You are on page 1of 56

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

TÉCNICAS DE REMEDIAÇÃO APLICÁVEIS EM DEPÓSITOS DE


RESÍDUOS DO REFINO DE PETRÓLEO

SABRINE FERREIRA RODRIGUES


2010
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO
INSTITUTO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA QUÍMICA

TÉCNICAS DE REMEDIAÇÃO APLICÁVEIS EM DEPÓSITOS DE


RESÍDUOS DO REFINO DE PETRÓLEO

SABRINE FERREIRA RODRIGUES

Orientador: Fabíola Oliveira da Cunha

Seropédica, RJ
Julho / 2010

ii
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO
INSTITUTO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA QUÍMICA

SABRINE FERREIRA RODRIGUES

TÉCNICAS DE REMEDIAÇÃO APLICÁVEIS EM DEPÓSITOS DE RESÍDUOS


DO REFINO DE PETRÓLEO

Monografia apresentada para conclusão do


Curso de Engenharia Química da Universidade
Federal Rural do Rio de Janeiro.

MONOGRAFIA APROVADA EM 13/07/2010

Fabíola Oliveira da Cunha, D. Sc., DEQ/IT/UFRRJ


(Orientadora)

Rui de Goés Casqueira, D. Sc., DEQ/IT/UFRRJ

Sandra Cristina Dantas, M. Sc., DEQ/IT/UFRRJ


iii
DEDICATÓRIA

Ao meu pai, Domingos Savio, que comigo sonhou, batalhou e concretizou minha
Engenharia Química.

iv
AGRADECIMENTOS

Acima de tudo, agradeço a Deus que é a minha força de cada dia, a esperança de
cada momento, a razão de cada batalha, a fé nas dificuldades e as bênçãos em cada vitória.
A minha querida mãe pelo amor incondicional, pelas preocupações, pelo zelo, pela
educação, pela dedicação, pela paciência, pela motivação e incentivo em todos os
momentos de minha vida.
Ao meu grande pai pelo exemplo de vida, educação, palavras, conselhos, amor,
carinho, orações, e principalmente, por acreditar no meu potencial e deixar que eu
realizasse um de seus sonhos.
A minha linda irmã Saviane pela dedicação imensurável à minha família. Pelo
esforço pelos meus estudos. Pelo amor e carinho. Pela preocupação e zelo por todos esses
anos.
A minha outra linda irmã Simone pelo amor e carinho. Pelas fortes e
importantíssimas orações pela minha vida.
Ao meu grande tesouro, minha avó Maria de Morais Rodrigues (In Memorian) pelo
grande exemplo de vida e garra, batalha e vitórias. Seus exemplos e dedicação ficarão
marcados para sempre em meu coração.
Ao meu cunhado Rodrigo Martins Lopes por toda a força que vem dando a mim e a
minha família. Por todo o amor, carinho, conversas, enfim, pelo afeto de irmãos que
estamos construindo durante esses anos.
A Wagner Drei Junior pelos grandes momentos juntos. Por todo carinho,
companheirismo, alegrias, superações, paciência e dedicação.
Aos Mestres da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro pelos ensinamentos a
mim concebidos e a conquista do título em Engenharia Química.
Professora Fabíola Oliveira da Cunha pela amizade, confiança e orientação na
condução e conclusão deste trabalho.
A minha amiga e companheira Monique Mockdece pelo carinho e amizade por
todos esses anos.
Aos meus amigos Ruralinos que, cada um com sua particularidade, contribuíram
para que esses anos fossem inesquecíveis os quais levarei para sempre em meu coração e
minha memória.
E a todos que de alguma forma contribuíram para que essa etapa fosse vencida.

v
BIOGRAFIA

Sou de Barra Mansa, interior do Rio de Janeiro. Tenho uma família linda: meu pai
Domingos, minha mãe Ondina e minhas irmãs Saviane e Simone com quem sempre morei
até vir para a Rural.
Até o presente momento sempre me dediquei para conquistar uma boa formação
profissional. O meu 2° grau foi cursado em paralelo com um curso Técnico em
Telecomunicações na Escola Técnica Pandiá Calógeras onde foi uma fase de grande
crescimento pessoal.
Ao concluir o curso técnico decidi me dedicar ao ingresso em uma Universidade
Pública na área de Engenharia. Realizei alguns vestibulares e tive a aprovação em duas
Universidades Federais, a UFF e a UFRRJ. Porém, eram cursos distintos. Para uma era
Engenharia Elétrica e para a outra Engenharia Química. Por fortes influências de meu pai e
meu avô José Baptista, que por sinal são profissionais na área, escolhi cursar a Engenharia
Química.
Então juntei a mudança, o entusiasmo e a força de vontade e vim para a Rural.
Os primeiros períodos foram de intensos estudos e dedicação.
Nas últimas semanas de meu 5° período a vida me pregou uma peça. Meu pai ficou
desempregado e eu teria que voltar para minha casa, pois minha família não tinha mais
recursos para me manter aqui. Ao concluir as provas finais, juntei novamente minha
mudança e voltei para minha cidade. Lá fui trabalhar no comércio. Depois de longos sete
meses, graças a Deus, eu tive a benção de voltar para a Rural e retomar meus estudos.
Retornei cheia de disposição e novos projetos para a minha vida. Comecei a me
dedicar intensamente para o início de um estágio, o início efetivo da minha formação
profissional.
Em fevereiro de 2009 comecei o meu estagio na VALE, Mangaratiba - RJ na área
de gestão de pessoas, segurança do trabalho e área administrativa. Hoje levo de grande
aprendizado um melhor conhecimento do ser humano. Como é o dia-a-dia de uma
empresa, dificuldades e contratempos, responsabilidades.
Em paralelo com o final de minha graduação inicializei minha Pós-Graduação Lato
Sensu em Engenharia de Segurança do Trabalho na UNIFOA com o objetivo de ampliar
meus horizontes e conhecer novas áreas da engenharia.
Ao final do curso me sinto preparada para atuar no mercado de trabalho com uma
Engenheira Química de forma ética e responsável.
vi
SUMÁRIO

CAPÍTULO I
INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 01

CAPÍTULO II
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................................ 04
2.1. Investigação para Remediação .................................................................................... 04
2.2. Técnicas de Remediação ............................................................................................. 06
2.2.1. Escavação e Remoção de Solos ..........................................................................06
2.2.2. Atenuação Natural Monitorada .......................................................................... 08
2.2.3. Solidificação e Estabilização .............................................................................. 09
2.2.4. Vitrificação ......................................................................................................... 12
2.2.5. Extração de Vapores do Solo ............................................................................. 13
2.2.6. Tratamento Térmico ........................................................................................... 15
2.2.6.1. Tratamento Térmico in situ ..................................................................... 16
a) Injeção de Vapor ..................................................................................... 16
b) Aquecimento por Resistência Elétrica .................................................... 17
c) Aquecimento por Radio Frequência ........................................................ 17
d) Aquecimento por condução Térmica ...................................................... 17
2.2.6.2. Tratamento Térmico ex situ .................................................................... 18
a) Desorção Térmica ................................................................................... 18
2.2.7. Bioventilação ..................................................................................................... 19
2.2.8. Biorremediação .................................................................................................. 20
2.2.8.1. Biorremediação in Situ ............................................................................ 24
2.2.8.2. Biorremediação ex Situ ............................................................................ 26
a) Landfarming ........................................................................................... 26
b) Biorreatores ............................................................................................ 27
2.2.9. Fitorremediação .................................................................................................. 27
2.2.9.1. Fitoextração e Fitovolatilização .............................................................. 28
2.2.9.2. Fitoestabilização ...................................................................................... 29
2.2.9.3. Fitodegradação ........................................................................................ 30
2.2.9.4. Rizofiltração ............................................................................................ 31
2.2.10. Oxidação Química ............................................................................................ 31
2.2.11. Extração por Solventes ..................................................................................... 32

CAPÍTULO III
CASO REFAP ................................................................................................................... 34
3.1. Sobre a REPAP ........................................................................................................... 34
3.2. Geologia do Borreiro ................................................................................................... 35
3.3. Hidrogeologia do Borreiro .......................................................................................... 37
3.4. Contaminante da Borra ................................................................................................ 37
3.5. Recomendações de SANBERG ................................................................................... 38
3.6. Propostas para o caso REFAP ..................................................................................... 39

CAPÍTULO IV
CONCLUSÕES ................................................................................................................ 41

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 42


vii
ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1 – Vantagens e Desvantagens do SVE ................................................................. 15


Tabela 2 – Suscetibilidade de Contaminantes para Biorremediação ................................. 21
Tabela 3 – Características para um Sistema de Biorremediação in situ ............................ 26
Tabela 4 – Exemplos de plantas hiperacumuladoras de metais ........................................ 29
Tabela 5 – Valores de referência para metais em sedimentos de áreas industriais propostos
pela CETESB (2001) .......................................................................................................... 37
Tabela 6 – Valores de referência para TPH e metais em sedimentos de áreas industriais
propostos pela Norma Holandesa ....................................................................................... 37

viii
ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 – Esquema de Escavação de solo contaminado .................................................. 07


Figura 2 – Esquema de um processo solidificação/ Estabilização .................................... 10
Figura 3 – Diagrama básico de um processo de vitrificação in situ para remediação de
solos contaminados ............................................................................................................ 13
Figura 4 – Sistema SVE .................................................................................................... 14
Figura 5 – Sistema de injeção de vapor ............................................................................ 16
Figura 6 – Diagrama simplificado da desorsão térmica .................................................... 18
Figura 7 – Sistema de Biorremediação in situ .................................................................. 25
Figura 8 – Sistema de Landfarming .................................................................................. 27
Figura 9 – Esquema de Fitoextração ................................................................................. 29
Figura 10 – Esquema da Fitodegradação .......................................................................... 30
Figura 11 – Mapa topográfico da área do Borreiro ........................................................... 35
Figura 12 – Mapa de Monitoramento ................................................................................ 36

ix
RESUMO

Neste trabalho foi realizado um estudo de caso sobre a contaminação do solo por
um Borreiro da Refinaria Alberto Pasqualini, Canoas - RS. Após uma investigação para a
remediação desta área foi constatado a contaminação de TPH (Hidrocarbonetos Totais do
Petróleo) e metais pesados. Foram apresentadas as técnicas de remediação: Escavação e
Remoção de Solos, Atenuação Natural Monitorada, Solidificação e Estabilização,
Vitrificação, Tratamento Térmico, Extração de Vapores do Solo, Bioventilação,
Biorremediação, Fitorremediação, Oxidação Química e Extração por Solventes.
Posteriormente, foram propostas técnicas de melhor aplicabilidade na área contaminada.

Palavras Chaves: Solo. Contaminação. Remediação. Metais pesados. Hidrocarbonetos.


