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O futuro do trabalho

Elementos para a discussão das
taxas de mais-valia e de lucro

Alexandre Souza da Rocha
Amélia Luisa Damiani (Coord.)
Anselmo Alfredo
Evânio dos Santos Branquinho Programa de
Flávia Elaine da Silva Pós-graduação em
Jean Pires de Azevedo Gonçalves Geografia Humana,
Luciano Marini DG, FFLCH, USP
Márcio Rufino Silva
Ricardo Baitz

O futuro do trabalho
Elementos para a discussão das
taxas de mais-valia e de lucro* 
A composição do grupo de estudo dos Grundrisse, no LABUR -
Laboratório de Geografia Urbana -, não se resume aos nomes
que aparecem na capa, tendo sido composto por diversos mem-
bros, dentre os quais agradecemos, especialmente, Ana Cristina
Mota Silva, que desde o início participou do grupo de estudos,
e muitos outros.

Ao Luciano, a partir de quem tudo aconteceu
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
ALFREDO, Anselmo; BAITZ, Ricardo; BRANQUINHO, Evânio dos Santos; DAMIA-
NI, Amélia Luisa; GONÇALVES, Jean Pires de Azevedo; MARINI, Luciano; RO-
CHA, Alexandre Souza da; SILVA, Flávia Elaine da e SILVA, Márcio Rufino.

O futuro do trabalho: Elementos para a discussão das taxas de
mais-valia e de lucro. São Paulo: AGB/SP, Labur/Programa de Pós-graduação
em Geografia Humana, Departamento de Geografia, FFLCH/USP, 2006, 1ª
edição.
72 páginas
ISBN 85-99907-01-8
Coordenação do projeto: Amélia Luisa Damiani
Diagramação Final: Paulo Miranda Favero e Ricardo Baitz.
Foto: Ricardo Baitz (em deriva do presente grupo em Campos Elíseos, São
Paulo, janeiro de 2006)
1. Mais-valia. 2. Lucro. 3. Crise do trabalho. 4.Crise do Capital. 5. Título.

*
Este texto tem como principal apoio a obra que Karl Marx: Elementos funda-
mentales para la crítica de la economia política (Grundrisse) 1857-1858 (México:
Siglo Veintiuno, 1977, volumes 1 e 2). Neste artigo citaremos os textos com a
numeração alemã. A palavra “Grundrisse” significa “anotações”, “rascunhos”.
Esta obra foi publicada, tardiamente, em 1953. Nos Grundrisse os conceitos
aparecem em elaboração, o que passa a ser metolodogicamente fundamental,
evitando, com esse modo de exposição, leituras dogmáticas. Atualmente,
esses estudos são reconhecidos como um marco na análise da crise inerente à
formação econômico-social capitalista.

O FUTURO DO
TRABALHO

Elementos para a
discussão das taxas de
mais-valia e de lucro

.

focalizando a relação capital-trabalho. definindo. como modo necessário de seu aprofundamento. revelar mais profundamente qual é a nossa situação social. indo além do que parece evidente. a sua destituição. negação. de uma discussão em andamento. a possibilidade de aprofundar o tema do desemprego. Num primeiro momento. assim. a crise do trabalho. em Marx. no final do texto. realizado no Laboratório de Geografia Urbana . da Universidade de São Paulo. de modo geral.do Departamento de Geografia. neste momento em que ela demonstra uma crise do trabalho. Para compreender essa crise foi preciso tentar aprofundar os estudos da dinâmica do capitalismo. há tempos. 3 . Nossa tentativa terá sentido quando tiver motivado esta parceria. Através destas categorias de análise do capitalismo. 1. A discussão do texto pelos trabalhadores é parte necessária de sua constante elaboração. junto com a necessidade do trabalho. fomos debater a extensão do desemprego na mundialidade. Assim. Trata-se de um texto provisório. Foi esta porta de entrada que nos levou a estender o sentido de nossa observação: o desemprego é real e. para nós. esta crise apareceu como crise do emprego. aparência. de um espaço para tal intervenção. de um fenômeno ainda mais amplo. dispomos. Chegamos à consideração de que a consciência do processo como um todo envolvia o conhecimento da relação e da diferença entre a mais-valia e o lucro e nosso esforço aqui é começar a explicá-los. Apresentamos este estudo aberto à interferência do leitor. Procuramos. Ele tem como finalidade encontrar elementos para o estudo de nossa sociedade. APRESENTAÇÃO Este texto é parte de um processo de debate sobre os Grundrisse de Karl Marx. uma compreensão mais teórica de tudo que está acontecendo.LABUR . ao mesmo tempo. Trata-se de uma crise de emprego reveladora de que o processo do capital inclui.

porém. na composição do processo produtivo. Ele. IMPORTÂNCIA DO TEMA É certo que estamos caminhando para uma sociedade de redução do trabalho. sabendo-se que “toda forma de produção engendra [gera] suas próprias instituições jurídicas. O estudo da taxa de mais-valia e da taxa de lucro. vai nos ajudar a compreender a crise social. Ele compreendeu este processo social na sua formação e por isso pode nos ajudar a entender a crise. com suas implicações. Por que um autor que pensou a realidade do século XIX pode nos servir hoje? Nem bem constituída a modernidade. 9). Isto equivale a considerar a transformação nas relações de trabalho. culturais e religiosas. etc”. O que acontecerá no futuro com o trabalho? Que tipo de sociedade teremos? A discussão sobre as respostas a tais perguntas é importantíssima porque ela já está posta e vai influenciar a vida e a formação do futuro.120. IN: Karl Marx e Friedrich Engels. quando ainda apenas era uma virtualidade anunciada. já conseguia prever o caminho 1 “XI – os filósofos não fizeram mais que interpretar o mundo de forma diferente. que aparece com muito desemprego. Os trabalhadores percebem isso através do aumento do desemprego. p. nas relações econômicas. mas transformá-lo1 . políticas. Textos. O processo do trabalho encontrou hoje todas as instituições despreparadas e preocupadas apenas em salvar seus privilégios. volume 1. sociais. antes de viver o capitalismo na sua fase imperialista. p. Essa discussão não fará somente interpretar o mundo. São Paulo: Edições Sociais. o trabalho. trata-se. Marx vislumbrou a extensão do “mundo da mercadoria” e do mercado mundial. através da crise do trabalho. Karl. Com as mudanças tecnológicas e as mudanças organizacionais. 1977. 4 . de modificá-lo.” MARX. Teses sobre Feuerbach. está diminuindo em grande velocidade. (Grundrisse. 2. sua própria forma de governo. extraído dos Grundrisse de Marx.

mas. pôde encontrar os instrumentos para negar essa situação. 1978. [p. considerando que a mais-valia move todo o processo de enriquecimento no Capitalismo. submetendo a atividade social na forma de trabalho. MAIS-VALIA (MV) O processo de trabalho submetido ao capital é. superar as relações entre o capital e o trabalho.. O Capital. a separação entre a pessoa do trabalhador e sua capacidade de trabalho (força de trabalho). o processo de exploração de trabalho alheio. o trabalhador possui. potencialmente. [p. fundamentalmente. seu estudo tratava de demonstrar como o capital se tornava sujeito. as dificuldades do trabalhador em se constituir como sujeito da história. mercadoria que. . a exploração cada vez maior do trabalho. A força de trabalho. pelo trabalho não pago (a própria mais-valia). 2 Ver: MARX. de fabricação de mais-valia. 5 . quer dizer. definindo-se não só pelo trabalho pago (na forma de salário). do trabalhador livre. 654]. ao mesmo tempo.Analisando dessa maneira o processo. capítulo VI. (inédito). 656]. Esta Lei revela o ápice de um processo de deterioração do escravo como um negócio rentável. no Brasil. São Paulo: Livraria Editora Ciências Humanas. isto é. 469. A lei Áurea libertou o trabalhador de todas as amarras e ele se tornou livre para vender sua força de trabalho. Para compreender sua formação. os trabalhadores viviam num sistema escravista. p. além dos Grundrisse. foi constituída historicamente. 3. livro I. é preciso entender a constituição do trabalhador livre.. cujo objetivo é o de produzir mais trabalho. A força de trabalho. Afinal. a única coisa que os trabalhadores tinham para vender e que o capitalista necessitava comprar.que o capitalismo seguiria: a concentração dos capitais. Por isso o processo do capital se identifica com o processo de exploração do trabalho.2 Até 1888. se tornou mercadoria. Karl. 655] e [p.

e o trabalhador livre. 1981. O Cativeiro da Terra. “Quando a renda capitalizada era representada pelo escravo. 6 . pois o escravo era uma mercadoria valiosa antes mesmo de se realizar como trabalhador. contavam economicamente sua atividade como trabalhador e seu preço como mercadoria. 33. que equivale à reprodução do trabalho assalariado. podia morrer. limpeza do terreno. baseada sobretudo na possibilidade de utilizarem a terra para produção de alimentos. então. fabricados na própria fazenda. que representasse o trabalho e ganhasse mobilidade: a força de trabalho do trabalhador livre. plantio e formação do cafezal) era atribuída aos homens livres que coexistiam com o escravo. durante toda a sua vida. e só mantém relações contratuais no momento em que ele é ativo. no mercado geral. houve escravidão? Nesses tempos.”3 O sentido do desenvolvimento da formação econômico- social capitalista foi o da deterioração desta mercadoria enquanto tal e sua substituição por uma mercadoria. coincidem a pessoa do trabalhador e sua capacidade de trabalho. que não tinha um preço pressuposto. mesmo antes de trabalhar. por exemplo. numa economia monetarizada. A formação da fazenda (derrubada da mata. o benefício do café. que envolvia todas as outras mercadorias. ou seja. Portanto. os caboclos e caipiras. A força de trabalho do trabalhador é diferente de todas as demais mercadorias. José de Souza. pois ela é fonte de valor. Durante o período da escravidão. p. o ponto nuclear da fazenda estava no trato do cafezal e na colheita do café. E porque. o empregador fica livre das obrigações para com a pessoa do trabalhador. No escravo. não seria um escravo a fazer este serviço e sim um trabalhador livre. São Paulo: LECH. tinha preço. o escravo como pessoa era uma mercadoria. ainda era feito por maquinismos toscos de madeira. até 1870 mais ou menos. Quando historicamente se produz esta separação. mediante pagamentos ínfimos. ela pode produzir “mais valor do que ela mesma 3 MARTINS. Por outro lado. de riqueza social. quando existia algum trabalho que colocasse em risco a vida do trabalhador. trabalha. representava riqueza.

7 . Karl. na produção de mais-valor. ou seja. São Paulo: Nova Cultural. ele tem a seu favor. seu trabalho produz muito mais valor do que aquele que foi negociado no momento da troca. Essa mercadoria (a força de trabalho) não é como as demais. um valor de troca. O que chamamos de mais-valia é a extração desse valor a mais pelo capitalista e que é subtraído do trabalho do trabalhador. cap. Para tanto. Essa população. na lógica do capital. volume I. portanto. seu tempo também não é livre. mas está à disposição do capital. da venda de sua força de trabalho (que corresponde aos meios de sua subsistência). e tem um valor de uso. 4 Ver: MARX. como veremos mais adiante. sempre renovada e numerosa. horas apropriadas ao trabalho do trabalhador. durante o processo produtivo. 1988. embora não trabalhe.148-156. como atividade. item 2. isto é. V. acima. Neste sentido. todavia seu valor de uso tem a peculiaridade única de gerar valor quando ela é empregada. para além daquelas pagas. ampliar ao máximo essas horas não pagas. do ponto de vista dos negócios capitalistas. E é preciso. força de trabalho “potencial” porque ela pode ou não ser necessária. De uma forma geral. O Capital. não é uma população livre da necessidade de fazê-lo. este último à disposição do capitalista. ela pode ser trocada no mercado por dinheiro (valor de troca) como qualquer outra mercadoria. através do salário.tem”. Do ponto de vista do empregador. que se realiza como salário do trabalhador. p. Elas significam. como vimos. o trabalho existe de diversos modos e desde as sociedades mais antigas. p. o trabalho. quando não é necessária. pois. o trabalhador vive as mazelas do desemprego. A força de trabalho acontece num momento histórico definido. Dissemos. num país como o Brasil. que. que vai usar a força de trabalho do trabalhador. 153. coleção Os Economistas. O processo de valorização. ou intermitentemente deixe de trabalhar. particularmente. O trabalhador não percebe. no entanto.4 Ela tem preço. a mais. também. é a energia despendida para produzir algo. uma população trabalhadora excedente. as horas trabalhadas pelo trabalhador significam mais do que o salário com o qual é pago por seu trabalho.

tal como o valor de troca geral das mercadorias se fixa no dinheiro. Veremos mais adiante que a força produtiva é constituída por trabalho morto ou objetivado (capital constante) e trabalho vivo (capital variável).”6 Nesta sociedade. p. em força produtiva do capital. o ‘trabalho em geral’... as abstrações mais gerais surgem unicamente ali onde existe o desenvolvimento concreto mais rico . é alienado do trabalhador na forma de mercadoria.. 7 “A indiferença frente a um gênero determinado de trabalho supõe uma totalidade muito desenvolvida de gêneros reais de trabalhos. Portugal/Brasil: Presença/Martins Fontes.. ao proprietário dos meios de produção.. 91.quando o trabalhador já constituído ou “livre”. não só enquanto categoria. como determinação. (Nota dos autores do presente texto). 215). se apresenta não obstante como praticamente certa neste grau de abstração só como categoria da sociedade moderna.. “as forças produtivas5 apresentam-se completamente independentes e separadas dos indivíduos. Então.. Como nos diz Marx: “[..” (Grundrisse. Assim.. a abstração da categoria ‘trabalho’. pois estas relações eram ainda limitadas.que é ponto de partida da economia moderna. nenhum dos quais predomina sobre os demais.. esta abstração do trabalho em geral não é somente o resultado intelectual de uma totalidade concreta de trabalhos. p. terá que vender o único bem (mercadoria) que lhe resta: sua força de trabalho. o trabalho. indiferente.a abstração mais simples . 3. também. 6 MARX. p. mas também na realidade. no meio para criar a riqueza em geral e. portanto. Esta transformação só é posta no processo de produção mesmo. como forma moderna de atividade. Somente este último é capaz de gerar valor..ª edição. no capitalismo. O trabalho se converteu então. quer dizer.. expropriado de todos os meios de produzir. 25) 8 . transforma-se em trabalho abstrato. na medida em que esta troca outorga ao capitalista o direito de propriedade sobre o produto do trabalho (e a direção sobre o trabalho). Por outro lado... Karl.. [..]” (Grundrisse.[.7 5 O trabalho. e que expressa uma relação antiqüíssima e válida para todas as formas de sociedade.] A produtividade do trabalho se converte deste modo.. deixou de aderir ao individuo como uma particularidade sua .. A indiferença por um trabalho particular corresponde a uma forma de sociedade na qual os indivíduos podem passar facilmente de um trabalho a outro e na qual o gênero determinado de trabalho é fortuito e.. horas. etc. A Ideologia Alemã.Em nenhum período anterior as forças produtivas tinham revestido esta forma indiferente às relações dos indivíduos enquanto indivíduos. o capitalista. em forma de jornadas. s/ d..] A transformação do trabalho (como atividade viva e orientada a um fim) em capital é em si o resultado da troca entre capital e trabalho.

