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Jovens europeus

retrato da diversidade
José Machado Pais, David Cairns e Lia Pappámikail*

Introdução *Os autores expressam
seu agradecimento a
todos os colaboradores
Fornecer um retrato dos jovens europeus em relação às transições para a
do projeto FATE, sem
vida adulta (nomeadamente da escola para o mercado de trabalho) con- cuja contribuição este
fronta-nos com a diversidade de circunstâncias individuais e estruturais artigo não teria sido
que pautam essas transições, quando se comparam jovens de diferentes possível.
países ou mesmo em cada um dos países considerados. Pesquisas que ado-
tam diferentes paradigmas teóricos têm traçado diagnósticos e prognósti-
cos – ora otimistas, ora pessimistas – dos problemas, das situações e das
expectativas dos jovens europeus. No entanto, a complexidade das transi-
ções juvenis na contemporaneidade é consensual (cf. Pais, 1993; Cavalli e
Galland, 1995; Furlong e Cartmel, 1997).
Apesar de os processos de transformação ocorrerem em diferentes tem-
pos, consoante com as especificidades históricas de cada país, as últimas
três décadas foram palco de mudanças em várias escalas: nos níveis institu-
cional e estrutural, incidiram sobre o mercado de trabalho, o Estado Pro-
vidência e o sistema educativo; no nível societário, refletiram-se nas dinâ-
micas culturais e nas práticas sociais. Cenários sociais de crescente
flexibilização das relações laborais e precarização do emprego tiveram um
impacto particular no modo como os jovens acedem ao mercado de traba-
lho. Um emprego “para toda a vida” é algo que os jovens não podem

Jovens europeus: retrato da diversidade, pp. 109-140

considerar como garantido, o que tem contribuído para aumentar sua
1. Tome-se como exem- mobilidade profissional e geográfica1. Por outro lado, a extensão da dura-
plo os movimentos mi- ção média das carreiras escolares, apesar das diferenças significativas entre
gratórios que se seguiram os países, tem favorecido o prolongamento do período de residência e de-
à queda do Muro de Ber-
pendência de muitos jovens em relação a suas famílias de origem, pelo
lim e ao desmembramen-
to do eixo soviético, em- menos em comparação com as gerações predecessoras (cf., entre outros,
bora, neste caso, se de- Galland, 1997; Furlong e Cartmel, 1997). Assim, várias pesquisas têm
vam também convocar procurado caracterizar esse novo panorama, no qual a estabilidade é subs-
fatores de natureza polí- tituída pela incerteza e pelo risco, chamando a atenção para a necessidade
tica como determinantes.
de novos questionamentos teóricos na problematização dos modelos de
transição para a vida adulta (cf. Beck, 1992; Evans e Heinz, 1994;
Chisholm, 1997; Du Bois-Reymond, 1998; Looker e Dwyer, 1998; Rudd
e Evans, 1998).
As transições juvenis e o modo como são captados e geridos os recursos
que as suportam não podem, por outro lado, dissociar-se dos enquadra-
mentos familiares em que ocorrem: a autonomização dos jovens é também
constituída de dependência(s). Se, em alguns contextos nacionais, como
em países do sul da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Grécia), com Esta-
dos sociais relativamente pouco desenvolvidos, a família sempre desempe-
nhou um papel relevante no suporte e na gestão das transições para a vida
ativa – papel reforçado pelas transformações socioeconômicas antes men-
cionadas –, nos países do norte (Alemanha, Holanda e Dinamarca, por
exemplo) os apoios estatais, embora pujantes, foram reduzidos substanci-
almente, “empurrando” as famílias para a linha de frente do apoio às tran-
sições juvenis.
Paralelamente a esse reforço ou (re)emergência do papel da família no
apoio aos jovens (material e afetivo, instrumental ou simbólico), outra área
de tensão nas transições juvenis remete aos processos de individualização,
tanto em relação aos valores e às atitudes quanto às estratégias mobilizadas
na negociação dos caminhos para a vida adulta. Apesar da persistência das
assimetrias estruturais quanto à distribuição de recursos culturais e econô-
micos, várias pesquisas têm apontado a emergência de modos reflexivos e
criativos de construção biográfica, bem como a adoção, por parte dos jo-
vens, de éticas de vida mais expressivas, conviviais e hedonistas, especial-
mente ao sublinharem a importância de valores como a autonomia, a diver-
são, a experimentação etc. (cf. Du Bois-Reymond, 1998; Pais, 1998;
Singly, 2000), além de crescentes expectativas de realização pessoal (cf.
Mörch, 1997; Côté, 2000).

110 Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 17, n. 2

José Machado Pais, David Cairns e Lia Pappámikail

Este artigo procura, assim, explorar dados quantitativos e qualitativos
recolhidos no decurso de um projeto integrado numa rede européia de
pesquisa, o FATE (Famílias e Transições na Europa)2. Procedimentos es- 2. Conduzido de 2001 a
tatísticos foram usados para aceder a perfis que permitissem ultrapassar 2004 e apoiado pela Co-
munidade Européia (Pro-
estereótipos regionais, agregando os jovens inquiridos em constelações cons-
grama Improving the
truídas a partir de suas situações correntes, trajetórias de vida e perspecti-
Socio-economic Know-
vas de futuro. Esses perfis foram reforçados por meio do recurso a extratos ledge Base), esse projeto
de entrevistas, texturizando e aprofundando os resultados das análises procurou articular as áreas
multifatoriais. O fato de a amostra do estudo não ter coberto todo o espec- da pesquisa e da política
tro possível de trajetórias juvenis deve ser realçado. No entanto, o contras- social. No aspecto teóri-
co, valorizou, em termos
te de perfis cria um patchwork ilustrativo dos modos como as transições
problemáticos, as transi-
são geridas em contextos específicos. Num primeiro momento, contudo, ções dos jovens da escola
algumas das mais relevantes contribuições teóricas da sociologia da juven- para a idade adulta (in-
tude serão discutidas, de forma a situar analiticamente os processos sociais cluindo extensões para as
subjacentes às trajetórias dos jovens pesquisados. transições para o empre-
go, a falência em larga es-
cala das indústrias tradi-
Transições para a vida adulta: percursos teóricos cionais, as elevadas taxas
de mobilidade residencial,
A resposta à pergunta “o que define a condição juvenil?” seria por si a diversificação dos esti-
só suficientemente complexa se a multiplicidade de respostas dadas pe- los de vida por gênero e
los pesquisadores nas últimas décadas servisse de indicador dessa comple- as crescentes exigências de
educação mais formaliza-
xidade. Para além de propostas que, por constrangimentos metodológicos,
da), em diferentes con-
circunscrevem a “juventude” a um determinado espectro de idades – é o textos de apoio estatal e
que acontece em pesquisas por sondagem baseadas em amostras estrati- familiar.
ficadas por faixas etárias –, a sociologia da juventude desenvolveu-se,
grosso modo, segundo dois eixos analíticos principais: ora por meio de
abordagens que procuram definir e entender as características convergen-
tes da “juventude” como categoria social, para a qual a perspectiva de
Manheim (1952) é um dos exemplos pioneiros; ora enfatizando caracte-
rísticas divergentes que configuram diversas “juventudes” como grupos
culturais autônomos, rejeitando, por isso, a existência de uma “juventu-
de” no singular (cf., entre outros, Schehr, 2000). Num caso valorizam-
se elementos cristalizadores, que estabelecem traços comuns na “juven-
tude”; em outro, realçam-se fatores discriminantes que provocam
clivagens internas nesse universo geracional.
A essas duas perspectivas acrescentar-se-ia uma terceira, que agrega es-
tudos e reflexões sobre o modo como se sai da condição juvenil. Além
disso, o “problema” das transições para a vida adulta tornou-se uma das

novembro 2005 111

não identidade). por exem- plo) ou na adoção de comportamentos “adultos” socialmente prescritos. nessa construção sociológica. surgem questões como: O que é novo em ser jovem hoje? Como são as trajetórias biográficas construídas e as transições juvenis geridas? Como pode ser interpretado o adiamento das transições familiares (aban- dono da família de origem e constituição de novas famílias)? Várias são as hipóteses de resposta. ao referir-se à transição para a vida adulta. de clas- se social e outras. perspectivas homogenei- zadoras esbarram num cenário de acentuada singularização de trajetórias. Schehr. 2000. como os jovens tendem a prolongar a estadia na casa dos pais. parentalidade e constituição de unidades residen- ciais autônomas da família. adiam a assunção plena do estatuto de adulto (estatuto. revista de sociologia da USP. 1998). conduzindo ao já referido prolonga- mento da juventude. Por outro lado. considera um determinado conjunto de aconteci- mentos ou passagens marcos do fim da juventude: emprego em período integral. 9). negligencia as múltiplas transições. p. A idéia do “prolongamento da juventude”. Wallace e Kovatcheva. v. enfraquecendo. Em qualquer dos casos. por exemplo.Jovens europeus: retrato da diversidade. o segundo desprende-se da premissa de que. 2000. 2 . conseqüentemente. freqüentemente associada às “dificuldades de transição”. n. apesar de distinções de gênero. uma categoria social cujas práticas e atitudes são estruturadas por um efeito cronológico de idade. Há os que sustentam a idéia do “prolongamento da juventude” como fase de vida (cf. as fronteiras simbólicas da juventude como grupo específico (cf. p. 17. Assim. Galland (1997). De sua perspectiva. o paradigma do prolongamento da juventu- de é igualmente posto em causa quando. pp. conjugalidade. 109-140 maiores preocupações de pesquisadores e agentes políticos confrontados com processos sociais de transformação que afetam o mercado de traba- lho. A juventude é. ou os que tomam os jovens contemporâneos como uma “geração suspensa”. quando ancorados a passagens estatutárias tradicionais (casamento e parentalidade. está ancorada a dois pressupostos ainda por provar: o primeiro parte do princípio de que os jovens querem ser adultos a qualquer custo. que 112 Tempo Social. com recurso a uma multiplicidade de imagens e metáforas. atitudes e comportamentos juvenis. 49). para uma dada faixa etária. concomitantes ou não. essa transição pode ser objetivada em eventos identificáveis (cf. Singly. Na verdade. registrou-se uma progressi- va dessincronização dessas passagens. num continum de passerelles que combina transições ocorridas na esfera pública da vida (da escola para o trabalho) e na privada (da casa dos pais para a conjugalidade). o sistema de ensino e as dinâmicas familiares.

