Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr.

Samuel Ulisses

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Ementa: Estuda o modelo bíblico-reformado de missões. Inclui investigações sobre as pressuposições, natureza, princípios e métodos de comunicação do evangelho em outras culturas. Objetivos: 1. Destacar as bases do conceito Bíblico de Missão Integral como a linha mestra da Missiologia. 2. Apresentar a missão como um tema central e abrangente na Bíblia. 3. Despertar no aluno a capacidade de desenvolver uma compreensão e ação missiológica bíblico-reformada. 1. Prolegômenos Em primeiro lugar, devemos ter em mente do que estamos tratando nesta matéria; para isso observe as breves definições abaixo:

1.1 Definições: Animismo: Religião primitiva que atribui uma alma a todos os fenômenos naturais, presente nos rituais dos povos indígenas . Contextualização: Conjunto de circunstâncias que se levam em conta os acontecimentos atuais presentes nas culturas; tais como: fome, opressão, guerras, suborno, etc. , ou outras situações nas quais o missionário deve responder proposta encarnacional do evangelho do reino. Choque Cultural: Conflito, Choque, oposição, luta, entre a cultura do missionário com a cultura do povo local. Cosmovisão: Lentes, pelas quais, enxerga-se o mundo ao redor . Etnia: Termo grego cujo significado é: Nação, Povo. Retrata um grupo de pessoas cuja unidade repousa na estrutura familiar, econômica e social comum, que falam uma mesma língua e possuem uma mesma cultura: costumes, crença, valores etc. Em Mateus 28.16, não se restringe apenas a etnia, mas amplia-se em seu conceito, revelando a dimensão sociocultural da vida humana. Etnocentrismo: Tendência de um indivíduo para valorizar sua cultura impondo-a. Costuma-se dizer que, ao arrumar a mala, o missionário leva consigo sua cultura junto, tendo a mesma mais valor do que a Bíblia. Igrejas Autóctones: Igrejas locais que possuem autonomia administrativa, litúrgica , positivamente, apresentando uma

seu conceito se deriva da palavra grega αποστελλω. Missão Integral: Crescimento simultâneo na : Comunhão. Missão Urbana: Obra missionária desenvolvida em cidades. 21 . A maioria dos PNA’s residem neste retângulo imaginário. Missão: A palavra missão não se encontrar nas escrituras. cumprindo Gn 12. treinamento. Janela 10x40: Conhecida também como “Cinturão da resistência”.3 / Gl 3. Devido a explosão urbana que vem sendo observada atualmente. Nesta ocasião. são auto-governadas e auto-sustentadas e auto-proclamadora. Assim denominada pela sua localização. como um ser completo. partindo de dez graus acima da linha do Equador. Línguas Ágrafes: Linguas que não possuem grafia . budistas e outras religiões.. cujo pai do movimento é Dr. além de mulçumanos.Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. com necessidades físicas e espirituais. Revela a intenção divina contida em Gn 1 / Ap. acréscimo. refere-se a uma escola de pensamento missiológico. Missão Transcultural: Obra missionária desenvolvida além de suas fronteiras culturais. na qual descreve a preocupação universal de Deus em conceder a Jesus “ toda autoridade . Jesus envia seus discípulos. MCI: O movimento de Crescimento da Igreja. no céu e na terra” (Mt 28. para a execução do plano redentivo de Deus.18). reconhecendo como o Pai enviou o filho e como o Filho nos enviou (Jo 17. cujo significado é “enviar” . Donald MacGavran. serviço. culturais. que em seu nome . envolve o conceito encarnacional de Jesus. sociais. denominado Janela 10x40.18). Ensino. indus. Missionário: Servo do Senhor enviado para alcançar os não salvos.29. ideológicas. enfatizando o ato redentivo de Deus. missionário na índia. Este movimento tem sua origem na Índia e é fruto do contacto que Macgavren teve com as pesquisas do bispo metodista chamado Waskom Pickett.. Tendo todo o mundo como campo missionário . Transcultural. Samuel Ulisses 2 arquitetônica e andam com suas próprias pernas . étnicas. Indigenização: Diz respeito às culturas tradicionais de uma etnia. religiosas e lingüísticas. em Cristo. discipulado. como em Jo 1. urge a confecção de métodos e estratégias e cumpre seu chamado como missionário Cultural ou . rompem barreiras geográficas. estende – se do oeste da África até o leste da Ásia. que se envolve em seu chamado de forma integral. testemunho. Prevê enxergar o homem como um todo. para alcançar os desgraçados pelo pecado . levando ao mundo o evangelho integral.

