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OBS.: Este artigo foi publicado, originalmente, na Revista de Informação Legislativa do Senado Federal, 30 n. 118 abril / jun.

1993.

Loucura e Prodigalidade à Luz do Direito e da Psicanálise

CLÓVIS FIGUEIREDO SETTE BICALHO Médico, Psiquiatra e Psicanalista Presidente do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais e OSMAR BRINA CORRÊA-LIMA Professor Titular de Direito Comercial da Faculdade de Direito da UFMG Subprocurador -Geral da República Participante do Fórum do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais SUMÁRlO 1. Introdução - O objeto deste trabalho. 2. Dados da legislação brasileira. 3. Surge a Psicanálise. 4. A prodigalidade e a loucura na Filosofia e na Literatura. 5. Direito e Psicanálise se entrelaçam. 6. Desenvolvimentos em Psiquiatria e Psicologia. 7. Algumas conclusões. 8. Projeto de lei n° 3.657. 9. Observação final. 1. Introdução - O objeto deste trabalho O Código Civil Brasileiro data de 1916. O Comercial, de 1850. As leis, a sociedade e as ciências evoluíram. Surgiram novos costumes. Novas leis. Novas descobertas científicas. Em 1916, a Psicologia ainda não se sistematizara enquanto ciência autônoma. E a Psiquiatria, muito ligada ainda à Neurologia, não recebera o impacto renovador da Psicanálise, que influenciou e alterou sensivelmente os seus rumos, sobretudo a partir da publicação dos “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”, por Sigmund Freud, em 1905. O primeiro neuroléptico, para uso comercial, só veio a aparecer em 1955. Em março de 1992, uma reportagem amplamente divulgada pela Rede Globo de Televisão mostrou o interior de um hospício e exibiu documentos de seus arquivos. A reportagem comprovou que pessoas ali internadas há dezenas de anos registravam, em seus prontuários, diagnósticos como epilepsia, enxaqueca e outros. Algumas pessoas, sem nenhuma doença mental, teriam simplesmente “enlouquecido naquele hospício", segundo o repórter. Reportagem publicada no jornal Estado de Minas, edição de 19 de setembro de 1992, intitulada “Manicômios do País internam sem motivo", noticia que “pelo menos 30.000 pessoas vivem hoje dentro de hospitais psiquiátricos em todo o Brasil sem necessidade da internação". Observa que "elas constituem um terço do total de 90.000 pacientes destas entidades no País". E
C: \Meus documentos \AAAA \ART -Loucura e prodigalidade à luz do Direito e da Psicanálise.doc - 29/04/01 23:45

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acrescenta: "um levantamento realizado pela SES e divulgado no final de 91 mostrou que apenas 11,51% dos internos em hospitais psiquiátricos do Estado deveriam mesmo permanecer nas instituições". Este trabalho se propõe a refletir sobre os conceitos de "loucos de todo o gênero" e "pródigos", consagrados pelo Direito positivo brasileiro, à luz dos novos estudos de Psiquiatria e Psicologia, iluminados pela evolução da Psicanálise até o presente momento. Tratando-se de estudo interdisciplinar, escrito a quatro mãos, o texto apresenta, a um tempo, duas visões, sem uma seqüência muito lógica e rígida de raciocínio em cada uma. Sua elaboração enfrenta uma série de dificuldades insuspeitadas. Por isso mesmo, requer do leitor redobrado espírito crítico. 2. Dados da legislação brasileira Os loucos de todo o gênero e os pródigos. O Código Civil Brasileiro de 1916 considera absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os loucos de todo o gênero (art. 5.°, II). E incapazes, relativamente, a certos atos, ou à maneira de os exercer, os pródigos (art. 6.°, II). Os "loucos de todo o gênero" são absolutamente incapazes. Os atos por eles praticados são nulos (art. 145 - I). Os "pródigos" são relativamente incapazes. Os atos por eles praticados, anuláveis (art. 147, I). Processo de curatela. O processo de curatela dos interditos acha-se disciplinado nos arts. 1.177 a 1.198 do Código de Processo Civil. Os arts. 1.178, I, e 1.180 empregam a expressão "anomalia psíquica" e o art. 1.180 refere-se à "incapacidade do interditando para reger a sua pessoa e administrar os seus bens". O art. 1.183 determina que o juiz nomeará perito para proceder ao exame do interditando. Mas a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal já fixou que o magistrado não está adstrito ao laudo (RTJ, 98/385). Representação e assistência. Os "loucos de todo o gênero" são representados e os pródigos assistidos, judicial ou extrajudicialmente, por curadores. Contra os incapazes não corre a prescrição (Código Civil, art. 178, § 9.°, V, c). O Ministério Público intervirá, necessariamente, em todas as causas em que houver interesse de incapazes, bem como nas causas de interdição, sob pena de nulidade (Código de Processo Civil, arts. 82 e 246). Isenção de pena. O Código Penal declara "isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão (criminosas), inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento". E acrescenta que "a pena pode ser reduzi da de um a dois terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento" (art. 26). Medidas de segurança. Aos criminalmente inimputáveis por problemas mentais aplicam-se medidas de segurança, e não penas. As medidas de

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no decorrer da ação penal. será sempre condicional.internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou. pratica fato indicativo de persistência de sua periculosidade. Código de Processo Penal. nesta hipótese. se essa providência for necessária para fins curativos. 41. 154 e 682. à falta.de tratamento ambulatorial. impõe-se a internação. ou não. da Lei n. 3 . arts. o internado será recolhido a estabelecimento dotado de características hospitalares e será submetido a tratamento. Somente na hipótese de detenção é que fica a critério do Juiz a estipulação. 18/set/1992. A desinternação.° 7. o prazo mínimo de internação será de 1 (um) ano". II . devendo ser restabelecida a situação anterior se o agente. o Juiz poderá ordenar a internação do indiciado ou do acusado em manicômio judiciário ou em outro estabelecimento adequado. art. a outro estabelecimento adequado (Código Penal.Lei das Execuções Penais.° 69 . ou depois da condenação criminal. Se o é de reclusão. A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano. poderá o juiz determinar a internação do agente.artigos 26. condenado. considerado o aspecto objetivo . não se impõe medida de segurança nem subsiste a que tenha sido imposta (Código Penal. em um primeiro plano.210. 96 a 99). Seção I. a periculosidade.a natureza da pena privativa de liberdade prevista para o tipo penal.DEFINIÇÃO. poderá o juiz submete-lo a tratamento ambulatorial. que o agente posse vir a praticar outro crime. antes do decurso de um ano. Se isso ocorrer durante o inquérito ou processo penal. Merece transcrição a ementa do julgamento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Habeas Corpus n. A conversão do tratamento ambulatorial em internação é disciplinada pelo art. ou a qualquer tempo. Se o fato previsto como crime for punível com detenção. se o determinar o juiz da execução. arts. art. a nortear o grau de periculosidade . a cessação de periculosidade.segurança visam a proteger a sociedade e os próprios inimputáveis. 184 e seu parágrafo único. 96 e 97 do Código Penal" (In DJU. em outro estabelecimento adequado. ou seja. A razão de ser da distinção está na gravidade da figura penal na qual o inimputável esteve envolvido. que rezam o seguinte: "o tratamento ambulatorial poderá ser convertido em internação se o agente revelar incompatibilidade com a medida. Tratando-se de inimputável. 183). 96).sujeição a tratamento ambulatorial" (Código Penal. A legislação também prevê as hipóteses de superveniência de doença mental ou perturbação da saúde mental durante o inquérito policial. ficando suspenso o inquérito ou a ação penal. de 1984. Se o agente for inimputável. a definição da medida cabível ocorre.RJ: "MEDIDA DE SEGURANÇA INTERNAÇÃO TRATAMENTO AMBULATORIAL INIMPUTÁVEL . O condenado a que sobrevier doença mental deverá ser recolhido a hospital de custódia e tratamento psiquiátrico (manicômio judiciário) ou. de 1984 . e doença mental superveniente. Tanto a internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico quanto o acompanhamento médico-ambulatorial pressupõem ao lado do fato típico. da medida menos gravosa . Indiciado. Extinta a punibilidade. art.409). Lei n. São elas: "I .° 7. 375-0. o juiz determinará sua internação (se o fato previsto como crime for punível com reclusão). por um prazo mínimo de um a três anos.210. à falta. mediante perícia médica. 15. até que o paciente se restabeleça. ou a liberação. que será por tempo indeterminado. perdurando enquanto não for averiguada. processado. p. Em qualquer fase do tratamento ambulatorial.

