Fenômenos de Transporte

Prof a. Mara Nilza Estanislau Reis 1º semestre 2008

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Disciplina: Fenômenos de Transporte Cursos: Prof a.: Engenharia de Controle e Automação Engenharia Elétrica Mara Nilza Estanislau Reis 1º semestre 2008

Objetivos:
Aprender os princípios básicos da Mecânica dos Fluidos e da Transferência de Calor; Analisar as distribuições de pressão em fluidos em repouso; Analisar as distribuições de força em corpos e superfícies submersas; Estudar o escoamento ideal e real no interior de dutos; Analisar as maneiras através das quais o calor é transmitido.

Ementa:
Mecânica dos Fluidos: Propriedades Físicas; Equações Gerais da Estática, Cinemática e Dinâmica dos Fluidos; Cálculos de Pressões Hidrostáticas, de Forças sobre Superfícies Submersas e de Perda de Carga; Medição de Viscosidade, Pressão e Velocidade. Transferência de Calor: Condução, Convecção, Radiação, Aplicações. Transferência de Massa: Difusão, Coeficiente de Transferência de Massa, Teoria da Camada Limite, Aplicações.

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Fenômenos de Transporte – 01/2008

Índice
1. Introdução a Mecânica dos Fluidos.................................................................. 1.1. Definição............................................................................................. 1.2. Objetivo............................................................................................... 1.3. Aplicação............................................................................................. 2. Definição de um Fluido..................................................................................... 2.1. Introdução........................................................................................... 2.2. A Hipótese do Contínuo...................................................................... 2.3. Princípio da Aderência........................................................................ 3. Métodos de Análise........................................................................................... 3.1. Sistema................................................................................................ 3.2. Volume de Controle............................................................................ 4. Dimensões e Unidades...................................................................................... 4.1. Introdução............................................................................................ 4.2. Sistemas de Dimensões....................................................................... 4.3. Sistemas de Unidades.......................................................................... 5. Propriedades Físicas dos Fluidos...................................................................... 5.1. Peso Específico.................................................................................... 5.2. Volume Específico.............................................................................. 5.3. Densidade Relativa.............................................................................. 5.4. Massa Específica ou Densidade Absoluta........................................... 5.5. Módulo da Elasticidade Volumétrico.................................................. 5.5.1. Condições Isotérmicas............................................................. 5.5.2. Condições Adiabáticas............................................................ 5.6. Coeficiente de Compressibilidade (C) ............................................... 6. Campo de Velocidade....................................................................................... 7. Regime Permanente e Transiente...................................................................... 7.1. Regime Permanente............................................................................. 7.2. Regime Transiente............................................................................... 7.3. Campo Uniforme de Escoamento........................................................ 8. Escoamentos Uni, Bi, Tridimensional.............................................................. 8.1. Escoamento Unidimensional............................................................... 12 12 12 12 12 12 13 13 14 14 14 14 14 14 15 16 16 17 17 18 19 19 19 19 20 21 21 21 21 21 21

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.............................................................4..............................................4.................................................2...1........... A Equação de Bernoulli Para Fluidos Ideais...................................... Vazão Mássica e Vazão Volumétrica.................1....................... 11...................... Fluidoestática............................... A Equação Básica da Estática dos Fluidos......6.................... 11.. 9.......................................................4......... 8................. 13.................6... 11. 13......1.................... Viscosidade Cinemática: (ν)............................... 13...... A Relação Entre as Derivadas do Sistema e a Formulação Para Volume de Controle............6............................................................ Sistema........ Viscosidade................. Casos Especiais... Aplicação para a Manometria...... Tipos de Escoamento..........2..............................4..1................. Pressão Absoluta..... 13........................................................................................................... 13........ Manômetros de líquido.............. O Barômetro de Mercúrio........................................... Princípio de Arquimedes.......................1............. 9...... 13.......................................... Equação de Bernoulli..2........................................ 11........................................... 1a Lei da Termodinâmica Aplicada ao Volume de Controle..... Volume de Controle.. Linhas de Emissão e Corrente............ 9.................... Pressão.................................................... 9....6..................................Fenômenos de Transporte – 01/2008 8............... Linhas de Tempo....... 11................2......... 11.......... Número de Reynolds: (Re) ......................... Viscosidade Dinâmica ou Absoluta: (µ)......1.............1......................................................................................................................................3...................................................................... 13...............5............................... 10......5........... Lei de Pascal............ 13...................................................... Fluidodinâmica..................... Equação da Continuidade (de Conservação da Massa) Para um Volume de Controle Arbitrário..............3....2........ Campos de Tensão........................................................................... 12.... 9........4............................. 12...........................................................................1.................................3............ 8..... 13....6...... Tipos de Manômetros................................. 10............ 13............. Manômetros metálicos...................................................... 11........4..............3.................... 11............... Escoamento Bidimensional....................... 22 23 26 27 27 29 29 30 32 34 34 35 37 38 38 39 41 41 43 43 44 47 47 48 48 49 50 51 53 55 57 3 .....2............................... 11.......... Trajetórias......... Equilíbrio dos Corpos Flutuantes.......... Pressão Manométrica........

.................7........................6.... 13.. Coordenadas Cilíndricas....3..............2....4.....4...........................7.................. Condução.......... 15....................2........... 13........... Perdas de Carga Localizadas.....................2......2......3.................. 13.................1. Pressão de Estagnação.........6..............3.............1............. Visualização Gráfica da Equação de Bernoulli................................ Coordenadas Cartesianas...2...................................6.................... Medidores de Vazão...... 14..... Introdução...................4................. Placa de Orifício..............................1............................. 15........ 13..........2...... Conservação de Energia em um Volume de Controle...1............. Tubo de Pitot....2.1.......1............ Teorema de Torricelli.............................2..............2............2....2.... 57 59 59 60 62 63 65 68 68 69 70 70 74 81 86 86 86 86 87 87 88 89 92 93 96 96 97 98 101 101 104 104 4 ........6. Transferência de Calor... 13........................3.................2......2.........2........ 13............ Aplicações da Equação de Bernoulli..........................1.......................................... Leis Básicas da Transferência de Calor........................ Radiação.....6..............2...............Fenômenos de Transporte – 01/2008 13...........3.... 13................ 14.........2............2......... 14.......... Convecção.................. 13..... Tipos de Perda de Carga..... Perdas de Carga Contínuas............. Convecção........................ 14....................... 13......6................................. Equação da Difusão de Calor..... 14..... Condução..............2........1......................................... 15...................8.......... Introdução à Condução.. 14............... Equação de Bernoulli Para Fluidos Reais – Perda de Carga.......................4....... 13....3...................... 15... Modos de Transferência de Calor....................1..... Condução..... 15................................................. 14....... 14....2..............7.....................2.............................. 14................3......................................................................... Potência Fornecida por uma Bomba................ Tubo de Venturi................................2.. 15......................3.........2............ Visualização Gráfica da Equação de Bernoulli Para Fluidos Reais......... 13.......7............. Coordenadas Esféricas..................................... 13.............................................. Radiação.............3................. 15....................2............6..........1......... 13....7...................6............................................ Propriedades Térmicas da Matéria.........2....1................................ 15........2.. 14........4.

...................... Resistência Térmica..1 Condução com Geração de Energia Térmica Parede Plana................................................ Condições de Contorno e Condição Inicial..........................1...8...... 15................... A Camada Limite Hidrodinâmica.... 15.....5.. 18................. Condução com Geração de Energia Térmica............. 15...................... 15.............2..................1........................................................... 15..................................................... Parede Composta................... 16...........1...................................... Introdução.......................................... Condução Transiente......2 Condução com Geração de Energia Térmica – Sistemas Radiais......... Introdução................................................. Desempenho da Aleta...........................................Fenômenos de Transporte – 01/2008 15............. Parede Cilíndrica Composta......3........5................................. 15................ 18......................... 18.2.........................5..........1...........2..... Balanço de Energia para uma Aleta..... 15......................8...... 105 108 108 109 113 116 116 119 119 122 125 129 130 130 133 134 134 136 137 138 143 146 146 146 148 148 160 151 152 5 ...2............. Parede Composta: Série-Paralelo.... Tipos de Aletas..5..........7. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais – Esfera...... Espessura Crítica de Isolamento........... Aletas com área da seção transversal constante.. 15............3.........................6................1..6........ 16.......................... Transferência de Calor em Superfícies Expandidas – Aletas...........................................5.........................................5................1...............................5.......................................................................... 15............ Método da Capacitância Global........................................4....................... 16. Condução Unidimensional em Regime Permanente.4.... 16........ Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais – Cilindro...........8....2.........6............2.....6.. Convecção.............. Resistência de contato............................................................... Distribuição de Temperatura.......................... As Camadas Limites da Convecção........3........................................ 17........................... 17.....................4............. 16.......... 16........2................... 18.4............... Fundamentos da Convecção....................................... Parede Simples.......... 15.............................................................. 15..........2......5........ 15.............................. 15............... 18....... As Camadas Limites de Concentração............ 17........................ 15.................

............... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................... Escoamento Laminar e Turbulento................................ 18.........Fenômenos de Transporte – 01/2008 18....................... A Camada Limite Térmica... Apêndice B...........................................................4....... Apêndice A.................3....................................................................... EXERCÍCIOS RECOMENDADOS.................................................................... 153 156 158 159 160 164 6 ...............................................................................................................

Figura 10 – Exemplo para o Cálculo do Número de Reynolds. Figura 7 – Exemplo de Escoamento Unidimensional. Figura 22 – Manômetro de Líquido. Figura 24 – Manômetro de Diafragma. Figura 16 – Exemplo do Cálculo das Pressões Absoluta e Manométrica. Figura 27 – Conjunto Pistão-Cilindro. Figura 13 – Fluida em Repouso. Figura 11 . Sob a Ação de uma Força de Cisalhamento Constante. Figura 5 – Escoamento de um Fluido Através de um Tubo. Figura 15 – Variação de Pressão em um Fluido Estático. Figura 21 – Manômetro de Líquido. Figura 19 – Ilustração do exemplo acima. Figura 17 – O Barômetro de Mercúrio. vasos comunicantes. Figura 12 – Exemplo do Cálculo da Pressão na Base de um Recipiente. Figura 20 – Manômetro de Líquido. Figura 14 – Volume de Controle Infinitesimal. Figura 30 – Linhas Energética e Piezométrica para Escoamento 13 14 14 20 22 22 28 30 31 33 34 35 37 38 39 39 40 41 42 42 43 43 43 47 48 48 52 58 12 13 7 . Figura 6 – Determinação do Campo de Velocidades em um Ponto. Figura 3 – O Perfil de Velocidade Linear no Líquido entre Placas Paralelas ∞ Figura 4 – Conjunto Pistão-Cilindro.Possível Classificação da Mecânica dos Fluidos. Figura 2 – Comportamento de (a) um Sólido e (b) um Fluido. Figura 23 – Tubo de Bourdon. Figura 28 – Escoamento de um Fluido através de um Tubo. Figura 18 – Variação de Pressão em uma Coluna de Múltiplos Fluidos. Figura 25 – Corpo Imerso em um Fluido Estático.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figuras Figura 1 – Elemento Fluido sob a Ação de Esforço Tangencial Constante. Figura 8 – Exemplo de Escoamento Bidimensional. Figura 29 – Escoamento Unidimensional. Figura 26 – Cálculo do Metacentro de um Corpo Submerso. Figura 9 – Deformação de um Elemento de Fluido.

Figura 39 . Figura 54 – Troca radiativa entre uma superfície e as suas vizinhanças. Figura 35 – Tubo de Pitot com fluido manométrico. Figura 46 – Válvula Globo. Figura 43. Figura 40 – Determinação da Rugosidade Relativa. Figura 41 – Valores aproximados de k. Figura 53 – Troca radiativa entre uma superfície e as suas vizinhanças. Figura 48 – Elevação de um Fluido com uma Bomba. Figura 52 – Processos de transferência convectiva de calor. Figura 44 – Coeficiente de Perda de Carga para um Difusor. 59 60 62 63 64 66 68 69 72 73 74 75 77 78 79 80 80 81 83 86 87 87 88 88 89 8 .Ábaco de Moody. Figura 38 – Linhas Energética e Piezométrica para Escoamento de um Fluido Real. Figura 34 – Medição de pressão estática – Tubo de Pitot. Figura 31 – Escoamento de um Fluido Ideal em um Recipiente de Paredes Delgadas. Figura 32 – Escoamento Interno através de um Bocal Genérico mostrando o volume de controle usado para análise. Figura 42 – Comprimentos Equivalentes para Tubulações de Ferro fundido e Aço.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Unidimensional em um Duto. Figura 50 .Transferência de calor. (b) Placa de Orifício. Figura 47 – Válvula de Retenção. Figura 51 – Associação da transferência de calor por condução à difusão da energia provocada pela atividade molecular. Figura 45 – Válvula de gaveta.Redução de Área – Bocal. Figura 49 – Conjunto elevatório referente ao exemplo acima. (a) Convecção natural. Figura 36 – (a) Geometria de orifício e localização de tomadas de pressão – Placa de orifício. Figura 55 – Transferência de Calor em uma Parede Plana. Figura 37 – Medições simultâneas das pressões de estagnação e estática. (b) Convecção forçada. Figura 33 – Tubo de Venturi.

Figura 61 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Esféricas). Figura 60 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Cilíndricas). Figura 65 – Circuito térmico equivalente. Figura 71 – Ilustração do exemplo acima. Figura 57 – Troca Radiativa Líquida entre duas Superfícies. Figura 73 – Comportamento das Resistências Térmicas com r2. (c) Superfície adiabática no plano intermediário. Figura 72 – Parede Cilíndrica Composta. Figura 63 – Circuito Térmico. Figura 75 – Condução em uma parede plana com geração uniforme de calor. 91 94 97 102 104 105 108 111 113 114 116 116 117 119 121 124 125 128 129 131 134 132 132 133 133 134 139 144 9 . (a) Condições de contorno assimétricas. Figura 77 – Superfície da qual se quer Aumentar a Taxa de Transferência de Calor. Figura 66 – Parede Composta. Figura 78 – Colocação de Aletas para Aumentar a Taxa de Transferência de Calor. Figura 82 – Aletas com Área da Seção Transversal Constante. Figura 64 – Transferência de Calor através de uma Parede Plana.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 56 – Transferência Convectiva de Calor. Figura 58 – Faixas de Condutividade térmica para vários estados da matéria. Figura 79 – Trocadores de Calor com tubos aletados. Figura 67 – Circuitos Térmicos Equivalentes numa Parede Composta. Figura 80 – Configurações de Aletas. Figura 59 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Cartesianas). tubo com paredes delgadas. Figura 83 – Eficiência de aletas. Figura 74 – Transferência de Calor através de uma Casca Esférica. Figura 69 – Transferência de Calor através de um Cilindro Oco. Figura 76 – Transferência de Calor em uma superfície expandida.Queda de temperatura devido à resistência térmica de contato. Figura 70 – Transferência de Calor Através de uma Parede Cilíndrica Composta. Figura 68 . (b) Condições de contorno assimétricas. Figura 81 – Balanço de Energia em uma Superfície Expandida. Figura 62 – Transferência de Calor através de uma Parede Plana.

Figura 88 – Escoamento sobre uma Placa Plana. Figura 92 – Camada Limite Térmica. Figura 89 . numa parede plana resfriada simetricamente por convecção. Figura 85 – Resfriamento de uma peça metálica quente.A camada limite fluidodinâmica. Figura A1 – Viscosidade Absoluta de Alguns Fluidos Figura A2 – Viscosidade Cinemática de Alguns Fluidos à Pressão Atm. 146 147 148 148 149 151 152 153 156 166 167 10 .Perfil de concentração na camada limite. Figura 87 . b) Anulares. Figura 91 – Camada Limite. Figura 90 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 84 – Montagem Representativa das Aletas – a) Retang. Figura 86 – Distribuição transiente de temperatura correspondente a diferentes números de Biot.Transferência convectiva de Calor.

Tabela 4 – Coeficiente de Perda de Carga para Entrada de Tubos.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Tabelas Tabela 1 – Sistemas de Unidades. Tabela 7 – Comprimento Equivalente Adimensional para Válvulas e Conexões Tabela 8 – Valores de h (W/m². Tabela 2 – Principais prefixos para unidades de Engenharia. Tabela 5 – Coeficientes de Perda de Carga para Contração e Expansão. Tabela 3 – Rugosidade para Tubos de Materiais comuns de Engenharia.K) Tabela 9 – Equações de Taxa Tabela 10 – Lei de Fourier para os três sistemas de coordenadas Tabela 11 – Resistência térmica de contato em (a) Interfaces Metálicas sob condições de vácuo e (b) Interface de Alumínio com diferentes fluidos interfaciais Tabela 12 – Resistência Térmica de interfaces sólido/sólido representativas Tabela 13 – Propriedade de Fluidos Gasosos 118 163 118 15 16 71 76 76 77 78 92 96 96 11 . Tabela 6 – Coeficiente de Perda de Carga para Redução Suave da Seção.

ao cessar a aplicação da força. Aplicação: máquinas de fluxo (bombas. o bloco sofre uma deformação e se estabiliza no novo formato.Fenômenos de Transporte – 01/2008 1. Introdução: É uma sustância que se deforma continuamente sob a aplicação de uma tensão de cisalhamento (força tangencial). edifícios comerciais. corpos flutuantes. ventiladores.1. Estudo do comportamento dos fluidos em repouso (Fluidoestática) e em movimento (Fluidodinâmica).1. automóveis. etc. 2. Definição de um Fluido 2. o sólido retorna à forma original.2a) sobre um sólido fixado entre as duas placas. submarinos. Repetindo a experiência para um fluido. 12 . compreender e analisar qualquer sistema no qual um fluido é o meio produtor de trabalho. Ao ser aplicada uma força tangencial F (fig. compressores e turbinas). Figura 1 – Elemento Fluido sob a Ação de Esforço Tangencial Constante. Os fluidos compreendem as fases líquida e gasosa (ou de vapor) das formas físicas nas quais a matéria existe.3. Introdução a Mecânica dos Fluidos 1. ele se deformará continuamente. sistemas de aquecimento e ventilação de residências. Definição: é a ciência que estuda o comportamento físico dos fluidos e as leis que regem tal comportamento. não importa sua intensidade (figura 1). aeronaves.2b). sistemas de tubulações. 1. Objetivo: conhecer.2. No regime elástico do material. enquanto existir uma força tangencial atuando sobre ele (fig. medicina. A distinção entre um fluido e o estado sólido fica clara ao ser comparado seu comportamento. 1.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 2 – Comportamento de (a) um Sólido e (b) um Fluido. considera-se o fluido como uma substância que pode ser dividida ao infinito. 2a Situação: Figura 2b Sob a ação da Ft deforma-se continuamente.3.2. Princípio da Aderência: “Os pontos de um fluido em contato com uma superfície sólida possuem a mesma velocidade dos pontos desta com os quais estão em contato. 1a Situação: Figura 2a Mantida a Ft constante o sólido deformar-se-á até alcançar uma posição de equilíbrio estático. 13 . Sob a Ação de uma Força de Cisalhamento Constante. (fig. não há deslizamento naquelas fronteiras”.3) Figura 3 – O Perfil de Velocidade Linear no Líquido entre Placas Paralelas Infinitas. não se alcançando uma posição de equilíbrio estático. A Hipótese do Contínuo: Como o espaço médio entre as moléculas que compõem o fluido é bastante inferior às dimensões físicas dos problemas estudados. 2. 2.

Figura 4 – Conjunto Pistão-Cilindro. 4. Sistema: quantidade de massa fixa e identificável. 4 . Introdução Dimensões: são grandezas mensuráveis (quantidades físicas: podem ser primárias (básicas) e secundárias (derivadas)).1.2. Dimensões e unidades 4.Fenômenos de Transporte – 01/2008 3. 4. 5. Sistemas de Dimensões Lei da Homogeneidade dimensional: “Todos os termos de uma expressão matemática. 3. conforme mostrado na fig. Figura 5 – Escoamento de um Fluido Através de um Tubo. a fronteira geométrica é chamada superfície de controle. traduz um fenômeno físico. conforme mostrado na fig. que. Volume de controle: volume do espaço através do qual o fluido escoa (arbitrário).2. Exemplo: x = x 0 + V0 + 1 at 2 2 (L ) = (L ) + (L t × t )+ 1 2 L t 2 × t 2 14 ( ) . Métodos de análise 3. não há transferência de massa através das mesmas. Unidades: são nomes arbitrários dados às dimensões. devem possuir a mesma dimensão”. calor e trabalho poderão cruzar as fronteiras. as fronteiras do sistema separam-no do ambiente à volta.1.

I(corrente elétrica). Técnico inglês: F(força). quantidade de matéria e intensidade luminosa) e padronizadas as suas unidades. alguns países ainda adotam os antigos sistemas de unidades. L(comprimento). quantidade de matéria e intensidade luminosa. temperatura. Países diferentes podem utilizar sistemas de unidades diferentes. tempo. t(tempo). A partir delas. Tabela 1 – Sistemas de Unidades. 15 . portanto. t(tempo). Sistema de Unidades Pode-se trabalhar com diferentes unidades para as grandezas (massa. comprimento. como uma tentativa de padronização.3. uma grandeza secundária. temperatura e tempo. T(temperatura). comprimento.TEMPO TEMPE. No Sistema Britânico. T(temperatura). podem ser derivadas as unidades das outras grandezas (excetuando-se as grandezas elétricas).). SI absoluto: M(massa). SISTEMA DE UNIDADES SI ABSOLUTO TÉCNICO INGLÊS INGLÊS TÉCNICO Kg g utm slug lbm m cm m ft ft s s s s s K K K R R A mol MASSA COMPRI. etc. as grandezas básicas são força. A massa passa a ser. corrente elétrica.Fenômenos de Transporte – 01/2008 4. No entanto. instituiu-se o Sistema Internacional (SI). L(comprimento).CORRENTE MENTO QTE DE INTENSIDADE LUMINOSA cd RATURA ELÉTRICA MATÉRIA Força: Força: Massa 1N = 1kg m s2 cm s2 s2 ft 1dina = 1g 1slug = 1lbf No Apêndice B são apresentados os fatores de conversão entre os sistemas para as diferentes grandezas. Foram definidas 7 grandezas básicas (massa. Em 1960. comprimento.

2 apresenta prefixos utilizados em engenharia para escrever valores muitos pequenos ou muito grandes de uma maneira mais concisa. lbf / ft3) DIM: [F / L3] 16 . γ: Peso específico [F/L3] γ = W ∀ W: Peso da substância [F] ∀ : Volume do fluido [L3 ] γ = mg m = g = ρg ∀ ∀ Unidades: (N/m3.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A Tab. kgf / m3. Peso especifico: (γ) É o peso do fluido contido em uma unidade de volume. Tabela 2 – Principais prefixos para unidades de Engenharia. Fator Multiplicativo 109 106 10 3 Prefixo Giga Mega Kilo Deci Centi Mili Micro Nano Pico Símbolo G M k d c m µ n p 10-1 10-2 10-3 10-6 10-9 10-12 5. Propriedades físicas dos fluidos 5.1.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 5.d ou SG) Razão entre a massa específica de uma substância e a massa específica de uma substância de referência. ft3/ slug.: Massa específica ou densidade absoluta da substância de referência [M/L3] δ=d = SG= ρfluido ρfluido padrão = γfluido γfluido padraão DIM: [1] 17 . é comum que a substância de referência seja a água. Quando se trabalha com densidades relativas de sólidos. para os gases.2.3. Densidade relativa: (δ. Para líquidos. ft3/ lbm) DIM: [L3/ M] 5. υ: Volume específico [L3/M] υ= ∀ 1 = m ρ ρ: Massa específica ou densidade absoluta [M/L3] Unidades: (m3 / kg. o fluido de referência é a água e. δ: Densidade relativa [adimensional] δ = d = SG = ρ ρ ref ρ: Massa específica ou densidade absoluta [M/L3] ρref. cm3/ g. o ar. Volume específico: (ν) Inverso da massa específica.

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5.4. Massa específica ou densidade absoluta: ( β ) Também conhecida como densidade absoluta, é a quantidade de massa do fluido contida em uma unidade de volume. ρ: Massa específica [M/L3]
ρ=
m ∀

m: Massa do fluido [M] ∀ : Volume do fluido [L3 ]

Unidades: (kg / m3; g / cm3; slug / ft3) DIM: [M / L3] A densidade dos gases variam bastante quando são alteradas sua pressão, e/ou sua temperatura. Ao contrário, a densidade dos líquidos apresenta pequenas variações com alterações de pressão e temperatura, são, em sua maioria, considerados incompressíveis. Na Tab. A.1 (Apêndice A), são apresentados valores de massa específica para alguns fluidos, a 20°C e 1 atm. As Tab.s A.2 e A.3 apresentam, respectivamente, a variação da massa específica da água e do ar com a temperatura, para a pressão de 1 atm.

5.5. Módulo da Elasticidade Volumétrico: (β) Razão entre uma variação de pressão e a correspondente variação de volume por unidade de volume. β: Módulo de elasticidade volumétrico
β =
− ∆P ∆∀ / ∀

∆P: Variação de pressão [F/L2] ∆∀ : Variação de Volume [L3 ] ∀ : Volume [L3 ]

O sinal negativo indica que um aumento de pressão corresponde a uma redução de volume. Unidades: (N/m2; kgf / m2 ; lbf / ft2) DIM: [F / L2]

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Expressa a compressibilidade do fluido. A compressibilidade de uma substância é a medida da variação relativa de volume decorrente de aplicação de pressão. O módulo de compressibilidade de líquidos costuma ser obtido experimentalmente. No caso de gases, o seu valor depende do tipo de processo que resulta da compressão. 5.5.1. Condições isotérmicas: T = constante P.V. = constante
V 1 P2 = V 2 P1

P1V1 = P2V2

P.dV + V.dP = 0 P.dV = - V.dP
dV − dP = V P β =P

5.5.2. Condições adiabáticas: P.Vk = constante k = Cp / Cv P1.V1k = P2.V2k Vk .dP + Vk-1P.k.dV = 0 P.k.dV + V.dP = 0
dV − dP = V kP β = kP

5.6. Coeficiente de Compressibilidade: (C) Inverso do módulo de elasticidade volumétrico.
C=
1

β

C: Coeficiente de compressibilidade [L2/F] β: Módulo de elasticidade volumétrico

[F/L2] Unidades: (m2/N; m2/kgf; ft2/lbf) DIM: [L2/F] 19

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6. Campo de velocidade
Entre as propriedades do escoamento, destaca-se o campo de velocidade. Seja o volume de fluido ∀ mostrado na Fig. 6.

