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DIAGNÓSTICO EMPRESARIAL – UM ENFOQUE FINANCEIRO

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Debora Midori Kajita
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Orientadora: Prof.ª Vanessa Ishikawa Rasoto

RESUMO

O diagnóstico empresarial representa uma ferramenta de apoio à tomada de decisões. Neste


estudo a ênfase é apresentar um roteiro para avaliação da situação financeira da empresa,
utilizando os principais modelos: a análise tradicional e a análise dinâmica. Para tanto, a
metodologia de estudo e caso foi aplicada para a análise da Companhia Paranaense de
Energia (COPEL), com base nos demonstrativos financeiros dos períodos de 2000 a 2002.

Palavras-chave: decisões, avaliação, financeiro.

1
Acadêmica do curso de Ciências Contábeis da UNIFAE - Centro Universitário Franciscano. dekajita@pop.com.br

2
Professora de graduação e pós-graduação da UNIFAE - Centro Universitário Franciscano e da Universidade
Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR. vrasoto@hotmail.com
2

INTRODUÇÃO

A elaboração do diagnóstico empresarial por meio das principais técnicas de análise


financeira é essencial ao empresário, facilitando a obtenção de informações para suas tomadas
de decisões tanto frente ao mercado quanto internamente, pois são técnicas mundialmente
reconhecidas e aplicadas.
Além de uma boa gestão, poderá contribuir para a possibilidade de crescimento das
organizações, mantendo-as ativas num cenário de alta competitividade, atuando mediante
custos compatíveis, a fim de enfrentar a concorrência e obter lucros suficientes para reinvestir e
conquistar novos clientes num nível de mercado atual, ou seja, globalizado.
Neste estudo são evidenciadas análises extraídas de uma forma interpretativa de cada
resultado, pois o que mais se observa, hoje, no mercado são inúmeros cálculos automáticos e
informatizados em tabelas integradas que não estimulam a pessoa que o executa a procurar
respostas e soluções, podendo ser utilizada tanto nas instituições de ensino quanto no
ambiente empresarial, auxiliando nos processos de tomada de decisões e análise dos
resultados. Dessa forma, o questionamento central da pesquisa é: “como apresentar a análise
das demonstrações financeiras utilizando uma ferramenta de apoio à tomada de decisão no
planejamento financeiro empresarial?”
Em termos de objetivo geral, é proposta a elaboração de um roteiro de diagnóstico
empresarial financeiro para as sociedades anônimas de capital aberto de Curitiba e Região
Metropolitana do segmento de atividade de Energia Elétrica, com base nos demonstrativos
financeiros dos períodos de 2000 a 2002, tendo como objetivos específicos:
a) buscar os demonstrativos financeiros das sociedades anônimas de capital aberto
de Curitiba e Região Metropolitana do segmento de atividade de energia elétrica;
b) estabelecer a amostra a ser utilizada para a análise;
c) descrever as metodologias de análise dos demonstrativos financeiros;
d) elaborar uma planilha eletrônica em formato Excel para cálculo e descrição da
análise e dos resultados;
e) verificar se o modelo proposto se aplica às sociedades anônimas de capital aberto.
Em termos de metodologia, foi utilizado o método de estudo de caso aplicado na empresa
localizada em Curitiba e Região Metropolitana, classificada como sociedade anônima de capital
aberto, no segmento de atividade de Energia Elétrica: COPEL S.A. Suas informações financeiras
foram obtidas nas publicações da Comissão de Valores Mobiliários – CVM.
O presente trabalho seguiu um embasamento que cerca uma proposta de
apresentação de um diagnóstico empresarial. Foram abordados diversas metodologias,
técnicas e índices que melhor retratem um diagnóstico empresarial.
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REFERENCIAL CONCEITUAL TEÓRICO

No presente artigo, será demonstrado resumidamente um referencial teórico sobre os


indicadores, ferramentas e técnicas de análise, conforme segue.