da qual resulte ou com a qual se ache ligada a afasia.. como alienados de todo o gênero. ´Só será alienado`. até os mais ou menos demorados) que. então. autor do Projeto de Código Civil br asileiro e seu mais abalizado comentarista. pecos ou retardados na evo lução cerebral (idiotas. porque há casos de incapacidade civil que não se poderiam. apoiando a crítica do Dr. porque "louco" é o doente de um processo material ativo . § 3. 446 e segs. lesão somática ou vício de organização. como modificadoras da capacidade. desde que se caracterizam por uma grave alteração nas faculdades mentais. e não é justo considera-lo incapaz. socialmente. ao jurista o que interessa é a vida social que pode ser perturbada pela ação dos alienados. uns e outros. embora duradoura. e a Sociedade de Psiquiatria e Neurologia. pp. propuseram que se contemplassem os afásicos entre os incapazes desta classe. mas não é a melhor. O direito romano dispunha do mesmo modo que as Ords . O diagnóstico importa ao médico. a emotividade ou o querer.Comentários de Clóvis Bevilaqua. não gozam de equilíbrio mental e clareza de razão suficientes para se conduzirem. nas várias relações da vida" (Direito de Família). quando há insanidade mental grave. II). por igual. assim se manifesta sobre as duas expressões em destaque: "Loucos de todo o gênero . Por ocasião de se discutir o Projeto do Código Civil.e há enfermos ou anômalos de mente. 27-37) e o Dr. 33). São os casos de insanidade mental permanente ou duradoura que determinam a incapacidade. 4. pelo direito anterior (Ords. mas a Câmara não os quis acompanhar. não há necessidade nem conveniência de feri-lo com a incapacidade absoluta`. o indivíduo deve ser considerado incapaz. O Projeto primitivo preferia a expressão alienados de qualquer espécie. diz AFRÂNIO PEIXOTO. RODRIGUES DÓRIA (Trabalhos da Câmara. fora da classe dos alienados. além da incapacidade geral. O Código não considerou os lúcidos intervalos que. porém será um alienado. Curador de Órgãos do Distrito Federal. RAUL CAMARGO. deve ser muito geral e discreta para não cometer desazos em assunto. pp. a inteligência subsiste íntegra. e permite ao paciente reger a sua pessoa e os seus bens. cretinos. Os estados transitórios apenas viciam os atos praticados durante eles. 63 e 64 e 179 e 180). 103. desde os mais ou menos precoces por doenças. no afásico. naturalmente.loucos de todo o gênero .°). III. tanto e mais incapazes que os outros. por moléstia localizada no encéfalo. são casos propriamente de loucura. ou loucos e deficientes mentais. há outros regredidos ou degradados por involução cerebral (todos os estados demenciais. dois distintos Professores. estabelece o Código a curatela (arts. RAUL CAMARGO. Clóvis Bevilaqua. Se a alteração das faculdades mentais não é grave. A fórmula tradicional do Código . 1. p. Para os primeiros. ´aquele cujo sofrimento o torne incompatível com o meio social. NINA RODRIGUES (O alienado no direito civil.627. seja a inteligência.) e. está ele. débeis mentais). capitular como de loucura. por organização cerebral incompleta. e todos. o Dr. justamente alienados`. com acerto. aos afásicos. nem sempre. Quando. tiverem de abrigar.Esta é a expressão tradicional em nosso direito. imbecis. que. A doutrina do Código 4 . determinavam o restabelecimento da capacidade. senão as mais das vezes. mas. no futuro. A questão foi debatida por competentes e por especialistas. a especial para fazer testamento (art. em que já uma perícia criteriosa é muito difícil` (Medicina Legal. pronunciou-se pela necessidade de substituir a expressão infeliz por outra mais adequada. E no que andou bem se pode ver das seguintes palavras de AFRÂNIO PEIXOTO: ´A fórmula das legislações.foi com grande competência criticada pelo Dr. Alienados são "aqueles que.

Nesse tempo. a Comissão da Câmara. A curadoria dos pródigos está regulada nos arts. e essa tendência foi confirmada por alguns rescritos imperiais. porém. O termo "alienado" não só pressupõe que o indivíduo está despossuído de sua personalidade. por sugestão do Conselheiro ANDRADE FIGUEIRA. liberosque tuos ad egestatem perducis ob eam rem tibi ea re commercioque interdito (Receptae sententiae. ponderação que se conforma com a mente da lei. Representam essas duas correntes CAUWÉS e BASTIAT. plausivelmente. associados a outros: a mania do jogo e a dipsomania ou vontade impulsiva de beber. O direito pretoriano ampliou essa primeira noção da prodigalidade a todos os casos de desperdícios. 459 a 461. MELO FREIRE. a interdição por prodigalidade. 129 a 148)” (1). a todas elas.tem melhor apoio na ciência. ou tal não é 5 . § 7. explicou. transformou-se. que sob as cinzas das remissões. os quais andam. Leão. herdava dos seus parentes. para constituir uma classe distinta de incapacidade. outros opinam que são nocivos. liv.°). O alienado no direito civil brasileiro. preferida pelo Projeto primitivo de Clóvis Bevilaqua. da preguiça e da imoralidade. como pode ser aplicado a um grande número de doenças mentais e. ainda durante a vida desta. pois que a Ordenação do livro 103 une as idéias de alienação e prodigalidade em sua inscrição: Dos curadores. Conseguintemente. A psiquiatria revela-nos que há certas síndromes degenerativas que se revelam pelos gastos imoderados. estivesse ameaçado de interdição. III. e válidos os que se mostrassem emanados de uma vontade dirigida pela razão. pois entra na regra comum. tít. que se dão aos pródigos e aos mentecaptos. Os economistas dividem-se. Introduziu-a. eram considerados seus consórcios. porque perturbam o desenvolvimento da riqueza social. Todos os outros bens adquiridos pelo trabalho ou por testamento podia o indivíduo gastar à vontade. e para eles decreta a interdição. Et vivo parente domini existimantur. considerando nulos os atos desarrazoados. descobre sempre o braseiro da enfermidade. começando por ser uma garantia da propriedade comum. confessa não compreender a necessidade da interdição por prodigalidade e procura imprimir uma outra orientação ao direito. aos bens que o indivíduo. porém. Note-se. IV. sem que por isso. aliás. 103. de modo preciso a fórmula que foi conservada por Plauto: quando tibi bona paterna avitaque nequitia tua desperdis. Diz. 4. Todavia. justifiquei o Projeto primitivo com as seguintes razões: "A história do direito nos diz que a interdição por prodigalidade apareceu em uma época. que se deveria restringir o qualificativo àquele que desperdiçasse os seus bens sem fim. em que havia uma espécie de compropriedade da família. Acham alguns que os pródigos são inócuos. como entendesse. ordinariamente. por força de lei. também não primava por precisão terminológica. consideram pródigo o que desordenadamente gasta e destrói a sua fazenda. o filósofo na Const. na qual os herdeiros de uma pessoa.O Projeto primitivo e o revisto desconheciam a incapacidade do pródigo. que a expressão "alienado de qualquer espécie". numa interdição por debilidade mental. o jurista deve declarar: ou a prodigalidade é um caso manifesto de alienação mental. a interdição só se referia. porque aquilo que despendem entra na circulação da riqueza social. e como um louco. (Veja-se NINA RODRIGUES. pp. en passant. Atendendo a essas ponderações reconhecendo a necessidade de garantir o direito individual contra as maquinações da ganância. em certo sentido. com os tempos. XXXIX do Código. "Pródigos . Discutindo esta matéria perante a Comissão da Câmara. e não há necessidade de destacá-la. As Ordenações do reino.

nem o pródigo nem o louco poderá iniciar ou continuar o exercício do comércio (5). Homenageiam o autor. seu fundador. Carvalho de Mendonça distingue entre o pródigo e o louco. Sua obra deve ser compreendida numa perspectiva histórico-evolutiva. Atualidade das lições de Clóvis Bevilaqua. é certo que o incapaz. Na seara do Direito Comercial. por aquelas razões. A Psicanálise como o Direito é um saber inacabado. no seu apreciado compêndio de Medicina Legal . ma s também não é apenas a consciência de um conceito. IV. No caso de loucura. para a validade de qualquer ato. G. Discute-se. 3. para permitir a este e negar àquele a continuação do exercício do comércio após a interdição. Os alienados pródigos. pp. isto é. Teoria geral do direito civil. a respeito dos efeitos de uma interdição superveniente. As longas transcrições integrais da obra de Clóvis Bevilaqua servem. que "um conceito não é certamente uma coisa. seja por loucura. seria sempre necessária. a partir de observações clínicas registradas com rigor científico. contudo. sejam interditos. um feixe de possibilidades e de obstáculos. porque são alienados. com G. sejam respeitados na sua liberdade moral e pois sob color de proteger -lhes os bens. VII). Relatam o grau de evolução da Psiquiatria no início do século e as dificuldades encontradas na assimilação de seus resultados pelo mundo jurídico. indefinível e incompatível com o exercício do comércio (4). a solução não seria possível porque. todavia. comparável aos de Copérnico e de Darwin (7). pp. lançou 6 . situação anômala. só depois. ele formulou e reformulou conceitos. § 10. Pondere-se. mostra-se de acordo AFRÂNIO PEIXOTO. faz-se-lhes gravíssima ofensa ao direito de propriedade e à dignidade humana (Trabalhos da Câmara. em estilo ático e elegante. a manifestação simultânea de duas vontades. sendo ele assistido e não representado pelo seu curador. muitas vezes divergentes. continuará o negócio sob a gerência do curador ou do preposto por este nomeado. têm sobrevivido ao tempo. As lições de Clóvis Bevilaqua sobre os conceitos de “louco de todo o gênero" e "pródigo" continuam acatadas e reproduzidas nas edições mais recentes de obras jurídicas dos autores mais modernos. tem por objeto de estudo o inconsciente. a vários propósitos. até hoje. caminhou pela Psiquiatria e pela Psicologia e. isto é. seja por prodigalidade. surgindo daí. Durante sua vida. João Eunápio Borges discorda.positivamente. comprometido num mundo vivido” (3). e não há justo motivo para feri-la com a interdição. 115 e 116. com a autorização do juiz. O próprio Freud partiu do estudo aprofundado da Neurologia. Granger. os pródigos de espírito lúcido e razão íntegra. num lance de genialidade. Com essa conclusão. Para ele. um saber inacabado. Como ciência autônoma. Um conceito é uma ferramenta e uma história. E só começou a ser estudada a partir da obra de Sigmund Freud. Surge a Psicanálise Psicanálise. Quanto ao pródigo. assistido pelo seu curador. de ser autorizada a continuação do comércio pelo pródigo. a tempo. 31 e 32 da primei ra edição" (2). cujas lições. Loucos de todo o gênero e pródigos no Direito Comercial. Freud nasceu em 1856 e morreu em 1939 (6). não pode ser comerciante individual. Fornecem uma resenha dos debates travados por ocasião da discussão do atual Código Civil.

