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INTRODUÇÃO À CIÊNCIA POLÍTICA

PROFESSOR NEWTON SÉRGIO DE SÁ VIEIRA
FONE: 3422-2395 – 8409-3730 - e-mail: newton@unijipa.edu.br

10ª Aula – O NEOLIBERALISMO - (Antes em seu início e
atualmente)

Continuação dos temas abaixo

Fazer uma pesquisa sobre os temas, e um relatório contendo
Introdução, Desenvolvimento e Conclusão:
Combate à impunidade no Brasil e reforma das leis processuais
penais; (Na atualidade) Palestrante Dr. Marcus Edson de Lima
(Defensor Público)
O NEOLIBERALISMO – (Em seu Inicio e na atualidade)
Para discutir e trabalhar apresentar em sala de aula no dia
14/04/2010.

O NEOLIBERALISMO – Antecedentes Históricos:

Toda e qualquer doutrina deve ser entendida como resultado de uma
reação, de uma oposição. Ela estrutura-se para combater algum princípio
que a desagrada, ao mesmo tempo em que procura oferecer uma
alternativa, superando-a. Com o neoliberalismo não foi diferente. Logo,
cabe fazer uma curta exposição das doutrinas econômicas que o
antecederam.

Como resultado do colapso da economia capitalista provocado a
partir de 1929, data da quebra da Bolsa de Nova Iorque, o célebre crash, o
mundo mergulhou na Grande Depressão dos anos 30. Viu-se então o
fechamento de fábricas, a corrida aos bancos seguida de suas quebras, a
falência do comércio e pequenos negócios, a redução da produção das
minas e dos transportes, em seguida da baixa geral das relações comerciais
internacionais, culminando num desemprego jamais visto. Eram 14 milhões
de nos anos de 1932-34 nos Estados Unidos, 6 milhões na Alemanha e
mais ou menos o mesmo entre ingleses, franceses, belgas e holandeses.

A doutrina liberal “clássica” entrou em pane. A crença de que
obediência às leis do mercado bastaria para, em breve, retirar o mundo da
depressão, não se confirmou. Ao contrário, os anos foram passando e a
crise se aprofundando.

Liberdade de mercado e livre cambismo. . Funções do Estado meramente reguladoras. Propriedade coletiva. Afirmação do laisse faire dos fisiocratas. Expansão do capitalismo em forma imperialista ou colonialista. Ocorre então a abolição da propriedade privada dos meios de produção. David Ricardo com Princípios da Economia Política (1818). Economia política inglesa e fisiocratas franceses opõem-se ao mercantilismo e à intervenção do estado: capitalismo laissez-faire. Desemprego avassalador e falência do sistema bancário. Poder do estado prossegue. sem interferir na economia. foi considerada como Apogeu do Liberalismo: Difusão do sistema industrial por outros países. Controle da produção e distribuição pela classe operária. com a abolição dos monopólios e das guildas. Formação de grandes complexos financeiro-industriais (capitalismo oligopolítico). enquanto ainda existirem classes sociais. Estimulo à concorrência e limitação da intervenção estatal. da livre iniciativa e o predomínio da propriedade privada. É considerada como fase Clássica: Adam Smith com seu livro A Riqueza das Nações (1176). ocorre a fase de crise: Com a Quebra da bolsa de Nova Iorque (Outubro de 1929). Redução ou abolição das isenções. conforme crescesse a igualdade social. Defendem as leis do livre mercado e do livre cambismo. início da Grande Depressão. Robert Malthus com Ensaios sobre a População (1798). É considerada como fase Marxista: Com Karl Marx em seu livro O Capital (1867). O Estado desapareceria. Ocorre a iniciativa privada. De 1880 a 1930. foi considerada como Ascensão do Liberalismo Econômico: Ocorreu a Revolução Industrial na Europa Ocidental e nos EUA. Etapas do Capitalismo Moderno De 1780 a 1880. em busca de mercados e de novas fontes de matéria-prima. De 1929-1930. Estagnação industrial e agrícola.

