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Já anunciei, no Deutsch-Franzoesischer Jahrbücher , uma crítica do Direito e da Ciência
Política sob a forma de crítica à filosofia Hegeliana do Direito. Entretanto, ao preparar o
trabalho a ser publicado, ficou evidente que seria assaz inconveniente uma combinação
da crítica dirigida somente à teoria especulativa com a crítica de vários assuntos; isso
tolheria a exposição da argumentação e tornaria esta mais difícil de ser acompanhada.
Ademais, eu só poderia comprimir tal riqueza e diversidade de assuntos em um único
livro se escrevesse em estilo aforismático, e uma apresentação assim aforismática daria
a impressão de sistematização arbitrária. Por conseguinte, publicarei minha crítica do
Direito, Moral, Política, etc., em diversos opúsculos separados, e, por fim, tentarei, em
uma obra a parte, apresentar o conjunto inter-relacionado, mostrando as relações entre
as várias partes e apresentando uma crítica do tratamento especulativo desse material. É
por isso que, no presente trabalho, as relações da Economia Política com o Estado, o
Direito, a Moral, a vida civil, etc., são apenas abordadas na medida em que a própria
Economia Política trata desses assuntos.

Não é necessário assegurar ao leitor familiarizado com a Economia Política que minhas
conclusões são o fruto de uma análise inteiramente empírica, baseadas em um
meticuloso estudo crítico da Economia Política.

É claro que além de aos socialistas franceses e ingleses também recorri a trabalhos de
socialistas alemães. Mas as obras alemães originais e importantes a este respeito - fora
as de Weitling - limitam-se aos ensaios publicados por Hess no Einundzwanzib Bogen ,
e ao de Engels, "Umrisse zur Kritik der Nationaloekonomie" no Deutsch-Franzoesischer
Jahrbücher. Nesta última publicação, eu mesmo indiquei, de forma bastante genérica, os
elementos básicos do presente trabalho.

A crítica positiva, humanista e naturalista tem início com Feuerbach. Os trabalhos
menos espetaculares de Feuerbach são os mais certos, profundos, extensos e duradouros
em sua influência; eles são os únicos, desde a Fenomenologia e a Lógica de Hegel que
contêm uma verdadeira revolução teórica.

Ao contrário dos teólogos críticos de nossa época, considerei o capítulo final do
presente trabalho, uma exposição crítica da dialética hegeliana e de sua filosofia geral,
como absolutamente essencial, pois isso ainda não foi feito. Esta falta de meticulosidade
não é acidental, pois o teólogo crítico continua a ser um teólogo. Ele tem de partir, seja
de certos pressupostos da filosofia aceita como oficial, ou então, se no decurso da crítica
e como resultado de descobertas de outras pessoas surgirem-lhe na mente dúvidas
acerca dos pressupostos filosóficos, abandona-os de forma covarde e sem justificativa,
abstrai a partir deles, e demonstra ao mesmo tempo dependência servil face a elas e seu
ressentimento a essa dependência de maneira negativa, inconsciente e sofística.

Olhada mais de perto, a crítica teológica, que foi no começo do movimento um fator
genuinamente progressista, é vista como sendo, em última análise, nada mais que a
culminação e conseqüência do antigo transcendentalismo filosófico, e especialmente
hegeliano, deformado numa caricatura teológica. Descreverei alhures, com maior
minúcia, esse ato interessante de justiça histórica, essa nêmese que agora destina a

teologia, sempre o setor infectado da filosofia, a espelhar em si a mesma dissolução
negativa da filosofia, isto é, o processo de sua decadência.

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(XXII) Partimos dos pressupostos da Economia Política. Aceitamos sua terminologia e
suas leis. Aceitamos como premissas a propriedade privada, a separação do trabalho,
capital e terra, assim como também de salários, lucro e arrendamento, a divisão do
trabalho, a competição, o conceito de valor de troca, etc. Com a própria economia
política, usando suas próprias palavras, demonstramos que o trabalhador afunda até um
nível de mercadoria, e uma mercadoria das mais deploráveis; que a miséria do
trabalhador aumenta com o poder e o volume de sua produção; que o resultado forçoso
da competição é o acumulo de capital em poucas mãos, e assim uma restauração do
monopólio da forma mais terrível; e, por fim, que a distinção entre capitalista e
proprietário de terras, e entre trabalhador agrícola e operário, tem de desaparecer,
dividindo-se o conjunto da sociedade em duas classes de possuidores de propriedades e
trabalhadores sem propriedades.

A economia Política parte do fato da propriedade privada; não o explica. Ela concebe o
processo material da propriedade privada, como ocorre na realidade, por meio de
fórmulas abstratas e gerais que, então, servem como leis. Ela não compreende essas leis;
isto é, ela não mostra como surgem da natureza da propriedade privada. A Economia
Política não dá nenhuma explicação da base para a distinção entre trabalho e capital,
entre capital e terra. Quando, por exemplo, a relação entre salários e lucros é definida,
isso é explicado em função dos interesses dos capitalistas; por outras palavras, o que
devia ser explicado é admitido. Analogamente, a competição é referida a todos os
pontos e explicada em função das condições externas. A Economia Política nada nos diz
a respeito da medida em que essas condições externas, e aparentemente acidentais, são
simplesmente a expressão de uma evolução necessária. Vimos como a própria troca se
afigura um fato acidental. As únicas forças propulsoras reconhecidas pela Economia
Política são a avareza e a guerra entre os gananciosos, a competição.

Justamente por deixar a Economia Política de entender as interconexões dentro desse
movimento, foi possível opor a doutrina de competição à de monopólio, a doutrina de
liberdade da profissão à das guildas, a doutrina de divisão da propriedade imobiliária a
dos latifúndios; pois a competição, liberdade de ocupação e divisão da propriedade
imobiliária foram concebidas tão-somente como conseqüências fortuitas produzidas
pela vontade e pela força, em vez de conseqüências necessárias, inevitáveis e naturais
do monopólio, do sistema de guildas e da propriedade feudal.

Por isso, temos agora de apreender a ligação real entre todo esse sistema de alienação -
propriedade privada, ganância, separação entre trabalho, capital e terra, troca e
competição, valor e desvalorização do homem, monopólio e competição - e o sistema
do dinheiro.

Não iniciaremos nossa exposição, como o faz o economista, por uma legendária
situação primitiva. Uma tal situação arcaica nada explica; simplesmente afasta a
pergunta para uma distância turva e enevoada. Ela afirma como fato ou acontecimento o
que deveria deduzir, ou seja, a relação necessária entre duas coisas; por exemplo, entre a
divisão do trabalho e a troca. Da mesma maneira, a teologia explica a origem do mal

pela queda do homem; isto é, ela assegura como fato histórico aquilo que deveria
elucidar.

Partiremos de um fato econômico contemporâneo. O trabalhador fica mais pobre à
medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O
trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. A
desvalorização do mundo humano aumenta na razão direta do aumento de valor do
mundo dos objetos. O trabalho não cria apenas objetos; ele também se produz a si
mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e, deveras, na mesma proporção em que
produz bens.

Esse fato simplesmente subentende que o objeto produzido pelo trabalho, o seu produto,
agora se lhe opõe como um ser estranho, como uma força independente do produtor. O
produto do trabalho humano é trabalho incorporado em um objeto e convertido em coisa
física; esse produto é uma objetificação do trabalho. A execução do trabalho é
simultaneamente sua objetificação. A execução do trabalho aparece na esfera da
Economia Política como uma perversão do trabalhador, a objetificação como uma perda
e uma servidão ante o objeto, e a apropriação como alienação.

A execução do trabalho aparece tanto como uma perversão que o trabalhador se
perverte até o ponto de passar fome. A objetificação aparece tanto como uma perda do
objeto que o trabalhador é despojado das coisas mais essenciais não só da vida, mas
também do trabalho. O próprio trabalho transforma-se em um objeto que ele só pode
adquirir com tremendo esforço e com interrupções imprevisíveis. A apropriação do
objeto aparece como alienação a tal ponto que quanto mais objetos o trabalhador produz
tanto menos pode possuir e tanto mais fica dominado pelo seu produto, o capital.

Todas essas conseqüências decorrem do fato de o trabalhador ser relacionado com o
produto de seu trabalho como com um objeto estranho. Pois está claro que, baseado
nesta premissa, quanto mais o trabalhador se desgasta no trabalho tanto mais poderoso
se torna o mundo de objetos por ele criado em face dele mesmo, tanto mais pobre se
torna a sua vida interior, e tanto menos ele se pertence a si próprio. Quanto mais de si
mesmo o homem atribui a Deus, tanto menos lhe resta. O trabalhador põe a sua vida no
objeto, e sua vida, então, não mais lhe pertence, porém, ao objeto. Quanto maior for sua
atividade, portanto, tanto menos ele possuirá. O que está incorporado ao produto de seu
trabalho não mais é dele mesmo. Quanto maior for o produto de seu trabalho, por
conseguinte, tanto mais ele minguará. A alienação do trabalhador em seu produto não
significa apenas que o trabalho dele se converte em objeto, assumindo uma existência
externa, mas ainda que existe independentemente, fora dele mesmo, e a ele estranho, e
que com ele se defronta como uma força autônoma. A vida que ele deu ao objeto volta-
se contra ele como uma força estranha e hostil.

(XXIII) Examinemos agora, mais de perto, o fenômeno da objetificação, a produção do
trabalhador e a alienação e perda do objeto por ele produzido, nisso implícitas. O
trabalhador nada pode criar sem a natureza, sem o mundo exterior sensorial. Este
ultimo é o material em que se concretiza o trabalho, em que este atua, com o qual e por
meio do qual ele produz coisas.

Todavia, assim como a natureza proporciona os meios de existência do trabalho, na
acepção de este não poder viver sem objetos aos quais possa aplicar-se, igualmente

proporciona os meios de existência em sentido mais restrito, ou sejam os meios de
subsistência física para o próprio trabalhador. Assim, quanto mais o trabalhador
apropria o mundo externo da natureza sensorial por seu trabalho, tanto mais se despoja
de meios de existência, sob dois aspectos: primeiro, o mundo exterior sensorial se torna
cada vez menos um objeto pertencente ao trabalho dele ou um meio de existência de seu
trabalho; segundo, ele se torna cada vez menos um meio de existência na acepção direta,
um meio para a subsistência física do trabalhador.

Sob os dois aspectos, portanto, o trabalhador se converte em escravo do objeto:
primeiro, por receber um objeto de trabalho, isto é, receber trabalho, e em segundo
lugar por receber meios de subsistência. Assim, o objeto o habilita a existir, primeiro
como trabalhador e depois como sujeito físico.

O apogeu dessa escravização é ele só poder se manter como sujeito físico na medida em
que é um trabalhador, e de ele só como sujeito físico poder ser um trabalhador.

(A alienação do trabalhador em seu objeto é expressa da maneira seguinte, nas leis da
Economia Política: quanto mais o trabalhador produz, tanto menos tem para consumir;
quanto mais valor ele cria, tanto menos valioso se torna; quanto mais aperfeiçoado o seu
produto, tanto mais grosseiro e informe o trabalhador; quanto mais civilizado o produto,
tão mais bárbaro o trabalhador; quanto mais poderoso o trabalho, tão mais frágil o
trabalhador; quanto mais inteligência revela o trabalho, tanto mais o trabalhador decai
em inteligência e se torna um escravo da natureza.)

A economia Política oculta a alienação na natureza do trabalho por não examinar a
relação direta entre o trabalhador (trabalho) e a produção. Por certo, o trabalho
humano produz maravilhas para os ricos, mas produz privação para o trabalhador. Ele
produz palácios, porém choupanas é o que toca ao trabalhador. Ele produz beleza,
porém para o trabalhador só fealdade. Ele substitui o trabalho humano por maquinas,
mas atira alguns dos trabalhadores a um gênero bárbaro de trabalho e converte outros
em máquinas. Ele produz inteligência, porém também estupidez e cretinice para os
trabalhadores.

A relação direta do trabalho com seus produtos é a entre o trabalhador e os objetos de
sua produção. A relação dos possuidores de propriedade com os objetos da produção e
com a própria produção é meramente uma conseqüência da primeira relação e a
confirma. Apreciaremos adiante este segundo aspecto. Portanto, quando perguntamos
qual é a relação importante do trabalho, estamos interessados na relação do trabalhador
com a produção.

Até aqui consideramos a alienação do trabalhador somente sob um aspecto, qual seja o
de sua relação com os produtos de seu trabalho. Não obstante, a alienação aparece não
só como resultado, mas também como processo de produção, dentro da própria
atividade produtiva. Como poderia o trabalhador ficar numa relação alienada com o
produto de sua atividade se não se alienasse a si mesmo no próprio ato da produção? O
produto é, de fato, apenas a síntese da atividade, da produção. Conseqüentemente, se o
produto do trabalho é alienação, a própria produção deve ser alienação ativa - a
alienação da atividade e a atividade da alienação A alienação do objeto do trabalho
simplesmente resume a alienação da própria atividade do trabalho.

beber e procriar são. tanto prática quanto teoricamente. O trabalhador. Comer. Chegamos a conclusão de que o homem (o trabalhador) só se sente livremente ativo em suas funções animais . é trabalho forçado. do cérebro e do coração humanos. beber e procriar. e convertidas em fins definitivos e exclusivos. ser o trabalho externo ao trabalhador. Tal como na religião. e por conseguinte. o trabalho. a relação com o mundo exterior sensorial. Seu caráter alienado é claramente atestado pelo fato.O que constitui a alienação do trabalho? Primeiramente. vigor como impotência. O animal se torna humano e o humano se torna animal. a energia física e mental pessoal do trabalhador. enquanto no trabalho se sente contrafeito. ao contrário da acima mencionada alienação do objeto. de logo que não haja compulsão física ou outra qualquer. Mas. mas também (e isto é simplesmente outra expressão da mesma coisa) no sentido de tratar-se a si mesmo como a espécie vivente. Ele não é a satisfação de uma necessidade. mas apenas um meio para satisfazer outras necessidades. Essa relação é. são funções animais. Consideremos. ao mesmo tempo. o caráter exteriorizado do trabalho para o trabalhador é demonstrado por não ser o trabalho dele mesmo mas trabalho para outrem. partindo das duas já vistas. atividade como sofrimento (passividade). assim também a atividade do trabalhador não é sua própria atividade espontânea. como um ser universal e conseqüentemente livre. assim como as de outras coisas) seu objeto. (XXIV) Temos. O trabalho exteriorizado. Por fim. O homem é um ente-espécie não apenas no sentido de que ele faz da comunidade (sua própria.comer. Seu trabalho não é voluntário. É atividade de outrem e uma perda de sua própria espontaneidade. ter um sentimento de sofrimento em vez de bem- estar. Isso é auto-alienação. ser evitado como uma praga. porém imposto. é um trabalho de sacrifício próprio. sob dois aspectos: 1) a relação do trabalhador com o produto do trabalho como um objeto estranho que o domina. . à parte do ambiente de outras atividades humanas. atual. o ato de alienação da atividade humana prática. consideradas abstratamente. de mortificação. portanto. com os objetos naturais. sua vida pessoal (pois o que é a vida senão atividade?) como uma atividade voltada contra ele mesmo. só se sente à vontade em seu tempo de folga. Essa é a relação do trabalhador com sua própria atividade humana como algo estranho e não pertencente a ele mesmo. independente dele e não pertencente a ele. de inferir uma terceira característica do trabalho alienado.enquanto que em suas funções humanas se reduz a um animal. não desenvolver livremente suas energias mentais e físicas mas ficar fisicamente exausto e mentalmente deprimido. 2) a relação do trabalho como o ato de produção dentro do trabalho. como um mundo estranho e hostil. a atividade espontânea da fantasia. por no trabalho ele não se pertencer a si mesmo mas sim a outra pessoa. também funções genuinamente humanas. trabalho em que o homem se aliena a si mesmo. agora. ele não se realizar em seu trabalho mas negar a si mesmo. agora. criação como emasculação. reage independentemente como uma atividade alheia de deuses ou demônios sobre o indivíduo. ou no máximo também em sua residência e no seu próprio embelezamento . não fazer parte de sua natureza. evidentemente.

