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FEAD

Direito Empresarial

Belo Horizonte 2011

Aula 1 – O conceito e a história do Direito Empresarial

Objetivos • Identificar o contexto histórico em que o Direito Empresarial nasceu e se desenvolveu. • Detectar o objeto do Direito Empresarial em momentos históricos diversos. • Compreender a dinâmica temporal e sua influência na criação e no desenvolvimento do comércio.

Introdução Olá, caro aluno! Começaremos agora uma jornada através dos tempos para compreendermos, juntos, a importância do Direito Empresarial para a sua profissão. Espero que a jornada seja tão prazerosa pra você quanto para mim! Para a compreensão legítima do Direito Empresarial precisamos entender o seu contexto histórico original, com o nascimento do comércio. Ao longo de nosso estudo também procuraremos compreender os vários momentos que esse ramo do direito atravessou, até chegar aos dias de hoje.

DA HISTÓRIA O comércio, em seus primórdios, era considerado como uma atividade degradante. Considerado como arte dos escravos, na Grécia Antiga, era alvo de preconceito por parte dos greco-romanos, tendo em vista a precariedade de suas operações. Com a queda do império Romano, houve a divisão do mundo (?) em duas partes: oriente e ocidente. O Império Bizantino promoveu, por Justiniano, o Corpus Iuris Civilis1, diploma em que foram congregadas as principais contribuições mercantis das civilizações antigas.

William Turner Porto de Cowes, Ilha de Wight Com o deslocamento das pessoas para os povoados das regiões litorâneas da Europa, desenvolveu-se o comércio marítimo no Mediterrâneo. Os navios desbravavam mares, transportando gêneros em abundância e trazendo de outras terras produtos diversos. As Cruzadas facilitaram o intercâmbio cultural e também mercantil.

Já o comércio terrestre caminhava mais lentamente, concretizado nas feiras medievais, que se iniciaram com a troca de mercadorias (o chamado escambo). Com o decorrer do tempo, surgiram algumas dificuldades nesse tipo de comércio. Nem sempre o produto que era desnecessário para um grupo e que, por isso, estava disponível para a troca se mostrava útil a outro grupo que, entretanto, podia dispor de bens indispensáveis aos primeiros. Chegou-se, desse modo, à contingência de se criar uma mercadoria capaz de ser permutada por qualquer outra e não apenas, como acontecia na troca, por um bem determinado. Surge então a moeda.

Fonte: http://www.bcb.gov.br Com a evolução das feiras, originaram-se as corporações que criaram suas próprias leis e juízes particulares (chamados cônsules). As várias normas a serem aplicadas pelos cônsules eram reunidas e transferidas para os chamados Estatutos das cidades. Em meados do século XI apareceram as primeiras codificações estritamente comerciais, reunidas em Estatutos: Consuetudines (Gênova, 1055), Constitutum Usus (Pisa, 1161), o Liber Consuetudinum (Milão, 1216) e as súmulas marítimas de arbitragem. No século XVI aparecem, na França, o Guidon de la Mer (comércio marítimo) e o Code Savary (comércio terrestre). Ainda na Idade Média, foram reconhecidos como contratos comerciais os de transporte, comissão, sociedade e seguro marítimo. Outro marco importante nessa época, que você deve identificar, é a separação entre o Direito Comercial e o Direito Civil (direito comum, direito dos cidadãos – Ius Civile), com o qual, conforme acontecia em Roma, o primeiro era unificado. O Direito Comercial passou a ser constituído por um conjunto de normas específicas, aplicadas por um juiz especial e reconhecidas pelo Estado como legítimas. Foi na França que nasceu o primeiro Código Comercial, o Code de Commerce, dos juristas de Napoleão Bonaparte, em 1807, marcando o abandono do subjetivismo corporativista e apegando-se à implantação da objetividade dos atos comerciais.

Fonte: Jean-Auguste-Dominique Ingres. Portrait of Napoléon on the Imperial Throne

confiado a um colégio de dez juristas dirigido por Triboniano. em 25 de junho de 1850. principalmente nas dos povos latinos. designadamente pelas Ordenações Filipinas. No Brasil. a produção e o comércio são regidos. inclusive do Código Comercial Brasileiro de 1850. e da Marina. e não obstante o desenvolvimento comercial que se verificava. dando lugar à criação de regras jurídicas para aplicação nos casos concretos. Num mundo moderno. o Código de Comércio francês teve grande influência nas legislações. Justiniano percebeu a importância de salvaguardar a herança do direito romano e. que podem ser adaptadas utilizando-se de boas regras de hermenêutica. Sua segunda parte (Comércio Marítimo) ainda está em vigência. Apesar de não haver inovado muito em matéria de Direito Comercial. cujos trabalhos duraram dez anos.Ao lado da religião. uma das normas mais duradouras da história brasileira: sua primeira parte. 2044/08.eurooscar. que passaram a viger no princípio do século XVII (1603) e somente deixaram de se aplicar às atividades mercantis com a edição do Código Comercial. Essa obra ficou conhecida como Corpus Iuris Civilis Disponível em: http://pt. a codificação perdeu um pouco a razão de ser.com . Não apenas pelo grau de dificuldade que encerra. mas sobretudo pelo trabalho enorme de avaliação do ordenamento jurídico. Muitas nações.org/wiki/Justiniano_I#O_Corpus_Iuris_Ciuilis. e a terceira parte (das quebras) foi revogada pelo Decreto-lei 7. de 1681. conservando quase tudo o que dispunham as Ordenanças de Comércio Terrestre. o direito romano ajudou a manter a unidade e a ordem imperial. em 1850. principalmente aquelas já inseridas no conceito de globalização já optaram por legislações concisas e objetivas. dedicada ao comércio em geral. Lei Uniforme de Genebra. Lei das Sociedades Anônimas – Lei 6404/76. Nascia.1 . quando era Imperador D.wikipedia. aproveitando a prosperidade econômica e comercial que lhe proporcionavam as novas conquistas. O diploma redigido por Choptal tornou-se modelo das modernas codificações mercantis. dentre outras). empreendeu um importante trabalho legislativo e de recompilação jurídica. quando passou a ter vigência o Código Civil de 2002.661/45. esteve em vigor até 11 de janeiro de 2003. A recompilação e reorganização das leis romanas tornou-se um dos marcos mais notáveis de sua administração. Outras legislações foram surgindo durante esse tempo. principalmente no que diz respeito aos títulos de crédito (ex: Dec. Fonte: www. inicialmente. Pedro II. pelas Ordenações Portuguesas. saturado de conceitos e informações como o nosso. de 1673.

encararam o Direito Comercial apenas como o ramo do Direito que regulava as atividades dos chamados mercadores. porque efetivamente o agente mercantil deve estar preparado para entrar em um mundo bem diferente daquele com o qual está acostumado. às vezes. a dos comerciantes). inicialmente. buscou amparar o comerciante. conforme já mencionei. igualmente. 1) Fase subjetivista Conforme já foi dito nesta aula. OBJETO DO DIREITO COMERCIAL Nesta nossa trajetória que se inicia hoje. que é o elemento essencial para o exercício de qualquer profissão. apesar de todo esse contexto histórico que aparentemente legitima o comércio. Mas. É um ramo do direito muito especial que é bastante influenciado pelo fator tempo. o homem. Sim. com a criação da moeda. em face de circunstâncias especiais. não se pode ignorar a natureza especulativa dessa arte. Daí buscar-se nesse ramo profissional a aderência natural ou o chamado “dom” de comerciante. as relações mercantis ganham cores e nuances bem diferentes. muito embora. Na verdade. Isso significa dizer que é diretamente afetada pelas circunstâncias históricas. A relação jurídica mercantil era definida pela qualidade do sujeito (o direito comercial como direito de uma corporação profissional. esperteza e traquejo mercantil. o direito comercial. Veja-as. Os teóricos. O comerciante ou determinado empresário sempre visa vender por mais o que adquiriu por menos. Como houve efetivamente o surgimento de uma classe. Nesse momento. satisfazia-se com o que produzia. de prática repetida. Essa noção é efetivamente um “conceito viajante”. essa intermediação ganhou o caráter de permanente.era um ramo jurídico iniciado e desenvolvido por e para mercadores.Cabe aqui relembrá-lo de que. Em cada tempo. juízes especializados em causas comerciais) e tinham aptidão para falência (insolvência comercial)2. A trajetória histórica do Direito Comercial pode ser concebida como um retrato dinâmico de diversos referenciais utilizados para diagnosticar o que é ou o que não é mercantil. devendo ser compreendida em uma perspectiva histórica. instalou-se o processo de compra e venda. cresceu o número de pessoas especializadas na intermediação entre produtores e consumidores. nessa fase. É importante ressaltar a existência clara de três fases bem nítidas em que nós poderemos enxergar a evolução normativa e a vivência do objeto comércio ou mercancia. com o passar do tempo. não obtenha lucros e sim sofra prejuízos com a venda. foram surgindo novas necessidades que não podiam ser satisfeitas pelos grupos sociais isolados. mas este compreende. Nasceu aí a troca de mercadorias e. nesse momento. é necessário e demasiadamente importante compreendermos que o Direito Comercial não é o mesmo de 100 anos atrás. atos e operações que . o Direito Comercial. Essa concepção do Direito Comercial não existe mais. o que implica um comportamento que exige vivacidade. com a evolução das relações comerciais. nem o mesmo de 10 anos atrás. Só aqueles matriculados nas corporações eram comerciantes com acesso aos tribunais consulares (formados pelos cônsules. Poderíamos entender que o Direito do Comércio está efetivamente contido dentro do Direito Comercial ou Empresarial. Num momento seguinte. Dessa forma. Um mundo imbuído de uma ética bem diferente da que é utilizada em atividades comuns do dia-a-dia.

expedição. d) os seguros. banco e corretagem. podendo ser praticados por pessoas não-comerciantes e com finalidade não-comercial. do mesmo ano. de raiz medieval. 2) Fase objetivista O que você achou desse conceito de Direito Comercial exposto logo acima? Parece até um pouco preconceituoso. e) a armação e expedição de navios. que tinha privilégios especiais em virtude de a ela serem aplicadas as regras jurídicas que não se estendiam à coletividade. Embora o Código Comercial de 1850 não tenha enunciado os atos de comércio. igualdade e fraternidade). O jus mercatorum diferenciado. de 1807. Apenas para nos identificarmos melhor com o tema. consignação e transporte de mercadorias. o Regulamento 737. passou-se a perceber a inviabilidade de um direito tão restrito. b) as operações de câmbio. os comerciantes constituíam uma classe poderosa. não? Apenas os operadores do comércio poderiam usufruir das leis mercatórias? Até a Revolução Francesa. seu coadjuvante legal. riscos e quaisquer contratos relativos ao comércio marítimo. denominadas “atos de comércio”. O ato de comércio não confere a . sob os ideais de Liberdade. abstrato e unitário. elencadas como comerciais.não são realizados exclusivamente pelos comerciantes. consignação e transporte de mercadorias. de espetáculos públicos. que. foram exterminados um a um os privilégios de classe. frutos da organização da burguesia (sob os ideais de liberdade. Considera-se mercancia: a) a compra. de comissões de depósito. o que revela pouca visão de futuro quanto à possibilidade de evolução de um ramo jurídico tão dinâmico. fretamentos. além de definir o que é comerciante. calcado na prática de determinados atos classificados como comerciais. Ocorre que. venda ou troca de bens móveis ou semoventes5. com o intuito de fixar qual efetivamente era o ato que deveria usufruir da proteção do Código. c) as empresas de fábricas. Vitoriosa a Revolução3. foi substituído pelo direito igualitário. O mais interessante é perceber que não houve qualquer pesquisa ou estudo que justificasse a existência dessa lista. podemos trazer o exemplo do Brasil para externamos o comportamento desta segunda fase. mencionou esses atos. de espetáculos públicos. esses conceitos classistas não poderiam mais prevalecer. sociais e econômicas. a partir daquele momento. O grande problema aqui foi determinar se o ato de comércio poderia efetivamente definir se alguém é merecedor ou não de ser considerado comerciante. na mesma espécie ou manufaturados. O Direito Comercial passa a depender de um catálogo legal de atividades classificadas como mercantis ou comerciais. fazendo menção apenas ao instituto da mercancia (sem conceituar tal instituto). para vender por grosso6 ou retalho7. estabeleceu uma lista de atividades que seriam. de expedição. Igualdade e Fraternidade. Nasceu então o Código de Comércio. ou para alugar o seu uso. Com as transformações políticas. fruto de casuísmo4 e inflada de inconsistências.

se você observar essas mudanças históricas.quem o pratica a qualidade de comerciante. nem todos aqueles que atuam no mercado empresarial podem ser tratados pela lei de falência. entre 5 de Maio de 1789 e 9 de Novembro de 1799. como fruto da evolução histórica. Não imprime o caráter mercantil à atividade profissional dirigida que dá aos atos praticados pelo empresário sua real especificidade. com base no calor do momento vivido pelos revolucionários. O cavalo. no segundo momento histórico. houve efetivamente a expansão da legislação. alteraram o quadro político e social da França. Quem tem uma sociedade simples. com o desenvolvimento da economia brasileira. não sofrerá a falência.Por incrível que pareça. Ficou claro que a velha compreensão do ato de comércio.Venda por atacado. 5 .Revolução Francesa é o nome dado ao conjunto de acontecimentos que. sem critérios.morguefile. Primeiro detalhe: ele ganhou um novo nome. Se.Bens móveis são aqueles que podem ser removidos de um lugar para outro sem destruição. é um bem móvel. Egalité. Em causa estavam o Antigo Regime (Ancien Régime) e a autoridade do clero e da nobreza. num primeiro momento. 6 . A Revolução é considerada como o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea. As coisas de movimento próprio também são consideradas bens móveis. Fonte: www.com . Aboliu a servidão e os direitos feudais na França e proclamou os princípios universais de “Liberdade. No nosso próximo tópico entenderemos o porquê dessa mudança.“Casuísmo” aqui significa uma escolha aleatória. perceberá que foram sendo construídas com base na expansão da atividade empresarial. registrada em cartório.Venda no varejo.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_francesa 4 .wikipedia. Foi influenciada pelos ideais do Iluminismo e da Independência Americana (1776). sob o emblema de promoção de igualdade. que já não escolhia o seu objeto. 2 . Só que essa estrutura jurídica mostrou-se excessivamente obsoleta ao longo do século XX. frase de autoria de Jean Nicolas Pache. Fonte: http://pt. pois não contemplava várias atividades e negócios econômicos. mas sim o procedimento de insolvência civil do código de processo civil. Igualdade e Fraternidade” (Liberté. Direito Empresarial. que é um semovente. Na verdade. por exemplo. proteger a classe mercatória era importante e também necessário. 3 . engessada pela listagem elaborada foi se tornando pouco operacional. Fraternité). mas que já o tinha previamente definido. 3) Fase subjetivista moderna Esta fase representa o momento atual do Direito Comercial. 7 .

” Para Martins12.. em 1945. foca efetivamente seus dispositivos na atividade.Neste terceiro momento. que tinha como foco principal a figura do comerciante individual.. o legislador não ser preocupou muito em conceituar a empresa. a figura central é a do empresário em parceria com o elemento “empresa”. o Brasil adotava como diploma para tratamento da falência empresarial o Dec. O empresário e sua atividade empresa são hoje o foco do Direito Empresarial. No Brasil. em 1942. explicar por que o Direito Comercial passou tanto tempo atrelado aos atos de comércio. Lei 7661/45. Ou ainda poderíamos dizer que nem toda empresa é efetivamente comercial ou tem objeto comercial. O contraste é tão grande que. a insolvência comercial só veio ser tratada com o foco na atividade ou empresa na Lei 11.” De acordo com Rocco9. . Na verdade. Trouxe para vocês a visão desses teóricos sobre “o que é direito comercial”.” Mendonça11 aponta que “Direito Comercial é a disciplina jurídica reguladora dos atos de comércio e.101/05. é “o conjunto de regras jurídicas que regulam as atividades das empresas e dos empresários comerciais. o complexo das normas jurídicas que regulam as relações derivadas da indústria comercial. embora a empresa. Nesta fase. CONCEITO DE EMPRESA Devido à oscilação de uma economia mutante e a um direito saturado de positivismo. “é o conjunto sistemático de normas jurídicas disciplinadoras do comerciante e seus auxiliares e do ato de comércio e das relações dele oriundas. dos direitos e das obrigações das pessoas que as exercem profissionalmente e dos seus auxiliares. curiosamente. mesmo que esses atos não se relacionem com as atividades das empresas. ou seja. tanto nas recuperações (judicial e extrajudicial) como na própria falência. bem como os atos considerados comerciais. em seu sentido econômico.. O Direito de Empresa busca abranger todas as atividades organizadas economicamente para a produção ou circulação de bens e serviços. desenvolvida na Itália. Daí também compreender que os grandes doutrinadores elaboraram conceitos de Direito Comercial baseados no Direito daquele momento histórico em que viveram.” Na visão de Ferreira10. A teoria que introduziu o conceito de empresa é a denominada teoria da empresa. O novo diploma. Eles apenas remontam a um momento histórico do Direito Empresarial. esteja definida. chegamos a um estágio em que é fácil. mas estejam cientes de que não existem conceitos ultrapassados. “. ao mesmo tempo.” O Código Civil brasileiro de 2002 concentra na empresa o foco do Direito Comercial. o grau de expansão desse ramo do Direito é máximo. mas incômodo. não se chegou ainda a um conceito jurídico da mesma. resumindo-se a ponderar que empresários e sociedades empresárias são aqueles que exercem profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.o Direito do Comércio. há muito. em que pese o fato de ainda restarem resquícios da insistente personalização13 herdada do soterrado conceito imperial de comerciante. Hoje a crítica mais habitual a essa nova orientação é que. a realidade econômica se adaptou à empresa e a seus desmembramentos. ok? Vivante8 reconhece o Direito Comercial como “a parte do Direito Privado que tem principalmente por objeto regular as relações jurídicas que surgem do exercício do comércio. já que. apesar de deficiente.

Em seguida nos deparamos com a fase subjetivista do Direito Empresarial. ao menos no Brasil. tendo em vista a multiplicidade de institutos que são envolvidos pela empresa. o Código Civil Italiano de 1942. focaliza as relações jurídicas derivadas do exercício da atividade empresarial. Com a queda de Roma.. insolvência. títulos de crédito. transformou-se em meio de sobrevivência. mas.Vamos lá? Mal posso esperar por nossa segunda aula! Resumo Nesta aula tivemos a oportunidade de fazer uma pequena viagem pela evolução do Direito Empresarial. A organização dos fatores de produção é realizada pelo empresário ou pela sociedade empresária. Disciplina a solução de pendências entre empresários. a exemplo de seu modelo. Napoleão aprovou o Code de Commerce.. é um dos pilares dessa cadeira do Direito. mesmo porque seria um conceito bem complexo. Não seria possível considerá-la unitariamente. portanto. passa a regular a empresa por meio do empresário. como complexo normativo positivo.. que na época era conhecido como mercador. baseado em atos que diferenciavam os comerciantes dos outros cidadãos franceses. como unidade serviçal do mercado cuja existência está amarrada ao intuito de lucro. abrangendo todos os seus perfis (subjetivo.. prática já comum no mundo. Tem por objeto a empresa.. com certeza. em 1789. com o Código Civil de 2002. De acordo com Fazzio Júnior14. Em um primeiro momento visualizamos o tratamento dado pelos romanos àquele que exerce atividade mercantil – atividade desprezada pelos grandes cidadãos romanos. na direção de uma atividade empreendedora. Com a Revolução Francesa. ao menos. apossou-se do conceito econômico de empresa e. o escambo. Era reconhecido como tal com base em características subjetivas. com o escopo de lucro e a assunção dos respectivos riscos.Um doutrinador mais moderno expõe essa mudança de eixo no Direito Empresarial. funcional. objetivo e corporativo). na qual o empresário é aquele que realiza. Conforme já estudamos. Acho que ficou clara a importância da atividade empresarial no contexto mundial! Atividades 1) Qual era o conceito do cidadão romano da atividade hoje tida como empresarial? 2) Como você descreveria a fase subjetivista do direito empresarial? . vivenciamos a fase subjetivista moderna. momento em que só poderia usufruir do regime legal o empresário. Ufaaaaaaaa! Quanta história.. O Direito Comercial. atividade econômica organizada para produção e circulação de bens e serviços. Bom. bem como os institutos conexos à atividade econômica organizada de produção e circulação de bens (contratos. etc. como profissão. reforçado o seu interesse em compreender melhor este riquíssimo ramo do Direito. acredito que essa pequena excursão histórica pelo Direito Empresarial tenha. ícone no tratamento do Direito Comercial. não existe ainda um conceito jurídico de empresa. Hoje. Cabe ainda frisar que a empresa é um fenômeno dotado de muitas faces. o Direito Comercial.). A instituição empresa não se faz presente em todos os institutos do Direito Comercial. não? Bom.

o sujeito do Direito Empresarial? . hoje.3) O que eram os atos de comércio? Quem os inventou? Qual a importância destes no contexto do desenvolvimento da atividade empresária? 4) O que é a teoria da empresa? Qual a sua importância para o Direito Empresarial? Quando ela foi assimilada pelo Brasil? 5) Quem é.

encontramos princípios de observância compulsória. • Avaliar a existência efetiva da autonomia do Direito Empresarial em relação ao Direito Civil. A lei não se resume exclusivamente ao seu texto. Podemos ainda imaginar que nem sempre elas estarão dispostas no mesmo nível. são as fontes originárias ou principais. FONTES PRIMÁRIAS As fontes primárias. além de ela proclamar a supremacia da legalidade. não? Podemos então passar para o nosso próximo passo juntos: descobrir. Eles o ajudarão a compreender todo o sistema em seguida.Aula 2 – As fontes do Direito Empresarial e sua autonomia Objetivos • Detectar as fontes do Direito Comercial no ordenamento jurídico brasileiro. a defesa do consumidor. Na geografia constitucional. como as respostas instrumentais que a concretizam. A partir delas chegaremos às fontes secundárias e outras. podemos perceber na Constituição Federal o núcleo reitor programático da ordem jurídica. É o princípio legislativo do Direito Empresarial. que está absolutamente calcado nesses princípios. como o próprio nome diz. Vale a pena conhecer os Princípios Gerais da Atividade Econômica. Outras fontes importantes: . que lhes oferece denominações diferentes. Introdução Gostou de conhecer um pouco da história do Direito Empresarial? Agora fica mais fácil compreender por que a mudança de Direito Comercial para Direito Empresarial. Cabe aqui uma observação importante. a função social da propriedade. 170 da Constituição Federal brasileira. Guardam efetivamente um escalonamento de precedência. onde podemos encontrar normas emanadas da empresa. a proteção à microempresa. conforme o critério adotado. • Conhecer a efetiva base da teoria da empresa que forneceu os elementos para a parte referente ao direito empresarial no Código Civil de 2002. tais como a livreconcorrência. Parece fácil? Com o seu empenho ficará ainda mais fácil! O que são fontes? São matrizes geradoras da ordem jurídica. Vejamos a mais importante delas. Aproveite o momento e dê uma conferida no Art. o tratamento privilegiado da empresa nacional. em todo o ordenamento jurídico brasileiro. Respeitando-se a hierarquia das leis. a vedação aos abusos do poder econômico e o aumento arbitrário de lucros e regras disciplinadoras da competência legislativa para cada matéria. A arte da interpretação é o que concede à lei a longanimidade e adaptação necessárias para que ela seja efetivamente útil. LEI A lei é a principal fonte de Direito Empresarial. o predomínio da iniciativa privada na atividade econômica.

Se numa situação X houve a aplicação da norma Y. . Fique atento! . .o Código Civil de 2002. Outro exemplo: a relação entre empregador e empregado dentro da empresa: Consolidação das Leis Trabalhistas. Tem como fundamento a aplicação da eqüidade. . Estudaremos também os procedimentos para os registros nos livros de assentos de usos e costumes. .Usos e Costumes: Apesar da forte tendência na minimização de sua utilidade.as Leis Extravagantes (títulos de crédito. . sob o argumento de que situações iguais deverão ser tratadas de forma idêntica.as normas pertinentes ao Direito Comercial dispostas em diplomas de outros ramos da ordem jurídica. Para que sejam efetivamente considerados como fontes de Direito Empresarial.com Vamos relembrar? Para que os usos e costumes sejam aceitos como fonte de Direito Empresarial. mas descoberta de legislação. referente ao Comércio Marítimo.blogspot. em termos de ordem jurídica local não há como menosprezar os usos e costumes. fruto do processo de globalização e da massificação de procedimentos. poderemos nos utilizar dessa mesma norma. no que tange a disciplina do Direito Empresarial.o Código Comercial de 1850. Mais à frente estudaremos mais profundamente esses órgãos para entendermos melhor sua função. por sua vez. FONTES SECUNDÁRIAS As fontes secundárias.tratados e convenções internacionais. É a busca do equilíbrio no julgamento. Vamos agora falar um pouco dos Princípios Gerais de Direito. (Podemos tomar como exemplo a tributação do ato empresarial que está prevista na CF/88 e também no Código Tributário Nacional. Vejamos algumas. .).. são alternativas para quando as fontes primárias não existirem ou não forem suficientemente úteis. dentre outros temas). São praxes adotadas no comércio de maneira permanente. Fonte: imagenswiki. na parte não revogada.Analogia: São fatos de natureza idêntica que devem observar disciplina idêntica. . eles deverão estar registrados nos Registros de Comércio (Juntas Comerciais) do Estado em que haverá sua utilização.a normatização regulamentar derivada do Estado. falência. em outra situação próxima. devem ser assentados ou atestados em livros nas Juntas Comerciais.

Princípios Gerais de Direito: não geram normas. pelo menos. deve cuidar para que ele possa se desincumbir plenamente dessa tarefa. O Estado é responsável pelo suporte ao empresário. nesta mesma aula. sob o ponto de visa jurídico. cabendo aos particulares o papel primordial e ficando reservado ao Estado apenas uma função supletiva (Art. mediante inovação de idéias superiores reitoras do ordenamento. Interior de uma de uma fábrica Fonte: http://commons. a previsão de um regime específico pertinente às obrigações do empreendedor privado. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Conforme alusão feita. ou que. é de grande importância para o Direito Empresarial. apenas revelam normatização implícita. existentes em cada ramo do Direito e percebidos por indução. . o empregador está mais bem assessorado do que o empregado. de que a lei deve proteger o trabalhador. Ao atribuir à iniciativa privada papel de tal monta. ao analisar a situação no processo. Por exemplo: existe o princípio. 170 da CF/88). 173 da CF/88: quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. logo o juiz.wikimedia. para que este possa realizar bem sua função na sociedade. a Constituição torna possível. no Direito do Trabalho. Já se perguntou por quê? Qual é a razão de o legislador ter se importado tanto com o empresário ou com a sociedade empresarial? Ou com o sistema capitalista em que estamos inseridos? Para tudo existe uma explicação racional no Direito. Se a ordem constitucional reserva ao empresário a primazia na produção. já sabemos que a Constituição Federal do Brasil. que por vezes não serão nem escritos. conforme definido em lei.org A interferência do Estado só será possível em hipóteses excepcionais – Art. São critérios maiores. O legislador encarou a situação da seguinte forma: a produção de bens e serviços necessários à vida das pessoas em sociedade será de competência da iniciativa privada. deve estar atento ao fato de que o empregado é protegido pela lei porque a mesma presume que ele não tenha condições de se defender sozinho. legislação máxima existente em nosso país.

procurando garantir a livre iniciativa e a livre competição através da repressão ao abuso do poder econômico e à concorrência desleal. Para que se configure a conduta do Art. de 11 de Junho de 1994. Por isso. Acredite. dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica e dá outras providências. o direito complementa tais pressupostos constitucionais. 20. caracteriza-se pela presença de negligência. Você pode não acreditar. no Brasil. também será considerada ilícita. ou da falta dela. não haverá necessidade de se averiguar a presença de dolo ou culpa. Na verdade. a objetividade de comportamento já enseja responsabilidade. para prejudicar a concorrência ou livre iniciativa. para denunciar. Isso. o legislador não está interessado na culpa e nem dolo de quem as pratica. 20 da mesma lei. em.LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA Outra fonte riquíssima de estudos. mesmo que pequena. sempre coerente com a orientação liberalista no regramento da ordem econômica. medida provisórias e regulamentos. para aplicar a punição por uma dessas condutas.884. decretos. seus atos e expressões a presença de culpa. mesmo que a conduta não esteja presente no Art. 21. em sua vida. fixa ou pratica. principal ícone do Direito Privado. 21 da Lei 8. as hipóteses do Art. Logo. deverão também estar presentes algum dos pressupostos do Art. para simplificar. independentemente da vontade ou da .884/94. Aproveite o momento de dê uma olhadela nesses artigos da legislação. Vamos a um exemplo para simplificar um pouco: suponhamos que uma empresa X. imperícia ou imprudência. patrimonial ou mesmo moral caracteriza a conduta afirmativa do indivíduo. hoje. O dolo já é efetivamente a vontade de lesar outrem. pensei em darmos uma passeada por duas regulamentações importantes. recebe o nome de “dumping” comercial. São elas: . podemos abstrair que. Uma lesão física. normalmente. No âmbito da legislação ordinária. 21 são exemplificativas. não é mesmo? Isso é por que esses conceitos guardam certa subjetividade. antes de dar entrada no Código Civil de 2002. É preciso conhecer o indivíduo pelo menos um pouco. que transforma o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE – em autarquia. preços de venda de bens ou prestação de serviços. sob qualquer forma. como já deve ser de seu conhecimento. mas. O contrário não é verdadeiro: caso haja ofensa ao princípio do Art. Ao analisarmos essa conduta. de acordo com seu concorrente (empresa Y). Independentemente da vontade do indivíduo. Existe aqui a complementação de dispositivos constitucionais com caráter principiológico. Neste diploma legal estão definidas as hipóteses que ensejam a caracterização de uma conduta de abuso do poder econômico (Arts. A culpa. pense em culpa como tudo o que foge ao comportamento natural do indivíduo. No caso dos delitos ligados ao abuso do poder econômico.Lei 8. que achei interessante desfrutarmos juntos é a legislação ordinária empresarial. esse regramento está disperso em várias leis. no mercado. Não ajudou muito. 20 e 21 da Lei 8.884/94).

