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Universidade Estadual de Maringá - Departamento de Matemática Cálculo Diferencial e Integral: um KIT de Sobrevivência c Publicação eletrônica do KIT

http://www.dma.uem.br/kit

Superfícies Parametrizadas
Prof. Doherty Andrade
Universidade Estadual de Maringá Departamento de Matemática - 87020-900 Maringá-PR, Brazil

Superfícies Parametrizadas
Sumário

1. Superfícies Parametrizadas 2. Primeira Forma Quadrática 3. Área de uma superfície 4. Superfícies de Revolução 5. Integral de um campo escalar sobre uma superfície
1. Superfícies Parametrizadas

1 3 5 6 7

Uma superfície parametrizada é uma função uma região simples

σ de classe C 1 tendo por domínio

D

(do tipo I ou do tipo II).

Uma superfície é a imagem

M

de uma superfície parametrizada

σ:

D → R3 (u, v) → ((x(u, v), y(u, v), z(u, v))

satisfazendo:

• σ

é de classe

C1

onde D = [0. O seu gráco é uma superfície parametrizada por σ: D → R3 (x. 2π]. onde D = {(x. O plano p0 é o plano que passa por p0 e tem Nσ(q0 ) tangente de uma superfície S no ponto p ∈ S é Tp (S). notemos facilmente que σ é de classe C 1 e injetora sobre D. r sin θ. O gráco de f é uma superfície M . como vimos em a). r) = 0. y. y) = x2 + y 2 . y. y) ∈ R2 . então σ(q1 ) = σ(q2 ). • Exemplos 1 a) Seja f : D → R uma função de classe C 1 . 2] × [0. y) → (x. y)) é uma parametrização para M . Doherty Andrade • σ é injetora no interior de D e se q1 pertence ao interior de D e q2 ∈ ∂D. De fato. σ uma parametrização de tangente a M em um ponto como vetor normal. O plano denotado por M e p0 = σ(q0 ) tal que Nσ(q0 ) = 0. b) Seja f : D → R uma função de classe C 1 dada por f (x. Aqui vemos que σr = (cos θ. y) → (x. r cos θ. −fy . f (x. 1) = 0.2 Prof. 0). • Nσ = σu ∧ σv Uma tal função Seja (vetor normal a M) não se anula no interior de D. x2 + y 2 ≤ 4}. r). além disso. N = (−r sin θ. 1) σθ = (−r sin θ. sin θ. σ é chamada de uma parametrização de M. Armamos que σ: D → R3 (x. θ) → (r cos θ. x2 + y 2 ). Nσ = σx ∧ σy = (−fx . Vamos resumir: . Uma parametrização alternativa para M pode ser: σ: D → R3 (r. r cos θ. Assim.

. 2. y = y 2 z = f (x.c KIT - Cálculo Diferencial e Integral 3 1 Coordenadas Retangulares: f é uma função Podemos olhar o gráco de z = f (x. então podemos escrever Ip em termos dos vetores tangentes σu e σv : os coecientes são dados por O produto interno do E = σu · σu . A primeira forma fundamental Ip é a aplicação que a cada vetor w do plano tangente Tp (S) da superfície S associa o número real w. então w1 . y). z = g(r. Basta denir z = g(r. e Basta tomar x = x. o círculo dado por no plano xz girando em torno do eixo z tem a seguinte parametrização x = r cos(θ) = (b + a cos(φ)) cos(θ) y = r sin(θ) = (b + a cos(φ)) sin(θ) z = a sin(φ). w2 no R3 . . p . Coordenadas Polares: Do mesmo modo podemos olhar uma superfí- cie dada em coordenadas cilindricas como parametrizada. Por exemplo. como uma superfície x = r cos(θ). θ) sin(φ) sin(θ). denotado por . θ). θ). Basta denir 4 TORO: O toro é exemplo de uma superfície de revolução. (x − b)2 + z 2 = a2 É a superfície obtida pela revolução de um círculo.como uma superfície parametrizada com parâmetros x e y. θ) cos(φ). y). Se w1 e w2 pertencem a Tp (S). Se σ é uma parametrização para S . onde C 1 denida sobre um domínio D. Veja a seção Ÿ4. Primeira Forma Quadrática R3 ⊃ S induz em cada plano tangente Tp (S) de uma superfície parametrizada S um produto interno. θ) sin(φ) cos(θ). θ. w2 p é igual a w1 . y = r sin(θ). w p . para mais informações sobre as superfícies de revolução. y = h(φ. θ) como uma superfície parametrizada com x = h(φ. 3 Coordenadas Esféricas: φ e Também podemos olhar uma superfície dada em coordendas esféricas parâmetros ρ = h(φ. z = h(φ.

