You are on page 1of 72

Unidade I

INTRODUÇÃO

Conceito de mol
Mol representa uma quantidade de matéria.
1 mol corresponde a 6,02 X 1023 unidades N= 6,02 X 1023 ( nº de Avogadro )
Assim podemos escrever que 1 mol de moléculas de qualquer substância
conterá 6,02 X 1023 moléculas ou que 1 mol de átomos corresponde a 6,02 X
1023 átomos.
Para acharmos o nº de moléculas em qualquer quantidade de nº de mol de
uma substância, podemos utilizar a equação:

N = n x 6,02 X 1023 em que “n” representa o nº de mol.

Massa molecular e Massa molar

A massa molar de uma substância corresponde a massa em gramas de um


mol da substância. Assim, por exemplo, a massa molar da água é 18 g / mol,
visto que 1 mol corresponde a massa molecular da substância expressa em
gramas. A massa molecular da substância H2O é o somatório de suas massas
atômicas.
H = 1uma O = 16 uma
Massa molecular(MM) = 2 X 1 + 1 X 16 = 18 uma
Massa molar = 18 g / mol
Em relação ao gás carbônico, CO2 , a sua massa molecular é 44, e a sua
massa molar é 44 g / mol.
Massa molecular(MM) = 1X 12 + 2 X 16 = 44 uma
Massa molar(M) = 44 g / mol

Portanto, podemos estabelecer uma relação envolvendo, nº de mol(n), massa


em gramas(m) e nº de moléculas(N).

1
1mol ------------------- (MM) g ------------------ 6,02 X 1023 moléculas
n mol ------------------ mg ------------------ N moléculas

Através desta relação fundamental, sendo dada a massa de uma substância


poderemos determinar o nº de mol e o nº de moléculas correspondente, ou
ainda, qualquer outro tipo de relação.

Exemplo1:
Determinar o nº de mol e o nº de moléculas correspondente a 3600 g de H2O.
Resolução
1mol de H2O ------------------- 18 g ------------------ 6,02 X 1023 moléculas
n mol ------------------ 3600 g ------------------ N moléculas

n = 3600 g / 18 g = 200 mol


N= 200 X 6,02 X 1023 = 1.204 X 1026 moléculas

Densidade
Densidade de uma substância é a relação entre a sua massa e o seu volume
Densidade = massa / volume
d=m/V

Exemplo 2:
Calcular a massa e o nº de moléculas num galão contendo 20 litros de etanol
anidro,C2H6O .
densidade do etanol, C2H6O = 0,79 g / mL

Resolução
massa de C2H6O = 0,79 g / mL X 20000 mL =15800 g
Massa molecular do C2H6O = 2 X 12 + 6 X 1 + 1 X 16 = 46 uma
Então,
1mol de C2H6O ------------------- 46 g ------------------ 6,02 X 1023 moléculas
n mol ------------------ 15800g ------------------ N moléculas

n = 15800 g / 46 g = 343,48 mol

2
N= 343,48 X 6,02 X 1023 = 2.07 X 1026 moléculas

Fração Molar, Fração Volumétrica e Fração Mássica


Fração molar (X)

Denomina-se fração molar a relação entre o nº de mol de uma constituinte de


mistura homogênea e o nº total de mol dessa mistura. Considerando-se a
mistura homogênea formada pelas substâncias “A” e “B”, as frações molares
são representadas por:

XA = nA / nT XB = nB / nT , em que nA e nB representam o
nº de mol de “A” e “B”, e nT o nº de mol da mistura

A soma das frações molares é igual a 1. XA + XB = 1

Assim, por exemplo, um balão contendo 2 mol de CO2 e 8 mol de O2 apresenta


as seguintes frações molares:
XCO2 = nCO2 / nT XCO2 = 2 / 10 XCO2 = 0,2

XO2 = nO2 / nT XO2 = 8 / 10 XO2 = 0,8

Fração Volumétrica(Y)

Indica a relação entre o volume de um constituinte de mistura homogênea


líquida ou gasosa e o volume total dessa mistura. Considerando-se a mistura
homogênea formada pelas substâncias “A” e “B”, as frações volumétricas são
representadas por:

YA = VA / VT YB = VB / VT

Desta forma, 250 mL de uma solução aquosa de etanol contendo 100 mL deste
líquido e 150 mL de água, apresentará as seguintes frações volumétricas:
YE ------- fração volumétrica do etanol

3
YA ------- fração volumétrica da água

YE = VE / VT YE = 100 mL / 250 mL YE = 0,4


YA = VA / VT YA = 150 mL / 250 mL YA = 0,6
Considerando-se 50 litros de uma mistura gasosa de metano, CH4(g) e
etano,C2H6(g) , cujos volumes dos gases são respectivamente, 40 e 10 litros, as
frações volumétricas são:
VM = 40 litros VE = 10 litros VT = 50 litros

YM = VM / VT YM = 40 mL / 50 mL YM = 0,8

YE = VE / VT YE = 10mL / 50 mL YE = 0,2

Fração Volumétrica e percentagem volumétrica(% v/v)

A percentagem volumétrica(% v/v) é igual a fração volumétrica vezes 100.

% v/v = Y X 100

Portanto, as percentagens volumétricas nos exemplos acima, são:


% v/v do etanol = 0,4 x 100 = 40%
% v/v da água = 0,6 x 100 = 60%

% v/v do metano = 0,8 x 100 = 80%


% v/v do etano = 0,2 x 100 = 20%

Relação entre Fração Molar e Fração Volumétrica

Para uma mistura gasosa, a fração molar(X) de um gás é igual a sua fração
volumétrica(Y).
X=Y
Considerando uma mistura de dois gases, “A” e “B” ocupando um volume total
(VT) à uma temperatura “T” e pressão “P”, podemos afirmar que o volume
parcial de cada gás (VA e VB) pode ser expresso pelas equações abaixo:

4
VA = nA . RT / P (1) VB = nB . RT / P (2)
“R” representa a constante geral dos gases e nA e nB representam o n° de mol
de cada gás.
Considerando que nT representa o nº total de mol, e aplicando-se a lei dos
gases ideais, podemos escrever que:

VT = nT . RT / P (3)

Dividindo-se as equações (1) e (2) pela equação (3), tem-se que:

VA = nA . RT / P / VT = nT . RT / P VA / VT = nA / nT

VB = nB . RT / P / VT = nT . RT / P VB / VT = nB / nT

E como, XA = nA / nT e YA = VA / VT ,

Conclui-se que XA = YA e por analogia, XB = YB

Fração Mássica(W)

A fração mássica de uma substância numa mistura é a relação entre a sua


massa e a massa total da mistura. Se considerarmos uma mistura formada
pelas substâncias “A” e “B” e que mA e mB representam as massas desses
constituintes e ainda que, mT seja a massa total da mistura, as frações
mássicas são:

W A = mA / mT W B = mB / mT

Fração Mássica e Percentagem em massa (% m/m)

A percentagem em massa(% m/m) é igual fração mássica vezes 100.

% m/m = W X 100

5
Relação entre Fração Mássica e Fração Volumétrica
Considerando uma mistura homogênea de dois líquidos ou de dois gases (A e
B) podemos relacionar a fração mássica com a fração volumétrica através da
densidade conforme proposto a seguir.

Densidade da mistura---dT massa da mistura----mT volume da mistura -----VT


Densidade de A-----------dA massa de A -----------mA volume de A -------------VA
Densidade de B-----------dB massa de A -----------mB volume de B -------------VB

Sabendo–se que d=m/V ou que m= d.V escrevemos que:

mA = dA. VA (4) mB = dB. VB (5) mT = dT. VT (6)

Dividindo-se as equações (4) e (5) pela equação (6) concluímos que :

mA / mT = dA. VA / dT. VT ou WA = ( dA / dT ) . VA / VT

Então, para o constituinte B WB = ( dB / dT ) . VB / VT

Como YA = VA / VT , concluímos que:

WA = ( dA / dT ) . YA

E, por analogia,

WB = ( dB / dT ) . YB

Massa molar de uma mistura

Massa molar de uma mistura é a média ponderada das massas molares dos
componentes da mistura.
Vamos supor uma mistura formada pelas substâncias A e B.

6
nA-------nº de mol de A Massa molar de A---------------------MA

nB-------nº de mol de B Massa molar de B---------------------MB

nT-------nº de mol total da mistura Massa molar da mistura -------------MM

nT = nA + nB

A massa molar da mistura é:

MM = ( nA . MA + nB . MB ) / n A + nB

MM = ( nA . MA + nB . MB ) / nT

MM = nA / nT . MA + nB / nT . MB

Como a fração molar de A é :

XA = nA / nT e, a fração molar de B é;

XB = nB / nT

Temos que:

MM = XA . MA + XB . MB

E como numa mistura gasosa a fração molar é igual a fração volumétrica ,

X = Y

Podemos escrever que :

MM = YA . MA + YB . MB

Exercícios

Engenheiro de processamento junior(2006)


1-Uma água contendo 125 ppb de fenol apresenta a seguinte fração mássica
de fenol:

(A) 1,25 x 10-4 %

(B) 1,25 x 10-5 % X

7
(C) 1,25 x 10-6 %
(D) 1,25 x 10-7 %

(E) 1,25 x 10-8 %

(Engenheiro de processamento junior dez 2008)


2-Considerando que uma mistura gasosa contenha, em massa, 30% de um gás
A e 70% de um gás B, que a massa molar de A seja igual a 30 g/mol e a de B,
210 g/mol, a massa molar média dessa mistura gasosa, em g/mol, será igual a

A) 50.

B) 75. X

C) 100.

D )120.

E) 156.

(Engenheiro de processamento junior dez 2008)


3- Uma mistura contém 960 kg de O2 e 440 kg de CO2. Qual a massa molar
média desta mistura?

(A) 44 kg/kmol

(B) 42 kg/kmol

(C) 39 kg/kmol

(D) 35 kg/kmol X

(E) 32 kg/kmol

8
4- Um balão contém 96 g de O2(g) e 128 g de SO2(g) . Determinar :
a) fração molar de cada gás
b) fração volumétrica de cada gás
c) fração mássica de cada gás
R- a) XO2(g) = 0,6 XSO2(g) = 0,4
b) YO2(g) = 0,6 YSO2(g) = 0,4
c) W O2(g) = 0,4286 W SO2(g) = 0,5714

5- O ar atmosférico é uma mistura contendo 21% de N2, 78% de N2 e 1% de


outros gases. Calcular a relação entre o nº de mol do N2 e do O2 .

R- 3,714

6- Um recipiente contém gás metano(CH4) e gás etano(C2H6). Sabendo que as


percentagens volumétricas na mistura, são, respectivamente, 60% e 40% ,
calcular as percentagens em massa de cada gás.

R- % em massa de CH4 = 44,44%


% em massa de C2H6 = 55,56%

7- 2 litros de uma mistura de metanol ( CH3OH(l) ) e etanol ( C2H5OH(l) )


apresenta 80% em volume deste último líquido. Sabendo que as densidades de
metanol e etanol são, respectivamente, 0,73 e 0,79 g/mL, determinar:
a) fração molar de cada líquido
b) fração mássica de cada líquido

R- a) X CH3OH(l)) = 0,2493 X C2H5OH(l) = 0,7507

b) W CH3OH(l)) = 0,1877 W C2H5OH(l) = 0,8123

8- As frações molares de uma mistura gasosa de dois gases A e B são,


respectivamente, 0,25 e 0,75. Logo a relação entre o volume de A e o de B é
igual a:

9
a) 1

b) 2/3

c) 3

d) 1/3 X

e) 3/ 2

9- Determinar a densidade do etano ( C2 H6 ) nas condições ambientais.

