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Situação do Meio Ambiente

. Nível Global

O estado do meio ambiente do planeta


O relatório recém publicado do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o
Meio Ambiente – conhecido como GEO-3 (Panorama Ambiental Global), foi
preparado para facilitar o balanço da saúde ambiental do planeta e estimular
os debates sobre os rumos da política ambiental nos próximos anos, visando
evitar desastres ambientais e seus severos impactos sobre as populações
indefesas.
O Relatório aponta para os principais problemas que estão afligindo a
humanidade:
§a concentração de gás carbônico na atmosfera é um dos fatores que provoca
o efeito estufa - o aquecimento global terrestre. Apesar de amplamente
documentado e reconhecido na Convenção das Nações Unidas sobre Mudança
Climática, e, posteriormente, reforçado pelo Protocolo de Kyoto, sua
implementação continua suspensa devido à recusa dos EUA em assumir suas
responsabilidades, desde 1997. Com o aumento do “aquecimento global
terrestre” devido ao consumo crescente de combustíveis fósseis, a produção de
cimento e a combustão de biomassas, nos últimos anos, causou a extensão
dos danos à camada de ozônio que alcançou um nível alarmante, estimando-se
o “buraco” no ano 2000, de 28 milhões de km2 somente na região antártica;
§a crescente escassez de água potável: com uma demanda crescente em
conseqüência do aumento da população, o desenvolvimento industrial e a
expansão da agricultura irrigada verifica-se uma oferta limitada de água
potável distribuída de forma muito desigual. O Relatório do PNUMA estima que
40% da população mundial sofre de escassez de água, já a partir da década
dos 90. Falta de acesso ao abastecimento seguro e ao saneamento tem
resultado em centenas de milhões de casos de doença, provocando mais de
cinco milhões de mortes anualmente;
§a degradação dos solos por erosão, salinização e o avanço contínuo da
agricultura irrigada em grande escala e os desmatamentos, remoção da
vegetação natural, uso de máquinas pesadas, monoculturas e sistemas de
irrigação inadequados, além de regimes de propriedade arcaicos, contribuem
para a escassez de terras e ameaçam a segurança alimentar da população
mundial;
§a poluição dos rios, lagos, zonas costeiras e baías tem causado degradação
ambiental contínua por despejo de volumes crescentes de depósitos de
resíduos e dejetos industriais e orgânicos. O lançamento de esgotos não
tratados aumentou dramaticamente nas últimas décadas, com impactos
eutróficos severos sobre a fauna, flora e os próprios seres humanos.
§desmatamentos contínuos – o Relatório do PNUMA estima uma perda total de
florestas, durante os anos 90, de 94.000km2, ou seja, uma média de
15.000km2 anualmente, já abatendo as áreas reflorestadas. Emblemático a
respeito é a devastação da Mata Atlântica da qual sobraram somente 7%,
segundo levantamento patrocinado pela SOS Mata Atlântica.
Uma das conseqüências do desmatamento é a destruição da biodiversidade,
particularmente nas áreas tropicais. Mudanças climáticas, extração predatória
de recursos naturais e minerais, transformações no uso de solos estão
dizimando a fauna e a flora em diversas regiões do mundo.
O crescimento da população acompanhado de novos padrões de consumo e
produção resulta em quantidades de resíduos e substâncias tóxicas poluentes
com efeitos desastrosos na biodiversidade. Embora não existam dados precisos
sobre espécies extintas nas últimas três décadas, o Relatório do PNUMA estima
que 24% (1.183) das espécies de mamíferos e 12% (1.130) de pássaros
estariam ameaçadas de extinção.
A situação se afigura particularmente dramática nas áreas urbanas e
metropolitanas nas quais vive quase metade da população mundial, a maioria
em condições de alimentação, habitação, saneamento, e acesso a facilidades
de lazer cada vez mais precárias. A concentração ininterrupta de
desempregados, miseráveis e excluídos nos espaços urbanos e metropolitanos
caracterizados por desigualdades extremas produz fenômenos de anomia social
– marginalidade, delinqüência e narcotráfico que enfraquecem ainda mais a
precária governabilidade. O Relatório das Nações Unidas estima 800 milhões
da população urbana vegetando abaixo da linha de pobreza e extremamente
vulnerável a desastres naturais e mudanças ambientais. Essas condições
desfavoráveis são diretamente responsáveis pela saúde deteriorada e a baixa
qualidade de vida, sendo a falta de saneamento básico e a poluição do ar
responsáveis pela maior parte das doenças e mortes.
A ineficácia das reuniões internacionais ficou demonstrada também na
Conferência recente da FAO – a Organização das Nações Unidas para
Alimentação e Agricultura, realizada na primeira quinzena de junho de 2002,
em Roma, Itália. Apesar de relatos assustadores sobre a fome e desnutrição
que assolam centenas de milhões de seres humanos, a Conferência fracassou
por mostrar-se incapaz de definir medidas concretas que garantissem os
direitos à alimentação e qualidade de vida para os pobres do mundo. Os chefes
de Estado dos países ricos, com exceção do anfitrião, o primeiro ministro
italiano Sílvio Berlusconi, não compareceram, alegando alguns que...”não
esperavam que a Conferência fosse bem sucedida”...
A resistência dos países ricos a comprometer-se com resoluções, protocolos e
tratados internacionais (vide Kyoto!) é evidenciada também pelo não
cumprimento da resolução das Nações Unidas sobre o destino anual de 0,7%
do PIB de cada país rico, como ajuda ao desenvolvimento dos países pobres.
Quatro “décadas de desenvolvimento” não conseguiram melhorar a situação
das populações carentes do terceiro mundo. Os governos dos países pobres
certamente não estão isentos de culpa, responsáveis que são por políticas
macroeconômicas inadequadas, retrógradas, má administração de recursos e
corrupção. Para explicar os fracassos sucessivos e o estado de calamidade em
que se encontram praticamente todos os países que não fazem parte do clube
seleto da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
– não basta apontar a incompetência ou a “falta de vontade política” dos
governantes, tanto nos países ricos quanto nos pobres. É mister denunciar a
ideologia da competição como suposta mola mestra do progresso para todos.
A dinâmica da competição que permeia todas as esferas da vida social leva à
marginalização dos mais fracos e assim, a futuras catástrofes sociais e
políticas. Embora atenda aos interesses das elites, mostra-se incapaz de
resolver os problemas de um mundo que está cada vez mais próximo do que
foi caracterizado no Relatório Brundtland, como “Nosso Futuro Comum”.

Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente


Ao contrário do discurso oficial sustentado pela maioria dos cientistas, não há
uma correlação positiva entre os avanços nas pesquisas científicas e
tecnológicas e a posição de um dado país em termos de indicadores sociais e
ambientais. Apesar de razoável infraestrutura científica (universidades e
institutos de pesquisa), em termos de indicadores de desenvolvimento
humano, o Brasil permanece bem atrás de vários países com inferior
desenvolvimento em ciência e tecnologia enquanto os Estados Unidos, com o
maior potencial de P & D, adotam posições retrógradas com relação à
preservação do meio ambiente.
A questão do papel da ciência e tecnologia em sociedades afligidas por
tremendos problemas sociais tem sido sistematicamente evitada pelas elites do
sistema, incluindo cientistas e políticos. Durante as últimas décadas, a opinião
pública tem sido alimentada com o mito do “efeito de filtração” (trickle-down
effect), de quanto mais pesquisa e desenvolvimento, melhor para a
prosperidade econômica e o bem-estar social. Entretanto, como prova a dura
realidade, a natureza dos nossos problemas sociais e ambientais não requer
sofisticadas soluções de alta tecnologia, e sim, o uso mais racional de
tecnologias “apropriadas” existentes e de políticas empenhadas na redução do
desperdício e do consumo conspícuo. Outro importante fator para o
desenvolvimento humano seria o aumento do nível de educação e dos
conhecimentos do conjunto da população assegurando a incorporação de
milhões de crianças ainda excluídas de um adequado sistema escolar. Como
pode uma sociedade progredir sem a inclusão de toda a sua população?
Da discussão precedente pode-se inferir que ciência e tecnologia não são
politicamente neutras. Ao contrário, equipamentos e processos de trabalho
bem como a organização e o manuseio dos mesmos estão inextricavelmente
ligados às relações sociais produtivas. Em cada contexto histórico, espacial e
socialmente determinado, as formas materiais de tecnologia representam uma
combinação de diferentes níveis de poder econômico e político centralizado,
enfrentando as aspirações contrabalanceadoras dos produtores por mais
autonomia e auto-gestão. Por isso, práticas tecnológicas refletem as
contradições políticas entre as dinâmicas da economia, tendendo a
concentração e centralização do capital e as tendências opostas do sistema
político, em direção à democracia e auto-gestão. Essa tensão dialética
estabelece os limites da ciência e tecnologia como instrumentos de mudança
social. Pesquisas tecnológicas e seu desenvolvimento, as inovações e sua
incorporação no sistema produtivo obedecem primeiramente a critérios
econômicos e políticos. Proclamar a crença nas possíveis mudanças das
relações de poder no sentido de mais eqüidade e justiça social derivadas de
políticas convencionais de ciência e tecnologia, soa ingênuo ou deliberada
mistificação. Em última instância o desenvolvimento social e econômico,
incluindo ciência e tecnologia, não depende somente do volume de recursos
disponíveis, mas de quem os controla e os usa, com que objetivos, planos e
valores.
Uma demonstração inequívoca do modo enviesado adotado nos discursos
oficiais sobre o papel da ciência é revelado por uma análise das discussões dos
problemas ambientais nas reuniões e conferências internacionais sobre
mudança de clima e fenômenos correlatos. Para evitar a redução de emissões
em casa, os representantes dos países ricos, baseando-se nas evidências de
resultados científicos dúbios, propõem vias e mecanismos mais complexos para
escapar da obrigação de adotar uma política de clima limpa e racional, a partir
de um quadro de referências sistêmico e interdisciplinar. Quando alertados
pelos seus cientistas, os governantes consideram a política climática apenas
como redução e controle das emissões. No entanto, há uma necessidade
urgente de redesenhar os setores de energia e transportes, assim como a
produção industrial para combater a poluição do ar e o congestionamento do
tráfego. Em vez de uma política climática baseada numa postura negativa de
emissão e redução, necessitamos avançar com propostas positivas de
transformação industrial, abandonando o enfoque estreito e fragmentado, para
ser substituído por uma visão sistêmica de mudança global.
Uma diferente abordagem é exigida quando discutimos os fundamentos
sociais, éticos e comportamentais do bem-estar humano considerados como
tema prioritário. É importante admitir a extrema relevância da distribuição
intra e intergerações, adotando uma posição ética em vez da neutralidade
científica. As teses defendidas por economistas e biólogos baseadas nas
informações das ciências naturais e da econometria parecem muito limitadas.
A acumulação de gases produzindo o efeito estufa é apenas um dos vários
sintomas de irracionalidade no nosso altamente ineqüitativo mundo, onde 20%
da população consomem 80% dos recursos naturais, incluindo energia. Outras
manifestações negativas são a destruição da camada de ozônio, a poluição dos
rios e oceanos, o sempre crescente número de substâncias químicas perigosas
e os resíduos nucleares depositados que impactam negativamente a natureza e
o ambiente humano. Esses problemas não podem ser tratados e reparados
somente por meio de soluções tecnológicas.
A distribuição desigual de renda e dos ativos produtivos impõe pesadas
restrições às políticas de desenvolvimento dos países pobres. Os grãos a serem
cultivados, as fontes de energia exploráveis, o uso da terra etc, não são mais
decididos pelas autoridades nacionais, mas por forças financeiras externas.
Lidando com o problema das emissões de gás carbônico os países ricos estão
menos preocupados do que no caso do dióxido de enxofre (SO2). Mas, o
aumento da temperatura global devido a mudança de clima afetará os países
pobres no hemisfério sul. Meio metro a mais do nível do mar deslocará
dezenas de milhões de pessoas e submergerá faixas de terra em todo o
mundo, enquanto a construção de muros para proteger zonas vulneráveis
próximas ao mar certamente envolverá custos insuportáveis aos países pobres.
Até agora, as negociações sobre mudança de clima têm produzido poucos
resultados, por estar sendo realizadas entre parceiros desiguais. Os
representantes dos países pobres são inferiores em números nas conferências
e geralmente lhes falta o acesso a informações relevantes e as habilidades de
negociação. Por isso, é difícil alcançar acordos sobre a concentração dos níveis
de dióxido de carbono (CO2), que representam maiores riscos para a saúde
das populações. As fórmulas atuais enfatizam a minimização dos custos para
os ricos mas não a minimização dos riscos para os pobres. Ao pressionar os
países pobres a venderem seus “direitos” de poluir, quanto estará disponível
para eles sustentar suas políticas de industrialização? No futuro as
intermináveis negociações arrastadas de uma conferência para outra
representam objetivamente um sério atraso na tomada de medidas adequadas
e eficazes, com isso piorando a situação de ineqüidade, até um ponto sem
retorno.
Ao incluir sumidouros nos MDL (mecanismos de desenvolvimento limpo), os
países ricos estão provavelmente impondo a pior maneira possível de negociar
responsavelmente com suas obrigações para reduzir as emissões. Há várias
razões para não incluir sumidouros nos MDL, quando uma abordagem
sistêmica for adotada. Persistem ainda as controversas questões de
preservação da biodiversidade relacionadas com os organismos geneticamente
modificados e, os direitos das terras dos povos indígenas nos países pobres,
vivendo em áreas cobiçadas por megaprojetos de desenvolvimento (por
exemplo, a hidrovia Paraná-Paraguai que atravessa a região do Pantanal).
Assim, as incertezas sobre a capacidade de armazenagem do carbono por
regiões ecológicas e, mais que tudo, o eventual seqüestro do carbono à luz dos
imprevisíveis e incontroláveis fatores do comportamento humano e natural
induzindo as mudanças climáticas, continuam presentes no cenário atual.
A adoção do princípio de precaução e um rigoroso acordo para institucionalizar
a cooperação regional e internacional seriam os primeiros passos em direção a
um meio ambiente mais limpo e seguro.
Independentemente dos resultados das negociações, na Conferência de
Joanesburgo, cada país deveria responsabilizar-se por suas próprias emissões
a serem verificadas e avaliadas por um comitê internacional independente. O
comércio de cotas – eufemisticamente chamado MDL “mecanismos de
desenvolvimento limpo” talvez permita melhorar a lucratividade de negócios,
mas certamente não a equidade dentre e entre nações. MDL propõem
mobilizar investimentos privados para países pobres estarem capazes de
prover um desenvolvimento mais limpo, baseado nos fluxos de capital e de
tecnologia. Mas as negociações geralmente são realizadas em bases bilaterais
entre parceiros desiguais não garantindo que um “bom” preço fosse obtido
pelos países pobres. Finalmente, sem transferência concomitante de
tecnologia, qualquer acordo envolvendo a concessão de direitos de poluição
certamente será oneroso para os parceiros mais fracos.

