CRIAÇÃO DE CABRAS

Maria das Graças Carvalho Moura e Silva

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1 Introdução
Desde os tempos coloniais, o Nordeste vem sendo o grande difusor da caprinocultura no Brasil. Entretanto, só a partir da década de 70 é que a atividade recebeu maior incentivo, estabelecendo, assim, opção econômica para os pequenos e médios proprietários das outras regiões, além da classe rural nordestina. As criações especializadas em caprinos no Brasil vêm aumentando consideravelmente, principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. A rápida difusão da espécie caprina só foi possível graças à grande facilidade de adaptação aos diferentes ambientes. A cabra é um dos poucos animais capazes de sobreviver e produzir em condições adversas, como as observadas em regiões de clima extremamente quente ou frio e com poucos recursos naturais. Daí, tornou-se ao mesmo tempo uma atividade agradável, rentável e com alto valor social, contribuindo com carne e leite na alimentação familiar.
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Professora do Departamento de Zootecnia

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2 Objetivos da Criação
A cabra ( Capra hircus) é um ruminante doméstico, e é sabido que o rebanho caprino brasileiro alcança cerca de 11,9 milhões de cabeças, conforme estimativa do ANUALPEC (1998). O Nordeste concentra 89,8% desse total, com 10,7 milhões de animais. É importante definir o tipo de exploração a que esses animais serão submetidos, pois eles fornecem vários produtos, como: carne, leite, pele, pêlo e esterco. Seja qual for a finalidade da exploração, a localização do criatório deve ser nas proximidades de um bom centro consumidor.

2.1 Carne
Provavelmente, a demanda está limitada pela oferta, ou seja, constitui-se em um mercado pouco explorado. Em média, a carcaça representa 54% do peso vivo; as vísceras comestíveis, 11,2%; outros produtos não comestíveis, 11,6%, e o sangue e as perdas constituem 6,9%. O odor da carne está relacionado, especialmente, ao momento da esfola. O odor não é próprio da carne, e sim transmitido pela pele. Daí, a necessidade de se ter o maior cuidado por ocasião da esfola, a fim de que não haja contato da parte externa da pele com a carne.

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2.2 Leite
É um alimento de alto valor nutritivo (exceto ferro) e de fácil digestão; isso justifica sua freqüente utilização na alimentação de pessoas idosas com problemas gástricos. O leite de cabra contém os cinco elementos necessários à nutrição: (1) o açúcar, (2) a proteína, (3) a gordura, (4) as vitaminas e (5) os sais minerais. Apresenta também uma alta digestibilidade em função do tamanho (3 microns) e dispersão de seus glóbulos de gordura, bem como das características de sua caseína. (principalmente a beta caseína, o que confere um coágulo mais macio e quebradiço quando acidificado; além disso, os coágulos menores e mais quebradiços são mais rapidamente atacados pelas proteases estomacais, facilitando a digestão). Como em qualquer tipo de leite, a composição química do leite de cabra varia com a genética, estado fisiológico, ordenha e posteriores manipulações do produto. O leite de cabra, de vaca e de mulher apresenta diferenças entre si, tanto na quantidade como na classe de proteína. Contudo, existem alguns trabalhos científicos que indicam o leite de cabra como o ideal para ser usado por crianças alérgicas ao leite de vaca e pessoas que fazem tratamentos quimioterápicos, porque o mesmo pode diminuir a queda de cabelos, o que é uma

3 Pele A cabra é o animal doméstico que possui a pele mais resistente e bem mais forte que qualquer outra pele. iogurtes. que consiste em pendurar o animal pelas patas traseiras. procedendo-se à sangria. Essas peles são destinadas para produtos refinados de couro.1 Abate Os métodos modernos utilizam eletricidade e punção. Não dispondo desses métodos. como: bolsas. com um corte seguro e profundo na veia jugular. deixando escorrer todo o sangue (Figura 1). 2. o criador deverá usar o sistema tradicional de abate. o leite pode ser consumido também como alimento por qualquer pessoa. representando importante fonte de renda. São métodos empregados para o animal sofrer o menos possível. etc. esfola e conservação. doces. fabricam-se deliciosos queijos.3. A pele deve ser cuidada convenientemente no abate. sorvetes. 2. Do leite de cabra.8 característica desse tipo de tratamento. etc. sapatos. . Obviamente. luvas.

O local do abate deve ser limpo e permitir que o sangue seja recolhido facilmente num vasilhame qualquer. Figura 2: Figura 3: . usa-se também o ar comprimido. Para isso.9 Antes do abate. ou em uma vala pela qual escorra livremente. 2. Retira-se a pele com o maior cuidado possível. os animais devem ficar 24 horas em locais com bastante água e com pouca ou nenhuma ração.3. evitando-se que seja furada ou rasgada pela faca. ou então empregando-se a pressão do punho (Figura 3). Para evitar cortes e furos.2 Esfola A esfola consiste em fazer um corte ao redor de cada um dos cotovelos e outro na cabeça. e nunca uma faca de ponta fina. na altura das orelhas (Figura 2). o que pode ser feito por processo de soprobucal direto. usam-se facas de ponta recurvada.

estas devem ser colocadas do lado do pêlo e não do lado interno. Para curtir a pele com pêlo ou cabelo. Figura 4: Figura 5: No caso de se empregar varas. pedaço de carne e gordura. uma mistura em partes iguais de sal comum e . em lugar bem arejado e fora do alcance de animais que possam estragá-la. deve-se esfregar.3 Conservação Para que a pele não se estrague após ser tirada do animal. deve ser lavada em uma solução de salmoura bem concentrada. pelo lado carnal. Deve-se ser seca à sombra. pois estas deixam manchas na pele (Figura 4) ou em grade (Figura 5).3. para retirar algum sangue restante.10 2.

11 pedra ume. para evitar a pulilha (traça). deixando a parte do cabelo para dentro. tapetes. escovas. etc. fósforo e potássio. dependendo da raça. maciez. pulverizando para formar uma cobertura bem uniforme sobre ela. etc. comprimento do fio. Depois de seca. Isso ajudará a sua conservação. deve ser borrifada com uma solução à base de naftalina. o que pode representar uma economia considerável na compra de adubos químicos. pincéis. a pele deve ser tirada das varas ou da grade. ou produto similar. 2. .5 Esterco Sendo rico em nitrogênio. logo após. é indicado para adubação em culturas agrícolas em geral. 2.4 Pêlos Usa-se pêlo de caprinos para diversos fins. Com o pêlo fabricam-se feltros. A maneira correta de guardá-la e dobrá-la é no sentido do comprimento. tecidos aveludados. A produção média de esterco de uma cabra é de 600 kg/ano.

