FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA MATER CHRISTI

Direito, Administração, Sistemas de Informação e Ciências Contábeis– Portarias MEC 360/445/443/965

CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO LABORATÓRIO DE DIREITO PENAL II PROF.: STELISON FERNADES ALUNA: MARIA DA CONCEIÇÃO DOS SANTOS PEREIRA

NOVO PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI

INTRODUÇÃO O Tribunal do Júri, como instituto jurídico, surgiu no Brasil por meio de um Decreto Imperial em 18 de julho de 1822, atribuindo-lhe o dever de julgar os crimes praticados contra a imprensa. Há época, juízes de fato como eram denominado, era composto de 24 (vinte quatro) juízes. Estes por sua vez, eram homens de bom caráter, inteligentes e principalmente, traziam consigo o sentimento patriota. É notável que desde a vigência do referido decreto, o instituto ora abordado sofreu inúmeras modificações, uma vez que encontrou guarida na Constituição de 1988, que em observância as garantias e direitos fundamentais do indivíduo, estenderam a competência dos jurados para se pronunciarem contra os crimes dolosos contra a vida, tornando soberano o veredicto desse colegiado. Portanto, há que se ressaltar que esse organismo é parte integrante do Poder Judiciário, e na primeira instância, tem a competência para julgar crimes dolosos contra a vida, como já mencionado, outrossim, nos crimes tentados ou consumados, e nos comuns que lhes forem conexos. O que se nota é apesar de o núcleo principal do Tribunal do Júri se fincar no julgamento proferido por um colegiado de cidadãos comuns, este também se reveste de caráter cultural. Infere-se que o procedimento do Tribunal do Júri, por ser bifásico, bem como, em demasia complicado e moroso, gerava na população um sentimento de impunidade, frente à gravidade dos crimes praticados pelo agente. Esse foi um dos motivos que impulsionou a reforme do aludido instituto, aprovando a Lei nº 11.689 de 09 de junho de 2008, a qual passará a detalhar.

isto é. mas sim despejam lançar sua força sobre o mundo jurídico. p. 241). 107). Isto só é possível na medida em que estes não objetivam regular. b) o sigilo das votações. competência para julgamento dos crimes dolosos contra a vida. assegurados: a) a plenitude de defesa. conforme vão perdendo densidade semântica. 2002. a Ciência do Direito. Alcançam os princípios esta meta à proporção que perdem o seu caráter de precisão de conteúdo. o que o princípio perde em carga normativa ganha como força valorativa a espraiar-se por cima de um semnúmero de outras normas (BASTOS. pairando sobre uma área muito mais ampla do que uma norma estabelecedora de preceitos. p. como organização que lhe der a lei. ainda. senão vejamos in verbis: Art. c) a soberania dos veredictos. eles ascendem a uma posição que lhes permite sobressair. Consoante se extrai do texto constitucional. Portanto. cumprindo. sigilo das votações. soberania dos veredictos. Manoel Jorge e Silva Neto asseveram que os princípios tornam-se instrumentos que facilitam a interpretação de uma norma: Os princípios modelam de modo vigoroso. o papel de inestimável ferramenta posta à disposição do cientista quando da consumação do procedimento interpretativo da norma. mediante proposições descritivas. Desse modo. os diversos setores no ordenamento jurídico. desvenda o conteúdo do retrato normativo. porque. 5º. sabendo-se ser a Ciência do Direito uma metalinguagem da linguagem-objeto do direito positivo. d) a competência pra o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. isto é. PRINCIPIOS NORTEADORES DO TRIBUNAL DO JÚRI A Constituição Federal de 1988 há muito é considerada uma carta de princípios. XXXVIII – É reconhecida a instituição do júri.1. teremos os princípios de interpretação despontando como significados pontos de partida para que se encontrem os princípios explícitos ou implícitos remanescentes no sistema (SILVA NETO. e estes cada vez mais se revestem de força valorativa. por fim. situações específicas. aduz Celso Ribeiro de Bastos: Os princípios constitucionais são aqueles que guardam os valores fundamentais da ordem jurídica. . 2006. o Tribunal do Júri tem com fundamento os seguintes princípios: plenitude de defesa.