884/94 oferece algumas sugestões para aqueles que resolveram adotar posturas empresariais que irão ter impacto no mercado de negócios. A . Considerando uma sociedade. pela Lei 9. a conduta já é criminosa e está configurada nos termos dos artigos 20 e 21 da Lei 8. poderíamos pensar na hipótese em que um empresário divulga uma falsa informação contra seu concorrente. sabemos perfeitamente onde o empresário é mais afetado. com isso. Ela também deve buscar a reeducação ou reabilitação (termo mais moderno). A pena será de detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano ou multa. o CADE será auxiliado pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) daquele Ministério. de acordo com a visão do legislador. provocando. essa conduta é criminosa e enseja responsabilidade. no prazo de 5 (cinco) anos seguintes ao negócio. seja de caráter penitenciário. Na sua atuação.147 CC/02). concorrendo com o adquirente. E a punição? É eficiente mesmo? Claro. um profissional da área. o melhor conselho de um profissional deve sempre atentar para a prevenção. convenhamos. quem seria o responsável (aquele que cumpriria a pena). a Lei 9279/96 tipifica como criminosa a conduta contida no Art. da Lei 9279/96. 195 dessa lei determina as hipóteses em que será definida a concorrência desleal. em caso de esta ser penalizada com detenção? Caso o contrato social identifique o sócioadministrador ou gerente (como já nos acostumamos a falar) ou mesmo a própria situação delate o infrator. 23 e 24 da mesma lei. No aspecto penal. sobrevindos durante o período do restabelecimento (Art. por ter descumprido a obrigação decorrente de contrato entre eles. o alienante do estabelecimento comercial não pode restabelecer-se na mesma praça. CONCORRÊNCIA DESLEAL A concorrência desleal no Brasil é coibida. com competência para a realização das averiguações preliminares e instrução do processo administrativo. hoje. poderia melhor assessorar um empresário ou uma sociedade empresarial nessas situações? Na verdade. Passe o olho pelo Art. 54 da Lei 8. II. isso dependerá do caso concreto. como sempre. Mas e se não conseguirmos apurar quem foi o responsável exclusivo pela conduta? Acredito ser interessante também pensarmos no que efetivamente fará com que o empresário repense sua conduta e mude de comportamento nessas circunstâncias. não tem apenas a função de punir. Acho interessante. Na omissão do contrato. seja ela de indenização cível. desde a entrada em vigor do Código Civil de 2002. pararmos e pensarmos sobre um aspecto. não é mesmo? Outra observação interessante: o que é concorrência desleal? Qualquer empresário em regime de competição está com a deliberada intenção de atrair clientela alheia ao seu estabelecimento.inocência de X e Y. Os órgãos estatais responsáveis pela fiscalização e pela aplicação das penalidades é o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Como exemplo. A pena. dano aos demais empresários do mesmo setor. o concorrente desleal deve indenizar o empresário prejudicado. O Art. sob pena de ser obrigado a cessar suas atividades e indenizar este último pelos danos provenientes de desvio eficaz de clientela. 195 da Lei de Propriedade Industrial. de 14 de maio de 1996 – regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. O que você acha dessas penas? Como será a melhor forma de aplicá-las? Como eu. No campo do direito civil. autarquia federal vinculada ao Ministério da Justiça.884/94. fica mais fácil determinar esse responsável. O Art.279. neste exato momento. E. Nos termos do Art. 195. 1.

ao listar as matérias de competência legislativa privativa da União. uma nova era do Direito Comercial. Conforme já vimos. legislativamente. O profissional que resolver se especializar nessa área deve estar disposto a contribuir para que o empresário alcance o objetivo fundamental que o motiva na empresa: o lucro. I. Sim. onde houve a unificação legislativa e a adoção da teoria da empresa. a Constituição Federal menciona. no Brasil.diferença entre concorrência desleal e a simples é bastante imprecisa e depende sempre de uma apreciação especial e subjetiva das relações locais comuns entre os empresários. . da Faculdade de Direito de Bolonha. Por que não estudar o Direito Empresarial conjuntamente com o Direito Civil se estão ambos confinados no mesmo diploma legal? O Direito Comercial é área especializada do conhecimento jurídico. ANÁLISE DO CÓDIGO CIVIL DE 2002 O Código Civil de 2002 inaugurou. nem o Direito Civil ao Código Civil. d) Mesmo na Itália. Direito Civil em separado do Direito Comercial. mas pode ser melhorada ou mesmo atualizada através da interpretação e complementação com outras legislações. b) Não houve comprometimento da autonomia do Direito Empresarial pelo fato de o legislador ter incluído alguns tópicos do Direito Comercial no Código Civil de 2002. a lei não se resume ao seu texto. Abra sua Constituição Federal e confira: Art. até então. Para compreendermos a especificidade desta cadeira. o Código Comercial de 1850 era basicamente alicerçado na “teoria dos atos de comércio”. no atacado ou varejo. porque. com professores e conteúdos próprios. verá que pelo menos 2 (dois) capítulos tratam exclusivamente de matérias empresariais: Direito de Empresa e Títulos de Crédito. for até seu Código Civil. passearemos por alguns argumentos lógicos que dão suporte a ela. verá que pouca coisa sobre Direito Comercial está ali disposta. O Direito Comercial não se resume ao Código Comercial. quando o elegem como ramo jurídico de atuação. A autonomia didática e profissional não é minimamente determinada pela autonomia legislativa. Existia uma lista (Regulamento 737/50) que definia a atividade de mercancia: a) compra e venda de bens móveis ou semoventes. c) A teoria da empresa. muito menos há o comprometimento da autonomia do ramo. Sua autonomia como disciplina curricular ou campo de atuação profissional específico decorre dos conhecimentos extrajurídicos que professores e advogados devem buscar. O mesmo sistema adotado na fase objetivista do Direito Comercial foi aqui implantado pelo Código Comercial de 1850. AUTONOMIA DO DIREITO EMPRESARIAL Por que estudar o Direito Empresarial como cadeira autônoma? O que legitima a separação do Direito Empresarial de outras áreas. em momento algum pregou a efetiva unificação do Direito Privado. 22. o Direito Comercial continua sendo tratado como disciplina autônoma. para revenda ou aluguel. principalmente do Direito Civil? Se você der uma paradinha no seu estudo agora e recorrer ao seu Código Comercial. Isso mesmo após as reformas curriculares de 1996 e 1997. Se. por outro lado. a) No Brasil.

como seu principal assento. diga-se de passagem. O lucro é o objetivo principal do Empresário e se. A teoria da empresa sobreviveu ao regime fascista e à redemocratização italiana e permanece norteando o direito comercial da Itália até hoje. A teoria da empresa. tinha. g) armação e expedição de navios. Com a adoção. mas altera o critério de delimitação do objeto do Direito Comercial – que deixa de ser os atos de comércio e passa a ser a empresarialidade – mas não extermina a dicotomia entre o regime jurídico civil e o empresarial. jurisprudência e em leis esparsas. Acontece que a teoria dos atos de comércio acabou se afastando da realidade do Direito Comercial.Mussolini fundou o movimento fascista em 23 de março de 1919. expressado pela comunhão dos propósitos de empresários e dos trabalhadores. c) bancos. o âmbito de incidência do Direito Comercial engloba atividades ligadas a terra e de prestação de serviços. d) logística. devido principalmente à rapidez da evolução deste ramo do Direito. através de lições da doutrina. Isso porque a ética e os comportamentos são completamente diferentes. Saber reconhecer esse fator e aceitá-lo sem quaisquer restrições também é importante para o profissional que dará o apoio operacional a esse autor do comércio.b) indústria. Entre os membros fundadores estavam os líderes revolucionários sindicalistas . for necessário mudar de ramo ou mesmo de objeto. e) espetáculos públicos. f) seguros. da “teoria da empresa”. E não é que o nosso estudo está tomando uma direção muito interessante? Até a próxima aula! 1. O empreendedorismo. brasileiro e mundial. curiosamente elaborada durante a ideologia fascista1. o empresário muda sem qualquer resistência ou indignação. O Direito Comercial deixa de cuidar de determinadas atividades (as de mercancia) e passa a disciplinar uma forma específica de produção e circulação de bens: a empresarial. para alcançá-lo. a agilidade e a abertura às mudanças são efetivamente parte do dia-adia do empresário. Essa discrepância cresceu ainda mais com a incorporação. numa reunião feita na cidade de Milão. A teoria da empresa não acarreta a superação da bipartição do direito privado. que o legado de Napoleão tornou clássica nos países de tradição romana. o corporativismo. pelo Brasil. no Direito Empresarial o foco do prestador de serviço ou do produtor é o lucro. que pressupunha a organização da luta do proletariado e da burguesia. a regulação de atividades econômicas dos particulares alarga-se. mais propriamente no Código Civil de 2002. Então quebre seus paradigmas! Abra sua mente para tentar compreender o comportamento e as necessidades do empresariado. da teoria da empresa. Enquanto no regime cível de prestação de serviços temos como foco a prestação de serviço e a boa prestação de serviço. Inspirou ainda a reformulação de diplomas comerciais no mundo todo.

temos as fontes secundárias: usos e costumes. mas não menos importante. política e cultural. apesar de que as circustâncias na história intelectual devem ser consideradas. analogia e princípios gerais do Direito. ou melhor. Já na legislação ordinária temos a implementação destes conceitos. um exército nacional. os fascistas passaram a desenvolver um programa que exigia a república. como o abalo do positivismo e o fatalismo generalizado do pós-guerra na Europa. o fascismo italiano foi. ou seja. que surgiu no seguimento da convergência de pressões interrelacionadas de ordem económica. Em primeiro lugar. Adicionalmente. Por último.Agostino Lanzillo e Michele Bianchi. um imposto progressivo para heranças e o desenvolvimento de coperativas. Tais aspirações nacionalistas não realizadas (ou frustradas) manchavam a reputação do liberalismo e do constitutionalismo entre muitos sectores da população italiana. tendo em vista a ampliação do campo de atuação do Direito Empresarial. Estudando a teoria da empresa. Fonte: http://pt. Mussolini foi capaz de explorar os medos perante o capitalismo numa era de depressão pós-guerra. Primeiramente nos deparamos com os crimes contra a ordem econômica e em seguida com a proteção à livre concorrência. a separação da igreja do estado. Em seguida encontramos as leis ordinárias e também os tratados e convenções internacionais.884/90. Dentre eles temos: a soberania nacional. a propriedade privada. Tanto um movimentos como um fenômeno histórico.wikipedia. ou seja. Além das fontes primárias. nascida na Itália. tais instituições democráticas nunca cresceram ao ponto de se tornarem firmemente enraizadas na nova nação-estado. e um sentimento de vergonha nacional e de humilhação que resultaram da “vitória mutilada” da Itália nos tratados de paz pós Primeira Guerra Mundial. as leis. que apesar de alguns tópicos desta cadeira estarem no Código Civil isto não significa uma unificação do direito privado. . a junção do Direito Civil e o Empresarial. a busca do pleno emprego. Sob o estandarte desta ideologia autoritária e nacionalista. que obedecem a uma ordem hierárquica. o fato de o empresário não ter a intenção de cometer a conduta ofensora à ordem econômica o exime de sua responsabilidade? 4) Cite 2 (dois) exemplos de condutas tidas como “concorrência desleal”. passamos pela autonomia do Direito Empresarial. Em 1921. o ascendente de uma esquerda mais militante. compreendemos o sentido do conceito. a começar pela Carta Magna – nossa Constituição de 1988. a proteção à livre concorrência. que hoje são muito comuns em um mundo tão globalizado. em muitos aspectos. no combate à concorrência desleal. O estado fascista de Mussolini foi estabelecido aproximadamente uma década antes da chegada de Hitler ao poder. Atividades 1) Quais as fontes primárias do Direito Empresarial? E as secundárias? 2) Os modos e costumes serão sempre fonte do Direito Empresarial? 3) De acordo com a Lei 8. as fontes.org/wiki/Fascismo Resumo Nesta aula estudamos primeiramente a fonte do Direito Empresarial. a atividade profissional do empresário. uma reação à falha aparente do laissez-faire e ao medo dos movimentos de esquerda. Em seguida começamos a enxergar os padrões estipulados pelo legislador constitucional para o desenvolvimento da atividade econômica. O fascismo foi de certa forma o resultado de um sentimento geral de ansiedade e medo dentro da classe média na Itália do pós-guerra. de 1942.

5) Qual a origem história da teoria da empresa? Qual a sua importância para o Direito Empresarial? .

• Distinguir o empresário individual. a empresa não é sujeito de direito no Direito Empresarial. . que não o do próprio empresário ou sócio). já passamos também por todo o arcabouço doutrinário e teórico que nos ajudará no nosso trabalho de apoio ao empresário. a doutrina brasileira ainda não chegou a um denominador comum. O lucro não é essencial. b) Atividade econômica visando lucro: de acordo com Borges. o que é essencial é a intenção de obtê-lo. como Coelho. mas menos complexa: escrituração + registro + nome empresarial + capital + trabalho. Se o lucro fosse essencial. a) Profissionalismo: aquele que realiza o comércio ou mesmo a atividade de produção ou circulação de bens ou serviços como atividade voluntária. sendo que o empresário obterá dela as condições necessárias para se estabelecer e se desenvolver. para definir organização. ou seja. não haveria a atividade negativa: a falência. c) Organização: nesse ponto. Acho que depois deste estudo seremos capazes de identificá-lo com mais precisão. E agora? Quem é o empresário? Existem. Só falta uma coisinha: quem é o empresário? A pergunta pode parecer óbvia. por uma formação doutrinária. Alguns. Na verdade. não o é. Essa atividade deverá ser realizada habitualmente. é o “animus lucrandi”. mas. • Reconhecer a importância da regularização da atividade. alegam que a fórmula da organização é a junção dos elementos CAPITAL + TRABALHO (sem haver necessidade de este ser de terceiro. Provavelmente você reestruturará seus conceitos quando der uma olhada nas próximas páginas! Quem é o empresário? 1 – Não. 3 – Não. argumentam no sentido de haver necessidade da presença de empregados. amadora não poderá ser considerado empresário. 2 – Não. entretanto. o empresário não é o gerente da empresa. uma fórmula mais completa. o empresário não é o diretor da companhia.Aula 3 – Quem é o empresário? Objetivos • Identificar os atributos caracterizadores do empresário. alguns requisitos que podem nos ajudar a descobrir quem é o empresário. poderíamos aqui sugerir. Introdução Já fizemos o nosso trajeto histórico para reconhecermos a sistemática empresarial. outro doutrinandores. Comecemos com alguns atributos básicos importantes para se chegar ao conceito de empresário. na verdade.

podemos tirar duas conclusões importantes: 1 – ou temos o empresário individual. definida no Art. que sozinho explora a atividade empresarial. ou seja. o empresário individual deverá contar com a maioridade civil. formada através do registro. Não seria nem um pouco cabível conceder tal capacidade a um menor que herdou dos pais uma fortuna e nunca soube o que era efetivamente exercer a atividade empresária. Isso se dará através de um pedido judicial (alvará) que nomeará o responsável (responsável legal. ele não poderá iniciar nenhuma atividade empresarial. E o incapaz? Nos artigos 974 a 976 do Código Civil de 2002. tutor). mas uma atividade que pode ser desenvolvida pelo empresário individual. a empresa não é um sujeito de direitos e obrigações. todos os atributos que já estudamos: Art. A exceção ocorrerá por conta do emancipado. Para a maior parte da doutrina. Seria bastante oportuno. vários serviços. Com o Código Civil de 2002. realçar que a economia própria é muito mais explícita e considerada pelo legislador quando adquirida pelo menor com suas próprias forças. 5° do Código Civil de 2002. mas apenas continuá-la. em si. 2 – ou temos a sociedade empresarial. apenas. de algumas características comuns a todos eles. na hipótese de se tornar incapaz (ser acometido de deficiência mental. por exemplo) ou a título de herança (menor que herda atividade empresarial antes exercida pelos pais). O incapaz só poderá dar continuidade à atividade. curador. 1) Capacidade Via de regra. quando imbuídos da ética empresarial. quando o legislador concede ao menor de 18 (dezoito) e maior de 16 (dezesseis) a faculdade de exercer a atividade empresária. individualmente. que antes eram exclusivamente considerados cíveis. se registra na junta comercial para o exercício de uma empresa. Isso porque. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL De acordo com Mamede. em Órgão especial. Para identificarmos um dos sujeitos do Direito Empresarial. empresário individual é aquele que. temos o tratamento para essa hipótese. Dessas informações. nos termos do inciso V deste mesmo artigo. Este deve estar voltado para o mercado. Para encerrarmos o assunto. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. trataremos. 966.d) Produção e circulação de bens ou serviços: aqui identificamos o objeto do empresário. trouxe o conceito de empresário dado pelo Código Civil de 2002. foram incorporados ao Direito Empresarial. a seguir. que contém. A legislação pressupõe a existência da economia própria. ou pela pessoa jurídica contratual ou estatutária da sociedade empresária. espera que esse menor já esteja acostumado ao ritmo do comércio ou do regime empresarial. de uma pessoa jurídica distinta dos sócios. . Tanto o documento que concedeu a emancipação quanto o da autorização deverão ser arquivados no Registro competente. A doutrina muito discute sobre esse assunto. Falaremos mais sobre o assunto em momento mais oportuno.

lida-se com nascimentos. Também é possível trabalhar para alguém. 4) Regime peculiar de insolvência A pessoa natural submete-se ao concurso de credores. 3) Profissionalismo A pessoa natural só será considerada empresária se exercer profissionalmente a empresa em nome próprio. 5) Registro O direito tem uma estreita ligação com a publicidade e oficialização. Isso. em seu próprio negócio. em atividades autônomas. com seu próprio patrimônio. realizando seus objetivos. Aqui. será sempre o LUCRO. ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores.2) Elemento de empresa Nos termos do Art. mas o objeto primeiro do empresário. Não se considera empresário quem exerce a profissão intelectual. encontramos uma observação bem interessante do legislador: Art. como passar um cheque ou comprar um brinquedo para um colega dar para o filho (intermediação). Já o empresário submete-se ao sistema falimentar (Lei 11. nos termos legais. seja ele individual ou na forma de sociedade. estabelecendo uma relação de emprego e sendo remunerado por meio de um salário. que têm a atividade como principal objetivo. como os profissionais liberais e artesãos. 748 e sgs). O registro é um dos principais requisitos impostos aos empresários (tanto que é considerado como atributo também). de natureza científica. regime que concede algumas condições mais vantajosas ao empresário do que as proporcionadas ao devedor civil. as conseqüências da falta de registro são muito mais desastrosas do que as aparentes vantagens de não se usar esse procedimento. Pode ainda estruturar uma empresa para otimizar as relações com o mercado. 966 Parágrafo Único. literária ou artística. Qualquer um pode praticar eventualmente atos empresariais. tornam ainda mais difícil a tarefa da regularização. sem qualquer auxílio. e isso não caracterizará a empresarialidade do ato. salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. O objeto “atividade” até existe. responderá pessoalmente por todas as obrigações oriundas da atividade.101/05 – Lei de Recuperação de Empresas e Falências). Isso você será capaz de assegurar ao seu cliente ou mesmo aplicar em sua vida. que existem várias formas pelas quais o homem pode atuar profissionalmente. não é verdade? O excesso de impostos e a dificuldade do empresário em compreender a lei. encerramentos e outros procedimentos que precisam estar documentados e regularizados. mortes. por causa da solenidade dos atos ainda exigida e com razão. Apesar de vivermos uma realidade bem diferente da que está sendo requisitada neste trabalho. mais propriamente em seu parágrafo único. Além disso. 966. portanto. . Infelizmente a realidade brasileira não estimula muito a regularização. com o intuito de obter lucro. Fica claro. potencializando e focando o lucro. Ele pode trabalhar sozinho ou em grupo. no instituto da insolvência civil previsto no Código de Processo Civil Brasileiro (Art.

Enquanto na hipótese de incapacidade jurídica o Estado busca a proteção do menor contra a chamada “ética empresarial” (egoísta. 178 da Lei 11. XIII. São elas: . a conduta será considerada ilícita. .Fonte: www. nos termos do Art.não poderá ter registro nas Receitas (Federal. capitalista. .br Fonte: www.101/05.o empresário não poderá utilizar-se das recuperações judicial e extra judicial. Cabe ainda ressaltar algumas das conseqüências da ausência de registro. 5°. competitiva). só poderão ser empresários aqueles que não forem legalmente impedidos.br O registro do empresário é realizado no Registro Público de Empresas Mercantis (as juntas Comerciais).contee.com. 6) Impedimento A Constituição Federal do Brasil. . . Na nossa próxima aula.não poderá participar de licitação.1cartorio.na hipótese de decretação de falência. Estadual e Municipal) e também no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). estabelece que o exercício da profissão de empresário estará sujeito ao atendimento dos requisitos previstos em lei ordinária. estudaremos mais profundamente os órgãos de registro e também a hierarquia brasileira que deverá ser sempre respeitada. benefícios previstos em lei para os empresários regularizados (estudaremos esse assunto mais profundamente em momento oportuno).não poderá ser considerado microempresário. 972 do CC/02. . nos casos de impedimento legal busca-se a proteção da comunidade contra a mesma ética. o que fundamenta a validade das proibições ao exercício da empresa. apenas para ficarmos atentos a isso. na qualidade de empresário. em seu Art. Nos termos do Art.org.

.médicos.estrangeiros com visto provisório. Cada um destes elementos envolve uma característica particular do empresário.despachantes aduaneiros. o legislador não permite que se coadunem. podemos ressaltar algumas . intuito lucrativo. os atos serão válidos. . 47 da Lei de Contravenções Penais. mas pode.agentes públicos. por vezes lenta. Infelizmente nossa aula termina aqui. Em se tratando de agentes públicos. Além dos elementos trazidos pelo Art.Ora. . nos termos do Art.prepostos. . se eu tenho um magistrado empresário. Pena: prisão simples ou multa. . as funções não são compatíveis.. 966 do Código Civil. 966 do Código Civil de 2002. apesar do impedimento. analisando seus vários elementos: profissionalismo. desde que não exerça de forma direta ou indireta a atividade empresarial. Veja-as. Caso os impedidos insistam em praticar as condutas. nos termos de seus estatutos.. Como ele conseguirá realizar sua função. O mesmo ocorre com um funcionário público.leiloeiros. para nós. mas necessária. sim.. estes poderão. Até a próxima! Resumo Nesta aula tratamos sobre o empresário. deixar de lado a visão empresarial e julgar o caso com imparcialidade. pode ser desdobrado em dois sujeitos da atividade econômica organizada: o empresário individual e a sociedade empresária. se está acostumado com a velocidade do mercado? Compreende? Os ritmos. sofrer a pena mais grave: a demissão.. este dificilmente conseguirá. .militares. porém sujeitos a algumas sanções. habitualidade. .falidos não reabilitados. Cabe ainda ressaltar que a maioria desses impedidos citados não poderá exercer diretamente a função de empresário individual ou mesmo de sócio administrador ou controlador. Logo. . São alguns exemplos de impedidos: .No âmbito empresarial: responderão pessoalmente pelas obrigações contraídas.No Direito Penal: praticam contravenção de exercício ilegal da profissão. podemos elaborar um conceito de empresário.deputados e senadores.corretores de seguro. . .magistrados e membros do Ministério Público. o termo empresário. ter participação em empresas. . . Quem é ele? Na verdade. Através do Art. organização. mesmo vestido de sua toga.

registro. dentre outros.peculiaridades daquele que realiza atividade empresarial: capacidade. mas. neste trabalho.. busco ressaltar as desvantagens da irregularidade e muito mais do que isso. principalmente numa realidade como a nossa. regime peculiar de insolvência. é sua função alertar o empresário dos perigos do não registro ou mesmo do não comprometimento com a lei. poderemos nos deparar com um empresário regular. o imenso prejuízo da falta de informação. 966 quais são os requisitos para alguém ser considerado empresário? 3) Qual a importância do registro empresarial? 4) Em que situações o menor poderá exercer a atividade empresarial? 5) O quer significa o fato de o empresário estar submetido a um regime peculiar de insolvência? . Atividades 1) O gerente ou diretor de uma sociedade empresarial é um empresário? 2) Nos termos do art. Nem sempre.. Como profissional conhecedor dessas regras e exigência legais.

com funções técnicas de supervisão. o registro é uma das obrigações do empresário exercente de atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços. REGISTRO PÚBLICO DE EMPRESAS MERCANTIS (Juntas Comerciais) – órgãos estaduais responsáveis pela execução e administração dos serviços de registro. mas não de executar o registro. que são um valioso complemento para que você possa assessorá-lo de uma forma ainda mais ampla e abrangente. na Junta Comercial. no tocante às formalidades legais. do CC/02. • Entender o que é o nome empresarial. 968. • Identificar a escrituração necessária para que o empresário se mantenha regular. Quais são os órgãos de registro no Brasil? DEPARTAMENTO NACIONAL DE REGISTRO DE COMÉRCIO – órgão central. como um competente consultor. Além dos encargos de natureza fiscal. subordinados legislativamente à Unidade Federativa à qual pertencem e administrativamente ao DNRC. Confira os documentos necessários para tal ato no Art. além de assistência supletiva no plano administrativo. deve estar atento a algumas medidas importantes: registrar.. Tem competência de fiscalizar e normatizar.Aula 4 – Requisitos legais da atividade empresarial Objetivos • Compreender a importância do Registro no Direito Empresarial. coordenação e normação. O que você acha de estudarmos mais a fundo a escrituração e o registro do empresário? Afinal. todos os documentos reclamados pela legislação. bem como verificar se neles constam cláusulas adversas à ordem pública e aos bons costumes. Quando o empresário começa suas atividades. . orientação. trabalhista e previdenciária. é bom que você tenha essas noções. Vamos lá? REGISTRO O ordenamento jurídico trata deste assunto nos seguintes diplomas legais: Lei 8. administrador ou um outro profissional que dará apoio ao empresário. o ato de registro inicial é chamado INSCRIÇÃO.934. Quando se tratar do empresário individual. achei que seria bom nos determos alguns assuntos bem interessantes que tivemos que abordar superficialmente. Introdução Depois da nossa última aula. de 18 de Novembro de 1994 – Dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins e dá outras providências e o próprio Código Civil de 2002. Já o órgão de registro tem a obrigação de examinar objetivamente a compatibilidade dos documentos que arquiva. manter a escrituração atualizada e levantar balanço geral anual do ativo e do passivo do seu estabelecimento.

como observou o criador da contabilidade. às vezes. Os códigos numéricos e abreviações deverão ser assentados em livro separado próprio. Caso haja necessidade de se realizar a modificação de atos constitutivos arquivados na Junta Comercial. Nos termos do Art. ademais. Existem duas espécies de livros empresariais: a) Livros obrigatórios: o comum (que é o Diário). Poderíamos até concluir que ela é a “radiografia” da empresa. por opção ou mesmo por organização optam por fazê-lo. Que requisitos seriam esses? Os artigos 1. será feita mediante anotação nos registros da Junta Comercial. propiciar a fiscalização tributária e ainda fazer a prova em juízo. Alguns exemplos são o livro-caixa e o de contracorrente. Esta é essencial. comerciante sem contabilidade. mas. com a indicação de sua inscrição na OAB.183 do mesmo diploma. se você optou por fazer um livro-caixa. ocorrerá o ARQUIVAMENTO do ato constitutivo. Gostaria de ressaltar alguns fatores internos e externos do livro que podem ser importantes na sua vida profissional. b) Livros facultativos: são aqueles que os empresários não precisam necessariamente escriturar. Dela é que lhe advém o pleno conhecimento de sua situação patrimonial. Todo contrato de sociedade empresária (com exceção da microempresa) só poderá ser arquivado se visado por advogado. tradutores públicos). ou seja. Riscos corre ele. sua prova. caso haja demanda judicial. emendas ou transportes para as margens. que todos os empresários devem manter e os especiais. rasuras.179 e seguintes do Código de Civil de 2002 oferecem um elenco de formalidades que devem ser respeitadas em caso de criação de um livro empresarial. sem intervalos em branco. 1. mês e ano. em caso de infortúnio falimentar. Se o que a não tem em forma mercantil e ordem cronológica se desguarnece de provas. dispensada a juntada de mencionada folha. Quanto à publicidade dos órgãos. ou do jornal onde foi feita a publicação. nem entrelinhas. . que o comerciante perviene alla notizia di tutte le sue faccende. ele deverá obedecer a todos os requisitos legais. É por via das contas. na medida em que. borrões. mediante apresentação da folha do Diário Oficial. por ordem cronológica de dia. DA ESCRITURAÇÃO EMPRESARIAL Tanto o empresário quanto a sociedade empresária são obrigados a manter sua escrituração formalizada e principalmente atualizada. saiba que. armazéns-gerais. podemos obedecer ao previsto em lei. pela possibilidade de incorrer na pena de falência culposa ou fraudulenta. perchè il proverbio dice: chi fa la mercanzia e non la conosca i suori denari diventan mosca. portanto. Observe bem o seguinte: todos os livros escriturados pelo empresário ou pela sociedade empresarial devem ser devidamente regulares. também perde o governo de seus negócios. através dela. conosce facilmente per quello se le sue vanno bene o male. quando exigida. escrituração oposta apenas a determinada classe de empresários (Ex: corretores de navios.Na hipótese de sociedade. Ferreira traça um panorama interessante sobre a importância da escrituração: Não se compreende. que ela em seu benefício produz. a escrituração será feita em idioma e moeda nacionais e em forma contábil. para sua validade. tanto vale desconhecê-los pronta e seguramente. A correção de erratas deverá ocorrer através de estornos. isso dependerá de instrumento específico de alteração contratual (alteração contratual ou ata de assembléia ou reunião).

Esses balanços deverão conter a descrição de todos os bens. a marca identifica. créditos e débitos. o nome de domínio e a marca. Para obter a proteção do direito para o nome empresarial.. O Balanço de Resultado Econômico é a demonstração da conta dos lucros e perdas – imposta a todos os empresários. mas isso não é obrigatório. direta ou indiretamente. a sua natureza de elemento formador do estabelecimento empresarial. INSS. mercadorias.. Caso haja perda ou extravio da documentação. O Balanço Patrimonial é a demonstração do ativo e do passivo. É um diagnóstico preciso do andamento dos negócios e condição elementar para a obtenção de favores legais. 1. como símbolo singularizador. Em hipótese de falsificação dos livros. . deverão conter também as dívidas e o passivo empresarial. nos termos da Súmula 439 do STF) e a autoridade judicial.181 do CC/02). O tratamento jurídico do nome empresarial encontra-se no Código Civil de 2002. NOME EMPRESARIAL Enquanto o nome civil representa a pessoa natural.934/94 – lembra-se da lei de Registro Mercantil da qual já falamos? Pois é. o empresário tem ainda a obrigação de lançar pelo menos anualmente os balanços. sendo discutível seu caráter patrimonial. Enquanto o nome civil está ligado à personalidade de seu titular. Enquanto o nome empresarial identifica o sujeito que exerce a empresa – o empresário –. 1. além da devida autenticação no Registro Público de Empresas Mercantis (Art.168. compreendendo todos os bens. e o título do estabelecimento (também denominado nome fantasia) identifica o ponto. 297.155 a 1. produtos ou serviços. o empresário e o responsável (Art. além de não gozar da eficácia probatória que lhe é própria. o nome de domínio identifica a página na rede mundial de computadores.190 do CC/02). o órgão responsável pelo registro deverá ser comunicado no menor prazo possível além de haver publicação de tal fato em jornal de grande circulação ou oficial. o seu titular deve registrá-lo na Junta Comercial (Lei 8. 1. personificada na pessoa do Juiz de Direito em meio a um procedimento judicial (Art. pessoas físicas ou jurídicas. o nome empresarial significa o empresário. o próprio empresário pode clamar por uma coincidência. papéis de crédito e outra qualquer espécie de bens e valores. Por concentrar informações de grande importância para o empresário ou ainda até mesmo sigilosas. entre os quais o da recuperação judicial e extrajudicial. dinheiro. os únicos que poderão requisitar a abertura dos livros. III do Código Penal). Mais interessante do que conceituá-lo seria fazer um paralelo entre o instituto e o nome fantasia. É claro que. mesmo contra a vontade de seu proprietário. poderíamos detectar a importância em mantê-los seguros e também a preocupação com os termos de abertura e encerramento. a sua natureza de elemento integrativo do estabelecimento empresarial afasta quaisquer dúvidas quanto a sua natureza patrimonial.182 CC/02) responderão penalmente pelo ocorrido (Art. nos Artigos 1. Junto com a obrigação de escrituração.Já com relação aos aspectos exteriores dos livros. por conveniência. são as autoridades administrativas (fiscais da fazenda. em relação ao nome empresarial.

Ao pensar em meu nome empresarial. Calma! Falaremos sobre os nomes empresarias nas sociedades daqui a pouco. tendo absorvido todos os aspectos patrimoniais oriundos dessa absorção. Não existe possibilidade de um registro nacional. a firma nova de Cicrano é bem organizada. já que hoje é de responsabilidade do empresário proceder ao registro em outros Estados de seu interesse. só me causariam algum aborrecimento. na mesma unidade federativa (Estado-membro).. A norma infraconstitucional que complementa o texto magno é o da Lei 9.. dois nomes empresariais idênticos. na verdade. claro. sem sócios que. Se a firma ou a razão social que se pretende adotar for idêntica ou semelhante a outra já registrada. Acho melhor continuar a aula e também na minha profissão! A denominação é o nome da sociedade anônima ou companhia e. não é mesmo?). A firma individual é o nome usado pelo empresário individual. O que você acha? Eu ia fazer sucesso? Hum. A firma é um tipo de nome empresarial. 33). acrescido de elemento distintivo. Logo pensei na seguinte opção: Thais Lacerda Livreira. mais especificamente em seu Art.279/96 (a mesma Lei que trata da Concorrência Desleal. num futuro próximo. não poderão coexistir. 195. E ainda gostaria de exercer minha atividade sozinha. em seu Art. não ser preocupe. Quem registrou primeiro tem o direito de manutenção do nome. Na verdade. da sociedade limitada e da comandita por ações. já ser possível a unificação. A firma social ou razão social designa a sociedade contratual (sociedade em nome coletivo. nunca ao empresário individual. nada impedindo que seja abreviado ou. Você provavelmente já se pegou até falando: “Você já foi à firma de Fulano?” “Nossa. . Esse estilo de nome empresarial é composto pelo nome civil do empresário. conforme já estudamos aqui. 1. Ex: Eu resolvi mudar de profissão. nosso sistema ainda não está preparado para tal possibilidade. dentro. o critério a ser usado para saber quem tem direito à preservação do nome é a anterioridade. Deixar de ser professora e advogada e tornar-me uma livreira.164 do Código Civil de 2002 tratava da inalienabilidade do nome empresarial. Cabe apenas ao empresário requerer no DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio) a extensão da proteção. Os nomes empresariais de empresas estão entre aqueles direitos amparados na nossa Constituição Federal. Lembre-se: a denominação só será utilizada para dar nome empresarial a sociedades. Esperamos. de sua unidade federativa. ainda. sociedade em comandita simples e a limitada.ela também trata do nome empresarial e sua proteção mais especificamente em seu Art.” Mas essa não é a forma mais adequada de se referir a um estabelecimento ou mesmo a uma sociedade empresarial. Acontece que um enunciado proferido pelo Conselho da Justiça Federal desconsiderou tal artigo sob o argumento de que o nome empresarial faz parte do estabelecimento. V. O Art. deverá ser modificada e aditada de designação distintiva. 5°.. inciso XXIX. Infelizmente. Existem duas espécies de nome empresarial: a firma e a denominação. só pude optar pela firma individual. também em caráter opcional.. lembra-se? Até agora não chegamos a um conceito de concorrência desleal. se assim optar). Vamos deixar os exemplos de sociedades sob denominação ou firma para depois? Acredito que assim que adentrarmos o Direito Societário tudo ficará mais compreensível. E quando ocorrerem conflitos? E se você quiser o mesmo nome que eu? De acordo com o princípio da novidade.

.ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL De acordo com Fazzio Jr. lugar que geralmente confundimos com todo o estabelecimento). apesar da alienação. organizados pelo empresário. provavelmente o estabelecimento empresarial representa bem mais do que imaginávamos... sua alienação está sujeita à observância de cautelas específicas que a lei criou com vistas à tutela dos interesses dos credores de seu titular. azienda. O mais interessante é perceber que existe aqui uma universalidade de fato. b) bens imateriais: . desenhos industriais (estudaremos esses assuntos em um futuro bem próximo). A nova Lei de Recuperação de Empresas efetivamente preocupou-se com a manutenção da unidade do estabelecimento. Bom. Enquanto não providenciadas estas formalidades. no Brasil e no mundo. “O estabelecimento do empresário (fundo de comércio. .142 e seguintes. . modelos de utilidade. A concordância poderá ser dada por escrito. que deve ser preservado mesmo que em parte. a alienação não produzirá efeitos perante terceiros. já que assim ela estaria mais apta a dar o retorno esperado pelo investidor que resolve apostas mais uma vez naquela empresa. bens suficientes para solvência .privilégios industriais: patentes. e é de responsabilidade de seu titular fazer com que esses elementos. O tratamento jurídico pra o estabelecimento empresarial primordialmente encontra-se nos artigos 1. é garantia de seus credores. Como parte integrante do patrimônio do empresário. saber repensar. goodwill of trade) é o conjunto de bens (materiais ou imateriais) e serviços.143 e seguintes o legislador procurou tratar do trespasse.clientela. buscar alternativas para fazer com que tudo funcione. engrenados. ou seja. poderemos encontrar os seguintes bens: a) bens materiais: . marcas. O contrato de alienação (ou venda) deve ser celebrado por escrito para que possa ser arquivado na Junta Comercial e publicado pela imprensa oficial. Nos artigos 1. para a atividade empresarial. daí a importância desse instituto.obras artísticas. . .móveis. respeitando as regras locais e também todos os envolvidos no processo. a venda do estabelecimento empresarial. efetivamente constituam uma empresa. em seu patrimônio. Saber ser organizar. Por conseguinte. Essa é a arte de ser empresário hoje. Ao tratar das hipóteses de recuperação. obtenham um objeto e alcancem o objetivo primordial: o lucro. ela deu prioridade à manutenção da empresa intacta.” Em sua composição.imóveis.sinais distintivos (nome empresarial. . Cabe ainda ao empresário buscar com seus credores a autorização para a operação. nomes de domínio.serviços e pessoal. Só estará dispensado dessa obrigatoriedade aquele que ainda mantiver.ponto empresarial (efetivamente o local físico aonde o empresário se estabelece. nome fantasia).

quando de sua regularização. Isso significa que. Existem obrigações importantes no que tange ao desenvolvimento da atividade econômica organizada. Caso o empresário não observe tais deliberações. ainda. portanto. alguém pode ser empresário. dependendo do tipo do empreendimento. ao estudarmos o registro. não serão acrescentadas apenas vantagens à vida de um indivíduo. O credor somente perderá o direito de cobrar o crédito do adquirente do estabelecimento se expressamente renunciou ao direito quando anuiu com o contrato. Acredito ter sido esta uma aula bem produtiva. nos termos do Art. mas permanece com a escrituração empresarial. por certo. mesmo sem o registro. e nós já estudamos as conseqüências do desenvolvimento da empresa de forma irregular. cabendo-lhe. Bom. o direito de regresso contra o alienante. que é reconhecido pelo Código Civil de 2002. um nome específico para ser utilizado na sua rotina empresarial. ao se escolher o status de empresário. podendo os credores deste demandar aquele para cobrança de seus créditos. O empresário recebe. não é mesmo? Então. Resumo Nesta aula observamos que. então. As partes poderão. vamos pra próxima! Não se esqueça de dar uma olhada no resumo para refrescar as idéias e fazer os exercícios de fixação que preparei especialmente para você. conhecida pelo termo “empresa”. mas.101/05. combinar que o alienante ressarcirá o adquirente pelas obrigações que ainda não estiverem decididas em um processo judicial. Aquele que comprar ou adquirir o estabelecimento empresarial usufruirá do benefício de dividir suas responsabilidades com o antigo proprietário.. mas será um empresário irregular. o adquirente será sucessor do alienante. Em primeiro lugar. tão importantes para o dia-a-dia do empresário. Na hipótese de transferência do estabelecimento.do passivo. percebemos claramente que a obrigação do empresário não termina com esse registro. A cláusula de nãotransferência de passivo. 94.. através de contrato. não libera o adquirente. também ganham relevância probatória quando se tratar de autoridades fiscais e judiciais. que poderá ser demandado pelo credor. O nome poderá ser na forma de firma ou denominação. podendo o estabelecimento empresarial ser reivindicado das mãos de seu adquirente. como um requisito de regularidade da atividade empresarial. encontramos o registro. Os livros. inciso III da Lei 11. poderá ter sua falência decretada. ATIVIDADES 1) Qual a natureza do registro empresarial? Quais os diplomas reitores dessa obrigação empresarial? 2) Quais os órgãos de registro empresarial no Brasil? 3) O que são livros empresariais? Quais os tipos de livros empresariais? 4) O que é uma firma individual? E a social? 5) Como será composto o nome empresarial na forma de denominação social? .

ou seja.279/96. convênios e acordos sobre propriedade industrial. como fornecedor da estrutura básica para o empreendedor. nos termos da Lei 9. tem por finalidade principal. desenho industrial e invenção) tem o direito de explorar economicamente o objeto de sua criação nos termos legais. O termo “propriedade intelectual” designa o complexo de direitos intelectuais que se projetam no segmento empresarial. • Distinguir: patente de invenção. patente de modelo de utilidade.. sim. lembra-se?) trata dos institutos da patente de invenção e de modelo de utilidade. modelo de utilidade.. . investir na criatividade do indivíduo. na Lei 9. É um ramo do Direito Civil com várias particularidades e características próprias que. Introdução Oi.Aula 5 – Da propriedade industrial e o empresário Objetivos • Compreender o conceito de propriedade intelectual. infelizmente. ratificação e denúncia de convenções. perceberemos juntos que o Estado quer. concede ao comerciante? Agora vamos atravessar um caminho bem interessante neste ramo do Direito: a propriedade industrial. avanços tecnológicos e negociais será premiado pelo Poder Público. tendo em vista sua função social. Além desses institutos. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). jurídica e técnica. com inteira exclusividade. tantos institutos para que o empresário possa exercer sua função na sociedade. reconhecidos pelo Estado. Para que outrem possa fazer uso de tal registro deverá obter licença do titular do bem resguardado. registro de marca. sua atribuição pronunciar-se quanto à conveniência de assinatura. O empresário que adquirir os registros ou patentes dos institutos acima citados (marca. Imagino que possa estar passando pela sua mente: são tanto detalhes. A propriedade intelectual é o gênero do qual decorrem a propriedade industrial e o direito autoral. executar. que recebe tratamento legal especial. ainda. Quais seriam os incentivos que o Estado. como você está se sentindo? Hum. O direito autoral é a espécie de propriedade intelectual que tutela a proteção da criação e utilização e utilização de obras intelectuais. não estudaremos desta vez. • Perceber a presença dos conceitos de propriedade industrial no cotidiano da empresa.. em âmbito nacional (com postos espalhados por todo o Brasil). autarquia federal. mediante a concessão de patentes de invenção e registro de marcas e desenhos. Aqui. que se distingue por trazer modernidade. tratados. verificar a importância que os institutos ligados a essa propriedade podem ter na vida do empresário. registro de desenho industrial e marca. econômica. temos também o software..609/98. vinculada ao Ministério do Desenvolvimento. as normas que regulam a propriedade industrial. criada em 1970. A Lei 9. tudo bem? Após nossa rápida passagem pelos institutos básicos do Direito Empresarial. registro de desenho industrial e software.279/96 (aquela que falava sobre a concorrência desleal lá no seu finzinho. Aquele que inova. É.. Indústria e Comércio Exterior.

técnica ou industrial ligada a ela. geralmente.279/96 e dê uma paradinha no Art. é o reconhecimento. Você saberia conceituar invenção? Parece fácil. teremos que dosar a necessidade de tais atributos: a) Novidade: não basta que a invenção ou o modelo de utilidade sejam originais. se não decorrer de maneira comum ou vulgar do estado da técnica. O modelo de utilidade é o objeto de uso prático suscetível de aplicação industrial. investimentos. de atos relativos à matéria protegida. A patente assegurará a propriedade de uma invenção ou de um modelo de utilidade a seu autor. 11 – nesse caso. 8°da Lei 9. para o desenvolvimento científico e tecnológico da comunidade. uma invenção. portanto. a obra deverá ser desconhecida pela comunidade científica. instrumento de trabalho ou utensílio.. Vamos estudá-lo mais a fundo? A invenção é uma concepção resultante do exercício da capacidade de criação do homem. Mas atenção! O modelo de utilidade atende ao requisito. Não há. existe um conceito quase “jurídico” para esse termo. Na verdade. É um título atributivo de propriedade. alguns requisitos necessários para que seja obtida uma patente. dentro de um determinado campo tecnológico e que possa ser fabricada ou utilizada industrialmente. Busca-se mais. Além de original. uso e venda.. necessariamente. b) Atividade inventiva: a invenção ou o modelo de utilidade devem despertar um sentido de progresso real nos técnicos da área do experimento. quer dizer. a hipótese é contrária. Passe seus olhos pela Lei 9. de sua titularidade e efeitos decorrentes. o inventor se obriga a revelar detalhadamente todo o conteúdo técnico da matéria protegida pela patente.279/9609) MODELO DE UTILIDADE E o modelo de utilidade? Você imagina o que seja? Nesse caso. A patente é um nome específico do registro de invenção ou de modelo de utilidade. tais como fabricação. mas acresce-se a utilidade de alguma ferramenta. com novo formato de que resultam melhores condições de uso ou fabricação. o que é uma característica de natureza subjetiva.. de alguma forma. uma vez que eles não foram onerados com os custos da pesquisa e desenvolvimento dos produtos. ou seja.279/96). sem sua prévia autorização.PATENTE A pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos demandam. Proteger esses produtos através de uma patente significa prevenir-se de que competidores os copiem e vendam a um preço mais baixo. importação. Dependendo do objeto (invenção ou modelo de utilidade). Para que seja nova. o titular tem o direito de excluir de terceiros.. REQUISITOS TÉCNICOS Existem. mas não é. a obra também deverá ser nova. comercialização. O que a originalidade significa? Que é efetivamente algo surpreendente para quem criou o objeto. desconhecida das demais pessoas. (Art. 9° da Lei 9. Têm que efetivamente gerar um destaque especial para os técnicos relacionados à área. Em contrapartida. Durante o prazo de vigência da patente. Também deverá contribuir. a novidade consta na legislação como “não poderá estar compreendida no estado da técnica”. segundo o . O conceito é bem mais simples do que aparenta ser. Você percebeu a importância desse conceito? Aqui não se pensa apenas na obra original do cérebro humano. que represente uma solução para um problema técnico específico. pela ação da novidade que se lhe agrega (Art. pelo sistema jurídico.

6°. (Como exemplo poderia citar o inciso I do Art. A prioridade funda-se na anterioridade do depósito (Art. Deveremos estar atentos a esse detalhe que não tem nada de pequeno. 6°. b) Propriedade exclusiva do empregado: nesse caso. o contrato de trabalho não estipularia a invenção nem o modelo de utilidade como objeto da prestação de trabalho. tranqüilamente. para ressalva dos respectivos direitos (Art. haver um aproveitamento industrial das obras de criação. 18 da Lei 9. Com relação à titularidade. Deverá. Existem algumas proibições legais expressas com relação a patentes. não é mesmo? Qual a razão de a lei tentar diminuir a área de criação do inventor? Razões de ordem técnica ou de atendimento ao interesse público.279/96) d) Não-impedimento: no Direito Privado trabalha-se o brocado (essa palavra significa “máxima”.279/96) preocupa-se com a chamada criação ou invenção coletiva. existem dois fatores que preponderam. efetivamente. O Código de Propriedade Industrial (outro nome dado comumente à Lei 9. há que se distinguirem algumas situações. A junção desses dois requisitos na relação empregatícia geral efetivamente a propriedade da invenção por parte do empregador. Além disso. c) Aplicação industrial: somente a invenção ou o modelo de utilidade que trouxerem algum avanço industrial serão patenteados. “sentença”) de que se pode fazer tudo que a lei não nos proíbe. O Art.279/96). a legislação entende como sendo autor aquele que requerer o registro ou a patente (Art. desenvolver o sistema independentemente do ambiente de trabalho apresentado pelo Empregador. § 3° da Lei de Propriedade Industrial). A prova será realizada através da verificação do registro mais antigo.279/96). em paralelo com os publicistas (Direito Constitucional. o seu ambiente de trabalho foi essencial para que aquela invenção ou aquele modelo de utilidade tivesse sido alcançado. ou seja.parecer dos especialistas na área. o empregado conseguiria ou conseguiu. 18 – Não é patenteável o que for contrário à moral. “axioma”. à segurança.279/96 trata de algumas proibições expressas. à ordem e à saúde pública – caso de invenção relacionada ao beneficiamento de produtos com fim exclusivamente alucinógeno). Quando se tratar de invenção ou de modelo de utilidade realizados por duas ou mais pessoas. Dessa forma. vamos imaginar que um . aos bons costumes. Por exemplo. 7° da Lei 9. § 1° e 2° da Lei 9. E na hipótese de uma invenção ou de um modelo de utilidade criados dentro do ambiente do trabalho? Serão sempre do empregador? Pertencerão ao empregado? Existem 3 situações diversas: a) Propriedade exclusiva do empregador: nesse caso. Se a criação for conjunta. Administrativo. ou até mesmo a decisão judicial como arbítrio entre as partes. mediante nomeação e qualificação das demais. Devemos. independentemente das datas de invenção ou criação. c) Propriedade comum: quando um dos requisitos já citados (contrato de trabalho/ambiente de trabalho) não caminharem no mesmo sentido. O contrato de trabalho estipulava expressamente que o empregado havia sido contratado para tal desenvolvimento e este o fez dentro de seu ambiente de trabalho. A prova da titularidade ou da autoria da invenção ou do modelo de utilidade está embasada no registro de tal obra. 15 da Lei 9. os dois requisitos citados no item anterior devem ser revertidos em favor do empregado. Tributário) que estão condicionados ao que a lei expressamente autoriza. devemos sempre observar as limitações legais a nossa atuação. ou seja. entretanto. (Art. a patente poderá ser requerida por todas ou qualquer uma delas. teremos a propriedade em comum. observar que hoje a maioria das invenções e criações é oriunda de equipes de criação mantidas ou contratadas por pessoas jurídicas (em geral empresas de grande porte).

O parecer técnico poderá apresentar uma destas situações: . os técnicos do Instituto Nacional de Propriedade Industrial vão tentar fazer.aceita o pedido e concede a patente como reivindicada. contados da data do depósito. ou seja. sob pena de devolução ou arquivamento dos documentos (Art. seja de invenção. o pedido será processado em caráter sigiloso e incumbirá ao órgão competente do Poder Executivo determinar a quem o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) encaminhará o pedido. a viabilidade do projeto. 33 da Lei de Propriedade Industrial. . Nesse momento. O procedimento de registro de patente é administrativo e vinculado. 30 da Lei de Propriedade Industrial. o ambiente de trabalho foi fundamental para a obra). ao depositante e ao inventor. exatamente o que ele fez e nas mesmas condições.trabalhador de determinada fábrica não tenha sido contratado para criar uma nova máquina de fazer bolos. se dentro do estabelecimento tiver o equipamento necessário para tal criação (ou seja. Nesse caso específico. de acordo com o Art. O pedido que não se apresentar formalmente completo tem o prazo de 30 (trinta) dias para ser complementado. O órgão certificador. cuja inobservância poderá acarretar o arquivamento do pedido. o autor deverá apontar a reivindicação.denega o pedido por não enquadrar-se na natureza reivindicada (estou desenvolvendo uma nova modalidade de tinta de cabelo – lembra-se do pedido? . deverá pedir o enquadramento de sua invenção na área de cosméticos.e peço a patente na área de tapeçaria). o funcionário do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) deverá observar se existe ali a documentação necessária. 21 da Lei de Propriedade Industrial). de fato. de acordo com o que foi apresentado pelo autor. tentará reproduzir a invenção ou o modelo de utilidade obtido pelo autor do pedido. . 31 da Lei de Propriedade Industrial. o pedido será mantido em sigilo por 18 (dezoito) meses. 3 – Exame técnico Este é efetivamente o momento crucial no que tange a patentes (tanto de invenção como de modelo de utilidade).indefere o pedido de plano com esteio na não-patenteabilidade. ou seja. de imediato. portanto. Aqui. sem averiguar. (Ex: caso esteja desenvolvendo uma nova coloração de tinta para cabelo. Esta fase é normalmente denominada como a fase de exame formal. ou seja. em que área a sua patente deverá ser registrada. o interessado estará ainda sujeito à apresentação de documentos e à realização de diligências. mas. após o que será publicado. pelo prazo de 60 (sessenta) dias.) 2 – Publicação Nos termos do Art. essa obra será de ambos. deve-se salientar que o pedido de patente regularmente instruído e formalmente recebido ficará à disposição do público no INPI. Excetuando-se o caso acima. com exceção do pedido de patente que tenha por objeto o interesse da defesa nacional. 19 da Lei de Propriedade Industrial) O pedido deverá conter os dados necessários alusivos ao objeto. só se procederá da forma abaixo descrita: 1 – Pedido (Art. nos termos do Art. . seja de modelo de utilidade. Após a publicação.

não impedimento e não proibição. XXIII da Constituição Federal Brasileira). o depositante devidamente intimado poderá manifestar-se no prazo de 90 (noventa) dias. Esse conceito também foi trazido para a propriedade industrial. aplicação industrial. através dele. sendo de 20 (vinte) anos para a invenção e de 15 (quinze) anos para o modelo de utilidade. Atendidas essas regras. nas demais situações. mesmo que temporário. . para as invenções. só será legitimado para exercer a função de proprietário de uma propriedade. a lei estabeleceu que o prazo de duração do direito industrial não poderá ser inferior a 10 (dez) anos. A propriedade no Brasil. tendo já transcorrido 3 (três) anos de sua expedição. Caso o proprietário da invenção ou do modelo de utilidade resolva disponibilizar sua criação. Você percebeu que a duração de um procedimento administrativo para patentear uma invenção ou um modelo de utilidade pode chegar a até 10 (dez anos)? Pode parecer até muito para nós.Ressalvada a hipótese de parecer positivo. se o titular da patente. ou de 7 (sete) para os modelos. atividade inventiva. caducidade. 44 da Lei de Propriedade Industrial). falta de pagamento da retribuição anual. que nada mais é do que um nome específico do registro de invenções e modelo de utilidade. 40 da Lei 9. Assegura-se ao detentor da patente o direito de obter indenização pela exploração indevida de seu objeto. Para retirar a patente deverão ser observados vários requisitos: novidade. 38 da Lei de Propriedade Industrial). para que tal recurso tenha oponibilidade erga omnes (o contrato poderá ser oposto contra terceiros que tentarem de forma irregular fazer uso da criação).279/96). deverá fazê-lo através de um contrato de licença. Resumo Neste capítulo compreendemos o sistema de proteção da propriedade industrial. não a explora por completo. ressalvado o direito de terceiros. sob pena de arquivamento do pedido. principal artifício do empresário ao realizar sua principal atividade: perseguir incansavelmente o lucro. 68. ou se verifica o caso de insatisfatória comercialização (Art. do prazo de duração da patente. ou se. § 1°e 5° da Lei de Propriedade Industrial). A patente poderá ser extinta nas hipóteses de expiração do prazo de vigência. contados da expedição da patente (Art. tangível ou não. renúncia de seu titular. aquele que fizer bom uso desta. pratica-se abuso do poder econômico. é exercida de acordo com os padrões de função social (Art. Em primeiro lugar analisamos a patente. 61 da Lei de Propriedade Industrial. Para garantir ao inventor um tempo razoável de utilização de seus direitos. Caso o direito de propriedade de uma patente. entre outros. Mas existem procedimentos tão complexos que podem efetivamente necessitar desse prazo para serem analisados a fundo. hoje. nos termos do Art. A patente será concedida depois de deferido o pedido e comprovado o pagamento da retribuição (nome específico da taxa que deve ser entregue ao INPI para a retirada da patente) correspondente. em nenhuma hipótese. inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e da concessão da patente (Art. contados do depósito do pedido de patente (data de protocolo do pedido no INPI). Ou seja. 5°. A patente tem prazo de duração determinado. caberá a licença. a não ser em situações específicas. expedindo-se a respectiva carta-patente (Art. não haverá prorrogação. seja exercido de forma abusiva.

do empregado e aquela que só será determinada em juízo. a patente de invenção será deferida pelo prazo de 20 (vinte) anos e a de modelo de utilidade pelo prazo de 10 (anos). Caso haja aprovação.Em se tratando de invenção ou de modelo de utilidade obtidos no ambiente de trabalho. Existe. determine de quem será a propriedade da patente: do empregado ou do empregador? . Desta combinação poderão surgir várias situações: a patente do empregador. ainda. um período de avaliação que determinará se o objeto é passível de registro ou não. ATIVIDADES 1) O que é propriedade intelectual? E a propriedade industrial? 2) Quais os requisitos da patente? 3) O que é uma invenção? E modelo de utilidade? 4) Qual o prazo de proteção das patentes? 5) Em se tratando de invenção ou de modelo de utilidade obtidos no ambiente de trabalho. deverão ser observados dois requisitos importantes: o contrato de trabalho e o ambiente de trabalho.

recebemos um enxurrada de possibilidades que transformam o “ter” em mais do que o “ser”. • Reconhecer as implicações decorrentes das disposições trazidas na Lei nº. O Código Civil tratava de todas as relações civis. ela vem cumprindo seu papel. mesmo que fora dos tão importantes “códigos”. Isso porque. nesta qualidade. O sistema constitucional que trata da “Ordem Econômica Financeira”. Esse assunto foi abordado em nossa aula de nº. Com o passar do tempo. procurou na relação entre consumidor e fornecedor um tratamento mais igualitário e justo.. ou defesa do consumidor. Em se tratando de um princípio constitucional. seja como fornecedor. o consumo desenfreado – por vezes até desnecessário – é fundamental e absolutamente imprescindível para nós. Poderíamos considerar o Código de Defesa do Consumidor como um microssistema legislativo. encontra várias demandas e exigências legais e do mercado. quando. O que é microssistema legislativo? Por muito tempo. Agora iremos compreender a legislação consumeirista e seu efeito no dia-a-dia do empresário. Não é preciso nem dizer sobre a sociedade de consumo em que estamos inseridos. Nesses termos. popularmente conhecida como Código de Defesa do Consumidor. Uma dessas disposições é a proteção ao consumidor. neste caso. encontramos no Art.078/90 para o empresário. Seja na qualidade de consumidor. o empresário não poderia ficar de fora dessa realidade. Todos os meios de comunicação têm reforçado em nossa mente a idéia de que o excesso. Todos os dias. . o direito estava fixado no conceito de legislações monotemáticas.. ao não realizar a atividade econômica. 8. 170 da CF/88 uma série de determinações quanto ao desempenho da atividade empresarial. em seu bojo.Aula 6 – Código de Defesa do Consumidor e a atividade empresária Objetivos • Identificar a importância da proteção ao consumidor explicitada nos princípios constitucionais que regem a ordem econômica e financeira. os princípios que regem a exploração da atividade econômica organizada. via de regra.078/90 é um exemplo desse fenômeno. A Lei 8. 2. Como parte da sociedade. percebe-se claramente que a realização efetiva da vontade do legislador vem mesmo com a lei infraconstitucional. quando reconhecidamente se portar como parte hipossuficiente (parte mais fraca) na relação de consumo. Apesar de tratar de relações eminentemente civis.078 de 1990. o penal de todas as relações penais. algumas leis esparsas foram ganhando espaço e importância. traz. 170 da Constituição Federal de 1988. código comercial de todas as relações comerciais. a partir do Art. Introdução Olá! Como vai você? Bem informado em matéria de direito empresarial? Imagino. o Estado guarda para si as funções de fiscalização e monitoramento dela. Espero que você esteja gostando desta trajetória. a Lei 8. • Conhecer a história de desenvolvimento do Direito do Consumidor no Brasil e no mundo. Aparentemente.

também conhecida como Código de Defesa do Consumidor. Sendo meu monitor de 19 (dezenove) polegadas (bom.078/90. Na ânsia em esvaziar seu estoque. é vivendo que se aprende. Outro aspecto valioso do Código de Defesa do Consumidor é a preocupação com as prestações desproporcionais. se você.. imperícia ou imprudência). sentir-se lesado. daí a preocupação do legislador em buscar o reequilíbrio da relação desproporcional. enumera uma série de princípios que deverão ser respeitados para que a relação entre o consumidor e o fornecedor seja considerada juridicamente lícita. 4º da Lei nº. Caso essa situação se efetive. a Lei 8. 8. Em função disso. por exemplo. Como exemplo. A solidariedade entre os fornecedores consagra-se também como um das grandes aliadas do consumidor no Código de Defesa do Consumidor. para quem não sabe nada estou até bem! Afinal. por força da lei. juntos. entendo “patavina” de computador. . ao comprar no supermercado um iogurte impróprio para consumo. para mim será uma verdade absoluta! Esta situação casuística faz parte. ficou alguns dias sem trabalhar por conta de um mal-estar. um pouco mais do direito empresarial. na medida em que o aparelho recebido não é aquele previsto no contrato realizado. Acredito que você saiba o que é isso e que até já tenha realizado operações comerciais em que se sentiu absolutamente vulnerável. a responsabilidade do dano será objetiva. do fornecedor. os vários envolvidos em uma relação consumeirista como fornecedores irão. hoje. possivelmente não ficarei satisfeita com o resultado. Posso entender um pouco de direito. O que significa solidariedade? A responsabilidade solidária poderia ser definida como um fenômeno jurídico em que. O primeiro desses princípios fala sobre a vulnerabilidade do consumidor. Vamos imaginar que o fornecedor não esclareça que aquele computador tem uma placa de vídeo limitada. Continuemos estudando o exemplo acima citado. o fornecedor se esquece de dar as principais informações sobre o produto! Daí abstrai-se ainda outro princípio do CDC (Código de Defesa do Consumidor): o da informação. a vida ou a segurança do consumidor. A transparência nas relações também é um fator de suma importância. Outro princípio relevante é o da segurança. O Art. O legislador exige do fornecedor que este apenas insira no mercado produtos que não prejudiquem a saúde.. no que tange a computadores. tenho uma imensa dificuldade em identificar qual equipamento atenderia meus anseios e necessidades. Serão consideradas inválidas as disposições que ponham em desequilíbrio a equivalência entre as partes.. Quando resolver cobrar o prejuízo sofrido.. O que o funcionário disser. Tratarei de alguns princípios para elucidar o meu raciocínio e para que você perceba o quanto essa legislação é importante no nosso viver diário. só sei operar. do quotidiano de muitos.. assim como do supermercado fornecedor.078/90 ainda traz em seu corpo o princípio da reparação integral. Ao chegar a um fornecedor desse produto. vamos supor que você. responder por todo o prejuízo causado ao consumidor. mas. Eu. por exemplo.PRINCÍPIOS DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR São muito freqüentes no Código de Defesa do Consumidor as denominadas “normas constitucionais”. na prática. independentemente da presença de culpa (negligência. poderá buscar a reparação pelos transtornos sofridos. Isso significa que. ao assinar um contrato com uma determinada operadora de telefonia móvel. poderá escolher cobrar do produtor do iogurte. Caso isso aconteça. aquelas que expõem valores e fins a serem conquistados. além de problemas financeiros (vamos supor que você é um profissional liberal) passou por constrangimentos morais. ou seja..).

3º (. montagem. Sem a habitualidade no desempenho da atividade de fornecimento. para se mudar de cidade.O Código de Defesa do Consumidor fala em boa-fé objetiva. O legislador define ainda o fornecedor. Ocorre que. §2º. as relações de consumo em que se aplicam as normas do Código de Defesa do Consumidor. Nos termos do Art. “serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. para que compreendamos o conceito verdadeiro desta relação. a clara intenção de não deixar de fora nenhum produto ou serviço ofertado no mercado de consumo. transparência e qualidade de produto ou serviço antes.” No Art. um bazar para se desfazer de seus pertences menos importantes. transformação. Nos termos do Código de Defesa do Consumidor – Lei nº. Nesse conceito. Em contrapartida. 8. dificilmente teremos a figura do fornecedor. construção. 3º. nos termos do Art. mediante remuneração. ao chegar à loja. o equipamento poderia sofrer danos que inviabilizariam seu funcionamento. financeira. 2º do Código de Defesa do Consumidor. ou seja. Mas. inclusive as de natureza bancária... ao ficar em ambiente úmido. Vamos supor que eu tenha resolvido comprar um aparelho novo de som e que. Quando você vai até o supermercado perto de sua casa. . que é considerado.” As definições dessa lei trazem em seu corpo um aspecto de amplitude. como a empresa que compra cola para utilizar em sapatos de sua produção. criação. 3º do Código de Defesa do Consumidor. o legislador excluiu da classe de consumidores aqueles que adquirem o produto como etapa na cadeia de produção. bem como os entes despersonalizados. durante e depois da relação consumeirista. uma semana depois de comprado.. monta. têm sua origem intimamente relacionada com as operações de natureza comercial e com o comércio propriamente dito. que desenvolvem atividades de produção. Ao levar o aparelho para casa. Mas agora talvez fosse interessante compreendermos as figuras mais importantes desta relação tão fundamental hoje. devemos refletir sobre a habitualidade. nacional ou estrangeira. o aparelho de som começou a apresentar sinais de depreciação. Lei n° 8. resolvi deixá-lo na cozinha para o entretenimento da família na hora das refeições.. por conta da umidade. importação. Art.078/90. Fica fácil perceber a preocupação do legislador com o consumidor.078/90.. se colocando na condição de consumidor. exigindo deste que mantenha os padrões de segurança. como toda pessoa física ou jurídica. em frente a sua casa. de crédito e securitária. salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Quem é o consumidor? E quem é o fornecedor? CONSUMIDOR X FORNECEDOR Normalmente. no que tange à produção e à circulação de bens ou serviços.). você está. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. móvel ou imóvel. material ou imaterial. mas esqueceu-se de dizer que. precisaremos conhecer as principais figuras dela: o consumidor e o fornecedor.) §1º – “produto é qualquer bem. exportação. pública ou privada. Bom. para fazer a tão temida “compra de mês”. tenha me encantado com um excelente modelo. (. temos que: “Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”. naquele momento.. O que significa isso? Esse princípio cuida da intenção do fornecedor. O vendedor do estabelecimento se esmerou ao me apresentar todas as qualidades do som. Não será considerada uma unidade de fornecimento a família que.

Acredito que essa expressão não seja composta de um conceito físico. Em linhas gerais.” Isso significa que. será objetiva. existe também um requisito para que alguém seja considerado consumidor: ser o destinatário final do produto ou serviço. 18 do Código de Defesa do Consumidor. Gostaria de ressaltar. ou seja. que aplicam o Código de Defesa do Consumidor em relações estritamente profissionais em que o produto ou serviço será revendido ou negociado com um terceiro. não busca lucro com a aquisição ou uso do produto ou serviço. em seguida. todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo. Mas quais são as condutas dos fornecedores que serão consideradas puníveis. O Art. Nesse caso.. Ao programar o relógio. mas já imagino uma grande interrogação em sua mente.. pelo texto da Lei 8. gostaria de chamar sua atenção para um detalhe: a responsabilidade.” A Lei nº 8078/90 traz ainda um gravame: caso existam vários fornecedores envolvidos. temos que o vício do produto é todo aquele que impede ou reduz a realização da função ou do fim a que se destina o produto. como último ponto desta parte do nosso estudo.078/90? a) Vício do produto: nos termos do Art. Vamos primeiro ao texto desse Código para que. o fornecedor (veremos que aqui. para não perder a hora de seus estudos do EAD todos os dias. se você comprar um iogurte na padaria pertinho da sua casa e. ou seja. que vem prevista no § 4º do artigo citado acima: “A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa”. sentir-se mal. independentemente de ter agido com culpa. equiparadamente. eu ilustre esse conceito para você na forma de um exemplo. Cabe ressaltar que isso não é uma regra. mas sua apreciação será feita em um caso concreto. Se a função do relógio era a de despertar . percebe que a função de despertador não está funcionando. O que seria então o “destinatário final”? Se o fornecedor deve ser aquele que exerce a sua função habitualmente. com imperícia. Isso vem disposto no Art. a você! Existe apenas uma exceção dessa grande responsabilidade do fornecedor. que não há nenhuma dificuldade em conceder o título de “consumidor” a uma pessoa jurídica. ok? QUALIDADE DO PRODUTO E SERVIÇO Antes de falarmos sobre os defeitos nos produtos ou mesmo na prestação de serviços. ao consumilo. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. isto é. na sistemática do Código de Defesa do Consumidor. 14 do Código de Defesa do Consumidor traz o seguinte texto: “O fornecedor de serviços responde. encontramos o dono da padaria e também o produtor do iogurte nesse papel). imprudência ou negligência. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços. todos responderão solidariamente.Você ainda não me perguntou. apenas para efeito de esclarecimento. poderíamos imaginar a seguinte situação: você compra um relógio com função de despertador. deverá ser responsabilizado pelos danos causados ao consumidor. tendo em vista que nos últimos dois dias você perdeu o horário de despertar. eu poderia dizer a você que o consumidor é aquele que adquire o produto ou usa do serviço sem fins profissionais. Existem inúmeras exceções nos julgamentos brasileiros. independentemente da existência de culpa. 7º do Código de Defesa do Consumidor: “Tendo mais de um autor a ofensa.

para que não ocorra um problema maior no futuro. chega-se à conclusão de que o consumidor. Poderíamos dizer que o serviço encontra-se viciado quando houver rompimento entre a expectativa legítima do consumidor e o desempenho do serviço adquirido. o prazo para reclamação é decadencial. 14 do Código de Defesa do Consumidor trata sobre os serviços que causem os mesmos transtornos. prestador de serviço.). Outro exemplo clássico de fato do produto é o chamado “recall”. em 19/10/04. a quilômetros e quilômetros da praia. o hipermercado. mas que a consumidora passara mal em conseqüência de uma gravidez que ela desconhecia. efetivamente o aparelho não conseguiu cumprir sua principal função. É disso que trata o fato do produto. Em se tratando de vício oculto. §2º do Código de Defesa do Consumidor traz as hipóteses excludentes dessa responsabilidade: a) a prova de que não houve fornecimento ( na hipótese do exemplo acima. Existe. O Art. Vamos supor que. no mínimo. entretanto. Ao chegar ao local. 20 do Código de Defesa do Consumidor traz em seu corpo o conceito de vício de serviço. teremos que o estacionamento utilizado pelo cliente não era o fornecido pelo hipermercado.. Assim não dá. não leu as condições corretas do pacote. entendendo que ele. d) Fato do serviço: enquanto o Art. do iogurte comprado na padaria. por análise técnica do produto.). ainda. espera que ele dê a você. ao fornecer estacionamento. será também responsável pela prestação de segurança dos bens e da integridade física do consumidor. Bom. c) culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro (na hipótese do pacote turístico para Porto Seguro. O fornecedor não poderá passar impune diante de um fato de grande perigo como esse.). ao que me parece a panela de pressão serve para o cozimento mais rápido dos produtos. além de expor a sua vida e a de seus familiares a um grande perigo. na existência de assalto a cliente de hipermercado em seu estacionamento. 419. 12. o Art. Vamos supor que você vá até o supermercado para adquirir uma panela de pressão. A agência de viagens informa que o hotel está localizado em uma das melhores áreas da cidade. situação em que as montadoras de automóveis (mais comumente) chamam os consumidores para repararem defeitos em peças dos veículos. b) Vício de serviço: o Art. não é mesmo? Garanto que suas férias terminariam nesse momento! Haja coração! c) Fato do produto: quando você compra algum produto em um estabelecimento comercial. condições de segurança.você. juntamente com sua família. 12 do Código de Defesa do Consumidor vem tratando exatamente desse defeito consumeirista. situações que excluem a responsabilidade do fornecedor. ou seja. Ocorre que a válvula da panela vem entupida e causa um grande acidente dentro de sua casa.059 que. você resolve. adquirir um pacote turístico para Porto Seguro. O Art. deverá indenizar o consumidor pelos transtornos advindos da má prestação de serviço. você se depara com um estabelecimento sem qualquer estrutura para recepção e. a poucos metros da praia. tendo em vista se tratar de serviço inerente ao negócio. e que confundiu aquele com outro passeio que não adquiriu. b) inexistência do defeito (na hipótese anterior. o prazo decadencial se . sendo de 30 (trinta) dias para os produtos não duráveis e de 90 (noventa) dias para os duráveis. no Recurso Especial de nº.. um prazo específico para a responsabilização do fornecedor. Existem. Em se tratando de vício de produto ou serviço. ainda. depois de anos sem férias. aquele de difícil constatação. chega-se à conclusão de que não havia qualquer imperfeição em seu conteúdo. 12 fala sobre os produtos que possam causar dano aos consumidores. O Superior Tribunal de Justiça decidiu.