roupa. Só por isso. Assim também. ar. A natureza é o corpo inorgânico do homem. é vida da espécie. é apenas um ser auto-consciente. unicamente um meio para sua existência. e igualmente. encontra sua base física no fato de o homem (como os animais) viver da natureza inorgânica. eles formam parte da vida e atividade humanas. Vegetais. sob o ponto de vista prático. pois o homem. com o qual deve se manter em contínuo intercâmbio a fim de não morrer. luz. minerais. Em primeiro lugar. simplesmente significa ser a natureza interdependente consigo mesma. isto é. abrigo. porém. A construção prática de um mundo objetivo. que ele deve primeiramente preparar para seu prazer e perpetuação. e como o homem é mais universal que um animal. sendo um ser autoconsciente. isto é. de sua atividade vital. atividade vital. No tipo de atividade vital.. seu caráter como espécie. A afirmação de que a vida física e mental do homem e a natureza são interdependentes. É vida criando vida. Pois. Tal como o trabalho alienado: 1) aliena a natureza do homem e 2) aliena o homem de si mesmo. A atividade vital consciente distingue o homem da atividade vital dos animais: só por esta razão ele é um ente-espécie. faz de sua atividade vital um objeto de sua vontade e consciência. pois o homem é parte dela. de seu ser. eles são a natureza inorgânica espiritual do homem. sua própria vida é um objeto para ele. consciente. assim também o âmbito da natureza inorgânica de que ele vive é mais universal. Ele é sua atividade. Ele tem uma atividade vital consciente. porque ele é um ente- espécie. animais. uma parte da consciência humana como objetos da ciência natural e da arte. na prática. Ele não distingue a atividade de si mesmo. Ele transforma a vida da espécie em uma forma de vida individual. consciente. um ser que trata a . faz de sua atividade vital. etc. reside todo o caráter de uma espécie. na universalidade que faz da natureza inteira o seu corpo: 1) como meio direto de vida. Ela não é uma prescrição com a qual ele esteja plenamente identificado. a de manter sua existência física. de sua própria função ativa. a sua atividade é atividade livre. O animal identifica-se com sua atividade vital. etc. A universalidade do homem aparece. contudo. 2) como o objeto material e o instrumento de sua atividade vital. Na prática. Ou antes. quer isso dizer a natureza excluindo o próprio corpo humano. aquecimento.A vida da espécie. em finalidade da primeira. A vida produtiva. O trabalho alienado inverte a relação. e posteriormente transforma a segunda. para o homem assim como para os animais. vida produtiva. é a confirmação do homem como um ente-espécie. sob o ponto de vista teórico. a manipulação da natureza inorgânica. e a atividade livre. assim também o aliena da espécie. constituem. sob a forma de alimento. trabalho. A própria vida assemelha-se somente a um meio de vida. como uma abstração. agora aparecem ao homem apenas como meios para a satisfação de uma necessidade. ele aliena a vida da espécie e a vida individual. Dizer que o homem vive da natureza significa que a natureza é o corpo dele. também em sua forma abstrata e alienada. é o caráter como espécie dos seres humanos. se meio intelectual de vida. O homem. o homem vive apenas desses produtos naturais.

só produzem o estritamente indispensável a si mesmos ou aos filhotes. também transforma a vida do homem como membro da espécie em um meio de existência física. produz universalmente. mas ativamente e em sentido real. Só produzem sob a compulsão de necessidade física direta.espécie como seu próprio ser ou a si mesmo como um ser-espécie. também o é quanto à sua relação com outros homens. (3) Então. como no caso das abelhas. enquanto o trabalho alienado afasta o objetivo da produção do homem. com o produto desse trabalho e consigo mesmo. de sorte que a vida como espécie torna-se apenas um meio para ele. enquanto o homem reproduz toda a natureza. ao passo que o homem é livre ante seu produto. (4) Uma conseqüência direta da alienação do homem com relação ao produto de seu trabalho. os animais também produzem. de sua vida mental e de sua vida humana. é o homem ficar alienado dos outros homens. o homem constrói também em conformidade com as leis do belo. sua objetividade real como ente-espécie. na verdade. enquanto o homem. também está se defrontando com outros homens. É justamente em seu trabalho exercido no mundo objetivo que o homem realmente se comprova como um ente-espécie. Ele aliena o homem de seu próprio corpo. e cada um dos outros ser igualmente alienado da vida humana. em uma entidade estranha e em um meio para sua existência individual. formigas. Só produzem em uma única direção. a declaração de que o homem fica alienado da sua vida como membro da espécie implica em cada homem ser alienado dos outros. à sua atividade vital e a sua vida como membro da espécie. é afastado dele. é a objetificação da vida como espécie do homem. A consciência que o homem tem de sua espécie é transformada por meio da alienação. enquanto o homem sabe produzir de acordo com os padrões de todas as espécies e como aplicar o padrão adequado ao objeto. e também como propriedade mental da espécie dele. e muda a superioridade sobre os animais em uma inferioridade. . quando livre dessa necessidade. pois ele não mais se reproduz a si mesmo apenas intelectualmente. a natureza. como na consciência. etc. a natureza extrínseca. Os animais só constróem de acordo com os padrões e necessidades da espécie a que pertencem. O que é verdadeiro quanto à relação do homem com seu trabalho. De maneira geral. Os frutos da produção animal pertencem diretamente a seus corpos físicos. Eles constróem ninhos e habitações. Por conseguinte. castores. a natureza aparece como trabalho e realidade dele. Os animais só produzem a si mesmos. também afasta sua vida como espécie. Essa produção é sua vida ativa como espécie. o trabalho alienado converte a vida do homem como membro da espécie. portanto. Assim como o trabalho alienado transforma a atividade livre e dirigida pelo próprio indivíduo em um meio. Assim. na medida em que seu corpo inorgânico. Sem dúvida. Porém. com o trabalho deles e com os objetos desse trabalho. e vê seu próprio reflexo em um mundo por ele construído. Quando o homem se defronta consigo mesmo. O objetivo do trabalho. ao passo que o homem produz quando livre de necessidade física e só produz. graças a ela.

E que é esse ser? Os deuses? É evidente. a quem o trabalho é devotado. a quem ela pertence? A um ser. a alienação do trabalhador e de sua produção. mas também produz a relação de outros homens com a produção e o produto dele. do homem com seus semelhantes. No mundo real da prática. um meio prático. ele próprio e a natureza. e a relação entre ele próprio . limitamo-nos a analisar um fato econômico. etc. O meio através do qual a alienação ocorre é. Se sua atividade é para ele um tormento. no Egito. tampouco o era a natureza. ele está relacionado de tal maneira que um outro homem. Graças ao trabalho alienado. ele está relacionado com o produto de seu trabalho. Toda auto-alienação do homem. prática. construção de templos. Considere-se a afirmação anterior segundo a qual a relação do homem consigo mesmo se concretiza e objetiva primariamente através de sua relação com outros homens. mas é uma atividade alienada. por exemplo. Assim a auto-alienação religiosa é necessariamente exemplificada na relação entre leigos e sacerdotes. agora.. outro que não eu. ele se abstivesse da sua alegria em produzir e de sua fruição dos produtos por amor a esses poderes! O ser estranho a quem pertencem o trabalho e o produto deste. Se. México. e acima de tudo a relação do homem consigo próprio. o homem não só produz sua relação com o objeto e o processo da produção como com homens estranhos e hostis. Não os deuses nem a natureza. Assim. de si mesmo e da natureza. Se o produto do trabalho não pertence ao trabalhador. como com um objeto estranho. hostil. ao analisar o conceito. então está relacionado com ela como uma atividade a serviço e sob jugo. (XXV) Principiamos por uma fato econômico. é nos serviços prestados aos deuses. entre leigos e um mediador. Que contradição haveria se quanto mais o homem subjugasse a natureza com seu trabalho. ou. e para cuja fruição se destina o produto do trabalho. poderoso e independente. nas mais primitivas etapas de produção adiantada. a quem pertence ele? Se minha própria atividade não me pertence. isso só pode acontecer porque pertence a um outro homem que não o trabalhador. é pela primeira vez concretizada e manifestada na relação entre cada homem e os demais homens. mas só o próprio homem pode ser essa força estranha acima dos homens. Índia. por conseguinte. estranho. só pode ser o próprio homem. como esse conceito de trabalho alienado deve expressar-se e revelar-se na realidade. aparece na relação que ele postula entre os outros homens. Exprimimos esse fato em termos conceituais como trabalho alienado e. é o dono de seu objeto. e quanto mais as maravilhas dos deuses fossem tornadas supérfluas pelas da industria. Examinemos. Se o produto do trabalho me é estranho e enfrenta-me como uma força estranha. mais além. por si mesmo. Mas os deuses nunca eram por si sós os donos do trabalho humano. que o produto pertencia a estes. poderoso e independente. Se ele está relacionado com sua atividade como com uma atividade não- livre. ela deve ser uma fonte de satisfação e prazer para outro. seu trabalho objetificado.A alienação humana. essa auto-alienação só pode ser expressa na relação real. mas o enfrenta como uma força estranha. forçada. portanto. na relação do trabalho alienado cada homem encara os demais de acordo com os padrões e relações em que ele se encontra situado como trabalhador. já que aqui se trata de uma questão do mundo espiritual. hostil. coerção e domínio de outro homem.

concedendo tudo à propriedade privada. e especialmente a de que uma anomalia dessas só poderia ser mantida pela força) não passaria de uma remuneração melhor de escravos. A propriedade privada. seja para o trabalhador seja para o trabalho. defrontando-se com essa contradição. seu significado e valor humanos. contudo. a realização dessa alienação. assim também cria a dominação do não-produtor sobre a produção e os produtos desta. aqui. Só na etapa final da evolução da propriedade privada é revelado o seu segredo. há uma influência recíproca. entretanto. Numa etapa posterior. a seguir. deriva-se da análise do conceito de trabalho alienado: isto é. partindo de uma análise do movimento da propriedade privada. e não restauraria. o produto. A relação do trabalhador com o trabalho também provoca a relação do capitalista (ou como quer que se denomine ao dono da mão-de-obra) com o trabalho. Observamos. porquanto os salários como o produto ou objetivo do trabalho. o resultado inevitável. Mais tarde nos entenderemos sobre isto. Percebemos. Está claro que extraímos o conceito de trabalho alienado (vida alienada) da Economia Política. Ao alienar sua própria atividade. mostra que embora a propriedade privada pareça ser a base e causa do trabalho alienado. são apenas conseqüência necessária da alienação do trabalho. do trabalho alienado. e homem afastado. Proudhon. Um aumento de salários imposto (desprezando outras dificuldades. A análise deste conceito. graças ao trabalho alienado o trabalhador cria a relação de outro homem que não trabalha e está de fora do processo do trabalho. portanto. também. Tal como ele cria sua própria produção como uma perversão. uma punição. o meio pelo qual o trabalho é alienado. Assim. o próprio trabalho remunerado. porém. o trabalho aparece não como um fim por si mas como o servo dos salários. homem alienado. A propriedade privada é. Esta elucidação lança luz sobre diversas controvérsias não solucionadas: (1) A Economia Política inicia tomando o trabalho como a verdadeira alma da produção e. com o seu próprio trabalho. de um lado. vida alienada. tal e qual os deuses não são fundamentalmente a causa. que salários e propriedade privada são idênticos. Apreciamos até aqui essa relação somente do lado do trabalhador. como um produto que não lhe pertence. e do outro. que essa aparente contradição é a contradição do trabalho alienado consigo mesmo e que a Economia Política meramente formulou as leis do trabalho alienado. e posteriormente a apreciaremos também do lado do não-trabalhador. a desvendar algumas das conseqüências (XXVI). trabalho alienado. o produto do trabalho alienado. por conseguinte. . que é. decidiu em favor do trabalho contra a propriedade privada. No sistema de salários. ou seja. é antes uma conseqüência dele. nada lhe atribui. e seu próprio produto como uma perda. ele outorga ao estranho uma atividade que não é deste. limitando-nos. pois.e os demais homens. mas o produto de confusões da razão humana. da relação externa do trabalhador com a natureza e consigo mesmo.

Decompusemos o trabalho alienado em duas partes. (2) Da relação do trabalho alienado com a propriedade privada também decorre que a emancipação da sociedade da propriedade privada. assume a forma política de emancipação dos trabalhadores. E constatamos ser corolário obrigatório dessa relação. ao falar de propriedade privada. acredita-se estar lidando com algo extrínseco à espécie humana. como um capitalista abstrato. competição. em sua relação com a propriedade humana e social genuína.Mesmo a igualdade das rendas que Proudhon exige só modificaria a relação do trabalhador de hoje em dia com seu trabalho em uma relação de todos os homens com o trabalho. a atividade própria como atividade . capital. isto é. constituem duas expressões distintas de uma única relação. o trabalho alienado. e todos os tipos de servidão são somente modificações ou corolários desta relação. visto termos transformado a questão referente ã origem da propriedade privada em uma questão acerca da relação entre trabalho alienado e o processo de evolução da humanidade. com o produto de seu trabalho e com o não- trabalhador. da servidão. A propriedade privada. a relação alienada do trabalho humano consigo mesmo. descobriremos só uma expressão particular e ampliada desses elementos fundamentais. ou melhor. ao falar de trabalho. com o auxílio desses dois fatores também podemos deduzir todas as categorias da Economia Política. como expressão material sinóptica do trabalho alienado. comércio. Pois. Mas. em seus reflexos no próprio trabalhador. Sem embargo. A apropriação aparece como alienação e alienação como apropriação. ad (1) A natureza geral da propriedade privada e sua relação com a propriedade genuína. lida-se diretamente com a própria espécie humana. (1) Determinar a natureza geral da propriedade privada como resultou do trabalho alienado. que apropria a natureza por intermédio de seu trabalho. podemos indagar. não no sentido de só estar em jogo a emancipação destes. a apropriação se afigura uma alienação. dinheiro. Consideramos um aspecto. isto é. que o homem aliene seu trabalho? Como essa alienação se alicerça na natureza da evolução humana? Já fizemos muito para resolver o problema. mas por essa emancipação abranger a de toda a humanidade. tentemos solucionar dois problemas. alienação como aceitação genuína na comunidade. Já vimos que em relação ao trabalhador. Esta nova formulação do problema já encerra sua solução. então. a relação de propriedade do não- trabalhador com o trabalhador e com o trabalho. antes de considerar essa estrutura. que se determinam mutuamente. e em cada uma. inclui ambas as relações: a relação do trabalhador com o trabalho. (2) Tomamos como fato e analisamos a alienação do trabalho. Como descobrimos o conceito de propriedade privada por uma análise do conceito de trabalho alienado. Como sucede. Pois toda servidão humana está enredada na relação do trabalhador com a produção. e a relação do não-trabalhador com o trabalhador e com o produto do trabalho deste. A sociedade seria concebida.

mas não faz contra si próprio o que faz contra o trabalhador. a atitude prática real do trabalhador na produção e face ao produto (como estado de espírito) afigura-se ao não-trabalhador. a vida como sacrifício da vida. que com ele se defronta. um homem estranho. o não-trabalhador faz contra o trabalhador tudo que este faz contra si mesmo. Deve ser observado. Examinemos mais de perto essas três relações. Em segundo lugar.para outrem e de outrem. aparece ao não-trabalhador como uma condição de alienação. (XXVII) Em terceiro lugar. de início. a relação deste homem estranho com o trabalhador. e a produção do objeto como perda deste para uma força estranha. com o trabalho e com o objeto do trabalho. como uma atitude teórica. agora. [o manuscrito interrompe-se aqui] â . que tudo que aparece ao trabalhador como uma atividade de alienação. Consideremos.