R= 1.228 g.mol-1

10- A densidade de um gás é 1,96 g.L-1, a 0 °C e 1 atm. Determine sua


densidade a 86,7 kPa e 0º C. 1atm = 101,325 kPa

R- 1,68 g.L-1

11- Um frasco de 5 L à temperatura de 27 °C contém uma mistura de 0,8 mol


de CO2 e 3,2 mol de CH4 .Calcular:
a) a pressão parcial de cada gás
b) a pressão total da mistura
c) a fração molar de cada gás
d) a % v/v de cada gás

R- a) PCO2(g) = 3,936 atm PN2(g = 15,744 atm b) PT = 19,68 atm


c) 0,2 e 0,8 d) 20% v/v de CO2 e 80% v/v de CH4

12- Considerando que o ar atmosférico apresenta composição volumétrica


igual a78% v/v de N2, 21 % v/v de O2 e 1 % v/v de outros gases, e que exerce
uma pressão de 1atm ao nível do mar a 0 °C, determinar:
a) fração molar e volumétrica de N2 e O2
b) pressão parcial de N2 e O2

10
R- a) XO2(g) = YO2(g) = 0,21 XN2(g) = YN2(g) = 0,78
b) PO2(g) = 0,21 atm PN2(g = 0,78 atm

11
Unidade II

ESTEQUIOMETRIA NAS REAÇÕES QUÍMICAS

1- Relação entre reagentes e produtos através do nº de mol de cada


substância.

Considere uma reação química genérica representada por sua equação


química não balanceada, do tipo:

A + B C + D

Para se estabelecer a estequiometria na reação química , dois passos são


fundamentais:

1º ) balancear a equação

xA + yB z C + w D

x, y, z e w representam os coeficientes de balanceamento da equação

2º) estabelecer a relação entre o nº de mol de reagentes e produtos

x mol de A ------------- y mol de B ----------- z mol de C ------------- w mol de D

A partir deste passo, as relações entre os nos de mol podem ser substituídas
por seus valores correspondentes em massa ou em volume de gás como nos
exemplos a seguir.

1º exemplo: Relação de massa com massa

Calcular a massa de ácido fosfórico, H3PO4 , produzida pela hidrólise completa


de 1136 g de anidrido fosfórico, P4O10 .

12
Equação química não balanceada: P4O10 + H2O H3PO4

Equação química balanceada: P4O10 + 6 H2O 4 H3PO4

Relação entre nº de mol de reagentes e produtos

1 mol de P4O10------------- 6 mol de H2O ----------- 4 mol de H3PO4

Como o problema solicita a massa de ácido fosfórico, H3PO4, produzida a partir


de uma certa massa de anidrido fosfórico, P4O10, e ainda , conhecendo as
Massas molares das substâncias envolvidas,
Massa molar do P4O10 = 284 g / mol
Massa molar do H3PO4 = 9 8 g / mol ,
podemos transformar a relação entre nº de mol acima em:

284 g de P4O10 -------------- 4 X 98 g de H3PO4


1136 g de P4O10 --------------- x
x = ( 1136 X 4 X 98 ) / 284 = 1568 g

2º exemplo: Relação de massa com volume de gás

Determinar o volume de gás carbônico, CO2, à temperatura de 27ºC e 1,5 atm


de pressão, emanado para a atmosfera pela combustão completa de 480 g de
gás metano, CH4 .

Equação química balanceada: CH4(g) + 2 O2(g) CO2(g) + 2 H2O(l)

Relação entre nº de mol de reagentes e produtos

1 mol de CH4 --------- 2 mol de O2 ---------- 1 mol de CO2 ---------- 2 mol de H2O

Massa molar do CH4 = 16 g / mol

13
Como a relação entre CH4 e CO2 é:
1 mol de CH4 ---------- 1 mol de CO2 ou substituindo convenientemente
concluímos que
16 g de CH4 ---------- 1 mol de CO2

480 g de CH4 ---------- n mol de CO2

n = 480 / 16 = 30 mol de CO2

Para calcularmos o volume de gás carbônico, utilizamos a equação geral dos


gases ideais:

PV = nRT onde P = pressão V = volume T = temperatura absoluta

R= 0,082 L.atm. mol-1.K-1 (constante geral dos gases)

Portanto, o volume de CO2 é igual a:

V = n. RT / P ou substituindo-se pelos valores

V = 30 . 0,082 . 300 / 1,5 = 492,0 L

3º exemplo: Relação de volume de gás com volume de gás

Determinar o volume de gás oxigênio, O2, necessário na combustão completa


de 50 litros de gás propano, C3H8, ambos os gases nas mesmas condições de
temperatura e pressão.

Equação química balanceada: C3H8(g) + 5 O2(g) 3 CO2(g) + 4 H2O(l)

Relação entre nº de mol de reagentes e produtos

14
1 mol de C3H8 ---------- 5 mol de O2 -------- 3 mol de CO2 --------- 4 mol de
H2O
Como volumes iguais de gases diferentes nas mesmas condições de
temperatura e pressão encerram o mesmo n° de mol, concluímos que, se a
relação entre nº de mol de C3H8 e O2 é 1:5 será também em volume.

1 vol de C3H8 ---------- 5 vol de O2


50 litros ------------------x litros

Volume de O2 = 250 litros

4º exemplo: Relação estequiométrica envolvendo % de pureza

Determinar o volume de solução de ácido clorídrico, HCl, de concentração igual


a 2,0 mol.L-1 necessário para reagir completamente com 10,0 g de bicarbonato
de sódio, NaHCO3 contendo 2,10 % de impurezas.

% de pureza = 100 – 2,10 = 97,90 %


Massa pura de NaHCO3 = 0,979 X 10,0 = 9,79 g
Massa molar de NaHCO3 = 84 g . mol-1

NaHCO3 + HCl NaCl + H2O + CO2

1mol de NaHCO3 ------------- 1 mol de HCl

84 g de NaHCO3 ----------------- 1 mol de HCl


9,79 g de NaHCO3 ------------------n mol de HCl

n = 0,1165 mol

Concentração de HCl

2 mol de HCl -------- 1L de solução


0,1165 mol ------------------ V

15
V = 0,0583 L V = 58,3 mL

5º exemplo: Rendimento

Calcular o volume de gás sulfuroso, SO2, à temperatura de 927 ºC e 1,2 atm de


pressão na ustulação de 1 tonelada de pirita de ferro, contendo 84 % de FeS2.
Determinar a massa de óxido férrico, Fe2O3, obtida admitindo-se um
rendimento de 90 % .

2 FeS2 + 11/2 O2 Fe2O3 + 4 SO2(g)

Massa molar do FeS2 = 120 g.mol-1


Massa molar do Fe2O3 = 160 g.mol-1
Massa pura de FeS2 = 0,84 x 1 t = 0,84 X 106 g

Relação entre os nos de mol

2 mol de FeS2 ------------- 1 mol de Fe2O3 ----------- 4 mol de SO2

Cálculo do Volume de SO2

2 X 120 g de FeS2 ----------------4 mol de SO2


0,84 X 106 g ----------------------- n mol de SO2

n = 14000 mol

V = 14000 X 0,082 X 1200 / 1,2 = 1148000 L = 1148 m3

Massa de Fe2O3

2 X 120 g de FeS2 ----------------160 g de Fe2O3


0,84 X 106 g -----------------------m de Fe2O3
m = 560000 g = 0,56 t

16
Rendimento de 90 % = 0,9 X 0,56 = 0,504 t

6º exemplo: Relação entre volume de líquido e volume de gás

Determinar o volume de O2(g) nas condições ambientais ( 298 K e 1 atm )


necessário à combustão completa de 20 litros de etanol, C2H6O.

Densidade do etanol, C2H6O(l) = 0,79 g/mL


Massa do etanol, C2H6O(l) = 0,79 g/mL X 20 x 103 mL = 15800 g
Massa molar de C2H6O(l) = 46 g.mol-1

C2H6O(l) + 3 O2(g) 2 CO2 + 3 H2O

Relação entre os nos de mol

1 mol de C2H6O(l) ---------------3 mol de O2(g)

46 g de C2H6O(l) -----------------3 mol de O2(g)


15800 g C2H6O(l) ----------------n mol de O2(g)

n = 1030,44 mol

Cálculo do Volume de O2(g)

V = n.R.T / P

V = 1030,44 X 0,082 X 298 = 25179,70 L

2-Exercícios propostos

1- Um gerador portátil de H2(g) utiliza a reação:


CaH2 + 2H2O Ca(OH)2 + 2H2 (g).

17
Quantos gramas de H2 podem ser produzidos por uma carga de 50g de CaH2?
R- 4,8 g de H2

2- Que quantidade de KClO3 deve ser aquecida para se obter 3,50 kg de gás
oxigênio (O2) ?

2 KClO3 2 KCl + 3 O2

R- 8,94 Kg

3- Calcular o volume de solução de HNO3 6 mol. L-1 capaz de reagir com 5g de


cobre contendo 5,2% de impurezas.

Cu + 4 HNO3 Cu(NO3)2 + 2 NO2 + 2 H2O Cu= 63,5 N= 14

R- 50 mL

4- Calcular a massa de SO2 (g) liberada quando 200 g de CaSO3 contendo


10% de impurezas reagem com HCl suficiente.

CaSO3 + 2 HCl CaCl2 + SO2 + H2O S = 32 Ca = 40

R- 96 g

5 – 10g de prata(Ag) impura reagem com 30ml de solução de HNO3 cuja


concentração é igual a 6 mol.l-1. Calcular a % de pureza de prata.

Ag + 2 HNO3 AgNO3 + NO2 + H2O Ag = 108 N = 14

R- 97,2%

6 – Calcular o volume de CO2(g) liberado nas CNTP por combustão completa


de 10,4kg de gás acetileno (C2H2)

18
C2H2(g) + 5/2 O2 2 CO2(g) + H2O

R – 17,92 kL
7 – Calcular o volume de Cl2(g) a 25°C e 1 atm de pressão necessário para
reagir com 1900g de CS2.

CS2 + 3Cl2(g) CCl4 + S2Cl2

R – 1832,7 L
8 – Calcular o volume de ar a 325°C e 2,5 atm de pressão necessário para
queimar completamente 2 kg de gás metano(CH4).

CH4 + 2 O2 CO2 + 2H2O %v/v de O2 no ar = 21%


R= 0,082L.atm.K-1.mol-1
R- 23341,1 L

9 – Calcular o volume de CO2 liberado a 227°C e 1,5 atm de pressão quando 2


litros de uma mistura de metanol e etanol contendo 80% v/v de etanol sofre
combustão completa.
de = 0,79g.ml-1 dm = 0,73g.ml-1

CH3OH + 3/2 O2 CO2 + 2 H2O


C2H5OH + 3 O2 2CO2 + 3 H2O

R- 1751,56 L

10 – Calcular o volume de O2 a 327°C e 1,2 atm de pressão necessário a


combustão completa de 13kg de um GLP contendo 60% de C3H8 e 40% de
C4H10.

