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Atualização do

Curso Prático de Direito Previdenciário -


7ª Edição

1. Objetivo
O objetivo deste material é manter os leitores da 7ª edição
do Curso Prático de Direito Previdenciário atualizados em re-
lação àsprincipais alterações legislativas ocorridas após a sua
publicação.
Assim, disponibilizamos aos leitores os tópicos atualiza-
dos do livro que sofreram alteração.

2. Alteração de Valores de Referência


Em diversos trechos da obra utilizamos valores numéricos
que, em regra, são atualizados anualmente. Trazemos aqui a
comparação dos valores de referência utilizados na 7ª edição
desta obra com os já atualizados na 8ª edição, pela Portaria
Interministerial MPS/MF 568, de 31 de dezembro de 2010.

3. Salário Mínimo e Teto


Na 7ª edição, o valor do salário mínimo era de R$ 510,00,
que foi alterado a partir de 01/01/2011 para R$ 540,00. Já o
teto do salário-de-contribuição passou de R$ 3.416,54 para R$
3.689,66.

4. Tabela do Salário-de-Contribuição (Item 8.2)


Tabela de contribuição dos segurados empregados, em-
pregados domésticos e trabalhadores avulsos a partir de
01/01/2011:

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Ivan Kertzman

SALÁRIO-DE- ALÍQUOTA PARA FINS DE RE-


-CONTRIBUIÇÃO (R$) COLHIMENTO AO INSS (%)

até 1.106,90 8,00

de 1.106,91até 1.844,83 9,00

de 1.844,84 até 3.689,66 11,00

Tabela de contribuição utilizada na 7ª edição:


SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$) ALÍQUOTA PARA FINS DE RE-
COLHIMENTO AO INSS (%)
Até 1.024,97 8,00
de 1.024,98 até 1.708,27 9,00
de 1.708,28 até 3.416,54 11,00

5. Salário-Família (Item 20.2.1)


Valores das cotas de salário família vigente a partir de
01/01/2011 (Portaria Interministerial MPS/MF 568/2010).
I – R$ 29,41, para o segurado com remuneração mensal não su-
perior a R$ 573,58;
II – R$ 20,73, para o segurado com remuneração mensal supe-
rior a R$ 573,58 e igual ou inferior a R$ 862,11.
Valores utilizados na 7ª edição:
I – R$ 27,24, para o segurado com remuneração mensal não su-
perior a R$ 531,12;
II – R$ 19,19, para o segurado com remuneração mensal supe-
rior a R$ 531,12 e igual ou inferior a R$ 798,30

6. Auxílio-Reclusão (Item 20.4.2)


Renda máxima do segurado para ensejar a concessão do
auxílio-reclusão aos seus dependentes a partir de 01/01/2009:
R$ 862,11
Valor utilizado na 7ª edição:
R$ 798,30

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7. Autos de Infração (Item 15.2)


O valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do
Regulamento da Previdência Social - RPS, para a qual não haja
penalidade expressamente cominada (caput do art. 283), a
partir de 01/01/2011, varia, conforme a gravidade da infra-
ção, de R$ 1.523,57a R$ 152.355,73.
Os valores utilizados na 7ª edição foram de R$ 1.410,79 a
R$ 141.077,93.
Já o valor da multa indicado no inciso II do art. 283 do RPS
passou para de R$ 15.235,55. O valor utilizado na 7ª edição foi
de R$ 14.107,77.

8. Certidão Negativa de Débito (Item 13.2.1)


A partir de 01/01/2011 é exigida Certidão Negativa de
Débito - CND da empresa na alienação ou oneração, a qualquer
título, de bem móvel incorporado ao seu ativo permanente de
valor superior a R$ 38.088,56.
O valor utilizado na 7ª edição foi de R$ 35.269,13.

9. Atenuação da Pena na Sonegação Fiscal Previdenciária (Item


18.4)
De acordo com o art. 337-A do Código Penal, no crime de
sonegação fiscal previdenciária, se o empregador não é pes-
soa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa
R$3.257,37, o juiz pode reduzir a pena de um terço até metade
ou aplicar apenas multa.
O valor utilizado na 7ª edição foi de R$ 3.016,25.

10. Segurado Recolhido à Prisão (Item 5.3) – Alterações do Decreto


7.054, de 28/12/2009
Na 7ª edição, classificamos o segurado recolhido à prisão,
que exerce atividade remunerada como contribuinte indivi-
dual. O Decreto 7.054, de 28/12/09 alterou esta classificação

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previdenciária. Assim, antes da edição do citado Diploma, o


preso que prestasse serviço remunerado era enquadrado
como contribuinte individual e, atualmente, ele é enquadra-
do como segurado facultativo.