Sua ortodoxia é a estabilidade da moeda e dos orçamentos públicos. O estado é chamado para superar a desordem econômica e social. imaginando um cenário harmonioso mediado pela prática da concorrência e pela evolução gradativa da produção. Objeção a qualquer intervencionismo estatal. Böhm . foi considerada como Crise do petróleo: A partir da guerra do Yom-Kipur. Ocorre então a retomada do intervencionismo estatal para superar a estagnação e a crise. e com a elevação repentina dos preços do petróleo provocam onda inflacionária mundial e colocam em crise o estado de bem-estar social. Grandes construções teóricas. Já em 1973. seja como regulador. Objetiva o estudo da economia como “equilíbrio perfeito”. Keynes em seu livro Teoria Geral (1936). Apóia uma política de distribuição de renda e uma política de supressão da pobreza. matematização da economia. Pós-1980. Política do New Deal nos EUA e políticas sociais e distributivistas da social-democracia européia. foi considerada como Estado de Bem-Estar Social e Revolução Keynesiana: Ocorrendo então a intervenção do estado para superar a depressão econômica através do gasto público. É considerada a fase Neoclássica: com Alfred Marshall em seu livro Princípios de Economia (1890). através dos gastos públicos em obras de infra-estrutura. De 1930 a 1980. Política do pleno-emprego. seja como estado empresário. É considerada como fase Keynesiana: com John M. Surgem empresas estatais ao lado das privadas. Reconhecimento dos sindicatos e melhorias sociais e previdenciárias. Com o aprofundamento dos princípios do livre mercado. Jean Walras com Elementos de Economia Pura (1874-77). Aproxima-se dos sindicatos e é favorável ao estado de bem-estar social. É preferível uma inflação moderada a uma estagnação. Chama a si a reordenação da economia que se encontrava em mãos privadas. foi considerada como Neoliberalismo: .Bawerk em Capital e Interesse (1895).

Segundo ele. Sua ortodoxia era a estabilidade da moeda e os orçamentos públicos equilibrados. É condenável qualquer inibição aos lucros. obedientes às sagradas leis do processo econômico. Von Hayek em seu livro O Caminho da Servidão (1944). Com a devastação provocada pela crise de 1929. o objetivo do processo produtivo era o “equilíbrio perfeito”. formada pelos seguidores Alfred Marshall. onde os agentes competiam entre si. Além de. O império do mercado. segundo o qual a produção é regulada pela demanda e onde a miséria e o desemprego ocupavam um mundo externo a ele. mas ninguém poderia prever uma igual à que ocorreu. Equilíbrio orçamentário. inibindo os lucros. Com a retomada da política favorável ao mercado. Privatização completa da economia. A doutrina repudiava qualquer intervencionismo estatal. como a Alemanha Guilhermina. Desestatização e privatização aceleradas de empresas estatais. um mundo perfeitamente ordenado. nos seus “Princípios de Economia” (Principles of Economics. o sistema viu-se no desamparo teórico. o da escola marshalliana. Controle dos sindicatos através do desemprego. Luta contra o protecionismo econômico e contra as reservas de mercado. Foi considerada a fase Neoliberal: com Von Mises em sua obra Teoria do Dinheiro e Crédito. faziam referência de crises. fosse como regulador ou como estado- empresário. É certo que as doutrinas liberais. tanto as de Jean Walras como as de Böhm Bawerk. combate à inflação por meio da ortodoxia monetária. Milton Friedman na Escola de Chicago. Esse Cosmos harmônico refletia o clima de otimismo que imperava na época da onda de prosperidade do sistema capitalista. que se deu antes da Guerra de 1914-18. depositar uma fé quase que religiosa nas virtudes do mercado. Política anti-sindical. de 1890). um cenário harmonioso mediado por uma concorrência saudável e pela evolução gradativa de toda a sociedade. Desestatização acelerada e desregulamentação completa da economia. entre elas a velha Lei de Say. diminuição dos tributos sobre os altos rendimentos e capitais. Era o consagrado Cosmos liberal. que fazem com que os tributos aumentem. repentinamente. principalmente. Ocorre então a defesa do Estado mínimo. evidentemente. Desregulamentação da economia. um respeitável economista inglês. A crise é o resultado das pressões vindas de baixo. que entusiasmou tanto a Inglaterra vitoriana. O paradigma teórico até então seguido era. Combate ao estado de bem estar social e suspensão das políticas de assistência social. acompanhada da diminuição da carga tributária sobre as empresas e os ricos. que atingiu . Com uma política de combate ao estado de bem-estar social.