C3H8(g) + 5 O2 3 CO2 + 4 H2O


C4H10 + 13/2 O2 4 CO2 + 5 H2O

R- 60233,5 L

19
11 – 5 litros de gás etano, C2H6, submetido a temperatura de 27°C e 1atm de
pressão sofre combustão completa. Calcular o volume de O2 necessário nestas
condições para a queima completa do C2H6.

C2H6(g) + 7/2 O2 2 CO2 + 3 H2O

R- 17,5 L

12 – Tem-se um balão de 3,28 litros de capacidade submetido a uma


temperatura de 127°C e 2,0 atm de pressão contendo uma mistura gasosa cuja
composição volumétrica é: CH4(g) = 85%, C2H6(g) = 15%. Calcular o volume de
ar na temperatura de 627°C e 1,5 atm de pressão necessário à combustão
completa da mistura.

CH4(g) + O2 CO2 + H2O

C2H6(g) + O2 CO2 + H2O

R- 105,39 L

13- (engenheiro de processamento Junior-2006)


A combustão completa de 5 litros de octano é processada. Considerando que
foi utilizado oxigênio em quantidade estequiométrica e que a massa específica
do octano = 0,70 g/mL, a soma das massas de gases liberados é, em kg,
aproximadamente, igual a:

C8H18(l) + 25/2 O2 8 CO2 + 9 H2O

(A) 6
(B) 16 X

C) 26

20
(D) 36

(E) 46

14- (engenheiro de processamento Junior-2006)


O etano é misturado com oxigênio, obtendo-se uma mistura cuja composição é
de 80% de etano e 20% de oxigênio (base molar). Esta mistura é queimada
com 200% de excesso de ar. Sabendo que 80% do etano é convertido em CO2,
10%,em CO e 10% não é queimado, a relação molar entre CO2 e CO, nos
fumos, é:
(A) 4

(B) 5

(C) 6

(D) 7

(E) 8 x

Engenheiro de processamento junior dez 2008) (54)

15-Considere a situação em que metano é queimado com oxigênio, gerando


dióxido de carbono e água. A carga contém 20% de CH4 , 60% de O2 e 20%
de CO2 , em base molar. Alcança-se 80% de conversão do reagente limitante.
Nessa situação, a fração molar do CO2 no produto final é igual a

A) 0,16.

B) 0,20.
C) 0,28.

D) 0,36. X

21
E) 0,50.

Engenheiro de processamento Junior –janeiro de 2008

16- Constituinte Teor (% em volume)


Metano (CH4) 92
Etano (C2H6) 5
Inertes (N + CO) 3
Considerando um gás natural com a composição indicada acima, a vazão de
ar, em m3/H CNTP, necessária para combustão completa de 10.000m3/H
(CNTP) do mesmo é

(A) 1.600

(B) 7.400

(C) 9.800

(D) 15.600

(E) 96.000 X

22
Unidade III

SOLUÇÕES

Denomina-se solução a toda mistura homogênea de duas ou mais


substâncias puras. A propriedade de uma substância se dissolver em outra é
denominada de solubilidade. A substância que se dissolve é chamada de
soluto e a que dissolve de solvente. Assim, por exemplo, quando se adiciona
uma certa massa de sacarose(açúcar comum), numa certa quantidade de
água, observa-se a dissolução do açúcar na água formando uma mistura
homogênea ou solução. Considera-se o açúcar como soluto e a água como
solvente. Os fatores que determinam a solubilidade de uma substância, como
natureza do soluto e do solvente, temperatura e pressão e os mecanismos
propostos, não serão discutidos.
As soluções se classificam em:

1º) quanto à natureza do soluto

Soluções moleculares
Quando o soluto for de natureza molecular. Neste caso, as partículas
dissolvidas são as moléculas.
Exemplo: solução aquosa de sacarose. As partículas dissolvidas são as
moléculas de sacarose, C12H22O11.
Nº de partículas dissolvidas (P) = Nº de moléculas (N)
P=N
Soluções iônicas
Quando o soluto for um composto iônico ou que se ionize em solução. As
partículas dissolvidas são os íons.
Exemplo: solução aquosa de NaCl. As partículas dissolvidas são os íons Na+ e
Cl- . No processo da dissolução ocorre uma dissociação conforme a equação
NaCl Na+ + Cl-
Neste caso, o nº de partículas dissolvidas é dado pela equação:
P = N.i

23
Em que “i” é um fator de correção denominado coeficiente de Van’Hoff. Este
coeficiente é função do nº de íons por fórmula(q) e do grau de dissociação e ou
ionização do soluto(α)
i = 1 + α (q – 1)
No caso de uma solução de NaCl, q é igual a 2 e α é igual a 1( 100%
dissociado). Portanto, o fator de correção i pode ser determinado substituindo-
se os valores q = 2 e α = 1na expressão acima
i = 1 + 1 (2 – 1) i=2

2º) quanto ao estado físico do solvente

Soluções sólidas
Quando o solvente for sólido. O soluto pode se encontrar em qualquer estado
físico.

Soluções líquidas
Quando o solvente for líquido. As soluções líquidas são as mais comuns.
O soluto pode ser sólido, líquido ou gás.

Soluções gasosas
Quando o solvente for um gás. As misturas gasosas são sempre homogêneas,
e portanto, soluções.

3º) quanto à relação entre quantidade do soluto e do solvente

Soluções saturadas
São soluções em que a quantidade de soluto dissolvida é máxima em uma
certa quantidade de solvente, ou seja, são aquelas que atingem o limite
máximo de solubilidade a uma dada temperatura.
A solubilidade do NaCl é 36,5 g por 100g de água à temperatura de 20ºC.

Soluções não saturadas


São soluções que numa dada temperatura não atingiram o limite máximo de
solubilidade. Podem ser de dois tipos:

24
1- Soluções diluídas
São soluções em que a quantidade do soluto é pequena em relação a
quantidade do solvente.

2 - Soluções concentradas
São soluções em que a quantidade do soluto é relativamente grande em
relação à quantidade do solvente.

Coeficiente de solubilidade
È a quantidade máxima de um soluto que pode ser dissolvida numa certa
quantidade de solvente a uma determinada temperatura, geralmente expressa
em gramas de soluto por 100 gramas de solvente.

Coeficiente de solubilidade do NaCl à 20ºC ------------36,5 g / 100g de água


Coeficiente de solubilidade do NaNO3 à 50ºC -----------111g / 100g de água
Coeficiente de solubilidade do KBr à 12ºC ---------------60 g / 100g de água

Exercícios sobre solubilidade

1) A 25°C a solubilidade do açúcar é de 210g/100g de H2O. Calcular a massa


de açúcar dissolvida em 450g de água.

R- 945 g

2) A 90°C a solubilidade do NaBr é 120g/100g de H2O. Para se preparar 550g


de uma solução saturada deste sal, qual a massa de NaBr que deve ser
dissolvida?

R- 300 g

3) A 50°C a solubilidade do NaNO3 é 111g/100g de H2O. Que massa de


solvente dissolve 4,44x102g de soluto. Que massa de solução conteria aquela

25
quantidade de solvente? Qual a % em massa do NaNO3 numa solução
saturada?

R- 400 g ; 844 g ; 52,61 %

4) Uma solução saturada de um soluto “X” em água, apresenta % em massa


igual a 25%. Calcular a solubilidade de “X” em g/100g H2O.

R- 33,33 g / 100 g H2O

5) A 12°C a solubilidade do KBr é 60g/100g H2O. A adição de 25g deste sal em


40g de água apresenta que massa de sólido residual? Qual a % em massa de
KBr na solução?

R- 1 g ; 37,50 %

6) A 50°C a solubilidade dos sais KBr e NaBr são respectivamente 80 e 112g /


100g H2O. Adicionam-se 300g de cada sal a um frasco que contém 250g de
água. Calcular:
a) a massa não dissolvida de cada sal
b) a % em massa de cada sal na solução

R- a) massa não dissolvida de KBr = 100 g


massa não dissolvida de NaBr = 20 g
b) % em massa de KBr = 27,40 %
% em massa de NaBr = 38,36 %

Concentração das soluções


A concentração de uma solução pode ser expressa de diversas maneiras.
Principais tipos de concentração

1º) Percentagem massa por volume (% m/v)


Indica a massa de soluto em gramas dissolvida em 100 mL de solução.
% m/v { massa do soluto em g ----------- 100 mL de solução

26
Assim , uma solução à 15 % m/v apresenta 15 g de soluto dissolvidos em 100 g
de solução.
15 g do soluto ----------- 100 mL de solução
Exemplo:
Que volume de solução de NaCl a 0,9 % m/v contém 3,6 g deste soluto?
0,9 g do soluto ----------- 100 mL de solução
3,6 g do soluto ------------ V mL de solução

V = 400 mL

2º) Percentagem massa por massa (% m/m)


Indica a massa do soluto em gramas por 100 g de solução
% m/m { massa do soluto em g ----------- 100 g de solução

Uma solução que apresente percentagem em massa igual a 20 % contém 20


gramas de soluto por 100 gramas de solução. Se esta solução é formada
apenas por um soluto, a massa do solvente é igual a 80 g.

20 % m/m { 20 g do soluto -------- 80 g de solvente ------- 100 g de solução

Exemplo:
10 g de soda cáustica(NaOH) foram dissolvidos em 100 g de água. Determinar
a % em massa da solução.
Massa de soluto = 10g (NaOH)
Massa de solvente = 100 g (água)
Massa da solução = massa do soluto + massa do solvente = 10+100 = 110 g
10 g do soluto ------- 110 g de solução
x g do soluto ---------100 g de solução

x = 9,09 % m/m

3º) Concentração comum (C)


De um modo geral a concentração comum indica a massa do soluto em
gramas por volume da solução em litro.

27
C = m (g) / V(L)

Exemplo:
Dissolve-se 25 g de nitrato de potássio, KNO3, em água suficiente para 200 ml
de solução num balão volumétrico. Determinar a concentração comum em g /
L.

C = m (g) / V(L) C = 25 (g) / 0,2 L

C = 125 g / L

4º) Molaridade (M)


Indica o nº de mol do soluto por volume da solução em litro.
M = n mol / V(L)

Como n = m(g) / MM g.mol-1, podemos escrever que:

M = m(g) / MM g.mol-1. V(L)

Exemplo:
Dissolve-se 17,1g de sacarose(C12H22O11) em água suficiente para 250 ml de
solução. Calcular a molaridade da solução.

