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Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas

Osteoporose
Bisfosfonados, Calcitonina, Carbonato de Cálcio,
Vitamina D, Estrógenos e Raloxifeno

Portaria SAS/MS nº 470, de 23 de julho de 2002.

1. INTRODUÇÃO
A osteoporose é a doença óssea metabólica mais comum e a principal causa de
fraturas por fragilidade esquelética.
Várias reuniões de consenso sobre osteoporose continuam aceitando a definição
sugerida pela OMS, em 1994, como uma desordem esquelética caracterizada por redução
da massa óssea com alterações da microarquitetura do tecido ósseo levando a redução da
resistência óssea e a aumento da suscetibilidade a fraturas1,2. A definição operacional de
osteoporose sugerida pela OMS (Quadro I) indica que valores da densidade mineral óssea
inferiores a 2,5 desvios padrão da média de valor de pico em adultos jovens (escore T < -2,5)
são compatíveis com o diagnóstico, devido ao alto risco de fraturas2,3.

Quadro I. Critérios Densitométricos da Organização Mundial da Saúde*:
Categoria Escore T
Normal até -1
Osteopenia entre -1 e -2,5
Osteoporose < -2,5
Osteoporose estabelecida < -2,5 associada à fratura de fragilidade
*Critérios estabelecidos para: coluna lombar, colo do fêmur e 1/3 médio do rádio.

Vários fatores de risco estão associados tanto com o desenvolvimento de osteoporo-
se quanto com suas fraturas: história prévia de fratura, baixo peso, sexo feminino, raça
branca, fatores genéticos (como existência de parente de primeiro grau com fratura sem
trauma ou com trauma mínimo), fatores ambientais (tabagismo, consumo abusivo de bebi-
das alcoólicas e cafeína, inatividade física), baixa ingestão de cálcio alimentar, estado
menstrual (menopausa precoce, menarca tardia, amenorréias), drogas (corticosteróides,
anti-epilépticos, hormônios tireoideanos, ciclosporina), doenças endocrinológicas (hiperpara-
tireoidismo primário, tireotoxicose, síndrome de Cushing, hipogonadismos e diabete melito),
hematológicas (mieloma múltiplo), reumatológicas (artrite reumatóide), gastroenterológicas
(síndrome de má-absorção, doença inflamatória intestinal, doença celíaca) e doenças neu-
rológicas (demência)2. Entretanto os fatores de risco associados a fraturas são considera-
dos mais importantes4. Estudo recente5 com mais de 200.000 mulheres corroborou que os
principais fatores de risco para fraturas osteoporóticas são: redução da massa óssea, idade
avançada, auto-avaliação da saúde como regular/ruim, história de fratura prévia, história
materna de fratura, ser da raça branca, usar glicocorticóide, fumar ou ter fumado. Contudo,
fatores previamente estabelecidos como de risco (demência, baixo peso corporal, menopau-
sa precoce ou cirúrgica, baixa ingestão de cálcio durante a vida, sedentarismo, visão reduzi-
da e história de quedas freqüentes) não representaram risco de fraturas (Quadro II).

Equipe Técnica: Andry Fiterman Costa, Paulo D. Picon e Karine Medeiros Amaral
Consultores: José A. Sisson de Castro e Mauro Antônio Czepielewski
Editores: Paulo Dornelles Picon e Alberto Beltrame
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ZPG515a538.p65 515 01/12/02, 21:05