51. tácita ou expressa. ao perceber que nem sempre o consumidor. está efetivamente em condições de igualdade com os fornecedores. nos termos do artigo anterior. Por exemplo. o produtor ou o importador não puderem ser identificados. nos termos do Art. a interpretação . As cláusulas que tratem das obrigações dos consumidores deverão ser claras e precisas. em meio às cláusulas contratuais. Se não fosse assim. não poderá ser imposto ônus excessivo aos consumidores. O Código de Defesa do Consumidor oferece a este a possibilidade de utilizar meios jurídicos para atenuar as distorções derivadas da vulnerabilidade social. costuma qualificar a responsabilidade do consumidor como subsidiária. de acordo com o teor do prescrito no art. Nos termos do Art. II – o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante. cultural e econômica em que se encontra perante o fornecedor. PROTEÇÃO CONTRATUAL O legislador. devemos relembrar a transparência. pelo consumidor.078/90. construtor ou importador. em seu Art. §1º da Lei 8. falam sobre a questão de aquela atividade ser a profissão do empresário ou consumidor. nos termos do Art. para ambos. A segunda preocupação do legislador é o estabelecimento do equilíbrio contratual. falemos sobre a irrenunciabilidade dos direitos. Por último – e não menos importante – encontra-se a interpretação favorável ao consumidor.inicia apenas a contar do momento em que ficar evidenciado o defeito. O consumidor deverá ter pleno conhecimento do que adquire ou usa e exigir todas as informações para que compreenda a exata extensão das obrigações assumidas com o fornecedor. seria absolutamente fácil burlar o Código de Defesa do Consumidor. já que. A doutrina. quando houver dificuldade de acesso ao fornecedor principal. todo o esforço da sociedade em protegê-lo iria “por água abaixo”. I da Lei 8. optou por um sistema protetivo especial em se tratando de relações contratuais entre o consumidor e o fornecedor. entretanto. 18. tendo em vista a urgência e necessidade. o construtor. para que estes não se achem em condição de desvantagem em relação aos fornecedores. 46 do Código de Defesa do Consumidor. Já que o instrumento contratual é elaborado pelo fornecedor de forma unilateral. Nos termos dos Arts. quando: I – o fabricante. III – não conservar adequadamente os produtos perecíveis. O Art. produtor. 27 do Código de Defesa do Consumidor. 13 do Código de Defesa do Consumidor estabelece a responsabilidade do comerciante: O comerciante é igualmente responsável. de forma indireta. e o Art. XI e XII do Código de Defesa do Consumidor. A reclamação formulada perante o fornecedor obsta a decadência. para contratar.078/90 – Código de Defesa do Consumidor. em cinco anos a pretensão para reparação dos danos causados por fato do produto ou serviço. 3º do Código de Defesa do Consumidor. Em primeiro lugar. exige-se legalmente o requisito da habitualidade ou profissionalidade. são nulas de pleno direito as cláusulas que impliquem a renúncia. ao observar essa disposição do legislador. Prescreve. 51. E o empresário? Será que o Código de Defesa do Consumidor fala algo especificamente para ele? Acredito ser óbvia a adequação do empresário ao conceito de fornecedor. O Código Civil. em um instrumento contratual que o consumidor se visse pressionado a aceitar. Mais uma vez. de direitos que lhe são assegurados pela lei. ou seja. 966.

o consumidor terá direito à indenização pelos danos materiais e morais.078/90 – Código de Defesa do Consumidor – é aquela que agride os valores sociais. 67 da Lei 8. O palavrão. 170 da CF/88) e um deles é a proteção ao consumidor nos termos da Lei 8. a nudez. etc. 36 do Código de Defesa do Consumidor – Lei 8. Quantas pessoas são iludidas todos os dias ao perceber que o anúncio efetivamente oferece todos os seus sonhos: o corpo perfeito. O EMPRESÁRIO E SUA PUBLICIDADE O legislador consumeirista não tem qualquer resistência ao uso da publicidade. c) Publicidade abusiva: De acordo com o Art. Nos termos do Art. Quando a publicidade é feita de forma simulada. Existem apenas 3 (três) formas de publicidade ilícitas que o Código do Consumidor proíbe: a) Publicidade simulada: nos termos do Art.078/90 . seja na diminuição de peso. deixa o consumidor indefeso perante as investidas dos fornecedores.078/90. ou seja. Se o fornecedor fizer uso de alguma destas modalidades de publicidade proibidas pelo Código de Defesa do Consumidor. sua conduta gerará responsabilidade civil. conduta com o consumidor. a responsabilidade é objetiva. o fornecedor responderá pela prática de crime e deverá veicular contrapropaganda que desfaça os efeitos do engano ou do abuso. a juventude eterna. Cabe ressaltar que este aspecto é demasiadamente relevante. não é mesmo? Fica cada vez mais claro aqui que o empresário deverá apenas prestar atividade econômica organizada. publicidade. 47 do Código de Defesa do Consumidor é expresso ao tratar desse princípio da relação contratual consumeirista.Código de Defesa do Consumidor. mas esta deve estar regida pelos princípios constitucionais que regem a ordem econômico-financeira (Art. diz que a publicidade enganosa é aquela que induz o consumidor em erro. Reconhece-a como forma de expansão das relações do fornecedor e. 6° desse Código. Resumo Nesta aula tivemos a oportunidade de vislumbrar a importância do Código de Defesa do Consumidor para aquele que pratica a atividade empresarial. Um exemplo mais comum disso é a venda de medicamentos que prometem milagres. Muito interessante. que o consumidor possa percebê-la fácil e imediatamente. para se caracterizar o engano fruto de publicidade. regras na confecção dos contratos.. conseqüentemente. ou seja. enxerga uma melhora de fornecimento também de informações para o consumidor. tendo em vista que muitas vezes quem realiza a atividade sequer tem conhecimento de áreas como responsabilidade. independentemente da conduta do fornecedor. b) Publicidade enganosa: o artigo 37.078/90. O Art. o erotismo não são necessariamente abusivos. o legislador exige que a propaganda seja feita de forma explícita. para que ocorra uma compensação nos termos. que fosse lesiva ao meio ambiente e imprópria para menores em horário diurno. § 1° do Código de Defesa do Consumidor. Poderia ser considerada abusiva a publicidade que promovesse valores como o racismo. 37. Cabe ressaltar que não se exige o dolo do fornecedor.. § 2° da Lei 8. dependendo do contexto de sua apresentação pelo anúncio. Cabe ao profissional que orienta este sujeito da atividade empresarial chamar atenção para . seja na prevenção de envelhecimento. Nos termos do Art. penal e administrativa.dele deverá ser feita favoravelmente ao consumidor. adotando cautelas próprias diante da natureza necessariamente parcial da mensagem transmitida.

elementos fundamentais da prática empresarial que por vezes podem colidir com o interesse da prática empresarial. o CDC conseguiu cumprir sua principal função? . que hoje o consumidor está muito mais preparado para lidar com os problemas do dia a dia. o lucro. hoje conhecido por empresário? 3) Do que se trata a publicidade enganosa? E a abusiva? 4) Você crê. ou seja.078/90. por sua observação. ou seja. Atividades Responda às seguintes perguntas: 1) De que forma o Código de Defesa do Consumidor. pode limitar o empresário em sua atividade? 2) Quais as regras apresentadas no CDC para responsabilização do comerciante. Lei 8.

97. . podemos passar agora para uma outra fase: o estudo do desenho industrial (que não guarda muita novidade) e das marcas. mas sim da anterioridade do registro.Novidade: o desenho industrial é considerado novo quando não compreendido no estado da técnica. em um mercado capitalista e competitivo como o empresarial. o direito de utilização exclusiva da propriedade industrial não nasce da anterioridade de sua utilização.279/96). • Reconhecer a possibilidade de registro de um desenho industrial e as condições e requisitos para tanto. próximo do que estamos vendo. Ele está descrito no Art.279/96. nos termos da Lei de Propriedade Industrial. Introdução Parece dar muito trabalho este negócio de patente. Outra conclusão interessante que podemos tirar é que o direito brasileiro... e ele permite a sua exploração exclusiva por um determinado espaço de tempo. o mais importante é compreender que o monopólio adquirido pelo registro da patente pelo empresário por 20 (vinte) anos ou prazo semelhante. bem como os requisitos e procedimentos para o seu registro de acordo com a Lei 9. Você me acompanha? DESENHO INDUSTRIAL Primeiro gostaria de estudar com você o conceito do desenho industrial.. que tem um tratamento jurídico bem especial. conferiu ao registro industrial o caráter de ato administrativo constitutivo. marcas e software Objetivos • Detectar onde se encaixam o desenho industrial e o software na propriedade industrial. perante o INPI. em seu Art. é um tempo considerável. outras findam. o desenho deve conter alguns requisitos: . acabei chegando a uma conclusão bem interessante. a originalidade é estética. Na verdade.Originalidade: o desenho industrial é original quando apresenta uma configuração própria não encontrada. Para ser registrado como tal. 95 da Lei 9.279/96. nos termos da Lei 9.Aula 7 – Desenho industrial. mas. Depois abordaremos a questão do software. Não sei se você notou. não é mesmo? Pois é. Após o estudo analítico das patentes. na verdade. Parece injusto. Muitas coisas acontecem em tanto tempo. • Entender a metodologia especial de proteção do software.279/96 (a mesma que trata das patentes de invenção e modelo de utilidade). mas. Enquanto a novidade é uma questão técnica. ocorre uma troca. Você transfere a fórmula para o Poder Público. o Estado não confere direito sobre seu invento ao cidadão. raciocinando sobre a lei. . • Conhecer o conceito de marcas. Empresas aparecem. Quando você resolve dar início a um procedimento administrativo. desde o Código de Propriedade Industrial de 1969 (legislação que veio antes da Lei 9. Ou seja. para retirar a patente de um invento ou de um modelo de utilidade.. Sim. uma troca.

o Estado cuida para que cada marca seja o máximo possível protegida. com poderes de representação administrativa e judicial.279/96? Pois é. Veja. o nome. O registro do desenho industrial poderá extinguir-se: pela expiração do prazo de vigência. O desenho industrial também contará com um procedimento administrativo vinculado específico que está contido nos Arts. Conforme já estudamos. no Art. Ainda parece estranho pra você que algo de sua imaginação. Existe uma marca muito famosa que já ganhou aceitação popular e quase dá nome ao produto. elas são protegidas por força de lei. a nacionalidade e o domicílio do titular. o procedimento é formal e deverá ser cumprido estritamente. além da marca de produtos e serviços. Ela liga o produtor ao produto. pelo não-pagamento da retribuição prevista ou. O pedido de registro de desenho industrial terá que se referir a um único objeto. 18 da Lei 9. crença. ainda. se o titular é domiciliado no exterior. inclusive para receber citações. por exemplo. e. aquela determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais. nome do autor. Esse prazo é prorrogável por três períodos sucessivos de cinco anos cada. será emitido um certificado de propriedade do desenho industrial que deverá conter o número e o título. compondo o aviamento do empresário. ressalvados os direitos de terceiros. . nomes. Muitas vezes até nos esquecemos do produto e nos lembramos exclusivamente da sua marca. quando houver. ou seja.296/96 introduziu no ordenamento jurídico brasileiro. as marcas dão proteção contra a concorrência desleal. desde que se destinem ao mesmo propósito e guardem entre si a mesma característica distintiva preponderante. O prazo de vigência do registro será de 10 (dez) anos. de 101 a 111. contados da data do depósito. emblemas. o relatório descritivo e reivindicações. não é mesmo? Isso porque vivemos em um Estado em que se busca um contrapeso com o interesse público. comum ou vulgar do objeto ou. não? Sim.Desimpedimento: existem algumas restrições também com relação ao desenho industrial. duas outras: a marca de certificação e a marca coletiva (Vide Art. os dados relativos à prioridade estrangeira. Não será registrável como desenho industrial o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas. MARCAS Garanto que você conhece algumas marcas famosas. etc. Além da função identificadora. Você seria capaz de identificar outras marcas que também foram assimiladas por sua comunidade? As marcas são sinais visualmente perceptíveis (símbolos. Aqui também encontramos limitações públicas à autonomia privada. o caso da palha de aço.. fruto de sua criação seja seu apenas por determinado espaço de tempo.. A Lei 9.. o prazo de vigência. culto religioso ou idéia e sentimentos dignos de respeito e veneração ou a forma necessária. ou atente contra a liberdade de consciência. pela ausência de procurador devidamente qualificado e domiciliado no país. É exatamente por causa dessa busca pelo ideal para todos que o Estado impõe limites ao lucro advindo da criação humana. os desenhos. Assim que é realizado o registro. Destinam-se a individualizar os produtos ou serviços de uma empresa. permitida uma pluralidade de variações. sua habilidade e capacidade de obter lucro. 123. Você se lembra das limitações da patente.) utilizados para fins distintivos. II e III da citada lei). figuras. Após o exame técnico e a aprovação do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). pela renúncia.

Um bom exemplo seria a Embeleze. A gravadora Apple.nada tem a ver com música. 124 da Lei 9. . pelo seu significado. Outra modalidade de impedimento é aquela que veda o registro de marca de forma necessária. já que o grau de novidade é um pouco menor do que existe na marca arbitrária. A palavra já existe e tem uma ligação forte com o produto a ela vinculado. O âmbito de proteção da marca. Neste caso. a proteção da marca é a maior possível. lembra o produto ou serviço a ser comercializado. em português . dos Estados.Marcas arbitrárias: essas marcas são compostas por palavras que não guardam qualquer relação com o produto. . fica ainda menor. como a palavra já existe e não há criação completa. ou de outro país.Não-impedimento: em matéria de marcas existem várias hipóteses em que não poderá ocorrer o registro das mesmas. ou seja. inclusive.Marcas descritivas: essas são. Não se exige da marca que represente uma novidade absoluta.Marcas sugestivas: a marca sugestiva é composta de uma palavra que sugere. Fixar uma marca de um produto no mercado em que não existe qualquer relacionamento do nome com o produto é mais difícil do que quando se usa um termo que. dos Territórios. . de um conjunto de atividades econômicas afins. moeda e cédula da União. geralmente a associações de produtores ou importadores do setor. Essa criação vem conferir a marca uma maior credibilidade e aceitabilidade no mercado.Novidade: para as marcas. produtos da Floricultura Flor-de-Lis. a coincidência com marca notória ou de renome. já faz referência direta ao produto ou serviço oferecido. do Distrito Federal. conforme você mesmo pode imaginar. Neste momento. O que deverá ser novo é a utilização daquele signo na identificação de produtos industrializados ou comercializados ou de serviços prestados.A marca de certificação atesta que determinado produto ou serviço atende a certas normas de qualidade. . já que existe o grau máximo de novidade. . a marca é protegida. São palavras que não existiam na língua e que foram criadas para dar nome a um produto. está em uma batalha judicial com a Apple Computadores. cujo nome . nesse caso. é apenas a marca de um produto específico. Por essa razão. a proteção da marca não é tão abrangente como no caso das marcas de fantasia. inclusive. apenas no interior de uma classe. marca de produtos de beleza. . isto é. Neste caso. Alguns requisitos são necessários para que a marca possa ser registrada: . aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico. apólice. Um exemplo interessante é a Gravadora Apple.Não-colidência com marca notória ou de renome: com relação a marcas deverá ser observada a colidência. dos Municípios. Um exemplo clássico é a Kodak – o termo não existe. as marcas menos protegidas no mercado. Alguns exemplos interessantes: não será permitido qualquer registro de marca que reproduza ou imite título. Como exemplo.maçã. comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento. em função de alguns conflitos de marcas. só ser referem àquele produto específico. São elas: . A marca coletiva informa que o fornecedor do produto ou serviço é filiado a uma entidade. seria interessante irmos até o Art. a legislação não é tão rígida. Existe ainda a classificação das marcas em categorias.279/96.Marcas de fantasia: essas marcas se caracterizam pelo fato de não terem nenhum significado que não a própria marca. ou. serviço ou características do serviço. em princípio. São constituídas por expressões que descrevem o produto. ainda. fixadas por organismo oficial ou particular.

. Deixa de ser constitutivo e passa a ser declaratório. Em matéria de software. Outra observação importante é a de que o software embutido. . por conseguinte. de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento de informações. os registros de desenho industrial e as marcas. instrumentos ou equipamentos periféricos. a legislação protetora não se aprofunda nem aperfeiçoa a capacidade de persecução de criminosos. aquele que inova e cuja inovação efetivamente contribui. a ética é bem diferente. Infelizmente. num meio tão concorrido e veloz. excetuando-se a hipótese de marca de alto renome. O diploma que dispõe sobre o assunto é a Lei9. Aqui o legislador fomenta apenas um aspecto: a criação. 2°. sempre que o domínio reproduzir sua marca. na ausência desta. é que serão protegidos pela legislação específica de software.. A proteção será concedida pelo prazo de 5 (cinco) anos e será renovável sempre que o titular o fizer em prazo determinado e com o comprovante de pagamento de taxa de retribuição (nome da taxa que é paga ao INPI para a proteção dos registros). de alguma forma. Ocorre aí uma mudança de paradigmas. Ou seja. ou seja.279/96).609/98. Poderíamos citar como exemplo o da FEAD: www. Nos termos do Art. aquele que faz parte do equipamento (do maquinário do computador – hardware) será patenteável como invenção.279/96 (Lei de Propriedade Industrial). nos termos do Art. No conflito entre a anterioridade na solicitação do nome de domínio (endereço em que se pode localizar o indivíduo na Internet. o software tem um tratamento jurídico especial. para o avanço da tecnologia ou ciência ou mesmo para o fomento de novos produtos e circulação de dinheiro terá um prazo específico para usufruir da proteção estatal.fead. O prazo de duração da proteção de software é de 50 (cinqüenta) anos. O programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções. baseados em técnica digital ou análoga para fazê-los funcionar de modo determinado e para fins específicos. de maneira genérica. No caso de patente e de registro industrial (Lei 9.Aquele que conseguir registrar a marca no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) através de um procedimento formal terá direito à sua exploração exclusiva nos limites fixados por esta classificação. 123 da Lei de Propriedade Industrial.br – neste site você encontrará a instituição FEAD na internet) e o registro da marca no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). opor-se à utilização de marca idêntica ou semelhante por outro empresário em atividade enquadrada fora da classe em que obteve o registro. Cabe aqui uma pequena intervenção. o registro perde grande parte de sua importância. dispositivos. em linguagem natural ou codificada. Não poderá. prevalece este último. Talvez por isso haja tamanha dificuldade em se proteger os softwares da chamada “pirataria”. invente. como gostamos de chamá-los. ficou fora da Lei 9. da sua criação. SOFTWARE Diferentemente do que ocorre com as patentes. Os softwares de prateleira. em suporte físico de qualquer natureza. O titular da marca registrada tem o direito de reivindicar o endereço eletrônico concedido pela FAPESP a outra pessoa. Crie. Não é por acaso que o software. inove. e usufrua dessa sua criação. O registro do nome de domínio só será feito pelo critério de “ordem de chegada” quando ambos os detentores das marcas as tiverem registrado cada um em sua classe. Quando se trata de direitos autorais ou de proteção do software. o legislador foca o mercado empresarial e também a ética desse ramo. contados a partir de 1° de janeiro do ano subseqüente ao da sua publicação ou.

As marcas são sinais visualmente perceptíveis utilizados para fins distintivos. renovável pelo período de 3 (três) períodos sucessivos de cinco anos cada. Os requisitos para obtenção deste registro (que também será realizado no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial) são: novidade. O prazo de proteção dispensado pela Lei 9279/96 é de 5 (cinco) anos. Já o software recebe um tratamento todo especial. o software é do empregado ou pertence a ambos (Art. não? Acredito que você nem tinha idéia de quantos recursos o Estado disponibiliza para que o empresário tenha sucesso em seu empreendimento. A qualidade de autor de software poderá ser usufruída por: .§ 3° da proteção dos direitos de proteção do autor do software independe de qualquer registro. deverão ser analisados os elementos contrato de trabalho e ambiente de trabalho. Tem uma lei própria que trata de sua proteção. de torná-los inconfundíveis e. O desenho industrial poderia ser definido como a forma plástica ornamental de um objeto ou conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto. mas que o faz na utilização da ferramenta.609/98. Caso o autor do software resolva comercializar seu produto. Resumo Nesta aula. temos: as marcas de fantasia (mais protegidas. o que é um software? O software é um programa de computador – definido como conjunto organizado de instruções. As marcas. Caso o autor opte pelo registro. Na hipótese de empregador x empregado: as mesmas regras que prevaleceram. A ligação entre o software e seu autor é o ponto mais importante desta relação. Obs. É a forma mais segura de se disponibilizar um software. as sugestivas e as descritivas. marcas de produtos ou serviços. procuramos nos aprofundar em outros elementos colaboradores da atividade empresarial.todos os colaboradores. sempre renovável mediante pagamento de taxa de retribuição. as arbitrárias. proporcionando resultado visual novo e original em sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial. das marcas e do software. o uso de programa de computador no país será objeto de contrato de licença que deverá ser registrado no INPI para ter efeitos perante terceiros. com isso.aquele que não se identificou como autor. Dessa análise sairão algumas possibilidades: o software é do empregador. dificultar a chamada “concorrência desleal” que nós já estudamos neste curso. poderá fazê-lo no INPI. você se lembra disso? Nós temos os seguintes tipos de marcas: as mais comuns. Buscam individualizar os produtos e serviços de uma empresa a ponto. afinal. Interessante. de . a Lei 9609/98. Nos termos do Art. guardam uma relação profunda com o produto ou serviço prestado pelo empresário. talvez mais conhecidas para você. ou seja. o legislador cria a alternativa para aqueles que não escolheram a hipótese de registro. 4° da Lei 9. . quando do estudo das patentes. Considerando a amplitude de proteção. 9° da Lei 9. em linguagem natural ou codificada em suporte físico de qualquer natureza. por vezes. Mas. por serem mais originais). com uma maior facilidade passamos ao estudo do desenho industrial. originalidade e desimpedimento. O prazo de vigência deste registro será de 10 (dez) anos.609/96). as de certificação (que qualificam determinado produto ou serviço) e as coletivas (que fazem transparecer a idéia de um produto ou serviço vinculado a um grupo empresarial). Como já estudamos patentes de invenção e modelo de utilidade.quem lançar o programa indicando seu nome. em que o legislador fomenta apenas um aspecto: a criação. prevalecerão também aqui. .

instrumentos ou equipamentos periféricos. em sua opinião. destes institutos complementares à atividade empresarial. Também tem um prazo de proteção especial: 50 (cinqüenta) anos contados a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente ao de sua publicação ou. para o empresário? . ATIVIDADES 1) Quais os requisitos para o registro do desenho industrial? Qual a importância deste elemento para o empresário? 2) Quais os tipos de marcas? E as categorias? 3) Qual o prazo de proteção das marcas? O prazo é renovável? 4) Quem poderá ser considerado o autor do software? 5) Qual a importância. Além de tudo. dispositivos. baseados em técnica digital ou análoga.emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento de informações. para fazêlos funcionar de modo determinado e para fins específicos. de sua criação. o registro é considerado não obrigatório. na ausência desta.

Aula 8 – Teoria Geral do Direito Societário

Objetivos • Identificar a Sociedade Empresária como sujeito de direito empresarial. • Conceituar sociedade empresarial. • Compreender os elementos básicos da teoria geral do direito societário.

Introdução Agora que já exploramos o que diz respeito ao empresário individual e a alguns institutos do direito empresarial, estamos prontos para estudar juntos a teoria geral do direito empresarial. A metodologia do trabalho, nesse caso, faz toda a diferença, já que começamos com institutos menos complexos que, com o desenvolvimento de uma sociedade empresarial, ganham uma nuance muito especial. Repassaremos vários dos conceitos estudados até então, mas numa outra ótica: a de uma sociedade empresarial. Como sempre, começaremos apenas com um pequeno esboço histórico legislativo, porque você, provavelmente, já conhece a história do direito empresarial de cor e salteado. A sociedade empresarial, até o advento do Código Civil de 2002, era regulada pelo Código Comercial (no que tange à sociedade de pessoas), pelo Decreto 3.708/19 (sociedades por quotas de responsabilidade limitada), também pela Lei 6.404/76 (Sociedades Anônimas) e ainda pelo Código Civil de 1916 (sociedades civis de fins econômicos). CONCEITO O art. 981 do Código Civil de 2002 traz, em seu caput, o conceito de sociedade empresarial: Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e partilham, entre si, dos resultados. Para nos ajudar, coloquei em negrito os elementos-chave desse conceito que deverão obrigatoriamente fazer parte do nosso estudo. Uma primeira observação importante é a de que nem todas as sociedades empresariais são formadas através de um contrato. Logo o conceito é falho. Na verdade, a sociedade pode ser formada tanto por um contrato como por um estatuto (ou convenção). Pode não parecer para você agora, mas existe uma brutal diferença entre essas duas categorias de sociedade. Existem princípios básicos de regulação do direito empresarial. São eles: - a sociedade empresária é fruto de um contrato plurilateral ou de um estatuto; - a sociedade empresária é uma pessoa jurídica de direito privado; - a conservação da empresa deve ser objeto de zelo;

- a minoria societária será sempre respeitada; - a tutela da pequena e média empresa deverá ser alvo de uma maior preocupação; - a liberdade de contratar e a autonomia da vontade, dentre outros, sempre prevalecerão, como fruto da aplicação do direito privado.

CONTRATO SOCIAL X ESTATUTO SOCIAL A sociedade empresarial formada por um contrato é denominada sociedade contratual (por exemplo, a sociedade limitada). Já aquela constituída através de um estatuto é uma sociedade estatutária (por exemplo, a sociedade anônima). Quando tratamos da sociedade contratual, devemos ter em mente que o contrato social não é um contrato comum. No contrato comum encontramos um encontro de vontades opostas, em um momento específico (por exemplo, num contrato de compra e venda de um automóvel, o comprador quer adquirir, e o vendedor quer dispor do bem). Existe aqui a divergência de pretensões. No contrato societário existe a chamada plurilateralidade, ou seja, um paralelismo de intenções (todos os sócios desejam que a sociedade dê certo, e que haja efetivamente o resultado esperado). Existe, portanto, um objetivo comum que é buscado por todos os sócios que compõem a sociedade. No estatuto existe uma grande semelhança com as proposições acima apresentadas. Todos os sócios também lutam pelo desenvolvimento do objeto social e esperam por ele para conseguir alcançar o objetivo de qualquer um que se envolve no meio empresarial: o lucro. A diferença está na autonomia do estatuto. Primeiramente, ele tem forma pré-estabelecida. A Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) é, em si, um estatuto completo. Por escritura pública ou assembléia, duas ou mais pessoas contribuem para a formação do capital social, adquirindo o direito de auferir lucros derivados da prática empresarial desempenhada pela entidade.

PERSONIFICAÇÃO JURÍDICA A personificação jurídica só existe no universo jurídico. Resulta de uma ficção pragmática necessária que atribui personalidade e regime jurídico próprios a entes coletivos, tendo em vista a persecução de determinados fins. A partir do momento em que a sociedade empresarial é registrada, seja através do registro de um contrato ou de um estatuto, ela recebe, pelo direito, o status de pessoa jurídica. Como pessoa jurídica, ela é sujeito de direito e poderá, em virtude dessa atribuição legal, praticar atos jurídicos não vedados por lei. Seus sócios manterão relações jurídicas entre si e com a nova pessoa que produziram. Logo, não existe aqui uma associação de empresários que se utilizam de uma coletividade para exercer a atividade empresária, mas, perante terceiros, é a sociedade que, com capacidade própria, negociará. Reconhecida pelo direito como ente diverso dos sócios e com autonomia, essa sociedade recebe uma tríplice capacidade: - autonomia jurídica: a sociedade é capacitada, pelo direito, para titularizar, ativa e passivamente, ações em juízo, poder ser parte em um processo e eleger seus próprios representantes (que não precisam ser, necessariamente, os procuradores dos sócios);

- autonomia negocial: realmente, não existem condições de uma pessoa jurídica, uma sociedade empresarial, neste caso, entrar em uma loja e fazer uma compra. Mas, quando um sócio atua no mundo empresarial, na qualidade de administrador ou representante de uma sociedade empresária, isso é possível. - autonomia patrimonial: a sociedade tem seu próprio patrimônio inconfundível com o dos sócios.Desta forma, a sociedade responde com esse patrimônio pelas obrigações que assumir ou que os sócios assumirem em nome dela. Como você deve ter notado, eu falei que só terá personalidade jurídica própria aquela empresa registrada com tal. Já estudamos o registro empresarial. Você sabe que uma sociedade empresarial precisa para ser registrada? Vá até seu Código Civil de 2002 e faça a leitura do artigo 45 do texto legal. Em se tratando de uma sociedade empresarial contratual (como a Sociedade Limitada), o contrato deverá ser elaborado e, em seguida, levado ao Registro Público de Empresas Mercantis (as Juntas Comerciais) para que o mesmo ganhe respaldo jurídico e seja reconhecido publicamente como o instrumento de regência dessa sociedade empresarial. Caso seja uma sociedade empresarial estatutária (como a Sociedade Anônima), o estatuto, elaborado através de uma Assembléia de Fundação ou mesmo de uma escritura pública, deverá ser levado também ao Registro Público de Empresas Mercantis (Juntas Comerciais). Gostaria que ficasse claro que há necessidade expressa da ocorrência do registro para que haja efetivamente a transformação da sociedade empresária em uma sociedade com personalidade jurídica diversa da dos sócios. Caso a sociedade insista em existir sem o devido registro, sofrerá algumas conseqüências (Arts.986 e seguintes do Código Civil de 2002): - não poderá requerer a falência (o empresário tem uma espécie legal especial para quando se encontrar em situação de dificuldades econômicas – a falência – que é a liquidação na qualidade de todo o ativo do empresário para o pagamento do passivo) de outro empresário; - não poderá requerer a sua própria recuperação judicial; - sua escrituração não desfrutará de eficácia probatória –os livros empresariais, que já estudamos, sem o devido registro não terão efeito nenhum; - caso se encontre em situação financeira irregular, sofrerá a falência e também será enquadrada na hipótese de crime falimentar; - os sócios respondem, sempre, ilimitada e solidariamente, pelos encargos sociais, excluído do benefício de ordem aquele que se obrigou pela sociedade. Nesse caso, o legislador, no Art. 990 do Código Civil de 2002, estipula que os sócios que não participaram do negócio na sociedade irregular (sem registro) respondem após ser afetado o patrimônio da sociedade. Já aquele que efetivamente participou do negócio responderá junto com a sociedade (relação de solidariedade) pelas dívidas sociais; - os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual os sócios são titulares em comum; - os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem prová-la de qualquer modo; - não existindo perante os órgãos tributários não pode contratar com o poder público; - não existindo perante os órgãos fiscais, não poderá emitir nota fiscal; - caso realize venda sem emitir nota fiscal, praticará crime de sonegação fiscal.

conforme já dissemos. Nesses casos. A inatividade não põe fim à personalidade jurídica. o direito brasileiro assimilou normas e desenvolveu jurisprudência que excepcionam a aplicação do princípio da autonomia da pessoa jurídica relativamente às sociedades empresárias. a responsabilidade pela falta de recolhimento do tributo aos administradores ou sócios controladores.078/90 (Código de Defesa do Consumidor) e a lei de tutela das estruturas do livre mercado e da repressão dos atos danosos ao meio ambiente autorizam a superação da autonomia patrimonial e a responsabilização direta de sócios por atos da sociedade. A legislação previdenciária autoriza o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) a cobrar dos sócios da sociedade limitada o passivo social com a instituição. como pessoa jurídica autônoma dos sócios. restringe-se ao âmbito de relações e obrigações de fundo empresarial Segundo o Art. quando ele for emancipado. pode o juiz decidir. Outro assunto que não poderíamos deixar de estudar é a questão dos limites da pessoa jurídica. ou os atos de comércio. se esta for de responsabilidade limitada . realizassem a atividade comercial. quando lhe couber intervir no processo.Assim como o início da sociedade é regido por legislação própria. A Lei 8. ou do Ministério Público. 50. poderá ser empresário. No direito trabalhista é comum a arrecadação (penhora) de bens particulares dos sócios em conseqüência dos débitos trabalhistas da sociedade. nesse regramento. A desconsideração da personalidade jurídica da sociedade empresarial. a requerimento da parte. O princípio da autonomia da pessoa jurídica da sociedade não estava devidamente tratado no Código Comercial de 1850. E na qualidade de sócio? O incapaz poderá participar da sociedade empresária. prevista no Art. No decorrer do século XX. em determinadas hipóteses. ou pela confusão patrimonial. como meio de se furtar ao cumprimento de deveres legais ou contratuais e pela natureza da obrigação imputada à pessoa jurídica. Na verdade. reconhecemos a “quebra” da autonomia da sociedade. a sociedade era um mero instrumento para que os sócios. caracterizado pelo desvio de finalidade. todos aqueles que desejarem ser sócios poderão fazer parte da sociedade empresarial. E o menor de idade? Já estudamos que. em função do instituto da responsabilização. contato que contribuam com capital ou bens para a formação do patrimônio da sociedade. em caso de abuso de personalidade jurídica. taxas e contribuições). SÓCIOS Normalmente. 50 do Código Civil de 2002. No campo do direito tributário (pagamento de impostos. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Com a chegada do Código Civil de 1916. as garantias do crédito fiscal estendem. a personalização da sociedade empresária termina após um procedimento dissolutório. que pode ser judicial ou extrajudicial. percebe-se que a razão de ser do desprestígio da autonomia da pessoa jurídica poderá ocorrer por dois fatores: pela utilização fraudulenta do expediente. houve o verdadeiro estabelecimento da dissociação entre a sociedade (seja ela comercial ou civil) e os seus sócios. esses sim reconhecidos como comerciantes. Logo.

já que esta realiza de forma organizada e com profissionalismo atividade econômica para fins de produção e circulação de bens ou serviços. 966. Assim fica mais gostoso de entender as coisas. O conceito de sociedade encontra-se no Art. O Supremo Tribunal Federal ainda não analisou a questão. mas um curso de vida! Resumo Continuando nosso estudo. Esse conceito de “empresário” também é perfeitamente cabível para uma sociedade empresarial. Vivo falando que o Direito não é um curso de formação. logo a chance de ocorrer uma mistura do patrimônio pessoal com o empresarial é muito grande. Nos termos do Art. dispostos no Art. XVII) pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Tendo em vista esse fato. Mas e aquelas sociedades constituídas antes da vigência do CC/02? Nos termos do Código Civil de 2002. Já no caso da separação obrigatória de bens. em seu Art. 977 do Código Civil. não poderá o sócio contribuir apenas com sua força de trabalho (antiga sociedade de capital e indústria – sociedade onde um sócio contribuía com o capital e o outro apenas com o trabalho). além disso.. pelo menos em Minas Gerais. entre si ou com terceiros. 5°. por quê? Porque. Os enunciados 204 e 205 do Conselho da Justiça Federal também entendem a questão nesse sentido. a JUCEMG (Junta Comercial do Estado de Minas Gerais) e JUCESP (Junta Comercial do Estado de São Paulo) têm um posicionamento diverso. Mas. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade. 981 do CC/02. mas. elas teriam prazo para se adequar à nova legislação. poderá haver a confusão patrimonial tão temida pelo legislador: os sócios têm convívio dentro e fora da sociedade. não diz apenas sobre o empresário individual. é um ato continuado. Para tanto. Não é um estado permanente. 977. o capital da sociedade deverá ter sido completamente integralizado. não há o aperfeiçoamento do ato jurídico perfeito. por que esta continua persistindo no tempo. Ocorre que precisamos adaptá-lo para que este seja o conceito de uma sociedade empresarial. Você achou interessante? Acredito que muitas coisas sobre as quais falei nesta aula você já sabia. Com a criação da pessoa jurídica. O presente artigo foi declarado inconstitucional (ou seja. Isso porque. em se tratando de sociedade empresarial. desde que não tenham se casado no regime de comunhão universal de bens. caso fosse permitida a existência de sociedade entre os cônjuges sob a regência desse regime de bens no casamento. mas não conhecia o fundamento técnico. na hipótese de encontrarmos marido e mulher. verificamos que o Código Civil de 2002. vai de encontro aos princípios da livre associação. agora passaremos a estudar o comportamento do legislador com relação à sociedade empresarial. Entendem que as sociedades anteriores são ato jurídico perfeito e não precisam se atualizar. Existem outros tipos de sociedades. Ocorre que o DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio).e quando ele não praticar atos de gestão. casados no regime de comunhão total de bens. Um outro elemento importante neste estudo é o instrumento de constituição da pessoa jurídica . o legislador buscou a proteção do próprio regime que poderia ser burlado. ou no da separação obrigatória. o entendimento que predomina é o de que efetivamente não será permitido o contrato de sociedade para esse tipo de relação conjugal. encontramos uma nova limitação para os sócios: Art. mas para nós bastará o estudos destas. sucessivo. buscamos em primeiro lugar conceituá-las. Isso não significa que seja efetivamente o entendimento mais acertado.. artigo 2031.

Apesar de não existir na vida real (não anda na rua. em casos excepcionais.empresária. Esta nasce com o seu registro. por último. Essa pessoa jurídica se dissocia da figura dos sócios. não come. Em se tratando de problemas financeiros. dependendo do tipo de sociedade escolhido pelo empresário. Essa última observação é muito importante. dá-se o surgimento de uma pessoa jurídica. um ponto por vezes complicado de imaginar. e não os sócios. a sociedade personalizada fará quase tudo o que uma pessoa natural faz e será responsável por seus atos. ATIVIDADES 1) Qual a diferença entre o empresário individual e a sociedade empresária? 2) Diferencie contrato social e estatuto social. não assina). ficção criada pelo direito para regularizar instituições e sociedades. ressaltar que. e nesses casos deverá ser flagrante o uso abusivo da pessoa jurídica. a sociedade será demandada em juízo. Cabe. Com o registro. administrativos e outros. 3) Quais os requisitos necessários para que uma sociedade seja personalizada? 4) O menor poderá ser sócio de uma sociedade empresária? 5) Você considera a sociedade empresária um elemento importante na economia brasileira? . A figura da sociedade não se confunde com a dos sócios. O instrumento poderá ser na forma de contrato social ou estatuto social. e não os sócios. ser for o caso. os sócios serão também chamados ao processo.