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         (XL) . pode perfeitamente deixar-se enterrar. e por isso relacionados unicamente de maneira acidental e exterior. Como trabalho e capital são estranhos um ao Outro. . O homem é simplesmente um trabalhador. morrer a míngua. o valor do trabalhador varia conforme a oferta e a procura. ele se produz a si mesmo. portanto. O trabalhador é a manifestação subjetiva do fato de o capital ser o homem inteiramente perdido para si mesmo. O trabalhador só é trabalhador quando existe como capital para si próprio. não reconhece o trabalhador desocupado. como utilidade. Contudo. ladrões. um capital com necessidades. etc. sua vida. assim como o capital é a manifestação objetiva do fato de o trabalho ser o homem perdido para si mesmo. mendigos. juízes. são figuras não existentes para a Economia Política. nem salários. coveiros. A existência do capital é a existência dele. burocratas. uma vez colocado fora dessa relação de trabalho. o trabalhador faminto. esse caráter de alienação tem de aparecer na realidade. seu ganha- pão. mas apenas para os olhos de outros: médicos. Como capital. forma os juros de seu capital. e sua existência física. reduzem-se à necessidade de . e só existe como capital quando há capital para ele. e o homem como trabalhador. visto determinar o conteúdo de sua vida independentemente dele. As necessidades do trabalhador. conseqüentemente. Assim. e como existe exclusivamente como trabalhador e não como ser humano. Vigaristas. ele não mais existe para si mesmo: ele não tem trabalho. sua vida. Logo que ocorre ao capital ² seja forçada seja voluntariamente ² não existir mais para o trabalhador. e como tal suas qualidades humanas só existem em proveito do capital que lhe é estranho. A Economia Política. pois. . indigente e criminoso. Eles são figuras fantasmagóricas fora do domínio da Economia. foi e é considerada um estoque de mercadoria. é o produto de todo esse processo. o trabalhador tem o infortúnio de ser um capital vivo. todo momento em que não se acha trabalhando. etc. o homem capaz de trabalhar. similar a qualquer outra. que se deixa privar de seus interesses e. O trabalhador produz capital e o capital produz o trabalhador. os desempregados.

portanto. em contraposição a Smith e Say. sem relevância para o conteúdo real dele. porém o volume de juros que ele adquire. formam parte dos custos necessários do capital e do capitalista. a utilidade humana. o homem sob a forma de mercadoria. de molde a não se extinguir a raça de trabalhadores. Mill. e portanto alheia à consciência e à realização da vida humana. ou. declarar a existência de seres humanos ² a maior ou menor produtividade humana da mercadoria ²como indiferente. ao homem e à natureza. em seu auge. embora estabelecendo o trabalho como seu princípio exclusivo. perdeu totalmente seu disfarce político e social e não mais se afigura vinculada às relações humanas). etc. mas a trapaça mútua de capitalista e trabalhador. Por isso. deduzir dos salários as esmolas públicas recebidas pelos trabalhadores através das taxas estabelecidas pela lei de assistência aos pobres. Conseqüentemente. de modo a que este possa reproduzir-se a si mesmo com juros. simplificará a contradição. é a produção da atividade humana como trabalho. capital e juros que só entendem a linguagem do dinheiro. um grande avanço lógico da recente economia política inglesa (XLI) que. aborto. ² Imoralidade. Por outro lado. e a influência recíproca de ambos. os salários têm exatamente o mesmo significado da manutenção de qualquer outro instrumento de produção e do consumo de capital em geral. e onde o mesmo capital permanece o mesmo nas mais diversas circunstâncias naturais e sociais. distinguisse claramente a relação inversa entre salários e juros do capital e observasse que. era assaz lógico para os donos de fábricas ingleses. ou deveras nociva. convertendo-se em meros capital e juros. a poupança total anual.mantê-lo durante o trabalho. A relação normal é considerada como sendo não a burla do consumidor. isto é. portanto. em estado latente. é forçosamente o apogeu e o declínio da relação inteira. analogamente. Os salários. o capitalista só poderia aumentar os ganhos pelo rebaixamento dos salários e vice-versa. por conseguinte. uma atividade alheia a si mesma. superando-a e preparando sua solução. há a produção de objetos do trabalho humano sob a forma de capital. onde a propriedade privada perdeu sua qualidade natural e social (e. via de regra. portanto. A produção não apenas produz o homem como uma utilidade. de acordo com essa situação. ² Seu produto é a mercadoria com consciência própria e capacidade grande passo dado à frente por Ricardo. melhor. o arrendamento de terra como arrendamento de terra. Por um lado. . O verdadeiro objetivo da produção não é o número de trabalhadores sustentados por determinado capital. A terra como terra. onde toda característica natural e social do objeto é dissolvida. e não devem exceder ao montante assim necessário. Foi. produz o homem como um ser mental e fisicamente desumanizado.. Ë como o óleo aplicado a uma roda para conservá-la rodando. Esta contradição. a relação da propriedade privada como trabalho. antes da Emenda de 1834. escravidão de trabalhadores e capitalistas. É. outra grande conquista da recente Economia Política inglesa ter definido o arrendamento da terra como a diferença entre os rendimentos da terra pior cultivada e da melhor. para a não-existência social. A relação da propriedade privada inclui em seu íntimo. por conseguinte. diariamente salta de sua nulidade realizada para a nulidade absoluta. ter posto abaixo as ilusões românticas do proprietário de terras ² sua suposta importância social e a identidade de seus interesses com os do conjunto da sociedade (uma opinião sustentada por Adam Smith ainda após os Fisiocratas) ² e ter antecipado e preparado a evolução da realidade que transformará o proprietário de terras em um capitalista comum e prosaico e. a existência abstrata do homem como um mero trabalhador que. tratando-as como parte integrante dos respectivos salários. e por isso real. perderam sua diferenciação de status. a relação da propriedade privada como capital.

Recordando suas origens e ascendência contrastantes. e a distinção entre salários. que independe de toda limitação natural. Só por meio dele o dono da terra tem existência econômica. a poesia das recordações. em um capitalista comum. indústria. Ele encara o proprietário de terras como a antítese da livre iniciativa e do capital livre. impostor. a fim de se obter um quadro nítido de sua respectiva indignidade. Assim. etc. ao contrário da propriedade agrária imóvel. e o capital liberado. Ao mesmo tempo. pois a existência daquele estabelece a deste. o desenvolvimento forçoso do trabalho é a indústria liberta. Esta transformação tem lugar a princípio por intermédio do lavrador rendeiro. o próprio dono da terra é transformado em um senhor da indústria. o dono da terra já se converteu. impiedoso e desalmado. rebelde. e ainda não progrediu para a neutralidade face a seu conteúdo. o fisiocrata Bergasse. nutre e acalenta a competição e. Ë uma etapa fixa na formação e desenvolvimento da antítese entre capital e trabalho. para um estado de abstração de todas as outras existências e. o crime e a dissolução de todos os laços sociais. Em uma situação assim. Esta oposição é extremamente acerba de ambos os lados e cada um exprime a verdade acerca do outro. constituída somente para si mesma. e quando fala em termos econômicos afirma que somente a agricultura é produtiva. Basta ler os ataques contra a propriedade imobiliária feitos pelos representantes da propriedade móvel. etc.A distinção entre capital e terra. descreve seu oponente como um indivíduo sonso. mercenário. com esta. O proprietário de terras ressalta a nobre linhagem de sua propriedade. (XLII) Mas. graças ao qual a terra se cultivava a si mesma. O negócio industrial do rendeiro é o do proprietário. que Camille Desmoulins fustiga em . servil. sem honra. o segredo revelado. agricultura. adulador. que a indústria é responsável por sua presente importância social. Este. propriedade privada imóvel e móvel. só o modo de origem e a antítese face à agricultura graças à qual a indústria se desenvolveu. como possuidor de propriedades. em um capitalista. mesquinho. reminiscências feudais.. o trabalho ainda parece ter um significado social. é manifestada. a pobreza. por suas posses e prazer. enquanto outrora a maior parte do trabalho era deixada ao próprio solo e ao escravo do solo. Como um género particular de trabalho. para uma auto-suficiência completa. em assalariado. alienado da comunidade que ele vende livremente. e vê-se como uni capitalista ameaçado por ele. E isso tem de Ser realizado na realidade. isto é. na pessoa do rendeiro. Na indústria. porém. crue1 e egoísta senhor de ontem. regateador. ou vice-versa. princípios. sua importância política. pois. é uma distinção histórica. nunca uma distinção inscrita na natureza das coisas. pois o arrendamento da terra só existe como resultado da competição entre rendeiros. para o capital liberado. lucro e arrendamento de terra. e. e vice-versa. poesia ou qualquer outra coisa.. entre outros. Com a transformação do escravo em trabalhador livre. ela existe apenas na medida em que a indústria (vida urbana) se estabelece em oposição à propriedade agrária (vida feudal aristocrática). como uma distinção mais significativa. importante e global. ele sabe que o prejudica como capitalista. (Ver. é o representante. sem embargo. e que alimenta. do dono da terra. o proprietário de terras identifica no capitalista seu sublevado. isto é. um bandido extorsionista. liberado e enriquecido escravo de ontem. seu caráter generoso. O poder da indústria sobre seu opositor é atestado pelo surto da agricultora como uma indústria verdadeira. lisonjeiro e ressequido. o capitalista que dirige a agricultura (o rendeiro) tem de transformar-se em dono da terra. O capitalista vê o proprietário de terras como o ocioso. ainda tem o significado de genuína vida comunal.

Representa-o como um Don Quixote que. estabelecido o comércio que promove a amizade entre os povos. o filho nativo e legítimo da era moderna. prostituição. fantástico e ladino que. avareza do esbanjamento. anarquia e revolta que pululavam nos românticos castelos. despeja água fria sobre suas reminiscências. infâmia. Lancizolle. Ganilh. Expõe-no como monopolista. no fundo do coração e realmente. por mais que possa resistir-lhes e murmurar acerca de recordações históricas ou de objetivos morais e políticos. prudente. poesia e romantismo. por isso. simples. egoísmo. unido entre si mundos diferentes. tolhendo assim e finalmente impedindo o crescimento da renda nacional e a acumulação de capital da qual depende a criação de trabalho para o povo e de riquezas para o país. Kosegarteu (1) e Sismondi. E. e o dinheiro das outras formas de propriedade privada. Leo. por sua parte. Finalmente. com efeito. cobiça. degradação. Halle. o proprietário de terras ² esse ocioso especulador de cereais ² aumenta o preço das necessidades básicas da vida do povo e. oculta sua incapacidade para expandir-se. Ele dá lugar a um declínio generalizado. Saint-Simon. da propriedade privada adiantada sobre a propriedade privada subdesenvolvida e imatura representada pelo proprietário imobiliário. ver. e sem abandonar qualquer de seus preconceitos feudais. faz com que ele ² para quem o amanho do solo e a própria terra só existem como uma fonte de dinheiro mandada pelo céu ²encare o rendeiro e diga se ele próprio não é um canalha íntegro. obriga o capitalista a elevar os salários sem ser capaz de aumentar a produtividade.seu diário öévolutions de France et de Brabant. Apiada-se de seu oponente como um simplório. outras mais civilizadas. e parasitariamente explora todas as vantagens da civilização moderna sem fazer a mínima contribuição para esta. o interesse próprio e capaz e confessadamente irrequieto do esclarecimento do interesse próprio da superstição local. em lugar de suas necessidades cruéis. ele depõe contra si mesmo. isto é. a vitória civilizada da propriedade móvel ter descoberto e criado o trabalho humano como fonte da riqueza. o interesse geral e estabilidade. indica o milagre da indústria moderna e de sua expansão. a baixeza franca e autoconsciente da baixeza disfarçada e inconsciente. Em geral. crueldade. criado uma moral pura e cultura agradável. von Vincke. a propriedade imobiliária é coisa sem vida e sem valor. decência. sob a aparência de franqueza. MacCulloch. também. o movimento tem de triunfar da imobilidade. ignorante de sua própria natureza (e isso é inteiramente verdade) que quer substituir o capital moralizado e o trabalho livre pela coação brutal e imoral e pela servidão. Tudo que ele de fato pode apresentar em justificativa sé é verdade no tocante ao cultivador da terra (o capitalista e seus empregados) de quem o dono da terra é antes o inimigo. Mas. Ela (a propriedade móvel) alega ter conquistado a liberdade política para o povo. em vez de coisas sem vida. Mill. Deu ao povo. Sem capital. Courier. de há muito foi conquistado pela livre indústria e pelas delíciais do comércio. E o filho. retirado os grilhões que tolhiam a sociedade civil. Destutt de Tracy e Michel Chevalier. .) Da verdadeira marcha da evolução (a ser inserida aqui). decorre a vitória fatal do capitalista. assim como os modos de satisfazê-las. inativo e fantástico. interesse parcial e má intenção. (Ver Paul Louis.) A propriedade móvel. por uma récita histérico-satírica da baixeza. Ricardo. assim.

os salários são um sacrifício de capital. uma mercadoria. mas desenvolvendo-se e fomentando-se reciprocamente como condições positivas. Como tal. separam-se e alienam-se um do outro. No decurso de sua formação numa escala mundial ela tem do alcançar sua expressão abstrata. mas assaz em vão. estes se dividem em juros e lucro. seu custo. capital. As relações da propriedade privada são capital. é capital que ainda não emergiu de seu envolvimento com o capital mundial não-desenvolvido. trabalho. isto é. tentam. cada um procura privar o outro de sua existência. é propriedade privada.Os Estados que pressentem o perigo representado pela livre indústria plenamente desenvolvida. tal como o trabalhador ² mas só excepcionalmente ² torna-se um capitalista. pura. Trabalho como um momento do capital. obstar a capitalização da propriedade agrária. Sacrifício completo d0 capitalista. Os estágios por que esses elementos têm de passar são: Primeiramente. e suas interconexões. depois. O próprio trabalhador como um capital. A propriedade agrária. Oposição de cada um a si mesmo ± Capital trabalho acumulado = trabalho. pela moralidade pura e pelo comércio fomentador da amizade entre os povos. o trabalhador identifica o capitalista como sua própria não-existência e vice-versa. com efeito. divide-se em capital propriamente dito e juros. Choque das contradições recíprocas [O segundo manuscrito termina aqui] V ? ??  ? . ao contrário do capital. Pie afunda na classe trabalhadora. O trabalho divide-se em trabalho propriamente dito e salários do trabalho. união mediata e não-mediata dos dois ± O capital e o trabalho a princípio ainda estão unidos. ainda afligido por preconceitos locais e políticos. Por isso. Oposição entre os dais ² eles excluem-se mutuamente.

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comum e . segundo Herr Leo. o livro Patriotische Phantasien. pequeno-burguês. que. por nenhum momento. ( ? )? ?  ?   ? ?   ?? * ? ? Notas: (1) Ver o palavroso teólogo hegeliano à moda antiga. "feito em casa". que se destaca pelo fato de nunca abandonar. o horizonte ingênuo. cessar de ser uma propriedade nobre. de Justus Moser. Funke. contou com lágrimas nos olhos como um escravo recusara. quando foi abolida a servidão. Ver. também.

e no entanto permanece sendo pura fantasia. limitado do filisteu. Essa contradição tornou essas fantasias tão aceitáveis ao espírito alemão. Š  .

ele próprio se converteu na entidade oprimida por tensões. de chamar Adam Smith o Lutero da Economia Política. sua atividade pessoal. reconhecer o homem com sua independência. que é a da propriedade privada. como pessoa. não fetichistas e católicos. assim como ele negou a distinção entre sacerdote e leigo porque transferiu o sacerdócio para o coração do leigo. para quem a propriedade privada é uma entidade puramente objetiva para o homem. Esta economia política parece. que o trabalho é a única essência da riqueza. Ela manifesta uma atividade cosmopolita. transformou-se. assim como ele anulou a religiosidade externa ao mesmo passo que fazia da religiosidade a essência interior do homem. a única universalidade. é trabalho. e por isso com maior lógica e clareza. sua objetividade externa e indiferente é anulada pelo fato de a propriedade privada ser incorporada ao próprio homem. que destrói todos os limites e todos os vínculos. vê-se obrigada a rejeitar essa hipocrisia e a mostrar-se em todo o seu cinismo. condicionada pelas características locais ou nacionais da propriedade privada considerada como existente fora dela mesma. e não é mais. que só a Economia Política que reconheceu o trabalho por princípio (Adam Smith) e que não mais viu na propriedade privada unicamente uma condição extrínseca ao homem. exatamente como. sem qualquer consideração pelas contradições aparentes a que sua doutrina conduz. com Lutero. revelando por uma outra maneira unilateral.   ?        Š  (1) ad página XXXVI. O próprio homem não mais é uma condição da tensão externa com a substância externa da propriedade privada. um produto da indústria moderna. Sob o disfarce de reconhecer o homem. como resultado. cujo princípio é o trabalho. a princípio. portanto. O que era anteriormente um fenômeno de ser extrínseco a si mesmo. contudo. em vista dessa economia política esclarecida que descobriu a essência subjetiva da riqueza dentro da estrutura da propriedade privada. reputando-se a si mesma como a única orientação. agora no ato de objetivação. também a riqueza extrínseca ao homem e dele independente (só podendo. . Ela incorpora a propriedade privada à essência mesma do homem. Assim como Lutero reconheceu a religião e a fé como a essência do mundo real. e de ser o próprio homem reconhecido como sua essência. o próprio homem é levado para a esfera da propriedade privada. É evidente. etc. e demonstrando que essa doutrina. os partidários do sistema monetário e do mercantilismo. leva à sua lógica conclusão a negação do homem. como sujeito. a economia política. por conseguinte. de alienação. Faz isso. pois. e por essa razão assumiu uma posição adversa ao paganismo cristão. o único limite e o único vínculo. Mas. por isso. Em seu desenvolvimento ulterior. Engels está certo. Isso quer dizer. ser adquirida e conservada de fora) é anulada. Assim. portanto. A essência subjetiva da propriedade privada. é levado para a da religião. a propriedade privada como atividade em si mesma. universal. uma manifestação extrínseca real do homem. pode ser considerada tanto um produto do dinamismo real e expansão da propriedade privada[N1]. quanto uma força que acelerou e exaltou o dinamismo e o desenvolvimento da industria e tornou-a uma potência no plano da consciência.