Figura 6 – Determinação do Campo de Velocidades em um Ponto. A velocidade instantânea do fluido no ponto C é igual à velocidade instantânea do volume infinitesimal δ∀ que passa pelo ponto C no instante de tempo em questão. r O campo de velocidade, V , é função das coordenadas x, y e z e do tempo t. A completa representação do campo de velocidades é dada por:
r r V = V ( x, y , z , t )

r O vetor velocidade, V , pode ser expresso em termos de suas três componentes

escalares. Chamando estas componentes nas direções x, y e z de, respectivamente, u, v e w, o campo de velocidades pode ser escrito como:
r ˆ ˆ j V = ui + vˆ + wk ,

onde: u = u (x, y, z, t ), v = v(x, y, z, t ) e w = w (x, y, z, t )

Exemplo:
Dados os campos de velocidade listados abaixo, determine: (a) As dimensões de cada campo de velocidade (b) Se está em regime permanente ou não

(1)

(2)

r ˆ V = ae −bx i r ˆ V = ax 2i + bxˆ j

[

]

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e tridimensionais de acordo com o número de coordenadas necessárias para se definir seu campo de velocidades. independentes de todas as coordenadas espaciais. em cada ponto do escoamento. ∂t 7. bi. r r r r (5) Tridimensional V = V ( x. Campo Uniforme de Escoamento: Escoamento no qual o módulo e o sentido do vetor velocidade são constantes. regime permanente V ≠ V (t ) . regime permanente V ≠ V (t ) . r r r r (2) Unidimensional ( V = V ( x ) ). 21 .1. através de toda a extensão do campo.Fenômenos de Transporte – 01/2008 (3) (4) (5) r ˆ V = axi − bxˆ j r ˆ V = (ax + t )i − by 2 ˆ j r 1 V = a (x 2 + y 2 ) 2 1 ( z )kˆ 3 Resolução: r r r r (1) Unidimensional ( V = V ( x ) ). y. r r r r (4) Bidimensional V = V ( x. y ) . regime não permanente V = V (t ) . regime não permanente V = V (t ) . Regime Transiente: As propriedades do fluido variam com o tempo. regime permanente V ≠ V (t ) . bi. Escoamentos uni. Regime permanente e transiente 7. Os escoamentos podem ser classificados em uni-. A definição matemática do movimento permanente é: ∂η = 0 . z ) . y ) .2. 8. 7. 7. 7.3. ou seja. r r r r (3) Bidimensional V = V ( x. não variam com o tempo. Escoamento unidimensional: Exemplo: Suponha o escoamento em regime permanente no interior de um duto de seção transversal constante mostrado na Fig. 8.1. onde η representa uma propriedade qualquer do fluido. tridimensional. Regime Permanente: As propriedades do fluido.

2. Como o canal é considerado infinito na direção do eixo dos z. bidimensional. A partir de uma certa distância da entrada do duto. o campo das velocidades será idêntico em todos os planos perpendiculares a este eixo. a velocidade pode ser descrita pela equação: ⎡ ⎛ r ⎞2 ⎤ u = u max ⎢1 − ⎜ ⎟ ⎥ ⎢ ⎝R⎠ ⎥ ⎣ ⎦ Como o campo de velocidades depende apenas da distância radial r. 8). portanto. o campo de velocidades é função somente das coordenadas x e y. Conseqüentemente. de largura infinita (Fig. 8.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 7 – Exemplo de Escoamento Unidimensional. Figura 8 – Exemplo de Escoamento Bidimensional. 22 . O campo do escoamento é. Escoamento bidimensional: Seja agora o escoamento entre placas divergentes. o escoamento é unidimensional.

temos que identificar uma partícula fluida. A linha em que une as partículas fluidas. as linhas de corrente não variam de um instante a outro. de forma que. Todas elas. teríamos uma certa quantidade de partículas fluidas identificáveis no escoamento. elas formarão uma linha no fluido naquele instante. a velocidade em cada ponto do campo permanece constante com o tempo e. em algum momento. trajetórias. todas as partículas fluidas que passam por aquele ponto.3. Então num escoamento permanente. partículas consecutivas passando através de um ponto fixo do espaço estarão sobre a mesma linha de corrente e. trajetórias e linhas de emissão e de corrente são linhas idênticas no campo de escoamento. Isto implica que uma partícula localizada numa determinada linha de corrente permanecerá sobre a mesma. No escoamento permanente. Tal representação é provida de linhas de tempo. em seguida. A linha traçada pela partícula é uma trajetória. são tangentes à direção do escoamento em cada ponto do campo. Uma linha de trajeto é o caminho ou trajetória traçada por uma partícula fluida em movimento. as trajetórias. em conseqüência. Linhas de tempo. A forma das linhas de corrente pode variar de instante a instante se o escoamento for transiente. de trajeto. 23 . não pode haver escoamento através delas. as linhas de emissão e as linhas de corrente não coincidem. Por outro lado. As linhas de corrente são aquelas desenhadas no campo de escoamento. é definida como linha de emissão. novamente pelo emprego do corante.Fenômenos de Transporte – 01/2008 8. pelo emprego de um corante. de emissão e de corrente. esta linha é chamada de linha de tempo. poderíamos preferir concentrar a atenção em um lugar fixo do espaço e identificar. teriam passado por um local fixo no espaço. Após um curto período. por exemplo. Como as linhas de corrente são tangentes ao vetor velocidade em cada ponto do campo. num ponto fixo no espaço. num dado instante. subseqüentemente permanecerão nela. Neste caso. linhas de emissão e linhas de corrente: Na análise de problemas de mecânica dos fluidos. Além disso. Para torná-la visível. freqüentemente é vantajoso obter uma representação visual de campo de escoamento. Se num campo de escoamento uma quantidade de partículas fluidas adjacentes forem marcadas num dado instante. num dado instante. tiramos uma fotografia de exposição prolongada do seu movimento subseqüente.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Exemplo: Considere o campo de escoamento V = axt i − b j . x0 e y0.5 ln⎜ ⎟ ⎝3⎠ ⎛ x⎞ y = 1 + 5 ln⎜ ⎟ ⎝3⎠ t=2 t=3 24 . onde a = 0. Resolução: → ∧ ∧ Partindo do princípio u = u = axt = dx . dy v = . v = dt x = 3e 0. trace a trajetória durante o intervalo de tempo de t = 0 a t = 3 s. y) = (3.1t ⎜x ⎟ 2 ⎝ 0⎠ dy =b. y = 1 + Para t=1 15 ⎛ x ⎞ ln⎜ ⎟ . x at ⎜ x0 ⎟ ⎝ ⎠ Substituindo os valores de a. dx s u Temos que Logo: dy b = .1t y = 1 + 3t 2 y0 ∫ dy = ∫ bdt . 0 y t y = y0 + bt ∴ y = 1 + 3t Região a ser plotada no plano xy. As coordenadas são medidas em metros.1) no instante t = 0. dx axt Aplicando equações diferenciais temos: y0 ∫ dy = y x0 ∫ at x b dx b ⎛ x⎞ ou y = y0 + ln⎜ ⎟ . e também. dt x t dx dy e v= . Compare esta trajetória com as linhas de corrente que passam pelo mesmo ponto nos instantes t = 0. 1 e 3 segundos. t ⎝3⎠ ⎛ x⎞ y = 1 + 15 ln⎜ ⎟ ⎝3⎠ ⎛ x⎞ y = 1 + 7. então: dt dt dx ∫ x = ∫ at. Para a partícula que passa pelo ponto (x. b.2 s-2 e b = 3 m/s.dt 0 x0 1 2 at 2 ⎛ x⎞ 1 ln⎜ ⎟ = at 2 e x = x0 e 2 ∴ x = 3e 0.

onde a = b = 1 s-1. separamos as variáveis e integramos: ∫ dy b dx = −∫ y a x b ln y = − ln x + c ∴ c = constante a ln y = ln x − b a + ln c ∴ ln c = constante 25 .y) = (0.x → ∧ ∧ Para resolvermos esta equação diferencial.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Exemplo: O campo de velocidade V = ax i − by j . Trace diversas linhas de corrente no primeiro quadrante. pode ser interpretado como representando o escoamento numa curva em ângulo reto. Obtenha uma equação para as linhas de corrente do escoamento. façamos u = ax e v = -by. Resolução: → ∧ ∧ A inclinação das linhas de corrente no plano xy é dado por: dy v = dx u Para V = ax i − by j . y = =− dx u a. incluindo aquela que passa pelo ponto (x.0). logo: dy v b.

onde ρ é a massa específica (massa por unidade de volume) e g é a aceleração local da gravidade. As forças de superfícies atuam nas fronteiras de um meio através de um contato direto. Como a = b = 1 sec-1. então a = 1 . Segue-se que a força de campo gravitacional é ρ g por unidade de volume e g por unidade de massa. As forças gravitacionais e eletromagnéticas são exemplos de forças de campo.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Portanto: y = cx − b a Para o campo de velocidade dado. Campo de Tensão Tanto forças de superfície quanto forças de campo são encontradas no estudo da mecânica dos meios contínuos. é dada por ρ gdV . Então campo de 26 . As forças desenvolvidas sem contato físico e distribuídas por todo o volume do fluido são denominadas forças de campo. • A equação y = c é a equação da hipérbole. as constantes a e b são fixas. As linhas de corrente são obtidas definindo valores diferentes para a constante de integração c. A força gravitacional atuando sobre um elemento de volume. x • As curvas estão mostradas para diferentes valores de c. dV.4. e a equação das linhas de corrente é dada por: b y = cx −1 = c c ou x = x y Para c = 0. O conceito de tensão nos dá uma forma conveniente de descrever o modo pela qual as forças atuantes na fronteiras do meio são transmitidas através deles. y = 0 para todo valor de x e x = 0 para todo valor de y. 8.

Seja o comportamento de um elemento fluido entre 2 placas infinitas. δAx . Viscosidade 9.Fenômenos de Transporte – 01/2008 tensões seria a região através da qual as forças atuantes seriam transmitidas através de toda extensão do material. Também é necessário adotar uma convenção de sinais para a tensão. ou seja. e tomando o limite quando δAx se aproxima de zero.1. Uma componente da tensão é positiva quando o seu sentido e o plano no qual atua são ambos positivos ou ambos negativos. A placa superior move-se a velocidade constante (δu). podemos prever que o campo de tensão não será vetorial. 9. Como a força e a área são ambas quantidades vetoriais. 27 . definimos as três componentes da tensão mostradas abaixo: τ xx = lim δA x → 0 δFx δAx ∴ τ xy = lim δF y δA x ∴ τ xy = lim δA x → 0 δA x → 0 δFz δAx Utilizamos o índice duplo para designar tensões. sob a influência de uma força aplicada δ Fx. O campo de tensões normalmente é chamado de campo tensorial devido ao campo possuir nove componentes que se comportam como um tensor de 2ª ordem. a dificuldade do fluido em escoar. O primeiro índice (neste caso x) indica o plano no qual a tensão atua (neste caso a superfície perpendicular ao eixo x). O segundo índice indica a direção na qual a tensão atua. Viscosidade Dinâmica ou Absoluta: (µ) Propriedade que determina o grau de resistência do fluido à força de cisalhamento. Dividindo a magnitude de cada componente da força pela a área .

δl = δyδα Igualando-se (a) e (b). dα du δα δu = ⇒ = δ t δy dt dy Para fluidos Newtonianos. 28 . DIM: [F.t] Unidades: (N. são newtonianos em condições normais. A tensão tangencial ou tensão de cisalhamento do elemento fluido é dada por: τ yx = lim δFx dFx = δAy → 0 δAy dAy A taxa de deformação é igual a: δα dα = δt →0 δt dt lim A distância entre os pontos M e M’é dada por: δl = δVδt (a) (b) Para pequenos ângulos.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 9 – Deformação de um Elemento de Fluido. a tensão tangencial é proporcional à taxa de deformação. o ar e a gasolina. como a água. lbf. kgf. µ. dy dy A constante de proporcionalidade é a viscosidade absoluta ou dinâmica do fluido.s/m2 .s /m2 . ou: τ yx ∝ du du ⇒ τ yx = µ .s /ft2) Os fluidos mais comuns.t / L2= M/L.

Dizemos. Pode-se notar que. por exemplo. a viscosidade aumenta com a temperatura. sendo 1 Stokes = 1cm2/s. ft2/s) Uma unidade comum para a viscosidade cinemática é o Stokes. O comportamento da viscosidade para alguns fluidos Newtonianos é apresentado na Fig. Viscosidade Cinemática: (ν) Razão entre a viscosidade dinâmica e a massa específica. glicerina e água. Número de Reynolds: (Re) Número adimensional. 9. A glicerina apresenta uma resistência à deformação muito maior do que a água.1 e. ν: Viscosidade cinemática [L2/t] υ= µ ρ µ: Viscosidade dinâmica [Ft/L2] ρ: Massa específica ou densidade absoluta [M/L3] DIM: [L2/t] Unidades: (m2/s. A Tab. obtido pela razão entre as forças de inércia e as forças viscosas. 9. enquanto que os líquidos apresentam comportamento inverso. A.8 apresenta valores de viscosidade absoluta para alguns fluidos. para os gases. Caracteriza o comportamento global do escoamento de um fluido.3. que ela é muito mais viscosa. então. Re: Número de Reynolds [adimensional] ρ: Massa específica ou densidade absoluta [M/L3] Re = ρV * L* µ V*: Velocidade do fluido [L/t] L*: Comprimento característico [L] 29 .2. A.2. verificaremos que eles irão se deformar as taxas diferentes sob a ação da mesma tensão de cisalhamento aplicada. A. cm2/s.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Se considerarmos as deformações de dois diferentes fluidos newtonianos.

o valor aceito para se caracterizar a transição do escoamento laminar para turbulento é 2300. escoando no interior de tubos com o mesmo diâmetro. Para escoamento sobre uma placa plana. Para escoamentos no interior de tubos. Tipos de escoamento: - Escoamento laminar ( em tubulações Re ≤ 2300 ) Escoamento turbulento (Re > 4000) 30 . Como a viscosidade absoluta da glicerina é 1500 vezes superior à viscosidade da água. Para escoamentos sobre placas planas. Devese ressaltar que V* e L* correspondem. Figura 10 – Exemplo para o Cálculo do Número de Reynolds. V* é a velocidade da corrente livre e L*. Para escoamentos no interior de tubos. o valor é 5x105.4. à velocidade e ao comprimento característico do escoamento. para que os fluidos.Fenômenos de Transporte – 01/2008 µ = Viscosidade dinâmica [F. Ele determina a natureza do escoamento (laminar ou turbulento). o seu diâmetro. respectivamente. o comprimento da placa.t/L2] DIM: [1] O número de Reynolds é o adimensional mais importante da Mecânica dos Fluidos. tenham comportamentos semelhantes (mesmo número de Reynolds). a velocidade V* é a velocidade média no interior do tubo e L*. 9. a velocidade da glicerina deve ser 1174 vezes maior do que a velocidade da água.

O escoamento compressível ou incompressível é definido a partir de um parâmetro chamado número de Mach. Ma = V S Exemplo: Um eixo com diâmetro externo de 18 mm gira a 20 rotações por segundo dentro de um mancal de sustentação estacionário de 60 mm de comprimento. Estime a viscosidade do óleo que se encontra na folga anular. du dy Primeiramente devemos converter a velocidade para uma unidade na qual possamos trabalhar: 31 . que é definido como sendo a razão da velocidade do escoamento ( V ) pela velocidade do som (S) do meio.0036 N. Uma película de óleo com espessura de 0. O torque necessário para girar o eixo é de 0.s) Resolução: Para calcular a viscosidade do óleo devemos utilizar a fórmula de tensão de cisalhamento: τ = µ.m.2 mm preenche a folga anular entre o eixo e o mancal. em (Pa.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Mecânica dos Fluidos Fluido não viscoso µ = 0 Compressível Incompressível Ma < 0.3 Laminar Re ≤ 2300 Fluido viscoso µ≠ 0 Turbulento Re > 4000 Figura 11 – Possível Classificação da Mecânica dos Fluidos.

lbf / ft2.r τ F= r 0.π .39.D. onde = −3 dy y 3. podemos tirar a força: τ = F .10 − 3 A = 3.0036 F= 9. mmHg) DIM: [F / L2] 32 .10− 6 m 2 Pelo torque. m.d .r → 125.10 −3 du umax . atm.2.10− 3.6rad / s umax = ωr = 1.10 .c.10 −3 F = 0.π . lbf / ft2 = psi.0208 2 m 10.60.4 N Assim podemos calcular o coeficiente de viscosidade dinâmico fazendo analogia à força: µ= µ= F ⎛ dy ⎞ ⎜ ⎟ A ⎝ du ⎠ 0.2.1.n = 60 Devemos calcular agora a área de contato entre o fluido e o material: A = π .L A = π 18.13 N .4. Pressão Força exercida em uma unidade de área.Fenômenos de Transporte – 01/2008 W = 20rps ⎧1rot → 2.0.r ⎨ ⎩20rot → 20.n d 30 2 π .39.a. P: Pressão [F/L2] P= F A F: Força [F] A: Área [L2] Unidades: (N/ m2 = Pa.13 m s ou umax = ωr umax = umax π .s µ = 0.

T ⎥ ⎦ T: temperatura absoluta do gás [T] Se.L ⎤ DIM: ⎢ ⎣ mol. Para gases ideais. R MM R= A Tab. A pressão atuando na base de um recipiente contendo um fluido em repouso pode ser calculada da maneira mostrada a seguir: Figura 12 – Exemplo do Cálculo da Pressão na Base de um Recipiente. 33 . A.3144 kJ/kmol. for considerada a massa m do gás. A Tab.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A pressão é uma variável dinâmica muito importante na Mecânica dos Fluidos. a pressão pode ser relacionada à densidade e à temperatura através da seguinte expressão: P∀ = nR T Onde: n: quantidade de matéria [mol] R : constante universal dos gases = 8.9 mostra as propriedades termodinâmicas de gases comuns na condição padrão ou “standard”. sendo MM dada em kg/kmol no sistema Internacional. Um escoamento só é possível se houver um gradiente de pressão. A.4 apresenta as massas moleculares de alguns gases comuns.K ⎡ F . relacionada à constante universal dos gases através da massa molecular do gás MM.k . a equação pode ser reescrita na forma: P∀ = mRT Onde R é a constante específica de cada gás. ao invés do número de moles.

Fluidoestática É a parte da Mecânica dos Fluidos que estuda o comportamento dos fluidos em repouso. o objetivo principal é. obtida como a soma da força na superfície do fluido e do peso da coluna de fluido: F = Fsup erfície + F fluido F = P0 A + ρghA A pressão na base do recipiente é dada pela razão entre a força e a área da base: P= P= F Fsup erfície + F fluido = A A P0 A + Aρgh = P0 + ρgh A Para condições pré-fixadas. P0. 34 . a pressão é constante em cada ponto”. Lei de Pascal: “No interior de um fluido em repouso. então. Figura 13 – Fluido em Repouso. Assim. A condição de velocidade nula do fluido é denominada condição hidrostática.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A pressão na superfície do fluido é igual a P0. 11. a determinação da distribuição de forças ou pressões em um elemento fluido. A força na superfície do fluido é dada por P0 A A força exercida pela coluna de fluido é devida ao seu peso: F fluido = mg = ρ∀g = ρ ( Ah )g = Aρgh A força na base do recipiente é. Em um problema de hidrostática. a pressão é função apenas da altura da coluna de líquido h.1. em geral. ρ e g são constantes. 10.

portanto.Fenômenos de Transporte – 01/2008 11. A força de pressão atuando na face esquerda do elemento é: r ⎛ ∂P dy ⎞ ⎟dx. são as forças desenvolvidas sem contato físico com o fluido. a única força de corpo que deve ser considerada na maioria dos problemas de Mecânica dos Fluidos é a força gravitacional. A força total atuando no elemento é dada por: r r r r r dF = dFC + dFS = dm. ou o peso. z dz y x dy dx Figura 14 – Volume de Controle Infinitesimal. o fluido é a substância incapaz de resistir a forças de cisalhamento sem se deformar). 14. De uma maneira geral. distribuídas por todo o seu volume. de dimensões dx. através do contato direto. também chamadas de forças de campo.dz − ˆ dFR = ⎜ p + j ⎜ ∂y 2 ⎟ ⎝ ⎠ ( ) 35 . É o caso das forças gravitacionais e eletromagnéticas. A única força de superfície a ser considerada é.1. a força de pressão. As forças de corpo. Se um fluido estiver em repouso.dzˆ dFL = ⎜ p − j ⎜ ∂y 2 ⎟ ⎝ ⎠ A força de pressão na face direita é dada por: r ⎛ ∂P dy ⎞ ⎟dx.g + dFS A força líquida de pressão é dada pela soma da força de pressão em cada uma das faces do elemento. só poderão estar presentes forças normais à superfície (por definição. As forças de superfície são aquelas que atuam nas fronteiras de um meio. dy e dz. como mostrado na Fig. Seja um volume fluido infinitesimal. A equação básica da estática dos fluidos: Dois tipos genéricos de forças podem ser aplicados a um fluido: forças de corpo e forças de superfície.

dy − k ⎟ ⎜ ∂z 2 ⎠ ∂y 2 ⎠ ∂z 2 ⎠ ⎝ ⎝ ⎝ ( ) ( ) ( ) r ⎛ ∂P ˆ ∂P ˆ ∂P ˆ ⎞ dFS = ⎜ − ⎜ ∂x i − ∂y j − ∂z k ⎟dx.g − ∇P )d∀ ⎟ ⎝ ⎠ A 2ª Lei de Newton estabelece que: r r dF = dm. a diferença de pressão entre dois pontos do fluido será diretamente proporcional à diferença de altura entre eles (Fig.dy.d∀ = ρ .dx. ∂P + ρg x = 0 ∂x ∂P + ρg y = 0 ∂y ∂P + ρg z = 0 ∂z − − − Para simplificar a equação. portanto. r r ⎛ ∂P ˆ ∂P ˆ ∂P ˆ ⎞ r dF = ρ . que pode ser decomposta em três equações escalares. 36 .15). por: r r r r ⎛ ∂P ˆ ∂P ˆ ∂P ˆ ⎞ dF = dm.dy.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A força líquida de pressão é dada pela soma das forças de pressão em todas as faces do elemento.dzi + ⎜ p + ⎜ ∂y 2 ⎟ ∂x 2 ⎠ ∂x 2 ⎠ ⎝ ⎝ ⎝ ⎠ ⎛ ∂P dz ⎞ ∂P dy ⎞ ∂P dz ⎞ ⎛ ˆ ⎛ ˆ ⎟dx. r ( ρ .dy. Assim.dy. Se o sistema for escolhido com o eixo z r ˆ apontado para cima ( g = − gk ) .g + dFS = dm.dz = (ρ . as equações podem ser reescritas como: ∂P =0 ∂x ∂P =0 ∂y ∂P =0 ∂z Se o fluido puder ser considerado incompressível.dz − ˆ + ⎜ p − +⎜p+ j ⎟dx. r ∂P dy ⎞ ∂P dx ⎞ ∂P dx ⎞ ⎛ ˆ ⎛ ˆ ⎛ ⎟dx. a aceleração deve ser nula e o somatório de todas as forças deve ser zero.dz.dyk + ⎜ p + ⎟dx.g + ⎜ − ⎜ ∂x i − ∂y j − ∂z k ⎟dx.dz − i + ⎜ p − ⎟dy. g − ∇P ) = 0 Esta é uma equação vetorial.dz ⎟ ⎝ ⎠ Como dm = ρ .a Para um elemento fluido em repouso.dz ⎟ ⎝ ⎠ A força total é dada.dzˆ dFS = ⎜ p − j ⎟dy..dz .dy.dx.g + ⎜ − ⎜ ∂x i − ∂y j − ∂z k ⎟dx. é conveniente adotar um sistema de eixos no qual o vetor gravitacional esteja alinhado com um dos eixos.

Pz = Pn = Px. No limite para ∆z infinitamente pequeno (elemento tendendo a um ponto). Pressão Manométrica: Pressão medida tomando-se como referência o valor da pressão atmosférica (Patm). A pressão varia na direção vertical. Quando o nível de referência é zero (vácuo).332 m. as pressões são denominadas absolutas. portanto.c. = 760 mmHg 37 . estão submetidos à mesma pressão. sendo esta variação devida ao peso da coluna fluida (Equação Fundamental da Hidrostática). com o nível de referência adotado.0332 kgf/cm2 = 10. ou seja. 2. ou seja. as pressões são denominadas pressões manométricas ou efetivas.a. 11.325 kPa = 1. Patm = 1atm = 101. Se o fluido puder ser considerado incompressível. dois pontos quaisquer. Não há variação de pressão na direção horizontal.0332x104 kgf/m2 = 1. PB = PC + ρgh Os valores de pressão devem ser estabelecidos em relação a um nível de referência. situados a uma mesma altura e no mesmo fluido em repouso. Quando o nível de referência é a pressão atmosférica local.15). Figura 15 – Variação de Pressão em um Fluido Estático. a diferença de pressão entre dois pontos do fluido será diretamente proporcional à diferença de altura entre eles Equação Fundamental da Hidrostática (Fig. 3.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Conclusões: 1. a pressão em um ponto de um fluido estático é independente da orientação (Lei de Pascal). As maneiras de se expressar a pressão variam.2.

O Barômetro de Mercúrio: A aplicação mais simples da lei da hidrostática é o barômetro.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A pressão manométrica pode assumir valores positivos. como mostrado na Fig. Pman > 0 Se P<Patm.3.4. criando vácuo na parte superior do tubo. Neste dispositivo. No processo de inversão do tubo. que é um medidor de pressão atmosférica. Pressão Absoluta: Pressão medida a partir do zero absoluto. Pabs = Patm + Pman ou Pman = Pabs − Patm A pressão a ser utilizada em cálculos envolvendo equações de gás ideal ou outras equações de estado é a pressão absoluta. 11. 17. o mercúrio desce. invertido e mergulhado em um reservatório contendo o mesmo fluido. um tubo é preenchido com um fluido de alto peso específico (geralmente o mercúrio). Pman < 0 Se P=Patm. 38 . Pman = 0 11. negativos ou nulos. Se P>Patm. Figura 16 – Exemplo do Cálculo das Pressões Absoluta e Manométrica.

h = 760mmHg ⇒ 1atm = 760mmHg vácuo 11.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 17 – O Barômetro de Mercúrio. 39 . PA = Patm PA' = PA pontos isobáros (mesma altura no mesmo fluido em repouso) PA = PE + ρgh PE = 0 PA = ρgh ∴ Patm = ρgh = γh Portanto. Aplicação para a Manometria: P2 − P = ρg (z2 − z1 ) 1 z2 − z1 = P2 − P P2 − P 1 1 = ρg γ Uma variação na elevação é equivalente a uma variação de pressão.5. Figura 18 – Variação de Pressão em uma Coluna de Múltiplos Fluidos. a pressão atmosférica pode ser medida a partir da altura de uma coluna líquida de mercúrio.

20 P1 P3 Figura 19 – Ilustração do exemplo acima.Fenômenos de Transporte – 01/2008 1) P5 − P4 = ρ m g (z4 − z5 ) 2) P4 − P3 = ρ g g (z 3 − z 4 ) 3) P3 − P2 = ρ a g (z2 − z3 ) 4) P2 − P = ρo g (z1 − z2 ) 1 Agrupando as equações acima temos: P5 − P = ρ o g (z1 − z2 ) + ρ a g (z2 − z3 ) + ρ g g (z3 − z4 ) + ρ m g (z4 − z5 ) 1 Exemplo: 1) Determine a pressão manométrica no ponto “a”. dB=1.381 m 10 pol = 0. se o líquido A tem densidade relativa dA= 0. vasos comunicantes. devemos calcular a diferença de pressão do ponto em aberto (Patm).75 36pol P2 dB=1.20.75.914 m 15 pol = 0.127 m 40 . Primeiramente faremos algumas transformações para simplificar os cálculos: 1 pol = 25. até chegar em ´´a´´. O líquido em volta do ponto “a” é água e o tanque à esquerda está aberto para a atmosfera. Patm dA=0. Resolução: Para calcular a pressão no ponto´´a´´. e o líquido B.254 m 5 pol = 0.4 mm 36 pol = 0.

