You are on page 1of 66

Manual Básico

de Planeamento Familiar Natural


Últimos avanços no campo
da regulação natural da fertilidade
MANUAL BÁSICO DE

PLANEAM.ENTO FAMILIAR
NATURAL
© Associación Espanola de Professores de Planificación Familiar
Editorial Esin, S.A.
© Edição portuguesa: Fundação Família e Sociedade
Rua Viriato, 23-6.° Dt.O
1050-234 LISBOA
Email: farnilia.sociedade@netc.pt

Execução gráfica: G.C. - Gráfica de Coimbra, Lda.


Depósito Legal n.O173173/01
ISBN 972-95545-8-7
Introdução
M. Rutllant

Sexualidade humana e prática dos Métodos Naturais


M. Rutllant, L. F. Trullols
Conceitos básicos .
Harmonia sexual e maturidade humana .
Psicologia da sexualidade humana .
Dualidade sexual: homem/mulher .
Acompanhamento Prático da Regulação Natural da Fertilidade .

Anatomia e fisiologia da mulher e do homem


M. Rutllant, E Sanidas
A mulher. Anatomia e fisiologia
O homem. Anatomia e fisiologia .

Breve resumo histórico dos Métodos Naturais .


EColl, M. Menárguez
Método do Ritmo .
Método da Temperatura .
Método Billings .
Método Sintotérmico .

Método de Ovulação Billings .


E Sanidas, C. Brunet
Definição .
Biofísica .
Como observar o muco cervical e fazer o gráfico .
Anotações no gráfico .
Conceitos fundamentais .
Regras para evitar uma gravidez .
Regras para situações especiais .
Regra de ouro .
Regras para conseguir uma gravidez .

Método Sintotérmico .
J. de [rala, N. Recto

Definições .
Bases fisiológicas .
Temperatura corporal basal (TCB) .
Observação da temperatura .
Regras de 3 sobre 6 para interpretar os gráficos de TCB .
Indicadores minor .
Regras de interpretação .
Circunstâncias especiais .

Infertilidade
H. Temprano
Conceitos e incidência .
Esterilidade primária .
Esteril idade secundária .
Perda da gestação : .
Idade e fertilidade .
Estudo básico .
Muco cervical .
Parâmetros do muco cervical .

Novas tecnologias aplicadas ao diagnóstico da fertilidade .


M. Menárguez, E.Coll
Indicadores de temperatura .
Medidores hormonais e enzimáticos .
Instrumentos para observar a cristalização .
Microprocessadores de vários parâmetros .
M. Rutllant
Médica
Professora da A.E.PPF.N. Membro da Junta Directiva da A.E.PPF.N.

L. F. Trullols
Médico
Master em Sexualidade Humana.
Professor da A.E.PPF.N. Membro da Junta Directiva da A.E.PPF.N.

E. Sanidas
Ginecologista do CAP de San Félix, Sabadell.
Professora da A.E.PPF.N. Membro da Junta Directiva da A.E.PPF.N.

E. Coll
Engenheira Química de Sarriá (Barcelona).
Vice-secretária da A.E.PPF.N. Membro da Junta Directiva da A.E.PPF.N.

M. Menárguez
Doutora em Farmacologia.
Professora da A.E.PPF.N. Membro da Junta Directiva da A.E.PPF.N.

C. Brunet
Médica.
Professora da A.E.PPF.N. Membro da Junta Directiva da A.E.PPF.N.

J. de Irala
Doutor em Medicina e em Saúde Pública. Professor da A.E.PPF.N..
Prof Agregado do Dto. de Medicina Preventiva e Saúde Pública. Universidade de Navarra.
Membro da Junta Directiva da A.E.PPF.N.

N.Recto
Monitora de Métodos Naturais. Membro da A.E.PPF.N.

H. Temprano
Doutora em Medicina.
Ginecologista da Unidade de Reprodução Humana do Hospital Teresa Herrera. Corunha.
Professora da A.E.PPF.N. Membro do Comité Científico. Assessora da A.E.PPF.N.

J. M. AIsina
Professor titular de Filosofia Política da Universidade de Barcelona.
Doutor em Filosofia e em Ciências Económicas.
Professor da A.E.PPF.N. Membro do Comité Científico. Assessor da A.E.PPF.N.
Este manual básico sobre Planeamento Familiar Natural é uma síntese dos
temas tratados nos cursos de Métodos Naturais ministrados pelos membros da
Associação Espanhola de Professores de Planeamento Familiar Natura!.
Está concebido para pôr ao alcance das pessoas interessadas no P.EN.
tanto os conhecimentos básicos do seu fundamento antropológico como as re-
gras que regem a utilização do Método de Ovulação de Billings e o Método
Sintotérmico.
É um manual simples e didáctico que serve de apoio aos cursos que se
ministram sobre os Métodos Naturais de Regulação da Fertilidade Humana.

IV SYMPOSIUM INTERNACIONAL
)BRE REGUlACION NATURAL DE lA FERTU f)!

Dres. J. y E. Billings, Presidentes WOOMB /nt.; Hble. Sr. X. Trias, Conseller de Sanitat; Dra. M. Rutllant,
Presidenta de la AEP PFN; Dra. M. Guy, Expresidenta de la F/DAF//FFLP Zona Europea.
INTRODUÇÃO

Um Manual de divulgação dos Métodos de Regulação Natural da Fertili-


dade necessita de algumas advertências de modo a evitar que o leitor chegue a
conclusões erradas:
1. Há um princípio básico em Medicina que jamais deveríamos esque-
cer: se através de meios naturais se conseguir o fim primordial da Medi-
cina, que é a conservação da saúde, não devem ser substituídos por outros.

Esta regra básica, que tantas vezes é esquecida, aplica-se também ao tema
de que tratamos neste manual. Todas as pessoas deveriam conhecer os métodos
básicos da Regulação Natural da Fertilidade como fazendo parte da sua edu-
cação para a saúde e,. posteriormente, os que quisessem utilizá-los, deveriam
aprender a fazê-lo correctamente. São muitos os casais que podem utilizar os
Métodos Naturais e têm o direito a conhecê-los em profundidade.

2. Um manual com estas características informa, mas nunca pode


substituir um curso ou um ensino personalizado, no caso de se pretender
pôr em prática os conhecimentos aqui sintetizados.

3. Os Métodos Naturais são métodos de regulação de um facto


normal e fisiológico, que é a fertilidade. São, por conseguinte, um con-
junto de meios de diagnóstico da ovulação que aumentam o conheci-
mento próprio e a compreensão dos seus ritmos biológicos. Este maior
conhecimento pode ser utilizado segundo as circunstâncias do casal que
o pratica, tanto para adiar uma gravidez como para tentar consegui-la.

4. Além disso, na sua aplicação prática pelo casal, os Métodos Natu-


rais, têm forçosamente, determinadas implicações éticas pois comprome-
tem totalmente duas pessoas (nos seus aspectos biológicos, psicológicos e
morais) que pretendem tomar ponderadamente a decisão, tão transcendente,
de ter ou não um filho em determinado momento. Esta decisão deverá ter
em conta todos os aspectos físicos, psíquicos e materiais, assim como o
bem da mulher, dos filhos e da família.

o conteúdo educativo de um curso de Métodos Naturais é sempre o mesmo.


A aplicação prática (procriar, adiar uma gravidez, aumentar o conhecimento
próprio) depende da decisão e motivação dos cônjuges que adquirem estes
conhecimentos.
5. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define os Métodos Naturais
como sendo aqueles que se baseiam no diagnóstico dos dias férteis e
inférteis do ciclo da mulher e na abstinência periódica das relações
sexuais nas fases férteis, no caso de se pretender adiar uma gravidez.
E adverte que, para aplicar com êxito os Métodos Naturais:
• É imprescindível que tanto o homem como' a mulher recebam edu-
cação sobre o comportamento sexual humano e sobre a fertilidade.
• É requerida a comunicação e cooperação contínuas entre o homem e
a mulher.
• A atitude motivadora da pessoa que administra o curso tem influên-
cia na aceitação e na utilização correcta do Planeamento Familiar Na-
tural.

Coerentes com esta última advertência, todas as pessoas que intervieram


na elaboração deste manual são instrutores/as motivados/as pela vivência e
prática dos Métodos Naturais; nas suas páginas, antes de se dedicarem à
explicação concreta das técnicas de diagnóstico da fertilidade e dos respectivos
métodos, facultam uma-informação básica sobre sexualidade, comunicação e
fertilidade.
SEXUALIDADE HUMANA
E PRÁTICA DOS MÉTODOS NATURAIS

Para pôr em prática os Métodos Naturais com responsabilidade e matu-


ridade, é necessário proceder a uma acção educativa que começa por clarificar
alguns conceitos fundamentais e corrigir certos conhecimentos erróneos que
distorcem a análise - e, consequentemente, o diagnóstico - serena e objectiva,
de cada situação. Para tal, é necessário precisar algumas ideias que servirão de
"mínimo denominador comum" a todos aqueles que se iniciarem neste ramo
da educação sanitária.

Métodos Naturais: como se disse na introdução, são aqueles que a üMS define
como "Métodos baseados no diagnóstico dos dias férteis e inférteis do ciclo da
mulher e na abstinência periódica das relações sexuais nas fases férteis, no caso de
se pretender adiar uma gravidez". Convém rever esta definição no contexto real
do casal. Depois de algum tempo de reflexão e diálogo, poderá vir a ser assumida
pelo casal como suporte da sua trajectória comum, no campo da regulação da
fertilidade. Assim os cônjuges, de mútuo acordo, e tendo em conta as circunstân-
cias de cada momento, integrarão a relação sexual-genital na sua relação interpes-
soal, ou pelo contrário, prescindirão dela; isto não significa que prescindam da
relação sexual-amorosa, mas apenas de uma das suas manifestações.

Planeamento Familiar Natural: Chamamos Planeamento Familiar Natural ao


estilo de vida que integra na vida conjugal o respeito, a responsabilidade
comum e o domínio próprio, que levam a adaptar o exercício da sexualidade
masculina aos biorritmos da mulher. É evidente que esta atitude realça a pater-
nidade consciente, contrapondo-a à paternidade "instintiva", maquinal ou
exclusivamente biológica. Por outras palavras, trata-se de conseguir que ambos
os cônjuges exerçam a sua capacidade intelectual num campo que, até
recentemente, alguns consideravam fora do arbítrio da inteligência.

A Sexualidade Humana: é outro conceito que, no decurso da aprendizagem


dos Métodos Naturais, deve ser adequadamente entendido como "o conjunto
das conotações biológicas, psicológicas e intelectuais permitem ao ser humano
manifestar-se como homem ou como mulher".

Deter-nos-emos a analisar a necessidade de harmonia no desenvolvimento


equilibrado da sexualidade da pessoa no seu conjunto, bem como as diferen-
ças existentes entre a sexualidade humana e a animal, e ainda a dualidade
sexual. É importante que nos detenhamos a pensar na sexualidade porque, no
ser humano, é um bem de ordem superior, o qual, por sua vez, se ordena a
gerar novas pessoas. Não pode haver finalidade mais transcendente e, por isso
mesmo, mais necessitada de conhecimento e reflexão.