de partículas materiais passíveis de especificação. da pobreza à miséria. da abastança à mediania. "Costa não se deteve um minuto. para viver "até o fim do mundo". phi (sistema de neurônios permeáveis). pessoas que levavam o chapéu ao chão. formulou e reformulou conceitos. Ademais. que considera as instâncias do Ego. Herdara quatrocentos mil cruzados em boa moeda de el-rei D. redigida em alemão. W (percepção). foi ao devedor e perdoou-lhe a dívida". logo que ele assomava ao fim da rua. que nem sempre foram fiéis a determinadas sutilezas do idioma germânico. da mediania à pobreza. Exemplo de prodigalidade pode ser encontrado num dos personagens de Machado de Assis: "Costa era um dos cidadãos mais estimados de Itaguaí. gradualmente. este se empenhara em criar uma Psicologia para neurologistas. com recursos aos conhecimentos da Semiologia e da Lingüística (9). registradas com rigor científico. como entrou a dividi-la em empréstimos. como ciência natural. João V. o pasmo de Itaguaí seria enorme. trezentos a este. diziam-lhe pulhas. com intimidade. davam-lhe piparotes no nariz. Mas Freud ainda permaneceu em seu ostracismo por muito tempo. do Id e do Superego (8). E passa a elaborar a segunda tópica. a tal ponto que.° 69. foi formulada a partir de noções utilizadas naquele Projeto: Q (quantidade de ordem de grandeza intercelular). quantitativamente determinados. e mais sublime resignação. Nem se lhe dava ver que os mesmos corteses eram justamente os que tinham ainda a dívida em aberto. dividindo-o nos sistemas Inconsciente. No Projeto para uma Psicologia Científica. dirigida a Fliess. nenhuma repercussão na elaboração do Código Civil brasileiro. como um desses incuráveis devedores lhe atirasse uma chalaça grossa. as suas idéias não tivessem. ômega (sistema de neurônios perceptuais). Um dia. V (representação) e M (imagem motora). em 1916. ele foi passando da opulência à abastança. estava sem nada. ao contrário. agora batiam-lhe no ombro. Já vimos que o próprio Freud. mil cruzados a um. não é de se admirar que. Tão depressa recolheu a herança. Mas não é só.as bases definitivas da Psicanálise. psi (sistema de neurônios impermeáveis). risonho. a partir de observações clínicas. Se a mi séria viesse de chofre. A grande virada de Freud. 4. Na Carta n. E o Costa sempre lhano. e ele risse dela. Desenvolvimento da Psicanálise. dois mil a outro. mas veio devagar. descoberto e publicado pela primeira vez depois da morte de Freud. só passou a ser amplamente divulgada para o mundo através de traduções inglesas e francesas. no decorrer de sua vida. merecendo especial destaque as suas obras Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) e A Organização Genital Infantil (Uma Interlocução na Teoria da Sexualidade) (1923). sem usura. oitocentos àquele. observou um desafeiçoado. ele confessa que não confia mais na sua neurótica. Ao cabo daqueles cinco anos. parece que os agasalhava com maior prazer. Lacan iniciou uma releitura do texto freudiano. "Não 7 . Assim. Pré-Consciente e Consciente. no fim de cinco anos. segundo lhe declarou o tio no testamento. representando os processos psíquicos como estados. dinheiro cuja renda bastava. a obra freudiana. A sua primeira tópica do aparelho psíquico. com certa perfídia: "Você suporta esse sujeito para ver se ele lhe paga". A prodigalidade e a loucura na Filosofia e na Literatura A prodigalidade na literatura de Machado de Assis. A grande virada de Freud ocorreu por volta de 1905. além do seu inédito e originalidade.

Os médicos alienistas -prossegue Anatole France "acham que um homem é louco quando ouve o que os outros não ouvem e vê o que os outros não vêem. duas horas depois. como doentes mentais. pois a loucura. quando não está caracterizada por nenhuma lesão anatômica. Sándor Ferenczi faleceu em 1933. Sándor Ferenczi observa . A história de determinados países do Leste Europeu revela casos de internamento de dissidentes políticos em asilos para 8 . de filhos pelos pais. no artigo “Les fous dans la littérature” (1887): “E o que é a loucura. Sándor Ferenczi observa: “Essa luminosa definição de Anatole France é infinitamente mais justa do que a maior parte das que têm sido propostas pelos psiquiatras profissionais.como Freud já o fizera que alguns filósofos e literatos atingiram. que está no céu". Psicanalista. atribuindo-lhe a intenção de rejeitar o que não vinham meter -lhe na algibeira. pela inspiração. Anatole France comentado por Sándor Ferenczi . Dizemos que um homem é louco quando não pensa como nós. o autor em suas reflexões nesse terreno filosófico. o rótulo da demência”. mesmo. Sándor Ferenczi continua: "De momento. Questões . que quiseram explicar pela anatomia as neuroses e as psicoses mais indiscutivelmente funcionais e aplicar -lhes. a expressão "loucos de todo o gênero"? E mais. Contudo. retorquiu o outro.admira. entendeu que ele negava todo o merecimento ao ato. A loucura é apenas um uso bizarro e singular dessas faculdades”. hoje. A demência é uma perda das faculdades intelectuais. achou um meio de provar que não lhe cabia tal labéu: pegou de algumas dobras. à luz da evolução atual da ciência psicanalítica? Qual a atualidade da lição de Clóvis Bevilaqua sobre a incapacidade do pródigo. O texto acima acha-se no volume de suas obras escritas de 1908 a 1912. qual a concepção da prodigalidade. nós processos de interdição. que a análise só veio a descobrir mais tarde. Anatole France escreve o seguinte. o que significa. É certo que as Cortes têm sabido dosar com prudência a hermenêutica das expressões "loucos de todo o gênero" e "pródi go". Direito e Psicanálise se entrelaçam O trabalho da jurisprudência. mais: "Quem se pode vangloriar de não ser louco em nada? Acabo de procurar no Dicionário de Littré e Robin a definição de loucura e não a encontrei. Casos são conhecidos de internamentos indevidos de esposas pelos maridos. entretanto. Anatole France escreve. a Justiça fica na dependência de laudos de psiquiatras. e pais pelos filhos. Eis tudo. Num país carente e com um sistema de saúde precário. e pelo menos aquela que aí se lê é praticamente destituída de sentido. no fim de contas. Que dados obtidos por meio da clínica psicológica já foram reunidos e filtrados desde então? Em outras palavras. aqueles fundamentos da vida psíquica. Sócrates consultava seu demônio e Joana D’Arc ouvia vozes". senão uma espécie de originalidade mental? Digo a loucura e não a demência. Esperava um pouco isso. não é difícil imaginar o potencial de risco de internações e. Em trabalho intitulado Anatole France. Ainda temos muito a fazer por um longo tempo para reunir e filtrar os dados obtidos por meio da clínica psicológica” (11). em Le Temps. não acompanharemos. o Costa abriu mão de uma estrela. interdições indevidas. nós psicanalistas. Era também pundonoroso e inventivo. Costa era perspicaz. permanece indefinível. e mandou-as de empréstimo ao devedor" (10). tanto quanto possível. repudiada pela Comissão da Câmara? 5.

No Brasil. a imprensa divulgou recentemente dados de processo administrativo instaurado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro. isto é. o direito a livre manifestação do pensamento. As normas jurídicas. a noção de culpa sofreu certos abrandamentos. realizado no Canadá. Na verdade. Conceito de normalidade em Direito. recomendando que se tenha em vista a personalidade do indivíduo em questão. adotou-se o critério objetivo. Ao versarem sobre a responsabilidade civil. Como evitar. o ato ilícito aparecia somente como causa geradora das obrigações no livro respectivo. As legislações oscilam entre um critério e outro.alienados mentais. que culminou na aplicação de penas de cassação do exercício da Medicina a alguns psiquiatras acusados de conivência com torturadores no período da última ditadura militar (12). A Comissão revisora destacou-o. o tempo se incumbiu de demonstrar que ele estava certo. e que a Câmara não julgara necessário acrescentar ao dispositivo" (14). o Congresso Internacional da Associação Henri Capitant. e alterando. 153 da Lei 9 . concluiu o seguinte: "em nenhuma parte o legislador rompeu definitivamente com o conceito de culpa. sua visão não foi compreendida naquela época. sem atender a que lhe faltava para isso a necessária amplitude conceitual. tem em vista o homem médio. num lance de genial antevisão. Contudo. ao estabelecerem o padrão de diligência para os administradores de sociedades comerciais. estranha ao "Projeto primitivo. assim. portador de atenção e diligência ordinárias. a noção de culpa passou a se confundir com a própria noção do ilícito. Um. em circunstâncias como essas. destinam-se ao homem comum do povo. exigíveis da generalidade das pessoas. Clóvis Bevilaqua. à vida privada. que introduziu no conceito do ato ilícito a menção da culpa. Dificuldades provenientes da noção de culpa. suas condições personalíssimas (idade. generalizadamente. cultura. comentando o ar t. o direito à intimidade.). o sistema do Projeto. como na Itália. Em 1939. por ser ele brasileiro e cearense. subjetivo. consagrados na Constituição Federal: o direito à liberdade. na parte geral. sexo.° da Carta Magna. No Brasil. à imagem. Outro. ao homem médio. no entanto. Tanto o Código Civil como o Penal referem-se expressamente à noção de culpa. uma noção imprestável para fundamentá-la (13). naturalmente. Egberto Lacerda Teixeira e José Alexandre Tavares Guerreiro. Depararam com dois critérios para aferi-la. Alteração mais profunda proveio da emenda do Senado. rejeita como paradigma a abstração do homem médio. por exemplo. todos expressamente assegurados pelo ar t. Eis suas palavras textuais: "No Projeto primitivo. comum. viram-se diante de um dilema. objetivo. excluíra deliberadamente a noção de culpa da conceituação do ato ilícito. no mesmo ano de falecimento de Freud. O Código Civil baseia a responsabilidade civil na culpa. à honra. "normal" (ni ange ni bête). em face da perturbadora noção de culpa. o direito de ir e vir. da preocupação com os direitos fundamentais da pessoa humana. etc. O conceito de normalidade manifesta-se quase onipresente no ordenamento jurídico. uma ditadura dos psiquiatras? A resposta a essas questões não pode dissociar-se. os doutrinadores do Direito. Por não ser Clóvis um europeu. 5. confunde-se a culpa com o ato ilícito" (15). porém. normal.