1. como água ou óleo.9.759.g .g .h4 − 3 Pa = ρ h2 o .20.127 = 5.381 = 6.1.07 Pa Pa − P3 = ρ h2 o .340.60 − 1. utilizam-se fluidos com menores pesos específicos.SGB .h2 − 3 P3 = 6. Figura 20 – Manômetro de Líquido. utilizam-se fluidos com altos pesos específicos.274. Para medição de altas pressões.81Pa 11. Manômetros de líquido: São tubos transparentes e curvos.SGB .g .47 − 1.81.9.g .75.0.h2 − 3 P3 = P 2 − ρ f .h1− atm P1 = 1.831.g .254.1.h1− 2 P 2 = P1 − ρ f .81.81Pa Temos então como pressão no ponto “a”´: Pa = 7.81.759. No caso de menores pressões.831.g .914 = 10.20. que contêm o líquido manométrico.103.h4 − 3 + P3 Pa = 1.6.103.07 = 7. 41 . padrão .0.9.0. padão .47 Pa P 2 − P3 = ρ A .6.0.103.h1− atm P1 = ρ f .81. Tipos de Manômetros: 11.60 Pa P1 − P 2 = ρ B .340.h1− 2 P 2 = 10.0.g . + 5.9.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Calculamos as diferenças de pressão: P1 − Patm = ρ B .SG A .103.274. padão . geralmente em forma de U. como o mercúrio.g .

p A = pB p A = patm + ρ a ghA pB = patm + ρb ghB Figura 22 – Manômetro de Líquido. p A = pB p A = pC + ρ a ghA pB = patm + ρ b ghB pC . man = ρ b ghB − ρ a ghA 42 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 hA = hB p A = patm + ρghA pB = patm + ρghB p A = pB Figura 21 – Manômetro de Líquido.

12. imerso em um fluido em repouso. a força que nele atua denomina-se empuxo de flutuação. O empuxo vertical no cilindro elementar de volume d∀ é dado por: 43 . Figura 25 – Corpo Imerso em um Fluido Estático. São os manômetros mais utilizados em aplicações industriais. As densidades dos líquidos podem ser determinadas observando-se a profundidade de flutuação de um densímetro. Seja o objeto mostrado na Fig. Manômetros metálicos: São instrumentos usados para medir as pressões dos fluidos através de um tubo metálico curvo (Tubo de Bourdon) ou de um diafragma. que cobre um recipiente metálico. Se um corpo está imerso ou flutua em um fluido.2. 25.Fenômenos de Transporte – 01/2008 11.6. Figura 24 – Manômetro de Diafragma. Figura 23 – Tubo de Bourdon. Equilíbrio dos Corpos Flutuantes Um corpo flutuante ou submerso em um fluido sofre um empuxo de baixo para cima de uma força igual ao peso do volume do fluido deslocado.

Princípio de Arquimedes: “Todo corpo imerso em um fluido em equilíbrio recebe. ou seja.1. por parte do fluido. imerso ou flutuando no fluido. F = dF = ρgd∀ = ρg∀ ∫ ∫ 12.Fenômenos de Transporte – 01/2008 dF = P2 dA − P dA 1 dF = (Patm + ρgh2 )dA − (Patm + ρgh1 )dA dF = ρg (h2 − h1 )dA = ρgd∀ O empuxo total é obtido integrando-se dF. numericamente igual ao peso do volume deslocado pelo corpo. Corpo Imerso: E = peso do volume de fluido deslocado E = ρ fluido∀corpo g W = ρ corpo∀corpo g Corpo Flutuante: E = peso do volume de fluido deslocado E = ρ fluido∀deslocado g W = ρ corpo∀corpo g 44 .” O corpo pode estar. no entanto. um empuxo vertical de baixo para cima.

45 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Situações Possíveis: • Corpo Permanece Totalmente Imerso e em Equilíbrio: E =W ρ fluido = ρcorpo • Corpo Afunda W >E ρcorpo > ρ fluido • Corpo Fica Parcialmente Imerso E >W ρ fluido > ρcorpo O ponto de aplicação do empuxo é chamado Centro de Flutuação ou de Carena (C). Corresponde ao centro de gravidade do volume de fluido deslocado.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 • Corpo Permanece Totalmente Imerso e em Equilíbrio: O centro de flutuação coincide com o centro de gravidade do corpo. pode ocorrer uma das seguintes situações: • Corpo imerso 46 . • Corpo Fica Parcialmente Imerso O centro de flutuação está localizado abaixo do centro de gravidade do corpo. E e W possuem a mesma linha de ação. Se o corpo for afastado da condição de equilíbrio. • Corpo Afunda O centro de flutuação coincide com o centro de gravidade do corpo. Quando o corpo está em equilíbrio.

chamado Metacentro. 26b). o momento tenderá a afastar o corpo ainda mais da posição de equilíbrio inicial. o corpo se encontra em equilíbrio estável. provocando uma mudança na posição do centro de flutuação do corpo. ele permanecerá na nova posição. • Corpo flutuante Figura 26 – Cálculo do Metacentro de um Corpo Submerso. Se o metacentro estiver localizado acima do CG do corpo. haverá um momento restaurador. mas não se verifica transporte de massa através deles.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Se for aplicado um afastamento θ do equilíbrio no corpo. Sistema: Quantidade fixa e definida de massa fluida. Assim. 13. E e W estarão sempre na mesma linha de ação. Nesta situação. 13. Se o metacentro estiver localizado abaixo do CG do corpo. Neste caso. Fluidodinâmica Os fluidos podem ser analisados utilizando-se o conceito de sistema ou de volume de controle. o corpo está em equilíbrio instável. Os limites do sistema podem ser fixos ou móveis. Se o corpo for inclinado de um pequeno ângulo ∆θ (Fig. A linha vertical passando por B' irá interceptar a linha de simetria do corpo no ponto M.1. Neste caso. figuras 27 e 28. que tenderá a retornar o corpo para a sua posição de equilíbrio inicial. o volume da parte de fluido deslocado irá se alterar. o corpo está em equilíbrio indiferente. que muda de B para B'. 47 .

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Figura 27 – Conjunto Pistão-Cilindro.
13.2. Volume de Controle:

Volume arbitrário do espaço, através do qual o fluido escoa. O contorno geométrico do volume de controle é denominado Superfície de Controle. A superfície de controle pode ser real ou imaginária, e pode estar em repouso ou em movimento.

Figura 28 – Escoamento de um Fluido através de um Tubo.
13.3. A relação entre as derivadas do sistema e a formulação para volume de controle:

As leis da Mecânica são escritas para um sistema. Elas estabelecem o que ocorre quando há uma interação entre o sistema e suas vizinhanças. No entanto, em muitos problemas de Mecânica dos Fluidos, é mais comum a análise dos problemas utilizandose a formulação de volume de controle. O teorema de Transporte de Reynolds permite que as leis da Mecânica sejam escritas para um volume de controle. Se N for uma propriedade extensiva arbitrária qualquer, o Teorema de Transporte de Reynolds estabelece que:

Nsistema =

massa ( sistema )

ηdm =

∀ ( sistema )

∫ηρd∀

(N) é uma propriedade extensiva (varia diretamente com a massa). Exemplo: massa. (η) é uma propriedade intensiva (independente da massa). Exemplo: temperatura.

48

Fenômenos de Transporte – 01/2008

dN dt

=
sistema

∂ ηρd∀ + ηρV • d A ∂t ∀C SC

Onde:
dN sist. : é a taxa de variação total de qualquer propriedade extensiva arbitrária do dt

sistema.
∂ ∫ηρd∀ : é a taxa de variação com o tempo, da propriedade extensiva arbitrária, (N), ∂t ∀C

dentro do volume de controle.

η: é a propriedade intensiva correspondente a N (η=N por unidade de massa).
ρd∀ : é um elemento de massa contido no volume de controle.

∀C

∫ηρd∀ :

é a quantidade total da propriedade extensiva, N, contida no volume de

controle.

SC

∫ηρV •d A :

é a vazão líquida em massa, da propriedade extensiva, N, saindo pela

superfície de controle.

ρV • d A : é a vazão em massa através do elemento de área d A . ηρV •d A : é a vazão em massa da propriedade extensiva, N, através da área d A .
r r V • n : é o produto escalar entre o vetor velocidade e o vetor normal à área.

13.4. Equação da continuidade (de conservação da massa) para um volume de controle arbitrário:

Se este teorema for aplicado à equação de conservação da massa,
N sistema = M

η=

dM =1 dm

r r ∂ ⎛ dM ⎞ = ∫ ρd∀ + ∫ ρ V • n dA ⎜ ⎟ ⎝ dt ⎠ sistema ∂t ∀C SC

(

)

Como a massa não varia no interior do sistema,
⎛ dM ⎞ =0 ⎜ ⎟ ⎝ dt ⎠ sistema

49

Fenômenos de Transporte – 01/2008

∂ ∂t

∀C

ρd∀ + ∫ ρ V • n dA = 0
SC

( r r)

Onde:
r r V • n = u cosθ

Deve ser ressaltado que o produto escalar entre o vetor velocidade e o elemento de área é dado por:
r r r r V .dA = V dA cosθ , onde θ é o ângulo entre o vetor velocidade e o vetor normal à área.

Como o vetor normal à área é sempre perpendicular a ela, apontando para fora, uma entrada de tubulação tem θ = 180° e uma saída de tubulação tem θ = 0° Na entrada de uma tubulação, V • n = −u , e, na saída, V • n = u Para um volume de controle fixo,
SC

r r

r r

∫ ρ V • n dA =

( r r)

saída

∑ ρuA − ∑ ρuA
entrada

Como o volume de controle é fixo,

∀C

⎛ dρ ⎞ ⎜ ⎟d∀ + ∑ ρuA − ∑ ρuA = 0 ⎝ dt ⎠ saída entrada

ou

⎛ dρ ⎞ & & ⎜ ⎟d∀ + ∑ m − ∑ m = 0 ∀C ⎝ dt ⎠ saída entrada

13.4.1. Casos especiais:

Em algumas situações, é possível simplificar a equação de conservação da massa. Para escoamento em regime permanente, não há variação das propriedades do escoamento com o tempo. Assim, a equação é escrita como:

SC

∫ ρV •d A = 0

Ou, para um escoamento com um número finito de entradas e saídas, esta equação é dada por:

50

51 . Para um fluido incompressível. a equação de conservação da massa para fluidos incompressíveis é dada por: SC ∫ V •d A = 0 ∫ Definindo-se a vazão volumétrica Q por: Q = V •d A SC a equação de conservação da massa pode ser escrita. a equação de conservação da massa pode ser escrita como: ρ r r ∂ d∀ + ρ V • n dA = 0 ∂t ∀C SC ∫ ∫( ) ρentrada = ρ saída A integral de d∀ em todo o volume de controle é simplesmente o volume. Define-se a magnitude da velocidade média em uma seção como sendo a razão entre a vazão volumétrica e a área da seção. ou: r Q 1 V = = V •d A A A SC ∫ 13. lembrando que o produto escalar dentro da integral é positivo para entrada saídas e negativo para entradas. um escoamento que pode ser descrito por apenas uma coordenada espacial s. Vazão Mássica e Vazão Volumétrica: Seja um escoamento unidimensional.2. Assim. ou seja. Como ele não varia ao longo do tempo. por s(t). a massa específica não varia com o tempo ou com a posição. função do tempo. ou seja.4.Fenômenos de Transporte – 01/2008 saída & & ∑ m − ∑ m = 0 . como: saída ∑Q − ∑Q = 0 entrada A velocidade do escoamento varia em uma dada seção. para um número finito de entradas e saídas.

& m= dm d (ρ∀) = dt dt Mas: d∀ d ds = ( As ) = A = Au dt dt dt Assim: & m = ρuA + ∀ dρ dt dρ = 0. definida como sendo a taxa de variação da massa com o tempo. é dada por: & m= dm d (ρ∀) = dt dt Aplicando-se a regra da cadeia. & m = ρuA A vazão volumétrica. dt DIM: [M/t] Para escoamento incompressível.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 29 – Escoamento Unidimensional. Seja m a massa fluida ocupando a área A no instante de tempo t: & m = ρ∀ A vazão mássica. ou a taxa de variação do volume com o tempo. é dada por: Q= d∀ = uA dt DIM: [L3/t] A vazão mássica e a vazão volumétrica podem ser relacionadas pela expressão: & m = ρQ 52 .

= . estabelecemos: N=E N = η. E: é a energia total do sistema.5. a energia cinética e a energia potencial do sistema (por unidade de massa). : é a taxa de trabalho realizada pelo sistema (convencionada positiva) ou pelo meio sobre o sistema (negativa). M η= dE dm η=e Q− W . sistema = r ∂ eρd∀ + eρV • d A ∂t ∀C SC ∫ ∫ no instante t0: 53 . Sua formulação para sistema é: Q− W sist . dada por: E= M ( sistema ) ∫ edm = ∫ eρd∀ ∀ ( sistema ) e = é a energia intensiva. dada pela soma entre a energia interna. . Onde: Q : é a taxa de transferência de calor trocada entre o sistema e a vizinhança. .Fenômenos de Transporte – 01/2008 13. da primeira lei da termodinâmica. W . 1a Lei da Termodinâmica aplicada ao volume de controle: A primeira lei da Termodinâmica é uma afirmação da conservação da energia. . dE dt sist . 1 mV 2 + mgz + U 2 V2 e= + gz + u 2 E= As formulações para sistema e volume de controle são relacionadas por: dN dt = sistema ∂ ηρd∀ + ηρV • d A ∂t ∀C SC ∫ ∫ Nsistema = ∀C ∫ ηdn = ∫ηρd∀ ∀ ( sistema ) A fim de deduzir a formulação para volume de controle. A convenção de sinais adotada estabelece que a taxa de calor é positiva quando o calor é adicionado ao sistema.

A taxa de trabalho realizado sobre o volume de controle é de sinal oposto ao realizado pelo volume de controle. . Resolução: Para calcular a taxa de transferência de calor precisamos recorrer à seguinte fórmula: 54 . . . Na equação. . SC ∫ pV •d A ⎛ . com velocidade de 500 pés/s. . Q − ⎜W eixo + pV •d A + W cisal + W outros ⎟ = eρd∀ + eρV •d A ⎜ ⎟ ∂t SC ∀C SC ⎝ ⎠ ∫ ∫ ∫ Q− W = .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Q− W sist . como trabalho produzido por forças eletromagnéticas. . . . . 80ºF com velocidade desprezível e é descarregado a 70 psia. W outros é qualquer taxa de trabalho não considerada. . 500ºF. . = Q− W ∀C . . determine a taxa de transferência de calor. r ∂ eρd∀ + (eρ + p )V • d A ∂t ∀C SC ∫ ∫ 2 r r & & ∂ eρ d∀ + ⎛ V + gz + u + ρυ ⎞ρV • dA ⎟ ⎜ Q −W = ∫C ∫⎜ 2 ⎟ ∂t ∀ ⎠ SC⎝ Sendo: υ = 1 ρ É importante ressaltar que a dedução da equação está além do escopo desta disciplina. O termo W tem um valor numérico positivo quando o trabalho é realizado pelo volume de controle sobre o meio que o cerca. se a potência fornecida ao compressor for 3200 hp e a vazão em massa 20 lbm/s. recomenda-se consultar os livros de Mecânica dos Fluidos sugeridos. ⎞ ∂ . W eixo é qualquer taxa de trabalho de eixo (potência) realizado sobre ou pelo volume de controle. . Exemplo: Ar entra em compressor a 14 psia. W = W eixo + W normal + W cisal + W outros W normal = . . Para maiores informações.

2399 ⋅ BTU ⋅ (959 − 539 )⎞ ⋅ 20 lbm − 2261. Para esta situação.3 lbm ⋅ R lbm ⋅ R 1HP = 550 ⋅ lbf ⋅ ft 1Btu = lbf ⋅ ft e 778 s T (ºR) = 460 + T (ºF) Substituindo os parâmetros acima na equação (A) temos: 2 ⎞ & & & ⎛V Q = m ⋅ ⎜ 2 + C p ⋅ (T 2−T1 )⎟ + W ⎟ ⎜ 2 ⎠ ⎝ 2 2 & ⎛ 500 ⋅ ft + 0 . Equação de Bernoulli: Muitas vezes.71 BTU ⎟ Q=⎜ ⎟ ⎜ 2 s2 lbm⋅0 R s s ⎠ ⎝ Q = −2. deseja-se aplicar a equação de conservação da energia para o escoamento em regime permanente de um fluido incompressível no interior de uma tubulação. com apenas uma entrada e uma saída de massa.Fenômenos de Transporte – 01/2008 2 r r & − W = ∂ eρ d∀ + ⎛ V + gz + u + ρυ ⎞ρV • dA & ⎟ ⎜ Q ∫⎜ 2 ⎟ ∂t ∀∫ ⎠ C SC⎝ Levando agora em consideração as duas superfícies de controle e o regime permanente: 2 2 & − W = (− ρ V A )⎛ V1 + gz + u + p υ ⎞ + ρ V A ⎛ V2 + gz + u + p υ ⎞ & ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ Q 1 1 1 ⎜ 1 1 1 1⎟ 2 2 2⎜ 2 2 2 1⎟ 2 2 ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ Colocando a vazão mássica em evidência 2 2 & & & ⎛ V − V1 + g ( z − z ) + (u − u ) + ( p υ − p υ )⎞ Q − W = m⎜ 2 2 1 2 1 2 2 1 1 ⎟ ⎟ ⎜ 2 ⎠ ⎝ (A) h = entalpia específica = u + pυ h2 − h1 = ∆h = (u2 + p2υ 2 ) − (u1 + p1υ1 ) = C p .49. BTU s 13.(T2 − T1 ) V1 = 0 OBS.24 ⋅ Z1 = Z 2 Btu lbf ⋅ ft e Rar = 53.6.: Cp é tabelado. Cpar = 0. 2 r r & & ∂ eρ d∀ + ⎛ V + gz + u + ρυ ⎞ρV • dA ⎟ ⎜ Q −W = ∫C ∫⎜ 2 ⎟ ∂t ∀ ⎠ SC⎝ 55 . a equação da energia pode ser simplificada.106 .

2 2 & − W = ( gz − gz + u − u + ρ υ − ρ υ )m + ⎛ V2 ⎞ρV • dA − ⎛ V1 ⎞ρV • dA & & ∫⎜ Q 2 1 2 1 1 1 2 ∫⎜ 2 ⎟ 1 1 ⎜ 2 ⎟ 2 ⎟ ⎜ ⎟ ⎠ ⎠ A2 ⎝ A1 ⎝ Definindo-se o coeficiente de energia cinética de forma que: ⎛V 2 ⎞ ⎛V 2 ⎞ ⎟ρVdA = α ∫ ⎜ ⎜ ∫⎜ 2 ⎟ ⎟ ⎜ 2 ⎟ρVdA ⎠ ⎠ ⎝ A A⎝ Onde: α: é o fator de correção da energia cinética Pode-se escrever a equação da energia de uma forma mais compacta: V2 V2⎞ & & ⎛ & Q − W = ⎜ gz2 − gz1 + u2 − u1 + p2υ − p1υ + α 2 2 − α1 1 ⎟m ⎜ 2 2 ⎟ ⎠ ⎝ Para escoamento em regime turbulento. a equação pode ser dada por: r r ⎛V 2 ⎞ r ⎛V 2 ⎞ r & & & & Q − W = ( gz1 + u1 + ρ1υ )(− m1 ) + ( gz 2 + u2 + ρ 2υ )m2 + ∫ ⎜ 2 ⎟ρV2 • dA2 − ∫ ⎜ 1 ⎟ρV1 • dA1 ⎜ 2 ⎟ ⎜ 2 ⎟ A2 ⎝ A2 ⎝ ⎠ ⎠ No entanto. sem outras formas de trabalho realizadas. para escoamento incompressível. Dividindo-se a equação pela vazão mássica. a vazão mássica se conserva. a equação se reduz a: ⎞ r r ⎛V 2 & & Q −W = ∫ ⎜ + gz + u + ρυ ⎟ρV • dA ⎟ ⎜ 2 ⎠ SC⎝ Chamando a entrada da tubulação de (1) e a saída da tubulação de (2). e considerando que. α é aproximadamente igual à unidade. & & ⎛ V2⎞ ⎛ V2⎞ W Q ⎜ gz1 + p1υ + α1 1 ⎟ − ⎜ gz2 + p2υ + α 2 2 ⎟ = + (u2 − u1 ) − ⎟ m ⎟ ⎜ ⎜ & 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠ & m ⎝ Os termos entre parênteses do lado esquerdo da equação representam a energia W mecânica por unidade de massa em cada seção transversal do escoamento. sabe-se que. O termo & m . representa a potência de eixo (por unidade de massa) fornecida ou retirada do fluido 56 . α = 2. tem-se: & & Q W ⎛ V2 V2⎞ − = ⎜ gz2 − gz1 + u2 − u1 + p2υ − p1υ + α 2 2 − α1 1 ⎟ & & ⎝ m m ⎜ 2 2 ⎟ ⎠ Reescrevendo-se a equação. a pressão e a distância vertical (z) não se alteram. a energia interna (u).Fenômenos de Transporte – 01/2008 Adotando-se as hipóteses de escoamento em regime permanente. em uma dada seção. Para escoamento em regime laminar.

toda a energia mecânica se conserva. seção (1) em energia térmica não desejada e a perda de energia por transferência de calor. Visualização gráfica da equação de Bernoulli: Muitas vezes.6.6. 13. A equação de Bernoulli pode ser dada então por: ⎛ V2⎞ ⎛ V2⎞ ⎜ gz1 + p1υ + α1 1 ⎟ − ⎜ gz2 + p2υ + α 2 2 ⎟ = H s ⎜ 2 ⎟ ⎜ 2 ⎟ ⎠ ⎠ ⎝ ⎝ Quando. têm que: Q (u2 − u1 ) = & m . Os termos individuais são: P : ρg z: Energia de Pressão por unidade de peso do fluido ou carda devida à pressão estática local. na forma apresentada tem dimensões de comprimento. 57 .1.1. A equação é dada por: ⎛ V2⎞ ⎛ V2⎞ ⎜ gz1 + p1υ + α1 1 ⎟ = ⎜ gz 2 + p2υ + α 2 2 ⎟ ⎜ 2 ⎟ ⎜ 2 ⎟ ⎠ ⎠ ⎝ ⎝ ⎛ V2⎞ ⎟ = H = constante ⎜ gz + pυ + α ⎜ 2 ⎟ ⎠ ⎝ Equação de Bernoulli para fluidos ideais A energia em qualquer ponto da massa fluida em um escoamento incompressível em regime permanente é constante. Energia de Posição por unidade de peso do fluido ou carga de elevação. não há nenhuma potência de eixo. além disso. ou carga do fluido em escoamento.1. é conveniente representar o nível de energia de um escoamento por meios gráficos. Cada termo na equação de Bernoulli. 13.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Q (Hs) e o termo (u2 − u1 ) − representa a conversão irreversível de energia mecânica na & m . A Equação de Bernoulli para fluidos ideais: Para escoamentos de fluidos incompressíveis para os quais se pode desprezar os efeitos de atrito (fluidos ideais).

A energia total por unidade de peso do fluido (ou carga total do escoamento). ρg 58 . p V2 + Linha Energética: z + ρg 2 g Linha Piezométrica: z + P . H: Energia Total por unidade de peso do fluido ou carga total do escoamento. Figura 30 – Linhas Energética e Piezométrica para Escoamento Unidimensional em um Duto. A diferença entre as alturas da linha energética e da linha piezométrica representa a altura de carga dinâmica (de velocidade). quando nenhum trabalho é realizado sobre ou pelo fluido. Conforme mostrado na equação de Bernoulli. Para um fluido ideal sem trabalho de eixo. a altura da linha energética permanece constante para o escoamento sem atrito. a energia mecânica total se conserva.Fenômenos de Transporte – 01/2008 α V2 : Energia Cinética por unidade de peso do fluido ou carga devida à pressão 2g dinâmica local. A linha energética representa a altura de carga total. A linha piezométrica representa a soma das alturas de carga devidas à elevação e à pressão estática.

z1 − z2 = h Portanto. Teorema de Torricelli: Seja um recipiente de paredes delgadas com a área da superfície livre constante. assume-se α1 = α2 = 1 A equação da Continuidade estabelece que a vazão volumétrica seja constante.1. Pode-se considerar. V1 = 0 .6. Figura 31 – Escoamento de um Fluido Ideal em um Recipiente de Paredes Delgadas. A aplicação da equação de Bernoulli para fluidos ideais conduz a: V1 V2 P P2 + z2 + = 1 + z1 + ρg ρg g g 2 2 Para escoamento turbulento.Fenômenos de Transporte – 01/2008 13. Como o jato de saída é livre à pressão atmosférica. portanto.”. escoando em regime permanente através de um orifício lateral.2. A1 >> A2 . ou seja.6. Q = A1V1 = A2V2 No entanto. h= V22 2g V2 = 2 gh Teorema de Torricelli: “A velocidade de um líquido jorrando por um orifício através de uma parede delgada é igual à velocidade que teria um corpo em queda livre de uma altura h. Aplicações da Equação de Bernoulli: 13.2. contendo um fluido ideal. 1 Além disso. 59 . P = P2 = Patm .

Fenômenos de Transporte – 01/2008

13.6.2.2. Medidores de vazão:

Freqüentemente, é necessário medir a vazão que passa por uma tubulação. Existem diferentes dispositivos capazes de efetuar esta medição, divididos principalmente em duas classes: instrumentos mecânicos e instrumentos de perda de carga. Os instrumentos mecânicos medem a vazão real do fluido, retendo e medindo uma certa quantidade. Os dispositivos de perda de carga obstruem o escoamento, causando a aceleração de uma corrente fluida, como mostra na fig. 32 para um bocal genérico.

Figura 32 – Escoamento Interno através de um Bocal Genérico mostrando o volume de controle usado para análise.