é o princípio dessa divisão.uma vez que é também. E é só pelo trabalho. Porém. sob o ponto de vista econômico (i. com a diferença de sua linguagem não ser mais feudal porém econômica. pois. A terra ainda é vista como algo existente naturalmente e sem levar em conta o homem. em seu sentido direto. cujo valor se diz residir em sua particularidade natural. tem conseqüências daninhas ao homem. do homem. e só é reconhecido em um modo especial de existência determinado pela natureza. ao princípio. A doutrina fisiocrática de Quesnay constitui a transição do sistema mercantilista para Adam Smith. pela agricultura. ainda não assumiu sua universalidade e sua forma abstrata. Mill. antes confirma. como fator do trabalho. como natureza. ela aplica o golpe de morte à renda da terra. Conseqüentemente. e posto que ao mesmo tempo fazem o homem como não-entidade tornar- se uma entidade. que a terra existe para o homem.) Não só o cinismo da Economia Política aumenta a partir de Smith. realizou-se o necessário progresso ao identificar-se a natureza universal da riqueza e ao elevar o trabalho à sua forma absoluta. a contradição na realidade corresponde inteiramente à essência contraditória por eles aceita como princípio. a agricultura não difere de qualquer outra indústria. Finalmente. mas. a decomposição econômica da propriedade feudal. Demonstra-se. contra os fisiocratas. e mais conscientemente alienadas. a agricultura e o único trabalho produtivo. o restabelecimento. a terra. O objeto da riqueza. em comparação com suas predecessoras. sob o único ponto de vista válido). uma vez que para este último as conseqüências da industria se afiguraram cada vez mais ampliadas e contraditórias. Posto que eles fazem a propriedade privada em sua forma ativa formar o tema. apenas. e de certa maneira. um gênero específico de trabalho. riqueza diretamente objetiva. com efeito..ao contrário da concepção original. reconhecida em sua existência. é um elemento natural e universal. seu princípio de autodivisão. Toda a riqueza se reduz a terra e cultivo (agricultura). da qual provém. A Fisiocracia é. que. por essa razão. Seu princípio. etc. subjetiva. passando por Say. ligado a um elemento particular. . O trabalho. Mas. em abstrato. A terra ainda não e capital. a terra parece ser um fator da natureza. Isso é somente porque sua ciência se expande com maior lógica e verdade. por esse motivo recebeu sua máxima universalidade dentro dos limites naturais . não obstante. uma alienação determinada e específica do homem. (A Escola de Ricardo. Ricardo. a essência subjetiva da riqueza já está transferida para o trabalho. e não ainda como capital. mas tornou-se inteiramente sua expressão econômica e não mais consegue oferecer qualquer resistência à economia política. e seu produto também é concebido como parte determinada da riqueza devida mais à natureza do que ao trabalho propriamente dito. aquela última forma individual e natural da propriedade privada e fonte de riqueza existente independentemente do movimento do trabalho que foi a expressão da propriedade feudal. desde que o fetichismo da antiga riqueza externa. foi reduzido a um elemento natural bastante simples. ou seja. mas o trabalho em geral que e a essência da riqueza. sua matéria. por conseguinte. simultaneamente. A realidade dividida (II) da indústria está longe de refutar. ao passo que o sistema mercantilista só encarava os metais preciosos como riquezas. isto é. desta mesma propriedade feudal. não sendo. sob um ponto de vista positivo elas tornaram-se mais alienadas. O trabalho é ainda. existente somente como objeto. e desde que sua essência foi em parte. ou a uma manifestação particular do trabalho. ele ainda se acha unido a um elemento particular da natureza como sendo a sua matéria. é da mesma forma direta a transformação econômica. Pelo contrario. é. mas sim um modo particular de existência de capital.

e o trabalho aparece. a essência subjetiva da propriedade privada como exclusão de propriedade. (III) Toda riqueza transformou-se em riqueza industrial. Assim. entretanto. externa. mas rejeitam o mundo industrial e aceitam o sistema feudal ao declarar que a agricultura e a única indústria. Anulam seu caráter feudal ao declarar ser a indústria (agricultura) a essência. p. em sua forma mais genérica.. É evidente que quando a essência subjetiva . vemos que é só nesta etapa que a propriedade privada pode consolidar seu domínio sobre o homem e tornar-se. A propriedade privada é primeiro considerada somente em seu aspecto objetivo. desde que não é compreendida como uma antítese entre trabalho e capital. ela inclui a oposição dentro de si mesma. e o capital. (Proudhon. Pois.) Ou. etc. na Turquia. exatamente como o sistema fabril é a essência concretizada da indústria (i. assim como a indústria incorpora a propriedade agrária por ela desbancada. pois. "como tal". esta antítese pode ser expressa em uma forma primitiva. e a indústria aparece pela primeira vez na história simplesmente em oposição a ela. Todavia. que é necessário abolir. é o capital. ela não aparece ainda como estabelecida pela própria propriedade privada. A propriedade agrária (ou imobiliária) é a primeira forma de propriedade privada. ad ibidem. a forma específica de trabalho (trabalho que é levado a um nível comum. ao declarar que o trabalho é essência dela. uma potência na história mundial.) Simplesmente convertem a propriedade imobiliária em homem alienado. como o escravo libertado da propriedade agrária). é. (eles partem daquele tipo de propriedade que aparece historicamente como o predominantemente reconhecido. porém.          ad página XXXIX. puramente objetiva. a princípio. '  [1] É o movimento Independente da propriedade privada tornando-se consciente de si mesma. como uma forma particular de propriedade privada (ou melhor. Sua maneira de existir. mas depois estabelece-se como trabalho em geral. trabalho objetivo como exclusão de trabalho. Para os fisiocratas.. na Roma antiga. Nesta forma. apenas a essência subjetiva da propriedade imobiliária.indústria em oposição a propriedade agrária. uma relação dinâmica que tende a resolver-se. . A substituição do auto-alheamento segue a mesma marcha do auto- alheamento. sua essência subjetiva abarca a desta. não concebida em sua referência ativa às relações intrínsecas. Mesmo sem a expansão evoluída da propriedade privada. a riqueza do trabalho e a indústria é trabalho concretizado.é percebida. não concebidas ainda como uma contra dição. a antítese entre a não-posse de propriedade (*) e propriedade ainda é uma antítese indeterminada. O trabalho. antes de mais nada. é a industria moderna como Pessoa. portanto. apenas como trabalho agrícola.A aristocracia nega a riqueza específica. do trabalho) e o capital industrial é a forma objetiva concretizada da propriedade privada. ex. constituem propriedade privada como a relação ampliada da contradição e. essa seqüência se repete no estudo científico da essência subjetiva da propriedade privada. o trabalho é. indústria formando-se a si mesma como tal . então. mas considerado o trabalho como sua essência. subdividido e.

natural e necessária de ser humano como ser humano é também a relação do homem com a mulher. e pelo retorno â simplicidade inatural (IV) do pobre e indigente que não só ainda não ultrapassou a propriedade privada. e em conseqüência pleiteia o papel exclusivo dos industriais e um melhoramento da situação dos operários. Nesta relação natural da espécie. A comunidade é só uma comunidade de trabalho e de igualdade de salários pagos pelo capital comunal. Quão pouco essa eliminação da propriedade privada representa uma apropriação genuína é demonstrado pela negação abstrata de todo o mundo da cultura e da civilização. mas ampliado a todos os homens. a essência do trabalho. a ascendência da propriedade material avulta de tal maneira que visa a destruir tudo que for incapaz de ser possuído por todos como propriedade privada. o comunismo e a expressão positiva da abolição da propriedade privada e. Fourier. como tal. em que estas se tornam comunais e propriedade comum. o mundo objetivo do homem) terá de passar da relação de casamento exclusivo com o proprietário particular para a de prostituição universal com a comunidade. manifesta-se a infinita degradação em que o homem existe para si mesmo. mas nem ainda a atingiu. apenas a generalização e concretização dessa relação. pelo contrário. A inveja universal estabelecendo-se como uma potência é apenas uma forma camuflada de cupidez que se reinstaura e satisfaz de maneira diferente. da propriedade privada universal. como presa e serva da luxúria comunal. A relação imediata. Finalmente. o tipo exemplar de trabalho. Esse comunismo. o comunismo é (1) em sua primeira forma. pois o segredo dessa relação encontra sua expressão inequívoca. Entendendo essa relação em seu aspecto universal. não-livre) é visto como a fonte da nocividade da propriedade privada e de sua alienação em relação ao homem. destarte. encara o trabalho agrícola como sendo. que nega a personalidade do homem em todos os setores. inconteste. Ele quer abolir o talento. a relação do homem com a natureza é diretamente sua relação com o homem. Os dois aspectos da relação são elevados a uma suposta universalidade. Pode-se dizer que essa idéia de comunidade das mulheres é o segredo de Polichinelo desse comunismo inteiramente vulgar e irrefletido. O comunismo vulgar é apenas o paroxismo de tal inveja e nivelamento por baixo. igualmente todo o mundo das riquezas (i. A posse física imediata parece-lhe a única meta da vida e da existência. ser o trabalho industrial. o casamento (que é incontestavelmente a forma de propriedade privada exclusiva) é posto em contraste com a comunidade das mulheres. que é essa negação. Por fim. de fato.. Os pensamentos de toda propriedade privada individual são. e sua relação com o homem é . a essência da competição. de acordo com os Fisiocratas. dirigidos contra qualquer propriedade privada mais abastada. pela comunidade como capitalista universal. Na relação com a mulher. e o capital como a universalidade e poder admitidos na comunidade. sob a forma de inveja e do desejo de reduzir tudo a um nível comum.por isso. essa tendência a opor a propriedade privada em geral à propriedade privada é expressa de maneira animal. etc. no mínimo. Saint-Simon assevera. o trabalho como uma situação em que todos são colocados. Assim como as mulheres terão de passar do matrimônio para a prostituição universal. ele aparece numa forma dupla. é. A relação da propriedade privada continua a ser a da comunidade com o mundo das coisas. é somente a expressão lógica da propriedade privada. O papel do trabalhador não é abolido. pela força. baseado em um mínimo preconcebido. em primeiro lugar. essa inveja e nivelamento por baixo constituem. Como tal. pelo menos. franca e patente na relação do homem com a mulher e na maneira pela qual se concebe a relação direta e natural da espécie.

até que ponto o homem se tornou. É a verdadeira solução do conflito entre existência e essência. e entre o homem e seu semelhante. pois. na evolução da propriedade privada e. Em ambas as formas. ainda se acha cativo e contaminado pela propriedade privada. Compreendeu bem o conceito. assim como a teórica. do caráter dessa relação. o comunismo vulgar. A primeira anulação positiva da propriedade privada. O comunismo como um naturalismo plenamente desenvolvido é humanismo e como humanismo plenamente desenvolvido é naturalismo. o repúdio da auto-alienação do homem. até que ponto sua natureza humana se tornou natureza para ele. o comunismo ainda não desenvolvido procura. (2) O comunismo (a) ainda político em sua natureza. o retorno do homem a si mesmo como um ser social. Ao fazê-lo ele deixa claro que. (3) O comunismo é a abolição positiva da propriedade privada. como pessoa. . ao passo que o outro. se jamais existiu. da auto-alienação humana e. isto é. mas ainda incompleto e influenciado pela propriedade privada. tanto a gênese real do comunismo (o nascimento de sua existência empírica) quanto sua consciência pensante. realmente humano. até que ponto a outra pessoa. conseqüentemente. se tornou uma de suas necessidades. do sistema econômico. Portanto. (V) Assim. nessa relação se revela sensorialmente. Também mostra até que ponto as necessidades do homem se tornaram necessidades humanas e. o comunismo já se dá conta de ser a reintegração do homem. como ainda não aprendeu a natureza positiva da propriedade privada. é. reduzida a um fato observável. até que ponto a natureza humana se tornou natureza para o homem e a natureza se tornou natureza humana para ele. a mor parte desse desenvolvimento contradiz suas próprias afirmações e que.diretamente sua relação com a natureza. todo o desenvolvimento histórico. e até que ponto ele é. ao mesmo tempo um ser social. com esse fito. sua existência pretérita refuta sua pretensão a entidade essencial. e até que ponto sua essência humana se tornou uma essência natural para ele. portanto. Dessa relação. de longe. ou a natureza humana das necessidades. uma justificação baseada no que já existe e. É a resolução definitiva do antagonismo entre o homem e a natureza. um ser humano. entre indivíduo e espécie. apresentando-os como provas de seu pedigree histórico. em sua existência individual. mas não a essência. apenas uma forma fenomenal da infâmia da propriedade privada representando-se como comunidade positiva. É fácil entender a necessidade que leva todo movimento revolucionário a encontrar sua base empírica. a verdadeira apropriação da natureza humana através do e para o homem. entre objetificação e auto-afirmação. ele é. portanto. com sua própria função natural. (b) com a abolição do Estado. pode-se estimar todo o nível de evolução do homem. um ser-espécie. e seu processo entendido e consciente de vir-a-ser. por conseguinte. mais precisamente. e se entende assim. A relação do homem com a mulher é a mais natural de ser humano com ser humano. Conclui-se. Ela indica. até que ponto o comportamento natural do homem se tornou humano. entre liberdade e necessidade. seu retorno a si mesmo. um regresso completo e consciente que assimila toda a riqueza da evolução prece dente. democrático ou despótico. em certas formas históricas contrarias a propriedade privada. arranca de seu contexto elementos isolados desse desenvolvimento (Cabet e Villegardelle destacam-se entre os que se dedicam a esse passatempo). pela alienação do homem. Porém. isto é. É a resposta ao enigma da História e tem conhecimento disso.

portanto. O comunismo começa onde começa o ateísmo (Owens).. mas o ateísmo de início está bem longe de ser comunismo.que me é dado como um produto social. o naturalismo realizado do homem e o humanismo realizado da natureza. na maior parte. a ciência. e por isso.. bem como o resultado. a evolução em diferentes nações tem início diferente. é. a realização ou realidade do homem. A substituição positiva da propriedade privada como apropriação da vida humana. com isso. unicamente uma filantropia filosófica abstrata. é. uma atividade que raramente posso conduzir em associação direta com outros homens. a moral. Só. e o retorno do homem. do Estado. o material do trabalho e o próprio homem como sujeito são o ponto de partida. diretamente perceptível.. da mesma forma que a sociedade produz o homem como homem. ao mesmo tempo é a existência dele para outros homens e a destes para ele. ainda uma abstração. sua existência humana. etc. seja mais uma vida real ou ideal. a si mesmo e a outros homens. A existência natural do homem tornou-se. é a expressão material e sensória da vida humana alienada.como a própria língua que o pensador utiliza . para sua vida humana. i. de forma alguma. e com a consciência de agir como um ser social. Assim. Minha própria existência é uma atividade social. a sociedade é a união efetiva do homem com a natureza. efetuo um ato social. . i. Seu movimento produção e consumo . Ainda quando realizo trabalho cientifico. assim como em sua origem. da família. atividade e espírito que se exprimem e confirmam diretamente em associação real com outros homens. é a substituição de toda alienação. por ser humano. Logo.Essa propriedade privada material. da religião. sua substituição afeta ambos os aspectos. A atividade e o espírito são sociais em seu conteúdo. Analogamente. Por essa razão. a filantropia do ateísmo é. A alienação religiosa como tal. Vimos como. Sem embargo. também ela é produzida por ele. o Estado. Não é só o material de minha atividade . Por conseguinte. a natureza e a base da própria experiência humana dele e um elemento vital da realidade humana. de fato. então. o caráter social e o caráter universal de todo o movimento. a princípio. A religião. ocorre somente no campo da consciência. o que eu próprio produzo. Está claro. etc. o homem produz o homem. (VI) A atividade social e o espírito social não existem apenas. porque só neste caso a natureza é um laço com outros homens. a base de sua existência para outros e da existência destes para ele. a família.e a manifestação sensória do movimento de toda a produção anterior. mas a alienação econômica e a da vida real. o faço para a sociedade. a arte. desse movimento (e porque deve haver esse ponto de partida. ele é. conforme a vida efetiva e estabelecida das pessoas esteja mais vinculada ao reino da mente ou ao mundo exterior. na vida interior do homem.é. a atividade e o espírito comunais. a propriedade privada é uma necessidade histórica). o Direito. social. e a própria natureza tornou-se humana para ele. enquanto a do comunismo é desde logo real e orientada e voltada para a ação. são apenas formas particulares de produção e enquadram-se em sua lei geral. a verdadeira ressurreição da natureza. i. sob a forma de atividade ou espirito que sela diretamente comunal. etc. na suposição da propriedade privada ter sido positivamente revogada. como o objeto que é a atividade direta de sua personalidade. O significado humano da natureza só existe para o homem social. eles são atividade social e espírito social. ocorrem sempre onde essa expressão direta de sociabilidade brote do conteúdo da atividade ou corresponda à natureza do espírito.