mitos e sincretismos. nos parques industriais.19-22.18-19. Portanto. onde há interesse de desenvolver uma ação missionária.. ainda hoje. oportunidades que o missionário encontra em uma cultura. podendo ser um costume. ou seja. culturais. shopping’s . Na qual objetiva-se estudar missões pelo prisma das Sagradas Escrituras. Embora a TV venha urbanizando o interior do país. condomínios . que não possuem nenhum referencial do evangelho em seu país. o diabo e seu reino. 1 Co 10. social .22-23). Ponto de Contato: São ganchos. uma divindade. . que só Ele pode fazer. necessário se faz entender que o mundo rural tem sua maneira de ser e entender os valores dos grandes centros urbanos. favelas etc. Pesquisa de Campo: Levantamento feito. Ef 1. PNA’s: Povos não Alcançados. cultural e gramatical. o evangelho está acima de qualquer cultura. Que vem a ser a existência de Deus e seu Reino versos. facilitando-o a aplicar as boas novas de Cristo. Sendo assim. por exemplo que abarca religiões africanas. Missão Rural: Obra missionária desenvolvida no interior. Missio Dei: Missão do Trino Deus.. visando o alcançar nos grandes centros urbanos. financeiras. A cultura cristã enfatiza isso em : Rm 8. na qual o Trino Deus utiliza-se de elementos sagrados ou não. geográficas etc. para resgatar a sua criação. como ocorre no catolicismo brasileiro. Um exemplo clássico é dado pelo Apóstolo Paulo no areópago (Atos 17.Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. Sincretismo : Promove a tentativa de unificação de diversos valores. Samuel Ulisses 3 específicas. políticas. exigindo uma metodologia distinta dos centros urbanos.. pois é o instrumento de Juízo e Graça divina. práticas e crenças religiosas. Teologia de Missões: É a metodologia do estudo bíblico a partir do contexto histórico . Na qual Deus usa também elementos sagrados (sua Igreja) para cumprir seu objetivo.15-23.20. dentro de sua cosmovisão que abarca lendas. para se saber as características: sociais. Supra – cultura: Diz respeito aos fenômenos da crença e dos comportamentos culturais que tem origem fora da cultura humana . na teologia bíblica de missões busca-se entender a ação missionária de Deus. 1 Jo 5. uma frase. . espirituais. do local.

16. nunca mais se sabendo nada dele”2 . Gn 7-8 . existia então um verdadeiro contato entre Deus e o homem. Neill afirma: “Algumas tribos contam que nos tempos antigos o céu se encontrava tão perto da terra que o homem podia tocar-lhe . Há vários textos que podemos destacar a esse respeito: I Samuel 16. então um novo Julgamento é 1 2 NEILL. que a adoração de uma divindade. e Deus. 2. afastou-se para a distância imensa. Consequentemente suas divindades eram definidas como fortes ou fracas. Sl 22. a concepção da existência de um Deus Supremo. tendo-se ofendido . não entende sua responsabilidade e peca contra Deus. sempre o caracter local e até tribal.O centro da Criação é o Homem. a luz de estudos de Antropologistas que em todos os povos é possível extrair .1 A Missão Universal de Deus (Gn 1-3) Para iniciarmos esta abordagem é necessário uma visão panorâmica de Gn 1-11: Gn 1 .Deus. mas este pecou. conforme os resultados obtidos nas guerras. Ex 20. Stephen . ainda que deturpado. executa seu julgamento. só era possível em seu território geográfico. e consequentemente contrárias ao que Deus revela em todo Velho Testamento .19 e Rute 1.6-7. Gn 4-6 . Dn 6.14 . Edições Vida Nova. e preserva a vida Humana.O pecado afeta toda a criação.3. p. Deus manifesta sua Graça.1989. Gn 10 . e consequentemente.O Homem usa mal sua centralidade. A Mensagem Missionária no Velho Testamento Deus e as nações precisa ser estudado. De fato podemos perceber. Samuel Ulisses 4 2. Gn 8-9 .Após e através do Juízo .19. o adorador não gozava de proteção. Gn 11 – Esta nova geração se afasta de Deus.Uma nova geração de Homens originando o mundo das nações. Gn 2 . deveria render-se ao Deus local. Gn 3 . fora dele.27-28. até mesmo do povo mais primitivo . Is 37.13 Ibid.25. alienando-a de Deus .Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. Jr 10. São Paulo.Deus é o autor único de toda a criação.”1 A idéia era. Estas idéias antigas são pagãs. Afirma Neill: “As religiões da humanidade revestiram na sua maioria . História das Missões. onde Deus é único e vindica exclusividade : Gn 18. através do Dilúvio. 26.

