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O Trompete

Sua aplicação na prática musical

O Trompete é hoje um dos principais integrantes da música instrumental de nossa


época. Nascido como um simples instrumento de chamada, as diversas transformações
técnicas pelas quais passou transformou-o no principal representante da família dos
metais. Vejamos um pouco de sua evolução e características.

De lacaio a príncipe

Podemos dizer que o trompete nasce na era dos metais. Praticamente todas as
civilizações que dominaram a técnica da metalurgia procuraram reproduzir em metal os
instrumentos feitos originariamente com chifres de animais. Mesmo se a maioria desses
instrumentos nunca chegou até nós, podemos ter uma idéia clara de como eram através
de pinturas, esculturas e outras formas de representação iconográfica que se
preservaram através dos tempos.

Na sua infância, o trompete era um simples instrumento de sinalização, empregado


principalmente pelos guerreiros e posteriormente militares, bem como em alguns rituais
religiosos. Devido às suas limitações técnicas, podia emitir umas poucas notas da série
harmônica.

Essas características fizeram com que seu ingresso no mundo dos instrumentos musicais
fosse ocorrer somente por volta do século XV, na época do renascimento. Ainda
limitado em suas possibilidades, o trompete só tocava, então, algumas notas de reforço à
harmonia e à marcação rítmica.

A busca de expandir a extensão musical do instrumento fez com que se empregassem


instrumentos mais graves para poder utilizar os harmônicos superiores da série
harmônica. Esse procedimento levou o trompete ao seu primeiro auge como
instrumento musical, no período barroco. Utilizando-se instrumentos que eram
normalmente construídos uma oitava abaixo dos que utilizamos hoje em dia e uma
técnica virtuosística, o trompete podia executar melodias dentro da linguagem musical
da época.

É interessante notar a profunda mudança ocorrida na técnica do trompete: hoje em dia,


os concertos escritos na época do barroco só conseguem ser executados em trompetes
piccolo, que têm, em geral, um comprimento de apenas um quarto do de seus
antecessores, e é por esse motivo que necessitam de um quarto pisto para poderem
executar as notas graves inexistentes no instrumento mais curto.

No período clássico, com a evolução da linguagem musical não acompanhada pelo


trompete, ele voltou a segundo plano, como instrumento de reforço rítmico e
harmônico. O famoso concerto de Haydn, do período clássico, não foi escrito para
trompete, mas sim para o cornet da época, instrumento com chaves similares às do
saxofone atual.
No início do século XIX, em 1815, o trompista alemão Heinrich Stölzel desenvolveu o
primeiro sistema de válvulas para instrumentos de metal, copiado, adaptado e
aperfeiçoado por vários outros fabricantes de instrumentos. Em 1939, o construtor
francês Périnet patenteou um sistema de válvulas chamado de "gros piston", que é a
origem das válvulas que utilizamos até os dias de hoje.

A partir daí, o trompete tornou-se totalmente cromático, reconquistando o status de


instrumento musical completo e acompanhando a evolução da linguagem musical.

Nessa sua nova forma, despontou, em meados do nosso século, como um "príncipe" dos
instrumentos, dentro da linguagem do jazz.

Adaptando-se ao seu tempo: os novos padrões

Na primeira metade deste século, especialmente no pós-guerra, o trompete mostrou seu


potencial como instrumento, principalmente pelo desempenho individual de vários
instrumentistas. Assim, tivemos uma geração de músicos fantásticos com uma técnica
que, muitas vezes, deixava a desejar e que, de forma alguma, deveria ser seguida como
exemplo (vale aqui lembrar do fato "tragicômico", que beira à superstição, de vários
instrumentistas acreditarem que, ao imitar características externas de algum músico
importante, poderá tocar como ele. Na verdade, muitas dessas características são apenas
os defeitos que ficam mais visíveis, e não onde residem as verdadeiras qualidades de
determinado instrumentista).

Com o avanço que esses instrumentistas talentosos provocaram, compositores e


arranjadores começaram a escrever partes cada vez mais complexas para o trompete,
exigindo habilidades que nem todos conseguiam obter "na raça". Isso fez com que, na
segunda metade deste século, vários professores começassem a buscar princípios
científicos para a técnica de execução, que pudessem ser claramente explicados e
aprendidos por qualquer ser mortal, dentro de um programa de estudo sério.

Um dos empreendimentos mais sérios foi o do trompista americano Phillip Farkas, que
fotografou a embocadura dos melhores instrumentistas de sua geração e entrevistou-os
sobre como tocavam seus instrumentos. A partir daí, traçou as características comuns à
técnica de todos. Seus livros são, até hoje, fundamentais para qualquer professor e
instrumentista que queira compreender seu instrumento a fundo.

