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A Transação Penal

O art. 76 da Lei 9099/95 define transação penal como a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas:
“Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o
Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, a ser especificada na
proposta”.
Nos crimes considerados de menor potencial ofensivo (pena menor de 2 anos, seguem o procedimento sumaríssimo do
JECrim) dependendo de fatores legalmente previstos (art. 76, lei 9.099/95), pode o MP negociar com o acusado sua pena. Ou
seja, é um bem bolado entre a acusação e a defesa pra evitar que o processo corra poupando o réu (tb o Estado) de todas as
cargas conseqüentes (sociais, psicológicas, financeiras etc.).
A transação deve ser proposta antes do oferecimento da denúncia. A aceitação da proposta não pode ser considerada
reconhecimento de culpa ou de responsabilidade civil sobre o fato, não pode ser utilizada para fins de reincidência e não consta
de fichas de antecedente criminal. O fato só é registrado para impedir que o réu se beneficie novamente do instituto antes do
prazo de 5 anos definidos na lei.
As propostas podem abranger só duas espécies de pena: multa e restritiva de direitos. A primeira é obviamente pecuniária,
a segunda pode ser prestação de serviços à comunidade, impedimento de comparecer a certos lugares, proibição de gozo do fim
de semana etc., depende da criatividade dos promotores (que atualmente só conhecem o pagamento de cesta básica).
Se o acusado estiver dentro dos parâmetros estabelecidos na lei (não ter sido condenado anteriormente por crime que
preveja pena restritiva de liberdade, não houver transacionado nos últimos 5 anos e outros requisitos relativos à características
pessoais; art. 76, §2º, lei 9.099/95) o MP deve oferecer a transação, uma vez que se trata de direito subjetivo do acusado.
O réu não pode depender da boa vontade do promotor. Se ele se enquadra nos casos dos dois primeiros incisos do §2º
(uma vez que o terceiro é completamente subjetivo) e o MP não oferece a transação, considero que o juiz deve tomar as rédeas
e ele mesmo propor um acordo com o réu.
Discordo com a doutrina que afirma não poder o juiz oferecer a transação uma vez que o MP é o titular (dono) da ação
penal ou que a decisão seria de ofício fora do processo (uma vez que ainda não há denúncia) e que, portanto, a decisão final
deveria ser do procurador-geral (por aplicação analógica do art. 28 do CPP).
A forma não pode ser mais importante que a substância, portanto, proibir que alguém se beneficie com a transação
porque essa decisão não se enquadra nos padrões doutrinários estabelecidos é um pouco demais.
Da sentença que homologa o acordo cabe apelação. Só que essa apelação é meio tonta, uma vez que é só uma
homologação (o juiz só assina embaixo, não decide nada) e qualquer erro poderia ser corrigido por meio de embargos de
declaração. Da decisão que nega a homologação do acordo só cabe mandado de segurança, uma vez que não há outro recurso
previsto.
Caso o crime de menor potencial ofensivo seja conexo a outro que altere a competência do juízo (se fosse conexo com
crime contra a vida, do JECrim iria para o Júri, p. ex.), ainda cabe transação nos mesmos termos, mas claro só quanto ao crime
de menor potencial ofensivo.
Finalmente, se o réu não cumprir sua obrigação a pena não pode ser convertida em restritiva de liberdade (prisão).
Nestes casos, como diria o famoso filósofo: o Estado deve procurar os seus direitos (no juízo civil).

