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DIREÇÃO ACADÊMICA

CURSO DE FILOSOFIA

PROJETO DE PESQUISA
TÍTULO:

Os três estágios da existência do ser humano em Kierkegaard.


ÁREA DE CONHECIMENTO SUB-ÁREA DE CONHECIMENTO

7.00.00.00- 0 Ciências Humanas 7.01.00.00- 4 Filosofia


ACADÊMICO: ORIENTADOR:

Eduardo Mathias Vogel Prof. Ms. Luiz Carlos Berri


RESUMO:

A pesquisa a seguir terá como objetivo principal conceitualizar e relacionar a vida de


Kierkegaard com os três estágios da existência do ser humano segundo o filósofo.
Sören Kierkegaard coloca como primeiro estádio o estético, ao qual é posto como
exemplo o Don Juan, um indivíduo que vive só em busca do prazer momentâneo, sem
preocupar-se com o amanhã. O segundo estádio é o ético, a esse é exemplo o
trabalhador e pai de família, nesse estádio o ser humano vive pela luta da
sobrevivência, já possui seus afazeres e compromissos. Já o terceiro e último estádio é
o religioso, para falar desse estágio Kierkegaard utiliza como exemplo o episódio bíblico
de Isaac, que está em Gênesis, capítulo 22. O estádio religioso não é nada mais nem
menos, que a pura vivência da Fé, da qual se pode dizer que vivê-la é um risco
constante, por ser um salto sem certeza alguma. A pesquisa será desenvolvida de
forma bibliográfica baseada em Kierkegaard. Para uma melhor elaboração da pesquisa,
serão elaborados breves fichamentos das obras lidas. As obras utilizadas ao decorrer
da pesquisa serão apanhadas na biblioteca Jackson Figueiredo.
PALAVRAS - CHAVE:

1: Estético 2: Ético 3: Religioso 4:Kierkegaard


2

INTRODUÇÃO

Muito se fala dos três estágios da existência do ser humano em Kierkegaard.


No entanto, para Kierkegaard o que são os estágios e quais são eles, e ainda, qual é a
relação dos mesmos com a vida de Kierkegaard?
Nessa pesquisa bibliográfica tentar-se-á conceitualizar e relacionar a vida de
Kierkegaard com os três estádios da existência do ser humano e isso será conforme
classificação do mesmo, de forma sucinta, objetiva e clara para uma melhor
compreensão.
Para que se possa relacionar o três estágios com a vida de Kierkegaard, serão
conceitualizados os três estádios da existência do ser humano segundo o autor, que
são: estético, ético e religioso.
Para Kierkegaard, o estádio estético é só divertimento, o ético é luta pela
sobrevivência e o religioso é sofrimento causado pelos riscos. É a partir dessa
fundamentação que será feita a conceitualização e relação da vida de Kierkegaard com
os seus três estágios da existência humana.

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Conceitualizar e relacionar os três estádios da existência do ser humano em


Kierkegaard,e por fim,explicar como ocorre a passagem de um estádio para outro em
sua própria existência.
3

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

• Conceituar os três estádios da existência humana;


• Relacionar os três estádios da existência humana com a vida de Kierkegaard;
• Explicar como ocorre a passagem de um estádio para o outro;

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:

Em leituras e análises de obras pode-se perceber que a vida e as obras de


Kierkegaard são inseparáveis. A seguir pode-se observar esse aspecto.
Sendo sétimo filho de Michael Persen Kierkegaard, Sören Kierkegaard veio ao
mundo no dia 5 de maio de 1813. Michael, seu pai, era comerciante de roupas intimas.
O pai de Kierkegaard foi libertado da servidão durante sua juventude, tornou-se
relativamente rico após herdar uma boa fortuna de seu tio que veio a falecer.1

A mãe de Kierkegaard, com quem o pai se casara após a morte


prematura de sua primeira mulher, fora empregada dela e era
analfabeta, perecendo ter desempenha papel menor na criação do filho.
O pai ao contrario foi uma influencia dominante.2

O pai do pensador era um grande autodidata e muito inteligente para negócios.