Totais do Petróleo.

x
ABSTRACT

This report presented a case study about soil contamination by a Borreiro of the
Alberto Pasqualini’s Refinery, Canoas - RS. After an investigation to remediation in this
area was found contamination of TPH (Total Petroleum Hydrocarbons) and heavy metals.
They have showed remediation techniques: Excavation and Soil Removal, Monitored
Natural Attenuation, Solidification and Stabilization, Glazing, Heat Treatment, Soil Vapor
Extraction, Bioventing, Bioremediation, Phytoremediation, Chemical Oxidation and
Solvent Extration. They have proposed techniques that better applicability in the
contaminated area.

Keywords: Soil. Contamination. Remediation. Heavy metals. Total Petroleum


Hydrocarbons.

xi
CAPITULO I

INTRODUÇÃO

Desde os primórdios da industrialização, no século XIX, são gerados diversos


resíduos que degradam o meio ambiente pela contaminação do solo, da água ou do ar.
Poluentes são lançados no meio ambiente por diversas maneiras dentre elas vazamento em
dutos e tanques, falha no processo industrial, falta de tratamento de efluentes,
armazenamento inadequado, acidentes no processo industrial ou no transporte de
substâncias tóxicas, produção de co-produtos indesejados, emissão de gases, etc.

A partir da década de 70, a questão da contaminação do solo e das águas por


produtos e resíduos químicos ganha um olhar mais cauteloso dos países desenvolvidos.
Pois, áreas contaminadas prejudicam diretamente a saúde humana como também
ecossistemas.

O reconhecimento de que o meio ambiente tem que ser preservado se consolidou


com a criação e implementação de leis e órgãos governamentais que detalham e punem a
poluição de águas, solo e ar. No âmbito nacional, algumas leis específicas começam a ser
aprovadas. No Estado de São Paulo, por exemplo, a Lei 13.577, aprovada em julho de
2009, é pautada em diretrizes e procedimentos para proteção da qualidade do solo e
gerenciamento de áreas contaminadas. Já no âmbito federal, uma Resolução do CONAMA
(Conselho Nacional do Meio Ambiente), que trata das mesmas diretrizes, foi recentemente
aprovada e entrará em vigência já no primeiro semestre de 2010 (EGLE, 2010).

Conforme estabelece o Decreto n.º 28.687/82, art. 72, “poluição do solo e do


subsolo consiste na deposição, disposição, descarga, infiltração, acumulação, injeção ou
enterramento no solo ou no subsolo de substâncias ou produtos poluentes, em estado
sólido, líquido ou gasoso”. O solo é um recurso natural básico, constituindo um
componente fundamental dos ecossistemas e dos ciclos naturais, um reservatório de água,
um suporte essencial do sistema agrícola e um espaço para as atividades humanas e para os
resíduos produzidos (PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL,
2010).

1
Os sítios contaminados ou disposições antigas produzem riscos para o bem-estar da
coletividade são chamados de Passivos Ambientais (SCHIANETZ, 1999). Duas das
principais características da poluição do solo são seu caráter acumulativo e a baixa
mobilidade dos poluentes. Quando uma indústria deixa de emitir efluentes líquidos ou
poluentes do ar, seus efeitos imediatos cessam. O rio seguirá fluindo e suas águas diluirão
os poluentes remanescentes ou os transportarão para longe. No caso das emissões
atmosféricas, o ar se tornará limpo assim que ocorrer a interrupção da emissão, já que as
correntes atmosféricas promovem a dispersão dos poluentes. Mas as substâncias nocivas
acumuladas no solo ali permanecem e lentamente podem poluir as águas subterrâneas ou
superficiais e afetar a biota (RODRIGUEZ, 2006).

A capacidade de autodepuração do solo é evidenciada pela transformação dos


poluentes no subsolo que pode ocorrer por processos biológicos (ação de microorganismos
aeróbicos, anaeróbicos e facultativos para digestão de matéria orgânica) e processos físico-
químicos (adsorção e retenção de microorganismos e substâncias indesejáveis). Estes
processos se tornam favoráveis, dependendo de diversos fatores, tais como, condutividade
hidráulica, granulometria, composição mineralógica, capacidade de troca catiônica,
permeabilidade, umidade, presença de nutrientes e condições de aeração (CAMPOS,
2007).

A recuperação do solo envolve diversas técnicas de manejo visando tornar uma


área degradada em um novo ambiente novamente produtivo, restabelecendo um conjunto
de funções ecológicas e econômicas. Elas podem ser de ações corretivas: Restauração,
Reabilitação, Remediação, Atenuação natural e de abandono: Atenuação natural,
Recuperação espontânea e Continuidade da degradação. Dentre as técnicas de recuperação
do solo destaca-se a remediação (SÁNCHEZ, 2008).

Para um trabalho de remediação deve ter uma investigação completa e um


acompanhamento para verificar a eficiência das medidas adotadas e os possíveis impactos
gerados pela remediação da área contaminada. O encerramento da atividade se dará
quando acontecer o cumprimento de padrões preestabelecidos pelo projeto de remediação.
Estes padrões dependem das características físico-químicas dos contaminantes, das
condições hidrogeológicas do local, viabilidade econômica e, principalmente, da legislação
ambiental competente para a área atingida (CETESB, 2001).
2
O objetivo do trabalho é apresentar as técnicas de remediação mais adequadas para
a descontaminação do passivo ambiental gerado pela Refinaria Alberto Pasqualini
localizada em Canoas, RS. A contaminação ocorreu através da disposição dos resíduos do
processo de refino do petróleo, borra desta unidade da Petrobrás. Em decorrência do
despejo de borra, tal área foi denominada Borreiro. Neste estão presentes inúmeros
componentes orgânicos (Hidrocarbonetos Totais do Petróleo, benzeno, tolueno, xilenos e
etilbenzeno) e inorgânicos tóxicos (cromo, cádmio, mercúrio, chumbo, bário, arsênio,
cloro, selênio e prata) (SANBERG, 2003).

A fim de alcançar tal objetivo, o presente trabalho foi organizado da seguinte


forma:

• A primeira parte contendo uma revisão bibliográfica das principais técnicas de


remediação de solos;
• A segunda parte contendo os dados da área do Borreiro caracterizando a área como
contaminada;
• A terceira parte contendo as técnicas julgadas mais adequadas para a remediação da
área.

3
CAPITULO II

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1. Investigação para Remediação

Normalmente, a contaminação do solo não pode ser identificada a olho nu e em


algumas situações ela desaparece no subsolo sem ao menos ser constatada e diagnosticada.
Na maioria dos casos, a contaminação é descoberta devido aos efeitos gerados por ela
como danos a vegetação, alteração na qualidade da água, surgimento de doenças em
populações próximas as áreas contaminadas, dentre outros.

Confirmada a contaminação de uma área, por um órgão ambiental competente,


através de uma análise de risco para saúde humana e segurança pública, inicia-se um
projeto de investigação para remediação. Sua finalidade é fornecer dados para a elaboração
e detalhamento de um projeto de remediação para que sejam utilizadas técnicas
apropriadas, adequadas às leis ambientais vigentes e que seja economicamente viável. As
informações necessárias para um projeto de investigação são as características geológicas e
hidrogeológicas, geoquímicas e hidroquímicas da área a ser remediada (MILANI, 2008).

Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB, 2001) a


caracterização da geologia regional e local deve possibilitar a descrição geológica da área
de interesse, contemplando os aspectos geomorfológicos, litológicos, estratigráficos,
pedológicos, estruturais e geotécnicos, através da elaboração de mapa geológico em escala
apropriada e seções geológicas elucidativas. É realizada mediante consulta de mapas
geológicos, imagens de satélite e fotografias aéreas; realização de inspeções de campo e
sondagens mecânicas convenientemente localizadas e conduzidas de acordo com as
normas técnicas vigentes e aplicação de métodos geofísicos (resistividade elétrica,
potencial espontâneo ou eletromagnetismo).

A caracterização da hidrogeologia regional e local é de extrema importância visto


que os maiores danos causados com uma contaminação do solo são em águas subterrâneas.
É importante conhecer a estrutura hidrogeológica do subsolo (composição do subsolo,
espessura, estruturação e disposição das camadas, permeabilidade, porosidade, etc.); o
4
balanceamento das águas (utilização, vegetação e águas da superfície, reconstituição da
água subterrânea, in- e exfiltração em rios, lagos e canais (filtrado na margem), retirada da
água subterrânea (para fins industriais ou de abastecimento da comunidade), poços de
monitoramento); grandezas hidráulicas do aquífero; níveis do lençol freático; linhas
isopiezométricas; direção e velocidade do fluxo da água subterrânea; etc (SCHIANETZ,
1999).

Para a caracterização geoquímica e hidroquímica é necessário a identificação dos


poluentes presentes. A identificação está relacionada com a origem, tipos, propriedades
físicas, químicas e biológicas (peso molecular, toxicidade, densidade, volatilidade,
solubilidade em água, pressão de vapor, etc.) e processos de transporte e imobilização
ambiental (degradabilidade, persistência, bioacumulação, mobilidade). A caracterização
geoquímica se faz através de amostragem de solo englobando todas as camadas do mesmo,
seja zona não saturada ou zona saturada. E a caracterização hidroquímica é realizada
através da implantação de uma rede de poços subterrâneos de monitoramento
estrategicamente localizados com base na caracterização hidrogeológica da área
contaminada (SPILBORGHS, 1997).

Em geral, uma área contaminada sofre diversas variações nos seus aspectos físico-
químicos onde pode haver mais de uma possibilidade de tratamento. A maioria das
variações ocorre no meio físico como, por exemplo, heterogeneidade de solos, condições
hidrogeológicas locais, dentre outros. Seus aspectos químicos podem variar nas
concentrações e distribuição dos contaminantes em sua matriz. Essa variação pode ocorrer
devido à possibilidade dos contaminantes estarem livres (em altas concentrações), na fase
gasosa ou vapor, adsorvidos (retidos nas partículas do solo), dissolvidos em meio aquoso,
etc. Além disso, existe a possibilidade de ocorrência de contaminantes secundários
(MARIANO, 2006).

Além desses aspectos que são válidos para quaisquer situações, deve-se também
investigar possíveis interferências causadas por fundações, tanques enterrados, linhas de
matérias-primas e produtos, galerias de águas pluviais e efluentes, poços sumidouros,
poços rasos e profundos, principalmente naquelas áreas antigas ou profundamente
transformadas. Qualquer uma dessas interferências poderá impedir, reduzir a eficácia ou

5
inviabilizar uma proposta de remediação, mesmo que muito bem estudada (CETESB,
2001).

A etapa de investigação é a base de um projeto de remediação. Dela serão retirados


elementos para a tomada de decisões sobre quais as técnicas, ou combinação destas, serão
aplicadas na área contaminada mesmo que nessa fase do projeto ainda não se tenha
elementos suficientes para a definição final do projeto. Nesta fase, deve-se buscar o maior
número de elementos decisórios para escolha das técnicas a serem utilizadas e fazer uma
análise da viabilidade econômica do projeto tendo em vista o benefício de cada alternativa
de remediação com relação às despesas envolvidas (MILANI, 2008).

