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§1º.

Introdução
1. Da importância do contexto
A pragmática, ou seja, o contexto dentro do qual se insere determinado fato ou
sucessão de fatos é ponto determinante para a compreensão sem embargos de uma história.
No conto de Steinback, o contexto é essencial para o proveito máximo das metáforas apostas
pelo autor, de modo que, como não fora explicado devidamente do andar do livro, o contexto
será o objeto central da nossa introdução, a essência, sem a qual a história de “Ratos e
homens” não passará disso: uma história.
2. A grande depressão norte-americana e a sua importância para a história
No período que ocorre a narrativa, os Estados Unidos, local onde vivem nossos heróis,
passa por uma grave crise econômica, ocorrida na década de 30, vivem sob condições sociais
bastante inóspitas, com um Estado bastante limitado. Juridicamente falando, não são
assegurados aos homens seus direitos constitucionais mais básicos. Relações trabalhistas não
são reguladas, o trabalhador sempre perde frente ao patrão. O sonho de obter um “pedacinho
de terra”, ou o conhecido direito à propriedade, está bastante em foco e é muito bem abordado
por Steinback. Inexiste um Estado eficaz, garantidor de direitos fundamentais.
Neste sentido, outro tema de vital influência para o decorrer da história é o
preconceito, abordado de magistralmente pelo autor através de metáforas: um de nossos
protagonistas é Lennie Small, o qual aparenta ser acometido de certo grau de retardo mental;
há também, na história, um negro, o senhor Crooks, que sofre preconceito racial por sua cor,
vivendo, inclusive, em um alojamento afastado dos peões – para o direito, Crooks é uma
personagem especial, porém, analisar-lo-emos no trecho final do presente trabalho; há uma
única mulher na narrativa, a esposa do filho do dono da fazenda, que sofre preconceito como
consequência de ser a única num local tão masculino – esta personagem desperta especial
atenção no leitor, pois muitos que leem o livro a têm como oferecida, compartilham do
preconceito dos peões, já outros não entendem dessa forma, fazendo dela uma personagem
misteriosa; Candy é o “velho” do livro, ele tinha um cachorro que foi sacrificado por um
peão, pois, segundo um consenso, o cachorro já não servia para mais nada, para ninguém,
nem para si mesmo, desencadeando em Candy a ideia de que já não serve mais para nada, mas
apenas não o matam por não ser um animal.
Ainda, participam do conto Geoge Milton, nosso outro protagonista, amigo
inseparável de Lennie; os peões da fazendo, dos quais o mais importante parece ser Slim, por
tem influencia sobre os outros; Curley, marido da “mulher-problema”, que tem sua
importância na fluidez da narrativa e alguns outros personagens, que não representam vital

podendo cultivar para si e viver a vida sem necessitar da anuência do patrão. que são o pai de Curley. “Homens e Ratos” conta a história de trabalhadores da década de 30. como a tia de Lennie e a dona de um prostíbulo frequentado pelos peões. o motorista do ônibus. possibilitando-os de encontrar o local fatídico da história. que não deixa Lennie e George próximos à fazenda. .importância ao conto. cujos sonhos dividem: a sonhada terrinha própria. patrão dos peões. e outros personagens que aparecem através de lembranças.