Por ser um membro muito devoto da Igreja Luterana era também dotado de firme
crença no dever e na autodisciplina. Sören até chegou a afirmar que foi lhe exigido,
enquanto era criança, obediência absoluta.3

1
Cf. GARDINER, Patrick. Kierkegaard. Tradução: Antonio Carlos Vilela. São Paulo: Loyola, 2001.
p. 11.
2
GARDINER, 2001, p. 11.
3
Cf. GARDINER, Loc. Cit.
4

No entanto o que lhe causou enorme impressão foi a enorme atmosfera de


tristeza e a grande culpa religiosa que provinha do pai, como pode-se perceber nos
escritos de um comentador.

Assim, numa anotação retrospectiva em seus diários, Kierkegaard fala


de “um ambiente sombrio, que desde o principio foi parte de minha vida”,
lembrando-se do “terror com que meu pai preenchia minha alma”; sua
própria melancolia assustadora e tudo o mais relacionado a isso que não
chega a escrever.4

Além de tudo sentia-se muito impressionado com a inteligência e capacidade


argumentativa que seu pai possuía.
Colegas de infância de Kierkegaard descreveram a vida que levava em casa
como sendo extremamente rigorosa. No entanto, sua vida na escola particular não lhe
servia de alívio, pois, com um físico fraco e desajeitado. Tendo consciência disso, não
praticava esportes e era vítima natura dos valentões.
Por outro lado, com um intelecto superior a dos seus colegas, rapidamente
conseguia identificar os pontos fracos e com uma ‘língua afiada’ e certeira era “capaz
de reduzir os colegas da classe às lagrimas”5. Agindo dessa forma conseguiu facilmente
colocar barreiras entre ele e os demais colegas.

Esse retrato pintado por seus contemporâneos de escola pode não ser
muito atraente, mas já sugeria a independência de pensamento e o
talento para a ironia que estariam entre suas maçantes características
de adulto.6

No ano de 1830, já com 17 anos, Sören Kierkegaard matricula-se na


Universidade de Copenhague. Sendo que passou com distinção em todos os exames, e
com isso começou a estudar para se formar em teologia.7

4
GARDINER, loc. Cit.
5
Ibid., p. 12.
6
GARDINER, Loc. Cit.
7
Cf. GARDINER, Loc. Cit.
5

Durante sua vida de estudante Kierkegaard gastava grandes quantias com


roupas e bebidas. Com uma participação freqüente em festas, parecia que se divertia
durante sua carreira de estudante. No entanto, quanto ao seu comportamento, se
definia como falso com a afirmação: “com um rosto eu rio e com o outro choro”.8
Foi só com a morte de seu pai no ano de 1838 que Sören Kierkegaard passou a
viver sua vida com seriedade e dedicar-se inteiramente ao estudo. Formou-se em
teologia em 1840 e ainda no mesmo ano firma noivado e inicia o mestrado.9
Apesar de teólogo, escreve sobre vários temas, sendo que aquele de maior
destaque, a fala sobre os três estágios da existência humana.
Em relação à existência do ser humano, o filósofo afirma que é algo incompleto,
sempre em mutação e com limitação, é o vir a ser, e é isso que realmente caracteriza a
existência humana. É por esse fato que só o ser humano existe. Sören Kierkegaard
coloca diante de nós uma grande diferença entre existir e ser.
Deus não existe para Sören, pois, Ele é. Já o ser humano existe, faz parte do
existir e sendo que é, faz parte do Ser. Se o ser humano existe, ele está
constantemente em busca do eu, já Deus sendo parte do Ser é perfeito.
É na interioridade que o ser humano busca o seu eu, mais particularmente na
Fé. A Fé que faz o ser humano existir, pois, é ela que faz o ser humano se aproximar
do Ser, aproximar-se de uma plenitude de ser um deus.
Para Sören o ser humano sempre está se fazendo, pois, é incompleto. Neste
fazimento tem-se fazes, estádios do devir humano. Em um comentário sobre o
pensador Farago afirma:

