MONOGRAFIA SENASP

Pós-Graduação lato sensu Políticas e Gestão em Segurança Pública

ARLEI BALBINO DOS SANTOS

PREVENÇÃO E CONTROLE DO CRIME NO GRANDE RIO: POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA INTEGRADA.

Rio de Janeiro Fevereiro de 2008

PREVENÇÃO E CONTROLE DO CRIME NO GRANDE RIO: POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA INTEGRADA.

Monografia apresentada à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública. Orientadora: Profa. Dra. Cristiane Brasileiro

Rio de Janeiro Fevereiro 2008

DEDICATÓRIA

Dedico esta obra a minha esposa e filhas, que tanto apoio e compreensão tiveram pelo meu afastamento do lar durante a realização do Curso de Políticas e Gestão em Segurança Pública e a perenização esboçadas. dessas humildes idéias aqui

polarizando o possível para minha educação.AGRADECIMENTOS Aos meus pais. que tiveram a grande sabedoria e sutileza de se privarem de inúmeras coisas materiais. . durante minha formação. o que jamais esquecerei.

Robert H. coragem e vontade. necessita de algo mais que uma simples decisão de fazer: exige motivação.A quebra de hábitos. pré-requisito para mudanças e renovação. Waterman .

Os participantes deste estudo foram o Chefe do Estado-Maior Geral (EMG). . os oficiais superiores comandantes das Unidades Operacionais (UOp) e oficiais e praças das Unidades Operacionais (UOp) alvos do estudo a seguir: 1º BPM (Estácio-Centro-Rio). propondo-se a analisar os mecanismos institucionais de controle da oferta de paz social à sociedade fluminense. 17º BPM (Ilha do Governador). 12º BPM (Niterói). o Chefe da Assessoria de Planejamento Orçamento e Modernização (APOM). baseadas no estudo das oportunidades e mecanismos que afetam escolhas racionais dos indivíduos criminosos. indicadores de avaliação do trabalho policial militar no contexto operacional e tem por máximo propósito contribuir com a Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro e com a política de segurança pública integrada. para refletir também sobre a possibilidade da utilização de novos indicadores mais adequados a construção da polícia moderna. 7º BPM (Alcântara). bem como uma comunidade de moradores de cada área de atuação das unidades policiais citadas. 28º BPM (Volta Redonda). num universo de 380 policiais militares e 800 civis. Acreditamos que os participantes do estudo sintetizam uma visão crítica possibilitando uma amostragem comprometida com os ideais democráticos. 24º BPM (Queimados). competente e cidadã. Apresenta ao final sugestões para modificar os atuais indicadores e propõe a utilização de novos indicadores. a Diretora Presidenta do Intituto de Segurança Pública (ISP).RESUMO Este estudo enfoca. 10º BPM (Barra do Piraí). 20ºBPM (Mesquita). É possível hoje uma avaliação do desempenho do trabalho policial com base em resultados estatísticos das atividades operacionais. no entanto ainda há uma imensa dificuldade de aferição da percepção social dos serviços que prestamos à sociedade.

20ºBPM (Mesquita). 17º BPM (Ilha do Governador).ABSTRACT This study focus in. The Public Security of the Institute Directory and the officers e privates of Operational units targets of the following studies: 1º BPM (Estácio-Centro-Rio). in a universe of 380 military policemen and 800 civilians. proposing to analyze the institutional mechanism of controlling the offer of social peace to the fluminense society. 12º BPM (Niterói). 24º BPM (Queimados). as well as a community of people living in the action area of the police units mentioned. 7º BPM (Alcântara). We believe that the people who participate in the study have a critical vision of showing commitment with the democratic ideals. It shows final suggestion to change the indicators and propose the use of new indicators. suitable to the construction of citizen. It’s possible today one evaluation of the performance of police work based on the results of the operational activity. competent and modern. so as the reflect also upon the possibility of utilization of new indicators. however there’s still a tremendous difficult of checking the social perception of the services that we do for the society. the Modernization Planning and Budget Chief. based on studies of opportunities and mechanism that affect rational choices of the criminal citizen. The participants of this study were General State Chief. 10º BPM (Barra do Piraí). indicators of evolution of the military police work in the operational context and it has the ultimate propose to contribute with the military police of Rio de Janeiro and with the politics of the integrated public security. 28º BPM (Volta Redonda). .

O Ethos Policial 7 1 III . Abordagem ecológica da sociologia empírica e o foco no indivíduo ativo Nova perspectiva para o controle do crime Queda de violência muda táxis em NY. relativismo cultural e o foco na sociedade A força da cultura e do aprendizado nas escolas culturalistas A escola marxista.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Distintas abordagens teóricas sobre a criminalidade A criminologia clássica. a criminologia crítica e o Estado criminoso.METODOLOGIA Participantes da Pesquisa Instrumentação Coleta e Tratamento dos Dados IV – APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS V – PREVENÇÃO E CONTROLE DO CRIME VI – CONCLUSÃO E PROPOSTAS DE AÇÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 36 38 72 75 79 ANEXO LEI Nº 3329 DE 28 DE DEZEMBRO DE 1999 RESOLUÇÃO DOS CONSELHOS COMUNITÁRIOS DE SEGURANÇA RESOLUÇÃO DO FÓRUM PERMANENTE DOS CCS Página 88 95 97 .SUMÁRIO Página CAPÍTULO I .O PROBLEMA Introdução Objetivos do Estudo Justificativa Questões Investigadas II .245 em 1990 Campanha permanente de posse de armas Realidade social e políticas públicas no Brasil Os agravantes estruturais do crime no caso brasileiro Construindo a polícia moderna . Número de homicídios chegou a 2. as escolas positivistas e a ênfase no indivíduo passivo Teorias sociológicas.

ROTEIRO PARA ENTREVISTAS QUESTIONÁRIO PARA POLICIAIS MILITARES QUESTIONÁRIO PARA CIVIS 99 101 103 .

1996). a todo tempo tendo um que vencer o outro. não tendo se mobilizado. Modifica o comportamento das pessoas. em suas operações. As circunstâncias em que a polícia passou a receber direção dos holofotes envolvem uma grande variedade de tendências de mudança social. no meio acadêmico e nas conversas domésticas. nos dias de hoje. reflete-se na arquitetura e urbanização das cidades ( NAHON. por conta própria. vendedores. não desenvolveu um programa de pesquisas e estudos.1 CAPÍTULO I O PROBLEMA Introdução O tema violência e criminalidade acompanha o homem desde a sua origem. esmagando-o para tomar o seu lugar. Entretanto. percebe-se que vem ocupando um espaço cada vez maior no debate político. não levantou questões sobre a natureza de seu mandato. práticas e seus papéis na sociedade. que levou a Organização das Nações Unidas a colocar o tema na agenda política de prioridades do milênio. O monopólio do uso da força é do Estado e nele inclui-se o controle do crime e em especial o violento. como médicos. o trabalho policial alcançou um grau de visibilidade pública que nunca gozara anteriormente. 2001). enfermeiros. Transformações sociais evidenciaram a gradativa passagem da sociedade panóptica (Foucault. advogados. e militares fizeram. bem como no desempenho de atividades econômicas. isto é. Tendo o crime potencializado seus efeitos nas sociedades pós-modernas. Duas dessas tendências podem ser consideradas como tendo sido de importância decisiva: o movimento dos direitos civis e a chamada luta contra a pobreza. em direção a uma auto-análise e uma autocrítica de sua atuação. também não tentou estabelecer. durante todo o século XX. consolidada no século XIX através da internalização das . a competividade tem a guerra como norma. sacerdotes. Outras ocupações. uma avaliação sobre sua profissão. professores. assistentes sociais. em algum momento deste século. que evolui para público e atinge todas as sociedades. focalizando questões relacionadas à qualificação. A partir dos anos 60. somente a polícia. a polícia foi a única corporação que. um programa de estudos e pesquisas. onde o capiltalismo global se estabeleceu dominante. de uma maneira sustentada. na mídia. a ascenção do crime violento passa a manifestar-se como um problema social. Dentro do contexto das ocupações que lidam com pessoas.

como ficou conhecido o modelo panóptico em face da arquitetura das construções que obrigava o indivíduo a se ver no outro sendo controlado. fazendo com que “ A pouca clareza analítica e a pobreza teórica da sociologia tendam a ser substituídas pela retórica da indagação moral” (Paixão.16) e a crescente adoção de modelos importados de controle social que reforçam o estado policial e penitenciário. factíveis e definidas a serem alcançadas. disseminando mundialmente políticas públicas de controle social fundamentadas no que Wacquant (2001. seja pela limitação quantitativa de dados.4) “A emergência do crime como um problema público está relacionado ao consenso geral da incapacidade dos cidadãos em tratar do assunto e da atribuição de sua propriedade ao Estado”. e acabam por estabelecer uma ditadura sobre os pobres. controle e punição das pessoas. igrejas. etc. Para comprometer ainda mais a elaboração de políticas de segurança pública. e sobretudo na constância da vigilância. É delegada ao poder estatal a autoridade de buscar soluções para a criminalidade através do poder legislativo e seus agentes do sistema criminal. valores morais e éticos passam a ser questionados. vigiado e punido assim como a si próprio. quartéis. momento em que as instâncias informais de controle social. e a globalização da política capitalista neoliberal de diminuição do welfare state (Leibfried. 1997. apenas. escola. tais como: a heterogeneidade dos fatos sociais envolvidos e a escassez de informações que possibilitem estudos comparativos.2). Segundo Beato (1998. Instituições totais.2 normas de controle social pelos indivíduos. principalmente dos operários das fábricas que eram reféns desse modelo e que de certa forma induzia a mortificação de suas personalidades. Bayley (1994) aponta em seus estudos o que chama de um dos grandes segredos da vida . p.47) conceitua como a contemporânea divisão de classes: os competentes e os incompetentes. ‘Pautar-se por metas claras. 1995. Como tal modelo foi gradativamente sendo humanizado. Diversos óbices comprometem a elaboração de políticas para controle do problema público do crime. forçado à reflexão e expiação de sua culpa. Uma vez problema de governo. o crime deve ser controlado pela política pública. como família. pelas idéias iluministas. p. p. solidárias e fraternas. e outras mais. passam a ter valor maximizado em oposição ao ambiente externo para o que Beck (1992) denomina sociedade de risco. tendo sido empregado tal método nos presídios. p.68). p. 1994. Por instrumentos de medidas confiáveis para avaliação desses objetivos e pelos meios disponíveis para sua realização de forma democrática” (Silva. igreja. logo não necessita obrigatoriamente identificar as causas e pode. seja pela baixa confiabilidade desses.

será possível medir. oportunidades de emprego. pelo menos apreender suas evoluções. mas o custo do restabelecimento da ordem se avalia. relatadas com muita desigualdade pelas vítimas. que depende de muitos outros fatores. tais como. cujo foco seja a oferta de paz e cidadania é muito oportuna e bem vinda. ou seja a ausência de desordem é percebida com mais naturalidade. (2) as estratégias adotadas pelas organizações policiais têm mostrado ter pouco ou nenhum efeito sobre o controle da criminalidade.3 moderna: a polícia não previne o crime. distribuição de renda. a taxa de elucidação dos roubos a mão armada contra estabelecimentos financeiros ou transportadoras de valores ou pessoas é um bom indicador da qualidade da penetração no meio pela polícia criminal). em compensação. Duas são as evidências desta contundente afirmação: (1) repetidas análises têm fracassado em encontrar conexão entre o número de policiais e a taxa de crime. se acaso não a evolução da delinqüência. através de pesquisas de vitimização. além da intensidade de sua repressão. que implica que a força não deve restringir se a lei em todas as circunstâncias e não importa o preço. e. procurando enaltecer a meritocracia como conseqüência positiva do resultado dessa atividade. A ordem política não se mede diretamente. Diversos fatores concorrem para a elaboração de políticas. saúde. a taxa de elucidação de delitos não tem grande sentido. como as violências. entre o restabelecimento da ordem a qualquer preço. educação. a força deve restringir se a lei e o restabelecimento da ordem ao menor custo. Enfim desde que se faça uma pesquisa qualitativa com a sociedade. de forma que possivelmente o crime passa a ser problema público e não . produção do serviço policial. Uma das características constantes do discurso dos policiais a respeito de sua atividade. pelo menos as taxas de elucidação das diferentes categorias de delitos registrados. e na proporção da confiabilidade do registro (veremos que. segundo critérios objetivos focados em resultados e metas factíveis. alicerçe familiar. ìndice de desenvolvimento humano. A avaliação múltipla. sobretudo na área de segurança pública. Ao alvo criminal correspondem indicadores de desempenho relativamente precisos. ocasião em que os órgãos do sistema criminal podem cometer excessos e abusos de poder objetivando justificar o fim através dos meios utilizados em prol da garantia da lei e da ordem. é que tal discurso sempre inclui uma avaliação dessa atividade e de cada uma das várias tarefas realizadas pelos policiais e enumeradas. senão o sentimento de segurança de uma população.

e ainda se existem metas factíveis de redução de violência e criminalidade a serem atingidas levando-se em conta a inteligência. com o rigor acadêmico para produzir resultados válidos. no que diz respeito à sua eficiência? Por quê? 2. Dentro do contexto. . e da sociedade em geral. buscaremos respostas às seguintes questões de estudo: 1. sobretudo da dinâmica da atividade de segurança pública na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. logo haverá limitações à sua elaboração. em caso afirmativo esta avaliação corresponde às expectativas das corporações policias. planejamento. Os indicadores resultantes da avaliação da atividade policial utilizados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública têm ligação direta com a sua rotina profissional? De que forma? 5.4 social. resultado e meritocracia. bem como seu reconhecimento social. da atividade realizada pela polícia. onde várias disciplinas corroboram para facilitar o entendimento da prevenção e do controle da violência e do crime e. estratégia. Se existe alguma avaliação. o que lhe credencia a ser alvo de políticas. Como as avaliações realizadas podem contribuir para uma maior eficiência da atividade realizada pela polícia? 3. Quais os óbices em avaliar o desempenho da atividade policial ? Tem-se como hipótese a ser comprovada no presente estudo se os indicadores constituidos como produção policial das polícias fluminenses possibilitam a efetiva aferição do desempenho de suas atividades. Os indicadores resultantes dessa avaliação da atividade policial podem ser modificados para melhor cumprirem seus objetivos ou novos indicadores poder ser utilizados? Como? 4. informação. bem como sua aplicação em face do cenário político e social brasileiro.

5 Objetivos do Estudo É mister evidenciar o modelo teórico de controle da criminalidade que dá suporte à atividade operacional das polícias estaduais fluminenses. analisando cientificamente os instrumentos de medidas confiáveis para avaliação de desempenho no alcance das metas traçadas pela política pública de segurança integrada. para verificar até que ponto são confiáveis na aferição da oferta de paz social na região metropolitana do Rio de Janeiro. identificando se as mesmas priorizam investimento em prevenção do crime e violência ou simplesmente gastos no seu controle e garantia da lei e da ordem. de modo que se possam identificar os pontos principais (estruturais) da política de segurança pública integrada do Estado do Rio de Janeiro e ratificar a integração pessoal e institucional entre os agentes públicos de ambas as instituições policiais utilizando para esse propósito o mesmo banco de dados e estratégias compartilhadas. analisando os fatores peculiares à realidade brasileira que interferem na elaboração de políticas governamentais na área da segurança pública. O presente estudo teve por máximo propósito contextualizar a atividade policial em face das distintas abordagens teóricas sobre criminalidade e contribuir com . utilizados pelas polícias estaduais. bem como estudar analiticamente os mecanismos de controle. utilizados pelas instituições policiais fluminenses. tendo como base o planejamento operacional em conjunto e a devida prestação de contas a sociedade. Justificativa A sociedade fluminense ainda de forma tímida começa a participar mais diretamente das discussões sobre segurança pública através dos Conselhos Comunitários de Segurança e com mais freqüência e nesse contexto a importância em priorizar suas demandas nos faz certamente avaliar o desempenho efetivo da atividade policial e aplicação desses recursos públicos de forma que o cliente do serviço possa ser a sociedade e não o estado.

que poderá a partir de então. propondo-se a analisar os mecanismos institucionais de controle da oferta de paz social à sociedade fluminense. o interesse coletivo. de buscar o bem comum. Dessa maneira.6 a política de segurança pública integrada. . o bem-estar social e a cidadania. e poder analisar ainda os indicadores mais adequados para verificar o desempenho da polícia moderna. que certamente passam pelo objetivo de colocar a todo o tempo as corporações em teste de sua razão de existência. juntamente com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). a garantia da lei e da ordem. A pesquisa buscou comparar dados sistematizados pela análise criminal. O tema além de ser atual e ter conseqüência imediata na vida em sociedade insere no contexto a Universidade Estácio de Sá. Foram utilizados ainda a pesquisa bibliográfica. Metodologia e Análise dos Dados: Foram analisados dados estatísticos da Secretaria Estadual de Segurança Pública e do Instituto de Segurança Pública. necessária. competente e cidadã. pesquisa na internet e comparações e análise de dados estatísticos oficiais do Instituto de Segurança Pública sobre análise criminal e demanda dos Conselhos Comunitários estaduais de segurança pública por áreas integradas de segurança pública no Grande Rio. fazer parte desse debate de negociação da ordem social antes exclusivo das esferas públicas. oportuna e pertinente. entidade de educação superior privada. podendo ainda contribuir para reconstruir a imagem de um profissional totalmente desacreditado e marginalizado por vários segmentos sociais. a oportunidade de se desenvolver essa pesquisa pareceu ao mesmo tempo importante.

de forma bem sintética. sobretudo a francesa que deriva das ordenações religiosas de 1670. A criminologia clássica. paralelamente à manutenção da persistência de privilégios feudais. O marco de significativas mudanças em relação ao crime é o século XVIII. um ritual organizado para a marcação das vítimas e a manifestação do poder que pune. Procurando tentar entender as limitações e possibilidades dos modelos teóricos que no momento orientam a polícia fluminense. Nos excessos dos suplícios. 1996). onde a preservação da ordem se sobrepunha de forma arbitrária e cruel à liberdade individual (FOUCAULT. 1996).7 CAPÍTULO II FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DISTINTAS ABORDAGENS TEÓRICAS SOBRE A CRIMINALIDADE Ao contrário do que se acredita a violência não é um produto recente da urbanização e industrialização. não seria absolutamente a exasperação de uma justiça que esquecendo seus princípios. A lei se consagrava a expressão da vontade do soberano e sua quebra. Cesare Becaria (1738 – 1794) e Jeremy Benthan (1748 – 1832) objetivaram humanizar o sistema altamente arbitrário e cruel de punições do ancient régime. pelo contrário acompanha o homem desde a sua origem. as escolas positivistas e a ênfase no indivíduo passivo. período este. estando presente também no campo. época esta que se inaugura o período marcado pelo positivismo . A prática penal. que segundo TOCQUEVILLE. indiferente a gravidade do ato seria uma agressão ao próprio governante. as seções deste capítulo apresentarão algumas das principais teorias sobre o fenômeno social “crime”. se investe toda a economia do poder. a burocracia comercial e administrativa se desenvolve nas nações. manisfestando-se das primeiras sociedades até as contemporâneas formas de vida social e não é restrita a área urbana. citado por (SENNET – 1998). regulava o ritual do suplício. tudo isso através do processo secreto. uma vez que a história social do crime não é o objeto do presente estudo. que segundo (FOUCAULT. perdesse todo o controle. seria uma produção diferenciada de sofrimentos.

O texto de Cesare Becaria Dei delitti e delle pene (1764). a natureza dissuasória da punição. proporcionalidade da punição ao crime e oposição a torturas judiciais. os filósofos franceses D'Alembert. Catarina II da Rússia. Defendiam o predomínio da razão na organização dos delitos e penas. Adolphe Quetelet (1796-1874). e que conduzem a uma grande distância entre mim e os homens ricos e poderosos que jamais visitaram os esquálidos barracões dos pobres. sistemas de passaporte e identidade e redes de informantes e espiões. 1764 p. como a reserva legal que explicita que: não há crime sem lei anterior que o defina nem pena sem prévia cominação legal. insere-se em um contexto de transformações em relação às estratégias penais. influenciou monarcas europeus como Gustavo III da Suécia. filósofos como Willian Blackstone. Deixe-nos quebrar esses laços que são tão daninhos para a maioria e úteis para um punhado de tiranos indolentes. o dano causado por servidores públicos e magistrados corruptos. ou seja. em oposição à noção religiosa do crime "pecado". Maria Teresa da Áustria. Diderot.8 normativo e a sobriedade punitiva. revolucionários da América colonial tais como: Thomas Jefferson e John Adams e. uma gendarmerie profissional. e observou a quantidade de crimes ocorridos e os analisou estatisticamente. a própria definição de crime. uma vez que trabalhava no Compté Généreal de L’administration de la Justice Criminelle en France (1827).51). sobretudo. projetando-as como mecanismos de vigilância. ou seja. Entre suas idéias mais importantes estão as constâncias do crime e as propensões criminais. procurando estabelecer regras para a mecânica social do crime. que seriam as inclusões no código criminal napoleônico de novas categorias de delinqüência. Nesta obra existem embrionárias conceitos da criminologia como "crime". a uniformidade das leis. Hevétius. da mesma forma. que nunca tiveram que repartir um borolento pedaço de pão entre os inocentes soluços de suas crianças famintas e esposas. Pregavam a definição do crime pelo mal causado à sociedade. regularidades . "criminoso" e "causas do crime" e o que nos impressiona a todos. Buffon e Voltaire. deixe-nos atacar a injustiça na sua fonte (BECCARIA. onde o rigor do castigo tem menor importância que a certeza da punição. Acredita-se que tenha sido tal iniciativa a precursora do lombrosianismo e a futura abordagem da escola de Chicago. seria a reflexão sociológica a respeito da natureza das leis: O que são essas leis que eu devo respeitar. alguns princípios começam a ser introduzidos no contexto criminal.

derivada de uma teoria geral do comportamento. 1140). a criminologia clássica busca explicar o crime – ou o não crime através de uma ótica pontual e fundada nas características do indivíduo. Enfatizou a necessidade de se analisar características individuais. em sintonia com Darwin. Isto porque. utilizando métodos estatísticos e dados antropológicos. os seres humanos são sujeitos à lei da natureza tal quais os outros animais. assimetria do crânio e da face. p. vadios.9 racionais encontradas no mundo natural e social. A teoria positivista biológica não oferece de fato uma teoria para o crime. sexo. Observou a permanência das taxas de crime e concluiu que a constância das taxas de crime é inevitável e independente de vontades particulares. idade. Sua suposição básica era a existência da natureza biológica do caráter e comportamentos humanos: o positivismo biológico. das medidas biométricas. ou seja. no homem médio essa propensão não se transforma em crime. sociais. para os mecanismos de vigilância. Baseando-se em um conjunto de valores médios. percebe-se que Adolphe Quetelet preserva pré-noções que são reflexos do pensamento criminológico clássico. controle sobre as paixões e previsibilidade de comportamento (BEIRNE. a partir da análise estatística das taxas de mortalidade. Para Cesare Lombroso (1835 – 1909). geográficos e econômicos. Nesse contexto Adolphe Quetelet considera o crime uma manifestação naturalmente esperada na sociedade de forma que sua teoria se amolda à transformação das estratégias penais racionais projetadas como instrumento de controle social das classes perigosas que surgiram na Europa e que evoluíram. estudou certos padrões físicos para comprovar sua tese de que existiam características atávicas relacionadas a pessoas que nasciam criminosas. pessoas de estoque moral inferior etc. da ocupação e da região geográfica. Limita-se a descrever um rol de dados . Embora todas as pessoas tivessem a propensão natural ao crime. tais como: desvios no tamanho e forma do crânio comum a certas raças e regiões dos quais vinham os criminosos. Realizando necropsias. a temperança. orelhas muito grandes ou muito pequenas. classes inferiores. dentição anormal. estariam os hábitos racionais. defeitos e peculiaridades nos olhos. estabelecidos sobre o homem belga. De forma clara. 1987. etc. controle e correção aos quais Foucault denominou panoptismo. no século XIX. dentre as virtudes do homem médio. tendo algumas de suas observações permanecidas válidas a exemplo da importância de gênero e idade como predição do comportamento criminoso. Quando o autor se refere ao homem médio toma como antítese os ciganos.