2.2. Técnicas de Remediação

As técnicas de remediação envolvem diversos métodos: térmicos, físico-químicos,


biológicos e isolamento. E podem ser dividas, de acordo com o local onde ocorre o
tratamento, em dois principais processos: in situ e ex situ. Dependendo da situação a
técnica de remediação poderá ser feita nos dois processos.

O processo ex situ consiste na remoção do solo contaminado e tratamento do


mesmo o qual pode retornar ao local de origem. Sua principal vantagem é o tempo de
remediação. E o processo in situ consiste na remediação do solo no local sem a
necessidade de removê-lo. Sua principal vantagem é a economia do processo já que não há
custo de transporte e remoção do solo contaminado.

Neste trabalho serão apresentadas resumidamente as principais técnicas de


remediação que estão sendo empregadas, seja in situ ou ex situ, incluindo os princípios
básicos envolvidos e considerações sobre o projeto, implantação, operação, manutenção,
aplicação, vantagens e desvantagens.

2.2.1. Escavação e Remoção de Solos

Nesta técnica o solo contaminado é removido por equipamentos apropriados até


uma área delimitada (estabelecida no processo de investigação da remediação) onde não
haja mais contaminantes. E a área onde o solo foi retirado pode receber novos solos, ou os
mesmos retirados, após o tratamento (USEPA, 2001a). Na figura 1 o solo contaminado é

6
removido através de uma retroescavadeira e disposto em pilhas para tratamento. Após o
tratamento o solo é retornado para o local de origem.

Figura 1 – Esquema de Escavação de solo contaminado (apud MILANI, 2008).

O uso da técnica de escavação é limitado pelas condições da área contaminada


como a profundidade dos contaminantes, ocupação da área, acesso de máquinas, etc
(MILANI, 2008).

A remoção do solo deve ser realizada com muita segurança, pois há alguns riscos
iminentes (inalação de vapores e materiais particulados contaminados) as pessoas
próximas a escavação e a possível transferência de contaminantes de um compartimento
ambiental para outro (durante a escavação, armazenamento, tratamento) (CETESB, 2001).

Segundo CETESB (2001), para a realização da escavação deve-se seguir um plano,


que contemple os seguintes aspectos:

• medidas de proteção individual dos trabalhadores, para evitar riscos de inalação,


ingestão ou absorção dérmica de poluentes;
• medidas de segurança, para evitar a emissão de contaminantes e a exposição da
população vizinha a riscos, durante as operações de escavação, armazenamento
intermediário e transporte de solos escavados ao local de disposição final;
• armazenamento intermediário de acordo com normas técnicas da ABNT;
• tratamento e disposição final dos solos escavados em local adequado, previamente
aprovado pelo órgão ambiental.

Segundo CETESB (2001) ainda cita os procedimentos de segurança, operação e


controle a serem previstos. São eles:

7
• zoneamento de segurança em três zonas: sem risco, onde as atividades não incluem
solos contaminados e os equipamentos estão descontaminados; semi-crítica e
intermediária, com acesso restrito e onde ocorrerá a descontaminação de
equipamentos e crítica, onde se dará a remoção, acondicionamento e estocagem de
apoio dos solos escavados;
• treinamento de pessoal;
• utilização de equipamentos de proteção individual;
• isolamento da zona crítica, sendo que nos casos mais complexos deverá ser prevista
a construção de galpão, hermeticamente fechado e trabalhando em depressão, para
evitar a saída de vapores e material particulado por via atmosférica e o contato de
águas de chuva com a área contaminada e com os solos removidos;
• instalação de lavador de caminhões e equipamentos, com sistema de tratamento das
águas de lavagem;
• monitoramento da qualidade do ar e medidas de controle;
• procedimentos de emergência.

As operações serão realizadas respeitando-se as normas de segurança, no que se


refere à tolerância à exposição ao calor, tempo de permanência na área crítica e supervisão
por técnico de segurança, mediante utilização dos Equipamentos de Proteção Individual
requeridos (CETESB, 2001).

A técnica de remediação por remoção do solo contaminado tem a vantagem de


retirar uma massa de contaminantes de uma maneira simples e rápida. Porém, tem a
desvantagem que quando a quantidade de material a ser removido é muito grande esse
processo se torna caro, pois, além de custos relacionados com a remoção existem custos
com transporte, tratamento e disposição final do solo removido. Outra desvantagem é que a
remoção deve ser realizada com muita cautela para que não ocorra propagação de
contaminantes para outros meios como ar e águas.

2.2.2. Atenuação Natural Monitorada

A definição da agência ambiental norte-americana United States Environmental


Protection Agency para atenuação natural monitorada (Monitored Natural Attenuation -
MNA) é o uso dos processos de atenuação que ocorrem naturalmente no solo, dentro do
8
contexto de remediação e monitoramento adequadamente controlado, com o objetivo de
redução das concentrações dos contaminantes, toxicidade, massa e/ou volume até níveis
adequados à proteção da saúde humana e ao meio ambiente, dentro de um período de
tempo razoável. A atenuação natural monitorada é uma tecnologia que tem sido usada
como método de remediação em áreas com vazamentos de tanques de armazenamento
subterrâneo (CETESB, 2001).

Os grupos alvos de contaminantes da atenuação natural são os compostos orgânicos


voláteis não halogenados VOCs (Volatile Organic Chemicals), os semi-voláteis SVOCs
(Semivolatile Organic Compounds) e combustíveis derivados de petróleo (MILANI,
2008).

Podem ocorrer degradações intermediárias onde pode ser possível a formação de


produtos mais tóxicos do que os contaminantes originais e de maior mobilidade. Logo,
deve-se fazer uma análise prévia do contaminante e avaliar os riscos adicionais com
produtos da biodegradação (FAVERA, 2008).

A vantagem de se utilizar a atenuação é o custo que, no geral, é baixo pois não tem
se tem custos com equipamentos e produtos para a remediação. A atenuação é
acompanhada através de dados, fornecidos por poços de monitoramento, onde se
demonstra a diminuição, ou não, de contaminantes em uma determinada área.

O uso da atenuação tem suas limitações como a quantidade de informações


necessárias e seguras ao longo do tempo, dificuldade em provar que o método é viável para
determinada área contaminada, o tempo é muito longo para que a remediação seja efetiva,
nem sempre consegue-se realizar a degradação do contaminante, dentre outros

2.2.3. Solidificação e Estabilização

A solidificação e estabilização consistem de métodos de remediação que impedem


ou retardam a migração dos contaminantes do solo. Métodos de solidificação geralmente
não destroem os compostos, apenas os deixam fortemente indisponíveis a reações físico-
químicas. Essas técnicas podem ser aplicadas em processos in situ ou ex situ (EPA,
2001b). As duas técnicas normalmente são empregadas juntas.

9
A Solidificação tem como princípio o encapsulamento dos compostos
contaminados. Nesta técnica na área contaminada é adicionado agente solidificante,
fundido e solidificado. Com isso, os contaminantes ficam retidos numa massa solidificada
com resistência mecânica e resistência a compressibilidade onde não haverá interação dos
mesmos com os outros ambientes além de evitar a lixiviação desses contaminantes
(MOURA, 2006; NETO et. al., 2000).

A Estabilização tem como princípio a redução da toxicidade, mobilidade e


solubilidade do contaminante. Nesta técnica são adicionados aditivos aos compostos
contaminados tornando-os parcialmente seguros. Por exemplo, solos poluídos com metais
podem ser misturados com cal. A cal reage com os metais formando hidróxidos de metais.
Os hidróxidos de metais não se movem com facilidade através do solo (EPA, 2001b).

A figura 2 ilustra um processo de solidificação e estabilização onde é inserido


produtos químicos em corrente com água. Após a inserção os mesmos são misturados com
o solo contaminados através de maquinário especializado. Após a mistura ocorre a
solidificação e estabilização da área degradada.

Figura 2 – Esquema de um processo solidificação/ Estabilização (Adaptado de


EPA, 2001b)

Nos processos de solidificação e estabilização algumas vezes é necessário que o


solo seja removido. Às vezes é melhor escavar o solo e colocá-lo em grandes misturadores

10
na superfície, para ter certeza que todo o solo poluído será misturado com o material de
tratamento, tais como cimento e cal. A mistura deve então retornar ao local escavado ou
ser disposto em aterro adequado (EPA, 2001b).

Os principais mecanismos físicos e químicos que controlam a eficiência dos


reagentes de estabilização/ solidificação são (NETO et. al., 2000):

• macroencapsulamento - é o mecanismo pelo qual constituintes de resíduos


perigosos são fisicamente presos em uma grande matriz estrutural, onde os
constituintes são presos em poros descontínuos com o material estabilizador.
• microencapsulamento - é o mecanismo pelo qual constituintes de resíduos
perigosos são fisicamente presos na estrutura cristalina de uma matriz solidificada
em níveis microscópicos.
• absorção - os contaminantes contidos em meio líquido são absorvidos por materiais
sólidos, tais como, solos, minerais dolomíticos, poeiras, etc.
• adsorção - os contaminantes são eletroquimicamente ligados aos agentes
estabilizadores em uma matriz sólida.
• precipitação - os contaminantes precipitam-se dos rejeitos como resultado da
transformação dos compostos que contém os agentes contaminantes em uma fase
(forma) mais estável, tornando-a insolúvel ao meio líquido original.
• desintoxicação - transformação química de um constituinte tóxico em uma forma
menos tóxica ou atóxica na matriz sólida, pela ação dos agentes estabilizadores.

Segue alguns tipos de agentes ligantes que podem ser utilizados nos processos de
estabilização/solidificação de acordo com as características dos contaminantes presentes no
solo (MOURA, 2006):
• cimento: utilizado para todos os metais pesados. Na presença de compostos
orgânicos sua resistência mecânica pode ser alterada no processo de hidratação
do cimento;
• pozolana: efetivo em Cádmio, Cromo e Chumbo;
• material termoplástico (asfalto, betume, polietileno, polipropileno, etc):
empregado para Arsênio, Cromo e Cobre. A presença de compostos orgânicos
requer drenagem e tratamento dos vapores produzidos durante o processo;

11
• polímeros orgânicos: utilizados para Arsênio.

A solidificação e a estabilização fornecem um caminho relativamente rápido e de


baixo custo para a proteção contra os contaminantes, especialmente metais (MILANI,
2008).

2.2.4. Vitrificação

A Vitrificação consiste no aquecimento a elevadas temperaturas de uma área


contaminada onde ocorrerá a formação de uma massa vitrificada que reduzirá a mobilidade
de contaminantes (MILANI, 2008). Ela é obtida mediante a passagem de uma corrente
elétrica, através de uma malha de eletrodos instalados em determinada profundidade e
arranjo, no solo contaminado. A corrente elétrica aplicada aquece o solo a temperaturas de
1600°C a 2000°C, o que é suficiente para fundir a grande maioria dos minerais presentes, e
obtém-se como produto final um bloco sólido quimicamente inerte (FREEMAN e
HARRIS, 1995; MULLIGAN et. al., 2001).