só poderão ser apreciadas novamente. uma vez que no momento em que está sendo avaliado pelo Conselho de Sentença este deve ocorrer dentro dos ditames da lei. é garantido ao inculpado. ou que haja revisão criminal. em sendo observado uma defesa eivada de vícios. Portanto. Imperiosos destacar que os juízes togados não poderão proferir as decisões de mérito. salvo nos casos de erro no procedimento ou no julgamento. por se verificar afronta ao principio ora discorrido.1. SIGILO DAS VOTAÇÕES Com base no principio do sigilo de votação. decidir .1. podendo se defender de todas as alegações a ele atribuídas no decorrer da audiência una. passou a ser ouvido por último. ambas no sentido de beneficiar o acusado. A reforma processual. Frise-se aqui que compete ao Tribunal ad quem apenas apreciar a decisão para uma possível declaração de nulidade. Em análise a este principio. pois esta é da competência exclusiva dos jurados. este se reveste de essencialidade para o acusado. não será passível de modificações 1. promovendo oportunidade para que se defenda das acusações a ele imputadas. PLENITUDE DE DEFESA Quanto ao primeiro princípio. oportunizando a cada integrante do Conselho de Sentença. como meio de defesa. pois existe a possibilidade de que o acusado seja absolvido sumariamente. podemos conceituá-lo de um poder conferido a alguém para absolver ou condenar. Destarte.2. o direito de contra-razoar todas as denúncias que lhes estão sendo imputadas. esta deverá ser confrontada de logo. que pela Lei nº 11. a decisão proferida pelo veredicto dos jurados. quando o indivíduo é colocado perante o Tribunal do Júri. SOBERANIA DOS VEREDICTOS O principio da soberania dos veredictos se reveste de uma competência exclusiva. Importa esclarecer que das deliberações realizadas pelos jurados. em sendo encontrado error in procedendo ou n judicando. com base nesse no principio da plenitude de defesa.689/2008. 1. validou a mudança do interrogatório do acusado. em sede de recurso nos Tribunais. o que se tenta assegurar é a imparcialidade dos jurados. quando os veredictos forem totalmente contrários às provas produzidas nos autos processo. embora não seja este absoluto. Destarte. porém nunca reformar ou modificar o veredicto do Conselho de Sentença.3.

o juiz togado determina que seja encerrada a apuração dos votos. em cada um dos quesitos. 2000. Hodiernamente. Nesse ponto. Nesse sentido afirma Morais (2006. Imperioso de destacar as lucubrações de Júlio Fabrini Mirabete: A própria natureza do júri impõe proteção aos jurados e tal proteção se materializa por meio do sigilo indispensável em suas votações e pela tranqüilidade do julgador popular.225). 77) “[. ou seja. que seria afetada ao proceder a votação sob vistas do público. mesmo porque este. 1032). atribui competência ao Tribunal do Júri para absolver ou condenar o acusado de crimes dolosos contra a vida.4. é bifásico. Aliás. sendo sorteados apenas sete para compor o Conselho de Sentença. devendo a legislação ordinária prever mecanismos para que não frustre o mandamento constitucional”. tendo em sua composição um juiz togado. apresenta duas fases distintas. com mencionado alhures. alínea “d” da Carta Magna de 1988. p. não sendo passível de substituição por nenhuma lei infraconstitucional. p.sem intervenção de terceiros.” Importa ressaltar que essa competência é mínima. 1. as decisões não podem ser fundamentadas (MIRABETE. preservando o sigilo das votações não mais é divulgado o resultado completo da votação. porém. 93. ainda existe uma celeuma. . o espaço dentro do qual pode determinada autoridade judiciária aplicar o direito aos litígios que lhe forem apresentados. o art. não pode se referir ao julgamento do júri. no caso o presidente. onde alguns doutrinadores afirmam que pessoas comuns não possuem entendimento jurídico para proferir veredictos tão importantes. p.] este preceito constitucional diz que a liberdade de convicção e opinião dos jurados deverá ser resguardada. “[…] Competência é a delimitação da jurisdição. assegurando desse modo uma votação sigilosa. pois quando se atinge o quarto voto.. e vinte e cinco jurados. esta competência poderá ser ampliada através de uma lei ordinária.. cumpre dizer que o procedimento do Júri. ou seja. uma vez que já se alcançou resposta majoritária do Conselho de Sentença. formulando sua opinião de acordo com o que foi apresentado em plenário. compondo-os. IX. COMPETÊNCIA PARA JULGAR OS CRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA O artigo 5º inciso XXXVIII. FASES DO TRIBUNAL DO JÚRI Preliminarmente. De acordo as asseverações de Nucci (2007. 2.