CONCEITO E DISPOSITIVO LEGAL
A Transação penal está consagrada no art. 76 da Lei 9099/95, o qual dispõe: “havendo representação ou tratando-se de
crime de ação penal publica incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Publico poderá propor a
aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta”. Antes do oferecimento da
denúncia, portanto, na fase administrativa ou pré-processual, o MP poderá propor um acordo, transacionando o direito de punir
do Estado com o direito à liberdade do "autor do fato", desde que presentes os pressupostos objetivos e subjetivos previstos na

CF/88) para o . implica a extinção da punibilidade do fato típico e antijurídico. Nesse novo modelo. Sérgio Turra. Transação Penal. se a transação penal constitui uma faculdade do MP ou um direito subjetivo do autor do fato. uma vez que por meio dela se compõe a lide subjacente. fala em aplicação imediata da pena.lei para a oferta. Penal. 2001. da lei 10. com os meios e recursos a ela inerentes. os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos. par. mas a um procedimento oral e sumaríssimo (art. O instituto da transação penal trata-se de direito subjetivo do infrator só este pode dele dispor.259. sendo registrada apenas para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de 5 anos (art. apenas conforma-se com uma medida penal para que não venha a ser acusado e processado criminalmente. ao estabelecer que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal e ao garantir a qualquer acusado em processo judicial o contraditório e a ampla defesa. ou seja. desde que presentes os requisitos exigidos pela lei. 9099/95 estabelece que a aceitação. os protagonistas dessa transação penal. Transação Penal. São Paulo: Saraiva. I. não se admitindo mais sua discussão. visto que os ajuste entre as partes. Sergio Turra Sobrane define a transação penal como “o ato jurídico através do qual o MP e o autor do fato.099/95. é também um instituto de direito material. ele não quis dizer pena mas sim “medida penal” pois só é possível aplicar uma pena no Brasil depois de instaurado o devido processo legal. não existe acusação. (SOBRANE. homologado pelo juiz. só poderia ser aplicada depois do devido processo legal. Na lição de Julio Fabbrini Mirabete: “ Não se viola o princípio do devido processo legal porque a própria constituição prevê o instituto. pelo autor da infração da proposta do MP de imediata aplicação de uma medida restritiva de direitos ou multa não importará em reincidência. NATUREZA JURÍDICA DO INSTITUTO A transação penal possui natureza dupla.) Discute-se na doutrina e jurisprudência. com base no acerto de vontades. “consideram-se infrações de menor potencial ofensivo. o autor do fato evita o processo preferindo se sujeitar a uma medida penal que. de 12 de julho de 2001. Ao mesmo tempo em que é um instituto de Dir. A pena aplicada na transação penal não tem caráter de punição. excetuados os casos em que a lei preveja procedimento especial”.259/2001 “Consideram-se infrações de menor potencial ofensivo. no art. para os efeitos desta Lei. aceitando ou não a proposta transacional. buscam a evitar o processo. 76 da Lei 9. mediante o cumprimento de uma pena consensualmente ajustada” (SOBRANE. não obrigando a um processo formal. Se no sentido de punição se tratasse.099/95. Na transação penal o autor do fato aceita a proposta do MP para não ser processado. o autor do fato não reconhece sua culpa ao aceitar a proposta feita pelo MP. atendidos os requisitos legais.) ÂMBITO DE APLICAÇÃO: INFRAÇÕES DE MENOS POTENCIAL OFENSIVO Nos termos do art. Então o que ele aceitou não foi uma pena. em sendo cumprida. sem admissão de culpa ou de responsabilidade civil. 4º). para os efeitos dessa Lei. Tanto é assim que a própria lei n. quando presentes os requisitos específicos para sua aplicação. São Paulo: Saraiva. mas uma “medida” a ser cumprida para que se evite um processo. permitirá a extinção da punibilidade. da Lei 9. o MP abre mão da persecução penal e de outro lado. Portanto. Sérgio Turra. A POLÊMICA DA CONSTITUCIONALIDADE DA TRANSAÇÃO PENAL: PENA SEM PROCESSO? O direito ao devido processo legal vem consagrado pela CF no art. portanto não houve processo. 98. e na presença do magistrado. as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a um ano. 61. LIV e LV. Nos termos do art. ou multa”. mas sim de uma medida penal aceita voluntariamente pelo autor do fato para evitar o processo. 2001. acordam em concessões recíprocas para prevenir ou extinguir o conflito instaurado pela prática do fato típico. De um lado. 5º. Proc. Com o advento da lei 10. houve sensível modificação na conceituação legal das infrações penais de menor potencial ofensivo. 2. 76. Quando o legislador.