A faculdade sexual do homem deve ser integrada no conjunto das suas


outras faculdades, e o seu uso requer uma perspectiva equilibrada no contexto
da personalidade humana global.
Na actualidade, estamos submersos por uma onda de desumanização
da sexualidade que nos obriga a recordar, frequentemente, que o homem
não é um cérebro com vísceras e sem coração, nem uns genitais decapita-
dos, mas uma pessoa com todos os seus atributos: inteligência, vontade e
sentimentos.
Aspectos da sexualidade. Fazem parte da sexualidade humana, como
aspectos fundamentais e inseparáveis: a faceta afectiva - sentimentos, sor-
risos, ternura, gestos -; a faceta cognitiva - amizade, complementaridade,
diálogo, companheirismo -; o prazer - propulsor vital que incentiva a prá-
tica sexual, no meio de outras solicitações, tão numerosas na actualidade-;
e a procriação que, obviamente, é o objectivo primordial da fertilidade
natural do homem e da mulher. É também o mais "palpável" dos sonhos
compartilhados por duas pessoas as quais, porque se amam, podem
comunicar amor e transmitir vida, num mesmo acto livre.
A integração de todos estes aspectos da sexualidade é uma tarefa indis-
pensável no processo evolutivo da pessoa humana para atingir a sua maturi-
dade e uma premissa imprescindível para conseguir ter saúde sexual.
A sexualidade, sendo um aspecto importantíssimo da personalidade humana,
deve harmonizar-se adequadamente com todos os outros aspectos importantes
da mesma personalidade. Caso contrário, haverá seres desarmónicos com expres-
sões sexuais hipertrofiadas, ou, inversamente, com graves apatias sexuais. Ao
isolar a sexualidade, desvinculando-a de outras facetas e aspectos da pessoa,
deforma-se a realidade, criando confusão e insegurança, já que o sentido da
própria existência - a obtenção da felicidade para si mesmo e para os outros -
é confundido com a fugaz obtenção do prazer; e este prazer, quando é pro-
curado exclusiva e obsessivamente, só provoca desencanto e insatisfação,
podendo causar, inclusivamente, diversas patologias (neuroses, dependência do
álcool, drogas, disfunções sexuais ou perversão ...).
Se o único objectivo da sexualidade humana fosse a obtenção de prazer,
seria inexplicável a existência de um mecanismo tão complexo na mulher: um
útero que continuamente se renova e prepara, como a terra esperando a semente,
ou noutro exemplo facilmente compreensível, que "põe a mesa" esperando um
possível convidado. Se o convidado não vem, é expelido para o exterior o já
desnecessário endométrio (menstruação). Todas as alterações dclicas que ocor-
rem na mulher durante a sua vida fértil, não têm outro objectivo senão propor-
cionar óptimas condições para a procriação. O homem também não necessita-
ria de órgãos sexuais secundários, como a próstata e as vesículas seminais,
destinados unicamente a formar o "carburante" e a adaptar o meio para que o
gâmeta masculino possa chegar a fecundar o óvulo; eles de nada servem para
a obtenção de um prazer físico fugaz que não justifica a sua existência.
Por pouco que nos embrenhemos no estudo da anatomia e fisiologia dos
órgãos sexuais masculinos e femininos, analisando o seu complexo funciona-
mento, veremos como é errado pensar que um mecanismo tão cuidadosamente
estruturado pela natureza para a reprodução da espécie, pode ser desviado
desta finalidade sem correr um grave risco, usufruindo unicamente do prazer e
desdenhando o resto sem contemplações.
Sendo verdade que o abraço conjugal é apenas uma das formas de ex-
pressar o amor e que, desvinculado dele, perde o seu sentido humano, também
é certo que a união corporal tem uma função sublime e deve realizar-se de
uma forma esplêndida.
Há, nas relações íntimas conjugais, um aspecto prático que necessita de
uma aprendizagem em conjunto. Como não se trata de uma acção individual,
ambos os membros do casal deverão ir-se adaptando ao ritmo um do outro.
Este empenho exige dedicação, aceitação e generosidade; se faltarem, não só
será menor o prazer experimentado, mas também a união interpessoal será
enfraquecida.
Segundo recorda o manual da OMS para a Educação Familiar da Fertili-
dade, convém que os jovens saibam, antes de se casarem, que, habitualmente,
nem o prazer nem a harmonia sexual se alcançam nas primeiras relações; reque-
rem tempo, compreensão, carinho, paciência e bom humor, até conseguirem
harmonizar a sua sexualidade complementar. Este ajustamento da sexualidade
humana evita que se caia na rotina e não haja frustração, embora não se alcance o
tão mistificado clímax sexual.
Relativamente a este aspecto, convém planear a viagem de núpcias de maneira
a poderem usufruir de descanso, começando esta nova etapa da vida com suficiente
sossego e intimidade. O inevitável nervosismo dos preparativos e do dia do
casamento, o cansaço, a separação dos respectivos familiares e a perspectiva de
irem partilhar a vida com outra pessoa, são factores, entre outros, que denotam a
necessidade de a viagem de núpcias ser preparada de modo a proporcionar as
referidas condições de intimidade e sossego.
Quando a sexualidade radica no amor, o acto sexual conjugal é como que um
rito; não há monotonia, nem grosseria, nem brusquidão animal, mas sim ternura,
respeito e delicadeza. Para que a relação sexual seja aquilo que deve ser, precisa de
ser precedida de uma preparação - o namoro - que não deve terminar com a
rotina da vida em comum. O ser humano psiquicamente saudável exprime o
seu amor com naturalidade, sem se permitir gestos afectados, extraordinários,
patológicos, mais próprios de pessoas neuróticas ou que padecem de algum
extravio sexual.

Para uma boa compreensão da sexualidade humana, é fundamental diferenciá-


-la da sexualidade dos animais, inclusivamente dos mamíferos superiores.
A adequada antropologia da sexualidade leva a reconhecer que o sexo faz
parte da natureza humana. O respeito pelo ser humano "implica", necessaJ.1amente,
o respeito pelo sexo. Este não pode ser tratado de uma forma desumana, como
um objecto "para usar e deitar fora" (nem como fonte de prazer, nem como
simples meio exclusivamente reprodutor).
O sexo não é apenas uma função, e também não é apenas uma relação: é uma
qualidade permanente do ser humano, pois, efectivamente, ou se é homem ou se é
mulher. Esta qualidade permanente manifesta-se, efectivamente, em todos os
âmbitos da vida humana, inclusive para além da estrita função sexual. Se degra-
darmos a sexualidade, estragamos algo mais que a vida sexual e a reprodução,
danificamos certamente uma das melhores partes da natureza humana.
Nenhum profissional bem informado sobre questões psicológicas referen-
tes à sexualidade, pode afirmar o determinismo biológico absoluto da sexuali-
dade humana, já que a sexualidade, no ser humano, não tem a característica
de forçosa obrigatoriedade - própria de outras espécies animais, condicionadas
inexoravelmente para a reprodução, nas suas épocas de cio -; pelo contrário,
reconhece a ampla zona de actuação da liberdade pessoal, guiada pela
inteligência e pela vontade (o que explica a possibilidade da continência total
ou periódica e a opção pelo celibato). A sexualidade humana possui, pois,
uma certa plasticidade e indeterminação, pelo que é .passível de ser educada,
diversamente da sexualidade animal, como é evidente. Nos animais, o instinto
é determinante; ao instinto do homem é mais correcto chamar tendência.
O ser humano - a pessoa - embora tenha um importante substrato instintivo
biológico, não é só biologia; com a sua liberdade pode decidir adiar uma relação
sexual quando as circunstâncias o aconselharem, ou - num exemplo negativo -
perverter a sexualidade, como lastimáveis factos dolorosos nos recordam frequen-
temente. Para ser capaz de autodomínio na área da sexualidade, deve ter uma
vontade previamente educada que responda, com relativa facilidade, ao que a
inteligência lhe mostra como mais conveniente. O velho aforismo de que toda a
educação é uma aprendizagem para a espera, verifica-se no âmbito das relações
conjugais. A maturidade pessoal dos cônjuges ajudá-los-á, se as circunstâncias
forem convenientes, a preterir um bem: adiar uma relação conjugal para daí a
alguns dias, para conseguir um bem maior: a saúde, o bem-estar, a felicidade da
farmlia.
São conhecidas, de qualquer pessoa que lida com animais domésticos, as
crises irracionais, passe a redundância, de que padecem os seus animais nas
épocas de cio; e qualquer veterinário sabe que uma vaca, por exemplo, não
aceita o touro nos períodos em que o seu tracto genital não está preparado para
a fertilidade. Todos observámos já da forma instintiva como os animais ama-
mentam as suas crias, sem precisarem da mentalização nem da aprendizagem que
o aleitamento materno requer. É que, repetimos, a sexualidade animal é um
instinto biológico incoercível ligado à reprodução da espécie, ao passo que no
ser humano, os aspectos biológicos e psicológicos se complementam para dar à
sexualidade todo o seu significado humano: uma expressão do amor interpessoal
e da aspiração a transmitir a vida a novos seres, nascidos desse amor.
Para conseguir o autodomínio, a maturidade e a integração dos diferentes
aspectos da sexualidade humana, e para que esta se diferencie do instinto bio-
lógico animal, é necessana uma educação gradual da pessoa que lhe impregne
a inteligência das realidades positivas e nobres da sexualidade, do indivíduo e
da família. Esta educação deverá reforçar também a sua vontade de caminhar
decididamente para a maturidade, o que, por sua vez, a tomará apta para fundar
no futuro, uma nova família com saúde física e mental.
Isto só se conseguirá se, logo desde a infância, ensinarmos que escolher
implica renunciar. Renunciar ao mal, à indiferença e, inclusivamente, a outro
bem. Há que ensinar a criança, desde pequena, a renunciar ao que é mal (não mexas
no lume, não deites fora a comida). Depois, a escolher apenas entre coisas diferentes
(se decidir viajar para o norte, renuncio a dirigir-me para o sul); e finalmente, terá
de aprender que, ao escolher uma coisa boa, renuncia simultaneamente a outras
coisas boas (renuncio a assistir a um espectáculo desportivo se no dia seguinte
tiver um exame importante, ou se tiver de acompanhar um familiar doente; não por
o espectáculo não ser bom, mas porque, com a minha renúncia, procuro o que
é melhor). Esta escola de renúncias prepará-Ia-á para que, no momento da escolha
matrimonial, saiba que ao optar por um(a), renuncia aos outros (fidelidade).
A pessoa madura é aquela que sabe prescindir da consecução de um bem
para posteriormente alcançar um bem maior.
Com repetidos actos de escolha/renúncia, criar-se-á pouco a pouco o hábito de
não começar nenhum processo sem se deter primeiro a reflectir nas suas possíveis
consequências em todas as áreas da personalidade - também na da sexualidade.

o sexo é uma peculiaridade irredutível, configuradora do ser humano, e não


pode ser alterada sem causar dano ao que a humanidade tem de essencial.
A existência dos dois sexos é uma riqueza de que é preciso usufruir conhe-
cendo as diferenças entre homem/mulher, vivendo cada um a sua personali-
dade sexuada e sabendo que convive com a outra.
É preciso reflectir sobre o carácter dual da sexualidade humana, insistindo
no tema da complementaridade, da alteridade das diferenças entre homem e
mulher, especialmente numa época em que se tentou anular a maior parte delas,
chegando a pôr em risco a própria diferenciação sexual. Estas diferenças, não
só são fundamentais, mas também enriquecedoras.
Se todos os homens e mulheres chegassem porventura a ser exactamente
iguais - cópia uns dos outros - ter-se-ia empobrecido irremediavelmente a raça
humana, sobretudo se homens e mulheres fossem reduzidos a um único ser,
amorfo, idêntico, sem nenhuma diferença fundamental entre o próprio sexo e
o outro. As diferenças entre o homem e a mulher, além de biológicas, são psi-
cológicas e sexuais.
Desde o momento da concepção que a mulher é XX e o homem XY; o
respectivo desenvolvimento pré-natal, incluindo o do cérebro, é diferente. Biolo-
gicamente há que destacar, para além dos diferentes caracteres sexuais pri-
mários (genitais externos) e secundários (voz, pêlo, musculatura), o facto de o
homem possuir uma natureza hormonal-sexual não cíclica, ao passo que a
mulher tem uma natureza hormonal-sexual cíclica, com duas fases bem dife-
renciadas em cada ciclo menstrual, o que a torna instável - cíclica - durante
todos os anos da sua vida fértil. São poucas as mulhéres que não se ressentem
das suas alterações hormonais (sintomas ovulatórios, síndroma pré-menstrual,
etc.), ao passo que os homens não têm esta experiência vital e necessitam de
ser esclarecidos sobre estes temas específicos, pois incidirão na sua relação
matrimonial. As diferentes características psicológicas são responsáveis pelo
facto da mulher ser mais concreta, constante e centrípeta, ter gosto pelo quo-
tidiano e pelo que lhe está próximo, predominando nela os sentimentos; pelo
seu lado, o homem é abstracto, racional e centrífugo, tem interesses mais
gerais, instáveis e longínquos. Sexualmente pode dizer-se que a mulher é
como o carvão de lenha que demora a acender (necessita, como já dissemos,
de uma preparação prévia), mas uma vez aceso, mantém o calor por muito
tempo; e o homem é como o fogo na palha seca, que pega imediatamente,
mas que também se apaga facilmente. Apesar de reconhecermos estas diferen-
ças, afirmamos que elas nada têm a ver com a igualdade de direitos, teorica-
mente reconhecidos no mundo ocidental, mas não noutras culturas em que a
mulher sofre um tratamento discriminatório, quando não vexatório.
Este manual da üMS aconselha a que se ajudem os jovens casais a com-
preenderem bem estes aspectos diferenciais da convivência interpessoal, para
não incorrerem em excessos absurdos e radicais. A falta de conhecimento
destes aspectos pode causar nos cônjuges uma impressão enganosa de falta de
interesse ou de ideal, quando se trata unicamente de uma forma diferente de
expressar os diversos sentimentos ou pontos de vista. Por exemplo: uma jovem
recém-casada começa a duvidar da solidez do seu casamento no primeiro dia
em que o marido não a ouve com atenção por estar de olhos fixos nas notícias
da TV ou nas páginas desportivas do seu jornal favorito; e o mesmo acontece
ao jovem marido que observa a sua esposa ao telefone tagarelando animada-
mente com uma amiga, "esquecendo-se" totalmente dele. É preciso ajudá-los
também a não deixarem de dar importância à intimidade e à comunicação
como se fossem simples recursos da convivência, desnecessários para o êxito
da relação sexual, pois praticar a sexualidade sem comunhão pessoal nem
amor, é como "dançar sem música".
Ao longo da sua vida matrimonial, os esposos comprovarão que a comu-
nidade conjugal mergulha as suas raízes na complementariedade natural entre
o homem e a mulher e alimenta-se da vontade pessoal que cada um tem de
compartilhar todo o seu projecto de vida, o que têm e o que é, ou seja, aquilo
que alguém definiu como "construir-se como casal ou viver uma biografia
comum".

