A Fonoaudiologia e o Canto for jussara's contacts Lidia Maria de Gouveia Universidade Cruzeiro do Sul INTRODUÇÃO

Feb 24, '08 7:14 PM

Atualmente a fonoaudiologia tem se voltado para estudar o profissional da voz, mais especificamente o cantor, seja ele do estilo popular ou erudito. Porem pouco se fala sobre qual o momento esse profissional deve fazer um exame apurado sobre sua condição vocal, podendo ter assim uma orientação profissional sobre o desempenho de sua voz. Nos últimos tempos a fonoaudiologia tem reservado atenção especial ao campo denominado voz profissional, de forma que indivíduos que utilizam a voz como instrumento de trabalho estão cada vez mais próximos dos Fonoaudiólogos, mostrando que ha necessidade de uma orientação para a preparação vocal, melhorando o desempenho vocal do indivíduo, seja ele professor, radialista, repórter, ator ou cantor. Vamos considerar neste estudo o profissional da voz falada aquele indivíduo que, para exercer sua profissão, deve depender de sua voz, sendo esta seu instrumento de trabalho. Autores diversos procuram definir o profissional da voz como " indivíduos que utilizam a voz de maneira continuada, os quais procuram, por meio de um modo de expressão elaborada, atingir um publico especifico ou determinado" (Satallof – 1991) ou como " o indivíduo que ganha seu sustento utilizando sua voz" (Boone – 1992). Especificamente neste estudo, não nos aprofundaremos na estrutura vocal, respiratória e demais esquemas os quais complementam a atividade canto, mas sim os problemas decorrentes do canto, seu mau uso, má formação ou orientação, e como tratar estes problemas através da fonoaudiologia. Quando um cantor, no decorrer de seu trabalho vocal percebe que há "alguma coisa errada" com a emissão de seu som, questiona-se sobre o que estaria acontecendo com sua "garganta" e o que poderia estar prejudicando seu instrumento de trabalho. O primeiro passo a ser feito é a consulta médico-clínica, para posterior encaminhamento ao médico-fonoaudiólogo. Do ponto de vista funcional, cantar é essencialmente diferente do falar. As evidências indicam que seu controle central está em um local diverso no cérebro e os músculos do trato vocal movimentam-se de maneira distinta. Cantar também é uma forma de comunicação, e uma forma de expressão dos sentimentos. Em geral, temos um conceito pré-concebido de que através da fala nos comunicamos melhor e pelo canto nos expressamos artisticamente, como se pudéssemos separar na vida, uma metade racional para a fala e outra emocional para o canto, quando na realidade somos as duas partes concomitantes, onde podemos e devemos nos expressar e nos comunicar ao mesmo tempo. Todos podemos cantar e o canto tem de ser trabalhado, exercitado e aprimorado. O dom de cantar existe mas, em grande parte dos casos, as condições anatômicas e fisiológicas podem ser auxiliares importantes. Quando o cantor procura um fonoaudiólogo , este profissional submete seu paciente às seguintes etapas: * Avaliação vocal do cantor;

sensoriais (sensibilidade cervical ou faringo-laríngea). dando a impressão que estivessem sendo vistas através de uma fita de videocassete. Considerando-se a avaliação inicial de qualquer pessoa disfônica ou com queixas relacionadas . é importante que estes se sintam à vontade para colocar suas ansiedades e possam sanar algumas de suas dúvidas. dos órgãos ressonantais. em câmera lenta. ao contrario. No primeiro momento. No caso dos cantores. não ter nenhuma percepção da forma como ele utiliza a voz falada. da faringe e da laringe em particular. voz. qualquer que seja o caso. ANAMNESE A história do paciente pode ser bastante elucidativa. há necessidade de se conhecer o . é o momento fundamental de qualquer avaliação. distintamente em relação aos aspectos particulares da fala e do canto. as características e as queixas vocais do cantor devem ser percebidas. antes de tratá-lo ou ser encaminhado à fonoterapia. lembrando que.* Anamnese -Levantamento histórico do problema: * Exame físico * Exame de imagem * Tratamento proposto * Orientação quanto a saúde vocal AVALIAÇÃO VOCAL DO CANTOR Existem diferenças entre a avaliação vocal de um cantor e a de um indivíduo que utilize apenas a voz falada. mesmo que de forma profissional. É comum o indivíduo procurar um profissional queixando-se especificamente de problemas em relação à voz cantada. deglutição. separadamente. pela administração de péssimos hábitos ou demonstração de enorme ansiedade por parte do paciente. o motivo da consulta. Deve-se verificar ao mesmo tempo. o que permite muitas vezes que a suspeita diagnóstica já se oriente nessa fase. É o primeiro contato do cantor (paciente) com o profissional médico(fonoaudiólogo). Da mesma forma. alterações funcionais e respiratórias. e de que modo está inserida na voz falada ou cantada. anatômicas de cabeça e pescoço. qual a percepção que o indivíduo possui em relação a sua voz e sua queixa vocal. Embora exista um único órgão e praticamente um mesmo grupo de músculos responsáveis pelas duas funções. A consulta otorrinolaringologia e o exame da laringe são intrinsecamente ligados e