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“Direito não é valor, não é moral, é respeito.

Desigualdades de gênero interferem na garantia de direitos sexuais.

O objetivo desse trabalho é analisar como a desigualdade de gêneros interfere na


discussão dos direitos sexuais, relatado na reportagem do jornal Beira do Rio, edição nº 87,
Outubro, 2010. A matéria conta com a participação da antropóloga e professora da UFPA,
Jane Felipe Beltrão e da advogada e representante do IPAS (Organização Não Governamental
dedicada a melhorar a qualidade de vida das mulheres a partir da saúde reprodutiva), Ana
Paula de Oliveira Sciammarella.

A reportagem que se dá por meio de entrevista, fala da necessidade de um atendimento


multidisciplinar às vítimas de violência e sobre as interferências das questões de gênero,
morais e religiosas na garantia dos direitos. “Talvez uma possibilidade de pensar e
sensibilizar socialmente é ‘colocar-se no lugar do outro’. A mim causa espécie pensar em
violência de qualquer tipo, ‘dá um frio na espinha’. Pense mais a frente: Se for seu filho, sua
irmã, sua mãe? É de estremecer, mas todos nós estamos sujeitos e vulneráveis a violência”,
afirma Jane Beltrão.

A antropóloga e professora da UFPA, Jane Beltrão fala como tem sido a parceria entre
o IPAS e os Programas de Pós- Graduação em Direito e Antropologia. Ela diz que a
perspectiva é produzir profissionais qualificados no campo do Direito e da Saúde, pois por
dever de cidadania e compromisso democrático os programas devem estar sintonizados com
as propostas de Direitos Humanos e cumprimento de dispositivos constitucionais, os quais, se
não forem comunicados adequadamente, não geram amparo a quem de direito. Como as
questões de direitos sexuais e reprodutivos geram sempre controvérsias, os profissionais
precisam estar preparados para atender as demandas, independente dos costumes morais e
religiosos, considerando que somos uma sociedade que se apresenta plural e laica.

As entrevistadas pelo Jornal Beira do Rio relatam as dificuldades ao falarem de


promoção de Direitos Sexuais e Reprodutivos. Para Ana Paula de Oliveira, uma barreira nessa
discussão é que cursos como Direito e Medicina, ainda não incorporaram essa temática em
seus currículos, dificultando que novos profissionais conheçam a temática. Para Jane Beltrão,
a forma de lidar com as questões relativas ao sexo e a reprodução, são uma grande barreira, já
que esses campos são impregnados pelas propostas morais.
Quando questionadas em que medida as diferenças de gênero interferem na discussão desses
direitos, ambas concordam que a desigualdade de gênero interfere sim na garantia dos
direitos.Segundo Ana Paula de Oliveira “ é inegável que especialmente as questões relativas à
reprodução recaem de forma muito distinta sobre as mulheres. Sem dúvida, a desigualdade
entre homens e mulheres não permite que estas disponham do seu próprio corpo”.

De acordo com o Plano Nacional de Direitos Humanos toda pessoa tem direitos
inerentes à sua natureza humana, sendo respeitada sua dignidade e garantida a oportunidade
de desenvolver seu potencial de forma livre, autônoma e plena.

Os Direitos Humanos são orientados pela afirmação do respeito ao outro e pela busca
permanente da paz. Paz que, em qualquer contexto, sempre tem seus fundamentos na justiça,
na igualdade e na liberdade.

O PNDH é estruturado nos seguintes eixos orientadores: Interação Democrática entre


Estado e Sociedade Civil; Desenvolvimento e Direitos Humanos; Universalizar Direitos em
um Contexto de Desigualdades; Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência;
Educação e Cultura em Direitos Humanos; Direito à Memória e à Verdade.

Ao relacionarmos a garantia dos direitos sexuais com o Plano Nacional de Direitos


Humanos, percebemos que os direitos femininos estão sendo cotidianamente desrespeitados.
No mundo inteiro, a cada minuto há mulheres, meninas e adolescentes sofrendo um tipo de
violação dos direitos humanos, isso ocorre em consequência da ausência de direitos no plano
econômico, politico e social. As mulheres são privadas dos direitos básicos, como a uma
sexualidade e maternidade satisfatória.

Os direitos sexuais são direitos humanos universais baseados na liberdade inerente,


dignidade e igualdade para todos os seres humanos. Saúde sexual é um direito fundamental, e
deve ser um direito humano básico. A sexualidade é uma parte integral de a personalidade de
todo ser humano, é construída através da interação entre o individuo e as estruturas sociais.
Todo ser humano tem o direito à: liberdade sexual; autonomia sexual; integridade sexual e à
segurança do corpo sexual; à privacidade sexual; ao prazer sexual; à expressão sexual; à livre
associação sexual; às escolhas reprodutivas livre e responsáveis; à informação baseada no
conhecimento científico; à educação sexual compreensiva e o direito a saúde sexual.
Com os avanços teóricos e práticos a formulação dos direitos sexuais e reprodutivos,
aprovados na Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (CIPD), ocorrida
na cidade do Cairo, em 1994. Os direitos reprodutivos se opõem, por um lado, a qualquer tipo
de controle coercitivo da natalidade e, por outro, a qualquer tipo de imposição natalista que
implique a proibição de uso de métodos contraceptivos. Na Plataforma do Cairo, os direitos
reprodutivos estão definidos da seguinte forma: “Os direitos reprodutivos se ancoram no
reconhecimento do direito básico de todo casal e de todo indivíduo de decidir livre e
responsavelmente sobre o número, o espaçamento e a oportunidade de ter filhos e de ter a
informação e os meios de assim o fazer, e o direito de gozar do mais elevado padrão de saúde
sexual e reprodutiva. Inclui também seu direito de tomar decisões sobre a reprodução, livre de
discriminação, coerção ou violência” (apud,§ 7.3).

É necessário ações de enfrentamento a violência sexual. Os direitos sexuais e


reprodutivos devem levar em consideração as perspectivas de gênero, classe, raça, etnia etc.
Todo ser humano tem o direito à liberdade sexual independentemente do sexo, gênero,
orientação sexual, idade, classe social, religião, deficiências mentais ou físicas. É
imprescindível que, tomemos a bandeira da fundamentalização dos direitos sexuais e
reprodutivos, a fim de que travemos uma boa batalha pela emancipação do gênero feminino.
Referências:

Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) / Secretaria de


Direitos Humanos da Presidência da República - - rev. e atual. - - Brasília
: SDH/PR, 2010

www.dhnet.org.br
Universidade Federal do Pará
Instituto de Ciências da Educação
Discentes: Geórgia Kariny Martins Sodré
Renata Costa da Silva

PEDAGOGIA EM AMBIENTES NÃO ESCOLARES

Trabalho entregue como exigência parcial


para obtenção dos créditos da disciplina
Pedagogia em ambiente não escolar
ministrada pela professora doutora Emina
do Instituto de Educação, da Universidade
Federal do Pará.

Belém,
2010.
Universidade Federal do Pará
Instituto de Ciências da Educação
Discentes: Geórgia Kariny Martins Sodré
Renata Costa da Silva

PEDAGOGIA EM AMBIENTES NÃO ESCOLARES

Belém,
2010