Outro músico importante foi o trompetista Louis Maggio, que, após perder todos seus
dentes frontais, teve de reaprender a tocar seu instrumento de uma nova maneira. Ele
iniciou-se na técnica de se tocar sem pressão, produzindo as vibrações dos lábios a
partir da contração dos músculos do próprio lábio, e não através da pressão do bocal
contra os lábios.

Recentemente, o trompetista suíço Rolf Quinque lançou os métodos denominados ASA


(respiração, apoio e embocadura) onde fornece uma série de exercícios sistemáticos
para aquisição de uma técnica eficiente e econômica do trompete (esses exercícios
podem ser também empregados por outros instrumentistas de metal). Hoje, uma boa
técnica é um direito e também um dever de todos!

Buscando o seu som


A técnica de fabricação dos instrumentos de metal ganhou muito em qualidade e
precisão nas últimas décadas. Uma vez resolvidos os problemas básicos de construção,
e forçadas pelas diversas solicitações dos instrumentistas, as fábricas de instrumentos
começaram a levar em conta que as pessoas têm constituições físicas muito diferentes.
Isso faz com que aquele que é um ótimo instrumento para um determinado músico, não
o seja para outro. Soma-se a isso o fato de que cada estilo musical requer uma
sonoridade distinta, que em parte vem da técnica do executante e em parte das
características físicas do instrumento.

Em resposta a isso, os fabricantes atuais apresentam em seus catálogos uma ampla gama
de opções. Varia-se a espessura do metal, o diâmetro interno do cano, a forma como o
instrumento é montado. Resta ao músico descobrir qual é o melhor modelo para seu
biotipo bem como para o tipo de música que executa.

O comum, hoje em dia, é que os trompetistas possuam diversos instrumentos utilizando


o que melhor se adapte em cada ocasião.

Cultura Geral

Para sua formação musical e mesmo para sua cultura geral, mesmo que você não tenha
nenhuma ligação direta com esse instrumento, é importante lembrar que o trompete é
um dos pontos-chaves do desenvolvimento da cultura musical de nosso século.
Portanto, conhecer seu repertório e seus principais intérpretes deve estar na lista de
formação de qualquer músico.

Para quem tem acesso à internet, há uma quantidade muito grande de informações:
biografias, fotos, artigos técnicos e até mesmo exemplos sonoros. Um endereço de
partida para iniciar sua navegação pode ser

Efeitos que podem ser produzidos no trompete


As surdinas

As surdinas, são equipamentos que colocados na campana do trompete abafam e


alteram o timbre do instrumento. São construídas em madeira, metal, plástico, papelão,
ou fibra de vidro. Dependendo do material empregado, conferem ao instrumento um
timbre opaco ou metálico.

Pelos efeitos adquiridos por elas, são muito utilizadas nas orquestras de jazz e
sinfônicas. Exemplo a escutar: Flight of the Bumblebee de Rimsky-Korsakov,
interpretado por Winton Marsalis.

As notas duplas

As notas duplas são outro efeito interessante que pode ser feito no trompete. Obtem-
se o efeito tocando uma nota e cantando outra ao mesmo tempo. Se elas estiverem
afinadas o ouvido escutará uma terceira nota, quem sabe um acorde maior.
Por o efeito ser produzido com o volume baixo, essa técnica é aplicada somente em
solos ou em música de câmara.

Os glissandos

Do francês Glissando significa escorregar. Cria-se esse efeito através do aumento da


pressão do ar e da contração dos lábios, passar rapidamente pelas diversas notas da série
harmônica.

De todos os instrumentos de metal, o trombone é o que consegue produzir um


glissando mais perfeito ao deslizar a vara. No trompete se produz esse efeito com o
aumento da pressão dos lábios como já citado e com a ajuda dos pistos do instrumento.

Um exemplo muito famoso desse efeito é o solo de trombone no Bolero de Ravel.

O vibrato

Ele pode ser produzido de diversas formas: pela vibração do diafragma, das cordas
vocais do maxilar inferior e até mesmo pela vibração do instrumento com as mãos.

O frullatto

O frullatto é produzido com a pronuncia de rrrrr quando se toca uma nota. Imitando-
se assim o som de um motor de carro. Esse é um efeito muito utilizado nas orquestras
de jazz. Exemplo a escutar: Caravan, interpretado por Duke Ellinghton.