Teorias sociológicas. afirmando que a ausência de canais legítimos de ascensão social gera problemas que provocam alguma adaptação individual. Com uma inaudita interpretação das relações entre o crime e a sociedade. como determinante do individualismo presente nas sociedades complexas ou pós-revolução industrial. pois ao suscitar uma punição. ao final do séc. afirma Durkeim. democraticamente aceitas. isto é. com alto grau de diferenciação entre indivíduos. a que Èmile Durkeim chamou de solidariedade orgânica.10 constituídos indutivamente. é esperado que algumas manifestações individuais sejam divergentes da coincidência comum. a partir da compreensão de que não existe sociedade sem crime e. XIX. cada qual com distinta interação entre as metas culturais e os meios institucionais disponíveis. todo fato capaz de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior. o crime é ainda necessário e útil à sociedade. em geral. As divergências são. a fim de identificar padrões e formular uma tipologia de criminosos. por vezes reprovadas socialmente. . Seu estudo apresenta a divisão do trabalho social. consolidada a partir do incremento da especialização profissional. A gênese do crime é resultado de diferentes processos políticos. ainda que. isto é. a ritualização da consciência coletiva sobre aquele fato. em casos extremos. Dando continuidade à sociologia criminal. procurou estudar a permanência do crime na sociedade. relativismo cultural e o foco na sociedade. Através da recolha e interpretação de dados estatísticos. logo. os indivíduos estão ligados por um sentimento de complementaridade. ou seja. MERTON (1968) apresenta seu estudo com ênfase na mobilidade social. para Quetelet. e a partir do sentido ritual da pena. O crime é normal. mas. DURKEIM (1932) inaugura. manifestada na forma de uma resposta anônica. a sociologia criminal e marca a virada das explicações da escola positivista em favor das teorias sociológicas. o crime consolida valores e fortalece laços sociais. Nessas sociedades. podem vir a se constituírem crimes penalizados em lei. deixou de buscar explicações na figura do delinqüente ou. Nas sociedades complexas. passando a interpretar o crime como um fato social. as atividades distintas se completam de forma harmônica através de uma força de coesão social. no não delinqüente.

agentes do sistema criminal. escola. o isolamento moral de indivíduos (afastados de sua família. é do consenso comum que a teoria da anomia representa uma importante obra no estudo do comportamento desviante. a teoria da anomia possibilita estudar crimes como os de "colarinho branco". portanto. Certamente. Contudo. Seguindo o pensamento mertoniano. Os sonhos que emergem naturalmente da revolução social acabam por se mostrar incompatíveis com as alternativas institucionais convencionais disponíveis (trabalho e salário) para tornar real aspirações individuais: a privação relativa. as respostas podem se resumir ao simples julgamento racional entre as vantagens de se rebelar contra o sistema ou se conformar com a miséria. nos indivíduos onde os vínculos sociais (família. políticos e na opinião popular. Ao estigmatizar os pobres como classe perigosa e associar a criminalidade à pobreza. tais como o processo de industrialização que provocou a urbanização desordenada de cidades (dado a incapacidade de absorção da grande massa migrante de população rural).11 O pensamento de Robert Merton é persuasivo explica de forma convincente que mudanças estruturais. aponta a estrutura sócio-cultural como determinante de diferentes comportamentos sociais. indivíduos decidem racionalmente ignorar as normas legais que regulam a vida em sociedade para satisfazer suas aspirações pessoais de forma criminosa. podem provocar respostas anômicas individuais. por se opor à abordagem tradicionalista que tenta explicar comportamentos sociais "anormais" com manifestações endógeno-patogênicas dos indivíduos. que tiveram a sua disposição meios institucionais legítimos para conseguirem seus anseios. conclui-se que a enorme desigualdade social. a exemplo da Índia. de uma patologia do indivíduo para patologia do social. assim como Durkeim.) são mais frágeis. Velho (1985) ressalta: saiuse. . Tampouco. etc. Ao observar essa mudança de enfoque no estudo do comportamento desviante. hoje reforçada pela desenfreada cultura consumista é a fonte de diversas respostas anômicas individuais e. Assim. mesmo que esta teoria encontre respaldo no discurso de criminosos encarcerados. ela representa uma abordagem simplista e pontual do estudo da criminalidade. da comunidade e da religião) e as decorrentes condições de pobreza. mas cometeram crimes. trabalho. A inferência de seus preceitos não é possível no estudo de outras sociedades onde enormes desigualdades sociais existentes não refletem necessariamente elevadas taxas de crime. ignoram outras variáveis e fatores criminógenos. cometidos por integrantes da elite social. Merton.

suas regras sobre relações e modos de comportamento. p. representando-a como perfeita e harmônica. 1998). O individualismo moral. com objetivos e meios de realizálos institucionalmente definidos. se os indivíduos internalizam os valores sócioculturais de forma geral e homogênea. sob quais condições emergiria a subcultura delinqüente? Os autores desta teoria apontam a necessidade da existência de um ambiente especializado para que a subcultura delinqüente possa florescer. A idéia de que um grupo social estabelece um modelo único é rígido é ainda mais surrealista ao se estudar as sociedades modernas. tampouco. explica MALINOWISKY (1976). o ingresso a uma carreira delinqüente . a idéia de um universo valorativo comum servindo de referência para a definição de comportamentos delinqüentes. consolidaram-se entre os principais críticos do estudo de Merton. urbanas e industriais. bem como a capacidade humana de questionar seus próprios hábitos e modificá-los.. O super dimensionamento da ação coercitiva. A individualidade natural do ser humano. passa a regular a vida social e tornar fictício se acreditar em uma hierarquia valorativa comum. psicológicos. complexo e dinâmico dos valores culturais se manifesta a cada momento. os autores enfatizam a integração da sociedade. restritos e legítimos para todos os seus membros.58).12 A força da cultura e do aprendizado nas escolas culturalistas Os autores da teoria da subcultura. onde o caráter multifacetado. Nem as pequenas e mais simples sociedades tendem a ser estáticas e. A pluralidade dos distintos estados culturais que existem dentro de uma mesma sociedade fortalece o processo dinâmico de modificação dos seus valores. ou seja. Portanto. 1999) não observa a incapacidade natural da participação do indivíduo em todos os elementos de sua cultura seja por limitações cronológicas ou culturais e se contrapõe ao processo cumulativo dos valores tradicionais. Igualmente. faz com que apareçam em divergências nas percepções pessoais dos códigos consensuais vigentes. Mas. CLOWARD e OHLIN (1993. sociais e ou culturais. afirmado por Alex de Tocqueville (SENNET. muito embora sua proposta não rompa com os supostos mais centrais da teoria mertoniana. Distintas sensibilidades jurídicas (GEERTZ. exterior e geral do fato social (QUITANEIRO et al. para o qual concorrem fatores biológicos. 1978) elegem valores que não são os mesmos da cultura oficial: a subcultura.

(4) excitação e fortes emoções (consumo de álcool e jogo). que conviverem com profissionais liberais. demonstração de força física. em contraste. portanto. aspirariam a essas posições. habilidades atléticas e masculinidade. a exemplo dos contatos de criminosos com policiais. tendo como premissa uma estrutura social não problematizada. torna-se mais fácil. São estas seis preocupações focais que atuam com motivadores comportamentais. Um diferente enfoque para a questão dos valores da subcultura é sua relação com valores da classe econômica baixa. (6) autonomia para buscar o status que lhe é negado e o reconhecimento social. (2) manifestação de dureza. banqueiros ou empresários. O extremo da promiscuidade entre o mundo legal e ilegal pode se dar na forma do crime organizado. vivendo em locais dominados por bandidos e delinqüentes. receptadores. que contribuem para o maior desenvolvimento de habilidades necessárias para o mundo ilegítimo. policiais. mais de um processo de seleção que envolve socialização. agentes da justiça. . mais o sistema cultural de classe baixa. Tomando como exemplo o caso das gangues. para transmissão de técnicas de valores necessários ao desempenho do papel. (5) crença na fatalidade do destino. isto é. a cultura mais importante na modelagem do comportamento criminoso não é a própria gangue. que tem como preocupações focais: (1) evitar problemas com as autoridades na forma de confusões e comportamentos ilegais. políticos. Observa-se. pressionados para a conformidade com tais regras locais e não gerais. advogados e "financiadores do crime". jovens de classe baixa. advogados e diversos outros profissionais. aspiram por se tornarem bem-sucedidos "profissionais" no mundo do crime. portanto. através de uma rede de relações entre viciados. Outra forma de potencialização da subcultura criminosa se dá na sua estreita vinculação com carreiras convencionais e legítimas. determinando a forma como se organizam grupos de adolescentes. (3) astúcia na conquista de bens com o mínimo esforço físico e o máximo de esperteza. é uma teoria onde se postula que as aspirações são diferenciais entre membros de distintos grupos. O que se tem. Isto induz a conclusão de que jovens de classe média. O proposto neste modelo é que o ingresso a uma carreira criminosa não é apenas questão de vontade individual.13 é facilitado em vizinhanças onde o crime é comum. valores e habilidades. que o modelo da subcultura mantém ainda certo conservadorismo ao analisar a sociedade e sua diversidade cultural com limites bem demarcados. Isto se dá porque a integração entre criminosos de diferentes faixas etárias.

14 funcionando normalmente. Parte de sua problemática reside na definição, simplista e relativista, do modelo orgânico social tido como saudável. A teoria da associação diferencial, proposta por SUTHERLAND (1993, p.194), oferece uma abordagem mais ampla ao estudo da criminalidade. Tem como foco o processo de aprendizado pelo qual o indivíduo se torna criminoso. Do modelo mertoniano de mobilidade social, reconhece e enfatiza a influência das condições estruturais no comportamento criminoso. Aceita que os meios institucionais legítimos de ascensão social não estão universalmente à disposição das pessoas. Da teoria da subcultura, observa a existência de valores culturais que não são os mesmos da cultura oficial, o que igualmente exerce influência sobre a inclinação criminal do indevido. O modelo apresentado na teoria da associação diferencial leva em consideração tanto variáveis estruturais e culturais quanto a possibilidade de análise da ação individual, pois parte da premissa de que o comportamento criminoso não é herdado, mas sim aprendido através de interações interpessoais no interior de grupos íntimos, ou melhor, subgrupos culturais onde a linguagem representa o principal veículo de socialização. Este processo de socialização dos indivíduos pertencentes ao subgrupo criminoso inclui mecanismos de aprendizagem semelhantes aos observados em qualquer outro processo de aprendizagem que possibilitam a assimilação de conhecimentos técnicos do crime. Os conhecimentos empíricos acumulados ao longo da carreira criminosa são repassados aos novatos na "profissão", isto é facilmente observado nas atividades criminosas que requerem conhecimento específico mais apurado, por exemplo: furtadores de veículos, arrombadores, seqüestradores, etc. O processo de socialização também internaliza nos indivíduos impulsos à ação criminosa, que são motivadas pela definição de códigos legais mais favoráveis ou desfavoráveis à ação criminosa. A existência de um sistema criminal ineficiente é determinante para potencializar a inclinação à criminalidade. O crime não é apenas resultado da socialização do indivíduo, mas envolve o cálculo racional dos custos e benefícios da ação criminosa. Portanto, a associação criminosa é resultado de um conflito de forças contraditórias, onde as definições favoráveis à violação das leis se sobrepõem às desfavoráveis. A partir do jargão popular “as prisões são as universidades do crime", pode-se compreender a proposta da associação diferencial ou, em outras palavras, da teoria do aprendizado sócio-cultural do desvio (AKERS, 1996, p. 229). A junção de indivíduos

15 condenados por crimes normativamente semelhantes, mas absolutamente distintos entre si, seja pela suas histórias singulares ou pelos diferentes graus da real periculosidade social do próprio ato delituoso em um mesmo espaço insalubre e absolutamente isolado dos mecanismos de internalização dos valores sócio-culturais consensuais da sociedade política e economicamente dominante, valores estes que, por estarem presos, supostamente já evidenciaram não os terem naturalizado, acaba por contribuir para o crescimento da subcultura delinqüente e criminosa. O dia-a-dia da subumana realidade prisional evidencia explicitamente a dicotomia "cidadãos de bem versus escória de criminosos” e faz com que os indivíduos rotulados homogeneamente como criminosos reproduzam a lógica do sistema e se identifiquem pertencentes ao subgrupo distinto e antagônico dos cidadãos de bem. A lógica hierarquizadora do sistema criminal reforça a segregação social, pois condena apenas pobre enquanto as elites cometem crimes infinitamente mais danosos à sociedade sem serem punidos ou quando são, recebem privilégios e tratamento especial. Na verdade, a prisão que ideologicamente tem por fim a mediação da reintegração dos desviados a sociedade se apresenta como a estrutura discriminatória destinada a preservar a condição desviante para segregar aqueles que se pretende excluir do convívio social. Nesse universo, interações de dominação subordinação possibilitam que as experiências empíricas sejam repassadas verbalmente e assim, sejam criados ou reforçados valores culturais criminosos. Críticas ao modelo proposto por Sutherland surgiram no sentido de reformular sua teoria. Uma das propostas interessantes é feita pela teoria da neutralização, onde SYKES e MATZA (1993, p.180-184) tratam da neutralização do comportamento criminoso:
Muita delinqüência é baseada no que é essencialmente uma extensão desconhecida de defesas de crimes, na forma de justificações para os desvios que não são vistos como válidos pelo delinqüente, mas não para o sistema legal da sociedade como um todo.

A justificação para o comportamento criminoso é buscada na própria "estrutura de valores e provas" da sociedade, que fornecerá o vocabulário e a sintaxe dos motivos utilizados para se referirem aos atos criminais. Isto significa que os criminosos, de certa maneira, ainda permanecem socializados nos valores da cultura convencional, transportando o vocabulário de motivos para suas infrações como forma de se justificarem de acordo com o modelo da sociedade convencional. Ou seja, a norma

16 convencional não tem a força de um imperativo categórico e as pessoas podem racionalizar suas condutas de desviantes na mesma sintaxe do mundo convencional. Para justificar o desvio, pode-se buscar a negação da responsabilidade, reivindicando a condição de vítimas quer seja por um "acidente" momentâneo, quer seja por ter cometido o delito por circunstâncias sociais e econômicas que estão além de seu controle. Pode-se negar o mal causado nos crimes sem vítimas tais como a venda de drogas, prostituição etc., e o que estaria em questão, portanto, seria um processo moral. Outra justificação é a negação da condição de vítima como, por exemplo, no caso de homicídios de homossexuais. Ou ainda condenar os condenadores, considerando-os hipócritas, desviantes dissimulados ou impedidos por questões pessoais. Uma forma pode também ser rejeitada em favor da lealdade a outras normas e valores, a exemplo da valorização cultural da "malandragem" e do "malandro", bastante familiar aos brasileiros. A escola marxista, a criminologia crítica e o Estado criminoso.

A criminologia crítica centraliza seu estudo nos processos sociais originados do conflito social (CARDARELLI, 1993). O conflito pelo poder de sobrepor sua vontade aos demais se estabelece através de um jogo político onde as distinções de idade, sexo, etnia e classe social (YONG, 1980) explicam diferenças no grau em que os grupos assim diferenciados podem fazer regras para os outros. Aqueles cuja posição social lhes confere poder econômico são mais capazes para impor suas regras em âmbito geral, onde concorrem diretamente o aparelho estatal e os mecanismos difusos de controle social. Os códigos legais são as manifestações mais fortes do controle social para a proteção dos padrões morais e comportamentais impostos pela elite econômica e politicamente dominante; o desvio destes códigos legais é definido como crime. Ideologicamente, o Estado e suas leis visam o bem estar social, em conformidade com a manutenção das estruturas de poder. Mas, de fato, retratam uma relação dinâmica e conflitante, onde a aceitação não se estabelece de forma pacífica e se manifesta em uma continua luta pelo poder, Maquiavel ensinava que a condição de saúde dos Estados não reside na harmonia forçada, mais sim no conflito, que corresponde à primeira proteção da liberdade (BOBBIO, 2000).

17 A criminologia crítica se opõe ao mundo clássico por entender uma imagem ideal do ser humano. dirigindo a atenção para as inter-relações entre Estado. diante da anormalidade do algoz nazista. embora pudesse e devesse respeitar a lei (MOLINA. Chamam a atenção para crimes cometidos pelo Estado contra seu povo (os direitos humanos). que apresenta o comportamento do indivíduo inserido na dinâmica de causa e efeitos que rege o mundo: o criminoso é um prisioneiro de seu determinismo biológico ou social. por sua vez. impondo uma verdadeira ditadura sobre os pobres que condena os socialmente indesejáveis aos campos de concentração de pobres. comportamento delitivo só pode ser atribuído ao mau uso da liberdade. cumpridor de suas metas. porém. o crime é um profundo mistério e o criminoso é um pecador que optou pelo mal. igualmente. Também contraria o positivismo jurídico de leis que não refletem a realidade social. reproduzido na forma de violência difusa praticada por . segregacionista. de acordo com os interesses das elites corporativas capitalistas. Procura. afirmando que é a partir de um jogo de poder político que se constrói socialmente o crime e o criminoso. mas apenas legalizam a exploração e a injustiça reproduzindo "espaços de clandestinidade" que possibilitam o uso da máquina burocrática estatal e do poder de polícia em benefício particular do funcionário público. dono e senhor absoluto de si e de seus atos. ao acompanhar o julgamento de Eichmann. que não fizera mais do que agir conforme a ordem legal vigente na Alemanha: um pai de família exemplar. ao positivismo criminológico. lei. Igual relevância tem o texto de ARENDT (1999) que. 1961. analisa a forma banal de sua maldade como resultado da ausência da capacidade de reflexão e conclui: a distância da realidade e esse desapego podem gerar mais devastação que todos os maus instintos juntos. explicar o crime com uma disfunção do capitalismo (com enfoque na estrutura econômica). um homem comum. crime e modo de produção capitalista. 2001). Opõe-se. É interessante a obra de WACQUANT (2001) que aconteceu texto a hiperinflação carcerária americana indiferente a índices de criminalidade estáveis. Sob o prisma do pensamento da criminologia crítica renasce o horror despótico da máquina burocrática. fruto da política de controle social intolerante. Para os clássicos. que defende a criminalização e penalização da miséria. descreve o "monstro" que conduziu milhões de judeus a morte: um funcionário público honesto e obediente.

percepção e naturalização dos valores normatizados. pois individualidades psicológicas e sócio-culturais concorrem para a formação de distintas sensibilidades. Seguindo esta linha de raciocínio. posteriormente. sobre as minorias pobres e discriminadas. em primeiro momento. na exclusão de oportunidades convencionais e no conseqüente incremento da possibilidade de novos desvios. Mead fundamenta a teoria do interacionismo simbólico e o estudo do processo interacional de definição das identidades observando a importância dos mecanismos informais de controle social e focalizando a problemática da definição da identidade realmente relevante ao indivíduo. Assim. As teorias do autocontrole. p. distingue-se ao focalizar os efeitos das respostas sociais. no processo de redefinição de identidades. Definindo-se ao longo do tempo. BECKER (1977: p. estigmatização e segregação. a teoria dos rótulos de H. Em razão das pessoas pertencerem a muitos grupos simultaneamente. assumem valores de grupos de referência. A noção de desvio emerge. a identidade é formada parcialmente em situações específicas enfrentadas por cada indivíduo onde. (COULON. de regras e sanções a um transgressor. operam ao nível de interação face a face de indivíduos e procuram estudar como atores se definem uns aos outros e como definem a situação. 1995. Afirma que as leis e normas convencionais podem ser concebidas sobre perspectivas diferentes. a identidade criminosa é formada por hábitos e pela alto-apreciação resultante de percepções seletivas dependentes do tipo de situações problemáticas enfrentadas por cada indivíduo. portanto. através do agressivo sistema carcerário. Abordagem ecológica da sociologia empírica e o foco no indivíduo ativo. uma pessoa pode quebrar as regras de um grupo pelo simples ato de obedecer às regras do outro. No processo de socialização.53). de construções sociais da realidade e não como propriedades de uma macro estrutura de valores e interesses. O poder político-econômico é determinante no processo de definição do desvio. . o considerado desvio por um grupo pode ser um atributo desejado por outro.18 políticas públicas que pregam a diminuição do estado social e o fortalecimento do estado penal. George H. por outras pessoas. os indivíduos assumem os papéis das pessoas consideradas relevantes e.61). O desvio está menos relacionado à qualidade do ato que a pessoa comete que a conseqüência da aplicação. do interacionismo e dos rótulos partem do indivíduo para explicar o comportamento desviante.

insensível e. 1999). Em adição. nos desvios eventuais e na “rotulação pública” como fator importante no ingresso de uma carreira desviante. a teoria do autocontrole propõe uma abordagem mais centralizada nos indivíduos desviantes. apresentada em GOTTFREDSON e HIRSCHI (1990). a tese da correlação entre crimes e o enfraquecimento dos vínculos sociais não encontra consistente suporte empírico. finalmente. por esta lógica. e considerando juntamente as observações empíricas que as questionam. mais sim na tendência universal do indivíduo para a maximização do seu próprio prazer. com instáveis relações interpessoais. o que pode levar a supor equivocadamente sua concordância direta com as teorias do interacionismo e dos rótulos.19 Portanto. o criminoso constrói sua realidade social como um indivíduo maximizador de prazer imediato obtido com pouco esforço. todos são igualmente desviantes e essa afirmação leva a seguinte problemática: se todos são igualmente desviantes. conforme já afirmavam outros pensadores como Hobbes e FREUD (1997). afirmando que os criminosos se diferenciam dos demais pela incapacidade em internalizar o controle social (FOUCAULT. esse processo acaba por tender a torná-lo autocentrado. Com lógica contínua ao processo interacional-simbólico de definição das identidades das teorias do interacionismo e dos rótulos. A causa do baixo autocontrole é a falha no processo de socialização infantil e tem como fontes a forma de educação e o grau de em internalização do controle social da criança. essa semelhança não se expressa na condição universal do desviante. Se para a teoria do internacionalismo simbólico a escola e significativa no processo de definição das identidades. para a teoria dos rótulos a escola termina por estigmatizar os adolescentes e concorrer para seus comportamentos desviantes. Contudo. conforme os dados levantados em populações carcerárias. Aponta que afinidade existente entre os desviantes. bem como a má performance na escola ou total aversão a ela são evidências importantes na explicação da propensão à criminalidade. na redefinição de identidade e do novo status. segue a premissa de que os criminosos não são diferentes dos não criminosos. a teoria do autocontrole. enquanto que na teoria do autocontrole a escola representa o . por que alguns dão vazão a seus impulsos e outros não? A teoria dos rótulos busca explicação para esta questão no enfraquecimento dos vínculos com a sociedade convencional. Isto é. É oportuno ressaltar as distintas interpretações do papel social da escola na determinação do comportamento desviante. Contudo.