o desenvolvimento do capitalismo potencializou tanto a exploração da capacidade do trabalho que contraditoriamente resulta na elevação do desemprego e. no sentido de que já se tratava aqui do desenvolvimento da economia moderna. como produtor de mais-valia. só se pode produzir mais-valia através do prolongamento do tempo de trabalho. vivemos não só uma crise do emprego. é o modo específico de produzir sob o capital. mas da própria reprodução do capital. Isto implica dizer que a própria escravidão moderna. Essa mercadoria (a força de trabalho) não é como as demais. A própria escravidão. constitui- se como um momento da formação do trabalho. Assim. pois ela possui a capacidade de gerar um valor a mais quando é empregada: o que chamamos de mais-valia. veio a contribuir na realização de formas especificamente capitalistas de produção. participou desse processo que. na medida em que tem como pressuposto de sua efetivação a produção de mercadorias para o comércio. pode ser compreendida como um momento desta constituição. ao mesmo tempo.. seja por condicionantes internas ou externas a ela. isto é. Isto quer dizer que há um processo de constituição do trabalho como trabalho assalariado. Atualmente. a produção do valor. na dificuldade cada vez maior de aumentar a capacidade de exploração. sob a forma da mais-valia absoluta. A escravidão indígena. portanto. A essa modalidade (. de determinado desenvolvimento da força produtiva do trabalho e da modalidade correspondente a essa força produtiva.) corresponde à subsunção formal do trabalho ao 9 . o sentido do trabalho enquanto abstrato. MAIS-VALIA ABSOLUTA “À base do modo de trabalho pré-existente. Este texto pretende ajudar a esclarecer.. A forma do trabalho. seja a indígena ou a negra. na vida do trabalhador. ou seja. ainda que não se estabeleça aqui uma linearidade temporal pressuposta deste processo. ou seja. através da análise da exploração do trabalho. no caso do Brasil. 4.

mediante o prolongamento da jornada de trabalho. que os artesãos não dominem mais seu processo de trabalho. Karl. Então. que implica num aumento da capacidade do trabalho. (inédito). extremamente. Mas é preciso compreendê-lo como modo especificamente capitalista de produção. Ele definirá o desenvolvimento da maquinaria. de uma mudança nas condições materiais de produção. É a forma do capitalismo subordinar o processo produtivo. da divisão técnica do trabalho. capítulo VI. alterar a divisão do trabalho. campesinato . Historicamente se viverá as duas situações: esta exploração extensiva de trabalho. apropriada pelo capitalista. concentrar o processo produtivo. 10 . explorados. as formas camponesas de produção. O que isto significa? O capitalismo tenderá a destruir o artesanato. que dependerá do desenvolvimento das forças produtivas. que se denomina extração da mais-valia absoluta ou produção de mais- valia. e a exploração intensiva de trabalho. nem o seu resultado.capital. O capitalismo nesta fase não mudou o modo de produção. 8 MARX. sem o controle do processo produtivo. sem alterar o caráter do processo real de trabalho. 470]. o modo de trabalho. sem ainda ter mudado as relações de produção. [p. quando os processos de trabalho tradicionais .artesanato. 5. MAIS-VALIA RELATIVA Parece que o capitalismo se identifica com o mercado e com o aumento de circulação de mercadorias. livro I. em prol de um modo de produzir mais intensivo. O Capital. no modo de trabalho.ficam sob a direção do capital.”8 Chama-se acumulação primitiva esse momento de formação do capitalismo e ele envolve a expropriação: que os agricultores percam sua terra e o controle do processo produtivo. com o aumento da jornada de trabalho. O passo seguinte vai ser o de mudar tudo: introduzir máquinas. esses trabalhadores passam a ser. sob a forma da mais-valia absoluta. produzir em massa. mas já submeteu esses sujeitos do trabalho.

a produção como fim em si mesma. acréscimo e diversificação das esferas produtivas e de suas ramificações. O Capital. a base para a introdução da primeira em novos ramos de produção. dá-se a submissão real do trabalho ao capital. a segunda. produzir para realizar a troca passa a ser uma necessidade para a realização dessa mais-valia. (inédito). uma parte cada vez menor é suficiente para pagar a força de trabalho. a absoluta e a relativa. O processo de produção. ao mesmo tempo. através da exploração do trabalho. é a expansão do mundo da mercadoria. têm a primeira forma como precursora. que têm como elementos constitutivos o valor de uso e o valor de troca. A submissão real equivale a uma revolução na produtividade do trabalho e na relação entre o capitalista e o trabalhador à base do desenvolvimento das forças produtivas sociais do trabalho. O capitalismo desencadeia o desenvolvimento das forças produtivas do trabalho . Não se produz para necessidades. como processo de produção de mais-valia. carregam no valor a mais-valia produzida. capítulo VI. Então. pode constituir. A produção de mais-valia relativa se define com a modificação real do modo de produção. restando (relativamente) mais tempo de trabalho para o capital (trabalho não pago). Trata-se de um modo de produção tecnologicamente específico. voltado à produção -. sucessivas e podem se realizar 9 MARX. do tempo total de trabalho. se realiza de maneira adequada: subverte-se assim o sentido da produção. 472]. O desenvolvimento do modo de produção capitalista depende de uma transformação das forças produtivas do trabalho. tornado contraditoriamente desenvolvimento das forças produtivas do capital.”9 As duas formas de mais-valia são. mas “a mais desenvolvida. [p. tornada uma finalidade. mas para o aumento da produção. Assim.desenvolvimento das técnicas. das capacidades de trabalho.assim. As duas formas de mais-valia. constituído pelo aumento do volume de produção. constituindo-se um modo de produção especificamente capitalista. livro I. que transforma a natureza real do processo de trabalho e suas condições reais. Karl. 11 . por sua vez. na relação capitalista. As mercadorias. a produção pela produção. das ciências.

simultaneamente. sem a relação de trabalho. moradia. sem serem usadas. realizada pelo trabalho. como máquina. para produzir dado produto. em si mesmas. Toda apropriação do lucro refere-se ao trabalho não pago. etc. se deterioram. As máquinas. Elas precisam do trabalho. porque este investimento não acrescenta valor. produtor de mercadorias. a relação entre ramos produtivos que produzem de modos diferentes. A produção de um mesmo produto pode reunir essas duas formas de mais-valia.). etc. Esta consideração é muito importante para decifrar as reais condições de trabalho em cada ramo de produção e nos diferentes ramos de produção. matéria-prima. O Capital Total se divide em Capital Constante (CC) e Capital Variável (CV): CT = CC + CV Chama-se Capital Constante todo Capital que não seja salário. O objetivo do processo de trabalho é a sempre crescente produção da mais-valia. transporte. roupas. Elas. 6. ao contrário do investimento no Capital Variável. que permite ao capitalista o uso da Força de Trabalho que produz um novo valor. é a mais-valia. sem o trabalho do trabalhador. CAPITAL VARIÁVEL E CAPITAL CONSTANTE O valor de uma mercadoria é determinado pelo tempo socialmente necessário para sua produção. viram ferros-velhos. Toda a riqueza social refere-se ao trabalho não pago e ao salário. Sendo a força de trabalho uma mercadoria cujo valor é determinado pelos meios de vida necessários à subsistência do trabalhador (alimentos. havendo em uns a extração da mais-valia absoluta e em outros a extração da mais-valia relativa. nem 12 . em utilização no processo produtivo.. o valor excedente. não pago ao trabalhador. Com o desenvolvimento da divisão do trabalho é possível observar. materiais auxiliares.

da agricultura e do comércio. É desta fonte (o valor produzido pelo trabalho) que é distribuída a riqueza social. como momento próprio da produção. uma segunda parte.Propriedade da terra: renda da terra. como juros. do trabalho não pago. na qualidade de renda da terra. . Isto é. Da mais-valia. Por exemplo. uma empresa multinacional como a Volkswagen pode ser. 13 . Em resumo. como já foi denunciado). a mais-valia. divide-se no momento da distribuição e aparece como lucro.sequer são Capital Constante. as formas de investimento de uma empresa variam. uma indústria automobilística e mais um elemento no quadro da especulação internacional da bolsa de valores.Negócios financeiros. . Dependendo da conjuntura. como o aumento do Capital Constante dependem do valor novo criado pelo trabalhador no processo produtivo.Transferência do excedente da riqueza social para o Estado: impostos. Uma parte é aplicada nos salários. etc. nos negócios financeiros e bancários. obtendo juros e rendimentos com a terra. todos juros. extrai-se uma parte como lucro dos negócios da indústria. toda renda da terra vêm do trabalho. pois tanto a manutenção. parte da riqueza social é transferida ao Estado por meio dos impostos. da agricultura e do comércio: lucro. para a reprodução da força de trabalho. outra parte é transferida ao proprietário de terras. Isso quer dizer que ela se realiza no mundo do capitalismo. . atuando no comércio. utilizando-se da riqueza produzida pelo trabalhador para investir em capital financeiro e. . E. tornando-se uma proprietária de terras (na Amazônia. chegando a utilizar trabalho escravo. bancários: juros. ainda.Negócios da indústria. tudo a partir da exploração do trabalho. juros e renda da terra. que constitui o trabalho não pago ao trabalhador. todo lucro. finalmente. lucrando. ao mesmo tempo.Reprodução da força de trabalho: salário. na relação capitalista. .

14 Produção e Distribuição da Mais-valia Capital Industrial Capital Financeiro Capital Bancário Mobilização de Capital Fictício Propriedade da terra .

MV TMV x 100 CV 15 . . ao mesmo tempo. revela a tendência permanente do Capital em criar Mais-valia. desde quando ela aparece na contabilidade do capitalista até a forma como ela é vivida pelo trabalhador.TMV. Para explicitá-la tem-se: Capital Variável = CV Mais-valia = MV Taxa de Mais-valia = TMV Para melhor expressar essa relação. multiplicada por 100. do ponto de vista do trabalhador. uma taxa expressa uma relação entre duas grandezas. na vida do trabalhador. No caso da Taxa de Mais-valia. Primeiramente. TAXA DE MAIS-VALIA (TMV) Costuma-se confundir Taxa de Lucro e Taxa de Mais-valia. embora não sejam a mesma coisa. ela aparece como formas de trabalho.TMV. do ponto de vista das Formas de Trabalho: Trabalho excedente/ Trabalho necessário. 7. aqui ela vai aparecer de mais de uma maneira. . através das horas de trabalho. ela é uma relação entre o Trabalho Pago e o Trabalho não Pago. ela define o grau de exploração do trabalhador e.TMV. face aos elementos do Capital: horas do trabalhador para o capitalista/horas do trabalhador para sua reprodução enquanto tal. Sintetizando: MV Trabalho excedente horas do trabalhador para o capitalista TMV = = = CV Trabalho necessário horas do trabalhador para sua reprodução enquanto tal Em outros termos: a TMV se calcula assim: Mais-valia dividida pelo Capital Variável. Na contabilidade do capitalista. do ponto de vista dos Elementos do Capital: MV/CV. são elementos que compõem o Capital. . do ponto de vista do trabalho.

mas conserva os valores já existentes no processo produtivo. algodão e máquina. que nos revela a rentabilidade do capital. O trabalho vivo não só produz mais-valor. das duas partes do dia vivo de trabalho. define-se como Capital Variável. Seguimos com Marx: “Até aqui falamos unicamente dos dois elementos do capital. o trabalhador produz novo valor e conserva o valor já existente. p. Essas duas outras partes não produzem sozinhas. 16 . então. das quais uma representa o salário. Estes outros componentes. Tudo isso utilizando a máquina e transformando a matéria- prima. as outras duas partes do capital realizadas no material de trabalho e no instrumento de trabalho?” [Grundrisse. Esta nos revela o grau de exploração do trabalho. a outra o lucro. compõe o Capital Constante. Sem o trabalho a máquina se deteriora. O trabalho vivo. Essa reflexão sobre a taxa de mais-valia é muito importante. O que é definido como trabalho objetivado. através de instrumentos. 259]. TAXA DE LUCRO (TL) Até agora vimos como se calcula a taxa de mais-valia. Agora vamos pensar na composição do valor composto de trabalho vivo e trabalho objetivado. mobilizado como Capital. porque nos revela a proporção entre o que fica com o capitalista e o que fica com o trabalhador. Vamos agora refletir sobre a taxa de lucro. mobilizado pelo capital. através da utilização das máquinas). sem o trabalhador a matéria-prima se estraga. uma o trabalho necessário. Precisamos dessa compreensão para entender a taxa de lucro. a outra o Mais-trabalho. Onde ficam.Esta é a Taxa de Exploração do trabalhador: a proporção em que ele trabalha para ele mesmo (salário) e para o capitalista (Mais- valia). no novo produto (algodão que se torna tecido. no processo produtivo. Portanto. são definidos como trabalho objetivado. 8.

materiais auxiliares da produção). como a transformação de algodão para tecido. 17 . Assim se define a rentabilidade do Capital. Por que se define como Capital Variável? Porque é a parte do Capital que produz um valor novo. mesmo que materialmente haja transformação. mais o Capital Constante (instrumentos de produção. multiplicado por 100. A taxa de lucro é calculada. o montante de Mais-valia dividido pelo Capital Total. A TAXA de LUCRO é a relação entre a Mais-valia e o Capital total (Capital Constante + Capital Variável) necessário para produzi-la. A Mais-valia. multiplicando por 100. dividida pelo Capital Variável. matéria-prima. Relembrando: a taxa é a relação entre duas grandezas. Por que definir a outra parte como Capital Constante? Porque o trabalhador conserva esta parte do Capital ao produzir o novo valor. é ela que faz o capital variar a sua grandeza.