1 ANÁLISE DINÂMICA

A análise dinâmica permite analisar a empresa em seu contínuo funcionamento e não


apenas pela sua fotografia em um determinado momento. Para tanto, são necessários três
indicadores básicos: capital de giro (CDG), necessidade de capital de giro (NCG) e tesouraria (T).
Na análise dinâmica, é importante observar o saldo da tesouraria, pois, se estiver
negativo, indicará que a empresa está utilizando recursos de curto prazo.
De acordo com Rasoto (2001) e Fleuriet et al. (2003), é necessária a reclassificação
de balanço para o cálculo desses indicadores, conforme segue:
a) Contas cíclicas do ativo (aplicações): duplicatas a receber, estoques e outras
contas operacionais;
b) Contas cíclicas do passivo (fontes): Duplicatas a pagar, salários e encargos,
impostos ligados à produção e outras contas operacionais;
c) Contas permanentes do ativo (aplicações): empréstimos de longo prazo a
terceiros, aplicações financeiras em longo prazo, títulos a receber em longo prazo,
imobilizado e diferido;
d) Contas permanentes do passivo (fontes): empréstimos bancários de longo prazo,
financiamentos de longo prazo, capital social, reservas e lucros suspensos.

1.1 CDG – CAPITAL DE GIRO

Conforme Brasil & Brasil (1997), o capital de giro (CDG) é calculado por meio das
contas permanentes de longo prazo vinculadas à operação.

CDG = CONTAS PERMANENTES DO PASSIVO – CONTAS PERMANENTES DO ATIVO

Expondo de uma maneira diferenciada, Martins e Neto (1985) entendem capital de


giro, no contexto contábil, como o próprio ativo circulante, independente da sua origem.
Conhecido também como recursos totais em giro, o capital circulante representa o
valor total dos recursos demandados pela empresa para financiar o seu ciclo operacional.
A estrutura contábil leva em conta os valores em moeda e não em tempo (no caso, o
ciclo operacional). De acordo com a Lei 6.404/76, a estrutura de tempo é definida e fixada pelo
curso do exercício social da empresa, em geral 360 dias (prazo para manter-se no circulante).
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Na opinião de Martins e Neto (1985), capital de giro representa o valor total dos
recursos aplicados pela empresa para financiar seu ciclo operacional.
Segundo HOJI (2000), em seu conceito econômico, capital de giro é o que deve ser
investido para garantir o funcionamento das operações da empresa (para cobrir o ciclo
operacional).
Para Fleuriet et al. (2003, p.12), o capital de giro, de uma maneira econômica e
financeira, constitui uma fonte de fundos permanentes utilizada para financiar a necessidade de
capital de giro (NCG).
Gitman (2003, p.400) demonstra que o ciclo operacional é o tempo necessário para
que retorne ao início da operação, isto é, inicia-se no desembolso para começar o processo de
produção (compra MP) e finaliza-se no retorno desse desembolso mediante o recebimento da
venda do produto acabado.

1.2 NCG – NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO

Fleuriet et al. (2003, p.6) indicam que a necessidade de capital de giro ocorre quando,
no ciclo financeiro, as saídas de caixa acontecem antes das entradas, ocasionando uma
necessidade de aplicação permanente de fundos.
De acordo com Brasil & Brasil (1997) e Matarazzo (1998), a necessidade de capital de
giro é calculada pela diferença entre as contas cíclicas do ativo e as contas cíclicas do passivo.
Demonstra a defasagem de tempo e de valor entre as operações que as contas representam.
Contas cíclicas: São contas que estão sempre girando, portanto, com reposição
automática e que acompanha o ritmo do negócio.

NCG = CONTAS CÍCLICAS DO ATIVO – CONTAS CÍCLICAS DO PASSIVO

1.3 T – SALDO DE TESOURARIA

Consoante Brasil & Brasil (1997), o saldo de tesouraria é calculado pelas contas
erráticas de curto ou curtíssimo prazo, lembrando que contas erráticas são contas de curto e
curtíssimo prazo não relacionadas com o processo produtivo e não estratégicas como no caso
das contas de longo prazo.

TESOURARIA = CDG - NCG


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2 ANÁLISE HORIZONTAL E VERTICAL

2.1 ANÁLISE HORIZONTAL OU DE CRESCIMENTO

Conforme Martins e Neto (1985), a análise horizontal indica o desempenho da


empresa em determinados períodos, permitindo que se avalie a evolução nominal dos vários
itens de cada demonstração contábil em intervalos seqüenciais de tempo.