Para além de se terem reforçado os processos de singularização biográfica. os indivíduos contemporâneos são forçados a refletir sobre as opções disponíveis e a justificar suas decisões” (Du Bois-Reymond. gências do presente” des centradas no indivíduo: embora a difusão do desejo de aceder à indivi. de al- guma forma. p. têm dado especial atenção à fragmentação das trajetórias. como as de gênero ou classe social (cf. compor novas identida- des. no quadro das contin- Roberts e Parsell. no processo de desenhar os percursos. no que se refere aos mecanismos de socialização e transição para a vida adulta. as transformações no mercado de trabalho (flexi- bilização e precarização) e nas estruturas familiares (pluralização das formas de organização familiar) enfraqueceram as referências culturais que serviam de fio condutor biográfico às trajetórias individuais. 50). p. Pappámikail. por oposição ao de “biografias nor- mais”. as novas gerações têm sido confronta- das de um modo particular com a erosão de certos marcos de referência. processo temporal de A enfâse na agência individual3. ação social em que os não deveria implicar. (Evans. O conceito de “biografias de escolha”. até aí relativamente estáveis. p. uma tendência característica de algumas trajetórias juvenis na Europa: a “geração ioiô” é uma das metáforas utilizadas para ilus- trar os processos de ida e vinda entre o sistema educativo e o mercado de trabalho. todos os grupos sociais. ou ainda entre a conjugalidade e a vida de solteiro/a (cf. Outros autores. 2004). Schehr. 3. 2000. na potencial reversibilidade de algumas esco- lhas e percursos de vida. Rudd e Evans. sociais e culturais têm nas trajectórias juvenis. 248). 2002. 1994). 2001). 1998. 1996). no entanto. adotando “a liberdade de es- colha” como uma ética de vida (cf. criar novos estilos de vida. 1995. 68). reconhecendo. EGRIS. Também há limites nas constrangedoras socieda. um negligenciamento do peso que as estru. Peters e Du Bois-Rey- mond. novembro 2005 113 . embora sados são contextualiza- dos. Pais. José Machado Pais. Entendida como “um 1998. contudo. Apesar de as mudanças sociais e econômicas afetarem. numa multiplicidade de opções – disponíveis ou inventadas (cf. David Cairns e Lia Pappámikail podem desenvolver-se em diferentes tempos e profundamente implicadas no contexto das biografias individuais (cf. e as possibilidades alguns acreditem que as escolhas enfatizam a individualidade a ponto de futuras são emolduradas ultrapassar as segmentações sociais. encaixa-se nessa perspectiva por essas biografias “estarem determina- das por um paradoxo típico na vida moderna: embora as sociedades ofereçam mais opções de escolha. Algumas pesquisas apontam para o fato de um número significativo de jovens serem socializados na crença da “opção”. entre viver em casa própria e na casa dos pais. Esse fato teria pressio- nado os jovens a fazerem um uso “ativo” de sua agência individual para in- ventar novos caminhos. hábitos e as rotinas pas- turas econômicas.

as estruturas econômicas dros analíticos. 109-140 dualidade (feita de escolhas. Esses sistemas – que tanto libertam como constrangem as ações individuais – corresponderiam a redes ou constela- ções dinâmicas de relações sociais fornecendo. Idem. De fato. espelham a mul- tiplicidade desses qua. v. revista de sociologia da USP. ora para o lado da agência individual. Idem. Raffo e Reeves. Raffo e Reeves (2002) preferem seguir a tradição conceitual de Bourdieu (1972) e. no caso dos jovens. que. recuperando a noção de capital social pro- posta por Coleman (1988). auto-realização. 2 . mesmo que em novas modalidades. diferentes graus de agência e de oportunidades. Evans (1998). ou o modo como ambas se articulam nas sociedades ocidentais contemporâneas. Tal modelo é ba- seado no postulado de que certos recursos pessoais são importantes nas es- tratégias de ação e nos projetos de vida. rios quadros analíticos4 têm enfrentado essa questão. 114 Tempo Social. 1999. Vá- 4. p 18. emara- nhadas transições. n. oportu- nidades de aprendizagem cotidiana (cf. reconhecendo 1998. 2001). Rudd e Studies. Se o conceito de trajetória se enclausura em visões e lógicas temporais marcadas por linearidades (antes. ainda que muita coisa dependa do indivíduo. 2002. por exemplo. p. Furlong e Cartmel. freqüentemente envolvendo falsas partidas e revezes. e sociais. inclinando-se ora para dos no Journal of Youth o lado do peso das estruturas. Singly. 1997). exigindo recorrentes negociações e redefinição de possibilidades (cf. Wyn e Dwyer (1999) apontam algumas fraquezas nessas perspectivas teóricas. o que pode fornecer um retrato enganador das efetivas capacidades da maioria dos jovens de lidar com os desafios – que em alguns casos são ameaças – decor- rentes do risco e da contingência (cf. possibilitando retirar vantagens ou compensar vazios ou déficits institucionais da modernidade mediante “in- vestimentos identitários” no decurso dos processos de individuação. sobretudo quando tendem a generalizar conclusões com base em amostras limitadas a jovens relativamente “bem-sucedidos”. sugerem que as trajetórias juvenis deveriam ser meira publicação em analisadas pela perspectiva da individualização estruturada. as efetivas condições de possibilidade de concretiza- ção desse desejo encontram-se desigualmente distribuídas (cf. têm estado no centro das pesquisas e dos debates teóricos sobre as transições para a vida adulta na Europa. pp. os próprios jovens reportam suas vidas como resultado de complexas combi- nações de recursos. autonomia e autenticidade) se tenha generalizado. 19). combinam agência e estrutura em sistemas in- dividualizados de capital social. agência e estrutura. complexas e interconectadas. Por outro lado. Pais. 17. Ja- mes Côté (2002) propõe um modelo de capital identitário para entender o impacto de fatores estruturais nas transições individuais.Jovens europeus: retrato da diversidade. 2000. p. desde a sua pri. continuam desempenhando um papel importante.Os artigos publica. 148).

52). As idades dos inquiridos variaram entre os 16 e 34 anos. Itália. e as rupturas tão relevantes quanto as conexões (cf. Espanha. embora a maioria se concentrasse no escalão entre 18 e 23 anos. vocacional e superior). entrada no mercado de trabalho. As sociedades contemporâneas são demasiado diferenciadas e policon- textuais (cf. ultrapassar os papéis sociais prescritos. 1998) que as experiências de transição dos jovens devem ser compreendidas a partir de suas múltiplas filiações identitárias. assim. relações intergeracionais. se- cundário. 2003. 120). a atitude comunicacional e a importância atribuída às sociabilidades e aos encontros. A amostra foi construída a partir de ciclos terminais do sistema de ensino (dividido em obrigatório. Idem). envolvendo as novembro 2005 115 . As socia- bilidades entrelaçam experiências e contextos no tecido das relações sociais em que se enfileiram os fios condutores biográficos (cf. A singularização das experiências de vida juvenis remete. Alemanha (dividida em leste e oeste). A partir dessa mesma amostra. que cor- respondem à necessidade que têm de gerir quotidianamente pertenças e par- ticipações numa multiplicidade de mundos sociais (cf. Holanda. David Cairns e Lia Pappámikail agora e depois). os desalinhamentos da vida são sociologicamente tão impor- tantes quanto seus alinhamentos. p. deu origem a cinco grupos consistentes após uma análise classificatória hierárquica. Schehr. 2000. recorrendo ao programa SPAD (Statistique pour le Analyse de Données). assim. ba- seada em análises fatoriais de correspondências múltiplas. Pais. Portugal. Análise tipológica das transições: diversidades O projeto Famílias e Transições na Europa combina abordagens quanti- tativas e qualitativas na exploração das experiências de transição relaciona- das com educação e trabalho. José Machado Pais. Os indicadores do modo como os jovens constroem e gerem as relações e as pertenças sociais apontam para a experimentação. p. Uma pesquisa com base em questionário foi aplicada a 1929 jovens distri- buídos pelo Reino Unido. foram realizadas entrevistas em profundida- de. Uma análise dos dados da pesquisa com questionário. situação resi- dencial. Suas trajetórias e identidades podem. apoio familiar e estatal e planos de futuro. à espe- cificidade dos contextos e às múltiplas oportunidades que estes favorecem. Dinamarca e Bulgária. como podemos dar conta de vidas juvenis que são impres- sas em estruturas sociais cada vez mais labirínticas? Apesar de mais difíceis de apreender. Lahire. entre seis meses e um ano depois da pesquisa com questionário: 376 jo- vens e 219 dos seus pais foram entrevistados.