Massa molar do soluto = 342 g.mol-1


Massa de sacarose = 17,1 g
Volume de solução = 250 mL = 0,25 L

M = 17,1 g / 342 g.mol-1. 0,25 L

M = 0,2 mol.L-1

5º) Molalidade ( M )
Indica o nº de mol do soluto em 1 kg de solvente. Assim, uma solução 1 molal
de sacarose, C12H22O11 , contém 1 mol de sacarose dissolvida em 1000 g de

28
água. Como 1 mol de sacarose corresponde a 342 g desta substância, esta é a
massa dissolvida em 1000 g de água

M = nº de mol do soluto / nº de kg de solvente

Exemplo:
Calcular a molalidade de uma solução de glicose, C6H12O6, cuja percentagem
em massa é 36 % .
Massa molar de C6H12O6 = 180 g/mol
36 % de glicose corresponde a 36 g de glicose dissolvida em 100g de solução
Então, a massa de água é igual a 64 g
36 g de C6H12O6 ----------------64g de água
Como o nº de mol de C6H12O6 = 36 / 180 = 0,2 mol
Tem –se que:

0,2 mol de C6H12O6 -----------64 g de água

n ---------------------------------1000 g de água

n = 3,125 mol

M = 3,125 molal

Ou, substituindo-se na equação abaixo

M = nº de mol do soluto / nº de kg de solvente

M = 0,2 mol do soluto / 0,064 kg de solvente

M = 3,125 molal

29
Diluição de soluções
Normalmente a diluição de uma solução é realizada através de um aumento
do solvente. Considerando-se uma solução concentrada, c, cujos parâmetros
são:
Mc ------molaridade da solução concentrada
Vc ------volume da solução concentrada
nc -------nº de mol do soluto na solução concentrada

c { Mc , Vc e nc

Ao se adicionar solvente, a solução será diluída e pode ser representada por:


Md ------molaridade da solução diluída
Vd-------volume da solução diluída
Nd -------nº de mol do soluto na solução diluída

d { Md , Vd e nd

c { Mc , Vc e nc + Vsolvente d { Md , Vd e nd

Como a molaridade é :
M = n / V então,
Para a solução concentrada Mc = nc / Vc e,
Para a solução diluída Md = nd / Vd
Mas, como o nº de mol do soluto não varia com a adição de solvente,

nc = nd
concluímos que:
Mc .Vc = Md .Vd

Exemplo:
50 mL de um ácido 0,1 mol/L são diluídos com 150 ml de água destilada.
Calcular a molaridade da solução final.

Mc = 0,1 Vc = 50 mL Vagua = 150 mL

30
Vd = Vc + Vágua = 50 mL + 150 mL = 200 mL

Aplicando-se a equação de diluição Mc .Vc = Md .Vd ,

Md = Mc .Vc / Vd

Substituindo-se os valores tem-se que:

Md = 0,1 . 50 / 200

Md = 0,025 mol / L

Aumento da concentração de uma solução

Para se aumentar a concentração de uma solução pode-se proceder de dois


modos:
1º) evaporação do solvente
2º) adição de soluto

No primeiro caso podemos aplicar a equação Mc .Vc = Md .Vd

No segundo caso, podemos determinar a massa de soluto na solução e


somarmos a massa adicionada para concentrar a solução. Praticamente não
ocorrendo variação de volume, o volume da solução inicial é igual ao da
solução final.

Exemplo:
5,3 g de carbonato de sódio puro, Na2CO3, foram dissolvidos em 250 mL de
uma solução 0,8 mol.L-1 deste soluto. Admitindo-se que não haja variação de
volume, determinar a molaridade da solução final.

A massa de carbonato de sódio dissolvida em 250 mL da solução 0,8 mol.L-1 é


igual a :

31
m = M X MM X V(L) MM do Na2CO3 = 106 g / mol

m = 0,8 mol.L-1 X 106 g / mol X 0,25 L

m = 21,2 g
Adicionando-se 5,3 g de Na2CO3 aos 250 mL da solução inicial, e admitindo-se
que o volume final seja, também, 250 mL, a molaridade da solução final pode
ser determinada como mostramos a seguir:

massa final de Na2CO3 = 21,2 g + 5,3 g = 26,5 g

Molaridade final (MF)

Aplicando-se a equação da molaridade , M = m(g) / MM g.mol-1. V(L) , na


solução final, temos que:

MF = 26,5 g / 106 g.mol-1 . 0.25 L = 1,0 mol.L-1

Mistura de soluções de um mesmo soluto

Quando se mistura um volume V1 de uma solução de concentração molar, M1,


com um volume V2 de uma outra solução do mesmo soluto de concentração
molar, M2, a molaridade da solução, Mf, é a média ponderada das molaridades
anteriores. Podemos escrever que:

M1 V1 + M2 V2 = Mf Vf

Exercícios propostos
1) Dissolve-se 4,2 g de bicarbonato de sódio, NaHCO3, em água suficiente
para 250 mL de solução. Calcular a % m/v e a molaridade. Na = 23 C = 12

R- 1,68 % m / v ; 0,2 mol / L

32
2) Uma solução de nitrato de potássio, KNO3, apresenta concentração igual a
202 g.L-1. Calcular a % m/v e a molaridade da solução. K = 39 N = 14

R- 20,2 % m/v ; 0,1 mol / L

3) Que volume de solução de hidróxido de sódio, NaOH, a 15 %m/v contém 25


deste soluto?
R- 166,67 mL
4) Calcular o nº de mol carbonato de sódio, Na2CO3, existente em 80 mL de
uma solução cuja concentração molar é 0,5 mol/L.

R- 0,04 mol

5) Um frasco contém solução de ácido nítrico a 21% m/v. Calcular:


a) a massa de HNO3 dissolvida em 500mL de solução.
b) a molaridade da solução.
c) o nº de mol do ácido contido nos 500mL de solução.

R- a) 105 g ; b) 3.33 mol/L ; c) 1,665 mol

6) Um frasco contém solução de ácido sulfúrico, H2sO4, a 98 % em massa.


a) Que massa de solução contém 19,6 g de H2sO4?
b)Qual a % m/v e a molaridade do ácido, sabendo que a densidade é 1,84
g/cm3?

R- a) 20 g ; b) 180,32 % m/v ; c) 18,4 mol / L

7) 10 mL de uma solução de HCl de concentração molar igual a 2 mol.L-1 foram


diluídos a 200 mL de solução. Calcular a molaridade final.
R- 0,1 mol / L

8) 20 mL de uma solução de NaOH a 10% m/v são diluídos com 90 mL de


água. Calcular a molaridade final.

33
R- 0,5 mol / L

9) Que volume de água destilada deve-se adicionar a 5 ml de uma solução de


HNO3 4,0 mol/L para transformá-la em 0,5 mol/L?

R- 35 mL

10) 40 mL de uma solução de H2sO4 0,1 M são misturados com 160 mL do


mesmo ácido 0,5 M. Calcular a molaridade resultante.

R- 0,42 mL

Engenheiro de processamento Junior –janeiro de 2008


11) O volume , em mL, de ácido sulfúrico concentrado (98% em peso) que
precisa ser misturado à água para que se obtenha1,0L de solução de H2SO4
diluído de concentração 2,0M é (Massa específica do H2SO4 a 98% = 1,82 x
103kg/m3)
A) 54

(B) 98

(C) 110 X

(D) 196

(E) 200

Engenheiro de processamento Junior –janeiro de 2008


12) A dissolução de hidróxido de sódio em água pura é um processo
fortemente exotérmico e a solubilidade do NaOH aumenta com a elevação da
temperatura. A explicação para essa observação é que
(A) água e NaOH formam uma solução ideal.
(B) na dissolução do NaOH em água, não ocorre solvatação.
(C) a entalpia de dissolução no ponto de saturação é positiva. X

34
(D) todos os sólidos têm sua solubilidade aumentada pela elevação da
temperatura.
(E) o processo exotérmico de dissolução favorece o aumento da solubilidade
com a temperatura.

Engenheiro de processamento Junior –janeiro de 2008 (adaptação)


13) Uma solução saturada de cloreto de sódio em água a 25 oC contém 360g
de sal por litro de solução e apresenta densidade igual a 1,20. A molalidade da
solução é :
(A) 6,15

(B) 3,36

(C) 0,43

(D) 1,0

(E) 7,33 X

Engenheiro de processamento Junior –janeiro de 2008


14) A concentração (em ppm) de HNO3 em uma solução 11 g/L é
(Considere a densidade relativa, a 25 oC, igual a 1,10.)
(A) 10

(B) 102

(C) 103

(D) 104 X

(E) 105

35
Unidade IV

FUNÇÕES INORGÂNICAS

ÓXIDOS
São compostos binários que apresentam o elemento oxigênio ligado a um outro
elemento.
Formula geral: Ex Oy

Classificação dos óxidos.


I – Óxidos ácidos ou anidridos
II – Óxidos básicos
III – Óxidos anfóteros
IV – Óxidos salinos
V – Peróxidos
VI – Óxidos neutros

I – Anidridos
São óxidos geradores de ácidos.

anidrido + água → ácido


Exemplo:
SO2 + H2O → H2SO3
Os anidridos são formados por não metais, semi-metais e metais que
apresentam número de oxidação maior que +4.
Exemplo:
P4+3O6 ; P4+5O10 ; Cℓ2+1O ; Mn2+7O7 ; Si+4O2

Nomenclatura dos anidridos


Dá-se a palavra anidrido acrescentando o sufixo “ico” ao nome do elemento.
Quando elemento forma dois anidridos o que apresenta o elemento no menor
estado de oxidação receberá o sufixo “oso” e o de maior número de oxidação o
sufixo “ico”.

36
OSO - menor número de oxidação
ICO - maior número de oxidação

Exemplos:
S+4O2 - anidrido sulfuroso
S+6O3 - anidrido sulfúrico
P4+3O6 - anidrido fosforoso
P4+5O10 - anidrido fosfórico
N2+3O3 - anidrido nitroso
N2+5O5 - anidrido nítrico

Propriedades dos Anidridos


1ª) Reação com a água.
Alguns anidridos reagem com a água formando os ácidos correspondentes.
ANIDRIDO + ÁGUA → ÁCIDO
SO2 + H2O → H2SO3
anidrido sulfuroso ácido sulfuroso

SO3 + H2O → H2SO4


anidrido sulfúrico ácido sulfúrico

P4O6 + 6 H2O → 4 H3PO3


anidrido fosforoso ácido ortofosforoso

P4O10 + 6 H2O → 4 H3PO4


anidrido fosfórico ácido ortofosfórico

N2O3 + H2O → 2 HNO2


anidrido nitroso ácido nitroso

N2O5 + H2O → 2 HNO3


anidrido nítrico ácido nítrico

Cℓ2+1O + H2O → 2 HClO

37
anidrido hipocloroso ácido hipocloroso

Cℓ2+3O3 + H2O → 2 HClO2


anidrido cloroso ácido cloroso
Cℓ2+5O + H2O → 2 HClO3
anidrido clórico ácido clórico
Cℓ2+7O7 + H2O → 2 HClO4
anidrido perclórico ácido perclórico

2ª) Reação com as bases,


ANIDRIDO + BASE → SAL + ÁGUA

SO2 + 2 NaOH → Na2SO3 + H2O


anidrido sulfuroso sulfito de sódio

SO3 + Ba(OH)2 → Ba2SO4 + H2O


anidrido sulfúrico sulfato de bário

N2O5 + Ca(OH)2 → Ca(NO3)2 + H2O


anidrido nítrico nitrato de cálcio

N2O3 + 2 KOH → 2 KNO2 + H2O


anidrido nitroso nitrito de potássio

Cℓ2+1O + 2 NaOH → 2 NaClO + H2O


anidrido hipocloroso hipoclorito de sódio

Cℓ2+3O3 + 2 KOH → 2 KClO2 + H2O


anidrido cloroso clorito de potássio

Cℓ2+5O + Ca(OH)2 → Ca(ClO3)2 + H2O


anidrido clórico clorato de cálcio

38
Cℓ2+7O7 + Ba(OH)2 → Ba(ClO4)2 + H2O
anidrido perclórico perclorato de bário

Mn2O7 + 2 KOH → 2 KMnO4 + H2O


anidrido permangânico permanganato de potássio

CrO3 + 2 KOH → K2 CrO4 + H2O


anidrido crômico cromato de potássio

II- Óxidos Básicos


São óxidos metálicos em que o metal apresenta número de oxidação +1 ou +2
.
Exemplos:
Metal (+1) : (M+12O-2)
Na+12O-2 ; K+12O-2 ; Li+12O-2

Metal (+2) : M+2O-2


Mg+2O ; Ca+2O ; Ba+2O

Nomenclatura dos óxidos metálicos.