possibilitam a percepção da necessidade imperativa da defesa dos mecanismos democráticos de controle . realizado através da metodologia de pesquisa. Como formas de abordagem alternativa ao problema da criminalidade. A teoria das oportunidades oferece. bem como ao positivismo jurídico das leis que não refletem a realidade social. aprendizado e socialização do criminoso na carreira criminosa. A teoria das oportunidades parte da premissa da concepção do criminoso não como um agente passivo de forças externas a ele resultantes de determinações sóciopsicológicas determinadas e propõe um criminoso responsável por suas decisões pessoais. Outra significativa diferença é a tese da carreira desviante como conseqüência de estigma. Derek Clarke e Ronald Cornish focalizaram seus estudos na deliberação racional dos criminosos ao cometerem crimes. como a criminologia crítica. que inclui o estudo do deslocamento espacial e temporal das manchas de crime. mas apenas legalizam a exploração e a injustiça. Possibilita o estudo dos mecanismos das escolhas individuais. outros estudos. entendendo o criminoso como um ator racional. emergencial para que os agentes do sistema de justiça criminal possam desenvolver capacidade de refletir sobre suas ações. o que não é defendido na teoria do autocontrole.20 local com horários e disciplinas absolutamente indesejáveis para indivíduos com baixo grau de autocontrole. Nova perspectiva para o controle do crime Um recente estudo busca oferecer uma base teórica alternativa: a prevenção situacional do crime. a partir da compreensão da racionalidade da iniciação. que possibilita distintas técnicas de redução de oportunidades e um corpo de práticas avaliadas. Esta condição é. Possibilitam como resultado. Apoia-se no estudo analítico das atividades de rotina e escolhas racionais criminosas. uma abordagem mais humanista ao entendimento da criminalidade. Por outro lado. sobretudo aqueles que detêm o monopólio legítimo do uso da força e o poder de impor sua vontade aos demais indivíduos. pois a natureza hedonista do criminoso impõe uma versatilidade que não aceita limitações à carreira criminosa. Acertadamente se opõe ao positivismo criminológico que representa o criminoso como prisioneiro de seu determinismo biológico ou social. assim. indiscutivelmente. uma abordagem sólida e relevante do ponto de vista da formulação das políticas públicas de segurança para prevenção e controle do crime. É certo que as teorias coletivistas de buscar explicações sociológicas para o crime.

os táxis vão ser equipados com monitores de vídeo e leitores de cartão de crédito. Talvez o mais conhecido exemplo seja o de New York. É de matar de inveja os cariocas. Mantém viva a reflexão filosófica de Hanna Arendt sobre a capacidade destrutiva da burocratização da vida pública como a maior ameaça às sociedades democráticas: a temível banalidade do mal. Abaixo se transcreve matéria publicada no jornal O Globo da Correspondente internacional Helena Celestino na quarta-feira. Modelos baseados na teoria das oportunidades estão contribuindo com aparente sucesso no desempenho dos órgãos de segurança pública em diversas sociedades. a teoria das oportunidades e o estudo analítico da criminalidade possibilitam a implementação de políticas públicas mais eficientes. Em vez de plásticos feitos para resistir a balas de revólveres calibre 38. Em adição. em 1994. São importantes por chamarem a atenção para o surgimento de governos criminosos. vai cair a barreira erguida em 1960 para proteger os motoristas de assassinatos e roubos. Corroboram com a missão estratégica nos órgãos de segurança pública de conquistar vantagens competitivas da oferta do bem público e “segurança”. onde os índices de criminalidade diminuíram bastante a partir da introdução das novas estratégias de controle social. 1999). Por absoluta falta de necessidade. em curto prazo. O número de homicídios em Nova York despenca e a prefeitura já pensa em aproveitar a queda livre nas estatísticas da violência para mudar o desenho do interior dos tradicionais táxis amarelos. com Leis que legitimem a intolerância e a segregação sócio-racial. para localizar ocorrências de crimes e atribuir responsabilidades aos comandantes pelo controle de suas respectivas áreas jurisdicionais.21 do poder público e de inserção das minorias políticas. retirando a feia divisória à prova de balas que há 45 anos separa motoristas de passageiros. New York. com reflexos externos imediatos perceptíveis no seio da sociedade. Queda de violência muda táxis em NY Veículos deixaram de ter divisórias que desde 1960 separam passageiros dos motoristas. . acompanhando a metamorfose do meio social. 10 de agosto de 2005. A Polícia de New York iniciou o processo inovador de mapeamento e análise estatística informatizada COMPSTAT (DAVIS.

Número de homicídios chegou a 2. Muito mais estimulante e a discussão sobre o que fez reduzir tanto na vida real as cenas clássicas do cinema americano: assaltos com mortes a postos de gasolina e lojas de conveniência abertas de madrugada. desrespeito às leis de circulação e desenvolve uma campanha permanente. A partir daí. existe uma campanha permanente contra a posse de armas e a polícia de Nova York mantém uma severa política de punir quem comete crimes menores a famosa tolerância zero contra vandalismo. É possível domar a natureza humana e acabar com crimes provocados por ciúmes. Já os motoristas estão divididos. onde e por quê. Além disto. A maioria gosta da idéia.245 em 1990. pois permanece inalterada há décadas a estatística indicando que 40% dos crimes ficam sem solução e 60% deles os criminosos estão na cadeia. Melhor de tudo é a discussão da moda. Especialistas afirmam que a queda do número de homicídios não é resultado do aumento de prisões. Os passageiros vão ter espaço para esticar as pernas. um recorde de triste lembrança registrado em 1990. sociais. o número vem caindo progressivamente e a última vez que um taxista foi assassinado foi em 1997. pois é preciso abri-la para o passageiro indicar o rumo e pagar a corrida. inveja? Se em 1990 os criminalistas . baseado em dados estatísticos. pois ficará livre da sensação de circular numa gaiola e passará a ter direito a uma vista desimpedida da paisagem da cidade. pela primeira vez desde 1961. desobediência civil. Campanha permanente de posse de armas. Estas indicações têm permitido com sucesso uma ação preventiva da polícia. Virou história do passado a época em que o crack entrou no mercado de drogas de Nova York e elevou para dos 2. quando. o número de homicídios em New York deverá ficar abaixo de 500 e que o índice de assassinatos está abaixo da média nacional. alerta sobre quem pode cometer um assassinato.22 As previsões indicam que este ano. que.245 o número de mortes violentas. raiva. Os indiferentes de sempre. acham que a divisão nunca garantiu totalmente a segurança. raciais e ficha criminal. A principal razão estaria num programa de computador incrivelmente sofisticado chamado Compstat.

assim busca localizar e controlar as manchas criminais na região metropolitana. Realidade social e políticas públicas no Brasil A implementação de teorias e modelos de abordagens sobre o crime não se faz de forma homogênea em distintas sociedades. acha que é possível. premeditados ou não. levantadas a partir de relatórios estatísticos periódicos contendo os logradouros públicos com maior número de ocorrências criminais. É importante observar que a adoção de modelos estrangeiros bem sucedidos de controle da criminalidade não se faz de forma simples e com resultados homogêneos em sociedades distintas. A Polícia Militar do Rio de Janeiro com o apoio técnico-acadêmico do Instituto de Segurança Pública também procura seguir o modelo teórico proposto pela teoria das oportunidades e. dos motivos que levam ao crime. em parceria com o Centro de Estudo da Criminalidade e Segurança Pública – CRISP. Os efetivos policiais são então. primeiro separa por raça e depois os relaciona à pobreza e fragilidade da estrutura familiar. criminologista da Universidade do Nordeste. num bom ano o número de homicídios em Nova York ficarem em torno de 385. Numa cidade de mais de 8 milhões de habitantes. mas policiamento mais efetivo na porta de bares e clubes nas noites de sexta-feira e sábado pode prevenir assassinatos. A conclusão dos especialistas é que instintos perversos são dificilmente controlados e estarão sempre contribuindo para as estatísticas da criminalidade.000 crimes violentos. sempre ocorrerão homicídios. analisa os índices de criminalidade das 40 maiores cidades americanas e os ajusta a fatores demográficos. Com base neste modelo. A especificidade da realidade social . distribuídos e as ações implementadas para diminuir (por probabilidade) as oportunidades de ações criminosas. A especificidade da realidade social brasileira apresenta agravantes estruturais que comprometem a implementação de políticas públicas de segurança.23 debatiam até onde o número de homicídios poderia crescer. algumas poucas iniciativas tentam reproduzir a experiência norteamericana. James Foz. o debate de 2005 é até onde pode cair.047 num momento muito ruim. e voltar a 2. onde em 2004 foram cometidos 55. No Brasil. cometidos por assassinos frios ou por um homem enlouquecido de ciúme ou ainda numa briga em um bar após consumo excessivo de bebidas. da Universidade Federal de Minas Gerais. a exemplo do trabalho que vem sendo realizado pela Polícia Militar de Minas Gerais.

Nessa sociedade. necessários para manter a hierarquia e a complementaridade entre os seus elementos. Todavia. que surgem como aberrações. 1985). p. Ao longo da historiografia brasileira. quanto na execução. indiferente à influência dos mais distintos fatores e a todas as transformações político-sociais. preliminarmente. é possível observar a manutenção de estruturas de controle sociais coloniais no sistema criminal brasileiro. a Constituição Cidadã. sobretudo nas instituições policiais. para entender a complexidade que envolve a política de segurança pública no cenário político e social brasileiro. não legitima uma nova ordem social negociada.24 brasileira apresenta agravantes estruturais que devem ser considerados na implementação de políticas públicas segurança que buscam o controle da criminalidade no Brasil. perigoso e como tudo que representa é. É. concordando com KANT DE LIMA (1999.24). esses estados seriam o inverso do indivíduo que o sistema consagra como normal e ideal (DA MATTA. p. em princípio. 1997. .184). ameaças graves ao sistema e são administrados pela imposição forçada da conciliação. portanto. mais de 100 bilhões de reais por ano. tratamentos médicos e horas de trabalho perdidas. o indivíduo é mais importante que a coletividade. pois o sistema criminal continuou a representar a vontade do Estado contra o cidadão. visando ao restabelecimento da harmonia e do status quo. O problema estaria sempre no coletivo e na multidão. reprime conflitos proibidos e mantém cada um dentro do esqueleto hierarquizante de nossa sociedade (DA MATTA. O espaço público é local dos conflitos. apoiado em uma estrutura excludente que não reconhece minorias e. faz-se necessário estudar a transformação do crime de um problema social para problema público para esclarecer que políticas de segurança pública apresentam limitações e encontram diversos fatores que interferem e tanto na sua elaboração. ocupando a terceira posição entre as maiores taxas de homicídio por habitante e o quinto lugar no tocante à roubo (pesquisa da Organização das Nações Unidas). tal democratização não se estendeu às relações de poder e formas de controle social do Brasil. Apesar do progresso jurídico-democrático da Constituição Federal de 1988. que leva em conta os prejuízos materiais. o crime roubou no Brasil cerca de 10% do PIB nacional. Segundo os cálculos do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Os agravantes estruturais do crime no caso brasileiro A imprensa anunciou recentemente que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo. negativo. mas ao contrário.

1995. Sempre houve a preocupação social com as classes perigosas. como bem evidencia o sistema criminal brasileiro.25 Assim. (PAIXÃO. o espaço público é algo movimentado. (2) na percepção do processo de democratização como fator de incremento da adesão dos membros das classes perigosas ao crime organizado. local onde pessoas podem ser confundidas com indigentes e tomadas pelo que não são (DA MATTA. O mito do marginal criminoso determina uma correlação entre a pobreza marginalizada e o crime. foram incapazes de conter e enquadrar as classes perigosas. na sociologia do crime e do controle social brasileiro. através de um foco penal individualista. 1985). . e fortalecendo a expectativa de manifestações de violência das classes perigosas como sua única forma de manifestação pública. Apresenta-se de duas formas da sociedade brasileira: (1) no autoritarismo político e na existência de mecanismos de inclusão de minorias que possibilitem a negociação e o estabelecimento de uma nova ordem social. porém. p. sobretudo na forma como as instituições se relacionam com o cidadão. propício a desgraças e roubos.2) observa que dois mitos clássicos ainda se manifestam: os mitos do marginal criminoso e das classes perigosas. De forma simplista. O mito das classes perigosas é o desdobramento do mito do marginal criminoso no plano da ação coletiva. mas foi somente através do estudo de Frégier (1840). durante o período da restauração. na visão social corrente. CONSTRUINDO A POLÍCIA MODERNA O ethos policial A sociedade cobra cada vez mais de seus governantes mudanças nas organizações policiais. Por outro lado. O tema apareceu na França. quais serão as condutas criminosas. expressa que na definição dos crimes o peso social das elites político-econômica estabelecerá sobre as classes pobres marginalizadas. Incluiu larga variedade de categorias morais e foi utilizado para justificar repressões militares que. sobre a criminalidade urbana que ele foi popularizado. através de uma relação dialética que amplia a marginalidade social dessas classes.

dotada de maior abrangência. A localidade dessa negociação é determinante para a legitimação do acordo e. (dar força a lei). não convergentes. Esse modelo representa um sistema de inclusão das minorias. desde que ela seja expressa em termos aceitáveis pela sociedade local. que possibilite a construção da polícia "verdadeiramente" moderna. da ordem resultante. deve-se primeiro definir o entendimento da sociedade democrática. p. considerados inevitáveis para vida social. a polícia se constituirá na força legítima para to enforce the law. legítimos e disponíveis igualmente para todos os seus membros. através de negociações e barganhas. 1999). Na ordem democrática a obediência à lei é produto da negociação e do consenso de uma determinada coletividade. isto é. Correlacionada ao conceito de sociedade democrática. não se pode querer o que não está oferecido explicitamente (KANT DE LIMA. aparecem como fonte de ordem quando devidamente solucionados. o cumprimento pacífico da lei. Desde o início. Assim. entende-se aquele onde o espaço público se apresenta como um espaço coletivo negociado pelo público que dele faz parte (KANT DE LIMA. Uma sociedade que garante tratamento igualitário às distintas individualidades e estabelece uma igualdade formal onde todos têm direito iguais a sua diferença. portanto. a polícia se apresenta como sua única ferramenta capaz de forçar. portanto. A previsibilidade sobre a normalidade do sistema se dá pela garantia das escolhas individuais em concordância com as regras universais e. Como modelo de sociedade democrática. para preservar seus diferentes interesses e que se fará cumprir pelo reconhecimento da legitimidade do . onde os conflitos. 1999.24). em que todos perdem um pouco e ganham um pouco para que uma nova ordem consensual. uma trajetória particular não implica impedimento para realização de metas alheias. torne possível o convivo social. de um certo espaço público. os indivíduos alcançam posições sociais diferenciadas de acordo com seus esforços e méritos próprios.26 É necessário acreditar na possibilidade da Gênesis de um ethos policial. não mais penalista ou militarista. através dos meios institucionalmente definidos. portanto. por meios não violentos. que foram explicitamente discutidas e aceitas. pois as linhas de ascensão social são paralelas e. que pertence ao local e que se compromete a conviver com suas diferenças existentes. Na ordem democrática se obedece às regras universais explícitas e os caminhos individuais são trilhados de forma distinta e independente.

como o emprego das Forças Armadas se mostraram ineficientes para o controle social. 25). orientada por ideais iluministas para ser capaz de produzir paz social através de meios pacíficos e da resposta as insatisfações públicas motivadas pelas intervenções arbitrárias e violentas do exército. p. Para que esta força civil pudesse se afirmar como mediadora das tensões sociais e lutas pela garantia e expansão dos direitos civis e assegurar ao Estado o monopólio legal do uso da força. A legitimidade repousará na aceitação da coletividade específica. deve-se regressar a Inglaterra do início do século XIX. pois. ela surge da necessidade da existência de uma força profissional destinada a pôr fim à crise de crimes de conflitos urbanos que assolavam a Inglaterra. o Parlamento. estruturada com base na hierarquia e disciplina. pois as estruturas burocrática. logística e o . Para Robert Peel. A partir da compreensão do conceito de sociedade democrática e do verdadeiro papel do seu aparelho policial é que se pode perceber que nem tudo a que se chama polícia é polícia de fato para entender o que é "polícia moderna". local e momentânea e cabe. ser voltada para servir e proteger o povo e estar sob o controle de seu representante legítimo. quando for necessário restabelecer a ordem social. buscando estabelecer a paz social através de meios também pacíficos. portanto. Sua atuação deve ser entendida como uma alternativa à sua repressão (do crime e da desordem) pela força armada. criou a Polícia Metropolitana de Londres. discricionariedade e responsabilidade para cumprir sua missão institucional. ferramenta autoritária a serviço de Napoleão (MUNIZ. 1999.26). 1999. da mediação dos conflitos que constituem naturalmente o ambiente democrático.27 aparelho policial. a despeito de sua ilimitada brutalidade (MUNIZ. para atender à necessidade de existência de uma força profissional destinada a manter a ordem social. polícia moderna não é invenção recente. em tempo integral. tanto os instrumentos de segurança particulares. a polícia negociar a utilização do espaço público com autonomia. em 1829. nos primórdios do século XIX. executando ações preventivas que visem combater o crime ou repressivas com emprego de força comedida. Deveria ser exatamente o oposto da temível Polícia Francesa de Fouchè. Sir Robert Peel. Portanto. p. a missão básica para qual a polícia existe é prevenir o crime e a desordem. deveria ser apartirdária. ao contrário do senso comum. Essa é a missão básica atribuída à polícia: o desempenho profissional. conforme sua própria origem histórica. a partir de princípios racionais. verdadeiros exércitos privados.

1999. 36). é igualmente esperado que a polícia moderna possa mediar a tensão entre o mundo das leis e as leis do mundo (Muniz. na negociação dos conflitos . p. neste espaço de tensão. contudo. que tem como razão da própria existência o exercício legítimo e discricionário do “poder de polícia”. se mostrou inadequada para atuar em um contexto democrático e fracassou em manter a ordem.168). Das distintas sensibilidades jurídicas.28 operacional militar. códigos legais criminalizam aquilo que mais ameaça aos interesses das elites politicamente dominantes. descontínuas e violentas do exército nos conflitos sociais (Muniz. A assimetria de poder entre grupos em uma sociedade resulta em conflitos políticosociais onde alguns são mais influentes que outros e lutam para manter suas posições. 1999. naturalmente emergem choques entre o estático ordenamento jurídico e o movimento dinâmico dos direitos difusos e emergentes. deve reafirmar a cada momento sua legitimidade para que possa ofertar segurança como bem público e preservar a ordem social pacificamente. p. Em adição. Em geral. O aparelho policial moderno atua no amplo e multifacetado ambiente urbano. Peel afirma que a habilidade da polícia para realizar sua tarefa é dependente da aprovação pública de sua existência. geram reflexos do Espírito combativo dos que são preparados para a guerra. Necessita se adequar às críticas e demandas da sociedade para poder servir a sociedade conforme se propõe ideologicamente (MUNIZ. usando violência para conter a violência. não encerram por definitivo o conflito uma vez que os grupos não satisfeitos com a situação cristalizada em leis continuam suas lutas pelo reconhecimento e ampliação dos seus direitos civis. O uso da repressão armada não apresentou efeito dissuasivo e contribui apenas para o aumento da insatisfação pública. no espaço público. comportamento e capacidade de assegurar e manter o respeito público. cabe a polícia moderna mediar o rigor de normas abstratas que regulam relações sociais gerais às diversas realidades circunstanciais do dia-a-dia (MUNIZ. oferecendo uma opção viável ao controle da criminalidade do que a incessante produção de novas leis ou o incremento da severidade da punição legal. motivada por intervenções arbitrárias. 1999. em constante interação com os indivíduos. acompanhando a dinâmica político-social de produção da cidadania e da própria ordem pública. ações. p. 26). A polícia moderna se apresenta como instituição dotada de conhecimento profissional específico. 1999. p.34).

195). conscientizando-se a respeito da realidade social e do seu verdadeiro papel político: provedora de democracia através da garantia da segurança como um bem público. sexo. deve-se sempre usar o mínimo de força necessária para alcançar os objetivos policiais. tornando fictício acreditar em uma hierarquia valorativa comum. concentrando todos seus esforços no sacrifício de proteger e preservar a vida. Atendendo a sua destinação pública. a fim de não servir como instrumento de opressão das minorias em prol de elites dominantes. A interação cordial "policial e cidadão" é fundamental para a eficiência do trabalho de preservação da ordem pública.p. nestas situações. o bem maior de todos os seres humanos. Na sociedade moderna. deve possuir "completa independência da política". A polícia deve romper os grilhões da sociedade hierarquizadora e pessoalista (DA MATTA. etnia e classe. torna-se imprescindível usar a força física (policial. Para tal. assim como a cooperação geral pode ser estabelecida voluntariamente. as áreas de tensão e os espaços de real e necessário emprego da força policial serão identificados. Uma vez interagindo com a sociedade. desta forma. Assim. deve orientar suas ações em conformidade com os mesmos valores iluministas e humanitários com que foi concebida inicialmente. 1999.29 sociais e produção da obediência civil por meios pacíficos. a polícia deve sustentar cooperação pública nas tarefas de observância às leis. ocorrem rupturas na ordem vigente e a mediação da polícia não consegue estabelecer um acordo voluntário para a reconstrução da normalidade. p. urbana e industrial. a polícia moderna deve buscar e preservar a confiança pública pela imparcialidade na aplicação das leis através da ação profissional. universal e explícita. constantemente. seja pela legitimação do trabalho policial e o livro consentimento da observância à ordem vigente diminuindo o número de ocorrências policiais ou ainda auxiliando a fiscalização da sua preservação potencializando a ação policial através da vigilância de cada cidadão. por mais complexo que seja o vasto mundo da preservação da ordem pública (MUNIZ. A polícia moderna.267). complexo e dinâmico de distintos valores culturais se manifesta intensamente e o individualismo niilista passa a regular cada vez mais a vida social. 1997. consolidada por valores éticos que não aceitem distinções de idade. Segundo Peel. o caráter multifacetado. a partir do momento em que) os recursos da persuasão forem insuficientes para garantir a observância às leis e restaurar a ordem. Através da aproximação com todos os segmentos da sociedade. assegurado cotidianamente pela oferta de serviços individualizados e amigáveis para todos os cidadãos sem distinção de riqueza ou padrão social. .

e corroem integralmente a imagem das Instituições Policiais. Por outro lado. Em contrapartida. de julgar e punir.30 Deve reconhecer sempre que a cooperação do público diminui proporcionalmente ao emprego da força física para alcançar os objetivos policiais. Há incoerência em discursos políticos e políticas públicas de segurança que não procuram reconhecer sempre que o teste da eficiência da polícia é a ausência de crime e desordem. de acordo com o status quo dos envolvidos. através de uma ação preventiva que visa o . isto faz com que se dêem os direitos de assumir as vinganças individuais. deve se sustentar em todos os momentos o relacionamento com o público para tornar concreta a tradição de que polícia é o público e o público é a polícia. aos poucos acabe por se desintegrar comprometendo a legitimidade fundamental para atividade policial.34). o policial reforça a imagem do cidadão como aquele a quem deve servir e proteger. a comunidade passa ver o policial como um ser humano normal. os interesses particulares em jogo que podem ser transformados em benefícios financeiros para os representantes da lei. Essa identificação recíproca possibilita a humanização dos policiais em mão dupla. Cabe a polícia moderna a preservação da ordem social. para Robert Peel. cidadão com iguais direitos e deveres. Exemplos pontuais desta triste realidade são vez por outra divulgados na mídia como a Favela Naval. qualidades e defeitos. e não a evidência das ações visíveis de polícia em tratar com eles. A polícia se apresenta para sociedade como a encarnação mais concreta e cotidiana da autoridade formal e legal do Estado. A ampliação informal dos limites legais da atuação policial cria espaços de clandestinidade. os policiais são apenas membros do público que são pagos para dar atenção integral às obrigações dos cidadãos de manter o bem-estar de suas comunidades. Robert Peel ressalta que deve reconhecer sempre a necessidade da estrita adesão às funções executivas de polícia e abster-se de procurar usurpar os poderes do judiciário. Carandiru etc. o nível de relacionamento pessoal destes com as autoridades policiais ou ainda. capaz de responder operativamente as distintas e emergenciais demandas por ordem pública (MUNIZ. uma vez que a violência desnecessária e desmedida é amplamente condenada e repudiada por todos. p. 1999. apenas treinado para exercer com exclusividade à atividade essencial de preservação da ordem pública. Por um lado. fazendo com que interação policial-cidadão. onde os mecanismos excludentes de nossa sociedade são reproduzidos e reforçados através de um atendimento personalizado. Então.

