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Por que armas são a civilização

por Marko Enfield

Nós, seres humanos, possuímos somente duas formas de lidarmos uns com os
outros: pela razão ou pela força. Se você deseja que eu faça algo para você, você
tem a opção de ou me convencer por meio de argumentos, ou me forçar a tanto
sob ameaça de uso da força. Toda interação humana recai sobre uma destas duas
categorias, sem exceção. Razão ou força.

Em uma sociedade verdadeiramente civilizada, as pessoas interagem


exclusivamente por meio da persuasão. A força não tem lugar válido como
método de interação social; e a única coisa que remove a força do rol de opções é
o emprego de uma arma de fogo, por mais paradoxal que isto possa parecer.

Quando porto minha arma, você não pode lidar comigo por meio da força. Você
terá de usar a razão e tentar me persuadir, porque eu tenho um modo de afastar a
sua ameaça de emprego da força. Uma arma de fogo é o único instrumento de
defesa pessoal que coloca em pé de igualdade uma mulher de 60 quilos e um
agressor de 120 quilos, um aposentado de 75 anos e um marginal de 19 e um
homossexual solitário e um grupo de skinheads armados com tacos de baseball.
As armas de fogo removem as disparidades de força física, tamanho e número
entre um potencial agressor e aquele que se defende.

Existe uma quantidade imensa de pessoas que considera as armas de fogo como
toda a fonte de disparidade de forças. Estas são as pessoas que pensam que
seríamos mais civilizados se todas as armas de fogo fossem removidas da
sociedade, porque, segundo elas, armas de fogo facilitam o trabalho dos
marginais. Isto, claro, só é verdade se as vítimas destes marginais forem
totalmente, ou parcialmente, desarmadas por livre escolha ou por decretos
legislativos – caso contrário, isto não tem validade alguma quando a maioria
destas vítimas estão armadas. As pessoas que desejam banir as armas de fogo
clamam automaticamente pelo prevalecimento da regra do mais novo, do mais
forte, do maior número; e isto é completamente o oposto do queremos em uma
sociedade civilizada. Marginais, mesmo os armados, podem apenas ser bem
sucedidos em uma sociedade onde o estado garante para si o monopólio da força.

Então, existe o argumento de que armas de fogo tornam os confrontos mais letais
do que seriam sem elas. Este argumento é falacioso de várias formas. Sem o
envolvimento de armas de fogo, os confrontos seriam vencidos pela parte com o
porte físico superior, infligindo graves danos ao perdedor. As pessoas que pensam
que o emprego de punhos, bastões e pedras não constituem uso da força letal
assistem a muita TV, onde personagens são golpeados e saem, na pior das
hipóteses, com os lábios cortados. O fato de armas de fogo tornar o uso da força
letal mais fácil funciona tão somente em favor do mais fraco, não do mais forte.
Se ambos estão armados o quadro se nivela. Armas de fogo são os únicos
instrumentos que são letais tanto nas mãos de um octogenário quanto nas mãos
de um halterofilista. Elas não serviriam como equalizadoras da força se não
fossem letais e, ao mesmo tempo, fáceis de empregar.

Quando porto minha arma, não o faço porque estou em busca de confusão, mas
porque estou em busca de sossego. Uma arma de fogo do meu lado significa que
eu não serei forçado, apenas persuadido. Não a porto por estar com medo, mas
porque ela me proporciona a sensação de não sentir medo. Ela não limita as
ações daqueles que interagem comigo por meio da razão, mas apenas as ações
daqueles que assim agem pela força. Ela remove a força da equação... E é este o
porquê de se portar uma arma de fogo ser um ato civilizado.

Tradução: Diogo Siqueira