O processo de vitrificação do solo contaminado pode ser realizado ex situ ou in situ.


As etapas do processo de vitrificação ex situ incluem a escavação, pré-tratamento,
homogeneização, aquecimento para a fusão/vitrificação e coleta dos gases extraídos do
solo para tratamento. O processo in situ envolve a aplicação de corrente elétrica no solo
com a utilização de rede de eletrodos posicionados verticalmente na área contaminada para
a produção do aquecimento do solo e vitrificação do material contaminado após o
resfriamento (OLIVEIRA, 2006).

A figura 3 ilustra um processo de vitrificação in situ onde são inseridos dois


eletrodos que permitem a passagem de corrente elétrica onde gera o aquecimento do solo.
Simultaneamente há a mistura do solo contaminado com grafite e fritas de vidro para o
início do processo de vitrificação. Com o aquecimento ocorre a fusão do solo contaminado
com o material vítreo. Após a fusão ocorre o resfriamento onde é formado o monólito
vitrificado.

12
Figura 3 – Diagrama básico de um processo de vitrificação in situ para remediação de
solos contaminados. (MULLIGAN et. al., 2001)

Esse método tem um custo elevado. Sua aplicação ocorre em áreas contaminadas
com múltiplos poluentes onde não há muitas alternativas de tratamento disponíveis (NETO
et. al., 2000).

2.2.5. Extração de Vapores do Solo

Também conhecida como SVE (Soil Vapor Extration), essa técnica tem como
objetivo a extração de vapores com compostos orgânicos voláteis (VOC’s) e compostos
orgânicos semivoláteis (SVOC’s) da zona não saturada do solo (NETO et. al., 2000).

Esse método se baseia na volatilidade dos contaminantes presentes na área


contaminada. Ocorre a aplicação do vácuo na área que, com a pressão reduzida, gera um
fluxo dos contaminantes mais voláteis para a superfície onde são drenados e
posteriormente tratados (principalmente por adsorção em carvão ativado, oxidação térmica
e oxidação catalítica) (USEPA, 1993).

A figura 4 demonstra o esquema de funcionamento de um SVE. Ele é constituído


por um poço de extração de vapores, uma bomba a vácuo e uma unidade de tratamento de
vapores. Os vapores de hidrocarbonetos de petróleo são removidos no poço de extração,
através da pressão reduzida inserida pela bomba e são conduzidos para um sistema de
tratamento de vapores. Quando os vapores são retirados, ocorre um fluxo de ar através dos
poros do solo o que auxilia na degradação de contaminantes ainda presentes.

13
Figura 4 – Sistema SVE (adaptado de USEPA, 1993)

No SVE, um vácuo é aplicado nos poços de extração, os quais criam um gradiente


de pressão negativa que causa um movimento dos vapores em direção a esses poços. Com
isso, os compostos contaminados voláteis em fase vapor são removidos. E depois de sua
remoção, esses vapores são tratados em unidades específicas para suas características de
contaminação (SANCHES, 2009).

Adicionalmente à volatilização, o sistema de SVE também remove alguns


hidrocarbonetos por biodegradação. A volatilização ocorre quando o fluxo de ar entra em
contato com hidrocarbonetos residuais, ou com películas de água contendo
hidrocarbonetos dissolvidos. A biodegradação ocorre porque o fluxo de ar induzido
fornece oxigênio para a biodegradação aeróbica (CETESB, 2001).

Hidrocarbonetos com alta fração volátil serão removidos mais rapidamente usando
o SVE, enquanto que os compostos com menor fração volátil serão removidos de forma
menos eficiente. As faixas de volatilização variam de mais de 90% para a gasolina a menos
de 10% para o óleo cru. O SVE é uma tecnologia de remediação interessante para gasolina
e combustível de aviação, dadas suas altas taxas de volatilização. Também pode ser usada
para remediar compostos com faixas de hidrocarbonetos menos voláteis, auxiliando a
biodegradação (CETESB, 2001).

14
O SVE geralmente é limitado pela permeabilidade dos solos e pelo nível de
saturação por água, pois afeta a taxa de movimento do ar e vapor pelo solo. Ou seja, em
solos com maior permeabilidade, mais rápido será o fluxo de ar/vapor e assim uma maior
quantidade de vapor será extraída do solo contaminado (FAVERA, 2008).

O SVE tem suas vantagens e desvantagens que seguem na Tabela 1 (MILANI,


2008; NETO et. al., 2000):

Tabela 1 – Vantagens e Desvantagens do SVE


SISTEMA DE EXTRAÇÃO DE VAPORES
VANTAGENS DESVANTAGENS
• Utiliza equipamentos disponíveis no • Reduções de concentração maiores que
mercado e de fácil instalação aproximadamente 90% são difíceis de ser atingidos
• Pouca interrupção nas operações da • Eficácia reduzida quando aplicado em áreas com
área solos de baixa permeabilidade ou estratificados;
• O tempo de descontaminação • Pode requerer um tratamento custoso para o
(cleanup) é geralmente curto tratamento dos vapores
• Trata somente a zona não saturada; outros métodos
• Custo inferior das outras tecnologias
podem também ser necessários para tratar zonas
de remediação
saturadas do solo e a água subterrânea.
• Pode ser aplicado em áreas com
produto livre
• Pode ser combinado com outras
tecnologias
• O impacto ambiental baixo
• Grandes volumes de solos podem ser
tratados
• Os materiais tóxicos são removidos do
solo, destruídos e podem ser também
seqüestrados ou recolocados
• Se o contaminante é biodegradável
pode acelerar a atividade bacteriana

2.2.6. Tratamento Térmico

A técnica de remediação de tratamento térmico consiste no aquecimento do solo


com o objetivo de volatizar ou destruir os contaminantes orgânicos presentes no mesmo.
Ela pode ser realizada in situ ou ex situ (FAVERA, 2008).

Os processos térmicos possibilitam a eliminação rápida de muitos tipos de


compostos químicos do solo, podendo representar uma boa economia nos custos de
remediação, para muitos casos. Dependendo da extensão da área a ser tratada, das

15
condições do subsolo e do tipo e concentrações de compostos químicos presentes, os
custos podem, entretanto, se elevar consideravelmente (CETESB, 2001).

2.2.6.1. Tratamento Térmico in situ

Os compostos voláteis e semi voláteis se transformam em gases, que se movem


mais facilmente através do solo. Os poços de coleta capturam os compostos químicos
perigosos e gases e estes são bombeados para a superfície, onde são tratados. Os métodos
térmicos podem ser usados para compostos em fase líquida não aquosa (NAPL – Noun
Aquous Phase Liquid), que não se dissolvem ou não se movem facilmente em água
subterrânea (CETESB, 2001).

a) Injeção de Vapor

São instalados poços de injeção onde o vapor será injetado com o intuito de
aquecer a área e assim mobilizar-la, evaporando ou destruindo os contaminantes presentes
que posteriormente serão coletados em poços de extração. No lugar de vapor também pode
ser injetado ar quente ou água quente. A água quente mobiliza também compostos em fase
líquida não aquosa como os NAPLs, que são retirados pelos poços de extração (CETESB,
2001).

Na figura 5 é inserido vapor que aquece a zona contaminada com NAPL e


volatiliza os contaminantes. Os vapores formados são removidos juntamente com água e o
vapor inserido.

Água, Vapor, NAPL


Vapor
Vapor

Zona
contaminada
com NAPL

Figura 5 – Sistema de injeção de vapor (adaptado EPA, 1997)


16
b) Aquecimento por Resistência Elétrica

Neste método o solo é aquecido pela passagem de corrente elétrica, a partir de


eletrodos que são introduzidos na área de tratamento. O calor da corrente elétrica converte
a água contida no solo em vapor, o qual elimina os compostos químicos presentes, que são
coletados por vácuo nos poços de extração. O solo deve permanecer úmido para garantir a
passagem da corrente elétrica (CETESB, 2001).

Os eletrodos são instalados em subsuperfície na área de remediação através de


técnicas usuais de perfuração. O espaçamento ideal dos eletrodos não é influenciado pelo
tipo de solo, saturação de água, ou a condutividade elétrica da subsuperfície. Eletrodos
mais próximos levam a um maior gasto na instalação, porém, permitem um maior
aquecimento e assim um menor tempo de operação (MILANI, 2008).

c) Aquecimento por Radiofrequência

Esse método utiliza a radiofrequência que é emitida por equipamentos


especializados (antenas). Essa frequência gera energia de radiofrequência que aquece o
solo que evapora os compostos químicos voláteis e aumenta o rendimento da tecnologia de
SVE (CETESB, 2001).

Contaminantes que podem ser potencialmente removidos utilizando sistemas de


radiofrequência incluem uma grande variedade de compostos orgânicos tais como
solventes halogenados e não halogenados, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAH –
Polycyclic Aromatic Hidrocarbon) encontrados na gasolina, em combustíveis de aviação e
diesel (EPA, 1995).

d) Aquecimento por Condução Térmica

Neste método o calor é fornecido por meio de poços de aço (poços térmicos) ou por
uma manta térmica que cobre a superfície do solo. A manta é usada onde a contaminação
no solo é rasa, enquanto os poços de aço são usados para as contaminações mais profundas
(CETESB, 2001).

17
2.2.6.2. Tratamento Térmico ex situ

Dessorção Térmica

Neste tratamento o solo é retirado e posteriormente tratado. É um processo que


utiliza de energia calorífica para aquecer o solo e/ou resíduo contaminado até obter
volatilização dos compostos orgânicos, água e metais de baixo ponto de sublimação. Neste
processo não ocorre a destruição de compostos orgânicos. São formados gases que serão
separados por equipamentos especiais e dispostos de forma adequada. Posteriormente,
esses gases irão sofrer tratamento especifico antes de serem lançados na atmosfera.
(CETESB, 2001; FAVERA, 2008; MILANI, 2008). Esse processo é demonstrado na
figura 5.

Dessorção Amostragem para confirmação


da remoção

Figura 6 – Diagrama simplificado da dessorção térmica (Adaptado de EPA, 2001c)

Segundo CETESB (2001) a dessorção térmica ex situ é realizada em instalações


específicas, fixas ou móveis, constituídas pelos seguintes elementos:

• instalações para armazenamento;


• instalações para preparo de solos (secagem e homogeneização de
granulometria);
• alimentação de solos no forno rotativo;
• forno rotativo para aquecimento do solo e volatilização de contaminantes;
• sistema de refrigeração e reumidificação de solos tratados;
• sistema para redisposição de solos tratados;

18
• pós-queimadores de gases;
• sistemas de resfriamento e tratamento dos gases para controle de poluição
atmosférica.

A dessorção térmica trabalha bem em solos secos e em certos tipos de


contaminantes tais como óleo combustível, alcatrão carvão, produtos que preservam
madeira, e solventes. Muitas vezes a desorsão térmica funciona onde alguns outros
métodos de remediação não funcionam, tais como em locais que possuem uma grande
quantidade de poluição no solo (EPA, 2001c).