a anamnese detalhada do paciente disfônico é essencial para orientar o exame. dos órgãos articulatórios da fala. exigindo intervenção terapêutica especifica. oferecendo condições de visualizar as alterações. Deve-se interrogar ou identificar alterações da audição. cultural e historicamente. é difícil um cantor ter qualquer contato com em fonoaudiólogo ou otorrinolaringologista. obtêm-se fatores geradores por si só de alterações da voz. as quais serão efetuadas na anamnese. como por exemplo uma passagem de escala ou. A anamnese. diferenciando as características da voz falada e da cantada. por exemplo. No momento da avaliação. é necessário distinguir qual a real queixa . Em muitos casos o cantor precisa do auxilio do terapeuta ou médico para identificar sua queixa em relação à voz. deve-se obter informações . pelo médico e pelo fonoaudiólogo. Nesses casos. que também representam agravamento de outras situações e dificultam o restabelecimento do paciente. ou história problemática do paciente. há vários aspectos fundamentais relacionados a produção vocal que diferem muito se compararmos a voz falada com a voz cantada.

A laringoscopia indireta é um método perfeitamente satisfatório para o diagnóstico de indivíduos disfônicos ha poucos dias. Casos mais intensos e duradouros. pouco confiante e interpreta de foram deturpada as conclusões e determinações. Os pacientes com indicação de fonoterapia devem ser encaminhados acompanhados de laudo minucioso que descreva a anamnese sumária ou dirigida. Deve-se proceder a pesquisa de história patológica detalhada sobre a saúde do paciente. ou seja.quadro clinico geral. A conclusão e conduta devem ser discriminadas e devidamente explanadas ao paciente. aptos ou durante estado gripal. digestivos. Também a função pulmonar pode e deve ser avaliada. hipertensão arterial. uso permanente ou prolongado de medicamentos como corticóides. tabaco. anticoagulantes plaquetariso. A coleta detalhada da história vocal do paciente disfônico pode revelar aspectos decisivos ao diagnóstico e à conduta do tratamento. fossas nasais. Em relação ao motivo recente que traz o paciente à consulta. cocaína ou outras. interessado. O exame otorrinolaringologico inclui. como a boca e língua. quimioterápicos. É fundamental a analise dos fatores específicos do aparelho fonador. Temos dois casos distintos: o professor que se "beneficia" da disfonia ao estar disfônico e aquele que sofre intensamente com o impedimento vocal. etc. imunologicos. da deglutição e as pesquisas de alterações anatômico-funcionais e preceptorias dos órgãos articulatórios e ressonâncias. maconha. se otimista. que normalmente terá empenho exacerbado. às vezes até tornando-se prejudicial. que forneça dados de maior confiabilidade possível a decisão terapeutica. AVALIAÇÃO DA VOZ DO CANTOR A avaliação da voz do cantor inicia-se com a identificação da queixa. estafa. A descrição do paciente revela sua forma de encarar a relação com o médico e o fonoaudiólogo. insônia. paralelamente às alterações gerais tais como: diabetes mellitus. pela cura. inflamatórios. os achados no exame de pregas vocais. gravidez e sindrome pré-menstrual. aceitará as medidas diagnósticas ou do próprio tratamento. auto-imunes. da voz. entre outros. e as importantes e possíveis causas físicas e psicológicas que podem afetar a laringe e a voz. o que faz antever a sua dedicação ao tratamento. as enfermidades que tenha sofrido no passado ou ainda sofra. neurológicos. ao menos subconscientemente. mencionando seu aspecto e mobilidade. e que possam ter relevância no quadro atual. ansioso. Igualmente significativo torna-se saber a relevância pessoal ou profissional que possa ter a disfonia. tranqüilizantes. da fala. quando necessário. alergicos. endocrinos. insuficiência cardíaca. devem demandar a utilização de um método mais preciso. distúrbios metabólicos.. ou se adota uma posição crítica. confiante. deve-se colher os dados de maneira a localizar uma causa e mensurar sinais e sintomas. extensão e formato. participante. pessimista. referindo seu local. não associados a infeções virais ou bacterianas. igualmente. sentindo-se normal. estados de ansiedade. a avaliação da audição. na anamnese. estresse. levando-se . o uso ou abuso de drogas com álcool. simetria e amplitude da onda mucosa e a eventual existência de fendas gloticas. ao contrário do segundo. Portanto há necessidade de saber dosar os extremos para obtenção de um bom resultado no tratamento. no sentido de tentar estar logo recuperado. diminuição da capacidade ventilatória pulmonar. É importante conhecer o grau de autopercepção do indivíduo em relação a sua disfonia. ou seja um cantor ou ator em temporada. Dificilmente alguém que não tenha consciência alguma de sua alteração vocal. Ao primeiro pode-se supor que não se empenhe. neoplasias benignas ou malignas. cafeína. depressão. não tabagistas e que não façam uso profissional da voz. fadiga. infecciosos. as características. A utilizacao de videolaringoscopia e da videolaringoestroboscopia consagra-se como fundamental no manejo de enfermidades da laringe e da voz. rinofaringe e faringe.