A armadilha da competição
A dinâmica selvagem da competição produz ganhadores e perdedores e esses
últimos, cada vez mais numerosos, ingressam nos exércitos dos pobres e
excluídos. Face à crise ambiental e as economias nacionais desarticuladas que
provocam conflitos sociais e políticos que sacodem permanentemente nosso
planeta, o mercado competitivo poderia responder ao desafio de justiça
social? O processo de polarização e a disseminação da pobreza constitui-se
em maior obstáculo a um desenvolvimento sustentável para todos e o
indicador convencional de crescimento do PIB per capita, advogado pelos
políticos, governos e acadêmicos não passa de mais um engodo.
A preocupação predominante com o crescimento econômico torna-se também
um empecilho para o avanço nas práticas de proteção e preservação
ambiental.
O meio ambiente não deve ser encarado em suas dimensões ecológicas e
econômicas apenas. As percepções humanas e as formas de utilização do meio
ambiente e seus recursos são socialmente construídos e essas construções
envolvem interesses, valores, expectativas e instituições que influenciam as
interações humanas com o ambiente biofísico e social. Uma das formas da
construção social do meio ambiente é manifesta nos direitos de propriedade,
individual e coletiva. As estruturas sociais e os processos políticos asseguram
sistemas específicos de propriedade que são mantidos e reproduzidos pelas
relações sociais e os regimes políticos que os legitimam, bem como sua
apropriação ou exclusão. Em conseqüência, o meio ambiente não pode ser
tratado isoladamente mas deve ser inserido no contexto dos processos sociais,
econômicos e políticos. Neste sentido, um regime de governo democrático
constitui fator crucial para uma gestão e proteção ambiental mais racional e
sustentável que funcione no atendimento dos interesses coletivos. De outra
forma, os interesses econômicos particulares de curto prazo prevalecem sobre
as preocupações ambientais e sociais de longo prazo.
Os porta-vozes do mercado ou as empresas insistem em afirmar que as
condições econômicas e sociais precárias seriam inevitáveis para manter a
lucratividade dos negócios, apesar de danos permanentes causados ao meio
ambiente e às populações carentes e indefesas. Seria possível conciliar os
interesses conflitantes do “big business”, da tecnocracia e do mundo das
finanças com aqueles das populações pobres nas áreas rurais e urbanas?
Os governos e as grandes empresas procuram escapar de sua responsabilidade
de enfrentar os perigos à sobrevivência da humanidade reclamando por “mais
evidências científicas”. O argumento é falacioso porque existem suficientes
conhecimentos e fatos concretos que podem sustentar a tomada de decisões,
aqui e agora. Entretanto, os representantes do grande capital e os tecnocratas,
alegando defender os interesses da economia, rejeitam a adoção de medidas
elementares tais como o PPP – princípio poluidor pagador e o da precaução.
O PIB reflete somente uma parcela da realidade, distorcida pelos economistas
– a parte envolvida em transações monetárias. Funções econômicas
desenvolvidas nos lares e de voluntários acabam sendo ignoradas e excluídas
da contabilidade. Em conseqüência, a taxa do PIB não somente oculta a crise
da estrutura social, mas também a destruição do habitat natural – base da
economia e da própria vida humana. Paradoxalmente, efeitos desastrosos são
contabilizados como ganhos econômicos. Crescimento pode conter em seu bojo
sintomas de anomia social.
A onda de crimes nas áreas metropolitanas impulsiona uma próspera indústria
de proteção e segurança, que fatura bilhões. Seqüestros e assaltos a bancos
atuam como poderosos estimulantes dos negócios das companhias de seguro,
aumentando o PIB.
Algo semelhante ocorre com o ecossistema natural. Quanto mais degradados
são os recursos naturais, maior o crescimento do PIB, contrariando princípios
básicos da contabilidade social, ao considerar o produto de depredação como
renda corrente.
O caso da poluição ilustra ainda melhor essa contradição, aparecendo duas
vezes como ganho: primeiro, quando produzida pelas siderúrgicas ou
petroquímicas e, novamente, quando se gasta fortunas para limpar os dejetos
tóxicos. Outros custos da degradação ambiental, como gastos com médicos e
medicamentos, também aparecem como crescimento do PIB.
A contabilidade do PIB ignora a distribuição da renda, ao apresentar os lucros
enormes auferidos no topo da pirâmide social como ganhos coletivos. Tempo
de lazer e de convívio com a família são considerados como a água e o ar, sem
valor monetário. O excesso de consumo de alimentos e os tratamentos por
dietas, cirurgias plásticas, cardiovasculares etc. são outros exemplos da
contabilidade, no mínimo bizarra, sem falar dos bilhões gastos com
tranqüilizantes e tratamentos psicológicos.
A onda crescente de desemprego, que se alastra nos países latino-americanos,
além dos efeitos psicológicos e sociais devastadores na vida dos indivíduos,
seus familiares e comunidades, repercute também negativamente nas
respectivas economias nacionais. Somando os efeitos de políticas
macroeconômicas perversas com os da política salarial e trabalhista, sob forma
de flexibilização e precarização dos contratos de trabalho, ocorre uma
transferência de parcelas crescentes da renda nacional para o capital, com as
proporcionais perdas na renda do trabalho. A compressão dos salários e
rendimentos do trabalho associada à alta taxa de juros e a remessa ao exterior
a título de juros, dividendos e royalties, têm um poderoso efeito recessionista.
Reduzindo a renda disponível nas mãos da população, cai a demanda, a
produção, a arrecadação de impostos, numa espécie de círculo vicioso,
arrastando nessa tendência recessiva também a poupança e os investimentos.