que pode ser assintomática em até 2/3 dos casos e. por exemplo. pois está associada a maior mortalidade e a importantes limitações no deambular e em outras funções cotidianas1. em 15% das mulheres na sexta década e em cerca de 50% das que se encontram na nona década6. no primeiro ano. O risco de recorrência desta fratura. pois são potencialmente reversíveis. até 30% das mulheres acima dessa idade têm diminuição da massa óssea. A manifestação clínica mais comum é fratura vertebral. e esta porcentagem aumenta com o passar do tempo.p65 516 30/11/02. A fratura mais grave é a do fêmur proximal. outras causas de redução de massa óssea ou osteopenia devem ser excluídas. Deve ser considerado. Devem-se excluir as causas secundárias. Tais fraturas podem levar a episódios de dor intensa que podem durar vários dias e evoluir para dor crônica. apenas diagnosticada “acidentalmente” em radiografias de tórax ou abdômen. Não modificáveis • História de fratura na idade adulta* • História de fratura em familiar de primeiro-grau* • Raça branca (não-hispânica)* • Idade avançada (acima de 65 anos)* • Sexo feminino* • Demência • Saúde comprometida/fragilidade** Potencialmente modificáveis • Tratamento com corticosteróides* • Insuficiência estrogênica: amenorréia superior a 1 ano ou menopausa precoce (antes dos 45 anos de idade)* • Baixo peso (< 56. Estima-se que 30% a 60% dos casos de osteoporoses em homens e até 50% dos casos em mulheres perimenopáusicas estejam associadas a causas secundárias2 (Quadro III). Baixa densidade mineral óssea na coluna lombar é observada. porém. Quando os valores densitométricos do antebraço. portanto. Na avaliação de um paciente com suspeita de osteoporose. resolve em semanas. ** saúde comprometida/fragilidade pode ou não ser modificável. esta pode persistir por períodos prolongados. Fraturas vertebrais consecutivas podem ocasi- onar cifose torácica. mais comumente. osteogenesis imperfecta e hiperparatireoidis- mos. entretanto.7kg) ou IMC < 19 • Baixa ingesta de cálcio ( ao longo da vida) • Tabagismo* • Alcoolismo • Redução visual (apesar de usar óculos) • Quedas freqüentes • Baixa capacidade física • Saúde comprometida/fragilidade** * fatores de risco maiores. é de 19% nas mulheres1. da coluna lombar e do fêmur são avaliados em conjunto. 516 ZPG515a538. que a incidência de fraturas é significativamente menor do que a de mulheres em risco de fraturas por osteoporose densitometricamente determinada. estima-se que 13% a 18% das mulheres acima de 50 anos e 3% a 6% dos homens acima de 50 anos apresentem osteoporose se considerados apenas os valores do fêmur proximal6. como osteomalácia. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas – Medicamentos Excepcionais Quadro II: Fatores de risco para fraturas por osteoporose. Com base na definição operacional da OMS. 20:57 . redução da estatura e dores relacionadas a deformidades.

