Quase

Lucas sosa machado Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna, ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Legião Organizada
15ª edição | 25/04/11 | 18 cópias | R$ 0,15 Leia, reproduza e passe adiante! Participe dos nossos grupos de debates!
Quartas-feiras às 16:45 na sala 633B (IF-SUL) Domingos às 14h00 no Altar da Pátria (Pq. Dom Antônio Zátera) 27/04 e 01/05 - Eleições: O que há por trás? Teoria Legal e o que se dá. Como são formados os candidatos?; 04/05 e 08/05 - Justiça, a História das Sociedades e a Concentração, 11/05 e 15/05 Mídia: Conteúdo Verdadeiro? Comentário de casos. Liberdade de Imprenssa

Contato
e-mail: joao.felipe.c.b@gmail.com | blog: legiaoorganizada.blogspot.com | telefone: (53) 91117926

Olhares atravessados

Marlon Singales Quando você não é igual a todo mundo sempre tem idiotas que olham e fazem cara feia, seja por cor, jeito de vestir, modo de agir, ideais, crenças... Caso você tenha armas brancas é mau caráter, anda rasgado é mendigo, tem um cabelo diferente é tosco, outra cor de pele é taxado por isso, tem religião diferente é do mau, mas as pessoas não sabem nem do que estão rindo, talvez tenha um motivo pro carinha do cabelo diferente e da calça rasgada andar assim, pelo menos aquela pessoa não tem medo de se expressar e de ser diferente, enquanto pessoas olham atravessado para ele pelo seu jeito, ele da risada das pessoas por serem todas iguais e não terem coragem de admitirem o que são ou fazem, o que gostam de ouvir ou seu jeito de vestir, compram roupas feitas em série, feitas especialmente para pessoas feitas em série que pensam igual e são manipuladas pela televisão, que são enganadas pelos mesmos políticos e sabem disso e mesmo assim votam neles, que gostam da mesma musica que está no momento e esquecem-se da mesma depois de uma semana, pois saiu da moda. Então não seja preconceituoso e deixe as pessoas diferentes serem quem elas são, e por que não, faça a diferença você também , pois ser igual a todo mundo não leva a nada no mínimo você será confundido com outra pessoa “igual” a você .

"Sempre foi assim e sempre será. O homem sempre foi mal, sempre se preocupou somente consigo. O brasileiro é um povo preguiçoso e que sempre quer se dar bem. O povo é burro, vota sempre nos piores candidatos. Os estudantes não querem nada com nada. Emprego tem, é você que não é qualificado." Comunismo primitivo. Canudos, Araguaia. E é culpa do povo também que não tenham bons candidatos, ou que esses não se sobressaiam? De tão desinteressados que somos, fizemos esse jornalzinho e dois grupos de debates! É, pois hoje acabou a lei da oferta e da procura: mesmo se tiver menos gente qualificada do que o mercado presica, ainda sim, o patrão consiguirá pagar um salário baixo o suficiente para poder ter lucros.(Ironia)

Diga não ao padrões impostos!

Qual é o valor da prática? (Incoerência?)