A ascenção da sociedade civil


Os regimes políticos atuais, baseados na lógica do mercado e orientados para a
exacerbação do consumo material, sem preocupação com o uso racional dos
recursos naturais e a preservação do meio ambiente, parecem incapazes de
conceber e implantar políticas condutivas à sustentabilidade. A ascensão das
ONGs, apesar de avanços e retrocessos temporários, tem exercido papel
fundamental, além de sua participação crescente e irrecusável nas
conferências internacionais convocadas pelas Nações Unidas, na concretização
lenta, mas segura, em direção à humanização das relações entre governos e
governados, em praticamente todas as sociedades.
São significativas as conquistas da humanidade, graças a presença e ao
empenho das ONGs, nos cenários nacional e internacional, durante os últimos
anos. O banimento das minas-terrestres, a criação da Corte de Justiça de
Roma; a aprovação do protocolo de Kyoto; a resistência ao AMI – (Acordo
Multilateral sobre Investimentos) e o fortalecimento do combate à violação dos
Direitos Humanos, em praticamente todos os países, devem ser motivos de
orgulho e de confiança no futuro da sociedade democrática mundial. Colocando
a tecnologia de ponta a serviço da intercomunicação e constituição de redes,
com vastas ramificações internacionais, a participação democrática constitui
um desafio inédito às políticas e à postura autoritária e centralizadora do
Estado que se tornou agente da globalização imposta pelas forças econômicas-
financeiras e da mídia, cuja atuação reduz os cidadãos comuns a meros
objetos descartáveis e manipuláveis, tanto no sistema de produção quanto nas
manifestações da cultura de massa, de consumo e de lazer.
A emergência de iniciativas locais ou mesmo internacionais organizadas por
grupos de voluntários protestando ou resistindo, desde à construção de
centrais nucleares até a repressão de liberdades democráticas e, mais
recentemente, contestando as reuniões das organizações multilaterais,
constituem um fenômeno inédito no cenário político internacional.
A nova ordem mundial está sendo construída por esses diferentes atores
sociais, na transição de um mundo de estados territoriais e soberanos, para
uma sociedade planetária.
Não podemos perder de vista o objetivo estratégico de longo prazo – a
construção de uma sociedade sustentável amparada em um sistema de
governança global.

ISO 14000
ISO 14000 é uma série de normas desenvolvidas pela International
Organization for Standardization (ISO) e que estabelecem diretrizes sobre a
área de gestão ambiental dentro de empresas.

Histórico
Os impactos ambientais gerados pelo desenvolvimento industrial e econômico
do mundo atual constituem um grande problema para autoridades e
organizações ambientais.
No início da década de 90, a ISO viu a necessidade de se desenvolverem
normas que falassem da questão ambiental e tivessem como intuito a
padronização dos processos de empresas que utilizassem recursos tirados da
natureza e/ou causassem algum dano ambiental decorrente de suas
atividades.

Comitê de criação
No ano de 1993, a ISO reuniu diversos profissionais e criou um comitê,
intitulado Comitê Técnico TC 207 que teria como objetivo desenvolver
normas (série 14000) nas seguintes áreas envolvidas com o meio ambiente. O
comitê foi dividido em vários subcomitês, conforme descritos abaixo:
• Subcomitê 1: Desenvolveu uma norma relativa aos sistemas de gestão
ambiental.
• Subcomitê 2: Desenvolveu normas relativas às auditorias na área de
meio ambiente.
• Subcomitê 3: Desenvolveu normas relativas à rotulagem ambiental.
• Subcomitê 4: Desenvolveu normas relativas a avaliação do desempenho
(performance) ambiental.
• Subcomitê 5: Desenvolveu normas relativas à análise durante a
existência (análise de ciclo de vida).
• Subcomitê 6: Desenvolveu normas relativas a definições e conceitos.
• Subcomitê 7: Desenvolveu normas relativas à integração de aspectos
ambientais no projeto e desenvolvimento de produtos.
• Subcomitê 8: Desenvolveu normas relativas à comunicação ambiental.
• Subcomitê 9: Desenvolveu normas relativas às mudanças climáticas.

. Nível Brasil

Nenhum país deve falar, agir a favor e respeitar tanto o meio ambiente
como o Brasil. Aqui se tem as florestas mais densas do mundo, uma rica
fauna, rios caudalosos e um clima bastante variado.