e. a vida-espécie confirma- se na consciência como espécie e existe por si mesma em sua universalidade como ser pensante. em sua ação objetiva (sua ação com relação ao objeto) a apropriação desse objeto. um ser comunal realmente individual . ou da vida-espécie seja um modo mais específico ou mais geral da vida individual. uma manifestação e afirmação de vida social. conquanto o modo de existência da vida individual seja um modo mais especifico ou mais geral da vida-espécie. como órgãos que são de forma diretamente comunal (VII). Ele existe na realidade como a representação e o verdadeiro espirito da existência social. reciprocamente.ele é igualmente o conjunto. i. vestido. A maneira pela qual eles reagem ao objeto é a confirmação da realidade humana. e é justamente esta particularidade que o torna um indivíduo. sentir. Embora o homem seja um indivíduo original. a apropriação sensorial da essência humana e da vida humana do homem objetivo e das criações humanas. tal e qual sua manifestação de vida é também sua alienação da vida e sua realização própria uma perda da realidade.em suma. e como a soma da manifestação humana da vida. Pensar e ser são deveras distintos. não devem ser consideradas exclusivamente na acepção de fruição imediata e exclusiva. (1) É efetividade humana e sofrimento humano.. e reproduz sua existência real em pensamento. realizada em associação com outros homens . A vida humana individual e a vida-espécie não são coisas diferentes. desejar. considerado humanamente.ainda quando não apareça diretamente sob a forma de manifestação comunal. A manifestação da vida dele .ver. cheirar. o indivíduo em particular é apenas um determinado ente-espécie. por conseguinte. ouvir. A propriedade privada tornou-nos tão néscios e parciais que um objeto só e nosso quando o temos. mas também formam uma unidade. mortal. Por isso é que a atividade de minha consciência universal como tal é minha existência teórica como um ser social. todos os órgãos de sua individualidade. pensar. apesar de a propriedade privada propriamente dita só conceber essas várias formas de posse como . Em sua consciência como espécie. e portanto como homem integral. é uma fruição do eu pelo homem. como tal. etc. assim também a revogação positiva da propriedade privada. bebido. amar . é mister evitar conceber a "sociedade" uma vez mais como uma abstração com que se defronta o indivíduo. A morte parece ser uma impiedosa vitória da espécie sobre o indivíduo e contradizer sua unidade. é. embora no presente essa consciência universal seja uma abstração da vida real e oposta a esta como uma inimiga. a apropriação da realidade humana. (4) Tal e qual a propriedade privada é a mera expressão sensorial do fato de o homem ser ao mesmo tempo um fato objetivo para si mesmo e tornar-se um objeto estranho e não-humano para si mesmo. agir. O homem apropria seu ser multiforme de maneira global. porém. observar. utilizado de alguma forma. a entidade social. saborear. pelo e para o homem. a existência subjetiva da sociedade como é imaginada e vivenciada. Todas as suas relações humanas com o mundo . o homem confirma sua verdadeira vida social. quando existe para nós como capital ou quando é diretamente comido.Minha consciência universal é apenas a forma teórica daquela cuja forma viva é a comunidade real. habitado. O indivíduo é o ser social. ou na de possuir ou ter. pois o sofrimento. Acima de tudo. são. em síntese.é. o conjunto ideal. o aparecimento de uma realidade estranha.

e quando ele próprio se torna um ser social e a sociedade se torna para ele. portanto. assim como o ouvido humano diferentemente do ouvido bruto. ela valia tanto quanto as tendências da natureza e das atividades humanas. um ser. O olho tornou-se olho humano quando seu objeto passou a ser um objeto humano. Por um lado. O caráter distintivo de cada faculdade é precisamente sua essência característica e. todos os sentidos físicos e intelectuais foram substituídos pela simples alienação de todos eles. por exemplo. pois é exatamente o caráter determinado dessa relação que constitui o modo real específico de afirmação. mas a própria coisa é uma relação humana objetiva consigo mesma e com o homem. (2) A necessidade e a fruição. são constituídos órgãos sociais sob a forma de sociedade. O ser humano tinha de ser reduzido a essa pobreza absoluta a fim de poder dar à luz toda sua riqueza interior. Logo. Os sentidos. e portanto a realidade de suas próprias faculdades. Assim. Isso somente é possível quando o objeto se torna um objeto social. criado pelo homem e a este destinado. que todos os objetos se tornam para ele a objetificação dele próprio. pois. Semelhantemente. Eles se relacionam com a coisa em atenção a esta.trabalho e criação de capital. é só quando o objeto se torna um objeto humano. (2) Na prática. o próprio homem torna-se o objeto. O objeto não e o mesmo para o olho que para o ouvido. e a natureza perdeu sua mera utilidade pelo fato de sua utilização ter-se tornado utilização humana. (1) Por conseguinte. confirmam e realizam a individualidade dele. só posso relacionar-me de maneira humana com uma coisa quando esta se relaciona de maneira humana com o homem. Ela é essa emancipação porque esses atributos e sentidos tornaram-se humanos. A maneira pela qual esses objetos passam a ser dele. Os objetos. pelo sentido de ter. também. Conforme vimos. não é apenas em pensamento (VIII). social. tanto sob o ponto de vista subjetivo quanto sob o objetivo. a realidade humana. então. os sentidos e os espíritos dos outros homens tornaram-se sua própria apropriação. portanto. eles são os objetos dele próprio. de seu ser objetivamente real. a emancipação completa de todos os atributos e sentidos humanos. mas por intermédio de todos os sentidos que o homem se afirma no mundo objetivo. o modo característico de sua objetificação. Portanto. tornaram-se direta mente teóricos na prática. que o homem não fica perdido nele. depende da natureza do objeto e da natureza da faculdade correspondente. ) A anulação da propriedade privada é. pois. ou humanidade objetiva. . e. É evidente que o olho humano aprecia as coisas de maneira diferente do olho bruto. perderam seu caráter egoísta. é só quando a realidade objetiva em toda parte se torna para o homem-em- sociedade a realidade das faculdades humanas. e vice-versa. para o ouvido que para o olho. a atividade em associação direta com outros tornou- se um órgão para a manifestação da vida e um modo de apropriação da vida humana.meios de vida e a vida para a qual eles servem como meios ser a vida da propriedade privada . além desses órgãos diretos. (Sobre a categoria de ter ver Hess em Einundzwanzig Bogen. não-humano. nesse objeto. vivo. i.

não é capaz de apreciar o mais belo espetáculo. os materiais necessários para essa evolução cultural. O vendedor de minerais só vê seu valor comercial. arte e literatura.). como política. ou como história em seu aspecto geral. Ele só pode existir para mim na medida em que minha faculdade existe por si mesma como capacidade subjetiva. deixam de existir como tais antinomias. e também para criar os sentidos humanos correspondentes a toda a riqueza do ser humano e natural. em suma. e uma psicologia humana que pode ser apreendida sensorialmente. Sua resolução não é. não sua beleza ou suas características particulares. Para um homem faminto. Exatamente como no início a sociedade encontra. a seguir. sentidos capazes de satisfação humana e que se confirmam como faculdades humanas) é cultivada ou criada. a objetificação da essência humana tanto teórica quanto praticamente. mas apenas seu caráter abstrato como alimento. abstrato. assim também a sociedade plenamente constituída produz o homem em toda a plenitude de seu ser. apenas um problema de conhecimentos. um olho sensível à beleza das formas. A resolução das contradições teóricas somente é possível através de meios práticos. mas só sob um ponto de vista utilitário superficial. mas um problema real da vida. porquanto o significado de um objeto para mim só se estende até onde o sentido se estende (só faz sentido para um sentido adequado). O sentido subserviente às necessidades grosseiras só tem um significado restrito. etc. O sentido musical do homem só é despertado pela música. A indústria material quotidiana (que pode ser concebida como parte daquela evolução geral. o homem rico dotado de todos os sen tidos.Consideremos. portanto. desde que na situação de alienação só era viável conceber faculdades humanas reais e ação da espécie humana sob a forma de existência humana em geral. sob a forma de objetos úteis sensoriais. assoberbado de cuidados. Assim. assim. ele não possui senso mineralógico. os sentidos práticos (desejar. deixam de ser antinomias e. o aspecto subjetivo. a evolução geral pode ser concebida como parte específica da industria. O homem necessitado. de maneira alienada. atividade auto-alienação) revela-nos. amar. é um livro aberto das faculdades humanas. etc. somente através da energia prática do homem. atividade e passividade. a sensibilidade humana e o caráter humano dos sentidos. E só por intermédio da riqueza objetivamente desdobrada do ser humano que a riqueza da sensibilidade humana subjetiva (um ouvido musical. como religião. ou igualmente. em suma. visto que toda a atividade humana até agora tem sido trabalho. não e um objeto para ele. e é impossível afirmar de que modo essa atividade de alimentar-se diferia da dos animais. que a filosofia foi incapaz de solucionar exatamente porque viu nele um problema puramente teórico. Essa história não foi até aqui concebida com relação à natureza humana. como uma realidade permanente. que só podem vingar através da existência de seu objeto. indústria. a forma humana de alimento não existe. Por essa razão. as faculdades . os sentidos do homem social são diferentes dos do homem não-social. graças ao desenvolvimento da propriedade privada com sua riqueza e pobreza (tanto intelectual quanto material). Pois não são apenas os cinco sentidos. porque meu objeto só pode ser a corroboração de uma de minhas próprias faculdades. através da natureza humanizada. e a indústria como existe objetivamente. mas igualmente os chamados sentidos espirituais. de forma alguma. espiritualismo e materialismo. é necessária para humanizar os sentidos humanos. O cultivo dos cinco sentidos é a obra de toda a história anterior. E só em um contexto social que subjetivismo e objetivismo. é. Poderia muito bem existir na mais tosca forma. i. Pode ser notado que a história da indústria. A mais bela musica não tem significado para o ouvido não- musical.

mesmo que essa grande riqueza de atividade humana nada mais signifique para ela senão. porque a natureza diretamente perceptível é para o homem experiência sensorial. o elemento da manifestação viva do pensamento. encarando-a como um fator de esclarecimento. embora de forma alienada. contudo. parte mais sensivelmente presente e acessível da História."necessidade". é. A própria historiografia só leva a ciência natural em conta fortuitamente. A própria História é uma parte real da História Natural.em base da vida humana prática.o próprio homem . quiçá. A experiência dos sentidos (ver Feuerbach) tem de ser a base de toda ciência. mas faltou o poder para efetivá-la. haverá uma única ciência. como se desenvolve por intermédio da indústria. é verdadeiramente natureza antropológica. com o homem. Ela transformou a vida humana e preparou a emancipação da humanidade. como se desenvolve através da história humana. O primeiro objeto para o homem . de utilidade prática e de determinados grandes descobrimentos. permaneça fechado. Havia um desejo de união. ou melhor. tal como já se converteu . só podem alcançar o conhecimento próprio na ciência do ser natural. A ciência natural algum dia incorporará a ciência do homem. Mas. i. e as faculdades humanas sensórias em particular. só quando procede da natureza. penetrou mais praticamente na vida humana por intermédio da indústria. a experiência sensorial. e para o desenvolvimento das necessidades humanas (as necessidades do homem como tal). Mas a filosofia tem-se mantido alheia a essas ciências. O conjunto da História é uma preparação para o 'homem" tornar-se um objeto da percepção sensorial. A natureza. abandonará sua orientação materialista abstrata. a linguagem. então. e portanto da ciência natural. no ato de gênese da sociedade humana. A ciência só é ciência genuína quando procede da experiência dos sentidos. Seu momentâneo rapprochement foi somente uma ilusão fantasiosa. A realidade social da natureza e ciência natural humana ou ciência natural do homem.humanas essenciais transformadas em objetos. e se tornará a base de uma ciência humana. a priori . Que se deve pensar de uma ciência que se mantém apartada de todo esse enorme campo do trabalho humano e que não se sente sua própria inadequação. são expressões idênticas. é de natureza sensorial. que só podem encontrar realização objetiva em objetos naturais. a essência humana da natureza e a essência natural do homem também podem ser entendidas.é a natureza. Nenhuma psicologia para a qual esse livro. exatamente como elas o têm feito em relação à filosofia. pode tornar-se uma ciência de verdade com um conteúdo genuíno. Uma base para a vida e outra para a ciência é. assim. a natureza é o objeto direto da ciência do homem. conquanto seu efeito imediato fosse acentuar a desumanização do homem. Sua própria experiência sensorial só existe como experiência sensorial humana através da outra pessoa. exatamente como a ciência do homem incorporará a ciência natural.malgrado de forma alienada . é. A indústria é a relação histórica concreta da natureza. A ciência natural. O próprio elemento do pensamento. Se a indústria é concebida como a manifestação exotérica das faculdades humanas essenciais. i. Sua própria experiência sensorial só existe como a outra pessoa que lhe é diretamente apresentada de maneira sensorial. a natureza. é a natureza concreta do homem. nas duas formas de percepção sensorial e necessidade sensória. O homem é o objeto direto da ciência natural. . do aperfeiçoamento da natureza até chegar ao homem. A ciência natural. uma falsidade. o que pode ser expresso na simples expressão . idealista. "necessidade comum"? As ciências naturais desenvolveram uma atividade tremenda e reuniram uma sempre crescente massa de dados.

ao mesmo tempo. teremos o homem rico e a plenitude da necessidade humana. quando ele é a origem dela. e cuja própria auto-realização existe como uma necessidade interior. em uma perspectiva socialista. (5) Um ser não se encara a si mesmo como independente a menos que seja seu próprio senhor. Pergunte-se se sua pergunta não nasce de um ponto de vista a que eu não posso responder por que ele é deturpado. como igualmente sua criação. seja coerente. Não só a riqueza como também a pobreza do homem. aquele que precisa de um complexo de manifestações humanas da vida. no ato da geração. dizer a um indivíduo em particular do que Aristóteles disse: você foi gerado por seu pai e sua mãe. um produto da abstração. adquire. Essa consciência e incapaz de conceber a natureza e o homem existindo por sua própria conta. e se pensa no homem e na natureza como não-existentes (XI) pense também em você como não- existente. e portanto social. você está abstraindo estes. segundo o qual o homem. eu vivo completamente por favor de outra pessoa quando lhe devo não apenas a continuação de minha vida. i. é difícil de eliminar da consciência popular. em si mesma. e ele só é seu próprio senhor quando deve sua existência a si mesmo. a progressão infinita e perguntar a seguir: quem gerou meu pai e meu avô? Também se tem de ter em vista o movimento circular. o homem sempre permanece como sujeito. Você os supõe não-existentes e quer que eu demonstre que eles existem. ver-se-á como. pois você também é homem e natureza. é. É fácil. A pobreza é o vinculo passivo que leva o homem a experimentar uma carência da máxima riqueza. reproduz-se a si mesmo: destarte. perceptível nessa progressão. que leva ainda mais adiante ao ponto onde eu pergunto: quem criou o primeiro homem e a natureza como um todo? Só posso responder: sua pergunta é. Generatio aequivoca (geração espontânea) é a única refutação prática da teoria da criação. não basta ter em mente apenas um dos dois aspectos. Não pense nem formule quaisquer perguntas. a outra pessoa. O homem rico é. Mas. pois logo que você o faz sua abstração da existência da natureza e do homem se torna sem sentido. pois. todavia. o significado humano. A idéia de criação. é a paixão que aqui se torna a atividade de meu ser. Replico: desista de sua abstração e ao mesmo tempo você abandonará sua pergunta. mas quer que você exista? . A idéia da criação da Terra recebeu sério golpe da ciência da geogenia. a rotura sensorial de minha atividade vital. deveras. Pergunte a si mesmo como chegou a essa pergunta. pois tal existência contraria todos os fatos tangíveis da vida prática. Minha vida tem forçosamente uma causa assim extrínseca quando não é de minha própria criação. da ciência que descreve a formação e o desenvolvimento da Terra como um processo de geração espontânea. Ou será você tão egoísta que concebe tudo como não-existente. Se você indaga acerca da criação da natureza e do homem. mas em troca você deve aceitar a progressão. Vê-se. que produziu o ser humano. O ímpeto da entidade objetiva dentro de mim. responder-se-á: admito esse movimento circular. como uma carência. se você quer manter sua abstração. Um homem que vive pelo favor de outro. pois. em lugar da riqueza e pobreza da Economia Política. Por conseguinte.A partir daqui. Pergunte-se se essa progressão existe como tal para o pensamento racional. considera-se um ser dependente. e conseqüentemente foi o coito de dois seres humanos. Ou então. um ato da espécie humana. Mas. que mesmo em um sentido físico o homem deve sua existência ao homem.

sua necessidade cresce com o poder crescente do dinheiro. e induzi-lo a um novo tipo de prazer e. ele parte da percepção teórica e prática sensorial do homem e da natureza como seres essenciais. Excesso e imoderação passam a ser seu verdadeiro padrão. mas o comunismo não é em si mesmo a meta da evolução humana . Uma nova manifestação das forças humanas e um novo enriquecimento do ser humano. na experiência sensorial. e conseqüentemente também a um novo sistema de produção e a um novo objeto de produção. de suas próprias origens. etc. pois ele é uma negação de Deus e procura afirmar. Todos procuram estabelecer um poder estranho sobre os outros. não mais uma autoconsciência alcançada graças à negação da religião. Nenhum eunuco lisonjeia a seu tirano de forma . É autoconsciência positiva humana. se tenha tornado evidente na vida prática. ele. O socialismo dispensa esse método assim tão circundante. é. não mais faz sentido. em uma perspectiva socialista. também se reduz a si mesmo. Com a massa de objetos. O comunismo é a fase de negação da negação e é. ele tem necessidade crescente de dinheiro para poder apossar-se do ser hostil. O ateísmo. a existência do homem. ela tem o significado diametralmente oposto. Uma vez que a essência do homem e da natureza. O homem torna-se cada vez mais pobre como homem. o conjunto do que se chama história mundial nada mais é que a criação do homem pelo trabalho humano.Você pode retrucar: não quero conceber a inexistência da natureza. por essa negação. O comunismo é a forma necessária e o princípio dinâmico do futuro imediato. em parte pelo fato de a expansão da produção e das necessidades tornar-se uma subserviência engenhosa e sempre calculista a apetites desumanos. em conseqüência. em seu próprio desenvolvimento. Cada homem especula sobre a criação de uma nova necessidade no outro a fim de obrigá-lo a um novo sacrifício. A propriedade privada não sabe como transformar a necessidade bruta em necessidade humana. e a única necessidade por esta criada. depravados. Dentro do sistema da propriedade privada. i. para o socialista. Cada novo produto é uma nova potencialidade de mútua fraude e roubo. A necessidade de dinheiro é. cresce também o reino de entidades estranhas a que o homem se vê submetido. pois. capricho e ilusão. Isso é demonstrado subjetivamente. um fator real e necessário na emancipação e reabilitação do homem. Como. à riqueza das necessidades humanas. antinaturais e imaginários. por conseguinte. O poder de seu dinheiro diminui na razão direta do aumento do volume da produção. por conseguinte.a forma da sociedade humana. só lhe pergunto acerca do ato de criação dela. Assim como ele reduz toda entidade a sua abstração. um ser acima do homem e da natureza (busca essa que é uma confissão da irrealidade do homem e da natureza) torna-se praticamente impossível. a necessidade real criada pela economia moderna. portanto. seu idealismo é fantasia. a uma entidade quantitativa. no entanto. à ruína econômica. tal como indago do anatomista sobre a formação dos ossos. para a próxima etapa da evolução histórica. e a emergência da natureza para o homem. o homem como um ser natural e a natureza como uma realidade humana. etc. '         Š  (XIV) (7) Vimos que a importância deve ser atribuída. exatamente como a vida real do homem é positiva e não mais alcançada graças à negação da propriedade privada. como negação desse irrealismo. por meio do comunismo. a busca de um ser estranho.. tem a prova evidente e irrefutável de sua autocriação. A quantidade de dinheiro torna-se cada vez mais sua única qualidade importante. colocá-lo sob nova dependência. para com isso encontrar a satisfação de suas próprias necessidades egoístas.