Samuel Ulisses 5 executado por Deus através de Babel. mas como uma atividade primordial e basicamente de Deus. com toda humanidade e suas diversas etnias. não como tarefa da Igreja. Jo 1.2 A Criação como Ponto de Partida na Missio Dei Ao descrever missões. Podemos olhar para este panorama."3 Conforme a figura abaixo.1-3. 2. e perceber que a temática básica destes capítulos . à luz da Missio Dei. Afirma Carriker: "A missão soberana de Deus chegará a sua conclusão com a participação da igreja na promoção do reino sobre toda criação e todo povo.São Paulo: SEPAL.1-19 . Jeremias 25. CRIADOR "Reinos" 1 Luz/Trevas 20 Céu/Águas 30 Mares/Terra 0 Reinados "Reis" 40 Luminares 50 Peixe /Aves 60 Animais Homem: Co-Regência Esta figura reflete o mandato cultural.8-9. Deus criou reinos. na qual Deus para cumprir soberanamente sua vontade. para o cumprimento de seus propósitos salvíficos.28. movimento este que se caracteriza pela graça e pela restauração da criação. 1992. tais como: Esdras 1. como também. na qual a imagem e semelhança de Deus é 3 CARRIKER.Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. devemos defini-la. C. Há várias passagens bíblicas que registram Deus usando outras nações e seus governantes. É na segurança da missão de Deus que a igreja assume a sua missão (missiones ecclesiae). Isaías 44. criou reis. no sentido de relacionar-se graciosamente e redentoramente não só no universo. 36 . Missão Integral . revela a intenção e ação de Deus . Timóthy. Cumpre a igreja reconhecer que sua tarefa missionária está subordinada a missio Dei. O principio conceitual da Missio Dei. e para governa-los . p. Nestes termos podemos ver a missão como um movimento do Rei-Criador em direção ao mundo. Uma Teologia Bíblica.

8-22. Samuel Ulisses 6 imputada no homem.28) 2a Ecológica e Econômica (Gn 1. mas no sentido genérico. conforme encontramos em Gn 1-11. a graça de Deus.10) 2a Familiar e Social (Gn 3. isto não afeta a Soberania de Deus. Em Gn 1. deixou então de reconhecer a divindade de Deus e . percebemos que esta tarefa não se resume apenas ao homem. deveu-se. 2° O dilúvio . afeta : 1a Relacionamento com Deus (Gn 3.15.3 A Queda e Suas Conseqüências Quando o ser humano deu ouvido a serpente. para "ter domínio" (râdhâh) e "dominar" (kôbhash) a terra. Em meio a este terrível e justo juízo de Deus.28-30) 3a Governo (Gn 1.4 Justiça e Graça (Gn 4-11) Deus de forma soberana exerce sobre a humanidade. Ele manifesta sua misericórdia em Gn 6. acompanhados de sua graça e indicações de salvação. pertence ao homem e a mulher.4.27-28. vejamos: .Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. mas também.manifesta juízo.19) Embora a criação conheça a desordem promovida pelo pecado .12. 17-18) 4a Governo (Gn 3. 2. . seus juízos. desumanizou a humanidade. Este abalo na ordem criada por Deus . Esta escolha/eleição.uma vez que a humanidade encontra-se em total alienação de Deus. salvando Noé sua família e animais de todas as espécies. 1° A queda . conforme o registrado em Gn 6.8) 3a Ecológica e Econômica (Gn 3. escolhidos pelo próprio Deus.28) 2. unicamente. consequentemente renunciou seu mandato cultural. Ambos têm a responsabilidade de administrar três áreas principais: 1a Familiar e Social (Gn 1. estabelece a sua graça e misericórdia em Gn 3. As conseqüências deste ato. 1-7 . O Próprio julgamento da serpente e do homem e mulher assevera isto.