Reino Unido (29%) uma leitura mais apro- fundada sobre os resul. dentes. Reino Unido (21%) lar. dade de resposta. independentes). n. pp. v. 2 . acomodados). cada resulta. Autonomia proporcionada por aculturações sociais: jovens-adultos solteiros. dependentes). GRUPOS NACIONALIDADES SOBRE-REPRESENTADAS ção. Essas variá- veis foram estruturadas de acordo com as seguin. com os jovens italianos e alemães. mas também com dinamarqueses. que prati- ferem distintividade. QUADRO 1 tes dimensões analíticas: Partição dos grupos e nacionalidades sobre-representadas variáveis de caracteriza. bre-representação de jovens de determinadas nacionalidades (Quadro 1). da Espanha (26%) e do Reino Unido (21%). independentes. (% em relação à amostra) dinheiro. 2) dependência gerada pela des de resposta em cada tradicionalidade (jovens temerosos. trajetória esco- GRUPO I (22%) Holanda (38%). (2003). Alemanha oeste (37%) consultar Biggart et al. cultos. Espanha (26%). revista de sociologia da USP. Os jovens espanhóis e britânicos ten- sentação é fundamental nesse tipo de análise e dem a uma dispersão. Foram trabalhados diferentes dimensões analíticas)5. O camente integram grupos autônomos. lise SPAD. Para GRUPO III (16%) Dinamarca (51%). notoriamente. da um deles tipificando diferentes modelos de transições. confiantes). o que acontece. entravados). Portugal (27%). orientações atitudi- conjugação do peso es. Embora a amostra do estudo não seja estatisticamente representativa 6. nais e perfis juvenis: 1) autonomia proporcionada por aculturações sociais (jo- tatístico das modalida. A expectativa era poder encontrar asso- dados de 185 questões ciações – não apenas estatísticas mas principalmente sociológicas – entre (num total de 911 op. materialistas. 4) ancoragem tensa à família de origem (jovens depen- considerado relativa. vens-adultos solteiros. Vejamos. 3) inde- um dos grupos consi- pendência precoce mas condicionada (jovens vivendo como casais. 5) “ética de trabalho” libertadora (jovens mente a cada modali. agora. 109-140 modalidades de resposta associadas às variáveis de estudo (distribuídas por 5. as características dos grupos. controlados. grosso modo. cultos. independentes Neste grupo encontramos uma sobre-representação de jovens da Ho- landa (38%). conceito de sobre-repre- búlgaros. os múltiplos indicadores da pesquisa que dão consistência à análise tipológica ções de resposta) na aná- dos grupos constituídos6. constatou-se que em alguns grupos há uma so- índices de sobre-repre. GRUPO IV (12%) Itália (99%) tados dessa pesquisa. GRUPO V (24%) Alemanha leste (61%). ati- tudes perante trabalho e GRUPO II (25%) Bulgária (52%). A dominância 116 Tempo Social. coabitantes. É sentação que lhes con. autonomização.Jovens europeus: retrato da diversidade.Esses grupos são constituídos a partir de dos países que a integram. 17. Espanha (17%) sentimentos de si. relações familiares. pós-mo- derados com o peso es- tatístico de cada grupo dernos. holandeses e portugueses.

A autonomia estende-se também ao domínio dos gastos de consu- mo. embora uma parte deles (57%) ainda vivesse com os pais. em cerca de 90% dos casos são eles que (sempre ou quase sempre) preenchem seus documentos (inscrições. A declaração de uma jovem holandesa ilustra exemplarmente essa atitude: “Na minha opinião. no trabalho. sem recorrer a pessoa alguma. embora não dispensem a ajuda da mãe na lavagem da roupa (em 91% dos casos) e na limpeza da casa (90%). claro. Por aqui se vê que o apoio familiar também se faz sentir nas disponi- bilidades conviviais que as redes de comunicação e circulação proporcionam. Quanto às fontes de rendimento. contam mais as satisfa- ções intrínsecas (tipo de trabalho realizado. im- postos etc. as taxas escolares também são pagas pelos pais: “Eles paga- ram-me todo o tipo de coisas relacionadas com a minha educação e forma- ção. Muitas das despesas (lúdicas ou básicas) são feitas com seu próprio dinheiro. e para quem. os jovens deste grupo revelam uma independên- cia que se manifesta na forma autônoma como desempenham algumas tarefas pessoais: por exemplo. num total de menos de quinze horas por semana (apenas 21% trabalham entre dezesseis e 35 horas semanais). para esses jovens. Na sua vida cotidiana. Mas nem todos trabalham em período integral (apenas 17%): a maioria trabalha meio período. novembro 2005 117 . estando também representados 56% de jovens espanhóis e 44% de britânicos. nomeadamente as que asseguram redes comunicacionais (telefone e internet) ou de circula- ção (59% contaram com a ajuda dos pais na aquisição da carteira de moto- rista). é importante que eu me divirta. Holanda). nunca me pagaram nada” (29 anos. outras. um em cada cinco desses jovens afir- ma que a totalidade do dinheiro que recebem é proveniente do trabalho.) do que seus aspectos extrínsecos ou instrumentais (o dinheiro que se ganha). Mas quando chega ao lazer e ao divertimento. José Machado Pais. no entanto. sexo masculino. sexo feminino. mas eu preferiria trabalhar num lugar agradável e receber menos a trabalhar em outro nada simpático que pagasse melhor” (18 anos. Apesar de socializados para o mundo do trabalho. Espanha). Ou seja. ensino secundário. são suportadas pelos pais.). o sentido da vida seja dependente do emprego. Para a maioria. A principal característica do gru- po é ser constituído por uma maioria de jovens (73%) que no momento da pesquisa estavam trabalhando. não é certo que. Ter mais dinheiro é bom. estamos perante jovens orientados por uma ética de valorização da individualidade e da realização pessoal. ensino secundário. disponibilidade de tempo livre etc. David Cairns e Lia Pappámikail dos jovens holandeses é de tal ordem que do grupo fazem parte 86% da totalidade dos que foram inquiridos.

Jovens europeus: retrato da diversidade. nos ambientes e comigo próprio” (24 anos. alguns ami- gos meus mentiam para os pais e diziam-lhes que [. Os capitais culturais que circulam em ambiente familiar criam-lhes também disponibilidades conviviais. 60% dizem que suas mães alimentavam (ou alimentam) expectativas de eles poderem concluir estudos universitários. n. Carlos é um desses jovens: “Na minha opinião. ao que se associam elevados níveis de escolarização: 36% atingiram o último grau do ensino secundário. para que saibamos exatamente onde você está. 2 .. em termos quer das socializações profissionais. revista de sociologia da USP.]. entende?”. Aliás. Em síntese. A independência econômica garante-lhes autonomia financeira. reajo a situações complicadas com as minhas próprias opiniões e sou capaz de estar bem com as pessoas. 17. mas mesmo assim só podia ser de quinze em quinze dias [. quase sempre ou sempre os pais sabem onde eles estão. o que pode indicar um relacionamento construído na base da confiança ou da nego- ciação. Quando saem à noite. e os relaciona- mentos familiares estão isentos de conflitos explícitos. Outro traço característico do grupo é a sobre-representação de jovens solteiros (87%) e com idades compreendidas entre 21 e 24 anos (54%) e 25 e 29 anos (18%). 109-140 Os jovens deste grupo raramente ou nunca têm problemas ou conflitos com os pais. v.. Eles costumavam dizer: “Nós preferimos que você nos diga a verdade. se situam próximos do extremo de “muita liberdade” (43% no nível 5 da escala). Nessa altura. numa escala de 1 (nenhuma liberdade para fazer suas escolhas) a 6 (liberdade total de escolha em relação às suas vidas). São jovens com uma elevada auto-estima. Era o suficiente. 53% dos jovens euro- peus que atingiram a universidade se encontram neste grupo. quer das aculturações sociais. Já tinha 16 ou 17 quando eles me deixaram ir. mas. que está subjacente ao testemunho de uma jovem irlandesa: Desde os 15 anos que eu queria ir à Kellys (danceteria). ensino superior).. pp. sou uma pessoa que sabe decidir por si própria. São jovens que contam com bom apoio familiar. ensino médio. vivendo um bom relacionamento familiar. Espanha). sexo masculino. com os meus pais. sexo feminino. o grupo caracteriza-se por uma sobre-representação de jo- vens-adultos com independência econômica e boas disponibilidades convi- viais – alguns deles têm um relacionamento preferencial com namora- dos(as).. 118 Tempo Social.] iam dormir na casa de alguém quando na verdade iam sair (23 anos. entre os quais há também uma sobre-representação dos que. nem pensar que isso fosse acontecer com 15 anos.

essa faixa etária não (43% afirmam que o deixa de ter um peso considerável (47%) no conjunto dos jovens europeus celular lhes foi ofereci- do pelos pais). dependentes Este grupo é majoritariamente constituído por jovens da Bulgária (52%).Esse grupo encerra das despesas relacionadas com a carreira escolar. gastos tem entre 17 e 20 anos. a com revistas. há uma sobre. livros e idade predominante dos jovens que constituem o grupo: a maioria (66%) jornais. e como traço acentuador de dependência econômica. bares e pubs. bas- tando lembrar sua origem nacional. Um de seus traços mais característicos é o da dependência econômica em relação aos pais. pelo que outras razões – que não apenas as etárias – deverão ser convocadas para a compreensão do comportamento padrão do grupo. 54%. o que também contribui para explicar a desvincu. contra 45% quando se considera a totalidade da amostra). Para contornar as dificuldades de inserção profissional. uma vez que é projetada no futuro. abarcando 87% da totalidade dos jo- vens búlgaros inquiridos. características sociográficas dos jovens em questão: 96% são solteiros e teatro e concertos mu- sicais. certamente. O dinheiro que têm é tão escasso que acabam por recorrer aos pais para enfrentar as despesas mais triviais do universo juvenil7. carregam o ônus de uma periferização econômica. Dependência gerada pela tradicionalidade: jovens temerosos. José Machado Pais. independência econômica etc. A dependência econômica desses jovens em relação aos pais não é apenas uma marca do presente. David Cairns e Lia Pappámikail Todas as características do grupo (socialização profissional. Nesses termos. no contexto europeu. despesas com dancete- representação de jovens (55%) cuja fonte de rendimentos é exclusivamen. pagam as mente. pode-se dizer que os vínculos da tradicionalidade (pré-modernidade) são geradores de depen- novembro 2005 119 .) convergem para uma ele- vada auto-estima e autonomia. No caso 7. os pais continuam a ser a 76% dos jovens euro- peus que dizem que são principal fonte de suporte: são eles que compram os livros (em 79% dos os pais que. 72% te a família. materialistas. rias. Outra variável explicativa é. Final- quase sempre. 75% dos portugueses e 41% dos espanhóis. dada a sobre-representação de jovens que afirmam esperar que os seus pais os ajudem no futuro. sempre ou casos. Essa dependência pode ser parcialmente explicada por algumas pagam idas a cinema. Estamos perante jovens que. bom relaciona- mento convivial. de refúgio no prolongamento das trajetórias escolares (em conso- nância com as expectativas de seus pais). no entanto. com celular ou internet lação desses jovens do mundo do trabalho. que foram inquiridos. de fuga ao confronto direto com o mercado de trabalho. despesas 80% ainda vivem com os pais. Portugal (27%) e Espanha (17%). 58%. tendem a ado- tar estratégias defensivas.