Metais que apresentam apenas um número de oxidação.

ÓXIDO + DE + NOME DO ELEMENTO

São exemplos os óxidos de metais alcalinos e alcalinos terrosos.


Li2O - Óxido de lítío
Na2O - Óxido de sódio
K2O - Óxido de potássio
MgO - Óxido de magnésio
CaO - Óxido de cálcio
BaO - Óxido de bário

Metais que apresentam dois números de oxidação.

39
ÓXIDO + NOME DO ELEMENTO + OSO - MENOR NÚMERO DE
ÓXIDAÇÂO
ICO - MAIOR NÚMERO DE
ÓXIDAÇÂO
Fé+2O-2 - óxido ferroso
Fe2+3O3-2 - óxido férrico
Cu2+1 O-2 - óxido cuproso
Cu+2O-2 - óxido cúprico

Propriedades
1ª) Reação com a água.

ÓXIDO BÁSICO + ÁGUA → BASE


Na2O + H2O → 2 NaOH

CaO + H2O → Ca(OH)2

2ª) Reação com ácidos

ÓXIDO BÁSICO + ÁCIDO → SAL + ÁGUA

Na2O + H2SO4 → Na2SO4 + H2O

CaO + H2SO3 → CaSO3 + H2O

III – Óxidos Anfóteros


São óxidos metálicos que apresentam um comportamento anfótero, isto é, em
presença de ácidos se comportam como óxidos básicos e em presença de
bases se comportam, como óxidos ácidos ou anidridos.
Formam óxidos anfóteros os metais que apresentam número de oxidação +3 e
ou +4.
Exemplos:

40
Fe2+3O3-2 - óxido férrico
Cr2+3O3-2 - óxido crômico
Al2+3O3-2 - óxido de alumínio
Mn+4O2-2 - dióxido de manganês

O óxido de zinco Zn+2O-2 , apesar do zinco apresentar número de oxidação +2,


é um óxido anfótero.
ZnO + 2 HCℓ → ZnCℓ2 + H2O

ZnO + 2 NaOH → Na2ZnO2 + H2O

Aℓ2+3O3-2 + 6 HCℓ → 2 AℓCℓ3 + 3 H2O

Aℓ2+3O3-2 + 2 NaOH → 2 NaAℓO2 + H2O

IV - Óxido Salinos
São óxidos que apresentam a fórmula geral M3O4.
Formam óxidos salinos, os elementos ferro, cobalto, manganês e chumbo.
Fe3O4 - óxido salino de ferro
Co3O4 - óxido salino de cobalto
Mn3O4 - óxido salino de manganês
Pb3O4 - óxido salino de chumbo

V – Peróxidos
São óxidos que apresentam o íon peróxido cuja estrutura é : ( O-O )-2. Neste
íon, o oxigênio apresenta nº de oxidação -1
O mais importante é o peróxido de hidrogênio (H2O2).
H-O-O-H
A solução aquosa deste peróxido é conhecida comercialmente por água
oxigenada.
Outros exemplos:
Na2O2 - peróxido de sódio
K2O2 - peróxido de potássio

41
CaO2 - peróxido de cálcio
BaO2 - peróxido de bário

VI – Óxidos Neutros
São óxidos que não reagem com os óxidos nem com as bases.
São apenas quatro.
CO - monóxido de carbono
H2O - água
N2+1O-2 - óxido nitroso
+2 -2
N O - óxido nítrico

ÁCIDOS

Ácidos são compostos em solução aquosa se ionizam produzindo íons H3O+


(íon hidrônio ou hidroxônio).

H A + H2O ↔ H3O+ + A- ou de uma maneira mais simples :


+ -
HA ↔ H + A
A constante de ionização, KA , é dada pela equação:

H  . A
KA 
HA
Os ácidos se classificam em :
1º) quanto a presença de oxigênio na molécula.
a) Oxiácidos.
Possuem oxigênio na molécula. H2SO3 ; HNO3 ; HNO2 ; HCℓO2 e H2SO4
Nomenclatura dos oxiácidos .
Dá-se a palavra ácido + nome do elemento + ico, quando o elemento
forma apenas um ácido.
H2CO3 - ácido carbônico.

42
Quando o elemento forma dois ácidos utiliza-se os sufixo “OSO” e “ICO”
correspondendo, respectivamente, a um menor e maior número de oxidação do
elemento central.
H2S+4O3 - ácido sulfuroso
H2S+6O4 - ácido sulfúrico
HN+3O2 - ácido nitroso
HN+5O3 - ácido nítrico
No caso do elemento formar mais de dois oxiácidos, podem-se utilizar os
prefixos “HIPO” e “PER” como nos exemplos a seguir.
HCℓ+1O - ácido hipocloroso
HCℓ+3O2 - ácido cloroso
HCℓ+5O3 - ácido clórico
HCℓ+7O4 - ácido perclórico
HBr+1O - ácido hipobromoso
HBr+3O2 - ácido bromoso
HBr+5O3 - ácido brômico
HI+1O - ácido hipoiodoso
HI+5O3 - ácido iódico
HI+7O4 - ácido periódico

b) Hidrácidos
Não possuem, oxigênio na molécula. A nomenclatura receberá o sufixo
“IDRICO” ao nome do elemento (raiz do nome latino).
Ácido + Nome do elemento + IDRICO
H F - ácido fluorídrico
HCℓ - ácido clorídrico
HBr - ácido bromídrico
HI - ácido iodidrico
H2S - ácido sulfidrico
HCN - ácido cianídrico

2º) Quanto ao número hidrogênios ionizáveis


a – monoácidos (HA)

43
Apresentam apenas um hidrogênio ionizável. A equação de ionização é dada a
seguir:
HA ↔ H+ + A-
Exemplos:
HCℓ ; HNO2 ; HC2H3O2
HCℓ ↔ H+ + Cℓ-
ácido clorídrico anion cloreto

H NO2 ↔ H+ + NO2-
ácido nitroso anion nitrito

HC2H3O2 ↔ H+ + C2H3O2-
ácido acético anion acetato

b) Diácidos.
Apresentam dois hidrogênios ionizáveis. São duas etapas de ionização.
H2A ↔ H+ + HA-

HA- ↔ H+ + A-2
Exemplos:
H2S ↔ H+ + HS-1
ácido sulfuroso hidrogenossulfeto
HS- ↔ H+ + S-2
Sulfeto

H2SO4 ↔ H+ + HSO4-1
ácido sulfúrico hidrogenossulfato
HSO4- ↔ H+ + SO4-2
Sulfato
c) Triácidos.
Apresentam três hidrogênios ionizáveis. São três etapas de ionização
H3A ↔ H+ + H2A-1

H2A- ↔ H+ + HA-2

44
H2A-2 ↔ H+ + A-3

Exemplo:
H3PO4 ↔ H+ + H2PO4-1
ácido fosfórico dihidrogenofosfato
H2PO4-1 ↔ H+ + HPO4-2
monohidrogenofosfato
HPO4-2 ↔ H+ + PO4-3
fosfato

c) Quanto à força
Ácidos fortes se encontram fortemente ionizados e os ácidos fracos,
fracamente ionizados. A força de um ácido é determinada em função da sua
constante de ionização, KA. Os ácidos fortes apresentam constante de
ionização elevada e os ácidos fracos por estarem pouco ionizados, apresentam
valores de KA baixos. O quadro abaixo, mostra os valores de KA que servem de
referência para estabelecer a força de um ácido. A força de um ácido, também,
pode ser determinada em função do seu grau de ionização,  , em uma solução
do ácido de concentração igual a 0,1 mol.L-1.
Ácido ----------------------- constante de ionização (KA)

Forte ------------------------ KA ≥ 5 . 10-2

Moderado ------------------- 2,5 x 10-4  KA < 5 x 10-2

Fraco ------------------------- KA < 2,5 x 10-4

Conhecendo-se a constante de ionização do ácido KA , podemos classificá-lo.


Na tabela a seguir, são dados alguns ácidos e as suas constantes de
ionização.
Ácido Fórmula constante de ionização (KA)
Ácido cloroacético HC2H2O2Cl 1,4 X 10-3

45
Ácido fluorídrico HF 6,5 X 10-4
Ácido nitroso HNO2 4,5 X 10-4
Ácido fórmico HCHO2 1,8 X 10-4
Ácido acético HC2H3O2 1,8 X 10-5
Ácido hipocloroso HClO 3,1 X 10-8
Ácido cianídrico HCN 4,9 X 10-10

III - Hidróxidos ou Bases


São compostos que se dissociam em solução aquosa produzindo íons OH-
(hidroxila). Os hidróxidos de metais alcalinos e alcalinos terrosos são
considerados bases fortes e estão praticamente 100% dissociados.
Hidróxidos de metais alcalinos: (MOH)
MOH → M+ + OH-

Exemplos:

NaOH → Na+ + OH-

Li OH hidróxido de lítio
NaOH hidróxido de sódio
KOH hidróxido de potássio
CsOH hidróxido de césio
RbOH hidróxido de rubídio

Hidróxidos de metais alcalinos terrosos: M(OH)2.

M(OH)2 → M+ + 2 OH-

Exemplos:
Ca(OH)2 → Ca+2 + 2 OH-

Mg(OH)2 hidróxido de magnésio

46
Ca(OH)2 hidróxido de cálcio
Sr(OH)2 hidróxido de estrôncio
Ba(OH)2 hidróxido de bário

IV- Sais
Sais são compostos resultantes da reação de neutralização total ou parcial de
um ácido por uma base.

Ácido + Base → Sal + Água

Neutralização total
HCℓ + NaOH → Na+ Cℓ- + H2O
Cloreto de sódio

H2SO4 + Ba(OH)2 → BaSO4 + H2O


Sulfato de bário
Neutralização parcial
NaOH + H2SO4 → NaHSO4 + H2O
Hidrogenossulfato de sódio

HCl + Mg(OH)2 → Mg(OH)Cl + H2O


Cloreto básico de magnésio

Nomenclatura dos sais.


A nomenclatura dos sais é feita através do nome do anion mais o nome do
cátion.
Por exemplo:
Na+NO3- - nitrato de sódio
Anion nitrato NO3-, é um anion derivado do ácido nítrico, HNO3. Portanto
conhecendo-se a nomenclatura do anion, a nomenclatura do sal praticamente
fica determinada.
A seguir, mostramos alguns exemplos.
K+NO2- - nitrito de potássio

47
K+NO3- - nitrato de potássio
Na2SO3 - sulfito de sódio
NaHSO3 - hidrogenossulfito de sódio
Na2+2SO4 - sulfato de sódio
NaHSO4 - hidrogenossulfato de sódio
Mg+2S-2 - sulfeto de magnésio
Mg+2 (HS)2-1 - hidrogenossulfeto de magnésio
Ca+2(HCO3)2-1 - hidrogenocarbonato de cálcio
Ca+2CO3-2 - carbonato de cálcio
K3 +1PO4-3 - fosfato de potássio
+1
K H2PO4-1 - dihidrogenofosfato
K2+1HPO4-2 - monohidrogenofosfato
LiCl - cloreto de lítio
BaCl2 - cloreto de bário
AlCl3 - cloreto de alumínio
KCN - cianeto de potássio
NaC2H3O2 - acetato de sódio
CaBr2 - brometo de cálcio
KF - fluoreto de potássio
Mg(ClO3)2 - clorato de magnésio
NaClO - hipoclorito de sódio
Ba(ClO4)2 - perclorato de bário
KBrO3 - bromato de potássio
NaI - iodeto de sódio
K2CrO4 - cromato de potássio
K2Cr2O7 - dicromato de potássio

48
Unidade V

OXIDAÇÃO - REDUÇÃO

OXIDAÇÃO.
Significa perda de elétrons ou aumento do número de oxidação de um átomo
ou íon.