Cooper C. apresentam resultados conflitantes2. 8.R. 286:2815- 22. 6.p65 522 30/11/02. 3. CONSENTIMENTO INFORMADO É obrigatória a cientificação do paciente. hemograma e bioquímica de sangue14.1.15: 993-1000 9. Addinoff AD. pode indicar falta da ingestão de cálcio. Miller PD. 8. Zhang B Cooper C Use of oral corticosteroids and risk of fractures. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas – Medicamentos Excepcionais óssea e osteocalcina). Hollister JR. J Rheumatol 1993. 20:59 . e as doses de cálcio e vitamina D devem ser reduzidas. 4. 8. J Bone Miner Res 2000. Arthritis Rheumat 2001. Reco- menda-se a avaliação periódica de perfil lipídico. Manolagas SC.. Assessment of fracture risk and its application to screening for postmenopausal osteoporosis.285:785-95. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Abbott TA. Dunn WL. Faulkner KG. Osteoporosis Prevention. Silverman. desta forma não se faz necessário sua monitorização. 8. J Bone Miner Res 1997. et al Identification and fracture outcomes of undiagnosed low bone mineral density in postmenopausal women. Van Staa TP. má absorção intestinal ou resistência à vitamina D. 8. o que deverá ser formali- zado por meio da assinatura de Termo de Consentimento Informado. et al Risk of new vertebral fracture in year following a fracture JAMA 2001. SL. Monitorização da calciúria deve ser realizada a cada 6 meses. Steroid-induced fractures na dbone loss in patients with asthma. 1994 2. Calcitonina Recomenda-se avaliação nasal se o uso do spray nasal resultar em fenômenos alérgicos. Nos pacientes com perda de função renal.44:1496-1503 ZPG515a538. 309: 265-8 10. JAMA 2001. Avaliação da calcemia e da função renal é recomendada anualmente e/ou nas situações de alteração da calciúria. Recommendations for the prevention and treatment of Glucocorticoid-induced Osteoporosis -2001 update American College of 522 Rheumatology Ad Hoc Committee on Glucocorticoid-Induced Osteoporosis. Carbonato de Cálcio Os pacientes devem ter nível sérico e excreção urinária de cálcio monitorizadas.5. 10. NIH Consensus Development Panel. Looker AC. 14: 1061-1066 12. Atualmente não norteiam nenhuma conduta.4.285(3):320-323 8. et al.1.2. Eastell R. já que se trata de uma proteína exógena14. 9. Lindsay RL. Fries JF Fractures in Rheumatoid Arthritis: na evaluation of of associated risk factors. N Engl J Med 1998. Leufkens HGM. Results from the National Osteoporosis Risk Assessment JAMA 2001.14. Monitorização de Efeitos Adversos Dentre os vários efeitos adversos dos fármacos utilizados no tratamento da osteoporose. a fosfatemia deve ser avaliada. alguns merecem atenção especial.1. Barret-Connor E.1. Abenhaim L.338:736-46. N Engl J Med 1983. Bloch DA. e o produto cálcio-fósforo não deve ultrapassar 6 mmol/l14 ou 70 mg/dl. 7. caso acima de 4 mg/kg do peso/24 horas. Lindsay. Wehren LE. Siris ES. Caso alterada (abaixo de 50mg/24 horas). indica hipercalciúria.C. Wahner HW. ou de seu responsável legal. Raloxifeno Os principais efeitos colaterais são dores e cãibras nos membros inferiores e tromboflebites. 20: 1666-9 11. Treatment of Postmenopausal osteoporosis. CC Jr.S. Johnston. apesar de extensamente estudados. WHO Technical Report Series – 843.USA 5.1. Vitamina D Recomenda-se a avaliação periódica de calcemia e calciúria.3. Wolfe F. 8. adults from the NHANES III. 1998 Washington.1. Geneva. Diagnosis and Therapy.12:1761-8. Orwoll ES. Physycian’s Guide to prevention and treatment of osteoporosis National Osteoporosis Foundation. Bisfosfonados Todos os pacientes devem fazer avaliação anual da função renal e ser questionados quanto aos sintomas gastrointestinais6. nefrolitíase pode advir de hipercalcemia14. Michel BA. J Bone Miner Res 1999. dos potenciais riscos e efeitos colaterais relacionados ao uso dos medicamentos preconizados neste Protocolo. Weinstein RS New developments in the pathogenesis and treatment of steroid-induced osteoporosis.1. D. Prevalence of low femoral bone density in older U.