11. Alterações do Conceito de Atividade Preponderante para fins


de Enquadramento do SAT/GILRAT (Item 9.3.1.2)
Até pouco tempo atrás, a Receita Federal do Brasil enten-
dia que atividade preponderante para fins de enquadramen-
to da alíquota do SAT era a que contava com o maior número
de empregados e trabalhadores avulsos, levando-se em conta
todos os estabelecimentos da empresa (art. 202, §3º, Decreto
3.048/99).
A Instrução Normativa da RFB 1.071, de 15/09/2010,
no entanto, alterou o critério para aferição da atividade pre-
ponderante da empresa. Desta forma, atualmente, a Receita
Federal entende que o enquadramento da alíquota de SAT
deve seguir as seguintes regras (art. 72, § 1°, da IN 971, com
redação dada pela IN 1.071/2010):
I - cabe à pessoa jurídica classificar a atividade por ela desen-
volvida e atribuir-lhe o grau de risco correspondente, sem pre-
juízo da atuação, de ofício, da autoridade administrativa;
II - na hipótese de a pessoa jurídica desenvolver mais de uma
atividade, prevalecerá, para fins de classificação, a atividade
preponderante, assim considerada a que representa o objeto
social da empresa, ou a unidade de produto, para a qual con-
vergem as demais em regime de conexão funcional (CLT, art.
581, § 2º);
Note-se que o texto dispõe que deve ser usado o mes-
mo critério considerado na CLT para o enquadramento da
empresa para fins de pagamento da contribuição sindical,
conforme segue: “Entende-se por atividade preponderante a
que caracterizar a unidade de produto, operação ou objetivo
final, para cuja obtenção todas as demais atividades convir-
jam, exclusivamente em regime de conexão funcional”.

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III - se nenhuma das atividades desenvolvidas pela pessoa jurí-


dica se caracterizar como preponderante, classificar-se-á cada
uma delas de acordo com o código CNAE – Código Nacional de
Atividades Empresariais;

Assim, a própria Instrução Normativa abre a possibilidade


de a empresa possuir mais de um enquadramento. Pode ela,
se verificar que não tem uma atividade preponderante, enqua-
drar cada uma de suas atividades em diferentes CNAE, geran-
do, como conseqüência o pagamento de diferentes alíquotas
de SAT. Observe-se que na sistemática anterior, em que se
considerava como atividade preponderante a que a empresa
alocava o maior número de segurados, esta possibilidade era
inexistente, devendo a empresa possuir apenas um SAT para
todas as suas atividades.
IV - o grau de risco apurado na forma dos incisos I a III será apli-
cado a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, exceto à
obra de construção civil, para a qual será considerado o grau de
risco da atividade;

Este inciso trás uma novidade ao exigir que o SAT de uma


obra de construção civil executada pela empresa seja dife-
rente do utilizado conforme a atividade preponderante. As-
sim, se um escritório de contabilidade, que possui a alíquota
de SAT de 1% resolve construir uma nova sede, em relação
aos empregados alocados nesta obra, o SAT utilizado deve
ser de 3%.
V - a atividade desenvolvida pela empresa de trabalho tempo-
rário é classificada como locação de mão de obra temporária
(CNAE 7820-5/00);

Aqui, a Instrução Normativa deixou claro que o enquadra-


mento de uma empresa de trabalho temporário independe da
atividade do tomador de serviço, devendo sempre ser utiliza-
do o mesmo CNAE.
VI - na hipótese de reclassificação de que resulte maior grau de
risco, a autoridade administrativa constituirá o crédito tributá-
rio correspondente;

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Esta situação ocorre nos casos em que a fiscalização não


concorde com o enquadramento realizando pela empresa, ge-
rando diferença de alíquota de SAT.
VII - em caso de discordância, o sujeito passivo poderá, em 30
dias, impugnar o ato de reclassificação da atividade ou o lança-
mento dele decorrente, observado, quanto a este, o rito estabele-
cido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.

12. Alteração do Tópico sobre Retenção dos 11% Sobre Empresas


do Simples (Item 11.5, alterado na 8ª edição)
Considerar a seguinte redação para o tópico 11.5 do livro:
Há uma forte polêmica no âmbito da Previdência Social
sobre se as empresas que optam pelo SIMPLES devem sofrer
a retenção dos 11% sobre a nota fiscal de prestação de servi-
ços.
A legislação previdenciária, inicialmente, obrigava a re-
tenção. A partir de 01/01/2000, até 31/08/2002, as empre-
sas optantes ficaram dispensadas da retenção por força da IN
08/2000. Em 01/09/2002, a exigência de se efetuar retenção
voltou a vigorar para empresas optantes pelo SIMPLES. Esta
obrigação foi confirmada pela IN 100/2003 e pela redação ori-
ginal da IN SRP 3/05.
Ocorre que, a Instrução Normativa 938, de 15 de maio de
2009 alterou a IN 3, trazendo como regra geral, a dispensa da
retenção para empresas optantes pelo Simples Nacional. O
texto trazido pela IN 938 foi mantido no art. 191, da IN 971, de
13/11/09, até então vigente.
Desta forma, as Microempresas e Empresas de Pequeno
Porte optantes pelo Simples Nacional, que prestarem serviços
mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, não estão su-
jeitas à retenção referida no art. 31, da Lei 8.212/91, sobre o
valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação
de serviços emitidos, excetuando-se as empresas tributadas
na forma do Anexo IV da LC 123/06.