REDUÇÂO.
Ao contrário de oxidação, redução significa ganho de elétrons ou diminuição do
número de oxidação de um átomo ou íon.
O número de oxidação representa a carga real ou aparente de um átomo.
Os números de oxidação normalmente variam desde -4 até +7.

→ oxidação
0 +1 +2 +3 +4 +5 +6 +7

-4 -3 -2 -1

← redução

REAÇÃO DE OXI-REDUÇÃO
Uma reação é de oxi-redução quando ocorre uma variação no número de
oxidação dos elementos.
Por exemplo, a reação entre zinco metálico e sulfato de cobre, CuSo4, pode ser
expressa pela equação.

Zn0(s) + Cu+2 → Zn+2SO4-2 + Cu0(s)

Como se observa o zinco metálico, Zn0, sofreu variação no número de


oxidação, passou para +2 e, portanto, sofreu oxidação.

Oxidação: Zn0 - 2e- → Zn+2

49
Por outro lado, o íon Cu+2 sofreu redução passando para Cu0(s)

Redução: Cu+2 + 2e- → Cu0

Balanceamento de equações pelo método de oxi-redução.


Considere a reação representada pela equação abaixo.
Cr0(s) + Ni+2Cℓ2-1 → Cr+3Cℓ3-1 + Ni0(s)

De um modo geral, procede-se o balanceamento como a seguir.


1º ) Escreve-se as semi-reações de oxidação e redução.
2º) Ajusta-se os elétrons perdidos e ganhos.
3º) Soma-se as semi-reações para se obter a equação de oxi-redução.

Oxidação: Cr(s)0 - 3e- → Cr+3


Redução: Ni+2 + 2e- → Ni0(s)

Como o número de elétrons perdidos tem que ser igual ao número de elétrons
ganhos multiplica-se as semi-reação de oxidação por 2 e a de redução por 3 e
soma-se estas semi-reações para se achar a reação global.
2 Cr(s)0 - 6e- → 2 Cr+3
3 Ni+2 + 6e- → 3 Ni(s)0
____________________________________________________

2 Cr(s)0 + 3Ni+2 → 2 Cr+3 + 3Ni0

A partir destes dados procede-se balanceamento de equação global.


2 Cr(s)0 + 3 Ni+2Cℓ2 → 2 Cr+3Cℓ3-1 + 3 Ni(s)0

Vamos considerar a equação


P40 + HN+5O3 + H2O → H3P+5O4 + N+2O

Como se observa os elementos que variaram de número de oxidação foram o


fósforo (P) e o nitrogênio (N) .
As semi-reações de oxidação e redução são:
oxi: P40 - 20 e-1 → 4 P+5

50
red: N+5 + 3 e-1 → N+2

Ajustando-se o número de elétrons multiplicamos a semi-reação de oxidação


por 3 e a de redução por 20.
3 P40 - 60 e- → 12 P+5
20 N+5 + 60 e- → 20 N+2

Somando-se as semi-reações acima tem-se que:


3 P40 + 20 N+5 → 12 P+5 + 20 N+2

Como se observa os elementos que variaram de número de oxidação estão


balanceados.
Prosseguindo, a partir dos dados da oxi-redução balanceamos a equação
global.
3 P40 + 20 HNO3 + H2O → 12 H3PO4 + 20 NO

Em seguida, procede-se o balanceamento dos elementos que não variaram de


número de oxidação pelo método das tentativas.
3 P40 + 20 HNO3 + 8 H2O → 12 H3PO4 + 20 NO

Em alguns casos um elemento sofre uma auto oxidação-redução como no


exemplo abaixo.
Cℓ20 + Na OH → Na Cℓ+5O3 + NaCℓ-1 + H2O

Como verificamos, somente o cloro sofre variação no número de oxidação.


oxidação: Cℓ0 - 5 e- → Cℓ+5
redução: Cℓ0 + 1e- → Cℓ-1

Ajustando-se os elétrons
Cℓ0 - 5 e- → Cℓ+5
5 Cℓ0 + 5 e- → Cℓ-1

Somando-se as semi-equações acima, tem-se que:


6Cℓ0 → Cℓ+5 + 5 Cℓ-

51
Balanceando a equação global a partir dos dados acima, temos que:

3 Cℓ2 + 6 NaOH → NaCℓO3 + 5 NaCℓ + 3 H2O

Oxidação parcial e redução parcial


Em alguns casos um elemento sofre oxidação parcial e ou redução parcial.
Nestes , nem todos os átomos dos elementos sofrem oxidação e ou redução,
isto é, existem átomos destes elementos que não variam de nº de oxidação.
Os exemplos a seguir ilustram este tipo de oxi-redução.

Redução parcial
Cu0 + H+1N+5O3-2 → Cu+2(N+5O3-2)2 + N+2O-2 + H2O
Como observamos, nem todo o nitrogênio sofre redução.
oxidação: Cu0 - 2 e- → Cu+2
redução: N+5 + 3 e- → N+2

Ajustando-se os elétrons

3 Cu0 - 6 e- → 3 Cu+2
2 N+5 + 6 e- → 2 N+2
________________________________
3 Cu0 + 2 N+5 → 3 Cu+2 + 2 N+2
Balanceando os elementos que variaram de nº de oxidação, tem-se que:
3 Cu0 + 2 H+1N+5O3-2 → 3 Cu+2(N+5O3-2)2 + 2 N+2O-2 +
H2O
Observa-se que o nitrogênio balanceado é somente o que variou de nº de
oxidação.
Em seguida, procede-se ao balanceamento final pelo processo das tentativas.

3 Cu0 + 8 H+1N+5O3-2 → 3 Cu+2(N+5O3-2)2 + 2 N+2O-2 + 4


H2O

52
Oxidação parcial
K+1Mn+7O4-2 + H+1Cl-1 → K+1 Cl-1 + Mn+2Cl2-1 + H2O +
Cl20
Como observamos, nem todo o cloro sofre oxidação.

oxidação: 2 Cl-1- 2 e- → Cl20


redução: Mn+7 + 5 e- → Mn+2

Ajustando-se os elétrons

10 Cl-1 - 10 e- → 5 Cl20
2 Mn+7 + 10 e- → 2 Mn+2
____________________________________________
10 Cl-1 + 2 Mn+7 → 2 Mn+2 + 10 Cl20
Balanceando a equação global a partir da reação redoxi acima, podemos
escrever:

2 K+1Mn+7O4-2 + 16 H+1Cl-1 → 2 K+1 Cl-1 + 2 Mn+2Cl2-1 + 8 H2O +


5 Cl20

Exercício:
Faça o balanceamento pelo método de oxi-redução das equações abaixo:

1) CuO + NH3 N2 + H2O + Cu0

2) Sn + HNO3 SnO2 + NO2 + H2O

3) I2 + HNO3 HIO3 + NO2 + H2O

4) KI + H2SO4 K2SO4 + H2S + H2O +


I2

5) KBr + H2SO4 K2SO4 + Br2 + H2O +


SO2

53
6) KMnO4 + H2SO4 + H2C2O4 MnSO4 + K2SO4 + H2O +
CO2

7) HNO3 + H2S NO + H2O +


S0

8) KMnO4 + H2SO4 + FeSO4 K2SO4 + MnSO4 + Fe2(SO4)3 +


H2O

9) KMnO4 + H2SO4 + NaNO2 K2SO4 + MnSO4 + NaNO3 +


H2O

10) Bi2O3 + NaOH + NaOCl NaBiO3 + NaCl +


H2O

11) KMnO4 + H2SO4 + KI K2SO4 + MnSO4 + I20 +


H2O

12) As0 + NaOCl + H2O H3AsO4 +


NaCl

13) Hg + HNO3 Hg(NO3)2 + NO2 + H2O

14) KMnO4 + H2SO4 + H2O2 MnSO4 + K2SO4 + H2O +


O20

15) K2Cr2O7 + HCl KCl + CrCl3 + H2O + Cl20

54
Equilíbrio Químico
Nesta unidade estudaremos os sistemas químicos reversíveis.
Uma reação química é reversível quando ela se processa nos dois sentidos da
equação levando a um equilíbrio dinâmico. Existem dois tipos de equilíbrio
químico. Quando o equilíbrio apresenta todas as substâncias no mesmo estado
físico, denomina-se equilíbrio homogêneo e quando uma delas encontra-se
num estado físico diferente, é chamado de equilíbrio heterogêneo.
1- Equilíbrio Químico Homogêneo
Para exemplificar este caso, vamos considerar um sistema em que todas as
substâncias participantes se encontram no estado gasoso. Assim , podemos
considerar a reação química entre os gases A e B formando os produtos
também, gasosos C e D
A equação da reação pode ser expressa conforme descrita abaixo, em que a,
b, c e d são os coeficientes de balanceamento desta equação genérica.
1

aA + bB cC + dD
2

Inicialmente coloca-se um certo nº de mol de gás A e de gás B num reator .


Neste instante, os gases C e D ainda não existem. O processo avança e os
gases C e D começam a se formar e também a reagirem , regenerando os
reagentes iniciais A e B. O sistema evolui até ser estabelecido um equilíbrio
dinâmico em que a velocidade da reação direta é igual a velocidade da reação
inversa.

v1  v2

Admitindo-se que as velocidades das reações direta e inversa são funções das
concentrações das substâncias e podem ser expressas pelas equações 1 e 2

a b c d
v 1  k 1 A  .B  (1) v2  k2 C .D (2)
Então, igualando-se as equações 1e 2 temos que:

55
a b c d
k1A .B   k2C .D
Rearranjando,

k1 C  .D 
c d

k 2 Aa .B b
e, como a relação entre constantes, ,também é uma constante, tem-se que,

Kc 
C  .D 
c d

Aa .B b
em que,Kc , representa a constante de equilíbrio em função das concentrações
molares de reagentes e produtos. A partir do instante em que o sistema entra
em equilíbrio, as concentrações molares dos reagentes e produtos , numa
mesma temperatura não mais variam e coexistirão num equilíbrio dinâmico.
Para ilustrar o exposto acima, vamos considerar os equilíbrios químicos abaixo
e as suas expressões das constantes de equilíbrio ,Kc :

I) N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g)

2
NH 3
Kc  3
N2 .H2

II) N2O4(g) 2 NO2(g)

2
NO 2
Kc 
N 2O 4

III) CO(g) + Cl2(g) COCl2(g)

COCl 2
Kc 
CO . Cl 2

56
IV) 2 NO(g) + Br2(g) 2 NOBr(g)

2
NOBr
Kc  2
NO . Br2

Para os equilíbrios acima, I II, III e IV as constantes podem ,também, ser


expressas em função das pressões parciais dos gases que constituem o
equilíbrio.