Para além da observância das normas específicas do método da Regulação


Natural da Fertilidade que for escolhido, deve-se adoptar desde já a ideia de
abstinência por ser fundamental para a utilização prática dos referidos métodos.
Como refere o programa da OMS, os Métodos Naturais, requerem a absti-
nência periódica das relações sexuais, concretamenté nas fases férteis do ciclo,
caso se deseje evitar uma gravidez.
Para aprofundar este tema, é pedido aos dois membros do casal que
assistam às sessões de educação. Isso ajuda a vencer uma certa resistência
masculina com que se depara ao princípio, em certos ambientes ou culturas,
tal ensinamento. Esta resistência deve-se ao facto de o homem dar conta que,
nos períodos de utilização de um método natural, é a mulher quem conduz, a
sexualidade do casal; até certo ponto é importante esclarecer que este facto
não prejudica o casal, antes o une, por o homem ter de adaptar a realização
dos seus desejos sexuais aos ritmos biológicos da sua mulher e à decisão,
devidamente ponderada e tomada em conjunto de procriar ou não.
Ao falar de abstinência entramos em cheio num dos pontos mais superfi-
cialmente abordados -e pouco compreendidos da Regulação Natural da Ferti-
lidade.
Alguns termos, como por exemplo: continência, abstinência, castidade con-
jugal, chegaram a converter-se em tabu, considerados repressivos, por serem
simplesmente quando referidos ao âmbito da sexualidade; no entanto, são facil-
mente aceites como lógicos, quando se aplicam noutros campos. Ninguém
estranha a necessidade de prescindir da ingestão de gorduras e de glúcidos para
evitar a obesidade, nem a disciplina a que tem de se submeter um desportista
- com as suas correspondentes exigências de renúncia e de abstinência - nem
a imposição de horários ou de coisas do género em determinadas profissões,
etc.
É que na sexualidade, como em qualquer aspecto da actuação humana,
não se pode prescindir do autodomínio e do autocontrole nem do carácter
finalista do comportamento. Trata-se, simplesmente, de pôr a pulsão ao ser-
viço do amor mediante um treino gradual, consciente e tenaz - algo como o
que se realiza em qualquer programa de preparação do corpo para o desporto
- para se chegar a ser senhor de si mesmo e poder entregar-se ao cônjuge,
pensando não só no prazer, mas também na felicidade e no valor do outro
como pessoa.
Ao necessário exercício para que o corpo venha a ser instrumento do
amor generoso da alma, chama-se castidade; é uma virtude que consiste em
dominar o corpo, de forma a não procurar unicamente o prazer imediato e
egoísta; pela repetição livre, ainda que esforçada, de actos positivos da
vontade ao serviço do amor autêntico para com o outro o corpo acabará por
actuar, de um modo fácil e espontâneo, quase reflexo e natural: é o que se
chama exercícios de ginástica da vontade. Além disso, sabemos que a própria
a vida impõe a continência em determinadas circunstâncias, como sejam a
doença, as viagens, o esgotamento, um parto recente, etc.; portanto, quando
for necessário, há que saber integrar, com naturalidade, alguns dias de absti-
nência na vida conjugal.
Dar-se-á uma grande importância ao ensino do compromisso psíquico reque-
rido pelos Métodos Naturais de Regulação da Fertilidade, o qual não consiste
na inibição da liberdade, mas na libertação da generosidade. É um compro-
misso que sacrifica o -próprio desejo no altar de uma mais oportuna doação,
desprovida de urgências instintivas. Não se trata, pois, de um "aqui e agora",
sem ser programado, para saciar um qualquer apetite fugaz, mas de um adia-
mento dialogado, de acordo com as circunstâncias que, no momento próprio,
livrando-o da rotina, gratificará largamente a espera partilhada. Tal gratificação
pode experimentar-se em alguma das chamadas "viagens de núpcias" periódi-
cas, que proporcionam ao casal o tempo necessário para realizar encontros
sossegados, longe da realidade quotidiana.
Na prática, deparamo-nos frequentemente com casais que se propõem
aprender as bases da sexualidade responsável e da abstinência depois de alguns
anos de vida conjugal, e às vezes, o homem, ao falar-se-Ihe de abstinência ou
em adaptar os seus ritmos de sexualidade aos ritmos biológicos da sua mulher,
mostra um certo cepticismo, e até resistência. Se o motivarmos e lhe falarmos
com convicção e de uma forma adequada, acaba quase sempre por a aceitar
como um desafio possível. Pode dizer-se-Ihe, por exemplo: "ao princípio, a
alteração do ritmo da sua vida sexual poderá ser dura, como quando se volta a
praticar um desporto depois de o ter abandonado durante anos - que dores
depois dos primeiros jogos ou da primeira escalada! - mas também - que
satisfação ao marcar um golo ou ao atingir o cume! O mesmo ocorrerá quando
conseguir aceitar a abstinência como mais uma manifestação do seu amor". A
experiência dos profissionais que ensinam os Métodos Naturais, demonstra que
o homem maduro, contrariamente ao que é comum admitir-se, reconhece com
prontidão e satisfação a necessidade de alguns dias de abstinência; ao fim de
pouco tempo, deixará de sentir grandes dificuldades em observá-la.
São muitos os casais que sabem ver na abstinência partilhada, não um
obstáculo, mas um novo "impulso para o sonho". "O prazer pode ser de
melhor qualidade se os encontros forem espaçados. É uma maneira de evitar a
indigestão sexual". "Inclusivamente do ponto de vista hedonista - diz o Dr.
Brunetti -, uma certa abstinência pode ser benéfica. Nunca aprecio tanto o pão
como quando tenho fome. A nossa sensibilidade perde requinte se estivermos
saturados, se as nossas relações sexuais se tiverem tornado em algo tão vulgar
como beber uma chávena de chá".
Uma vez aprofundado o conhecimento da sexualidade humana e das dife-
rentes modalidades da sua manifestação (sorrisos, carícias, olhares, diálogo,
relação sexual, etc.), os cônjuges terão aprendido e assumido os objectivos do
protocolo sobre Sexualidade e Responsabilidade do Manual da OMS que
podemos sintetizar assim:
1. Aceitar que a relação sexual não é a única forma de exprimir o amor e
a sexualidade, embora seja necessário alcançar a harmonia sexual ou,
pelo menos, falar dela e procurar a convergência de opiniões.
Como conseguir uma relação harmónica? Em primeiro lugar, é preciso
que haja uma preparação a longo prazo que tenha em conta a vontade
e os sentimentos. Em segundo lugar, é necessária uma preparação ime-
diata do corpo.
2. É indispensável compreender a importância da comunicação interpes-
soal a todos os níveis. Não há dúvida de que o sexo é importante, já
que satisfaz um impulso instintivo e concorre para a comunhão inter-
pessoal, embora uma relação compreenda também muitas outras
coisas: formar um lar (que é algo muito mais íntimo e pessoal que uma
casa ou um andar), aprender juntos a cozinhar, fazer economias juntos,
planear juntos, preocupar-se e rir juntos, ter filhos, etc. e especialmente
rever a necessidade humana básica de conversar, sabendo que conver-
sar implica que ambos manifestem o que pensam e sentem, sejam
escutados com interesse, se sintam compreendidos e acolhidos e
recebam uma resposta.
1. ROJAS E.; POLAINO, A. e outros: Enciclopedia de la Sexualidad y de la Pareja. Espasa
Calpe, Madrid. 1991.

4. FUNDACIÓN PRO VIDA DE CATALUNA: Vídeos Educativos sobre la Sexualidad, la Afectividad


y Respeto a la Vida Humana. Barcelona. 1992.
Os órgãos seXUaiSda mulher dividem-se em genitais externos e genitais
internos.

Os genitais externos estão situados no exterior do corpo, constituindo um


órgão denominado vulva. Nela se incluem os grandes lábios, os lábios peque-
nos e o intróito ou entrada da vagina, parcialmente fechada por uma membra-
na perfurada chamada hímen.
Os genitais internos, o clitoris são constituídos por:
A vagina é um canal muito elástico que põe os genitais externos em
comunicação com o colo do útero.
O útero ou matriz é um órgão oco, do tamanho e da forma de uma pêra
invertida, de paredes musculares e elásticas; nele se nida e cresce o feto durante
a gravidez. À transição entre a mucosa vaginal e o segmento superior do útero
chama-se colo do útero ou cervix. Este é atravessado pelo canal do colo do
útero ou canal cervical, no qual se segrega o fluxo mucoso nos dias que
antecedem a ovulação, que são os de máxima fertilidade da mulher, facilitando
a passagem dos espermatozóides. A mucosa que reveste o interior do útero
denomina-se endométrio e está sujeita a grandes alterações em cada ciclo
menstrual.
As trompas de Falópio são dois canais longos e estreitos situados um de
cada lado da parte alta ou fundo do útero, que vão até à proximidade dos
ovários onde terminam em forma de campânula para recolher o óvulo no
momento da ovulação. Uma vez liberto do ovário, o óvulo tem uma vida de
12 a 24 horas.
Os ovários são dois, do tamanho de uma amêndoa grande, posicionados
muito próximo das trompas. Os ovários são os órgãos que armazenam os
folículos, que numa menina são à volta de 300.000 folículos, 400 dos quais
chegarão a amadurecer ao longo da sua vida fértil, enquanto os outros atro-
fiam. Regra geral, em cada ciclo, apenas um óvulo, contido num folículo,
amadurece. Nos folículos segrega-se a foliculina ou estrogénios.
Cada ciclo menstrual dura aproximadamente quatro semanas, com fre-
quentes variações individuais, sendo normal que muitas mulheres tenham
ciclos mais curtos ou mais longos, mas sempre regulados pela inter-relação das
hormonas procedentes da base do cérebro (hipófise) e das hormonas segre-
gadas no ovário. Todos os ciclos normais podem dividir-se em: período mens-
trual, fase pré-ovulatória, ovulação e fase pós-ovulatória.
O primeiro dia do ciclo menstrual é o dia do início da menstruação, he-
morragia causada pelo desprendimento das capas mais superficiais da parede
uterina (endométrio), se não se tiver produzido nenhuma gravidez após a ovu-
lação anterior.
Em condições de total normalidade, desde o início do período menstrual
vai amadurecendo um folículo, o
qual contém o futuro óvulo, e que
se converte numa glândula produ-
tora de estrogénios. Durante os
últimos dias da sua maturação, o
colo uterino inicia a produção do ! • i ~

Trompa de ( 'I
fluxo mucoso, proporcionando Falópio "".
uma sensação de humidade na
Colo do útero \
vagina, indicação de que têm iní- Orifício cervical , Cripta do colo
cio os escassos dias em que a mu- Muco cervical espesso
lher é fértil. Esta fase do ciclo deno-
mina-se fase pré-ovulatória.
Durante a ovulação rompe-se o folículo e o óvulo é expulso do ovário,
sendo captado pela trompa de Falópio. Esta é a fase fértil.

ÓVUIO>--~

Trompa • '
de Falópio

Uma vez rompido, o folículo transforma-se no corpo amarelo que actua


como glândula secretora de progesterona durante aproximadamente 12-16
dias, fase esta que se denomina fase pós-ovulatória. A progesterona actua
sobre o endométrio modificando-o e preparando-o para acolher o embrião, no
caso de o óvulo libertado ter sido fecundado. Numa comparação facilmente
compreensível, é como se a mulher, todos os meses pusesse a mesa para uma
suculenta refeição, com todos os ingredientes e requisitos necessários para
receber um convidado que já está a caminho. Se a gravidez não acontece, a
nova menstruação dará início a um novo ciclo; a mesa que tinha sido posta
para o convidado que não apareceu, deixa de ter sentido, é inutilizada e
expulsa para o exterior.

Recobrimento-;
endometrial
mais espesso
Colo duro fechado

As alterações cíclicas experimentadas pela


mulher ao longo do ciclo menstrual devem-se a
um complexo mecanismo hormonal de regulação
automática. Esta regulação deve-se ao eixo
hipófise-hipotálamo que actua sobre os ovários
através das respectivas hormonas. A secreção
das referidas hormonas não é constante nem uni-
forme durante o ciclo; pelo contrário, varia ao
longo deste.
Na primeira fase do ciclo - fase pré-ovulatória - as hormonas da hipófise,
principalmente a FSH, estimulam, nos ovários, a produção de estrogénio (hor-
mona sexual feminina responsável pelos caracteres sexuais secundários da
mulher e por algumas alterações que estudaremos nos Métodos Naturais).
Ao aproximar-se a fase ovulatória, os estrogénios limitam a produção de
FSH e estimulam a libertação, por parte da hipófise, de LH que é directamente
responsável pela ovulação e pelo início do aumento de produção de proges-
terona no ovário.
Na segunda metade do ciclo - fase pós-ovulatória - é a progesterona,
hormona segregada pelos ovários, a responsável por manter as condições
necessárias para albergar o óvulo fecundado, no caso de ter ocorrido uma
gravidez; caso contrário, a sua queda brusca produz a descamação do endo-
métrio.

o ciclo menstrual repete-se, com algumas variações, durante o período


fértil da mulher, desde a menarca, momento em que a menina tem a sua
primeira menstruação, até ao último período menstrual ou menopausa, que
ocorre por volta da quinta década da vida.