Produção e Distribuição da Mais-valia Mais-valia .18 Composição do Capital Produtivo.

Capital Industrial Capital Financeiro Capital Bancário Mobilização de Capital Fictício Propriedade da 19 terra .

na qualidade desta medida: existe o dinheiro. mas a crise do Capital não. Esta relação define o lucro do Capital. promete-se que o dinheiro. nas especulações com todo o tipo de dinheiro -. o valor novo criado a mais que o salário. promete-se produzir mais mercadorias. produzido pelo trabalhador. Estas duas crises vêm juntas. nas promessas de pagamentos futuros. Aqui no texto aparece também na forma de fração. menos trabalho proporcionalmente o processo requisita. Mas esse dinheiro pode ser falso. mas ele não tem o conteúdo de uma riqueza real. MV TL x 100 (CV+ CC) A proporção é entre a mais-valia. é visível. pois ele passa a se reproduzir na forma de Capital Fictício. seja de fato esta medida. então. e todo o Capital investido na produção. 10 Por relação entendemos uma proporção entre duas quantidades. a dos produtos e das mercadorias. sim. Através da taxa de lucro. E a gente vê isto? Não exatamente. o trabalho é negado dentro da produção. o valor produzido. que sintetiza como elementos do Capital: o Capital Constante + o Capital Variável. O desemprego. temos a compreensão do processo do ponto de vista do Capital e. A Taxa de Lucro é a relação10 entre a MV (trabalho não pago) e o Trabalho total. não só o que é gasto com salário. mas todo o montante investido em materiais e instrumentos necessários à produção. que representa. contraditoriamente. mas temos também crise de produção de um valor novo. como medida de valor. ao mesmo tempo. Quanto mais Capital Constante soma-se ao processo produtivo. quando ele é o elemento da produção que cria valor novo. 20 . nas letras de câmbio.nas bolsas de valores. Eis uma enorme contradição: temos crise de emprego. ele até circula como Capital . se revela que ele não é independente do trabalho. O Capital Fictício é uma promessa não cumprida: promete-se vender mais mercadorias.

” [Grundrisse. a partir das alterações no desenvolvimento das forças produtivas do trabalho. VARIAÇÕES DA TAXA DE MAIS-VALIA SEGUNDO O DESENVOLVIMENTO DAS FORÇAS PRODUTIVAS DO TRABALHO O objetivo neste momento da análise é examinar as relações entre trabalho pago e trabalho não pago. Então teríamos a seguinte proporção: 2 1 1 50% ( ) de trabalho pago e 50% ( ) do trabalho não pago. temos como primeiro caso: CV 1 + MV 1 2 2 11 “O aumento da produtividade do trabalho não significa outra coisa senão o seguinte: que o mesmo capital cria o mesmo valor com menos trabalho.11 Suponhamos. 21 . p. que o capital variável valorize 50% 1 (metade [ ] de seu valor). 291-292]. no primeiro caso. 2 2 Ou. de forma abreviada. ou que um trabalho menor cria o mesmo produto com um capital maior. 9.

Isto significa dizer que o trabalhador. multiplicada por 100. é igual à mais- valia dividida pelo Capital Variável. Em outras palavras. o trabalhador trabalha meio dia para sua sobrevivência e meio dia para o capitalista. 240] Ou seja. em relação ao trabalho necessário para a subsistência do trabalhador. desenvolvimento da divisão técnica do trabalho). a proporção mudaria de: CV 1 + MV 1 para CV 1 + MV 3 2 2 4 4 Neste segundo caso. para viver um dia inteiro. Neste caso. a mais-valia é de 100%. precisa trabalhar só meia jornada de trabalho. [Grundrisse. MV TMV x 100 CV Neste caso. há duplicação das forças produtivas: Diferença Aumento da Capital entre o mais-valia em Mais-valia Variável trabalho pago relação ao caso e não pago anterior 1 3 2 1 + 4 4 4 4 22 . Se o capitalista dobrasse a força produtiva do trabalho utilizada (com novas tecnologias. mas na condição de trabalhador. o capitalista o fará trabalhar uma jornada inteira. intensificação do trabalho. apenas meio dia de trabalho é suficiente para o trabalhador reproduzir-se enquanto pessoa. p. o da valorização de 50%. como já exposto. o mesmo trabalho rende um valor de uso duplicado. Vejamos como calculá-la: A taxa de mais-valia.

isto é. enquanto a mais- valia aumentou somente 25%. teria aumentado só em 2 4 4 2 [Grundrisse. 1 2 − Duplicando as forças produtivas. Expliquemos melhor: 1 3 − do dia de trabalho para o trabalhador e para o capitalista. ou 4 . a proporção mudaria de: 1 + 3 para CV 1 + MV 7 CV MV 4 4 8 8 Diferença Aumento da Capital entre o mais-valia em Mais-valia Variável trabalho pago relação ao e não pago caso anterior 1 7 6 1 + 8 8 8 8 23 . 4 Portanto. diminuindo o CV de para . 4 4 1 O trabalhador só teria de trabalhar de jornada para viver 1 4 dia inteiro. o CV diminuiu pela metade. 240]. e a MV 2 4 1 3 1 aumentou de para . mais uma vez. p. o CV passa de 2 . para 1 . em relação aos do caso anterior. 4 1 1 A força produtiva duplicou. Terceiro caso: Se o capitalista dobrasse. a força produtiva empregada.

) a proporção mudaria para: Diferença Aumento da Capital entre o mais-valia em Mais-valia Variável trabalho pago relação ao e não pago caso anterior 1 15 14 1 + 16 16 16 16 Mais uma vez. o deste caso é de . 4 8 7 3 7−6 1 . 24 . de uma proporção em relação à 4 8 outra (do segundo para o terceiro caso). Cálculo do aumento da MV: 1 1 . sendo reduzido pela metade. duplicando a força produtiva.Observamos logo que.. novamente.5 % 8 4 8 8 Quarto caso: Se o capitalista dobrar. a força produtiva (com novas tecnologias.. mas. proporcionalmente. verificamos um aumento sim. de caso em caso. diminuído da mais-valia. o crescimento 1 1 da mais-valia passa de para . O aumento da MV anterior era de . sendo que o salário continua. Calculando − = = = 12 .

10. SÍNTESE DA DUPLICAÇÃO DAS FORÇAS PRODUTIVAS Capital Proporção Aumento da Mais-valia Variável equivalente mais-valia 1 1 2 2 1 3 2 1 + 4 4 4 4 1 7 6 1 + 8 8 8 8 1 15 14 1 + 16 16 16 16 25 .

o investimento nas forças produtivas (duplicação das forças produtivas) permite uma extração a mais e. apresentadas através de linhas. contudo. proporcionalmente sempre menor da Mais-valia. em relação à proporção anterior. Para calcular este aumento relativo da mais-valia. assim. a longo prazo. isto MV CV é. Atenção às proporções do aumento da mais-valia.de x 100 para x 100 . examinamos. CV MV desta maneira. podemos observar que a duplicação das forças produtivas resulta no aumento relativamente sempre menor da mais- valia extraída.567% 1 1 15 -|-——————————— + + 16 16 16 Nesta síntese. deve-se inverter a fórmula da Taxa de mais-valia. em porcentagem. diante da diminuição relativa da 26 . Isto significa dizer que. mais facilmente comparáveis: Capital Proporção Mais-valia Aumento Variável entre Taxa de (trabalho relativo da (trabalho trabalho mais-valia não pago) Mais-valia pago) pago e não (TMV) pago 1º Caso: 1 1 ——————|—————— 50% 100% + 2 2 2º Caso: 1 1 3 + ———|————————— 33% 300% + 4 4 4 3º Caso: 1 1 7 + —-|-—————————— 15% 670% + 8 8 8 4º Caso: 6% 1.

o mais-trabalho. com a duplicação das forças produtivas. como. p.3 94 12 “Se a força produtiva se duplica. o tempo de trabalho que necessita agora para este fim...presença de trabalho novo criado. por mais que a taxa de mais-valia cresça. mas depende da primeira relação dada. 243]. deve subsistir sempre um membro da relação.9 87 6 − 4º caso: x100 = 6. terá aumento regressivo. portanto. O multiplicador da força produtiva é o divisor desta fração originária. se multiplica por 2.3 75 13 − 3º caso: x100 = 14. a saber do tempo que necessitava antes do aumento da força produtiva. o trabalhador só necessita trabalhar ½ do tempo anterior para cobrir o preço do trabalho. O valor.” [Grundrisse.12 50 − 1º caso: x100 = 100 50 25 − 2º caso: x100 = 33. a mais-valia. A Mais-valia é unicamente a relação entre o trabalho vivo e objetivado no trabalhador. por conseguinte não cresce na mesma proporção numérica que a força produtiva. entre os elementos do capital. como fração da jornada laboral. 27 .

o aumento da taxa de mais-valia. Chega-se no limite que este aumento da MV é tão pequeno. Pro p o rç ão D e c re s c ent e d e M ais-valia e m re laç ão à d up lic aç ão d as fo rç as pro d ut ivas Pro p o rç ão ent re t rabalho p ag o e t rabalho não p ag o : 1 º C aso : 1 /2 + 1 /2 2 º C aso : 1 /4 + 3 /4 M V + 1 /4 3 º C aso : 1 /8 + 7 /8 M V + 1 /8 4 º C as o : 1 /1 6 + 1 5 /1 6 M V + 1 /1 6 Le g e nd a: Trabalho não pag o o u M ais -valia Trabalho Pag o o u S alário A ument o d a M ais -valia C urva d e D iminuiç ão d o Trabalho no int e rio r d o p ro c e ss o p ro d ut ivo Ind ic a o aument o d ec re s c e nt e d a M ais -valia CONCLUSÕES (SOBRE AS VARIAÇÕES DA MAIS-VALIA. A duplicação das forças produtivas do trabalho demonstra uma Crise do Trabalho. crise que é própria da natureza do capital. comprometendo. emprego informal. no limite último. uma Crise do Capital. Esta é uma contradição básica do capital que move diferentes formas de o mesmo superar esta crise. A duplicação das forças produtivas do trabalho equivale a maior intensidade de exploração do trabalho. ao crescimento da mais-valia em proporções decrescentes. significando praticamente a expulsão do trabalhador enquanto tal. que não compensa ao mesmo investir nas forças produtivas. também. 2. emprego temporário. que significa desemprego. A proporção do Capital Variável na composição do Capital Total vai diminuindo na medida em que se desenvolvem as forças produtivas. assim como. etc. 3. de uma composição à outra do capital. emprego com baixos salários. 28 . COM O DESENVOLVIMENTO DAS FORÇAS PRODUTIVAS): 1. A duplicação das forças produtivas do trabalho definindo a maior intensidade de exploração do trabalho equivale.

considerando o Capital num movimento de valorização. fruto da exploração do trabalho não pago. 29 . menos o Capital Constante 60 e o Capital Variável 40. agora. se necessitará . que vêm a seguir. o modo como o próprio Marx raciocina a questão. um desembolso menor para o salário e o próprio processo de valorização produzirá o crescimento em material.11. seguindo.AVARIAÇÃO DATAXADE LUCRO (RELATIVAMENTE À VARIAÇÃO DA TAXA DE MAIS-VALIA) Marx afirma: “Se . nos Grundrisse entre as páginas 290 a 298. Nestes quatro casos. isto é. considerando o Capital sempre como mais-capital.” [Grundrisse. cresce a força produtiva e com ela o mais-tempo relativo.. Primeiro Caso Capital Capital Taxa de Taxa de Capital Mais-valia Produto Constante Variável Mais-valia Lucro Total (MV) total (CC) (CV) (TMV) (TL) 60 40 100 40 140 100% 40% − Produto total: 140 − Capital Constante: 60 − Capital Variável: 40 − Mais-valia 40 = produto total 140. MV 40 − Taxa de Mais-valia = x100 = x100 = 100% CV 40 MV 40 Taxa de Lucro = (CC + CV) x100 = (60 + 40) x100 = 40% 13 O Produto Total inclui a mais-valia. p 290]. examinaremos quatro casos... fazemos o exercício de fixar o produto total 13 (em 140) e o Capital Constante (em 60) e de diminuir pela metade o Capital Variável em cada caso. Elucidando a variação na taxa de lucro..

(60 + 40) 100 5 Capital Variável dividido pela soma entre Capital Constante e 40 40 2 Capital Variável: = = . passará de 40 para 60 = 40 + 20 (resultado da diminuição do CV). Capital Capital Taxa de Aumento Capital Mais-valia Produto Taxa de Constante Variável Mais-valia da Taxa Total (MV) total Lucro (TL) (CC) (CV) (TMV) de Lucro 60 35% 60 20 80 140 300% 75% (75% - (40+20) 40%) 30 . . 5 5 Segundo Caso Duplicando a força produtiva do trabalho. com salário de 10 reais cada um deles. CV 20 MV 60 A taxa de lucro será: (CC + CV) x100 = (60 + 20) x100 = 75% . supomos que haja 4 trabalhadores empregados.A mais-valia crescerá em 20. em relação ao outro. temos outra proporção: . Estas proporções são calculadas assim: Capital Constante dividido pela soma entre 60 60 3 Capital Constante e Capital Variável: = = . elas nos revelam o aumento e a diminuição relativos de cada um. por meio do emprego de máquina. tecnologia e organização do trabalho. Agora. (jornada diária) Sobre as proporções recíprocas entre Capital Constante e Capital Variável.O Capital Variável custará a metade: de 40 passará para 20. as proporções (60 + 40) 100 5 3 2 são de e . Neste caso. MV 60 A taxa de mais-valia será: x100 = x100 = 300% . Neste caso.

se.O Capital Variável custará a metade: de 20 passará para 10. . é de 35%. Do ponto de vista da quantidade dos trabalhadores.A mais-valia cresce em 10. no primeiro caso. a seguir. e o lucro só aumentou em 25% (100% . 4 (60 + 20) 4 (60 + 20) 4 − O aumento da taxa de lucro. CV 10 MV 70 − A taxa de lucro será: (CC + CV) x100 = (60 + 10) x100 = 100% . e vai se mostrar decrescente como veremos. que vai de 40% para 75%. Terceiro Caso Duplicando a força produtiva novamente. . taxa de lucro deste caso. passará de 60 para 70. A proporção entre Capital Constante e Capital Variável. menos a taxa de lucro do caso anterior).A taxa de mais-valia mais que dobrou. ou seja: CC = = e CV = = . . MV 70 − A taxa de mais-valia será: x100 = x100 = 700% . de 300% para 700%.75%. mudou neste caso: é de e 4 1 60 3 20 1 . 31 . temos outra proporção: Capital Capital Taxa de Aumento Capital Mais-valia Produto Taxa de Constante Variável Mais-valia da Taxa Total (MV) total Lucro (TL) (CC) (CV) (TMV) de Lucro 70 25% 60 10 70 140 700% 100% (100% - (60+10) 75%) . Aumentou para 300% a MV e só para 75% a Taxa de Lucro. neste segundo caso. 3 relativamente ao capital investido. . empregava-se 4 trabalhadores. 2 trabalhadores ficaram desempregados. emprega-se só 2. isto é.