os debates orais e por fim o julgamento. compondo dessa forma o sumário da culpa. Logo após será marcada a audiência de instrução. o juiz nomeará um defensor dativo para que se pronuncie em favor do réu. nessa etapa se inicia uma espécie de juízo de admissibilidade da acusação. pela nova redação da Lei nº 11. que começará com o oferecimento da denúncia ou queixa. momento em que serão indagadas as testemunhas de acusação e da defesa. Importa destacar que na primeira fase do Tribunal do Júri o que se pretende não é provar a existência de culpabilidade do agente. a veracidade dos fatos serão provadas em Plenário. conforme dispõe o artigo 412 do CPP. No entanto não sendo esta oferecida. e posteriormente será interrogado réu.689 de 09 de junho de 2008. a primeira fase do segue as regras do que foi estabelecido para o procedimento ordinário. devendo este ofertar reposta escrita no prazo de 10 (dez) dias. todavia pela alteração da aludida lei. por ocasião do encerramento da audiência una. da desclassificação ou absolvição sumária no prazo de até 10 (dez) dias da data de encerramento da audiência.Na primeira fase. sendo concluída com a decisão da pronúncia. Cumpre ressaltar sobre as possibilidades de que se cerca o Juiz na fase . Registre-se logo que em sede de alegações finais. o magistrado ordenará que se proceda a citação do acusado. 2. o que anteriormente vigia era a produção de provas. podendo ainda. Assim. É de bom registrar logo que a primeira etapa do procedimento do Júri não poderá ser concluída num prazo superior a noventa dias. e finalmente se conclui com o julgamento feito pelo Conselho de Sentença. o juiz proferirá a decisão. ou judicium acusationis. Na segunda etapa. da impronúncia. Essa fase tem seu início quando as partes apresentam do rol de testemunhas. Frise-se que a audiência será uma. pela nova previsão legal. que investido de poder. ocorre o julgamento do mérito da ação. apreciarão todas as provas produzidas. Destarte. portanto ocorrendo na seqüência a audiência de instrução. por ocasião da prolação se manifestar a cerca da pronúncia.1 PRIMEIRA FASE Consoante se verifica nos artigos 394 a 405 do Código de Processo Penal Brasileiro. que representa o judicium causae ou juízo da causa. sendo recepcionada a denúncia ou queixa. consoante aos crimes dolosos contra a vida. uma vez que serão os jurados. mas sim a probabilidade de que poderá ser ele autor do fato delitivo. nessa ordem. estas deverão ser produzidas oralmente em audiência.