1 médios. na prática.12 3 Características dos Caprinos 3. Figura 6: Avaliação da idade pelos dentes.  inferior com 12 molares.1 Dentição É possível. as arcadas dentárias ficam assim formadas:  superior com 12 molares. todos chamados de dente de leite ou caducos. Na dentição permanente. Os ruminantes não possuem caninos e os caprinos nascem sem dentes. 6 de cada lado e 8 incisivos cantos). (divididos em: pinças. fazer-se a avaliação da idade dos caprinos pela observação e exame da arcada dentária (Figura 6). sendo 8 incisivos e 12 molares. 2 médios e 0 0 . 6 de cada lado. A primeira dentição dos caprinos é constituída de 20 dentes.

Sendo animais ruminantes ou poligástricos. retículo. o resultado prático disso é que a cabra é capaz de cortar as forrageiras bem rente ao solo.13 Determinação aproximada da idade pelos dentes 1 – um ano. 5 – 3 ½ a 4 anos (adaptado de Sá. 2 – 18 meses. a capacidade gástrica dos caprinos é superior à dos ovinos e bovinos. omaso e abomaso (Figura 7). mas também comer cascas de árvores. cortar galhos mais tenros. em torno de .2 Aparelho Digestivo A cabra apreende ou capta os alimentos com os dentes. etc. 4 – 2 ½ a 3 anos. 1990) Aos 4 anos a dentição está completa e os cantos atingem o seu máximo desenvolvimento. Relativamente. 3 – 2 anos. o estômago tem quatro divertículos: rúmen.  Aos 4 ½ anos começa o desgaste dos cantos  Aos 5 anos rasam os 1 médios  Aos 6 anos rasam os 20 médios  Aos 7 anos rasam os cantos 0 3.

Essa temperatura é comumente mais elevada meio grau pela tarde do que pela manhã. A temperatura corporal normal da cabra está sempre compreendida entre 39 e 40 Celsius ( C ) em animais adultos e 41 Celsius (C). 0 0 0 Figura 7 Figura 8 . tomada na face interna do antebraço (Figura 8). A freqüência respiratória varia de 12 a 15 respirações por minuto. um pouco mais entre os animais jovens. A pulsação normal varia de 70 a 85 por minuto entre os adultos e de 90 a 100 entre os cabritos. em animais jovens. o que explica o grande apetite ou voracidade das cabras.14 50% do peso vivo.

Na Figura 9 tem-se a representação de todas as partes do corpo do animal. Devem ser adquiridos animais provenientes de locais de venda que sejam idôneos. conforme o tipo de exploração desejada e que se adaptem às condições climáticas da região onde serão criados. A escolha da raça é um fator de sucesso na exploração de caprinos.15 4 Raças Raça pode ser definida como um grupo de animais que possuem o mesmo conjunto de caracteres fixos e transmissíveis aos descendentes. Figura 9: . com sua respectiva denominação zootécnica.

SAANEM ALPINA . feminilidade acentuada nas fêmeas e. um úbere bem desenvolvido e glanduloso.1 Raças Produtoras de Leite São animais que geralmente apresentam conformação geral para a clássica forma de cunha. Toggenburg. aspecto descarnado. Murciana. La Mancha Americana. sobretudo. Alpina. Os membros devem ser curtos. de preferência bem aprumados e fortes. As raças caprinas especializadas são: Saanen.16 4. Nubiana.

No Brasil as raças especializadas são: Anglonubiana.2 Raças Produtoras de Carne São animais obtidos por cruzamentos com a raça Anglonubiana. e são enviados para o abate os cabritos machos ou com características raciais indesejáveis. Jamnapari. Boer .17 MURCIANA TOGGENBURG NUBIANA 4. Bhuj. Mambrina.

principalmente o nordestino. Canindé. . cuja produção de peles garante a rentabilidade para o produtor. Marota.18 ANGLONUBIANA MAMBRINA BHUJ JAMNAPARI BOER 4. Repartida.3 Raças Produtoras de Pele e Pêlo São raças nativas. De aptidão mista para carne e pele. Temos: Moxotó. Angorá ( Mohair).

19 MOXOTÓ MAROTA CANINDÉ REPARTIDA ANGORÁ 5 Instalações Existem vários sistemas de criação de caprinos: intensivo. extensivo e de subsistência. uma vez que tendem a proporcionar um mínimo conforto aos animais. As ins- . dependendo das necessidades. tendo acesso a uma área para tomarem sol e fazerem exercícios. As instalações são mais sofisticadas e. semi-intensivo. portanto. Sistema Semi-intensivo: os animais saem do abrigo para o pasto pela manhã e retornam à tarde para receberem ração volumosa e concentrada. Eles recebem toda alimentação em cocho. mais caras. Sistema Intensivo: os animais permanecem confinados durante todo o tempo.

Este sistema é típico da maioria dos criatórios do Nordeste brasileiro. sendo o alimento obtido quase que exclusivamente no pastoreio direto. torna-se necessário o planejamento de instalações (capril. 5.20 talações são intermediárias entre os sistemas intensivo e extensivo. cabril) funcionais. Sistema Extensivo: neste sistema. o intensivo é o melhor. O proprietário do animal leva-o para pastar em terrenos baldios e o deixa amarrado em corda. Criação de Subsistência: esta criação está localizada na periferia dos grandes centros urbanos. onde as condições são precárias. compostas de um galpão ou mesmo de um cercado. aprisco. e entre esses. são aconselhados os sistemas intensivos e semi-intensivo. com a criação de animais de baixa produtividade. Para as raças especializadas em produção de leite e com a criação em média e grande escala. práticas e econômicas que atendam às necessidades dos animais. os animais são mantidos no campo na quase totalidade do tempo.1 Local de Escolha . porém com alta rusticidade. principalmente as de alimentação. As instalações são simples. onde os animais são recolhidos à noite ou para alguma prática de manejo. Para a exploração leiteira.

bem drenadas. Figura 10 Figura 11 . etc). com facilidade de limpeza. e a produção deve ter fácil acesso ao centro consumidor. radiação solar.  Tipo Galpão ou Cabanha: este tipo é o mais usado pela maioria dos criadores. ensolaradas. claras. madeira. bem ventiladas. etc. São mais econômicas e versáteis (bambu.21 As instalações destinadas ao abrigo dos animais devem ser localizadas em áreas de fácil acesso. A cobertura varia de acordo com a conveniência do criador. predadores. orientação Leste para Oeste e fechado ao Sul (para evitar as correntes de ventos mais frios). 5. com piso suspenso suficiente para uma boa limpeza diária. desde que seja impermeável à água e proteja os animais do sol sem aumentar a temperatura interna (Figura 11).2 Tipo de Instalação  Tipo Gaiola: as baias podem ser individuais ou para dois animais. Figura 10. água de boa qualidade e protegidas contra chuvas.