• Identificar a sociedade empresarial nacional. • Identificar o administrador societário. As demais. a não ser por meio de um desses tipos descritos em lei. Na verdade. em razão das peculiaridades apresentadas por seu perfil jurídico (contrato de investimento que ganhou status de sociedade).sociedade em comandita simples. as sociedades anônima e limitada são as de maior importância econômica. considera-se sociedade empresarial nacional aquela que atende a dois requisitos: ter sede no Brasil e estar organizada de acordo com a nossa legislação (Art. E quais são essas sociedades empresariais? Como posso criar uma sociedade. incentiva-se a criação de um ente jurídico especificamente criado para as relações empresariais.. portanto. quais são as regras que as regem? Agora passaremos a analisar mais friamente a estruturação de uma sociedade empresarial. o empreendedor que estiver disposto a se reunir em sociedade não poderá fazê-lo.026 do Código Civil de 2002). quase nula será a participação dos outros tipos societários.. no modelo empresarial brasileiro. a responsabilização. A sociedade em conta de participação. Agora vamos ver quais são os tipos societários empresariais existentes e como estruturá-los de forma a atender o objetivo de quem quer estar em sociedade.sociedade em comandita por ações.. não é mesmo? Compartilham-se responsabilidades.Aula 9 .. Nos moldes do direito brasileiro. São cinco os tipos de sociedade empresarial: .As sociedades empresariais – Parte I Objetivos • Compreender a principal classificação das sociedades empresariais. . Conforme você já deve inclusive presumir. • Entender a metodologia de criação de um contrato social.sociedade anônima. em razão de sua disciplina inadequada às características da economia da atualidade. Introdução A idéia de estar em sociedade parece ser até interessante. que são irrelevantes a nacionalidade dos sócios e a origem do capital aplicado na constituição da sociedade. a desconsideração. seus poderes e limitações. são utilizadas apenas em atividades mais periféricas e marginais. . Podemos dizer. 1.sociedade em nome coletivo. Mesmo aquelas já existentes estão migrando ou se transformando nos tipos mais aceitos pelo mercado e pela sociedade em geral. não é considerada sociedade mercantil. . . . • Conhecer os processos de resolução e dissolução social.sociedade limitada. NACIONALIDADE DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA De acordo com o ordenamento jurídico nacional. Sobre ela já vimos a personificação.

restam ao investidor ou empreendedor estrangeiro duas alternativas para o exercício da atividade empresarial no Brasil: . da qual se torne quotista ou acionista. (Art. que são requisitos gerais e necessários para qualquer ato jurídico: capacidade do agente. Responderá como se existisse. Todavia. antes de se registrar. O direito resolveu reconhecê-la. O legislador não deu tanta importância ao registro do contrato ou do estatuto por nada. necessita de um registro. . a sociedade empresária passa a existir realmente. Claro que não poderá deixar de responder por elas a pretexto de não existir. pelas obrigações irregularmente assumidas respondem pessoalmente. das operações negociais exploradas pelo investidor estrangeiro. Com apenas o contrato social.constituir sociedade empresária brasileira. a sociedade. Estabelece uma verdadeira programação da vida social.requerer pedido de autorização para funcionamento no Brasil. 1. mesmo irregular. Para criá-lo.134 do Código Civil de 2002).125 do Código Civil de 2002). licitude e possibilidade do objeto. a autorização de funcionamento deve ser protocolada no DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio).Quando a sociedade empresarial não atender a tais requisitos. em seu corpo. realmente. Caso uma sociedade empresarial resolva atuar no meio sem o registro. será estrangeira para fins legais. o ser humano não é criado pelo registro. para que terceiros não fossem lesados por esse “descuido” do empresário. aos requisitos do Art. CONTRATO SOCIAL O contrato social tem o poder de traduzir um ato de concepção. juridicamente. Não há nova pessoa jurídica formada. O contrato define. mas. Ele existe. Além do que os sócios. e seu funcionamento. O instrumento jurídico próprio para a autorização de funcionamento é o decreto do Presidente da República. já que a personalidade jurídica não está presente. ela “faz de conta” que é pessoa jurídica e. dependerá de autorização do Governo Federal. A sociedade estrangeira será fiscalizada pelo governo e poderá ter a sua autorização cassada se infringir norma de ordem pública ou praticar atos contrários às suas finalidades estatutárias (Art. para se tornar um ser do mundo jurídico. além de tratar-se de forma prescrita ou não defesa em lei. Se não houver órgão específico para tanto. nesse caso. 1. Entretanto. Os sócios concebem uma sociedade empresarial quando celebram o contrato de sociedade. Caso o empreendedor estrangeiro resolva efetivamente explorar a atividade empresarial no Brasil. Logo. deve-se estar atento. Considerando a pessoa natural. realizaram negócios com esse ente despersonalizado. mas é uma licença para extensão. Nós já vimos os efeitos (graves!) do não registro da sociedade empresarial. porque aparentemente existe e não pode abafar a boa-fé de terceiros que acreditaram tratar-se efetivamente de uma sociedade devidamente registrada e que. deverá procurar o Ministério ou agência estatal com competência para a fiscalização da atividade que ele exerce. no Brasil. a sociedade só existirá após o registro do instrumento contratual. a sociedade não desfrutará dos direitos e privilégios das sociedades que realmente o são. efetivamente contrai obrigações. por isso. 104 do Código Civil de 2002. . primeiramente. no Brasil.

cogentes. 997 a 1. no contrato social. vislumbramos. sede e prazo da sociedade. deverão contribuir com seus esforços ou com capital. profissão e residência dos sócios.as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade.denominação. a sociedade deverá ser extinta através do procedimento de dissolução. estado civil. objeto. Os sócios. 7°). Segundo Coelho. Art. que é o primeiro patrimônio da sociedade comercial. Ocorre que essa pessoa única deverá ser uma outra pessoa jurídica).Outra boa orientação seria no sentido de se pesquisarem os elementos contidos no Art. está proibida por lei a participação com prestação de serviços (Art. suscetíveis de avaliação pecuniária. 997 do Código Civil de 2002. A primeira cláusula de suma importância é a de que uma sociedade empresarial só resultará de um acordo de vontades. 1. Outros elementos fundamentais (cláusulas cogentes) deverão ser analisados com mais profundidade para que você.404/76. Essas são algumas das disposições importantes que devem constar em um contrato social. seus poderes e atribuições. existe a possibilidade de uma sociedade empresária formada por uma só pessoa – a subsidiária integral. Essa contribuição dos sócios constituirá o chamado “capital social”. cito alguns requisitos que não podem faltar num contrato societário: .nome. inciso IV do Código Civil – 180 dias) para recomposição do quadro social. Esse artigo está alocado em meio ao tratamento da sociedade simples. . por exemplo. se pessoas jurídicas. ao assessorar um empresário. . . . e a firma e denominação. . Caso um ou mais sócios resolvam deixar a sociedade. expresso em moeda corrente.033. . se pessoas naturais. 1. logo fruto da combinação de duas pessoas naturais ou jurídicas. possa ajudá-lo a desenvolver melhor seu trabalho. podendo compreender qualquer espécie de bens. a não ser em situações excepcionais (na legislação ligada à sociedade anônima.a quota de cada sócio no capital social e o modo de realizá-la. hoje. a legislação estipula prazo (Art.participação de cada sócio nos lucros e perdas. em se tratando de sociedade limitada ou sociedade anônima. As cláusulas elaboradas de livre vontade dos sócios (cláusulas dispositivas) não serão objeto de nosso estudo.dispositivas. nacionalidade. nacionalidade e sede dos sócios. .038 do Código Civil de 2002).” . para participarem da sociedade empresarial. já que seria quase impossível abranger os tantos tipos de cláusulas que podem constar em um contrato social. “É a soma representativa das participações (em dinheiro ou bens) dos sócios. um conteúdo misto. Nos termos desse artigo.055. §2° do Código Civil de 2002 e Lei 6. Cabe aqui reafirmar que. Você se lembra de quando falamos sobre a diferenciação entre o empresário e o não empresário e abordamos a questão da ética? Aqueles que não estiverem coadunando com a ética empresarial e não se revestirem das formas societárias empresariais poderão fazer uso da legislação específica (Arts.responsabilidade dos sócios.capital da sociedade. Com relação aos elementos específicos. que veio substituir a “sociedade civil” que se rege pela ética civil. Caso isso não ocorra. que envolve duas espécies de cláusulas: .

sem anuência escrita dos sócios. aplicar créditos ou bens sociais com desvio de poder. Mas isso pode não ocorrer. beneficiando-se ou favorecendo terceiros. que também pode ser denominada dissolução parcial. não é mesmo? Ocorre que ela é o diploma subsidiário. 981. Escolhe-se o responsável. Os administradores da sociedade têm responsabilidade solidária perante a sociedade e terceiros prejudicados. Isso pode até parecer estranho para você. 1. ou seja.” A distribuição dos lucros pode não ser pactuada de modo absolutamente igualitário. . há uma cláusula que trata especificamente da administração da sociedade. a legislação pertinente à sociedade simples que. No caso do prejuízo. como já vimos.012 do Código Civil de 2002. durante quase o tempo todo desta nossa aula sobre sociedades empresariais. Naquelas sociedades em que as qualidades do sócio foram extremamente importantes para que ele viesse a fazer parte do contrato social. O administrador que. nos termos do Art. surgindo problemas. por exemplo. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. 1010 e seus parágrafos.016 do Código Civil de 2002. quando agirem com culpa funcional. a saída do mesmo não poderá ser imprudente. Ocorre que também aí aumentam as responsabilidades de todos os sócios. seja pelo pagamento de valor equivalente. com bens ou serviços. ensejando a entrada de qualquer um em seu lugar. esta caberá a cada um dos sócios separadamente. Caso o administrador seja nomeado por instrumento em separado e não averbá-lo à margem da inscrição da sociedade. nos termos do Art. que deve ser utilizado na ausência de disposições concretas e específicas sobre aquele tema. que inclusive dispõem acerca disto em contrato. E como iremos resolver esse problema? A própria legislação nos dá a saída: nos termos do Art. 1. em que esse tipo de retirada não poderá se efetivar dessa forma. dos resultados.Outra cláusula importante é a que discrimina a divisão de lucros e perdas. Atenderá à medida da participação de cada sócio. já que está acostumado a ouvir: “Se alguém quiser sair da sociedade. Essa é a chamada de “administração disjuntiva”. apenas venda suas quotas ou ações!” Mas existem alguns tipos societários. consiste em um processo societário em que haverá a saída de um ou mais componentes da sociedade. com os lucros resultantes. dispõe-se sobre seus poderes e limitações. não se trata de uma sociedade empresarial. Você deve estar estranhando o fato de eu utilizar. é calcada na proporcionalidade. seja pela restituição. ADMINISTRAÇÃO SOCIETÁRIA Normalmente. Nesse caso. entre si. em um contrato social. responderá pessoal e solidariamente perante a sociedade pelos atos que praticar. nos termos do Art. caso o contrato social não estipule nada sobre a administração. 1. para o exercício de atividade econômica e a partilha.017 do Código Civil de 2002. responderá pelo valor correspondente. O próprio conceito de sociedade empresarial já tange essa informação: “Art. deverá reparar o dano social causado. RESOLUÇÃO E DISSOLUÇÃO SOCIAL A resolução social. que antes eram considerados apenas participantes da sociedade e que agora assumem a qualidade de sócios administradores. as decisões serão tomadas pela maioria social.

1. se realizadas.030 do CC/02). Após a documentação do fim social. vedadas novas operações que. confessar a falência ou pedir concordata nos prazos previstos na lei. no prazo de 180 (cento e oitenta dias). arrecadar bens.029 do CC/02). Nessa fase. dentro do prazo legal. Podem dar ensejo a tal hipótese. onde quer que estejam. pagar as dívidas sociais. De acordo com o Art. O crédito a ser recebido pelo sócio que deixa a sociedade tem valor patrimonial correspondente ao das quotas que titulava. deverá ser realizado todo a ativo e solucionado o passivo social. Caso contrário. levarão à sua responsabilização solidária e ilimitada. se em uma sociedade de duas pessoas. mas. em relação . falência do sócio (Art. Daí pra frente.030 do CC/02). a sociedade caminhará para sua dissolução e. levantar o balanço patrimonial.103 do CC/02. inexistência de pluralidade de sócios. de sócio remisso (Art. no direito empresarial.A dissolução parcial não extingue a sociedade. A exceção fica por conta dos recursos indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. O processo extintivo social se desdobra em três fases: dissolução total. por conseqüência. para a extinção. ou mesmo uma disposição contratual lícita. a empresa preservada. Nesse caso. os administradores ou o juiz (em se tratando de dissolução judicial) deverão eleger um liquidante e limitar a gestão própria aos negócios inadiáveis.026 do CC/02). os sócios que permaneceram no quadro social deverão decidir como proceder: comprarão as quotas daquele que deixou a sociedade? Extinguirão essa sociedade? Autorizarão a entrada de um terceiro? Sob quais condições? Ficou claro para você que tal resolução só será possível em uma sociedade com mais de dois componentes. não é? Porque. 1. morte do sócio (Art. 1. proporcionalmente e sem distinção entre dívidas vencidas ou vincendas (que ainda estão para vencer). o liquidante deverá. nos termos do Art. Nos termos do Art. Efetuado o procedimento resolutório. Já a dissolução total inaugura o processo de extinção da sociedade empresarial. Logo após a dissolução. 1. 1. sua personalidade jurídica permanece intacta. fim do prazo de duração. deverá ser elaborado um balanço especial para apurar o valor que deve ser pago ao(s) sócio(s) que deixa a sociedade). podendo isso processar-se judicialmente ou não. A dissolução judicial será realizada através de uma sentença judicial. Algumas hipóteses de dissolução extrajudicial: deliberação unânime dos sócios. 1. exclusão do sócio que não deu sua contribuição para a formação do capital social – chamado. sentença ou instrumento que tiver deliberado ou decidido a liquidação. exclusão judicial do sócio (Art.106 do Código Civil de 2002. São possíveis causas de resolução (ou dissolução parcial): vontade do sócio (Art. recompor a estrutura social. respeitados os direitos dos credores preferenciais. liquidação e partilha do acervo social. um resolve sair.004 do CC/02). 1. livros e documentos da sociedade. ocorrerá a liquidação. ainda. A dissolução total da sociedade poderá se dar extrajudicial ou judicialmente. aquele que permaneceu em sociedade deverá. O liquidante só poderá gravar bens e contrair empréstimos com expressa autorização da assembléia geral.034 do Código Civil de 2002: anulação do contrato ou estatuto social. os administradores deverão levantar um balanço patrimonial (lembra-se das demonstrações sociais? Vimos que o balanço patrimonial deverá ser levantado uma vez ao ano. liquidação de sua conta por execução de credor (Art. 1. impossibilidade de preencher o fim social e o exaurimento do objeto social. encontramos alguns exemplos de deveres de um liquidante: arquivar e publicar a ata da assembléia geral. Esta continua com os sócios remanescentes.028 do CC/02). 1.

com desconto. pode cobrar dos acionistas ou sócios. Encerrada a liquidação e partilhado o acervo societário restante entre os sócios.créditos com privilégio geral. não é uma fase obrigatória. Art. antes de terminada a liquidação e depois de pagos todos os credores. preferências. Os sócios podem deliberar que. dentro do processo extintivo de uma sociedade empresarial. 1. portanto. . É a morte da sociedade.101/05. encerra-se a liquidação e a sociedade se extingue. 1. devem ser tratados com a seriedade e formalidade que a lei exige. Hoje. grande parte dos cidadãos pensa. bem como publicados.créditos com privilégio especial.créditos quirografários.acidente de trabalho. A partilha. .a estas. Diferentemente do que. . bem como o fim da conjugação paralela de intenções em torno do objeto social. seguindo o processo descrito acima. Arquivado o ato de dissolução no Registro Público de Empresas Mercantis. Caso sejam aprovadas as contas. 83): . Os documentos referentes a todo esse processo de encerramento da atividade social deverão ser devidamente organizados e arquivados no Registro de Empresas Mercantis. o pagamento de seus créditos. . à proporção que se forem apurando os haveres sociais (Art.).. com certeza. A ordem preferencial é a mesma do procedimento falimentar (Lei 11. ela ocorrerá quando o fim da sociedade se der em um momento favorável para a sociedade. individualmente.008 do Código Civil de 2002). . até o limite da soma por eles recebida. Caso algum credor societário não concorde ou se sinta prejudicado com a forma de extinção da sociedade (desconfie de irregularidades. Também pode propor contra o liquidante. ação de perdas e danos. se façam rateios entre os sócios. A extinção formal. os sócios serão responsáveis pelas obrigações assumidas perante terceiros.107 do Código Civil de 2002). se for o caso. para promover a ação que lhe couber (Art. móvel ou imóvel). .créditos fiscais. o liquidante deverá prestar contas de todas as operações sociais. O sócio executado poder cobrar dos demais a parcela que lhe couber no crédito pago. em termos financeiros. O sócio dissidente (aquele que não concordar com a deliberação) terá o prazo de trinta dias. . Caso esse procedimento não seja realizado com total lisura e transparência. Na verdade. como aluno de Direito Empresarial. taxas e contribuições). configura o fim da sociedade empresária e o desfazimento de todos os acordos e contratos pactuados. extingue-se a pessoa jurídica.créditos com garantia real (garantidos por um bem. a contar da publicação da ata.empregados e representantes comerciais. você. . entende que tanto a criação como o fim da personalidade jurídica da sociedade são aspectos sérios da atividade e. o simples abandono do local ou da atividade não configuram o fim da personalidade jurídica social..dívida ativa (tributos.

A fusão é a união de duas ou mais sociedades.. sociedade limitada e sociedade anônima. talvez o melhor caminho seja mesmo alterar sua estrutura societária. (Lei 8. Na próxima aula estudaremos os tipos societários um a um. A transformação consiste na mudança de tipo societário. incorporação e cisão envolvendo uma sociedade anônima o diploma legal será a Lei 6. em seus artigos 1. ao invés de extinguir a sociedade empresarial. a sociedade nacional é aquela cuja sede encontrase em território brasileiro e ela segue a legislação nacional.884/84) A cisão é a transferência de parcelas de patrimônio social para uma ou mais sociedades préexistentes ou constituídas na oportunidade. Resumo As sociedades têm um tratamento específico no ordenamento jurídico. Os credores da sociedade continuam titularizando as mesmas garantias dadas pelo tipo societário anterior. representem 20% (vinte por cento) do mercado relevante ou que tenham faturamento bruto relevante. sociedade em conta de participação. caso a operação envolva sociedades que. O quórum para aprovação de tal medida deverá ser o de unanimidade.404/76. A incorporação é a operação societária na qual uma sociedade absorve outra ou outras. . Tanto na incorporação como na fusão. Existirá. Caso haja falência da sociedade que é fruto da incorporação ou fusão. Essa mudança poderá ocorrer através de quatro operações societárias básicas: transformação. os credores prejudicados podem pleitear a anulação da operação. e não acaba por aí. Se a operação não abranger nenhuma sociedade anônima ou se não se tratar de operação na própria companhia. que imediatamente deixam de existir. Você realmente imaginava que existiam tantas regras para uma sociedade empresária? Bom. São sociedades empresariais: a sociedade em nome coletivo. Para tanto. juntas.. será necessário estudar uma teoria geral de sociedades para depois partir para o estudo singularizado de cada uma delas. Diferentemente do que muita gente pensa. primeiramente devemos analisar a nacionalidade da sociedade. fusão. Segue o mesmo procedimento de incorporação. nem mesmo a liquidação do ente societário. Em se tratando de transformação. A nacionalidade do capital ou dos sócios não é relevante para esta classificação. fusão.132. entre as sociedades resultantes da cisão.ALTERAÇÕES NA ESTRUTURA SOCIETÁRIA Muitas vezes. Não acarreta a dissolução. Os acionistas dissidentes têm direito de retirada. A lei faculta a saída daqueles que não concordaram com a deliberação – os dissidentes. Só haverá o direito de retirada quando (a cisão?) acarretar a participação do acionista em sociedade com objeto essencial diferente ou dividendos obrigatórios menores que os da cindida. o diploma legal a ser utilizado será o Código Civil de 2002. incorporação e cisão. ou ainda integrante de grupo a que não pertencia a cindida. sociedade em comandita simples e por ações. solidariedade quanto às obrigações da cindida. poderá ser pleiteada a separação das massas. Em se tratando de teoria geral. a não ser que o contrato disponha de forma diversa.113 a 1. Ambas as operações precisam de AUTORIZAÇÃO do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). dando nascimento a uma nova.

a partilha. fundi-la com outras. poderão os sócios optar ainda pela alteração na estrutura societária. recorreremos ao Código Civil ou à Lei 6404/76. 4) Quando a sociedade será considerada nacional? Quem poderá administrar a sociedade empresarial? 5) Diferencie a resolução da dissolução social. deverá ser observado o disposto em contrato social. Temos a dissolução. que não importa em apenas um ato. tomando decisões. Poderão transformar sua sociedade em um tipo diferente. expostas em lei. ou seja. Em não havendo nenhuma disposição sobre a resolução no contrato social.. se ela assim desejar. de alterações na estrutura societária? . Caso contrário. Mas. incorporar-se a uma outra empresa ou mesmo cindir-se. no fim. que é a distribuição dos resíduos societários (se existirem!) aos sócios. Quando do fim da sociedade.)? 3) Dê dois exemplos de cláusulas cogentes no contrato social. O contrato deverá ser formado de cláusulas cogentes (necessárias) e dispositivas (facultativas). O administrador ou gerente (dependendo do tipo societário deverá ser sócio ou não) tem grandes vantagens. A sociedade pode ser desmembrada. dando origem a uma nova sociedade. em contrapartida. parte-se para o disposto em lei. teremos a dissolução total. Recursos não faltam. Dependendo do tipo societário. Dessa forma. a liquidação do ativo (pagamento de credores) e. partir-se em duas ou mais sociedades. Quais são as outras possibilidades. dispondo sobre os padrões da empresa (atividade). Esse processo é denominado resolução ou dissolução parcial. será um grande aliado da sociedade. já que ele estará na condução dos negócios. poderá este ser também um grande empecilho para o desenvolvimento regular do contexto societário. não é mesmo? Mãos à obra! Atividades 1) Quais os tipos societários empresariais existentes no ordenamento jurídico brasileiro? 2) O que diferencia as sociedades empresariais das outras sociedades (cooperativas..O contrato social. por conta de contratempos. Nesse caso. das Sociedade Anônimas. todo este complexo de normas irá disciplinar o comportamento da sociedade interna e externamente. A administração societária será realizada por aqueles eleitos no contrato ou estatuto social. Ao invés de colocar fim em sua sociedade. sociedade simples. assunto já abordado superficialmente na aula passada. gera também grandes responsabilidades. contanto que restem pelo menos 2 (dois) sócios.

Aula 10 – As sociedade empresariais – Parte II

Objetivos • Identificar os tipos sociais existentes na legislação brasileira. • Reconhecer os principais pontos de diferenciação entre as sociedades empresariais contratuais e as estatutárias. • Compreender a importância das modalidades: sociedade limitada e sociedade anônima.

Introdução Depois de conhecermos os valores e disposições comuns a todas as sociedades empresarias, agora estamos prontos para encerrarmos o direito societário. De que forma? Estudando os vários tipos empresariais existentes, compreendendo sua importância e validade em determinado momento histórico. A escolha do tipo societário é de fundamental importância, pois, além das normas específicas a que se sujeitarão a sociedade empresária ou a simples, em razão do tipo societário adotado, a sua escolha também importará em relevantes conseqüências no que tange ao grau de responsabilidade pessoal dos sócios pelas obrigações sociais. Mas, antes de entrarmos diretamente nos tipos societários personalizados, ou seja, naqueles dotados de personalidade jurídica para tal atividade, acho interessante “darmos uma pesquisada” nos tipos despersonalizados. Se você for até seu Código Civil, pode conferir comigo: o Art. 981 está inserido em um título, na verdade o Título II – Da sociedade, em seu capítulo único – Disposições gerais. O subtítulo I, que vem bem acima do Art. 986, trata, especificamente, da sociedade não personificada. Em primeiro lugar, temos a sociedade em comum, que já estudamos. Sim, já estudamos quando do tratamento da sociedade irregular, aquela que não tem ou não registrou seu contrato social, lembra-se? Os Arts. 986 a 990 do CC/02 referem-se justamente ao tratamento dado à sociedade empresarial que não optou pelo registro, ou seja, que não recebeu a sua personalidade jurídica própria, existindo, por isso, todo um comprometimento de sua autonomia negocial, patrimonial e jurídica, de que já tratamos na nossa AULA 8. Essa é a sociedade em comum. No capítulo II deste mesmo título, temos a sociedade em conta de participação. Ela pode ser conceituada como um contrato de investimento ao qual o legislador deu o título de sociedade empresária. Nessa sociedade existem duas modalidades de sócios: o sócio oculto, ou participante, que não aparece perante terceiros, e um sócio ostensivo, em nome do qual são realizadas todas as atividades (Art. 991 do CC/02). Nesse tipo de sociedade, só assume, efetivamente, obrigações perante terceiros o sócio ostensivo. Os demais sócios, participantes, obrigam-se exclusivamente perante o sócio ostensivo, nos termos estabelecidos pelo contrato social. Se algum credor se sentir lesado por uma sociedade em conta de participação, deverá cobrar do sócio ostensivo. Este deverá se prontificar a resolver o passivo, já que essa função é de sua exclusiva responsabilidade. Caso exista alguma cláusula determinando responsabilidades do sócio participante, ou oculto, perante o sócio ostensivo, posteriormente aquele deverá ser acionado.

A sociedade é tão despersonalizada que o arquivamento dos atos constitutivos da sociedade em conta de participação, no órgão de registro competente, é dispensável. E, mesmo que esse arquivamento seja realizado, tal ato não conferirá personalidade jurídica a essa sociedade (Art. 993 do CC/02). Agora podemos passar à análise dos tipos societários empresariais.

SOCIEDADE EM NOME COLETIVO A sociedade em nome coletivo tem seu tratamento legal nos Arts. 1.039 a 1.044 do Código Civil de 2002. É uma sociedade que deverá ser formada por sócios que devem ser obrigatoriamente pessoas naturais (físicas), já que têm responsabilidade solidária e ilimitada pelas obrigações sociais. Isso significa que, esgotado o patrimônio social, o credor poderá ainda persistir em sua cobrança, através do patrimônio dos sócios. Daí a responsabilidade solidária e ilimitada entre os sócios desse tipo empresarial. A administração dessa sociedade também só poderá ser realizada por sócios. O nome empresarial utilizado nesse caso será a firma ou razão social, e qualquer dos sócios poderá ter seu nome na composição da razão social. Caso um dos sócios venha a falecer, se o contrato social não dispuser em contrário, opera-se a liquidação das quotas do falecido (Art. 1.028 do CC/02).

SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES É a chamada sociedade mista, em que um ou alguns sócios, denominados “comanditados”, têm responsabilidade ilimitada pelas obrigações sociais, e outros, os sócios “comanditários”, respondem limitadamente por essas obrigações. Somente os sócios comanditados (responsabilidade ilimitada) podem ser administradores. Os sócios comanditários não poderão praticar atos de gestão da sociedade, evitando-se, assim, a possibilidade de que, ao agirem em nome dela, sejam tomados por administradores e sócios de responsabilidade ilimitada. Poderão, apenas, através de procuração, exercer atos especiais para benefício da sociedade.

SOCIEDADE EM COMANDITA POR AÇÕES A sociedade em comandita por ações está regulamentada no Código Civil, nos Art. 1.090 a 1.092. Nesses artigos, existe a referência legal de que o diploma supletivo de tratamento (observando que só existem 3 artigos que tratam do tema) é o das sociedades anônimas ( Lei 6.404/76). A administração exclusiva da sociedade será exercida pelos seus acionistas que, ao assumirem tal função, serão considerados diretores. Estes respondem subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Nos termos do art. 1.091 do CC/02, o diretor destituído ou exonerado permanece, pelo prazo de 2 (dois) anos responsável pelas obrigações sociais contraídas sob sua administração.

SOCIEDADE LIMITADA A sociedade limitada (que talvez seja o único tipo societário que você pelo menos já tenha ouvido falar, mas com outro nome – sociedade por quotas de responsabilidade limitada) é o tipo empresarial mais comum e de maior presença na economia brasileira. Representa, hoje, mais de 90% (noventa por cento) das sociedades registradas nas Juntas Comerciais. Por quê? Por que tanta popularidade no Brasil? Dois fatores são de grande relevância para tal fato: a limitação da responsabilidade dos sócios e a sua contratualidade. Com relação à limitação de responsabilidade dos sócios temos que neste tipo societário, cada quotista ou sócio é responsável por uma parcela do capital social, ou seja, é diretamente responsável pela integralização (pagamento) de sua(s) quota(s). Mas não termina aí! Fica também indiretamente responsável pela integralização de todas as outras quotas – integralização do capital social. Vamos ao Art. 1.052 do Código Civil de 2002 para compreendermos melhor: Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. Antes de falarmos sobre o tema com mais profundidade, acho interessante tratamos das figuras subscrição, realização e integralização de capital social. A subscrição ocorrerá quando o sócio se comprometer em contribuir com uma quantia para a sociedade. À medida que vai fazendo o pagamento (caso não o faça à vista) ele está realizando o capital social (tornando-o real) e ainda, quando o capital já estiver todo pago e inteiro à disposição da sociedade, teremos aí a integralização de capital social. Imaginemos uma sociedade limitada compostas por FULANO e BELTRANO. Cada um deles é responsável pela integralização de 50% (cinqüenta por cento) do capital social, já que eles compraram 50 (cinqüenta) quotas cada um. FULANO integraliza, isto é, entrega efetivamente o dinheiro necessário para pagar pelas 50 (cinqüenta) quotas. BELTRANO, entretanto, embora tenha se comprometido em fazer o pagamento, não o fez. Em caso de insolvência (sociedade que não tem recursos suficientes para honrar seu passivo), FULANO terá que responder com os seus bens particulares pelo valor correspondente às 50 (cinqüenta) quotas de BELTRANO. O capital social, formado da contribuição dos sócios ou quotistas, divide-se em quotas iguais ou desiguais. A contribuição só poderá ser feita em dinheiro ou bens. Não existe mais, na sociedade limitada, a possibilidade da sociedade de capital e indústria, em que um dos sócios contribuía com o capital e outro com o trabalho. Não há qualquer tipo de exigência legal com relação à integralização e um valor mínimo no ato da subscrição das quotas, ou mesmo de um prazo para tanto. O nome da sociedade por quotas pode ser composto por firma/razão social ou denominação. Ambos devem ser procedidos da palavra “limitada” ou da expressão “Ltda.”. Caso haja omissão de tal termo, na razão social ou na denominação, serão havidos como ilimitadamente responsáveis os sócios-gerentes e os que fizerem uso da firma social, criando-se, sem querer, uma sociedade simples ou em nome coletivo. Hoje o seu tratamento legal é feito pelo Código Civil de 2002 (Arts. 1.052 a 1.087), e não mais pelo Decreto 3.708/19. O Código Civil expõe, em seus Arts. 1.045 a 1.051, o tratamento jurídico para tal tipo empresarial. O nome empresarial da sociedade em comandita simples, quando firma ou razão social, deve ser composto apenas pelo nome civil dos sócios comanditados, sendo expressamente vedada a utilização do nome civil dos sócios comanditários.