- O aumento da Taxa de lucro vai caindo.
- Neste caso teremos apenas 1 trabalhador empregado e 3
desempregados.
A proporção entre Capital Constante e Capital Variável neste
6 1
caso é de e .
7 7

Quarto Caso
Duplicando, ainda mais, a força produtiva, temos outra
proporção:

Capital Capital Taxa de Aumento
Capital Mais-valia Produto Taxa de
Constante Variável Mais-valia da Taxa
Total (MV) total Lucro (TL)
(CC) (CV) (TMV) de Lucro

15%
75
60 5 65 140 1500% 115% (115% -
(70+5)
100%)

- O Capital Variável custará a metade: de 10 para 5.
- A mais-valia passará de 70 para 75.
- Neste caso há apenas 1 trabalhador que tem seu salário reduzido
pela metade.
- Aqui a proporção entre Capital Constante e Capital Variável é
12 1
de e .
13 13

MV 75
- A taxa de mais-valia será: x100 = x100 = 1500% .
CV 5

MV 75
- A taxa de lucro será (CC + CV) x100 = (60 + 5) x100 = 115% .

32

Quadro Síntese da Duplicação das Forças Produtivas (demonstrando
a variação da taxa de mais-valia e da taxa de lucro)
Capital Capital Taxa de Aumento
Capital Mais-valia Produto Taxa de
Constante Variável Mais-valia da Taxa
Total (MV) total Lucro (TL)
(CC) (CV) (TMV) de Lucro

60 40 100 40 140 100% 40% -

35%
60
60 20 80 140 300% 75% (75% -
(40+20)
40%)

25%
70
60 10 70 140 700% 100% (100% -
(60+10)
75%)

15%
75
60 5 65 140 1500% 115% (115% -
(70+5)
100%)

CONCLUSÕES SOBRE A VARIAÇÃO DAS TAXAS DE MAIS-
VALIA E DE LUCRO:

1. Em todos esses exemplos, trabalhamos com a alteração da
composição orgânica do Capital Total, ou seja, com a alteração
da proporção entre o Capital Constante e o Capital Variável.
2. Através destes exemplos e desta síntese, observa-se o aumento
exponencial (extraordinário) da Taxa de mais-valia, para que
haja um aumento cada vez menor da taxa de lucro.
3. Nesses exemplos, menos trabalho pago produz mais mais-valia.
4. Pode-se diminuir o salário e/ou o número de trabalhadores: o
gasto menor com o salário pode equivaler a uma diminuição de
salário de cada trabalhador empregado ou a uma diminuição
absoluta da quantidade de trabalhadores empregados, ou os dois,
isto é, redução de salário e do número de trabalhadores empregados.
5. Esta síntese teve como propósito examinar dois movimentos
incluídos na relação capital-trabalho, que demonstram: um
empobrecimento potencial crescente da massa trabalhadora,

33

como inerente à relação de produção e, ao mesmo tempo, um
lucro que cresce em velocidades cada vez menores. Para poder
fazer este exame, mantivemos sem alterações o produto total e
o Capital Constante, respectivamente 140 e 60. Houve alteração
do Capital Variável e com ele da mais-valia e do lucro. Como
ele varia? Varia no sentido do desenvolvimento das forças
produtivas: diminuição do Capital Variável necessário.
6. Eis o sentido do processo do capital: necessita cada vez menos
de trabalhadores e como é o trabalho vivo deles a essência da
valorização do capital, por mais que sejam explorados os
trabalhadores, o lucro tende a diminuir.
Falamos assim em crise do trabalho e do capital.

12. CÁLCULOS PARA MANTER OS EMPREGOS,
DIANTE DA DUPLICAÇÃO DAS FORÇAS PRODUTIVAS
Para demonstrar essas crises, por um outro caminho,
considerando os elementos do processo de produção, agora nos
perguntando:
Qual é o aumento de capital necessário para manter o
mesmo número de trabalhadores na ativa, apesar da variação
da composição do capital, com o desenvolvimento das forças
produtivas?
Nesta segunda síntese, imaginamos, para isto, manter o
montante de mais-valia e a taxa de mais-valia, fazendo variar
os elementos do capital, com vistas a manter os trabalhadores
empregados.
Considerando os casos acima apresentados, qual o
montante de capital necessário para reempregar os 3 (três)
trabalhadores dispensados?
Observamos que para conservar o montante de trabalho posto
pela primeira composição (Capital Constante 60 e Capital Variável
3 2
40; em outros termos, de Capital Constante e de Capital Variável),
5 5

34

em termos absolutos. supondo a manutenção no emprego dos trabalhadores desempregados. embora. para aumentar ou manter seus lucros. No entanto. mas a relação entre vários capitalistas. com tendência mais uma vez à redução de seus lucros. manteremos a taxa de mais-valia igual em todos os casos. o lucro. sua taxa de crescimento é decrescente. As mudanças acontecerão no Capital Total e Constante: Capital Capital Taxa de Taxa de Capital Mais-valia Constante Variável Mais-valia Lucro Total (MV) (CC) (CV) (TMV) (TL) 100 60 40 40 100% 40% 160 120 40 40 100% 25% 280 240 40 40 100% 15% 520 480 40 40 100% 8. diminuindo seus lucros. se todos os capitalistas adotassem esse procedimento. pois enquanto o aumento do capital é de pouco mais de 50%. [Num exercício de generalização. portanto. Ao fazer um exercício. o valor do Capital Constante e o do Capital Variável tenderiam a subir com o aumento de sua procura. além do aumento da oferta de produtos. ou seja. a taxa de mais-valia se mantém constante e.será necessário sempre dobrar o montante de Capital Constante investido. considerando não só apenas um capitalista. É uma tendência do capital a exclusão de trabalhadores do processo produtivo. Não compensa ao capitalista manter a mesma quantidade de trabalhadores com a duplicação das forças produtivas. nem a mais-valia. mesmo que haja uma duplicação das forças produtivas. não vamos alterar o Capital Variável. 35 . portanto. ir dobrando o Capital Total investido.3% A conseqüência é uma diminuição significativa do lucro. aumente.

. a manutenção do Capital Variável investido é impossível. podem significar o aumento da composição do valor do capital e podem significar aumento da população trabalhadora. (Grundrisse.liberando trabalhadores com o aumento da produtividade do trabalho. diminuindo salários. entretanto. se tira uma parte do capital da porção variável deste. seja dispensando trabalhadores. Isto ocorre. assim como os que ficam empregados tendem a ser mais explorados]. cujo valor só se reproduz ou conserva no produto. em relação ao capital investido há uma diminuição do Capital Variável. Isso significa que as grandes inversões de capital. 705)].. TAXA DECRESCENTE DE LUCRO A tendência do capital é de aumentar sua composição orgânica. aumentando as horas-extras. isto é. pois aumenta a oferta de trabalhadores. dada à natureza do capital. Por que se adota este segundo procedimento? A concorrência e a busca de lucros maiores forçam a diminuição dos custos de produção e um destes custos é o valor da força- de-trabalho.. o investimento em Capital Constante só vai ocorrer se implicar a diminuição dos custos: [“Em toda aplicação de maquinaria. nos diferentes ramos da indústria. 13. e ainda assim não 36 . Com isto verificamos que. etc. com tendência à diminuição de seu valor.” (Grundrisse. ou do trabalho pago. Diante disso qual a tendência? Aumentar exponencialmente a taxa de exploração. a que se multiplica a si mesma.. Por outro lado. para incorporá-la à parte constante. para fazer que se torne mais produtiva a parte restante. p. senão que se acrescenta em proporção maior que a relação entre o valor da maquinaria e o valor dos trabalhadores despedidos. mas significam também uma diminuição relativa desta população trabalhadora. o efeito é o inverso. 704) [a introdução da maquinaria] só poderá ter lugar se a proporção do tempo de mais- trabalho não só se mantém inalterada. deslocando a produção para locais onde os salários são mais baixos. p. ou taxa de mais-valia...

dos salários. Há um aumento (absoluto) de riqueza total. com a manutenção do CV (Capital Variável). Por isso o empobrecimento da população trabalhadora (diminuição do emprego. Mesmo assim a economia é crítica. e aumento da MV (Mais-valia): 37 . pois faz parte do movimento do capital. nos termos do 1º caso. Capital Capital Taxa de Taxa de Capital Mais-valia Constante Variável Mais-valia Lucro Total (MV) (CC) (CV) (TMV) (TL) 100 80 20 40 200% 40% 3º Caso Aumentando o capital investido. não só para o trabalhador. mas também para o processo do capital. sugerindo um aumento da composição orgânica do capital: referente ao aumento proporcional do Capital Constante.A TMV (Taxa de Mais-valia) será: x 100 = x 100 = 100% CV 80 MV 80 . das condições de trabalho) não é um fato esporádico no capitalismo.A TL (Taxa de Lucro) será: x 100 = x 100 = 80% (CV + CC) (80 + 20) 2º Caso Invertendo a relação entre Capital Constante e Capital Variável.conseguir controlar ou evitar a diminuição de taxa de lucro. através do empobrecimento crescente da população. Vejamos alguns exemplos: 1º Caso Capital Capital Taxa de Taxa de Capital Mais-valia Constante Variável Mais-valia Lucro Total (MV) (CC) (CV) (TMV) (TL) 100 20 80 80 100% 80% MV 80 .

p. historicamente. 293] 38 . 292-293] “Se cresce o valor total do capital que entra no processo de produção. Extratos de Marx. ao mesmo tempo. embora a composição seja diversa. dos exemplos expostos. sobre o tema proposto acima: “A maior produtividade do trabalho se expressa em que o capital necessita comprar menor trabalho necessário para produzir o mesmo valor e maiores quantos de valores de uso. 292] “Quando o valor total do capital se mantém igual. comparado com a proporção que existiria se a produtividade do trabalho e portanto a proporção entre o trabalho necessário e o mais-trabalho houvesse permanecido igual”. [Grundrisse. que a parte constante do capital (que consiste em material e máquinas) cresce em relação à parte variável. como uma quantidade menor de trabalho que põe em movimento uma quantidade maior de capital. isso é. à parte daquele que se troca com trabalho vivo e que constitui o fundo para o salário. o crescimento da força produtiva implica. o capital investido é idêntico. tende a explorar exponencialmente a força de trabalho. valoriza mais material e cria uma massa maior de valores de uso.” [Grundrisse. o fundo de trabalho (esta parte variável do capital) terá de diminuir relativamente. tendo em vista o aumento do Capital Constante. p. É o que se observa na equação acima. Isso se apresenta. Apesar dos pequenos números.” [Grundrisse. o resultado sempre coincide com uma taxa decrescente de lucro. os maiores capitais tenderão a ter a composição do segundo exemplo. Capital Capital Taxa de Taxa de Capital Mais-valia Constante Variável Mais-valia Lucro Total (MV) (CC) (CV) (TMV) (TL) 240 160 80 240 300% 61% Nos primeiros dois casos. ou em que menos trabalho necessário produz o mesmo valor de troca. p. o capital. Contudo. 100. pois. Para tentar aumentar a Taxa de Lucro ou mesmo mantê-la.

quanto mais distante a relação entre lucro e mais-valia]. parece que ele se basta: dinheiro produz dinheiro. Domina o mundo econômico hoje. o 14 A expressão bolha financeira. [Fala-se de bolha financeira.. 39 . ou seja. 14. denotando esta fase crítica do capital.” [Grundrisse. Uma outra forma de falar sobre isto é dizer que o capital financeiro atual (capital bancário + capital produtivo) domina o mundo econômico de hoje.. O capital tenta adiar o aprofundamento da crise. o dinheiro sem a produção real. transferindo a produção. de um mundo da economia fictício e artificial. Fala-se de uma “bolha financeira”14 . aquele que se reproduz miticamente através de uma bolha financeira. ele se diz capital produtivo ou diz representar o capital produtivo. ele representa a crise da riqueza real.] a taxa de lucro não expressa nunca a taxa real segundo a qual o capital explora o trabalho. p. Mas não é verdade. só poderia expressar a real taxa de mais-valia se o capital inteiro se trocasse exclusivamente por salário. assim. O ENTRELAÇAMENTO DOS NEGÓCIOS E A ESPECULAÇÃO Apresentação O Dinheiro. e quanto mais falsa seja a proporção que expressa aquela taxa tanto maior será o capital [ou seja. que ele representa. o capital financeiro enquanto capital financeirizado.. mas uma proporção sempre menor. se desvaloriza e assim desencadeia uma enorme crise. o domínio do capital financeiro não é somente uma nova face da riqueza. A taxa de lucro.. que ela sustenta. “[. aparece na obra de Robert Kurz. mas não chega à produção. então. definindo-se. 648-649]. pois o capital produtivo se reduz drasticamente. Portanto. mas não produz riqueza real (valor). Esta é a situação que vivemos atualmente. que não ocorrerá a não ser na produção]. de um montante de dinheiro sem valor em busca de uma valorização futura.