que almejem reestruturar e civilizar as nossas polícias. observa-se que a democracia não se estende no Brasil por inteiro. a modernização tecnológica e gerencial. sobretudo. redirecionar o foco do combate ao crime e sintonizar seus serviços com a verdadeira razão de existência das polícias modernas: servir e proteger os cidadãos. o resgate da auto-estima profissional. As polícias devem como ponto de partida. p. . ainda que de baixa visibilidade pública (MUNIZ. bem de baixo de nossos narizes. segundo os princípios de Robert Peel. Seu esforço de construir uma nova relação entre a polícia o cidadão. p. e que existem espaços aonde a cidadania ainda não chegou. e que esta alarmante realidade é facilmente evidenciada na atuação das organizações policiais: Há. A maior diferença entre eles é que a legalidade democrática só tem plena validade para os que habitam o mundo privilegiado das classes superiores. perfeitamente válidos e atuais. a compreensão de que é possível atingir a eficiência policial respeitando indivíduo. a participação comunitária e. dois brasis. 2002. vem estimulando a sociedade a desempenhar um papel mais ativo na segurança coletiva. Ao final da reflexão sobre os princípios que norteiam a polícia moderna nas sociedades democráticas. 2000. Ainda que as causas deste quadro caótico fujam a competência da polícia Luiz Eduardo Soares tem razão ao afirmar que há muito a fazer na área da segurança pública. em suas reflexões publicadas no ano de 2002. de antemão. obtém resultados positivos. a moralização ética das instituições. É possível buscar o controle da criminalidade através de políticas públicas de segurança responsáveis.31 não acontecimento do ato delituoso. O maior indicador do abismo que separa a “cidade partida” é o comportamento policial e as reações da mídia a brutalidade policial (SOARES. o sistema de segurança pública do Pará tem consciência de que o modelo policial brasileiro é voltado para o combate ao crime e não tem como atender a maioria das demandas de segurança da sociedade (SETE CÂMARA. As polícias brasileiras atuam no paradoxo entre a manutenção das estruturas de poder da sociedade hierárquica e o dever de respeitar leis do estado democrático. tão enaltecido em discursos políticos demagógicos e cobrado diariamente pela mídia. nem sempre intercomunicáveis. vivendo em dimensões ou universos inteiramente distintos. A construção da nova polícia verdadeiramente moderna aponta para a qualificação técnica. Conforme afirmou o então Secretário de Segurança Pública do Pará.270). uma ação que. de fato. por sua própria ostensividade. 1999.147). p.41).

mais sociologicamente. 2002. e a criação de indicadores confiáveis ainda está em andamento. Não se trata. A utilização de pesquisas de vitimização como um indicador complementar. O novo indicador permitirá. Os dados sobre a criminalidade são importantes. de forma alguma. mas antes de tudo pragmáticas: pela criação. Há de se medir e analisar as chamadas de emergência. reivindica com sucesso por sua própria conta o monopólio da violência física legítima. identificar o grau de resolução das ocorrências registradas (procedimentos concluídos e remetidos à justiça). enfim que as instituições policiais contabilizem a percepção social da segurança pública. formas. que seja sempre em toda parte. por sua superioridade. pois possibilita maior comunicação entre as instituições policiais e o cidadão. Pode acontecer que segmentos inteiros do corpo social neguem qualquer autoridade à força pública. avaliar as medidas práticas adotadas pelo aparelho policial. de impedir a qualquer outra pessoa o recurso à violência. para melhor aferição do desempenho do serviço policial está em harmonia com o proposto de uma política de segurança pública integrada. Max Weber subscrevia à afirmação de Trotski: "Todo o estado é baseado na força". e a pretensão à legitimidade se revela infundada. Essa reivindicação se sustenta de várias maneiras. jurídicas. ideológicas. A realidade do monopólio. e a ilusão do monopólio se espatifa. Nesse sentido (SETE CÂMARA. para cada sociedade . nos limites de um território determinado. Pode ocorrer que polícias sejam submergidas pela sublevação popular ou pelo golpe de Estado militar. ou de contê-lo nos quadros (nível. promover e avaliar pesquisas de opinião do cidadão sobre sua polícia. finalmente. pois de definir a polícia como a expressão e a realização do monopólio estatal da violência legítima. que dependem. objeto) que o próprio Estado autoriza. a extensão da legitimidade são questões de fato. A generalização da forma estatal na superfície do planeta foi acompanhada pela estatização de instituições policiais. Essa força pública é mais comumente denominada polícia.32 O tratamento estatístico da criminalidade e do trabalho policial no Brasil é recente. e desenvolvia. manutenção e comando de uma força física suscetível. p. mas não esgotam o assunto.26) explica: Não pensem que é fácil mensurar a qualidade da segurança do cidadão. disso não decorre. o Estado contemporâneo é uma comunidade humana que. ou mesmo jamais. satisfeita totalmente a reivindicação dos Estados (diretamente ou por instâncias delegadas) de exercer o monopólio do uso legítimo da força física. cotejar as estatísticas de acidentes / delitos de trânsito e.

o saber acumulado pela empresa (por exemplo) pode se revelar útil para compreender o funcionamento de uma delegacia. No sentido empírico ou descritivo: numa dada sociedade. poderes. quadros. mas sim da produção e do julgamento social das obras simbólicas. análises secundárias etc. de resto. a fecundidade e o limite dessa diligência. nas relações sociais em que uma instância política é protagonista). o caso de elaborar uma sociologia "da polícia" apreendendo-a como órgão em si. sondagens.33 considerada de um levantamento (enquête). um conjunto de instâncias. mas mecanismos instituídos de socialização e de transmissão dos saberes. desde o recenseamento das normas que a instituem até a franca exposição das práticas cotidianas de seus agentes. Quando se trata de saber "o que faz a polícia". questionário. da empresa. da organização. isso será no duplo sentido da expressão: empírico (descritivo) e teórico (funcional). das profissões. Do mesmo modo que não há uma sociologia da arte. se identifica como "polícia". administrações. portanto interpretadas sem referência aos próprios fins. Trata-se de compreender seu funcionamento. análise estratégicas etc. e como instrumento. isolável do conjunto das relações sociais de que ela é a aposta e o produto. da profissão de padeiro ou de pesquisador. do mesmo modo que não há uma sociologia da escola. sociologia política. É. Em compensação. não seria. Se é possível fazer-se uma sociografia dos aparelhos policiais. Sobretudo.). Mas também limite. corporações. e. em entrevista.) e mobiliza todas as subdisciplinas da sociologia (sociologia do trabalho. da análise organizacional. mais uma sociologia dos usos sociais da força e da legitimação do recurso à força nas relações políticas (isto é. esta fase de desconstrução do objeto não o especifica à primeira vista: as operações de pesquisas são idênticas àquelas que seriam empregadas por um questionamento da escola. autoridades. a inspiração weberiana permanece essencial para compreender a polícia como expressão. portanto. do hospital. por exemplo. não existe sociologia da polícia. ao mesmo tempo. quando a empresa e a delegacia são reduzidas ao que elas têm em comum. da reivindicação permanente inerente às comunidades políticas e não só à comunidade estatal de deter em seu território o monopólio dos empregos legítimos da força. quando ela mostra que em toda a organização hierarquizada e complexa manifestam-se círculos viciosos burocráticos: assim. serviços. difícil. Fecundidade. . Esse primeiro tempo obrigatório do andamento de pesquisa não tem especificidade alguma: ele recorre a todos os métodos de levantamento possíveis (observações de campo.

dominam um demente ameaçador. tantos agentes para uma transferência de detentos. Desconstrução e reconstrução se sustentam reciprocamente. Certas tarefas são prescritas de maneira imperativa pela hierarquia superior: serviço deve fornecer no dia tal.34 Reintroduzir essas finalidades próprias. Tripla determinação que não tem razão alguma para fundir se em perfeita harmonia. portanto o segundo tempo obrigatório da análise. É a mesma polícia. essas três dimensões podem se confrontar como lógicas de ação distintas e concorrentes. a resposta foi criar instâncias denominadas "polícia". fazem funcionar um circuito de motos para os jovens de uma cidade que. suscetível de ser requisitado por todos. caso se prefira. Assim. a guarda do departamento ou uma expulsão de vagabundos. de pensar as questões colocadas pelas relações sociais em que. que dá ordens. é inválido haver um só desses três termos pela incapacidade de sozinho dar conta do conjunto das práticas observadas. cotidianamente numa delegacia. de dia. . Esta simples observação permite inferir que o aparelho policial é indissociavelmente: .um instrumento do poder. nas sociedades políticas. Ou. que ela preenche. que. é. acabam com o engarrafamento. Nada é mais enganador do que a distinção de uma “boa” polícia. ao final de uma operação particularmente truculenta de manutenção da ordem. a análise empírica do trabalho policial mostra imediatamente que a ação policial é posta em movimento.um serviço público. põe fim a um caso com refém. O funcionamento policial cotidiano é a resultante de tensões perpétuas (conflitos. à noite eles perseguirão. que protege. Ao contrário. que depende da conceitualização sociológica. o da patrulha. compromissos) entre essas três lógicas. Outras enfim são de iniciativa policial: tal observação. isto é interrogar "o que faz a polícia" nas relações sociais. acolhem e tranqüilizam uma mulher agredida. no sentido de que cada uma opera como crítica da outra. . salvam os feridos no acidente. as finalidades da polícia. Outras são respostas mais ou menos obrigatórias às solicitações do público: notadamente. ele ou ela acompanha o caso. . que desenvolve seus próprios interesses. por três fontes. Trata-se então de especificar o objeto polícia. ou reconstrução. irredutível e insubstituível (se é que existe). a apresentação de queixas ou recursos à "Polícia de Resgate". identificar papel próprio. são os mesmos policiais. e em toda "teoria" da polícia (coisa que não falta) que lhe serve de função ou razão.uma profissão. ficham os supostos opositores do poder. informação ou acontecimento suscitou interesse de um policial. e. à hora tal.

aliás.35 em oposição à “má” polícia que reprime. que a divisão dos papéis entre o bruto ameaçador e o salvador compreensivo é uma das mais velhas técnicas do interrogatório policial. . Sabe-se.

Robsom Rodrigues da Silva. 7º BPM. o Chefe da APOM e a Diretora Presidente do ISP. a instrumentação. foram aplicados questionários com perguntas fechadas e abertas aos oficiais e praças das UOp.36 CAPÍTULO III METODOLOGIA Este capítulo trata dos aspectos metodológicos utilizados e refere-se aos participantes do estudo. coleta e tratamento dos dados. a Diretora Presidenta do Intituto de Segurança Pública – ISP. o Chefe da Assessoria de Planejamento Orçamento e Modernização (APOM). Participantes da Pesquisa Os participantes deste estudo são o Chefe do Estado-Maior Geral (EMG). com o propósito de coletar dados da experiência e da visão que estes possuem a respeito dos . o Analista Criminal Renato Coelho Dirk e o Analista Criminal Marcus Ferreira. 24º BPM. e. 10º BPM. 20ºBPM. 12º BPM. 17º BPM. Foram entrevistados o Coordenador dos Conselhos Comunitários de Segurança do Estado do Rio de Janeiro do Instituto de Segurança Pública. bem como uma comunidade de moradores de cada área de atuação das unidades policiais citadas. 28º BPM. os oficiais superiores comandantes das Unidades Operacionais (UOp) e oficiais e praças das Unidades Operacionais (UOp) a seguir: 1º BPM. Instrumentação Foram realizadas entrevistas de maneira informal com o Chefe do EMG da PMERJ. num universo de 380 policiais militares e 800 civis.

37 indicadores de avaliação de segurança da nossa sociedade e foram distribuídos questionário fechados às comunidades. . no momento em que foi realizado o primeiro contato. Coleta e Tratamento dos Dados As autoridades. apresentados em gráficos e tabelas que somados às entrevistas permitirâo uma análise e interpretação que conduzirá a conclusões do estudo realizado. Os dados coletados foram tabulados estatisticamente. solicitando permissão para aplicação dois questionários no horário a ser estipulado pelos respectivos chefes. as quais foram solicitadas as entrevistas. de forma a expressar frequência e percentuais e. Foram realizados contatos com os comandantes das OPM e os presidentes das associações de moradores das áreas de interesse selecionadas. foram colocadas a par do teor deste estudo.

não matemáticos. no esforço e na meta. de forma meritocrática. Segundo a entrevistada e preciso avaliar a qualidade do serviço de forma que a população possa dizer claramente o que ela espera do serviço policial objetivando forçar os órgãos de segurança a redirecionarem suas metas através do planejamento fundamentado. Ana Paula Mendes de Miranda. cujos critérios de avaliação são subjetivos e susceptíveis de erros e injustiças. tendo como subjetivo os mecanismos de controle. entretanto deve ser ampla e sistêmica envolvendo a sociedade como um todo. desta forma comprova-se que antes dos dados serem estatísticos. Segundo o Chefe do Estado Maior da PMERJ a avaliação é importante. .38 CAPÍTULO IV APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Objetivando tornar a apresentação estruturada. tal sistema de avaliação não existe no Brasil. Na opinião dos Comandantes das Unidades Operacionais das áreas entrevistadas há uma unanimidade em considerar o sistema de avaliação como um simples acompanhamento dos índices de cada Área Integrada de Segurança Pública. a repressão e o afastamento do marginal do seio da sociedade com apoio inequívoca da mesma. e as informações são sociais. as respostas às entrevistas e aos questionários foram grupadas nas referências das questões investigadas. segundo sua visão deve haver uma avaliação geral sistêmica e uma individual focada em metas e resultados. diferente do critério por merecimento. a Drª. cujos critérios são objetivos focados na competência. sendo único em todo Estado. Presidenta do Instituto de Segurança Pública. de forma que a estatística não seja o único mecanismo de avaliação. afirma que os responsáveis pela execução do trabalho policial são ineficientes e ineficazes. Não obstante os dados serem estatísticos destaca-se em ordem de importância a prevenção. Considerando se existe alguma avaliação no campo operacional do trabalho realizado pela PMERJ e se este corresponde às expectativas da Corporação e da sociedade no que diz respeito a sua eficiência. porém com instrumentos diferenciados. Finaliza dizendo que todo sistema de avaliação dever ser revisto e aprimorado.

os mesmos julgam serem avaliados da seguinte forma: 25% através das apreensões que realizam 35.00% 25.00% 30. No que tange ao método de avaliação dos Policiais Militares.85% Outro Modelo Insatisfeito Não Responderam Incompleto Verifica-se que 53.00% 0. A opinião da comunidade. .00% 10.25% 20% 10. e 41.00% 35.42% e consideram injustos 32.78% dizem terem sido bem atendidos. Dos que utilizaram os serviços da Polícia Militar.52% através das prisões e 39. 10. Gráfico 1 O Atual modelo de avaliação do trabalho policial militar na opinião da comunidade 39.10%.25% dos cidadãos civis já utilizaram os serviços da polícia militar e 46.85% considera que se deve adotar outro modelo.47%.55% foram bem atendidos em parte. utilizado atualmente pela Secretaria de Segurança Pública.25% 40. 20% encontram-se insatisfeitos.75% não os utilizaram.00% 29. 30.00% 15. consideraram satisfatório o atual modelo 28.25% não responderam e 39. estatisticamente obteve-se o seguinte resultado com os policiais militares: não responderam 39.25% consideram o atual modelo incompleto.79% dizem não terem sido bem atendidos e 25.00% 5.39 Quanto à questão de avaliação do trabalho policial militar.00% 20. com relação ao atual modelo de avaliação.47% através do controle da criminalidade. 29.

75% 22.40 Na opinião de 81.00% 5. a Presidenta do ISP disse que a avaliação que existe é de iniciativa da própria Corporação. Apenas 18. e não da Secretaria de Segurança Pública. Investigando se os policiais militares estão realizados profissionalmente com as atuais avaliações feitas pela Secretaria de Estado de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (SESEG/RJ).87% 14.87% pelo Governador. 14. 29. Seg. 31. Quanto ao atual método de avaliação as idéias também convergem para o mesmo caminho.75% pela Secretaria de Segurança Pública.00% 15.37% 1. No que se refere ao modo de atuação da PMERJ. Governador Cmt Geral Todos Analisando o teor da questão investigada com base nas entrevistas e questionários.87% das pessoas questionadas um rápido atendimento de uma ocorrência.62% das pessoas questionadas entendem que este modo deve ser escolhido pela própria sociedade.37% pelo Comandante da PM e 1.37% pelos quatro juntos. O Chefe do Estado Maior da PMERJ entende .00% 20.00% 10.00% 30. desde a solicitação através do telefone 190.37% Sociedade Sec.00% 25. até a chegada da viatura é um importante instrumento de mediação do trabalho da Polícia Militar.00% 31.13% entenderam que não. Gráfico 2 Escolha do modo de atuação da polícia militar 35. 22. ficou evidenciado que as autoridades públicas e a sociedade civil caminham na mesma direção no sentido da sociedade ser ouvida no que tange ao trabalho policial.62% 29.00% 0.

muito embora entendam que os policiais não estejam satisfeitos. sendo respondido por 55.41 que os policiais militares estão satisfeitos.84% entendem que sim e 28.21% que não. Já os Comandantes.2 1 % S im N ão 5 5 .84% Foi também respondido pelos policiais militares se o atual modelo de avaliação ajuda o mesmo a ter uma melhora no serviço. entendem que o atual método atende aos propósitos a que se destina.16% Sim Não 71.78% que sim e 44. Gráfico 4 Entendimento dos policiais se o atual modelo ajuda o policial a melhorar o seu trabalho 4 4 . foi observado que 71. Em questionários distribuídos aos Policiais Militares para descobrir se a atual avaliação condiz com os objetivos do trabalho policial.7 8 % .16% entendem que não. Gráfico 3 Entendimento dos policiais se a atual avaliação condiz com os objetivos do trabalho policial 28. em suas entrevistas.

Gráfico 5 Percepção do policial militar no que tange a correção da atual avaliação. Dos questionados do mesmo público.69% entendem que não. logo haverá no futuro necessidade de modificar o sistema de avaliação para ter melhores indicadores. Investigando as avaliações realizadas podem de alguma forma contribuir para uma maior eficiência ao trabalho a ser executado pela PMERJ. estes afirmam que melhores indicadores devem ser implementados gradativamente. 60% entendem que quando há diminuição das estatísticas dos principais crimes em suas áreas de atuação os seus superiores notam como sendo positivo.31% . de acordo com as demandas verificadas. no sentido de acharem que a atual avaliação está condizente com o trabalho policial. Em entrevista aos comandantes das Unidades Operacionais elencados no estudo. Em relação aos policiais militares questionados foi observado que 56. o Senhor Chefe do Estado Maior ao ser entrevistado disse que a sociedade está sempre em transformação.69% Sim Não 56.42 Analisando as entrevistas e gráficos acima se verifica que ocorre um predomínio por parte dos policiais militares. em evolução. Comunga com a mesma idéia o Senhor Chefe do Estado Maior da PMERJ. 40% entendem que não. bem como com o seu progresso. Atualmente os existentes atendem às necessidades. 43.31% entendem que esta avaliação é correta e 43. diferentemente dos comandantes entrevistados.

00% 0. 25.00% 50.00% 10. entretanto os policiais militares questionados acreditam em sua maioria que não existe motivo para mudanças.9% insuficiente.03% 6. em entrevista com a Presidenta do Instituto de Segurança Pública a mesma ratifica que todo sistema de avaliação deve ser revisto e aprimorado. entende mesmo que por motivo de dinamismo da sociedade haverá necessidade de mudanças no futuro. Quanto ao conceito dado pelas comunidades trabalho policial militar foi observado o seguinte: 6. Segundo o Chefe do Estado-Maior da PMERJ. quanto a atual assistência que a polícia militar vem dando a sua comunidade. Com o objetivo de investigar se os indicadores atuais podem ser modificados para melhor cumprirem seus objetivos ou novos indicadores devem ser investigados.37% não estão satisfeitos.00% 20. o mesmo afirma que no momento atual satisfaz inteiramente às necessidades.37% estão parcialmente satisfeitos e 43. como já foi dito anteriormente.03% 25. Gráfico 6 Conceito dado pela comunidade ao trabalho 60.45% 11. evidenciou-se que a população de modo geral não se encontra satisfeita com a atual assistência que lhe esta sendo dispensada. verificou-se que 25.00% 30. 56.00% 56.45% bom.25% estão satisfeitos.03% regular e 11.61% Ótimo Bom Regular Insuficiente Analisando as entrevistas e as respostas dos questionários. . muito embora.61% ótimo.00% 40. 31.43 Em relação a opinião das comunidades questionadas.

21% acham ótimo e 8.87% e não por 18. Em relação aos questionários distribuídos ao público interno. 4.00% 20.00% 31. desde a solicitação. . de acordo com as demandas verificadas.00% 5.26% e 11. não responderam 22.87% responderam que deveria ser feito através de cálculos estatísticos e 4. Foi perguntado também se um rápido atendimento de uma ocorrência.25% responderam que deveriam ser feito através pesquisa popular.31% entendem que existem outras maneiras de se avaliar que não seja a forma atual. até a chegada viatura é um importante instrumento de medição do trabalho da polícia militar.31% Outras maneiras Não responderam Diminuição da criminalidade Opinião pública Satisfatório Quanto a avaliação que o próprio policial militar dá ao serviço da Polícia Militar como usuário deste.12% responderam que deveria ter o número de assaltos reduzidos.00% 30. opinião pública 15. verificou-se o seguinte resultado: 40% acham bom.00% 15.26% 11.73%.00% 10. sendo respondido que sim por 81.31% acham que o atual sistema é satisfatório.36%.00% 25.73% 15.13% dos questionados. Em relação ao questionamento feito às comunidades de qual seria a melhor maneira de avaliar o trabalho policial. foi observado que 31. 36.94% julgam ser insuficientes.36% 19. GRAFICO 7 A melhor maneira de avaliar o serviço policial militar 35.75% não responderam.44 Em entrevista aos comandantes das Unidades Operacionais elencados estes afirmam que melhores indicadores devem ser implementados gradativamente.31% 22. através do telefone 190.00% 0. 19. e diminuição da criminalidade 19. 14. foi apurado o seguinte: 71.84% acham regular.

tais como quantidade de armas a serem apreendidas. O senhor chefe do Estado Maior da PMERJ. já foi ratificado anteriormente. tendo por base os índices de incidência criminal. ficou evidenciado que 88.16% entendem que não e 11. em relação ao trabalho policial militar e seus resultados tem ligação direta com sua rotina profissional. Nos questionamentos feitos aos policiais militares alvos do estudo. não foi iniciativa da SESEG/RJ e sim das corporações PMERJ / PCERJ. .13% Sim Não 81. Metas secundárias.45 Gráfico 8 Atendimento do telefone 190 como um importante instrumento de medição do trabalho da polícia 18.84% entendem que sim. servem mais como um paramento de atuação.87% Analisando as entrevistas e respostas dos questionários acima se observa que é difícil determinar indicadores que possam mensurar qualitativamente o trabalho policial militar e que a própria sociedade não tem referencial. apreensão de armas e tóxicos. Segundo os comandantes das unidades operacionais. em entrevista com a Presidenta do ISP/RJ. a missão primordial é a manutenção da ordem pública e o critério utilizado para alcançá-lo é a aplicação racional do efetivo. ratifica que os indicadores têm relação com a rotina e são sugestões dos comandantes das unidades operacionais. que tal iniciativa de avaliação com os critérios de número de prisão. se os mesmos acham que todas as missões executadas em suas jornadas de trabalho são efetivamente de função policial. Investigando se os indicadores utilizados pela SESEG/RJ. os anseios sociais e a percepção das mazelas que atingem a comunidade atendida.