22 As baias para as cabras em lactação ou secas podem ser de dois tipos: individuais. A altura do pé direito deve ser de pelo menos 2 m até o piso. A área total da construção é calculada bastando multiplicar o número de cabras existentes por 2. sendo recomendado de 80 a 100 cm.4m para reprodutores e 1. De posse desses dados e com o número de animais. Recomenda-se o piso ripado.0 cm para animais acima dessa idade. a altura deve permitir uma limpeza fácil.0 m .2 m para as demais categorias. deste ao solo. numa altura de 1. o criador poderá calcular a área total e as subdivisões do capril a ser construído. sendo as ripas espaçadas entre si 1.5 cm para animais com até 3 meses de idade e 2. para evitar que machuquem as patas entre os espaços das ripas (Figura 12) 2 . As divisões internas poderão ser de madeira ou de alvenaria. quando em criações de pequeno porte. ou coletivas.

5. sendo esta de 2m2/ fêmea ou 4m2/ reprodutor. No campo. proteger bóias e fazer limpeza periódica. Os bebedouros devem ficar no nível da altura da garupa dos animais. baldes de plástico ou automático para leitão. para animais adultos: 2.0cm. O piso pode ser cimentado (mais indicado) ou de terra batida (difícil de ser higienizado). 5.4 Bebedouros Localizados no lado externo das baias. 5. para evitar que esses defequem dentro deles. podem ser do tipo fixo (caixa d’água central com bóia mantendo o mesmo nível de água para todos os bebedouros).3 Solário Deve-se prever uma área externa para exercícios e cobrição.5 Comedouros ou Cochos .23 Figura 12 : Esquema de piso ripado. a = para animais jovens1.5cm.

Figura 13: Esquema das dimensões do cocho com suas angulaçöes 5.50 m de altura do solo e devem estar na divisória das baias. Área de chegada no cocho é de 0. A ordenha mecânica é viável para rebanhos com mais de 80 cabras em lactação.50 m/cabra As manjedouras ou fenis: 0.60 m do solo e de 0.6 Plataforma ou Sala de Ordenha Sala de ordenha é recomendada para rebanhos com mais de 40 cabras.1.40 ( largura x profundidade). . Os saleiros em campo: cobertos (1. Podendo ser do tipo de ordenha lateral ou ordenha por trás.50 a 0.20 . Usar ripas de proteção para evitar que os animais subam nos cochos.50 m de pé direito).20 x 0.24 Devem ficar do lado externo das baias. elevado entre 0. com separação para volumosos e concentrados.

o que corresponde aproximadamente a 1 m3 / animal/ adulto/ ano. .5 a 2.25 A plataforma de ordenha consta de um estrado de madeira elevado do solo. As dimensões da esterqueira dependem do número de animais e do número de descargas por ano.0 kg de fezes por dia ou 550 a 700 kg por ano.7 Esterqueira Um animal adulto excreta de 1. com rampa de subida para a cabra e destinada a oferecer maior conforto e segurança ao ordenhador e ao animal durante a ordenha (Figura 14). 5. Figura 14: Esquema da plataforma de ordenha. É recomendável para rebanhos menores.

Na ausência desses produtos químicos. Essa desinfecção poderá ser feita com solução de formol comercial a 10% ou sulfato de cobre a 10%. Esse manejo visa a diminuir a infecção parasitária nos animais e o uso de vermífugos. comedouros. diversidade de forrageira (é melhor). a cal virgem diluída em água funciona como um bom desinfetante. bebedouros bem distribuídos.26 5.8 Pedilúvio A finalidade é fazer a desinfecção dos cascos dos animais. fácil rotação.10 Cercas . etc). cabris ou apriscos. O tempo de utilização é de 3 a 5 dias. com as seguintes dimensões:  2. Os pedilúvios deverão ser construídos na entrada dos currais.0 metros de comprimento  10 cm de profundidade  largura correspondente à largura da porteira. com um período de descanso de 35 dias. bem drenados.9 Piquetes Fácil manejo das pastagens ( escolher a forrageira de acordo com o hábito de pastejo. seletividade. 5. cochos para sal e fenis. 5.

As cercas elétricas. porteiras e colchetes devem ser de acordo com o tipo de maquinaria que vai entrar no piquete. Figura 15: Tipos de cercas .5 milésimos de ampère). composta por 8 a 9 fios de arame. Portões. basta passar 2 fios a mais entre cada um dos primeiros fios de baixo. Podem ser de troncos.27 São proteções feitas para evitar que os caprinos saiam de sua área de pastejo. tábuas. A altura das cercas dependerá da idade dos animais. arame liso ou farpado (não é muito recomendado) e cercas elétricas. é feita com apenas 2 fios e mantêm os animais no pasto. Esses tipos variam conforme a possibilidade de aquisição do material (Figura 15). usa-se cercar com 1.5m de altura. em geral. além da economia no custo. carga que não provoca danos nem aos animais e nem ao ser humano. São energizados a uma baixa amperagem (2. Se já existirem cercas para bovinos. A distância entre mourões deve ser de 2 em 2 metros. telas.

isolar animais com doenças contagiosas e acostumar os animais ao manejo nutricional. sala de máquinas.11 Quarentenário Consiste em uma baia isolada do criatório (aproximadamente 100 metros) a fim de que se possa deixar o animal a ser introduzido no rebanho em observação.28 5. Animais bem nutridos têm condições de expressar todo seu potencial genético e são mais resistentes a doenças e parasitas. depósito de ração.12 Outras Instalações Deve-se prever áreas para farmácia. 5. depósito de materiais. etc. área para guardar feno. 6 Manejo Alimentar A nutrição adequada é um dos principais fatores responsáveis pela produtividade de um rebanho. .