A velocidade de circulação do dinheiro é diferente da velocidade de circulação de mercadorias. na forma de investimento e empréstimo. o imposto é menor. Esse fenômeno financeiro ficou muito caracterizado na década de 1990. chamados “emergentes” pelo capital financeiro internacional. Isso permite a passagem do mundo do trabalho para o mundo do consumo. como o Brasil. podemos dizer que: A circulação do capital é simultaneamente circulação de dinheiro e mercadoria. pois para receber o capital financeiro internacional. O crédito é uma forma “dinheirária” que tende a igualar os diferentes tempos de circulação das mercadorias. A circulação do capital e do dinheiro Sobre a circulação. o México e a Argentina. ter realizado valor através do trabalho. como forma de pagamento de suas dívidas. Quando o Capital Financeiro retira-se do território nacional. são exemplos típicos deste processo. Essa bolha financeira obscurece o conflito existente na relação Capital-Trabalho. investindo nestes lugares. O que ocorre é que este Dinheiro Financeiro é pago com o endividamento do Estado sem. a crise é transportada para todo lugar. Os tempos de circulação das diferentes mercadorias também são diferenciados. Então. corte dos gastos sociais e aumento dos impostos. Através dele se adianta o consumo e/ou a produção (o crédito comercial adianta o consumo e crédito bancário adianta a produção). a organização dos trabalhadores é menor e impondo. portanto.comércio e a força de trabalho disponível para outros países. ao mesmo tempo. tiveram de realizar uma política de privatização (venda de empresas públicas). Portanto. 40 . onde o salário é menor. permite o esquecimento da identidade de classe e o apogeu da “política econômica” em detrimento da reflexão sobre o trabalho e a crítica à economia política. do século XX. Vários países do Terceiro Mundo. o Estado e a sociedade ficam com a dívida e com a crise social. a lógica das finanças internacionais.

o empregador não teve que gastar mais. interferem no processo creditício. Crédito e Capital fictício. 15 MARX. que seriam mais caras que o salário do trabalhador. As mercadorias impossíveis de serem compradas. Se o salário é o desembolso do empregador para o atendimento dos meios de vida do trabalhador.15 As melhorias técnicas. Portanto. pois com o seu salário. através do crédito. A necessidade do capital. tomo III. O crédito é uma forma de dinheiro apropriada e adequada à natureza do capital e dos negócios. citado por Engels: “o que facilita os negócios. livro terceiro. por sua natureza circulante. Parece que o trabalhador é favorecido. põe-se no lugar dessas outras formas (pois o crédito é uma forma de dinheiro. considerando os limites dos salários. enquanto meio de circulação). Se o crédito facilita o equilíbrio entre oferta e demanda. O processo global da produção capitalista. existem outras. facilita a especulação”. capítulo XXV. Conforme Gilbart. é diminuir a diferença de tempos da circulação tendendo a se aproximar do zero. as mercadorias. para que a mercadoria força de trabalho continue produzindo e se reproduzindo. Portanto. quando não há coincidência entre as circulações de mercadoria e dinheiro e quando é preciso equilibrá-las para a economia funcionar e através do crédito. um exemplo importante e cotidiano é o da moeda corrente como forma de dinheiro. Aqui temos um aparente benefício. agora podem ser adquiridas.521. que interferem na velocidade da circulação. mais do que somente seu salário permitiria. ele também se realiza como tal. Vamos nos aproximar mais destas afirmações: O crédito permite ao trabalhador comprar mercadorias. ele pode consumir mais e ao mesmo tempo. 41 . pagando-as em prestações. Karl. México: Siglo Veintiuno. podem ser compradas e pagas.o crédito antecipa a circulação real das mercadorias e até a de outras formas de dinheiro. El Capital. o empregador não precisa aumentar o seu salário. 1977. quando um trabalhador abre um crediário para suprir suas necessidades de consumo e manutenção. p.

através dos juros que recebe pelos empréstimos e dos rendimentos centralizados. para compreender o trabalhador enquanto comprador é preciso. No entanto. Pois o crédito ocorre sobre uma produção ou um trabalho não realizado. Assim. entendê-lo como devedor. quando o crédito antecipa a produção ou um consumo futuro cria a possibilidade da especulação e da crise. portanto. pois se fosse à vista a mercadoria custaria menos. o trabalhador paga mais caro. mas no sistema de crediário o trabalhador termina por gastar mais para o atendimento de suas necessidades. o trabalhador torna-se devedor para atender suas necessidades. de acelerar a circulação. Atenção: o crédito não é especulação. também quem concede o crédito ganha os juros. Do ponto de vista do credor. Os juros são um ganho de quem negocia o dinheiro. portanto. apropriando-se de parcela da mais- valia. Quando o crédito não consegue igualar os tempos diferentes das diversas mercadorias para que a circulação se desenvolva. Além de não ter aumento de salário para o atendimento de suas necessidades. ao mesmo tempo que o empregador não teve que aumentar o salário. assim. este credor pode capitalizar inclusive as dívidas. que reúne muitos devedores e. Neste contexto. pode gerar um desequilíbrio entre a oferta e a demanda e. O crédito surge. ou a mais do que pode ser realizado. ou a necessidade. 42 . uma situação de crise para a reprodução do capital. o pouco emprestado para cada trabalhador torna-se um montante significativo na mão do credor. Só é esta figura se tiver um lastro para assegurar que todas as dívidas serão pagas. ao mesmo tempo. a especulação é uma derivação do crédito. logo. Com o crédito. com a finalidade. retém a capacidade de endividamento. o que contribui para o aumento da exploração do trabalhador. Pode haver um custo maior da reprodução do trabalhador. O credor adianta a capacidade de consumo do trabalhador em troca dos juros. caracterizando assim a especulação. porém sem diminuir a mais-valia. O crédito se coloca entre a produção e o consumo no sentido do incremento desses dois.

mas socialmente pouco representa. do dinheiro tornado capital. Observe: cada um de nós lida com o dinheiro relativamente em pequenas quantidades: uma pequena poupança. circulando uma quantidade de dinheiro sem os parâmetros do valor da produção. desta maneira passam de meios de pagamento a dinheiro como 43 . com relação ao crédito. Para nossas posses podem parecer grandes - tanto a poupança como a dívida . que ele aparece na vida do dia-a-dia do homem comum de um modo diferente daquele que o torna capital dinheiro nas mãos de quem controla a circulação do capital. é que se capitaliza. dos fundos de pensão. Acontece que socialmente somam-se todas as poupanças e todas as dívidas e essa massa de rendimentos. através do dinheiro. pois muitas vezes se torna mais vantajoso que a produção em si. é preciso ficar claro que o fenômeno enquanto social muda de natureza. enquanto meios de pagamento. e o crédito favorece esse aceleramento. então. chega-se ao ponto em que o crédito parece se desenvolver em um circuito à parte. uma dívida de poucas dimensões. através dos bancos. A mudança da natureza do fenômeno do dinheiro: o dinheiro como massa É importante considerar. para cada um de nós. de troca. medida em dinheiro. pouco representa elas em separado. próprio de uma economia de mercado. dos fundos de investimentos. nos dois casos é praticamente dinheiro enquanto meio de pagamento: devo e tenho a receber. Para nós. desvinculado da produção. etc. Como a lógica do capital é acelerar a circulação. um fenômeno de massa. Mas esses dinheiros. Sempre. caracterizando assim a formação de capital fictício (estágio avançado de reprodução de sua natureza abstrata). Os dois casos estão inseridos no sistema de crédito. Não é difícil encontrar um momento dessa diferença discernível para todos: de um fenômeno de pequenas dimensões para cada um de nós a um fenômeno de grandes dimensões para quem controla o dinheiro como capital. vão circular como dinheiro-capital nas mãos de agentes financeiros.

neste momento de nossa história . próprios de nosso mercado. São cofres infantis. O capital não se resolve em simples entesouramento. Numa economia de troca simples de mercadorias. o dinheiro como meio de circulação sai e entra no mercado: entra para realizar uma compra e depois de realizá-la sai do mercado. costuma-se localizar na segunda metade do século XX . como determinantes. um cofre cheio e ao mesmo tempo de baixo valor. Este pode num outro momento pô-lo à disposição para uma outra troca ou simplesmente entesourá-lo. como as moedas e notas de baixo valor. Uma outra consideração importante é a consideração que o dinheiro como meio de circulação no comércio e serviços a varejo e populares é um meio de circulação “subsidiário” e não exatamente o meio de circulação dominante. Entesourar moedas de pequeno valor parece equivocado exatamente porque o tesouro se produz com notas mais valorosas. Em resumo. vai para o bolso de quem vendeu. Vamos pensar em Reais. que circulam na vida cotidiana da maioria da população. nossa moeda corrente: as moedas propriamente e as notas de pequeno valor. Então. neste caso nacionais. das mercadorias de consumo duráveis. são apenas signos de partes alíquotas do meio de circulação dominante.meio de circulação e enquanto tais circulam pela sociedade capitalizando toda ordem de empreendimentos: empresas industriais e também estritamente financeiras. Imaginem quantas moedas de R$ 0. das televisões. o 44 .realizam os preços e não são meios de circulação evanescentes. circulando.o recorte histórico da presença dessas mercadorias.25 centavos seriam necessárias para guardar R$ 100. que estipulam os preços das mercadorias que definem a qualidade dos mercados. o tempo todo a circulação do capital envolve a circulação do dinheiro. que não é exatamente a nossa. que são as notas de maior valor. Numa economia de mercado ampliada como a capitalista. os preços dos carros. A idéia popular de que o dinheiro guardado no colchão perde valor é própria de uma percepção popular de que o dinheiro no capitalismo tem que se manter no mercado. que facilmente desaparecem.00 reais: 400 moedas.

tornam-se grandes negócios nas mãos de quem centraliza esses dinheiros como capitais. vão ocupando cada vez mais esta função e por isso também a função de reserva de valor. é a medida por excelência desse valor. da população mais pobre. O dinheiro. p. a forma de equivalente em relação às outras mercadorias (equivalente geral). uma vez estabelecida essa relação de equivalência. que vão se infiltrando nas relações sociais. mas que na realidade estaria mais próximo de um processo de colonização. uma determinada mercadoria assumiu.dinheiro da maioria da população. sobressaindo-se seu papel de facilitação das trocas. é assim que os metais. O mais importante dentro desse processo foi o estabelecimento desses parâmetros. primeiro. expressa determinada quantidade de trabalho e. Como padrão monetário dos grandes negócios. Para funcionar como dinheiro. como esse valor é 45 . podemos reconhecer o império do dólar no mercado internacional. (Grundrisse. hoje. por sua função de dinheiro. 695) Os montantes que rodam ou circulam socialmente são imensos e por se tratarem de uma grande massa eles mudam de natureza. O dinheiro e suas formas No nosso dia-a-dia é comum associarmos o dinheiro somente com a moeda sob a forma de papel-moeda ou metálica. Mas o dinheiro também apresenta outras formas. No entanto. Como meio circulante. a moeda é apenas o meio facilitador das trocas. por serem menos perecíveis e mais fáceis de portar. o dinheiro que ela pode ter na mão todo dia. atingindo em seu limite a falsa impressão de um processo natural. como o sal e o tecido no passado. que exerceram o papel de moeda de troca em função de uma economia pouco dinâmica e com escassez de moeda. todas as outras mercadorias vão estar relacionadas e reduzidas (até as pessoas) a este equivalente (forma relativa). só reunido em grandes quantidades e traduzido em notas mais valiosas. define o dinheiro dos negócios. como qualquer outra mercadoria. fica em segundo plano a qualidade natural dessa mercadoria (dinheiro).

ou seja. parcelamento das compras e juros baixos -. o dinheiro também expressa essa variação [Grundrisse. como facilidade de pagamento. acabam se inserindo numa circulação própria (de oferta e procura) em que sua apreciação ou depreciação vai se afastando cada vez mais da referência da quantidade de trabalho presente. em outras esferas. Por sua vez. o tecido e outras mercadorias desempenharam o papel de dinheiro e de moeda. torna-se o principal meio para a obtenção de lucros. Um outro exemplo. em instituições financeiras a própria circulação do dinheiro. através de sua apreciação ou depreciação. Mas se na vida de um trabalhador o dinheiro coloca-se mais numa esfera de circulação simples. como meio para a realização do consumo. caracterizando assim a especulação financeira e a produção de capitais fictícios. por exemplo. pois o importante é a quantidade. atualmente. e não necessariamente. novos meios desempenham o papel de moeda. etc. pois não estão baseados na produção material de riqueza. p.) em que a troca acontece. além de emprestar dinheiro a juros mais altos do que os capta. mas que atingem o nosso cotidiano. ações e outros títulos. é que hoje utilizamos cada vez menos papel-moeda na compra de mercadorias. Se no passado o sal. isso resulta em lucros vultuosos. as letras de câmbio. desde os vales-transporte que o trabalhador vende ou troca por mercadorias até letras de câmbio. cartão. sob suas várias formas. o meio (vale. e cada vez mais dinheiro em forma eletrônica. títulos de dívidas.variável. de como essas relações vão ficando cada vez mais difíceis de serem apreendidas. proporciona uma maior circulação do capital e possibilita 46 .que nos são oferecidos diariamente em todos os lugares. Facilitando as compras na nossa esfera de consumo. Um banco. como os cartões . cheque. 676 e 679]. cobra de seus clientes pequenas quantias de dinheiro pelos serviços. mas de uma grande massa de pessoas. ações de empresas. etc. na economia bastante dinâmica em que vivemos. nos envolve numa teia em que nos tornamos eternos devedores. criados como formas de crédito e investimentos. a medida de valor que ele representa. assumindo formas abstratas.

para compreender como tudo funciona se movimentando. o capital procura elevar ou manter a taxa de lucro no circuito financeiro. por um modo de exposição independente da taxa decrescente de lucro. No exemplo 16 a seguir. “Todas as suposições fixas. pela criação de circuitos em que o dinheiro circula em escala mundial. como veremos mais adiante. 702) 47 . dos quais mal temos a noção. diferente do que vínhamos fazendo até então. que em última instância o trabalho suporta e mantém: o capital financeiro e especulativo. Marx compara dois capitais. em que aparentemente dinheiro produz dinheiro. hoje se coloca entre eles mais um agente explorador. imobilizando o Capital Constante e o Capital Variável e fazendo a mais-valia variar de um capital para outro. A tendência à financeirização do capital Ao Capital. pode antecipar a produção ou o consumo e acelerar a circulação. Pois. sem confundir tudo.” (Grundrisse. Se a exploração do trabalhador antes se dava mais na esfera da produção propriamente dita. Todavia.novas formas de lucro por empresas que manipulam esses desdobramentos das formas de dinheiro. Mas só pelo fato de que no começo foram fixas é possível a análise. tão complexa. não são visíveis de imediato: ele fixa certos componentes do processo do capital. um outro movimento. apesar do crédito não criar mais-valia. possibilitando assim sua introdução em uma nova produção ou sua circulação como crédito. assim como Marx fez. pois ao criar a mais- valia o capital disponibiliza um valor que não encontra equivalente disponível na circulação simples (dinheiro em sua forma negativa e autônoma). Através da circulação do dinheiro em sua forma de crédito. ao mesmo tempo e contraditoriamente. p. Marx demonstra que o crédito é uma tendência inerente à reprodução do capital. uma outra alternativa à taxa decrescente de lucro é a sua reprodução como crédito. Sempre lembrando o método de Marx decifrar a economia capitalista. tornar-se-ão fluidas no decurso da análise. que inclui abstrações. se apropriando de parcela da mais-valia. O objetivo de tal 16 A proposta deste item é fazer.