eventualmente. teme- rosos em relação ao desemprego: “Sempre me apoiaram com dinheiro e outras coisas. Ameaçados pelo futuro. sexo masculino. 120 Tempo Social. protegeram-me com tudo isso” (19 anos. 2 . Essas socializações divergentes – ora por meio de transmissões verticais (de pais para filhos). E eu ainda não tenho esse pensamento [. Ele está sempre recla- mando.Jovens europeus: retrato da diversidade. Embora sujeitos a socializações intergeracionais (familiares) orientadas por valores da “pré-modernidade”.]. É que eles aprenderam com os pais – mesmo a contragosto – a dar importância ao dinheiro. deixarão marcas na consciência destes quando. qualquer dia chego aos 30 e só depois é que posso começar a gastar! [.. nas questões relacionadas com o emprego. expressa nos seguintes indicadores: “uma pessoa tem de ter um emprego para se sentir um verdadeiro membro da sociedade”.. ora por intermé- dio de transmissões horizontais (entre os jovens) – são potencialmente conflituosas.. Os valores que lhes são inculcados pelos familiares. Por um lado. esses jovens não deixam de estar expos- tos a socializações complementares (intrageracionais) que tipificam um modo de ser jovem na contemporaneidade. podem ser recupera- dos (em outro nível). Por exemplo. As tensões familiares não se traduzem. 1977. Ele quer que eu me prepare para a vida. que saio todas as noites [. v. “ter qual- quer tipo de emprego é melhor do que estar desempregado” etc. 109-140 dência. e que.] (20 anos. 1983) que os pais defendem. Portugal). não raro surgem problemas ou tensões familiares a propósito dos usos do dinheiro. Stoetzel. os valores “materialistas” (cf. n. mesmo que negados (em um dado nível). Quer dizer. dizendo que um dia vai ao banco ver como está a minha conta. Bulgária). 17. por exemplo. Esse “materialismo” em relação ao emprego – o que conta é o dinheiro – é também induzido por uma dramatização do desemprego. ensino secundário. como explica Fernando: Eu discuto sobre dinheiro principalmente com o meu pai. necessariamente... pp. mas. surge a necessidade de dinheiro para se integra- rem no mercado juvenil de consumo que é próprio da contemporaneida- de. esses jovens se refugiam na família. sexo feminino. revista de sociologia da USP. porque se encontram economicamente dependentes da família.]. Inglehart.. tenderem a valorizar um traba- lho que dê sobretudo dinheiro em detrimento do tempo livre ou da realiza- ção profissional. determinarão uma discordância em relação às despesas lúdicas por parte dos jovens. que avance. que poupe. 1990. em rejeição ab- soluta dos valores que as originam. ensino secundário.

reprovações etc. havendo ainda 40% deles que custeiam as despesas de alojamento (recorde-se que apenas 17% dos jovens euro- peus inquiridos pagam esse tipo de despesa com dinheiro próprio). No entanto. pós-modernos. [. José Machado Pais. entravados Neste grupo encontramos a quase-totalidade de jovens dinamarque- ses inquiridos (84%) e quase metade dos britânicos (43%). eletricidade etc. Mesmo as despesas da casa (renda. O novembro 2005 121 . Não se pode dizer que a ajuda da família não conta para esses jovens. trata-se de um apoio circunscrito. dizendo: “Estude agora. uma vez que 70% deles admitem que os familiares (não apenas os pais) poderão vir a ter muita ou razoável importância no futuro.) como efeito perverso de quem procura creditação escolar sem ter a certeza de retorno dos sacrifícios que tal investimento implica. Surgem então problemas relacionados com o aproveita- mento escolar (notas. quando o pai insistiu para que ele fosse para a universidade: No que diz respeito aos meus estudos. ensino secundário. Independência precoce mas condicionada: jovens vivendo como casais. Meu pai disse-me que ele pagaria a universidade sem problemas. dadas suas fracas habi- litações escolares. acho que tive muita sorte.) são majoritariamente pagas (em 53% dos casos) com dinheiro próprio. Um de seus traços essenciais é a independência econômica. As expectativas em atingir um grau uni- versitário são elevadas e podem também ser induzidas pela consciência de um handicap cultural dos pais e mães desses jovens. como quando procuram emprego. sexo masculino. Mas também nesse caso o investimento na educação – que corresponde a uma estratégia defensiva contra o desemprego e de mobilidade social – não parece isento de conflitos. Espanha). que você pode trabalhar mais tarde” (23 anos. David Cairns e Lia Pappámikail É nesse quadro de temor perante o desemprego que se desenha uma estra- tégia familiar (envolvendo jovens e respectivos pais) de enfrentamento ao futuro: a aposta na escolarização. Como no caso da família do Paco. Ou- tra característica do grupo é a sobre-representação dos que já abandona- ram a casa dos pais (47%)..] Ele insistiu muito. especialmente quando os “sacrifícios” financei- ros que o prolongamento das trajetórias escolares implicam não têm res- posta satisfatória.. água.

Os pais também não acalentam (ou acalentaram) grandes aspirações em relação à formação 122 Tempo Social. Reino Unido). se eu lhes pedisse dinheiro.]. porque muito menos a com. ensino secundário. 44% da totalidade dos jovens europeus inquiridos com o estatuto conjugal de casados caíram nesse grupo. contra 13% do total da amostra...] eu sem- a adquirir carteira de motorista ou celular. Meu consumo médio sempre foi enorme. O desprendimento relacional entre jovens e pais não é separável dos indicadores de autonomia manifes- tada por esses jovens: cerca de 22% deles começaram a ter uma vida con- jugal (ou planejam vir a tê-la) com 20 anos ou menos (19% entre 21 e 23 anos). É o caso de Roland: “As taxas escolares eram pagas e recebíamos dinheiro para o dia-a-dia – recebíamos 35 libras à época [. moto. Em con- seqüência. mas. que é notória a falta de apoio familiar para alguns deles8. quase ninguém chegou à universidade (1%). A autonomia em relação aos pais também é favorecida pelos apoios esta- tais: nesse grupo encontramos 47% da totalidade dos jovens europeus in- quiridos que dizem não ter despesas com livros ou material escolar porque o Estado os paga. e há também uma sobre-representação dos que afirmam que o Estado paga as taxas. dada a sobre-representação daqueles cujos pais se divorciaram ou separa- ram: 31%. Outro resul- tado do envolvimento conjugal são os filhos: nesse grupo estão 52% da totalidade dos jovens europeus inquiridos que possuem filhos – o que também se compreende atendendo à sobre-representação de “jovens-adul- tos” presentes nesse grupo: 7% têm 30 ou mais anos (correspondendo a 38% do total dos jovens europeus inquiridos com essa idade) e 20% têm de 25 a 29 anos (23% do total da amostra). ilustrada com o caso de Hans: vens que não esperam que os pais os ajudem Bem. Para a maioria dos jovens que integram o grupo (82%). provavelmente me dariam algum. sempre tive dinheiro. sexo masculino. pp. porque sempre tive algum tipo de trabalho. Cerca posso pôr comida na mesa (26 anos. Mas [. Talvez naquele momento nós quiséssemos mais dinheiro. em que há ainda uma sobre-representação de jovens vivendo em coabitação (24%). n. os livros e o transporte para a escola. Aliás.Jovens europeus: retrato da diversidade. v. com dinheiro próprio. Dinamarca). em 8. parece-me ade- quado” (25 anos.No grupo há uma so. o alojamento. de um em cada quatro desses jovens adquiriu casa ou apartamento As famílias de alguns desses jovens podem ter vivido tensões endógenas. e pre fui um bocado esbanjador.. 109-140 mesmo não se pode dizer em relação às ajudas propriamente materiais.. Essa situação é bre-representação de jo. sexo masculino. olhando para trás agora. ensino superior. 17. que se eu posso ir à cidade e comprar computadores e telefones caros. Meus pais dizem prar um carro. 2 . então também cicleta ou casa. as trajetórias escolares ficaram aquém do ciclo terminal do ensino secundário. revista de sociologia da USP.