caso a caso. o normal é normal não por sua conformidade lei de constituição íntima. insânia e só insânia [. adotada como dever ser (sollen). levam em consideração aquilo que razoavelmente se pode esperar de uma pessoa com os conhecimentos e a experiência do administrador em questão. Com a definição atual. deixando a cargo dos juízes o julgamento. "a loucura e a razão estão perfeitamente delimitadas".n. de acordo com este segundo critério. no diálogo com o vigário Lopes: . que é a de todos os tempos.. 6. Apesar de adotado o conceito quase onipresente de "normalidade". como. sr. escrevem o seguinte: "Outras legislações. A situação complica-se quando. senão por sua conformidade à lei de constituição íntima. Conceito de normalidade em Psicopatologia fenomenológica. o padrão de medida é o medíocre. Em Psicopatologia (disciplina que tem por objeto de conhecimento as anormalidades da vida mental). Sabe-se onde uma acaba e onde a outra começa. Contudo. Como se percebe.° 6. De 1916 (ano de promulgação do Código Civil Brasileiro) até os dias atuais. freqüentemente imaginado em conformidade com uma determinada concepção filosófica ou político-social. no depósito gratuito. isto é. que elege como termo de aferição de conduta uma pessoa ideal.“Supondo o espírito humano uma vasta concha. Existem também dois critérios de normalidade: 1. Anormal. o meu fim. demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. em Psicopatologia fenomenológica.]. o magistrado precisa decidir sobre o que seja normalidade psíquica. Não é o que ocorre no nosso direito.404. Alessandro Borgioli explica que a lei alude à diligência do mandatário. só na mente do personagem Simão Bacamarte. como a inglesa. segundo a idade. 1. Dissertando sobre o art. que é a razão. do bom pai de família. é todo fenômeno ou processo que se desvia ou diferencia do normal. acrescentou. Eis as suas palavras. Desenvolvimentos em Psiquiatria e Psicologia Evolução da Psiquiatria e da Psicologia. se adotado um enfoque fenomenológico. no sentido de essência (18). fora daí insânia. por exemplo. etc. 2. de 1976 (Lei das Sociedades por Ações). a raça. de adequação ou qualitativo: normal é o que se conforma com um tipo ideal de normalidade. Soares. todos sabemos o triste fim do alienista Simão Bacamarte.°) o teleológico. do conto de Machado de Assis. a Psiquiatria e a Psicologia 10 . por exemplo. num processo de interdição. sem atender necessariamente para as características do membro do Conselho ou Diretor" (16). por outros termos. o critério de anormalidade será meramente descritivo. o Direito não elabora nenhuma descrição analítica desse paradigma abstrato de homem "normal". Para que transpor a cerca?" (19). como. é ver se posso extrair a pérola.. ou maior. a loucura e a razão estão perfeitamente delimitadas. no exercício de atividade profissional)" (17).°) o estatístico ou quantitativo: é normal o que se manifesta com freqüência na população total. não a uma diligência especial (menor.. por exemplo. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades.710 do Código Civil italiano. acrescentando: "o legislador quis referir-se a um critério de diligência normal. o sexo.

Com base nessa ciência foram elaboradas teorias sobre a etiologia das neuroses e psicoses. No início do século. segundo a qual a neurose decorreria de fator constitucional associado a um trauma. A Psiquiatria estuda. Há uma ênfase acentuada na Semiologia (ramo da Medicina que estuda os sinais e os sintomas da doença). que perturba o desenvolvimento. da inteligência e da memória. descrevendo e analisando sintomas. a libido como que tropeça numa daquelas fases. anal primária. Segundo Ey. Evolução da libido. uma espécie de cicatriz.evoluíram sensivelmente. do sentimento. A libido evolui passando por etapas. ele formulou e abandonou a teoria do trauma. estaria ultrapassada a situação triangular edípica. Posteriormente. Bernard e Brisset. da atenção. Não caberia nos estreitos limites deste trabalho sequer efetuar uma síntese da Semiologia. um ponto de fixação. Num desenvolvimento saudável. e fálica (22). afirmou que '`as neuroses são. da consciência. 11 . melancolia. a libido transita evolutivamente pelas cinco fases acima. a Psiquiatria caracterizava -se pela abordagem basicamente fenomenológica. na neurose. funcionando como o gatilho que dispara o tiro. Freud deu início a uma compreensão epistemológica da Semiologia. Pontos de fixação da libido. O complexo de Édipo aparece como um marco referencial: o psicótico não consegue resolvê -lo. através de um fator desencadeante inespecífico. A obra de Freud surge como uma espécie de divisor de águas. anal secundária. E finalmente. oral secundária. Teoricamente. tendo evoluído gradualmente para um enfoque psicanalítico. Porém esta análise fenomenológica dos distúrbios deixa fatalmente de lado as alterações duradouras da personalidade. gerando uma marca. etc. Ao introduzir as etapas do desenvolvimento da libido e pesquisar como os sintomas aparecem na vida adulta. Mas. Visão fenomenológica. por assim dizer. Concentrando-se principalmente no estudo das neuroses. essa fixação da libido num daqueles pontos pode por em movimento um processo mórbido. entre outros. O neurótico o resolve mal. a saber: • • • • • oral primária. Eventualmente. a Semiologia opera um tipo de corte transversal através das experiências mórbidas (confusão. experiências delirantes e alucinatórias. os distúrbios da senso-percepção. O marco do complexo de Édipo. que esses distúrbios habituais podem mascarar ou deformar. Elaboram uma espécie de análise das funções da vida psíquica. formulou o último esquema da etiologia das neuroses com caráter dinâmico e evolutivo. o negativo das perversões” (21). sob o impacto das pesquisas psicanalíticas e psicofarmacológicas. por volta de 1920. O complexo de Édipo e o complexo de castração constituem o arcabouço fundamental do edifício da ciência psicanalítica (23). de qualquer forma. Os livros de Psiquiatria até hoje estudados ainda costumam adotar aquela estrutura fenomenológica.) (20). Visão psicanalítica.

a significação principal. a ciência atual nos fornece algumas noções básicas. de Liliane Zolty. em Psicanálise. a castração do outro.. Para se estabelecer a diferença básica entre a estrutura neurótica e a psicótica. Castração. todas elas referenciadas ao conceito de castração: a de recalcamento ou recalque (Verdrangung). Especialmente àqueles relacionados com a vida psíquica. pelas palavras que o enunciam e até pelo lugar que o referido conceito ocupa. As palavras abaixo. permanece nas fases oral e anal. Diferença entre a estrutura neurótica e a psicótica. poder-se-ia afirmar que o psicótico. essa é a razão de podermos afirmar que. a psicótica e a perversa. numa dada época. sumariamente. Não consegue sequer ingressar na fase física. a coerência de nossa teoria. inconscientemente vi vida pela criança por volta dos cinco anos de idade. a perspectiva que o situa e o artifício de sua exposição. a de recusa (Verleugnung) e a de forclusão ou foraclusão (Verwerfung). em constatar e perceber no corpo feminino a ausência do pênis que a mãe supostamente possuía (25). Ademais. como poderíamos temer. uma conceituação contextual. da mãe. A castração de que se trata é. o conceito de "castração" não corresponde à acepção habitual de mutilação dos órgãos sexuais masculinos. com as suas conseqüências simbólicas e imaginárias. talvez despiciendas para o leitor psicanalista. Como então encontrar para cada um desses conceitos sua significação mais exata? O desenvolvimento da Psicanálise. mas estende- 12 . em Psicanálise. Por isso. cada um deles. o conceito muda e se diversifica. na linguagem dos psicanalistas. Como então avaliar e escolher o sentido conceitual mais preciso? Alguns autores escolhem o sentido histórico. Com base nestas constatações. ele diz respeito não exclusivamente ao conceito de "pênis".. toda significação conceitual é definitivamente. A dor da experiência da castração consistiu. facilitarão um pouco a compreensão por parte do leitor jurista. Conforme as palavras que o exprimem. a teoria elaborou a moderna classificação das três grandes estruturas psicológicas: a neurótica. podem aplicar -se ao Direito e a vários de seus conceitos. mas exige que se encontre. situa-se a nível do inconsciente. como o contido na expressão "loucos de todo o gênero". do Código Civil Brasileiro: "Os conceitos psicanalíticos têm resistido às definições demasiadamente estreitas e têm sido carregados de significações múltiplas e até contraditórias. para a criança. um conceito psicanalítico recebe tantos sentidos quantas são suas pertenças a contextos diferentes. As observações seguintes. vejamos.Em outras palavras. desde logo. essa falta de uma significação unívoca atribuível a uma noção não prejudica. O sentido conceitual é sempre determinado pela articulação do conceito com o conjunto da trama teórica. e decisiva para a assunção de sua futura identidade sexual [. O complexo de castração. designativo do órgão anatômico masculino. mas designa uma experiência psíquica completa. pela experiência da prática. Contudo. Juan David Násio. Castração e mecanismos de defesa. a diversidade das correntes teóricas e a vulgarização do vocabulário psicanalítico tornaram impossível a determinação de um sentido unívoco para cada conceito. reconstruído segundo as grandes etapas da evolução de uma noção" (24). dentre as diversas significações contextuais.]. Como observa. Com aquelas palavras de Liliane Zolty em mente. a rigor. O rigor não nos exige a supressão de todo e qualquer conceito ambíguo. naquilo que ela representa de corte na relação simbiótica "mãe-fálica/filho-narcisista".