. senão vejamos: o primeiro.1 Da Pronúncia A pronúncia é uma decisão que não adentra ao mérito. Ademais nesse momento não há necessidade de que existam provas plenas de acusação. de sorte que o juiz deve se limitar a indicar a prova da materialidade e a existência de indícios suficientes de autoria ou participação. Outro efeito se reporta à prisão e à liberdade do acusado. in verbis: “Art.] nesse momento procedimental. se convencer da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação”. É de fácil percepção que para que o acusado seja pronunciado pelo magistrado e conseqüentemente levado ao Tribunal do Júri. O procedimento escalonado do Júri somente segue seu feito se o acusado por pronunciado. tem-se com a pronúncia do acusado a . 2. a linguagem deve ser comedida. deverá pronunciar o acusado. 15). portanto não tem capacidade para encerrar um processo. – O juiz. Portanto. especialmente pra evitar influências sobre o ânimo dos jurados. pronunciará o acusado. por sua vez. sendo pronunciado pelo juiz. deve o acusado ser submetido ao julgamento proferido pelo juízo natural. como já mencionado alhures.. Por derradeiro. é necessário a presença do binômio autoria/materialidade – materialidade do fato – bem como da presença do elemento subjetivo do crime. Há que se destacar ainda que a pronúncia produz quatro efeitos.1. 2008. (MENDOÇA. será submetido ao julgamento proferido pelo Conselho de Sentença. uma vez que somente esta decisão do magistrado é que permite ao acusado ser julgado pelo tribunal do júri. qual seja: indícios suficientes de autoria ou de participação. ou seja. Nesse sentido destacamos os ensinamentos de Andrey Borges de Mendonça: [. fundamentadamente. face ao encerramento da acusação e instrução preliminar. O segundo efeito é que haverá uma delimitação quanto à acusação que será submetida ao julgamento pelo Tribunal do Júri. 413 do CPP.probatória do sumário da culpa. Quanto a esse aspecto. o magistrado poderá prolatar uma das seguintes decisões abaixo elucidadas. p. o juiz observando a existência dos requisitos supra. todavia sem emitir qualquer juízo de valor sobre o fato. uma vez que na dúvida. fixando. a classificação do crime. ouve significativa alteração conforme se depreende do artigo abaixo transcrito. por conseguinte. põe fim apenas a uma fase meramente procedimental. é que o acusado.

2 Da Impronúncia O juiz pode também decidir pela impronúncia quando não estiver convencido da materialidade fática ou da existência de indícios insuficientes de autoria ou da participação. porém o que se configura é a ausência do binômio autoria/materialidade. Por fim cumpri dizer que. da decisão da pronúncia. porém põe termo a uma fase do procedimento e conseqüentemente encerra-se do processo. uma vez que se trata de coisa julgada material. quando: I – provada a inexistência do fato. in verbis: Art. poderá ser ofertado nova queixa ou denúncia. 689/2008. não será possível interpor nova ação penal contra o agente. . 2. ser o acusado absolvido sumariamente. fundamentadamente. será intimado por meio de edital. Importa afirmar ainda que se restar configurado que não existiu o fato imputado ao agente. 2. uma vez que não se encontram presentes os pressupostos essenciais à pronúncia do réu.3 Absolvição Sumária Na primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri o juiz pode absolver sumariamente o réu quando estiverem presentes uma das hipóteses previstas no artigo 415. Prudente esclarecer que a impronúncia não patrocina a absolvição o réu. II – provado não ser ele o autor ou participe do fato. conforme se depreende da nova redação da Lei nº 11. capaz de declarar a inocência do acusado.1. absolverá desde logo o acusado. que a impronúncia não tem força de sentença. artigo 414. Neste caso estamos diante de uma decisão interlocutória. resta consolidado no parágrafo único do artigo supracitado. Ademais. ou que o fato pelo qual estava sendo acusado o réu não representa infração penal. evitando-se desse modo a suspensão do processo. pois se há julgamento do mérito. de acordo com as alterações da lei objeto de estudo.prescrição interrompida. ou ainda for reconhecida a inexistência de autoria. devendo portanto. pois se surgirem novas provas que apontem para a responsabilidade criminal do réu. 415. O juiz. Para o caso de não ser o acusado encontrado. não existindo mais a antiga distinção se o crime é ou não passível de ser arbitrado fiança. deve ser realizado a intimação pessoal do réu.1.

