A lógica do jornalismo open source. As diferentes nomenclaturas do jornalismo open source existem devido justamente à grande emergência e hibridização dos códigos e linguagens adotadas. 37 Baseado no modelo de mensagens unidirecionais (um para todos). 12). p. faz com que a produção de conhecimento seja proporcional à força agregativa dos povos (BRAMBILLA. com os quais essa liberalização de interferência já chega ao noticiário online. de origem independente. editoração e publicação da notícia dos outros tipos de jornalismo para este.).47 4 O JORNALISMO OPEN SOURCE NA WEB "Certamente a glória do jornalismo é a sua transitoriedade. Denominado também como Jornalismo Cidadão. Essa interatividade. baseia-se na interatividade comunicacional que no ambiente online." (Malcolm Muggeridge) A libertação deflagrada neste fim/começo de século de diversas práticas sociais arraigadas. passa a ser a colaboração e não a produção. “de fonte ampla”.

apesar de possuírem algumas semelhanças sutis entre os dois modelos somente no tocante à disposição gráfica e utilização destes recursos – este segundo ponto marca o início da utilização do hipertexto. 2005. acontece um aprimoramento concernente à utilização das potencialidades da linguagem do meio: hipertextualidade. A interatividade é o quesito principal para a existência deste gênero. É praticamente impossível falar de jornalismo open source desvinculado da web. 66) divide essa fase de emergência em três pontos principais: o primeiro surgiu com a transposição do material impresso para a internet em sua forma bruta. dentro do conceito de jornalismo colaborativo. apud JARDIM.48 A construção do conteúdo noticioso se dá. etc. . mas não idênticos. Mielniczuk (2004. 4. <http://www.org/filosofia/softwarelivre. surgiu no seio do webjornalismo. não de forma centralizada. o segundo aparece com a criação de websites com enfoque puramente jornalísticos e com o lançamento de produtos ainda não vistos no impresso. e não abordaremos essa variante neste capítulo.1 COLABORAÇÃO: UM PASSO NO TEMPO O jornalismo colaborativo. multimidialidade. memória virtual. mas em parceria. 66). sem demanda de formatação específica para o meio. 4.pt.html> Acesso em 29 de out de 2009. 2005. A partir da terceira fase. p.ansol. apud JARDIM.2 SOFTWARE LIVRE E O TERMO OPEN SOURCE Os pontos que caracterizam “software livre” e “open source” são próximos. vigente desde 2001 de acordo com Dalmonte (2005. Bruce Perens39. p. norte-americano ativista do 39 Cf. termo que adotaremos sempre que nos referirmos ao modelo open source.

Seu diferencial é ser uma estratégia de marketing do software livre através do OSM enfatizando a comercialização dos produtos trabalhados de modo colaborativo (BRAMBILLA.gov.12). Deste princípio.br/attachment/wiki/Trabalhos/Ativistas%20Software%20Livre. 2000.) denomina de modelo “bazar” a estrutura de trabalho onde o desenvolvimento é feito simultaneamente por vários interessados distintos e localizados em pontos geográficos diferentes. . < http://colab. produção e distribuição de programas. 40 Nossa tradução (literal): “Iniciativa do Código Aberto”. obviamente. Raymond (2002 apud ibid. “Toda tecnologia da rede é baseada em intercâmbios de pequenos pedaços de informações enviados de um computador para outro” (SIMON.pdf?format =txt> Acesso em 29 de out de 2009. se opõe ao padrão verticalizado e fechado à contribuição do público. Tecnicamente estas trocas foram viabilizadas pelo protocolo http (hipertext transfer protocol) e pode tornar-se. s/p apud ibid. sujeito a variações de um todo previamente pensado e projetado. 2005. requisito de liberdade de um software.49 software livre e fundador do Open Source Initiative – OSI40 – é líder co-criador do primeiro projeto LSB – Linux Standart Base41 – e um dos que sugerem uma definição para o termo open source que também foi usada no OSM – Open Source Movement. como numa “enciclopédia” escrita por milhões de leitores/autores. Conforme Stenborg (2004 apud ibid. Cf. as frentes que adotaram os termos passaram a trabalhar com as siglas F/OSS – Free/Open Source Software – e FLOSS – Free-Libre/Open Source Software – para designar a aplicação dos dois modelos de trabalho. um modelo horizontal com pontos de ascensão intercalados.). ou seja.) chama de estrutura rizomática de produção. É o que Brambilla (ibid. O OSM defende basicamente que a terminologia “open source” refira-se ao acesso ao código-fonte de um programa. a concepção de contribuição está ligada à troca massiva de arquivos e conteúdos inerente à navegabilidade da internet. com a emergência da produção coletiva de conteúdo. O que. como numa inversão dos sistemas de copyright. p. inicialmente batizado de Linux. Tradicionalmente refere-se à quebra de proteção do código nos softwares livres. A aplicabilidade ao jornalismo surgiu consoante a estas primeiras definições propostas.) afirma.interlegis. 41 Sistema operacional livre para computadores.