29 Ainda é comum observar que as cabras são alimentadas como pequenas vacas. exigências de água. atividades físicas. Diferenças essas. composição de carcaça. 6.2 Consumo de Alimentos A determinação do nível de consumo de alimentos tem importância para o balanceamento de dietas e para estabelecer um programa alimentar para os animais. Os caprinos. por triturarem melhor o alimento. seleção de alimentos.2. apesar de requererem os mesmos princípios nutricionais. por causa da diferença entre as espécies. provavelmente. sendo.1 Hábito Alimentar Os caprinos têm hábitos alimentares diferentes de bovinos e ovinos. Entretanto. aproveitam mais a fibra.1 Fatores Relacionados ao Animal . composição do leite. desordens metabólicas e parasitas. a saber: hábitos alimentares. a principal razão de sua capacidade de sobreviver e produzir em áreas de pobre cobertura vegetal. 6. as exigências são diferentes. O consumo de alimentos depende de: 6.

método de conservação. 6. grau de moagem. quantidade oferecida e temperatura ambiente. folhas largas. preferindo vegetação arbustiva. Quando as forragens forem fornecidas no cocho. Animais de raças leiteiras normalmente consomem mais do que as raças nativas. pois são mais bem apreciadas. 6. melhor será o resultado. quantidade da ração concentrada.2 Fatores Relacionados ao Meio Tipo de forragem.2. brotos e as leguminosas.2. convém oferecê-las picadas em pedaços grandes ao invés de trituradas. Quanto ao tipo de pasto e à qualidade das pastagens. idade da forragem.3 Seletividade Os caprinos são muito seletivos e buscam variar a ingestão de verde. aptidão zootécnica e estado fisiológico. 6. por exemplo. animais em lactação consomem mais do que animais em final de gestação.2.4 Ingestão de Matéria Seca .30 Raça. quanto maior a diversidade de forrageiras.

Tabela 5: Esquema prático para cálculo do teor de Proteína Bruta no concentrado.2. Em clima tropical. 18 a 22 Todas as categorias 22 a 24 Todas as categorias. o animal ingere 3% do peso vivo.6% do peso vivo. Tipo de % de PB Volumoso Volumosos Rico > 14 Médio 10 a 14 no % de PB no Concen.2 . Pobre 5 a 10 <5 Muito pobre Fonte: Adaptado de SANCHES (1985) . 1983).31 Em clima temperado. Para mantença. e na gestação.5% do peso vivo.Categorias a serem trado a ser oferecido suplementadas 12 a 16 Cabras em lactação e cabrito em crescimento 16 a 18 Cabras em lactação.8% do peso vivo. 6. conforme o estado fisiológico do animal (Devendra & McLeroy. a ingestão é de 2. levando-se em conta a categoria animal ( Tabela 5 ).5 Recomendações Práticas É difícil fazer uma recomendação única de alimentação por causa dos recursos que cada propriedade dispõe. as cabras ingerem 5 . deve-se estabelecer um programa alimentar para cada situação. Portanto. a ingestão é de 3 . cabrito em crescimento e cabras em gestação.2.

E na região do Nordeste. com alguma leguminosa (teor de PB de 10 a 14% na MS). com grande percentagem de leguminosas (teor de PB acima de 14% na MS). 10% e picado 15%. silagens ou fenos de gramíneas medíocres (teor de PB de 5 a 10% na MS). Na época da seca. para silagem ótima. Deve-se fornecer quantidades de volumosos que permitam uma seleção e que o índice de sobra seja de 30% para volumosos de média qualidade e 50% de baixa qualidade. e nos países tropicais. Tipo Pobre = forrageira em início de maturação. fazendo com que seu valor nutritivo seja baixo. a umidade é baixa e isso limita o crescimento. silagens ou fenos bons. onde a luminosidade é favorável. a sobra deve ser em torno de 15%.32 Observação: Tipo Rico = forrageiras em crescimento. silagens ou fenos muito bons. Tipo Muito Pobre = forrageira madura. a média de sobra . silagem ou feno de baixa qualidade (teor de PB inferior a 5% na MS) e palhadas. aumenta o número de espécies pastoreadas. a alta temperatura e umidade proporcionam grande crescimento das gramíneas tropicais. para o feno de boa qualidade. Portanto. Tipo Médio = forrageira não madura. cana picada.

centeio. coast-cross. 6. sorgo. feijão-de-porco.7 Alimentação por Categoria τ Cabritos em Aleitamento: Assegurar ao recém-nascido a ingestão de colostro nas 6 primeiras horas de vida até 36 horas (durante 5 dias). Cereais: milho. Hortículas: folhas de nabo. batata-doce. etc. alfafa. soja perene. Outras Folhas: erva-cidreira. bananeira. 6.6 Alimentos para Cabras Leguminosas: guandu. milheto. cameron. gordura. Gramíneas: capim-pangola. estrela-africana. etc.8 kg/dia (3 a 5 . Para as cabras em lactação. algarroba. amendoim-forrageiro. colonião. etc. goiabeira. pitangueira.2. trigo. cenoura. setária. mucunapreta. Raízes e Tubérculos: mandioca. cunhã. napier e outros. anis. etc. beterraba . beterraba. pangolão.5 a 0.33 deverá ser em torno de 15 a 20% do oferecido. o concentrado poderá ser fornecido no ato da ordenha. jaraguá.2. a quantidade de 100 a 150g/kg de peso vivo ou 0. etc. confrei.

Colostro Artificial:  ½ litro de água. possibilitando a absorção de anticorpos pelo cabrito.5 litros/cabeça/dia). que ocorre mais intensamente nesse período.  Vitaminas e minerais (premix para crias). mistura mineral e água de boa qualidade. na mesma dosagem. mamadeiras (melhor controle). durante 14 a 28 dias (1. fornecendo leite de vaca aos animais com 4 a 5 dias. após aquecido à temperatura de 35 a 37 0 Celsius (C).34 refeições/dia). Essa medida é importante para a prevenção de futuras doenças. O desaleitamento deverá . também pode ser utilizado o colostro bovino. durante 6 ou 7 dias seguidos.0 a 1. a partir do 30 dia de vida. para que o vírus possa ser inativado. deve ter à sua disposição concentrado. O aleitamento artificial deve ser feito após o colostro de 3 a 5 dias. Em caso de morte da matriz. o colostro natural ou artificial de cabra deve ser pasteurizado antes de ser oferecido ao cabrito.  1 ovo. podemos utilizar colostro fresco de outra matriz e colostro congelado. Misturar bem e dar três vezes ao dia.  ½ litro de leite. em baldes coletivos. Em razão da CAE (artrite encefalite caprina viral).  ½ colher de óleo de rícino. O cabritinho.

porém. para garantir a saúde desses animais. da 2ª à 3ª semana. τ Desmama Precoce: Exemplo 1: Desmama precoce com 35 dias Idade (dias) 1a5 6 a 11 Alimento Colostro ou substituto leite cabra ou cabra + vaca ou de soja leite de vaca leite de vaca leite de vaca Número de refeições 5 3 Quantidade Total (l) 0. Após a 1ª semana. Dentre as vantagens em se fazer desmama precoce. ração.35 ocorrer com 2 a 3 meses de vida.5 1. devemos ter à disposição um piquete bem cercado.I. O leite de soja (no máximo até 30%) pode ser utilizado da seguinte maneira: o fubá do grão (1 kg/8 litros de água) deve ser fervido por 20 minutos e coado em peneira. sal e farinha de osso Idem idem idem 12 a 30 31 a 33 34 a 35 2 2 1 1.6 Outro aspecto importante é a urolitíase. cuidado com a relação Ca : P. temos: menor infestação verminótica melhor desenvolvimento ruminal e corporal das crias. . que pode aparecer em animais machos mesmo em aleitamento. fornecer concentrado (12 a 18% de PB). acrescentar 1g de sal mineralizado/litro leite + 1 g de fosfato/litro leite + 300 U.5 1.0 0.0 Observação Água à vontade Nos cochos: capins ou feno. e feno de boa qualidade. portanto. formado com boas gramíneas e que não tenha sido pastoreado por animais adultos. vitamina A/litro leite. que deve ser de 2:1. água.