João Felipe Chiarelli Bourscheid Certa vez, num debate sobre amor em sala de aula eu disse que não é necessário dar um tiro na cabeça para saber que isso irá matar. Porém, semana passada, eu usei o argumento de que tu só saberá se é bom, se tu for, quando tentava convencer um colega de curso a participar dos debates da LO. E então, um colega meu disse que eu estava me contradizendo. De certa forma, isso foi mais que uma contradição para muitos filósofos: foi um divisor de águas. Segundo Chaui, “Historicamente, três têm sido as principais concepções de ciência ou de ideais de cientificidade: o racionalista, cujo modelo de objetividade é a matemática; o empirista, que toma o modelo de objetividade da medicina grega e da história natural do século XVII; e o construtivista, cujo modelo de objetividade advém da idéia de razão como conhecimento aproximativo. "[1] Deixando de lado a concepção construtivista – porque ela é recente – vemos que temos como um divisor de águas a valorização da prática. Se por uma lado, a prática contribuiu muito para nós desenvolvermos algumas teorias de forma rápida, ela também nos levou rapidamente a cometer erros. E hoje, o que conhecemos por senso comum é muito fundamentado sobre a prática. Há coisas do senso comum que pegamos que realmente fazem sentido, mas com outras chegamos a um completo absurdo. Bom, se a prática pode nos levar a resultados absurdos como achar que a Terra é plana, por que acreditar nela? Dessa forma, o que eu disse que “só se poderia saber como era o debate se a pessoa fosse” não tem valor nenhum. De fato, eu me equivoquei quando eu disse que “só se poderia”, porque pode-se saber como é que é um debate sem jamais ter ido em um. Apenas registrando como é um debate e dizendo suas qualidades, pode-se ter uma noção: “Um debate é sempre muito interessante porque, tendo um tema definido – ou nem tão definido – pode-se questionar certas ideias, ver se elas são verdadeiras ou não, e ver o que cada um pensa a respeito do debate. Tão importante quanto a diversidade de opiniões é a tentativa que as pessoas fazem para tentar convencer as outras de determinada ideia e as pessoas a serem convencidas, de tentar mostrar a validade da ideia que elas tinham antes. Por isso que as pessoas podem pensar de formas diferentes, desde que tenham argumentos. Pois, o grande fruto do debate é melhorar a tuas ideias de forma chegar o mais próximo da verdade. Eu por exemplo, já convenci e já fui convencido várias vezes. Por exemplo, eu já convencia as pessoas de que a mídia não somente omite – como acreditavam – mas também mente, como é o caso de falar que existem vagas para empregos, o que falta é mão-de-obra qualificada. Ora, qualquer um que entenda um pouco de economia sabe que isso é mentiroso. E já fui convencido sobre a questão da necessidade de existir liderança para existir organização. Até é curioso que nesse debate, eu até considero que foi um debate ruim, porque eu me sai mal e acho que não contribui muito para o pensamento dos outros. Mas, em compensação, aprendi bastante. Nessa caso, eu pensava que para ter organização deveria ter necessariamente liderança, mas vi que isso não é verdadeiro. Isso só vale para uma organização que queira andar a largos passos. E daí temos duas condições: ou o líder tem o mesmo interesse dos liderados ou o líder tem interesses diferentes dos liderados. No primeiro caso, o líder tentará incentivar a ter mais e mais líderes e, se possível, fazer com que todos fossem líderes, pois assim todos seriam motivadores e cobradores. No caso em que o líder não tem os mesmo interesses, ele impedirá que os liderados se desenvolvam a ponto de se tornar um líder. Por fim, num debate tem algumas partes que não são tão boas. Por exemplo, a imaturidade e a falta de concentração são coisas que existem nos debates da LO. Mas relevando isso, os debates são de alta qualidade. Se aprende e se ensina. E desenvolve-se a habilidade de argumentar. É uma atividade que ao mesmo tempo que te permite abrir a mente, te permite aprender a defender o que tu pensa, mas não com o intuito de 'vencer o debate', porque nos debates da LO, o objetivo não é vencer, isto é, não é fazer a tua ideia se tornar a verdadeira, mas sim a verdadeira se tornar a tua.” Isso é, portanto, uma descrição que pode dar uma ideia sobre como são os debates da LO. Porém, temos que analisar essa descrição foi feita por alguém que tem interesse em convidar uma determinada pessoa ao debate, e portanto, passará como sendo uma coisa boa. Certamente, se alguém não quisesse que a pessoa fosse, abordaria de outra forma, dizendo que não lava a nada, ou que alguém quer convencer alguém somente de sua ideia. Eu sei porque tem gente que fala isso sobre os debates, mas não somente quando quer desconvencer alguém de ir, mas geralmente por chamar a atenção. É claro que, neste caso, tanto o debate não levar a nada quanto alguém querer convencer somente e não ser convencido, não aconteceu no meu caso, pois como eu já aprendi bastante, o debate levou sim a algum lugar, e como já mudei minha opinião algumas vezes,