2005. Conforme a autora. Há anos sociologistas descobriram que a média da opinião de uma massa de observadores igualmente entendidos (ou igualmente ignorantes) é um prognóstico um pouco mais confiável do que a opinião de uma simples escolha randômica [ao acaso] de observadores”. Sociologists years ago discovered that the aearaged opinion of a mass of equally expert (or equally ignorant) observers is quits a bit more reliable a predictor than the opinion of a single randomly-chosen one of the observers […] (BRAMBILLA.12). . softwares. A informação nesse caso constitui-se em matéria-prima para a troca direta entre internautas. assim como a da linguagem e do folclore – “criações coletivas e compartilhadas de bens de informação” (BRAMBILLA. como trata a autora.3 CARTOGRAFIA DA INFORMAÇÃO E A CULTURA OPEN SOURCE “Duas cabeças pensam melhor do que uma. informação.” (Anônimo) Considerando a estrutura em rede da comunidade virtual dentro dos fatores de partilha de recursos e serviços entre usuários. Obviamente. livros. No 42 Nossa tradução: “Talvez isso não devesse ser uma surpresa. trazemos o intercâmbio existente no OSM para a base jornalística de produção da informação.50 A produção neste caso é simples e conveniente: vai desde a pura navegação pelos conteúdos já existentes até ao download de arquivos e programas prontos. Maybe it shouldn‟t have a been such a surprise.42 O que a autora sugere é que o fator entendimento/ignorância quando separados em seus extremos numa massa de observadores. são capazes de oferecer uma interpretação muito mais fiel de um fato do que o contrário. p. 4. músicas. pode-se dizer que o advento da participação na produção ou co-produção de conteúdos remonta à construção de uma outra cultura. p. basicamente. computadores e interfaces. infográficos são.12). 2005.

cuja objectividade [sic] e imparcialidade são muitas vezes máscaras de um qualquer ponto de vista que serve de interesses mais particulares que apenas o de informar com honestidade e isenção o público que os lê (MOURA. assim [. dêem a sua opinião. p. o que inaugura este novo modelo de Jornalismo: “jornalismo open source”. sem a castração da imparcialidade. checaria suas origens. Moura (2002 apud BRAMBILLA. Isto é. já que todos têm a possibilidade de publicar. Não mais uma simples cópia dos meios impressos. 2005.12). Nem todos podem ser jornalistas.12) sugere a composição e troca de notícias através de redes de cooperação. 2002. impedindo assim a proliferação de um pensamento único. p. s/p apud BRAMBILLA. as premissas da imprensa tradicional não mais se aplicam ao jornalismo online. como o pode ser aquele difundido pela maioria dos jornais. deve-se. ..51 tocante à informação estritamente jornalística. Poderia surgir daí uma inversão de papeis do jornalista. ele passaria a ocupar lugar de cartógrafo da informação.3.1 Reorganização de Papeis Entre os Interagentes Na esfera da colaboração.] permitir que várias pessoas (não apenas os jornalistas) escrevam e. 2005. ligaria fatos diferentes entre si e criaria daí a base para a publicação compartilhada. e é baseada nessa premissa que Brambilla sugere uma estruturação do cenário open source. a experiência obtida pelo jornalista é a de que sua autenticidade é colocada em evidência. decorrente de sua perda de autenticidade. Conforme a autora. 4. compararia uma e outra versão. o profissional qualificaria as informações.. o jornalismo online tende a ser legitimado no decorrer da superação de pontos negativos como o medo do anonimato das fontes ou sua situação de leigo. pois este possui sua experiência própria e as prerrogativas capazes de orientar seu foco de produção.