2.2.7. Bioventilação

Esta técnica também é conhecida como bioaeração. É um processo in situ que tem
como princípio a inserção de um fluxo de ar (oxigênio) na zona não saturada visando
estimular o crescimento microbiano da região contaminada. Sendo esses microorganismos
responsáveis pela degradação dos compostos contaminados. A inserção de ar se faz
através de poços de injeção ou extração com baixa vazões e caso necessário, adiciona-se
macronutrientes ao meio. A Bioventilação é eficiente no tratamento de qualquer
contaminante degradável em meio aeróbico, particularmente é muito efetiva na remediação
de solos contaminados por hidrocarbonetos de petróleo, sendo mais recomendada para
locais onde ocorreu a liberação de compostos com peso molecular médio (diesel)
(CETESB, 2001).

A principal diferença em relação a técnica de extração de vapores, quando poços de


extração são utilizados, deve-se ao fato de minimizar a volatilização, diminuindo-se a
necessidade de tratamento de gases (CETESB, 2001).

A Bioventilação tem como vantagem a minimização da extração de vapores além


de poder ser aplicada em áreas de difícil acesso. Mas, tem como grande desvantagem a não
aplicabilidade em solos com baixa permeabilidade, pois o mesmo impede o fluxo de ar
(CETESB, 2001).

19
2.2.8. Biorremediação

A biorremediação consiste na degradação de contaminantes através de


microorganismos presentes no meio natural. Esses microorganismos podem ser bactérias
(considerado o principal elemento em uma remediação), fungos e protozoários
(SCHIANETZ, 1999).

Os contaminantes que podem ser biotransformados são os hidrocarbonetos de


petróleo, solventes clorados, aromáticos clorados, nitroaromáticos, hidrocarbonetos
poliaromáticos, metais, inorgânicos oxidados e combustíveis oxigenados (CETESB, 2001).

Os contaminantes fornecem nutrientes para esses microorganismos (como


carbono), que são fontes de energia, na biodegradação dos mesmos e converte os
contaminantes em CO2, H2O e outros produtos finais.

Alguns fatores são determinantes na biodegradação de um solo contaminado.


Dentre eles podemos citar: comportamento de dessorção, adsorção difusão e de dissolução
dos contaminantes no solo, valor de coeficiente Kf (homogeneidade do solo), teor e
disponibilidade de oxigênio no solo, teor de água do solo, suprimento de nutrientes dos
microorganismos tais como fósforo e nitrogênio, e alguns específicos para determinados
contaminantes, um agente oxidante e temperatura (SCHIANETZ, 1999).

Os microorganismos, que podem degradar substâncias nocivas, encontram-se em


muitos grupos de bactérias e fungos. Aparentemente esta característica ocorre com
especial freqüência em representantes das espécies Pseudomonas, Arthrobacter, Bacillus,
Alcaligenes, Aspergillus e Fusários. (SHIANETZ, 1999)

Na biorremediação, quanto maior a quantidade de microorganismos maior será a


eficiência da técnica, ou seja, maior a degradação dos contaminantes. A biorremediação
compreende duas técnicas: bioestimulação e bioaumentação. (CETESB, 2001)

A bioestimulação é a técnica de biorremediação onde os microorganismos naturais,


autóctones ou indígenos (microorganismos pertencentes às espécies nativas de regiões
biogeográficas), são estimulados para a degradação através de inserção de oxigênio,
nutrientes e alguns agentes oxidantes, a correção de pH do solo, controle de temperatura e

20
umidade. Para utilizar a técnica de bioestimulação, na área contaminada deve haver uma
população natural de microorganismos capaz de biodegradar os contaminantes e que a
contaminação do solo é favorável (CETESB, 2001; MARIANO, 2006).

Se após uma análise da quantidade de microorganismos indígenos (ou autóctones)


presentes na área, através da contagem das bactérias heterotróficas totais e fungos, for
detectado uma insuficiência para a biodegradação do contaminante em questão, mesmo
após a tentativa de bioestimulação, a utilização de microorganismos não indígenos
(alóctones) poderá ser considerada. Esta técnica é a de bioaumentação. Nela a
biodegradação é estimulada por produtos biotecnológicos que são aplicados na área
contaminada. Porém, alguns aspectos tem que ser considerados como o local contaminado,
o produto biotecnológico deve ser avaliado (toxidade, ecotoxidade, eficiência/ eficácia),
microorganismos a serem aplicados em diferentes tipos de contaminantes e os mesmos
devem atuar em sinergismos com as espécies indígenas do local (SPILBORGHS, 1997).

Segundo a CETESB, o fator crítico para definir se a biorremediação é a tecnologia


mais apropriada para o local contaminado é a biodegradabilidade do contaminante. A
Tabela 2 mostra um resumo dos principais contaminantes e respectiva susceptibilidade
para biorremediação.

Tabela 2 - Suscetibilidade de Contaminantes para Biorremediação (CETESB, 2001)


Classe do Frequência de Evidência de Sucesso Limitações
Contaminante Ocorrência
Hidrocarbonetos e Derivados
Gasolina e óleo Muito frequente Fácil biorremediação Formação de fase livre
combustível aeróbia e anaeróbia leve (LNAPL)
Poliaromáticos Comum Biorremediação aeróbia Forte adsorção em
(naftaleno, antraceno) sob condições específicas subsuperfície

Creosoto Pouco frequente Fácil biorremediação Forte adsorção e


aeróbia formação de fase livre
Álcool, acetona e éster Comum Fácil biorremediação
aeróbia e anaeróbia
Éter Comum
Halogenados Alifáticos
Altamente clorados (PCE Muito frequente Cometabolizado em Forma Fase Livre Densa
percloroetileno, TCE condições anaeróbias e (DNAPL)
tricloroetileno) aeróbias em casos
específicos

21
Fracamente clorados Muito frequente Biorremediação aeróbia Forma Fase Livre Densa
(cloreto de vinila – VC) em (DNAPL)
condições específicas e
cometabolizado em
condições anaeróbias
Halogenados Aromáticos
Altamente clorados Comum Biorremediação aeróbia Adsorve fortemente em
(hexaclorobenzeno, sob subsuperfície. Forma fase
pentaclorofenol) condições muito liquida (NAPL ) e fase
específicas. sólida
Cometabolizado em (NASP)
condições anaeróbias.
Fracamente clorados Comum Fácil biorremediação Forma fase líquida
(clorobenzeno e aeróbia NAPL.
diclorobenzeno)

Bifenilas Policloradas
Altamente clorados Pouco freqüente Cometabolizado em Adsorve fortemente em
condições anaeróbias subsuperfície.
Fracamente clorados Pouco frequente Biorremediação aeróbia Adsorve fortemente em
sob subsuperfície.x’
condições muito
específicas
Nitroaromáticos Comum Biorremediação
aeróbia e anaeróbia
(produção de ácido
orgânico)
Metais
Cr, Cu, Ni, Pb, Hg, Comum Processos Disponibilidade
Cd, Zn, etc microbianos afetam altamente
sua solubilidade e variável, controlada
reatividade pelas
condições químicas

Segundo CETESB (2001) cita como vantagens e desvantagens da biorremediação:

Vantagens:

• capacidade dos microorganismos de biodegradar substâncias perigosas ao invés de


somente transferir o contaminante de um meio para outro;
• a técnica utiliza equipamentos que são facilmente encontrados e de fácil aplicação;
• eficiente tanto em meios homogêneos como de textura arenosa;
• pode ser utilizada em combinação com outros métodos de remediação (exemplo
SVE);
• baixo custo comparativamente a outras técnicas de remediação, se os compostos
forem facilmente degradáveis;

22
• a tecnologia pode ser considerada como destrutiva dos contaminantes;
• permite atingir concentrações alvo ambientalmente aceitáveis para o solo.

Desvantagens:

• dificuldade de extrapolação da escala de estudos piloto para a escala real em


campo;
• é limitada para os compostos que são biodegradáveis. Não são todos os compostos
que são suscetíveis a uma rápida e completa degradação;
• existem alguns compostos cujo produto da degradação é mais persistente ou tóxicos
que o composto inicial;
• possibilidade de colmatação do meio poroso devido ao crescimento de biomassa;
• geralmente leva mais tempo que outras opções, como escavação e remoção de solos
ou incineração;
• maior dificuldade de aclimatação dos microorganismos para os compartimentos
água e ar;
• biodisponibilidade na zona saturada;
• limitações em função de heterogeneidades em subsuperfície;
• inibição por compostos competidores (a exemplo do metil-terc-butil-eter na
presença de BTEX – benzeno tolueno etilbenzeno xileno).

Segundo CETESB (2001) a maior limitação da tecnologia de biorremediação é a


necessidade de maior entendimento dos processos e seus controles. Os fatores críticos para
a aplicação com sucesso da biorremediação são:

• suscetibilidade do contaminante considerado à degradação;


• presença de populações microbiológicas apropriadas e em quantidades suficientes
para promover uma taxa de degradação adequada;
• condições geoquímicas intrínsecas (pH, temperatura, potencial de oxi-redução)
para o crescimento dos microorganismos de interesse;
• biodisponibilidade do contaminante (em fase aquosa, por exemplo);
• geração de subprodutos que sejam menos tóxicos que os produtos primários (por
exemplo o tricloroeteno gera o cloreto de vinila que é mais nocivo);

23
• capacidade do meio de sustentar atividade biológica.

Antes da utilização da Biorremediação deve ser avaliado as populações


microbianas presentes no subsolo, principalmente suas necessidades de energia para uma
maximização da fonte de nutrientes; reconhecer quais os sub-produtos de degradação e
estimar a taxa de biodegradação para a elaboração do projeto para a remediação da área
contaminada. Outro ponto a ser avaliado é a degradação de alguns metais como o mercúrio
(Hg) que a assimilação do mesmo pode agravar o caso da contaminação (MARIANO,
2006; MILANI, 2008).

2.2.8.1. Biorremediação in Situ

A Biorremediação in situ ocorre na área contaminada. Com isso, evita-se


contaminação de outros compartimentos ambientais além de não ter custo com escavação e
transporte.

A técnica in situ não gera danos aos seres vivos, pois os produtos formados em uma
degradação são basicamente água e gás carbônico, quando incorporados ao ambiente. Essa
técnica é a que única que tem a capacidade de remover os contaminantes no solo e em
aqüíferos já que microorganismos crescem aderidos às superfícies, sendo assim, fácil a sua
remoção.

A biorremediação in situ pode ser realizada através de três processos:


biorremediação intrínseca (nas condições naturais do meio), bioestimulação e
bioaumentação (MARIANO, 2006).