fica mais fácil estabelecer e manter a correlação entre: (a) recalcamento e neurose. de seu Vocabulário. enquanto a representação inconsciente recalcada permanece no inconsciente como formação real. o perverso incurável da recusa da castração (Verleugnung). em edições posteriores. vago ou qualificado) relativo ao trauma provocado pela representação não se liga a esta. que se encontra na origem mesma da constituição do inconsciente. os textos de Freud apresentam uma certa ambigüidade em sua tentativa de definir um mecanismo de defesa específico da psicose (29). Com a contribuição de Lacan. Pelo contrário. é um mecanismo muito mais drástico.'' ( 30). como veremos a seguir. que a forclusão (ou foraclusão) é o mecanismo de defesa característico do psicótico.] não deseja abandonar" (27).. deslocar -se (obsessões) ou transformar-se (neurose de angústia). que não conseguiu o desenvolvimento. Trata-se de um processo psíquico universal. o psicótico incurável da forclusão. não consignada nos dicionários mais abalizados da língua portuguesa editados no Brasil e em Portugal. O indivíduo registra. A recusa (Verleugnung) já seria um ponto de partida para a psicose (26). o recalcamento é o mecanismo básico. O afeto (estado afetivo. utilizado pelas pessoas ditas "normais" e pelos neuróticos. portanto. foi tomada de empréstimo por Lacan do vocabulário jurídico antigo. edição brasileira do Vocabulário da Psicanálise. aparece traduzida como "Forclusão". Segundo Laplanche e Pontalis. imagens. acima citado. "O fetiche é um substituto do pênis da mulher (da mãe) em que o menininho outrora acreditou e que [. Forclusão ou foraclusão (Verwerfung). aqueles três mecanismos principais já mencionados são utilizados. Segundo Freud. na 10ª. O recalcamento. pode converter -se (histeria). que coube a Lacan a introdução do termo "Forclusão" para denominar tal mecanismo. Enquanto defesa relacionada com a castração. traduzida como "Rejeição" ou "Repúdio". Os dois autores franceses informam. A palavra "forclusão". dela desligado. tem-se entendido. No estádio atual da evolução da ciência psicanalítica. o afeto inconsciente é uma espécie de rudimento.. (b) forclusão e psicose. a simbolização fetichista cria um certo parentesco entre a perversão e a psicose (28). no mesmo verbete.. Na verdade. O indivíduo registra e recalca a castração. recordações) ligadas a uma pulsão. Recalcamento (Verdrangung). Recusa (Verleugnung). penoso ou agradável. basicamente. A mesma palavra alemã Verwerfung. A forclusão.se ao de "falo". Parece-nos bastante esclarecedora a alusão do psicanalista baiano Sérgio Santana: "O neurótico incurável da castração. é a partir desse recalcamento que o ser humano passa a se constituir como sujeito. é a operação pela qual o indivíduo procura repelir ou manter no inconsciente certas representações (pensamentos. A pulsão (noção diferente da de instinto) exprime -se em dois registros: o da representação e o do afeto. mas recusa a castração. e (c) recusa e perversão. Como defesa do ego em face da ameaça de castração. 13 .. Tal recusa costuma manifestar-se através da simbolização fetichista. Assim.

Segundo Freud.de forclore).v. então. negada. 1968). A forclusão. No psicótico. um vazio. na esquizofrenia. A “Lei do Pai” ou “Lei da Cultura” introduz a criança no universo do simbólico. abstraída ou simplesmente "projetada" no mundo exterior. se chama uma dissociação (Spaltung).de uma castração no sentido restrito de ablação dos órgãos sexuais masculinos. 14 . na falta de simbolização da castração. Em suma. então. uma categoria não facilmente enquadrável naquela dicotomia já referida: neuróticos-psicóticos. A recusa seria. O fetiche apresentase como detalhe onde se fixa o último elemento "preservador" do que "não podia ser visto". mesmo no Direito francês atual não se utiliza mais a palavra "forclusion".. A recusa (Verleugnung) já seria um ponto de partida para a psicose (31). Société du Nouveau Littré. Representa uma castração e estabelece uma falta. Rejeita a realidade. Simplesmente não a reconhece.No Dictionnaire Alphabétique & Analogique de la Langue Française. são consignados os seguintes verbetes: Forclusion. Projeta-a de imediato para o exterior. como vimos. "O fetiche é um substituto do pênis da mulher (da mãe) em que o menininho outrora acreditou e que [. ou prescrição''. no Direito Brasileiro. contudo. Cria um centro delirante à parte. Não se trata aqui . Dr. representada pela introdução da “Lei do Pai” ou da “Lei da Cultura” naquela relação simbiótica entre mãe-fálica e filho-narcisista. n.repetimos . A forclusão do psicótico consistiria. a diferença entre recusa (Verleugnung) e forclusão (Verwerfung) mostra-se bastante sutil. fala-se em forclusão do nome do pai: o psicótico não teria a inscrição do significante paterno. nem recusa. é um mecanismo muito mais drástico. Forclore. Trata-se da castração simbólica. preclusão e perempção. a simbolização fetichista cria um certo parentesco entre a perversão e a psicose (32). (1.: priver du bénéfice d'un droit non exercé dans les délais fixés (privar do benefício de um direito não exercido nos prazos fixados). A idéia representada por esse vocábulo. (Droit): Décheance d'un droit non exercé dans les délais prescripts (perda de um direito não exercido nos prazos prescritos). Comparações entre os três mecanismos. arrancando-a do princípio do prazer para o princípio da realidade. Transcorre in albis o prazo para aquela inscrição. instalando o que. Enquanto o recalcamento incide na realidade interior. o psicótico simplesmente não inscreve a castração que. Não reconhece e recusa a castração. uma certa simbolização fetichista da castração. Na linguagem lacaniana. por isso mesmo. o mecanismo utilizado pelos "perversos". nem recalca. Separa-se incontinenti da percepção insuportável da castração simbólica. . O psicótico não recalca.1) exclure. decadência. traduz-se pelas noções de prescrição. que é o caráter fundamental daquela psicose.] não deseja abandonar" (33). Assim. Estende-se à própria realidade interna como um todo. Contudo. de Paul Robert (Paris. a recusa e a forclusão incidem na realidade externa.t.446. O delírio responde à forclusão do nome do pai. em torno do qual gira o desejo da criança. não a inscreve. a Lei do Pai `ou Lei da Cultura deixa de increver-se no momento adequado.. Nela ainda haveria. 2) Dr. Ocorre como que uma "decadência.f.

na paixão pelo jogo e seu corolário freqüente. no respeitante ao psiquismo e sua investigação. O estudo da estrutura perversa mostra-se particularmente difícil e complexo. etc.. não existe diferença fundamental entre a normalidade e a neurose. que as "neuroses não possuem conteúdo psíquico característico. o perverso como que inscreve. (. se a perversão erige-se em estrutura à parte. sem rebuços. sem consideração pelo que se pode chamar de sentimento da dignidade individual e de respeito a outrem. a prostituição. E. impossível pretender circunscrevê-lo nos estreitos limites deste trabalho sem correr o risco de cometer enormes impropriedades. pois. ou por carência destes elementos moderadores habituais. 15 . A gigantesca e inexcedível sobredeterminação do ser humano o faz. Discute-se muito. a pluralidade das dúvidas sói alimentar inconclusivas refregas contestatórias entre as alas confrontantes" (35). o incêndio voluntário. A complexidade. em teoria. amontoados aspectos do corpo ou da mente. Os neuróticos e a "normalidade". seria uma estrutura diferente.. Joël Dor.) De fato. O perverso. a doença dos neuróticos é provocada pelos mesmos complexos com que todos nos defrontamos. rico donatário de enorme plasticidade mental e lhe permite enfrentar com denodo os variegados planos em que é presente e atual. "Segundo a doutrina psicanalítica. produz reflexos imediatos nos laudos técnicos e nas decisões judiciais. Ele cai assim no uso abusivo dos tóxicos. Sabemos. mas de recusa. Em suma. o roubo e suas múltiplas variantes.Vê-se. Em conseqüência. surge o devaneio. a trapaça. graças a Freud. em excelente monografia sobre o assunto. O perverso encontra muito freqüentemente no bando de malfeitores a ajuda e a emulação que estendem seu campo de ação e exaltam sua nocividade. Estrutura perversa. precisamente por isto. na estrutura psicótica. O homem saudável só se identifica ou transfere com base em "explicações causais". Com um pé na neurose e outro na psicose. que.]. e como observa Malomar Lund Edelweiss. ou se seria simplesmente uma superestrutura. falta o significante paterno. O indivíduo adapta-se mais ou menos bem à vida social.. Seria. do ponto de vista fenomenológico: "O perverso regra sua conduta sobre a realização de seus desejos. pois. assim transcreve o "retrato falado" do perverso. de seus apetites. de certa forma. caracterizada não pelo mecanismo de recalcamento. que envolve o estudo da estrutura perversa. ainda quando. em separado [. o "senso moral" não existe certamente como tal. Para Lacan. ao lado da neurose e da psicose. ocorre uma divisão do aparelho psíquico. montado por Henry Ey. Na estrutura perversa. criase a fantasia. de acordo com a fórmula de Jung. prático. "normalidade não é mero e curioso registro de abstração estatística. naquela classificação neuróticos-psicóticos. a vagabundagem e a deserção. por comodidade intelectual. O reverso dessa moeda é que os confins entre o sadio e o patol6gico se traçam bem menos nítidos no campo da mente. específico e exclusivo". mas recusa a castração simbólica. de outras comuns menos valias de ordem somática. nota-se uma divisão do ego. Acrescente-se que a diferença situa-se essencialmente no plano quantitativo. como vi mos. não recalca. a pilhagem e a desnutrição. Na estrutura neurótica. circula.. se examinem os fatos reais sob um ou outro desses dois prismas. e surge o delírio. ele não desperdiça suas energias afetivas de modo tão inconsiderado quanto o neurótico (34). muitos aspectos problemáticos não se desnudam com o mesmo escancaramento.