Se outros caras vão em cana. George Milton e Lennie Small trabalhavam na fazenda de Weed. —Mas nós não! — interrompeu Lennie. —Contar o quê? —Aquilo dos coelhos. Se eu contar não é a mesma coisa. George! Conta o que a gente vai ter no jardim e fala dos coelhos nas gaiolas. Continua. Então. como se as tivesse repetido inúmeras vezes antes. — E por quê? Porque.. Não temos que sentar num bar gastando a gaita só porque não tem outro lugar pra ir.. § 2º. uns porcos e.. Não pertencem a lugar nenhum. George. —Tá bem. —Não. —Por que você mesmo não faz isso? Já sabe tudo. segurando seu vestido para acariciá-lo e assustando a moça com essa atitude. Não têm família.. porque ninguém liga pra eles. vamos juntar uma gaita e ter uma casinha e um pedaço de terra. matreiro. Continua. a gente fica sabendo que tão sacudindo o rabo em outra fazenda. —Você não vai me fazer de trouxa.. porque eu tenho você pra tomar conta de mim e você me tem pra tomar conta de você. encantado.— Nós temos futuro. conta. A história começa com os dois em Soledad. — Vamos ter uma boa horta. Pode até contar você mesmo. —Gosta disso. Eles não podem esperar nada do futuro.. Conta como vai ser. George. —E vamos viver no bem-bom! — gritou Lennie. podem apodrecer na cadeia. não é? Tá bem. Pronunciava as palavras ritmadamente. Temos alguém pra conversar. Mas nós não. Logo depois. Lennie exultava. conta você.. —Não. conta você. —Tá bem — disse George. Por favor. —Riu. Eu esqueço umas coisas. A moça deu queixa dele. como você já me contou antes — disse Lennie. então vão pra cidade e gastam a gaita toda. é isso. —Com a gente não é assim — continuou George. alguém que se importa com a gente. uma vaca.. é por isso. Agora conta como é com a gente. — Agora continua. Lennie e George foram caçados e tiveram que fugir dessa fazenda. e como a nata do leite vai ser tão gorda que a gente nem vai poder cortar. pois Lennie meteu-se em confusão com uma mocinha de lá. da chuva no inverno e da estufa. George. — E ter coelhos. Bolas! — Puxou seu canivete. Um dia.. George. A voz de George tornou-se mais profunda.. Parte principal 1. E quando chover no inverno a gente vai dizer que se dane o trabalho e vai acender um bom fogo. George! —Você sabe tudo de cor. são os sujeitos mais solitários do mundo. — Os caras como a gente. Conta como eu vou cuidar dos coelhos. caminhando em direção à nova fazenda onde irão trabalhar. Chegam numa fazenda e trabalham até juntarem uns cobres.. uma coelheira e galinhas. Como antes. Eles param à beira de uma riachinho para se refrescar e descansar. de onde tiveram que sair fugidos.. —Ah.. sentar perto dele e ouvir a chuva cair no telhado. — É isso. vou te contar e depois vamos comer. — Não tenho tempo pra falar mais. Conta. dizendo que fora violentado. que trabalham em fazendas. .. e é neste riachinho que acontece um importante diálogo para a história: —Conta.

seguindo afirma Candy. Entra. com a força de um homem adulto”. é bom de briga. no alojamento. uma luva que. Curley não gosta de caras altos. partindo para lá para presenciarem a tal briga. . seu alojamento. para que Lennie possa acariciá-lo sem matá-lo. os peões dali respondem que não. Lennie volta de lá – estava brincando com o cachorrinho que ganhara. Conhecem também Curley. Decidem. Todos pensam que ela esta no celeiro com Slim. fedendo e não ser útil nem mais para si mesmo. na mão esquerda. caso este se coloque em confusão novamente. Mais tarde. George a ignora. Slim estende que ele não fez aquilo por mal. George promete a Lennie que conseguirá um filhotinho de cachorro com Slim. dizendo que Slim daria a Candy um dos seus filhotes. já que. Curley usa. Os dois passam a noite ali. por este ser grande. mas percebe-se que não concorda com aquilo. Pouco depois. os peões começam a reclamar do velho cão de Candy. o que faz com que seja repreendido por George depois. Curley. mas Lennie fica encantado com sua beleza. Então. pois querem evitar confusão. segundo Candy. sempre arranja confusão com eles. sacrificar o cão. atitude que enoja George. George conversa com Slim e conta o que Lennie fez na antiga fazenda. está cheia de vaselina para manter sua mão vazia para a sua esposa (casara-se há duas semanas). Candy ainda conta que a esposa de Curley vive a dar em cima dos peões. O peão que perguntara diz que Curley está procurando sua noiva. surge a esposa de Curley no alojamento. porém. por ele estar velho. procurando por este. que Lennie é apenas “uma criança. Na manhã seguinte. já foi segundo colocado em um campeonato de Boxe. o filho do patrão. conhecem o patrão. Posteriormente. é naquela localidade que deverá ir se esconder e aguardar até que George vá buscá-lo. como fazia com os ratinhos que sua tia lhe dava. que arranja uma pequena intriga com Lennie. um peão leva o cão para fora e o mata com um tiro na nuca. segundo Candy. Mais tarde. no alojamento. Candy não faz objeção. George e Lennie permanecem no alojamento. os dois conhecem o restante dos peões da fazenda. o Velho Candy e o seu velho cachorro. e que Curley descobrira isso. então. Slim vai ao celeiro tratar de uma mula machucada. George ainda combina com Lennie que. os dois chegam à fazenda onde irão trabalhar. um peão perguntando se viram Curley.