072. a sociedade poderá ainda optar pela não realização nem de Assembléia.404/76. e sua convocação. haverá quoruns diferenciados e especiais. poderíamos considerar esse diploma legal um modelo de “Código Societário”. instalação. deve-se proceder à segunda convocação. 1. SOCIEDADE ANÔNIMA O tratamento jurídico para este tipo empresarial encontra-se na Lei 6. Em relação ao quorum de eleição de sócio para administrador. As deliberações sociais poderão ser tomadas em reunião (caso a sociedade conte com menos de 10 sócios) ou em assembléia (caso a sociedade conte com mais de 10 sócios). na sociedade limitada.1. eleitos na assembléia anual da sociedade. Na hipótese de uma pequena quantidade de sócios. a única condição . mas caso exista deverá ser composto por.072 do Código Civil de 2002. residentes no país. com três outras publicações e avisos e antecedência de 5 (cinco) dias. §2° do Código Civil de 2002. Já a assembléia tem forma vinculada.088 e 1. com antecedência mínima de 8 (oito) dias. nos termos do Art.089. na sociedade limitada. O modelo S/A ou companhia é um modelo estritamente empresarial. Já está decidido. Caso haja a proposta de um não sócio. Ocorre que o Conselho Nacional da Justiça Federal optou por desconsiderar tais artigos. formalizando em escrita e registrando a deliberação. por estarem diretamente envolvidos com a atividade empresarial. e o capital social esteja completamente integralizado. no mínimo 3 (três) membros. Isso porque. Apesar do nome específico. ocasião em que serão fixadas as suas respectivas remunerações. O Código Civil também inovou ao trazer a figura do Conselho Fiscal para a Ltda. e essa forma deverá obrigatoriamente ser respeitada. hoje. ¾ (três quartos) do capital social deverão ser necessários para eleição do mesmo. As limitações ao exercício da atividade empresária deverão ser transportadas para os sócios administradores. junto à administração dos negócios da sociedade. deverá ser encaminhado para votação em Assembléia ou Reunião. Esse órgão é responsável pelo acompanhamento.404/76. A reunião será desprovida de qualquer formalidade. Atendidas as formalidades. 2° da Lei 6. a Lei das Sociedades Anônimas. Na S/A. ou seja. 1. Esse modelo tem como paradigmas dois elementos fortes: o capital e a responsabilidade dos sócios. de acordo com o Art. nem de reunião. tanto o sócio como o não sócio. geralmente encontramos um tipo empresarial menor no qual todos os sócios participam ativamente do cotidiano da empresa.061 do Código Civil de 2002). A assembléia deverá ser convocada mediante avisos publicados por três vezes na imprensa oficial e em jornal de grande circulação. que este parecer emitido pelo Conselho Fiscal não tem caracter vinculativo. temos um quorum de 2/3 (dois terços) do capital social. nos termos do Art.404/76. a assembléia se instala validamente com qualquer número. Também deverão ser respeitadas as limitações para os membros do conselho fiscal. faz menção ao tratamento das sociedade anônimas. O Código Civil de 2002. Se o capital ainda estiver sendo realizado. A assembléia só poderá deliberar validamente se atendem à convocação sócio/sócios titular(es) de pelo menos ¾ (três quartos) do capital social. O seu objeto é sempre empresarial. Esse órgão será facultativo. O capital é a única exigência para a participação no tipo empresarial. Nele encontramos todos os tipos de disposição a respeito de sociedade empresarial. pelas cortes brasileiras. e o fará através de pareceres. frente à prévia existência de farta legislação sobre o assunto. 1. na Lei 6. sócios ou não. o quorum para eleição de não sócio será o da unanimidade do capital social (Art.Pelo Código Civil podem ser administradores. Para tanto. freqüência deverão ser estipuladas no próprio contrato social. Caso não seja atendido esse quórum de instalação. em seus Arts.

nem em bolsa de valores. O capital social não poderá ser modificado (majorado ou diminuído). Nasdaq. A negociação poderá ocorrer em Bolsa de Valores (Bovespa. a não ser em situações especiais. a atividade como instrumento para obter vantagens e a limitação da responsabilidade. a não ser em hipóteses específicas previstas em lei. Podem ser levantadas como características da sociedade anônima: a) capital dividido em ações. poderá ser considerada a hipótese de responsabilização dos sócios administradores (Art. Antônio Ermírio de Morais. E ponto. O grupo Votorantim é uma companhia fechada por decisão de seu diretor-presidente. que não existem fisicamente. em bolsa ou não. intelectualidade. sexo. O valor do capital deverá ser verdadeiro. 8° da Lei 6. partes beneficiárias e bônus de subscrição). por exemplo. ainda. para a sociedade. não negocia seus valores mobiliários nem em mercado de balcão. Será aberta quando negociar seus valores mobiliários em mercado de balcão ou bolsa de valores (Art. O capital social é um dos elementos-chave deste modelo societário. cor. É claro que o valor de negociação. E não pense que isso é sinônimo de pequenez da empresa. Aqui.404/76). d) livre participação de incapazes e proibidos de comercializar (só lhes é vedado a participação na administração). A companhia poderá ser fechada ou aberta. Seu credo. 4° da Lei 6. Valores mobiliários são títulos. hoje pouco usuais. As ações podem ter estruturas físicas diversas. O outro fator de grande importância é a questão da responsabilidade dos sócios. A companhia fechada. documentos que as sociedades anônimas colocam no mercado a fim de captar investimentos (ações. E. nos termos do Art. Diferentemente das quotas. É o cume do capitalismo e consagra todos os princípios do direito empresarial: a busca do lucro como principal objetivo. em que. Caso ocorra a superavaliação dos bens para aparentar um capital social maior.404/76).. nada disso é levado em consideração. o valor disposto em estatuto ou ata assemblear deve ser exato (não poderá ser indexado) e grafado em moeda nacional. 3° da Lei 6. A supervisão de todas essas operações encontra-se nas mãos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Ela negocia particularmente seus valores. por força de lei. 24 da Lei das Sociedades Anônimas) e também as ações escriturais. ter o mesmo valor para a companhia. Nada mais. b) responsabilidade dos acionistas restrita ao valor das ações subscritas e integralizadas. as ações deverão. entre outras) ou em mercado de balcão (local onde se negocia o primeiro lançamento do valor mobiliário no mercado – a intermediação da negociação de valores mobiliários se dá por um banco ou instituição financeira). uma autarquia que fiscaliza e regula o mercado aberto. papéis. Mas. Sr. poderá ser variado. A companhia terá nome empresarial na forma de denominação.404/76). houver uma homenagem a um sócio fundador (Art. 5° da Lei 6.para a participação de alguém é que tenha capital para investir na sociedade. mas são dados . sempre. que são impressas em certificados (Art. c) natureza jurídica empresarial.. por sua vez. o valor deverá ser sempre o mesmo. Não existe compromisso com o todo e muito menos com a parte do outro.404/76. Existem as ações cartulares ou documentais. cada sócio ou acionista é estritamente responsável por subscrever e integralizar suas ações. debêntures.

118 da Lei das S/A). Você se lembra de termos estudado os valores mobiliários logo ali em cima? Eu falei de mais alguns valores que não as ações. As ações preferenciais. é órgão facultativo. Dê uma olhadinha no Art. Diretoria e Conselho Fiscal. A diretoria. Quem compra ou adquire uma parte beneficiária terá direito de receber parte do lucro. Através de um quadro comparativo. Caso não haja conselho de administração a diretoria assumirá suas funções. A Assembléia Geral. os sócios majoritários ou o administrador de fato é denominado por sócio controlador. guarda as atribuições executivas – irá executar tudo que for levado pelo conselho de administração e aprovado pela Assembléia Geral. O Conselho de Administração deverá ser composto apenas por acionistas. assuntos que não fazem parte do cotidiano de uma S/A. Os órgãos sociais de uma companhia são: Assembléia Geral. Conselho de Administração (que não é obrigatório em todos os tipos de sociedade anônima). Representa um empréstimo. A escritura de emissão de debêntures deve ser arquivada no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial. Objetos residuais: fusão da companhia. O Conselho de Administração irá se sobrepor à diretoria. As ações ordinárias são aquelas que. Podem ser resgatáveis em dinheiro ou em forma de ações. 116 da Lei 6. salvo se o estatuto dispuser em contrário (Art. formada por todos os acionistas com direito a voto. nos termos do Art.. via de regra (a não ser nas sociedades de economia mista e nas companhias abertas de capital autorizado). por sua vez. como uma pessoa jurídica como um acordo de acionistas (Art. você encontraria o prazo e em que condições aquele valor seria devolvido a você. Se você comprasse uma debênture de uma Sociedade Anônima. podem ter suprimido o seu direito de voto. . Esses são os direitos essenciais de um acionista na sociedade anônima. participação prioritária em acervo das sociedades. Logo. mas de instalação facultativa.. lembra?). um contrato mútuo entre a companhia e o debenturista.contábeis que constam apenas em livro escritural da companhia e nos registros da instituição financeira. você se tornaria o credor dela.. 46 da Lei das Sociedades Anônimas). descritas no Art. não foi? As partes benefíciárias são títulos que asseguram a seus proprietários participação nos lucros (Art. Pode ser tanto uma pessoa natural.140 da Lei das S/A). estudaremos a diferença entre esses dois tipos de assembléia: AGO Deverá realizar-se 1 (uma) vez a cada exercício social. Podem as ações ser ainda de espécies diferentes. 132 da Lei das Sociedades Anônimas AGE Realizar-se-á quantas vezes quanto forem necessárias. Objeto: Art. O Conselho Fiscal é órgão de existência obrigatória na S/A. Na sociedade anônima. caso esse efetivamente ocorra. tendo em vista tratar-se de um órgão de competência deliberativa – traça a política e estratégia administrativa a serem adotadas pela diretoria. na escritura da debênture. 109 da Lei das Sociedades Anônimas. 17 da mesma lei. É aquele que tem maioria da participação societária. conferem obrigações e direitos comuns (essenciais) aos seus detentores. em geral. cisão. como o próprio nome indica.. divide-se em Assembléia Geral Ordinária (AGO) e Assembléia Geral Extraordinária (AGE). por outro lado asseguram aos proprietários certas vantagens sobre o acionista ordinário (direito de dividendos prioritários. nos 4 (quatro) primeiros meses do exercício social. A debênture é um título da dívida privada.).404/76.

que responsabilidade. na verdade. suas características. Ela é considerada uma sociedade coringa. a presença de apenas sócios na forma de pessoa natural e ainda cria a responsabilidade subsidiária para estes na hipótese da falta de recurso da sociedade para arcar com suas obrigações. As demais sociedades deverão ser regularizadas. A sociedade em comandita simples e por ações faz uma diferenciação bem interessante. A sociedade em nome coletivo é uma sociedade muito antiga que exige. diploma extenso e perfeccionista na forma de tratar da sociedade. A sociedade limitada é a o tipo mais presente no Brasil. ou seja. os sócios que cuidarem dos negócios serão responsáveis por todas as operações ocorridas em sociedade. suas particularidades.. seu funcionamento será decidido pela Assembléia. para sua formação. registradas na Junta Comercial de seu respectivo Estado. temos. é a por nós hoje conhecida como “sociedade informal”. os contratos empresariais e os institutos da falência e recuperações. que ganhou regramento próprio: a Lei 6404/76. Hoje em dia. chegamos ao ponto principal: conhecer as sociedades empresariais. que respondem pelo valor integralizado do capital social. Já o sócio comanditado será aquele que tem responsabilidade ilimitada perante a sociedade e participa de sua administração. outros caminhos: os títulos de crédito. Este fato diminui o risco dos sócios. como início do nosso estudo. O Código Civil de 2002 inseriu em seu texto dispositivos interessantes que possibilitaram a existência de sociedades limitadas de vários tamanhos e com perfis diversos. . o que é uma grande garantia para o investidor. aquela sem registro ou mesmo sem sequer um contrato social. juntos. Temos o sócio comanditário que responde limitadamente pelas suas obrigações e não participa da administração da sociedade (na comandita por ações este é conhecido como sócio diretor). Nossa. E que também já esteja ansioso pelo próximo passo! Vamos??? Resumo Depois de termos estudado bastante a teoria societária. Em não havendo registro. Caracteriza-se pelo fato de formar-se com sócios quotistas. que poderá optar. que guarda inúmeras especificidades. Encerramos aqui a nossa excursão pela primeira parte do Direito Empresarial. tendo em vista um incentivo fiscal que era disponibilizado para essa relação. Isso porque o acionista responde apenas pelo valor de suas ações. Sim. Agora. antigamente conhecida como sociedade de fato ou irregular. que ficam mais aliviados ao formar tal tipo societário. dois tipos societários: as sociedades em comum e as sociedade sem conta de participação. com seus membros. A sociedade anônima é o tipo mais seguro. Destaquei. Tem por função examinar e dar parecer nas contas dos administradores. hein? As sociedades em conta de participação eram muito comuns antigamente.Como assim? Ele existirá sempre. Espero que você tenha aprendido tanto quanto eu aprendi montando essas aulas pra você. Isso porque elas são exceções. Daqui para a frente desbravaremos. A sociedade em comum.. O legislador não foi nem um pouco benevolente com este tipo de reunião societária. Isso porque ela não é registrada e compõe-se de duas modalidades de sócios: o participante (também chamado oculto) e o ostensivo – responsável pelo desenvolvimento do negócio. que ficar muito atentos ao tratar com uma sociedade como esta. benefícios. hoje. Ela é tão importante.

ATIVIDADES 1) Quais os ônus para aqueles que desejam realizar a atividade empresarial na informalidade. sem registro? 2) Na sociedade em conta de participação. ou seja. quais as conseqüências da falência do sócio participante? E do sócio ostensivo? 3) Quais as principais características das sociedades em comandita simples e por ações? 4) Por que a sociedade limitada é tão benquista pelos sócios? 5) Quais as principais características das sociedades anônimas? .

era sempre bem-vinda. Bom. Estudaremos os títulos de crédito. usando esse produto. devemos fazer uma incursão na história da instituição do crédito para descobrirmos juntos o porquê de sua existência. nasceu a prática do escambo = troca. Com a exploração. tendo em vista que ele não pereceria e poderia ser útil em situações futuras. antes de entrar diretamente em conceitos. já que estava condicionado a uma necessidade. o homem resolveu promover a troca de mercadorias. até o presente momento dei ênfase às relações imediatas. obrigações. já que se percebera a possibilidade de. Introdução Olá! Começamos agora uma nova jornada pelo Direito Empresarial. para outros era a abundância da pescaria que gerava sobras. • Reconhecer a importância da história para a formação da teoria geral dos títulos de crédito. utilizou-se desse produto como instrumento de troca constante. ou seja. HISTÓRIA E CONCEITO DE CRÉDITO A história dos títulos de crédito começa muito antes do que imaginamos. então. A criação da moeda foi o ponto máximo dessa evolução. O escambo. O Estado tomou para si a responsabilidade da fabricação de tal artifício e a preservação de seu caráter oficial. Na verdade. • Conhecer os fundamentos da teoria geral dos títulos de crédito. que efetivamente representam o maior aliado do empresário. O crédito ganha ainda mais importância quando observamos as relações mais duradouras. fruto de um trabalho diário de perseguição. E se quem disponibiliza a caça está interessado em vegetais? E se o responsável pela pesca precisa efetivamente é de água? O ser humano. Enquanto para alguns sobrava a caça. deu mais um passo em direção à evolução: notou que alguns produtos (o sal. percebeu que a troca. foi um dos colaboradores do desenvolvimento intelectual. que é essa troca de bens e. o escambo limitava a circulação livre de bens. Ocorre que. Aproveitando-se das sobras. contraditoriamente. de serviços por bens. começou quando o ser humano conseguiu explorar melhor o meio em que vivia. prata. cobre ou bronze. estabelecer um preço que se mensurava como um peso em ouro. Com a descoberta da fundição de metais e sua utilização pelas sociedades. o homem começou a estabelecer um novo valor comunitário de trocas. por exemplo) eram facilmente comercializáveis. . atributos. como produto e também como instrumento de troca. Claro que. que nem sempre ocorria: trocar a caça pela pesca (como o exemplo acima). de caráter absolutamente consumível. eventualmente.Aula 11 – Os títulos de crédito e a atividade empresarial Objetivos • Identificar a importância do crédito para o Direito Empresarial. em todos os lugares. em que o elemento confiança aparece como chave do negócio.

Com essa desvinculação do caráter pessoal do crédito.C. como você já deve ter estudado em disciplinas relacionadas com o Direito. O Art. em 429 d. 887. Na troca de bens geralmente existirá um lapso temporal entre a prestação e uma contraprestação (entrega da mercadoria/ pagamento do preço) e aí encontramos o elemento chave: a confiança. Com o aparecimento da Lei Paetelia Papiria. ou seja. a sua circulação ficou muito mais simples e até possível. que o ramo do “Direito Empresarial” é fruto de uma contingência e reflexo de necessidades históricas de engrandecimento da qualidade do comércio. adquiriram a qualidade de endossáveis. documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido. Existe uma palavrinha que praticamente inutiliza o conceito criado pelo legislador. atributos ou princípios que devem nortear sua criação. que elaborou a definição mais simples e completa desse instituto: “Título de Crédito é o documento necessário para o exercício do direito. diverge com relação aos critérios de nomenclatura. e se fosse assim. não? Mas não é. mas vou utilizar aqui um tratamento . por vezes. que tenta (mas não consegue!!!) conceituar devidamente o instituto. em tempos remotos. por necessidades mercantis. houve a separação entre o patrimônio e a pessoa. literal e autônomo. que. Partindo para a análise do conceito de título de crédito. CONCEITO DE TÍTULO DE CRÉDITO Torna-se praticamente impossível conceituar títulos de crédito sem citar o conceito de Vivante. quando. a confiança que uma pessoa inspira em outra de cumprir. Desde então. que tem a função de representar o crédito.” O conceito lhe parece bem próximo do de Vivante. a obrigação (seja ela civil ou mercantil) só poderia ser cumprida pelo titular da obrigação. em um tempo futuro. E essa palavrinha é “contido”. obrigação assumida na atualidade veio facilitar grandemente as operações comerciais. nele mencionado” Antes de analisar os elementos desse conceito que nos ajudarão a tomar consciência do conceito como um todo. Mas só com o aparecimento da cártula ou do título é que a circulação de riqueza tomou outras proporções. O crédito não está contido no título. era clara a existência de um laço pessoal na relação entre os envolvidos no crédito. a história do crédito se solidificou ao construir uma trajetória e uma metodologia de evolução e utilização desses instrumentos de circulação de riqueza – e nada mais interessa ao empresário do que a RIQUEZA. com relação ao “instituto crédito”. O título de crédito. Ou seja. Não me canso de repetir. O estudo do direito creditício fica ainda mais interessante quando compreendemos esse processo. juntos. utilização e tradição. teria que responder com seu corpo. acho importante irmos ao Código Civil de 2002. O crédito. é que. Poderíamos. Isso ocorreu na Idade Média. deparamo-nos com alguns elementos. A doutrina. mais uma vez por força de circunstâncias históricas. num primeiro momento. 887 desse diploma legal traz o seguinte texto: “Art. É absolutamente necessário o elemento “confiança” para que um dos contratantes conclua sua parte no negócio e aceite que a outra conclua a sua num outro momento. começaram a aparecer documentos que representavam direitos de crédito. que pode ser pré-combinado ou não. não permitiam transferência. em minhas aulas. com a morte do título não teríamos mais o crédito. analisar um conceito de crédito que será muito mais fácil de compreender se efetivamente levarmos em consideração essa evolução histórica já mencionada. somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. O entendimento doutrinário e jurisprudencial é no sentido de não se confundir o crédito com o título.Um problema real. o que proporcionou a intervenção no patrimônio do devedor e não na própria pessoa (que já ela não tinha tanto valor como o patrimônio em si). O crédito existia antes e com certeza não se prende ao título. mas que. Se alguém contraía dívida.

pela maioria da doutrina. esses problemas não se estenderão ao avalista. Sua irmã alegou que a dívida original (com você) já estava vencida e que não suspenderia a ordem de sustação do título. O terceiro de boa-fé não pode ser afetado por vícios e irregularidades presentes quando da criação do título. O título de crédito é um documento. e aí encontramos o nosso primeiro elemento – a documentalidade ou cartularidade: existe aqui a densificação do crédito em um documento. as defesas antes existentes contra o devedor principal já não podem ser opostas perante terceiros. Nesse caso. A relação exclusivamente cambial liga credor e devedor. no exemplo acima. o crédito transforma-se em promessa unilateral de vontade. confusão feita com o cheque. seu José deparou-se com uma ordem de sustação realizada por sua irmã. Se eu tenho um título com problemas na assinatura do devedor principal. não. Já o aspecto negativo desse atributo apregoa que TUDO o que não está literalmente disposto no título não tem qualquer significado para o mundo jurídico. também não essencial. é um título causal. Para ficar mais claro. percebeu que seu valor era idêntico ao da sua dívida com a mercearia da esquina. A literalidade positiva é aquela em que TUDO o que está literalmente disposto no título tem validade. por exemplo. encontra-se no pagamento que sua irmã lhe fez. não! Nem ela. titular do cheque.. Como exemplo.. Já a nota promissória pode ser emitida sem nenhuma vinculação. porque no título de crédito existem momentos diferentes. esse atributo não é essencial. Num segundo momento. é a chamada. Nem todos os títulos de crédito têm absoluta vinculação em relação ao negócio que lhe deu origem. fazendo a cobrança.bem tradicional. Além de documentar o crédito. bateu à porta dela. erro de compensação. Existem ainda atributos considerados como não essenciais. Com relação a esse atributo. O primeiro termo para o qual gostaria de chamar sua atenção é “documento”. Logo. Ao tentar depositar o cheque. A duplicata. Cada uma é autônoma com relação às outras. Passando pela porta da tal mercearia. A dívida deverá ser quitada com seu esforço. quem a inseriu terá responsabilidade com o crédito e não a de ser mera testemunha. poderíamos mencionar a hipótese de que um cidadão X aposta sua assinatura em um título de crédito. Na verdade. ou seja. O último atributo. Essa autonomia diz respeito a cada obrigação contida no título. Todas as defesas poderiam ser apresentadas por ela: prescrição da obrigação. já que o crédito fora recuperado. quando da circulação do cheque. por exemplo. Por isso não se trata de um atributo essencial. acho bastante interessante pensarmos em um exemplo concreto: Você acabou de receber um cheque de sua irmã como fruto de pagamento de uma dívida já antiga. A literalidade é o predicado de correspondência entre o teor do documento e o documento em si. que. Seu José não sofrerá prejuízo por um problema entre você e sua irmã: resolvam o problema de vocês depois. não poderá haver alegação do negócio subjacente. Faça imediatamente o pagamento de seu José. Um terceiro atributo essencial de um título creditício é a autonomia. a posteriori. causalidade. poderíamos busca em Ascarelli as variações da literalidade. Quem se obriga se obriga por que e pelo que assinou. . Um momento contratual. Ora. A abstração diz respeito ao princípio da inoponibilidade das exceções ao portador de boa-fé. Sua origem está vinculada à emissão de nota fiscal . e você. nem você poderiam fazer isso. adotado pela corrente majoritária. o doutrinador fala em “direito literal”. entregou para seu José o cheque e aproveitou para comprar uma lembrancinha para as crianças. acreditando tratar-se de um compromisso em testemunhar a favor do credor. deverá procurar sua irmã para saber da legitimidade da sustação. O aval é uma obrigação autônoma com relação ao devedor principal. Não. Ao recebê-lo.fruto de venda de produtos ou prestação de serviços. logo. se a assinatura está literalmente no título.

internamente. que foi promulgada entre nós por meio do Decreto 57. haver a abrangência dos títulos de créditos atípicos. por si só. baixou um decreto determinando o cumprimento da Convenção Internacional. LEGISLAÇÃO ESPECIAL O Brasil é signatário de uma convenção internacional em matéria de títulos de crédito – Convenção de Genebra ou Lei Uniforme de Genebra (LUG) –. O título denominado atípico. não existia. como no caso dos títulos de crédito tradicionais. ou seja. 206. VIII do Código de Processo Civil confere ao título de crédito típico a qualidade de título executivo extrajudicial. os títulos de crédito mais comuns. o protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida. de acordo com o atributo da literalidade. qualquer assinatura posta em um título de crédito terá significado cambial e não contratual. o CC/02 traria os elementos essenciais para criação de um título de crédito novo.CÓDIGO CIVIL DE 2002 O Código Civil também inovou.. E com o contrato e a assinatura de 2 (duas) testemunhas? Assim eles teriam reconhecido o direito de serem considerados títulos executivos extrajudiciais? Conforme já vimos. a teoria dos títulos de crédito? Existe uma mudança de paradigmas ou coisa parecida? Vejamos. A execução também não se dará diretamente. teríamos o prazo do Art. 903 do CC/02. que conta como Anexo 1 da Convenção de Genebra sobre Letra de Câmbio e Nota Promissória. poderá. como no Direito Empresarial. . Não houve previsão de que os títulos de crédito atípicos fossem considerados títulos executivos extrajudiciais. O Art. a contar do vencimento. Vamos desfazer esse “embrulho”? Em princípio.. pois ele. agora seria tratado pelo Art. de utilização diária. antes do Código Civil de 2002. 1° da Lei n° 9. o tratamento se dará de forma dissociada: o título típico. (Lei das letras de câmbio. têm tratamento em lei especial: logo poderíamos reservar seu tratamento aos dispositivos legais específicos. como normalmente é denominada na doutrina. Só que o Poder Executivo. ressalvadas as disposições de lei especial.. vigora a Lei Uniforme de Genebra (LUG). Nos termos do Art. regemse os títulos de crédito pelo disposto nesse Código. já faz prova de sua exigibilidade. ou seja. Acontece que. mas acredito que você já tenha ouvido falar alguma vez em protesto. 889 e seguintes do Código Civil de 2002.). que. Com relação à prescrição de tais títulos. na época. aí. VIII: prescreve-se em 3 (três) anos a pretensão para haver o pagamento de título de crédito. salvo disposição diversa em lei especial.663/66. lei da duplicata.) De acordo com Vivante. próprio. lei do cheque. nome positivado no SPC ou SERASA. Será cabível o protesto de tais títulos atípicos? Nos termos do Art. temos que. nominado e com lei específica que prescreva seus elementos continuará sendo tratado por ordenamento jurídico particular.492/97 (Lei de protestos – estudaremos do que se trata isso. logo o sistema legal de tratamento dos títulos de crédito pode parecer um pouco confuso. o Brasil já contava com um diploma de inegável qualidade no que diz respeito ao tratamento das Letras de Câmbio e Notas Promissórias.. Curiosamente. 585. § 3°. não haverá necessidade de uma sentença de um juiz reconhecendo a validade e credibilidade do título. não tipificado. Na verdade.

perante a legislação brasileira. 19. essa informação sobre os títulos à ordem ficará ainda mais fundamentada em seu entendimento. por último. CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO Existem inúmeras classificações para os títulos de crédito em toda a doutrina. Isso por que os títulos ao portador têm circulação fácil. 33 (responsabilidade civil do oficial do cartório de protestos). Art. Os títulos à ordem têm uma circulação ao mesmo tempo fácil e segura. I (referente à expressão “nota promissória”). 48 e 49. 38 da LUG deve ser completado nos termos da reserva. teremos a melhor e mais segura forma de transmissão de crédito. têm circulação segura. Já falamos sobre esse artigo anteriormente. Mas existem ainda os requisitos próprios do Direito Cambiário. A taxa de juros de mora no pagamento de letra de câmbio ou nota promissória não é a constante dos arts. Hoje. . nos títulos de crédito deverão. Art. O Art. números 2 e 3 do Art. os títulos ao portador. ou seja: as letras de câmbio pagáveis no Brasil devem ser apresentadas ao aceitante no próprio dia do vencimento. Estudaremos mais adiante o endosso. Art. 10. 3ª alínea do Art. ou seja. 406 do Código Civil de 2002). ser respeitados os dispositivos do Art. Serão nominais ou nominativos os títulos que forem emitidos em favor da pessoa cujo nome conste no registro do emitente.”).. (“Pague ao Sr. 41. os seguintes dispositivos da LUG: Art. Art. mas não segura. José ou à sua ordem. no direito brasileiro.Não terão validade. com certeza. mas a mesma devida em caso de mora no pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional (nos termos do Art. 20 (salvo quanto às conseqüências na inobservância do prazo nele consignado). entretanto.. mas não fácil. No Decreto n° 2. ao contrário. Art. quando. Os nominais. Então a variedade de atos que nos são lícitos está somente adstrita às expressas proibições legais. 104 do Código Civil de 2002: agente capaz. através do endosso. mas resolvi utilizar um critério que será útil para ajudá-lo a compreender melhor o instituto creditório em estudo. 14 (quanto à possibilidade e aval antecipado). Art. 44. quinta e sexta alíneas do Art. 3° (relativo aos títulos sacados). Os títulos ao portador. E. por lei. Isso porque ao privado é delegado fazer tudo que a lei não proíbe. 43. para fins de arrecadação. não são mais permitidos. REQUISITOS ESSENCIAIS Como em qualquer negócio jurídico. uma cláusula esclarecendo que o direito à prestação pode ser transferido pelo beneficiário a outra pessoa. primeiramente. são aqueles que não consignam o nome do favorecido. também devem ser levadas em consideração as exigências da legislação específica com relação a cada título de crédito. Art. forma prescrita ou não defesa em lei. por sua vez. objeto lícito e possível. sobre a pluralidade de sacados. Ele norteia toda a orientação de atos de competência do direito privado. Os títulos à ordem são aqueles que trazem os nomes de beneficiários e. 54.044/08 (Lei brasileira que trata de letras de câmbio e nota promissória) continuam em vigor os seguintes artigos: Art. aplicáveis genericamente a todas as modalidades de títulos de crédito. junto a esses. 10. 36 (anulação de títulos).

Alguns dos requisitos essenciais genéricos são: denominação do título. por si ou por meio de outrem. II do Código de Processo Civil: “Art. por exemplo. não é mesmo? Você percebe a importância da história no contexto do direito empresarial? Mesmo os títulos de crédito. Felizmente. ou seja. Não reconhece nenhuma assinatura. Atividades 1) Conceitue crédito. nos termos do Art. já que hoje podemos lançar mão de outros recursos para realizarmos nossas operações creditícias. Cessa a fé do documento particular quando: I – (. nos termos do Art. o formar ou o completar.. Esta primeira introdução busca demonstrar a estrutura dos títulos de crédito e sua utilidade no nosso cotidiano. Quando o título encontrar-se incompleto. muitas mudanças têm acontecido. valor a pagar. Lembro-me.. existem países que admitem alguns deles: a duplicata digital.. Na próxima aula exploraremos melhor os títulos em si. nominativo e ao portador? 4) Como se dá o tratamento dos títulos de crédito no código civil de 2002? 5) Faça um breve relato da evolução histórica dos títulos de crédito. assinatura de seu criador. para a validação de um título de crédito. violando o pacto feito com o signatário. portanto. peculiaridades.889 do Código Civil de 2002. mas não sabia responder.). que não a de próprio punho. contato que haja o domínio conceitual e prático destes. sofreram e continuam sofrendo influência do tempo. o que poderá favorecer uma readaptação do legislador brasileiro ao cenário mundial. for abusivamente preenchido. principalmente na área de certificação digital e assinaturas eletrônicas. É ou não é um assunto absolutamente atual? Resumo Nesta aula. com texto não escrito no todo ou em parte.” Bom. 2) Quais os princípios essenciais dos títulos de crédito? E os não essenciais? 3) Qual o significado de título a ordem. O Brasil já assumiu um posicionamento sobre esse assunto. que institutos que utilizamos no nosso dia a dia são e podem ser muito mais úteis do que pensamos. demos grandes passos com relação aos títulos de crédito.. data ou época do pagamento e data de emissão. no fim da circulação. . acho que. II – assinado em branco.. que já existem de longa data.. Percebe-se. O que dizer dos títulos de crédito e a era digital? Muita polêmica já foi levantada. 388. pelo menos os mais utilizados. Dar-se-á abuso quando aquele que recebeu documento assinado. Parágrafo único. até o momento de fazer valer publicamente o título. aprendemos muito sobre um tema que quase todos julgam conhecer: o crédito. pra começar. de minha primeira aula de direito empresarial quando o professor fez a pergunta: “O que é crédito?” Eu sabia. 388. até hoje. suas características. identificação de quem deve pagar. a omissão de dados pode ser suprida pelo portador de boa-fé.

características.Aula 12 – Dos títulos de crédito: a letra de câmbio Objetivos • Reconhecer os principais títulos de créditos típicos. alguns têm especificidades que os tornam únicos. • Conhecer as particularidades de uma letra de câmbio: modalidades. conhecimento de transporte marítimo. requisitos. em que possivelmente poderemos encontrar as mais variadas relações cambiais. existem vários tipos. . conhecimento de depósito e warrant.wikimedia. .outros títulos: notas e cédulas de crédito. entraremos agora no estudo dos títulos de crédito em si. é o título de crédito mais complexo. cédula de crédito bancário. . Introdução Depois de vasculharmos um pouco do histórico. .duplicata. O mais importante.org . Fonte: http://commons. cédula de crédito imobiliário. Sim. Apesar de aparentemente incomum (muito utilizada apenas em negócios internacionais). atributos. princípios e de outras generalidades mais sobre os títulos. neste momento. Quais são eles? Cada um tem sua função? E suas particularidades? Quais são os títulos de crédito? . • Entender o contexto histórico do surgimento da letra de câmbio e sua importância para o estudo dos títulos de crédito. é entender que todo o nosso estudo sobre os institutos mais importantes ligados aos títulos de créditos será feito através da análise da letra de câmbio. dos requisitos.nota promissória.cheque.letra de câmbio.

Requer. Sabe-se apenas sobre a grande influência do direito italiano. na Alemanha. a letra de câmbio apareceu (não como um título de crédito) primeiramente no Código Comercial. deixavamnas em mãos dos banqueiros que ficavam responsáveis pela entrega dos pagamentos nos lugares determinados. que. especificados ou não. a jurisprudência e a doutrina trataram de reformular uma série de disposições acerca de letras de câmbio. através de estudos realizados por Karl Einert. e aquele a favor de quem é emitida a ordem. Em um primeiro momento. por elas passavam mercadores de vários territórios. num local e numa data – ou a prazo –. de 1908. essa troca era manual e efetuada em feiras. A Lei n° 2. completando. na verdade. em seu Título XVI. Para certificar a existência de um depósito. a letra de câmbio deixou de ser um simples meio de pagamento de uma obrigação ou instrumento de um contrato preliminar para passar a ser uma modalidade de título de crédito. Essa carta. que se chama de sacado. com medo de regressar às suas terras de origem conduzindo quantias generosas em moedas. descrevia o tratamento jurídico para letras. Considerase o título completo quando o sacado nele aposta sua assinatura. elaborada em tempo e lugar certos (nela firmados). a importância determinada. a letra de câmbio. Com o passar do tempo.044. responsáveis pela troca das moedas. A letra de câmbio é um instrumento de declaração unilateral de vontade. uma determinada importância em dinheiro. Foi aproximadamente na Idade Média. basicamente no litoral italiano. com o Código de Comércio Francês. descrevia o instituto cambiário como autônomo com relação aos outros títulos e eficaz. o começo da estruturação desse instituto. houve a simplificação do processo e a introdução de outros institutos: a possibilidade de endosso. que. três elementos pessoais. o banqueiro deveria enviar uma carta ao seu correspondente na localidade do pagamento. sim. Enquanto estiveram em vigência as normas desse dispositivo legal. denominado de tomador ou beneficiário. notas promissórias e créditos mercantis. portanto. por escrito. ou a algum representante. em toda a doutrina. ou à ordem deste. de 1808. levando consigo várias modalidades de moedas para realizarem seus negócios. Não existe. De acordo com Martins: é uma ordem dada.O que é uma letra de câmbio? É um título de crédito no qual alguém (1) declara que alguém (2) irá pagar certa quantia a alguém (3). surgiram os cambistas ou banqueiros. No Brasil. assim. No século XIX. Emitido tal certificado. o a quem a ordem é dada. Para facilitar o comércio. mesmo desprendido de outros negócios subjacentes. tinha um conteúdo de ordem de pagamento e é reconhecida como a origem da letra de câmbio. consistia em uma promessa de pagamento e não em uma ordem. chamado sacador. Encontrando-se as cidades italianas com a atividade mercantil a pleno vapor. certeza quanto ao nascimento histórico da letra de câmbio. por meio da qual certa pessoa (chamada sacador) declara que uma outra pessoa (sacado) deverá pagar a um terceiro (tomador ou beneficiário) uma determinada quantia. Consegui demonstrar que o legislador brasileiro estava acompanhando as mais modernas . o banqueiro emitiam um documento em que dizia que ele tinha a responsabilidade de fazer o pagamento aos credores especificados do mercador em local pré-estabelecido. determinando que entregasse à pessoa que conduzia o documento. o ato unilateral do saque. datado de 1850. os mercadores. que no título têm funções diversas: o que dá a ordem. já atualizada de acordo com a doutrina alemã. em meio a estradas perigosas e transportes suspeitos. a uma pessoa. além de oriundo de um ato unilateral de vontade do subscritor. Ocorre que. para que pague a um beneficiário indicado. onde seus responsáveis ficavam sentados em um banquinho (daí o nome “banqueiros” e logo depois “bancos”). francês e alemão em sua criação.

este deverá conter a cláusula. Conforme já vimos na aula 11. o título (e o instituto) é regulado pela LUG (Lei Uniforme de Genebra) e supletivamente pelo Decreto 2. Caso a letra se perca ou seja destruída. o Brasil. algumas características especiais próprias das letras de câmbio: • É um título à ordem. e sofreu. Caso o devedor resolva fazer o pagamento mesmo com a ausência do título. ainda que não venha expressamente escrita. e não. representado através de delegados especiais.. Requisitos essenciais Nos termos do Art. Mesmo porque o tomador. • Consagra-se. paga duas vezes. participou de uma das principais conferências internacionais para a unificação do direito sobre a letra de câmbio e a nota promissória. também. recorra às explicações da aula anterior. bem como na prática de sua utilização. em sua abstração.. por exemplo. deverá existir no título para que a letra valha como tal e possa gozar de certos direitos especiais de que não gozam outros documentos de crédito. A expressão “letra de câmbio”. 1° da Lei Uniforme de Genebra. que recebeu o título regularmente. a) A denominação “letra de câmbio” deve estar inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título. como vimos. Uma vez preenchidos os elementos formais da letra de câmbio. ainda mesmo que haja ocorrido irregularidades no negócio que deu lugar ao nascimento ou transferência da letra. • É um documento que deve ser apresentado para que os direitos nele contido sejam exercidos. encontramos também. os conflitos não existem mais. será necessário um procedimento formal para que o proprietário possa receber o direito representado pela mesma. já listados na nossa última aula. temos que o portador de boa-fé. • É um título formal. Se ainda restarem dúvidas. sendo que. independentemente da relação que lhe deu origem. logo deverá contar com os requisitos essenciais para os títulos de crédito. deverá entregar o título quitado ao devedor para encerrar ali a relação cambial. tem os seus direitos de crédito garantidos. fruto da Lei Uniforme e da Lei 2. Dessa reunião surgiu a disposição do governo brasileiro de aderir ao acordo internacional. Assim. literalidade. O que efetivamente existe é uma combinação de normas. a legislação continua impecável. abstração). você sabe que quem paga mal. o título é absolutamente válido. Atualmente. a cláusula “à ordem” é de sua natureza. ou beneficiário do crédito. variações em seu regulamento legislativo.teorias existentes sobre o direito cambiário. de acordo com a legislação específica. ao longo dos anos. até hoje.044/08 nas normas que não entrem em conflito com a referida Lei Uniforme. para inviabilizar a circulação do título.044 de 1908. incorre no risco de pagar indevidamente. mesmo após o advento da Lei Uniforme de Genebra? No período de 1910 a 1912.663. de 24 de janeiro de 1966. E. O título foi criado para a circulação. a ordem expressa em sua cártula. a validade da letra de câmbio está condicionada a alguns fatores. o que efetivamente ocorreu por meio de um Decreto Executivo de n° 57. CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS DA LETRA DE CÂMBIO Além dos atributos essenciais dos títulos de crédito (documentalidade. um instrumento de crédito muito antigo na história. Logo. . Por resultado dessa característica. A letra de câmbio é.

pela presente letra de câmbio. um dia em que houver expediente bancário). letra de câmbio – deve indicar o momento a partir do qual o crédito passa a ser exigível. poderá ocorrer a mitigação de seu valor real. Sª ao Sr. o nome da pessoa contra quem a ordem é emitida. a letra deve ser paga também deve estar expresso: aqui encontramos a figura do TOMADOR. f) A assinatura do sacador também deve constar na letra: em se tratando de uma ordem de pagamento. A jurisprudência. até o vencimento fixado para o título (Art. lugar do pagamento. já tem admitido a cambial indexada (a quantia a ser paga é expressa com o aditamento de fator oficial de correção). suficiente para responsabilizá-lo. O vencimento ocorrerá no último dia do prazo. Mesmo porque. seja em algarismo. lugar da emissão. c) Letra de câmbio passada a certo tempo da data: o título tem seu vencimento fixado em dias. Existem também os requisitos não obrigatórios ou não essenciais: época do pagamento. em se tratando de um título com vencimento a posteriori. Todavia. a importância de R$ 5. o beneficiário da ordem que deverá ser o receptor da quantia prometida pelo sacador e providenciada pelo sacado. prevalecerá a última. João Fernando. Nos termos do Art.000. c) O nome da pessoa a quem se deve proceder o pagamento deverá estar expresso (ex: Ao Sr. ou seja. se a pessoa a quem ele foi ordenado não o realizar. Devem ser apresentadas para aceite. MODALIDADES DE LETRA DE CÂMBIO O título – neste caso específico. ou à ordem de quem. ou seja. 21 da LUG). A palavra “assinatura”. por sua vez. Nova Iguaçu. mas determinação. estipulado ou marcado (o vencimento deverá se dar em um dia útil. . O entendimento foi assim formado com base na argumentação de que a exigência de indicação da quantia não significa exatidão. seja por extenso. qualquer outro meio identificador do sacador. b) Letra de câmbio passada a dia certo: o vencimento se dará em um dia especial. Existe divergência na doutrina sobre ser a letra de câmbio reproduzida por outro meio mecânico. sem se contar o dia em que a letra foi sacada. Se houver divergência entre a indicação numérica e a indicação por extenso da quantia. alcançando mais que a mera firma. e) A indicação da data em que a letra é passada deve constar no título: depois de o título ser revestido dos principais requisitos formais. Fica afastada a viabilidade de assinatura a rogo ou lançamento de impressão digital. deverá ser considerada a que expressar menor valor. d) O nome da pessoa a quem. faz-se necessária a existência de alguém que responda por esse pagamento. 678. Rua José de Anchieta. pelo tomador.00). somente poderá ser considerado um título que vale por si mesmo. a data do seu vencimento. a partir da data em que foi passado. usada pela LUG (Lei Uniforme de Genebra). independentemente da causa que lhe deu origem. se a indicação da quantia for feita mais de uma vez. e divergirem as diversas indicações. José da Silva.b) O título deverá conter o mandato puro e simples de pagar uma quantia determinada. deve ser lida em sentido abrangente. ou seja. ou seja. semanas ou meses contados da data do saque. Pague V. 33 da LUG (Lei Uniforme de Genebra) existem 4 (quatro) modalidades desse título: a) Letra de câmbio passada à vista: o vencimento se dá no ato de apresentação da letra de câmbio ao sacado. dentre outros. É o nome do SACADO. o sujeito passivo da relação cambial.