seu dia de trabalho seria de 8 horas.”18 O dinheiro. que cria a possibilidade de sua reprodução como crédito. Ele se autodestrói.)”. A finalidade dessa economia não é o uso. O Capital.17 A “[. por conseguinte seu produto = 50 + 10 (valores conservados. mas para transformarem-se novamente em condições de uma produção nova. Destes 140 táleros há 40 de excedente.. 271-272.] constante acumulação de riqueza adicional [. pois o dinheiro como tal nada proporciona. negrito nosso) 18 MARX. não pode ser dinheiro parado. a saber: 50 táleros de matéria-prima. Estes.. Consome. reproduzido. p. seção V. em absoluto. ou a parte da produção necessária para a manutenção de si mesmo. (Grundrisse. Os 100 táleros também entram na circulação simples.] tem a tendência a assumir finalmente a forma de dinheiro. pois. 10 táleros de instrumento de produção. seu mais valor é igual a 4 horas objetivadas. Subsiste uma mais-valia agregada enquanto tal. sempre crescendo. 40 de meios de subsistência para o trabalhador. para isso era necessário que na circulação estivessem disponíveis equivalentes para esses. 298. Desta forma o capitalista recebe gratuitamente um excedente de quatro horas. não reproduzidos. (. os meios necessários para sua vida. Karl. 1988. digamos 20 táleros. mas. 10 de instrumento. Total. O capitalista teria que viver durante a produção e antes de começar a produzir. 140 táleros. Londres. 48 . 40 táleros de trabalho.. 50 táleros de material bruto..1845. 20 táleros de seu lucro. O trabalhador necessita 4 horas para produzir os 40 táleros. depois do desejo de ganhar dinheiro. Estes equivalentes estão novamente disponíveis. (Não nos interessa aqui. como valores permaneceram constantes. o consumo.. São Paulo: Nova Cultural.. recém- criada de 20 táleros. senão mata a sua própria natureza como capital dinheiro. os que entram na circulação simples. citação de The Currency Theory Reviewed. como capital. o desejo mais premente é o de livrar-se dele de novo mediante qualquer espécie de investimento que traga juros ou lucro. Qual é a sua natureza.) O capital supõe à circulação como magnitude constante. volume IV. 40 táleros. entesourado. inalterados) + 40 táleros (salário. porque consumiu na forma de salário) + 40 táleros de mais-valia.. como surgiram esses. o uso e o consumo são apenas meios da finalidade maior 17 “Voltemos mais uma vez ao nosso exemplo. os teria que possuir para além de seu capital de 100 táleros. p. então? Ele tem que se conservar circulando e de modo cumulativo. 100 táleros [antiga unidade de moeda alemã] de capital. capítulo XXVI. Mas.exposição é ressaltar a importância de um novo valor criado disponível em cada operação do capital..

e do dinheiro como forma monetária do capital. mas o negam também. “A terceira forma do dinheiro como valor autônomo. sob esta última forma. O capital de empréstimos se realiza como fonte privada de enriquecimento. guardando dinheiro e com isto reproduzir. pois agora. ele como capital dinheiro.que é continuar circulando riqueza para reproduzir mais riqueza e mais e mais. embora todos os capitais se componham para o sistema capitalista funcionar. eles também se tornam indiferentes uns aos outros. se converte em mercadoria e entra na circulação. (Capital e juros) Esta terceira forma implica ao capital sob suas formas anteriores [do capital no dinheiro como medida de valor - do novo valor criado pelo trabalho -. sob a forma de valor que se relaciona consigo mesmo. no capital produtivo.” (Grundrisse. nas fases desfavoráveis do ciclo industrial (os juros podem crescer). para si. mas não o capital que novamente passa. 352-353) Importa agora compreender que estão implicadas. pois estes podem acumular a custa do primeiro. que se compõem com o primeiro. financeiro e mesmo especulação. Então. Claro que alguns podem virar entesouradores. p. como mercadoria. sempre ampliada. os capitais reais. um a custa do outro. para converter-se em dinheiro. O capital produtivo. todos querendo enriquecer. mais riqueza. em dois capitais de existência autônoma. outras formas de capital. Através da terceira forma do dinheiro. o processo do capital é novamente contraditório. conforme a seu conceito. é possível verificar que o capital se desdobra em mais de um capital e que. e fazem o capital dinheiro produzir mais riqueza. do processo de produção à troca. é o capital. que se comporta negativamente frente à circulação. sempre contraditório. no afã da acumulação. 49 . mas o capital que. elemento fugaz para trocar-se novamente] e constitui ao mesmo tempo a transição do capital aos capitais em particular. enquanto capital bancário. mas isto só é possível porque outros não entesouram também. como trabalho alheio apropriado pelo capital. o capital já se divide. estabelece como possibilidade uma relação negativa com os capitais de empréstimos.

e mais capacidade viva de trabalho (força de trabalho). 504) 1º capital originário: Po rç ão d a Parte d a m ai s-v alia m ai s-v alia C ap i tal C ap i tal C ap i tal re stante : M ais-v alia com To tal C o nstante Variáv e l se m e q uiv ale nte e q uiv ale nte d isp o ní v e l d isp o ní v e l 60 (50 d e 40 (4 h o ras m até ria-p rim a 40 (4 h o ras 100 d as 8 h o ras 40 40 + 10 d e re stante s) trab alh ad as) instrum e nto s) 19 MARX. tomo III. 50 . através de exemplos do próprio movimento do capital. mas um mínimo da expansão de tal nível. ele não altera os componentes do capital originários. mas o capital. Karl. 1977. necessários para a reprodução ampliada do capital: mais matéria-prima. p. consiste em propriedade alheia que o capitalista do dinheiro põe a disposição do capitalista industrial. Neste caso.e mais-valia como equivalente potencial para troca. mas localiza o mais-valor como potencial de expansão. Nestes exemplos. expondo o mais-valor disponível e cumulativo a cada rotação do capital.655.”19 Marx expõe essa possibilidade interna ao conceito do capital. “Com isto naufraga a última ilusão do sistema capitalista: a de que o capital seria o rebento do trabalho e da poupança próprios.para consumo do capitalista . novamente. aquela porção da mais-valia que deve se resolver em valores de uso peculiares. examina a sua expansão como potencial. mais instrumentos. p. Isto é. Nos exemplos. que ele chama de sem equivalência. El Capital. mais capital e população [trabalhadora] excedente. com o qual se põe em movimento e se explora este trabalho alheio. e através do qual explora a este por seu turno. nas proporções exigidas para pôr este mais-capital em movimento. aquela de se desdobrar em capitais particulares. volume 7.” (Grundrisse. México: Siglo Veintiuno. dividindo-o em mais-valia com equivalente disponível para troca . O lucro não só consiste na apropriação de trabalho alheio. com dois capitais de composições de capital diferentes. a mais. Ele diz: “Não só está posto um mínimo de nível de produção.

somente enquanto capital total potencial (não alteraremos os valores dos elementos do capital) Serão dois exemplos: em um a composição dos elementos do capital é diferente do outro. então. Assim. Nos dois casos. a circulação está pressuposta como constante (a reprodução do capital como reprodução simples. Anotaremos sobre esses valores constantes as variações que ocorrem com “o restante da mais-valia se entrasse novamente no processo”. ou que quer submeter o processo produtivo e o capital produtivo implicado nele. relativamente ao primeiro. este raciocínio. no segundo caso. sendo o segundo exemplo. um capital com maior composição orgânica do capital. repetindo- se o processo produtivo do mesmo modo. o capital disponível cresce. com os mesmos elementos e com a mesma magnitude). Como já foi dito por ele. cresce mais depressa. um capital que quer se enriquecer sem passar pelo processo produtivo. fazendo o exercício que Marx fez. Novamente. está incluída a presença possível da hipertrofia do capital financeiro. Retomemos. 1º capital: Po rção d a Parte d a m ais-v alia m ais-v alia C ap ital C ap ital C ap ital M ais-v alia re stante : 1º cap ital co m To tal C o nstante Variáv e l (acum ulad a) se m e q uiv ale nte e q uiv ale nte d isp o nív e l d isp o nív e l 1ª 100 o p e ração (cap ital 60 (50 + 40 (4 40 (4 h o ras) 20 20 d o cap ital o riginário ) 10) h o ras) 100 [cap ital 2ª p o te ncial: o p e ração 100 + 20 60 40 60 20 40 d o cap ital (m ais-v alia d isp o nív e l) = 120] 100 3ª (cap ital o p e ração p o te ncial: 60 40 80 20 60 d o cap ital 120 + 40 = 160) 100 4ª (cap ital o p e ração p o te ncial: 60 40 100 20 80 d o cap ital 160 + 60 = 220) 51 .

2º capital originário (com maior composição orgânica do capital): Porção da Parte da mais-valia mais-valia Capital Capital Capital restante: Mais-valia com Total Constante Variável sem equivalente equivalente disponível disponível 60 (50 de 20 (2 horas matéria-prima 60 (6 horas 80 das 8 horas 20 40 + 10 de restantes) trabalhadas) instrumentos) 52 .

º para o 2. do 1.º capital. “o valor de troca do primeiro capital como capital produtivo se reduziu tanto quanto este capital aumentou como 53 . As operações do 2º capital assim se dispõem: Porção da Parte da mais-v alia mais-v alia Capital Capital Capital Mais-v alia restante: 2º capital com Total Constante Variáv el (acumulada) sem equiv alente equiv alente disponív el disponív el 1ª 80 (capital operação 60 (50 + originário) 20 60 20 40 do capital 10) 80 (capital 2ª potencial: operação 60 20 100 20 80 80 + 40 = do capital 120) 80 (capital 3ª potencial: operação 60 20 140 20 120 120 + 80 = do capital 200) 80 (capital 4ª potencial: operação 60 20 180 20 160 200 + 120 = do capital 320) Com a duplicação das forças produtivas.

para trocar-se por objetos de mero consumo. “(. Na medida em que existe para si. para converter-se em capital. 274). o valor de uso produzido se manteve igual. mas o dinheiro já é agora em si capital. De um capital para outro. observa- se que. 274).(Grundrisse. Objetivamente existe só como dinheiro. é simplesmente. Para Marx. já que a circulação está pressuposta como constante (grifo nosso). meios de subsistência para o trabalhador. num ritmo mais acelerado (examinem-se. por conseguinte. há um montante de capital disponível.”(Grundrisse. nos dois casos). uma “acumulação dos títulos de propriedade sobre o trabalho”. ainda. uma maior criação de valor disponível para o capital. O segundo capital controla tanto trabalho vivo como antes e consome o mesmo em material e instrumento. como uma sua qualidade interna. o incremento do trabalho objetivado. A duplicação das forças produtivas do segundo capital em relação ao primeiro permitiu uma maior apropriação de mais-valia e. Para transformar-se em tal. Não pode entrar na circulação como simples equivalente. é dinheiro. alocação sobre trabalho 54 . valor posto de maneira negativa e autônoma frente à circulação. Mas a existência autônoma.valor”. por conseguinte. a mais-valia sem equivalente. p.. o mais-valor. O dinheiro. na medida em que agora já existe em si como capital. p. enquanto tal. matéria-prima e instrumento. foi eliminada. Na forma dinheiro. diante do crescimento das forças produtivas. o dinheiro teria que se trocar novamente pelos momentos do processo de produção. só podem ser postos pelo trabalho vivo. base para a inclusão do crédito no coração do processo produtivo. entretanto.. Com um potencial sempre acrescentado.) trata-se de dinheiro. uma alocação de trabalho futuro (novo). o mais-valor e o valor potenciais à disposição crescem do primeiro para o segundo caso. ilusória. “em ambos os casos. Todos estes se resolvem em trabalho objetivado. E. do dinheiro. ou seja. o dinheiro existe só para se valorizar. Mas o valor de troca do trabalho se reduz. que pode ser empregado na produção ou no circuito financeiro. para isto. essa mais-valia criada. Revela-se aqui que o valor tem a propriedade de existir separado de sua substância. as sucessivas operações.

cada capitalista possui em seu valor recém adquirido uma alocação sobre o trabalho futuro. Para o valor recém-criado. não há nenhum equivalente disponível. mas como dinheiro. mas a acumulação dos títulos de propriedade sobre o trabalho. a inversão e reificação das relações de produção em sua potência mais elevada: a figura portadora de juros. Torna-se assim propriedade do dinheiro criar valor. neste momento do texto..] Em D-D’ temos a forma irracional do capital. 273) Se nos itens anteriores a maior exploração do trabalho aparecia como alternativa à taxa decrescente do lucro. o que constitui a forma de venda dessa mercadoria peculiar... Sob a forma de crédito. Já tão pouco se apresenta dissolvido em seus elementos simples no processo de produção.. a maior exploração do trabalho aparece sustentando tanto a reprodução do capital produtivo quanto a do financeiro. proporcionar juros. sua acumulação sob a forma de dinheiro de nenhum modo é acumulação material das condições materiais do trabalho. Assim como o credor do estado [Grundrisse.. mas como promessa à possibilidade real da riqueza universal: a capacidade de trabalho. Com isto está dada a base do crédito) (grifo nosso). p. mas ao futuro. e como tal é emprestado. p. só em novo trabalho”. Como tal alocação sua existência material como dinheiro é indiferente e se pode substituir por qualquer título.novo.]” “[. e concretamente a capacidade de trabalho em devir. assim como uma pereira é dar peras. como afirma Marx: “[.[. sua possibilidade. na qual este é pressuposto de seu próprio processo de 55 . e mediante a apropriação do trabalho presente já se apropriou. do trabalho futuro. como valor de uso do capital. a figura simples do capital. Põe o trabalho futuro como trabalho assalariado. ao mesmo tempo.] O dinheiro como tal já é potencialmente valor que se valoriza. Aqui já se revela sua propriedade de existir como valor separado de sua substância. (Grundrisse.. 272]. (Desenvolver logo este aspecto do capital. Por conseguinte. mas já não como dinheiro que só é a forma abstrata da riqueza universal. Aqui o capital já não entra somente em relação ao trabalho existente.