u2 ) . Doherty Andrade G = σv · σv F = σu · σv Calcule os coecientes da primeira forma fundamental nos casos anteriores: Clique aqui para ver o caso da superfície dada em coordenadas retangulares. v) onde c (u. é parametrizado X(u. v) = p0 + uw1 + vw2 . Parametrização do Elipsóide: O elipsóide x2 y 2 z 2 + 2 + 2 =1 a2 b c tem a seguinte parametrização X(u. v) ∈ [0. v) = (v cos u. bu sin v. v sin u. v) = (au cos v. e também nos seguintes casos: a então Parametrização do Plano: Sejam w1 e w2 vetores ortonormais. e Clique aqui para ver a superfície em coordenadas esféricas. b sin u sin v. 2π] × R. v) = (cos u. au) onde d (u. c cos u). tem a seguinte parametrização X(u. Clique aqui para ver a superfície em coordenadas polares. Parametrização da Hélicóide: A hélicóide é uma escada em es- piral". X(u. sin u. v) ∈ [0. é uma parametrização do plano. e Parametrização do Parabolóide: x2 y 2 z= 2+ 2 a b O parabolóide tem a seguinte parametrização X(u. onde b por (u. O cilindro Parametrização do Cilindro: x2 +y 2 = 1. 2π] × R. v) = (a sin u cos v. v) ∈ R × R.4 Prof.

−a sin v). a sin v cos u. Calcule a área da esfera de centro Seja O e raio a > 0. a cos v). Logo. O sistema de vizinhanças coordenadas da parametrização número positivo Xu ∧ Xv du dv = A(R). σ a parametrização da esfera σ(u. segue que E = a2 sin2 v. y) = .c KIT - Cálculo Diferencial e Integral 5 3. Xu ∧ Xv = Assim podemos reescrever √ EG − F 2 . 0) σv = (a cos v cos u. a sin v cos u. 2 Xu ∧ Xv de modo que + | Xu . A(R) = Q 1 Xu ∧ Xv du dv = Q √ EG − F 2 du dv. Xv |2 = Xu 2 · Xv 2 . 2 x2 Calcule a área da superfície + y 2 com x2 + y 2 ≤ 4. A(M ) = D N = D √ EG − F 2 = D a2 sin vdudv = 4πa2 . onde 0≤u≤π e 0 ≤ θ ≤ 2π. Q chamamos de área de Note que Q = X −1 (R). F = 0. v) = (a sin v cos u. N = Portanto √ EG − F 2 = a2 sin v. G = a2 . R. Seja Área de uma superfície R ⊂ S uma região limitada de uma superfície regular contida num X : U ⊂ R2 → S . M que é o gráco da função f (x. a cos v sin u. É fácil obter que σu = (−a sin v sin u.