O tomador deverá apresentar a letra ao sacado para o aceite até o prazo de 1 (um) ano após o saque. Em virtude de suas características. com certeza. Na próxima aula entraremos mais profundamente nas obrigações cambias que. Apesar de não ser um título de crédito muito comum. É imposição da par condittio creditorum (que estudaremos na última parte do nosso curso). Sendo assim. a letra de câmbio exerce grande função econômica. Mas para cobrar a dívida. tácita ou explícita. seja por motivo de ausência ou impedimento do sacado.d) Letra de câmbio a certo tempo da vista: O dia inicial do prazo para vencimento é a data do aceite ou a data do protesto por sua falta. Imediatamente após a instauração do regime falimentar. Também poderá ocorrer o vencimento antecipado. o tomador tem o direito de exigir do sacador o resgate imediato do título. já que traz em sua estrutura toda a evolução histórica que ocorreu no ramo do direito cambiário. o endosso. quando o beneficiário (ou tomador) não obtiver espontaneamente do sacado o aceite. todos os credores (mesmo os créditos ainda não exigíveis) podem exercer a defesa de seus direitos. têm vencimento antecipado. decorrente da confiança. A letra de câmbio pode não ser tão conhecida ou mesmo usada nos dias de hoje. o que não lhe tira a importância que tem na evolução dos títulos cambiários. Esta é uma característica marcante dos títulos de crédito: não há um desenvolvimento teórico muito grande. o vencimento. achei interessante trazer os institutos principais do crédito que foram desenvolvidos através dela: o aceite. I. os débitos. Possibilita que operações que ocorrerão em tempos diferentes possam ser compensadas. na hipótese de declaração de falência do devedor empresário (Art. acrescendo o patrimônio real das pessoas com um outro. O crédito ganha fôlego. 751. Isso porque na letra de câmbio podemos encontrar essas três obrigações juntas ou em momentos diferentes. Todos foram sendo desenvolvidos através do uso continuado ao longo do tempo. Atividades 1) Quais são as partes integrantes da letra de câmbio? Qual a função de cada uma delas? . de forma bem geral. como fonte de riquezas. Conforme já explanei. O vencimento poderá ainda se dar de forma extraordinária. Nas últimas duas hipóteses. o credor deverá seguir o procedimento legal específico para tal e respeitar as preferências e privilégios elencados na lei. ou por oposição deste. o endosso e o aval. tendo em vista que eles se aprimoram com o uso e com o decorrer do tempo. 333 do CC/02) ou de declaração civil de insolvência do obrigado (Art. Até a próxima!!! Resumo Os recursos creditícios dos quais fazemos uso hoje não surgiram de um passe de mágica. é a partir desse título tão completo que faremos o estudo das obrigações cambiais: o aceite. de sua natureza especial e das garantias que lhe são conferidas por lei. Nesses casos. seu estudo é de suma importância. do CPC). tanto do falido como do insolvente. sendo absolutamente visível como “papel-moeda internacional”. o pagamento e o aval. que serão tratados na próxima aula. tornarão mais claro o estudo das cambias.

2) Quais as características próprias da letra de câmbio? 3) O que é o aceite? 4) Quais as modalidades de vencimento de uma letra de câmbio? 5) Quando haverá o vencimento antecipado da letra de câmbio? .

essencial no que se refere a títulos sob a forma de ordem de pagamento. que nada mais é do que uma garantia de pagamento. no vencimento.” . Não cumprida a obrigação. o endosso.” O título em si já se constitui como uma obrigação. Acontece que. forma segura de circulação de títulos não ao portador. por mais importante que seja o débito. que poderá receber qualquer um dos tipos de obrigação cambial em seu corpo. e aval. Essas obrigações são: o aceite. reconhecemos o pagamento como o fim desejado de todas as obrigações. responde o devedor por perdas e danos. 389. Após este estudo.org De acordo com Martins. criaram-se outros recursos para que o título ganhasse autonomia e credibilidade. 389 do Código Civil de 2002. ou seja.Aula 13 – Das obrigações cambiárias Objetivos • Entender a importância das obrigações cambiais para a circulação e efetividade do título de crédito. espelhando toda a teoria dos títulos de crédito. o aceite é “ato formal segundo o qual o sacado se obriga a efetuar. prosseguiremos no estudo dos títulos de crédito tomando por base a letra de câmbio. No direito das obrigações. • Reconhecer a utilidade e a importância do endosso. Isso porque se trata de um título considerado completo. temos: “Art. que subsidia todo o estudo do Direito Empresarial. Nos termos do Art. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. passaremos à análise dos outros título importantes e também mais utilizados no dia-a-dia de sua profissão. e honorários de advogado. o que se espera é que ele seja quitado. Isso porque. • Conhecer o aceite e sua importância. o pagamento da ordem que lhe é dada. Fonte: http://commons.wikimedia. Introdução Conforme eu já havia dito. para sua maior efetividade.

passando o sacado a ocupar a função de aceitante. pelo sacado) da validade da ordem emitida pelo sacador. ainda. A prova da recusa do aceite se dá mediante protesto (estudaremos o instituto do protesto com bastante cuidado nas próximas aulas. Nesse caso. João Roberto. o devedor principal (sacado) simplesmente lançará sua assinatura na cártula. mediante assinatura na cártula. mas em localidade diversa da acordada? A chamada recusa parcial poderá se dar em duas esferas: poderá haver a recusa do aceite em relação à quantia expressa no título e aí. Nesse caso. em dia próprio e naquele local. A letra de câmbio nasce com o saque (assinatura do sacador). ou seja. àquele que é o chamado “devedor direto”. Já na hipótese de recusa por outro motivo. Geraldo assina no anteverso do título. importador de mercadorias. deverá ser acompanhada da expressão que identifica sua aceitação. haverá a quitação do débito. O aceite só existe em títulos de crédito. O aceite é o reconhecimento (feito. Em se tratando de ordem de pagamento. E se o sacado só aceitar pagar parte do crédito? Ou mesmo se aceitar pagá-lo por inteiro. emitindo uma ordem para que o sacado faça o pagamento de determinada quantia. O sr. isso não inviabilizará o título. ou seja. que mora fora do Brasil. Geraldo tornou-se o principal obrigado pela letra de câmbio. O sacador garante 2 (duas) situações diferentes no título: o pagamento dele. o compromisso de que. o sacador . que tem sede na mesma localidade em que vive Liliane. não haverá o vencimento antecipado do título (possibilidade de apresentação imediata ao emitente – sacador). o sacado é o único que tem o direito de aceitá-la. por se tratar de um exercício regular de direito. o emitente do título. Garante. Lembrando apenas que. o Sr. O tomador vai até o sacado e requisita o aceite. caso seja dada no verso. haverá o vencimento antecipado do título. Geraldo requisitar dele o “aceite” de que. caso o Sr. emite uma letra de câmbio em favor de Liliane. ele lhe dará a quantia combinada. O aceite poderá ser puro ou simples. Por esse fato é que o nome do sacado é requisito essencial na confecção da letra de câmbio. para que esta receba determinada quantia de um fornecedor seu. O aceite estará presente em todo o título de crédito em forma de ordem de pagamento (por exemplo. Quando o tomador ou beneficiário fizer a apresentação (ato de submeter uma ordem de pagamento ao reconhecimento do sacado ou ato de exigir o pagamento) do título de crédito. em local e data determinados. Fique tranqüilo!). O Sr. O aceite não é obrigatório.Para melhor elucidar esse brilhante conceito. haverá o vencimento automático do título de crédito. letra de câmbio e duplicata). só que agora como obrigado indireto. é uma obrigação exclusivamente cambial. Vamos lá? O sacador emite uma letra de câmbio em favor do tomador ou beneficiário. Ficou mais fácil? Talvez um exemplo com nomes o ajude a fixar melhor. Está configurado o aceite. ele o fará ao aceitante. já que todos os que assinam no título (lembra-se do princípio da literalidade?) garantem a sua quitação. ou seja. Geraldo não honre seu compromisso. Daí para a frente. responsável direto pela quitação da dívida. Geraldo é o responsável pela sede da empresa fornecedora. Não haverá nenhuma modificação ou objeção ao que já está descrito no título. fica como principal responsável o sacador. Caso o sacado se recuse a aceitá-la. De posse da letra. A assinatura do sacado será dada no anverso (frente) da letra. João Roberto continua como responsável pelo débito. de acordo com a doutrina majoritária. neste caso. recorreremos a um sistema gráfico: Sacador (aquele responsável pela criação do título de crédito) Sacado (aquele contra quem se expede a ordem) Tomador (ou beneficiário) (aquele a quem deve ser pago o título) A metodologia é simples. apesar de não aparentar ser. Liliane vai até o Sr. o aceite: caso haja recusa do sacado em concedê-lo. nas condições ditadas no título.

Ex: “Aceito pagar na praça de outra cidade que não a determinada no título. Deverá fazê-lo apenas para fins de pagamento. O sacador e o aceitante serão responsáveis. Cabe ressaltar que o aceite é irretratável e seu cancelamento tem os mesmos efeitos de uma recusa. como em relação a alguns termos inseridos na cártula. enquanto o endosso transmite o direito mencionado no papel. como forma de resolver a obrigação.” Nesse caso. Nesse caso. não haverá o vencimento antecipado do crédito descrito na cártula. A simples tradição transmite apenas o papel. em não se tratando de discrepância entre valores. 286 a 298 do Código Civil de 2002. com a assinatura do responsável pelo crédito no anverso. não assume qualquer responsabilidade pelo pagamento da cártula. o vencimento será antecipado. Caso o tomador resolva apresentá-la para aceite mesmo assim. em função da . Qualquer outra modificação introduzida pelo aceite no enunciado da letra equivale a uma recusa do aceite.663/66) e pelo Decreto 2. Vamos conferir o que diz o Art. tanto o aceite parcial em razão de quantia controversa.. ou seja. e o sacado se recusar em apostar ali sua assinatura como aceite. O aceitante fica. todavia. O sacador poderá. É a única obrigação cambial que poderá ser dada fora do título de crédito. inserir uma cláusula “sem aceite” que não garantirá a obrigação. Vimos também que. Aquele que. em outra cidade. obrigado nos termos do seu aceite. 26 da LUG? “Art. existirá a aplicação do último diploma legal. simplesmente entrega ao credor o título. O beneficiário está dispensado de apresentar o título para o aceite. pela quitação da obrigação carturária. ENDOSSO O título de crédito poderá circular de duas formas: através de simples transmissão da cártula (onde não haverá garantias) e através de endosso.” Logo ambas as alterações são permitidas. O aceite é puro e simples. que permite o aceite parcial tanto com relação à quantia como aos termos da letra. o que não ocorre na hipótese do aparecimento do endosso. mas apenas entre aqueles que participam do negócio. prevalece. Ocorre que não terá validade perante terceiros. verso ou no dorso do título de crédito. em que existirá uma transmissão rápida e garantida. haverá o vencimento antecipado do título. o emissor da letra deverá arcar com as obrigações nela estampadas e eu serei obrigada a pagar nos termos do meu aceite. mas insegura. Ocorre que..será chamado a responder pelo título e o aceitante fica obrigado nos termos de seu aceite. 26 da LUG. O aceite poderá ainda ser oferecido em documento apartado.letra de câmbio e promissórias existe uma certa “inflação” legislativa: o tratamento conferido pela LUG ( recebida no Brasil através do Decreto 57. mas o sacado pode limitá-lo a uma parte da importância sacada. Com relação aos demais termos do título de crédito. Ocorre que. a doutrina promoveu todo um estudo para resolver tal problemática. com relação às matérias reservadas. como se pode perceber nos Arts. mantendo-se.044/1908. 26. conjuntamente. assim. sem endosso. entretanto. que ocorrerá na nova praça eleita para o pagamento. A cessão de créditos e direitos não é um fenômeno exclusivo dos títulos de crédito. a exemplo do citado anteriormente (mudança de praça de pagamento). Já vimos que em matéria de títulos de crédito . ainda. o emissor do título como obrigado principal da mesma. Sabe-se que a transmissão do título ao portador é rápida. o entendimento de acordo com o Art.

‘por procuração’ (par procuration). em decorrência do princípio da cartularidade.) Extinta a obrigação. ou qualquer outra menção que implique um simples mandato. Na verdade. mas apenas como cessão de crédito. A cláusula pode ser expressa ou tácita. O mandato que resulta de um endosso por procuração não se extingue por morte ou sobrevinda incapacidade legal do mandatário. É claro. b) ENDOSSO IMPRÓPRIO: é a obrigação cambial pela qual se transfere o título. mas só pode endossá-la na qualidade de procurador. o título de crédito servirá como garantia. Neste caso. O emitente elabora o título dele mesmo em garantia de uma obrigação com terceiro. só podem invocar contra o portador as exceções que eram oponíveis ao endossante. então. Caso haja problemas com o efetivo pagamento. 19. 19 da LUG. Nos termos do Art. ainda. que é o título de crédito. (Lembra-se dos cheques caução nos hospitais. o portador pode exercer todos os direitos emergentes da letra. Quando o endosso contém a menção ‘valor a cobrar’ (valeur em recouvrement) ‘para cobrança’(pour encaissement). 18. “conceitua-se.” Conforme já estudamos. a circulação do crédito cambiário dá-se de forma bem mais ágil. Sua descrição legal encontra-se no Art. O endosso deverá ser simples. os títulos. ineficaz com relação ao título. haverá a penhora do crédito. Caso seja inserida alguma cláusula limitadora. ou seja. De acordo com Coelho. mas não o crédito nela mencionado. O endosso mandato não se extingue com o óbito. que foram suspensos pelo Código de Defesa do Consumidor? Pois é um exemplo de endosso caução. É o mandato do direito civil. o portador pode exercer todos os direitos emergentes da letra. “Art. Existem algumas modalidades de endosso que são de interessante estudo: a) ENDOSSO PRÓPRIO/PLENO: é a obrigação cambial pela qual se transfere a propriedade de um título de crédito. com uma especificidade cambial. serão. Dentro dessa modalidade encontram-se 3 possibilidades: • endosso mandato (procuração): neste caso. endosso como o ato cambiário que opera a transferência do crédito representado por título ‘à ordem’. passíveis de circulação. O endosso é a obrigação cambial pela qual se transfere um título de crédito. Os coobrigados. deverá fazê-lo pelo inteiro teor da cártula.” • endosso garantia/caução: o endossante constitui ao endossatário uma garantia.circunstância histórica. o endossante constitui o endossatário seu procurador. Não se admite o fracionamento. O endossatário tem a posse do título para receber o crédito em nome do endossante. caso não seja inserida expressamente a cláusula “não à ordem” na letra de câmbio a mesma não será transferível por endosso. sem problemas. puro. devolve-se o título. esta será desconsiderada. 18 da LUG: “Art. Aquele que resolver endossar. incondicionado. ‘valor em penhor’ ou qualquer outra menção que implique uma caução. Quando o endosso contém a menção ‘valor em garantia’. mas um endosso feito por ele só vale como endosso a título de procuração. Para que haja a transferência legal da letra é necessário que o endossante seja realmente o titular do crédito referido. em matéria de circulação. via de regra. . o endosso parcial não terá validade. condicionada à tradição do título. 12 da LUG. Sua descrição legal encontra-se no Art. a alienação do crédito fica. neste caso. “à ordem”. É a transferência da cártula e do crédito. Recebe o crédito e entrega o título e o crédito para o endossante.

Já quando a transferência de crédito se der por meio de endosso. se tiver procedido de má-fé. Após o vencimento do título. sua nora. fez. o endossante nomeia expressamente o endossatário. para seu filho. Neste caso. e) ENDOSSO TARDIO: pode ser considerado como endosso tardio aquele que for concedido. através de um endosso. Na verdade. o cedente responde apenas pela existência do crédito e não pela solvência do devedor. dona de uma gorda poupança. quando executado (chamado em juízo para fazer o pagamento do título) pelo cessionário. caso o devedor não tenha realizado o pagamento deste. a pedido de seu filho. o endossante responde. De acordo com a doutrina majoritária. 296. Na nota promissória. 19. Trata-se de alienação fiduciária em garantia de um título de crédito. o endosso dado após o vencimento tem o mesmo efeito de um endosso comum. Vamos até os artigos 295 e 296 do Código Civil de 2002 para conferir a informação: “Art. Art. tanto pela existência do crédito quanto pela solvência do devedor. o endosso é sempre mais eficaz e seguro do que a cessão de crédito. o devedor poderá se defender. a menos que o portador. A responsabilidade é do endossante que permanece na posse do título. a fim de que o mesmo procedesse à cobrança da dívida. Esse endosso é denominado ENDOSSO PÓSTUMO. argüindo matérias atinentes a sua relação jurídica com o endossante. após o prazo de vencimento do título. temos que. a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito. d) ENDOSSO EM BRANCO: o endossante se limita a assinar o título. através da assinatura. a doutrina minoritária considera ainda a possibilidade do endosso dado após o protesto ou o prazo para o protesto do título. . mas com efeitos de cessão de crédito. 295. o cedente não responde pela solvência do devedor. “Art. O endossatário poderá executar o crédito contra o endossante.” Quanto aos limites do devedor em face da execução do crédito pelo adquirente. em cártula. via de regra.Os coobrigados não podem invocar contra o portador as exceções fundadas sobre as relações pessoais deles com o endossante. Salvo estipulação em contrário. o cedente. um empréstimo de uma quantia significativa à Tatiana. De acordo com a Lei 8.” • endosso fiduciário: construção doutrinária do Código Civil/2002. Vamos supor que Dona Gracinha. para que a mesma montasse sua tão sonhada lojinha de roupas de bebê. Já em matéria de cessão de crédito. E o que diferenciaria a cessão de crédito de um endosso? Quanto à extensão da responsabilidade do alienante do crédito perante o adquirente. Nesse caso. §2°. Ou seja. argüindo matérias referentes à sua relação jurídica com o cedente (Art. Dona Gracinha transferiu o título. Aquele que detém o título presume-se iuris tantum o proprietário do título. fica vedada a emissão de títulos ao portador no Brasil. 294 do Código Civil de 2002). ao receber a letra. o devedor não poderá defender-se quando executado pelo endossatário. c) ENDOSSO EM PRETO: neste caso. ficou estabelecido que o empréstimo deveria ser quitado em um mês a partir daquela data. fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu. ainda que não se responsabilize.Na cessão por título oneroso.088/90. será considerado o endosso. o título circula ao portador. sem que sua nora fizesse o pagamento. em se tratando de uma cessão de crédito. tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor.

mas não o proíbe. caução. mas muito úteis. 28: “Art. hoje em dia. Nos termos do Art.. existirá a presunção relativa (que pode ser contestada. você deverá fazer o protesto para que fique provado que. é garante tanto da aceitação como do pagamento da letra. in casu. na verdade. por sua vez. certo? Até lá.o existem ainda outros efeitos grandiosos advindos da aposição da assinatura do devedor na cambial. é uma prova de apresentação do título para o pagamento. (Geralmente em forma de ameaça: “Se não me pagar. institutos pouco utilizados. Cabe ressaltar que ele tem ainda outras funções: procuração. no primeiro dia útil que se seguir ao da recusa do aceite ou ao do vencimento. uma forma de coação ou mesmo de constrangimento do devedor. O endossante.O efeito de cessão de crédito também existirá quando for inserido o endosso em título com a cláusula “não à ordem”. a transferência terá efeitos de cessão de crédito.) Faremos um estudo mais aprofundado sobre o protesto daqui a algumas aulas. levo seu nome ao protesto!”. e o respectivo protesto tirado dentro de 3 (três) dias úteis. temos: “Art. Através do aceite o sacado ocupa a posição de devedor principal da letra. 15 da Lei Uniforme de Genebra. é a forma mais segura e rápida de transmissão de títulos de crédito. falaremos sobre o aval: uma obrigação cambial intrigante e que gera efeitos graves na vida do avalista.044/1908. caso na data do vencimento eu não faça o pagamento.” E a relação entre o protesto e o endosso? Aqueles que têm um convívio mínimo com as relações empresariais conhecem o termo protesto. Se você tem uma letra de câmbio na qual eu sou a sacada e aceitei. O protesto obrigatório ocorrerá em desfavor dos coobrigados (endossante e sacador) e será facultativo com relação ao obrigado principal (sacado). neste caso. O endosso. em seu Art. pois é declaração que proíbe o endosso. Primeiramente o aceite. caso haja provas contundentes em sentido contrário) de que o mesmo foi passado antes do vencimento do título. obrigação cambial não muito comum para nós. eu não fiz o pagamento. e. Vamos lá? . Essa cláusula deverá ser expressa no título. Não deveria ser. Caso o portador desobedeça à ordem e insista em endossar o título. não garante o pagamento às pessoas a quem a letra for posteriormente endossada. Na próxima aula. Acho melhor deixarmos o Aval para a próxima aula. então. já mais conhecido. O protesto. 15. Neste caso específico. mas posso adiantar para você: com certeza. o instituto do protesto não tem nada a ver com o sentido em que foi tomado no mercado.” Caso o endosso seja passado sem nenhuma indicação de data. O endossante pode proibir um novo endosso. A letra que houver de ser protestada por falta de aceite ou de pagamento deve ser entregue ao oficial competente.. na data combinada. 28. como efetivamente é. Além diss. salvo cláusula em contrário. Resumo Nesta aula continuamos a explorar o imenso universo de possibilidades no direito cambiário. recorreremos ao Decreto n° 2.

da recusa do aceite? E para o sacado? 3) Quais os efeitos do endosso dado após a data de vencimento do título? 4) Faça um paralelo entre endosso e cessão de crédito.Atividades 1) Como será feito o aceite na letra de câmbio? 2) Quais as conseqüências. 5) Quais os efeitos do endosso parcial? . para o sacador.

o aval cria a figura de um coobrigado efetivo. se uma criança de três anos preenche indevidamente um cheque de sua mãe e pede que você assine no verso do título e você o faz. circulando. • Difereciar o aval das outras obrigações cambiais. esqueça a partir de agora a frase: “Para eu alugar um apartamento preciso de dois avalistas”. não. Será uma obrigação de cunho cambial (só existe em títulos de crédito) assumida por um terceiro. gostaria que relembrássemos que todas elas têm interferência direta na existência. E o que se pode falar da possibilidade de outrem assumindo como sua a obrigação cambial? Pode algo ser mais sólido do que isto? Então vamos entender a metodologia de um aval? O que é um aval? Como inseri-lo e fazer com que ele tenha validade? Vejamos. não se pode incluir o contrato como um deles.. estranho à relação estampada no título. Acredito que você considere óbvio que o título existirá independentemente dessas obrigações. sem o aceite? Ele poderia até figurar no título. Você agora já sabe que o aval só existirá em um título de crédito. Mesmo que o devedor principal não tenha essas características.. AVAL O aval pode ser definido como a obrigação cambial que garante a adimplência do título de crédito. mas seria uma figura sem nenhuma confiabilidade. Não. as obrigações presentes no título são independentes entre si. custe o que custar. é necessário que o avalista seja capaz civil ou empresarialmente.e o endosso facilita a circulação segura do título. endossante e aceitante) pode ter obrigações suas avalizadas. você se torna responsável pelo pagamento. E pelo que você já sabe. ou seja. aumenta a garantia de seu pagamento.Aula 14 – Do aval. circulação e confiabilidade da letra. Para avalizar um título. Enquanto o aceite viabiliza a existência de dois devedores . De acordo com esse princípio. de que serviria um título que não circulasse. Afinal. em que se busca garantir o pagamento da obrigação como se fosse o devedor principal. uma mesma letra pode assumir muitos avais. Introdução Ao recomeçarmos nosso estudo sobre as obrigações cambiais. o que .um principal e outro indireto . mas que elas reforçam sua evolução e desenvolvimento. não tivesse nenhuma garantia de pagamento? Ou de que serviria numa letra de câmbio a figura do sacado. não. . não há dúvida. Cada um dos que assumem obrigações no título (sacador. da nota promissória e do cheque Objetivos • Conhecer o aval como obrigação cambial.. • Compreender a metodologia de um cheque. de certo. conferindo maior força e credibilidade ao título. • Entender o funcionamento de uma nota promissória. ou que. está absolutamente comprometido com o pagamento do título. Desta forma. Logo. que assume a obrigação de fazer o pagamento do título. com base no princípio da autonomia.

a regra é a solidariedade entre os avalistas. ou sucessivos – quando um avalista garante outro avalista. Em se tratando de seu próprio patrimônio. mesmo sem o benefício direta. e a exceção se daria por conta dos avais sucessivos. a própria Lei Uniforme de Genebra faz confusão entre o aval e a fiança. válido se for concedido por um agente capaz. salvo cláusula em contrário. mediante a assinatura do detentor de boa-fé. 1ª alínea. se não importa a validade ou não da primeira a obrigação principal tornar-se inexigível. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento (Súmula 189) de que “avais superpostos em branco são considerados simultâneos e não sucessivos. Em se tratando de um contrato acessório. Esse instituto permite ao garantidor a os bens do afiançado para que sejam indicação de bens do devedor principal para levantados antes dos seus. que nunca foi. então. A dificuldade se dará quando duas ou mais pessoas comparecerem como avalistas da mesma obrigação. O avalista pode pagar e cobrar do seu avalizado em regresso. o avalista não diz a quem cambialmente se equipara. o aval sempre será fiança também será invalidada. no verso ou no anverso da letra. ao declarar. que “o dador do aval é responsável da mesma maneira que a pessoa por ele afiançada. Com relação ao endosso. não havendo necessidade de que a pessoa que ocupa essa função especial seja a detentora legitimada do mesmo (o que é essencial no endosso) para assumir tal obrigação. Esses avalistas podem ser simultâneos – quando todos garantirem diretamente o avalizado –. a diferença fica mais clara: o endosso é forma de transferência cambial. do mesmo modo que tem o direito de fazê-lo de quaisquer dos obrigados anteriores . de ordem. 31. não é aval. O fiador poderá indicar ordem”.” Nesse caso. O fato de o avalista ser equiparado ao devedor no título de crédito não exclui o mesmo do dever de cumprir a obrigação ali contida. Para complicar um pouco mais as coisas. tem que ser prestada em um título. Em qualquer É uma modalidade de contrato. No aval a obrigação é fiança empresarial. existe a identificação do avalizado e. menos a cambial.Ocorre que.” Aí. é um garantia adicional dada por um terceiro que vem ocupar posição especial no título. gerando ainda mais desconforto com relação ao assunto. não havendo declaração de sucessividade. O aval poderá ser concedido em preto ou em branco. Pode garantir outra base. o aceite e o pagamento da mesma. Existe a autonomia das obrigações. então. Presume-se. fica realmente difícil não confundir. Na hipótese do aval em preto. no art. o aval não se confunde com nenhuma delas e nem com outras garantias do direito comum (fiança. presume-se serem os avais simultâneos. O aval. em que existiriam o benefício de ordem e a subsidiariedade. nem será um título de crédito. para o que os mesmos sejam executados antes de pagamento da dívida. por conseqüência. haverá o Não existe aqui o denominado “benefício de “benefício de ordem”. temos a questão do contrato. Em se tratando de fiança civil. Na hipótese de aval em branco. Em regra. a obrigação avalizada. a equiparação dos dois como obrigados. garantindo o endossante. por sua vez. ou seja. que o aval foi dado em relação ao devedor principal. apesar de poder nascer de todas essas outras obrigações. não é mesmo? O que ocorreu foi uma tradução incorreta do texto em francês. qualquer obrigação. ou seja. por exemplo). apesar de ter grande afinidade com as mesmas. mesmo que por escritura pública. As diferenças entre aval e fiança podem ser resumidas em um quadrinho que o ajudará a se lembrar delas com maior facilidade: AVAL FIANÇA É uma OBRIGAÇÃO CAMBIAL.

que sempre a equiparou às letras de câmbio. inclusive com tratamento diferenciado daquele conferido às letras de câmbio. 1. No Decreto n° 2. pois não se pode esperar que. Ademais. a nota promissória não recebeu qualquer tratamento especial por parte do Código Comercial de 1850. determinadora do respectivo regime de bens.647 do CC/02 exige outorga uxória para o aval. Isso porque exigir a anuência do cônjuge para a outorga do aval é afrontar a Lei Uniforme de Genebra e descaracterizar o instituto. se for tomado em sua literalidade. mas que. em seu enunciado 132. A doutrina tradicional vê na promessa de pagamento dos antigos banqueiros italianos da Idade Média a origem da nota promissória que. a celeridade indispensável para a circulação dos títulos de crédito é incompatível com essa exigência. NOTA PROMISSÓRIA Fonte: promissoria-www. Se o avalista pagar a importância devida à letra a endossatário ou avalista posterior poderá riscar do título o seu aval. não é justo que eu assuma o prejuízo. ir à busca do cônjuge e da certidão de seu casamento. No Brasil. assumo essa condição. Caso seja obrigada a pagar. ou seja. antecedeu a letra de câmbio. Para a lei brasileira e para os efeitos mercantis. . recorrer ao devedor de verdade. desse modo. o aval cancelado é tido como não escrito. Na verdade.044. de 1908. para que me devolva o valor que desembolsei em nome dele. Por exemplo: assumo a condição de avalista no título de crédito. Mas por amizade. Cabe a mim. na celebração de um negócio corriqueiro lastreado em cambial ou duplicata. seja necessário. poderá causar vasta modificação na estrutura dos títulos de crédito. bem como os dos endossantes e avalistas posteriores.ao avalizado. eu não sou devedora. não sou a devedora. ou outra razão.org. para obtenção de um aval. como já disse. O Art. pois. vínculo familiar. o avalizado. que a expressão “ou aval”deverá ser suprimida do texto. agora.broffice. Uma “novidade” pra lá de interessante: lá no meio do código foi inserido um artigo que parece não ser nenhuma novidade. Isto é cobrar em regresso. houve uma regulamentação mais específica.br A nota promissória surgiu paralelamente à letra de câmbio. como um facilitador das relações mercantis. Ocorre que o Conselho da Justiça Federal já dispôs. nos fins da Idade Média.