2
PNH
1) Kp  3

PN .PH32
2

2
PNO
2)
Kp  2

PN 2O 4

2
PNH
Kp  3

3) PN .PH32
2

2
PNOBr
4) Kp 
PNO .PBr2

Relação entre Kc e Kp
Supondo-se o equilíbrio químico abaixo

a A(g) + b B(g) c C(g) + d D(g)

A partir do momento em que o equilíbrio é estabelecido, as concentrações


molares não mais variam como ,também, as pressões parciais dos gases.
Sabendo que a pressão parcial de um gás é a pressão exercida por esse gás

57
caso ele ocupasse sozinho todo o volume da mistura gasosa, podemos
escrever a equação da pressão parcial de gás :

PA = nART / V PC = nCRT / V

PB = nBRT / V PD = nDRT / V

E como, n / V = P / RT as equações acima podem ser escritas como a seguir

nA / V = PA / RT nC / V = PC / RT

nB / V = PB / RT nD / V = PD / RT

e, sabendo que n / V é a concentração molar, temos que:

| A | = PA / RT | C | = PC / RT

| B | = PB / RT | D | = PD / RT

Substituindo-se essas concentrações molares na equação da constante de


equilíbrio

Kc 
C  .D 
c d

Aa .Bb

P c /( RT ) c .P d /( RT ) d
Kc  a
P ( RT ) a .P b /( RT ) b

P c .P d /( RT ) c  d
Portanto, Kc 
P a .P b /( RT ) a b

58
PCc .PDd
K c  a b .( RT ) ( a  b ) ( c  d )
PA .PB
mas como, n  (c  d )  (a  b) e

PCc .PDd
Kp  a b
PA .PB

vem que:

Kc K p.(RT)n ou Kp Kc.(RT)n

Assim em relação aos equilíbrios químicos anteriores,I, II, III e IV, podemos
estabelecer as seguintes relações entre Kc e Kp

I - n  (c  d )  (a  b) n  (2)  (1  3)  2

Kp Kc.(RT)n Kp Kc.(RT)2

II- n  (c  d )  (a  b) n  (2)  (1)  1

Kp Kc.(RT)n Kp Kc.(RT)1

III - n  (c  d )  (a  b) n  (1)  (2)  1

Kp Kc.(RT)n Kp Kc.(RT)1

IV - n  (c  d )  (a  b) n  (1  2)  (2)  1

59
Kp Kc.(RT)n Kp Kc.(RT)

Obs: Kc e Kp são admensionais

Determinação da constante de equilíbrio em função das


concentrações molares em equilíbrio.

Exemplo 1
Num recipiente colocou-se uma certa quantidade de PCl5 a uma determinada
temperatura. Ao ser atingido o equilíbrio, PCl5(g) PCl3(g) + Cl2(g)
constatou-se as seguintes concentrações das espécies gasosas encontradas.
| PCl5| = o, 348 mol.L-1
| PCl3| = o, 250 mol.L-1
| Cl2 | = o, 250 mol.L-1
Calcular Kc
Kc = 0, 250 X 0,250 / 0,348
Kc = 1,80 X 10-1

Exemplo 2
Determinar, Kc, para o equilíbrio numa dada temperatura

2 SO2(g) + O2(g) 2 SO3(g)


Sabendo que nesta temperatura das substâncias em equilíbrio são:
-1
| SO2| = 0,02 mol.L
-1
| O2| = 0,02 mol.L
-1
| SO3| = 0,30 mol.L
Kc = (0,30)2 / (0,0 2)2 X 0,02
Kc = 1,13X 104

60
Determinação da constante de equilíbrio em função das
pressões parciais em equilíbrio.
Exemplo 1
O iodeto de hidrogênio gasoso é colocado num recipiente fechado a 425ºC,
onde se decompõe parcialmente em hidrogênio e iodo:
2 HI(g) H2(g) + I2(g)
No equilíbrio encontra-se que PHI = 0202 atm, PH2 = 0,0274 atm e PI2 = 0,0274
atm. Calcular o valor de Kp e Kc para essa temperatura.

Kp = PH2 X PI2 / (PHI)2

Kp = 0,0274 X 0,0274 / (0,202)2

Kp =2,02 X 10-1

n  (2)  (1  1)  0

Kp = Kc = 2,02 X 10-1

Exemplo 2
A 500 K o seguinte equilíbrio é estabelecido:
2 NO(G) + Cl2(g) 2 NOCl(g)
Uma mistura em equilíbrio dos três gases tem pressões parciais de 0,095 atm,
0,171 atm e 0,28 atm para o NO(G), Cl2(g) e NOCl(g), respectivamente. Calcular
Kp e Kc
Kp = (PNOCl)2 / (PNO)2 X PCl2
Kp = (0,28)2 / (0,095)2 X 0,171
Kp = 5,08 X 10
n  (2)  (2  1)  1

Kc K p.(RT)n
Kc = 50,8 (0,082 X 500)-(-1)
Kc = 2,08 X 103

61
Determinação das concentrações e das pressões parciais em
equilíbrio a partir da constante de equilíbrio.

Exemplo 1
A 100 ºC, Kp = 2,39 para a seguinte reação:
SO2Cl2(g) SO2(g) + Cl2(g)
Em u ma mistura em equilíbrio dos três gases as pressões parciais de SO2Cl2(g)
e SO2(g) são 3,31 atm e 1,59 atm, respectivamente. Qual é a pressão parcial de
Cl2 na mistura em equilíbrio?
PSO2Cl2 = 3,31 atm PSO2 = 1,59 atm
Kp = PSO2 X PCl2 / PSO2Cl2
PCl2 = PSO2Cl2 X Kp / PSO2
PCl2 = 3,31 X 2,39 / 1,59
PCl2 = 4,98 atm

Exemplo 2
A 2000 ºC a constante de equilíbrio para a reação
2 NO(g) N2(g) + O2(g) é Kp = 2,4 X 103
Introduz-se uma determinada quantidade de NO num reator e após ser
estabelecido o equilíbrio, a pressão parcial deste gás é 10 atm. Quais são as
pressões parciais de N2 e O2 ?
A pressão parcial do N2 é igual a do O2 PN2 = PO2
2
Kp = PN2 X PO2 / (PNO)
2,4 X 103 = (PN2)2 / 102
PN2 = 2,4 X 103 X 102
PN2 = 4,90 X 102 atm
Exemplo 3
A 25 ºC, Kp = 7,04 X 10-2 para a reação
2 NO2(g) N2O4(g)
No equilíbrio, a pressão parcial do NO2 num recipiente é de 15 kPa. Qual a
pressão parcial do N2O4 na mistura?

62
PN 2O 4
Kp  2
PNO 2

PNO2 = 15 kPa
7,04 X 10-2 = PN2O4 / (15)2
PN2O4 = 7,04 X 10-2 X (15)2 = 15,8 kPa

Exemplo 4
A 500 ºC, a constante de equilíbrio, Kc , para a reação de produção de amônia,
N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g)
é igual a 6,0 X 10-2. Se, em um reator a esta temperatura, há 0,250 mol.L-1 de
H2 e 0,050 mol.L-1 de NH3 presentes no equilíbrio, qual é a concentração de
N2?
Kc = 6,0 X 10-2

Kc = [NH3]2 / [H2]3 X [N2]

6,0 X 10-2 = (0,050)2 / (0,250)3 X [N2]

[N2] = 2,670 mol.L-1

Exemplo 5
A 460 ºC, a reação
SO2(g) + NO2(g) SO3(g) + NO(g)
possui Kc = 85,0 . Se,1 mol de SO2 e 1 mol de NO2 forem introduzidos num
reator de capacidade igual a 1,0 litro nesta temperatura, quais as
concentrações em mol.L-1 de todos os gases quando o equilíbrio for atingido?
Neste tipo de exercício, podemos construir uma tabela, que servirá como
modelo na resolução de problemas semelhantes.
SO2(g) + NO2(g) SO3(g) + NO(g)

Inicial 1 1 - -
Variação x x x x
Equilíbrio 1-x 1-x x x

63
A primeira linha da tabela corresponde ás concentrações iniciais. No início, não
existem produtos.
A segunda linha corresponde às quantidades que reagiram e se formaram até
o equilíbrio ser estabelecido. Observe, sempre, a estequiometria da reação
A terceira linha corresponde às concentrações em equilíbrio.
A expressão da constante de equilíbrio é:
Kc = [SO3] . [NO] / [SO2] . [NO2]
Kc = x . x / (1-x) . (1-x)
Kc = x2 / (1-x)2
85,0 = x2 / (1-x)2
Poderíamos resolver essa equação quadrática em x, mas, neste caso, é mais
indicada a resolução, extraindo-se as raízes quadradas nos dois membros da
equação, o que nos conduz a equação
9,22 = x / (1-x)
Resolvendo essa equação para x , obtém-se x= 0,902 e, portanto, 1-x= 0,098
Assim ,no equilíbrio, as concentrações são:
[SO2] = [NO2] = 0,098 mol.L-1
[SO3] = [NO] = 0,902 mol.L-1

Exemplo 6
Para o equilíbrio, Br2(g) + Cl2(g) 2 BrCl(g)
a 400 K, Kc = 7,0 . Se 0,30 mol de Br2 e 0,30 mol de Cl2 são introduzidos em
um recipiente de 1,0 L a 400K, qual será a pressão parcial de BrCl no
equilíbrio?
Este problema pode ser resolvido da mesma forma que o anterior e
determinando-se, por fim, a pressão parcial de BrCl no equilíbrio.
As concentrações no início de Br2 e de Cl2, são:
[Br2] = 0,30 mol.L-1
[cl2] = 0,30 mol.L-1
A concentração inicial do BrCl é zero

64
Br2(g) + Cl2(g) 2 BrCl(g)

Inicial 0,30 0,30 -


Variação x x 2x
Equilíbrio 0,30-x 0,30-x 2x

Kc = [BrCl]2] / [Br2] . [Cl2]


Kc = (2x)2 / (0,30-x) . (0,30-x)
Kc = 4x2 / (0,30-x)2
7,0 = 4x2 / (0,30-x)2
Extraindo-se as raízes quadradas nos dois membros da equação, obtém-se
2,65 = 2x / (0,30-x)
Resolvendo essa equação para x , obtém-se x= 0,171
Assim ,no equilíbrio, as concentrações são:
[Br2] = [Cl2] = 0,30-x = 0,30 - 0,171 = 0,129 mol.L-1
[BrCl] = 2x = 2 X 0,171 = 0,342 mol.L-1
A pressão parcial de BrCl no equilíbrio é obtida pela equação
PBrCl = nBrCl .RT / V ou PBrCl = nBrCl / V .( RT )
Mas, como nBrCl / V = [BrCl]
PBrCl = [BrCl]. RT
PBrCl = 0,342 X 0,082 X 400 = 11,22 atm

Exemplo 7
Para o equilíbrio, COCl2(g) CO(g) + Cl2(g)
a 395 ºC, Kp =5,0 . Se COCl2 for introduzido em um recipiente com uma
pressão de 2 kPa nesta temperatura, quais serão as pressões parciais dos
gases no equilíbrio?
Este problema pode ser resolvido da mesma forma que o anterior e
determinando-se, por fim, a pressões parciais no equilíbrio.
A pressão parcial inicial de COCl2 = 2 kPa
As pressões parciais de CO(g) e Cl2(g) no início são iguais a zero

65
COCl2(g) CO(g) + Cl2(g)

Inicial 2 - -
Variação x x x
Equilíbrio 2-x x x

Kp = PCo . PCl2 / PCOCl2


Kp = x. x / 2-x
Kp = x2 / 2-x
5 = x2 / 2-x ou x2 + 5x - 10 = 0
Resolvendo essa equação quadrática para x , obtém-se x’= 1,53 e x” = - 6,53
O valor - 6,53 não serve , portanto x= 1,53
Assim ,no equilíbrio, as pressões parciais são:
PCo = PCl2 = x = 1,53 kPa
PCOCl2 = 2-x = 2 – 1,53 = 0,47 kPa

Determinação da constante de equilíbrio em função das


pressões parciais ou das concentrações.