Verifica-se também o movimento mastigatório. a tonicidade e mobilidade dos lábios e bochechas. a movimentação da articulação temporo-mandibular(ATM). Observa-se a curvatura da coluna vertebral no andar e sentar. Pode-se verificar o tamanho da abertura da boca. É preciso observar se os aspectos que caracterizam a postura do cantor durante a fala se modifica ou se mantém durante o canto. É fácil encontrar pessoas que elevam o queixo quando cantam tons mais agudos. Deve-se fazer um exame clínico apurado. seu tônus e sua mobilidade em relação aos sons. Quando se fala em avaliação da voz. observando se a postura assumida pelo cantor é a adequada para a fonação. posição que. sem tensão e participação da musculatura extrínseca. A língua é um músculo muito importante para a fonação portanto deve-se verificar o tamanho. Se estiver sendo feita de maneira inadequada. se é proporcional a forma e tamanho da cavidade oral. porém deve-se observar se a respiração efetuada pelo cantor é a adequada para o canto. deve-se verificar a inclinação da cabeça. Nesse exame pode-se observar a largura da laringe e o posicionamento vertical da cartilagem tireóide no pescoço. a inclinação dos ombros. Observando-se a distância dos pilares amidalianos da parede da faringe (orofaringe/nasofaringe).em conta os aspectos da voz falada e cantada. Observa-se os seguintes tópicos: Exame físico: * Postura * Tipo Respiratório * Tempo de emissão * Coordenação Pneumofonoarticulatória * Pitch * Loudness * Ressonância * Articulação * Ataque Vocal * Qualidade Vocal * Ritmo * Tessitura * Registro * Brilho * Projeção Passaremos agora a dissertar sobre cada etapa da avaliação individual do cantor: EXAME FÍSICO Inicia-se pela apalpação da região cervical e pescoço. com o incorreto e prejudicial intuito de auxiliar a elevação da laringe. tentando compreender a ressonância e a articulação do cantor. TIPOS RESPIRATÓRIOS Há muita discussão sobre o tipo adequado de respiração para a fonação e canto. o qual é muito importante para a avaliação do profissional da voz. o posicionamento do queixo em relação ao peito. ajudaria a emissão de sons agudos. deve-se levar em consideração vários aspectos físicos e da emissão da voz. irá prejudicar o estado dos músculos responsáveis pela fonação POSTURA Na conversa espontânea. o formato do palato e o tamanho de toda a cavidade oral. Existem três tipos . investigando-se o nível de tensão de sua musculatura. a tensão muscular cervical. Verifica-se a oclusão dentária. o deslocamento lateral e sua mobilidade vertical pela emissão ligada de tons agudos e graves.