mesmo por fraturas assintomáticas. impossibilidade de o paciente se manter em ortostatismo por pelo menos 30 minutos para uso oral. assim como a sua 25-hidroxilação a calcitriol. Cautela é recomendada em situações de risco de hipocalcemia pela possibilidade de tetania hipocalcêmica. Cautela deve ser tomada em pacientes portadores de patologias cardíacas. reconsiderar a eficácia do tratamento empregado. Portadores de insuficiência hepática podem ter a absorção da vitamina prejudicada.2. Recomenda-se a realização de raios X da coluna vertebral torácica. no mínimo em perfil. Insuficiên- cia renal pode ser exacerbada por hipercalcemia persistente. até 4 anos. devem-se valorizar as medidas do colo do fêmur e fêmur proximal total para estimar a eficiência do tratamento.p65 521 30/11/02.4.5. Resistência ao uso da medicação pode ocorrer pela formação de anticorpos14. Vitamina D Seu uso está contra-indicado em casos de hipersensibilidade conhecida à droga e de hipercalcemia. gestantes ou com doença trombo-embólica ativa. Havendo diminuição das alturas vertebrais. depuração da creatinina endógena abaixo de 35 e hipocalcemia (deve ser corrigida antes do início do tratamento)14. para o raloxifeno. para o bisfosfonado alendronato. Tempo de Tratamento e Critérios de Interrupção O benefício comprovado do tratamento. pré- menopáusicas. MONITORIZAÇÃO A densitometria óssea da coluna lombar e do fêmur proximal pode ser repetida anualmente nos primeiros 2 anos. Também não deve ser adiciona- do em usuárias de terapia de reposição hormonal14. porém não há motivos para supor que ele não se prolongue.4. O critérios de interrupção são estabeleci- dos no item Monitorização (item 8). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Osteoporose 7. Para calcitonina os benefícios estão estabelecidos até 5 anos e.4. doença esofágica (acalásia. • Densitometria ao final do primeiro ano: • igual ou melhor que a basal: manter tratamento e repetir o exame a cada 2 anos. Nos indivíduos com fraturas ou alterações degenerativas lombares e nos ido- sos.5. 7. Em pacientes com hiperfosfatemia pode ocorrer calcificação metastática14. como doença péptica. esofagite e disfagia14. • pior que a basal (com redução significante do escore): manter tratamento e repetir o exame em 1 ano. Cautela deve ser tomada na presença de história de hipoparati- reoidismo ou risco de hipocalcemia e problemas gastrointestinais altos. princi- palmente arritmias. 7. de preferência no mesmo aparelho e em serviço que mantenha controle de qualidade técnica. 20:59 .4.3. nos quais hipercalcemia pode causar descompensação da doença. Os marcadores de ressorção (telopeptídeos) e/ou de formação óssea (fosfatase alcalina 521 ZPG515a538. • Densitometria ao final do segundo ano: • igual ou melhor que uma das anteriores: manter tratamento e repetir o exame a cada 2 anos. 7. Bisfosfonados Seu uso está contra-indicado em casos de hipersensibilidade. estenose). Calcitonina Osteoporose Seu uso está contra-indicado em casos de hipersensibilidade conhecida à droga.4. 7. é de 7 anos. 8. antes do início do tratamento e após o primeiro ano nos pacientes com osteoporose estabelecida. • pior que as duas anteriores (com redução significante do escore): considerar falha terapêutica e suspender o tratamento. Raloxifeno Seu uso está contra-indicado em pacientes com história de hipersensibilidade à droga.