62% acham mais importante a prevenção.57% e não 4.84% Sim Não 88. 33. a educação. 11. em parte 16. tendo sido respondido sim por 78. prender marginais da lei e apreender armas e tóxicos ou atuar diretamente na prevenção e nos pequenos delitos diários que agem diretamente no sentimento de impotência da comunidade e medo coletivo e na resolução de conflitos.50% Prevenção Prisão e apreensão Ambas 64. em parte 16. Gráfico 10 Percepção dos cidadãos sobre qual seria a melhor forma de atuação da PMERJ 1.62%.47%. o bom senso.46 Gráfico 9 Percepção do policial militar se as missões executadas em sua jornada de trabalho são consideradas função policial.94%.88% ambas. obteve-se o seguinte resultado: 64.88% 33.37% e não 4. Em relação à opinião das comunidades estudadas acerca do mesmo questionamento acima se obteve o seguinte resultado: 79% sim.16% Dando continuidade ainda foi questionado ao policial militar se ele acredita que a boa apresentação pessoal.50% acham a prisão de marginais e apreensão de armas e tóxicos e 1. Dando continuidade. questionou-se o que o cidadão considera mais importante. o profissionalismo e a preocupação com os resultados são importantes para o seu trabalho.62% .

percebe-se que a sociedade tem uma visão bem próxima do que pensa os profissionais de segurança pública. o campo da segurança pública não pode ser tratado de forma simplória.47 Analisando as entrevistas e respostas dos questionários.42% Impossível chegar a bom termo Não observaram .00% 10.78% entendem que possuem autoridade suficiente. conhecimento profissional e poder. obteve-se o seguinte resultado: 57.00% 50.00% 30.89% e 18.89% 3. obteve-se como resposta a preocupação com o resultado 53. não se sente realizado profissionalmente 27. 17.42% não observaram tal questionamento. No modo de ver dos comandantes das unidades estudadas.15%.94% a simples execução do feito.00% 40. Foi interpelado ainda se o policial militar acredita ter autoridade e poder de decisão suficiente para levar uma ocorrência policial a bom termo. 20.89% entendem que precisam de mais conhecimento. contrariando alguns mitos existentes na corporação sobre a participação da mesma no planejamento operacional.00% 0.78% 17. Gráfico 11 Entendimento do Policial Militar acerca de sua Capacidade de bem Administrar uma Ocorrência Policial 57. Investigando quais são os óbices em avaliar o desempenho operacional segundo a Presidenta do Instituto de Segurança fica creditado como maior dificuldade a ausência de critérios objetivos de avaliação. se sente realizado profissionalmente com a execução de feito simplesmente ou se compromete e se preocupa com o efetivo resultado. trata-se de um aspecto complexo que requer uma abordagem multifacetada e extremamente dinâmica.00% 20. informação e poder. Questionando o policial militar se ao cumprir uma missão da Seção de Planejamento e Operação Policial (P/3) da sua unidade operacional. ou necessita de mais informação.89% entendem que é impossível na atual conjuntura levar uma ocorrência policial a bom termo e 3.00% Precisam de mais conhecimento e Poder Autoridade suficiente 20.89% 60.

representadas pela grande quantidade de delitos que não chegam a ser registrados. passando pelo registro de ocorrência em Delegacia de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. As subnotificações podem ser altas ou baixas dependendo da dinâmica. . Devido às mudanças de órgãos responsáveis pela conformação destes dados. É importante ressaltar. estamos enfocando somente os homicídios dolosos. Antes. o órgão responsável pela consolidação dos dados era a Assessoria de Planejamento e Controle da Polícia Civil (ASPLAN). as chamadas subnotificações. complexidade ou objeto do delito. até a confecção do banco de dados pelo Grupo Executivo do Programa Delegacia Legal (GEPDL). Porém.48 Analisando estas respostas nos sentimos preocupados com o percentual de profissionais de segurança pública que não tem comprometimento com os resultados de seu trabalho e a constatação da carência de informação. serão analisados somente os caminhos e descaminhos da informação a partir de 2005. com o roubo a transeunte ou com os crimes contra os costumes. pode-se perceber como é gerado o banco de dados dos registros de ocorrência da Polícia Civil. quando a consolidação dos dados passou à responsabilidade do Grupo Executivo do Programa Delegacia Legal. na chegada do policial ao local do fato. nos casos de roubo e furto de automóveis as taxas são baixas. O CAMINHO DA INFORMAÇÃO SOBRE DELITOS NA POLICIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO SEGUNDO RENATO COELHO DIRK ANALÍSTA CRIMINAL DO NÚCLEO DE PESQUISA DE JUSTIÇA CRIMINAL DO INSTITUTO DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. por exemplo. Assim como no homicídio. ainda. como estupro e atentado violento ao pudor nos quais as vítimas têm vergonha ou medo de informar os fatos às autoridades .e que têm taxa de subnotificação historicamente alta. Pretende-se descrever e analisar os caminhos que a informação percorre desde o primeiro momento. Deste modo. Apenas os fatos registrados em Delegacias de Polícia constam desse banco de dados. uma vez que é necessário o registro de ocorrência (RO) para dar entrada no seguro ou. neste trabalho. para que a vítima possa se resguardar de possíveis delitos cometidos por quem estiver de posse do veículo roubado/furtado. cuja subnotificação é menor se comparada. também.

por Área Integrada de Segurança Pública (AISP) e por Delegacia de Polícia Civil. a responsabilidade pela organização do banco de dados dos registros de ocorrência ficou a cargo do Grupo Executivo do Programa Delegacia Legal (GEPDL). A reforma a que se propõe o Programa Delegacia Legal tem dois níveis. Veremos ainda quais as etapas percorridas pela Polícia Civil para a classificação de eventos. onde o próprio prédio da Delegacia de Polícia. o Governo estadual publica mensalmente os principais delitos no Diário Oficial. 2004:16). segundo seus idealizadores. conseqüentemente. por região do Estado. que foi concebido para promover uma reestruturação completa da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. visa melhorar a produtividade e a qualidade dos serviços policiais a fim de aumentar a confiança popular na capacidade que esta instituição tem de exercer seu papel e restabelecer a imagem da polícia para acabar com a desconfiança da população em entrar numa delegacia (Paes. A base de dados da Polícia Civil Todos os delitos e fatos administrativos registrados em Delegacias de Polícia Civil do Estado estão concentrados num banco de dados no Rio de Janeiro. O primeiro nível é o físico-estrutural. suas condições de trabalho.49 Aqui observaremos como são registrados os atendimentos da Polícia Militar. Desde 2005. que nem sempre andam juntos. sua comparação com os registros de ocorrência da Polícia Civil e o fluxo das ocorrências até sua transformação em informação e posterior publicação em Diário Oficial e internet. com a publicação do Decreto nº 36. porém. No período de 1997 a 2004 esses dados foram contabilizados pela Assessoria de Planejamento e Controle da Polícia Civil (ASPLAN). bem como as possíveis maneiras de discernir entre os vários tipos de classificação de um evento com morte. Uma das principais funções do Programa é descrito da seguinte maneira: A Delegacia Legal. desde 1999. para dados agregados existem informações quantitativas desde 1991. buscando uma definição mais apropriada para cada caso que envolva o falecimento de pessoas. bem como seus equipamentos e.872. O GEPDL foi criado com o intuito de implementar o Programa Delegacia Legal. são profundamente alteradas: . Valendo-se disso. A base de dados da Polícia Civil tem microdados desde 2000. de 17 de janeiro do mesmo ano.

50 No nível estrutural. 2006:91). que vão desde português e redação. e a informatização dos serviços policiais. um pouco mais ambicioso.) a transformação da cultura de uma instituição não é algo que possa se dar repentinamente” (Paes. 2004:17). no controle mais severo sobre o andamento das investigações.o novo. “(. no esclarecimento dos crimes. o fato é que os policiais aprendem seu ofício com outros policiais. propõe uma mudança cultural no que se refere às práticas cartorárias e às práticas investigativas. na medida em que oferece cursos visando o aperfeiçoamento do policial civil. De todo modo. o controle das investigações.. por um lado.este último voltado para o software utilizado nas Delegacias Legais. Uma vez em rede.. O segundo nível. (Paes. O diferencial que acabou por dividir as Delegacias do estado do Rio de Janeiro em dois tipos . que permite que os procedimentos sejam totalmente realizados com softwares especialmente desenvolvidos para as Delegacias Legais e que sejam criados mecanismos de controle e acompanhamento da própria ação policial (Paes. e que realisticamente. a Delegacia Legal. além da questão físico-estrutural e da tentativa de mudança cultural. conforme afirma Paes (2006): A idéia do programa é a de que a democratização da informação poderia auxiliar. Entretanto. pois a base de dados policiais é uma importante fonte de investigação e. os dados das Delegacias Legais passaram a ser mais facilmente acessados pelos vários agentes do governo. Dessa forma. com pelo menos 15 horas mensais. a introdução da tecnologia computacional. por outro. Os policiais que trabalham em Delegacias Legais recebem uma gratificação que é vinculada à presença nos cursos do Programa. até práticas investigativas e módulo gerencial . a obrigatoriedade dos cursos de aperfeiçoamento é mais um passo na direção de uma reestruturação da cultura policial. a informação passa a . o esclarecimento dos crimes. Com o advento da informatização nas Delegacias Legais esperava-se resolver dois problemas das Delegacias Tradicionais: de um lado. as mudanças abrangem a reforma física das delegacias para dar conforto ao cidadão e melhores condições de trabalho aos policiais. para além de bem vinda a obrigatoriedade dos cursos. de outro. a reestruturação dos processos de trabalho intradelegacia para transformar as delegacias em plataformas de atendimento imediato.foi. 2004:16-17). e o velho. a Delegacia Tradicional .

As AISP’s correspondem igualmente aos bairros da capital e áreas dos municípios do restante do estado. o registro em software Word. como por exemplo. Contudo. . entre outras práticas. eles têm de ser encontrados e solicitados pessoalmente por qualquer das partes interessadas. e até entre outros órgãos do Governo. existe atualmente um discurso favorável à modernização do sistema. Deste modo. 1995:68). analógica e estruturalmente “atrasada”. Pode parecer uma mudança pouco significativa. devemos ter muito cuidado ao analisar a amplitude em que pode chegar esta circulação de informações. assim. esteticamente valorizada e moderna. “as informações referentes aos procedimentos seriam destituídas do policial e da delegacia em sua unidade para estarem disponíveis para auxiliar o trabalho conjunto das Delegacias Legais. na sociedade brasileira. Portanto. que é digital. O Programa Delegacia Legal. de certa maneira. uma vez que: Com relação à técnica de armazenamento das informações.eles se tornam ‘meu inquérito’. (Kant de Lima. mas. fundamental para a compreensão da circulação das informações: a apropriação privada da informação transforma as pessoas em ‘donos do saber’ (Miranda. Consequentemente. iniciado em 1999. que seria a distinção entre os tipos de Delegacias: a Legal. a informação se tornaria pública para todas as delegacias” (Paes. o policial tornava-se o “dono” da informação: Isso ocorria porque os autos dos inquéritos são de responsabilidade individual do policial encarregado. 2000:71). Porém. é sabido que ainda persistem práticas pelas quais os policiais não inserem as informações no sistema de dados do Programa Delegacia Legal.51 ter um caráter universal. Com a informatização em rede entre as Delegacias Legais. que se referem à delimitação geográfica correspondente à área de atuação de um Batalhão de Polícia Militar e de uma ou mais circunscrições de Delegacias da Polícia Civil. provocou outro fenômeno no Estado do Rio Janeiro. ‘seu inquérito’. só os policiais diretamente ligados a um determinado inquérito policial podem fornecer informações sobre ele. e a Delegacia Tradicional. nas Delegacias Tradicionais. desta maneira. o não-preenchimento de campos importantes no registro de ocorrência. Tal fato se reflete na forma de se referir aos inquéritos . A informatização surge como o instrumento capaz de resolver todos os problemas relativos à circulação de informação. ela não circulava ou não estava disponível com facilidade e. Os inquéritos tornam-se. foram criadas as Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP). é preciso se destacar um aspecto. 2006:91). sua ‘propriedade particular’. Nesta mesma época.

dentro de determinada AISP. houve atraso no pagamento do serviço prestado pela Empresa de Correios e Telégrafos. ao fim de cada mês. todas as Delegacias do Estado remetiam uma cópia de todos RO’s para a ASPLAN. uma variedade grande de informações é coletada e acrescida ao banco de dados. por exemplo. que têm atuação em todo o Estado e a 1ª Companhia Independente de Polícia Militar – 1ª CIPM. e a DP da área onde ocorreu o fato fará a investigação. com o preenchimento do talão de registro de ocorrência (TRO) feito pela Polícia Militar até o registro de ocorrência (RO) propriamente dito. formando. portanto. Em resumo. Um formado somente pelos registros . a Delegacia que registrou o fato irá remeter um expediente oriundo de outra Unidade de Polícia Judiciária e Administrativa (UPAJ). que é lavrado na Delegacia de Polícia. A ASPLAN. Assim. em determinados momentos. para a consolidação dos números oficiais. a partir do diagnóstico das áreas com base em indicadores sociais e econômicos. sede oficial do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Assim sendo. Um problema enfrentado à época era que. o agrupamento é feito segundo os municípios. com diferentes abrangências geográficas. porque a Polícia Civil ficava com dois bancos de dados. quando um delito acontece. O principal objetivo da implantação das AISP era avaliar o desempenho das Polícias que nelas atuam. À medida que o número de Delegacias Legais foi crescendo. para as AISP do resto do Estado. na medida em que recebia os RO de todas as Delegacias. o fato acontece numa localidade que corresponde a uma circunscrição de Delegacia e a uma área de um Batalhão qualquer. Quando ocorre um homicídio. que parava de recolher os malotes. Desde a primeira descrição do fato. quem atende à ocorrência é o Batalhão referido e quem investiga o caso é a Delegacia da circunscrição. não importando a área onde ocorreu o fato. ocasionando atraso da digitação dos registros de ocorrência. efetuava a digitação das informações constantes nesses registros. Até 2004. que já era informatizada. ele pode ser registrado em qualquer Delegacia de Polícia (DP). que é responsável pela segurança do Palácio Guanabara. por meio da Empresa de Correios e Telégrafos. tinha que ser impresso e enviado para a ASPLAN. O registro feito numa Delegacia Legal. criou-se um paradoxo. para ser redigitado. todos os registros de ocorrência eram digitados pela ASPLAN. Naquela época. Nestes casos. um grande banco de dados que cobria todo o estado do Rio de Janeiro. existem AISP em quantidade exatamente igual à quantidade de batalhões da Polícia Militar. mesmo que o registro de ocorrência não tenha sido feito naquela área. assim. exceto os Batalhões de Polícia Especializados. independente do tipo de Delegacia de origem.52 Para cada AISP da capital há um agrupamento de bairros e.

margem à manipulação de informações. Cabe mencionar. e isso sem a prévia comunicação às Delegacias de origem. digitando somente os registros provenientes das Delegacias Tradicionais.com todos os registros de todas as delegacias. que são incluídos dia-a-dia acrescentando e/ou modificando informações no inquérito e. diferente do que ocorria na ASPLAN. uma vez que os dados das Delegacias Legais já se encontravam em meio digital. em fins de 2004. Este fato permite controlar todas as informações que são alteradas no registro e no inquérito policial. que digitava os aditamentos em meses subseqüentes e somente os fornecia a quem os solicitasse. Um quarto diferencial refere-se aos registros de aditamento. a Secretaria de Estado de Segurança Pública decidiu que o GEPDL seria responsável pela consolidação dos registros de ocorrência de todas as Delegacias do Estado. gerando. tanto Legais quanto Tradicionais. o papel de polícia ostensiva e de preservação da ordem pública nos estados brasileiros fica a cargo da Polícia . Esta mudança provocou a redução na quantidade de registros de ocorrência que seriam digitados. os órgãos da segurança pública do Estado do Rio de Janeiro podem realizar consultas parciais sobre os registros na medida em que eles vão sendo adicionados ao banco de dados principal. uma vez que a classificação dos títulos da ASPLAN era diferente da classificação dos títulos provenientes das Delegacias Legais. permitindo acesso às informações atualizadas dos registros. Pelas considerações acima referidas. Como a maioria dos fatos delituosos são primeiramente atendidos por policiais militares é importante esclarecer a ação destes profissionais no atendimento das ocorrências. evitando a redigitação de dados. desse jeito. a redigitação provocava outro problema porque freqüentemente implicava na mudança de títulos de registros de ocorrência. Sem considerar o fato da duplicação de trabalho e dos gastos de recursos públicos. ainda. uma vez que a consolidação dos registros das várias Delegacias Legais é feita por métodos computacionais. um terceiro fator: a partir de janeiro de 2005. bem como o que acontece com informações coletadas por eles. O registro de informações da Polícia Militar Conforme o artigo 144 da Constituição Federal de 1988. também. Cumpre ressaltar também que o volume de atendimentos nas Delegacias Legais era bem superior ao das Delegacias Tradicionais já em 2004.53 das Delegacias Legais e outro .banco de dados da ASPLAN . reduzindo o tempo para a consolidação das bases de dados mensais.

Neste último caso. complementar e extraordinário. Ele constitui a base das medidas preventivas: é de execução regular. tais como jogos esportivos de qualquer espécie. que deveriam servir de . desfiles cívicos e carnavalescos ou quaisquer outras festas populares. que excedam este policiamento. Ele serve igualmente Na realidade é um relatório das ações do policial quando ele sai para atender um chamado ou se depara com qualquer fato. Responde elasticamente às situações imprevistas criadas pela ação da criminalidade. Os tipos de policiamento ostensivo são: O policiamento ostensivo ordinário abrange as formas de policiamento executado normalmente pela Corporação. Pode ser desenvolvido também em situações de emergência em presídios. em quase todo tipo de delito. O TRO atende. Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. a vítima poderá se dirigir à Delegacia de Polícia sem a necessidade do policial militar e. É o tipo de policiamento preventivo que na PMERJ é subdividido de três formas. visando identificar e prender os agentes da criminalidade. 1983. não haverá o preenchimento do talão de registro de ocorrência (TRO). documento que todo policial deve possuir.. nesse tipo de policiamento a maioria dos fatos delituosos são primeiramente atendidos por policiais militares ou até mesmo pela Guarda Municipal. à elaboração de estatísticas mensais da Polícia Militar. embora haja casos onde a Polícia Militar ou a Guarda não sejam chamadas. etc. seja delituoso ou não. Estado-Maior. conforme as Bases Doutrinárias para Emprego da PMERJ. Podemos citar o roubo ou o furto de automóvel. quando o proprietário do veículo subtraído poderá se dirigir diretamente à Delegacia de Polícia para registrar a ocorrência sem acionar a Polícia Militar. Deve-se lembrar que. Em qualquer atendimento da Polícia Militar é preenchido o TRO. e a execução é completa para cada missão. a saber: policiamento ostensivo ordinário. devendo ser lavrado para fins de controle e estatística. O policiamento ostensivo extraordinário é o desenvolvimento de atividade em eventos programados. O policiamento ostensivo complementar tem por finalidade a dinamização do POO (Policiamento Ostensivo Ordinário) e a realização de missões específicas. inundações. sendo readaptado periodicamente pelas UOp (Unidade Operacional) de acordo com as normas de policiamento emanadas do Estado-Maior da Corporação. Possui planejamento prévio. Deste modo. catástrofes. O planejamento abarca diferentes tipos de operações de aspecto preventivo-repressivo. nestes casos. também. em coordenação com as medidas de Defesa Civil desenvolvidas pelo órgão competente. conforme mencionado anteriormente.54 Militar.

mas que acaba não se tornando instrumento efetivo para ações de polícia. o tempo gasto pela PM no atendimento de cada ocorrência (Ferreira.APOM. Chefes e Diretores na busca de informações estatísticas . por exemplo. número de ocorrências. vítimas fatais e não-fatais presos. número de viaturas. inclusive. apoio ao Estado-Maior Geral. assim como para vários outros fins.) é o instrumento formal de comunicação de ocorrências policiais atendidas por policiais militares. Eles são somente contados e agregados em relatórios pelos respectivos Batalhões e enviados para a Assessoria de Planejamento. policiais feridos e mortos. apreensão de armas e drogas e outros materiais. de uma forma resumida. é que elas não são digitadas. além de outras variáveis. tipo de delitos. Os resultados dos talões de registros de ocorrência são computados na 4ª Sub-Assessoria da Assessoria de Planejamento e Estatística do Estado Maior Geral da PMERJ.55 subsídio para ações estratégicas de policiamento. que seriam de grande importância para análise da dinâmica do atendimento policial ou para estudos comparativos entre o que é atendido pela PMERJ e o que é registrado pela PCERJ. orientações às Unidades Operacionais (UOp) na coleta de dados estatísticos relacionados à criminalidade. permitindo assim que os dados sejam reorganizados num conjunto lógico de informações relevantes e utilizáveis.. intercâmbio com a Secretaria de Segurança Pública. relativos a quaisquer ocorrências atendidas. Entre os atributos da 4ª Sub-Assessoria constam a organização e funcionamento do sistema de estatística. Observando os talões de registros de ocorrência. envolvidos e algumas de suas características.. a possibilidade de agregar determinadas informações que de outra forma não seriam obtidas. no que se refere a dados estatísticos. O grande problema sobre estas informações. Orçamento e Modernização da Polícia Militar . devendo ser encarado como uma pré-autuação. 2004:14). “O Talão de Registro de Ocorrência (. e que têm relevância na aplicação de recursos e definição de políticas como. destinado ao registro dos dados relevantes.” No talão de registro de ocorrência consta variáveis como formas e tipos de policiamento. quantidade de policiais aplicados. bem como aos Comandantes. ou tampouco há a transformação do conjunto dos talões de registros de ocorrência em uma base de dados que recupere as suas informações de modo automático. havendo. temos que: O acompanhamento dessas informações pode reduzir a margem de desinformação e a possibilidade de erro na distribuição dos recursos direcionados à segurança pública.

disponibilizado pelo sítio do Instituto de Segurança Pública. desta maneira percebe-se a gama de informações contidas nesses talões que. Segundo relatos dos próprios policiais. é o órgão que concentra todos os dados de atendimento da Polícia Militar e desempenha o papel de consultor para os outros órgãos da corporação. são descritos no TRO e. Ou seja. Volume de Chamadas Segundo Natureza da Ocorrência Agosto a Novembro de 2002 . O relatório de 2002. Aqueles de ação pública condicionada à representação e ação penal de iniciativa privada dependem da vontade da vítima em registrar a ocorrência. desde falta de energia elétrica até condução de parturientes.Acumulado Trânsito 22.7% Contravenções 6. Tais fatos ou são atendimentos assistenciais que não carecem de registro de ocorrência na Polícia Civil. Somente 19. só circulam dentro da própria corporação.9%). e atendimentos de trânsito corresponderam a 22. Desse modo. delituosos ou não. a Polícia Militar é chamada para resolver “qualquer coisa”.56 necessárias. são atendimentos considerados “assistenciais”. demonstrou que a maioria dos atendimentos feitos pela Polícia Militar nada tem a ver com crimes (50.8%. podem ou não ser registrados em Delegacia de Polícia. mesmo sendo de natureza criminosa.9% .8% Criminosas 19. Todos esses fatos.6% têm natureza criminosa. não consta dos registros de Delegacia de Polícia Civil. ou as vítimas não querem registrar o fato ou a vítima é desestimulada a comparecer à DP. ou ainda. e desta maneira. as contravenções somaram 6. a APOM. por meio da 4ª Sub-Assessoria de Planejamento e Estatística. e isso depende do tipo de delito. efetivamente.7% do total das naturezas de ocorrências.6% Não-Criminosas 50. Registro de ocorrência e talão de registro de ocorrência Os atendimentos. o atendimento finaliza-se quando a vítima não deseja fazer o registro ou quando as partes acabam entrando em acordo com ou sem a atuação dos policiais militares. da Secretaria de Estado de Segurança Pública sobre o atendimento do ‘190’ do Centro de Operações da Polícia Militar/Comando de Policiamento da Capital (COPOM/CPC).

pois são delitos de natureza grave. existe a ação penal de iniciativa privada. . e o número de RO. Nestes casos. Na ação penal pública incondicionada “o órgão do Ministério Público a propõe. estupros etc. mesmo as ocorrências de natureza criminosa..) o órgão do Ministério Público deve promover a ação penal. se manifestam contrárias ao registro de ocorrência em Delegacia de Polícia. (. 2000: 332). uma vez que em determinados delitos a vontade da vítima é imperiosa para a confecção do RO em Delegacia de Polícia. Esta é uma das potenciais distinções entre os números de TRO. são promovidas pelo Ministério Público.. Ocorre também o caso da vítima não querer efetuar o registro de ocorrência. tanto a ação penal pública condicionada quanto a ação penal de iniciativa privada dependem da vontade da vítima. Assim sendo.. lesão corporal seguida de morte. Esta ou é a manifestação de vontade no sentido de proceder. Os dois tipos de ação penal. e dependem da vontade da vítima para ser levado a termo. as vítimas. Em contraposição.57 Fonte: COPOM/PMERJ.)” (Tourinho Filho. Desde que provado o crime. tais como as lesões dolosas. a difamação etc.. tais como homicídio doloso.” (Tourinho Filho. “A ação penal pública condicionada é aquela cujo exercício se subordina a uma condição. Relatório Análise das Ocorrências do COPOM . Dessa maneira. Decorre daí que. Tais delitos têm como exemplo a calúnia. externada pelo ofendido ou por quem legalmente o represente (. embora sejam atendidas primeiro pela Polícia Militar. não são totalmente registradas. tanto a condicionada quanto a incondicionada. Os delitos de ação pública condicionados à representação são aqueles de menor potencial ofensivo11.. que é aquela que depende do ofendido para ser levada a termo. 2000: 322). mesmo em casos de delitos de natureza grave. e é provida por advogado particular. os delitos de ação pública incondicionada não dependem da vítima para o seu registro. 2002. em ocorrências criminais. por razões pessoais.190 (PMERJ). latrocínio etc. sendo até irrelevante contrária manifestação de vontade do ofendido ou de quem quer que seja. embora uma dependa da vítima em proceder e a outra independa de sua vontade. tais como lesões corporais leves e lesões culposas. sem que haja manifestação de vontade de quem quer que seja.