τ Cabras: 1.5 1. deve-se diminuir o consumo e aumentar a exigência. aparece uma doença metabólica denominada “Toxemia da Gestação”.Cabras no final da gestação Nos últimos meses.0 1. sal e farinha de osso idem idem idem idem 12 a 30 31 a 60 61 a 80 81 a 90 2 2 2 1 1.36 Exemplo 2: Desmama tardia com 90 dias Idade (dias) 1a5 6 a 11 Alimento colostro leite de cabra + vaca leite de vaca leite de vaca leite de vaca leite de vaca Número de refeições 5 3 Quantidade total (l) 0. Como volumoso. fornecer de preferência o feno e a ração concentrada na quantidade de 400 a 600g/cab /dia (20 22% de PB) e suplementação mineral.0 0.Cabras em lactação .5 2. capins ou fenos. água. na maioria dos casos letal à matriz e fetos.0 Observação água à vontade nos cochos.5 τ Cabritos em Crescimento: Fornecer um bom volumoso e 300 . ração. Quando é fornecido volumoso de baixa qualidade.16% de PB) e mistura mineral. 2 .400 g de concentrado /cabeça /dia (14 .

Na ração concentrada para cabras de menor potencial. τ Reprodutores: Bodes adultos devem receber volumosos e mistura mineral à vontade. Para cabras com alta produção de leite.0) e os cochos devem ter contenção individual.2:1.5% peso vivo de matéria seca (MS). tipo de solo.70% de Nutrientes Digestíveis Totais (NDT) e o consumo é de 200 a 300g/kg leite + 300g mantença. a relação Ca e P é 2:1 (1. o concentrado deverá conter 16 . o teor de proteína bruta (PB) é de 14%. feno ou silagem. Manter a relação Ca : P por causa da grande incidência de cálculos urinários..18% de PB.37 Ingerem de 4 . 500 . . Quando a mistura for feita na propriedade. 6. etc. a qualidade da pastagem. para a definição de sua composição e seus ingredientes. devem ser levados em consideração o sistema de criação.18% de PB e 60 . deve-se incluir 1% de sal mineral na ração concentrada.3 Minerais É de suma importância que os animais tenham acesso diário e consumo à vontade de mistura mineral. Quando os volumosos forem do tipo rico ou médio.800 g/dia de concentrado com 16 .

38 7 Práticas de Manejo 7. ou por aplicação da pasta caústica (Figura 17) Figura 16: Descorna com ferro quente . sendo indicado para cabritos com idade inferior a 10 dias (Figura 16). O processo de queimar os botões do chifre com ferro quente é o mais prático e menos estressante.1 Descorna A descorna significa eliminar os chifres dos caprinos adultos ou impedir que os chifres cresçam nos animais jovens. A descorna deve ser feita entre 1 a 3 meses de idade.

de acordo com a legislação vigente).39 Figura 17: Descorna com pasta química Os animais adultos são descornados com fio serra ou cirurgicamente. este método causa forte hemorragia e pode formar bicheiras no local da descorna. para solucionar. usando-se: 1) tatuagem (na orelha do animal com auxílio de um alicate apropriado. 2) colar (chapas de lata ou plástico). 7. 3) brinco (desvantagem de ser mastigado pelos animais. basta colocar o número de identificação para dentro da orelha) e 4) ferro quente (não é usado porque deprecia a pele do animal). porém. portanto. deve-se usar ungüento ou repelente.2 Marcação A marcação pode ser feita. .

ocasionando um crescimento exagerado. porém eles não são lixados. para anular as fun- . Os cascos de animais confinados em baias de piso de madeira crescem normalmente. que pode perturbar os aprumos (Figura 18).3 Corte de Casco Deve ser feito com intervalo de 30 dias.40 7. abrindo-se o saco escrotal ou por meio do corte dos cordões dentro do mesmo. Figura 18: Casqueamento: 7. variando de acordo com o tipo de instalação.4 Castração Consiste na eliminação dos testículos dos cabritos por retirada completa dos mesmos.

pode-se fazer essa prática mais tarde. necrosando-os. os cabritos perdem a função reprodutiva. Figura 19: Castração com fita elástica. Figura 20: Castração com Burdizzo. é indicado para cabritos jovens (Figura 19). assim.41 ções dos testículos. A castração também é importante para não deixar sabor e odor na carne. quando a criação tem objetivo de reprodutores. até que se desprendam.esmaga os cordões sem cortar ou ferir. 2) Burdizzo . Deve ser feita de preferência no primeiro mês de vida. . Entretanto. Pode ser feito em qualquer época (Figura 20). Os processos são: 1) Fita elástica – corta a circulação dos testículos.

repetindo esse procedimento durante 2 a 3 dias. Para a desinfecção. é preferível arrancar o cordão com o testículo. tratar a região com solução anti-séptica ou pomada.6 Separação dos Lotes por Idade . Antes da operação. canivete ou faca bem limpa e desinfetada na parte inferior da bolsa escrotal. a região deve ser lavada e desinfetada. juntamente com o cordão. fazendo-se uma abertura suficiente para a saída do testículo. Em cabritos mais jovens.5 Tratamento do Umbigo O corte do cordão umbilical deve ser feito a uma distância de aproximadamente 2cm do abdômen. mergulhar o restante do cordão umbilical em tintura de iodo a 10%. e raspado até o rompimento total do cordão espermático. 7. Após a operação. faz-se um corte com bisturi. para evitar instalações de bicheira na incisão. Em seguida. utilizando-se uma tesoura esterilizada.42 3) Cirúrgico .depois que o cabrito estiver contido (seguro). 7. os testículos (um de cada vez) são puxados para baixo.

toxoplasmose.6 dias. pode prejudicar a rebrota. Após esse período. torna-os mais resistentes às doenças. A nutrição adequada. com controle de endoparasitos e ectoparasitos. tuberculose. o atendimento das exigências nutricionais de cada categoria animal. isto é. Higiene e boa alimentação são importantes para que um programa sanitário seja bemsucedido. O período de ocupação de um pasto deve ser de 5 . 8 Manejo Sanitário A sanidade dos rebanhos é de fundamental importância para o sucesso da exploração caprina.43 A finalidade é diminuir a contaminação parasitária dos animais mais jovens e evitar a transmissão de doenças. leptospirose e de . A taxa de lotação : 1 bovino = 8 caprinos ou ovinos / hectare. brucelose. os animais jovens entram primeiro. de uso exclusivo. No pastejo rotacionado. É preciso que os animais estejam sadios para que possam expressar seu potencial genético e ter maior resistência às agressões impostas pelo meio ambiente. Os animais adquiridos devem passar por um quarentenário. Uma cabra leiteira em pico de lactação pode ingerir até 7% do seu peso vivo.