a personalidade dos homens. mostra-se incapaz de enunciar o "normal" e a "normalidade". a "normalidade".). Em alguns casos. Como mostra Vanessa Campos Santoro. portanto. os perversos imputáveis costumam ser encontrados entre os autores dos chamados crimes de "colarinho branco" e do crime de rufianismo. Dessas três. individualmente considerados. invalida a compreensão clínica mais precisa.. existe toda uma gradação quantitativa. sancionada por normas e ideologias.está mais ou menos apto a reconhecer e a compreender as restrições que ela lhe impõe.e. jurídica . Todos os indivíduos ditos "normais" possuem um 16 . não é tarefa fácil conciliar as necessidades práticas do Direito com os dados do conhecimento psicanalítico. ciência social. que tanto obseda o Direito. senão quantitativa. realmente. simplesmente imprudente e impróprio generalizar. Contudo. em virtude dos conhecimentos acumulados pelas pesquisas psicanalíticas. a posição da Psicanálise é diferente das filosofias que procuram universalizar as questões éticas. mas ele próprio percebeu que não existe nenhuma diferença qualitativa. A criação de estabelecimentos especiais. O Direito. na seqüência de seu trabalho. dá m ais ou menos consentimento às suas restrições. comprometa a sue capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar -se de acordo com esse entendimento. afirmando que todo o perverso deve ser imputável criminalmente. que todo o perverso seria. poder-se-ia concluir. criminalmente imputável. de maneira apressada e impensada. a estrutura perversa pode gerar no indivíduo um distúrbio de tal ordem que.funda a ética sobre a idéia do bem. necessariamente. em sua preocupação com a moral. (. As pesquisas de Freud partiram do estudo de casos psicopatológicos. constituir uma ética a partir do real do sintoma" (37). poderíamos acrescentar. não consegue desvencilhar -se das idéias de "normal" e "normalidade". na Psicanálise a tentativa é de se extrair a ética da clínica. A Psicanálise. A rigor. Para a Psicanálise. com um regime médico-judiciário apropriado. percebe. deveria ser procurada entre os neuróticos. Uma visão psicanalítica e mais aprofundada não afasta a possibilidade da constatação de caos em que o perverso posse ser considerado inimputável criminalmente. neurótica ou perversa. Alguns meses de prisão não moralizam mais estes reincidentes do que alguns anos de hospitalização. enquanto a tradição filosófica . deveria permitir a seu respeito uma segregação salutar" (36). aquela visão fenomenológica. Este é o critério que lhe permite determinar a responsabilidade dos perversos quando contravêm às leis. a mais facilmente atingível pelo método terapêutico da Psicanálise é a neurótica. generalizando. como demonstra o próprio Joël Dor. por exemplo. A partir dessa perspective fenomenológica. No campo do Direito Penal.. Com o progressivo abandono da visão fenomenológica. o conceito de normalidade perde muito do seu significado na Psicologia e na Psiquiatria. 7 Algumas conclusões Como se. com a sue ética do sujeito. Entre estes. entre os ditos "normais" e "anormais". ou seja. Seria. do que é ideal e desejável. insere-se sempre numa das três estruturas: psicótica.

O jurista não sabe . Inspirado na "Lei Basaglia". Daí dizer-se que uma sociedade sempre costuma apresentar-se mais ou menos neurótica. para erigir-se em ciência com revolucionárias interferências em todos os campos do saber. na Política.certo grau de neurose mais ou menos acentuado. A Psicanálise.° 3. já ao final de sua vida. como. pelo setor 17 . apesar do defeito de fundação. às vezes insolúveis. A forclusão (Verwerfung).657. basicamente. naquela categoria. dedicou-se a esses novos desenvolvimentos e horizontes da Psicanálise. para uma definição precisa. pois. é considerado plenamente capaz. que dispõe sobre a extinção progressiva dos manicômios e sua substituição por outros recursos assistenciais e regulamenta a internação psiquiátrica compulsória. a construção de novos hospitais psiquiátricos e a contratação ou financiamento. ocupando importantes funções na sociedade. do ponto de vista jurídico. para o efeito de considerá-lo capaz ou incapaz. Certas manifestações de neurose-obsessiva podem confundir-se muito facilmente com estados psicóticos. ou não. um método terapêutico. a um edifício com grave problema de fundação. porque as noções jurídicas de capacidade e incapacidade referenciam-se à "normalidade". na Sociologia e no Direito. dispõe. de autoria do Deputado Paulo Delgado. o psicótico. por exemplo. entre outros. Seria muito fácil e simples se se pudesse generalizar. exclusivamente. na Economia. enquanto não se desestruturar. dizendo que o '' louco de todo o gênero" é o psicótico. Determinados prédios permanecem de pé e habitados. às vezes.657 Encontra-se em tramitação. Muito freqüentemente. a forclusão só é percebida. por exemplo. O próprio Freud. quando algo grave e inusitado acontece.o que é o "louco de todo o gênero". mecanismo típico e característico da estrutura psicótica. já aprovado pela Câmara dos Deputados. a dificuldade para o perito psiquiatra aumenta. no Congresso Nacional o Projeto de Lei n. 8. Projeto de lei nº 3. as estruturas perversas costumam apresentar os problemas mais difíceis. em obras como Totem e Tabu e Mal-Estar na Civilização. em vigor na Itália há alguns anos. este profissional sente justificável dificuldade. A estrutura psicótica corresponderia. Não. há muito deixou de ser. que partiu da clínica. Por isso mesmo. analogicamente. Mas não seria correto. corresponderia a uma fenda no alicerce do edifício. um conceito cambiante e fugidio em Psicanálise. do PT. o Projeto de Lei. Os comportamentos que costumam ger ar processos de interdição não costumam ser tão drásticos como um homicídio. o seguinte: (1) proíbe. Na apreciação da capacidade. em todo o território nacional. sem razão que as obras de Freud foram queimadas pelos nazistas e proibidas na Rússia comunista. um crime. Existem pessoas com estrutura psicótica perfeitamente capazes e. e a incapacidade manifestamente constatada e formalmente declarada. Enquanto a estrutura psicótica permanecer de pé. E quando pergunta ao psiquiatra se determinado indivíduo se enquadra.apenas advinha.

acima referida. centros de convivência. na calada obediência dos pacientes" e os direitos civis e o princípio da liberdade. democrática e objetiva de novas alternativas assistenciais no atendimento á loucura. racional. delicado e polêmico. de um Conselho Estadual de Reforma Psiquiátrica. a Ordem dos Advogados do Brasil e a comunidade científica. os usuários e familiares. silenciosas. a desospitalização é um processo irreversível. de planificação necessária para a instalação e funcionamento de recursos não manicomiais de atendimento. 18 . (4) a internação psiquiátrica compulsória . (3) constituição. se houver.aquela realizada sem o expresso "desejo" do paciente . consagrados na Carta da República. de novos hospitais psiquiátricos. trouxe a lume e enfatiza a oportunidade e o conteúdo humano do Projeto do Deputado Paulo Delgado. de novos leitos em hospital psiquiátrico. voluntariamente. bem como a contratação ou financiamento. que os mecanismos burocráticos e regulamentos não lograram obter. violentas. (d) no Brasil. A Justificativa do Projeto também procura estabelecer uma ilação entre o que chama de "internações anônimas. sombrio. além de cerca de 20.000 leitos estatais. considera-se responsável pela internação o médico que a determinou. (b) o hospital psiquiátrico contém um componente gerador de doença superior aos benefícios que possa trazer. centro de atenção. o autor do Projeto argumenta que: (a) o hospital psiquiátrico já demonstrou ser recurso inadequado para o atendimento de pacientes com distúrbios mentais. familiares e quem mais julgar conveniente e emitir parecer em 24 horas sobre a legalidade da internação. hospital-noite. e a construção gr adual. os trabalhadores de saúde mental. "preferentemente à Defensoria Pública". (f) o que se propõe é o fim do processo de expansão. hospital-dia. abrir a discussão sobre o grave problema dos internamentos psiquiátricos compulsórios no País. enquanto não ouvida a autoridade. Em sua Justificativa. a equipe técnica do serviço. A reportagem da Rede Globo de Televisão. no prazo de um ano.governamental. O tema é difícil. (e) o atual "Manual de Serviços" do antigo INPS não tem feito outra coisa senão disciplinar e coordenar a irrefreável e poderosa rede de mani cômios privados. (6) a Defensoria Pública "ou autoridade judiciária que a substitua" procederá a auditoria periódica dos estabelecimentos psiquiátricos. os efeitos danosos da política de privatização da saúde nos anos 60 e 70 incidiram violentamente sobre a saúde mental. criando um parque manicomial de quase 100. competindo à autoridade ouvir o paciente. médicos. Embora o Projeto peque por algumas impropriedades técnico-formais abaixo apontadas. com unidade psiquiátrica em hospital-geral. Tem merecido pouca atenção dos juristas. ele apresenta o mérito de. pensões e outros. bem como para a progressiva extinção dos leitos de característica manicomial. impedindo de fato a formulação para a rede pública de planos assistenciais mais modernos e eficientes. pelas Secretarias de Saúde. o Poder Público. (2) determina às administrações regionais de saúde o estabelecimento. (c) em todo o mundo.000 leitos remunerados pelo setor público. no qual estejam representados.deverá ser comunicada pelo médico que a procedeu à autoridade judiciária local. com o objetivo de identificar os casos de seqüestro ilegal e zelar pelos direitos do cidadão internado. por si só. pelo setor governamental.