A separação do escoamento na borda viva da garganta do bocal provoca a formação de uma zona de recirculação, como mostrado pelas linhas tracejadas a jusante do bocal. A corrente principal do escoamento continua a se acelerar após a garganta, formando uma vena contracta na seção 2 e, em seguida, desacelera-se para preencher toda a seção do tubo. Na vena contracta, a área de escoamento é mínima e a velocidade é máxima. A vazão teórica pode ser relacionada ao gradiente de pressão através da aplicação da equação de Bernoulli para fluidos ideais e da equação de conservação de massa. A equação de Bernoulli estabelece que
P2 V2 P V1 + z2 + α 2 = 1 + z1 + α1 ρg 2 g ρg 2g
2 2

Como z1 = z2, a equação se reduz a:
P2 V2 P V1 + α2 = 1 + α1 2 g ρg 2g ρg
2 2

Assim, considerando-se escoamento turbulento, α1= α2 = 1 e: 60

Fenômenos de Transporte – 01/2008

P − P2 = 1
P − P2 = 1

ρ⎛

2 2 ⎜V 2 − V 1 ⎞ ⎟ ⎠ 2⎝
2 V1 ⎞ ⎟ 1− 2 ⎜ V2 ⎟ 2⎠ ⎝ 2

ρV 2 ⎛ ⎜

As velocidades V 1 e V 2 podem ser relacionadas através da equação de conservação de massa,
V 1 A1 = V 2 A2

Ou
V 1 A2 = A1 V2

Assim,
P − P2 = 1

ρV 2 ⎛

A ⎞ ⎜1 − 2 ⎟ ⎜ 2 ⎝ A1 ⎟ ⎠

2

A velocidade teórica (ideal) V 2 é, portanto, dada por:
V2 = 2(P − P2 ) 1 ⎡ ⎛ A ⎞2 ⎤ ρ ⎢1 − ⎜ 2 ⎟ ⎥ ⎢ ⎜ A1 ⎟ ⎥ ⎣ ⎝ ⎠ ⎦

A vazão volumétrica teórica é dada, portanto, por:
Q = V 2 A2

Q=

2(P − P2 ) 1 ⎡ ⎛ A ⎞2 ⎤ ρ ⎢1 − ⎜ 2 ⎟ ⎥ ⎢ ⎜ A1 ⎟ ⎥ ⎣ ⎝ ⎠ ⎦

. A2

No entanto, diversos fatores limitam a utilidade da equação anterior para o cálculo da vazão através do medidor. A área do escoamento real na seção 2 é desconhecida quando a vena contracta é pronunciada. Em geral, os perfis de velocidade não podem ser considerados uniformes na seção. Os efeitos de atrito podem se tornar importantes quando os contornos medidos são abruptos. Finalmente, a localização das tomadas de pressão influencia a leitura da pressão diferencial. A equação teórica é ajustada pela definição de um coeficiente de descarga empírico tal que:

61

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Q=

2(P − P2 ) 1
⎡ ⎛ A ⎞2 ⎤ ρ ⎢1 − ⎜ 2 ⎟ ⎥ ⎢ ⎜ A1 ⎟ ⎥ ⎣ ⎝ ⎠ ⎦

.Cd . At

Deve ser observado que no cálculo da vazão real a área que deve ser utilizada é a área da garganta, e não a área do escoamento na seção 2. São apresentados na literatura valores para os coeficientes dos medidores de vazão, medidos com distribuições de velocidades turbulentas, completamente desenvolvidas na entrada do medidor.
13.6.2.2.1. Tubo de Venturi:

O tubo de Venturi é um dispositivo utilizado para medição da vazão ou da velocidade em uma tubulação. Consiste em uma redução da seção do escoamento, provocando um aumento de velocidade e uma queda na pressão. Em geral, os medidores são fundidos e usinados com pequenas tolerâncias, de modo a reproduzir o desempenho de projeto. A perda de carga total é baixa. Dados experimentais mostram que os coeficientes de descarga variam de 0,98 a 0,995 para altos números de Reynolds (maiores que 2.105). Por isso, C= 0,99 pode ser usado para medir a vazão em massa com cerca de 1% de erro. Para menores números de Reynolds, a literatura dos fabricantes deve ser consultada. A diferença de pressão entre um ponto no escoamento e um ponto no estrangulamento é medida através de um líquido manométrico, como mostrado na fig. 33.

Figura 33 – Tubo de Venturi. Aplicando-se a equação de Bernoulli entre os pontos 1 e 2 (fluido A),
P V1 P V2 1 + + z1 = 2 + + z2 ρ Ag 2g ρ Ag 2g
2 2

62

6. A equação da continuidade estabelece que. Ao entrar no tubo. 63 . a velocidade do fluido é reduzida a zero. Podem ser utilizadas 2 configurações. 34).2. Aplicando-se a equação de Bernoulli: Figura 34 – Medição de pressão estática – Tubo de Pitot.Fenômenos de Transporte – 01/2008 No entanto. Na primeira (Fig. chega-se a: Q = A1 ⋅ 2 ⋅ (P − P2 ) 1 ⎡⎛ A ⎞ 2 ⎤ ρ A ⋅ ⎢⎜ 1 ⎟ − 1⎥ ⎜ ⎟ ⎢⎝ A2 ⎠ ⎥ ⎣ ⎦ 13. para fluidos incompressíveis: Q = V 1 A1 = V 2 A2 Ou: V1 = V2 = Q A1 Q A2 A1 A2 V 2 =V1 Igualando-se as expressões P1 e P2 e substituindo-se as expressões para as velocidades.2.2. um tubo é inserido no escoamento. sem atrito. Tubo de Pitot: Assim como o tubo de Venturi. z1 = z2 P V1 P V2 1 + = 2 + ρ A g 2g ρ Ag 2g 2 2 Falta ainda relacionar as velocidades V 1 e V 2 à vazão mássica ou à vazão volumétrica. o tubo de Pitot é um dispositivo utilizado para a medição de vazão ou a velocidade de um escoamento.

no qual será lida a diferença de cotas (Fig. ⎛P −P⎞ V 1 = 2g⎜ 2 1 ⎟ ⎜ ρg ⎟ ⎝ ⎠ V 1 = 2 g (h2 − h1 ) Na segunda configuração. Figura 35 – Tubo de Pitot com fluido manométrico. 2 2 P V1 P V2 1 + + z1 = 2 + + z2 ρ Ag 2g ρ Ag 2g 64 . Aplicando-se a equação de Bernoulli ao fluido A.Fenômenos de Transporte – 01/2008 P V1 P V2 1 + + z1 = 2 + + z2 ρg 2 g ρg 2 g 2 2 Mas: z1 = z2 V 2 =0 Assim. é inserido um fluido manométrico. 35). P V1 P 1 + = 2 ρg 2 g ρg 2 ou: P2 ρ − P 1 ρ = V1 2 2 As pressões podem ser relacionadas às alturas do fluido: P1 = Patm+ ρgh1 P2 = Patm+ ρgh2 Substituindo-se na equação de Bernoulli.

3. Placa de orifício: A placa de orifício é uma placa fina que pode ser colocada entre flanges.2. As principais desvantagens são a sua capacidade limitada e a elevada perda de carga.36) é: ⎛D ⎞ C = 0. Como a localização das tomadas influencia o coeficiente de descarga.75 ⎜ t ⎟ ⎝ Dl ⎠ Re Dl ⎝ Dl ⎠ 65 .71 ⎛ D ⎞ ⎛D ⎞ − 0. As tomadas de pressão podem ser posicionadas em diversos locais.184⎜ t ⎟ + 0. por: V1 = 2 g ( ρ A − ρ B )(h1 − h2 ) ρA 13.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Mas: z1 = z2 V 2 =0 Assim.1 8 2. então. Como a sua geometria é simples. P2 − P1= ( ρ A − ρ B )(h1 − h2 ) g A velocidade do escoamento é dada.5959 + 0. P V1 P 1 + = 2 ρ Ag 2g ρ A g 2 ou: ρA P2 − ρA P1 = V1 2 2 As pressões nos pontos 1 e 2 podem ser relacionadas através das seguintes expressões: PC = P1+ ρ A gh1 PD = P2+ ρ A gh2 Mas. é de baixo custo e de fácil instalação e reposição.6. A equação de correlação recomendada para um orifício concêntrico com tomadas de canto (fig. PC = P D + ρ B g (h1 − h2 ) Assim.0312⎜ t ⎟ ⎝ Dl ⎠ 2 .2.5 91. valores consistentes devem ser selecionados de manuais.

A1 = área da seção reta do tubo. temos: p1 V1 p V2 + + Z1 = 2 + + Z2 γ 2g γ 2g 2 2 (1) Porém. Figura 36 (b) – Placa de Orifício. Equações de correção similares estão disponíveis para placas de orifícios com tomadas de flange e com tomadas de pressão D e D/2. Aplicando a equação de Bernoulli entre A1 e A2.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 36 (a) – Geometria de orifício e localização de tomadas de pressão – Placa de orifício. A3 = área da seção reta à entrada do orifício (montante). a área na seção reta na “vena contracta” será multiplicada por um fator CC chamado coeficiente de contração. A2 = área da seção reta à saída do orifício (jusante). então: A2 = CC A0 66 (2) .

P 1 γ + Q2 P Q2 = 2+ 2 gA12 γ 2 g( Cc A0 )2 Q2 ⎛ 1 1 ⎞ ⎜ 2 2− 2⎟ ⎜C A 2 g ⎝ C 0 A1 ⎟ ⎠ 2 Q 2 ⎛ A12 − CC A02 ⎞ ⎜ 2 2 2 ⎟ 2 g ⎜ CC A0 A1 ⎟ ⎝ ⎠ h1 − h2 = h1 − h2 = Q= 2 CC A02 A12 ⋅ 2 g (h1 − h2 ) 2 A12 − CC A02 Q= ⎛A ⎞ C A ⎜ 1⎟ ⎜A ⎟ ⎝ 1⎠ 2 C 2 0 2 2⎛ A ⎞ 1 − CC ⎜ 0 ⎟ ⎜A ⎟ ⎝ 1⎠ 2 ⋅ 2 g (h1 − h2 ) Q= CC A0 2⎛ A ⎞ 1 − CC ⎜ 0 ⎟ ⎜A ⎟ ⎝ 1⎠ 2 ⋅ 2 g (h1 − h2 ) Para obtermos a vazão real. temos.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Assim sendo. Q = V1 A1 = V2Cc A0 (3) Cortando Z1 e Z2 na equação (1) e substituindo (3) em (1). então: Q= CV CC A0 2⎛ A ⎞ 1 − CC ⎜ 0 ⎟ ⎜A ⎟ ⎝ 1⎠ 2 ⋅ 2 g (h1 − h2 ) (4) Definimos o coeficiente de forma do orifício “C” como sendo a relação: C= CV CC 2⎛ A ⎞ 1 − CC ⎜ 0 ⎟ ⎜A ⎟ ⎝ 1⎠ 2 (5) A equação (4) pode ser escrita: Q = CA0 2 g (h1 − h2 ) (6) 67 . devemos considerar o coeficiente de velocidade “CV” responsável pelas perdas por atrito e choques no orifício.

(∆HP) que é a energia por unidade de peso do líquido. é aquela pressão que seria medida por um instrumento movendo-se com o escoamento).4.2. dissipada em forma de calor devido à viscosidade e ao desvio de massa pelos acessórios e. 68 .7.Fenômenos de Transporte – 01/2008 13. pela rugosidade. Figura 37 – Medições simultâneas das pressões de estagnação e estática. P0 − P γ = V2 2g ⎛P −P⎞ V = 2g⎜ 0 ⎟ ⎜ γ ⎟ ⎠ ⎝ 13.6. Equação de Bernoulli para fluidos reais – perda de carga: P2 V 2 P1 V1 + z2 + = + z1 + + ∆H p 2 g ρg 2g ρg 2 2 Este último termo é denominado perda de carga.2. V2 + z = constante 2g P P γ P0 + γ = γ + V2 2g onde: P0: é a pressão de estagnação V0 = 0 z0 = z P: pressão estática (é a pressão termodinâmica. quando turbulento o regime de escoamento. Pressão de estagnação: É obtida quando um fluido em movimento é desacelerado até a velocidade zero por meio de um processo sem atrito.

devida ao atrito do escoamento com as paredes ao longo da tubulação. a soma da perda de carga contínua (∆H pC ) . P : ρg z: V2 : 2g Energia de Pressão por unidade de peso do fluido. portanto.Fenômenos de Transporte – 01/2008 13.7.1. ∆H p : Perda de Carga entre os pontos 1 e 2. com a perda de carga local (∆H pL ). devida à perda de pressão pelo atrito do escoamento com os acessórios e conexões. A perda de carga (∆H p ) depende da rugosidade (ε) e do comprimento (L) da tubulação e da presença de acessórios e conexões no sistema. Energia de Posição por unidade de peso do fluido. A perda de carga total é. mudanças de área e outros. ∆H P = ∆H PC + ∆H PL A perda de carga unitária é definida como sendo a razão entre a perda de carga e o comprimento da tubulação: ∆H P L J = 69 . Visualização gráfica da equação de Bernoulli para fluidos reais: Figura 38 – Linhas Energética e Piezométrica para Escoamento de um Fluido Real. Energia Cinética por unidade de peso do fluido.

O adimensional de Reynolds.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A perda de carga entre duas seções quaisquer do escoamento pode ser calculada através de relações empíricas que dependem principalmente do regime de escoamento e da rugosidade relativa do duto. 2 onde: L é a distância percorrida pelo fluido entre as 2 seções consideradas. g é a aceleração da gravidade. Re ≥ 4000 .2. O fator de atrito depende do regime de escoamento.2. ∆H PC LV = f D 2g D é o diâmetro do duto. o escoamento é laminar. ele depende da rugosidade (ε) e do diâmetro da tubulação (D).7. DIM: [L/t]. DIM: [L]. o escoamento está na faixa de transição. da velocidade média do escoamento V e das propriedades do fluido (ρ e µ). Basicamente. f é o coeficiente de atrito.1. o escoamento é turbulento. o fator de atrito pode ser calculado por: 70 . DIM: [L/t2]. Perdas de carga contínuas: ocorre nos trechos retos. O principal problema consiste então na determinação do fator de atrito. V é a velocidade média do fluido. 13. DIM: [L]. obtém-se que o fator de atrito é função de 2 adimensionais: a rugosidade relativa (k/D ou ε/D) e o número de Reynolds.7. Para escoamentos laminares. Através da análise dimensional. Tipos de perda de carga: 13. Se 2100 < Re < 4000 . ou Re é dado por: ρV D V D = µ υ () Re = O número de Reynolds caracteriza o regime de escoamento: Re ≤ 2100 .

15 0. Os valores do fator de atrito. denominado Ábaco de Moody.26 0.38). para alguns materiais comuns de engenharia. foram determinados experimentalmente para uma série de valores de Re e de (k/D ou ε/D) e sumarizados em um ábaco (Fig.9 ⎟⎥ ⎣ ⎝ 3.Fenômenos de Transporte – 01/2008 f = 64 Re Para escoamentos turbulentos.9 a 9 0. ou seja.7 Re ⎠⎦ −2 Substituindo-se o resultado da equação de Miller na equação de Colebrook.3 a 3 0.74 ⎞⎤ f 0 = 0. a determinação do fator de atrito é mais complicada. dado por: ⎡ ⎛ ξ / D 5.25⎢log⎜ + 0. pode-se determinar um valor para o fator de atrito com cerca de 1% de erro. para escoamentos laminares e turbulentos. Moody apresenta também uma tabela (Tab. Miller sugere um valor inicial para o fator de atrito(f0).3) para determinação da rugosidade absoluta (ε) em tubos.046 0. Tabela 3 – Rugosidade para Tubos de Materiais comuns de Engenharia.9 0.5 ⎟ ⎝ ⎠ No entanto. Material Rugosidade ε (mm) Aço rebitado Aço comercial Concreto Ferro fundido Ferro fundido asfaltado Ferro galvanizado Madeira Trefilado 0.7 Re . f 0.51 ⎞ ⎟ = −2 log⎜ + ⎜ 3.2 a 0. deve ser resolvida por um procedimento iterativo.12 0. A expressão mais largamente utilizada é a de Colebrook: 1 f 0.0015 71 . 5 ⎛ξ / D 2. a expressão anterior é transcendental.

Ábaco de Moody. 72 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 39 .

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 40 – Determinação da Rugosidade Relativa. 73 .

41) Figura 41 – Valores aproximados de k. curvas ou mudanças abruptas de seção e direção. conexões. muitas vezes o escoamento é obrigado a passar por uma série de acessórios.Fenômenos de Transporte – 01/2008 13. o escoamento perde energia e tem sua pressão diminuída. 1o método: Método direto ∆H PL = (∑ k )Vg 2 2 k: é o coeficiente de perda local (característica do acessório – Fig. As perdas de carga locais foram determinadas experimentalmente e modeladas segundo duas equações diferentes. 74 . Ao passar por estes obstáculos. Perdas de carga localizadas: Em um sistema real.7.2.2.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 2o método: Método dos comprimentos equivalentes Consiste em transformar o acessório em trecho reto com o mesmo diâmetro e material. se for mal projetada. 75 . 41) A perda de carga total é: ∆H P = ∆H Pc + ∆H PL Figura 42 – Comprimentos Equivalentes para Tubulações de Ferro fundido e Aço.0. A entrada do escoamento em tubos pode causar uma perda de carga considerável. ∆H PL 2 L V = f e D 2g Le: é o comprimento equivalente da tubulação (Fig. o coeficiente de perda local vale 1. Para saídas. Na Tab. são apresentadas 3 geometrias básicas de entradas. 4.

em função da razão de área AR (razão entre a menor e a maior área da contração ou expansão). 5 apresenta os coeficientes de perda de carga.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Tabela 4 – Coeficiente de Perda de Carga para Entrada de Tubos. para uma saída submersa. o coeficiente de perda de carga pode ser modelado pela equação: K = (1-RA)2 76 . Tabela 5 – Coeficientes de Perda de Carga para Contração e Expansão. Para uma expressão abrupta. Toda energia cinética do fluido é dissipada pela mistura quando o escoamento descarrega de um tubo em um grande reservatório ou câmara (saída submersa). Assim. não importando a geometria. Um escoamento pode ainda sofrer uma expansão ou contração abrupta. a Tab. Para este caso. o coeficiente de perda é igual a α.

Figura 43 – Redução de Área – Bocal.05 15º .25 0. Tabela 6 – Coeficientes de Perda de Carga para Redução Suave da Seção Kcontração A2 / A1 0. CPi = 1 − 1 AR 2 K = CPi − CP 77 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 As perdas decorrentes da variação de área podem ser reduzidas pala instalação de um bocal ou um difusor entre as duas seções de tubo reto.27 0.37 180º 0. Como um difusor provoca um aumento da pressão estática do escoamento (redução da velocidade média).24 0.19 120º 0.10 θ 10º 0. 6 apresenta os coeficientes de perda de carga para bocais. CP: CP = P2 − P 1 1 ρV12 2 1 − CP AR 2 O coeficiente de perda é dado por K = 1− Definindo-se um coeficiente ideal de recuperação de pressão.04 0.60º 0.05 0. para diferentes razões de área e para diferentes ângulos θ. A Tab.05 0.05 0.07 0. CPi.05 0.43 As perdas em difusores (expansão gradual da seção do escoamento) dependem de diversas variáveis geométricas e do escoamento.06 0.18 0. Um bocal é um dispositivo utilizado para a redução gradual da seção do escoamento (Fig.41 0.29 150º 0.50 0.35 0.12 0.40º 50º .26 0.43). o coeficiente de perda é comumente apresentado em termo de um coeficiente de recuperação de pressão. como o coeficiente de recuperação que existiria se os efeitos de atrito fossem desprezados.08 90º 0.17 0.

a da maior e a da menor seção. Estes valores. Para estes casos. há duas velocidades diferentes. são mostrados na Tab. 7. As perdas de carga em escoamentos através de válvulas e conexões também podem ser escritas em termos de comprimentos equivalentes de tubos retos. em função do ângulo total do difusor. Deve ser observado que as perdas de carga são obtidas ao se multiplicar o coeficiente de perda por (U2/2g). Acessórios Le/D Válvula Gaveta Válvula Globo Válvula Angular Válvula de Esfera Válvula Globo de Retenção Válvula Angular de Retenção 8 340 150 3 600 55 78 . para cada um dos acessórios. Tabela 7 – Comprimento Equivalente Adimensional para Válvulas e Conexões. 44 apresenta os coeficientes de carga para difusores. Figura 44 – Coeficiente de Perda de Carga para um Difusor. sempre deve ser usado o maior valor de velocidade. em uma redução ou aumento de seção.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A Fig. No entanto.

Existe uma grande variedade de tipos de válvulas. com auxílio de uma alavanca.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Válvula de pé com Crivo Guiado Válvula de pé com Crivo Articulado Cotovelo Padrão de 90º Cotovelo Padrão de 45º Curva de Retorno – 180º Tê Padrão: Escoamento Principal Tê Padrão: Escoamento Lateral 420 75 30 16 50 20 60 Válvulas são dispositivos destinados a estabelecer. a válvula desliza para baixo na seção. vácuo. em geral. muito usadas para ar comprimido. As válvulas de gaveta (Fig. Estas válvulas não se aplicam. 79 . possuindo uma passagem central e localizada no corpo da válvula. manual. As válvulas de esfera são válvulas de uso geral. das propriedades físicas e químicas do fluido considerado. de fechamento rápido. O controle do fluxo é feito por meio de uma esfera. O comando é. Figura 45 – Válvula de gaveta. Algumas garantem a segurança da instalação e outras permitem desmontagens para reparos ou substituições de elementos da instalação. gases e líquidos. Possuem custo relativamente reduzido e permitem a redução da vazão do escoamento através do volante situado na parte superior do corpo da válvula. cuja escolha depende da natureza da operação a realizar.45) são válvulas mais empregadas para escoamento de líquidos. Quando o volante é girado. mas apenas abrir ou fechar totalmente a passagem do fluido. a casos em que se pretende variar a vazão. controlar e interromper a descarga de fluidos em tubulações. vapor. da pressão e da temperatura do escoamento e da forma de acionamento pretendida.

dependendo do fabricante. As válvulas de retenção (Fig. proposta por Fox e McDonald (2001). Eles devem ser considerados como dados representativos para algumas situações comumente encontradas. Quando há a tendência de inversão no sentido do escoamento. embora acarretem grandes perdas de carga. Os valores apresentados constituem uma compilação dos dados da literatura. Existe um número muito grande de dados experimentais para as perdas da carga localizadas. os 80 . Para válvulas. fecham automaticamente pela diferença de pressão provocada. Servem para regular a vazão. mesmo com abertura máxima. Figura 47 – Válvula de Retenção. 46) possuem uma haste parcialmente rosqueada em cuja extremidade existe um alargamento. Figura 46 – Válvula Globo. tampão ou disco para controlar a passagem do fluido por orifício. pois podem trabalhar com tampão da vedação do orifício em qualquer posição.Fenômenos de Transporte – 01/2008 As válvulas globo (Fig. o projeto irá variar significativamente. Sempre que possível.47) permitem o escoamento em um só sentido.

Potência fornecida por uma bomba Se for necessário transportar um fluido de um ponto a outro situado em uma posição mais elevada. Aplicando-se a equação de Bernoulli para fluidos reais entre os pontos 1 e 2. pode-se utilizar uma bomba. por exemplo. poderão causar obstruções locais. dependendo dos cuidados tomados durante a fabricação da tubulação. a potência que a bomba fornece ao fluido é dada por: N B = γQH man Onde: γ: é o peso específico do fluido DIM ⎢ 3 ⎥ ⎣L ⎦ Q: é a vazão volumétrica através da bomba DIM ⎢ 81 ⎡ L3 ⎤ ⎥ ⎣t ⎦ ⎡F⎤ . com aumento considerável das perdas. P V1 2 P2 V22 1 z1 + + + H man = z 2 + + + ∆H p ρg 2 g ρg 2 g A potência real da bomba. como as perdas de carga introduzidas por acessórios e válvulas irão variar consideravelmente.Fenômenos de Transporte – 01/2008 valores fornecidos pelos fabricantes deverão ser utilizados para a obtenção de dados mais precisos. 13. Além disso. Rebarbas do corte de trechos de tubos.8. A bomba fornecerá ao fluido uma quantidade de energia por unidade de peso do fluido Hman. Figura 48 – Elevação de um Fluido com uma Bomba. ou seja.

82 . No entanto. d) Potência da bomba de acionamento em (cv). é o W (J/s). É a energia fornecida a cada kgf de líquido para que partindo do reservatório inferior atinja o reservatório superior. ou seja. Uma unidade bastante utilizada é o cavalo-vapor (cv). potência real potência ideal η= A unidade de potência. no SI. 1 hp = 1.10 − 6 Determinar: a) Perda de carga na linha de sucção em (m). sendo 1 cv = 736W = 75 kgfm/s e 1 hp = 746W = 76 kgfm/s. A eficiência da bomba é definida então como sendo a razão entre a energia disponível para o fluido e a energia disponível para a bomba. c) Altura manométrica em (m). a energia disponível para a bomba é diferente da energia transferida pela bomba para o fluido. vencendo a diferença de pressão entre os reservatórios. a altura de desnível geométrico e a perda de carga DIM [L ] .s-1 Material = Ferro fundido Rendimento total = 75% Diâmetro da tubulação de recalque = 200 mm Diâmetro da tubulação de sucção = 250 mm m2 s µ H 2O = 1.014 cv Nm= γQH man η Exemplo: Um conjunto elevatório esquematizado na figura abaixo trabalha nas seguintes condições: Vazão = 100 l. a razão entre a potência real da bomba e a sua potência ideal. b) Perda de carga na linha de recalque em (m). ou seja. Uma parte da energia é perdida por fugas de massa e por dissipação por atrito no interior da bomba.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Hman: é a energia por unidade de peso do fluido fornecida pela bomba (altura manométrica).

0 m .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 49 – Conjunto elevatório referente ao exemplo acima Resolução: Para calcularmos os itens acima.1× 105 83 .25m s −6 m 2 1× 10 s Re = Re = 5.037 m s .037 m × 0.1 válvula de pé e crivo = 65. a) Sucção: (Antes da bomba) *Acessórios na sucção: Le = 65 m + 3 m Q = V×A m3 π 0. iremos dividir em dois blocos: Sucção e Recalque.0 m * Cálculo do número de Reynolds: Re = ρVD VD = µ υ 2.100 = VS × × (250 × 10 −3 )m 2 s 4 VS = 2.1 curva de 90º = 3.