 Quando possível. No caso de fêmeas de alto valor. CMT ou exames laboratoriais. 8.  Bebedouros sempre devem lavados e secos. fazer inspeção adicional. e ter sempre pedilúvio na entrada. Após esse período.44 micoplasmose.  Os comedouros devem estar bem limpos.  Deve-se raspar e varrer os dejetos diariamente. É importante a não-promiscuidade com outras espécies animais para evitar a transmissão de doenças.  Evitar entrada de pessoas provenientes de criatórios suspeitos. que são focos de infestações verminóticas. deve-se isolar os animais afetados.1 Desinfecção das Instalações  Não lavar o piso ripado . a não ser que haja doença infectocontagiosa. No caso de incidência de doenças infecto-contagiosas. pelo menos 1 vez por semana.2 Controle de Ectoparasitas . Outra medida é evitar que o rebanho permaneça ou paste em regiões úmidas. 8. usar lança-chamas. devem ser enquadradas na rotina com aferições dos índices zootécnicos. palpação.

berne. etc). e à falta de higiene (fezes em comedouros e/ ou bebedouros. Esses parasitas causam queda significativa na produção das cabras. inclusive. etc. pele ou aparecem sob a pele dos animais. e os mais jovens devem pastar primeiro do que os adultos. 8. antes de colocá-las como esterco na plantação. e ω Bom manejo alimentar. ω Deixar as fezes curtirem. ω Manter limpos os bebedouros e comedouros (devem ficar acima do nível da garupa dos animais). ω Evitar pastejar em lugares úmidos ou alagadiços. causados por artrópodes. piolhos. bicheira e carrapatos . danificar a pele. e provocar em alguns animais. ω Deve-se evitar a superlotação.45 Deve-se fazer sempre inspeções freqüentes para observar a presença de sarnas. provocar queda do pêlo.3 Controle de Endoparasitas . podendo veicular doenças. Prevenção: ω Separar animais por faixa etária. que atacam pêlos. em baias ou piquetes. A ocorrência pode ser devida à alta densidade tanto nas baias quanto nos piquetes e solários. ω Fazer rodízio de pastagens. anemia. cama.

46 Constitui as doenças provocadas pelos protozoários. pulmões. alta densidade nas baias e piquetes. estando localizados nos órgãos como abomaso. platelmintos e nematelmintos. Estes parasitas são encontrados freqüentemente nos caprinos. pastejo em áreas alagadiças e nas primeiras horas do dia e acesso a forrageiras de baixo porte favorecem ao alastramento dessas doenças (Figura 21) Figura 21:. Ciclos vegetativos de vermes pulmonares e gastrintestinais . A falta de higiene nos comedouros e bebedouros. etc. intestino delgado e grosso.

7.Não medicar apenas uma parte do rebanho.Realizar exames de fezes (10% do rebanho) a cada 5060 dias. 6. e nos animais com idade inferior a 15 dias. depois da ocorrência de chuvas.47 Tratamentos Estratégicos Contra Vermes: 1. 8.Não vermifugar fêmeas nos 45 dias iniciais e nos últimos 60 dias de gestação. repetir o tratamento aos 19 ou 20 dias depois. Nunca usar sub ou superdosagens.Fazer rotação de anti-helmínticos ( princípio ativo). 4.Medicar os animais no pasto. 2.Quando vermifugar os animais. 3.4 Mamite . Todos os animais devem ser tratados com vermífugos. mesmo os de boa aparência (portadores sãos).Usar a dose recomendada.Não introduzir animais novos no rebanho sem antes haver passado por um período de quarentena. 5. 8.

evitar ordenha desnecessárias. 160 ml de glicerina e 840 ml de água destilada). com solução desinfetante. Outras causas são as traumáticas (chifrada dos filhotes ou a própria cabra ou outra pisa no úbere do tipo pendular. Como medida preventiva. Com esta doença ocorre inflamação de parte ou de todo o úbere. quando apresentarem sintomas  Isolar os animais . leptospirose toxoplasmose e micoplasmose.48 A principal causa é a falta de higiene na ordenha.5 Profilaxia de Doenças Infecto-Contagiosas  Comprar animais sadios  Fazer exames de rotina e deixá-los em quarentena  Fazer vacinações  Deve-se fazer os seguintes exames: tuberculose e brucelose (a cada 6 meses). fazer uso da caneca telada e do CMT (California Mastite Test). dar preferência ao aleitamento artificial e eliminar animais com tetos extras. imergir o teto em solução de iodo glicerinado (10g de iodo metálico. 8. provocando diminuição da produção de leite. válvula do mamilo relaxada. quando deitada) e as predispostas (úbere grande e mal-inserido. lavar o úbere da cabra em lactação e a mão do ordenhador. 7g de iodeto de potássio. antes de cada ordenha. tetos duplos).

é de baixo poder desinfetante e é irritante para mucosas oculares e . cal: é ideal para obstruir gretas de madeiras dos alojamentos. incluindo as formas de resistência ( esporos ). de baixo custo. sendo irritante para a pele. cresol (creolina): é desodorizante. por exemplo. Existem dois tipos de desinfetantes: 1) Desinfetante químico. possui pequeno efeito residual e inativa-se em parte frente à matéria orgânica.6 Desinfetantes Utilizados em Caprinocultura Desinfetante é todo agente físico ou químico capaz de eliminar os germes patogênicos. possui toxidez e não tem bom efeito sobre esporos. eficaz contra agente da tuberculose. enquanto germicida é aplicado à substância capaz de destruir todos os microorganismos. possui baixo custo e facilidade de aplicação.49  Evitar promiscuidade de espécies 8. O termo bactericida é aplicado à substância capaz de destruir bactérias sob a forma vegetativa. fenol (pinhosol): é estável frente à luz solar e ar.

fêmeas. Rebanho Indene: não vacinar. entretanto. Ectima contagioso ---------- . transportes.50 do trato respiratório. 2) Desinfetante físico : lança-chama. não possui efeito residual e necessita de mão-de-obra especializada. contato direto ou indireto com outros animais. Filhotes: com 4 meses de idade e repetir aos 12 meses de idade. PERÍODO Conforme recomendação prescrita para os bovinos da região. sem ser inativado por matéria orgânica. Rebanho que já apresentou a doença. Gestantes: 50 a 40 dias antes do parto. como exposições. yodofor (biocid): perde ação frente à matéria orgânica. ESQUEMA DE VACINAÇÕES DOENÇA Aftosa CONDIÇÕES em regiões onde ocorre a doença ou em casos de risco. 3o mês de idade. etc. Em regiões onde há a doença ou em condições de risco. Carbúnculo sintomático Anualmente. fazer a vacinação da seguinte forma:filhotes. atua em qualquer situação. que é utilizado para fazer a desinfecção de toda a instalação. 3o mês de gestação. É de baixo custo.