Os órgãos genitais do homem estão situados no exterior do abdómen e não


são internos como os da mulher:
Dentro da bolsa denominada escroto encontram-se os testículos que pro-
duzem os espermatozóides. O homem adulto produz, permanentemente, cerca
de 100 milhões por dia, portanto, o homem é continuamente fértil, desde a
puberdade. O tempo médio de vida dos espermatozóides é de 3 dias podendo
chegar aos 5 em condições óptimas.
Os espermatozóides têm três partes: cabeça, parte intermédia e cauda.
A cabeça contém a totalidade dos genes que transmitem aos filhos os carac-
teres hereditários paternos em 22 cromossomas mais um cromossoma Y ou um
cromossoma X. O activo movimento da cauda permite que os espermatozóides
se desloquem ao longo do percurso desde a vagina da mulher, onde são depo-
sitados, até à trompa.
Os espermatozóides são produzidos nos túbulos seminíferos dos testículos
e são armazenados e amadurecidos no epidídimo. Quando se produz a
ejaculação, o esperma é impelido através dos canais deferentes até à uretra,
canal que também serve para canalizar a saída da urina desde a bexiga uri-
nária até ao exterior. Na sua passagem pela uretra, o esperma ou sémen mis-
tura-se com as secreções das vesículas seminais e da próstata, recebendo
substâncias ricas em açúcares que reforçam a energia dos espermatozóides, a
fim de facilitar a sua deslocação. A secreção prostática alcalina irá neutralizar
as secreções ácidas que os espermatozóides encontram na vagina.
Como na mulher, as hormonas da hipófise .são as responsáveis pela
maturação sexual masculina, estimulando nos testículos, a partir da puberdade,
a secreção da hormona sexual propriamente masculina: a testosterona. Esta, por
sua vez, actua na base do cérebro, estabelecendo-se as inter-relações específi-
cas. A testosterona também é responsável pelo desenvolvimento das caracterís-
ticas próprias do homem, tanto a nível dos órgãos genitais como dos ossos,
músculos, pêlos, crescimento da barba e mudança da voz (caracteres sexuais
secundários ).
A natureza prepara cuidadosamente os pormenores anatómico-biológicos
que permitem, não só que o homem e a mulher sejam férteis, mas também que
tenham uma fertilidade combinada. O desencadear psicológico deste processo
faz parte da sexualidade humana.
BREVE RESUMO HISTÓRICO
DOS MÉTODOS NATURAIS

Entre 1925 e 1930 K. Ogino e H. Knaus reconhecem, pela primeira vez,


que o facto fundamental do ciclo da mulher é a ovulação, chegando à con-
clusão de que, das duas fases do ciclo, a segunda é de duração constante, en-
quanto a primeira é variável. O Método Ogino- Knaus, ou do Ritmo, determina o
período fértil mediante cálculos baseados na duração do ciclo.
A pesar da sua divulgação, o método Ogino- Knaus, ou do Ritmo, por eles
elaborado, só se revelou ser eficaz nas mulheres com ciclos muito regulares.

Em 1928, Van der Walde relaciona o padrão bifásico da temperatura com


a ovulação. Isto é, verifica a existência de duas fases térmicas ao longo do
ciclo da mulher: a primeira, de temperaturas baixas e a segunda, de temperatu-
ras altas e estáveis (planalto). Em 1930, W. Hildebrand inicia a sua aplicação
na Regulação Natural da Fertilidade. S. Geller e J. Rtitzer preparam um mé-
todo estandardizado para o diagnóstico da ovulação. Este método constituiu
um grande avanço e foi utilizado para o diagnóstico dos ciclos anovulatórios e
outras anomalias.
Como método natural de regulação da fertilidade, tem uma eficácia muito
grande, desde que se guarde abstinência na fase pré-ovulatória e se se reini-
ciem as relações só depois de atingida a planalto térmico (quando a temperatura
se estabiliza na sua fase alta).
Em 1972, J. e E. Billings e J. Brown descrevem os primeiros fundamentos
científicos do método na revista Lancet, após 20 anos de estudo em que obser-
varam a relação entre o muco cervical e a fertilidade da mulher.
Em 1978, a OMS publica o Protocolo de Educação para a Fertilidade
Familiar no qual se descreve a metodologia do ensino dos Métodos Naturais.
Posteriormente, E. Odeblad publica os seus estudos sobre tipos de muco
cervical e sua estrutura. A. Cappella e E. Giacchi procedem também a investi-
gações no âmbito deste tema.
A metodologia elaborada pelos Drs. Billings e a sua dedicação pessoal em
difundi-la por todo o mundo, fez que os seus benefícios chegassem a milhões
de mulheres. Estas, para o utilizarem depois da aprendizagem, não necessitam
de nenhuma ajuda técnica ou médica, uma vez que apenas têm de observar a
evolução cíclica do seu muco cervical.
A OMS atribui 97,8% de eficácia a este método.

Em 1951, J. Rotzer e Bréault estudam o muco cervical, a temperatura e


outros sintomas, estruturando assim o Método Sintotérmico, ao qual mais
tarde, acrescentaram a auto-apalpação cervical. (E.E Keefe)
Mais recentemente, estudos ecográficos de G. Freundl e A.M. Flynn con-
firmaram a precisão do gráfico sintotérmico para indicar a ovulação.
A sua maior complexidade, por utilizar vários parâmetros, acaba por satis-
fazer muitos casais que procuram uma maior eficácia ou que se sentem mais
tranquilos e confiantes ao terem em conta vários sintomas.
A eficácia deste método oscila entre 98,6% e 99,6%.
MÉTODO DA OVULAÇÃO BILLINGS

o Método da Ovulação Billings é o método pelo qual os dias de inferti-


lidade, de possível fertilidade e de máxima fertilidade são determinados me-
diante a auto-observação do muco cervical.

O fluxo mucoso do canal cervical (colo do útero), tanto pela sua quantidade
como pela sua composição e estrutura, desempenha um papel-chave na fer-
tilidade humana, já que qualquer espermatozóide que tente chegar a um óvulo
tem que passar através dele. O dito fluxo pode ser reconhecido por qualquer
mulher que o observe quando aparece à entrada da vagina.
O método elaborado pelos Drs. J. e E. Billings permite reconhecer as
alterações que ocorrem no muco cervical e elaborar um padrão de fertilidade
próprio e pessoal de cada mulher nas diferentes circunstâncias da sua vida fértil.
Actualmente, conhecem-se dois tipos fundamentais de fluxo mucoso ao
nível do colo uterino. Estes dois tipos de muco foram identificados pelo Prof.
E. Odeblad em 1969 (1):
a) Muco estrogénico. Tipo E
b) Muco gestagénico. Tipo G
a) Fluxo cervical de muco estrogénico, tipo E: Tem esta designação
porque a sua secreção depende dos estrogénios. Apresenta-se como um gel
homogéneo, aquoso, composto por duas variedades, I e s, ambas produzidas
sob o estímulo dos estrogénios. A sua estrutura molecular é muito ordenada na
disposição das suas micelas.
A variedade I (l:1oaf), apresenta um aspecto pastoso de grumos viscosos
que sustentam e fixam as fibras do muco. É o responsável pela selecção dos
espermatozóides.

É produzido nas criptas da parte média do colo uterino, por estímulo dos
estrogénios, por volta do sexto ou sétimo dia antes da ovulação. No período
ovulatório, esta variedade de muco constitui cerca de 72-77% do muco pre-
sente no canal cervical uterino.
A variedade s (s:string) tem uma estrutura muito filamentosa e canicular
pelo que permite com facilidade a passagem de espermatozóides que procuram
a cavidade uterina. O muco s é tido como o responsável por facilitar o transpor-
te espermático a partir do depósito vaginal.
Esta variedade de muco é produzida nas criptas superiores do canal do
colo uterino durante o período pré-ovulatório que ocorre entre 2 a 3 dias antes
da ovulação, e um dia depois da mesma. No período periovulatório, o muco s
constitui cerca de 20-25% do muco presente.

b) Fluxo cervical de muco gestagénico, tipo G: É produzido em conse-


quência dos estímulos hormonais devidos à progesterona (gestagénios), na fase
pós-ovulatória do ciclo. A sua presença e quantidade é inversa às do muco de
tipo estrogénio, de modo que, na época da ovulação, constitui apenas 3% do
total do muco presente no colo. É produzido nas criptas mais baixas do canal
endocervical.
A estrutura do muco gestagénico é formada por micelas finas com muitas
interconexões, sendo os espaços intermicelares estreitos e irregulares, como
uma malha apertada, o que dificulta extraordinariamente a entrada ou o avanço
dos espermatozóides.

Na prática, cada mulher deve aprender a identificar as características do


seu muco cervical para saber ler a sua fisiologia e identificar em que momento
do ciclo se encontra, deduzindo daí o seu estado de fertilidade.
Cada vez que for à casa de banho - antes e depois da micção ou defe-
cação - tem de se secar com papel higiénico e observar se há algum tipo de
muco; não tem que introduzir os dedos na vagina para fazer as observações, já
que não só não é necessário como pode inclusivamente induzir em erro.
As características a observar são duas: sensação e aparência.
A sensação refere-se àquela que o muco produz em contacto com a pele
e as mucosas dos genitais externos da mulher. Existem três possibilidades:
sensação de secura (o papel não desliza ou inclusivamente rasga); sensação
de lubrificação (o papel desliza com facilidade); sensação de estar molhada
(sente-se humidade). Às vezes, a mulher também tem a sensação de desliza-
mento intravaginal, como uma gota de água escorrendo por um vidro.
É fundamental que a sensação e a aparência de muco sejam avaliadas
separadamente e portanto são possíveis as seguintes variações:
Secura sem muco. Secura com muco. Molhada ou lubrificada sem muco.
Molhada ou lubrificada com muco.
A aparência é o aspecto do muco que se pode observar. As mulheres
podem identificar as diferentes características do mesmo: transparência, elasti-
cidade, tingido de sangue, quantidade e alteração da côr.
O muco cervical pode ser:
Grumoso: denso, fica num dos lados do papel.

Pegajoso: ao tentar despegá-lo pode esticar-se 1 ou 2 cm, mas parte-se


logo, ficando na ponta dos dedos.
Elástico: faz fios, costuma ser transparente, tem a aparência da clara de
ovo crua.

Misto: possui uma parte do aspecto elástico e outra do pegaJoso ou


grumoso.
A quantidade, embora não seja uma característica fundamental valoriza-se,
como veremos mais adiante, quanto o P.B.I. (ver pág. 39) ou Q.I.B. é de
muco contínuo.
A cor pode ser branca, amarelada, transparente, rosa ou castanha. Toda a
cor diferente das referidas, pode ter um significado patológico e indicar uma
possível infecção.
O muco rosado ou castanho pode aparecer no final da menstruação ou no
começo destas. Pode também acompanhar o muco periovulatório tratando-se
neste caso de um "spotting". Se aparecer em qualquer outro momento, este
muco rosado ou castanho pode ter significado patológico.

O gráfico é um instrumento imprescindível, no caso de se desejar seguir o


Método da Ovulação Billings com êxito. As anotações devem fazer-se à noite
ao deitar, depois de se ter observado ao longo de todo o dia.

I 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31
Se durante o dia se foram tendo sintomas diferentes, deve anotar-se no
gráfico aquele que indicar maior fertilidade. Estas anotações são fundamentais
para se poder detectar o início e o fim da fase fértil.
Há que anotar todas as alterações que se tenham observado ao longo do
ciclo assim como as relações que se tiveram. As anotações far-se-ão todos os
dias do ciclo, sem confiar na memória, já que, à medida que se vai tendo mais
experiência, pode chegar-se a crer que o gráfico já não é necessário e há muito
mais riscos de cometer erros.

Os erros a que nos referimos são:


- Acreditar que nunca irá suceder nada de anormal ou diferente.
Pensar que nos recordamos, passados vários dias, do que sucedeu num
determinado momento.
Não valorizar um sintoma não habitual.
Deixar-se influenciar pelo que se "quer ter ou sentir" e não pelo que
realmente se tem ou sente.

Chamamos "Fase menstrual" ao período compreendido entre o primeiro


dia de hemorragia e o último em que a mulher ainda mancha a roupa. O início
da fase menstrual coincide com o primeiro dia do ciclo.

2. Fase pré-ovulatória

É o período compreendido entre o final da fase menstrual e o princípio da


fase fértil.
Para a prática do Método Billings, é fundamental compreender bem o
conceito de P.B.I. ou Q.I.B ..
Chamamos Padrão Básico de Infertilidade ou Quadro Infértil de Base ao
período compreendido entre o último dia da menstruação e o primeiro do início
da fase fértil. Existem dois tipos de P.B.!. (Q.I.B.):

2.1.1 P.B.I. (Q.I.B.) seco: caracteriza-se por ausência de muco e sensação


de secura na mulher. O P.B.I. (Q.I.B.) seco termina com o aparecimento de
muco e/ou sensação de humidade ou lubrificação.

2.1.2 P.B.I. (Q.I.B.) mucoso: caracteriza-se pela presença de muco dia após
dia, sempre com características iguais de quantidade, aspecto, cor, e elas-
ticidade e secura. Para identificar com segurança que o muco é infértil, terá
que ser observado em três ciclos consecutivos. O P.B.I. (Q.I.B.) mucoso termina
quando se produz uma alteração em alguma das suas características.

Começa no primeiro dia de muco e/ou sensação de humidade ou lubrifi-


cação, quando o P.B.I. (Q.I.B.) é seco, ou no primeiro dia de alteração do
muco quando o P.B.I. (Q.I.B.) mucoso.
Chama-se dia pico ou cúspide ao último dia no qual o muco é elástico,
transparente, escorregadio (como a clara de ovo crua), e/ou está presente a
sensação de hurnidade, molhada, ou lubrificada, ainda que não seja o de maior
quantidade no que respeita ao muco.
A cúspide é detectada pela mulher no dia seguinte, pois é então que a
mulher observa a alteração na sensação e/ou da aparência do muco.

Vai desde o dia seguinte ao pico até ao dia anterior ao InICIOda mens-
truação seguinte. Costuma ser um período invariável para cada mulher e a sua
duração oscila entre 10 e 16 dias.
Durante este período não se devem ter relações gemtals, e a mulher tem
que observar se há presença de muco nos últimos dias de hemorragia.