. 21 CHESNAIS. independentemente da reprodução – a mistificação do capital em sua forma mais crua. a capacidade do dinheiro. uma maior pressão sobre este e. São Paulo: Xamã.” [. a autonomização do capital financeiro não implica sua independência do capital produtivo. François (org. conseqüentemente. cada uma das empresas que buscam aumentar seus rendimentos (financeiros). produtores de bens (reais). a distância na renda e na distribuição da riqueza patrimonial entre os detentores de ativos financeiros e os que não possuem tais ativos. Uma polarização desse tipo tende a ter repercussões negativas sobre o desenvolvimento econômico e a estabilidade política. em gestores de carteiras de títulos. Karl. 1988. custos e riscos. e no descompasso entre essas duas formas de capitais pode se instituir tanto o capital fictício como as crises. 1998. em A mundialização financeira. quando muito. Os ativos financeiros podem 20 MARX. 279. O Capital.]21 “A transformação dos industriais. Embora esse tema tenha sido discutido por Marx (1867) melhor do que por qualquer outro. mas. respectivamente de mercadoria.reprodução. ao contrário. instalações e equipamentos industriais) e privilegia os que proporcionam empréstimos de liquidez financeira. p.). não é preciso ser marxista para compreender que a capacidade de uma economia se desenvolver depende de sua eficácia em criar um excedente superior às necessidades de consumo corrente e que possa ser reservado para investir no aparelho produtivo. p.. sobre o trabalho. São Paulo: Nova Cultural. afeta a economia como um todo mesmo beneficiando. estão ligados apenas indiretamente à criação de valor no processo de produção. A mundialização financeira – gênese. de valorizar seu próprio valor. 74. volume IV. individualmente.”20 Por sua vez. 56 . afirma: “Essa transferência do poder de mercado acarretou uma redistribuição de rendimentos em favor dos juros e em detrimento dos salários e lucros ampliando. que. particularmente quando a redistribuição afeta os proprietários de recursos produtivos (trabalho humano. Sobre o poder crescente do capital financeiro internacional Robert Guttmann. ao mesmo tempo.

a título de compensação.. o conjunto do movimento. que foi o que inicialmente alimentou a corrida das empresas para ativos financeiros. sobretudo os fundos de pensões. A estagnação do capital industrial. 23 Op. de desregulamentação e de privatização dos serviços públicos. estão apelando para esse excedente. proporcionando maior volume de gastos em investimentos reais. ou seja.”23 Conclusão Não se trata aqui de desconhecer a importância que o crédito tem para a economia capitalista. desembocando num perigoso círculo vicioso que nos trouxe uma década de desemprego em massa e de crescente pobreza. cit. de forma decisiva. na mesma obra. p. 293.”22 Enquanto François Chesnais. indiretamente e absorvendo parte do excedente. sua centralização em grandes grupos financeiros de atuação mundial. intimados a considerar ‘um privilégio’ a obtenção ou a manutenção de um emprego. de marginalização econômica e social de uma fração crescente dos assalariados e dos jovens ainda sem trabalho. p. utilizando os recursos em investimentos reais. ressalta as conseqüências da hipertrofia do setor financeiro para o trabalho: “Mas não é necessário adotar esta hipótese. cit. Porque é precisamente a favor destes que são tomadas as medidas de contínua redução das despesas sociais. agravou-se nesse sentido. quando as empresas investem em ativos financeiros. mas só o fazem. para caracterizar hic e nunc a forma pela qual a hipertrofia da esfera financeira se integra e contribui para o surgimento de uma nova configuração histórica do capitalismo mundial. 22 Op. devido à situação privilegiada e exorbitante que essa hipertrofia atribui aos “credores” – proprietários de ativos financeiros que têm invariavelmente um componente de capital fictício – de moldar.contribuir nesse processo. mas a sua tendência à hipertrofia. 75. ao passo que poderiam aumentá-lo. quando muito.. 57 . ou suas muitas possíveis variantes.

que a economia capitalista alcançou. obter mais chances de concorrer a postos de empregos. Reproduz-se assim uma hierarquia mundial. etc. Esse é um discurso muito presente na área da Educação. como forma de superação de seus limites. a partir de suas estratégias. Na percepção empresarial. apenas a empurra para outros níveis. a “sociedade do conhecimento” se apresenta como uma possibilidade concreta. Ao nível social. os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997). que concentram a maioria desses grandes grupos econômicos. um vir-a-ser nesse mundo marcado pelo movimento do capital fictício. não resolve as crises. dessa forma. A maior complexificação das relações capitalistas. aqui. tornou mais difícil para os trabalhadores (e todas as pessoas interessadas nessa problemática) a compreensão desse processo. No mundo contemporâneo. conseqüentemente disso derivando potencialmente o aumento das tensões e freqüências das crises. mas o trabalho continua sendo o fundamento dessa economia. incluindo francamente a educação como 58 . bastando atentar para as políticas públicas para essa área – a nova Lei de Diretrizes e Bases (1996). –. Estes grupos assumem o poder de decidir sobre países e regiões que receberão esses investimentos ou não. dos novos termos da reprodução crítica da sociedade capitalista. com a crescente financeirização. centralizada nos países mais ricos. onde esses grandes montantes de mais-valia global vão ser investidos. O trabalho também se transformou com esse processo. o movimento gerado por esse discurso produz uma percepção de que é preciso estudar cada vez mais e sempre continuar estudando. Trata-se. Mas esse avançado estágio de financeirização. uma sociedade de indivíduos escolarizados e qualificados é sinônimo de maior “capital humano”. desenvolvidas no Brasil nos últimos 15 anos.direcionando e concentrando. no qual se verifica uma super-exploração de mais-valia e uma grande exclusão de população e regiões. submetendo esses lugares e excluindo milhões de pessoas nesse jogo global de interesses. estes cada vez mais escassos. bem como obter maior qualificação profissional para.

numa área de antigos tecidos industriais de Poblenou. de escala transnacional.000 delegados. melhora urbana da Praça das Glories. 59 . O 22@ envolve inúmeros planos. Os tumultos recentes. No Brasil. o capitalismo longe de toda abstração tem como seu “lastro” último e real o trabalho. Apesar do capital fictício aparentemente ter vida própria e produzir sem vínculos materiais toda riqueza. com atualizada infra-estrutura: estação intermodal de Sagrera. lembram..um negócio. de forma parasitária. através dela. entre outros equipamentos). porém. 24 O projeto 22@Barcelona equivale a estratégia de transformação de 200hectares de solo industrial de Poblenou . suga a sua energia vital do trabalho para subsistir. a Plaza de las Artes e o Futuro Centro de Disenõ. surgem propostas de produção de novos espaços. induzindo à justificativa do desemprego pela falta de educação. a Universitat Oberta de Catalunya. o Teatro Nacional da Catalunya. “as cidades do conhecimento” definem. incluindo gestão patrimonial dos solos.num distrito industrial produtivo. num primeiro momento. 22@ é Barcelona como cidade do conhecimento. Por outro lado. Arquitectura y Moda. E. logo os fatos se revelam diferentes: os sujeitos sociais não são os mesmos. infra-estruturas associadas ao Forum Universal de las Culturas 2004. elas já estão anunciadas. Ou seja. nos antigos espaços industriais degradados. 24 A crise do trabalho não se resolve e. em qualquer estágio. onde chegará o trem de alta velocidade.. O projeto potencializa a relação entre conhecimento e empresa.- para “concentração estratégica de atividades intensivas em conhecimento”. através de tecnologias de informação e comunicação: universidades. com um centro de convenções para 20. a economia capitalista. embora isto não seja aparente. sim. centros de inovação científica e tecnológica (projetadas: a Universitat Pompeu Fabra. Prevê-se a transformação dos antigos edifícios industriais em lofts. novas estratégias de financeirização internacionais. que se iniciaram nas periferias de Paris e tomaram a França. o Centro de Producción Audiovisual.na área metropolitana de Barcelona . portanto. ao mesmo tempo. a mística da educação como forma de promoção e inserção do trabalhador no mercado de trabalho passa a funcionar como poderosa ideologia. o movimento de insurgência de Maio de 68. numa gestão urbanística de oito entidades. qualificando-os como espaços revitalizados e sugerindo “cidades do conhecimento”. em alguns países. propõe-se uma inovação da natureza da atividade produtiva.

Não são mais estudantes e operários que arriscaram assaltar os céus e sonhavam com um mundo mais justo e sem exploração. alguns grupos. mas para outras formas de luta. que se espalharam pelo mundo inteiro contra o neoliberalismo. etc. dos desafios da luta de classe. como os Black Blocs. é necessária. 15. levantam a bandeira negra da anarquia e propõem francamente a ação direta e esta forma de luta se generaliza. também. da cidadania. unidos em sindicatos. que é preciso decifrar. setores da sociedade excluídos da educação. das relações Capital e Trabalho. Em suma. de “um mundo em que caibam muitos mundos”. que dá voz não exata e exclusivamente para os trabalhadores. há uma proletarização gigantesca em curso. São eles. verdadeiros protagonistas das manifestações anti-globalização. Agora são grupos étnicos. nas suas diferenças. o descrédito pelo Estado e a ação direta vêm caracterizando as formas de contestação do mundo atual e vêm unindo todas as tendências. Está na hora de tirar as conclusões das reflexões teóricas para encaminharmos uma nova prática. mais crítica e concreta. que se rebelam e reivindicam emprego. “minorias”. Isso faz muita falta na formação 60 . ultra-explorados que dão vida ao capital fictício. De fato. subempregados. que interfere na vida. trabalhadores informais. Embora pareça uma exposição formal e condensada em itens. Nessa retomada tornar mais explícita a consciência necessária. própria dos termos da reprodução crítica do capitalismo. institucionais e de Estado. mas o pessimismo em relação às vias institucionais. compatíveis com as condições sociais atuais. para termos uma visão ainda dialética de todo o movimento da economia. Outro aspecto importante para se compreender os últimos acontecimentos na França é a recusa dos manifestantes em aceitar as vias políticas. ALGUMAS CONSEQÜÊNCIAS PARA OS CAPITALISTAS Queremos agora mudar o estilo de exposição. “escravos”. Não se pode dizer que todos esses movimentos são anarquistas..

oligopólios e trustes. em 2003). como as transformações do capital incluem o aumento da extração da mais- valia. é necessário termos uma visão mais completa das forças e fraquezas dos dois pólos antagônicos. Aumenta a Fusão entre empresas (exemplo. 61 . moderna. Os trustes controlam os setores econômicos acabando por impor os preços e eliminando a concorrência. Por isso pode parecer fortalecimento. O aumento da produtividade do trabalho reduz a quantidade necessária de trabalho vivo. mas não é. diminui seu investimento produtivo. o que equivale a sua saída potencial do mercado enquanto capitalista. O capitalista financeiriza seus negócios e. O aumento da produtividade significa aumento do capital constante e das dificuldades de sua realização. O imperialismo se define por essas presenças. antes mesmo de uma máquina se desgastar e do capitalista ter pago por ela. considerando a diminuição da taxa de lucro.dos trabalhadores. Necessidade de dominar os outros capitalistas para vencer a concorrência. ao longo do texto. vivendo suas crises. estes últimos personas do capital (o capitalista deve agir segundo as exigências do processo do capital). proporcionalmente. ou seja. 6. até reduzindo o poder dos bancos. é preciso substituí-la por uma mais moderna: antes de acabar de pagar pela máquina. 2. 4. Vimos. Isso permite conhecer melhor o inimigo e planejar uma luta mais clara e segura. sugere o aumento exponencial (para tentar crescer ou no mínimo manter o lucro) do Mais- trabalho e produz uma crise potencial de lucro. ele é obrigado a comprar outra mais eficaz. Nesta conjuntura crescem cada vez mais os fundos de pensão. a fusão Tam e Varig. Além disso. 1. 3. Em contrapartida. ficando mais difícil o pagamento do investimento realizado. para substituí-la. 5. a fusão de empresas e até a formação de monopólios. quando se considera a luta dos trabalhadores isolada da luta dos capitalistas. O sentido do processo é a concentração. por exemplo. os bancos flexibilizam seus créditos. só adia a crise. A fusão não resolve. 7.

fundos de previdência social -. A busca por investimentos mais baratos leva à superexploração do trabalho nos países submetidos.fundos de pensão. · As empresas. Esses países e suas classes trabalhadoras ficam sem saída.8. 16. com a diminuição dos impostos. 9. Aumento da tecnologia para aumentar a Mais-valia Relativa. contando ainda com o consórcio dos Estados nestes países. Essa dominação não elimina o estado crítico do processo. · Os capitalistas devem lutar entre si para sobreviver.estradas. fundos de investimentos independentes (dos bancos). por exemplo. · Desvantagem grande dos países com pouca tecnologia. que também é a dominação do mundo por determinados países. Aumenta o capitalismo financeiro. O capital financeiro aprofunda as desigualdades entre os países e dentro dos países. que é o capital produtivo se associando ao capital bancário. O capital financeiro permite a certos grupos dominar os outros. ALGUMAS ALTERNATIVAS PARA OS CAPITALISTAS Vamos considerar as alternativas dos capitalistas. passam a ter como tática recorrente falsificar seu potencial financeiro. produção de toda ordem de infra-estrutura . · Cada empresa terá maior dificuldade em sobreviver. A financeirização da economia sugere novos agentes financeiros . flexibilização e abolição das leis trabalhistas no mundo -. Quanto ao processo produtivo: 1. Exemplo: a Parmalat falsificou seu balancete para esconder o montante de seu déficit e controlar a crise iminente. nunca esquecendo sua relação com o trabalho. O capitalismo financeiro define o imperialismo. incentivos fiscais. 62 . manipulação do câmbio. para manter o interesse dos investidores.