) DESCUMPRIMENTO DA TRANSAÇÃO A conversão imediata da medida restritiva de direitos aplicada em pena privativa de liberdade viola flagrantemente direitos constitucionais fundamentais como o contraditório. registro criminal ou responsabilidade civil (art. razão pela qual só resta ao Ministério Público iniciar a persecução penal. Esse é o significado da regra nulla poena sine judicio. mais. tradicional em nosso sistema e em todos os que adotam o princípio maior do devido processo legal. de ampla defesa.) NATUREZA JURÍDICA DA DECISÃO QUE HOMOLOGA A TRANSAÇÃO Conforme o modelo garantista. a pena só é aplicada depois de o réu ter respondido a um processo. jurisprudência e legislação. se ainda não existe condenação. pondo fim à relação processual. pela conversão da pena acordada em privativa de liberdade.76.como querem crer alguns doutrinadores-. e. o que não encontra respaldo na lei. no Estado Democrático Brasileiro não é possível uma sentença penal condenatória sem o devido processo legal. implicando o seu descumprimento a rescisão do acordo penal. oferecendo a denuncia. Já a sentença penal homologatória é fruto de consenso.JECriminal e. de acordo entre Ministério Público e autuado. Cezar Roberto. antes da propositura da ação penal. Segundo artigo É medida alternativa que visa impedir a imposição de pena privativa de liberdade. 5º. A extinção da punibilidade somente ocorre com o cumprimento da pena aceita livremente pelo autor do fato. (MIRABETE. antecipa-se a punição. (BITTENCOURT. São Paulo: Atlas. em que a sua culpa tenha restado caracterizada. A doutrina tem-se inclinado no sentido de execução da pena. a aplicação de qualquer pena sem a prévia realização de um processo. mas não deixa de constituir sanção penal. como se pode pensar em executar. Portanto. 2ª ed. consistente na obrigatoriedade do consenso e na possibilidade de não aceitação da transação. a pena será aplicada de imediato. sendo intuitivo que a execução de uma pena no juízo criminal pressupõe a formação de um juízo anterior de culpabilidade. Trata-se da possibilidade de uma técnica de defesa concedida ao apontado como autor do fato. não se pode nem ao menos falar em culpa. já que a própria Constituição Federal assim assegura no art. nem ao menos. A condenação. ou seja. ou o reconhecimento de culpa não foi objeto do acordo. com base no art.crime democrático. jamais condenatório. 77da Lei 9. na forma da lei de execuções penais . 3ª ed. estão presentes as garantias constitucionais de assistência do advogado. se o suspeito descumpre injustificadamente a medida não pode de imediato ser preso. ou requisitando as diligências que entender necessárias. nos termos da lei. a decisão judicial que legitima jurisdicionalmente essa convergência de vontades. não tem caráter nem condenatório nem absolutório. Júlio Fabbrini. Porto Alegre: Livraria do Advogado. mas simplesmente homologatório da transação penal. Sempre que as partes transigem. na lógica jurídica.099/95. tornando certa a autoria e a materialidade do fato imputado. E . LVII. Juizados especiais criminais e alternativas à pena de prisão. declarando uma situação jurídica de conformidade penal bilateral. Não gerando reincidência. tem caráter homologatório.1996. Como o próprio dispositivo estabelece. Juizados especiais criminais: comentários. claramente. Logo. a sentença que aplica pena restritiva de direitos ou multa.76-§§ 4º e 6º). CONCLUSÃO É proibida. Assim. sem julgamento do fato que originou o termo circunstanciado. 1998. Sem o devido processo legal. na forma do art. a ampla defesa e o devido processo legal. no Direito brasileiro.