2.2 ANÁLISE VERTICAL OU DE ESTRUTURA

Segundo Martins e Neto (1985), é um processo comparativo expresso em valores


relativos (percentagem), que se aplica ao se relacionar uma conta ou um grupo de contas com
um valor afim ou relacionável, identificado no mesmo demonstrativo. Tem por objetivo
determinar a relevância de cada conta em relação a um valor total.

3 ÍNDICES DA ANÁLISE TRADICIONAL

Os índices utilizados na análise tradicional consideram uma fotografia da empresa em


determinado momento para verificação da capacidade de pagamento para a hipótese de a
empresa ser liquidada.
Dentro da análise de liquidação da empresa e, até mesmo, para análise de concessão
de crédito, muitas empresas utilizam os seguintes índices tradicionai, sendo esse o motivo de
estarem incluídos no roteiro do diagnóstico empresarial.

3.1 ÍNDICES DE LIQUIDEZ

Matarazzo (1998) defende que os índices de liquidez não podem ser confundidos com
a capacidade de pagamento, pois não são extraídos do fluxo de caixa que compara as
entradas e saídas de dinheiro.
Para Martins e Neto (1985), os índices desse grupo são um sinalizador da sua
capacidade de pagamento, demonstrando a situação financeira da empresa. Mostram a
relação entre o caixa e outros ativos em comparação com os seus passivos em uma
associação lógica.
A composição desse grupo será mencionada a seguir, de acordo com ambos os
autores.

a) Liquidez imediata
É a relação existente entre o disponível e o passivo circulante e serve para verificar o
nível de caixa da empresa e não tem valor isoladamente.
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DISPONÍVEL
LIQUIDEZ IMEDIATA =
PASSIVO CIRCULANTE

b) Liquidez corrente
Indica a extensão pela qual os passivos circulantes serão cobertos pelos ativos que se
espera converter em caixa no próximo exercício. Serve para verificar se há recursos em giro
suficientes para o resgate dos compromissos de curto prazo.
Quanto maior a diferença com a liquidez seca, maior a dependência da venda de
estoques.

ATIVO CIRCULANTE
LIQUIDEZ CORRENTE =
PASSIVO CIRCULANTE

c) Liquidez seca
Serve para verificar até que ponto uma retração nas vendas afeta a capacidade de
pagamento da empresa.
Se houver uma queda acentuada em relação à liquidez corrente, denota-se alto grau
de dependência de estoques.

(ATIVO CIRCULANTE – ESTOQUES)


LIQUIDEZ SECA =
PASSIVO CIRCULANTE

d) Liquidez geral
É a medida que se presta à análise financeira de longo prazo, pois leva em
consideração não só os valores componentes do ativo circulante, como também os valores
vinculados ao realizável em longo prazo e as obrigações exigíveis por terceiros.

(ATIVO CIRCULANTE + ARLP)


LIQUIDEZ GERAL =
(PASSIVO CIRCULANTE + PELP)

3.2 ÍNDICES DE ESTRUTURA DE CAPITAIS

De acordo com Matarazzo (1998), o grupo de estrutura de capitais mostra linhas de


decisões financeiras em termos de obtenção e aplicação de recursos.
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Para Martins e Neto (1985), são utilizados para verificar a composição das fontes
passivas de recursos de uma empresa, mostrando a utilização dos recursos de terceiros e sua
participação em relação ao capital próprio (grau de comprometimento).

a) Imobilização de capital próprio

Matarazzo (1998) aponta que serve para medir a proporção de recursos próprios
investidos no ativo permanente, isto é, o quanto a empresa aplicou no ativo permanente para
cada $100 de Patrimônio Líquido. Quanto menor, melhor, pois verifica se a aplicação de
recursos em valores não circulantes está afetando a solvência da empresa e indica o grau de
financiamento do ativo permanente pelos capitais próprios.
Em princípio, o ativo permanente deve ser financiado pelo PL, com prioridade, e
quando insuficiente, complementado por recursos de terceiros, mas amortizáveis em longo
prazo.