Art. com as modificações necessárias. como qualquer outro tipo de título de crédito. a contar do seu vencimento. A nota promissória não é um título necessariamente vencido a vista. antecipação de vencimento por falta de aceite ou cláusula não aceitável. 56. portanto. O portador. ou seja. todos os dispositivos dos Título I desta Lei. enumera alguns requisitos básicos para a existência e validade da nota promissória: 1 – a denominação “nota promissória” inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título. exceto os que se referem ao aceite e às duplicatas. 3 – a época do pagamento. por força do princípio da inoponibilidade das exceções pessoais e. nos elementos que estejam devidamente grafados quando da emissão da nota. um aceite. A partir desta data deverá ser contabilizado o prazo de prescrição do título. 2 – a promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada. O subscritor de uma nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra. que é de 3 (três) anos. à nota promissória não se aplicam as disposições a cerca de aceite. ou seja. Ao contrário da letra de câmbio. A nota promissória. A nota promissória poderia ser considerada como uma promessa de pagamento que alguém faz em favor de outrem. em se tratando dos requisitos mínimos. A LUG. em seus Arts. deverá observar o prazo de seu vencimento. Não existirá. em seu Art. Importante frisar que o título emitido em branco não poderá ser considerado inválido. 78 da LUG. emitente ou subscritor). Com o saque. na promissória há uma confissão de dívida. ou seja. 75 a 78. surgem duas situações jurídicas diversas: a do promissário. que se obrigou a saldar a obrigação cambiária e a daquele que se beneficia de tal promessa (sacador. O credor deverá apresentar o título ao visto do emitente no prazo de 1 (um) ano (Art. 78. 5 – o nome da pessoa a quem ou à ordem de quem a nota deve ser paga. nesta relação. São aplicáveis à nota promissória. 4 – a indicação do lugar em que se efetuará o pagamento. ela pode ser emitida com vencimento certo tempo da vista. já que se trata de uma promessa direta. desprende-se da causa que lhe deu origem. nos termos do Art. O pagamento será feito a favor daquele que se apresente como o legítimo possuidor da cártula. 23 da LUG). tem autonomia para fazer o preenchimento das lacunas na forma e no tempo certos. por tal . A possibilidade de cobrança tanto de uma letra de câmbio como de uma nota promissória se perde em 3 (três) anos. A Lei Uniforme de Genebra também traz um tratamento diversificado para as notas promissórias. Apesar da não existência de aceite. O subscritor é o devedor principal. Por se tratar de uma promessa de pagamento. mas sim no momento em que o título for exigido. caso você tenha uma nota promissória em mãos para fazer a cobrança. Art. 75. 7 – a assinatura de quem passa a nota promissória (subscritor). não é apurada na assinatura. 6 – a indicação da data e do lugar em que a nota promissória é passada. de boa-fé. a promessa de pagamento é feita pelo devedor (aquele que emite a nota) em favor de um credor que será identificado ou não. sem a existência de ordem. A validade ou invalidade do título.

Nesse caso. financiamento e investimento. o uso desse tipo de títulos tornou-se muito constante. Nessa hipótese. Como isso é possível?” O cheque pré-datado. a palavra “cheque” só veio a ser utilizada no Decreto n° 149-B. O estabelecimento o recebe e aceita realizar seu depósito dentro de um prazo. Com a evolução. Ocorre que é bastante comum encontrarmos a emissão de notas promissórias vinculadas a um contrato original. tendo em vista que existe um contrato (mesmo que não escrito). vencido e não pago o título. ontem mesmo eu dei um cheque pré-datado para pagamento das compras do mês.. professora. dessa forma. em 1845. o portador executar o emitente baseado apenas no título.595/64(sociedades de crédito. sacada contra um banco ou uma instituição financeira a ele equiparada. Na verdade. O que é o cheque? Trata-se de uma ordem de pagamento à vista. uma convenção entre as partes determinando que o pagamento do negócio vá se efetivar daquela data a um prazo. 32 da Lei de Cheques (Lei 7. em documentos que continham ordens de pagamento com relação a terceiros (não seria uma forma de letra de câmbio?). ampliou-se o uso de tais títulos. Daí. em 1942. pode. Caso o estabelecimento resolva fazer o levantamento do pagamento antes do prazo. daí o princípio da inoponibilidade das exceções pessoais tornar-se mais forte. a . com base em suficiente provisão de fundos depositados pelo sacador em mãos do sacado ou decorrente de contrato de abertura de crédito entre ambos. Na Inglaterra. fica vinculada ao cumprimento do contrato de que resultou a promissória como uma condição de aperfeiçoamento deste. você pode dizer: “Bom. a Lei 7. CHEQUE Historicamente. Em 1985.357 revogou todas as disposições ao seu contrário e passou a reger o cheque. Aí. Outros reconhecem seu nascedouro na segunda fase da Idade Média. Algumas tentativas aconteceram no sentido de se unificar o direito sobre o cheque. nos termos do Art.. mas. O cheque é pagável à vista.razão. 32. que não eram mais exclusivamente de uso da coroa. de 20 de julho de 1893. o Brasil aderiu às convenções resultantes da Conferência de Genebra. 357/85). No Brasil. é uma convenção social. quando seriam emitidas ordens contra bancos com características similares ao modelo da atualidade. considera-se possível a alegação de não cumprimento do contrato principal como causa de invalidação do título de crédito. o instituto ganhou o mundo. nos termos da Lei 4. considera-se bastante discutível a origem do cheque. O cheque é um título vencível à vista. Art. que na verdade deveria ser chamado de pós-datado. a relação existente nesse momento é contratual e não de promessa unilateral de vontade. A existência do título. Alguns autores consideram possível seu nascimento no Antigo Egito. tendo em vista que os reis entregavam aos seus credores ordens de pagamento contra seu próprio tesouro. chegando aos Estados Unidos e à França. a primeira menção ao título é a do Regulamento do Banco da Província da Bahia. caixas econômicas. cooperativas de crédito). Considera-se não-escrita qualquer menção em contrário. e.

ou fórmula equivalente. uma conta corrente bancária do sacador com saldo suficiente para quitar o cheque. 12 da Lei 7. Requisito inafastável para o emprego de assinatura mecânica é seu prévio registro em ofício de notas do domicílio do usuário. e sim pelo fato de possuir o sacado. Indicada a quantia mais de uma vez. 29 da Lei 7.357/85). Art. só que a instituição financeira deverá efetivamente fazer o pagamento do cheque. O local de emissão deverá constar no título.357/85 versam especificamente sobre esse assunto: “Art. 18. Endossado o cheque a terceiro de boa-fé.” O cheque será considerado um título de crédito não pelo elemento “crédito” em si. por aval prestado por terceiro. Exprime-se pelas palavras ‘por aval’. O banco ou instituição financeira não garante o pagamento do título e nem poderá ser aceitante (Art.357/85. 6° da Lei 7. Considera-se como resultante da simples assinatura do avalista. nos termos da Lei 7. §1° e Art. inexistindo coincidência entre a quantia expressa por valor numérico e a expressa por extenso. com base no elemento confiança. em seu Art.. nos termos do Art.357/85. deve ter. O sacado. já que este não existe de modo abstrato. De acordo com o Art. O aval é lançado no cheque ou na folha de alongamento. exceto o sacado.357/85. qualquer responsabilidade do sacado com relação ao pagamento do título. II da Lei 7. falando sobre a teoria dos títulos de créditos. Bom. salvo quando se tratar da assinatura do emitente. A provisão de fundos deverá estar presente quando da apresentação do título.” Existem modalidades de cheque consolidadas pela doutrina: . não podendo assumir qualquer obrigação cambial referente a cheques sacados por seus correntistas. o cheque é um título de modelo vinculado.indenização será devida. 29. podendo ser feita por processo mecânico a teor do que dispõe o Art. O banco ou instituição financeira só terá responsabilidade se agir licitamente. determinada importância em dinheiro que na realidade pertence ao depositante. no caso de divergência. bem como endossante ou avalista (Art. quer por extenso. que nesta relação será sempre uma instituição financeira.. 29 e 30 da Lei 7. De acordo com a Resolução n° 885/83. 1°. aposta no anverso do cheque. O aval poderá integrar o título de crédito desde que o avalista ou avalizado não seja o sacado. presume-se como local aquele designado ao lado do nome do sacador. 4°. a quem a ordem de pagamento é dada. ou mesmo por signatário do título. Os Arts. vimos que o conceito de crédito seria: “a troca de bens no tempo. O pagamento do cheque pode ser garantido no todo ou em parte. A assinatura também é um requisito essencial. 2°. as exceções pessoais relativas ao negócio que deu origem ao título somente poderão ser opostas a quem tenha participado do negócio. sob seu domínio. Não cabe. só serão considerados como cheques aqueles títulos que estiverem de acordo com os padrões estabelecidos pelo Banco Central. com a assinatura do avalista. com o requisito da abstração. O cheque é um documento literal e conta. quer por algarismos. parágrafo único da Lei 7. esta prevalecerá. a indicação de menor valor. tendo em vista a natureza do título de vencimento à vista. Se você anda mesmo acompanhando o desenrolar do curso. seria uma boa hora para uma pergunta: o cheque é mesmo um título de crédito? Lá no início. 30. Dessa forma.357/85. portanto. também.357/85) por parte do sacado. eventuais questionamentos ligados à causa originária do débito não poderão ser alegados contra o terceiro portador de boa-fé do título. Existe um lapso temporal entre a prestação e a contraprestação. ou seja. prevalece. § 1°. Em hipótese de ausência desse dado.

ou seja.Sustação: é a oposição ao pagamento do cheque. pode o sacado pagar o cheque até que decorra o prazo de prescrição. nos termos do Art. . o processo cabível será o de execução. Apenas pode ser apostado o visto em um cheque nominativo não-endossado. o emitente do cheque pode revogá-lo através de contra-ordem dada por aviso epistolar. Foi introduzido pela Lei 7. ou escrita e datada pela câmara de compensação do banco ou da instituição financeira equiparada. fundada em motivo juridicamente relevante. não sendo promovida.de 60 (sessenta) dias se o pagamento se der em praça diversa da emissão do título. nos termos dos Arts. Caso o portador do cheque perca o prazo. 59 da Lei 7. O rito desta ação é bem mais lento. com razões motivadoras do ato. já que o mesmo pode ser substituído por uma declaração escrita e datada pelo banco sacado com a indicação do dia da apresentação. 357 de 1985. Caso haja a perda do prazo da ação de execução. de acordo com a legislação específica (Lei 8. Poderá exercer o direito creditício contra todos os devedores do cheque.prazo de execução dos endossantes. A ação de execução prescreverá em 6 (seis) meses contados do término do prazo de apresentação. 357/85.a) Cheque visado: aquele em que o banco sacado lança declaração de suficiência de fundos. Quando houver qualquer problema relacionado com o cheque. As linhas que possibilitam ao cheque ser “cruzado” podem ser substituídas pela expressão “para ser creditado em conta”. a pedido do emitente ou do portador legitimado. a contar do dia em que se consumar a prescrição da ação de execução. mas ela pode ser proposta em até 2 (dois) anos. 9° da Lei 7. c) Cheque cruzado: cheque no qual se busca possibilitar a qualquer tempo a identificação em favor de quem foi liquidado. ou por via judicial ou extrajudicial. ou seja. não será necessário o protesto do título para tal. É emitido pelo banco. perderá também: . II e § 3° da Lei 7. .crédito contra o emitente do título. O prazo de apresentação do cheque será: . também não poderá impor limitações. se optar por receber o título. A revogação só produz efeito depois de expirado o prazo de apresentação e. 36 da Lei 7. Nesse caso. 35 da Lei 7. em favor de um terceiro estranho a esta relação. contra um de seus estabelecimentos. Para os coobrigados o prazo será também de 6 (seis) meses do pagamento ou do dia da apresentação. Não é aceite. b) Cheque administrativo: modelo de cheque em que sacado e sacado se confundem.357/85). Caso você deseje cobrar o cheque judicialmente. 35 e 47.078/90 – Código de Defesa do Consumidor). Mas.Contra-ordem: nos termos do Art. serão possíveis 2 (dois) procedimentos: . não impõe o pagamento na insuficiência de fundos. não há qualquer lei ou disposição que obrigue o empresário a recebê-lo.de 30 (trinta) dias se o pagamento se der na mesma praça da emissão (que consta no título). .357/85. . cheque bancário. Cabe ressaltar que o cheque não é papel forçado. mesmo durante o prazo de apresentação (Art.357/85. contra si próprio. É regulado pelo Art. É também denominado por cheque passado sobre o próprio sacado. poderá ainda ser requerido o pagamento através de uma ação ordinária denominada “ação de locupletamento ilícito”. 357/85. se na época de apresentação havia fundos suficientes e hoje não há mais.

validade. apesar de incomum. Até mais ver! RESUMO Nossa. endosso. Muito mais simples do que a letra de câmbio. empresarial e mercantil são apenas sinônimos. 2) Quais os efeitos possíveis de um aval antecipado? 3) Quais os requisitos essenciais de uma nota promissória? 4) Diferencie contra-ordem de sustação de cheque. e o que lhe resta é procurar o devedor para receber de volta os valores com que arcou. A nota promissória também é um instrumento cambiário interessante. Este tem que assumir a obrigação. Cabe ressaltar que existem outras informações importantes sobre o cheque: vencimento. ainda mais para o direito empresarial. mas os signatários respondem pelos danos causados por declarações inexatas. O aval. Você nem imaginava que aquela folhinha maravilhosa que abre as portas de seu crédito tinha um tratamento tão especial. que expus na aula e que devem ser de nosso conhecimento. Quantas novidades! E você que usa cheques todos os dias não poderia nunca imaginar que esse é um instituto tão complexo.. Na próxima aula estudaremos a duplicata mercantil ou empresarial.. 5) Quais as modalidades de vencimento do cheque? E o prazo para apresentação? E o de prescrição da via executiva? . pode também ser lançado no cheque. Agora você já sabe que comercial. não é mesmo? Espero que você tenha gostado de saber um pouco mais sobre esses instrumentos de crédito. requisitos. não é mesmo? E o aval? Perceberam a gravidade da situação? A obrigação é tão dura que não deixa nenhum espaço para o avalista. Atividades 1) Faça um paralelo entre aval e fiança. ela engloba apenas dois sujeitos: o emissor e o beneficiário.A declaração de não pagamento do cheque pelo banco sacado ou pela câmara de compensação dispensa e substitui o protesto.

em um primeiro momento. Mais do que importante. Isso porque o crédito possibilita operações que normalmente não aconteceriam.Da duplicata e o protesto de títulos Objetivos • Conhecer o instituto da duplicata. 219 a 427. o que vincula essa cambial a áreas bem próximas do direito empresarial. 135).” Você conhece o nascedouro da duplicata? França. cédula de crédito imobiliário. no momento da comercialização. a ponto de ser chamado por Tullio Ascarelli de “título príncipe do direito brasilero”. no ato da entrega das mercadorias. Através deste modelo você poderá reconhecer. conhecimento de transporte marítimo. DUPLICATA O tratamento do título. Introdução Chegamos agora ao nosso último modelo de título de crédito a ser estudado especificamente em nossa caminhada: a duplicata. as quais serão por ambos assinadas. Ela tem um vínculo direito com a produção e circulação de bens e serviços. desprovido de numerário suficiente para realizar a obrigação. Não se declarando na fatura o prazo do pagamento. o vendedor é obrigado a apresentar ao comprador por duplicado. Não! É um título absolutamente tupiniquim. sentia dificuldades em fazer valerem os seus direitos por falta de um procedimento efetivo de coação em desfavor do inadimplente. não desprezando as outras cambiais. Nas vendas realizadas a prazo. base do conceito de crédito. tínhamos: “. conhecimento de depósito e warrant. a fatura ou conta dos gêneros vendidos. deu-se pelo Código Comercial de 1850.nas vendas em grosso ou por atacado entre comerciantes. As faturas sobreditas. chega a ser explícito nessa relação. Inglaterra. por força dessa situação.. 137). estudar e compreender títulos como notas e cédulas de crédito. Itália. Em função de sua funcionalidade e por prestar inestimáveis serviços ao desenvolvimento empresarial. dentro de dez dias subseqüentes à entrega e recebimento (art. presume-se que a compra foi à vista (art. além de se tratar de elemento chave nas atividades empresariais. tendo embora crédito contra o comprador. ganhou importância internacional. O elemento confiança. . isto é. presumem-se contas líquidas. Passamos pelos modelos mais utilizados e tradicionais. devedores dos vendedores. trata-se de um título eminentemente brasileiro. já que o comprador pode encontrar-se. a duplicata é reconhecida como um dos títulos mais cambiais existentes. No Art. uma para ficar na mão do vendedor e outra na do comprador. já que em vários momentos os compradores. o vendedor cumpre a sua obrigação de entregar o produto ou realizar o serviço e fica estabelecido que o comprador só realizará a sua prestação em um tempo futuro.. 219 do referido texto legal.Aula 15 . cédula de crédito bancário.. • Reconhecer o conceito e a importância do protesto. Arts. não faziam o pagamento do débito no tempo determinado. não sendo reclamadas pelo vendedor ou comprador.. gerando títulos similares em outras partes do mundo (stabilito – Itália. O vendedor.

No ato da emissão da fatura. A operação que subsidiar a criação da duplicata não poderá ser inferior a 30 (trinta) dias. hoje. Existem requisitos básicos em uma duplicata: 1 – a denominação duplicata. 2 – o número da fatura. em cada operação que realizar. contados da entrega ou do despacho da mercadoria. Isso porque só será permitida a emissão desta por aqueles que estiverem em dia com as obrigações empresariais. entre outros). o vendedor poderá extrair uma duplicata para circulação como efeito comercial. com vistas ao intercâmbio de informações fiscais. possibilitou aos comerciantes a adoção de um instrumento único de efeitos comerciais e tributários. mesmo em se tratando de venda não a prazo. temos: . Em todo o contrato de compra e venda mercantil entre partes domiciliadas no território brasileiro. O Art. o vendedor extrairá a respectiva fatura para apresentação ao comprador. A duplicata da fatura é que é facultativa.474/68 exprime essa obrigatoriedade: “Art.é facultativamente emitida. O comerciante que adota esse sistema pode emitir uma única relação de mercadorias vendidas. conforme obligatório – Uruguai. com base em fatura (esta obrigatória e discriminando as mercadorias vendidas) representativa de contrato com prazo não inferior a 30 dias. terá de ser a duplicata. No ato de emissão de uma fatura.. 1° da Lei 5. de uma fatura para apresentação ao comprador. Mas. “Art.474. entretanto. confeccionado de acordo com o padrão previsto na Resolução n° 20 da Lei de Duplicatas (Lei 5.Trade acceptance e chattel paper – EUA. não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. Um convênio celebrado entre o Ministério da Fazenda e as Secretarias Estaduais da Fazenda. é de extração obrigatória. para o direito tributário. aprovada em 18 de julho de 1968. não podendo ser emitida outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. 2°. dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação com efeito comercial. De acordo com Bulgarelli. Tem seu tratamento. deixar de emitir o documento em qualquer operação que realize. 3 – a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista. e uma delas era a impossibilidade de emissão de nota fiscal. enquanto a duplicata será facultativa. produzindo. os efeitos da fatura mercantil. caso resolva emitir um título vinculado à compra e venda mercantil com prazo para o vendedor. entre as parte domiciliadas no Brasil.474/1968).. como prova do contrato de compra e venda ou de prestação de serviço mercantil. 1°. . é obrigatória a emissão.” A duplicata é um título de modelo vinculado e deve ser lançada em um impresso próprio do vendedor. pelo vendedor.” A fatura. a data de sua emissão e o número de ordem. e os de nota fiscal. O empresário que fizer uso desse sistema não poderá. para o direito empresarial. extrato de fatura – Portugal. 4 – o nome e o domicílio do vendedor e do comprador. contado da data da entrega ou despacho das mercadorias. Nas vendas mercantis e nas prestações de serviço quitadas a prazo. Lembra-se de quando falamos sobre a regularidade do empresário (individual ou sociedade)? Falamos sobre as conseqüências da não regularização da atividade. com prazo não inferior a 30 (trinta) dias. feito pela Lei 5.

474/68 estabelece a confecção. O Art. Há modelos para operações que serão liquidáveis em um só pagamento. todas as duplicatas emitidas. Nesse livro serão registradas. Por força dessa escrituração. apesar da causalidade. de um “Livro de Registro de Duplicatas”. Até o advento da Lei 8. por conseqüência. em ordem cronológica. o título incompleto poderá ser devidamente preenchido pelo legítimo portador. 172 do Código Penal Brasileiro. Interessante frisar que. Nos termos do Art. A duplicata.137/1990. nome e domicílio do comprador. mencionando. como aceite. Conforme também já estudamos. da Lei 5. data e valor das faturas originárias e data de sua expedição. entre outras informações. a ser assinada pelo comprador. mediante a emissão de uma duplicata para cada parcela ou com a emissão de uma só duplicada em que sejam descritas todas as parcelas). em algarismos e por extenso. fazer uso da duplicata mercantil tanto na produção como na prestação de serviço. procurador ou . Emitida a duplicata regularmente. que definiu três modelos. Deve-se. segundo a vontade das partes interessadas. cada duplicata mercantil terá um número de ordem. 8 – a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la. é um título causal. ainda. Só pode ser emitida para a cobrança do preço de mercadorias vendidas ou de serviços prestados. 9 – a assinatura do emitente. ainda que o comprador tenha direito a qualquer rebate. A duplicata deverá sempre estampar o valor total da fatura. 2°. Se o empresário ou a sociedade empresarial não puderem emitir a nota fiscal “fatura”. O livro só será obrigatório para os empresários que fazem efetivo uso do título. Assim. A duplicata não pode ser sacada. com o número de ordem. 7 – a cláusula “à ordem”.474/68: “Uma só duplicata não pode corresponder a mais de uma fatura”. em qualquer hipótese. o comportamento típico passou a ser a emissão de duplicata mercantil que não corresponda à mercadoria vendida em quantidade ou qualidade compatível com a nota/fatura. ou seja. esta deverá ser apresentada ao devedor. 6 – a praça do pagamento. a duplicata é tão abstrata quanto qualquer outro título de crédito. o valor líquido que o comprador deverá reconhecer como obrigação de pagar. Isso pode ocorrer apenas na existência da compra e venda mercantil. pelo próprio emitente ou por intermédio de representante. anotações das reformas. não poderão. É considerado um título causal porque sua emissão é possível para representar crédito decorrente de uma determinada causa prevista em lei. instituição financeira. 19 da Lei 5. por parte do empresário. o vendedor. outros correspondentes às operações com pagamento parcelado (nesse caso. portanto. todos com altura mínima de 148mm e máxima de 152mm e com a largura mínima de 203mm e máxima de 210mm.5 – a importância a pagar. Uma duplicata referir-se-á somente a uma única fatura. estar atento ao fato de que as duplicatas são submetidas a uma padronização por parte do Conselho Monetário Nacional. aquela que não correspondesse a uma efetiva compra e venda mercantil. nos termos do Art. §2°. o qual não precisará necessariamente coincidir com o número de ordem da fatura ou nota fiscal-fatura. eram considerados crime a emissão e o aceite de duplicata simulada. em seu domicílio. sua regularidade está diretamente vinculada ao negócio subjacente.

Novamente o protesto aparece na duplicata. devedor principal do título de crédito. pagando-a. para provar o ato. Caso não haja identificação de quem será o beneficiário do aval. prestado um aval em branco. Isso significa que. já num primeiro momento. De acordo com o Art. este será considerado em favor do comprador. por ser sempre sacada pelo sacador em seu próprio favor. com referência à duplicata em questão. quando não for emitida uma triplicata. caso seja necessário. b) devolução.474/68. deverá ser procedido o protesto do mesmo. é sabido que o protesto constitui prova de apresentação do título. sendo devedor solidário da cártula. deverá devolvê-la no prazo de 10 (dez) dias. É a denominada “remessa para aceite”. nem contesta. na hipótese de protesto ou execução judicial. tem ação de regresso contra os coobrigados anteriores.474/68. que não devolveu!” Nesse caso. Nesse caso.mesmo correspondente. receberá. c) pagamento. Em hipótese de retenção não autorizada por lei do título. comunicando o aceite à instituição (aceite por comunicação. o comprador só poderá deixar de aceitar as duplicatas por motivo de: a) avaria ou não-recebimento das mercadorias. apenas procede ao pagamento do débito. você se lembra?). Conforme já estudamos antes. o melhor instrumento. o aval. a garantia de quitação do título. Ou seja. Ocorre que. Caso o título tenha sido apresentado para o aceite e não tenha sido aceitado. isto é. Nos termos do Art. Você deve estar pensando: “Mas como. §1° da Lei 5. Isso poderá gerar posturas as mais diversas. ou c) divergência nos prazos ou nos preços ajustados. Caso a intermediação tenha sido feita por uma instituição financeira e esta concorde. . . . deverá ser emitido um recibo. defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias devidamente comprovados.devolver a duplicata devidamente aceita – o título encontra-se completo podendo ser inclusive endossado para circulação. para que prove a tentativa de obtê-lo. nos termos da Súmula 189 do STF (já estudamos esse assunto. resgatar a duplicata antes de aceitá-la ou antes da data de seu vencimento. Essa comunicação substituirá. a partir da data de confecção desta. 9 da Lei 5. o sacado (comprador) poderá manter em seu poder a duplicata. A duplicata poderá receber. quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco. é o protesto. essa apresentação poderá acontecer por 3 (três) motivos: a) aceite. Como prova de pagamento. como: . ou seja. A duplicata. 13. presume-se que tenha aceitado também todo o texto literal do título. nos termos do Art. no verso do próprio título ou em documento apartado. muito comum hoje em dia).devolver a duplicata sem o aceite mas com justificativa.474/68. o endossante responde pelo cumprimento da obrigação constante no título. em se tratando de cambiais. para enviá-la. 8° da Lei 5. um endosso. A mesma regra com relação aos outros títulos também prevalecerá aqui: os avais brancos e superpostos consideram-se simultâneos e não sucessivos. assim que recebe a cártula. não aceita. deverá também ser realizado o protesto. em sua cártula. Na hipótese de duplicata. a duplicada retida (protesto por indicação). reconhecido aqui como o sacado. Recebendo o devedor a cambial. será lícito ao comprador da mercadoria. será permitido (à exceção do princípio da cartularidade) o chamado “protesto por indicação”.devolver sem o aceite e sem qualquer justificativa – o credor deverá realizar o protesto por falta de aceite. e o credor tem 30 (trinta) dias. b) vícios. professora? Se o título está em mãos do comprador. se o devedor aceita as mercadorias. passado pelo legítimo portador ou representante com poderes especiais.

A obrigatoriedade do protesto fica restrita ao protesto para fins falimentares. o mesmo terá o prazo de 1 (um) ano. O Art..) §1°. 1° da Lei 9. a Lei 9. de 10 de setembro de 1997. Para a cobrança judicial de um cheque. Esteja atento ao fato de que o protesto é um ato facultativo.492. Para tanto. O protesto poderá ser considerado ainda necessário para o exercício da ação de cobrança contra os demais coobrigados.492/97 apresenta um conceito técnico de protesto: “Protesto é o ato formal e . Então o que seria o protesto? Uma forma de coagir outrem a cumprir a obrigação cambial? Uma forma de submeter o devedor da cambial ao ridículo? Teoricamente. o portador do título. ainda.. mediante apresentação da duplicata. perderá o direito de regresso contra os endossantes e seus respectivos avalistas. mas apenas que seja apresentado à câmara de compensação bancária. 22 da Lei 9. contado da data de seu vencimento. Nesse caso. a certidão lavrada pelo oficial público é prova plena reconhecida como documento público inquestionável. Por falta de aceite. . Pode se tratar de um pagamento que não foi realizado ou de um aceite que não foi devidamente passado. No ordenamento jurídico brasileiro.” O portador terá o prazo de 30 (trinta) dias. da triplicata. o título foi devidamente apresentado (a prova é feita pelo protesto) ao devedor principal.1 (um) ano.“Art. Nos termos do Art. Vale a pena ler o parágrafo anterior novamente. letra de câmbio ou nota promissória.492/1997. de devolução ou de pagamento. na vida real. o protesto será tirado. na falta de devolução do título. em local e data designados no título. antes de serem cobrados como coobrigados. os documentos que ensejarão o pedido de falência deverão ser previamente protestados. não foi esse o intuito do legislador ao criar o instituto do protesto (apesar de. o protesto ser efetivamente uma forma de coerção do devedor inadimplente). 13 (. poderá procurar o Tabelionato de Protestos e proceder ao protesto do mesmo. ou seja. PROTESTO O protesto de um título será necessário quando alguma obrigação anotada no título não puder ser cumprida. não se faz necessário que este seja protestado. conforme o caso. O prazo para propositura de ação judicial (processo de execução) para cobrança do débito exposto na duplicata será de: . O protesto é um ato oficial e público que comprova a exigência do cumprimento daquelas obrigações cambiárias. Por quê? Porque estes têm o direito de se certificar de que. ou. faz o tratamento do instituto do protesto. a não ser em casos especiais. Ninguém está obrigado a protestar um título e existe inclusive dispensa dessa formalidade quando se tratar de cheque. Poderá ainda ser proposta ação de regresso por parte daquele que saudou o débito contra o principal devedor.3 (três) anos. por simples indicações do portador. Caso não o faça dentro desse interregno.474/68). cheque. a contar do vencimento do título contra os coobrigados (endossantes e seus avalistas). seja ele duplicata. para realizar o protesto do título. 18 da Lei de Duplicatas – Lei 5. a contar do vencimento do título contra o devedor principal e avalistas (Art..

o pagamento deste e não conseguiu. como o protesto para fins de falência. 21. terá 3(três) dias úteis para proceder ao protesto?. Esse protesto dá ensejo à cobrança do valor dos coobrigados. Na teoria. nos termos do Art. 20. b) Protesto por falta de pagamento: ocorrerá quando o devedor se recusar a efetuar o pagamento do título. no primeiro dia útil que se seguir ao da recusa do aceite ou ao do vencimento. 3° da Lei 9. 28 do Decreto vem com o seguinte texto: “A letra que houver de ser protestada por falta de aceite ou de pagamento deve ser entregue ao oficial competente. não há necessidade de protesto como prova. § 2° da Lei 9. Por via das dúvidas. conforme disposto no Art.044/08. o cartório. d) Protesto com fim especial: abrange títulos e documentos. nos termos do Art. mas apenas a apresentação à câmara de compensação de um banco ou instituição financeira equiparada. contados da protocolização do título ou documento de dívida. De acordo com o Art. Apenas a irregularidade formal obsta o registro do protesto.492/97).492/97. mesmo que a princípio não protestáveis. na data e no local indicados no título. c) Protesto por falta de devolução: ocorrerá quando o sacador detiver o título enviado para aceite e não o devolver no prazo legal estipulado. Somente ocorrerá após o vencimento da obrigação. considerando-se algumas condições. procederá ao protesto do título. A função do tabelião. O protesto poderá ser retirado. seja através de uma defesa (hipótese de cobrança indevida – título prescrito. Todos os protestos serão lavrados no mesmo livro em cartório. realizará as formalidades. Nesse caso. restringe-se à análise de formalidade. nos termos da doutrina dominante. § 1° da Lei 9. b) Na hipótese de ser cheque. a) Na hipótese de se tratar de letra de câmbio e nota promissória.492/97. Caso o réu não se manifeste ou se manifeste indevidamente. na retirada do protesto. ou do pagamento do título. ainda dentro do prazo de 3 (três) dias. ou por indicação (Art. fica provada a apresentação em tempo hábil do título para aceite. ou seja.492/97. lembra?) O art. § 3° da Lei 9. c) Na duplicata. A segunda corrente aposta na fusão do Art. nos termos do Art.492/97. via tabelião. o cartório.” A competência para a lavratura do protesto é exclusiva do tabelião de protesto de títulos e documentos de dívida. por exemplo). Veja. O protesto poderá ainda ser lavrado por vários motivos: a) Protesto por falta de aceite: quando a cambial é apresentada para o aceite e há recusa por parte da pessoa indicada como aceitante. o prazo para o protesto é de até 30 (trinta) dias após o vencimento do título. ou seja. 12 da Lei 9. o prazo será o dia seguinte ao vencimento do título. (É o decreto que dispõe sobre as letras de câmbio e promissórias no Brasil e teve sua eficácia diferida com a aprovação da Lei Uniforme de Genebra. endossantes e seus avalistas. A doutrina minoritária aceita o prazo de até 2 (dois) dias do vencimento do título para o protesto. Aqui fica comprovado que o credor tentou receber.28 do Decreto 2. melhor ficar atento ao prazo menor.492/97. 21. o cartório receberá o documento. conforme já foi dito. existem 3 (três) correntes a respeito desse prazo. intimará o devedor para que se manifeste no procedimento. 12 com o Art.solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida. e o respectivo protesto tirado dentro de 3 . O protesto se dará por meio de uma triplicata ( esse tipo de protesto é mais comum na hipótese de o título ser uma duplicata). A primeira propõe uma interpretação literal do texto. 23 da Lei 9.

lavrar-se-á o protesto. Tornou-se uma prática o cancelamento do protesto após o pagamento da dívida. tem como principal defensor Pontes de Miranda. Por ser um título genuinamente brasileiro. percebemos como há diferença entre estes dois recursos. a certidão negativa de protesto só poderá ser concedida por ordem judicial em autos de processo judicial ou a pedido do próprio protestado. Mas o cidadão não poderá. Segundo ela. caso tenha alguma dúvida sobre o protesto. a duplicata se adapta facilmente ao dia-a-dia do empresário. esta é a modalidade mais comum de protesto. Com o intuito de coibir esse tipo de conduta. questionar o juiz sobre o registro. um assunto polêmico aqui também tratado é o do protesto. quando estudamos o título cambial duplicata. Quando. que deve ser obtida antes da lavratura de protesto. via medida cautelar. O cidadão interessado poderá figurar como participante do processo. Pelo fato de o protesto ter tomado o sentido de coerção de pagamento. Até a próxima! Resumo A duplicata tem sido. E. substituída pelo boleto bancário. prorroga-se até a data da intimação.” Nesse caso. Apenas o tabelião poderá fazê-lo. suscitar dúvidas. cabe ressaltar que o conceito e a importância do protesto muitas vezes estão equivocados: o protesto é prova de apresentação e tem como principal efeito a possibilidade de cobrança dos coobrigados no título: endossantes e seus avalistas. por motivo de força maior. paulatinamente. Terminamos aqui nosso percurso pelos títulos de crédito. O tabelionato poderá. para possibilitar o exercício do contraditório e ampla defesa. o prazo de 3 (três) dias só começará a correr a partir da intimação do devedor. mais ponderada. institutos tão comuns no nosso dia-adia. o cancelamento da certidão do protesto tomou corpo de atestado de idoneidade empresarial. Aqui estudamos todos os recursos que podem ser utilizados quando tratamos da duplicata. Além dos requisitos formais. Apesar de não se restringir ao protesto de títulos. Além disse. A terceira corrente. não puder haver a intimação dentro desse prazo. Para o pedido é necessário que o devedor preste caução. 2) Quais os requisitos para realização de um protesto de títulos? 3) Quais os requisitos para execução e protesto de uma duplicata? 4) Quais os efeitos do protesto cartorário? 5) Qual o prazo para realização do protesto em cada título? E dentro do cartório? A lei fala sobre o prazo? . contados da apresentação. Atividades 1) Diferencie: duplicata de compra e venda e duplicata de prestação de serviços. nesse mesmo dia. Ocorre que.(três) dias úteis. o protesto deverá ser tirado em 3 (três) dias úteis. sozinho. Espero que o estudo possa potencializar o uso dos mesmo e também seu conhecimento sobre eles. Antes de findar o prazo do protesto o devedor poderá ainda ser sustado através do judiciário.