Observe confusão. Implicações Missiológicas 1. consequentemente a concentração do mal. este capítulo manifesta a intenção original de Deus em relacionarse salvificamente com toda humanidade. A lista das nações. conduzindo seus propósitos à uma realização completa na história. nunca deixa de manifestar a misericordiosa graça de Deus e sua intenção redentora. Isto está diretamente ligado a ação redentora de Jesus Cristo (Jo 3.1-7. Entretanto. e que tem poder sobre toda criação . Frente a tamanha ousadia. ou seja. indica que o propósito redentor de Deus (Rei-Criador) não está restrito a uma única nação. é parte inerente de todo ser humano. age e cria . e cada vez se torna mais severo. entretanto. gerou insegurança de um novo começo. O Deus que se aproxima de nós.5 Todos os Povos na Mira de Deus Para um leitor desatento. na qual inclui todos os povos. buscando auto-suficiência de Deus (Gn 11.16. envolve-se em um projeto arrogante e grandioso. descreve uma daquelas cansativas genealogias. 2. coletivamente. Rm 1. ou a uma determinada raça/etinia . Deus evitou a concentração do homem e.Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. como reflexo da imago Dei. antes o pressupõe. no sentido universal. um não anula o outro. o mundo tornou-se uma econômica e política . O mandato Cultural . com este julgamento. ainda.16-17). são acumulativos. desta vez . podemos ver que Deus se movimenta de forma ativo e soberano em direção ao mundo e ao ser humano. 2. ela é progressivamente restaurada. a todos os povos . não esquecer que os três juízos de Deus sobre a humanidade descritos em Gn 1-11. Além disso. É muito importante.4). aparentemente Gn 10. No ato da Criação. em Cristo. nos conduzindo a . em Gn 11. 1 Tm 2. mas sim . Samuel Ulisses 7 3° Babel – mais uma vez o homem insiste em seu caminho de pecado. o julgamento de Deus provocou uma completa desestruturação social . no entanto.7.

Deus não muda sua missão. 5. dentro de seu próprio contexto cultural . conforme afirma Bosch : "a história de Israel é a continuação dos tratamentos de Deus com as . Com Noé. Ecológica e Econômica. 6. para um relacionamento diretamente pessoal com um só homem (Abraão). A missão. É muito importante investir na tradução de bíblias para estes povos. portanto. A missão deve respeitar suas distinções. e para a dispersão da humanidade ocorrida em Babel.6 Eleição e Aliança A transição entre Gn 11 e Gn 12 é muito significativa. aprendemos que a missão não pode estar desvinculada da vida e da fé pessoal e eclesial. ao contrário. lugares. Deus passa de um relacionamento diretamente o pessoal com as nações. em todos os tempos. 3. Babel revela a divisão do mundo em vários idiomas e dialetos. Todos os seres humanos da face da terra. sua família e o povo que se originou dele (Israel).Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. Governo). Muitos destes idiomas não possuem ágrafia e muitos outros estão em processo de extinção . todos são iguais perante Deus. O pecado não deve ser visto apenas como um mal espiritual. Agora. Esta restauração deve recuperar o equilíbrio relacional do homem e da mulher. mas como um status integral (Relacionamento com Deus . ninguém podem ser discriminado. 2. E. culturas e raças. refletirá em nossa ação missionária no mundo. 4. precisa prover ao ser humano uma salvação integral. uma vez que manifesta a resposta de Deus a desordem e pecados humanos . Samuel Ulisses 8 uma missão que nos leva a responsabilidade como co-regentes em toda sua extensão. para que cada um possa conhecer Jesus Cristo. e não impor nenhum modelo de cristianismo ou evangelho de dominação. Com o chamamento de Israel. conseqüentemente. Familiar e Social .