PERMANENTE X 100
IMOB. CAP. PRÓPRIO =
PATRIMÔNIO LÍQUIDO

b) Imobilização de recursos permanentes

Para Martins e Neto (1985) e Matarazzo (1998), indica fundos permanentes de longo
prazo que financiam as imobilizações, demonstrando se a empresa utiliza capital de terceiro de
curto prazo para financiar seus bens permanentes, comprometendo, muitas vezes, a
capacidade de pagamento de curto prazo.

PERMANENTE X 100
IMOB. REC. PERMANENTE =
PATRIMÔNIO LÍQUIDO + PELP

c) Relação capital de terceiros / capital próprio

Conforme Martins e Neto (1985, p.250), indica o grau de dependência de seu


financiamento com recursos próprios. Essa relação demonstra quanto a empresa possui de
recursos de terceiros para cada valor aplicado de recursos próprios.

EXIGÍVEL TOTAL
CAP. TERC./CAP. PRÓPRIO =
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
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d) Relação capital de terceiros / passivo total

De acordo com Martins e Neto (1985, p.250), mede a porcentagem de financiamentos


dos recursos totais pelo capital de terceiros, mostrando quanto se origina de fontes de
financiamentos não próprias.
Esse índice também demonstra a proporção dos ativos totais (investimento da
empresa), financiada por capital de terceiros. Essa afirmação é defendida pelo fato de o
passivo total incorporar todos os recursos captados pela empresa e que suas aplicações se
encontram identificadas no ativo.

EXIGÍVEL TOTAL
CAP. TERC./PASSIVO TOTAL =
PASSIVO TOTAL

3.3 ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE E RENTABILIDADE

a) Retorno sobre o ativo


De acordo com Matarazzo (1998) e Martins e Neto (1985), a rentabilidade do ativo
mostra quanto a empresa tem de retorno pelas aplicações realizadas em seu ativo. Mede o
potencial de geração de lucro da parte da empresa.
Como critério de decisão, pode ser interpretado como uma medida máxima da
empresa em gerar retorno e, assim, poder capitalizar-se (captação de fundos).
Conforme Matarazzo (1998), a rentabilidade do ativo é calculada da seguinte maneira:

LUCRO LÍQUIDO X 100


RETORNO SOBRE O ATIVO =
ATIVO

b) Retorno sobre o patrimônio líquido

Matarazzo (1998) e Martins e Neto (1985) apontam que esse índice mostra qual a taxa
de rendimento do capital próprio, isto é, o retorno dos recursos aplicados na empresa pelos
seus proprietários.
Para Matarazzo (1998), essa taxa pode ser comparada com outros rendimentos
alternativos proporcionados pelo mercado, para se concluir se estão ou não satisfatórios.

LUCRO LÍQUIDO
RETORNO SOBRE O PL =
PL MÉDIO
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c) Lucratividade das vendas

Como afirmado por Martins e Neto (1985) e Matarazzo (1998), a lucratividade das
vendas indica o quanto a empresa tem de retorno a cada venda realizada, isto é, a eficiência
da empresa em produzir lucro por meio de suas vendas.
Conforme Martins e Neto (1985) e Matarazzo (1998), o retorno sobre as vendas pode
ser apurado em termos líquidos (Margem líquida):

LUCRO LÍQUIDO
MARGEM LÍQUIDA =
VENDAS LÍQUIDAS

Ou em termos operacionais (Margem operacional) mencionados por Martins e Neto


(1985):

LUCRO OPERACIONAL
MARGEM OPERACIONAL =
VENDAS LÍQUIDAS

3.4 ÍNDICES DE PRAZOS MÉDIOS

Os parágrafos abaixo que se referem aos prazos médio baseiam-se, conforme


afirmações de Pereira (2000), em:

a) Prazo médio de recebimento de vendas


O prazo médio de recebimento das vendas indica a média de quantos dias a empresa
leva para receber as vendas realizadas. Varia de acordo com o montante de vendas a prazo e
com o tempo concedido nessas vendas.
Para um exercício de um ano calendário, é calculado da seguinte maneira:

MÉDIA DUPL. À RECEBER X 360


PMRV =
VENDAS

b) Prazo médio de pagamento das compras

O prazo médio de pagamento das compras indica a média de quantos dias a empresa
leva para pagar seus fornecedores.
Para um exercício de um ano calendário, é calculado da seguinte maneira:
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MÉDIA FORNECEDORES X 360


PMPC =
COMPRAS

Segundo Matarazzo (1988), para o cálculo das compras, considera-se a seguinte


fórmula: Compras = Custo das mercadorias/serviços vendidos + Estoque final – Estoque inicial.

c) Prazo médio de estocagem

O prazo médio de rotação dos estoques indica a média de quantos dias os produtos
ficam armazenados na empresa enquanto não são vendidos.
Para um exercício de um ano calendário, é calculado da seguinte maneira:

ESTOQUE MÉDIO X 360


PMRE =
CUSTO DA MERCADORIA OU PRODUTO

4 GRAU DE ALAVANCAGEM

4.1 ALAVANCAGEM FINANCEIRA (GAF)

O grau de alavancagem financeira é calculado pela razão entre o retorno sobre o


patrimônio liquido e o retorno sobre o ativo.

RSPL
GAF=
RSA

Conforme Brasil & Brasil (1997), a alavancagem financeira demonstra a ligação entre o
lucro gerado do patrimônio líquido antes do imposto de renda e o seu rendimento econômico
ligado às suas operações.
Segundo Hoji (2000), ocorre quando o capital de terceiros de longo prazo produz efeitos
sobre o patrimônio líquido. Gitman (2003, p.197) afirma que alavancagem financeira é a “ampliação
do retorno e risco obtido por meio do uso de financiamento de custo fixo”. O retorno e o risco
esperados serão maiores quando houver uma maior utilização de dívidas de custo fixo.
Para Martins e Neto (1985), quanto mais distante a empresa estiver de seu ponto de
equilíbrio, menor será o seu grau de alavancagem operacional, pois menor será o impacto
(percentualmente) sobre o lucro da variação proveniente da alteração no volume de atividade.
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ANÁLISES E RESULTADOS DA PESQUISA

A pesquisa teve como objetivo a elaboração de um roteiro para o diagnóstico


financeiro empresarial. Os dados utilizados para expor um exemplo de como ficaria esse
diagnostico empresarial foram retirados das informações consolidadas da COPEL, as quais
contemplaram as subsidiárias integrais COPEL Geração S.A., COPEL Transmissão S.A.,
COPEL Distribuição S.A., COPEL Telecomunicações S.A. e COPEL Participações S.A.
Os resultados da análise consolidada, realizada com os dados da Copel, foram os
seguintes:

Quadros de análise e interpretação:

ANÁLISE DINÂMICA
Em R$/Mil
ANÁLISE DINÂMICA 2002 2001 2000

Capital de giro (2.805.387) (3.634.497) (3.819.940)

Necessidade de capital de giro 848.416 494.870 579.148

Tesouraria (3.653.803) (4.129.367) (4.399.088)

Nos três anos de análise, a empresa não tem fontes de recursos de longo prazo
suficientes para o financiamento das aplicações de recursos de longo prazo e ainda necessita
de capital de giro para financiar sua atividade operacional resultando em tesouraria negativa
om evidente falta de liquidez.

ÍNDICES DE LIQUIDEZ

ÍNDICES DE LIQUIDEZ 2002 2001 2000

Liquidez imediata 0,25 0,18 0,34

Liquidez corrente 1,28 1,02 1,18

Liquidez seca 1,25 1,00 1,16

Liquidez geral 0,71 0,76 0,70

Os índices de liquidez corrente e seca evidenciam que os bens e direitos de curto


prazo são superiores às obrigações da empresa no curto prazo. Já no índice de liquidez geral
de longo prazo, o exigível total é maior que os bens e direitos de curto e longo prazo nos anos
de análise.
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ÍNDICES DE ESTRUTURA DE CAPITAIS