2. 520 ZPG515a538. Alendronato A posologia do alendronato é de 10 mg ao dia.1. quando utilizado com refeições ricas neste elemento. Vitamina D (colecalciferol) Assim como o cálcio. Carbonato de Cálcio A dose de cálcio deve basear-se. vitamina D e um dos seguintes medicamentos: bisfosfonados. sem ingerir alimentos). Esquema de Administração 7. mas não a raloxifeno. Calcitonina A posologia da calcitonina é de 100 UI. a suplementação de vitamina D deve ser realizada de acordo com a ingesta dietética. Raloxifeno A posologia do raloxifeno é de 60mg.p65 520 30/11/02. Doses superiores a 500 mg devem ser divididas em várias tomadas – o ajuste da dose deve ser feito pela monitorização da calciúria e da calcemia14. pode ser realizado um teste subcutâneo para avaliação de hipersensibilidade. 7. Pamidronato A posologia do pamidronato é de 30 a 60 mg. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas – Medicamentos Excepcionais 7.7.4. 7. Devem ser asseguradas 400 a 800 UI ao dia. ou 200 UI. aguardando-se 20 minutos para avaliar anafilaxia ou reação local. Carbonato de Cálcio Seu uso está contra-indicado em casos de hipersensibilidade conhecida à droga e de hipercalce- mia14.4. por via oral. A associação de reposição hormonal com calcitonina não foi adequadamente investigada. Se a dose for bem tolerada.2.1.2. por via subcutânea. por via oral. estrógenos ou raloxifeno. mantendo-se os mesmos cuidados no momento da ingestão14. por via intranasal. sem ingerir alimentos). pacientes com história de nefrolitíase devem ser avaliados cuidadosamente pelo risco de recorrência. em infusão de 3 horas. Em pacientes que estão fazendo uso da calcitonina pela primeira vez. devendo o paciente permanecer por 30 minutos em ortostatismo. ainda sob supervisão médica. 20:58 . em dose única (ingeridos de estômago vazio. Este sal pode causar reduzir a absorção de ferro. com 200ml de água. O carbonato de cálcio deve ser ingerido ao desjejum para evitar a má-absorção que pode ocorrer em pacientes com acloridria.5.2. inicialmente. e a de carbonato de cálcio deve ser a necessária para a complementação do cálcio oriundo da dieta. Pode. 7. as associações de cálcio. administrando-se a dose suplementar necessária por via oral14. na avaliação dietética. por mais 20 minutos. Sendo bem toleradas ambas as doses subcutâneas.2. deve haver cautela em pacientes que usam essas medicações14. Administra-se 1 UI por via subcutânea.2. por via intravenosa. por via oral. alternativamente. nova injeção subcutânea com 20 UI é administrada.2. nos casos de osteoporose ou osteoporose estabelecida. Uma vez que a administração de cálcio pode aumentar os efeitos de glicosídeos cardíacos precipitan- do arritmias.4. ser utilizado o esquema de 70mg uma vez por semana. A dose total de cálcio elemen- tar deve ser de 1 a 2 g ao dia. com 200ml de água. devendo o paciente permanecer por 30 minutos em ortostatismo. 7. a cada 3 meses. procede-se então à administração da dose completa.2. 7.2. em dose única ao dia14.3.3. 7. sob supervisão médica. Risendronato A posologia do risendronato é de 5mg. 7.6. em dose única ao dia14. Terapia de reposição hormonal (estrógenos) poderá ser associada aos bisfosfonados21. pois seus efeitos colaterais podem ser somados. em dose única ao dia14 (ingeridos de estômago vazio. calcitonina. Combinações de Fármacos São sugeridas. 7. Contra-indicações e Precauções 7.