Ainda observando a distinção entre os números de TRO e de RO. pelos mesmos motivos acima citados para os policias militares. ao chegar ao Ministério Público. o Delegado de Polícia tem indícios de que o ocorrido é um roubo seguido de morte e o RO é titulado como latrocínio. o preenchimento do TRO ocorre. desde a gravidade do delito até a pressa do agente policial quando se aproxima o horário da sua rendição. temos a diferença de classificação de um mesmo delito segundo cada corporação. somente ele deve descrever a titulação do registro de ocorrência de um fato delituoso ou não. pode haver a resistência do policial civil em registrar a ocorrência.58 Outra vertente é a disposição do policial militar em conduzir. Como exemplo. Nestes casos. bem como acréscimo de informações que não foram recolhidas anteriormente. E ainda. diferente daquele capitulado pela Autoridade Policial. No primeiro . uma vez que pode ser alterada no decorrer do processo penal. pode ser necessária mudanças ou acréscimos em algumas partes do RO. diferente do promotor e da autoridade policial. alguns policiais militares tentam dissuadir a vítima a não comparecer à Delegacia de Polícia para registrar o fato. Um registro de aditamento é a troca de titulação ou outras partes de um RO. e em outros casos nem mesmo o TRO é preenchido. a titulação da autoridade policial é provisória. O Delegado de Polícia é a Autoridade competente para titulação do RO. o juiz pode promulgar a sentença sob outro título. por uma série de motivos. a autoridade policial civil. mas o RO não. Mesmo quando o policial militar leva o caso até a Delegacia. poderá sofrer outra alteração de título. conforme outras informações são recolhidas na fase do inquérito policial. Porém durante todo o inquérito policial. Dependendo do caso. ou não. (Registro Aditamento). Porém. ou seja. ou seja. e ainda. é produzido um RA. Vale lembrar que o RO é a primeira descrição do fato e que. somente ele poderá mudá-lo em caso posterior de registro de aditamento. Nesses termos. O promotor pode oferecer denúncia sob outro título. o Delegado de Polícia Civil é quem detém o poder de capitular o registro de ocorrência até o seu encaminhamento ao Ministério Público. O inquérito. os envolvidos até a Delegacia. que deverá ser anexado ao RO original. Nesse caso. Os artigos 4º ao 23º do Código de Processo Penal definem as atribuições dos Delegados de Polícia Civil com relação à instauração do inquérito policial. ou mesmo quando a vítima se dirige até lá sem o auxílio do policial militar. podemos citar um fato delituoso em que o policial militar se deparou e registrou como homicídio doloso no TRO.

Sem ele. O organograma da Figura 1. porém dependentes umas das outras. Em resumo. a base pode apresentar restrições analíticas que não podem ser superadas. não constam dos registros de ocorrência. As informações constantes no registro de ocorrência excedem. ou ainda. para formulação de políticas públicas e. delituosos ou não. pelo menos para a Polícia Civil. ou postula a máxima jurídica: “O que não está nos autos não está no mundo” (Correa. sabe-se que na prática. o que a lei determina. muitos caminhos e descaminhos são percorridos pelo dado até este virar informação. entre outras.1 descreve os rumos tomados pelos eventos. assim como a listagem das testemunhas. percebem-se três dimensões distintas. 1983). violência. Observando o organograma do fluxo da informação. já que as subnotificações. portanto. com descrição da profissão e residência. muitas vezes. Tais informações podem ser apropriadas para pesquisas voltadas para a área de segurança pública. o fato não ocorreu. por definição. mesmo sendo composto por fatos delituosos ou não o imperativo aqui é o registro em si. em muito.. Estas informações são de suma importância. quem confere titulação ao registro de ocorrência é o agente policial e não o delegado de policia civil.devemos lembrar que essas informações formam um conjunto organizado de dados que pode ser acessado por qualquer policial. pelo menos no estado do Rio de Janeiro. para distribuição e alocação de recursos policiais. até sua publicação ou sua inserção na subnotificação. criminalidade etc. considerando todos os percalços dos acontecimentos. Cabe lembrar que este banco de dados foi projetado para subsidiar o trabalho investigativo policial e não para ser utilizado em pesquisa social. também. são elas: a dimensão dos . a peça fundamental para construção do banco de dados da Polícia Civil é o registro de ocorrência. O fluxo das ocorrências Desde a ocorrência do evento. como para o andamento de outros inquéritos . tanto para o andamento do inquérito ao qual estão ligadas. As informações referem-se à narração dos fatos e de todas as circunstâncias do mesmo. sua chegada até a Delegacia e sua divulgação. para todos os efeitos.59 parágrafo do artigo 5º percebem-se quais as informações necessárias para o preenchimento do registro de ocorrência. a descrição pormenorizada do indiciado e suas razões. tais como a impossibilidade de inferências sobre o total de delitos ocorridos.

deveriam ser levados ao conhecimento da polícia. logo após. entram em cena as Polícias e/ou a Guarda Municipal. da Mídia e de outras instituições. Esta dimensão abrange os eventos e as subnotificações. na primeira dimensão a subnotificação é composta por subnotificações desconhecidas dos agentes da segurança pública e por subnotificações conhecidas por tais agentes. estas últimas estão contidas nos eventos. por suas características. pode acontecer das partes não quererem registrar o ocorrido. por circunstâncias diversas. Quando um determinado evento ocorre. Na segunda dimensão. por vontade própria. a dimensão do Acionamento das Instituições. Então. o evento ocorreu e não houve nenhum acionamento institucional. Importante ressaltar que. . que preenchem o talão de registro de ocorrência e. e a dimensão do Fluxo dos Registros de Ocorrência. das ocorrências de eventos que. porém isto não garante que o fato será registrado. o atendimento pode ser feito pela Guarda Municipal que pode encaminhar o caso para a Polícia Militar ou à Polícia Civil. não registraram o acontecido. que ocorre quando o evento mesmo chegando ao conhecimento das instituições não é registrado porque os seus funcionários não se propuseram a fazê-lo. ou de os próprios policiais desestimularem os envolvidos a fazer o registro. o evento não é notificado. o caminho será chamado de subnotificação desconhecida. No primeiro caso. sem nenhum conhecimento das autoridades ou mesmo sendo do conhecimento das autoridades. ele pode. Como exemplos podemos citar a ocultação de cadáver. virar subnotificação. A primeira dimensão é a dos Acontecimentos. o encaminha para a Polícia Civil.60 Acontecimentos. como também pode desestimular as partes envolvidas para que não sigam adiante com o registro da ocorrência. No primeiro exemplo. Neste caso. Também ocorre quando os envolvidos. Também é considerada subnotificação conhecida quando o evento chega ao conhecimento dos policiais militares. chamada de Acionamento das Instituições. deste modo. por sua natureza. ou seja. ou ainda. não querem fazer o registro na Delegacia de Polícia. a violência doméstica entre outros. pois nenhum dos agentes da segurança pública tomou conhecimento do fato. pois chegaram a ter algum contato como o evento e. os fatos podem ser comunicados diretamente à Polícia Civil por meio do DisqueDenúncia. Este é um caso de subnotificação conhecida. tal evento pode não ser registrado em Delegacia de Polícia. e.

II . as que competem aos dados estatísticos são descritos pelo Artigo 2º do Decreto Nº 36. da Secretaria Nacional de Segurança Pública . de 17 de janeiro de 2005: Art. Os registros de ocorrência originários de Delegacias Tradicionais são digitados no sistema para consolidar o banco de dados. Entre as várias atribuições do ISP. quando demandado. para planejar e implementar políticas públicas e auxiliar a Secretaria de Segurança Pública na execução de ações no estado do Rio de Janeiro”. Este documento segue para o Grupo Executivo do Programa Delegacia Legal (GEPDL). criada em dezembro de 1999.centralizar. Quando a COINPOL encontra qualquer anormalidade.SENASP. para desempenho de suas funções. permanentemente atualizados. Caso não seja constatada nenhuma incongruência ou o erro já tenha sido corrigido.fornecer à Secretaria de Estado de Segurança Pública. 2º . Esta digitação é processada nas próprias dependências do GEPDL.fornecer informações e análises estatísticas necessárias aos órgãos e entidades da Administração Pública. por meio eletrônico. finalizando promover a otimização da gestão administrativa das Polícias Civil e Militar.61 Mas. O ISP é “uma autarquia.atender às demandas do Sistema Nacional de Estatísticas de Segurança Pública e Justiça Criminal .RIOSEGURANÇA a análise de dados estatísticos relativos à segurança pública. III . consolidar e divulgar os dados estatísticos oficiais relativos à segurança pública. . ao chegar à Delegacia o evento é registrado e assim a ocorrência segue para a dimensão do Fluxo dos Registros de Ocorrência. se registrado em Delegacia Tradicional. procede à verificação das informações para constatação do fato. ou por meio de malote.SNESP. Neste ponto o policial civil registra a ocorrência e. dados estatísticos consolidados. órgão responsável pela análise e divulgação dos dados policiais. Neste ponto.872. O GEPDL consolida os vários documentos num banco de dados e libera o acesso para a Corregedoria Interna da Polícia Civil (COINPOL) fazer a conferência. IV . para análise e planejamento das ações de segurança pública. o banco de dados é liberado para o GEPDL. se tudo corre como o previsto. o GEPDL aciona o Instituto de Segurança Pública (ISP).Compete ao Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro . da seguinte forma: I . dependendo do caso. Quando o fato é registrado em Delegacia de Polícia é gerado um documento chamado de registro de ocorrência. entra em contato com o Delegado responsável pelo registro para que ele proceda à correção por meio de aditamento. se o caso for registrado em Delegacia Legal.

a definição de metas. Tais dados estão subdivididos segundo Áreas Integradas de Segurança Pública e Delegacias de Polícia. Tendo em vista o cumprimento do disposto no parágrafo V do Artigo 2º. Esta complexidade se dá desde a primeira dimensão. A utilização de informações policiais pode contribuir para a identificação de padrões criminais bem como. além de gerar modelos de controle sobre o trabalho da polícia. 2006). passando pela caracterização deste como fato policial. Trata-se de um órgão que pretende promover a integração entre a metodologia acadêmica de pesquisa e a avaliação institucional do trabalho policial. Além de dar publicidade aos dados. VI . O caminho da informação para se consolidar como estatística oficial é complexo. acima citado. Trata-se de buscar formas de controle institucionais que assegurem a qualidade e a padronização da informação e do trabalho policial (Miranda. na área de segurança pública. dos responsáveis pelo policiamento preventivo e estratégico. respectivamente.promover o intercâmbio de informações. com as administrações públicas federais e municipais. critérios de avaliação e a elaboração de medidas de desempenho consistentes é um trabalho que pode auxiliar tanto na avaliação desse trabalho. até chegar ao Fluxo dos . inspetores e oficiais de cartório) e autoridades policiais (Delegados). de forma a constituir-se numa política pública de segurança. constam do Anexo A e B. visando o aprimoramento profissional dos policiais. o ISP publica mensalmente 38 títulos no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro e também os disponibiliza na internet. Os títulos divulgados pelo ISP.62 V . bem como atende às diversas demandas da Secretaria de Segurança. Competem também ao Instituto o desenvolvimento e coordenação de estudos sobre justiça criminal e segurança pública. bem como a listagem das AISP.dar publicidade da incidência criminal e de outros dados relacionados à segurança pública. auxiliar no processo de produção de estratégias preventivas. a gestão dos recursos policiais e o planejamento das ações têm sido orientados apenas pela ‘experiência’ e ‘bom senso’ dos agentes (investigadores. Neste sentido. quanto possibilitar o gerenciamento profissional da polícia. onde verdadeiramente ocorrem. de pesquisadores. Tradicionalmente. de acordo com critérios previamente estabelecidos pela Secretaria de Estado de Segurança Pública. considerase que a realização de diagnósticos. da mídia e da sociedade civil. A padronização da informação faz parte de um esforço de estruturação e organização das instituições policiais. como forma de centralizar o acesso aos dados na administração central e com o objetivo de reduzir o arbítrio policial. o ISP produz os relatórios internos para subsidiar ações de polícia.

Esta classificação é chamada de classificação policial porque difere. figurando nas subnotificações. bem como auxiliar no andamento das investigações. Tais títulos são baseados no Código Penal e em Leis Especiais. A “Extorsão com momentânea privação da liberdade” e o “Roubo com condução para saque em instituição financeira” são tipos de títulos que se baseiam no modus . subsídio para as análises quantitativas deste estudo. mesmo assim. nem vão constar. Existem mais de mil títulos possíveis para a classificação de fatos delituosos ou fatos administrativos à disposição da autoridade policial do estado do Rio de Janeiro. ou mesmo ao tipo de instrumento utilizado para a consecução do fato. e sim o reinterpreta em termos burocráticos e jurídicos. segundo o local de ocorrência. ou seja. e têm características que remetem ao tipo de local de ocorrência. as ocorrências relegadas à subnotificação. chegando ao extremo do “cortar e colar” declarações. É nestes termos que se configura a base de dados da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Neste tipo de classificação a polícia prioriza o local onde aconteceu o fato. Ele é a autoridade responsável pela primeira definição da ocorrência. e tem a intenção de fornecer subsídios na hora da instauração do inquérito policial. ao modus operandi. se dentro de um coletivo ou com o indivíduo na rua. Cumpre ressaltar que o registro de ocorrência não reproduz o discurso da vítima. res furtiva. um pouco. a titulação do fato cabe somente ao Delegado de Polícia Civil. Este tipo de classificação incide prioritariamente sobre o objeto que foi subtraído da vítima. Pode haver casos em que um homicídio doloso não foi registrado. é o título “Roubo em Coletivo” ou “Roubo em Estabelecimento Comercial”. a utilização de textos já padronizados. ou mesmo na residência da vítima.63 Registros de Ocorrência. da classificação puramente jurídica do fato (aquela que se baseia somente no Código Penal). por meio de uma base de dados pouco utilizada por pesquisadores. Um exemplo de classificação do fato. é possível avaliar o grau de violência letal a que está submetida a sociedade fluminense e tentar analisar sua dinâmica. Isto demonstra que nas estatísticas oficiais não constam. Neste ponto uma pergunta se faz necessária: em que medida e como são classificados os registros de ocorrência quando chegam à Polícia Civil? A classificação de eventos Formalmente. Exemplos de classificação do fato segundo res furtiva são os títulos “Furto de Veículo” e “Roubo de Aparelho Celular”.

suas diretrizes principais são: a) Elaborar uma relação que possibilitasse englobar a correta nomenclatura legislativa penal e as necessidades de atender aos parâmetros estatísticos policiais capazes de gerar informações corretas e úteis. nem todo dolo provém de homicídio. A classificação do evento morte Dar este ou aquele título ao falecimento de uma pessoa não é tarefa simples devido à multiplicidade de eventos concorrentes para o desfecho do fato. Segundo o Manual de Delitos e Detalhamento de Delitos do Sistema de Controle Operacional. pois é nela que são encontrados os registros das vítimas classificadas como provenientes de homicídio doloso. buscando melhor entender como são detalhados tais delitos ou fatos administrativos. c) Tornar a relação estável. A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro possui um manual que todo Delegado deve. ou ainda. ou pelo menos deveria. que podem ou não ser confundidos com o homicídio doloso. é uma tentativa de coordenar o trabalho de classificação do fato de maneira mais ou menos homogênea para todas as unidades policiais do Estado. “Lesão corporal provocada por paulada” e “Lesão Corporal seguida de morte provocada por emprego de arma branca”. nem todo crime é doloso. Mais adiante avaliaremos os diversos tipos de mortes e como são classificadas pela Polícia Civil. nem toda morte é crime. até chegarmos ao homicídio doloso propriamente dito. Focaremos nossa análise na seção “morte”. bem como o crime continuado.64 operandi do autor do delito. servindo também como apoio para dirimir dúvidas de casos que admitem múltiplas interpretações. não permitindo que qualquer título fosse incorporado ou modificado pela vontade exclusiva dos usuários. d) Estabelecer regras claras para o preenchimento uniforme. . seguir nos casos de detalhamento de delitos. possibilitando a padronização dos títulos (Barros. Ou seja. Alguns exemplos de delitos classificados de acordo com o instrumento utilizado para o seu fim são “Homicídio doloso provocado por projétil de arma de fogo”. b) Possibilitar atingir o universo de variações clássicas que englobam os delitos qualificados pelo aumento de penas. devemos apresentar os vários tipos de mortes. Assim sendo. as tentativas e os concursos formais e materiais. 2003).

). impossíveis de serem detectados por ocasião da realização do registro de ocorrência. e somente se. analisados pelo Manual. Um exemplo clássico se refere ao caso de ocultação de cadáver onde. pelos sociólogos e estatísticos. para cada evento. O título estabelecido nesse segmento merece redobrada atenção. Preliminarmente. O título deve ser empregado da forma mais contida possível. muito possivelmente. que pode ser confundido com o homicídio doloso é o “Desaparecimento”. e (iv) conflito aparente. mas no decurso da investigação isso poderá mudar para outro título.medida assecuratória de direito futuro. Um dos primeiros títulos. (iii) fundamento. Segundo o Manual: A expressão “Desaparecimento” possui uma enorme gama de desdobramentos. A Polícia Civil argumenta a validade deste tipo de título: Título de ocorrência empregado por ocasião do surgimento de um cadáver onde. quais as bases legais sobre o título. na maioria dos casos isso não é comunicado à Polícia. Não se deve usar este título para corpos que são removidos de hospitais para necropsias junto ao IML e sim a infração penal que está sendo investigada. o título ‘ENCONTRO DE CADÁVER’ é necessário para preencher algumas situações limítrofes (.65 No Manual de Delitos e Detalhamento de Delitos da Polícia Civil. ou ainda. do que se trata o título em questão. o primeiro registro sobre o fato será o de desaparecimento e se. . existem quatro tópicos que devem ser observados para a correta titulação do fato. não se pode indicar a existência de infração penal ou administrativa. 2003: 44). à primeira vista. que explica. seqüestro ou cárcere privado.. o corpo for encontrado é que haverá aditamento para o título “homicídio doloso”.. Objeto de contestação. (ii) exemplo. fato atípico . fica registrado o desaparecimento. o único fato realmente detectado é o desaparecimento da pessoa sem razão aparente. Outros possíveis casos que conflitam com o título de desaparecimento são: extorsão mediante seqüestro. que mostra quais os outros títulos que poderiam ser confundidos com o evento atual. O grande problema dos registros de desaparecimento é que quando a vítima é achada. acusado de camuflar o número correto de crimes contra a vida. são eles: (i) parâmetro. de uma maneira simples e direta. mostrando uma situação hipotética qualquer. possuindo a Autoridade Policial 15 (quinze) dias para solucionar o caso (Barros. Outro título que tem conflito aparente com o homicídio doloso é o de “Encontro de cadáver”. pelas características apresentadas. por qualquer motivo que não seja a morte da mesma. homicídio culposo. Nestes casos.

no transcurso da investigação. e principalmente. No passado existia o título “Morte suspeita” que funcionava como paliativo ou servia como título de “escape” ante uma melhor especificação do evento morte. na avaliação da polícia. possivelmente o registro de ocorrência será aditado para “Homicídio doloso” na maioria dos casos. é também categoria provisória e deveria ser trocada por outra categoria mais apropriada. na verdade. pois o fato implica necessariamente em ilícito penal. para reduzir os números de homicídios dolosos. desta forma. somente nestes casos. Encontro de ossos do corpo humano. em grande medida. deveria ser aplicado somente nos casos onde não exista a possibilidade aparente de se indicar a infração penal ou administrativa. e que servia também. sem possibilidade de identificar se há ocorrência de ilícito penal. dá-se a titulação provisória de “Encontro de ossada”. e aditado para “Homicídio culposo” em raras exceções. para além de categoria necessária. Assim sendo. o título “Encontro de cadáver”. reduzir os números da violência letal. uma vez que o evento pode ter sido inclusive. Portanto. ossos encontrados com perfurações de projéteis de arma de fogo no crânio não deverão ser classificados como “Encontro de ossada”. e muito pouco do que é classificado como “Encontro de cadáver” recebe uma titulação mais adequada posteriormente. Tais práticas sempre foram objeto de contestação de pesquisadores envolvidos com o tema. a classificação é dada pelo título “Encontro de Cadáver” que. ao se deparar com um cadáver a Autoridade Policial não vê a possibilidade de classificá-lo nem como homicídio nem como suicídio. c) na remoção de corpos de hospitais ou clínicas com destino ao Instituto Médico Legal para serem necropciados. No caso do título “Encontro de partes do corpo humano”. não se usa o título ‘Encontro de Cadáver’: a) no homicídio onde o corpo é encontrado horas ou dias depois. b) no suicídio. nem como qualquer outro título. na medida em que avança o inquérito policial ou quando o Delegado recebe o resultado do exame cadavérico. uma vez na denominação de categoria provisória. . existem casos que a ossada encontrada não tem nenhum aspecto que denuncie a prática de delito ou suicídio e. Porém. Deste modo. proveniente de morte natural. poderá sofrer alteração de titulação. O título “Encontro de ossada” é definido da seguinte forma: “O fato delimita-se pelo título “Encontro de cadáver” foi e ainda é objeto de contestação pois. o título do registro de ocorrência acaba por ficar com esta denominação. Por exemplo.66 evitando-se generalizar seu emprego para todo cadáver que é encontrado. O que ocorre na prática é que. pois diminuíam as incidências do delito sem.

