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VI CICLO DE

RELAÇÕES INTERNACIONAIS

QUESTÕES HUMANITÁRIAS
CONTEMPORÂNEAS

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Profa. Dra.Vera Lúcia Viegas Liquidato

REGULAMENTAÇÃO DO USO
DA FORÇA

E AS MISSÕES DE PAZ DA
ONU

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A Guerra ao longo da História

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A Guerra ao longo da História - Antigüidade

GUERRA: na GRÉCIA antiga, modo permissível de


solucionar controvérsias entre uma polis e outra

ROMA antiga: o recurso à guerra foi largamente


utilizado na Roma antiga

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A Idade Média

Posição da Igreja Medieval:


1) cristãos x cristãos ≠
2) cristãos x não-cristãos
Guerra contra outros cristãos necessitava de
cuidadosas justificativas
Concepção de “guerra justa”. Luta da cristandade
para defender-se dos ataques de não cristãos
(sarracenos, víquingues, povos das estepes, ...)
Concepção Medieval de Guerra Justa
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Requisitos de São Tomas de Aquino para uma Guerra Justa:

1) Autoridade do soberano: não é da alçada das


pessoas privadas declarar guerra;
2) Necessidade de Justa Causa: aqueles que forem
atacados devam sê-lo porque o “merecem” devido
a alguma falta;
3) Os que fazem a guerra devem ter uma intenção
protegida por direitos (intenção de realizar e
promover o bem)

São Thomas de Aquino Summa Theologica, 2-2, pergunta 40


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A Lista de Intenções Perversas de Santo Agostinho:

- Sede cruel de vingança;


- Espírito perturbado e inquieto;
- Febre da revolta;
- Volúpia do poder; ...

Santo Agostinho: vamos à guerra para termos a paz


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Os Fundadores do Moderno Direito Internacional Público

• Francisco de Vitória (Burgos 1483 – Salamanca 1546):


1) Relectiones Theologicae (1557) fala em ius inter gentes
2) De Indis et de Jure Belli Relectiones (1538) [“Os índios e o
direito da guerra”, Coleção Clássicos do Direito Internacional,
trad. de Ciro MIORANZA, Ijuí, Editora Unijuí, 2006]

• Lidou com a questão da guerra de seu país com os índios da


América
• Sustentava que a guerra contra os índios (pagãos), para ser
admissível, sem qualquer diferença da guerra contra cristãos,
deveria ser justa
• Justificou o que ocorria no Novo Mundo afirmando que os índios
tinham violado direitos fundamentais dos hispânicos de circular
livremente entre eles, de praticar o comércio e propagar o
Cristianismo 8
Os Fundadores do Moderno Direito Internacional Público

• Francisco Suarez (1548-1617) De Legibus (1585)

• Alberico Gentili (1551-1608) De Legationibus (1585) De Jure Belli Libri


Tres (1598)
[“O Direito da Guerra”, Coleção Clássicos do Direito Internacional, trad. de
Ciro MIORANZA, 2ª ed., Ijuí, Editora Unijuí, 2006]

• Hugo Grotius (1583-1645) De Jure Belli ac Pacis (1625) [impregnado


pelo absolutismo]

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E Hoje?

 Como é visto o uso da força hoje?

 Como é vista a Guerra hoje?

 Há regulamentação?

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Histórico da Regulamentação do Uso da Força

Proscrição do Uso da Força

 Tratado de Versailles
 Pacto de Briand-Kellogg
 Doutrina Drago-Poter
 Carta da ONU

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Tratado de Versailles

Fim da 1ª Guerra Mundial (1914 - 1918)

• Criação da SOCIEDADE DAS NAÇÕES (Liga das Nações)

• Corte Permanente de Justiça Internacional

• Modelo Ideológico das Relações Internacionais

• Immanuel KANT, Ensaio sobre a Paz Perpétua (1795)

• Thomas MORUS (1478-1535), Utopia (1516)

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Pacto de Briand-Kellogg
Pacto de Paris ou Briand-Kellog:

• “Tratado Geral para a Renúncia da Guerra como


Instrumento de Política Nacional”