Grandes empresas atuando em vários ramos produtivos. 9. Aumento do mercado consumidor. 12. NAFTA). inclusive provocando guerras. Associação entre as empresas no mesmo processo produtivo – terceirização. Expansão do mundo da mercadoria e do capital. Na lógica do capital os objetos. logística. a terra viram mercadoria e capital. 10. 5. que é o uso de novas técnicas para diminuição da distância e do tempo entre produção e consumo. 15. Destruição do capital. Depreciação precoce e necessária da mercadoria (carros. inclusive pela formação de Blocos Econômicos (ALCA. 3. Maior investimento em Capital Constante e diminuição relativa do Capital Variável (salário dos trabalhadores) Quanto ao capital produtivo: 4. inclusive de modo violento e forçado. Tudo se reduz a mercadoria e capital. produtos de informática etc. tudo com menor tempo de duração). para criar novo fôlego ao processo de valorização do capital. Aumento do tempo de trabalho = Mais-valia absoluta (expressa em horas extras de trabalho). Quanto ao tempo de rotação do Capital: 13. 14. 6. 7. Redução do tempo de rotação do capital – utilização de crédito.). os homens. por exemplo. Concorrência voraz entre capitalistas pelos mercados consumidores. 11. TV’s e roupas. abolição dos estoques. visando à diminuição de custos. Usar o crédito para acelerar a rotação e a circulação. Monetarização (manipulação da moeda) crítica da economia: fuga geral através do investimento do capital 63 . Expandir os negócios para todos os recantos pelo mercado. Geração e explosão de novos setores produtivos (telefones celulares. as coisas.2. através da absorção de outras empresas. 8. o que implica em reconstruções.

19. financeiro porque não compensa investir na produção. Pagamento de menores salários. Mobilidade do trabalho. ALGUMAS CONSEQÜÊNCIAS PARA OS TRABALHADORES A vida humana possível do trabalhador vai se constituindo como necessidade de sobrevivência. 22. 17. Aumento da sonegação. Demissões (Caso Tam e Varig: 3. só é adiada e a situação complica-se cada vez mais. 21. A crise. Incentivos fiscais. 18. pois é feita especulação com a moeda. uma massa de trabalhadores potenciais a espera do trabalho que viria. Marx fala de gerações de trabalhadores dizimadas para favorecer o processo do Capital. 17. Aumento do exército de reserva favorecendo salário menor. Hoje. para atração de empresas. Governos cortando direitos sociais. com a concorrência entre os lugares (Estados. A mobilidade do trabalho define sua sobrevivência possível. pois quem está desempregado aceita qualquer emprego e salário. O dinheiro já não representa a totalidade da riqueza. por exemplo). Todos os direitos dos trabalhadores estão sendo reduzidos. desta forma. 64 . em 2002/ 2003).000 funcionários. evidencia-se: 1. Quanto aos trabalhadores: 16. Sempre lembrando que o processo do Capital exige uma superpopulação relativa. Na relação com o Estado: 20. especialmente saúde e aposentadoria. que define a imigração estrangeira. Aumento das privatizações: incorporações de bens e empresas públicas.

Menos visibilidade da exploração e do processo de trabalho. Aumento das alienações. com todos os problemas de ressocialização dessa população. 16. 65 . Diminuição dos direitos sociais dos trabalhadores. 9. Destruição da consciência e organização dos trabalhadores 19. especialmente saúde e aposentadoria. O trabalhador vira apêndice e agregado da máquina. Aumento do endividamento. estresse. Maior manipulação política. 18. a migração interurbana e intra-urbana. 17. 4. Aumento da concorrência entre os trabalhadores. Maior dependência de programas assistencialistas do Estado e de outras entidades. Diminuição salarial e submissão às condições de trabalho cada vez mais degradantes. 2. 20. 3. Aumento da exploração dos trabalhadores a qualquer custo. 23. 7. A luta de classe vai aumentar e ser mais difícil. sem apoio da sociedade civil. 6. 8. Aumento do setor informal. com falsas promessas de emprego. 12. Aumento do desespero. 14. Aumento do subemprego. Isolamento dos trabalhadores. 11. Maior exclusão do mercado de trabalho de jovens sem experiência e pessoas mais velhas. Aumento da violência contra os trabalhadores. 10. 5. 15. 22. 13. vira cada vez mais uma coisa. Aumento da mendicância. Aumento da rotatividade do trabalho. 21. Enfraquecimento e destruição do sindicato. Aumento do desemprego e maior tempo mantendo-se desempregado. o êxodo rural. suicídios.

2. 19. Aumento das lutas dos movimentos sociais. jurídicas. 14. Fuga no álcool. 3. 11. ALGUMAS ALTERNATIVAS PARA OS TRABALHADORES 1. roubo. 18. Preparação para as lutas futuras cada vez mais difíceis. ALGUMAS PREVISÕES FUTURAS 1. 8. 5. igrejas. que supere os limites do atual sindicato. sociais. Sobrevivência cada vez mais difícil para os trabalhadores. Aumento da luta entre os mesmos capitalistas. Cortar gastos familiares necessários como saúde. Vamos caminhar para os limites de sobrevivência das empresas. Necessidade de um novo projeto de mudança de sociedade. A luta pela sobrevivência diminui a consciência e organização dos trabalhadores. 9. 6. Vai aumentar a luta entre as duas classes. etc. Ressocialização dos trabalhadores para novos modos de vida. 16. Unir as lutas dos movimentos sociais ao trabalho. que supere as alienações dos atuais partidos institucionais. 17. culturais. 18. 66 . suicídios. 7. Necessidade de um novo partido. Preparação para as novas relações econômicas. 15. Incerteza sobre os sujeitos revolucionários. Trabalhador se vendendo a qualquer preço. assaltos. Corrida para maior qualificação. 10. Aprofundar a iniqüidade do sistema. 13. Vamos caminhar para os limites de sobrevivência dos trabalhadores. Trabalhador fazendo todo tipo de trabalho. políticas. 12. Necessidade de um novo sindicato. 2. políticas. Todos os membros da família trabalhando: marido. 4. 3. esposa e filhos. sindicais. 4.

incluindo a crise do trabalho e as outras formas de organização popular a ela vinculada. 9. culturais. Aumento das alienações. Aumentar a consciência das pessoas preparando a luta futura. esclarecer os fundamentos da exploração do trabalho. jurídicas. 5. 9. ecológicos.. 8. 20. p. Favorecer a melhor organização dos trabalhadores. Qualquer ação libertadora deve fortalecer a classe trabalhadora. O sistema capitalista se caracteriza especialmente pelas duas classes antagônicas. etc. 4. 5. políticas. feministas. sua própria forma de governo. Precisamos uma luta mais aberta a todos os direitos sociais. 8. culturais. sociais. A mera luta economicista não cria consciência.” (relações econômicas. 7. políticas. religiosas. Nas lutas populares. políticos. como sujeito do processo social. 3. econômicos. ALGUMAS ALTERNATIVAS DE TRANSIÇÃO ATÉ À RUPTURA 1. 6. 7. com interesses opostos. etc. Aumento da influência dos meios de comunicação para promover o consenso ao sistema capitalista. etc. Aumento da violência da ideologia contra os trabalhadores no seu cotidiano. culturais. 67 . Aumento da dependência dos países da elite mundial (Lula e Bush). Insistir num trabalho coletivo de conscientização da situação da classe trabalhadora. As novas relações trabalhistas geram novas relações econômicas. Necessidade da organização política e mudança da sociedade. sociais..) [Grundrisse. “Toda forma de produção gera suas próprias instituições jurídicas. 6. 9] 2.

AVALIAÇÃO DA CAMINHADA DO TEXTO 1. 12. 5. 4. porque o livro aparecia como atual e básico para discutir o desemprego como crise do trabalho e do capital. e acabavam por remeter o debate aos partidos políticos. 14. os formadores. que alimentam o debate junto aos trabalhadores. o resto é tática e pode mudar. O texto nasceu da necessidade de ajudar os trabalhadores. Mostrar a iniqüidade do sistema capitalista. 13. b. 11. ONGs. Igrejas. Essa necessidade surgiu para tentar superar uma concepção dogmática sobre a relação Capital-Trabalho. 10. 21. Escolas. Começamos a partir de uma leitura e discussão do livro de Jeremy Rifkin: “O fim dos empregos” (no original. Logo após. e os próprios trabalhadores tinham dificuldades de avaliar as tendências sobre o futuro do trabalho. c. f. e. 68 . Sindicatos. 3. Mostrar a possibilidade e a necessidade de um outro mundo possível. Partidos. a refletirem sobre o desemprego enquanto crise do trabalho. Apresentar as contradições do sistema capitalista. incluímos a leitura dos “Grundrisse”. Consciência crítica dos movimentos alienadores como: a. Esta é a estratégia. existente inclusive entre sindicatos e partidos. d. no plano de sua consciência de classe. Nos vários debates sobre o futuro do trabalho. 2. “O fim do trabalho”). A consciência crítica das instituições tem por objetivo aperfeiçoar ou criar novas instituições a serviço da classe trabalhadora. Cooperativas. de Karl Marx.

Sabemos que o presente texto é incompleto e aberto. tornar mais crítica a realização do capital produtivo. criada pelos trabalhadores no processo de produção. situando a crise de emprego no seu fundamento. E todos fazem parte da luta de classes. Inserimos no debate o capital financeiro. Caminhando por essa reflexão. seu fundamento e denominador comum: a relação Capital-Trabalho.6. mais transparente nas fábricas e quase não percebida fora delas. – se generaliza para além da fábrica. 8. atomizados. numa economia que não é harmoniosa ou equilibrada por natureza. inclusive enquanto capital fictício. como crise do trabalho. O capital financeiro. feminista. ecológico. 7. percebemos que esses movimentos sociais podem se limitar às suas reivindicações específicas e. hoje. 9. pode acelerar a produção e circulação do capital e. por meio dos vários movimentos sociais – de negros. incluindo a natureza de suas considerações finais. 11. reflete um compromisso do conhecimento com a transformação da realidade social. 69 . 12. descobrimos que a Mais- valia. percebemos que a luta de classes dos trabalhadores. perderem o sentido do movimento global da luta de classes. instrumentalizados. 10. se distribui como momento necessário da circulação do capital. cálculos extremamente reveladores e didáticos do processo crítico do capitalismo. diante das novas estratégias de reprodução do capital e da prática de luta dos trabalhadores. Isso significa que a Mais-valia não se resolve somente no lucro do capitalista. Na caminhada. Então. ao mesmo tempo. 13. Ficamos impressionados com a atualidade e a pertinência dos cálculos matemáticos de Marx sobre a Taxa de Mais- valia e sobre a Taxa de Lucro. eles correm o risco de sua inclusão nas estratégias do capital. Ao mesmo tempo. O movimento do texto. inclusive sua tendência às formas especulativas e fictícias de capital. antes. etc.

Outras observações? Provocações? Dezembro de 2005 e-mail para contato: labur@edu. 16. contamos que outros o façam. Na caminhada. a partir desta experiência. pois Marx nos ensina a não definir as coisas. superar os fetichismos. O que acha que falta no texto? 6. 22. Quais outros temas necessitam ser discutidos? 7. Quais sugestões para melhorar o texto? 4. mas logo superamos a tentação. Sugestões: 1.br 70 .com. Sentimos uma grande dificuldade em traduzir em linguagem popular o que íamos descobrindo. O que mais gostou do texto? 5. ao contrário. 15. O texto tem algo a ver com sua vida? 8. A partir dele. hoje. PARTICIPAÇÃO NA CORREÇÃO DO TEXTO Este texto quer a participação dos leitores. de elaborar um dicionário econômico. Quais dificuldades foram encontradas na leitura do texto? 3. sentimos a tentação.usp. 14. podemos chegar a um texto mais simples e concreto.br agbsaopaulo@yahoo. O nosso objetivo na elaboração do texto é compartilhar o caminho que fizemos para compreender os fundamentos da relação Capital-Trabalho. considerando um ensaio pedagógico. Quais outros temas que gostaria debater? 2. entender os processos e as relações.

DG. Coorde- nação de Biblioteca: Gilberto Américo.São Paulo – SP   Endereço eletrônico: agbsaopaulo@yahoo. Prof. Miranda.usp.usp.br AGB: http://www. Vice-diretor: Nilo A.fflch.Cidade Universitária .com.USP CEP: 05508-000 . Coordenação de Divulgação: Paulo Miranda Favero.geografia.fflch. LABUR LABORATÓRIO DE GEOGRAFIA URBANA. DG.br/inferior/laboratorios/labur PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA HUMANA. ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS BRASILEIROS SEÇÃO SÃO PAULO Av.usp. 2º Tesoureiro: Wladimir Jansen Ferreira. 338 Departamento de Geografia . FFLCH. Lineu Prestes. FFLCH. USP Coordenação: Sandra Lencioni Vice coordenador: André Roberto Martin e-mail: coordpqh@edu.br http://www. Coordenação de Publicações: Leandro Evangelista Martins.usp.br http://www. USP Coordenação: Amélia Luisa Damiani Vice coordenadora: Odette Carvalho de Lima Seabra e-mail: labur@edu. 1ª Secretária: Maíra Bueno Pinheiro. 1º Tesoureiro: André dos Santos Baldraia Souza. 2º Secretário: Carlos Carriel Castro.org.geografia.br/posgraduacao . Coordenação de Intercâmbio: Renata S.br   Gestão AGB EM MOVIMENTO (2004-2006):   Diretora: Sônia Maria Vanzella Castellar.org.br   Visite nosso site na internet AGB-SP: http://www. R.agb. Lima de Almei- da.agbsaopaulo.

Recomecemos.“A força de trabalho disponível se desenvol- ve pelas mesmas causas que a força expan- siva do capital. Grundrisse) 4 . Não importa. imaginando seus conteúdos . Mas. A natureza complexa deste processo nos levou. Muitas vezes sentimos vontade de desistir dos tais cálculos. O Capital) A acumulação do capital não se resolve so- mente como sua ampliação quantitativa.a compreensão do processo do capital na vida do trabalhador: “Ao diabo com estes malditos cálculos mal feitos. equi- vale a uma contínua mudança qualitativa de sua composição às expensas da população trabalha- dora. inclusive.” (Marx. acabamos por pensar como Marx. à luz daqueles feitos por Marx. à tentativa de demonstrar a sua direção através de determinados cálculos. que vocês poderão acompanhar neste livreto.” (Marx. finalmente.