3o mês de idade. utilizar toxóides doses com intervalos de e bacterinas autóctones. Em caso de ocorrência da Vacinar todo o rebanho 1 Raiva doença. Em rebanhos problema Conforme recomendação Linfadenite caseosa do fabricante. forme recomendação do veterinário. 1982 REGRAS PARA UMA BOA VACINAÇÃO: . Rebanho Anualmente. Ocorrendo o problema.51 vacinação da seguinte forma:filhotes. Posteriormente em fêmeas no último mês de gestação. Machos: duas doses anualmente. Fonte: Sanches. 3o mês de gestação. duas semanas. Cabritos: 1a dose com 3 a 4 semanas de idade e a 2a dose. _____________________ _____________________ _____________________ Enterotoxemia Tétano Filhotes: 3o mês de idade. Em caso de sorologia Semestralmente ou conLeptospirose positiva no rebanho. num raio de 15 vez por ano em regiões km (herbívora) onde há surto da doença. Fêmeas: 4o mês de gestação. Reforço no final da prenhez (3 semanas antes do parto). o Inicialmente duas doses Colibacilose técnico deverá julgar a com intervalo de duas Pasteurelose conveniência do uso de semanas em todos os Salmonelose bacterinas autóctones animais. Revacinar todo o rebanho 1 vez ao ano. Obs: Quando houver ferimento ou se fizer cirurgia. duas semanas depois. é bom vacinar. Identificada a doença no Cabras: inicialmente duas criatório. fêmeas.

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É de suma importância que na aplicação de uma vacina o vacinador observe alguns cuidados fundamentais, tais como:       Observar a data de validade da vacina; Cumprir rigorosamente as instruções do fabricante; Manter a vacina gelada até o momento da aplicação; Fazer assepsia no local e material empregado; Evitar vacinar os animais cansados ou debilitados, submetidos a esforços excessivos durante ou após a vacinação; Fazer a aplicação com tranqüilidade. ONDE VACINAR: Os locais mais recomendados para aplicações de vacinas e injeções de medicamentos são: 1 - ENDOVENOSA ( veias) : na jugular; 2 - SUBCUTÂNEA ( entre a pele e a carne): de preferência na tábua do pescoço, atrás da paleta e face interna da coxa; 3 - INTRAMUSCULAR ( no músculo): de preferência na anca, peito ou pescoço; 4 – INTRADÉRMICA (entre as camadas da pele): na orelha.
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9 Manejo Reprodutivo
O controle reprodutivo é fundamental para que, por meio de um planejamento de monta bem estruturado, possa dar ao criador uma produtividade durante todo o ano. Ao adquirir matrizes, deve-se verificar principalmente a conformação do úbere, produção leiteira, genitália externa, idade e características raciais (quando registrada), ausência de CAEV, Linfadenite caseosa e Ectima contagioso.

9.1 Reprodutor
Um macho não deve ser adquirido antes dos 6 (seis) meses de idade, pois é nessa idade que ele atinge a puberdade.

9.1.1 Aparelho Reprodutor Masculino

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9.1.2 Puberdade
A puberdade é a idade em que os animais começam a apresentar diferenças sexuais secundárias. Fisiologicamente os machos apresentam maturidade sexual entre os 4 - 5 meses de idade (40 a 50% do peso vivo), quando começam a produzir espermatozóides e o apêndice vermiforme (apêndice existente na ponta do pênis - glande) se desprende da glande.

9.1.3 Idade para Iniciar na Reprodução
Em geral, aos 10 - 12 meses pode-se iniciar como reprodutor, dependendo do seu desenvolvimento, cobrindo de uma a duas fêmeas por dia e descansando no dia seguinte. Os machos que iniciam a atividade reprodutiva muito cedo devem dispor de

A prática de estação de monta é altamente desejável e consiste em deixar o reprodutor cobrir as fêmeas por apenas um determinado período de tempo por ano.1.5 Relação Macho . 9. 9. para uma eficiente cobertura de todas as fêmeas. retrai o superior e cheira o ar (Reflexo de Flehman). e de um macho para 35 fêmeas (3%). produz um odor (odor hircino) que é característico e produzido por uma glândula existente atrás dos chifres. para que possam cruzar e continuar tendo um bom desenvolvimento corporal. O animal passa a urinar por toda a face.Fêmea A quantidade de machos a serem mantidos no plantel.4 Monta Natural O bode. quando os reprodutores são mais velhos. levanta o lábio inferior.55 uma alimentação excelente.1. é de um macho para cada 25 matrizes (4%). . cheira e lambe a vulva da fêmea. quando os animais são jovens. ao entrar em contato com a fêmea no cio.

é indicado um bode para 15 matrizes. cruza somente em um período do ano (janeiro a abril). deverá descansar no dia seguinte. isto é.56 No sistema intensivo.6 Estacionalidade O bode puro pode apresentar estacionalidade. mesmo que tenha fêmeas no cio perto dele. . que é obtido controlando a produção das filhas do bode e verificando o quanto ele pode melhorar em um rebanho. A quantidade de cobertura para um reprodutor já totalmente desenvolvido não deve exceder a 6 saltos por dia. tendo como uma boa média 3 a 4 coberturas por dia.7 Inseminação Artificial Atualmente só é realizada com sêmen de machos que possuem teste de progênie. manejo alimentar e individual (peso. Quando for muito exigido. idade. 9.1. Esse fenômeno é causado por fatores ambientais. raça).1. 9.

que geralmente aparece fisiologicamente entre 4 a 5 meses (40 a 50% do peso vivo).1.2. falta de tetas. etc). fêmeas que falharam 2 (dois) anos consecutivos. fêmeas que rejeitam ou não criam bem suas crias ou têm problemas de úbere (mamite. Aparelho Reprodutor Feminino 9.2.2. como fêmeas velhas. 9.2 Puberdade Neste período a fêmea tem o primeiro cio.57 9. porém não se deve colocá-la em atividade sexual porque . tetas entupidas ou cortadas. apresentem deformação no aparelho genital externo e doenças crônicas. Fêmea Em todo o rebanho é importante identificar e eliminar os animais improdutivos.