em meio aos efeitos corrosivos da crise. redução da jornada de trabalho. a alavanca de Arquimedes. etc. Amplas políticas de proteção social foram então desenvolvidas. Foi então que uma nova crise se deu. A dinamização de grandes obras. . Tratava-se de chamar de volta as forças da Ordem estatal para livrar o Cosmos liberal do caos em que se encontrava. 1936). dentro do marco capitalista. faria com que parte da mão- de-obra desempregada voltasse a participar do mercado. Isso explica de certa forma por que diversos países buscaram solucioná-la. baseadas em tributação elevada sobre o capital e as Rendas. outros setores da economia seriam gradativamente reativados para atenderem a demanda. A Teoria keynesiana desde então se tornou o novo paradigma. que se estendeu até a década de 1970. Brasil em 1930 e. transferindo-as para atender as carências do mundo do trabalho. segundo Keynes. Foi ela que embasou a formação dos Estados de Bem Estar Social que começaram a ser instituídos nos países desenvolvidos do após 2ª Guerra Mundial. etc. atuava como uma alavanca.dimensões diluvianas. caracterizaram esse período. Rompia-se assim o ciclo de estagnação. Keynes publicou sua principal obra. obras em infra-estrutura. os principais produtores de petróleo resolveram aumentar bruscamente seus preços. desemprego. aposentadorias antecipadas. foi à teoria keynesiana. de ressurgimento de um intervencionismo e de um abandono dos paradigmas “clássicos”. queda nos investimentos. Esse intervencionismo não significava o estado assumir as funções empresariais. saindo-se gradualmente da crise. a construção de “pirâmides”. Espanha em 1936. John M. A mais expressiva manifestação teórica dessa nova situação. capaz de refazer o Cosmos atingido pela desordem. Com o retorno de parte dos trabalhadores ao universo salarial. deveria retomar-se a idéia do intervencionismo estatal para superar a estagnação e o desespero em que as sociedades se encontravam. como resultado da Guerra do Yon Kipur entre Israel e os árabes. Interest and Money. O estado chamando a si a reordenação da vida econômica. ampliação do lazer.) ou para um intervencionismo regulador (o caso do New Deal nos EUA). apelando para o intervencionismo autoritário (Alemanha em 1933. Ocorreu um surto inflacionário sem precedentes. Para ele. mas sim agir como um instrumento de recuperação da vida econômica através de estratégicos gastos públicos. O mundo industrializado viu-se repentinamente obrigado a pagar uma enorme conta petróleo para manter funcionando seus parques automobilísticos e suas indústrias petroquímicas. Apoio à saúde pública. a “Teoria Geral” (The General Theory of Employment. Em 1973. novamente em 1937.

outro fato espetacular ajudou a projetar o neoliberalismo. Para Friedrich Von Heyek esse programa levaria o país ao retrocesso. Beveridge e Bevan). o colapso do partido comunista e o declínio final do marxismo. convivendo com altas taxas inflacionárias ou cortar os benefícios em função da estabilidade monetária e da conta-petróleo. baseada no tripé da Lei da Educação. a firmando que os trabalhistas conduziriam a Grã-Bretanha pelo mesmo caminho dirigista que os nazistas haviam imposto à Alemanha. assentada num estado todo-poderoso. Em 1989. por tabela. tiveram que se decidir em continuar mantendo as benesses do Estado de Bem-Estar Social. XIX. assegurando que o crescente controle do estado levaria fatalmente à completa perda da liberdade. na segunda metade do séc. resultado de um encontro de um grupo de respeitáveis intelectuais conservadores em Monte Pelerin. com a publicação na Inglaterra do Relatório Benveridge. em 1947. O neoliberalismo aflorou pela primeira vez. conhecido por seus trabalhos teóricos sobre a estabilidade da moeda. Leopold Von Wiese. Nele expôs os princípios mais gerais da doutrina. o Estado de Bem-Estar Social. As origens do Neoliberalismo Suas raízes teóricas mais remotas encontram-se na chamada Escola Austríaca – reconhecida por sua ortodoxia no campo do pensamento econômico – que se centralizou em torno do catedrático da faculdade de Economia de Viena. era derrubado o Muro de Berlim. especialmente o publicado com o título de “O valor natural” (1889). a privada e a estatal. A defesa desse programa tornou-se a bandeira com a qual o Partido trabalhista inglês venceu as eleições de 1945. Segundo o documento. Isso serviu de mote à campanha . a política inglesa deveria inclinar- se preferencialmente para uma programação de distribuição de renda. ruiu por terra. Elas tiveram início em 1942. da Lei do Seguro Nacional de Saúde (associados aos nomes de Butler. que se seguiu a idéia de uma sociedade baseada na planificação econômica centralizada. onde formaram uma sociedade de ativista para combater as políticas do Estado de Bem-Estar Social. símbolo da divisão do mundo em duas esferas. Com o desmantelamento da URSS. Desgastou-se então o paradigma keynesiano e. vencida a guerra. colocando em prática os princípios do Estado de Bem-Estar Social.Em pouco tempo. na Suíça. a capitalista e a comunista. Além disso. Escreveu então um livro inflamado que pode ser considerado como o Manifesto do Neoliberalismo – O caminho da Servidão.