uma vez que tem o escopo de o acusado seja levado a julgamento dos jurados. resta configurado uma decisão interlocutória. 336)”. § 3º. Na realidade temos neste ponto uma verdadeira sentença absolutória.4 Desclassificação Por derradeiro. IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. 419 Quando o juiz se convencer. Há que se ressaltar que. conforme dispõe o artigo 74. caberão ao juiz presidente.ou seja. temos a desclassificação conforme aduz o artigo 419. (NORONHA. 1997 p. consoante redação da Lei nº 11.689/2008. em uma situação que claramente reclama pela aplicação do instituto da absolvição. no escopo de aproveitar todos os atos anteriormente realizados. . toda vez que o próprio Tribunal do Júri desclassificar um crime.III – o fato não constituir infração penal.1. Desta forma também é o entendimento de Magalhães Noronha: “A absolvição sumária autorizada pelo Código é norma tradicional do direito pátrio e inspira-se na razão preponderante de evitar para o réu inocente as delongas e os notórios inconvenientes do julgamento pelo júri. onde o magistrado reconhece de pronto sua incompetência para julga o fato discorrido nos autos. senão vejamos: “Art. é plenamente possível sua aplicação. a Lei nº 11. da existência de crime diverso dos referidos no § 1º do art.689/2008. 2. quando houver um único processo. § 1º do CPC. e mesmo que surjam provas novas sobre o fato. remetendo-os ao juiz competente. inexistentes é a possibilidade de se argüir novo processo. que apesar de ser uma exceção ao principio da soberania dos veredictos. remeterá os autos ao juiz que o seja”. Neste ponto. a competência para julgar será sempre do Juiz Presidente. c/c artigo 492. Portanto. o julgamento ficará a cargo do Juiz Presidente do Tribunal do Júri. Todavia quando se tratar de processos conexos. 74 deste Código e não for competente para julgamento. que não se qualifiquem como crimes dolosos contra a vida. reconhecendo que o fato imputado ao acusado não corresponde a um crime doloso contra a vida. sendo absolvido sumariamente o réu e posteriormente a sentença transitar em julgado. o julgamento de todos eles. em discordância da acusação. Cumpre por fim salientar que quando a desclassificação for decisão do próprio Conselho de Sentença.

2. para que no prazo de cinco dias. procederá à intimação das partes. Portanto clarividente é a expulsão do libelo acusatório. conferido pela Lei nº 11. este será incluído na pauta da reunião do Tribunal do Júri.2. em sendo saneado o processo. Em seguida o magistrado redigirá um sucinto relatório do processo. p.2 SEGUNDA FASE Na segunda fase inicia-se a preparação o julgamento em plenário. Vale ressaltar que também deverão indicar os meios de provas que ainda serão produzidas. é mais célere. 2. o Juiz Presidente fará o saneamento do processo para verificar de irregularidades. da acusação e defesa. Por fim. Nas cidades com mais de 1 milhão de habitantes serão escolhidos de . Neste aspecto. procedendo às providências cabíveis. a lei 11. Este por sua vez.689/08. e finalmente sobre a impossibilidade de recurso de protesto por novo júri.175) este documento representa “apenas um panorama geral do processo. aqui será desenvolvido o próprio julgamento do tribunal do Júri. que na realidade tinha apenas uma finalidade: arrolar testemunhas. uma vez que fora abolido o libelo bem como a contrariedade desse. abrindo também oportunidade para que se proceda juntada de documentos que julgam necessários. da possibilidade das partes indagarem diretamente as testemunhas e acusado. Na seqüência. a sem incidência de qualquer opinião a cerca do mérito da causa ou do conteúdo das provas.689/2008 proporcionou diversas modificações no tocante ao libelo crime acusatório quanto a sua contrariedade. os autos processuais serão remetidos ao juiz presidente do Tribunal do Júri. ou seja. É notável que o novo sistema processual.2 Do Alistamento dos Jurados Com a redação do artigo 425 do CPP.2. Essa diligência é essencial. também promoveu alterações quanto aos quesitos a serem oferecidos ao Conselho de Sentença.1 Intimação das Partes Restando preclusa a decisão de pronúncia. Consoante afirmativa de Guilherme Nucci (1997. o legislador adaptou a lista de jurados em três seguimentos. sendo no máximo cinco. uma vez que tem o escopo de impedir a anulação do feito.2. arrolem as testemunhas que irão depor em plenário.