3. Seção III). concentremo-nos agora naquelas impropriedades técnico-formais. Mas não é só. como apurar-se a validade do consentimento do paciente? Em face dessa questão. art. O segundo. LXXIV). e zelar pelos direitos do cidadão internado". a vontade ou consentimento exigidos para a validade dos atos jurídicos deve promanar de pessoa (sujeito de direitos) dotada de capacidade. referida no § 2. 3. Do ponto de vista psicanalítico. 3. investida do poder de julgar. do regime democrático e dos interesses sociais e 19 . Ao fazê-lo. e enaltecendo mais uma vez o seu mérito. em todos os graus dos necessitados" (CF.° do art. que assumiu especial perfil e relevo a partir da Constituição Federal de 1988. uma vez que "o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos" (CF. portanto. incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa. não nos anima a intenção de criticar. de qualquer internação psiquiátrica compulsória de pessoa não interditada judicialmente. O primeiro dispõe que "compete ao Defensor Público (ou outra autoridade judiciária designada) ouvir o paciente.° do art. médicos e equipe técnica do serviço. Assim.° refere-se a um conceito psicanalítico. com o objetivo de identificar os casos de seqüestro ilegal. para o psiquiatra. Do ponto de vista jurídico.°. art. só poderia dizer respeito a uma autoridade nãojudiciária. Título IV. a expressão correta seria "vontade" ou "consentimento" devidamente externado. Não o substitui e nem é substituída por ele. o de ser internado compulsoriamente. mas não integra o Poder Judiciário. que o Projeto estabelecesse a obrigatoriedade de notificação.° do art. Profere decisões. A autoridade judiciária acha-se investida do poder de julgar. e considerando que os "loucos de todo o gênero" são absolutamente incapazes. A ele a Carta Magna atribuiu a defesa da ordem jurídica. que "a Defensoria Pública (ou a autoridade judiciária que a substitua) procederá a auditoria periódica dos estabelecimentos psiquiátricos. nem sempre em harmonia com a lógica racional do consciente. A autoridade judiciária. o desejo inconsciente do paciente possa ser. familiares e quem mais julgar conveniente. Cap. A palavra "parecer". é "instituição essencial à função jurisdicional do Estado. Ao definir a internação psiquiátrica compulsória como "aquela realizada sem o expresso desejo do paciente em qualquer tipo de serviço de saúde". quer-nos parecer que a fiscalização dos estabelecimentos psiquiátricos já foi atribuída. e para conciliar cuidados médicos com aspectos jurídico-formais. Numa eventual crise psicótica.° e 3. em algumas circunstâncias. precisamente. o melhor seria. 5. Não se pode negar. talvez. A Defensoria Pública exerce uma função essencial à Justiça (CF. e não "desejo". o desejo deve ser aferido ou inferido do discurso do inconsciente.°. 134). que. ao Ministério Público. no nosso sistema jurídico. não emite pareceres. A Defensoria Pública. nem o Defensor Público é autoridade judiciária e nem a autoridade judiciária substi tui a Defensoria Pública. Se a eventual defesa de um paciente indevidamente internado de forma compulsória poderia caber a um Defensor Público especialmente designado. os brados de protesto contra um internamento compulsório muitas vezes são gritos de socorro contra pulsões auto ou heterodestrutivas do inconsciente. e emitir parecer em 24 horas". Ora. Outra impropriedade técnico-formal do Projeto encontra-se nos §§ 2. Por outro lado.°. pela Constituição Federal. e não jurídico. IV. senão a de contribuir para o aprimoramento de uma Lei de nítido conteúdo humanitário. acima referidas. à autoridade estatal competente.Deixando de lado o momentoso problema político-filosófico que o Projeto sugere. o § 1.

Contudo. embora harmônicas com o art. como este.° do art. partir para a defesa do paciente.° do art. Deveria ser substituída por "fiscalização". Resta consignar que o Projeto de Lei n. empreendida por um pesquisador. a possibilidade de o membro do Ministério Público. Especial dificuldade surge com relação ao parecer. em artigo intitulado "SOS Doente Mental". E conclui: "para agravar mais a situação. de parecer dirigido à autoridade judiciária. obviamente. essa auditoria será efetuada por auditores.° do Código Civil Brasileiro. referido no § 2. capaz de julgar eventual habeas corpus impetrado a favor do paciente internado compulsoriamente. o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção de interesses difusos e coletivos (CF. para instruir eventual inquérito por ele promovido. desde o início até o balanço'' (38). apresentou um projeto de lei. do PT de Minas.657 acha-se longe de encontrar consenso entre os próprios psiquiatras. a autoridade estatal a quem se atribui a tarefa de produzir tal parecer certamente encontrará dificuldades quase intransponíveis. concluir. que o processo se tornará praticamente impossível'' (39). Como já observara Rubem Alves. por ser um conceito contábil.°. referida no § 3. elaborado a quatro mãos.°. 9. que o paciente foi indevidamente internado? Quando muito. contrariamente a estas. a autoridade estatal. 3. É função indisponível do Ministério Público zelar pelo efetivo respeito dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição. na Calábria. o dispositivo do Projeto não terá pretendido atribuir a um profissional do Direito uma auditoria contábil. sem se louvar em autoridades médicas. com base em laudo por estes apresentado. 3. bem como promover a ação penal pública. de 20 . Como poderia um profissional do Direito. após efetuar um resumo do movimento intitulado antipsiquiatria. poderá convocar uma junta psiquiátrica. A expressão "auditoria". Trata-se. Todavia. insinua (quase afirma) que a pregação do italiano Franco Basaglia somente encontrou eco em Belo Horizonte e em sua aldeia. esta sim. depois de investigar pessoalmente o caso e se suspeitar da ilegalidade da internação.° 3. tem. Evidentemente. Por fim. necessariamente. como vimos no decorrer deste trabalho. promovendo as medidas necessárias à sua garantia. já aprovado pela Câmara Federal.individuais indisponíveis (CF. O que se acaba de afirmar não exclui. composta por profissionais da área pública oficial e. embora não integre o texto do Projeto. "qualquer análise interdisciplinar. sua Justificativa ainda se refere ao "atendimento à loucura" e a "loucos". obviamente. determinar uma auditoria contábil no estabelecimento psiquiátrico. Auditoria ou auditagem é o "exame analítico e pericial que segue o desenvolvimento das operações contábeis. não nos parece feliz. 127). 5. que cerca a hospitalização do doente mental a tantas exigências burocráticas e administrativas. 129). expressões totalmente infelizes e desatualizadas. art. Paulo Saraiva. certamente apresenta uma série de dificuldades insuspeitadas e requer do leitor um redobrado espírito crítico. art. o Deputado Paulo Delgado. no exercício de sua função constitucional. Observação final Trabalho interdisciplinar.

ser frouxa do ponto de vista metodológico" (40). Certamente. 21 . Entretanto. propiciando outros insights enriquecedores. terá que ser frouxa do ponto de vista metodológico. se empreendida por dois pesquisadores. o nosso objetivo ao escrevê -lo terá sido atingido se ele suscitar críticas e levantar novas dúvidas.