forte e estável. A coordenação analisada é um aspecto no qual. Observa-se o cantor durante uma conversa espontânea. neste momento. O cantor de coral emprega muitas vezes excesso de volume para poder se escutar dentro do coro. buscando as cavidades mais superiores no canto em relação à fala. a ressonância também se eleva. TEMPO DE EMISSÃO A capacidade de emitir um som por longo período e de enfatizar uma nota nos momentos finais de uma sentença pode definir o repertório e longevidade da voz de um cantor. ou seja. hiponasal onde não há nenhuma ressonância nasal. Algumas exceções acontecem quando o estilo de música adotado exige uma voz muito soprosa. médio ou agudo. Pode ser classificado em forte. na maioria das vezes não se modifica da fala para o canto. porém quando lhe é solicitado uma leitura. O cantor popular normalmente não precisa utilizar um volume maior para cantar pois possui um bom sistema de amplificação. Normalmente. A voz transforma-se. laringo-faríngea onde há predomínio do foco na região do pescoço. oral e nasal). e solicitando ao seu corpo que produza um apoio muito potente para que não ocorra sobrecarga das pregas vocais. O cantor lírico procura explorar todas as suas caixas de ressonância. pois há uma busca das cavidades superiores de ressonância que acaba levando para a agudização do pitch. ARTICULAÇÃO . muitas vezes camuflado por uma hipernasalisação. laringo-faríngea com foco nasal compensatório onde o foco central é no pescoço e sem nenhuma oralidade. Na voz cantada. Observa-se tal fato quando existe a solicitação para a emissão de um som ou vogal prolongada ou sustentada. todo o seu potencial respiratório para atingir o quarto formante e assim ser ouvido junto com a orquestra que o acompanha. podendo ser classificado em grave. o pitch eleva–se. ou durante a leitura de um texto. LOUDNESS Tem relação com a percepção do volume da voz e deve ter com o tipo de ambiente em que a voz está sendo emitida. com um gasto de ar muito grande. É comum verificarmos pessoas com dificuldade durante a fala. COORDENAÇÃO PNEUMOFONOARTICULATÓRIA É a coordenação entre a respiração e a fala. glissando ascendente e descendentemente e fazendo uma vogal sustentada com intensificação no terço final da emissão. no ato do canto recorre instintivamente a um tipo de respiração de forma que a pressão subglótica torne-se mais longa. mas com esforço evidente causado por tensão de musculatura orofaríngea. normalmente em articulações muito travadas. No canto encontram-se vários casos de respiração inferior e mista. o cantor.básicos de respiração que são o superior. misto e inferior. em mais um e único instrumento. fazendo com que produza uma voz cantada com muito volume. RESSONÂNCIA A ressonância é classificada em seis tipos principais: equilibrada quando se utiliza de forma distribuída os três focos principais de ressonância(laringe. Mede-se o pitch através de sistemas computadorizados de análise vocal. O cantor pode não possuir uma boa aparelhagem de som ou retornos eficientes. devese lembrar do ambiente e da utilização da aparelhagem de amplificação sonora. imediatamente corrige as eventuais entradas de ar residual . no canto. hipernasal com constrição de pilares onde o foco é acentuado no nariz. Semelhantemente ao pitch. e a pessoa percebe que está sendo avaliada. mas pode fornecer dados irreais sobre a coordenação respiratória. PITCH É a sensação auditiva que temos sobre a altura da voz. fraco e adequado.

Normalmente o tipo de ataque se modifica da fala para o canto. mezzo-soprano e contralto têm relação com o canto lírico. infantil e diplofônica (bitonal). porém mais para auxiliar na definição da tessitura do que para classificar uma . Não é possível dizer que todo cantor de bossa-nova possui uma voz patológica soprosa. travada. tensa. ao contrário da voz falada. trêmula. QUALIDADE VOCAL OU TIMBRE É o item que esclarece o diagnóstico no nível de pregas vocais. Pode sim projetá-la muito mais. assim como a extensão vocal. podendo ser observado na fala espontânea. Quando o cantor disfônico tem queixa apenas na voz cantada não há necessidade de avaliação dos dois aspectos. Há várias maneiras de se nomear as qualidades e características vocais. quando o cantor está totalmente disfônico. É impossível se discutir a qualidade sem falar de estilo. é algo que não tem muito sentido. imprecisa. Há outros nomes diferentes dos utilizados acima. muito acelerado e adequado. No canto isso ocorre de forma diferente. acelerado. áspera. pois na cantada dependerá do estilo. mas não há como classificar definitivamente a região onde esse cantor deve produzir sua voz cantada sem esforço ou prejuízo do trato vocal. Nem sempre abrir mais a boca para cantar melhora a articulação das palavras. Na fala usamos um ritmo lento. Utilizamo-nos da voz rouca (moderada/suave). de tornar a voz mais um instrumento dentro da música e não o principal deles. exagerada. barítono e baixo e das femininas em soprano.A articulação pode ser precisa. que trabalha com um ataque mais suave. pastosa ou aberta. Pesquisar a tessitura do