a necessidade de se estabelecer a causa mortis de um detento que faleça no interior de um estabelecimento prisional. morte sem assistência médica e morte por colisão com ponto fixo. inexistindo qualquer vislumbre de responsabilidade penal para terceiros” (Barros. responsável por sua investigação. o título usado será o de “Encontro de feto”. O título “Remoção para verificação de óbito” é outro que pode gerar conflito aparente com o “Homicídio doloso”. deverá proceder à alteração do título para aquele mais apropriado. necessitam de instauração de inquérito para comprovação ou não de algum tipo de crime. O “Fato atípico” reúne alguns eventos que. 2003: Alguns títulos podem ser exemplificados: morte por afogamento. infanticídio. morte por fulguração (ocasionada por descarga elétrica proveniente de raio). Um fato delituoso é por si só uma ocorrência que a lei proíbe. a autoridade policial. Sua definição é dada da seguinte maneira: (i) “atender uma situação específica. Outros conflitos aparentes para o título “Encontro de feto” são: aborto. embora não tenham a característica de delito. Nestes casos. Segundo Barros: . Em alguns destes casos pode haver conflito aparente com homicídio doloso. aborto provocado por terceiros. uma vez que a distinção entre feto e recém-nascido não é de fácil determinação. portanto deve ser registrado e apurado pela polícia. morte por soterramento ou desabamento. O “Evento Morte” é utilizado para “situações onde há ocorrência da morte de um ser humano. morte por projeção de altura. encontro de cadáver. morte por queimadura. desde que esta morte não possua características de uma morte violenta” e (ii) “remoção de cadáver para verificação de óbito de unidade hospitalar localizada em circunscrição diversa de onde foi confeccionado o Registro de Ocorrência. mesmo não aparentando crime. ou seja. a fim de apurar indícios de autoria e materialidade” (Barros. suicídio etc. Já um fato atípico é uma ocorrência que. encontro de cadáver e exposição ou abandono de recém-nascido. homicídio culposo. morte provocada por ingestão de substância tóxica. Se tais conflitos forem confirmados. 2003: 54). desaparecimento etc. quando ocorre o encontro de um feto e não há indícios de ilícito penal aparente. carece de investigação policial para comprovação de que realmente não houve delito algum: são os casos de suicídio.67 O “Encontro de feto” é outro título que pode apresentar conflito aparente com o “Homicídio doloso”. morte por eletroplessão (ocasionada por descarga elétrica).

não havendo responsabilidade da vítima ou de terceiros (alheia) a apurar” (Barros. classificado como fato atípico. homicida ou suicida). se não houve direta ou indiretamente responsabilidade penal de terceiros na causa mortis e se não ocorreu qualquer ação (ou omissão) de terceiros que contribuiu para a morte (Barros.68 Certos fatos apresentados à Autoridade Policial não encontram adequação a nenhuma infração penal. pelo menos por hora. o mais importante deles é o “Suicídio”. e mesmo. Várias etapas devem ser seguidas para a correta capitulação do registro de ocorrência nos casos de crimes contra a vida. Cumpre ressaltar que as possibilidades de titulação de ocorrências envolvendo morte são muito extensas e imbricadas. o Manual de Delitos e Detalhamento de Delitos está disponível à Autoridade Policial e é com base neste Manual que os conflitos aparentes da titulação podem ser minimizados. desse modo. ou outro tipo penal qualquer. seu registro se faz necessário por razões administrativas ou para realmente descartar ou não a existência da prática de ilícito penal. à primeira vista. ou ainda. principalmente o ‘Induzimento. Não obstante. encontrando a Autoridade Policial o caso de morte natural. o registro de ocorrência é a primeira documentação do fato e. deve haver instauração de inquérito para averiguações e investigações posteriores para esclarecimento do acontecido. O suicídio só deve ser capitulado pela autoridade policial “quando afastada a existência de ilícito penal. 2003: 66). 2003: 58). Mesmo assim. para as etapas posteriores. 2003: 66). fato a ser constatado no desdobramento de uma investigação preliminar (Barros. instigação ou auxílio ao suicídio’” (Barros. Porém. não há necessidade de passar. decorrente de causas naturais. Caso contrário. eliminados. ou seja. como citado anteriormente. A primeira etapa decorre da diferenciação entre morte natural e morte violenta. havendo vestígios de morte violenta. Passamos a questionar se a morte violenta foi provocada pela ação exclusiva da vítima. e até mesmo a mudança do título da ocorrência. Ou ainda: A Autoridade Policial não logrando êxito em classificar a morte como natural. obviamente estará diante de uma morte violenta (acidental. uma segunda etapa será cumprida na busca por evidências de morte provocada por exclusiva ação da vítima. mas que carece de instauração de inquérito policial para descartar ou não hipóteses de homicídio doloso. 2003: 54). Assim sendo. Alguns títulos que compõem os fatos atípicos são: Autorização para translado ou Autorização para sepultamento de membro. qualquer evento pode. . onde a morte natural deriva da “falência de um ou mais órgãos vitais. Conforme mencionado anteriormente. ser confundido com outro.

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Desse modo, se existem evidências de que a morte ocorreu por ação exclusiva da vítima, a Autoridade Policial não necessita passar para as etapas posteriores, classificando o evento como acidente ou suicídio, muito embora seja necessária a instauração de inquérito. Do contrário, se há evidência da ação de terceiros deve-se seguir a uma terceira etapa:
Afastada a morte natural e a morte violenta provocada pela ação exclusiva da vítima, verificaremos a participação direta (ou indireta) de terceiros, na ação (ou omissão) que contribuiu para o evento morte. Em outras palavras, pelas evidências apresentadas na investigação preliminar desenvolvida na Unidade Policial, foi verificada (em tese) a existência de dolo ou culpa de terceiros. A infração penal (em tese) é identificada, devendo investir-se na apuração do fato. A escolha da infração penal entre os diversos delitos e detalhamentos da relação do sistema (SCO) norteará o caminho da complementação da investigação, não obstante a imediata identificação ou não da autoria (Barros, 2003: 67).

É nesta terceira etapa da titulação que se inscreve o homicídio doloso, ou ainda, é nesta altura da tentativa de classificação do ilícito penal pela Autoridade Policial que se subscreve o homicídio doloso, embora haja outros tipos de delitos que nesta etapa possam dar título ao registro de ocorrência, tais como: homicídio culposo; induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio; infanticídio; aborto com morte da gestante; lesão corporal seguida de morte; roubo seguido de morte, entre outros. Se até aqui não houve possibilidade de capitulação do evento morte, ainda resta uma última etapa a ser cumprida pela Autoridade Policial para resolver o problema da titulação do fato. A quarta etapa é o estágio provisório, ou seja, são títulos que temporariamente irão capitular o registro de ocorrência até que a Autoridade Policial, no decorrer do inquérito, possa melhor definir o evento morte por meio de novas informações recolhidas.
Nesta etapa, a Autoridade Policial esgotou todos os esforços iniciais para enquadrar o fato nas etapas anteriores. Ela não possui elementos para classificar como a morte da vítima foi provocada. Não encontra imediatamente a resposta para determinar ‘o que’ ou ‘quem’ provocou a morte da vítima. Apenas o corpo evidencia a ocorrência de morte, sem qualquer outro fato que permita enquadrá-lo em um dos delitos e detalhamentos acima. A Autoridade Policial escolherá um dos delitos e detalhamentos considerados não definitivos, ou seja, delitos que representam situações que podem e devem evoluir para uma das etapas anteriores. (Barros, 2003: 68).

70 Na fase quatro, os títulos possíveis são: encontro de cadáver; encontro de partes do corpo humano; encontro de ossada e encontro de feto. Neste ínterim, tal estágio é permeado de títulos provisórios, ou ainda, deverão ser trocados posteriormente, no decurso do inquérito, para um título mais definido. A classificação entre doloso ou culposo para os casos de homicídios, e também para outros títulos, depende exclusivamente da interpretação da Autoridade Policial e das informações recolhidas quando da inspeção do local do fato, conversas com testemunhas etc. Assim sendo, a distinção entre dolo e culpa advém da experiência de cada Delegado de Polícia, lembrando sempre que a classificação policial é uma classificação provisória, uma vez que, encaminhado o processo ao Ministério Público, o promotor poderá oferecer denúncia sobre outro tipo de ilícito penal. O exposto acima serve para demonstrar que a Autoridade Policial pode e deve usar o Manual de Delitos e de Detalhamento de Delitos do SCO para classificar os fatos envolvendo mortes de pessoas. O manual serve como livro de consulta e norteador de procedimentos, porém, nada mais obriga a Autoridade Policial a utilizá-lo. Contudo, este último não pode inventar títulos para as ocorrências, porque todos os títulos já estão definidos pela Polícia Civil e apenas estes devem ser utilizados para a capitulação de delitos e fatos administrativos. Segundo relatos dos próprios policiais, ir até o local do fato não é uma prática comum. A descrição do ocorrido, em geral, é passada pelo policial militar que atendeu a ocorrência para o policial civil que registra a ocorrência. Ver Miranda et al, 2005. Embora o Manual de Delitos e de Detalhamento de Delitos do SCO esteja longe de se tornar padrão para a Polícia Civil, uma vez que há resistência ao SCO por parte dos próprios policiais. O Manual é uma tentativa de normatização das classificações de polícia, que não encontra padronização em parte alguma do Brasil, ao contrário das Declarações de Óbitos, que é padronizada para todo o território nacional. Além de ser um passo importante para uma futura padronização dentro da Polícia Civil do estado do Rio de Janeiro, o Manual é, possivelmente, uma semente para que as classificações das várias polícias do País sejam padronizadas. Apontamos esta possibilidade a partir da observação de a SENASP ter tomado como base a categorização de delitos e fatos administrativos criados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro para tentar uniformizar os códigos utilizados pelas polícias do País. Deste modo, temos na Polícia Civil do estado do Rio de Janeiro um banco de dados que reúne todos os registros de ocorrência lavrados em Delegacia de Polícia, os

71 quais têm cobertura geográfica para todos os municípios do Estado, o que permite uma visualização de todo o território fluminense no que tange às ocorrências policiais. Observaram-se os caminhos percorridos pelo fato até se tornar registro de ocorrência e, conseqüentemente, integrar informação relevante para a produção de relatórios que possam subsidiar ações de polícia, entre outras coisas. Mais ainda, observaram-se quais os procedimentos devem ser adotados para uma melhor titulação dos registros de ocorrência, visando a uniformização da classificação da informação sobre delitos contra a vida.

enquanto o controle. conhecidas como “soluções brandas”.Identificação das causas e fatores de risco. 2. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). que de certa forma acabam reduzindo o sub-registro das .Desenvolvimento e teste das intervenções. aponta alguns caminhos. prevenção terciária é preciso ainda ter em mente que ambas as ações precisam ter efetividade e devem ser observados seus efeitos nas condutas futuras. A violência como fenômeno multidisciplinar acaba por agregar conhecimentos diversos. diminuindo a pobreza. distribuindo melhor a renda. medidas estas. prevenção secundária e disponibilidade de vagas no sistema prisional. Nesse mister todas as soluções possíveis passam por dois grupos de ações: a) Prevenção da violência. execução e avaliação de políticas públicas e de programas contra a violência e criminalidade e segundo o Banco se compõe de quatro etapas que são: 1. 3. que facilitam sua compreensão e suscita a união de todas as instâncias nos três níveis de poder do estado brasileiro. A prevenção busca a solução na correção de distorções sociais.Análise e avaliação da efetividade das ações preventivas contra a violência. Nesse sentido podemos concluir que a epidemiologia se configura numa ferramenta bastante útil na construção de sistemas de informações acessíveis em todos os níveis da ação governamental. que consiste na coleta. ou “soluções duras”. análise e interpretação sistemática de dados para sua utilização no planejamento. b) Controle da violência.72 CAPÍTULO V PREVENÇÃO E CONTROLE DO CRIME.Definição do problema e coleta de dados confiáveis. no que se refere à prevenção. 4. para os crimes violentos apontam para uma maior quantidade e disponibilidade de recursos policiais. melhorando a educação. que chama de monitoração ou vigilância epidemiológica.

a igreja. Alcançar toda a população (prevenção primária). Analisando estudos realizados em países industrializados o BID constatou que ações de prevenção tendem a ser mais eficientes que ações de controle. os clubes sociais. ainda assim a maioria dos investimentos dos governos se destinam a combater o crime uma vez já ocorrido e ao tratamento das vítimas desses crimes. 2. Modificar fatores específicos de risco e/ou proteção (programas pontuais) ou modificar um conjunto de fatores (programas integrais). 3. Nesse mister as estratégias de prevenção devem estar orientadas previamente à redução dos fatores de risco de violência e /ou criminalidade ou o aumento dos fatores de proteção contra a violência e / ou criminalidade. as lojas maçônicas. chamada de prevenção primária. 4. As ações de prevenção objetivam: 1. . Prevenção Estrutural. a escola. organizações não governamentais.73 mortes e lesões violentas possibilitando a identificação dos fatores de risco associados a estes eventos. que tem seu alicerce nas instâncias informais de controle social. Modificar fatores sociais ou situacionais. ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO A regra básica da prevenção é quanto mais cedo se atuar na vida de um indivíduo evitando o desenvolvimento de condutas violentas. etc. tais como a família. grupos de alto risco (prevenção secundária). Estimativas nos Estados Unidos da América (EUA) confirmam que para cada dólar americano investido em prevenção poderiam ser economizados cerca de 6 a 7 dólares investidos em programas de controle. agentes violentos e/ou suas vítimas (prevenção terciária). que ao alterar as relações e incentivos do mercado de trabalho. Redução da pobreza e da desigualdade social são duas medidas de prevenção estrutural de longo prazo. Modificar fatores estruturais ou proximais. mais efetiva será a ação preventiva.

Prevenção Pontual e Integral. Prevenção Proximal ou Imediata. tendem a reduzir a privação e a frustração e. vítimas e autores da violência social e da criminalidade. a probabilidade de condutas violentas e/ou criminosas futuras. por conseqüência. . que vão desde acompanhamento de pré-natal e pós-natal de mães em situação de extrema pobreza ou alto risco. como o fácil acesso às armas de fogo.74 bem como o acesso a este. sistema de vigilância e monitoramento. que produzem ou instigam a violência e/ou criminalidade. etc. Urge que se aumentem as oportunidades econômicas para os jovens em situação de pobreza. cuja probabilidade de ser autor ou vítima de violência e/ou criminalidade é latente. resolução pacífica de conflitos. Atua sobre grupos de alto risco. São ações que visam alterar ou modificar o curso de eventos contingentes. devem ser atacadas através de um conjunto de medidas tanto no âmbito da prevenção como de controle. Prevenção localizada sobre um grupo reduzido de fatores de risco de violência e/ou criminalidade. Prevenção Situacional. programas de incentivo ao término dos estudos secundários para jovens pobres. tais como: obstáculos físicos. Prevenção Social. Reduz as probabilidades de alguém ser vítima potencial da violência e/ou criminalidade. programas educacionais infantis. agregando ações de prevenção de violência doméstica e contra as mulheres. criando dificuldades para os autores de crimes. drogas e álcool. isto requer alto grau de coordenação interinstitucional. controle de acesso. por terem multicausalidades. que se constituem em sua maioria. inclui um rol de ações bem diversificadas. através da redução das oportunidades.

negativo. portanto. os mitos do marginal perigoso e das classes perigosas que estigmatizam minorias e classes de menor poder econômico e a pouca produção de estudos sociológicos sobre o crime no país têm. datado do ano de 2000. CONCLUSÃO E PROPOSTAS DE AÇÕES.75 CAPÍTULO VI. Em adição. b) Integração Polícia Civil e Polícia Militar nos Cursos de Especialização e nas Delegacias Especializadas. igualmente. pressionadas pelo capitalismo global e a importação de modelos neoliberais de controle social. O Brasil um país de imensas desigualdades. de estrutura social hierarquizada. o que dificulta a implementação de uma política pública. efeitos sobre os modelos de controle da criminalidade. A própria efetividade da ação policial no controle da criminalidade vem sendo questionada. que propõe a diminuição do welfare state e reforçam o Estado policial e penitenciário. incrementando o nível de defesa e proteção do cidadão fluminense. cristalizando desta forma a percepção de que é individualmente vantajoso se quebrar leis socialmente aceitas. c) Instituto de Segurança Pública . iniciativas políticas que tratam do problema da criminalidade se limitam a propor mudanças estruturais no Sistema de Segurança Pública. o tema unificação não é homogeneamente entendido. Assim. Suas inovações podem ser resumidas em quatro modificações estruturais: a) Projeto “Áreas Integradas de Segurança Pública” (AISP). principalmente ensejando a criação de polícias municipais ou da unificação das polícias estaduais. através do Plano Estadual de Política Pública Para Segurança Justiça e Cidadania. no cenário brasileiro. Contudo. O indivíduo é mais importante que o coletivo e o espaço público é. A política alternativa de integração que vem sendo implementada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. da nova configuração ao sistema de segurança pública estadual e busca atender a pressão social de melhoria da prestação dos serviços do aparelho policial. A elaboração de políticas públicas de segurança apresenta limitações e enfrenta diversas dificuldades. que não reconhece o conflito como mecanismo de construção de uma nova ordem negociada. Nega-se o conflito e se impunha a conciliação forçada.

constatou-se que oficialmente não existe qualquer índice que avalie qualitativamente o serviço policial militar. e “Das Forças Armadas” (Cap. II). competente e cidadã. dos cidadãos. no entanto ainda há uma imensa dificuldade de aferição da percepção social dos serviços que prestamos à sociedade. indicadores de avaliação do trabalho policial militar no contexto operacional e tem por máximo propósito contribuir com a Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro e com a política de segurança pública integrada. entretanto a PMERJ considera como referencia para planejamento operacional as estatísticas de criminalidade. Foi um acerto ter alargado o conceito de segurança pública. A partir dos dados apresentados e analisados de acordo com as questões investigadas. Este estudo tambem enfocou. para fugir da visão policialesca. e sim do Estado.76 d) O Centro de Comando e Controle A Secretaria de Estado de Segurança Pública Fluminense vislumbrou uma perspectiva prevencionista incorporada de ações sociais "prevenção primária". É possível hoje uma avaliação do desempenho do trabalho policial com base em resultados estatísticos das atividades operacionais. baseadas no estudo das oportunidades e mecanismos que afetam escolhas racionais dos indivíduos criminosos. para refletir também sobre a possibilidade da utilização de novos indicadores mais adequados a construção da polícia moderna. . é o mesmo que "ninguém"). fica clara a dificuldade de fazer com que os policiais se vejam como servidores da população. Os dois outros capítulos desse Título são: “Do Estado de Defesa e do Estado de Sítio” (Cap. III) no Título dedicado à defesa do Estado: “Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas” (Título V). Não só reduziram a segurança pública a uma listagem de órgãos policiais (não nos esqueçamos de que "todos". Ora. como a viram com o paradigma da segurança nacional na cabeça. propondo-se a analisar os mecanismos institucionais de controle da oferta de paz social à sociedade fluminense. armadilha na qual os próprios constituintes de 1988 caíram. se os próprios constituintes não viram a polícia como um instrumento de defesa da cidadania. Colocaram o capítulo da “Segurança Pública” (Cap. alcançaram-se pontos conclusivos na pesquisa e foram buscadas algumas sugestões. Objetivando investigar se existe alguma avaliação no campo operacional do trabalho realizado pela PMERJ e este corresponde às expectativas da corporação no que diz respeito a sua eficiência. I). sem especificação.

entretanto há uma coincidência numérica sobre o ponto de vista da população civil no que se refere a boa apresentação pessoal. como a pesquisa de vitimização. a educação. etc. tem ligação direta com a sua rotina profissional. constatou-se que não existe avaliação definida pela SEGEG/RJ. o profissionalismo e a preocupação com o resultado como sendo importantes para o profissional de segurança pública. Objetivando buscar respostas a questão se os indicadores atuais podem ser modificados para melhor cumprirem seus objetivos ou novos indicadores devem ser utilizados.77 Pesquisando se os policiais militares encontram-se realizados profissionalmente com as atuais avaliações definidas pela Secretaria de Estado de Segurança Pública. entretanto os policiais militares que participaram da pesquisa consideram-se realizados.83% dos entrevistados não se sentem comprometidos com o resultado de seu trabalho. pode constatar-se que a grande maioria dos profissionais de segurança pública não relaciona suas rotinas com o trabalho realizado pela PMERJ. valores atribuídos ao IPTU. constatou-se que é necessário modificar os atuais indicadores e também criar novos indicadores. e sim um acompanhamento estatístico de ocorrências que ajudam e contribuem para o planejamento operacional pela PMERJ. Com vistas a investigar se as avaliações realizadas podem de alguma forma contribuir para uma maior eficiência ao trabalho a ser executado pela PMERJ. . E finalmente ao analisar e identificar os óbices em avaliar o desempenho operacional militar concluiu-se que 46. o bom senso. dados de corretoras de seguros. No intuito de se verificar os indicadores utilizados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública em relação ao trabalho do policial militar e seus resultados. verificou-se que as mesmas são incompletas e não atingem o objetivo de mensurar a qualidade do serviço. PROPOSTAS.

permitindo que se contabilize a percepção social da atuação da PMERJ. algumas medidas sérias e exeqüíveis que poderão ser implementadas em curto prazo e com relativa simplicidade. • Urge que as unidades operacionais tenham maior gerência sobre todo o policiamento. podendo modificar ou suprimir roteiros e setores com maior rapidez e objetivos determinados e pontuais na busca de resultados planejados antecipadamente. a seletividade do uso da força. os executores deverão ter maior conhecimento e maior poder de decisão. na busca da pro atividade. • Maior poder de decisão na ponta da linha. modificando os atuais indicadores e propondo a utilização de novos indicadores: • É necessário aferir qualitativamente o desempenho da atividade preventiva. bem como uma maior comunicação com o cidadão fluminense. a penetração social dos seus serviços. sobretudo o rádiopatrulhamento motorizado. • Implantação sistêmica e imediata de planejamento operacional alicerçado em dados e índices produzidos pelo Instituto de Segurança Pública – ISP. aferindo a mediação dos conflitos no espaço público. ou seja.78 O presente estudo visou compreender cientificamente e com rigor metodológico a dificuldade que as Polícias do Estado do Rio de Janeiro encontram na aferição do reconhecimento social da política de integração proposta pela Política Pública para a Segurança Justiça e Cidadania e modificar e criar novos indicadores de avaliação do desempenho do trabalho policial militar no contexto operacional e administrativo. mesmo que envolva apenas parte da organização. . Apresentam-se abaixo. ou seja. • Mais integração e formação única de policiais civis e militares. A inovação é um processo organizacional sistêmico e globalista. • Ênfase durante a formação policial de técnicas de resolução de conflitos e relacionamento interpessoal. • É mister a utilização de pesquisas de opinião da sociedade bem como pesquisas de vitimização periódicas como um indicador complementar. as causas e conseqüências da inovação afetam todo o sistema. • E efetivamente um forte investimento e recursos humanos e informacionais.

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86 ANEXOS .