é utilizada para fazer operários dos que ainda estão crescendo. do que o eunuco da indústria. de modo a transformar o fraco ser humano em máquina. ou melhor. ou de que ele pode ser despejado se não pagar o aluguel. A maquinaria é adaptada à fraqueza do ser humano. animal. Luz. como correspondente. Para o trabalha dor. o moinho acionado pelos pés dos escravos romanos tornou-se o modo de produção e o modo de existência de muitos operários ingleses. assim também toda necessidade material é uma oportunidade para a gente aproximar-se do próximo. ao menos. uma selvajaria bestial. uma simplicidade completa. A imundície. a natureza putrefata. o dinheiro desta. A simplificação da maquinaria e do trabalho. Nenhum de seus sentidos sobrevive.") O homem de empresa concorda com os mais depravados caprichos de seu próximo. A exploração universal da vida humana em comunidade. desperta apetites mórbidos. posteriormente. enquanto o próprio operário converteu-se em uma criança desatendida de qualquer cuidado. até a necessidade de ar fresco deixa de ser uma necessidade. é sempre a homens de negócios empíricos que nos referimos quando falamos de economistas. desempenha o papel de alcoviteiro entre eles e suas necessidades. primitiva e abstrata das necessidades. e a mais singela limpeza animal deixam de ser necessidades humanas. um ponto em que seu coração é acessível ao sacerdote. Você sabe qual tinta tem de usar para entregar-se a mim. mas você conhece a conditio sine qua non . deixa de existir para o trabalhador. que ainda estão imaturos. e ainda assim só da pior espécie. porém. O homem volta novamente a morar em cavernas. passa a ser o elemento em que ele vive. Primeiramente.comer batatas. reivindicar a remuneração por esse serviço de amor. Os processos (e instrumentos) mais grosseiros de trabalho humano reaparecem. O fato de o aumento das necessidades e dos meios de satisfazê-las resultar em uma falta de atendimento das necessidades e meios de satisfazê-las. o homem de empresa. seja mesmo em forma não-humana.mais desavergonhada nem procura por meios mais infames estimular seu apetite embotado. a fim de adquirir algumas moedas de prata ou de atrair o ouro da bolsa de seu amado próximo. crianças. fazer exercício e ter companheiros. pois elas se transformaram em residências estranhas que de repente podem não estar mais disponíveis. assim. Ele tem de pagar por esse sepulcro. ar. e presta atenção a cada fraqueza a fim de. a fim de granjear algum favor. que são sua auto-revelação e existência científica). indica como uma das grandes dádivas por meio das quais converteu selvagens em homens. em Ésquilo. Como toda imperfeição do homem é um vínculo com o céu. mas agora é envenenado pelo ar pestilento da civilização. A residência cheia de luz que Prometeu. Mas a França e a Inglaterra já possuem em toda cidade industrial uma pequena Irlanda. Os irlandeses não mais têm nenhuma necessidade senão a de comer . Não basta que o homem perca suas necessidades humanas. Selvagens e animais podem. reduzindo as necessidades do . dar-lhe-ei aquilo de que você precisa. seja sob forma humana. nele. com efeito. Toda necessidade real ou potencial é uma fraqueza que atrairá o passarinho para o visgo. é demonstrado de várias maneiras pelo economista (e pelo capitalista. satisfazer suas necessidades de caçar. até as necessidades animais desaparecem. Eu o trapacearei ao proporcionar-lhe satisfação. batatas bolorentas. com uma atitude amistosa. Negligência total e antinatural. essa corrupção e putrefação que corre pelos esgotos da civilização (isto deve ser tomado literalmente). e dizer: "Caro amigo. Essa alienação é em parte mostrada pelo fato de o requinte das necessidades e dos meios de satisfazê-las produzir. (Todo produto é uma isca por meio da qual o indivíduo tenta engodar a essência da outra pessoa. torna-se o elemento em que o homem vive. simplesmente reproduzir-se no sentido oposto. O trabalhador só tem um direito precário a habitá-las.

os primeiros admitem que desejam luxo a fim de criar trabalho. A Economia Política. Say. a ciência da riqueza. comprar livros. luxo. Alguns economistas (Lauderdale. tanto maior será nossa vida alienada e maior será a economia de nosso ser alienado. Seu verdadeiro ideal é o sovina. pintar. si mesmo. enquanto outros (Ricardo. Ele pode adquirir arte.trabalhador às míseras exigências ditadas pela manutenção de sua existência física. Quanto menos se for. O segundo grupo é hipócrita. e ninguém precisa do servo do dono. da privação e da poupança. pode-se comer. e o escravo ascético porém produtivo. ir ao baile e ao teatro. Os primeiros têm a idéia romântica de que a avareza não deve determinar por si só o consumo dos ricos. Assim. Assim. esgrimir. seus opositores. assim como transforma a atividade dele em uma abstração pura de toda atividade. e no entanto declara ser esse gênero de vida um gênero humano de vida. Chegou mesmo a achar uma arte servil para corporificar essa idéia favorita. apesar de poder fazer tudo isso. Eles querem que a produção seja limitada a "coisas úteis". ele é a verdadeira opulência. doutrinar. todo o luxo da classe trabalhadora parece-lhe condenável. Ele pode apropriar todas essas coisas para a gente. beber. poder político. Mas. A ciência de uma indústria maravilhosa é. que foi apresentada de forma sentimental no palco. Sua tese principal é a renúncia à vida e às necessidades humanas. portanto. Esquecem-se das "necessidades requintadas". Seu ideal moral é trabalhador que leva uma parte do salário para a caixa econômica. o dinheiro pode fazer para a gente. Esquecem-se de que. i. e reduzindo a atividade dele aos movimentos mecânicos mais abstratos. ao não admitir que são o capricho e a fantasia que determinam a produção. que de fato consegue privar o homem de ar fresco e de atividade física. aceitando como padrão geral de vida (geral por ser aplicado à massa dos homens) a vida mais pobre que se possa conceber. ao mesmo tempo. a mais moralista de todas as ciências. poupança absoluta. a ciência da renúncia. Quando se possui o dono. Mas. Quanto menos se comer. a produção tem de tornar-se sempre mais universal e luxuosa. o economista assevera que o homem não tem necessidade de atividade ou prazer além daquelas. pois tudo mais se lhe submete. mas esquecem que a produção de um número excessivo de coisas úteis . concomitantemente.o capital. for ao teatro ou a bailes. tanto mais se terá. a ciência do ascetismo. etc. tesouros históricos. devolve sob a de dinheiro e riqueza. também se possui o servo. Tudo o que o economista tira da gente sob a forma de vida e humanidade. quanto menos se exprimir nossa vida. etc) advogam o luxo e condenam a poupança. e pode-se viajar. cantar. pode comprar tudo. ele só quer criar a si mesmo. e deve desejar viver para ter isso. beber. etc. ela é uma ciência verdadeiramente moralista. e comprar a. através da competição. e que sem consumo não haveria produção. que é o uso que determina o valor das coisas e que o uso é função da moda. É verdade que apareceu certa controvérsia no campo da Economia Política. ou ao botequim. e quanto menos se pensar. e tudo que ultrapasse a mais abstrata exigência (quer se trate de uma satisfação passiva ou uma manifestação de atividade pessoal) é encarada como luxo. ele transformar o trabalhador em um ser destituído de sentidos e necessidades. Em segundo lugar. O trabalhador deve ter apenas o que lhe é necessário para desejar viver. advogam a poupança e condenam o luxo. todas as paixões e atividades têm de ser submersas na avareza.). tanto mais se poderá economizar e maior se tornará o tesouro imune à ferrugem e às traças . é. então. E tudo que não se pode fazer.. é. e contradizem suas próprias leis ao representar a prodigalidade como sendo um meio direto de enriquecer. saber. a despeito de sua aparência mundana e sequiosa de prazeres. i. amar. Malthus. que a prodigalidade diminui ao invés de aumentar minhas posses. Dessa maneira. demonstram com grande minúcia e convicção. ao passo que os últimos admitem que advogam a poupança a fim de criar a riqueza. ascético porém usurário.

mas ignora de fato e necessariamente a Moral quando se preocupa com a Economia Política. ou se eu vender meu amigo aos marroquinos (e a venda direta de homens ocorre em todos os países civilizados sob a forma de alistamento nas forças armadas)? Ele responderá: você não está agindo contra as minhas leis. a antítese entre Moral e Economia Política é em si mesma apenas aparente. sem rodeios. acha-se alienada da outra. porque cada uma delas é uma alienação particular do homem. nas camadas inferiores. a quem se deve dar crédito. Ambos os lados esquecem que prodigalidade e parcimônia. Michel Chevalier censura Ricardo por não levar em conta a Moral. luxo e abstinência.. mas também em nossa participação em interesses gerais. (Mill sugere louvor público aos que se mostrarem abstêmios nas relações sexuais. carecendo. franca. riqueza e pobreza. se se deseja ser econômico e evitar arruinar-se devido a ilusões.no entanto. Minha moralidade e religião econômicas nada têm a objetar. M. Há homens em demasia. virtude. que a Moral não aplica a mesma norma que a Economia Política. Não é essa a doutrina moral do ascetismo?) A produção de homens afigura- se uma desgraça pública. as leis morais. etc. Mas Ricardo deixa a Economia Política falar sua língua própria. ambígua. Tudo o que se possui deve ser tornado venal. e condenação pública aos que pequem contra a esterilidade do matrimônio. uma realidade. i. é atestada da forma mais chocante em sua teoria da população. uma aparência. uma mera impostura. e se o trabalhador for "moralizado" . pois o reflexo desta naquela é arbitrário e acidental. mas tem de levar em conta o que a Prima Moral e a Prima Religião têm a dizer. (XVII) cada uma está concentrada em uma área específica de atividade alienada e. O significado da produção com relação aos ricos é revelado no que tem para os pobres. são equivalentes. há uma antítese e igualmente não há antítese. Não se tem de ser abstinente apenas na satisfação de nossos sentidos diretos. prostituindo-o à concupiscência de outra pessoa (na França. sua manifestação é sempre requintada. útil. trabalho. A ausência de exigências.. mas como posso ser virtuoso se não estiver vivo e como posso ter uma boa consciência se não me der conta de nada? A natureza da alienação subentende que cada esfera aplica uma norma diferente e contraditória. ele será econômico ao procriar. porém Mas. A economia política da moral é a riqueza de uma boa consciência. Chevalier ignora a Economia Política. como comer. É assim que M. A Economia Política exprime à sua própria maneira. etc. por sua vez. ao preocupar-se unicamente com a Moral.resulta em muitas pessoas inúteis. ela é crua. como princípio da economia política. etc. a economia política promete satisfazer minhas necessidades. é. ao economista ou ao moralista? A moral da economia política é ganho. Suponhamos que eu pergunte ao economista: estou agindo de acordo com as leis econômicas se ganhar dinheiro com a venda de meu corpo. parcimônia e sobriedade . o que é literalmente verdadeiro). No alto. os operários chamam à prostituição de suas esposas e filhas a enésima hora de trabalho. ou então é essencial e só pode ser então uma relação entre as leis econômicas e a Moral. nossa compaixão. não se deve condená-lo se essa língua não é a da Moral. A própria existência do homem é puro luxo. disfarçada. pode Ricardo ser chamado à responsabilidade? Outrossim. etc. confiança. Se não existe uma relação assim. de qualquer base ou caráter científico. A necessidade áspera do trabalhador é fonte de muito maior lucro do que a necessidade requintada do ... assim.

em par te o capital como ele mesmo um instrumento de trabalho (a máquina é capital fixo. mas antes. Assim como a indústria se reflete no refinamento das necessidades. As nações ainda estonteadas pelo fulgor físico de metais preciosos e. pelo menos tratado com brandura pela polícia inglesa. são. uma que parte da propriedade privada)[N2] . i. prática. o trabalho é um fator na atividade de seu capital. . no caso do fetichismo. na Inglaterra. a alienação da vida humana continua e uma . por causa da política. avançam para a garganta do outro. é. material. Seu luxo desmascara a relação real do luxo industrial e da riqueza com o homem. por exemplo. e é conseguida pela prática. . Está claro. Elas são. originada por si mesma. (3) o trabalho é capital. (2) a finalidade do capital dentro da produção . não são ainda nações financeiras plenamente desenvolvidas. A igualdade como base do comunismo é uma fundação política e é a mesma de quando os alemães apóiam sobre ela o fato de conceberem o homem como autoconsciência universal. não tiver sido produzido por meio do trabalho do próprio homem. a transcendência da alienação sempre provém da forma de alienação que é a força dominante. e na rudeza delas produzida artificialmente. tal como se fossem duas pessoas. é. cuja verdadeira alma é a auto- estupefação. o trabalho é a reprodução de seu capital-vida. Como esses dois fatores (XIX). a necessidade real. (7) o economista pressupõe a união original de capital e trabalho como união de capitalista e trabalhador. e conseqüentemente o sentido natural do homem. como a apropriação da existência humana que medeia entre uma e outra por meio da negação da propriedade privada não é a posição verdadeira. portanto. o único divertimento dominical do povo. A igualdade nada mais é que o alemão "Ich-Ich". (4) os salários fazem parte dos custos do capital. por isso. em parte o capital como matéria-prima (material do trabalho). (5) para o trabalhador. autoconsciência. um acontecimento fortuito que por isso pode ser explicado apenas pelas circunstâncias exteriores (ver Mill). Com pare-se a França com a Inglaterra. As tavernas inglesas. pois. na França. igualdade. ainda fetichistas do dinheiro metálico. Por fim. Essa é a situação paradisíaca original. Se agora caracterizarmos o próprio comunismo (pois. A percepção sensorial de um fetichista difere da de um grego porque sua existência sensorial é diferente. adequadamente. como negação da negação. i. (6) para o capitalista. auto- suficiente. em termos econômicos. que é idêntico ao trabalho) .abastado. A medida em que a solução de um problema teórico incumbe à prática. para o economista. Já vimos como o economista estabelece a unidade do trabalho e do capital de várias maneiras: (1) o capital é trabalho acumulado.é trabalho produtivo. representações simbólicas da propriedade privada. também o faz em sua rudeza. é. na Alemanha. a satisfação ilusória das necessidades. uma civilização dentro da barbárie grosseira da necessidade. traduzido para a forma francesa. assim. As moradias em porões de Londres dão mais aos senhorios do que os palácios. e a medida em que a prática correta é a condição para uma teoria verídica e positiva. Proudhon deve ser apreciado e criticado sob este ponto de vista. maior riqueza social.em parte a reprodução do capital com lucro. A hostilidade abstrata entre sentidos e espírito é inevitável enquanto o sentido humano para a natureza. ou o significado humano da natureza. elas constituem maior riqueza no que toca ao senhorio e. política. é demonstrada.