• Paris, 27/08/28. O Brasil aderiu em 20/02/1934. Promulgado em


03/07/34

• Aristide BRIAND, ministro do Exterior francês, propôs um pacto


bilateral banindo a guerra entre seu país e os EUA. Na sua
resposta, Frank KELLOGG, secretário de Estado americano
propôs um tratado multilateral de banimento completo da guerra.
Nasce assim o Pacto Briand-Kellogg, assinado em Paris, 1928,
abrangendo 62 Estados. [MAGNOLI, 2006:9]
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Pacto de Briand-Kellogg - Conteúdo

Compreendia apenas três artigos

• Art. 1º: as partes contratantes solenemente declaravam que


“condenavam o recurso à guerra para a solução de
controvérsias internacionais e a renunciavam como
instrumento de política nacional em suas relações externas”
[DINSTEIN, 2004:117-118]

• Art. 2º: as partes concordam que a solução de todas as


disputas entre elas “nunca deveria ser alcançada senão por
meios pacíficos” [DINSTEIN, 2004:118]

• Mesmo com a proibição da guerra pelo Pacto, houve o


estabelecimento de exceções à essa regra da proibição geral 16
Pacto de Briand-Kellogg

• Esse pacto não chegou a impedir guerra alguma, mas


continua vigente nos EUA e no Direito Internacional serviu
como arcabouço para a noção de “crimes contra a paz”, “sob
a qual o Tribunal de Nuremberg sentenciou diversos
“criminosos de guerra” ” [dos 22 acusados perante o Tribunal de
Nuremberg, houve 3 absolvições e dentre as condenações, 12
foram condenados à pena de morte por enforcamento e 3 à pena
de prisão perpétua]

• O que BRIAND queria, diferentemente de KELLOGG, era,


na próxima guerra, ter o apoio da maior potência do mundo.
[MAGNOLI, 2006:10-11]
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Doutrina Drago-Poter

Proibição do Uso da Força para Cobrança de


Dívidas
 Luís Maria DRAGO, ministro das Relações
Exteriores da Argentina, protestou contra o bombardeio
dos portos venezuelanos por potências européias
 Condenava o uso da força para obrigar um Estado a
pagar as suas dívidas públicas:
“A dívida pública não pode motivar a intervenção
armada e, ainda menos, a ocupação material do solo
das nações e americanas por uma potência européia”
[ACCIOLLY et alli, 2008:329]
18
A carta da ONU

PREÂMBULO:

“Nós, os povos das Nações Unidas,


determinados a libertar as gerações
futuras do flagelo da guerra [...]”

19
A carta da ONU

 Capítulo VI da Carta da ONU:

Solução Pacífica de Controvérsias

Art. 33 da Carta da ONU

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CAPÍTULO VII da carta da ONU

 AÇÃO RELATIVA A AMEAÇAS À PAZ,


RUPTURA DA PAZ E ATOS DE AGRESSÃO:
Duas situações distintas:
1 – (Art. 40) Ameaça à Paz (Medidas Provisórias)

2 - Ruptura da Paz (Estado infrator) = Sanções:


Dois Tipos de Sanções: 2.1) Art. 41: Embargos

2.2) Art. 42: Sanções Militares


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CAPÍTULO VII: Ameaças à Paz, Ruptura da Paz e Atos de Agressão

[Ameaça à Paz:
Art. 40 da Carta da ONU: Medidas Provisórias]

Ruptura da Paz (Estado infrator) = Sanções:


Art. 41: Sanções não-Militares = Embargos
Art. 42: Sanções Militares = Autorização de
envio de forças armadas

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Em Suma

Exceções à regra geral da proibição ao uso da


força:

- Legítima Defesa;
- Prévia Autorização do Conselho de Segurança
da ONU
- Guerras de Libertação Nacional

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Questões para discussão

Princípios do Direito Internacional:


- Princípio da Auto-Determinação dos Povos;
- Princípio da Não-Intervenção;
- Princípio da Não-Intervenção e Proteção dos Direitos Humanos e Proteção
de interesses de nacionais;
- As intervenções humanitárias;
- Guerra de Libertação da Ossétia do Sul?
- Legitimidade de atuação da Geórgia?
- Legitimidade de atuação da Rússia?
- Legitimidade do reconhecimento da independência das províncias
separatistas, pelo Parlamento Russo? (Doutrina Estrada) [ACCIOLY,
2008:331]

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACCIOLY, Hildebrando; NASCIMENTO e SILVA, Geraldo Eulálio; CASELLA, Paulo