Segundo CETESB (2001) cita alguns exemplos de aplicação de técnicas de


biorremediação:

• injeção de oxigênio para biodegradação aeróbica de compostos presentes na


gasolina (BTEX - benzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno);
• dehalogenação redutiva de etenos (PCE e TCE) em condições naturais anaeróbicas;
• injeção de doadores de elétrons (melaço e lactato, por exemplo), para aumentar a
dehalogenação redutiva de etenos ou para imobilizar cromo hexavalente;
• redução de tetracloroeteno para cloreto com a injeção de doadores de elétrons;
24
• aplicação de reagente biológico fluido para biodegradar aerobicamente metil terc-
butil éter ou reduzir tetracloroeteno.

Como exemplos de projetos de biorremediação in situ podem ser citados air


sparging in situ com injeção de nutrientes; barreiras reativas permeáveis com
bioaumentação (CETESB, 2001). A Figura 7 ilustra um projeto de Biorremediação in situ
em uma área contaminada por um tanque de combustível. Ocorre a inserção de nutrientes
e ar através de um poço de injeção. Com isso, ocorre a biodegradação aeróbica. A água
subterrânea é coletada. Esse sistema possui dois poços de monitoramente. Um de localiza
na área contaminada para verificar se a remediação está sendo eficiente e o outro poço de
monitoramento para verificar se esta ocorrendo a lixiviação dos contaminantes para outras
áreas.

Figura 7 – Sistema de Biorremediação in situ. (EGLE, 2010).

Para o projeto e implantação do plano de biorremediação in situ, o local deve ser


caracterizado do ponto de vista físico, químico e biológico. Muitas dessas características
são genéricas para todos os processos de biorremediação (USEPA, 1992 apud MARIANO,
2006). Na Tabela 3 são apresentadas as características físicas, químicas e biológicas para
um sistema de Biorremediação in situ.

25
Tabela 3 – Características para um Sistema de Biorremediação in situ (MARIANO, 2006)
CARACTERÍSTICAS PARA UM SISTEMA DE BIORREMEDIAÇÃO IN SITU
Físicas Químicas Biológicas
• Distribuição espacial da • Composição da • Presença de
contaminação, especialmente contaminação, incluindo microorganismos viáveis,
a distribuição da fase não contaminantes que não especialmente
aquosa (NAPL), a origem do sejam hidrocarbonetos, degradadores de
resíduo e a geometria da mas que podem interferir hidrocarbonetos, em
pluma; no processo; zonas contaminadas e não
contaminadas;
• Hidrogeologia, direção e • Qualidade da água • Potencial de
velocidade do fluxo da água subterrânea, biodegradação e taxas de
subterrânea, heterogeneidades especialmente o potencial degradação.
e zonas impermeáveis do redox, receptores de
sedimento; elétrons, pH e produtos
de degradação;

• Temperatura. • Propriedades de adsorção


do sedimento.

2.2.8.2. Biorremediação ex situ

Na Biorremediação ex situ o solo contaminado é escavado e retirado do local. O


seu tratamento pode ser na própria área ou transportado para outra unidade de tratamento.

Como em todos os processos de biorremediação pode sofrer interferências no


tratamento da área contaminada devido a características do contaminante e as condições do
meio contaminado (por exemplo, temperatura).

No processo ex situ, os métodos para tratamento são: Landfarming e Biorreatores.

a) Landfarming

Nessa técnica o solo contaminado é escavado e misturado com um solo não


contaminado e nutrientes ou soluções de inoculação. A mistura é realizada através de
trabalho mecânico no solo e também nesse processo de mistura é incorporado oxigênio do
ar o que maximiza a biodegradação. Esse processo é realizado periodicamente até os
poluentes serem degradados com microorganismos nativos (SILVA, 2009).

Este processo é muito simples, muito barato e principalmente adequado para


hidrocarbonetos (SHIANETZ, 1999). O Landfarming é também um processo de
disposição já que os produtos da degradação se incorporam ao solo. Em geral, esta pratica

26
é limitada ao tratamento do solo superficial com profundidade de cerca de 10 a 35
centímetros (MILANI, 2008). A Figura 8 representa um sistema Landfarming utilizando
uma área com uma borda de segurança e poços de monitoramento da água subterrânea para
acompanhamento da contaminação da mesma, pois pode haver percolação de
contaminantes.

Figura 8 – Sistema de Landfarming (adaptado de MPHEKGO e CLOETE, 2004)

b) Biorreatores

São equipamentos capazes de realizar a biodegradação de solos contaminados. São


aplicados em diferentes tipos de solos e condições, incluindo tratamentos em condições
aeróbicas e anaeróbicas. Esses equipamentos podem assumir diferentes configurações o
que viabiliza o controle dos fatores abióticos podendo assim otimizar o processo de
biodegradação. Com a utilização da técnica de Biorreatores não ocorre riscos como
lixiviação de metais, compostos orgânicos e mesmo de nutrientes. O que confere mais
segurança e eficiência para o processo (CETESB, 2001).

2.2.9. Fitorremediação

Essa técnica de remediação se baseia na aplicação de espécies vegetais para


remoção, contenção ou transformação, para formas inofensivas, de contaminantes
ambientais. É utilizada para a remoção de contaminantes em solos e águas subterrâneas
(MOURA, 2008).

27
Segundo CUNNINGHAM et. al. (1996) a fitorremediação pode ser usada em solos
contaminados com substâncias orgânicas ou inorgânicas, como metais pesados, elementos
contaminantes, hidrocarbonetos de petróleo, agrotóxicos, explosivos, solventes clorados e
subprodutos tóxicos da indústria.

Pode ocorrer a extração e assimilação ou extração e decomposição química dos


contaminantes. Compostos inorgânicos são absorvidos, pois são nutrientes vitais para as
plantas. Os metais pesados podem ser absorvidos, assimilados e bioacumulados nos tecidos
das plantas. Já compostos orgânicos podem ser absorvidos e metabolizados pelas plantas,
inclusive árvores (MILANI, 2008; NETO et. al., 2000).

Diversos fatores devem ser analisados para a aplicação da fitoremediação, são eles:
características físico-químicas do solo e do contaminante, biodisponibilidade do
contaminante, clima da região. Tais fatores definem a escolha da espécie vegetal, de
acordo com seu mecanismo, que será capaz de promover a remedição da área contaminada.

A fitorremediação pode ser usada em combinação com outras técnicas de


remediação. Porém a fitoremediacao é uma técnica utilizada em longo prazo e por isso é
limitada. Ela só é eficiente em áreas com baixas concentrações de contaminantes,
principalmente metais pesados. Outra limitação da técnica é a profundidade em que as
raízes conseguem atingir a área contaminada, ou seja, só consegue aplicá-la em áreas
contaminadas de pouca profundidade. As principais técnicas de fitorremediação
encontram-se nos próximos itens (CETESB, 2001).

2.2.9.1. Fitoextração e Fitovolatilização

Envolve a absorção dos contaminantes pelas raízes, os quais são nelas armazenados
ou são transportados e acumulados nas partes aéreas. É aplicada principalmente para
metais (Cd, Ni, Cu, Zn, Pb) podendo ser usada também para outros compostos
inorgânicos (Se) e compostos orgânicos, conforme mostra o esquema da fitoextração na
Figura 9 (McGRATH, 1998).

Esta técnica utiliza plantas chamadas hiperacumuladoras (figura 9), que tem a
capacidade de absorver grandes quantidades de metais específicos. Estas plantas são
selecionadas de acordo com o contaminante a ser retirado do solo contaminado. Após seu
28
crescimento no local contaminado elas são colhidas e adequadamente dispostas. E esse
ciclo se repete até que se alcance nível de descontaminação desejado. Na Tabela 4
(BROOKS, 1998) encontram-se exemplos de plantas hiperacumuladoras e suas aplicações.

Figura 9 – Esquema de Fitoextração (NASCIMENTO e XING, 2006).

Tabela 4 – Exemplos de plantas hiperacumuladoras de metais


% de metal em peso
Metal Espécies de plantas Localização Nativa
seco de folhas
Thlaspi calaminare <3 Alemanha
Zn
Viola species 1 Europa
Aeolanthus
Cu 1 Zaire
biformifolius
Phyllanthus serpentins 3,8 Nova Caledônia
Alyssum bertoloni e 50
Sul da Europa e
outras espécies de >3
Ni Turquia
Alissum
Sebertia acuminata 25 (em látex) Nova Caledônia
Stackhosia tryonii 4,1 Austrália
Pb Brassuca juncea <3,5 India
Haumaniastrum
Co 1 Zaire
robertii

2.2.9.2. Fitoestabilização

Emprega plantas capazes de tolerar elevados teores de metais no solo e que são
capazes de imobilizá-los por sorção, precipitação, complexação ou redução do seu estado
de oxidação. Tais plantas limitam a mobilidade e a biodisponibilidade dos metais no solo,
29
mas devem exibir baixos níveis de acumulação nas raízes, para eliminar a possibilidade da
massa vegetal vir a tornar-se resíduo perigoso. Esta abordagem da fitoremediação utiliza
espécies de plantas arbóreas de ciclo longo ao invés de culturas de ciclo curto (MOURA,
2006). A fitoestabilização é aplicável em locais contaminados com metais pesados, como o
chumbo, o cádmio, o zinco e o arsênio e em compostos orgânicos (MILANI, 2008; NETO
et. al. 2000).

2.2.9.3. Fitodegradação

É a degradação de contaminantes orgânicos por meio da atividade microbiana mais


intensa que ocorre dentro das células vegetais na região ao redor das raízes onde o
ambiente é propício para a proliferação de populações microbianas naturais ou inoculadas.
Em alguns casos, os poluentes são degradados em moléculas mais simples que são usadas
para o crescimento da planta. Certos microorganismos podem digerir substâncias
orgânicas como combustíveis e solventes (CETESB, 2001). A Figura 10 demonstra como
os contaminantes se assimilam próximos à raiz da planta.

Figura 10 – Esquema da Fitodegradação (DINARDI et al., 2003).

Diversos projetos examinaram a interação entre plantas e contaminantes como


trinitrotolueno (TNT), hidrocarbonetos de petróleo totais (TPH), pentaclorofenol (PCP) e
hidrocarbonetos aromáticos polinucleares (PAH) (CETESB,2001).

30
2.2.9.4. Rizofiltração

É a sorção ou precipitação de contaminantes que estão em solução ao redor das


raízes, devido a processos bióticos ou abióticos. A retirada, translocação e concentração na
planta deverão ocorrer, em função das características do contaminante. Os exudatos de
raízes de algumas plantas devem causar precipitação de alguns metais. A rizofiltração
resulta primeiramente na contenção do contaminante, onde este será imobilizado ou
acumulado dentro da planta. Assim, os contaminantes serão removidos pela retirada
integral da planta (CETESB, 2001). Esta técnica é aplicável em áreas contaminadas com
compostos orgânicos (e.g. PAHs, hidrocarbonetos do petróleo, TNT, pesticidas).

2.2.10. Oxidação Química

O tratamento químico é realizado nos solos com contaminantes orgânicos ou com


mistura de contaminantes altamente tóxicos. Tem como objetivo a decomposição, redução
ou eliminação da toxicidade dos contaminantes presentes e pode ser realizado pela mistura
superficial ou injeção profunda de produtos químicos (MILANI, 2008; RODRIGUEZ,
2006).