cantor. fluida. aspirado e suave. porém na hora de cantar optam pelo estilo bossa-nova . encontrar uma articulação travada e precisa assim como uma aberta e imprecisa. pastosa. mas pode-se utilizar outro modo de cantar este estilo de música. Pode-se por exemplo. A classificação vocal das vozes masculinas em tenor. Costuma fechar a avaliação perceptual da voz falada. A qualidade da voz cantada abre discussão para as características vocais mais freqüentes em cada estilo de música. soprosa. Conforme o trabalho fonoterapêutico evolui deve-se rever a tessitura. mas estes combinados entre si quando necessários são suficientes para definir precisamente uma qualidade vocal. melodia e harmonia da música e da maneira como o cantor interpreta a canção. pois na voz cantada avalia-se a qualidade em relação direta com o estilo de música adotado e com a forma pessoal de interpretação. solicita-se que emita a escala completa para se avaliar a dificuldade. ATAQUE VOCAL O ataque vocal pode ser dividido em brusco. é muitas vezes empregada no canto popular. pois a hora da avaliação é um momento atípico. estrangulada. que seriam as notas confortáveis dentro da sua extensão vocal. pois esta soprosidade faz parte de um estilo de cantar. suave. Quando o cantor apresenta a queixa de dificuldade nos agudos ou quebra de sonoridade na passagem. TESSITURA A tessitura e a extensão são dois aspectos a serem avaliados apenas na voz cantada. com quebra de sonoridade. O cantor de hard rock tem a voz rouca e áspera. RITMO É um aspecto que avaliamos apenas na voz falada. Estas características podem se combinar aos pares mas não de maneira fixa. Existem pessoas que falam com ataque brusco. na qual a qualidade vocal tem relação direta com a patologia.

fornecendo diferentes qualidades vocais que são chamados de registro. ou quando há presença de sinais de tensão muscular laríngea anormal. como vogais (/a/e/i/) prolongadas. No bel canto. Havendo gravações antigas e recentes. uso excessivo ou inadequado da válvula laríngea. ALTERAÇAO DE VOZ NO CANTO – DISFONIA FUNCIONAL As alterações de voz mais comumente encontradas nos cantores são chamadas de disfonias funcionais. e para conhecer o ambiente de trabalho do cantor. BRILHO Tem relação direta com o uso das cavidades de ressonância e a produção de formantes. Deve-se gravar a voz do cantor para registro. A disfonia funcional com abuso vocal prolongado pode levar ao desenvolvimento de alterações orgânicas secundárias. mas que também pode ser resultado de um mecanismo compensatório mal adaptado. língua. escalas ascendente e descendente em stacatto e ligatto. PROJEÇÃO Termo advindo do canto. com a laringe baixa. Na avaliação deve-se evitar termos qualitativos (boa projeção/péssima projeção). o som é escuro mas cheio de nuanças. é interessante ouví-lo para compreender o processo de desenvolvimento da voz cantada. Algumas disfonias podem ser atribuídas a técnicas vocais incorretas tais como: Coordenação pneumofonoarticulatória pobre. Por definição. preenchendo todo o ambiente. O desalinhamento postural também é um achado clínico freqüente. temos um som mais límpido e alegre. Não é possível se ouvir um cantor com projeção com a articulação totalmente travada. que podem ser causadas por uso inadequado dos músculos voluntários da fonação. que incluem os músculos da laringe. A posição da laringe no pescoço é responsável pelo colorido do som produzido. dificuldades no controle dinâmico de pitch e loudness. enquanto no canto dramático. Considerando-se as formas diferentes de configuração glótica do canto popular para o lírico. pescoço e sistema respiratório. pressão subglótica e superiormente com a boca aberta. mas muito utilizado no meio teatral e em oratória. A avaliação in locco é fundamental para comparar dados ao vivo. mandíbula. meses do ano) e conversa espontânea. Mesmo nos casos de alteração vocal onde a função laríngea é normal ao exame clínico. Apesar desses serem considerados entidades patológicas individualizadas. solicitando sonorizações específicas. pois trata-se de um conceito dividido em registro basal (fry). fala encadeada (dias da semana. eles são resultado de uma disfonia funcional precedente. que nada mais é do que a produção de freqüências consecutivas que se originam da mesma maneira da freqüência fundamental. REGISTRO É o modo de vibração variado das pregas vocais de acordo com vários pitchs. Deve ser avaliado apenas na voz cantada.voz dentro de um repertório específico. fazendo com que a voz pareça cheia. a disfonia funcional é a alteração vocal que decorre geralmente do mau uso ou abuso de um aparelho fonador anatômica e fisiologicamente intacto. como os nódulos vocais. Quanto mais amplo for o uso dessas cavidades maior será a riqueza de harmônicos amplificados. Tem relação direta com respiração. . a disfonia é classificada com funcional. foco ressonantal inadequado. com laringe alta. modal (peito e cabeça) e falsete. como conseqüência de uma condição orgânica preexistente. faringe. não acredita-se na importância dessa classificação para o canto popular.