Borba, “Manual de Direito Internacional Público”, 16ª ed., São Paulo, Saraiva, 2008
BAZELAIRE, Jean-Paul; CRETIN, Thierry (orgs.), “A Justiça Penal Internacional:
sua evolução, seu futuro - de Nuremberg a Haia”, trad. de Luciana Pinto
VENÂNCIO, Barueri/SP, Manole, 2004 [título original: La justice pénale
internationale, Presses Universitaires de France, 2000]
CASSESSE Antonio; DELMAS-MARTY, Mireille (orgs.), “Crimes Internacionais e
Jurisdições Internacionais”, trad. de Silvio ANTUNHA, Barueri/SP, Manole, 2004
(título original: Crimes internationaux et juridictions internacionales)
CASSESSE Antonio, “I Diritti Umani Oggi”, Bari, Laterza, 2005
DINSTEIN, Yoram, “Guerra, agressão e legítima defesa”, trad. (da 3a. ed. de War,
Aggression and Self-Defence, Cambridge University Press, 2001) Mauro Raposo de
Mello, Barueri, Manole, 2004
GENTILI, Alberico, De Jure Belli Libri Tres (1598) [“O Direito da Guerra”, Coleção
Clássicos do Direito Internacional, trad. de Ciro MIORANZA, 2ª ed., Ijuí, Editora
Unijuí, 2006]

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
JARDIM, Tarciso Dal Maso, “O Brasil e o Direito Internacional dos Conflitos
Armados”, Tomo I e II, Porto Alegre, Sergio Antonio Fabris Editor, 2006
MAGNOLI, Demétrio (org), “História das Guerras”, São Paulo, Contexto, 2006.
MAGNOLI, Demétrio (org), “História da Paz”, São Paulo, Contexto, 2008
MOURA RAMOS, Rui Manuel (coord.), “A Crise do Golfo e o Direito Internacional –
Actas do Colóquio organizado pela Secção de Direito Internacional do Curso de
Direito no Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católia Portuguesa, em
10 e 11 de abril de 1991”, Porto, 1993
MOURA RAMOS, Rui Manuel (coord.), “A Crise do Golfo e o Direito Internacional –
Actas do Colóquio organizado pela Secção de Direito Internacional do Curso de
Direito no Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católia Portuguesa, em
10 e 11 de abril de 1991”, Porto, 1993
PINESCHI, Laura (org.), “La tutela internazionale dei diritti umani – norme,
garanzie, prassi”, Milano, Giuffrè, 2006
São Thomas de Aquino, Summa Theologica
SCISO, Elena (org.), “L´intervento in Kosovo: Aspetti Internazionalistici e interni”,
Milano, Giuffrè, 2001 26
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SORTO, Fredys Orlando, “Guerra Civil Contemporânea: a ONU e o Caso


Salvadorenho”, Porto Alegre, Sergio Antonio Fabris Editor, 2001
VIEGAS LIQUIDATO, Vera Lúcia, “Resolução Jurisdicional de Litígios e o Princípio
da Jurisdição Universal no Direito Internacional Humanitário”, in PRONER, Carol;
GUERRA, Sidney (orgs.), “Direito Internacional Humanitário e a Proteção
Internacional do Indivíduo”, Porto Alegre, Sérgio Fabris, 2008, 368 p.; pp. 181-242
VIOTTI, Aurélio Romanini de Abranches, “Ações Humanitárias pelo Conselho de
Segurança: entre a Cruz Vermelha e Claussewitz”, Brasília, Funag, 2004.
VITÓRIA, Francisco de, De Indis et de Jure Belli Relectiones (1538) [“Os índios e o
direito da guerra”, Coleção Clássicos do Direito Internacional, trad. de Ciro
MIORANZA, Ijuí, Editora Unijuí, 2006]
ZANARDI, Pierluigi Lamberti; VENTURINI, Gabriella (orgs.), “Crimini di guerra e
competenza delle giurisdizioni nazionali”, Atti del Convegno – Milano: 15-17
maggio 1997, Milano, Giuffrè, 1998
WATSON, Adam “A evolução da sociedade internacional: uma análise histórica
comparativa”, trad. de René LONCAN, Brasília, Editora Universidade de Brasília,
2004 [título original: The evolution of international society: a comparative historical
analysis, livro de 1992] 27