ÍNDICES DE ESTRUTURA DE CAPITAIS 2002 2001 2000

Imobilização de capital próprio 124% 115% 115%

Imobilização de recursos permanentes 75% 80% 84%

Capital terceiros /Capital próprio 0,81 0,61 0,51

Capital terceiros/Passivo total 0,45 0,38 0,34

A imobilização de capital próprio, a qual indica o grau de financiamento do ativo


permanente pelos capitais próprios, demonstra que a proporção de recursos próprios
investidos no ativo permanente está afetando a solvência da empresa, isto é, há um capital de
giro negativo, pois o capital de terceiros está sendo utilizado para financiar o permanente não
deixando uma maior soma de recursos livres para o capital de giro.
A imobilização de recursos permanentes, indicativa de fundos permanentes de longo
prazo que financiam as imobilizações, demonstra que, em 2000 e 2001, a empresa não
dependia de capital de terceiro de curto prazo para financiar seus bens permanentes, isto é,
sua capacidade de pagamento de curto prazo não estava comprometida. Em 2002, esse índice
mostrou-se melhor ainda, apresentando um menor risco.
A relação de capital de terceiros com o capital próprio, que indica o grau de
dependência da empresa em relação ao seu financiamento por meio de recursos próprios,
revela que, de todo o capital, há 45% de capital de terceiros e 55% de capital próprio, no
período de 2002.
A relação de capital de terceiros com o passivo total, que mede a proporção dos
recursos totais da empresa que se encontra financiada por capitais de terceiros, indica que, em
2002, a cada R$ 1,00 de recursos captados pela empresa, R$ 0,45 é financiado, isto é,
observa-se que menos da metade dos recursos dependem de recursos de terceiros.

ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE E RENTABILIDADE

ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE E RENTABILIDADE 2002 2001 2000

Retorno sobre o ativo -4% 6% 6%

Retorno sobre o patrimônio líquido -7% 10% 9%

Lucratividade operacional das vendas -12% 21% 21%

Lucratividade líquida das vendas -13% 28% 29%

O retorno sobre o ativo demonstra que, nos períodos de 2000 e 2001, a empresa
gerava sobre as aplicações realizadas em seus ativos 6%. Já em 2002 passou a ser de –4%.
O retorno sobre o patrimônio líquido, ou seja, a rentabilidade do capital próprio, a qual
consiste no retorno dos recursos aplicados na empresa pelos seus proprietários, indica que
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havia 10% de lucro de cada valor aplicado em 2000 e 9% em 2001. Em 2002 ocorreu uma
grande queda para -7%.
A lucratividade das vendas, que demonstra a eficiência de uma empresa em produzir
lucro por meio de suas vendas, mostra que, nos períodos de 2000 e 2001, a lucratividade
operacional foi de 21%, mas, em 2002, sofreu uma relevante queda para –12%.
A lucratividade líquida, em uma mesma situação foi de 28% em 2000 e 29% em 2001
para –13% em 2002.

ÍNDICES DE PRAZOS MÉDIOS


Em dias
ÍNDICES DE PRAZOS MÉDIOS 2002 2001 2000

Prazo médio de recebimento de vendas 53 60 59

Prazo médio de pagamento das compras 40 40 22

Prazo médio de rotação dos estoques 3 4 4

Há uma diferença de treze dias entre os prazos de recebimento e de pagamento em


2002, isto é, a empresa pagava suas compras treze dias antes de receber as suas vendas,
gerando, com isso, um desembolso financeiro antecipado.
Os estoques apresentavam, em 2002, um giro muito aproximado ao do seu setor que
é de 2,890 dias, pois giravam a cada três dias, ou seja, uma rotação por ano de
aproximadamente ento e vinte vezes ao ano.

GRAU DE ALAVANCAGEM

GRAU DE ALAVANCAGEM 2002 2001 2000

Grau de alavancagem financeira 1,81 1,61 1,51

O grau de alavancagem financeira aumentou de 1,51 do ano de 2000 para 1,81 para o
ano de 2002, evidenciando um aumento de utilização de capital de terceiros pela empresa.
Esse aumento, no ano de 2000, para o ano 2001 é considerado favorável. No ano de 2002, a
alavancagem financeira foi considerada desfavorável por não trazer retorno ao acionista.