e a evolução que já em pensamento reconhecemos como autotranscendente na realidade implicará em um processo severo e prolongado. Mas. como as que existem naquele outro mundo. a casa de um estranho que está à sua espera diariamente e o despeja se não pagar o aluguel. mas de tudo ser algo diferente de si mesmo. de um poder desumano mandar em tudo. e conseqüentemente. e cavalo e espada onde estes são os verdadeiros meios de vida. entretanto. que só se entrega em troca de suor e sangue". (XX) Quando a Economia Política afirma que a oferta e a procura sempre se equilibram. constrangedor. Entre povos nômades. Temos.alienação bem maior continua quanto mais a gente tem consciência disso) só pode ser realizada pelo estabelecimento do comunismo. Há uma espécie de riqueza que é inativa. e a nobreza do homem resplandece sobre nós vindo de seus corpos fatigados. A História produzirá. Pelo contrário. a associação. de minha atividade ser outra coisa qualquer. Ele não pode considerá-la como seu lar. acima. "um poder estranho. que tem a aparência de um meio. é o cavalo que torna livre o homem. o paraíso dos ricos. de meus desejos serem a posse inatingível de outrem. pelo contrário. e. Dissemos. pois obtivemos previamente uma noção da natureza limitada e do alvo da evolução histórica e podemos ver para além dela. Ele também se dá conta do contraste entre sua própria morada e uma residência humana. ele se encontra na casa de outra pessoa. fazendo-o membro da comunidade. que encara o trabalho escravo dos outros. comer e beber não mais são meios de congregar pessoas. e em geral o grau até que o meio que me assegura a existência e posse do ser objetivo estranho é um fim em si mesmo. é suficiente para eles. Fumar. Na Idade Média.a existência do homem. Os resultados mais notáveis desse fato prático podem ser vistos quando operários socialistas franceses se reúnem. que a desproporção entre oferta e procura é mais chocantemente expressa no fim essencial da produção . A alienação é evidente não só no fato de meu meio de vida pertencer a outrem. pródiga e devotada ao prazer. a fraternidade do homem não é frase vazia.a necessidade da sociedade . por fim (e isso também ocorre com o capitalista). mas é necessária atividade comunista genuína no sentido de revogar a propriedade privada real. cujo beneficiário se comporta como um indivíduo efêmero de atividade sem propósito. A fim de revogar a idéia de propriedade privada bastam as idéias comunistas. O grau até o qual o dinheiro. a habitação do pobre num porão é uma habitação hostil.o que parecia ser um meio torna-se um fim. de considerá-lo um avanço. é o poder real e o único fim. O selvagem em sua caverna (um elemento natural que lhe é livremente oferecido para uso e proteção) não se sente um estranho. mas numa forma alienada e maligna. . sua própria associação cria uma necessidade nova . como um lugar onde afinal possa dizer "aqui estou em casa". Quando artesãos comunistas formam associações. Mas. um estado torna-se emancipado quando tem o direito de levar espada. o ensino e a propaganda são seus primeiros objetivos. A sociedade. o divertimento tendo também como fito a sociedade. sente-se tão em casa quanto um peixe na água. podem ser vistos no fato da propriedade agrária onde a terra é a fonte da vida. que o homem está regressando à habitação da caverna. são também reconhecidos como os verdadeiros poderes políticos. mas uma realidade. esquece imediatamente sua própria tese (a teoria da população) de que a oferta de homens sempre excede a procura.

Assim. um mero sintoma de abolição do capital. na medida em que é um sintoma de seu crescente domínio e alienação que acelera sua própria abolição. Por outro lado. por conseguinte. tanto senhora como escrava. caprichosa. os recursos do arrendatário esbanjador minguam proporcionalmente ao aumento dos meios e oportunidades de divertimento. o divertimento fica subordinado ao capital e o indivíduo amante de prazeres e sujeito ao acumulador de capital. seja a tornar-se ele próprio um industrial. que está esclarecido a respeito da natureza da riqueza e que. vaidosa. é defrontada pelo industrial trabalhador. da única maneira útil. [N3] (XXI) . é. que vê a riqueza somente como um meio. A queda da taxa de juros é uma conseqüência necessária da evolução industrial. antes um sintoma direto da vitória completa do capital ativo sobre a riqueza pródiga. Tal riqueza. de seus caprichos e de suas idéias inconstantes e bizarras. ou então tornar-se um rendeiro de sua própria propriedade . Ele se vê obrigado. a riqueza industrial pareça à primeira vista ser o produto de riqueza pródiga e fantástica. produzida por sua estonteante aparência física. e também na forma da ilusão infame de que sua extravagância irrefreada e interminável consumo improdutivo é condição indispensável ao trabalho e à subsistência de outros.e isso é resultado do mesmo progresso industrial. como a presa de sua cupidez e vê a humanidade. A queda da taxa de juros é. e a si mesmo. e a fulgente ilusão acerca da natureza da riqueza. De maneira geral. e. sabe como apropriar para si mesmo. É a vitória completa da propriedade privada sobre suas qualidades aparentemente humanas. Assim. ainda não descobriu a riqueza como uma força inteiramente estranha. . meta final. i. contudo. . e a submissão total do dono da propriedade à essência da propriedade privada . como qualquer outra forma de propriedade. há um aumento constante da renda da terra no decorrer do progresso industrial. . pois. portanto. . a transformação de toda propriedade privada em capital industrial. generosa como mesquinha. É evidente que o capitalista industrial também tem seus prazeres. O declínio da taxa de juros (que Proudhon considera como abolição do capital e uma tendência para a socialização do capital) é. um divertimento calculado. é recreação subordinada à produção.um industrial agrícola. essa e a única maneira pela qual o que existe afirma seu contrário. . . os poderes decadentes do outro.sangue e suor humanos.. assim. mas sua fruição é somente questão secundária. mas consoante já vimos deve chegar uma hora em que a propriedade imobiliária. portanto. econômico. Destarte. como um ser supérfluo e votado ao sacrifício. presunçosa.o trabalho. culta e espirituosa. ele adquire um desprezo pela humanidade. expresso na forma de arrogância e de malbaratamento de recursos que poderiam sustentar cem vidas humanas. não obstante despoja o último de maneira ativa por seu próprio desenvolvimento. o perdulário proprietário de terras tem de entregar seu capital e arruinar-se. Ele vê a realização dos poderes essenciais do homem apenas como a realização de sua própria vida desordenada. enquanto outrora ocorria o contrário. seja a consumir seu capital e arruinar-se. recai na categoria de capital que se reproduz por meio do lucro . refinada. pois ele anota seus prazeres como um desembolso de capital e o que esbanja não deve ser mais do que pode ser substituído com lucros pela reprodução do capital. Ele não retorna absolutamente a uma simplicidade antinatural em suas necessidades. como algo a ser consumido. mas vê nela seu próprio poder e fruição antes que riqueza. econômico e prosaico. embora incrementando a amplitude da vida regalada do outro e lisonjeando-o com seus produtos (pois seus produtos são outros tantos ignóbeis mimos para os apetites do perdulário). sóbrio. Malgrado. Assim. . e que é.

Nenhum dos lados. na medida em que cada um é um meio para o outro. os únicos não nocivos ao produto nacional. foi posta abaixo. não é originariamente o efeito de qualquer sabedoria humana. Além disso. assim. trocar e cambiar uma coisa por outra. a quem ele despoja de todas as características com o fito de classificá-lo como capitalista ou como trabalhador. . ser a única a aprová- los e a participar dos negócios públicos. industrialmente. em que cada indivíduo é uma totalidade de necessidades e apenas existe para outra pessoa. Tudo o que Proudhon concebe como um movimento do trabalho contra o capital é somente o movimento do trabalho sob a forma de capital.A disputa entre economistas a respeito de luxo e poupança. ou é capaz. . pois contra a argumentação dos Fisiocratas de ser o dono da terra o 'único produtor legítimo. acerca da forma alienada da atividade humana como atividade da espécie. . é transformada na convicção oposta de que os impostos sobre o arrendamento da terra são os únicos impostos sobre um rendimento improdutivo e. entretanto. de capital industrial contra o que não é consumido como capital. Os economistas mostram-se muito confusos e contradizem-se a si mesmos acerca da natureza da divisão do trabalho (que. E a esse movimento segue seu caminho triunfante. antes. Ver-se-á que só quando o trabalho é concebido como a essência da propriedade privada é que podem ser analisadas as características reais do movimento econômico propriamente dito. que emprega seu capital nela quando pode contar com uma taxa de lucro normal. como esta existe para ele. como única propriedade produtiva. se bem que muito lenta e gradativa. da propensão a barganhar. portanto. o caminho da vitória do capital industrial. i. tem de ser olhada como uma força motivadora principal na produção da riqueza desde que o trabalho é reconhecido como a essência da propriedade privada). A divisão do trabalho é a expressão econômica do caráter social do trabalho no quadro da alienação. O economista (como a política em seus direitos do homem) reduz tudo ao homem. [Quer essa propensão seja um daqueles . é. i. é apenas uma disputa entre a economia política que se deu bem conta da natureza da riqueza e a que ainda está sobrecarregada com recordações românticas. anti-industriais. A afirmação dos Fisiocratas de que a propriedade agrária. de atividade vital como alienação da vida. de resolver a pendenga. a divisão do trabalho nada mais é que a instituição alienada da atividade humana como uma real atividade da espécie ou a atividade do homem como um ente-espécie. Adam Smith[N4]: "A divisão do trabalho. ao indivíduo. como é vista pelo economista. devia ser a única a pagar impostos e. qua renda da terra. em conseqüência. A sociedade. é a sociedade civil. Está claro que sob este ponto de vista. a renda da terra. é. é. Ou. por conseguinte. visto ser o trabalho apenas uma expressão da atividade humana no quadro da alienação. i. que o dono da terra como tal é o único arrendatário completamente improdutivo. sabe como expressar o assunto da disputa em termos simples. A agricultura é um negócio do capitalista. E a conseqüência obrigatória. naturalmente. . nenhum privilégio político para os proprietários de terras decorre de sua situação como principais contribuintes de impostos. a economia moderna demonstra.

(págs. Sem a disposição para negociar. e é em vão que ele esperará obtê-lo unicamente da benevolência deles. . . e não poderia ter havido essa diferença de ocupação. entre os homens.] ou quer. . contudo. . de troca e de compra que obtemos de outros a maior parte dos bons ofícios de que mutuamente carecemos. . negociar e cambiar. por exemplo. apesar de todas da mesma espécie. assim também é essa mesma disposição para negociar que originariamente enseja a divisão do trabalho. ou este último de um cão-pastor. [Em quase todas as outras raças de animais. e em nada contribuem para melhor acomodação e utilidade da espécie. Freqüentemente as troca por gado ou carne de veado com seus companheiros. . Entre os homens. "A diferença de talentos naturais de homens diferentes. . uma de terminada pessoa faz arcos e flechas. tanto a causa quanto o efeito da divisão do trabalho. ou um galgo de um spaniel. também é ela que torna útil tal diferença. separada e independentemente. mas a seu egoísmo. "Como é a capacidade de trocar que dá oportunidade à divisão do trabalho. a extensão dessa divisão tem sempre de .ser limitada pela extensão daquela capacidade. pelo me nos. O vigor do mastim (XXVI) não é. . não é. por . 14-15). e acaba verificando que dessa maneira pode conseguir mais gado ou carne de veado do que se fosse pessoalmente ao campo para pegá-los. são de pouca utilidade uma para a outra. seja a conseqüência necessária das faculdades da razão e da fala [não cabe aqui investigar]. ou. 14). . . Mas o homem tem oportunidade quase constante para necessitar do auxílio de seus irmãos. e não obtém qualquer gênero de superioridade dessa variedade de talentos com que a natureza distinguiu seus semelhantes. É mais provável que seja bem sucedido se puder interessar o egoísmo deles em seu favor. seja. . . . . o indivíduo] quando atinge a maturidade está inteiramente independente. um filósofo não é no temperamento e na inclinação nem a metade diferente de um carregador do que o é um mastim de um galgo. Por natureza. a única capaz de dar margem a qualquer diferença grande de talentos (pág. "Como é por meio de tratado. os mais diversos pendores são de utilidade mútua. . . . . . Todos teriam de ter. Em uma tribo de caçadores ou pastores. o mesmo trabalho a fazer. por assim dizer. onde cada homem pode adquirir qualquer parte da produção dos talentos de outros homens para que tenha aplicação (págs. a confecção de arcos e flechas passa a ser seu principal negócio. . trocar e cambiar. graças à inclinação geral para trocar. com maior rapidez e perícia que qualquer outra. cada homem teria que providenciar por si mesmo tudo que desejasse de necessário e conveniente. não podem ser congregados em um cabedal comum. É comum a todos os homens e não pode ser encontrada em nenhuma outra raça de animais. parece ter lugar entre os homens. Não nos dirigimos à demência deles. mostrando-lhes que será vantajoso para eles fazer-lhe o que lhes solicita. e nunca falamos de nossas necessidades porém das vantagens deles (págs. Cada animal continua obrigado a sustentar-se e a defender-se. "Assim como é essa distribuição que forma aquela diferença de talentos. então. . os diferentes produtos de seus respectivos talentos. assistido seja pela agilidade do galope. à falta de capacidade ou inclinação para trocar e cambiar. Muitas tribos de animais. em um cabedal comum. . . precedendo o costume e a educação.princípios originais da natureza humana. Os efeitos desses diferentes temperamentos e talentos. Essas diferentes tribos de animais. Tendo em vista seu interesse próprio. são reunidos. pelo contrário. da mesma espécie recebem da natureza uma diferenciação de índole muito mais notável do que. . 13-14) . 12-13). como parece mais provável.

em certa medida. Ele não pode. . amiúde. ele exige uma retribuição pelos serviços prestados. Para dividir o trabalho. e repartir os esforços dos homens e máquinas. . (XXXVII) e pode separá-las uma da outra: as propriedades da matéria desincumbem-se do resto. "As faculdades intrínsecas do homem são sua inteligência e sua capacidade física para trabalhar."[N7] .mas diminui a capacidade de cada pessoa considerada individualmente. em muitos casos e necessário operar em grande escala.o comércio . é sempre vantajoso limitar tanto quanto possível o número de operações impostas a cada um." (pág. . Num estágio adiantado da sociedade: "Todo homem. apesar de não ser fundamental. O motivo que impele o homem a dar seus serviços a outro é o interesse próprio.Até aqui falou Adam Smith. produzir as utilidades em grandes quantidades. com efeito.seu poder e seus prazeres . a sociedade poderia prosseguir sem que tivesse lugar qualquer espécie de intercâmbio. um mercador. As oriundas da situação da sociedade consistem na capacidade para repartir o trabalho e distribuir tarefas entre diferentes pessoas e no poder trocar os serviços e produtos que constituem os meios de subsistência. fazer mais nada se não produzir movimento."[N8] . No emprego do trabalho e da maquinaria.Assim falou Skarbek. Troca e divisão do trabalho são mutuamente dependentes. e pela conjugação de todas as operações que podem ser feitas de modo a auxiliarem-se umas às outras. vive por meio da troca. por falta de capacidade para cambiar a parte excedente de seu próprio trabalho. constata-se. A produção não pode ter lugar sem a troca. acima e além de seu próprio consumo. 20). Quando o mercado é muito pequeno. Em nosso estado adiantado de sociedade.como uma conseqüência da divisão do trabalho: "A atuação do homem pode ser reconstituída por elementos muito simples. por partes análogas da produção do trabalho de outros homens para que tiver aplicação.Assim falou J. é indispensável. Como os homens em geral não podem executar muitas operações diferentes com a mesma rapidez e destreza com que pela prática aprendem a executar algumas. . "Se toda família produzisse tudo o que consome. Say. .") A acumulação de capital aumenta com a divisão do trabalho e vice-versa."[N6] "A divisão do trabalho é um hábil desdobramento das capacidades do homem. ninguém pode encontrar qualquer estímulo para dedicar-se inteiramente a um emprego. 15). Mill apresenta a troca aperfeiçoada . por outras palavras. Pode aproximar as coisas uma da outra. (Ver Deustutt de Tracy[N5]: "A sociedade é uma série de trocas recíprocas. a troca. pela extensão do mercado. ela aumenta a produção da sociedade . que os efeitos podem ser aumentados pela distribuição hábil. o comercio é toda a essência da sociedade. O direito à propriedade privada exclusiva é indispensável ao estabelecimento das trocas entre os homens. e a própria sociedade alcança o que é propriamente uma sociedade comercial" (pág. ou torna-se. pois. com a máxima vantagem. pela separação das operações que têm qualquer tendência a se obstarem mutuamente.outras palavras. B. E essa vantagem que dá existência às .