σφ = (− sin φ cos θ. Pode-se determinar que E = 5. θ) = ((b + a cos φ) cos θ. r sin θ. onde φ. y) = (x. (b + a cos φ) sin θ. F = 2 e G = 2. 0) . √ Logo. Uma parametrização para o toro é dada por σ(φ. Segue que √ √ 2r2 drdθ = 4π 2. 4 − 2x − y). 4. Isto dá uma superfície de revolução com eixo L. θ ∈ [0. (b + a cos φ) cos θ. 2π]. clique aqui para ver a parametrização do toro. onde temos que E = 1. Doherty Andrade Uma parametrização para M é dada por σ(r. − sin φ cos θ. G = (3 + cos φ)2 . G = r2 A(M ) = D e F = 0. E = 2. . θ) = (r cos θ.6 Prof. 2 2 3 Sejam D o disco x + y ≤ 1 e σ : D → R a parametrização dada por σ(x. cos φ) σθ = ((b + a cos φ) sin θ. Superfícies de Revolução C em torno de Uma maneira de obter uma superfície é girar um curva plana uma reta L no seu plano. a sin φ) . F = 0. onde 0≤r≤2 e É fácil obter que 0 ≤ θ ≤ 2π. y. x 3 2 Calcule a área da superfície limitada pelo plano 2x+y+z = 4 e o cilindro + y 2 = 1. A(M ) = D √ EG − F 2 dA = D 6dA = √ 6 área de √ D = π 6. r). a área de M é dada por 2π 2π A(M ) = 0 0 (3 + cos φ)2 = 12π 2 . 4 Calcule a área do toro. b=3 e Vemos que (tomando a = 1). Logo.

é girado em torno do eixo y . Teorema 3 Seja f : [a. a ≤ x ≤ b. 0 ≤ v ≤ 2π. A esfera pode ser gerada pela revolução de uma semi-circunferência. A superfície obtida pela revolução da curva C em torno da reta L é chamada superfície de revolução. z). b]. O cilindro circular reto é obtido pela revolução de uma reta de uma reta paralela C em torno L. Agora usando a expressão para a área de uma superfície parametrizada obtemos que A(S) = D [f (u)]2 sin2 v + [f (u)]2 cos2 v + [f (u)]2 [f (u)]2 dv du |f (u)| 1 + [f (u)]2 dv du D b 2π = = a |f (u)| 1 + [f (u)]2 dv du 0 b = 2π a |f (u)| 1 + [f (u)]2 du. Queremos . em torno do eixo x. b] → R uma função positiva com f contínua em [a. 5. Dena a para- x = u. temos b A = 2π a Para deduzir (*) devemos dar uma parametrização de metrização por |x| [f (x)]2 + 1dx. A reta L é chamada eixo e a curva C de geratriz. Seja σ : D → R3 ⊃ M uma parametrização Seja densidade dada por para M.c KIT - Cálculo Diferencial e Integral 7 Denição 2 (Superfície de Revolução) Seja C uma curva plana e L uma reta no mesmo plano da curva. Integral de um campo escalar sobre uma superfície M uma superfície confeccionada com material de f (x. y = f (u) cos v. S. (∗) Se o gráco da curva y = f (x). Se A é a área da superfície de revolução obtida girando-se a curva y = f (x) com a ≤ x ≤ b. y. z = f (u) sin v onde a ≤ u ≤ b. então temos b A = 2π a |f (x)| [f (x)]2 + 1dx.

Pioneira. Somando obtemos uma aproximação para a massa de M: n f (σ(qi )) N (qi ) A(Di ). é denida por f dS = M Se f (σ(q)) N (q) dA = D D √ f (σ(q)) EG − F 2 dA. Boulos. Z. . y. então o que se obtém na integral acima coincide com a área da superfície. Referências [1] [2] J. σ(Di ) é aproximadamente σ(Di ) ≈ N (qi ) A(Di ). Segue que a massa de σ(Di ) é aproximadamente σ(Di ) ≈ f (σ(qi ) N (qi ) A(Di ). Cálculo vol 2. D Logo. z) ≡ 1. i=1 que é uma soma de Riemann que converge para f (σ(q)) N (q) dA. Cálculo vol 2. f (x. indicada por f (p)dS ou M M f dS. Abud and P. onde qi é um ponto de Di .8 Prof. cujo domínio contém a superfície M . Stewart. podemos denir: Denição 4 Se f é um campo escalar contínuo.1999. Para isto dividimos o domínio D em subretângulos Di . a integral de f sobre M . Doherty Andrade achar a massa de A área de M.