e. implicitamente. de modo especial. pode ser vislumbrado. A escolha de Deus em firmar aliança com Israel. Atlanta. Georgia: John Knox Press. Julgando ser o único povo amado por Deus . p."4 Em Gn 12. de Israel) deve ser visto à luz da revelação de Deus às nações . tem a incumbência de agir transformadoramente dentro de cada povo deste mundo. 61-62. 1980. sem deixar para traz qualquer sentimento que dê a falsa impressão de que Deus tem maior interesse por nós do que por qualquer outra nação. Witness to The World the Christian Mission in Theologica Perspective. devido a sua altivez . A Natureza Missionária da Igreja. nossa missão ficará 4 Bosch. que somos um povo no meio do vasto e complexo universo das nações (goyim). rejeitou então seu privilégio de servir na missão de Deus. O que de fato temos em Gn 12. Johannes. São Paulo: ASTE. Samuel Ulisses 9 nações. tais como: serviço. Não podemos conceituar eleição e vocação . a eleição não é primariamente privilégio. antes. Blauw afirma: Israel não é tanto o objeto da eleição divina quanto sujeito do serviço exigido por Deus à base da eleição. 21 . David J. Talvez a coisa pudesse ser posta nestes termos: não há serviço mediante eleição. 1966. dentro de cada povo. visto que ambos dependem totalmente de Deus. sendo benção a todos os povos .1-3. mas responsabilidade6. Este sentimento de triunfalismo e ou favoritismo. Portanto. Implicações Missiológicas 1. fica muito claro o conceito de eleição e vocação interligados e dependentes . Israel deixou de cumpriu com sua eleição-vocação-aliança.3"5. 2. A missão que recebemos de Deus. em Gn 12. como povo de um Deus redentor. eleição por causa do serviço. A Igreja. Não podemos desvincular as eleição da vocação. não indica que Deus tenha se esquecido do restante do mundo. Afirma Blauw: "o chamado de Abraão (é assim. entrega e sacrifício. p.1-3. 5 Blauw. por sua vez. exige de nós reconhecer com humildade. Do contrário. é uma aliança entre Deus e Abraão/Israel.Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. Urge resgatarmos os valores que são conseqüência da eleição vocação. Infelizmente .

os judeus deram ao Cristianismo o Velho Testamento. em um império literalmente mundial. a segunda. arquitetura. A Mensagem Missionária do Novo Testamento: 3. com oportunidades enormes para espalhar e compreender a fé. o mais elevado conceito acerca de Deus (Resultado AT). Sendo dispersos. 23 GREEN. 3.C. construíram boas estradas. a ciência e a filosofia. mas também toda criação. não somente os seres humanos . Nosso maior desafio. Civilização Romana: Varreram os piratas dos mares. hoje. o mais alto ideal de vida moral (Resultado concepção que tinham acerca de Deus).. eram bem guarnecidas. ainda é a redenção do mundo na sua integralidade. p. e que. 11-26. Samuel Ulisses 10 descaracterizada. . produziram o que foi chamado de Pax Rornana. O único povo que possuía a esperança da vinda de um Salvador.. é sair de nossas fronteiras eclesiásticas.. uma vez que Deus tem. Civilização Judaica: Traziam consigo a missão de serem benção a todas as famílias da terra. Evangelização na Igreja Primitiva.1 Introdução Sabemos que as três civilizações que contribuíram para o nascimento de Cristo e o advento do Cristianismo foram: Gregos. ou seja. priorizando a expansão do Reino de Deus..7 Referindo-se ao nascimento de Cristo. Green afirma: . Winter afirma: A “visitação” de Cristo foi um acontecimento dramático. A conjunção de elementos gregos. p. romanos e judaicos nesta praeparatio evangelica é conhecida de todos. nunca podemos esquecer de que a intenção de Deus . Vejamos: Civilização Grega: Influenciaram com sua arte. Outro fator importante. repleto de prodígios e ocorrendo surpreendentemente “no tempo devido”.Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. Romana e Judaica. literatura. Nossa missão precisa ser centrada no mundo. Portanto.1984. além de uma religiosidade que combinava duas características essenciais: a primeira. São Paulo: Vida Nova. Tornando-se o núcleo da Igreja Cristã. . Michael. Jesus nasceu como membro de 6 7 Idem. o alvo do seu amor redentivo. Os judeus criaram sinagogas por onde passavam. 3. que por sua vez. língua (grego Koiné). no mundo.nenhum outro período da história do mundo estava melhor preparado para receber a jovem Igreja que o primeiro século d.