4 m Q = V×A 0.100 π m3 = VR × (200 × 10 −3 )m 2 s 4 s VR = 3.2m s Re = −6 m 2 1×10 s Re = 6.0 .257m b) Recalque: (Depois da bomba) *Acessórios no Recalque: .1 válvula de retenção = 25.0 m + 2.183 m × 0.00104 ⎟ e o ⎝D ⎠ ábaco de Moody.1 curva de 90º = 2.000 o escoamento se caracteriza turbulento. obtemos o fator de atrito de f = 0.37 ×105 * Obtenção do fator de atrito: Pelo fato do número de Reynolds ter sido maior que 4.1 registro gaveta = 1.4 .000 o escoamento se caracteriza turbulento. 84 .183 m * Cálculo do número de Reynolds: Re = ρVD VD = µ υ 3.4 Le = 25.5 + 65 + 3)m × (2. * Cálculo da perda de carga na sucção usando o método do comprimento equivalente: ∆H S = f × (L + Le) × VS 2 D 2g 2 ∆H S (4.81 m s2 ∆Hs = 1.Fenômenos de Transporte – 01/2008 * Obtenção do fator de atrito: Pelo fato do número de Reynolds ter sido maior que 4.0205 × 250 × 10 −3 m 2 × 9.4 m + 1.037 m s ) = 0. ⎛ε ⎞ Depois de consultado a tabela de rugosidade relativa ⎜ = 0.0205.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 ⎞ ⎛ε Depois de consultado a tabela de rugosidade relativa ⎜ = 0. V 1=0 .257m + 3.4)m × (3.183 m s ) = 0.75 N m = 3480 N m = 46.0013 ⎟ e o ⎠ ⎝D ábaco de Moody.597m ∆H T = ∆H S + ∆H R = 1.m s 1c.4 + 2.g + perdas ( ∆H T ) P1man=0 .g + Hman = P2+ V2 2/2.0215 × 2 ×10 −3 m 2 × 9. = 75 kgf .1m 0 . obtemos o fator de atrito de f = 0. kgf .183 m s ) = 2 × 9.1m d) Cálculo da potência da bomba: * Rearranjando a equação de Bernoulli temos: Nm = γQH man η * Substituindo os valores teremos: γ × Q × H man 1× 10 Nm = = η 3 kgf m 3 × 100 ×10 −3 m 3 s × 26 . Z2=21 m . * Cálculo da perda de carga na sucção: ∆H R = f × (L + Le) × VR 2 D 2g 2 ∆H R (36 + 25 + 1. P2man=0 .18m/s (3.v.v.m s 85 .584m 2 H man = 26.81 m s 2 + 21m + 4.597m = 4. Z1=0 .4c.0215.81 m s2 ∆H R = 3.854m c) Cálculo da altura manométrica: * Pela equação de Bernoulli temos: P 1 P V V + 1 + H man = 2 + 2 + Perdas γ 2g γ 2g 2 2 P1+ V1 2/2. V 2= V H man R =3.

mas apenas transformada de uma forma para outra. no sentido da temperatura mais alta para a mais baixa. A transferência de calor é o trânsito de energia provocado por uma diferença de temperatura. que pode ser um sólido ou um fluido. Transferência de Calor 14.2. sem apreciável deslocamento das moléculas. Os processos de transferência de calor devem obedecer às leis da Termodinâmica: 1a Lei da Termodinâmica: A energia não pode ser criada ou destruída. Modos de Transferência de Calor: Os diferentes processos através dos quais o calor é transmitido são chamados modos. Condução: Transferência de calor que ocorre em um meio estacionário. 2a Lei da Termodinâmica: É impossível existir um processo cujo único resultado seja a transferência de calor de uma região de baixa temperatura para outra de temperatura mais alta. É um processo pelo qual o calor flui de uma região de temperatura mais alta para outra de temperatura mais baixa dentro de um meio (sólido. S1 Calor T1 > T2 S2 Figura 50 .1. líquido ou gasoso) ou entre meios diferentes em contato físico direto. haverá transferência de energia por calor. 86 . 14.2. convecção e radiação. Introdução Sempre que existir um gradiente de temperatura no interior de um sistema ou dois sistemas a diferentes temperaturas colocadas em contato. A energia é transferida através de comunicação molecular direta. Os modos de transferência de calor são: condução. 14.1.Transferência de calor.Fenômenos de Transporte – 01/2008 14.

(a) Convecção natural.2.2. 87 . armazenamento de energia e movimentação da mistura.2.3. quando estiverem em temperaturas diferentes. É um processo de transferência de energia através da ação combinada de condução de calor. ou quantas de energia. O calor radiante é emitido por um corpo na forma de impulsos. 14. É importante principalmente como mecanismo de transferência de energia entre uma superfície sólida e um fluido. 14. Radiação: Energia emitida na forma de ondas eletromagnéticas por uma superfície a uma temperatura finita. (b) Convecção forçada. Tar Tar qc T1 CONVECÇÃO NATURAL qc T1 CONVECÇÃO FORÇADA Figura 52 – Processos de transferência convectiva de calor.Fenômenos de Transporte – 01/2008 T1 T2 Figura 51 – Associação da transferência de calor por condução à difusão da energia provocada pela atividade molecular. Convecção: Transferência de calor que ocorre entre uma superfície e um fluido em movimento. É a energia emitida por toda matéria que se encontra a uma temperatura não nula.

3. emitem energia na forma de radiação eletromagnética. Figura 54 – Troca radiativa entre uma superfície e as suas vizinhanças. moléculas ou elétrons são excitados e retornam espontaneamente para os estados de menor energia. Neste processo. Uma vez que a emissão resulta de variações nos estados eletrônicos. 14. rotacional e vibracional dos átomos e moléculas. 54. a radiação emitida é usualmente distribuída sobre uma faixa de comprimentos de onda.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Tviz q T Figura 53 – Troca radiativa entre uma superfície e as suas vizinhanças. Estas faixas e os comprimentos de onda representando os limites aproximados são mostrados na Fig. A radiação térmica é a energia eletromagnética propagada na velocidade da luz. emitida pelos corpos em virtude de sua temperatura. Os átomos. Leis Básicas da Transferência de Calor: Equações de Taxa 88 .

1. líquidos e gases). 89 . que é a taxa de energia por unidade de área (perpendicular à direção da troca de calor). Condução Equação de taxa: Lei de Fourier " qcond = −k dT dx 2 onde q"cond : Fluxo de calor por condução na direção x (W/m ) k: Condutividade térmica do material da parede (W/m. A taxa de energia é denotada por q. qcond = − kA dT dx O sinal negativo aparece porque o calor está sendo transferido na direção da temperatura decrescente. a unidade do fluxo é (W/m2). q " .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Todos os processos de transferência de calor podem ser quantificados através da equação de taxa apropriada. A equação pode ser usada para se calcular a quantidade de energia transferida por unidade de tempo. e tem unidade de (W – Watt) no sistema internacional. No sistema internacional. A lei de Fourier se aplica a todos os estados da matéria (sólidos. desde que estejam em repouso.K) dT : Gradiente de temperatura na direção do fluxo de calor (K/m) dx A taxa de calor pode ser obtida multiplicando-se o fluxo de calor pela área perpendicular à direção da transferência de calor. Figura 55 – Transferência de Calor em uma Parede Plana. 14. Seja a transferência unidimensional de calor em uma parede plana (Figura 55). Outra maneira de se quantificar a transferência de energia é através do fluxo de calor.3.

R= V1 − V2 i Rt . unidimensional (direção x). 90 . é dada por: " qcond = qcond A ⎛T −T ⎞ qcond = kA⎜ 1 2 ⎟ ⎝ L ⎠ Utilizando a analogia com circuitos elétricos. a superfície em x = 0 se encontra a uma temperatura T1 e a superfície em x = L se encontra a T2.cond a partir da resistência elétrica R. cond = T1 − T2 qcond L kA onde: Rt. A temperatura da superfície interna da parede é mantida a 25ºC. o gradiente de temperatura pode ser dado por: dT T2 − T1 = dx L O fluxo de calor é dado por: ∆T ⎛T −T ⎞ ⎛T −T ⎞ " qcond = − k ⎜ 2 1 ⎟ = k ⎜ 1 2 ⎟ = k L ⎝ L ⎠ ⎝ L ⎠ A taxa de condução de calor pode ser obtida multiplicando-se o fluxo pela área perpendicular à direção da transferência de calor. Determine a perda de calor através da parede para as temperaturas ambientes internas de – 15 ºC e 38 ºC que correspondem aos extremos atingidos no inverno e no verão.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Considere que. pode-se definir a resistência térmica à condução Rt. área superficial de 20 m2 e espessura de 0.K. e a condutividade térmica do concreto é 1W/m. portanto. = resistência térmica à condução de calor (W/K)-1 Exemplo: 1) Uma parede de concreto. pode-se considerar que a distribuição de temperaturas no interior da parede é linear. na parede mostrada na figura 55.30 m. cond = Rt . A transferência de calor é. Assim. Para regime permanente sem geração interna de calor. separa uma sala de ar condicionado do ar ambiente.cond.

K = −867W 14. : Fluxo de calor por convecção (W/m2) conv h: Coeficiente convectivo de calor (W/m2K) Ts: Temperatura da superfície (K) T∞: Temperatura do fluido (K) A taxa de transferência de calor por convecção é dada por: " qconv = qconv A 91 . Convecção Equação de taxa: Lei de Resfriamento de Newton Figura 56 – Transferência Convectiva de Calor.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Resolução: Para calcularmos a perda de calor através da parede devemos utilizar a equação que rege a lei básica de transferência de calor referente à condução térmica em uma parede plana: qcond = k . qcond = 1 qcond T1 − T2 L 25º C − (− 15º C ) W . 0.K = 2667W Substituindo em relação à temperatura de 38ºC temos: qcond = k . A.2.20m 2 . " qconv = h(Ts − T∞ ) onde: q " .3.3m m.3m m. qcond = 1 qcond T1 − T2 L 25º C − 38º C W .20m 2 . A. A. T1 − T2 L Substituindo os valores em relação à temperatura de –15ºC temos a condução térmica como: qcond = k . 0.

000 2 m q"conv = 200 92 . sabe-se que a temperatura do chip não deve exceder a T= 85ºC. A partir de testes de controle de qualidade. com coeficiente de transferência de calor por convecção correspondente de h= 200 W/m2.K.K) Gás Convecção Natural Convecção Forçada Ebulição ou Condensação A resistência térmica à convecção é dada por: Rt .K W q"conv = 14. conv = T1 − T2 qconv Líquido 50-1.K m 2 . levando em consideração a temperatura máxima à qual o chip pode atingir: q"conv = h(Tsup − T∞ ) W (85º −15º ). = resistência térmica à convecção de calor (W/K)-1 Exemplo: 1) Um circuito integrado (chip) quadrado com lado w = 5 mm opera em condições isotérmicas.conv.500-100000 5-25 25-250 Rt . Se a substância refrigerante é o ar. Determine a potência máxima que pode ser dissipada pelo chip. 8 apresenta valores típicos do coeficiente de convecção h: Tabela 8 – Valores de h (W/m². conv = 1 hA onde: Rt.000 2. O chip está alojado no interior de um substrato de modo que suas superfícies laterais e inferior estão bem isoladas termicamente.000 50-20. enquanto sua superfície superior encontra-se exposta ao escoamento de uma substância refrigerante a T∞ = 15ºC. Resolução: Para calcular a potência máxima dissipada pelo chip temos que calcular o fluxo de transferência de calor gerada pelo sistema.Fenômenos de Transporte – 01/2008 qconv = hA(Ts − T∞ ) A Tab.

A qconv = 14000 qconv = Pmax 2 W . Um corpo negro pode ser definido também como um perfeito absorvedor de radiação. 5.2 µm a 1000 µm é chamada radiação térmica e é emitida por todas as substâncias em virtude de sua temperatura.3. Por exemplo. O fluxo máximo que pode ser emitido por uma superfície é: " qrad = σTs4 onde: q”rad: Energia emitida por unidade de área da superfície (W/m2) Ts: Temperatura absoluta da superfície (K) σ: Constante de Stefan-Boltzmann (5. O fluxo de calor emitido por uma superfície real é menor do que aquele emitido por um corpo negro à mesma temperatura e é dado por: " qrad = εσTs4 93 . alguns materiais se aproximam de um corpo negro. Toda a radiação incidente sobre um corpo negro (independentemente do comprimento de onda ou da direção) será absorvida.10 −3 m 2 2 m = 0 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Calculamos agora a potência máxima utilizando o valor acima encontrado: qconv = q' 'conv . uma camada fina de carbono preto pode absorver aproximadamente 99% da radiação térmica incidente. Radiação Lei de Stefan-Boltzmann A radiação com comprimento de onda de aproximadamente 0. A quantidade de energia liberada de uma superfície como calor radiante depende da temperatura absoluta e da natureza da superfície. Embora um corpo negro não exista na natureza.67x10-8W/m2K4) Uma superfície capaz de emitir esta quantidade de energia é chamada um radiador ideal ou um corpo negro.3.35W ( ) 14. Uma superfície capaz de emitir esta quantidade de energia é chamada um irradiador perfeito ou “corpo negro”.

Figura 57 – Troca Radiativa Líquida entre duas Superfícies. que a envolve completamente (Figura 57).: Temperatura da superfície maior Manipulando-se a equação anterior.5 (Apêndice A) apresenta a emissividade de alguns materiais comuns. dependendo das propriedades radiativas das superfícies e de seu formato. Considerando-se a superfície menor cinzenta (ε = α ) . A Tabela A. Outra propriedade radiativa importante é a absortividade α. a 300 K. Um caso especial que ocorre com freqüência envolve a troca líquida de radiação entre uma pequena superfície a uma temperatura Tsup e uma superfície isotérmica bem maior que a primeira.Fenômenos de Transporte – 01/2008 onde: ε é a emissividade da superfície. o fluxo radiativo líquido pode ser dado por: " 4 qrad = εσ Ts4 − Tviz ( ) ) A taxa líquida de troca de calor é: 4 qrad = εσA Ts4 − Tviz ( onde: A: Área da superfície menor Ts: Temperatura da superfície menor Tviz. pode-se escrever a taxa líquida como: 94 . Esta propriedade indica a eficiência de emissão da superfície em relação a um corpo negro (0 ≤ ε ≤ 1) . A taxa líquida na qual a radiação é trocada entre duas superfícies é bastante complicada. que indica a eficiência de absorção da superfície.

95 . emissividade igual a 0.22 W m2 W 4 × (150 + 273 ) K 4 2 4 m K ( ) A Tab. a resistência térmica à radiação é dada por: Rt . já que nenhuma parcela da radiação emitida pela superfície menor seria refletida de volta para ela. A taxa total de transferência de calor é dada. = resistência térmica à radiação de calor (W/K)-1 Deve ser ressaltado que o resultado independe das propriedades da superfície maior. rad = Rt . q = qrad + qconv Exemplo: 1) Uma superfície com área de 0. As superfícies mostradas na Fig. pela soma da taxa de calor por radiação com a taxa de calor por convecção.8 × 5 .5 m2.T 4 sup q' ' rad = 0 . rad = Ts − Tviz qrad 1 hr A onde: Rt. trocar calor por convecção com um fluido adjacente.67 × 10 −8 q' ' rad = 1452 . Determine a taxa de emissão de radiação pela superfície? Resolução: Para calcular a taxa de emissão de radiação devemos utilizar a fórmula referente à radiação para uma superfície: qrad = ε . simultaneamente.rad. 9 apresenta um resumo das equações de taxa dos diferentes modos de transferência de calor. 57 podem também.8 e temperatura de 150ºC é colocada no interior de uma grande câmara de vácuo cujas paredes são mantidas a 25ºC.Fenômenos de Transporte – 01/2008 2 qrad = εAσ (Ts − Tviz )(Ts + Tviz ) Ts2 + Tviz ou ( ) qrad = hr A(Ts − Tviz ) onde: 2 hr = εσ (Ts + Tviz ) Ts2 + Tviz ( ) Assim.σ . portanto.

Sistemas de coordenadas Cartesianas ⎛ ∂T ˆ ∂T ˆ ∂T q" = −k ⎜ ⎜ ∂x i + ∂y j + ∂z ⎝ ˆ⎞ k⎟ ⎟ ⎠ ˆ⎞ k⎟ ⎟ ⎠ ˆ ˆ q" = q" x i + q" y ˆ + q" z k j ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ ∂T q" = − k ⎜ ⎜ ∂r i + r ∂φ j + ∂z ⎝ ˆ⎞ k⎟ ⎟ ⎠ Lei de Fourier Forma compacta Cilíndricas ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ ∂T q" = −k ⎜ ⎜ ∂r i + r ∂φ j + ∂z ⎝ Esféricas 1 ∂T ˆ ⎞ 1 ∂T ˆ ⎞ ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ k ⎟ q" = − k ⎜ k⎟ q" = − k ⎜ j+ j+ i+ i+ r sen θ ∂θ ⎠ r sen θ ∂θ ⎠ r ∂θ r ∂θ ⎝ ∂r ⎝ ∂r 96 . dado por: ⎛ ∂T ˆ ∂T ˆ ∂T ˆ ⎞ q" = − k ⎜ ⎟ ⎜ ∂x i + ∂y j + ∂z k ⎟ = − k∇T ⎠ ⎝ onde ∇ é o operador gradiente. Condução 15. ou seja.1.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Tabela 9 – Equações de Taxa Taxa Condução Convecção Radiação Fluxo qcond = − KA dT dx q" cond = − K dT dx qconv = −hA(Ts − T∞ ) qrad = hrA(Ts − Tviz ) q" conv = h(Ts − T∞ ) 4 q" rad = εσ T 4 − T viz s ( ) 15. desenvolvida a partir de fenômenos observados. Tabela 10 – Lei de Fourier para os três sistemas de coordenadas.10 apresenta. para os três sistemas de coordenadas cartesianas. a lei de Fourier. Introdução à Condução A Lei de Fourier é uma lei fenomenológica. e não deduzida a partir de princípios fundamentais. qcond = −k dT dx O fluxo de calor é uma grandeza vetorial. " Para a condução unidimensional. ˆ ˆ q" = q " i + q " j + q " k x y z onde: q" = −k x ∂T ∂x q" = −k y ∂T ∂y q" = −k z ∂T ∂z A Tab.

Ela depende da estrutura física da matéria. um aumento na condutividade térmica representa uma redução do gradiente de temperatura ao longo da direção da transferência de calor. a 300 K. Propriedades térmicas da matéria: A condutividade térmica (K) apresenta a capacidade de um corpo de transferir calor. Conforme mostrado na figura 58. em grande parte. a condutividade térmica de um sólido é maior que a de um líquido que. A Figura 58 apresenta valores da condutividade térmica para alguns materiais.K). Esta tendência se deve. No sistema internacional.2. 97 . Para uma taxa de calor fixa. a níveis atômico e molecular. por sua vez. em geral. às diferenças de espaçamento intermolecular nos estados da matéria. a unidade de k é (W/m. é maior que a de um gás.Fenômenos de Transporte – 01/2008 15. Figura 58 – Faixas de Condutividade térmica para vários estados da matéria.

mede a capacidade de um material de armazenar energia térmica. que são considerados meios bons para o armazenamento de energia possuem capacidades caloríficas de magnitude apreciável. enquanto materiais com valores reduzidos de α responderão mais lentamente. enquanto os sólidos não metálicos apresentam menores valores desta propriedade.K). os sólidos metálicos têm maiores difusividades térmicas. muitos sólidos e líquidos. menos a taxa com que as energias térmica e a energia mecânica deixam o volume de controle. . Materiais com valores elevados de α responderão rapidamente a mudanças nas condições térmicas a eles impostas.Fenômenos de Transporte – 01/2008 O produto ρcp. taxa de aumento da energia 98 . devido às suas baixas densidades.Num instante (t): a taxa com que as energias térmica e a energia mecânica entram num volume de controle. levando mais tempo para atingir uma nova condição de equilíbrio. a unidade de α é (m2/s). No sistema internacional. Uma vez que substâncias que possuem densidade elevada são tipicamente caracterizados por reduzidos calores específicos. devem ser iguais à armazenada no interior do volume de controle. deve haver um equilíbrio entre todas as taxas de energia. a unidade de ρcp é (J/m3.3. Em geral. mais a taxa com que a energia térmica é gerada no interior do volume de controle. de tempo (t) e intervalo de tempo (∆t). 15. A difusividade térmica (α) é definida como sendo a razão entre a condutividade térmica e a capacidade calorífica: α= k ρc p onde k é a condutividade térmica e ρc p é a capacidade calorífica. Ao contrário. No sistema internacional. Ela mede a capacidade do material de conduzir a energia térmica em relação à sua capacidade de armazená-la. os gases são muito pouco adequados para o armazenamento de energia térmica. Conservação de energia em um volume de controle Em qualquer instante. comumente chamado de capacidade calorífica.

devem ser iguais ao aumento na quantidade de energia armazenada no interior do volume de controle. eletromagnética. Em situações que envolvem o escoamento de um fluido através da superfície de controle. Nesse caso. uma reação química exotérmica pode estar acontecendo. os termos também incluem a energia transportada pela matéria que entra e sai do volume de controle. Uma situação comum envolve a entrada e a saída de energia por meio da transferência de calor por condução. Essa energia pode compreender as formas interna. Ou seja. Os termos de entrada e saída podem também incluir as interações referentes ao trabalho que ocorre nas fronteiras do sistema. dEac & & & & Eaf + E g − Eef = Eac = dt a equação acima pode ser utilizada em qualquer instante de tempo. mais a quantidade de energia térmica gerada no interior do volume de controle. enquanto a energia que sai atua diminuindo a quantidade de energia armazenada. o efeito a ser computado é um aumento na energia térmica da matéria no interior 99 . menos a quantidade de energia térmica e a energia mecânica que deixa o volume de controle. ou nuclear) em energia térmica. O termo da geração de energia está associado à conversão de uma outra forma de energia qualquer (química. cinética e potencial.Fenômenos de Transporte – 01/2008 . Esse é um fenômeno volumétrico. A forma alternativa. elétrica. convecção e ou radiação. eles estão associados exclusivamente aos processos que ocorrem na superfície de controle e são proporcionais a sua área. convertendo energia química em térmica. que se aplica a um intervalo de tempo (∆t). ele ocorre no interior do volume de controle e é proporcional a magnitude do seu volume.Num intervalo de tempo(∆t): a quantidade de energia térmica e a energia mecânica que entra num volume de controle. é obtida pela integração da equação ao longo do tempo: Eaf + E g − Eef = ∆Eac Em palavras essa relação diz que as quantidades de energia que entram e que são geradas atuam em favor do crescimento da quantidade de energia acumulada no interior do volume de controle. Por exemplo. Os termos relativos à entrada e saída de energia são fenômenos de superfície. Ou seja.

O armazenamento ou acúmulo de energia também é um fenômeno volumétrico. pode ser igualado a soma ∆U + ∆KE + ∆PE. Qual o coeficiente convectivo de calor do ar (h).8. energia elétrica é dissipada a uma taxa igual a I². o termo relativo ao armazenamento de energia. ∆U. consiste em um componente sensível ou térmico. que leva em consideração os movimentos de translação. cuja temperatura da vizinhança e da superfície são. respectivamente.045m2. que representa as forças de coesão existentes nos núcleos dos átomos.= 27ºC e Tsup= 42ºC e a emissividade è de 0. à qual passa por suas aletas.R. A variação na energia interna. Portanto. líquido e gasoso. e um componente nuclear. que compreende a energia armazenada nas ligações químicas entre os átomos. Embora esse processo possa ser alternativamente tratado como se houvesse a realização de trabalho elétrico no sistema (entrada de energia). se uma corrente elétrica I passa através de uma resistência R no interior do volume de controle. para um intervalo de tempo ∆t. rotação e ou vibração dos átomos/moléculas que compõem a matéria. A potência dissipada pelo equipamento é de 20 W. cinética e ou potencial do seu conteúdo. um componente químico. Tal dissipador está em um ambiente cuja temperatura do ar. Outra fonte de energia térmica é a conversão de energia elétrica que ocorre devido ao aquecimento resistivo quando se passa uma corrente elétrica através de um material condutor. que está relacionado às forças intermoleculares que influenciam as mudanças de fase entre os estados sólido. é de T∞ =27ºC e sua área é de 0. que corresponde à taxa na qual a energia térmica é gerada (liberada) no interior do volume de controle. ∆ Eac.Fenômenos de Transporte – 01/2008 do volume de controle. Exemplo: 1) Um equipamento eletrônico possui um dissipador de potência agregado à sua estrutura. e variações no interior do volume de controle podem ser devido a mudanças nas energias internas. o efeito líquido continua sendo a criação de energia térmica. um componente latente. Isto é. Tviz. Resolução: Para calcular o coeficiente convectivo do ar devemos utilizar a equação que rege a lei de conservação de energia em um volume de controle: Eaf + E g − Eef = ∆Eac 100 .

considere o volume de controle infinitesimal de dimensões dx.8.0. − T∞ ) 4 4 E ef = 0. E g e E a representam. + qconv.045(315 − 300 ) ( ) Substituindo os termos acima na equação Eaf = Eef 20 − 3. Assim.1. pode-se determinar o fluxo de calor por condução em qualquer ponto do meio ou em sua superfície utilizando-se a lei de Fourier. ou seja.35 2 m .56 0. + Tviz. a geração interna de calor e o acúmulo de energia que podem existir no volume de controle e qx .4. Para se determinar a distribuição de temperaturas.0. A(Tsup .0.045 3154 − 300 4 + h. dy e dz mostrado na figura & & 59.4. respectivamente.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Como o equipamento não gera energia e o termo referente ao armazenamento de energia não varia com o tempo. qy e qz são as taxas de calor por condução nas três direções. Equação da Difusão de Calor 15.0.045(315 − 300 ) ( ) 15.8.675 W h = 24.67.5. 101 .5. temos: Eaf − Eef = 0 Identificando os termos acima em parâmetros de convecção e radiação temos: Eaf = P Eef = qrad. Coordenadas cartesianas Um dos objetivos principais da análise da condução de calor é determinar o campo de temperaturas em um meio.K h= : 20 = 0. ) + h.10 −8.045 315 4 − 300 4 + h. Substituindo os valores temos: E af = 20W E ef = εσA(Tsup .10 −8.67. a distribuição de temperaturas em seu interior.

por unidade de volume (W/m3) ∂t Fazendo-se uma expansão em série de Taylor nas 3 direções coordenadas. Fazendo-se um balanço de energia no volume de controle & & & & Ee − Es + E g = Ea (q x & + q y + q z − q x + dx + q y + dy + q z + dz + qdxdydz = ρc p ) ( ) ∂T dxdydz ∂t 3 & q : Taxa de geração de energia por unidade de volume do meio (W/m ) ρc p ∂T : Taxa de variação de energia térmica do meio.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 59 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Cartesianas). q x + dx = q x + ∂q x dx ∂x q y + dy = q y + ∂q y ∂y dy q z + dz = q z + ∂q z dz ∂z Assim. ∂q y ⎛ ⎞ ∂T ∂q ∂q qx + q y + qz − ⎜ q x + x dx + q y + dy + qz + z dz ⎟ + qdxdydz = ρc p dxdydz ⎜ ⎟ & ∂t ∂x ∂y ∂z ⎠ ⎝ − ∂q y ∂T ∂q ∂q x & dxdydz dx − dy − z dz + qdxdydz = ρc p ∂t ∂z ∂x ∂y 102 .

qx = −k − ∂T dydz ∂x q y = −k ∂T dxdz ∂y qz = −k ∂T dxdy ∂z ∂ & (qx )dx − ∂ q y dy − ∂ (qz )dz + qdxdydz = ρc p ∂T dxdydz ∂t ∂x ∂y ∂z ( ) − ⎞ ∂T ∂⎛ ∂T ∂ ⎛ ∂T ∂ ⎛ ∂T ⎞ ⎞ & dydz ⎟dx − ⎜ − k dxdz ⎟dy − ⎜ − k dxdy ⎟dz + qdxdydz = ρc p dxdydz ⎜− k ⎜ ⎟ ∂t ∂z ⎝ ∂z ∂y ⎝ ∂y ∂x ⎝ ∂x ⎠ ⎠ ⎠ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂T & ⎜k ⎟dxdydz + ⎜ k ⎜ ∂y ⎟dxdydz + ∂z ⎜ k ∂z ⎟dxdydz + qdxdydz = ρc p ∂t dxdydz ⎟ ∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ Dividindo-se pelo volume infinitesimal dxdydz. é possível operar com versões simplificadas desta equação. ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂T & ⎜k ⎟ + ⎜k ⎜ ∂y ⎟ + ∂z ⎜ k ∂z ⎟ + q = ρc p ∂t ⎟ ∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ Muitas vezes.Fenômenos de Transporte – 01/2008 As taxas qx . sem geração interna de calor: d ⎛ dT ⎞ ⎜k ⎟=0 dx ⎝ dx ⎠ 103 . adotando-se algumas hipóteses: • Condutividade térmica constante (k constante): & ∂ 2T ∂ 2T ∂ 2T q ρc p ∂T + 2 + 2 + = 2 k k ∂t ∂y ∂z ∂x ou & ∂ 2T ∂ 2T ∂ 2T q 1 ∂T + 2 + 2 + = 2 k α ∂t ∂y ∂z ∂x onde: α = k = difusividade térmica do material (m2/s) ρc p • Regime Permanente ∂T ∂t = 0 : ( ) ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ & ⎟ + ⎜k ⎜k ⎟ + ⎜k ⎟+q = 0 ∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎜ ∂y ⎟ ∂z ⎝ ∂z ⎠ ⎠ ⎝ • Condução unidimensional de calor em regime permanente. qy e qz podem ser determinadas utilizando-se a Lei de Fourier. no entanto.