também já fui convencido. Mas, para não fazer um debate a respeito do “debate” – hehehe –, vamos analisar um outro ponto: às vezes damos informações falsas sem saber que elas não são falsas. Ou por ouvir alguém falar e sairmos repetindo, ou por nós mesmos termos tido aquela conclusão, mas a fizemos de forma precipitada, esse registro pode não ser confiável, como foi o exemplo que eu dei do homem observar o céu e concluir que a Terra é que era o centro do Universo. Na verdade o registro que eu fiz acima não é nem um bom exemplo de conhecimento racional nem conhecimento empírico, uma vez que o registro não tem a veracidade que tem um fato – porque pode ser inventado, ou feito uma mal suposição – e também não é baseado na Lógica, como é feito o racional. A princípio, é tão verdadeiro quanto: “comer fruta de manhã é ouro, de tarde é prata e de noite até mata.” Podemos fazer uma defesa racional do que é o debate. Vejamos: “Um debate é um evento social feito com uma determinada quantidade de pessoas, tendo cada uma delas uma ideia a respeito de uma tema. Uma vez alguém tendo exposto sua ideia e outro não concordando, haverá um fenômeno chamado divergência. Ocorrendo uma divergência, os outros membros podem tomar partido ou não. De qualquer forma, cada opinião será defendida com argumentos, que tem como objetivo fazer os outros refletirem. Conforme a qualidade desses argumentos podem convencer mais ou menos pessoas e podem atingir pessoas diferentes. Ocorre portanto uma competição entre ideias – e não entre pessoas, apesar de isso acontecer as vezes, mas desqualificando o debate porque não é esse o seu objetivo – uma tentando 'matar' a outra. O que geralmente não ocorre com muita frequência, pois a medida que as pessoas vão debatendo elas vão se tornando mais habilidosas em suas defesas. Essa competição de ideias ocorre porque as ideias são diferentes e sendo as duas diferentes não podem ser verdadeiras integralmente para uma mesma pessoa. E, às vezes, conseguimos ver falhas nas nossas argumentação quando o outro a questiona. E é esse amadurecimento das ideias que se dá como resultado, pois os debates colocam a prova as ideias. E as pessoas colhem frutos de terem ideias mais provadas. Também tem como consequência o surgimento de novas ideias também. Tendo ideias semelhantes, as pessoas podem trabalhar melhor em equipe, já que compartilham os mesmos objetivos. Tudo isso, a longo prazo, tende fazer com que as ideias mais verdadeiras se sobreponham sobre as ideias não tão verdadeiras.” Na verdade, para fazer uma análise completamente racional, precisaria de muito mais espaço, pois não pude explicar o porque de cada coisa. Mas, a ideia principal é essa: se as pessoas que tem ideias diferentes começarem a conversar sobre elas, é natural que as que se mostrem melhor argumentadas comecem a se difundir e as pessoas melhorando suas habilidades de debates. Por isso, o debate, a curto prazo, pode tornar as pessoas a terem ideias piores do que as que elas tinham, desde que as que tenham a ideia não tão verdadeira tenham uma habilidade de argumentação muito superior a dos que tem uma ideia mais verdadeira. Mas, a longo prazo, melhorando a habilidade de debate geral, tenderão a se difundirem as ideias mais verdadeiras. E, no final das contas, o que geralmente ocorre é a fusão de várias ideias, porque é difícil alguém acreditar numa ideia completamente falsa. Porém, por ser a ideia racionalista muito comprida e que deve se provar nos mínimos detalhes, deve haver espaço também para o empirismo. Ainda mais quando ele é usado não para provar alguma coisa como certa, mas para mostrar que alguma coisa é errada, o que é perfeitamente cabível ao racionalismo. Então, mesmo correndo os riscos de ter uma ideia errada sobre um grupo de debates, como por exemplo, acontecer de vir uma ou duas pessoas, ou de o debate não ser bem defendido como foi o caso do debate sobre liderança, no pior dos casos, tu sairás do debate com uma ideia errada sobre ele, porque eu acho que tu aproveitarás melhor do que ficar em casa sem fazer nada. Mas, na melhor das hipóteses, tu pode ter a chance de pegar um bom debate e vir a ter uma boa ideia sobre ele. Aqui, diferente do caso da arma, vale a máxima: tu não tens nada a perder e tens um mundo a ganhar. [1] Marilena Chaui, Convite à Filosofar, Editora Ática, 2000, pg. 320

Expediente: Diagramação: Mateus Rodeghiero | Impressão: Legião Organizada

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