Enquanto a reminiscência platônica fundava o autoconhecimento e o


conhecimento de todas as coisas segundo a essência, privilegiando
sempre o passado anterior, o cristianismo favorece o futuro, a abertura
ao incógnito que é a Fé. Compreende-se então por que, enquanto se
mantém o mais perto possível da experiência, o pensamento concreto
da existência não pode limitar-se todavia ao empírico. Tem o dever de
resgatar em cada experiência a cifra ontológica pela qual se acha íntima
e negativamente marcado como em seu núcleo, na expectativa e na

8
Ibid., p. 13.
9
Cf. Ibid., p. 14
6

esperança de si mesmo. É o que faz a distinção das esferas ou dos


estádios no caminho da vida.10

Os estádios existenciais de Kierkegaard são: o estádio estético, ético e


religioso. O estádio estético pode ser comparado com um momento da vida de
Kierkegaard. Essa fase passa-se antes no noivado, quando havia se rompido com o
pai.

[...] Kierkegaard se deixou entorpecer pela embriagues lúdica da vida


estética, sujeito as sensações, fascinado pelo exagero, pela inversão
das categorias paternas. Se falou desses como do “caminho da
perdição”, julgou mais tarde esse período de sua vida com maior
indulgência dizendo que “o vinho deve fermentar antes de clarear.”11

Para este estádio, o estético, pode-se claramente dar como exemplo o Don
Juan, que não passa de uma pessoa sem personalidade, que vive somente o
momentâneo, sem tarefas, sem preocupações. Vive sempre em busca de um prazer
momentâneo.
Não se satisfazendo com essa forma de vida passa a buscar responsabilidades,
afazeres etc. Essa forma de vida é o estádio ético, que possui como característica um
espírito de seriedade. “Superior ao estádio estético, salva-lhe os valores positivos que o
esteta não era capaz de honrar na harmonia e na duração, integrando-os numa vida
equilibrada”.12
No estádio ético o homem faz uma síntese entre o ético, tirando o que era
dispersão, ocaso e inconstância.

A moral que assegura uma sabedoria feita de bom senso e de medida é


o bastante, afirma-se, para a solução dos problemas ordinários da vida,
para o “geral”. Mas comporta igualmente o perigo de fazer o homem
esquecer que ele é e deve ser um individuo singular, submetido a
deveres e revestido de uma responsabilidade própria e inalienável. A

10
FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Tradução de Ephraim F. Alves. Rio de Janeiro:
Vozes, 2006. p. 119.
11
FARAGO, 2006, p. 121.
12
Ibid., p. 124.
7

ética, por ser a lei do geral, favorece a tendência que habita em cada um
e se perde na turba, ameaça perder tudo, inclusive a sua moral.13

Nesse estádio, é posto como exemplo, o pai de família e trabalhador, pois, esse
já possui seus afazeres e suas responsabilidades. Não se satisfazendo mais com essa
forma de vida passa para o estádio religioso.
O estádio religioso para Kierkegaard é a pura vivência da Fé. O autor diz que o
primeiro estádio é só divertimento, o segundo é luta pela sobrevivência e o terceiro é
sofrimento por haver muitos riscos, mas que tipos de riscos?
A vivência da Fé é um risco por ser um salto sem certeza alguma, isso se
perceber no trecho a seguir. “Não há quem se detenha na Fé, hoje em dia – vai-se mais
distante. Passarei, certamente, por estúpido se eu fôr perguntar para onde êsse
caminho se vai”.14
Para falar do estádio religioso na obra “Temor e Tremor”, Kierkegaard utiliza o
episodio bíblico do sacrifício de Isaac, em Gênisis 22.
A vivência religiosa dá a consciência a cada individuo de sua subjetividade,
interioridade e a singularidade. Então, é na Fé, que o ser humano se descobre como
ser humano.