Figura 60 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Cilíndricas). 15. o fluxo de calor é constante na direção da análise.3. Seja o volume de controle em coordenadas cilíndricas mostrado na Figura 60. Coordenadas Cilíndricas Efetuando-se uma análise similar à realizada para coordenadas cartesianas.2.4. pode-se escrever a equação da difusão de calor em coordenadas cilíndricas e esféricas. k dT = constante dx q x = constante Em condições de transferência de calor unidimensional em regime permanente. sem geração interna de energia. 104 .4. Coordenadas Esféricas Seja o volume de controle em coordenadas esféricas mostrado na Figura 61. ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ ∂T ˆ ⎞ q" = −k∇T = −k ⎜ ⎜ ∂r i + r ∂φ j + ∂z k ⎟ ⎟ ⎝ ⎠ q ′′ = − k r ∂T ∂r ′ qφ′ = − k ∂T r ∂φ q ′′ = − k z ∂T ∂z ∂T 1 ∂ ⎛ ∂T ⎞ 1 ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ & ⎜k ⎜ kr ⎟+ 2 ⎜ ∂φ ⎟ + ∂z ⎜ k ∂z ⎟ + q = ρc p ∂t ⎟ r ∂r ⎝ ∂r ⎠ r ∂φ ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ 15.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Neste caso.

4. quando a situação for dependente do tempo. Como a equação é de primeira ordem no tempo. Condições de Contorno e Condição Inicial A solução das equações que governam problema depende ainda das condições físicas que existem nas fronteiras do meio (condições de contorno) e. basta apenas uma condição inicial. ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ 1 ∂T ˆ ⎞ q" = − k∇T = − k ⎜ ⎟ ⎜ ∂r i + r ∂θ j + r sen θ ∂φ k ⎟ ⎠ ⎝ ′ qr′ = − k ∂T ∂r ′ qθ′ = − k ∂T r ∂θ ′ qφ′ = − k ∂T r senθ ∂φ 1 ∂ ⎛ 2 ∂T ⎞ 1 1 ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂T ∂ ⎛ ∂T ⎞ & ⎜k ⎜ kr ⎟+ 2 2 2 ⎟ ⎜ ∂φ ⎟ + r 2 sen θ ∂θ ⎜ k sen θ ∂θ ⎟ + q = ρc p ∂t ∂r ⎠ r sen θ ∂φ ⎝ r ∂r ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ 15. com a transferência de calor ocorrendo na direção dos x positivos.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 61 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Esféricas). t ) = Ts 105 .4. são necessárias 2 condições de contorno para cada coordenada espacial que descreve o sistema. As figuras a seguir mostram as 3 espécies de condições de contorno comumente encontradas na transferência de calor. Como a equação da condução de calor é uma equação de Segunda ordem nas coordenadas espaciais. 1) Temperatura da Superfície Constante – condição de Dirichlet T (0. Elas ilustram a situação para um sistema unidimensional. especificando a condição de contorno na superfície x = 0. também das condições que existem em um certo instante inicial (condição inicial).

K. Obtenha a equação diferencial e as condições inicial e de contorno que poderiam ser usadas para determinar a temperatura da barra em função da posição e do tempo. De repente uma corrente elétrica é passada através da barra. com temperatura T = 15ºC e coeficiente convectivo h = 10 W/m2.Fenômenos de Transporte – 01/2008 2) Fluxo de Calor Constante na Superfície –condição de Neumann −k ∂T ∂x = q " ( 0) x x =0 a) Fluxo de Calor Diferente de Zero ∂T ∂x −k " = qS x =0 b) Fluxo de Calor Nulo (Parede Isolada ou Adiabática) ∂T ∂x =0 x=0 3) Condição Convectiva na Superfície ∂T ∂x = h[T∞ − T (0. encontra-se com a sua superfície inferior em contato com um sorvedouro de calor de tal modo que a temperatura ao longo de toda a barra é aproximadamente igual à do sorvedouro. é soprada por sobre a sua superfície superior. cuja largura W é muito maior que sua espessura L. t )] x =0 −k Exemplo: 1) Uma longa barra de cobre com seção reta retangular. Td = 30ºC. A superfície inferior continua mantida a Td. Resolução: Para obtermos a equação e as condições de contorno e inicial devemos primeiramente fazer algumas considerações: 106 . e uma corrente de ar.

a equação se reduz a: ∂ 2T q 1 ∂T + = ∂x 2 k α ∂t . a barra encontrava-se a uma temperatura uniforme Td. A condição de contorno para a superfície inferior sendo esta mantida em um valor constante em relação ao tempo. .Fenômenos de Transporte – 01/2008 * Uma vez que W>>L. antes da mudança das condições. ∂T ∂x = h[T (L.0) = Td = 30º C 107 . q . temos: T (0. t ) − T∞ ] x=L A condição inicial é inferida a partir do reconhecimento de que. * * Taxa volumétrica de geração de calor uniforme. ∂T ⎟ + ⎜k ⎜k ⎜ ∂y ⎟ + ∂z ⎜ k ∂z ⎟ + q = ρc p ∂t ⎟ ∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ Para as considerações do problema de transferência de calor unidimensional com propriedades físicas constantes. os efeitos causados pelas superfícies laterais são desprezíveis. sendo: T (x. A distribuição de temperatura é governada pela equação de calor: ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ . t ) = Td = 30º C A condição de contorno em relação à superfície superior da barra será: − k. e a transferência de calor no interior de barra é basicamente unidimensional na direção do eixo do x. Propriedades físicas constantes.

A determinação da distribuição de temperaturas no interior da parede é feita através da solução da equação de calor.5. em regime permanente. por condução através da parede e por convecção da superfície da parede em x = L a Ts2 para o fluido frio a T∞2 . a d ⎛ dT ⎞ ⎜k ⎟=0 dx ⎝ dx ⎠ Considerando-se a condutividade térmica do material constante. Parede Simples Seja uma parede plana separando dois fluidos em temperaturas diferentes (Figura 62).1. sem geração interna. Em coordenadas cartesianas.Fenômenos de Transporte – 01/2008 15. Considere a condução unidimensional de calor através da parede. A temperatura é função somente de uma coordenada espacial (no caso x) e o calor é transferido unicamente nesta direção. esta equação é dada por: Equação da Condução de Calor em Coordenadas Cartesianas: ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂T & ⎜k ⎟ + ⎜k ⎜ ∂y ⎟ + ∂z ⎜ k ∂z ⎟ + q = ρc p ∂t ⎟ ∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ Hipóteses: • • • Condução unidimensional ⎛ ∂T ∂y = ∂T ∂z = 0 ⎞ ⎟ ⎜ ⎝ ⎠ & Sem geração interna (q = 0) Regime permanente ∂T ∂t = 0 ( ) A equação se reduz.5 Condução Unidimensional em Regime Permanente 15. então. Figura 62 – Transferência de Calor através de uma Parede Plana . 108 . A transferência de calor ocorre por convecção do fluido quente a T∞1 para a superfície da parede a Ts1 em x = 0.

conclui-se que a resistência térmica assume a forma: Rt = ∆T q Assim. a temperatura é uma função linear de x. no interior da parede. sem geração de calor e com condutividade térmica constante.1 Assim. uma resistência térmica se opõe à passagem de calor.1 L C 2 = TS . em regime permanente. dT = C1 dx T = C1 x + C2 Para se determinar as constantes de integração C1 e C2. aplicam-se as condições de contorno: T (0) = TS .1 T (L ) = TS . que. Resistência Térmica Da mesma maneira que uma resistência elétrica se opõe à passagem de corrente em um circuito.1 L TS .1 − TS . para a condução unidimensional através de uma parede plana : 109 .2 − TS .Fenômenos de Transporte – 01/2008 k d 2T =0 dx 2 ou d 2T =0 dx 2 Integrando-se 2 vezes em x. portanto.5.1 Na condução unidimensional.1 − TS .2. T (x ) = x + TS .2 ) = dx L O fluxo de calor é dado por: q" = x qx k = (TS . numa parede plana. 2 ) A L Percebe-se. A taxa de calor por condução no interior da parede é dada pela lei de Fourier: q x = −kA dT kA (TS . Definindo-se a resistência como sendo a razão entre o potencial motriz e a correspondente taxa de transferência. 2 Pode-se então determinar as constantes de integração: C1 = TS . a taxa e o fluxo de calor são constantes. 15. 2 − TS .

1 ) = (TS .2 ) 1 h1 A L kA 1 h2 A Utilizando-se o conceito de resistência térmica. = L kA Para a convecção: Rt .1 ) = kA (TS . q x = qconv1 = qcond = qconv 2 Aplicando-se as equações de taxa apropriadas.2 ) Rconv1 Rcond Rconv 2 Pode-se então fazer um circuito térmico. para o fluido frio. = 1 hA Para a radiação: Rt .1 − TS .2 − T∞.2 ) = (TS . q x = h1 A(T∞ . com a forma 110 . qx = (T∞. = 1 hr A Onde hr = εσ (Ts + T∞ ) Ts 2 + T∞ 2 ( ) Deve-se ressaltar que as resistências térmicas à convecção e à radiação assumem a mesma forma para qualquer sistema de coordenadas. qx = (T∞.1 − TS . a resistência à condução assume diferentes expressões para os diferentes sistemas de coordenadas.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Rt . a taxa de calor é constante.1 − TS . análogo a um circuito elétrico. conv. ou seja.2 ) L Reescrevendo-se a equação anterior. toda a energia transferida do fluido quente para a superfície é conduzida através da parede e.1 − TS . No entanto. por sua vez.1 − TS .2 ) = h2 A(TS . Pode-se fazer um balanço de energia entre os fluidos quente e frio.2 − T∞. No exemplo da parede plana. rad .1 − TS . variando-se apenas a expressão utilizada para a área.2 − T∞.1 ) = (TS . cond .2 ) = (TS .

111 . qx = T∞ . isolamento à base de fibra de vidro e gesso. Em um dia frio de inverno. em função da diferença global de temperatura. definindo-se a resistência térmica total Rtot. Rtot = Resistência térmica total (K/W).1. conforme indicado no desenho. Rtot = Rconv1 + Rcond + Rconv 2 Rtot = 1 1 L + + h1 A kA h2 A onde: T∞. da mesma forma.2 = diferença de temperatura global (K).Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 63 – Circuito Térmico.K.K e hi=30 W/m2.1 − T∞ .T∞. A área total da superfície da parede é de 350 m2. fazer um circuito térmico equivalente. Pode-se. Exemplo: 1) Uma casa possui uma parede composta com camadas de madeira. os coeficientes de transferência de calor por convecção são de he=60 W/m2. 2 Rtot Como as resistências térmicas condutivas e convectivas estão em série.

incluindo os efeitos da convecção térmica nas superfícies interna e externa da parede. q= T∞ . levando em consideração as camadas da parede. Rtotal = Lg Lf L 1 1 + + + m + hi .e Rtotal Calculando a resistência total temos: 112 .i= 20ºC he. T∞. b) Determine a perda total de calor através da parede.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Camada de gesso kg Isolamento à base de fibra de vidro (28Kg/m3). determine uma expressão para a resistência térmica total da parede. Rconv. A b) Para determinar a perda total de calor através da parede devemos utilizar uma fórmula que relaciona a temperatura das extremidades com a resistência térmica total.i RCond1 RCond2 RCond3 Rconv. kf Compensado de Madeira.e T∞. km Interior Exterior Exterior hi.i − T∞ . A k m .i T1 T2 T3 T4 T∞. A k g . A k f . A he . T∞e= -15ºC 10mm Lg 100 Lf Lm 20mm a) Para as condições dadas.e Resolução: a) Para calcular a expressão para a resistência térmica total da parede devemos utilizar a seguinte fórmula que rege a resistência térmica.

A k f . 4 = = = = = LA LB LC 1 1 Rtot h1 A h4 A kA A kB A kC A 113 .01 0.10 −3 W T∞ .i − T∞ . A k m . 4 TS . através de uma parede composta.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Rtotal = Rtotal = Rtotal Rtotal Lg Lf L 1 1 + + + m + hi . 4 − T∞ . A he .86W 15.1 − T∞ .e Rtotal Determinando agora a perda total de calor através da parede: q= q= 20 − (− 15 ) 8 . constituída por materiais de espessuras e condutividades térmicas diferentes (Figura 64). 2 TS .1 − TS .02 1 ⎞ = + + + ⎟ ⎜ + 350 ⎝ 30 0.1 − TS .1 TS . em regime permanente.3 − TS .3.3 × 10 −3 q = 4216 . 2 − TS .3.1 0.17 0.12 60 ⎠ K = 8. Figura 64 – Transferência de Calor através de uma Parede Plana. A 1 ⎛ 1 L g L f Lm 1⎞ ⎜ + + + + ⎟ A ⎜ hi k g k f k m he ⎟ ⎠ ⎝ 1 ⎛ 1 0.3 TS .5. 4 T∞ .038 0. A k g . A taxa de transferência de calor qx é dada por: qx = T∞ . Parede Composta Seja a condução de calor unidimensional.

K. O circuito térmico para a parede constituída por apenas um material é: Figura 65 – Circuito térmico equivalente. kA= 20 W/m. Muitas vezes. 114 .15m. dois dos quais com condutividade térmica conhecida.15m.30m e LC= 0. é mais conveniente trabalhar com um coeficiente global de transferência de calor U. q x = UA∆T onde: U : Coeficiente global de transferência de calor ⎛ W 2 ⎞ ⎜ ⎟ ⎝ m K⎠ ∆T : Diferença global de temperatura (K) A : Área de troca de calor (m 2 ) U = 1 Rtot A Exemplo: 1) A parede composta de um forno possui três materiais.K e kC= 50 W/m. possui espessura LB= 0. desprezaram-se as trocas de calor por radiação entre as superfícies da parede e os fluidos. o fluxo total de calor entre a superfície e o fluido seria dado como a soma dos fluxos de convecção e radiação. e também espessura de LA= 0. O terceiro material B que se encontra entre os materiais A e C. A resistência térmica à radiação seria inserida no circuito térmico associada em paralelo à resistência à convecção.Fenômenos de Transporte – 01/2008 onde Rtot = ∑ Rt = L L L 1 1 + A + B + C + h1 A k A A k B A kC A h2 A No exemplo anterior. já o potencial (∆T) entre a superfície e o fluido seria o mesmo. mas sua condutividade térmica é desconhecida. Ao se considerar estas trocas.

C T∞ .i − Text .15 0. = (800 − 20).156 = 0. medidas revelam uma temperatura na superfície externa do forno de Tsup. B − TB . A + Rcond .15 0.53 m.15 ⎞ ⎟ = ⎜ + + + 50 ⎟ A A ⎜ 25 20 kB ⎝ ⎠ 0.3 0. A = 25. 780 1 31. O coeficiente de transferência de calor por convecção no interior do forno é igual a 25 W/m2.15 0.K kB = 15. A 20.003 + kB 0.015 + 0. devemos primeiro calcular o valor da resistência total do circuito térmico: qx = ∆T Rtérmica = = T∞ .5. A k B . Qual é o valor de kB? Resolução: Para calcular o valor de kB.15 = + + + 25.C Rcond .098 W k B = 1.B + Rcond .i= 600ºC e uma temperatura do ar no interior de forno de T∞= 800ºC.4. A 50. A A 0.04 + 0.156 A 200 200 800 − 600 = T∞ . 115 . i − Tint Rconv.C − Text .156 1 0. B Rcond .15 0. A = A = 0. = Tint − TA. uma temperatura na superfície interna de Tsup.Rconv T∞ . Rcond .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Rconv1 RCondA RCondB RCondC T∞.B = TB . A = TA. + Rcond .C 0.2 h. i − Text Rtotal Rconv. Rtotal Rtotal = T∞ . Parede Composta: Série-Paralelo Seja a parede composta apresentada na Figura 66.K. i − Text ).e= 20ºC.156 1 ⎛ 1 0. Encontramos agora a condutividade térmica kB pela soma das resistências: Rtotal = Rconv.i − Tint (T∞ .i Tint TAB TBC Text Em condições de regime estacionário.3 0. i − Tint .

Rt.5. supõe-se que as superfícies normais à direção x são isotérmicas e. a resistência térmica de contato é definida pela expressão: R"t . Seu efeito é mostrado na figura abaixo. a queda de temperatura nas interfaces entre os vários materiais pode ser considerável. que as superfícies paralelas a x são adiabáticas. No caso (a).Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 66 – Parede Composta. Para uma área de superfície unitária. Essa mudança de temperatura é atribuída ao que é conhecido como resistência térmica de contato. 15. representando um intervalo dentro do qual está a taxa real de transferência de calor. As taxas de calor são diferentes em cada caso. Resistência de contato É importante reconhecer que. no caso (b). Figura 67 – Circuitos Térmicos Equivalentes numa Parede Composta.c. em sistemas compostos.5.c = T A − TB q" X 116 . Se for adotada a hipótese de transferência unidimensional de calor. pode-se representar o circuito térmico de uma das maneiras mostradas na Figura 67.

Nesse sentido. Pontos de contato se entremeiam com falhas que são. que apresenta uma faixa aproximada de resistências térmicas em condições de vácuo. e/ou uma ampla variedade de materiais intersticiais (enchimentos) tabela 11. Tal aumento pode ser obtido por um acréscimo na pressão de contato ou na junção e/ou pela redução da rugosidade das superfícies de contato. portanto. A transferência de calor é. contribuindo para a elevação da resistência de contato.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 68 . Para sólidos cujas condutividades térmicas são superiores à do fluido presente nas falhas (fluido interfacial). na maioria dos casos. a área de contato é pequena e. preenchidas com ar. a principal contribuição para a resistência térmica de contato é fornecida pelas falhas. a ausência de um fluido nas falhas (vácuo na interface) elimina a condução de calor através da falha. muitas aplicações envolvem o contato entre sólidos diferentes. O efeito de carga ou pressão em interfaces metálicas pode ser visto na tabela 10. A contrário da tabela 10. Tipicamente. A resistência de contato também pode ser reduzida pela seleção de um fluido com elevada condutividade térmica para preencher as falhas. 117 . a resistência de contato pode ser reduzida pelo aumento da área dos pontos de contato.Queda de temperatura devido à resistência térmica de contato A existência da resistência de contato se deve principalmente aos efeitos da rugosidade da superfície. A resistência de contato pode ser vista como duas resistências térmicas em paralelo: aquela que se deve aos pontos de contato e aquela que está vinculada às falhas. sobretudo no caso de superfícies rugosas. O efeito da presença de um fluido nas falhas na resistência térmica de contato em uma interface de alumínio é mostrado na tabela 11. devida à condução de calor através da área de contato real e à condução e/ou radiação através das falhas.

RHt. com graxa Dow Corning 340 118 2 .c × 104 (m2.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Qualquer substância intersticial que preencha as falhas entre as superfícies em contato e cuja condutividade térmica exceda a do ar irá causar uma redução na resistência de contato.0 10000 kN/m2 0.525 0. com folha de índio (~3500 kN/m2) Alumínio / alumínio.4 (b) Fluido Interfacial Ar Hélio Hidrogênio Óleo de Silicone Glicerina 2.4 0.3 a 0.05 0.5 a 5. que não são permanentes.K/W) 0.5 a 3.5 0.1 ~0.2 a 0.c × 104 (m2.2 a 0. A resistência térmica dessas juntas permanentes também é afetada de maneira adversa por vazios e rachaduras que podem se formar durante a fabricação da peça ou como resultado de ciclos térmicos que ocorram durante a sua operação normal.265 Tabela 11 – Resistência térmica de contato em (a) Interfaces Metálicas sob condições de vácuo e (b) Interface de Alumínio com diferentes fluidos interfaciais. a resistência térmica real do contato excede o valor teórico.720 0.04 0.01 a 0. Duas classes de materiais são bastante adequadas para este propósito são os metais macios e as graxas térmicas. com folha de índio (~100 kN/m ) Aço inoxidável / aço inoxidável. Resistência Térmica. com revestimento metálico (Pb) Alumínio / alumínio.07 ~0.6 ~0.07 Chip de silício / alumínio esmerilhado com ar (27 a 500 kN/m2) Alumínio / alumínio. muitas juntas são aderidas definitivamente.K/W) (a) Vácuo na Interface Pressão de Contato Aço Inoxidável Cobre Magnésio Alumínio 100 kN/m2 6 a 25 1 a 10 1.0 0.7 a 4.5 1.75 1.1 a 0. Interface RHt. De forma distinta das interfaces anteriores. Devido às resistências interfaciais entre o material da superfície original e o da junta de ligação. calculado a partir da espessura L e da condutividade térmica k do material da junta.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 (~100 kN/m2) Aço inoxidável / aço inoxidável com graxa Dow Corning (~3500 kN/m2) ~0.02 mm de epóxi Latão / latão.6. em sistemas cilíndricos e esféricos há gradientes de temperatura somente na direção radial. a um fluido frio (Figura 69). o que possibilita analisá-los como sistemas unidimensionais.2 a 0. Figura 69 – Transferência de Calor através de um Cilindro Oco 15. Considere a transferência de calor unidimensional. com 0.04 0.9 0. com 15 µm de solda à base de estanho Tabela 12 – Resistência Térmica de interfaces sólido/sólido representativas 15. em regime permanente. Seja um cilindro oco cuja superfície interna se encontra exposta a um fluido quente e a superfície externa. sem geração interna no interior do cilindro. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais – Cilindro Com freqüência.14 Chip de silício / alumínio.1.6. Distribuição de Temperatura Equação da Condução de Calor em Coordenadas Cilíndricas ∂T 1 ∂ ⎛ ∂T ⎞ 1 ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ & ⎜k ⎜ kr ⎟+ 2 ⎜ ∂φ ⎟ + ∂z ⎜ k ∂z ⎟ + q = ρc p ∂t ⎟ r ∂r ⎝ ∂r ⎠ r ∂φ ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ 119 .025 a 0.

r dT dT C1 = C1 ou = dr r dr Integrando-se outra vez em r. pode-se obter as constantes de integração C1 e C2 C1 = T −T Ts1 − Ts 2 C2 = Ts 2 − s1 s 2 ln r2 ln(r1 / r2 ) ln(r1 / r2 ) Assim. k d ⎛ dT ⎞ ⎜r ⎟=0 r dr ⎝ dr ⎠ d ⎛ dT ⎞ ⎜r ⎟=0 dr ⎝ dr ⎠ Integrando-se uma vez em r.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Hipóteses: Condução unidimensional ⎛ ∂T ∂φ = ∂T ∂z = 0 ⎞ ⎜ ⎟ ⎝ ⎠ • • • Sem geração interna Regime permanente & (q = 0) (∂T ∂t = 0) Após serem feitas as simplificações. a equação se reduz a: 1 d ⎛ dT ⎞ ⎜ kr ⎟=0 r dr ⎝ dr ⎠ kr dT = constante ⇒ q r = constante dr Considerando-se a condutividade térmica k constante. T= Ts1 − Ts 2 ⎛ r ln⎜ ln(r1 / r2 ) ⎜ r2 ⎝ ⎞ ⎟ + Ts 2 ⎟ ⎠ A taxa de transferência de calor é dada por: qr = −kA 120 dT dT = −k (2πrL) dr dr . T (r ) = C1 ln r + C2 Aplicando-se as condições de contorno T (r = r1 ) = Ts1 T (r = r2 ) = Ts 2 .

possui um revestimento isolante de espessura 20 mm. A temperatura no interior e na superfície do cilindro são respectivamente 800 K e 490 K. que é função de r. dT 1 Ts1 − Ts 2 = dr r ln (r1 / r2 ) q r = 2πLk Ts1 − Ts 2 ln(r2 / r1 ) O fluxo de calor é dado por: q r " = −k dT dr qr " = k Ts1 − Ts 2 r ln(r2 / r1 ) A taxa de calor.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Onde: A=2πrL é a área normal à direção da transferência de calor.089 W/m. 121 . d ⎛ dT ⎞ ⎜ Kr ⎟=0 dr ⎝ dr ⎠ d ⎛ qr ⎞ ⎟=0 ⎜− dr ⎝ 2πL ⎠ d (qr ) = 0 dr A taxa de calor é. é constante para qualquer posição radial (não depende do raio r). portanto. constante no interior da parede do cilindro.K). de diâmetro 12 mm. o que não acontece com o fluxo de calor. Determinar a perda de calor por unidade de comprimento do cilindro. sendo que o isolante térmico é silicato de cálcio (k= 0. A resistência térmica à condução para sistemas radiais é dada por: Rcond = Rcond = Ts1 − Ts 2 qr ln(r2 / r1 ) 2πLk Exemplo: 1) Uma barra cilíndrica. portanto.

h4 T∞1. Assim. L m. como mostrado na Figura 70. A taxa de calor é constante através do cilindro. T∞4.K ⎛ 26. em regime permanente.h1 Figura 70 – Transferência de Calor Através de uma Parede Cilíndrica Composta. sem geração interna.089 . através de uma parede cilíndrica composta.π .16 L m 15.6.2. qr = onde: T∞1 − T∞ 4 T∞1 − Ts1 Ts1 − Ts 2 Ts 2 − Ts 3 Ts 3 − Ts 4 Ts 4 − T∞1 = = = = = Rtot Rconv1 Rcond 1 Rcond 2 Rcond 3 Rconv 2 Rtot = ∑R t = ln (r2 / r1 ) ln (r3 / r2 ) ln (r4 / r3 ) 1 1 + + + + 2πr1 Lh1 2πk A L 2πk B L 2πk C L 2πr4 Lh 4 1 Rtotal A Definindo: U = 122 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Resolução: Para determinar a perda de calor por unidade de comprimento do cilindro devemos utilizar a fórmula que rege a taxa de transferência de calor: qr = 2πLk Ts1 − Ts 2 ln(r2 / r1 ) qr W 800K − 490K = 2. Parede Cilíndrica Composta Considere a condução unidimensional de calor.10−3 ⎞ ⎟ ln⎜ ⎜ 6.10−3 ⎟ ⎝ ⎠ qr W = 118.0.