que os obriga a recorrer a subsídios estatais para melhorar sua formação profissional (muitos deles já trabalharam) e agilizar uma melhor colocação no mercado de trabalho. estendendo-se ao domínio da família. José Machado Pais. essas insti- sentimento de perda de liberdade de escolha e uma queda da auto-estima. selecionadas. monstram as citações vêm integralmente de trabalho remunerado (24% trabalhavam no mo. ças entre as duas fontes de dados foram encon- representação de jovens com idades entre 17 e 20 anos (62%)10. vens menos favorecidos vados. propendem à adesão a formas iguali. Dinamarca). os jovens desconhecem as expectativas dos pais em relação à sua formação. ensino superior. na Itália. com uma autonomia atrofiada ou condicionada. sua independência (precoce) encontra-se condicionada. mas mais de identidade” (27 anos. esse tipo de formação vocacional jovens. em que predomi. No entanto. o que. Na segunda fase da pesquisa. se pode explicar pela sobre. trata-se de uma autonomia precária. David Cairns e Lia Pappámikail de seus filhos: os horizontes de qualificação chegam ao ensino secundário ou a uma formação profissional e. los procedimentos de composição da amostra. Os aspectos remuneratórios do trabalho são desvaloriza. em parte. oriundos de escolas pro- tárias.Ver. gozam de amplas margens de autonomia. sexo masculi. Singly (1993) e Kauf- “pós-materialistas” em relação ao trabalho e ao emprego. Em síntese. e isso não é tanto nos foram influenciados. em grande medida. tuições gozam de menos Por isso. encontram-se numa situação de dependência: 52% apontam a to às atitudes.Alguns dos resulta- prego” e que os desempregados devem ser considerados cidadãos como dos quantitativos apre- quaisquer outros. em particular. Alinham-se em posições 9. entra em dissintonia com suas reais situações de vida. acomodados compensar esse desvio. deram que “uma pessoa consegue realizar-se na vida mesmo sem um em- 10. fissionais. Sentem-se entra. e a maioria (88%) qualificados. a constelação de valores que abraçam. por isso. recorrendo com mais Esse grupo é constituído exclusivamente por jovens italianos (97% dos freqüência a jovens mais que foram inquiridos). Semelhan- ainda vive na casa dos pais. para alguns desses geral. como de- família como única fonte de receitas. uma questão de dinheiro. o que origina um e. São solteiros e sem filhos (100%). quando questionados ram parte muitos jovens sobre a divisão das tarefas domésticas. controlados. diríamos que os jovens desse grupo possuem uma indepen- dência precoce mas condicionada. muito ligados à independên- é mais procurado por jo- cia. sobretudo quan- camente. novembro 2005 123 . sentados que dizem res- dos em relação a outros. pe- no. como se depreende do testemunho de Emil. com base em um modelo de casamento relacional 9. um peito aos jovens italia- designer dinamarquês: “Todos queremos um emprego. Economi- tradas. em alguns casos. Boa parte deles vivendo como casais e com tendência a abandonar cedo a casa dos pais – dos quais não têm grande apoio –. Os posicionamentos “pós-materialistas” não se limitam à esfera do tra- uma vez que dela fize- balho. De um modo nam relações de simetria entre os parceiros. embora 15% se refiram às que pro. a aná- lise qualitativa procurou A ancoragem tensa à família de origem: jovens dependentes. No entanto. uma vez que consi- man (1993). Assim. prestígio.

. é também ideal para outros jovens que vivem em circunstâncias semelhantes. De fato. ao contrário. Santoro. Paralelamente. A existência de uma retaguarda familiar protetora não significa que esses jovens e suas famílias vivam em situação de desafogo econômico. O futuro é temido. Muito francamente. O certo é que esses jovens esperam poder prolongar a sua permanência na casa dos pais e consideram que.Jovens europeus: retrato da diversidade.. não sei. sobretudo para a compra de casa/apartamento (51%) ou de carro/motocicleta (32%). sexo masculino. 2000) –. revista de sociologia da USP. muito pelo contrário.. pp. quer 124 Tempo Social. eu gostava de ter a minha família. a maioria (51%) pensa em aban- donar a casa dos pais entre 24 e 26 anos e 22% com 27 ou mais. Tudo indica estarmos perante jovens cujo futuro não lhes parece muito promissor e cujas famílias. ensino superior. 2 . Nesses termos. uma ancoragem ao reduto familiar. 17.] Claro. no grupo há uma sobre-representação dos que acham que a idade ideal para um jovem sair da casa dos pais é entre 24 e 26 anos (50%) ou mesmo acima de 27 anos (14%). n. Sobressaem famí- lias numerosas. para muitos deles.]. não espanta que 96% dos jovens desse grupo declarem não dar nenhuma contribuição monetá- ria a seus pais. que trabalham. como explica Marco. A dependência econômica em relação à família de origem é de tal or- dem que. também por razões culturais. Os problemas de inserção profissional implicarão. apesar das dificuldades econômicas em que vivem... Na opinião de Aldo. mesmo nas projeções do futuro. até porque vivo dia a dia. nunca pensei nisso. estudam ou estão desempregados (76% dizem ter dois irmãos desempregados). uma significativa porcentagem deles conta com seu apoio. Eu conhe- ço pessoas que deixaram o seu país para estudar e que são independentes financei- ramente [. a juventude italiana em geral é “mimada”: O problema é que somos mimados. 43% dos jovens desse grupo não pensam em ter filhos antes dos 27 anos. Itália). 109-140 mento em que foram inquiridos). aparentemente com dificuldades econômicas: são jovens que têm muitos irmãos. v. um jovem italiano que faz curso de formação profissional: Eu não penso no futuro.. deve ser uma coisa cultural. Aliás.]. exercerão uma função protetora. [. pensei para mim: “Como estou estudando. É a opção mais fácil (32 anos. vou continuar vivendo em casa!”. Mas eu. porque me assusta [. o que para eles é normal – o prolonga- mento da estadia em casa dos pais (cf.

o fato de a maioria dos pais desses jovens não lia de origem. o grupo caracteriza-se por envolver jovens ancorados à famí. Estamos seguramente perante jovens que transitam en. emprego. veio sublinhar baixos níveis de conflitualida- tre dois mundos: o dos pais. Quer dizer. até dos amigos. No entanto. em com características so- casa. das mães e 54% dos trole parental. Apesar dos conflitos. nas quais pouco colaboram. Os jovens desse grupo parecem querer libertar-se de uma matriz cultural rígida que os enreda em uma malha de prescrições normativas de que seus pais não dão mostras de querer abdicar11. com uma notória tendência a prolongar a estadia na casa dos ter mais do que a ins- pais. eles contam sempre com a mãe para o desempenho das tarefas do. não é isenta de conflitos. Em meio a isso. encon- trução primária (57% tram-se fatores como a dependência econômica da família e o rígido con. No entanto. se mostram céticos em relação à escola. os pais financiam os consumos e. materialistas nas atitudes perante o trabalho e o emprego. sexo masculino. Ética de trabalho libertadora: jovens coabitantes. contradiz como referência quando os jovens encaram sua vida profissional: aí se re. marcado por valores de tradicionalidade. e o de na família. mente analisado (ver nota 10). por seu turno. o que. confiantes A quase-totalidade dos jovens deste grupo (98%) é da Alemanha: 61% da parte leste e 37% da parte oeste. principalmente sobre as saídas noturnas. respeito a um grupo nismo familiar. esse retrato de tensão fa- traem. Itália). o dinheiro que recebem (ou não) tativa.Isso é coerente com Em suma. orientado por valores hedonistas. independentes. 11. essa coabitação familiar. temerosos em relação ao miliar. que parecem resultar de descontinuidades culturais de natureza geracional. eu quero ter a minha família. das regras que os pais lhes impõem e que não são muito aceites. vivendo sob uma espécie de protecio. Poucos são os jovens alemães que não fazem parte desse grupo: apenas 6% dos inquiridos na parte oriental e 10% na parte ocidental. como se sugeriu. dos pais e o lazer. uma análise mais deta- lhada indica que essa dência que então surge é a de se refugiarem na família: embora controla- ausência de conflito diz dos. abarcando também pais). Os primeiros são tomados certo ponto. ensino secundário. David Cairns e Lia Pappámikail dizer. Uma importante característica que singulariza o grupo é a elevada porcentagem de jovens (46%) que. se consideraram em regi- novembro 2005 125 . quan- do questionados sobre seu estatuto conjugal. ciais diversas do inicial- mésticas. do estilo e da imagem que portam. A análise quali- problemas relacionados com o consumo. A ten. acomodam-se à dependência. mas nas circunstâncias atuais não só não penso como não quero pensar nisso (21 anos. José Machado Pais. os valores que caracterizam a geração dos pais não estão em sintonia com os que orientam algumas atitudes de vida desses jovens: daí as fricções derivadas dos amigos e namorados(as) que têm. com os quais podem surgir alguns conflitos.

revista de sociologia da USP. na realidade. dado que 36% já não vivem com os pais. A única coisa é que o (cf. 2004. Entre os jovens desse grupo predominam os que já tive- democratização da dis. com seu cional distribuição das dinheiro. No entanto. Alemanha leste). as despesas com o percurso escolar. 126 Tempo Social. 109-140 me de coabitação. essencialmente de subsídios de formação. simultaneamente. pp. muito comum na Ale- nas quais os presentes circulam normalmente de pais para filhos e vice- manha. muitos entrevistados. De onde. como Jana. avós. conseguiram comprar casa ou apartamento e 38% conseguiram seu carro posição opinativa a uma ou motocicleta. bolsas de 13. 2 . Outra caracte- não constituem uma ra. 29). Apenas a tí. os “apren. cundário. sus- tulo de exemplo. todavia. cuidam da família – o que indi- 12. vem o dinheiro? Em 81% dos casos. Não tenho problemas com o presas). mas pro- vavelmente não querendo assumir o estatuto de solteiros. não chega à quarta parte. Serão todos esses jovens verdadeiramente coabitantes? A resposta será positiva para a maioria deles. ridos. alguns desses jovens poderão ter optado por escolher o estatuto de coabitante. Dos jovens europeus que coabitam. cujo peso estatístico. ensino se- p.De fato. eventual ou esporádico. tarefas domésticas. num clima de bom relacionamento. vivo com companhei- ro(a) ou divorciado/separado(a). meu pai está desempregado já faz cinco anos (22 anos. No momento em que foram inqui- conjugais. Stauber et al. no total da amostra. casado(a). já que 28% afirmam que foi com a ajuda deles que mas apenas uma predis. quase ninguém trabalhava em período integral (98%) e 64% não tinha nenhuma atividade profissional. rística dos jovens desse grupo é sua independência econômica. esse subsídio é fixado em 390 euros meu pai. No grupo há uma sobre-representação de jovens que afirmam que am- bos os pais trabalham e. 60% fazem parte desse grupo. mas não tribuição dos papéis necessariamente com horários rígidos.Jovens europeus: retrato da diversidade.. a minha mãe ou a minha irmã. Os relacionamentos familiares enquadram-se em redes de interajuda. ram experiências profissionais (79% já trabalharam no passado). há dical inversão da tradi- uma sobre-representação dos que dizem ser eles próprios a pagar. também é possível que estejamos diante de uma modalidade de interpretação – necessariamente cultural – da questão que lhes foi colocada: “Qual é a sua situação conjugal?”. para outros. estudo ou outros subsídios estatais13. ainda que. sexo feminino. recebem um versa. O apoio dos pais não é. v. que penalizam as mulheres. 17. De fato. n.Essas percentagens ca uma relativa simetria na divisão das tarefas conjugais12. As pos- sibilidades de resposta eram: solteiro(a). dizes” no Sistema Dual. em tentaram que: aprendizados estatais (não sediados em em- Nós não temos de fato problemas na nossa família. É tudo ótimo. monia forçada em famílias alemãs. Apesar de a análise qualitativa subsídio que aumenta do primeiro para o ter. descurado. então. Não estando ainda casados. ter revelado a existência de alguma conflituosidade dissimulada ou har- ceiro ano.