consoante Ada P Grinover (1998. a conversão. o regular processo. Requisito prévio é a existência das condições da ação. Essa conclusão decorre do fato de a conversão das penas restritivas de direitos em penas restritivas do exercício da liberdade. em passo seguinte. sempre. sustentou que: “ não há como aplicar. ter caráter homologatório. Ao contrário da análise que se faz no momento do oferecimento da denúncia. tornando-o certo e impondo a sanção penal. contraditório. O posicionamento é dominante perante o Superior Tribunal de Justiça. entendemos não se admitir sua apresentação quando houver dúvidas quanto à autoria. será submetida à apreciação do juiz. a transação penal deve ser informada pelo princípio in dubio pro reo. Entendemos como mais abalizado o posicionamento de Grinover e Bitencourt. 87). à espécie. DESCUMPRIMENTO INJUSTIFICADO: CONSEQÜÊNCIAS. existência do fato típico e ilícito. A alteração legislativa promovida pela Lei dos Juizados Especiais foi sem dúvida profunda. em retribuição à sua conduta e para prevenir novos ilícitos (Dotti. visto que declara e reconhece a situação do autor do fato. tal como prevista no artigo 45 do Código Penal. na dúvida não se pode admitir a aplicação imediata de sanção penal. sob pena de se afrontar os princípios constitucionais anteriormente indicados. vindo a ocorrer. 582). materialidade.572-GO. viabilizando o direito de defesa. 1992. p. 433). e a prolação de sentença condenatória. com observância do devido processo legal. Está-se diante de incompatibilidade reveladora de não ser o preceito nele contido fonte subsidiária no processo submetido ao juizado especial. 90). a menos que sejam colocados em plano secundário princípios constitucionais. p. ante o desrespeito aos princípios constitucionais-garantistas da ampla defesa. contudo lacunas marcaram a citada lei. frente à lacuna legislativa. pondo fim à relação processual. efeitos de coisa julgada material e formal (1996. o disposto no art. Alias. Há ainda divergência na conseqüência pelo injustificado descumprimento da transação penal. justifica-se o temor da flagrante desigualdade das partes (Gomes. tanto que Cezar R Bitencourt diz ser completamente deficiente o instituto (Bitencourt. Os demais requisitos estão estabelecidos no artigo 76. 2. então. Cabe registrar que o Ministério Público é o titular da proposta e há discricionariedade regrada em sua atuação. vez que tem ele o dever de apreciar a legalidade da medida quanto ao preenchimento de todos os requisitos legais e aplicar a pena não privativa de liberdade. Mais: a partir da criação do estudado instrumento. Não há vinculação ao juiz à proposta formulada e aceita.099/95. não se podendo admitir que fique ao livre arbítrio. A decisão jurisdicional na transação penal não tem natureza condenatória e sim homologatória. A pena a ser proposta pelo Ministério Público e aplicada ao autor do fato deve seguir os parâmetros do artigo 68 do Código Penal. A conversão em pena de prisão pelo descumprimento nos parece ser uma violência abominável. culpabilidade e demais princípios constitucionais-garantistas. p. preenchidos. Aceita a transação penal pelo autor do fato e seu advogado. ou seja. a decisão judicial que legitima jurisdicionalmente essa convergência de vontades. por inexistir sentença de mérito. Aqui. 2003. p. e aqui abordaremos somente os mais destacados. Para a transação penal. da Lei 9. informada pelo princípio in dubio pro societate. pressupor. jamais condenatório (2003. Mirabete entende ser a decisão condenatória e não homologatória. p. Cezar R Bitencourt explica que é da tradição do Direito brasileiro. consistente em perda ou restrição de bens jurídicos do autor do fato. produzindo. 578). o princípio da razoabilidade. há requisitos a serem observados. Alguns posicionamentos se firmaram doutrinários e jurisprudenciais. p. a persecução criminal. ai sim. a razão de .pena no sentido de imposição estatal. não se admitindo a apresentação de proposta se o caso determina o arquivamento do procedimento investigatório. O Ministro Marco Aurélio de Mello. Por sua vez. a regular tramitação da ação penal. sem qualquer fundamentação. 88-109). sim. em decisão proferida no HC 79. a sanção. que não pode se resumir a mero telespectador. tanto que a mesma será apreciada pelo juiz. parágrafo 2º. 2004. sempre que as partes transigem. 45 do Código Penal. O posicionamento vem sendo acolhido perante o Supremo Tribunal Federal. devido processo legal.