Ressalte-se ainda que o a função de jurado é revestida de obrigatoriedade. todavia em sentido estrito. podendo ser alterada de ofício ou através de requisição de qualquer do povo. em caráter definitivo. Para essa escolha o magistrado deverá requisitar informações sobre a sociedade civil. Esse ato reclama prévia justificativa. Este. imotivadamente ou peremptoriamente. foi que em se tratando de dois ou mais réus. 2. A lista. excesso de serviço que . em decorrência de um dos quesitos previstos na lei. 254 e 449 do CPP. com caráter e reputação ilibada. será válido as regras de impedimento.3 Desaforamento O desaforamento é uma situação excepcional. e pugnando pela ampliação do processo que envolve uma justiça popular democrática. A primeira. uma das inovações trazidas pela Lei ora estudada. as partes poderão. cumpre dizer que o jurado exerce função de grande importância. será publicada no dia 10 de novembro. por essa razão é que em sendo escolhido presume-se ser pessoa idônea. A Lei 11.2.689/08 também inovou quanto a cisão de julgamento dos réus. Ainda consoante se depreende do artigo 468 do CPP. Os fatos que podem gerar o desaforamento são: interesse da ordem pública. em caráter provisório. 253. apenas um defensor será incumbido da recusa. sob as pena da lei. 252.500 jurados. nas cidades com mais de 100 mil habitantes serão selecionados de 300 a 700 jurados e nas comarcas menores a seleção será de 80 a 400 jurados. conforme dispõe os artigos 436 e 442 do CPP. conforme imposição do Código vigente deve ser dúplice. afastando a acusado de ser julgado perante o júri do local onde cometeu o delito. por conseguinte. sob pena de nulidade. só ocorrerá quando não for alcançado o quorum mínimo de sete jurados para compor o Conselho de Sentença. Quanto a isso. recusar até três jurados cada uma. será publicada no dia 10 de outubro de cada ano. segurança pessoal do acusado. suspeição e incompatibilidade com previsão legal nos artigos 112. A segunda. dúvida sobre a imparcialidade do júri. Corresponde ao ato onde a competência territorial para o julgamento do Tribunal do Júri é modificada. portanto não pode o escolhido recusar imotivadamente. Por derradeiro.800 a 1. serão analisadas as indicações feitas por diversos organismos da sociedade em geral. sendo neste momento aberto prazo para interposição de recuso. Em relação aos juízes togados.

Por fim cumpre registrar o entendimento do Supremo Tribunal Federal.acarrete atraso no julgamento do réu por seis meses ou mais. em qualquer fase processual. que hodiernamente obedecem a seguinte ordem: materialidade do fato. Súmula nº 712. O primeiro trata da materialidade do fato. quando o réu preso não tiver sido requisitado.2. 2. o procedimento do Tribunal do Júri conta coma apresentação dos quesitos. se existe circunstâncias ou causa de aumento de pena reconhecidas na pronúncia ou em decisões a ela posteriores. a Lei inovou quanto a ao grau de subjetividade e abstração. estes devem abarcar toda matéria alegada pela defesa. outrossim quanto aos pedidos de adiamento. simplificou a formulação dos quesitos. admitindo a acusação. quais sejam: ausência do Ministério Público. pois. se o acusado deve ser absolvido. se existe causa de diminuição de pena alegada pela defesa. dentro do limite a que está sendo imputado ao acusado. Para facilitar a compreensão do júri. A Lei em análise. ou seja. devendo este ato ser determinado motivadamente pelo Relator do Tribunal. a partir da preclusão da decisão de pronúncia. realmente existiu. é previsível que haja a substituição do direito positivado pelo sentimento de justiça. que atribui nulidade à decisão que decide pelo desaforamento de processo da competência do júri sem audiência de defesa. sendo importante observar para o modo como reconhecida na pronúncia. Neste. uma vez que a competência fora repassada para um corpo de jurados. no qual estão imbuídos todos os que compõem do Conselho de o fato foi descrito na peça acusatória e posteriormente . Importa destacar de logo os caso em que ensejaram no adiamento do julgamento. Nesse sentido o que pretendeu o legislador foi evitar o desdobramento dos quesitos. no limite da pronúncia. quanto a aplicação de seus julgamento. bem como do defensor técnico. se o fato. o magistrado se posicionará acerca dos casos de isenção e dispensa dos jurados. Uma das inovações do Código de Processo Penal é a possibilidade de suspensão do julgamento pelo júri. O segundo quesito corresponde a autoria e participação. autoria e participação.4 Julgamento em Plenário Antes que se inicie os trabalhos da sessão. O terceiro quesito está para a absolvição do acusado. bem como pela acusação.