a parte que toma a seu cargo as grandes unidades significantes do discurso. constituído por uma corrente. Montaigne. é a semiologia que é uma parte da lingüística. Roland Barthes escreve o seguinte: “. atrás do significante. e só pode ser atingido através deste. à volta do conceito de significação. 1960. Vemos isso em“ Uma dificuldade da psicanálise”: o narcisismo da hum anidade que cria as resistências às três grandes descobertas: a de Copérnico. art.. Rio. a última é a mais cruel. 10ª ed. E distinguem. a de Darwin e a do inconsciente. Clóvis. ser concebida como um processo: é o ato que une o significante ao significado. publicado pela 1ª vez em 1916. G.. (O primado da consciência exprime o dogma narcísico da filosofia tal como a concebe Freud. Freud. 2º. Rio. Alguns autores mais modernos. 1. surgiria assim a unidade das investigações que se fazem atualmente em antropologia. da ciência geral dos signos. mais precisamente. pois obriga o Ego humano a renunciar o seu próprio domínio. Para a Semiologia. 5º. os autores mais modernos utilizam-se de dados derivados da lingüística estrutural. Vida e Obra de Sigmund Freud. Zahar. Tratado de Direito Comercial. vol. principalmente. pois. e PONTALIS. (9) Lacan valeu-se. cujo produto é o signo. 1. o significado está. nºs 22 e 23. Na língua. Código Civil Comentado. p. Paul Laurent. de que a lingüística seria apenas uma parte. B. como seus componentes. (3) GRANGER. J.) (8) LAPLANCHE J. de certa maneira. Francisco Alves. 1961. verbete Tópica. Clóvis. (7) ASSOUN. 1959. 1988. (6) JONES. Martins Fontes. p. mesmo privilegiada. 1991. das idéias de Saussure que.. em psicanálise e em estilística. postulava a existência de uma ciência geral dos signos. ou Semiologia. questionam a postulação de Saussure." Ao estudarem a estrutura do signo. Código Civil Comentado. 6º.. Francisco Alves. no seu Curso de Lingüística Geral. a Filosofia e os Filósofos. Francisco Alves. 1978. significado é. brasileira. em sociologia. Curso de Direito Comercial Terrestre. é necessário admitir a partir de agora a possibilidade de inverter um dia a proposição de Saussure: a lingüística não é uma parte. Vocabulário da Psicanálise.G. o significado e o significante. 1959. O significante é um mediador. Rio. A significação pode. 12ª ed. Ernest. (4) CARVALHO DE MENDONÇA. João Eunápio. assim representado: Se So Lacan retoma o grafismo especializado de Saussure. Pensée Formelle et Sciences de L`Homme. Dessas três feridas narcísicas. Rio. modificando-o em dois pontos: (1º) O significante (S) é global. a representação psíquica da coisa. 101. Éd. art. (5) BORGES. com níveis múltiplos (corrente metafórica): significante e significado só "coincidem" em certos pontos de 22 . entretanto. p. 23. (2) BEVILAQUA. vol. 12ª ed. 157.. vol.. Rio. o conceito.NOTAS E BIBLIOGRAFIA (1) BEVILAQUA. Lisboa. Forense.

que era muito solícito para com ela.." A análise revelou o seguinte. O nome do primo era Richard. Edições 70. O Alienista e outros contatos. então. Osmar Brina. Obras Completas. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. art. vol. (13) CORRÊA-LIMA. Um de seus impulsos de obsessão suicida manifestou-se sob a forma de mania de emagrecer: "começou a levantar-se da mesa antes de servirem a sobremesa e a pressar-se pela rua. Moderna. Rio. Rio. passim). Rio. São Paulo. 1989. 1979. 1991. a seguinte representação gráfica. Fragmento tirado do estudo do caso do “Homem dos Ratos” (1909) ilustrará e tornará mais compreensível essas idéias para o leitor jurista. Aide. Imago. vol. edições de 17 de julho. 13. forçado e vencido pela transpiração. 312. cap. a seguir também subiu com pressa uma montanha. significa “gordo”. de mente clara e sagaz. (15) CORRÊA-LIMA. sem o chapéu. Francisco Alves. São Paulo. Dott. Clóvis. I Diretori Generali di Società per Azioni. 12 de agosto e 9 de setembro de 1992. a palavra " dick" aparece como o significante. 1989. 471. seria: primo. In Responsabilidade Civil dos Administradores de Sociedade Anônima. jovem e inteligente advogado. Giuffrè Editore. passim). (16) TEIXEIRA. 11. diferente da de Saussure: S s (BARTHES. O paciente. rival (FREUD.. João Bushatsky. p. Dick. barrado pelo recalcamento. O Homem dos Ratos. e o apelido. Roland. Das Sociedades Anônimas no Direito Brasileiro. rival. Ed. O significado. p. 1989. Aide. (12) In Jornal do Brasil. Elementos de Semiologia. 12ª ed. Martins Fontes.ancoragem. José Alexandre Tavares. Alessandro. 159. I. 1975. (11) FERENCZI. art. Osmar Brina. cap. Sándor. 107.: S : dick (gordo) s : primo. Código Civil Comentado. Sua namorada estava veraneando na companhia de um primo inglês. Nesse contexto. Rio. Rio. e de quem o paciente estava muito enciumado. 1991. até parar. vol. com sua mania de emagrecer. vol. (17) BORGIOLI. Clóvis. II. p. 1. A. 23 . (10) MACHADO DE ASSIS. Responsabilidade Civil dos Administradores de Sociedade Anônima. em alemão.. Lacan propõe. X. Sigmund. Dick. "Imprestabilidade do conceito de culpa como fundamento da responsabilidade civil". sob o calor ofuscante do sol de agosto. (14) BEVILAQUA. Egberto Lacerda e GUERREIRO. procurou Freud para tratar-se de uma neurose obsessiva. queria “matar” o dick. IX. p. São Paulo. Milano. O "homem dos ratos". e o significado (s) tem um valor próprio (que não tinha evidentemente em Saussure): representa o recalcamento do significado. 1959. (2º) a barra de separação entre o significante (S) .

a criança descobre a falta do pênis nas meninas e nas mulheres. Martins Fontes. vol. p. Na segunda etapa da fase fálica. p. 16/19. 314. Essa falta será lida não como significando a diferença sexual e. pp. vol. vivido como falo" (Édipo C Paixão. verbete "Rejeição ou Repúdio". No caso do menino. In: “Circulação Psicanalítica”. XXI. mas constata". (20) EY. (Édipo e Paixão. (21) FREUD. in Tempo Psicanalítico. LAPLANCHE J. Curso de Psiquiatria. (19) MACHADO DE ASSIS.. e Paixão. e PONTALIS. Fetichismo. p. Rio. p. verbete "Recusa". Ed. Masson... J. (22) Hélio PELEGRINO percebe duas etapas na fase fálica: "A fase fálica do desenvolvimento sexual infantil implica duas etapas. XIX. Standard Brasileira. (26) FREUD Sigmund. Xl (I). que ele pode ser perdido. Ed.49. São Paulo. Lisboa. perplexa. Na primeira. e Brisset. através de um objeto. 314/316. Standard. Sigmund. e a prova disto é que lhes falta o pênis. Vol VIII. Ed. (28) LAPLANCHE e PONTALIS. Ed.. o masculino. Há criaturas que foram despojadas de que falo.1992. 9/10. pp.. Zahar. Todos os seres humanos são dotados de pênis. São Paulo Ed. a falta de pênis simplesmente não é assinalada. Vocabulário da Psicanálise. Vocabulário da Psicanálise. 1988.Imago. Lisboa. Os Sete Conceitos Cruciais da Psicanálise. Madrid. Sérgio. 316. C. Martins Fontes. 10ª ed. 155. Imago. Édipo.. como objeto imaginári o. Imago. Algumas conseqüências psíquicas da distinção entre os sexos (1925). 10ª ed. Honório. Moderna.] a criança permanecendo fiel à sua teoria de que todos os seres humanos têm o falo. Rio. o falo corresponde ao pênis. B. 29. 24 . que é o falo [. Ensaios sobre a Sexualidade. (23) PELEGRINO. (30) SANTANA. Zahar. (1988). brasileira. Bernard. 2 -9 (1988). In Tempo Psicanalítico. 180. Coletânea de Trabalhos organizada por Denise Maurano. e PONTALIS. 1988. (27) FREUD. Manual de Psiquiatria. 1991. Científico-Médica. (31) FREUD. Henry. (25) NASIO. brasileira. Algumas conseqüências psíquicas da distinção entre os sexos (1925). J. p. LAPLANCHE J. 14 e 150. p.. Rio. O Alienista e outros contatos. Standard Brasileira. Ed. (1927) Ed. Juan David. No caso da menina. anatomicamente presente. (24) ZOLTY. P. Rio. p. como tal. que aqui surge como falo. Sigmund. Rio. B.]. Introdução ao livro Lições sobre os Sete Conceitos Cruciais da Psicanálise. e não como uma realidade. (29) LAPLANCHE e PONTALIS. Standard Brasileira.. Sigmund Três. 87. Há uma negação dessa falta. 1978. XI (I). a criança elabora uma teoria sexual pela qual só existe um sexo. Imago vol. 10/11. Liliane. 1991. 5ª ed. constituindo a oposição significativa masculino-feminino [. Não há sintoma fundamental.(18) DELGADO.. marcadas pelas teorias sexuais infantil construídas em cada uma delas. Rio. 1991. p. XIX.

junho e julho de 1992. apud JOËL DOR. 0. IX. meu mal. e PONTALIS.17ª impressão. 1991. Imago. p.. Lisboa. Estrutura e Perversões. Vocabulário da Psicanálise. p./1990. 180. XXI. (39) SARAIVA. 54. cap. vol. 2ª ed. In: CREMEMG. Prazer. Rubem. 2 e 4. Rio. (36) EY. verbete “Recusa”. Artes Médicas. São Paulo. vol. Rio. 29:53-58. In: Reverso. Malomar Lund. Obras Completas. verbete ''auditoria''. Paulo. Nova Fronteira. set.. 69-70. p. (33) FREUD. Martins Fontes. J. Sándor.1984. (34) FERENCZI. Inédito. Cortez Ed. (38) Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 10ª ed.São Paulo. LAPLANCHE J.67. 1988.p. p. 1991. 87. Porto Alegre. Fetichismo (1927). B. I. de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.. (35) EDELWEISS. (40) ALVES. 25 .Órgão Informativo do Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais. Henry. Vanessa Campos. Meu bem. (37) SANTORO.(32) LAPLANCHE e PONTALIS. Sigmund. brasileira. Conversas com quem gosta de ensinar. Edição Standard Brasileira. Martins Fontes.