eu penso: “Por que é que eu não ouvi a minha voz interior?” Porque. eu não queria fazer isso. David Cairns e Lia Pappámikail O abandono da casa dos pais parece depender de uma opção indivi- dual. Por vezes. assim.. no grupo há uma sobre-representação (44%) dos que acreditam que não terão dificul- dades em arranjar emprego depois de terminarem a escolaridade ou o cur- so. expecta- tiva de mobilidade que poderá ser interpretada no quadro dos fluxos mi- gracionais que a unificação da Alemanha favoreceu. a rigidez institucional do Sistema Dual (experiência profissional adquirida in loco..] E. Alemanha leste).] eu creio que perdi uma quantidade louca de tempo (21 anos. Para muitos deles. Quanto ao status social.. estamos perante jovens que experienciam a coabitação con- novembro 2005 127 . em relação às mães. 59% têm boas perspecti- vas habitacionais e 48% boas perspectivas profissionais. ensino secundário. articulada com alguma aprendizagem escolar). Originalmente. As qualificações acadêmicas dos pais são diversificadas. Ao realizar esse movimento. [. há uma porcentagem considerável de jovens (49%) que admitem poder viver em outra cidade do país. quanto às origens sociais desses jovens. A quase-totali- dade (99%) terminou o primeiro ciclo do ensino secundário. combinada com a pressão parental para integrar a formação profissionalizante. 39% situam-se na pequena burguesia. Aliás. Relativamente otimistas em relação ao futuro.] Porque nesses dois anos. eu teria desistido e teria sido reorientada e talvez estivesse no curso certo agora. não corre particular- mente bem. José Machado Pais. se atentarmos para a sobre-representação das expectativas de mães e pais que apontam para esse tipo de formação. a aposta parece centrar-se na formação profissional. Finalmente. Em síntese... As qualificações acadêmicas desses jovens são razoáveis. ressalta a heteroge- neidade. Esse fato parece estar relacionado com uma vantagem reconhecida do Sistema Dual. 41% con- cluíram o último ciclo do mesmo grau de ensino e 17% atingiram o nível universitário. que tem permitido à Alemanha manter taxas de desempre- go juvenil relativamente baixas (por contraste com as elevadíssimas taxas de desemprego de longa duração). como nos dá conta Ana: Meus pais disseram simplesmente “Vai e completa [a formação]!”. sexo feminino.. olhando para trás.. há uma sobre-representação da burguesia dirigente (10% no caso das mães e 19% no dos pais) e ainda. na verdade foram três. [. [.. Só continuei porque [.] uma pessoa ouve o que os pais dizem.

Na base da amostra considerada. Eles pró- prios acreditam que as qualificações são determinantes na obtenção de em- prego. embora muitos deles já se tenham desprendido da família de origem.Jovens europeus: retrato da diversidade. de forma di- e o adensamento da in- formação nos gráficos ferenciada. Encontram-se orientados por uma “ética de trabalho” fortemente associada à valorização da indepen- dência. Por exemplo. o resultado de algu- resposta contempladas. tudo convergindo para a auto-estima. às modalidades de resposta consideradas. búlgaros. Com adiamento da paternidade. Vejamos o que se obriga a uma constan. que refle- tem os contextos nacionais dos entrevistados. mas análises fatoriais de correspondências múltiplas que tivemos oportu- são múltiplos os mode. Mas muitas outras variáveis originam importantes segmentações entre veis e modalidades de os jovens inquiridos. Tenha-se em conta. 2 . junção com aquelas que diretamente se prendem às situações e às transições 128 Tempo Social. a confiança. mesmo quando ainda vivem em casa dos pais. uma sobre- representação de jovens partilhando a mesma nacionalidade. Têm bons relacionamentos familiares e sociais. verificamos existir. passa quando se tomam as variáveis de caracterização da amostra em con- te recorrência a zooms. Jovens europeus: contrastes e oposições Embora a amostra do estudo não seja representativa dos países que a integram. em relação às idades ideais para um jovem sair da casa dos pais ou para casar-se (ou viver com companheiro/a). embora por motivos diversos. búlgaros e holandeses). pp. ses. A própria composição das amostras obtidas em cada los fatorais em análise país é indutora de diferentes perfis juvenis que se associam. é clara a tendência para se desprenderem mais cedo da casa dos pais. em alguns grupos analisados. espanhóis e alguns britânicos que tendem a considerar normal (e ideal) correr às representações o prolongamento da estadia na casa dos pais – quer em termos gerais. para efeito. dada a quanti- dade enorme de variá. Entre os jovens inquiridos na Alemanha (mas também na Dinamarca e alguns no Reino Unido). Em contrapartida. há mesmo uma tendência. portugueses. há uma sobre-representação de jovens italianos. II e IV e os grupos III e V (Quadro 2). o desenvolvimento de um sentimento de liberdade. v. quer gráficas dessas análises no caso próprio. 17. no caso dos jovens sobre-representados nos grupos fatoriais para não sobre- I e IV. para o carregar o texto. dada a sobre-representação dos que apostam na formação profissional. n.Decidiu-se não re. holande- 14. nidade de realizar14. 109-140 jugal. revista de sociologia da USP. é clara a oposição entre os grupos I. Aliás. efeito. Os pais contribuíram para a formação desse ideário de vida. nomeada- mente no que respeita aos jovens italianos e alemães (mas também dina- marqueses. notamos também diferentes fases de transição para a vida adulta.

São independentes monetariamente e compraram o que têm novembro 2005 129 . carro/motocicleta. 18-20 24-26. 21-23 Quando espera o(a) próprio(a) casar 24-26. 27 ou + 24-26 17 ou –. Tiveram ajuda ou planejam obter ajuda na aquisição de celular. David Cairns e Lia Pappámikail dos jovens. 27 ou + 20 ou –. apontam a obtenção de emprego estável e/ou casamento. 24-26 ter filhos O fator 1 opõe: a) Jovens da Itália e de Portugal. 27 ou + sem resposta 20 ou –. 27 ou + 18-20. Ten- dem a ser casados ou viver em união de fato (alguns têm filhos). Tomando uma partição de quatro classes. José Machado Pais. 27 ou + 18-20 E no próprio caso… 24-26. solteiros. como razões de saída. 18-20 24-26. Consideram bastante di- fícil encontrar emprego e muito importante a influência de outros para consegui-lo. QUADRO 2 Idades ideais para assumir compromissos importantes e nacionalidades dos jovens que aparecem sobre-representadas nos grupos analisados GRUPOS I (22%) II (25%) III (16%) IV (12%) V (24%) HOLANDA BULGÁRIA DINAMARCA ITÁLIA ALEMANHA ESPANHA PORTUGAL REINO UNIDO (LESTE/OESTE) REINO UNIDO ESPANHA IDADES IDEAIS Para um jovem sair da casa dos pais 27 ou + 21-23. casa. com 17 a 20 anos de idade. da Alemanha (leste e oeste) e da Dinamarca. dando importância ao papel das agências de emprego. b) Jovens da Holanda. 24-26 17 ou –. Tendem a indicar como idade ideal de sair de casa de 24 a 26 anos e. 21-23 24-26. destacam-se os três principais fatores a seguir. 21-23 ou viver com um(a) companheiro(a) Quando espera o(a) próprio(a) 27 ou + sem resposta sem resposta 27 ou + 21-23. que vivem com os pais e não trabalham. ter mais de 25 anos de idade e sair da casa dos pais para outra cidade (por razões “práticas”). Fre- qüentemente os pais não possuem mais do que o ensino primário. tencionando mudar-se para uma vizinhança próxima daquela em que presentemente vivem os pais. carteira de motorista.