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As empresas tributadas conforme o citado Anexo IV são as


que, apesar de poderem optar pelo regime simplificado de tri-
butação, não substituem a parte patronal previdenciária, en-
globando, apenas, as atividades de construção civil, vigilância,
limpeza e conservação (vide tópico 9.5).
É necessário, ainda, salientar que as empresas optantes
pelo SIMPLES, que prestem serviços de cessão ou locação de
mão-de-obra, apesar de não estarem sujeitas à retenção, de-
vem ser imediatamente excluídas. Isso porque, tais atividades
são vedadas para empresas optantes pela forma simplificada
de tributação (art. 17, XII, LC 123/06).
Sintetizando o ensinamento:
As empresas optantes pelo SIMPLES, que prestarem ser-
viços de cessão de mão-de-obra ou empreitada, não devem so-
frer a retenção de 11%, exceto para as atividades de vigilância,
limpeza e construção civil, que, por estarem listadas no anexo
IV, estão sujeitas à retenção;
As empresas optantes pelo SIMPLES, que exercem ativi-
dades de cessão de mão-de-obra, devem ser excluídas do SIM-
PLES, exceto para as atividades de vigilância, limpeza e cons-
trução civil, que podem ser optantes na forma do Anexo IV;
As empresas de construção civil, limpeza e vigilância po-
dem optar pelo SIMPLES, devendo, todavia, pagar a parte pa-
tronal previdenciária.
À primeira vista, não parece lógica a sistemática adotada
anteriormente, que impunha a obrigatoriedade de retenções
para empresas optantes pelo Simples Nacional, pois, como
estudamos no tópico 9.5, a opção pela forma simplificada de
tributação exclui qualquer pagamento diretamente à Previ-
dência, exceto em relação aos valores retidos dos segurados.
Como não há quantias expressivas a pagar à Previdência,
a princípio parece-nos ilógico haver uma antecipação de tribu-
tos, que, possivelmente, não poderá ser compensada com os

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valores a pagar, pois estes são, quase sempre, bastante inferio-


res aos valores retidos.
Este ponto de vista, todavia, pode ser contra-argumen-
tado, se lembrarmos do fato de que as empresas optantes
são legalmente impedidas de prestar serviços de cessão de
mão-de-obra (vide tópico 9.5). As únicas possibilidades que
vislumbrando ser regular o cabimento de retenção para em-
presas optantes pelo SIMPLES ocorrem nas atividades de ma-
nutenção, de transporte de passageiros e de digitação por em-
preitada. As demais atividades que ensejam retenção dos 11%
estão vedadas às empresas tributadas de forma simplificada,
exceto, como já vimos, o caso das atividades tributadas na for-
ma do Anexo IV.
Caso a empresa optante pelo Simples preste serviço de lo-
cação de mão-de-obra estará descumprindo a legislação, exce-
to nos três casos citados. A forma que se utilizava para detectar
tal fato era a imposição da retenção, pois, assim, as empresas
acabavam solicitando a restituição dos valores pagos a maior
diretamente na Receita Federal do Brasil.
Como a jurisprudência pacificou entendimento, inclusive
já exarado na Súmula 425, do STJ, de que a retenção da contri-
buição para a seguridade social pelo tomador do serviço não
se aplica às empresas optantes pelo Simples, a o opção do le-
gislador foi a de dispensar a retenção e verificar, mediante ou-
tros meios, a prestação irregular de serviços pelas empresas
optantes.

13. Alteração na Penalidade no Caso de não Entrega dos Arquivos


Digitais (Item 15.2.6.1)
Considerar a seguinte redação para o tópico 15.2.6.1 do
livro:
Devido à grande importância da entrega dos arquivos
digitais para as atividades de fiscalização, o legislador re-
solveu impor severas multas para os contribuintes que não

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entregarem os arquivos no prazo exigido, conforme segue (art.


12, Lei 8.218/91):
I - multa de 0,5% do valor da receita bruta da pessoa jurídica
no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser
apresentados os registros e respectivos arquivos;
II - multa de 5% sobre o valor da operação correspondente, aos
que omitirem ou prestarem incorretamente as informações so-
licitadas, limitada a 1% por cento da receita bruta da pessoa ju-
rídica no período;
III - multa equivalente a 0,02% por dia de atraso, calculada so-
bre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo
de 1% dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para
apresentação dos arquivos e sistemas.
Para fins de aplicação das multas, o período de apuração
da receita bruta, utilizada como base de cálculo, compreende o
ano-calendário em que as operações foram realizadas.

14. Encaminhamento das Representações Fiscais para Fins Penais


(Item 18.2)
De acordo com o art. 83 da Lei 9.430/96, com redação
dada pela MP 497/2010, a Representação Fiscal para fins pe-
nais relativa aos crimes contra a ordem tributária e aos crimes
contra a Previdência Social, somente poderá ser encaminhada
ao Ministério Público depois de proferida a decisão final na
esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tribu-
tário correspondente. Assim, a Representação elaborada pelo
Auditor-Fiscal deve ficar sobrestada até o trânsito em julgado
do processo administrativo.