10 Esta correlação que há entre reino de Deus e revelação messiânica. sociais (Lc 7. Missões Transculturais . a fim de leva-las a conhecerem o Senhor dos Exércitos. mas é .10.9). nos evangelhos nos permitirá notar e detectar o plano mestre e universal de Deus em Cristo Jesus. 9 GREEN. São Paulo: Vida Nova. no que afirma Carriker: O escopo de missões sempre foi e sempre será universal. Evangelização na Igreja Primitiva. a Grécia. essa preocupação universal de Deus intensificase a partir do ministério de Jesus . a mão forte e poderosa de Deus se estende ao povo.9-10.14-15). é descrita por Blauw: “ . No Novo Testamento.Princípios gerais.29-37. Missões na Bíblia . Roma controlava um dos maiores impérios que o mundo já conheceu . 25 .. Roma teve seu domínio pelo menos uma civilização bem mais adiantada do que a sua própria . culturais e religiosas (Lc 10.44-45. apesar de seu imperialismo sanguinário . como a rápida transmissão de mensagens e documentos . mas também como testemunho às nações. a proclamação do reino de Deus como cumprimento das promessas de Deus do AT.(Mc 10. Lc 10. p. o Reino que está entre nós. já que procura anunciar e promover o reino de Deus por todo o mundo.36. como tema e conteúdo. Jo 10.000 quilômetros de maravilhosas estradas que se estendiam por todo o império. Afirma Blauw: “A manifestação dos 8 WINTER.37). para preparar o mundo para a sua vinda. Ele não apenas proclama . levados como escravos levados para cada uma das maiores cidades do império. visando os propósitos missio-redentores de Deus. Na própria história de Israel. fica clara a concepção da Missio Dei. 11. São Paulo.a relação entre o reino de Deus e a revelação messiânica passa a ser uma correlação de força que quase se poderia falar de identificação de Jesus Cristo com o Reino de Deus. E professores e artesãos de finíssima educação. Green afirma: “Aquele que veio pregando as boas novas passou a ser o conteúdo das boas novas!” 9 O Reino de Deus se personifica em Jesus. 1987. ensinaram a língua grega. . evidenciando sua soberania escatológica. Editora Mundo Cristão. os imperadores romanos construíram um amplo sistema de comunicação abrangente tanto os 400. 3. Durante séculos. Steven. na qual Deus cumpre seus propósitos missio-redentivos com ou sem a participação ativa de seu povo escolhido.. impondo a paz romana sobre toda espécie de povos bárbaros e estranhos. Ralph D. Samuel Ulisses 11 um povo subjugado. e Hawthorne .7.”11 Uma investigação. p. No entanto. Em suas conquistas . Isto está claro em seu ministério.Uma Perspectiva Histórica. 58 10 CARRIKER. na sua pessoa . 166.8 Mais uma vez . Roma foi verdadeiramente um instrumento nas mãos de Deus. 1992 .Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. quando ele rompe as barreiras geográficas (Lc 4.2 A Mensagem Missionária do Novo Testamento: O NT traz. p. O grego veio a ser falado desde a Inglaterra té a Palestina. não somente para seu benefício.