Como razão para uma mobilidade residencial dentro da mesma cidade. revista de sociologia da USP. de 17 a 20 anos. da Espanha e da Itália. de 21 a 24 anos. O fator 2 permite desvendar uma oposição entre: a) Jovens da Dinamarca com idade inferior a 16 anos. mas se consideram mais bem posi- cionados que a maioria dos jovens de uma forma geral e razoavelmente em termos de projetos pessoais. que não dão grande importância aos estudos.Jovens europeus: retrato da diversidade. da casa). n. Tendem a ser otimis- tas (relativamente às suas perspectivas pessoais e profissionais) e já tra- balham. Indi- cam como idade ideal para sair de casa a faixa etária de 18 a 20 (que corresponde à entrada na universidade). como razão para mudar de cidade. em alguns casos. cujos pais têm cursos superiores. bem como do local onde vivem. pp. a possibilidade de encontrar melhores escolas. e como ra- zão para sair do país. os que não trabalham. de 25 a 29 anos. Dão importância à sorte. Os pais tendem a ter níveis de instrução primária e secundária. b) Jovens da Holanda. Consideram que não é difícil encontrar emprego e não dão importância ao papel das agências de emprego na procura de trabalho. com muitas catego- rias de não-resposta associadas. Não consideram importante para obter um emprego nem os amigos. os que consideram os estudos muito importantes e os que pensam que os pais têm influência na obtenção de emprego. Finalmente. o fator 3 identifica uma oposição entre: a) Jovens da Bulgária. que imagi- nam ir viver sozinhos com idades superiores a 24. que trabalham e/ ou trabalharam no passado em período integral ou não. bem como ao talento e ao esforço para arranjar emprego. 109-140 sem ajudas (com exceção. Consideram que se encontram bem quanto a projetos pessoais e de habitação. Aparentam algum pessimismo quanto a oportunidades de emprego. Predominam os estudantes. v. 130 Tempo Social. para arranjar emprego. Apresentam opiniões contraditórias quanto à importância da intervenção de outros familiares ou de uma agência de emprego. à experiência e às qualificações. nem o sexo a que pertencem. uma melhor qualidade de vida. b) Jovens da Itália e da Alemanha leste. 2 . 17. apontam oportunidades de emprego.

os capitais culturais (do ponto de vista das qualificações acadêmicas) são reduzidos e os temores em relação ao desemprego são elevados. respectivamente: A coisa mais importante é que se tenha auto-estima e se acredite no que se está fazendo. sexo masculino. para além de uma menor preocupação em relação ao emprego. Para minha mãe. testemunha a experiência de jovens italia- nos que sentem os constrangimentos econômicos que os impedem de sair de casa. O centro de gravidade é o indivíduo.. qualquer coisa menos padre católico.]. é importante que não se tenham muitas dúvidas [. Minha família apenas me disse: “Faça o que quiser e como quiser”. não posso ter expectativas de sair de casa. num modelo pós-tradicional (presente na Holanda. Claudio. o fator 1 confronta. Alemanha oeste). serviço militar ou cívico... dois modelos com distintas raízes culturais: num modelo tradicional (presente em Portugal e na Itália). qual universidade e que curso. registran- do-se uma forte dependência dos jovens. Quero dizer. As escolhas profissionais foram minhas. porque ela queria ter netos! Mas eu peguei tudo com as minhas próprias mãos e em princípio foi o caminho certo (26 anos. é notório o desprendimento econômico em relação à família de origem. sexo masculino. Claro que é importante ter apoio e uma retaguarda e alguma confirmação de quem está à sua volta.]. mesmo ao abandona- rem a casa dos pais. David Cairns e Lia Pappámikail Como se constata. José Machado Pais. ensino secundário. sexo feminino. Itália). a dependência em relação aos pais.].. desse modo. ganhar 1500 euros e comprar uma casa [. todas as minhas idéias e decisões. na Alemanha e na Dinamarca). As raízes culturais desses modelos combinam-se com diferentes etapas de transição associadas à idade: num grupo há predominância de jovens e novembro 2005 131 . benefi- ciando-se de suas ajudas.].. Eu diria que. eles persistirem em manter-se nas imediações.] sem um emprego e sem dinheiro.. Tomei todas as decisões sozinho. São demasiadas despesas se uma pessoa não tem um emprego estável (20 anos. um trabalhador temporário de 20 anos. de modo geral. disciplinas no ensino secundário. a ponto de. Dinamarca). com formação em contabilidade. Em contrapartida. Aos vinte anos. Há demasiadas dificuldades a enfrentar [. É apenas impossível.. porque. ensino secundário. claramente. modelei a minha vida.. da sua rede (26 anos. como nos mos- tram as afirmações de Louise e Mark. não pode acontecer [. ensino superior.. na prática.. teria mais olhos que barriga [. aumentando.

pressenti- das. tendem a ter pais com cursos superiores. solteiros e bastante dependentes dos pais (quer monetária. Apresentam muitas não-respostas. Os jovens búlgaros. o valor das qua- lificações escolares foi central na sua socialização. pp. 2 . tendo em conta a totalidade das variá- veis selecionadas. é ser ou não independente dos pais. 17. com idades compreendidas entre 17 e 20 anos e entre 24 e 26 anos. uma universitária búlgara. Mas é também interessante verificar como as diferentes valorizações da escolaridade têm raízes culturais. Para terminar. em outro. que são os que mais valorizam os estudos. Ou seja. O fator 4 identifica uma oposição entre: a) Jovens da Europa do sul (Portugal. que se distinguem por desvalorizam os estudos. nos obrigam a refletir sobre o peso das socializações familiares e sobre o jogo das reproduções sociais. quer afetivamente). Maria. Tendem a ter idades superiores a 25 anos e a ser da Dina- marca e da Alemanha (leste e oeste). na medida em que seus investimentos na educação são mais avultados. mas reduzida no caso dos “jovens-adultos” da Itália e da Alemanha (entre 25 e 29 anos). os jovens ita- lianos e alemães. Atente-se aos con- 132 Tempo Social. é sua maior responsabilidade”. n. São dados que. b) Jovens que já saíram da casa dos pais suportando seus próprios encargos e despesas. O fator 2 mostra como os mais jovens dos inquiridos (da Dinamarca) não manifestaram grande interesse (ou tiveram dificuldades?) em respon- der o questionário. tendem a ter pais com baixos níveis de instrução. Sua mãe insistia freqüen- temente com ela: “Você devia estudar mais. de casados e adultos-jovens. Espanha e Itália) e da Bulgária. a faixa etária interfere também na forma como as transições são desenhadas. equacionando a possibilidade de os realizar (ou concluir) em outro país. mostra como. O principal efeito diferenciador. projetadas. para além de todos os in- vestimentos materiais e afetivos dedicados a ela pelos pais. O curioso é que os primeiros se mostram mais pessimistas em relação às oportunidades de emprego – talvez porque sejam mais exigentes ou até. 109-140 solteiros.Jovens europeus: retrato da diversidade. e retomando a análise global das variáveis trabalhadas na partição de cinco classes. inevitavelmente. Já o fator 3 coloca em confronto jovens que se opõem sobretudo pela importância dada aos estudos: ela é elevada no caso dos jo- vens búlgaros – são universitários ou em fase de transição para a universida- de (têm entre 17 e 20 anos) –. por aí poderem encontrar melhores escolas. destacam-se os fatores a seguir. v. revista de sociologia da USP.

nem sequer casava.. Um deles. José Machado Pais.. ensino secundário. não foi “eu tenho de sair e vou mesmo sair. Sua biografia é testemunho da ses segmentam-se entre firmeza de objetivos e da capacidade de desenvolver estratégias alternativas os que tendem a pro- longar a estadia na casa para atingi-los.. um jovem alemão já independente.. Seus pais apresentam grandes expectativas em relação ao futuro dos filhos. comida feita. sim.] Foram eles que me compraram a casa [no mesmo bairro que a dos pais] (25 anos.. embora prestes a casar-se: Eu acho que saí de casa quando tinha 21 anos. David Cairns e Lia Pappámikail trastes – em termos de vivências da transição e de dependência da família – nos casos de Leon. sexo masculino.] dinheiro para academia de ginástica.. porque estou farta dos meus tipificam uma autono- pais”. com presença dominante de holandeses. ensino superior. Não devia dizer isso. novembro 2005 133 . b) Jovens com opiniões muito definidas (seguros quanto a sua imagem e com uma visão muito vincada acerca do emprego e outras questões). sexo masculino. ele fez 25 agora e ainda vive na casa dos pais. Tendem a ter idades compreendidas entre 21 e 24 anos. da Holanda15. 15. aos 25 ou. embora ainda não tenha uma carreira. mas é verdade.. Entre os primeiros encontramos jovens como Marieke. assim como a pagar suas próprias despesas. Não sei.Os jovens holande- fessora primária de 23 anos. Agora vou para a minha casa. um jovem português da mesma idade. Alguns já trabalham e tendem a viver sozi- nhos.. tudo. Nesse caso. ainda na casa dos pais. O fator 5 identifica uma oposição entre: a) Jovens associados a categorias de não-resposta. e de Paulo. [... Mas sim achar que era a hora certa.. Se não fosse assim... Mas eu amo muito a pessoa com quem vou me casar e tenho a vida facilitada. é isso.... Isso cresce dentro da gente durante um mização de vida. uma pro. todas essas coisas [. eu não conseguiria fazer isso (25 anos. [. nomeadamente quando procurou sair de casa: dos pais (como vimos anteriormente) e os que Bem. porque lá tenho roupa lavada. é algo de sólido [. e sei que vou sofrer. Alemanha leste). Tenho medo de sair da casa dos meus pais. Portugal).] E mesmo depois de casar vou continuar dependente deles. Não tenho dificuldade nenhuma. Creio que foi numa boa idade.] eu também olho para os meus amigos. o contraste polariza jovens que apresentam uma maior maturidade diante daqueles que revelaram uma taxa superior de não-res- postas.