os jornalistas podem participar do processo colaborativo desempenhando a função de reescrever os artigos. o interesse dos leitores poderia cair embalado pelo baixo teor de envolvimento pessoal nos temas e a homogeneidade com que as informações fossem tratadas. trata da abertura da notícia a comentários variáveis escritos por leitores e postados junto à matéria – até mesmo aqueles contrários entre si e que oferecem diferentes tipos de interpretação. às suas realidades particulares (BRAMBILLA. aos seus contextos culturais. organizados em comunidades. aos seus cotidianos. são apresentados por Gillmor (2004). Por último.12). a possibilidade de diferentes atores participarem efetivamente na troca imediata de dados e opiniões em distintos cenários sociais. feita para as pessoas e pelas pessoas. de que os povos. Em contrapartida. existem quatro principais fatores sociais que permeiam o ambiente digital. dos temas e assuntos que interessam especificamente a uma comunidade. adaptando as informações principais enviadas por um internauta anônimo aos padrões de imparcialidade e objetividade do texto jornalístico. 2005. p. . a 43 “Isto é. a presença constante e simultânea da informação em diferentes pontos” (ibid).52 Segundo a autora. O que não se pode negar. como sinônimos no que toca à ideia de que o Jornalismo é uma prática comunitária. O restabelecimento de uma conexão entre público e mídia vem estimulando iniciativas como o Participatory Journalism. entretanto. e que também provoca certa discussão quanto a ser oportuno ou não. O resultado. apesar das nomenclaturas. a partir dessa matéria bruta informacional que circula no fluxo global. tais diferenciais neste relacionamento do público com a informação noticiosa e essa liberdade para publicá-la giram em torno da ubiquidade43 da notícia. seria a subtração de qualquer traço de comentários pessoais ou de opiniões inseridas no texto pretensamente tido como noticioso. ou seja. Não é apenas a tecnologia a responsável pela deflagração dessa recente liberdade para publicação. Outro ponto interessante. Conforme Brambilla (ibid. o Citizen Journalism e o Grassroots Journalism que. depois a velocidade de processamento da informação. são os dispositivos ideais para coleta e difusão de informações que dizem respeito aos seus entornos.). seguidos de outro fator que é a interação. é que existe a necessidade de extração.

53 indexação das notícias com seus desdobramentos e/ou antecedentes que possibilitam “um panorama tão amplo quanto o interesse do internauta” (ibid). Notoriamente. pois o espaço aos leitores/ouvintes/espectadores. p. Dessa forma. que. tanto sua elaboração quanto sua fruição (BRAMBILLA.3. Esta tendência é mais pretensiosa do que se pode supor. 10). as demandas atendidas pelo jornalismo open source em sua prática em rede marcaram profundamente a forma tradicional de se fazer jornalismo. a começar pela interação entre dois pólos até então opostos no processo comunicacional: o jornalista e o leitor/ouvinte/espectador. ao passarem por um processo de sucessivos testes de autenticidade. que antes era restrito às sessões de cartas. no jornalismo open source elas passam a ser produto de domínio público. assim como os softwares. 4. No open source “aquele que lê é o mesmo que escreve as notícias. as notícias.2 Todos “são” Repórteres As notícias. tradicionalmente era Limitado aos profissionais de imprensa cujo poder de publicação lhes era exclusivo e o campo das notícias estava subordinado às dimensões espaço-temporais de projetos gráficos ou grades de programação. hoje avança sobre o território editorial com a premissa de se tornar um noticiário informativo padrão. notoriamente articulados por anunciantes (BAMBRILLA. 2005. p. passam também por um . o que o jornalismo open source provoca é uma instabilidade no modelo restritivo das mídias tradicionais. compartilhando responsabilidades e tendo no envolvimento pessoal sua principal moeda de troca” (ibid). 12). Então. 2005. assim como os softwares. eram exclusivamente produzidas e publicadas por uma empresa que as transforma em produtos comercializáveis.