seriam esvaziados por uma retomada da política de desemprego. Milton Friedman. os sindicatos. chantageado ininterruptamente pelos sindicatos e pelas diversas associações de classe. fez aprovar leis que lhes limitavam a atividade. pela substituição do Estado de Bem-Estar Social e pela repressão ou neutralização dos sindicatos. porque a pressão dos operários sobre os lucros diminui. Combatia a política de New Deal do presidente F. como os culpados pela queda da produção. pois se devia a essa aliança espúria entre o Estado de Bem-Estar Social. senão inteiramente desmontado. A outra vertente do neoliberalismo surgiu nos Estados Unidos. Friedman era contra qualquer regulamentação que inibisse as empresas e condenava até o salário-mínimo na medida em que alterava artificialmente o valor da mão-de-obra pouco qualificada. a partir de 1980. primeira-ministra eleita pelo Partido Conservador na Inglaterra. O estado deveria ser gradativamente desativado. Tatcher. por considerá-lo imposto por fatores extra- econômicos. Roosevelt por ser intervencionista e pró-sindicatos. voltaram à cena. contraposta à política keynesiana do pleno emprego. concentrando-se na chamada Escola de Chicago de. Ela enfrentou os sindicatos. tornando-se um estado-mínimo. que chegou ao ponto de dizer que os trabalhistas eram iguais aos nazistas. atraindo os capitalistas de volta ao mercado. juntamente com a regulamentação das atividades econômicas. Devido à longa era de prosperidade – quase 40 anos de crescimento – que impulsionou o mundo ocidental depois da Segunda Guerra. Mas ao detonar a crise do petróleo de 1973. não determinados pelo mercado e que terminavam aviltando os custos produtivos. com a diminuição dos tributos e a privatização das empresas estatais. os neoliberais ficaram à sombra. seguida pela onda inflacionária que surpreendeu os Estados de Bem-Estar Social. perdulário. privatizou . graças às diversas adoções das políticas keynesianas e sociais-democratas. Denunciaram a inflação como resultada do estado demagógico.de Churchill. Também se opunha a qualquer piso salarial fixado pelas categorias sindicais. Enfraquecendo a classe trabalhadora e suas instituições. A reforma que apregoam passa. pelo Partido Conservador. confinados nos paraísos fiscais. O mal. dominado por uma burocracia voraz e os sindicatos. D. Responsabilizaram os impostos elevados e os tributos excessivos. O primeiro governo ocidental democrático a inspirar-se abertamente em tais princípios foi a da Sra. fazendo-os desovar seus capitais. gerando alta de preços e inflação. por sua vez. haveria novas perspectivas de investimento. portanto.

