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Aquecimento global e mudanças

climáticas são destaques da


Campanha da Fraternidade 2011 da
CNBB
quinta-feira, 10 de março de 2011

A CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil abriu, oficialmente,


no dia 9 de fevereiro de 2011, a Campanha da Fraternidade 2011,
“Fraternidade e a Vida no Planeta”, numa coletiva de imprensa, em sua
sede, em Brasília. O secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara
Barbosa, e o secretário executivo da Campanha da Fraternidade, padre
Luiz Carlos Dias, apresentaram aos jornalistas os objetivos da
Campanha, destacando seus principais pontos.

Dom Dimas fez memória do histórico da Campanha da Fraternidade e


afirmou que o tema da ecologia é uma preocupação antiga da CNBB,
que tem marcado a história das Campanhas há três décadas. “A
Campanha mais antiga em torno do meio ambiente aconteceu em 1979,
com o lema ´Preserve o que é de todos´. Há 32 anos já tínhamos essa
preocupação com temas ecológicos. Muito tempo depois, em 2002, veio
a Campanha que refletiu a Amazônia; pouco tempo depois, a Campanha
de 2004 refletiu a questão da água, e, a Campanha de 2007, discutiu o
tema ‘Fraternidade e os Povos Indígenas’ e a questão da terra”, lembrou
dom Dimas.

O secretário da CNBB disse que a Campanha deste ano apresenta uma


reflexão bastante ampla, refletida em dois grandes temas preocupantes:
‘aquecimento global e mudanças climáticas’. “A partir desses pontos, a
Igreja no Brasil vem mostrar que estamos preocupados em discutir temas
relevantes para a sociedade viver melhor”.

Já o secretário executivo da Campanha da Fraternidade, padre Luiz


Carlos Dias, afirmou que um dos passos importantes da Campanha é
mobilizar as pessoas em torno de políticas públicas por mudanças que
favoreçam o desenvolvimento da temática proposta. “Queremos
mobilizar a sociedade para agir de forma positiva nos diversos níveis da
sociedade civil e dos poderes constituídos para a aplicação de políticas
que favoreçam um planeta melhor para todos viverem”, frisou.

Padre Luiz fez uma síntese do texto-base da CF-2011. Destacou, entre


outros pontos, o trabalho que é feito nas bases da Igreja para o
desenvolvimento da Campanha. Ele criticou o atual sistema de produção
e consumo que contribui “para a exclusão social”.

Propostas concretas

Dom Dimas enumerou algumas ações concretas que a Campanha


sugere nos níveis pessoal, comunitário e de governo para a preservação
do meio ambiente.

“O cidadão pode colaborar com pequenas ações e cultivar hábitos


saudáveis como a utilização de fontes renováveis de energia, como é o
caso da energia solar, coleta seletiva de lixo, a própria questão do
respeito com relação à água”, advertiu.

O secretário disse ainda acreditar na mobilização coletiva para a


mudança de comportamento e educação das pessoas para um modo de
vida que favoreça a humanidade. Ele citou o caso da crise do apagão,
ocorrida em 2001 e 2002 no Brasil, como exemplo de mobilização da
sociedade que pode gerar conscientização e respeito para com o meio
ambiente.

“Quando as pessoas se viram ameaçadas de ficarem sem energia, logo


começaram a trocar lâmpadas, diminuir o número de eletrodomésticos e,
assim, conseguimos reduzir o consumo de energia elétrica de uma
maneira que antes era impensável”.

Código Florestal

Segundo dom Dimas, a aprovação das mudanças no Código Florestal


Brasileiro têm ocupado a pauta de preocupações da CNBB. Há um ano,
o Consep - Conselho Episcopal Pastoral da CNBB emitiu uma nota em
que enumera alguns itens preocupantes no texto que muda o Código.

“Tivemos, há pouco tempo, uma reunião com técnicos do Ministério do


Meio Ambiente e pudemos observar o esforço que setores do Governo
estão fazendo para dialogar com movimentos sociais representativos das
comunidades mais vulneráveis como quilombolas, ribeirinhos, povos
indígenas, barragens. Esses movimentos todos têm procurado o
Governo e a CNBB no sentido de incentivar para que não sejamos tão
apressados em aprovar o novo Código Florestal”, disse dom Dimas.

Dom Dimas expressou, ainda, preocupações com o Pré-Sal e com a


usina Belo Monte, que será construída no Xingu. Segundo disse,
Altamira já sente o impacto da obra com a chegada em massa de novos
moradores e que a cidade não tem infraestrutura para acolher a todos.
A CNBB presenteou os jornalistas com o Texto-Base da Campanha, que
começou dia 9 de fevereiro e se estende por toda a Quaresma. A Coleta
da Solidariedade, feita no Domingo de Ramos, 17 de abril, foi lembrada
por dom Dimas como gesto concreto de solidariedade que está ao
alcance de todos. O resultado da Coleta é usado para aprovar projetos
sociais segundo o tema da Campanha.

FONTE: Revista Meio Ambiente Industrial