Exemplo 1
1 mol de H2(g) e 1 mol de CO2(g) são colocados num reator de capacidade igual
a 1 litro numa determinada temperatura e deixados reagir. Ao ser atingido o
equilíbrio constatou-se a presença de 0,4 mol de CO(g). Determinar Kc para o
equilíbrio.
H2(g) + CO2(g) CO(g) + H2O(g)
As concentrações iniciais H2(g) e CO2(g) são iguais a 1 mol.L-1 e a concentração
final de CO(g) é igual a 0,4 molL-1. Portanto, para resolver este problema, o
preenchimento do quadro abaixo, facilita a resolução.
H2(g) + CO2(g) CO(g) + H2O(g)

Inicial 1 mol.L-1 1 mol.L-1 _ _


Variação 0,4 molL-1 0,4 molL-1 0,4 molL-1 0,4 molL-1
Equilíbrio 0,6 molL-1 0,6 molL-1 0,4 molL-1 0,4 molL-1

Como Kc = [CO] . [H2O] / [H2] . [CO2] tem - se que:

66
Kc = 0,4] . 0,4 / 0,6 . 0,6
Kc = 0,44

Exemplo 2
4 mol de PCl5 foram introduzidos num reator de capacidade igual a 5 litros e
aquecidos a uma determinada temperatura. Ao ser atingido o equilíbrio,
constatou-se que o PCl5 se encontrava 40 % dissociado em PCl3(g) e Cl2(g).
Calcular Kc .
A concentração inicial do PCl5 é igual a 4/5 mol.L-1 ou seja, 0,8 mol.L-1
Sabendo que 40 % do PCl5 se dissociou, a concentração de PCl5 dissociada é
0,4 x 0,8 mol.L-1 que é igual a 0,32 mol.L-1
Novamente , o preenchimento do quadro facilita a resolução.
PCl5(g) PCl3(g) + Cl2(g)

Inicial 0,8 mol.L-1 - -


Variação 0,32 mol.L-1 0,32 mol.L-1 0,32 mol.L-1
Equilíbrio 0,48 mol.L-1 0,32 mol.L-1 0,32 mol.L-1

A expressão da constante de equilíbrio é:


Kc = [PCl3] . [Cl2] / [PCl5]
Kc = 0,32 X 0,32 / 0,48
Kc = 0,21

Exemplo 3
Numa determinada temperatura o HI gasoso se encontra 20% dissociado em
H2 e I2. Determinar Kc para o equilíbrio.
Para este tipo de equilíbrio, mesmo não sendo dadas as concentrações iniciais
ou finais, Kc, pode ser determinado conforme mostraremos a seguir:
A concentração inicial de HI pode ser considerada igual a x, e portanto, a
parcela dissociada é 20% de x, ou seja 0,2x.
Num equilíbrio em que o nº de mol de reagentes é igual ao nº de mol de
produtos, como neste exemplo, em que para cada 2 mol de HI formam-se 2
mol de produtos ( 1 mol de H2 e 1 mol de I2 ), Kc, não dependerá das
concentrações iniciais ou finais

67
2 HI(g) H2(g) + I2(g)

Inicial x - -
Variação 0,2 x 0,1 x 0,1 x
Equilíbrio 0,8 x 0,1 x 0,1 x

Como Kc = [H2] . [I2] / [HI]2 tem - se que:


Kc = 0,1 x . 0,1 x / (0,8 x)2
Cancelando x na equação
Kc = 0,1 . 0,1 / 0,8 2
Kc = 1 / 64 = 0,0156

Deslocamento de Equilíbrio - Princípio de Le Chatelier


“Quando se exerce uma ação sobre um sistema em equilíbrio, o equilíbrio
se desloca no sentido de neutralizar esta ação e restabelecer o equilíbrio”
Fatores que afetam o equilíbrio
1º) Concentração
Quando se aumenta a concentração de uma substância presente num
equilíbrio químico, o equilíbrio se desloca no sentido da reação que diminui a
concentração desta substância. De maneira similar, a diminuição da
concentração de uma substância presente num equilíbrio químico, deslocará o
equilíbrio no sentido da reação que aumenta a concentração da substância.
Para o equilíbrio abaixo,
H2(g) + CO2(g) CO(g) + H2O(g) ,
o aumento na concentração de H2, deslocará o equilíbrio para a direita e a
diminuição da concentração de H2, deslocará o equilíbrio para a esquerda

2º) Temperatura
Quando se aumenta a temperatura de um sistema em equilíbrio, o equilíbrio se
desloca no sentido da reação endotérmica, ou seja, que absorve calor.
O exemplo abaixo ilustra este fator.
N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g) + 92,0 kJ
A reação direta é exotérmica e a inversa é endotérrmica.

68
Se aumentarmos a temperatura, o equilíbrio se desloca para a esquerda, no
sentido da reação endotérmica.

3º) Pressão
Quando se aumenta a pressão total de um equilíbrio químico, o equilíbrio se
desloca no sentido da reação que se processa com diminuição do n° de mol.
Para o equilíbrio abaixo,
N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g),
se aumentarmos a pressão total o equilíbrio se desloca no sentido direto ou
seja, no sentido da reação direta( diminuição do nº de mol ).
A produção de NH3 por este processo deve ocorrer em pressões elevadas.
Em relações as pressões parciais, o aumento ou diminuição causará um
deslocamento igual ao provocado pela variação da concentração.

69
ELETROQUÍMICA

1- Determine a diferença de potencial das pilhas abaixo, indicando as semi-reações de


oxidação, redução e a reação global.
a) Mg(s)º / Mg+2 0,2 M // Pb(s)º / Pb+2 0,5 M
b) Ni(s)º / Ni+2 0,08 M // Cd(s)º / Cd+2 0,1 M
c) Sn(s)º / Sn+2 0,1 M // Hg(l)º / Hg+2 2 M
d) Al(s)º / Al+3 0,05 M // Fe(s)º / Fe+2 0,1 M

2- Calcular o Eº de cada reação seguinte, identificando as que forem favoráveis aos


produtos, no sentido que estão escritas.
a) 2I-1 + Zn+2 I2º + Znº
-1
b) 2Cl + Cu+2 Cl2 + Cuº
+2
c) Br2º + Mgº Mg + 2Br-1

3- Determine a ddp das pilhas de concentração abaixo, indicando em que meias células
ocorrem oxidação e redução.
a) Cr(s)º / Cr+3 0,001 M // Cr(s)º / Cr+3 0,1M
b) Mn(s)º / Mn+2 0,005 M // Mn(s)º / Mn+2 0,5 M

3- Calcular o potencial de redução para as semi-reações abaixo, a partir dos potenciais


padrão:
a) Zn+2 0,1 M + 2e- Znº Eº= - 0,76 V
b) Hg+2 0,1 M + 2e Hg(l)º Eº= + 0,85 V
c) Cl2(g)º + 2e- 2Cl-1 0,001 M Eº= + 1,36 V
d) Cl2(g)º + 2e- 2Cl-1 5 M Eº= + 1,36 V
- -1
e) F2(g)º + 2e 2F 0,1 M Eº= + 2,87 V

4- Calcular a constante de equilíbrio, K, para as pilhas abaixo, e quais as concentrações


molares dos íons no equilíbrio:
a) Zn(s)º / Zn+2 1 M // Ag(s)º / Ag+1 1 M
b) Cr(s)º / Cr+3 1 M // Ni(s)º / Ni+2 1 M
+2
c) Pb(s)º / Pb 1 M // Cu(s)º / Cu+2 1M
d) Fe(s)º / Fe 0,01 M // Ni(s)º / Ni+2 0,08 M
+2

e) Mn(s)º / Mn+2 0,01 M // Pb(s)º / Pb+2 0,5 M


f) Fe(s)º / Fe+2 0,5 M // Cd(s)º / Cd+2 0,1 M

5- Sabendo que o potencial padrão da prata é + 0,799 V, determinar o potencial de


redução quando o íon Ag+1 apresentar concentrações iguais a 2 mol/l e 0,001 mol/L.

7- Qual seria o potencial de redução do íon H+ numa solução de pH = 3 ?


2 H+ + 2e- H2(g)1atm

8- Determinar a concentração molar de ions H+ para que a diferença de potencial da


pilha representada pela equação Znº + 2 H+- Zn+2 0,01 M +
H2(g)1atm , seja igual + 0,58 V.

9- Uma reação de célula voltaica tem uma força eletromotriz padrão de 0,17 V. A
constante de equilíbrio para a reação da célula é 5,5 X 105. Qual o valor de n para a
reação da célula?

70
10- Considere a célula voltaica que utiliza a seguinte reação, Fe(s)º + Cu+2
Fe+2 + Cu(s)º em condições padrão:
a) qual a força eletromotriz da célula?
b) quando se dilui 10 vezes a solução do catodo, qual a força eletromotriz da célula?

11- Uma tensão de 1,09 V a 25ºC foi obtida para a seguinte célula: Sn(s)º / Sn+2 //
Ag+1 0,5 M / Ag(s)º .
Qual a concentração molar Sn+2 nesta célula?
Tabela de potenciais

Na°(s) - 1e- Na+1 Eºoxi = + 2,73

Mg(s)0 - 2e- Mg+2 Eºoxi = + 2,36

Al°(s) - 3e- Al+3 Eºoxi = + 1,67 V

Mn°(s) - 2e- Mn+2 Eºoxi = + 1,18

Zn°(s) - 2e- Zn+2 Eºoxi = + 0,76 V

Cr°(s) - 3e- Cr+3 Eºoxi = + 0,74

Fe°(s) - 2e- Fe+2 Eºoxi = + 0,44 V

Cd°(s) - 2e- Cd+2 Eºoxi = + 0,40 V

Co°(s) - 2e- Co+2 Eºoxi = + 0,28 V

Ni0(s) - 2e Ni+ 2 Eºoxi = + 0,25

Sn0(s) - 2e Sn+ 2 Eºoxi = + 0,13 V

Pb0(s) - 2e Pb+ 2 Eºoxi = + 0,12 V

H20(g) - 2e 2 H+ 1 Eºoxi = 0

Cu0(s) - 2e Cu+ 2 Eºoxi = - 0,34 V

71
2 I-1 - 2e- I20 Eºoxi = - 0,54

Ag°(s) - 1e- Ag+1 Eºoxi = - 0,79

2Br-1 - 2e Br2(l)0- Eºoxi = - 1,07

2Cl-1 - 2e- Cl2(g)0 Eºoxi = - 1,36

H2O - 2e- 2 H+1 + 1/2 O2 Eºoxi = - 1,23

72