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A FAMÍLIA SOB NOVAS PERSPECTIVAS

F alar sobre a família é algo muito complexo, pois nos remete a vários
aspectos como o emocional, o social e o jurídico. É preciso que estejamos
cientes principalmente do seu papel na integração do sujeito à vida, à história,
ao meio e aos padrões de conduta que norteiam a sociedade, tendo em vista
que será no círculo familiar que estará presente a primeira visão da realidade,
as primeiras representações que a partir daí vão se expandindo.
Mas como fica a família diante de uma realidade cada vez mais
presente como o divórcio, a separação? Pois, se antes tínhamos o casamento
como um laço indissolúvel perante os olhos da Igreja e da sociedade, a
situação atualmente é completamente diferente, assumindo um paradigma de
normalidade que vem segundo alguns estudiosos, contribuindo para o seu
aumento. A incidência nos casos de separação foi crescendo de tal forma que
cada vez mais obrigam as Leis a reverem seus conceitos no sentido de
adequarem-se a este fenômeno social, buscando interagir com outras ciências
como a Psicologia e o Serviço Social no sentido de humanizar mais a Justiça e
assim minimizar os danos advindos com a desestruturação familiar.
O que podemos observar é que mesmo sendo, muitas vezes,
causador de infelicidade, seja para um ou ambos os cônjuges, a separação
serve como válvula de escape para as tensões, as brigas, a falta de amor, de
respeito, enfim dos problemas que se vão avolumando no decorrer do
casamento. Mas se por um lado a separação pode servir para resolver as
desavenças entre o casal, no que se refere aos filhos poderá tomar proporções
bem maiores, desencadeando inúmeros problemas como a depressão,
agressividade, sentimento de rejeição, distúrbios de aprendizagem e baixa
auto-estima.
Contudo, é que se compreenda que cada família possui seus próprios
valores e que inúmeros fatores serão responsáveis pela intensidade do impacto
emocional nos filhos diante da separação dos pais, entre estes podemos citar: o
tipo de relação existente entre pais e filhos no período que antecedeu a
separação, o motivo do rompimento, a personalidade do filho e também o
relacionamento entre os pais durante e após a separação.
Neste sentido MARIA TEREZA MALDONADO em seu livro
Casamento –Término e Reconstrução, coloca que a rearrumação é extensa,
afirmando também que no primeiro ano após a separação poderão existir
mudanças nos hábitos e rotinas além de transformações no que se refere ao
padrão de vida e ao ambiente social. A partir do segundo ano ela considera
que começa a haver uma melhora no ambiente familiar e por volta do terceiro
ano, embora a tensão continue, este ciclo se encerra.
Os efeitos da separação dos pais sobre os filhos tem originado
diversas pesquisas que abordam os mais variados temas desta situação, e o que
se verifica na grande maioria destes estudos é que, embora as consequências
possam ser aliviadas os pais não tem, na maioria das vezes, como evitar que os
filhos sofram com a separação. Podemos afirmar, no entanto, que o diálogo, a
sinceridade e principalmente não usar o filho como intermediário e joguete
entre o casal irá abrandar as consequências negativas desta situação.
Estas mudanças são responsáveis também pelo surgimento de
diferentes tipos de representação da família. Por exemplo, antes ao falarmos
de família trazíamos vinculada somente a imagem do pai, mãe e filhos juntos,
hoje temos na sociedade vários modelos. Dentre estas novas formas de
representar a família encontramos aquelas em que os pais ficam com a guarda
dos filhos e os criam sozinhos, temos mães que assumem totalmente os filhos
tanto financeiramente como na educação, torna-se constante também família
formada por pessoas separadas que se unem e trazem para esta nova relação
filhos de uniões anteriores e até famílias formadas por avós que passam a
assumir os netos integralmente após a separação dos pais destes.
Temos assim na sociedade contemporânea um conceito de família
bastante diversificado, bem como uma visão do casamento totalmente
diferenciada daquela existente em períodos anteriores da história. Entretanto,
uma perspectiva não mudou, apesar de tantas transformações, que é o fato da
família ter o dever de cumprir o seu papel em direção ao desenvolvimento e
felicidade de todos os membros que dela fazem parte.