O último comentário é um progresso da parte de Say. A divisão do trabalho é um meio cômodo e útil. ela se desenvolve e é limitada pela extensão da troca. mas o egoísmo. ao designar o egoísmo e o interesse próprio como base da troca e o regateio comercial como a forma de troca essencial e adequada. Toda a moderna Economia Política. Os animais são incapazes de combinar as varias qualidades de sua espécie. é. Dá-se o contrario com os homens. entretanto. de que umas poucas. por sua vez. Para ele. de produtos. Mill representa o comércio como conseqüência da divisão do trabalho. Skarbek distingue as faculdades inatas individuais do homem. é. Say. exigem a produção em massa da riqueza. A sociedade poderia existir sem ela. todo homem é um mercador e a sociedade é uma associação comercial. Skarbek exprime aqui objetivamente o que dizem Smith. O motivo dos que se empenham nas trocas não é a bondade. A diversidade dos talentos humanos é mais o efeito que a causa da divisão do trabalho. ou de contribuir para a superioridade e conforto comum da espécie.. Como a divisão do trabalho surge da propensão a trocar. inteligência e capacidade física para trabalhar. uma propensão especificamente humana que provavelmente não é acidental porém determinada pelo uso da razão e da fala. não beneficia qualquer animal individualmente. Em condições adiantadas. a divisão do trabalho e acumulação de capital. As qualidades particulares das diferentes tribos dentro de uma espécie animal são naturalmente mais pronunciadas que as diferenças de aptidões e atividades dos seres humanos. i. Ademais. porém. . cujos mais diversos talentos e formas de atividade são úteis uns aos outros. i. Ela se origina da propensão a trocar e barganhar. está acorde em que a divisão do trabalho e riqueza da produção. Essa é a razão para a manufatura em larga escala. instaladas nos locais mais convenientes. freqüentemente abastecem não um país. do intercâmbio. que se determinam mutuamente. Mas como os animais não são capazes de estabelecer troca.troca e divisão do trabalho. é a propriedade privada. a diversidade de atributos dos animais da mesma espécie. das oriundas da sociedade .grandes manufaturas. A divisão do trabalho e o uso de maquinaria. porém muitos. porque eles podem reunir seus diferentes produtos em um cabedal comum. é só a última que torna útil essa diversidade."[N9] . Say encara a troca como acidental e não fundamental. Todavia. mas diminui a capacidade de cada pessoa considerada individualmente. porém de tribos diferentes. Ricardo. A cada indivíduo deve ser dada a menor amplitude possível de operações. Torna-se indispensável em um estágio adiantado da sociedade. determinam-se mutuamente. a produção não pode ocorrer sem ela. um hábil desdobramento das faculdades humanas para a riqueza social.Assim falou Mill. A condição prévia indispensável da troca. com a quantidade desejada da utilidade produzida. e também que só a propriedade privada livre e autônoma pode produzir a mais eficaz e extensiva divisão do trabalho. etc. a atividade humana reduz-se a movimento mecânico. A divisão do trabalho e o uso de maquinaria promovem a abundância da produção. pela extensão do mercado. O raciocínio de Adam Smith pode ser sintetizado da seguinte forma: a divisão do trabalho confere a este uma capacidade de produção ilimitada. de que cada homem pode comprar.

2) as provindas não do indivíduo real. que por sua vez se torna útil em decorrência da troca.é encarada como a causa do efeito recíproco da divisão do trabalho. inconscientemente exprime a natureza contraditória dessa ciência . e. parafraseia o texto original. Éléments d'idéologie. particulares.a divisão do trabalho e a troca.Nota do T. 68. . Marx cita com omissões e em alguns casos. a maior parte é feita pelas propriedades materiais dos objetos. Além disso. (retornar ao texto) [3] O fim da página está rasgado e faltam várias linhas do texto. [5] Destutt de Tracy. as individuais e inatas. enquanto. A troca e a divisão do trabalho são reconhecidas como as fontes da grande diversidade dos talentos humanos. ao mesmo tempo.Nota do T. primeiro de que a vida humana necessitava da propriedade privada para sua realização. . III e IV. Livro I. Skarbek distingue duas partes nas faculdades produtivas dos homens: 1) as aptidões específicas ou habilidades. são admitidos.o estabelecimento da sociedade graças a interesses não-sociais. Declarar que a propriedade privada é a base da divisão do trabalho e da troca é simplesmente afirmar que o trabalho é a essência da propriedade privada. Fissão do trabalho e concentração do capital. uma afirmação que o economista não pode provar e que desejamos provar para ele. . 78. págs. II. Os fatores que temos de considerar agora são os seguintes: a propensão a trocar . A riqueza e a produção são explicadas pela divisão do trabalho e pela troca. mas da sociedade . 1826. (retornar ao texto) [4] As passagens seguintes são de A Riqueza das Nações. da atividade e capacidades humanas como a atividade e as capacidades próprias de uma espécie. É precisamente no fato de a divisão do trabalho e da troca serem manifestações da propriedade privada que encontramos a prova. O trabalho humano é simples movimento mecânico.Nota do T. alienada. a divisão do trabalho é limitada pelo mercado.(XXXVIII) A consideração da divisão do trabalho e da troca é do máximo interesse. por Adam Smith. Significado da propriedade privada livre na divisão do trabalho. colocando dentro de colchetes as partes que foram parafraseadas. Marx refere-se à tradução francesa: Recherches sur la nature et les causes de la richesse des nations. A divisão do trabalho e a troca são os dois fenômenos que levam o economista a gabar o caráter social de sua ciência. segundo. O menor número possível de operações deve ser atribuído a cada indivíduo. usando a edição Everyman.cuja base é o egoísmo . O empobrecimento e o desnaturamento da atividade individual devido a divisão do trabalho. e seguem-se fragmentos de seis linhas que são insuficientes para reconstruir a passagem. a nulidade da produção do indivíduo e a produção em massa de riqueza. Say considera a troca como não sendo fundamental para a natureza da sociedade. (retornar ao texto) . '  [2] Uma parte da página está rasgada neste ponto. posto que são a expressão perceptível. e a sua inteligência. Traité de Ia volonté et ses effets:. Paris. que ela agora exige a revogação da mesma. Cap.

trabalhar um objeto. (retornar ao texto) [8] F. 1817. (2) onde a afirmação sensorial é uma anulação direta do objeto em sua forma independente (como ao beber.[6] Jean-Baptiste. Mas. de apropriar objetos para si mesmo.liberta de sua alienação . Cabeça. etc. 3éme édition. aproveito. a própria ciência do homem é um produto da autoformação do homem graças à atividade prática. (retornar ao texto) [7] Ibid. etc). T. (3) na medida em que o homem. e daí também seus sentimentos. . Ele é para mim a outra pessoa. o que serve de medianeiro à minha vida também serve à existência de outros homens para mim. págs. a afirmação do objeto por outra pessoa também é sua gratificação própria. Skarbek. mas sim afirmações verdadeiramente ontológicas do ser (natureza). 1829. do homem não são meras características antropológicas no sentido mais restrito. aquilo é teu. por conseguinte o object par excellence . e se só são realmente afirmadas na medida em que seu objetivo existe como um objeto dos sentidos. 300. então é evidente: (1) que seu modo de afirmação não e um só e imutável. "Com a breca! pernas. pág. (retornar ao texto)     (XLI) Se os sentimentos. como objetos de divertimento e atividade.. o dinheiro é a proxeneta entre a necessidade e o objeto. esta é a afirmação do objeto. sexo. concretiza- se a essência ontológica das paixões humanas. Londres. comer. Marx cita da traduçao francesa por J. paixões. suivie d'une bibliographie de l'économie politique. . braços peito. O caráter universal dessa propriedade corresponde à onipotência do dinheiro. são humanos. Mas. já que possui a propriedade de comprar tudo. pág. 1823). (5) o significado da propriedade privada .é a existência de objetos essenciais ao homem. é. etc. As suas forças não governas? . Say. . i. de sua vida. Théorie des richesses sociales. Traité d'économie politique. fresco. (retornar ao texto) [9 ] James Mill. entre a vida humana e os meios de subsistência. 25-27. Será por isso menos meu? Se podes pagar seis cavalos. T. que os diversos modos de afirmação constituem o caráter distintivo de sua existência.Nota do T. I. I. Paris. mas. T. por meio da propriedade privada. O dinheiro. antes. 1821. é. Parisot (Paris. que é encarado como um ser onipotente. tudo o que. (4) só por meio da indústria evoluída. 76. Elemeats of Political Economy. Paris. em sua totalidade e humanidade. A maneira pela qual o objeto existe para eles é a forma distintiva de sua gratificação.

isto fará arrancar o travesseiro de debaixo das cabeças dos homens fortes. todas as minhas incapacidades em seus contrários? . o velho. o vil. justo. sem escrúpulos e estúpido. não sou feio." E mais adiante: "Ó tu. como poderá seu possuidor ser estúpido? Outrossim. não sou coxo. oh. isto é que faz com que a inconsolável viuva contraia novas núpcias. Consequentemente. cujo brilho faz derreter a virginal neve do colo de Diana! tu. o possuidor de meu dinheiro. então. brilhante corruptor dos mais puros leitos do Himeneu! valente Marte! tu. e. que semeia a desigualdade na turba-malta das nações. e por isso seu possuidor é bom. abençoará os réprobos. Como indivíduo sou coxo. Meu próprio poder é tão grande quanto o dele. pela tua virtude. novo. Anda cá. deuses: eu não faço protestos vãos. portanto. mas posso comprar a mais bela mulher para mim. que tornas os impossíveis fáceis. clivos. assentará ladrões. arremessais a todos em discórdias devoradoras. e fazes como que se beijem! que em todas as línguas te explicas para todos os fins! Ó tu. ó céus azuis! Um pouco disto tornaria o preto branco. o feio. teus escravos. não depende absolutamente de minha individualidade. amado galanteador. sem princípios. O que eu sou e posso fazer." (GOETHE. que posso ter. comum a toda a espécie humana. sempre novo. meretriz. pois o efeito da feiúra. belo. amado regicida. pedra de toque dos corações! trata os homens. As propriedades do dinheiro são as minhas próprias (do possuidor) propriedades e faculdades. que as úlceras purulentas e os hospitais tornavam repugnante. como rebeldes. Raízes quero. Além do mais. no mesmo banco em que se assentam os senadores. mediante o poder do dinheiro. viçoso. O dinheiro é o bem supremo. mas o dinheiro é acatado e assim também o seu possuidor. fará prestar culto à alvacenta lepra. O que existe para mim por intermédio do dinheiro. genuflexões e aplauso. Mefistófeles)[N10] Shakespeare em Tímon de Atenas: "Que é isto? Ouro? Ouro amarelo. Para entendê-lo. Fausto. deuses? Isto fará com que os vossos sacerdotes e os vossos servos se afastem de vós. mas como o dinheiro é o verdadeiro cérebro de tudo. caro divorciador da mútua afeição do filho e do pai. vou devolver-te à tua verdadeira natureza. e com que aquela. Sou um homem detestável.Corres por morros. logo. o dinheiro poupa-me do trabalho de ser desonesto. por conseguinte. dando-lhes título. Sou estúpido. tudo que o coração humano deseja. o injusto. que o dinheiro pode comprar). ele pode comprar pessoas talentosas para seu serviço e não é mais talentoso que os talentosos aquele que pode mandar neles? Eu. Este escravo amarelo fará e desfará religiões. ó deuses! por que é isso? isto que é. aquilo por que eu posso pagar (i. não possuo então todas as habilidades humanas? Não transforma meu dinheiro. seu poder de repulsa. Sou feio. tudo isso sou eu. nobre. precioso? Não. é. mas o dinheiro proporciona-me vinte e quatro pernas. terra maldita. comecemos interpretando o trecho de Goethe. deus visível. valos. brilhante. a fim de que as feras possam ter o mundo por império!"[N11] Shakespeare retrata admiravelmente a natureza do dinheiro. Mas. fique outra vez perfumada e apetecível como um dia de abril. sou presumivelmente honesto. é anulado pelo dinheiro. o covarde. valente. Qual possuidor de vinte e quatro pernas.

ou desejo de viajar na diligência da posta por não ser bastante forte para ir a pé. e. . ele transforma meus desejos de representações em realidades. que não tem efeito nem existência para mim. mas não disponho do dinheiro para isso. Ele converte a fidelidade em . não tenho necessidade . i. transforma imperfeições e fantasias reais. para. e a inefetiva. i. minha paixão. Ele é a força alienada da humanidade. é. me é possibilitado pelo dinheiro. e. e me liga à natureza e ao homem. etc. Ele transforma faculdades humanas e naturais reais em meras representações abstratas. A procura também existe para o indivíduo sem dinheiro. meu desejo. (2) ele é a meretriz universal. transforma cada uma dessas faculdades em algo que ela não é. portanto. externo e universal (não oriundo do homem como homem ou da sociedade humana como sociedade) para mudar a representação em realidade e a realidade em mera representação. A diferença entre a procura efetiva. para um terceiro. e a sociedade a mim. pois. então. a confusão e inversão universal das coisas. O dinheiro. Se estou com vontade de comer. imperfeições e torturantes quimeras. Atuando assim como mediador. em faculdades e poderes reais. apoiada pelo dinheiro. permanece irreal e sem objeto. é a diferença entre ser e pensar. O dinheiro. o agente universal da separação? Ele é o meio real tanto de separação quanto de união. ele converte a incompatibilidade em fraternidade. convertendo-as em seus opostos e associando qualidades contraditórias às qualidades delas. O dinheiro é o meio e poder. portanto. assim. a força galvano-química da sociedade. aparece como uma força demolidora para o indivíduo e para os laços sociais. A esse respeito. por conseguinte.. é. o que todas as minhas faculdades individuais são incapazes de fazer. que alegam ser entidades auto-subsistentes. Se não disponho de dinheiro para viajar. O que sou incapaz de fazer como homem. mas sua procura é mera criatura da imaginação.nenhuma necessidade real e auto-realizável . por outro lado. . O poder de inverter e confundir todos os atributos humanos e naturais. o alcoviteiro universal entre homens e nações.de viajar. baseada em minhas necessidades. (XLIII) e que. Se tenho vocação para estudar.Se o dinheiro é o laço que me prende à vida humana. faculdades deveras importantes e só existentes na imaginação do indivíduo. i. o dinheiro é uma força genuinamente criadora. o dinheiro proporciona-me a refeição e a diligência. o dinheiro é a inversão geral das individualidades. o poder divino do dinheiro reside em seu caráter como a vida espécie alienada e auto-alienadora do homem. não tenho vocação efetiva. então não tenho vocação. Shakespeare ressalta particularmente duas propriedades do dinheiro: (1) ele é a divindade visível. não é ele o laço de todos os laços? Não é ele também. é. em seu antônimo. legítima. a transformação de todas as qualidades humanas e naturais em seus antônimos. de seres imaginários em seres reais. entre a representação meramente interior e a representação existente fora de mim mesmo como objeto real. de levar os incompatíveis a confraternizarem.

de nossa vida individual real. de Jenny Klabin Segail. do T (N. Cena 4. Hegel substitui essas abstrações fixadas pelo ato de abstração rodopiando dentro de si mesmo. se você não for capaz. Ao fazê-lo. do T. servo em senhor. Scene 3. o amor só poderá ser trocado por amor. com olhos. malgrado seja covarde. como conceito existente e ativo do valor. confiança. será preciso ser uma pessoa artisticamente educada. é. O dinheiro não é trocado por uma qualidade particular. Esta passagem foi tirada da trad. de Leilo & Irmao. etc. ódio em amor. boçalidade em inteligência e inteligência em boçalidade. Paulo. virtude em vício. ouvidos. etc. Assim. S. vivendo na sociedade. correspondente ao objeto de nossa escolha. a confusão e transposição de todos os atributos naturais e humanos. ele troca toda qualidade e objeto por qualquer outro. pela manifestação de você mesmo como uma pessoa amável. Parte 1. Posto que o dinheiro.infidelidade. fazer-se amado.Recorremos à tradução portuguesa de Henrique Braga. no mundo e na natureza. por Bayard Taylor. ele é a confusão e transposição universais de todas as coisas. Pôrto. 1913. como o objeto da crítica. (N. 106. pàg. '  [10] Goethe. ainda que sejam contraditórios. Se você amar sem atrair amor em troca. o mundo invertido.) (retornar ao texto) '  [12] Isto é. Se se desejar apreciar a arte. Nova York. Veremos mais tarde por que Hegel separa o pensamento do sujeito. amor em ódio. Suponhamos que o homem seja homem e que sua relação com o mundo seja humana. então seu amor será impotente e um infortúnio. Fausto. . The Modem Library. uma coisa particular ou uma faculdade humana especifica. confunde e troca tudo. Todas as nossas relações com o homem e com a natureza terão de ser uma expressão específica. o próprio pensamento não poderá ser concebido como uma expressão da natureza humana. todavia. consequentemente. i. vício em virtude. Então. . e havê-los reunido e estabelecido a amplitude global das abstrações.Nota do T. em vez de uma determinada abstração.. Ele é a confraternização dos incomparáveis. sob o ponto de vista de seu possuidor.Em português. Instituto Progresso Editorial. Já esta claro. Timon of Athens. págs. força os contrários a abraçarem-se. 1950 . por confiança. do T. será mister se ser uma pessoa que realmente exerça efeito estimulante e encorajador sobre as outras.) (retornar ao texto) [11] Shakespeare. porém por todo o mundo objetivo do homem e da natureza. . se se quiser influenciar outras pessoas. 119 e 145. como uma expressão de um sujeito humano e natural. . Act Iv. Livraria Chardron. antes de mais nada ele tem o mérito de haver indicado a fonte de todos aqueles conceitos Inadequados que originariamente pertenciam a diferentes filosofias.N. Marx citou a traduçao (alemã) de Schlegel-Tieck. 1949. recorremos à trad. que se o homem não for humano a expressão de sua natureza não poderá ser humana e. Aquele que pode comprar a bravura é bravo.