mas poderá ser útil quando associada a um bisfosfona- do26. Estrogênios (com progestágeno nas mulheres com útero) A terapia de reposição hormonal tem sido extensamente investigada17. demonstrou benefício em reduzir o número de novas Osteoporose fraturas.1. Os estudos com pamidronato são limitados.p65 519 30/11/02. 20:58 . Raloxifeno O raloxifeno. sua reposição deve ser realizada.21.2.1. os estudos observacionais que sustentam a terapia de reposição hormonal na prevenção primária não sustentam a indicação quando confrontados com os resultados de ensaios clínicos. A suplementação de cálcio e de vitamina D mostrou-se capaz de melhorar a densidade mineral óssea e de reduzir fraturas em vários estudos.40.19. Na prevenção secundária. o raloxifeno produziu melhora da massa óssea e redução de fraturas38. Estudos observaci- onais sugerem benefício desta terapia nos ossos18.000 a 1.14 ao dia e de 400 a 800 UI de vitamina D3. como fraturas. Quando se utilizam desfechos de inte- resse clínico. Suplementação com cálcio e vitamina D Caso não sejam assegurados pela dieta 1. Entre os bisfosfonados.16. 519 ZPG515a538. um modulador seletivo dos receptores estrogênicos. que incluiu apenas 75 mulheres osteoporóticas com fraturas de vértebras.3. melhoria das condições de equilíbrio e visão e intervenção farmacológica.1.500mg de cálcio3. que incluiu prevenção primária e secundária. Calcitonina A calcitonina já demonstrou ser capaz de melhorar a densidade mineral óssea e de reduzir fraturas vertebrais em pacientes com osteoporose estabelecida39.23 . Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Osteoporose lácteo. comprovou ser eficaz na redução da perda da massa óssea da menopausa e do número de fraturas vertebrais de mulheres com osteoporose e com osteoporose estabelecida. Este medicamento pode ser uma alternativa para casos de doença péptica ou insuficiência renal. o que não afeta o trato gastroesofágico. especialmente em relação às demais fraturas osteoporóticas. mas recente metanálise. principalmente de seleção e do efeito de “querer viver”. sugere a redução de fraturas pelos estrógenos24. devendo ser utilizados com suplementação de cálcio e de vitamina D conforme já definido.1. 7. Comparado com placebo. o alendronato e o risendronato são preferíveis devido à maior documentação de benefício em prevenção de fraturas e à maior comodidade posológica14. Provavelmente esta terapia não deva ser considerada de primeira escolha isoladamente no tratamento da osteoporose estabelecida.5. Estas drogas demonstraram ser capazes de melhorar a densidade mineral óssea e reduzir a incidência de fraturas em prevenção secundária28-37. 7. mas não em outros tipos de fraturas osteopo- róticas. entretanto tais estudos são passíveis de vieses. Desta forma. 7.14 .4.1. os ensaios clínicos de prevenção primária falham em demonstrar benefícios22. mas esta droga pode ser usada ciclicamente por via intravenosa. 7.1. Na prevenção secundária. 7. embora seu benefício seja inferior aos dos bisfosfonados. especialmente nos idosos e institucionalizados15.27.1. Bisfosfonados Os bisfosfonados são a classe de drogas de primeira escolha no manejo da osteoporose. atividade muscular regular com carga. Vários ensaios clínicos de prevenção primária (mulheres sem osteoporose) e de preven- ção secundária (mulheres com osteoporose) demonstram benefício da reposição hormonal em desfechos substitutos como densidade mineral óssea20. Fármacos 7. o embasamento origina-se de um único e pequeno ensaio clínico publicado em 1992 e não reproduzido. um único ensaio clínico25.

TRATAMENTO O tratamento preventivo das fraturas por osteoporose está fundamentado na melhora geral das condições necessárias para a saúde esquelética que consistem de alimentação balanceada rica em cálcio 518 ZPG515a538. Para os pacientes com densitome- tria óssea abaixo da normal (escore T < -1. especialmente nos idosos. Exames Complementares Exigidos • Densitometria óssea recente (realizada há. Fosfatase alcalina total serve para avaliar a presença de defeitos na mineralização ou osteomalácia. e de alcoolismo como causas secundárias. no máximo. na dose de 2. 20:57 . 7. devem-se avaliar as possibilidades de hipogonadismo. CASOS ESPECIAIS Ver contra-indicações e precauções de acordo com cada droga.0).5 e 5mg/dia. deve-se iniciar o tratamento com um bisfosfonado12. com a dosagem de TSH. Mais recentemente. Deve-se solicitar um hemograma com VHS (ou VSG) e dosagem de creatinina sérica. ajuda na prevenção da perda óssea. 6. conforme Quadro II) • Mulheres com amenorréia secundária prolongada (por mais de 1 ano) • Todos os indivíduos que tenham apresentado fratura por trauma mínimo ou atraumática • Indivíduos com evidência radiológica de osteopenia ou fraturas vertebrais • Homens com mais de 70 anos • Indivíduos que apresentem perda de estatura (acima de 2. vários outros exames são úteis no diagnóstico diferencial de osteoporose e no diagnóstico de suas causas secundárias. Assim. um estudo com homens e mulheres com osteoporose glicocorticóide induzida tratados com risendronato. Homens e mulheres com deficiência de esteróides sexuais devem fazer a reposição hormonal concomitante. deve-se documentar a etiologia do hipogonadismo. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas – Medicamentos Excepcionais Quadro IV. Em todos os homens com osteoporose.1. com as dosagens de testosterona e de gonadotrofinas. Nas mulheres na menacme que apresentarem irregularidades menstruais.3. 4.p65 518 30/11/02. CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Ver contra-indicações e precauções de acordo com cada droga. Na osteoporose glicocorticóide induzida a suplementação de cálcio (1 g ao dia) e vitamina D (400- 800 UI ao dia) por via oral. demonstrou ganho na massa óssea e redução do número de fraturas vertebrais13. Indicações de realização de densitometria óssea • Mulheres com mais de 65 anos • Mulheres com deficiência estrogênica com menos de 45 anos • Mulheres na peri e pós-menopausa com fatores de risco (um maior ou dois menores. com ou sem fratura prévia. devendo ser iniciada desde a instituição de tratamentos com glicocorticóides que possam durar mais de 3 meses.5 desvios padrão. é fundamental a exclusão de hipertireoidismo no idoso. 4.5 cm) ou hipercifose torácica • Indivíduos em uso de corticosteróides por três meses ou mais (doses superiores ao equivalente a 5 mg de prednisona) • Mulheres com índice de massa corporal abaixo de 19 kg/m2 • Portadores de doenças ou em uso de medicações associadas à perda de massa óssea • Monitoramento de tratamento da osteoporose 3. 1 ano) • Calcemia • Calciúria de 24 horas 5. CRITÉRIO DE INCLUSÃO Osteoporose definida por escore T igual ou inferior a –2. Diagnóstico diferencial Além dos listados anteriormente.