87 ANEXO 1 .

na forma da Lei nº 443. promovendo o desenvolvimento de uma polícia científica. aos seguintes princípios: I .RIOSEGURANÇA E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. integradas e solidárias das Polícias Civil e Militar. o aprimoramento profissional dos membros daquelas corporações.compatibilização das doutrinas das Polícias Civil e Militar. ainda.valorização da dignidade dos policiais civis e militares submetidos à sua gestão. 1º . bem como outras que busquem a valorização da dignidade dos profissionais da área de segurança pública. de 1º de julho de 1981. promovendo. e desenvolver procedimentos que visem à compatibilização das doutrinas aplicadas por aquelas instituições.proposição de sistema eficiente de segurança públlica.proposição de plano de carreira para a Polícia Civil. atenderá obrigatoriamente. V . Art. de forma uniprocedimental. Parágrafo único .O RIOSEGURANÇA deverá promover a otimização da gestão administrativa da Polícia Civil e da Polícia Militar. a ser implementado por intermédio de ações coordenadas. III . gerenciar e administrar.Fica criado o INSTITUTO DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . 2º . na consecução de suas finalidades. executar.aprimoramento. com a finalidade de assegurar. VI . VII .estudo e proposição de medidas destinadas ao aperfeiçoamento do regime jurídico e disciplinar das Polícias Civil e Militar.88 LEI Nº 3329 DE 28 DE DEZEMBRO DE 1999 CRIA O INSTITUTO DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO .RIOSEGURANÇA. em especial as seguintes: . dos policiais civis e militares para o desempenho de suas funções. por intermédio das Polícias Civil e Militar. técnica e permanentemente.O RIOSEGURANÇA.assessoramento na gestão de todo e qualquer serviço de segurança que tenha por finalidade a preservação da ordem pública. II . e planejamento de promoções dos quadros da carreira policial militar. IV . a política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro.

e imunidades do Estado. e sobre atividades repressivas interrogatórias. para inibir ações criminosas e estabelecer a ordem pública. dos processos sumários. em consonância com o Ministério Público. aperfeiçoamento e criação de um novo modelo de gestão e emprego das forças de segurança pública. serviços e ações. com sede e foro na Capital do Estado.elaborar o planejamento da Força Policial face aos cenários existente e futuro: II . no que se refere a seus bens. ou a quem vier a sucedê-la.elaborar normas e procedimentos de conduta policial para as operações. dotada de personalidade jurídica de direito público.Ao RIOSEGURANÇA. VIII . tendo em vista as finalidades de transformação.89 regime disciplinar que elimine as punições administrativas restritivas da liberdade individual. 3º . Art. avaliando seu cumprimento com periodicidade a ser estabelecida. b) proposta de fixação em Lei da jornada de trabalho. goza.O RIOSEGURANÇA é uma autarquia vinculada diretamente à Secretaria de Estado de Segurança Pública. considerando o previsto no inciso anterior.O RIOSEGURANÇA. .desenvolver as áreas de pesquisa e inteligência. em toda a sua plenitude. IV . remunerando-se o serviço extraordinário. portadores de necessidades especiais. Parágrafo único . IX . 4º .O RIOSEGURANÇA operará com contas distintas das pertencentes ao Tesouro Estadual.desenvolver estudos táticos para implementação das ações policiais. V . técnica. III .desenvolvimento de estudos e proposição de critérios de classificação de pessoal. inclusive processuais.definição de áreas e de progressividade de implantação do novo sistema que integra as ações e procedimentos das Polícias Civil e Militar. 5º . e gestão administrativa. incluindo o aproveitamento em atividades internas dos profissionais da área de segurança. compete: I . das prerrogativas.promover estudo sobre a qualidade dos atos atinentes à Polícia Judiciária. patrimonial e financeira descentralizada. Art. patrimônio e receitas próprias. Art.

IX . Art. com um cargo em comissão de Diretor-Presidente. Diretor de Polícia Judiciária. 8º . Art. que . e Diretor Administrativo Financeiro. XI .90 VI . em conjunto com as Polícias Civil e Militar. da Defensoria Pública Geral do Estado ou do Ministério Público do Estado. desde que determinado pelo Secretário de Estado de Segurança. pelos comandos das Polícias Civil e Militar. Parágrafo único . com um de Vice-Presidente. X . planos de operações policiais extraordinárias.Caberá ao Governo do estado fixar os padrões salariais e demais vantagens concedidas ao pessoal do RIOSEGURANÇA. não sendo permitida a percepção remuneratória cumulativa. exclusivamente.analisar e avaliar o material bélico e os equipamentos operacionais. XII .promover estudos sobre a qualidade do serviço público de sua competência. ações estas que serão implementadas.Os cargos em comissão de Direitos Executivos serão denominados de: Diretor de Polícia Ostensiva.dirimir conflitos de competência envolvendo as Polícias Civil e Militar. na sua estrutura diretiva.elaborar orçamentos de investimentos para os programas.As atribuições dos Diretores serão estabelecidas no decreto regulamentador. e com quatro Diretores Executivos. VIII . Art. Diretor Jurídico. 7º .promover o planejamento da operação de segurança para eventos especiais. face às novas diretrizes. § 2º . projetos e atividades da área que lhe compete. em eventos que contem com a presença de número elevado de pessoas.elaborar. símbolo PR. 6º . quando necessário. com vista a sua maior eficiência e eficácia. símbolo VP.A Presidência do RIOSEGURANÇA será ocupada pelo Secretário de Estado de Segurança Pública. § 1º . VII . cujos ocupantes serão nomeados pelo Governador. dirigido por um Delegado de Polícia dos Quadros da Polícia Civil de 1ª Categoria. símbolo VP.propor currículos e cursos para aperfeiçoamento. dirigido por membros da Procuradoria Geral do Estado.O RIOSEGURANÇA poderá solicitar a colaboração dos órgãos técnicos e administrativos do Estado.O RIOSEGURANÇA contará. dirigido por um Oficial Superior da Polícia Militar.

91 fixará.Os policiais civis e militares selecionados. a capacitação e a avaliação técnico-profissional. estritamente para cumprimento de funções administrativas. e baseada em critérios claros e transparentes. § 5º . § 3º . nos termos do regulamento desta Lei. consoante o art. obrigatoriamente. da Polícia Militar. bem como o exame do perfil psicológico e da ficha funcional do interessado. para contribuir na área de sua competência. § 2º . como dispõe o Art.272/87. que terão exercício no RIOSEGURANÇA. exclusivamente.A seleção dos policiais civis e militares. com cargos em comissão e funções de confiança a serem criados. § 1º . também. dar-se-á por critérios objetivos. 79 e seus incisos e parágrafos do Estatuto dos Policiais Militares. formado por profissionais especializados. § 2º . § 1º .O ingresso no quadro de pessoal administrativo efetivo dar-se-á. § 4º . a estrutura básica do RIOSEGURANÇA.A seleção referida neste artigo será feita por um Conselho Paritário. classificado como autarquia do Grupo A. o RIOSEGURANÇA requisitará os servidores. ficam com a lotação originária mantida. excetuando-se sobre aqueles lotados no Instituto. mediante transformação. 1º da Lei nº 1. 9º .Em nenhuma hipótese os membros da Direção do RIOSEGURANÇA terão funções de comando sobre policiais civis e militares em ações de repressão a ilícitos e de policiamento. mediante disposição. cedidos ao instituto. da Polícia Civil e da Secretaria de Administração. dentre os quais se considerarão. e serão regidos pelos . mediante prévia aprovação em concurso público de provas e títulos. sem prejuízo de suas atividades normais.O quadro de pessoal administrativo inicial do RIOSEGURANÇA poderá ser formado por servidores públicos civis ou militares.Os Policiais Militares em exercício no RIOSEGURANÇA não serão considerados agregados. na forma deste artigo. sem aumento de despesa. representantes da Secretaria de Segurança. Art. para terem exercício no RIOSEGURANÇA.Para exercer suas atribuições.

a corrupção. e conforme o que vier a ser disposto em Lei. no Brasil e no exterior. um impeditivo absoluto ao ingresso do policial no RIOSEGURANÇA. no estabelecimento bancário utilizado pelo Estado. por intermédio da Secretaria de Estado de Segurança Pública.Os recursos financeiros do RIOSEGURANÇA serão depositados. na forma do art. em vigor nas respectivas instituições. 37. obrigatoriamente. Art. da Constituição da República. § 3º . 14 . no prazo estabelecido em legislação própria. no que couber.Na gestão orçamentária. Faltas de natureza administrativa e disciplinar não constituirão. as normas de controle do sistema contábil do Estado. Art. serão observadas. para a capacitação e a especialização de policiais civis e militares.As metas de desempenho do RIOSEGURANÇA.O patrocínio judicial do RIOSEGURANÇA será exercido pela Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro. bem como o resultado de suas ações. § 8º.O balanço geral do RIOSEGURANÇA e seus demonstrativos serão remetidos ao Tribunal de Contas do Estado nos prazos fixados na legislação em vigor. econômica e patrimonial. podendo ser .O RIOSEGURANÇA oferecerá cursos de aperfeiçoamento técnico-profissional. Art.O RIOSEGURANÇA adotará a sistemática financeira e orçamentária aplicável ao Estado.A publicação do balanço patrimonial do RIOSEGURANÇA será feita no Diário Oficial do Estado. Art. a extorsão e a tortura.Os fatos desabonadores para o ingresso no Instituto de Segurança Pública são sobretudo os que se referem ao envolvimento comprovado com a criminalidade. obrigatoriamente. atuando sempre com base nos princípios de eficiência e economicidade. Parágrafo único . 10 . que não terá poderes para receber citação. 15 . 13 . financeira.O RIOSEGURANÇA é representado por seu Diretor-Presidente. 11 . Art.92 estatutos próprios. § 5º . poderão ser objeto de contrato de gestão. Art. § 4º . 12 .

legados e rendas extraordinárias ou eventuais que lhe forem destinadas.os valores arrecadados a título de taxa de prestação de serviços extraordinários de segurança. ressalvados aqueles também decorrentes da multa.O RIOSEGURANÇA deverá. bem como das receitas que lhe são inerentes como entidade autárquica. filantrópicas e religiosas de qualquer natureza.estão excluídas da cobrança da taxa de prestação de serviços extraordinários as atividades e manifestações sociais. constituem fontes de receita específicas do RIOSEGURANÇA: I . criando a Escola de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. instituído pela Lei nº 2. VI .FUNESSP. com fins lucrativos ou não.os valores não pagos decorrentes da taxa prevista no inciso anterior e inscritos em dívida ativa do Estado.as doações. compatibilizar os currículos das Escolas e Academias formadoras de Oficiais da Polícia Militar. à qual competirá a formação daqueles profissionais . conjuntamente. porém com destinação especial. IV . cobrada de pessoas ou instituições que venham a promover eventos.Além dos créditos orçamentários que lhe forem transferidos pelo Estado. Delegados da Polícia Civil e demais integrantes das carreiras. 17 .93 movimentados somente mediante cheques e ordens de pagamento assinados.o produto auferido em razão de contratos de gestão. de acordo com a legislação pertinente.outras receitas que lhe forem atribuídas por Lei. e VII . II . Parágrafo único .571. ecológicas. de 11 de junho de 1996.os valores das multas impostas na área de segurança pública. Art.recursos do Fundo Especial da Secretaria de Segurança Pública . 16 . V . conforme o que vier a ser disposto em Lei. sindicais.001. na forma da Lei. políticas. Art. de 18 de março de 1997. que criem um risco potencial maior à ordem pública. que exercitem os direitos constitucionais de liberdade de expressão e não tenham natureza comercial ou lucrativa. III . e regulamentado pelo Decreto nº 23. pelo Diretor-Presidente e pela autoridade designada em regulamento. no prazo máximo de 1 (um) ano a contar da publicação desta Lei.

. 19 . Parágrafo único – A contratação mencionada no “caput” deste artigo será efetivada através de entidade de representação dos beneficiários. revogadas as disposições em contrário. Rio de Janeiro. ANTHONY GAROTINHO Governador RESOLUÇÃO SSP Nº 629. todo o seu patrimônio passará. Parágrafo único . 20 . Art. 18 – O RIOSEGURANÇA dará prioridade. na contratação de mão de obra de policiais civis e militares que tenham adquirido algum tipo de deficiência no exercício de suas funções.Em caso de extinção do RIOSEGURANÇA. 28 de dezembro de 1999.O patrimônio do RIOSEGURANÇA será constituído de bens móveis. 21 . a partir da promulgação desta Lei. obrigatoriamente. bem como de outros bens que venha a adquirir. e que se encontrem na inatividade. que o sucederá em todos os seus direitos e obrigações. Publicado no DOII de 03/04/99) Art.O Poder executivo regulamentará esta Lei no prazo máximo de 90 (noventa) dias da data de sua publicação. preferencialmente as Associações de reabilitação de ex-policiais. a integrar o patrimônio do Estado do Rio de Janeiro. * ( Veto derrubado. imóveis e direitos aquisitivos que lhe forem transferidos pelo Estado. Art.94 * Art. DE 19 DE MAIO DE 2003.Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Art. nas Delegacias Policiais ou em outros locais designados pela Comunidade. 4º . aprimorar o controle da criminalidade através do apoio dos que convivem mais de perto com os problemas e elevar o grau de consciência comunitária sobre a complexidade do tema.95 Revitaliza os Conselhos Comunitários das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP). mensalmente ou na periodicidade conveniente à maioria de seus membros. . b) consignação. os Comandantes de cada Batalhão receberão mensalmente para um café da manhã os Delegados de Polícia e os líderes comunitários das AISP’s para troca de idéias. escolas etc. as comunidades e as agências públicas e civis prestadoras de serviços essenciais à população. dentre outros temas de interesse. sugestões. 1º . incluirão necessariamente: a) avaliação das ações desenvolvidas pelos órgãos policiais no período anterior. para que todos tenham a oportunidade de receber a visita dos membros do Conselho. orientações e/ou reclamações. e Considerando que as Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP) têm como um de seus objetivos a interação entre os órgãos policiais. 3º .Independentemente das reuniões do Conselho.Nas reuniões do Conselho Comunitário de Segurança a pauta. O SECRETÁRIO DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA. e dá outras providências.Determinar a revitalização dos CONSELHOS COMUNITÁRIOS DE SEGURANÇA compostos pelo Comandante do Batalhão da Polícia Militar e pelo(s) Delegado(s) de Polícia Civil que atuam nas respectivas Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP). nas Unidades da Polícia Militar. das ações seguintes a serem desenvolvidas.O Conselho Comunitário de Segurança deve reunir-se quinzenalmente. em atas ou relatórios. e por todos os representantes de entidades da Sociedade Civil (associações. R E S O L V E: Art. Art. e Considerando que com a implantação das AISP’s foram instalados Conselhos Comunitários das Áreas com a finalidade de aproximar as instituições policiais da comunidade. no uso de suas atribuições legais.) da área que desejarem participar. preferentemente em sistema de rodízio. Art. 2º . igrejas.

Anexo II. auditórios.Os Comandantes de Unidades da PM deverão disponibilizar as quadras.96 Art. campos de futebol. revogadas as disposições em contrário. Rio de Janeiro. 6º . 19 de maio de 2003. e outros espaços para utilização por parte das comunidades. da Resolução SSP nº 263 de 26 de julho de 1999.Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação. 7º . ANTHONY GAROTINHO .Os Conselhos Comunitários de Segurança estão definidos nas Instruções Provisórias para as Áreas Integradas de Segurança Pública. Art. Art. 5º .

V) O Presidente do Instituto de Segurança Pública. o que consta do processo administrativo nº E – 09/033/5000/2007 R E S O L V E: Art. III) O Chefe de Polícia Civil.que a instituição do Fórum Permanente é um meio de integração entre os Conselhos Comunitários de Segurança dessa Região Metropolitana. 2º . . no uso de suas atribuições constitucionais e legais. Institui o Fórum Permanente dos Conselhos Comunitários de Segurança na Região Metropolitana. Art. . Considerando: . VI) O Ouvidor de Polícia.que a Região Metropolitana do Rio de Janeiro concentra a maior parte da população e dos registros criminais do Estado do Rio de Janeiro. e dá outras providências. IV) O Corregedor-Geral da Corregedoria Geral Unificada. II) O Comandante-Geral da Polícia Militar. com o objetivo de propor e acompanhar a implementação das políticas públicas desenvolvidas na área de Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro. finalmente.97 RESOLUÇÃO SESEG Nº 20 DE 27 DE FEVEREIRO DE 2007. como autoridades integrantes da mesa principal: I) O Secretário de Estado de Segurança.e. O SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA.Fica instituído o Fórum Permanente dos Conselhos Comunitários de Segurança da Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro.Deverão participar das reuniões. 1º . .

Rio de Janeiro. JOSÉ MARIANO BENINCÁ BELTRAME Secretário de Estado de Segurança ROTEIRO PARA ENTREVISTAS NOVAS POLÍCIAS O ELO INSTITUCIONAL (PMERJ – ISP – UFF – UERJ – ONGS – GRUPOS DAS MINORIAS) . deverão enviar representantes em caso de impossibilidade de comparecimento às reuniões. 4º .Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação. Art.Ao Instituto de Segurança Pública. através de sua Coordenação dos Conselhos Comunitários de Segurança.98 Parágrafo Único – As autoridades mencionadas no caput. incumbe criar a metodologia e o acompanhamento das reuniões do Fórum ora instituído. Art. 3º . 27 de fevereiro de 2007.

NÃO SERIA ADOTAR UM CRITÉRIO DESIGUAL? 5) QUAL O CRITÉRIO UTILIZADO PARA CHEGAR ÁS METAS ESTABELECIDAS PELO COMANDO DA CORPORAÇÃO? 6) EXISTEM BATALHÕES QUE NÃO ATINGEM AS METAS E OUTROS QUE ATINGEM. O CONCEITO DE MELHOR ADMINISTRAÇÃO SÓ ESTARIA LIGADO A ESTATÍSTICAS OU EXISTE OUTRO ÍNDICE? 7) EM SUA OPINIÃO. A SENSAÇÃO DE SEGURANÇA ESTÁ LIGADA A ESTATÍSTICAS DE APREENSÃO DE ARMAS E TÓXICOS OU EXISTEM OUTROS FATORES? . ADOTAR UM SISTEMA ÚNICO DE AVALIAÇÃO. CADA UMA COM SUAS PECULIARIDADES.99 INTEGRAÇÃO x UNIFICAÇÃO CICLO COMPLETO CONTROLE INTERNO PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA LEGITIMIDADE E RECONHECIMENTO COMO AVALIAR É PRECISO? QUAIS OS ÓBICES? 1) O QUE O SENHOR ACHA DO ATUAL SISTEMA DE AVALIAÇÃO DO TRABALHO POLICIAL UTILIZADO PELA SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA? 2) O SENHOR ACREDITA QUE OS POLICIAIS MILITARES ESTÃO SATISFEITOS COM AS ATUAIS AVALIAÇÕES? 3) O SENHOR ACREDITA QUE ALGO POSSA SER MELHORADO NO SISTEMA DE AVALIAÇÃO OU ATENDE ÁS NECESSIDADES? 4) O ESTADO DO RIO DE JANEIRO POSSUI DIFERENTES REGIÕES.

O que o senhor acha desse modelo? .100 8) O SENHOR ACREDITA QUE COM AS METAS ATINGIDAS SE PODE AFIRMAR QUE EXISTE SEGURANÇA EM UMA DETERMINADA ÁREA OU NÃO? QUESTIONÁRIO PARA POLICIAIS MILITARES 1) O atual sistema de avaliação utilizado pela Secretaria de Segurança Pública para mensurar o trabalho policial militar se prende a estatísticas de diversos tipos de crimes dentre os quais se destacam apreensão de tóxicos e armas e prisões em flagrante delito.

101 Resposta: 2) Como o senhor acha que seu rendimento profissional é avaliado? ( ) nº. em caso positivo. de prisões ( ) controle da criminalidade e violência e resolução de conflitos. 3) No seu entendimento esta avaliação condiz com os objetivos do trabalho policial? ( ) sim ( ) não 4) Esta avaliação ajuda você a melhorar o seu serviço? ( ) sim ( ) não 5) No seu entendimento esta avaliação é correta? ( ) sim ( ) não 6) Se as estatísticas dos principais crimes em sua área de atuação diminuem isso é visto como positivo pelos seus superiores? ( ) Sim ( ) Não 7) Qual seria a melhor maneira de avaliar o serviço da polícia militar? Resposta: 8) Como cidadão já precisou do serviço policial militar. como avaliou o desempenho do trabalho? ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Insuficiente . de apreensões. ( ) nº.

informação e poder ( ) não observado ( ) impossível na conjuntura atual QUESTIONÁRIO PARA CIVIS 1) O atual sistema de avaliação utilizado pela Secretaria de Segurança Pública para mensurar o trabalho policial militar se prende a estatísticas de diversos tipos de crimes dentre os quais se destacam apreensão de tóxicos e armas e prisões em flagrante .102 9) Ao longo de uma jornada de trabalho o senhor acha que todas as missões executadas são efetivamente funções policiais? ( ) sim ( ) não 10) O senhor acredita que a boa apresentação pessoal. o senhor se sente realizado profissionalmente com a execução do feito simplesmente ou se compromete e se preocupa com o efetivo resultado do trabalho? ( ) execução do feito ( ) resultado ( ) não me sinto realizado profissionalmente 12) O senhor acredita que tem autoridade e poder de decisão suficiente para levar uma ocorrência policial a bom termo. ou necessitaria de mais informação. a educação. conhecimento profissional e poder? ( ) autoridade suficiente ( ) mais conhecimento. o bom senso. o profissionalismo e a preocupação com os resultados são importantes para o trabalho policial militar? ( ) sim ( ) não ( ) em parte 11) Ao cumprir uma missão da P/3 da unidade operacional.

( ) sim ( ) não ( ) em parte 6) Em sua opinião qual seria a melhor maneira de avaliar o trabalho policial? Resposta: 7) Atualmente a PMERJ vem realizando reuniões periódicas. com as comunidades da área de atuação dos respectivos batalhões. O que o senhor acha desse modelo? Ele poderia ser considerado completo? Existem.103 delito. com propósito de tratar de assuntos de segurança pública. no transcorrer da ocorrência e em determinados casos nas conseqüências que advem da ocorrência. O senhor já participou de alguma e qual a sua opinião a respeito? . no seu entender. outras maneiras dessa avaliação ser feita? Resposta: 2) O senhor está satisfeito com atual assistência que a Polícia Militar vem dando a sua comunidade? ( ) sim ( ) não ( ) parcialmente 3) O senhor já precisou utilizar os serviços da Polícia Militar? ( ) sim ( ) não 4) Em caso positivo qual foi o motivo? Resposta: 5) O senhor foi bem atendido no momento da solicitação (190).

prender marginais da lei e apreender armas e tóxicos ou agir diretamente na prevenção e nos pequenos delitos diários que agem diretamente no sentimento de impotência da comunidade e medo coletivo e na resolução de conflitos. controle da criminalidade e violência e resolução de conflitos. o bom senso. 11) O senhor acredita que o Governador do Estado. a educação. ( ) prender e apreender tóxicos ( ) prevenção. o profissionalismo e a preocupação com os resultados são importantes para o trabalho policial militar? ( ) sim ( ) não ( ) em parte 10) O que o senhor considera mais importante. ou o Secretário Estadual de Segurança ou o Comandante Geral da PMERJ deveriam dizer como a polícia deveria agir ou através das resoluções dos conflitos e a evolução da sociedade a própria sociedade deveria fazê-la? ( ) Governador do Estado ( ) Secretário de Segurança .104 Resposta: 8) Qual o conceito que o senhor daria para o trabalho policial militar em sua região? ( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Insuficiente 9) O senhor acredita que a boa apresentação pessoal.

até a chegada da viatura é um importante instrumento de medição do trabalho da polícia? ( ) Sim ( ) Não . desde a solicitação através do telefone 190.105 ( ) Comandante Geral ( ) A própria sociedade 12) O senhor acredita que um rápido atendimento de uma ocorrência.

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