O Brasil tem a maior floresta tropical do mundo, com 6,6 milhões de km²
espalhados pelos países da América latina, a Amazônia, que é um grande
espaço verde que tem umidade, mas que em outros pontos, neste mesmo
país, há terras secas, matas firme, cerrados, savanas e manguezais. Seus rios
juntos somam um quinto da água doce do planeta.
No Brasil também há uma grande biodiversidade conhecida com espécies
raras de animais só vistas aqui, na Amazônia. Estudiosos afirmam que a
riqueza é tamanha a ponto de somente 10% das espécies serem conhecidas.
A floresta amazônica é conhecida no mundo todo. Ela é considerada
como o “pulmão do mundo” devido aos fungos e plantas que lá existem. Tudo
isso faz com que o Brasil seja assim como é o país do futebol também o país
do meio ambiente.
Ser o país do meio ambiente reflete não apenas em ter uma vasta cadeia
ecológica, isso requer também, por parte da sua população, acordar e fazer
planos com urgência para proibir coibir atos nocivos como o desmatamento, e
queimadas.
O meio ambiente do Brasil e do mundo clamam por socorro. A água está
acabando, as árvores retiradas para ganas comerciais, produtos que ainda não
possuem o destino certo e assolam a natureza. Tudo isso tem contribuído para
a degradação do verde do mundo e com isso, uma série de mazelas naturais
que prejudicam o homem .

Para ajudar na proteção do meio ambiente, foi criado um orgão chamado


SEMA, que é a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Nos termos das Leis 10.066, de 27 de julho de 1992, e 11.352, de 13 de


fevereiro de 1996, constitui órgão de primeiro nível hierárquico da
administração estadual, de natureza substantiva, e tem por finalidade formular
e executar as políticas de meio ambiente, de recursos hídricos, florestal,
cartográfica, agrária-fundiária, de controle da erosão e de saneamento
ambiental.

Objetivos
O campo de atuação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos
Hídricos compreende as seguintes atividades:
• estabelecer as diretrizes para ação governamental nas áreas de meio
ambiente, de recursos hídricos, florestal, cartográfica, agrária-fundiária,
de controle da erosão e de saneamento ambiental;
• promover, coordenar e executar a educação ambiental;

• promover a regularização fundiária e o reordenamento territorial, de


forma a garantir a proteção dos recursos naturais e a manutenção da
biodiversidade, contemplada sempre a função social da terra;
• estabelecer programas, em conjunto com o órgão responsável da União,
para implantação de projetos de assentamentos de agricultores sem-
terra no Estado, no âmbito federal através do Plano Nacional de Reforma
Agrária – PNRA e no âmbito estadual através do Plano Especial de
Colonização;
• participar, em conjunto com os órgãos competentes das diferentes
esferas de governo, da elaboração e execução do Plano Especial de
Colonização e, do Plano Nacional de Reforma Agrária;
• promover, normatizar, coordenar e executar a cartografia do Estado,
realizar atividades na área de sensoriamento remoto, bem como manter
o acervo de seus produtos;
executar e fazer executar todos os atos necessários à proteção,
conservação e recuperação do meio ambiente;
• promover a execução, a coordenação, o controle, a atualização e a
divulgação do Sistema de Informações Ambientais;
• promover a realização de estudos ambientais de caráter multi e
interdisciplinar, de forma integrada;
• promover o desenvolvimento de métodos e padrões de avaliação da
qualidade ambiental;
promover o planejamento, a execução e o controle de projetos especiais
e obras relativas ao meio ambiente;
• coordenar a proposição e a elaboração de políticas, normas, estratégias,
programas e projetos relacionados à gestão de resíduos sólidos, recursos
hídricos e atmosféricos, biodiversidade e florestas, contribuindo para com
a definição e implementação da política ambiental do Estado.

Existem tambem as leis ambientais brasileiras, que regulamentam ações


em prol da preservação ambiental, algumas delas são:
Agrotóxicos (Lei 7.802 de 11/07/1989) - A Lei dos Agrotóxicos
regulamenta desde a pesquisa e fabricação dos agrotóxicos até sua
comercialização, aplicação, controle, fiscalização e também o destino da
embalagem. Impõe a obrigatoriedade do receituário agronômico para venda de
agrotóxicos ao consumidor. Também exige registro dos produtos nos
Ministérios da Agricultura e da Saúde e no Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, IBAMA. Qualquer entidade pode
pedir o cancelamento deste registro, encaminhando provas de que um produto
causa graves prejuízos à saúde humana, meio ambiente e animais. O
descumprimento da lei pode acarretar multas e reclusão, inclusive para os
empresários.

Área de Proteção Ambiental (Lei 6.902, de 27/04/1981) - Lei que criou


as "Estações Ecológicas" (áreas representativas de ecossistemas brasileiros,
sendo que 90% delas devem permanecer intocadas e 10% podem sofrer
alterações para fins científicos) e as "Áreas de Proteção Ambiental" ou APAs
(onde podem permanecer as propriedades privadas, mas o poder público limita
atividades econômicas para fins de proteção ambiental). Ambas podem ser
criadas pela União, Estado, ou Município. Importante: tramita na Câmara dos
Deputados, em regime de urgência, o Projeto de Lei 2892/92, que modificaria
a atual lei, ao criar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, SNUC.

Atividades Nucleares (Lei 6.453 de 17/10/1977) - Dispõe sobre a


responsabilidade civil por danos nucleares e a responsabilidade criminal por
atos relacionados com as atividades nucleares. Entre outros, determina que
quando houver um acidente nuclear, a instituição autorizada a operar a
instalação tem a responsabilidade civil pelo dano, independente da existência
de culpa. Em caso de acidente nuclear não relacionado a qualquer operador, os
danos serão suportados pela União. A lei classifica como crime produzir,
processar, fornecer, usar, importar, ou exportar material sem autorização legal,
extrair e comercializar ilegalmente minério nuclear, transmitir informações
sigilosas neste setor, ou deixar de seguir normas de segurança relativas à
instalação nuclear.

Crimes Ambientais (Lei 9.605, de 12/02/1998) - Reordena a legislação


ambiental brasileira no que se refere às infrações e punições. A partir dela, a
pessoa jurídica, autora ou co-autora da infração ambiental, pode ser
penalizada, chegando à liquidação da empresa, se ela tiver sido criada ou
usada para facilitar ou ocultar um crime ambiental. Por outro lado, a punição
pode ser extinta quando se comprovar a recuperação do dano ambiental e - no
caso de penas de prisão de até 4 anos - é possível aplicar penas alternativas. A
lei criminaliza os atos de pichar edificações urbanas, fabricar ou soltar balões
(pelo risco de provocar incêndios), danificar as plantas de ornamentação,
dificultar o acesso às praias ou realizar desmatamento sem autorização prévia.
As multas variam de R$ 50 a R$ 50 milhões. É importante lembrar, que na
responsabilidade penal tem que se provar a intenção (dolo) do autor do crime
ou sua culpa (imprudência, negligência e imperícia). Difere da responsabilidade
civil ambiental, que não depende de intenção ou culpa. Para saber mais: o
IBAMA tem, em seu site, um quadro com as principais inovações desta lei, bem
como de todos os vetos presidenciais.