Segundo W. Blake. que países de tradições completamente diferentes. que estimula o parasitismo e a irresponsabilidade. Qualquer política assistencialista mais intensa joga os pobres nos braços da preguiça e inércia. A desigualdade deve ser vista de uma maneira positiva. mas pela caridade feita por associações e instituições privadas. cabendo aos mais fracos conformar-se com sua exclusão. A política de tributação sobre eles deve ser amainada o máximo possível para não lhes ceifar os lucros. encarecendo- a. Se aceitarmos a existência de vencedores. Deve-se abolir o salário mínimo e os custos sociais. por sua vez. Esses. concluem que somente os fortes sobrevivem. pressionando os preços para o alto. visto que novas desigualdades fatalmente ressurgirão.empresas estatais. nem tendem à igualdade. ela é natural. Deus ou a Natureza dotou alguns com talento e Inteligência. Deles é que saem as iniciativas racionais de investimentos baseados em critérios lucrativos. qualquer tentativa de suprimir com a desigualdade é um ataque irracional à própria natureza das coisas. aplicam a mesma doutrina. ajudando dessa forma o progresso geral da sociedade. Os ricos: eles são a parte dinâmica da sociedade. o que terminava por inibi- los em seus projetos de investimento. Tornou-se o novo paradigma. mas foi avaro com os demais. governados por partidos os mais diversos possíveis. porque falsificam o valor da mão-de-obra. dificultando a ocorrência e gerando inflação. O governo conservador de Tatcher serviu de modelo para todas as políticas que se seguiram no mesmo roteiro. afrouxou a carga tributária sobre os ricos e sobre as empresas e estabilizou a moeda. “Deus não é socialista!” Logo. Tornar iguais os desiguais é contraproducente e conduz à estagnação. Alguns princípios básicos do neoliberalismo Filosofia: na teologia neoliberal os homens não nascem iguais. que afirma a soberania do mais apto. Inspirados num neodarwinismo. que amenizam. devem ser atendidos não pelo bem-estar. Igualmente a política de taxação sobre a transmissão de heranças deve ser moderada para não afetar seu .” Exclusão e pobreza: a sociedade é o cenário da competição. As políticas de justiça social tornam-se inócuas. assegurando sua prosperidade. A sociedade teatraliza em todas as instâncias a luta pela sobrevivência. A hegemonia do neoliberalismo hoje é tamanha. através de uma política de filantropia privada. da concorrência. Irrigam com seus capitais a sociedade inteira. a vida dos infortunados. “A mesma lei para o leão e para o boi é opressão. como um estimulante que faz com que os mais talentosos desejem destacar-se e ascender. conclui-se que deve ter perdedores.

voltando ao mercado de investimentos. Incuravelmente paternalista. Somam-se a isso os excessos de regulamentação da economia motivados pela contínua burocratização do Estado. encargos sociais. a gula e a voracidade sindical vão em frente. Tanto o de raiz keynesiana. Não há. e. seguro-desemprego. orçamento que resista. pois. como o abominável estado socialista. Dele é que partem as políticas restritivas à expansão das iniciativas. Por mais que o setor produtivo aumente a riqueza. fazendo com que seus custos sociais sejam cobrados dos investimentos e das fortunas. por meio de uma política tributária e fiscal que provoca descontrole inflacionário e desajustes orçamentários. devido a uma política tributária demagógica. por sua vez. que não são compensadas pela produção geral da sociedade. Esse. Sem haver uma justa remuneração. fazendo sempre mais e mais exigências. Estado: não há teologia sem demônio. ele se apresenta na forma do Estado: o estado intervencionista. Inflação: resultado do descontrole da moeda. reduz as taxas de lucro e faz com que os investimentos gerais diminuam. Na doutrina neoliberal. aumentos salariais além da capacidade produtiva das empresas. sobre o capital em geral. Ocorre então o crescimento do déficit público. o dinheiro é entesourado ou enviado para o exterior. Crise: é resultado das demandas excessivas feitas pelos sindicatos operários que pressionam o Estado. os neoliberais o substituem pela plutocracia. é constrangido a ampliar progressivamente os tributos. O aumento da carga fiscal sobre as empresas e os ricos. o qual. o papel ativo dos ricos. . férias. se dá devido ao aumento constante das demandas sociais (previdência. A coluna dos Gastos sempre supera a da Arrecadação. etc. A crise deve- se. que é coberto com a emissão de moeda. enquanto Keynes imaginava agilizar o estado como uns elementos anticíclicos.desejo de amealhar patrimônio e de legá-lo ais seus herdeiros legítimos. substitui o estado intervencionista keynesiano. depois. à falta de boas perspectivas para o investimento. matem-la num ritmo de prosperidade permanente. para retirar a sociedade da crise. pois. complicando a produção e sobrecarregando os custos. tenta demagogicamente solucionar os problemas de desigualdade e de pobreza. redução de jornada de trabalho. As demandas por bem-estar e melhoria da qualidade de vida não terminam nunca.). Para o neoliberalismo. aposentadorias especiais. Dessa forma. sobrecarregado com a política previdenciária e assistencial. Seu zelo pelas classes trabalhadoras e pelos desvalidos em geral leva-o a uma prática filantrópica que se torna um poço sem fim.