A Fé é a mais elevada paixão de qualquer homem. Talvez exista muitos


homens de cada geração que não a atinjam, porém nenhuma vai mais
além dela. Se se acham ou não muitos homens de nosso tempo que não
a encontram, não posso resolver isso, pois sòmente me é permitida, a
referência a mim mesmo, e não devo esconder que me resta ainda
muito por fazer, sem por êsse motivo trair-me, ou trair a grandeza,
reduzindo isto a um problema sem importância, a uma doença infantil,
da qual se espera estar curado o mais rápido possível. Contudo, ainda
aquêle que não chega até a Fé, a vida implica em suficientes encargos,
e os aborda com sincero amor, a sua existência não será em vão, ainda
que não possa ser comparada à existência daqueles que alcançaram e
compreenderam o mais elevado. Contudo, aquêle que chegou até a Fé,
e não importa nada que possua dons imanentes ou que seja uma alma
comum, êsse não pára na Fé; ficaríamos até indignados se o
disséssemos, da mesma maneira que um amante se indignaria a
escutar dizer que se detém no amor: não detenho-me, retrucaria, pelo

13
Ibid., p. 125.
14
KIERKEGAARD, Soren. Temor e Tremor. Tradução Torrieri Guimarães. São Paulo: livraria
Exposição do Livro, 1964. p. 2.
8

fato de que tôda a minha vida se acha jogada aí. Não vai, entretanto,
mais além, não passa a outra fase, porque assim que o descobre outra
relação o solicita.15

METODOLOGIA:

A pesquisa será de cunho bibliográfico, a partir de uma análise dedutiva das


obras lidas. As obras que serão utilizadas para o andar dessa pesquisa serão
apanhadas na biblioteca Jackson Figueiredo, que pertence a Faculdade São Luiz.
Tal pesquisa bibliográfica será realizada segundo os pensamentos de um único
filósofo. Para que ocorra um melhor entendimento do conteúdo e também para uma
melhor elaboração futura de uma monografia. Será elaborado durante a leitura das
obras breves fichamentos. Tendo como orientador ao decorrer da pesquisa bibliográfica
o professor e Mestre Pe. Luiz Carlos Berri.

CRONOGRAMA

Out Mar Jun Julh Out Nov


Etapas da pesquisa 201 201 201 201 201 201
0 1 1 1 1 1
Revisão da Literatura X X
Coleta dos dados X X X X
Análise dos dados X X X
Conclusão X X
Formatação final do trabalho X
Entrega da monografia X
Banca de defesa X

ORÇAMENTO

15
KIERKEGAARD, 1964, p. 114-115.
9

Material de Consumo Quantidade Preço Unitário TOTAL


Papel A4 (resma) 834 0.10 83.40
Cartucho de Impressora 1 50.00 50.00
Crachá 3 5.00 15.00
TOTAL 148.40

Material Permanente Quantidade Preço Unitário TOTAL


Livros 6 30.00 180.00
TOTAL 180.00

Outros serviços e encargos Quantidade Preço Unitário TOTAL


Transportes (litros/combustível) 90 2.38 214.20
Fotocópia Monocromática 900 0.15 135.00
Fotocópia Colorida 200 0.50 100
TOTAL 449.20

Material de Consumo 148.40


Material Permanente 180.00
Outros serviços e encargos 449.20
TOTAL GERAL 777.60

REFERÊNCIAS:

FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Tradução de Ephraim F. Alves.


Rio de Janeiro: Vozes, 2006.

GARDINER, Patrick. Kierkegaard. Tradução Antonio Carlos Vilela. São Paulo:


Loyola, 2001.

KIERKEGAARD, Soren. Temor e Tremor. Tradução Torrieri Guimarães. São


Paulo: livraria Exposição do Livro, 1964.