A laringe pode também estar elevada e sua tração para baixo pode mostrar mudança de registro vocal para um pitch mais adequado. DISFONIA POR HABITUAÇÃO Inicia-se por uma laringite viral ou cirurgia das pregas vocais. Pode ser observada a constrição supraglótica ântero-posterior parcial. diplofonia ou fonação ventricular. Estes casos devem ser diferenciados daqueles em que existam comprometimentos hormonais ou conversivos. Alguns autores propõem abordagens mais amplas referindo-se aos mecanismos casuais e outros baseiam-se nos aspectos clínicos-sintomáticos. Pode ocorrer em ambos os sexos. também podem ser observados. manifesta-se depois da puberdade como dificuldade em abaixar o pitch e acompanha-se de "quebras" no registro.CLASSIFICAÇÀO Há várias propostas para a classificação das disfonias funcionais. SINDROMES DE ABUSO VOCAL As alterações vocais decorrentes das síndromes de abuso vocal são geralmente flutuantes ou intermitentes e mantém-se por períodos prolongados. A qualidade vocal pode apresentar soprosidade. A terapia fonoaudiológica précirúrgica pode evitar este tipo de alteração. A laringoscopia pode ser normal ou evidenciar fenda glótica triangular posterior(com redução da amplitude e assimetria da onda mucosa). como alterações ressonantais e de pitch. redução da extensão dinâmica da voz. O padrão recidivante normalmente é associado a um perfil psicopático e o conversivo. porém não é tão evidente nas mulheres em decorrência do seu tom habitual de fala. às características histéricas e o aparecimento da alteração vocal é associado a algum fator desencadeante. ou ainda triangular em toda a extensão(fenda pararela). Outros sintomas. o uso inapropriado de registro e as síndromes de abuso vocal. Não há sintomas associados. A qualidade vocal caracteriza-se por pitch anormalmente alto e sonoridade pobre. padrão respiratório inadequado e sindromes tencionais músculo-esqueléticas. Os aspectos mais comumente observados nestas alterações são: fadiga vocal. odinifonia. mas pode haver tensão glótica. projeção medial de pregas ventriculares ou inconsistência nos achados laringoscópicos. Alguns fatores psicológicos podem levar a inibições durante este período de transição e estabelecer um padrão de fonação em falsete. Sintomas como fadiga vocal e odinofonia podem ser observados. Podemos classificar as disfonias funcionais em quatro tipos. A disfonia persiste mesmo após o desaparecimento do processo viral ou da cicatrização cirúrgica. DISFONIAS PSICOGÊNICAS Podem ser divididas em dois subtipos: as conversivas e as recidivantes. A qualidade vocal é caracterizada por afonia ou disfonia severa. aspereza. . mostrar aproximação de pregas ventriculares. o que propicia uma compensação inadequada do trato vocal organicamente comprometido. a disfonia por habituação. com sonoridade pobre. É importante haver uma diferenciação entre cada subgrupo de pacientes portadores de disfonia funcional. USO INAPROPRIADO DE REGISTRO A alteração vocal ocorre em homens durante o crescimento. que são: as disfonias psicogênicas. A laringoscopia é geralmente normal. As síndromes de abuso vocal podem ocorrer com freqüência também em profissionais da voz. A sonoridade geralmente é pobre e a laringoscopia pode ser normal. constrição supraglótica ântero-posterior parcial ou ainda fechamento supraglótico esfinctérico.