2. Fase pré-ovulatória

Enquanto durar o P.BJ. (Q.I.B.), as regras para poder ter relações em


qualquer dos tipos de P.B.I. (Q.I.B.) são: relações genitais em noites alternadas,
se houver desejo. Para as pessoas que trabalham de noite as relações deverão
ter lugar antes de se iniciar o período de descanso equivalente.
Quando aparecer muco e/ou sensação de humidade - se o P.B.I. (Q.I.B.) é
seco - ou quando mudar o aspecto e/ou a sensação - se o P.B.I. (Q.I.B.) é
mucoso - dever-se-á suspender as relações e só as retomar na noite do 4° dia
consecutivo, se voltarem a aparecer os sintomas de infertilidade mantendo
relações em noites alternadas até identificar o dia cúspide.
A esta regra chama-se regra dos primeiros dias ou dos dias anteriores à
ovulação (fase pré-ovulatória).

Durante este período deve evitar-se qualquer tipo de contacto genital, se


não se desejar uma gravidez.
Uma vez detectado o pico, deverá guardar-se abstinência nos 4 dias seguin-
tes, podendo retomar as relações na noite do 4° dia. A partir deste momento,
as relações serão livres quanto ao dia e à hora.

No período pós-ovulatório a mulher poderá encontrar muco, mas nunca


de características férteis. Se tal acontecer, a mulher deve ficar atenta, não tenha
marcado mal o dia da cúspide devendo marcar-se com uma interrogação e,
portanto, deverá seguir as regras dos primeiros dias até poder detectar com
certeza a cúspide (pico).
*
6 7 *
8 9 10 11 12 13 14 15 29 30 31

Algumas mulheres têm um período pós-ovulatório seco, mas, poucos dias


antes da menstruação seguinte, notam a presença de muco ou têm sensação de
humidade. Se isto se repetir, ciclo após ciclo, não é preciso dar-lhe importân-
cia; a sua presença é devida a que o colo se está a abrir para dar passagem à
menstruação seguinte e escorre algum muco através dele.
*
6 7 *
8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 *18 19 20 21 22 23
Os métodos Naturais, e portanto o Método Billings, são aplicáveis em
todas as circunstâncias da vida fértil da mulher embora em situações de espe-
cial dificuldade se devam tomar as seguintes precauções adicionais:
1. Examinar com a monitora a situação concreta que se vive para poder
3

receber o aconselhamento adequado.


2. Em ciclos de stress, a fase pré-ovulatória costuma prolongar-se com o
3

aparecimento de pastas de muco. É fundamental aplicar correctamente a regra


dos primeiros dias. Se o stress for permanente marcar-se-á a cúspide com um ?
e aplicar-se-ão as regras dos primeiros dias, até haver a certeza de que efecti-
vamente ocorreu o dia pico. Caso contrário, continuará a observar as referidas
regras durante o resto do ciclo.

3. Na pré-menopausa os ciclos podem ter uma duração variável, alternando


3

ciclos longos com ciclos curtos. A fase pós-ovulatória tende a encurtar-se.


Também é frequente o aparecimento de "spottings" (perdas de sangue inter-
menstruais) que, se forem frequentes e abundantes, precisarão de tratamento
médico. É fundamental distinguir uma perda de sangue deste tipo da de uma
menstruação (que é sempre precedida de uma ovulação 10-16 dias antes). No
caso de se tratar de perdas de sangue, há que abster-se de manter relações, não
só enquanto durar o "spotting", mas também após este ter terminado e repeti-
-las na noite do 4.° dia consecutivo se voltarem os sintomas de infertilidade,
mantendo relações em noites alternadas até identificar o dia cúspide.

4. Durante os primeiros meses de amamentação natural, a mulher perma-


3

nece infértil, desde que se cumpram as regras do aleitamento matemo - reco-


lhidos na Lactacion Amenorhea Method (LAM) ou o Médoto da Lactância (MELA):
que este seja exclusivo, com intervalos, tanto nocturnos como diurnos, não exces-
sivamente longos, e sempre que não tenha aparecido a primeira menstruação.
Para as mulheres que não podem cumprir estas condições deve recordar-se
que:
a) Neste período têm de definir de novo o tipo de P.B.I. (Q.I.B.) (que pode
ter-se modificado ou manter-se o mesmo).
b) Nesta circunstância, para além do P.B.I. (Q.I.B.) seco ou mucoso pode
existir um P.B.I. (Q.I.B.) misto, alternando períodos de 12-15 dias de
secura com períodos de 12-15 dias de muco infértil, constante e inva-
riável.
c) Perante qualquer indício de retorno à fertilidade (observado pelo apare-
cimento de muco - se o P.B.I. (Q.I.B.) for seco - ou por variação da
quantidade e do aspecto do muco e da sensação - se o P.B.I. (Q.I.B.)
for mucoso -, deverão suspender-se as relações e reatá-las só a partir da
4.a noite após o regresso à infertilidade, segundo as indicações da monitora.

Três dias de alleração Três dIaS de mudarça


de muco depois do pioo para seco depois do pioo
ou cUspide ou cúspide

I D~DIJ D
G [I] ~ ~ [TI] ITITill 0 D

Face ao imprevisto ou a qualquer anomalia, o casal deverá suspender as


relações e esperar para ver o que acontece. Se cessarem os sintomas anómalos
(spotting, pastas de muco) poderá retomá-las na noite do 4. dia após o retorno 0

à infertilidade e seguir as regras dos primeiros dias. Se persistirem as anoma-


lias, deverá contactar a sua monitora.
Se uma mulher tiver uma hemorragia quando esta não deveria ter ocorrido
(não tendo detectado 10-16 dias antes a ovulação) deverão suspender-se as
relações enquanto a mesma durar, podendo retomá-las na noite do 4. dia 0

consecutivo à paragem hemorragia, se voltarem os sintomas de infertilidade e


seguir com as regras dos primeiros dias até detectar o dia cúspide.
Para que ocorra uma gravidez é importante ter relações nos dias de máxima
fertilidade da mulher, isto é, nos dias em que o muco cervical for claro e
elástico, acompanhado de uma sensação de humidade e lubrificação.
Para favorecer a qualidade e quantidade de espermatozóides do homem é
aconselhável espaçar as relações durante a primeira fase do ciclo e mantê-las
em dias alternados quando começar a fase fértil da mulher, tentando fazer
coincidir, sempre, uma delas com o pico (cúspide) ou com o dia seguinte.

3. RODRÍGUEZ, A.M.: GUTIÉRREZ, M.T.: Guía deI Método de la Ovulación (Billings). Ciudad
Nueva, Madrid, 1992.

4. MELENDo, T.; FERNÁNDEZ-CREHUET,1.: Métodos Naturales de la Regulación Humana de la


Fertilidad. Palavra, Madrid, 1989.
o Método Sintotérmico consiste em identificar os dias férteis e inférteis do
ciclo menstrual, a partir da observação e interpretação simultânea da tempera-
tura corporal basal, do muco cervical e os indicadores minor periovulatórios da
fertilidade.
Para determinar o início do período fértil, podem juntar-se o cálculo pré-
-ovulatório modificado de Ogino ou o cálculo de Doring. Em ciclos com o
mesmo tempo de duração, o método de Doring permite reduzir o período
de abstinência em mulheres com fases lúteas curtas e aumentar a eficácia em
mulheres com fases lúteas longas.
Os indicadores minor da fertilidade são muito variados, mas os mais conhe-
cidos baseiam-se nas alterações das características do colo uterino cervical, na
hemorragia intermenstrual (spotting), na dor pélvico-abdominal (mittelschmerz)
ou das costas, dores mamárias, no edema labial vulvar e no aumento de volume
abdominal.
Na realidade, não existe "um método sintotérmico" mas vários, depen-
dendo da relativa importância dada aos indicadores da fertilidade para delimi-
tar o período fértil do ciclo menstrual. A Organização Mundial da Saúde (OMS),
aconselha o método de "double check" (duplo controlo) que avalia tanto o
cálculo como o muco cervical, antes da ovulação, bem como a temperatura
corporal basal (TCB) e o muco cervical no período pós-ovulatório. Cingir-nos-
-emos aqui a esta perspectiva do Método Sintotérmico.
As bases fisiológicas mais relevantes do Método Sintotérmico são as cor-
respondentes aos indicadores maiores da fertilidade: o da temperatura corporal
basal e o do muco cervical. Como já se comentaram as bases fisiológicas do
Método da Ovulação Billings no capítulo correspondente a esse método,
limitar-nos-emos a explicar agora as bases fisiológicas, quer da temperatura
corporal basal, quer dos indicadores menores da fertilidade.
A temperatura corporal basal (TCB) é a temperatura em repouso, que
normalmente se mede mais ou menos à mesma hora, de manhã, imediatamente
após o despertar e antes de se levantar da cama. A sua correcta observação
permite identificar o período infértil pós-ovulatório.
Na curva de TCB, o aumento periovulatório da temperatura, conhecido
como planalto térmico, alcança uma amplitude de cerca de 0,2 a O,S°c. Cons-
titui uma transição entre duas fases da curva: uma, de temperaturas sobretudo
baixas durante a fase fulicular do ciclo, a que chamamos "nível baixo" ou
"fase hipotérmica" e outra, com temperaturas mais altas, durante a fase lútea, a
que chamamos "nível alto" ou "fase hipertérmica" (Figura 1). O desfasamento
ou desnível térmico pode surgir de forma repentina (num dia), lenta (vários
dias), em degraus ou em forma de serra dentada.
Falamos de curva bifásica quando existe um desnível térmico e duas fases
- uma hipotérmica e outra hipertérmica - num gráfico de TCB. Pelo contrário,
as curvas sem desfasamento térmico são monofásicas e costumam corresponder
a ciclos anovulatórios.
A regulação da temperatura corporal é um processo complexo que depende
do centro termo-regulador hipotalâmico, o qual responde a estímulos físicos
(temperatura do meió interno) e químicos (pirogénios) para produzir os ajusta-
mentos da temperatura corporal necessários em cada momento.
Durante o período ovulatório, a progesterona segregada pelo corpo lúteo
actua directamente sobre este centro termo-regulador, produzindo um aumento
controlado da temperatura corporal basal até umas horas antes da menstruação
seguinte.
Sendo certo que as únicas provas irrefutáveis da ovulação são a sua
visualização directa (ecografia) ou a existência de uma gravidez, continua a
ser correcto equiparar um gráfico bifásico a um ciclo ovulatório dado que
existe uma certa relação entre estes dois fenómenos.
Actualmente, afirma-se que a ovulação ocorre pouco antes do desfasa-
mento térmico ou durante a subida da temperatura.
O gráfico de TBC é uma prova funcional, fácil de realizar. O seu estudo
permite, às vezes, chegar a um diagnóstico correcto:
• fase hipertérmica inferior a 10 dias (se considerarmos que a fase lútea
se prolonga desde o dia seguinte ao pico de LH até ao último dia do
ciclo): corpo lúteo insuficiente, abortivo, em situações de pré-menopau-
sa, aleitamento ou pós-pílula.
• fase hipertérmica superior a 18 dias: gravidez em 97% dos casos. Se,
além disso, a temperatura descer bruscamente e existir uma menstruação
mais abundante e dolorosa, deve pensar-se num- aborto precoce.
• persistência da hipertermia durante a menstruação: pode dever-se a diver-
sas patologias (endometriose, etc.).
• curvas irregulares, em mulheres emocionalmente instáveis, originando
uma subfertilidade que é possível corrigir com indutores da ovulação ou
tratamento ansiolítico.

A eficácia dos MNRF - Métodos Naturais de Regulação da Fertilidade


não radica na sua capacidade de identificar o dia concreto da ovulação, mas
sim em poder delimitar o período fértil periovulatório com a maior exactidão
possível. Nesta linha, a TCB desempenha um papel importante, pois permite-
-nos confirmar, retrospectivamente, que houve uma ovulação.
Foi dito, com alguma frequência, que a observação da temperatura pode
distrair a mulher da observação do seu muco cervical. Esta afirmação foi
estudada por alguns autores e os resultados demonstram que esta hipótese não
se verifica. Pelo contrário, a OMS assegura que a TCB pode ajudar as mulhe-
res a distinguirem melhor o muco cervical fértil do infértil.

A interpretação correcta de um gráfico de TCB exige que a medição e o


registo das temperaturas sejam feitos de forma sistemática e ordenada:
a) qualquer termómetro serve, embora existam alguns especialmente con-
cebidos para isso. As mulheres que têm curvas sem demasiados altos e
baixos podem beneficiar, inclusivamente, dos termómetros digitais.
b) Pode utilizar-se a via oral (5 minutos), vaginal ou rectal (mais precisas,
3 minutos).
c) Será necessário um descanso mínimo de 3 horas. Se a mulher tiver de
trabalhar à noite pode observar a temperatura depois do seu maior período
de descanso. É preferível medi-la sempre à mesma hora, embora seja
possível ajustar as temperaturas (baixando O, 1°C por cada hora de
atraso em relação ao habitual) quando as horas diferirem da habitual.
d) Qualquer alteração: hora de medir a temperatura, termómetro, insónia,
constipação ou dores físicas, transtornos emocionais, medicação, via-
gens, ingestão importante de álcool ou alimentos, jejuns, etc. deverá ser
anotada no gráfico para, posteriormente, facilitar a sua interpretação.

o terceiro dia de temperatura alta assinala o fim do período fértil ou o


início do período pós-ovulatório de infertilidade absoluta; é importante, por-
tanto, saber determinar quando começa a subir a temperatura.
Embora existam muitas variantes das regras de interpretação dos gráficos de
TCB, interpreta-se um maior número de gráficos e obtém-se maior eficácia com
a técnica do "3 sobre 6" do Dr. J. Roetzer e Arbeitsgruppe da Alemanha.