a liberdade entendida no modelo da colaboração deve dar à notícia a usabilidade para quaisquer propósitos. . 10) identifica a pessoa que pretende melhorar o que compra como um hacker.54 aprimoramento contínuo com diferentes manifestações críticas igualmente diferentes em seu teor. Neste caso. As notícias deixam de estar sujeitas a uma hierarquia institucional para comprometerem-se unicamente com o interesse pessoal de voluntários44. os progressos obtidos são divulgados de forma a estimular outras pessoas a agirem de tal forma. possuem papeis diferentes na sociedade. conforme declara Lessig (apud BRAMBILLA. certamente se referindo ao fato da colaboração de diferentes pontos de vista seja em qual projeto for. até então eles eram impossibilitados de interferirem imediatamente na mensagem midiática. O papel que este indivíduo desempenha é direcionado pelas suas investigações sobre o funcionamento das coisas para. transformá-las completamente. além da possibilidade de ser lida e distribuída abertamente. 2005. além de poder ser produzida de modo irrestrito por diferentes pessoas. mesmo sob o ângulo do open source são passíveis de comercialização. 44 Gilmor (apud BRAMBILLA. a partir daí. Mais ainda. com diferentes objetivos. pois a notícias. O foco que damos aqui é voltado às suas relações de processos de produção e não do produto final em si. Essa comparação entre softwares e notícias é delicada obviamente. essencialmente. seja na solução de bugs ou problemas que atinjam a comunidade de maneira geral. 2005). “Duas cabeças pensam melhor do que uma”. interagentes que assumem a posição de quebrar valores impostos pela mídia tradicional. já dizia o antigo ditado popular. apesar de serem produtos intelectuais. p. Ao interferir sobre os produtos. deve dar à notícia também a possibilidade de ser aperfeiçoada ou comentada de acordo com visões particulares que possam enriquecer os relatos. Ainda mais no concernente à interpretação equivocada de que colaboração é sinônimo de gratuidade. visto que os dois. Esses voluntários são. O motivo último de todas essas etapas é a de auxiliar a compreensão de um fato pela sociedade.

blogueiro e usuário de redes. <http://pt. 55).600 colaboradores em 120 países (Cf. p. <http://spot. Citamos Eman como exemplo. Eman Mohammed de 21 anos. emprestou aparelhos celulares. Outro exemplo de colaboração é o de Niv Calderon.55 4. as imagens postadas46 pela nossa personagem foram divulgadas no diário inglês The Guardian47 e em uma emissora de televisão do Líbano (VEJA. o foco defendido por ela era o impacto da guerra sobre as crianças. possibilita ferramentas em que o jornalista transfere sua pauta diretamente para internautas. Através do site Demotix45. que filmam e tiram fotos. ANEXO A).helpuswin. 47 The Guardian é um periódico tradicional da Inglaterra e que pertence ao Guardian Media Group (Cf. Ela usou a sensibilidade adquirida no curso de Jornalismo da Universidade de Gaza para demonstrar aos leitores um fato pelo lado de dentro dando uma proximidade e um tato às matérias impossível de ser atingindo por um jornalista do outro lado do planeta. para os moradores da região do conflito registrarem a guerra que viam. Existem casos como o do site norte-americano Spot. retratou o conflito da faixa de Gaza de uma forma testemunhal. 48 Cf.wikipedia. a entrada de jornalistas na região da faixa de Gaza foi proibida.Us49. este conteúdo era postado no Youtube e repentinamente já era utilizado pelo site Help Us Win48. Em dezembro de 2008. 2135. entrevistada pelo Grupo Abril de Jornalismo. . 49 Cf.org/> em Anexos. também criado por Calderon para discutir a posição de seu país dentro da guerra. 28 anos. Mais tarde.us/> em Anexos.4 ALGUMAS PRÁTICAS COLABORATIVAS Uma moradora de Gaza. Os jornalistas aparecem na forma de perfis 45 Site fundado no segundo semestre de 2008 e que reúne mais de 10 mil fotos e 5. 46 “Postadas” é uma variação da palavra inglesa post e se refere neste contexto ao ato de publicar conteúdos em blogs ou sites afins. que em uma tentativa de registrar o outro lado do front do conflito em Israel. o que rendeu uma perspectiva diferente a partir da lente de sua câmera fotográfica. pois além de sua formação em jornalismo.org/wiki/The_Guardian>). ao irromper o conflito entre israelenses e militantes do grupo Hamas. E Eman Mohammed era a única mulher a retratar a situação. <http://www. no ar desde novembro de 2008.