cumpriu o destino de Israel. p. História das Missões. dá sinais claros de que a Igreja passa a ser o novo Israel.Afirma Carriker: O Espírito Santo foi derramado apenas quatro vezes em Atos.15 A promessa contida em Atos 1. E também transforma a “Redução Progressiva” do V.”12 Nos atos redentivos de Deus. 13 Sob este prisma. Cada uma das conquistas na expansão missionária foi acompanhada por sinais milagrosos. A primeira vez foi a vinda do Espírito no Petencostes (2. já poderia assim participara posteriormente de tal destino. O Povo da eleição de Deus.14-17) . No que afirma Neill: Só Jesus. A Natureza Missionária. a de Cornélio. 3. Mas. Samuel Ulisses 12 grandes atos de Deus para as nações determina o caracter da história depois da morte e ressurreição de Cristo.Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. 21 14 Blauw. a terceira.8. 91. A Natureza Missionária da Igreja. em “Expansão Progressíva”14 Esta mudança de foco.p.1-6). mas também. quando Paulo conseguiu demonstrar a diferença entre o evangelho de Jesus e a pregação de João Batista (19. a introdução de uma nova fase na tarefa missionária a nós confiada. quando Pedro pregou à primeira família gentia. a Quarta. O objectivo de Deus consistia agora em caminhar para um novo Israel.4 Missão no Ministério do Espírito Santo: Irrefutavelmente. 72 Ibid. quando o evangelho alcançou a Samaria. finalmente. a única entrada realiza-se a partir de agora através da fé em Jesus Cristo. p. cumpre-se em Atos 2 . A porta encontrava-se ainda aberta a todos os israelitas que aceitassem e cressem.T. 15 CARRIKER. p. Todas as vezes o próprio Espírito Santo marcou milagrosamente . . trazido para a fé por Jesus Cristo . Rm 14. em virtude da obediência a Deus . percebe-se que a morte e ressurreição de Cristo selam o destino e futuro de seu povo.. Doravante todas as etnias da terra se achegarão a Cristo (Fl 2. o avanço irresistível da Igreja se deu de forma vibrante após terem os discípulos no pentecostes .4445) e. tanto para juDeus como para gentios. cuja característica principal se definiu pela vontade de morrer e de renascer de novo com ele.10-11. sido capacitados com o Espírito Santo (At 2). em Cesaréia (10. anuncia o mandato que nos qualifica como testemunhas de Cristo enfatizando a universalidade missionária da 11 12 Blauw. Missões na Bíblia. cumpre-se em Jesus a unificação dos povos. revela Jesus como o centro e não mais Jerusalém. 82-83 13 NEILL. 39 .11-12). a primeira cidade não judia (8.Chegara o dia dos Gentios. o velho Israel . mesmo nas situações mais extremas . Isso evidencia não só a intenção divina de uma nova criação em Cristo.1-13): a Segunda.

28-29 20 Blauw.18 3. Sua intenção era pregar o evangelho de Cristo em todas as províncias do Grande Império 16 17 NEILL. Trad.. História das Missões. Vol.. Referindo-se a ele. “.. sendo que os cristãos gentios são incorporados neste povo como prosélitos (especialmente os Romanos).Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. p. (2) há apenas um povo de Deus . não havia experiência cristã. 3 – Perspectivas Teológicas. Igreja é missão. Israel. A Natureza Missionária da Igreja.” 16 No que também afirma Zabatiero: “Antes do Pentecostes não havia Igreja cristã. W. tornou-se o mais preeminente. Poder e Testemunho – Missões em Atos 1 e 2. 24 ZABATIERO. Júlio Paulo Tavares. C.. Foi um sinal de Deus de que o evangelho se destina a todas as pessoas de todas as culturas. São Paulo: Editora Mundo Cristão. Timóteo. Embora não seja o único apóstolo aos gentios. o Pentecostes inaugura a era missionária. 84 18 SHENK. Samuel Ulisses 13 Igreja .5 O Apostolo Paulo e Missões: O Apóstolo Paulo teve um relevante papel no palco das missões. David & STUTZMAN. .20 E é exatamente o apostolado de Paulo que vai nos proporcionar a noção correta do que vem a ser a relação complicada entre Israel .17” Pentecostes é a inversão do que ocorreu em Babel. tornando-as verdadeiros irmãos e irmãs. em suas viagens missionárias pelo mundo mediterrâneo. que aproxima e une pessoas de diferentes culturas . Até aos Confins da Terra” – Uma História Biográfica das Missões Cristãs. os seres humanos descobriram a preciosa unidade e a fraternidade do Espírito Santo. a saber. Rubes Castilho. não os juDeus são a congregação de Deus . Ervin R. p. mas Israel segundo o espírito(ponto de vista muito forte em gálatas por exemplo). Embora as diferenças de língua e cultura não tenham desaparecido com o Pentecostes. Ruth A. p. 1986.25-28).”19 Mesmo enfrentando intempéries (2 Co 11. 93. revelando-nos os propósitos missio-redentivos de Deus. Em Missões e A Igreja Brasileira. A dispersão em Babel foi o contrário do que houve no Pentecostes. elas se congregam numa nova comunidade. A Igreja é a nova comunidade que traz o remédio para as divisões dos povos. em Atos. . À medida que as pessoas aceitam o evangelho. Organizado Por Carriker. o apóstolo Paulo estabeleceu Igrejas autóctones. Campinas: Editora Cristã Unida. Referindo-se a Paulo. p. 1993. 1995. São Paulo: Edições Vida Nova. Afirmam Shenk e Stutzman: Todos ouviram a palavra de Deus em sua própria língua. a comunidade de Cristo e o mundo das nações. pois . Criando Comunidades do Reino – Modelos Neotestamentários da Implantação de Igrejas. 9 19 TUCKER. Tucker afirma: “O Apóstolo Paulo indiscutivelmente mantém o lugar de maior missionário da primeira Igreja. Blauw afirma: Para Paulo há dois pontos de vista: (1) os cristãos. porque a coisa importante não é Israel segundo a carne ..Neill afirma: “A Igreja da primeira geração cristã era do tipo genuinamente missionária. Ao inaugurar a Igreja .