123 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Utilizando-se a definição do coeficiente global de transferência de calor.K kB=0. A superfície externa está exposta ao ar onde T∞ = 3000 K e h = 25 W/m.25W/m. O tubo é coberto por uma manta de isolamento térmico composta por dois materiais diferentes. Suponha existir entre os materiais uma resistência térmica de contato infinito. U i Ai = U 1 A1 = U 2 A2 = U 3 A3 = U 4 A4 = 1 Rtot Exemplo: 1) Vapor escoando em um tubo longo. Qual é a temperatura na superfície externa TsupB? TsupA kA=5W/m. q r = U i Ai (T∞1 − T∞ 4 ) = UA∆T = UA(T∞1 − T∞ 4 ) U = coeficiente global de transferência de calor (W/m2.K) ∆T= diferença global de temperatura (K) A = área de troca de calor (m2) Se U for definido em termos da área da superfície interna do cilindro A1 = 2πr1L. O coeficiente global de transferência de calor pode ser definido em termos de A4 ou qualquer uma das outras áreas intermediárias.K. A e B.K TsupB Tsup1 T∞ . tem-se que: U1 = 1 1 r1 ⎛ r2 ⎞ r1 ⎛ r3 ⎞ r1 ⎛ r4 ⎞ r1 1 + ln⎜ ⎟ + ln⎜ ⎟ + ln⎜ ⎟ + h1 k A ⎜ r1 ⎟ k B ⎜ r2 ⎟ k C ⎜ r3 ⎟ r4 h4 ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ Esta definição é arbitrária. mantém a sua parede a uma temperatura de 500 K. h Figura 71 – Ilustração do exemplo acima. tubo com paredes delgadas. com paredes delgadas.

K Substituindo agora o resultado acima obtido na equação referente a TsupB para obtermos tal temperatura: Tsup 1 Tsup B = R cond . Tsup.B e Rconv.L m. B Rconv .44 ln (r2 / r1 ) ⎠= = ⎝ Rcond .44 6. B ⎝ cond .B − Tsup B Rcond . cond .: ⎛ 100.K 1 1 6. Tsup 1 Rcond . = 2πr2 Lh∞ 2π .36. ⎟ ⎜ 0.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Resolução: Para calcularmos a temperatura na superfície externa TsupB. devemos utilizar a seguinte fórmula referente à taxa de calor: Rcond.0.10 − 2 ⎟ ⎠ ⎠ ⎝ T∞ Rconv.10− 3. − T∞ Rconv . Tsup B Rconv .25 K ⎞ 1 1 ⎞ ⎛ 1 ⎟ ⎜ ⎟ + + Rconv. ⎠ Para obtermos o resultado devemos primeiramente calcular as resistências: Rcond.36.25 . B Rconv .10 − 2 = = 325.100.B = = Tsup B − T∞ Rconv . ⎠ Tsup 1 T + ∞ Rcond .L.1 Tsup.36.B Rconv.44 6. Tsup B = ⎛ 1 1 ⎞ ⎟ ⎜ + ⎟ ⎜R ⎝ cond .B + 500 K 300 K + 0. 124 .25 W L m 2 .B T∞ qr = Tsup 1 − Tsup B Rcond . B Rconv . B ⎛ 1 T 1 ⎞ Tsup 1 ⎟= Tsup B ⎜ + ∞ + ⎟ R ⎜R Rconv .B = W 2πk B L L 2π .10− 2 = = Rconv.10− 3 m ⎟ 0.B ⎛ 1 ⎜ ⎜R ⎝ cond .10−3 m ⎞ ⎟ ln⎜ ⎜ 50.

Para esta espessura a perda de calor seria mínima. Na realidade. Como a resistência à condução aumenta com o raio e a resistência à convecção apresenta comportamento inverso. e a resistência total à transferência de calor seria máxima.Fenômenos de Transporte – 01/2008 15. deve existir uma espessura capaz de minimizar a resistência térmica equivalente. onde o fluxo de calor é máximo (minimiza a perda térmica graças a maximização da resistência total à transferência de calor). A taxa de transferência de calor do fluido quente para o fluido frio irá depender da espessura de isolamento. a resistência convectiva diminui devido ao aumento da área superficial externa. maximizando a perda térmica (Fig. A possibilidade de existência de uma espessura de isolamento ótima para sistemas radiais é sugerida pela presença de efeitos contrários associados a um aumento nessa espessura. a um fluido frio (Figura 72). uma espessura de isolamento ótima não existe. pois embora a resistência condutiva aumente com a adição de isolante. ou seja. Figura 72 – Parede Cilíndrica Composta. Espessura Crítica de Isolamento Para se aumentar ou diminuir a taxa de calor retirada do cilindro sem alterar as condições do escoamento externo. com condutividade térmica diferente do material do cilindro. um raio crítico de isolamento.3. 72). mas sim. Como a resistência à condução aumenta com o raio e a resistência à convecção 125 . pode-se colocar uma camada de um segundo material sobre o cilindro. do raio externo do cilindro. ou seja. com a superfície interna exposta a um fluido quente e a superfície externa. A taxa de transferência de calor da superfície interna para o fluido frio irá depender da espessura de material colocado. Seja um cilindro oco.6. do raio externo do “novo” cilindro.

A taxa de calor é dada por: qr = onde Rtot = (Ts1 − T∞ 2 ) Rtot ln(r2 / r1 ) 1 + 2πkL 2πr2 hL Assim. qr = 2πL(Ts1 − T∞ ) ln(r2 / r1 ) 1 + k r2 h Uma espessura ótima para o isolamento térmico está associada ao valor de r que minimiza o valor de q’ ou que maximiza o valor de R’tot. Tal valor pode ser obtido a partir da exigência de que: dR 'tot =0 dr Assim: 1 1 − =0 2πkr 2πr 2 h ou r= O mínimo valor de qr é obtido fazendo-se: dqr =0 dr2 k h ⎛ 1 1 ⎞ − 2πL(Ts1 − T∞ )⎜ ⎜ kr − hr 2 ⎟ ⎟ dqr 2 ⎠ ⎝ 2 = =0 2 dr2 ⎡ ln(r2 / r1 ) 1 ⎤ + ⎢ ⎥ r2 h ⎦ ⎣ k Esta condição é satisfeita quando: 126 . deve existir uma espessura capaz de maximizar a perda de calor através da parede do cilindro.Fenômenos de Transporte – 01/2008 apresenta comportamento inverso.

Para valores de r menores que rc a taxa de transferência de calor aumenta com o aumento da espessura de isolamento. a resistência total ainda não é tão grande quanto o valor para o tubo sem qualquer isolamento. qr tem o seu valor máximo em r = rc. Como a derivada segunda de qr em relação a r2 é negativa. como é o caso da condução radial em um cilindro (ou em uma esfera). não havendo uma espessura crítica para o isolamento térmico (a resistência total sempre aumenta com o aumento da espessura da camada de isolamento). se r > rcr. o problema de reduzir a resistência térmica total através da aplicação de uma camada de isolamento térmico existe somente para o caso de tubos ou fios de pequeno diâmetro e para coeficientes de transferência de calor por convecção pequenos. Em uma parede plana. portanto. diminue a perda de calor. como mostrado na Fig. → O efeito do raio crítico é revelado pelo fato de que. → Para sistemas radiais. a taxa de transferência de calor aumenta com a adição de isolamento. a resistência térmica total decresce e. 127 .Essa tendência permanece até que o raio externo da camada de isolamento atinja o raio crítico. → A existência de um raio crítico exige que a área de transferência de calor varie na direção da transferência. De forma contrária. → Se r < rcr . a área normal à direção da transferência de calor é constante . onde usualmente r > rcr. 73.Fenômenos de Transporte – 01/2008 r2 = k = rc h rc = Raio crítico de isolamento. mesmo para uma camada de isolamento térmico com pouca espessura. qualquer adição de isolamento aumenta a resistência térmica total e. para valores de r maiores que rc a taxa de transferência de calor diminui com o aumento da espessura de isolamento. portanto. O comportamento da resistência total é inverso.

menor do que a temperatura do ambiente T∞ ao redor do tubo.K e k= 0. com raio ri.055 W/m. é usado para transportar uma substância refrigerante que está a uma temperatura Ti. Exemplo: 1) Um tubo delgado de cobre.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 73 – Comportamento das Resistências Térmicas com r2. Sendo que. Tal valor pode ser obtido a partir de: r= k h 128 .K? Resolução: A resistência à transferência de calor entre o fluido refrigerante e o ar é denominada pela condução de calor através da camada de isolamento térmico e pela convecção no ar. a resistência térmica total por unidade de comprimento do tubo è: ⎛r⎞ ln⎜ ⎟ ⎜r ⎟ 1 R 'tot = ⎝ i ⎠ + 2π .k 2πrh E a taxa de transferência de calor por unidade de comprimento do tubo será: T∞ − Ti R'tot q' = Uma espessura ótima para o isolamento térmico está associada ao valor de r que minimiza o valor de q’ ou maximiza o valor de R’tot. Existe uma espessura ótima associada à aplicação de uma camada de isolamento térmico sobre o tubo com h= 5 W/m2.

em regime permanente. Logo uma espessura ótima para a camada de isolamento térmico não existe.055 m. Calculando em termos de raio crítico: rcr = k h 5 W m 2 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Uma vez que o resultado da resistência térmica total é sempre positivo.011m 15.7.K rcr = 0. 129 . sem geração interna no interior da esfera.K rcr = W 0. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais – Esfera Seja uma esfera oca cuja superfície interna se encontra a uma temperatura Ts1 e a superfície externa a Ts2 (Figura 74). Porém faz sentido pensar em raio crítico de isolamento. Considere a transferência de calor unidimensional. com Ts1>Ts2. Figura 74 – Transferência de Calor através de uma Casca Esférica. e não um máximo. rcr = k h Abaixo do qual q’ aumenta com o aumento de r acima do qual q’ diminue com o aumento de r. r = k éo h raio de isolamento para o qual a resistência térmica é mínima.

Condução com Geração de Energia Térmica Iremos analisar agora o efeito adicional que processos.8. É importante ter atenção para não confundir geração de energia com armazenamento de energia.2. obtemos a distribuição de temperatura correspondente: T ( x) = −T −T q' L2 ⎛ x2 ⎞ T x T ⎜1 − 2 ⎟ + sup. 15. 130 .75. 2 sup. têm sobre a distribuição de temperatura nesse meio. a forma apropriada da equação do calor: d 2T q' + =0 dx 2 k Aplicando as condições de contorno e todos os parâmetros.1 e Tsup.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Partindo-se da equação da condução do calor em coordenadas esféricas.8. pode-se obter o perfil de temperaturas no interior da esfera. 2 ⎜ ⎟ 2k ⎝ 2 2 L L ⎠ O fluxo de calor em qualquer ponto da parede pode ser determinado pela equação acima.1. Condução com Geração de Energia Térmica – Parede Plana Seja a parede plana da Fig. Note. dada por: qr = 4kπ (Ts1 − Ts 2 ) ⎛1 1⎞ ⎜ − ⎟ ⎜r r ⎟ 2⎠ ⎝ 1 Assim. que podem ocorrer no interior do meio. Para uma condutividade térmica constante k. contudo. que com a geração interna de calor o fluxo de calor não é mais independente de x. a resistência condutiva é dada por: R cond = 1 4kπ ⎛1 1⎞ ⎜ − ⎟ ⎜r r ⎟ 2 ⎠ ⎝ 1 15. obtém-se a taxa de calor.1 + sup.1 sup. onde existe geração uniforme de energia térmica por unidade de volume (q’ é constante) e as superfícies são mantidas em Tsup. A partir daí.

2= Tsup. condutividade térmica k A = 75 W K e espessura de LA=50 mm.(b) Condições de contorno assimétricas. Tsup. tem condutividade térmica k B = 150 W K e espessura LB = 20 mm. O resultado anterior é simplificado quando as duas superfícies são mantidas a uma mesma temperatura.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 75 – Condução em uma parede plana com geração uniforme de calor. A superfície interna da parede (material A) está perfeitamente isolada.. A e B. A camada do material B não apresenta geração de calor. neste caso. encontra-se no plano intermediário: T (0) = T0 = q' L2 + Tsup 2k Exemplo: 1) Uma parede plana composta possui duas camadas de materiais. A camada do & material A possui uma geração de calor uniforme q = 1.(a) Condições de contorno assimétricas. A temperatura máxima. enquanto a sua superfície externa (material B) é resfriada por uma corrente de água com T∞ = 30ºC e 131 .1= Tsup.(c) Superfície adiabática no plano intermediário.106 W m3 .5.

Resolução: A temperatura na superfície externa T2 pode ser obtida através de um balanço de energia em um volume de controle ao redor da camada do material. obteremos: q .K ⎝ T1 = 115º C ⎞ ⎟ ⎟.K m .0.K To = 140º C 1. B + R"conv ).K . B = k ⎪ B ⎨ ⎪ R" = 1 ⎪ conv h ⎩ ⎛ ⎜ 0. . Sendo assim obteremos T2: q .05m ⎟ ⎟ ⎠ Determinando agora To.k A 2 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 h = 1000 W m2 K .0.(LA ) To = + T1 2.02m 1 + T1 = 30º C + ⎜ W W ⎜ 1000 2 ⎜ 150 m.5.05m ) 3 m To = + 115º C W 2. Determine a temperatura To da superfície isolada e a temperatura T2 da superfície resfriada. Onde T1 será determinado visando o circuito térmico equivalente do processo: T1 = T∞ + (R"cond .106.05m m3 W 1000 2 m .q" LB ⎧ ⎪ R"cond . Para determinar a temperatura na superfície isolada termicamente temos: q .(LA ) + T1 To = 2. substituindo o valor acima na equação .L A T2 = T∞ + h T2 = 30º C + T2 = 105º C 1.106 W .75 m.106 132 .5.(0.1.k A 2 W 2 .5.

h 24000 W .K .5 W/m. com 200 mm de diâmetro e condutividade térmica de 0. e na superfície externa em contato com o ar.8. Essa condição permite que a temperatura da superfície seja mantida a um valor fixo Ts . 2 2 ⎞ ⎛ ⎜1 − r ⎟ + Ts 2 ⎜ r0 ⎟ ⎝ ⎠ Para relacionar a temperatura da superfície Ts . com a temperatura do fluido.r = T∞ + 2. há a geração de volumétrica uniforme de calor a uma taxa de 24000 W/m3.Fenômenos de Transporte – 01/2008 15. Sendo assim obteremos: Tsup q .r = 0 4k . Determine a temperatura na interface entre o bastão e a camada cilíndrica. a taxa na qual o calor é gerado no interior do cilindro deve ser igual à taxa de calor transferido por convecção da superfície do cilindro para o fluido em movimento. Em condições de regime estacionário. O bastão está encapsulado por uma camada cilíndrica com diâmetro externo igual a 400 mm.25 2 m . Considere um cilindro sólido. Resolução: Para determinar a temperatura da superfície externa em contato com o ar devemos utilizar um balanço global de energia. que poderia representar um fio condutor de corrente elétrica. tanto o balanço de energia na superfície quanto o balanço de energia total podem ser utilizados.200. de um material com condutividade térmica de 4 W/m. Sendo assim temos a distribuição de temperatura como: T( r ) q . T∞ .K.10 − 3 m m3 W 2.K. A superfície externa desta camada está exposta a um escoamento perpendicular de ar a 27ºC com um coeficiente de convecção de 25 W/m2.2 Condução com Geração de Energia Térmica – Sistemas Radiais A geração de calor pode ocorrer em uma variedade de geometrias radiais. Tsup = 27 + 273º K + Tsup = 396º K 133 . longo. Exemplo: 1) Em um bastão cilíndrico e longo.K.

10 = −3 2 ⎟ ⎜ W 200. 134 . q . Transferência de Calor em Superfícies Expandidas – Aletas 16.10 4. 77) pode ser feito através do aumento do coeficiente de convecção h ou através da redução da temperatura do fluido T∞.K = 441º K . Introdução Aleta é um elemento sólido que transfere energia por condução dentro de suas fronteiras e por convecção (e/ou radiação) entre suas fronteiras e o ambiente. 4 ⎠ ⎝ m. As aletas são utilizadas para aumentar a taxa de transferência de calor entre um corpo sólido e um fluido adjacente.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Para determinar agora a temperatura na interface entre o bastão e a camada cilíndrica devemos utilizar a fórmula que rege a distribuição de temperatura em relação ao raio: T( r ) 2 ⎞ ⎛ ⎜1 − r ⎟ + Tsup ⎜ r2⎟ 0 ⎠ ⎝ 2 W 24000 3 . 200. O aumento da taxa de transferência de calor de uma superfície a temperatura constante para um fluido externo (Fig. Figura 76 – Transferência de Calor em uma superfície expandida.10− 3 m ⎛ −3 2 ⎞ m ⎟ + 396 º K ⎜1 − 100.1.r = 0 4k 2 T( r ) T( r ) ( ) ( ( ) ) 16.

aumenta-se a área de troca de calor. através da utilização de aletas (Figura 78). Elas são utilizadas para aumentar a taxa de transferência de calor entre um corpo sólido e um fluido adjacente. Quando não é possível aumentar a taxa de calor por um destes modos. Figura 78 – Colocação de Aletas para Aumentar a Taxa de Transferência de Calor. Esquemas Típicos de Trocadores de Calor com Tubos Aletados 135 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 77 – Superfície da qual se quer Aumentar a Taxa de Transferência de Calor. que são elementos sólidos que transferem energia por condução dentro de suas fronteiras e por convecção (e/ou radiação) entre suas fronteiras e o ambiente.

2. 16. Tipos de Aletas A Figura 80 ilustra diferentes configurações de aletas. de seção transversal não uniforme Anular Piniforme (pino) Figura 80 – Configurações de Aletas.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 79 –Trocadores de Calor com tubos aletados. de seção reta uniforme Plana. 136 . Plana.

3. 81). Considerando-se um elemento infinitesimal de uma aleta de seção reta variável (Fig. vale: Calor transferido por condução para dentro do elemento em x por unidade de tempo Calor transferido por condução para fora do elemento em (x +dx) por unidade de tempo. Balanço de Energia para uma Aleta Hipóteses: • • • • • • Condução unidimensional de calor Regime permanente Condutividade térmica da aleta constante Radiação térmica desprezível Sem geração de calor Coeficiente de convecção uniforme Através de um balanço de energia. Figura 81 – Balanço de Energia em uma Superfície Expandida. pode-se obter a equação da condução de calor. Calor transferido por convecção da superfície entre x e (x + dx) por unidade de tempo = + qx = qx + dx + dqconv onde ⎧q x = Energia transferida por condução para o volume infinitesimal ⎪ ⎨q x + dx = Energia transferida por condução do volume infinitesimal ⎪dq ⎩ conv = Energia perdida por convecção para o fluido 137 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 16. Neste caso.

em uma superfície expandida. a equação anterior pode ser simplificada.4. Aletas com área da seção transversal constante Quando a área da seção transversal da aleta é uniforme (Fig. 16. Substituindo-se as equações de taxa na equação do balanço de energia. 138 . em condições unidimensionais. dT dAc d 2T h dAs (T − T∞ ) = 0 + Ac 2 − dx dx k dx dx d 2T ⎛ 1 dAc ⎞ dT ⎛ 1 h dAs ⎞ ⎟ ⎟(T − T∞ ) = 0 +⎜ −⎜ dx 2 ⎜ Ac dx ⎟ dx ⎜ Ac k dx ⎟ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ Forma geral da equação da energia. 82). − kAc dT dT d ⎛ dT ⎞ = −kAc − k ⎜ − Ac ⎟dx + hdAs (T − T∞ ) dx dx dx ⎝ dx ⎠ d ⎛ dT ⎞ h ⎜ Ac ⎟dx − dAs (T − T∞ ) = 0 dx ⎝ dx ⎠ k como a área da seção reta Ac pode variar com x. Fazendo-se uma expansão em série de Taylor.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A taxa de calor por condução na posição x é determinada pela Lei de Fourier: q x = − kAc dT dx onde: Ac é a área da seção reta da aleta na posição x considerada. pode-se determinar a taxa de calor por condução na posição (x+dx) q x + dx = q x + ∂q dx ∂x q x + dx = − kAc dT d ⎛ dT ⎞ + ⎜ − kAc ⎟dx dx dx ⎝ dx ⎠ q x + dx = − kAc dT d ⎛ dT ⎞ − k ⎜ − Ac ⎟dx dx dx ⎝ dx ⎠ A taxa de calor por convecção transmitida do elemento infinitesimal para o fluido é dada pela Lei de Resfriamento de Newton: dqconv = hdAs (T − T∞ ) onde: dAs é a área superficial infinitesimal do elemento.

dAc =0 dx Ac = constante ⇒ As = Px ⇒ dAs =P dx d 2T hP (T − T∞ ) = 0 − dx 2 kAc Definindo-se a variável θ (Excesso de Temperatura) θ = T − T∞ dθ dT = dx dx d 2θ d 2T = dx 2 dx 2 d 2θ hP − θ =0 dx 2 kAc Definindo-se: m2 = hP kAc d 2θ − m 2θ = 0 2 dx Esta é uma equação diferencial de segunda ordem.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Cada aleta está ligada na base a uma superfície T (0) = Tb e imersa num fluido na temperatura T∞. Figura 82 – Aletas com Área da Seção Transversal Constante. A solução geral tem a forma: θ ( x ) = C1e mx + C2e − mx 139 . com coeficientes constantes. homogênea.

Transferência convectiva de calor A taxa de calor que chega à extremidade da aleta por condução é dissipada por convecção. chega-se a: θ ( x) cosh [m( L − x)] + ( h / mk ) senh [m( L − x)] = θb cosh( mL ) + ( h / mk ) senh( mL ) A taxa de calor pode ser determinada através da aplicação da lei de Fourier q f = qb = − kAc dT dx = − kAc x =0 dθ dx x =0 ou q f = hPkAc . hAc (T ( L) − T∞ ) = − kAc dT dx x=L ou hθ ( L ) = − k dθ dx x=L Aplicando-se as condições de contorno. a equação para a taxa de calor pode ser dada por: 140 .θ b . cada uma correspondendo uma situação física e levando a uma solução diferente.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Para resolver esta equação. ) Assim. falta definir as condições de contorno apropriadas. Uma destas condições pode ser especificada em termos da temperatura na base da aleta (x = 0) Temperatura constante na base da aleta T (x = 0) = Tb θ (x = 0) = Tb − T∞ = θ b A segunda condição de contorno deve ser definida na ponta da aleta (x = L). define-se: M = ( hPkAc . A. Fazendo-se um balanço de energia.θ b senh( mL ) + ( h / mk ) cosh( mL ) cosh( mL ) + ( h / mk ) senh( mL ) Para simplificar a solução. Podem ser especificadas quatro condições diferentes.

θ ( x ) cosh [m( L − x)] = θb cosh( mL ) q f = M . com condutividade térmica k = 14 W/m.K. 141 . com um coeficiente convectivo de 10 W/m2. θ ( x) = e − mx θb qf = M Exemplo: 1) Uma barra cilíndrica de diâmetro 25mm e comprimento 0.25m.Fenômenos de Transporte – 01/2008 qf = M senh( mL ) + ( h / mk ) cosh( mL ) cosh( mL ) + ( h / mk ) senh( mL ) B. Aleta muito longa Neste caso. A superfície da base está exposta ao ar ambiente a 25ºC. determine a temperatura da barra em x=L e a sua perda térmica para a condição de transferência convectiva de calor. quando L → ∞.tgh ( mL ) C.K. Temperatura Fixa θ (x = L ) = θ L θ ( x) (θ L / θ b ) senh(mx) + senh[m( L − x)] = θb senh(mL) qf = M cosh( mL ) − (θ L / θ b ) senh( mL ) D. Ponta da aleta adiabática (considerando que a perda de calor por convecção na extremidade da aleta é desprezível) dT dx =0 x=L ou dθ dx =0 x=L Neste caso. tem uma extremidade mantida a 100ºC. θ L → 0 . Se a barra é construída em aço inoxidável.

73. senh(10.π.d 2 4 = 3.9.10 − 4 m 2 4 P = 2.θ b = 10.k ⎠ qr = M .L) + ⎜ ⎟.9.73. senh(10.( L − x)] ⎝ m.(25. senh(m.L) ⎝ m.58K θ ( x = L ) = T( x = L ) − T∞ T( x = L ) = 9.k ⎠ ⎛ h ⎞ cosh(m.0.L) ⎝ m.73.25) ⎠ ⎝ θ ( x = L ) = 9.10 − 2.k ⎠ = ⎛ h ⎞ cosh(m.10 − 4.4.k .73.25) + ⎜ ⎜ 10.73. cosh(10.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Resolução: Para calcular a temperatura de barra em x=L devemos utilizar a fórmula para transferência convectiva de calor: θ( x) θb ⎛ h ⎞ cosh[m( L − x)] + ⎜ ⎟.P 10.P.73.k ⎠ ⎛ 10 ⎞ senh(10.9. senh(m.L) + ⎜ ⎟.14 ⎟.14 .7.0.10 −3 ) 2 = 4. Ac .47W 142 .L) ⎝ m.73m kAc 14.14.0. senh(m.25) + ⎜ ⎟ ⎜ 10.52W Calculando agora a temperatura da barra em x=L θ ( x = L) = θb θ ( x = L) 75 ⎛ h ⎞ cosh[m( L − L)] + ⎜ ⎟.r = 7.k ⎠ Calculando alguns parâmetros para obter o resultado: Ac = π .L) + ⎜ ⎟.58 + 25 = 34.4.58 K Calculando agora a perda térmica para a condição proposta: ⎛ h ⎞ senh(m.7.L) + ⎜ ⎟.73.9. cosh(m.k ⎠ 1 = ⎛ 10 ⎞ cosh(10.10 −2 m m= h.25) ⎟ ⎝ ⎠ qr = 5.10 − 4 M = h.25) + ⎜ ⎜ 10.( L − L)] ⎝ m.73.14 ⎟.(TB − T∞ ) = 5.10 −2 = = 10. ⎛ h ⎞ cosh(m.0.25) ⎟ ⎝ ⎠ qr = 5.52.9. senh[m.L) ⎝ m.73.0.14 ⎟.9.0. ⎛ 10 ⎞ cosh(10. senh[m.

b = A efetividade pode ser definida. Aumenta quando aumenta a razão entre o perímetro e a área da seção reta. então. ηf = qf q max = qf hA f θ b onde: Af = área superficial da aleta Para uma aleta com a extremidade adiabática (caso B): 143 . a aleta impõe uma resistência térmica à condução na superfície original. Efetividade: Razão entre a taxa de transferência de calor pela aleta e a taxa de transferência de calor que existiria sem a presença da aleta.b = Ac Pode-se definir a resistência da aleta por: Rt . se toda a aleta estivesse na temperatura da base.5.b Utilizando-se a resistência à convecção na base: R t . A efetividade de uma aleta aumenta com a escolha de um material de condutividade térmica elevada. Para aletas com seção reta uniforme. por εf = Rt .b Rt . Deve ser feita uma análise sobre o desempenho da aleta. Desempenho da Aleta As aletas são utilizadas para se aumentar a taxa de transferência de calor de uma superfície devido ao aumento da área.b é a área da seção reta da aleta. f = θb qf 1 hAc . f Eficiência: Razão entre a taxa de transferência de calor pela aleta e a taxa máxima de transferência de calor que existiria pela aleta.Fenômenos de Transporte – 01/2008 16. εf = qf hAc .bθ b onde: Ac. No entanto. na base. A utilização de aletas somente se justifica se εf ≥ 2. Ac .