Engenharia Genética (Lei 8.974 de 05/01/1995) - Regulamentada pelo


Decreto 1752, de 20/12/1995, a lei estabelece normas para aplicação da
engenharia genética, desde o cultivo, manipulação e transporte de organismos
geneticamente modificados (OGM), até sua comercialização, consumo e
liberação no meio ambiente. Define engenharia genética como a atividade de
manipulação de material genético, que contém informações determinantes de
caracteres hereditários de seres vivos. A autorização e fiscalização do
funcionamento de atividades na área e da entrada de qualquer produto
geneticamente modificado no país, é de responsabilidade dos ministérios do
Meio Ambiente (MMA), da Saúde (MS) e da Agricultura. Toda entidade que usar
técnicas de engenharia genética é obrigada a criar sua Comissão Interna de
Biossegurança, que deverá, entre outros, informar trabalhadores e a
comunidade sobre questões relacionadas à saúde e segurança nesta atividade.
A lei criminaliza a intervenção em material genético humano in vivo (exceto
para tratamento de defeitos genéticos), sendo que as penas podem chegar a
vinte anos de reclusão.

Exploração Mineral (Lei 7.805 de 18/07/1989) - Regulamenta a atividade


garimpeira. A permissão da lavra é concedida pelo Departamento Nacional de
Produção Mineral, DNPM, a brasileiro ou cooperativa de garimpeiros autorizada
a funcionar como empresa, devendo ser renovada a cada cinco anos. É
obrigatória a licença ambiental prévia, que deve ser concedida pelo órgão
ambiental competente. Os trabalhos de pesquisa ou lavra, que causarem danos
ao meio ambiente são passíveis de suspensão, sendo o titular da autorização
de exploração dos minérios responsável pelos danos ambientais. A atividade
garimpeira executada sem permissão ou licenciamento é crime. O site do
DNPM oferece a íntegra desta lei e de toda a legislação, que regulamenta a
atividade minerária no país. Já o Ministério do Meio Ambiente, MMA, oferece
comentários detalhados sobre a questão da mineração.

Fauna Silvestre (Lei 5.197 de 03/01/1967) - A fauna silvestre é bem


público (mesmo que os animais estejam em propriedade particular). A lei
classifica como crime o uso, perseguição, apanha de animais silvestres, caça
profissional, comércio de espécimes da fauna silvestres e produtos derivados
de sua caça, além de proibir a introdução de espécie exótica (importada) e a
caça amadorística sem autorização do IBAMA. Também criminaliza a
exportação de peles e couros de anfíbios e répteis (como o jacaré) em bruto. O
site do IBAMA traz um resumo comentado de todas as leis relacionadas à
fauna brasileira, além de uma lista das espécies brasileiras ameaçadas de
extinção.

Florestas (Lei 4771 de 15/09/1965) - Determina a proteção de florestas


nativas e define como áreas de preservação permanente (onde a conservação
da vegetação é obrigatória) uma faixa de 30 a 500 metros nas margens dos
rios (dependendo da largura do curso d´água), de lagos e de reservatórios,
além dos topos de morro, encostas com declividade superior a 45° e locais
acima de 1800 metros de altitude. Também exige que propriedades rurais da
região Sudeste do País preservem 20% da cobertura arbórea, devendo tal
reserva ser averbada no registro de imóveis, a partir do que fica proibido o
desmatamento, mesmo que a área seja vendida ou repartida. A maior parte
das contravenções desta lei foram criminalizadas a partir da Lei dos Crimes
Ambientais.

Gerenciamento Costeiro (Lei 7661, de 16/05/1988) - Regulamentada


pela Resolução nº 01 da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar em
21/12/1990, esta lei traz as diretrizes para criar o Plano Nacional de
Gerenciamento Costeiro. Define Zona Costeira como o espaço geográfico da
interação do ar, do mar e da terra, incluindo os recursos naturais e abrangendo
uma faixa marítima e outra terrestre. O Plano Nacional de Gerenciamento
Costeiro (GERCO) deve prever o zoneamento de toda esta extensa área,
trazendo normas para o uso de solo, da água e do subsolo, de modo a priorizar
a proteção e conservação dos recursos naturais, o patrimônio histórico,
paleontológico, arqueológico, cultural e paisagístico. Permite aos Estados e
Municípios costeiros instituírem seus próprios planos de gerenciamento
costeiro, desde que prevaleçam as normas mais restritivas. As praias são bens
públicos de uso do povo, assegurando-se o livre acesso a elas e ao mar. O
gerenciamento costeiro deve obedecer as normas do Conselho Nacional de
Meio Ambiente, CONAMA.

IBAMA (Lei 7.735, de 22/02/1989) - Criou o IBAMA, incorporando a


Secretaria Especial do Meio Ambiente (antes subordinada ao Ministério do
Interior) e as agências federais na área de pesca, desenvolvimento florestal e
borracha. Ao IBAMA compete executar e fazer executar a política nacional do
meio ambiente, atuando para conservar, fiscalizar, controlar e fomentar o uso
racional dos recursos naturais. Hoje subordina-se ao Ministério do Meio
Ambiente, MMA.

Parcelamento do solo urbano (Lei, 6.766 de 19/12/1979) - Estabelece as


regras para loteamentos urbanos, proibidos em áreas de preservação
ecológica, naquelas onde a poluição representa perigo à saúde e em terrenos
alagadiços. O projeto de loteamento deve ser apresentado e aprovado
previamente pelo Poder Municipal, sendo que as vias e áreas públicas passarão
para o domínio da Prefeitura, após a instalação do empreendimento.