Os critérios para identificar o terceiro dia de temperatura alta baseiam-se


na procura de três temperaturas consecutivas que se situem acima das seis
precedentes. Traça-se uma linha sobre a temperatura mais alta destas seis tem-
peraturas; esta linha representa o "nível de temperaturas baixas": Gráfico A
1. Para marcar o começo da infertilidade pós-ovulatória, o terceiro dia de
3

temperaturas altas deve situar-se pelo menos a 0.2 °C (2 quadrados no gráfico)


do nível baixo de temperaturas: Gráfico B

Gráfico B.
2. No caso de o terceiro dia de temperaturas altas se situar a menos de
3

0,2°C, será necessário esperar pelo quarto dia: este marcará o início da
infertilidade pós-ovulatória. No 4° dia deve estar acima da linha base, mas não
é necessaário que esteja a 0,2°C: Gráfico C

1 2 3 4

r -
'-V 6 A 4
."- "- ~
5
1'-" 2 1

3.3 Se uma das três temperaturas altas descer até ou abaixo do nível das
temperaturas baixas, não a consideraremos válida e esperaremos pelo quarto dia:
a) Se no quarto dia estiver pelo menos a duas décimas do nível das tem-
peraturas baixas, marcará o início do período infértil pós-ovulatório: Gráfico D
b) Se no quarto dia for inferior pelo menos a duas décimas do nível das
temperaturas baixas, não podemos aplicar a regra (2); será preciso
procurar outro desfasamento térmico e outras três temperaturas altas.

Os indicadores minor também dependem das flutuações hormonais, se


bem que alguns mecanismos de actuação estejam ainda por esclarecer.
alterações no colo uterino:
sob influência do estrogénio (fase periovulatória) o colo cervical amolece
(sensação de tocar nas bochechas), adopta uma posição mais alta na
vagina (é mais difícil palpá-Io) e abre o seu orifício externo. A proges-
terona pós-ovulatória terá o efeito inverso: o colo fica mais duro (sen-
sação de tocar na ponta do nariz), adopta uma posição mais baixa na
vagina (é mais acessível ao toque) e fecha o seu orifício externo.
- hemorragia intermenstrual "spotting":
ocasionalmente, o período ovulatório é acompanhado por uma pequena
perda de sangue vermelho, castanho ou rosado que pode inclusiva-
mente encontrar-se no muco cervical.

- dores pélvico-abdominais ou das costas:


tanto podem ser pré como pós-ovulatórias.

- dores mamárias:
as dores mamárias podem ser causadas por níveis altos de estrogénios
ou de progesterona, indicando uma sintomatologia ovulatória e/ou pré-
-menstrual.

- humor ou libido:
em algumas mulheres, ocorre uma euforia ou uma depressão inexpli-
cável durante o período ovulatório, assim como uma maior irritabili-
dade na fase progesterogénica do ciclo.

- outros sinais:
existe uma grande variedade de sinais que não parecem ser fortuitos, já
que as mulheres utilizadoras dos gráficos observam que reaparecem no
mesmo momento de muitos ciclos: enxaquecas, náuseas, adenopatias,
comichões, acne, maior apetite, aumento de peso, sensação de disten-
são gástrica.
Estes indicadores são chamados "minor" porque não são tão objectivos
nem tão constantes como a TCB e as alterações do muco cervical. O Método
Sintotérmico segue, fundamentalmente, estes dois indicadores maiores e costu-
ma recorrer aos minor em determinadas circunstâncias especiais ou para con-
firmar uma situação fisiológica duvidosa. O facto de o Método Sintotérmico se
apoiar em vários sinais de fertilidade, faz que a sua eficácia e taxa de conti-
nuidade sejam maiores porque quando se altera um indicador, os utilizadores
podem basear-se noutro.

O "double check" (duplo controle) do Método Sintotérmico proposto pela


OMS, aconselha a utilização do cálculo modificado de Ogino (CMO) e a obser-
vação do muco cervical (MC) para determinar o último dia infêrtil do período
pré-ovulatório:
a) cálculo pré-ovulatório modificado de Ogino:
subtraindo 20 ao mais curto dos 12 ciclos anteriores, obtém-se o último
dia infêrtil prê-ovulatório (Figura 1: 29-20 = dia 9 do ciclo)
b) observação do muco cervical pré-ovulatório:
o primeiro dia fértil pré-ovulatório é aquele em que aparece o primeiro
sintoma de muco cervical (sensação ou aparecimento na vulva). Na
Figura 1 é o dia 12 do ciclo, portanto o último dia infêrtil pré-
ovulatório será o dia anterior: dia 11, no gráfico.

É frequente que estes dois processos não coincidam no mesmo dia do ciclo
(CMO = dia 9 e MC = 11). Nestes casos teremos em conta o acontecimen-
to mais precoce: dia 9 do ciclo, neste exemplo.

Para encontrar o primeiro dia infértil pós-ovulatório, recorremos à tempe-


ratura basal e ao muco cervical:
a) temperatura corporal basal (TCB):
o primeiro dia infértil pós-ovulatório coincide com o terceiro dia de
temperatura alta (à noite), tal como ficou definido anteriormente: dia 18
do ciclo na Figura 1.

b) observação do muco cervica1:


o primeiro dia infértil pós-ovulatório coincide com o terceiro dia - e
não com o quarto, como no Método Billings - depois da cúspide: dia
19 do ciclo na Figura 1.

Quando a TCB e o muco cervical não coincidem para achar o primeiro


dia infértil pós-ovulatório (TCB = dia 18 e MC = 19) teremos em conta o
mais tardio dos dois: dia 19 do exemplo na Figura 1.

o Método sintotérmico Ciclo mais curto conhecido ~


Extensão do ciclo ~
dias
dias
Hora de medição
Forma de medição
da temperatura
da temperatura
l0
_.
Iv IR
_

INome
I Mês
Data
37,5 37,5
37,4 37,4
37,3 37,3
37,2 37,2
37,1 37,1
37,0 1 37,0
36,9 2 36,9
36,8 36,8
36,7 l1JI 36,7
36,6 36.6
36,5
3 36.5
36,4
Menstruação 36,3 *
Dia Seco, sem muco dias aconselhados
36,2
Muco de tipo f para as
36.1
relações sexuais
Muco de tipo F 36,0
Dia cúspide 35,9 o mais preooce o mais tardo 35,9
35,8 35,8
Começo dos dias
35,7 35,7
provavelmente férteis 35,6 35,6
Dias depois da cúspide
** *** * * ** ******** **
365 36,5
36,4 36,4
123456789'0 1112tJ 14151317 181.) 21 24 2r 32 34 - 31 4:)'

Dias do ciclo menstruaf I~ ~ f f F F f f f


í
Aparência 1 23
e sensação -
29-20=9 pliTreiro aparedlffi1lo de muco
Sensibilidade e/ou
inchação nos seios -
Dor intermenstrual -
Sangria intermenstrual -
colo cervical -
Relações sexuais
ou contacto genital -
~~:=it_'_'
•••• ••
-- --~ ::-. ... -. .

Figura 1. Gráfico sintotérmico: regras de interpretação para evitar uma gravidez. Adaptado
da OMS (re! 63, pág. 126)
Se se quiser evitar uma gravidez, as relações sexuais deverão limitar-se aos
seguintes dias do ciclo:

os cinco primeiros dias de menstruação se:


• Não houver presença de muco cervical.
• O ciclo anterior tiver sido ovulatório (se tiver subido a temperatura,
tendo-se mantido alta pelo menos durante 10-16 dias).
• O ciclo mais curto dos últimos 6-12 tiver tido uma duração superior
a 25 dias.

Seguindo estes critérios e diferentemente do Método Billings (em que não


se possui o dado da temperatura), é possível utilizar os referidos dias para as
relações sexuais porque a falta de eficácia do método é mínima, ainda que,
por motivos higiénico-culturais, não tenha proliferado a sua utilização.
as noites de dias secos até ao último dia infértil pré-ovulatório identifi-
cado, seguindo conjuntamente o cálculo e o muco cervical (pontos a) e
b) expostos anteriormente).
- todos os dias a partir do primeiro dia infértil pós-ovulatório, identifica-
do conjuntamente com a TCB e o muco cervical, até à menstruação
seguinte (pontos a) e b) expostos anteriormente).

Um casal pode adaptar o método às suas necessidades (maior ou menor


eficácia, simplicidade, etc.), desde que tenha aprendido a servir-se destes indi-
cadores. A metodologia conta com uma grande eficácia (situa-se em segundo
lugar entre os MNRF, depois do Método TCB utilizado estritamente, isto é,
tendo relações sexuais unicamente na fase pós-ovulatória). Os utilizadores podem
simplificar o método e utilizar menos indicadores, desde que se sujeitem a
uma pequena redução da eficácia. Poderão voltar a recorrer a mais indicadores
da fertilidade quando aquele que utilizam em determinado momento se alterar
ou em situações fisiológicas especiais.
Ao ganharem experiência no preenchimento e interpretação dos seus
gráficos, os casais poderão reduzir a recolha de certos dados como a medição
diária da TCB: será suficiente começar a medir a temperatura logo que comece
a aparecer o muco cervical e só até que identifiquem o terceiro dia de tempe-
raturas altas, reduzindo assim os dias em que se mede a temperatura, mas sem
que, por isso, modifiquem a interpretação do gráfico; observe-se que a inter-
pretação do gráfico da Figura 2 é idêntica à da Figura 1.

o Método sintotérmico Ciclo mais curto conhecido


Extensão do ciclo
~
Li!2.J
dias
dias
Hora de medição
Forma de medição
da temperatura
da temperatura
l0 Iv IR
_

/Nome
I Data
37,S
Mês

37,S
37,4 37,4
37,3 37,3
37,2 37,2
37,1 37,1
37,0 1 37,0
36,9 2 36,9
36,8 36,8
36,7 ~I 36,7
36,6 36,6
36,S
3 365
36,4
Menstruação
36,3 *
dias aconselhados
Dia Seco, sem muco 36,2
Muco de tipo f para as
36,1
relações sexuais
Muco de tipo
Dia cúspide
F 36,0
35,9 o maisprecoce n o maistardio 35,9
35,8 35,8
Começo dos dias
35,7 35,7
provavelmente férteis
35,6 ********* 35,6
Dias depois da cúspide 36,S
***** * * *** 36,S
36,4 36,4
123456 7 89 '() 11121314 15'6 17'8 193J 21 232425 2 293J3132 37 40!
Dias do ciclo menstrual I~ I f F FtJ( f f f !
r:
Aparência
e sensação - IIII1 123

~
29-20=9 pliT'eiro apareciren10 de lTUXl
Sensibilidade e/ou
inchação nos seios -
Oor intermenstrual -
Sangria intermenstrual -
colo cervical -
Relações sexuais •••• •• ••
~\l c~"\"'c\~9""í\ .••
\ -

Figura 2. Gráfico sintotérmico: regras de interpretação para evitar uma gravidez, Mulher
com experiência: menos dias de medição da temperatura. Adaptado da OMS (re! 63, pág, 126),

Alguns autores .preferem aplicar o cálculo de Doring em vez do cálculo


modificado de Ogino na fase pré-ovulatória, por ser mais adaptado à fisiologia
do ciclo feminino já que tem em conta a duração das fases lúteas em vez da
duração de um ciclo, Permite, além disso, reduzir os dias de abstinência em
muitos casos. A diferença entre o cálculo de Doring reside em que o último
dia infértil pré-ovulatório se determina subtraido 8 ao primeiro dia de tempera-
tura alta mais precoce entre os primeiros dias de temperaturas elevadas dos 12
ciclos anteriores. Por exemplo, se numa mulher com ciclos muito longos, os
primeiros dias de temperaturas elevadas nos seus 6 ciclos anteriores foram os
dias 22, 23, 22, 24, 25 e 22, o mais precoce deles seria o dia 22 e o cálculo
de Doring situaria o último dia infértil pré-ovulatório no dia 14 do ciclo (22-8 = 14).
REGRAS DE INTERPRETAÇÃO: MÉTODO SINTOTÉRMICO.
PERÍODOS INFÉRTEIS.

- Os cinco primeiros dias da menstrua- - Todos os dias a partir do primeiro dia


ção se: infértil tendo em conta:
• Não houver presença de muco • Temperatura Corporal Basal:
cervical. Terceiro dia de temperatura pelo menos
• O ciclo anterior tiver sido ovulatório 2 décimos acima das anteriores.
(se tiver subido a temperatura, • Muco Cervical:
mantendo-se alta pelo menos durante Cúspide + 3 -dias.
10 dias).
• O ciclo mais curto dos último 6-12
ciclos tiver tido uma duração superior
a 25 dias.

- Todas as noites até ao último dia


infértil.
Segundo:
• Cálculo: ciclo mais curto
(6-12) - 20 = último dia infértil
• Muco cervical: aparecimento de muco. Se não coincidirem, ter em consideração
o mais tardio dos dois.
Se não coincidirem, ter em considera-
ção o mais precoce dos dois.