uma boa técnica de canto não implicará em uma voz falada adequada. pode ocorrer secundariamente à execução do canto fora da extensão adequada e por pobre apoio respiratório. o que lhe rendeu a denominação de degeneração polipóide. Os sintomas vocais mais comuns são fadiga vocal. a extensão vocal não é afetada. ou ainda. ou ocorrem em menor grau. e predomina no sexo feminino. assumem a silhueta de um "beijo". edema de reinke e úlceras e granulomas. caracterizando-se por alteração na camada superficial da lâmina própria. Em cantores. Apesar disso. A qualidade vocal apresenta características de rouquidão. Apresenta crescimento progressivo. A fonoterapia pode reduzir a lesão em alguns casos. pitch geralmente agravado e ataque vocal brusco. alterações de pitch. que. levando-se em conta as variáveis entre a voz falada e cantada. É geralmente bilateral. com queratinização superficial e acantose entre as cristas epidérmicas. alterações ressonantais e extensão dinâmica reduzida. Há um aumento de massa e rigidez da cobertura. mas também pode apresentar aproximação de bandas ventriculares. alterações ressonantais e extensão vocal reduzida. os quais passaremos a discertar. A disfunção vocal geralmente é estável. ao entrarem em contato durante a fonação. NÓDULOS DE PREGAS VOCAIS São lesões secundárias associadas às alterações funcionais da voz. Apresenta aspecto endurecido e algumas vezes edematoso. Como alterações orgânicas secundárias temos: nódulos de pregas vocais. Os principais sintomas associados são fadiga vocal. Estende-se ao longo de toda a borda livre das pregas vocais na maioria dos casos. Entretanto. representada histologicamente pela presença de tecido edematoso e/ou fibrocolagenoso associado a um espessamento do epitélio das pregas vocais. O apoio respiratório também pode mostrar-se deficiente somente na voz falada. quebra vocal e ataque vocal brusco. Apresentam-se como lesões esbranquiçadas. A incidência desta alteração em adultos é maior no sexo feminino e está sempre associada ao abuso vocal e ao estresse. É a disfonia funcional mais comum entre as crianças. . porém quase sempre assimétrica. Como exemplo. Na maioria dos casos há presença de fenda triangular médio-posterior. constrição supraglótica ântero-posterior parcial e ainda fechamento supraglótico do tipo esfinctérico. principalmente em crianças. Outros fatores devem ser observados em profissionais da voz com alterações relacionadas ao abuso ou mau uso vocal. em seu estágio mais avançado. EDEMA DE REINKE É uma lesão de aspecto edematoso e por vezes polipóide. predominando no sexo masculino. assim como interferência na vibração mucosa contralateral. A avaliação de profissionais da voz deve ser cuidadosa. Algumas alterações na voz falada muitas vezes não ocorrem na voz cantada.A qualidade vocal dos pacientes portadores de síndrome de abuso vocal mostra características de soprosidade e aspereza. podendo obstruir completamente a glote com conseqüente asfixia. pólipo edematoso de pregas vocais. A laringoscopia pode ser normal. de longa duração. ainda que ocorra melhora importante da qualidade vocal nos casos com lesões pouco exuberantes. ao hipotireoidismo e ao refluxo gastroesofágico. quebras na voz. em menor escala. Interfere na vibração mucosa contralateral e está freqüentemente associado ao tabagismo crônico e. em torno da borda livre na junção do terço médio de ambas as pregas vocais . aspereza. com pitch agravado. sonoridade pobre. A qualidade vocal mostra características de soprosidade. o encaminhamento posterior para tratamento cirúrgico é necessário.

mas esclarecer as possibilidades de cada voz. porém esses são um desafio constante para quem trabalha com a área da voz e tem consciência da influência da vida emocional e psíquica na questão da comunicação. O fonoaudiólogo não deve discutir a escolha de repertório. em geral. este sim. É necessário possuir algum conhecimento de termos músicais que. stacatto. questiona o profissional para saber como se procedem os exercícios e outras duvidas. mas muitas vezes desconhecidos. glissando. Aparecem alguns questionamentos por parte do cantor. será diferente. o ouvido adquire importância na condução das orientações. em pacientes com importante tensão muscular laríngea e ataque vocal brusco. Outros fatores observados em pacientes portadores de úlceras ou granulomas são apoio respiratório pobre. na forma de utilização da voz. oitava. são provocados por trauma fonatório na apófise vocal das aritenóides. bem como receio em ser examinado pelo otorrinolaringologista e ansiedade em tratar as dificuldades que se manifestam na voz. As questões da saúde vocal devem ser tratadas com paciência e esclarecimento. Geralmente são lesões pequenas que comprometem o fechamento glótico. de maneira satisfatória e sem prejuízo do trato vocal. com hiperfechamento glótico posterior.sonoridade pobre e quebras vocais. freqüente associação ao refluxo gastroesofágico. a voz cantada desejada. sem virar uma . A qualidade vocal manifesta-se sob forma de disfonia variável. O estabelecimento da alteração vocal é geralmente agudo(de dias a semanas). O foco do tratamento. localizando o pitch confortável e a tessitura adequada para o cantor assim como demonstrar aspectos anatomofisiológicos existentes. uso de ar residual. em geral. Com a queixa bem definida em relação aos aspectos da voz falada e cantada. escala ascendente ou descendente. como por exemplo grave. juntamente com o cantor. tanto da voz falada quanto da cantada. estão presentes na terapia com o cantor. Quando se trabalha com o cantor. A laringoscopia mostra ulceração do processo vocal uni ou bilateral. acorde e outros que podem aparecer conforme o tipo de canto adotado. assim como na maneira de realização dos exercícios propostos. Os sintomas mais freqüentes associados são odinofonia e fadiga vocal. Na terapia com cantores. às vezes intermitente por meses. hábito de pigarrear e tossir e abuso vocal. outras possibilidades diagnósticas devem ser aventadas. possibilitar que produza. não se deve ficar centrado na patologia laríngea ou no distúrbio da fonação e sim na maneira como o cantor está utilizando seu aparelho vocal para produção da voz dentro do estilo e interpretação desejados. que possam facilitar ou limitar a produção de algum tipo de voz cantada. Quando são de grandes dimensões. ou granuloma. pois é natural que a pessoa que tem na voz cantada seu instrumento profissional possua uma curiosidade maior em relação a sua voz. Nos casos funcionais. O cantor. TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA PARA CANTORES A terapia vocal do cantor não difere completamente do processo terapêutico de um paciente que apresenta disfonia funcional. agudo. Pode-se compreender o estilo do canto e tentar. decorrentes de distúrbios funcionais da laringe. São associadas a processos inflamatórios extralaríngeos ou secundários à entubação endotraqueal prolongada. ULCERAS E GRANULOMAS São as únicas lesões orgânicas localizadas fora da borda livre das pregas vocais. com pitch grave e ataque vocal brusco. por meio de exercícios. inicia-se a terapia que trabalhará simultaneamente os aspectos que forem necessários.