Patrimônio Cultural (Decreto-Lei 25, de 30/11/1937) - Organiza a


Proteção do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, incluindo como
patrimônio nacional os bens de valor etnográfico, arqueológico, os
monumentos naturais, além dos sítios e paisagens de valor notável pela
natureza ou a partir de uma intervenção humana. A partir do tombamento de
um destes bens, fica proibida sua destruição, demolição ou mutilação sem
prévia autorização do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,
SPHAN, que também deve ser previamente notificado, em caso de dificuldade
financeira para a conservação do bem. Qualquer atentado contra um bem
tombado equivale a um atentado ao patrimônio nacional.
Política Agrícola (Lei 8.171 de 17/01/1991) - Coloca a proteção do meio
ambiente entre seus objetivos e como um de seus instrumentos. Num capítulo
inteiramente dedicado ao tema, define que o Poder Público (federação,
estados, municípios) deve disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da
água, da fauna e da flora; realizar zoneamentos agroecológicos para ordenar a
ocupação de diversas atividades produtivas (inclusive instalação de
hidrelétricas), desenvolver programas de educação ambiental, fomentar a
produção de mudas de espécies nativas, entre outros. Mas a fiscalização e uso
racional destes recursos também cabe aos proprietários de direito e aos
beneficiários da reforma agrária. As bacias hidrográficas são definidas como as
unidades básicas de planejamento, uso, conservação e recuperação dos
recursos naturais, sendo que os órgãos competentes devem criar planos
plurianuais para a proteção ambiental. A pesquisa agrícola deve respeitar a
preservação da saúde e do ambiente, preservando ao máximo a
heterogeneidade genética.

Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938, de 17/01/1981) - A mais


importante lei ambiental. Define que o poluidor é obrigado a indenizar danos
ambientais que causar, independentemente de culpa. O Ministério Público
(Promotor de Justiça ou Procurador da República) pode propor ações de
responsabilidade civil por danos ao meio ambiente, impondo ao poluidor a
obrigação de recuperar e/ou indenizar prejuízos causados. Também esta lei
criou os Estudos e respectivos Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/RIMA),
regulamentados em 1986 pela Resolução 001/86 do CONAMA. O EIA/RIMA
deve ser feito antes da implantação de atividade econômica, que afete
significativamente o meio ambiente, como estrada, indústria ou aterros
sanitários, devendo detalhar os impactos positivos e negativos que possam
ocorrer devido às obras ou após a instalação do empreendimento, mostrando
como evitar os impactos negativos. Se não for aprovado, o empreendimento
não pode ser implantado. A lei dispõe ainda sobre o direito à informação
ambiental.

Recursos Hídricos (Lei 9.433 de 08/01/1997) - Institui a Política Nacional


de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Recursos Hídricos. Define a
água como recurso natural limitado, dotado de valor econômico, que pode ter
usos múltiplos (consumo humano, produção de energia, transporte,
lançamento de esgotos). Descentraliza a gestão dos recursos hídricos,
contando com a participação do Poder Público, usuários e comunidades. São
instrumentos da nova Política das Águas: 1- os Planos de Recursos Hídricos
(por bacia hidrográfica, por Estado e para o País), que visam gerenciar e
compatibilizar os diferentes usos da água, considerando inclusive a perspectiva
de crescimento demográfico e metas para racionalizar o uso, 2- a outorga de
direitos de uso das águas, válida por até 35 anos, deve compatibilizar os usos
múltiplos, 3- a cobrança pelo seu uso (antes, só se cobrava pelo tratamento e
distribuição), 4- os enquadramentos dos corpos d´água. A lei prevê também a
criação do Sistema Nacional de Informação sobre Recursos Hídricos para a
coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações sobre
recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão.
Zoneamento Industrial nas Áreas Críticas de Poluição (Lei 6.803,
de02/07/1980) - Atribui aos estados e municípios o poder de estabelecer
limites e padrões ambientais para a instalação e licenciamento das indústrias,
exigindo Estudo de Impacto Ambiental.

Municípios podem criar três zonas industriais:


1. zona de uso estritamente industrial: destinada somente às indústrias cujos
efluentes, ruídos ou radiação possam causar danos à saúde humana ou ao
meio ambiente, sendo proibido instalar atividades não essenciais ao
funcionamento da área;
2. zona de uso predominantemente industrial: para indústrias cujos processos
possam ser submetidos ao controle da poluição, não causando incômodos
maiores às atividades urbanas e repouso noturno, desde que se cumpram
exigências, como a obrigatoriedade de conter área de proteção ambiental para
minimizar os efeitos negativos.
3. zona de uso diversificado: aberta a indústrias, que não prejudiquem as
atividades urbanas e rurais.

Sugestões propostas para minimizar os impactos


ambientais.

A questão do meio ambiente vem sendo tratada, até exaustivamente,dos


pontos de vista: científico, tecnológico, educacional, econômico e político, sem
sensibilizar os grandes responsáveis pela degradação ambiental crescente na
medida do desejável ou na proporção das ações e dos investimentos aplicados.
Estudos demonstram que, em geral, a produção industrial não é onerada
em mais que três ou quatro por cento, pela aplicação de soluções preventivas
e corretivas no processo industrial e, para os problemas urbanos, existem
soluções eficientes, de baixo custo e, o que é mais importante, amplamente
compensadas pelos benefícios que trazem em relação à saúde, alimentação e
qualidade de vida dos habitantes.
Um programa completo e concreto para a solução dos problemas
ambientais do Brasil será, antes de tudo, um programa de planejamento
integrado do país. Isso porque os impactos gerados sobre o meio ambiente são
decorrentes pura e simplesmente da falta desse planejamento: um
planejamento que não parta de um viés puramente econômico, mas que leve
em conta a qualidade geral de vida e a sustentabilidade de todas as ações que
contribuem para o desenvolvimento. É evidente que um tal planejamento não
deve ser centrado em um ministério, secretaria ou órgão central de
planejamento, mas deve perpassar e receber a contribuição de cada um dos
setores de desenvolvimento social do país: uma atividade transversal, para
utilizar a terminologia, a meu ver muito apropriada, dos setores educacionais.
A conservação do meio ambiente não pode ser objeto de ações de um único
órgão ambiental, destituído de quaisquer ações, poderes ou ingerências sobre
as atividades produtoras.
Um programa de planejamento visando (entre outras coisas) a
preservação do meio ambiente, teria que basear-se, forçosamente, em um
levantamento de necessidades e potencialidades de recursos naturais, isto é,
em uma avaliação metódica das reais necessidades do país em termos de
alimentos vegetais e animais, de fontes energéticas, de recursos minerais e
etc...
Uma avaliação tanto quanto possível precisa das reservas e
disponibilidades atuais desses elementos; das capacidades de reposição dos
recursos que sejam renováveis e recicláveis; das possibilidades de permutas
de recursos que temos em demasia com recursos absolutamente
indispensáveis que outros possuam de sobra. E, em função disso, programar o
nosso desenvolvimento de maneira sustentável. Qualquer outra maneira de
promover o desenvolvimento seria necessariamente ou predatória em relação
às nossas fontes de recursos ou parasitária em relação às fontes de recursos
de outrem.