). p. da publicação de uma informação errada.4. 4.1 Checagem do Material Colaborativo “Em três de outubro de 2008.com agrega mais de 240 mil colaboradores. Existe um financiamento da matéria por parte dos interessados. Já no Brasil. p. A CNN ficou isenta de condenação. Este subsídio é repassado em parte para os colaboradores no final do processo de publicação. É dessa forma que o Spot. varia de acordo com a legislação vigente em cada país. cujo autor foi excluído do site. Essa informação foi veiculada de forma colaborativa e teve repercussões em praticamente o mundo todo. p. mas questionaram a informação e com a checagem foi constatada a mentira. . como p. 37). 36). Além de funcionar como um modelo de crowd-founding50 do jornalismo trata-se de uma iniciativa um tanto inovadora para as mídias. PLUG. A checagem deste tipo de informação inclui desde entrar em contato com o autor do texto – daí a importância de se cadastrar dados pessoais nos sites antes de se ter acesso à plataforma da colaboração. devido à inexistência de uma regra específica. a decisão dependeria de um juiz. O iReport.4% em menos de 20 minutos após a informação de que Steve Jobs teria sofrido um ataque cardíaco” (ibid. 50 51 Modelo de financiamento coletivo via internet (Cf. Todo o estardalhaço causado pela notícia falsa começou com a veiculação do fato no iReport. ex. CPF e telefones pessoais – e consultar especialistas do tema. Especial Digital 2009.com51 da rede CNN.Us atende a região metropolitana de São Francisco e planeja atuar em mais cidades dos Estados Unidos e na América do Sul (PLUG. 36). A culpa neste caso.56 visíveis para outras pessoas que visitam o site e desejam colaborar na construção das matérias. pois a lei nos Estados Unidos define que a responsabilidade é inteiramente da pessoa que publicou o fato. Especial Digital. Canal colaborativo da rede CNN nos Estados Unidos (idem. o valor das ações da Apple na Bolsa de Nova York caiu 5.

foi criado em 22 de fevereiro de 2004 com o princípio de que “every citizen in the world is a reporter”53. Esse processo de seleção realizado pelo OhMyNews conta com uma equipe de aproximadamente 50 jornalistas. nos fóruns e na indicação da qualidade da notícia através de votações (número de cliques em um símbolo de positivo e outro de negativo). no contato possibilitado aos autores das notícias.org/wiki/OhmyNews_International>. mesmo que a notícia esteja sujeita à edição destes mediadores. Atualmente o site conta com seis mil colaboradores em mais de 110 países (Disponível em < http://en.2 OhMyNews International A interatividade. Nossa tradução: “Cada cidadão do mundo é um repórter. pois nem todo o processo de produção fica nas mãos dos internautas.wikipedia. O site sul coreano OhMyNews International. Acesso em: 3 de nov de 2009). como princípio para o Jornalismo Open Source. mas não de forma centralizada como a de um pólo emissor. p. Apenas o autor da notícia possui credencial para alterar o texto.” . é encontrada no site OhMyNews International – OMNI52 – enquadrada nas constantes enquetes. No entanto. antes da publicação. portanto. 67). A diferença do site para os demais meios de massa é que quem faz a notícia é o cidadão ou o internauta. A equipe que faz essa triagem. originalmente denominado Oh Yeon Ho. ANEXO D.4. se limita ao envio de notícias jornalísticas com o total acesso do usuário à produção da notícia. A colaboração. no caso do OMNI. o site do OMNI é um exemplo híbrido de jornalismo profissional e jornalismo cidadão. tem o papel de mediadora. nos comentários. A notícia fica disponibilizada e sujeita a comentários e críticas que a sucedem. Vem daí a premissa de que uma das 52 53 Cf. a equipe mediadora do website faz a edição e checagem dos dados. Segundo Jardim (2005. Existe uma fila de votação que irá definir se a notícia entrará ou não para determinado caderno ou se ela é concreta e passível de publicação. o que pode não acontecer em outros sites diferentes.57 4.