condenação.099/05). a qual filiamo-nos. 86 daquele diploma legal. Descumprimento. então. prestada pelo Estado. Os partidários contrários sustentam a impossibilidade do início da ação penal sob o argumento de que a natureza jurídica da decisão homologatória gera eficácia de coisa julgada material e formal. Lei 9.Não se apresentando o infrator para prestar serviços à comunidade. "(. consiste em proceder à execução forçada. ampla defesa. in DJ 11/12/2000). a instauração da ação penal. a despenalização.A sentença homologatória da transação penal.. Porém. Esses pormenores não importam no que concerne à rescindibilidade da sentença que presta a declaração. Impossibilidade. mesmo no caso de descumprimento do acordo pelo autor do fato. titular da ação penal pública. Precedentes. Oportuna a lição de Pontes de Miranda: “Se os efeitos da declaração de vontade dependem do adimplemento da contraprestação ou a declaração de vontade. Resta-nos. . em última analise. por ter natureza condenatória. como pactuado na transação (art." (REsp 203. nos termos do art. o que impede a propositura da ação. perda de sua eficácia pelo descumprimento do acordo.ser das coisas. o cumprimento parcial do transacionado e a posterior condenação pelo mesmo fato. A execução da medida transacionada. a determinar a execução: Recurso em Habeas Corpus. 76. por não se alcançar a pacificação dos conflitos sociais e proteção desses bens. Ressalva de entendimento contrário do Relator. já que somente o cumprimento integral significa adimplemento da obrigação e determina a extinção do poder de punir estatal. do Superior Tribunal de Justiça. Os adeptos da corrente que sustenta o início da ação penal em caso de descumprimento da transação penal. eventual. a aplicação de pena diversa do encarceramento. contraditório e sentença penal condenatória. Todavia. impedindo. qual seja. direciona no sentido de a conversão pressupor algo já existente. RHC 10. a oportunidade de oferecimento de denúncia para início da ação e. ou a declaração de vontade só tem os efeitos obrigacionais ou reais após contraprestação. Recurso provido. ineficácia da tutela jurisdicional e. 2 .099/95. cuja força é insuplantável. Ressalva de Entendimento Contrário. tudo se passa como a respeito da oferta a que se não seguiu aceitação: o negócio jurídico bilateral não se concluiu (MIRANDA. com as conseqüências pelo seu descumprimento. Coisa Julgada Formal e Material. Há decisão da lavra do Ministro Hamilton Carvalhido. O autor do fato vê-se agora compelido ao cumprimento da sentença condenatória. não vêem coisa julgada material na decisão homologatória e. cabe ao MP a execução da pena imposta. exatamente como se executam as obrigações de fazer. depois. o próprio espírito que norteou o trabalho legislativo. 2. gera a eficácia de coisa julgada formal e material. pode levar ao bis in idem. A perda da eficácia se dá pelo descumprimento total ou parcial do transacionado. Há. sim. 1. abre-se ao MP. Pena de Multa. Fere-se. entendemos incabível a conversão da transação em pena privativa de liberdade. Oferecimento de Denúncia. portanto. da Lei nº 9. e isso diz respeito à pena privativa do exercício da liberdade”. O posicionamento vem sendo seguido pelas 5ª e 6ª Turmas do STJ. de ser contraprestada a declaração que se fazia mister e o prazo para ser contraprestada precluiu.583/SP.. Se. a prática nos tem mostrado que a execução da decisão não surte efeito algum. Com a perda da eficácia da decisão homologatória. posicionamento sustentado por Bitencourt. Sem o devido processo legal. na acepção jurídica do termo. por ser necessário que outra declaração de vontade ou algum ato de credor seria emitido. devendo prosseguir perante o Juízo competente. ofensa ao princípio de proteção aos bens jurídicos. ante o descumprimento injustificado da transação. 1975)”. pois a esmagadora maioria dos autores de delitos de menor potencial que descumprem injustificadamente a medida são pobres. 3. avaliar a propositura da ação penal. Transação Penal.369/SP. não compôs o negócio jurídico.) 1 . com a adoção do posicionamento.