A escolha de Antioquia como ponto de partida não acontece por acaso.23. 1984.41. 22-24). 3a Viagem Missionária : Galácia . São aulo:Edições Paulinas.Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr.1-10). E. 2a Viagem Missionária : Licaônia território Gálata . uma vez que 1a Viagem Missionária: Chipre. Trôade.21 Vejamos a trajetória de Paulo: três viagens missionárias. Benôni Lemos. Cativeiro em Jerusalém (At 18. Partindo de Antioquia em suas Antioquia era um importante entroncamento viário. Gl 2. 21 COTHENET.1-29. via Éfeso (At 15. Panfília. Corinto. Atenas. p. Surge a controvérsia da circuncisão dos pagãos convertidos(Concílio de Jerusalém é convocado – At 15.31). Tessalônica ). Licaônia(At 13-14). São Paulo e o seu Tempo –Trad. Samuel Ulisses 14 Romano (Rm 15. Éfeso (mais de 2 anos). Retorno a Jerusalém.22).19-20. via Macedônia e Mileto. inverno em corinto. 18. 39 . Macedônia. 23. retorno a Antioquia. Macedônia (Filipos .

Temática Publicações . Valdir Raul. Trad. Missões Transculturais . História das Missões. Tradução de Geraldo Kornörfer. Steven. São Paulo: FTLB . Emil Albert Sobottka. 2001. 1995. São aulo:Edições Paulinas. ZABATIERO. Ralph D. Júlio Paulo Tavares. C. PADILHA . Edições Vida Nova. São Paulo: Cultura Cristã. Samuel Ulisses 15 BIBLIOGRAFIA: BLAUW. Luis Marcos Sander – São Leopoldo. . David & STUTZMAN. Johannes. C. WINTER.Introdução a Teologia Bíblica de Missões – I Dr. 2002. Benôni Lemos. Stephen .Princípios gerais. e Hawthorne . São Paulo: ASTE. 1994. GREEN. São Paulo: Editora Mundo Cristão. PIPER. Criando Comunidades do Reino – Modelos Neotestamentários da Implantação de Igrejas. São Paulo. C. _________________. Trad. Missão Integral . Missão Transformadora : Mudanças de Paradigma na Teologia da Missão. 1987. David J. Missão Integral – Ensaios sobre o Reino e a Igreja . Em Missões e A Igreja Brasileira.São Paulo: SEPAL.1984. 1992. René. São Paulo: Edições Vida Nova. Campinas: Editora Cristã Unida. Witness to The World the Christian Mission in Theologica Perspective. org. Ervin R. Vol. 1993. E. 3 – Perspectivas Teológicas. Até aos Confins da Terra” – Uma História Biográfica das Missões Cristãs. Uma Teologia Bíblica. CARRIKER. J. OUTRAS OBRAS A SEREM CONSULTADAS: BOSCH. “. GEORGIA. RS: Sinodal. A Missão da Igreja: uma visão panorâmica sobre os desafios e propostas de missão para a Igreja na antevéspera do terceiro milênio. 1966. São Paulo e o seu Tempo –Trad. Atlanta. Ruth A. Missões na Bíblia . Rubes Castilho. Timóthy. 1984. São Paulo: Vida Nova. Timóteo. 1986. BOSCH. STEUERNAGEL.. Evangelização na Igreja Primitiva. Alegrem-se os Povos. COTHENET.1989. NEILL. A Natureza Missionária da Igreja. David J. Poder e Testemunho – Missões em Atos 1 e 2. 1980. 1992. 1992. Organizado Por CARRIKER. Michael. São Paulo. São Paulo: Vida Nova. W.. TUCKER. SHENK.Uma Perspectiva Histórica. John Knox Press. Editora Mundo Cristão. Belo Horizonte: Missão Editora.

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