Reduz a sociedade ao nível de pobreza e. autoritário ou mesmo ditatorial. com o perdedor. existe também um Céu. desestimulando-se a função pública. O Estado deve. o útil e o inútil. Ao excluir os ricos da sociedade. o trabalhador e o preguiçoso. perde sua elite dinâmica. estimula a produção. impulsionadas pelas leis tradicionais da economia (oferta e procura. O estrago maior ocorre devido à sua filosofia intervencionista. taxa decrescente dos lucros. O mercado auto-regulado e auto-suficiente dispensa qualquer tipo de controle. É essencialmente demagógico na medida em que tenta implantar uma desigualdade social entre os homens. pois. elimina o incompetente e premia o sagaz e o empreendedor. renda da terra. Seu poder é ilimitado e qualquer tentativa de controlá-lo é uma heresia. Ele é uma divindade. É um Cosmos próprio. . e seu setor mais imaginativo. Sua preferência política recai sobre o governo que consegue neutralizar os sindicatos e diminuir a carga fiscal sobre os lucros e fortunas. diminuído em todos os sentidos. faz os preços subirem ou baixarem. O mercado é um deus. ainda que pagã. enquanto que ao bem-sucedido reserva-se-lhe um lugar no Édem. ele se desvia das suas funções naturais. Regime político: o neoliberalismo afina-se com qualquer regime que assegure os direitos da propriedade privada. Socialismo: segundo demônio. Ele é quem tudo regula. Para ele é indiferente. com leis próprias. porque premia da mesma forma o capaz e o incapaz. um deus calvinista que não tem contemplação para com o fracassado. É fundamentalmente injusto. Mercado: se há um inferno. se o sistema é democrata. pelo menos até bem pouco tempo. da economia moderna. Para o neoliberalismo esse local divino é o Mercado. à saúde e à educação. provocando a baixa produção. estimula a inércia. etc. Deve-se limitar o número de funcionários. quando se sabe que a Natureza os fez desiguais. É um sistema político completamente avesso aos princípios da iniciativa privada e da propriedade privada.). A falência é sua condenação aos infernos. Ao intervir como regulador ou mesmo como estado-empresário. na medida em que é ele que fixa as suas próprias leis e o ritmo em que elas devem seguir. tudo vê e tudo ouve onisciente e onipresente. passando a ser conduzido por uma burocracia fiscalizadora e parasitária. limitadas à segurança interna e externa. ser enxugado. ainda que em baixam da teologia neoliberal. graças à igualdade e a política de salários equivalentes. Pode conviver tanto com a democracia parlamentar inglesa. ao mesmo tempo em que desregula ao máximo possível a economia.

1989. São Paulo: Saraiva. 2006. São Paulo: Globo. Max. mais tarde ou mais cedo dará lugar a uma democracia. Darcy. 26ª Ed. SCHILLING. A Caminho da Servidão. As grandes correntes do pensamento/ Da Grécia antiga ao neoliberalismo. A longo prazo o regime autoritário. A Evolução das Idéias Econômicas. Atual. M. AZAMBUJA. Ciência política. Tatcher. 2005. 1992. São Paulo. Voltaire. Paulo. 1980. A Era dos Direitos. A. 2008. MALUF. ed. Porto Alegre: Editora Globo. São Paulo: Malheiros. Teoria Geral do Estado. Darcy. 1999. 2006. BONAVIDES. como com a ditadura do Gen. São Paulo: Editora Pioneira – USP. 1945. 2003. 2ª Ed. Essa associação com regimes autoritários é vista como uma necessidade tática e justificada dentro de uma situação de emergência (evitar uma revolução social ou a ascensão de um grupo revolucionário). Revista e ampliada. Miguel Alfredo Maluf Neto. Introdução à ciência política. HAYEK. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Martin Claret. 2. 44ª Ed. DEANE. ed. ao assegurar os direitos privados. Teoria Geral do Estado. Phyllis. WEBER. Porto Alegre: AGE Editora. Ciência e política: duas vocações.como durante o governo da Sra. John K. 13. Sahid. BOBBIO. 19ª Reimpressão. Norberto. O Pensamento Econômico em Perspectiva. . Pelo Prof. Fredrich Von. Rio de Janeiro: Campus. Bibliografia AZAMBUJA. São Paulo: Globo. GALBRAITH. Pinochet. no Chile.