Relatório da Análise

Para fins de análise financeira, observam-se, com maior ênfase, para se chegar a uma
conclusão os seguintes pontos:

Rentabilidade:
ƒ nos anos de 2000 e 2001, apresentou 9% e 10%, respectivamente de rentabilidade
sobre o patrimônio líquido. Analisando-se, como investidor, nota-se que existiam
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aplicações financeiras com um retorno maior que aquele, pois a média do setor era
de 30,871%;
ƒ em 2002, a empresa obteve resultados insatisfatórios em todos os índices de
rentabilidade e lucratividade, pois, além de estarem abaixo da média do setor,
demonstram-se com prejuízo.

Estrutura de capitais:
ƒ a empresa demonstrou uma estabilidade da proporção de seu endividamento, isto
é, em 2001 e 2002, a representatividade percentual do capital próprio foi de 45%, e
a do capital de terceiros, de 55%;
ƒ com referência à imobilização de capital próprio e de recursos permanentes,
demonstra-se que, em 2002, afetou-se a solvência e a capacidade de pagamento
da empresa.

Capacidade de pagamento:
ƒ nos períodos analisados, a empresa não apresentou capacidade suficiente de
pagamento das suas dividas de curto e longo prazo, mas houve uma melhora
gradativa no decorrer dos períodos e, mantendo-se esse mesmo ritmo observado
em 2002, pode-se ter uma expectativa de melhora da liquidez geral.

Prazos médios de pagamento, recebimento e estocagem praticados pela empresa.


ƒ Observa-se que, em 2002, houve um descasamento de treze dias entre o prazo
médio de recebimento de clientes e o prazo médio de pagamento a fornecedores,
gerando um desembolso financeiro antecipado.

Parecer Geral

Aparentemente, a CIA PARANAENSE DE ENERGIA – COPEL, demonstra uma


condição financeira instável, pois não possui uma liquidez suficiente, evidenciada pela sua
tesouraria negativa e baixa rentabilidade, não proporcionando retornos nos anos analisados.

CONCLUSÃO OU CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho seguiu um embasamento que cerca uma proposta de


apresentação de um diagnóstico empresarial. Foram abordados diversas metodologias,
técnicas e índices que melhor retratem um diagnóstico empresarial.
O fechamento do presente trabalho aponta, na prática, um roteiro de elaboração de
um diagnóstico empresarial, citando-se desde a fase inicial de especificações e análises,
passando pela escolha do setor e dos equipamentos e ambientes envolvidos, até o uso efetivo
das ferramentas que analisam os dados carregados.
Chegou-se à conclusão de que a elaboração de um diagnóstico empresarial deve,
além de apontar os índices e técnicas necessárias para a apuração da situação econômica e
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financeira de uma empresa, apresentar as informações de maneira clara, objetiva e


compreensível, pois é fundamental que principalmente os gestores e acionistas entendam os
resultados obtidos e quais as interpretações a serem tiradas.
Este trabalho serviu também para despertar o interesse para a área de análise
financeira, uma área ainda carente de profissionais que projetem e implementem sua utilização
e, conseqüentemente, disponibilizem informações com grande qualidade às altas direções das
empresas que cada vez mais necessitam desvincular-se da relação direta de dependência de
seus subordinados para obterem as informações que norteiam suas tomadas de decisão.
Quanto às técnicas financeiras aplicadas, quase não houve dificuldade, pois as
sociedades de capital aberto têm obrigatoriedade de divulgar as suas demonstrações
financeiras, mas, em relação às informações internas, isto é, informações não financeiras que
não são divulgadas, observa-se que não há maiores interesses e até mesmo tem-se um certo
receio de seu fornecimento, principalmente porque já é um procedimento político da
organização não abrir dados internos.
A aplicação de indicadores embasados em informações não financeiras não ocorreu
nesta pesquisa principalmente pelo fato de os questionários enviados não terem sido
respondidos e não serem divulgados, mas como uma sugestão de uma futura pesquisa, seria
interessante desenvolver uma linha que evidencie as informações internas e seus reflexos nos
resultados financeiros.

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