em plenário. caberá recurso de apelação. será lavrado a sentença. explicando a finalidade de cada um. e em sendo positiva a resposta. observando o disposto no artigo 492. II. Logo após. Imperioso destacamos também quanto a ordem da inquirição. Esta. ou seja. Por derradeiro cumpre dizer que contra a sentença proferida pelo Tribunal do Júri. quando as estas forem de iniciativa dos jurados. exceto nos casos em que seja imprescindível para garantir a segurança dos presentes. a do CPP. Em seguida. Realizada a instrução será. O quanto quesito serão feitas indagações acerca da existência de causas que podem diminuir a pena ou privilegiar o apenado. tendo a prerrogativa de se dirigirem diretamente a o acusado e fazer as perguntas que julgarem necessárias. negando a materialidade do fato. o querelante e por fim o defensor do acusado. indaga-se os jurados se eles são favoráveis quanto a absolvição do réu. o assistente. Importa registrar que não será permitido o uso de algemas durante a realização do julgamento em plenário. No entanto se a reposta for positiva quanto a esses quesitos. . Ministério Público. nessa ordem. ocorrendo o oposto. segue-se indagando os jurados acerca dos demais quesitos. No novo procedimento do júri. inicia-se os debates orais. a ordem será a seguinte: a iniciativa será do Ministério Público. Todavia. encerra-se-á a votação. ou quanto a autoria e participação. sendo absolvido o réu. em seguida do assistente. se a maioria dos jurados responder negativamente um dos dois primeiros quesitos. Explico. a inquirição será na seguinte ordem: o juiz presidente. não necessitando assim da participação do juiz presidente. Entretanto quando se tratar do interrogatório. ocorre de mo diverso no que acontece no procedimento comum. Destarte. após querelante e por fim do defensor. no entanto. o juiz presidente lerá os quesitos.Sentença. As indagações serão feitas diretamente às testemunhas. serão realizadas por meio do juiz presidente. O ultimo quesito será com relação as qualificadoras do próprio tipo penal do qual está sendo imputado ao réu. restará encerrada a sessão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Finalizando. podemos observar que as pretensões do legislador são assegurar celeridade e efetividade aos crimes dolosos contra a vida. No entanto. as quais eram tão comuns na sistemática anterior. . no que tange a efetividade. bem como simplificando a parte dos quesitos. resta perfeitamente impregnado na primeira fase do Tribunal do Júri. no sentido de que se evite nulidades. Quanto ao primeiro.3. vedou o protesto por um novo júri.

8. 2008. Magalhães. NUCCI. n. NORONHA. rev. São Paulo: RT. MENDONÇA. _________. Disponível em: . 2008. Ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 2008. Curso de Direito Constitucional Atualizado. São Paulo: Método. 36. 1999. e atual. 6. E. Código de Processo Penal Interpretado. 10ª ed. São Paulo: Saraiva. 2010. ano 4. nov. Curso de Processo Penal. ed. Nova Reforma do Código de Processo Penal. 2007. SILVA NETO. ed. . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA BASTOS. 2006. Eugênio Pacceli de. Curso de Direito Processual Penal. OLIVEIRA. Acesso em: 21 jun. Júlio Fabrine. Celso Ribeiro. ed. 8. Guilherme de Souza.4. Revista dos Tribunais. Andrey Borges. Jus Navigandi. MIRABETE. São Paulo: Atlas. 1997. Tribunal do Júri: São Paulo. Rio de Janeiro: Lumen Juris. A Reforma da Constituição: em defesa da revisão constitucional. 2001. Teresina. Código de Processo Penal Comentado.