Utilizam-se sistemas empregando as reações de Fenton e outros oxidantes, tais


como o peróxido de hidrogênio (H2O2), permanganato (MnO4-1), ozônio (O3) e persulfatos
(S2O8-2). A principal característica do uso de peróxido de hidrogênio e de ozônio é que,
estes compostos possuem tempos de decaimento relativamente curtos quando comparados
aos dos persulfatos (RODRIGUEZ, 2006). O peróxido de hidrogênio era o agente oxidante
mais usualmente empregado, por ser facilmente disponível em solução aquosa, pelo seu
poder de reação e por reagir de várias maneiras, podendo atingir uma gama variada de
substâncias orgânicas. Recentemente este reagente tem sido substituído por (ou empregado
em conjunto com) outros oxidantes. Outros agentes oxidantes disponíveis são: peróxido de
cálcio, permanganato de sódio e persulfato de sódio (CETESB, 2001).

Os principais contaminantes afetados pelo tratamento pelo processo de oxidação


são: Benzeno, tolueno etilbenzeno e xilenos (BTEX), Metil tercbutil éter (MTBE),
Hidrocarbonetos totais de petróleo (TPH), Solventes clorados (etenos e etanos),
Hidrocarbonetos poliaromáticos (PAHs), Bifenilas policloradas (PCBs), Benzenos

31
clorados (CBs), Fenóis; Pesticidas orgânicos (inseticidas e herbicidas), e compostos de
munições (RDX, TNT, HMX, etc.) (MILANI, 2008).

O processo de oxidação química tem como vantagem a degradação do


contaminante altamente tóxico além de ser um processo mais rápido. Porém, tem a
desvantagem da inserção de outros produtos químicos no solo o que pode ocasionar outra
contaminação do solo com a dispersão do mesmo, por exemplo.

2.2.11. Extração por Solventes

A técnica de extração por solventes envolve a utilização de um solvente capaz de


promover a dissolução de contaminantes pouco solúveis em água, presentes numa área
contaminada. Esta técnica é mais usualmente empregada em instalações específicas ex situ,
envolvendo a escavação e remoção do solo a ser tratado. Pode ser realizada também in
situ, o que tem sido evitado, pelos problemas decorrentes da propagação indesejada do
solvente para outras partes da área em remediação, não objeto de tratamento (CETESB,
2001).

A técnica extração por solventes é um método de remediação que usa solventes


para extrair ou remover compostos químicos perigosos de materiais contaminados.
Compostos como PCBs, óleos e graxas não se dissolvem na água. Para isto, são usados
solventes químicos para dissolvê-los e removê-los dos materiais contaminados (FAVERA,
2008).

Segundo CETESB (2001) o processo de extração por solventes em instalações ex


situ estão envolvidas as seguintes etapas básicas: mistura do solo com o solvente, extração
do contaminante, secagem do solo e evaporação de solventes remanescentes, destilação
para recuperação de solventes e disposição final do resíduo da recuperação do solvente.

Este processo tem sido empregado, sobretudo para o tratamento de lodos ou


sedimentos contaminados por óleos minerais, solventes halogenados, hidrocarbonetos
policíclicos aromáticos e pesticidas. É particularmente interessante para o caso de
materiais arenosos contaminados por substâncias recalcitrantes e pouco solúveis em água
(CETESB, 2001).

32
O trabalho de remediação deve ter uma investigação completa e um
acompanhamento para verificar a eficiência das medidas adotadas e os possíveis impactos
gerados pela remediação da área contaminada. O encerramento da atividade se dará
quando acontecer o cumprimento de padrões preestabelecidos pelo projeto de remediação.
Estes padrões dependem das características físico-químicas dos contaminantes, das
condições hidrogeológicas do local e, principalmente, da legislação ambiental competente
para a área atingida.

A seguir o estudo de caso da REFAP onde uma investigação já foi efetuada e


avaliada (SANBERG, 2003). Com base nessas informações foram avaliadas técnicas de
remediação pertinentes para remediação da área contaminada.

33
CAPITULO III

CASO REFAP

3.1. Sobre a REFAP

A Refinaria Alberto Pasqualini – REFAP está localizada no Município de Canoas,


RS. Foi a primeira unidade do sistema Petrobrás a operar na Região Sul. Hoje tem como
produtos: aguarrás, asfalto, biodiesel, coque, enxofre, gasolina, GLP, hexano, nara
petroquímica (NPQ), óleo combustível, óleo diesel, petrosolve, querosene de aviação
(QAV1), querosene de iluminação (QIL) e solvente de borracha.

Nas décadas de 70 e 80 foram depositados resíduos de refino de petróleo (borra)


intercalados com camadas de aterros. Essa área foi designada de Borreiro onde a
remediação dos contaminantes encontrados nessa borra foi a atenuação natural e diluição
dos contaminantes.

O termo Borreiro corresponde ao local onde são dispostos resíduos do refino de


petróleo. Nele estão presentes inúmeros componentes orgânicos (TPH, benzeno, tolueno,
xilenos e etilbenzeno) e inorgânicos tóxicos (cromo, cádmio, mercúrio, chumbo, bário,
arsênio, cloro, selênio e prata) que são muito solúveis em água e possuem baixo nível de
permissibilidade segundo as normas ambientais nacionais e internacionais. Os poluentes
orgânicos e os metais pesados associados possuem a capacidade de migrar dos sedimentos
para a água e vice-versa, de acordo com uma série de variáveis físicas e químicas
(SANBERG, 2003).

O projeto “Avaliação da contaminação por hidrocarbonetos e metais pesados dos


solos e águas subterrâneas na área do Borreiro, Refinaria Alberto Pasqualini – REPAP,
Canoas, RS”, foi realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul acordado com
a Refinaria Alberto Pasqualini com o objetivo de avaliar os impactos ambientais gerados
pela REFAP no solo, subsolo e águas subterrâneas da área atuante da refinaria. Esse
trabalho de coleta dos dados foi desenvolvido entre agosto e novembro de 2002.

34
Posteriormente, foi feito um estudo baseado nos dados obtidos por SANBERG
(2003) no qual será baseado esse estudo de caso.

3.2. Geologia do Borreiro

O mapa topográfico (figura 11) serviu para orientar a locação de sondagens,


determinar localização dos poços de monitoramento e o nível estático das águas
subterrâneas.

Figura 11 – Mapa topográfico da área do Borreiro (SANBERG, 2003)

O reconhecimento dos materiais que o constituem o Borreiro e sua base foram


feitos através de poços de monitoramento localizados na zona mais impactada por
contaminação na área da Refinaria.

35
Em vários locais verifica-se uma camada de regularização, constituída por um
aterro argilo-siltico-arenoso, pouco permeável, que favorece o confinamento dos resíduos e
isola parcialmente da ação de águas superficiais. (SANBERG,2003)

Foi instalados po poços de monitoramento (PM), sondagens de reconhecimento


com amostragem (PA), sondagens de reconhecimento (ST) na área do Borreiro. Suas
localizações se encontram no Mapa de Monitoramento (figura 12).

Figura 12 – Mapa de Monitoramento (SANBERG,2003)


36
3.3. Hidrogeologia do Borreiro

A superfície freática encontra-se a aproximadamente 1m de profundidade e a


descarga no rio mais próximo é extremamente baixa. Em área de até 500 m de distância da
Refinaria não há poços de abastecimento doméstico cadastrados em órgão públicos.

3.4. Contaminantes da Borra

Em grande parte das amostras analisadas o conteúdo de metais situa-se acima do


background da área o que indica que o solo está contaminado. As Tabelas 5 e 6 mostram a
quantidade de contaminante encontrado nas amostras do Borreiro e os valores de limite de
intervenção definidos pelo CETESB (2001) e pela Norma Holandesa.

Tabela 5 – Valores de referência para metais em sedimentos de áreas industriais propostos


pela CETESB 2001.

Tabela 6 – Valores de referencia para TPH e metais em sedimentos de áreas industriais


propostos pela Norma Holandesa.

Nota-se que os valores da concentração dos contaminantes encontrados no Borreiro


estão abaixo dos valores de referência exigidos pela CETESB (2001) onde a área não

37
precisaria ser interditada. Já nos padrões da Norma Holandesa as concentrações de TPH,
chumbo e mercúrio estão acima dos valores de referência para intervenção.

Alguns contaminantes encontrados nas amostras têm algumas particularidades


importantes para o estudo de um projeto de remediação.

• O Cromo estava presente em amostras realizadas fora dos limites do Borreiro.


• O Chumbo também estava presente fora do Borreiro. E os pontos onde ele
apresentou maior concentração foram em locais de forte contaminação de
hidrocarbonetos e mercúrio.
• O Mercúrio encontrou-se fora dos limites do Borreiro e seus pontos de maiores
concentrações foram próximos aos de hidrocarbonetos e chumbo.
• O Bário teve dois pontos de altos valores de concentração. Um ponto foi quando
houve proximidade com contaminação de mercúrio. E o outro ponto foi em um
ponto distante do Borreiro que pode ser indício de origem natural do bário ou a alta
mobilidade do mesmo.
• Os TPH (Hidrocarbonetos Totais de Petróleo) tiveram forte contaminação em locais
rasos, não alcançando mais de dois metros de profundidade.

As reduzidas concentrações nos extratos lixiviados têm como significado a


mobilidade geoquímica baixa dos contaminantes, que tendem a permanecer adsorvidos na
fração mineral e orgânica do solo. Além disso, de uma maneira geral a baixa condutividade
hidráulica o aquífero determina que o risco de contaminação dos sedimentos e das águas
subterrâneas nas áreas externas ao Borreiro é muito reduzido, restringindo-se às zonas
imediatamente adjacentes aos limites do Borreiro (SANBERG, 2003).

3.5. Recomendações de SANBERG

Os levantamentos do projeto indicam contaminação mais representativa de TPH,


chumbo e mercúrio. SANBERG (2003) recomendou as técnicas de remediação in situ:
bombeamento de fase livre, ventilação, biorremediação. Também recomendou estudos de
fitorremediação com espécies vegetais adaptadas às condições do meio e com capacidade
de remoção seletiva de metais por absorção radicular.

38
3.6. Propostas para o caso REFAP

Visando a diminuição de custos e que não ocorra a contaminação de outros


ambientes não é recomendável a escavação e remoção da borra.

Os metais que estão em quantidades representativas são o chumbo e mercúrio. Para


a remediação dos mesmos as técnicas de solidificação e estabilização são aplicáveis. As
mesmas não irão remover o contaminante já a área contaminada segundo a CETESB
(2001) não necessita de intervenção. A solidificação irá apenas imobilizá-los e a
estabilização irá diminuir sua toxidade. Ressaltando que esses processos deveriam ser
realizados in situ para evitar custos com escavação, poder-se usar como agente ligante o
cimento que tem um custo baixo e será eficiente na remediação, imobilizando e
diminuindo a toxidade dos metais pesados presentes.