A menarca, a pré-menopausa, o pós-parto e o aleitamento são situações


fisiológicas nas quais não é raro haver ciclos curtos « 20 dias), longos (> 35
dias) ou monofásicos. Por outro lado, os ciclos pós-pílula, pós-DIU ou de
stress são acompanhados, frequentemente, de alterações que dificultam a inter-
pretação dos indicadores de fertilidade; são circunstâncias especiais que reque-
rem a aplicação de regras específicas:
O cálculo pré-ovulatório pode perder a sua utilidade nestas situações e,
por isso, durante este período e, na primeira fase do ciclo, deverão
seguir-se as normas do Método de Ovulação Billings.
- A observação do muco cervical nestas circunstâncias é fundamental nas
fases pré-ovulatórias longas ou ciclos anovulatórios e a mulher deve
aprender a reconhecer o seu padrão básico de infertilidade (P.B.I. ou
Q.I.B.) e a utilizar os referidos dias (noites alternadas) para as relações
sexuais. Perante qualquer alteração, de seco a mucoso, de muco contí-
nuo infértil a muco tipo fértil ou de P.B.I. (Q.B.I.) a "spotting", o casal
abster-se-á de relações sexuais ou contactos genitais até à 4a noite de-
pois de ter voltado aos sintomas de infertilidade (regras pré-ovulatórias
ou "dos primeiros dias").
Às vezes estas indicações são insuficientes e o casal pode ver-se con-
frontado com períodos excessivamente longos de abstinência. Apalpação
cervical e a observação das alterações que acompanham a ovulação
conseguem ajudar os referidos casais, facultando-lhes um factor adicio-
nal de segurança.
- É costume afirmar-se que a utilização da temperatura corporal basal não
tem vantagens, uma vez que apenas confirma uma ovulação retrospec-
tivamente; no entanto, os "falsos dias cúspides" de muco cervical são
mais frequentes nestas circunstâncias, e é um factor que aumenta a
ansiedade da mulher confrontada com a observação destes ciclos mais
complexos. A medição diária da TCB pode, pelo menos, confirmar a
ovulação quando esta se der e indicar à utilizadora que dispõe, com
segurança, de uns dias de infertilidade absoluta até à chegada da mens-
truação seguinte. A TCB é fundamental em mulheres que puseram de
parte a pílula, já que algumas observam a existência de muco cervical
com características de fertilidade durante todo o ciclo. Em vez de espe-
rar pela normalização do padrão de muco cervical - o qual pode ser
demorado - poderão confirmar a ovulação esperando o desfasamento
térmico e iniciar, nestes casos, as suas relações na noite do 4° dia de
temperatura alta.-
A OMS recomenda que se uma mulher não for capaz de distinguir
entre muco cervical fértil e infértil ao fim de dois ciclos de observação,
deve ser ensinada a interpretar a TCB, uma vez que esta a poderá
ajudar, por sua vez, a interpretar o seu muco cervical.

o aleitamento materno merece uma referência à parte. Devido ao crescente


interesse em o promover, muitas investigações foram orientadas para o estudo
das suas aplicações na Regulação Natural da Fertilidade, existindo regras espe-
ciais para esta circunstância.
Num futuro proxlmo, o desenvolvimento das novas tecnologias de diag-
nóstico do período fértil consegmra facilitar a utilização dos MNRF em
qualquer situação fisiológica.

1. CLUBB, E.; KNIGHT, J.: «The temperature method». Em: CLUBB, E.; KNIGHT, J.: Fertility.
A comprehensive guide to natural family planning. Great Britain: David and Charles
Publishers pIe, 1988: 34-41.

2. DRIFE, J.O.: «Breast modifications during the menstrual cycle» Int J Gynecol Obstet
1989; Supplement 1: 19-24.

3. FLYNN, A.M.; DOCKER, M.; MORRlS, R.; LYNCH, S; ROYSTON, J.P.: «The reliability of
women's subjective assessment of the fertile period relative to urinary gonadotrophins
and follicular ultrasonic measurements during the menstrual cycle». Em Bonnar, J.;
THOMPSON.; HARRISON, R.F. (eds.) Themes from the Xlth World Congress on Fertility and
Sterility. MTP Press Limited U.K. 1983: IIp.

4. HILGERS, T.; DALY, KD.; PREBIL, A.M.; HULGERS, S.K.: «Natural family planning III.
Intermenstrual symtoms and estimated time of ovulation». Obstet Gynecol 1981; 58:
152-55.

5. JOHNSTOT, J.A.; ROBERTS,D.B.; SPE CER, R.E.: «NFP Services and methods in Australia: A
survey evaluation, Parts.2-3». Int Rev Nat Fam Plann, fall 1978; I1(3): 203-24, Part 4
(continued), spring 1979: III (1).

6. JOHNSTON,J.A.: «An analysis of continuity-discontinuity in natural family planning: An


Australian factor analysis». Int J Fertil 1981; 26(3): 231-38.

7. PARENTEAU-CARREAU, S.: «The Sympto-thermal methods». Int J Fertil 1981; 26(3):


170-81.

8. PARENTEAU-CARREAU,S.; INFANTERIVARO, c.: «Self-palpation to assess cervical changes in


relation to mucus and temperature». Int J Fertil 1988; Supplement: 10-16.

9. WORLO HEALTH ORGANISATION,BLAT CENTRE FOR HEALTH ANO MEDICAL EDUCATION.Family


fertility education. A resource package for teachers of natural family methods. 1982.

10. DE lRALA, J.; GÓMEZ, E.; FERNÁNOEZ-CREHUET, J.: «La eficacia de la regulación natural de la
fertilidad: nuevas perspectivas». Aten. Primaria 1992; 8(8): 594-598.

11. OTTE, A.; MEDIALDEA, c.; GONZÁLEZ, F; MARTÍ, P.: ;, Cómo reconocer la Fertilidad? El
Método Sintótermico. Ediciones Internacionales Universitarias, Barcelona, 1997.
Neste capítulo veremos a importância do conhecimento do padrão do
muco cervical e de outros parâmetros da ovulação no estudo da infertilidade.

No âmbito demográfico, a infertilidade compreende tanto a esterilidade


como a perda de gestações. Cerca de 15% da população em idade fértil (em
Espanha uns 700.000 casais) são estéreis.
As causas de esterilidade na mulher podem ser devidas a três factores: o
factor ovárico, o factor cervical e o factor útero-tubárico. Este factores são
responsáveis por 60% das causas de esterilidade. No homem deve-se à falta total
de espermatozóides (azoospermia), à baixa quantidade destes (oligospermia) ou
à diminuição da sua mobilidade (astenospermia). A eles se devem 35-40% das
esterilidades. Existem além disso cerca de 10% de esterilidades qualificadas
como esterilidades sem causa aparente.

Quando não se consegue uma gravidez depois de a ter tentado activamente


durante um ano, uma vez que 80-90% dos casais a conseguem nesse espaço
de tempo.

Quando, tendo havido uma anteriormente, não se consegue nova gravidez


depois de um ano a tentá-la.
Compreende tanto o aborto espontâneo como o nascimento de um feto
morto. Devem ser situações a estudar medicamente, se tiver havido 2 ou mais
abortos no primeiro ou segundo trimestre (1). As alterações da ovulação
(40-50%) e cervicais (10%) podem ser detectadas pelo registo sintotérmico, daí
a sua utilidade complementar.

Entre todos os acontecimentos fisiológicos, a capacidade para a reprodução


é a que apresenta maior variabilidade durante a vida da mulher. O período de
vida reprodutiva começa com a menarca e termina com a menopausa, abran-
gendo uma média de 35 anos nas mulheres ocidentais. Alcança o seu pico
depois de um curto período de maturação (pós puberdade), diminui progressi-
vamente a partir da quarta década de vida, e desaparece completamente quando
cessam os ciclos ováricos, aproximadamente pelos 50 anos de idade.
A mulher mais velha produz menos ovócitos que a mais jovem, mas o
índice de fertilização não varia.
Um embrião em processo de implantação produz um aumento local da
permeabilidade capilar e um aumento de vascularização, e como esta se reduz
nas mulheres com mais de 40 anos, diminuem as possibilidades de
implantação e aumentam as perdas de embriões já implantados.

Recorrendo a consultas sucessivas, eliminam-se as possibilidades de infec-


ções cérvico-vaginais através de esfregaços, realizando-se um estudo da fun-
ção ovárica e cervical durante três ciclos; uma histerosalpingografia dá-nos a
informação útero-tubárica. Para o estudo do homem pede-se um espermo-
grama remetendo-o ao andrologista se revelar alterações pela segunda vez. Em
caso de abortos anteriores repetidos pede-se um estudo genético.
De acordo com os resultados anteriores pode pedir-se uma laparoscopia ou
histeroscopia diagnóstica.
A introdução, desde 1985, da endosonografia (ecografia com sonda vagi-
nal) trouxe um grande avanço ao conhecimento do ciclo ovárico e das altera-
ções do endométrio (mucosa uterina) durante o mesmo.
Além do seguimento ecográfico do processo que tem lugar nos ovários, a
maturação folicular, a ovulação e o desenvolvimento do corpo lúteo estudam-
-se também, através das determinações hormonais de 17 beta-estradiol, LH na urina
e progesterona (ver capítulo Anatomia e fisiologia da mulher e do homem). A
ovulação acontece cerca de 36 horas depois da subida de LH na urina.
Se o folículo tiver um diâmetro de 21-24 mm e existir um nível de
estradiol de 300-350 pg/ml dá-se a ovulação. Apenas um folículo consegue
amadurecer totalmente (talvez dois e excepcionalmente, três ou mais) sendo a
sua velocidade de crescimento de 1,1 a 2,5 mm/dia. A ovulação pode ocorrer
no mesmo ovário vários ciclos seguidos.
A ecografia com sonda endovaginal (endosonografia) colabora no diagnós-
tico da anovulação por não se observar o crescimento e o desenvolvimento do
folículo, ou por se detectar um folículo persistentemente, quístico e duro,
durante a fase lútea. Em mulheres normalmente férteis dão-se uns 10% de
ciclos não ovulatórios.
A mucosa endometrial durante a fase proliferativa - pré-ovulatória - apa-
rece linear, na periovulatória é trilaminar e na fase secretora - pós-ovulatória -
a imagem é de anelou pseudosaco; este dado pode, pois, indicar-nos se a fase
lútea é inadequada. (3)

Actualmente o seu estudo é tão fidedigno como os referidos anteriormente


e deveria incluir-se nos estudos básicos da infertilidade.
O canal cervical elabora uma secreção mucoide que, resvalando pela vagina
"como uma gota de água num vidro molhado", aparece no exterior. Depende
dos níveis hormonais circulantes. (Ver tipos de muco no capítulo de M.
Billings). A descrição remonta a Pouchet e a Robin (1847-48). Smith assinala
que a gravidez tem mais possibilidades de ocorrer quando o muco estiver "na
sua condição mais fluida"; em 1868, Marion Sims descrevia-o como sendo
claro e transparente, "semelhante à clara de ovo". Esta permeabilidade rítmica
foi posteriormente investigada por Huhner.

Insler inclui estes 4 parâmetros no seu índice cervical (4).


Todos eles podem ser avaliados pela mulher: os três primeiros observando
o seu padrão mucoso e o quarto mediante a auto-palpação cervical de Keefe.
Quantidade: Depende da secreção das glândulas e do canal: aumenta a
meio do ciclo.
Aspecto: Transparente a meio do ciclo; translúcido ou opaco nos períodos
pré e pós-menstruais.
Filância: Esta propriedade foi considerada por Clift em Oxford (1945) e
verifica-se medindo o comprimento alcançado por uma certa quantidade de
muco aderente a duas superfícies que se separam. Durante a ovulação pode
chegar aos 10 cm ou mais.
Abertura do orifício cervical: Está relacionada com a quantidade de
muco segregado.
A mulher é capaz de detectar as alterações de posição, abertura e consis-
tência do colo do útero. Para isso colocar-se-á em posição vertical com um pé
sobre uma cadeira e introduzirá os dedos indicador e médio na sua vagina até
palpar o colo do útero.
Nas fases pré e pós-ovulatória, o colo está baixo, duro (como a cartila-
gem da orelha), e fechado, ao passo que na fase periovulatória, o colo retrai-se
(está mais alto), palpa-se mais mole (como uma bochecha) e o orifício entre-
abre-se.
Mediante o melhor conhecimento do padrão mucoso e do Método
Sintotérmico, os casais pouco férteis poderão programar as suas relações
para procurarem a máxima fertilidade, em vista a conseguirem uma gravidez.

1. WHEELER,J.M.; POLAN, M.L.: Toma de decisiones en Infertilidad. Edika-Med., S.A.,


Barcelona, 1992, 215 pp.

2. BOLLlNA-MusOLES,F; SIMON,c.; RAGA, F Y BLANES,J.: Endosonografía e Infertilidad.


Avances en Reproducción AsistidA. Díaz de Santos, S. A., Madrid. 1992, 439 pp.

3. FLEISCHER,A.c.; CULLINAN,SA; JONES, H.N.:«Transvaginal sonography of endometria1


disorders». En: Sonography in Obstetrics and Gynecology. Fifth Ed. Appleton-Lange.
Stanford, Connecticut. D.S.A., 1995.