θ b . tanh( mL ) hPL θ b = tanh( mL ) . 144 . mL m= hP kA c Este resultado pode ser utilizado para os casos em que há transferência de calor pela extremidade da aleta: ηf = tanh(mLc ) . mLc Lc = L + t D ou Lc = L + 2 4 Figura 83 – Eficiência de aletas.Fenômenos de Transporte – 01/2008 ηf = hPkA c .

ηo = 1− NA f At (1 − η f ) 145 . A eficiência global da superfície ηg caracteriza o desempenho de um conjunto de aletas e da superfície da base sobre a qual este conjunto está montado. fosse mantida a Tb . ⎡ NA f ⎤ (1 − η f ⎥θ b qt = h Nη f A f + ( At − NA f ) θ b = hAt ⎢1 − At ⎣ ⎦ [ ] Assim. A taxa total de transferência de calor por convecção das aletas e da superfície exposta (sem aletas) para o fluido é dada por: q t = Nη f hA f θ b + hAbθ b onde ηf é a eficiência de uma aleta. ηo = qt qt = q max hAtθ b onde: qt = taxa total de transferência de calor At = área total exposta At = NA f + Ab Ab = área da superfície exposta – área das aletas Af = área superficial de cada aleta N = número total de aletas A taxa de transferência de calor máxima ocorreria se toda a superfície da aleta. assim com a base exposta.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Eficiência Global da Superfície: A eficiência da aleta ηf caracteriza o desempenho de uma única aleta.

2. Neste caso. Se o número de Biot for muito menor que a unidade. 17. e a temperatura transiente é determinada por um balanço global de energia no sólido. Nas superfícies aletadas. Método da Capacitância Global Considere um metal com temperatura inicial uniforme Ti. o método da capacitância global pode ser aplicado. a temperatura do sólido decrescerá até que eventualmente atinja T∞. Condução Transiente 17. 17. que relaciona a resistência à condução no sólido e a resistência à convecção na superfície sólidolíquido. e outros métodos são usados. De início. efeitos espaciais ocorrem. S representa o passo das aletas. Esta hipótese é satisfatória quando a resistência à condução dentro do material for muito menor que a resistência à convecção na interface sólido-líquido. Se o resfriamento se inicia no tempo t = 0. Caso contrário. a equação de condução de calor não pode ser empregada. A essência deste método é a consideração de que a temperatura do sólido é espacialmente uniforme em qualquer instante durante o processo transiente.1. Introdução Condução transiente ocorre em várias aplicações da engenharia e pode ser tratada por diferentes métodos. 146 . que é resfriado por imersão em um líquido de temperatura T∞ < Ti.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 84 – Montagem Representativa das Aletas – a) Retangulares b) Anulares. deve ser calculado o número de Biot.

1 − Ts . o balanço de energia na superfície do sólido se reduz a: kA (Ts.2 ) = hA(Ts . 2 − T∞ = L / kA Rcond hL = = ≡ Bi 1 / hA Rconv k 147 . 2 Ts .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Aplicando o balanço de energia ao sólido: & & − E s = Ea Figura 85 – Resfriamento de uma peça metálica quente.2 − T∞ ) L Rearranjando: Ts . − hAs (T − T∞ ) = ρ∀c ∂T ∂t Definindo: Resulta: Onde: Integrando: ρ ∀c hAs ln θ = T − T∞ ρ∀c dθ hAs dt = −θ ⇒ ρ∀c hAs ∫θ θ i dθ θ = − dt 0 ∫ t θ i = Ti − T∞ θi = t ou θ ⎡ ⎛ hA ⎞ ⎤ θ T − T∞ = exp ⎢− ⎜ s ⎟t ⎥ = ⎜ ⎟ θ i Ti − T∞ ⎣ ⎝ ρ∀c ⎠ ⎦ Validade do Método da Capacitância Global Sob condições de regime permanente.1 − Ts .

numa parede plana resfriada simetricamente por convecção. haverá uma transferência de calor por convecção da superfície para o fluido. e o erro associado à utilização do método da capacitância global é pequeno.1. Se a temperatura da superfície for superior à temperatura do fluido. Fundamentos da Convecção Considere um fluido qualquer. q ′′ = h. escoando com velocidade V e temperatura T∞ sobre uma superfície de forma arbitrária e área superficial A.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Se Bi << 1. T∞ q Ts Figura 87 . Convecção 18. como mostrado na Fig. O fluido térmico local é dado pela lei de resfriamento de Newton.(Ts − T∞ ) onde h é o coeficiente local de transferência de calor por convecção.Transferência convectiva de Calor. Figura 86 – Distribuição transiente de temperatura correspondente a diferentes números de Biot. 18. 87. 148 . a resistência à condução dentro do sólido é muito menor que a resistência à convecção através da camada limite do fluido.

88) Figura 88 – Escoamento sobre uma Placa Plana. As (x ) = bx h= 1 bL hbdx As ∫ h= 1 hdx L0 ∫ L h = coeficiente médio de transferência de calor por convecção (W/m2. 149 . os coeficientes local e médio podem ser relacionados por: h= 1 As ∫ As h.(Ts − T∞ ) Igualando-se as expressões para a taxa de calor.dAs Para uma placa plana de comprimento L e largura b (Fig. q = q′′dAs = (Ts − T∞ )dAs ∫ ∫ q = (Ts − T∞ )dAs Pode-se definir um coeficiente médio de transferência de calor por convecção h para toda a superfície. de maneira a representar toda a transferência de calor q′′ = h .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Como as condições variam de ponto para ponto. q” e h irão variar ao longo da superfície. K). A taxa total de transferência de calor é obtida integrando-se o fluxo ao longo da superfície.

∞ ) 18.∞: concentração molar de A no fluido (Kmol/m³) A taxa total de transferência de massa pode ser escrita na forma NA = hm As (CA . A taxa de transferência de massa pode ser calculada através de um coeficiente local hm. S − ρ A . se um fluido com concentração molar de um componente A igual a CA.m²) Hm: coeficiente local de transferência de massa por convecção (m/s) CA.∞) onde: N”A: fluxo molar da espécie A (Kmol/s.m²) ou da taxa de transferência de massa nA (Kg/s).s ≠ CA.s . através do fluxo mássico n”A (Kg/s.∞ ) onde hm : coeficiente local de transferência de massa por convecção (m/s) De modo análogo à transferência de calor.∞ escoa sobre uma superfície cuja concentração molar de A é mantida em um valor uniforme CA.S −CA . Multiplicando-se a equação para o fluxo molar pela massa molecular de A. o coeficiente médio é relacionado ao coeficiente local por hm = 1 As dAs ∫ h dA m s A transferência de uma espécie química também pode ser expressa em termos da massa. As Camadas Limites da Convecção 150 . K).s > CA.S − ρA .2.∞. haverá transferência deste componente por convecção. De maneira análoga.s: concentração molar de A na superfície (Kmol/m³) CA.CA.∞ ) n A = h m A s ( ρ A . Se CA. n" A = hm (ρA .∞ N”A = hm(CA.Fenômenos de Transporte – 01/2008 h = coeficiente local de transferência de calor por convecção (W/m2.

89.A camada limite fluidodinâmica. por sua vez. Quando as partículas do fluido entram em contato com a superfície.Fenômenos de Transporte – 01/2008 18. u∞ y CORRENTE u∞ δ (x) CAMADA LIMITE τ HIDRODINÂMICA x Figura 89 . os gradientes de velocidade e as tensões de cisalhamento são elevados. Para escoamentos externos. é definida como o valor de y para o qual u = 0. δ. Na camada limite. são desprezíveis. define-se o coeficiente de atrito local (Cf) a partir do conceito de camada limite: Cf = τs 2 ρu ∞ 2 onde: τs = tensão de cisalhamento na superfície (N/m2) ρ = massa específica do fluido (kg/m3) u∞ = velocidade do fluido na corrente livre (m/s) 151 . 1) 2) 3) 4) A espessura da camada limite. u∞. até uma distância y = δ.1. elas passam a ter velocidade nula (condição de não deslizamento).99 u∞. Estas partículas atuam no retardamento do movimento das partículas da camada de fluido adjacente que. A Camada Limite Hidrodinâmica Seja o escoamento sobre uma placa plana mostrada na Fig.2. atuam no retardamento do movimento das partículas da próxima camada e assim sucessivamente. fora da camada limite. A velocidade u aumenta até atingir o valor da corrente livre. onde o efeito de retardamento se torna desprezível. O perfil de velocidade na camada limite é a maneira com que u varia com y através da camada limite.

Perfil de concentração na camada limite. As Camadas Limites de Concentração A camada limite de concentração determina a transferência de massa por convecção em uma parede. 18.2. Ela é a região do fluido onde existem gradientes de concentração. 90). em geral. s). S − CA CA .Fenômenos de Transporte – 01/2008 5) Para uma fluido Newtoniano τs = µ ∂u ∂y . 152 . No interior da camada limite fluidodinâmica. térmica e de concentração não se desenvolvem simultaneamente.2. sendo sua espessura definida como o valor de y no qual CA . Em um escoamento sobre uma superfície com diferença de temperatura e concentração entre ambos. O objetivo da definição das camadas limite é a simplificação das equações que governam o escoamento. não possuem a mesma espessura (δ ≠ δt ≠ δc ) . as camadas limite fluidodinâmica. uma camada limite de concentração irá se desenvolver. y =0 Com µ = viscosidade dinâmica do fluido (kg/m. ou seja. ∞ O perfil de concentração na camada limite é similar ao perfil de temperatura na camada limite térmica (Fig. Figura 90 . s − CA . Se uma mistura de duas espécies químicas A e B escoa sobre uma superfície e a concentração da espécie A na superfície é diferente da concentração na corrente livre.

Para o tratamento de qualquer problema de convecção é relevante determinar se a camada limite é laminar ou turbulenta. sobre placa plana. no interior de um tubo. calculam-se os coeficientes convectivos. 18. já que tanto o atrito superficial como as taxas de transferência de calor por convecção dependem das condições da camada. ∂y ∂x ∂y ∂x No interior da camada limite térmica. Para o escoamento sobre uma placa plana. as equações podem ser simplificadas e a solução do problema se torna mais fácil. através de sua definição. basicamente. Figura 91 – Camada Limite. são obtidas equações empíricas para o cálculo dos adimensionais e. na determinação dos coeficientes de convecção. . o comprimento característico para o qual são definidos os adimensionais é a distância x a partir da origem. pode-se então determinar as taxas de transferência de calor. Escoamento Laminar e Turbulento Os problemas de convecção consistem. Em geral. se a convecção é natural ou forçada. etc. do regime do escoamento. ∂T ∂T >> ∂y ∂x Desta maneira.).3.Fenômenos de Transporte – 01/2008 u >> v ∂u ∂u ∂v ∂v = . Com eles. etc. Estas correlações dependem da geometria do escoamento (escoamento interno ou externo. 153 .

Para gases δ ≈ δ t . 105 ≤ Rex.u ∞ .c = no de Reynolds crítico (início de transição do regime laminar para turbulento) Número de Reynolds . metais líquidos δ >> δ t . x µ e Re x .é o gradiente de temperatura adimensional na interface fluidosuperfície: Nu L = hL kf Coeficiente de atrito .c ≤ 3 × 106. Número de Nusselt . acontecia para números de Reynolds de aproximadamente 2300. ou seja. xc µ Rex. no interior de tubos.c = ρ . e para óleos δ << δ t .é tensão de cisalhamento adimensional na superfície: Cf = τs ρV 2 2 ∆p Fator de atrito – é a queda de pressão adimensional para escoamento interno: f = 2 (L D )(ρ u m 2 ) Parâmetros Adimensionais • Número de Reynolds Re = ρud µ 154 .é a relação entre a difusividade de momento e a difusividade térmica – relaciona a distribuição de temperatura à distribuição de velocidade: Pr = µc p k = ν α Para escoamentos laminares δ δ t ≈ Pr n . o número de Reynolds crítico (ou de transição) é dado por: Re x = onde: ρ . Um valor representativo é Rex.c = 5 × 105.é a relação entre as forças de inércia e as forças viscosas: Re L = ρVL VL = µ ν Número de Prandtl .u ∞ .Fenômenos de Transporte – 01/2008 A transição para a turbulência. Para o escoamento sobre uma placa plana.

esta transição ocorre para Re=5x105. ou seja. a espessura da camada limite fluidodinâmica é 5x Re x δlam = A espessura da camada limite térmica é dada por δ = Pr 3 δt 1 O número de Nusselt local é dado por Nux = hxx = 0. Para o escoamento sobre uma placa plana. o numero do Reynolds crítico (ou de transição) é dado por: Re x . no interior de tubos.Fenômenos de Transporte – 01/2008 • Número de Nusselt hd Kf Nu = • Número de Prandtl Pr = ν Cpµ = α Kf hmd DAB • Número de Sherwood Sh = • Número de Schmidt Sc = ν DAB onde DAB é a difusividade de massa (m²/s) Para o escoamento sobre uma placa plana. o comprimento característico para o qual são definidos os adimensionais é a distância x a partir da origem. A transição para a turbulência.332 Re1 / 2 Pr1 / 3 . acontecia para números de Reynolds de aproximadamente 2300. válida para Pr ≥0. Para escoamento laminar (Rex< 5x105).6 x K 155 . c = ρu∞xc = 5 x10 5 µ onde u∞ é a velocidade da corrente livre.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Uma outra expressão para o número de Nusselt local.3387 Re1 / 2 Pr1 / 3 x 2 / 3 1/ 4 Para escoamento turbulento (Re>5x105) δturb = 0.6<Pr<60 x 18. com T(y) = T∞.x Quando as camadas limite laminar e turbulenta são comparadas. válida para qualquer valor de Prandtl. válida para 0. percebe-se que a turbulenta cresce muito mais rápido. y T∞ CORRENTE T∞ δ (x) CAMADA LIMITE TÉRMICA x Tsup. é dada por Nux = [1 + ( 0. δ ≈ δt O número d Nusselt local é dado por Nux = 0.4. Figura 92 – Camada Limite Térmica. Para escoamentos turbulentos. Por sua 156 . o perfil de temperaturas no fluido é uniforme. No início da placa (x = 0).x = 0.0468 / Pr ) ] −1 / 5 x 0. uma camada limite térmica deve se desenvolver se houver uma diferença entre as temperaturas do fluido na corrente livre e na superfície. enquanto no escoamento laminar. T (x.0296 Re4 / 5 Pr1 / 3 . as partículas do fluido que entram em contato com a placa atingem o equilíbrio térmico na temperatura superficial da placa.37⎜ ⎜ µ ⎟ ⎟ ⎝ ⎠ −1 / 5 x −1 / 5 . a espessura varia com x1/2. ou seja. No entanto.0) = T∞ . já que sua espessura varia com x4/5. 92.37 Re ⎛ ρu∞ ⎞ . A Camada Limite Térmica Da mesma forma que há a formação de uma camada limite fluidodinâmica no escoamento de um fluido sobre uma superfície. Considere o escoamento sobre uma placa plana isotérmica mostrada na Fig.

99 2) Na superfície não existe movimentação do fluido e a transferência de calor ocorre unicamente por condução.K) 157 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 vez estas partículas do fluido em contato com a superfície atingem o equilíbrio térmico com essa superfície. criando um gradiente de temperatura. 1) A espessura da camada limite térmica. Com isso. ∂T q ′′ = − k f s ∂y onde y =0 e h= − k f ∂T ∂y Ts − T∞ y =0 kf = condutividade térmica do fluido (W/m. δt. e trocam energia com partículas fluidas em camadas adjacentes. é definida como o valor y para o qual: (Ts − T ) (Ts − T∞ ) = 0.

1. 6.34.38.25.26.36 a 2. 3.17 a 1. 4.39 e 1. e Alan T.22 e 3.34 e 2.2.49. Robert W. 4.10. 6.41 e 6..13.7. 3.29 e 4. 1.35.10 a 1. 1. 1. CAPÍTULO 3: 3. CAPÍTULO 4: 4.10.36.27. Livros Técnicos e Científicos Editora S. 1.66. 4.27.13.24. 2. 2.21.30 e 1.35.188. CAPÍTULO 2: 2. 2. 3.40.40.23. 2. * INCROPERA.24 a 1. 6.2. Livros Técnicos e Científicos Editora S.20..37. 1.23.. Rio de Janeiro.44 e 3.28. Fundamentos de Transferência de Calor e Massa.33 e 2. 3.14.9 a 4.32.182 a 4.42 a 1. 6.32.2.19. CAPÍTULO 3: 3.18. 2. Introdução à Mecânica dos Fluidos.7 a 2. 3. 1. 2. CAPÍTULO 2: 2.12. 1. McDonald. 2. 1. 1998.1 a 1.Fenômenos de Transporte – 01/2008 EXERCÍCIOS RECOMENDADOS: * FOX. Rio de Janeiro.27.12. 158 .28. 2. 3. 3.38. 4. (Quinta Edição) CAPÍTULO 1: 1.15.13 a 3. CAPÍTULO 6: 6. 2.37.33.39.A. 1. 3. 2. Frank P.15. 2001.1.4. 6.A.19. (Quinta Edição) CAPÍTULO 1: 1.39. 2. 6. 3. 4.17 a 4.42.

Calor e Massa. Prentice-Hall do Brasil. Editora Edgard Blucher Ltda. Transferência de calor: um texto básico. * WHITE. Problemas de Mecânica dos Fluidos.. Transferência de Calor.A. * THOMAS. J. Fenômenos de Transporte. * OZISIK.. * SISSOM.P. McGraw-Hill do Brasil Ltda. J. 1984. c1990. Rio de Janeiro. * FOX. Robert W..A. * MACINTYRE.A. Archibald Joseph. * SHAMES. 1987. Introdução à Mecânica dos Fluidos. Rio de Janeiro.. 1994. Editora Guanabara Koogan S. Fumarc. Tubulações Industriais . 1996.Cálculo. 1978. 1998. * STREET. e C. Mecânica dos Fluidos.A. Djalma Francisco.A. Leighton E. Vennard.. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Editora Guanabara Koogan S. Pedro Silva... 2001. Bennett. 2002.. Quantidade de Movimento. 1994. Bombas e Instalações de Bombeamento. 1978. Pedro Silva.. M. Robert L. Livros Técnicos e Científicos Editora S.. Fundamentos da Transferência de calor. Dayr. * TELLES. e John K. * CARVALHO. Necati. Frank M.Materiais. Editora Guanabara Koogan S.E. Tubulações Industriais . * MYERS. McGraw-Hill Interamericana do Brasil Ltda.A. Pitts. E Donald r. Rio de Janeiro. Editora Guanabara S. e Alan T. São Paulo. Livros Técnicos e Científicos Editora S. * SCHIOZER. Fenômenos de Transporte. 1988.O. * TELLES... Bombas.. Livros Técnicos e Científicos Editora S. Irving H. 1985. 1977. Rio de Janeiro. Projeto e Desenho. Frank P. Editora Guanabara Koogan S. Mecânica dos Fluidos..Fenômenos de Transporte – 01/2008 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: * BASTOS. McDonald. 159 . Mecânica dos Fluidos. * HOLMAN. Elementos de Mecânica dos Fluidos. Livros Técnicos e Científicos Editora S. * INCROPERA.. Instalações Elevatórias. 1983. Lindon C.A.. 1983. Editora Guanabara Koogan S. Belo Horizonte. Francisco de Assis A. São Paulo. Volume I e II.A. McGraw-Hill do Brasil Ltda. Fundamentos de Transferência de Calor e Massa.A.A.

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Apêndice A Tabela A.1 – Propriedades de Fluidos Comuns a 20ºC e 1atm.
Massa Específica Viscosidade Absoluta Fluido Kg/m3 Kg/(m.s) ____________________________________________________________________________

Água Freon -12 Gasolina Glicerina Mercúrio Óleo SAE 10W Óleo SAE 10W30 Óleo SAE 30W Óleo SAE 50W Querosene Hidrogênio Hélio Ar seco CO2

998 1327 680 1260 13550 870 876 891 902 804 0,084 0,166 1,203 1,825

1,00x10-3 2,62x10-4 2,92x10-4 1,49 1,56x10-3 1,04x10-1 1,70x10-1 2,90x10-1 8,60x10-1 1,92x10-3 9,05x10-6 1,97x10-5 1,80x10-5 1,48x10-5

Tabela A.2 – Massa Específica da Água a 1 atm. T(ºC) 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Massa Específica (Kg/m3) 1000 1000 998 996 992 988 983 978 972 965 958

Tabela A.3 - Massa Específica do Ar a 1 atm. T(ºC) -40 0 20 50 100 150 200 250 300 400 500
160

Massa Específica (Kg/m3) 1,520 1,290 1,203 1,090 0,946 0,835 0,746 0,675 0,616 0,525 0,457

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Tabela A.4 - Massa Moleculares de Gases Comuns. Fluido Massa Molecular (Kg/Kmol) H2 2,016 He 4,003 H2O 18,02 Ar seco 28,96 44,01 CO2 CO 28,01 28,02 N2 32,00 O2 NO 30,01 N2O 44,02 7,091 Cl2 CH4 16,04 Tabela A.5 – Emissividades a 300K. Superfície Água Concreto Folha de amianto Tijolo vermelho Placa de gesso Madeira Pavimentação de asfalto Vidro de janela Teflon Alumínio polido Solo Pele Emissividade 0,96 0,88-0,93 0,93-0,96 0,93-0,96 0,90-0,92 0,82-0,92 0,85-0,93 0,90-0,95 0,85 0,03 0,93-0,96 0,95

Tabela A.6 – Condutividades Térmicas a 300K. Material Aço inoxidável AISI 304 Alumínio puro Chumbo Cobre puro Ferro puro Algodão Asfalto Compensado de madeira Manta de fibra de vidro Pele Solo Tijolo comum Vidro pyrex Ar seco K (W/m.K) 14,9 237 35,3 401 80,2 0,06 0,062 0,12 0,038 0,37 0,52 0,72 1,4
0,0263

161

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Tabela A.7 – Valores de Densidade para alguns fluidos a 20 °C.
Fluido Hidrogênio Ar Gasolina Água Mercúrio Óleo SAE 30 Glicerina Densidade (Kg/m3) 0,087 1,205 680 998 13580 891 1264

Tabela A.8 – Valores de Viscosidade para alguns fluidos a 20 °C.
Fluido Hidrogênio Ar Gasolina Água Mercúrio Óleo SAE 30 Glicerina Viscosidade (Kg/m.s) 8,8x10-6 1,8x10-5 2,9x10-4 1,0x10-3 1,5x10-3 0,29 1,5

Tabela A.9 – Propriedades Termodinâmicas de Gases Comuns na Condição Padrão ou “ Standard” .

162

1 Btu = 778.1 742 649.41 1.8 296.9 840.16 48.98 286.5 96.2007 0.1556 386.6 ~1540 Símbolo Químico Massa Molecular.17 0.4 5225 14.2481 0.060 1672 742.01 188.01 32.4 4.248 3. b R ≡ Ru/Mm.40 ~1.402 0.40 1.1772 0.4 3147 10.1713 35. Mm 1.30 53.003 2.325 kPa (abs.11 0.31 1.7517 2. T = 15º = 59ºF e p = 101.2399 0.8 259.016 16.) = 14696 psia.3 J/(kgmol·K) = 1545.1772 55. c Tabela 13 – Propriedade de Fluidos Gasosos 163 . Ru = 8314.2 pé · lbf.4 651.78 0.40 1.00 18.04 2077 4124 518.29 1.33 0.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Gás Ar Bióxido de Carbono CO2 He H2 CH4 CO N2 O2 H2O 28.2481 0.3 44.01 296.40 1.8 461.180 2190 1039 1039 909.5231 0.32 1.4 ~2000 Hélio Hidrogênio Metano Monóxido de Carbono Nitrogênio Oxigênio Vapor – 28.29 85. O vapor d’água comporta-se como um gás ideal quando superaquecido de 55ºC (100ºF) ou mais.66 1.3 pé · lbf/(lbmol · ºR).478 0.388 0.3993 55.368 a Temperatura e pressão na condição padrão ou “standard”.9 1004 717.1551 ~0.02 28.2172 ~0.1 766.

88 kg/(m.7 W = 1.lbf/s = 745.s) 1 Ns/m2 = 1 kg/ms = 10 poise 1 stokes (St) = 1 cm2/s = 1x10-4 m2/s 1 ft3 = 0.6x106 J Pressão 1 psi = 6894.1– Grandezas e Unidades utilizadas em Mecânica dos Fluidos.lbf = 1.4482N 1dina = 1g cm = 1x10 −5 N 2 s 1 onça = 0.028317 m3 164 .3558 J 1 Btu = 252 cal = 1055.2046 lbf 1lbf = 4.80665 N = 2.056 J 1 kWh = 3.76 Pa 1 N = 1Pa = 10 −5 bar = 0.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Apêndice B Tabela B.s) = 47.174 lbm 1 lbm = 0. Grandeza Fatores de Conversão Massa 1 slug = 14.9872x10 −5 atm 2 m 1 lbf/ft2 = 47.4536 kg 1 tonelada = 1000 kg Comprimento Temperatura 1 ft = 12 in = 0.3048 m 1 mi = 5280 ft = 1609.8K Força 1 kgf = 9.27801 N Energia 1 ft.15 1R = 1.4 Kg/m3 1 slug/(ft.88 Pa 1 psi = 1 lbf/in2 = 144 lbf/ft 2 = 6895 Pa 1 atm = 101325 Pa 1 bar = 1x105 Pa linHg (a 20ºC) = 3375 Pa Potência Densidade Viscosidade Viscosidade Cinemática Volume 1 hp = 550 ft.344 m T (K) = T (°C) + 273.014 cv 1 cv = 735 W 1 slug/ft3 = 515.594 kg = 32.

0037854 m3 1 litro = 0.001 m3 = 0.38 kg/m3 1 lbm/ft3 = 16.Fenômenos de Transporte – 01/2008 1 galão = 231 pol3 = 0.59x106 m2 1 acre = 4046.092903 m2 1 mi2 = 2.0185 kg/m3 1 g/cm3 = 1000 kg/m3 165 .9 m2 = 43560 ft2 Peso Específico Massa Específica 1 lbf/ft3 = 157.09 N/m3 1 slug/ft3 = 515.035315 ft3 Área 1 ft2 = 0.78784x107 ft2 = 2.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura A1 166 .

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura A2 167 .

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