Já para a remediação dos TPH, compostos orgânicos, pode-se utilizar o tratamento


térmico. Dentre as técnicas de tratamento térmico a Injeção de Vapor se adequa para esse
tipo de contaminante. Pode-se injetar ar quente, através de poços de inserção, que irá
volatilizar os compostos orgânicos voláteis. Essa técnica tem como vantagem, neste caso,
o tratamento in situ. Em conjunto com a Injeção de Vapor pode-se utilizar a técnica de
Extração de Vapores do Solo (SVE), drenando os vapores oriundos do aquecimento da
massa contaminada. Esses vapores são coletados e posteriormente tratados (uma
possibilidade é o tratamento por carvão ativado).

Outra técnica que pode ser aplicada na região do Borreiro é a Bioventilação que irá
estimular a biodegradação natural dos hidrocarbonetos presentes.

Principais técnicas para a remediação desta área são as de Biorremediação in situ.


Pode-se aplicar air sparging in situ com injeção de nutrientes.

E a mais completa técnica de remediação que pode ser aplicada na área do Borreiro
é a Fitorremediação pois a mesma pode retirar no solo tanto os Hidrocarbonetos como os
metais pesados. Essa extração é realizada através de espécies vegetais especialmente
direcionadas para cada um dos contaminantes. Pode-se empregar a técnica de
Fitoestabilização que emprega plantas capazes de tolerar elevados teores de metais no solo
e que são capazes de imobilizá-los por sorção, precipitação, complexação ou redução do
39
seu estado de oxidação. Que neste caso será bem eficiente na remoção dos metais chumbo
e mercúrio. Ressaltando que a remoção do mercúrio é de extrema importância já que o
mesmo é altamente perigoso para o ambiente. Outra técnica de Fitorremediação que pode
ser empregada é a Rizofiltração, pois com a mesma consegue-se a obtenção de valores
satisfatórios na descontaminação de áreas com TPH.

Vale enfatizar que essa analise é apenas teórica. Para verificar a viabilidade dessas
técnicas faz-se necessário um estudo em escala piloto. Além de uma analise economia e
verificações das leis ambientais vigentes na área contaminada.

40
CAPITULO IV

CONCLUSÃO

A contaminação do solo hoje está tendo um olhar mais cauteloso. A eliminação de


passivos ambientais deve ser realizada de modo que o mesmo não prejudique o
ecossistema e também a saúde humana.

Diversas são as técnicas para a remediação do solo. Essas são influenciadas pelas
características dos contaminantes e da área degradada. Por isso, faz-se necessária uma boa
investigação para remediação avaliando todos os pontos importantes para a aplicação da
mesma. Essas técnicas são dimensionadas de acordo com o tipo de tratamento que pode ser
físico, químico ou biológico.

Os fatores principais para a escolha da técnica certa são a disponibilidade do local,


a segurança do ambiente e das pessoas envolvidas no processo, a quantidade da massa e o
volume da área contaminada, os equipamentos e matérias-primas para a remediação e com
um foco principal das empresas a relação custo/beneficio.

No caso REFAP constatou-se a contaminação de metais e hidrocarbonetos de


petróleo. Diante de valores estabelecidos pela CETESB (2001) a área não precisa de
intervenção mesmo sendo diagnosticada como contaminada. Com isso, a REFAP remedia
a área de seu Borreiro apenas por Atenuação Natural. Ressaltando que a contaminação de
metais, como o mercúrio, é extremamente prejudicial para o ambiente e para a saúde
humana, faz-se necessário a utilização de técnicas para a degradação destes, pois, a
Atenuação Natural ira apenas degradar os hidrocarbonetos.

Muito se fala se responsabilidade ambiental, mas as empresas apenas se importam


com o Meio Ambiente quando se mexe com o orçamento das mesmas. Hoje, no Brasil, não
há uma legislação ampla e aplicável para contaminação de solos como no caso da
contaminação de águas. Então é preciso uma Legislação mais rigorosa que visa estabelecer
critérios mais minuciosos para concentração dos poluentes presentes no solo.

41
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BROOKS, R. R. Phytoremediation by volatilisation. 1998. 289 f. In Brooks, R.R [Ed],


Plants that Hyperaccumulate Heavy Metals, CAB International, Wallingford.

CAMPOS, A. P. S. Avaliação do potencial de poluição no solo e nas águas


subterrâneas decorrente da atividade cemiterial. 2007. 141 f. Dissertação (Mestrado em
Saúde Pública) – Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo.

CETESB – COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL.


Manual de gerenciamento de áreas contaminadas. 2ª.ed. São Paulo, 2001.

CUNNINGHAM, S. D.; ANDERSON, T. A.; SCHWAB, A. P. Phytoremediation of soils


contaminated with organic pollutants. 1996. v 56. Adv. Agron.

DINARDI, A. L.; FORMAGI, V. M.;CONEGLIAN, C. M. R.; BRITO, N. N.;


SOBRINHO, G. D.; TONSO, S.; PELEGRINI, R. Fitorremediação. 2003. 103 f. Curso
de Tecnologia em Saneamento Ambiental Laboratório de Pesquisas Ambientais – LAPA.
III Fórum de Estudos Contábeis,

EGLE, T. Área Limpa: Com técnicas corretas de remediação e rigoroso processo de


aprovação, áreas contaminadas no passado podem receber empreendimentos. Techne, n.
156, mar. 2010. Disponível em: <http://www.revistatechne.com.br/engenhari-
civil/156/artigo167705-2.asp>. Acesso em: 01 jun. 2010.

EPA (United States Environmental Protection Agency). IITRI Radio Frequency


Heating Technology. Innovative Technology Evaluation Report. Office of Research and
Development. Washington, 1995.

EPA (United States Environmental Protection Agency). Analysis of Selected


Enhancements for Soil Vapor Extraction. Office of Solid Waste and Emergency
Response, 1997.

42
EPA (United States Environmental Protection Agency). A Citizen’s Guide to Soil
excavation. Office of Solid Waste and Emergency Response, Washington (DC), 2001a.

EPA (United States Environmental Protection Agency). A Citizen’s Guide to


Solidification/Stabilization. Office of Solid Waste and Emergency Response, Washington
(DC), 2001b.

EPA (United States Environmental Protection Agency). A Citizen’s Guide to Thermal


Desorption. Office of Solid Waste and Emergency Response, 2001c.

FAVERA, C. H. D. Sítios contaminados por hidrocarbonetos: Principais técnicas de


remediação e exemplo de aplicação. 2008. 104 f. Monografia (Graduação em Engenharia
Civil) - Centro de Tecnologia, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria.

FREEMAN, H. M.; HARRIS, E. F. (Ed.). Hazardous waste remediation: innovative


treatment technologies. 2009. 342 f. Lancaster: Technomic, 1005.

MARIANO, A. P. Avaliação do potencial de biorremediação de solos e de águas


subterrâneas contaminados com óleo diesel. 2006. 162 f. Tese (Doutorado em
Geociências e Meio Ambiente) - Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade
Estadual Paulista, Rio Claro.

MCGRATH, S. P. Phytoextraction for soil remediation. 1998. 261 f. In Brooks, R. R


[Ed], Plants that Hyperaccumulate Heavy Metals, CAB International, Wallingford.

MILANI, A. S. Tecnologias para remediação de solos e águas subterrâneas. 2008. 117


f. Monografia (Graduação em Engenharia Civil) - Centro de Tecnologia, Universidade
Federal de Santa Maria, Santa Maria.

MOURA, A. N. Remediação de áreas contaminadas com metais pesados utilizando


acidithiobacillus sp. 2006. 252 f. Tese (Doutorado em Engenharia) – Escola Politécnica,
Universidade de São Paulo, São Paulo.

MPHEKGO, P. M., CLOETE, T. E. Bioremediation of petroleum hydrocarbons


through landfarming: Are simplicity and cost-effectiveness the only advantages?.
2004. 360 f. Environmental Science & Bio/Technology.
43
MULLLIGAN, C. N; YONG, R. N.; GIBBS, B. F. Remediantion technologies for metal-
contaminated soils and groundwater: an evaluation. 2001. V 60. Engennering Geology,
Amsterdam.

NASCIMENTO, C. W. A.; XING, B. P. A review on enhanced metal availability and


plant accumulation. 2206. v. 63, n. 3. Science agriculture (Piracicaba, Braz.), Piracicaba.
Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php>. Acesso em: 10 de junho de 2010.

NETO, F. A. O.; SANTOS, P. R. P; GOMES, Z. L. G. C. Considerações sobre


tecnologias para remediação de solos e aguas subterraneas contaminadas e suas
aplicações em polos industriais na regiao metropolitana de Salvador e na antiga
fábrica da COBRAC em Santo Amaro – BA. 2000. 62 f. Monografia (Curso de
Especializacao em Gerenciamento e Tecnologicas Ambientais na Industria) –
Departamento de Hidraulica e Saneamento, Universidade Federal da Bahia, Salvador.

OLIVEIRA, L. P. Tratabilidade de solos tropicais contaminados por resíduos da


indústria de revestimentos cerâmicos. 2006. 121 f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia Hidráulica) - Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária II,
Universidade de São Paulo, São Paulo.

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Decretos. Disponível


em: <http://www.presidencia.gov.br/legislacao>. Acesso em: 02 mai. 2010.

REFAP – REFINARIA ALBERTO PASQUALINI. Disponível em:


<http://www.refap.com.br>. Acesso em: 28 mai. 2010.

RODRIGUEZ, C. P .M. Influência das características dos solos na remediação de solos


contaminados através de processos oxidativos avançados com persulfato e reagente de
Fenton. 2006. 80 f. Dissertação (Pós-Graduação em Ciência Ambiental) - Instituto de
Geociências, Universidade de São Paulo, São Paulo.

SANBERG, M. Comportamento dos contaminantes nos solos e águas subterrâneas em


depósito de resíduos do refino de petróleo – Borreiro- na Refinaria Alberto
Pasqualini, RS. 2003. 160 f. Dissertação (Mestrado em Geociências) - Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

44
SANCHES, V. L. Remediação de solos da formação São Paulo contaminados por
vapores de gasolina. 2009. 122 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Hidráulica) –
Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo.

SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental – conceitos e métodos. São Paulo:


Oficina de Textos, 2008. 495 p.

SCHIANETZ, B. Passivos Ambientais. Curitiba: SENAI, 1999. 210 p.

SILVA, L. J. Processo de Landfarming para tratamento de resíduos oleosos. 2009. 106


f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos) – Escola
de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

SPILBORGHS, M. C. F. Biorremediação de aqüífero contaminado com


hidrocarboneto. 1997. 157 f. Dissertação (Mestrado em Geociências) – Instituto de
Geociências, Universidade de São Paulo, São Paulo.

USEPA - Environmental Protection Agency. Presumptive remedies site


characterization and techonology seletion for CERCLA sites with volatile organic
compounds in soils. Washington, 1993.

45