4. lNSLER,V; MELMED,H.; EICHENBRENNER, L; SERR, D.M. Y LUNENFELD, B.: «The cervical


score. A simple semiquantitative method for monitoring of the menstrual cycle». Int. J.
Gynecol. Obstet. 1972; 10, 223.
NOVAS TECONOLOGIAS
APLICADAS AO DIAGNÓSTICO DA FERTILIDADE

As novas tecnologias representam uma ajuda ou apoio aos métodos


Naturais naqueles casos em que as mulheres têm dificuldade em determinar a
sua fase fértil, de forma que não se deve pensar que possam substituir os
indicadores naturais (muco e temperatura).
Se partirmos do princípio de que 95% das mulheres são capazes de iden-
tificar a sua fase fértil após uma aprendizagem durante três ciclos, é fácil
compreender a razão pela qual as novas tecnologias para autodiagnosticar a
ovulação têm tido, até agora, uma utilização restrita. Não obstante, é conve-
niente que os monitores dos Métodos Naturais as conheçam para aconselharem
o seu uso, quando necessário, e para informarem adequadamente a utilizadora
que faz uma consulta sobre a sua possível utilidade.
Até há pouco tempo, a complexidade de algumas destas técnicas fez que
se revelassem pouco práticas, quer pelas dificuldades na sua aplicação, quer
pelo seu elevado custo ou por exigirem um certo nível sociocultural. No
entanto, os laboratórios que as comercializam têm feito recentemente, investi-
mentos na sua investigação e desenvolvimento, o que simplificou o uso de
algumas delas sem que as tornasse mais económicas.
Deve ter-se em conta que a informação que acompanha os diferentes
instrumentos é, nalguns casos, parcial e pode induzir em erro as utilizadoras
que não tiverem experiência prática dos Métodos Naturais.
Bioself. Termómetro de temperatura basal associado a um microprocessa-
dor. Regista os dados da temperatura e a duração dos ciclos.
Para indicar a fertilidade, utiliza a cor vermelha intermitente (fase fértil), a
vermelha (relativamente fértil) e a verde (infértil). O seu índice de eficácia é
elevado; os dados podem considerar-se fidedignos após seis meses de registos.
Ladycomp. Babycomp.

Clearplan. Laboratórios Unipath. Teste que de uma só vez determina a


LH na urina. Fácil e rápido, já que os reagentes vêm incorporados no kit de
prova.
Conceive. Laboratórios Inmunoanalítica S.L. Teste de um só passo. Mede
a concentração de LH na urina. É muito específíco para casos de subferti-
lidade.
Safe Plano Laboratórios Inmunoanalítica S.L. É um teste simples e rápido
que determina o Pregnadiol Glucocoronico na urina. O teste permite conhecer
a fase pós-ovulatória infértil do ciclo menstrual.
Ovuquick. Alfa-diagnóstico. É um teste em quatro passos que determina a
concentração de LH na urina. As utilizadores com alguma experiência podem
utilizá-lo facilmente, mas fica muito dispendioso se for utilizado por períodos
de tempo prolongados.
Monitor Brown. É um teste em vários passos. Mede a concentração de
Estradiol e Pregnandiol. O modelo até agora utilizado, num estudo piloto diri-
gido pela equipa allstraliana do Prof. J. Brown, torna-se incómodo para a
utilizadora.
Biofertest. Teste simples e rápido que mede a peroxidase cervico-vaginal,
cuja concentração diminui drasticamente pouco antes do dia de máxima fertili-
dade.

Contagem das percentagens de tipos de muco cervical. Segundo a técnica


do Prof. E. Odebland, é possível fazer uma contagem das percentagens dos
diferentes tipos de muco cervical presentes numa amostra. Esta técnica permite
ajudar as mulheres em situações difíceis, orientando-as no que respeita à sua
fertilidade no dia da colheita da amostra. Exige uma equipa especializada para
poder pô-la em prática.
Ovulador. Orcosan S.A. Microscópio de uso pessoal para observar a cris-
talização da saliva. Apesar de estar avalizado pelos trabalhos dos Drs. ChIo e
de Chicago e M. Barbato de Milão, e do tempo investido na sua investigação e
desenvolvimento, o ovulador, utilizado sem outros parâmetros, provoca confu-
são em bastantes utilizadoras.
PC-53. Pequena lente para observar a cristalização da saliva. O seu dese-
nho é adequado, mas a lente, pouco precisa, provoca, com frequência, confu-
são. É pouco fidedigno se for o único parâmetro a ter em conta.

L-Sophia. Microprocessador fabricado no Japão. Tem um termómetro para


registar a temperatura basal e um pequeno teclado para parâmetros como:
muco cervical, dor pélvica, perdas de sangue, etc.
Persona. Unipath. É um processador que regista os níveis de Estradiol e
LH, e a duração dos ciclos. Indicadores luminosos assinalam a potencial fertili-
dade.
Cyclotest. UEBE GmbH. Termómetro associado a um micro-computador.
Regista a temperatura relativa à temperatura média da mulher. Podem
introduzir-se dados sobre o muco cervical ou determinações hormonais. Dá
informações sobre a fertilidade ou infertilidade do momento actual do ciclo e
permite recuperar e visualizar informação sobre ciclos anteriores.

Podemos resumir dizendo que estas tecnologias devem ser utilizadas


unicamente como reforço da informação obtida pelo conhecimento dos
Métodos Naturais. Serão úteis a pessoas muito motivadas (casos de
subfertilidade, por exemplo) ou em algumas situações especiais nas quais
a utilizadora tenha particular dificuldade em fazer o diagnóstico da sua
fertilidade. Contudo, devido à dificuldade de comercialização dos dife-
rentes instrumentos de diagnóstico da fertilidade, a sua presença no mer-
cado nem sempre está garantida. Terá de se recorrer à informação espe-
cializada no momento em que forem precisos.
REGULAÇÃO NATURAL DA FERTILIDADE
E PROMOÇÃO DA SAÚDE E BEM-ESTAR SOCIAL

Relacionar a regulação da natalidade com a saúde e o bem-estar social


pode parecer, à primeira vista, algo forçado, especialmente ao pretender fazê-
-lo segundo determinados métodos de regulação da fertilidade, concretamente
segundo os Métodos Naturais. Poderia pensar-se que estamos a fazer referên-
cia a dois âmbitos totalmente diferentes e sem nenhuma ligação entre si. Por
um lado, a atitudes e procedimentos relacionadoas com os aspectos mais ínti-
mos do comportamento pessoal, e por outro, ao mundo social. Mas estes dois
campos tão claramente diferenciados estão, ao mesmo tempo, profunda e reci-
procamente interligados. O social, nas suas camadas mais profundas, é confi-
gurado por comportamentos que correspondem directamente ao âmbito da
intimidade pessoal, da mesma forma que o sociocultural, transmitido especial-
mente através da família, estrutura a personalidade dos membros pertencentes
a uma determinada sociedade. A partir desta perspectiva, afirmamos que o
conhecimento e a difusão dos Métodos Naturais de Regulação da Fertilidade
afecta não só de forma indirecta, mas directa e profundamente, determinadas
atitudes que tornam possível que a vida social se desenvolva num clima que
favoreça a saúde e o bem-estar social.
Talvez seja necessário precisar que, ao falar de saúde e bem-estar social,
estamos a fazer referência ao conjunto de condições que tem de reunir a vida
social para que os seus membros possam desenvolver, harmoniosamente, as
dimensões pessoais comuns a todos os membros da comunidade. Entre elas há
que destacar a dimensão sexual da pessoa humana, a dimensão da intimidade
que está simultânea e directamente implicada, através da relação matrimonial,
com os aspectos mais fundamentais e decisivos da vida social.
Os Métodos Naturais de Regulação da Fertilidade considerados exclusiva-
mente como uma técnica de maior ou menor fiabilidade para regular a natalida-
de, não têm conotações antropológicas e sociais radicalmente diferentes das
dos restantes métodos de regulação da natalidade. É evidente a necessidade de
investigar estes métodos do ponto de vista técnico-científico, mas para se
poderem apreciar os benefícios sociais derivados da promoção e do conheci-
mento dos Métodos Naturais, há que considerá-los vinculados ao âmbito das
relações sexuais na vida matrimonial e relacionados com uma mentalidade e
atitudes específicas.
Não se pode afirmar liminarmente que a adopção dos Métodos Naturais
tenha como principal e único objectivo evitar permanentemente, ou mesmo
temporariamente, uma nova gravidez. Pode ser que o desejo de conhecer
melhor os períodos férteis da mulher, seja motivado pela vontade de ter rela-
ções com o outro cônjuge com a certeza de que não se lhes seguirá a con-
cepção de uma nova vida; porém, como acontece em muitos casos, a motiva-
ção pode ser justamente a inversa: conseguir uma nova gravidez. Esta possível
dualidade de motivações faz-nos entrever a diferença existente entre os Méto-
dos Naturais e as práticas contraceptivas.
Uma breve reflexão sobres as atitudes e comportamentos que tornam
possível a prática dos Métodos Naturais, ajudar-nos-á a descobrir o seu verda-
deiro significado e o seu carácter específico e distinto. A exigência da abstinên-
cia de relações sexuais nos dias férteis da mulher já nos predispõe para uma
determinada atitude. Trata-se de ter presentes, nas relações sexuais, não só as
conveniências próprias, mas também as do outro cônjuge, as da família e
inclusive as da comunidade. Permite-nos reencontrar, dum modo congruente, a
verdadeira natureza das relações sexuais. A vontade de subordinar os inte-
resses individuais ao bem do outro ou dos outros, faz que a abertura ao bem
do outro seja algo intrínseco à relação sexual. Os benefícios sociais desta
abertura às necessidades dos demais são indubitáveis, especialmente para o
trabalho educacional no âmbito familiar. Uma das principais exigências da
educação é que haja, nos educadores, a preocupação pelo bem dos educandos.
Esta disposição coerente com aquela que é originada pela prática dos Métodos
Naturais, é que permite encontrar os meios e modos adequados, nos momentos
oportunos, para poder ajudar o educando no seu processo de amadurecimento
pessoal.
É igualmente relevante a sua influência na vida da comunidade, pois dá
lugar a que se tenha naturalmente presente o bem comum, inclusive nos
aspectos mais íntimos da vida pessoal. As falsas, mas frequentes, antíteses entre
as exigências da vida individual e da vida social, poderiam ser atenuadas
graças à adopção destas atitudes comunitárias.
Um segundo aspecto essencial dos Métodos Naturais deriva da exigência
de estudo e respeito pelo ritmo biológico da natureza feminina. Esta natureza
impõe ao homem certas condições, e ao mesmo tempo oferece-lhe, se ele
ajustar a sua conduta a estas exigências, a possibilidade de conseguir os fins
pretendidos. A natureza actua, deste modo, como veículo de aprendizagem
para que o homem descubra a necessidade de orientar a vida de acordo com
uma ordem que o transcende. Esta ordem é encar~da como fundamento da
ordem moral e causa do seu bem. Exprimindo-o em termos aristotélicos,
poderíamos dizer que a conduta humana não pode reduzir-se a uma mera
"técnica" mas há que afirmar a importância e primazia da praxis, no que
respeita ao assunto em causa. Se o trabalho humano fosse exclusivamente
determinado por uma vontade arbitrária ou se se regesse por critérios de
possibilidade, capacidade e eficácia, teríamos reduzido ao âmbito da técnica, a
totalidade da vida humana.
A difusão dos Métodos Naturais tem uma importância relevante pela sua
capacidade de gerar comportamentos e atitudes propícias a criar um ambiente
social que favoreça e facilite a consecução do bem comum. A adopção dos
Métodos Naturais depende de uma atitude de respeito e acolhimento de toda a
vida humana, sendo esta, como é, o principal acontecimento da natureza.
Resumindo, podemos afirmar: face a condutas egoístas e não solidárias
derivadas de relações fechadas em si mesmas, a prática dos Métodos Naturais
restitui à relação sexual a sua natureza de "relação" e abertura às necessida-
des e ao bem do outro. Face a relações sexuais exclusivamente sujeitas à
vontade com desprezo pela natureza, os Métodos Naturais exigem uma atitude
de reconhecimento da ordem natural. Esta atitude é fonte de humildade social,
condição indispensável para a humanização das relações sociais. Por último, a
rotura entre relação sexual e capacidade geradora é causa de condutas próprias
de uma cultura da morte, ao passo que os Métodos Naturais têm como requi-
sito e consequência fundamental, o respeito pela vida.
3. POLAINO-LoRENTE, A.: Madurez personal y amor conjugal. Factores psicológicos y
psicopatológicos. Rialp. Documentos deI Instituto de Ciencias para la Familia, Madrid.
1991.

4. YEPES, R: Fundamentos de Antropología, un ideal de la excelencia humana. Eunsa,


Pamplona. 1996.
Este manual é uma síntese de temas
tratados nos Cursos de Métodos Naturais.
Põe ao alcance das pessoas interessadas no
Planeamento Familiar Natural, os
conhecimentos básicos sobre fertilidade, o
uso responsável da sexualidade e os
fundamentos antropológicos dos Métodos
Naturais.

Na sua elaboração intervieram vários membros da


AEPPFN nomeadamente: José Ma Alsina. Carmen Brunet.
Esperança Col!. Jokin de Irala. Mikaela Menárguez, Núria
Recto, Montserrat Rutland. Eyra Sanidas. Helvia
Temprano e L. Fernando Trullols. A coordenação do
manual esteve a cargo da Dr". Montserrat Rutlland.

FUNDAÇÃO
FAMÍUA E SOCIEDADE

Rua Vlrlalo. 23 - 6' Dlo.


IOSO-234Lisboa
Tel. 21 31383 SO Fax 2131383 S9
E- rnail: farniIia.socieclacle(ivnelc.pl

RENAFER
ASOCIACIÓN ESPANHOLA DE
PROFESSORE~ DE PLANIFICACIÓN FAMILIAR NATURAL

llonaplala. 42-54
08034 Barcelona
Te!. 93280 S6 83 Fax 93 204 72 14
[-mall: fcrlillclacl@renafer.org