As industrias, em primeiro lugar, teriam qu ser consioentizadas de que


muitos dos subprodutos que ela lança fora, poderiam ser reaproveitados ou
aproveitados por outro tipo de indústria. Algumas indústrias, intimadas a não
poluir o ambiente com esses resíduos, acabaram tendo maior lucro, em lugar
de prejuízos. É necessário, pois, que se tire o maior proveito possível das
matérias primas utilizadas: inclusive a água pode ser recirculada para novas
utilizações.
Em geral, a simples racionalização do processo industrial, num sentido
conservativo ou sustentável, leva a uma grande economia de matérias primas
e energia, contribuindo para benefício do meio ambiente e das fontes de
recursos naturais e energéticos. Em relação ao que absolutamente não puder
ser reciclado ou reaproveitado, então procede-se ao tratamento, por processos
tecnológicos vários, sendo que alguns destes podem levar ainda ao
aproveitamento de resíduos finais. Uma outra medida prudente, seria a
localização das indústrias em locais onde ocorra maior diluição de resíduos
líquidos ou gasosos e onde exista maior disponibilidade de água e outros
elementos essenciais. Caberia ao planejamento global do Estado, dotar regiões
propícias à localização de indústrias, de facilidades de infraestrutura viária,
energética, habitacional e etc... de modo a promover maior descentralização
urbana.

Recursos com maiores riscos.


Água, um recurso natural em risco de escassez

Enquadramento geral

A água é um recurso natural de grande valor económico, ambiental e social,


fundamental à subsistência e bem-estar do Homem e dos ecossistemas da
Terra. É um bem comum a toda a humanidade.

Durante milhares de anos, acreditou-se que a água era um recurso infinito e


renovável, uma vez que parecia existir na Natureza com grande abundância.

Hoje, a má utilização, e a crescente procura deste recurso, tornou-se uma


preocupação geral, pela menor disponibilidade de água potável em todo o
planeta. Isto é suficiente, para deixar o cidadão comum preocupado, mas
ganha outra dimensão, se pensarmos que apenas 1% de toda a água da Terra
está disponível para uso, pois a maior percentagem de água existente é
salgada (97,5%) e outra parte encontra-se em locais inacessíveis.

De acordo com o World Water Development Report (relatório efectuado por 23


agências das Nações Unidas), o planeta encontra-se neste século, a viver uma
“séria crise de água”, que tende a agravar-se, caso não sejam adoptadas
medidas rápidas.

A poluição, a má gestão da água e as alterações climáticas, que estão de facto,


a provocar o aquecimento do planeta, são alguns dos motivos que contribuem
para a menor disponibilidade dos recursos hídricos.

Começam a ser irrefutáveis os argumentos de que o clima está realmente a


mudar. Prova disso, é a seca severa que se vive este ano, em algumas regiões
do país.

O cenário que se verifica em Portugal, particularmente no Sul, dá-nos conta de


uma situação anormal para a época, com os pivots de rega a funcionar e as
culturas de Inverno e forrageiras, com dificuldade em sobreviver.
<
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), depois de analisados vários
anos, verificou-se que na última década, os valores das temperaturas se
situam consideravelmente abaixo dos normais para a época. Além disso, a
escassa precipitação acumulada até ao final do mês de Fevereiro aponta para
um cenário de seca severa e extrema.

É por isso urgente, apostar na prevenção e ter um plano de resposta para a


gestão dos recursos hídricos.
Medidas a considerar pelo cidadão comum

São ideias simples, pequenos hábitos, que não põem em causa o nosso bem-
estar, mas que podem fazer a diferença, quando multiplicadas por muitas
pessoas.

• Prefira o chuveiro ao banho de imersão, pois gasta entre 25 e 100l, em


vez de 200 a 300;

• Feche bem as torneiras e repare as que estão a pingar;

• Não deixe a água a correr enquanto lava os dentes, a louça ou faz a


barba;

• Adopte soluções para reduzir a água de cada descarga do autoclismo


(10-15litros), como por exemplo introduzir uma garrafa de água no seu
interior, que reduz o consumo em cerca de 30%;

• Desligue fontes ou repuxos que possua no quintal, em época de seca,


são gastos desnecessários;

• Opte pela lavagem do carro com um balde, em vez da mangueira, desta


forma, poupa dezenas de litros de água;

• Se tiver que regar plantas, prefira o período da manhã ou o fim de tarde,


pois nestas horas, a taxa de evaporação é mais baixa;

• Não deite o óleo usado pelo cano abaixo, coloque-o antes numa garrafa
de plástico bem fechada e deite no lixo normal;

• Utilize detergentes para a roupa, que não possuam cloro.

A água é utilizada em diversos processos de produção, e em quase todas as


operações do dia à dia. São estas utilizações que acabam por alterar a sua
qualidade quando é posteriormente descarregada no meio receptor.
Ora vejamos alguns exemplos específicos a titulo de curiosidade:
Opnião sobre o tema proposto.

O tema proposto é de grande importância para a formação de


profissionais técnicos, tendo em vista, a situação atual do meio ambiente.
O profisional de nível técnico atualmente é responsável pelo
desenvolvmento e análise de diversos processos produtivos, e parte desta
análise, com certeza, deve ser focada nos impactos ambientais causados pelos
determinados processos.
Importante também salientar que quando nos referimos a meio ambiente
estamos falando em qualidade de vida, educação, cultura, entre outros
assuntos, e que o exercício proposto nos leva a agregar conhecimento e a nos
mantermos ativos para a colaboração da preservação do meio ambiente.

O que eu faço para melhorar o meio ambiente?

Acho que todos nós devemos nos conscientizar e também a todos a


nossa volta de que o meio ambiente é um assunto para agora, e não para o
futuro, e eu procuro não só conscientizar, mas também agir de forma a dar
exemplos pras pessoas de que temos que preservar e melhorar nosso meio.
A educação ambiental naminha opnião é uma questão cultural, então
procuro sempre incluir nas minhas conversa informais com a pessoas e
tambem faço a minha parte, andando o mínimo possível de carro, separando o
lixo de forma adequada, reutilizando a água, não jogando lixo na rua e
recolhendo sempre que possível.
Pretendo em um curto espaço de tempo fazer muito mais do que faço
hoje, por isso me policio para a cada dia melhorar a minha consciência
ambiental e também das pessoas com as quais convivo.