Ao mesmo tempo em que o usuário se envolve de forma a publicar uma notícia ou enviar um comentário ele pode votar a favor do veto de outra notícia de outros usuários. Dessa hibridização surgem modelos narrativos webjornalísticos: linear. . 73). vistos no capítulo três. um filtro imposto pelas equipes de jornalismo. Estes recursos de linguagem são hibridizados aos conceitos de formatação da notícia. hipertextual básico e avançado.58 etapas do processo do jornalismo open source é a triagem. Com relação à multimidialidade de sites como o OMNI. Nota-se a presença de tipos de interatividade produtiva em sites como o citado. p. podemos dizer que ela existe enquanto se constrói o hipertexto. ou seja. 2005. modelos de narrativas multimídia e ao armazenamento dos conteúdos publicados. Ferramentas de integração de vídeos. que ficam disponíveis para pesquisa (JARDIM. imagens e podcasts para ilustrar a matéria são invariavelmente disponibilizadas aos usuários.

caso existam. Ainda de acordo com a revista. estudantes como Eman Mohammed tornaram-se correspondentes de guerra e tiveram seus trabalhos disseminados pelo mundo (ibid. De maneira geral. 54 Narrações de áudio que vão desde a remixagem de músicas e entrevistas a relatos pessoais sobre uma viagem ou experiência no exterior ou com culturas diferentes. “O público está deixando de ser apenas consumidor de conteúdo jornalístico para adquirir relevância informativa” (ibid.59 5 CONCLUSÃO O aparato tecnológico que impregna a vida de cada internauta lhe dando poder para cada vez mais adicionar fotos. em “2008. p. Dos 100 maiores jornais norte-americanos 58% tinham ferramentas para o envio de algum tipo de conteúdo em 2008 contra apenas 27% no ano anterior (ibid. Esse fato parece ser tendência em praticamente todos os portais da internet que ultimamente abrem espaços como “vc repórter” do G1.). vídeos e textos a blogs e redes sociais está agora invadindo a esfera do jornalismo open source. Esse tipo de relato colaborativo adquire ainda mais importância quando ajuda aos profissionais de jornalismo a romperem barreiras como a distância ou quando um país é totalmente fechado à imprensa exterior. por sua vez. eles serão maioria em cinco anos. É como se uma nova imprensa estivesse prestes a surgir: amadores já têm a tecnologia e a estrutura necessárias para “furar” os jornalistas no relato das notícias. os geradores de conteúdo eram 42. De acordo com a revista Plug Especial Digital da Editora Abril. a deflagração deste fato vem impelir veículos tradicionais a investirem em jornalismo open source. . Celulares que tiram fotos e gravam vídeos são as principais ferramentas para a maioria dos vídeos amadores postados no Youtube.).). O que nada mais é que estabelecer uma relação de interação com o internauta que. 2009. conforme uma análise a primeira vista pode constatar. este será checado por profissionais antes da publicação e disponibilizado com os créditos daquele que enviou a matéria. No caso das ofensivas recentes de Israel contra Gaza no início de 2009.33).8% do total de pessoas que navegam na web nos Estados Unidos” (PLUG – Especial Digital. podcasts54. envia o relato de algum fato.