. antiepilépticos (fe- nobarbital. 2. lítio. warfarina. Isto é o que se espera com o tratamento da osteoporose ao se prevenirem as fraturas. especialmente os com risco de fratura (Quadro IV). Os pacientes em uso ou que irão receber glicocorticóides equivalentes às doses de 5 a 7. hormônios tireoidianos. ou maiores.Osteoporose com fratura patológica • M81. As medicações propostas neste Protocolo de Tratamento já demonstraram ser capazes de alcançar esta meta3. 3-6 meses). Deve ser conside- rada quando os fatores de risco de fraturas estiverem presentes (Quadro II) e frente à ocorrência de fraturas não relacionadas a trauma ou relacionadas a trauma mínimo.2. ciclosporina. heparina.5mg de prednisona ao dia).p65 517 30/11/02. Busca ativa do diagnóstico pode ser realizada em pacientes considerados de alto risco2. 517 ZPG515a538.5 a 7. de base12. Os glicocorticóides reduzem grandemente a formação óssea. devem realizar densitometria óssea da coluna e/ou do fêmur proximal. 3. mesmo em homens e mulheres jovens8-10. em período relativamente curto de uso (por ex. • Tabagismo • Alcoolismo • Imobilização A osteoporose glicocorticóide induzida deve ser especialmente considerada. Diagnóstico Laboratorial • Radiografia • Densitometria óssea Rastreamento de todos os pacientes assintomáticos não é recomendado.. carbamazepina).5 mg ao dia de prednisona.Osteoporose sem fratura patológica 3. até ocorrer uma fratura. 20:57 .1. pois esta classe de medicamentos pode levar a perda óssea importante e a fraturas ósseas. na maioria dos casos é silenciosa. CLASSIFICAÇÃO CID 10 • M80. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Osteoporose Quadro III: Causas secundárias de osteoporose • Hipogonadismos (primário e secundário) • Hipercortisolismos (endógeno ou exógeno) • Hiperparatireodismo primário ou terciário • Hipertireoidismo • Acromegalia • Neoplasias do sistema hematopoiético (mieloma múltiplo) • Cirrose biliar primária • Doenças inflamatórias intestinais • Doença celíaca • Pós-gastrectomia • Homocistinúria • Hemocromatose • Doenças reumáticas • Drogas: glicocorticóides. além de aumentarem a reabsorção ou desgaste ósseos11. Adequada história clínica e o exame físico são especialmente úteis para excluir as causas secundárias (Quadro III). Diagnóstico Clínico A síndrome. O objetivo primordial de qualquer tratamento é aumentar a sobrevida e a qualidade de vida. nas doses Osteoporose usuais (2. metotrexato. fenitoína. DIAGNÓSTICO 3.

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