A ovulação ocorre 12 a 18 h após o início da aceitação da monta (difícil é saber quando se iniciou a aceitação). a cabra apresenta cio de 21 em 21 dias aproximadamente. Normalmente. cabras com cio curto serão cruzadas. 9. Dessa maneira. devem ser cobertas neste período e na manhã seguinte do dia seguinte. com uma variação normal de 24 a 48 h (aceita o macho ± 14 a 36 h). inicialmente encontradas em cio pela manhã. o peso ideal para a primeira cobertura é em torno de 30 a 35 kg. Normalmente esse peso é atingido próximo aos 8 meses de idade (raças leiteiras). ou seja. devem ser cobertas na mesma manhã e à tarde do mesmo dia. podendo ter uma variação normal de 18 a 22 dias. crescer ao mesmo tempo e produzir leite.2.58 ainda não atingiu um peso mínimo para manter a gestação. 9. O cio tem uma duração média de 36 h.3 Época Ideal de Reprodução Para raças leiteiras.4 Cio A duração do ciclo estral é de 19 a 21 dias em média. evitando-se perda de cio. ou seja. .2. cabras que são encontradas em cio à tarde. recomendam-se: cabras. Daí. esse peso é atingido próximo aos 8 meses de idade (raças leiteiras). 60% do peso adulto.

com intervalos de 10 a 14h entre uma monta e outra.  Inquietação.  Vulva edemaciada e avermelhada. com muco cristalino no início.59 0h 36 h ± 14 h ± 26 h ® | 〈  Ovulação ( ± 6 h)  ± Não aceita monta |aceita monta Melhor Momento para Cobertura (muco leitoso) 〈 〈 Já não aceita monta A fêmea no cio deve ser levada ao reprodutor 2 vezes ao dia.  Reflexo da micção (urinar) é mais constante e. . Comportamento da Cabra no Cio:  Queda de apetite.  Monta e deixa-se montar pelas companheiras.  Passa a aceitar o macho após a ovulação.  Movimentos laterais rápidos da cauda.  Bale constantemente.  Procura pelo macho.

2. Figura 22: Várias posições do feto .5 Gestação Tem um período de 150 dias em média. e no final da gestação. medicamentos. Em virtude do pequeno porte dos caprinos e da impossibilidade de fazer o toque retal. Os principais cuidados com a gestante resumem-se em secar o leite 60 dias antes do parto e fornecer alimentação equilibrada para evitar abortos e toxemia. Não devemos vermifugar as cabras nos dois últimos meses de gestação por causa do risco de aborto.60 9. o diagnóstico da gestação se dá pelo desaparecimento dos cios. fatores mecânicos. etc. pelo enchimento do úbere e a palpação externa do feto (Figura 22). influenciado bastante pela alimentação.

a cabra mostra-se mais afetuosa com seu criador.61 9. no momento do parto.6 Parto Durante este período. às vezes. para a frente. . o úbere torna-se brilhante. berra muito e olha para trás. a cabra deita-se (Figura 23). as patas dianteiras dobram-se como querendo acamar-se. a respiração fica mais difícil.2. enfim. a cabra apresenta os seguintes sinais: a cauda e as ancas afundadas. o animal fica inquieto. o olhar mostra-se assustado.

como má alimentação.62 O parto inicia-se entre 1 e 10 h após o início das contrações uterinas. todos os filhotes já devem ter sido expulsos. lavar as mãos com sabão. por exemplo: as causas mecânicas. quem for fazer o parto deverá cortar bem as unhas para evitar ferir o animal. pois o útero da cabra é frágil e rompe com muita facilidade. as causas provocadas por ordem patológica. Não há necessidade de ajudar a fêmea durante o parto.2. as causas de ordem nutritivas. o filhote deverá estar de pé. pedradas.7 Aborto A cabra é um animal que aborta com muita facilidade. Várias são as causas que provocam o aborto. untando-as com óleo. e até 2 h após o nascimento do último. etc. Após o nascimento de cada filhote. 9. Depois de 10 a 30 minutos do nascimento. só se houver algum problema com o filhote. correrias. este deverá ser enxuto com um pano limpo. choques. . No máximo 3 h após o nascimento do primeiro. a cabra o lambe e o enxuga. como. Se a cabra não lamber o filhote.. Caso haja. a placenta deverá ser expulsa. cujo aborto é provocado por pancadas. fome e ração alimentícia deficiente e insuficiente. Todos os movimentos deverão ser muito cuidadosos. golpes. devendo ser estimulado a mamar o colostro no máximo até 6 h após o nascimento.

63 como febre. tranqüilo e sem barulhos. A maneira correta de segurar o peito da cabra é também fator importante para provocar uma saída normal do leite (Figura 24). para este animal. com facilidade de águas de boa qualidade. são recomendadas duas ordenhas diárias. 2) lavagem do úbere em água corrente. Vistas as causas que provocam o aborto da cabra. os cuidados de higiene devem ser: 1) o ordenhador deve lavar bem as mãos. 3) secagem do úbere com papel-toalha. sempre no mesmo horário. para condicionar os animais a liberarem leite. etc. Figura 24 Ordenha manual . e as causas provocadas por plantas tóxicas abortivas. infecções. Deve-se desprezar os três primeiros jatos para diagnosticar mastites clínicas. caberá ao criador dispensar.8 Ordenha Para as cabras leiteiras. no entanto. 9. O local de ordenha deve ser limpo. todo o cuidado durante o período de gestação.2. brucelose. A ordenha pode ser manual ou mecânica.

9 Indução de Cio A indução e/ou sincronização de cio são feitas com uso de esponja impregnada com progesterona sintética. essa dosagem deve ser reduzida para 250 a 300 UI. . Tabela 6: Tratamento Curto: esta técnica apresenta melhores resultados Dia 1 Dia 11 Esponja com 45mg de 48 horas antes de retirar.2. Retirada da esponja FGA (fluorogestona) aplicar 400 a 500UI de PMSG + 5 a 10µg de prostaglan-dina natural (lutalyse) ou 100 a 200µg de cloprostenol sódico (ciosin) 97% das fêmeas entram no cio 24horas após a retirada da esponja OBS: Apesar de a literatura recomendar a utilização de 400 a 500 UI de PMSG (soro de égua prenhe). dependendo do tratamento utilizado. aí permanecendo por 11 a 21 dias. assim. (Tabela 6). essa dosagem tem provocado superovulação nas condições tropicais.64 9. que é introduzida na vagina da cabra.

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