a informação sempre sofrerá as inferências do produto pessoal. como aconteceu tantas vezes no passado. da inexistência da mediação para a livre criação. ed. oito em cada dez brasileiros ascendem às redes sociais mensalmente (VEJA. mas sim a adaptação tão necessária de um veículo ao seu ambiente e ao seu contexto temporal. ou mesmo. ou seja. 2120. que o acúmulo de “credibilidade” de um veículo no decorrer de sua existência vem da facilidade ou não de se ajustar a um menor ou maior grau de envolvimento pessoal com o fato. 95). esperamos ter cumprido nosso objetivo de avultar as características gerais do universo colaborativo dentro do jornalismo online e preparar o terreno para outras discussões a respeito do assunto. Dentro deste contexto. neste caso. que hoje congregam 29 milhões de pessoas só no território nacional.60 Em primeira instância. das críticas pessoais. entre outros fatores. mas devido aos prazos justos por extensão. As ramificações das interações com o contribuinte e suas funções imediatas possuem faces distintas: ou a de levar informações a lugarejos não atendidos pelas coberturas das grandes mídias. optamos por esclarecer qual é essa tendência e porque ela se fez tão necessária. ou a da mediação social para a produção de conteúdo. ou a da perspectiva pessoal que visa à manifestação de pontos de vista não retratados no jornalismo tradicional. p. o jornalismo sofre não uma mutação de valores e paradigmas de seu processamento. Esperamos ter concluído nossas deduções no sentido de abrir . Outra face da discussão pode remontar outros aspectos do ambiente online: a crescente receptividade dos brasileiros às redes sociais. Destacamos. a interação cibermediada é a responsável primeira pelas consequências de implantação do modelo open source ao jornalismo de web. Como produto de “um para todos”. tornando muito difícil a separação do jornalismo das práticas sociais e seus desdobramentos como citado no primeiro capítulo desta pesquisa. do modo de leitura de mundo individualizada. Admitimos que houvesse muito a ser comentado a despeito deste tema. da carga cultural. 2009. cuja emergência e hibridização culminam em diferentes nomenclaturas apesar de que as diferenças entre elas sejam apenas dos graus de colaboração permitido pelos websites. A partir da criação de um modelo de colaboração.

Esta. Sendo assim. Como visto. a diversidade das mediações sociais nestes formatos emergentes de jornalismo open source vem da descentralização da mediação social. visto que a comunicação entre usuários também tem sido desenvolvida. pois a web.61 caminho para outras pesquisas e posteriormente aplicá-las ao contexto prático e de vivência dos jornalistas. A observação de tendências do jornalismo online segue a discussão teórica acerca do jornalismo open source. permite esta exploração. por sua vez. está ligada à lógica hipermidiática de comunicação. é possível notar o quão relevante é o papel da descentralização da mediação social para a configuração deste novo formato. somando ou não as características do jornalismo de massa. Esta pesquisa segue a linha de tendências do jornalismo open source para saber até que ponto é possível considerar as informações oriundas dos formatos emergentes de jornalismo colaborativo como jornalísticas. O processo comunicacional da colaboração eclode em graus distintos de mediação social e interlocução. Já existem discussões sobre como tornar o jornalismo colaborativo um modelo sustentável de negócio. As variações entre os sites jornalísticos baseados no modelo open source no que tange a intensidade/grau de colaboração são muito tênues entre si. As mediações podem ser vistas como desdobramentos do jornalismo de massa dentro do jornalismo colaborativo. As tensões entre um e outro modelo emergente são as responsáveis pelo surgimento de rupturas no modo tradicional que se constitui o jornalismo de massa. podendo atingir níveis quase homogêneos. enquanto plataforma. De acordo com a diversidade de mediações implementadas é que os formatos adjacentes da tradicional forma de se fazer jornalismo para a web se moldam. . configurando tensões que persistem diante do surgimento de formatos.

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66 ANEXOS .

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ohmynews.ohmynews. .us/ (Disponível em: http://spot.us/. Fonte: Reprodução do site http://spot.com/ (Disponível em: http://english.ohmynews.68 ANEXO C – Reprodução do site http://spot.com/.us/. ANEXO D – Reprodução do site <http://english. Fonte: Reprodução do site http://english. Acesso em: 3 de nov de 2009).com/>. Acesso em: 3 de nov de 2009).