diríamos que entre alguns jovens. a confiança e o sentimento de liberdade encontram-se numa correlação estreita com a autodeterminação. podendo corresponder a uma etapa de experimentação de uma vivência autônoma ou de coabitação. porque os direitos e deveres de cidadania se instalam na “intimidade familiar” (Beck. Ver. o abando- no da casa dos pais não aparece necessariamente associado ao casamento. nota-se uma tendência ao prolongamento da estadia na casa dos pais. n.Esse fenômeno tem que condicionada16 e potencialmente geradora de conflitos familiares. entre os jovens alemães. não acontece da noite para o dia. [. Por outro lado. Espanha e Portugal). da Holanda e da Alemanha (leste e oeste). são jovens mais orientados por uma democratização das relações familiares – só possível porque o privado (família) alberga o político (democratização). 2 . mas como demora muito tempo para ser elegível para um apartamento. mia não aparecem associados a conflitos ou rupturas de lealdades familia- Galland (2001). é prejudicada pela existência de um sentimento de receio que os leva ao refúgio na família.] Eu me inscrevi para arrendar uma casa há cinco anos [programa de acesso às casas do Estado].. Esse deslocamento da família tradicional (em que o matrimônio apare- ce como instituição) para uma nova família (caracterizada por uma conju- galidade de tipo relacional) inscreve-se como parte integrante de uma cul- 134 Tempo Social. represen- tando o trabalho uma fonte importante de identidade e independência.. res. Conclusão Em termos conclusivos. São jovens muito mais libertos da pressão de normas e de exigências sociais que bloqueiam a capacidade de decisão e atuação individuais. do modelo familiar que enfatiza o papel masculino como sus- tentáculo econômico e o papel feminino como o da governação doméstica. nomeada- mente da Dinamarca. 17. na sociologia da juven. A busca de autonomia. decidi comprar uma casa. claramente. aí se procurando cobertura para a satisfação de necessi- dades básicas e de despesas lúdicas características do universo juvenil. marcadamente condicionada pela obtenção de um emprego estável. os ganhos de autono- tude. Em contraste. Enfim. ainda 16. nesses casos. As ajudas familiares permitem a esses jovens escamotear as dificuldades de emprego e possibilitam certa integração no mercado de consumo. entre alguns jovens búlga- ros e mediterrânicos (Itália. 1999). a auto-estima. sido bastante estudado como acontece em maior número com os jovens italianos.Jovens europeus: retrato da diversidade. 109-140 tempo. Em contrapartida. v. revista de sociologia da USP. pp. holandeses e dinamarqueses. modelo que ainda parece imperar entre as famílias de muitos jovens medi- terrânicos. Afastam-se. a propósito.

a indi- vidualidade. De significativo alcance analítico foi também a articulação entre os pro- cessos de individualização e de reprodução social. emprego. entre alguns jovens inquiridos sub- siste a convicção de que o gênero é um fator de discriminação no acesso ao mercado de trabalho17. sistema educativo. das situações e das transi- ções dos jovens europeus. José Machado Pais. do Estado. Essa constatação reforça a natureza multicontextual e diferenciada das sociedades contemporâneas de que acima se falava (cf. Nessa matriz cultural. 1979). situações e modalidades de transição. 2002. importância que atri- buíam a diversos fato- vens europeus. 16-19). a agên- novembro 2005 135 . às singularidades das experiências indivi- duais e ao entrelaçamento destas naquelas. 1998). Denzin. que permitam estabelecer perfis e contrastes a serem confrontados com testemunhos de quem vive essas transições. na expressão desse individualismo são relevantes os efeitos de família. No entanto. Tais contextos são definidos não só por especificidades estruturais e institucionais (mercado de trabalho. as análises tipológicas e fatoriais aqui sintetizadas permitiram caracterizar e enfatizar a crescente pluralização das trajetórias. tais como a contudo. David Cairns e Lia Pappámikail tura juvenil emergente que valoriza a autonomia. a sorte e formas protetórias. políticas sociais) – tanto regionais como nacionais –. e suas expectativas de realização e satisfação individuais são incomparavelmente mais elevadas do que nas matrizes culturais tradicionais. conti- nuam a comandar a divisão do trabalho sexual em algumas famílias – prin- cipalmente no que respeita ao desempenho das tarefas domésticas –. embora as malhas dessas redes tenham diferentes texturas e qualificações. Para traçar um retrato fidedigno das transições juvenis nesses diversos contextos. as pp. Também foi dada relevância às matrizes culturais. são necessárias abordagens triangularizadas (cf. mas não se fizeram sentir de forma muito acentuada quando comparamos jo- vens dos diferentes sexos. 17.Aos inquiridos foi Os dados sugerem que o “individualismo” contemporâneo parece ter perguntado o grau de duas faces distintas. De um lado. quando se analisam as famílias e as transições dos jo. a independência. mas também por matrizes e tradições culturais (objetivadas individual e socialmente). Se. muito além de estereótipos baseados em con- trastes de sistemas de previdência social ou de países. Lahire. por um lado. a mulher liberta-se das amarras econô- micas que a faziam depender do esposo. Por outro. ele parece traduzir e acentuar uma crescente res na obtenção de um pluralização de trajetórias. de acordo com os contextos sociais em que os jovens vivem. Estas. Assim. que ponham em diálogo diferentes escalas de análise – pesquisas extensivas com questionário. segundo os dados da pesquisa. o talento. as instituições proteção familiar que envolvem as “redes de parentesco” (Mortain.

A pessoa escolarizada incorpora o conhecimento reflexi- vo das condições e perspectivas da modernidade. A escolarização é mesmo um dos canais privilegiados para a individualização porque [. espanhóis e britâni- cos). a classe social de origem continua sendo um preditivo dos resultados escola- res dos jovens. decisivamente. 1998). herdados por via de aculturações sociais ou por meio do estabelecimento de relações pessoais e/ou vidas profissionais satisfatórias). [. Embora possa ser de- masiado simplificador afirmar que quanto mais elevado for o grau de ensi- no atingido maiores as chances de se vir a ter um melhor emprego (devido às dificuldades crescentes em compatibilizar níveis de qualificação com oportunidades no mercado de trabalho).. mas não isenta de tensões relacionais ou ambivalências atitudinais (Grupos III e IV). p. 1992. aumenta o potencial gerador de dependência dos jovens em relação à família de ori- gem (Grupo II).. Quando os recursos são insuficientes (devido aos constrangimentos socioeconômicos). as hipóteses de sucesso são mais promissoras quando comparadas com aqueles que detêm fraco (ou ne- nhum) capital escolar. E. no caso de Portugal.] significa escolher e planejar a própria trajetória escolar.. a autonomia existe. 93). quer em termos de sucesso escolar (cf. pp. Além das credenciais escolares. A articulação entre processos de individualização e de reprodução social prossegue na passagem para o mercado de trabalho.] Dependendo de sua duração e conteúdo. ape- sar de uma suposta igualdade no acesso à escola (universal e gratuita). como vimos no Grupo I (com predominância de jovens holandeses. em muitos contextos. quer em termos de duração da trajetória. a posse de qualificações escolares conflui. a autonomia é manifesta (Grupos I e V). Já quando os recur- sos são obtidos de forma mediada ou condicional (sobretudo por intermé- dio da família). revista de sociologia da USP. por exemplo. 17. para a aqui- sição de competências e recursos individuais. um certo grau de autodescoberta e reflexão. Além disso. há desigualdades estruturais em relação ao sucesso escolar que derivam princi- palmente da origem social. Cabral e Pais. a educação torna possível. outros recursos cruciais são mobilizados no curso das trajetórias ou simplesmente nas vivências juvenis.Jovens europeus: retrato da diversidade. 136 Tempo Social. 109-140 cia pessoal adquire importância na condução das transições. no mínimo. Quando os jovens aparentam ser capazes de obter e mobilizar recursos “próprios” (pro- videnciados pelo Estado. n. 2 .. e por essa via torna-se um agente da modernidade reflexiva (Beck. v.

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Europa. interpretadas à luz dos processos sociais (como a individualização e a repro- dução social) e dos contextos de socialização (familiar.pt. 17. das se- gundas resultaram contrastes fatoriais que evidenciam diferentes modalidades de tran- sição. youth transitions are discussed through the presentation of results of current qualita- tive research. As triangulações analíticas ilustram a diversidade das transições. individualized trajectories and transition regimes in Europe. educacional. Abstract Young europeans: a portrait of diversity This article explores the diversity of education to work transitions amongst some Eu- ropean young people. Italy. David Cairns (pós-dou- torado) e Lia Pappámi- kail (doutoranda) pes- quisam atualmente no mesmo instituto. Dimensions such as family ties and quisador do Instituto de future plans are also portrayed in this article in relation to current theoretical debates Ciências Sociais da Uni- around the issues individualization. 109-140 Resumo Jovens europeus: retrato da diversidade Este artigo explora as transições para a vida adulta de jovens de várias regiões européias a partir de dados de uma pesquisa recente. ul. na con- dição de bolsistas da Fun- dação para a Ciência e a Tecnologia. Transições para a vida adulta. E- Keywords: Youth. mail: machado. Transitions to adult life.Jovens europeus: retrato da diversidade. Following contextualisation of recent social change in issues relating to the family. namely. pp. Para isso aplicaram-se análises tipológicas e fatoriais: das primeiras emergiram cinco grupos. v. These accounts illustrate the range of responses young people with contrasting social conditions across Europe make to chang- Texto recebido e apro. East Germany and the United Kingdom. 140 Tempo Social. Europe. ing circumstances. tipificando distintas transições. Essas análises – tipológicas e fatoriais – foram complementadas com análises qualitativas de entrevistas aprofundadas realizadas em uma amostra dos jovens inqui- ridos e seus respectivos pais.pais@ics. cultural). vado em 25/8/2005. Portugal. orientações atitudinais e sociografias juvenis. such as the extension and prolongation of educational pathways. the Netherlands. family support in enabling labour market entry. n. the transformation of the labour market and a shifting balance between state and José Machado Pais é pes. 2 . This research is represented by exemplary case studies from six of the regions participating in this research. Denmark. Palavras-chave: Juventude. agency and structure in youth trajectories. versidade de Lisboa. baseada em um questionário. revista de sociologia da USP.