paciente e terapeuta. acredita-se que o terapeuta não necessita ser um cantor ou músico para poder prestar atendimento. bem como o respectivo tratamento. pois o início de cada processo dependerá de cada indivíduo. Professor de Canto. pois suas atividades se interagem e. nos profissionais da voz. Preparador Vocal e Cantor – poderão crescer em conhecimento e sucesso profissional. onde cada um individualmente alcançará a satisfação pessoal de aplicar o seu trabalho de modo direto. . Apresentamos alguns métodos a serem aplicados na avaliação e tratamento de tais problemas. porém deve ouvir as queixas do paciente e saber que as dúvidas que ocorrerem durante o processo terapêutico poderão ser investigadas e respondidas por ambos. O trabalho articulatório visando a abertura vertical e à precisão sonora dos fonemas também tem destaque na rotina terapêutica. em específico com os cantores. Exercícios de resistência também são indicados para cantores que costumam cantar muitas horas por semana. pois o ideal é passar informações aos poucos e obter o retorno do cantor sobre a verdadeira compreensão dos porquês sobre sua voz. mostrando preferencialmente a respiração costo-diafragmática. Os exercícios que auxiliam no abaixamento da laringe tem demonstrado ótimo resultado. O terapeuta tem que experimentar os exercícios consigo mesmo e. CONCLUSÃO Estivemos analisando alguns os problemas possíveis a serem apresentados na estrutura funcional da laringe e cordas vocais. como a mais adequada para a sua voz. Massagem digital na laringe depois de cantar. Não é possível abordar a parte de exercícios. Fonoaudiologista. há necessidade de se recorrer ao profissional médico da voz. Não é fácil estabelecer um limite sobre onde começa a terapia fonoaudiológica do cantor. Creio porém que deve haver um relacionamento muito aproximado entre o profissional da voz. No caso dos cantores é fundamental trabalhar a parte respiratória no sentido de conscientizar o papel da respiração na emissão da voz cantada. mesmo nos casos de cantores populares. Com este tipo de relacionamento. Ficou claro porém que. fazendo com que a voz do profissional possa ser melhor elaborada para um bom resultado profissional. com essa aproximação o resultado pode se tornar mais produtivo. Não existe hierarquia dentro da terapia fonoaudiológica. As necessidades são de cada caso e sempre que possível devem ser trabalhadas no conjunto. especificamente ao Otorrinolaringologista e ao Fonoterapeuta para a obtenção de sucesso para a resolução dos distúrbios que possam ocorrer com a voz. Na voz tudo ocorre ao mesmo tempo. promove a vasodilatação que possibilitará um maior relaxamento noturno. com conhecimento e bem feito. ou antes de dormir. pois cada indivíduo tem seu problema e os exercícios devem ser aplicados de maneira pessoal. o médico da voz e o preparador vocal.lista de proibições. porém tal explanação não esgota o assunto. De maneira geral. observar como cada paciente realiza ou reage diante daquele exercício. permitindo um movimento vertical livre nos graves e agudos. posteriormente. para a eficácia levantamento dos problemas apresentados. levando a uma qualidade vocal mais satisfatória para os dias seguintes no uso intensivo da voz. creio que os cinco profissionais da voz – Otorrinolaringologista.

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